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Lei n. 9.296/1996 – Lei de Interceptação Telefônica
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL
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LEI N. 9.296/1996 – LEI DE INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA
A Lei n. 9.296, de 24 de julho de 1996, é conhecida como a Lei da Interceptação Telefô-
nica. Até 2020, essa lei se restringia especificamente às interceptações de telemática e às 
interceptações telefônicas, mas, com o Pacote Anticrime, introduzido com a Lei n. 13.964, que 
entrou em vigência em janeiro de 2020, houve uma ampliação do alcance da Lei da Intercep-
tação Telefônica. Hoje, captações ambientais, por exemplo, que só eram autorizadas via Lei 
do Crime Organizado, são autorizadas pela Lei n. 12.850, de 2013, por causa do acréscimo 
feito pelo Pacote Anticrime. 
O Pacote Anticrime alterou vários artigos do Código do Processo Penal, do Código Penal, de 
Legislações Extravagantes, do Estatuto do Desarmamento e da Lei da Intercepção Telefônica.
A Lei n. 9.296 regulamenta o inciso XII, parte final, do art. 5º da Constituição Federal. O 
art. 5º dispõe os direitos e garantias fundamentais e, dentre eles, está a inviolabilidade das 
comunicações telefônicas e de telemática, isto é, a privacidade. 
A casa, por exemplo, é asilo inviolável, nela ninguém pode entrar, permanecer ou ficar sem 
autorização do morador ou sem ser em situação de flagrante ou sem possuir ordem funda-
mentada de juiz competente durante o dia ou para prestar socorro, são situações excepcio-
nais. No caso da iniviolabilidade das comunicações, o inciso XII do art. 5º preconiza, além da 
regra, as exceções possíveis:
CF/88 – Art. 5º XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de 
dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na 
forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;
A investigação criminal mais a ação penal formam a persecução penal, durante a percutio 
criminis. A intercepção telefônica pode ser determinada a partir da notícia do crime até findar 
o processo, isto é, durante qualquer fase da persecução criminal.
O Presidente da República faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte 
Lei:
Art. 1º A interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova em inves-
tigação criminal e em instrução processual penal, observará o disposto nesta Lei e dependerá de 
ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de justiça.
A interceptação não pode ser usada em processos que não sejam de natureza criminal, 
assim como não pode ser determinada uma interceptação telefônica para fins de processos 
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civil ou trabalhista. Mas, excepcionalmente, por exemplo, se uma pessoa estiver respondendo 
a um processo administrativo de demissão pela prática de um crime em que o processo crimi-
nal vai correr em um ramo jurídico e o processo administrativo correrá em outro ramo jurídico, 
é possível pegar emprestada uma interceptação telefônica realizada em um processo crimi-
nal, por exemplo de peculato ou de corrupção, que são crimes contra a administração pública, 
prova esta que vai ser usada para demissão advinda como consequência da infração criminal. 
Neste caso, a jurisprudência aponta em sentido positivo.
O juiz competente é aquele naturalmente competente para a causa principal. Hoje, com 
a introdução do juiz de garantia, que está em certa suspensão, o juiz competente é aquele 
que fica determinado pelas regras que serão estabelecidas pelo juiz de garantia e pelo juiz 
do processo.
Há uma teoria relacionada à interceptação telefônica, que é chamada de Juízo Aparente. 
Por exemplo, um juiz estadual determinou a interceptação telefônica para casos envolvendo 
uma organização criminosa estadual, que praticava golpes e estelionatos em vários idosos da 
região e, no decorrer da investigação, verificou-se que aquele crime não era um crime esta-
dual e sim federal, porque, além do estelionato, a organização praticava falsificação de moeda 
e contrabando, isto é, ela tinha como base outras infrações penais. Assim, o juiz federal pre-
cisa assumir o caso, porque o juiz estadual não pode julgar casos envolvendo falsificação 
de moeda ou contrabando, que são crimes federais. Nesse caso, a interceptação telefônica 
determinada por um juiz que inicialmente era competente para o feito, mas depois passou a 
não ser, será lícita, isto é, pode ser usada, mesmo que o artigo determine que a ordem deve 
ser feita pelo juiz competente.
O segredo de justiça, o sigilo por interesse público, é expresso em alguns pontos da Lei da 
Interceptação Telefônica, incluindo o final do caput do art. 1º.
Parágrafo único. O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de comunicações em sis-
temas de informática e telemática.
Pode ser feito o acompanhamento, a interceptação, não só das conversas telefônicas, mas 
também de bate-papo, após o Pacote Anticrime, de captações óticas ambientais, seguindo-se 
a Legislação com exigências específicas.
Na interceptação telefônica, a pessoa A está conversando com a pessoa B e uma terceira 
pessoa C começa a fazer um acompanhamento sem o conhecimento dos dois primeiros. 
• Quando se fala no fluxo de informações é o acompanhamento e não interrupção.
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Para existir uma intercepção telefônica em que os interlocutores não sabem que estão 
sendo gravados, é necessária uma ordem judicial. Mas, se uma das pessoas participantes 
da conversa gravar esse diálogo, a ordem judicial é desnecessária, assim como quando um 
interlocutor autorizar que o outro faça a gravação. 
STJ – Jurisprudência em Teses 117: Interceptação Telefônica – I
Os entendimentos foram extraídos de julgados publicados até 07/12/2018.
