Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

LEI Nº 8.429, DE 2 DE JUNHO DE 1992
Art. 1° Os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou
não, contra a administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes
da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território, de empresa
incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou custeio o
erário haja concorrido ou concorra com mais de cinquenta por cento do patrimônio
ou da receita anual, serão punidos na forma desta lei.
Parágrafo único. Estão também sujeitos às penalidades desta lei os atos de
improbidade praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção,
benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público bem como daquelas para
cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de
cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual, limitando-se, nestes casos, a
sanção patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos.
Dirigente de entidade privada que administra recursos públicos
pode responder sozinho por improbidade
A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que, com
o advento da Lei 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa), o
particular que recebe subvenção, benefício ou incentivo público passou a
se equiparar a agente público, podendo, dessa forma, figurar sozinho no
polo passivo em ação de improbidade administrativa.
A decisão teve origem em ação de ressarcimento proposta pela União, fundamentada na
Lei 8.429/1992, contra uma Organização Não Governamental (ONG) e seu gestor
pela suposta prática de atos ímprobos na execução de convênio que envolveu o
recebimento de recursos do governo federal.
Como relatado pela União, o gestor da entidade teria prestado contas de forma precária,
sem juntar os documentos que minimamente comprovariam a aplicação dos recursos
públicos na execução do convênio, incorrendo na conduta prevista no artigo 10 da Lei de
Improbidade.
A União afirmou ainda que o réu foi omisso ao não atender aos diversos pedidos de
esclarecimentos formulados pelos órgão controladores – atitude que se enquadraria na
previsão do artigo 11, VI, da mesma lei.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8429.htm#art10
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8429.htm#art11
Ação extinta
O juízo de primeiro grau extinguiu a ação sem exame do mérito, por entender
que o ato de improbidade administrativa só pode ser cometido por quem ostente
a qualidade de agente público, com ou sem a cooperação de terceiro, não
podendo o particular, isoladamente, responder a processo baseado na Lei
8.429/1992. O entendimento foi mantido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª
Região (TRF1).
No STJ, em decisão monocrática, o ministro Napoleão Nunes Maia Filho – relator
originário do recurso da União – entendeu que o acórdão não violou a legislação
federal. Houve recurso dessa decisão para a Primeira Turma.
Porém, ele destacou que a Lei 8.429/1992 ampliou o conceito de agente público,
que não se restringe aos servidores públicos. Além disso – observou o magistrado
–, o parágrafo único do artigo 1º da Lei de Improbidade "submete as entidades
que recebam subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão
público à disciplina do referido diploma legal, equiparando os seus dirigentes à
condição de agentes públicos".
No caso analisado, o relator explicou que os autos evidenciam supostas
irregularidades cometidas pela ONG na execução de convênio com recursos
obtidos do governo federal, circunstância que equipara o seu gestor a agente
público, para os fins de improbidade administrativa, e permite o prosseguimento
da ação nas instâncias ordinárias.
Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce,
ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação,
designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato,
cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior.
Art. 3° As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo
não sendo agente público, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade
ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta.
Informativo nº 901 do STF: Os agentes políticos, com exceção do Presidente da
República, encontram-se sujeitos a duplo regime sancionatório, de modo que se
submetem tanto à responsabilização civil pelos atos de improbidade administrativa
quanto à responsabilização político-administrativa por crimes de responsabilidade.
Informativo nº 568 do STJ: O estagiário que atua no serviço público, ainda que transitoriamente,
remunerado ou não, está sujeito a responsabilização por ato de improbidade administrativa (Lei
8.429/1992). De fato, o conceito de agente público, constante dos artigos 2º e 3º da Lei 8.429/1992 (Lei
de Improbidade Administrativa), abrange não apenas os servidores públicos, mas todo aquele que
exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação,
contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função na
Administração Pública. Assim, na hipótese em análise, o estagiário, que atua no serviço público,
enquadra-se no conceito legal de agente público preconizado pela Lei 8.429/1992.
Art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos.
Art. 5° Ocorrendo lesão ao patrimônio público por ação ou omissão, dolosa ou culposa, do agente ou de terceiro,
dar-se-á o integral ressarcimento do dano.
Art. 6° No caso de enriquecimento ilícito, perderá o agente público ou terceiro beneficiário os bens ou valores
acrescidos ao seu patrimônio.
Art. 7° Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou ensejar enriquecimento ilícito, caberá
a autoridade administrativa responsável pelo inquérito representar ao Ministério Público, para a indisponibilidade
dos bens do indiciado.
Parágrafo único. A indisponibilidade a que se refere o caput deste artigo recairá sobre bens que assegurem o
integral ressarcimento do dano, ou sobre o acréscimo patrimonial resultante do enriquecimento ilícito.
Art. 8° O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente está sujeito às
cominações desta lei até o limite do valor da herança.
Jurisprudência em teses, STJ:
É inadmissível a responsabilidade objetiva na aplicação da Lei n. 8.429/1992, exigindo-
se a presença de dolo nos casos dos arts. 9º e 11 (que coíbem o enriquecimento ilícito e
o atentado aos princípios administrativos, respectivamente) e ao menos de culpa nos
termos do art. 10, que censura os atos de improbidade por dano ao Erário.
Os atos de improbidade administrativa previstos entre os arts. 9º ao 11 estão previstos
em rol meramente exemplificativo. Neste sentido, o Informativo nº 523 do STJ:
Configura ato de improbidade administrativa a conduta de professor da rede
pública de ensino que, aproveitando-se dessa condição, assedie sexualmente seus
alunos.
Os atos de improbidade administrativa previstos entre os arts. 9º ao 11 estão previstos
em rol meramente exemplificativo. Neste sentido, o Informativo nº 523 do STJ:
Configura ato de improbidade administrativa a conduta de professor da rede
pública de ensino que, aproveitando-se dessa condição, assedie sexualmente seus
alunos.
Art. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando
enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial
indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou
atividade nas entidades mencionadas no art. 1° desta lei, e
notadamente:

Mais conteúdos dessa disciplina