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EMBRIOLOGIA GLÂNDULAS ENDÓCRINAS 
2º CICLO 
 
Durante a 4ª semana do desenvolvimento embrionário, o embrião já passou 
pela gastrulação e neurulação. O embrião passa por um estágio de embrião 
bilaminar para trilaminar com endoderma, mesoderma e ectoderma. O 
dobramento é céfalo-caudal e lateral e passa de um aspecto de disco para 
morfologia cilíndrica. 
Quando falamos da origem embriológica dos tecidos endócrinos, é importante 
ter em mente que os tecidos endócrinos se originam a partir dos três folhetos 
germinativos: ectoderma mesoderma e endoderma. 
1- Do ectoderma cutâneo vai se desenvolver o que seria a adenohipófise. 
A adenohipófise é a porção epitelial glandular da hipófise, formando por 
uma porção distal (80% da adenohipófise) onde temos células 
cromófilas – acidófilas e basófilas – e células cromófobas. 
2- Do ectoderma neural ou neuroectoderma temos a origem da 
neurohipófise, constituída pela eminência média, haste infundibular e 
parte nervosa. Temos também a célula C ou parafoliculares, que se 
encontram presente na parede do folículo tireoidiano e produzem 
calcitonina. A medula adrenal também tem origem nesse tecido (células 
da linhagem simpatoadrenal, derivadas de células da crista neural). 
3- O mesoderma origina o que seria o córtex adrenal, as gônadas (função 
exócrina e endócrina) e placenta. 
4- O endoderma vai originar a tireóide, a parte dos folículos tireoidianos, e 
paratireóides e ilhotas pancreáticas (insulina e glucagon). 
Histologia das glândulas endócrinas: tem o epitélio de revestimento e ele, por 
indução do mesênquima subjacente, começa a proliferar localmente e à 
medida que prolifera localmente ele começa a invaginar para o mesênquima 
subjacente e continua a proliferar. Podem acontecer 2 coisas: as células que se 
originam do epitélio de revestimento podem se diferenciar em dois 
compartimentos: uma porção terminal secretora e uma porção tubular que 
permite que a secreção seja eliminada para a superfície: é uma glândula 
exócrina. Mantém comunicação com a superfície por um ducto excretor. 
A glândula começa a se aprofundar no mesênquima e vasos sanguíneos, que 
estão presentes no mesênquima, começam a penetrar por entre a massa de 
células ali. À medida que isso ocorrer, essa célula pode seguir dois caminhos: 
formar estrutura de característica folicular ou simplesmente as células podem 
formar cordões celulares. É um tecido endócrino ricamente vascularizado. 
Pode ser cordonal ou folicular, mas as duas são muito vascularizadas, o que 
vai servir de veiculo para entrega de substratos para síntese da sua secreção 
ou veiculo de transporte da sua secreção para célula alvo. Pode ser cordonal 
ou folicular. 
 
Desenvolvimento da Hipófise 
 
 
Diencéfalo 
 
Três intumescências se desenvolvem nas paredes laterais do terceiro 
ventrículo, que se tornam o tálamo, o hipotálamo e o epitálamo (figura). O 
tálamo é separado do epitálamo pelo sulco epitalâmico e do hipotálamo pelo 
sulco hipotalâmico. Esse último sulco não é uma continuação do sulco limitante 
no prosencéfalo, e não é, como o sulco limitante faz, uma estrutura que divide 
as áreas sensorial e motora. 
. 
Tálamo 
 
Massa ovóide e extensa de substância cinzenta se desenvolve rapidamente de 
cada lado do terceiro ventrículo e torna-se saliente em sua cavidade. Os 
tálamos se encontram e se fundem na linha mediana em 70% dos encéfalos, 
formando uma ponte de substância cinzenta através do terceiro ventrículo, que 
é a adesão intertalâmica (conexão variável entre as duas massas talâmicas 
através do terceiro ventrículo); a ponte está ausente em cerca de 20% dos 
encéfalos. 
 
Hipotálamo 
 
Origina-se pela proliferação de neuroblastos na zona intermediária das paredes 
diencefálicas, ventral ao sulco hipotalâmico. Posteriormente, desenvolve-se um 
número de núcleos envolvidos em atividades endócrinas e homeostase. Um 
par de núcleos forma intumescências do tamanho de uma ervilha (corpos 
mamilares) na superfície ventral do hipotálamo. 
 
