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ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO INFANTIL COM ÊNFASE EM 
ALFABETIZAÇÃO 
 
LITERATURA INFANTIL E A SUA CONTRIBUIÇÃO AO 
DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL1 
 
Maria Ilsa Parron Ruiz2 
Orientadora Teina N. Lopes3 
RESUMO 
 
O presente artigo visa investigar as práticas pedagógicas no ambiente escolar, com 
pesquisas e estudos sobre as contribuições da Literatura Infantil para o desenvolvimento 
intelectual da criança na educação Infantil. Realizou-se uma pesquisa, ocorreu na 
Escola da Rede Municipal de Ensino de Jaciara. Através da pesquisa bibliográfica, 
percorreu-se um pouco o caminho da história da Literatura Infantil, constatando as suas 
influências na vida das crianças. As reflexões teóricas estão pautadas nas contribuições 
de Vygotsky, Oliveira, Abramovich e Paulo Freire. O texto busca discutir acerca da 
intimidade e aproximação das crianças com os livros, ajuda a mesma descobrir o mundo 
e assimilar conhecimento, sendo capaz de formar seu próprio pensamento conforme as 
suas vivências e interações do seu dia-a-dia. 
 
Palavras-chave: Educação Infantil; Literatura Infantil; Desenvolvimento Infantil. 
 
ABSTRACT 
 
This article aims to investigate the pedagogical practices in the school environment, with 
research and studies on the contributions of Children's Literature to the intellectual 
development of children in early childhood education. A research was conducted, 
occurred at the School of Jaciara Municipal School. Through bibliographic research, the 
path of the history of Children's Literature has been taken a little, noting its influences on 
children's lives. The theoretical reflections are based on the contributions of Vygotsky, 
Oliveira, Abramovich and Paulo Freire. The text seeks to discuss about the intimacy and 
closeness of children with books, helps them discover the world and 
assimilate knowledge, being able to form their own thoughts according to their 
experiences and daily interactions. 
 
Keywords: Early Childhood Education; Children's Literature; child development 
 
1Artigo apresentado à Faculdade Albert Einstein como exigência para o título de especialista em Educação 
Infantil com ênfase em Alfabetização. 
2 Professora da Educação Básica da Rede Pública Municipal de Jaciara Escola Amélia Freire Gomes/MT. 
Licenciada em Pedagogia e Supervisão Educacional pela Universidade do Estadual do Tocantins e 
Licenciada em Pedagogia pela Universidade de Mato Grosso UNEMAT. 
3 Professora da Faculdade Albert Einstein, graduada em Letras (UFMT) e Pedagogia (FALBE), 
especialista em 
Linguagem (UNIC) e Mestre em Educação (UFMT), doutorando do Programa de Pós-Graduação em 
Educação da UNIMEP, membro do Núcleo de Pesquisa Trabalho Docente, Formação de Professores 
e Políticas Educacionais, orientadora desse trabalho. 
. 
 
