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Marcadores tumorais e inflamatórios Apresentação O sistema imune é baseado no reconhecimento molecular entre células e moléculas, que identificam substâncias capazes de causar danos ao organismo. Normalmente, pensa-se que o sistema imune reage somente contra patógenos, como vírus e bactérias, mas, na realidade, as defesas são capazes de proteger contra ameaças internas, como a formação de tumores. Em algumas situações, o organismo começa a reconhecer como estranhos antígenos próprios do organismo, montando anticorpos e células citotóxicas contra eles, o que leva à inflamação e danos teciduais. Essa é a base das doenças autoimunes. Nesta Unidade de Aprendizagem, você irá aprender um pouco mais sobre a resposta imune em situações não infecciosas, como os processos tumorais, e sobre falhas na tolerância imunológica que levam ao surgimento de doenças autoimunes. Conhecerá, ainda, marcadores sorológicos utilizados no diagnóstico de cânceres e de doenças inflamatórias e autoimunes. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir marcadores inflamatórios e marcadores tumorais.• Reconhecer as metodologias em imunologia clínica aplicadas ao diagnóstico de câncer. • Identificar os testes diagnósticos empregados na avaliação de doenças autoimunes e inflamatórias. • Desafio O diagnóstico de doenças reumáticas e autoimunes apresenta muitos desafios e, em algumas situações, testes podem apresentar resultados negativos ou que não se correlacionam com a clínica do paciente, causando atrasos no diagnóstico e no tratamento. Responda as perguntas levantadas na discussão: a) Qual a principal hipótese diagnóstica para a paciente e como você chegou a ela? b) Quais exames laboratoriais inespecíficos seriam recomendados? c) Há algum exame específico que poderia ser solicitado? d) Quais cuidados se deve ter na análise dos resultados? Infográfico Costuma-se pensar no sistema imune como algo atuante somente em resposta a agentes externos, como micro-organismos e toxinas ambientais. No entanto, as defesas imunológicas estão ativas também no ambiente interno do corpo, inibindo a ocorrência, por exemplo, de tumores. A vigilância imunológica é capaz de impedir o desenvolvimento e o crescimento da maioria dos tumores. Assim, para se desenvolverem, é necessário que as células tumorais se evadam da resposta imune para conseguir se multiplicar. Há múltiplas estratégias em investigação clínica para reativar a resposta imune tumoral. Neste Infográfico, você irá conhecer um pouco mais sobre as células CAR-T, uma técnica que utiliza engenharia genética e os linfócitos do próprio paciente para o tratamento de leucemias e linfomas. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/3ed4cd5b-b5f8-4f90-8d5f-08efc54c370a/43e5dd15-adf3-40b7-83d6-7949f4966ea5.jpg Conteúdo do livro A resposta imune é complexa e envolve diversos agentes, incluindo células e moléculas, para manter o estado de saúde do organismo. Um dos primeiros sinais de que há algo errado no corpo é a presença de inflamação, parte da resposta imune inata, cujo objetivo é eliminar rapidamente qualquer causador de dano tecidual e auxiliar no início da resposta adaptativa. No entanto, inflamação em excesso está ligada a um estado pré-canceroso, facilitando o surgimento de cânceres a longo prazo. Pode-se verificar, ainda, a presença de inflamação em longo prazo em doenças autoimunes. No capítulo Marcadores tumorais e inflamatórios, da obra Imunologia clínica, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você aprenderá mais sobre a resposta imune contra tumores e como se pode fazer o diagnóstico sorológico de marcadores tumorais. Saberá também sobre os marcadores inflamatórios e o diagnóstico de doenças autoimunes. Boa leitura. IMUNOLOGIA CLÍNICA Helem Ferreira Ribeiro Marcadores tumorais e inflamatórios Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Definir marcadores inflamatórios e marcadores tumorais. � Reconhecer as metodologias em imunologia clínica aplicadas ao diagnóstico de câncer. � Identificar os testes diagnósticos empregados na avaliação de doenças autoimunes e inflamatórias. Introdução O sistema imune reage tanto a antígenos externos, como os existentes em patógenos, quanto a internos, o que pode causar doenças autoimu- nes. Uma das principais funções imunes é a vigilância contra o desen- volvimento de tumores. Estudos indicam que a maioria dos cânceres não chega e se desenvolver e manifestar sintomas clínicos, em virtude da eliminação executada pelo sistema imune, porém os que escapam da vigilância imunológica se tornam clinicamente ativos. Os tumores produzem proteínas anormais ou em quantidade excessiva, o que pode ser medido por meio da dosagem dos chamados marcadores tumorais. Nos últimos anos, emergiu o papel da inflamação como um facilitador do processo carcinogênico. Um estado pró-inflamatório constante leva a um aumento dos danos ao DNA e da angiogênese, facilitando o de- senvolvimento e o espalhamento tumoral. Existem diversos marcadores anti e pró-inflamatórios — alguns altamente sensíveis, outros específicos — que podem ser utilizados para detectar o estado inflamatório de um organismo. Neste capítulo, você estudará sobre a utilização de marcadores tu- morais, inflamatórios e de doenças autoimunes, bem como conhecerá os métodos empregados nessas dosagens. 1 Doenças não infecciosas com participação ativa do sistema imune O sistema imune possui mecanismos de defesa que podem ser classificados quanto à sua especificidade em inespecíficos e específicos (LIMA et al., 2012). Antes da ativação do sistema imune, o organismo ainda possui as barreiras naturais, responsáveis por funções importantes na manutenção da fisiologia do organismo. A atuação do sistema imune geralmente é associada à eliminação de patógenos, porém componentes próprios ao organismo, incluindo tumores e autoantígenos, podem ser alvo da resposta imune; a inflamação também é um processo imunológico. Assim, é possível utilizar métodos imunológicos para o diagnóstico dessas situações (SOUZA et al., 2010). O sistema imune pode impedir o crescimento neoplásico por meio da atuação dos linfócitos T, direcionando-os a antígenos específicos do tumor. Contudo, as células tumorais podem evitar que se instale uma resposta imune eficaz por meio de mecanismos que impedem a ação das células efetoras da imunidade, tais como as variações celulares e os tumores não imunogênicos. Essa interação leva