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1 Especialização em Educação Infantil com ênfase em Alfabetização A ARTE ENQUANTO METODOLOGIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL 1 Ernada Lima Silva 2 Profa. Ma. Teina Nascimento Lopes3 RESUMO Almejamos através deste artigo apresentar reflexões da linguagem artística para o desenvolvimento das crianças na educação infantil. O diálogo estará ancorado na importância da arte para o desenvolvimento da cultura, nas suas mais variadas formas, as artes visuais, a dança, a música, a poesia e o teatro. A pesquisa foi realizada nas creches do município de Campo Verde, buscando responder à questão problema: qual a importância dada a arte pelos professores nas práticas pedagógicas da referida instituição? Como a arte é trabalhada na prática da sala de aula? Com esse foco realizou-se uma pesquisa bibliográfica e de campo, através de observação e questionário buscando evidenciar elementos para a discussão proposta. Nesse sentido, alguns autores como: BARBOSA (1975), ROMANELLI (1997), e BRASIL (2002) contribuíram para significar a proposta teórica. Palavras-chave: Linguagem; Artes; Educação Infantil. ABSTRACT Through this article we aim to present reflections of artistic language for the development of children in early childhood education. Dialogue will be anchored in the importance of art for the development of culture, in its various forms, the visual arts, dance, music, poetry and theater. The research was carried out in day care centers in the city of Campo Verde, seeking to answer the problem question: what is the importance given to art by teachers in the pedagogical practices of the referred institution? How is art worked in classroom practice? With this focus, a bibliographic and field research was conducted, through observation and questionnaire seeking to highlight elements for the proposed discussion. In this sense, some authors such as: 1 Artigo apresentado à Faculdade Albert Einstein como exigência para o título de especialista em Educação Infantil com ênfase em Alfabetização. 2 Licenciada em Pedagogia, pela Unemat - Universidade do Estado de Mato Grosso / UAB - Universidade Aberta do Brasil, endereço eletrônico: Nanda.silvacv@bol.com.br. 3 Professora da Faculdade Albert Einstein, graduada em Letras (UFMT) e Pedagogia (FALBE), especialista em Linguagem (UNIC) e Mestre em Educação (UFMT), doutorando do Programa de Pós- Graduação em Educação da UNIMEP, membro do Núcleo de Pesquisa Trabalho Docente, Formação de Professores e Políticas Educacionais, orientadora desse trabalho. 2 BARBOSA (1975), ROMANELLI (1997), and BRAZIL (2002) contributed to signify the theoretical proposal. Keywords: Art. Student. Child education INTRODUÇÃO Entendendo que a criança na faixa etária da educação infantil é bastante visual, verificamos então a importância da arte no processo de construção de conhecimento a criança. A Linguagem artística divide-se em: Artes Visuais, Teatro, Música e Dança. Portanto, temos inúmeras opções para trabalhar com as crianças na educação infantil. A importância de ir além da imaginação, várias formas de expressar o sentimento, o pensar, criar, viajar no imaginário, novos descobrimentos, através da arte e por estes motivos, fazem-se importante a discussão deste tema de estudo. Com base na importância da arte, o objetivo geral deste trabalho é promover uma reflexão crítica sobre a linguagem artística na educação infantil. Para tanto, alguns objetivos específicos foram desenhados: Discutir situações de livre criação na educação infantil; promover uma reflexão sobre a linguagem artística no currículo e na prática pedagógica na educação infantil e problematizar acerca das concepções e práticas de que os professores contemplam a linguagem artística. A pergunta que embala o estudo é: Quais as contribuições da linguagem artística para o desenvolvimento infantil? Nesse sentido, os teóricos que contribuirão para acentuar a discussão acerca do tema são: ALMEIDA, (2011), BARBOSA, (1975), BRANDÃO, BARROS, (2008), (2010), CRUZ (1983), VYGOTSKY, (2009) dentre outros. Para tanto, realiza-se uma pesquisa qualitativa, por meio de uma Revisão bibliográfica e pesquisa de Campo. Na primeira parte do artigo: A arte no processo de ensino aprendizagem, A importância da formação do professor de artes, Linguagem Visual, Linguagem Teatral, Linguagem musical, Linguagem da Dança. Na segunda parte do artigo: Metodologia do Estudo, O Locus do estudo, O sujeito do estudo e apresentação e análise de dados. 