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YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE BIOCIÊNCIAS DISCIPLINA: GENÉTICA DISTÚRBIOS NEUROLÓGICOS A área de atuação na neurogenética aborda, investiga e, se possível, trata, doenças genéticas de impacto neurológico Nesses tipos de patologias, a cada geração há um aumento nessas repetições e o aparecimento cada vez mais precoce dos sintomas Para uma proteína x funcional podemos ter uma multiplicação de trincas adequada. Os problemas surgem quando há uma expansão e/ou excesso dessa repetição, o que pode ocasionar certos distúrbios. A doença é expressa quando o número de repetições atinge um limiar. BASE GENÉTICA Herança genética não mendeliana – repetições de trinca ou expansão de trincas No genoma humano é comum encontrar sequências repetidas de bases Expansão – aumento do número de nucleotídeos à medida que o gene é passado por gerações Antecipação – a doença pode se manifestar mais cedo a cada geração N° de repetições → mais instável e grave o distúrbio REPETIÇÕES DE TRINCA CROSSING OVER DESIGUAL – certas pessoas podem ter uma instabilidade genômica que leva ao emparelhamento de forma desigual. A partir daí, no momento da troca entre os cromossomos haverá pedaços maiores que o outro, logo, o cromossomo que recebeu uma maior quantidade de trincas estará prejudicado e suscetível aos problemas. A doença se expressa quando o número de repetições atinge um limiar, evento que pode desestruturar a proteína e desencadear uma cascata Doenças que resultam de expansões repetidas instáveis, síndrome do X frágil, friedreich ataxia, Huntington... Essas expressividades e quantidade de repetições, haverá um excesso do aminoácido produzido, provocando um empacotamento e formação de placas (agregados proteicos) que são extremamente tóxicos, levando a neurodegeneração (esses aglomerados são possíveis de visualizar em exames moleculares) NOTE: mutações em íntrons e/ou em éxons podem gerar problemas, devido à diferença na leitura/produção do RNA EXPANSÃO/ANTECIPAÇÃO – aumenta o número de nucleotídeos a cada geração, antecipando os sintomas nas futuras gerações, pois quanto maior o número de repetições, mais instável e grave o distúrbio As sequências de trinca tendem a formar estruturas secundárias, como alças ou estruturas em forma de cabelo, quando se repetem várias vezes. Essas estruturas podem interferir no processo de replicação, tornando a região propensa a escorregamentos e, consequentemente, a alterações no número de repetições. YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN DOENÇA DE HUNTINGTON Genes de ação tardia – indivíduo nasce com a doença, mas os sintomas aparecem tardiamente devido ao acúmulo de danos e funcionamento defeituoso de proteínas NOTE: ao longo das gerações, o acúmulo das repetições se torna cada vez maior, pois há maior expansão das repetições, logo, quanto maior o número dessas repetições, mais precocemente serão os sintomas O paciente sofre com movimentos involuntários que foram identificados como uma “dança” É degenerativa e progressiva de início tardio, incidência 1 em cada 10.000 pessoas, em média Morte entre 10 a 20 anos após o início dos sintomas; a taxa de suicídio é bem elevada entre os diagnosticados Padrão de herança autossômica dominante, a característica mendeliana tem bases não mendelianas, pois pode haver salto de geração, por exemplo, algo não explicado por Mendel em doenças autossômicas dominantes A maioria dos indivíduos é heterozigoto para essa condição, pois indivíduos homozigotos geram abortos (gravidade) O limiar para Huntinnton é de 40 cópias A mulher 9 não apresenta a doença, mas é filha de um pai portador (heterozigótica) e uma mulher normal para a condição. Ou seja, ela pode ter uma quantidade de repetições muito próxima a 40, mas não atingiu o limiar e por isso não possui a doença. Contudo, pode repassar as repetições para sua prole (acumulativo) Nessa doença é possível observar uma penetrância e expressividade interferindo para que haja salto de gerações, diferença entre os sintomas, explicado pela genética mendeliana. Atualmente, a genética molecular desvendou uma base não mendeliana com a expansão de trincas, isso pode explicar que alguns filhos podem herdar uma quantidade de bases dentro do limiar e não desenvolver a doença. Quanto maior a expansão, mais precoce o início da doença Com o excesso de repetições, teremos como resultado uma proteína com excesso de aminoácidos A proteína Huntingtina é expressa nos neurônios e a região CAG codifica uma via de poliglutamina na proteína A expansão CAG CAG CAG CAG causa o dobramento anormal da proteína e o sequestro de outras proteínas na célula A mutação HD representa um ganho de função, em que apenas um alelo mutante é necessário para ocorrer o distúrbio Em uma tomografia, é possível observar uma atrofia do tecido nervoso cerebral e gânglios da base, além do ventrículo alargado A huntingtina mutante gera uma cascata de efeitos, com disfunção de vias neuronais (via cortico-estriatal, via nigro estriatal) que leva à morte celular estriatal, seja por apoptose ou autofagia REPETIÇÕES CLASSIFICAÇÃO FENÓTIPO 40 Penetrância completa Afetado YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN ANOMALIAS MOTORAS – coreia, distonia Movimentos anormais – contrações nas extremidades Alterações de personalidade e perda gradual da cognição – demência/depressão Podem transmitir o gene antes mesmo de perceberem que são afetados No caso de Huntington, o número de repetições está mais ligado com o início do aparecimento de sintomas, e não necessariamente com a gravidade PCR – confirmação do diagnóstico, que permite a contagem do número de expansões CAG presentes na porção 5’ do gene IT15 no braço curto do cromossomo 4 Não há cura conhecida, drogas apenas controlam os sintomas, potencial cura pela inibição da expressão do gene mutante utilizando siRNA A droga IONIS-HTTRx é injetada no líquido cefalorraquidiano, ela intercepta e bloqueia o DNA antes que as proteínas sejam produzidas, impedindo