ao surgimento do processo de imunoedição tumoral, em que o sistema imune ataca as células com maior imunogenicidade (células com muitas alterações que provocam o aparecimento de antígenos novos por mutações gênicas ou por excesso de produção de antígenos normais do tecido) e as destrói. A maioria dos tumores é eliminada antes de qualquer sintoma clínico pela ação imunológica, e os tumores clinicamente detectáveis são uma pequena parcela composta por células que escapam da vigilância imunológica (RIBATTI, 2017). As doenças autoimunes surgem quando há problemas que levam a um desequilíbrio no processo de tolerância a autoantígenos, em que os tecidos que apresentam o antígeno próprio em questão são atacados e destruídos. Esses problemas podem surgir tanto na tolerância central, que envolve a remoção de linfócitos B e T autorreativos durante o seu processo de maturação, como na tolerância periférica, que ocorre nos órgãos linfoides secundários, nos quais há falhas no processo de remoção de linfócitos reativos contra antígenos teciduais (SOUZA et al., 2010). Marcadores tumorais e inflamatórios2 A inflamação participa tanto no desenvolvimento de doenças autoimunes quanto no crescimento tumoral. A resposta inflamatória é altamente inespe- cífica, cuja função é facilitar a atividadedos processos da imunidade inata e a ativação da resposta adaptativa (CRUVINEL et al., 2010). A inflamação é a primeira defesa do organismo quando ocorre dano a um tecido, envol- vendo mecanismos vasculares, celulares e diferentes citocinas, com o objetivo de remover o estímulo causador da lesão e iniciar a recuperação tecidual. No entanto, um estado inflamatório crônico está associado ao desenvolvimento tumoral (GRETEN; GRIVENNIKOV, 2019) e ao aumento das manifestações clínicas das doenças autoimunes (BERINGER; NOACK; MIOSSEC, 2016). O conhecimento sobre os métodos imunológicos de detecção da resposta imune causada por tumores, doenças autoimunes e inflamação é fundamental para auxiliar no diagnóstico dessas doenças, bem como para a compreensão do mecanismo pelo qual essas situações clínicas ocorrem e das limitações associadas ao diagnóstico dessas afecções. O Quadro 1, a seguir, apresenta algumas doenças não infecciosas com participação do sistema imune. Doença Mecanismo imunológico Marcador diagnóstico Sensível Específico Câncer Imunoedição e escape da vigilância imune Antígenos associados ao tumor + + Infla- mação Resposta natural a danos teciduais Citocinas pró e anti- -inflamatórias, proteínas de fase aguda +++ + Autoimu- nidade Perda da tolerância imunológica central ou periférica Detecção de autoanticorpos ++ ++ Quadro 1. Doenças não infecciosas com participação do sistema imune: mecanismo de ocorrência e marcadores diagnósticos associados 3Marcadores tumorais e inflamatórios 2 Resposta imune tumoral e marcadores tumorais De acordo com a teoria da vigilância imunológica, as células cancerígenas que aparecem no corpo são eliminadas pelo sistema imune continuamente. Entretanto, devido à reatividade imune prejudicada, essas células podem escapar da destruição. Os tumores evadem o reconhecimento imune por meio de vários mecanismos, diminuindo a expressão de neoantígenos imunogênicos, que falham na expressão das moléculas coestimulatórias necessárias para a ativação das células T. Além disso, certos tumores são conhecidos por apresen- tarem poucos antígenos do complexo principal de histocompatibilidade (MHC, major histocompatibility complex), uma das formas de escape imunológico reconhecidas (FIGUEREDO, 2019). Outra razão para a falha da vigilância imune pode ser o fato de que, no início do desenvolvimento de um tumor, a quantidade de um antígeno pode ser pequena para estimular o sistema imune (tolerância à baixa dose), ou devido à rápida proliferação de células malignas (tolerância à alta dose), quando o sistema imune é rapidamente sobrecarregado (HYNES, 2003). O processo de carcinogênese é lento e gradual, ocorrendo em fases distintas antes do estabelecimento do tumor, e em todas essas fases há envolvimento em maior ou menor grau do sistema imune (LIMA et al., 2012). O sistema imune pode, paradoxalmente, restringir e promover o desenvolvimento e a progressão do tumor. Esse processo é denominado imunodeficiência do câncer e, em sua forma mais complexa, procede por meio de três fases: eliminação, equilíbrio e escape (SCHREIBER; OLD; SMYTH, 2011). O estágio de eliminação resulta da vigilância imunológica desempenhada pelo sistema imune, ou seja, consiste na eliminação de células tumorais detec- tadas por células de defesa do organismo humano. Todavia, se algumas células neoplásicas permanecerem em nosso organismo, elas podem evoluir para o segundo estágio (LIMA et al., 2012). Os componentes imunes necessários para a eliminação eficaz de qualquer tumor dependem de características específi- cas, como a origem (espontânea versus induzida por agentes cancerígenos), a localização anatômica e a taxa de crescimento do tumor (SCHREIBER; OLD; SMYTH, 2011). Marcadores tumorais e inflamatórios4 O estágio de equilíbrio, por sua vez, está relacionado com a resposta imune e o microambiente tumoral (MITTAL et al., 2014). Variantes genéticas raras de células tumorais podem sobreviver à fase de eliminação e entrar na fase de equilíbrio, na qual o sistema imune adaptativo impede o crescimento de células tumorais e esculpe a imunogenicidade dessas células. Acredita-se que o equilíbrio seja a fase mais longa da interação entre o sistema imune e as células tumorais, talvez se estendendo por toda a vida do hospedeiro (SCHREIBER; OLD; SMYTH, 2011). Essa fase é mediada pelo equilíbrio entre células e citocinas que promovem a eliminação e aquelas que promovem a persistência do tumor nascente. Assim, o tumor evolui lentamente ou entra em estágio de dormência. Por fim, no estágio de escape, as células tumorais apresentam resistência ao sistema imune e crescimento desordenado e exacerbado, assumindo um comportamento biológico agressivo, com a possibilidade de instalar-se em outros tecidos e órgãos adjacentes, provocando metástase (LIMA et al., 2012). Nessa fase, as células tumorais que adquiriram a capacidade de contornar o reconhecimento e/ou a destruição imunes emergem como tumores visíveis e de crescimento progressivo. A progressão do equilíbrio para a fase de es- cape pode ocorrer pelos seguintes motivos: a população de células tumorais muda em resposta às funções de edição do sistema imune; o sistema imune