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1 UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO Curso de Fisioterapia DIOVANA APARECIDA OLIVEIRA GISSE SUÉLE DE CASTRO EFETIVIDADE DO PROTOCOLO OTAGO NO EQUILÍBRIO DE IDOSOS EM UM CENTRO DIA Bragança Paulista 2017 2 DIOVANA APARECIDA OLIVEIRA GISSE -001201302424 SUÉLE DE CASTRO -001201302727 EFETIVIDADE DO PROTOCOLO OTAGO NO EQUILÍBRIO DE IDOSOS EM UM CENTRO DIA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Fisioterapia da Universidade São Francisco, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Fisioterapia. Orientação temática: Prof.ª Ms. Michele Lacerda Pereira Ferrer Orientação metodológica: Prof.ª Ms. Grazielle Aurelina Fraga de Sousa. Bragança Paulista 2017 4 DIOVANA APARECIDA OLIVEIRA GISSE SUÉLE DE CASTRO EFETIVIDADE DO PROTOCOLO OTAGO NO EQUILÍBRIO DE IDOSOS EM UM CENTRO DIA Banca examinadora: ______________________________________________________ Prof.ª Ms. Michele Lacerda Pereira Ferrer (Orientadora Temática) Universidade São Francisco ______________________________________________________ Profª. Ms. Grazielle Aurelina Fraga de Sousa (Orientadora Metodológica) Universidade São Francisco Prof. Ms. Cristiano da Rosa (Convidado) Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Fisioterapia da Universidade São Francisco, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Fisioterapia. Data da Aprovação: __/__/__. 4 AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus por ter me dado sabedoria e me sustentado até aqui e qυе permitiu qυе tudo isso acontecesse ао longo dе minha vida. Agradeço meu marido Fernando que sempre esteve ao meu lado, me apoiando, me ajudando principalmente na realização deste trabalho com sua paciência e carinho, а minha mãе Neide, heroína qυе mе dеυ apoio, incentivo nаs horas difíceis, de desânimo е cansaço. Ao mеυ pai Hélio, qυе apesar dе todas аs dificuldades mе fortaleceu e nunca me desanimou, sempre me apoiando e ajudando com sua experiência de vida. Ao meu irmão Douglas e cunhada Sarita que considero como “irmã”, pelo apoio e incentivo. Agradeço minha dupla, amiga “irmã”, por sempre estar ao meu lado durante esses anos e pela parceria na realização deste trabalho, com muito empenho e determinação, vencendo obstáculos e barreiras. Obrigada por tudo pela sua amizade e companheirismo. A minha orientadora temática Michele, por todo ensinamento, dedicação, orientação, apoio e incentivo para a realização deste trabalho. A orientadora metodológica Grazielle, pelo empenho dedicado à elaboração deste trabalho. Ao professor Cristiano por fazer parte da nossa banca, por compartilhar seus conhecimentos. A todos qυе direta оυ indiretamente fizeram parte dа minha formação, o mеυ muito obrigado. Diovana Aparecida de Oliveira Gisse 4 Agradeço a Deus pelo dom da vida, pela saúde por ter me sustentado firme na fé para superar todas as dificuldades ao longo desta jornada. Aos meus pais Antônio e Maria Ivone por sempre acreditarem no meu sonho e fazer o possível e o impossível para torná-lo realidade e sempre estarem do meu lado. A minha irmã Viviane e meu cunhado Samec, por tantas vezes me socorrerem, por ser minha família ao longo desses anos. Em especial ao meu noivo Lucas, que em meio a tantas dificuldades, distância, provas, seminários e estudos se manteve ao meu lado, sendo meu porto seguro e me apoiando sempre no que fosse possível. Agradeço a minha dupla amiga e “irmã” que embarcou nessa “viagem”, por toda paciência, por toda compreensão com minha falta de tempo, por todo amor, pelo ombro amigo quando as lágrimas insistiam em cair. Conseguimos amiga! À orientadora temática Michele, por ter tido toda confiança em nós, pelos ensinamentos, pelos puxões de orelha, vejo em você um exemplo a ser seguido. A orientadora metodológica Grazielle pela paciência e por toda calmaria que nos passava quando quase aos choros chegávamos a sua mesa pedindo conselhos, obrigada pelo conhecimento transmitido a nós. Obrigado ao professor Cristiano por ter aceitado participar de nossa banca, seus conhecimentos serão de grande importância a nós. Agradeço a todos que de uma maneira ou de outra contribuiu para a realização deste trabalho, o meu muito obrigado. Suéle de Castro 7 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 6 1.1 CENTRO DIA ............................................................................................................. 6 1.2 FUNCIONALIDADE E EQUILÍBRIO............................................................................ 7 2. OBJETIVOS ............................................................................................................. 10 2.1 Objetivo Geral .......................................................................................................... 10 2.2 Objetivos Específicos............................................................................................... 10 3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 11 4. ARTIGO CIENTÍFICO .............................................................................................. 14 5. ANEXOS .................................................................................................................. 30 6 1. INTRODUÇÃO O Brasil passa por um rápido e progressivo processo de envelhecimento populacional. Este processo teve início nas décadas de 40 a 60 com a queda nas taxas de mortalidade. As taxas de natalidade e fecundidade se mantiveram altas e só começaram a reduzir a partir da década de 60 de forma vertiginosa a partir da década de 80, o que ocasionou o aumento do número de idosos em relação à população total (LIMA; BUENO, 2009). No Brasil em 2010, segundo Miranda et al. (2016), existiam 39 idosos para cada grupo de 100 jovens, em 2040, estimam-se 153 idosos para cada 100 jovens. Fato este que preocupa, pois o Brasil não está preparado para o envelhecimento populacional especialmente em questões relacionadas à previdência social e ao sistema de saúde. 