Epitálamo 
 
 Se desenvolve do teto e da porção dorsal da parede lateral dos diencéfalos. 
Inicialmente, as intumescências epitalâmicas são grandes, mas posteriormente 
se tornam relativamente pequenas. 
 
Glândula pineal (corpo pineal) 
 
Localiza-se na extremidade posterior do 3º ventrículo, próximo ao centro do 
cérebro. É um órgão fotossensível e é um importante regulador do ciclo 
dia/noite (ritmo circadiano). 
Sua função é produzir serotonina (fase clara) e melatonina (fase escura). 
Ela desenvolve na extremidade posterior do 3º ventrículo como um divertículo a 
partir de uma evaginação da parte caudal do teto do diencéfalo. 
Ela permanece presa por uma haste que contém um recesso do 3º ventrículo. 
A proliferação das células das paredes do divertículo logo forma uma glândula 
sólida e com formato de pinha achatada. 
 
***A embriologia da glândula pineal está relacionada ao diencéfalo. A glândula 
pineal tem origem na região do diencéfalo do epitálamo. Surge como um 
divertículo tem um pedúnculo de conexão com esse próprio epitálamo. É bem 
pequena. O revestimento dela em volta não é de tecido denso como uma 
cápsula é de PIA-MÁTER. Ela faz parte e um grupo de órgãos 
circunventriculares (são órgãos que estão ao redor dos ventrículos como por ex 
a hipófise e a própria pineal ao redor do 3º ventrículo), mas não e só a 
localização. Existe uma característica histológica muito importante. Esses 
órgãos circunventriculares eles carecem, eles não possuem a estrutura que 
é comum na maior parte do sistema nervoso central que é a barreira 
hematoencefálica. Na barreira hematoencefálica os capilares sanguíneos são 
contínuos, eles não tem fenestrações, e são envoltos por vários pés vasculares 
dos astrócitos e é a barreira mais seletiva do corpo e não é qualquer hormônio 
que passa por ela não, embora muitos passem. Então essa barreira não existe, 
os capilares são fenestrados, existe uma permeabilidade maior e daí os 
hormônios caem com facilidade na corrente sanguínea. Órgãos 
circunventriculares é um conjunto de órgãos que são carentes de barreira 
hematoencefálica, portanto mais permissiva a entrada e saída de moléculas 
nesse caso a saída de moléculas para a corrente sanguínea que são os 
hormônios por ex a melatonina. 
 
 
Hipófise 
 
Origem ectodérmica. A sinalização da via de Notch foi implicada na proliferação 
e diferenciação das células progenitoras hipofisárias. A hipófise se desenvolve 
de duas fontes, tabela: 
 
 
 
Morfogênese da hipófise: 
Embrião de 5 semanas. Vemos as vesículas encefálicas se diferenciando. 
Temos uma região que seria o diencéfalo, o assoalho do diencéfalo e o teto da 
cavidade bucal primitiva, chamada estomodeu. Na região do teto da cavidade 
bucal, as cinco semanas, começa a acontecer o espessamento do ectoderma 
da cavidade bucal. Essas células começam a proliferar e posteriormente vão se 
evaginando, mas também está acontecendo a mesma coisa no assoalho do 
diencéfalo. O neuroepitélio nessa região começa a se espessar e proliferar e 
essas células vão se invaginar. O epitélio da cavidade bucal vai se alongando 
em direção a outra invaginação que acontece no assoalho do diencéfalo. Eles 
vão ao encontro um do outro. 
 
Figura ilustrando o desenvolvimento da hipófise. A - Secção sagital da 
extremidade cranial de um embrião de aproximadamente 36 dias mostra o 
divertículo hipofisário, um crescimento superior a partir do estomodeu, e o 
divertículo neuro-hipofisário, uma invaginação do prosencéfalo. B-D - Estágios 
sucessivos da hipófise em desenvolvimento. Na 8ª semana, o divertículo perde 
sua conexão com a cavidade oral e está em contato próximo com o infundíbulo 
e o lobo posterior (neurohipófise) da hipófise. E e F - Esquemas dos estágios 
finais mostram a proliferação da parede anterior do divertículo hipofisário para 
formar o lobo anterior (adeno-hipófise) da hipófise. 
 
