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Dermatofitose 
1. introdução 
A dermatofitose é uma doença de pele por infecção fúngica. Tem caráter infectocontagioso e zoonótico. Em 
pacientes imunocompetentes a doença é autolimitante em semanas ou meses. O tratamento é realizado a fim 
de encurtar o ciclo e diminuir chances de disseminação. 
2. visão geral da doença 
2.1 patógenos de importância 
Há mais de 30 espécies de organismos fúngicos dermatofílicos. Porem o estudo revisou as capazes de afetar 
animais de companhia, sendo elas as zoofílicas e em menor número geofílicas: 
Zoofílicas: adaptados a viverem em animais. Exemplos: 
• Microporum canis (cão e gato) 
• M. equinum (equinos) 
• M. persicolor (supostamente roedores) 
• M. nanum (suínos) 
• Trichophyton equinum (equinos) 
• T. verrucosum (bovinos) 
• Complexo Trichophyton mentagrophytes (roedores, coelhos, ouriços) 
Geofílicas: relacionadas a decomposição de queratina de pelos, penas e chifres. Se encontra no solo, nos 
produtos queratinizados que se desprendem dos hospedeiros vivos. Pouco patogênica, mas esporadicamente 
pode infectar humanos ou animais em contato com solo contaminado. Exemplos: 
• Complexo M. gypseum 
2.2 prevalência e fatores de risco 
O diagnóstico de dermatofitose não é um diagnostico comum em cães e gatos. O resultado de alguns estudos 
foram: 
• Entre 1407 gatos, apenas 45 testou para dermatofitose (estados unidos) 
• Entre 559 cães, apenas 3 testou para dermatofitose (reino unido) 
• Entre 419 cães, apenas 3 testou para dermatofitose (canada) 
• Entre 111 gatos, apenas 4 testou para dermatofitose (canada) 
• Entre 154 gatos, apenas 2 testou para dermatofitose (reino unido) 
Alguns fatores como: idades (animais mais jovens), estilo de vida (vive em grupos, sozinho...), animais de 
rua e locais quentes (Brasil, Chile, Índia, Itália, sul estados unidos...) são influentes na maior prevalência da 
ocorrência de dermatofitoses. 
Além disso, é mais comum isolar o fungo em animais com doença clínica em comparação com os 
assintomáticos. 
Estudos revelaram que o M. canis, a mais comum causa de dermatofitoses em cães e gatos não faz parte do 
microambiente natural da pele desses animais. Isolaram diversas espécies fúngicas, mas os dermatofitias não 
foram identificados. Logo, se sabe que esses fungos quando isolados em animais são como propágulos 
(forma de disseminação fúngica) ambientais presos nos pelos dos animais e não sua verdadeira flora. 
Doenças imunossupressoras são fatores predisponentes ao desenvolvimento de dermatofitoses, logo, gatos 
com FIV, FeLV, cães com leishmaniose e erliquiose... 
Predisposição por raça: os estudos indicaram indiretamente uma predisposição da raça persa e outros gatos 
de pelos longos (por sua alta incidência nesses animais). Em cães se destacou o Yorkshire Terrier, 
identificado como predisponente á dermatofitose superficial e infecções dermatofíticas. Destacou-se também 
os cães de trabalho, como: pointers de pelo curto alemão, fox terrier, labrador retriever, belgian groenendael, 
beagle, pointer, jack russel terrier, pastor alemão e jagdterrier), devido a maior contato com o solo 
contaminado. 
2.3 conclusões 
1.infecções dermatofíticas subcutânea foram mais encontradas em gatos persas e cães Yorkshire Terrier; 
2. cães de trabalho ou caça possuem maior exposição ao agente. As lesões deles são comummente 
superficiais e menos nodulares. 
3. o status soropositivo para FIV e/ou FeLV em gatos não aumenta por si só o risco das dermatofitoses. É 
necessário imunossupressão. 
2.4 patogenia e resposta imunológica 
Os dermatófitos apresentam forma infectante como: artrósporo, que é formado pela fragmentação de hifas 
fúngicas em pequenos esporos infectantes. Podem ser transmitidos de forma direta (animal para animal), ou 
através de fômites, ectoparasitas ou contato com ambiente contaminado. Como há diversas espécies 
dermatofíticas há também as particularidades em relação a transmissão; comumente a infec por 
Microsporum canis ocorre por contato direto entre animais, principalmente entre gatos (sendo ineficiente a 
transmissão em ambiente contaminado); já a maioria das infec por Trichophyton tem relação com contato 
com roedores infectados e/ou seus ninhos. E a infec por Microsporum gypseum está associada ao contato 
com solo infectado, por ser um agente geofílico, sendo essa a menos comum. 
A presença de microtraumas, como por prurido ou auto-traumas, umidade e ectoparasitas formam condições 
ótimas para o desenvolvimento dos dermatófitos. Em laboratório na indução da infecção foi necessário 
posterior abrasão da pele, sendo mantida úmida. A auto higienização que os gatos fazem é uma forma de 
controlar a infecção, sendo um mecanismo de defesa. 0 
Houve a identificação de três estágios da infecção: 1° aderência das formas infectantes (artroconídios) às 
células da barreira cutânea (corneócitos), ocorre em 2-6 horas após exposição, esse processo é mediado por 
enzimas. 2° é relativo à germinação dos conídios fúngicos, onde tubos germinativos saem dos artroconídios 
e penetram o estrato córneo, como raízes. Essa etapa pode durar de 4-24 horas aproximadamente. 3° relativo 
à invasão das camadas da pele pelos dermatófitos, ocorre quando as hifas invadem o estrato córneo e 
crescem em diversas direções, entrando nas estruturas queratinizadas, folículos... em 7 dias de incubação as 
hifas começam a formar novos artroconídios, completando assim o ciclo da vida fúngica. A lesão clínica 
surge normalmente após três semanas após a exposição. 