do hospedeiro muda em resposta ao aumento da imunossupressão induzida ao câncer; ou pela deterioração do sistema imune (Figura 1) (SCHREIBER; OLD; SMYTH, 2011). Há dois tipos principais de antígenos tumorais: antígenos de transplantes tumor-específicos (TSTA) e antígenos de transplante associados a tumor (TATA). Os TSTA são próprios de células tumorais e não são expressos em células normais, sendo responsáveis pela rejeição ao tumor. Já os TATA são expressos pelas células tumorais e pelas células normais. A perda de expressão de antígenos tumorais é um dos mecanismos mais estudados de evasão imune. Esse processo prejudica a identificação de antígenos tumorais circulantes por técnicas imunológicas (MCLEOD, 2013). Em virtude do processo de imunoedição tumoral, a maioria dos cânceres é, com frequência, imunogenicamente fraca ou não imunogênica. Na maioria dos casos, os TSTA não podem ser identificados facilmente. Alguns desses antígenos são secretados, ao passo que outros são moléculas associadas à membrana (MCLEOD 2013). 5Marcadores tumorais e inflamatórios Figura 1. Eliminação e escape imunológico das células tumorais. Durante a fase de eliminação (à esquerda), as células efetoras, como as células NK, com auxílio das células dendríticas e dos linfócitos T CD4+, são capazes de reconhecer e eliminar as células tumorais, que expressam antígenos tumorais por meio do MHC de classe I. Como resultado da heterogeneidade tumoral, as células menos imunogênicas proliferam com mais intensidade e passam a expressar proteínas que prejudicam a ativação imune, como PD-L1, além de diminuir a expressão de antígenos tumorais pelo MHC de classe I, permitindo o escape imune e o desenvolvimento tumoral (à direita). Fonte: Adaptada de Monjazeb et al. (2013). Célula normal Célula tumoral Célula NK Linfócito T CD4+ Linfócito T CD8+ Eliminação Escape Célula dendrítica Célula dendrítica imatura Macrófago Célula supressora derivada mieloide Célula T Regulatória Granzimas IDO IDO Arg1 ArginaseINOS R-NOS TGFβ IL-10 TGFβ IL-10 PD-L1 PGE2 IL-10 NKG2D NKG2D ligand FasL TRAIL TRAIL-R Fas Perforina MHC de Classe I Antígeno tumoral Marcadores tumorais Em 1847, o médico inglês Bence Jones foi o pioneiro na identificação de uma proteína específica presente na urina em pacientes com quadro clínico de mieloma múltiplo (TOMAZ et al., 2017). A quantificação desses marcadores relacionados com o diagnóstico oncológico representa um grande avanço para a medicina diagnóstica, pois indica a possibilidade de identificação do local de origem de um tumor mesmo quando este já se encontra em metástase (ALTMAN et al., 2014). Os marcadores tumorais são macromoléculas, como proteínas, enzimas, antígenos,hormônios, receptores de membranas, genes supressores tumorais e oncogenes, e podem ser detectados no sangue ou em outros fluidos biológicos, ou até mesmo nos próprios tecidos tumorais. Esses marcadores têm importância diagnóstica, pois fornecem informações sobre o comportamento provável do câncer, sendo capazes de indicar a probabilidade de progressão ou resposta Marcadores tumorais e inflamatórios6 à terapia, além de poderem ser utilizados na vigilância pós-operatória e na resposta ao monitoramento à terapia sistemática (DUFFY, 2012). Entretanto, não é admissível que os marcadores tumorais sejam utiliza- dos como único modelo para o diagnóstico de câncer, pois não existe um marcador “perfeito”, todos possuem especificidade e sensibilidade variada. Dessa maneira, eles servem como apoio no diagnóstico laboratorial, seja para triagem, diagnóstico, prognóstico ou monitoramento do tratamento (JACOB et al., 2011). A falta de especificidade para a malignidade torna o marcador tumoral limitado no que se diz respeito ao seu uso na triagem de indivíduos assintomáticos para a malignidade precoce. Isso porque, quando combinados com a baixa prevalência da maioria dos cânceres na comunidade, os marca- dores tumorais, se utilizados isoladamente, têm valores preditivos positivos baixos (DUFFY, 2012). O rastreamento de marcadores tumorais é fundamental para definir: diag- nóstico diferencial em pacientes sintomáticos; estadiamento clínico; estimativa do volume tumoral; indicador prognóstico; estabelecimento do diagnóstico; monitorização da eficiência terapêutica; localização de metástases; tratamento (imunorradioterapia); e detecção precoce da recorrência. Os marcadores tu- morais são utilizados como exame complementar e, na maioria dos casos, devem ser associados a outros métodos para diagnóstico ou modificação terapêutica (DUFFY, 2012). O marcador tumoral ideal é conceituado como uma substância produzida pelo tumor ou pelo organismo em resposta a ele, a qual é específica para um determinado tipo celular e sensível o bastante para permitir o rastreamento e o diagnóstico de pequenas massas tumorais potencialmente curáveis. Todavia, as substâncias disponíveis atualmente para uso como marcadores tumorais não possuem essas características. Na maioria das vezes, o marcador está presente tanto em tecidos benignos quanto em malignos, sem possuir um valor de corte claro que permita a distinção entre os dois processos. Outras vezes, o marcador apresenta alteração significativa em sua concentração apenas quando o processo de malignidade já se encontra em estado avançado, como ocorre no câncer de ovário (MCPHERSON; PINCUS, 2012). Assim, os marcadores tumorais atuais são mais bem utilizados no mo- nitoramento do tratamento, na avaliação de prognóstico e na detecção de recidivas. Acredita-se que nenhum marcador biológico, sozinho, possa fornecer informações consistentes; por isso, a tendência, hoje, é focar na identifica- ção de vários marcadores tumorais que possam ser utilizados em conjunto (SÖLÉTORMOS et al., 2016). O Quadro 2, a seguir, apresenta os marcadores tumorais disponíveis e os órgãos associados a eles. 7Marcadores tumorais e inflamatórios Marcador Órgão Tipo de molécula biológica investigada Comentário AFP Fígado Alfafetoproteína Glicoproteína produzida pelo fígado fetal Elevado em carcinoma hepatocelular. Pode subir em indivíduos com câncer de testículo e ovário. Útil para monitoramento terapêutico. B2M Leuce- mias e linfomas, mieloma múltiplo Beta-2-microglobu- lina, dosagem de antígeno Avaliação de prognóstico. Elevado em tumores do sistema imune e em câncer de pulmão e mama. Pode estar elevado em pacientes com problemas renais. BTA Bexiga Antígeno de tumor de bexiga, dosagem de antígeno Auxílio diagnóstico. Pode estar