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CRIMES EM ESPÉCIE – Parte Especial DOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL A Parte Especial TÍTULO VI DOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL CAPÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE SEXUAL ESTUPRO (ART. 213) Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. § 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. § 2o Se da conduta resulta morte: Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos CONCEITO A Lei 12.015/09 unificou as figuras de estupro e atentado violento ao pudor (antes previsto no art. 214). Assim, o art. 213 passa a punir a conjunção carnal ou qualquer outro ato libidinoso, entendido como “toda ação atentatória contra o pudor praticada com o propósito lascivo, seja sucedâneo da conjunção carnal ou não, evidenciando-se com contato físico entre o agente e a vítima durante o ato voluptuoso.” (STJ, AgRg o Resp 1668018/PR, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, 6ª Turma, j. 19/09/2017) BEM JURÍDICO TUTELADO A liberdade e a dignidade sexual. CABE MEDIDAS DESPENALIZADORAS? É incabível o ANPP, pois a pena mínima cominada não é inferior a 4 anos e o crime é cometido com violência ou com grave ameaça (Art. 28-A, caput do CPP). CRIME HEDIONDO - Estupro é crime hediondo, não cabendo anistia, graça, indulto e fiança, ocorrendo a possibilidade de progressão de regime, mas sempre se iniciando em regime fechado. O estupro e o atentado violento ao pudor, são crimes hediondos na modalidade simples ou qualificada, ainda que praticados antes da edição da Lei 12.015/09. SUJEITO ATIVO E PASSIVO SUJEITO ATIVO: Qualquer pessoa (crime comum). Admite coautoria e participação (hipótese em que a pena é aumentada de um a dois terços). SUJEITO PASSIVO: - Qualquer pessoa, ressalvada a hipótese de estupro de vulnerável (tipificada no art. 217-A). ELEMENTO SUBJETIVO CONSUMAÇÃO E TENTATIVA CONSUMAÇÃO – TENTATIVA – QUALIFICADORAS – (art. 213, §§ 1º e 2º CP) Estupro qualificado pela lesão grave (art. 213, § 1º CP). Vítima menor de 18 e maior de 14 anos (art. 213, § 1º CP). Se resulta em morte. (art. 213, § 2º CP). CAUSAS DE AUMENTO DE PENA Art. 226. A pena é aumentada: I — de quarta parte, se o crime é cometido com o concurso de duas ou mais pessoas; II — de metade, se o agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade sobre ela. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA Art. 226. A pena é aumentada: Estupro coletivo — IV — de um terço a dois terços, se o crime é praticado: ESTUPRO COLETIVO mediante concurso de dois ou mais agentes; ESTUPRO CORRETIVO b) para controlar o comportamento social ou sexual da vítima. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA Art. 234-A. Nos crimes previstos neste Título a pena é aumentada: III — de metade a dois terços, se do crime resulta gravidez. V — de um terço a dois terços, se o agente transmite à vítima doença sexualmente transmissível de que sabe ou deveria saber ser portador, ou se a vítima é idosa ou pessoa com deficiência. TEMAS RELEVANTES: CONSENTIMENTO E MATRIMÔNIO: COMPORTAMENTO DA VÍTIMA: AÇÃO PENAL Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa. VIOLAÇÃO SEXUAL MEDIANTE FRAUDE (ART. 215) CONCEITO Para Victor Eduardo Rios Gonçalves, neste tipo penal a “Fraude é qualquer meio iludente empregado para que a vítima tenha uma errada percepção da realidade e consinta no ato sexual. A fraude tanto pode ser empregada para criar a situação de engano na mente da vítima como para mantê-la em tal estado para que, assim, seja levada ao ato sexual”. BEM JURÍDICO TUTELADO CABE MEDIDAS DESPENALIZADORAS? SUJEITO ATIVO E PASSIVO SUJEITO ATIVO: SUJEITO PASSIVO: ELEMENTO SUBJETIVO CONSUMAÇÃO E TENTATIVA CONSUMAÇÃO: TENTATIVA CAUSAS DE AUMENTO DE PENA AÇÃO PENAL IMPORTUNAÇÃO SEXUAL (ART. 215-A) Art. 215-A. Praticar, na presença de alguém e sem a sua anuência, ato libidinoso, com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro. Pena – reclusão, de um a cinco anos, se o ato não constitui crime mais grave. CONCEITO Tipo penal incluído pela Lei 13.718/18, que tipificou o crime de importunação sexual, punindo-o de forma mais branda do que o estupro, na forma de praticar ato libidinoso, sem violência ou grave ameaça. O ato libidinoso, pode ser entendido como “toda ação atentatória contra o pudor praticada com o propósito lascivo, seja sucedâneo da conjunção carnal ou não, evidenciando-se com o contato físico entre o agente e a vítima durante o ato voluptuoso.” (STJ, AgRg no REsp 1730341/PR, Rel. Min. Laurita Vaz, 6ª Turma, j. 23/10/2018). BEM JURÍDICO TUTELADO CABE MEDIDAS DESPENALIZADORAS? SUJEITO ATIVO E PASSIVO SUJEITO ATIVO: SUJEITO PASSIVO: ELEMENTO SUBJETIVO CONSUMAÇÃO E TENTATIVA TEMA RELEVANTE VÍTIMA VULNERÁVEL: Para o STJ, o delito não se aplica aos vulneráveis, o que significa dizer que o sujeito passivo pode ser qualquer pessoa, com exceção dos vulneráveis. Assim se tratando de vítima vulnerável, “o fato se amolda ao tipo penal do art. 217-A do CP, devendo ser observado o princípio da especialidade”. (STJ, AgRg nos EDcl no AREsp 1225717/RS, Rel. Min. Joel Ilan Parciornik, 5ª Turma, j. 21/02/2019) AÇÃO PENAL ASSÉDIO SEXUAL (216-A) Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função. Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. § 2o A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos. CONCEITO O assédio sexual, trata-se de importunação ofensiva, embaraçosa, através de propostas ou condutas indecorosas que terminem por afetar a vítima em sua liberdade sexual. O assédio limita-se ao âmbito do emprego cargo ou função e deve ser praticado sem violência ou grave ameaça (ou se amoldará ao crime de estupro – art. 213). BEM JURÍDICO TUTELADO A LIBERDADE SEXUAL. CABE MEDIDAS DESPENALIZADORAS? SUJEITO ATIVO E PASSIVO SUJEITO ATIVO: SUJEITO PASSIVO: ELEMENTO SUBJETIVO CONSUMAÇÃO E TENTATIVA CAUSAS DE AUMENTO DE PENA De acordo com o § 2º do art. 216-A, a pena é aumentada de um terço se a vítima do assédio é menor de 18 anos. Sa proposta é feita a um menor de 14 anos, configura tentativa de estupro de vulnerável, e não figura agravada de assédio sexual. Aplicam-se ao crime de assédio sexual as causas de aumento de pena do art. 226 do Código Penal, exceto a hipótese do art. 226, II, que prevê aumento de metade da pena se o agente é empregador da vítima, na medida em que constituiria bis in idem. AÇÃO PENAL CRIMES EM ESPÉCIE – Parte Especial DOS CRIMES CONTRA VULNERÁVEL CAPÍTULO II A Parte Especial TÍTULO VI DOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL CAPÍTULO II DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL ESTUPRO DE VULNERÁVEL (217-A) Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. § 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. § 2o (VETADO) § 3oSe da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. § 4o Se da conduta resulta morte: Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. § 5º As penas previstas no caput e nos §§ 1º, 3º e 4º deste artigo aplicam-se independentemente do consentimento da vítima ou do fato de ela ter mantido relações sexuais anteriormente ao crime. CONCEITO Trata-se dos crimes contra a dignidade sexual de crianças, adolescentes, enfermos, doentes mentais, quem não tem o discernimento para a prática do ato, ou pessoas que não podem oferecer resistência. BEM JURÍDICO TUTELADO CABE MEDIDAS DESPENALIZADORAS? SUJEITO ATIVO E PASSIVO BEM JURÍDICO TUTELADO: SUJEITO ATIVO: CONDUTA Súmula 593 do STJ: “O crime de estupro de vulnerável configura-se com a conjunção carnal ou prática de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante o eventual consentimento da vítima para a prática do ato, experiência sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o agente”. ELEMENTO SUBJETIVO CONSUMAÇÃO E TENTATIVA OMISSÃO IMPRÓPRIA: CRIME HEDIONDO - VULNERABILIDADE E ERRO DE TIPO: QUALIFICADORA Se resulta em lesão corporal de natureza grave (§3º); Se resulta em morte (§4º). CAUSAS DE AUMENTO DE PENA Art. 226. A pena é aumentada: I — de quarta parte, se o crime é cometido com o concurso de duas ou mais pessoas; II — de metade, se o agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade sobre ela. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA Art. 226. A pena é aumentada: Estupro coletivo — IV — de um terço a dois terços, se o crime é praticado: ESTUPRO COLETIVO mediante concurso de dois ou mais agentes; ESTUPRO CORRETIVO b) para controlar o comportamento social ou sexual da vítima. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA Art. 234-A. Nos crimes previstos neste Título a pena é aumentada: III — de metade a dois terços, se do crime resulta gravidez. V — de um terço a dois terços, se o agente transmite à vítima doença sexualmente transmissível de que sabe ou deveria saber ser portador, ou se a vítima é idosa ou pessoa com deficiência. AÇÃO PENAL SEGREDO DE JUSTIÇA Nos termos do art. 234-B do Código Penal, os processos que apuram essa modalidade de infração penal correm em segredo de justiça. CORRUPÇÃO DE MENORES (ART. 218) Art. 218. Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de outrem: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. CONCEITO Neste tipo penal, o agente induz (convence, cria a ideia) a vítima a praticar algum ato que vise satisfazer a lascívia de outra pessoa. O ato deve ser meramente contemplativo (ex.: uso de uma fantasia), sem que exista contato físico entre o terceiro beneficiado e a vítima. De acordo com NUCCI, trata-se da participação moral no estupro de vulnerável. BEM JURÍDICO TUTELADO CABE MEDIDAS DESPENALIZADORAS? SUJEITO ATIVO E PASSIVO SUJEITO ATIVO: SUJEITO PASSIVO: ELEMENTO SUBJETIVO CONSUMAÇÃO E TENTATIVA AÇÃO PENAL image1.png