1.1 CENTRO DIA Para dar conta do envelhecimento populacional um serviço estratégico para pessoas com fragilidade e dependência que visa a redução da institucionalização é o Centro Dia geriátrico. O Centro dia tem como objetivo proporcionar o atendimento das necessidades pessoais básicas, atividades terapêuticas e socioculturais, como forma de complementar o trabalho dos cuidadores familiares. Este espaço se define por atender idosos que possuem limitações para a realização das Atividades de Vida Diária (AVD), que convivem com suas famílias, mas que não dispõem de atendimento em tempo integral, no domicílio (BRASIL, 2014). Geralmente nestes locais existe um estímulo grande de atividades durante todo o dia, procurando manter o idoso ativo e em vivência social, visando à manutenção de sua capacidade funcional (NAVARRO & MARCON, 2006). Os idosos acolhidos por estes Centros, devem possuir algum grau de dependência e ser semi-dependentes, não devem possuir condições de permanecerem no seu domicílio e necessitarem de atendimento médico e social (BRASIL, 2014). Portanto, em Centros Dia geriátricos, um dos grandes objetivos é 7 também manter a funcionalidade dos idosos fragilizados no melhor patamar possível para cada caso. 1.2 FUNCIONALIDADE E EQUILÍBRIO A Funcionalidade, segundo PERRACINI e FLÓ (2011), pode ser entendida como uma relação direta de capacidade física e psicognitiva na realização de tarefas dodia a dia. Este processo pode ser influenciado por diversos fatores, dentre eles: envelhecimento fisiológico, características do gênero, renda, condições de saúde, dentre outros. A diminuição da funcionalidade pode ser relacionada à fragilidade nessa população. Em um estudo realizado por Remor, Bós e Werlang (2011) aponta que em 100 idosos participantes de um ambulatório geriátrico, em 84% foi verificado algum nível de fragilidade, sendo a maioria do sexo feminino. Fhon et al. (2012) evidenciaram em seu estudo que de 240 indivíduos entrevistados, com média de 73,5 anos, a maioria dos idosos avaliados eram frágeis e do sexo feminino, com níveis de dependência acusados pela escala de Medida de Independência Funcional (MIF) e Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVD). Ainda observaram que com o avanço da idade, aumento do nível de fragilidade e morbidades maior é o grau de dependência do idoso. A dependência para atividades de vida diária está muito relacionada ao desempenho de equilíbrio e controle postural em idosos (BARELA & TOLEDO, 2010). As disfunções do equilíbrio corporal têm grande impacto para os idosos, podendo levá-los à redução de sua independência, que acabam reduzindo suas atividades de vida diária, pela tendência a quedas e fra turas, trazendo sofrimento, imobilidade corporal e medo de cair novamente (RUWER; ROSSI; SIMON, 2005). As quedas são desencadeadas por diversos fatores de risco que direta ou indiretamente afetam o bem estar, podem ser classificados em biológicos (idade, gênero e doenças crônicas), comportamental (uso de vários medicamentos), ambiental (tapetes soltos, i luminação insuficiente em locais públicos) e fatores socioeconômicos (OMS, 2010). 8 Chaimowicz (2013) defende que as causas de quedas podem ser devido a fatores intrínsecos que são associados à própria condição do indivíduo e fatores ambientais associado a condições externas, que pode ser relacionado ao ambiente, como por exemplo, um corredor mal iluminado. Segundo Silva et al. (2014) as quedas estão associadas ao uso de medicamentos, problemas de audição, fraqueza muscular, equilíbrio e marcha, sendo que os idosos que caíram obtiveram escores menores na Escala de Avaliação de Desempenho Físico de Membros Inferiores (SPPB). A ‘síndrome do medo pós-queda’ ocorre em alguns idosos após uma queda, pode ser entendido como uma grave perturbação da capacidade de deambular. Devido a isso começam a ficar dependentes, deixam de sair de casa e abandonam suas atividades cotidianas, isso leva a uma atrofia muscular, diminuição da amplitude de movimento e déficits de equilíbrio (CHAIMOWICZ, 2013). O equilíbrio e o controle postural também são afetados, estudos realizados em diversos países e no Brasil demonstram que a cada ano um terço dos idosos sofre pelo menos uma queda (CHAIMOWICZ, 2013). O equilíbrio é uma das funções mais afetadas nos idosos, para ser eficaz, necessita de um tripé, formado pelos órgãos do sistema vestibular, sistema optocinético e somatossensorial, com a função de fornecer informações centrais e periféricas e com o objetivo de manter o indivíduo em postura ortostática com pouca oscilação sobre uma pequena base de apoio fornecida pelos pés e orientada pelos sistemas proprioceptivos e vestibulares (SOARES, 2007). Segundo o estudo de Aikawa, Bracciall e Padula, (2006) acredita-se que, por meio do trabalho de fisioterapia e de uma equipe multidisciplinar, seja possível conscientizar os idosos sobre as alterações musculoesqueléticas e de equilíbrio corporal que ocorrem no processo de envelhecimento e a importância de medidas preventivas que visam diminuir os índices de quedas nessa população. Soares e Sacchell (2008) concluíram em seu estudo que os idosos que realizam programa cinesioterapêutico apresentam melhora no equilíbrio, o que possivelmente diminui o risco de quedas e aumenta a independência nas atividades diárias. Segundo o estudo de Thomas, Mackintosh e Halbert (2010), que analisou 1.503 idosos, realizando exercícios do Protocolo Otago composto por exercícios de fortalecimento muscular da perna, de equilíbrio e um plano de caminhada no grupo 9 intervenção quando comparado ao grupo controle com ausência de exercícios físicos, relataram a efetividade do Protocolo Otago para diminuição das taxas quedas. O Protocolo Otago consiste em um conjunto de exercícios de fortalecimento muscular dos membros inferiores e exercícios de progressão em equilíbrio. Liston et al. (2014) relata em seu estudo que os exercícios do programa Otago em pessoas idosas que caem e podem ter um efeito benéfico no risco de quedas. Os exercícios ocorreram duas vezes por semana durante oito semanas, por aulas em grupos ou sessões em casa e foi realizado em uma Clínica de quedas de atendimento secundário em Londres. Portanto, a efetividade do Protocolo Otago em uma população vulnerável como a atendida por centros dia, merece ser analisada e comparada a atividades mais simples como a caminhada para que seu benefício possa ser reconhecido. 10 2. OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral Analisar o efeito do Protocolo Otago para equilíbrio e mobilidade em idosos participantes de um centro dia em Bragança Paulista - SP. 2.2 Objetivos Específicos Analisar o equilíbrio de idosos atendidos por um centro-dia. Identificar os benefícios do Protocolo Otago no equilíbrio dos idosos; Identificar a superioridade da realização de exercícios direcionados ao equilíbrio sobre a atividade de caminhada supervisionada; 11 3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AIKAWA, A. C.; BRACCIALLI, L. M. P.; PADULA, R. S. Efeitos das alterações posturais e de equilíbrio estático nas quedas de idosos institucionalizados. Revista de Ciências Médicas, Campinas, v. 3, n. 15, p.189-196, maio/jun 2006. Disponível em:. Acesso em: 28 out. 2016. BARELA, J. A; TOLEDO, D. R. Diferenças Sensoriais e Motoras entre Jovens e Idosos: contribuição somatossensorial no controle postural. Revista Brasileira de Fisioterapia,São Carlos, v. 14, n. 3, p. 267-75, maio/jun. 