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Significação e contexto
Apresentação
Nas suas teorizações a respeito do signo linguístico, Ferdinand de Saussure (2012 [1916]) pôde, 
dentre outras coisas, determinar o lugar dos significados dentro do campo dos estudos da 
linguagem, bem como descrever a sua natureza e seu funcionamento. No entanto, com o avanço de 
teorias linguísticas preocupadas mais com o uso da língua (isto é, a fala) do que com o sistema 
relativo a ela, em meados do século XX, os significados se tornaram alvo de algumas 
reconsiderações e reformulações bastante consideráveis. Por exemplo, a imutabilidade (sincrônica) 
que Saussure previa para os seus objetos – inclusive para os aspectos semânticos da linguagem – 
acabou sendo questionada por essas teorias, por meio, por exemplo, da noção de significação.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender mais a respeito dos processos de significação, 
qual a relação que eles mantêm com os significados e qual o papel que o contexto desempenha 
nesses processos.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar algumas noções e alguns aspectos do significado.•
Reconhecer as relações entre significado e significação.•
Analisar os aspectos relativos ao contexto.•
Desafio
Dependendo da situação, uma única palavra pode adquirir vários sentidos. Esses diferentes 
sentidos são encontrados em dicionários gerais da língua, organizados em acepções, isto é, 
definições numeradas que correspondem, cada uma, a um sentido específico que aquela palavra 
pode adquirir.
Você foi contratado por uma editora para redigir verbetes para um dicionário e ficou incumbido do 
verbete "rei". 
Redija o verbete com as diferentes acepções da palavra.
Infográfico
Dentre as áreas da linguística que tratam dos processos de significação, a lexicografia e a 
terminografia se ocupam mais dos significados de palavras e termos (isto é, dos seus aspectos 
semânticos mais gerais e estáveis) do que dos sentidos particulares que podem adquirir em cada 
circunstância de uso. Neste Infográfico, você vai observar alguns aspectos que caracterizam cada 
uma delas. 
Confira!
Conteúdo do livro
O significado é um conceito fundamental para os estudos em linguística e, mais especificamente, 
em semântica. Conforme a linguística foi se desenvolvendo como ciência, o campo de estudos dos 
significados também se desenvolveu e originou teorias diversas.
Acompanhe um trecho da obra Semânticas do Português, base teórica para esta Unidade de 
Aprendizagem. Leia o capítulo Significação e contexto, sobre os aspectos relativos à natureza e ao 
funcionamento da significação, bem como sobre o papel do contexto na sua determinação.
Boa leitura!
SEMÂNTICA 
DO 
PORTUGUÊS
Dalby 
Dienstbach
 
Revisão técnica:
Laís Virginia Alves Medeiros 
Bacharelado em Letras (UFRGS)
Mestrado em Letras (UFRGS)
Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094
D562s Dienstbach, Dalby.
Semântica do português / Dalby Dienstbach. – Porto 
Alegre : SAGAH, 2017.
79 p. : il. ; 22,5 cm. 
ISBN 978-85-9502-140-2
1. Semântica - Português. I. Título. 
CDU 81’3
Iniciais.indd 2 22/08/2017 10:06:59
Signi� cação e contexto
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identi� car algumas noções e aspectos do signi� cado.
  Reconhecer relações entre signi� cado e signi� cação.
  Analisar aspectos relativos ao contexto.
Introdução
Nas suas teorizações a respeito do signo linguístico, Ferdinand de Saussure 
(2012) pôde, dentre outras coisas, determinar o lugar dos significados 
dentre do campo dos estudos da linguagem, bem como descrever a sua 
natureza e o seu funcionamento. No entanto, com o avanço de teorias 
linguísticas preocupadas mais com o uso da língua (isto é, a fala) do que 
com o sistema relativo a ela, em meados do século XX, os significados 
se tornaram alvo de algumas reconsiderações e reformulações bastante 
consideráveis. Por exemplo, a imutabilidade (sincrônica) que Saussure 
previra para os seus objetos, “inclusive, para os aspectos semânticos da 
linguagem”, acabou sendo questionada por essas teorias, por meio, por 
exemplo, da noção de significação.
Neste capítulo, você vai aprender mais a respeito dos processos de 
significação, qual é a relação que eles mantêm com os significados e qual 
é o papel que o contexto desempenha nesses processos.