elevado na presença de cálculos urinários, inflamações da bexiga e uso de sonda por longos períodos. CA 15.3 Mama Antígeno de carboidrato 15.3. Produto do gene MUC1 Detecção de recidiva, aumentando antes dos sintomas clínicos. Aumenta em lúpus, hepatites crônicas e sarcoidose. Pode aumentar em cânceres de pâncreas, pulmão, ovário, colorretal e hepático. CA 19.9 Pâncreas Antígeno modificado do grupo sanguíneo Lewis Monitoramento de recidiva e resposta ao tratamento. Pode estar elevado em cânceres hepático, gástrico e colorretal e em doenças não malignas do trato gastrintestinal. Quadro 2. Marcadores tumorais disponíveis e os órgãos associados a eles (Continua) Marcadores tumorais e inflamatórios8 Marcador Órgão Tipo de molécula biológica investigada Comentário CA 27.29 Mama Antígeno de carboidrato 15.3. Também é produto do gene MUC1 Menos sensível que o CA 15.3, mas com boa correlação entre a concentração e a atividade da doença. Monitoramento de pacientes previamente tratadas para câncer de mama no estágio II ou III. CA 125 Ovário Glicoproteína de alto peso molecular, produto do gene MUC16 Pode ser utilizado para rastreio em mulheres com síndromes hereditárias de propensão ao câncer. Pode aumentar em tumores uterinos, linfoma não Hodking, cânceres de pulmão, fígado e pâncreas, menstruação, endometriose e gravidez. Calcitonina Tireoide, metásta- ses ósseas Hormônio produzido pela tireoide, diminui a reabsorção óssea Recidiva de carcinoma medular de tireoide e ocorrência de metástases ósseas. Pode elevar em carcinomas de pulmão, ovário, mama, pâncreas e metástases desses tumores. CEA Colorretal, sistema digestório e outros Antígeno carcinoembrionário. Glicoproteína isolada de tecido fetal e de câncer colorretal Elevado em praticamente todos os tumores de origem epitelial não melanoma. Especificidade e sensibilidade variáveis. Aumentado em tabagistas. Auxiliar no monitoramento do tratamento e de recidivas. Quadro 2. Marcadores tumorais disponíveis e os órgãos associados a eles (Continua) (Continuação) 9Marcadores tumorais e inflamatórios Fonte: Adaptado de McPherson e Pincus (2012), Williamson e Snyder (2016) e Hermida Lazcano et al. (2016). Marcador Órgão Tipo de molécula biológica investigada Comentário Catecola- minas Sistema nervoso central Epinefrina, norepinefrina e dopamina, neurotransmissores derivados de tirosina Diagnóstico e acompanhamento de pacientes com neuroblastoma. Diagnóstico de feocromocitoma e paraganglioma. β-HCG Placenta e sistema reprodu- tor Hormônio gonadotrofina coriônica humana Elevado no câncer testicular, coriocarcinoma, tumores de ovário, além de gravidez, mola hidatiforme e doença trofoblástica gestacional. Tireoglo- bulina Tireoide Glicoproteína iodada, concentração relacionada à massa da tireoide Extensão do carcinoma folicular ou papilar da tireoide residual, devendo desaparecer após tireoidectomia total. Pode estar alterado no hipertireoidismo e em outras doenças tireoideanas. Quadro 2. Marcadores tumorais disponíveis e os órgãos associados a eles (Continuação) Com base nos critérios de sensibilidade e especificidade, os marcadores tumorais podem ser classificados em três grupos: 1. de especificidade e sensibilidade muito elevadas; 2. de sensibilidade e especificidade variáveis; 3. de baixa especificidade. No grupo 1, estão os marcadores que, embora possam ser detectados em outras situações fisiológicas, quase sempre indicam a presença de tumores malignos quando sofrem aumentos importantes. Esse grupo é representado Marcadores tumorais e inflamatórios10 pelo β-HCG e pela calcitonina. Quase todos os marcadores tumorais se encon- tram no grupo 2, incluindo PSA, CEA, AFP e outros. O grupo 3, por sua vez, é representado por marcadores como o CYFRA 21, que apresenta especificidade baixa mesmo com doença avançada, apresentando pouca utilização clínica (HERMIDA LAZCANO et al., 2016). PSA: o marcador tumoral mais conhecido O antígeno prostático específico (PSA, prostate-specific antigen) refere-se a uma glicoproteína produzidapelo tecido prostático normal, regulado pelo receptor de androgênio, cujas quantidades aumentam em doenças prostáti- cas, incluindo o câncer de próstata. Aumentos não tumorais do PSA estão relacionados a fatores como: aumento da idade, inflamações, infecções, pós- -ejaculação e hiperplasias prostáticas benignas (MCPHERSON; PINCUS, 2012; WILLIAMSON; SNYDER, 2016). Além disso, aumentos inespecíficos do PSA podem ocorrer após exercício físico, uso de bicicletas para locomoção e infarto agudo do miocárdio. O intervalo de referência para o PSA livre é de 0 a 4 ng/mL, e concentrações acima de 10 ng/mL apresentam 50% de chance de câncer de próstata. A melhor forma de avaliar o estado clínico de pacientes é por meio da porcentagem de PSA livre no soro, dada pela razão entre o PSA livre e o PSA total. Uma alteração do PSA maior que 30% em homens com nível inicial de PSA infe- rior a 2,0 ng/mL tende a indicar uma verdadeira alteração, além da variação aleatória normal. A melhor utilização desse marcador é para o monitoramento de recidiva e de resposta ao tratamento (WILLIAMSON; SNYDER, 2016). Embora apresente uma boa sensibilidade, a triagem para câncer de próstata por PSA apresenta elevado número de falso-positivos (chegando a 70% em alguns estudos), levando a exames complementares dispensáveis, traumas emocionais e gastos desnecessários no sistema de saúde, apresentando uma redução de risco absoluto de mortalidade pequena. Desse modo, entidades científicas, como a Sociedade Americana contra o Câncer, recomendam que sejam fornecidas informações suficientes sobre os riscos e benefícios aos pacientes para a tomada de decisão, preferencialmente se o PSA for utilizado em conjunto com o toque retal (WILLIAMSON; SNYDER, 2016). Além disso, é importante considerar que dois terços dos tumores de próstata apresentam crescimento lento e não levariam a óbito do paciente, assim, a utilização do PSA como método de rastreio representa um excesso de tratamento, sem um real ganho de tempo de vida aos pacientes, além de levar a disfunções sexuais e urinárias (FENTON et al., 2018; GROSSMAN et al., 2018). 11Marcadores tumorais e inflamatórios Os marcadores tumorais com baixa especificidade e sensibilidade não podem ser utili- zados para excluir a presença de tumores, pois não são capazes de garantir a presença de câncer. A maioria dos testes só apresenta elevada sensibilidade e especificidade em tumores avançados, não sendo úteis para o rastreamento populacional. Em virtude disso, os resultados desses testes precisam ser avaliados com critério e muita atenção, e nunca isoladamente. 