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1 Ketilyn Soares Ferreira ± ATM 2025/01 Atendimento inicial ao paciente queimado Anatomofisiologia da pele Funções importantes para a sobrevivência o Proteção o Prevenção de perdas de líquidos o Regulação da temperatura o Contato sensorial com o meio ambiente Queimadura o Lesão com destruição do revestimento epitelial o Temperatura - é mais comum de ocorrer em crianças com menos de 5 anos de idade pois elas não têm entendimento do perigo, a maior parte vai se queimar na cozinha. Temperaturas superiores a 44 graus já são o suficiente para produzir lesão nos tecidos, e nesse momento a decisão de esfriar o local é importante para determinar como a lesão evoluirá, mas não se deve colocar gelo. o Elétrica - também pode acometer crianças ou adultos em certos acidentes o Radiação Epidemiologia o O álcool é a etiologia mais comum para queimaduras, a maioria dos casos ocorre em homens com uma média de idade de 29 anos. Mais da metade dos casos ocorre em casa, sendo a cozinha responsável por 80% desses Fisiopatogenia o Devido a lesão, o plasma entra em contato com o colágeno e desencadeia o fluxo de várias cascatas que promovem o aumento da permeabilidade capilar e ativação de fatores de coagulação levando a obstrução de alguns capilares venosos, comprometendo o retorno venoso e aumentando a pressão hidrostática no sistema, resultando na saída de líquido do vaso sanguíneo para o interstício (edema) Permeabilidade normal Permeabilidade na queimadura (piora progressiva até 6-8h) o Junto com a saída de líquido, também saem moléculas de grande tamanho como a albumina, responsável por manter o líquido dentro do vaso (pressão oncótica), resultando em um choque hipovolêmico devido a grande perda de água, logo é necessário repor uma grande quantidade de líquido no paciente queimado nas primeiras 24h Após 18-24h Reestabelecimento da integridade da permeabilidade capilar o Obs: quando há queimadura de via aérea superior (laringe) pode ser difícil a intubação conforme as horas vão passando Alterações metabólicas o Dependendo da intensidade da resposta ao trauma, esta passará de protetora a autodestruidora o O gasto calórico e o catabolismo proteico são maiores e mais consistentes na queimadura do que em qualquer outro estado de estresse (diabaetes do estresse, glicose muito alta) Imunodeficiência do queimado o Produzido pela escara (tecido destruído) o Pouca mobilidade dos granulócitos o Redução da quimiotaquia o Depressão no sistema de células T o A retirada do tecido destruído é importante para que a resposta sistêmica e a redução da imunidade se dê de forma menos pronunciada Profundidade das lesões o Determina o cuidado específico com a ferida o Necessidade de enxertos o Resultado funcional e cosmético Primeiro grau o Espessura superficial, só acomete a epiderme o Vermelhidão, dor, edema, sem formação de bolhas o Eritema solar o Descama em 4-6 dias Segundo grau o Afeta a epiderme e parte da derme o Forma bolhas ou flictenas 2 Ketilyn Soares Ferreira ± ATM 2025/01 o Superficial: base da bolha é rósea, úmida e dolorosa o Profunda: base é branca, seca, e menos dolorosa o Restauração das lesões ocorre entre 7-21 dias Terceiro grau o Espessura total o Afeta a epiderme, a derme e estruturas profundas o É indolor, placa esbranquiçada ou enegrecida o Possui textura coreácea (couro seco) o Não reepiteliza e necessita e de enxerto de pele (indicada também para o segundo grau profundo) Superfície corporal queimada Regra dos 9 Critérios para internação hospitalar o 2º grau: adultos maiores de 20%, crianças maiores de 10% o 3º grau: adultos maiores de 10%, crianças maiores de 5% Tratamento o ³1HQKXPD�DJUHVVmR�DR�FRUSR�KXPDQR�SDUHFH�VHU�WmR�JUDYH� TXDQWR�XPD�TXHLPDGXUD�H[WHQVD´ Tratamento multidisciplinar o Enfermagem, fisioterapia, nutricionista, assistente social, psicólogo, médicos (cirurgião geral, clínico, cirurgião plástico, vascular, oftalmologista, intensivista) Tratamento de queimaduras leves No local do aciente o &RORFDU�D�TXHLPDGXUD�GHEDL[R�G¶iJXD o Enrolar em toalha o Analgésico oral o Dirigir-se ao hospital No hospital o Analgésico leve ou sedativo o Limpeza da ferida com água corrente ou soro fisiológico 0,9% o Soluções degermantes (clorexidine sem ser forma