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FACULDADE IGUAÇU – FI 
DANIELA SILVA FERNANDES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INCLUSÃO DE ALUNOS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NA 
SALA DE AULA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PEDRO LEOPOLDO - MG 
2024 
 
 
 
FACULDADE IGUAÇU – FI 
DANIELA SILVA FERNANDES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INCLUSÃO DE ALUNOS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NA 
SALA DE AULA 
 
Artigo Científico apresentado a Faculdade 
IGUAÇU como parte das exigências para a 
obtenção do título de Especialista ABA – Análise 
do Comportamento Aplicada 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PEDRO LEOPOLDO – MG 
2024
2 
 
 
INCLUSÃO DE ALUNOS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NA 
SALA DE AULA 
 
Daniela Silva Fernandes1 
 
RESUMO 
 
O presente trabalho busca apresentar análises e reflexões sobre o espectro autista em uma sala de 
aula do ensino Fundamental e como ocorre o processo de desenvolvimento e aprendizagem deste 
aluno. O professor de alunos como necessidade educacionais especiais precisa ter um olhar atento a 
este aluno, de entendimento e monitoramento, para explorar todas as capacidades e habilidades que 
este possui, para então se sentir acolhido e inserido no âmbito escolar com igualdade para todos os 
alunos. O objetivo desse trabalho é analisar e apresentar como ocorre a inclusão de alunos com 
transtorno do espectro autista no ambiente escolar. Sendo assim, fé preciso focar nas 
potencialidades desses alunos, para que estes se sintam incluídos e efetivem com qualidade o 
processo ensino aprendizagem. A educação para alunos com espectro autista é algo que inclui 
muitas habilidades sociais, visuais, comportamentais e de rotina. Todas as estratégias são 
fundamentais para que a criança autista cresça cognitivamente e socialmente, além de elevar o bem 
estar psicológico da criança e da família. 
 
Palavras-chaves: Educação Inclusiva. Transtorno do Espectro Autista. 
Aprendizagem. 
 
 
Introdução 
 
 
O processo de inclusão dos alunos com necessidades educacionais 
especiais no ambiente escolar é um grande desafio para os educadores, pois a eles 
é atribuído a função de construírem novas propostas de ensino, atuar com um olhar 
diferente em sala de aula, sendo o agente facilitador do processo de ensino-
aprendizagem. 
Garantir o acesso à educação é o ponto inicial de um atendimento que deve 
garantir também, a todos que tenham este acesso, que possam nele permanecer, 
com igualdade e usufruindo de todos os direitos e deveres. É o direito de receber e a 
garantia de ter esse direito, de igualdade e diversidade humana. 
Este é um desafio a todos, principalmente a todos os envolvidos no 
ambiente escolar, que têm de fato, que atender esses educandos com qualidade, 
 
1 Graduada em Normal Superior - Faculdades Integradas de Pedro Leopoldo. 
3 
 
 
para que os objetivos e o desenvolvimento aconteçam, fazendo com que a 
sociedade valorize a diversidade humana. 
O ato de incluir um aluno com deficiência em uma escola regular não pode 
ser visto como um mero ato obrigatório, mas sim como uma prática apoiada em um 
paradigma educacional voltado à defesa da diversidade e dos direitos humanos, 
tratando-se, de um processo social complexo que resulta de ações estabelecidas 
por agentes distintos envolvidos (diretamente ou indiretamente) com o processo de 
ensino aprendizagem (Benitez & Domeniconi, 2015). 
O termo inclusão, articula-se aos direitos humanos e democráticos, sob 
influências locais, globais, ideológicas, econômicas, sociais e culturais (Nozu, Bruno, 
& Cabral, 2018). 
O processo de inclusão no ambiente escolar traz consigo a transformação 
da escola, e de toda comunidade escolar, pois acarreta na inserção de alunos com 
quaisquer déficits e necessidades no ensino regular, cabendo às escolas, aos seus 
professores, à estrutura e ao currículo, se adaptarem às necessidades e 
possibilidades de aprendizagem e desenvolvimento destes alunos. No final das 
contas, a inclusão rompe com o modelo tradicional de ensino. 
Um dos princípios fundamentais da escola com práticas inclusivas é o de 
que “todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, 
independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que elas possam ter” 
(UNESCO, 1994, p.4); e um dos grandes desafios encontrados atualmente para a 
realização de tais práticas nas escolas de ensino regular, está estritamente 
relacionado com as concepções dos professores que nelas atuam. 
O professor é um profissional que trabalha com a diversidade, tendo a 
responsabilidade de desenvolver com êxito as aprendizagens nas múltiplas 
capacidades dos alunos, não somente transmitindo conhecimentos, mas também de 
forma intelectual e política. 
Incluir vai além de simplesmente inserir o aluno em sala regular de ensino, 
incluir é dar todo o suporte e condições necessárias para o educando realmente 
sejam incluídos nas atividades (atividades em sala, fora de sala de aula, 
brincadeiras, gincanas, festas, entre outros) propostas pela escola. 
 
