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GUIA BÁSICO
DE PLANEJAMENTO
Material promocional – proibida a reprodução não autorizada, total ou parcial.
Gabriel Kehdi 2017. Todos os direitos reservados
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Antes de decidir empreender em meu sonho de ser um paisagista, trabalhei por
quatro anos na prefeitura de São Paulo, na Secretaria do Verde e Meio Ambiente. Durante
meu tempo como técnico responsável pelos parques municipais da zona oeste (entre outros)
de São Paulo, me deparei com diversos desafios. Um deles era responder tecnicamente pelo
serviço de manejo de 15 parques simultaneamente, o que me atribuía uma responsabilidade
sobre mais de 2 milhões de metros quadrados entre áreas de usos distintos. Com uma
quantidade tão grande de elementos a considerar (entre manejo ambiental, manutenção de
áreas ajardinadas e gramados, equipes de jardineiros, ferramentas, avaliação de risco em
árvores para elaboração de laudos, ordens de serviços, limpeza, conservação do solo, plantio,
e tantas outras tarefas) uma habilidade foi crucial: PLANEJAMENTO.
Esse guia reúne as pérolas da minha experiência profissional que foram produzidas
após muita pesquisa e laboratório de campo, sendo elaborado sobre as práticas que utilizo em
meus trabalhos e são 100% eficazes.
Meu objetivo é mostrar para você o básico do caminho das pedras do planejamento,
para que possamos ter mais sucesso na manutenção de nossos jardins e contribuir para um
mundo mais verde.
Aproveite bastante e vamos plantar!
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Para compreendermos a dinâmica das plantas e do próprio jardim, precisamos
começar a partir das definições. Cada tipo de planta exige uma rotina diferente de
manutenção, assim como cada tipo de jardim. Vamos começar de maneira objetiva,
definindo as categorias de plantas conforme o ciclo de vida; conforme o hábito; e
definindo as categorias dos jardins.
Há três grupos distintos de plantas conforme a duração do ciclo de vida. Há as plantas
anuais, as plantas bianuais e as plantas perenes.
São aquelas cujo ciclo de vida tem duração de 1 ano. Isso significa que esse grupo de
plantas germina, cresce, floresce, frutifica, espalha suas sementes e morre. As plantas
anuais geralmente possuem flores coloridas e
chamativas, ideais para compor jardins para
serem vistos. Após o ciclo de 1 ano essas plantas
precisam ser removidas do jardim e o canteiro
deve ser refeito. Como exemplo de plantas
anuais temos o amor perfeito (Viola x
wittrockiana), a flor-de-mel (Lobularia
marítima), o girassol de jardim (Helianthus
debilis), e a flox (Phlox drummondii). Flor-de-mel (Lobularia maritima)
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São as plantas que apresentam ciclo de vida de
2 anos. Geralmente as plantas bianuais se
desenvolvem vegetativamente em um ano, e
no segundo ano florescem, frutificam e
espalham suas sementes. Após o ciclo de 2
anos, essas plantas morrem e devem ser
substituídas. Exemplos: Boca-de-leão
(Antirrhinum majus); Digitalis (Digitalis
purpurea); Lisianto (Eustoma grandiflorum)
São aquelas com duração de ciclo de vida indeterminada. Isso não significa que
plantas perenes não possuem um tempo definido de
vida, apenas que duram mais de dois anos. Plantas
perenes podem apresentar folhas e caule durante
todo o tempo, ou podem desaparecer parte do ano,
rebrotando na estação seguinte. Isso não as faz
plantas anuais, pois a planta pode apresentar rizoma
ou bulbo que permanece vivo debaixo da terra por
período indeterminado. As plantas perenes são
aquelas comumente utilizadas como estrutura, ou seja, é aquela porção de vegetação
que está sempre presente e dará a forma do jardim. Como exemplos de plantas
Boca-de-leão (Antirrhinum majus)
Gardênia (Gardenia jasminoides)
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perenes temos a gardênia (Gardenia jasminoides), a costela-de-adão (Monstera
deliciosa), a alpínia (Alpinia purpurata), e a abélia (Abelia x grandiflora).
NOTA: Se você possui uma espécie que não está indo bem no jardim,
mesmo que não seja anual ou bianual, verifique se ela já completou
seu ciclo de vida. Considere a reposição, tendo em mente que o mal
desenvolvimento de uma planta pode estar relacionado a pragas,
doenças ou deficiência nutricional.
O hábito é uma característica que diz respeito à forma de crescimento da planta. As
plantas possuem, de modo geral e simplificado, três hábitos distintos, sendo eles o
hábito herbáceo, o arbustivo e o arbóreo. Cada um desses hábitos difere com relação
ao grau de enrijecimento de caule (lignificação) e à altura, basicamente.
Como o próprio nome sugere, plantas de hábito herbáceo são aquelas em forma de
erva, com caule e folhas macios, pouco rígidos, que se partem com facilidade. Plantas
herbáceas tendem a apresentar porte baixo, embora haja um grande número de
herbáceas bastante altas (como algumas trepadeiras, que podem atingir dezenas de
metros, ou bananeiras gigantes). Como exemplo de plantas herbáceas temos o
guaimbê (Philodendron bipinnatifidum), as orquídeas, a hortelã (Mentha sp.), e a
capuchinha (Tropaeolum majus).
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São os arbustos, com caules rígidos e muitas vezes com formação de madeira. As
plantas de hábito arbustivo podem variar em tamanho, mas geralmente apresentam
estatura mediana, entre 1 a 5 metros de altura.
