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CENTRO UNIVERSITÁRIO FACVEST MESTRADO EM PRÁTICAS TRANSCULTURAIS JOSÉ MESSIAS SOARES DO NASCIMENTO IMPORTÂNCIA DOS ASPECTOS LÚDICOS COMO ÊNFASE NA EDUCAÇÃO Lajes - SC 2019 2 IMPORTÂNCIA DOS ASPECTOS LÚDICOS COMO ÊNFASE NA EDUCAÇÃO RESUMO Este artigo se propõe a discutir a problemática sobre a inclusão dos alunos autistas na escola regular, visto que a educação é um direito de todos. Na maioria das vezes a inclusão acaba não acontecendo, pois muitos alunos autistas são jogados em salas de aula de escolas regulares, mas não se desenvolvem, ou seja, a interação com outros alunos, a aprendizagem não ocorre, por isso se faz necessária esta reflexão. Para algumas instituições, recebendo o aluno especial e matriculá-lo representa uma forma de inclusão, o que na realidade não é bem assim. Partiu-se do pressuposto de que a grande maioria das escolas não estão preparadas para receber os alunos com espectro do Autismo, não existem professores ou equipes pedagógicas preparadas ou especializadas, para trabalhar esses alunos. Palavras-chave: Autismo. Inclusão. Educação. Autonomia. 1 INTRODUÇÃO A escola tem um papel importante na investigação diagnóstica de uma criança com Autismo, uma vez que é o primeiro lugar de interação social da criança separada de seus familiares. É onde a criança vai ter maior dificuldade em se adaptar às regras sociais, o que é muito difícil para um autista. A escola tem que estar adequada para receber o aluno autista, com profissionais capacitados e é preciso se ater à qualidade de ensino oferecida e também um plano de ensino que respeite a capacidade de cada aluno e que proponha atividades diversificadas para todos e considere o conhecimento que cada aluno traz para a escola. Tem-se observado que ao longo do tempo a inclusão educacional foi se transformando em direito dos alunos portadores de deficiência, mas é possível observar que ainda não se configura de maneira adequada no cotidiano das escolas. A ausência de políticas públicas dificulta a organização de práticas pedagógicas que possibilitam a permanência dos alunos com autismo na escola regular. O ingresso de uma criança autista em escola regular é um direito garantido por lei, como aponta o capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que trata a Educação Especial. A redação diz que ela deve visar a efetiva integração do estudante à vida em sociedade. Além da LDB, a Constituição Federal, a Convenção sobre os Direitos das pessoas com Deficiência, Estatuto da Criança e do Adolescente e o Plano Viver sem limites (Decreto 7.612/11) também asseguram o 3 acesso à escola regular. Infelizmente as escolas não estão preparadas para receber os alunos autistas. Diante do exposto, emerge uma questão: como possibilitar um ambiente escolar onde o aluno com espectro do Autismo possa desenvolver o seu potencial, suas habilidades e sua socialização? A partir desse desafio, este estudo propõe uma reflexão sobre a inclusão de alunos com Autismo na escola regular, onde estes alunos possam interagir em sala de aula e na sociedade. Este trabalho tem como objetivo sensibilizar a comunidade escolar para problemática da inclusão do autista na escola regular, possibilitando sua aprendizagem de forma significativa. Esta pesquisa será sustentada metodologicamente na taxionomia de Vergara (2014), a pesquisa se classifica da seguinte forma, quanto aos fins: Descritiva porque visa descrever o problema da inclusão dos autistas na escola regular. Explicativa porque busca uma relação de causa-efeito para a atual situação da inclusão desses alunos no ambiente escolar. Já quanto aos meios é bibliográfica porque se tem um conhecimento teórico mais abrangente do tema em estudo, cuja finalidade é colocar o pesquisador em contato com o que já produziu e registrou a respeito da pesquisa. Para que de fato inclusão como a legislação preconiza, será preciso que as políticas se materializem no cotidiano social, saindo do papel, e, principalmente, se interiorize no coração das pessoas. Muitas escolas possuem projetos de inclusão apenas no papel, geralmente não tem profissionais preparados para receber alunos autistas. Muitos autistas são jogados em escolas, mas não são inclusos de fato. Este estudo é de extrema relevância, pois o ingresso de uma criança autista em escola regular é um direito garantido por lei. A inclusão dessas crianças se dá pelo acesso, permanência e aprendizagem. Para a concretização deste estudo, primeiramente analisa-se as diversas literaturas que tratam sobre a questão à luz das teorias contemporâneas. Em seguida traça-se um diagnóstico sobre a atual situação do processo ensino-aprendizagem de crianças com o Autismo na educação regular. E por último, elabora-se uma proposta pedagógica viável para receber os alunos com o Autismo, onde é preciso garantir sua permanência e aprendizagem. 