Prévia do material em texto
Intercorrências Obstétricas Profª. Enf. Pollianne Correia INTRODUÇÃO � O pré-natal representa uma janela de oportunidade para que o sistema de saúde atue integralmente na promoção e, muitas vezes, na recuperação da saúde das mulheres. Dessa forma, a atenção prestada deve ser qualificada, humanizada e hierarquizada de acordo com o risco gestacional. � Para isso, é fundamental a compreensão, por parte dos profissionais envolvidos no processo assistencial, da importância de sua atuação e da necessidade de aliarem o conhecimento técnico específico ao compromisso com um resultado satisfatório da atenção para o binômio materno-fetal. INTRODUÇÃO � Para isso, é fundamental a compreensão, por parte dos profissionais envolvidos no processo assistencial, da importância de sua atuação e da necessidade de aliarem o conhecimento técnico específico ao compromisso com um resultado satisfatório da atenção para o binômio materno-fetal. INTRODUÇÃO � A organização dos processos de atenção durante o pré-natal, que inclui a estratificação de risco obstétrico, é um dos fatores determinantes para a redução da mortalidade materna. � O objetivo da estratificação de risco é predizer quais mulheres têm maior probabilidade de apresentar eventos adversos à saúde. Tais predições podem ser usadas para otimizar os recursos em busca de equidade no cuidado de maneira que se ofereça a tecnologia necessária para quem precisa dela. INTRODUÇÃO � Essa identificação de risco deverá ser iniciada na primeira consulta de pré-natal e deverá ser dinâmica e contínua, sendo revista a cada consulta. As gestantes em situações de alto risco exigirão, além do suporte no seu território, cuidados de equipe de saúde especializada e multiprofissional, eventualmente até em serviço de referência secundário ou terciário com instalações neonatais que ofereçam cuidados específicos. INTRODUÇÃO � Situações clínicas de urgência/emergência obstétrica que devem ser avaliadas em contexto hospitalar: - Vômitos incoercíveis não responsivos ao tratamento. - Anemia grave (Hb ≤7 g/dL). - Condições clínicas de emergência: cefaleia intensa e súbita, sinais neurológicos, crise aguda de asma, edema agudo de pulmão. - Crise hipertensiva (PA ≥160/110 mmHg). - Sinais premonitórios de eclâmpsia (escotomas cintilantes, cefaleia típica occipital, epigastralgia ou dor intensa no hipocôndrio direito com ou sem hipertensão arterial grave e/ou proteinúria). INTRODUÇÃO - Eclâmpsia/convulsões. - Hipertermia (Temperatura axilar ≥37,8°C), na ausência de sinais ou sintomas clínicos de infecção das vias aéreas superiores. - Suspeita de trombose venosa profunda. - Suspeita/diagnóstico de abdome agudo. - Suspeita/diagnóstico de pielonefrite, infecção ovular ou outra infecção que necessite de internação hospitalar. - Prurido gestacional/icterícia. - Hemorragias na gestação (incluindo descolamento prematuro de placenta, placenta prévia). - Idade gestacional de 41 semanas ou mais. MORTALIDADE MATERNA � A Organização das Nações Unidas (ONU), em 2015, estabeleceu os novos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS), construídos a partir dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O terceiro objetivo visa assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, incluindo a melhora na saúde materna e a redução da razão de mortalidade materna (RMM) global para menos de 70 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030. MORTALIDADE MATERNA � A morte materna é definida como óbito de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação, independente da duração ou da localização da gravidez, devida à qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez ou por medidas em relação à ela, porém não devida a causas acidentais ou incidentais. � Distúrbios hipertensivos da gravidez, hemorragia, infecções, complicações no parto e abortamento inseguro são as principais causas de morte materna e representam aproximadamente 75% do total de óbitos maternos no mundo. MORTALIDADE MATERNA INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Síndromes hipertensivas na gestação: A despeito do aumento acentuado do volume sanguíneo e do débito cardíaco, há redução da pressão arterial, em virtude do decréscimo da resistência vascular periférica. A pressão arterial sistólica e a diastólica estão diminuídas de 5 a 10 mmHg no 2 o trimestre, atingindo valores médios de 105/60 mmHg. No 3 o trimestre, a pressão se eleva e se normaliza no termo. A aferição precisa da pressão diastólica é fundamental para caracterizar os distúrbios hipertensivos da gravidez. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Síndromes hipertensivas na gestação: • HAS crônica: HAS registrada antes da gestação, no período que precede a 20ª semana de gravidez ou além de 12 semanas depois do parto. • Hipertensão gestacional: HAS detectada depois da 20ª semana, sem proteinúria,→ chamada de “transitória” (quando ocorre normalização depois do parto) ou “crônica” (quando persistir a hipertensão). INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Síndromes hipertensivas na gestação: • Pré-eclâmpsia: Aparecimento de HAS e proteinúria (> 300 mg/24h) depois da 20ª semana de gestação em mulheres previamente normotensas. • Pré-eclâmpsia superposta à HAS crônica: Elevação aguda da pressão arterial se agregam proteinúria, trombocitopenia (queda do número de plaquetas) ou anormalidades da função hepática, em gestantes portadoras de HAS crônica com idade gestacional superior a 20 semanas. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Síndromes hipertensivas na gestação: • Eclâmpsia: Pré-eclâmpsia complicada por CONVULSÕES que não podem ser atribuídas a outras causas. É importante ficarmos atentos à definição de pré-eclâmpsia, pois a presença da proteinúria é dispensável no diagnóstico da pré-eclâmpsia se a paciente já apresentar níveis pressóricos que caracterizem comprometimento de órgãos-alvo (FEBRASGO, 2018; AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS, 2013). INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Síndrome HELP (características): • Complicação grave de 4% a 12% de gestantes com pré- eclâmpsia ou eclampsia; • Se relaciona ao aumento dos índices de morbiletalidade materno-fetal; • Sintomas: mal-estar, epigastralgia ou dor no hipocôndrio direito, náuseas, vômitos, perda de apetite e cefaleia; • Embora acompanhe outras doenças, a síndrome Hellp em Obstetrícia é considerada como agravamento do quadro de pré-eclâmpsia. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Prevenção das convulsões com sulfato de magnésio: • Conforme disposições atualizadas do Protocolo da Atenção Básica: Saúde das Mulheres (2016), deve-se administrar dose de ataque de 4g por via intravenosa seguida de dose de manutenção de 2g/hora individualizada de acordo com a gestante. Monitorar reflexos patelares e débito urinário. • Cerca de 10% das mulheres com eclâmpsia têm recorrência das convulsões; se as convulsões não cederem com a administração de sulfato de magnésio, está indicado o amobarbital de sódio (250 mg IV, em 3 a 5 min) ou o diazepam, em infusão venosa (10 mg/h). INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Tratamento da HA em gestantes: • Define-se como hipertensão arterial quando a pressão arterial sistólica atinge valor ≥ 140 mmHg e/ou a pressão arterial diastólica atinge valor ≥ 90 mmHg, em duas medidas com intervalo de pelo menos quatro horas; • No entanto em gestante quando há o aumento de 3mmhg na pressão sistólica e 1,5 mmhg na pressão diastólica significa que a paciente está com hipertensão. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Tratamento da HA em gestantes: • A metildopa é a droga preferida por ser a mais bem estudada e por não haver evidência de efeitos deletérios para o feto (750-2.000 mg/ dia); • Outros antagonistas de canais de cálcio (ACC), como nifedipino (10- 80 mg/dia), podem ser considerados como alternativas; INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Tratamento da HA em gestantes: • Os betabloqueadores são considerados seguros na gravidez, embora se atribua a eles redução no crescimento fetal. • Por seus efeitos danosos ao feto, os inibidores da enzima de conversãoda angiotensina (IECA), como captopril, e antagonistas da angiotensina II, como losartana, devem ser substituídos. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Situações Hemorrágicas na Gravidez • Deslocamento prematuro da placenta; • Placenta prévia. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS Descolamento Prematuro da Placenta X Placenta Prévia: INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS Placenta Prévia: Consiste na implantação da placenta e seu desenvolvimento no segmento inferior do útero, situando-se antes da apresentação. Sua incidência vem aumentando em conseqüência do aumento de partos operatórios. O diagnóstico feito precocemente (antes de 20 semanas) pode ser modificado com o tempo pela alta probabilidade de "migração placentária". INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS Placenta Prévia: Classificação: - Centro-total: a placenta oclui totalmente o orifício cervical interno; - Centro-parcial: a placenta cobre parcialmente o orifício cervical interno; - Marginal: a placenta alcança somente a borda do orifício cervical interno. - Lateral ou baixa: Implantação no segmento inferior, sem atingir o orifício interno Fonte: Nomura, 2021. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS Quadro clínico: Geralmente pautado pela presença de sangramento vermelho vivo, de início e cessar súbitos, indolor, imotivado, reincidente e progressivo. O sangramento ocorre, mais frequentemente, na segunda metade da gestação, na ausência de contrações uterinas. Quanto mais recente o sangramento, maior a chance de parto prematuro com aumento da mortalidade perinatal e necessidade de transfusão sanguínea. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS Quadro clínico: Em 10% a 20% dos casos, pode apresentar contrações uterinas, sangramento vaginal e dor, quadro que se confunde com o descolamento prematuro da placenta. Em muitos casos, a placenta prévia é diagnosticada durante o pré-natal, no exame de ultrassonografia solicitado na rotina. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS Quadro clínico: Ao exame obstétrico, via de regra, apura-se útero de consistência normal e indolor, apresentando tônus normal e batimentos cardíacos fetais preservados. As condições fetais não se deterioram, a não ser que a hemorragia seja grave e ocorra o choque hipovolêmico. É frequente haver apresentações anômalas. O exame especular revela sangramento variável proveniente do orifício do colo uterino ou acumulado na vagina. Não se deve proceder com o exame de toque vaginal, pelo risco de agravamento no quadro hemorrágico. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS Diagnóstico: A ultrassonografia transvaginal é considerada o padrão-ouro para confirmação diagnóstica. O diagnóstico diferencial principal é com o descolamento prematuro da placenta normalmente inserida. A ultrassonografia transvaginal permite verificar melhor a localização placentária e sua relação com o orifício interno do colo uterino. Pela via transabdominal, é necessária a repleção vesical parcial para uma boa avaliação do segmento inferior. Outros diagnósticos diferenciais incluem vasa previa, ruptura do seio marginal e patologias cervicais, como pólipos, ectrópios sangrantes e tumores. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS Diagnóstico: O sangramento é seu principal sintoma, podendo ser repetitivo, progressivo, de maior gravidade em cada novo episódio e indolor. • Lembrar que placentas prévias aderidas ao miométrio (acretas) podem não sangrar, não sendo, por isso, menos graves. • Placentas acretas em grande profundidade miometrial (incretas e percretas) podem evoluir com rotura uterina, a qual pode ocorrer em qualquer período da gravidez, inclusive no primeiro trimestre. A hemorragia decorrente dessas roturas pode ser fatal. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS Todas as pacientes com sangramento da segunda metade da gravidez têm indicação de internação para avaliação materna e fetal. Em gestações longe do termo, em que não se espera maturidade fetal, é indicada a conduta expectante, afastados os demais elementos que indicam a resolução imediata. Recomenda-se manter repouso no leito até que a hemorragia seja estabilizada, com cessação do sangramento por seis horas. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS A avaliação do bem-estar fetal é obrigatória, pois a anemia materna pode promover a hipóxia fetal. A avaliação laboratorial inclui tipagem sanguínea, hemograma completo e coagulograma. Pode haver a necessidade de transfusão sanguínea, principalmente quando a hemoglobina materna for inferior a 8,0 g/dL. A ultrassonografia confirma o diagnóstico, avalia a idade gestacional e possibilita a estimativa do peso fetal. Nas gestações abaixo de 34 semanas, a corticoterapia para acelerar a maturidade pulmonar fetal é indicada. Não há evidência que justifique o uso da tocólise em casos de placenta prévia. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS Descolamento prematuro de placenta: O descolamento prematuro de placenta normalmente inserida (DPPNI) representa uma das principais emergências obstétricas hemorrágicas, sendo mundialmente reconhecida como uma situação ameaçadora à vida e com capacidade de evolução rápida para situações de near miss, assim como para óbitos materno e fetal. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � É definido pelo descolamento parcial ou completo da placenta, normalmente inserida de forma inopinada, intempestiva e prematura no corpo do útero, após a 20ª semana de gestação, e pode complicar até 1% das gestações. Sua etiologia ainda resta pouco esclarecida, e sua ocorrência é praticamente restrita à segunda metade da gravidez. É frequente a associação de fatores como idade materna avançada, multiparidade, distúrbios hipertensivos, rotura prematura das membranas, hábito de fumar, presença de trombofilias, usuários de cocaína e DPP prévio. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Diagnóstico: Segue sendo fundamentalmente clínico, embora achados de exames complementares possam ser utilizados como apoio em casos selecionados cujas manifestações clínicas não se façam presentes. Na presença de achados clínicos compatíveis, sua solicitação não deve retardar a abordagem terapêutica. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Os sinais e sintomas mais comumente relacionados ao DPPNI incluem dor abdominal de início súbito, sangramento vaginal caracteristicamente escurecido, hipersensibilidade à palpação uterina, hipertonia uterina e alterações na vitalidade fetal. Importante salientar que não há correlação entre o volume de sangue externado e o acometimento fetal, uma vez que um em cada cinco casos pode simplesmente não manifestar sangramento vaginal INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Descolamento Prematuro da Placenta (DPP): • Separação da placenta ≥ 20 semanas; • Sangramento vermelho escuro com coágulos; • Dor; • hipertonia; • Sinais de choque; • sofrimento fetal agudo. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Hemorragia pós-parto: • Hemorragia pós-parto: Perda sanguínea acima de 500 mL após parto vaginal ou acima de 1000 mL após parto cesariana nas primeiras 24 horas OU qualquer perda de sangue pelo trato genital capaz de causar instabilidade hemodinâmica. • Hemorragia pós-parto maciça: Sangramento nas primeiras 24 horas após o parto (por qualquer via) superior a 2000 mL OU que necessite da transfusão mínima de 1200 mL (4 unidades) de concentrado de hemácias OU que resulte na queda de hemoglobina ≥ 4g/dL OU em distúrbio de coagulação INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Hemorragia pós-parto: • Causas da hemorragia pós-parto O mnemônico dos “4 Ts” destaca as quatro principais causas de Hemorragia pós-parto. Em algumas situações mais de um fator pode estar causando a hemorragia. Além disso, sangramentos uterinos anormais, especialmente no puerpério tardio, devem remeter à possibilidade de doença trofoblástica gestacional. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Hora ouro na hemorragia obstétrica: • A Hora de Ouro na hemorragia pós-parto consiste na recomendação do controle do sítio de sangramento puerperal, sempre quepossível, dentro da primeira hora a partir do seu diagnóstico; ou pelo menos estar em fase avançada do tratamento ao final desse período. Prefere-se, contudo, utilizar tal termo para se referir ao princípio da intervenção precoce, agressiva e oportuna, sem atrasos, nos pacientes com quadro de hemorragia importante. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Hora ouro na hemorragia obstétrica: • Assim, a Hora de Ouro visa reduzir a morbimortalidade relacionada aos atrasos de abordagem de uma paciente com HPP. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Prevenção da HPP: • As medidas de prevenção da HPP devem ser incorporadas na rotina de todos os profissionais que assistem pacientes em trabalho de parto. A ocitocina após o parto constitui a principal ação de prevenção da HPP, podendo reduzir em mais de 50% os casos de HPP por atonia uterina. Assim, os locais onde ainda não se utilizam a ocitocina profilática de forma rotineira após todos os partos devem inserir tal prática imediatamente em seus protocolos de prevenção da HPP. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Hemorragia pós-parto: • Hemorragia pós-parto: Perda sanguínea acima de 500 mL após parto vaginal ou acima de 1000 mL após parto cesariana nas primeiras 24 horas OU qualquer perda de sangue pelo trato genital capaz de causar instabilidade hemodinâmica. • Hemorragia pós-parto maciça: Sangramento nas primeiras 24 horas após o parto (por qualquer via) superior a 2000 mL OU que necessite da transfusão mínima de 1200 mL (4 unidades) de concentrado de hemácias OU que resulte na queda de hemoglobina ≥ 4g/dL OU em distúrbio de coagulação INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Diabetes Gestacional: O diabetes mellitus gestacional é definido como uma intolerância à carboidratos de gravidade variável. Há dois tipos de hiperglicemia que podem ser identificadas na gestação: o diabete mellitus diagnosticado na gestação (DMDG) e o diabete mellitus gestacional (DMG). O nível de hiperglicemia diferencia esses dois tipos. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Diabetes Gestacional: A hiperglicemia materna é uma das condições mais comuns na gravidez. No Brasil, estima-se que 18% das mulheres grávidas, assistidas no Sistema Único de Saúde (SUS), atinjam os critérios diagnósticos atuais de DMG. Entre os fatores de risco, destacam-se: obesidade, idade materna superior a 25 anos, história familiar e/ou pessoal positiva, gemelidade, hipertensão arterial, dislipidemia, tabagismo, sedentarismo, macrossomia pregressa, óbito fetal sem causa aparente, entre outros. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Diabetes Gestacional: O aporte de nutrientes ao feto é garantido pela secreção placentária de hormônios e mediadores metabólicos diabetogênicos. Assim, a gestação normal é caracterizada por aumento da secreção de insulina materna e queda nos valores de glicose no jejum. O aumento na resistência à insulina evolui com o passar da gestação e está bem definido na 24ª semana; se o pâncreas materno não consegue responder às demandas na produção de insulina, instala-se a hiperglicemia materna. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Diagnóstico A hiperglicemia na gestação deve ser investigada no início e na metade dela. O diagnóstico na gravidez, e o consequente controle dos níveis glicêmicos, reduz as complicações para a mãe e seu filho. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS � Recomenda-se para diagnóstico da hiperglicemia na gestação: • Rastreamento universal, independentemente da presença de fator de risco. • Glicemia de jejum (GJ) na primeira consulta de pré-natal. • glicemia de jejum ≥126 mg/dL: diabetes mellitus diagnosticado na gestação (diabetes prévio); • glicemia de jejum entre 92 mg/dL e 125 mg/dL: diabetes mellitus gestacional. INTERCORRÊNCIAS OBSTÉTRICAS Para pacientes com glicemia de jejum