agregação SÍNDROME DO X-FRÁGIL SÍNDROME DO X-FRÁGIL Forma comum de retardo mental sendo somente superado pela síndrome de down no sexo masculino, afeta 1/4000 nascidos Não segue o padrão mendeliano de dominante ou recessivo, expressividade variada, é uma doença ligada ao sexo Recém-nascidos – perímetro da cabeça maior que o normal, falta de força para sugar (baixo tônus muscular) Sintomatologia clínica – nas mulheres, o quadro clínico é, em geral, menos grave pela compensação do segundo CR X: Contato visual pobre, estereotipas das mãos, fala perseverante com ecolalia (rimar) e palilalia (eco), dificuldade de comunicação, traços de timidez excessiva, hiperatividade com déficit de atenção, agressividade e semelhança com autismo, humor instável Habilidades cognitivas – muito diferenciadas/variáveis em cada paciente, relacionados à quantidade de repetições de trincas de bases, aumenta de acordo com o número de gerações que é transmitida CAUSADA PELA MUTAÇÃO NO GENE FMR1 (Fragile Mental Retardation 1) fra(X), localizado no cromossomo X O cromossomo X apresenta uma falha na porção subterminal de seu braço longo (Xq27,3), há uma condensação, não consegue expressar a proteína FMRP, importante na tradução local de proteínas nos dendritos neuronais; sem o controle da tradução, há abundância de proteínas nos dendritos, reduzindo a estabilidade sináptica Comportamentos – hiperatividade, impulsividade, baixa concentração e ansiedade social O GENE X FRÁGIL no CR X – 3 formas: Normal CGG varia de 6 a 50 repetições Intermediário – pré-alterado, 50 a 200 mutações, pode passar por gerações até que ocorra a mutação completa e apareçauma criança afetada, esse indivíduo não possui a condição Alterado – mutação completa, >>200 YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN DIAGNÓSTICO – detecção laboratorial é indicada pela investigação etiológica de indivíduos que apresentam anormalidades no comportamento, linguagem, socialização e desenvolvimento cognitivo, incluindo o grupo de transtornos invasivos do desenvolvimento; exame de cariótipo SUBDIAGNÓSTICO – sintomas comuns a outras doenças IMPORTÂNCIA – checklist de sintomas na triagem de pacientes para exames mais específicos, história familiar Análise citogenética Análise de DNA – coleta de sangue, identifica portadores de pré-mutação e mutação completa, através da contagem das repetições Diagnóstico pré-natal - o estudo do DNA das células das vilosidades coriônicas, permite o diagnóstico de fetos portadores da mutação completa no primeiro trimestre de gestação TRATAMENTO Não tem cura Psicofarmacologia com uso de medicação específica atenuante dos sintomas da SXF, variando com as necessidades do paciente, podem ser usados antipsicóticos, inibidores da recaptação de serotonina Terapia ocupacional, acompanhamento pediátrico, fonoaudiólogo, psicopedagógico clínico, educação escolar, especial ou regular NOVIDADES CIENTÍFICAS – Estudos que investigam a diminuição de receptores da proteína mGluR5, que pode ser o responsável pelo descontrole da síntese proteica. Pesquisadores observaram que, ao reduzir a quantidade do receptor mGluR5, os sintomas da doença eram aliviados IMPRINTING GENÔMICO É um processo que distingue a expressão gênica em relação à origem do cromossomo: materna ou paterna 1° gene imprintado foi identificado em 1990 Haploidismo uniparental – somente um alelo irá se expressar, ou o alelo da mãe ou do pai Genes que sofrem o fenômeno do imprinting passam pelo haploidismo uniparental Existem cerca de 50 loci conhecidos, e possivelmente até 200 O genitor de origem irá ditar qual alelo será transcrito ou inativado, isso ocorre nas células somáticas do corpo Muitos dos loci que são sujeitos a imprinting genômico ocorrem em grupos, ou seja, genes expressos maternalmente são silenciados paternalmente, e o contrário também é verdadeiro Genes expressos maternalmente são de controle, restringem a proliferação celular, enquanto os expressos paternalmente promovem o crescimento celular Mesmo ao herdar um gene “ligado” da mãe ou do pai, ele será desligado no processo de formação dos gametas, por exemplo (re-imprinting) O silenciamento se dá pela METILAÇÃO do DNA, as metil-transferases inserem grupos metil na estrutura da cromatina, condensando ainda mais, impedindo a transcrição – impede a ligação de fatores de transcrição, cessando a expressão OCORRE NA EMBRIOGÊNESE – durante o desenvolvimento dos gametas, ocorre a desmetilação do genoma e após a maturação dessas células, ocorre uma nova metilação para silenciar novamente (explicando: isso acontece porque para a formação do embrião, o gameta ainda não sabe com qual outro gameta irá se unir, não se sabe se será uma mulher ou homem, por isso há o “apagão” dessa metilação, mas ao definir o sexo, o processo de metilação é refeito) YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN O processo enzimático responsável não está totalmente esclarecido, mas sabe-se da existência de um centro de imprinting – sequência específica de DNA, que tem efeito de regular a estrutura e a metilação da cromatina NOTE: os genes não são intrinsecamente paternos ou maternos, se um homem transmite a seu filho um gene pré- programado que herdou da sua mãe, ele o recebeu com impressão materna, mas o transmite com impressão paterna! DOENÇAS HUMANAS E O IMPRINTING O fenômeno do imprinting não causa doenças, mas elas podem ser causadas por erros nesse processo e estão associadas Quando os padrões de imprinting são fixados, não há como reverter o processo no embrião Se a porção mutada de um gene está presente no silenciamento do imprinting, a pessoa não desenvolve a condição Se a porção mutada está presente no único gene que pode se expressar, podem surgir problemas Várias doenças genéticas estão associadas ao imprinting, depende de a deleção ocorrer no CR paterno ou materno Uma deleção no cromossomo 15 pode levar a dois tipos de síndrome, a depender se é originado do silenciamento materno ou paterno SÍNDROME DE ANGELMAN – Uma mutação no lócus maternalmente expresso e