O significado
Os signifi cados das línguas vêm sendo investigados e discutidos desde muitos 
séculos antes do surgimento da linguística como uma ciência autônoma, na 
década de 1910 – quando é publicada, a propósito, a sua obra seminal Curso 
de linguística geral (SAUSSURE, 2012). Na verdade, podemos dizer que as 
primeiras considerações a respeito dos signifi cados remontam ao período 
clássico ocidental, com os esforços do fi lósofo grego Aristóteles (384–322 
Semântica do português_U3C6.indd 60 22/08/2017 13:14:24
a.C.) de explicar a natureza dos nomes (ou, ainda, dos termos) com base em 
uma suposta relação lógica sua com a realidade. 
Ainda assim, um momento crucial para a consolidação dos significados 
(e, sobretudo, do conceito mesmo de significado) como um objeto específico 
de investigação consiste na criação de uma área de estudos ocupada primor-
dialmente com esse fenômeno – a semântica originalmente (BRÉAL, 1883). 
Quando é recrutada pelo linguista suíço Ferdinand de Saussure (2012), na 
sua proposta inaugural de uma ciência autônoma da linguagem, a noção de 
significado se torna, por fim, um objeto fundamental da linguística.
Nas explicações de Saussure (2012, p. 19) a respeito do funcionamento e, 
principalmente, da estrutura das línguas, o termo “significado” está definido 
como sinônimo da noção de conceito. De natureza essencialmente psíquica, 
um conceito equivale, por sua vez, a um “fato de consciência” – ou, em outras 
palavras, a uma informação presente no nosso pensamento, que representa algo 
pertinente à realidade. A propósito, o significado, nos termos saussurianos, é 
explicado como a contraparte do significante (ou seja, da imagem acústica); a 
combinação de um significado com o seu significante dá origem, nesse caso, 
ao signo linguístico. 
Devemos observar, em tempo, que os estudos dos significados alinhados 
à escola linguística de Saussure (2012) – a qual chamaremos de escola estru-
turalista – explicavam a natureza desse objeto em termos, basicamente, da 
combinação de tantos traços semânticos (ou, ainda, de semas) quantos seriam 
necessários e suficientes para definir o seu conceito. Esses traços deveriam 
ser capazes, ainda, de distinguir os significados uns dos outros e determinar 
o seu lugar dentro do sistema da língua.
Com o desenvolvimento e a consolidação da linguística, ao longo das décadas 
seguintes à da publicação da obra Curso de linguística geral (SAUSSURE, 
2012), o campo dos estudos dos significados acaba se desdobrando em diversas 
teorias particulares (CANÇADO, 2008). Alinhadas a diferentes perspectivas e 
abordagens, essas teorias passam a se ocupar dos significados das línguas de 
um modo bastante amplo – ou seja, dos significados relativos tanto às palavras 
quanto às sentenças e, até mesmo, a textos inteiros.
Para algumas dessas teorias semânticas (identificadas como de aborda-
gem referencial), por exemplo, o significado de uma palavra corresponde 
àquilo a que tal palavra se refere. Mais especificamente, podemos dizer que 
os significados são determinados em função das relações de referência que 
as respectivas palavras e sentenças estabelecem com entidades no mundo. 
Essas entidades passam a constituir, pois, os seus referentes. Nos moldes de 
uma semântica referencial, por exemplo, o significado da palavra “cachorro” 
61Significação e contexto
Semântica do português_U3C6.indd 61 22/08/2017 13:14:24
equivale ao seu referente (ou ao conjunto de referentes) no mundo: qualquer 
mamífero da família dos canídeos domesticado (ou domesticável).
Durante operíodo clássico ocidental, os filósofos interessados no funcionamento da 
linguagem humana estavam divididos em dois grupos, que se definiam em função 
da forma como entendiam a relação entre as palavras e as entidades no mundo. Esses 
grupos eram um dos convencionalistas e outro dos naturalistas (COSTA, 2010). 
Para os naturalistas, por um lado, haveria uma relação natural entre as palavras e os 
objetos a que elas se referem. Nesse caso, as palavras refletiriam algo da natureza dos 
seus referentes. Os convencionalistas, por outro lado, defendiam que a relação entre 
uma palavra e o seu referente seria resultado de um hábito ou de uma convenção. 
Ou seja, o nome de um objeto qualquer seria fruto de um ato de batismo e não faria 
qualquer referência à sua natureza. Nas suas teorizações linguísticas, Saussure (2012) 
retoma a tradição convencionalista, a partir da sua alegação de que a relação entre 
os significados e os significantes de uma língua é necessariamente arbitrária – isto é, 
casual em vez de natural.