Há palmeiras que também podem apresentar
aspecto arbustivo. O caule rígido se deve ao
acúmulo de lignina, uma substância que confere
resistência à parede celular da planta,
responsável por formar a madeira quando
presente em grandes quantidades. Como
exemplos de plantas arbustivas temos a escova-
de-macaco vermelha (Combretum grandiflorum),
a pleomele (Dracaena reflexa), a murta de cheiro (Murraya paniculata) e a azaléia
(Rhododendron simsii).
Plantas de hábito arbóreo são aquelas que possuem caule rígido, e atingem alturas
acima de 10 metros. Há literaturas que também
consideram palmeiras como indivíduos de hábito arbóreo.
Como exemplos de plantas de hábito arbóreo temos o
manacá-da-serra (Pleroma mutabilis), a cerejeira (Prunus
serrulata), a palmeira imperial (Roystonea oleracea), e o
jatobá (Hymenaea courbaril).
Escova-de-macaco vermelha (Combretum grandiflorum)
Manacá-da-serra (Pleroma mutabilis)
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O tipo de um jardim pode dizer muito sobre ele à primeira vista. É importante
definirmos diferentes categorias de jardim para compreendermos as necessidades
de cada tipo de ambiente. Um jardim formal, por exemplo, exige uma manutenção
diferente de um jardim orgânico. Podemos categorizar, de maneira geral, os jardins
com relação ao estilo. Existem diversos estudos acadêmicos referentes a
categorização de jardins, sendo que para este guia iremos tomar uma categorização
própria, simplificada, para facilitar nosso entendimento do assunto. Vamos classificar
e descrever cada uma dessas categorias.
Jardins formais são todos aqueles que requerem um controle constante da forma,
estabelecendo o jardim numa configuração linear, geralmente em simetria. Um
jardim formal pode ser clássico ou
contemporâneo, de acordo com a disposição de
seus elementos. A manutenção para um jardim
formal clássico ou para um contemporâneo não
difere muito. Sempre gira em torno do controle da
forma. Para manter esse controle, a poda (topiaria)
é a principal ação desempenhada. Quando
pensamos em jardins formais, logo lembramos de
jardins franceses (como os de Versailles), jardins italianos e árabes.
Buxinho (Buxus sempervirens), comum em jardins
formais por aceitar bem a topiaria
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Jardins orgânicos, também chamados de naturalistas ou informais, são aqueles cujo
desenho reproduz os movimentos da natureza ou de vegetação espontânea, apesar
de haver muito planejamento e manutenção para garantir esse efeito. Nesse tipo de
jardim a poda é apenas uma atividade esporádica, com objetivo de conter
desenvolvimento excessivo ou paracorrigir
pequenas peculiaridades da planta, nunca
para controlar a forma. Jardins orgânicos
muitas vezes possuem diferentes estágios de
apresentação, transformando-se através das
estações do ano. Ao pensarmos em jardins
orgânicos, lembramos dos jardins ingleses,
estilo cottage, de Burle Marx, o parque
Highline em Nova Iorque, ou os projetos de Fernando Chacel.
NOTA: É perfeitamente possível mesclar os dois estilos do jardim
em um único projeto. Jardins contemporâneos são os maiores
exemplos dessa mescla, que pode produzir resultados belíssimos!
Parque Highline em Nova Iorque, cuja vegetação reproduz
fisionomias naturais
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Os serviços de manutenção do jardim requerem uma rotina específica. Como diria
uma amiga minha, “o jardim não tira férias”, e por isso ele deve ser acompanhando
com frequência. Esses cuidados com o jardim são muito particulares, já que nenhum
jardim é igual ao outro. Cada planta, cada tipo de solo, cada região do país, deverá
receber uma atenção única. De todo modo, podemos pontuar alguns aspectos
comuns a todos. Vamos lá!
Quando vamos realizar o plantio de qualquer planta no jardim, temos que pensar que
estamos trazendo um ser vivo que cresceu e se desenvolveu em um outro ambiente
diferente daquele que será introduzido. Essa planta passará pelo estresse de sair do
recipiente (saco plástico ou vaso) que estava acostumada, terá suas raízes expostas
a outro tipo de substrato ou solo, receberá uma outra quantidade de água da qual já
estava acostumada. Veja quanta mudança de uma só vez! Podemos até pensar
“coitadinhas” das nossas novas plantas. Por isso o plantio deve atender uma série de
cuidados especiais.
O solo ou substrato no qual iremos plantar deve estar livre de pragas e doenças.
Deve estar bem revolvido (solto) e deve estar preferencialmente úmido. Esse local
deve atender às necessidades da planta que iremos colocar ali. Se nosso jardim for
úmido e brejoso, não devemos plantar espécies de clima seco e árido. O inverso
também é verdadeiro. Há plantas que gostam de solo bem adubado, enquanto outras
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não. Devemos sempre conhecer as espécies que iremos colocar em nossos jardins.
Com relação à Nutrição das Plantas e a Fertilidade do Solo, há dois cenários distintos,
jardins em vasos e em jardins em solo. O plantio em vaso, com substrato comercial,
possui um ambiente mais controlado, em que temos maior liberdade para aplicar
uma adubação química ou orgânica. No caso do plantio em solo, considere realizar
uma Análise de Fertilidade do Solo com recomendação agronômica. Assim você
compreenderá melhor as reais necessidades de adubação e correção do pH do solo
do seu jardim.
Estando o solo ou substrato nas condições ideais que a planta necessita, é hora de
efetivamente colocar a planta nesse espaço. Abra o berço (ou cova, como é chamado
popularmente) de plantio com um tamanho adequado para receber a muda e só
então retire a planta do recipiente (saco plástico ou vaso). Dica importantíssima:
NUNCA desmanche o torrão da muda. O torrão da muda é resultado do crescimento
delicado do sistema radicular, e ao quebrar o torrão estamos destruindo as raízes. Ao
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plantar, preserve totalmente a integridade do torrão. Evite de deixar as raízes
expostas por muito tempo, caso contrário a planta poderá sofrer danos irreversíveis.
