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APG 29 | feliphe Mascarenhas 
 
1 – Compreender a epidemiologia, etiologia, mecanismos de transmissão, fatores de riscos, fisiopatologia, 
manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento do HPV. 
2 – Entender a correlação do HPV com o câncer. 
 
O Papilomavírus Humano (HPV) é um vírus comum que infecta pele e mucosas, sendo transmitido principalmente 
por contato sexual. Existem tipos de baixo risco, que causam verrugas, e tipos de alto risco, que podem levar a 
cânceres, como o do colo do útero. A infecção pelo HPV é geralmente assintomática e pode desaparecer sozinha, 
mas, se persistente, aumenta o risco de transformação celular maligna. A vacinação e o rastreamento são medidas 
preventivas eficazes para reduzir as infecções e complicações associadas ao HPV 
Prevalência Global 
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais comuns em todo o mundo. Alguns dados 
importantes incluem: 
• Estima-se que cerca de 75-80% das pessoas sexualmente ativas serão infectadas pelo HPV em algum 
momento de suas vidas. 
• A infecção é mais prevalente em jovens entre 15 e 25 anos, período associado a um maior número de 
parceiros sexuais e início da atividade sexual. 
Impacto Global do Câncer Cervical 
O câncer de colo do útero, causado principalmente pelo HPV de alto risco (tipos 16 e 18), é um dos principais 
problemas de saúde pública: 
• De acordo com a OMS, em 2020, houve cerca de 604.000 novos casos de câncer cervical e 342.000 mortes 
relacionadas à doença em todo o mundo. 
• 85% dos casos de câncer cervical ocorrem em países de baixa e média renda, onde o acesso à triagem e à 
vacinação é limitado. 
• A região da África Subsaariana apresenta as taxas mais altas, com incidências superiores a 40 casos por 
100.000 mulheres em alguns países. 
Epidemiologia Nacional (Brasil) 
No Brasil, o HPV também representa um desafio significativo para a saúde pública: 
• Estudos nacionais indicam que a prevalência de HPV entre mulheres varia de 25% a 50%, dependendo da 
região e do grupo etário. 
• O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, a cada ano, cerca de 17.000 novos casos de câncer de 
colo do útero são diagnosticados no Brasil, com uma taxa de mortalidade superior a 6.000 mortes por ano. 
• No Brasil, o HPV 16 e 18 são responsáveis por mais de 70% dos casos de câncer cervical, assim como em 
outras regiões do mundo. 
Impacto em Outros Tipos de Câncer 
Além do câncer cervical, o HPV também está associado a outros tipos de câncer: 
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• Câncer orofaríngeo: A incidência de cânceres orofaríngeos associados ao HPV aumentou nas últimas 
décadas, especialmente em homens. Nos Estados Unidos, cerca de 70% dos casos de câncer orofaríngeo são 
atribuídos ao HPV. 
• Câncer anal: O HPV é responsável por cerca de 90% dos casos de câncer anal em ambos os sexos, com uma 
maior incidência em populações de homens que fazem sexo com homens (HSH). 
Prevalência de Verrugas Genitais 
As verrugas genitais, causadas principalmente pelos tipos de HPV de baixo risco (tipos 6 e 11), são comuns: 
• A prevalência global de verrugas genitais varia entre 0,1% a 5% na população geral, com taxas de incidência 
variando em torno de 160-200 casos por 100.000 pessoas por ano. 
Vacinação e Impacto 
A vacinação tem demonstrado um impacto significativo na redução da prevalência de infecções e lesões pré-
cancerosas associadas ao HPV: 
• Países como Austrália, Reino Unido e Canadá observaram uma redução de mais de 80% nas infecções por 
HPV 16 e 18 em adolescentes e jovens adultos após a implementação de programas de vacinação. 
• No Brasil, o programa de vacinação contra o HPV começou em 2014 e inclui meninas de 9 a 14 anos e 
meninos de 11 a 14 anos. Os primeiros estudos de impacto mostram uma redução na prevalência de 
infecções pelos tipos de HPV cobertos pela vacina. 
Metas Globais e Esforços de Eliminação 
A OMS estabeleceu metas ambiciosas para eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública: 
• A meta é alcançar 90% de cobertura vacinal em meninas até os 15 anos de idade, 70% de cobertura de 
triagem em mulheres de 35 a 45 anos e garantir que 90% das mulheres diagnosticadas com lesões cervicais 
recebam tratamento adequado. 
• No Brasil, a cobertura vacinal ainda enfrenta desafios, com taxas variando significativamente entre regiões, 
afetadas por questões logísticas e de conscientização. 
 
1. Agente Causal 
O papilomavírus humano (HPV) é um vírus pertencente à família Papillomaviridae. É um vírus de DNA de fita dupla, 
com um genoma de aproximadamente 8.000 pares de bases. Ele é não envelopado e apresenta um capsídeo 
icosaédrico composto principalmente pelas proteínas estruturais L1 e L2. 
 
2. Tipos e Classificação 
Existem mais de 200 tipos de HPV, que são classificados em: 
• HPV de baixo risco oncogênico: Causam principalmente lesões benignas, como verrugas genitais e 
condilomas acuminados. Exemplos: HPV 6 e 11. 
• HPV de alto risco oncogênico: Estão relacionados a lesões precursoras de câncer e diversos tipos de câncer, 
principalmente o câncer de colo do útero. Os mais relevantes são os tipos 16 e 18, responsáveis por cerca de 
70% dos casos de câncer cervical. 
 