4 2 UM BREVE HISTÓRICO SOBRE A EDUCAÇÃO ESPECIAL A partir da década de 1970, as escolas comuns passaram a aceitar crianças ou adolescentes deficientes em classes comuns, ou pelo menos em classes especiais. A literatura científica mostra que as práticas educacionais desenvolvidas, até então, pouco contribuíram para a inserção da pessoa com deficiência na sociedade. “No Brasil, iniciativas isoladas e precursoras de educação de indivíduos com necessidades educacionais especiais podem ser constatadas já no século XIX, e, acompanhando a tendência da época, em instituições residenciais e hospitais – portanto, fora do sistema de educação geral que aos poucos se iria construindo no país.” Enicéia Gonçalves Mendes “No Brasil, a história da inclusão teve início durante a década de 1950, a escassez de serviços e o descaso do poder público deram origem a movimentos comunitários que culminaram com a implantação de redes de escolas especiais privadas filantrópicas para aqueles, que sempre estiveram excluídos das escolas comuns.” (JANNUZZI,2004) Segundo Thomas L. Whitman nas décadas de 1960 e 1970, houve um grande movimento nos Estado Unidos para a desinstitucionalização de pessoas com deficiências graves do desenvolvimento e para a sua integração na sociedade em geral. Como parte desse desenvolvimento de “normalização”, foi dada ênfase à oferta de serviços a pessoas com deficiências nos mesmos locais em que pessoas sem deficiências os recebem. Em termos educacionais, a “normalização era interpretada, com frequência, como colocar as crianças com deficiências em salas de aula típicas. A principal justificativa era a de que os serviços educacionais tradicionais para pessoas com deficiências eram inferiores aos serviços educacionais padrões, e negavam aos indivíduos com problemas do desenvolvimento o seu direito com melhores tratamentos e programas educacionais possíveis. Além disso, pensava-se que a colocação no ensino regular reduziria a discriminação e o preconceito, e promoveria o melhor entendimento e aceitação de crianças com deficiências pela população em geral. Na tentativa de eliminar os preconceitos, oportunizar inserções, integrar os alunos com deficiências nas escolas comuns do ensino regular, surgiu o movimento de integração escolar, predominante nos anos 70 e 80. Essa prática caracterizou-se, de início, pela utilização das classes especiais como um sistema de integração parcial, 5 ou seja, um espaço específico dentro da escola, muitas vezes destacado no espaço físico e destinado a uma possível preparação para a “integração total” na classe comum. Embora muitos alunos passem toda a sua vida escolar na mesma classe especial. No processo de integração, o aluno tinha de se adequar à escola, que se mantinha inalterada e, na verdade, dividida em dois grandes blocos: a educação regular e a educação especial. Fazendo uma análise da literatura sobre inclusão escolar, verifica-se que esse termo surgiu nos EstadosUnidos em 1990, e que por se tratar de um país imperialista, pela força de penetração da cultura desse país, ganhou a mídia e o mundo no decorrer dos anos 90. No Brasil, a política nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, promulgada em 2008, reafirma o direito de todos os alunos frequentarem o sistema regular de ensino. Essa política nacional, baseada em documentos internacionais com os direitos das pessoas com deficiência (2006), orienta os sistemas de ensino quanto à inclusão dos alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas halibidades / superdotação. O autismo, tema deste trabalho, figura como uma das subcategorias dos transtornos globais de desenvolvimento. Autismo deriva do grego: autos, que significa em si mesmo. A palavra autismo foi usada pela primeira vez em 1943 pelo Dr. Leo Kanner, psiquiatra infantil americano que notou em sua atuação profissional um grupo de crianças que se