Após remover o recipiente coloque a planta no interior do berço, cubra com terra ou
substrato e pressione gentilmente ao redor da planta, para evitar a formação de
bolsas de ar. Depois de concluir o plantio, uma boa rega é essencial.
Com relação ao espaçamento entre mudas,
considere calcular a quantidade aproximada de
plantas necessárias. O cálculo da quantidade
básica de mudas é simples, veja a equação:
Quantidade de Mudas = área do canteiro em m²/
(espaçamento entre mudas em metro)². Cada
espécie de planta apresentará um espaçamento
ótimo entre mudas. Por exemplo, o espaçamento entre mudas de amor-perfeito
(Viola x wittrockiana) pode ser de aproximadamente 20cm entre mudas; O
espaçamento do girassol (Helianthus annuus) pode ser de 40cm entre mudas. Vamos
calcular a quantidade hipotética de mudas para um canteiro de 2m², ornamentado
com amor-perfeito. Quantidade de mudas = 2m²/(0,20)². Temos que a quantidade de
mudas de nosso canteiro é equivalente a aproximadamente 50 mudas de amor-
perfeito.
Se plantarmos em nossos canteiros com um espaçamento muito grande entre
mudas, nosso jardim vai ficar “careca”. Se plantarmos muitas mudas muito perto
umas das outras, há grandes chances de aumentar a incidência de pragas e doenças,
além de as plantas disputarem por água e nutrientes, empobrecendo o canteiro
rapidamente. De maneira genérica, um bom espaçamento entre mudas corresponde
ao diâmetro da planta totalmente desenvolvida.
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NOTA: No transplante de árvores e palmeiras adultas, o segredo
para a boa adaptação no novo local é a irrigação. Garanta que a
árvore ou palmeira receberá água com frequência, ou até
diariamente, como no caso das jabuticabeiras e palmitos jussara.
Como já falamos anteriormente, plantas anuais
e bianuais são aquelas com ciclo de vida de 1 e
2 anos, respectivamente. Normalmente essas
plantas são as responsáveis por colorir o jardim,
já que são muito floríferas e coloridas. No
plantio das espécies anuais, certifique-se de que
seu jardim atende os pré-requisitos exigidos
pelas plantas escolhidas. Bem como acidez do
solo, teor de matéria orgânica e de nutrientes. Outro aspecto fundamental a ser
considerado é a quantidade de luz disponível. O espaçamento entre mudas também
é essencial.
Ao final do ciclo remova as plantas do canteiro, revolva bem o solo, recondicione o
canteiro com uma boa porção de matéria orgânica (os detalhes da adubação orgânica
serão apresentados adiante) e faça o plantio de novas mudas.
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As plantas perenes normalmente são utilizadas como a estrutura do jardim, ou seja,
a massa de vegetação permanente que dá volume e textura ao ambiente. Plantas
perenes exigem cuidados um pouco diferentes de plantas anuais e bianuais. Há
plantas perenes que requerem aparas ou podas para apresentar um
desenvolvimento ótimo. Há espécies perenes que são sazonais, ou seja, entram em
dormência em determinada época do ano para rebrotarem na estação seguinte. Há
também espécies perenes que praticamente não requerem cuidados constantes e
desempenham perfeitamente bem seus papéis na ornamentação do jardim. Mais
uma vez, aqui, é necessário conhecer as necessidades básicas de suas plantas.
Caso suas plantas perenes necessitem de podas e aparas, verifique qual é a melhor
época do ano para realizar o serviço. Lembrando que qualquer apara ou poda num
vegetal atua como uma cirurgia, e não como um mero “corte de cabelo”. Deve ser
feita de maneira criteriosa, com ferramentas adequadas e limpas. Os detalhes
referentes à poda serão apresentados adiante.
A adubação de plantas perenes costuma ser realizado trimestralmente (conforme
necessidade), com adição de composto orgânico em cobertura. Nesse caso
consideramos que o solo ou substrato foi previamente adubado conforme as
necessidades da planta. A adubação de cobertura é uma ação de manutenção do teor
de matéria orgânica do solo.
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Belos gramados como os tradicionais ingleses só são mantidos com muito suor e
trabalho duro. Há quem diga que gramado é o oposto da sustentabilidade, pois exige
irrigação frequente, roçagem (apara), varrição, adubação, e despraguejamento com
alta frequência. Já as gramíneas são espécies geralmente rústicas com cara de
“mato”, mas quando bem usadas dão um aspecto fantástico ao jardim. Vamos ver
quais são as necessidades de manutenção desses grupos de plantas.
Os gramados podem ser esportivos ou recreativos, e cada categoria exigirá uma
frequênciae especialização diferente da manutenção. Vamos focar nos gramados
domésticos, recreativos. Existem diferentes espécies de gramas, com
desenvolvimento em touceira ou em estolão. Há espécies que resistem melhor solos
salinos, ou ambientes mais sombreados, ou ainda maior frequência de pisoteio. As
atividades que são comuns a todas as gramas são:
Roçagem – A roçagem, ou apara do gramado, deve ser realizada com maior
frequência nos períodos de chuva e com menor frequência no período de seca. Para
as épocas com maior incidência de chuvas temos que um bom controle do gramado
é aparar 2 vezes ao mês, numa altura de 5cm do solo. Para o período de seca, a apara
ocorre uma vez ao mês.
Varrição ou rastelamento – Após a roçagem do gramado as aparas devem ser
recolhidas por rastelamento ou varrição. Isso impede que as aparas recém cortadas
abafem a grama. Algo que é muito comum e não deve ser feito é deixar “montinhos”
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de aparas varridas no gramado por mais de um dia. Isso causa a morte do gramado
abaixo dos montinhos e permite o desenvolvimento de doenças. Trabalho bem feito
é trabalho concluído, por isso após a roçagem do gramado recolha todas as aparas.