A estrutura que se originou a partir do ectoderma do teto da boca primitiva é o 
divertículo hipofisário ou bolsade Rathke. A invaginação do assoalho do 
diencéfalo é o divertículo neurohipofisário ou infundíbulo. À medida que o 
processo avança, vê que se perde a comunicação entre a bolsa de Rathke e o 
epitélio da cavidade bucal primitiva. Porém, se mantêm a comunicado do 
infundíbulo com assoalho do diencéfalo. Funcionalmente importante, mantém a 
ligação física. 
Essa origem dupla explica porque a hipófise é composta por dois tipos 
diferentes de tecidos: 
 
• A adeno-hipófise (tecido glandular), ou lobo anterior, desenvolve-se a 
partir do ectoderma oral. 
• A neuro-hipófise (tecido nervoso), ou lobo posterior, desenvolve-se a 
partir do neuroectoderma. 
 
Na terceira semana, o divertículo hipofisário se projeta do teto do estomodeu e 
fica adjacente ao assoalho (parede ventral) do diencéfalo (figura). Pela quinta 
semana, o divertículo é alongado e sofre constrição em sua ligação ao epitélio 
oral. Nesse estágio, ele entra em contato com o infundíbulo (derivado do 
divertículo neurohipofisário), uma invaginação ventral do diencéfalo. 
 
O pedúnculo do divertículo hipofisário passa entre os centros de condrificação 
dos ossos pré-esfenoide e basisfenoide do crânio em desenvolvimento. 
Durante a sexta semana, a conexão do divertículo com a cavidade oral se 
degenera. As células da parede anterior do divertículo hipofisário se proliferam 
e originam a parte anterior da hipófise. Posteriormente, uma extensão, a parte 
tuberal, cresce ao redor do infundíbulo. A proliferação extensa da parede 
anterior do divertículo hipofisário reduz sua luz para uma fenda estreita. A 
fenda residual usualmente não é reconhecível na hipófise em adultos; 
entretanto, pode ser representada por uma zona de cistos. Células na parede 
posterior da bolsa hipofisária não proliferam; originam uma parte intermediária 
delgada e mal definida. 
 
A parte da hipófise que se desenvolve do neuroectoderma (divertículo neuro-
hipofisário) é a neuro-hipófise. O infundíbulo origina a eminência mediana, o 
infundíbulo e a parte nervosa. Inicialmente, as paredes do infundíbulo são 
delgadas, mas a extremidade distal do infundíbulo logo se torna sólida 
conforme as células neuroepiteliais proliferam. Essas células posteriormente se 
diferenciam em pituícitos, as células principais do lobo posterior da hipófise, 
que estão intimamente relacionadas com as células neurogliais. As fibras 
nervosas se desenvolvem na parte nervosa da área hipotalâmica, à qual o 
infundíbulo é ligado. 
 
***Na neurohipófise, chegam axônios provenientes de vários núcleos do 
hipotálamo, trazendo fatores e hormônios que foram produzidos no núcleo 
supraóptico e paraventricular, o ADH e ocitocina. A hipófise fica alojada na sela 
túrcica do osso esfenóide. A bolsa de Rathke possui uma luz no seu interior. A 
parte mais rostral/anterior, aumenta a sua proliferação e à medida que ela 
prolifera, ela encosta-se ao osso esfenóide e essa região mais anterior vai dar 
origem à parte distal. Tem uma região com agrupamentos de células que vai 
rodear a região do infundíbulo/ haste infundibular e dá origem a parte tuberal. 
Uma pequena porção desse tecido vai ficar muito próxima da parte nervosa da 
neurohipófise e ai ser a parte intermédia. O espaço entre a parte nervosa e 
parte intermédia é a fenda hipofisária (vestígio da luz da bolsa de Rathke). A 
neurohipófise é formada pela eminência média, haste infundibular e 
temos a parte nervosa. Os cistos de Rathke estão na parte intermédia. 
***O núcleos supraóptico começa a produzir ADH com 6 semanas de 
desenvolvimento embrionário, já o núcleo paraventricular começa a produzir 
ocitocina com 8 semanas do desenvolvimento. A neurohipófise fica 
estabelecida com 12 semanas, sendo que os núcleos hipotalâmicos que 
produzem hormônios hipofisiotróficos com 12 semanas. 
***Sistema porta-hipofisário: começa a funcionar com aproximadamente 12 
semanas. A artéria hipofisária superior que a nível da eminência média começa 
a capilarizar e forma o plexo capilar primário. A partir desse plexo surgem veias 
hipofisárias e logo se capilariza e forma o plexo capilar secundário. Isso ocorre 
a partir de 12 semanas. 
Hipófise faríngea e craniofaringioma 
 
***Hipófise faríngea é quando tem um resquísio no osso esfenóide ou até 
mesmo no epitélio. Pode geral uma mutação, inclusive mutações que leva a 
neoplasias chamadas crâniofaringioma. 
 