 
Desenvolvimento 
4 
 
 
 
 
Educação Inclusiva 
 
 
Com a criação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96, 
o Brasil obteve um importante avanço quanto à Educação Inclusiva, que juntamente 
com a Constituição Federal faz a garantia a todos os mesmos direitos. 
 
 
[...] a luta pela inclusão das pessoas com deficiência é fortalecida no mundo 
todo, deixando para trás a história de séculos de descaso e discriminação 
em relação às suas necessidades diferenciadas. (PIRES; SANCHES; 
TORRES, 2011, p. 02) 
 
 
Sassaki (1997) aponta o conceito de inclusão social como: 
 
 
Processo pelo qual a sociedade e o portador de deficiência procuram 
adaptar-se mutuamente, tendo em vista a equiparação de oportunidade e, 
consequentemente, uma sociedade para todos (…) A inclusão significa que 
a sociedade deve adaptar-se às necessidades da pessoa com deficiência 
para que esta possa desenvolver-se em todos os aspectos de sua vida 
(SASSAKI, 1997, p. 167). 
 
 
A Constituição Federal (Brasil, 1988), apresenta em seu artigo 208, o 
atendimento educacional para as pessoas com deficiência, preferencialmente na 
rede regular de ensino. Direito garantido também pela Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação (Brasil, 1996) e no Estatuto da Pessoa com Deficiência (Brasil, 2015). 
Ainda, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação 
Inclusiva (Brasil, 2008) garante o Atendimento Educacional Especializado (AEE) e 
uma série de possibilidades/recursos, a fim de que a educação seja de qualidade 
para todos, considerando a diversidade dos educandos presente na sala de aula. 
A Constituição Federal de 1988, traz como um dos seus objetivos 
fundamentais, “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, 
5 
 
 
cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (BRASIL, 1988), além de 
prescrever em seus dispositivos que a educação é um direito fundamental. 
Em 1994 a Declaração de Salamanca muda o cenário da educação mundial. 
Segundo, Santos e Teles (2012, p. 81), esse documento foi criado para apontar aos 
países a necessidade de políticas públicas e educacionais que venham a atender 
todas as pessoas de modo igualitário. 
O termo inclusão, articula-se aos direitos humanos e democráticos, sob 
influências locais, globais, ideológicas, econômicas, sociais e culturais (Nozu, Bruno, 
& Cabral, 2018). 
A Política Nacional da Educação Especial na perspectiva da Educação 
Inclusiva (DUTRA et al., 2008, p. 06), ressalta que a partir do processo de 
democratização da educação se evidencia o paradoxo inclusão/exclusão, quando os 
sistemas de ensino universalizam o acesso, mas continuam excluindo indivíduos e 
grupos considerados fora dos padrões homogeneizadores da escola. 
Segundo o documento “Marcos Político-Legais da Educação Especial na 
Perspectiva da Educação Inclusiva”:Os sistemas de ensino devem organizar as condições de acesso aos 
espaços, aos recursos pedagógicos e a comunicação que favoreçam a 
promoção da aprendizagem e a valorização das diferenças, de forma a 
atender as necessidades educacionais de todos os alunos (BRASIL, 2010, 
p. 24). 
 