3 1 A ARTE NO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM A história da arte inicia-se junto com a história da humanidade quando o homem passou a se entender através de sinais artísticos com rabiscos, sinais, símbolos, desenhos e outros mais quando ele expressava seu desejo e sua intenção nas rochas e cavernas com pinturas de animais, esculturas em madeiras, ossos e pedras onde também representava suas emoções, beleza, harmonia, revolta e tristezas. Desde a pré-história o homem já produzia arte, porém, pelo fato de só termos registros a partir do surgimento da escrita, e muitos foram desconsiderados em suas produções artísticas e que só foram reveladas mais tarde através de descobertas arqueológicas. Segundo Barbosa (2002, p. 30), “o ensino de arte concentra-se no desenho como linguagem da técnica e da ciência, valorizadas como meio de redenção do país e da classe obreira, que engrossara suas fileiras como recém-libertos”. A palavra arte teve diversos significados durante a história e com o surgimento do renascimento, a arte foi dividida em categorias usadas até hoje como a pintura, literatura, música, escultura e outros. Essa história pode ser definida como o conjunto de conhecimentos que se referem às atividades desenvolvidas pelo homem em propósitos estéticos desde os primórdios de sua existência. Só a partir do século XIX é que a palavra arte passou a significar exclusivamente estética e as belas artes passam mais ênfase a nível educacional sendo um ato criativo que vem surgindo de acordo com os anseios históricos pelos quais passam cada sociedade dentro dos principais períodos da humanidade correspondendo a diferentes momentos históricos. No Brasil, a arte inicia-se com os padres jesuítas em processos informais pelas oficinas de artesões usadas como técnicas pedagógicas para a catequese dos povos indígenas e com a presença da família imperial portuguesa no Brasil e inicia- se o ensino formal das artes com a implantação da academia imperial de belas artes. E é também a partir do século XIX que inicia-se a formação do profissional em artes através de instituições de ensino marcando a arte em várias tendências pedagógicas do ensino no Brasil como a pedagogia tradicional, pedagogia escola nova e a pedagogia tecnicista. Na escola tradicional, a arte valorizava as habilidades manuais destinadas à qualificação para o mercado de trabalho, tendo o desenho 4 como o principal conteúdo a ser estudado. A partir de 1.930 foi difundida no Brasil a escola nova e as atividades eram voltadas para o desenvolvimento natural da criança em que o aluno passa a ser responsável pela busca do seu próprio conhecimento através de experimentos vendo a arte como um espaço onde tudo era permitido. E entre os anos de 1.960 a 1.970 surge a pedagogia tecnicista, época da ditadura militar onde a arte passa a ser centrada no mercado de trabalho para a formação de mão de obra barata destinada a um mercado tecnológico em expansão. Desde 1.971, a disciplina educação artística torna-se parte dos currículos escolares pela lei 5.692/71, mas foram cometidos muitos equívocos com a disciplina pelos professores, diretores e coordenadores que enxergavam o ensino da arte desnecessário e era usada como momento de lazer deixando os alunos livres do rigor da disciplina. Com a lei de diretrizese bases de 1.971 (5692/71), foi instituída a educação artística e a arte entrou para o currículo obrigatório no ensino fundamental. Segundo BRANDÃO (2010, p. 77), “o ensino de artes constituirá componente obrigatório, nos diversos níveis de educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos”. Em 1.973, foram criados os primeiros cursos de licenciatura em educação artística com uma formação mínima de apenas dois anos e a partir dos anos 80, iniciou-se o movimento arte educação que permitiu a ampliação das discussões sobre a valorização e o aprimoramento do professor, que reconhecia seu isolamento dentro da escola e a insuficiência de conhecimentos e competências na área, com o intuito de rever e propor novos rumos ao ensino de arte começando a ser assumido pela sociedade civil na lei de diretrizes e bases nacional (LDB- lei 9.394 de 20 de Dezembro de 1.996) com uma nova concepção na qual com a LDB de 1.996, é extinta a educação artística e entra em campo a disciplina arte e reconhecida oficialmente como área de conhecimento. Mas ROMANELLI (1997, p. 181), afirma que: Na prática, as escolas compondo o seu currículo de acordo com os recursos materiais e humanos que já dispunham, ou seja, continuaram mantendo o mesmo currículo de artes, apesar de considerarem que a possibilidade de os estados e os estabelecimentos anexarem disciplinas optativas ao currículo mínimo ter sido um avanço em matéria de educação, tendo em vista que, as mudanças na educação em relação a arte são importantes para o desenvolvimento da educação em sala de aula melhorando a compreensão do aluno sobre arte em geral e as linguagens artísticas ampliando seu repertório cultura. (ROMANELLI, 1997, p. 181). 