estacava das demais por duas características básicas: forte resistência a mudanças e incapacidade de se relacionar com pessoas, sempre voltadas para si. A partir da publicação da política nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, os dispositivos legais que seguiram e os demais documentos orientados do Ministério da Educação (MEC) passaram a tratar mais especificamente da inclusão escolar dos alunos com Autismo, documentos orientadores publicados pelo Ministério da Educação de 1994 a 2013, foram promulgadas a Declaração de Salamanca e a Política Nacional de Educação Especial Brasileira (substituída em 2008) e no ano de 2013 publicou-se, no Brasil, uma nota técnica específica orientando os sistemas de ensino quanto a inclusão de alunos com Autismo. 6 No universo de alunos da Educação Especial, os sujeitos com Autismo eram nomeados sob a expressão genérica de “condutas típicas”. A Política Nacional de Educação Especial define as condutas típicas como sendo: “Manifestações de comportamentos típicos de portadores de síndromes e quadros psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos que ocasionam atrasos no desenvolvimento e prejuízos no relacionamento social, em grau que requeira atendimento educacional especializado.” (Brasil, 1994, p.12) Os alunos com condutas típicas eram considerados sujeitos que possuíam dificuldades de adaptação ao ambiente, apresentando comportamentos considerados inadequados, por exemplo agressividade, alheamento e hiperatividade. Tais comportamentos estavam associados a dificuldades acentuadas de aprendizagem. Conforme Aranha (2002), em alguns sujeitos é observado um padrão comportamental voltado para si próprio, por exemplo, automutilação, alheamento, recusa em falar ou manter contato visual. Há ainda, sujeitos cujos comportamentos impróprios são voltados para o ambiente exterior, tais como agredir, gritar, roubar e mentir. A autora destaca que, geralmente, os alunos com condutas típicas não possuem comprometimento ou atraso intelectual, todavia, seu desempenho escolar está relacionado à intensidade e à frequência do padrão comportamental que apresentam. A convivência compartilhada da criança com Autismo na escola, a partir da sua inclusão no ensino comum, torna-se possível a partir de contatos sociais e favorece não só o seu desenvolvimento, mas o das outras crianças, na medida em que estas últimas convivam e aprendam com as diferenças. 3 A ATUAL SITUAÇÃO DO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS COM AUTISMO NA EDUCAÇÃO REGULAR A oportunidade de pertencer à escola e, portanto, de usufruir do compartilhamento de vivências próprias da infância e da adolescência para aqueles que apresentam Transtornos Globais de Desenvolvimento, do qual o Autismo faz parte, é muito recente. Até há pouco tempo, essas crianças tinham destino bem diferente de seus pares e vivenciavam apenas os atendimentos clínicos e, quando muito, instituições de ensino exclusivamente para pessoas com tais transtornos. Por se tratar de algo tão recente e por termos sido privados da oportunidade de atuar com estes alunos em nossas escolas, as estratégias até então construídas para garantir o direito dessas crianças à educação se encontram ainda em gestação. 7 A política atual de Educação Especial reafirma o direito de todos, independentemente de suas necessidades educacionais específicas, frequentarem o ensino regular e, no contraturno, o atendimento educacional especializado(AEE). Além disso, esse documento define claramente quais serão os alunos atendidos pela modalidade do ensino da Educação Especial do Brasil. Dentre os alunos considerados público alvo estão os sujeitos com Transtornos Globais do Desenvolvimento, categoria da qual faz parte o Autismo. A inclusão educacional é palavra de ordem e os principais documentos que subsidiam a formulação de políticas públicas de Educação Especial – a Declaração Universal de Salamanca (1994) e Lei nº 9394 de Diretrizes e Bases da educação (1996) enfatiza a igualdade e o direito à educação para todo cidadão. No entanto, quando se trata do indivíduo portador de Autismo, é importante analisar alguns aspectos relevantes para o atendimento das suas necessidades educacionais. Caso contrário a inclusão pode representar intenções de “normalização” ou uma violência à identidade autista. O ingresso de uma criança autista em escola regular é um