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EMPREENDEDORISMO JURÍDICO Autoria: Matheus Martins Indaial - 2023 UNIASSELVI-PÓS 1ª Edição CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Impresso por: Reitor: Janes Fidelis Tomelin Diretor UNIASSELVI-PÓS: Tiago Lorenzo Stachon Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Tiago Lorenzo Stachon Ilana Gunilda Gerber Cavichioli Norberto Siegel Julia dos Santos Ariana Monique Dalri Jairo Martins Marcio Kisner Marcelo Bucci Revisão Gramatical: Desenvolvimento de Conteúdos EdTech Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI C397 Martins, Matheus Empreendedorismo Jurídico. / Matheus Martins. - Indaial: UNIASSELVI, 2023. 140 p.; il. ISBN Digital 1. Empreendedorismo. - Brasil. 2. Jurídico. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci. CDD 658,9 Sumário APRESENTAÇÃO ............................................................................5 CAPÍTULO 1 PLANO DE NEGÓCIOS ................................................................... 7 CAPÍTULO 2 MARKETING JURÍDICO ................................................................ 51 CAPÍTULO 3 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO ....... 97 APRESENTAÇÃO “Ser empreendedor significa ser um realizador, que produz novas ideias atra- vés da congruência entre criatividade e imaginação” (SEBRAE, 2019, s. p.). O Empreendedor é aquele que toma a iniciativa de empreender, de ter um negócio próprio. É aquele que sabe identificar as oportunidades e transformá-las em lucro. Criativo, inovador, arrojado, que estabelece estratégias que vão delinear seu futuro. Entretanto, não é muito comum associar conceitos de empreendedorismo, gestão e administração ao mundo do Direito, talvez isso ocorra em grande parte pelo excesso de tradicionalismo e formalidade existente na área, porém é uma ideia que temos que desconstruir. No empreendedorismo jurídico o modelo de negócio é o escritório de advo- cacia ou uma startup jurídica, e o lucro será o resultado da prestação dos serviços jurídicos ofertados. No Brasil existe um total de 1.238.119 inscritos em 2021, ou seja, o diferen- cial de quem deseja lidar neste mercado, começa por estudar como empreender na área e dominar matérias ligadas à gestão. Para atuar e se diferenciar num mercado tão competitivo, o profissional deve buscar alta performance, alta produtividade, ter planejamento financeiro e realizar um marketing jurídico eficaz de acordo com o Código de Ética e Conduta da OAB, o tão falado Direito 4.0. Ter metas, estabelecer métricas, calcular o retorno sobre investimento de suas ações, investir tempo na produção de conteúdo para mídias sociais, por exemplo, além de ter planejamento estratégico para conquistar e crescer no mercado. Usando um conceito ligado ao mundo das Startups, a escalabilidade tem tudo a ver com empreendedorismo jurídico, pois é a capacidade de replicar boas práticas em um curto espaço de tempo e ao menor sinal de baixa performance pivotar o modelo. O advogado autônomo deve investir em marketing digital e produzir conteú- do sobre a sua área nas mídias sociais e, assim, tornar escalável a projeção da sua especialidade. Entender e estudar sobre empreendedorismo jurídico, aumenta a competi- tividade do profissional porque irá promover uma mudança nos processos (ges- tão) e nas formas de oferecer os serviços advocatícios, ser proativo, dinâmico, ter sede de conhecimento, entender a necessidade de estudar gestão e adotar as inovações tecnológicas para otimizar a prestação de seus serviços, serão mais do que necessários. Para empreender e obter maiores chances de sucesso, deve-se preparar com muito estudo e consolidar com networking para promover todo seu conheci- mento e, assim, “viralizar” (fazer com que algo seja compartilhado por um grande número de pessoas)” o seu perfil profissional. Pivotar: O termo é derivado do inglês to pivot (“mudar” ou “girar”) e designa uma mudança radical no rumo do negócio. FONTE: https://www.facebook.com/piresegoncalvesadvogados/ photos/pivotar-derivado-do-ingl%C3%AAs-to-pivot-significa- mudar-ou-girar-termo-utilizado-par/2596299187297953/. CAPÍTULO 1 PLANO DE NEGÓCIOS A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: Desenvolver habilidades de gestão empresarial. Desenvolver habilidade de gestão de equipe. Organizar Ações. Determinar responsáveis. 8 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo 9 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Ao iniciar um novo empreendimento jurídico, o advogado deve criar um plano de negócios, onde deve organizar as informações coletadas sobre o escritório de advocacia que deseja criar. O planejamento proporciona uma visão mais clara e consistente sobre o desenvolvimento do negócio em metas alcançáveis. Por muitas vezes ao longo dos nossos estudos sobre empreendedorismo ju- rídico, serão colocadas as palavras empresa ou empreendimento, ao invés de escritório, pois a visão que devemos ter de um escritório de advocacia é a mesma que devemos ter para formação de uma empresa. O plano de negócios é um documento ou relatório de planejamento que des- creve os objetivos de uma empresa – com ele é possível identifi car os custos de implementação de uma ideia, reduzir vulnerabilidades, riscos e incertezas que afetam o desenvolvimento mais sustentável de uma organização. Existem quatro etapas importantes para a operacionalização de um negócio antes do início efetivo das atividades corporativas: a identifi cação de oportuni- dades, a elaboração do plano de negócios, a captação de recursos e o ge- renciamento da empresa. Todas essas etapas são cruciais para o sucesso de um novo empreendimen- to, contudo, o plano de negócios tem maior destaque. Isto porque a ferramenta baseia os demais requisitos, auxiliando no planejamento e na análise de viabilida- de do escritório, prevenindo riscos e combatendo obstáculos que possam impedir o crescimento da organização. Além disso, ao projetar perspectivas com um plano de negócios bem estru- turado, o advogado empreendedor conseguirá determinar em qual momento os seus esforços serão recompensados, além do estágio em que será necessário fazer investimentos para não limitar o desenvolvimento sustentável da empresa. O plano de negócios descreve quais caminhos precisam ser percorridos para que os objetivos, metas de lucratividade e de crescimento do escritório sejam al- cançados. Com essa ferramenta é possível identifi car se uma ideia de negócio é viável ou não, o que diminui riscos e incertezas para o advogado empreendedor. As informações compartilhadas nesse documento baseiam decisões estraté- gicas e ações no dia a dia do escritório. Logo, o documento contém todas as eta- pas exigidas durante a estruturação do escritório, assim como atesta a viabilida- de do empreendimento e possíveis ocorrências sob o ponto de vista estratégico, mercadológico, operacional e fi nanceiro. 10 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo O plano de negócios é uma ferramenta indispensável, pois oferece caminhos viáveis para que a empresa concretize objetivos como lucratividade e crescimento no mercado. A importância de um plano de negócios está diretamente relacionada com as funções desse documento. Com ele, o advogado empreendedor toma de- cisões de investimento e gerenciamento mais estratégicos. Figura 1 – Modelo De Negócio FONTE: . Acesso em: 12 abr. 2022. Receitas Dinheiro que a empresa gera. Quanto e como você vai receber dos clientes Parcerias Principais Rede de Fornece- dores e parceiros que ajudam a sua empresaocupadas 38 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo por pessoas diferentes; b) conselho composto por membros externos; c) acesso irrestrito dos membros a todas as informações organizacionais; e d) o CA possuir competência para indicar e destituir a auditoria independente. Incentivos Gerenciais: os incentivos gerenciais, dentro da discussão sobre GC, referem-se à política de remuneração dos executivos da companhia (AGUI- LERA, 2015). Contudo, na prática, esses incentivos não se restringem apenas à remuneração dos gestores, mas incluem, também toda e qualquer vantagem obti- da pelos executivos em razão em razão do seu cargo (MOTA, 2008). A lógica por trás desse mecanismo é de que, quanto maiores forem os incen- tivos (remuneração + demais vantagens) menor seria a probabilidade de o gestor ter atitudes que implicassem na perda de seu cargo (OKIMURA, 2003). Pesquisas a respeito desse tema, comumente, tem o seu foco em torno do nível de remuneração dos executivos, remuneração de executivos com ações (stock options) e o grau de correlação entre as variáveis anteriores e desempenho organizacional (MURPHY, 1999). Inclusive, o Código das Melhores Práticas de GC do IBGC inclui como "boa prática” a vinculação da remuneração dos diretores com os resultados, a partir da defi nição, de forma clara, das metas de curto e de longo prazos. Entretanto, as fraudes contábeis em grandes corporações observadas, es- pecialmente na década de 2000, estavam diretamente relacionadas ao vínculo da remuneração dos gestores ao valor da empresa nos mercados de capitais. Com o objetivo de manterem altos os valores das ações de suas companhias e, con- sequentemente, obterem altos níveis de vantagens fi nanceiras, vários executivos lançaram mão de artifícios ilegais para fraudar balanços fi nanceiros, provocando perdas signifi cativas, tanto para acionistas, quanto para a sociedade em geral. Nesse contexto, o caso Enron é emblemático (OKIMURA, 2003). Tais casos de fraudes fi scais conduzem ao questionamento quanto ao uso da política de remuneração como um mecanismo efi caz de GC, ou ao menos o seu uso a partir de uma prescrição normativa simples. O uso do mecanismo des- sa forma é inadequado, indicando que é necessário, para que ele cumpra o seu propósito, entender os objetivos dos acionistas, as características dos gerentes e outros elementos do ambiente de tomada de decisão antes de tirar conclusões sobre a conveniência dos planos de incentivo ou o nível de propriedade dos admi- nistradores (CORE; GUAY; LARCKER, 2003). Estrutura de Propriedade: o terceiro mecanismo interno é a Estrutura de Propriedade da organização. No contexto da GC, a literatura sobre este mecanis- mo trabalha com a hipótese de que uma maior participação acionária incentiva o 39 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 proprietário a despender mais capacidade e recursos com monitoramento dos ad- ministradores, o que, consequentemente, reduziria o confl ito de interesses entre acionista e gestores e aumentaria o valor da companhia. Pesquisas sobre estrutura de capital nos EUA e Reino Unido demonstram que participações acionárias iguais ou superiores a 5% são consideradas signifi - cativas para motivar os acionistas a agirem de maneira mais proativa no monitora- mento dos gestores ou procurarem infl uenciar, de alguma maneira, o processo de tomada de decisões da organização (DENIS, 2003). Entretanto, outra variável a ser considerada na análise da Estrutura de Pro- priedade é a presença de um acionista controlador. Por um lado, essa presen- ça é vista como positiva, porque, grandes acionistas possuem mais recursos e, consequentemente, maior capacidade de monitoramento dos gestores, o que im- plicaria na redução do confl ito de interesses. Por outro, observou-se que essas características têm intensifi cado o problema de agência, visto que pesquisas a respeito, especialmente nos países em desenvolvimento e na Europa continen- tal, indicam que a presença de um controlador signifi ca maior potencial de expro- priação de acionistas minoritários e maiores custos de monitoramento para esse grupo. Na prática, isso signifi ca que, por possuírem maior poder de infl uência na organização, acionistas controladores tendem a direcionar a ação da organização para objetivos que os benefi ciem diretamente e não, necessariamente, a todos os acionistas, o que geraria aos controladores um ganho extra, além daquele corres- pondente a sua participação acionária, em detrimento de acionistas minoritários (ALDRIGHI; NETO, 2005). Segundo o IBGC, a governança corporativa se baseia em quatro princípios chaves, conforme segue: • Transparência A transparência se refere a um relacionamento transparente entre todos os envolvidos naquele negócio; seus stakeholders, gestão, sócios, colaboradores, fornecedores etc. Se promovendo a transparência, as decisões e os objetivos são claros, o que traz mais segurança e solidez para a empresa. • Equidade Este princípio garante que todos tenham um tratamento justo na- quela organização, olhando para todos com suas particularida- des, necessidades e expectativas. • Prestação de contas Este é o maior dever de quem está à frente da empresa, pois existe alguém que se responsabiliza por tudo e deixa claro as de- cisões tomadas, as omissões e suas responsabilidades. 40 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo • Responsabilidade corporativa Este pilar é o que zela pela sustentabilidade e longevidade da empresa, de acordo com seus propósitos e objetivos (FERNA- DES, 2021). Nesse conteúdo, entendemos os conceitos básicos de governança corpora- tiva, como ela surgiu, o que a envolve e quais são seus pilares. Aqui vimos que um dos maiores desafi os das corporações é alinhar os interesses de todos os stakeholders, mas com uma boa governança isso se torna um objetivo alcançável. 1 O que é um Plano de Negócios? Porque fazer? Para que serve? 2 Antônio Pereira, titular de sociedade individual de advocacia, é con- tratado pela sociedade empresária Dianna Padaria e Confeitaria Ltda. para atuar em sua defesa em ação judicial ajuizada por Manuela, con- sumidora insatisfeita. No curso da demanda, a impugnação ao cumprimento de sentença não foi conhecida por ter sido injustifi cadamente protocolizada por An- tônio após o prazo previsto em lei, o que faz com que Manuela rece- ba valor maior do que teria direito e, consequentemente, a sociedade empresária Dianna Padaria e Confeitaria Ltda. sofra danos materiais. Diante dessa situação, Antônio, sem prejuízo da responsabilidade disciplinar em que possa incorrer, poderá responder com seu patri- mônio pessoal pelos danos materiais causados à sociedade empre- sária Dianna Padaria e Confeitaria Ltda. a) ( ) Solidariamente, com a sociedade individual de advocacia e de forma ilimitada. b) ( ) Subsidiariamente, em relação à sociedade individual de advocacia e de forma ilimitada. c) ( ) Solidariamente, com a sociedade individual de advocacia e de forma limitada. d) ( ) Subsidiariamente, em relação à sociedade individual de advocacia e de forma limitada. 3 Qual é a importância da governança corporativa no atual cenário brasileiro? 41 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES O Plano de Negócio apresenta-se como um instrumento extremamente rele- vante para um futuro empreendedor e investidor, pois com ele é possível ter uma visão global do negócio. Isso somente é possível porque o Plano de Negócio pos- sui elementos estruturantes, nos quais são levantados dados como: qual o produ- to/serviço que será oferecido; se existe diferencial neste produto/serviço; quais os concorrentes diretos e indiretos no mercado; qual será o público alvo; como será a estratégia de marketing; qual a estrutura jurídica da empresa; quem serão os sócios e investidores; qual a formação acadêmica dos sócios e suasexperiências profi ssionais; como será o processo produtivo; qual o valor das vendas mensais e anuais; qual investimento com maquinário será necessário; quais os custos fi xos da empresa; em quanto tempo será possível equilibrar as contas; quanto tempo será possível ter o retorno do investimento; dentre outras. Há que se ressaltar que um Plano de Negócio não se restringe para novos negócios, pois pode também ser utilizado para verifi car a possibilidade de expan- são e investimentos adicionais em empresas que já estejam estabelecidas no mercado. Nestes casos, o empreendedor pode utilizar os dados para decidir se irá investir em novas unidades, em novos países e, até mesmo, ampliar o mercado de atuação com novos produtos/serviços. Portanto, o Plano de Negócio é uma ferramenta que deve ser utilizada pelo empreendedor que queira iniciar ou mesmo ampliar seus negócios, a fi m de que consiga ter uma visão mais abrangente de onde está no presente momento o seu negócio, e aonde pode chegar com sua ideia e recursos. Com o Plano de Negócio as chances de êxito fi cam mais claras e os riscos são expostos, sendo possível avaliar se os objetivos propostos são factíveis ou se não passam de mera ilusão, o que pode representar a perenidade ou não da empresa no mercado. E com relação ao objetivo de se obter sucesso de projeto, que sejam utili- zadas ferramentas de gestão de informação e do conhecimento na elaboração e execução de projetos de forma a minimizar a probabilidade de fracasso. Assumin- do, é claro, a prerrogativa de que o sucesso de um projeto pode ser atingido mes- mo quando não se tenha realizado todas as metas estabelecidas anteriormente, ou seja, realizado com o escopo do projeto, pois o fracasso de metas não alcan- çadas, muitas vezes, é consequência de metas irreais estabelecidas, derivadas de um mau planejamento. 42 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Então, projetos, além de serem incentivados, devem ser gerenciados efi - cazmente nas organizações, pois representam a evolução dessas instituições no meio em que atuam. No entanto, para que o projeto seja bem executado suas in- formações tem que estar bem estruturadas e seu conhecimento deve ser compar- tilhado dentro da organização. É neste ponto que entram a gestão da informação e do conhecimento, auxiliando esse processo. A primeira, gestão da informação, ajudará na identifi cação da necessidade da informação e inter-relacionamento dos dados de projetos anteriores, o que agi- lizará no processo de tomada de decisão. Já o segundo, gestão do conhecimento, estimulará discussões de possíveis soluções a partir da exposição do problema. Para que a implementação de gestão do conhecimento tenha sucesso, é ne- cessário que os servidores estejam motivados, ou seja, dispostos a seguir em em- preitada. Essa motivação deve partir, primeiramente, dos superiores, que são as pessoas que desenvolvem as ideias e a comunicam às partes interessadas sob a forma de visões, estratégias, planos, programas, projetos e outras manifestações. Portanto, concluímos que a gestão da informação organizará a memória do projeto de forma rápida e efi ciente de modo que sua recuperação ajude no de- senvolvimento de conhecimento e na execução de projetos subsequentes. E a gestão do conhecimento auxiliará neste desenvolvimento, utilizando ferramentas que possibilitarão melhoras nos meios de comunicação e incentivarão a troca e formulação de novas ideias. Baseado nos conceitos apresentados anteriormente, pode-se afi rmar que o processo de expansão empresarial não é espontâneo, visto que é necessário ava- liar vários aspectos para ter a certifi cação de que a expansão está ocorrendo de for- ma consciente e de acordo com a necessidade do mercado. Como exemplo, tem-se o fato de que ninguém investe em máquinas/equipamentos para aumentar a produ- ção se a empresa não está ocupando a capacidade ociosa, a fi m de superar a ca- pacidade de produção para, a partir daí, pensar em realizar este tipo de expansão. Dessa forma, aproveita-se do planejamento estratégico e monitoramento sis- temático, bem como pensamentos para encontrar o “gargalo” da produção para prever e suprir as necessidades da empresa, acompanhar os processos e encon- trar maneiras efi cazes de alcançar as metas preestabelecida pela empresa, ou seja, a que a empresa é capaz de suportar. Este planejamento estratégico e monitoramento sistemático, que podem ser feito através de softwares e ferramentas de gerenciamento, só são possíveis devi- do a ações como: estabelecimento de metas, independência e autoconfi ança para correr riscos calculados e garantia de exigência de qualidade e efi ciência. No en- 43 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 tanto, antes de realizar estas etapas é necessário buscar informações do negócio, ampliar a rede de contatos para melhorar as atividades de marketing e estar apto a criar cenários e prospectar o futuro da empresa. Portanto, conclui-se que, para garantir o sucesso da aplicação desta pesquisa é necessário interiorizar os com- portamentos empreendedores, como ter visão de curto a longo prazo para saber quais são os objetivos, conhecer as forças e fraquezas (inteligência competitiva), buscar atingir ou superar os objetivos empresariais, capitalizar os pontos fortes e antecipar os problemas que podem surgir devido aos pontos fracos. Então, podemos concluir que a excelência no atendimento ao cliente é um dos maiores diferenciais competitivos do mercado e o fator principal para o cresci- mento empresarial e a evolução das empresas. Não existe empresa estabilizada que prospere e conquiste mercado sem clientes satisfeitos. Ainda assim, organi- zações de todos os portes persistem em atendê-los com desatenção. REFERÊNCIAS ANDRADE, A.; ROSSETTI, J. P. Governança corporativa: funda- mentos, desenvolvimento e tendências. São Paulo: Atlas, 2004. AGUILERA, R. V.; DESENDER, K.; BEDNAR, M. K.; LEE, J. H. 