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FACULDADE IGUAÇU – FI DANIELA SILVA FERNANDES INCLUSÃO DE ALUNOS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NA SALA DE AULA PEDRO LEOPOLDO - MG 2024 FACULDADE IGUAÇU – FI DANIELA SILVA FERNANDES INCLUSÃO DE ALUNOS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NA SALA DE AULA Artigo Científico apresentado a Faculdade IGUAÇU como parte das exigências para a obtenção do título de Especialista ABA – Análise do Comportamento Aplicada PEDRO LEOPOLDO – MG 2024 2 INCLUSÃO DE ALUNOS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NA SALA DE AULA Daniela Silva Fernandes1 RESUMO O presente trabalho busca apresentar análises e reflexões sobre o espectro autista em uma sala de aula do ensino Fundamental e como ocorre o processo de desenvolvimento e aprendizagem deste aluno. O professor de alunos como necessidade educacionais especiais precisa ter um olhar atento a este aluno, de entendimento e monitoramento, para explorar todas as capacidades e habilidades que este possui, para então se sentir acolhido e inserido no âmbito escolar com igualdade para todos os alunos. O objetivo desse trabalho é analisar e apresentar como ocorre a inclusão de alunos com transtorno do espectro autista no ambiente escolar. Sendo assim, fé preciso focar nas potencialidades desses alunos, para que estes se sintam incluídos e efetivem com qualidade o processo ensino aprendizagem. A educação para alunos com espectro autista é algo que inclui muitas habilidades sociais, visuais, comportamentais e de rotina. Todas as estratégias são fundamentais para que a criança autista cresça cognitivamente e socialmente, além de elevar o bem estar psicológico da criança e da família. Palavras-chaves: Educação Inclusiva. Transtorno do Espectro Autista. Aprendizagem. Introdução O processo de inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais no ambiente escolar é um grande desafio para os educadores, pois a eles é atribuído a função de construírem novas propostas de ensino, atuar com um olhar diferente em sala de aula, sendo o agente facilitador do processo de ensino- aprendizagem. Garantir o acesso à educação é o ponto inicial de um atendimento que deve garantir também, a todos que tenham este acesso, que possam nele permanecer, com igualdade e usufruindo de todos os direitos e deveres. É o direito de receber e a garantia de ter esse direito, de igualdade e diversidade humana. Este é um desafio a todos, principalmente a todos os envolvidos no ambiente escolar, que têm de fato, que atender esses educandos com qualidade, 1 Graduada em Normal Superior - Faculdades Integradas de Pedro Leopoldo. 3 para que os objetivos e o desenvolvimento aconteçam, fazendo com que a sociedade valorize a diversidade humana. O ato de incluir um aluno com deficiência em uma escola regular não pode ser visto como um mero ato obrigatório, mas sim como uma prática apoiada em um paradigma educacional voltado à defesa da diversidade e dos direitos humanos, tratando-se, de um processo social complexo que resulta de ações estabelecidas por agentes distintos envolvidos (diretamente ou indiretamente) com o processo de ensino aprendizagem (Benitez & Domeniconi, 2015). O termo inclusão, articula-se aos direitos humanos e democráticos, sob influências locais, globais, ideológicas, econômicas, sociais e culturais (Nozu, Bruno, & Cabral, 2018). O processo de inclusão no ambiente escolar traz consigo a transformação da escola, e de toda comunidade escolar, pois acarreta na inserção de alunos com quaisquer déficits e necessidades no ensino regular, cabendo às escolas, aos seus professores, à estrutura e ao currículo, se adaptarem às necessidades e possibilidades de aprendizagem e desenvolvimento destes alunos. No final das contas, a inclusão rompe com o modelo tradicional de ensino. Um dos princípios fundamentais da escola com práticas inclusivas é o de que “todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que elas possam ter” (UNESCO, 1994, p.4); e um dos grandes desafios encontrados atualmente para a realização de tais práticas nas escolas de ensino regular, está estritamente relacionado com as concepções dos professores que nelas atuam. O professor é um profissional que trabalha com a diversidade, tendo a responsabilidade de desenvolver com êxito as aprendizagens nas múltiplas capacidades dos alunos, não somente transmitindo conhecimentos, mas também de forma intelectual e política. Incluir vai além de simplesmente inserir o aluno em sala regular de ensino, incluir é dar todo o suporte e condições