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3. Características Biológicas 
• Tropismo: O HPV possui um tropismo epitelial, infectando preferencialmente as células da pele e das 
mucosas, como a região anogenital, oral e respiratória. 
• Replicação: O ciclo de vida do vírus está estritamente associado à diferenciação das células epiteliais 
hospedeiras, sendo que ele se replica conforme as células migram das camadas basais para as camadas 
superficiais da epiderme. 
• Latência e Persistência: O HPV pode estabelecer uma infecção latente que persiste por anos, sem 
manifestações clínicas evidentes. Fatores como a imunossupressão podem reativar o vírus e levar ao 
desenvolvimento de lesõe 
 
O HPV é um vírus altamente contagioso que se transmite principalmente pelo contato direto. 
• Transmissão sexual: O contato sexual é o principal modo de transmissão do HPV porque a pele e as mucosas 
da região anogenital são altamente suscetíveis à infecção. O vírus infecta as células epiteliais, que são 
abundantes nessas áreas. A ausência de sintomas em muitos portadores facilita a propagação, pois as 
pessoas podem transmitir o vírus sem saber que estão infectadas. 
• Contato pele a pele: O HPV pode ser transmitido mesmo na ausência de relações sexuais completas. O 
contato direto com lesões ou verrugas contendo o vírus permite que ele passe de uma pessoa para outra, 
pois o vírus sobrevive na camada epitelial e pode invadir através de microfissuras na pele ou mucosas. 
• Transmissão não sexual: Embora rara, a transmissão por objetos que entraram em contato com áreas 
infectadas é possível. Isso se deve à resistência do HPV em superfícies secas e em ambientes externos, o que 
permite sua sobrevivência por períodos curtos fora do corpo humano. 
• Transmissão vertical (mãe para filho): No momento do parto, o bebê pode entrar em contato com o HPV 
presente no trato genital da mãe. Essa exposição pode levar à papilomatose respiratória, onde o vírus infecta 
as vias aéreas da criança. Isso ocorre porque, durante o parto, há um contato estreito e prolongado com a 
mucosa vaginal. 
 
Os fatores de risco explicam por que algumas pessoas são mais propensas a contrair o HPV e a ter complicações 
graves associadas à infecção. Cada fator tem uma base biológica ou comportamental que contribui para aumentar a 
vulnerabilidade à infecção. 
• Atividade sexual: 
o Número de parceiros sexuais: Quanto maior o número de parceiros, maior a exposição potencial ao 
vírus, aumentando a probabilidade de contato com uma pessoa infectada. Isso se deve ao fato de 
que o HPV é uma das ISTs mais comuns, e muitos portadores são assintomáticos. 
o Início precoce da atividade sexual: Ter relações sexuais em uma idade jovem é um fator de riscoporque o epitélio anogenital ainda pode não estar totalmente maduro, facilitando a entrada e 
replicação do HPV. 
• Imunossupressão: 
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o Sistema imunológico enfraquecido: Pessoas com um sistema imunológico comprometido, como 
portadores de HIV ou pacientes em tratamento imunossupressor, têm uma menor capacidade de 
controlar e eliminar o HPV, facilitando infecções persistentes e o desenvolvimento de lesões de alto 
risco. 
• Tabagismo: 
o Efeito do cigarro no sistema imunológico: O tabagismo compromete a resposta imune local e 
sistêmica, prejudicando a capacidade do corpo de combater infecções. Substâncias tóxicas presentes 
no tabaco podem danificar as células epiteliais e criar um ambiente favorável para a persistência do 
vírus. 
• Outras ISTs: 
o Sinergia entre infecções: Infecções como clamídia e herpes podem inflamar e danificar a mucosa 
genital, facilitando a entrada do HPV e aumentando a vulnerabilidade à infecção. 
• Uso prolongado de contraceptivos orais: 
o Alterações hormonais: Estudos sugerem que o uso prolongado de contraceptivos hormonais pode 
alterar o ambiente genital, tornando-o mais propício para a infecção persistente do HPV. Essa 
associação ainda está sendo estudada, mas acredita-se que as mudanças hormonais possam 
influenciar a resposta imune local. 
• Fatores genéticos e hormonais: 
o Predisposição genética: Algumas pessoas têm variantes genéticas que afetam a resposta imune à 
infecção pelo HPV, tornando-as mais suscetíveis à infecção persistente e ao desenvolvimento de 
câncer. 
o Influência hormonal: Certos hormônios podem modular a replicação viral e a resposta do 
hospedeiro, influenciando a progressão da infecção para lesões de alto risco. 
• Falta de vacinação: 
o Proteção insuficiente: A vacinação contra o HPV protege contra os tipos mais comuns e perigosos do 
vírus, incluindo os de alto risco oncogênico (tipos 16 e 18). A ausência de vacinação deixa as pessoas 
vulneráveis a esses tipos, aumentando a chance de infecção e suas potenciais complicações. 
 
1. Entrada do Vírus na Célula 
• Mecanismo de Inoculação: O HPV infecta o epitélio através de microabrasões ou fissuras na pele ou mucosa, 
que expõem as células da camada basal. Essas microlesões podem ocorrer devido a relações sexuais, 
manipulações mecânicas, ou traumatismos leves na mucosa. 
• Interação com Receptores Celulares: O HPV inicialmente se liga a receptores de superfície como o heparan 
sulfato e outros proteoglicanos. Essa ligação é mediada por proteínas capsídicas do HPV, especialmente a 
proteína L1 (vai aderir a célula). Após essa interação inicial, a internalização do vírus ocorre por endocitose 
dependente de clatrina. L2 vai ser uma proteína para o reconhecimento para penetrar nas células basais. 
• Penetração e Liberação do Genoma Viral: Uma vez endocitado, o HPV sofre um processo de decapsidação 
dentro do endossomo, permitindo que seu genoma DNA circular bicatenário seja liberado no citoplasma e 
posteriormente transportado para o núcleo da célula hospedeira. 
 
