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DIREITO PENAL - PARTE GERAL Professor Msc. João de DeusESTRUTURA DO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO atual Código Penal Brasileiro é composto de duas partes: geral (arts. 1° a 120) e especial (arts. 121 a 361). É a parte geral destinada à edição de normas que vão orientar o intérprete quando da verificação da ocorrência, em tese, de determinada infração penal. A parte especial do código, embora contenha normas de conteúdo explicativo, ou mesmo causas que excluam o crime ou isentem o agente de pena, é destinada precipuamente, a definir os delitos e a cominar as penas. (Preceito primário e preceito secundário da norma jurídica).DIREITO PENAL Conceito: é o segmento do ordenamento jurídico que detém a função de selecionar os comportamentos humanos mais graves e perniciosos à sociedade, capazes de colocar em risco valores fundamentais para a convivência social, e descrevê-los como infrações penais, cominando- lhes, em as respectivas sanções, além de estabelecer todas as regras complementares e gerais necessárias à sua correta e justa aplicação.DIREITO PENAL Trata-se de um conjunto de princípios e leis destinados a combater crime e a contravenção penal, mediante a imposição de sanção penal. Alocação na teoria geral do direito? Nomenclatura? Relação com outras ciênciasRelação com os Outros Ramos do Direito Com o Direito Processual Penal Com o Direito Constitucional Com o Direito Administrativo Com o Direito Civil Com o Direito Tributário Com o Direito Internacional Com o Direito AmbientalFinalidades do Direito Penal Proteção de bens jurídicos direito penal vem proteger os bens jurídicos mais importantes necessários para a própria sobrevivência da sociedade Objetiva tutelar os bens que, por serem extremamente valiosos, não do ponto de vista econômico, mas sim político, não podem ser suficientemente protegidos pelos demais ramos do Direito Os valores abrigados pela CF, tais como a liberdade, segurança, o bem- estar social, a igualdade e a justiça, são de tal grandeza que o DP não poderá virar-lhes as costas, servindo a Lei Maior de norte ao legislador na seleção dos bens tidos como fundamentais.Finalidades do Direito Penal Instrumento de Controle Social Ao Direito Penal é reservado o controle social ou a preservação da paz pública, compreendida como a ordem que deve existir em determinada coletividade. Garantia Direito Penal funciona como um escudo aos cidadãos, uma vez que só pode haver punição caso sejam praticados fatos expressamente previstos na legislação penalFinalidades do Direito Penal Motivadora Direito Penal motiva os indivíduos a não violarem suas normas, mediante a ameaça de imposição de pena Simbólica Por vezes Direito Penal produz efeitos apenas na mente dos legisladores e cidadãos.Direito Penal Objetivo e Subjetivo Direito Penal Objetivo - é o conjunto de normas editadas pelo Estado, definindo crimes e contravenções, isto é, impondo ou proibindo determinadas condutas sob a ameaça de sanção ou medida de segurança, bem como todas as outras que cuidem de questões de natureza penal, estejam ou não codificadas. Direito Penal Subjetivo - é a possibilidade que tem o Estado de criar e fazer cumprir suas normas, executando as decisões condenatórias proferidas pelo Judiciário. É PRÓPRIO JUS PUNIENDI. Mesmo nos crimes de ação penal privada, o Estado não transfere o seu jus puniendi ao particular. que este detém é o jus persequendi ou o jus accusationis, ou seja, o direito de vir a juízo e pleitear a condenação de seu agressor, e não o direito de executar, por si só a sentença condenatória.Direito Penal Material e Formal Direito Penal Material - Também conhecido como Direito Penal substantivo. É a totalidade das leis penais em vigor. É o Direito Penal propriamente dito; Direito Penal Formal - Também conhecido como Direito Penal adjetivo. É o grupo de leis processuais penais em vigor. É o Direito