5 Os parâmetros curriculares nacionais sugerem que a arte seja dividida em música, artes visuais, dança e teatro, deixando claro aos professores das séries iniciais que não tenham a formação específica na área, não faz a diferença dos conteúdos por ciclo ou série cabendo-os a promover uma variação nas modalidades artísticas que serão trabalhadas. 1.1 A importância da formação do professor de artes A arte é um aspecto cultural e curioso no seu desenvolvimento envolvendo expressão e criatividade do ser humano buscando professores com capacidades para a preparação desta disciplina. Nas décadas de 1.950, esse processo de formação já acontecia de forma sutil nas conhecidas escolinhas de arte através do MEA (Movimento das Escolas de Artes). Já na década de 1.960, surge o CIAE (Curso Intensivo de Arte na Educação) para contribuir com a formação do professor de arte conduzido pela professora Noêmia de Araújo Varela. Para Cruz (1983, p. 2), “A escolinha de arte foi a célula manter a educação brasileira e que os educadores lá formados contribuíram para criar o clima propício para a obrigatoriedade do ensino de artes nas escolas fundamentais”. A arte é antes uma organização do nosso comportamento visando ao futuro, uma orientação para o futuro, uma exigência que talvez nunca venha a concretizar-se, mas que nos leva a aspirar acima da nossa vida o que está por traz dela. (VYGOTSKY, 2009, p. 30). Outra formação de professores ocorreu em 1.980 em Campos do Jordão em São Paulo, já tendo como coordenadora a professora Anna Mae Tavares Bastos Barbosa em parceria com instituições culturais do estado e vários municípios e a formação dos professores de arte assume uma função não só técnica, mas também política como condição indispensável ao exercício da profissão, sendo assim, a solução encontrada pelo governo foi abrir emergencialmente cursos de licenciatura em educação artística com curta duração de apenas dois anos e tinha o currículo generalizado de todas as modalidades artísticas que era considerada como atividade educativa e não disciplina, ocorrendo muitos conflitos em relação à formação do professor e divergências na relação teoria e prática e o mesmo era obrigado a atuar em todas as modalidades artísticas independente da formação. 6 A lei de diretrizes e bases da educação nacional nº 9394/96 passou a exigir o estágio supervisionado nos cursos de formação de professores onde oferece a oportunidade de integrar os discentes com a área em que vão atuar, porque a alfabetização não acontece só apenas com as letras, mas sim, juntando também com a arte cultural, social e estética facilitando o desenvolvimento psicomotor do aluno visando que essa formação para o professor de arte é importante para que ele tenha o conhecimento estético, cultural e artístico da humanidade, unindo o fazer e o refletir, o pensar e o que faz tornando suas aulas mais significativas pois segundo OSTROWER (1990, p. 223), “É na formação do ser sensível e através do ensino das linguagens expressivas que é oferecido aos alunos a possibilidade de descobrirem seu próprio potencial”. A importância da formação do professor de arte está no fato de que é na sua relação com os alunos que se evidenciará o conceito que ele tem de arte na construção de um processo contínuo da sua atuação na prática para que possam realizar um trabalho de qualidade com as crianças, o professor de arte precisa estar em constante reciclagem teórica e metodológica, numa busca pelo aprimoramento da prática pedagógica (DIAS, 1999, p. 179). Comenta que “os encontros realizados na própria instituição, tem previsto também, visitas a museus, galerias de arte, ateliês e passeios pela cidade”. Assim ele pode se construir culturalmente para uma atuação que integre, no seu cotidiano com os alunos, um envolvimento maior com o patrimônio cultural. Na Creche os professores e coordenadores demonstram preocupações com essa finalidade no desenvolvimento das aulas de arte na Educação infantil. Nas aulas de arte são de responsabilidades do professor unidocente, assim, os pedagogos se responsabilizam pelas aulas de arte sem ter uma formação adequada para ensinar o conteúdo. Esta forma de organização curricular ao nosso ver, compromete os objetivos da disciplina, dado a sua importância na formação do indivíduo. [...] valorizar o repertório pessoal de imagens, gestos, “falas”, sons, personagens, instigar para que os aprendizes persigam idéias, respeitar o ritmo de cada um no despertar de suas imagens internas são aspectos que não podem ser esquecidos pelo ensinante de arte. Essas atitudes poderão abrir espaço para o imaginário (MARTINS, PICOSQUE e GUERRA, 1998, p. 118). 