APG 29 | feliphe Mascarenhas 
 
2. Ciclo Viral e Replicação 
• Estrutura do Genoma Viral: O genoma do HPV possui aproximadamente 8.000 pares de bases e contém 
regiões que codificam proteínas de replicação (E1 e E2), regulação (E4 e E5) e transformação (E6 e E7), além 
das proteínas estruturais (L1 e L2). 
• Replicação Inicial: Na camada basal do epitélio, o vírus entra em uma fase de replicação de baixa cópia, na 
qual a proteína E1 atua como helicase para desdobrar o DNA viral e a E2 auxilia na estabilização e controle da 
replicação. A replicação inicial visa manter um número limitado de cópias do genoma viral para evitar a 
detecção pelo sistema imune. 
• Fase de Amplificação Viral: Conforme as células infectadas se dividem e se diferenciam, migrando em 
direção à superfície do epitélio, a expressão dos genes virais é modulada. A amplificação do DNA viral ocorre 
nas camadas mais superiores, onde o vírus utiliza a maquinaria celular para sintetizar milhares de cópias de 
seu genoma. 
• Expressão Gênica Tardia e Montagem: As proteínas L1 e L2, que compõem a cápside viral, são expressas nas 
camadas superficiais do epitélio e são responsáveis pela montagem dos novos vírions. A liberação do vírus 
ocorre sem a lise celular, contribuindo para a baixa imunogenicidade da infecção. 
3. Produção e Função das Proteínas Virais 
• E1 e E2: São proteínas responsáveis pela replicação e regulação do genoma viral. A E1 atua como helicase, 
desenrolando o DNA viral para replicação, enquanto a E2 regula a transcrição dos genes precoces e ajuda a 
manter o genoma viral em um estado de baixa cópia nas células basais. 
• E4: Relacionada à desestabilização da citoqueratina celular, facilitando a saída dos vírions das células 
epiteliais superiores. (prolapso das células > lise = coilocíticas) 
• E5: Atua na modulação da resposta imune ao inibir a apresentação de antígenos através da redução da 
expressão de moléculas MHC de classe I, permitindo que o HPV escape da detecção por células T citotóxicas. 
• E6 e E7 (tipos de alto risco): 
o E6: Liga-se à p53 e promove sua degradação via ubiquitinação mediada pelo complexo E6-AP. A p53, 
conhecida como "guardião do genoma", é crucial para a regulação do ciclo celular e indução de 
apoptose em resposta a danos no DNA. A perda da p53 leva à proliferação celular descontrolada e à 
capacidade da célula de evitar a apoptose. 
o E7: Liga-se e inativa a proteína pRb, liberando o fator de transcrição E2F. A pRb normalmente 
mantém E2F inativa para controlar a progressão do ciclo celular. A liberação de E2F promove a 
transição para a fase S, levando à proliferação celular descontrolada. Essa atividade contribui para a 
instabilidade genômica e acúmulo de mutações. 
4. Imunoevasão 
• Imunogenicidade Limitada: O HPV tem uma estratégia eficaz para evitar a resposta imune. Ele não causa lise 
celular ou inflamação aguda, o que significa que há pouca liberação de sinais de alarme (como citocinas pró-
inflamatórias) para alertar o sistema imune. 
• Redução na Apresentação Antigênica: A proteína E5 diminui a expressão de moléculas MHC de classe I na 
superfície celular, limitando a capacidade das células T citotóxicas de reconhecer e eliminar as células 
infectadas. 
• Falta de Resposta Imune Sistêmica: A infecção pelo HPV geralmente permanece localizada nas camadas 
superficiais do epitélio, o que significa que há pouca exposição de antígenos virais às células dendríticas e 
outros componentes do sistema imune. 
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5. Progressão para Neoplasia 
• Lesões Pré-neoplásicas: A infecção persistente por subtipos de HPV de alto risco leva à proliferação celular 
desregulada e formação de lesões precursoras, como a neoplasia intraepitelial cervical (NIC). Essas lesões são 
classificadas em NIC I (lesão de baixo grau), NIC II e III (lesões de alto grau), dependendo da profundidade do 
comprometimento epitelial. 
• Transformação Maligna: O efeito cumulativo da expressão contínua das proteínas E6 e E7 causa instabilidade 
genômica e mutações adicionais. O resultado é a transformação maligna das células infectadas e o 
desenvolvimento de carcinomas invasivos, como o carcinoma cervical de células escamosas e 
adenocarcinoma. 
• Fatores Contribuintes: A progressão da infecção para câncer pode ser influenciada por fatores como 
coinfecções (por exemplo, HIV), tabagismo, fatores genéticos do hospedeiro, imunossupressão e fatores 
hormonais. 
6. Resposta Imune e Resolução da Infecção 
• Resposta Imune Innata: As células epiteliais infectadas pelo HPV podem secretar pequenas quantidades de 
citocinas e quimiocinas, mas essa resposta inicial geralmente é insuficiente para desencadear uma resposta 
imunológica robusta. 
• Resposta Imune Adaptativa: Em infecções resolutivas, os linfócitos T CD8+ (citotóxicos) e CD4+ (auxiliadores) 
desempenham papéis cruciais na identificaçãoe eliminação de células infectadas. A presença de anticorpos 
contra proteínas virais, como L1, pode indicar uma resposta imune adaptativa eficiente. 
• Imunossupressão e Persistência Viral: Em indivíduos imunocomprometidos, a resposta imune adaptativa é 
enfraquecida, facilitando a persistência da infecção e aumentando o risco de progressão para neoplasia. 
 
1. Verrugas Genitais (Condilomas Acuminados) 
Características 
• Aparência: Lesões elevadas, de cor rósea, acinzentada ou esbranquiçada, com superfície verrucosa e aspecto 
de “couve-flor”. 
• Localização: Surgem em áreas genitais e perianais, incluindo vulva, pênis, ânus, vagina e colo do útero. 
• Sintomas: Normalmente, são indolores, mas podem causar prurido, desconforto ou até sangramento, 
dependendo do tamanho e da localização. 
 