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Criar relacionamentos. 52 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo 53 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 1 CONTEXTUALIZAÇÃO “As invenções são, sobretudo, o resul- tado de um trabalho teimoso.” Santos Dumont (1873-1932) No mundo atual, dinâmico e turbulento, os advogados enfrentam um desa- fi o: mudar ou morrer. Quem não renovar seus serviços e atualizar as formas de criação e oferta, corre o risco de ser ultrapassado pelos concorrentes. Por isso, a inovação, processo de mudança, é fundamental para o sucesso das organizações – escritórios, grandes ou pequenos. A maioria dos gestores, advogados, compreendem a importância do tema, mas colocar o processo em prática exige uma abordagem sistemática. É preciso aprender a gerir a inovação: os elementos-chave dessa liderança incluem uma visão estratégica clara e voltada para a geração de algo novo, a escolha de uma carteira equilibrada de projetos e a concretização destes em um prazo viável e dentro do orçamento. Em 2020, com a chegada da pandemia, diversos advogados se viram obriga- dos a correr atrás do prejuízo e iniciar ações de prospecção de clientes na Advo- cacia pelos meios digitais, promovendo ações em redes sociais. A verdade é que a captação de clientes de forma digital guarda certa relação com o trabalho desempenhado pelo Advogado fora da internet, fomentado princi- palmente por sua rede de relacionamentos, networking. No Marketing Jurídico, os impactos da chamada “Nova Economia” também afetaram o dia a dia de todos os advogados, uma vez que posicionar-se na inter- net representa a maneira como eles são vistos pelo mercado. Outra verdade é que o marketing para advogados sempre seguiu conceitos muito tradicionais, isso porque, para muitos advogados, as ações ainda remetem à chamada “propagan- da”, que é proibida pela OAB. Primeiro, é preciso esclarecer que marketing jurídico não é propaganda, e sim um conjunto de estratégias para apresentar os serviços dos escritórios de advocacia para o mercado, sem mercantilizar ou tirar a sobriedade da profi s- são. O marketing jurídico está na forma como o advogado atende ao cliente, na fi delização dos serviços prestados, no tempo dedicado aos clientes fi éis, no seu posicionamento como autoridade em determinado assunto, mas, principalmente, na busca por promotores que auxiliem na propagação do escritório em busca de novos negócios. 54 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Implementar estratégias de marketing jurídico permite que o advogado atinja mais pessoas e conquiste um público mais propenso a fechar negócio. Afi nal, os seus possíveis clientes já vão conhecer, minimamente, a sua área e foco de atua- ção e entender como o advogado e seu escritório se comunicam. Trata-se da criatividade humana, estabelecida e aplicada a toda organização. Um profi ssional atualizado precisa entender como funciona todos esses proces- sos de inovação e o que fazer para mobilizar a criatividade. Usando as diretrizes e os instrumentos apresentados neste capítulo, fi cará mais fácil analisar o papel de arquiteto da mudança dentro do seu escritório. 2 MARKETING JURÍDICO Marketing é a comercialização de um produto ou serviço a partir de um proces- so de troca, tendo como principal característica a orientação total para o consumidor que se quer atingir, buscando atender plenamente as suas necessidades e desejos, e tendo como recompensa a sua fi delização (KOTLER; AMSTRONG, 2004). Segundo Kotler, Hessekiel e Lee (2012, s. p.), um dos maiores estudiosos da área com mais de quarenta anos de experiência e estudos afi rma que: “O marketing é um processo usado para determinar que produtos ou serviços poderão interessar aos consumidores, assim como a estratégia que será utilizada nas vendas, comu- nicações e no desenvolvimento do negócio. A fi nalidade do marketing é criar valor e satisfação no cliente, gerindo relacionamentos lucrativos para ambas as partes.” Seguindo essa linha, então o marketing deixa de ser mais do que um de- partamento dentro de uma empresa e passa a ser visto como a “espinha dor- sal” de um negócio, analisando que esse negócio tem como foco a satisfação dos clientes e como consequência obtenção de lucro. Dentro desse composto de Marketing, estão inseridos os 4 P´s, que são terminologias criadas para facilitar os entendimentos dos pontos chave que são trabalhados durante a defi nição de uma estratégia de uma empresa. Segundo o autor Marcos Cobra (1997), o primeiro “P” signifi ca “Produto” ou, se for o caso, “Serviço” que é o resultado de uma ação. Este “P” é o principal, pois ele é a entrega de valor da empresa para o cliente. Este ponto chave tem que estar alinhado com o mercado em que está atuando, para poder satisfazer as necessidades dos clientes e ter valor percebido, ser desejado e comercializado. 55 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 O segundo P signifi ca “Ponto” ou “praça” que é onde esse produto ou serviço será comercializado, onde os clientes irão encontrá-lo, o qual será o seu canal de venda principal. Este item é interessante, pois pode-se ter diversos tipos de pon- tos ou praças para um mesmo produto. O terceiro P signifi ca “Preço”, que nesse caso é quanto vai custar esse pro- duto/serviço ou quanto os clientes irão pagar para obter aquele produto, ou satis- fazer aquela necessidade. O fator relevante nesse ponto é que o preço pode ser determinado por diversos fatores que vão desde aestratégia de mercado até o valor percebido pelo cliente. O último, mas não menos importante P é a “Promoção”, que nesse caso pode ser considerada como comunicação também. É onde e como os clientes vão fi car sabendo da existência desse produto ou serviço, ou buscar informações sobre ele. Esse último “P” acabou sendo a ferramenta mais utilizada, é percebido pelo mercado em geral como o próprio marketing. O que é um equívoco grande, pois marketing não é uma coisa só e sim um composto de processos e ferramentas que visam um objetivo. Para efetuar uma boa estratégia de marketing o escritório necessita ter uma visão bem clara dos seus objetivos no mercado. Segundo Kotler (2003), A empresa precisa de visão, a visão demanda estratégia, a estratégia requer planos e os planos necessitam de ação. O desenvolvimento e o detalhamento do plano de marketing são imprescindíveis. Porém, faz mais sentido chamá-lo de pla- no de batalha. O plano deve oferecer razoável probabilidade de que se ganhará a guerra antes da primeira batalha. A atividade de marketing no mundo, que se iniciou na década de 1950 e que perdura até os dias atuais, vem se desenvolvendo a passos acelerados. A cada momento os consumidores estão mais conscientes de seus direitos e exigindo maior grau de qualidade e diversidade, além de estarem cada vez menos fi éis, visto que, aumenta-se de forma acelerada a quantidade de oferta de produtos e serviços no mercado. Diante da complexidade do cenário empresarial atual, e devido às cons- tantes transformações que estão ocorrendo no mercado, são exigidas das or- ganizações cada vez mais criatividade e inovação em seus negócios para en- frentarem a concorrência. Assim, torna-se importante que as empresas sempre inovem para se diferenciarem. 56 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo A prestação de serviços está em todos os setores e tem como principais ca- racterísticas a abstração e a intangibilidade, tendo como componentes principais a relação interpessoal e o fator humano. Todo o serviço é uma promessa, não sendo possível testá-lo e avaliá-lo antecipadamente, ou seja, antes de adquiri-lo. O profi ssional de marketing tem que buscar tornar o serviço o mais realista possível e compatível com a expectativa do con- sumidor, tendo como o ponto principal prometer o que se pode cumprir (LEAL, 2011, p. 7). O fator humano tem grande importância para o sucesso da prestação de serviços e, para tanto, deve ser fomentada a integração de pessoal. Em muitos casos, uma falta de interação entre os funcionários de uma organização pode de- sestruturar toda uma estratégia de marketing. Uma empresa terá uma prestação de serviço de excelência apenas quando o fator humano total de atendimento for de qualidade. Os funcionários têm que estabelecer um clima positivo e de confi an- ça, transparecendo para o seu público em potencial clareza, coerência, credibili- dade e receptividade. Considerando todos os conceitos apresentados até agora, sobre como se desenvolve o processo de marketing, quais são os seus pontos chave e de que forma algumas empresas utilizam as suas ferramentas para trabalhar suas es- tratégias de marketing, é importante entender sobre quais as especifi cações dos conceitos de marketing para a prestação de serviços. Todo o foco das ações de marketing está voltado para satisfazer as necessidades dos clientes já é sabido, mas que algumas ações se diferenciam em suas estratégias para determinados tipos de atividades e segmentos, ainda é assunto de discussão. O marketing de relacionamento ou para prestação de serviços é mais lento, pois é baseado na confi ança entre o cliente e a empresa. A qualidade percebida é um resultado e não um objeto. Existem variáveis que são importantes destacar. Se um cliente consome um produto quebrado ou estragado, por exemplo, a sua qualidade fi cou visivelmente percebida e ele pode obter outro produto, ou seja, satisfazer a sua necessidade imediatamente comprando outro item da mes- ma marca ou da concorrência. No serviço é diferente, em muitos casos o consu- mo se dá na hora que está sendo prestado ou executado aquele serviço, a sua qualidade só é percebida depois, através dos resultados. Contudo, não existem garantias para que o padrão de qualidade se mante- nha, pois é um “P” intangível. Por isso alguns outros “Ps” são mais importantes, nesse caso, do que a promoção. Um escritório de advocacia com uma sede luxu- osa, por exemplo, pode ser uma evidência de qualidade dos serviços prestados por aquela empresa, e assim vai. 57 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 Historicamente, a transição dos tipos de economia de produção para eco- nomia de consumo, processou-se através do uso das ferramentas do marketing, desde o início da revolução industrial quando a produção que, até então, era basi- camente artesanal até quando esta encontrou a chamada economia de escala de fabricação (COBRA, 1997). O crescimento fomentado por novas ideias, umas geniais e outras nem tan- to, acabaram por saturar o mercado de produtos e serviços, que por sua vez já não trazem mais a originalidade que traziam décadas atrás, mas a cada ano que passa vem apenas melhorando a sua utilidade, a qualidade do material que é fabricado, dentre outros atributos. A prestação de serviço surgiu nesse contexto, como um bem de consumo, por meio da própria demanda de produtos que existia. A prestação de serviço passou, em alguns casos, até a ser um diferencial para os clientes, como por exemplo, ao comprar um ar-condicionado ganha a instalação ou a manutenção grátis. Mas afi nal o que é um serviço? Segundo Philip Kotler (KOTLER, 2003, s.p.), o serviço pode ser defi nido como “toda atividade ou benefício, essencialmente intangível, que uma parte pode oferecer à outra e que não resulte na posse de algum bem.” Nesse caso o autor de diversos livros da área de marketing e admi- nistração, quis dizer que o serviço é o resultado de uma ação que não tenha re- sultados tangíveis. A principal diferença entre produtos e serviços é a tangibilidade ou intangibilidade. O serviço pode ser percebido, mas não existe como mensurar fi sicamente o que está sendo praticado. Diferente de um relógio, por exemplo, que possui sua estrutura metálica, com detalhes de ouro branco, facilmente visí- vel aos olhos do comprador. Outro fator importante, também, é que o consumo dos dois tipos se dá de forma diferenciada. O produto é consumido posteriormente a sua fabricação, já o serviço é consumido na hora que ele é prestado. Os padrões de qualidade são medidos ao mesmo tempo em que ele é prestado. De uma forma bem simples: o serviço pode ser defi nido como um ato ou desempenho físico ou intelectual ofere- cido de uma parte a outra e que resulta em satisfação ou insatisfação, o que pode ser facilmente diferente para cada tipo de consumidor. Nas últimas décadas os serviços estão fi cando cada vez mais relevantes. Algumas práticas em organizações relacionadas aos serviços têm sido implemen- tadas e explicam a sua importância na economia contemporânea. Como foram citados anteriormente, os serviços intangíveis aliados a produtos ou bens de con- sumo são utilizados como forma de diferenciar a oferta em relação aos concor- rentes. Agregar mais serviços a bens de consumo tangíveis tem sido uma prática bem comum para atrair novos clientes e destacar-se da concorrência, criando no- 58 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo vos mercados. O serviço nesse caso, faz parte da estratégia de marketing uma vez que ele seja concebido e agregado ao produto. Um serviço tangível como de eletricidade, por exemplo, pode muitas vezes ser classifi cado como produto para facilitar o entendimento (COBRA, 1997). É importante ressaltar que serviços padronizáveis, como entrega em domicí- lio, funcionamento 24 horas, instalação de equipamentos, treinamentos e outros são serviçoscopiáveis. Eles foram formatados, padronizados e tangibilizados jus- tamente para serem reproduzidos em outras situações ou unidades das empre- sas. Outra forma de dar relevância aos serviços é utilizar estes como estratégia de crescimento e geração de receitas e lucros. Os serviços podem ser ótimas fon- tes de novas receitas dentro de um negócio. Em uma empresa de lavanderia, por exemplo, pode-se oferecer o serviço de tingimento de roupas, ou consertos pe- quenos em peças que estão com a costura se desfazendo, proporcionando maior facilidade ao cliente, aumentando os lucros do negócio. Outro fator que dá rele- vância à prestação de serviços é quando eles redefi nem o negócio da empresa. Segundo Kotler (2012, s. p.), “um serviço pode ter essa característica em algumas atividades econômicas, como por exemplo, o setor de tecnologia que passou a terceirizar a sua produção prestando apenas serviços de montagem e assistência técnica. É o caso da IBM que não fabrica mais seus computadores, como na dé- cada de 1970, mas que oferta ao mercado soluções em sistemas de informação que podem ou não vir acompanhadas de produtos tangíveis (computadores).” Os serviços constituem uma transação realizada por uma empresa ou pro- fi ssional, cujo objetivo não está associado à transferência de um bem. Entre as várias defi nições e colocações, o autor enfatiza que a diferença é que um bem de consumo pode ser um objeto, um artigo, um artefato ou um material, já o serviço como um ato, um esforço ou um desempenho (LAS CASAS , 2000). A Associação Americana de Marketing defi ne serviços como atividades, van- tagens ou mesmo satisfações que são oferecidas à venda ou que são propor- cionadas em conexão com a venda de mercadorias. Percebe-se que existem li- gações entre as duas defi nições, o que mais caracteriza a área de serviços é a consideração de que esse esforço, ato ou desempenho pode ser apresentado de várias formas. Muitos serviços estão associados à transferência de um bem ou objeto, ao alugar um imóvel por exemplo, um corretor transfere, além de um bem físico (nesse caso o imóvel), serviços de assessoria e cobrança. Um advogado pode prestar serviços de conhecimentos profi ssionais, sem que aja a transferên- cia de um bem. Os principais tipos de serviços no Brasil estão na área de alimen- tação, reparação, manutenção, higiene pessoal, saunas, termas, fi sioterapia, di- versões, radiodifusão, televisão, auxiliares de agricultura e pecuária, assessorias na área fi nanceira e jurídica, administração, consultorias específi cas, transporte, dentre outros tipos classifi cados pelo IBGE de “diversos”. 59 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 A fronteira entre produtos e serviços está desaparecendo rapidamente. O que antes parecia ser uma polaridade rígida, atualmente está se tornando uma mistura através da transformação de serviços em produtos e vice-e-versa (MA- CKENNA , 1993). À medida que os dois se juntam, é muito importante que as empresas compreendam nitidamente o que não fazer diante do marketing e suas estratégias. O autor defende que o componente de serviço não é satisfeito con- sertando-se um produto se este quebrar, ou pela discagem gratuita para o SAC de uma empresa ou uma garantia ou um formulário de pesquisa junto ao consumi- dor. Na maioria das vezes, o que os consumidores mais desejam de um produto é qualitativo e intangível, pode ser o serviço um aspecto essencial para fechar o ciclo de marketing do produto. Pode ser um diferencial deste mesmo produto. A experiência com esse serviço pode ser percebida muitas vezes como a qualidade do produto. Assim, é necessário utilizar estratégias de marketing que enfatizem os serviços alinhados a essas expectativas dos seus consumidores. Para que uma estratégia de marketing de serviços tenha sucesso, é ne- cessário estar próximo ao consumidor, conhecer todas as etapas do processo de compra para poder interferir de forma positiva no processo, facilitando a decisão (LAS CASAS, 2000). Pode-se constatar que um serviço é comprado por impulso, neste caso o administrador irá facilitar a compra fazendo a distribuição ou anun- ciando maciçamente nos lugares em que a compra acontece ou que são frequen- tados pelo público-alvo. Além disso, o prestador de serviço deve conhecer todos os papéis desempenhados pelos vários indivíduos no processo de compra. Quem decide a compra? Quem infl uencia nas decisões? Dentre outros questionamentos que são fundamentais para que se possa interferir de forma positiva no processo, e assim obter maiores retornos em termos de marketing. Existem formas de se abordar o mercado que podem aumentar a efi ciência da sua estratégia de marketing. Dentre as principais existem duas: abordagem de mercado única e abordagem segmentada. Na abordagem única o prestador de serviços desenvolve apenas um programa de marketing que visa atingir todos os tipos de consumidores. Não existem planos específi cos para diversos segmentos e a ideia é torná- -los o mais abrangente possível. A vantagem é que os custos de investimento na área são relativamente menores. A desvantagem é que acaba deixando mar- gem para a concorrência, principalmente se esta estiver trabalhando de forma segmentada. A abordagem segmentada é feita de forma específi ca, neste caso o prestador de serviço considera o mercado em divisões. Os consumidores se dividem em partes homogêneas entre si, a partir de um grupo heterogêneo. Essa segmentação consegue facilitar o trabalho do mercado, uma vez que se fi ca mais próximo dos clientes e das suas necessidades. 