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SAÚDE MENTAL 
Prof.: Emmanuely De-Nardin 
Aluna: Camila de Aguiar Lima Fernandes 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Saúde Mental 
 
 
Medicina – 8º Período / PUC CONTAGEM 
PROFESSORA: EMMANUELY DE-NARDIN 
Aluna: Camila de Aguiar Lima Fernandes 
2º SEMESTRE/2023 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SAÚDE MENTAL 
Prof.: Emmanuely De-Nardin 
Aluna: Camila de Aguiar Lima Fernandes 
2 
 
ÍNDICE DAS AULAS 
 
I. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................................ 3 
II. TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE ........................................................................................................................ 10 
III. ESQUIZOFRENIA ....................................................................................................................................................... 31 
IV. ANTIPSICÓTICOS ..................................................................................................................................................... 49 
V. TRANSTORNOS DO HUMOR ...................................................................................................................................... 57 
VI. ANTIDEPRESSIVOS E ESTABILIZADORES DE HUMOR .............................................................................................. 68 
VII. TRANSTORNOS DE ANSIEDADE .............................................................................................................................. 80 
VIII. ANSIOLÍTICOS ....................................................................................................................................................... 93 
IX. TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE (TDAH) .................................................................... 99 
X. AUTISMO ................................................................................................................................................................... 114 
XI.TRANSTORNOS NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA .................................................................................................... 127 
XII. TRANSTORNOS POR SUBSTÂNCIAS ....................................................................................................................... 133 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SAÚDE MENTAL 
Prof.: Emmanuely De-Nardin 
Aluna: Camila de Aguiar Lima Fernandes 
3 
 
* 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
I. INTRODUÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SAÚDE MENTAL 
Prof.: Emmanuely De-Nardin 
Aluna: Camila de Aguiar Lima Fernandes 
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INTRODUÇÃO 
 
- Desafio da saúde mental: análise de casos sutis. 
- Normalmente, 60% dos depressivos respondem aos antidepressivos – 40% não! 
- Psiquiatria é uma especialidade médica, mas saúde mental é uma grande área. 
- Vamos estudar a assistência em saúde mental: exame do estado mental, diagnóstico em psiquiatria, 
psicofarmacologia. 
 
POR QUE ESTUDAR SAÚDE MENTAL? 
 
- Entender o percurso histórico e como chegamos até o modo de pensar a saúde mental hoje. 
- Cuidar, prevenir e promover a nossa saúde mental e a dos pacientes. 
 
- Conceito de saúde mental segundo OMS: “Um estado de bem-estar no qual o indivíduo é capaz de 
usar suas próprias habilidades, recuperar-se do estresse rotineiro, ser produtivo e contribuir com sua 
comunidade”. Quem tem saúde mental? 
 
- A saúde mental é particular, pois o indivíduo, com sua constituição biológica, no meio em que vive, 
interpreta o mundo através dos seus traços subjetivos e morais. 
 
 
PERCURSO HISTÓRICO E CORTES EPISTEMOLÓGICOS DA PSIQUIATRIA 
 
- O objetivo não é uma narrativa cronológica, mas sim epistemológica (entre saber e prática), para nos 
auxiliar a entendermos o presente. 
- É importante que o sujeito seja interpretado em seu meio. O meio, por sua vez, varia ao longo da 
história. 
SAÚDE MENTAL 
Prof.: Emmanuely De-Nardin 
Aluna: Camila de Aguiar Lima Fernandes 
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* O FENÔMENO PSÍQUICO 
 
- Precisa ser interpretado de modo individual, a partir de elementos biológicos e psicossociais. 
- É uma casca que encobre uma realidade pouco material. 
- Precisa ser considerado através de eixos que se intercruzam em um momento e em relação aos outros 
fenômenos, com partes tanto reacionais como endógenas. 
- Ao longo do tempo, os recortes epistemológicos significaram tentativas de: 
• Nomear os fenômenos. 
• Descrever os fenômenos. 
• Classificar os fenômenos. 
• Compreender os fenômenos. 
• Delimitar os fenômenos. 
• Eliminar os fenômenos. 
 
* ENTENDENDO OS RECORTES EPISTEMOLÓGICOS 
 
- Ao longo do tempo e história, foram delimitados recortes sobre a saúde mental: 
 
 
- Antes do primeiro recorte, na era medieval, o fenômeno mental 
era considerado sobrenatural e tratado através de métodos de 
tortura. 
• Loucos herdavam os mesmos lugares que leprosos e hereges, 
além de não merecerem o Reino do Céu, assim como os bruxos. 
• Projeto de limpeza para todos os loucos que não participavam do 
mercado de trabalho (A Nau dos Insensatos). 
SAÚDE MENTAL 
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- De 1656 até meados do século XIX, o fenômeno mental implicava em: 
• Exclusão social. 
• Confinamento solitário. 
• Higienização social. 
• Acorrentados (em corpo e mente, para a volta da razão). 
 
→ Recorte clínico-descritivo 
 
- Philippe Pinel (1745-1826): médico francês que desempenhou um papel 
fundamental na reforma dos tratamentos de saúde mental, promovendo a abordagem 
humanitária e retirando as correntes dos pacientes em hospitais psiquiátricos. 
- Foi iniciada a noção de doença mental. Assim, a psiquiatria pode ser um ramo da 
medicina. 
• Início da observação como modo descritivo (nomear e descrever os fenômenos). 
• Início das bases científicas da psiquiatria. 
 
→ Recorte anatomopatológico 
 
- Para se desviar da concepção sobrenatural, o fenômeno mental foi reduzido ao corpo. 
- Acompanha a incorporação do modelo anatomopatológico na medicina científica. 
- Guias: psiquiatria biológica e o ideal neuroanatômico para todas as doenças. 
- Segundo Wilhelm Griesinger (1817-1868): “Toda doença mental é uma doença 
cerebral”. 
- Porém, embora alguns achados fossem repetidos, não eram encontradas alterações 
específicas das doenças. 
 
→ Recorte nosológico-clínico 
 
- Emil Kraepelin (1856-1926): é conhecido como o fundador da psiquiatria moderna, 
pois desenvolveu uma das primeiras classificações sistemáticas de transtornos mentais 
na tentativa de classificar os fenômenos. 
- Estabeleceu que unidades de análise devem representar a mesma forma para todos os 
observadores: fenômenos só são úteis em sua confiabilidade científica. 
- A loucura passa então ao domínio da ciência. Devemos buscar continuamente que o 
tratamento seja mais humanizado. 
 
 
SAÚDE MENTAL 
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- Não basta descrever, é preciso classificar por padrões de apresentação (síndromes). 
• Atenção: a presença de sinais e sintomas não caracteriza um transtorno (não há sintoma 
patognomônico). Um transtorno como categoria patológica implica em sofrimento intenso. 
• O teste soma à avaliação clínica. Mas se o paciente clinicamente sofre muito, não precisa pedir testes, 
a clínica é soberana. 
- Estudo da família (precursor da genética) e do curso (prognóstico). 
• Atenção: a história genética pode ser negativa e mesmo assim haver um precursor. 
 
- Segundo Benjamin Rush: “O terror atua poderosamente sobre o corpo através da comunicação da 
mente, e deve ser empregue na cura da loucura”. Nesse contexto, algumas técnicas absurdas eram 
comumente usadas antigamente. 
• Suspender as funções vitais (via submersão) faz o louco voltar à razão. 
• Histerectomia para reduzirdepois da 1ª dose do 
antipsicótico, mas pode ser tornar um problema a qualquer momento nas primeiras semanas de uso do 
medicamento. Propranolol 30-120 mg/dia às vezes elimina a acatisia quando os fármacos 
antiparkinsonianos e os BZD (como lorazepam) não funcionaram. 
. Discinesia tardia: disfunção cinética de algum movimento que o paciente faz de forma crônica – mais 
comum é na musculatura mastigatória. Esse efeito não melhora, por isso, qualquer paciente com sintoma 
motor tem que ter a dose ou a droga trocada – não deixar cronificar, pois pode ficar definitivo. 
. Síndrome neuroléptica maligna. 
• Sedação (não é sono – há comprometimento das funções quando o paciente está acordado): Na 
administração crônica, sedação e fadiga sobrepõem-se à acinesia, que normalmente desaparece quando 
um medicamento antiparkinsoniano é adicionado. Em geral desaparece de forma mais lenta se a 
dosagem é diminuída. 
• Efeitos endócrinos: típicos estão mais relacionados a sintomas da inibição da via túbero infundibular 
do que os atípicos: 
. Hiperprolactinemia: aumento da mama, galactorreia, impotência masculina e amenorreia. 
. Ganho de peso: geralmente bastante excessivo, pode ocorrer com todos os antipsicóticos. 
. Náuseas e vômitos: podem ocorrer apesar de todos os antipsicóticos. 
• Efeitos adversos gerais: 
. Redução da contratilidade cardíaca, aumento do intervalo QT. 
. A atividade antagonista α1-adrenérgica pode provocar vasodilatação e hipotensão ortostática (todos os 
antipsicóticos podem causar, mas supõe-se que seja mais comum e grave com medicamentos de baixa 
potência). 
. O bloqueio muscarínico provoca boca seca, constipação e incontinência urinária podem ocorrer, assim 
como visão borrada. 
. Quando os antipsicóticos são combinados com outros medicamentos anticolinérgicos 
(antiparkinsoniano ou ADT), pode haver delirium e constipação ou mesmo obstrução intestinal. 
 
 
 
 
 
 
SAÚDE MENTAL 
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- Exemplos: 
• Alta potência: isso quer dizer que em uma dose baixa, o paciente já tem o efeito. 
. Haloperidol: principal. 
• Baixa potência: preciso de altas doses para o efeito antipsicótico. Assim, essas medicações são menos 
usadas para tal, pois dão muitos efeitos colaterais. Essas medicações são mais usadas para termos os 
efeitos colaterais (sedação e efeitos anticolinérgicos). 
. Clorpromazina: é o mais sedativo deles. 
. Levomepromazina. 
 
* ATÍPICOS (2ª GERAÇÃO): ANTAGONISTAS DE SEROTONINA E DOPAMINE (ASDS) 
 
- Bloqueiam: D2, D3, D4. 
• Atuam em sintomas positivos e/ou negativos. 
. Sintomas positivos: neutralização do aumento da função da dopamina na via mesolímbica. 
. Sintomas negativos: menor bloqueio da liberação de dopamina e glutamato no circuito mesocortical. 
• O bloqueio de D3 e D4 não necessariamente melhora, mas pode não piorar ou ter uma pequena melhora 
dos sintomas negativos. 
• São considerados de menor risco de sintomas extrapiramidais (SEP) e da necessidade de agentes 
colinérgicos, pois aumentam a liberação de dopamina no estriado. 
- Proporção mais alta de bloqueio dos receptores da serotonina tipo-2 (5-HT2) em relação aos receptores 
D2 do que os típicos: uso em transtornos do humor e ansiedade. 
 
- Efeitos colaterais mais acentuados: SEP e ganho de peso. 
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- Exemplos: 
• Risperidona: 
. Dos atípicos, é a que menos trata os sintomas negativos. 
. Antagonismo mais de D2 que D1, antagonismo de 5HT2. 
. 6 mg é tão eficaz quanto 20 mg de haloperidol (porém, os efeitos colaterais são menores se a dose for 
mantida baixa). 
. Uso: esquizofrenia, transtorno esquizoafetivo, mania aguda e estados mistos, autismo em crianças. 
. Potencializadora na depressão bipolar. 
. Efeitos colaterais: SEP, hipotensão ortostática, agitação, supersedação, distonia (menos comum que 
nos típicos). Bradicinesia e acatisia são comumente observadas. 
. Ganho de peso pouco expressivo. 
• Olanzapina: 
. Razão alta de ligação com D2 e 5HT2. 
. É o atípico mais eficaz e menos provável de ser descontinuado. 
. Mais eficaz que o haloperidol em melhora dos sintomas negativos, depressão, tentativa de suicídio, 
cognição. 
. Maior risco de efeitos colaterais metabólicos: expressivo ganho de peso é comum – aumento de apetite 
a nível central. Topiramato como inibidor de apetite 50 a 100 mg/dia pode ser usado em associação. 
. Outros efeitos incluem: colinérgicos (constipação e boca seca), hipotensão ortostática (meias de 
compressão podem ser úteis) e sedação. Além disso, é uma medicação cara. 
. Vantagem sobre os típicos por ter menos SEP e outros efeitos neurológicos, como discinesia tardia e 
síndrome neurológica maligna. 
• Quetiapina: 
. Tão efetiva quando os típicos para sintomas positivos e ainda pode melhorar impactos de sintomas 
negativos. 
. Porém: a dose antipsicótica é alta (300mg) e a dose sedativa é baixa (25mg). Além disso não tem efeito 
por 24 horas (meia vida curta, tem que ser usado pelo menos de 12/12 horas), e o paciente precisa tolerar 
o uso diurno (difícil pelo efeito sedativo). Para psicóticos crônicos, dosagem múltipla não é ideal - 
problemas de adesão. 
. Efeitos colaterais: sonolência, hipotensão ortostática. SEP não é comum. 
. Ganho de peso menor que com a olanzapina e a clozapina, mas maior que a ziprasidona e risperidona. 
. Eficaz no tratamento agudo da mania. Pode ser usada para o tratamento de transtorno de personalidade 
borderline associado. 
• Aripripazol: em geral compromete pouco a parte metabólica do paciente. 
• Clozapina: 
. Última opção medicação, usada em casos refratários. Se a pessoa não responde a clozapina, ela não 
responde aos outros. 
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. É superior a todas as outras, mesmo em efeito positivo. Reduz em alguns pacientes os sintomas 
negativos. 
. Diminui o risco de suicídio - reduz agressão impulsiva (lítio também). 
. Único que não causa essencialmente pseudoparkinsonismo ou distonia. Improvável que cause 
discinesia tardia. 
. Efeitos colaterais: sedação, taquicardia, hipotensão ortostática, efeitos no TGI, sintomas tipo gripe, 
sialorreia noturna, enurese. 
. Risco de agranulocitose grave: 1,2%. 
 
 
 
- Atenção: 
• Para conseguir risperidona pelo SUS, os pacientes têm que utilizar o haloperidol sem sucesso primeiro. 
• Sempre ir direto para os atípicos em pacientes demenciais para controle de agressividade. 
• Casos ultrarefratários: eletroconvulsoterapia. 
 
* TRATAMENTO ANTIPSICÓTICO AGUDO 
 
- O tratamento na fase aguda foca em aliviar os sinais psicóticos mais severos. 
- Essa fase geralmente dura 4-8 semanas 
- Estamos mais inclinados a usar típicos como primeira opção no manejo de pacientes agudos: 
• Paciente chegou: fazer intramuscular HF (haldol com fenergan – prometazina/histaminérgico). 
• Se o paciente não estiver agressivo, apenas delirante: não precisaria fazer o F (não há necessidade de 
sedação), mas normalmente é feito. 
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- Atípicos intramusculares produzem menos SEPs e podem agir mais rapidamente que monoterapia com 
haloperidol. 
- Pacientes em risco de distonia (homens jovens agitados) ou parkinsonismo (pacientes geriátricos) 
podem ser melhor tratados com atípicos intramusculares como intervenção inicial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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* 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
V. TRANSTORNOS DO HUMOR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
 
- Humor: resultado de emoçãoou tom de sentimento 
difuso e persistente, que influencia o comportamento e 
colore a percepção de ser no mundo. 
• É um estado que está mais difuso, ou seja, não está 
relacionado a uma só temática. 
• É um estado persistente, ou seja, não é apenas quando 
a pessoa fala de determinada coisa que a deixa triste, por exemplo. 
 
- Qual a diferença entre humor e afeto? 
• Afeto: mais relacionado aos sinais que o médico observa. Observar como a pessoa está respondendo 
afetivamente (adequação, modulação e irradiação do afeto). 
. Na esquizofrenia há uma alteração do afeto. Na maioria das vezes, o paciente está eutímico (a não ser 
que haja alguma comorbidade, como ansiedade). 
• Humor: mais relacionado aos sintomas que o paciente queixa (anedonia, apatia). 
. Na depressão, há uma alteração do humor. 
. Em depressão grave/crônica, pode ter hipomodulação do afeto. 
 
- Quando a hipotimia vai indicar uma depressão? 
• Tenho que investigar se é difuso/persistente ou adaptativo. 
• Tenho que pesquisar qual o estado habitual de humor daquele paciente (temos que comparar o paciente 
com ele mesmo em seu basal). Perguntar para a família ou para o próprio paciente. 
 
- A partir do basal, o humor pode rebaixar (episódio depressivo maior) ou 
elevar (transtorno afetivo bipolar). 
• Diferente da depressão que fica em um único polo, o transtorno afetivo 
bipolar (TAB) é um distúrbio psiquiátrico marcado pela alternância entre 
os polos – episódios de depressão e hipomania (TAB II) ou mania (TAB 
I). Hipomania e mania não são diferenciadas pelos sintomas, e sim pela 
duração e gravidade. 
• Atenção: se tenho depressão e tomo a medicação, posso ir para o basal. 
No TAB, a pessoa pode ir para o polo de cima (ciclar), por isso, além do 
antidepressivo, temos que dar um estabilizador do humor. 
 
 
SAÚDE MENTAL 
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- Exemplo: o paciente chega ao consultório com alteração de humor que indica um episódio depressivo 
pela primeira vez. Como sei se é depressão unipolar ou bipolar? Não tem como ter certeza, assim, temos 
que tratar a depressão e acompanhar o paciente, e entender se ele vai chegar a fazer hipomania ou mania. 
Entretanto, tem características que são importantes de observarmos, como a história familiar positiva 
para TAB ou esquizofrenia (aumenta o risco de TAB), depressão que abre muito cedo (infância, 
adolescência) e se o primeiro episódio depressivo for muito grave (já com alucinação, tentativa de 
suicídio). Se algum fator estiver presente, devemos ficar bem atentos para a possibilidade daquele 
paciente ciclar. 
• Atenção: variação ao longo do dia, não é TAB. 
 
- Obs: a distimia não chega a ser um quadro depressivo. Aqui, a pessoa tem um estado constante de 
rebaixamento, mas não preenche o critério de depressão. A pessoa se reconhece daquele jeito, nunca se 
sente ok. 
 
- A etiologia é multifatorial: 
• Fatores biológicos: neurotransmissores, regulação hormonal. 
• Fatores genéticos: alta concordância entre parentes de 1º grau. 
. TAB: compartilha da genética da esquizofrenia – um pontua para o outro. 
• Fatores psicossociais: estressores ambientais, características de personalidade (ansiosa, dependente, 
borderline). 
 
- De forma geral, o tratamento envolve: 
• Terapia psicossocial em suas diversas modalidades. 
• Psicoterapia. 
• Organização da rede familiar para adesão. 
• Farmacoterapia: estabilizadores de humor, antidepressivos, antipsicóticos. 
. Atenção: tratamos o paciente, e não os sintomas dele. 
 
TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR 
 
* DEFINIÇÃO 
 
- O transtorno depressivo maior é uma depressão unipolar. A pessoa fica em um polo só, e nunca passou 
para o outro polo. 
 
 
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* EPISÓDIO DEPRESSIVO 
 
- O paciente tem que ter pelos 1 dos 2 sintomas fundamentais (humor deprimido e/ou perda de prazer 
ou interesse – anedonia) com pelo menos duas semanas de duração (na maioria das vezes tem os dois) 
+ presença de pelo menos 4 dos sintomas seguintes: 
• Fadiga ou baixa de energia. 
• Sentimento de culpa excessiva ou inutilidade. 
• Dificuldade de concentração. 
• Perda ou ganho significativo de peso: perda de peso é mais comum. 
• Hipersonia ou insônia: insônia é mais comum. 
• Agitação ou lentificação psicomotora. 
• Pensamentos recorrentes de morte/suicídio: pensamento e planejamento é diferente de tentativa. 
Quando a tentativa acontece, ligar o radar para TAB. 
 
- Em crianças: 
• Fobia escolar. 
• Apego excessivo aos pais. 
 
- Em adolescentes: 
• Mau desempenho escolar. 
• Abuso de drogas. 
• Comportamento antissocial. 
• Promiscuidade sexual acentuada. 
• Ociosidade acentuada. 
• Fuga de casa. 
 
- Em idosos: 
• É mais comum que na população em geral. 
• Queixas somáticas. 
• Condição socioeconômica baixa. 
• Perda de cônjuge. 
• Doença física. 
• Isolamento social. 
 
* PADRÃO DE SINTOMAS 
 
- O episódio depressivo pode ser único ou recorrente. 
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* EPIDEMIOLOGIA 
 
- Prevalência mais alta ao longo da vida (~17%). 
- Prevalência 2x maior em mulheres. 
 
* EEM 
 
- Consciência: geralmente sem alterações de consciência. 
- Orientação: geralmente sem alterações de orientação. 
 
- Atenção: 
• Pode tender à hipertenacidade 
• Pode estar normoproséxico, vai depender do quadro de repercussão do paciente. 
• Pseudodemência depressiva: haverá dificuldade de concentração e queixas mnêmicas. Sempre que o 
paciente tiver queixa de memória, avaliar o humor. 
 
- Pensamento: 
• Bradipsiquismo. 
 
- Sensopercepção e juízo de realidade: 
• Pode haver delírios e alucinações, em geral congruentes com o humor. 
 
- Humor: 
• Hipotimia com afeto congruente (modulando corretamente). 
 
- Afeto: 
• Sintomas do afeto: anedonia, apatia, sentimento de falta de sentimento (vazio). 
. Anedonia: falta de prazer nas coisas antes prazerosas 
. Apatia: dificuldade de vivenciar afetivamente as situações, as coisas não despertam nenhuma reação 
afetiva na pessoa, que não consegue sentir nada 
 
- Linguagem: 
• Bradifasia. 
 
- Controle dos impulsos: 
• Atos impulsivos, suicídio paradoxal. 
 
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* DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
 
- “A depressão pode ser uma manifestação de praticamente qualquer transtorno mental.” 
- Atenção para: 
• Doenças clínicas. 
• TAB I. 
• TAB II. 
• Luto não complicado. 
• Esquizofrenia. 
• Outros transtornos psicóticos. 
 
* CURSO E PROGNÓSTICO 
 
- Geralmente não há transtorno de personalidade pré-mórbido. 
- 50%: primeiro episódio antes dos 40 anos. 
- Duração média do episódio: 
• Sem tratamento: de 6 a 13 meses. 
• Tratados: cerca de 3 meses para estabilização completa (normalmente, esperados cerca de 4-6 semanas 
para avaliar o antidepressivo). 
- Não é benigno. 
- Pode cronificar. 
 
- Fatores de bom e mau prognóstico: 
 
 
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TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR I (MANIA) 
 
* DEFINIÇÃO 
 
- O TAB I é diagnosticado quando o paciente apresenta pelo menos um episódio de mania ao longo da 
vida. 
 
* EPISÓDIO MANÍACO 
 
- Devem estar presentes, com duração mínima de 1 semana: 
• Humor persistentemente elevado, expansivo ou irritável (especialmente se contrariado). 
• Aumento da energia ou da atividade dirigida. 
- Devem estar presentes ainda, pelo menos mais 3 (ou 4 se humor irritável): 
• Autoestima inflada ou grandiosidade. 
• Redução da necessidade de sono. 
• Loquacidade e pressão para falar. 
• Fuga de ideias ou sensação subjetiva de aceleração. 
• Distratibilidade. 
• Envolvimento excessivo em atividades com consequências potencialmente ruins / dolorosas. 
. Atos impulsivos(com sentido de convicção e propósito) são comuns, uma vez que a pessoa reduz sua 
crítica pelo excesso de empolgação no calor da emoção. Há teste de limites e regras, que podem envolver 
gastos, contravenções (qual limite de velocidade consigo chegar?), uso de substâncias (qual dose 
máxima consigo usar?), promiscuidade. 
. Tendem a consumir álcool em excesso. 
. Atos socialmente inadequados podem aparecer (como se despir em locais públicos) – hipersexualidade. 
. Jogo patológico pode estar presente. 
 
