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Marcadores tumorais e inflamatórios
Apresentação
O sistema imune é baseado no reconhecimento molecular entre células e moléculas, que 
identificam substâncias capazes de causar danos ao organismo. Normalmente, pensa-se que o 
sistema imune reage somente contra patógenos, como vírus e bactérias, mas, na realidade, as 
defesas são capazes de proteger contra ameaças internas, como a formação de tumores. Em 
algumas situações, o organismo começa a reconhecer como estranhos antígenos próprios do 
organismo, montando anticorpos e células citotóxicas contra eles, o que leva à inflamação e danos 
teciduais. Essa é a base das doenças autoimunes.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você irá aprender um pouco mais sobre a resposta imune em 
situações não infecciosas, como os processos tumorais, e sobre falhas na tolerância imunológica 
que levam ao surgimento de doenças autoimunes. Conhecerá, ainda, marcadores sorológicos 
utilizados no diagnóstico de cânceres e de doenças inflamatórias e autoimunes.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Definir marcadores inflamatórios e marcadores tumorais.•
Reconhecer as metodologias em imunologia clínica aplicadas 
ao diagnóstico de câncer.
•
Identificar os testes diagnósticos empregados na avaliação de 
doenças autoimunes e inflamatórias.
•
Desafio
O diagnóstico de doenças reumáticas e autoimunes apresenta muitos desafios e, em algumas 
situações, testes podem apresentar resultados negativos ou que não se correlacionam com a clínica 
do paciente, causando atrasos no diagnóstico e no tratamento.
Responda as perguntas levantadas na discussão:
a) Qual a principal hipótese diagnóstica para a paciente e como você chegou a ela?
b) Quais exames laboratoriais inespecíficos seriam recomendados?
c) Há algum exame específico que poderia ser solicitado?
d) Quais cuidados se deve ter na análise dos resultados?
Infográfico
Costuma-se pensar no sistema imune como algo atuante somente 
em resposta a agentes externos, como micro-organismos e toxinas ambientais. No entanto, as 
defesas imunológicas estão ativas também no ambiente interno do corpo, inibindo a ocorrência, por 
exemplo, de tumores. A vigilância imunológica é capaz de impedir o desenvolvimento e o 
crescimento da maioria dos tumores. Assim, para se desenvolverem, é necessário que as células 
tumorais se evadam da resposta imune para conseguir se multiplicar. Há múltiplas estratégias em 
investigação clínica para reativar a resposta imune tumoral.
Neste Infográfico, você irá conhecer um pouco mais sobre as células CAR-T, uma técnica que utiliza 
engenharia genética e os linfócitos do próprio paciente para o tratamento de leucemias e linfomas. 
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/3ed4cd5b-b5f8-4f90-8d5f-08efc54c370a/43e5dd15-adf3-40b7-83d6-7949f4966ea5.jpg
Conteúdo do livro
A resposta imune é complexa e envolve diversos agentes, incluindo células e moléculas, para 
manter o estado de saúde do organismo. Um dos primeiros sinais de que há algo errado no corpo é 
a presença de inflamação, parte da resposta imune inata, cujo objetivo é eliminar rapidamente 
qualquer causador de dano tecidual e auxiliar no início da resposta adaptativa. No entanto, 
inflamação em excesso está ligada a um estado pré-canceroso, facilitando o surgimento de 
cânceres a longo prazo. Pode-se verificar, ainda, a presença de inflamação em longo prazo em 
doenças autoimunes.
No capítulo Marcadores tumorais e inflamatórios, da obra Imunologia clínica, base teórica desta 
Unidade de Aprendizagem, você aprenderá mais sobre a resposta imune contra tumores e como se 
pode fazer o diagnóstico sorológico de marcadores tumorais. Saberá também sobre os marcadores 
inflamatórios e o diagnóstico de doenças autoimunes.
Boa leitura.
IMUNOLOGIA 
CLÍNICA
Helem Ferreira Ribeiro
Marcadores tumorais 
e inflamatórios
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Definir marcadores inflamatórios e marcadores tumorais.
 � Reconhecer as metodologias em imunologia clínica aplicadas ao 
diagnóstico de câncer.
 � Identificar os testes diagnósticos empregados na avaliação de doenças 
autoimunes e inflamatórias.
Introdução
O sistema imune reage tanto a antígenos externos, como os existentes 
em patógenos, quanto a internos, o que pode causar doenças autoimu-
nes. Uma das principais funções imunes é a vigilância contra o desen-
volvimento de tumores. Estudos indicam que a maioria dos cânceres 
não chega e se desenvolver e manifestar sintomas clínicos, em virtude 
da eliminação executada pelo sistema imune, porém os que escapam 
da vigilância imunológica se tornam clinicamente ativos. Os tumores 
produzem proteínas anormais ou em quantidade excessiva, o que pode 
ser medido por meio da dosagem dos chamados marcadores tumorais.
Nos últimos anos, emergiu o papel da inflamação como um facilitador 
do processo carcinogênico. Um estado pró-inflamatório constante leva 
a um aumento dos danos ao DNA e da angiogênese, facilitando o de-
senvolvimento e o espalhamento tumoral. Existem diversos marcadores 
anti e pró-inflamatórios — alguns altamente sensíveis, outros específicos 
— que podem ser utilizados para detectar o estado inflamatório de um 
organismo. 
Neste capítulo, você estudará sobre a utilização de marcadores tu-
morais, inflamatórios e de doenças autoimunes, bem como conhecerá 
os métodos empregados nessas dosagens.
1 Doenças não infecciosas com participação 
ativa do sistema imune
O sistema imune possui mecanismos de defesa que podem ser classificados 
quanto à sua especificidade em inespecíficos e específicos (LIMA et al., 2012). 
Antes da ativação do sistema imune, o organismo ainda possui as barreiras 
naturais, responsáveis por funções importantes na manutenção da fisiologia do 
organismo. A atuação do sistema imune geralmente é associada à eliminação 
de patógenos, porém componentes próprios ao organismo, incluindo tumores 
e autoantígenos, podem ser alvo da resposta imune; a inflamação também é 
um processo imunológico. Assim, é possível utilizar métodos imunológicos 
para o diagnóstico dessas situações (SOUZA et al., 2010).
O sistema imune pode impedir o crescimento neoplásico por meio da 
atuação dos linfócitos T, direcionando-os a antígenos específicos do tumor. 
Contudo, as células tumorais podem evitar que se instale uma resposta imune 
eficaz por meio de mecanismos que impedem a ação das células efetoras da 
imunidade, tais como as variações celulares e os tumores não imunogênicos. 
Essa interação leva ao surgimento do processo de imunoedição tumoral, em 
que o sistema imune ataca as células com maior imunogenicidade (células 
com muitas alterações que provocam o aparecimento de antígenos novos por 
mutações gênicas ou por excesso de produção de antígenos normais do tecido) 
e as destrói. A maioria dos tumores é eliminada antes de qualquer sintoma 
clínico pela ação imunológica, e os tumores clinicamente detectáveis são uma 
pequena parcela composta por células que escapam da vigilância imunológica 
(RIBATTI, 2017).