60 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo O primeiro passo para uma boa estratégia de marketing é um planejamento formal com as suas etapas bem defi nidas. O planejamento possui algumas eta- pas metodológicas, que traz como vantagem alguns pontos importantes. Dentre eles, podemos destacar a racionalização de recursos, as formas de compara- ção, atenção na condução do trabalho e acompanhamento, maior envolvimento da equipe e participação e a consolidação do plano através de ações planejadas e justifi cadas pelos seus resultados. Outro fator importante é a antecipação dos problemas, sendo que o planejamento auxilia na visualização das etapas impor- tantes e das suas correções diante dos acontecimentos e dos problemas que vão surgindo diante da sua implementação. O planejamento na área de serviços pode ser separado em três tipos: Estratégico, tático e operacional. A estratégia é onde o administrador determina como ele vai agir em relação às metas e objetivos de mercado. O tático são as ferramentas que ele vai utilizar para alcançar esses ob- jetivos e o operacional é o trabalho que será realizado e desenvolvido. Tudo isso é importante para contextualizarmos e entendermos quais elemen- tos são fundamentais para que uma estratégia de marketing tenha efetivo resulta- do e consiga alcançar os objetivos estabelecidos. Como foi citado anteriormente, podemos entender qual o principal diferencial que o serviço traz em si, e de que forma ele se distingue dos produtos e em quais situações estes podem se fundir e se tornar um composto híbrido. 2.1 QUEM NÃO É VISTO NÃO É LEMBRADO – AS MÍDIAS SOCIAIS Sabemos da relevância atual das redes sociais como fator preponderante de infl uência no comportamento, fonte de informação e hábitos de consumo de todos. Facebook, YouTube, Instagram e LinkedIn compõem um verdadeiro exército “armado” para suprir as pessoas do que elas mais querem e precisam atualmen- te. Por conta disso, todos querem fazer o melhor uso de todas as ferramentas disponíveis neles. Mas será que conseguem isso de fato? O perfi l de consumo dos brasileiros, em termos de rede social, está rankea- do da seguinte forma: a rede social mais utilizada é YouTube (95%), a segunda é o Facebook (90%) e a terceira é o WhatsApp (89%). Contudo, no cenário global, a liderançaé ocupada pelo Facebook, com 2,27 bilhões de usuários ativos, seguido pelo YouTube (1,900 milhões) e, então, pelo WhatsApp (1.500 milhões). 61 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 O estudo foi produzido pela agência We Are Social, em parceria com a pla- taforma de mídia Hootsuite, e coletou dados de 22 milhões de usuários em 45 países. O Brasil tem 140 milhões de usuários ativos nas redes, o que corresponde a 66% da população. O relatório também indica que 61% dos internautas do país acessam redes sociais via dispositivo móvel (celular ou tablet) (AMPER ENER- GIA HUMANA, 2022, s. p.). Antes de iniciarmos o aprofundamento do tema, gosto pode-se trazer a re- fl exão do ensinamento do Princípio da Igualdade, no Artigo 5º da Constituição Federal de 1988: “dar tratamento isonômico às partes signifi ca tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida de suas desigualdades” (NERY JÚNIOR, 2014). Pode até parecer, num primeiro momento, que a citação desse princípio seja um despropósito, mas não é, pois normalmente, um conteúdo é postado em todas as redes sociais, sem qualquer fi ltro ou critério. Essa não é a atitude mais correta. Isso porque o mesmo conteúdo deve ser “traduzido” (adaptado, tratado) para se adequar ao perfi l de cada rede social, já que cada uma delas tem regras, con- ceitos e premissas próprios. Cada rede social tem um comportamento de consu- mo único que deve ser identifi cado e considerado em uma publicação. Quando tratamos dos assuntos indistintamente nas redes sociais, como ocorre em inúmeros casos, não priorizando critérios de comportamento do usuário e seu perfi l de consumo, acabamos subaproveitando suas possibilidades e potencialidades. Existe um certo “comportamento” que devemos combater veementemente to- dos os dias: rede social não tem autoridade científi ca. É muito comum vermos ad- vogados postando artigo atrás de artigo em redes sociais, como por exemplo no Instagram, pressupondo erroneamente que essa iniciativa trará autoridade, geran- do notoriedade e garantindo uma presença positiva e marcante nas redes sociais. Existem redes sociais corretas para tal iniciativa, como por exemplo, o LinkedIn. Na verdade, essas ferramentas são instrumentos para gerar e perpetuar re- lacionamento. E nisso são imbatíveis, se forem adequadamente utilizadas com versatilidade e criatividade. O setor jurídico, se quiser sobreviver nesse contexto, deve compreender que a comunicação global mudou, não sendo mais possível dialogar com o mercado da mesma forma que era feito décadas atrás. Tal mudança de posicionamento, entretanto, demanda inteligência de segmentação e estudo do comportamento na contratação (BOM, 2020). 62 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo No campo das redes sociais, ainda, a compreensão e adoção desse concei- to é essencial para a aplicação de estratégias criativas e versáteis, aproveitando também as possibilidades de interações off-line a favor da migração on-line. 2.1.1 Mídias sociais e conselho de ética da OAB A publicidade na Advocacia é uma das grandes formas de comunicação do advogado com os seus clientes – tanto aqueles de sua carteira já consolidada quanto aqueles em potencial. Entretanto, a própria Ordem dos Advogados do Brasil buscou regulamentar o tema, principalmente a fi m de impedir a captação irregular de clientela por meio de alteração realizada no Estatuto da Advocacia e da OAB, nas determinações do Código de Ética e Disciplina da OAB e no Provimento nº 94/2000 da OAB. Em tempos de redes sociais, mídias sociais e dos diversos meios virtuais de comunicação (Instagram, Facebook, LinkedIn, YouTube etc.), o acesso às infor- mações tornou-se cada vez mais rápido, facilitando, por vezes, o conhecimento de parte da sociedade sobre os serviços de advocacia prestados, oferecendo uma vitrine ao advogado, o que anteriormente não era possível. No entanto, com facilidade também ocorrem os abusos. E, justamente para evitar a utilização dessas mídias sociais como verdadeiro “balcão de vendas” na captação vulgarizada de clientela e na própria mercantilização da profi ssão, a Or- dem dos Advogados do Brasil regulamentou o tema, possibilitando a publicidade na advocacia, mas de maneira comedida, com sobriedade, discrição e informação. Justamente por tal motivo é que o Código de Ética e Disciplina da OAB, de 19 de outubro de 2015, dispõe, em seu Art. 39, que a publicidade profi ssional do advogado tem caráter meramente informativo e deve primar pela discrição e sobriedade, não podendo confi gurar captação de clientela ou mercantilização da profi ssão. Conforme determina o Art. 40, os meios utilizados para a publicidade pro- fi ssional hão de ser compatíveis com a diretriz estabelecida no referido Art. 39, sendo vedados: 63 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 I- a veiculação da publicidade por meio de rádio, cinema e televisão; II- o uso de outdoors, painéis luminosos ou formas asseme- lhadas de publicidade; III- as inscrições em muros, paredes, veículos, elevadores ou em qualquer espaço público; IV- a divulgação de serviços de advocacia juntamente com a de outras atividades ou a indicação de vínculos entre uns e outras; V- o fornecimento de dados de contato, como endereço e telefone, em colunas ou artigos literários, culturais, aca- dêmicos ou jurídicos, publicados na imprensa, bem assim quando de eventual participação em programas de rádio ou televisão, ou em veiculação de matérias pela internet, sendo permitida a referência a e-mail; VI- a utilização de mala direta, a distribuição de panfl etos ou formas assemelhadas de publicidade, com o intuito de captação de clientela (OAB, 2015, p. 9). Contudo, exclusivamente para fi ns de identifi cação dos escritórios de advo- cacia, é permitida a utilização de placas, painéis luminosos e inscrições em suas fachadas, desde que respeitadas as diretrizes previstas no Artigo 39. É lícito ao advogado manter colunas de opinião nos meios de comunicação social ou de textos por meio dos quais propague-se informações e esclarecimen- tos apropriados, entretanto, o Art. 41 não permite que tais reproduções induzam o leitor a litigar e tampouco que promovam, dessa forma, captação de clientela. Ainda, é vedado ao advogado, nos termos do Art. 42: I- responder com habitualidade a consulta sobre matéria jurí- dica nos meios de comunicação social; II- debater, em qualquer meio de comunicação, causa sob o patrocínio de outro advogado; III- abordar tema de modo a comprometer a dignidade da pro- fi ssão e da instituição que o congrega; IV- divulgar ou deixar que sejam divulgadas lista de clientes e demandas; V- insinuar-se para reportagens e declarações públicas (OAB, 2015, p. 9). O advogado pode, eventualmente, participar de programa de televisão ou de rádio, de entrevista na imprensa, de reportagem televisionada ou veiculada por qualquer outro meio, para manifestação profi ssional, visando a objetivos exclusi- vamente ilustrativos, educacionais e instrutivos, sem propósito de promoção pes- soal ou profi ssional, vedados ainda pronunciamentos sobre métodos de trabalho usados por seus colegas de profi ssão. 64 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Por certo, quando convidado para manifestação pública, por qualquer modo e forma, objetivando o esclarecimento de tema jurídico de interesse geral, deve o advogado evitar insinuações com o sentido de promoção pessoal ou profi ssional, bem como o debate de caráter sensacionalista. Conforme Art. 44, na publicidade profi ssional que promover ou nos cartões e material de escritório de que se utilizar, o advogado fará constar seu nome ou o da sociedade de advogados, o número ou os números de inscrição na OAB, poden- do ser referidos apenas os títulos acadêmicos do advogado e as distinções hono- rífi cas relacionados à vida profi ssional, bem como as instituições jurídicas de quefaça parte e as especialidades a que se dedicar, o endereço, e-mail, site, página eletrônica, QR code, logotipo e a fotografi a do escritório, o horário de atendimento e os idiomas em que o cliente poderá ser atendido. Nesse caso, é vedada a inclusão de fotografi as pessoais ou de terceiros nos cartões de visitas do advogado, bem como menção a qualquer emprego, cargo ou função ocupados, atual ou pretérito, em qualquer órgão ou instituição, salvo o de professor universitário. São admissíveis como formas de publicidade o patrocínio de eventos ou pu- blicações de caráter científi co ou cultural, assim como a divulgação de boletins, por meio físico ou eletrônico, sobre matéria cultural de interesse dos advogados, desde que sua circulação fi que adstrita à clientes e a interessados do meio jurídi- co (Art. 45 – Resolução nº 02/2015 da OAB Conselho Federal). A publicidade pode ser veiculada pela internet ou por outros meios eletrôni- cos, tais como a telefonia, inclusive utilizadas como veículo de publicidade, para o envio de mensagens a destinatários certos, desde que elas não impliquem ofere- cimento de serviços ou representem forma de captação de clientela, devendo-se observar as diretrizes estabelecidas no Código de Ética e Disciplina. O Provimento nº 94/2000 especifi ca regras a respeito das normas sobre pu- blicidade, propaganda e informação da advocacia, esparsas no Código de Ética e Disciplina, dispondo, em seu Art. 1º, ser permitida a publicidade informativa do advogado e da sociedade de advogados, contanto que se limite a levar ao conhe- cimento do público em geral – ou da clientela em particular – dados objetivos e verdadeiros a respeito dos serviços de advocacia que se propõe a prestar, obser- vadas as normas do Código de Ética e Disciplina e as deste Provimento. Assim, pelo Art. 2º do Provimento nº 94/2000, entende-se por publicida- de informativa: 65 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 a) a identifi cação pessoal e curricular do advogado ou da so- ciedade de advogados; b) o número da inscrição do advogado ou do registro da socie- dade; c) o endereço do escritório principal e das fi liais, telefones, fax e endereços eletrônicos; d) as áreas ou matérias jurídicas de exercício preferencial; e) o diploma de bacharel em direito, títulos acadêmicos e qua- lifi cações profi ssionais obtidos em estabelecimentos reco- nhecidos, relativos à profi ssão de advogado (Art. 29, §§ 1º e 2º, do Código de Ética e Disciplina); f) a indicação das associações culturais e científi cas de que faça parte o advogado ou a sociedade de advogados; g) os nomes e os nomes sociais dos advogados integrados ao escritório (NR. Ver Provimento n. 172/2016); h) o horário de atendimento ao público; i) os idiomas falados ou escritos (OAB, 2000, s. p.). Portanto, conforme Art. 3º do Provimento, são meios lícitos de publicidade da advocacia: a) a utilização de cartões de visita e de apresentação do escri- tório, contendo, exclusivamente, informações objetivas; b) a placa identifi cativa do escritório, afi xada no local onde se encontra instalado; c) o anúncio do escritório em listas de telefone e análogas; d) a comunicação de mudança de endereço e de alteração de outros dados de identifi cação do escritório nos diversos meios de comunicação escrita, assim como por meio de ma- la-direta aos colegas e aos clientes cadastrados; e) a menção da condição de advogado e, se for o caso, do ramo de atuação, em anuários profi ssionais, nacionais ou estrangeiros; f) a divulgação das informações objetivas, relativas ao advo- gado ou à sociedade de advogados, com modicidade, nos meios de comunicação escrita e eletrônica. § 1º A publicidade deve ser realizada com discrição e modera- ção, observado o disposto nos arts. 28, 30 e 31 do Código de Ética e Disciplina. § 2º As malas-diretas e os cartões de apresentação só podem ser fornecidos a colegas, clientes ou a pessoas que os solici- tem ou os autorizem previamente. § 3º Os anúncios de publicidade de serviços de advocacia de- vem sempre indicar o nome ou o nome social do advogado ou da sociedade de advogados com o respectivo número de inscrição ou de registro; devem, também, ser redigidos em português ou, se em outro idioma, fazer-se acompanhar da respectiva tradução. (NR. Ver Provimento n. 172/2016) (OAB, 2000, s. p.). Ainda, nos termos do Art. 4º, não são permitidos ao advogado em qualquer publicidade relativa à advocacia: 66 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo a) menção a clientes ou a assuntos profi ssionais e a deman- das sob seu patrocínio; b) referência, direta ou indireta, a qualquer cargo, função públi- ca ou relação de emprego e patrocínio que tenha exercido; c) emprego de orações ou expressões persuasivas, de auto engrandecimento ou de comparação; d) divulgação de valores dos serviços, sua gratuidade ou for- ma de pagamento; e) oferta de serviços em relação a casos concretos e qualquer convocação para postulação de interesses nas vias judiciais ou administrativas; f) veiculação do exercício da advocacia em conjunto com ou- tra atividade; g) informações sobre as dimensões, qualidades ou estrutura do escritório; h) informações errôneas ou enganosas; i) promessa de resultados ou indução do resultado com dis- pensa de pagamento de honorários; j) menção a título acadêmico não reconhecido; k) emprego de fotografi as e ilustrações, marcas ou símbolos incompatíveis com a sobriedade da advocacia; l) utilização de meios promocionais típicos de atividade mer- cantil (OAB, 2000, s. p.). Contudo, o Provimento (Art. 5º) admite como veículos de informação publici- tária da advocacia: a) Internet, fax, correio eletrônico e outros meios de comunica- ção semelhantes; b) revistas, folhetos, jornais, boletins e qualquer outro tipo de imprensa escrita; c) placa de identifi cação do escritório; d) papéis de petições, de recados e de cartas, envelopes e pastas [...] Parágrafo único. As páginas mantidas nos meios eletrônicos de comunicação podem fornecer informações a respeito de eventos, de conferências e outras de conteúdo jurídico, úteis à orientação geral, contanto que estas últimas não envolvam casos concretos nem mencionem clientes (OAB, 2000, s. p.). Por outro lado, o Art. 6º determina que não são admitidos como veículos de publicidade da advocacia: a) rádio e televisão; b) painéis de propaganda, anúncios luminosos e quaisquer outros meios de publicidade em vias públicas; c) cartas circulares e panfl etos distribuídos ao público; d) oferta de serviços mediante intermediários. Art. 7º A participação do advogado em programas de rádio, de televisão e de qualquer outro meio de comunicação, inclusive eletrônica, deve limitar-se a entrevistas ou a exposições sobre assuntos jurídicos de interesse geral, visando a objetivos ex- clusivamente ilustrativos, educacionais e instrutivos para es- clarecimento dos destinatários. 67 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 Art. 8º Em suas manifestações públicas, estranhas ao exercí- cio da advocacia, entrevistas ou exposições, deve o advogado abster-se de: a) analisar casos concretos, salvo quando arguido sobre ques- tões em que esteja envolvido como advogado constituído, como assessor jurídico ou parecerista, cumprindo-lhe, nes- sa hipótese, evitar observações que possam implicar a que- bra ou violação do sigilo profi ssional; b) responder, com habitualidade, a consultas sobre matéria ju- rídica por qualquer meio de comunicação, inclusive naqueles disponibilizados por serviços telefônicos ou de informática; c) debater causa sob seu patrocínio ou sob patrocínio de ou- tro advogado; d) comportar-se de modo a realizar promoção pessoal; e) insinuar-se para reportagens e declarações públicas; f) abordar tema de modo a comprometer a dignidade da pro- fi ssão e da instituição que o congrega (OAB, 2000, s. p.). Certamente, o Provimento nº 94/2000 se encontra defasado emrelação aos avanços sociais e tecnológicos, dependendo de atualizações, como ocorrido com o novo Código de Ética e Disciplina da OAB em 2015, resultando nas necessárias modernizações, especialmente na regulamentação das publicidades e propagan- das por redes e mídias sociais, sendo imperativo a observância das regras de sobriedade, de discrição, da cautela para evitar a captação irregular de clientes, utilizando-se de maneira legítima dos permissivos legais para demonstrar o co- nhecimento jurídico e o domínio da ciência do Direito. 