direito garantido por lei, como aponta o capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional ( LDB), que trata sobre a Educação Especial. A redação diz que ela deve visar a efetiva integração do estudante à vida em sociedade. O acesso é apenas uma das etapas da inclusão, é preciso garantir sua permanência e a aprendizagem. Para Maria Teresa Mantoan, professora da Universidade de Campinas (Unicamp) especialista em inclusão, o cenário educacional brasileiro atual, tem como meta principal o acesso, permanência e sucesso de toda criança na escola regular. A educadora afirma que a situação se concretiza com desafio, posto que a escola não é feita para todos. Em estudo realizado por Gomes (2001), a falta de formação especializada, a inexistência de recursos adequados e de apoio técnico constante, assim como a realização de serviços de atendimento paralelo e a redução do número de alunos em sala, foram alguns dos desafios e necessidades apontados pelos professores para justificar o pouco avanço do processo de exclusão. Segundo Assumpção (2000) o tratamento do Autismo consiste em intervenções psicoeducacionais, orientação familiar, desenvolvimento da linguagem e/ou comunicação. O ideal é que uma equipe multidisciplinar avalie e proponha um programa de intervenção. Dentre alguns profissionais que podem ser necessários 8 podemos citar: psiquiatra, psicólogo, fonoaudiólogo e terapia educacional, fisioterapia e educador físico. Os métodos de intervenção mais conhecidos e utilizados para promover o desenvolvimento da pessoa com Autismo e que possuem comprovação científica da eficácia são: ➢ TEACCH (Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handcapped Children) é um programa estruturado que combina diferentes materiais visuais para organizar o ambiente físico através de rotinas e sistemas de trabalho, de forma a tornar o ambiente mais compreensível, esse método visa a independência e ao aprendizado. O objetivo do TEACCH é capacitar os indivíduos com Autismo para chegar à vida adulta com o máximo de independência possível e isso inclui ajudar oindivíduo a compreender o mundo, a adquirir habilidades de comunicação para favorecer a interação com as outras pessoas. ➢ PECS (Picture Exchange Communication System) é um método que se utiliza figuras e adesivos para facilitar a comunicação e compreensão ao estabelecer uma associação entre a atividade/símbolo. ➢ ABA (Applied Behavior Analysis) ou seja, análise comportamental aplicada quese embasa na aplicação dos princípios fundamentais da teoria do aprendizado baseado no condicionamento operante e reforçadores para incrementar comportamentos socialmente significativos, reduzir comportamentos indesejáveis e desenvolver habilidades. No Brasil é muito utilizado o método de ensino TEACCH, que foi desenvolvido no início de 1970, pelo doutor Eric Schopler e colaboradores, na Universidade da Crolina do Norte. 4 PROPOSTA PEDAGÓGICA VIÁVEL PARA RECEBER OS ALUNOS COM AUTISMO Na perspectiva da educação inclusiva, a educação especial passa a integrar a proposta pedagógica da escola regular, promovendo o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência, Transtornos Globais de Desenvolvimento, entre outros. A Educação Especial direciona as suas ações para o atendimento às especificidades desses alunos no processo educacional e, no âmbito de uma atuação mais ampla na escola, orienta a organização de redes de 9 apoio, a formação continuada, a identificação de recursos, serviços e o desenvolvimento de práticas colaborativas. O processo de inclusão escolar implica mudanças radicais na compreensão dos sujeitos e na estrutura da escola, questionando, inclusive, os mecanismos sutis de exclusão aos quais os alunos parecem predestinados cotidianamente. A responsabilização do êxito ou não da inclusão é direcionado para professores. O que se percebe, no entanto, é que os professores, quando indicam suas dificuldades e necessidades, podem também estar chamando a atenção para sua condição de isolamento profissional. A democratização da gestão e a educação inclusiva se relacionam diretamente, e uma escola inclusiva deve ser, antes de tudo, uma escola democrática. Por outro lado, o que se vivencia ainda nas instituições escolares são práticas que denotam isolamento dos profissionais, e um distanciamento da compreensão sobre a política inclusiva. A proposta de inclusão