As doenças autoimunes surgem quando há problemas que levam a um 
desequilíbrio no processo de tolerância a autoantígenos, em que os tecidos que 
apresentam o antígeno próprio em questão são atacados e destruídos. Esses 
problemas podem surgir tanto na tolerância central, que envolve a remoção 
de linfócitos B e T autorreativos durante o seu processo de maturação, como 
na tolerância periférica, que ocorre nos órgãos linfoides secundários, nos 
quais há falhas no processo de remoção de linfócitos reativos contra antígenos 
teciduais (SOUZA et al., 2010).
Marcadores tumorais e inflamatórios2
A inflamação participa tanto no desenvolvimento de doenças autoimunes 
quanto no crescimento tumoral. A resposta inflamatória é altamente inespe-
cífica, cuja função é facilitar a atividadedos processos da imunidade inata 
e a ativação da resposta adaptativa (CRUVINEL et al., 2010). A inflamação 
é a primeira defesa do organismo quando ocorre dano a um tecido, envol-
vendo mecanismos vasculares, celulares e diferentes citocinas, com o objetivo 
de remover o estímulo causador da lesão e iniciar a recuperação tecidual. 
No entanto, um estado inflamatório crônico está associado ao desenvolvimento 
tumoral (GRETEN; GRIVENNIKOV, 2019) e ao aumento das manifestações 
clínicas das doenças autoimunes (BERINGER; NOACK; MIOSSEC, 2016).
O conhecimento sobre os métodos imunológicos de detecção da resposta 
imune causada por tumores, doenças autoimunes e inflamação é fundamental 
para auxiliar no diagnóstico dessas doenças, bem como para a compreensão 
do mecanismo pelo qual essas situações clínicas ocorrem e das limitações 
associadas ao diagnóstico dessas afecções. O Quadro 1, a seguir, apresenta 
algumas doenças não infecciosas com participação do sistema imune.
Doença
Mecanismo 
imunológico
Marcador 
diagnóstico
Sensível Específico
Câncer Imunoedição 
e escape da 
vigilância imune
Antígenos 
associados 
ao tumor
+ +
Infla-
mação
Resposta natural 
a danos teciduais
Citocinas pró e 
anti- 
-inflamatórias, 
proteínas de 
fase aguda
+++ +
Autoimu-
nidade
Perda da 
tolerância 
imunológica 
central ou 
periférica
Detecção de 
autoanticorpos
++ ++
Quadro 1. Doenças não infecciosas com participação do sistema imune: mecanismo de 
ocorrência e marcadores diagnósticos associados
3Marcadores tumorais e inflamatórios
2 Resposta imune tumoral e marcadores tumorais
De acordo com a teoria da vigilância imunológica, as células cancerígenas 
que aparecem no corpo são eliminadas pelo sistema imune continuamente. 
Entretanto, devido à reatividade imune prejudicada, essas células podem 
escapar da destruição. Os tumores evadem o reconhecimento imune por meio 
de vários mecanismos, diminuindo a expressão de neoantígenos imunogênicos, 
que falham na expressão das moléculas coestimulatórias necessárias para a 
ativação das células T. Além disso, certos tumores são conhecidos por apresen-
tarem poucos antígenos do complexo principal de histocompatibilidade (MHC, 
major histocompatibility complex), uma das formas de escape imunológico 
reconhecidas (FIGUEREDO, 2019).
Outra razão para a falha da vigilância imune pode ser o fato de que, 
no início do desenvolvimento de um tumor, a quantidade de um antígeno pode 
ser pequena para estimular o sistema imune (tolerância à baixa dose), ou devido 
à rápida proliferação de células malignas (tolerância à alta dose), quando o 
sistema imune é rapidamente sobrecarregado (HYNES, 2003).
O processo de carcinogênese é lento e gradual, ocorrendo em fases distintas 
antes do estabelecimento do tumor, e em todas essas fases há envolvimento 
em maior ou menor grau do sistema imune (LIMA et al., 2012). O sistema 
imune pode, paradoxalmente, restringir e promover o desenvolvimento e a 
progressão do tumor. Esse processo é denominado imunodeficiência do câncer 
e, em sua forma mais complexa, procede por meio de três fases: eliminação, 
equilíbrio e escape (SCHREIBER; OLD; SMYTH, 2011).
O estágio de eliminação resulta da vigilância imunológica desempenhada 
pelo sistema imune, ou seja, consiste na eliminação de células tumorais detec-
tadas por células de defesa do organismo humano. Todavia, se algumas células 
neoplásicas permanecerem em nosso organismo, elas podem evoluir para o 
segundo estágio (LIMA et al., 2012). Os componentes imunes necessários para 
a eliminação eficaz de qualquer tumor dependem de características específi-
cas, como a origem (espontânea versus induzida por agentes cancerígenos), 
a localização anatômica e a taxa de crescimento do tumor (SCHREIBER; 
OLD; SMYTH, 2011).
Marcadores tumorais e inflamatórios4
O estágio de equilíbrio, por sua vez, está relacionado com a resposta 
imune e o microambiente tumoral (MITTAL et al., 2014). Variantes genéticas 
raras de células tumorais podem sobreviver à fase de eliminação e entrar na 
fase de equilíbrio, na qual o sistema imune adaptativo impede o crescimento 
de células tumorais e esculpe a imunogenicidade dessas células. Acredita-se 
que o equilíbrio seja a fase mais longa da interação entre o sistema imune 
e as células tumorais, talvez se estendendo por toda a vida do hospedeiro 
(SCHREIBER; OLD; SMYTH, 2011). Essa fase é mediada pelo equilíbrio 
entre células e citocinas que promovem a eliminação e aquelas que promovem 
a persistência do tumor nascente. Assim, o tumor evolui lentamente ou entra 
em estágio de dormência.
Por fim, no estágio de escape, as células tumorais apresentam resistência 
ao sistema imune e crescimento desordenado e exacerbado, assumindo um 
comportamento biológico agressivo, com a possibilidade de instalar-se em 
outros tecidos e órgãos adjacentes, provocando metástase (LIMA et al., 2012). 
Nessa fase, as células tumorais que adquiriram a capacidade de contornar o 
reconhecimento e/ou a destruição imunes emergem como tumores visíveis 
e de crescimento progressivo. A progressão do equilíbrio para a fase de es-
cape pode ocorrer pelos seguintes motivos: a população de células tumorais 
muda em resposta às funções de edição do sistema imune; o sistema imune 
do hospedeiro muda em resposta ao aumento da imunossupressão induzida 
ao câncer; ou pela deterioração do sistema imune (Figura 1) (SCHREIBER; 
OLD; SMYTH, 2011).