2.1.2 Ementário dos tribunais de ética e disciplina A seguir, trazemos algumas decisões recentes proferidas pelos Tribunais de Ética e Disciplina (TED) de diversos estados da Federação, em relação a infrações cometidas por escritórios de advocacia quanto a temas de publicidade e propaganda. E-5.390/2020 Página pessoal de advogado – Internet – Redes sociais – Caráter infor- mativo – Limites éticos – Observância das normas pertinentes à publici- dade e propaganda. É lícita a publicidade do advogado em sites ou redes sociais desde que se- jam observados os limites éticos impostos pelo Código de Ética e Disciplina e pelo Provimento nº 94/2000 do Conselho Federal da OAB, dentre os quais se destacam a discrição, moderação e o caráter meramente informativo, sendo 68 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo vedada, em qualquer hipótese, a captação indevida de clientela e a mercan- tilização da profi ssão. Tem caráter meramente informativo a reprodução de dados veiculados pelo Conselho Nacional de Justiça. Tais limites éticos se aplicam não apenas ao conteúdo das páginas “profi ssionais” mantidas por advogados em redes sociais, mas a toda e qualquer manifestação que o ad- vogado faça por esses meios, de forma que a utilização de páginas ditas “pessoais” não pode servir de subterfúgio para a inobservância das normas que regem a ética do advogado e a publicidade da advocacia. Preceden- te: Proc. E-5.324/2019 – v. u., em 12/02/2020, do parecer e ementa do Rel. Dr. Fábio Teixeira OZI, Rev. Dr. Sylas Kok Ribeiro – Presidente Dr. Guilher- me Martins Malufe. Proc. E-5.390/2020 – v. u., em 12/08/2020, do parecer e ementa do Rel. Dr. Décio Milnitzky, Rev. Dr. Zailton Pereira Pescaroli – Presi- dente Dr. Guilherme Martins Malufe. Fonte: adaptado de https://www.oabsp.org.br/tribunal-de-etica-e-disciplina/ ementario/2020/e-5-390-2020. Acesso em: 25 ago. 2022. E-5.382/2020 Patrocínio de artigo ou post de conteúdo no google ou em outros sites de busca ou em redes sociais – Subscrição de artigos ou posts jurídicos – Publicidade mediante impulsionamento na internet – Possibilidade, des- de que cumpridos todos os preceitos éticos e disciplinares. O advogado deve contribuir para o aprimoramento das instituições, do Di- reito e das leis, mediante produção de conteúdo científi co e informativo. A técnica do impulsionamento voltado a divulgar trabalho jurídico realizado por advogados, a priori, não fere a ética profi ssional. Possibilidade de advogados patrocinarem artigos ou posts de conteúdo no Google ou em sites de buscas equivalentes ou em redes sociais, desde que obedecidos todos os preceitos ético-disciplinares, seja esse patrocínio referente (i) à mera possibilidade de advogados subscreverem artigos ou posts de conteúdo jurídico ou (ii) ao pa- gamento para publicidade mediante impulsionamento de conteúdo jurídico na internet. Proc. E-5.382/2020 – v. u., em 21/07/2020, do parecer e ementa do Rel. Dr. Felipe Galea, Rev. Dra. Renata Mangueira de Souza – Presidente Dr. Guilherme Martins Malufe. Fonte: adaptado de https://www.oabsp.org.br/tribunal-de-etica-e-disciplina/ ementario/2020/e-5-382-2020. Acesso em: 25 ago. 2022. 69 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 E-5.304/2019 Exercício profi ssional – Publicidade e propaganda na advocacia – Divul- gação de áreas de atuação e expertises – Divulgação de cursos e pales- tras – Cautela no uso do vernáculo popular – Observação do regulamen- to ético para publicidade. Desse modo, respeitados os deveres de discrição e moderação, mormente os contidos no Artigo 39 e seguintes do CED, bem como o Provimento 94/2000 do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, não há qualquer inade- quação quanto ao uso e divulgação das qualidades acadêmicas do advogado, seja ministrando aulas ou cursos e, assim, que se junte ao seu rol de atua- ção na advocacia. A cautela deve ser observada exatamente na medida da lei, evitando-se abusos, citações inadequadas em mídias e popularizando termos que devem seguir estritamente o que foi defi nido pela construção técnica do di- reito, os esclarecimentos quanto ao tipo de trabalho e ação cabível, será dado ao advogado, sempre, delineado pelo seu poder argumentativo e que deve chegar ao público, mais culto ou não, da mesma forma, utilizando-se sempre de transparência e de dignidade para qualquer camada social, reforçando princípios implícitos no exercício da advocacia. Proc. E-5.304/2019 – v. u., em 23/06/2020, do parecer e ementa do Rel. Dr. ClaudineI Fernando Machado, com declaração de voto da Dra. Ana Lélis de Oliveira Garbim, Rev. Dra. Camila Kuhl Pintarelli – Presidente Dr. Guilherme Martins Malufe. Fonte: adaptado de https://www.oabsp.org.br/tribunal-de-etica-e-disciplina/ ementario/2020/e-5-304-2019-1. Acesso em: 25 ago. 2022. E-5.343/2019 Marketing Jurídico utilização de aplicativos de plataforma digital – Possi- bilidade – Necessidade de respeitar limites éticos. Ao advogado não é proibido fazer marketing ou anunciar os seus serviços pro- fi ssionais, desde que o faça com discrição e moderação. O que lhe é vedado é sair da área discreta e moderada da publicidade, se envolvendo em métodos ou táticas que buscam a captação desleal de clientes, denigrindo o serviço pú- blico e a função social do ministério do advogado e confi gurando clara hipóte- se de mercantilização. Essas diretrizes se aplicam à informes e publicidade em sítios eletrônicos e locais/eventos físicos. Uso de aplicativos – Possibilidade para divulgação e publicidade, observadas as regras éticas aplicáveis a qualquer outro meio de divulgação e publicidade – Possibilidade de uso para facilitar a comunicação e/ou melhorar a prestação de serviços jurí- dicos. Não é admitido o uso de aplicativos de forma indiscriminada para res- ponder consultas jurídicas a não clientes – inadmissível mercantilização da advocacia. Há infração ética por parte do advogado que se associa a uma 70 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo plataforma que tenha como objetivo oferecimento de serviços jurídicos sem autorização para tanto. Proc. E-5.343/2019 – v. m., em 4/3/2020, do parecer e ementa do Rel. Dr. Eduardo Augusto Alckmin Jacob, Rev. Dr. Fábio Teixeira Ozi – Presidente Dr. Guilherme Martins Malufe. Fonte: adaptado de https://www.oabsp.org.br/tribunal-de-etica-e-disciplina/ ementario/2020/e-5-343-2019. Acesso em: 25 ago. 2022. TED-DF Processos nºs 42384/2019 e 43697/2019 Consulta. Publicidade redes sociais. Advogados e escritórios de advoca- cia. Permissão restrita a determinados veículos de comunicação desde que respeitados os parâmetros delimitativos impostos. Proibição à expo- sição sem limites, generalizados e posts patrocinados em geral. posição em alinhamento com o cfoab. Processos nºs 42384/2019 e 43697/2019, em 10/09/2019, Rel. Dr. Sérgio Bomfi m Peres – Presidente Dr. Antonio Alberto do Vale Cerqueira. Fonte: adaptado de https://www.conjur.com.br/dl/oab-df-proibe-uso-redes-so- ciais.pdf. Acesso em: 25 ago. 2022. TED-SC Processo de Representação nº 239/2017. Processo ético-disciplinar. Prática irregular de divulgação da atividade profi ssional. nulidade na intimação. inocorrência. Utilização de outdo- or. infração caracterizada (Art. 36, ii, da Lei nº 8.906/1994). Pena de censura. Circunstância atenuante. Conversão em advertência. Repre-sentação procedente. 1. As notifi cações encaminhadas para o endereço profi ssional constante no ca- dastro do advogado presumem-se entregues, nos termos do § 1º, do Art. 137- D, do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB. 2. O advogado que emprega meios impróprios de publicidade para divulgação de sua ativida- de profi ssional, utilizando outdoor colocado no imóvel onde funciona seu es- critório, infringe as normas contidas nos Artigos 39 e 40, inciso II, do Código de Ética e Disciplina da OAB. Ausência de discrição e sobriedade que impõe a aplicação da pena de censura, nos termos do Art. 36, inciso II, da Lei nº 8.906/94, convertida em advertência em ofício reservado, sem registro nos as- sentamentos do advogado representado, conforme parágrafo único, do mes- mo dispositivo legal, tendo em vista a existência de circunstâncias atenuantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da 71 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 7ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina, por unanimidade, julgar procedente a representação, nos termos do voto da Relatora. Lages, 9 de agosto de 2019. Artêmio Antoninho Miola, Presidente. Diala Marchi Gonçalves Bridi, Relatora. Repte: OAB/SC “ex offi cio”. Repdo: L. M. S. Relatora: Diala Marchi Gonçalves Bridi. Acórdão nº 098/2019. Fonte: adaptado de https://deoab.oab.org.br/assets/diarios/diario-eletronico-o- ab-29-08-2019.pdf. Acesso em: 25 ago. 2022. Processo Disciplinar nº 499/2017. Processo Ético-disciplinar. Captação desleal de clientela – Distribuição de panfl etos – Oferecimento de serviços – Advogado que oferece serviços através de distribuição de panfl etos. O Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil, não permite a divulgação através de panfl etos ou qualquer outro meio, que caracterize a mercantilização do exercício da advocacia, com fi nalidade de captação de clientela ou angariar causas. Toda publicidade deve respeitar os preceitos legais, devendo ser discreta e moderada, sendo proibida a divulga- ção e veiculação de qualquer material, oferecendo serviços com a fi nalidade de angariar clientes e/ou captar causas, resta conhecida a infração prevista no artigo 34, IV do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil. Representação procedente. Convertida a censura, prevista no Art. 35, I em advertência a teor do Artigo 36, I, parágrafo único. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da 4ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina, por unanimidade, julgar procedente a representação, nos termos do voto do Relator. Criciúma, 23 de agosto de 2019. Jean Marcel Roussenq, Presidente. José Adilson Cândido, Relator. Repte: OAB/SC “ex offi cio” Repda: T. M. G. C. Relator: José Adilson Cândido. Acórdão nº 139/2019. Fonte: adaptado de https://deoab.oab.org.br/assets/diarios/diario-eletronico-o- ab-21-01-2020.pdf. Acesso em: 25 ago. 2022. Em julho de 2021, a Ordem aprovou o provimento 205/21, que traz novas regras com o objetivo de ampliar as possibilidades de publicidade na advocacia, permitindo, por exemplo, o impulsionamento de publicações nas mídias digitais. E o que diz o texto com relação à "ostentação"? Vejamos: Art. 6º Fica vedada, na publicidade ativa, qualquer informação relativa às dimensões, qualidades ou estrutura física do escri- tório, assim como a menção à promessa de resultados ou a uti- lização de casos concretos para oferta de atuação profi ssional. Parágrafo único. Fica vedada em qualquer publicidade a osten- tação de bens relativos ao exercício ou não da profi ssão, como 72 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo uso de veículos, viagens, hospedagens e bens de consumo, bem como a menção à promessa de resultados ou a utilização de casos concretos para oferta de atuação profi ssional (MIGA- LHAS, 2021, s. p.). Se houver conduta imprópria, que envergonhe a classe, deverá ser aberto processo de inidoneidade – que não é julgado pelo TED, mas pelo Conselho Ple- no da OAB, e que precisará de quórum qualifi cado de 2/3 dos conselheiros. Este processo garante ampla defesa e não é regido pelo Direito Administrativo, mas pelo Direito Penal. Em outros termos, de acordo com o Conselho, nas redes sociais pessoais é possível publicar tudo o que não gere processo de inidoneidade. Quanto aos per- fi s de escritório, não se pode ostentar o que não tenha relação com a advocacia. A Ordem fi naliza afi rmando que o provimento da publicidade regulamenta o Código de Ética, que só trata do exercício da advocacia. 2.1.3 Marca – Branding Jurídico A partir de seus esforços de marketing, as empresas criam propostas de va- lor que visam atender às necessidades de seus clientes por um conjunto de bene- fícios. “A proposta de valor intangível é materializada por uma oferta, que pode ser uma combinação de produtos, serviços, informações e experiências. Uma marca é uma oferta de uma fonte coecida” (KELLER; MACHADO, 2006, s. p.). Assim, uma marca pode agregar valor a uma oferta e, da mesma forma, pode deturpar a sua imagem e, por isso, é importante que as organizações se preocupem com a construção de suas marcas. Em um cenário de infi nitas escolhas, as empresas buscam formas de se co- municar com seus públicos, se tornar insubstituíveis e criar um relacionamento eterno com seus clientes. As pessoas se apaixonam por marcas, confi am nelas e acreditam na sua superioridade, portanto a forma como uma marca é percebida, afeta o seu sucesso ou fracasso. Os elementos tangíveis que formam uma marca são (HILLER, 2012): • Nome, que é o principal elemento que identifi ca uma marca, por isso, na contemporaneidade deve ter “sonoridade, ser bonito de ver, de escrever, de digitar e gostoso de pronunciar” (Posição 188); • O logotipo, que é a forma como se escreve ou a tipologia que se usa para escrever o nome da marca; 73 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 • O símbolo, que é, resumidamente, a parte que pode identifi cada pelo consumidor, mas não lida; • A embalagem, que é defi nida como “a roupa da marca” e “desde o material até o design escolhido [...] carregam potentes elemen- tos de identidade e diferenciação de uma marca” (Posição 206); • As mascotes, que são utilizados por algumas marcas, segundo o autor, como outros elementos tangíveis de diferenciação. Todos esses aspectos tangíveis têm como objetivo diferenciar os produtos disponíveis no mercado. “A American Marketing Association (AMA) defi ne marca como um nome, termo, sinal, símbolo ou design, ou uma combinação de tudo isso, destinado a identifi car os bens ou serviços de um fornecedor [...] para di- ferenciá-los dos de outros concorrentes” (HILLER, 2012, s. p.) Dessa forma, a marca tem por objetivo identifi car o fabricante de um produto ou serviço e atribuir responsabilidade pelo desemprenho deles no mercado. Este fato, segundo os au- tores, é positivo tanto para os consumidores, que podem mais claramente iden- tifi car a origem dos produtos, quanto para as empresas que podem lançar novas propostas no mercado ancorados na reputação criada pela marca de um outro produto e protegerem-se legalmente quanto à posse de seus produtos. Os artigos tangíveis de uma marca são repletos de signifi cado. Esses evo- luem com o tempo de acordo com as suas aplicações. Os ativos tangíveis de uma marca podem se tornar mais fortes com o uso frequente e quando as pessoas entendem o que eles representam com clareza. Com as aplicações, a marca vai muito além de aspectos físicos, são sim im- portantes para o conceito, mas marca é “[...] a percepção íntima, o sentimento vis- ceral de uma pessoa em relação a um produto, serviço ou empresa” (NEUMEIER, 2008, s. p.). Assim, o conceito é infl uenciado pela empresa, mas uma marca será constituída a partir do que os consumidores apreendem nesse processo. Com o passar do tempo, podemos perceber que a marca é um ativo vivo, e vai muito além de um mero símbolo que estampaa funcionar Atividades Principais Ações importantes que sua empresa deve realizar para fazer seu Modelo de Negócios funcionar Recursos Principais Recursos mais importantes exigidos para fazer o Modelo de Negócios funcionar Proposta de Valor Qual seu pacote de produtos e serviços e o valor que ele pos- sui para os clientes Relacionamento com Clientes Tipos de relação que uma empresa estabelece com Clientes para conquistá- los e mantê-los Canais Como sua empresa se comunica e alcança seus Clientes para entregar sua Proposta de Valor Segmento de Clientes Quem são os clientes que você pretende atender? Eles tem um perfi l específi co? Como eles estão agrupados? Onde estão localizados? Estrutura de Custos Todos os custos envolvidos na operação do seu Modelo de Negócios Entretanto, ele tem um grande potencial de reduzir a ocorrência de erros. Mesmo porque, sem uma análise aprofundada sobre o escritório e o monitora- mento de todos os elementos que interferem na viabilidade do negócio — variá- veis de mercado, efi ciência de processos, qualifi cação da força de trabalho, efeti- vidade no controle fi nanceiro, entre outros, nenhum planejamento será sufi ciente para trazer os resultados esperados pela equipe gerencial. 11 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 2 MODELO SOCIETÁRIO/ SOCIEDADE DE ADVOGADOS: TIPO E CLASSIFICAÇÃO Para entender o que é uma sociedade de advogados, devemos analisar o Estatuto da Advocacia e o que a OAB dispõem sobre o tema. No Artigo 15 do atual Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil, instituído pela Lei 8.906/94, estabelece que “os advogados podem reunir- -se em sociedade civil de prestação de serviço de advocacia, na forma disciplina- da nesta lei e no regulamento geral” (BRASIL, 1994). Este conceito pode induzir ao erro, pois a sociedade de advogados não tem apenas como atribuição o “exer- cício da advocacia”; a sociedade de advogados tem como característica a facili- dade e possibilidade dos profi ssionais ligados ao Direito de colaborarem entre si, de forma recíproca, quanto ao exercício do expediente e os resultados obtidos na realização do serviço. A sociedade de advogados existe para apoiar a atividade conjunta dos advo- gados, gerir suas contas e facilitar-lhes o trabalho. De acordo com o previsto no Artigo 4º do Provimento nº 92/2000 (OAB, 2000, s.p.), esclarece quanto à compe- tência da sociedade de advogado, conforme se verifi ca: Art. 4º - As sociedades de advogados, no exercício de suas atividades, somente podem praticar os atos indispensáveis às suas fi nalidades, assim compreendidos, dentre outros, os de sua administração regular, a celebração de contratos em geral para representação, consultoria, assessoria e defesa de clien- tes por intermédio de advogados de seus quadros. Parágrafo único - Os atos privativos de advogado devem ser exercidos pelos sócios ou por advogados vinculados à sociedade, como associados ou como empregados, mesmo que os resultados revertam para o patrimônio social. A partir da função existente acerca da sociedade de advogado, se pode de- fi nir como sendo aquela sociedade constituída por dois ou mais advogados, onde será facilitado o exercício da advocacia através de regime de colaboração recí- proca, tendo assim disciplina dos procedimentos que serão adotados, bem como quanto à divisão dos resultados obtidos por intermédio do empenho e atendimen- tos aos clientes. É de grande valia citar ainda, que a sociedade em questão só poderá ser constituída por pessoas qualifi cadas profi ssionalmente (ou seja, ad- vogados). Deverá ainda estar presente o affectio societatis (vontade de constituir sociedade), bem como o intuitu personae (motivo determinante da vontade ou do consentimento de pessoas – relação de contratante e contratado). 12 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Existem dois tipos de sociedade, a simples e a empresária, mas conforme o Art. 16 da Lei 8.906/94 a sociedade constituída por advogados deverá seguir a seguinte regra: Art. 16. Não são admitidas a registro nem podem funcionar to- das as espécies de sociedades de advogados que apresentem forma ou características de sociedade empresária, que adotem denominação de fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou titular de sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou totalmente proibida de advogar (BRASIL, 1994). Dessa forma, pelo Artigo destacado, a sociedade de advogados será do tipo simples. Em razão da advocacia ser uma atividade intelectual e não de pro- dução e circulação de bens ou serviços, característica de empresários. Existem seis características na formação e estruturação dos escritórios de advocacia que devemos sempre avaliar: • A diferença existente entre as escritórios e advocacia e as de- mais sociedades civis, pois seu principal objetivo não é atuar na advocacia, mais sim possibilitar que os advogados atuem de maneira organizada. • Para o ingresso em uma sociedade de advogados, todos os só- cios devem ser advogados. • O objeto social de uma sociedade de advogados, deverá ser o exercício de atividade exclusiva e unicamente correlacionada à advocacia pelos seus sócios e/ou advogados agregados. • O local do registro da sociedade de advogados, deverá ser es- tabelecido junto ao Conselho Seccional onde estiver localizada, conforme Artigo 15, §§1º e 5º do Estatuto da Advocacia e da Or- dem dos Advogados do Brasil. • A sociedade de advogados não possui características mercantis. Portanto, não há aplicação do Art. 983 do Código Civil. • A responsabilidade dos sócios dentro da sociedade de advoga- dos, onde fi ca estabelecido que os sócios responderão subsidiá- ria e ilimitadamente, conforme disposto no Artigo 1.023 do Código Civil de 2002. 