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbfis/v14n3/04.pdf. Acesso em: 6 jun. 2017. BRASIL. Ministério da Previdência e Assistência Social. Normas de funcionamento de serviços de atenção ao idoso no Brasil. Brasília: Secretária de Estado de Assistência Social, 2014. Disponível em: http:// sbgg.org.br/wpcontent/uploads /2014/10/ servicos--de-atencao-aoidoso.pdf. Acesso em: 30 out. 2016. CHAIMOWICZ, F. Saúde do idoso. Colaboradores: Eulita Maria Barcelos. Maria Dolores Soares Madureira. Marco Túlio de Freitas Ribeiro. 2. ed. 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Acesso em: 6 jun. 2017. 13 THOMAS, S; MACKINTOSH, S; HALBERT, J. Does the ‘Otago exercise programme’ reduce mortality and falls in older adults?: a systematic review and meta-analysis. 2010. Age Ageing. v. 39, n. 6, p. 681, epub 2010 sep 4. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/ 208179 38. Acesso em: 31 out. 2016. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20817938 14 4. ARTIGO CIENTÍFICO Efetividade do Protocolo Otago no equilíbrio de idosos em um Centro Dia Effectiveness of the Otago Protocol in the Balance in the Elderly of a Day Center Diovana Aparecida de Oliveira Gisse¹, Suéle de Castro1, Michele Lacerda Pereira Ferrer2 1. Acadêmicas do curso de Fisioterapia da Universidade São Francisco (USF) 2. Docente do curso de graduação em Fisioterapia da Universidade São Francisco (USF). Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo. Doutoranda em Saúde Pública pela Universidade Federal de São Paulo. diovanafisio@hotmail.com Resumo Introdução: O processo de envelhecimento causa mudanças tanto morfológicas como funcionais e estas acarretam em disfunções relacionadas à postura, funcionalidade e equilíbrio. Como forma de atuação e prevenção em disfunções do equilíbrio, uma das propostas utilizadas atualmente é o Protocolo Otago que consiste em um conjunto de exercícios de fortalecimento dos membros inferiores e de progressão em equilíbrio. O objetivo foi analisar o efeito do Protocolo Otago para equilíbrio em idosos participantes de um centro-dia na cidade de Bragança Paulista/SP. Método: Estudo do tipo ensaio clínico randomizado cego. Foi realizada uma avaliação inicial em todos os idosos participantes, com os seguintes instrumentos de pesquisa: escala de Medida de Independência Funcional (MIF); Mini Exame do Estado Mental (MEEM); Escala de Berg e Timed Up And Go Test (TUGT). Após a avaliação, foi feita a seleção dos pacientes, tendo como base os critérios de exclusão. Após um processo de randomização simples os idosos foram subdivididos nos grupos controle (GC) e intervenção (GI). Foram realizados os exercícios duas vezes por semana durante oito semanas. Ao final os idosos foram reavaliados com os mesmos instrumentos. Resultados: Após a realização dos exercícios, foi comprovado que não houve uma melhora do equilíbrio e mobilidade entre avaliação inicial e final do GI. Quando comparado GC e GI, os testes de mobilidade e equilíbrio não obtiveram uma diferença, no GI houve uma diferença menor quando comparado 15 com o GC. CONCLUSÂO: Os exercícios do Protocolo Otago retardaram a progressão do desequilíbrio em idosos fragilizados atendidos por um Centro dia geriátrico. Palavras chaves: idoso, fisioterapia, equilíbrio, centro-dia, mobilidade Abstract The aging process causes morphological and functional changes, especially in posture, balance and functioning. To treat and prevent balance problems the Otago Protocol is indicated, that consists in a set of lower limbs strengthening and balance exercises. Objective: to analyze the effect of Otago protocol for balance in older people assisted by a day care in Bragança Paulista - SP. Method: blind, randomized, clinical trial. An initial assessment in all older participants was held with Functional Independence measure (FIM), Mini Mental State Examination (MMSE); Berg Balance Scale (BS) and Timed up and go test (TUGT). After the exclusion criteria’s, the selection of the sample was done. After the randomization the participants were divided into control and intervention groups. The intervention was done twice a week, for 8 weeks. At the end, the elderly were reassessed with the same instruments. Conclusions: After the exercises, it was verified that there was no improvement in the balance and mobility between the initial and final evaluation of the GI. When comparing CG and GI, the mobility and balance tests did not obtain a significant difference, so in the GI there was a smaller difference when compared to the CG, it was concluded that the exercises of the Otago Protocol delayed the progression of the imbalance. Key words: elderly, physiotherapy, balance, day-care, mobility 16 Introdução O Brasil passa por um rápido e progressivo processo de envelhecimento populacional. Este processo teve início nas décadas de 40 a 60 com a queda nas taxas de mortalidade. As taxas de natalidade e fecundidade se mantiveram altas e só começaram a reduzir a partir da década de 60 de forma vertiginosa a partir da década de 80, o que ocasionou o aumento do número de idosos em relação à população total1. Para dar conta do envelhecimento populacional um serviço estratégico para pessoas com fragilidade e dependência que visa à redução da institucionalização é o Centro Dia geriátrico. O Centro dia tem como objetivo proporcionar o atendimento das necessidades pessoais básicas, atividades terapêuticas e socioculturais, como forma de complementar o trabalho dos cuidadores familiares. Este espaço se define por atender idosos que possuem limitações para a realização das Atividades de Vida Diária (AVD), que convivem com suas famílias, mas quenão dispõem de atendimento em tempo integral, no domicílio2. Os idosos acolhidos por estes Centros, devem possuir algum grau de dependência e ser semi-dependentes, não devem possuir condições de permanecerem no seu domicílio e necessitarem de atendimento médico e social. Portanto, em Centros Dia geriátricos um dos grandes objetivos é também manter a funcionalidade dos idosos fragilizados no melhor patamar possível para cada caso2. A Funcionalidade pode ser entendida como uma relação direta de capacidade física e psicognitiva na realização de tarefas do dia a dia. Este processo pode ser influenciado por diversos fatores, dentre eles: envelhecimento fisiológico, características do gênero, renda, condições de saúde, dentre outros3. No estudo de Fhon4 evidenciou que de 240 indivíduos entrevistados, com média de 73,5 anos, a maioria dos idosos avaliados eram frágeis e do sexo feminino, com níveis de dependência acusados pela escala de Medida de Independência Funcional (MIF) e Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVD). Ainda observaram que com o avanço da idade, aumento do nível de fragilidade e morbidades maior é o grau de dependência do idoso. A dependência para atividades de vida diária está muito relacionada ao desempenho de equilíbrio e controle postural em idosos5. 