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Causa 
• Os tipos de HPV de baixo risco, como HPV 6 e 11, são responsáveis por aproximadamente 90% das verrugas 
genitais. 
Mecanismo 
• O HPV infecta as células basais da epiderme e induz a proliferação dos queratinócitos, levando ao acúmulo 
de células infectadas e à formação de verrugas. A proteína viral E5 ajuda na proliferação ao interagir com 
receptores de fatores de crescimento celular. 
2. Papilomatose Respiratória Recorrente (Papilomas Laríngeos) 
Características 
• Aparência: Lesões verrucosas localizadas na laringe e vias aéreas superiores. 
• Localização: Predominantemente na laringe, mas pode afetar outras partes das vias aéreas superiores. 
• Sintomas: Rouquidão, dificuldade para respirar, tosse crônica e, em casos graves, obstrução das vias aéreas. 
 
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Causa 
• Causada pelos tipos de HPV 6 e 11, adquirida geralmente durante o parto, quando o bebê é exposto ao vírus 
no trato genital materno. 
Mecanismo 
• O HPV infecta as células epiteliais das vias respiratórias superiores, causando proliferação descontrolada dos 
queratinócitos e formação de papilomas. O ambiente úmido e o tecido respiratório propiciam a persistência 
do vírus. 
3. Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) 
Características 
• Aparência: Alterações microscópicas nas células cervicais, detectáveis por citologia (exame de Papanicolau) e 
colposcopia. 
• Classificação: Classificada em três graus, dependendo da extensão da displasia: 
o NIC I: Displasia leve, envolvendo o terço inferior do epitélio. 
o NIC II: Displasia moderada, envolvendo dois terços do epitélio. 
o NIC III: Displasia grave ou carcinoma in situ, envolvendo todo o espessamento epitelial. 
Causa 
• Tipos de HPV de alto risco, como HPV 16 e 18, estão fortemente associados à NIC, especialmente em 
infecções persistentes. 
Mecanismo 
• A infecção persistente por HPV de alto risco leva à expressão prolongada das proteínas E6 e E7, que inativam 
as proteínas supressoras de tumor p53 e pRb. Essa inativação causa proliferação celular descontrolada e 
displasia nas células do epitélio cervical, que pode progredir para câncer se não tratada. 
4. Câncer do Colo do Útero 
Características 
• Aparência: Lesão invasiva com diferentes apresentações morfológicas, como úlceras, tumores e massas que 
invadem o tecido subjacente. 
• Sintomas: Pode ser assintomático em estágios iniciais; em estágios avançados, apresenta sangramento 
vaginal anormal, dor pélvica e corrimento vaginal. 
 
 
APG 29 | feliphe Mascarenhas 
 
Causa 
• Tipos de HPV de alto risco, principalmente 16 e 18, são responsáveis por mais de 70% dos casos de câncer do 
colo do útero. 
Mecanismo 
• A infecção persistente e a integração do DNA viral ao genoma do hospedeiro resultam na expressão 
descontrolada das proteínas E6 e E7, levando à transformação maligna das células. Com o tempo, essas 
células displásicas acumulam mutações, progridem para câncer invasivo e podem invadir outros tecidos e 
órgãos. 
5. Cânceres Anogenitais (Anal, Peniano, Vulvar e Vaginal) 
Características 
• Aparência: Lesões malignas que podem se apresentar como massas ulceradas ou lesões exofíticas nos 
respectivos órgãos. 
• Sintomas: Pode incluir dor, sangramento, ulceração e prurido. 
Causa 
• Assim como o câncer do colo do útero, esses cânceres estão associados a tipos de alto risco, especialmente 
HPV 16. 
Mecanismo 
• A patogênese envolve a mesma ação das proteínas E6 e E7, levando à proliferação celular descontrolada e à 
transformação maligna. A persistência da infecção e os fatores de risco, como imunossupressão e tabagismo, 
podem intensificar a progressão para o câncer. 
6. Cânceres Orofaríngeos 
Características 
• Aparência: Lesões malignas que geralmente afetam tonsilas, base da língua e orofaringe. 
• Sintomas: Rouquidão persistente, dificuldade para engolir, dor de garganta crônica e presença de massa ou 
nódulos na área do pescoço. 
Causa 
• O HPV tipo 16 é o principal associado aos cânceres orofaríngeos. 
Mecanismo 
• A infecção persistente com HPV 16 leva à transformação das células epiteliais na orofaringe, por meio dos 
mesmos mecanismos de inativação de p53 e pRb por E6 e E7. Células transformadas com mutações 
acumuladas se tornam malignas, especialmente em indivíduos com imunidade diminuída. 
7. Lesões Subclínicas e Infecções Assintomáticas 
Características 
• Aparência: Não são visíveis clinicamente, mas podem ser detectadas por exames moleculares (DNA do HPV) 
e citologia. 
• Sintomas: Geralmente assintomáticas. 
 
APG 29 | feliphe Mascarenhas 
 
Causa 
• Qualquer tipo de HPV pode estar presente em infecções subclínicas. 
Mecanismo 
• A infecção pelo HPV em uma fase inicial não causa mudanças celulares aparentes. Em muitos casos, o 
sistema imunológico elimina o vírus, mas, se a infecção persistir, ela pode evoluir para lesões clinicamente 
detectáveis. 
 
