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<p>44</p><p>Unidade II</p><p>Unidade II</p><p>3 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS I</p><p>As demonstrações contábeis representam um conjunto de peças contábeis obrigatórias, com o</p><p>objetivo de prover os usuários da contabilidade com informações úteis para a tomada de decisões.</p><p>A Lei n. 6.404, no art. 176, regulamenta as demonstrações contábeis exigidas pela legislação societária:</p><p>Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com</p><p>base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações</p><p>financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da</p><p>companhia e as mutações ocorridas no exercício:</p><p>I – balanço patrimonial;</p><p>II – demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados;</p><p>III – demonstração do resultado do exercício; e</p><p>IV – demonstração dos fluxos de caixa; e (Redação dada pela Lei n. 11.638,</p><p>de 2007)</p><p>V – se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. (Incluído pela</p><p>Lei n. 11.638, de 2007) (BRASIL, 1976).</p><p>Outro instrumento normativo que exige a apresentação das demonstrações é o CPC 26 (R1),</p><p>em alinhamento às normas internacionais de contabilidade, que têm por base as International</p><p>Financial Reporting Standards (IFRS). O item 10 determina o conjunto completo das demonstrações</p><p>contábeis exigidas.</p><p>10. O conjunto completo de demonstrações contábeis inclui:</p><p>(a) balanço patrimonial ao final do período;</p><p>(b1) demonstração do resultado do período;</p><p>(b2) demonstração do resultado abrangente do período;</p><p>45</p><p>CONTABILIDADE</p><p>(c) demonstração das mutações do patrimônio líquido do período;</p><p>(d) demonstração dos fluxos de caixa do período;</p><p>(e) notas explicativas, compreendendo as políticas contábeis significativas e</p><p>outras informações elucidativas;</p><p>(ea) informações comparativas com o período anterior, conforme especificado</p><p>nos itens 38 e 38A;</p><p>(f) balanço patrimonial do início do período mais antigo, comparativamente</p><p>apresentado, quando a entidade aplicar uma política contábil retrospectivamente</p><p>ou proceder à reapresentação retrospectiva de itens das demonstrações</p><p>contábeis, ou quando proceder à reclassificação de itens de suas</p><p>demonstrações contábeis de acordo com os itens 40A a 40D; e</p><p>(f1) demonstração do valor adicionado do período, conforme Pronunciamento</p><p>Técnico CPC 09, se exigido legalmente ou por algum órgão regulador ou</p><p>mesmo se apresentada voluntariamente (CPC, 2011).</p><p>Para melhor visualizar a exigência das demonstrações contábeis, acompanhe o quadro a seguir.</p><p>Quadro 7 – Demonstrações contábeis exigidas</p><p>pela Lei n. 6.404/1976 e pelo CPC 26 (R1)</p><p>Lei n. 6.404/1976 CPC 26 (R1)</p><p>Balanço patrimonial (BP) X X</p><p>Demonstração do resultado do exercício (DRE) X X</p><p>Demonstração do resultado abrangente (DRA) X</p><p>Demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados (DLPA) X</p><p>Demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL) X</p><p>Demonstração dos fluxos de caixa (DFC) X X</p><p>Demonstração do valor adicionado (DVA) X X</p><p>Observação</p><p>Os pronunciamentos emitidos pelo CPC não têm poder normativo. Após</p><p>a sua emissão, devem ser aprovados pelo CFC e transformados em Normas</p><p>Brasileiras de Contabilidade (NBC TG), que passam a ser de aplicação</p><p>obrigatória para todos os profissionais da contabilidade.</p><p>46</p><p>Unidade II</p><p>3.1 Balanço patrimonial</p><p>Uma das peças fundamentais das demonstrações contábeis é o balanço patrimonial. Por meio dele,</p><p>podemos apurar (atestar) a situação patrimonial e financeira de uma entidade em certo momento.</p><p>Nessa demonstração são detalhados o ativo, o passivo e o patrimônio líquido da entidade.</p><p>3.1.1 Conceito e classificação</p><p>O balanço patrimonial é uma demonstração contábil cujo objetivo é evidenciar o patrimônio de uma</p><p>entidade em determinado momento. A estrutura dessa demonstração contábil está estabelecida nos</p><p>arts. 178, 179, 180 e 182 da Lei n. 6.404/1976, alterada pelas leis n. 11.638/2007 e n. 11.941/2009.</p><p>Art. 178. No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do</p><p>patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento</p><p>e a análise da situação financeira da companhia.</p><p>§ 1º No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de</p><p>liquidez dos elementos nelas registrados, nos seguintes grupos:</p><p>I – Ativo circulante; e (Incluído pela Lei n. 11.941, de 2009)</p><p>II – Ativo não circulante, composto por ativo realizável a longo prazo,</p><p>investimentos, imobilizado e intangível. (Incluído pela Lei n. 11.941, de 2009)</p><p>§ 2º No passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos:</p><p>I – Passivo circulante; (Incluído pela Lei n. 11.941, de 2009)</p><p>II – Passivo não circulante; e (Incluído pela Lei n. 11.941, de 2009)</p><p>III – Patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes</p><p>de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos</p><p>acumulados. (Incluído pela Lei n. 11.941, de 2009)</p><p>Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo:</p><p>I – no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso</p><p>do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do</p><p>exercício seguinte;</p><p>II – no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do</p><p>exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou</p><p>empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores,</p><p>47</p><p>CONTABILIDADE</p><p>acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem</p><p>negócios usuais na exploração do objeto da companhia;</p><p>III – em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e</p><p>os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que</p><p>não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa;</p><p>IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos</p><p>destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa</p><p>ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações</p><p>que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens;</p><p>(Redação dada pela Lei n. 11.638, de 2007)</p><p>VI – no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos</p><p>destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade,</p><p>inclusive o fundo de comércio adquirido. (Incluído pela Lei n. 11.638, de 2007)</p><p>Parágrafo único. Na companhia em que o ciclo operacional da empresa tiver</p><p>duração maior que o exercício social, a classificação no circulante ou longo</p><p>prazo terá por base o prazo desse ciclo.</p><p>Art. 180. As obrigações da companhia, inclusive financiamentos para</p><p>aquisição de direitos do ativo não circulante, serão classificadas no passivo</p><p>circulante, quando se vencerem no exercício seguinte, e no passivo não</p><p>circulante, se tiverem vencimento em prazo maior, observado o disposto</p><p>no parágrafo único do Art. 179 desta Lei. (Redação dada pela Lei n. 11.941,</p><p>de 2009)</p><p>Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por</p><p>dedução, a parcela ainda não realizada.</p><p>§ 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem:</p><p>a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e</p><p>a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a</p><p>importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de</p><p>conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias;</p><p>b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição;</p><p>§ 2º Será ainda registrado como reserva de capital o resultado da correção</p><p>monetária do capital realizado, enquanto não capitalizado.</p><p>48</p><p>Unidade II</p><p>§ 3º Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto</p><p>não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de</p><p>competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor</p><p>atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua</p><p>avaliação a valor justo, nos casos previstos nesta Lei, ou em normas</p><p>expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência</p><p>conferida pelo § 3º do Art. 177. (Redação dada pela Lei n. 11.941, de 2009)</p><p>§ 4º Serão classificados como</p><p>no seu propósito de</p><p>gerar informações de natureza social, evidenciando a riqueza gerada pela entidade e para quem essa</p><p>riqueza foi distribuída. Por divulgar informações ligadas à responsabilidade social das empresas, ela</p><p>representa um dos componentes do balanço social, por meio do qual as empresas prestam contas</p><p>de sua gestão social, ambiental e econômica, centrada principalmente em seu relacionamento com</p><p>a comunidade.</p><p>Fundamenta-se em conceitos macroeconômicos, buscando informar a parcela de contribuição de</p><p>cada empresa para a formação do produto interno bruto (PIB). Entretanto, existem diferenças entre o</p><p>modelo econômico e o contábil na forma de calcular o valor adicionado. Ao calcular o PIB, o modelo</p><p>econômico baseia-se na produção, enquanto o contábil utiliza o conceito de realização da receita, de</p><p>acordo com o regime de competência. Logo, verifica-se a existência de uma diferença temporal entre</p><p>os dois modelos.</p><p>O conceito de valor adicionado não deve ser confundido com os conceitos de receita ou lucro.</p><p>Representa a riqueza gerada pela empresa e é calculado por esta fórmula:</p><p>Valor adicionado = receitas geradas pela entidade – insumos utilizados na obtenção dessas receitas</p><p>O item 5 do CPC 09 exige que a DVA proporcione aos usuários das demonstrações contábeis</p><p>informações relativas à riqueza criada pela entidade em determinado período e à maneira como tais</p><p>riquezas foram distribuídas.</p><p>A distribuição da riqueza deve ser feita, minimamente, entre:</p><p>• pessoal e encargos (empregados);</p><p>• impostos, taxas e contribuições (governo);</p><p>• juros e aluguéis (remuneração de capital de terceiros);</p><p>85</p><p>CONTABILIDADE</p><p>• juros sobre capital próprio (JCP) e dividendos (remuneração de capitais próprios);</p><p>• lucros retidos/prejuízos do exercício.</p><p>4.3.3 Estrutura da DVA</p><p>A DVA é apresentada em duas partes: a primeira evidencia a riqueza gerada pela entidade, e a</p><p>segunda, a distribuição dessa riqueza.</p><p>O CPC indica três modelos de apresentação da DVA:</p><p>• Modelo 1: empresas em geral.</p><p>• Modelo 2: instituições financeiras bancárias.</p><p>• Modelo 3: seguradoras.</p><p>Seguindo a orientação de apresentação da DVA constante no CPC 09, apresentamos o modelo</p><p>aplicado às empresas em geral.