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Estratégias de leitura - texto e contexto Apresentação As estratégias de leitura, considerando tanto o texto quanto o contexto, desempenham um papel fundamental na compreensão e interpretação eficaz de textos diversos. Essas estratégias visam não apenas decifrar as palavras no papel, mas também compreender a estrutura, os significados subjacentes e a influência do contexto na mensagem transmitida pelo texto. A leitura, assim, transcende a simples decodificação das palavras, tornando-se uma atividade dinâmica e complexa. A compreensão contextualizada de um texto é essencial para extrair significados mais profundos e precisos. Compreender o contexto em que um texto é produzido e consumido permite uma leitura mais crítica, sensível e contextualizada. Essas estratégias capacitam os leitores a mergulhar nas entrelinhas, a interpretar nuances e a captar mensagens subjacentes, fornecendo uma compreensão mais completa e enriquecedora do material lido. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aperfeiçoar sua habilidade de realizar leituras aprofundadas e verticais que estejam alinhadas com suas metas como leitor, buscando entender os aspectos mais importantes de um texto. Além disso, você vai ter a oportunidade de melhorar suas técnicas de leitura baseadas no contexto, para reconhecer e decodificar elementos contextuais significativos para uma interpretação mais abrangente dos textos. Por meio da criação e análise de textos, você vai investigar a relevância e o uso dos elementos contextuais em diversos estilos de textos, potencializando sua capacidade de interpretação e análise crítica. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Desenvolver leituras verticais adequadas aos objetivos do leitor.• Aprimorar as estratégias de leitura contextual de um texto.• Produzir e ler textos com foco nos elementos contextuais relevantes a cada produção.• Desafio As modalidades textuais desempenham papéis específicos na comunicação, refletindo diferentes propósitos e estilos linguísticos. Entre essas modalidades está a carta, um texto marcado por informalidade, intimidade e familiaridade entre remetente e destinatário. No entanto, apesar de sua linguagem cotidiana e acessível, a carta exige que o leitor tenha conhecimentos prévios para uma compreensão plena do seu conteúdo. Por meio dela, são compartilhadas informações pessoais, referências e contextos que, muitas vezes, demandam familiaridade prévia entre os envolvidos. Nesse contexto, imagine-se como o destinatário da carta a seguir: Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/60b286fa-c553-459c-b7b6-a428c571dfbe/d173b088-3445-4326-9c62-fb031af86b61.jpg Como analista de comunicação, sua tarefa é identificar e apontar os conhecimentos prévios necessários para a compreensão do texto e do contexto abordado. Analise as entrelinhas, identifique as referências mencionadas e as alusões presentes na carta, destacando os elementos que demandam familiaridade prévia para uma interpretação completa do texto. Infográfico A compreensão de um texto vai além da simples decodificação das palavras. A leitura contextual é um processo complexo que requer análise minuciosa do que está explícito e do que está subentendido. Neste Infográfico, você vai encontrar uma visão detalhada do processo de leitura contextual. Vai delinear passo a passo como os leitores podem mergulhar nas entrelinhas dos textos. Por fim, vai identificar elementos implícitos considerando o contexto para enriquecer a compreensão do texto. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/b10fbeaf-210a-4a05-b4a7-09ef5e5809d8/42badb33-a608-4521-a9d7-6258eb2d6c09.png Conteúdo do livro Na busca por uma compreensão mais profunda e direcionada dos textos, as estratégias de leitura contextual são fundamentais. Esse conjunto de técnicas e abordagens visa não apenas entender o que está manifestado no texto, mas também explorar as entrelinhas, os contextos e os elementos subjacentes que enriquecem a compreensão. Nesse contexto, a compreensão de um texto vai muito além da simples decifração das palavras impressas. Envolve uma atividade interpretativa complexa que engloba a leitura contextual. Portanto, não se limita a identificar o que está explicitamente escrito, mas busca adentrar nos significados subjacentes, considerando o contexto e as entrelinhas do texto. No capítulo Estratégias de leitura — texto e contexto, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai compreender a leitura contextual vertical, direcionando sua interpretação de acordo com seus objetivos específicos. Além disso, vai aprender como aprimorar as estratégias envolvidas na leitura contextual. Você vai entender como a leitura contextual permite ao leitor também produzir textos considerando os elementos contextuais pertinentes. Boa leitura. COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO Letícia Sangaletti Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147 S225c Sangaletti, Leticia. Comunicação e expressão [recurso eletrônico] / Leticia Sangaletti, Laís Virginia Alves Medeiros; [revisão técnica: Laís Virginia Alves Medeiros] . – Porto Alegre: SAGAH 2018. ISBN 978-85-9502-215-7 1. Comunicação. 