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Significação e contexto Apresentação Nas suas teorizações a respeito do signo linguístico, Ferdinand de Saussure (2012 [1916]) pôde, dentre outras coisas, determinar o lugar dos significados dentro do campo dos estudos da linguagem, bem como descrever a sua natureza e seu funcionamento. No entanto, com o avanço de teorias linguísticas preocupadas mais com o uso da língua (isto é, a fala) do que com o sistema relativo a ela, em meados do século XX, os significados se tornaram alvo de algumas reconsiderações e reformulações bastante consideráveis. Por exemplo, a imutabilidade (sincrônica) que Saussure previa para os seus objetos – inclusive para os aspectos semânticos da linguagem – acabou sendo questionada por essas teorias, por meio, por exemplo, da noção de significação. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender mais a respeito dos processos de significação, qual a relação que eles mantêm com os significados e qual o papel que o contexto desempenha nesses processos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar algumas noções e alguns aspectos do significado.• Reconhecer as relações entre significado e significação.• Analisar os aspectos relativos ao contexto.• Desafio Dependendo da situação, uma única palavra pode adquirir vários sentidos. Esses diferentes sentidos são encontrados em dicionários gerais da língua, organizados em acepções, isto é, definições numeradas que correspondem, cada uma, a um sentido específico que aquela palavra pode adquirir. Você foi contratado por uma editora para redigir verbetes para um dicionário e ficou incumbido do verbete "rei". Redija o verbete com as diferentes acepções da palavra. Infográfico Dentre as áreas da linguística que tratam dos processos de significação, a lexicografia e a terminografia se ocupam mais dos significados de palavras e termos (isto é, dos seus aspectos semânticos mais gerais e estáveis) do que dos sentidos particulares que podem adquirir em cada circunstância de uso. Neste Infográfico, você vai observar alguns aspectos que caracterizam cada uma delas. Confira! Conteúdo do livro O significado é um conceito fundamental para os estudos em linguística e, mais especificamente, em semântica. Conforme a linguística foi se desenvolvendo como ciência, o campo de estudos dos significados também se desenvolveu e originou teorias diversas. Acompanhe um trecho da obra Semânticas do Português, base teórica para esta Unidade de Aprendizagem. Leia o capítulo Significação e contexto, sobre os aspectos relativos à natureza e ao funcionamento da significação, bem como sobre o papel do contexto na sua determinação. Boa leitura! SEMÂNTICA DO PORTUGUÊS Dalby Dienstbach Revisão técnica: Laís Virginia Alves Medeiros Bacharelado em Letras (UFRGS) Mestrado em Letras (UFRGS) Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094 D562s Dienstbach, Dalby. Semântica do português / Dalby Dienstbach. – Porto Alegre : SAGAH, 2017. 79 p. : il. ; 22,5 cm. ISBN 978-85-9502-140-2 1. Semântica - Português. I. Título. CDU 81’3 Iniciais.indd 2 22/08/2017 10:06:59 Signi� cação e contexto Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identi� car algumas noções e aspectos do signi� cado. Reconhecer relações entre signi� cado e signi� cação. Analisar aspectos relativos ao contexto. Introdução Nas suas teorizações a respeito do signo linguístico, Ferdinand de Saussure (2012) pôde, dentre outras coisas, determinar o lugar dos significados dentre do campo dos estudos da linguagem, bem como descrever a sua natureza e o seu funcionamento. No entanto, com o avanço de teorias linguísticas preocupadas mais com o uso da língua (isto é, a fala) do que com o sistema relativo a ela, em meados do século XX, os significados se tornaram alvo de algumas reconsiderações e reformulações bastante consideráveis. Por exemplo, a imutabilidade (sincrônica) que Saussure previra para os seus objetos, “inclusive, para os aspectos semânticos da linguagem”, acabou sendo questionada por essas teorias, por meio, por exemplo, da noção de significação. Neste capítulo, você vai aprender mais a respeito dos processos de significação, qual é a relação que eles mantêm com os significados e qual é o papel que o contexto desempenha nesses processos. O significado Os signifi cados das línguas vêm sendo investigados e discutidos