</p><p>Quadro 13 – DVA: modelo 1: empresas em geral</p><p>Descrição Em milhares</p><p>de reais 20X1</p><p>Em milhares</p><p>de reais 20X0</p><p>1 – Receitas</p><p>1.1) Vendas de mercadorias, produtos e serviços</p><p>1.2) Outras receitas</p><p>1.3) Receitas relativas à construção de ativos próprios</p><p>1.4) Perdas estimadas para créditos de liquidação duvidosa – reversão/(constituição)</p><p>2 – Insumos adquiridos de terceiros</p><p>(inclui os valores dos impostos: ICMS, IPI, PIS e Cofins)</p><p>2.1) Custos dos produtos, das mercadorias e dos serviços vendidos</p><p>2.2) Materiais, energia, serviços de terceiros e outros</p><p>2.3) Perda/recuperação de valores ativos</p><p>2.4) Outras (especificar)</p><p>3 – Valor adicionado bruto (1 – 2)</p><p>4 – Depreciação, amortização e exaustão</p><p>5 – Valor adicionado líquido produzido pela entidade (3 – 4)</p><p>6 – Valor adicionado recebido em transferência</p><p>6.1) Resultado de equivalência patrimonial</p><p>6.2) Receitas financeiras</p><p>6.3) Outras</p><p>86</p><p>Unidade II</p><p>Descrição Em milhares</p><p>de reais 20X1</p><p>Em milhares</p><p>de reais 20X0</p><p>7 – Valor adicionado total a distribuir (5 + 6)</p><p>8 – Distribuição do valor adicionado*</p><p>8.1) Pessoal</p><p>8.1.1 – Remuneração direta</p><p>8.1.2 – Benefícios</p><p>8.1.3 – FGTS</p><p>8.2) Impostos, taxas e contribuições</p><p>8.2.1 – Federais</p><p>8.2.2 – Estaduais</p><p>8.2.3 – Municipais</p><p>8.3) Remuneração de capitais de terceiros</p><p>8.3.1 – Juros</p><p>8.3.2 – Aluguéis</p><p>8.3.3 – Outras</p><p>8.4) Remuneração de capitais próprios</p><p>8.4.1 – Juros sobre o capital próprio</p><p>8.4.2 – Dividendos</p><p>8.4.3 – Lucros retidos/prejuízo do exercício</p><p>8.4.4 – Participação dos não controladores nos lucros retidos (só para consolidação)</p><p>* O total do item 8 deve ser exatamente igual ao do item 7.</p><p>Fonte: CPC (2008).</p><p>Saiba mais</p><p>O detalhamento de cada item que compõe a DVA pode ser acompanhado no</p><p>CPC 09, itens 14 e 15. Ali você encontra a explicação da composição de cada</p><p>item, tanto para a formação como para a distribuição da riqueza. Acesse:</p><p>CPC. Pronunciamento Técnico CPC 09: demonstração do valor adicionado.</p><p>2008. Disponível em: https://bit.ly/3uT35GD. Acesso em: 4 abr. 2022.</p><p>4.4 Notas explicativas</p><p>De acordo com Ribeiro (2018a), as notas explicativas são esclarecimentos adicionais, que integram</p><p>as demonstrações contábeis e visam complementar essas demonstrações com informações sobre os</p><p>controles utilizados pela empresa, a composição dos dados de determinadas contas e os principais</p><p>critérios de avaliação dos elementos patrimoniais.</p><p>87</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Padoveze (2017) afirma que a finalidade das notas explicativas é proporcionar aos usuários um</p><p>melhor entendimento das demonstrações contábeis já apresentadas, com informações de caráter</p><p>descritivo, indicando os principais critérios e eventuais modificações nas políticas e práticas contábeis</p><p>utilizadas no período.</p><p>Também o CPC 26 (R1) se manifesta sobre o assunto, no item 7:</p><p>Notas explicativas contêm informação adicional em relação à apresentada</p><p>nas demonstrações contábeis. As notas explicativas oferecem descrições</p><p>narrativas ou segregações e aberturas de itens divulgados nessas</p><p>demonstrações e informação acerca de itens que não se enquadram nos</p><p>critérios de reconhecimento nas demonstrações contábeis (CPC, 2011).</p><p>Saiba mais</p><p>A Lei n. 11.941/2009 acrescenta ao § 5º do art. 176 da Lei n. 6.404/1976 uma</p><p>lista com as principais notas explicativas a serem apresentadas como parte das</p><p>demonstrações contábeis ao fim do exercício. Recomendamos a leitura.</p><p>BRASIL. Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009. Brasília, 2009. Disponível em:</p><p>https://bit.ly/3rW1LST. Acesso em: 4 abr. 2022.</p><p>88</p><p>Unidade II</p><p>Resumo</p><p>Nesta unidade, estudamos o conjunto completo das demonstrações</p><p>contábeis exigidas pela legislação societária em convergência com as</p><p>normas internacionais de contabilidade.</p><p>A primeira demonstração que a prática contábil recomenda que seja</p><p>encerrada é o balanço patrimonial, dada a sua importância no auxílio da</p><p>preparação das demais demonstrações. Examinamos sua representação</p><p>gráfica, sua classificação em grupos e as contas que o compõem.</p><p>Verificamos a importância da nomenclatura contábil ao utilizar as contas</p><p>representativas do ativo, do passivo e do patrimônio líquido.</p><p>Avançamos para a segunda demonstração contábil, a demonstração do</p><p>resultado do exercício (DRE), que também serve de base para a elaboração</p><p>de outras peças contábeis. Apresentamos seus conceitos, suas funções e sua</p><p>importância para a gestão financeira de uma empresa. Por meio dela, ao</p><p>confrontar as receitas e as despesas, o gestor poderá avaliar o comportamento</p><p>dos resultados, se a empresa está operando com lucro ou com prejuízo.</p><p>Desse modo, ela se torna uma grande aliada na tomada de decisões.</p><p>Na sequência verificamos a demonstração dos lucros ou prejuízos</p><p>acumulados (DLPA) e a sua substituição pela demonstração das mutações</p><p>do patrimônio líquido (DMPL). A análise da DMPL é bastante significativa</p><p>para os usuários da contabilidade porque ela demonstra as alterações</p><p>ocorridas no patrimônio líquido da empresa durante um período. O</p><p>patrimônio líquido é um dos grupos do balanço patrimonial de grande</p><p>interesse para os acionistas, o mercado e a gerência. Conhecê-lo é vital</p><p>para acompanhar o crescimento da empresa.</p><p>Prosseguimos com a apresentação da demonstração dos fluxos de</p><p>caixa (DFC), que registra todas as entradas e saídas de recursos financeiros,</p><p>permitindo, ao fim de um período, uma amostragem das origens e</p><p>aplicações de caixa e equivalentes de caixa. Exploramos a segregação dos</p><p>fluxos de caixa em atividades operacionais, atividades de investimento e</p><p>atividades de financiamento. Também examinamos os dois métodos para a</p><p>divulgação da DFC, direto e indireto, e os contrastes entre eles.</p><p>Por último, vimos a demonstração do valor adicionado (DVA). Abordamos</p><p>a importância dessa demonstração na divulgação de informações de</p><p>natureza social, revelando</p><p>como a empresa gerou riqueza, ou seja, valor</p><p>adicionado, e como esse valor foi distribuído entre os diversos setores que,</p><p>de alguma forma, contribuíram para a geração dele.</p><p>89</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Exercícios</p><p>Questão 1. Vimos, no livro-texto, que o balanço patrimonial é uma demonstração contábil que</p><p>expressa a posição financeira e patrimonial de uma entidade ao fim de cada exercício social. Também</p><p>observamos que o balanço patrimonial é composto por:</p><p>• ativo;</p><p>• passivo;</p><p>• patrimônio líquido.</p><p>Em relação ao exposto, avalie as afirmativas.</p><p>I – O ativo engloba os bens e os direitos de uma entidade. Inclui todos os valores que ela tem em</p><p>caixa, em conta bancária e em aplicações, os valores que ela ainda vai receber de clientes, os estoques,</p><p>as máquinas e os equipamentos.</p><p>II – O passivo engloba as obrigações da entidade com terceiros. Inclui o pagamento de fornecedores,</p><p>a folha de pagamento, os impostos e os empréstimos bancários.</p><p>III – O patrimônio líquido engloba os recursos próprios da entidade. Inclui o capital social, as reservas</p><p>de lucros criadas e os prejuízos acumulados.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>A) I e II, apenas.</p><p>B) II e III, apenas.</p><p>C) I e III, apenas.</p><p>D) I, apenas.</p><p>E) I, II e III.</p><p>Resposta correta: alternativa E.</p><p>90</p><p>Unidade II</p><p>Análise das afirmativas</p><p>I – Afirmativa correta.</p><p>Justificativa: segundo o CPC 00 (R2), o ativo corresponde aos recursos econômicos presentes</p><p>controlados pela entidade como resultado de eventos passados. Vale destacar que recurso econômico</p><p>é definido como um direito que tem o potencial de produzir benefícios econômicos, como direito de</p><p>receber caixa, direito de receber produtos ou serviços, e direito de trocar recursos econômicos com outra</p><p>parte em condições favoráveis. Podemos dizer que o ativo é representado pelos bens e direitos.</p><p>II – Afirmativa correta.</p><p>Justificativa: segundo o CPC 00 (R2), o passivo corresponde às obrigações presentes da entidade</p><p>de transferir recursos econômicos como resultado de eventos passados. Para haver o reconhecimento</p><p>da existência do passivo, há três critérios a serem atendidos: existe uma obrigação; essa obrigação é</p><p>transferir um recurso econômico; e a obrigação presente é resultado de eventos passados. Podemos</p><p>dizer que o passivo é representado pelas obrigações.</p><p>III – Afirmativa correta.</p><p>Justificativa: segundo o CPC 00 (R2), o patrimônio líquido corresponde à participação residual nos</p><p>ativos da entidade após a dedução de todos os seus passivos. Podemos dizer que o patrimônio líquido</p><p>representa os ativos líquidos dos passivos.</p><p>Questão 2. Suponha que a empresa Doce Sabor tenha R$ 220.000,00 em ativos e R$ 70.000,00</p><p>em passivos. Imagine que essa empresa pague, agora, todas as suas obrigações e distribua o restante</p><p>igualmente entre os três sócios. Para essa situação, o patrimônio líquido da Doce Sabor é igual a:</p><p>A) R$ 30.000,00.</p><p>B) R$ 50.000,00.</p><p>C) R$ 70.000,00.</p><p>D) R$ 150.000,00.</p><p>E) R$ 250.000,00.</p><p>Resposta correta: alternativa D.</p><p>91</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Análise da questão</p><p>Vimos, no livro-texto, que a equação fundamental do patrimônio é dada por:</p><p>PL = A – P</p><p>Na equação:</p><p>• PL: patrimônio líquido.</p><p>• A: ativo.</p><p>• P: passivo.</p><p>No caso, temos A = R$ 220.000,00 e P = R$ 70.000,00. Logo:</p><p>PL = A – P = R$ 220.000,00 – R$ 70.000,00 = R$ 150.000,00.</p><p>Concluímos que, para a situação exposta, o patrimônio líquido é igual a R$ 150.000,00.</p><p>reservas de lucros as contas constituídas pela</p><p>apropriação de lucros da companhia.</p><p>§ 5º As ações em tesouraria deverão ser destacadas no balanço como</p><p>dedução da conta do patrimônio líquido que registrar a origem dos recursos</p><p>aplicados na sua aquisição (BRASIL, 1976).</p><p>3.1.2 Estrutura do balanço patrimonial</p><p>Com base na legislação atual, o balanço patrimonial apresenta a estrutura a seguir.</p><p>Quadro 8 – Estrutura do balanço patrimonial</p><p>Ativo Passivo e patrimônio líquido</p><p>Ativo circulante</p><p>- Disponibilidades</p><p>- Créditos</p><p>- Estoques</p><p>- Despesas antecipadas</p><p>Ativo não circulante</p><p>- Realizável a longo prazo</p><p>- Investimentos</p><p>- Imobilizado</p><p>- Intangível</p><p>Passivo circulante</p><p>Passivo não circulante</p><p>Patrimônio líquido</p><p>Capital social</p><p>Reservas de capital</p><p>Ajuste de avaliação patrimonial</p><p>Reservas de lucros</p><p>Lucros ou prejuízos acumulados</p><p>Ações em tesouraria</p><p>Total Total</p><p>Apresentamos a seguir a função de cada grupo e subgrupo que compõem o balanço patrimonial.