17 As manifestações do equilíbrio corporal têm grande impacto para os idosos, podendo levá-los à redução de sua independência, que acabam reduzindo suas atividades de vida diária, pela tendência a quedas e fraturas, trazendo sofrimento, imobilidade corporal e medo de cair novamente6. As quedas são desencadeadas por diversos fatores de risco que direta ou indiretamente afetam o bem estar, podem ser classificados em biológicos (idade, gênero e doenças crônicas), comportamental (uso de vários medicamentos), ambiental (tapetes soltos, i luminação insuficiente em locais públicos) e fa tores socioeconômicos7. O equilíbrio e o controle postural também são afetados, estudos realizados em diversos países e no Brasil demonstram que a cada ano um terço dos idosos sofre pelo menos uma queda8. Segundo o estudo de Aikawa9 acredita-se que, por meio do trabalho de fisioterapia e de uma equipe multidisciplinar, seja possível conscientizar os idosos sobre as alterações musculoesqueléticas e de equilíbrio corporal que ocorrem no processo de envelhecimento e a importância de medidas preventivas que visam diminuir os índices de quedas nessa população. Segundo o estudo de Thomas10, que analisou 1.503 idosos, realizando exercícios do Protocolo Otago composto por exercícios de fortalecimento muscular da perna, de equilíbrio e um plano de caminhada no grupo intervenção quando comparado ao grupo controle com ausência de exercícios físicos, relataram a efetividade do Protocolo Otago para diminuição das taxas quedas. Portanto, a efetividade do protocolo de Otago em uma população vulnerável como a atendida por centros dia, merece ser analisada e comparada a atividades mais simples como a caminhada para que seu benefício possa ser reconhecido. Este estudo se propõe a analisar o efeito do Protocolo Otago para equilíbrio em idosos participantes de um Centro Dia em Bragança Paulista - SP. Metodologia Foi realizado um estudo do tipo ensaio clínico randomizado cego, aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade São Francisco (Parecer nº: 1.964.012). 18 A diretora do Centro Dia de Bragança Paulista assinou um termo autorizando a coleta de dados e o responsável legal por cada sujeito ou o próprio sujeito, um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, para a realização desta pesquisa. Inicialmente foram recrutados todos os idosos, de ambos os gêneros e de todas as idades, que participam de um serviço prestado a comunidade de Bragança Paulista – SP, chamado Centro Dia. Logo após foi realizada uma avaliação inicial por voluntários estudantes do curso de Fisioterapia da Universidade São Francisco com duração de 40 minutos aproximadamente, com os seguintes instrumentos de pesquisa: escala de Medida de Independência Funcional (MIF), que avalia nível de dependência funcional nas tarefas motoras e cognitivas de vida diária11, Mini Exame do Estado Mental, que avalia função cognitiva, é composto por um questionário de 30 pontos, onde uma pontuação de 24 indica um déficit cognitivo12, Escala de Berg, para avaliação de equilíbrio estático e dinâmico13 e Timed Up And Go Test, que avalia mobilidade funcional, seu desempenho está relacionado ao equilíbrio, marcha e capacidade funcional do idoso, indicando o grau de fragilidade14. Após a avaliação, foi feita a seleção dos sujeitos para compor a amostra, sendo excluídos os que se recusaram a participar, não colaborativos, deficientes visuais e/ou auditivos, cadeirantes ou que sua capacidade cognitiva o impedia de responder ou executar as atividades necessárias para a avaliação. Após a aplicação destes critérios, os idosos aptos a participarem deste estudo, passaram por um processo de randomização simples através de sorteio de nomes. Obedecendo a randomização realizada, após a conferência dos critérios de exclusão, os idosos foram subdivididos nos grupos controle e grupo intervenção. No grupo controle os idosos realizaram caminhada isolada. O percurso que foi executado constituiu em duas voltas no circuito externo do próprio local, totalizando aproximadamente de 20 a 30 minutos. O grupo foi acompanhado pelas pesquisadoras. Já no grupo intervenção os idosos realizaram caminhada associada ao Protocolo Otago15. A caminhada foi realizada no circuito externo do próprio local, constituindo por duas voltas, aproximadamente de 20 a 30 minutos, após o retorno para o ambiente interno, os idosos do grupo foram encaminhados a uma sala para a realização dos exercícios do Protocolo Otago em grupo, com duração de aproximadamente 50 minutos ao total, acompanhados das pesquisadoras. 19 Antes da realização dos exercícios foram tomadas as seguintes medidas de segurança: se durante os exercícios o idoso sentisse tonturas, dor no peito ou dispnéia que parasse imediatamente o exercício, foi mantida sempre uma cadeira robusta e estável ao lado do idoso para situações de emergência. Os exercícios que foram executados tiveram como objetivo melhorar o equilíbrio, e sempre foram desafiadores aos idosos. Cada exercício foi executado com três repetições, com exceção dos exercícios que uti lizavam tempo, e o ‘Caminhar e girar’ que deve ser repetido por apenas duas vezes. Inicialmente todos foram realizados com apoio, que foi uma cadeira, forte e estável, podendo progredir retirando-a. O processo de intervenção em ambos os grupos foi realizado duas vezes por semana durante oito semanas. Os idosos que se ausentaram em no máximo três sessões de tratamento, foram excluídos. Após a aplicação dos métodos, o grupo controle e intervenção passaram por uma segunda avaliação feita pelos mesmos alunos voluntários, uti lizando as mesmas escalas que foram utilizadas na primeira avaliação. Os exercícios executados no grupo intervenção foram: Agachamento com apoio: os pés devem estar afastados na altura do quadril e dedos dos pés voltados para frente, mãos segurando o apoio, o idoso dobrará o joelho, empurrando suas nádegas para trás. Caminhar na ponta dos pés com apoio: em pé, ao lado do apoio com os pés afastados a largura