3 Marcadores diagnósticos para inflamação e doenças autoimunes Os autoanticorpos são imunoglobulinas de diferentes classes que reconhecem como não próprios os antígenos do organismo, levando à destruição dos tecidos nos quais os antígenos são encontrados, inflamação e diferentes sintomas, dependendo da localização desses antígenos (FERREIRA; MORAES, 2013). A detecção desses autoanticorpos é primordial para o diagnóstico e o mo- nitoramento da eficácia do tratamento, bem como a ocorrência de recidivas. A origem das doenças autoimunes remete a problemas no processo de tolerância imunológica, no qual as células imunes em maturação, princi- palmente os linfócitos T e B, são apresentadas a autoantígenos e as células autorreativas são eliminadas (MURPHY, 2014). Múltiplos mecanismos atuam para evitar a ocorrência de autoimunidade, e a quantidade de órgãos afetada depende do nível no qual ocorreu a falha, isto é, se na tolerância central ou na periférica. O Quadro 3, a seguir, apresenta alguns exemplos de doenças autoimunes. Algumas dessas doenças, como o lúpus eritematoso sistêmico (LES), acometem diferentes órgãos, ao passo que outras, como o diabetes melito tipo 1, são órgão-específicas, demonstrando diferenças no processo de tolerância imunológica em diferentes níveis. Marcadores tumorais e inflamatórios12 Doença Mecanismo da doença Consequência Preva- lência Psoríase Células T autorreativas contra antígenos associados à pele Inflamação da pele, com formação de marcas ou placas escamadas 1 em 50 Artrite reumatoide Células T autorreativas atacam os antígenos do líquido sinovial da articulação Inflamação e destruição das articulações, causando artrite 1 em 100 Doença de Graves Autoanticorpos contra receptor de tirotrofina (TSHR) Hipertireoidismo: superprodução de hormônios da tireoide 1 em 100 Tireoide de Hashimoto Autoanticorpos e células T autorreativas contra antígenos da tireoide Destruição de tecidos da tireoide que causam hipotireoidismo subprodução de hormônios da tireoide 1 em 200 LES Autoanticorpos e células T autorreativas contra DNA, proteínas de cromatina e antígenos de ribonucleoproteínas ubíquos Glomerulonefrite, vasculite, eritema 1 em 200 Síndrome de Sjögren Autoanticorpos e células T autorreativas contra antígenos de ribonucleoproteínas Infiltração de linfócitos em glândulas exócrinas, levando a ressecamento dos olhos e/ ou boca; outros órgãos podem estar envolvidos, levando à doença sistêmica 1 em 300 Quadro 3. Exemplos de doenças autoimunes, mecanismo patológico, consequências clí- nicas e prevalência dessas doenças (Continua) 13Marcadores tumorais e inflamatórios Fonte: Adaptado de Murphy (2014). Doença Mecanismo da doença Consequência Preva- lência Doença de Crohn Células T autorreativas contra antígenos da microbiota intestinal Inflamação e cicatriz intestinal 1 em 500 Esclerose múltipla Células T autorreativas contra antígenos do cérebro Formação de placas escleróticas no cérebro com destruição das bainhas de mielina que envolvem os axônios dos neurônios, levando à fraqueza muscular, à ataxia e a outros sintomas 1 em 700 Diabetes tipo I (diabetes melito de- pendente de insulina, IDDM) Células T autorreativas contra antígenos das células pancreáticas presentes nas ilhotas pancreáticas Destruição das células β das ilhotas pancreáticas, levando à não produção de insulina 1 em 800 Quadro 3. Exemplos de doenças autoimunes, mecanismo patológico, consequências clí- nicas e prevalência dessas doenças (Continuação) As causas das doenças autoimunes são múltiplas e precisam ser analisa- das em conjunto. Há participação de fatores próprios ao organismo, como polimorfismos genéticos que favorecem a identificação de autoanticorpos, o sexo e a idade (mulheres são afetadas por todas as doenças autoimunes por motivos ainda não esclarecidos), além de fatores ambientais, como a exposição a patógenos e a toxinas ambientais, e problemas na regulação do sistema imune, causados pela combinação destes fatores (MURPHY, 2014). As doenças autoimunes são caracterizadas pela presença de um ou mais autoanticorpos, que podem ser dirigidos contra componentes específicos das células. A localização desses anticorpos é crucial para a determinação do tipo de doença autoimune, e anticorpos contra o núcleo das células (ANAs, anticorpos antinucleares; também conhecidos como FAN, fatores antinu- Marcadores tumorais e inflamatórios14 cleares) estão relacionados às doenças autoimunes sistêmicas, como o LES (MCPHERSON; PINCUS, 2012). O LES é a principal doença autoimune sistêmica. A detecção de anticorpos associados ao LES pode ser feita por ensaio imunoenzimático (Elisa), porém o padrão-ouro é a imunofluorescência indireta utilizando células Hep2 como substrato, fixadas em lâmina, que serão incubadas com amostras do soro do paciente (Figura 2). Essa técnica permite identificar a localização intracelular dos autoanticorpos, estando relacionada não só ao LES, mas também a outras doenças autoimunes (FERREIRA; MORAES, 2013). Figura 2. Padrão homogêneo de marcação do núcleo encontrado em pacientes com anticorpos contra DNA dupla-fita, presente em pacientes com LES. As células em interfase apresentam marcação homogênea, ao passo que as células mitóticas apresentam marcaçãocondensada nas regiões cromossômicas. Fonte: Caulton (2012, documento on-line). 15Marcadores tumorais e inflamatórios A identificação dos padrões de marcação de imunofluorescência é complexa e requer muito treino do laboratorista. Embora haja uma certa definição de quais padrões estão relacionados com quais doenças, é importante lembrar que há uma porcentagem importante de pacientes que apresentam FAN negativo e, mesmo entre os que apresentam FAN positivo, nem sempre é possível rela- cionar o padrão dos anticorpos com o quadro clínico do paciente. Além disso, há uma quantidade de indivíduos saudáveis que apresentam positividade no FAN. Assim, o diagnóstico de doenças autoimunes é complexo e requer sempre uma correlação com a clínica do paciente (FERREIRA; MORAES, 2013). Contudo, existem testes mais simples e que auxiliam no diagnóstico de situações inflamatórias e autoimunes, tais como o fator reumatoide, a proteína C reativa e a antiestreptolisina O. Esses testes apresentam alta sensibilidade, principalmente a dosagem de proteína C-reativa, porém uma baixa especifici- dade em