</p><p>3.1.3 Ativo</p><p>O ativo é composto pelas contas que representam os bens e direitos que tenham o potencial</p><p>de produzir benefícios econômicos para a entidade. De acordo com a legislação, elas deverão estar</p><p>dispostas em ordem decrescente de liquidez.</p><p>49</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Observação</p><p>O grau de liquidez deve ser entendido como a capacidade de um bem</p><p>ou direito se transformar o mais rapidamente possível em dinheiro.</p><p>O ativo subdivide-se em dois grandes grupos: ativo circulante e ativo não circulante.</p><p>3.1.3.1 Ativo circulante (AC)</p><p>O ativo circulante mostra as disponibilidades imediatas da empresa, os créditos, os estoques e as</p><p>despesas antecipadas.</p><p>Observação</p><p>De acordo com o CPC 26 (R1), item 54, as disponibilidades são</p><p>representadas pela conta caixa e equivalentes de caixa.</p><p>A característica do ativo circulante é que os ativos sejam realizáveis no decorrer do exercício social</p><p>seguinte, ou seja, no prazo de até 365 dias.</p><p>Esse grupo reunirá as contas representativas dos bens e dos direitos cujo prazo de realização ocorra</p><p>no curso do exercício social seguinte, isto é, até 12 meses da data do balanço patrimonial.</p><p>As contas que normalmente se destacam nesse grupo são duplicatas a receber e estoques, pois elas</p><p>estão diretamente relacionadas ao ciclo operacional e financeiro da empresa.</p><p>Disponibilidades</p><p>São os recursos financeiros que se encontram à disposição imediata da empresa, como caixa,</p><p>bancos e aplicações financeiras. Atualmente o termo disponibilidades pode ser substituído por caixa e</p><p>equivalentes de caixa.</p><p>Créditos</p><p>São os direitos provenientes de vendas a prazo, representados por clientes, duplicatas a receber e</p><p>contas a receber. Neste item também encontramos contas redutoras do ativo, como perdas estimadas</p><p>para créditos de liquidação duvidosa.</p><p>Estoques</p><p>São compostos por contas decorrentes da atividade da empresa (matérias-primas, produtos acabados,</p><p>produtos em elaboração, mercadorias para revenda etc.) e por materiais para o consumo (material de limpeza,</p><p>material de expediente etc.). Devem ser ajustados por uma conta redutora denominada perdas estimadas</p><p>para redução ao valor realizável líquido, que representa os ajustes a valores de mercado dos estoques.</p><p>50</p><p>Unidade II</p><p>Lembrete</p><p>O valor realizável líquido é a quantia líquida que se espera realizar com</p><p>a venda dos estoques.</p><p>Essa conta mostra, normalmente, um volume apreciável de recursos investidos em função das</p><p>necessidades de produção e comercialização da empresa. Existe relação direta com o prazo médio de</p><p>renovação de estoques, e quanto menor for o prazo de estocagem, mais favorável será para a empresa.</p><p>Despesas antecipadas</p><p>São aplicações de recursos em gastos que serão apropriados no curso do período subsequente à data do</p><p>balanço. Também são chamadas despesas pagas antecipadamente ou despesas do exercício seguinte.</p><p>3.1.3.2 Ativo não circulante (ANC)</p><p>Segundo o estabelecido pela legislação atual, o ativo não circulante é dividido em realizável a longo</p><p>prazo, investimentos, imobilizado e intangível.</p><p>Realizável a longo prazo</p><p>São classificadas neste grupo as contas que representam bens e direitos cujo prazo de realização</p><p>ocorre após o término do exercício social subsequente à data de encerramento do balanço patrimonial.</p><p>Neste grupo, poderemos encontrar todas as contas componentes do ativo circulante, com exceção</p><p>das disponibilidades.</p><p>Investimentos</p><p>São classificadas neste grupo as participações societárias de caráter permanente, além dos bens</p><p>e direitos que não se destinem à manutenção das atividades-fim da empresa, como participação</p><p>em sociedades coligadas e controladas, participação em outras sociedades, obras de arte e bens não</p><p>utilizados nos negócios.</p><p>Também são classificadas neste grupo as propriedades para investimento, representadas por</p><p>terrenos e edifícios para futura utilização e imóveis destinados a renda.</p><p>Observação</p><p>Os investimentos são deduzidos, quando couber, por perdas estimadas</p><p>por valor não recuperável, que medem a diferença entre o valor contábil e</p><p>o valor de recuperação desses ativos.</p><p>51</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Imobilizado</p><p>O ativo imobilizado, tratado no art. 179, item IV, da Lei n. 6.404/1976, também é tratado no CPC 27,</p><p>com correlação às normas internacionais de contabilidade (CPC, 2009).</p><p>Indica as aplicações de recursos ativos que tenham por objeto bens corpóreos, destinados à</p><p>manutenção das atividades da empresa, como terrenos, edifícios, máquinas, móveis e veículos. Ao analisar o</p><p>volume de tais investimentos efetuados pela empresa, é importante conhecer as características do setor</p><p>em que ela atua, pois o nível dos investimentos varia de setor para setor. Em uma empresa do setor</p><p>industrial, por exemplo, o nível desses investimentos é normalmente superior se comparado ao de uma</p><p>empresa de prestação de serviços.</p><p>Pode ser subdividido em:</p><p>• Tangível: veículos, máquinas, imóveis, móveis e utensílios. Sua conta redutora é a depreciação</p><p>acumulada.</p><p>• Recursos naturais: elementos explorados pela empresa, que podem ser minerais ou florestais,</p><p>como pedreiras, portos de areia e minas de carvão. Sua conta redutora é a exaustão acumulada.</p><p>• Objeto de arrendamentos: bens utilizados pela empresa, mas que não são de sua propriedade.</p><p>São bens arrendados de terceiros, que poderão ser comprados pela empresa ao término do</p><p>contrato de arrendamento.</p><p>• Imobilização em andamento: obras em andamento, máquinas em construção.</p><p>Assim como os investimentos, o imobilizado também está sujeito à aplicação de perdas estimadas</p><p>por valor não recuperável (impairment test), conforme determina o § 3º do art. 183 da Lei n. 6.404:</p><p>“A companhia deverá efetuar, periodicamente, análise sobre a recuperação dos valores registrados no</p><p>imobilizado e no intangível” (BRASIL, 1976).</p><p>Corrobora com esse entendimento o item 8 do CPC 27, ao esclarecer que “um ativo está</p><p>desvalorizado quando o seu valor contábil excede seu valor recuperável” (CPC, 2009).</p><p>Saiba mais</p><p>Para conhecer o tratamento contábil do ativo imobilizado em</p><p>correlação com as normas internacionais de contabilidade, leia o CPC 27.</p><p>CPC. Pronunciamento Técnico CPC 27: ativo imobilizado. 2009.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3Jhw1gO. Acesso em: 4 abr. 2022.</p><p>52</p><p>Unidade II</p><p>Intangível</p><p>São classificados no ativo intangível os bens incorpóreos destinados à manutenção da atividade da</p><p>empresa. São recursos aplicados em itens imateriais. Sua conta redutora é a amortização acumulada.</p><p>Em relação às normas internacionais de contabilidade, o assunto é tratado no CPC 04 (R1)</p><p>(CPC, 2010b).</p><p>Para o reconhecimento do ativo intangível, são fundamentais duas características:</p><p>• a probabilidade de que os benefícios econômicos futuros esperados atribuíveis ao ativo sejam</p><p>gerados em favor da entidade;</p><p>• a segurança na mensuração do custo do ativo.</p><p>São exemplos de ativos intangíveis:</p><p>• marcas e patentes;</p><p>• licenças e franquias;</p><p>• gastos com pesquisa e desenvolvimento de produtos;</p><p>• direitos autorais.</p><p>Observação</p><p>Assim como o imobilizado, o intangível também está sujeito à aplicação</p><p>de perdas estimadas por valor não recuperável.</p><p>3.1.4 Passivo</p><p>São classificadas no passivo as contas que representam as obrigações da empresa para com</p><p>terceiros (bancos, fornecedores, funcionários etc.). Aqui as contas são dispostas de acordo com o grau</p><p>decrescente de exigibilidade. O grau de exigibilidade significa que os passivos devem ser classificados</p><p>segundo o seu vencimento, do mais exigível para o menos exigível.</p><p>O passivo subdivide-se em dois grandes grupos: passivo circulante e passivo não circulante.</p><p>3.1.4.1 Passivo circulante (PC)</p><p>O passivo circulante indica as obrigações da empresa para com terceiros a serem cumpridas no</p><p>decorrer do exercício seguinte, ou seja, aquelas com prazo de vencimento de até 365 dias.</p><p>53</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Este grupo reúne as contas representativas das obrigações cujo prazo de vencimento aconteça no</p><p>curso do exercício social seguinte, isto é, até 12 meses da data do balanço patrimonial.</p><p>Neste grupo, encontramos contas como fornecedores, duplicatas a pagar, empréstimos, impostos a</p><p>pagar, impostos a recolher, salários a pagar, dividendos a pagar e financiamentos.</p><p>3.1.4.2 Passivo não circulante (PNC)</p><p>No passivo não circulante são classificadas as contas que representam obrigações cujo prazo de</p><p>vencimento se situa após o término do exercício social subsequente à data do balanço patrimonial.</p><p>Podemos encontrar aqui todas as contas do passivo circulante vencíveis após o exercício social seguinte.</p><p>3.1.5 Patrimônio líquido</p><p>De acordo com Santos et al. (2018), o patrimônio líquido representa a diferença entre o valor dos</p><p>ativos e o dos passivos, que é o valor contábil pertencente aos acionistas ou sócios.</p><p>Esse conceito deriva da aplicação da equação fundamental do patrimônio e constitui o capital</p><p>próprio da entidade, que são os recursos investidos pelos proprietários, assim como suas variações</p><p>decorrentes dos resultados obtidos pela entidade.</p><p>Observação</p><p>Segundo o CPC 00 (R2), o patrimônio líquido é a participação</p><p>residual nos ativos da entidade depois de deduzidos todos os seus</p><p>passivos (CPC, 2019).</p><p>O patrimônio líquido compreende os subgrupos de contas listados a seguir.</p><p>3.1.5.1 Capital social</p><p>O capital social é o elemento principal na formação do patrimônio líquido, pois representa o</p><p>investimento feito pelos proprietários na empresa com o objetivo de alcançar lucros maiores do que</p><p>obteriam se aplicassem em outras alternativas de investimento.</p><p>Pode ser diminuído pela conta capital a integralizar – que corresponde ao capital social subscrito pelos</p><p>proprietários, mas ainda não integralizado –, classificada como conta redutora da conta capital social.</p><p>3.1.5.2 Reservas de capital</p><p>São contas representativas de ganhos obtidos pela empresa que não transitam pelo resultado,</p><p>como ágio recebido na emissão de ações, alienação de partes beneficiárias e alienação de bônus</p><p>de subscrição.