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INTRODUÇÃO 
 
O presente artigo visa investigar as práticas pedagógicas ocorrida em ambiente 
escolar, através das pesquisas e estudos sobre as contribuições da Literatura Infantil na 
educação Infantil. A pesquisa ocorreu na Escola da Rede Municipal de Ensino de 
Jaciara. Foi utilizada como técnica a pesquisa qualitativa, com a entrevista 
semiestruturada, que foi aplicada à professora regente em uma sala da Educação 
Infantil. Realizou-se também uma observação na Escola Municipal Maria Villany 
Delmondes, para conhecer as práticas pedagógicas, relacionada aos gêneros literários 
utilizadas com as crianças durante o processo ensino aprendizagem. 
 Ao realizar a pesquisa de campo em sala de aula observa-se que a escola 
preocupa - se com o processo de formação de novos leitores e o desenvolvimento 
infantil. A pesquisa tem o objetivo investigar as práticas pedagógicas no ambiente escolar 
e possibilitar a reflexão acerca de novas maneiras de contar ‘’História’’ e quais são as 
contribuições para a formação das crianças. Averiguando o que essas práticas influência 
no desenvolvimento cognitivo, físico e motor dessas crianças. 
Através da pesquisa bibliográfica, percorreu-se um pouco no caminho da história 
da Literatura Infantil, constatando as suas influências na vida das crianças. Segundo 
alguns autores como: Vygotsky, Oliveira, Abramovich e Paulo Freire. A intimidade e a 
aproximação das crianças com os livros, ajuda a mesma, descobrir o mundo e assimilar 
conhecimento, sendo capaz de formar seu próprio pensamento conforme as suas 
vivências e interações do seu dia-a-dia. 
Graças a alguns autores como Monteiro Lobato, Figueiredo Pimentel e Cecília 
Meireles entre outros, que se dedicaram a escrever para o público infantil a Literatura 
Infantil no Brasil tem sua marca registrada e percorrida conforme a época e as influências 
folclóricas e tradicionais de nossa cultura. 
O estudo mostra que as histórias infantis são contadas de várias maneiras e 
organizada para estimular as curiosidades e a imaginação dos pequenos no percurso 
pedagógico durante o seu desenvolvimento cognitivo emocional e social. 
 
 
 
 
 
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1. LITERATURA E EDUCAÇÂO 
 
Na antiguidade a literatura não era valorizada como nos dias de hoje, pois tinha 
uma ideologia determinada pelo segmentos da época. No final do século XVIII, as 
crianças da nobreza liam os livros clássicos e as crianças das classes populares liam 
histórias de cavalaria, de aventura, lendas populares e contos folclóricos. 
 Foi a partir desta época que muitos autores publicaram obras infantis 
reconhecendo o merecido valor das crianças, dando-lhes lugar de destaque na família, 
escola e sociedade. 
A palavra Literatura, originou-se do latim littera - “ letra”, é a Arte da Palavra com 
sua liguagem verbal. Literatura refere-se aos livros, com variadas áreas e gêneros 
têxtuais, ela contribui na formação da língua para mante-lá como patrimônio coletivo, 
criando identidade, dando liberdade ao leitor para interpretar, emocionar, aprender, com 
a beleza da linguagem. 
Segundo Aguiar (2001): 
 
 No ato da leitura, encontram-se as expectativas do autor traduzidas no texto, e 
as do leitor transferidas para o texto, uma vez que a leitura vai estar marcada 
por sua experiência e compreensão. A valorização das obras se dá na medida 
em que elas produzem alteração ou expansão dos horizontes de expectativas 
dos leitores de sucessivas épocas (AGUIAR, 2001, p. 149). 
 
Através dos livros a literatura chega ao indivíduo, proporcionando a função de 
informar, educar, divertir entreter e formar opiniões, conforme a imaginação do escritor. 
O ato de ler e escrever são duas habilidades que vão sendo adquirida no decorrer do 
desenvolvimento da criança, de acordo com os estímulos recebidos. Ao ler a criança vai 
entendendo o mundo ao seu redor, identificando, imaginando, situações vividas do seu 
cotidiano. A Literatura infantil (do século XX até a década de 70), segundo Oliveira (2008, 
p. 121) ainda tinha por objetivo conservar os valores sociais, religiosos, familiares 
estabelecidos. Valorizava-se a submissão à autoridade, à disciplina, à ordem, à higiene, 
a obediência absoluta à autoridade política, religiosa e familiar; os preconceitos em 
relação à pobreza, às etnias (negra, indígena), a valorização do ter em detrimento do 
ser, a discriminação do diferente e do individualismo. A criança não tinha direito de 
opinar. Devia obedecer ao adulto e cultivar todas as virtudes possíveis. 
Segundo Oliveira (2008): 
 
 
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Também a Literatura Infantil passa por transformações. Literatura que 
privilegiasse o imaginário do leitor, uma linguagem clara e poética. Uma 
Literatura questionadora, rompendo com o jogo do poder absoluto, com o 
preconceito, com o individualismo, com o tabu, deixando para trás valores 
ultrapassados, respeitando as etnias, valorizando as diferenças, a solidariedade, 
a partilha, o altruísmo, o ser e não o ter, a essência e não a aparência, dialogando 
com o mundo que a cerca e interagindo com o processo educacional do leitor 
(OLIVEIRA, 2008, p.122). 
 