necessárias para o educando realmente sejam incluídos nas atividades (atividades em sala, fora de sala de aula, brincadeiras, gincanas, festas, entre outros) propostas pela escola. Desenvolvimento 4 Educação Inclusiva Com a criação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96, o Brasil obteve um importante avanço quanto à Educação Inclusiva, que juntamente com a Constituição Federal faz a garantia a todos os mesmos direitos. [...] a luta pela inclusão das pessoas com deficiência é fortalecida no mundo todo, deixando para trás a história de séculos de descaso e discriminação em relação às suas necessidades diferenciadas. (PIRES; SANCHES; TORRES, 2011, p. 02) Sassaki (1997) aponta o conceito de inclusão social como: Processo pelo qual a sociedade e o portador de deficiência procuram adaptar-se mutuamente, tendo em vista a equiparação de oportunidade e, consequentemente, uma sociedade para todos (…) A inclusão significa que a sociedade deve adaptar-se às necessidades da pessoa com deficiência para que esta possa desenvolver-se em todos os aspectos de sua vida (SASSAKI, 1997, p. 167). A Constituição Federal (Brasil, 1988), apresenta em seu artigo 208, o atendimento educacional para as pessoas com deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. Direito garantido também pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Brasil, 1996) e no Estatuto da Pessoa com Deficiência (Brasil, 2015). Ainda, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (Brasil, 2008) garante o Atendimento Educacional Especializado (AEE) e uma série de possibilidades/recursos, a fim de que a educação seja de qualidade para todos, considerando a diversidade dos educandos presente na sala de aula. A Constituição Federal de 1988, traz como um dos seus objetivos fundamentais, “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, 5 cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (BRASIL, 1988), além de prescrever em seus dispositivos que a educação é um direito fundamental. Em 1994 a Declaração de Salamanca muda o cenário da educação mundial. Segundo, Santos e Teles (2012, p. 81), esse documento foi criado para apontar aos países a necessidade de políticas públicas e educacionais que venham a atender todas as pessoas de modo igualitário. O termo inclusão, articula-se aos direitos humanos e democráticos, sob influências locais, globais, ideológicas, econômicas, sociais e culturais (Nozu, Bruno, & Cabral, 2018). A Política Nacional da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva (DUTRA et al., 2008, p. 06), ressalta que a partir do processo de democratização da educação se evidencia o paradoxo inclusão/exclusão, quando os sistemas de ensino universalizam o acesso, mas continuam excluindo indivíduos e grupos considerados fora dos padrões homogeneizadores da escola. Segundo o documento “Marcos Político-Legais da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva”:Os sistemas de ensino devem organizar as condições de acesso aos espaços, aos recursos pedagógicos e a comunicação que favoreçam a promoção da aprendizagem e a valorização das diferenças, de forma a atender as necessidades educacionais de todos os alunos (BRASIL, 2010, p. 24). A Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, enfatiza que: A formação dos profissionais da educação possibilitará a construção de conhecimento para práticas educacionais que propiciem o desenvolvimento sócio cognitivo dos estudantes com transtorno do espectro autista. (NOTA TÉCNICA N° 24 /2013 /MEC /SECADI /DPEE) De acordo com Brasil (2010), a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei nº 9.394/96, no artigo 59, preconiza que os sistemas de ensino devem 6 assegurar aos alunos currículo, métodos, recursos e organização específicos para atender às suas necessidades. De acordo com Dutra et al. (2008, p. 6), a educação especial se organizou tradicionalmente como atendimento educacional especializado substitutivo ao ensino comum, evidenciando diferentes compreensões, terminologias e modalidades que levaram a criação de instituições especializadas, escolas especiais e classes especiais. De acordo com Mazzota (1996), a educação especial no Brasil é marcada por dois períodos: de 1854 a 1956, com iniciativas oficiais, particulares e isoladas, e de 1957 a 1993, com iniciativas oficiais e de âmbito nacional. A Educação Especial é uma modalidade de ensino que permeia todo o sistema educacional do país e visa proporcionar a pessoa com deficiência a oportunidade de desenvolvimento de suas capacidades, de sua personalidade, sua participação ativa na