paternalmente silenciado – distúrbio transmitido exclusivamente pelas MÃES SÍNDROME DE PRADER-WILLI – Uma mutação no lócus paternalmente expresso e maternalmente silenciado – distúrbio transmitido exclusivamente pelos PAIS DISSOMIA UNIPARENTAL Erro na não disjunção dos cromossomos homólogos na meiose, gerando uma trissomia A tentativa de correção acontece pela seleção de dois cromossomos para formar um indivíduo normal, contudo, essa seleção pode ocorrer dentre os dois genes que vieram do mesmo gameta, ou seja, do mesmo portador (mãe ou pai), seriam 2 CR 15 do pai ou da mãe Para o imprinting, não haverá um silenciamento normal, pois pode apresentar os dois ativos ou os dois inativos YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN SÍNDROME DE PRADER-WILLI São originadas, em sua maioria 80%, por microdeleções no cromossomo de origem paterna 15q11-q13 12 genes nesse lócus – pelos menos 2 desses genes são imprintados Os alelos maternos estão imprintados = silenciados, e os paternos deveriam expressar a informação genética, contudo, com a deleção, não há informação gênica no cromossomo, ou seja, não há transcrição = sem expressão Os genes candidatos que são paternalmente expressos e, portanto, responsáveis pela síndrome (SNRPN/NECDIN) A proteína SNRPN está envolvida no splicing (edição, retira íntrons) do RNA, enquanto a NECDIN é uma proteína nuclear que age principalmente no desenvolvimento cerebral Afeta na faixa de 350 a 400 mil indivíduos em ambos os sexos; Incidência entre 1 em 12.500 indivíduos, e as etnias são igualmente afetadas Sintomas importantes: Obesidade sindrômica mais comum Hipotonia desde o feto, com movimentos reduzidos e dificuldade alimentar Hipogonadismo e infertilidade, braquidactilia (mãos e pés pequenos) Olhos em forma de amêndoa, miopia, baixa estatura e mau humor Atraso psicomotor, hiperfagia, atraso mental moderado, morte precoce (30 anos) O diagnóstico inclui alguns sintomas, e a análise genética está indicada caso os pacientes com suspeita diagnóstica apresentem todos os critérios correspondentes à sua faixa etária Tratamento inclui principalmente o controle da obesidade, envolvendo uma equipe multiprofissional, acompanhamento de médicos, nutricionistas, dentistas, psicólogos, entre outros. Medidas dietéticas, tratamento farmacológico e/ou abordagem cirúrgica Aconselhamento genético SÍNDROME DE ANGELMAN São causadas, em sua maioria, por microdeleções no cromossomo de origem MATERNA 15q11-q13 (80%) Os alelos paternos estão “imprintados” e os maternos deveriam expressar a informação genética Não há informação genética, ou seja, não há transcrição, devido às deleções O único expresso maternalmente é UBE3A, sugerindo que ele é o candidato para a síndrome, seu produto gênico é a proteína UBIQUITINA E3 ligase (E6AP) que age no processo de ubiquitinação = marcar proteínas para a degradação pelo proteossoma A função primária da ARC é diminuir a sinalização neuronal. Contudo, com a mutação UBE3A, a ARC se acumula níveis acima do normal, o que provoca uma redução anormal da sinalização neuronal, levando a uma comunicação neuronal prejudicada YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN Principais sintomas Retardo mental grave, ataxia Epilepsia, prejuízo ou ausência de fala Semblante sempre risonho, sorridente Diagnóstico difícil no recém- nascido e na infância, percebe- se atraso nodesenvolvimento entre 6-12 meses de idade com o sintoma mais evidente entre 3-7 anos Histórico de desenvolvimento e achados laboratoriais, características clínicas e testes genéticos Os testes genéticos podem indicar justamente o padrão de metilação (imprinting), assim como a mutação no UBE3A TRATAMENTO Não há cura, será feito o controle da epilepsia, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, hidroterapia, entre outros Tratamento de suporte A maioria são erros espontâneos, ou seja, não serão herdados As deleções podem ser herdadas, mas são casos mais raros MITOCÔNDRIOPATIAS Herança exclusivamente materna e DNA próprio das mitocôndrias O DNA mitocondrial não apresenta os mecanismos de proteção ou sistemas de reparo, mais suscetível a mutações Nascimento da medicina mitocondrial – 1959, pacientes com sintomas neurológicos desconhecidos, taxa de metabolismo basal elevada, com hipótese de acometimento da regulação do consumo de O2 pela célula Estudos da mitocôndria do músculo esquelético, foram encontrados danos celulares nessa organela Está mais presente nas células do cérebro, dos músculos esqueléticos, do coração, dos rins e do fígado DNA mitocondrial – capacidade semi-autônoma de replicação, não possui íntrons, circular Acredita-se que mitocôndrias dos espermatozoides são marcadas com a proteína ubiquitina para serem destruídas após a fertilização Acometimento tissular, nervoso e muscular Podem ser classificadas geneticamente quando forem: Aparecimento esporádico – por rearranjos do DNAmt por duplicações ou deleções Herança materna – tipicamente por mutações de ponto no DNAmt Herança mendeliana – tipicamente por defeitos do DNA nuclear, boa parte do funcionamento mitocondrial depende do núcleo, para “segurança” de genes que atuariam na mitocôndria HETEROPLASMIA x HOMOPLASMIA Na HOMOPLASIA, há uma coleção uniforme de DNAmt na célula, com 100% normal ou 100% mutado Na HETEROPLASMIA, há uma concentração variável de DNAmt na célula, alguns mutados e outros normais A severidade da doença mitocondrial em uma criança depende da porcentagem de mitocôndrias mutantes na célula que a formou YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN Efeitos de uma miopatia mitocondrial: Disfunção mitocondrial leva a deficiência de energia celular, afeta a musculatura lisa e estriada Compromete todos os órgãos, principalmente aqueles que demandam mais energia, como sistema neurológico, cardiorrespiratório e gastrointestinal RELATO DE CASO Menino de 12 anos de idade que apresentou diversas crises convulsivas, cefaleia e vômitos de difícil controle, concomitantes a sinais neurológicos focais. Esses episódios eram recorrentes e