Os dermatófitos liberam enzimas que digerem tanto queratina, quanto clivam simultaneamente as ligações 
entre elas, ligações de dissulfeto de cisteína, através de processos bioquímicos, como uma bomba de efluxo 
de sulfito dos dermatófitos. Outro mecanismo patogênico descrito é a regulação da formação de sulfito a 
partir da cisteína, processo mediado por enzimas. Acredita-se que as enzimas secretadas pelos dermatófitos 
são definidas de forma a ser espécie especifico ao hospedeiro e a espécie do fungo; e essas diferentes 
enzimas podem interferir determinando a resposta inflamatória e imune do hospedeiro. 
 
 
 
Introdução 
• O que é a dermatofitose? É uma infecção fúngica causada pelos fungos dermatófitos que atinge 
superficialmente região cutânea, mais especificamente estrato córneo de pelos e unhas. 
• Quem são os dermatófitos? Existem aproximadamente 30 espécies de dermatófitos, sendo que 
relativamente poucas são capazes de infectar animais, sendo as principais: M. canis, Microsporum 
persicolor, Trichophyton spp., Trichophyton erinacei ou a espécie geofílica M. gypseum. 
• Como se reproduzem? Por reprodução assexuada formando esporos (conídios). E alguns ativam 
reprodução sexuada quando em contato com cepas do tipo oposto, formando esporos (ascósporos), 
que é o estado perfeito dos esporos. 
• Qual a prevalência? Infecção em gatos mundialmente está normalmente associado a M.canis. o M. 
gypseum está normalmente associado a infecções em locais úmidos, tropicais ou subtropicais, 
comumente em época de verão e outono. Pode ser comum infecção simultânea por mais de uma 
espécie de dermatófitos, normalmente M. gypseum e Trichophyton. 
Flora fúngica 
• Dermatófitos patogênicos não são considerados parte da flora fúngica de cães e gatos. 
• É possível isolar o fungo de animais clinicamente saudáveis. Que podem estar empenhando papel de 
portadores em infecção evidente ou subclínica. 
Epidemiologia 
• Não possui uma epidemiologia tão lucida, pois apesar de uma zoonose não é de notificação 
obrigatória e é pouco diagnosticada. 
• Há fatores que predispõem um animal: ambiente úmido, quente, debilitação, doenças concomitantes, 
doenças imunológicas, extremos de idade, comportamento agressivo, alojamento aglomerado, pelos 
longos, particularmente em gatos, pois o pelo se forma emaranhando protegendo os esporos da 
remoção mecânica por lambedura. 
Patogenia 
• Sua formainfectante são os artrósporos, formados a partir da fragmentação das hifas fúngicas. São 
pequenas partículas que podem ser transportados por corrente de ar ou poeira. 
• Transmitidos através de contato direto, ou através do contato com fragmentos 
infectados dos animais “perdidos” no ambiente, como pelos, escamas, unhas... pode 
também ser transmitido através de fômites ou parasitas que carregam mecanicamente 
os artrósporos. 
• Eles alcançam a pelagem, competem com os mecanismos de defesa e aderem aos 
queratinócitos, instalando a infecção. Após 6h da instalação aos queratinócitos, em 
condições de temperatura de 25° a 37° os esporos tendem a germinar. Tem período de 
incubação até desenvolver as lesões entre 1 a 3 semanas. 
• É difícil penetrar a pele sadia, então micro abrasões que sejam facilitam a entrada os 
esporos. Além de maior grau de hidratação da pele, pois a umidade facilita que o 
esporo penetre e favorece sua germinação. 
• A superfície seca da pele e a propriedade fungicida do soro e do sebo constituem 
mecanismos naturais de defesa. Além de o comportamento natural de lambedura dos 
gatos que distribui o sebo de áreas mais concentradas (queixo e dorso) para as menos 
concentradas e remove mecanicamente os esporos. 
• Cada gênero tem sua fonte de infecção típica. Por M. canis normalmente é o contato 
com gato infectado ou fômites. Já o Trichophyton se associa normalmente ao contato 
com roedores contaminados ou seus ninhos. O M. gypseum é geofílico, logo, esta 
presente em solos com bastante matéria orgânica, os animais são expostos ao cavar o 
chão contaminado. As espécies antropofilicas podem fazer transmissão antropo 
zoonótica de serem humanos contaminados para animais, porem isso raramente 
acontece. 
• É comum em ambientes quentes e úmidos que favorecem o crescimento dos fungos; 
instalações com grande numero de animais; excesso de banhos, tira sebo e soro com 
propriedade fungicida, aumenta a umidade da pele, remove células epidérmicas, que 
atuam como barreira mecânica. 
• É uma infecção que atinge pelos, folículos e estrato córneo. O pelo atingido fica frágil 
e se fragmentam com facilidade, infectando o ambiente com seus esporos. Essa é a 
forma principal de transmissão, pois esse material permanece por muitos meses 
infeccioso.