Há dois tipos principais de antígenos tumorais: antígenos de transplantes 
tumor-específicos (TSTA) e antígenos de transplante associados a tumor 
(TATA). Os TSTA são próprios de células tumorais e não são expressos em 
células normais, sendo responsáveis pela rejeição ao tumor. Já os TATA são 
expressos pelas células tumorais e pelas células normais. A perda de expressão 
de antígenos tumorais é um dos mecanismos mais estudados de evasão imune. 
Esse processo prejudica a identificação de antígenos tumorais circulantes por 
técnicas imunológicas (MCLEOD, 2013).
Em virtude do processo de imunoedição tumoral, a maioria dos cânceres 
é, com frequência, imunogenicamente fraca ou não imunogênica. Na maioria 
dos casos, os TSTA não podem ser identificados facilmente. Alguns desses 
antígenos são secretados, ao passo que outros são moléculas associadas à 
membrana (MCLEOD 2013).
5Marcadores tumorais e inflamatórios
Figura 1. Eliminação e escape imunológico das células tumorais. Durante a fase de eliminação 
(à esquerda), as células efetoras, como as células NK, com auxílio das células dendríticas e dos 
linfócitos T CD4+, são capazes de reconhecer e eliminar as células tumorais, que expressam 
antígenos tumorais por meio do MHC de classe I. Como resultado da heterogeneidade 
tumoral, as células menos imunogênicas proliferam com mais intensidade e passam a 
expressar proteínas que prejudicam a ativação imune, como PD-L1, além de diminuir a 
expressão de antígenos tumorais pelo MHC de classe I, permitindo o escape imune e o 
desenvolvimento tumoral (à direita).
Fonte: Adaptada de Monjazeb et al. (2013).
Célula normal
Célula tumoral
Célula NK
Linfócito T CD4+ 
Linfócito T CD8+
Eliminação Escape
Célula dendrítica
Célula dendrítica
imatura
Macrófago
Célula supressora
derivada mieloide
Célula T Regulatória
Granzimas
IDO
IDO
Arg1
ArginaseINOS
R-NOS
TGFβ
IL-10
TGFβ
IL-10
PD-L1
PGE2
IL-10
NKG2D
NKG2D
ligand
FasL
TRAIL
TRAIL-R
Fas
Perforina
MHC de Classe I
Antígeno tumoral
Marcadores tumorais
Em 1847, o médico inglês Bence Jones foi o pioneiro na identificação de uma 
proteína específica presente na urina em pacientes com quadro clínico de 
mieloma múltiplo (TOMAZ et al., 2017). A quantificação desses marcadores 
relacionados com o diagnóstico oncológico representa um grande avanço 
para a medicina diagnóstica, pois indica a possibilidade de identificação do 
local de origem de um tumor mesmo quando este já se encontra em metástase 
(ALTMAN et al., 2014).
Os marcadores tumorais são macromoléculas, como proteínas, enzimas, 
antígenos,hormônios, receptores de membranas, genes supressores tumorais e 
oncogenes, e podem ser detectados no sangue ou em outros fluidos biológicos, 
ou até mesmo nos próprios tecidos tumorais. Esses marcadores têm importância 
diagnóstica, pois fornecem informações sobre o comportamento provável do 
câncer, sendo capazes de indicar a probabilidade de progressão ou resposta 
Marcadores tumorais e inflamatórios6
à terapia, além de poderem ser utilizados na vigilância pós-operatória e na 
resposta ao monitoramento à terapia sistemática (DUFFY, 2012).
Entretanto, não é admissível que os marcadores tumorais sejam utiliza-
dos como único modelo para o diagnóstico de câncer, pois não existe um 
marcador “perfeito”, todos possuem especificidade e sensibilidade variada. 
Dessa maneira, eles servem como apoio no diagnóstico laboratorial, seja para 
triagem, diagnóstico, prognóstico ou monitoramento do tratamento (JACOB 
et al., 2011). A falta de especificidade para a malignidade torna o marcador 
tumoral limitado no que se diz respeito ao seu uso na triagem de indivíduos 
assintomáticos para a malignidade precoce. Isso porque, quando combinados 
com a baixa prevalência da maioria dos cânceres na comunidade, os marca-
dores tumorais, se utilizados isoladamente, têm valores preditivos positivos 
baixos (DUFFY, 2012).
O rastreamento de marcadores tumorais é fundamental para definir: diag-
nóstico diferencial em pacientes sintomáticos; estadiamento clínico; estimativa 
do volume tumoral; indicador prognóstico; estabelecimento do diagnóstico; 
monitorização da eficiência terapêutica; localização de metástases; tratamento 
(imunorradioterapia); e detecção precoce da recorrência. Os marcadores tu-
morais são utilizados como exame complementar e, na maioria dos casos, 
devem ser associados a outros métodos para diagnóstico ou modificação 
terapêutica (DUFFY, 2012).
O marcador tumoral ideal é conceituado como uma substância produzida 
pelo tumor ou pelo organismo em resposta a ele, a qual é específica para um 
determinado tipo celular e sensível o bastante para permitir o rastreamento e 
o diagnóstico de pequenas massas tumorais potencialmente curáveis. Todavia, 
as substâncias disponíveis atualmente para uso como marcadores tumorais 
não possuem essas características. Na maioria das vezes, o marcador está 
presente tanto em tecidos benignos quanto em malignos, sem possuir um valor 
de corte claro que permita a distinção entre os dois processos. Outras vezes, 
o marcador apresenta alteração significativa em sua concentração apenas 
quando o processo de malignidade já se encontra em estado avançado, como 
ocorre no câncer de ovário (MCPHERSON; PINCUS, 2012).
Assim, os marcadores tumorais atuais são mais bem utilizados no mo-
nitoramento do tratamento, na avaliação de prognóstico e na detecção de 
recidivas. Acredita-se que nenhum marcador biológico, sozinho, possa fornecer 
informações consistentes; por isso, a tendência, hoje, é focar na identifica-
ção de vários marcadores tumorais que possam ser utilizados em conjunto 
(SÖLÉTORMOS et al., 2016). O Quadro 2, a seguir, apresenta os marcadores 
tumorais disponíveis e os órgãos associados a eles.
7Marcadores tumorais e inflamatórios
Marcador Órgão
Tipo de molécula 
biológica 
investigada
Comentário
AFP Fígado Alfafetoproteína 
Glicoproteína 
produzida pelo fígado 
fetal
Elevado em carcinoma 
hepatocelular. Pode subir 
em indivíduos com câncer 
de testículo e ovário. Útil 
para monitoramento 
terapêutico.
B2M Leuce-
mias e 
linfomas, 
mieloma 
múltiplo
Beta-2-microglobu-
lina, dosagem de 
antígeno
Avaliação de prognóstico. 
Elevado em tumores do 
sistema imune e em câncer 
de pulmão e mama. Pode 
estar elevado em pacientes 
com problemas renais.
BTA Bexiga Antígeno de tumor de 
bexiga, dosagem de 
antígeno
Auxílio diagnóstico. Pode 
estar elevado na presença 
de cálculos urinários, 
inflamações da bexiga e 
uso de sonda por longos 
períodos.