13 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 2.1. RAZÃO SOCIAL E DENOMINA- ÇÃO SOCIAL A razão social da sociedade de advogados deverá ter, obrigatoriamente, o nome de pelo menos, um advogado responsável pela sociedade, já a sociedade unipessoal de advocacia deve ser formada pelo nome de seu titular. O nome da sociedade de advogados deverá seguir a regra prevista no Artigo 16, §1º, Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil: Art. 16 – Não são admitidas a registro, nem podem funcionar, as sociedades de advogados que apresentem forma ou carac- terísticas mercantis, que adotem denominação de fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam sócio não inscrito como advogado ou totalmente proibido de advo- gar. §1º - A razão social deve ter, obrigatoriamente, o nome de, pelo menos, um advogado responsável pela sociedade, podendo permanecer o de sócio falecido, desde que prevista tal possibilidade no ato constitutivo. [...] A partir dos pontos essenciais indicados anteriormente, a sociedade não po- derá conter nome de advogados ocupantes de cargos públicos, nem mesmo po- derá conter nomes, siglas, expressões fantasia, ou designação que são próprias de sociedades comerciais, conforme disposto no Artigo 2º, §1º, Provimento 92: “Parágrafo 1º- Na composição da razão social, não podem ser adotadas siglas ou expressões de fantasia ou de características mercantis” (OAB, 2000, s. p.). 2.2 RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS Nesse aspecto, a responsabilidade dos sócios ou do titular da sociedade in- dividual não se diferencia de uma sociedade comum empresária, pois estes irão responder de fora subsidiária e ilimitada pelos atos que caracterizem dano por ação ou omissão no exercício da advocacia. A sociedade de advogados, por ser uma pessoa jurídica, age na vida civil em busca de seu objetivo. Vale citar que seus atos são totalmente independentes daqueles praticados por seus sócios. Portanto, a partir do momento que assu- me obrigações resultantes do exercício de suas atividades, esta responderá pelos danos que poderáo topo da loja ou o canto supe- rior do site da empresa. Para Hiller (HILLER, 2012), a marca inclui muitos valores intangíveis que estão por trás desses símbolos e que infl uenciarão na relação entre consumidores e marca. Uma marca é, portanto, um produto, mas um produto que acrescenta outras dimensões que o diferenciam de algum modo de outros produtos desenvolvidos para satisfazer a mesma necessidade. Essas diferenças podem ser racionais e tangíveis – relacionadas com o desempenho do produto da marca – ou mais sim- bólicas, emocionais e intangíveis – relacionadas com aquilo que a marca repre- senta (KELEER; MACHADO, 2006). 74 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Uma forma de pensar a importância do investimento em marcas é pensar em outra alternativa disponível: o preço. As empresas fora da posição de liderança pra- ticam preços mais baixos tencionando as marcas líderes a entrarem nessa lógi- ca. Quando, em resposta, as empresas líderes também baixam os seus preços, os consumidores fi cam mais focados neste aspecto do que na qualidade dos produtos, dessa forma as marcas começam a se parecer com commodities e as empresas começam a tratá-las dessa maneira. Os lucros desmoronam (AAKER, 2006). Os consumidores devem ser convencidos de que existem diferenças signi- fi cativas entre as marcas que pertencem a uma categoria de produto (KOTLER; KELLER, 2000). É com base em experiências anteriores com as marcas e com o programa de marketing de cada uma, ao longo dos anos, que os consumidores aprendem sobre marcas, descobrindo que satisfazem suas necessidades e quais não (KELLER; MACHADO, 2011). Por isso, é importante que uma organização construa sua imagem de marca através de todas as suas ações no mercado. Dessa forma, é possível afi rmar que “construir uma marca é sinônimo de longo prazo” (AAKER, s. p.). É preciso que todos os processos de uma organização estejam alinhados com a tática de bran- ding escolhida para a construção de uma marca forte. Branding é hoje uma fi losofi a fundamental para qualquer empresa que almeje sucesso e longa vida. Para entendermos melhor este conceito, devemos analisar, primeiramente, suas atribuições para, posteriormente, analisarmos a importância de sua utilização na diferenciação de organizações no mercado (HILLER , 2012). A também chamada de gestão de marca, é a disciplina usada para conquis- tar a atenção e estender a lealdade dos consumidores. Branding é a forma de uma empresa usar todas as oportunidades de contato com o consumidor para expressar o motivo pelo qual deve ser escolhida em detrimento de outra. O termo branding, pode ser defi nido como conjunto de atividades que visa oti- mizar a gestão de marcas de uma organização como diferencial competitivo. Para o autor, envolve atividades como design, naming, proteção legal, pesquisa de mercado, avaliação fi nanceira, posicionamento e comunicação (KELLER; MACHADO, 2006). O branding visa criar estruturas mentais para ajudar o consumidor a organi- zar seu conhecimento sobre os produtos de modo a tornar sua tomada de decisão mais clara e, nesse processo, gerar valor para a empresa. Para os autores, as vantagens usadas para a diferenciação dos produtos podem estar nos produtos em si ou podem ser criados fatores de diferenciação não relacionados aos aspec- tos funcionais dos produtos, criando imagens interessantes e cativantes para eles (KOTLER ; KELLER, 2000). 75 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 O branding é um modelo de gestão empresarial que coloca a marca no cen- tro de todas as decisões corporativas e tem, como objetivo central, construir o brand equity. Segundo o autor, atua desde a criação da marca, na construção desde seus aspectos físicos e intangíveis, até os processos de produção, comer- ciais e de comunicação de uma empresa. O objetivo é criar um fator de diferencia- ção no mercado aos olhos dos consumidores e, através da construção do valor de marca, alavancar seu valor no mercado (HILLER, 2012). Brand equity é o valor agregado atribuído a bens e serviços. Este valor pode ser refl etido no modo como os consumidores pensam, sentem e agem em relação à marca e, também, nos preços que uma organização pratica, a sua participação no mercado e a lucratividade gerada por ela (KOTLER ; KELLER, 2000). Com o passar do tempo e com o aprimoramento das estratégias de marca, estas deixaram de ser entendidas apenas como uma questão de imagem e pas- saram a ser um valor ativo, parte do patrimônio fi nanceiro de uma empresa. A estimativa do valor de uma marca começa pela determinação do valor das unidades de negócio no mercado de produtos impactados por ela. [...] O valor de bens tangíveis (usando o valor contábil ou de mercado) é subtraído. A diferença se deve a ativos intangíveis como habilidades de fabricação, pessoal, capacidade de P&D e a marca. Esses ativos intangíveis são, então, alocados subjetivamente à marca e a outros elementos (AAKER, 2011). Por isso é de vital importância que as empresas tenham uma gestão de bran- ding para alavancar seu valor no mercado. O valor de marca é aquele diferencial que faz com que os consumidores invistam mais recursos em produtos de mesmo benefício funcional do que em similares, que podem ser até menos onerosos, pelo valor intangível construído através do branding. Além disso, este valor de marca gera expectativas quanto à produção e entrega de uma empresa. Estes aspectos acabam afetando o valor monetário de uma empresa no mercado (KOTLER ; KELLER, 2000). Para a construção do brand equity, não basta apenas grandes esforços de mídia que comunique os produtos e serviços de forma massiva, é preciso que todas as ações da marca tenham sinergia com a ideologia escolhida para ela. É correto afi rmar isso, pois, A experiência de marca é criada por pontos de contato de marca que ocorrem sempre que um indivíduo interage com ela. Assim, é pre- ciso atuar na gestão de uma empresa com uma ideologia de branding sólida em todos os seus setores (AAKER, 2011). 76 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo O conceito de marca está intimamente associado ao posicionamento de marca. Este posicionamento é “uma promessa atraente que os profi ssionais de marketing transmitem para conquistar corações e mentes dos consumidores” (KOTLER, 2017, s. p.). O posicionamento, ou uma estratégia de posicionamento, pode ser usado também, para refl etir como uma empresa está procurando ser percebida (AAKER, 2011). A base para o posicionamento da marca, em termos da sua relação com pontos de paridade e pontos de diferença em comparação a seus concorrentes, está nos seus valores centrais. “Valores centrais da marca são os conjuntos de associações abstratas (atributos e benefícios) que caracterizam os cinco a dez aspectos ou dimensões mais importantes de uma marca” (KELLER; MACHADO, 2006, s. p.). Os valores de uma empresa devem ser escolhidos de forma genuína e sus- tentável, pois são a base da identidade da marca. Uma marca deve ser autêntica de forma que todas as suas expressões sejam apropriadas à história, missão, valores e personalidade da organização a qual representa. Esses elementos são o início da força de uma marca, portanto devem ser respeitados. A forma como uma empresa se posiciona e aplica seus valores constrói a imagem que os consumidores têm da sua marca. Imagem de uma marca pode ser defi nida como percepções refl etidas pelas associações de marcas guardadas na memória do consumidor. Uma imagem de marca positiva, para os autores, é criada por programas de marketing que ligam associações fortes, favoráveis e exclusivas à marca na memória (KELLER; MACHADO, 2006). As associações podem ser a base do relacionamento com o cliente, decisão de compra, experiência de uso e fi delidade de marca. Dessa forma, o autor apon- ta a determinação de quais desenvolver, a criação de programasque irão fortale- cer essas associações e ligá-los à marca como funções essenciais da criação do valor de uma marca (AAKER, 2011). O centro do valor de qualquer marca está na fi delidade de seus clientes, pois, depois de obtida, ela perdura. “Um dos objetivos da construção da marca é am- pliar o tamanho e intensidade de cada segmento de fi delidade, tornando a base do relacionamento com o cliente mais consistente no longo prazo e, sempre que possível, mais rica, profunda e signifi cativa” (AAKER, 2011). Por isso, é importante que as marcas sejam coerentes. A coerência de uma marca é constituída em todos os pontos de contato do público com a ela. O valor emerge do entendimento das necessidades e preferências do consumidor alvo e 77 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 da construção de uma experiência de marca que produza a percepção desejada pela organização em todas as oportunidades. Segundo a autora, coerência é a qualidade que assegura que todos os elementos da marca serão unidos de uma forma natural aos olhos dos consumidores (AAKER, 2011). Uma forma de amplifi car a experiência e as percepções de marca é através da construção de uma personalidade de marca (AAKER, 2011). Uma marca, as- sim como uma pessoa, pode ser caracterizada como “moderna”, “fora de moda”, “cheia de vida” ou “exótica”. Nesse sentido, é importante pensar em como a mar- ca será percebida como pessoa pelo público (KELLER; MACHADO, 2006). A personalidade de marca pode ajudar a comunicar os atributos da oferta, defi nir um relacionamento com o cliente, orientar programas de marketing marca e guias as atitudes dos consumidores. A escolha deve depender da imagem de marca e sua visão. Personalidade de marca, para o autor, gera diferenciação e fi delidade, pois, normalmente, copiar uma personalidade é bastante difícil e inefi - caz (AAKER, 2014). Outro atributo que pode tornar uma marca única é o seu propósito. As me- lhores marcas lutam por algum propósito: uma grande ideia, um conjunto defi nido de valores, criando uma voz única de destaque. “O propósito maior é um objetivo organizacional superior que vale a pena ser concretizado porque melhora a vida de algumas pessoas” (AAKER, 2011, s. p.). O cliente pode se ligar a uma organi- zação devido a seu respeito e admiração pelo propósito maior dela. Se a marca é especifi cada pelos seus clientes apenas em termos de associa- ções de atributos físicos, a comunicação não está recebendo nenhuma orientação e pode ser considerada um desperdício de esforços e recursos fi nanceiros, “bene- fícios funcionais não são o ponto certo de persuasão e comunicação. Na verdade, o que chama a atenção são os benefícios emocionais, de auto expressão e so- ciais” (AAKER, 2011, s. p.). O que reforça ainda mais a necessidade de criação de referenciais intangíveis pela marca. Investir na construção e consolidação de uma marca é investir num ativo po- deroso, que transmitirá um conceito e uma tradição, cujo peso é imenso, espe- cialmente no universo jurídico. Dessa forma, a criação de um signo que consiga sintetizar os valores contidos nos serviços oferecidos poderá ser um verdadeiro divisor de águas na conquista e manutenção de espaço no mercado. O cliente percebe essa preocupação relacionada ao branding e isso se torna determinante na formação do vínculo profi ssional, o que, por sua vez, será revertido naturalmente em um trabalho bem-sucedido, pois fi cará claro que está sendo ofereci- do um serviço de alto valor agregado, sentimento que traz segurança e confi abilidade. 78 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo A marca e os demais ativos de comunicação são ferramentas extremamente efi cientes para levar aos prospects e clientes toda a excelência da assessoria jurí- dica, além de serem fundamentais para sua fi delização. A indagação inicial que deve ser feita é: qual é a imagem que eu quero pas- sar do meu escritório? Qual é o público que me interessa? Quais são os meus valores e OBJETIVOS profi ssionais? 3 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO O planejamento é, geralmente, considerado a função principal dentro do pro- cesso de administração de uma empresa. A sua necessidade não é limitada ao atendimento dos objetivos organizacionais. Ele é também necessário para deter- minar os métodos e tipos de controle necessários, bem como que tipo de adminis- tração a empresa/escritório deve adotar. O planejamento ocorre em todos os tipos de atividades, sendo o processo básico pelo qual são decididos quais os objetivos e como atingi-los. Seria muito conveniente se o planejamento não precisasse ser mudado, uma vez que ele foi defi nido. Mas, em virtude das condições externas sempre mutáveis, o planeja- mento deve ser um processo contínuo. Por essa razão, fl exibilidade é um fator importante no processo de planejamento e auxilia em determinar onde a empresa terá sucesso. Antes de começar a organizar um escritório, devem ser elaborados planos que estabeleçam propósitos e direções para atividades como liderá-la e controlá- -la. Um planejamento bem elaborado é a chave de uma administração efi ciente. O planejamento é uma gerência fundamenta, independentemente do tipo de organização que esteja sendo gerenciado. O(s) gerente(s) modernos enfrentam o desafi o de realizar um planejamento sólido tanto em organizações pequenas e relativamente simples, quanto nas grandes e mais complexas. É fundamental para a própria sobrevivência da empresa que o planejamento estratégico seja executado de uma forma lógica. A empresa deve ter uma visão clara, coerente e estimulante das suas metas e objetivos, não apenas em fun- ção do mercado e do produto, mas também em função do aspecto fi nanceiro. A ausência destas metas e objetivos fará com que a empresa fi que à deriva e, por causa disso, não tenha sucesso. 79 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 Face ao que já se observou, e considerando esta época como de complexi- dades organizacionais e incertezas na gestão de recursos, um ambiente merca- dológico globalizado, como o de hoje, impõem a compreensão da cultura organi- zacional e a aceitação de seus desafi os, representando um dos mais importantes compromissos das empresas. A sociedade moderna é formada por organizações, e suas complexidades e inter-relações representam uma problemática crucial. Parte-se da hipótese de que quando se elucidam os avanços teóricos fundamentais da evolução da adminis- tração à luz das realidades atuais, criam-se condições razoáveis de interpretar os objetivos propostos pelas organizações, e de levantar subsídios para a transfor- mação destes objetivos em ações organizacionais por maio do planejamento, da organização, da direção, do controle e da coordenação (ALMEIDA, 2001). O planejamento não elimina riscos, isso é evidente, mas ajuda os gestores a identifi car e lidar com problemas organizacionais antes que causem sérios danos à empresa, mais ainda, com a possibilidade de evitá-los. Sendo o planejamento uma função gerencial básica que compõe o processo administrativo, ele precede e orienta as demais defi nindo objetivos e decidindo quais recursos e tarefas são necessários para alcançá-los da melhor maneira possível. 3.1 PLANOS DE AÇÃO Ter um plano de ação e saber onde você quer chegar é fundamental antes de começar qualquer projeto. Afi nal, ele funciona como um mapa, e é considerado a melhor maneira de transformar um objetivo abstrato em uma realidade atingível. Assim, ele torna esse caminho mais seguro e factível. O plano de ação permite a defi nição de responsáveis e a estipulação de pra- zos para conclusão de ações e atividades necessárias para conclusão de um ser- viço, produto ou projeto. Em suma, um plano de ação consiste na quebra de uma meta em objetivos acionáveis e passos para alcançá-los. Para criar o seu plano de ação deve-se levar em consideração três passos: 1° Passo: escreva a meta a alcançar e quebre-a em objetivos menores; 2° Passo: liste as ações necessáriaspara cada um dos objetivos; e 3° Passo: aponte prazos para que cada uma das ações, objetivos e meta estejam completos. 80 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo 3.2 SWOT Atualmente, o mercado está passando por grandes mudanças, econômicas e culturais, com a recessão econômica em que o Brasil se encontra, as empresas estão voltando, cada vez mais, os olhos para os seus clientes, para não os perder, tentando se aproximar, entender melhor suas necessidades e a visão que eles têm da empresa como um todo. Geralmente, as empresas bem sucedidas entendem melhor os desejos e as necessidades de seus clientes, os pontos fortes e fracos da organização e a ma- neira de se criar valor. Assim, o mercado se torna mais competitivo forçando as empresas a criarem diferentes estratégias para variados contextos, a fi m de se manter no mercado. Independentemente do tamanho da empresa, se faz necessário a criação de um planejamento estratégico, para auxiliar nas decisões que serão tomadas pe- los gestores. Para traçar um planejamento estratégico é necessário que o gestor visualize onde quer que a empresa esteja no período de médio e longo prazo, e a partir desse contexto possa traçar metas e parâmetros. O ato de planejar é um processo indispensável para a empresa, por induzir a organização à observação do ambiente, o estabelecimento de metas e diretrizes no presente para que possa ter subsídios para defi nição do futuro (CHIAVENATO , 2011). Para criarem estratégias mais elaboradas e com maior chance de sucesso, os gestores precisam analisar bem o ambiente interno (os pontos fortes e fracos) da empresa e o ambiente externo (ameaças e oportunidades), onde ela se encon- tra inserida, uma das ferramentas que possibilita o gestor a fazer esta análise de uma forma completa é a matriz de análise SWOT, cuja sigla traz as iniciais das seguintes palavras em inglês: Strength, Weaknesses, Opportunities, Threats, que signifi ca forças, fraquezas, oportunidades e ameaças. “A função primordial da SWOT é possibilitar a escolha de uma estratégia adequada para que se alcancem determinados objetivos a partir de uma avalia- ção crítica dos ambientes internos e externos” (SERRA.; TORRES; TORRES , 2004, s. p.). A técnica de análise SWOT ou FOFA, como é conhecida no Brasil, é uma ferramenta clássica da área de Administração, ela foi criada por Kenneth Andrews e Roland Cristensen, professores da Harvard Business School, e posteriormente aplicadas por inúmeros acadêmicos. Tem como principal fi nalidade avaliar o am- 81 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 biente interno e externo da organização para poder formular estratégias, nela po- demos identifi car as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças da organização. SWOT serve para posicionar ou verifi car a situação e a posição estratégica da empresa no ambiente em que atua. Segundo Ferrell e Hartline (2010, s. p.) : [...] análise SWOT focaliza fatores internos (forças e fraquezas) e externos (ameaças e oportunidades) – derivados da análise da situação – que proporcionam à empresa certas vantagens e desvantagens na satisfação das necessidades do mercado alvo. Essas forças, fraquezas, oportunidades e ameaças de- vem ser analisadas em relação as necessidades do mercado e A. concorrência. Essa análise ajuda a companhia a determinar o que ela faz bem e onde precisa melhorar. A matriz SWOT traça uma análise da situação atual do negócio e deve ser feita regularmente, dependendo da velocidade com que seu ambiente, seu setor e sua própria empresa mudam (DORNELAS, 2001). A análise SWOT é uma das práticas mais comuns nas empresas voltadas para o pensamento estratégico e marketing, é algo relativamente trabalhoso de produzir, contudo a prática constante pode trazer ao profi ssional uma melhor vi- são de negócios, pois possibilita que a empresa se posicione de maneira vanta- josa em relação a determinadas oportunidades do ambiente e evite ou minimi- ze ameaças, enquanto enfatiza seus pontos fortes e modera o impacto dos seus pontos fracos (KOTLER; KELLER, 2012). A análise SWOT é uma ferramenta útil para se obter uma visão geral da si- tuação estratégica de uma empresa e enfatizar o princípio básico de que a estra- tégia deve produzir um bom ajuste entre a capacidade interna da empresa (seus pontos fortes e fracos) e as circunstâncias externas (refl etidas em partes por suas ameaças e oportunidades). 