alcóolica, PVPI) o Retirada dos tecidos desvitalizados o Curativo tópico com sulfadiazina de prata 1% x iruxol (colagenase) o Profilaxia contra o tétano o Ambiente limpo, evitar exposição solar o Em queimadura de extremidades manter o membro lesado elevado para facilitar o retorno venoso Cuidados ao grande queimado o A B C D E o Via aérea o Hidratação o Identificar lesões associadas (trauma ósseo, tendões, nervos) o Analgesia via endovenosa (opioides) Após o Calcular a profundidade e extensão da lesão o Reajustar hidratação de acordo com a diurese (sonda vesical) o Limpeza e desbridamento (retirada dos tecidos desvitalizados - por meio de curativo, colagenase ou cirurgicamente) Sinais clínicos para queimaduras de via aérea o Queimadura de face e pescoço o Pêlos nasais chamuscados o Fuligem nas fossas nasais o Escarro carbonáceo o Dispneia o Estridor o Taquipneia o Rouquidão o Congestão de face o Tosse metálica o Cianose o Alteração do sensório o Avaliar intubação orotraqueal e observação por 48h Reposição líquida nas primeiras 24h o Adulto: lactato ± 2L o Crianças: lactato ± 20ml/kg em 20 minutos o Lactato: 2 ± 4 ml x peso x % da superfície corporal queimada o Metade do volume nas primeiras 8h após a queimadura Sempre monitorar diurese após uma hora de reposição volêmica o Entre 30 a 50 ml/h o Crianças 1 ml/kg/h Reposição hídrica após primeiras 24h o Grande edema no tecido queimado e não queimado devido a saída da albumina de dentro do vaso o Repor metade do volume infundido nas primeiras 24h o Iniciar coloide após 24h para restaurar a pressão coloidosmótica original o Cuidado: o excesso de cristaloide só contribui para aumentar o edema queimado 3 Ketilyn Soares Ferreira ± ATM 2025/01 Dor o Morfina 0,1mg/kg o Associar midazolan (0,1mg/kg) e ketamina (1mg/kg) Complicações ± edema o Aumenta a isquemia dos tecidos e consequentemente o risco de infecção, potencializando a lesão tecidual o Agrava lesões circulares de membros e tórax o Para evitar esse quadro, deve-se manter a hidratação adequada, usar coloide e manter a área queimada elevada Dissecção Escoracotomias o Geralmente após 24h o Retirada de toda pele/área acometida (debridamento de profundidade) o Limitação ventilatória o Diminuição do retorno venoso o Realizada no tronco Fasciotomias o Isquemia distal /síndrome compartimental o Queimaduras elétricas ou circunferenciais o Realizada nos membros o Direção longitudinal, não se faz a sutura com o paciente ainda debilitado Cuidados com a ferida o Ideal: remoção precoce da escara de 72 horas pós- queimadura o Se busca fazer quando há ausência do LPC (complexo lipoproteico), imunossupressor produzido pela escara o Menor processo inflamatório e infecção Compressão o Aumento: remodelamento / reordenação do colágeno hipóxia (degeneração de fibroblastos e colágeno) o Limita cicatrizes queloidianas e hipertróficas o Diminuição: fluxo sanguíneo o Edema local (diminui mastócitos e a neoformação vascular) Queimaduras pediátricas o A maior freqüência de queimaduras ocorre em crianças entre o primeiro e o quinto ano de vida o As queimaduras se dão principalmente com líquidos superaquecidos o Maior superfície corporal em relação ao peso do que o adulto, a pele é mais fina e por isso ela perde mais líquido o Choque com superfície corporal queimada > 10% o Monitorar continuamente: sensório e diurese horária (1ml/kg/h) o Hipoglicemia principalmente nos lactentes devido as limitadas reservas de glicogênio no fígado,logo se deve monitorar glicemia o Cuidar com hipotermia em razão do sistema termo regulador pouco desenvolvido o Observar mãos, pés, glúteos (maus tratos são recorrentes) o Queimaduras especiais Química o Roupas representam a manutenção do fator agressor o Se houver pó, esse deve ser removido o Lavagem abundante com água corrente o Excessão: FENOL ± sua diluição aumenta o poder de penetração e de lesão da pele Elétrica o Energia elétrica convertida em calor o Uma lesão de entrada (mãos) e outra de saída (pés) o Maior condutividade em nervos, vasos e músculos o Mioglobinúria: o Necrose muscular profunda progressiva por até 2 semanas o Lesões extensas ± síndrome de esmagamento o Músculo lesado libera mioglobulina o Se não tratada, evolui para obstrução renal, necrose tubular aguda o Tratamento: rotina politrauma, monitoração, exploração cirúrgica seqüencial Congelamento o Congelamento de água intracelular ± isquemia o Pele e músculos mais sensíveis que ossos e tendões o Defesa do organismo ± tremor o Alterações locais vão desde palidez cutânea, até formação de flictenas e necrose. o Tratamento: reaquecimento com imersão em água a 40º por 20 minutos. Manter as áreas abertas, sem massagear. O desbridamento deve ser adiado até autodelimitação da perda tecidual Trauma abdominal o É a lesão abdominal decorrente da transferência de energia física para o interior, na superfície que compreende a região entre o mamilo e o períneo. Classificação quanto ao tipo o Fechado: acidente de trânsito, quedas, agressões ± a pele e a parede ânteroabdominal estão íntegras. o Penetrante: corpo estranho perfura a pele do abdome ± ferimento por arma de fogo, ferimento por arma branca. o Analisar se penetrou o peritônio ou não Importância o Subestimado, principalmente em casos de politrauma, perda de consciência. Causa de morte evitável. o Pode ter difícil diagnóstico, pois pode ter ausência de distenção, ausência de irritação peritoneal. o Lesões de órgãos sólidos - obesidade pode dificultar que não haja identificação de sangramento ± baço rompido, por exemplo. 4 Ketilyn Soares Ferreira ± ATM 2025/01 Anatomia o Abdome anterior: arcos costais ao ligamento inguinal e sínfise. o Transição toracoabdominal: mamilos aos rebordos costais anteriormente; infraescapular, posteriormente. o Pelve: limitada pelos ossos pélvicos (reto, bexiga, vasos, uretra (homens)). o Flanco: entre linhas axilares posteriores e anteriores, do 6º espaço até a crista ilíaca. Possui camada muscular espessa. o Dorso: entre linhas axilares posteriores. Da ponta das escápulas às cristas ilíacas. Retroperitônio Mais acometidas em lesões do dorso e do flanco. o HD ± rim, duodeno, cava inferior, diafragma o HE ± cauda do pâncreas, tórax, recesso costofrênico MG ± duodeno, ureter o HG ± reto médio e inferior, bexiga, útero 2EV�� XP� SDFLHQWH�� HP� WUDWDPHQWR� GH� FKRTXH�� QmR� ³SHUGHU� WHPSR´� ID]HQGR� WRPRJUDILD�� GLUHFLRQH� GLUHWDPHQWH� SDUD� D� laparotomia. Intervenção em sangramento de órgãos maciços o Cada órgão possui uma classificação. o Choque hemorrágico ± sempre cirúrgico. o Laparoscopia ± sangramento que vá além do órgão comprometido (provavelmente cirúrgico). Trauma fechado Mecanismos o Impacto direto: esmagamento de órgãos sólidos e ruptura de vísceras ocas. o Cisalhamento: estruturas fixas e não fixas apresentam movimentos em sentidos opostos. Urgência da conduta o Estável, sem peritonite: avaliações de repetição, exame seriados o Choque: sangramento abdominal? Sangramento pélvico? Exame físico Inspeção o Despir o paciente e avaliar: abdome anterior e posterior, tórax e períneo, flancos, escroto, uretra, reto e períneo. O paciente deve ser rolado em bloco para que todos os lados sejam avaliados. Ausculta o Presença ou ausência de RHA - melhor se presente e sumiu Percussão o Avaliar irritação peritoneal, timpanismo em área hepática Não esquecer: uretra, vagina, reto e períneo o Lesão de uretra: uretrorragia, hematoma de escroto, hematoma de períneo, próstata se desloca cranialmente. NÃO SONDAR. o Toque retal: tônus esfíncter, integridade da mucosa, identificar fraturas ósseas na pelve. o Toque vaginal: se suspeita de lesão. História o Velocidade do veículo, ejeção do veículo, altura da queda, tempo do acidente, sinais vitais no local. Choque o Elevada mortalidade, fratura aberta e hipotensão 50%, queda de altura superior a 3 metros. Pode romper ilíaca interna, apesar de não ser comum. o Tratamento: compressão externa, reposição de líquido. Se objetiva o controle da hemorragia com dispositivo de fixação. Órgãos mais lesados o Baço: 40-50% o Fígado: 35-45% o Delgado: 5-10% o Retroperitônio (5% a laparotomia) Métodos auxiliares o Ecografia (FAST) x TC: saco pericárdico, espaço hepatorrenal, espaço esplenorrenal, fundo de saco o Tomografia: estadia cada órgão e retroperitônio. o Uretrografia: sonda e contraste. o Cistografia o Urografia excretora: exclusão renal. Lavagem peritoneal o Catéter infra-umbilical: sensibilidade de 98%, usado quando ECO e TC não estão disponíveis. Aspira-se sangue ou entérico, infusão 1L ou 10mL/kg de peso. Politraumatizado o Avaliação primária ± circulação o Identificar hemorragias. o Cuidar: sangramentos volumosos podem não ocasionar distensão abdominal nem irritação peritoneal. 