Um remanescente do pedúnculo do 
divertículo hipofisário pode persistir e 
formar a hipófise faríngea no teto da 
orofaringe (figura). Raramente, 
massas de tecido do lobo anterior se 
desenvolvem fora da cápsula da 
hipófise, na sela turca do osso 
esfenoide. Um remanescente do 
divertículo hipofisário, o canal 
basifaríngeo, é visível em secções do 
osso esfenóide de neonatos em 
aproximadamente 1% dos casos. 
Também pode ser identificado em um 
pequeno número de radiografias do 
crânio de neonatos (geralmente aqueles com defeitos cranianos). 
 
Ocasionalmente, um tumor benigno e raro (craniofaringioma) se desenvolve na 
ou superior a sela turca. Com menos frequência, esse tumor se forma na 
faringe ou no basiesfenoide (parte posterior do esfenoide) de remanescentes 
do pedúnculo do divertículo hipofisário. Esses tumores surgem ao longo da via 
do divertículo hipofisário, a partir dos remanescentes do epitélio. 
 
---------------------------------------------------------------------------------------------------------- 
 
Desenvolvimento das glândulas suprarrenais 
 
O córtex e a medula das glândulas suprarrenais (glândulas adrenais) têm 
origens diferentes. O córtex se desenvolve a partir do mesênquima e a 
medula se desenvolve a partir de células da crista neural. Durante a sexta 
semana, o córtex começa como uma agregação de células mesenquimais em 
cada lado do embrião entre a raiz do mesentério dorsal e a gônada em 
desenvolvimento. As células que formam a medula são derivadas de um 
gânglio simpático adjacente, o qual é derivado de células da crista neural. A 
natureza dessa medula é nervosa é neural. 
 
***A medula adrenal ela são grandes gânglios simpáticos altamente 
modificados. 
 
Desenhos esquemáticos ilustrando o desenvolvimento das glândulas 
suprarrenais: 
• A - 6 semanas, mostrando o primórdio mesodérmico do córtex 
embrionário. 
• B- 7 semanas, mostrando a adição de células da crista neural. 
• C- 8 semanas, mostrando o córtex fetal e o córtex permanente inicial 
começando a encapsular a medula. 
• D e E - Estágios posteriores de encapsulação da medulam pelo córtex. 
• F, Glândula de um recém-nascido, mostrando o córtex fetal e duas 
zonas de córtex permanente. 
• G, Com 1 ano, o córtex quase desapareceu. 
• H, Aos 4 anos, mostrando o padrão adulto das zonas corticais. 
• Note que o córtex desapareceu e a glândula é muito menor do que era 
ao nascimento (F). 
 
Inicialmente, as células da crista neural formam uma massa no lado medial do 
córtex embrionário. À medida que elas são rodeadas pelo córtex, as células se 
diferenciam nas células secretoras da medula suprarrenal. Posteriormente, 
mais células mesenquimais se originam do mesotélio (uma camada única de 
células achatadas) e envolvem o córtex. Essas células dão origem ao córtex 
permanente da glândula suprarrenal. 
 
Estudos imuno-histoquímicos identificaram uma “zona transicional” que é 
localizada entre o córtex permanente e o córtex fetal. Foi sugerido que a zona 
fasciculada é derivada dessa terceira camada. A zona glomerulosa e a zona 
fasciculada estão presentes ao nascimento, mas a zona reticular não é 
reconhecível até o término do terceiro ano. 
 
Em relação ao peso corporal, as glândulas suprarrenais do feto são 10 a 20 
vezes maiores que as glândulas adultas e são grandes em comparação com os 
rins. Essas grandes glândulas resultam do tamanho extenso do córtex fetal, o 
qual produz precursores esteróides que são usados pela placenta para síntese 
de estrogênio. A medula suprarrenal permanece relativamente pequena até o 
nascimento. 
 
As glândulas suprarrenais rapidamente se tornam menoresà medida que o 
córtex fetal regride durante o primeiro ano da infância. As glândulas perdem 
aproximadamente um terço do seu peso durante as primeiras 2 a 3 semanas 
do período neonatal, e elas não recuperam o seu peso original até o fim do 
segundo ano. 
 