82 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Figura 1 – Matriz Swot Fatores positivos Fatores negativos Fa to re s ex te rn os Fa to re s in te rn os FONTE: https://www.signifi cados.com.br/swot/. Acesso em: 8 set. 2022. • Forças – vantagens internas da empresa em relação às concor- rentes. Ex.: atendimento, qualidade de produtos, mix de produtos, serviços prestados de qualidade etc. • Fraquezas – desvantagens internas da empresa em relação às concorrentes. Ex.: custos elevados, má imagem, atendimento sem qualidade, marca fraca, preços altos etc. • Oportunidades – aspectos externos positivos que podem potenciar a vantagem competitiva da empresa. Ex.: mudanças nos gostos dos clientes, falência de empresa concorrente, novos mercados etc. • Ameaças – aspectos externos negativos que podem colocar em ris- co a vantagem competitiva da empresa. Ex.: mercado em recessão, novos competidores, perda de trabalhadores fundamentais etc. Após concluir a montagem da matriz de analise SWOT é muito comum que se cruze as informações para criar estratégias a fi m de que a empresa tenha maior chance de conseguir uma vantagem sobre os concorrentes em relação ao mercado. 83 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 Os cruzamentos são feitos da seguinte forma, pontos externos X pontos internos. • Pontos Fortes X Oportunidades – serve para potencializar as oportunidades de acordo com os pontos fortes da organização. • Pontos Fracos X Oportunidades – serve para fortalecer os pontos fracos de modo que se possa aproveitar as oportunidades. • Pontos Fortes X Ameaças – serve identifi car modos de diminuir as vulnerabilidades utilizando os pontos fortes. • Pontos Fracos X Ameaças – serve para estabelecer um plano de- fensivo para evitar que as ameaças externas sejam potencializa- das pelos pontos fracos. O resultado desta análise poderá contribuir no estabelecimento dos objetivos estratégicos, metas, medidas e iniciativas, que serão usadas nos planos de ações estratégicas que serão desdobradas em ações táticas e operacionais. 3.3 OBJETIVOS DE CURTO, MÉDIO E LONGO PRAZO O planejamento de curto prazo compreende um período de 3 a 6 meses. Como o próprio nome diz, ele é feito para se ter uma visão de curto prazo do negócio, por isso, os planos de ação e cronogramas são elaborados para que as metas sejam cumpridas e os resultados sejam alcançados de maneira mais rápida. Podemos dizer, que ele é uma fração do planejamento de longo prazo. Para desenvolvê-lo é importante envolver, se for o caso, todos os profi s- sionais de seu escritório, assim, fi cará mais fácil ter uma visão ampla do negó- cio, com opiniões certeiras sobre cada aspecto dele. Para montar um planejamento de curto prazo, uma metodologia bastante indicada é a 5W2H, que consiste em responder sete perguntas cujas respos- tas indicarão os principais pontos do seu plano . São elas: 1. What (o que vamos fazer?) 2. Who (quem vai fazer?) 3. When (quando vamos fazer?) 4. Where (onde será feito?) 5. Why (por que será feito?) 6. How (como fazer?) 7. How much (quanto vai custar?) 84 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Respondendo de maneira detalhada as 7 perguntas, você difi cilmente vai deixar de discutir algum ponto importante. Este método funciona para empre- sas de todos os portes e segmentos. O planejamento de médio prazo, geralmente estimado de 1 a 3 anos, é a ligação do que acabamos de ver com o que será visto no próximo tópico. Seu objetivo é analisar e projetar cada setor do seu negócio.E quando falamos se- tor, não quer dizer que eles precisam estar separados fi sicamente, com equi- pes diferentes, mas, sim, que cada uma precisa ser pensado e planejado de forma separada. Nada de colocar metas da produção dentro do planejamento de marketing e nem responsabilizar as vendas pelo trabalho do fi nanceiro! Na área de marketing, por exemplo, um objetivo pode ser passar a inves- tir nas redes sociais. A partir daí, vêm as perguntas para saber a viabilidade, como: Em qual rede está meu público-alvo: Facebook, Instagram ou YouTube? Buscarei um engajamento orgânico ou já devo partir para publicações patro- cinadas? Terei recursos para este tipo de investimento? Com as respostas, monta-se o plano de ação. O que é importante destacar no planejamento de médio prazo é que ele não deve ser estático, fi cando intocável ao estar pronto — aliás, nenhum pla- nejamento deve ser irretocável, nem mesmo o de curto prazo. Conforme as ações vão sendo colocadas em prática e os resultados vão aparecendo, é im- prescindível que se volte ao plano para verifi car se está tudo indo como o pla- nejado. Se não estiver, é hora de sentar e rever o que está escrito. Por fi m, chegamos ao planejamento de longo prazo. Nele deve constar o que você pensa para sua empresa daqui a 5 anos ou mais, desde o seu posicionamento no mercado até o faturamento desejado. Este é o momento no qual se pensa o negócio como um todo, sem se preocupar em estabelecer metas muito específi cas. É aqui que você defi nirá a visão, a missão e os valores de sua empresa. Portanto, coloque no papel o porquê de tê-la criado e quais são seus objetivos institucionais. Algumas perguntas podem ajudar nesta tarefa, como, por exem- plo: Para quem vou prestar serviço? Como devo realizar minhas atividades? Qual é minha responsabilidade social? As motivações e razões pelas quais seu negócio existe também devem ser lembradas aqui. No planejamento de longo prazo, você também pode usar um método bem tradicional de análise das informações, a análise SWOT, da sigla em in- glês strengths, weaknesses, opportunities e threats, que em português signifi ca 85 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, respectivamente. Este método é largamente usado em médias e grandes empresas, ajudando, principalmente, na análise de concorrentes. Contudo, não é preciso ter um grande negócio para colocá-lo em prática. Fonte: https://www.treasy.com.br/blog/planejamento-de-curto-medio-e-longo-prazo/. Acesso em: 8 out. 2022. 3.4 ADVOGADO 4.0 Diante da globalização, o progresso tecnológico afeta diretamente o proces- so de produção de bens e prestação de serviços aos consumidores, alterando os hábitos, formas de pensar, comportamentos e vida. Nesse cenário, nos deparamos com a possibilidade de desenvolver novas tec- nologias, cada vez mais ágeis e complexas, o que conduz à próxima etapa do de- senvolvimento humano, a era da conexão e do inter-relacionamento. A escala e o alcance da atual revolução tecnológica exigirão mudanças econômicas, sociais e culturais signifi cativas, que são praticamente imprevisíveis (RODRIGUES, 2020). Notoriamente, o mundo se transformou desde a “revolução tecnológica” dos últimos anos, o que, consequentemente, causa grande impacto em todas as áre- as de atuação. A modernização, a consciência dos consumidores, a competição acirrada diante do avanço tecnológico e tantos outros fatores afetaram diretamen- te o modus operandi dos gestores, dos investidores e dos profi ssionais em todas as áreas de atividade humana (MÁXIMO, 2021). Os escritórios advocatícios e departamentos jurídicos não puderam fugir diante do determinismo da presença das inovações tecnológicas, algumas sendo impostas, até mesmo, pela própria Lei, imperando soberanas sobre as estruturas organizacionais e nelas todos os afazeres dos operadores do Direito. A advocacia 4.0 é o modo de praticar a inclusão de métodos digitais den- tro de todas as áreas do escritório. Dessa forma, é possível obter a redução de gastos e, até mesmo, desenvolver uma relação mais humanizada com o cliente através da tecnologia (MORENO, 2021). Nesse contexto, nota-se essencial importância de estudar os benefícios tra- zidos com a revolução 4.0 da Advocacia, em especial as regras de Controladoria Jurídica adotadas para melhor desempenho dos profi ssionais técnicos com intuito 86 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo de minimizar os impactos causados pela globalização, aprimorar as técnicas de gestão de escritórios advocatícios e departamentos jurídicos priorizando sempre a rentabilidade e segurança da atividade. Atualmente, a prestação dos serviços jurídicos conta com inúmeros recursos em tecnologia que automatizam rotinas com a maior agilidade possível. Atividades como controle de processos e a redação de documentos jurídicos contavam, anti- gamente, com um procedimento bastante pessoal, onde, muitas vezes, o pro- fi ssional centralizava o serviço. Este modelo fi cou conhecido como advocacia 1.0. Apesar de o trabalho executado ter organização e excelência, geralmente era bastante caro, lento e restrito, pois o mercado era bem reduzido e o trabalho era feito praticamente de forma manual, concentrando-se totalmente na fi gura do advogado e fazendo com que as ações fi cassem limitadas (MAIA, 2021). Com o surgimento da advocacia 2.0, houve o desenvolvimento em todo um contexto estrutural com base em escritórios. Em outras palavras, a atuação foi crescendo em nível nacional e as vertentes do negócio tiveram uma expansão en- volvendo várias atividades. Os escritórios, além dos profi ssionais de advocacia, passaram a utilizar secretárias, estagiários, dentre outros tipos de trabalhadores, formando, assim, toda uma estrutura empresarial. Tal modelo se estendeu, principalmente dos anos 1960 até o ano 2000 e envolveu grandes demandas de massa e aumento da quantidade de serviços jurí- dicos, em virtude da volta da democracia, do neoliberalismo, das privatizações, da expansão territorial das grandes empresas e da relevante utilização da tecnologia no dia a dia dos escritórios. Houve aumento considerável na quantidade dos serviços, pois, no Brasil, acontecia uma reestruturação democrática com a reformulação da Constituição de 1988 e a criação dos utilizados especiais. Iniciou-se, então, o uso dos com- putadores, dos editores de texto e das planilhas eletrônicas, o que facilitou a exe- cução dos serviços e propiciou a redução do tempo de atendimento ao cliente. Nesta transição, ainda, a tecnologia continha suas limitações, porém havia a prati- cidade ao automatizar as atividades desempenhadas. Nos anos 2000, a globalização levou à advocacia 3.0, que encurtou ainda mais as distâncias entre os países, permitindo o acesso de forma fácil à maioria das regiões do planeta. Nesse cenário, os indivíduos podem competir e colaborar, independentemente, das distâncias geográfi cas, visto que facilmente, podem es- tar presentes em todos os lugares onde haja internet. 87 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 Uma das mudanças mais importantes adotadas pela advocacia 3.0 foi a im- plantação de um modelo voltado para a gestão. As atividades que antes eram cen- tradas passaram, neste momento, a serem integradas aos departamentos e fun- cionários, e os escritórios apostavam em um sistema com menos camadas, mais colaborativo e voltado à experiência do cliente (RODRIGUES; NOLASCO, 2020). Esse modelo se desenvolveu com foco em pessoas integradas à tecnolo- gia. Nele, utilizam softwares jurídicos, gerenciamento de documentos, gestão de processos, organização fi nanceira e uma variedade de sistemas modernos. A atuação antes continha empecilhos territoriais, e, nesse modelo, não há mais limitações, haja vista o uso da internet. Uma consequência disso foi que o mer- cado se tornou altamente competitivo.Outra vantagem foi quanto à valorização dos talentos e das habilidades em atendimento, gerência, estatística e liderança. A advocacia 3.0 contém a automação de rotinas e um maior cuidado na experi- ência do cliente, o que foi possibilitado pela utilização de softwares que suprem necessidades básicas, como, por exemplo, os retornos periódicos aos clientes (KOPP JUNIOR , 2020). Por fi m, houve a evolução para a advocacia 4.0, na qual, de fato, há uma utilização considerável de conceitos como big data, robôs, inteligência artifi cial e computação na nuvem. Na dinâmica da sociedade contemporânea, se espe- ra do advogado um espírito empreendedor e uma visão crítica como aproveita- mento, não apenas das oportunidades da advocacia tradicional, mas também de seu pensamento crítico. Ele também deve se integrar totalmente às mudanças do mercado e do seu ramo profi ssional a partir de diversas perspectivas. Portanto, o profi ssional de advocacia deve usar a tecnologia a seu favor. Logo, ele precisa se preparar para um mercado cada vez mais competitivo. Atu- almente, muitas empresas de softwares desenvolvem sistemas para atuar em parceria com estes profi ssionais e/ou escritórios com o propósito de facilitar o tra- balho, e isso, além de dar uma visão geral empreendedora, organizacional e es- tratégica, torna o profi ssional diferenciado. Este destaque permite ao advogado uma atuação mais gerencial e com foco nos negócios e resultados. No cenário jurídico, conclui que a tecnologia também contribui com a redu- ção da burocracia e torna o acesso mais rápido e simples. Para os clientes, ela enfatiza relações fl uidas e instantâneas. O advogado deve possuir um olhar diferenciado e a compreensão de como a tecnologia impacta a advocacia. Otimizar a gestão mediante estes recursos, que são os softwares jurídicos, muitas vezes, atende diretamente os clientes com refe- rência à qualidade, agilidade e efi cácia. Um pacote de três elementos, que são a gestão, a tecnologia e a inovação, possui um grande potencial na transformação do modelo estratégico de uma organização advocatícia. 88 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo A advocacia 4.0 , traz em seu bojo, alguns benefícios para os profi s- sionais jurídicos, na organização interna do escritório, no relacionamento com o cliente e no conteúdo ou tipo de serviço prestado, ofertado de acordo com a demanda do mercado, disponibilizar aos seus clientes um serviço de catalogação de dados E Cloud, armazenamento e gestão de documentos, e um serviço implementado por software capaz de redigir contratos inseridos, numa más- cara interativa para se adaptar a diferentes situações com o modelo padrão de licenciatura, acompanhamento dos planos, dos projetos e das metas do em- preendimento, fornecendo dados para o planejamento fi nanceiro dos resultados da produção jurídica, fundamental para o alcance das metas do planejamen- to estratégico. Os desafi os encontrados para a implantação da advocacia 4.0 é o reconheci- mento dos profi ssionais da importância de implementarem modernizações admi- nistrativas condizentes devolução das exigências do meio empresarial, a automa- ção do escritório, sendo necessário empreendimento fi nanceiros para adoção de software para controle de processos de clientes e capacitação profi ssional. 4 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Com o processo da Quarta Revolução Industrial, o mundo como é conheci- do atualmente, está passando por uma enorme transformação ocasionada pela inserção de novas tecnologias na sociedade. Nesse cenário, têm deparado com possibilidades até então não experimentadas. Novas formas de consumo, extin- ção e surgimento de novos empregos, além de profundas mudanças sociais fa- zem parte do que está surgindo. Diante desse cenário, o Direito e a advocacia já estão acompanhando essas mudanças. E a tecnologia, já desponta como uma possibilidade para melhorar a produtividade, favorecer a criatividade e gerar efi ciência, elementos que são im- portantes para possibilitar o crescimento profi ssional do advogado. Além disso, constatou-se, que as novas tecnologias podem contribuir para acelerar tarefas que até então consumiam várias horas do trabalho do advogado, além da criação de novos canais de comunicação com os clientes. Percebemos que vem ganhando força, ultimamente, nos debates sobre a in- fl uência das tecnologias na atividade do profi ssional jurídico, o surgimento de uma nova advocacia, chamada de advocacia 4.0. 89 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 O advogado 4.0 é caracterizado como um profi ssional jurídico que tem a tec- nologia como sua aliada, adaptando-a ao seu exercício profi ssional. Esse tipo de advocacia busca incorporar as novas ferramentas tecnológicas as suas tarefas cotidianas com o objetivo de aperfeiçoar a sua atuação e evitar o desperdício de tempo com atividades repetitivas e improdutivas. A nova era da advocacia 4.0, exige do advogado, além de uma nova postura, uma transformação na sua forma de pensar a sociedade e a tecnologia. A tec- nologia no direito e, consequentemente, na advocacia, apresenta-se como uma realidade sem volta. E, por mais medo que possa oferecer, o advogado continuará sendo a principal inteligência e a mais importante peça da advocacia. Nesse sentido, para se enquadrar a esta nova realidade, além de estarem sempre em constante atualização e adaptação as novas tecnologias, os advoga- dos, precisam explorar todas as potencialidades que a internet lhe oferece, facili- tando, com isso, o seu trabalho jurídico. Um exemplo disso é a criação de novas formas de captação de clientes, no sentido de atender a um novo público que faz uso dos recursos tecnológicos para se comunicar. Por fi m, e não menos importante, é necessário que os advogados possam desenvolver habilidades de inteligência emocional, trabalhando sempre com ca- racterísticas intrínsecas que os ajudem a enxergar e a reagir diante de determina- das situações complexas que ultrapassem a advocacia. A revolução tecnológica traz enormes benefícios, mas não deve deixar os advogados prisioneiros de suas mudanças constantes. O cerne da advocacia sempre será realizado pelo ser hu- mano e nenhuma tecnologia poderá substituir isso. 90 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo 1 Carla, advogada, resolve divulgar seus trabalhos contratando empre- sa de propaganda e marketing. Esta lhe apresenta um plano de ação, que inclui a contratação de jovens, homens e mulheres, para a distri- buição de prospectos de propaganda do escritório, coloridos, indican- do as especialidades de atuação. Com relação a tal projeto, consoan- te as normas aplicáveis aos advogados, é correto afi rmar que: a) ( ) A moderna advocacia assume características empresa- riais e permite publicidade como a apresentada. b) ( ) Atividades moderadas como as sugeridas são admissíveis. c) ( ) Desde que autorizada pela OAB, a propaganda pode ser realizada. d) ( ) Existem restrições éticas à propaganda da advocacia, como, por exemplo, não pode confi gurar captação de clientela ou mercantilização da profi ssão. 2 Em que consiste o trabalho do Planejamento Estratégico na empresa? a) ( ) Organizar as compras e vendas de produtos da empresa. b) ( ) Em um processo que consiste na análise sistemática da em- presa, de todo seu ambiente organizacional, identifi cando ame- aças e oportunidades e que, a partir disso, estabelece metas e uma direção à organização, aproveitando oportunidades e evi- tando riscos. c) ( ) Uma meta que muda totalmente a estrutura da organização e seu campo de atuação. d) ( ) Atividade que implementa novas políticas na organização e in- centiva seus vendedores unicamente à alta produtividade. e) ( ) Meta da empresa que consiste somente na análise dos riscos do ambiente organizacional. 