Processual penal.Questionário A nomenclatura Direito Penal sempre foi utilizada no Brasil desde império? O Direito Penal é ciência isolada? Existe relação do direito penal (área do Direito Público) com disciplina atinente à área do Direito Privado? Qual é a função primordial do direito penal? O que é Direito Penal Objetivo e Subjetivo? O que é Direito Penal Material e Formal?Fontes do Direito Penal Conceito de fonte: é o lugar de onde se origina alguma coisa, lugar de procedência. Espécies: a) Fontes de produção (Fonte Material): refere-se ao órgão incumbido de sua elaboração. Estado é a única fonte de produção do Direito Penal. artigo 22 da CF/88, em seu inciso I, dispõe que "compete privativamente à União legislar sobre direito penal". b) Fontes de conhecimento (Fonte Formal): refere-se ao modo pelo qual o Direito se exterioriza. Tipos: a) Imediata: a Lei. b) Mediata: costumes e princípios gerais do direito. Doutrina? Jurisprudência?Fontes do Direito Penal Elemento Objetivo Costume : É a reiteração de uma conduta de forma constante e uniforme, por força da convicção de sua obrigatoriedade Elemento Subjetivo Secundum Legem - auxilia o intérprete a esclarecer o conteúdo de elementos ou circunstâncias do tipo penal. Ex: conceito de mulher honesta e ato obsceno; Contra Legem - contrário à lei. Tem o condão de revogá-la? Ex: adultério e jogo do bicho. - Art. 2°, caput, da LICC (atual LINDB). Praeter Legem: supre a lacuna da lei. Somente pode ser utilizado na seara das normas penais não incriminadoras. Ex: circuncisão empregada como rito religioso pelos israelitas.Princípios do Direito Penal PRINCÍPIOS PENAIS EXPRESSOS 1. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE/ RESERVA LEGAL Art. 5°, inciso XXXIX - "não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal". (similar ao art. 1° do Código Penal - CP). # - Diferenças # - E contravenção? # -Prefeito (município) pode criar lei penal? # - Decreto pode criar crime? Medida de Segurança pode ser criada por algum diploma normativo diferente de lei? #- MP pode tratar de direito penal? 2. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE Art. 5°, XXXIX, CF: "XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal". Uma pessoa só pode ser punida se, á época do fato por ela praticado, já estava em vigor a lei que descrevia o delito.3. IRRETROATIVIDADE DA LEI MAIS SEVERA A lei posterior que de qualquer modo vier a prejudicar o agente não terá aplicação retroativa, ou seja, não poderá alcançar fatos ocorridos anteriormente à sua entrada em vigor. art. 5°, XL, CF: lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu" 4. INTRANSCENDÊNCIA DA PENA art. 5°, XLV da CF/88: "nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido." - #- Caso da obrigação civil de reparar o dano? 5. PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA Planos: Legislativo, Judicial e Administrativos Fase: Modalidade da pena a ser aplicada (art.5°,XLVI, CF); Fase: Cominação - atribuição de uma pena a determinado crime de acordo com sua lesividade; Fase: Aplicação da pena ( art. 59 CP).6. PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA/ NÃO CULPABILIDADE "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória" (art. 5°, LVII). # Diferenças 7. PRINCÍPIO DA LIMITAÇÃO DAS PENAS / HUMANIDADE DA PENA Em um Estado de direito democrático, vedam-se a criação, a aplicação ou a execução de pena, bem como de qualquer outra medida que atente contra a dignidade humana. CF, art. 5°: XLVII - não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis; XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;PRINCÍPIOS PENAIS 8. PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA Direito Penal só deve preocupar-se com os bens mais importantes e necessários à vida em sociedade. # - Crime de adultério # - Do Princípio da Intervenção mínima originam-se dois outros princípios penais: - Princípio da Fragmentariedade- no plano abstrato. - Princípio da Subsidiariedade - no plano concreto; 9. PRINCÍPIO DA FRAGMENTARIDADE De toda a gama de ações proibidas e bens jurídicos protegidos pelo ordenamento jurídico, o Direito penal só se ocupa de uma parte, de fragmentos, embora da maior importância. 10. PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE Direito Penal deve ser utilizado de forma subsidiária em relação aos demais ramos do direito. Se denomina a pena como ultima ratio da política social. Ex: necessidade de punir o emissor de cheque sem provisão de fundos.11. PRINCÍPIO DA LESIVIDADE / OFENSIVIDADE e ALTERIDADE "Só pode ser castigado aquele comportamento que lesione direitos de outras pessoas e que não seja simplesmente um comportamento pecaminoso ou imoral". (Roxin) # Não se pune a atitude meramente interna do agente. #Ninguém pode ser punido por causar mal a si próprio. # Questão da quadrilha ou bando (art. 288, CP). "Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes." # Questão do art. 25, LCP. "Ter alguém em seu poder, depois de condenado, por crime de furto ou roubo, ou enquanto sujeito à liberdade vigiada ou quando conhecido como vadio ou mendigo, gazuas, chaves falsas ou alteradas ou instrumentos empregados usualmente na prática de crime de furto, desde que não prove destinação legítima". # Usar droga é crime? 12. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE Exige que se faça um juízo de ponderação sobre a relação existente entre o bem que é lesionado ou posto em perigo (gravidade do fato) e o bem de que pode alguém ser privado (gravidade da pena). # Equilíbrio entre pena e reprovabilidade da conduta. # Questão do homicídio culposo (art. 121, CP) e injúria preconceituosa (art. 140, CP).13. PRINCÍPIO DA Tem por finalidade auxiliar o intérprete quando da análise do tipo penal, para fazer excluir do âmbito de incidência da lei aquelas situações consideradas como de bagatela. (Roxin) 14. PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL "Apesar de uma conduta se subsumir ao modelo legal, não será considerada típica se for socialmente adequada ou reconhecida, isto é, se estiver de acordo com a ordem social da vida historicamente condicionada." ( Hans Welzen) "O comportamento humano, embora tipificado em lei, não afronta o sentimento social de Justiça". # Questão dos trotes moderados nas universidades. # Questão dos camelôs (descaminho) e do jogo do bicho. 15.PRINCÍPIO DO NE BIS IN IDEM Ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo fato. princípio possui duplo significado: 1- Penal material: ninguém pode sofrer duas penas em face do mesmo crime; 2- Processual: ninguém pode ser processado e julgado duas vezes pelo mesmo fato. # Súmula 241 do STJ: "A reincidência penal não pode ser considerada como circunstância agravante e, simultaneamente, como circunstância judicial." # Questão das ações em searas diversas. # Questão da quadrilha armada (art. 288, §único): "A pena aplica-se em dobro, se a quadrilha ou bando é armado."Questionamentos Qual o conceito de fonte para o direito penal? Doutrina e jurisprudência também são fontes formais de direito penal? Quais são os três tipos de costumes existentes? Qual espécie normativa pode criar crimes e cominar penas? Pode haver retroatividade de lei penal? Que princípio penal sustenta a seguinte afirmativa: "Usar droga não é crime!"? No que consiste o princípio do "ne bis in idem"?Das Normas Penais 1. Introdução ( art. XXXIX, da CF/88) : "não há crime sem lei anterior que o defina nem pena sem prévia cominação legal". 2. Classificação das Normas Penais: 2.1- Normas penais incriminadoras Existem duas espécies de preceitos: I. Preceito Primário (faz a descrição detalhada e perfeita de uma conduta que se procura proibir ou impor); II. Preceito Secundário (individualiza a pena, cominando-a em abstrato). 