- Atenção: 
• Há prejuízo acentuado no funcionamento. 
• Podem estar presentes sintomas psicóticos congruentes com o humor (delírios desde grandeza à ruína). 
• Adolescentes: abuso de drogas, tentativas de suicídio, irritabilidade, comportamento antissocial, 
ruminações filosóficas (questionando o sistema, etc). 
• Aparência extravagante. 
 
 
 
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* PADRÃO DE SINTOMAS 
 
- Ocorrência de episódio maníaco necessária. 
- Podem ocorrer episódios depressivos maiores. 
 
* EPIDEMIOLOGIA 
 
- Prevalência média 2,4%. 
- Prevalência igual entre homens e mulheres. 
- Episódios maníacos isolados são mais comuns em homens e depressivos em mulheres. 
- Início mais precoce que transtorno depressivo maior. 
 
* EEM 
 
- Consciência: geralmente sem alterações de consciência. 
 
- Orientação: geralmente sem alterações de orientação. 
 
- Atenção: 
• Pode tender à hipervigilância: presta atenção em tudo ao mesmo tempo. 
 
- Pensamento: 
• Taquipsiquismo, com fuga de ideias. 
 
- Sensopercepção e juízo de realidade: 
• Delírios ocorrem em até 75% dos casos, alucinações podem ocorrer de forma associada. 
• Julgamento e insight: comprometidos. 
 
- Humor: 
• Eufóricos, elação do eu irritáveis. 
 
- Afeto: 
• Afeto congruente com o humor. 
 
- Linguagem: 
• Taquilalia: aumento da velocidade da fala. 
• Logorreia: aumento da produção da linguagem (fala muito, mas pode falar embolado). 
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• Loquacidade: aumento da velocidade da fala e produção da linguagem (fala rápido e muito – tipo 
narrador de futebol). 
 
* DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
 
- Atenção para: 
• Transtorno depressivo maior e seus diagnósticos diferenciais. 
• TAB II. 
• Condição médica geral. 
• Transtorno do humor induzido por substância. 
• Transtornos de personalidade: borderline, narcisista, histriônica, antissocial. 
 
* CURSO E PROGNÓSTICO 
 
- Geralmente começa com episódio depressivo: a maioria tem tanto episódios depressivos, quanto 
maníacos. 
• Episódio maníaco não tratado dura até cerca de 3 meses. 
• Na maioria dos casos é recorrente. 
- Pode começar na infância e adolescência (o início precoce é associado a mau prognóstico). O início 
em idosos é raro. 
- Tem prognóstico pior que o transtorno depressivo maior. 
 
- Fatores de bom e mau prognóstico: 
 
 
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TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR II (HIPOMANIA) 
 
* DEFINIÇÃO 
 
- O TAB II é diagnosticado quando o paciente apresenta pelo menos um episódio de hipomania ao longo 
da vida. 
- É subdiagnosticado, e muitas vezes tratado como depressão refratária. 
 
* EPISÓDIO HIPOMANÍACO 
 
- Duração mínima de 4 dias. 
- Características semelhantes ao episódio maníaco, mas não associado a prejuízo acentuado do 
funcionamento. 
 
* PADRÃO DE SINTOMAS 
 
- Ocorrência de episódio hipomaníaco necessária. 
- Episódios depressivos maiores predominantes costumam ocorrer de forma crônica e resistente. 
 
* EPIDEMIOLOGIA 
 
- Prevalência média de 0,3 a 4,8% (como o quadro subdiagnosticado, a prevalência não é confiável). 
 
* DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
 
- Atenção para: 
• TAB I. 
• Transtorno depressivo maior. 
• Transtorno de personalidade borderline. 
 
 
 
 
 
 
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CASOS CLÍNICOS 
 
 
- TAB 1, em mania, sem sintomas psicóticos. 
• Humor eufórico irritável aumento de energia. 
• Não era um comportamento habitual do homem – aqui tem uma quebra em relação ao comportamento 
anterior. 
 
 
- Transtorno depressivo maior com sintomas psicóticos - ligar o radar para comorbidades. 
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* 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VI. ANTIDEPRESSIVOS E ESTABILIZADORES DE 
HUMOR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ANTIDEPRESSIVOS 
 
* INTRODUÇÃO 
 
- Os antidepressivos são considerados igualmente eficazes! 
• Existe um raciocínio clínico que fazemos a partir do que 
eles liberam, mas não tem um mais eficaz que o outro. 
• A escolha se dá pelas diferenças farmacocinéticas e 
farmacodinâmicas que eles têm, principalmente 
considerando os efeitos colaterais. 
• Atenção também para interação com outras medicações: 
sempre investigar se o paciente usa outros medicamentos. 
 
- Os antidepressivos demandam, em média, 3-4 semanas para atingirem efeito terapêutico. Assim, nas 
2 primeiras semanas o processo é mais adaptativo do que terapêutico. 
• Risco de suicídio paradoxal: o medicamento demora um tempo para atingir o platô. Assim, nas 
primeiras 2-3 semanas, há um aumento da energia do paciente, mas não há melhora do humor. Por isso, 
se o paciente tem ideação suicida e não a colocava em prática por falta de energia, esse paciente pode 
ter um aumento do risco nesse momento inicial, pois como dito, há aumento de energia sem o humor ter 
sido melhorado ainda. Dessa forma, nesse período inicial é fundamental a orientação familiar acerca 
desses riscos (o paciente precisará ser acompanhado de perto). 
 
- Não existe, em psiquiatria, nenhuma medicação que atue em uma coisa só. Os antidepressivos, por 
exemplo, podem ser usados para diversos quadros, como ansiedade, transtornos do sono, enxaqueca, 
quadros dolorosos crônicos, transtornos compulsivos, etc. 
 
- Fármacos de meia vida longa / curta: 
• Vantagem: menor problema com a retirada / efeito colateral demora menos tempo. 
• Desvantagem: efeito colateral demora mais tempo / maior problema com a retirada 
 
* TRICÍCLICOS 
 
→ Considerações gerais 
 
- Principais: amitriptilina, imipramina, clomipramina, nortriptilina. 
- Metabolização hepática (CYP2D6). 
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- Indicados para o tratamento de transtorno depressivo maior. 
• Outros: transtorno do pânico, transtorno de ansiedade generalizada, TOC (destaque clomipramina em 
doses altas), dor (destaque amitriptilina e nortriptilina), enurese noturna (imipramina 10mg). 
 
→ Efeitos 
 
- Efeito dual: bloqueiam recaptação de serotonina e noradrenalina. 
- Entretanto, atuam em diversos outros receptores também, podendo resultar em diversos efeitos 
adversos: 
• H1 (histamina): sonolência, ganho de peso. 
• M1 (acetilcolina): constipação, boca seca. 
• α1 (adrenalina): hipotensão ortostática. 
. Outros: sedação, tremor, espasmos, efeitos hepáticos. 
 
- Considerar: 
• Doses altas tem efeitos letais (se o paciente tem histórico de tentativa de suicídio, não é a melhor 
medicação para o paciente ter em casa). 
• Podem induzir ciclagem e facilitar sintomas psicóticos. 
• No posto, os comprimidos (amitriptilina, nortriptilina, clomipramina) são de 25mg (efeito hipnótico, 
enxaqueca). A dose antidepressiva é a partir de 100mg, assim, não é uma medicação fácil de tolerar na 
dose antidepressiva. 
• Tem risco cardiovascular, e os efeitos cardíacos podem ser graves, sendo contraindicados em pacientes 
com alterações prévias. Exigem controle (ECG) antes e durante o uso. 
• Menos propensos a disfunções sexuais 
• Os efeitoscostumam ser transitórios no período adaptativo. 
 
* ISRS 
 
→ Considerações gerais 
 
- Grandes ganhos na qualidade de vida em relação aos tricíclicos. 
- Todos são de metabolização hepática (CYP 450). 
- Mais efeitos colaterais do que o esperado inicialmente. 
- Meia-vida variável. 
- Associados a efeitos de retirada abrupta. 
 
 
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→ Mecanismos gerais 
 
- Mecanismo de ação principal: inibição da recaptação de serotonina. 
- Citalopram e escitalopram são os mais seletivos. 
 
→ Principais representantes 
 
- Fluoxetina. 
• Pode ser usada para transtorno de ansiedade ou depressão com TOC, compulsão alimentar (primeira 
escolha se não houver comorbidades). 
• Primeira escolha em pediatria: pode ser usada a partir de 6 anos (sertralina também pode). 
• Fluoxetina é o de maior meia-vida (4-6 dias). 
• Marca referência: Prozac. 
 
- Sertralina. 
• Bom para idosos e pessoas com comorbidades. 
• Seguro em cardiopatas. 
• Pode ser usada na gestação e amamentação (crianças a partir de 6 anos também). 
• Meia vida média. 
• Marca referência: Zoloft. 
 
- Paroxetina 
• Tem efeito paradoxal. 
• Dá ganho de peso e sono. 
• Não pode ser usada em gestantes. 
• Meia vida pequena (difícil de retirar) 
• Marca referência: Paxtrat. 
 
- Citalopram, Escitalopram. 
• Interessante para ansiedade. 
• Escitalopram protege o coração. 
• Marca referência: Lexapro. 
 
- Fluvoxamina. 
 
 
 
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→ Efeitos adversos 
 
- Disfunção sexual (50-80%): se não houver contraindicação, pode-se associar bupropiona para auxiliar. 
- Efeitos gastrointestinais (mediado por 5HT3): mais intenso na fluoxetina e sertralina. 
• Atenção: o local que mais tem serotonina no corpo é o TGI. Assim, qualquer medicação que aumente 
a serotonina irá repercutir, gerando náuseas, diarreia, etc. Orientar o paciente a não tomar em jejum. 
• Náuseas e agitação iniciais: costumam ser autolimitados. 
- Efeitos diversos: 
• Cefaleia. 
• Ansiedade: fluoxetina. 
• Insônia: fluoxetina. 
• Sonolência: paroxetina, citalopram. 
• Efeitos anticolinérgicos: destaque para paroxetina. 
• Efeitos cardiovasculares: destaque para o citalopram (prolongamento de QT). 
• Embotamento emocional. 
• Dinfunções glicêmicas (cuidado em pacientes diabéticos) e eletrolíticas (destaque hiponatremia). 
• Outros menos comuns: efeitos extrapiramidais, convulsões, hiperprolactinemia. 
 
→ Atenção! 
 
- Síndrome serotoninérgica: diarreia, inquietação, agitação extrema, instabilidade autonômica, 
hiperreflexia, mioclonia, convulsões, hipertermia, tremor, rigidez, delirium, coma, estado epiléptico, 
morte. 
• Se quero trocar medicamentos da mesma classe (por exemplo, fluoxetina por escitalopram), não fazer 
de uma vez, pois pode dar síndrome serotoninérgica. Dependendo do quadro, é melhor fazer a troca em 
“X”, reduzindo um e aumentando o outro (evitar cruzar dois picos). 
• Se os medicamentos são de classes diferentes, por exemplo, fluoxetina (serotonina) e bupropiona 
(noradrenalina e dopamina), posso começá-los ao mesmo tempo. 
- Síndrome de descontinuação súbita: tontura, fraqueza, náuseas, cefaleia, depressão rebote, ansiedade, 
insônia, sintomas respiratórios e do tipo enxaqueca e parestesias (destaque para paroxetina, pela baixa 
meia-vida). 
• Antidepressivo não causa dependência, mas pode causar síndrome de retirada súbita. 
• Para descontinuar o medicamento, reduzir inicialmente 1/3 da dose, observar cerca de 2 semanas e ir 
reduzindo. 
 
 
 
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* IRSN 
 
→ Considerações gerais 
 
- Bloqueio dual concomitante da recaptação de serotonina e noradrenalina. 
• Quem se beneficia do dual? 
. O efeito noradrenérgico é bom para pacientes melancólicos. Porém, se o paciente for muito ansioso, 
agitado, tiver insônia, etc, o aumento da noradrenalina pode ser ruim – avaliar caso a caso. 
. Se não funcionar com o convencional, passar para o dual. 
- Baixo perfil muscarínico e histaminérgico. 
- Noradrenalina aumenta o risco cardiovascular: não usar em cardiopatas. 
- Melhor tolerância. 
- Principais: venlafaxina (dual a partir de 150mg), desvenlafaxina (dual a partir de 50mg) e duloxetina. 
 
→ Venlafaxina e desvenlafaxina 
 
- Indicadas para o tratamento de transtorno depressivo maior. 
• Pode ser usada também para transtorno de ansiedade generalizada e social. 
- Efeitos: 
• Gastrointestinais são os mais comuns: iniciar com doses baixas. 
• Outros efeitos: sexuais (30-40%), insônia, cefaleia, sudorese, elevação dos níveis pressóricos. 
- Associadas à síndrome de descontinuação. 
 
→ Duloxetina 
 
- Indicada para o tratamento de transtorno depressivo maior. Porém, seu uso clínico é principalmente 
relacionado aos quadros de dor neuropática. 
- Efeitos: 
• Gastrointestinais são os mais comuns: iniciar com doses baixas. 
- Riscos em pacientes diabéticos e dependentes de álcool. 
- Não é escolha em pacientes com insuficiência hepática e renal e glaucoma de ângulo fechado. 
 
 
 
 
 
 
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* MIRTAZAPINA 
 
→ Considerações gerais 
 
- Único que trata transtorno depressivo maior aumentando tanto a serotonina quanto noradrenalina por 
um efeito alternativo que não o bloqueio de recaptação: faz bloqueio dos receptores 5-HT2 e 5-HT3 
pós-sinápticos e antagonismo alfa-adrenérgico. 
• Não faz uma descarga muito alta. 
- Efeitos antidepressivos (uso comum na depressão melancólica em idosos) e ansiolíticos. 
- Uso comum para potencializar os ISRS e os IRSN. 
 
→ Efeitos 
 
- Poucos efeitos gastrointestinais 
- Efeitos colaterais mais comuns e restritivos: sedação e ganho de peso (histaminérgica). 
• Boa em paciente anoréxico, com insônia. 
• Dose menor causa mais sono do que a maior: para dormir - 7,5mg. 
• Dose antidepressiva: 30mg. 
- Outros: boca seca, constipação, tontura, sonhos perturbadores. 
- Menos efeitos sexuais. 
 
* BUPROPIONA 
 
→ Considerações gerais 
 
- Inibição da recaptação de noradrenalina e dopamina. 
• Aumento de dopamina: relacionado a melhora da energia, afeto, vontade. O problema de aumentar 
muito a dopamina é a possibilidade de sintoma psicótico. Evitar em pacientes com epilepsia (risco de 
convulsão). 
- Não tem efeito serotoninérgico: menos disfunção sexual e alteração do peso. 
- Como antidepressivo, costuma ser complementar (efeitos afetivos residuais e disfunções sexuais). A 
bupropiona normalmente potencializa o primeiro medicamento. 
• Se o paciente tem depressão com sintomas melancólicos, sem motivação e iniciativa, a dopamina pode 
ajudar. 
• Se o paciente tem depressão ansiosa, irritado, agitado, sem dormir: o aumento da dopamina vai 
atrapalhar e pode deixar o paciente mais ansioso. 
- Outras indicações: tabagismo, TDAH, uso controverso na dependência/abstinência química. 
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- Efeitos adversos: 
• Mais comuns: cefaleia, insônia, boca seca, tremor e náuseas. 
• Pode causar: inquietação, irritabilidade, perda de peso. 
• Pode induzir sintomas psicóticos e piorar crises agudas de ansiedade. 
• Risco de convulsões dose-dependente. 
• No SUS, é liberada para o tratamento de tabagismo. 
 
ESTABILIZADORES DE HUMOR 
 
* LÍTIO 
 
→ Considerações gerais 
 
- Não há uma teoria única até hoje que explique 
seu efeito estabilizador de humor. 
• Teoria mais aceita: alteração do transporte de íons sobre os neurotransmissores, efeitos de transdução 
de sinais e sistemas de segundo mensageiro. 
• Não é considerado antipsicótico, mas pode atuar em efeitos psicóticos também. 
- Início relativamente lento, com estabilização em 1 a 3 semanas. 
• Necessitade titulação sanguínea para ter certeza que chegou na dose terapêutica (0,6-1,2). Precisa de 
pelo menos 5 dias de uso para titular. 
. Se estável, pode-se deixar lítio de manutenção, em titulação 0,4-0,6. 
 
- Indicações: TAB (primeira linha de tratamento da mania), esquizofrenia, transtorno esquizoafetivo, 
agressividade, entre outros. 
• Controla a mania aguda (mas principalmente a mania eufórica) e impede sua recorrência em cerca de 
80% dos pacientes. 
• Pode ser usado na depressão bipolar e unipolar (em dose baixa). 
• Melhor resposta para profilaxia de quadros de mania que de depressão. 
- Menores respostas: estados mistos, abuso de substância e cicladores rápidos. 
- Redução do risco de suicídio em cerca de 6-7x. 
- Não pode usar em gestantes. 
- O tratamento de manutenção reduz a frequência, a gravidade e a duração de episódios maníacos e 
depressivos. 
 
 
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→ Efeitos adversos 
 
- Efeitos colaterais são comuns (cerca de 80%). 
• Efeitos: gastrointestinais, tremor, redução do limiar convulsivo, efeitos tireoidianos (hipo, bócio, 
enoftalmia), cardiovasculares, renais (destaque poliúria e polidipsia), dermatológicos (destaque acne e 
psoríase), ganho de peso, retenção de líquidos, disforia, ausência de espontaneidade. 
. Se comorbidades: lítio não será a primeira escolha. 
- Há risco de toxicidade: doses altas podem ser fatais. 
 
→ Cuidados no acompanhamento 
 
- São necessários exames prévios (triagem renal e tireoidiana, eletrólitos, hemograma, ECG e teste de 
gravidez), além do acompanhamento dessas funções durante o uso. 
- Concentrações terapêuticas 0,6 a 1,2 mEq/L (em geral, 0,8 em crise e mais baixas em manutenção) a 
cada 2-6 meses, com intervalo de 12 horas da última dose. 
- Descontinuação gradual. 
- Atenção: quando a escolha for lítio urgente, pode-se começar com ácido valproico em dose baixa (que 
faz efeito mais rápido) e titular o lítio. Quando o lítio começar a titular certo, tirar o ácido valproico. 
 
* ANTICONVULSIVANTES 
 
→ Valproato de sódio 
 
- Aprovado para o tratamento de mania aguda (em uma faixa de 50-100 ug/ml) e profilaxia de novos 
episódios. 
• Controla a mania aguda (mas principalmente a mania irritadiça). 
- Menos potente em depressões bipolares. 
- Melhor resposta que o lítio em manias disfóricas, cicladores rápidos e dependência química comórbida. 
- Efeitos adversos: 
• Importantes: hepatotoxicidade, pancreatite, teratogenicidade. 
• Comuns: gastrointestinais, tremor, sedação, ganho de peso, perda de cabelo. 
- Não pode usar em grávida: é sabidamente teratogênico (na Europa é proibido em mulheres em idade 
fértil). 
 
→ Carbamazepina 
 
- Considerada segunda linha para tratamento e manutenção do TAB. 
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- Profilaxia sobretudo do TAB II. 
- Efeitos: 
• Mais comuns: do TGI e sedação. 
• Mais preocupantes: discrasias sanguíneas, dermatológicas (abertura de quadro de psoríase) e hepatite. 
. Menos usada atualmente! 
 
→ Lamotrigina 
 
- Mais eficaz para o tratamento de manutenção (não usar em fase aguda, pois não resolve crise), podendo 
prologar o intervalo entre os episódios principalmente depressivos. 
• Ex: TAB 2 com muita depressão se beneficia. 
- Menor efeito anticonvulsivante. 
- Efeito mais preocupante: erupção cutânea (suspender à mínima coceira). 
- Bem tolerada, mas não é muito usada. 
 
* ANTIPSICÓTICOS 
 
- Todos os antipsicóticos atípicos são aprovados para o tratamento do quadro maníaco. 
• Todo antipsicótico tem efeito estabilizador, pincipalmente os atípicos. 
• A dose estabilizadora é menor que a dose antipsicótica. 
- Exemplos: risperidona, olanzapina e quetiapina a partir de 150mg. 
- A combinação particular de olanzapina e fluoxetina costuma ser bastante eficaz na depressão bipolar. 
 
- Na prática da professora, os anticonvulsivantes não têm boa resposta. Lítio tem suas dificuldades, ácido 
valproico também, e os antipsicóticos são uma boa alternativa. 
 
RACIOCINAR A ESCOLHA 
 
- Atenção: 
• Todo paciente tem uma linha base de eutimia. Ao fazer uma 
avaliação, sempre comparar ele com ele mesmo. 
• É mais difícil diagnosticar depressão em um paciente que é 
mais para baixo, da mesma forma é difícil separar a hipomania 
do temperamento mais para cima. 
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• O paciente não vai estar em depressão, hipomania ou mania o tempo todo: isso é um EPISÓDIO. 
Então, a primeira coisa a se entender é: há um estado diferente do atual? Como era antes? 
• Esse episódio tem que ter repercussões – senão, iremos diagnosticar todo mundo com algo. 
 
- Situação 1: Depressão unipolar (esse paciente tem 
episódios únicos ou recorrentes de depressão ao longo da 
vida, mas nunca esteve no polo de cima). 
 
• Clínica: jovem, ansiosa e com obesidade. 
• Alternativa de tratamento: escitalopram. 
 
• Clínica: idoso, cardiopata (pós IAM), com obesidade, 
depressão recorrente, baixa energia. 
• Alternativa de tratamento: sertralina (perfil de segurança maior). 
 
- Situação 2: TAB 2 (atual - episódio depressivo). 
• Clínica: jovem sem comorbidades. 
• Alternativa de tratamento: antidepressivo (sertralina) + 
estabilizador de humor (risperidona). 
. Primeiramente eu tenho que tratar o episódio agudo. Mas 
não esquecer que preciso prevenir o próximo episódio 
também. 
. O estabilizador de humor não só previne a ciclagem, mas 
auxilia a melhorar a depressão também. 
 
- Situação 3: TAB 1 (atual - episódio maníaco). 
• Clínica: jovem sem comorbidades. 
• Alternativa de tratamento: antidepressivo (fluoxetina) + 
estabilizador de humor (olanzapina). 
. Primeiramente eu tenho que tratar o episódio agudo. Mas 
não esquecer que preciso prevenir o próximo episódio 
também. 
. O estabilizador de humor deve ser crônico (doses mais 
baixas, mas por toda a vida). Ele não só previne a ciclagem, 
auxilia a melhorar a depressão também. 
. O antidepressivo, de acordo com o quadro, pode ser tirado. 
 
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- Sempre considerar: 
• Perfil clínico. 
• Efeitos colaterais. 
• Interações medicamentosas. 
• Rede de apoio. 
 
- “É preciso que o sujeito possa tomar a palavra, antes de tomar a pílula.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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* 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VII. TRANSTORNOS DE ANSIEDADE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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VISÃO GERAL 
 
- Incluem: transtorno de pânico, agorafobia, fobia específica, fobia social, transtorno de ansiedade 
generalizada (TAG). 
 
- O paciente com transtorno de ansiedade puro, normalmente é acompanhado pelo médico de família da 
UBS. 
• Transtornos de ansiedade agudos, podem estar em vários serviços, mas normalmente, estão em serviços 
clínicos e não psiquiátricos. 
 
- Muito quadros estão associados a morbidade significativa. Com frequência são crônicos e podem ser 
resistentes a tratamento. 
 
- Etiologia: 
• Interação entre fatores genéticos e experiência. 
• Acontecimentos de vida traumáticos e estresse. 
. Atenção: eventos considerados banais para uns, podem ser traumáticos para outros. Por isso, pode ser 
difícil encontrar o “ponto desencadeante”. 
. O ataque de pânico, na maioria das vezes, é uma sensação de angústia iminente, e pode ocorrer “sem 
a causa simbólica aparente” – costuma ser uma vivência consciente apenas do afeto. 
. Esse ataque resulta em sensações físicas, medo de enlouquecer, medo de morrer. 
. Normalmente, ao ser atendida e ver que está bem,a pessoa se recupera. 
 