1) A alteração da competência não torna inválida a decisão acerca da interceptação telefô-
nica determinada por juízo inicialmente competente para o processamento do feito.
STF – Teoria do Juízo Aparente — São interceptações telefônicas lícitas — colhidas por 
juízo aparentemente competente à época dos fatos - a 2ª Turma STF (HC 110496/RJ, rel. Min. 
Gilmar Mendes, 9.4.2013).
ATENÇÃO
O art. 2º é muito cobrado em provas.
Art. 2º Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer 
das seguintes hipóteses:
I – não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal;
É preciso haver uma infração penal, indícios razoáveis da concorrência do interceptado, 
que são provas indicativas de que a pessoa que vai ser interceptada é coautora ou partícipe.
II – a prova puder ser feita por outros meios disponíveis;
É preciso ser o único meio de prova, porque se houver qualquer outro meio de prova dis-
ponível, a interceptação não pode ser determinada pelo juiz.
III – o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção.
Prisão simples é para contravenções penais e detenção é para crimes menos graves. Para 
se autorizar a interceptação, é preciso crime punível com reclusão, não pode ser contravenção.
São três requisitos, a ausência de qualquer um deles, elimina a possibilidade de intercep-
tação telefônica.
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Obs.: Se, no decorrer da interceptação telefônica, for descoberto um crime punido com de-
tenção, não há problema em emprestar essa prova docrime punido com reclusão 
para o crime punido com detenção quando existirem situações conexas. Mas determi-
nar uma interceptação telefônica para um crime de ameaça, por exemplo, para o qual 
a pena é detenção de 1 a 6 meses ou multa nos termos do art. 147 do Código Penal 
Brasileiro, não é possível.
Um outro exemplo: foi determinada interceptação telefônica para acompanhar a movi-
mentação de uma organização criminosa voltada para a prática de tráfico de drogas e outros 
crimes correlatos, mas, no decorrer da investigação, descobre-se um homicídio doloso qualifi-
cado. Nesse caso, o entendimento é pela aceitação da prova, é o fenômeno da serendipidade, 
que é a coisa achada ao acaso; os agentes públicos estavam realizando a atividade lícita e ,no 
decorrer dessa investigação, foram descobertos crimes punidos com reclusão, que não têm 
uma vinculação direta com o crime investigado, mas a atuação estatal era uma atuação lícita.
Parágrafo único. Em qualquer hipótese deve ser descrita com clareza a situação objeto da investi-
gação, inclusive com a indicação e qualificação dos investigados, salvo impossibilidade manifesta, 
devidamente justificada.
Requisitos – Crime punido com detenção (não admissão)
STJ. É inadmissível a interceptação de comunicações telefônicas quando o fato investigado cons-
tituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção. Contudo, é possível se autorizar 
a quebra do sigilo para apurar crime punível com detenção desde que conexo com outros delitos 
puníveis com reclusão. Precedente.
No caso, no curso da escuta telefônica deferida para a apuração de delito punível exclusivamente 
com detenção, não foram descobertos outros crimes conexos com ele. Passados quase dois anos, 
é que se aventou a possibilidade da existência de uma organização criminosa liderada pelo então 
investigado. (Habeas Corpus n. 186.118 - RS (2010/0176160-2 – 05 junho de 2014).
STJ – Jurisprudência em teses 117: Interceptação Telefônica – I
Os entendimentos foram extraídos de julgados publicados até 07/12/2018
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4) É possível a determinação de interceptações telefônicas com base em denúncia anô-
nima, desde que corroborada por outros elementos que confirmem a necessidade da medida 
excepcional.
5) A interceptação telefônica só será deferida quando não houver outros meios de prova 
disponíveis à época na qual a medida invasiva foi requerida, sendo ônus da defesa demons-
trar violação ao disposto no art. 2º, inciso II, da Lei n. 9.296/1996.
6) É legítima a prova obtida por meio de interceptação telefônica para apuração de delito 
punido com detenção, se conexo com outro crime apenado com reclusão.
SERENDIPIDADE
É a descoberta de crime (notícia da existência – crime achado) ou a descoberta de provas 
e concorrentes, por acaso, fortuitamente durante uma atuação legítima estatal.
STF, Informativo 869. O Colegiado afirmou que a hipótese dos autos é de crime achado, ou seja, 
infração penal desconhecida e não investigada até o momento em que se descobre o delito. A inter-
ceptação telefônica, apesar de investigar tráfico de drogas, acabou por revelar crime de homicídio. 
Assentou que, presentes os requisitos constitucionais e legais, a prova deve ser considerada lícita. 
Ressaltou, ainda, que a interceptação telefônica foi autorizada pela justiça, o crime é apenado com 
reclusão e inexistiu o desvio de finalidade. Essa posição já havia sido adotada em outras ações 
penais, incluindo no Superior Tribunal de Justiça. Cite-se como exemplo o HC 197.044/SP, rel. Min. 
Sebastião Reis Júnior, DJe 23.09.2014 e o HC 187.189/SP, rel. Min. Og Fernandes, DJe 2308.2013.
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���������������������������������������������������������������������������������Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula 
preparada e ministrada pela professora Deusdedy de Oliveira Solano. 
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo 
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu-
siva deste material.

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