Uma vez a cada semestre, geralmente no verão e no outono, é realizado o
rastelamento em profundidade, para remover o colchão de grama morta
entremeado às folhas. Para isso o rastelo é passado com “com força” no chão, como
se fosse uma escovação de cães e gatos.
Plantas invasoras – A ação de remover plantas invasoras (também chamadas de
daninhas, ou espontâneas) é denominada popularmente de despraguejamento. O
despraguejamento pode ser realizado de maneira mecânica, com a remoção manual
das daninhas, ou através do uso de herbicidas. No caso do uso de herbicidas, a
prescrição agronômica é imprescindível para a realização do trabalho com segurança.
No que se refere ao despraguejamento manual, este deve ser realizado diariamente.
É necessário remover as plantas daninhas antes que elas criem um banco de
sementes. Se não conseguirmos vencer a corrida contra as plantas invasoras, elas
irão dominar o gramado.
Adubação – A adubação de gramados pode ser feita de forma orgânica, com
composto, ou com adubos químicos. A adubação de manutenção é realizada em
cobertura, rastelando e irrigando o gramado após a aplicação. É recomendado que a
adubação química do gramado seja feita entre as 10h e as 16h, em um dia seco e sem
a grama estar molhada. Se a grama estiver úmida, o adubo químico poderá grudar
nas folhas, causando queima.
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As gramíneas são estrelas pouco reconhecidas no jardim. Atualmente há a exploração
comercial de algumas espécies populares, como o capim do Texas (Pennisetum
setaceum) e o capim dos Pampas (Cortaderia selloana), mas há uma grande
variedade de gramíneas nativas (ou mesmo exóticas), com um altíssimo potencial
ornamental e o melhor, com rusticidade.
As gramíneas requerem poucos cuidados de manutenção. O que se recomenda para
a maioria das espécies é uma apara drástica no final do inverno, começo da
primavera. A altura dessa apara drástica vai variar conforme a altura da planta, mas
de maneira genérica essa apara é realizada em 1/3 da altura da planta (remove 2/3
da folhagem). Juntamente com a apara drástica, recomenda-se a adubação orgânica
em cobertura, ou adubo químico rico em nitrogênio. Isso encorajará uma rebrota
com maior vigor e promoverá uma planta sem palhada seca, chamada de “macega”.
Antes de realizar a apara drástica em todas as suas gramíneas, faça um teste em um
ou algumas poucas plantas. Veja como elas reagem. Depois de pegar o jeito, realize
o procedimento todo ano.
Toda poda é uma cirurgia. É o ato de remover partes vivas ou mortas das plantas a
fim de promover adequação de seu desenvolvimento, limpeza de ramos doentes ou
infestados por pragas, doenças ou parasitas, ou mesmo para formar mudas com
qualidades específicas. Considerando essas funções de poda, temos justamente as
categorias de poda de adequação, poda de limpeza e poda de formação.
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Para situações específicas de determinadas espécies, também podemos ter podas de
inverno, como por exemplo as roseiras, que devem receber podas no inverno (leves
ou drásticas) em regiões de clima frio para apresentar um maior desenvolvimento
vegetativo durante a primavera e florescer no verão, ou ainda para florescer só no
próximo ano (com maior intensidade), dependendo do tipo de poda.
A prática de podas drásticas em árvores é algo que tem se tornado muito impopular,
por não apresentar função além da “estética”. Acontece que podas drásticas em
árvores (remoção de 30% da copa ou mais) alteram profundamente a dinâmica
metabólica da planta, podendo causar a morte do exemplar. Em países temperados
como a Inglaterra, França, ou mesmo norte da Itália, é comum ver plátanos e
loureiros com copa em aspecto de “vassoura”. Esse tipo de poda recebe o nome
inglês de pollarding, e suas justificativas são basicamente para manter a altura de
copa, manter o formato da copa (globular) e promover produção mais intensa de
folhas na primavera, dando um aspecto “mais verde”. Em países tropicais como o
Brasil, essa prática é considerada criminosa em alguns municípios por justamente ser
ineficaz. Na jardinagem, assim como na vida, forçar um ser vivo a apresentar uma
forma que não condiz com a sua essência pode causar danos irreparáveis.
É a poda aplicada em mudas para promover um desenvolvimento sadio e com
qualidade específica. No caso de mudas arbóreas, esse tipo de poda consiste em
remover brotos e ramos laterais jovens para que a copa possa ser formada em uma
altura específica. No município de São Paulo, por exemplo, mudas de árvores
destinadas para a arborização urbana deve apresentar como padrão a primeira
bifurcação de tronco em 1,80m de altura. Esse padrão só é atingido com uma poda
de formação bem-feita. Para fruticultura, por exemplo, algumas espécies de plantas
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arbóreas são conduzidas de maneira a formas ramificações de tronco em outras
alturas. Na cultura da goiaba, o tronco é encorajado a ramificar (produção das
“pernadas”) a apenas 60cm de altura. Essa prática facilita o manejo da árvore e a
colheita das frutas.
Na poda de formação, quanto mais jovem é o ramo retirado, melhor e mais rápida é
a cicatrização. Dessa forma, se acompanharmos nossas árvores e arbustos com
frequência, podemos encorajar um bom desenvolvimento da planta sem grandes
traumas.
Há podas de formação que ao contrário de estimular o crescimento vertical e
retilíneo de uma planta, pode estimular a ramificação, caso este efeito seja desejado.
Para estimular a ramificação se faz a poda das pontas dos ramos, o que é muito
utilizado em arbustos para criar cercas-vivas. Nesse caso, quanto mais ramificado for
o arbusto, melhor.