</p><p>54</p><p>Unidade II</p><p>3.1.5.3 Ajuste de avaliação patrimonial</p><p>São classificadas como ajuste de avaliação patrimonial (AAP), enquanto não computadas no</p><p>resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou</p><p>diminuições de valores atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência de sua avaliação</p><p>a valor justo.</p><p>É caso de aplicações em instrumentos financeiros que, quando forem destinados à venda, serão</p><p>avaliados a valor justo, podendo resultar em diferenças positivas ou negativas que não transitam por</p><p>contas de resultado.</p><p>Os valores contabilizados na conta de AAP devem ser transferidos para resultado quando o ativo ou</p><p>passivo que deu origem a essa variação for vendido.</p><p>Em decorrência da variação, a natureza dessa conta pode ser credora ou devedora – portanto, pode</p><p>aumentar ou diminuir o patrimônio líquido.</p><p>Cabe lembrar que o AAP é uma conta que pertence ao grupo outros resultados abrangentes no</p><p>patrimônio líquido, como estabelece o CPC 26 (R1) (CPC, 2011).</p><p>3.1.5.4 Reservas de lucros</p><p>As reservas de lucros representam a parte dos lucros acumulados não distribuída aos sócios ou</p><p>acionistas. Após o cálculo da parte destinada ao pagamento de dividendos obrigatórios, a entidade</p><p>poderá constituir as reservas de lucros de modo que a parcela do lucro líquido correspondente a essas</p><p>reservas permaneça no patrimônio líquido, evitando a sua distribuição aos sócios ou acionistas em</p><p>forma de dividendos.</p><p>A apropriação dos lucros da companhia pode ser em função da lei, como a reserva legal, em função</p><p>do estatuto, como as reservas estatutárias, ou em função da vontade dos sócios, como a reserva para</p><p>contingências, a reserva de lucros a realizar e a reserva de lucros para expansão.</p><p>3.1.5.5 Lucros ou prejuízos acumulados</p><p>Os lucros ou prejuízos demonstrados no patrimônio líquido representam os resultados acumulados</p><p>para os quais ainda não foi dada uma finalidade específica.</p><p>Os lucros acumulados representam a parcela do lucro líquido que ainda não foi distribuída ou</p><p>capitalizada, ou ainda não foi destinada à constituição das reservas de lucros.</p><p>Os prejuízos acumulados representam o resultado negativo que ainda não foi totalmente absorvido</p><p>pelo lucro. De acordo com o art. 189, parágrafo único, da Lei n. 6.404/1976, o prejuízo do exercício será</p><p>obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal –</p><p>nessa ordem.</p><p>55</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Quanto à existência da conta lucros acumulados, cabe aqui uma observação. Após a publicação da</p><p>Lei n. 11.638/2007 e da Lei n. 11.941/2009, que trouxeram profundas alterações à Lei n. 6.404/1976,</p><p>a conta lucros ou prejuízos acumulados foi objeto de muita divergência de interpretação entre os</p><p>profissionais da contabilidade. A Lei n. 11.941/2009 incluiu o item III no art. 178: “patrimônio líquido,</p><p>dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações</p><p>em tesouraria e prejuízos acumulados” (BRASIL, 1976).</p><p>O fato de a lei mencionar prejuízos acumulados, mas não lucros acumulados, levou à interpretação da</p><p>extinção da conta lucros acumulados, ao prever que, após a destinação para o pagamento de dividendos</p><p>obrigatórios e para as reservas de lucros, se permanecer saldo, este também deverá ser distribuído a</p><p>título de dividendos.</p><p>Entretanto, o CFC se manifestou a respeito por meio da Resolução n. 1.157, no item 115:</p><p>Lucros acumulados</p><p>115. A obrigação de essa conta não conter saldo positivo aplica-se</p><p>unicamente às sociedades por ações, e não às demais, e para os balanços do</p><p>exercício social terminado a partir de 31 de dezembro de 2008 (CFC, 2009).</p><p>Admitindo-se que o CFC é o principal órgão regulador da profissão contábil, entende-se que nas</p><p>demais sociedades, exceto as sociedades por ações e as empresas de grande porte (para as quais se</p><p>estende a Lei n. 11.638/2007), a conta lucros acumulados continua existindo.</p><p>Observação</p><p>Consideram-se de grande porte empresas com ativo total superior a</p><p>R$ 240.000.000,00 ou receita bruta anual superior a R$ 300.000.000,00</p><p>(BRASIL, 2007).</p><p>3.1.5.6 Ações em tesouraria</p><p>Surgem quando a empresa adquire suas próprias ações, objetivando reduzir o capital social. As ações</p><p>em tesouraria devem ser destacadas no balanço patrimonial como dedução da conta do patrimônio</p><p>líquido, que registra a origem de recursos aplicados na sua aquisição. Essa é uma conta redutora do</p><p>patrimônio líquido.</p><p>56</p><p>Unidade II</p><p>3.2 Demonstração do resultado do exercício (DRE)</p><p>A DRE surge em função da dinâmica das atividades desenvolvidas pelas empresas entre a data de</p><p>um balanço patrimonial e a de outro. Durante esse período, a empresa realiza diversas operações que</p><p>alteram o seu patrimônio (compras, vendas, pagamentos e recebimentos).</p><p>Essas operações praticadas pelas empresas, sejam elas operacionais ou não operacionais, alteram</p><p>para mais ou para menos o patrimônio líquido da empresa e contêm os elementos indispensáveis para</p><p>a elaboração da DRE – as receitas, que aumentam o patrimônio líquido, e as despesas, que diminuem o</p><p>patrimônio líquido.</p><p>A DRE é elaborada</p><p>respeitando-se o regime de competência, observando-se que as receitas e as</p><p>despesas devem ser reconhecidas no período em que ocorrem, independentemente do seu recebimento</p><p>ou pagamento.</p><p>A seguir, trataremos da estrutura da DRE conforme a legislação atual.</p><p>3.2.1 Conceito da DRE</p><p>A DRE é uma demonstração contábil apresentada de forma dedutiva, ou seja, das receitas</p><p>subtraem-se as despesas e obtém-se o resultado do exercício, que pode ser positivo, denominado de</p><p>lucro caso as receitas superem as despesas, ou negativo, denominado de prejuízo caso as despesas</p><p>superem as receitas.</p><p>Observação</p><p>A DRE, ao contrário do balanço patrimonial, é uma demonstração</p><p>contábil dinâmica, que se destina a evidenciar a formação do resultado</p><p>líquido durante determinado período.</p><p>De forma simplificada, a DRE apresenta o confronto de receitas e despesas, evidenciando o resultado</p><p>do período.</p><p>DRE</p><p>Receitas 100</p><p>Despesas (80)</p><p>= Resultado do exercício 20</p><p>57</p><p>CONTABILIDADE</p><p>3.2.2 Dispositivo legal da DRE</p><p>A seção V da Lei n. 6.404, no art. 187, determina a estrutura da DRE.</p><p>Seção V</p><p>Demonstração do resultado do exercício</p><p>Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará:</p><p>I – a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os</p><p>abatimentos e os impostos;</p><p>II – a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços</p><p>vendidos e o lucro bruto;</p><p>III – as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas,</p><p>as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais;</p><p>IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas;</p><p>(Redação dada pela Lei n. 11.941, de 2009)</p><p>V – o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão</p><p>para o imposto;</p><p>VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes</p><p>beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições</p><p>ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se</p><p>caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei n. 11.941, de 2009)</p><p>VII – o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação</p><p>do capital social.</p><p>§ 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados:</p><p>a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da</p><p>sua realização em moeda; e</p><p>b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes</p><p>a essas receitas e rendimentos (BRASIL, 1976).</p><p>3.2.3 Estrutura da DRE</p><p>Em complemento às determinações da Lei n. 6.404/1976, o CPC 26 (R1) diz que a DRE deve incluir</p><p>no mínimo a seguinte estrutura.</p><p>58</p><p>Unidade II</p><p>Quadro 9</p><p>Estrutura da DRE</p><p>Receita bruta de vendas e serviços</p><p>(–) Devolução de vendas (vendas canceladas)</p><p>(–) Abatimentos sobre vendas</p><p>(–) Descontos comerciais sobre vendas (descontos incondicionais)</p><p>(–) Impostos sobre vendas</p><p>(=) Receita líquida de vendas e serviços</p><p>(–) Custo das mercadorias, produtos e serviços vendidos (CMV/CPV/CSV)</p><p>(=) Lucro bruto</p><p>(–) Despesas operacionais</p><p>Despesas com vendas</p><p>Despesas gerais e administrativas</p><p>Outras receitas (despesas) operacionais</p><p>(=) Resultado antes das receitas e despesas financeiras</p><p>(+) Receitas financeiras</p><p>(–) Despesas financeiras</p><p>(=) Resultado antes dos tributos sobre o lucro</p><p>(–) Imposto de renda</p><p>(–) Contribuição social sobre o lucro líquido</p><p>(=) Resultado líquido das operações continuadas</p><p>(+ ou –) Resultado líquido das operações descontinuadas</p><p>(=) Resultado líquido antes das participações</p><p>(–) Participações</p><p>Empregados</p><p>Administradores</p><p>Partes beneficiárias</p><p>Debêntures</p><p>Instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados</p><p>(=) Resultado líquido do exercício</p><p>Lucro por ação</p><p>3.2.4 Contas da DRE</p><p>Para melhor compreensão da DRE, passaremos a discorrer sobre o significado de cada conta que</p><p>participa dela.</p><p>Receita bruta de vendas e serviços</p><p>É o valor das vendas originadas pelo desenvolvimento das atividades previstas no estatuto ou no</p><p>contrato social da empresa. Na empresa comercial, essa receita é composta pela venda de mercadorias;</p><p>59</p><p>CONTABILIDADE</p><p>na empresa industrial, pela venda de produtos; e nas empresas prestadoras de serviços, pela venda de</p><p>prestação de serviços.</p><p>Observação</p><p>A receita bruta engloba as vendas à vista e a prazo, vendas realizadas</p><p>nos mercados interno e externo.</p><p>Partindo-se da receita bruta, dela subtraímos as chamadas deduções de vendas para chegarmos à</p><p>receita líquida. As deduções de vendas são compostas por:</p><p>• Devolução: surge quando a empresa vende uma mercadoria ou um produto, e o cliente não</p><p>aceita a mercadoria entregue, por ela estar em desacordo com o pedido – por exemplo, no que</p><p>diz respeito à qualidade ou à quantidade. Nesse momento, o cliente pode devolver a mercadoria</p><p>no todo ou em parte, ou ficar com a mercadoria entregue em desacordo com o pedido e negociar</p><p>um abatimento.</p><p>• Abatimento: surge quando o cliente, em vez de devolver a mercadoria ou o produto que está</p><p>em desacordo com o pedido, decide ficar com a mercadoria ou o produto e negociar uma</p><p>redução de preço.</p><p>• Desconto comercial: é aquele oferecido diretamente no preço da mercadoria ou do produto,</p><p>objetivando aumentar o volume das vendas. É também conhecido como desconto incondicional.