5 Ketilyn Soares Ferreira ± ATM 2025/01 Trauma aberto o O diadnóstico se dá por xploração digital positiva com choque, evisceração ou peritonite: laparoscopia. o Demais: videolaparoscopia, lavado peritoneal e reavaliação em 24 horas. Trauma abdominal penetrante o Flanco, dorso e duodeno o Geralmente ocorre por arma branca; arma de fogo o Laparotomia sempre ou lavado peritoneal + ECO ou TC. o Sangramentos do retroperitônio não refere dor, não tem irritação peritoneal. o Ferimento de flanco e dorso ± imagem ou lavagem. Choque hemorrágico o Após a manutenção da via aérea, ventilação e oxigenação (A e B do trauma), a circulação é a sua prioridade. o O primeiro passo é avaliar se há má perfusão tecidual, isto é, definir se há choque circulatório. Apesar da pressão arterial ser o parâmetro mais utilizado, pode haver sinais de choque com a PA ainda normal. Por isso, você deve avaliar: Taquicardia e vasoconstriçâo cutânea o Nível de consciência ± pessoa que perdeu mais que 50% da volemia vai ter alteração do nível de consciência que muitas vezes pode oscilar. o Frequência arterial e pressão de pulso ±muito dificilmente uma pessoa com choque não vai ta taquicardica. Acumulo de co2 em um quadro se acidose metabólica vai estimular a colocar mais o2 para dentro, aumentando, então a frequência cardíaca. o Pulsos periféricos ± paciente jovem chocado leva a liberação de catecolaminas que aumentam a resistência vascular periférica e que diminui a diferença entre a sistólica e diastólica e isso vai levar a uma diminuição de pulso. Além da taquicardia, pulso filiforme. o Enchimento capilar ± palpar a extremidade, ver se está aquecida e palpar o enchimento capilar que na pessoa com choque vai ser maior que 2 segundos e é um fator preditivo para o diagnóstico de choque hipovolêmico. o Diurese ± indicador importante da ressuscitação volêmica e do choque. Pois a pessoa chocada não vai ter pressão pra fazer filtração no rim e gerar urina. Base para reanimação volêmica na sequência. Sondou quando o paciente chega, esvazia a sonda e deixa novamente para verificar a diurese, pois muitas vezes o paciente já chega com a bexiga cheia de antes do trauma e isso pode confundir o manejo! o O segundo passo consiste em identificar a provável causa do choque Mecanismos fisiológicos o As respostas circulatórias precoces à perda sanguínea constituem-se em mecanismo de compensação: progressiva vasoconstriçãoda circulação cutânea, muscular e visceral para preservar o fluxo sanguíneo aos rins, coração e cérebro. o Quando ocorre um traumatismo, a resposta à perda aguda de volume circulante dá-se por meio de um aumento da frequência cardíaca na tentativa de preservar o débito cardíaco. o Na maioria das vezes, a taquicardia representa o sinal circulatório mensurável mais precoce do choque. A liberação de catecolaminas endógenas aumenta a resistência vascular periférica. Como decorrência, a pressão sanguínea diastólica aumenta e a pressão de pulso se reduz o O retorno venoso na fase inicial do choque hemorrágico é preservado em algum grau pelo mecanismo de compensação pela redistribuição do volume sanguíneo no sistema venoso, fato este que não contribui para modificar a pressão venosa sistêmica média. Contudo, esse mecanismo de compensação é limitado. A maneira mais efetiva de restaurar o débito cardíaco e a perfusão a órgãos-chave é o restabelecimento do retorno venoso ao normal, através da localização e interrupção do foco de sangramento e de reposição volêmica apropriada. PA e DC o A pressão depende da resistência periférica vezes fluxo. Já o debito cardíacoé o produto da frequência vezes o volume sistólico. A PA depende da frequência, volume e resistência periférica. o Confiar exclusivamente na pressão sistólica como indicador resulta em reconhecimento tardio do estado de choque. Os mecanismos de compensação podem evitar uma queda mensurável na pressão sistólica até uma perda de 30% da volemia. Classes 6 Ketilyn Soares Ferreira ± ATM 2025/01 o A hemorragia classe I é exemplificada pela condição do doador de uma unidade de sangue. o A hemorragia classe II é