- Pessoas muito inteligentes e ansiosas tem muito material para gerar ansiedade (similar à quando 
deliram, uma vez que fazem delírios muito estruturados). Essas pessoas têm fatores ansiogênicos 
complexos. 
• O transtorno de ansiedade pode ser confundido com hipomania/mania. 
• Pessoa pode ter necessidade reduzida de sono. 
 
- Apesar da ansiedade poder refletir uma preocupação com o futuro, ela está relacionada a situações do 
passado. 
 
- Atenção: pensamos em quadro patológico quando há prejuízo significativo e grau de sofrimento 
(senão, diagnosticaremos todo mundo). 
 
 
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ANSIEDADE NORMAL 
 
- O que é? 
• Sensação difusa, desagradável e vaga de apreensão. 
• Muitas vezes acompanhada por sintomas autonômicos: cefaleia, perspiração, palpitações, aperto no 
peito, leve desconforto estomacal e inquietação. 
 
- Medo x ansiedade: 
• Medo: sinal de alerta a uma ameaça conhecida, externa, definida ou NÃO conflituosa. 
• Ansiedade: resposta a uma ameaça desconhecida, interna, vaga ou conflituosa. Sensação mais difusa. 
. Ansiedade e fobia podem andar juntas. 
 
- A experiência da ansiedade apresenta dois componentes: 
• Percepção das sensações fisiológicas. 
• Percepção emocionais de estar nervoso ou assustado. 
 
- Afeta o pensamento, a percepção e o aprendizado: 
• Pode atuar também diminuindo a capacidade de concentração, reduzindo a memória e perturbando a 
capacidade de fazer relações. 
. Atenção: a pessoa pode estar com queixas de não estar conseguindo estudar, ou relatar baixo 
desempenho escolar. Isso pode resultar em um diagnóstico errôneo de TDAH, com medicação 
psicoestimulante e piora do quadro. 
. Ansiedade tem relação direta com a atenção, sendo um diagnóstico diferencial importante dos quadros 
atencionais. Inclusive, os dois quadros podem estar presentes ao mesmo tempo. 
. Qualquer quadro que altere a atenção pode repercutir na memória de trabalho. 
 
- Tende a produzir confusão e distorções da percepção, não apenas do tempo e espaço, mas também das 
pessoas e dos significados dos acontecimentos. 
• Essas distorções não são delírios (não há alteração do juízo de realidade), mas são distorções. A pessoa 
vê determinada situação daquela forma. 
 
- Efeito sobre a atenção seletiva: 
• Indivíduo tende a selecionar certos aspectos do ambiente e subestimar outros em seu esforço para 
provar que se justifica considerar sua situação aterradora. 
 
 
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- Epidemiologia: 
• Em média, 1 em cada 4 pessoas satisfaz o critério diagnóstico de pelo menos um transtorno de 
ansiedade. 
• Mulheres: prevalência durante a vida de 30,5%. 
• Homens: prevalência durante a vida de 19,2%. 
• Prevalência diminui com status econômico mais alto em algumas populações. 
 
AGORAFOBIA 
 
- FRAGMENTO CLÍNICO 1: JFC, 42 anos, masculino, casado, carpinteiro. Há cerca de 3 meses, após 
a morte de um vizinho, começou a ter dificuldade de trabalhar. Deveria pegar um barco para ir à cidade 
em que trabalha, porém se sentia muito ansioso dentro do barco. Tinha medo de passar mal e não poder 
receber socorro médico. Cada vez que entrava no barco tinha sudorese profusa, taquicardia e muito 
medo de morrer ou que algo ruim lhe acontecesse e não pudesse ser atendido. Tinha os mesmos sintomas 
no supermercado, no shopping e em locais de festas populares. Deixou de trabalhar fora, passando a 
realizar os seus trabalhos apenas em casa. Parou de frequentar ambientes com aglomerações. 
• Tem situações específicas, externas e identificáveis onde consigo ver que os sintomas aparecem. 
• Este paciente tem fobia de não conseguir receber atendimento médico. Aqui, não consigo delimitar 
exatamente qual o sintoma que causa a fobia. 
 
- Conceito: 
• Medo ou ansiedade em relação a lugares dos quais a fuga possa ser difícil. 
• Possível que seja a mais incapacitante das fobias. 
 
- Critérios diagnósticos: 
• Medo ou ansiedade marcantes acerca de duas (ou mais) das 5 situações seguintes: 
1. Uso de transporte público. 
2. Permanecer em espaços muito abertos. 
3. Permanecer em locais fechados. 
4. Permanecer em uma fila ou ficar em meio a uma multidão. 
5. Sair de casa sozinho. 
 
- As situações são evitadas ou suportadas com acentuado sofrimento ou com ansiedade acerca de ter um 
Ataque de Pânico ou sintomas tipo pânico, ou exigem companhia para realização. 
 
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- Considerar o diagnóstico de Fobia Específica, se a esquiva se limita apenas a uma ou algumas situações 
específicas, ou de Fobia Social, se a esquiva se limita a situações de avaliações sociais. 
• Fobia social: o problema é só o barco? Só o supermercado? 
• Na fobia social, esses sintomas vão ser mais restritos a situações sociais onde a pessoa vai ter exposição 
e passar por algum tipo de julgamento. 
 
- Diagnóstico diferencial: 
• Todos transtornos que possam causar ansiedade ou depressão. 
• Esquizofrenia, TP paranoide, TP evitativo, TP dependente. 
 
FOBIA SOCIAL 
 
- FRAGMENTO CLÍNICO 2: BLT, feminino, 19 anos, estudante. Paciente fez duas vezes vestibular 
para direito, porém não conseguia concluir as provas. Quando ia assinar a lista de presença, sua mão 
tremia e ela se sentia muito desconfortável, pois notava que o fiscal a observava. Tinha diarreia, saia 
várias vezes para ir ao banheiro, chegava a sentir náuseas e até a vomitar. Seu coração batia mais forte 
e ela não conseguia concatenar as ideias para responder as questões das provas, mesmo estando segura 
do conteúdo. Os sintomas de apaziguavam quando estava em casa e se sentia segura. 
• O modo que eu temo que a pessoa me olhe, é porque eu me olho assim. 
• Os sintomas incapacitantes ocorrem quando outra pessoa está observando. 
 
- Conceito: 
• Medo acentuado e persistente de uma ou mais situações sociais ou de desempenho, nas quais o 
indivíduo é exposto a pessoas estranhas ou ao possível escrutínio por terceiros. 
• O indivíduo teme agir de um modo (ou mostrar sintomas de ansiedade) que lhe seja humilhante, 
vergonhoso, embaraçoso. 
. Fobia social não é medo de gente e nem personalidade esquizoide! Não são pessoas antissociais. 
 
- Relação com inibição comportamental durante a infância. 
 
- A exposição à situação social temida quase que invariavelmente provoca ansiedade, que pode assumir 
a forma de um Ataque de Pânico ligado a situação ou predisposto por situação. 
• Pode ser desencadeado apenas pela imaginação da situação. 
 
- Características clínicas: 
• Medo ou ansiedade desproporcional à ameaça real. 
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• A pessoa reconhece que o medo é excessivo ou irracional. Ela sabe que existe uma desproporção. 
. Ansiedade: egodistônico. 
. Delírio: egossintônico. 
. Atenção: transtorno de ansiedade e quadros psicóticos podem ser muitos difíceis de diferenciar. 
Psicóticos (delírio de autorreferência) podem ter diagnóstico de ansiedade (características secundárias) 
e ficarem sem o tratamento adequado. Cuidado com os diagnósticos diferenciais (tentar entender a causa 
daquela ansiedade). 
• As situações sociais e de desempenho temidas são evitadas ou suportadas com intensa ansiedade ou 
sofrimento importante. 
• A esquiva, a antecipação ansiosa ou o sofrimento na situação social ou de desempenho temida 
interferem significativamente na rotina, no funcionamento social, em relacionamentos do indivíduo. 
• Tem insight. 
 
FOBIA ESPECÍFICA 
 
- FRAGMENTO CLÍNICO 3: LMC, 42 anos, médica, casada, dois filhos. Viajava normalmente de 
avião, até que aos 23 anos passou por uma enorme turbulência e nunca mais conseguiu viajar nesse meio 
de transporte. Apavora-se quando lhe sugerem uma viagem aoexterior. Ganhou uma passagem para a 
Europa de um laboratório e declinou da mesma, pois chegando no avião sentiu muito medo, taquicardia 
profusa, tremores e ansiedade intensa. Procurou ajuda pois começou a ter problemas com o marido em 
função da sua limitação para viagens. 
• Sofrimento apenas e só quando diante de um fator específico (presencialmente ou em pensamento). 
• Cuidado com a diferenciação de fobia específica de delírio simples/monotemático. 
 
- Conceito: 
• Medo intenso e persistente, excessivo ou irracional, egodistônico, revelado pela presença ou 
antecipação de um objeto ou situação fóbica. 
• Os indivíduos podem antecipar lesões ou podem ficar em pânico ante o pensamento de perder o 
controle. 
 
- Epidemiologia: 
• Transtorno mais comum nas mulheres e o segundo em homens (atrás de transtornos relacionados a 
substâncias). 
• Pico de início das fobias do tipo ambiental natural e do tipo sangue-injeção-ferimentos é dos 5 aos 9 
anos, enquanto que para fobias do tipo situacional é em torno dos 20 anos. 
• Interação entre uma genética constitucional e estressores ambientais. 
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- Inclui tipos distintos de fobia específica: 
• Tipo animal. 
• Tipo ambiente natural. 
• Tipo sangue-injeção-ferida: se diferencia dos outros pois bradicardia e hipotensão com frequência 
seguem a taquicardia inicial, que é comum a todas as fobias. 
• Outro tipo. 
 
- Os sintomas de medo ocorrem apenas na presença de um objeto específico. 
• É irracional e egodistônico. 
 
- Características clínicas: 
• A exposição ao estímulo fóbico provoca, quase que invariavelmente, uma resposta imediata de 
ansiedade, que pode assumir a forma de um Ataque de Pânico ligado à situação ou predisposto pela 
situação. 
• A situação fóbica é evitada ou suportada com intensa ansiedade ou sofrimento. 
• Interfere significativamente na rotina normal do indivíduo, em seu funcionamento ocupacional ou em 
atividades ou relacionamentos sociais. 
• Medo ou ansiedade desproporcional em relação ao perigo real. 
• Atitude contrafóbica  ansiedade oculta. 
. A maioria dos quadros responde bem a psicoterapia (pode ser medicado em situações pontuais, por 
exemplo, ao viajar de avião). 
• O comportamento evitativo impede um grande impacto funcional. 
 
TRANSTORNO DE PÂNICO 
 
- FRAGMENTO CLÍNICO 4: MAT, 45 anos, casada, três filhas, funcionária pública. Há dois meses, 
enquanto esperava o carro consertar, começou a sentir um estranho mal-estar. Sensação de calor pelo 
corpo, dispneia, como se algo lhe sufocasse, taquicardia e dor no peito. Tinha a impressão que estava 
tendo um infarto e que morreria rapidamente. Pediu ao mecânico que lhe levasse a um serviço de 
urgência. Chegando lá a sensação pior já tinha passado, mas ela ainda estava muito ansiosa, sobretudo 
porque acreditava estar tendo um problema físico grave. O médico a atendeu e foi submetida a vários 
exames, sem nenhum achado clínico significativo. A mesma crise se repetiu cerca de uma vez por 
semana nos próximos 3 meses, sem que houvesse uma situação específica desencadeadora dos sintomas: 
aconteceu no meio da noite, em festas familiares, saída noturna com amigos, indo para o trabalho e em 
casa descansando. 
 
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- Ataque de pânico: quadro intenso agudo de temor ou desconforto, acompanhado por sentimento de 
desgraça iminente, no qual quatro (ou mais) dos seguintes sintomas desenvolvem-se abruptamente e 
alcançam um pico em 10 minutos. 
• Palpitações ou ritmo cardíaco acelerado. 
• Sudorese. 
• Tremores ou abalos. 
• Sensações de falta de ar ou sufocamento. 
• Sensações de asfixia. 
• Dor ou desconforto torácico. 
• Sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio. 
• Desrealização (não reconhece a realidade - sensações de irrealidade) ou despersonalização (não 
reconhece a si mesmo - estar distanciado de si mesmo). 
• Parestesias. 
• Calafrios ou ondas de calor. 
• Medo de perder o controle ou enlouquecer. 
• Medo de morrer. 
 
- Ataque de pânico é diferente de transtorno de pânico (ataque com recorrência e repercussão). 
 
- Características do Transtorno de Pânico: 
• Ataques de Pânico recorrentes e inesperados (episódios). 
• Pelo menos 1 dos ataques foi seguido por 1 mês (ou mais) de uma (ou mais) das seguintes 
características (é seguido de uma repercussão): 
. Preocupação persistente acerca de ter ataques adicionais ou sobre suas consequências. 
. Uma mudança desadaptativa significativa no comportamento relacionada aos ataques. 
 
- Epidemiologia: 
• Altamente comórbido: cerca de 90% possuem ou têm pelo menos outro transtorno psiquiátrico. 
• Idade média de apresentação: 25 anos. 
• Mais comum nas mulheres. 
• Podem ter um gatilho psicológico ou podem ser completamente espontâneos. 
 
- Características clínicas: 
• Primeiro ataque com frequência é completamente espontâneo. 
• Período de 10 minutos de sintomas rapidamente crescentes. 
• Duração de 20 a 30 minutos e raramente mais de 1 hora. 
• Ruminação, dificuldade de fala, comprometimento da memória, confusão, dificuldade para concentrar. 
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• Sensação de morte e tragédia iminentes. 
• Ansiedade antecipatória. 
• Tentam sair de qualquer situação em que estejam e procurar auxílio. 
 
- Sintomas associados: 
• Sintomas depressivos. 
• Depressão pode coexistir. 
• Maior risco de suicídio. 
• Agorafobia, outras fobias e TOC podem coexistir. 
 
- Diagnóstico diferencial: 
• Clínicos: endocrinológicos, neuropatológicos, do sistema cardíaco e pulmonar. 
• Outros transtornos de ansiedade. 
 
TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA 
 
- Conceito: 
• Ansiedade e preocupação excessivas com vários eventos ou atividades (inúmeras temáticas) na maior 
parte dos dias durante um período de pelo menos seis meses. 
• Frequentemente acompanhada por tensão ou inquietação motora. 
• O indivíduo considera difícil controlar a preocupação. 
 
- Início no fim da adolescência ou início da vida adulta. 
 
- Sintomas causam prejuízo funcionamento social ou ocupacional e sofrimento significativos. 
 
- A ansiedade e a preocupação estão associadas com 3 (ou mais) dos seguintes 6 sintomas (com pelo 
menos alguns deles presentes na maioria dos dias nos últimos 6 meses). 
• Obs: apenas 1 item é exigido para crianças. 
1. Inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele. 
2. Fatigabilidade. 
3. Dificuldade em concentrar-se ou sensações de "branco" na mente. 
4. Irritabilidade. 
5. Tensão muscular. 
6. Perturbação do sono (dificuldades em conciliar ou manter o sono, ou sono insatisfatório e inquieto). 
 
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- Esses sintomas, são os fisiológicos da ansiedade normal. Porém aqui, a presença desses sintomas tem 
que resultar em dificuldade adaptativa e sofrimento intenso. 
 
TRANSTORNO DO ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO 
 
- Conceito: exposição a um evento traumático em que: 
• A pessoa vivenciou, testemunhou ou foi confrontada com um ou mais eventos que envolveram morte 
ou grave ferimento, reais ou ameaçados, ou uma ameaça à integridade física, própria ou de outros. 
• A resposta da pessoa envolveu intenso medo, impotência ou horror. 
. O paciente não consegue retomar suas atividades, pensamentos e organização de vida após aquele 
evento. 
 
- O evento traumático é persistentemente revivido em uma (ou mais) das seguintes maneiras: 
• Recordações aflitivas, recorrentes e intrusivas do evento, incluindo imagens, pensamentos ou 
percepções. 
• Sonhos aflitivos e recorrentes com o evento. 
• Agir ou sentir como se o evento traumático estivesse ocorrendo novamente. 
• Sofrimento psicológico intenso quando da exposição a indícios internos ouexternos que simbolizam 
ou lembram algum aspecto do evento traumático. 
 
- Esquiva persistente de estímulos associados com o trauma: 
• Esforços no sentido de evitar pensamentos, sentimentos ou conversas associadas com o trauma. 
• Esforços no sentido de evitar atividades, locais ou pessoas que ativem recordações do trauma. 
• Incapacidade de recordar algum aspecto importante do trauma. 
 
- Características clínicas: 
• Perturbação presente por pelo menos um mês. 
• Redução acentuada do interesse ou da participação em atividades significativas. 
• Sintomas persistentes de excitabilidade aumentada: dificuldade em conciliar ou manter o sono, 
irritabilidade, dificuldade em concentrar, hipervigilância, resposta de sobressalto exagerada. 
• Sensação de distanciamento ou afastamento em relação a outras pessoas. 
• Sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento do indivíduo. 
 
 
 
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TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO 
 
- Embora seja comórbido com outros transtornos de ansiedade, o TOC não é mais considerado um 
transtorno de ansiedade (tem mecanismo a mais, que não os dos transtornos ansiosos). Atualmente ele 
é um transtorno específico. 
• A ansiedade no TOC é mais uma repercussão do que uma causa. 
• TOC virou um quadro “borderline”: com transtorno ansioso, psicótico, etc. 
Ainda não há uma completa compreensão da fisiopatologia do TOC. 
 
- Conceito: 
• Sintomas que incluem pensamentos intrusivos, rituais, preocupações e compulsões. 
• Consomem tempo e interferem significativamente em sua rotina normal, funcionamento ocupacional. 
• Trazem sofrimento grave à pessoa. 
 
- Obsessão (pensamento): pensamento, sentimento, ideia ou uma sensação recorrentes ou intrusivos. 
• Não são meras preocupações excessivas com problemas da vida real. 
• A pessoa tenta ignorar ou suprimir tais pensamentos, impulsos ou imagens, ou neutralizá-los com 
algum outro pensamento ou ação. 
 
- Compulsão (ato volitivo): comportamento consciente, padronizado e recorrente. 
• Finalidade: reduzir ansiedade associada à obsessão  nem sempre é atingida. 
 
- Ao vir o pensamento obsessivo na minha cabeça, faço o ato neutralizador (compulsão). 
• Ex: vem o pensamento de que a porta não foi trancada. Vou lá e confiro. 
• A compulsão pode ser interna: Ex: ao vir um pensamento obsessivo ruim, faço uma oração. 
 
- O indivíduo percebe a irracionalidade da obsessão e sente que tanto ela quanto a compulsão são 
egodistônicas. 
 
- Possui grau de insight variável: de totalmente preservado a baixo insight. 
• Como vou diferenciar o paciente sem insight do paciente que delira? 
 
- Outras comorbidades são comuns. 
 
- Idade média de início: 20 anos 
• Pode se iniciar ainda na infância, podendo ser diagnosticada até mesmo em crianças de 2 anos de idade 
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- Padrões de sintomas: contaminação é o mais comum, dúvida patológica, pensamentos intrusivos, 
simetria etc. 
 
- Atenção: apenas a presença da obsessão caracteriza o TOC. 
 
- Tratamento: começamos com antidepressivos (doses mais altas), se não resolve, antipsicótico. 
• Ex: Clomipramina 200-250mg (primeira escolha), Fluvoxamina 200-250mg. 
• Episódio agudo: utilizar benzodiazepínico. 
• TOC de baixo insight pode-se usar antipsicótico no início. 
 
TRATAMENTO 
 
- Psicoterapias: 
• Terapia cognitivo e comportamental: primeira linha para a maioria dos transtornos. 
• Associadas à farmacoterapia. 
 
- Farmacoterapia: 
• ISRS. 
. Monoterapia. 
. Associados a TCC, benzodiazepínicos. 
. TP: fluoxetina, sertralina, paroxetina, fluvoxamina, citalopram, escitalopram. 
. Fobias, agorafobia: sertralina, paroxetina, fluvoxamina, escitalopram. 
. TAG, TEPT: sertralina, paroxetina, escitalopram. 
. TOC: fluvoxamina, sertralina, paroxetina. 
 
• IRSN: 
. Venlafaxina. 
. TAG, agorafobia, fobias, TP, TEPT. 
 
• Benzodiazepínicos: 
. Utilizados associados a ISRS, IRSN durante as primeiras semanas de tratamento devido à resposta 
mais rápida. Porém, devem ser desmamados pelo risco de dependência. 
. TP: alprazolam, lorazepam, diazepam, clonazepam. 
. Agorafobia, fobias: clonazepam e bromazepam. 
. TAG: alprazolam, lorazepam, diazepam. 
 
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• ADT tricíclicos (imipramina, clomipramina): 
. Segunda escolha, devido a menor tolerabilidade. 
. TP, TAG, TOC (clomipramina), TEPT. 
 
• Antipsicóticos atípicos. 
 
• Anticonvulsivantes. 
 
- - - - - - - 
 
- Lembrar de investigar COMO o paciente se sente quando está exposto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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VIII. ANSIOLÍTICOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ABORDAGEM GERAL 
 
* DIREÇÕES GERAIS 
 
- A abordagem combinada farmacológica + psicoterapia é sempre de escolha em relação à 
farmacoterapia isolada. 
• Caso leve: não há prejuízo na funcionalidade. Nesses casos, é indicada apenas a psicoterapia, porém, 
na maioria dos casos, as pessoas não têm acesso a uma psicoterapia (e de qualidade), acaba que os 
fármacos são comumente utilizados. 
• Caso grave: justifico internação involuntária para o Ministério Público quando há risco à vida (da 
própria pessoa ou de terceiros), ou quando precisamos fazer alguma medida clínica de estabilização que 
é arriscada se não houver acompanhamento clínico. 
. Você tem que fazer algum pacto com o paciente dentro da realidade dele (às vezes o médico precisa se 
submeter às regras do paciente) – trazer para a realidade real não funciona. 
- O manejo inclui a abordagem aguda e a abordagem a médio e longo prazo. 
• Na grande maioria das vezes, não eliminamos os sintomas: podemos tranquilizar, apaziguar, controlar, 
mas não necessariamente zerar (não podemos esquecer que há a ansiedade fisiológica, que temos que 
lidar com ela). 
• Temos que considerar o valor clínico de uma situação para aquela pessoa. 
- É comum ser necessário abordar queixas relacionadas ao sono em conjunto. 
- Três neurotransmissores principais estão associados à ansiedade e orientam a abordagem 
farmacológica: norepinefrina, serotonina e GABA. 
 
* MANEJO DO QUADRO AGUDO 
 
→ Benzodiazepínicos 
 
- São as medicações mais utilizadas. 
- Não tratam a ansiedade! 
- Início rápido. 
- O uso idealmente deve ser pontual e por tempo limitado. 
- Riscos: tolerância, dependência, abuso, acidentes diurnos, interação com álcool, comprometimento 
cognitivo. 
 
 
 
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- Mais utilizados: 
 
 
- Diferenças de meia-vida no grupo. 
• Escolhemos meia vida mais longa, quando queremos efeitos hipnóticos (diazepam, clonazepam 2mg). 
• Escolhemos meia vida mais curta, quando há quadros em picos, em episódios mais agudos (alprazolam, 
clonazepam em gotas). 
. O de meia vida curta apresenta perfil de dependência maior, pois produzem muito pico e produzem 
sensação de abstinência mais rapidamente. 
. Lorazepam: uso mais restrito a pacientes hepatopatas. 
 