Na atualidade a criança é a protagonista da história tem seus direitos garantidos 
e tem liberdade de expressão podendo opinar ocupando lugar de destaque na sociedade 
construindo a sua personalidade com a intervenção da família, da escola e comunidade 
em que vive. 
 
1.1 A Literatura na Educação Infantil 
 
A literatura infantil é um instrumento de comunicação e de interação social na 
educação infantil, para construção do conhecimento, aprendizado, na formação e 
desenvolvimento da criança. Assim, tanto no espaço escolar quanto na familia, o 
incentivo a terem contato com os livros deve ser realizado de forma constante. As 
crianças em creches e pré-escolas não são alfabetizadas, pois a leitura deve ser imagens 
e pequenos textos. Quando a criança manuseia um livro, observa suas gravuras, ela 
sente satisfação e prazer como estivesse brincando com um brinquedo. 
Como coloca Abramovich (2005) 
 
É importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas e muitas 
histórias... Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor 
é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do 
mundo (ABRAMOVICH, 2005, p.16). 
 
 
Percebe-se que a leitura pode levar a criança ao mundo imaginário sem limite, 
sem direção, podendo interpretar conforme a faixa etária, desenvolvimento cognitivo e 
experiências já vividas, porém, a mesma pode ser vista e ouvida, provocando emoçôes 
e conhecimento. Para Paulo Freire (1997, p.38) “quem ensina aprende ao ensinar, e 
quem aprende ensina ao aprender”. Os estudos revelam que as histórias infantis são 
importantes para insentivar o gosto pela leitura, estes devem ser resgatados pelos 
educadores, envolvendo os alunos a participar. 
 É fundamental que as histórias infantis estejam constantemente presentes no 
cotidiano, e que sejam contadas de diferentes maneiras e de forma prazerosa com que 
 
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as crianças vivenciem aquele momento como se fosse real. Com entonação de voz 
diferenciada como: o suspense, o medo, a atenção e as demais emoções da história. 
Através dos livros a literatura chega ao indivíduo, proporcionando a função de informar, 
educar, divertir entreter e formar opiniões, conforme a imaginação do escritor , leitor e 
os ouvintes dos mesmos. 
O livro é um objeto de comunicação que faz parte dos recursos didáticos usados 
nas escolas, através das histórias, poesia, poemas, músicas, parlendas, contos 
noticiários. O ato de ler e escrever são duas habilidades que vão sendo adquirida no 
decorrer do desenvolvimento da criança, de acordo com os estímulos recebidos. Ao ler 
ou ouvir històrias, a criança vai entendendo o mundo ao seu redor, identificando, 
imaginando, situações vividas do seu cotidiano. 
Vygotsky (2001, 2009) nos permite afirmar que, quanto maior forem as 
experiências vividas pelas crianças, mais ampliadas serão suas potencialidades 
criadoras. Nesse sentido, o livro pode se tornar um brinquedo capaz de desenvolver, 
além dos sentidos, também a inteligência, a criatividade, a afetividade e o senso crítico 
da criança, desde que ela possa estar ativamente inserida em práticas sociais de 
narrativias, em que a imaginação e a atividade criadora possam ser ativadas e 
estimuladas. 
Para ele a interação da criança com o meio promove o desenvolvimento ou não. 
Em sua teoria, Vygotsky ressalta, a importância que tem a interação como fator de 
aprendizagem. Em uma sala, as crianças estarão desenvolvendo também a linguagem, 
o pensamento, a atenção, pois a palavra é ação, destaca a importância do falar, 
ordenando o pensamento, organiza sequência de palavras, faz com que assimile o 
mundo para ela mesma. 
Segundo Aguiar (2001, p. 161) uma das maiores riquezas das narrativas infantis 
é exatamente a de ajudar a criança a ordenar seus sentimentos e a compreender o 
mundo a partir de uma linguagem que seja compatível com sua lógica. 
Em entrevista Augusto Nunes, a governadora de Luanda, no artigo “Um Incentivo 
à Literatura Infantil”, em 2009, comenta a respeito da importância da Literatura Infantil. 
Além de garantir a formação das crianças, ela contribui para a preservação da identidade 
de um povo. Cita: “impõem-se a necessidade de transmitir às crianças o hábito e gosto 
pela leitura, o que, por sua vez, passa pelo aumento significativo de livros infantis, de 
modo a estimulá-las a fazerem do livro o seu melhor amigo”. 
 