7 Apesar de terem tido uma formação global, professores e pedagogos, às vezes não conseguem desenvolver a aula arte de acordo com o que se espera, por falta de condições técnicas e também de recursos pedagógicos adequados. Uma boa aula de arte deve compreender prática cultural, social e estética como merecem os alunos da escola. O grande desafio do ensino da arte, atualmente é contribuir para a construção da realidade através da liberdade pessoal. Precisamos de um ensino de arte por meio do quais as diferenças culturais sejam vistas como recursos que permitam ao indivíduo desenvolver seu próprio potencial humano e criativo, diminuindo o distanciamento existente entre a arte e a vida (RICHTER, 2003, p. 51). Nesta perspectiva, mudar a forma de organização curricular seria uma ideia relevante, porém consideramos difícil de ser levada em consideração frente ao contexto político do qual vivenciamos neste país. No entanto, uma saída proficiente, seria incorporar a formação unidocente disciplinas voltadas para o ensino de arte, porém com uma carga horária maior, possibilitando um conhecimento maior os professores sobre essa demanda educacional. Desta maneira se potencializava as condições pedagógicas dos docentes ao mesmo tempo em que se garante melhor qualidade no ensino, uma vez que é direito do aluno e dever do professor expressar essa qualidade. Segundo MINUETO (2008, p. 21) “O Professor é o eixoprincipal. Ele tem em suas mãos a possibilidade ações. Ele não pode tudo, mas pode muito”. Neste sentido, fazer e conhecer arte como instrumento da prática pedagógica desenvolve potencialidade contribuindo para a consciência do seu lugar no mundo para a compreensão de conteúdos das outras áreas do currículo, com as mudanças que têm ocorrido no contexto social e escolar, o perfil das creches e das crianças tem sofrido mudanças e se não as acompanharem, as instituições não será capaz de oferecer um ensino de qualidade às suas crianças. E, para lidar com essas novas realidades, os professores devem estar preparados e engajados em encontrar alternativas em busca da melhoria de sua prática docente e assim contribuir de forma mais significativa com o desenvolvimento de suas crianças. 1.1.1 Linguagem Visual Caracteriza-se pelo contato com imagens, cores e luzes gerando na educação a necessidade para saber ver e perceber as formas tradicionais como: 8 pintura, escultura, desenho, gravura, arquitetura, objetos, cerâmica, cestaria, entalhe, desenho, moda e outros. No mundo contemporâneo as linguagens visuais ampliam-se fazendo novas combinações e criam novas modalidades como multimídia, a performance, o videoclipe e o museu virtual são alguns exemplos que a imagem integra-se ao texto, o som e o espaço. Segundo o Referencial Curricular para a Educação Infantil (RCNEI), Toda as crianças têm condições de se expressar através das linguagens visuais: cada uma do seu jeito, com seu ritmo, deixando suas próprias marcas e, por isso, devem ter suas produções artísticas respeitadas e valorizadas (RCNEI/BRASIL, 2006, p.33). Portanto a escola deve colaborar para que os alunos passem por um conjunto amplo de experiências de aprender a criar, articulando percepção, imaginação, sensibilidade, conhecimento e produção artística pessoal e grupal. O desenvolvimento do aluno nas linguagens visuais requer aprendizagem técnicas, procedimentos e informações sobre história da arte que sobre tais aprendizagens ele construirá suas próprias representações ou ideias. A arte visual está também relacionada com a beleza estética e a criatividade do ser humano, capaz de criar manifestações ou obras agradáveis aos olhos. 1.1.2 Linguagem Teatral O teatro promove oportunidades para que o aluno conheça, observe, confronte diferentes culturas em diferentes momentos históricos ao narrar fatos e representar por meio de ação dramática favorecendo possibilidades de compartilhar descobertas, ideias, sentimentos e atitudes desenvolvendo a socialização. Na concepção de READ (1976, p. 29) “O teatro é muito importante para a criança como: projetar criaturas conscientes, sem inibições, para atividade social em qualquer idade ou nível escolar”. A experiência do teatro na escola amplia a capacidade de dialogar o palco e a platéia por meio de gestos e atitudes que passou a ter relevância através das transformações educacionais do século XX defendendo que a escola é sem dúvida, um meio muito importante para a formação social do sujeito e o teatro proporciona valiosas contribuições ajudando a promover essa socialização do indivíduo com a união e trabalho em equipe. 9 Nesse sentido a prática teatral estimula trabalhos em grupos em uma criação cênica onde os integrantes são levados a perceber que um precisa do outro para realizar a função, dessa forma a vivência teatral na escola ajuda a estabelecer um diálogo com a realidade de vida dos alunos e com a cultura. 