2.2- Normas penais não incriminadoras. Podem ser: I. Permissivas (art. 23, 24, 25, 26, "caput", do CP); II. Explicativas (art. 327, 150 CP) III. Complementares - fornece princípios gerais (art. 59, CP)2.3- Normas Penais em Branco Se dividem em dois grupos: I. Normas Penais em Branco Homogêneas (ou em sentido amplo). Ex: Lei complementando lei (art. 237, CP) ; II. Normas Penais em Branco Heterogêneas (ou em sentido estrito). Ex: Regulamento complementando lei. # Não há violação do princípio da reserva legal? 2.4- Normas penais incompletas ou imperfeitas (em branco inversa). Obs.: Enquanto a norma penal em branco é formalmente deficiente em seu preceito primário, a norma penal incompleta ou imperfeita é deficiente em seu preceito secundário.3- Concurso ( ou Conflito) Aparente de Normas Penais. Requisitos: unidade de condutas, pluralidade de normas, vigência contemporânea das normas. Princípios responsáveis pela solução do conflito: a) Princípio da Especialidade (Ex: art. 121 e 123 do CP); b) Princípio da Subsidiariedade (Ex: art. 132, 238, 307 do CP; 311 do CTB) # Diferenças: 1) o princípio do especialidade se dá de forma abstrata, o da subsidiariedade se dá no caso concreto; 2) na especialidade, uma norma é gênero e a outra é espécie; já na subsidiariedade, não há essa relação; 3) na especialidade, sempre será aplicada a pena da norma especial, ainda que mais grave, na subsidiariedade a pena sempre será mais branda; c) Princípio da Consunção; #antefato e pós-fato impuníveis d) Princípio da Alternatividade (Ex: art. 33, Lei 11343/06 e art. 14, Lei 10826/03).APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO E NO ESPAÇO PRINCÍPIO DA EXTRA-ATIVIDADE DA LEI PENAL 1. Introdução: Art. 5°, XL- lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu." - Ultra-atividade e retroatividade - retroatividade in pejus e retroatividade in melius 2. Tempo do crime: - Teorias: a)teoria da atividade b)teoria do resultado c)teoria mista ou da CP, Art. Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado. 3. Novatio legis in mellius e Novatio legis in pejus CP- art. 2°, Parágrafo único. A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.3.1 Aplicação da Novatio Legis In Pejus nos Crimes Permanentes e Continuados - Crime Permanente - Crime Continuado Súmula 711, do STF: a lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. 4. Abolitio Criminis CP, art. Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. 4.1- Efeitos da abolitio criminis: faz cessar todos os efeitos PENAIS da sentença condenatória, SUBSISTINDO os EFEITOS CIVIS. 5. Sucessão de Leis no Tempo 5.1- Lei Intermediária 5.2- Leis Temporárias ou Excepcionais CP, Art. A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.6. Combinação de Leis - corrente - impossibilidade corrente - possibilidade PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE 1. Lugar do Crime CP, Art. Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. - Teorias: a)teoria da atividade b)teoria do resultado c)teoria mista, ou da 2. Territorialidade CP, art. 5°, e Brasil adotou a teoria temperada: o Estado pode abrir mão de sua jurisdição em atendimento a convenções, tratados e regras de direito internacional.Território Brasileiro Art. 5° - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional. (Redação dada pela Lei n° 7.209, de 1984) Compreende: I) o espaço territorial delimitado pelas fronteiras, sem solução de continuidade, inclusive rios, lagos, mares interiores, ilhas, bem como respectivo subsolo; II) mar territorial, ou marginal, que corre ao longo da costa como parte integrante do território brasileiro e que tem faixa de 12 milhas marítimas de largura, medidas a partir da baixa-mar do litoral continental e insular brasileiro; III) o espaço aéreo, compreendido como a dimensão estatal da altitude; IV) rios e lagos internacionais, que são aqueles que atravessam mais de um Estado.Território Brasileiro por Extensão § 1° - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. (Redação dada pela Lei n° 7.209, de 