 Hiperplasia suprarrenal congênita e síndrome adrenogenital 
 
Um aumento anormal das células do córtex suprarrenal resulta em produção 
excessiva de androgênio durante o período fetal. Em mulheres, isso causa, 
usualmente, masculinização da genitália externa. Os bebês homens afetados 
têm genitália externa normal e a síndrome pode passar despercebida no 
começo da infância. Mais tarde na infância, em ambos os sexos, o excesso de 
androgênio leva ao crescimento rápido e à maturação esquelética acelerada. 
 
 Genitália externa de uma menina de 6 anos de idade 
mostrando um clitóris aumentado e grandes lábios fundidos 
que formaram uma estrutura semelhante a um escroto. A 
seta indica a abertura para dentro do seio urogenital. Essa 
extrema masculinização é o resultado de hiperplasia 
suprarrenal congênita. 
 
 
A síndrome adrenogenital, associada à hiperplasia suprarrenal (adrenal) 
congênita (HAC), manifesta-se em várias formas que podem ser 
correlacionadas com deficiências enzimáticas da biossíntese do cortisol. HAC, 
na realidade, descreve um grupo de doenças recessivas autossômicas que 
resultam em virilização (formação de características masculinas) de fetos 
femininos. A HAC é causada por uma mutação geneticamente determinada no 
gene do citocromo P450c21-esteroide 21-hidroxilase, o que resulta em uma 
deficiência de enzimas do córtex da suprarrenal que são necessárias para a 
biossíntese de vários hormônios esteroides. A produção reduzida de hormônio 
resulta em uma liberação aumentada de adrenocorticotropina da glândula 
hipófise anterior, o que causa HAC e produção excessiva de androgênios. 
 
------------------------------------------------------------------------------------------------------- 
 
Histogênese do Pâncreas 
 
O parênquima (tecido celular básico) do pâncreas é derivado do endoderma 
dos brotos pancreáticos que forma uma rede de túbulos. No início do período 
fetal, os ácinos pancreáticos (porções secretoras de uma glândula acinosa) 
começam a se desenvolver a partir de aglomerados de células ao redor das 
extremidades desses túbulos (ductos pancreáticos primitivos). As ilhotas 
pancreáticas se desenvolvem a partir de grupos de células que se 
separam dos túbulos e se localizam entre os ácinos. 
 
A secreção de insulina começa durante o período fetal inicial (10ª semana). As 
células contendo glucagon e somatostatina se desenvolvem antes da 
diferenciação das células beta secretoras de insulina. O glucagon foi detectado 
no plasma fetal com 15 semanas. 
 
A bainha de tecido conjuntivo e os septos interlobulares do pâncreas se 
desenvolvem a partir do mesênquima esplâncnico circundante. Quando há 
diabetes mellitus materno, as células beta que secretam insulina no pâncreas 
fetal estão cronicamente expostas a altos níveis de glicose. Como resultado, 
essas células sofrem hipertrofia para aumentar a taxa de secreção de insulina. 
 
***Os primórdios do pâncreas são estruturas exócrinas. Forma um túbulo que 
no futuro vai formar os ductos e depois os ácinos. Os ácinos são as estruturas 
secretoras das enzimas exócrinas que vão chegar até o duodeno, etc. Esses 
túbulos se formam mais ainda não há a formação dos ácinos, envolta deles 
existe a formação e cordões de células que serão células da futura ilhota de 
Langerhans ou ilhotas pancreáticas. Essas células começam a se agrupar e 
formar agrupados de células em formato cordonal que é a própria ilhota. 
Depois da formação das ilhotas que começa a produção dos ácinos. A ilhota 
surge depois do primórdio do pâncreas exócrino só que ela atinge um grau de 
maturação antes das estruturas do pâncreas exócrino. Isso é muito importante 
pq o pâncreas exócrino é mediado por hormônios do pâncreas endócrino. 
Então, formou o túbulo e foram chegando alguns vasos sanguíneos que estão 
irrigando as células tubulares para que elas cresçam e maturem. E aí surgem 
as células da ilhota de Langerhans e elas provocam o crescimento de vasos 
que atingem essa ilhota e depois esses vasos sanguíneos atingem as células 
acinares do pâncreas exócrino. O resultado é que 85% do sangue que percorre 
o pâncreas passa primeiro nas ilhotas para depois chegar nos ácinos. Os 
capilares das ilhotas são fenestrados, pq os hormônios tem que passar com 
mais facilidade. Os capilares saíram da ilhota e atingiram os ácinos, nos ácinos 
os capilares não são fenestrados, eles são contínuos, justamente para que 
as enzimas produzidas pelos ácinos não caiam na corrente sanguínea (tem 
muitas proteases produzidas ali, pode levar a lise de proteínas plasmáticas). 
Mas, a insulina sai, a insulina produzida pelas células beta atinge as células 
acinares controlando a produção das enzimas do pâncreas exócrino. 
 