2. Língua Portuguesa. I. Medeiros, Laís Virginia Alves. II. Título. CDU 81’38 Revisão técnica: Laís Virginia Alves Medeiros Mestra em Letras – Estudos da Linguagem: Teorias do Texto e do Discurso Bacharela em Letras – Habilitação Tradutora: Português e Francês Estratégias de leitura – texto e contexto Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Desenvolver leituras verticais adequadas aos seus objetivos como leitor. � Aprimorar as estratégias de leitura contextual de um texto. � Produzir e ler textos com foco nos elementos contextuais relevantes a cada produção. Introdução Neste texto, você vai trabalhar com o segundo nível de uma leitura vertical, que é o do contexto. Você deve aperfeiçoar a leitura que faz do que está nas entrelinhas, mas que é igualmente importante para o aprofundamento da leitura de um texto. Contexto: conceituando A leitura é uma atividade complexa de produção de sentidos. Ela ocorre com base em elementos linguísticos que estão presentes na superfície e na forma de organização do texto. Contudo, requer a mobilização de um conjunto de saberes diverso e vasto. Um texto é construído na interação entre sujeito e texto. Para a produção de sentido, é necessário considerar o contexto. Para Solé (1998), a leitura é o processo pelo qual a linguagem escrita é compreendida. Esse processo envolve o texto, o leitor e ainda suas expectativas e conhecimentos prévios. Isso porque, para ler, é necessário ter o domínio das habilidades de decodificação, a definição do objetivo da leitura e a ativação de ideias e experiências prévias. Também é necessária a realização de previsões e inferências que se apoiam em informações do texto e nos conhecimentos prévios. Todos esses conhecimentos constituem diferentes tipos de contextos sub- sumidos por um contexto mais abrangente, o contexto sociossignificativo. É importante você levar em conta quais significados devem se tornar explícitos. Isso vai depender do uso que o produtor do texto fizer dos fatores contextuais. Dessa forma, a explicitude do texto escrito em contraposição à parte implícita do texto falado não passa de um mito. Tanto na fala quanto na escrita, os pro- dutores fazem uso de uma multiplicidade de recursos, muito além das simples palavras que compõem as estruturas (KOCH; ELIAS, 2006). Na leitura, o contexto linguístico, chamado pelas autoras de cotexto, orienta o leitor na construção da imagem do que ele lê. Porém, além da questão linguís- tica, a leiturado texto também demanda a reativação de outros conhecimentos armazenados na memória. “A produção de sentido se realiza à medida que o leitor considera aspectos contextuais que dizem respeito ao conhecimento da língua, do mundo, da situação comunicativa, enfim.” (KOCH; ELIAS, 2006, p. 59). De acordo com as autoras, o contexto é um dos conceitos centrais nos estudos em linguística textual. Elas citam como exemplo a metáfora do iceberg: ele possui uma pequena superfície à flor da água (o que é explícito) e uma imensa superfície subjacente, que é o fundamento da interpretação (o implícito). Você pode considerar que o contexto é o iceberg como um todo, sendo tudo aquilo que contribui para (ou determina a) construção do sentido de alguma forma. Para que duas ou mais pessoas possam se compreender mutuamente, é preciso que seus contextos sociocognitivos sejam no mínimo parcialmente semelhantes. Ou seja, seus conhecimentos devem ser compartilhados pelo menos em partes, tendo em vista que é impossível duas pessoas partilharem exatamente as mesmas informações. Ao entrar em uma interação, cada um dos interlocutores traz consigo sua bagagem cognitiva, o que já é, por si mesmo, um contexto. Em uma situação cotidiana, Koch exemplifica que os interlocutores situam o seu dizer em um determinado contexto, que é constituinte e constitutivo do próprio dizer (KOCH; ELIAS, 2006). Assim, vão alternando, ajustando ou conservando o contexto, de acordo com o curso