</p><p>• Impostos incidentes sobre as vendas: as empresas funcionam como arrecadadoras de</p><p>impostos dos governos, pois no preço de suas mercadorias, produtos ou serviços estão embutidos</p><p>os impostos, que devem ser repassados aos cofres públicos. Assim, os impostos e contribuições</p><p>que incidem sobre as vendas fazem parte das deduções da receita bruta, sendo os mais comuns o</p><p>ICMS, o IPI, o ISS, o PIS e a Cofins.</p><p>Receita líquida de vendas e serviços</p><p>É a denominação da conta que demonstra o valor da receita bruta, deduzido das deduções de vendas.</p><p>Constitui-se das vendas efetuadas pela empresa depois de deduzidos os impostos, as devoluções, os</p><p>descontos e os abatimentos. Permite avaliar o nível de atividade de uma empresa, pois o desempenho</p><p>vai se refletir diretamente nos resultados obtidos.</p><p>Custo das mercadorias vendidas, custo dos produtos vendidos e custo dos serviços vendidos</p><p>O custo das mercadorias vendidas (CMV), o custo dos produtos vendidos (CPV) e o custo dos</p><p>serviços vendidos (CSV) correspondem ao custo das vendas e mostram o quanto custou para a</p><p>empresa tudo o que foi entregue ao cliente sob a forma de mercadoria, produto ou prestação</p><p>de serviço.</p><p>60</p><p>Unidade II</p><p>Lucro bruto</p><p>O lucro bruto é obtido pela diferença entre a receita líquida e o custo das vendas. No caso de uma</p><p>empresa industrial, mostra a eficiência em suas atividades de venda e produção, ou de venda e compra,</p><p>no caso de uma empresa comercial.</p><p>Despesas com vendas</p><p>São as despesas incorridas para que a empresa possa vender suas mercadorias, produtos ou serviços,</p><p>como frete sobre vendas, salários e encargos sociais de vendedores, manutenção de sites na internet</p><p>e propaganda.</p><p>Despesas gerais e administrativas</p><p>Compreendem as despesas incorridas, por exemplo, com contabilidade, auditoria, energia elétrica,</p><p>telefone, água, segurança e assistência médica a funcionários.</p><p>Outras receitas e despesas</p><p>Compreendem as receitas e as despesas que não se classificam nos grupos de receitas e despesas</p><p>anteriores. Por exemplo, o resultado de equivalência patrimonial, que pode ser positivo (receita) ou</p><p>negativo (despesa), e as receitas e despesas não ligadas à atividade principal da empresa, como o</p><p>resultado na venda de ativo imobilizado.</p><p>Receitas financeiras</p><p>Juros e correção monetária obtidos nas aplicações financeiras, juros no recebimento de</p><p>duplicatas em atraso.</p><p>Despesas financeiras</p><p>Juros pagos ou incorridos por atraso de pagamento a fornecedores, ou em empréstimos e</p><p>financiamentos.</p><p>Lucro antes do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido</p><p>Obtido partindo-se do lucro bruto, somando-se as receitas e subtraindo-se as despesas. Esse</p><p>resultado pode ser positivo (lucro) ou negativo (prejuízo). É o ponto de partida</p><p>ou prejuízos acumulados</p><p>(DLPA), que informa a movimentação da conta lucros ou prejuízos acumulados.</p><p>A DLPA é uma demonstração exigida pela Lei n. 6.404/1976. Entretanto, quando as empresas</p><p>apresentam a DMPL, ficam isentas da apresentação dessa demonstração, pois a DMPL, ao incluir</p><p>uma coluna específica para lucros ou prejuízos acumulados, mostra todas as informações relativas</p><p>às movimentações ocorridas nessa conta. Como a DMPL passou a ser de apresentação obrigatória</p><p>praticamente para todas as empresas, ela substitui de forma definitiva a DLPA.</p><p>4.1.2 Conceito e utilidade da DMPL</p><p>Segundo Montoto (2021), a DMPL demonstra as mutações, ou seja, as modificações ocorridas em</p><p>todas as contas que compõem o patrimônio líquido de uma entidade durante um exercício.</p><p>65</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Santos et al. (2018) explicam que a utilidade dessa demonstração reside no fato de fornecer a</p><p>movimentação do fluxo de uma conta para outra, assinalando a origem e o valor de cada acréscimo e</p><p>diminuição no patrimônio líquido durante o exercício.</p><p>A técnica de elaboração da DMPL consiste na representação gráfica da movimentação das contas do</p><p>patrimônio líquido, já estudadas neste livro-texto. Ao saldo inicial de cada conta do patrimônio líquido de</p><p>determinado período, acrescentam-se ou diminuem-se as movimentações ocorridas durante o período e</p><p>obtém-se o saldo final das contas, que necessariamente deve coincidir com os valores do patrimônio líquido</p><p>demonstrado no balanço patrimonial. A movimentação de cada conta é facilmente extraída do livro-razão.</p><p>É, portanto, uma demonstração que amplia as informações do grupo patrimônio líquido</p><p>demonstrado no balanço patrimonial ao indicar as operações que provocaram o aumento ou a</p><p>diminuição em cada conta desse grupo.</p><p>4.1.3 Estrutura da DMPL</p><p>Vamos apresentar a estrutura da DMPL por meio de um exercício.</p><p>A empresa Brinquedos & Companhia S.A. é uma indústria que se dedica à fabricação de brinquedos.</p><p>Em 31/12/20X1, publicou suas demonstrações contábeis apresentando, no balanço patrimonial, a</p><p>seguinte composição do patrimônio líquido:</p><p>Capital social</p><p>Reserva de ágio na emissão de ações</p><p>Reserva de alienação de bônus de subscrição</p><p>Reserva legal</p><p>Reservas estatutárias</p><p>Reserva para contingências</p><p>Outros resultados abrangentes</p><p>500.000,00</p><p>20.000,00</p><p>25.000,00</p><p>80.000,00</p><p>40.000,00</p><p>30.000,00</p><p>105.000,00</p><p>Total 800.000,00</p><p>Durante o exercício de 20X2 ocorreram as seguintes movimentações nas contas do patrimônio líquido:</p><p>1) Aumento de capital:</p><p>1.1) pela emissão de 2.000 ações ao valor nominal de R$ 40,00 e integralizadas pelos sócios ao valor</p><p>de R$ 50,00 cada ação;</p><p>1.2) pela incorporação de reserva de ágio na emissão de ações no valor de R$ 10.000,00;</p><p>1.3) pela incorporação de reserva de alienação de bônus de subscrição no valor de R$ 15.000,00;</p><p>1.4) pela incorporação de reserva legal no valor de R$ 30.000,00.</p><p>66</p><p>Unidade II</p><p>2) Reversão de reserva para contingências no valor de R$ 20.000,00, por deixarem de existir as</p><p>razões que justificaram a sua constituição.</p><p>3) Lucro líquido do exercício no valor de R$ 300.000,00.</p><p>4) Constituição de reserva legal (5% do lucro líquido do exercício).</p><p>5) Constituição de reserva estatutária (10% do lucro líquido do exercício).</p><p>6) Constituição de reserva de lucros para expansão a fim de atender a projeto de investimentos no</p><p>valor de R$ 206.250,00.</p><p>7) Distribuição de dividendos obrigatórios no valor de R$ 68.750,00.</p><p>8) Ganhos em ativos financeiros mensurados ao valor justo por meio de outros resultados</p><p>abrangentes (disponíveis para venda) no valor de R$ 50.000,00 e tributos sobre esses ganhos no valor</p><p>de R$ 15.000,00.</p><p>9) Equivalência patrimonial sobre ganhos abrangentes de coligadas no valor de R$ 27.000,00.</p><p>Com base nesses dados, vamos elaborar a DMPL referente ao exercício de 20X2.</p><p>Antes da elaboração da DMPL, precisamos analisar as operações ocorridas durante o exercício</p><p>de 20X2.</p><p>1.1) Aumento de capital pela emissão de novas ações</p><p>Capital social (2.000 ações ao valor nominal de R$ 40,00 cada) 80.000,00</p><p>Integralização pelos sócios (2.000 ações a R$ 50,00 cada) 100.000,00</p><p>Ágio na emissão de ações (valor pago a maior que o valor patrimonial das ações) 20.000,00</p><p>O valor de R$ 80.000,00 aumentará o capital social, e o valor de R$ 20.000,00 aumentará a reserva</p><p>de ágio na emissão de ações. A contrapartida de R$ 100.000,00 será em caixa ou equivalentes de caixa.</p><p>1.2) Aumento de capital social com a reserva de ágio na emissão de ações</p><p>Provocará uma transferência da reserva de ágio na emissão de ações para capital social. Ocorre uma</p><p>diminuição em reserva de ágio na emissão de ações e um aumento em capital social.</p><p>1.3) Aumento de capital com a reserva de alienação de bônus de subscrição</p><p>Provocará uma transferência da reserva de alienação de bônus de subscrição para capital social.</p><p>Ocorre uma diminuição em reserva de alienação de bônus de subscrição e um aumento em capital social.</p><p>67</p><p>CONTABILIDADE</p><p>1.4) Aumento de capital com reserva legal</p><p>Provocará uma transferência de reserva legal para capital social. Ocorre uma diminuição em reserva</p><p>legal e um aumento em capital social.</p><p>2) Reversão de reserva para contingências</p><p>Quando as razões que justificaram a constituição da reserva para contingências deixam de existir,</p><p>a Lei n. 6.404/1976 determina que essa reserva deve ser revertida para lucros acumulados. Ocorre uma</p><p>diminuição em reserva legal e um aumento em lucros acumulados.</p><p>3) Lucro líquido do exercício</p><p>Deve ser transferido para a conta lucros acumulados, o que provocará um aumento no patrimônio</p><p>líquido.</p><p>4) Constituição de reserva legal</p><p>Será constituída em 5% do lucro líquido do exercício:</p><p>300.000,00 × 5% = 15.000,00</p><p>Ocorre uma diminuição em lucros acumulados e um aumento em reserva legal.</p><p>5) Constituição de reserva estatutária</p><p>Será constituída, por determinação no estatuto social da empresa, em 10% do lucro líquido do exercício:</p><p>300.000,00 × 10% = 30.000,00</p><p>Ocorre uma diminuição em lucros acumulados e um aumento em reserva estatutária.</p><p>6) Constituição de reserva de lucros para expansão</p><p>A Lei n. 6.404/1976 prevê, no art. 196, a retenção de lucro para atender a projetos de investimento,</p><p>justificada pelo orçamento de capital da empresa. Ocorre uma diminuição em lucros acumulados e um</p><p>aumento em reserva de lucros para expansão.</p><p>7) Distribuição de dividendos obrigatórios</p><p>Parte do lucro é distribuído aos acionistas a título de dividendos obrigatórios. Provoca uma</p><p>diminuição em lucros acumulados – portanto, uma diminuição no patrimônio líquido. A contrapartida</p><p>será em dividendos a pagar no passivo circulante.</p><p>68</p><p>Unidade II</p><p>8) Ganhos em ativos financeiros mensurados ao valor justo por meio de outros resultados</p><p>abrangentes (disponíveis para venda) e tributos sobre esses ganhos</p><p>De acordo com o CPC 26 (R1), os ganhos e perdas em ativos financeiros mensurados ao valor justo</p><p>por meio de outros resultados abrangentes não devem transitar por contas de resultados, e sim ser</p><p>contabilizados diretamente no patrimônio líquido como outros resultados abrangentes, inclusive os</p><p>efeitos tributários sobre esses ganhos e perdas, como já explicado no item sobre a DRA.