1.1.3 Linguagem Musical A música pode ser entendida como a intenção de organizar materiais sonoros como: melodia, ritmo, harmonia, ruído, entre outros materiais sonoros que existem. Esse material pode ser organizado em uma única vez ou combinado de diversas maneiras encontrado no núcleo de todas as culturas e cada uma explora de todos particulares. A música passou a ter significativa em sala de aula no final do século XX quando foi utilizada para o tratamento de distúrbio da mente. E, no dia 18 de Agosto de 2008 foi sancionada a lei nº 11.769 que determina a inserção da música como um conteúdo obrigatório em toda educação básica integrado no ensino de artes tornando um elemento essencial que faz organizar, socializar e integrar com outras linguagens tirando o medo e a timidez. Martins (1985 p.47) afirma que “educar musicalmente é propiciar a criança uma compreensão progressiva da linguagem musical, através de experimentos e convivência orientada”. A educação musical estimula na criança enorme satisfação, uma vez que está envolvida de caráter lúdico e desafiador, e a comunicação da criança é feita por meio do corpo e ao cantar ele se torna o seu instrumento facilitando a linguagem gestual e habilidade motora. 1.1.4 Linguagem da Dança A dança veio despertando curiosidade ao homem primitivo quando começaram a perceber que batendo os pés no chão conseguiam formar sons e ritmos e aos poucos foram dando mais intensidades a esses sons combinados com as palmas em acontecimentos rituais religiosos para fazer agradecimentos ou pedidos aos deuses. No século XVI, surgiram os primeiros registros das danças em que cada localidade apresentava suas próprias características. No século XIX surgiram as 10 danças feitas em pares que no princípio não foram aceitos pelos mais conservadores até que no século XX surgiu o rock’nroll, que revolucionou o estilo musical e os ritmos das danças. E assim como a mistura dos povos foram acontecendo, aos aspectos culturais foram se difundindo. A dança é a arte de mexer o corpo através de movimentos e ritmos criando uma harmonia própria e a escola torna-se encarregada de instrumentalizar e construir o conhecimento em dança com os alunos e com orientações didáticas que estejam comprometidos com a realidade sociocultural brasileira e com valores éticos e morais que permitam a construção de uma cidadania plena e satisfatória. A dança é também uma fonte de comunicação e de criação informada nas culturas. Como atividade lúdica a dança permite a espontaneidade. Contribui também para o desenvolvimento da criança no que se refere à consciência e à construção de sua imagem corporal, aspectos que são fundamentais para seu crescimento individual e sua consciência social (BRASIL, 1997 p. 58). Mas a dança na escola é considerada apenas como expressão para festas e comemorações, no entanto a dança deve ser entendida como manifestação artística, expressão e linguagem corporal, ritmo, movimento, folclore e muitas outras expressões de forma educacional reconhecida em termos curriculares buscando seu reconhecimento nas práticas educativas pelos professores. 2. METODOLOGIA DO ESTUDO Enquanto métodos utilizamos pesquisa de campo e bibliográfica. Na pesquisa de campo, através de observação e questionários, ouviu-se os professores da Creche. Enquanto que na bibliográfica, buscou-se idéias para fundamentar a expressão demarcada pelos sujeitos da pesquisa, de modo a compreender o problema e buscar respostas, às inquietações encontradas. “A entrevista semiestruturada também requer um roteiro de entrevista, mas permite certa flexibilidade ao abordar os entrevistados, se o entrevistador julgar que uma pergunta já foi respondida junto com uma das respostas anteriores, esta pode ser eliminada” (ALMEIDA, 2011, p. 63). 11 2.1 O Locus do estudo Creche municipal, situada na Rua Arapoti, s/nº, São Miguel de Campo Verde – MT e na Agrovila João Ponce de Arruda, s/nº, zona rural na cidade de Campo Verde – MT. 2.2 O sujeito do estudo A entrevistada A - foi a professora, licenciada em Pedagogia e com Especialização em Psicopedagogia Institucional e Clínica, 39 anos, tem 1 anos e 6 meses que atua na Educação Infantil (berçário até maternal com 174 crianças no período matutino e vespertino), na Creche Municipal, situadana Rua Arapoti, s/nº, São Miguel de Campo Verde – MT. A entrevistada B - é professora, licenciada em Pedagogia e com Especialização Educação e Diversidade em Cidadania, 41 anos, tem 07 anos que atua na Educação Infantil (multiseriada contendo alunos de Pré I e Pré II com 28 crianças no período vespertino), na Agrovila João Ponce de Arruda, s/nº, zona rural na cidade de Campo Verde – MT. 2.3 Análise de dados Para análise dos dados coletados, através de questionários e observações dos principais atores que vivenciam o processo de ensino e aprendizagem no âmbito do espaço pesquisado, adota-se a abordagem