representada pela hemorragia não complicada, mas na qual é necessária a reposição de cristaloides. o A hemorragia classe III é um estado hemorrágico mais complicado no qual é necessária a reposição de, no mínimo, cristaloides e, possivelmente, de sangue. o A hemorragia classe IV deve ser considerada como um evento pré-terminal, no qual, a menos que medidas terapêuticas muito agressivas sejam adotadas, o doente morrerá dentro de minutos. Reposição volêmica o Classe 1 e 2 ± cristaloide o 3 e 4 ± cristaloide e coloide Manejo do choque Reposição volêmica e corrigir a causa do choque o Uma vez confirmada a presença de choque, duas ações simultâneas devem ocorrer: o Reposição volêmica o Reversão da causa do choque ± no trauma, o choque hemorrágico é disparadamente mais comum e você deve pensar e tratar como se fosse na ausência de pistas para outras causas. Causas menos comuns do choque no trauma o Neurológico: no paciente com traumatismo raquimedular, mas não com TCE isolado ± neurogênico: hipotenso, extremidades aquecidas, sem taquicardia e com pulso cheio. Pode haver priapismo, recomendado fazer um toque retal que onde se encontra ausência de resistência do esfíncter. o Séptico ± raro no trauma a não ser em pacientes nas fases tardias, por infecção de feridas. o Obstrutivo: tamponamento e pneumotórax são os fantasmas. Taquicardia com hipotensão e jugulares túrgidas (tríade de Beck) são a principal pista. No caso do PTX há ainda a ausculta pulmonar assimétrica. o Tamponamento cardíaco: pulso paradoxal (entre a inspiração e expiração o pulso muda a amplitude). o Pneumotórax: dispansibilidade alterada, timpânico, ausculta (murmúrio vesicular abolido). o Deve-se suspeitar de traumatismo fechado do coração sempre que a desaceleração rápida for o mecanismo de lesão torácica. Todo doente com trauma fechado do tórax necessita de monitoração eletrocardiográfica (ECG) contínua para determinar a presença de arritmias ou de traçados sugestivos de lesão. Tamponamento cardíaco o Taquicardia, bulhas abafadas, jugulares dilatadas e engurgitadas com hipotensão que não responde à reposição volêmica sugerem tamponamento cardíaco. o O pneumotórax hipertensivo pode simular o tamponamento cardíaco, mas pode ser diferenciado deste pela ausência de murmúrio vesicular e pelo timpanismo à percussãono hemitórax afetado. O tamponamento cardíaco é tratado melhor por toracotomia. A pericardiocentese pode ser uma manobra paliativa temporária quando não for possível a realização imediata de toracotomia. o O FAST realizado no OS pode identificar a presença de líquido no pericárdio e a possibilidade de tamponamento cardíaco como a causa do choque. Pneumotórax hipertensivo o A pressão intrapleural aumenta progressivamente, causando colapso total do pulmão e desvio do mediastino para o lado oposto, resultando em diminuição do retorno venoso e redução no débito cardíaco. o A presença de insuficiência respiratória aguda, de enfisema subcutâneo, de ausência de murmúrio vesicular, de timpanismo à percussãoe de desvio da traqueia sugere fortemente o diagnóstico e autoriza a descompressão torácica sem esperar a confirmação radiológica. Avaliação e atendimento iniciais Via aérea e ventilação o O estabelecimento de uma via aérea permeável com ventilação e oxigenação adequadas é a prioridade. O fornecimento suplementar de oxigênio visa manter a saturação da hemoglobina em níveis maiores que 95%. o As prioridades são controle da hemorragia externa, obtenção de acesso venoso adequado e avaliação da perfusão tecidual. o O sangramento de feridas externas usualmente pode ser controlado com pressão direta sobre o local, embora hemorragia maciça em uma extremidade possa requerer um torniquete. Um lençol ou cinta pélvica de uma extremidade pode ser utilizado para controlar a hemorragia de fraturas pélvicas. O restabelecimento da perfusão tecidual dita o volume de líquidos a ser infundido. o Pode ser necessário o controle cirúrgico ou angiográfico de hemorragiasinternas. o A prioridade é interromper a hemorragia não o cálculo de volume de fluido perdido. o O acesso ao sistema vascular deve ser obtido rapidamente. A melhor forma de fazê-lo é a inserçãode dois cateteres intravenosos periféricos (calibremínimo 16g no adulto) antes de considerar qualquer possibilidade de cateterismo venoso central. o A velocidade do fluxo é proporcional à quarta potência do raio do cateter e inversamente proporcional ao seu comprimento (lei de Poiseuille ). Portanto, para infusão rápida de grandes volumes de líquidos, cateteres intravenosos periféricos curtos e calibrosos são preferíveis. Utilizar líquidos aquecidos e bombas de infusão rápida quando houver hemorragia maciça e hipotensão grave. 