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TUTORIAL X Estudar a importância do tabagismo na etiologia do Câncer de Cabeça e Pescoço; Aprender as divisões anatômicas do CCP; Estudar os fatores de risco, sinais e sintomas, exames, diagnóstico e tratamento do CCP; Entender a importância do estadiamento das neoplasias; CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO Originam-se das células escamosas das mucosas da cavidade oral, seios paranasais, nasofaringe, orofaringe, hipofaringe e laringe. Tumores de glândulas salivares são raros, heterogêneos e possuem etiologia e tratamento distintos. Acontece na parte superior do sistema respiratório e digestivo. Isso inclui áreas como lábios, boca, garganta, laringe, regiões atrás da boca e do nariz (nasofaringe e orofaringe), nariz e tireoide. Normalmente, não apresenta sintomas na fase inicial e está relacionado ao fumo e ao consumo de álcool. TABACO COMO AGENTE ETIOLÓGICO O tabagismo é considerado a principal causa de morte evitável em todo o mundo, segundo a OMS. Pesquisas comprovam que aproximadamente 47% da população masculina e 12% da população feminina fumam. Cerca de 90% dos pacientes com câncer de boca ou garganta fumam cigarros, cachimbos, charutos ou mascam fumo. O hábito de mascar tabaco aumenta consideravelmente a possibilidade de desenvolver câncer bucal, pois o tabaco para mascar possui formulações com pH alcalino, o que facilita a absorção da nicotina pela mucosa bucal Somado ao alcool, temos sua atuação como solvente, e o cigarro, ao entrar em contato com a mucosa bucal, libera toxinas e provoca agressão térmica quando aceso. Dessa forma, causa diminuição da imunidade da mucosa e, consequentemente, propicia a entrada de agentes carcinogênicos presentes no tabaco nos tecidos(25), aumentando o metabolismo de substâncias cancerígenas, com consequente aumento das prostaglandinas e das células de Langerhans Os danos do cigarro ao epitélio (bloqueio da ciliogênese, ↓ apoptose, hiperplasia e metaplasia, espessamento da submucosa e inflamação) e transformação dos pró-carcinógenos em carcinógenos (P450 no fígado → danos oxidativos → instabilidade genética) O acúmulo de mutações nas células epiteliais pulmonares leva à transformação neoplásica, resultando em câncer. Nas áreas da mucosa respiratória onde ocorrem múltiplas mutações devido a esse processo, dá-se o nome de "efeito de campo", indicando regiões com maior suscetibilidade à formação tumoral. LESÕES PRÉ-CANCEROSAS As lesões pré-cancerosas são precursoras de neoplasias e se dividem em leucoplasias e eritroplasias Leucoplasia: A leucoplasia é a lesão pré-cancerosa mais comum, caracterizada por placas brancas ou esbranquiçadas, que podem ser espessas, lisas, enrugadas, endurecidas ou até verrucosas. Ela é mais frequente em fumantes, com uma incidência seis vezes maior em comparação aos não fumantes. A lesão ocorre devido à produção excessiva de queratina, que melhora a hidratação dos tecidos, causando o aspecto esbranquiçado. A leucoplasia tende a afetar a mucosa bucal, a superfície ventral da língua e o assoalho da boca, sendo mais comum em pacientes que mascam tabaco. Eritroplasia: Semelhante à leucoplasia, a eritroplasia se caracteriza por placas aveludadas e avermelhadas, que podem sangrar facilmente e têm uma superfície nivelada. Essa lesão é considerada de alto risco, pois as alterações epiteliais são atípicas, aumentando o risco de malignidade. Além disso, o paciente pode apresentar dor e sensibilidade local. A eritroplasia é frequentemente associada ao consumo de álcool, tabaco e infecção por Candida. O assoalho da boca é o local mais comum de acometimento dessa lesão. OUTROS FATORES DE RISCO HPV Especialmente o genótipo 16, é uma causa importante do carcinoma de células escamosas orofaríngeo (CCE).O genótipo 16 tem forte afinidade