da interação, com o objetivo de chegar à compreensão. Estratégias de leitura – texto e contexto96 Contexto e compreensão Como você viu, para que haja compreensão do texto e para a construção da coerência textual, é imprescindível que se considere o contexto. Ele engloba não apenas o cotexto, mas também a situação de interação imediata, a situ- ação mediata (entorno sociopolítico e cultural) e o contexto cognitivo dos interlocutores. De acordo com Koch e Elias (2006), o contexto cognitivo dos interlocutores subsome os demais. Isso ocorre pois ele reúne todos os tipos de conhecimento arquivados na memória dos atores sociais que precisam ser mobilizados por ocasião do intercâmbio verbal. São eles: � O conhecimento linguístico propriamente dito; � O conhecimento enciclopédico, que pode ser declarativo (que se recebe pronto e é introjetado na memória “por ouvir falar”) ou episódico (ad- quirido por meio da convivência social e armazenado em “bloco” sobre as diversas situações e eventos da vida cotidiana); � O conhecimento da situação comunicativa e de suas “regras” (situacionalidade); � O conhecimento superestrutural ou tipológico (gêneros e tipos textuais); � O conhecimento estilístico (registros, variedades da língua e sua ade- quação às situações comunicativas); � O conhecimento de outros textos que permeiam a cultura (intertextualidade). Nesse sentido, Koch e Elias apontam que o contexto é constitutivo da própria ocorrência linguística. Nessa esteira, afirmam “[...] que se pode dizer que certos enunciados são gramaticalmente ambíguos, mas o discurso se encar- rega de fornecer condições para sua interpretação unívoca.” (KOCH; ELIAS, 2006, p. 64). Assim, o contexto é, de acordo com as autoras, um conjunto de suposições que tem por base os saberes dos interlocutores, mobilizados para a interpretação de um texto. Para Koch e Elias, assumir esse pressuposto implica dizer que as relações entre informação explícita e conhecimentos pressupostos como partilhados podem ser estabelecidas, como você já viu nos capítulos anteriores, por meio de estratégias de “sinalização textual”. Por intermédio delas, o locutor, por ocasião do processamento textual, procura levar o interlocutor a recorrer ao contexto sociocognitivo. 97Estratégias de leitura – texto e contexto Koch e Elias (2006, p. 66-67) afirmam que um estudo de texto sem a consideração do contexto é altamente insuficiente, pois: � Certos enunciados são ambíguos, mas o contexto permite fazer uma interpretação unívoca; � O contexto permite preencher as lacunas do texto, isto é, estabelecer os “elos faltantes”, por meio de interferências-ponte; � Os fatores contextuais podem alterar o que se diz; � Tais fatores se incluem entre aqueles que explicam ou justificam por que se disse isso e não aquilo (o contexto justifica). Para saber mais sobre o assunto, leia o texto “Categorias de análise textual aplicadas à leitura e à produção de textos” (ELEUTÉRIO, 2010). Contexto na escrita Koch e Elias (2006) afirmam que é preciso distinguir entre contexto de produ- ção e contexto de uso. No que concerne à interação face a face, esses contextos coincidem. Mas, quando se trata da escrita, não, pois nessa o contexto de uso é o mais importante para a interpretação. Conforme as autoras, independentemente da situação comunicativa, o sentido de um texto não se relaciona apenas com a estrutura textual em si mesma. Grande parte dos objetos de discurso a que o texto faz referência é apresentada de forma incompleta. Desse modo, muita coisa permanece implícita na mensagem. Quem produz o texto pressupõe que o leitor/ouvinte possui conhecimentos textuais, situacionais e enciclopédicos. Então, não deixa explícitas as informações que considera redundantes ou desnecessárias. É preciso fazer um “balanceamento” do que necessita ser explicitado e do que pode permanecer implícito. Isso supondo que o interlocutor poderá recuperar essa informação por meio de inferências. Nas palavras das estudiosas: “O leitor/ouvinte espera sempre um texto do- tado de sentido e procura, a partir da informação contextualmente dada, cons- Estratégias de leitura – texto e contexto98 truir uma representação coerente, por meio da ativação de seu conhecimento de mundo e/ou deduções que o levam a estabelecer relações de temporalidade, causalidade, oposição etc.” (KOCH; ELIAS, 2006, p. 72). Desse modo, o leitor/ouvinte usa todos os componentes e estratégias cog- nitivas que tem à disposição para dar ao texto uma interpretação dotada de sentido. Assim, as estudiosas afirmam que, para que duas ou mais pessoas possam se compreender mutuamente, é imprescindível que seus contextos sociocognitivos sejam semelhantes, nem que seja parcialmente. Para ver exemplos de crônicas, leia o capítulo “(Con)texto, leitura e sentido” (KOCH; ELIAS, 2006). Nas Figuras 1 e 2, você pode ver alguns exemplos em que o contexto é importante para a compreensão da mensagem. Figura 1. Charge sobre padronização do conceito de família. Fonte: Laerte (2015). 