3 Acerca de gestão da marcainstitucional, função de destaque da co- municação empresarial, julgue o item que se segue. Branding, termo utilizado em comunicação para expressar o trabalho de construção e posicionamento de marca, implica a defi nição de variáveis, como de- sign, cores, aplicabilidade, slogan e divulgação, que dão signifi cado aos diferenciais estratégicos que uma marca representa e que lhe agrega- 91 MARKETING JURÍDICO Capítulo 2 rão valor. Uma marca pode afi rmar-se por atributo, por benefício, por adequação ao perfi l do segmento a que se relaciona e, ainda, por con- tradição a um concorrente. a) ( ) Certo. b) ( ) Errado. REFERÊNCIAS ALMEIDA, M. I. R. de. Manual de planejamen- to estratégico. São Paulo: Atlas, 2001. AAKER, D. Relevância de marca. Tradução Francis- co Araújo da Costa. São Paulo: Bookman, 2011. AAKER, D. On Branding: 20 princípios que decidem o su- cesso das marcas. São Paulo: Bookman, 2014. ALVES, L. A.A. Marca: Responsável por fortalecer o nome da empresa na mente do cliente. Fundação Educacional do Mu- nicípio de Assis (FEMA). Assis, SP: Fema, 2014. 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São Paulo: Revista dos Tribunais, 2019. v. 1.848 p. 96 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo CAPÍTULO 3 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: Elencar os objetivos conforme defi nimos no plano de desenvolvimento. Investir em pesquisa e desenvolvimento. Construir forte infraestrutura interna de inovação. Usar tecnologia para aperfeiçoar produtos, processos e serviços. Ouvir os clientes para saber o que o mercado deseja. 98 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo 99 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 1 CONTEXTUALIZAÇÃO O Mindset de crescimento é uma atitude voltada para o desenvolvimento contínuo, que pode ser potencializada em indivíduos buscando um maior desem- penho, engajamento e qualidade de vida. O conceito vem sendo aplicado rela- cionado a variáveis que remetem à academia, como desempenho acadêmico e criatividade, mas é necessário relacioná-lo a variáveis organizacionais. Nesse sentido, empreender é um ato que vem gerando pesquisas e discus- sões no meio acadêmico e gerencial, consolidando-se como campo teórico nas ciências gerenciais entre 2000 e 2010 (DORNELAS, 2012). Segundo a base de dados Web of Science, na última década, a quantidade de artigos publicados que estavam relacionados ao tema empreendedorismo aumentou em mais de 500%, passando de 621 artigos, publicados em 2007, para 3.784, publicados em 2017 (DORNELAS, 2012). O empreendedorismo é um dos impulsionadores da economia brasileira, sen- do que, conforme o Serviço Brasileiro de Apoio aos Micro e Pequenos Empreen- dimentos , as micro e pequenas empresas (MPE) representam 27% do PIB brasi- leiro e são responáveis por 52% dos empregos com carteira assinada (SEBRAE, 2022). Portanto, percebe-se a importância em incentivar e promover o aumento da atividade empreendedora e um escritório de advocacia como já falamos não deixa de ser uma atividade empreendedora, pelas diversas camadas que existem para criar e manter este negócio. Paradoxalmente, em pesquisa realizada, foi verifi cado que o Brasil possui muitas difi culdades que inibem o empreendedor a abrir o próprio negócio, como o excesso de impostos e de burocracia, grande quantidade de recursos neces- sários para sustentar os custos e despesas do empreendimento e as elevadas taxas de juros. Além destes fatores, foi possível identifi car alguns pressupostos a respeito das possíveis causas dos jovens não empreenderem ou postergarem o ato (ESLABÃO, 2016). Dentre os pressupostos, destacam-se: (i) a disponibilidade fi nanceira, (ii) risco do insucesso, (iii) falta de experiência, (iv) falta de apoio fami- liar e/ou governo, (v) difi culdade em conciliar a vida profi ssional com a pessoal, (vi) excesso de difi culdade em se criar um diferencial das empresas já atuantes no mercado, (vii) o custo de oportunidade, (viii) excesso de burocracia e impostos (SEBRAE, 2022). Além das Difi culdades para se empreender, é possível verifi car altos índi- ces de mortalidade precoce de novos empreendimentos, como demonstra uma pesquisa realizada pelo SEBRAE, na qual foi apontado que os principais motivos 100 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo para a falência de uma empresa foram: a falta de capital, falta de clientes, proble- mas no planejamento/administração, problemas pessoais ou com sócios, buro- cracia e/ou impostos, forte concorrência, perda do único cliente e a questão de o empreendedor ter descoberto outra atividade (SEBRAE, 2022). Um fato marcante é que a falta de preparo do gestor como possível causa da mortalidade precoce de empreendimentos. Dessa forma, percebe-se o quanto a educação empreendedora é importante, pois, por meio dela, é possível desen- volver habilidades, conhecimentos e atitudes nos indivíduos, no intuito de torná- -los grandes empreendedores (BAGGI; BAGGIO, 2015). Seguindo a teoria da educação empreendedora, um indivíduo com uma ati- tude voltada para o crescimento, possuidor de um Mindset de crescimento, pode ter facilidade na busca por contínuos desafi os e é direcionado para objetivos de aprendizado e desenvolvimento cognitivo, abrindo-se para novos conhecimentos acerca do quanto maximizar seu Potencial Empreendedor. Indivíduos que pos- suem o Mindset fi xo têm objetivos direcionados ao seu próprio desempenho e sentem a necessidade de mostrarem suas competências e habilidades para seus colegas, como forma de autoafi rmação, o que gera, a longo prazo, um afasta- mento das tarefas desafi adoras e de mudanças que penetrem em sua zona de conforto. Já indivíduos com o Mindset de crescimento se desenvolvem por meio do aprendizado, assumem riscos, enfrentam os obstáculos e as limitações, sem- pre em busca de uma oportunidade de superação e aprendizado. Indivíduos com o Mindset de crescimento acreditam que as habilidades podem ser desenvolvidas por meio de esforço, orientação e boas estratégias (DWECK, 2017). Quando um indivíduo possui um Mindset de crescimento e, por isso, direcio- na seus objetivos na busca por novos conhecimentos, ele está apto a desenvolver seu Potencial Empreendedor, pois acredita que, por meio de seu esforço, conse- guirá ser bem sucedido na tarefa empreendedora, não temendo desafi os e riscos calculados, persistindo e perseverando frente a obstáculos (GONÇALVES FILHO; VEIT; MONTEIRO, 2013). Sendo assim, a pesquisa se norteia pela seguinte pergunta de pesquisa: “Qual a relação entre as Difi culdades para se empreender, Mindset de cresci- mento e Potencial Empreendedor?”. A amostra da pesquisa, constituída por es- tudantes em Administração, se justifi ca pelo fato de o curso ter como prerrogati- va, formar empreendedores e preparar empregados para buscarem trabalho em grandes empresas, especializando-os em ferramentas gerenciais (LOPES, 2010). Assim, o empreendedor propenso a abrir o próprio negócio deve adquirir o conhe- cimento, habilidades e atitudes que são necessárias para gerenciar uma empresa e evitar sua falência. 101 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 2 JORNADA DO ADVOGADO EMPREENDEDOR “A criatividade é pensar coisas novas. A ino- vação é fazer coisas novas.” Theodore Levitt 2.1 MINDSET Uma pesquisa realizada em um grupo de grandes empresas, integrantes da lista de empresas Fortune 500 (https://fortune.com/fortune500/) e Fortune 1000 (https://fortune.com/rankings/) analisou o impacto do mindset na cultura como um todo das organizações. A confi ança dos funcionários, sentimento de empodera- mento para com as atividades exercidas, comprometimento e nível de colabora- ção, inovação e comportamento ético são características variáveis de acordo com a adoção do mindset fi xo ou de crescimento. Como resultado, foi observado que pessoas que trabalham em organizações com mindset de crescimento expressa- ram mais concordância e comprometimento para com a empresa. Em contraste, aqueles que trabalham em culturas com mindset fi xo expressaram grande tendên- cia de mudar de emprego. A atual grande preocupação das empresas que caminham pela transforma- ção digital é determinar qual mindset estimula a rapidez e inovação. Nesse sentin- do, entende-se que talvez a crença no talento fi xo motive a inovação, porém, os funcionários entrevistados das empresas com mindset de crescimento descrevem que sua organização estimula à exposição a riscos, inovações e criatividade. Já as empresas com mindset fi xo estão menos propensas a apoiar os funcionários quanto a essas características e tendem a premiar talentos natos, a ponto de to- dos buscarem um lugar de destaque, gerando signifi cativa difi culdade para traba- lhos em equipe. Para as organizações, a principal chave para ter sucesso na era digital e no futuro dos negócios é criar um novo modelo de pensamento que funcione como linha guia para garantir a total imersão da organizaçãono modelo tecnológico de negócio (TD SCORE [20...]. Com as mudanças trazidas pela transformação digi- tal, o termo mindset digital está sendo adotado e ganhando espaço nas empresas. A rotina deve estimular sua criatividade e práticas que deixem a percepção de ações inovadoras mais fáceis. Além disso, ao ter uma visão de futuro alinha- da com as mudanças tecnológicas, reduz-se a insegurança coletiva naturalmen- 102 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo te criada pela incerteza do momento. Esse novo mindset deve ser a ponte para transpor as difi culdades de adaptação para o modelo digital, simbolizando a fi xa- ção da cultura da inovação e reformulação de seu modelo de negócio. Os colabo- radores são o ponto culminante desse mindset e devem tomar plena consciência da importância da transformação digital na organização. Para isso, são utilizados métodos de gestão da mudança para implementação da transformação digital através do mindset digital. O Mindset é uma atitude direcionada a determinado tipo de objetivo, sendo este de aprendizado/desenvolvimento ou de desempenho (DWECK, 2017). Quan- do um indivíduo possui um direcionamento a objetivos de aprendizado (Mindset de crescimento), este irá se empenhar em aprender coisas novas, irá procurar sempre se desenvolver, em qualquer setor da sua vida, seja pessoal ou profi s- sional, haja vista que acreditará que suas habilidades são maleáveis, não se con- formando com seu status-quo. Isso não acontece quando o indivíduo tem uma propensão a objetivos de desempenho (Mindset fi xo), que caracteriza aquele que acredita que suas habilidades já são pré-defi nidas, determinadas pela genética, limitadas, e, por isso, empenha-se em mostrar que é bom naquilo que já faz, tor- nando-se competitivo, visto a sua necessidade de mostrar que seu status-quo é algo de que deve se orgulhar e em que deve se agarrar com afi nco, mesmo que signifi que bloquear toda a oportunidade de desenvolvimento e mudança que ve- nha a enfrentar (DWECK, 2017). Possuir um Mindset fi xo não signifi ca que o indivíduo não será bem sucedido no que se propõe a fazer, afi nal, uma pessoa que entende e trabalha com progra- mação não necessariamente precisa estar direcionado ao aprendizado contínuo para ser bem sucedido (SCOTT; GHINEA, 2014). No entanto, se este alguém atua em um ambiente competitivo, inovador, sujeito a mudanças estratégicas, buscan- do indivíduos com ambição e ansiosos por se desenvolver, o Mindset fi xo pode representar um desestímulo tanto para o indivíduo que o possui quando para a organização de que faz parte (BOWER; KONWERSKI, 2017). Tudo muda, exceto a própria mudança (Heráclito fi lósofo grego) Mudanças contínuas, fundamentais e inexoráveis. Em uma empresa, ou em um escritório de Advocacia vê-se mudanças por todo lado: seja no ambiente ex- terno – com suas turbulências conjunturais, as quais não é possível impedir, seja no ambiente interno, com as difi culdades em alinhar vontades, ambições e ideais pessoais que ali trabalham. Nesse mundo dinâmico, a única forma de sobrevivên- 103 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 cia é a adaptação às mudanças. A causa básica de quase todas as crises não é o fato de as coisas estarem mal feitas, nem erradas. Na maioria dos casos, estão sendo feitas coisas certas, mas inutilmente. Logo, deve-se partir para reinvenção e gerência de suas mudanças. 2.2 INOVAÇÃO O mercado consumidor de serviços jurídicos no Brasil está sendo gradati- vamente desconstruído, pois a lentidão, linguagem hermética, vaidade excessiva e atraso tecnológico devem banidos das práticas jurídicas, para melhor atender seus consumidores. O cliente mudou sua forma de agir, pensar e cobrar. A tecnologia acele- rou a disponibilidade imediata de um volume incalculável de informações. Esses fatos, somados a outros tantos estão obrigando os advogados a uma revisão plena de suas atividades cotidianas, de suas estratégias institucionais, de sua postura profi ssional. Não se trata de reinventar o saber jurídico, nem a retórica, o que está mu- dando é a advocacia e não o Direito. A forma pela qual o advogado administra seu escritório (seu negócio) e sua vida profi ssional, que está passando por profundas transformações, não a prática jurídica. Mas, como inovar em meio a esse cenário? “Inovação” tem origem nas palavras latinas in e novare, sendo o signifi cado “fazer algo novo, mudar”. Desde os primórdios da existência, nossos ancestrais não pararam de inovar, e por isso não vivemos mais nas cavernas, por exemplo. O planejamento da gestão da inovação envolve três questões-chave. Em pri- meiro lugar por que é preciso inovar? A mudança sempre envolve riscos e as re- compensas nem sempre são óbvias. Em segundo, o que podemos mudar? Enten- da as opções antes de decidir onde concentrar seus esforços. Finalmente, como é possível fazer isso acontecer? 104 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Figura 1 – fórmula da inovação Fonte: o autor Se você não mudar o que cria e oferece ao mercado (serviços), corre o risco de fi car atrás de escritórios que já fazem isso. Para crescer, também não existe outro caminho a não ser a oferta de produtos e serviços novos. A ideia da sobrevivência pode ser óbvia em um ambiente competitivo, mas vale também para a advocacia. Inovar é essencial para sobreviver e, também, para gerar lucro. Há muitas maneiras pelas quais a inovação pode melhorar o rendimento de uma empresa e criar defesas contra a concorrência, desde o aperfeiçoamento dos processos existentes e a criação de algo difícil de ser imitado pelos concorrentes até a inau- guração de um mercado totalmente novo. Quem gerencia um processo de inovação precisa entender as várias formas de mudança. Nesse processo, não existe uma regra que valha para todos e é essencial adaptar sua abordagem. Uma maneira possível é avaliar o tamanho da “novidade” que se deseja adotar e decidir se é o caso de dar pequenos passos ou apostar em saltos radicais. Os resultados da inovação podem ser espetaculares, no entanto, muitas ino- vações não acontecem a partir de grandes mudanças, mas sim da soma de pe- quenos aperfeiçoamentos. A inovação incremental envolve passos modestos e a melhoria gradual dos produtos, serviços e processos, a fi m de obter mais qualida- de e custos menores. Pode não ser fascinante e tão perceptível, mas de longe o tipo mais comum. Inovar é sobretudo aperfeiçoar os processos de trabalho, como a correção de falhas no sistema, aumento de efi ciência, qualidade, segurança e redução de custos, está última em geral é uma consequência da melhoria incremental. 105 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 A organização jurídica moderna precisa ser organizada para a inovação, e esta, como disse o grande economista austro-americano, Joseph Schumpeter (SCHUMPETER, 1982, s. p.), é a “destruição criativa”. E ela precisa estar organi- zada para o abandono sistemático de tudo aquilo que é estabelecido, costumeiro, conhecido e confortável. O escritório de Advocacia precisa ser organizado para mudanças constantes e não deve ter medo das novas ideias. Inovar é preciso. 2.3 A NOVA REALIDADE DO MERCADO DE TRABALHO E DO EMPREENDEDORISMO Disruptivo, segundo Dicionário Aurélio (FERREIRA, 2010); “adjetivo. Que provoca ou pode causar disrupção; que acaba por interromper o seguimento nor- mal de um processo; interruptivo, suspensivo. Que tem capacidade para romper ou alterar; que rompe. A disruptura vem com total força para interromper, mudar padrões existentes que não mais se adequam à sociedade atual e futura, propondo soluções dife- rentes e inovadoras, trazendo para o mercado o surgimento de novos produtos e serviços e causando ruptura dos padrões preexistentes, tanto no presente quanto no futuro não tão distante. A velocidade na qual essa disruptura ocorre está cada vez maior em quase todoo mundo, pois com o passar dos dias, surgem novas tecnologias revolucionárias. As novidades da tecnologia disruptiva estão sendo e serão aplicadas nos se- tores dos mais variados segmentos de negócio. Os profi ssionais da área jurídica, acostumados a um ambiente de pouca e tradicional inovação, devem se dedicar muito mais para desenvolver diferentes estratégias, como o uso dos robôs, inteli- gências artifi ciais e soluções tecnológicas para realizar a execução de processos básicos e automáticos. Estão retirando dos mercados profi ssionais que só sa- biam lidar com a parte operacional, ou seja, aqueles que não conseguem e não possuem conhecimento estratégico para aliarem-se às tecnologias. Com a chegada em massa de novos produtos, dispositivos e sistemas tecno- lógicos, muitos empregos hoje ainda existentes, amanhã serão extintos, forçando e exigindo dos atuais ocupantes dos cargos, no qual se encontram, a aprender e se adaptar a novas funções, com poucas chances de retorno. Pense em uma fun- ção, por exemplo, de um advogado, o qual está sendo, ao menos em parte, engo- lido por aplicativos e dispositivos automáticos. E é nesse ponto que empreender entra para fazer o diferencial na vida, não só de profi ssionais da seara jurídica, como de qualquer outra. 