 
A Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do 
Espectro Autista, enfatiza que: 
 
 
A formação dos profissionais da educação possibilitará a construção de 
conhecimento para práticas educacionais que propiciem o desenvolvimento 
sócio cognitivo dos estudantes com transtorno do espectro autista. (NOTA 
TÉCNICA N° 24 /2013 /MEC /SECADI /DPEE) 
 
 
De acordo com Brasil (2010), a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional Lei nº 9.394/96, no artigo 59, preconiza que os sistemas de ensino devem 
6 
 
 
assegurar aos alunos currículo, métodos, recursos e organização específicos para 
atender às suas necessidades. 
De acordo com Dutra et al. (2008, p. 6), a educação especial se organizou 
tradicionalmente como atendimento educacional especializado substitutivo ao ensino 
comum, evidenciando diferentes compreensões, terminologias e modalidades que 
levaram a criação de instituições especializadas, escolas especiais e classes 
especiais. 
De acordo com Mazzota (1996), a educação especial no Brasil é marcada 
por dois períodos: de 1854 a 1956, com iniciativas oficiais, particulares e isoladas, e 
de 1957 a 1993, com iniciativas oficiais e de âmbito nacional. 
A Educação Especial é uma modalidade de ensino que permeia todo o 
sistema educacional do país e visa proporcionar a pessoa com deficiência a 
oportunidade de desenvolvimento de suas capacidades, de sua personalidade, sua 
participação ativa na sociedade e no mundo do trabalho, contando assim com a 
aquisição de conhecimentos. 
Conforme a Declaração de Salamanca (1994, p. 10), “As pessoas com 
necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas comuns, que 
deverão integrá-las numa pedagogia centrada na criança, capaz de atender a essas 
necessidades”. Sendo assim, para atender a todos os alunos com deficiência, é 
necessário que a escola regular seja inclusiva, sendo capaz de realizar todas as 
adaptações físicas e pedagógicas necessárias para atender a esses alunos com 
qualidade e equidade no processo de ensino e aprendizagem. 
A Declaração de Salamanca realça no princípio orientador o desafio da 
educação inclusiva lançado às escolas, no intuito de que devem acolher e ensinar a 
todos os alunos. 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) nº 9394/96, 
aponta que a educação de pessoas com deficiência deve dar-se preferencialmente 
na rede regular, sendo um dever do Estado e da família promovê-la. O objetivo da 
escola, segundo a lei, é promover o pleno desenvolvimento do educando, 
preparando-o para a cidadania e qualificando-o para o trabalho. 
A LDB garante, em seu Artigo 59, que os sistemas de ensino assegurarão 
aos alunos com necessidades especiais: 
 
7 
 
 
• Currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos 
para atender as suas necessidades; 
• Terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível 
exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas 
deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar 
para os superdotados. 
 
A educação inclusiva segundo Moriña (2004) se concebe como um processo 
inacabado que desafia a qualquer situação de exclusão para eliminar barreiras que 
obstaculizam uma educação para todos. 
 
 
Na perspectiva de educação inclusiva, cabe destacar que a educação 
especial tem como objetivo assegurar a inclusão escolar de alunos com 
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ 
superdotação nas turmas comuns do ensino regular, orientando os sistemas 
de ensino comum, a participação, aprendizagem e continuidade nos níveis 
mais elevados de ensino; a transversalidade a educação infantil até a 
educação superior; a oferta do atendimento educacional especializado e 
aos demais profissionais da educação, para a inclusão; a participação da 
família e da comunidade; acessibilidade arquitetônica, nos transportes, nos 
mobiliários, nas comunicações e informações; e a articulação inter-setorial 
na implementação das políticas públicas (BRASIL, 2008). 
 
 
A inclusão escolar constitui, portanto, uma proposta que representa valores 
simbólicos importantes, condizentes com a igualdade de direitos e de oportunidades 
educacionais para todos, em um ambiente educacional favorável. 
 