qualitativa, por acreditar que pesquisa social, a mesma, seja mais adequada. Pois, procuramos compreender o fenômeno a partir de todas as suas complexidades, sejam elas, objetivas ou subjetivas. O trabalho está organizado em dois capítulos, sendo: capítulo I, composto pela introdução, situação problema, objetivos e metodologias buscando delinear os aspectos de organização, planejamento e realização da pesquisa, deixando clara a relevância da mesma e justificando o interesse pelo tema. Enquanto isso, no capítulo II, o leitor encontrará o desenvolvimento da pesquisa que discorrerá sobre a importância da arte e a formação do professor. A visão e o papel do profissional da educação, no desenvolvimento das modalidades 12 artísticas na Creche. Assim como a interdisciplinaridade, entre artes e outros componentes curriculares. Nesse capítulo, também será feito a análise dos dados da pesquisa. Em seguida, as considerações finais deste trabalho, onde serão relatados as observações gerais e os resultados da investigação, articulando o conhecimento adquirido através do trabalho, e trazendo presente o alcance dos objetivos propostos, assim como o problema que direcionou a investigação, confrontando a relação entre teoria e prática. 1- 1 - Qual a importância da arte na educação infantil? Professora A - As artes como: pintura, desenho, pequenas apresentações são muito importantes para o desenvolvimento das crianças na educação infantil, já que possibilitam que as mesmas adquiram atitudes essenciais para seu desenvolvimento como senso crítico, sensibilidade e criatividade. 2- Professora B - A arte é de suma importância na educação infantil, e sua importância é tão significativa que está assegura na BNCC e nos direitos de aprendizagem. Á definição de temas e à escolha de materiais a serem usados em atividades lúdicas e artísticas, pois a aprendizagem na educação infantil, se dá através do lúdico, e o lúdico é propriamente desenvolvido através de materiais artísticos, prontos ou produzido na escola. A criança se expressa da maneira como se a arte fosse uma sensação de liberdade, ele não se preocupa com o tempo para acabar logo a atividade porque ele sabe que não vai ter cobrança com erros, porém se tem uma confiança nele mesmo ao saber que quando terminar a atividade a professora ainda vai elogiar o seu trabalho. “É de grande importância a oportunidade de receber estimulação visual, tátil, auditiva e outras em quantidades normais”. (BARROS, 2008, p. 50). O elogio desperta animação e capricho nas atividades porque a criança tenta fazer o máximo na perfeição para ouvir os resultados esperados que são os elogios do seu trabalho e um bom desenvolvimento do conteúdo. 3- 2 - O que pensa sobre a formação do professor que trabalha a arte na educação infantil? Professora A - O professor é o instrumento principal na formação do processo de transmissão dos ensinamentos nesta área. É importante que ele tenha 13 conhecimento e preparo para trabalhar com a educação infantil e que tenha sensibilidade ao trabalhar arte neste período de vida do ser humano. Professora B - Interessante e necessário o professor de educação infantil, precisa ter ou preparar através de formações para usar materiais dos mais variados modelos e funções para renovar seu repertório e chamar a atenção das crianças. Acredito que o profissional que fundamenta sua formação em linguagem artística na educação infantil, está “um passo a frente,” uma vez que a linguagem artística está presente no espaço infantil de uma forma significativa desde contação de histórias até a confecção do cenário usando os recortes, pinturas etc. Essa formação para os professores de arte traz então conhecimentos, preparação e valorização do professor tornando-o um bom administrador na aprendizagem da criança. Como o professor tem o dever de ensinar, os alunos também têm o direito de aprender e serem respeitados. Isso inclui ter acesso a bons professores em sua formação escolar. Pois “educar exige fina sensibilidade para lidar com o tempo humano. Saber o que ensinar e que tempos. Saber também o que aprender e em que tempos.” (Arroyo, 2004, p. 213). A formação do professor de arte se faz na importância do conhecimento da disciplina e na valorização do professor dando a ele oportunidade de se qualificar e poder transmitir algo com segurança. E é com uma boa formação que professores saberão como resolver os conflitos em sala de aula, administrarão a aprendizagem de competências e habilidades previstas para o ano/fase em que as crianças se concentram. 4- 3 - As modalidades artísticas são todas trabalhadas na escola? Qual é a que mais se destacam? Professora A - As modalidades artísticas mais trabalhadas nas escolas são: desenhar, pintar e modelar. Diariamente os professores propõem atividades com lápis, gizes de cera e massa de modelar nos diferentes momentos da rotina escolar. Percebo poucas atividades com outras modalidades. 