apresentavam regressão, com permanência de discreto déficit. A investigação revelou aumento do ácido láctico plasmático e lesões semelhantes a infartos cerebrais. A biópsia muscular mostrou inúmeras fibras granulares e diminuição da citocromo c oxidase no tecido muscular. MELAS – encefalopatia mitocondrial com acidose lática e episódios tipo derrame Derrames – acúmulo de aglomerados de mitocôndrias anormais nas paredes de pequenas artérias e capilares do cérebro e dos músculos Acidose lática – aumento da concentração de piruvato, em que o excesso é reduzido a ácido lático, que se acumula no sangue ou em outros líquidos corpóreos É a mais comum doença mitocondrial, em geral heteroplásmico Derrames recorrentes antes dos 40 anos, miopatia, araxia, mioclônus, demência e surdez são frequentes Vômitos recorrentes, enxaqueca, diabetes, oftalmoplegia externa progressiva, ptose e baixa estatura também são observados em menor grau. ETIOLOGIA DO MELAS: Mais de 80% casos apresentam mutação no gene RNAt Leucina, uma transição de base de A para G na região 3243 Se >90% do DNAmt muscular for comprometido = derrames recorrentes, demência, epilepsia e ataxia Se entre 40-50% = oftalmoplegia crônica, miopatia e surdez MERF – Epilepsia mioclônica e fibras vermelhas anfractuadas Achados importantes no caso – epilepsia mioclônica, níveis levemente aumentados de lactato e fibras vermelhas anfractuadas (concentração de mitocôndrias anormais na célula), diferencia da MELAS As fibras com borda vermelha de espessura irregular são praticamente sinônimo de acúmulo de mitocôndrias Aglomerações de mitocôndrias anormais nas células musculares, pela transição de A para G na região 8344 do gene de RNAt de Lisina A lisina não é um aminoácido tão comum, portanto, haverá um menor comprometimento de proteínas É um distúrbio raro, heteroplásmico, debilitante e multissistêmico Caracterizada por: epilepsia, ataxia e miopatia, geralmente de início na infância Aspectos clínicos e diagnóstico histopatológico da MERF: Podem ser normais durantes os anos iniciais de desenvolvimento, com o tempo desenvolvem epilepsia mioclônica (43%) e ataxia progressiva (50%) associada à disartria (cordas vocais, rouquidão) e nistagmo (movimento dos olhos involuntário), alguns com atrofia óptica (13%), miopia (70%) O músculo é o tecido ideal para investigação morfológica e bioquímica dos efeitos patogênicos das mutações no DNAmt, por terem essas células grandes necessidades energéticas e um índice muito baixo de renovação YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN LHON – Neuropatia óptica hereditária de Leber Raro distúrbio mitocondrial do olho, pela degeneração do nervo óptico e de neurônios de retina Os sintomas incluem visão borrada de perda de visão indolor completa ou quase completa Deterioração dos nervos periféricos, tremores, defeitos de condução cardíaca, distonia, cegueira bilateral O início dos sintomas se dá por volta dos 20 anos Quanto maior a taxa de heteroplasmia, maior o número de mitocôndrias afetadas e mais grave a condição Aproximadamente 3x mais comum em homens do que em mulheres Fatores que podem estar envolvidos: Alcoolismo e/ou tabagismo Gases tóxicos como monóxido de carbono Doenças como diabetes Altos níveis de estresse Deficiência de vitamina B12 COMPLEXO I DA CADEIA RESPIRATÓRIA – papel crítico na transmissão nervosa induzida pela luz, independente do seu papel geral na produção de ATP, portanto, atinge principalmente o nervo óptico e a camada de células ganglionares da retina Tratamento – não tem cura, mas existe a IDEBENONA, análogo sintético da coenzima Q10 e as suas propriedades antioxidantes protegem as mitocôndrias *não é aprovado pela ANVISA Os doentes com LHON têm indicação para iniciar o tratamento com altas doses (900mg/dia) o mais precocemente possível para reduzir a perda visual ou até, eventualmente, recuperar alguma visão SÍNDROME DE KEARNS-SAYRE (KSS) DNA de células musculares portadoras apresentaram, principalmente, deleções >1.000 e duplicações Quanto maior o número de deleções, menor a produção de energia Mais genomas duplicados pode interferir na montagem de moléculas da cadeia respiratória TRÍADE CLÍNICA – oftalmoplegia externa progressiva, degeneração da camada pigmentar da retina e anomalias de condução cardíacas Ptose palpebral superior: primeira manifestação Menor grau: surdez, demência e diabetes Não há tratamento específico, apenas para a atenuação dos sintomas YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN SÍNDROME DE LEIGH Enfermidade neurometabólica congênita, que faz parte do grupo das encefalopatias mitocondriais Existem três tipos de transmissão genética associada a essa síndrome: herança recessiva ligada ao x, mitocondrial ou autossômica recessiva No complexo relacionado à cadeia respiratória, há genes nucleares e genes mitocondriais, para uma tentativa de segurança e proteção dos genes É um distúrbio infantil degenerativo e letal, com as características: Degeneração dos neurônios dos gânglios basais e do tronco cerebral Encefalopatia, retardo psicomotor Acidose láticae paralisia bulbar A idade de início da doença é variada e ocorre em geral nos primeiros dois anos de vida, podendo ocorrer manifestações no adulto jovem O quadro clínico caracteriza-se em crianças menores de um ano de idade com perda do controle da cabeça, hipotonia, deficiência de sugar, anorexia, vômitos, irritabilidade e convulsões Após o primeiro ano de vida, ocorre dificuldade na marcha, ataxia, disartria, regressão intelectual, distúrbios da respiração, alterações oftalmológicas como: oftalmoplegia, nistagmo, atrofia óptica e estrabismo A duração da doença nos casos infantis é, em média, de um ano e nos casos tardios ou juvenis pode prolongar-se por anos Ainda não há tratamento específico para essa patologia As comorbidades dependem do complexo envolvido na condição COMPLEXO I – Pessoas homozigotas recessivas com mutações desses genes NDUFS1-8 desenvolvem síndrome de leigh acompanhada de cardiomiopatia COMPLEXO II – SDHA-D, doença clássica de LEIGH