 
O Transtorno do Espectro Autista 
 
 
O termo Autismo é de origem grega que significa “próprio” ou de “de si 
mesmo”, sendo utilizado para denominar comportamentos humanos voltados para o 
próprio indivíduo. 
O autismo é considerado um transtorno de desenvolvimento, que na maioria 
das vezes, surge nos três primeiros anos de vida e afeta as habilidades de 
8 
 
 
comunicação e interação social e problemas comportamentais, que geralmente é 
mais frequente em meninos do que em meninas. 
Praça (2011) elucida que a criança com autismo: 
[…] permanece em seu mundo interior como um meio de fugir dos estímulos 
que a cerca no mundo externo. Outro motivo para o autista permanecer em 
seu universo interior é o fato de que, em geral, o autista sente dificuldade 
em se relacionar e em se comunicar com outras pessoas uma vez que ele 
não usa a fala como meio de comunicação. Não se comunicando com 
outras pessoas acaba passando a impressão de que a pessoa autista vive 
sempre em um mundo próprio, criado por ela e que não se interage fora 
dele. (PRAÇA, 2011, p. 25) 
 
 
O Autismo em seu amplo espectro de gravidade é conhecido, agora, por ter 
muitas etiologias. [...]. Foi estabelecido que o autismo é apenas um dos transtornos 
do desenvolvimento do cérebro definidos (multi) dimensionalmente e que afetam 
comportamentos humanos complexos (RAPIN; TUCHMAN, 2009, p. 20-22). 
A Classificação Internacional de Doenças (CID-10, 1993) classifica o 
autismo como pertencente ao rol de transtornos invasivos que afetam principalmente 
o desenvolvimento, com diagnósticos acurados no âmbito clínico, no âmbito 
terapêutico, não há fármacos ou meios curativos comprovados entre os existentes 
(OMS, 1993). 
 
 
O autismo é uma síndrome comportamental que engloba comprometimento 
nas áreas relacionadas à comunicação, quer seja verbal ou não verbal, na 
interpersonalidade, em ações simbólicas, no comportamento geral e no 
distúrbio do desenvolvimento neuropsicológico. (ORRÚ, 2011, p.30). 
 
 
Galdino (2011) assegura que o autismo é diferente de muitas outras 
doenças ou distúrbios, traz consigo muita complexidade, pois, quase nada se sabe 
sobre suas causas. É determinado apenas, por conta de mínimos sintomas e 
características que vão surgindo ao longo do tempo. Como ainda não há total 
clareza a respeito do autismo, muitos cientistas e estudiosos de todo o mundo 
tentam buscar esses fatores causadores do mesmo. 
De acordo com KHOURY et al (2014): 
 
 
9 
 
 
[...] o Transtorno Autista (TA) se caracteriza por um quadro clínico em que 
prevalecem prejuízos na interação social, nos comportamentos não verbais 
(como contato visual, postura e expressão facial) e na comunicação (verbal 
e não verbal), podendo existir atraso ou mesmo ausência da linguagem. 
Pode haver, também, ecolalia e uso de linguagem estereotipada. As 
pessoas com o TA apresentam dificuldades no estabelecimento de relações 
sociais, preferindo atividades mais solitárias. Também apresentam 
dificuldades sociais para compartilhar interesses, iniciar ou manter 
interações sociais; possuem dificuldades em compreender expressões 
faciais de sentimentos e afetos (KHOURY et al., 2014, p. 9). 
 
 
O Transtorno de Espectro Autista “[...] é uma alteração comportamental que 
afeta a capacidade da pessoa em se comunicar, estabelecer relacionamentose a 
responder apropriadamente ao ambiente em que vive”, por isso a necessidade e a 
importância das adaptações pedagógicas (BRITO; SALES, 2014, p. 23). 
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) 
apresenta alguns critérios para o diagnóstico no caso do TEA: 
 
 
A - Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em 
múltiplos contextos; 
B - Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou 
atividades; 
C - Os sintomas devem estar presentes precocemente no período do 
desenvolvimento (mas podem não se tornar plenamente manifestos até que 
as demandas sociais excedam as capacidades limitadas ou podem ser 
mascarados por estratégias aprendidas mais tarde na vida). 
D - Os sintomas causam prejuízo clinicamente significativo no 
funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida 
do indivíduo no presente (DSM-V, 2014, p. 91). 
 