pela mucosa linfóide da orofaringe e está presente em mais de 95% dos casos de CCE orofaríngeo associados ao HPV. Pacientes com CCE orofaríngeo associado ao HPV são diagnosticados, em média, aos 58 anos, mais jovens que os afetados por cânceres relacionados a fatores ambientais. SEXO Homens apresentam maior risco de carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço (CCECP), tanto relacionado quanto não relacionado ao HPV, em comparação com mulheres. Essa diferença reflete hábitos como tabagismo e consumo de álcool, que o livro de clínica médica expõe que é maior no consumo desses indivíduos. DIETA Dietas ricas em frutas e vegetais, especialmente crucíferos, reduzem o risco de câncer de cabeça e pescoço por conterem isotiocianatos, que ajudam a combater carcinógenos ambientais. Baixos níveis de vitamina A e betacaroteno estão ligados à baixa ingestão desses alimentos em pessoas com câncer relacionado ao ambiente.Indivíduos com HIV têm risco três vezes maior de câncer de cabeça e pescoço, tanto HPV-relacionado quanto não, devido à imunossupressão. Apesar disso, pacientes com câncer orofaríngeo relacionado ao HPV apresentam bom prognóstico após tratamento curativo, e a infecção por HIV não piora a sobrevida. SINAIS E SINTOMAS Gerais: otalgia, massa no pescoço, rouquidão, congestão nasal ou epistaxe, odinofagia ou disfagia, hemoptise ou saliva com sangue, ulcerações em pele e boca, enlarguecimento tonsilar unilateral, lesões palpáveis nas glândulas salivares e massas solitárias. Orofaringe As margens se estendem da superfície superior do palato mole até o osso hioide, e incluem a base da língua (a amígdala ou tonsila lingual), as amígdalas (tonsilas) palatinas, o sulco glossotonsilar, a superfície inferior do palato mole e a úvula, os pilares amigdalianos (tonsilares) anteriores e posteriores e a continuidade das paredes faríngeas lateral e posterior.fatores de risco incluem tabagismo e consumo de álcool. Frequentemente, os cânceres orofaríngeos HPV-negativos e de hipofaringe são diagnosticados tardiamente (T3-4), com sintomas como dor na garganta, disfagia e perda de peso. Câncer de laringe As margens da laringe incluem a epiglote, tireóide e o arco anterior da cartilagem cricóidea. As estruturas da laringe incluem a epiglote e as pregas (cordas) vocais falsas (laringe supraglótica), as cordas vocais verdadeiras (glote), e a subglote. Tabagismo e consumo de álcool são fatores de risco importantes. Os cânceres em estágio inicial (T1-2) costumam causar rouquidão, e os avançados podem levar a obstrução das vias respiratórias, necessitando de traqueostomia. Carcinoma nasofaríngeo: mais de 70% dos casos ocorrem no Sudeste Asiático. A massa cervical é o principal sintoma, com outros sinais como epistaxe, obstrução nasal unilateral, perda auditiva e envolvimento de nervos cranianos. Tumores de glândulas salivares: apresentam-se com massas parótidas e submandibulares, lesões orais ou orofaríngeas e sintomas como disfagia e rouquidão. A paralisia de Bell deve ser investigada, especialmente quando há paralisia facial sem lesão evidente nas glândulas. Outros tumores de cabeça e pescoço: linfomas, plasmocitomas, sarcomas (osteogênicos, nervosos), paragangliomas e rabdomiossarcomas podem se manifestar com nódulos no pescoço ou lesões nos tecidos linfóides, órbita e seios paranasais. Melanomas e carcinomas de células escamosas também podem estar associados a adenopatia cervical ou lesões nas glândulas parótidas. DIAGNÓSTICO O diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço é feito com base na análise clínica dos sintomas, como feridas na boca e nódulos no pescoço. Para confirmar, o médico pode solicitar uma biópsia, que retira uma amostra do tecido suspeito. Nódulos, como os da tireóide, podem ser avaliados por meio de uma biópsia com agulha fina, que