COMPLEXO III – UQCRB para acidose lática, BCS1L síndrome de leigh ou GRACILE com retardo de crescimento, aminoacidúria, acidose lática, morte precoce, acompanha problemas hepáticos e renais COMPLEXO IV – COX/SCO OU SURF, apenas síndrome de leigh, disfunções hepáticas, renais ou cardiomiopatia infantil CROMOSSOMOPATIAS O genoma é composto de muitas moléculas de DNA, que são, por sua vez, os componentes principais dos cromossomos O genoma envolve sequências gênicas e não gênicas No ciclo celular, a mitose representa apenas 30 minutos em um ciclo celular de 24h, onde G1 dura 9h, S dura 10h e G2 dura 4h e 30 minutos Eucromatina – porção descondensada, heterocromatina mais condensada Os cromossomos são causa de infertilidade a abortos recorrentes, mais de 50% dos embriões que são abortados espontaneamente no primeiro trimestre têm uma alteração cromossômica 1 recém-nascido em cada 200 tem malformações congênitas múltiplas, devido a uma alteração cromossômica ALTERAÇÃO ESTRUTURAL – na conformação do cromossomo ALTERAÇÃO NUMÉRICA – na quantidade de cromossomos presentes/funcionais, sua principal causa é a não disjunção dos cromossomos homólogos, na meiose, para formação de gametas ALTERAÇÕES NUMÉRICAS: EUPLOIDIAS: Quando há alteração no bloco inteiro de cromossomos, ou seja, na ploidia Monoploidia (n) – quando há apenas um genoma, exemplo de um gameta Triploidia (3n) – quando há três genomas, 2/3 se origina por fertilização de um óvulo por dois espermatozoides = aborto, ou o óvulo 2n fertilizado por um espermatozoide n, ou o contrário, mas todas são incompatíveis com a vida Poliploidia (4n, 5n,..) quando há quatro ou mais genomas Vale lembrar que a esses euploidias são incompatíveis com a vida, apenas há no reino vegetal (manipulação de interesse) YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN ANEUPLOIDIA: Quando há alteração em um único cromossomo, pode ser ganho ou perda Nulissomia – perda de um par inteiro de cromossomos, no ser humano é letal Monossomia – perda de um único cromossomo, por exemplo na síndrome de turner, algumas são compatíveis com a vida Trissomia – um cromossomo a mais no cariótipo, há compatibilidade com a vida Pode ser autossômica, do par 1 ao 22; pode ser sexual, no par 23 SÍNDROME DE TURNER Principais características – pescoço alado, constrição da aorta, baixo desenvolvimento dos seios, ovários pouco desenvolvidos É fruto de uma não disjunção, que pode ter ocorrido na meiose I – não separação dos cromossomos homólogos, ou na meiose II – não separação das cromátides SEM A PRESENÇÃO DO CROMOSSOMO X, NÃO É COMPATÍVEL COM A VIDA! SÍNDROME DE KLINEFELTER Cromossomo X duplicado, e 1 cromossomo Y Será um homem com Klinefelter (presença do cromossomo Y) Principais características – calvície frontal ausente, fraco desenvolvimento de barba, tendência para crescer menos pelos, ombros estreitos, desenvolvimento dos seios, ancas largas, pelos púbicos femininos, testículos reduzidos, braços e pernas compridas SÍNDROME DE DOWN Trissomia do cromossomo 21 Principais características – prega epicântica, prega transversal única na mão, ponte nasal plana, orelha displásica e dobrada, boca entreaberta, anomalias dentárias, perfil facial plano, pescoço curto, orelha de implantação baixa, mancha de brushfields (no olho) Também pode ser oriunda de não disjunção dos cromossomos homólogos na meiose Os indivíduos podem levar uma vida normal, e há graus variáveis SÍNDROME DE PATAU Trissomia do cromossomo 13, pode ser menina ou menino Características principais – polidactolia, lábio leporino, ausência de sobrancelhas, alterações na orelha, microcefalia Malformações graves no SNC, retardo mental acentuado, má formação do coração, fenda labial e palato fendido, fronte oblíqua, olhos pequenos extremamente afastados, orelhas de implantação baixa e polidactilia YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN SÍNDROME DE EDWARDS Trissomia do cromossomo 18 Afeta ambos os sexos, por se tratar de uma doença autossômica Deformidade facial, anomalias nas mãos e pés, malformações cardíacas, renais e genitais, grave distúrbio psicomotor (comprometimento neuronal e déficit intelectual grave) Baixa expectativa de vida, alguns não conseguem passar dos 6 meses de vida e o prognóstico é de 2 anos Características principais – hipertonicidade, esterno e pescoço curtos, pelve estreita, dedos se sobrepondo (2° e 5° sobre 3° e 4°), micrognatia (mandíbula recuada), crânio alongado na região occipital e orelhas com implantação baixa SÍNDROME DO DUPLO Y – de caráter sexual TRISSOMIA SEXUAL Despertou um grande interesse médico e científico após observa-se que a proporção de homens XYY era bem maior entre os detentos de uma prisão de segurança máxima, sobretudo entre os mais altos, do que na população em geral 3% dos homens em penitenciárias e hospitais de doentes mentais possuem cariótipo 47, XYY, enquanto no grupo com altura acima de 1,80m, a incidência é maior, 20% Dentre os meninos nativivos, a frequência do cariótipo é cerca de 1 em 1.000 Características principais – Estatura elevada, displasia auricular, distúrbios comportamentais, comprometimento intelectual, comprometimento cognitivo e hipogonadismo SÍNDROME DO TRIPLO X – de caráter sexual TRISSOMIA SEXUAL Principais características – não possuem características físicas notáveis, mas podem sofrer de um pequeno retardo mental até um mais grave Há déficit significativo do desempenho em testes de QI, e cerca de 70% dos pacientes têm problemas do aprendizado graves RESOLVA Uma pessoa apresenta o cariótipo 45, XO e daltonismo. Seus genitores são fenotipicamente normais. A aberração cromossômica surgiu por alteração na espermatogênese ou na ovogênese? Obs.: daltonismo é recessivo ligado ao X ALTERAÇÕES CROMOSSÔNICAS ESTRUTURAS DELEÇÃO – perda de uma parte do cromossomo, Cri-du-chat, deleção no cromossomo 5 SÍNRDOME DE CRI-DU-CHAT Deleção no cromossomo 5, no braço curto na região 15 Principais características – deficiência mental, face típica, choro agudo (miado de gato) Bebês – choro alto e longo ao