Outras teorias semânticas (nesse caso, de abordagem mentalista) explicam 
os significados de palavras e sentenças como determinados pelas relações que 
estabelecem não com entidades no mundo, senão com aquilo que conhecemos 
(isto é, com as nossas representações mentais) a respeito dessas entidades. 
Assim, a nossa compreensão do significado da palavra “cadeira”, por exemplo, 
não depende somente da existência de determinado móvel no mundo, mas, 
principalmente, das suas propriedades mais prototípicas – como da sua forma 
mais comum, das suas funções, dos lugares onde podemos encontrá-lo, em 
que circunstâncias podemos usá-lo, etc. 
Por fim, para teorias semânticas de abordagem pragmática, os significados 
de palavras e sentenças somente se estabelecem nas circunstâncias particu-
lares em que elas são usadas. Isso o é porque os significados emergiriam dos 
aspectos que compõem cada contexto de uso. Dessa forma, podemos acreditar 
que uma sentença, em diferentes contextos, vai denotar significados diferen-
tes. Considere, por exemplo, a sentença “você é tão esperto”. Se ela for dita 
a alguém que obteve uma pontuação alta em um teste, podemos interpretá-la 
como sendo um elogio. Porém, se ela for dita a alguém que não teve êxito no 
teste, então, ela deve expressar um comentário irônico.
Significação e contexto62
Semântica do português_U3C6.indd 62 22/08/2017 13:14:24
Significado, significação e sentido
Com base, principalmente, nas considerações de Saussure sobre a linguagem 
(SAUSSURE, 2012), podemos explicar o signifi cado como um conceito – que 
se contrapõe a e se combina com uma imagem acústica para, juntos, comporem 
um signo linguístico. Devemos ter em mente, ainda, que o signifi cado, na pers-
pectiva saussuriana, constitui uma noção pertinente à língua (como sistema), 
não à fala (como uso desse sistema). No entanto, precisamos reconhecer que 
os signifi cados também fazem parte do uso da língua. O funcionamento dos 
signifi cados no uso se tornou, nesse caso, objeto de investigação de teorias 
linguísticas ocupadas com o uso (ou, ainda, de teorias linguísticas da enun-
ciação). A partir dessa explicação, podemos nos ocupar das relações entre 
signifi cado e signifi cação.
Uma explicação simples diria que os significados das línguas consistem em 
um reflexo simples e objetivo de conceitos – ou seja, dos fatos do pensamento 
(SAUSSURE, 2012). Mais especificamente, no entanto, podemos definir o 
significado como o aspecto semântico mais geral de uma determinada palavra 
(ou, ainda, de um determinado signo linguístico), o qual possui algum valor 
no interior do sistema da língua. Deve ficar claro, portanto, que o signifi-
cado é um elemento pertinente à língua, não necessariamente à fala. Além 
do mais, uma observação importante é a de que os significados das línguas 
são imutáveis – em termos sincrônicos (SAUSSURE, 2012). Isso quer dizer 
que o aspecto semântico que corresponde ao significado de uma palavra se 
encontra, em grande medida, engessado, a ponto de se manter igual em todas 
as circunstâncias em que tal palavra é (ou ainda será) usada.
Dito isso, uma definição evidente para a noção de significação parece ser 
a de que ela constitui o processo por meio do qual um significado é atribuído 
a determinada palavra. No entanto, essa definição somente é pertinente se 
levarmos em consideração, unicamente, o aspecto semântico mais geral e 
constante das palavras – aliás, dentro do sistema da língua e fora do seu uso. 
Na verdade, à medida que entra em jogo o uso da língua (isto é, a fala), é 
preciso atentarmos para o fato de que a significação constitui um processo 
dinâmico e nem sempre produz os mesmos resultados, até mesmo quando se 
trata das mesmas palavras. Em cada vez que uma dada palavra é empregada 
em um enunciado particular, em princípio, ela desempenha uma função espe-
cífica, relativa a esse enunciado (BENVENISTE, 1995). Essa função, nesse 
caso, corresponde ao sentido daquela palavra, o qual diz respeito antes à sua 
significação (específica), naquele enunciado, do que ao seu significado (geral) 
dentro do sistema da língua.