dos quadris, levantar os calcanhares mantendo o pé sobre a ponta dos dedões dos pés, caminhar sobre os dedos dos pés 10 passos a frente, antes de abaixar os calcanhares ao solo posicionar os pés paralelos um ao outro. Repetir o mesmo processo, mas para direção contrária. Equilíbrio tandem com apoio: em pé ao lado do apoio, posicionar um pé em frente ao outro formando uma linha reta, olhar para frente e manter o equilíbrio por 10 segundos. Retornar a posição inicial comos pés separados à largura dos quadris antes de posicionar o outro pé à frente e repetir o processo. Equilíbrio em uma perna com apoio: em pé próximo ao apoio, sustentando o peso sobre o apoio, em posição ereta, manter o equilíbrio em uma perna com 20 o joelho relaxado, permanecer nesta posição por 10 segundos. Retornar a posição inicial e repetir o processo com a outra perna. Marcha lateral com apoio: ficar em pé em frente ao apoio, dar 10 passos laterais mantendo quadris direcionados para frente e joelhos relaxados. Retorne a posição inicial e repita o processo com a outra perna. Sentado para em pé com auxílio das mãos: sentar ereto à borda anterior de uma cadeira, colocar os pés ligeiramente para trás, inclinar tronco para frente, levantar apoiando as mãos na cadeira. Dar alguns passos para trás até as pernas tocarem a borda da cadeira, sentar na cadeira lentamente. Marcha para trás com apoio: em pé ao lado do apoio, caminhar 10 passos para trás, manter costas eretas e olhar para frente durante todo exercício. Caminhar colocando primeiramente os dedos dos pés no chão e em seguida o calcanhar, manter passo firme e seguro. Repetir o mesmo processo com a outra perna. Caminhar e girar: caminhar ao passo normal de cada indivíduo desenhando um ‘8’ no chão, pode ser realizado ao redor de duas cadeiras, manter postura ereta enquanto caminha, com exceção esse exercício deve ser repetido por apenas duas vezes. Os dados foram organizados em uma planilha do programa Microsoft Office Excel 2007, posteriormente foi realizado a análise descritiva com calculo de médias, desvio-padrão, frequência e porcentagem. Resultados O grupo inicial foi composto por 23 sujeitos. Destes, 6 sujeitos foram excluídos por uti lizarem dispositivos de auxílio à marcha, 4 pela função cognitiva comprometida e impedi-los de responder ou executar as atividades. No total 13 sujeitos foram randomizados entre grupo controle e intervenção. Grupo Controle O grupo controle foi composto por 6 sujeitos com média de idade de 74,8(±10,6) anos, mínima 63 e máxima 86 anos, sendo 66,6% (n=4) do sexo 21 feminino, 66,6% (n=4) fundamental incompleto, 16,6% (n=1) possuía ensino fundamental completo e 16,6% (n=1) possuía ensino médio. Os idosos que moram sozinhos são 50% (n=2), moram com filhos 33,3% (n=2) e 16,6% (n=1) mora com a mãe. Em relação ao uso de medicamentos 66,6% (n=4) fazem em média o uso de 1,1 (±1,4) medicamentos. A média da MIF dos sujeitos foi de 114,5 (±15,2) pontos que corresponde a uma independência modificada, no MEEM apresentaram uma média de 18,3 (±6,2) pontos indicando deficiência cognitiva leve. Na escala de equilíbrio de BERG a média foi de 43,6 (±11,9) pontos que indica uma locomoção segura , mas com recomendação de assistência pessoal ou com dispositivos auxi liares para a marcha. No TUGT a média foi 16,3(±3,6) segundos correspondendo a risco para quedas. O grupo realizou caminhada isolada 2 vezes por semana durante 8 semanas. No início e no final das sessões foi aferida a pressão arterial, logo após foram acompanhados em fila ao redor do Centro Dia, por aproximadamente 20 a 30 minutos, realizando 2 voltas, com uma velocidade constante, obedecendo o limite dos idosos. Durante o período de seguimento houve uma perda de 2 sujeitos por se ausentarem em 3 sessões, compondo a amostra final de 4 sujeitos no grupo controle. Grupo Intervenção O grupo intervenção foi composto por 7 sujeitos com média de idade de 70,4 (±6,5) anos, mínima 61 e máxima 80 anos, sendo 71,4% (n=5) do sexo feminino, 28,5% (n=2) eram analfabetos, 57,1% (n=4) possuíam ensino fundamental incompleto e 14,2% (n=1) possuía ensino superior. Os idosos que moram com filhos são 42,8% (n=3), moram sozinhos 42,8% (n=3) e que mora com a mãe 14,2% (n=1). Em relação ao uso de medicamentos 90% fazem em média o uso de 1,7 (±0,9) medicamentos. A média da MIF dos sujeitos foi de 112,2 (±15,1) pontos que corresponde a uma independência modificada, no MEEM apresentaram uma média de 21,4(±5,2) pontos indicando deficiência cognitiva leve, na escala de equilíbrio de BERG a média foi de 44,4(±9,6) pontos que indica uma locomoção segura, mas com 22 recomendação de assistência ou com dispositivos auxiliares para a marcha, e no TUGT a média foi 12 (±2,8) segundos correspondendo risco para quedas. Foi realizado caminhada e logo após os exercícios do Protocolo Otago, por aproximadamente 50 minutos, durante 16 sessões, 2 vezes na semana. No início e no final das sessões foi aferida a pressão arterial. A caminhada foi realizada junto com o grupo controle e após, o grupo intervenção executou os exercícios de equilíbrio na área externa, com apoio em cadeiras. Os exercícios praticados deveriam ser sempre desafiadores aos idosos, com intuito de exigir o máximo de sua capacidade. No período de intervenção foram excluídos 4 sujeitos por se ausentarem em 3 sessões, compondo a amostra final de 3 sujeitos no grupo intervenção. Na análise descritiva do momento da avaliação inicial e final foi observado que houve uma piora nos escores dos grupos controle e intervenção, mas quando comparado ao escore do grupo controle houve uma piora mais acentuada (Tabela 1). Efeitos dos exercícios do Protocolo Otago: comparação dos resultados entre o grupo intervenção e controle Ao observar o desempenho do grupo controle e intervenção observamos que houve uma piora mais importante no grupo controle. Os dados são apresentados na Tabela 1. 