 
Ao realizar a inclusão de alunos no ensino regular, é preciso que a escola 
conheça e compreenda as singularidades desses alunos. Dessa forma, faz-se 
necessário criar novas estratégias e flexibilizar currículos para atender a todos com 
qualidade e equidade. 
A Classificação Internacional de Doenças (CID-10, 1993) classifica o 
autismo como pertencente ao rol de transtornos invasivos que afetam principalmente 
o desenvolvimento, com diagnósticos acurados no âmbito clínico, no âmbito 
terapêutico, não há fármacos ou meios curativos comprovados entre os existentes 
(OMS, 1993). 
10 
 
 
O autismo possui vários sintomas e que ocorrem principalmente em virtude 
de déficits comportamentais do indivíduo, e assim, se caracteriza por pouca ou 
nenhuma interação social do indivíduo, tornando-se inábil para se relacionar com o 
outro, e consequentemente, ocorrem déficits de linguagem e alterações do 
comportamento (LEAL et al., 2014). 
O Autismo em seu amplo espectro de gravidade é conhecido, agora, por ter 
muitas etiologias. [...]. Foi estabelecido que o autismo é apenas um dos transtornos 
do desenvolvimento do cérebro definidos (multi) dimensionalmente e que afetam 
comportamentos humanos complexos (RAPIN; TUCHMAN, 2009, p. 20-22). Após 
um longo caminho de descobertas, o autismo passou a ser classificado como um 
déficit neurobiológico que já nasce com a criança e compromete o desenvolvimento 
cognitivo. É definido também como um transtorno invasivo do desenvolvimento 
(TID), que possui basicamente quatro aspectos de manifestações, que são: 
deficiências qualitativas na interação social, dificuldades na comunicação, protótipos 
de comportamento estereotipados e um repertório limitado de interesses e 
atividades. 
Mello (2004, p.114-115), caracteriza a tríade de dificuldades que seriam as 
manifestações comuns causadas pelo autismo, são elas: 
 
 
• Dificuldade de comunicação - caracterizada pela dificuldade em utilizar 
sentido todos os aspectos da comunicação verbal e não verbal. 
• Dificuldade de sociabilização - este é o ponto crucial no autismo e o mais fácil 
de gerar falsas interpretações. 
• Dificuldade no uso da imaginação - se caracteriza por rigidez e inflexibilidade 
e se estende às várias áreas do pensamento, linguagem e comportamento da 
criança. Exemplo: comportamentos obsessivos e ritualísticos. 
 
 
Galdino (2011) assegura que o autismo diferente de muitas outras doenças 
ou distúrbios, traz consigo muita complexidade, pois, quase nada se sabe sobre 
suas causas. Ele é determinado apenas, por conta de mínimos sintomas e 
características que vão surgindo ao longo do tempo. Como ainda não há total 
11 
 
 
clareza a respeito do autismo, muitos cientistas e estudiosos de todo o mundo 
tentam buscar esses fatores causadores do mesmo. 
 
 
O autista e a aprendizagem 
 
 
Na educação, o papel do professor vai além da transmissão de informações. 
 
 
O professor é a chave do processo pedagógico e modelo a ser espelhado 
em diversas situações pelos alunos. Nesta dimensão, o processo de 
inclusão necessita de professores especializados para todos os alunos. 
Portanto, eles terão de voltar a estudar, a pesquisar, a refletir sobre suas 
práticas e a buscar metodologias inovadoras de ensino para esse fim. 
(GÓMEZ, 1992, p.103-105). 
 