***Diabetes gestacional: alta quantidade de glicose no sangue e passa para a 
circulação fetal. A circulação fetal vai identificar isso das células do pâncreas 
do feto e vão produzir mais insulina para diminuir a glicemia. Tem vários 
problemas e a insulina é um hormônio muito forte, hormônio anabólico também. 
O excesso de insulina pode fazer com que a criança ela nasça não desenvolva 
alta glicemia no começo, mas logo ela se torna uma criança diabética e um 
adulto diabético. 
 
Pâncreas ectópico 
 
O pâncreas ectópico (tecido pancreático ectópico) está localizado separado do 
pâncreas. O tecido pode se localizar na mucosa do estômago, no duodeno 
proximal, no jejuno, no antro pilórico e no divertículo ileal (de Meckel). Esse 
defeito geralmente é assintomático e é descoberto incidentalmente (p. ex., por 
tomografia computadorizada); entretanto, ele pode se apresentar com sintomas 
gastrointestinais, obstrução, sangramento ou até mesmo câncer. 
 
Pâncreas anular 
 
Apesar de o pâncreas anular ser raro, o defeito justifica a descrição porque ele 
pode causar obstrução duodenal. A parte anular do pâncreas, semelhante a 
um anel, consiste em uma fina e achatada banda de tecido pancreático que 
envolve o duodeno descendente ou a sua segunda porção. Um pâncreas 
anular pode causar obstrução do duodeno. Bebês apresentam sintomas de 
obstrução intestinal completa ou parcial. 
 
 
A e B mostram a provável base embriológica de um pâncreas anular. C, Um 
pâncreas anular circundando o duodeno. Essa anomalia congênita produz 
obstrução completa (atresia) ou obstrução parcial (estenose) do duodeno. 
 
A obstrução do duodeno se desenvolve caso ocorra inflamação (pancreatite) 
no pâncreas anular. O defeito pode estar associado à síndrome de Down, má 
rotação intestinal e defeitos cardíacos. Mulheres são afetadas com maior 
frequência do que homens. Um pâncreas anular provavelmente resulta do 
crescimento de um broto pancreático ventral bífido ao redor do duodeno. As 
porções do broto ventral bífido então se fundem com o broto dorsal, formando 
um anel pancreático. A intervenção cirúrgica pode ser necessária para o 
manejo dessa condição. 
_______________________________________________________________ 
Bolsa faríngea. 
Temos os arcos faríngeos. Cada arco faríngeo tem um centro de mesênquima, 
tem uma artéria proveniente do arco aórtico, um nervo e uma faixa de 
cartilagem. Externamente é revestido pelo ectoderma cutâneo e internamente 
pelo endoderma. Cada arco é separado do arco vizinho pelas fendas faríngeas. 
Internamente está revestido pelo endoderma e vemos uma região que é o 
assoalho da faringe primitiva (durante o fechamento do embrião – o teto do 
saco vitelínico é incorporado ao embrião e se forma o intestino primitivo com 3 
segmentos. O segmento anterior é o intestino anterior – a parte mais cefálica é 
a faringe e arcos faríngeos). Os arcos faríngeos formam os limites laterais da 
faringe. 
A única fenda faríngea que permanece é a 
primeira fenda. Ela origina o meato acústico 
externo.Essa fenda encosta na primeira bolsa 
faríngea que se aproximou no mesênquima e 
origina a tuba faringotimpânica. A sua parte mais 
distal e dilatada forma a orelha média. Na região 
onde a bolsa e a fenda se encostam temos a 
membrana timpânica. O segundo arco faríngeo 
cresce e se sobrepõe sobre o segundo, terceiro e 
quarto arco faríngeo e suas fendas somem (pode 
não obliterar completamente essa região e 
formar um cisto na região lateral do pescoço) 
A segunda bolsa faríngea origina a tonsila palatina (mesênquima subjacente é 
invadido por linfócitos). 
A terceira bolsa sofre duas proliferações – uma dorsal e uma ventral. A porção 
dorsal da terceira bolsa vai originar as glândulas paratireóide inferiores e a 
porção ventral vai originar o timo. Esse processo ocorre bilateralmente. O timo 
migra caudalmente, passando ventralmente ao osso hióide, cartilagens 
laríngeas e mais ventralmente para se colocar no mediastino superior. No 
momento que está migrando, ele leva com ele as glândulas paratireóides 
inferiores e que se posicionam na face posterior na parte inferior dos lobos 
tireoidianos. As duas porções do timo se juntam na linha média e 
posteriormente se situam no mediastino superior e nesse processo leva as 
glândulas paratireóides inferiores. Durante esse processo, as glândulas 
paratireóides inferiores podem se localizar ao longo desse trajeto (ectópica), 
assim como o timo ectópico. 
A quarta bolsa faríngea também sofre divisão em porção dorsal e porção 
ventral. A partir da porção dorsal vai originar as glândulas paratireóides 
superiores e a porção ventral origina o corpo último-braquial e ele origina as 
células parafoliculares. O corpo último-braquial é povoado por células 
provenientes da crista neural. Essa porção também migra e posteriormente 
desce e associa à glândula tireóide. Essas células se separam e vão se difundir 
e se organizar nos folículos para formarem as células C (origem 
neuroectodérmica). O corpo último-braquial que vem da porção ventral da 
quarta bolsa é formado basicamente por células da crista neural. 
Histogênese do Timo 
 