</p><p>Os ganhos provocam um aumento em outros resultados abrangentes e, em consequência, os</p><p>efeitos tributários provocam uma diminuição. As perdas causam uma diminuição em outros resultados</p><p>abrangentes e, em consequência, os efeitos tributários causam um aumento. A contrapartida será no</p><p>ativo, na conta aplicações em instrumentos financeiros.</p><p>9) Equivalência patrimonial sobre ganhos abrangentes de coligadas</p><p>A controladora, ao reconhecer a equivalência patrimonial em coligadas, quando essas coligadas</p><p>apresentam outros resultados abrangentes, deve contabilizar a sua participação também em outros</p><p>resultados abrangentes diretamente no patrimônio líquido.</p><p>Os ganhos provocam aumentos, e as perdas provocam diminuições em outros resultados</p><p>abrangentes. A contrapartida será em investimentos avaliados pela equivalência</p><p>patrimonial, no</p><p>ativo não circulante.</p><p>Observação</p><p>Os valores lançados em outros resultados abrangentes, no patrimônio</p><p>líquido, representam o espelho dos valores apresentados na DRA.</p><p>Agora, sim, podemos elaborar a DMPL.</p><p>69</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Ta</p><p>be</p><p>la</p><p>5</p><p>–</p><p>E</p><p>st</p><p>ru</p><p>tu</p><p>ra</p><p>d</p><p>a</p><p>DM</p><p>PL</p><p>: B</p><p>rin</p><p>qu</p><p>ed</p><p>os</p><p>&</p><p>C</p><p>om</p><p>pa</p><p>nh</p><p>ia</p><p>S</p><p>.A</p><p>.</p><p>Ca</p><p>pi</p><p>ta</p><p>l</p><p>so</p><p>ci</p><p>al</p><p>Re</p><p>se</p><p>rv</p><p>as</p><p>d</p><p>e</p><p>ca</p><p>pi</p><p>ta</p><p>l</p><p>Re</p><p>se</p><p>rv</p><p>as</p><p>d</p><p>e</p><p>lu</p><p>cr</p><p>o</p><p>Lu</p><p>cr</p><p>os</p><p>o</p><p>u</p><p>pr</p><p>ej</p><p>uí</p><p>zo</p><p>s</p><p>ac</p><p>um</p><p>ul</p><p>ad</p><p>os</p><p>Ou</p><p>tr</p><p>os</p><p>re</p><p>su</p><p>lta</p><p>do</p><p>s</p><p>ab</p><p>ra</p><p>ng</p><p>en</p><p>te</p><p>s</p><p>To</p><p>ta</p><p>l</p><p>Ág</p><p>io</p><p>n</p><p>a</p><p>em</p><p>iss</p><p>ão</p><p>de</p><p>a</p><p>çõ</p><p>es</p><p>Bô</p><p>nu</p><p>s</p><p>de</p><p>su</p><p>bs</p><p>cr</p><p>iç</p><p>ão</p><p>Le</p><p>ga</p><p>l</p><p>Es</p><p>ta</p><p>tu</p><p>tá</p><p>ria</p><p>Co</p><p>nt</p><p>in</p><p>gê</p><p>nc</p><p>ia</p><p>s</p><p>Lu</p><p>cr</p><p>os</p><p>p</p><p>ar</p><p>a</p><p>ex</p><p>pa</p><p>ns</p><p>ão</p><p>Sa</p><p>ld</p><p>os</p><p>in</p><p>ic</p><p>ia</p><p>is</p><p>50</p><p>0.</p><p>00</p><p>0</p><p>20</p><p>.0</p><p>00</p><p>25</p><p>.0</p><p>00</p><p>80</p><p>.0</p><p>00</p><p>40</p><p>.0</p><p>00</p><p>30</p><p>.0</p><p>00</p><p>-</p><p>-</p><p>10</p><p>5.</p><p>00</p><p>0</p><p>80</p><p>0.</p><p>00</p><p>0</p><p>Au</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>d</p><p>o</p><p>ca</p><p>pi</p><p>ta</p><p>l s</p><p>oc</p><p>ia</p><p>l</p><p>ef</p><p>et</p><p>ua</p><p>do</p><p>p</p><p>el</p><p>os</p><p>s</p><p>óc</p><p>io</p><p>s</p><p>80</p><p>.0</p><p>00</p><p>20</p><p>.0</p><p>00</p><p>10</p><p>0.</p><p>00</p><p>0</p><p>Au</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>d</p><p>e</p><p>ca</p><p>pi</p><p>ta</p><p>l c</p><p>om</p><p>in</p><p>co</p><p>rp</p><p>or</p><p>aç</p><p>ão</p><p>d</p><p>e</p><p>re</p><p>se</p><p>rv</p><p>as</p><p>55</p><p>.0</p><p>00</p><p>(1</p><p>0.</p><p>00</p><p>0)</p><p>(1</p><p>5.</p><p>00</p><p>0)</p><p>(3</p><p>0.</p><p>00</p><p>0)</p><p>-</p><p>Re</p><p>ve</p><p>rs</p><p>ão</p><p>d</p><p>e</p><p>re</p><p>se</p><p>rv</p><p>as</p><p>d</p><p>e</p><p>lu</p><p>cr</p><p>os</p><p>(2</p><p>0.</p><p>00</p><p>0)</p><p>20</p><p>.0</p><p>00</p><p>-</p><p>Ga</p><p>nh</p><p>os</p><p>e</p><p>m</p><p>a</p><p>tiv</p><p>os</p><p>fi</p><p>na</p><p>nc</p><p>ei</p><p>ro</p><p>s</p><p>50</p><p>.0</p><p>00</p><p>50</p><p>.0</p><p>00</p><p>Tr</p><p>ib</p><p>ut</p><p>os</p><p>so</p><p>br</p><p>e</p><p>ga</p><p>nh</p><p>os</p><p>e</p><p>m</p><p>at</p><p>iv</p><p>os</p><p>fi</p><p>na</p><p>nc</p><p>ei</p><p>ro</p><p>s</p><p>(1</p><p>5.</p><p>00</p><p>0)</p><p>(1</p><p>5.</p><p>00</p><p>0)</p><p>Eq</p><p>ui</p><p>va</p><p>lê</p><p>nc</p><p>ia</p><p>pa</p><p>tr</p><p>im</p><p>on</p><p>ia</p><p>l s</p><p>ob</p><p>re</p><p>g</p><p>an</p><p>ho</p><p>s</p><p>ab</p><p>ra</p><p>ng</p><p>en</p><p>te</p><p>s d</p><p>e</p><p>co</p><p>lig</p><p>ad</p><p>as</p><p>27</p><p>.0</p><p>00</p><p>27</p><p>.0</p><p>00</p><p>Lu</p><p>cr</p><p>o</p><p>líq</p><p>ui</p><p>do</p><p>d</p><p>o</p><p>ex</p><p>er</p><p>cí</p><p>ci</p><p>o</p><p>30</p><p>0.</p><p>00</p><p>0</p><p>30</p><p>0.</p><p>00</p><p>0</p><p>Pr</p><p>op</p><p>os</p><p>ta</p><p>p</p><p>ar</p><p>a</p><p>de</p><p>st</p><p>in</p><p>aç</p><p>ão</p><p>d</p><p>o</p><p>lu</p><p>cr</p><p>o</p><p>líq</p><p>ui</p><p>do</p><p>Re</p><p>se</p><p>rv</p><p>a</p><p>le</p><p>ga</p><p>l</p><p>Re</p><p>se</p><p>rv</p><p>a</p><p>es</p><p>ta</p><p>tu</p><p>tá</p><p>ria</p><p>Re</p><p>se</p><p>rv</p><p>a</p><p>de</p><p>lu</p><p>cr</p><p>os</p><p>p</p><p>ar</p><p>a</p><p>ex</p><p>pa</p><p>ns</p><p>ão</p><p>Di</p><p>st</p><p>rib</p><p>ui</p><p>çã</p><p>o</p><p>de</p><p>d</p><p>iv</p><p>id</p><p>en</p><p>do</p><p>s</p><p>15</p><p>.0</p><p>00</p><p>30</p><p>.0</p><p>00</p><p>20</p><p>6.</p><p>25</p><p>0</p><p>(1</p><p>5.</p><p>00</p><p>0)</p><p>(3</p><p>0.</p><p>00</p><p>0)</p><p>(2</p><p>06</p><p>.2</p><p>50</p><p>)</p><p>(6</p><p>8.</p><p>75</p><p>0)</p><p>- - -</p><p>(6</p><p>8.</p><p>75</p><p>0)</p><p>Sa</p><p>ld</p><p>os</p><p>fi</p><p>na</p><p>is</p><p>63</p><p>5.</p><p>00</p><p>0</p><p>30</p><p>.0</p><p>00</p><p>10</p><p>.0</p><p>00</p><p>65</p><p>.0</p><p>00</p><p>70</p><p>.0</p><p>00</p><p>10</p><p>.0</p><p>00</p><p>20</p><p>6.</p><p>25</p><p>0</p><p>-</p><p>16</p><p>7.</p><p>00</p><p>0</p><p>1.</p><p>19</p><p>3.</p><p>25</p><p>0</p><p>70</p><p>Unidade II</p><p>4.2 Demonstração dos fluxos de caixa (DFC)</p><p>A DFC, a partir de 1/1/2008, passou a ser uma demonstração obrigatória, conforme estabelece a</p><p>Lei n. 11.638/2007, que alterou a Lei n. 6.404/1976.</p><p>Ao se tornar uma demonstração contábil obrigatória, a DFC passou a seguir a orientação do Iasb,</p><p>órgão que estabelece as normas internacionais de contabilidade, e do Financial Accounting Standards</p><p>Board (Fasb), órgão normatizador das práticas contábeis americanas, engajando-se nas práticas dos</p><p>principais mercados financeiros internacionais.</p><p>Para adequar a elaboração e a apresentação da DFC aos requisitos do Iasb, o CPC (2010a) publicou o</p><p>CPC 03 (R2), com o objetivo de fornecer informações sobre como a entidade gera caixa e equivalentes</p><p>de caixa e como utiliza esses fluxos de caixa.</p><p>Saiba mais</p><p>O intuito da DFC é prover os usuários com informações relevantes</p><p>sobre as entradas e saídas de recursos de uma entidade ocorridos durante</p><p>determinado período. Para mais informações, consulte o CPC 03 (R2).</p><p>CPC. Pronunciamento Técnico CPC 03 (R2): demonstração dos fluxos de</p><p>caixa. 2010a. Disponível em: https://bit.ly/3jAb32e. Acesso em: 4 abr. 2022.</p><p>4.2.1 Conceito da DFC</p><p>A DFC é uma demonstração contábil que explica as modificações ocorridas no saldo de caixa e</p><p>equivalentes de caixa da empresa em determinado período, por meio da exposição dos fluxos de</p><p>recebimento, registrados a débito (aumentos), e de pagamento, registrados a crédito (reduções), da</p><p>conta caixa.</p><p>O CPC 03 (R2) alterou o conceito de caixa para caixa e equivalentes de caixa. Com essa mudança,</p><p>passaram a ser compreendidos:</p><p>• os recursos disponíveis em caixa;</p><p>• os recursos disponíveis nas contas-correntes bancárias;</p><p>• as aplicações financeiras conversíveis imediatamente em moeda.</p><p>4.2.2 Estrutura da DFC</p><p>Considerando-se a estrutura como forma de apresentação, a DFC deve ser estruturada por grupos</p><p>de atividades, relacionando os pagamentos e recebimentos de caixa com a natureza das operações.</p><p>Os fluxos de caixa estão separados em três grupos de atividades:</p><p>71</p><p>CONTABILIDADE</p><p>• atividades operacionais;</p><p>• atividades de investimento;</p><p>• atividades de financiamento.</p><p>Atividades operacionais</p><p>As atividades operacionais estão diretamente relacionadas com a DRE e devem corresponder às</p><p>entradas e saídas de caixa e equivalentes referentes às principais operações da empresa. Por exemplo:</p><p>• Entradas</p><p>— recebimentos de vendas (à vista e a prazo);</p><p>— recebimentos de outras receitas (aluguéis, juros);</p><p>— recebimentos de indenização por sinistros e sentenças judiciais;</p><p>— outros recebimentos decorrentes das atividades operacionais da empresa.</p><p>• Saídas</p><p>— pagamentos de compras (fornecedores em geral);</p><p>— pagamentos de despesas (salários, aluguéis, impostos, juros);</p><p>— outros pagamentos relacionados às atividades operacionais da empresa.</p><p>Atividades de investimento</p><p>As atividades de investimento estão diretamente relacionadas às operações que provocam aumentos</p><p>e diminuições aos ativos de vida útil longa, utilizados na produção de bens e serviços, bem como à</p><p>aquisição de títulos e valores de outras sociedades, classificados no ativo não circulante. Por exemplo:</p><p>• Entradas</p><p>— recebimentos do principal de empréstimos e financiamentos concedidos;</p><p>— recebimentos de alienação e participação societárias;</p><p>— recebimentos de alienação de títulos de investimentos;</p><p>— recebimentos da venda de imobilizado e outros ativos utilizados na produção de bens e serviços.</p><p>72</p><p>Unidade II</p><p>• Saídas</p><p>— desembolsos dos empréstimos concedidos pela empresa a coligadas, controladas e acionistas;</p><p>— pagamentos na compra de títulos de investimento de outras entidades;</p><p>— pagamentos na compra de títulos patrimoniais de outras sociedades;</p><p>— pagamentos à vista referentes à compra de imóveis, máquinas etc.</p><p>Atividades de financiamento</p><p>As atividades de financiamento estão diretamente relacionadas às operações de captação de</p><p>recursos próprios e de recursos de terceiros, assim como ao pagamento e à remuneração desses recursos.</p><p>Por exemplo:</p><p>• Entradas</p><p>— integralização do capital em dinheiro;</p><p>— recebimentos em dinheiro de reservas de capital;</p><p>— recebimentos de empréstimos e financiamentos.</p><p>• Saídas</p><p>— pagamentos de empréstimos e financiamentos contraídos;</p><p>— pagamentos de dividendos;</p><p>— pagamento do principal de imobilizado adquirido a prazo e pagamento do principal de</p><p>arrendamento financeiro.</p><p>Saiba mais</p><p>Para outra visão do assunto, consulte o livro indicado a seguir. O autor</p><p>argumenta que a intitulação DFC não é a mais correta, uma vez que engloba</p><p>as contas de caixa e bancos. Dessa forma, seria mais adequado usar o termo</p><p>demonstração do fluxo disponível.</p><p>MARION, J. C. Contabilidade empresarial: instrumento de análise,</p><p>gerência e decisão. 18. ed. São Paulo: Atlas, 2018.