→ Buspirona 
 
- Costuma ter uma ação eficaz. 
- Pode levar de 2-3 semanas para iniciar um efeito de controle de sintomas ansiosos efetivamente. 
• Tem estudos que mostram que na primeira aplicação já tem algum efeito, mas o melhor efeito se dá 
em 2-3 semanas. 
- Agonista parcial dos receptores 5-HT1A: normalmente não aumenta tanto o nível de serotonina. 
• Normalmente usamos para potencializar o efeito dos antidepressivos. 
- Vantagem de não ter geralmente o efeito sedativo. 
 
→ Outras opções podem sernecessárias 
 
- Antidepressivos tricíclicos: eficácia ruim, mas às vezes é a opção que tem (o efeito desejado aqui é o 
hipnótico). 
- Antagonistas beta-adrenérgicos (propranolol, etc): não é tratamento e nem a primeira opção, pode ser 
usado em situações pontuais. 
- Antipsicóticos atípicos (quetiapina 25mg, etc): pode auxiliar pacientes com contraindicação ao uso de 
benzodiazepínico (alcóolatra, idoso frágil – risco de queda). 
 
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* MANEJO A MÉDIO E LONGO PRAZO 
 
→ Antidepressivos são os fármacos de escolha 
 
- Os ISRS costumam ser a primeira indicação. 
• Para tratar ansiedade, podem ser efetivos em doses menores às doses antidepressivas. 
• Desafio: 2-4 semanas para iniciar o efeito, aumento de ansiedade adaptativa no início. Pode-se associar 
benzodiazepínico nesse momento. 
 
- Os IRSN são também aprovados. 
• Destaque dentro da classe para venlafaxina. 
• Desafio: 2-4 semanas para iniciar o efeito, aumento de ansiedade e efeitos somáticos noradrenérgicos. 
• Atenção: dose dual normalmente é mais alta, e fazemos a dose baixa (efeito similar aos ISRS). 
 
→ Outras opções podem ser necessárias 
 
- Antidepressivos tricíclicos: não são primeira escolha, mas pode ser necessário. 
- Antipsicóticos atípicos: quetiapina, aripiprazol. Na prática, são melhores. 
- Estabilizadores de humor - ácido valpróico, lítio. 
- Uma direção importante para a escolha é observar a comorbidade com outros transtornos mentais. 
 
- Ex: quetiapina (apresentação de 25mg, 50mg XR, 100mg, 200mg, 300mg) 
• Dose mínimo estabilizadora em TAB: 150mg. 
• Dose mínima antipsicótica: 300mg. 
• Efeito hipnótico: 25mg. 
• Ansiedade ao longo do dia: 50mg XR. 
. Atenção: isso não é uma regra, mas uma tendência. Pode ter uma pessoa com ansiedade, que só 
regulariza com 300mg, por exemplo. 
 
ABORDAGEM DIRECIONADA 
 
* DESTAQUES DE ESCOLHA CLÍNICA 
 
- Avaliar sempre quem é o seu paciente. 
- Aborda-se a pessoa e não seu diagnóstico. 
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- Considerar: comorbidades, tolerância a efeitos colaterais, interações medicamentosas, uso de 
substâncias, rotina, estilo de vida, prioridades, expectativas. 
 
* TRANSTORNO DO PÂNICO 
 
- Todos os ISRS são considerados efetivos e de primeira linha. 
- Entre os tricíclicos, clomipramina e imipramina são mais os mais efetivos. 
- Associações podem ser necessárias. 
- Os pacientes podem ser mais sensíveis e podem precisar de um ajuste mais gradual de dose. 
 
* TRANSTORNO DE ANSIEDADE SOCIAL 
 
- Costumam ser mais efetivos: ISRS, Venlafaxina (geralmente associados a benzodiazepínicos ou 
buspirona). 
- Antagonistas beta-adrenérgicos podem ser usados para situações de avaliação de desempenho. 
 
* TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA 
 
- Considerar a natureza crônica da ansiedade na escolha. 
• Lembrando que sempre começaremos com subdose em relação à dose antidepressiva, senão o paciente 
não tolera. 
 
 
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* QUEIXAS RELACIONADAS AO SONO 
 
- Muitas vezes o paciente só melhora do sono depois que tratar a ansiedade. 
• Temos que auxiliar o paciente a dormir, porque quanto menos dorme, mais ansioso ele fica. 
 
→ Fármacos benzodiazepínicos 
 
- Deixar nas 2-3 primeiras semanas e depois retirar. 
 
→ Fármacos não-benzodiazepínicos 
 
- Zolpidem, Zolpiclone e Zaleplon. 
• Vantagem de menor probabilidade de causar insônia rebote, meia vida mais curta. 
• Também já foram associados à abstinência e comprometimento cognitivo (diferente do esperado). 
 
- Trazodona (Donaren): 
• Maior uso como hipnótico que antidepressivo, associado à sonolência matinal, priapismo (efeito raro). 
• Começa com 50mg – 150mg. 
• A dose antidepressiva ´300mg, normalmente o paciente não tolera pela sonolência diurna. 
 
- Quetiapina: 
• Tornou-se o hipnótico mais usado em geral nos transtornos mentais, efetivo em baixas doses. 
 
- Outras possibilidades: 
• Gabapentina. 
• Pregabalina. 
• Anti-histamínicos (compostos de hidroxizina), prometazina. 
• Antidepressivos tricíclicos: evitar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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* 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IX. TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E 
HIPERATIVIDADE (TDAH) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ATENÇÃO: TDAH É UM TRANSTORNO DO NEURODESENVOLVIMENTO 
 
- A pessoa com TDAH é aquela que vive no mundo da lua e não para quieta? Não necessariamente. 
• “Não é raro que a criança chegue para a consulta neuropsiquiátrica já com o diagnóstico de TDAH, só 
porque parece não estar tão interessada na aula como a professora gostaria, ou nas tarefas escolares 
como a família espera.” 
 
- O TDAH (assim como o autismo) é um transtorno do neurodesenvolvimento. Assim, a genética é 
fundamental, além disso, transtornos na gestação podem favorecer sua ocorrência. 
• Transtorno do neurodesenvolvimento: transtorno que, quando estamos fazendo as bases 
neurobiológicas, afetam o modo como a base neurológica da pessoa se desenvolve. Assim, isso implica 
dizer que transtornos do neurodesenvolvimento aparecem de forma precoce, desde os primeiros anos de 
vida, porque o modo como foi o desenvolvimento neurológico está alterado. 
• Repetindo: não existe diagnostico de transtornos do neurodesenvolvimento sem alterações na infância. 
Os sintomas PRECISAM estar presentes na infância. 
. Ex: na esquizofrenia há um desenvolvimento normal e, em determinado momento, há uma quebra. 
Porém, no TDAH (assim como autismo e deficiência intelectual) o curso é diferente, uma vez que os 
sintomas estão presentes desde os primeiros anos de vida. 
 
- Sempre que pensarmos em TDAH, questionar: os sintomas estavam presentes na infância (primeiros 
12 anos)?? Só com isso já dá para excluir a hipótese para uma galera. 
• Atenção: a alteração de qualquer outra função (humor, ansiedade, TOC, psicose, uso de substâncias, 
etc) – alteram a atenção. Assim, alteração isolada da atenção não é TDAH. 
 
- Antigamente achávamos que a pessoa poderia ter um diagnóstico como predominantemente desatento, 
predominantemente hiperativo, ou misto. 
• Estudos mostram que no início da vida há predomínio dos sintomas hiperativos e, na adolescência / 
vida adulta, os sintomas evoluem para a predominância do quadro atencional. 
• O diagnóstico costuma não ser fechado na primeira infância: é uma avaliação difícil porque crianças 
comumente são hiperativas. 
 
- O diagnóstico engloba uma avaliação clínica: histórico, familiares, etc. 
• Um teste isolado não dá o diagnóstico: pode dar falso positivo e falso negativo. 
• Os testes podem na verdade ajudar a elucidar algumas questões (às vezes até mais para descartar outras 
situações). 
 
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* HISTÓRICO 
 
- Os sintomas de TDAH foram descritos pela primeira vez no início do século XX e, ao longo do tempo, 
os estudos foram evoluindo. 
• Transtorno descrito há mais de 160 anos. 
• Já recebeu diferentes terminologias. 
• Já recebeu diferentes hipóteses etiológicas. 
• Continua sendo um grande desafio na prática. 
 
 
 
MITO OU VERDADE? 
 
1. O DIAGNÓSTICO DE TDAH É MAIS COMUM NO BRASIL QUE EM OUTROS PAÍSES 
 
- Há uma variação grande na literatura, mas o Brasil fica perto da média de outros países. 
 
- O TDAH afeta 1:20 crianças/adolescentes. 
- Prevalência em todo o mundo: 
• Crianças 6,5%. 
• Adolescentes 2,7%. 
. Essa é uma prevalência alta. 
 
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2. O TDAH É UMA DOENÇA INVENTADAPOR LABORATÓRIOS PARA VENDER MAIS 
REMÉDIOS 
 
- Não. 
• Do ponto de vista médico, não existe duvida que esse quadro exista. 
• O que existe são muitos diagnósticos errados (pessoas com alguma dificuldade de aprendizado, mas 
sem TDAH). 
 
3. AS CAUSAS DO TDAH SÃO EDUCACIONAIS E PSICOSSOCIAIS 
 
- Base genética: 
• Base bem determinada. 
• Mesmo com base genética (pais com 
TDAH, por exemplo), pode ser que a criança 
não manifeste o quadro. 
• Quando há base genética, pode-se intervir 
antes que o quadro se manifeste. 
 
- Fatores ambientais: tempo de tela, 
violência, negligência. 
 
- Alterações neuroanatômicas e neuroquímicas. 
 
- Insultos ao SNC: hipóxia ao nascimento, epilepsia, infecção (qualquer insulto neurológico no 1º ano 
de vida). 
 
→ Etiologia 
 
- Variabilidade genética (estudos com irmãos). 
• Azul: concordância diagnóstica se o irmão é biológico, adotivo ou 
a população geral. 
. A carga genética tem um peso muito importante nesse diagnostico: 
compartilhar apenas o ambiente é menos importante. 
. A chance de TDAH quando alguém compartilha a genética e o 
ambiente, é maior do que quando apenas o ambiente é 
compartilhado. 
. A criança que vive no mesmo ambiente que outra, se não tiver genética, provavelmente não terá TDAH. 
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- Fatores ambientais (complicações na gravidez e no parto, uso de tabaco na gravidez). 
• O uso de cigarro na gestação não causa TDAH, isso é apenas um fator de vulnerabilidade: quando 
encontra um fator genético, por exemplo, aumenta a chance. 
• O ambiente dá outras questões (ansiedade, etc). Mas o transtorno de neurodesenvolvimento precisa 
encontrar a carga genética. 
 
4. O DIAGNÓSTICO DEVE SER FEITO POR MEIO DE ESCALAS E TESTES 
 
→ Diagnóstico 
 
- O diagnóstico é clínico. 
- Testes neuropsicológicos não devem usados com esse fim primariamente e sim para compreensão do 
perfil cognitivo do paciente: o teste apenas auxilia. 
- Neuroimagem e EEG não são necessários. 
• Não precisa de exame complementar, isso é mais para diagnóstico diferencial (epilepsia, tumor, etc). 
- Avaliação cuidadosa e sistemática de uma história persistente de sintomas e prejuízos. 
- Informantes independentes. 
- Início na infância e sintomas atuais em mais de dois locais, associados a prejuízo funcional 
significativo. 
• Não existe TDAH com início na vida adulta. 
 
- Como está estruturado o diagnostico hoje: 
• O paciente tem que pontuar 18 sintomas: 9 para hiperatividade/impulsividade e 9 para desatenção. 
• Diagnóstico: 6 ou mais em uma das esferas (a partir dos 17 anos - 5 ou mais). 
• Pelo menos em 2 ambientes/contextos tem que ter prejuízos significativos. 
• Surgimento nos primeiros 12 anos de vida (diagnóstico dado pelo menos a partir dos 12 anos) 
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→ Sinais clínicos 
 
- DESATENÇÃO: 
• Comete erros por descuido. 
• Distrai-se facilmente. 
• Parece não escutar. 
 
- HIPERATIVIDADE: 
• Fala em excesso. 
• Dificuldade de se manter parado. 
• Dificuldade de se manter em silêncio. 
 
- HIPERATIVIDADE / IMPULSIVIDADE: 
• Levanta-se quando deveria ficar sentado. 
• Inquietação. 
• Sempre ocupado e elétrico. 
• Respostas precipitadas. 
• Dificuldade de aguardar / intromissão. 
 
 
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- A classificação fala que pode ter predomínio de desatenção, de hiperatividade-impulsividade, ou 
combinado. Estudos recentes sugerem que há um curso característico para o TDAH (início com 
hiperatividade e desatenção posterior). 
 
 
 
→ Históricos clássicos 
 
 
 
→ Consequências clínicas 
 
- Dificuldades em funções executivas (organização, memória, planejamento, estratégia, manejo do 
tempo). 
- Dificuldade em se manter motivado e organizado frente a tarefas. 
- Dificuldades em sustentar a atenção por tempo considerável. 
- Dificuldades na coordenação motora. 
- Dificuldades de articular nível de alerta, esforço mental e velocidade de processamento. 
- Dificuldades e suportar frustrações e controlar as respostas emocionais. 
- Dificuldades no processamento e retenção de informações. 
- Dificuldades em inibir e regular respostas motoras e verbais. 
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→ Comorbidades 
 
 
 
→ Repercussões 
 
- Sociais. 
- Escolares. 
- Abuso de substâncias. 
- Exclusão social. 
- Problemas familiares. 
 
→ Comorbidade 
 
- Comorbidade é mais regra do que 
exceção! 
• Tem estudos que mostram que 90% dos 
pacientes tem comorbidades entre 
TDAH e outros transtornos psiquiátricos 
(ansiedade, humor, transtornos por uso 
de substâncias, transtornos de 
personalidade). 
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→ Diagnóstico diferencial 
 
- Difícil e desafiador na prática! 
 
 
 
→ Correlatos neurobiológicos 
 
- Estudos de neuroimagem funcional verificaram que as áreas predominantemente alteradas (não 
respondem aos neurotransmissores de forma normal, são menores e menos funcionais) são: córtex pré-
frontal (comportamento, função cognitiva – atenção), amígdalas (emoções – impulsividade), cerebelo 
(coordenação motora – descoordenação motora, agitação, dificuldade de andar de bicicleta, pular). 
 
- Os sintomas atencionais são relacionados à função executiva (tudo aquilo que eu preciso fazer até 
executar alguma coisa). A gestão de tempo para o TDAH pode ser extremamente difícil – pode ser que 
deixe atividade pela metade, pois no meio do processo ele vai dispersar e perder o interesse. 
• Paciente pode chegar com muita queixa de função executiva. 
• Pode ter repercussão da memória de trabalho. 
• Flexibilidade cognitiva baixa. 
 
- Importante: a dificuldade no TDAH não é controlar a atenção, é regular a atenção para sua afetividade. 
Todos nós prestamos atenção no que gostamos mais, porém, vivemos situações em que precisamos 
prestar atenção também no que não nos interessa. Normalmente conseguimos regular nossa atenção. No 
TDAH, se a pessoa não tem interesse, pode ser impossível que a pessoa consiga adaptar aquela atenção. 
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• A pessoa faz hiperfoco no que tem interesse dela, sem conseguir fazer o controle (tipo: agora parou, 
vou fazer outra coisa). O hiperfoco é um dos sintomas de TDAH, com dificuldade de flexibilização da 
atenção. 
• A pessoa pode ter alto rendimento na atividade que ela é interessada, mas não consegue fazer outra: 
temos que ter a capacidade de gestão de nossa atenção + autorregulação. 
 
- Hiperatividade e impulsividade: 
• A hiperatividade pode ser psíquica: a pessoa pode estar taquilálica. 
• A impulsividade pode ser motora: normalmente temos o controle inibitório dos nossos impulsos, mas 
no TDAH não. 
• A impulsividade pode ser nas palavras: pode ser aquela pessoa que parece ser muito sincera. 
 
5. TODO PACIENTE COM TDAH DEVE SER MEDICADO 
 
- Não. 
• Mas a terapia é importante: estudos comparando respostas dos pacientes, mostram que terapia 
combinada apresenta resposta superior a qualquer outra estratégia de forma isolada. 
 
 
 
→ Abordagem 
 
- A venda de Ritalina (metilfenidato) triplicou no Brasil nos últimos 5 anos. 
- Nos EUA, cerca de 9% das crianças são medicadas para TDAH. 
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- Quase 2 milhões de caixas são vendidas ao ano de Ritalina no Brasil. 
• Temos mais venda de medicação do que justificaria os nossos índices de prevalência. 
- A abordagem deve sera agitação do útero e do clitóris. 
• Hidroterapia: fadiga psicológica para liberação de secreções. 
• Lobotomia: desconectar o lobo frontal. 
• Eletrocovulsoterapia para apagar as memórias. 
• Berço de utica: para isolar os agitados. 
• Cadeira giratória: o desmaio para embaralhar o conteúdo do cérebro. 
 
- Muitas dessas técnicas foram mantidas até o início do século XX. Era preciso ameaçar esse movimento. 
 
- Nesse contexto surgiram duas escolas. 
1) Escola psicanalítica: existem coisas que não encontraremos a causa e que irão impactar a saúde mental 
(Charcot). 
• É necessário fazer uma análise retrospectiva de cada sujeito. 
• É preciso ir além da forma do fenômeno e procurar seu conteúdo e sua fonte (mecanismos 
inconscientes). 
• Tentativa de compreender o fenômeno psíquico. 
2) Escola fenomenológica. 
• Uma crítica à psicopatologia objetiva e subjetiva. 
• Proposta de um método descritivo de base para atingir as questões subjetivas. 
• A ciência viria como fruto de sistematização dos referentes externos + fenômenos psicológicos. 
 
- No Século XX, duas escolas dominavam: 
• Escola organicista: base neurobiológica dos fenômenos. 
• Escola psicanalítica. 
 
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→ Recorte genético-constitucional 
 
- Manuais classificatórios e início do uso dos psicofármacos. 
• Vantagens: necessário para o ponto de vista de pesquisa; reduz o viés subjetivo do examinador e do 
paciente; como os transtornos têm muitas implicações burocráticas e judiciais, eles têm que ser 
determinados de forma igual; é necessário um documento universal para padronização. 
• Desvantagens: empobrecimento e uso substitutivo da clínica (não deve ser um check list, é um 
referencial, uma vez que o trabalho é estatístico e mostra apenas uma média – nem todos estão na média 
daquela população. 
- Uma tentativa de delimitar e eliminar o fenômeno psíquico. 
 
- Seremos resistência: 
• Luta antimanicomial. 
• Reforma psiquiátrica. 
 • Política Nacional de Saúde Mental. 
 
→ Recorte epistêmico atual 
 
- Nosso momento é uma herança do percurso epistemológico da psiquiatria. 
- Temos manuais com grandes síndromes e macroconceitos, mas atualmente estamos em busca de 
micromoléculas e correlatos neurobiológicos (continuamos buscando as bases neurobiológicas). 
- Isso pode levar a interpretações e relatos superficiais do fenômeno psíquico. 
- Simplificação do contato e desconsideração do sujeito em sua totalidade. 
- Entrevistadores desconsideram seu papel e influência. 
- Retorno da política hospitalar centrada na figura do médico. 
 
CONCLUSÃO 
 
- O que é mais importante? 
• Saber descrever e considerar o fenômeno psíquico em sua profundidade, interpretando-o a partir do 
sujeito individual, influenciado pelo meio em que vive e pelos fatores do entrevistador? OU 
• Saber diagnosticar e considerar corretamente o tratamento farmacológico e não-farmacológico? 
. O mais importante é saber articular essas duas coisas! 
 
- O que queremos? 
• Formar médicos capazes de auto-refletirem e que… 
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• Reconheçam as facetas da relação médico-paciente e que… 
• Considerem o fenômeno psíquico em sua individualidade e complexidade, de forma contextualizada e 
que… 
• Considerem a conexão entre os fatores biológicos e sociais = o sujeito em seu território (identificar, 
diagnosticar e tratar corretamente um doente e não uma doença) e que… 
• Trabalhem em equipe a partir da construção de projetos terapêuticos singularizados 
 
- Questões em aberto: 
• O que aprendemos com o percurso da psiquiatria clássica? 
• Qual o lugar dado para o fenômeno psíquico hoje? 
• Como ser um bom médico no recorte epistêmico atual? 
• A neurobiologia superou a subjetividade? 
• Como pensar o momento atual da saúde mental? 
• Por que resgatar a entrevista e o exame do estado mental? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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* 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
II. TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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RELEMBRANDO 
 
* DELÍRIO 
 
→ Aspectos da convicção do delírio 
 
- Tem um caráter privativo/associal (não compartilhado). 
- É carregado afetivamente (há um núcleo temático, onde a vida da pessoa gira em torno daquilo). 
- É mantido com convicção, sendo irrefutável à argumentação. Mesmo com a apresentação de provas 
cabais, a pessoa permanece irredutível, não adianta contra argumentar (há certeza absoluta). 
- Tem, ao menos em seu surgimento, um caráter ilógico/ improvável. 
- É incompreensível (impenetrável). 
 
→ Egosintônico x egodistônico 
 
- Egosintônico: referência a comportamentos, sentimentos, ideias, crenças do indivíduo que se 
encontram de acordo, ou em harmonia/sintonia com o seu eu. 
- Egodistônico: aspectos do pensamento, dos impulsos, atitudes, comportamentos e sentimentos que 
contrariam e perturbam a própria pessoa. 
 
* SINTOMAS POSITIVOS E NEGATIVOS 
 
- Sintomas positivos: não estavam presentes na linha de base – o paciente vai para cima. 
• Ex: delírio, alucinação. 
 
- Sintoma negativo: o paciente tem, mas perde. 
• Ex: embotamento afetivo, hipobulia. 
 
INTRODUÇÃO 
 
* PERSONALIDADE 
 
- Conjunto integrado de traços psíquicos, consistindo no total das características individuais, em sua 
relação com o meio, incluindo todos os fatores físicos, biológicos, psíquicos e socioculturais de sua 
formação, conjugando as tendências inatas e experiências adquiridas no curso de sua existência. 
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- Duplo aspecto: relativamente estável ao longo da vida do indivíduo e relativamente dinâmico, 
dependendo de mudanças existenciais ou alterações neurobiológicas. 
- Etimologia: personalidade vem de persona, a máscara dos personagens do teatro. 
 
* DIMENSÕES 
 
→ Constituição corporal 
 
- Estabelece, em boa parte, o aspecto do indivíduo, sua aparência física, o perfil de seus gestos, sua voz, 
o estilo de seus movimentos. Tem significativa influência sobre as experiências psicológicas da pessoa 
ao longo da sua vida. 
 
→ Temperamento (o que trazemos) 
 
- Particularidades psicofisiológicas e psicológicas inatas. 
- É determinado por fatores genéticos, ou constitucionais precoces. 
- É difícil de se avaliar no adulto. 
 
→ Caráter (o que moldamos) 
 
- Soma dos traços de personalidade, expressos no modo de reagir perante a vida. 
- É o temperamento moldado. 
 
- Importante: 
• Os traços genéticos não são deterministas. Isso quer dizer que mesmo tendo herdado determinado 
traço, podemos moldá-lo à nossa maneira. 
• Em certos casos, o caráter se desenvolve no sentido oposto ao do temperamento. 
• Atenção a faltas e excessos. 
 
TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE 
 
* INTRODUÇÃO 
 
- A 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) define um transtorno 
da personalidade geral como um padrão persistente de experiência interna e comportamento que se 
desvia acentuadamente das expectativas da cultura do indivíduo. 
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- Estes transtornos são comuns e crônicos. 
- O diagnóstico de transtorno de personalidade é difícil. 
- Estes transtornos não são tratados com medicamentos, uma vez que as intervenções mais eficazes são 
relacionadas à psicoterapia. 
• Processo psicoterápico: objetiva que a pessoa enxergue de forma consciente as repetições que ela 
apresenta. 
 
* QUANDO PENSO EM UM TRANSTORNO DE PERSONALIDADE? 
 