geral. Assim como os outros testes vistos neste capítulo, eles jamais devem ser avaliados sozinhos, e a clínica do paciente sempre deve ser consi- derada antes de se concluir um diagnóstico (MCPHERSON; PINCUS, 2012). Fator reumatoide (FR) O FR representa um conjunto de autoanticorpos das classes de imunoglobulinas IgM, IgG e IgA, dirigidos contra a fração constante FC de anticorpos da classe IgG. Embora o FR esteja associado à artrite reumatoide, alguns indivíduos saudáveis apresentam níveis elevados desse marcador (FERREIRA; MORAES, 2013). É importante ressaltar que a dosagem de FR, sozinha, não deve ser uti- lizada no rastreamento de dores articulares ou osteomusculares inespecíficas, sem padrão característico da artrite reumatoide, isto é, poliartrite simétrica de pequenas articulações das mãos e dos pés, dos punhos e dos tornozelos, associada à rigidez matinal prolongada (WILLIAMSON; SNYDER, 2016). A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica sistêmica, de caráter autoimune, que acomete preferencialmente articulações das mãos e dos pés, levando à deformidade e à destruição articular em virtude de erosão óssea e da cartilagem. No entanto, o FR não é um achado isolado da AR, pois pode ser encontrado em diversas doenças do tecido conjuntivo e inflamatórias, incluindo mononucleose infecciosa, LES, esclerodermia e hepatite. É impor- tante ressaltar que um teste positivo não é confirmação do diagnóstico de AR e um teste negativo não exclui a doença. O FR deve ser realizado somente na avaliação inicial para se estabelecer o diagnóstico. Se positivo, são desneces- sários exames posteriores. Se inicialmente negativo, pode ser repetido 6 a 12 meses após o início dos sintomas da doença (FERREIRA; MORAES, 2013). Marcadores tumorais e inflamatórios16 Nem todos os pacientes com diagnóstico clínico confirmado de AR apre- sentam níveis de FR detectáveis. Cerca de 20 a 30% dos pacientes com AR não têm FR detectável, definitiva ou inicialmente, e não é raro que a positividade do FR ocorra meses após o início dos sintomas. Os pacientes idosos podem apresentar valores mais elevados (WILLIAMSON; SNYDER, 2016). Pacientes com altos títulos de FR apresentam risco maior de desenvolver doença articular destrutiva e progressiva e manifestações extra-articulares, como nódulos subcutâneos, vasculite, pericardite, pleurite e comprometimento pulmonar intersticial, ocular e renal (FERREIRA; MORAES, 2013). A presença de FR pode causar falso-positivos para a dosagem de alfa-1- -antitripsina. Resultados falso-positivos ocorrem com muita frequência, principalmente em situações que induzem estimulação antigênica crônica, como outras doenças autoimunes, tais como síndrome de Sjögren (em torno de 75–95% dos pacientes), doença mista do tecido conjuntivo (50–60%), lúpus eritematoso sistêmico (15–35%), esclerodermia (20–30%), polimiosite, derma- tomiosite e crioglobulinemia mista (FERREIRA; MORAES, 2013). Outros falso-positivos podem ocorrer em quadros infecciosos, como endocardite bacteriana subaguda, infecções pelos vírus das hepatites B e C, tuberculose e hanseníase (WILLIAMSON; SNYDER, 2016). A transfusão recente de sangue, as múltiplas vacinações ou transfusões e um complemento inadequadamente ativado podem afetar os resultados. Doenças inflamatórias crônicas, como sarcoidose, silicose, fibrose pulmonar intersticial, cirrose biliar primária e neoplasias, também podem aumentar os valores. Valores elevados de FR podem ser observados em até cerca de 5% dos indivíduos saudáveis, dependendo da população estudada, e em 9 a 25% dos homens com idade superior a 70 anos, geralmente em títulos baixos (MCPHERSON; PINCUS, 2012). Para auxiliar no diagnóstico de AR, recentemente, foi desenvolvido o teste para a detecção de anticorpos contra um peptídeo cíclico citrulinado sintético (anti-CCP), com alto valor diagnóstico quando utilizado em conjunto com o FR, sendo, inclusive, incluído nos critérios de diagnóstico da AR (FERREIRA; MORAES, 2013). Proteína C-reativa A proteína C-reativa é uma proteína de fase aguda induzida por citocinas útil para a detecção e avaliação de infecções, lesão tecidual e distúrbios inflamató- rios. Os níveis plasmáticos de proteína C-reativa começam a aumentar dentro de quatro a seis horas após a lesão tecidual inicial e continuam aumentando 17Marcadores tumorais e inflamatórios várias centenas de vezes no decorrer de 24 a 48 horas. A proteína C-reativa permanece elevada durante a resposta de fase aguda e retorna a seus valores normais com a restauração da estrutura e da função do tecido (WILLIAMSON; SNYDER, 2016). Uma dosagem única de proteína C-reativa pode auxiliar no diagnóstico, mas não deve ser interpretada isoladamente, dissociada do quadro clínico, uma vez que a sua elevação ocorre em diversas situações clínicas. Recomenda-se a dosa- gem seriada da proteína C-reativa em intervalos de tempo variáveis, dependendo da doença em questão, pois seus níveis séricos refletem a evolução clínica ou a resposta ao tratamento em várias doenças (WILLIAMSON; SNYDER, 2016). Cerca de 80 a 85% dos pacientes com infecções bacterianas apresen- tam valores de proteína C-reativa maiores que 100 mg/L. Em contrapartida, a maioria dos pacientes com infecção virótica isolada apresenta proteína C-reativa com valores menores que 20 a 40 mg/L. Entretanto, infecções por adenovírus, citomegalovírus, influenza, herpes-simples, sarampo e caxumba podem cursar valores de proteína C-reativa maiores que 100 mg/L. Assim, a dosagem de proteína C-reativa pode ser útil na diferenciação entre pneumonia bacteriana e virótica quando associada a dados clínicos, principalmente em casos em que a radiografia não é típica ou na ausência de febre ou leucocitose. Nesses casos, valores superiores a 80 mg/L apresentam alta especificidade para infecção bacteriana (MCPHERSON; PINCUS, 2012). Além disso, a dosagem seriada da proteína C-reativa pode ser utilizada no acompanhamento do tratamento da osteomielite, em conjunto com critérios clínicos. Contudo, ela tende a aumentar rapidamente com a doença e a cair para os valores de referência com uma semana de tratamento eficaz. Um segundo aumento indica reaparecimento da infecção ou artrite séptica associada. Nos quadros de sepse, a dosagem de proteína C-reativa é útil no diagnóstico, na avaliação da gravidade e no prognóstico. Quanto mais elevado for o valor sérico, pior será o prognóstico (WILLIAMSON; SNYDER, 2016). Valores aumentados da proteína C-reativa em