7 Ketilyn Soares Ferreira ± ATM 2025/01 Interrupção do sangramento o Quando a perda sanguínea é visível, o cirurgião tem papel fundamental para interromper o sangramento. Nos pacientes sem sangramento externo ativo, é necessário o uso de métodos complementares para saber onde está sangramento e como interromper. O FAST e a TC são os dois métodos mais utilizados. o Além do controlem mecânico do sangramento, é necessário avaliar se há coagulopatia. As provas laboratoriais tradicionais apresentam limitações e o ATLS incentiva o uso do troboelastograma (via de regra não existe no Brasil) para avaliação das fases primárias (plaquetária) e secundária da coagulação e como guia para a transfusão de hemoderivados o Outra opção é o uso empírico de ácido tranexâmico. o Via de regra, não se lida ou dedica aos riscos de coagulopatia. O risco de coagulopatia nos politransfundidos ocorre caso se retire 1/3 das plaquetas (150.000 ± 50.000). Se o paciente perde 5 litros de sangue e houver correção com concentrado de hemácias que não possuem plaquetas (pois elas devem ser armazenadas de forma diferente do concentrado e os demais fatores de coagulação estão no plasma), também é necessário repor os outros fatores juntos caso contrário o paciente terá uma coagulopatia. o Regra para repor volume: 1:3, ou seja, se o paciente teve um choque 1 (500ml) eu reponho 1,5 de cristaloide,ringer lactato aquecido. o O ATLS recomenda 1 litro de cristaloide ou 20 ml/kg, não havendo do tipo cristaloide. A seguir, deve ser reavaliada a perfusão e se há necessidade de novas provas de volume. O acesso recomendado são duas veias periféricas (cubital ou no antebraço) com jelco 18g maior. Adulto = 0,5 ml/kg/hr, criança 2ml e recém-nascido 1 ml Quando transfundir? o Nas fases iniciais, o hematócrito está falsamente normal. A transfusão empírica, antes da prova cruzada com sangue O negativo é reservado para emergências, com sangramento maciço e choque tipo IV. o Quando o paciente necessita de mais de 10 bolsas de hemácia em 24 horas (ou > 4 bolsas em 1 hora). Recomenda-se transfusãoempírico de plasma e plaquetas na proporção 1:1:1. O ATLS não recomenda reposição de cálcio empírico, mas frisa para monitoramento seu nível sérico e atentar ao risco de hipotermia. Concentrações do ringer lactato o Fisiologico 9 g de nacl ± acidose. o RL ± 6 g de nacl, 4 mec de potássio por litro... levemente mais hipotônico não tem risco de acidose hipercloremica Síndrome de disfunção de múltiplos órgãos o Disfunção de órgãos progressiva em um paciente com doença aguda, de modo que a homesostase não pode ser mantida sem intervenção. É o final grave do espectro de gravidade da doença de condições infecciosas (sepse, choque séptico) e não infecciosas (por exemplo, SIRS de pancreatite). o MODS primário: resultado de um insulto bem definido no qual a disfunção orgânica ocorre precocemente e pode ser diretamente atribuível ao próprio insulto (por exemplo, insuficiência renal) o Secundário: falência de órgãos que não é uma resposta direta ao insulto em si, mas uma consequência da resposta do hospedeiro (síndrome do desconforto respiratório agudo em pacientes com pancreatite). Escore SOFA (sequencial, orgânica, falência, avaliação) o Respiratório ± relação pressão parcial de oxigênio arterial (PaO2) (normal 80-100)/fração inspirada de oxigênio (FIO2) (21-100%). o Hematologia ± contagem de plaquetas o Fígado ± bilirrubina o Renal ± creatinina sérica (ou produção de urina) o Cérebro ± pontuação do coma de Glasgow o Cardiovascular ± necessidade de hipotensão e vasopressor Resumindo o Tem que reconhecer o choque o Saber se é externo ou interno o Tipo do choque o Classificar o choque hipovolêmico o Volume o Reposição do volume o Não precisa de exames o Na medida que eu reponho mais que uma volemia em 24 eu reponho os outro componentes Abdome agudo