aspira uma parte do tecido para análise. A agulha fina é chamada de aspiração por agulha fina (AAF). Após a coleta do tecido, a amostra é analisada por citologia, onde as células são examinadas ao microscópio para verificar a presença de células cancerígenas. Exame Físico: avaliar cavidades nasal e oral, mucosas, língua, palato, fossa tonsilar,parede faríngea e mobilidade das cordas vocais. Laringoscopiaflexível para visualizar nasofaringe, orofaringe, hipofaringe e laringe. Avaliação de áreas de drenagem linfática e parótidas, além de exame do canal auditivo e rinoscopia. Exames de Imagem: pode-se utilizar TC, RM e/ou PET/CT, para avaliar extensão local, linfonodos regionais, metástases distantes e malignidades secundárias, além de áreas comuns de metástase, como pulmões, fígado e ossos. ESTADIAMENTO O estadiamento do carcinoma de células escamosas (CCE) de cabeça e pescoço envolve vários exames para avaliar a extensão da doença. Segundo o INCA, o estadiamento do câncer é fundamental para determinar a extensão da doença, a taxa de sobrevida e o tratamento adequado. Ele classifica o tumor com base em variáveis como localização, tamanho, invasão, metástases e características histológicas. O sistema mais utilizado é o TNM (pela UICC), que avalia o tumor primário (T), linfonodos (N) e metástases (M), com graduações numéricas e alfabéticas. O estadiamento pode ser clínico (feito com exames físicos e complementares) ou patológico (feito após cirurgia e análise do tecido). Ele ajuda a escolher o tratamento, prever complicações e estimar o prognóstico. A necessidade de se classificar os casos de câncer em estádios baseia-se na constatação de que as taxas de sobrevida são diferentes quando a doença está restrita ao órgão de origem ou quando ela se estende a outros órgãos. Com base no tamanho do tumor primário (T1 a T3) e invasão de estruturas adjacentes (T4). Os linfonodos são avaliados por tamanho, número e localização (ipsilateral ou contralateral). Metástases a distância são raras no diagnóstico inicial, ocorrendo em menos de 10% dos casos, sendo mais comuns em tumores avançados nos linfonodos cervicais, afetando pulmões, ossos ou fígado. → Obtenção de informações sobre o comportamento biológico do tumor; → Escolha da terapêutica; → Previsão das complicações; → Obtenção de informações sobre o prognóstico do caso; → Avaliação dos resultados do tratamento;investigação em oncologia; TRATAMENTO Abordagem Multidisciplinar: A abordagem para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço envolve uma equipe composta por cirurgiões, oncologistas clínicos, radioterapeutas, dentistas, fonoaudiólogos, nutricionistas e fisioterapeutas. Esse trabalho conjunto visa garantir uma abordagem completa e individualizada para cada paciente, considerando todos os aspectos clínicos, funcionais e emocionais da doença e do tratamento. Doença Localizada (Estágios I e II): Para tumores localizados, o tratamento primário geralmente envolve cirurgia ou radioterapia isolada, dependendo das características do tumor e do paciente. A sobrevida em 5 anos varia entre 70% e 90%. Em casos de fatores de risco, como invasão perineural, linfonodos positivos ou margens comprometidas, pode ser necessário o uso de radioterapia adjuvante após a cirurgia para reduzir o risco de recorrência. Doença Locorregional Avançada (Estágios III e IV): Para os casos de doença locorregional avançada, é indicada uma abordagem multimodal, combinando cirurgia com radioterapia ou quimiorradioterapia. Quando possível, deve-se buscar preservar os órgãos afetados para manter a funcionalidade, especialmente em áreas como a laringe e a orofaringe. A quimioterapia de indução pode ser usada antes da radioterapia ou quimiorradioterapia, com o objetivo de reduzir o tamanho do tumor e melhorar os resultados do tratamento.