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De acordo com Abramovich (1989, p. 143-144), (...) é começar a amar um autor, 
um gênero, uma ideia, um assunto e, daí, ir seguindo por essa trilha e ir encontrando 
outros e novos volumes. 
 
1.2 Alguns Autores Brasileiros da Literatura Infantil 
 
Um dos pioneiros que marcou o início da história da literatura infantil no Brasil, foi 
Antonio Marques Rodrigues com a publicação do Livro do Povo (1861). No ano de 1868, 
Cezar Borges deixou de exercer sua profissão de médico,dedicou-se em adaptações de 
livros de literatura chamado de Mètodo Abìlio. Ele contribuiu ainda junto com seu colega 
literário Hilário Ribeiro de Andrade e Silva série títulada como Instrutiva (1822) composta 
de quatro livros que serviam como orientação pedagógica da época, destacando o 
nascionalismo, aproximando da realidade da criança, preocupando - se com a formação 
de deveres do cidadão e a terem amor a Pàtria, porém embasado nas diversidades 
geográfica. 
Julia Lopes Rodrigues, foi uma escritora que destacou na Literatura Brasileira 
com seus Contos Infantins (1886). Filesberto de Carvalho publicou livros de leitura com 
gravuras coloridas voltados para a história ,lingua portuguesa, geométria e moral, civica. 
O educador que escrevia para crianças com humor e criatividade referente ao 
nascionalismo foi o paulista Romão Barreto (1895), contendo quatro livro de leitura. 
 Segundo Coelho. eles preocupavam-se em agradar o público infantil. por sua vez 
renovados. Coelho (1987, p. 2) afirma que Literatura oral ou Literatura escrita foram as 
principais formas pelas quais recebemos a herança da tradição que nos cabe 
transformar, tal qual outros o fizeram, antes de nós, com espírito nascionalista, a 
Literatura Infantil era criada com uma nova mentalidade, transfomando e valorizando as 
coisas do nosso país, com a preocupação de criar textos voltados ao pùblico infantil. 
Como cita Perroti (1986): 
 
[...] uma literatura brasileira para crianças e jovens não existirá antes da década 
de 20. Ela só se iniciará, na verdade, com Lobato, conforme atestam referências 
históricas [...] o que possuíamos eram “leituras escolares”, de feição nitidamente 
didática. O que era lido pelas crianças era uma literatura constituída por textos 
portugueses feitos para essa faixa etária ou textos não infantis, como Os 
Lusíadas, de Camões, ou ainda textos traduzidos vindos de Portugal, adaptados 
ou não. Textos importados de Portugal, como História do Trancoso ou traduzido: 
Perrault, Grimm, Andersen etc (PERROTI, 1986, p.57). 
 