o Síndrome dolorosa aguda de intensidade variável, que leva o paciente a procurar o serviço de urgência e requer tratamento imediato, seja ele clínico ou cirúrgico. Não tratado, evolui para piora dos sintomas e progressiva deterioração do estado geral. Classificação da dor o Parietal(somática): Local preciso o Visceral: Mal localizada o Referida: Dói em local diferente da origem Dor parietal o Nervos raquimedulares o Fibras tipo A delta o Dor aguda, intensa e persistente 8 Ketilyn Soares Ferreira ± ATM 2025/01 o Xifóide: Intercostal T6 o Cicatriz Umbilical: Intercostal T10 o Sínfise púbica: Intercostal T12 Dor referida o Dói em local diferente Dor visceral o Nervos autônomos (simpático e parassimpático) o Fibras do tipo C o Dor imprecisa em cólica ou queimação Inervação Visceral do Abdome o C3-5: (nervo frênico): fígado e diafragma o T6-9: (plexo celíaco): estômago, pâncreas, vesícula biliar e delgado o T10-11 (plexo mesentérico): apêndice, cólon e vísceras pélvicas o T11-11 (nervos esplânicos): sigmóide, reto, rins e ureteres o S2-4 (plexo hipogástrico) bexiga e retosigmóide Modo de progressão da dor o Súbita: úlcera perfurada, dissecação de aorta, ruptura de aneurisma, gravidez ectópica (geralmente acompanhada de taquicardia, taquipneia, choque) o Progressiva: colecistite, apendicite, pancreatite aguda, isquemia mesentérica, cólica renal, obstrução intestinal o Sintomas associados a dor o Anorexia o Náuseas o Vômitos o Constipação o Diarreia Fatores relevantes o História ginecológica o Uso de medicamento como anticoagulantes o ACo relacionado a nódulos hepáticos e infarto mesentérico o Perfuração de piloro causada pelo crack o História familiar o Viagens Salmonella (disenteria) o Cirurgia prévias Exames complementares o Laboratoriais: hemograma, amilase, lipase, bilirrubinas, transaminases e enzimas canaliculares, eletrólitos e JDVRPHWULD��8ULQD�ĺ�GLDJQyVWLFRV�GLIHUHQFLDLV� o Imagem: Radiografia AP em pé e em decúbito e uma radiografia de tórax PA com visualização das cúpulas diafragmáticas. O decúbito com raios transversais usa na suspeita de viscera oca perfurada. US abdominal e tc podem ser solicitadas de acordo com a suspeita diagnóstica Exame físico geral o Taquicardia, taquipneia, sudorese, palidez, febre, letargia, hipotensão, inspeção, estática, dinâmica, ausculta, palpação, percussão o Víscera perfurada: abdome escafoide tenso com RHA diminuídos, perda de macicez hepática, defesa ou rigidez o Peritonite: Imóvel, sons intestinais ausentes, hipersensibilidade com tosse ou rechaço, defesa ou rigidez o Abscesso ou massa inflamatória: Hipersensibilidade ao toque (sinais de Murphy, Blumberg, Psoas, Obturados) o Obstrução intestinal: distensão, hiperperistalse precoce, abdome quieto ± tardio sem hipersensibilidade ao rechaço o Úlcera perfurada e apendicite: começa no epigástrioe vai para fossa ilíaca direita Abdome agudo é uma síndrome que se caracteriza pelo aparecimento súbito de uma dor abdominal, ocorrendo em pleno estado de saúde, ou, como complicação de uma doença conhecida ou n, indicando uma intervenção cirúrgica. Estímulos dolorosos viscerais o Estiramento e contração o Tração, compressão e torção o Substâncias químicas o Parede de órgãos ocos e cápsula de órgãos maciços Localização dos receptores viscerais o Parede de órgãos ocos o Estruturas serosas (peritônio visceral e cápsula dos órgãos sólidos) o Intramesentéricos o Mucosas Estímulos dolorosos somáticos o Modificações agudas do PH ou temperatura o Aumento bruscos de pressão Classificação Abdome agudo inflamatório o Peritonite secundária a processo inflamatório o Dor lenta, insidiosa e progressiva o Apendicite, Diveticulite, Colecistite aguda, Pancreatite aguda, Pelveperitonite Apendicite Aguda o Maioria dos casos decorre de obstrução da luz apendicular por fecalito, tecidos linfoides hiperplásicos, cálculos ou parasitas o Causa mais comum de abdome agudo cirúrgico abaixo dos 30 anos 9 Ketilyn Soares Ferreira ± ATM 2025/01 o Quadro clássico: dor abdominal periumbilical que migra para a FID, acompanhada de anorexia, náuseas e vômitos, com estado subfebril ou ausência de febre no início do quadro. A dor tornase cada vez mais localizada, e surge a irritação peritoneal local. o Exame físico: ausência ou diminuição acentuada do RHA, percussão dolorosa, palpação com dor no ponto de McBurney e Blumberg positivo Colecistite aguda o Obstrução do ducto cístico por cálculo, tornando a vesícula inflamada o QD: dor abdominal QSD, Febre branda, Náuseas e vômitos. Outros episódios como resoluçãoespontânea ou a partir do uso de antiespasmódicos (cólica biliar) o Exame físico: defesa abdominal e Murphy positivo, vesícula Palpável Pancreatite aguda o Processo inflamatório do pâncreas provocado por enzimas produzidas por ele mesmo. A etiologia mais comum é a litíase biliar (70%), seguida de etilismo e hipertrigliceridemia. 