sociedade e no mundo do trabalho, contando assim com a aquisição de conhecimentos. Conforme a Declaração de Salamanca (1994, p. 10), “As pessoas com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas comuns, que deverão integrá-las numa pedagogia centrada na criança, capaz de atender a essas necessidades”. Sendo assim, para atender a todos os alunos com deficiência, é necessário que a escola regular seja inclusiva, sendo capaz de realizar todas as adaptações físicas e pedagógicas necessárias para atender a esses alunos com qualidade e equidade no processo de ensino e aprendizagem. A Declaração de Salamanca realça no princípio orientador o desafio da educação inclusiva lançado às escolas, no intuito de que devem acolher e ensinar a todos os alunos. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) nº 9394/96, aponta que a educação de pessoas com deficiência deve dar-se preferencialmente na rede regular, sendo um dever do Estado e da família promovê-la. O objetivo da escola, segundo a lei, é promover o pleno desenvolvimento do educando, preparando-o para a cidadania e qualificando-o para o trabalho. A LDB garante, em seu Artigo 59, que os sistemas de ensino assegurarão aos alunos com necessidades especiais: 7 • Currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos para atender as suas necessidades; • Terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados. A educação inclusiva segundo Moriña (2004) se concebe como um processo inacabado que desafia a qualquer situação de exclusão para eliminar barreiras que obstaculizam uma educação para todos. Na perspectiva de educação inclusiva, cabe destacar que a educação especial tem como objetivo assegurar a inclusão escolar de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação nas turmas comuns do ensino regular, orientando os sistemas de ensino comum, a participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados de ensino; a transversalidade a educação infantil até a educação superior; a oferta do atendimento educacional especializado e aos demais profissionais da educação, para a inclusão; a participação da família e da comunidade; acessibilidade arquitetônica, nos transportes, nos mobiliários, nas comunicações e informações; e a articulação inter-setorial na implementação das políticas públicas (BRASIL, 2008). A inclusão escolar constitui, portanto, uma proposta que representa valores simbólicos importantes, condizentes com a igualdade de direitos e de oportunidades educacionais para todos, em um ambiente educacional favorável. O Transtorno do Espectro Autista O termo Autismo é de origem grega que significa “próprio” ou de “de si mesmo”, sendo utilizado para denominar comportamentos humanos voltados para o próprio indivíduo. O autismo é considerado um transtorno de desenvolvimento, que na maioria das vezes, surge nos três primeiros anos de vida e afeta as habilidades de 8 comunicação e interação social e problemas comportamentais, que geralmente é mais frequente em meninos do que em meninas. Praça (2011) elucida que a criança com autismo: […] permanece em seu mundo interior como um meio de fugir dos estímulos que a cerca no mundo externo. Outro motivo para o autista permanecer em seu universo interior é o fato de que, em geral, o autista sente dificuldade em se relacionar e em se comunicar com outras pessoas uma vez que ele não usa a fala como meio de comunicação. Não se comunicando com outras pessoas acaba passando a impressão de que a pessoa autista vive sempre em um mundo próprio, criado por ela e que não se interage fora dele. (PRAÇA, 2011, p. 25) O Autismo em seu amplo espectro de gravidade é conhecido, agora, por ter muitas etiologias. [...]. Foi estabelecido que o autismo é apenas um dos transtornos do desenvolvimento do cérebro definidos (multi) dimensionalmente e que afetam comportamentos humanos complexos (RAPIN; TUCHMAN, 2009, p. 20-22). A Classificação Internacional de Doenças (CID-10, 1993) classifica o autismo como pertencente ao rol de transtornos invasivos que afetam principalmente o desenvolvimento, com diagnósticos acurados no âmbito clínico, no âmbito terapêutico, não há fármacos ou meios curativos comprovados entre os existentes (OMS, 1993). O autismo é uma síndrome comportamental que engloba comprometimento nas áreas relacionadas à comunicação, quer seja verbal ou não verbal, na interpersonalidade, em ações simbólicas, no comportamento geral e no distúrbio do desenvolvimento neuropsicológico. (ORRÚ, 2011, p.30). Galdino (2011) assegura que o autismo é diferente de muitas outras doenças ou distúrbios, traz