 
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Monteiro Lobato um escritor brasileiro que reescrevia fábulas antigas e criava 
novas, dedicando-se, desde muito cedo nas escritas literária, escrevendo artigos e 
cronicas para jornais e revistas. Os seus livros voltado ao público infantil, divertiu muitas 
crianças, através da turma do Sítio do Pica Pau Amarelo e as suas histórias também 
relatava o folclore Brasileiro. 
Monteiro Lobato faz parte da história da literatura brasileira, deu vida a sua 
produção literária, criado e inventado de maneira diversificada, dando o devido valor sem 
distinção de raça, posição finaceira e buscou sempre levar a criança para o mundo 
imaginàrio através das travessuras dos seus personagens. 
A seguir, apresentamos um trecho de Lajolo (2010) acerca da biografia de Lobato: 
 
José Renato Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, cidade do interior de São 
Paulo, em 18 de abril de 1882. Mais tarde, mudou seu nome para José Bento, o 
mesmo de seu pai. Muito jovem, com apenasquinze anos, perdeu o pai e, no 
ano seguinte, a mãe, indo viver com seu avô materno, o Barão de Tremembé. 
(...) tornando-se editor da Revista do Brasil, que pertencia ao grupo do jornal O 
Estado de S. Paulo. Sua vida transformou-se e Lobato envolveu-se em uma série 
de projetos: fundou a Editora Monteiro Lobato, que abriu espaço para novos 
escritores, além de modernizar o tratamento gráfico dado aos livros e seu 
processo de vendas. É neste momento que Lobato escreve A menina do 
narizinho arrebitado, que inaugura sua criação literária para crianças. Alguns 
anos depois, decidiu mudar-se para Buenos Aires, onde contava com muitos 
admiradores. Regressou a São Paulo, onde morreu em 4 de julho de 1948. 
Lobato escreveu vários contos para adultos, mas é na literatura infantil que é 
consagrado por leitores e críticos. Em homenagem a Lobato, considerado o pai 
da literatura infantil brasileira, o dia 18 de abril, dia de seu nascimento, tornou-
se o Dia Nacional do Livro Infantil (LAJOLO, 2010, p. 44). 
 
 
Figueiredo Pimentel publicou, em 1984. Os Contos da Carochinha,no seguimento 
das Histórias da avozinha e as Histórias da Baratinha. Apesar de iniciador de um trabalho 
de literatura, restringiu-se a adaptações de contos clássicos vindos de Portugal. 
 Depois de Lobato, surge uma nova geração, como: Cecília Meireles, inovando 
concepção de Literatura infantil com extensões pedagógicas, ela preocupava com as 
questões estética e rimas para facilitar o aprendizado da leitura. 
Perroti (1986) diz que: 
 
Cecília Meireles faz profissão de fé no valor estético enquanto critério norteador 
da criança literária para crianças e jovens. Tudo é uma literatura só. Assim, a 
dificuldade está em delimitar o que se considera como especialmente do âmbito 
infantil. A delimitação é realizada pelas crianças ao escolherem seus títulos 
preferidos. A ela interessa distinguir o que é “estético” e o “utilitário” (PERROTI, 
1986, p. 75). 
 
 
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Diferenciação entre “estético” e “utilitário”. Para a autora os textos literarios tinha 
que ser uma obra-prima, sem formlidade, ao nível infantil para conduzir o leitor ao 
aprendizado. A Literatura infantil sempre teve uma conotação de forma literária menor, 
vinculada à função utilitário-pedagógica. 
Conforme afirmam Palo e Oliveira (2006) a respeito da função pedagógica: 
 
Dentro do contexto da literatura infantil, a função pedagógica implica a ação 
educativa do livro sobre a criança. De um lado, relação comunicativa leitor-obra, 
tendo por intermediário o pedagógico, que dirige e orienta o uso da informação; 
de outro, a cadeia de mediadores que interceptam a relação livro-criança: família, 
escola, biblioteca e o próprio mercado editorial, agentes controladores de usos 
que dificultam à criança a decisão e a escolha do que é, como ler.(PALO; 
OLIVEIRA, 2006, p. 13) 
 
 
Ao descrever os problemas no dia-a dia que fazem parte da vida das crianças, a 
literatura assume-se como texto artístico. Não há somente, a fantasia, e sim realismo 
quebrando tabus e preconceitos presentes nas histórias infantis. 
 