escolar oferece, assim, a possibilidade de revisão das práticas escolares excludentes, que cercam a sociedade historicamente. A inclusão educacional dos alunos com Autismo merece muitas reflexões. Plaisance (2004) afirma que a inclusão é uma questão ética que envolve valores fundamentais, pois a obsessão pela inclusão representa uma forma de tornar invisíveis as diferenças, e portanto, um profundo desrespeito a identidade. Essa é uma das questões que devemos pensar ao planejar a educação dos autistas. Para haver inclusão é necessário que haja aprendizagem, e isso traz necessidade de rever os nossos conceitos sobre currículo e programas educacionais. Este não pode se resumir às experiências acadêmicas, mas se ampliar para todas as experiências que favoreceram o desenvolvimento dos alunos autistas. Sendo assim, atividades de vida diária podem se constituir em currículo e em alguns casos, talvez sejam “aos conteúdos” que serão ensinados. Em outras situações, poderemos esperar muito mais dos alunos com Autismo. É preciso ter claro, que para a conquista do processo de inclusão de qualidade, algumas reformulações no sistema educacional se fazem necessárias, muitas vezes essas alterações começam pelas alterações arquitetônicas e terminam nas comportamentais. Seriam elas: adaptação curriculares, metodológicas e dos recursos tecnológicos, a racionalização do objetivo de ensino e principalmente a formação dos professores e mediadores, pois para atuar com alunos 10 autistas é indispensável receber um treinamento prévio sobre as especificidades da síndrome e dos programas educacionais existentes para essas crianças. No ensino regular existem muitas limitações sobre como atuar com a criança autista em função da precariedade dos sistemas, salas lotadas, ambiente físico desfavorável e falta de preparação do professor, além disso, não há como incluir sem promover de fato as adaptações curriculares de grande e pequeno porte proposta melo MEC. Os professores têm que trabalhar atividades voltadas para os alunos autistas para que ele desenvolva seus talentos, suas potencialidades. A montagem de um ateliê para pinturas é de fundamental importância, pois muitos autistas têm interesse e habilidade para a pintura, e serve como terapia no momento em que estes alunos estiverem agressivos, irritados. Um cuidador que acompanhe o aluno em casa é de fundamental importância para acompanhá-lo na escola, pois o cuidador conhece o aluno, seus hábitos, seus gostos, sua rotina, ficando assim mais fácil para os professores organizarem sua rotina de trabalho para o aluno autista. O professor tem que ter a sensibilidade de conhecer o aluno autista, saber o que ele gosta de fazer, o que lhe dá prazer, para que possa ser trabalhado em sala de aula, para que ele consiga desenvolver suas habilidades e tenha autonomia. 4.1 Brincadeiras de imitação para crianças autistas Em todas as brincadeiras, os olhos deverão estar no mesmo nível do olhar da criança. ➢ “Vou pegar nome da criança” (frases curtas e simples) – brincar de “pegar”, fazer cócegas, abraçar. Repetir várias vezes e parar. Se a criança, de alguma forma, pedir que o adulto repita a brincadeira, o adulto deve repetir. ➢ Soprar bolas de sabão e balão. ➢ Pião – demonstrar para a criança, repetir, parar, esperar que ela peça por mais. No início, aceitar qualquer tentativa de comunicação. ➢ Brinquedos com sons/luzes – deixar a criança explorar, depois brincar com ela, em turnos. ➢ Fantoches de animais – o adulto deve fazer uma voz diferente; imitar o som do animal; dizer o nome do animal. O fantoche beija a criança, abraça, se esconde, dá tchau, bate palmas. 11 ➢ Músicas – aproveitar o interesse da criança e dançar com ela, segurando suas mãos, pulando, balançando (se a criança mais tarde imitar os seus, ótimo!) ➢ Bola – jogar ou rolar para a criança e ensiná-la a jogar / rolar a bola de volta (talvez sejam necessários dois adultos). Quando ela souber jogar para outra pessoa, jogar outros brinquedos, como carrinhos. ➢ Livro – mostrar figuras, apontando para a figura e para a criança, sucessivamente. ➢ Surpresa! – coloque vários objetos / brinquedos num saco e ao retirá-los, exagere a surpresa. Quando a criança se interessar, ela e o adulto retiram em turnos. ➢ Imitar a criança em brincadeiras menos óbvias (aqui também são necessários dois objetos): falar ao telefone, colocar o boné, colocar