consigo muita complexidade, pois, quase nada se sabe sobre suas causas. É determinado apenas, por conta de mínimos sintomas e características que vão surgindo ao longo do tempo. Como ainda não há total clareza a respeito do autismo, muitos cientistas e estudiosos de todo o mundo tentam buscar esses fatores causadores do mesmo. De acordo com KHOURY et al (2014): 9 [...] o Transtorno Autista (TA) se caracteriza por um quadro clínico em que prevalecem prejuízos na interação social, nos comportamentos não verbais (como contato visual, postura e expressão facial) e na comunicação (verbal e não verbal), podendo existir atraso ou mesmo ausência da linguagem. Pode haver, também, ecolalia e uso de linguagem estereotipada. As pessoas com o TA apresentam dificuldades no estabelecimento de relações sociais, preferindo atividades mais solitárias. Também apresentam dificuldades sociais para compartilhar interesses, iniciar ou manter interações sociais; possuem dificuldades em compreender expressões faciais de sentimentos e afetos (KHOURY et al., 2014, p. 9). O Transtorno de Espectro Autista “[...] é uma alteração comportamental que afeta a capacidade da pessoa em se comunicar, estabelecer relacionamentose a responder apropriadamente ao ambiente em que vive”, por isso a necessidade e a importância das adaptações pedagógicas (BRITO; SALES, 2014, p. 23). O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) apresenta alguns critérios para o diagnóstico no caso do TEA: A - Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos; B - Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades; C - Os sintomas devem estar presentes precocemente no período do desenvolvimento (mas podem não se tornar plenamente manifestos até que as demandas sociais excedam as capacidades limitadas ou podem ser mascarados por estratégias aprendidas mais tarde na vida). D - Os sintomas causam prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo no presente (DSM-V, 2014, p. 91). Ao realizar a inclusão de alunos no ensino regular, é preciso que a escola conheça e compreenda as singularidades desses alunos. Dessa forma, faz-se necessário criar novas estratégias e flexibilizar currículos para atender a todos com qualidade e equidade. A Classificação Internacional de Doenças (CID-10, 1993) classifica o autismo como pertencente ao rol de transtornos invasivos que afetam principalmente o desenvolvimento, com diagnósticos acurados no âmbito clínico, no âmbito terapêutico, não há fármacos ou meios curativos comprovados entre os existentes (OMS, 1993). 10 O autismo possui vários sintomas e que ocorrem principalmente em virtude de déficits comportamentais do indivíduo, e assim, se caracteriza por pouca ou nenhuma interação social do indivíduo, tornando-se inábil para se relacionar com o outro, e consequentemente, ocorrem déficits de linguagem e alterações do comportamento (LEAL et al., 2014). O Autismo em seu amplo espectro de gravidade é conhecido, agora, por ter muitas etiologias. [...]. Foi estabelecido que o autismo é apenas um dos transtornos do desenvolvimento do cérebro definidos (multi) dimensionalmente e que afetam comportamentos humanos complexos (RAPIN; TUCHMAN, 2009, p. 20-22). Após um longo caminho de descobertas, o autismo passou a ser classificado como um déficit neurobiológico que já nasce com a criança e compromete o desenvolvimento cognitivo. É definido também como um transtorno invasivo do desenvolvimento (TID), que possui basicamente quatro aspectos de manifestações, que são: deficiências qualitativas na interação social, dificuldades na comunicação, protótipos de comportamento estereotipados e um repertório limitado de interesses e atividades. Mello (2004, p.114-115), caracteriza a tríade de dificuldades que seriam as manifestações comuns causadas pelo autismo, são elas: • Dificuldade de comunicação - caracterizada pela dificuldade em utilizar sentido todos os aspectos da comunicação verbal e não verbal. • Dificuldade de sociabilização - este é o ponto crucial no autismo e o mais fácil de gerar falsas interpretações. • Dificuldade no uso da imaginação - se caracteriza por rigidez e inflexibilidade e se estende às várias áreas do pensamento, linguagem e comportamento da criança. Exemplo: comportamentos obsessivos e ritualísticos. Galdino (2011) assegura que o autismo diferente de muitas outras doenças ou distúrbios, traz consigo muita complexidade, pois, quase nada se sabe sobre suas causas. Ele é determinado apenas, por conta de mínimos sintomas e características que vão surgindo ao longo do tempo. Como ainda não há total 