CA 15.3 Mama Antígeno de 
carboidrato 15.3. 
Produto do gene 
MUC1
Detecção de recidiva, 
aumentando antes 
dos sintomas clínicos. 
Aumenta em lúpus, 
hepatites crônicas e 
sarcoidose. Pode aumentar 
em cânceres de pâncreas, 
pulmão, ovário, colorretal 
e hepático.
CA 19.9 Pâncreas Antígeno modificado 
do grupo sanguíneo 
Lewis
Monitoramento de 
recidiva e resposta ao 
tratamento. Pode estar 
elevado em cânceres 
hepático, gástrico e 
colorretal e em doenças 
não malignas do trato 
gastrintestinal.
Quadro 2. Marcadores tumorais disponíveis e os órgãos associados a eles
(Continua)
Marcadores tumorais e inflamatórios8
Marcador Órgão
Tipo de molécula 
biológica 
investigada
Comentário
CA 27.29 Mama Antígeno de 
carboidrato 15.3. 
Também é produto 
do gene MUC1
Menos sensível que 
o CA 15.3, mas com 
boa correlação entre 
a concentração e a 
atividade da doença. 
Monitoramento de 
pacientes previamente 
tratadas para câncer de 
mama no estágio II ou III.
CA 125 Ovário Glicoproteína de 
alto peso molecular, 
produto do gene 
MUC16
Pode ser utilizado para 
rastreio em mulheres com 
síndromes hereditárias 
de propensão ao câncer. 
Pode aumentar em 
tumores uterinos, linfoma 
não Hodking, cânceres 
de pulmão, fígado e 
pâncreas, menstruação, 
endometriose e gravidez.
Calcitonina Tireoide, 
metásta-
ses ósseas
Hormônio produzido 
pela tireoide, diminui 
a reabsorção óssea
Recidiva de carcinoma 
medular de tireoide e 
ocorrência de metástases 
ósseas. Pode elevar em 
carcinomas de pulmão, 
ovário, mama, pâncreas 
e metástases desses 
tumores.
CEA Colorretal, 
sistema 
digestório 
e outros
Antígeno 
carcinoembrionário. 
Glicoproteína isolada 
de tecido fetal e de 
câncer colorretal
Elevado em praticamente 
todos os tumores de 
origem epitelial não 
melanoma. Especificidade 
e sensibilidade variáveis. 
Aumentado em tabagistas. 
Auxiliar no monitoramento 
do tratamento e de 
recidivas.
Quadro 2. Marcadores tumorais disponíveis e os órgãos associados a eles
(Continua)
(Continuação)
9Marcadores tumorais e inflamatórios
Fonte: Adaptado de McPherson e Pincus (2012), Williamson e Snyder (2016) e Hermida Lazcano et al. (2016).
Marcador Órgão
Tipo de molécula 
biológica 
investigada
Comentário
Catecola-
minas
Sistema 
nervoso 
central
Epinefrina, 
norepinefrina 
e dopamina, 
neurotransmissores 
derivados de tirosina 
Diagnóstico e 
acompanhamento 
de pacientes com 
neuroblastoma. 
Diagnóstico de 
feocromocitoma e 
paraganglioma.
β-HCG Placenta 
e sistema 
reprodu-
tor
Hormônio 
gonadotrofina 
coriônica humana
Elevado no câncer 
testicular, coriocarcinoma, 
tumores de ovário, 
além de gravidez, mola 
hidatiforme e doença 
trofoblástica gestacional.
Tireoglo-
bulina
Tireoide Glicoproteína iodada, 
concentração 
relacionada à massa 
da tireoide
Extensão do carcinoma 
folicular ou papilar 
da tireoide residual, 
devendo desaparecer 
após tireoidectomia 
total. Pode estar alterado 
no hipertireoidismo 
e em outras doenças 
tireoideanas.
Quadro 2. Marcadores tumorais disponíveis e os órgãos associados a eles
(Continuação)
Com base nos critérios de sensibilidade e especificidade, os marcadores 
tumorais podem ser classificados em três grupos: 
1. de especificidade e sensibilidade muito elevadas;
2. de sensibilidade e especificidade variáveis; 
3. de baixa especificidade. 
No grupo 1, estão os marcadores que, embora possam ser detectados em 
outras situações fisiológicas, quase sempre indicam a presença de tumores 
malignos quando sofrem aumentos importantes. Esse grupo é representado 
Marcadores tumorais e inflamatórios10
pelo β-HCG e pela calcitonina. Quase todos os marcadores tumorais se encon-
tram no grupo 2, incluindo PSA, CEA, AFP e outros. O grupo 3, por sua vez, 
é representado por marcadores como o CYFRA 21, que apresenta especificidade 
baixa mesmo com doença avançada, apresentando pouca utilização clínica 
(HERMIDA LAZCANO et al., 2016).
PSA: o marcador tumoral mais conhecido
O antígeno prostático específico (PSA, prostate-specific antigen) refere-se 
a uma glicoproteína produzidapelo tecido prostático normal, regulado pelo 
receptor de androgênio, cujas quantidades aumentam em doenças prostáti-
cas, incluindo o câncer de próstata. Aumentos não tumorais do PSA estão 
relacionados a fatores como: aumento da idade, inflamações, infecções, pós-
-ejaculação e hiperplasias prostáticas benignas (MCPHERSON; PINCUS, 
2012; WILLIAMSON; SNYDER, 2016). Além disso, aumentos inespecíficos 
do PSA podem ocorrer após exercício físico, uso de bicicletas para locomoção 
e infarto agudo do miocárdio. 
O intervalo de referência para o PSA livre é de 0 a 4 ng/mL, e concentrações 
acima de 10 ng/mL apresentam 50% de chance de câncer de próstata. A melhor 
forma de avaliar o estado clínico de pacientes é por meio da porcentagem 
de PSA livre no soro, dada pela razão entre o PSA livre e o PSA total. Uma 
alteração do PSA maior que 30% em homens com nível inicial de PSA infe-
rior a 2,0 ng/mL tende a indicar uma verdadeira alteração, além da variação 
aleatória normal. A melhor utilização desse marcador é para o monitoramento 
de recidiva e de resposta ao tratamento (WILLIAMSON; SNYDER, 2016).
Embora apresente uma boa sensibilidade, a triagem para câncer de próstata 
por PSA apresenta elevado número de falso-positivos (chegando a 70% em 
alguns estudos), levando a exames complementares dispensáveis, traumas 
emocionais e gastos desnecessários no sistema de saúde, apresentando uma 
redução de risco absoluto de mortalidade pequena. Desse modo, entidades 
científicas, como a Sociedade Americana contra o Câncer, recomendam que 
sejam fornecidas informações suficientes sobre os riscos e benefícios aos 
pacientes para a tomada de decisão, preferencialmente se o PSA for utilizado 
em conjunto com o toque retal (WILLIAMSON; SNYDER, 2016). Além disso, 
é importante considerar que dois terços dos tumores de próstata apresentam 
crescimento lento e não levariam a óbito do paciente, assim, a utilização do 
PSA como método de rastreio representa um excesso de tratamento, sem um 
real ganho de tempo de vida aos pacientes, além de levar a disfunções sexuais 
e urinárias (FENTON et al., 2018; GROSSMAN et al., 2018).