2. METODOLOGIA TRILHADA RUMO AO CONHECIMENTO 
 
A metodologia foi desenvolvida em três etapas. A primeira etapa ocorreu a 
pesquisa bibliográfica sobre o tema proposto para pesquisa. Seleção, de leitura e 
fichamento dos textos teóricos como fonte para a construção da fundamentação teórica 
da presente pesquisa. Como segunda etapa foi desenvolvida uma pesquisa de cunho 
qualitativo. A pesquisa teve como locus a Escola da Rede Municipal de Ensino de 
Jaciara. Realizou-se a pesquisa de campo com a entrevista semiestruturada, que foi 
aplicada à professora regente, em uma sala da Educação Infantil. “A entrevista 
semiestruturada também requer um roteiro de entrevista, mas permite certa flexibilidade 
ao abordar os entrevistados, se o entrevistador julgar que uma pergunta já foi respondida 
podemos eliminá-la” (ALMEIDA, 2011, p. 63). 
Para compreender como ocorre processo de ensino aprendizagem das crianças 
com a utilização da Literatura Infantil em sua vida. Como terceira e última etapa, foi 
realizada a análise dos dados coletados, buscando desenvolver um diálogo dos dados 
reais relacionado às fontes teóricas levantadas, externando a realidade pesquisada e os 
resultados alcançados. 
 
 
 
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2.1 A Pesquisa na Escola Municipal Maria Villany Delmondes 
 
A Pesquisa foi realizada na Escola Municipal Maria Villany Delmondes com o 
intuito de conhecer a realidade e investigar as metodologias utilizadas em sala de aula, 
com a Literatura Infantil na Educação Infantil. Esta escola é uma das melhores do 
município tendo mais ou menos 880 alunos, sendo composta por 10 salas de Educação 
Infantil, 14 salas no Ensino Fundamental I e 09 salas no Ensino Fundamental II. Com a 
visita na escola os dados foram levantados em uma conversa com a coordenadora da 
Educação Infantil, onde fui autorizada para desempenhar a pesquisa. Fui bem recebida 
e encaminhada para a turma de educação infantil. A sala é típica da educação infantil 
decorada com imagens alegres, onde logo vi o “Cantinho da Leitura”. A Professora foi 
cordial e simpática expliquei sobre a pesquisa e fui fazendo a entrevista , a mesma foi 
respondendo, atendendo as minhas respectivas inquietações e curiosidades sobre o 
referido assunto. 
 
2.2 A sala do Pré – I 
 
A pedagoga (professora entrevistada) é responsável por 23 crianças de 4 anos 
que compõem a sala do Pré – I. Essas crianças são diferentes, umas das outras com 
culturas diferenciadas tendo origens migratórias do sul e nordeste do País. A sala é 
espaçosa, arejada com ventilador e janelas, tem mesas e cadeiras adequada com o 
tamanho das crianças. Tem também um armário, uma mesa, uma cadeira para a 
professora e a lousa. No cantinho da leitura tem um porta livros feito de TNT e uma caixa 
para guardar livros e outra para guardar revista de recorte. 
 
2.3 Análise de dados 
 
Foi concluída a pesquisa, com a Pedagoga da instituição observada. Através da 
entrevista observa-se resultado na perspectivas educacional de aprendizagem e a 
ligação das crianças com a Literatura Infantil, verifica-se através das respostas a 
contribuição da mesma. 
Segue abaixo as respostas da entrevista feito com a Pedagoga: 
 
 
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1 – A Literatura Infantil é utilizada como recurso pedagógico na Educação Infantil? 
De que maneira? 
Resposta – Sim. Através da contação de história com fantoches ou não. Leituras 
com livros, livros com poucas escritas e mais imagens para as crianças construirem 
a história, teatro representação dos personagens da história e reconto feito pelas 
crianças. Através de letras de música, parlendas, poemas, poesias e outras. 
 