É o tipo de poda que corrige situações de ramos que podem trazer danos para as
árvores. Ramos cruzados (com atrito ou início de fusão), sem estabilidade (ramos
longos, com risco de se partirem), em conflito com equipamentos urbanos ou árvores
vizinhas, ramos baixos que obstruem passagens, copa muito densa e sem ventilação
adequada (que possa favorecer o desenvolvimento de pragas e doenças), enfim.
Toda situação da qual a árvore possa se beneficiar da poda nessas condições é
chamada de poda de adequação. A poda de adequação é necessária quando a poda
de formação não foi realizada, ou quando um ramo apresenta um desenvolvimento
inesperado.
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Uma poda bem feita é aquela realizada no
plano “crista-colar”, rente ao tronco, com
corte limpo (sem “mastigar” a madeira), e
sem deixar toco. A árvore tem mecanismos
de cicatrização e é capaz de fechar um
ferimento de poda (bem feita) em um tempo
adequado, para impedir a infestação de
pragas e doenças. Na foto ao lado vemos um
corte longitudinal de um tronco que
apresenta um ramo podado totalmente cicatrizado(indicado pela seta). Essa situação
ilustra nosso objetivo final da poda de adequação: uma planta bem conduzida, sem
ferimentos abertos. É importante ressaltar mais uma vez que quando mais jovem for
o ramo, melhor e mais rápida será a cicatrização. Nunca aplique produtos
cicatrizantes, vedantes ou isolantes num ramo podado. Isso pode atrapalhar mais do
que ajudar no processo de cura da planta. Se você executou um procedimento
correto, deixe que a árvore assuma o restante do serviço.
Consiste na remoção de partes secas, infestadas por praga, doenças ou parasitas.
Muitas vezes o ramo com necessidade de poda de limpeza é aquele que não foi
removido jovem o suficiente e passou do ponto da poda de adequação. Muitos
insetos xilófagos (que se alimentam de madeira) são atraídos por aromas de árvores
com ferimentos, o que indica um ponto de entrada para esses animais.
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Quando a poda de limpeza é tão intensa
a ponto de desconfigurar toda a
arquitetura da planta, é hora de talvez
considerar remoção do exemplar. Há
situações em que simplesmente a planta
não irá conseguir se regenerar o
suficiente para ter uma vida saudável.
A poda de limpeza deve ser realizada a
fim de minimizar os riscos de queda de
ramos ou de árvores inteiras, quando estas estão localizadas em áreas com circulação
de pessoas.
NOTA: Para conhecer mais sobre os procedimentos de poda, acesse
o Manual de Poda de Árvores da Prefeitura de São Paulo no link:
http://bit.ly/2uWibel
Vasos requerem uma atenção especial, uma vez que são ambientes reduzidos para
as plantas, em que aspectos como irrigação e adubação se intensificam.
Os cuidados com plantas em vasos são os mesmos tanto em vasos de plástico quanto
em vasos de barro, sendo que a diferença está na frequência da irrigação: Vasos de
barro possuem porosidade, que promovem perda de água por evaporação; vasos de
plástico são impermeáveis, retendo maior umidade por mais tempo. Dessa forma
recomenda-se irrigar as plantas em vasos de barro com uma frequência ligeiramente
http://bit.ly/2uWibel
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maior do que em vasos de plástico. De todo modo a porção de substrato de um vaso
é reduzida, se comparada com um canteiro em solo. O armazenamento de água no
substrato é baixo, e por isso vasos (tanto de plástico quanto de barro) precisam de
maior atenção quanto à irrigação.
Uma vez que os vasos exigem
maior frequência de irrigação do
que um jardim em solo, ocorre
maior perda de nutrientes do
substrato por “lavagem”. Para não
correr o risco de salinizar o
substrato com adubos químicos
de liberação imediata, uma boa
forma de manter a fertilidade do substrato em vaso é utilizar uma boa quantidade de
adubo orgânico incorporado ao substrato com uma pequena porção de adubo de
liberação lenta (tipo osmocote).
Canteiros elevados (em inglês “raised garden bed”) também podem ser considerados
como vasos, e são aquelas grandes “caixas” com substrato. O tratamento é o mesmo,
embora a frequência de irrigação mude conforme o tamanho (volume) do canteiro.
Quanto maior é o volume de substrato, maior é a capacidade de armazenamento de
água, o que reduz a frequência de irrigação.
O manejo do solo é um conjunto de práticas voltadas para garantir a qualidade do
solo do nosso jardim. Um solo que não é cuidado sofre degradação que pode causar
https://www.google.com.br/search?safe=active&rlz=1C1ZKTG_pt-BRBR701BR701&biw=1517&bih=735&tbm=isch&sa=1&q=raised+garden+bed&oq=raised+garden+bed&gs_l=psy-ab.3..0i19k1l4.44470.49062.0.49278.17.13.0.0.0.0.664.1528.0j1j1j0j1j1.4.0....0...1.1.64.psy-ab..13.4.1528...0.c-sfEsN4d4I
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graves problemas, como por exemplo o escorregamento de taludes ou assoreamento
de corpos d’água. Vamos ver as principais atividades de manejo do solo.
Sempre que chove e o solo recebe uma carga de água maior do que consegue
absorver, há escoamento superficial. A água da chuva forma enxurradas e corre pelos
caminhos mais fáceis, por onde a água encontrará menor resistência e poderá fluir
com maior rapidez. Quando a água encontra esses caminhos, ela arrasta também
lâminas da superfície do solo, como se cavasse lentamente por onde passa. Essa
perda de solo é chamada de erosão. Há três graus de erosão do solo, com relação à
intensidade do dano: erosão laminar, erosão em sulcos, e voçoroca. A erosão laminar
é o estágio inicial da perda de solo. Deve ser reconhecida rapidamente para que
sejam tomadas medidas de controle. A erosão em sulcos é aquela que apresenta
profundidade considerável, podendo chegar a 1m. A voçoroca é o tipo de dano que
dificilmente é recuperável (ou muito caro para recuperar), e a profundidade da vala
pode chegar a muitos metros e percorrer por quilômetros. É exatamente o que não
deve ser permitido acontecer.