nascer, lembra o miado de um gato, baixo peso ao nascer, cabeça pequena (microcefalia), rosto redondo, olhos espaçados, ponte nasal baixa e desenvolvimento retardado Baixa expectativa de vida, mas chegam aos 20/30 anos de idade YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN CROMOSSOMO EM ANEL Se a deleção ocorrer na posição final do cromossomo, ele tende a se fusionar em suas pontas, formando o cromossomo em anel, prejudicando a transcrição e processos de divisão celular As características genotípicas serão de uma monossomia do cromossomo, por exemplo, porque o par desses cromossomo estará inativo Síndrome de TURNER gerada por essa fusão de um cromossomo X, após a deleção da extremidade do cromossomo DUPLICAÇÃO O excesso de uma porção dos genes também podem levar a problemas, o ganho extra de informação leva à alterações teciduais DUPLICAÇÃO DO CROMOSSOMO 4 – Tendência à obseidade, altura entre 145 e 150cm, retardamento mental severo, convulsões, microolftalmia, choro com boca assimétrica SÍNDROME DO OLHO DE GATO Duplicação do cromossomo 22 Principais características – crescimento normal, deficiência mental leve (ou normal com retardo emocional), defeitos cardíacos (mais de 1/3), retorno venso pulmonar anômalo e atresia anal INVERSÃO Deslocamento de duas regiões que trocam de lugar, mas não há correlação com alguma síndrome, mas pode causar problemas e afetar a expressão dos genes, pode estar associado à neoplasias TRANSLOCAÇÃO É a troca de um fragmento do DNA entre cromossomos NÃO-HOMÓLOGOS Pode ser recíproca ou balanceada, a troca dos segmentos é igual, não há perdar de segmentos, apenas com relação à troca Para ocorrer o fenômeno da translocação SEMPRE há uma quebra antes, não há perda de material genético Pode ser não-recíproca ou não-balanceada, nesse caso, há perda de material genético no momento da “troca” Translocação robertsioniana – está restrita aos cromossômico acrocêntricos, são os que praticamente não possuem braço curto, então há 2 cromossomos envolvidos e 2 quebras; as porções de braço longo se unem, se fusionando e unindo os seus centrômetos, = isocromossômo; ocorrem entre 13, 14, 15, 21 e 22 com os pontos de quebra na porção proximal do braço curto, pouco acima do centrômero A TRANSLOCAÇÃO ROBERTSONIANA pode gerar síndrome de down, pois dois cromossomos podem ser associar formando 3 do tipo 21 (o braço do 14 se une ao 21, isso é considerado como 2 do tipo 21) = ou seja, mudanças estruturais também podem dar origem à síndrome de down, não apenas as numéricas Origem das translocações – originadas de quebras, que pode gerar produtos estáveis ou instáveis Portador de uma translocação recíproca balanceada – a troca das porções de cromossomos é feita sem a perda de material genético, mas na formação de um zigoto, essas frações são consideradas inativadas, por estarem em cromossomos errados QUESTIONAMENTO: quando o pai é o portador da translocação, o risco é mais baixo para gerar um zigoto com alguma anormalidade, por quê? YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN HERANÇA DE DOENÇAS COMPLEXAS Herança multifatorial – múltiplos genes que interagem com múltiplos fatores ambientais originam uma condição, vale lembrar que cada gene tem um pequeno efeito Cerca de 75% dos distúrbios humanos herdados são multifatoriais: Autismo, diabetes, obesidade, asma, câncer, alcoolismo, hipertensão, esquizofrenia Predisposição genética + fatores estressantes durante a juventude (desastres, má nutrição, invasão militar, mortes) = disfunção neuronal e cerebral podem levar ao desenvolvimento de doenças psiquiátricas – esquizofrenia, distúrbio bipolar, depressão e autismo (no caso do autismo seria um processo durante a própria gestação) Alguns modificadores ligados ao sexo do indivíduo podem servir de gatilho para o indivíduo – o autismo clássico/infantil é mais comum nos meninos Por exemplo, a fenilcetonúria é uma doença unifatorial e bem ligada ao fator genético, contudo, a dieta é bastante imporante nessa condição, ou seja, os fatores “externos/ambientais” também acabam interferindo nessa doença Herança da maioria das características não-patológicas e que distinguem uma pessoa da outra, como cabelos, cor da pele, altura e cor dos olhos Distribuição contínua normal (Gaussiana), regressão para a média – a média da população está na maior frequência, podendo variar de regiões/etnias, por exemplo YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN O modelo do limiar – se aplica apenas para as doenças complexas, modelos PATOLÓGICAS, indivíduos à esquerda do limiar não estão afetados Para o autismo, 1 em cada 42 meninos são diagnosticados, 1 em cada 165 meninas são diagnosticadas com ASD As meninas apresentam fatores protetores (estrógeno), enquanto os meninos apresentam fatores de risco Mas malformações congênitas do tipo isolada – multifaltorial, ou sindrômica, Herança multifatorial COM LIMIAR – é o tipo de herança da maioria das malformações congênitas isoladas HERDABILIDADE – proporção da variância total de uma característica que é causada por GENES (de 0-1, sendo mais próximo de 0 mais forte a influência ambiental, e mais próximo de 1 mais forte a carga genética), genética + ambiente Herdabilidade alta – doenças monogênicas Herdabilidade baixa – doenças multifatoriais CARDIOPATIAS CONGÊNITAS NÃO-SINDRÔMICAS – contribuição de fatores ambientais DOENÇA DE HIRSCHPRUNG Ausência completa de alguns ou todos os gânglios nos plexos mesentéricos e submucosos do cólon – ausência de peristalse Ocorrência de 1:5.000 recém-nascidos Pode ser isolada (herança multifatorial) ou associado (autossômica dominante) a outras malformações congênitas como surdez e anomalias pigmentares do cabelo e olhos SÍNDROME DE WAARDENBURG Manchas brancas no cabelo, olhos claros e azuis Doença de HIRSCHPRUNG associada às condições de mecha branca no cabelo e olhos claros, será uma CONDIÇÃO AUTOSSÔMICA DOMINANTE Ao nascer, o pediatra indica a distância intercantal interna, a distância interpupilar, e distância intercantal externa, são medidas para determinar