Quando a professora faz a atividade do reconto da história percebe – se que, ela 
envolve as crianças a ter respeito mútuo, sabendo o momento de ouvir e de falar de 
acordo com suas mediações. Ao dar a liberdade de escolha na representação dos 
personagens as crianças podem manifestar seus desejos e opiniões e descobrir talentos 
teatrais. 
 A vida é mediada pela palavra, quer seja ela lida, contada, cantada ou escrita, 
estimula a criança a ter gosto pela leitura, como diz: Abramovich (2005). 
 
É importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas e muitas 
histórias. Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é 
ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do 
mundo. (ABRAMOVICH, 2005, p.16). 
 
Segundo a autora, utilizar a literatura como recurso pedagógico, envolve as 
crianças incentivando a participar, buscando chamar atenção de várias maneiras quer 
seja com recursos visuais ou sonoros, tornando assim as histórias mais prazerosa e 
atraente para os pequenos. Quando a criança participa ela vai construindo os seus 
conhecimentos e flutuando no seu imaginário, para maior percepção do mundo. 
Ao trabalhar variados gêneros textuais, estimulaas crianças a ouvirem e treinarem 
oralmente, variados sons, através da leitura, brincadeiras e movimentos através de 
gestos e mimicas. 
 
2 – A sala tem um Projeto de Leitura? 
Resposta – Sim a Bolsa Viajante. Este projeto contém uma bolsa para colocar o 
livro e o caderno de registro, levada pelas crianças em suas casas. 
 
Com o projeto Bolsa Viajante a professora procura despertar o gosto pela 
leitura,através de seu insentivo ao contar e ler histórias infantis em sala de aula. Ao 
adotar o projeto, a Pedagoga cria uma expectativa com crianças, dando - lhe para si a 
 
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responsabilidade de cuidar da bolsa, de desempenhar as tarefas pedida e relatar suas 
experiências e fazer o reconto da história. 
 (AGUIAR, 2001, p. 149) descreve em sua fala (...) No ato da leitura, encontram-
se as expectativas do autor traduzidas no texto, e as do leitor transferidas para o texto, 
uma vez que a leitura vai estar marcada por sua experiência e comprenssão. 
 
3– De que maneira o Projeto é elaborado e aplicado em sala de aula? Como 
ocorre? 
Resposta – Além das atividades utilizando a Literatura Infantil em sala, o Projeto 
conta com a participação dos pais. O Nosso projeto ‘’Bolsa Viiajante’’ ocorre com a 
participação de todos os alunos da sala, começando pela chamada da 
turma, sendo que cada um tem seu dia para escolher o livro, levando – o para casa. 
 O aluno(a) tem o compromisso de pedir aos pais para ler o livro. Após a leitura a 
criança tem como tarefa, desenhar o que entendeu da história no caderno de 
 registro. No outro dia a criança volta para a escola e conta a história lida em 
casa para seus colegas de sala. 
 
 Ao explorar os livros em sala de aula no inicío do ano as crianças as vezes utiliza-
os como se fosse um brinquedo e aos poucos vai aprendendo a folhear e interessar- se 
a descobrir as imagens ilustradas no mesmo. Através das ilustrações começa a fazer 
leitura visual e insentiva à buscar livros,em diversos formatos, mais chamativos, com 
ilustrações alegres. Os objetivos da professora, trabalhar a Literatura Infantil em sua 
turma implica também, na ação conjunta com a família e a escola mediando a formação 
de leitores. Conforme afirmam Palo e Oliveira (2006) a respeito da função pedagógica: 
 
Dentro do contexto da literatura infantil, a função pedagógica implica a ação 
educativa do livro sobre a criança. De um lado, relação comunicativa leitor-obra, 
tendo por intermediário o pedagógico, que dirige e orienta o uso da informação; 
de outro, a cadeia de mediadores que interceptam a relação livro-criança: família, 
escola, biblioteca (PALO; OLIVEIRA, 2006, p. 13). 
 