63Significação e contexto
Semântica do português_U3C6.indd 63 22/08/2017 13:14:24
Considere, por exemplo, a palavra “flor” em português. Uma maneira de 
apreendermos o seu significado (mais estável, em princípio) seria consultando 
a sua definição em algum dicionário da língua. De fato, as várias acepções 
que compõem essa definição devem poder dar uma ideia do aspecto semântico 
mais geral da palavra “flor” – como sendo, por exemplo, a parte reprodutiva 
de alguma planta ou árvore. Agora, digamos que “flor” esteja sendo usada por 
um falante que está descrevendo uma terceira pessoa para o seu interlocutor, 
como na sentença “Mariana é uma flor”. Nesse caso, em particular, o sentido 
da palavra “flor” é muito específico, justamente porque diz respeito antes ao 
processo de significação (específica) impulsionado naquele enunciado (que se 
refere, talvez, à personalidade gentil e delicada da pessoa sendo descrita) do 
que ao seu significado (geral) na língua. A propósito, o sentido de “flor”, no 
enunciado do exemplo, parece estar bastante distante do seu aspecto semântico 
mais geral e estável dessa palavra.
De acordo com Rodolfo Ilari (2000), podemos traçar uma linha divisória entre as duas 
principais ciências linguísticas que tratam da significação: a semântica e pragmática 
– em função da forma como elas concebem esse processo. 
Por um lado, os estudos em semântica se comprometem estritamente com os 
aspectos semânticos de palavras e sentenças, relativos ao sistema da língua. O seu 
objeto de análise diz respeito, portanto aos significados (gerais) das línguas. Identificados 
com esses estudos estão, por exemplo, as teorias voltadas à produção e à organização 
de dicionários e glossários – como a lexicografia e a terminografia. 
Por outro lado, para os estudos em pragmática, interessam principalmente os aspectos 
relativos aos contextos de uso da língua. Esses estudos se ocupam, nesse caso, dos 
vários sentidos (específicos) que uma única palavra (ou sentença) pode assumir nas 
diversos contextos em que ela é (ou pode ser) evocada. Essa é a postura adotada, por 
exemplo, pelas teorias linguísticas da enunciação.
O contexto
Até onde podemos presumir, uma parte fundamental dos processos de signifi -
cação que mobilizamos, nos eventos de uso da nossa língua, está determinada 
pelos aspectos semânticos gerais e imutáveis que preenchem as palavras e 
sentenças que produzimos. De acordo com as considerações de Saussure 
(2012), essa parte corresponde, justamente, aos signifi cados que compõem a 
Significação e contexto64
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língua. No entanto, segundo argumentam teorias linguísticas voltadas à fala 
(ou, ainda, à enunciação), devemos reconhecer que uma outra parte igualmente 
importante desses processos de signifi cação depende das circunstâncias em queos enunciados são produzidos. Uma maneira que essas teorias encontraram para 
dar conta das particularidades que estruturam e, portanto, caracterizam essas 
circunstâncias (bem como da forma como essas particularidades interferem 
nos processos de signifi cação) é por meio da noção de contexto.
Uma primeira explicação (a propósito, bastante simples) para contexto é 
uma sugerida por Roman Jakobson (2008), que define esse conceito como 
as entidades no mundo às quais uma mensagem faz referência. Superando a 
noção de referência implicada nessa explicação, no entanto, podemos entender 
contexto (de um enunciado qualquer) como o conjunto de todas as informações 
que coocorrem com a produção desse enunciado (HALLIDAY; HASAN, 
1989). Via de regra, sabemos que essas informações relativas ao contexto são 
responsáveis por determinar, de alguma forma e em alguma medida, a direção 
que tomam os processos de significação mobilizados pelo enunciado. A título 
de conclusão, podemos afirmar, portanto, que o(s) sentido(s) do enunciado 
é(são) definido(s) pelo seu contexto.
Para efeitos de análise dos processos de significação, podemos considerar, 
pelo menos, quatro níveis de contexto: o contexto sintático, o cotexto, o con-
texto situacional (ou imediato) e o contexto cultural (ou global) (HALLIDAY; 
HASAN, 1989). 
Em primeiro lugar, quando assumimos a palavra como o ponto de partida 
das nossas análises, temos o contexto sintático, que corresponde à estrutura 
sintática na qual essa palavra está inserida. De fato, uma grande parte do sen-
tido que uma palavra pode adquirir depende das outras palavras que ocorrem 
antes e depois dela em uma sentença. Compare, por exemplo, os sentidos que 
a palavra “doce” pode ter nas seguintes sentenças: “o médico me proibiu de 
comer doce” e “Fernanda tem uma voz doce”. 