- Geralmente, surgem na infância e adolescência e tendemcuidadosa, multidisciplinar e psicossocial, envolvendo o paciente, sua família 
e a escola. 
 
→ Psicofarmacologia 
 
- Psicoestimulantes (efeito dopaminérgico e noradrenérgico) são a base do tratamento. 
• Receita amarela. 
 
- Disponíveis no Brasil: 
 
• Metilfenidato comum tem ação de 4 horas. 
• SODAS (Ritalina): tempo de ação de até 8 horas. 
• OROS (Concerta): tempo de ação de até 12 horas. 
 
- Lisdexanfetamina (Venvanse): considerado o primeiro pró-fármaco (danfetamina) de ação estimulante 
para tratar TDAH. 
• Considerado de alta eficácia. 
• Meia vida semelhante ao Concerta: 12-13h 
 
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- Essas medicações só fazem efeito no momento da sua meia vida (não precisa usar todo dia, como um 
antidepressivo). 
- Qual vou prescrever? Escolho de acordo com a flutuação dos sintomas. 
• Se os sintomas são de manhã na escola, e depois tem estratégias compensatórias, faço ritalina. 
 
 
 
- Essas medicações têm perfil de dependência e tolerância (a pessoa precisa de doses cada vez maiores 
para ter o mesmo efeito). 
• É uma estratégia de curto prazo. 
• A medicação nunca deve ser a única medida, tem que ser somada a outras estratégias (psicoterápicas, 
psicopedagócigas), pois o paciente tem que entender de que modo ele regula a atenção dele. 
• Como é adrenérgica, esperamos efeitos colaterais de medicação adrenérgica: taquicardia, perda de 
peso, picos de cefaleia, redução de apetite, etc. 
 
 
 
 
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- Drogas não estimulantes: 
• Atomoxetina: promessa para pacientes que não toleram psicoestimulantes. 
• Bupropiona: efeito dopaminérgico e noradrenérgico, mas não tem os mesmos níveis de descarga dos 
psicoestimulantes (resposta inferior), sendo segunda linha. Pode ser usado em pacientes que não toleram 
os psicoestimulantes (pessoas com convulsão, por exemplo). 
• Antidepressivos tricíclicos. 
• Outros: clonidine, modafinil, ômega-3. 
 
6. O TDAH É UM TRANSTORNO DA INFÂNCIA QUE DESAPARECE NO FINAL DA 
ADOLESCÊNCIA 
 
- Falso. 
- O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento. O neurodesenvolvimento foi alterado e assim 
será. Há um predomínio da hiperatividade, que normalmente evolui para predomínio da desatenção 
- Dados: 
• 2 meninos: 1 menina 
• 3-7% crianças em idade escolar 
• 2-4% adolescentes 
• 4% adultos 
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* INVESTIGAÇÃO DIAGNÓSTICA 
 
- Questionar: 
1. Histórico dos sintomas (início, evolução). 
2. Fatores de exacerbação e alívio. 
3. Repercussões. 
4. Outras queixas associadas. 
5. Contexto atual. 
6. Antecedentes pessoais e familiares. 
 
- Nunca tirar a conclusão no primeiro atendimento. Fazer hipóteses e acompanhar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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* 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
X. AUTISMO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
 
* CONCEITOS IMPORTANTES 
 
- O bebê é um ser relacional e social, desde sempre. 
• Existem estudos que mostram que crianças com desenvolvimento típico, tem preferência pela face 
humana ao invés de outros estímulos (galinha pintadinha, por exemplo) – desde o nascimento. 
• Marco importante: sorriso social (resposta ao outro) com 1 mês. 
 
- O bebê é um ser competente e ativo, desde a vida intrauterina. 
• Se o bebê encontra condições, ele é capaz de fazer experiências para se desenvolver. Por exemplo, se 
o bebê tem objetos na sua frente, você não precisa falar com ele que ele tem que morder, empilhar etc – 
ele faz isso sozinho. 
 
- O bebê apresenta alegria na exploração e na descoberta, com curiosidade pelo novo. 
• É como se fosse um adulto indo viajar para um lugar novo. Tudo é interessante para eles. 
• Segundo um estudo, crianças com desenvolvimento típico, ao se deparar com um objeto diferente, 
apresentam vacilação: isso é olhar para o outro antes de tomar uma decisão. Assim, o interesse da criança 
não é exclusivamente no objeto, mas o olhar das pessoas também interessa a criança (a criança busca o 
olhar do outro, mesmo quando o interesse inicial é o objeto). Por sua vez, o bebê que apresenta mais 
interesse nos objetos do que nas relações com as pessoas, deve ser melhor observado. 
 
- Aprende progressivamente habilidades que dependem da qualidade da interação e do ambiente. 
• O bebê aprende imitando! Posteriormente vai desenvolvendo características próprias. 
• O desenvolvimento da criança depende da qualidade da interação – se ninguém interage com a criança, 
como ela irá se desenvolver? 
• Ao se deparar com um atraso do desenvolvimento, questionar: qual o ambiente essa criança está 
inserida? 
. Tela: apresenta apenas estímulo sensorial. É diferente da interação humana, pois o ser humano interage, 
responde com expressões (alegria, raiva, etc). Apesar de não aprender de forma cognitiva o significado 
das interações, o bebê compreende a interação. 
 
- O desenvolvimento neuropsicomotor é simultâneo e integrado (nossas habilidades cognitivas, 
emocionais e sociais são interligadas). A criança com autismo poderá ter impactos, em diferentes 
medidas, em diferentes áreas (todas as esferas são igualmente importantes e interdependentes). 
• Físico. 
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• Sensorial-motor. 
• Cognitivo. 
• Linguagem. 
• Afetivo-emocional. 
• Social. 
 
NEURODESENVOLVIMENTO 
 
- Marcos de linguagem: 
• Primeiros 6 meses: esperamos que o bebê vocalize, ou seja, emita uma vogal. 
• 6 meses a 1 ano: esperamos balbucios (vogal + consoante): má, pá. 
• 1 ano: se iniciam as primeiras palavras (com 1 ano e meio o bebê sabe cerca de 50 palavras). 
• A partir de 2 anos: frases (pelo menos duas palavras – as a junção não pode ser aleatória, deve ser com 
sentido e com o objetivo de se comunicar). 
. Atraso de linguagem: a primeira coisa a se fazer é descartar surdez. 
 
- Brincar: é uma manipulação criativa. 
• Durante os 2 primeiros anos, a criança brinca de uma forma sensório-motora (funcional): ocorre pela 
manipulação sensorial e motora de objetos ou de si mesmo. 
• Quando a criança vence esse período, ela começa a fazer representações mentais (faz de conta): 
“imagina que estamos em um avião – esse apontador é uma nave” – e ela consegue imaginar. 
. Faz de conta: transformar uma função original em outra imaginária. 
. Como vejo que a criança está conseguindo: quando ela está fazendo o brincar simbólico – ela faz de 
conta criando uma narrativa. 
. Criança com 3 anos que não brinca de faz de conta: primeira coisa é entender qual é o ambiente da 
criança. 
. Qual o problema do brincar simbólico pobre para a vida adulta? Quanto menos imaginativo você foi, 
mais inflexível e mais dificuldades de lidar com imprevistos. Por isso, é fundamental não só colocar a 
criança no kumon para estimular o desenvolvimento cognitivo, ela precisa ter a fase do brincar 
imaginativo (senão, a criança consegue resolver problemas, mas não sabe lidar com as frustrações). 
 
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- Teoria do Paul MacLean: cérebro 
triúnico, que se desenvolve de trás para 
frente (a última área a se desenvolver é 
o córtex pré-frontal). 
• Primeiros anos desenvolvemos com 
capacidades reptilianas, depois 
aprimoramos o sistema límbico, e por 
último desenvolvemos o córtex pré-
frontal. Assim, se formos estimular, 
temos que ir também nessa ordem. 
• Não adianta focarmos em ensinarmos vários idiomas para uma criança que não sabe regular suas 
próprias emoções, por exemplo. 
• Temos que sempreentender se a pessoa está progredindo, em todas as áreas, e em relação a ela mesma. 
 
- Todo quadro de neurodesenvolvimento implica em sintomas precoces ao longo da vida. 
• Os sintomas de autismo tem que estar presentes nos primeiros 3 anos. 
• TDAH: até 12 anos. 
 
- O neurodesenvolvimento depende de: 
• Fatores genéticos. 
• Fatores intrauterinos: tabagismo, desnutrição, etc. 
• Ambiente social. 
 
- O neurodesenvolvimento começa na concepção: quase todos os processos começam nessa etapa. 
Depois que crescemos, praticamente só garantimos que os neurônios irão funcionar. 
• Assim: o neurodesenvolvimento é altamente afetado pelo ambiente intrauterino e primeiros meses. 
 
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- Janelas de desenvolvimento: janela onde, se 
intervirmos ali, a criança terá a melhor 
resposta. 
• A melhor janela para intervir em questões 
sociais, linguagem: 1 anos de vida. 
• A melhor janela para intervir em questões 
cognitivas altas: primeiros anos de vida. 
. Quando a criança não está progredindo em 
linguagem, teoricamente teríamos que 
estimulá-la o mais rápido possível. Por 
exemplo, se um bebê tem 7 meses e não 
vocaliza, temos que intervir urgente! Entretanto não é o que acontece, de forma geral a intervenção é 
buscada mais tardiamente. 
 
- Lembrando que são fatores epigenéticos, ou seja, um fator genético encontra o fator ambiental 
(ambiente, estímulos, nutrição) – desencadeando os sintomas. 
 
 
 
 
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TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA 
 
* DEFINIÇÕES 
 
- É considerado um transtorno GLOBAL do desenvolvimento. 
- Sintomas com início nos primeiros 36 meses de vida. 
- 3 pilares: 
• Comunicação social. 
• Interação social. 
• Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades. 
 
 
 
- Dificuldades podem ser percebidas apenas com o aumento das demandas sociais. 
- Diagnóstico ainda tardio e frequentemente atrasado. 
- Prevalência: 4-5 meninos a cada 1 menina. 
• Há uma hipótese de que as mulheres podem ter uma capacidade de imitação maior, levando a um 
subdiagnóstico em meninas. 
• Tem havido um aumento na prevalência nos últimos anos (estudo dos EUA). Em 2023, a estimativa é 
que 1 a cada 36 crianças tenha autismo. 
 
 
 
 
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* ORIGEM 
 
- Origem genética + epigenética. 
- Concordância entre gêmeos (até 70% entre gêmeos idênticos). 
- História familiar frequentemente positiva. 
 
- Fatores de risco pré-natais: 
 
 
- Fatores natais: 
 
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- Fatores pós-natais: 
 
 
* MODELOS DE APRESENTAÇÃO DE SINTOMAS 
 
- Atrasos desde os primeiros anos de vida. 
- Regressão após o 2º ano (15-25%). 
• A curva da criança é progressiva para o desenvolvimento das habilidades. 
• Qualquer regressão de habilidades já adquiridas, de qualquer coisa em qualquer idade, é um sinal de 
risco. 
 
 
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* SINAIS DE RISCO 
 
 
 
- Interesse maior em objetos do que em faces. 
- Poucas expressões faciais. 
- Ausência de sorriso social. 
- Imitação pobre. 
- Jogo simbólico pobre. 
- Não apresenta ansiedade de separação (primeiros 2 anos): normalmente esperamos que a criança não 
vá com qualquer um, e precise de um tempo para se adaptar a pessoas novas. 
- Resposta pobre quando chamado pelo nome. 
- Não faz troca de turno comunicativa. 
- Pouco ou nenhum contato visual. 
- Atraso no desenvolvimento da linguagem. 
- Comportamentos repetitivos não intencionais. 
- Pouco interesse pelo ambiente e pessoas. 
- Brincadeira pobre e repetitiva. 
- Ausência do brincar de faz de conta. 
- Ausência de atenção compartilhada. 
- Pouco interesse pelos pares etários. 
- Dificuldade de entender ou ter auto-controle em situações sociais. 
- Seletividade alimentar. 
- Incômodos sensoriais. 
 
- M-CHAT: escala de triagem de sintomas (Google). 
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* CRITÉRIOS DIANÓSTICOS 
 
- DSM-5: tem uma edição revisada de 2023, que trouxe alterações nos especificadores. 
• Atenção: não há diagnóstico com sinal isolado. 
• Lembrar que o desenvolvimento cognitivo isolado não quer dizer adaptação social. 
 
 
 
A. Comunicação e interação social (em múltiplos contextos). 
• A comunicação que interessa é a ligada à interação social. 
• Alteração na comunicação social não é dificuldade de linguagem (falar ou não), mas sim dificuldade 
de usar a linguagem que tem para se comunicar (o que está sentindo, querendo, etc). 
• A alteração na fala é um sinal de alerta, mas não confirma. 
• Déficit na reciprocidade socioemocional: a pessoa não sabe como responder, buscando uma regra 
individual que não existe – as relações sociais exigem improviso. 
. Muitas vezes o isolamento social pode ser decorrente do medo de não saber como se portar do que pela 
vontade de ficar sozinho ou desinteresse pelo social. 
 
B. Padrões restritivos e repetitivos. 
• Pessoas tem uma tendência e apego a fazer as coisas da mesma forma, e não aceitam quebrar essa 
padronização. 
• Pode haver hipo ou hiper-reatividade a estímulos (táteis, gustativos, etc). As hiper-reatividades 
aparecem mais. 
 
 
 
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- Atenção: 70% das pessoas com autismo tem deficiência intelectual (quanto maior a deficiência 
intelectual, pior o prognóstico). 30% tem níveis na média ou acima da média. 
 
 
 
* DIANÓSTICO 
 
- Diagnóstico difícil e complexo. 
- Quadro heterogêneo, com diferentes perfis e gravidade. 
- Deve envolver uma avaliação multidisciplinar. 
- Não pode ser restrito à aplicação de escalas. 
- “Não devemos ser rápidos para diagnosticar, e sim para intervir”. 
 
* COMORBIDADES 
 
- Epilepsia (até 40% dos casos). 
• Epilepsia compartilha causa genética com autismo. 
- Síndromes genéticas: síndrome de Down, paralisia. 
- Problemas com o sono: são crianças com hiperestimulação cerebral, apresentam maior dificuldade 
para iniciar o sono e despertares noturnos. 
- Deficiência intelectual (até 70% dos casos), TDAH, transtornos ansiosos e depressivo, TOC. 
 
 
 
 
 
 
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* ESPECTRO = “AUTISMOS” 
 
- Existem várias formas de autismo. 
• Formas leves são difíceis de diagnosticar: exemplo – criança que fala, mas que tem alteração em 
interação social. 
 
 
 
 
* ABORDAGEM 
 
- Intervenção precoce!!! 
- Abordagem multidisciplinar integrada. 
- Equipe clínica + família + escola. 
- Uso de medicações apenas para sintomas-alvo (que colocam a pessoa em risco, muito disfuncionais – 
agitação psicomotora, agressividade) e comorbidades (depressão, ansiedade, etc). 
 
- O desenvolvimento é interacional = estímulo adequado, ambiente estimulante. 
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* ATENÇÃO 
 
- A avaliação cuidadosa do desenvolvimento infantil é a grande bússola da intervenção precoce. 
- Na dúvida, sempre encaminhar e avaliar. 
- Não aguardar queixas. 
- Valorizar a percepção dos pais. 
- Nenhum sintoma isolado caracteriza o diagnóstico. 
- Atraso de linguagem não é igual autismo. 
- É preciso ir além dos sinais óbvios. 
- É preciso enxergar o desenvolvimento em sua complexidade e não restrito ao cognitivo. 
- Atraso no desenvolvimento = sempre avaliar o ambiente. 
- “Cada criança tem seu tempo”. 
- É preciso conhecer para acolher corretamente a família. 
- A aposta é fundamental. 
 
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* 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
XI.TRANSTORNOS NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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TRANSTORNO DE OPOSIÇÃO DESAFIANTE (TOD) 
 
- Poucas crianças têm esse diagnóstico enquanto patologia mental – esse diagnóstico é mais dado do 
que realmente há. 
 
* DEFINIÇÕES 
 
→ Padrão contínuo e permanente 
 
- Recusar-se a obedecer regras e limites impostos por figuras de autoridade. 
- Agir com hostilidade frente a figuras de autoridade, com acessos de raiva, padrões de discussão e 
questionamento de adultos. 
- Colocar a culpa de erros em outros (inclusive de seu próprio comportamento). 
- Frequentemente agem com mentiras e omissões. 
 
→ DSM-5 
 
- Há pelo menos 6 meses, as seguintes categorias: 
• Humor raivoso/irritável. 
• Comportamento questionador/desafiante. 
• Índole vingativa. 
 
→ Outros aspectos 
 
- Manifestação com início mais comum na infância que na adolescência. 
- Mais comum no sexo masculino. 
- Etiologia multidimensional ainda não bem evidenciada. 
- Altas taxas de comorbidades: TDAH, transtornos do humor e ansiosos. 
 
* ABORDAGEM 
 
- Abordagem de múltiplas dimensões envolvidas: paciente, família, meio, rede de apoio, escola, fatores 
de proteção e de risco. 
- Risperidona tem a melhor evidência para melhora de comportamentos isolados, enquanto 
psicoestimulantes podem ser usados em comorbidade com TDAH. 
- Há regressão em cerca de 25% dos casos. 
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- Outros casos podem estabilizar ou evoluir para Transtorno de Conduta. 
 
TRANSTORNO DE CONDUTA 
 
- Parte da literatura considera um precursor da personalidade antissocial. 
 
* DEFINIÇÕES 
 
→ Padrão repetitivo e resistente de: 
 
- Desrespeito aos direitos básicos de terceiros, às normas ou regras sociais. 
- Entre outros comportamentos: ameaças, brigas físicas, crueldade com pessoas e/ou animais, ataques a 
propriedades de terceiros, falsidade ou furto, violações graves de regras. 
 
→ DSM-5 
 
- Emoções pró-sociais limitadas, pelo menos duas devem estar presentes: 
• Ausência de remorso ou culpa. 
• Insensibilidade/falta de empatia. 
• Despreocupação com o desempenho. 
• Afeto superficial ou deficiente. 
 
→ Outros aspectos 
 
- Com início na infância (antes dos 10 anos). 
- Com início na adolescência (após os 10 anos). 
- Início não especificado. 
- É um transtorno mais comum na adolescência. 
- É mais comum no sexo masculino. 
- Estudos demonstram um fator de hereditariedade importante, além de exposição a álcool e tabaco 
durante a gestação. 
- Altas taxas de comorbidade: TDAH, TOD, uso abusivo de álcool e substâncias ilícitas, QI rebaixado, 
deficiência intelectual. 
- Prognóstico mais reservado, sobretudo se início na infância, emoções pró-sociais limitadas, presença 
de comorbidades. 
 
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* ABORDAGEM 
 
- Difícil e complexa. 
- Psicoeducação familiar. 
- Psicoterapia. 
- Abordagem multidisciplinar: terapia ocupacional, psicopedagogia. 
- Abordagem farmacológica: risperidona melhor evidência. 
 
DEFICIÊNCIA INTELECTUAL 
 
* DEFINIÇÕES 
 
→ DSM-5 
 
- Presença de déficits no funcionamento intelectual. 
- Presença de déficits no funcionamento adaptativo (dificuldade de funcionamento social). 
- Início desses déficits durante o período de desenvolvimento. 
 
→ Outros aspectos 
 
- O funcionamento adaptativo se refere ao modo como o indivíduo enfrenta as exigências da vida comum 
e o quão satisfaz a independência pessoal esperada para sua faixa etária e sua comunidade. 
- Pode ser influenciado por: educação, motivação, personalidade, oportunidades sociais, vocações, 
presença de transtornos mentais ou condições médicas gerais. 
 
 
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- O teste de QI não é exigido para o diagnóstico, mas é um dado que pode contribuir significativamente. 
• Isoladamente não quer dizer deficiência intelectual. 
 
 
 
* ETIOLOGIA 
 
→ Fatores associados 
 
- Pré-natais (anterior à gestação até a 21ª semana). 
• Correspondem a 35% da população com retardo mental e incluem as seguintes etiologias: 
. Fatores genéticos: cromossômicos, gênicos. 
. Fatores ambientais: nutricionais, físicos, imunológicos, endocrinológicos, infecções, intoxicações, 
hipóxia. 
 
- Peri-natais (22ª semana de gestação até os 7 primeiros dias de vida). 
• Correspondem a aproximadamente 10% da população com retardo mental e incluem as seguintes 
etiologias: anoxia, traumatismos, prematuridade. 
 
- Pós-natais. 
• Correspondem a 5% da população com retardo mental e incluem as seguintes etiologias: infecções, 
traumatismos cranioencefálicos, fatores químicos, físicos, nutricionais e privações diversas. 
 
- Outros fatores: 
• Correspondem a aproximadamente 15-20% da população com retardo mental e incluem as seguintes 
etiologias: influências ambientais e outros transtornos mentais, incluindo privação de afeto e cuidados, 
privação de estimulação social, privação linguística, transtornos mentais graves. 
 
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* DIAGNÓSTICO 
 
- Anamnese completa. 
- Exame físico. 
- Avaliação compreensiva do desenvolvimento. 
- Screening sensorial completo (audiológico e visual). 
- Revisão do screening neonatal. 
- Avaliação genética. 
 
• Lembrando que a deficiência intelectual é um transtorno do neurodesenvolvimento, aparece cedo, 
assim como autismo e TDAH. 
 
TRANSTORNOS DO ADULTO 
 
* TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR 
 
- Segue os mesmos critérios, mas temos que estar atentos aos sinais de risco diferentes (irritabilidade, 
recusa a brincar) - embora os critérios sejam os mesmos, as manifestações não são da mesma forma. 
 
* TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR 
 
- Difícil de fazer diagnostico na infância. A irritabilidade é mais comum que a mania. 
 
* ESQUIZOFRENIA INFANTIL 
 
- Diagnostico difícil. A criança tem que ter ultrapassado pelo menos a fase cognitiva pré-operatória para 
pensarmos em delírio e alucinação. 
- Lembrar que a criança tem um mundo imaginário, por isso é mais observado na adolescência. 
- Atenção para isolamento social. 
 
* TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO 
 
- Diagnostico em criança e adolescente é difícil, mas os critérios são os mesmos. 
- Atenção para mudanças no comportamento, e alteração no interesse em atividades antes consideradas 
prazerosas. 
 
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* 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
XII. TRANSTORNOS POR SUBSTÂNCIAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO E VISÃO GERAL 
 
- A droga como parte da história da humanidade (ópio, cannabis, 
coca...). 
 
- “Transtornos por uso de substâncias são condições psiquiátricas 
complexas que, assim como outros transtornos psiquiátricos, tanto 
os fatores biológicos como as circunstâncias ambientais têm 
relevância etiológica”. 
 • Relacionado a prazer e a pertencimento. 
 
- Terminologia: 
• Dependência comportamental. 
• Dependência física. 
• Dependência psicológica (fissura). 
• Atuação nas áreas de recompensa. 
 
- Epidemiologia: a partir dos 12 anos (EUA). 
 
 
 
- Etiologia: 
• Multifatorial (fatores biopsicossociais): não tem causa determinada. 
. Se o paciente tem um transtorno psiquiátrico de base, ele tem uma chance maior de desenvolver 
dependência por uso de substâncias. 
. Dopamina: relação com atenção, humor, afeto,compulsões, movimentos involuntários. Assim, quando 
bloqueamos a dopamina (há uma patologia de base como a esquizofrenia, onde a medicação abaixa a 
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dopamina), a pessoa pode queixar de desânimo intenso, pouco desejo de convivência, pouca iniciativa 
social, baixo rendimento, tremendo. Então há uma chance maior da pessoa buscar uma substância 
dopaminérgica, como cocaína. 
. Bupropiona: potencializamos a primeira medicação quando paciente tem melhora do humor, mas não 
do afeto (anedonia, baixa energia). 
. Causa genética (não é igual a história familiar positiva). 
• O elemento central é o próprio comportamento de uso. 
• O início do uso pode levar ao processo de aprendizado, aumento da probabilidade de repetição do ato. 
Podendo levar também aos processos de: 
. Tolerância (diminuição dos efeitos colaterais). 
. Dependência física (abstinência). 
. Sensibilização dos sistemas motivacionais. 
 