É muito comum que as pessoas pensem que a melhor alternativa para controlar uma
enxurrada é construir uma canaleta. Bom, nem sempre isso é verdade. O ideal é que
a água encontre o máximo de resistência possível, ao invés de correr livremente.
Quando a água encontra resistência, ela infiltra com maior tranquilidade no solo,
contribuindo para manter o lençol freático e evita causar erosão.
As práticas mais comuns para o controle da erosão são o terraceamento e o
direcionamento da água de escoamento superficial.
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O terraceamento é a prática de formar lombadas de terra, em
nível, para que a água perca velocidade de escoamento e passe a
infiltrar no solo. O terraceamento também segura as partículas
de solo que já estão suspensas, evitando o arraste para cotas mais
baixas do terreno. O terraceamento pode ser realizado de forma
doméstica no jardim (como na imagem ao lado, com o uso de um
nível de madeira), utilizando ferramentas simples, ou de forma
mecanizada, pelo uso de tratores com arado.
O direcionamento da água de escoamento superficial é feio com o uso de toras de
madeira, semi enterradas no chão e com um ângulo de 30 graus em relação ao
sentido do declive do terreno. Esse direcionamento do escoamento superficial deve
levar a água para um local onde ela possa infiltrar sem causar danos por erosão.
Antes e depois do trabalho de recuperação do solo com erosão em sulcos
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O plantio de espécies chave, aliado com técnicas de manejo do solo, garante o
máximo aproveitamento das técnicas de conservação. As raízes de algumas espécies
de plantas formam uma malha de fixação do solo que contribui muito para reduzir os
efeitos da erosão. O plantio de espécies de crescimento reptante ou prostrado, tal
como o singônio (Syngonium angustatum) ou hera (Hedera Helix) cria uma cobertura
no solo que também contribui para minimizar perdas de solo. Quando utilizamos um
plantio com o intuito de cobrir o solo para protege-lo, chamamos de plantio de
forração.
A drenagem é uma atividade realizada em
áreas planas ou de baixa declividade,
favorecendo a infiltração da água. Uma
das técnicas mais comuns é a caixa de
brita, que consiste numa vala aberta no
solo, preenchida com brita e coberta com
solo e forração (gramado, ou outra planta
ornamental). Por ser indicada para locais de baixa declividade e movimentar pouca
porção de solo, a caixa de brita pode ser feita em qualquer época do ano.
Exemplos de forração. Esq.: Solano rasteiro (Lycianthes repens); Centro.: Singônio (Syngonium angustatum); Dir.: Boldo miúdo (Plectranthus
neochilus).
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Épocas de manejo
O período do ano mais indicado para realizar o manejo do solo é no final do outono
(ou no final do período chuvoso), momento em que há alguma disponibilidade de
água no solo, tornando-o maleável (friável), mas sem grandes volumes de chuva que
possam prejudicar o trabalho. Após o manejo no final da época de chuvas, o solo tem
todo o período de seca para se acomodar e garantir o sucesso de nossas ações. Não
é recomendável realizar ações de manejo do solo no período de chuvas,isso porque
a água de enxurrada ou mesmo o escoamento superficial da chuva pode
comprometer toda a movimentação de terra com a qual estamos trabalhando.
As plantas são seres vivos capaz de produzir a própria energia através da fotossíntese.
Apesar disso, também precisam de substâncias essenciais para assegurar seu
desenvolvimento. Há duas classes de nutrientes essenciais para as plantas: os
macronutrientes e os micronutrientes. Ambos os grupos são fundamentais para o
funcionamento metabólico adequado das plantas, mas diferem-se apenas pela
quantidade, e não pelo nível de importância. Os macronutrientes são aqueles
utilizados em grande quantidade pelas plantas, e são eles o Nitrogênio (N), o fósforo
(P) e o potássio (K), Cálcio (Ca), Enxofre (S) e Magnésio (Mg). Os micronutrientes são
consumidos em menor quantidade, e são eles: Manganês (Mn), Boro (B), Cobre (Cu),
Ferro (Fe), Molibdênio (Mo), Zinco (Zn), Cobalto (Co) e Cloro (Cl).
Os nutrientes são absorvidos do solo (reserva natural) pelas raízes em forma de íons,
que são moléculas pequenas e dotadas de cargas elétricas. Os íons são formados pela
diluição de sais na água. Os nutrientes, na forma de sais diluídos, são absorvidos pelas
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raízes juntamente com a água, e aí está a importância de uma boa irrigação quando
adubamos o solo ou substrato.
Os adubos podem ser de origem orgânica, pela decomposição de material orgânico
através da ação de microrganismos, ou podem ter origem química, produzidos de
forma industrial.
Adubos orgânicos têm uma série de vantagens, tanto no aspecto da nutrição da
planta, quanto no aspecto de condicionamento do solo. A matéria orgânica aumenta
a capacidade de retenção de íons (sais diluídos) no solo, aumenta a capacidade de
retenção de água, melhora o aspecto físico do solo, favorecendo um melhor
desenvolvimento radicular, e promove um ambiente ideal para o desenvolvimento
de organismos benéficos no solo. Um adubo orgânico também libera nutrientes de
maneira controlada para as plantas, à medida que vai sendo mineralizado pela ação
de microrganismos. A origem mais popular atualmente de adubos orgânicos é pela
compostagem.