Já cotexto equivale ao conjunto de informações, dentro de um texto, que 
cercam uma dada sentença. Essas informações podem ser linguísticas (isto é, 
o conjunto das outras sentenças desse texto) ou não. Fazem parte do cotexto, 
por exemplo, as fotografias que acompanham uma reportagem de jornal e as 
figuras que ilustram as páginas de um livro de histórias infantis.
Por outro lado, quando passamos a considerar os processos de significação 
relativos a um enunciado (como, por exemplo, a um texto qualquer), podemos 
analisar o conjunto de informações que o cercam em termos de duas dimensões 
básicas. A primeira dessas dimensões, denominada contexto situacional (ou 
imediato) (HALLIDAY; HASSAN, 1989), compreende os elementos concretos 
65Significação e contexto
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(como o lugar, as pessoas, os objetos, etc.) que coocorrem na produção do 
enunciado. Por exemplo, somente podemos apreender todos os sentidos relativos 
a um enunciado como “entregue isso para ele” se pudermos identificar, no 
seu contexto imediato, os elementos (físicos) aos quais as expressões “isso” 
e “ele” se referem. 
A outra dimensão está representada pelo que podemos chamar de contexto 
cultural (ou global) (HALLIDAY; HASSAN, 1989), O contexto cultural 
inclui, por sua vez, os dados históricos, políticos, sociais, culturais, etc., 
compartilhados pelos interlocutores. Imagine, por exemplo, uma conversa 
entre duas pessoas, a respeito da proclamação da independência do seu país. 
O entendimento de muitos dos sentidos que são evocados nessa conversa de-
pende do seu contexto cultural – isto é, dos conhecimentos que essas pessoas 
possuem sobre esse momento particular da história.
1. De acordo com as teorias semânticas 
de abordagem mentalista, de 
que forma são determinados os 
significados de palavras e sentenças?
a) São determinados em função 
das relações de referência 
que estabelecem com 
entidades no mundo.
b) São determinados em função dos 
traços semânticos que podem 
definir os respectivos conceitos.
c) São determinados em função 
dos conceitos (ou, ainda, dos 
fatos de consciência) relativos 
ao sistema da língua.
d) São determinados em função das 
propriedades que caracterizam 
os seus contextos de uso.
e) São determinados em função 
daquilo que conhecemos 
a respeito das respectivas 
entidades no mundo.
2. O aspecto semântico mais geral 
e estável de uma palavra se 
refere ao seu conceito – que, a 
propósito, se mantém igual em 
todas as circunstâncias em que essa 
palavra é usada. A qual elemento 
corresponde esse aspecto?
a) Significação.
b) Enunciado.
c) Significado.
d) Contexto.
e) Sentido.
3. Cada vez que uma palavra é usada 
em enunciado particular, ela acaba 
adquirindo um sentido específico 
àquele uso. Qual fenômeno está 
por trás desse sentido específico?
a) Significado.
b) Referência.
c) Significação.
d) Representação.
e) Significante.
4. A produção de um enunciado está 
cercada por um conjunto diversos 
Significação e contexto66
Semântica do português_U3C6.indd 66 22/08/2017 13:14:25
BENVENISTE, E. Problemas de linguística geral. 4. ed. Campinas: Pontes, 1995. v. 1.
BRÉAL, M. Les lois intellectuelles du langage: fragment de sémantique. Annuaire de 
l’Association pour l’encouragement des études grecques en France, v. 17, p. 132-142, 1883.
CANÇADO, M. Manual de semântica: noções básicas e exercícios. 2. ed. Belo Horizonte: 
Editora UFMG, 2008.
COSTA, M. Estruturalismo. In: MARTELOTTA, M. (Org.). Manual de linguística. São Paulo: 
Contexto, 2010.
HALLIDAY, M.; HASAN, R. Language, context, and text: aspects of language in a social-
-semiotic perspective. 2. ed. Oxford: Oxford University Press, 1989.
ILARI, R. Semântica e pragmática: duas formas de descrever e explicar os fenômenos 
da significação. Revista de Estudos da Linguagem, v. 9, n. 1, p. 109-162, 2000. Disponível 
em: . 
Acesso em: 8 ago. 2017.
JAKOBSON, R. Linguística e comunicação. 25. ed. São Paulo: Cultrix, 2008.