o índicde de WAARDENBURG TIPOS: I – presença de telecanto II – ausência de telecanto III – malformações de membros superiores IV – doença de Hirschsprung (síndrômica) Os tipos 3 e 4 são mais graves, porque há outras questões associadas YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN RISCO DE RECORRÊNCIA A probabilidade de que um evento prejudicial ocorra novamente, é a chance de uma condição herdada em um parente próximo de uma pessoa afetada, ou na prole futura após o nascimento de uma criança afetada O RR é proporcional à gravidade da malformação, maior quando o probando é do sexo menos afetado (quando uma condição é muito mais comum em um sexo e acaba aparecendo no outro sexo, é um sinal de alerta para a família), e também é aumentado quando os pais são consanguíneos O RR aumenta de acordo com o número de familiares afetados, e é mais baixo para parentes de segundo grau, mas declina menos rapidamente para parentes mais afastados: Luxação congênita de quadril – parentes de 1° grau (5%), 2° grau (0,6%), 3° grau (0,4%) DEFEITOS DO FECHAMENTO DO TUBO NEURAL Incidência varia de acordo com a população, brasil – 1 em cada 1000 nascidos vivos Mais frquente no sexo feminino, mais frequente após casos mais graves Variabilidade fenotípica: anencefalia, encefalocele, meningomielocele Influência ambiental (aumenta o risco) – uso de drogas na gestação (ácido valpróico), deficiência de ácido fólico A suplementação de ácido fólico é recomendada 3 meses antes da gravidez = planejamento gestacional AGENTES TERATOGÊNICOS – biológicos e infecciosos, químicos ou farmacológicos, físicos (raiox, exames), metabólicos Os defeitos podem ser diagnosticados ainda em pré-natal, ultrassonografia na 18° semana, pode ser realizada a cirurgia fetal de meningomielocele, diminuindo as sequeleas pós-natais da doença, a presenção pode ser feita com adição de ácido fólico nas farinhas FISSURAS PALATINAS Ocorrência 1/1000 Maior ocorrência nos japoneses e menor em negros e apresenta proporção sexual de 2 indivíduos do sexo masculino para 1 do feminino Chance aumenta com a idade materna e paterna Maior incidência entre os familiares afetados, herdabilidade de 40% Chance de pais normais terem 1 filho afetado é de 0,1%. Sendo o primeiro afetado, a chance do segundo ser também é de 4% A chance de um pai afetado ter o 1° filho afetado é de 4% e pode chegar a 15% se tiver 1 filho afetado YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINAUFRN PÉ TORTO CONGÊNITO – PTC Ocorrência de 1 a 3/1000 nascimento e é 2x maior no sexo masculino Cerca de 10% dos casos de PTC acompanham-se de outras malformações Risco de recorrência (irmão) de 5-8% e quando um pai e um filho são afetados a chance de nova ocorrência é de 18% a 37% Doenças monogênicas – padrão de herança dominante ou recessivo, e em relação à população ou ela tem ou não tem a doença Doenças complexas – o padrão é diferencial, não há muito como gerar uma previsão de incidência, e o gene não é o único fator responsável pelo desenvolvimento da doença GENÉTICA DO CÂNCER Câncer – uma célula normal que sofre mutação para sua multiplicação desordenada que pode se infiltrar nos tecidos diversos gerando metástase EXPOSOMA – exposição diversa a agentes prejudiciais, hábitos de vida (fumo, álcool, dieta), infecções, obesivdade e vida sedentária, mutações genéticas, agentes químicos, luz uv e radiação = levam à instabilidade genômica Célula geneticamente alterada – hiperplasia (aumento da quantidade de células iguais) – displasia (células em faormatos e tamanhos distintos, diferenciação das células estranhas – câncer in situ – câncer invasivo A célula cancerosa forma um tecido alterado que invade o tecido adjacente, podendo se desprender e origianar metástase CHECKPOINTS do ciclo celular – proteínas, checkpoint G1 (Cdk 4,6, ciclina D – fatores de crescimento), checkpoint G1/S (Cdk 2, ciclina E), checkpoint G2/M (Cdk2, ciclina B – MPF, fator promotor de mitose), checkpoint do fuso mitótico (APC, complexo promotor de anáfase) Os coquetéis quimioterápicos podem agir nos checkpoints e se ligam ao complexo cdk/ciclina para impedir o avanço no ciclo celular A ciclina é uma proteína excluisva do ciclo celular, e para cada fase do ciclo há uma ciclina diferente A quinase dependente de ciclina (CDK) é uma enzima que adiciona o grupo fosfato ao substrato. A fosforilação muda a atividade da proteína-alvo. CONTROLE DO CICLO CELULAR – p53, principal fator de proteção que regula a sobrevivência ou a morte de alguma célula; o MDM2 é responsável por ativar a p53 para poder atuar nos checkpoints IMUNOTERAPIA – avanço no tratamento contra o câncer SELEÇÃO CLONAL - Em resumo, ela propõe que cada linfócito forma um único tipo de anticorpo e explica as respostas imunes e o desenvolvimento da memória imunológica pela expansão de linfócitos individuais em “clones”. YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN ONCOGÊNES Identificados inicialmente em vírus – HPV Possui genes que promovem crescimento tumoral e a transformação da célula ao fenótipo maligno E6 – inibe p53, E7 – inibe Rb A ligação da Rb com algumas moléculas para “travar” a transcrição, replicação. Contudo, com ela inativada, o gene fica livre para se replicar desenfreadamente Proto-oncogenes – controlam positivamente o ciclo celular ou regulam negativamente a apoptose Oncogene – produção desregulada de proteínas (oncoproteínas) Mutação de ponto de um transdutor de sinal intracelular – exemplo do RAS, a mutação de troca de G para T o transforma de proto-oncogene para oncogene O GENE RAS está diretamente ligado à ativação contínua de quinases, ou seja, essa fosforilação contínua de proteínas, há muitos fatores de transcrição ativos atuando na proliferação celular, a expressão permanente leva à proliferação celular descontrolada pela ativação de vários fatores diferentes TRANSLOCAÇÃO 9/22 – A oncoproteína mutada BCR1-ABL propaga continuamente seu sinal de crescimento adiante na via, independente ed um sinal anterior (upstream) estar presente; o cromossomo phladelphia