11Marcadores tumorais e inflamatórios
Os marcadores tumorais com baixa especificidade e sensibilidade não podem ser utili-
zados para excluir a presença de tumores, pois não são capazes de garantir a presença 
de câncer. A maioria dos testes só apresenta elevada sensibilidade e especificidade em 
tumores avançados, não sendo úteis para o rastreamento populacional. Em virtude 
disso, os resultados desses testes precisam ser avaliados com critério e muita atenção, 
e nunca isoladamente.
3 Marcadores diagnósticos para inflamação 
e doenças autoimunes
Os autoanticorpos são imunoglobulinas de diferentes classes que reconhecem 
como não próprios os antígenos do organismo, levando à destruição dos tecidos 
nos quais os antígenos são encontrados, inflamação e diferentes sintomas, 
dependendo da localização desses antígenos (FERREIRA; MORAES, 2013). 
A detecção desses autoanticorpos é primordial para o diagnóstico e o mo-
nitoramento da eficácia do tratamento, bem como a ocorrência de recidivas. 
A origem das doenças autoimunes remete a problemas no processo de 
tolerância imunológica, no qual as células imunes em maturação, princi-
palmente os linfócitos T e B, são apresentadas a autoantígenos e as células 
autorreativas são eliminadas (MURPHY, 2014). Múltiplos mecanismos atuam 
para evitar a ocorrência de autoimunidade, e a quantidade de órgãos afetada 
depende do nível no qual ocorreu a falha, isto é, se na tolerância central ou 
na periférica. O Quadro 3, a seguir, apresenta alguns exemplos de doenças 
autoimunes. Algumas dessas doenças, como o lúpus eritematoso sistêmico 
(LES), acometem diferentes órgãos, ao passo que outras, como o diabetes 
melito tipo 1, são órgão-específicas, demonstrando diferenças no processo 
de tolerância imunológica em diferentes níveis.
Marcadores tumorais e inflamatórios12
Doença
Mecanismo 
da doença 
Consequência
Preva-
lência
Psoríase Células T autorreativas 
contra antígenos 
associados à pele
Inflamação da pele, 
com formação de 
marcas ou placas 
escamadas
1 em 50
Artrite 
reumatoide
Células T autorreativas 
atacam os antígenos 
do líquido sinovial 
da articulação
Inflamação e 
destruição das 
articulações, 
causando artrite
1 em 100
Doença 
de Graves
Autoanticorpos 
contra receptor de 
tirotrofina (TSHR)
Hipertireoidismo: 
superprodução de 
hormônios da tireoide
1 em 100
Tireoide de 
Hashimoto
Autoanticorpos e 
células T autorreativas 
contra antígenos 
da tireoide
Destruição de 
tecidos da tireoide 
que causam 
hipotireoidismo 
subprodução de 
hormônios da tireoide
1 em 200
LES Autoanticorpos e 
células T autorreativas 
contra DNA, proteínas 
de cromatina 
e antígenos de 
ribonucleoproteínas 
ubíquos
Glomerulonefrite, 
vasculite, eritema
1 em 200
Síndrome 
de Sjögren
Autoanticorpos e 
células T autorreativas 
contra antígenos de 
ribonucleoproteínas
Infiltração de linfócitos 
em glândulas 
exócrinas, levando 
a ressecamento 
dos olhos e/
ou boca; outros 
órgãos podem estar 
envolvidos, levando 
à doença sistêmica 
1 em 300
Quadro 3. Exemplos de doenças autoimunes, mecanismo patológico, consequências clí-
nicas e prevalência dessas doenças
(Continua)
13Marcadores tumorais e inflamatórios
Fonte: Adaptado de Murphy (2014).
Doença
Mecanismo 
da doença 
Consequência
Preva-
lência
Doença 
de Crohn
Células T autorreativas 
contra antígenos da 
microbiota intestinal
Inflamação e 
cicatriz intestinal
1 em 500
Esclerose 
múltipla 
Células T autorreativas 
contra antígenos 
do cérebro
Formação de placas 
escleróticas no cérebro 
com destruição das 
bainhas de mielina 
que envolvem os 
axônios dos neurônios, 
levando à fraqueza 
muscular, à ataxia e 
a outros sintomas
1 em 700
Diabetes 
tipo I 
(diabetes 
melito de-
pendente 
de insulina, 
IDDM)
Células T autorreativas 
contra antígenos das 
células pancreáticas 
presentes nas ilhotas 
pancreáticas
Destruição das 
células β das ilhotas 
pancreáticas, levando 
à não produção 
de insulina
1 em 800
Quadro 3. Exemplos de doenças autoimunes, mecanismo patológico, consequências clí-
nicas e prevalência dessas doenças
(Continuação)
As causas das doenças autoimunes são múltiplas e precisam ser analisa-
das em conjunto. Há participação de fatores próprios ao organismo, como 
polimorfismos genéticos que favorecem a identificação de autoanticorpos, 
o sexo e a idade (mulheres são afetadas por todas as doenças autoimunes por 
motivos ainda não esclarecidos), além de fatores ambientais, como a exposição 
a patógenos e a toxinas ambientais, e problemas na regulação do sistema imune, 
causados pela combinação destes fatores (MURPHY, 2014).
As doenças autoimunes são caracterizadas pela presença de um ou mais 
autoanticorpos, que podem ser dirigidos contra componentes específicos das 
células. A localização desses anticorpos é crucial para a determinação do 
tipo de doença autoimune, e anticorpos contra o núcleo das células (ANAs, 
anticorpos antinucleares; também conhecidos como FAN, fatores antinu-
Marcadores tumorais e inflamatórios14
cleares) estão relacionados às doenças autoimunes sistêmicas, como o LES 
(MCPHERSON; PINCUS, 2012).
O LES é a principal doença autoimune sistêmica. A detecção de anticorpos 
associados ao LES pode ser feita por ensaio imunoenzimático (Elisa), porém 
o padrão-ouro é a imunofluorescência indireta utilizando células Hep2 como 
substrato, fixadas em lâmina, que serão incubadas com amostras do soro do 
paciente (Figura 2). Essa técnica permite identificar a localização intracelular 
dos autoanticorpos, estando relacionada não só ao LES, mas também a outras 
doenças autoimunes (FERREIRA; MORAES, 2013).
Figura 2. Padrão homogêneo de marcação do núcleo encontrado em pacientes com 
anticorpos contra DNA dupla-fita, presente em pacientes com LES. As células em interfase 
apresentam marcação homogênea, ao passo que as células mitóticas apresentam marcaçãocondensada nas regiões cromossômicas.