1. Exame Físico 
Método 
• O exame físico é o primeiro passo para identificar lesões visíveis na pele e nas mucosas, como verrugas 
genitais e lesões suspeitas no colo do útero ou outras áreas anogenitais. 
• Geralmente realizado em conjunto com uma anamnese detalhada, incluindo questões sobre sintomas e 
histórico sexual. 
Achados 
• Verrugas Genitais: Lesões exofíticas, verrucosas, de cor rósea ou acinzentada, com aparência de "couve-flor". 
• Lesões Cervicais e Anogenitais: Lesões planas, papulares ou nodulares, que podem variar de tamanho e 
coloração. 
• Papilomas Laríngeos: Observados na cavidade oral ou na laringe (em casos de papilomatose respiratória), 
caracterizados por lesões verrucosas. 
2. Citologia (Papanicolau) 
Método 
• O exame de Papanicolau é um método de triagem usado principalmente para detectar alterações celulares 
no colo do útero. As células são coletadas da superfície do colo uterino e do canal endocervical, coradas e 
examinadas ao microscópio. 
• Realizado como parte do exame ginecológico de rotina em mulheres, especialmente em programas de 
rastreamento de câncer cervical. 
Achados 
• Coilocitose: Presença de coilócitos (células com núcleo irregular e halo perinuclear), que são características 
de infecção por HPV. 
 
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• Alterações Celulares Pré-cancerosas: As células podem apresentar displasia, sendo classificadas como Lesão 
Intraepitelial Escamosa de Baixo Grau (LSIL) ou Lesão Intraepitelial Escamosa de Alto Grau (HSIL). 
Lesão Intraepitelial Escamosa de Baixo Grau (LSIL): 
o Causa: Frequentemente associada ao HPV de baixo risco. 
o Características celulares: Alterações leves nas células do epitélio, com núcleos levemente 
aumentados e halos perinucleares, correspondendo ao Grau 1 de Neoplasia Intraepitelial Cervical 
(NIC 1). 
o Grau de acometimento do epitélio: As alterações se limitam ao terço inferior do epitélio. 
o Risco: Baixo potencial de progressão para câncer, com muitas lesões regredindo espontaneamente. 
o Conduta: Geralmente apenas acompanhamento, com novos exames após alguns meses. 
Lesão Intraepitelial Escamosa de Alto Grau (HSIL): 
o Causa: Associada ao HPV de alto risco(como os tipos 16 e 18). 
o Características celulares: Displasia moderada a severa, com núcleos aumentados, alta relação 
núcleo-citoplasma e cromatina irregular. Equivale aos graus 2 e 3 de Neoplasia Intraepitelial Cervical 
(NIC 2 e NIC 3). 
o Grau de acometimento do epitélio: As alterações afetam de dois terços a toda a espessura do 
epitélio. 
o Risco: Alta probabilidade de progressão para câncer se não tratada. 
o Conduta: Geralmente requer tratamento para remoção da lesão, como conização, além de 
acompanhamento pós-tratamento. 
• Células Atípicas: Alterações na forma e no tamanho do núcleo, aumento da relação núcleo-citoplasma e 
presença de cromatina irregular, que indicam a possível transformação para uma lesão pré-cancerosa ou 
cancerosa. 
3. Colposcopia 
Método 
• A colposcopia é um exame visual detalhado do colo do útero, vagina e vulva, realizado com um colposcópio 
(microscópio de aumento). Utiliza reagentes, como o ácido acético, para ajudar na visualização de áreas 
anormais. 
• Indicada para pacientes com resultados anormais no exame de Papanicolau ou como acompanhamento de 
alterações pré-cancerosas. 
Achados 
• Branqueamento Acetobranco: Áreas esbranquiçadas que indicam a presença de lesões induzidas pelo HPV. 
• Padrões Vasculares Anormais: Alterações na disposição dos vasos sanguíneos que podem sugerir lesões de 
alto grau ou neoplasias. 
• Mosaico e Pontilhado: Estruturas vasculares características de lesões intraepiteliais. 
APG 29 | feliphe Mascarenhas 
 
 
4. Biópsia e Exame Histopatológico 
Método 
• A biópsia é a remoção de uma amostra de tecido para análise histopatológica, geralmente realizada em 
lesões identificadas pela colposcopia ou em outras áreas suspeitas (como região anal ou orofaringe). 
• A amostra é fixada, processada e examinada ao microscópio para avaliar as características celulares e 
arquiteturais. 
Achados 
• Coilocitose: Confirmação de células coilocíticas com núcleo hipercromático e halo perinuclear. 
• Alterações Displásicas: Displasia leve, moderada ou grave nas células epiteliais, que podem corresponder à 
neoplasia intraepitelial cervical (NIC) I, II ou III. 
• Invasão Tecidual: Em casos de câncer invasivo, observa-se invasão de células anômalas além do epitélio, 
indicando progressão para carcinoma. 
5. Testes de DNA do HPV 
Método 
• Testes moleculares de detecção de DNA do HPV identificam a presença e o tipo específico de HPV, com foco 
nos tipos de alto risco (como 16 e 18). Amostras são coletadas do colo do útero, e os testes são realizados 
por técnicas como PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) ou hibridização molecular. 
• Recomendado para mulheres com alterações citológicas leves ou para triagem em combinação com o exame 
de Papanicolau. 
Achados 
• Positivo para HPV de Alto Risco: A presença de DNA viral dos tipos oncogênicos indica risco aumentado de 
progressão para lesão pré-cancerosa ou câncer. 
• Genotipagem Específica: Identificação dos tipos específicos de HPV presentes, útil para monitoramento de 
tipos de alto risco (HPV 16 e 18). 
6. Teste de Captura Híbrida 
Método 
• A captura híbrida é um teste de detecção de HPV que identifica a presença de DNA viral usando sondas 
específicas para grupos de HPV de baixo e alto risco. 
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• É frequentemente utilizado como método complementar ao exame de Papanicolau e pode ser realizado em 
ambientes de laboratório clínico. 
Achados 
• Classificação em Alto ou Baixo Risco: Os resultados diferenciam entre infecção por tipos de baixo risco e 
tipos de alto risco, o que ajuda a avaliar o risco de desenvolvimento de lesões malignas. 
• Carregamento Viral: Alguns testes de captura híbrida indicam a carga viral, o que pode fornecer uma ideia 
sobre o nível de infecção e risco de progressão. 
7. Imunohistoquímica 
Método 
• Técnicas de imunohistoquímica utilizam anticorpos específicos para detectar proteínas virais, como as 
oncoproteínas E6 e E7, nas células infectadas. 
• São úteis em casos de lesões atípicas ou para confirmar a presença de infecção por HPV em tecidos com 
suspeita de malignidade. 
Achados 
Presença de Proteínas E6 e E7: Confirma a infecção por HPV de alto risco em lesões pré-cancerosas ou cancerosas. 
• Expressão Anômala de p16: A proteína p16 é um marcador de atividade viral do HPV e sua expressão 
anormal pode ser indicativa de transformação celular. 
8. Exames Complementares para Cânceres Orofaríngeos e Anogenitais 
Método 
• Exame Visual e Exame de PCR em Biópsias Orais ou Anais: Em cânceres orofaríngeos ou anais suspeitos de 
associação com HPV, biópsias das lesões são avaliadas e submetidas à detecção de DNA viral por PCR. 
• PET-CT: Em casos de cânceres avançados, exames de imagem como PET-CT podem ser usados para avaliar a 
extensão do câncer e a presença de metástases. 
Achados 
• Positivo para DNA do HPV (geralmente tipo 16): Em cânceres de orofaringe e canal anal, a presença de HPV 
16 é fortemente indicativa de etiologia viral. 
• Invasão Local ou Metástase: No caso de cânceres invasivos, esses exames ajudam a determinar a extensão e 
o estágio do câncer. 
 