11 clareza a respeito do autismo, muitos cientistas e estudiosos de todo o mundo tentam buscar esses fatores causadores do mesmo. O autista e a aprendizagem Na educação, o papel do professor vai além da transmissão de informações. O professor é a chave do processo pedagógico e modelo a ser espelhado em diversas situações pelos alunos. Nesta dimensão, o processo de inclusão necessita de professores especializados para todos os alunos. Portanto, eles terão de voltar a estudar, a pesquisar, a refletir sobre suas práticas e a buscar metodologias inovadoras de ensino para esse fim. (GÓMEZ, 1992, p.103-105). No processo de interação entre aluno – professor, o aluno aprende a refletir e discernir sobre os conhecimentos e a ter competência para lidar com as situações que se apresentam, sabendo lidar com todas as situações que surgirem em sua rotina. Sobre as diferenças das capacidades acadêmicas observadas em sala de aula, Carvalho (1998) aponta: Necessário que todos os professores assumam que as diferenças individuais no processo de aprendizagem são inerentes à condição humana e explicam porque: alguns alunos são mais dedicados e esforçados; outros dão preferência a determinados conteúdos; há aqueles que são mais lentos, enquanto que outros realizam a transferência de aprendizagem com enorme facilidade. Alguns exigem muitos estímulos para se manterem atentos e interessados enquanto há os que aprendem com, sem ou apesar do professor. (CARVALHO, 1998, p.22) O professor é um profissional que trabalha com a diversidade, é responsável por desenvolver com excelência as aprendizagens nas múltiplas capacidades dos 12 alunos, e não apenas à transmissão de conhecimento, mas também nas habilidades intelectuais. Assim, a inclusão escolar de crianças com deficiências e sabendo-se que essa inclusão visa reverter o percurso de exclusão de qualquer natureza, cabe ao professor procurar enriquecer seus conhecimentos a respeito deste assunto tornando-se capaz de beneficiá-los efetivamente na aprendizagem, tornando suas aulas prazerosas para os alunos desenvolverem suas habilidades necessárias. Para Arons e Grittes (1992) as características que definem os autistas: incapacidade de desenvolver relações com outros, atrasos na aquisição linguagem, uso não comunicativo da linguagem verbal, ecolalia, jogo repetitivo, boa memória de repetição e sua aparência física é normal. Os sistemas de ensino devem criar escolas e capacitar professores e funcionários, para que os mesmos compreendam a singularidade de cada criança e aprendam a conviver, respeitar e principalmente oferecer a mesma qualidade de ensino a todos, com as mesmas condições de desenvolvimento. De acordo com Lopez (2011): Professores, orientadores, supervisores, direção escolar, demais funcionários, famílias e alunos precisam estar conscientes dessa singularidade de todos os estudantes e suas demandas específicas. Esta tomada de consciência pode tornar a escola um espaço onde os processos de ensino e aprendizagem estão disponíveis e ao alcance de todos e onde diferentes conhecimentos e culturas são mediados de formas diversas por todos os integrantes da comunidade escolar, tornando a escola um espaço compreensível e inclusivo. (LOPEZ, 2011, p. 16) As crianças autistas apresentam dificuldades em três áreas, linguagem e comunicação, competências sociais, e flexibilidade de pensamento ou de imaginação. A dificuldade na linguagem e falta de respostas social podem ser consideradas um indicio do transtorno, quando essas características não correspondem a idade mental correta, tendo em vista que essas crianças possuem características distintas e diversas diante das que são consideradas “normais”. Aos poucos começam a surgir os movimentos estereotipados, principalmente com mãos e dedos, assim é mais notório as características da criança autista. 13 As crianças com autismo, em sua a maioria, vão apresentar um atraso na fala ou até mesmo não irão desenvolver essa capacidade linguística. Com relações de conduta e personalidades de crianças com autismo, distintos autores entre as décadas de 50 e 60 atribuíram maior relevância á síndrome no que se refere a possuírem uma anomalia de compreensão linguística,alterações relacionadas ao déficit simbólico, além de dificuldades na imitação e na integração sensório – motora (RUTTER, 1979, apud ORRÚ, 2009, p. 65-66). As crianças que apresentam o espectro autista, segundo Telmo (1990), não apresentam interesse em desenvolver sua autonomia, não se sentem atraídos por atividades que estimulem o domínio da mesma, ainda segundo o autor os