1984) § É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil. (Redação dada pela Lei n° 7.209, de 1984)PRINCÍPIO DA EXTRATERRITORIALIDADE - 1.Introdução: - Se preocupa com a aplicação da lei brasileira fora dos limites territoriais do país, ou seja, às infrações penais cometidas além de nossas fronteiras, em países estrangeiros. - 2. Extraterritorialidade pode ser: - a) incondicionada (inciso I do art. - b)condicionada (inciso II, do 3. Princípio da Defesa ou Princípio da Personalidade Passiva Dispõe o art. que: § A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se reunidas às condições previstas no parágrafo anterior: a) não foi pedida ou foi negada a extradição; b) houve requisição do Ministro da Justiça.DISPOSIÇÕES SOBRE A APLICAÇÃO DA LEI PENAL 1. Eficácia da Sentença Estrangeira "Para combater com maior eficiência, dentro de suas fronteiras, a prática de fatos criminosos, o Estado se vale, por exceção, de atos de soberania de outros Estados, aos quais atribui certos e determinados efeitos. Para tanto, homologa a sentença penal estrangeira, de modo a torná-la um verdadeiro título executivo nacional, ou independentemente de prévia homologação, dá-lhe o caráter de fato jurídico relevante". (Alberto Silva Franco) art.9° do CP cuida do tema relativo à eficácia da sentença estrangeira: "A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as mesmas pode ser homologada no Brasil para: - obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis; // - sujeitá-lo à medida de segurança. Parágrafo único. A homologação depende: a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada; b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com país de cuja autoridade judiciária emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro da Justiça." EC 45/2004 - art. 105, - homologação de sentença estrangeira.2. Contagem de Prazo No artigo 798, do CPP: "Art. 798. Todos os prazos correrão em cartório e serão contínuos e peremptórios, não se interrompendo por férias, domingo ou dia feriado. § 1°. Não se computará no prazo o dia do começo, incluindo-se, porém, o do vencimento." Já no art. 10, do Código Penal, vem a seguinte redação: "Art. 10. o dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum." PRAZO PROCESSUAL PENAL - diz respeito ao normal andamento do processo; PRAZO PENAL - diz respeito diretamente ao direito de liberdade dos cidadãos. 3. Frações não Computáveis na Pena Art. 11, CPB: "Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos, as frações de dia, e, na pena de multa, as frações de cruzeiro".4. Legislação Especial Diz o artigo 12, do CP: "Art. 12. As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados por lei especial, se esta não dispuser de modo diverso." Ex: Punição da tentativa - CPB X LCP. Art. 14, parágrafo único, CPB: "Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços". Art. LCP: "Não é punível a tentativa de contravenção".Questionamentos O que é preceito primário e secundário? que é uma norma penal não incriminadora permissiva? O que é norma penal em branco homogênea e heterogênea? Qual a diferença entre norma penal em branco e norma penal incompleta? No que consiste o princípio da especialidade para a resolução de conflito aparente de normas? Em se tratando de tempo e lugar do crime, quais foram as teorias adotadas pelo Código Penal? Um crime ocorrido em um navio mercante brasileiro pode ser punido por leis estrangeiras? Como se dá a contagem do prazo em direito penal?CONCEITO E EVOLUÇÃO DA TEORIA DO CRIME 1. Noções Fundamentais: é a parte do direito penal que se ocupa de explicar o que é o delito em geral, quer dizer, quais são as características que devem ter qualquer delito. 