</p><p>73</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Transações que não afetam o caixa</p><p>Observemos, agora, algumas transações que não afetam o caixa da empresa, em virtude de não</p><p>haver pagamento nem recebimento:</p><p>• depreciação, amortização e exaustão (reduções do ativo que não afetam o caixa);</p><p>• perdas estimadas para créditos de liquidação duvidosa (eventuais perdas com clientes que não</p><p>representam desembolso para a empresa);</p><p>• reavaliação (não é algo permitido pela atual legislação);</p><p>• ganhos ou perdas com investimentos (participações) com base na aplicação do método da</p><p>equivalência patrimonial.</p><p>4.2.3 Métodos de elaboração da DFC</p><p>Existem dois métodos para a elaboração da DFC: direto e indireto. As diferenças entre ambos</p><p>estão exatamente no fluxo das atividades operacionais. O fluxo das atividades de investimento e</p><p>financiamento é demonstrado de forma idêntica nos dois métodos.</p><p>4.2.3.1 Método direto</p><p>A elaboração da DFC pelo método direto mostra todos os recebimentos e pagamentos que</p><p>contribuíram para a variação do caixa e equivalentes de caixa no período.</p><p>Observação</p><p>Segundo Marion (2018b), a DFC pelo método direto é também</p><p>denominada fluxo de caixa no sentido restrito. Muitos se</p><p>referem a ele</p><p>como o verdadeiro fluxo de caixa.</p><p>Essa metodologia divulga informações mais complexas para o usuário da contabilidade. A estrutura</p><p>da DFC pelo método direto pode ser exemplificada da seguinte forma (quadro a seguir):</p><p>74</p><p>Unidade II</p><p>Quadro 11</p><p>Estrutura da DFC – método direto</p><p>Fluxo das atividades operacionais</p><p>(+) Recebimentos de clientes (ajuste 1)</p><p>(+) Recebimentos de dividendos e juros</p><p>(+) Outros recebimentos provenientes das operações</p><p>(–) Pagamentos a fornecedores (ajuste 2)</p><p>(–) Pagamentos de despesas operacionais (ajuste 3)</p><p>(–) Pagamentos de despesas antecipadas (ajuste 4)</p><p>(–) Pagamentos de impostos e contribuições</p><p>(–) Outros pagamentos decorrentes das operações</p><p>Fluxo das atividades de investimento</p><p>(+) Recebimentos do principal de empréstimos e financiamentos concedidos</p><p>(+) Recebimentos provenientes do resgate de investimentos temporários</p><p>(+) Recebimentos provenientes da alienação de bens do imobilizado</p><p>(+) Recebimentos provenientes da alienação de investimentos permanentes</p><p>(–) Desembolsos de empréstimos e financiamentos concedidos</p><p>(–) Pagamentos na aquisição à vista de investimentos permanentes</p><p>(–) Pagamentos na aquisição à vista de bens do imobilizado</p><p>(–) Pagamentos na aquisição à vista de itens do intangível</p><p>(–) Pagamentos na aquisição de investimentos temporários</p><p>Fluxo das atividades de financiamento</p><p>(+) Recebimentos provenientes da realização de capital em moeda</p><p>(+) Recebimentos provenientes de empréstimos e financiamentos obtidos</p><p>(+) Outros recebimentos provenientes de financiamentos</p><p>(–) Pagamentos do principal de empréstimos e financiamentos obtidos</p><p>(–) Outros pagamentos decorrentes das atividades de financiamento</p><p>(=) Variação de caixa e equivalentes de caixa no período</p><p>Saldo final de caixa e equivalentes de caixa</p><p>(–) Saldo inicial de caixa e equivalentes de caixa</p><p>(=) Variação de caixa e equivalentes de caixa no período</p><p>Vejamos agora os ajustes mencionados na estrutura da DFC como meio de mensurar alguns</p><p>itens das atividades operacionais e de investimento.</p><p>Recebimentos de clientes (ajuste 1)</p><p>O valor dessa atividade operacional pode ser obtido pela seguinte soma algébrica:</p><p>Vendas do exercício</p><p>(+) Saldo inicial de duplicatas a receber</p><p>(–) Saldo final de duplicatas a receber</p><p>= Total dos recebimentos de clientes no exercício</p><p>75</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Exemplo de aplicação</p><p>Suponhamos que determinada empresa tenha os seguintes saldos:</p><p>Duplicatas a receber Saldo inicial 30</p><p>Duplicatas descontadas Saldo inicial 20</p><p>Duplicatas a receber Saldo final 22</p><p>Duplicatas descontadas Saldo final 17</p><p>Vendas 100</p><p>As duplicatas descontadas são classificadas no passivo circulante. Para efeitos de elaboração de</p><p>DFC, a variação ocorrida nessa conta deve ser classificada nas atividades operacionais em item próprio,</p><p>separado de recebimentos de clientes.</p><p>1) Recebimentos de clientes</p><p>Vendas do exercício 100</p><p>(+) Saldo inicial de duplicatas a receber 30</p><p>(–) Saldo final de duplicatas a receber (22)</p><p>= Recebimentos de clientes 108</p><p>2) Duplicatas descontadas</p><p>Saldo final de duplicatas descontadas 17</p><p>(–) Saldo inicial de duplicatas descontadas (20)</p><p>Variação em duplicatas descontadas (3)</p><p>Recebimentos de clientes (ajuste 1) com perdas estimadas para créditos de liquidação</p><p>duvidosa (PECLD)</p><p>Se os clientes da empresa não pagaram seus compromissos, a perda com esses clientes deve ser</p><p>deduzida da soma algébrica indicada no item anterior para que se obtenha o valor correto recebido</p><p>pelas vendas, uma vez que esse recurso não ingressou no caixa da empresa. Assim, teremos:</p><p>76</p><p>Unidade II</p><p>Vendas do exercício</p><p>(+) Saldo inicial de duplicatas a receber</p><p>(–) Saldo final de duplicatas a receber</p><p>(–) Baixa de incobráveis</p><p>= Total de recebimentos de clientes do exercício</p><p>Exemplo de aplicação</p><p>Vendas do exercício 1.000</p><p>Saldo inicial de duplicatas a receber 600</p><p>Saldo final de duplicatas a receber 1.080</p><p>Saldo inicial de PECLD 30</p><p>Saldo final de PECLD 54</p><p>Despesas com PECLD 44</p><p>Quando existe saldo em PECLD, inicialmente precisamos calcular as perdas com duplicatas incobráveis.</p><p>1) Baixa de duplicatas incobráveis</p><p>Saldo inicial de PECLD 30</p><p>(+) Despesas com PECLD 44</p><p>(–) Saldo final de PECLD 54</p><p>Baixa de duplicatas incobráveis 20</p><p>2) Recebimentos de clientes</p><p>Vendas do exercício 1.000</p><p>(+) Saldo inicial de duplicatas a receber 600</p><p>(–) Baixa de duplicatas incobráveis (20)</p><p>(–) Saldo final de duplicatas a receber (1.080)</p><p>Recebimentos de clientes 500</p><p>77</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Pagamentos a fornecedores (ajuste 2)</p><p>Os pagamentos feitos a fornecedores são obtidos de maneira análoga à dos recebimentos de</p><p>clientes, ou seja, toma-se o valor das compras no exercício e ajusta-se pela variação dos saldos da</p><p>conta fornecedores.</p><p>Para empresas comerciais</p><p>O valor das compras em empresas comerciais pode ser obtido pela fórmula:</p><p>C = CMV – EI + EF</p><p>Onde:</p><p>• C: compras</p><p>• CMV: custo das mercadorias vendidas</p><p>• EI: estoque inicial</p><p>• EF: estoque final</p><p>Exemplo de aplicação</p><p>A empresa X apresenta os seguintes dados, extraídos de seus demonstrativos contábeis (BP e DRE):</p><p>Saldo inicial da conta fornecedores 100</p><p>Saldo final da conta fornecedores 130</p><p>Saldo inicial da conta mercadorias 200</p><p>Saldo final da conta mercadorias 190</p><p>Custo das mercadorias vendidas 500</p><p>O valor das compras efetuadas no exercício (C) é:</p><p>1) Cálculo das compras (utiliza-se o saldo da conta de estoque de mercadorias)</p><p>C = CMV – EI + EF</p><p>C = 500 – 200 + 190 = 490</p><p>O valor pago a fornecedores no exercício é:</p><p>Compras do exercício 490</p><p>78</p><p>Unidade II</p><p>2) Cálculo do pagamento a fornecedores</p><p>(+) Saldo inicial de fornecedores 100</p><p>(+) Compras 490</p><p>(–) Saldo final de fornecedores (130)</p><p>= Pagamentos a fornecedores 460</p><p>Para empresas industriais</p><p>O valor das compras em empresas industriais pode ser obtido utilizando-se a fórmula seguinte para</p><p>descobrir o custo dos produtos vendidos (CPV):</p><p>Estoque inicial de materiais</p><p>(+) Compras de materiais</p><p>(–) Estoque final de materiais</p><p>= Materiais consumidos (MAT)</p><p>(+) Mão de obra direta (MOD)</p><p>(+) Custos indiretos de fabricação (CIF)</p><p>= Custo de produção do período (CPP)</p><p>(+) Estoque inicial de produtos em elaboração (Eipe)</p><p>(–) Estoque final de produtos em elaboração (Efpe)</p><p>= Custo da produção acabada (CPA)</p><p>(+) Estoque inicial de produtos acabados (Eipa)</p><p>(–) Estoque final de produtos acabados (Efpa)</p><p>= Custo dos produtos vendidos (CPV)</p><p>79</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Observação</p><p>Uma vez obtido o valor da compra de materiais, utiliza-se de maneira</p><p>semelhante a fórmula empregada para as empresas comerciais e obtém-se</p><p>o valor pago a fornecedores no exercício.</p><p>Pagamentos de despesas operacionais (ajuste 3) e de despesas antecipadas (ajuste 4)</p><p>Os pagamentos de despesas no exercício englobam:</p><p>• as despesas operacionais incorridas em exercícios anteriores e pagas no exercício corrente;</p><p>• as despesas operacionais incorridas e pagas no próprio exercício;</p><p>• as despesas operacionais pagas no exercício corrente e ainda não incorridas (antecipadas).</p><p>Por outro lado, esses pagamentos não englobam:</p><p>• os valores de despesas incorridas no presente exercício a serem pagas no exercício seguinte;</p><p>• as despesas pagas em exercícios anteriores que foram transferidas para o resultado do exercício atual;</p><p>• os valores de despesas que foram incorridas no período, mas que não representam saídas de caixa</p><p>(depreciação, exaustão, amortização, saldo devedor de equivalência patrimonial).</p><p>Supondo-se que todas as despesas operacionais transitaram pelas contas a pagar, o pagamento de</p><p>despesas do exercício pode ser obtido da seguinte forma:</p><p>Despesas operacionais incorridas no exercício</p><p>(+) Saldo inicial de contas a pagar</p><p>(–) Saldo final de contas a pagar</p><p>(–) Despesas que não implicam desembolso</p><p>(–) Transferência de despesas antecipadas para o resultado do exercício</p><p>= Desembolso com despesas operacionais já incorridas</p><p>(+) Valor transferido de despesas antecipadas para o resultado do exercício</p><p>80</p><p>Unidade II</p><p>(–) Saldo inicial de despesas antecipadas</p><p>(+) Saldo final de despesas antecipadas</p><p>= Pagamentos de despesas operacionais e de despesas antecipadas no exercício</p><p>Exemplo de aplicação</p><p>A empresa Beta S.A. apresentou os seguintes dados referentes a despesas operacionais e despesas</p><p>antecipadas:</p><p>Tabela 6 – Despesas operacionais</p><p>Saldo inicial de contas a pagar 300</p><p>Saldo final de contas a pagar 280</p><p>Saldo inicial de despesas antecipadas 60</p><p>Saldo final de despesas antecipadas 70</p><p>Despesas operacionais incorridas 850</p><p>Transferência de despesas antecipadas para</p><p>despesas operacionais 40</p><p>Despesas que não implicaram desembolso 120 (depreciação 90 e</p><p>equivalência patrimonial 30</p><p>A movimentação do caixa e das contas correlatas pode ser decomposta assim:</p><p>a) A empresa pagou o saldo de contas a pagar no início do exercício.