O timo é um órgão linfóide primário que se desenvolve a partir de células 
epiteliais derivadas do endoderma do terceiro par de bolsas e do mesênquima 
dentro do qual crescem tubos de células epiteliais. Os tubos logo se tornam 
cordões sólidos que proliferam e formam os ramos laterais. Cada ramo lateral 
torna-se o eixo de um lóbulo do timo. Algumas células dos cordões epiteliais se 
arranjam em torno de um ponto central, formando pequenos grupos de células 
denominados corpúsculos tímicos (corpúsculos de Hassall). Outras células dos 
cordões epiteliais se espalham, mas mantêm ligações umas com as outras 
para formar um retículo epitelial. O mesênquima entre os cordões epiteliais 
forma septos finos incompletos entre os lóbulos. 
 
Os linfócitos logo aparecem e preenchem o interstício entre as células 
epiteliais. Os linfócitos são derivados das células-tronco hematopoiéticas. O 
primórdio do timo é circundado por uma fina camada de mesênquima que é 
fundamental para seu desenvolvimento. As células da crista neural também 
contribuem para a organogênese do timo. 
 
O crescimento e o desenvolvimento do timo não estão completos no 
nascimento. Ele é um órgão relativamente grande durante o período perinatal e 
pode se estender através da abertura torácica superior até a base do pescoço. 
Conforme a puberdade é atingida, o timo começa a diminuir seu tamanho 
relativo à medida que sofre involução. Na idade adulta, ele é muitas vezes 
irreconhecível em consequência da infiltração gordurosa no córtex da glândula; 
entretanto, ainda é funcional e importante para a manutenção da saúde. Além 
da secreção de hormônios tímicos, o timo dá origem a timócitos (precursores 
de células T), antes de sua liberação para a periferia. 
 