SAUSSURE, F. de. Curso de linguística geral. 28. ed. São Paulo: Cultrix, 2012.
de informações, as quais podem 
ser linguísticas ou não, podem 
ser situacionais ou culturais. Qual 
conceito dá nome ao conjunto 
total dessas informações?
a) Sentido.
b) Contexto.
c) Cotexto.
d) Significado.
e) Significação.
5. Que tipo de informação faz 
parte do contexto situacional 
de um enunciado?
a) A estrutura sintática 
na qual determinada 
palavra está inserida.
b) O conjunto das outras sentenças 
dentro do mesmo texto.
c) As figuras e fotografias 
que acompanham o 
enunciado no texto.
d) O espaço físico, as pessoas 
e os objetos que coocorrem 
com o enunciado.
e) Os dados históricos e culturais 
compartilhados pelos falantes.
67Significação e contexto
Semântica do português_U3C6.indd 67 22/08/2017 13:14:26
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
 
Conteúdo:
Dica do professor
O contexto nos ajuda a lidar com diversas questões relativas à significação, das quais dependem o 
bom entendimento entre os falantes. Uma questão problemática que pode ser contornada por meio 
de informações contextuais é a ambiguidade. Neste vídeo, você vai ver alguns aspectos relativos a 
esse fenômeno, bem como o papel que o contexto desempenha nas nossas tentativas de solucioná-
lo. 
Assista!
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/29d4cc5ef4026a71ac07054e32579469
Exercícios
1) 
De acordo com as teorias semânticas de abordagem mentalista, de que forma são 
determinados os significados de palavras e sentenças?
A) São determinados em função das relações de referência que estabelecem com entidades no 
mundo.
B) São determinados em função dos traços semânticos que podem definir os respectivos 
conceitos.
C) São determinados em função dos conceitos (ou, ainda, dos fatos de consciência) relativos ao 
sistema da língua.
D) São determinados emfunção das propriedades que caracterizam os seus contextos de uso.
E) São determinados em função daquilo que conhecemos a respeito das respectivas entidades 
no mundo.
2) 
O aspecto semântico mais geral e estável de uma palavra se refere ao seu conceito – que, a 
propósito, se mantém igual em todas as circunstâncias em que essa palavra é usada. A qual 
elemento corresponde esse aspecto?
A) Significação.
B) Enunciado.
C) Significado.
D) Contexto.
E) Sentido.
3) 
Cada vez que uma palavra é usada num enunciado particular, ela acaba adquirindo um 
sentido específico àquele uso. Qual fenômeno está por trás desse sentido específico?
A) Significado.
B) Referência.
C) Significação.
D) Representação.
E) Significante.
4) 
A produção de um enunciado está cercada por um conjunto de diversas informações, as 
quais podem ser linguísticas ou não, situacionais ou culturais. Qual conceito dá nome ao 
conjunto total dessas informações?
A) Sentido.
B) Contexto.
C) Cotexto.
D) Significado.
E) Significação.
5) 
Que tipo de informação faz parte do contexto situacional de um enunciado?
A) A estrutura sintática na qual uma determinada palavra está inserida.
B) O conjunto das outras sentenças dentro do mesmo texto.
C) As figuras e fotografias que acompanham o enunciado no texto.
D) O espaço físico, as pessoas e os objetos que coocorrem com o enunciado.
E) Os dados históricos e culturais compartilhados pelos falantes.
Na prática
Cotexto e contexto são fatores fundamentais para os processos de significação. Podemos 
reconhecer a importância do contexto e, principalmente, do cotexto por meio da análise e da 
interpretação de charges de jornal.
A charge é um gênero jornalístico de humor riquíssimo em elementos cotextuais. Além disso, 
constitui um reflexo curioso do contexto cultural em que se realiza. A interpretação de uma charge 
qualquer depende, de um lado, do nosso conhecimento sobre a notícia relativa ao seu contexto 
(político, social, etc.) e, de outro, da identificação das relações entre os seus elementos cotextuais – 
ou seja, as suas ilustrações – e a notícia.
Acompanhe um exemplo de atividade prática que recruta charges.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
 
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Assista à vídeoaula Texto e contexto: Prof. Pasquale explica, na 
qual o professor explica a importância de se conhecer o 
contexto para a compreensão dos textos.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Leia o artigo acadêmico Processos de significação na relação 
professor-alunos: uma perspectiva sociocultural construtivista, 
que aborda os processos de significação nas relações de 
aprendizagem de alunos do Ensino Fundamental.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
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