desde muitos séculos antes do surgimento da linguística como uma ciência autônoma, na década de 1910 – quando é publicada, a propósito, a sua obra seminal Curso de linguística geral (SAUSSURE, 2012). Na verdade, podemos dizer que as primeiras considerações a respeito dos signifi cados remontam ao período clássico ocidental, com os esforços do fi lósofo grego Aristóteles (384–322 Semântica do português_U3C6.indd 60 22/08/2017 13:14:24 a.C.) de explicar a natureza dos nomes (ou, ainda, dos termos) com base em uma suposta relação lógica sua com a realidade. Ainda assim, um momento crucial para a consolidação dos significados (e, sobretudo, do conceito mesmo de significado) como um objeto específico de investigação consiste na criação de uma área de estudos ocupada primor- dialmente com esse fenômeno – a semântica originalmente (BRÉAL, 1883). Quando é recrutada pelo linguista suíço Ferdinand de Saussure (2012), na sua proposta inaugural de uma ciência autônoma da linguagem, a noção de significado se torna, por fim, um objeto fundamental da linguística. Nas explicações de Saussure (2012, p. 19) a respeito do funcionamento e, principalmente, da estrutura das línguas, o termo “significado” está definido como sinônimo da noção de conceito. De natureza essencialmente psíquica, um conceito equivale, por sua vez, a um “fato de consciência” – ou, em outras palavras, a uma informação presente no nosso pensamento, que representa algo pertinente à realidade. A propósito, o significado, nos termos saussurianos, é explicado como a contraparte do significante (ou seja, da imagem acústica); a combinação de um significado com o seu significante dá origem, nesse caso, ao signo linguístico. Devemos observar, em tempo, que os estudos dos significados alinhados à escola linguística de Saussure (2012) – a qual chamaremos de escola estru- turalista – explicavam a natureza desse objeto em termos, basicamente, da combinação de tantos traços semânticos (ou, ainda, de semas) quantos seriam necessários e suficientes para definir o seu conceito. Esses traços deveriam ser capazes, ainda, de distinguir os significados uns dos outros e determinar o seu lugar dentro do sistema da língua. Com o desenvolvimento e a consolidação da linguística, ao longo das décadas seguintes à da publicação da obra Curso de linguística geral (SAUSSURE, 2012), o campo dos estudos dos significados acaba se desdobrando em diversas teorias particulares (CANÇADO, 2008). Alinhadas a diferentes perspectivas e abordagens, essas teorias passam a se ocupar dos significados das línguas de um modo bastante amplo – ou seja, dos significados relativos tanto às palavras quanto às sentenças e, até mesmo, a textos inteiros. Para algumas dessas teorias semânticas (identificadas como de aborda- gem referencial), por exemplo, o significado de uma palavra corresponde àquilo a que tal palavra se refere. Mais especificamente, podemos dizer que os significados são determinados em função das relações de referência que as respectivas palavras e sentenças estabelecem com entidades no mundo. Essas entidades passam a constituir, pois, os seus referentes. Nos moldes de uma semântica referencial, por exemplo, o significado da palavra “cachorro” 61Significação e contexto Semântica do português_U3C6.indd 61 22/08/2017 13:14:24 equivale ao seu referente (ou ao conjunto de referentes) no mundo: qualquer mamífero da família dos canídeos domesticado (ou domesticável). Durante operíodo clássico ocidental, os filósofos interessados no funcionamento da linguagem humana estavam divididos em dois grupos, que se definiam em função da forma como entendiam a relação entre as palavras e as entidades no mundo. Esses grupos eram um dos convencionalistas e outro dos naturalistas (COSTA, 2010). Para os naturalistas, por um lado, haveria uma relação natural entre as palavras e os objetos a que elas se referem. Nesse caso, as palavras refletiriam algo da natureza dos seus referentes. Os convencionalistas, por outro lado, defendiam que a relação entre uma palavra e o seu referente seria resultado de um hábito ou de uma convenção. Ou seja, o nome de um objeto qualquer seria fruto de um ato de batismo e não faria qualquer referência à sua natureza. Nas suas teorizações linguísticas, Saussure (2012) retoma a tradição convencionalista, a partir da sua alegação de que a relação entre os significados