</p><p>b) O saldo inicial de despesas antecipadas era de 60, e o final, de 70. Como houve no exercício uma</p><p>transferência de 40 de despesas antecipadas para o resultado (o que não afetou o saldo de caixa),</p><p>concluiu-se que a empresa pagou 50 de despesas antecipadas.</p><p>c) As despesas de depreciação e equivalência patrimonial não afetam o caixa e tiveram um</p><p>valor de 120. As despesas do exercício que teriam implicado desembolso equivalem a 690</p><p>(850 – (120 + 40)).</p><p>d) Como havia um saldo final de 280 em contas a pagar, e as despesas operacionais incorridas e pagas</p><p>no exercício somam 410 (690 – 280), no razonete os desembolsos de caixa para o pagamento das</p><p>despesas operacionais seriam:</p><p>Caixa e equivalentes de caixa</p><p>300 (a)</p><p>50 (b)</p><p>410 (d)</p><p>760</p><p>81</p><p>CONTABILIDADE</p><p>O mesmo valor de 760 poderia ser encontrado aplicando-se a fórmula mostrada na tabela a seguir.</p><p>Tabela 7 – Demonstração do pagamento de</p><p>despesas operacionais e antecipadas</p><p>Despesas operacionais incorridas 850</p><p>(+) Saldo inicial de contas a pagar 300</p><p>(–) Saldo final de contas a pagar (280)</p><p>(–) Despesas efetuadas sem desembolso (120)</p><p>(–) Transferência de despesas antecipadas para o resultado (40)</p><p>= Desembolso com despesas operacionais 710</p><p>(+) Transferência de despesas antecipadas para o resultado 40</p><p>(–) Saldo inicial de despesas antecipadas (60)</p><p>(+) Saldo final de despesas antecipadas 70</p><p>= Desembolso total com despesas 760</p><p>Resumidamente, temos:</p><p>Pagamento de despesas antecipadas 50</p><p>Pagamento de despesas operacionais 710</p><p>Total 760</p><p>4.2.3.2 Método indireto</p><p>Marion (2018b, p. 466) define o método indireto da seguinte forma:</p><p>O fluxo obtido sob essa concepção é denominado fluxo de caixa pelo método</p><p>indireto ou fluxo de caixa no sentido amplo. Isso se explica pela análise dos</p><p>fundamentos de sua elaboração.</p><p>Consiste em estender à análise dos itens não circulantes – própria daquele</p><p>relatório – as alterações ocorridas nos itens circulantes (passivo e ativo</p><p>circulante), excluindo, logicamente, as disponibilidades, cuja variação</p><p>estamos buscando demonstrar.</p><p>Assim, são efetuados ajustes ao lucro líquido pelo valor das operações</p><p>consideradas como receitas ou despesas, mas que, então, não afetaram</p><p>as disponibilidades, de forma que se possa demonstrar sua variação no</p><p>período. Enfocando o caixa, consideramos como aplicações (saídas) do</p><p>caixa o aumento nas contas do ativo circulante e a diminuição no passivo</p><p>82</p><p>Unidade II</p><p>circulante. Por outro lado, a diminuição do ativo circulante e o aumento nas</p><p>contas do passivo circulante correspondem às origens (entradas) de caixa.</p><p>Apesar de evidenciar a variação ocorrida nas disponibilidades, o fluxo</p><p>estruturado dessa maneira não demonstra as diversas entradas e saídas de</p><p>dinheiro do caixa por seus valores efetivos, mas fornece uma simplificação</p><p>com base em uma diferença de saldos ou inclusão de alguns itens que</p><p>não afetam as disponibilidades, como despesas antecipadas, provisão para</p><p>imposto de renda etc.</p><p>Esse modelo é muitas vezes preferido por aqueles que elaboram o fluxo</p><p>de caixa, justamente pelas semelhanças existentes em relação ao método de</p><p>montagem da demonstração de origens e aplicações de recursos, com o qual</p><p>estão mais habituados. Entretanto, deixa lacunas importantes na evidenciação</p><p>das informações.</p><p>Nesse método, também conhecido como método da reconciliação, a DFC é elaborada a partir do</p><p>resultado do exercício, efetuando-se ajustes para:</p><p>• somar ao resultado todas as despesas que não representam desembolso de caixa e equivalentes</p><p>de caixa (depreciação, amortização, exaustão, gastos em constituição de provisão, perda com a</p><p>venda de itens do imobilizado, perda com a aplicação do método da equivalência patrimonial) e</p><p>diminuir todas as receitas que não impliquem entrada de caixa e equivalentes de caixa (reversão</p><p>de provisões, ganhos na venda de itens do imobilizado, ganhos com a aplicação do método da</p><p>equivalência patrimonial) – dessa forma, apura-se o resultado ajustado;</p><p>• excluir do resultado ajustado a parcela que foi aplicada no aumento de outros bens e direitos</p><p>do AC (exceto caixa e equivalentes de caixa ) ou na diminuição das obrigações do PC e</p><p>somar os recursos advindos da diminuição do AC (exceto caixa e equivalentes de caixa ) e do</p><p>aumento do PC.</p><p>O fluxo de caixa das atividades de investimento e financiamento é igual ao do método direto.</p><p>A estrutura da DFC pelo método indireto é (quadro a seguir):</p><p>83</p><p>CONTABILIDADE</p><p>Quadro 12</p><p>Estrutura da DFC – método indireto</p><p>1. Fluxo de caixa das atividades operacionais</p><p>Lucro líquido do exercício</p><p>(+) Despesas de depreciação, amortização e exaustão</p><p>(+) Despesas financeiras de longo prazo</p><p>(+) Despesas com constituição de provisões</p><p>(–) Reversão de provisões</p><p>(+/–) Resultado na venda de ativos não circulantes</p><p>(+/–) Resultado de equivalência patrimonial</p><p>(=) Resultado ajustado</p><p>(+) Reduções nos saldos das contas do ativo circulante (incluir clientes de longo prazo)</p><p>(–) Acréscimos nos saldos das contas do ativo circulante (incluir clientes de longo prazo)</p><p>(+) Acréscimos nos saldos das contas do passivo circulante</p><p>(–) Reduções nos saldos das contas do passivo circulante</p><p>(=) Caixa líquido gerado (consumido) nas atividades operacionais</p><p>2. Fluxo de caixa das atividades de investimento</p><p>Igual ao do método direto</p><p>3. Fluxo de caixa das atividades de financiamento</p><p>Igual ao do método direto</p><p>4. Aumento (redução) no caixa e equivalentes de caixa (1+/–2+/–3)</p><p>5. Saldo inicial de caixa e equivalentes de caixa</p><p>6. Saldo final de caixa e equivalentes de caixa</p><p>7. Aumento (redução) de caixa e equivalentes de caixa</p><p>Observação</p><p>O valor do aumento ou redução no caixa e equivalentes de caixa deve</p><p>ser exatamente igual à diferença entre o saldo inicial e o saldo final de</p><p>caixa e equivalentes de caixa. Portanto, o valor do item 4 da estrutura da</p><p>DFC deve ser igual ao do item 7.</p><p>4.3 Demonstração do valor adicionado (DVA)</p><p>4.3.1 Obrigatoriedade</p><p>A DVA passou a ser obrigatória, para as companhias abertas, pela Lei n. 11.638/2007, que alterou o</p><p>art. 176 da Lei n. 6.404/1976.</p><p>Para orientar a elaboração e apresentação da DVA, o CPC emitiu o CPC 09, transformado na NBC TG 09</p><p>pelo CFC. Portanto, passou a ser exigida para os profissionais de contabilidade que atuam em entidades não</p><p>sujeitas a regulamentação contábil específica.</p><p>84</p><p>Unidade II</p><p>4.3.2 Conceito e objetivo da DVA</p><p>O conceito da DVA é apresentado no item 9 do CPC 09:</p><p>Valor adicionado representa a riqueza criada pela empresa, de forma geral</p><p>medida pela diferença entre o valor das vendas e os insumos adquiridos de</p><p>terceiros. Inclui também o valor adicionado recebido em transferência, ou</p><p>seja, produzido por terceiros e transferidos à entidade (CPC, 2008).</p><p>O objetivo da DVA é evidenciar a riqueza gerada pela empresa, ou seja, quanto ela adicionou de</p><p>valor aos seus fatores de produção e como essa riqueza foi distribuída entre os setores que, direta ou</p><p>indiretamente, contribuíram para a formação dela.</p><p>A DVA contribuiu de forma significativa para o avanço da ciência contábil</p>como a empresa gerou riqueza, ou seja, valor adicionado, e como esse valor foi distribuído entre os diversos setores que, de alguma forma, contribuíram para a geração dele. 89 CONTABILIDADE Exercícios Questão 1. Vimos, no livro-texto, que o balanço patrimonial é uma demonstração contábil que expressa a posição financeira e patrimonial de uma entidade ao fim de cada exercício social. Também observamos que o balanço patrimonial é composto por: • ativo; • passivo; • patrimônio líquido. Em relação ao exposto, avalie as afirmativas. I – O ativo engloba os bens e os direitos de uma entidade. Inclui todos os valores que ela tem em caixa, em conta bancária e em aplicações, os valores que ela ainda vai receber de clientes, os estoques, as máquinas e os equipamentos. II – O passivo engloba as obrigações da entidade com terceiros. Inclui o pagamento de fornecedores, a folha de pagamento, os impostos e os empréstimos bancários. III – O patrimônio líquido engloba os recursos próprios da entidade. Inclui o capital social, as reservas de lucros criadas e os prejuízos acumulados. É correto o que se afirma em: A) I e II, apenas. B) II e III, apenas. C) I e III, apenas. D) I, apenas. E) I, II e III. Resposta correta: alternativa E. 90 Unidade II Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: segundo o CPC 00 (R2), o ativo corresponde aos recursos econômicos presentes controlados pela entidade como resultado de eventos passados. Vale destacar que recurso econômico é definido como um direito que tem o potencial de produzir benefícios econômicos, como direito de receber caixa, direito de receber produtos ou serviços, e direito de trocar recursos econômicos com outra parte em condições favoráveis. Podemos dizer que o ativo é representado pelos bens e direitos. II – Afirmativa correta. Justificativa: segundo o CPC 00 (R2), o passivo corresponde às obrigações presentes da entidade de transferir recursos econômicos como resultado de eventos passados. Para haver o reconhecimento da existência do passivo, há três critérios a serem atendidos: existe uma obrigação; essa obrigação é transferir um recurso econômico; e a obrigação presente é resultado de eventos passados. Podemos dizer que o passivo é representado pelas obrigações. III – Afirmativa correta. Justificativa: segundo o CPC 00 (R2), o patrimônio líquido corresponde à participação residual nos ativos da entidade após a dedução de todos os seus passivos. Podemos dizer que o patrimônio líquido representa os ativos líquidos dos passivos. Questão 2. Suponha que a empresa Doce Sabor tenha R$ 220.000,00 em ativos e R$ 70.000,00 em passivos. Imagine que essa empresa pague, agora, todas as suas obrigações e distribua o restante igualmente entre os três sócios. Para essa situação, o patrimônio líquido da Doce Sabor é igual a: A) R$ 30.000,00. B) R$ 50.000,00. C) R$ 70.000,00. D) R$ 150.000,00. E) R$ 250.000,00. Resposta correta: alternativa D. 91 CONTABILIDADE Análise da questão Vimos, no livro-texto, que a equação fundamental do patrimônio é dada por: PL = A – P Na equação: • PL: patrimônio líquido. • A: ativo. • P: passivo. No caso, temos A = R$ 220.000,00 e P = R$ 70.000,00. Logo: PL = A – P = R$ 220.000,00 – R$ 70.000,00 = R$ 150.000,00. Concluímos que, para a situação exposta, o patrimônio líquido é igual a R$ 150.000,00.