99Estratégias de leitura – texto e contexto Figura 2. Charge sobre piso salarial dos professores no Rio Grande do Sul. Fonte: Latuff (2014). Ambas as charges, feitas por Laerte e Latuff, possuem conotação política e estão ligadas a um contexto. Para alguém que não sabe o que aconteceu, fica difícil compreender o que as imagens estão ironizando. A primeira, por exemplo, trata de um capítulo polêmico da história brasileira, em que deputados propuseram que a concepção de família, por lei, fosse considerada apenas a tradicional: homem, mulher e filhos. Já a segunda está relacionada a um episódio em que o governador eleito em 2014 no estado do Rio Grande do Sul fez uma piada, dizendo que, se os professores quisessem piso (no caso, eles reivindicavam o piso salarial de professor), deveriam procurar na Tumelero (uma loja de produtos para construção civil). Agora, leia a crônica a seguir (CARPINEJAR, 2016): E quando uma cidade inteira morre? Uma cidade para no ar? Quando uma cidade some e o sangue se transforma em vento? Estratégias de leitura – texto e contexto100 Quando os relâmpagos emudecem. Quando as estrelas ficam enver- gonhadas de brilhar e o sol de aparecer. Quando uma cidade perde as suas residências dentro de um avião? Porque cada homem era uma casa, uma família, uma esperança. A queda da aeronave na Colômbia que levava o time do Chapecoense matou toda Chapecó na madrugada desta terça-feira (29/11). Porque Chapecó era o Chapecoense.Nunca vi uma torcida como aquela: pais, mães e filhos levantando bandeiras na Arena Condá. As ruas se esvaziavam para ouvir melhor o coração do estádio. Uma equipe movida pela alegria dos moradores que incentivaram com a loucura infantil do bairrismo e da gincana. Um viveiro de vozes, uma caixa de ressonância de gritos. Uma equipe que veio de baixo, da mais simples e monocromática chuteira, da pobreza da grama em 43 anos de história, que subiu da série D para A em apenas seis anos em 2013, campeão catarinense por cinco vezes, que se manteve com prestígio na elite do futebol brasileiro e que disputaria a final da Copa Sul-Americana na próxima quarta, o que seria seu maior título. Novatos no triunfo, mas veteranos na resiliência. 22 mil pessoas nas arquibancadas eram 210 mil pessoas na cidade. 74 mortos são 210 mil chapecoenses. Não duvido que um país inteiro não tenha definhado junto em Rio- negro, perto de Medellín, na Colômbia. Jamais contaremos os mortos da tragédia. Jamais saberemos ao certo o número de mortos. Somos hoje todos desaparecidos. Esse texto, intitulado “Somos todos Chapecoense”, de Fabrício Carpinejar, é do dia 29 de novembro de 2016 e fala sobre a tragédia que o time de futebol Chapeconse, da cidade de Chapecó (SC), sofreu quando viajava para um disputa importante: a final da Copa Sul-Americana, na Colômbia. O avião em que o time estava caiu, matando 74 pessoas. Nessa crônica, o reconhecimento dos fatos é um pouco mais fácil do que nos exemplos anteriores, pois há certa contextualização das informações no texto. 101Estratégias de leitura – texto e contexto Você pode aprender mais sobre texto e contexto no link e código a seguir (JUBA CRUZZ COVERS MUSICAIS, 2015): https://goo.gl/8vwrLj CARPINEJAR, F. Somos todos Chapecoense. O Globo, Rio de Janeiro, 29 nov. 2016. Disponível em: . Acesso em: 08 out. 2017. ELEUTÉRIO, J. M. Categorias de análise textual aplicadas à leitura e à produção de textos. Linguagem, São Carlos, v. 17, 2010. Disponível em: . Acesso em: 08 out. 2017. JUBA CRUZZ COVERS MUSICAIS. Texto e contexto: Prof. Pasquale explica! [S.l.]: YouTube, 2015. 1 vídeo. Disponível em: . Acesso em: 08 out. 2017. KOCH, I. G. V.; ELIAS, V. M. Ler e compreender: os sentidos do texto. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2006. LAERTE. [Estatuto da Família]. [S.l.]: JusLiberdade, 2015. Charge. Disponível em: . Acesso em: 08 out. 2017. LATUFF. Sartori e o piso dos professores. [S.l.]: Sul21, 2014. Charge. Disponível em: . Acesso em: 08 out. 2017. SOLÉ, I. Estratégias de leitura. 