5 a 10% de casos de pancreatite aguda idiopática. o QD: dor epigástrica súbita que se irradia para o dorso acompanhada de náuseas e vômitos. Geralmente após ingestão de bebida alcoólica ou refeição o Exame Físico: dor palpação epigástrica, contratura de defesa resultando em RHA diminuídos. Discreta distençãoabdominal. Nos casos graves se encontram sinais de Grey- Turner e Tomas-Cullen Abdome agudo obstrutivo o Qualquer afecção que dificulte ou impossibilite o trânsito gastrintestinal. A obstrução de ID é mais comum. o Intestino delgado: 64% aderências, 15-25% hérnias e 10-15 tumores malignos o Cólon: 60% câncer, 15 diverticulite e 15 volvo o Outras causas: intussuscepção, doença inflamatória.. o Quadro clínico: dor abdominal, geralmente do tipo cólica, associada a distensão, vômitos e história de parada de eliminação de flatos e fezes. o Exame físico: distensão abdominal, ruídos hidroaéreos de timbre metálico indicam obstáculo mecânico ao trânsito intestinal, mas podem se tornar, progressivamente, menos intensos ou abolidos nas fases tardias da obstrução. Nas obstruções de intestino delgado, normalmente o paciente elimina o conteúdo retal e colônico, apresentando toque retal normal Diverticulite o Mais comum a partir da quinta década o Dor em flanco e fossa ilíaca esquerdos, lenta insidiosa, progressiva o Febre o Alteração do hábito intestinal o Exame físico: dor sobre a região afetada, ocasionalmente uma massa palpável, toque retal doloroso Abdome agudo perfurativo o Trauma, neoplasia, ingestão de corpo estranho, perfuraçãode víscera oca o Resulta da peritonite secundária a uma perfuração de víscera oca com extravasamento de material na cavidade abdominal o A queixa de dor no ombro e no pescoço pode ocorrer pelo gás ou pela irritação do nervo frênico. o Exame físico: DEGRPH� ³HP� WiEXD´, com contratura generalizada. Sinal de Joubert, consiste no som timpânico à percussão do hipocôndrio direito pela interposição gasosa o Vísceras ocas: úlcera perfurda, diverticulite perfurada o Neoplasias Ulcera péptica perfurada o Dor súbita no abode superior o Paciente deitado quieto com os joelhos fletidos o Febre baixa o Exame físico: contratura abdominal, Blumberg, RHA hipocinéticos ou ausentes Abdome agudo hemorrágico o Dor abdominal associados ao quadro clínico de choque hemorrágico por sangramentos intracavitários. o Trauma abdominal, gravidez ectópica rota, cisto de ovário roto, hemorragias intraperitoneais espontâneas. o Suspeita-se de gravidez ectópica nas mulheres em idade fértil com atraso menstrual e quadro clínico sugestivo o Rotura de miomas subserosos pode causar sintomatologia semelhante. o QD: dor abdominal súbita, porém de localização difusa. Dentre as alterações hemodinâmicas, a taquicardia é o sinal mais precoce, seguida de queda da pressão arterial, palidez, sudorese fria e agitação. Sinais de irritação peritoneal. Ausência de RHA, choque o Exame físico: sinais de Cullen e Grey Turner 10 Ketilyn Soares Ferreira ± ATM 2025/01 Abdome agudo vascular o Índices de mortalidade de 46 a 100%. o Pode ser agudo (infarto intestinal) ou crônico (angina). o Quadro clínico: varia e depende do grau de oclusão. Na fase inicial, os sintomas são inespecíficos, com predomínio de dor abdominal tipo cólica. o Dissociação entre a queixa do paciente e o exame físico. O primeiro relata dor de forte intensidade, mas o exame físico não mostra sinais de peritonite. Isquemia mesentérica o Dor súbita em cólica difusa de evolução rápida, ausência de RHA e choque. Presença de fezes mucossanguinolentas ao toque retal. Angina abdominal o Dor abdominal pós-prandial que melhora espontaneamente, mas que aumentam de frequência e intensidade.