23 Tabela 1- Resultados da avaliação inicial e final e BERG e TUGT dos grupos controle e intervenção: BERG TUGT GI AV 1 AV 2 AV 1 AV 2 Sujeito 1 40 49 12 12 Sujeito 2 52 36 10 9 Sujeito 3 53 50 15 14 Média 48,3(±7,2) 45(±7,8) 12,3(±2,5) 11,6(±2,5) GC Sujeto 1 29 25 15 16 Sujeito 2 28 19 18 14 Sujeito 3 50 45 11 22 Sujeito 4 49 28 14 13 Média 39(±12,1) 29,2(±11,1) 14,5(±2,8) 16,2(±4) GI:grupo intervenção/GC:grupo controle/TUGT:Timed Up and Go Test/AV1:avaliação inicial/AV2:avaliação final. A média da MIF dos sujeitos do grupo intervenção na avaliação final foi de 92,6 (±21,3) pontos que corresponde a uma independência modificada, no MEEM apresentaram uma média de 22,3 (±7,5) pontos indicando deficiência cognitiva leve. Discussão Este estudo buscou identificar a efetividade dos exercícios de equilíbrio em idosos atendidos em um Centro Dia geriátrico. Identificamos que a execução dos exercícios do Protocolo Otago apresentou resultados positivos quando comparado ao grupo controle, porém não estatisticamente significante nos desempenhos dos testes de equilíbrio e mobilidade. A amostra estudada foi em sua maior parte de mulheres, dado observado no estudo de Wichmann16 que analisou grupos de convivência de idosos do Brasil e da Espanha, observaram que da população que frequentam esses centros 78,2% 24 pertencem ao sexo feminino, o que nos mostra o aumento da expectativa de vida de mulheres idosas. A média de idade foi de 72,4 (± 8,6) anos, este dado é similar ao estudo de Navarro17, que após avaliar o grau de independência para atividades de vida diária em idosos de um Centro Dia, os mesmos apresentaram uma média de idade de 73,3 anos. A idade avançada indica um estado de maior vulnerabilidade, dentre eles o declínio funcional, quedas entre outros18. No estudo de Santos19 que avaliou o prejuízo funcional dos idosos de um Centro Dia foi verificado que após a aplicação do Questionário de Atividades Instrumentais de Pfeffer, constatou que 23 (63,8%) apresentaram prejuízo funcional, o que corresponde os resultados obtidos no presente estudo. Estes resultados diferenciam do estudo de Franciulli20 com oobjetivo de descrever a mobilidade, capacidade funcional e equilíbrio em idosos de um Centro Dia, após seis meses de acompanhamento multiprofissional, onde obtiveram os resultados de melhora significante na capacidade funcional global, a mobilidade e o estado cognitivo dos idosos se mantiveram estáveis após os seis meses de acompanhamento. Observamos não ter ocorrido uma melhora do desempenho nos testes de funcionalidade entre os idosos do grupo intervenção. No entanto, a piora nesses testes foram discretas quando comparamos grupo controle com grupo intervenção, que apresentou uma piora mais significativa nesses parâmetros. Os resultados obtidos pela escala do MEEM e MIF na população estudada apresentaram uma deficiência cognitiva leve e dependência. Isto pode indicar um perfil de fragilidade da população estudada, com incapacidade funcional e deficiência cognitiva. A síndrome de fragilidade em idosos constitui-se de uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. Pode estar relacionado a quedas, dependência nas atividades de vida diária, hospitalização e morte 18 . Os idosos considerados frágeis são aqueles que apresentam maior idade, menor escolaridade, doença crônica prévia, institucionalizados, em uso contínuo de medicações e queda da própria altura recente 21 . Uma das possibilidades de retardar o progresso dessa síndrome ou evitar o surgimento da mesma seria um acompanhamento periódico de uma equipe multidisciplinar que realizaria uma avaliação global do idoso 22 . 25 Um fator a ser considerado para a observação de manutenção dos escores de desempenho pode ser o curto período de intervenção. Talvez um período de intervenção mais longo seja necessário para identificar resultados mais satisfatórios em idosos fragilizados. No estudo de Menezes23 realizado com idosos fragilizados e institucionalizados com objetivo de verificar a efetividade de uma intervenção fisioterapêutica cognitivo- motora, teve um resultado com eficácia na mobilidade, portanto na cognição e independência funcional não obtiveram resultados satisfatórios. Relacionaram este resultado a uma baixa frequência semanal e um curto período de tempo. Com a realização dos exercícios do Protocolo Otago, foi observado que durante as sessões os idosos relatavam uma melhora tanto da funcionalidade quanto da mobilidade. O presente estudo pode indicar que a execução dos exercícios pode ter retardado a perda do equilíbrio e da mobilidade dos idosos. Estudos relacionados ao Protocolo Otago comprovam sua eficácia na melhora do equilíbrio e prevenção a quedas. O estudo de Yoo24 que avaliou os efeitos dos exercícios Otago sobre equilíbrio, marcha e queda em mulheres idosas foi dividido em dois grupos: um que realizou exercícios e o outro que não realizou. Foi comprovado que o grupo de exercícios mostrou um aumento significativo da velocidade da marcha. Esta pesquisa mostrou que os exercícios são eficazes para melhorar o equilíbrio e a marcha . O estudo de Liston 25 que teve como objetivo verificar o efeito de uma intervenção utilizando o Protocolo Otago com exercícios de equilíbrio multisensorial em pessoas idosas observaram uma melhora na marcha funcional e comprovaram que os exercícios podem ter um efeito benéfico sobre o risco de quedas em pessoas mais idosas. A pesquisa de Binns26 cujo objetivo foi avaliar o efeito de exercícios do Protocolo Otago sobre força e equilíbrio com a participação de idosas residentes da comunidade com mais de 80 anos, onde um grupo intervenção realizaram os exercícios e um grupo controle manteve suas atividades de vida diária, foi verificado que não houve melhorias estatisticamente significativas na força e equilíbrio após a intervenção e que os resultados precisam ser interpretados com cuidado, pois devido ao pequeno tamanho da amostra, o estudo foi insuficiente. Na escala de equilíbrio de BERG, a análise dos resultados entre os grupos não obteve uma diferença significativa, no entanto foi observado que no grupo 26 intervenção houve uma diferença menor quando comparado com o grupo controle. É possível indicar que os exercícios do Protocolo Otago retardaram a progressão do desequilíbrio. O estudo de Pimentel27 comparou o risco de quedas em idosos sedentários e ativos após prática de atividades físicas, uti lizaram como ferramenta de pesquisa a escala de equilíbrio de Berg pré e pós intervenção. Identificaram que o grupo sedentário teve uma pontuação pior que o grupo ativo pós intervenção, evidenciando que a prática regular de atividade física interfere no desempenho de equilíbrio. Nota-se que em relação ao teste de mobilidade entre os grupos houve uma diferença significativa nas avaliações inicial e final, o grupo que realizou os exercícios apresentou uma melhora no desempenho do teste na avaliação final, reduzindo o tempo de execução quando comparado com a avaliação inicial. O grupo que realizou somente a caminhada obteve uma piora entre avaliação inicial e final. A prática de exercícios físicos regularmente vem sendo comprovada através de estudos que melhora a mobilidade nos idosos. No estudo de Fernandes28 que verificou os efeitos de um programa de exercícios físicos sobre mobilidade e marcha em