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O tratamento das lesões causadas pelo HPV depende do tipo de manifestação (lesões benignas, lesões pré-
cancerosas ou câncer invasivo) e da localização. Embora não exista um tratamento para erradicar o HPV diretamente, 
o manejo visa eliminar as lesões visíveis e reduzir a chance de progressão para câncer. 
1. Tratamento das Verrugas Genitais e Anogenitais 
As verrugas genitais (condilomas acuminados) são causadas principalmente por HPV de baixo risco (tipos 6 e 11) e 
podem ser tratadas com várias abordagens, tanto químicas quanto físicas. 
Opções de Tratamento 
a. Tratamento Químico 
• Ácido Tricloroacético (ATA): 
o Mecanismo: Causa coagulação química das proteínas, resultando em necrose celular e destruição 
das verrugas. 
o Aplicação: Uso tópico em concentrações entre 80-90%. Aplicado diretamente sobre a verruga, 
geralmente uma vez por semana, até que a lesão seja eliminada. 
o Efeitos Adversos: Dor e sensação de ardor. 
• Podofilina e Podofilotoxina: 
o Mecanismo: Inibe a divisão celular e causa destruição dos queratinócitos, induzindo necrose das 
lesões. 
o Aplicação: A podofilina é aplicada em concentração de 10-25%, uma vez por semana, e lavada após 
algumas horas. A podofilotoxina, uma forma purificada, é aplicada duas vezes ao dia por três dias 
consecutivos. 
o Contraindicações: Não recomendado para grávidas devido ao risco teratogênico. 
• Imiquimode (5%): 
o Mecanismo: Imunomodulador que estimula a produção de citocinas (como interferon-alfa) e ativa a 
resposta imune local contra o HPV. 
o Aplicação: Aplicado três vezes por semana durante até 16 semanas. Deve ser retirado após 6 a 10 
horas. 
o Efeitos Adversos: Vermelhidão, erosão e sensação de queimação no local. 
b. Tratamento Físico 
• Crioterapia: 
o Mecanismo: Congelamento das células infectadas com nitrogênio líquido, causando destruição 
celular e necrose tecidual. 
o Aplicação: Realizada com intervalos de 1 a 2 semanas, dependendo da resposta clínica. 
o Efeitos Adversos: Desconforto, dor e edema local. 
• Eletrocauterização: 
o Mecanismo: Queima as verrugas por meio de corrente elétrica, causando destruição térmica dos 
tecidos. 
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o Aplicação: Realizada em ambiente ambulatorial, com anestesia local, sendo uma opção para lesões 
maiores ou resistentes. 
o Efeitos Adversos: Dor, risco de formação de cicatrizes. 
• Laser de CO₂: 
o Mecanismo: Usa energia do laser para vaporizar as células infectadas, causando destruição das 
verrugas. 
o Aplicação: Geralmente usada para lesões extensas ou recidivantes. 
o Efeitos Adversos: Dor, risco de cicatrizes e necessidade de anestesia local ou geral. 
2. Tratamento das Lesões Pré-cancerosas (Neoplasia Intraepitelial Cervical - NIC) 
As lesões pré-cancerosas, classificadascomo NIC I (baixo grau) e NIC II/III (alto grau), exigem abordagens específicas 
para prevenir a progressão para câncer cervical. 
Opções de Tratamento 
• NIC I (Lesão de Baixo Grau): 
o Normalmente, a NIC I é observada por regressão espontânea em muitos casos. Pode ser 
acompanhada com exames de Papanicolau e colposcopia a cada 6 meses por 1 ano. Se a lesão 
persistir ou progredir, considera-se tratamento para lesão de alto grau. 
• NIC II e NIC III (Lesão de Alto Grau): 
o Exérese da Zona de Transformação: 
▪ Mecanismo: Remoção cirúrgica das áreas afetadas do colo do útero, prevenindo o 
desenvolvimento de câncer invasivo. 
▪ Técnicas: Incluem excisão com bisturi frio, eletrocirurgia de alta frequência (CAF) ou excisão 
da zona de transformação com alça de diatermia (conização). 
o Crioterapia: 
▪ Mecanismo: Congelamento das células com nitrogênio líquido, causando necrose das células 
displásicas. 
▪ Aplicação: Indicado para lesões de pequeno tamanho, localizadas e totalmente visíveis na 
colposcopia. 
o Laser de CO₂: 
▪ Mecanismo: Vaporiza e destrói as células displásicas da zona de transformação. 
▪ Aplicação: Indicada para lesões de maior extensão ou em casos de recidiva. 
3. Tratamento do Câncer Cervical e Outros Cânceres Associados ao HPV 
Para cânceres invasivos associados ao HPV (colo do útero, anal, orofaríngeo, entre outros), o tratamento é mais 
complexo e depende do estágio da doença. As abordagens incluem: 
a. Tratamento Cirúrgico 
• Histerectomia: Remoção do útero, indicada em câncer cervical invasivo, especialmente em estágios iniciais. 
• Exenteração Pélvica: Procedimento mais radical que inclui a remoção de órgãos pélvicos, indicado em casos 
avançados ou recidivantes. 
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b. Radioterapia 
• Usada para destruir células cancerosas, indicada em vários estágios do câncer cervical e outros tipos de 
câncer relacionados ao HPV. 
• Frequentemente combinada com quimioterapia para potencializar os efeitos. 
c. Quimioterapia 
• Medicamentos quimioterápicos, como cisplatina, são usados para tratar cânceres invasivos. Em câncer 
cervical, a quimioterapia é frequentemente administrada em combinação com a radioterapia. 
 