- Comorbidades: 
• É mais a regra do que a exceção. 
• Diagnosticada em 50% dos adictos (álcool, cocaína ou opioides): pelo menos 50% apresentam um 
transtorno psiquiátrico comórbido. 
 
- A maioria dos transtornos psicóticos da adolescência estão relacionados ao uso de substâncias. Quanto 
mais cedo abre, mais grave. 
• Atenção: maconha aumenta a vulnerabilidade a esquizofrenia quando encontra predisposição genética. 
 
TRANSTORNOS RELACIONADOS AO ÁLCOOL 
 
* INTRODUÇÃO 
 
- Um dos transtornos psiquiátricos mais comuns no ocidente. 
- Causa alterações agudas e crônicas em quase todos sistemas neuroquímicos. 
- Causa sintomas psicológicos graves: depressão, ansiedade e psicoses. 
- Os transtorno aparecem em indivíduos de todas classes socioeconômicas. 
 
* COMORBIDADES 
 
- Relação com transtorno de personalidade antissocial. 
- 30 a 40% satisfazem critério para transtorno depressivo maior. 
- 25 a 50% satisfazem critério para transtorno de ansiedade. 
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- Prevalência de suicídio = 10 a 15% (pelo menos uma tentativa). 
 
* ETIOLOGIA 
 
- Psicológica: reduzir a tensão. 
- Psicodinâmica: desinibição, lida com o superego severo. 
- Comportamentais: expectativas quanto ao efeito de recompensa. 
- Socioculturais: variação do transtorno em diferentes culturas. 
- História infantil: pais afetados, déficit em testes neurocognitivos, histórico familiar + para transtornos 
como TDAH, transtorno de conduta e outros. 
- Genéticas: risco 3 a 4 vezes maior entre parentes próximos. 
 
* EFEITOS DO ÁLCOOL 
 
- Efeitos sobre o cérebro: 
• Uso agudo aumenta a fluidez dos receptores. 
• O uso crônico leva a rigidez das membranas, por isso associado a quadro demencial vascular. 
• Ativa os canais: acetilcolina nicotínicos, serotonina 5-HT3, GABA. 
• Inibe: glutamato e canais de cálcio. 
• O resultado final é uma depressão do SNC como um todo. 
. Por isso não se deve usar álcool com benzo, são duas substâncias de efeito GABA – pode induzir coma 
alcóolico mesmo com doses baixas. 
• Sono: redução da latência do sono e modificação da arquitetura (diminuição do REM e do sono 
profundo). 
- Fígado: lesões devido à toxicidade. 
- Gastrointestinais: esofagite, gastrite, acloridria e úlceras gástricas. 
- Outras: HAS (enrijecimento vascular a nível sistêmico), DCV, desregulação metabólica, interações 
medicamentosas, anemia megaloblástica. 
- Testes laboratoriais: gama GT elevado em 80% dos alcoolistas, VCM em 60 %, triglicerídeos, ALT e 
AST também podem estar aumentados. 
 
* DIAGNÓSTICO 
 
- Todas as substâncias seguirão o mesmo critério. 
- Estrutura: padrão problemático do uso da substância, com sofrimento, por pelo menos 1 ano – tem que 
ter 2 critérios. 
Pelo menos há 1 ano a pessoa tem que estar apresentando esses critérios. 
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* INTOXICAÇÃO 
 
- Sintomas progressivos da inibição do SNC. 
 
 
 
* ABSTINÊNCIA DE ÁLCOOL 
 
- Pode acontecer pela cessação da ingesta ou redução do volume ingerido normalmente, após uso 
crônico. 
- Sinais e sintomas: tremor (6 a 8 horas sem ingerir), convulsões tônico clônicas (12 a 24 horas), delirium 
tremens (primeiras 72 horas), sintomas psicóticos com características orgânicas (alucinações visuais, 
infestação, menos complexos), irritabilidades, náuseas, vômitos, hiperatividade simpática automômica. 
 
 
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* TRATAMENTO 
 
- Por causa do risco de síndrome de Wernicke nos alcoolistas, 100 mg de tiamina oral ou intramuscular 
devem ser fornecidos na admissão. O folato de 1 mg/dia oral também é um componente comum do 
regime de desintoxicação do álcool. 
Primeira coisa: tiamina, preferencialmente IM nos 3 primeiros dias, e vai pra casa oral. 
Só depois da tiamina faz a reposição de glicose – esperar algumas horas e fazer. 
 
 
 
→ Delirium tremens 
 
- Forma mais grave da abstinência alcoólica. 
- 20% de mortalidade se não tratada. 
- Caracteriza-se por delirium (alteração de nível de consciência) uma semana depois da cessação ou 
redução da ingestão. 
- Indicação de internação hospitalar. 
- Tratamento: prevenção com o tratamento estipulado anteriormente. 
- Uso crônico pode levar também à demência, evidenciado pelo aumento dos ventrículos cerebrais em 
exames de imagem. 
 
→ Síndrome de Wernicke-Korsakoff 
 
- Wernick: conjunto de sintomas agudos. 
• É reversível com o tratamento. 
• Ataxia, disfunção vestibular, anormalidade de motilidade ocular, nistagmo horizontal, paralisia orbital 
conjugal e paralisia conjugada. 
• Pode desaparecer em dias e semanas. 
• Tratamento: tiamina 100 mg VO 2 a 3x dia por 2 semanas. 
 
- Korsakoff: conjunto de sintomas crônicos. 
• Apenas 20% melhoram com o tratamento. 
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• Síndrome amnésica crônica. 
• Perda da memória recente e amnesia anterógrada, com ou sem confabulação (muito comum). 
. Confabulação: o paciente acredita naquilo que está falando. Familiar fala que o paciente “começou a 
mentir”. 
• Tratamento: tiamina 100 mg VO 2 a 3x dia por 3 a 12 meses. 
 
- Bom prognóstico: 
• Ausência de transtorno de personalidade associado. 
• Estabilidade geral na vida e rede de apoio. 
• Não interrupção do tratamento inicial. 
 
- Tratamento: complexo e multidisciplinar. 
• Confrontação. 
• Participação da família. 
• Desintoxicação (abstinência). 
• Reabilitação. 
• Medicamentos (dissulfiram, naltrexona e acamprosato). 
• Psicoterapia. 
• Rede de apoio social. 
 
TRANSTORNOS RELACIONADOS A CANNABIS 
 
* PREPARAÇÕES DE CANNABIS 
 
- Droga ilícita mais utilizada no mundo. 
- 4° droga psicoativa mais usada (cafeína, álcool e tabaco). 
- Epidemiologia: 
• 57% os usuários iniciaram antes dos 18 anos. 
• Uso 2x maior entre homens do que entre as mulheres. 
• Uso mais prevalente em jovens brancos. 
 
* NEUROFARMACOLOGIA 
 
- Δ-9-THC principal substância ativa: Age sobre receptores canabioides ligados a proteína G inibitória, 
encontrados os gânglios basais, hipocampo e no cerebelo. 
- Há controvérsia se os canabinoides estimulam os centros de recompensa do cérebro. 
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- Síndrome de abstinência ocorre após cessação do uso crônico de altas doses da droga. 
- Efeitos surgem minutos após se fumar, durando de 2 a 4 horas. 
 
* DIAGNÓSTICO E CLÍNICA 
 
- Hiperemia conjuntival, taquicardia leve, hipotensão ortostática (doses elevadas), “larica” e boca seca. 
- Inalação de hidrocarbonos carcinogênicos: risco aumentado para doenças respiratórias e CA de 
pulmão.- Relatos inconclusivos indicam que o uso crônico pode estar associado com: atrofia cerebral, 
susceptibilidade a convulsões, dano cromossômico, alteração da concentração de testosterona e 
desregulação do ciclo menstrual. 
 
* INTOXICAÇÃO POR CANNABIS 
 
- Aumento da sensibilidade a estímulos externos, cores mais brilhantes, impressão subjetiva de lentidão 
do tempo, despersonalização (não reconhecer a si mesmo) e desrealização (não reconhecer aquele lugar) 
em doses altas, prejuízo nas habilidades motoras!! 
 
* DELIRIUM 
 
- Prejuízo acentuado da cognição e do desempenho. 
 
* ABSTINÊNCIA 
 
- Insônia, sonhos vívidos ou perturbadores, irritabilidade, fissura, nervosismo, ansiedade, apetite 
reduzido, perda de peso, humor deprimido, inquietação, cefaleia, calafrios, dor estomacal, sudorese e 
tremores. 
 
* TRANSTORNO PSICÓTICO INDUZIDO POR CANNABIS 
 
- Sintomas psicóticos que surgem após o uso. 
- Ideação paranoide transitória é o mais comum. 
- Pode estar relacionado a um transtorno de personalidade preexistente do indivíduo afetado. 
 
* TRATAMENTO 
 
- Reduzir sintomas de abstinência: benzodiazepínico, antipsicótico. 
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- Tratamento de comorbidades. 
- Apoio socio-familiar. 
 
TRANSTORNOS RELACIONADOS A SEDATIVOS, HIPNÓTICOS OU 
ANSIOLÍTICOS 
 
* INTRODUÇÃO 
 
- Uso do efeito sedativo e indutor do sono. 
- Tem tolerância cruzada com o álcool. 
- A classe mais importante é a dos benzodiazepínicos. 
 
* EPIDEMIOLOGIA 
 
- 6-20% fazem uso de forma ilícita (sem prescrição ou acompanhamento). 
- Mais comumente usada na pela faixa etária de 26 aos 34 anos. 
- Mulheres 3:1 homens. 
- Brancos 2:1 negros. 
 
* NEUROFARMACOLOGIA 
 
- O Efeito é aumentar a afinidade pelos neurotransmissores endógenos, 
GABA, e aumentar o fluxo de íons de cloreto pelo canal no neurônio. O 
influxo é inibitório e hiperpolariza o neurônio relativo ao espaço 
extracelular. 
- Tem efeito depressor sobre o SNC. 
 
* DIAGNÓSTICO 
 
- Transtorno pelo uso: o mesmo utilizado para outras substâncias. 
- Intoxicação: incoordenação, disartria, nistagmo, prejuízo na memória, marcha instável, estupor, coma 
ou morte. 
 
 
 
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143 
 
* ABSTINÊNCIA 
 
- Depende da dosagem, tempo de meia vida. 
- Sintomas semelhantes a abstinência do álcool. 
 
* TRATAMENTO 
 
- Abstinência: 
• Benzo: carbamazepina para prevenção de convulsões. 
• Barbitúricos: 
. Deve-se tentar determinar a dose diária de uso e ir dessensibilizando aos poucos. 
. Verificar dosagem clinicamente. 
. Administrar uma dosagem de teste durante a intoxicação e ir reduzindo de acordo com a redução dos 
sintomas. 
 
- Overdose: 
• Lavagem gástrica. 
• Carvão ativado. 
• Monitoramento criterioso dos sinais vitais. 
 
TRANSTORNOS RELACIONADOS A ESTIMULANTES 
 
* COCAÍNA 
 
- É utilizada em seu estado natural a mais de 15 sec. 
- É um alcaloide derivado da planta Erythroxylum coca, nativa da América do Sul. 
- Suas folhas são mascadas pelos nativos para efeitos estimulantes. 
- Foi o primeiro anestésico tópico desenvolvido e é utilizada até hoje com esse princípio. 
 
* EPIDEMIOLOGIA 
 
- EUA 2012: 0,6% da população fez uso da substância no último ano. 
- 0,4% da população preencheu critério para dependência. 
- 2x mais comum entre homens. 
- Faixa etária de 18 aos 25 apresentaram o índice mais elevado de abuso. 
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- Embora o uso da cocaína tenha reduzido, os efeitos benéficos dessa redução têm sido anulados pelo 
aumento do uso de crack. 
 
→ Comorbidade 
 
- Grande taxa de comorbidades. Normalmente vem associada a uma comorbidade difícil de tratar. 
 
 
→ Etiologia 
 
- Fatores genéticos. 
- Fatores socioculturais. 
- Aprendizado e condicionamento. 
- Fatores farmacológicos. 
 
* NEUROFARMACOLOGIA 
 
- Bloqueio competitivo da receptação de dopamina pelo transportador dopaminérgico. 
- Os efeitos são sentidos quase imediatamente e duram um período de 30 a 60 min. 
- Os metabólitos podem estar presentes no sangue e urina até 10 dias. 
- Tem forte qualidade aditiva, podendo causar dependência psicológica após um único uso. 
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* DIAGNÓSTICO E CLÍNICA 
 
- Transtorno de uso: mesmos critérios usados anteriormente. 
- A dependência pode levar a queda das capacidades de lidar com obrigações e estresses, além de 
mudança abrupta da personalidade. 
 
- Sinais e sintomas de intoxicação por estimulantes: 
 
 
* ABSTINÊNCIA 
 
- Ansiedade, tremor, humor disfórico, letargia, fadiga, câimbra, sudorese e fome insaciável. 
- Atingem o ápice de 2 a 4 dias. 
 
* DELIRIUM 
 
- Mais comum em quadros que rebaixam o SNC. 
- Não tão frequentes em substâncias que estimulam. 
 
* TRANSTORNO PSICÓTICO INDUZIDO POR ESTIMULANTE 
 
- Delírios paranoides e alucinações em até 50% dos usuários. 
- Sensação de insetos rastejando pela pele. 
- Mais comuns com o uso do crack. 
 
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* TRATAMENTO DE REABILITAÇÃO 
 
- A experiência com a droga é positiva o que dificulta a busca de ajuda pelo usuário. 
- A fissura pela droga é um dos principais obstáculos. 
- Terapias psicossociais. 
- Terapias em rede. 
 
TRANSTORNOS RELACIONADOS AO TABACO 
 
* INTRODUÇÃO 
 
- Está entre as dependências mais prevalentes, mortais e caras do ponto de vista de saúde pública. 
- É um dos transtornos mais ignorados por não causar problemas comportamentais. 
- A maioria dos pacientes psiquiátricos é fumante e muitos morrem pelos efeitos da dependência do 
cigarro. 
- Os demais fumantes terão mais probabilidade de apresentar um distúrbio psiquiátrico. 
- Vários agentes farmacológicos hoje auxiliam os fumantes a deixar o hábito. 
 
* EPIDEMIOLOGIA 
 
- Os índices de tabagismo vem aumentando nos países em desenvolvimento. 
- A forma mais comum de consumo é fumando cigarros, mas pode sem em charutos, rapé, fumo de 
mascar e cachimbos. 
- A média de início é aos 16 anos. 
 
* NEUROFARMACOLOGIA 
 
- Nicotina é o componente psicoativo. 
- Ativa o sistema dopaminérgico de recompensa. 
- Aumenta as concentrações de: norepinfrina, epinefrina, vasopressina, endorfina, ACTH e cortisol, 
contribuindo para os efeitos estimuladores básicos. 
 
* DIAGNÓSTICO 
 
- O DSM-5 inclui um diagnóstico para transtorno por uso de tabaco caracterizado por fissura, uso 
persistente e recorrente, tolerância e abstinência se o uso for interrompido. O desenvolvimento de 
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147 
 
dependência de tabaco é rápido, provavelmente porque a nicotina ativa o sistema dopaminérgico da área 
tegmentar ventral, o mesmo sistema afetado por cocaína e anfetamina. 
 
- Abstinência de tabaco: 
• Os sintomas de abstinência podem se desenvolver em 2 horas após o consumo do último cigarro; eles 
geralmente atingem o auge nas primeiras 24 a 48 horas e podem durar semanas ou meses. 
• Os sintomas comuns incluem uma intensa fissura por tabaco, tensão, irritabilidade, dificuldade de 
concentração, sonolência e insônia paradoxal, redução da frequência cardíaca e da pressão arterial, 
aumento do apetite e ganho de peso, redução do desempenho motor e aumento da tensão muscular. 
 
* INTERVENÇÕES 
 
 
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* TRATAMENTO 
 
- Terapias psicossociais. 
- Terapias psicofarmacológicas: 
• Terapias de reposição de nicotina. 
• Medicamentos não nicotínicos. 
- Ambiente sem fumo.a permanecer relativamente estáveis longo 
da vida do indivíduo. 
• Atenção: esse diagnóstico NÃO é dado na infância (apesar de que traços de conduta precursores podem 
ser observados), e sim na adolescência-vida adulta. Isso porque a criança ainda pode viver experiências 
que irão moldar o seu caráter. 
• O padrão anormal é de longa duração, não limitado ao episódio de doença mental associada. 
- Manifestam um conjunto de comportamentos e reações afetivas claramente desarmônicos, envolvendo 
vários aspectos da vida do indivíduo. 
- Ou seja: são características permanentes, estáveis, generalizadas. 
 
→ Bases conceituais 
 
- Traços de personalidade são rígidos e mal-adaptativos. 
- Culminam em sofrimento subjetivo (geralmente tardio) ou prejuízo funcional, que se manifesta em 
pelos menos 2 das 4 áreas seguintes: 
• C: alteração da cognição. 
• A: alteração na afetividade. 
• F: alteração no funcionamento interpessoal. 
• I: alteração no controle de impulsos. 
. Impulso é egossintônico. 
. O comportamento impulsivo é egodistônico. 
- Sem relação direta com lesões orgânicas. 
- Maior propensão a negar seus problemas e a recusar auxílio psiquiátrico. 
 
- Observar então que o transtorno não é a presença/ausência de um traço, e sim a incapacidade 
adaptativa da pessoa frente a esses traços, com consequente sofrimento subjetivo e prejuízo funcional 
que se manifesta em pelo menos 2 de 4 áreas. 
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14 
 
• Ex: uma pessoa tem traços bordeline. Porém, apesar desses traços, ela consegue se adaptar, não há 
sofrimento/prejuízo. Assim, ela não tem o transtorno de personalidade borderline. 
Por sua vez, outra pessoa com os mesmos traços borderline não consegue se adaptar socialmente devido 
a esses traços, além disso, há sofrimento/prejuízo em pelo menos 2 áreas. Assim, essa pessoa tem o 
transtorno de personalidade borderline. 
• A presença de traços disfuncionais indica que o paciente tem que ser acompanhado mais de perto. De 
acordo com a idade, o quadro ainda pode abrir. 
 
- Atenção: é muito importante avaliar o contexto. 
• A grande maioria das pessoas tem dificuldade em se adaptar a algo em algum momento da vida. Porém, 
se a pessoa consegue se adaptar, provavelmente não há transtorno de personalidade. 
. Tecnicamente não precisamos buscar 100% de adaptabilidade para todos os seres humanos. Mas é 
importante que busquemos fornecer estratégias para que, quando a pessoa não estiver em suas condições 
ideais de vida, que aquela situação adversa não traga tanto sofrimento, e que ela consiga lidar com 
aquilo. 
• Se houver alteração de apenas 1 das 4 áreas, provavelmente não há transtorno de personalidade. 
 
* GRUPOS E SUBGRUPOS 
 
GRUPO A 
Característica estranhas 
ou de afastamento 
GRUPO B 
Características dramáticas, 
impulsivas ou erráticas 
GRUPO C 
Características de ansiedade 
e medo 
Paranoide Antissocial Obsessiva ou Anancástica 
Esquizoide Borderline Ansiosa ou De evitação 
Esquizotípica Histriônica Dependente 
 Narcisista 
 
- Grupos: 
A: Característica estranhas ou de afastamento – pessoas que não seguem norma social compartilhada. 
B: Características dramáticas, impulsivas ou erráticas – erráticos no sentido de repercussões judiciais, 
infrações. 
C: Características de ansiedade e medo – fóbicas. 
 
- Há essa divisão em grupo porque, às vezes, veremos um mesmo traço no mesmo grupo. 
 
- Obs: 
• Na psicanálise não existe normal e patológico, apenas formas de estar no mundo (neurótico, psicótico, 
perverso). Há a busca da melhor forma para aquele sujeito ficar bem. 
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15 
 
• A psiquiatria não usa termo psicanalítico. Então, apesar dos transtornos de personalidade também 
representarem formas de estar no mundo, eles se baseiam em lógica cognitivista – não fazer equivalência 
entre psiquiatria e psicanálise! 
 
GRUPO A 
 
* TRANSTORNO DE PERSONALIDADE PARANOIDE 
 
→ Aspectos importantes 
 
- DESCONFIANÇA EXCESSIVA (traço mais comum). 
• Essa desconfiança excessiva em relação a outras pessoas é 
expressa como uma tendência global de interpretar os atos dos 
outros como deliberadamente malévolos, ameaçadores, 
exploradores ou enganadores. Com frequência questionam, sem 
qualquer justificativa, a lealdade ou integridade de caráter de 
familiares, amigos ou sócios. 
• Importante: a pessoa não chega a fazer um delírio estruturado. Aqui, a interpretação é mais 
difusa/global (por exemplo, ao invés de achar que meu vizinho está tramando contra mim, acho que 
todos estão tramando). 
- Preocupação com explicações “conspiratórias”, sem fundamento em dados reais. 
• Atenção: embora algumas bases de seus argumentos possam ser falsas, sua fala é dirigida a objetivos 
e lógica. 
- Tendência a guardar rancores persistentemente (colecionador de injustiças) e a distorcer experiências 
por interpretar erroneamente ações neutras/amistosas como hostis/depreciativas. 
- Obstinado senso de direitos pessoais e sensação de estar sendo injustiçado em relação a esses direitos, 
em desacordo com a situação real. 
- Suspeitas recorrentes, sem justificativa, com respeito à fidelidade sexual do parceiro (são cônjuges 
patologicamente ciumentos e mal-humorados). 
- Autovalorização excessiva, manifesta por meio de atitude persistente de auto referência. 
- Sensibilidade excessiva a rejeições e contratempos (costuma ser hostil e irritável). 
- Seus modos são com frequência sérios e sem humor. 
- No exame psiquiátrico, pacientes paranoides podem apresentar modos formais e agir perplexos por 
terem que buscar ajuda psiquiátrica. 
• Raramente buscam terapia por si mesmos. Ao serem encaminhados para tratamento por alguém, 
conseguem se recompor e demonstrar falta de sofrimento. 
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16 
 
→ Epidemiologia 
 
- Prevalência: 2 a 4 % da população em geral. 
- Diagnosticado com maior frequência em homens. 
 
→ Diagnóstico diferencial 
 
- Transtorno delirante: no transtorno de 
personalidade paranoide há ausência de delírios 
fixos. 
- Esquizofrenia paranoide: no transtorno de 
personalidade paranoide não há alucinações nem 
um transtorno manifesto do pensamento. 
- Transtorno de personalidade borderline: 
pacientes com transtorno de personalidade 
paranoide raramente são capazes de desenvolver 
um envolvimento excessivo ou relacionamentos 
tumultuosos com outras pessoas. 
- Transtorno de personalidade esquizoide: 
esquizoides são retraídos e indiferentes, além disso 
não apresentam ideação paranoide. 
 
→ Curso e prognóstico 
 
- De forma geral, há problemas vitalícios na convivência com outras pessoas. Problemas conjugais e 
profissionais são comuns. 
- Em alguns, o transtorno é vitalício; em outros, um prenúncio de esquizofrenia. 
 
→ Tratamento 
 
- Psicoterapia. 
- Farmacoterapia. 
 