2. Infração Penal Crime/Delito X Contravenção Art. 1° LICP: "Considera-se crime a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; contravenção, a infração penal a que a lei comina, isoladamente, pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente." 3. Conceito de Crime crime pode apresentar três conceitos diferentes: a) conceito formal - todo fato humano proibido pelas leis penais. b) material - conduta que viola bens jurídicos mais importantes. c)conceito analítico - fato típico, ilícito e culpável.CONCEITO ANALÍTICO - crime é ação típica (tipicidade), antijurídica ou ilícita (ilicitude) e culpável (culpabilidade). Ao invés de considerarmos o crime como sendo AÇÃO típica, consideremos como sendo na verdade um FATO típico, que englobará: a) a conduta do agente, b) o resultado dela advindo e c) o nexo de causalidade entre um e outro. CRIME FATO TÍPICO ANTIJURÍDICO CULPÁVEL Conduta (dolosa/culposa, Obs.: Quando o agente não atua Imputabilidade; em: Potencial consciência Resultado; sobre a ilicitude do fato; Nexo de causalidade; Estado de necessidade; Exigibilidade de conduta Tipicidade (formal e Legítima defesa; diversa. conglobante). Estrito cumprimento de dever legal; Exercício regular de direito. Quando não houver o consentimento do ofendido como causa supralegal de exclusão da ilicitude.4.1. Para uma visão finalista, o fato típico é composto: a)conduta (dolosa/culposa, omissiva/comissiva) b)resultado (nos crimes materiais) c)nexo de causalidade entre a conduta e o resultado d)tipicidade (formal e conglobante ) 4.2 A licitude é encontrada por exclusão, ou seja, a ação só será lícita se o agente tiver atuado sob o amparo de uma das quatro causas excludentes da ilicitude do Código Penal (artigo 23): a)legítima defesa b)estado de necessidade c)estrito cumprimento de dever legal d) )exercício regular de direito # Consentimento do ofendido é causa supralegal de exclusão de ilicitude? 4.3. De acordo com a concepção finalista , integram a culpabilidade: a) imputabilidade; b)potencial conhecimento da ilicitude do fato; c)exigibilidade de conduta diversa.CONDUTA 1. INTRODUÇÃO: Conduta é ação humana por excelência, entretanto, a CF expressamente permitiu a punição penal da pessoa jurídica por ter ela própria praticado uma atividade lesiva ao meio ambiente. CONCEITOS DE CONDUTA Teoria Causalista (Liszt, Beling e Radbruch) - Comportamento humano voluntário que produz modificação no mundo exterior. # Ciências naturais # Fotografia do evento # Dolo e culpa se situavam na culpabilidade # Crítica em relação ao crime omissivo Teoria Finalista (Welzel) - Comportamento humano, consciente e voluntário, dirigido a um fim. # Concepção de homem como ser livre e responsável pelos seus atos # Dolo e culpa migram para o fato típico # Crítica em relação ao crime culposo (resposta - meio por ele escolhido)Teoria Social (Wessels) Comportamento humano com transcendência social. # Não exclui os conceitos causal e finalista. 2. CONDUTAS DOLOSAS E CULPOSAS DOLOSA - ocorre quando o agente quer diretamente o resultado ou assume o risco de produzi- lo; CULPOSA - ocorre quando o agente dá causa ao resultado em virtude de sua imprudência, imperícia ou negligência. # Via de regra, os crimes só podem ser dolosos, sendo culposos apenas quando houver previsão legal expressa. Art. 18, , parágrafo único do CPB. 3. CONDUTAS COMISSIVAS E OMISSIVAS A conduta pode se traduzir por meio de uma ação (conduta comissiva ou positiva) ou de uma omissão (conduta omissiva ou negativa).3.1. Os Crimes Omissivos dividem-se: CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS (puros ou simples) - são objetivamente descritos no tipo com uma conduta negativa, de não fazer o que a lei determina, consistindo a omissão na transgressão da norma jurídica e não sendo necessário qualquer resultado naturalístico (são portanto delitos formais). CRIMES OMISSIVOS IMPRÓPRIOS (comissivos por omissão ou omissivos qualificados)- somente as pessoas referidas no do artigo 13, do CP, podem praticá-los, pois existe o chamado dever especial de proteção. Nesses crimes, o agente deve encontrar-se numa posição de garante ou garantidor, que pode ocorrer de três formas distintas: 1. Deve ter a obrigação legal de cuidado, proteção ou vigilância; 2. De outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; 3. Com o seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. 