e os significantes de uma língua é necessariamente arbitrária – isto é, casual em vez de natural. Outras teorias semânticas (nesse caso, de abordagem mentalista) explicam os significados de palavras e sentenças como determinados pelas relações que estabelecem não com entidades no mundo, senão com aquilo que conhecemos (isto é, com as nossas representações mentais) a respeito dessas entidades. Assim, a nossa compreensão do significado da palavra “cadeira”, por exemplo, não depende somente da existência de determinado móvel no mundo, mas, principalmente, das suas propriedades mais prototípicas – como da sua forma mais comum, das suas funções, dos lugares onde podemos encontrá-lo, em que circunstâncias podemos usá-lo, etc. Por fim, para teorias semânticas de abordagem pragmática, os significados de palavras e sentenças somente se estabelecem nas circunstâncias particu- lares em que elas são usadas. Isso o é porque os significados emergiriam dos aspectos que compõem cada contexto de uso. Dessa forma, podemos acreditar que uma sentença, em diferentes contextos, vai denotar significados diferen- tes. Considere, por exemplo, a sentença “você é tão esperto”. Se ela for dita a alguém que obteve uma pontuação alta em um teste, podemos interpretá-la como sendo um elogio. Porém, se ela for dita a alguém que não teve êxito no teste, então, ela deve expressar um comentário irônico. Significação e contexto62 Semântica do português_U3C6.indd 62 22/08/2017 13:14:24 Significado, significação e sentido Com base, principalmente, nas considerações de Saussure sobre a linguagem (SAUSSURE, 2012), podemos explicar o signifi cado como um conceito – que se contrapõe a e se combina com uma imagem acústica para, juntos, comporem um signo linguístico. Devemos ter em mente, ainda, que o signifi cado, na pers- pectiva saussuriana, constitui uma noção pertinente à língua (como sistema), não à fala (como uso desse sistema). No entanto, precisamos reconhecer que os signifi cados também fazem parte do uso da língua. O funcionamento dos signifi cados no uso se tornou, nesse caso, objeto de investigação de teorias linguísticas ocupadas com o uso (ou, ainda, de teorias linguísticas da enun- ciação). A partir dessa explicação, podemos nos ocupar das relações entre signifi cado e signifi cação. Uma explicação simples diria que os significados das línguas consistem em um reflexo simples e objetivo de conceitos – ou seja, dos fatos do pensamento (SAUSSURE, 2012). Mais especificamente, no entanto, podemos definir o significado como o aspecto semântico mais geral de uma determinada palavra (ou, ainda, de um determinado signo linguístico), o qual possui algum valor no interior do sistema da língua. Deve ficar claro, portanto, que o signifi- cado é um elemento pertinente à língua, não necessariamente à fala. Além do mais, uma observação importante é a de que os significados das línguas são imutáveis – em termos sincrônicos (SAUSSURE, 2012). Isso quer dizer que o aspecto semântico que corresponde ao significado de uma palavra se encontra, em grande medida, engessado, a ponto de se manter igual em todas as circunstâncias em que tal palavra é (ou ainda será) usada. Dito isso, uma definição evidente para a noção de significação parece ser a de que ela constitui o processo por meio do qual um significado é atribuído a determinada palavra. No entanto, essa definição somente é pertinente se levarmos em consideração, unicamente, o aspecto semântico mais geral e constante das palavras – aliás, dentro do sistema da língua e fora do seu uso. Na verdade, à medida que entra em jogo o uso da língua (isto é, a fala), é preciso atentarmos para o fato de que a significação constitui um processo dinâmico e nem sempre produz os mesmos resultados, até mesmo quando se trata das mesmas palavras. Em cada vez que uma dada palavra é empregada em um enunciado particular, em princípio, ela desempenha uma função espe- cífica, relativa a esse enunciado (BENVENISTE, 1995). Essa função, nesse caso, corresponde ao sentido daquela palavra, o qual diz respeito antes à sua significação (específica), naquele enunciado, do que ao seu significado (geral) dentro do sistema da língua. 