recém-nascidos estão frequentemente relacionados com infecção, sendo o melhor teste isolado para o diagnóstico de sepse neonatal. Dosagens sequenciais de proteína C-reativa são importantes no acompa- nhamento da resposta ao tratamento da sepse neonatal e na avaliação da suspensão da antibioticoterapia (WILLIAMSON; SNYDER, 2016). Marcadores tumorais e inflamatórios18A dosagem seriada de proteína C-reativa pode ser útil em diversas outras situações, como no acompanhamento do tratamento da doença inflamatória pélvica, no diagnóstico de complicações da pancreatite aguda e no acompa- nhamento do tratamento de AR (WILLIAMSON; SNYDER, 2016). Valores de proteína C-reativa maiores que 130 mg/L após o sexto dia de pós-operatório apresentam alta sensibilidade e especificidade na detecção de infecção. Após queimaduras extensas, a proteína C-reativa tende a subir, retornando progressivamente a valores normais com a cicatrização do processo. Um segundo pico de proteína C-reativa ocorre nos casos de infecção secun- dária, motivo pelo qual a sua dosagem seriada tem valor na monitorização do processo de recuperação (MCPHERSON; PINCUS, 2012). Todavia, os valores elevados da proteína C-reativa são inespecíficos e não devem ser interpretados sem a obtenção de uma história clínica completa. Além disso, a presença de anticorpos heterófilos pode aumentar falsamente os níveis. Os níveis elevados de proteína C-reativa são influenciados por: genética, idade, estilo de vida sedentário, estresse, exposição a toxinas ambientais e dieta contendo especificamente alimentos refinados, processados e manufaturados (MCPHERSON; PINCUS, 2012). A proteína C-reativa é um marcador emergente para a síndrome metabó- lica, por estar relacionada à inflamação sistêmica, apresentando-se também elevada em pacientes com risco cardiovascular elevado; nessas situações, é preferível utilizar a hs-proteína C-reativa (de alta sensibilidade). Na análise dos resultados, é sempre importante considerar que se trata de um marcador com elevada sensibilidade, porém pouca especificidade, ou seja, os valores se elevam na presença de vários estados inflamatórios no organismo (MCPHER- SON; PINCUS, 2012). Antiestreptolisina O (ASO ou ASLO) Existem várias cepas de estreptococos (grupos A, B, C, D e G) causadoras de doença, as quais são identificadas pelo seu comportamento, sua composição química e aparência. Cada grupo provoca tipos específicos de infecções e sintomas. Os estreptococos do grupo A são as espécies mais virulentas para os seres humanos, constituindo a causa de faringite “estreptocócica”, amigdalite, infecções cutâneas e de feridas, infecções do sangue, escarlatina, pneumonia, febre reumática (FR) e glomerulonefrite (GN) (MCPHERSON; PINCUS, 2012). 19Marcadores tumorais e inflamatórios Embora os sinais/sintomas possam sugerir uma infecção estreptocócica, é preciso confirmar o diagnóstico por exames complementares. O melhor procedimento, utilizado na infecção aguda, consiste na obtenção de uma amostra da área infectada para cultura. Todavia, as culturas são inúteis cerca de duas a três semanas após a infecção inicial, razão pela qual são utilizados testes de ASO, estreptozima e anti-DNASe B para determinar a infecção estreptocócica (WILLIAMSON; SNYDER, 2016). O título de ASO é utilizado para demonstrar a reação do corpo a uma in- fecção causada por estreptococos beta-hemolíticos do grupo A (Streptococcus pyogenes), que aparecem no soro dentro de uma semana a um mês após o início de uma infecção estreptocócica. A ocorrência de títulos elevados não é específica para nenhum tipo de doença pós-estreptocócica, porém indica infecção estreptocócica atual ou passada (FERREIRA; MORAES, 2013). A determinação seriada de ASO é efetuada para determinar a diferença entre amostras de sangue das fases aguda e convalescente. O diagnóstico de infecção estreptocócica prévia é confirmado quando os títulos seriados de ASO aumentam no decorrer de um período de semanas e, em seguida, caem lentamente. Os títulos de ASO alcançam um pico durante a terceira semana após o início dos sintomas agudos de uma doença estreptocócica; dentro de seis meses após o início dos sintomas, cerca de 30% dos pacientes apresentam títulos anormais. São observados títulos elevados em 80 a 85% dos pacientes com FR aguda e em 95% daqueles com GN aguda (MCPHERSON; PINCUS, 2012). O exame ASO é pedido isoladamente ou em conjunto com o anti-DNase B para verificar se uma pessoa teve uma infecção estreptocócica recente. Na maioria dos casos, as infecções estreptocócicas são identificadas, tratadas e resolvidas com antibióticos. Em casos nos quais a infecção não causa sintomas identificáveis ou não é tratada, alguns pacientes (principalmente crianças jovens) podem desenvolver sequelas, como febre reumática e glomerulo- nefrite. Portanto, o teste ASO é solicitado se uma pessoa apresenta sintomas sugestivos de febre reumática ou glomerulonefrite com histórico recente de garganta inflamada ou infecção estreptocócica confirmada (WILLIAMSON; SNYDER, 2016). Na avaliação de pacientes com FR aguda, a Associação Americana do Coração recomenda o título de ASO. Na determinação da ASO, são observados resultados falso-positivos quando há níveis séricos elevados de betalipoprote- ínas produzidas na hepatopatia e na contaminação do soro por Bacillus cereus ou por espécies de Pseudomonas (MCPHERSON; PINCUS, 2012). Marcadores tumorais e inflamatórios20 Do ponto de vista técnico, ocorrem resultados falso-positivos devido à oxidação dos reagentes. Portanto, uma única análise de ASO pode não ser significativa, devido à variabilidade dos valores de ASO na população normal. Os achados clínicos e laboratoriais devem ser considerados no estabelecimento do diagnóstico. As infecções estreptocócicas tratadas com antibióticos podem não produzir resultados aumentados (WILLIAMSON; SNYDER, 2016). A ASO não prevê complicações da infecção estreptocócica, tampouco tipo ou a gravidade de complicações que venham a ocorrer. Contudo, havendo sinto- mas de febre reumática ou de glomerulonefrite, um nível elevado de ASO pode ser utilizado para confirmar o diagnóstico (MCPHERSON; PINCUS, 2012). ALTMAN, D. G. et al. REMARK (REporting Recommendations for Tumor MARKer Prog- nostic Studies). In: MOHER, D. et al. (ed.). Guidelines for reporting health research: a user’s manual. Hoboken: Wiley, 2014. p. 241–249. BERINGER, A.; NOACK, M.; MIOSSEC, P. IL-17 in chronic inflammation: from discovery to targeting. Trends in Molecular Medicine, Maryland Heights, v. 22, n. 3, p. 230–241, Mar. 2016. Disponível em: https://www.cell.com/trends/molecular-medicine/fulltext/ S1471-4914(16)00012-5. Acesso em: 13 out. 2020. CAULTON, S. Immunofluorescence pattern of double stranded DNA antibodies. Pro- duced using serum from a patient with lupus erythematosus on HEp-20-10 cells with a FITC conjugate. Wikipedia – the free encyclopedia, San Francisco, 3 Aug. 2012. 