A compostagem pode ser realizada de forma doméstica, em pequenos volumes, ou
em escala industrial, em grandes volumes. A compostagem é a ação de
transformação de material orgânico (folhas secas, madeira triturada, restos de
alimentos) em matéria orgânica. Esse processo de transformação pode durar de 90 a
120 dias, quando o composto pode ser colhido.
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NOTA: As leiras de uma composteira a céu aberto devem estar
sempre cobertas com lona ou palha, para que não haja a
proliferação de plantas daninhas. Um composto mau produzido
pode espalhar pragas, doenças e plantas daninhas por todo o
jardim,
A adubação química é realizada de forma a corrigir níveis de determinados nutrientes
no solo. Para uma adubação química eficaz, é necessário realizar uma Análise da
Fertilidade do solo, solicitando recomendação agronômica para adubação. Há
diversos tipos de adubos químicos, cada um com uma característica específica e
indicado para cada situação. Os adubos químicos são responsáveis pela nivelação
imediata dos nutrientes do solo de forma a atender as necessidades das plantas. A
adubação química não contribui para a reestruturação física do solo, não contribui
para o desenvolvimento de organismos benéficos e pode contaminar o solo se for
ministrado de forma incorreta. Na jardinagem amadora, adubação química em doses
baixas pode contribuir para manter o jardim bem nutrido. De todo modo, é
necessário dominar minimamente o tema caso deseje aplicar adubos químicos em
seu jardim.
A adubação em cobertura é aquela realizada a lanço, na manutenção do jardim. É
diferente da adubação realizada na ocasião do plantio, em que o adubo é misturado
com o solo. A ação da adubação de cobertura está no fato de que os nutrientes serão
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arrastados pela água até as raízes. No caso da adubação química em cobertura, pelo
fato do volume do adubo ser muito reduzido, pode ser misturada com um material
inerte, como areia, por exemplo, que atuará como veículo do adubo e permitirá um
espalhamento mais homogêneo.
Um jardim é um sistema vivo, dinâmico e com interação de diversos tipos diferentes
de seres vivos. Eventualmente poderá aparecer uma planta doente, alguns pulgões,
algumas lagartas e algumas plantas daninhas. Se o jardim for bem mantido, essas
situações não representam nenhuma ameaça.
Em situações de desequilíbrio, grandes infestações de pragas, doenças e daninhas
podem condenar todo o jardim. Essa situação acontece por um conjunto de fatores:
plantas desnutridas, solo mal preservado, plantas incompatíveis com o ambiente do
jardim, excesso e/ou falta de água, muitas plantas competindo por água, luz e
nutrientes ao mesmo tempo, ausência de biodiversidade e de predadores naturais
no jardim, enfim. Uma planta sadia tem o potencial de resistir algum nível de ataque,
por isso, o melhor controle de pragas e doenças é a boa manutenção.
Boas práticas de manejo do solo, boa drenagem, boa adubação orgânica, escolha
adequada de espécies, plantio com espaçamento adequado, aplicação periódica de
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repelentes naturais,
renovação de canteiros,
uso de ferramentas limpas,
biodiversidade, eliminação
de plantas infestadas, e
irrigação na medida certa
são medidas de manejo
ideais para controlar pragas
e doenças no jardim. Todas
essas medidas configuram
o Manejo Integrado de Pragas e Doenças.
Às vezes, mesmo com todo esse controle, alguma coisinha aparece aqui e ali. O
objetivo deste guia não é o de identificar pragas e doenças, mas sim de discutir
aspectos importantes a serem considerados sobre a situação em que ocorrem. De
todo modo, vamos abordar das pragas e doenças mais comuns no jardim.
Elas são as cochonilhas, os pulgões, as lagartas e as lesmas. As cochonilhas se
apresentam em diversas aparências, mas todas são insetos sugadores de seiva,
protegidos por uma carapaça. A aplicação de
inseticidas ou repelentes de contato não farão efeito
contra elas. O ideal é a remoção manual, quando em
baixas infestações, com o auxílio de uma escovinha.
Os pulgões também se apresentam em várias
formas, e também são insetos sugadores de seiva. A
desvantagem dos pulgões é que eles não possuem Lagarta da borboleta do manacá,
Methona themisto
Jardim Botânico de Nova York
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https://www.google.com.br/search?safe=active&rlz=1C1ZKTG_pt-BRBR701BR701&biw=1517&bih=681&tbm=isch&sa=1&q=pulg%C3%B5es&oq=pulg&gs_l=psy-ab.3.0.0i67k1j0j0i67k1j0.23760.24367.0.25614.4.4.0.0.0.0.148.534.0j4.4.0....0...1.1.64.psy-ab..0.4.532.BRq6RvvOBhU
https://www.google.com.br/search?safe=active&rlz=1C1ZKTG_pt-BRBR701BR701&biw=1517&bih=681&tbm=isch&sa=1&q=lagartas&oq=lagart&gs_l=psy-ab.3.0.0i67k1j0l3.17389.18286.0.19283.6.6.0.0.0.0.146.653.0j5.5.0....0...1.1.64.psy-ab..1.5.650.y4UHaHw_xFY
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carapaça e por isso podem ser facilmente eliminados com o uso de inseticidas e
repelentes de contato. As principais inimigas dos pulgões e amigas do jardim são as
joaninhas, que são carnívoras se alimentam desses insetos. Atualmente há até
empresas que produzem joaninhas em escala comercial para serem soltas nos jardins
como controle natural de pulgões. As lagartas são as futuras borboletas, e se
quisermos algumas delas voando por nossas flores, teremos queaturar algumas
lagartas e folhas devoradas. Se o número de lagartas for maior do que o suportável,
o melhor a se fazer é a catação e deposição das lagartas colhidas em outro lugar. As
lesmas, assim como as lagartas, devem ser removidas manualmente. Há muitas
práticas populares de atrair lesmas com chuchu, cerveja ou batata, mas a verdade é
que elas não têm preferência por nada e devoram quase tudo.