Fonte: Caulton (2012, documento on-line).
15Marcadores tumorais e inflamatórios
A identificação dos padrões de marcação de imunofluorescência é complexa 
e requer muito treino do laboratorista. Embora haja uma certa definição de 
quais padrões estão relacionados com quais doenças, é importante lembrar que 
há uma porcentagem importante de pacientes que apresentam FAN negativo 
e, mesmo entre os que apresentam FAN positivo, nem sempre é possível rela-
cionar o padrão dos anticorpos com o quadro clínico do paciente. Além disso, 
há uma quantidade de indivíduos saudáveis que apresentam positividade no 
FAN. Assim, o diagnóstico de doenças autoimunes é complexo e requer sempre 
uma correlação com a clínica do paciente (FERREIRA; MORAES, 2013).
Contudo, existem testes mais simples e que auxiliam no diagnóstico de 
situações inflamatórias e autoimunes, tais como o fator reumatoide, a proteína 
C reativa e a antiestreptolisina O. Esses testes apresentam alta sensibilidade, 
principalmente a dosagem de proteína C-reativa, porém uma baixa especifici-
dade em geral. Assim como os outros testes vistos neste capítulo, eles jamais 
devem ser avaliados sozinhos, e a clínica do paciente sempre deve ser consi-
derada antes de se concluir um diagnóstico (MCPHERSON; PINCUS, 2012).
Fator reumatoide (FR)
O FR representa um conjunto de autoanticorpos das classes de imunoglobulinas 
IgM, IgG e IgA, dirigidos contra a fração constante FC de anticorpos da classe 
IgG. Embora o FR esteja associado à artrite reumatoide, alguns indivíduos 
saudáveis apresentam níveis elevados desse marcador (FERREIRA; MORAES, 
2013). É importante ressaltar que a dosagem de FR, sozinha, não deve ser uti-
lizada no rastreamento de dores articulares ou osteomusculares inespecíficas, 
sem padrão característico da artrite reumatoide, isto é, poliartrite simétrica 
de pequenas articulações das mãos e dos pés, dos punhos e dos tornozelos, 
associada à rigidez matinal prolongada (WILLIAMSON; SNYDER, 2016).
A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica sistêmica, 
de caráter autoimune, que acomete preferencialmente articulações das mãos e 
dos pés, levando à deformidade e à destruição articular em virtude de erosão 
óssea e da cartilagem. No entanto, o FR não é um achado isolado da AR, pois 
pode ser encontrado em diversas doenças do tecido conjuntivo e inflamatórias, 
incluindo mononucleose infecciosa, LES, esclerodermia e hepatite. É impor-
tante ressaltar que um teste positivo não é confirmação do diagnóstico de AR 
e um teste negativo não exclui a doença. O FR deve ser realizado somente na 
avaliação inicial para se estabelecer o diagnóstico. Se positivo, são desneces-
sários exames posteriores. Se inicialmente negativo, pode ser repetido 6 a 12 
meses após o início dos sintomas da doença (FERREIRA; MORAES, 2013).
Marcadores tumorais e inflamatórios16
Nem todos os pacientes com diagnóstico clínico confirmado de AR apre-
sentam níveis de FR detectáveis. Cerca de 20 a 30% dos pacientes com AR não 
têm FR detectável, definitiva ou inicialmente, e não é raro que a positividade 
do FR ocorra meses após o início dos sintomas. Os pacientes idosos podem 
apresentar valores mais elevados (WILLIAMSON; SNYDER, 2016). Pacientes 
com altos títulos de FR apresentam risco maior de desenvolver doença articular 
destrutiva e progressiva e manifestações extra-articulares, como nódulos 
subcutâneos, vasculite, pericardite, pleurite e comprometimento pulmonar 
intersticial, ocular e renal (FERREIRA; MORAES, 2013).
A presença de FR pode causar falso-positivos para a dosagem de alfa-1-
-antitripsina. Resultados falso-positivos ocorrem com muita frequência, 
principalmente em situações que induzem estimulação antigênica crônica, 
como outras doenças autoimunes, tais como síndrome de Sjögren (em torno 
de 75–95% dos pacientes), doença mista do tecido conjuntivo (50–60%), lúpus 
eritematoso sistêmico (15–35%), esclerodermia (20–30%), polimiosite, derma-
tomiosite e crioglobulinemia mista (FERREIRA; MORAES, 2013). Outros 
falso-positivos podem ocorrer em quadros infecciosos, como endocardite 
bacteriana subaguda, infecções pelos vírus das hepatites B e C, tuberculose 
e hanseníase (WILLIAMSON; SNYDER, 2016).
A transfusão recente de sangue, as múltiplas vacinações ou transfusões 
e um complemento inadequadamente ativado podem afetar os resultados. 
Doenças inflamatórias crônicas, como sarcoidose, silicose, fibrose pulmonar 
intersticial, cirrose biliar primária e neoplasias, também podem aumentar 
os valores. Valores elevados de FR podem ser observados em até cerca de 
5% dos indivíduos saudáveis, dependendo da população estudada, e em 9 a 
25% dos homens com idade superior a 70 anos, geralmente em títulos baixos 
(MCPHERSON; PINCUS, 2012).
Para auxiliar no diagnóstico de AR, recentemente, foi desenvolvido o teste 
para a detecção de anticorpos contra um peptídeo cíclico citrulinado sintético 
(anti-CCP), com alto valor diagnóstico quando utilizado em conjunto com o 
FR, sendo, inclusive, incluído nos critérios de diagnóstico da AR (FERREIRA; 
MORAES, 2013).
Proteína C-reativa 
A proteína C-reativa é uma proteína de fase aguda induzida por citocinas útil 
para a detecção e avaliação de infecções, lesão tecidual e distúrbios inflamató-
rios. Os níveis plasmáticos de proteína C-reativa começam a aumentar dentro 
de quatro a seis horas após a lesão tecidual inicial e continuam aumentando 
17Marcadores tumorais e inflamatórios
várias centenas de vezes no decorrer de 24 a 48 horas. A proteína C-reativa 
permanece elevada durante a resposta de fase aguda e retorna a seus valores 
normais com a restauração da estrutura e da função do tecido (WILLIAMSON; 
SNYDER, 2016).
Uma dosagem única de proteína C-reativa pode auxiliar no diagnóstico, mas 
não deve ser interpretada isoladamente, dissociada do quadro clínico, uma vez 
que a sua elevação ocorre em diversas situações clínicas. Recomenda-se a dosa-
gem seriada da proteína C-reativa em intervalos de tempo variáveis, dependendo 
da doença em questão, pois seus níveis séricos refletem a evolução clínica ou a 
resposta ao tratamento em várias doenças (WILLIAMSON; SNYDER, 2016).