 
No processo de interação entre aluno – professor, o aluno aprende a refletir 
e 
discernir sobre os conhecimentos e a ter competência para lidar com as situações 
que se apresentam, sabendo lidar com todas as situações que surgirem em sua 
rotina. 
Sobre as diferenças das capacidades acadêmicas observadas em sala de 
aula, Carvalho (1998) aponta: 
 
 
Necessário que todos os professores assumam que as diferenças 
individuais no processo de aprendizagem são inerentes à condição humana 
e explicam porque: alguns alunos são mais dedicados e esforçados; outros 
dão preferência a determinados conteúdos; há aqueles que são mais lentos, 
enquanto que outros realizam a transferência de aprendizagem com enorme 
facilidade. Alguns exigem muitos estímulos para se manterem atentos e 
interessados enquanto há os que aprendem com, sem ou apesar do 
professor. (CARVALHO, 1998, p.22) 
 
 
O professor é um profissional que trabalha com a diversidade, é responsável 
por desenvolver com excelência as aprendizagens nas múltiplas capacidades dos 
12 
 
 
alunos, e não apenas à transmissão de conhecimento, mas também nas habilidades 
intelectuais. 
Assim, a inclusão escolar de crianças com deficiências e sabendo-se que 
essa inclusão visa reverter o percurso de exclusão de qualquer natureza, cabe ao 
professor procurar enriquecer seus conhecimentos a respeito deste assunto 
tornando-se capaz de beneficiá-los efetivamente na aprendizagem, tornando suas 
aulas prazerosas para os alunos desenvolverem suas habilidades necessárias. 
Para Arons e Grittes (1992) as características que definem os autistas: 
incapacidade de desenvolver relações com outros, atrasos na aquisição linguagem, 
uso não comunicativo da linguagem verbal, ecolalia, jogo repetitivo, boa memória de 
repetição e sua aparência física é normal. 
Os sistemas de ensino devem criar escolas e capacitar professores e 
funcionários, para que os mesmos compreendam a singularidade de cada criança e 
aprendam a conviver, respeitar e principalmente oferecer a mesma qualidade de 
ensino a todos, com as mesmas condições de desenvolvimento. 
De acordo com Lopez (2011): 
 
 
Professores, orientadores, supervisores, direção escolar, demais 
funcionários, famílias e alunos precisam estar conscientes dessa 
singularidade de todos os estudantes e suas demandas específicas. Esta 
tomada de consciência pode tornar a escola um espaço onde os processos 
de ensino e aprendizagem estão disponíveis e ao alcance de todos e onde 
diferentes conhecimentos e culturas são mediados de formas diversas por 
todos os integrantes da comunidade escolar, tornando a escola um espaço 
compreensível e inclusivo. (LOPEZ, 2011, p. 16) 
 
 
As crianças autistas apresentam dificuldades em três áreas, linguagem e 
comunicação, competências sociais, e flexibilidade de pensamento ou de 
imaginação. A dificuldade na linguagem e falta de respostas social podem ser 
consideradas um indicio do transtorno, quando essas características não 
correspondem a idade mental correta, tendo em vista que essas crianças possuem 
características distintas e diversas diante das que são consideradas “normais”. Aos 
poucos começam a surgir os movimentos estereotipados, principalmente com mãos 
e dedos, assim é mais notório as características da criança autista. 
13 
 
 
As crianças com autismo, em sua a maioria, vão apresentar um atraso na 
fala ou até mesmo não irão desenvolver essa capacidade linguística. 
 
 
Com relações de conduta e personalidades de crianças com autismo, 
distintos autores entre as décadas de 50 e 60 atribuíram maior relevância á 
síndrome no que se refere a possuírem uma anomalia de compreensão 
linguística,alterações relacionadas ao déficit simbólico, além de dificuldades 
na imitação e na integração sensório – motora (RUTTER, 1979, apud 
ORRÚ, 2009, p. 65-66). 
 