idosos, teve como resultados após seis meses de intervenção diminuição no tempo de realização do TUGT. Podemos observar que os exercícios do Protocolo Otago no presente estudo, foi efetivo para a melhora do desempenho do TUGT, porém pequena. Nas primeiras sessões foi observado que os idosos realizavam os exercícios com dificuldades, com o passar dos dias essas limitações foram diminuindo, mesmo quando os exercícios eram mais desafiadores. Podemos citar como limitações do estudo uma diferença de interpretação no momento das avaliações inicial e final entre os avaliadores, um curto período de tempo no processo de intervenção e o número reduzido de participantes. Conclusão Quando comparado grupo controle e intervenção, a análise dos resultados dos testes de mobilidade e equilíbrio não obtiveram uma diferença na análise descritiva, no entanto, foi observado que no grupo intervenção houve uma diferença menor 27 quando comparado com o grupo controle, conclui-se que os exercícios do Protocolo Otago retardaram a progressão do desequilíbrio. Os idosos avaliados possuíam um grau de independência modificada e apresentavam deficiência cognitiva leve, com relação ao equilíbrio possuíam uma locomoção segura, mas com recomendação de assistência pessoal ou com dispositivos auxi liares para a marcha, no que se refere a mobilidade apresentavam risco para quedas. Referências 1. Lima LCV. Envelhecimento e gênero: a vulnerabilidade de idosas no Brasil. Revista Saúde e Pesquisa, 2009; 2(2):273-280. 2. BRASIL. Ministério da Previdência e Assistência Social. Normas de funcionamento de serviços de atenção ao idoso no Brasil. Brasília: Secretária de Estado de Assistência Social, 2014. 3. Perracini MR, Fló CM. Fisioterapia teoria e prática: funcionalidade e envelhecimento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2011. 557 p. 4. Fhon JRS, Diniz MA, Leonardo CK, Kusumota L, Haas VJ, Rodrigues RAP. Síndrome de fragilidade relacionada à incapacidade funcional no idoso. Acta Paul Enferm. 2012; 16(3): 167-75. 5. Toledo DR, Barela JA. 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Categoria dos artigos A Revista Fisiosenectus publica prioritariamente artigos originais oriundos de pesquisa e ou relatos de experiência, veicula resumos de teses e dissertações, artigos de revisão sistemática e metanálise bem como emite notas sobre eventos e assuntos de interesse. Os conceitos e opiniões expressos nos artigos, bem como a exatidão e a procedência das citações são de exclusiva responsabilidade dos autores. Os editores reservam-se o direito de efetuar alterações ou cortes nos trabalhos recebidos para adequá-los às normas da revista, respeitando o esti lo do autor e o conteúdo original. A apresentação dos manuscritos deve obedecer às regras de formatação definidas nestas normas, diferenciando-se apenas pelo número permitido de páginas em cada uma das categorias: Artigo original: Deverá ser escrito em português e conter entre 10 e 20 laudas. Artigo de revisão sistemática ou metanálise: Deverá conter entre sete e dez laudas. Os artigos de revisão bibliográfica serão publicados apenas por convite dos editores da revista. O manuscrito deverá ser estruturado destacando os títulos e prevendo as seguintes seções: Introdução, Materiais e Métodos, Resultados, Discussão e Considerações finais ou conclusão. Pesquisas que envolvem seres humanos estão condicionadas ao cumprimento dos princípios éticos contidos na Declaração de Helsique e os artigos que apresentem resultados destas deverão conter uma clara afirmação deste cumprimento (tal afirmação deverá constituir o último parágrafo da seção Metodologia do artigo) e/ou deverão indicar o número de aprovação da pesquisa 31 emitido por Comitê de Ética, devidamente reconhecido pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Estrutura dos artigos Os trabalhos deverão ser apresentados em formato Microsoft Word 97/2003 ou superior, digitados em formato A4, com fonte tipo Arial, tamanho 12, espaçamento 1,5 cm entre linhas em todo o texto; margens 2,5 cm (superior, inferior, direita e esquerda); parágrafos alinhados em 1 cm. a) Título: Deve ser apresentado em alinhamento justificado, em negrito, conciso, informativo em até 15 palavras. Usar caixa alta somentena primeira letra do título que deve se apresentar nas versões da língua portuguesa e inglesa. Especificar em nota no fim do documento a indicação da agência de fomento, quando for o caso e, também, quando parte de Relatório de Pesquisa, Tese, Dissertação, Monografia de Final de Curso, entre outras. b) Autores: Devem ser apresentadas as seguintes informações: nome(s) completo(s) do(s) autor(es), titulação, instituição de origem e e-mail. c) Resumo, abstract e descritores: Devem ser apresentados após os autores, em português e inglês, digitado em espaço simples entre 150 a 250 palavras e deve conter introdução, objetivo, metodologia ou materiais e métodos e considerações finais ou conclusão. Destacar no mínimo três e no máximo seis termos de indexação, extraídos dos Descritores em Ciências da Saúde - DeCS da Bireme http://decs.bvs.br/. d) Estrutura do Texto: Deverá obedecer às orientações de cada categoria do manuscrito já descritas anteriormente, acrescida das referências, de modo a garantir uma uniformidade e padronização dos textos apresentados pela revista. e) Ilustrações: Tabelas, quadros e figuras devem ser limitados ao número máximo de 6 e numerados consecutiva e independentemente, com algarismos arábicos de acordo com a ordem de menção dos dados, e devem vir em folhas individuais e separadas ao final do manuscrito, com indicação de sua localização no texto. A cada um deve-se atribuir um título breve. As ilustrações e seus títulos devem estar centralizados e sem recuo, não ultrapassando o tamanho de uma folha A4. O autor responsabiliza-se pela qualidade das figuras (desenhos, ilustrações e gráficos) que permita a editoração sem perda de definição. As figuras devem ser encaminhadas no formato jpeg ou tiff. 32 f) Citações: Para citações "ipsis literis" de referências deve-se usar aspas na sequência do texto. As citações de falas/depoimentos dos sujeitos da pesquisa deverão ser apresentadas em letra tamanho 12, em estilo itálico e na sequência do texto. g) Referências: Devem ser apresentadas no mínimo de quinze (15) e não devem ultrapassar trinta (30) referências, numeradas consecutivamente na ordem em que forem mencionadas pela primeira vez no texto. Devem ser identificadas por números arábicos sobrescritos, sem menção aos autores, exceto quando estritamente necessária à construção da frase. Nesse caso além do nome