 
 
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* TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIZOIDE 
 
→ Aspectos importantes 
 
- RETRAIMENTO SOCIAL (traço mais comum). 
• Indivíduos com esse transtorno costumam ser vistos pelos outros 
como excêntricos, isolados ou solitários. 
- Aparente frieza emocional: distanciamento afetivo, afeto 
embotado, introversão, desconforto com a interação humana. 
- Capacidade limitada para expressar sentimentos calorosos, ternos ou raiva. 
- Indiferença aparente à elogios ou críticas 
- Pouco interesse em ter atividade sexuais com terceiros. 
- Preferência, quase invariável, por atividades solitárias. 
- Preocupação excessiva com fantasias e introspecção. 
- Ausência de amigos íntimos e confidentes. 
- Insensibilidade em relação à normas/convenções sociais: isso ocorre porque há desinteresse, e não por 
uma necessidade de contravenção (antissocial) ou não compreensãodas normas (autismo do tipo leve). 
“Não vou adaptar o meu desejo de solitude para te agradar.” 
- Tendem a se direcionar para trabalhos solitários, à noite. 
- No exame psiquiátrico inicial, o paciente com 
transtorno da personalidade esquizoide pode parecer 
pouco à vontade. Ele raramente tolera contato visual. 
Algumas vezes, podem usar figuras de linguagem 
incomuns (como uma metáfora estranha), e podem 
ficar fascinados por objetos inanimados ou 
construtos metafísicos. 
 
→ Epidemiologia 
 
- Pode afetar até 5℅ da população. 
- Proporção de homens para mulheres de 2꞉1. 
 
→ Diagnóstico diferencial 
 
- Esquizofrenia. 
- Transtorno delirante. 
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18 
 
- Transtorno de personalidade paranoide: estes exibem maior envolvimento social, uma história de 
comportamento verbal agressivo e uma maior tendência a projetar seus sentimentos nos outros. 
 
→ Curso e prognóstico 
 
- Geralmente inicia na infância ou adolescência. 
- Tem longa duração, mas não é necessariamente vitalício. 
 
→ Tratamento 
 
- Psicoterapia. 
- Farmacoterapia. 
 
* TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIZOTÍPICA 
 
→ Aspectos importantes 
 
- ESTRANHOS OU EXCÊNTRICOS (traço mais comum). 
- Desconforto e incapacidade de ter relações interpessoais 
íntimas. 
• Agem de forma inadequada, sendo isolados (poucos ou 
nenhum amigo). 
• Dificuldade ainda em manter relacionamentos duradouros, se 
manter em um mesmo emprego. 
- Ideias e crenças estranhas (estranhas ao contexto cultural em 
que a pessoa vive), tendendo ao pensamento mágico. 
• Pensamento mágico: é quando atribuímos um valor objetivo a algo subjetivo (se o chinelo ficar virado, 
a mãe morre). 
- Pensamento vago, ou estereotipado. 
- Forma incomum de comunicação: sua fala pode ser distinta ou peculiar, pode fazer 
sentido apenas para eles mesmos e com frequência necessita de interpretação. 
- Experiências perceptivas incomuns, incluindo ilusões corporais. 
• Esses indivíduos podem ser supersticiosos ou alegar poderes de clarividência e acreditar 
ser dotados de poderes especiais de pensamento e insight. Seu mundo interior pode estar 
cheio de relacionamentos imaginários vívidos e temores e fantasias infantis. 
- Frequente ideia de auto referência. 
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- Podem desconhecer seus próprios sentimentos, mas 
ter extrema sensibilidade em relação ao sentimento 
dos outros (sobretudo os negativos, como de raiva). 
- No exame psiquiátrico, obter a história pode ser 
uma tarefa difícil devido a sua forma incomum de 
comunicação. 
 
→ Epidemiologia 
 
- Ocorre em cerca de 3℅ da população. 
- É diagnosticado com frequência em mulheres com 
síndrome do x frágil. 
 
→ Diagnóstico diferencial 
 
- Transtorno de personalidade esquizoide: no 
transtorno de personalidade esquizotípica há 
presença de excentricidades em seu comportamento, 
pensamento, percepção e comunicação 
- Esquizofrenia: no transtorno de personalidade 
esquizotípica há ausência de psicose (caso surjam 
sintomas psicóticos, eles são breves e fragmentados). 
 
→ Curso e prognóstico 
 
- A personalidade esquizotípica é a personalidade pré-mórbida do paciente com esquizofrenia. 
 
→ Tratamento 
 
- Psicoterapia. 
- Farmacoterapia. 
 
 
 
 
 
 
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20 
 
GRUPO B 
 
* TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTISSOCIAL 
 
- Chamado antigamente de psicopata. 
 
→ Aspectos importantes 
 
- CRUEL E SÁDICO (traço mais comum). 
- Indiferença e insensibilidade pelos sentimentos alheios. 
- Irresponsabilidade e desrespeito por normas, regras e 
obrigações sociais. 
• Embora se caracterize por atos contínuos de natureza antissocial ou criminosa, o transtorno não é 
sinônimo de criminalidade. Inclusive, os antissociais que matam são a minoria, existem pessoas com 
comportamento sádico nos mais diferentes contextos. 
- Incapacidade de manter relacionamentos, embora não haja dificuldades em estabelecê-los. 
- Muito baixa tolerância a frustração e baixo limiar para descarga de agressão. 
- Incapacidade de experimentar culpa e se arrepender com punições (“parecem não ter consciência”). 
- Culpa os outros e racionaliza seu comportamento. 
- Ausência de delírios ou outros sinais de pensamento irracional. 
- São manipuladores: com frequência podem convencer os outros a participar de esquemas para obter 
dinheiro fácil ou para alcançar fama ou notoriedade. 
- São mentirosos: indivíduos com esse transtorno não falam a verdade, e não se pode confiar neles para 
executar qualquer tipo de tarefa ou aderir a qualquer padrão convencional de moralidade. 
- No exame psiquiátrico, mesmo o clínico mais experiente pode ser enganado. Durante a entrevista, 
podem parecer calmos e confiáveis, mas, sob a máscara de sanidade, escondem tensão, hostilidade e 
fúria. 
• Atenção: indivíduos com transtorno da personalidade antissocial frequentemente podem parecer 
normais e até mesmo simpáticos e lisonjeiros. Suas histórias, no entanto, revelam perturbação do 
funcionamento de várias áreas da vida. Mentiras, vadiagem, fuga de casa, roubos, brigas, abuso de 
substancias ilegais são típicas e geralmente iniciam já na infância. Além disso, promiscuidade, abuso 
conjugal, abuso infantil e condução de veículos em estado de embriaguez são eventos comuns em suas 
vidas. 
• Os pacientes costumam demonstrar resultados de EEG anormais e leves sinais neurológicos que 
sugerem dano cerebral mínimo na infância, esses achados podem ser usados para confirmar a impressão 
clínica. 
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→ Epidemiologia 
 
- Prevalência entre 0,2 e 3%. 
- A prevalência mais elevada é encontrada entre 
amostras de homens com transtorno por uso de álcool 
(acima de 70%) e na população carcerária, na qual 
pode chegar a 75%. 
- Mais comum em homens. 
- Um padrão familiar está presente: o transtorno é 
cinco vezes mais comum entre parentes em primeiro 
grau. 
- O início do transtorno ocorre antes dos 15 anos de 
idade. 
 
→ Diagnóstico diferencial 
 
- Comportamento criminoso: o comportamento 
ilegal visa apenas a ganhos e não está acompanhado 
pelos traços de personalidade rígidos, mal-adaptativos e persistentes em diversas áreas da vida, que estão 
presentes em um transtorno de personalidade. 
- Abuso de substância: quando o comportamento antissocial é evidentemente secundário a abuso pré-
mórbido de álcool ou de outra substância, o diagnóstico de transtorno da personalidade antissocial não 
se justifica. 
- O diagnóstico não se justifica ainda quando deficiência intelectual, esquizofrenia ou mania podem 
explicar os sintomas. 
 
→ Curso e prognóstico 
 
- Curso ininterrupto com auge no fim da adolescência. 
- Podem apresentar queixas somáticas. 
 
→ Tratamento 
 
- Psicoterapia. 
- Farmacoterapia. 
 
 
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- Atenção: a pessoa com transtorno de personalidade antissocial é considerada punível pela justiça 
comum, como qualquer outra pessoa. O ponto é que pessoas com esse transtorno possuem seu juízo de 
realidade preservado, dessa forma, o crime é cometido em sã consciência. Pessoas com transtornos que 
rompem com a realidade são consideradas inimputáveis, sendo encaminhadas para manicômio 
judiciário, e penalizadas segundo seu quadro de base. O perito judiciário irá determinar se a pessoa tem 
condição de responder em liberdade ou não. 
 
* TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE 
 
- Indivíduos com transtorno da personalidade borderline encontram-se no limiar entre neurose e psicose. 
 
→ Aspectos importantes 
 
- INSTABILIDADE EMOCIONAL (traço mais comum). 
• Afeto, humor, comportamento, relações objetaise autoimagem 
extraordinariamente instáveis. 
• Quase sempre parecem estar em crise. 
- Esforços excessivos para evitar abandono imaginário. 
- Sentimento crônico de vazio e falta de significado para as 
coisas. 
• Quando pressionadas, frequentemente reclamam de como se sentem sempre deprimidas, apesar do 
turbilhão de outros afetos. 
- Há picos extremos de reações afetivas, com vivências intensas, porém, desaptativas. 
• Mudanças de humor são comuns. A pessoa pode estar inclinada a discussões em um momento, 
deprimida no momento seguinte e, mais tarde, se queixar de não ter sentimentos. 
• Qualquer coisa que acontece no meio é capaz de mexer com a pessoa de forma muito intensa. 
- Relacionamentos pessoais intensos e muito instáveis, oscilando em curtos períodos de uma grande 
paixão para ódio/rancor profundos. 
• Do ponto de vista funcional, esses pacientes distorcem seus relacionamentos caracterizando cada 
pessoa como totalmente boa ou totalmente má. 
• Deslocamentos de fidelidade de uma pessoa ou um grupo para outros são frequentes. 
• Na maioria das vezes, se colocam em posição submissa nos relacionamentos. 
• Elas podem ser dependentes das pessoas com quem têm intimidade e, quando se frustram, expressar 
uma grande raiva. 
• Para mitigar a solidão, mesmo que por breves períodos, aceitam um estranho como amigo ou se 
comportam de forma promíscua. 
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23 
 
- Dificuldades sérias e instabilidade com relação a 
autoimagem, aos objetivos e às preferências pessoais 
(inclusive a sexual). 
• Tendem a acreditar no que o outro acredita, ficando 
vulneráveis. 
- A natureza dolorosa de sua vida reflete-se em atos 
autodestrutivos repetidos: de autolesão (envolvendo-
se em situações perigosas) e suicidas. 
• Esse tipo de paciente pode cortar os pulsos e 
executar outras formas de automutilação para obter 
ajuda dos outros, para exprimir raiva ou para se 
anestesiar do afeto que o consome. 
• Não é algo elaborado, e sim, impulsivo. 
 
- Atenção: a pessoa pode ter borderline e fazer 
hipomania/mania (bipolar) ao longo da vida 
• Hipomania: sintomas com pelo menos 4 dias. 
• Mania: sintomas com pelo menos 1 semana. 
• Depressão: sintomas com pelo menos 2 semanas. 
 
→ Epidemiologia 
 
- Prevalência de aproximadamente 1 a 2℅. 
- Duas vezes mais comum em mulheres. 
 
→ Diagnóstico diferencial 
 
- Esquizofrenia: o borderline não apresenta episódios psicóticos prolongados, transtorno do pensamento 
e outros sinais clássicos de esquizofrenia. 
- Transtorno de personalidade paranoide: estes possuem suspeita extrema. 
 
→ Curso e prognóstico 
 
- Razoavelmente estável com pouca mudança ao longo do tempo. 
- Pacientes apresentam alta prevalência de episódios de transtorno depressivo maior. 
- O diagnóstico costuma ser estabelecido antes dos 40 anos. 
 
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→ Tratamento 
 
- Psicoterapia. 
- Farmacoterapia. 
 
* TRANSTORNO DE PERSONALIDADE HISTRIÔNICA 
 
→ Aspectos importantes 
 
- Dramatização, teatralidade, expressão exagerada das emoções. 
- Busca contínua de atenção, quer ser o centro das atenções (no fundo 
a pessoa se sente insegura). 
• Exibem ataques de raiva, choro e acusações quando não são o centro 
das atenções ou não estão recebendo elogios ou aprovação. 
• Tendem a exagerar seus pensamentos e sentimentos e fazem tudo soar 
mais importante do que realmente é. 
- Sedução inapropriada em aparência e comportamento. 
- Erotização inadequada. 
- Afetividade superficial, infantil e lábil. 
- Pouca tolerância às frustrações. 
- Sugestionabilidade aumentada, facilmente influenciado pelos outros ou pelas circunstâncias. 
- Junto com esses aspectos mais vistosos, costuma 
existir uma incapacidade de manter ligações 
profundas e duradouras. 
 
→ Epidemiologia 
 
- Prevalência em torno de 1 a 3℅. 
- Mais frequente em mulheres. 
 
→ Diagnóstico diferencial 
 
- Transtorno de personalidade borderline: no 
borderline, tentativas de suicídio, difusão de 
identidade e episódios psicóticos breves são mais 
prováveis. 
 
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→ Curso e prognóstico 
 
- Aparente diminuição de sintomas com a idade. 
- Podem ter problemas com abuso de substâncias e promiscuidade. 
 
→ Tratamento 
 
- Psicoterapia. 
- Farmacoterapia. 
 
* TRANSTORNO DE PERSONALIDADE NARCISISTA 
 
→ Aspectos importantes 
 
- Senso aguçado de autoimportância, sentimentos 
grandiosos de serem únicos (esperam tratamento 
especial), impressionante sentimento de merecimento e 
ausência de empatia (fingem simpatia apenas para 
atingir seus próprios objetivos egoístas). 
• São megalômanos. Ao conviver com um narcisista, se 
você faz à risca o que ele quer, fica tudo bem. Mas 
você não pode ter vontade própria. 
• Contudo, por trás dessas características, existe uma 
autoestima frágil (suscetíveis a depressão) e 
vulnerável às menores críticas (lidam mal com críticas 
e podem ficar com raiva quando alguém ousa criticá-
lo). 
- Querem que as coisas sejam do seu jeito – a 
exploração interpessoal é frequente. 
- Com frequência têm ambição de obter fama e 
fortuna. 
- Seus relacionamentos são pouco importantes, e 
podem deixar os outros furiosos por sua recusa em 
obedecer às regras convencionais de comportamento. 
 
 
 
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→ Epidemiologia 
 
- Prevalência de 1 a 6℅. 
- Passam para os filhos ideia irrealista de onipotência, grandiosidade, beleza e talento. Assim, os filhos, 
de pais com essas características podem apresentar um risco acima do normal de também desenvolverem 
o transtorno. 
 
→ Diagnóstico diferencial 
 
- Transtornos de personalidade borderline, histriônica e antissocial frequentemente acompanham o 
transtorno da personalidade narcisista, de modo que um diagnóstico diferencial é difícil. 
• Pacientes narcisistas têm menos ansiedade do que aqueles com transtorno da personalidade borderline 
e são menos propensos a uma vida caótica e a tentativas de suicídio. 
• Pacientes com transtorno da personalidade histriônica demonstram características de exibicionismo e 
manipulação interpessoal, que se assemelham àquelas dos pacientes com transtorno da personalidade 
narcisista. 
• Pacientes com transtorno da personalidade antissocial têm uma história de comportamento impulsivo 
muitas vezes associado a álcool ou a outra substância de abuso, o que gera problemas legais. 
 
→ Curso e prognóstico 
 
- Crônico e difícil de tratar. 
- Dificuldade em lidar com o envelhecimento (já que valorizam beleza, força e atributos da juventude), 
apresentando “crise de meia-idade”. 
 
→ Tratamento 
 
- Psicoterapia. 
- Farmacoterapia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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GRUPO C 
 
* TRANSTORNO DE PERSONALIDADE OBSESSIVA OU ANANCÁSTICA 
 
→ Aspectos importantes 
 
- ORGANIZAÇÃO E INDECISÃO (traço mais comum). 
• A organização se traduz em uma preocupação excessiva e 
obsessão por detalhes, regras, listas e ordem. Essas pessoas 
insistem em que as regras devem ser seguidas de forma 
rígida e não conseguem tolerar o que consideram infrações. 
• A indecisão resulta em dúvidas excessivas sobre assuntos 
irrelevantes. Além disso, temem cometer erros, por isso 
ruminam tomadas de decisão. 
• Há ainda um padrão global de perfeccionismo (que interfere na conclusão de tarefas) e inflexibilidade 
/ intolerância / teimosia (que atrapalha as relações interpessoais). 
- São incapazes de ceder e insistem de forma incomum para que os outros submetam-se exatamente à 
sua maneira de fazer as coisas. 
- Qualquer coisa que ameace a estabilidade 
percebida de sua rotina pode precipitarmuita 
ansiedade que, de outra forma, está ligada aos rituais 
que impõem às suas vidas e tentam impor aos outros. 
- As habilidades interpessoais são limitadas. A 
atitude é formal, rígida e distante. Não demonstram 
espontaneidade e seu humor costuma ser sério. 
- No exame psiquiátrico, esses pacientes podem ficar 
ansiosos por não estarem no controle da entrevista. 
Suas respostas a perguntas apresentam detalhamento 
incomum. 
 
→ Epidemiologia 
 
- Prevalência de 2 a 8%. 
- Mais comum em homens. 
- Pacientes costumam ter antecedentes 
caracterizados por disciplina rígida. 
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→ Diagnóstico diferencial 
 
- Traços obsessivos compulsivos: o diagnóstico de transtorno da personalidade é reservado para 
indivíduos com prejuízos significativos em seu desempenho profissional ou social. 
 
→ Curso e prognóstico 
 
- Variável e imprevisível. 
- São vulneráveis a mudanças inesperadas. 
- Transtornos depressivos, especialmente com início tardio, são comuns. 
 
→ Tratamento 
 
- Psicoterapia. 
- Farmacoterapia. 
 
* TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANSIOSA OU DE EVITAÇÃO 
 
→ Aspectos importantes 
 
- APREENSÃO (traço mais comum). 
- Constante apreensão, tensão e crença de ser socialmente incapaz. 
- Sensibilidade extrema a rejeição. 
- Expressam timidez e falta de autoconfiança: essas pessoas em geral são 
descritas com um complexo de inferioridade. 
- A ansiedade leva à evitação. Porém, embora tímidos, não são associais, 
demonstrando grande desejo por companhia (mas precisam de garantias 
muito fortes de aceitação sem críticas). 
• Sentem que são aquém do outro, e acabam se isolando por causa disso. 
“Não vou namorar, ninguém vai me querer mesmo.” 
• Quando se relacionam, se mostram ansiosas em agradar. 
- Interpretam comentários como sendo depreciativos ou ridicularizadores. 
• A recusa de qualquer pedido as leva ao retraimento. 
- Costumam assumir empregos que recebem pouca atenção. 
 
 
 
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→ Epidemiologia 
 
- Prevalência em torno de 2 a 3%. 
- Crianças com comportamento tímido podem ser 
mais suscetíveis. 
 
→ Diagnóstico diferencial 
 
- Transtorno de personalidade dependente: estes 
apresentam um medo maior de serem não amados, 
mas o quadro clínico pode ser indistinguível. 
 
→ Curso e prognóstico 
 
- Muitos são capazes de funcionar em ambiente protegido. 
- Caso seu sistema de apoio falhe, no entanto, ficam sujeitas a depressão, ansiedade e raiva. 
 
→ Tratamento 
 
- Psicoterapia. 
- Farmacoterapia. 
 
* TRANSTORNO DE PERSONALIDADE DEPENDENTE 
 
→ Aspectos importantes 
 
- DEPENDÊNCIA E SUBMISSÃO (traço mais comum). 
• Esse traço pode ser observado em todas as relações da pessoa. 
- Subordinação de suas próprias necessidades, às necessidades dos 
outros. 
- Delegam decisões importantes de sua vida a outros. 
- Não tem autoconfiança, evitando posições de liderança. 
- Tendência a aceitar cônjuges abusivos e infiéis. 
• Como não gostam de ficar sozinhos, indivíduos com esse transtorno 
buscam outras pessoas de quem possam depender. Seus 
relacionamentos, portanto, são distorcidos por sua necessidade de estar 
apegados à outra pessoa. 
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→ Epidemiologia 
 
- Prevalência estimada de 0,6%. 
- Mais comum em mulheres e crianças. 
 
→ Diagnóstico diferencial 
 
- Transtorno de personalidade histriônico. 
- Transtorno de personalidade borderline. 
 
→ Curso e prognóstico 
 
- Funcionamento ocupacional tende a ser 
comprometido: esses indivíduos não conseguem 
agir de modo independente, sem supervisão. 
- Relacionamentos sociais são limitados às pessoas 
de quem dependem, e muitos sofrem abuso físico ou 
mental porque não conseguem se impor. 
- Correm risco de desenvolver transtorno depressivo 
se perderem a pessoa de quem dependem, mas, com tratamento, o prognóstico é favorável. 
 
→ Tratamento 
 
- Psicoterapia. 
- Farmacoterapia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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* 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
III. ESQUIZOFRENIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ASPECTOS GERAIS 
 
* INTRODUÇÃO 
 
- A esquizofrenia engloba um grupo de transtornos com etiologias heterogêneas e inclui pacientes com 
apresentações clínicas, resposta ao tratamento e cursos da doença variáveis. 
- Refere-se a alterações cognitivas e funcionais, que cursam com alteração do comportamento, que 
podem ou não causar alucinações e delírios. 
- O efeito da doença é sempre grave e geralmente de longa duração. 
- Costuma começar antes dos 25 anos, persiste durante toda a vida. 
• Quanto mais cedo abrir o quadro, pior o prognóstico (alteração de cognição e funcionalidade). 
• A cada surto, há uma nova deterioração do quadro (cognitiva e funcional). Assim, quanto mais surtos, 
piores os sintomas negativos. 
• Em relação à população geral, no primeiro surto, já há comprometimento cognitivo (pelo quadro em 
si). 
- Afeta pessoas de todas as classes sociais. 
• Estressores sociais podem fazer o quadro abrir mais cedo. 
- Existem fatores de vulnerabilidade. 
• Fator epigenético: fator ambiental (maconha, por exemplo), que 
encontra o genético. 
- Sua natureza essencial ainda não foi esclarecida. 
- Diagnóstico: 
• Seu diagnóstico tem base inteiramente na história psiquiátrica e no 
exame do estado mental. 
• Atenção: não existe sinal patognomônico em saúde mental. 
• Muitos são diagnosticados apenas quando os sintomas positivos 
aparecem. Mas na verdade, esse quadro já pode ter começado há 
muito tempo com sintomas negativos. 
• O sintoma negativo não é rebaixamento do humor, e sim do afeto. 
Normalmente o paciente está eutímico, porém, o afeto está 
hipomodulado / embotado. 
- Não existe um exame laboratorial para esse transtorno. 
• Quando há um transtorno psicótico, é importante descartar: 
transtorno psicótico induzido pelo uso de substâncias (aguardar 
inclusive a saída do período de abstinência) e causas orgânicas 
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(anemia megaloplástica, tireotoxicoses, distúrbios hidroeletrolíticos, tumores de SNC, neurosífilis, 
neurotoxoplasmose, neuroHIV, encefalites em geral). 
• Deve-se pedir exames para excluir as principais causas orgânicas associadas. 
. Hemograma, vitamina B9 e B12: anemia megaloblástica. 
. Tiamina em alguns casos. 
. TSH e T4 livre: crises tireotóxicas. 
. Íons: pesquisa de distúrbios eletrolíticos. 
. Pesquisa de IST’s 
. Exame de neuroimagem. 
. Beta HCG: gestação e puerpério é fator de risco para qualquer transtorno mental. 
. FAN: se primeiro sintoma psicótico for em mulher jovem, suspeitar de neurolupus. 
- Quando estão presentes mais sintomas negativos, tem-se dificuldade em diferenciar, por exemplo, a 
esquizofrenia de um transtorno depressivo com psicose, transtorno de personalidade esquizoide. 
 