um objeto na cabeça, pentear o cabelo, brincar de “comidinha” e etc. ➢ Brincar com bonecos – dar comida, banho, pentear, colocar para dormir, sentar na cadeira, entrar na casa, sair e etc. A rotina é um instrumento que demanda uma sequência de ações ou atividades cuja a função é antecipar os acontecimentos do dia a dia de maneira organizada, possibilitando autonomia e segurança para a criança autista. Deve ser elaborada de acordo com as suas necessidades e / ou interesses. A rotina deve conter as tarefas do dia, como acordar, tomar café, estudar, desenhar, cantar, almoçar e etc. 4.2 Análise de dados No espaço escolar, um quadro com a rotina é essencial para o trabalho com alunos autistas. Ela vai nortear todas as ações dentro da escola, contribuindo para antecipar as atividades diárias, ampliando a comunicação e estimulando a interação do aluno com seus pares, visto que os benefícios serão compartilhados com todos, especialmente por alunos com idade da educação infantil e das primeiras séries do ensino fundamental. Considerando as diversas dificuldades encontradas ao se trabalhar com uma criança autista, as professoras participantes deste estudo destacaram as mais comuns. Quando questionadas sobre o comportamento do autista em sala de aula, as professoras relataram que: 12 Professora A: Por vezes calmo, outra agitado. Conforme a atividade há resistência, aí grita e em muitas ocasiões sai da sala. Professora B: Às vezes calmo, muitas vezes agitado, gosta de didáticaque ele precise realizar é muito resistente e até agressivo. Professora C: Instável, há momentos que realiza as atividades propostas pela professora e monitora, porém há momentos que se agita muito e resiste em desenvolver o trabalho proporcionado, insistindo em caminhar, permanecer em pé e realizar somente o que acha atrativo. (informações verbais). As entrevistadas enfatizam o quanto é difícil fazer com que a criança se mantenha sentada e aceite as atividades propostas. Segundo Santos (2014), O Transtorno do Espectro Autista causa problemas na socialização, na interação e nas regras de convivência. De forma que a criança não consegue se relacionar socialmente, tendo problemas inclusive, para identificar as intenções no discurso do outro, acarretando assim, danos na sua integração. De acordo com o grau de autismo que a criança possuir, ela será capaz de se envolver em atividades em que demonstrar grande interesse e afinidade. Em casos mais graves, a criança não consegue realizar suas atividades básicas sozinha, dependendo assim, da ajuda constante de um adulto para auxiliá-la. No entanto, a intervenção médica e educacional pode proporcionar uma melhor qualidade de vida em pessoas com autismo, criando condições para o aluno desenvolver (dentro de seus limites) o seu potencial no contexto acadêmico, social e emocional. Percebe-se que o grau de autismo influencia a capacidade da criança. Se o grau for elevado, a criança não é capaz de realizar nem as atividades básicas sozinhas, entretanto, salienta-se que os pais, os professores, os fonoaudiólogos, os psicólogos e os médicos exercem grande influência no desenvolvimento desse indivíduo. De acordo com Santos (2014), [...] acompanhamento médico especializado, juntamente com os trabalhos de pais, educadores e terapeutas, a fim de desenvolver nesta criança as áreas cognitivas, afetivas, sociais e relacionais. Alguns programas podem ser feitos em casa, na escola ou nas instituições de ensino especializadas, com a ajuda de profissionais treinados e qualificados [...] Em relação à interação e a inclusão entre os colegas e o autista, a resposta da Professora A foi: “os colegas procuram chamá-lo, buscá-lo para participar de todas as atividades. Há um bom relacionamento, embora o aluno não aceite todos os convites.” A professora B ressalta “ele interage pouco com os colegas, mas que os mesmos buscam por ele, gostam dele, mas ele nem sempre lhes dá atenção, não interage muito.” Já a professora C, relata “o autista demonstra carinho pelos colegas, dá a mão para os mesmos e com alguns tem maior afinidade.” (informações verbais). Em todos os relatos é possível perceber que os colegas têm pelo aluno autista uma grande admiração, especialmente em razão das demonstrações de carinho e respeito. 