4. AUSÊNCIA DE CONDUTA Se não houver vontade dirigida à produção de um resultado qualquer, não haverá conduta. Ocorre nos casos de: a)força irresistível (seja proveniente da natureza ou da ação de um terceiro); b)movimentos reflexos (só excluem a conduta quando absolutamente imprevisíveis); c)estados de inconsciência. # Teoria da actio libera in causa5. FASES DE REALIZAÇÃO DA AÇÃO A ação possui sempre duas fases: a interna e a externa. A interna ocorre na esfera do pensamento, e percorre os seguintes pontos: a)representação e antecipação mental do resultado a ser alcançado; b)escolha dos meios a serem utilizados; c)consideração dos efeitos colaterais ou concomitantes à utilização dos meios escolhidos. Na fase externa o agente somente exterioriza tudo aquilo que havia arquitetado mentalmente. # Exceção à regra de impossibilidade de punição dos atos preparatórios, art.288 CPB: "Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para fim de cometer crimes".TIPO PENAL 1. CONCEITO Tipo penal é um instrumento legal, logicamente necessário e de natureza predominantemente descritiva, que tem por função a individualização de condutas humanas penalmente relevantes. (Zaffaroni) 2. TIPICIDADE PENAL = TIPICIDADE FORMAL + TIPICIDADE CONGLOBANTE Tipicidade é a perfeita subsunção da conduta praticada pelo agente ao modelo abstrato previsto na lei penal, a um tipo penal incriminador. Tipicidade FORMAL, ou tipicidade LEGAL: é a adequação de um fato cometido à descrição que dele se faz na lei penal. Para que ocorra a tipicidade conglobante é necessário que: a)a conduta do agente seja antinormativa; b)que haja tipicidade material, ou seja, que ocorra um critério material de seleção do bem a ser protegido. # Princípio da insignificância - "Não há crime se a lesão ao bem jurídico alheio for pequena, insignificante e irrelevante. Nestes casos o fato será ATÍPICO"3. ADEQUAÇÃO TÍPICA ou TIPICIDADE FORMAL Existem duas formas de adequação típica: 1. SUBORDINAÇÃO IMEDIATA OU DIRETA - ocorrerá quando houver perfeita adequação entre a conduta do agente e o tipo penal incriminador. 2. SUBORDINAÇÃO MEDIATA OU INDIRETA - ocorrerá quando o agente, embora atue com vontade de praticar a conduta proibida por determinado tipo incriminador, seu comportamento não consiga se adequar diretamente à figura típica. 4. FASES DA EVOLUÇÃO DO TIPO Independência do tipo - "concebido como descrição pura, sendo os fatos típicos conhecidos independentemente de juízos de valor" Indiciária da ilicitude (ratio cognoscendi) - "a tipicidade opera como um indício da antijuridicidade, como um desvalor provisório" Razão de ser da ilicitude (ratio essendi) - "a tipicidade é a própria razão de ser da ilicitude" 5. INJUSTO PENAL (INJUSTO TÍPICO) Injusto penal: processa-se no instante em que o julgador considera que o agente realizou uma conduta típica e antijurídica. INJUSTO PENAL = ANTIJURIDICIDADE + TIPICIDADE6. TIPOS Básicos e derivados Fechados e abertos Simples e misto (alternativo e cumulativo) 7. ELEMENTOS ESPECÍFICOS DOS TIPOS PENAIS # Elementar - dados essenciais à figura típica. Elementos encontrados em todos os tipos penais: Núcleo - uninucleares/ plurinuclerares; sujeito ativo - decorre o crime comum/ crime próprio; sujeito passivo - formal/ material; objeto material. 