está presente em cerca de 95% dos casos de LMC TRANSLOCAÇÃO 14/18 – O cromossomo 14 tem um gene acentuador IgH, ou seja, superexpressão, e no 18 há o gene bcl-2, inativo em lifócitos B, nas células dos linfócitos o sinal dos linfócitos B perde todo o sinal que o deixa inativo, ou seja, estará impedido de causar apoptose, gerando acúmulo de mutações; está presente em 95% dos casos de linfoma folicular YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN LINFOMAS NÃO HODKIN – variam desde tumores de crescimento lento e comportamento indolente (LLC, linfoma folicular, linfoma MALT), até tumores muito agressivos (linfoma linfoblástico, linfoma de grandes células difuso, linfoma de burkitt) LINFOMA DE BURKITT – translocação cromossômica entre 8/14, há superativação de MYC pela justaposição com IgH em linfócitos B levando ao câncer; a MYC – chave nas vias promotoras; técnica de FISH GENES SUPRESSORES TUMORAIS Codificam reguladores negativos do ciclo celular, codificam reguladores positivos da apoptose, envovlidos na via de reparo do DNA, relacionado à longevidade e integridade celular Exemplos: TP53 (p53), BRCA1 e BRCA2 (câncer de mama/ovário), MLH1, MSH2, VHL, DCC, precisam de duas mutações para perda total de função Alterações epigenéticas podem levar à super expressão ativa ou à expressão silenciada, o acúmulo de miRNA oncogênicos inibe a tradução e há perda de expressão de genes supressores tumorais; também pode haver perda de miRNA que suprimem oncogênes, então há tradução é liberada com aumento da expressão de oncogenes miRNA e câncer – hiperexpressão do miRNA 21 no glioblastoma multiforme RETINOBLASTOMA Câncer raro da retina que afeta tipicamente crianças pequenas (1:20.000); mutação no gene Rb, casos esporádicos não hereditários e retinoblastoma binocular hereditário (HBR) Essa via acomete os tecidos apenas da retina, sem Rb funcional, o E2F está solto e ativo para ativar a transcrição Tipo não hereditário – 60% dos casos, mutação no gene, sem história familiar, não transmite o câncer para a prole, pois as mutações surgem ao acaso e não estão nas células gaméticas ENFOQUE GENÔMICO PARA DIAGNÓSTICO DE CÂNCER Diagnóstico de câncer: exames de imagem, tomografia, raio x, microscopia, marcadores tumorais Tecnologia de microarranjo: visualiar a expressão diferencial de genes nas células tumorais = classificação molecular Tumores que parecem iguais ao microscópio ótico podem ter bases moleculares muito diferentes, e os produtos proteicos dos RNAs diferencialmente expressos são alvos candidatos para a ação de drogas terapêuticas Contribuição da genética no diagnóstico e prognóstico de leucemias – deve incluir análises morfológicas, citoquímicas, imunofenotípicas, citometria de fluxo, citogenêtica e biologia molecular, muitas leucemias têm fatores prognósticos determinados pela análise do cariótipo; permite um tratamento mais específico e direcionado YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN DIAGNÓSTICO MOLECULAR Laboratório de Biologia Molecular - Clínica Geral, Neurologia, Genética Clínica, Microbiologia, Pediatria, Oncologia. Aplicação de técnicas de Biologia Molecular para o estudo de agentes infecciosos ou de mutações genéticas, que auxiliam no diagnóstico e prognóstico de doenças genéticas, infecciosas e câncer. Permite o diagnóstico precoce de pacientes afetados, assim como o de portadores de genes deletérios, auxiliando no tratamento, aconselhamento genético, planejamento terapêutico e prevenção Correlação das alterações moleculares encontradas com as manifestações clínicas e com o prognóstico para definir a melhor estratégia de tratamento para cada caso A análise de populações específicas com risco aumentado do desenvolvimento de algumas doenças DIAGNÓSTICO DE DOENÇAS – polimorfismo nucleotídeo (SNP) Exemplos de doenças genéticas que podem ser diagnosticadas por análise de DNA: ▫ Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) ▫ Anemia falciforme ▫ Doença de Huntington ▫ Fibrose Cística ▫ Detecção de mutações em oncogênese e em supressores tumorais Detecção de infecções por bactérias, fungos e vírus: ▫ Toxoplasmose ▫ Meningites virais ▫ HPV ▫ Tuberculose ▫ Influenza A (Vírus H1N1) ▫ HIV * Em substituição a testes sorológicos convencionais e microbiológicos TÉCNICAS DE ANÁLISE Enzimas de restrição Eletroforese Identificação de um gene de interesse – sonda: qualquer segmento de ácido nucleico com uma marcação radioatividade ou cromóforos ANEMIA FALCIFORME – detecção do gene mutado da beta-globina, a mudança de GAG para GTC elimina um sítio de corte da enzima de restrição MSTII TÉCNICA DE PCR RT-PCR: Como saber se determinado gene está ativo em determinado tecido? Isolar as moléculas de RNA do tecido e fazer PCR, leucemia mielóide crônica • Detecção de RNA ▫ Vírus: HIV, dengue and hepatite C; • Exemplo: Diagnóstico da dengue ▫ Método clássico: • Isolamento viral: duas a três semanas ▫ Técnica de PCR : • Identificação do vírus em apenas 24 horas; YASMIN BEZERRA – T120 MEDICINA UFRN PCR quantitativo em tempo real – Real Time (qPCR), não precisa eletroforese em gel depois que acaba a PCR Sequenciamento de Didesoxi (de Sanger), desenvolvido em 1975 Sequenciamento – Acidose Tubular Renal Distal é caracterizada por acidose metabólica devido à excreção renal de ácido prejudicada PCR MULTIPLEX – distrofia muscular de duchenne TÉCNICAS DE ANÁLISE – RNA Aplicação: ▫ Expressão diferencial de mRNA em determinadas patologias ▫ Expressão diferencial em células tratadas ▫ Ação de drogas •mRNA específico: •PCA3 (Prostate CAncer gene 3) ▫ C PSA: Antígeno Prostático Específico Níveis de PSA (corrente sanguínea): ▫ Volume da próstata; ▫ Idade; ▫ Trauma; ▫ Certas drogas. •Gene PCA3 é tecido-específico: ▫ Amplificação por RT-PCR Westhern blotting – detecta a presença, tamanho e padrão de expressão da proteína de interesse Técnica de Western Blot – Distrofia Muscular Biópsia de Músculo, ausência da distrofina : distrofia de Duchenne • presença da distrofina anormal: distrofia de Becker •Invasivo •Não é expressa no líquido amniótico;