13 Vale ressaltar que para o desenvolvimento dessa criança é de suma importância essa relação afetiva com os colegas, pois é por meio da interação que o autista tem maiores possibilidades de aprendizagem. Com relação à reação da escola ao ver as conquistas do autista, todas as entrevistadas descreveram que, “há vibração geral, todos ficam sabendo, pois cada avanço é visto como um grande progresso.” (informação verbal). Nota-se como é grande a preocupação e a dedicação de toda a equipe escolar em relação à criança autista, uma vez que, quanto maior o empenho, maior será o sucesso obtido. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Para algumas instituições, o fato de receber o aluno especial e matriculá-lo representa uma forma de inclusão, o que de fato não é verdade. O papel da escola é inserir os alunos na sociedade, possibilitando que os alunos desenvolvam suas capacidades, tenham autonomia e sejam cidadãos críticos. Com os alunos com espectro do autismo não é diferente. A escola tem que desenvolver o seu potencial, para que tenham mais autonomia, para que consigam interagir em sociedade. Só assim a inclusão de fato ocorre. Para que a escola cumpra o seu papel com os alunos autistas é de fundamental importância uma escola com estrutura adequada, onde todos os funcionários estejam devidamente preparados para receber esses alunos; para um atendimento coerente com as necessidades apresentadas. Ao conhecer o autismo e suas particularidades, o professor deve buscar desenvolver as potencialidades do indivíduo autista, abandonando o pensamento de incapacidade. O professor deve ser um profissional dedicado, oferecer as condições necessárias para que o educando autista possa se desenvolver da melhor maneira possível. O afeto entre o educador e o educando é de fundamental importância para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. Tanto a escola quanto a família têm um papel de suma importância para o desenvolvimento e inserção do educando autista na sociedade. Todo ser humano é passível de sofrer transformações, pois isto é próprio da espécie humana. É preciso uma mudança de concepção acerca do indivíduo com autismo, tanto por parte da família, como por parte da escola, é preciso proporcionar condições para que esses indivíduos se transformem e se tornem cidadãos críticos. 14 Assim, de modo geral, diversos estudos sobre a proposta de inclusão escolar parecem alertar para a importância de uma maior atenção na implementação das políticas, enfatizando que a proposta só será efetivada com sucesso quando compreendida como consequência de uma discussão da necessidade de mudança do paradigma educacional vigente. Esta mudança de paradigma deve dar ênfase a um maior compromisso com a diversidade humana e com as transformações das representações das diferenças. Alguns aspectos que dificultam o processo de inclusão de alunos com necessidades especiais são a falta de capacitação profissional adequada, a falta de recursos e materiais apropriados, as barreiras arquitetônicas e físicas, as barreiras humanas atitudinais que permeiam as práticas. Para que os autistas e todos os outros alunos especiais sejam realmente inclusos na escola e na sociedade é preciso repensar as práticas escolares, é preciso rever as políticas educacionais vigentes, que excluem as pessoas, é preciso mudar a visão e postura de toda a comunidade escolar e toda a sociedade. ABSTRACT This article proposes to discuss the problem of the inclusion of autistic students in regular school, since education is a right of all. Most of the time the inclusion does not happen, because many autistic students are played in classrooms of regular schools, but do not develop, that is, interaction with other students, learning does not occur, so this reflection is necessary . For some institutions, getting the special student and enrolling him represents a form of inclusion, which in reality is not quite so. It was assumed that the vast majority of schools are not prepared to receive students with autism spectrum, there are no teachers or pedagogical teams prepared or specialized to work with these students. Keywords: Autism. Inclusion. Education. Autonomy. REFERÊNCIAS ARANHA, Maria Salete Fábio. Projeto Escola Viva: garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na escola: necessidades educacionais especiais dos alunos – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2005. ASSUNÇÃO, F., Pimentel, A. 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