63Significação e contexto Semântica do português_U3C6.indd 63 22/08/2017 13:14:24 Considere, por exemplo, a palavra “flor” em português. Uma maneira de apreendermos o seu significado (mais estável, em princípio) seria consultando a sua definição em algum dicionário da língua. De fato, as várias acepções que compõem essa definição devem poder dar uma ideia do aspecto semântico mais geral da palavra “flor” – como sendo, por exemplo, a parte reprodutiva de alguma planta ou árvore. Agora, digamos que “flor” esteja sendo usada por um falante que está descrevendo uma terceira pessoa para o seu interlocutor, como na sentença “Mariana é uma flor”. Nesse caso, em particular, o sentido da palavra “flor” é muito específico, justamente porque diz respeito antes ao processo de significação (específica) impulsionado naquele enunciado (que se refere, talvez, à personalidade gentil e delicada da pessoa sendo descrita) do que ao seu significado (geral) na língua. A propósito, o sentido de “flor”, no enunciado do exemplo, parece estar bastante distante do seu aspecto semântico mais geral e estável dessa palavra. De acordo com Rodolfo Ilari (2000), podemos traçar uma linha divisória entre as duas principais ciências linguísticas que tratam da significação: a semântica e pragmática – em função da forma como elas concebem esse processo. Por um lado, os estudos em semântica se comprometem estritamente com os aspectos semânticos de palavras e sentenças, relativos ao sistema da língua. O seu objeto de análise diz respeito, portanto aos significados (gerais) das línguas. Identificados com esses estudos estão, por exemplo, as teorias voltadas à produção e à organização de dicionários e glossários – como a lexicografia e a terminografia. Por outro lado, para os estudos em pragmática, interessam principalmente os aspectos relativos aos contextos de uso da língua. Esses estudos se ocupam, nesse caso, dos vários sentidos (específicos) que uma única palavra (ou sentença) pode assumir nas diversos contextos em que ela é (ou pode ser) evocada. Essa é a postura adotada, por exemplo, pelas teorias linguísticas da enunciação. O contexto Até onde podemos presumir, uma parte fundamental dos processos de signifi - cação que mobilizamos, nos eventos de uso da nossa língua, está determinada pelos aspectos semânticos gerais e imutáveis que preenchem as palavras e sentenças que produzimos. De acordo com as considerações de Saussure (2012), essa parte corresponde, justamente, aos signifi cados que compõem a Significação e contexto64 Semântica do português_U3C6.indd 64 22/08/2017 13:14:25 língua. No entanto, segundo argumentam teorias linguísticas voltadas à fala (ou, ainda, à enunciação), devemos reconhecer que uma outra parte igualmente importante desses processos de signifi cação depende das circunstâncias em queos enunciados são produzidos. Uma maneira que essas teorias encontraram para dar conta das particularidades que estruturam e, portanto, caracterizam essas circunstâncias (bem como da forma como essas particularidades interferem nos processos de signifi cação) é por meio da noção de contexto. Uma primeira explicação (a propósito, bastante simples) para contexto é uma sugerida por Roman Jakobson (2008), que define esse conceito como as entidades no mundo às quais uma mensagem faz referência. Superando a noção de referência implicada nessa explicação, no entanto, podemos entender contexto (de um enunciado qualquer) como o conjunto de todas as informações que coocorrem com a produção desse enunciado (HALLIDAY; HASAN, 1989). Via de regra, sabemos que essas informações relativas ao contexto são responsáveis por determinar, de alguma forma e em alguma medida, a direção que tomam os processos de significação mobilizados pelo enunciado. A título de conclusão, podemos afirmar, portanto, que o(s) sentido(s) do enunciado é(são) definido(s) pelo seu contexto. Para efeitos de análise dos processos de significação, podemos considerar, pelo menos, quatro níveis de contexto: o contexto sintático, o cotexto, o con- texto situacional (ou imediato) e o contexto cultural (ou global) (HALLIDAY; HASAN, 1989). Em primeiro lugar, quando assumimos a palavra como o ponto de partida das nossas análises, temos o contexto sintático, que corresponde à estrutura sintática na qual essa palavra está inserida. De fato, uma grande parte do sen- tido que uma palavra pode adquirir depende das outras palavras que ocorrem antes e depois dela em uma sentença. Compare, por exemplo, os sentidos que a palavra “doce” pode ter nas seguintes sentenças: “o médico me proibiu de comer doce” e “Fernanda tem uma voz doce”. Já cotexto equivale ao conjunto de informações, dentro de um texto, que cercam uma dada sentença. Essas informações podem ser linguísticas (isto é, o conjunto das outras sentenças desse texto) ou não. Fazem parte do cotexto, por exemplo, as fotografias que acompanham uma reportagem de jornal e as figuras que ilustram as páginas de um livro de histórias infantis. Por outro lado, quando passamos a considerar os processos de significação relativos a um enunciado (como, por exemplo, a um texto qualquer), podemos analisar o conjunto de informações que o cercam em termos de duas dimensões básicas. A primeira dessas dimensões, denominada contexto situacional (ou imediato) (HALLIDAY; HASSAN, 1989), compreende os elementos concretos 65Significação e contexto Semântica do português_U3C6.indd 65 22/08/2017 13:14:25 (como o lugar, as pessoas, os objetos, etc.) que coocorrem na produção do enunciado. Por exemplo, somente podemos apreender todos os sentidos relativos a um enunciado como “entregue isso para ele” se pudermos identificar, no seu contexto imediato, os elementos (físicos) aos quais as expressões “isso” e “ele” se referem. A outra dimensão está representada pelo que podemos chamar de contexto cultural (ou global) (HALLIDAY; HASSAN, 1989), O contexto cultural inclui, por sua vez, os dados históricos, políticos, sociais, culturais, etc., compartilhados pelos interlocutores. Imagine, por exemplo, uma conversa entre duas pessoas, a respeito da proclamação da independência do seu país. O entendimento de muitos dos sentidos que são evocados nessa conversa de- pende do seu contexto cultural – isto é, dos conhecimentos que essas pessoas possuem sobre esse momento particular da história. 1. De acordo com as teorias semânticas de abordagem mentalista, de que forma são determinados os significados de palavras e sentenças? a) São determinados em função das relações de referência que estabelecem com entidades no mundo. b) São determinados em função dos traços semânticos que podem definir os respectivos conceitos. c) São determinados em função dos conceitos (ou, ainda, dos fatos de consciência) relativos ao sistema da língua. d) São determinados em função das propriedades que caracterizam os seus contextos de uso. e) São determinados em função daquilo que conhecemos a respeito das respectivas entidades no mundo. 2. O aspecto semântico mais geral e estável de uma palavra se refere ao seu conceito – que, a propósito, se mantém igual em todas as circunstâncias em que essa palavra é usada. A qual elemento corresponde esse aspecto? a) Significação. b) Enunciado. c) Significado. d) Contexto. e) Sentido. 3. Cada vez que uma palavra é usada em enunciado particular, ela acaba adquirindo um sentido específico àquele uso. Qual fenômeno está por trás desse sentido específico? a) Significado. b) Referência. c) Significação. d) Representação. e) Significante. 4. A produção de um enunciado está cercada por um conjunto diversos Significação e contexto66 Semântica do português_U3C6.indd 66 22/08/2017 13:14:25 BENVENISTE, E. Problemas de linguística geral. 4. ed. Campinas: Pontes, 1995. v. 1. BRÉAL, M. Les lois intellectuelles du langage: fragment de sémantique. Annuaire de l’Association pour l’encouragement des études grecques en France, v. 17, p. 132-142, 1883. CANÇADO, M. Manual de semântica: noções básicas e exercícios. 2. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008. COSTA, M. Estruturalismo. In: MARTELOTTA, M. (Org.). Manual de linguística. São Paulo: Contexto, 2010. HALLIDAY, M.; HASAN, R. Language, context, and text: aspects of language in a social- -semiotic perspective. 2. ed. Oxford: Oxford University Press, 1989. ILARI, R. Semântica e pragmática: duas formas de descrever e explicar os fenômenos da significação. Revista de Estudos da Linguagem, v. 9, n. 1, p. 109-162, 2000. Disponível em: . Acesso em: 8 ago. 2017. JAKOBSON, R. Linguística e comunicação. 25. ed. São Paulo: Cultrix, 2008. SAUSSURE, F. de. Curso de linguística geral. 28. ed. São Paulo: Cultrix, 2012. de informações, as quais podem ser linguísticas ou não, podem ser situacionais ou culturais. Qual conceito dá nome ao conjunto total dessas informações? a) Sentido. b) Contexto. c) Cotexto. d) Significado. e) Significação. 