Formação da tireóide 
A língua se forma a partir de saliências linguais laterais, que aparecem no 
assoalho da faringe envolvendo o primeiro arco faríngeo. Tem duas saliências 
laterais e um saliência média que é o tubérculo ímpar, essas estruturas se 
fundem e formam o corpo da língua (2/3 anteriores). A porção posterior do 
tubérculo ímpar forma uma estrutura chamada eminência hipobraquial ou 
cópula, que forma a raiz da língua. 
Entre a cópula e o tubérculo ímpar tem um espessamento do endoderma e 
forma o broto tireóideo. Esse broto continua a se alongar e à medida que a 
língua cresce e o embrião cresce, esse broto vai se invaginar e migrar também. 
Ele se alonga e migra à medida que a língua cresce. Ele desce para a parte 
anterior da faringe, passando anteriormente ao osso hióide e cartilagens 
laríngeas para se localizar anteriormente na parte superior da traquéia. Esse 
broto mantém contato temporário com a língua pelo ducto tireoglosso (ligado 
ao forame cego), conforme ele se alonga. 
Esse ducto tireoglosso vai degenerar posteriormente e acaba essa conexão da 
tireóide com a língua. Porém, isso pode não conhecer e ter alguns 
remanescentes desse ducto formando os cistos de ducto tireoglosso (qualquer 
local no trajeto migratório). O broto se separa em dois lobos, um esquerdo e im 
direito unidos pelo istmo. A partir desse istmo pode formar um terceiro lobo que 
é o lobo piramidal. 
O broto tireóide é formado por um agregado de células endodérmicas que é 
invadido pelo mesênquima, que trás vasos sanguíneos. No momento que esse 
agregado de células é invaginado pelo mesênquima esses agregados são 
separados em cordões de células epiteliais endodérmicas. Posteriormente o 
vaso continua a proliferar e depois esses cordões se separam em pequenos 
grupos de células e no centro desse grupo elas começam a se organizar e 
aparece um lúmen e elas se dispõem em torno da luz. Em torno da 11ª 
semana, já começa a ter colóide ali. Na 20ª semana o nível sérico de TSH 
começa a aumentar e com 35 semanas já tem níveis de T3 e T4 parecidos com 
o do indivíduo adulto. pode ter agenesias de um dos lados ou da tireóide 
também. Pode ocorrer glândula tireóide ectópica também, lingual ou sublingual. 
 
 
***O começo da tireóide não tem relação com o aparelho faríngeo, mas o final 
dela tem. A tireóide começa a partir de uma invaginação da parte dorsal do 
intestino primitivo na parte faríngea. Ela surge com o surgimento da língua. O 
começo é um tubo meio oco e que depois as células ali dentro começam a se 
infiltrar formando uma massa solida. E quando desce da língua, ela puxa uma 
parte desse tecido da língua e tem uma conexão desse tecido tireoidiano com 
língua chamado ducto tireoglosso. Esse ducto depois vai degenerar. Pode 
acontecer de permanecer. Quando esse crescimento puxa o tecido da língua 
ele cria um buraco (forame). Só que esse forame oblitera. Fica o forame cego 
que divide os 2/3 anteriores do terço posterior. Existe um elemento do aparelho 
faríngeo que são o par de 4ª bolsas faríngeas que tem um revestimento 
endodérmico originam uma glândula paratireóide. Mas também um conjunto de 
células migrantes chamado de corpo último branquial ou corpo ultimo faríngeo. 
Ultimo pq é a ultima parte do aparelho faríngeo a originar alguma coisa (de 
cima pra baixo). Nessa 4ªbolsa, esse corpo último branquial ele sai da 4ª bolsa 
e invade a tireóide. As células migram tanto que elas vão se colocando ao lado 
dos folículos. 
Glândulas paratireóides 
Os arcos faríngeos dão origem às bolsas faríngeas. A 3ª bolsa faríngea dá 
origem à parte inferior (par inferior) e origina também o timo e a 4ª bolsa 
faríngea da origem à parte superior (par superior). As paratireóides inferiores 
elas migram muito se deslocam muito passando por baixo das superiores e 
essa migração das inferiores acompanha a migração do timo. E quem fica mais 
embaixo é o timo. Então se espera que o timo migre mais ainda. 
Localização: são 4 glândulas dispostas em 2 pares, um superior e outro 
inferior. Situada na parte posterior da tireóide, nos pólos superior e inferior. São 
4 pequenas glândulas ovóides intimamente relacionadasà tireóide em termos 
anatômicos e fisiológicos. Mais raramente, podem situar-se no interior da 
tireóide ou no mediastino, próximo ao timo. 
Função: produção de paratormônio (PTH). O PTH se liga a receptores em 
osteoblastos. Essa ligação é um sinal para essas células produzirem um fator 
estimulante de osteoclastos que aumenta o número e a atividade dessas 
células promovendo assim a reabsorção de matriz óssea calcificada e a 
liberação de Ca no sangue. O PTH aumenta a concentração de cálcio 
plasmático e reduz a concentração de fosfato no sangue e aumenta a excreção 
na urina 
***Existe uma Síndrome chamada Di George onde não há o surgimento das 
paratireóides inferiores e das paratireóides e timo. 
Patologias: hipoparatireoidismo, hiperparatireoidismo: primário, secundário e 
terciário.

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