 
As crianças que apresentam o espectro autista, segundo Telmo (1990), não 
apresentam interesse em desenvolver sua autonomia, não se sentem atraídos por 
atividades que estimulem o domínio da mesma, ainda segundo o autor os autista 
podem ainda sofrer de hiper ou hipo sensibilidades nas mais diferentes áreas, calor, 
frio, a luz, ruídos e a diferentes texturas que não os agradam. 
As crianças que apresentam o espectro autista irão apresentar também 
outras características como dificuldade na alimentação, nos quais vão fazer 
seleções que poderá ser até por cores, aquelas cores que se identificam ou gostem, 
gostos muitos limitados ou estereotipados, obsessividade por determinado objeto ou 
algo que lhes apresentados, dificuldades extremas em mudanças de ambiente em 
casos extremos podem apresentar sinais de agressividade. O autista sente 
dificuldade em se relacionar ou se comunicar com outras pessoas, uma vez que ele 
não usa a fala como um meio de comunicação. Não se comunicando com outras 
pessoas acaba passando a impressão de que a pessoa autista vive sempre em um 
mundo próprio, criado por ele e que não interage fora dele. (MENEZES, 2012, p. 25). 
A socialização para essas pessoas que apresentam TEA é de tamanha 
importância, pois, faz com que eles desenvolvam uma área comprometida do seu 
cérebro, que os impedem de interagir com os demais e os fazem viver em seu 
"mundinho" de partes separadas. A forma de socialização do indivíduo com TEA 
tende a ser restritiva, uma vez que esse lugar lhe parece muitas vezes como algo 
ameaçador. Por isso, eles evitam o toque, o olhar, a relação. No entanto, é papel da 
família e da escola buscar a interação, sem agredir a pessoa com TEA. A primeira 
reação que pode mostrar que essa socialização está acontecendo é quando o 
indivíduo com TEA aceita “olhar nos olhos”, “ser tocado”, pois significa que ele 
14 
 
 
começa a interagir com o outro. Tais atitudes são processuais, graduais, e não 
acontecerá com todos ao mesmo tempo. Mas, quando um indivíduo com TEA aceita 
interagir significa uma quebra imensurável de paradigmas (SILVA et al, 2012, p.15). 
As escolas precisam estar preparadas estruturalmente e profissionalmente 
para incluírem os alunos que apresentam necessidades educacionais especiais no 
ambiente escolar: 
 
 
Compete à escola adaptar-se para atender às capacidades e necessidades 
do estudante na classe comum, mobilizando ações e práticas diversificadas 
que, além do acesso, propicie condições de permanência exitosa no 
contexto escolar. (KELMAN, et al, 2010, p. 226) 
 
 
A inclusão está diretamente relacionada com o processo de ensino-
aprendizagem, não basta só incluir, é preciso que a escola ofereça um ambiente 
adaptado e um ensino de qualidade, e para isso o professor deve desenvolver 
metodologias diversificadas e flexíveis. 
 
 
Considerações Finais 
 
 
Este estudo teve por objetivo apresentar a importância do aluno com 
espectro autista na sala de aula e como se dá seu desenvolvimento de 
aprendizagem. Percebe-se a importância do trabalho da escola, juntamente com 
todos os envolvidos no ambiente escolar, de criarem estratégias e adaptações para 
incluir esses alunos. 
Deve-se considerar como principal recurso para esse trabalho a presença do 
professor como mediador da inclusão, uma vez que cria oportunidades e situações 
para que esse processo se faça com qualidade e excelência, compreendendo todas 
as características dos alunos, sendo deficiente ou não. 
Percebe-se que a inclusão está totalmente ligada ao processo ensino 
aprendizagem, já que a inclusão tem o objetivo de promover as mesmas 
15 
 
 
oportunidades para todos os alunos, visando a aprendizagem por igualdade para 
todos. 
É possível concluir que é imprescindível no trabalho com os alunos que 
apresentam espectro autista, a questão da socialização. O professor assim como 
toda a escola irão auxiliar o aluno na convivência social dentro da escola, 
incentivando a linguagem oral e escrita para que possam se expressar, estimulando 
a autonomia para o deslocamento do aluno dentro do âmbito escolar e 
consequentemente fora dele. 
Por fim, trabalhar com a inclusão é um grande desafio, principalmente 
quando trabalhamos com alunos que apresentam espectro autista, pois suas 
características exigem maior empenho por parte dos profissionais em conhecê-las 
para então adaptar e oferecer o melhor para o desenvolvimento desses alunos. 
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