Cerca de 80 a 85% dos pacientes com infecções bacterianas apresen-
tam valores de proteína C-reativa maiores que 100 mg/L. Em contrapartida, 
a maioria dos pacientes com infecção virótica isolada apresenta proteína 
C-reativa com valores menores que 20 a 40 mg/L. Entretanto, infecções por 
adenovírus, citomegalovírus, influenza, herpes-simples, sarampo e caxumba 
podem cursar valores de proteína C-reativa maiores que 100 mg/L. Assim, 
a dosagem de proteína C-reativa pode ser útil na diferenciação entre pneumonia 
bacteriana e virótica quando associada a dados clínicos, principalmente em 
casos em que a radiografia não é típica ou na ausência de febre ou leucocitose. 
Nesses casos, valores superiores a 80 mg/L apresentam alta especificidade 
para infecção bacteriana (MCPHERSON; PINCUS, 2012).
Além disso, a dosagem seriada da proteína C-reativa pode ser utilizada no 
acompanhamento do tratamento da osteomielite, em conjunto com critérios 
clínicos. Contudo, ela tende a aumentar rapidamente com a doença e a cair para 
os valores de referência com uma semana de tratamento eficaz. Um segundo 
aumento indica reaparecimento da infecção ou artrite séptica associada. Nos 
quadros de sepse, a dosagem de proteína C-reativa é útil no diagnóstico, 
na avaliação da gravidade e no prognóstico. Quanto mais elevado for o valor 
sérico, pior será o prognóstico (WILLIAMSON; SNYDER, 2016).
Valores aumentados da proteína C-reativa em recém-nascidos estão frequentemente 
relacionados com infecção, sendo o melhor teste isolado para o diagnóstico de sepse 
neonatal. Dosagens sequenciais de proteína C-reativa são importantes no acompa-
nhamento da resposta ao tratamento da sepse neonatal e na avaliação da suspensão 
da antibioticoterapia (WILLIAMSON; SNYDER, 2016). 
Marcadores tumorais e inflamatórios18A dosagem seriada de proteína C-reativa pode ser útil em diversas outras 
situações, como no acompanhamento do tratamento da doença inflamatória 
pélvica, no diagnóstico de complicações da pancreatite aguda e no acompa-
nhamento do tratamento de AR (WILLIAMSON; SNYDER, 2016).
Valores de proteína C-reativa maiores que 130 mg/L após o sexto dia de 
pós-operatório apresentam alta sensibilidade e especificidade na detecção 
de infecção. Após queimaduras extensas, a proteína C-reativa tende a subir, 
retornando progressivamente a valores normais com a cicatrização do processo. 
Um segundo pico de proteína C-reativa ocorre nos casos de infecção secun-
dária, motivo pelo qual a sua dosagem seriada tem valor na monitorização do 
processo de recuperação (MCPHERSON; PINCUS, 2012). 
Todavia, os valores elevados da proteína C-reativa são inespecíficos e não 
devem ser interpretados sem a obtenção de uma história clínica completa. 
Além disso, a presença de anticorpos heterófilos pode aumentar falsamente os 
níveis. Os níveis elevados de proteína C-reativa são influenciados por: genética, 
idade, estilo de vida sedentário, estresse, exposição a toxinas ambientais e dieta 
contendo especificamente alimentos refinados, processados e manufaturados 
(MCPHERSON; PINCUS, 2012). 
A proteína C-reativa é um marcador emergente para a síndrome metabó-
lica, por estar relacionada à inflamação sistêmica, apresentando-se também 
elevada em pacientes com risco cardiovascular elevado; nessas situações, 
é preferível utilizar a hs-proteína C-reativa (de alta sensibilidade). Na análise 
dos resultados, é sempre importante considerar que se trata de um marcador 
com elevada sensibilidade, porém pouca especificidade, ou seja, os valores se 
elevam na presença de vários estados inflamatórios no organismo (MCPHER-
SON; PINCUS, 2012).
Antiestreptolisina O (ASO ou ASLO)
Existem várias cepas de estreptococos (grupos A, B, C, D e G) causadoras de 
doença, as quais são identificadas pelo seu comportamento, sua composição 
química e aparência. Cada grupo provoca tipos específicos de infecções e 
sintomas. Os estreptococos do grupo A são as espécies mais virulentas para os 
seres humanos, constituindo a causa de faringite “estreptocócica”, amigdalite, 
infecções cutâneas e de feridas, infecções do sangue, escarlatina, pneumonia, 
febre reumática (FR) e glomerulonefrite (GN) (MCPHERSON; PINCUS, 2012).
19Marcadores tumorais e inflamatórios
Embora os sinais/sintomas possam sugerir uma infecção estreptocócica, 
é preciso confirmar o diagnóstico por exames complementares. O melhor 
procedimento, utilizado na infecção aguda, consiste na obtenção de uma 
amostra da área infectada para cultura. Todavia, as culturas são inúteis cerca 
de duas a três semanas após a infecção inicial, razão pela qual são utilizados 
testes de ASO, estreptozima e anti-DNASe B para determinar a infecção 
estreptocócica (WILLIAMSON; SNYDER, 2016).
O título de ASO é utilizado para demonstrar a reação do corpo a uma in-
fecção causada por estreptococos beta-hemolíticos do grupo A (Streptococcus 
pyogenes), que aparecem no soro dentro de uma semana a um mês após o 
início de uma infecção estreptocócica. A ocorrência de títulos elevados não 
é específica para nenhum tipo de doença pós-estreptocócica, porém indica 
infecção estreptocócica atual ou passada (FERREIRA; MORAES, 2013). 
A determinação seriada de ASO é efetuada para determinar a diferença 
entre amostras de sangue das fases aguda e convalescente. O diagnóstico de 
infecção estreptocócica prévia é confirmado quando os títulos seriados de 
ASO aumentam no decorrer de um período de semanas e, em seguida, caem 
lentamente. Os títulos de ASO alcançam um pico durante a terceira semana 
após o início dos sintomas agudos de uma doença estreptocócica; dentro de seis 
meses após o início dos sintomas, cerca de 30% dos pacientes apresentam títulos 
anormais. São observados títulos elevados em 80 a 85% dos pacientes com FR 
aguda e em 95% daqueles com GN aguda (MCPHERSON; PINCUS, 2012).
O exame ASO é pedido isoladamente ou em conjunto com o anti-DNase 
B para verificar se uma pessoa teve uma infecção estreptocócica recente. 
Na maioria dos casos, as infecções estreptocócicas são identificadas, tratadas e 
resolvidas com antibióticos. Em casos nos quais a infecção não causa sintomas 
identificáveis ou não é tratada, alguns pacientes (principalmente crianças 
jovens) podem desenvolver sequelas, como febre reumática e glomerulo-
nefrite. Portanto, o teste ASO é solicitado se uma pessoa apresenta sintomas 
sugestivos de febre reumática ou glomerulonefrite com histórico recente de 
garganta inflamada ou infecção estreptocócica confirmada (WILLIAMSON; 
SNYDER, 2016).