1. Práticas de Sexo Seguro 
• Uso de Preservativos: O uso de preservativos pode reduzir o risco de transmissão do HPV, embora não 
ofereça proteção total, pois o vírus pode infectar áreas não cobertas pelo preservativo. 
• Limitação de Parceiros: Reduzir o número de parceiros sexuais pode diminuir o risco de exposição ao HPV. 
• Educação Sexual: A educação sobre práticas sexuais seguras e o entendimento sobre a transmissão do HPV 
podem ajudar na prevenção. 
2. Rastreamento e Diagnóstico Precoce 
• Exame de Papanicolau: Importante para a detecção de alterações pré-cancerosas no colo do útero, 
permitindo intervenção antes da progressão para câncer invasivo. 
• Testes de DNA do HPV: Complementares ao Papanicolau, esses testes identificam infecções por HPV de alto 
risco, sendo recomendados em mulheres a partir dos 30 anos e em situações de Papanicolau alterado. 
• Colposcopia: Realizada em casos de resultados anormais no Papanicolau ou no teste de HPV para inspeção 
visual mais detalhada e possível biópsia de lesões suspeitas. 
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3. Vacinação contra o HPV 
A vacinação é a estratégia mais eficaz e recomendada para a prevenção da infecção pelo HPV e suas complicações. As 
vacinas contra o HPV contêm partículas semelhantes ao vírus (VLPs, virus-like particles), que são produzidas por 
engenharia genética e estimulam o sistema imunológico sem causarem infecção. 
Tipos de Vacinas Disponíveis 
1. Vacina Bivalente (Cervarix®): 
o Protege contra os tipos 16 e 18, principais causadores do câncer do colo do útero e de outros 
cânceres anogenitais. 
o Indicada principalmente para prevenção de câncer cervical. 
2. Vacina Quadrivalente (Gardasil®): 
o Protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18. Além de prevenir o câncer cervical e outros tipos de cânceres 
anogenitais, protege contra verrugas genitais, causadas pelos tipos 6 e 11. 
o Amplamente utilizada devido à proteção ampliada, incluindo prevenção de lesões benignas. 
3. Vacina Nonavalente (Gardasil 9®): 
o Protege contra nove tipos de HPV (6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58). Além de oferecer cobertura 
para verrugas genitais e para o câncer cervical, amplia a proteção contra outros tipos oncogênicos. 
o Indicada para uma proteção mais ampla, especialmente em programas de vacinação em massa. 
Mecanismo de Ação da Vacina 
As vacinas contra o HPV são compostas por VLPs da proteína L1, que formam a cápside do vírus. Essas partículas são 
similares ao vírus real, mas não contêm material genético, ou seja, são incapazes de causar infecção. Quando 
administradas, as VLPs induzem uma resposta imunológica robusta, levando à produção de anticorpos neutralizantes 
específicos para os tipos de HPV incluídos na vacina. Esses anticorpos circulam no organismo e estão prontos para 
neutralizar o vírus caso ocorra uma exposição futura, impedindo a infecção. 
Esquema de Vacinação 
De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde no Brasil e de outras organizações internacionais de saúde, a 
vacinação contra o HPV é recomendada principalmente para pré-adolescentes e adolescentes antes do início da 
atividade sexual, mas também pode beneficiar outras faixas etárias. 
1. Esquema para Adolescentes (9 a 14 anos): 
o Doses: Duas doses, com intervalo de 6 meses entre as aplicações. 
o População Alvo: Meninas e meninos, para imunização antes da exposição ao HPV, garantindo maior 
efetividade da vacina. 
2. Esquema para Maiores de 15 Anos e Adultos: 
o Doses: Três doses, com o esquema 0, 2 e 6 meses (segunda dose 2 meses após a primeira e a terceira 
dose 6 meses após a primeira). 
o População Alvo: Indivíduos que não foram vacinados anteriormente, incluindo pessoas até 26 anos, 
e, em alguns casos, adultos mais velhos, conforme orientação médica. 
3. Indivíduos Imunossuprimidos: 
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o Esquema: Três doses, independentemente da idade. A imunossupressão pode reduzir a resposta 
imune, sendo recomendada a dose adicional para maximizar a proteção. 
Eficácia da Vacinação 
Estudos demonstram que a vacinação contra o HPV é altamente eficaz na prevenção de infecções persistentes pelos 
tipos de HPV cobertos pela vacina, prevenindo até 90% das lesões pré-cancerosas de alto grau e cânceres 
relacionados ao HPV, como o câncer cervical, anal e alguns tipos de câncer orofaríngeo. A vacinação também reduz a 
incidência de verrugas genitais, especialmente com a vacina quadrivalente e nonavalente. 
Benefícios da Vacinação Ampliada para Meninos e Homens 
A vacinação para meninos e homens oferece proteção direta contra verrugas genitais, câncer de pênis e câncer anal, 
além de reduzir a transmissão do HPV na população, contribuindo para a imunidade de rebanho e diminuindo a 
circulação do vírus. 
Considerações sobre Segurança e Efeitos Adversos 
As vacinas contra o HPV são seguras e amplamente estudadas. Os efeitos colaterais são geralmente leves, incluindo 
dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação, febre baixa e dor de cabeça. Reações alérgicas graves são raras, e as 
vacinas são contraindicadas apenas em casos de alergia grave a algum componente da vacina. 
 
A infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) tem uma forte correlação com o desenvolvimento de diversos tipos de 
câncer, especialmente o câncer do colo do útero. Os subtipos de alto risco do HPV (principalmente HPV 16 e 18) são 
considerados agentes causadores de cerca de 99% dos casos de câncer cervical e estão também associados a outros 
cânceres anogenitais e orofaríngeos. Abaixo, exploro em detalhes a correlação entre o HPV e o câncer, incluindo os 
mecanismos moleculares e os tipos de câncer mais comumente associados ao vírus. 
1. Tipos de HPV e Oncogenicidade 
• HPV de Alto Risco: Os tipos 16, 18, 31, 33,45, 52 e 58 estão associados ao desenvolvimento de câncer. O 
HPV 16 e o HPV 18 são responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de câncer do colo do útero, e o 
HPV 16 está fortemente ligado a cânceres orofaríngeos e anais. 
• HPV de Baixo Risco: Os tipos 6 e 11 causam principalmente lesões benignas, como verrugas genitais, e não 
estão relacionados ao desenvolvimento de câncer. 
2. Mecanismos de Transformação Celular 
A correlação entre o HPV e o câncer envolve principalmente a ação das proteínas virais E6 e E7, que são expressas de 
maneira descontrolada em infecções persistentes por HPV de alto risco. Estas proteínas interferem com o ciclo 
celular e com mecanismos de reparo de DNA, levando à transformação maligna das células infectadas. 
a. Oncoproteína E6 
• Degradação de p53: A proteína E6 do HPV se liga à proteína supressora de tumor p53 e induz sua 
degradação via ubiquitinação. A p53 é essencial para a resposta ao dano no DNA e para a indução de 
apoptose em células com mutações. Ao degradar a p53, a E6 impede a morte celular programada, 
permitindo que células danificadas se proliferem e acumulem mutações adicionais. 
• Ativação de Telomerase: A E6 também pode ativar a enzima telomerase, que prolonga a vida das células ao 
preservar os telômeros. Isso confere uma espécie de “imortalidade” às células infectadas, permitindo sua 
proliferação descontrolada e contribuindo para a transformação maligna. 
b. Oncoproteína E7 
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• Inativação de pRb: A proteína E7 se liga à proteína retinoblastoma (pRb), que é um regulador chave do ciclo 
celular. A pRb normalmente controla o fator de transcrição E2F, inibindo a progressão para a fase S do ciclo 
celular. Ao inativar pRb, a E7 libera E2F, promovendo a entrada desregulada no ciclo celular e estimulando a 
proliferação celular. 
• Instabilidade Genômica: A perda de regulação no ciclo celular leva a um aumento nas taxas de divisão 
celular, facilitando a ocorrência de erros e mutações no DNA. Essa instabilidade genômica é uma 
característica comum nas células cancerosas. 
3. Integração do DNA Viral ao Genoma do Hospedeiro 
Em infecções persistentes por HPV de alto risco, o DNA viral pode se integrar ao genoma da célula hospedeira, o que 
é um evento crítico para o desenvolvimento de câncer. A integração frequentemente interrompe o gene E2, que 
normalmente regula negativamente as oncoproteínas E6 e E7. Com a interrupção de E2, ocorre a superexpressão de 
E6 e E7, intensificando a proliferação descontrolada das células e o risco de transformação maligna. 
4. Tipos de Câncer Associados ao HPV 
a. Câncer do Colo do Útero 
• Epidemiologia: O HPV é responsável por praticamente todos os casos de câncer cervical. Tipos 16 e 18 
causam cerca de 70% dos casos, enquanto outros tipos de alto risco contribuem para o restante. 
• Progressão: A infecção inicial pode ser transitória, mas em infecções persistentes, especialmente com HPV 
16 e 18, há progressão para lesões pré-cancerosas (Neoplasia Intraepitelial Cervical - NIC), que podem evoluir 
para câncer invasivo. 
b. Cânceres Anogenitais 
• Câncer Anal: Aproximadamente 90% dos cânceres anais são associados ao HPV, com o tipo 16 
predominando. 
• Câncer Peniano: Também relacionado ao HPV de alto risco, especialmente o tipo 16, embora seja um câncer 
mais raro. 
• Câncer Vulvar e Vaginal: Esses cânceres são frequentemente relacionados ao HPV 16 e 18 e ocorrem 
principalmente em mulheres com infecção persistente. 
c. Cânceres Orofaríngeos 
• Localização: O HPV está fortemente associado ao desenvolvimento de cânceres na orofaringe, incluindo 
tonsilas e base da língua. 
• Perfil de Paciente: Diferente dos cânceres orofaríngeos associados ao tabaco e ao álcool, os cânceres 
relacionados ao HPV são mais comuns em indivíduos mais jovens e não fumantes. 
• Tipo Viral: O HPV 16 é o tipo mais comum em cânceres orofaríngeos. 
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