Quando a criança já tem o contato com os livros torna-se prazeroso para ela 
folhear livros diferentes ou repetir os conhecidos mostrando, o que já conhece para os 
mediadores da leitura do momento, quer seja da família, da escola,ou bibliotecário 
conforme a intimidade com os mesmos. 
 
 
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4 – Quais as contribuições da Literatura Infantil no desenvolvimento da criança? 
Resposta - Ela contribui no processo ensino aprendizagem, ajuda no 
desenvolvimento socio motor, oralidade, insentiva a imaginação, desenvolve a 
criatividade, senso crítico, diminui a timidez, colabora nas relações sociais, 
respeito mútuo e afeto, entre eles e com a professora. 
 
A professora relatou também que além de ajudar no desenvolvimento das 
crianças, as histórias infantis divertem-as deixando-as desinibidas e criando nelas a 
vontade de expressar suas opiniões. Através da interações vividas na escola as crianças 
vão ganhando autonômia e liberdade para expressar sua preferêcias nos gêneros 
textuais. 
 Vygotsky (2001, 2009) nos permite afirmar que, quanto maior for as experiências 
vividas pelas crianças, mais ampliadas serão suas potencialidades criadoras. Nesse 
sentido, o livro pode se tornar um brinquedo capaz de desenvolver, além dos sentidos, 
também a inteligência, a criatividade, a afetividade e o senso crítico da criança, desde 
que ela possa estar ativamente inserida em práticas sociais de narrativias, em que a 
imaginação e a atividade criadora possam ser ativadas e estimuladas. 
Como um recurso pedágogio a Literatura Infantil pode ampliar a imaginação e 
estimular a criança em sua atividades livres, onde ela possa relatar através de desenhos, 
narrar os fatos e te mesmo criticar, o que gostou, não gostou,em fim o que aprendeu 
com a leitura. 
 
5 – Onde é colocado os livros de leitura ? 
Resposta – Os livros são organizado no início da aula pela professora no porta 
livros de TNT no Cantinho da Leitura. No final da aula é guardado pelas 
crianças numa caixa para a professora colocar no armário. 
 
A professora tem uma rotina do dia e sua programação a cada dia de ler,contar 
ou dramatizar uma história diferente. Ao dar a responsabilidade de cuidar, organizar os 
livros, as crianças ganham autonônia para sua vida e constróem uma relação de 
amor,respeito com os livros e colegas em suas convivências corriqueiras. 
 
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 De acordo com Abramovich (1989, p. 143-144), (...) é começar a amar um autor, 
um gênero, uma ideia, um assunto e, daí, ir seguindo por essa trilha e ir encontrando 
outros e novos volumes. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Na perpectiva de investigar as práticas pedagógicas na educação infantil foi 
escolhido um campo de experiência vivido pelas crianças na fase da Educação Básica. 
Na procura de saber quais os benefícios da Literatura Infantil para o desenvolvimento 
das crianças nesta fase. 
Através da pesquisa de campo com a professora regente, foi reconhecido e 
constatado, o que foi estudado através das falas dos teóricos citados neste artigo. Como 
educadora da educação infantil a pesquisa foi um ganho e crescimento profissional, com 
a troca de experiência com a escola e a professora. 
Entusiasmada com as respostas da professora vejo que posso aprofundar e 
investir cada vez mais em contação de História. Observei que o projeto aplicado com a 
parceria da família facilita a compreensão da realidade de cada aluno. 
Cabe a mim incetivar, oferecer histórias de Literatura Infantil para as crianças, 
deixar fluir a imaginação, em busca de novos saberes, dando oportunidade de tomar 
gosto pela leitura, seja ela usada de diferentes linguagens, mas que sempre fique com 
um sabor de quero mais. Porém assim terei a certeza que estarei contribuindo com a 
formação de novos cidadãos, críticos e reflexivos, numa sociedade do imediatismo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
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