6. ed. Porto Alegre: Penso, 1998. Estratégias de leitura – texto e contexto102 Dica do professor A leitura é um processo muito mais abrangente do que a simples decifração das palavras em um texto. Dentro desse universo de interpretação textual, a leitura contextual desempenha um papel crucial. Ela não se limita à compreensão do que está explicitamente expresso, mas busca extrair significados subjacentes e implícitos. Envolve a análise dos contextos históricos, culturais e situacionais que permeiam um texto, tornando-se essencial para uma interpretação completa e profunda. Nesta Dica do Professor, você vai compreender o conceito de leitura contextual e como desenvolver alguns procedimentos de análise. Com isso, vai entender que a leitura contextual não se resume à compreensão superficial do texto, mas envolve uma análise criteriosa para identificar nuances, subtextos e intenções subjacentes. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/14b16cd2a4e7602c09f1128bf7fcf9c2 Exercícios 1) As estratégias de leitura contextual não se limitam à superfície textual. Elas englobam a análise das entrelinhas, das intenções do autor e dos subtextos presentes na obra, permitindo uma compreensão mais ampla e profunda da mensagem transmitida. Leia o trecho da crônica “Dirigir um lar”, de Clarice Lispector, de 24 de fevereiro de 1960: "Somente uma mulher, e dona de casa, sabe e reconhece a grande tarefa que é bem dirigir uma casa. A dona de casa tem de ser, antes de tudo, uma economista, uma “equilibrista” das finanças, principalmente, com as dificuldades da vida atual. O lar é o lugar onde devemos encontrar a nossa paz de espírito num ambiente limpo, sadio e agradável e cabe à mulher providenciar isso [...] A boa dona de casa é a que sabe dar ordens e acompanha de perto a sua execução. É a que mantém a limpeza, a ordem, o capricho em sua casa, sem fazer desta um eterno lugar de cerimônias, de deveres, onde tudo é proibido. É a que faz de sua casa o lugar de descanso, da felicidade, do marido e dos filhos, onde eles se sentem realmente bem, à vontade e são bem tratados. O melhor lugar do mundo." Considerando as informações contextuais e o trecho da crônica, indique a alternativa correta sobre a função principal da mulher, no ano de 1960, como dona de casa: A) Promover a espiritualidade da família. B) Definir o que era permitido ou proibido. C) Preparar um lugar cerimonioso. D) Gerir a casa e mantê-la em ordem. E) Promover a paz de espírito dos moradores. 2) O aprimoramento das estratégias de leitura é essencial para uma compreensão mais profunda e eficaz do texto. As estratégias contextuais referem-se à habilidade do leitor em compreender um texto por meio de pistas contextuais, como palavras-chave, expressões ou estrutura do texto. Considerando a importância das estratégias contextuais na leitura, escolha a alternativa que indica uma maneira correta de aprimorar essas estratégias. A) Focar exclusivamente nas palavras desconhecidas, desconsiderando o restante do contexto, para compreender o significado do texto. B) Ler apenas o início e o final do texto, pulando as partes intermediárias, para obter uma visão mais abrangente do contexto. C) Ignorar completamente o contexto e confiar apenas no conhecimento prévio do leitor sobre o assunto abordado no texto. D) Saltar para as perguntas ou resumos antes de iniciar a leitura do texto, buscando entender o contexto por meio de questões específicas. E) Identificar palavras-chave e expressões-chave para compreender o contexto e buscar conexões entre elas e as informações do texto. Ao tematizar o mesmo fato da revista Veja, a revista Carta Capital, de 11 de março de 2013, traz também a notícia da morte de Hugo Chávez. Observe as informações contextuais presentes na capa e julgue as três asserções que seguem com relação ao posicionamento desse veículo quanto às ações do ex-presidente. 3) Das três afirmativas, pode-se dizer que: I. A revista Carta Capital, provavelmente, foi favorável à política do ex-presidente, o que pode ser afirmado pela manchete “a morte de um líder” e pela imagem de um líder que olha para frente com um semblante de visionário. II. A revista Carta Capital, provavelmente, foi contrária à política do ex-presidente, o que pode ser afirmado pela opção por uma imagem desfocada e com cores vibrantes. III. Os indícios deixados na capa não são suficientes para que o leitor infira sobre o posicionamento da revista Carta Capital em relação à política do ex-presidente. Assinale a alternativa correta: A) III. B) I e II. C) II e III. D) I. E) II. As estratégias de leitura contextual representam um conjunto valioso de ferramentas que os leitores utilizam para compreender um texto para além das palavras