5- Professora B - Procuramos sempre inovar, trabalhamos muito a música, a historinha com fantoches ou com personagens criados em Eva, outra atividade que eles gostam muito é de folhear livros e revistas e recontarem do seu jeito o que entenderam, através da linguagem visual. A que mais de destaca são as pinturas e 14 desenhos que demonstram os conhecimentos prévios e a interpretação que o aluno tem sobre os assuntos abordados. Nota-se que a arte é muito importante na escola pelos bons resultados desenvolvidos nos alunos. Segundo Cardoso (1997, p. 53),” a arte na educação, do espaço ao desenvolvimento artístico: a sensibilidade, a reflexão, a percepção e a imaginação do aluno”. Ou seja, a arte abre caminhos para uma descoberta do aluno, onde ele pode se destacar no seu lado artístico passando a reconhecer seus talentos para o futuro. Os desenhos das crianças, assim como todas as suas formas de expressão podem ser considerados um reflexo da sua criatividade infantil, pois são os registros dos seus sentimentos e das suas percepções do meio, o que proporciona ao professor um modo de compreender melhor seu aluno e assim ajudá-lo, pois “a arte infantil faculta-nos não só a compreensão da criança mas também a oportunidade de estimular seu desenvolvimento, através da educação artística”4 (LOWENFELD e BRITTAIN, 1970, p. 176). 6- 4 – As crianças gostam das atividades de artes? 7- Professora A - Muito, eles amam, modelar com massinhas naturais. Pintar com tinta guache, são atividades ao ar livre, espontâneas as quais eles mais participam. Professora B - Sim, principalmente as que trabalho ações práticas como: pinturas com tinta guache, e artes corporal com danças e coreografia conto e reconto de histórias dramatizadas em forma de teatro, registro através de desenho livres ou dirigidos. Interdisciplinaridade torna a aula mais interessante, despertando interesse no aluno e de forma lúdica a criança acaba gostando também das outras disciplinas, ao vê-las como fonte de aprendizagem tendo atitudes próprias para aprender mais no que é oferecido. Segundo o PCN (1997, p. 28): “A integração da arte nas outras disciplinas favorece muito no aprendizado do aluno, pois busca o interesse e até mesmo a curiosidade parater novos conhecimentos, já que não é cansativa a forma de estudar para melhor aprender.” 4 A edição do livro utilizada para essa pesquisa é datada de 1970, por isso o autor ainda utiliza o termo Educação Artística, sendo que a partir da publicação da LDB 9394/96, art. 26, § 2º a disciplina passou a se chamar Arte. 15 Adentra neste processo de criança artístico, enfatizando que, o fazer artístico na educação infantil, é uma das principais táticas da práxis pedagógica que trabalha a elaboração e a construção das emoções cognoscitivas da criança, uma vez que, é através do fazer artístico que “a criança encarna em ações, imagens vivas, tudo o que pensa e sente” (VYGOTSKY, 2009, p. 87). 8- 5 - Quais as atividades de artes que as crianças mais gostam? Professora A - Praticamente todas, chamam atenção deles pois quebram a rotina, desenvolvem suas habilidades, eles criam, recriam, se tornam protagonista e os faz se sentirem importante. Professora B - Enquanto eles desenham e pintam. Ou seja, desenvolvem qualquer atividade com arte, eles trocam ideias e constroem conhecimentos interagindo com sensação de liberdade onde facilita a aprendizagem buscando o gosto pela disciplina de arte. Ex: corpo, gestos e movimentos. Criar movimentos, gestos, olhares e mímicas em brincadeiras, jogos e atividades artísticas como dança, teatro e música. Direitos de aprendizagens participar de decisões e ações relativas à organização do ambiente (tanto o cotidiano quanto o preparado para determinados eventos). A maioria respondeu pintar e desenhar vimos também que nas datas comemorativas é muito atrativa para as crianças, pois gostam de fazer lembrancinhas e participar da decoração da escola com um desenvolvimento voltado para o lúdico. Conforme SANS (1995, p. 21),” a arte é uma forma de se expressar, pois a natureza da criança é lidar com o mundo de modo lúdico, fazer o que lhe dá prazer e satisfação por isso gosta tanto de brincar e desenhar”. Quanto mais a criança brinca mais fácil fica para se entender com ele e é dessa forma que ela vê o desenhar e o pintar, chamando a atenção e dando a preferência em todas as atividades. “O sentimento é inicialmente individual, e através da obra de arte torna- se social ou generaliza-se [...] a arte é uma espécie de sentimento social prolongado ou uma técnica de sentimentos” VYGOTSKY (2001, p. 322). 