5. Que tipo de informação faz parte do contexto situacional de um enunciado? a) A estrutura sintática na qual determinada palavra está inserida. b) O conjunto das outras sentenças dentro do mesmo texto. c) As figuras e fotografias que acompanham o enunciado no texto. d) O espaço físico, as pessoas e os objetos que coocorrem com o enunciado. e) Os dados históricos e culturais compartilhados pelos falantes. 67Significação e contexto Semântica do português_U3C6.indd 67 22/08/2017 13:14:26 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: Dica do professor O contexto nos ajuda a lidar com diversas questões relativas à significação, das quais dependem o bom entendimento entre os falantes. Uma questão problemática que pode ser contornada por meio de informações contextuais é a ambiguidade. Neste vídeo, você vai ver alguns aspectos relativos a esse fenômeno, bem como o papel que o contexto desempenha nas nossas tentativas de solucioná- lo. Assista! Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/29d4cc5ef4026a71ac07054e32579469 Exercícios 1) De acordo com as teorias semânticas de abordagem mentalista, de que forma são determinados os significados de palavras e sentenças? A) São determinados em função das relações de referência que estabelecem com entidades no mundo. B) São determinados em função dos traços semânticos que podem definir os respectivos conceitos. C) São determinados em função dos conceitos (ou, ainda, dos fatos de consciência) relativos ao sistema da língua. D) São determinados emfunção das propriedades que caracterizam os seus contextos de uso. E) São determinados em função daquilo que conhecemos a respeito das respectivas entidades no mundo. 2) O aspecto semântico mais geral e estável de uma palavra se refere ao seu conceito – que, a propósito, se mantém igual em todas as circunstâncias em que essa palavra é usada. A qual elemento corresponde esse aspecto? A) Significação. B) Enunciado. C) Significado. D) Contexto. E) Sentido. 3) Cada vez que uma palavra é usada num enunciado particular, ela acaba adquirindo um sentido específico àquele uso. Qual fenômeno está por trás desse sentido específico? A) Significado. B) Referência. C) Significação. D) Representação. E) Significante. 4) A produção de um enunciado está cercada por um conjunto de diversas informações, as quais podem ser linguísticas ou não, situacionais ou culturais. Qual conceito dá nome ao conjunto total dessas informações? A) Sentido. B) Contexto. C) Cotexto. D) Significado. E) Significação. 5) Que tipo de informação faz parte do contexto situacional de um enunciado? A) A estrutura sintática na qual uma determinada palavra está inserida. B) O conjunto das outras sentenças dentro do mesmo texto. C) As figuras e fotografias que acompanham o enunciado no texto. D) O espaço físico, as pessoas e os objetos que coocorrem com o enunciado. E) Os dados históricos e culturais compartilhados pelos falantes. Na prática Cotexto e contexto são fatores fundamentais para os processos de significação. Podemos reconhecer a importância do contexto e, principalmente, do cotexto por meio da análise e da interpretação de charges de jornal. A charge é um gênero jornalístico de humor riquíssimo em elementos cotextuais. Além disso, constitui um reflexo curioso do contexto cultural em que se realiza. A interpretação de uma charge qualquer depende, de um lado, do nosso conhecimento sobre a notícia relativa ao seu contexto (político, social, etc.) e, de outro, da identificação das relações entre os seus elementos cotextuais – ou seja, as suas ilustrações – e a notícia. Acompanhe um exemplo de atividade prática que recruta charges. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Assista à vídeoaula Texto e contexto: Prof. Pasquale explica, na qual o professor explica a importância de se conhecer o contexto para a compreensão dos textos. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Leia o artigo acadêmico Processos de significação na relação professor-alunos: uma perspectiva sociocultural construtivista, que aborda os processos de significação nas relações de aprendizagem de alunos do Ensino Fundamental. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Acesse o Dicionários Online Caldas Aulete, com mais de 800 mil verbetes. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.youtube.com/embed/h8XgdSDSbzU http://www.scielo.br/pdf/epsic/v13n1/05.pdf http://www.aulete.com.br/