autista podem ainda sofrer de hiper ou hipo sensibilidades nas mais diferentes áreas, calor, frio, a luz, ruídos e a diferentes texturas que não os agradam. As crianças que apresentam o espectro autista irão apresentar também outras características como dificuldade na alimentação, nos quais vão fazer seleções que poderá ser até por cores, aquelas cores que se identificam ou gostem, gostos muitos limitados ou estereotipados, obsessividade por determinado objeto ou algo que lhes apresentados, dificuldades extremas em mudanças de ambiente em casos extremos podem apresentar sinais de agressividade. O autista sente dificuldade em se relacionar ou se comunicar com outras pessoas, uma vez que ele não usa a fala como um meio de comunicação. Não se comunicando com outras pessoas acaba passando a impressão de que a pessoa autista vive sempre em um mundo próprio, criado por ele e que não interage fora dele. (MENEZES, 2012, p. 25). A socialização para essas pessoas que apresentam TEA é de tamanha importância, pois, faz com que eles desenvolvam uma área comprometida do seu cérebro, que os impedem de interagir com os demais e os fazem viver em seu "mundinho" de partes separadas. A forma de socialização do indivíduo com TEA tende a ser restritiva, uma vez que esse lugar lhe parece muitas vezes como algo ameaçador. Por isso, eles evitam o toque, o olhar, a relação. No entanto, é papel da família e da escola buscar a interação, sem agredir a pessoa com TEA. A primeira reação que pode mostrar que essa socialização está acontecendo é quando o indivíduo com TEA aceita “olhar nos olhos”, “ser tocado”, pois significa que ele 14 começa a interagir com o outro. Tais atitudes são processuais, graduais, e não acontecerá com todos ao mesmo tempo. Mas, quando um indivíduo com TEA aceita interagir significa uma quebra imensurável de paradigmas (SILVA et al, 2012, p.15). As escolas precisam estar preparadas estruturalmente e profissionalmente para incluírem os alunos que apresentam necessidades educacionais especiais no ambiente escolar: Compete à escola adaptar-se para atender às capacidades e necessidades do estudante na classe comum, mobilizando ações e práticas diversificadas que, além do acesso, propicie condições de permanência exitosa no contexto escolar. (KELMAN, et al, 2010, p. 226) A inclusão está diretamente relacionada com o processo de ensino- aprendizagem, não basta só incluir, é preciso que a escola ofereça um ambiente adaptado e um ensino de qualidade, e para isso o professor deve desenvolver metodologias diversificadas e flexíveis. Considerações Finais Este estudo teve por objetivo apresentar a importância do aluno com espectro autista na sala de aula e como se dá seu desenvolvimento de aprendizagem. Percebe-se a importância do trabalho da escola, juntamente com todos os envolvidos no ambiente escolar, de criarem estratégias e adaptações para incluir esses alunos. Deve-se considerar como principal recurso para esse trabalho a presença do professor como mediador da inclusão, uma vez que cria oportunidades e situações para que esse processo se faça com qualidade e excelência, compreendendo todas as características dos alunos, sendo deficiente ou não. Percebe-se que a inclusão está totalmente ligada ao processo ensino aprendizagem, já que a inclusão tem o objetivo de promover as mesmas 15 oportunidades para todos os alunos, visando a aprendizagem por igualdade para todos. É possível concluir que é imprescindível no trabalho com os alunos que apresentam espectro autista, a questão da socialização. O professor assim como toda a escola irão auxiliar o aluno na convivência social dentro da escola, incentivando a linguagem oral e escrita para que possam se expressar, estimulando a autonomia para o deslocamento do aluno dentro do âmbito escolar e consequentemente fora dele. Por fim, trabalhar com a inclusão é um grande desafio, principalmente quando trabalhamos com alunos que apresentam espectro autista, pois suas características exigem maior empenho por parte dos profissionais em conhecê-las para então adaptar e oferecer o melhor para o desenvolvimento desses alunos. Referências Bibliográficas AARONS, M. GITTENS, T. The handbook of autismo: a guide for parentes and professionals. London, Routledge, 1992. Benitez, P.; Domeniconi, C. (2015). Inclusão Escolar: o Papel dos Agentes Educacionais Brasileiros. Psicologia: Ciência e Profissão, 35(4), 1007-1023. BRASIL, MEC. Lei de Diretrizes e Bases no 9394/96. Brasília: MEC, 1996. _____. Lei Nº 13.146, de 6 de julho de 2015. 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