8. FUNÇÕES DO TIPO tipo penal tem, basicamente, três funções distintas: a) Função de garantia (ou garantidora) : é lícito fazer tudo o que não for proibido pela lei penal - princípio da autonomia da vontade; b) Função fundamentadora - o Estado, por meio do tipo penal, fundamenta suas decisões, fazendo valer o seu puniendi; c) Função selecionadora de condutas - o tipo seleciona as condutas que deverão ser proibidas ou impostas pela lei penal, sob a ameaça de sanção.TIPO DOLOSO Art. 18. Diz-se o crime: - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo; 1. Conceito de Dolo. Dolo é a vontade livre e consciente de realizar a conduta prevista no tipo penal incriminador. dolo possui dois momentos, sendo um intelectual (consciência) e um volitivo (vontade). # Caso do caçador (erro de tipo) # Caso da coação física 2. o Dolo no Código Penal parágrafo único do artigo 18 do CP dispõe que: "Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente." A regra é que todo crime seja doloso, só podendo ser punido o crime culposo quando houver previsão legal expressa.3. Teorias do Dolo dolo possui 4 teorias que o explicam: a) Teoria da vontade - vontade livre e consciente de querer praticar a infração penal. b) Teoria do assentimento - o agente não quer o resultado diretamente, mas o entende como possível e o aceita. c) Teoria da representação - o agente tem uma previsão do resultado e, ainda assim, decide continuar. d) Teoria da probabilidade - o sujeito considera provável a produção do resultado (dados estatísticos). # Teorias adotadas pelo CPB 4. Espécies de Dolo Dolo direto 1. De primeiro grau 2. De segundo grau Dolo indireto 1. Alternativo 1.1.Objetivo - refere-se ao resultado 1.2. Subjetivo - refere-se ao sujeito passivo 2. EventualDOLO GERAL - "quando o autor acredita haver consumado o delito quando na realidade o resultado somente se produz por uma ação posterior, com a qual buscava encobrir o fato" DOLO GENÉRICO E DOLO ESPECÍFICO DOLO SUBSEQUENTETIPO CULPOSO Art. 18. Diz-se o crime: - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. 1. Conceito e Elementos do Delito Culposo "Delito culposo é a conduta humana voluntária (ação ou omissão) que produz resultado antijurídico não querido, mas previsível, e excepcionalmente previsto, que podia, com a devida atenção, ser evitado". (Mirabete) Elementos do delito culposo: a) Conduta humana voluntária, seja ela comissiva ou omissiva; b) Inobservância de um dever objetivo de cuidado (negligência, imprudência ou imperícia); c) Resultado lesivo não querido nem assumido pelo agente; d) Nexo de causalidade entre a conduta do agente que deixa de observar o seu dever de cuidado e o resultado lesivo dela advindo; e) Previsibilidade; f) Tipicidade.3. Imprudência, Imperícia e Negligência # Pelo fato de haver em todo delito culposo uma inobservância a um dever geral de cuidado, parte da Doutrina refere-se aos delitos culposos como "direito penal da negligência". 4. Crime Culposo e Tipo Aberto # Os crimes culposos, por sua natureza, são considerados tipos penais abertos. Isto porque não existe uma definição precisa no texto legal para que se possa adequar a conduta do agente ao modelo abstrato previsto na lei. 5. Culpa Consciente e Culpa Inconsciente #A culpa inconsciente, ou culpa comum, é a culpa sem previsão. A culpa consciente é a culpa com previsão. 6. Diferença entre Culpa Consciente e Dolo Eventual Enquanto na culpa consciente o agente efetivamente não quer produzir o resultado, no dolo eventual, embora também não queira produzi-lo, não se importa com sua ocorrência ou não. Palavras-chave: culpa consciente: SUPERCONFIANÇA; dolo eventual: INDIFERENÇA.7. Culpa Imprópria Art. 20, §1° do CP: "É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo." Se o erro em que o agente incorreu era inevitável, aplicar-se-á a primeira parte do em destaque, e o agente estará isento de pena. Se o erro em que o agente incorreu era evitável, aplicar-se-á a segunda parte do o agente poderá responder pelo crime a título de culpa, se admitida esta modalidade. 8. Compensação e Concorrência de Culpas Concorrência de culpas : dois agentes, ambos agindo de forma culposa (em qualquer de suas modalidades), causam danos reciprocamente. Não se admite, no direito penal, a compensação de culpas.9. Tentativa nos Delitos Culposos Doutrina admite . Ex: culpa imprópria

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