deve aparecer o número da referência. Exemplo: Medeiros7. Ao fazer a citação sequencial de autores, separe-as por um traço (ex. 1-3); quando intercalados utilizar vírgula (ex. 2,6,11). Deve ser utilizado, preferencialmente, no mínimo 70% de artigos atualizados (últimos 5 anos). A exatidão das informações nas referências é de responsabilidade dos autores. h) Agradecimentos: Podem ser registrados agradecimentos, em parágrafo não superior a três linhas, dirigidos a instituições, fontes financiadoras ou indivíduos que prestaram efetiva colaboração para o trabalho, ao final do manuscrito. i) Referências: Devem ser numeradas consecutivamente, seguindo a ordem em que foi mencionada a primeira vez no texto, de acordo com o estilo Vancouver. Nas referências com 2 (dois) até o limite de 6 (seis) autores, citam-se todos os autores; acima de 6 (seis) autores, citam-se os 6 (seis) primeiros autores, seguido da expressão latina "et al". Os títulos de periódicos devem ser referidos de forma abreviada, de acordo com "List of journals indexed in index medicus" da National Library of Medicine. EXEMPLOS: Livros Murray PR, Rosenthal KS, Kobayashi GS, Pfaller MA. Medical microbiology. 4th ed. St. Louis: Mosby; 2002. Capítulos de livros Meltzer PS, Kallioniemi A, Trent JM. Chromosome alterations in human solid tumors. In: Vogelstein B, Kinzler KW, editors. The genetic basis of human cancer. New York: McGraw-Hill; 2002. p. 93-113. Dissertações e teses 33 Borkowski MM. Infant sleep and feeding: a telephone survey of Hispanic Americans [dissertation]. Mount Pleasant (MI): Central Michigan University; 2002. Artigos de periódicos Halpern SD, Ubel PA, Caplan AL. Solid-organ transplantation in HIV-infected patients. N Engl J Med. 2002 Jul 25;347(4):284-7. Rose ME, Huerbin MB, Melick J, Marion DW, Palmer AM, Schiding JK, et al. Regulation of interstitial excitatory amino acid concentrations after cortical contusion injury. Brain Res. 2002; 935(1-2):40-6. Artigos de periódicos eletrônicos Abood S. Quality improvement initiative in nursing homes: the ANA acts in an advisory role. Am J Nurs [serial on the Internet]. 2002 Jun [cited 2002 Aug 12];102(6). Available from: http://www.nursingworld.org/AJN/2002/june/Wawatch.htm OUTROS EXEMPLOS CONSULTAR http://www.nlm.nih.gov/bsd/uniform_requirements.html Os textos são de responsabilidade dos autores, não coincidindo, necessariamente, com o ponto de vista dos editores e do Conselho Editorial da revista. Condições para submissão Como parte do processo de submissão, os autores são obrigados a verificar a conformidade da submissão em relação a todos os itens listados a seguir. As submissões que não estiverem de acordo com as normas serão devolvidas aos autores. A contribuição é original e inédita, e não está sendo avaliada para publicação por outra revista; caso contrário, deve-se justificar em "Comentários ao Editor". Os arquivos para submissão estão em formato Microsoft Word, OpenOffice ou RTF (desde que não ultrapassem 2MB) URLs para as referências foram informadas quando necessário. O texto está com fonte tipo Arial, tamanho 12, espaçamento 1,5 cm entre linhas em todo o texto; emprega itálico em vez de sublinhado (exceto em endereços URL); as figuras e tabelas estão inseridas no final do documento. O texto segue os padrões de esti lo e requisitos bibliográficos descritos em Diretrizes para Autores, na seção Sobre a Revista. 34 A identificação de autoria do trabalho foi removida do arquivo e da opção Propriedades no Word, garantindo desta forma o critério de sigilo da revista, caso submetido para avaliação por pares (ex.: artigos), conforme instruções disponíveis em Assegurando a Avaliação Cega por Pares. Política de Privacidade Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros. 35 Anexo 2 – Parecer do CEP PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP DADOS DO PROJETO DE PESQUISA Título da Pesquisa:Efetividade de um programa de exercícios para equilíbrio em idosos de um centro dia:protocolo Otago Pesquisador: Michele Lacerda Pereira Ferrer Área Temática: Versão: 2 CAAE: 64223617.8.0000.5514 Instituição Proponente: Universidade São Francisco-SP Patrocinador Principal: Financiamento Próprio DADOS DO PARECER Número do Parecer: 1.964.012 Apresentação do Projeto: O projeto visa avaliar os efeitos do Protocolo Otago sobre o equilíbrio de 30 idosos de um Centro-dia em Bragança Paulista. Objetivo da Pesquisa: Verificar o efeito do Protocolo Otago para equilíbrio em idosos participantes do Centro dia em Bragança Paulista. Avaliação dos Riscos e Benefícios: Os riscos envolvidos com a pesquisa incluem eventuais quedas. Comentários e Considerações sobre a Pesquisa: Nesta segunda versão do projeto, foram realizadas as seguintes modificações no TCLE:inclusão do número de participantes no estudo; correções ortográficas; inclusão do tempo despendido para as avaliações. Considerações sobre os Termos de apresentação obrigatória: O TCLE foi modificado conforme solicitado pelo CEP. Recomendações: Não há. Endereço: SAO FRANCISCO DE ASSIS 218 Bairro: JARDIM SAO JOSE CEP: 12.916-900 UF: SP Município: BRAGANCA PAULISTA Telefone: (11)2454-8981 Fax: (11)4034-1825 E-mail: comite.etica@saofrancisco.edu.br UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO-SP 36UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO-SP Continuação do Parecer: 1.964.012 Conclusões ou Pendências e Lista de Inadequações: Não há. Considerações Finais a critério do CEP: APÓS DISCUSSÃO EM REUNIÃO DO DIA 09/03/2017, O COLEGIADO DELIBEROU PELA APROVAÇÃO DO PROJETO DE PESQUISAS. Este parecer foi elaborado baseado nos documentos abaixo relacionados: Tipo Documento Arquivo Postagem Autor Situaçã o Informações Básicas PB_INFORMAÇÕES_BÁSICAS _DO_P 24/02/2017 Aceito do Projeto ROJETO_845441.pdf 19:31:22 Outros carta_cep.docx 24/02/2017 Suéle de Castro Aceito 19:30:48 Projeto Detalhado / projeto_atualizado.docx 24/02/2017 Suéle de Castro Aceito Brochura 19:29:15 Investigador TCLE / Termos de TCLE_atualizado.docx 24/02/2017 Suéle de Castro Aceito Assentimento / 19:29:01 Justificativa de Ausência Declaração de autorizacao.pdf 19/01/2017 Suéle de Castro Aceito Instituição e 18:29:22 Infraestrutura Folha de Rosto folharosto.pdf 19/01/2017 Suéle de Castro Aceito 18:28:25 Situação do Parecer: Aprovado Necessita Apreciação da CONEP: Não BRAGANCA PAULISTA, 14 de Março de 2017 Assinado por: Alessandra Gambero (Coordenador) Endereço: SAO FRANCISCO DE ASSIS 218 Bairro: JARDIM SAO JOSE CEP: 12.916-900 UF: SP Município: BRAGANCA PAULISTA Telefone: (11)2454-8981 Fax: (11)4034-1825 E-mail: comite.etica@saofrancisco.edu.br