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Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. 23Marcadores tumorais e inflamatórios Dica do professor O câncer é uma doença complexa, cuja origem é sempre um conjunto de alterações genéticas nas células que conferem uma habilidade de crescimento excessivo e independente do controle do organismo. Essas alterações genéticas fazem com que as células tumorais expressem antígenos alterados ou em excesso. Utilizar essas alterações moleculares nas células tumorais para melhorar o diagnóstico e o tratamento do câncer é uma nova fronteira em Oncologia, apresentando grande potencial. Uma das formas de realizar isso é por meio da utilização de anticorpos monoclonais que reconhecem as alterações específicas apresentadas pelo tumor. Nesta Dica do Professor, você irá conhecer um pouco mais sobre a utilização de anticorpos monoclonais, que permitem que as células tumorais sejam novamente atacadas pelos linfócitos T dos pacientes. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/5d31785abc91a726bce0be9c05644352 Exercícios 1) O processo de tolerância imunológica compreende a apresentação de antígenos próprios ao organismo durante o processo de maturação dos linfócitos T e B, e as doenças autoimunes são causadas por falhas na eliminação dos linfócitos autorreativos. Sobre esse processo, assinale a alternativa correta: A) Falhas na tolerância imunológica nos órgãos linfoides secundários causam doenças autoimunes sistêmicas. B) Doenças autoimunes tecido-específicas, como a diabetes melito tipo 1, são causadas por falhas na tolerância primária, acarretando imunodeficiências. C) Falhas na tolerância central surgem quando linfócitos T e B autorreativos não são eliminados durante a maturação destes, afetando todo o organismo. D) A tolerância periférica ocorre nos linfonodos, que ficam nas articulações dos membros. E) Não podem ocorrer falhas no processo de tolerância imunológica, pois isso implicaria em grave imunodeficiência, o que leva o organismo à morte. 2) A inflamação é uma parte da resposta imune inata, surgindo imediatamente após a existência de um dano tecidual, servindo, ainda, para auxiliar na ativação da resposta adaptativa. A utilização de marcadores inflamatórios como a proteína C-reativa e o fator reumatoide para diagnóstico é: A) sensível, mas pouco específica, pois diversos processos orgânicos podem provocar o aumento desses marcadores no soro de pacientes. B) específica e sensível, pois permite garantir que se trata de doenças de origem autoimune. C) específica, mas pouco sensível, servindo como método de diagnóstico de exclusão para doenças autoimunes. D) inespecífica e pouco sensível, permitindo apenas a confirmaçãode uma suspeita diagnóstica. E) sensível e inespecífica, sendo um parâmetro útil para a triagem populacional de doenças autoimunes. 3) Os marcadores tumorais são moléculas presentes em maior quantidade nos tecidos cancerosos, mas não são específicas destes, apresentando desafios no uso e na interpretação. Assinale a alternativa que apresenta a indicação correta de utilização dos marcadores tumorais na prática clínica: A) Diagnóstico precoce. B) Triagem populacional. C) Diagnóstico de síndromes hereditárias. D) Definição de tratamento. E) Monitoramento de recidivas e acompanhamento de resposta ao tratamento. 4) Apesar das limitações de uso dos marcadores tumorais, estes apresentam grande utilidade quando avaliados em conjunto com outros dados clínicos. Qual o marcador indicado para o monitoramento de uma paciente com câncer de mama em estágio II recebendo tratamento pela segunda vez? A) CA 27.29. B) CEA. C) CA 15.3. D) CA 19.9. E) CA 125. Há diferentes parâmetros de controle de qualidade que devem ser avaliados para determinar a utilização ou não de um teste diagnóstico. Dentre eles, estão os valores preditivos, que podem ser positivos ou negativos. O valor preditivo positivo é indicativo da confiabilidade de um resultado positivo. 5) Só existem dois marcadores tumorais com elevado valor preditivo positivo, ou seja, cujo resultado alterado está mais relacionado com a presença de tumores. São eles: A) PSA e CA 19.9. B) CEA e calcitonina. C) CA 125. D) β-HCG e calcitonina. E) CA 15.3 e β-HCG. Na prática As células tumorais apresentam alterações moleculares que levam à expressão alterada de antígenos. A dosagem e a detecção desses antígenos podem ser feitas laboratorialmente, dando origem aos chamados marcadores tumorais. Apesar da utilidade desses marcadores na prática clínica, a análise desses resultados requer cuidado extra na análise e na interpretação, pois eles podem estar alterados mesmo na ausência de um câncer. Além disso, não são tecido-específicos: um único marcador pode estar alterado em neoplasias de diferentes órgãos. É possível que haja alterações mesmo em condições fisiológicas normais. Neste Na Prática, você conhecerá a história de Mário, um homem de 66 anos que apresentou alterações na dosagem de um marcador tumoral muito utilizado para investigação de câncer de próstata, o antígeno prostático específico (PSA). Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Células CAR-T: utilizando o próprio sistema imune para atacar o câncer (em inglês) Para aprender um pouco mais sobre as células CAR-T, que são engenheiradas fora do organismo para atacar um câncer, assista ao vídeo. Não se esqueça de habilitar a legenda, se precisar. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Diagnóstico de lúpus por análise de imunofluorescência Para conhecer um pouco mais sobre os parâmetros analisados no teste de FAN (fator anti-núcleo) utilizado no diagnóstico de doenças autoimunes, assista ao vídeo. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Marcadores tumorais Para se aprofundar um pouco mais no estudo dos marcadores tumorais e quando estes devem ser utilizados, assista ao vídeo. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.youtube.com/embed/rZRsqin3lwY https://www.youtube.com/embed/SDouWHzZrmc https://www.youtube.com/embed/QtAvw_qFDh4