As doenças mais comuns nos jardins têm causas fúngicas, bacterianas e virais. As
fúngicas mais comuns são a antracnose, reconhecida por pontuações ou manchas
pretas com bordas amarelas nas folhas; o míldio que é um pó branco que se forma
na parte debaixo das folhas, e o oídio, também um pó branco que normalmente se
forma na parte de cima das folhas; e a ferrugem, que são pontuações laranjas ou
amarelas pulverulentas nas folhas. O melhor controle de doenças fúngicas é a
remoção da parte afetada e o descarte no lixo. Nunca coloque material doente ou
infestado na composteira. As doenças bacterianas são aquelas que normalmente
começam com pontuações pretas e evoluem para podridão, em que as partes
afetadas das plantas ficam com aparência necrosada, aquosa e com cheiro ruim.
Elimine as partes afetadas da planta e se a podridão ocorrer nas raízes, considere
refazer todo o canteiro ou vaso, removendo o solo afetado e substituindo por outro
sadio. As doenças virais mais comuns causam pontuações pálidas nas folhas, em tons
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https://www.google.com.br/search?safe=active&rlz=1C1ZKTG_pt-BRBR701BR701&biw=1517&bih=681&tbm=isch&sa=1&q=bacteriose&oq=bacteriose&gs_l=psy-ab.3..0l4.40820.44737.0.44888.10.10.0.0.0.0.139.920.0j7.7.0....0...1.1.64.psy-ab..3.7.918...0i67k1.VwPhk424aGA
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de branco, verde claro e amarelo. Normalmente vírus são transmitidos por insetos
sugadores de seivas ou por ferramentas de corte contaminadas. Plantas com viroses
sofrem muitas vezes de encarquilhamento de folhas e deformação de ramos, flores
e frutos.
Sempre que verificar uma planta com sinais de alguma doença, evite em mantê-la no
jardim. Recomenda-se eliminar a planta afetada para que ela não seja foco de
disseminação da doença para plantas saudáveis.
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Para realizar o planejamento da manutenção do jardim é necessário reconhecer duas
frequências diferentes nos serviços, como os serviços diários, chamados de serviços
de rotina, e os serviços de menor frequência, chamados de serviços esporádicos.
São aqueles que devem ser realizados diariamente, e podem ser feitos na forma de
"passeio". Os serviços diários começam com a observação do jardim; seguem com
despraguejamento manual; com a remoção de folhas e ramos secos, doentes ou
infestados com alguma praga; e por fim a irrigação. O despraguejamento é na
verdade uma corrida contra as plantas daninhas, e se o despraguejamento manual
for feito diariamente, com serenidade, pode excluir a necessidade da aplicação de
herbicidas. A remoção das daninhas de forma manual é realizada com o auxílio de
ferramentas (firmino, ou arrancador de inço), antes da floração e produção de
sementes para evitar a propagação da planta no jardim.
São as atividades que deverão ser realizadas mensalmente, trimestralmente,
semestralmente e anualmente. Vamos apontar cada um deles com base no conteúdo
que foi abordado no capítulo anterior.
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Serviços mensais
Como prioridades mensais podemos citar: a roçagem do gramado; a remoção de
flores secas ("deadheading" em inglês); o tombo de leiras da composteira, se houver
uma; a rotação de vasos em ambientes de meia-sombra: e a aplicação de repelentes
orgânicos, como o óleo de nem, para insetos indesejados.
Serviços trimestrais
Consistem na adubação orgânica de cobertura; podas de formação e podas sazonais
(no caso do inverno); colheita de plantas alimentícias e flores de corte; colheita do
composto orgânico, caso haja composteira em leiras; e aplicação de alguns tipos de
defensivos naturais, como as caldas de alho e pimenta, ou calda de sabão.
Serviços semestrais
Deverá ser feito a cada 6 meses a poda de limpeza e adequação; ações de controle
de erosão; reposição da cobertura do solo com material orgânico - material orgânico
é diferente de matéria orgânica - (com folhas secas, ou triturado de madeira ou coco);
descompactação de canteiros de plantas perenes (com o uso de garfos de
jardinagem, por exemplo);
Serviços anuais
São os serviços de renovação de canteiros de plantas anuais e/ou bianuais com
revolvimento de solo, adubação, e correção da acidez; podas de renovação de
algumas espécies de plantas herbáceas e arbustivas; transplante de plantas em vasos
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ou propagação por divisão de touceiras ou bulbos; adubação química de cobertura
(no trimestre que for realizada a adubação química não se faz adubação orgânica).
São aqueles que ocorrem numa estação específica do ano. De maneira geral,
podemos organizar os serviços esporádicos nas estações do ano mais adequadas.
Primavera: plantio de árvores e arbustos
em jardins sem irrigação; renovação de
canteiros; propagação por divisão de
touceiras ou bulbos; adubação orgânica
de cobertura de plantas perenes (final da
primavera); transplante de plantas
perenes em vasos para recipientes
maiores, caso seja necessário.
Verão: poda de formação, limpeza ou adequação; adubação orgânica de cobertura
de plantas perenes (final do verão).
Outono: poda de limpeza; contenção de erosão (final do outono); cobertura do solo
com material orgânico.
Inverno: poda de inverno (final do inverno) de algumas plantas perenes, como
roseiras, camélias e azaleias; adubação química de cobertura (final do inverno);
descompactação de canteiros de plantas perenes (final do inverno).
gabrielkehdi.com
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