9- 6 - Quais contribuições da arte para o desenvolvimento infantil? Professora A - Várias são as contribuições na vida da criança, pois são através das linguagens artísticas que eles vão desenvolvendo, autonomia, suas 16 habilidades, seus gostos, suas escolhas, vão se inserindo na escola, se preparando para passar cada fase de forma prazerosa e inteligente. Professora B - As primeiras produções textuais do aluno de educação infantil são os desenhos, que demonstra através de suas imagens a intenção e conhecimento dos alunos sobre um assunto ou tema referido. Deste modo vê-se que a creches às vezes deixa de realizar projetos e enriquecer os conhecimentos dos alunos por falta de apoio em materiais didáticos. Mas sempre fazem algo nas datas comemorativas, não conseguindo enriquecer esse trabalho e os alunos têm apenas noção dessas datas e culturas. Segundo professores desta instituição, a carência de materiais nas escolas públicas são muitas e isso prejudica o conhecimento do aluno em termo de aprofundar num conhecimento cultural com a música, a dança, comidas típicas e outros conhecimentos que pode enriquecer no desenvolvimento da criança. Hoje as aulas de arte não saem dos cadernos sendo reproduzidas pelos modelos tradicionais e as modalidades de conteúdos são deixadas de lado. Segundo o autor Cunha, (2012, p.91) “desenvolver o pensamento criativo passou a ser uma meta prioritária na preparação para o futuro, visto que o conhecimento adquirido hoje pode não valer nada amanhã.” Vendo essa citação do autor, vê-se que o pouco que se trabalha a arte na escola, os alunos de hoje não serão bem preparados e a cultura deixará de existir através da transmissão de conhecimentos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste artigo, percebe-se que a arte é uma ferramenta para a aquisição do conhecimento e torna-se algo fundamental para a criança na sua vida. A função da arte na educação vem favorecer o contato das pessoas com a própria cultura e conhecendo outros lados culturais considerando que além da família, os professores são os principais interventores no processo de educação da criança. Sendo assim, esses professores precisam estar preparados para ensinar como uma forma de provocar o criar, o fazer, buscar, analisar, interpretar e expressar, e não como uma mera transmissão de conteúdos. 17 A arte trata-se da maneira direta de uma criança expressar sua cultura e identidade, pode se desenvolver de várias formas, entre elas podemos citar: dança, música, teatro e pintura etc. A arte é vista de forma diferente por diferentes crianças e essa variação deriva das diferentes experiências que cada pessoa passa no decorrer de sua vida. É assim que eu vejo a música, como uma forma de exteriorizar o que se sente, o que se passa na mente das pessoas. É incrível que o fato de as crianças ao desenharam consegue-se compreender como se sente, que através da arte conseguimos expor e transpor as nossas ideias, pensamentos, emoções e até nos conhecermos a nós próprios. As artes têm um papel muito importante na formação integral do aluno, já que são capazes de transformar o estudante por meio da magia, da fantasia, da descoberta e da aventura, possibilitando o desenvolvimento da sensibilidade e da criatividade desde os primeiros anos de vida da criança. Arte é toda forma de expressão cadê ao professor compreender o que a criança que expressar. É algo que criança possa gostar a modo de querer interagir e desenvolver a sua própria imaginação. Toda criança tem dom de criar ou expressar algo com habilidade para mexer com o imaginário da criança através do seu mundo de fantasia que desperta sua criatividade. Pode-se concluir através do estudo que a arte é fundamental no processo do desenvolvimento infantil, e que esta pode estar relacionada com todas as outras áreas. E que através de cada uma das expressões pode ser estimulado cada competência tanto social, emocional, psicológico às crianças, desta forma é importante referir que a arte é totalmente reconhecida, tem vindo a sofrer alterações ao longo do tempo, mas que os princípios têm-se mantido intatos, tais como a criatividade, a autonomia, a objetividade, a construção da personalidade através desta. 18 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARROYO. M. G. Imagens quebradas: trajetórias e tempos de alunos e mestres. Petrópolis/ RJ: Vozes, 2004. BARBOSA, Ana Mae. Arte-educação no Brasil. São Paulo: Editora Perspectiva, 2002. BARROS, Célia Silva Guimarães. Pontos de psicologia do Desenvolvimento. São Paulo. Editora Ática. 2008. BRANDÃO, Carlos da Fonseca LDB passo a passo: Lei de diretrizes e bases da educação nacional lei nº 9. 394/96 comentada e interpretada. Artigo por Carlos da Fonseca Brandão. 4 ed. rev. E ampl. São Paulo: Avercamp, 2010. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. 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