Na avaliação de pacientes com FR aguda, a Associação Americana do 
Coração recomenda o título de ASO. Na determinação da ASO, são observados 
resultados falso-positivos quando há níveis séricos elevados de betalipoprote-
ínas produzidas na hepatopatia e na contaminação do soro por Bacillus cereus 
ou por espécies de Pseudomonas (MCPHERSON; PINCUS, 2012). 
Marcadores tumorais e inflamatórios20
Do ponto de vista técnico, ocorrem resultados falso-positivos devido à 
oxidação dos reagentes. Portanto, uma única análise de ASO pode não ser 
significativa, devido à variabilidade dos valores de ASO na população normal. 
Os achados clínicos e laboratoriais devem ser considerados no estabelecimento 
do diagnóstico. As infecções estreptocócicas tratadas com antibióticos podem 
não produzir resultados aumentados (WILLIAMSON; SNYDER, 2016).
A ASO não prevê complicações da infecção estreptocócica, tampouco tipo 
ou a gravidade de complicações que venham a ocorrer. Contudo, havendo sinto-
mas de febre reumática ou de glomerulonefrite, um nível elevado de ASO pode 
ser utilizado para confirmar o diagnóstico (MCPHERSON; PINCUS, 2012).
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23Marcadores tumorais e inflamatórios
Dica do professor
O câncer é uma doença complexa, cuja origem é sempre um conjunto de alterações genéticas nas 
células que conferem uma habilidade de crescimento excessivo e independente do controle do 
organismo. Essas alterações genéticas fazem com que as células tumorais expressem antígenos 
alterados ou em excesso. Utilizar essas alterações moleculares nas células tumorais para melhorar o 
diagnóstico e o tratamento do câncer é uma nova fronteira em Oncologia, apresentando grande 
potencial. Uma das formas de realizar isso é por meio da utilização de anticorpos monoclonais que 
reconhecem as alterações específicas apresentadas pelo tumor.
Nesta Dica do Professor, você irá conhecer um pouco mais sobre a utilização de anticorpos 
monoclonais, que permitem que as células tumorais sejam novamente atacadas pelos linfócitos T 
dos pacientes.
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Exercícios
1) O processo de tolerância imunológica compreende a apresentação de antígenos próprios ao 
organismo durante o processo de maturação dos linfócitos T e B, e as doenças autoimunes 
são causadas por falhas na eliminação dos linfócitos autorreativos.
Sobre esse processo, assinale a alternativa correta:
A) Falhas na tolerância imunológica nos órgãos linfoides secundários causam doenças 
autoimunes sistêmicas.
B) Doenças autoimunes tecido-específicas, como a diabetes melito tipo 1, são causadas por 
falhas na tolerância primária, acarretando imunodeficiências.
C) Falhas na tolerância central surgem quando linfócitos T e B autorreativos não são eliminados 
durante a maturação destes, afetando todo o organismo.
D) A tolerância periférica ocorre nos linfonodos, que ficam nas articulações dos membros.
E) Não podem ocorrer falhas no processo de tolerância imunológica, pois isso implicaria em 
grave imunodeficiência, o que leva o organismo à morte.
2) A inflamação é uma parte da resposta imune inata, surgindo imediatamente após a 
existência de um dano tecidual, servindo, ainda, para auxiliar na ativação da resposta 
adaptativa.
A utilização de marcadores inflamatórios como a proteína C-reativa e o fator reumatoide 
para diagnóstico é:
A) sensível, mas pouco específica, pois diversos processos orgânicos podem provocar o aumento 
desses marcadores no soro de pacientes.
B) específica e sensível, pois permite garantir que se trata de doenças de origem autoimune.
C) específica, mas pouco sensível, servindo como método de diagnóstico de exclusão para 
doenças autoimunes.
D) inespecífica e pouco sensível, permitindo apenas a confirmaçãode uma suspeita diagnóstica.
E) sensível e inespecífica, sendo um parâmetro útil para a triagem populacional de doenças 
autoimunes.
3) Os marcadores tumorais são moléculas presentes em maior quantidade nos tecidos 
cancerosos, mas não são específicas destes, apresentando desafios no uso e na 
interpretação.
Assinale a alternativa que apresenta a indicação correta de utilização dos marcadores 
tumorais na prática clínica:
A) Diagnóstico precoce.
B) Triagem populacional.
C) Diagnóstico de síndromes hereditárias.
D) Definição de tratamento.
E) Monitoramento de recidivas e acompanhamento de resposta ao tratamento.
4) Apesar das limitações de uso dos marcadores tumorais, estes apresentam grande utilidade 
quando avaliados em conjunto com outros dados clínicos.
Qual o marcador indicado para o monitoramento de uma paciente com câncer de mama em 
estágio II recebendo tratamento pela segunda vez?
A) CA 27.29.
B) CEA.
C) CA 15.3.
D) CA 19.9.
E) CA 125.
Há diferentes parâmetros de controle de qualidade que devem ser avaliados para determinar 
a utilização ou não de um teste diagnóstico. Dentre eles, estão os valores preditivos, que 
podem ser positivos ou negativos. O valor preditivo positivo é indicativo da confiabilidade 
de um resultado positivo.
5) 
Só existem dois marcadores tumorais com elevado valor preditivo positivo, ou seja, cujo 
resultado alterado está mais relacionado com a presença de tumores. São eles:
A) PSA e CA 19.9.
B) CEA e calcitonina.
C) CA 125.
D) β-HCG e calcitonina.
E) CA 15.3 e β-HCG.
Na prática
As células tumorais apresentam alterações moleculares que levam à expressão alterada de 
antígenos. A dosagem e a detecção desses antígenos podem ser feitas laboratorialmente, dando 
origem aos chamados marcadores tumorais. Apesar da utilidade desses marcadores na prática 
clínica, a análise desses resultados requer cuidado extra na análise e na interpretação, pois eles 
podem estar alterados mesmo na ausência de um câncer. Além disso, não são tecido-específicos: 
um único marcador pode estar alterado em neoplasias de diferentes órgãos. É possível que haja 
alterações mesmo em condições fisiológicas normais.
Neste Na Prática, você conhecerá a história de Mário, um homem de 66 anos que apresentou 
alterações na dosagem de um marcador tumoral muito utilizado para investigação de câncer de 
próstata, o antígeno prostático específico (PSA).
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Células CAR-T: utilizando o próprio sistema imune para atacar 
o câncer (em inglês)
Para aprender um pouco mais sobre as células CAR-T, que são engenheiradas fora do organismo 
para atacar um câncer, assista ao vídeo. Não se esqueça de habilitar a legenda, se precisar.
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Diagnóstico de lúpus por análise de imunofluorescência
Para conhecer um pouco mais sobre os parâmetros analisados no teste de FAN (fator anti-núcleo) 
utilizado no diagnóstico de doenças autoimunes, assista ao vídeo.
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Marcadores tumorais
Para se aprofundar um pouco mais no estudo dos marcadores tumorais e quando estes devem ser 
utilizados, assista ao vídeo.
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