escritas. A leitura contextual vai além da mera decodificação do texto, pois busca captar os significados implícitos e subjacentes, considerando o contexto em que a obrafoi produzida. A partir disso, analise o trecho da canção “Língua”, de Caetano Veloso: "Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões Gosto de ser e de estar E quero me dedicar a criar confusões de prosódia E uma profusão de paródias Que encurtem dores E furtem cores como camaleões Gosto do Pessoa na pessoa Da rosa no Rosa E sei que a poesia está para a prosa Assim como o amor está para a amizade E quem há de negar que esta lhe é superior? E deixe os Portugais morrerem à míngua 4) "Minha pátria é minha língua" Fala Mangueira! Fala! Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó O que quer O que pode esta língua?" A partir dos versos acima, qual dispensa inferências a conhecimentos específicos para que o leitor possa construir um sentido? A) Gosto do Pessoa na pessoa. B) [Gosto] Da rosa no Rosa. C) E deixe os Portugais morrerem à míngua. D) Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó. E) O que quer/O que pode esta língua? As estratégias de leitura contextual capacitam os leitores a explorar os significados ocultos, as nuances e os contextos sutis que enriquecem a experiência de leitura, Isso promove uma compreensão mais completa e reflexiva das obras literárias e textos diversos. A partir disso, leia um trecho de “A rosa de Hiroshima”, de Vinícius de Moraes: "Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas oh não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroshima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida. A rosa com cirrose A anti-rosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada." 5) Ao intitular a poesia de “A rosa de Hiroshima”, Vinícius de Moraes faz uma associação entre as imagens da rosa e da bomba de Hiroshima. Os termos que objetivamente conduzem o leitor para tal ligação são: A) rosa com cirrose, rosas cálidas. B) rotas alteradas; cegas inexatas. C) rosa radioativa, anti-rosa atômica. D) crianças mudas, feridas. E) crianças telepáticas; rosas cálidas. Na prática Uma mudança na dinâmica de comunicação interfere nas relações interpessoais, destacando a relevância dos contextos sociais, históricos e relacionais na compreensão dessas interações. A análise contextual se mostra crucial para entender as nuances presentes nas ordens e para perceber a dinâmica de poder subjacente, proporcionando insights valiosos sobre a comunicação em ambientes profissionais. Nesta Na Prática, você vai acompanhar um caso que exemplifica a importância da análise contextual na interpretação de ordens ou comandos, ilustrando como o entendimento dos contextos sociais, históricos e relacionais influenciam significativamente a percepção e reação diante dessas situações no ambiente de trabalho. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/903f2416-c9a6-47e7-a742-252e91ac1490/2f3bf585-2f86-4b4b-9178-a11c2fe5dc87.jpg Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: A internet e o letramento: relações contextuais na sociedade da cibercultura — pós-modernidade fragmentada, discursos móveis e cambaleantes Confira neste estudo como a interação entre a influência da internet e das tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC) na cibercultura impacta o letramento dos alunos, destacando a necessidade de uma abordagem crítica diante da fragmentação do saber. Isso reflete a adaptação aos discursos fluidos da sociedade pós-moderna. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Estratégias de leitura Será que você aproveita 100% de todas as suas leituras? Se você acha que algumas leituras precisam de mais atenção, assista como aplicar estratégias eficazes para otimizar suas leituras e aprimorar seu conhecimento, explorando técnicas que potencializam a compreensão e absorção do conteúdo desejado. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Gêneros e multimodalidade: o papel do plano de texto para o ensino da leitura Como enriquecer o ensino da leitura de textos multimodais? Confira neste artigo uma reflexão sobre a integração do plano de texto como ferramenta didática, aliada ao conceito de composicionalidade. Destaca-se a interação entre as linguagens, visando aprimorar as práticas de ensino e aprendizagem para textos complexos. https://www.e-publicacoes.uerj.br/re-doc/article/view/47836/33297 https://www.youtube.com/embed/duYv_OIrDLM?si=i_HlRhyHr3knHeHK Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.revistas.usp.br/linhadagua/article/view/167095/162688