* HISTÓRIA 
 
- Embora seja o transtorno mais antigo, apenas no séc. XIX surgiu como uma condição médica 
merecedora de estudo e tratamento. 
- Figuras importantes na psiquiatria e na neurologia que estudaram o transtorno foram Emil Kraepelin 
(1856-1926) e Eugen Bleuler (1857-1939). 
- Emil Kraepelin: 
• Traduziu a démence précoce de Morel como dementia precox, um termo que enfatiza o processo 
cognitivo distinto (dementia) e o início precoce (precox). 
• Ele acreditava que a dementia precox estivesse curso, inevitavelmente, deteriorante. 
- Eugen Bleuler: 
• Cunhou o termoesquizofrenia para substituir dementia precox na literatura. Esse termo foi escolhido 
para representar a presença de cisões (frenia) entre pensamento, emoção e comportamento. 
• Enfatizou que, ao contrário do que Kraepelin pregava, a esquizofrenia não precisa ter curso 
deteriorante. 
• Identificou: 
. Sintomas fundamentais (ou primários): específicos da esquizofrenia, que incluíam pertubações 
associativas (frouxidão), perturbações afetivas, "autismo" e ambivalência, resumidos os 4 A’s: 
associação (perturbação na associação das ideias), afeto (perturbação), autismo e ambivalência. 
. Sintomas acessórios (ou secundários): alucinações e delírios. 
- Obs: antigamente, as pessoas com autismo recebiam diagnóstico de esquizofrenia ou retardo mental. 
 
 
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* EPIDEMIOLOGIA 
 
- Nos Estados Unidos, a prevalência de esquizofrenia ao longo da vida é de cerca de 1%, ou seja, em 
torno de uma pessoa em cada 100 irá desenvolver o transtorno durante sua vida. 
- É igualmente prevalente em homens e mulheres, com início mais precoce em homens (10-25 anos) e 
em mulheres entre 25-35 anos. 
- Os homens tem maior risco de ter sintomas negativos. 
- O início antes dos 10 anos ou após os 60 anos é extremamente raro. 
- Parentes biológicos em primeiro grau têm um risco 10 vezes maior de desenvolver a doença do que a 
população em geral. 
 
* ETIOLOGIA 
 
- Fatores genéticos: a probabilidade de uma pessoa ter esquizofrenia está correlacionada com a 
proximidade da relação com um parente afetado, em gêmeos monozigóticos há uma taxa de 
concordância para esquizofrenia de aproximadamente 50%. 
- Fatores bioquímicos: as hipóteses bioquímicas incluem os neurotransmissores dopamina, serotonina, 
norepinefrina, GABA, neuropeptídeos, glutamato e acetilcolina. 
- Neuropatologia: neuroimagens de pessoas vivas e exames neuropatológicos de tecidos cerebrais em 
autópsia envolveram o sistema límbico (amígdala, hipocampo e giro para-hipocampal) como um sítio 
potencial para o processo patológico primário em pelo menos alguns dos pacientes, o que, 
provavelmente, pode se entender para a maioria deles. 
• Cérebro mais atrofiado (redução das estruturas relacionadas ao sistema límbico), com 
ventriculomegalia compensatória. 
- Teorias psicossociais e psicanalíticas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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* CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DO DSM-5 
 
 
 
- O critério A do DSM sempre são sintomas obrigatórios. 
- Os pacientes são heterogêneos: não necessariamente precisa de delírios/alucinações. 
• Pacientes com discurso desorganizado e sintomas negativos, normalmente chegam no consultório, e 
recebemos o diagnóstico de depressão. 
. Obs: a depressão não é ficar triste com o que causa tristeza, é não conseguir realocar essa sensação ao 
longo do tempo. O deprimido tem que estar pelo menos 2 semanas com o sintoma. 
• Grande problema: exame do estado mental mal feito. Não suponha o humor de alguém! Tem que ter 
escuta. 
• A modulação do afeto é algo que não conseguimos simular, ela acontece independente de nós. 
- Atenção: 
• O humor é a percepção do estado basal afetivo - “tônus”. É aquilo de mais constante em seu estado 
afetivo. 
• O paciente deprimido está hipotímico, mas pode estar hipomodulado ou não. 
• O paciente eutímico pode ter o afeto hipomodulado / embotado. 
 
 
 
 
 
 
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* PROGNÓSTICO 
 
 
 
* CRITÉRIOS 
 
- Paranoide: 
• Caracteriza-se pela preocupação com um ou mais delírios ou alucinações auditivas frequentes (há 
sintomas positivos). 
• Classicamente é marcado por delírios de perseguição ou grandeza. 
• Pacientes com esse tipo tem seu primeiro episódio da doença em idade mais avançada e já 
estabeleceram uma vida social que pode ajudá-los a enfrentar a doença. 
• Demonstram menos regressão de suas faculdades mentais quando comparados a outros tipos. 
• Esses pacientes tendem a ser tensos, desconfiados, reservados e ás vezes hostis; também são capazes 
de se comportar de forma adequada. 
• Sua inteligência nas áreas que não são invadidas pela psicose tendem a permanecer intactas. 
. Como a parte cognitiva comumente é melhor preservada, este paciente tem melhor prognóstico. 
 
- Desorganizado: 
• Regressão acentuada para um comportamento primitivo, desinibido e desorganizado. 
• Seu início costuma ser precoce, antes dos 25 anos. 
• Seu transtorno do pensamento é pronunciado e o contato com a realidade é pobre. 
• Há grande desorganização comportamental: 
. Aparência pessoal é desleixada, comportamento social e as respostas emocionais são inadequados 
(explosão de risos sem razão aparente), sorrisos e caretas incongruentes também são comuns. 
. Comportamento é descrito como pueril ou insensato. 
. Há dificuldade de diferenciar esquizofrenia de deficiência intelectual. 
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- Catatônico: 
• Sua característica clássica é uma perturbação acentuada da função motora que pode envolver estupor, 
negativismo, rigidez, excitação ou posturas bizarras. 
. Estupor (sintoma obrigatório): alteração da psicomotricidade, que cursa com inibição da função motora 
sem alteração do nível de consciência. 
• Características associadas incluem estereotipias, maneirismos e flexibilidade cerácea (fica na posição 
que você coloca, como uma pessoa de cera), rigidez, imobilidade motora evidenciada por catalepsia ou 
atividade motora excessiva. 
• O mutismo (ausência de linguagem de causa psíquica) é particularmente comum. 
• Durante a excitação catatônica, os pacientes necessitam de supervisão constante para impedir que 
machuquem a si mesmos ou a outras pessoas. 
. Paciente esquizofrênico em estado catatônico: emergência – paciente não come, não vai ao banheiro. 
 
- Indiferenciado: 
• Pacientes que não são enquadrados em um subtipo com tanta facilidade. 
 
- Residual: 
• Caracteriza-se por evidências contínuas de transtorno esquizofrênico na ausência de um conjunto 
completo de sintomas ativos que satisfazem o diagnóstico de outro tipo de esquizofrenia. 
• Embotamento emocional, retraimento social, comportamento excêntrico, pensamento ilógico e 
frouxidão leve das associações são comuns. 
• Quando ocorrem delírios ou alucinações, não são nem proeminentes nem acompanhados de reações 
afetivas significativas. 
• Esses pacientes possuem anos de doença (20, 30). As ideias delirantes se apresentam cristalizadas 
(estão lá, mas não fazem mais o paciente agir ou ter uma grande resposta afetiva), com sintomas mais 
negativos crônicos. 
 
* CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
 
- Nenhum sinal ou sintoma clínico é patognomônico para esquizofrenia, portanto, a história do paciente 
é essencial para o diagnóstico do transtorno. 
- Os sintomas do paciente mudam ao longo do tempo. 
- Levar em conta o nível de escolaridade do paciente, sua capacidade intelectual e sua identidade 
cultural. 
 
 
 
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→ Sinais e sintomas pré-mórbidos 
 
- Personalidade esquizoide ou esquizotípica, caracterizados como quietos, passivos e introvertidos, com 
dificuldades sociais. 
- Infância com poucos amigos, padrão de isolamento social ou dificuldades de ajustamento. 
- Os sinais podem ser iniciados com queixas de sintomas somáticos; família pode notar funcionamento 
diferente nas atividades funcionais e sociais. 
- Outros: comportamento acentuadamente excêntrico, afeto anormal, discurso incomum, ideias bizarras 
e experiências perceptuais estranhas. 
 
→ Curso 
 
- De forma característica, os sintomas começam na adolescência e são seguidos pelo desenvolvimento 
de sintomas prodrômicos em um intervalode dias a alguns meses. 
• Trauma psicológico: fator de vulnerabilidade para abrir o quadro. 
• A genética não podemos fazer nada a respeito, mas no ambiente de desenvolvimento infantil podemos 
atuar. 
- Alterações sociais ou ambientais podem precipitar os sintomas perturbadores. 
- O curso clássico da esquizofrenia é de exacerbações e remissões. 
- A deterioração do funcionamento basal é cada vez maior após cada recaída da psicose – principal 
distinção da esquizofrenia e transtornos do humor. 
- Os sintomas positivos tendem a tornar-se menos graves com o tempo, enquanto os sintomas negativos 
podem aumentar em intensidade. 
 
→ Exame do estado mental 
 
- Humor, sentimento e afeto: são comuns responsividade emocional reduzida e emoções 
exageradamente ativas ou impróprias. 
- Sensopercepção: as alucinações mais comuns são as auditivas com vozes ameaçadoras, obscenas, 
acusatórias ou ofensivas. 
- Pensamento / juízo de realidade: pode haver delírios, esses são variados e podem assumir diversas 
formas; é caracterizado por uma concretude e simbolismo excessivos. 
- Orientação: os pacientes normalmente são orientados em relação a pessoa, tempo e lugar (orientação 
autopsíquica e alopsíquica sem alterações). 
- Memória: a memória costuma estar intacta, mas pode haver deficiências cognitivas menores. 
- Julgamento e insight: possuem insight pobre a respeito da natureza e da gravidade do seu transtorno. 
 
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* TRATAMENTO 
 
- Fase de manutenção: 
• O tratamento nessa fase consiste em prevenir recaída dos sintomas psicóticos e ajudar o paciente a 
melhorar seu nível de funcionamento. 
• A falta de adesão ao tratamento é muito alta (40-50% dos pacientes deixam de usar seu medicamento 
em 1 ou 2 anos). 
- Efeitos colaterais associados a isso: sintomas extrapiramidais, sedação, hipotensão postural, 
galactorréia, menstruação irregular. 
 
* CASOS 
 
 
1) Esquizofrenia (seria interessante nesse último ano entender se o tempo foi superior a 6 meses). 
2) Fazer diagnóstico de causas orgânicas. 
3) Sim, pois as falas indefinidas não nos informam se ele de fato é um risco para ele ou para terceiros. 
Deve-se hospitalizar pelo menos para estabilizar os sintomas, entender o contexto, suporte familiar, até 
que o paciente tenha condições de realizar o tratamento adequadamente e a longo prazo. 
 
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1) Transtorno de personalidade esquizoide (risco para esquizofrenia). 
2) Psicoterapia com suporte psicossocial. 
 
 
1) Transtorno de personalidade esquizotípica 
2) Recomendar que a criança vá para ambiente protegido e que a mãe seja acompanhada pelo serviço 
de saúde mental e serviços judiciais. 
 
Obs: todos os transtornos de personalidade do grupo A são mais propensos a desencadear esquizofrenia. 
 
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OUTROS TRANSTORNOS PSICÓTICOS 
 
* INTRODUÇÃO 
 
- Existe uma linha do tempo do acompanhamento, 
desde o momento em que a pessoa tem sintomas 
psicóticos, até quando concluímos que a pessoa tem 
diagnostico de esquizofrenia. 
• Tem que ser no mínimo 6 meses de repercussão para 
chamarmos de esquizofrenia. 
• Se tem menos tempo, chamamos de surto, episódio. 
 
- Há 2 cortes: 
• Transtorno psicótico breve: quando os sintomas são 
mais agudos e duram até um mês. Esse é o paciente que 
abriu o quadro de forma aguda, estabilizou e seguiu 
sem repercussões (retomou a vida). Isso é mais 
associado ao uso de sustâncias. 
• Transtorno esquizofreniforme: os sintomas passam de 1 mês, mas não chegam a 6 meses. Era um 
transtorno que tinha toda a forma de esquizofrenia, mas as repercussões não perduraram a longo prazo, 
e a pessoa volta para o nível de funcionamento normal. São pacientes de risco, mas há a possibilidade 
de a pessoa nunca evoluir para o diagnóstico de esquizofrenia. 
 
- Atenção: o aspecto principal não é o sintoma positivo, porque tratamos. O que avaliamos é a 
repercussão. Como a esquizofrenia é um quadro crônico, o paciente tem que ter repercussão a longo 
prazo (funcional, afetivo, funcionamento basal). Sempre investigar se o paciente voltou a se reengajar 
nas atividades que já desempenhava antes. 
• Não é porque controlamos o sintoma positivo, que a pessoa irá conseguir recuperar suas relações 
sociais. 
 
- No transtorno esquizoafetivo, a pessoa teve um momento com sintomas próprios de esquizofrenia (com 
transtorno psicótico e sem alteração do humor) e depois abriu um quadro de mania. Assim, há psicose 
com alteração de humor. 
 
 
 
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* TRANSTORNO ESQUIZOFRENIFORME 
 
→ Aspectos importantes 
 
- Semelhante à esquizofrenia, entretanto: 
• Duração: maior que 1 mês e menor que 6 meses. 
• Paciente retorna ao seu nível de funcionamento de linha de base após resolução do quadro. Atenção 
para episódios repetidos. 
• Geralmente não existe prejuízo no funcionamento socio-ocupacional. 
 
→ Epidemiologia 
 
- Mais comum em adolescentes e adultos jovens. 
- Incidência quase metade da esquizofrenia. 
 
→ Curso e prognóstico 
 
- 60-80% pode progredir para esquizofrenia. 
- Episódios repetidos → maior deterioração → maior chance de evolução para esquizofrenia. 
 
→ Tratamento 
 
- Sintomas são tratados com uso de antipsicóticos de 3 a 6 meses. 
- Resposta mais rápida a medicação que pacientes com esquizofrenia. 
- Episódios recorrentes: podemos associar estabilizadores de humor. 
- Psicoterapia. 
- Eletroconvulsoterapia para casos específicos. 
 
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* TRANSTORNO ESQUIZOAFETIVO 
 
→ Epidemiologia 
 
- Prevalência para vida toda: 0,5-0,8% 
- Na prática clínica, o diagnóstico costuma ser usado quando o 
clínico não tem certeza do diagnóstico. 
- Mulheres: maior prevalência e idade de início mais tardia. 
 
→ Características clínicas 
 
- Deve haver período ininterrupto de episódio depressivo ou maníaco simultâneo com 2 ou mais critérios 
do grupo A para esquizofrenia 
- Presença de sintomas psicóticos positivos na ausência de sintomas de humor por pelo menos 2 
semanas. 
- Os sintomas de alteração de humor devem estar presentes na maior parte da duração das fases ativas e 
residual da doença. 
- Os sintomas não são causados por uso de substâncias ou condições médicas em geral. 
 
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→ Diagnóstico diferencial 
 
- Inclui todas as possibilidades consideradas para transtornos de humor e esquizofrenia. 
 
→ Curso e prognóstico 
 
- Presença crescente de sintomas esquizofrênicos: pior prognóstico. 
- Sintomas predominantemente afetivos: melhor prognóstico. 
 
→ Tratamento 
 
- Estabilizadores de humor. 
- Antipsicóticos. 
- Antidepressivos: para episódios depressivos maiores ou mistos. 
- Eletroconvulsoterapia: casos refratários. 
- Tratamento psicossocial. 
 
 
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* TRANSTORNO DELIRANTE 
 
- Delírios não-bizarros (possíveis) de pelo menos um mês de duração que não podem ser atribuídos a 
outros transtornos psiquiátricos. 
 
→ Epidemiologia 
 
- Idade média de início: 40 anos. 
- Homens: maior probabilidade delírios paranoides. 
- Mulheres: maior probabilidade delírios erotomaníacos. 
 
→ Diagnóstico 
 
- Delírios não-bizarros por no mínimo 1 mês. 
- Funcionamento não está acentuadamente prejudicado (exceto pelo impacto do delírio). 
- Ausência de alucinação proeminente e embotamento afetivo. 
 
→ Características clínicas 
 
- Indivíduos com funcionamento habitual, exceto pelo seu sistema delirante. 
-Humor consistente com conteúdo do delírio. 
- Quase nenhum insight. 
 
→ Fatores de risco associados com transtorno delirante 
 
- Idade avançada. 
- Comprometimento sensorial e isolamento. 
- História familiar. 
- Isolamento social. 
- Características da personalidade (ex: sensibilidade interpessoal incomum). 
- Imigração recente. 
 
→ Curso e prognóstico 
 
- Presença de estressor psicossocial geralmente acompanha o início do transtorno. 
- Início súbito mais comum. 
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- Cerca de 50% dos pacientes se recuperaram com acompanhamento a longo prazo, 20% mostram 
diminuição dos sintomas e 30% não exibem mudanças. 
 
→ Tratamento 
 
- Seu sucesso depende de uma relação médico-paciente efetiva e terapêutica, que é muito desafiadora. 
- Iniciar com baixas doses de antipsicótico e aumentá-las gradativamente. 
- Psicoterapia concomitante à medicação. 
- Considerar casos em que seja necessária hospitalização. 
 
 
 
* TRANSTORNO PSICÓTICO COMPARTILHADO 
 
- Transferência de delírios de uma pessoa para outra. Ambas têm um relacionamento próximo por longo 
tempo e tipicamente vivem juntas em relativo isolamento social. 
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- O indivíduo que começa a ter os delírios (o caso primário) é em geral é o membro mais influente de 
uma relação íntima com uma pessoa mais sugestionável (o caso secundário), que também desenvolve o 
delírio. 
 
→ Tratamento 
 
- Os pacientes devem ser separados. 
- Abordar quadro psicótico e a patologia de base do paciente primariamente afetado. 
 
* TRANSTORNO PSICÓTICO BREVE 
 
- Sintomas duram de um dia até um mês, e podem lembrar os da esquizofrenia (p. ex., delírios e 
alucinações). 
- Pode se desenvolver em resposta a um estressor psicossocial grave ou a um grupo de estressores. 
 
→ Epidemiologia 
 
- Maior frequência na segunda e terceira década e em mulheres. 
- Pessoas que passaram por grandes estressores psicossociais podem ter maior risco de transtorno 
psicótico breve subsequente. 
- Frequentemente visto em pacientes com transtorno de personalidade. 
 
→ Diagnóstico 
 
- Para sintomas psicóticos que duram pelo menos um dia, mas menos de um mês. 
- Não estão associados a transtorno do humor, transtorno relacionado a substâncias ou transtorno 
psicótico devido a uma condição médica geral. 
- Subtipos: 
• Presença de estressor. 
• Ausência de estressor. 
• Início no pós-parto. 
 
→ Curso e prognóstico 
 
- Cerca de metade dos pacientes classificados primeiramente como portadores de transtorno psicótico 
breve mais tarde passam a exibir síndromes psiquiátricas crônicas, como esquizofrenia ou transtornos 
do humor. 
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- Aspectos prognósticos positivos para transtorno psicótico breve. 
• Boa adaptação pré-mórbida. 
• Poucos traços esquizoides pré-mórbidos. 
• Estressor precipitante grave. 
• Início súbito dos sintomas. 
• Sintomas afetivos. 
• Confusão e perplexidade durante a psicose. 
• Pouco embotamento afetivo. 
• Curta duração dos sintomas. 
• Ausência de parentes com esquizofrenia. 
 
→ Tratamento 
 
- Hospitalização se necessária. 
- Farmacoterapia: antipsicóticos de base e benzodiazepínicos. 
- Psicoterapia. 
 
* REVISANDO E FECHANDO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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* 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IV. ANTIPSICÓTICOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
 
* VIAS DOPAMINÉRGICAS 
 
1ª – Via mesocortical (D1): cognição, emoção, afetividade. 
2ª – Via mesolímbica (D2): comportamento (manias). 
3ª – Via nigroestriatal (D2): controle motor. 
4ª – Túbero infundibular (D2): prolactina 
 
- Na esquizofrenia, ocorre: 
• Redução da via mesocortical (D1) - redução do córtex pré-frontal: sintomas NEGATIVOS. 
• Acentuação da via mesolímbica (D2) - aumento ventricular: sintomas POSITIVOS. 
 
 
 
ANTIPSICÓTICOS 
 
- Mecanismo de ação básico: reduzem a dopamina – fazem bloqueio dos receptores pós-sinápticos e 
autorreceptores de neurônios dopaminérgicos, inibindo a produção, liberação e ação da dopamina no 
SNC. 
• O receptor mais importante é o D2, relacionado a sintomas positivos. 
. O bloqueio de D2 pode resultar em sintomas motores (parkinsonismo secundário, SEP), pois D2 
também está na via nigroestriatal, responsável pelo controle motor. 
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- O tratamento não é só o controle dos sintomas positivos, pois existem diversos efeitos colaterais que 
podem estar associados. 
- Para que haja efeito antipsicótico, pelo menos 60% (em média) dos receptores devem estar bloqueados. 
- Os antipsicóticos são divididos em típicos e atípicos. 
• Como o receptor D2 é bloqueado em típicos e atípicos, isso implica dizer que ambos são igualmente 
eficazes em controlar sintomas positivos. 
• Os típicos são menos efetivos para o tratamento de sintomas negativos do que os atípicos. 
- A quantidade de mg utilizada não tem a ver com gravidade. Um pode bloquear com 2 mg, outros com 
8 mg, isso é individual (fatores epigenéticos). 
- A professora explicou que podemos iniciar com dose subterapêutica, pois a dose terapêutica é um 
media populacional. Senão, nunca saberei se o paciente resolve com uma dose menor (e quanto menor 
a dose, menos efeitos colaterais). Porém, é importante acompanhar o paciente bem de perto para ajustar, 
se necessário. 
 
* TÍPICOS (1ª GERAÇÃO): ANTAGONISTAS DO RECEPTOR DE DOPAMINA (ARDS) 
 
- Bloqueiam: D2, D1, D5. 
• Atuam em sintomas positivos: os antipsicóticos típicos parecem reduzir os sintomas psicóticos 
positivos ao inibirem a ligação da dopamina com os receptores D2. 
. Seus efeitos parecem derivar da inibição da neurotransmissão dopaminérgica na projeção mesolímbica 
da dopamina, enquanto os efeitos parkinsonianos adversos resultam do bloqueio da via nigroestriatal. 
• Entretanto, o bloqueio de D1 e D5 está mais associado a uma piora dos sintomas negativos. 
 
- O pico das concentrações costuma ser atingido em 1 a 4 horas após a administração oral e em 30 a 60 
minutos após a administração parenteral. 
• Vários medicamentos também estão disponíveis em forma parenteral podendo ser administrados por 
via intramuscular em situações de emergência, levando à obtenção mais rápida e mais confiável de 
concentrações plasmáticas terapêuticas do que é possível com a administração oral. 
 
- Efeitos colaterais: 
• Efeito colateral mais acentuado: SEP (grupo de alterações neurológicas). 
. Distonia aguda: manifesta-se como espasmo muscular tônico e súbito da língua, maxilar e pescoço. 
Normalmente ocorre nas primeiras horas ou dias após a administração do antipsicótico. Pode ser total e 
efetivamente evitada pelo uso concomitante de um antiparkinsoniano. 
. Parkinsonismo induzido pelo neuroléptico (pseudoparkinsonismo): ocorre normalmente entre 5 dias e 
4 semanas de tratamento. Manifesta-se com rigidez muscular, rigidez em roda dentada, postura instável, 
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hipomimia e até mesmo salivação são muito comuns. Raramente os indivíduos desenvolvem rigidez 
parkinsoniana grave incapacitante ou imobilizante. 
. Acinesia: caracteriza-se por inércia, inatividade e falta de movimentos espontâneos. Respondem tanto 
à administração de antiparkinsonianos quanto à redução na dose do antipsicótico. 
. Acatisia aguda: varia desde sensação subjetiva de desagrado com o desconforto muscular até um andar 
agitado, desesperado, acentuadamente disfórico. Pode ser experimentada

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