106 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo O empreendedorismo está se tornando uma saída, ou melhor, dizendo uma alternativa. Os avanços tecnológicos abrem também oportunidades para o surgi- mento de novas ideias, transformando os perfi s de pessoas em empreendedores, passando a exercer um papel fundamental na sociedade. Tornam- se propulsores da economia, pois passam a criar mercados diferentes, adaptando- se às trans- formações tecnológicas, passando a gerar mais empregos. A inovação se tornou cada dia mais comum, visto que, sair do estado sólido e buscar liquidez é a semente do empreendedor, que deve se portar como fl uídos, “os fl uidos não se atêm muito a qualquer forma e estão constantemente prontos (e pro- pensos) a mudá-la” (BAUMANN, 2001). Independentemente de cada segmento de negócio, seja ele vinculado à produção de bens, ou circulação de serviços ino- vadores, o indivíduo é considerado empreendedor por conseguir romper ou causar uma disrupção na ordem econômica existente, dando, assim, um caráter inovador, implantando novas ideias, novos modelos de negócios e formas de organização. A aceleração das mudanças em todos os campos da vida cotidiana e da vida profi ssional cujos efeitos serão sentidos num futuro muito próximo, por pessoas e profi ssionais, obrigando todos a uma profunda e radical adaptação a essa nova realidade. Todas (pessoas e empresas) estarão inseridas nesse contexto, e escri- tório de advocacia – reforçando novamente – não é a exceção! A nossa economia atual já está obrigando todos os líderes ou gestores a re- pensarem totalmente seus negócios para se adaptarem a uma situação que deve durar alguns anos! As adaptações mais comuns e imediatas passam por cortes de custos de pessoal, otimização de espaços, busca de efi ciência produtiva e inten- sifi cação de esforços de venda (não obrigatoriamente nessa ordem, e não é palco desta discussão no momento). Vamos, agora, praticar um pouco de projeção futura nos baseando nas fortes tendências já existentes na nossa realidade atual: 2.3.1 Comunicação esférica O termo expressa muito bem a nossa realidade atual de nos comunicarmos com o mundo, de buscar informações. As ferramentas atuais existentes na inter- net nos permitem conectar com tudo e com todos numa fração de segundo (e ao mesmo tempo), e já nos acostumamos a isso. E o mais incrível é que não conse- guimos mais imaginar como viver sem elas! Essa tendência obrigará os presta- dores de serviços a criarem novas formas de exposição e, principalmente, novas formas de vendas e de prestação de serviços. 107 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 2.3.2 Desvinculação da instalação física e dos sinais externos de poder Cada vez mais a estética, a organização, o conteúdo (com o detalhamento de suas realizações) e a facilidade de navegação no site de uma empresa estão se tornando mais importantes para nós do que o endereço físico ou a aparência de suas instalações. Isto está vagarosamente nos descondicionando da observação e da avaliação subliminar que fazemos sobre a saúde fi nanceira e “musculatura”, ao observar as instalações físicas de um fornecedor que estamos contratando. Essa tendência é particularmente impactante para os escritórios que ainda estão muito presos à demonstração de sua pujança baseada na imponência de suas instalações. É importante lembrar que as empresas contratantes querem bons serviços advocatícios e não luxo nas instalações! 2.3.3 Flexibilização do trabalho Isso não é nenhuma novidade para vários ramos de atividade, mas é uma quebra importante de paradigma no mundo jurídico que, por conta das conside- rações do item anterior, da preocupação (quase doentia) com sigilo das informa- ções, da necessidade de consulta de milhares de documentos físicos (livros, pas- tas processuais, arquivos etc.), e, por último, da necessidade de contato pessoal com seus clientes, ainda reluta em adotar. As tendências tecnológicas seguintes desmistifi cam essa pseudoimposição do trabalho fi xo a um espaço único. 2.3.4 Sistemas em nuvem e documentação totalmente digital Essa tendência, que já está em andamento, permite que as empresas se desvinculem das necessidades físicas (backups, redundâncias, ar-condiciona- do especial, vigilância, segurança), de staff especializado (cada vez mais difícil e custoso) e de grandes volumes de investimentos para terem uma plataforma robusta e atual para seus sistemas. Atualmente, no modelo tradicional, em vários casos, a estrutura física de TI da empresa é por si só uma âncora que impede ou difi culta muito uma alteração de endereço. Com essa desvinculação física, os escritórios poderão se concentrar mais no seu core business e ter apoio de profi ssionais mais especializados na manu- tenção de seus equipamentos, no desenvolvimento de seus sistemas e na se- 108 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo gurança física e digital de suas informações. Poderão, também, ocupar espaços menores, sem necessidade de espaços (internos ou externos) para arquivamen- to físico de toneladas de papel. Falando especifi camente sobre o item segurança, a estrutura oferecida pelos atuais data centers e provedores de serviços na nuvem é infi nitamente maior do que a falsa segurança existente nas salas, gavetas dos escritórios e seus servido- res internos. 2.3.5 Big Data, Knowledge Management e Produtividade A extração efi caz de informações relevantes para o negócio nas grandes ba- ses de dados (internas e externas) com sistemas inteligentes de busca (search engines) representará no futuro bem próximo a diferença entre estar ou não estar no mercado. A gestão do conhecimento com a utilização efi caz e pragmática de suas in- formações (documental, cadastral, fi nanceira) possibilita um aumento brutal na produtividade, gestão operacional e estratégica e é a chave do presente-futuro, principalmente para as empresas que vendem serviços intelectuais. Inserindo todas essas considerações no universo das empresas prestadoras de serviços advocatícios, podemos ter uma ideia do gap que ainda as separa das tendências (que, novamente repito, são reais e não fi cção científi ca). Além de se adaptarem às imposições citadas anteriormente, terão que se transformar radical- mente para sobreviver nesse admirável mundo novo. Para um futuro próximo: escritórios totalmente integrados à vida digital (com tecnologia de ponta e sistemas 100% interativos com seus clientes); menores que os atuais “big-law”; com menos clientes e melhor atendimento; com estruturas físi- cas espartanas (locais menos nobres que os atuais) e salas de telepresença; com espaços deuso partilhado; e muito mais efi cientes do que os atuais! 2.4 NOVO PERFIL DO ADVOGADO É inegável que todos nós, pessoas, profi ssionais e empresas, estamos tendo que nos adaptar ao volume enorme de informações que nos bombardeia diaria- mente e, principalmente, à aceleração do ritmo de todas as mudanças que nossa sociedade está enfrentando. 109 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 O crescimento exponencial das informações no meio digital, tais como deci- sões judiciais, peças processuais, contratos, opiniões, e-mails e outros, cria por si só uma difi culdade crescente na busca, na identifi cação correta e na análise das informações relevantes para as necessidades de um advogado e, por outro lado, a capacidade de análise das informações, a síntese das ideias e dos argumentos e a elaboração dos documentos jurídicos ainda dependem de pessoas e de suas limitações humanas. Outros dois fatores importantes também pressionam cada vez mais a profi s- são da advocacia: o primeiro é a pressão exercida por parte dos clientes para que suas soluções sejam cada vez mais rápidas e obviamente corretas, e o segundo é a pressão exercida pela concorrência, forçando os profi ssionais a gerirem melhor seus custos e oferecerem preços mais competitivos sempre mantendo a qualidade. Como se tudo isso não bastasse, ainda existe a pressão exercida pela própria mudança no comportamento da sociedade, cada vez mais conectada com tudo e todos ao mesmo tempo, gerando mais e mais a sensação de urgência e expectativa por resultados imediatos por todos aqueles que compõem essa nova sociedade. Por conta de todas essas pressões e também das limitações humanas, a pro- fi ssão de advocacia precisou encontrar um aliado para poder enfrentar todos esses desafi os e evoluir, e isso se chama tecnologia! Apesar de não parecer (aos olhos de um “não advogado”), a profi ssão da advocacia é uma das que mais necessita e depende da tecnologia para uma prestação de serviços efi ciente e responsiva. A tecnologia é encarada pelo advogado (e não poderia ser de outra forma) como um meio, e não como um fi m, e deve ser utilizada como uma ferramenta poderosíssima para melhoria da efi ciência e efi cácia na profi ssão. Dessa forma, o advogado mais completo que será mais competitivo e preparado para os desafi os de sua profi ssão deverá ter: • conhecimentos mais abrangentes em matérias associadas às re- lações humanas de modo a gerenciar melhor sua equipe e seus talentos pela adoção de desafi os motivadores e utilização de “KPIs” específi cos, além de planos de carreira modernos e adap- tados às novas gerações; • melhores conhecimentos de marketing institucional e pessoal de modo a incrementar sua participação no mercado por meio das modernas técnicas de participação e projeção na mídia digital; • melhor formação em gestão empresarial para gerir econômica, fi - nanceira e estrategicamente sua empresa com auxílio de softwa- res de ERP, BI etc.; 110 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo • familiaridade e utilização das tecnologias de geração de seus docu- mentos por meio de softwares de document assembly, por exemplo; • as tecnologias necessárias e saber extrair delas o máximo pro- veito para: ◦ encontrar agilmente as informações necessárias à produção de seu documento jurídico pela ajuda de robôs de busca e/ ou softwares de inteligência cognitiva; ◦ gerenciar corretamente seu conhecimento estratégico (explícito e tácito), organizando-o e indexando-o para utilização futura; ◦ analisar estatisticamente jurisprudências e decisões anterio- res de tribunais e magistrados. Apesar de a tecnologia ser apenas uma ferramenta, todas essas atividades serão concebidas e geridas por advogados por meio de softwares e sistemas in- teligentes, o que exigirá deles uma formação muito mais eclética e tecnológica do que a formação puramente técnica a que tais profi ssionais estão sendo submeti- dos nas universidades. Cada vez mais, e ao longo da carreira, além da própria atualização especí- fi ca no Direito, os advogados serão compelidos a se tornarem profi ssionais com conhecimentos mais abrangentes, tais como: gerenciamento de equipe e pesso- as; gestão de empresas; marketing institucional e pessoal; comunicação e, princi- palmente, afi nidade com a tecnologia e com o mundo digital. 2.5 QUAL É A SUA ESTRATÉGIA? Um escritório de Advocacia deve adotar sempre uma boa estratégia para obter uma vantagem competitiva sustentável. São decisões antecipadas sobre o que fazer, quando fazer, porque fazer, com que recursos, para atingir quais alvos. Para isso, é preciso fazer escolhas sobre quais negócios participar, quais serviços oferecer e como alocar recursos para conseguir um diferencial competitivo que sustente a longo prazo. Para elaboração da estratégia, são necessárias decisões intelectuais com base em objetivo, fatos e estimativas submetidos a um processo analítico compe- tente. Não apenas tratando do planejamento de decisões futuras, mas do planeja- mento do impacto futuro de decisões de hoje. Na fi gura a seguir, são destacadas as funções administrativas que irão guiar sua estratégia mercadológica: 111 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 Figura 2 – Estratégia de mercado Fonte: o autor Estratégia é defi nida como um caminho, ou maneira, ou ação, estabelecidos e adequados para vencer os desafi os lançados e alcançar os objetivos do escritó- rio de advocacia. As fraquezas da organização, quando confrontadas com as oportunidades no ambiente externo, proporcionam condições favoráveis para o crescimento do escritório de Advocacia. Estratégias do tipo inovação, internacionalização, joint ventures e expansão são estratégias típicas de crescimento. Algumas estratégias de crescimento: • Estratégia de Inovação: o escritório está sempre procurando an- tecipar-se aos seus concorrentes com frequentes desenvolvimen- tos e lançamentos de novos serviços a seus próprios clientes e clientes potenciais. • Estratégia de internacionalização: o escritório estende suas ativi- dades para fora do país de origem. Embora o processo seja lento e geralmente arriscado, é uma estratégia que pode ser bastante interessante para os escritórios de maior porte, dependendo sem- pre das necessidades dos clientes. • Estratégia de Joint Venture: trata-se de uma estratégia usada para entrar em novo mercado, no qual dois escritórios associam- -se para oferecer seus serviços, 112 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo • Estratégia de expansão: o processo de expansão de escritórios deve ser muito bem planejado. Muitas vezes, a não-expansão na hora certa pode provocar perda de mercado. Um escritório de Advocacia pode fazer uso de estratégias combinadas e que, em seus planejamentos e decisões estratégicas, deve levar em conta uma sequ- ência lógica de acontecimentos, ou seja, o escritório pode planejar diversas ações. Assim, para chegar a um cenário bem claro em relação ao que se pretende ou que se pode fazer, o administrador do escritório precisa saber o que quer mudar, o que precisa diagnosticar no ambiente externo e interno da organização, precisa estudar a estratégia escolhida e ver as opções, precisa tomar as decisões estraté- gicas e as operacionais, precisa implementar tais decisões; e, por fi m, precisa ge- renciar a mudança, observando os prazos, os controles e os índices para que possa interferir no processo corrigindo as falhas e alterando o plano onde for necessário. Gary Hamel (2003) resumiu a “Cartilha do revolucionário” e seus dez mandamentos: 1- O planejamento estratégico não é estratégia: planejamento e formulação estratégica são coisas muito diferentes. Estratégia é descobrir e inventar. 2- Fazer estratégia requer espírito subversivo: “subversão”, em gestão signifi ca quebrar as regras estabelecidas. 3- O estrangulamento está,ocasionar – como qualquer outra espécie de sociedade –, de forma direta e ilimitada. É interessante mencionar na ocasião que, a sociedade 14 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo não possuindo patrimônio o sufi ciente para quitar suas obrigações, esta cairá em insolvência e estará ainda sujeita a processo respectivo – trata-se, portanto, do processo de execução por quantia certa contra devedor insolvente – previsto no Artigo 748 do Código de Processo Civil: “Art.748 – Dá-se a insolvência toda vez que as dívidas excederem à importância dos bens do devedor” (BRASIL, 1973) É de grande importância citar ainda que, além da responsabilidade ilimitada e direta que a sociedade de advogados está sujeita, incide sobre esta uma terceira responsabilidade, sendo ela a solidária; ou seja, a responsabilidade solidária recai sobre ela através da prática de fato de terceiros, conforme se rege o disposto no Artigo 17 do Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil: “Art. 17 – Além da sociedade, o sócio responde subsidiária e ilimitadamente pelos danos causados aos clientes por ação ou omissão no exercício da advocacia, sem preju- ízo da responsabilidade disciplinar em que possa incorrer” (BRASIL, 1994). A partir da análise do dispositivo supra mencionado, é válido concluir que a sociedade de advogados não exerce a advocacia, mas sim os advogados que nela estão inseridos. Diante daí, caso seja provocado dano ao cliente, quem res- ponderá por este será o próprio advogado, bem como será de sua responsabilida- de a reparação do dano, de acordo com o que rezam os artigos 32 do Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil, 185 e 389 do Código Civil: “Art. 32 – O advogado é responsável pelos atos que, no exer- cício profi ssional, praticar com dolo ou culpa. Parágrafo único – em caso de lide temerária, o advogado será solidariamente responsável com seu cliente, desde que coliga- do com este para lesar a parte contrária, o que será apurado em ação própria”. “Art. 185 – Aos atos jurídicos lícitos, que não sejam negócios jurídicos, aplicam-se, no que couber, as disposições do Título anterior. (cite-se: “Livro III: Dos Fatos Jurídicos – Título I: Do Negócio Jurídico”)” “Art. 389 – Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices ofi ciais regulamente estabelecidos, e honorários de ad- vogados” (BRASIL, 1994). Se abordando a questão da natureza jurídica da sociedade de advoga- dos, o doutrinador Rubens Requião tece sua manifestação acerca da questão aqui levantada: A atividade escolhida para a sociedade simples, o seu obje- to, fi rmará a sua natureza. O art. 982 do Código Civil, procu- rando traçar limites entre a sociedade simples e a sociedade empresária, estabelece que esta será a que tiver por objeto 15 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 o exercício de atividade própria do empresário sujeito a re- gistro. Este é a pessoa que exerce profi ssionalmente ativida- de econômica organizada para a produção ou circulação de bens e serviços. Serão simples as demais sociedades, que tenham por objeto atividades próprias de profi ssão intelectu- al, como as dedicadas às ciências, literatura ou artes, salvo se o exercício da profi ssão constituir elemento de empresa. [...]” (REQUIÃO, 2007, p. 424). A responsabilidade que recai sobre a sociedade de advogados só existe pelo fato do causador do dano (advogado) estar ligado a ela, na qualidade de sócio. Responde, portanto, solidariamente. Contudo, tal pensamento encontra-se corre- to a partir do momento em que houver conhecimento de que o contrato de presta- ção de serviços foi celebrado entre advogado-cliente. Caso o referido contrato foi celebrado entre sociedade-cliente, a situação será modifi cada, onde a sociedade de advogados responderá diretamente pelo dano ocasionado, com o motivo de “descumprimento de promessa de fato de terceiros”, conforme disposto no Artigo 439 e 440 do Código Civil: “Art. 439 – Aquele que tiver prometido fato de terceiro respon- derá por perdas e danos, quando este o não executar. Parágrafo único – tal responsabilidade não existirá se o terceiro for o cônjuge do promitente, dependendo da sua anuência o ato a ser praticado, e desde que, pelo regime do casamento, a in- denização, de algum modo, venha a recair sobre os seus bens”. “Art. 440 – Nenhuma obrigação haverá para quem se compro- meter por outrem, se este, depois de se ter obrigado, faltar à prestação” (BRASIL, 2002). É interessante ressaltar ainda que, na hipótese de a sociedade de advoga- dos ressarcir o cliente por dano resultante de fato de terceiros, será assegura- do o direito de regresso contra aquele que, efetivamente, provocou o dano (no caso, o advogado). 2.3 SÓCIOS Estabelece-se que somente poderá integrar a sociedade de advogados aqueles regularmente inscritos na OAB, porém sendo vedada a participação de advogados estrangeiros (nesta hipótese, deverá o advogado estrangeiro se reunir em sociedade própria – ou de consultores estrangeiros – perante inscrição, fi scali- zação e controle dos Conselhos Seccionais). Outra vedação dentro da sociedade de advogados é o profi ssional “totalmente proibido de advogar”, ou seja, o advo- gado inscrito assume caráter permanente e/ou temporário de exercer sua ativida- de profi ssional, conforme previsão legal no Artigo 28 do Estatuto da Advocacia e 16 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo da Ordem dos Advogados do Brasil: Art. 28 – A advocacia é incompatível, mesmo em causa própria, com as seguintes atividades: I- chefe do Poder Executivo e membros da Mesa do Poder Legislativo e seus substitutos legais; II- membros de órgãos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos tribunais e conselhos de contas, dos juiza- dos especiais, da justiça de paz, juízes classistas, bem como de todos os que exerçam função de julgamento em órgãos de deliberação coletiva da administração pública direta e indireta; III- ocupantes de cargos ou funções de direção em Órgãos da Administração Pública direta ou indireta, em suas fun- dações e em suas empresas controladas ou concessioná- rias de serviço público; IV- ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indi- retamente a qualquer órgão do Poder Judiciário e os que exercem serviços notariais e de registro; V- ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indi- retamente a atividade policial de qualquer natureza; VI- militares de qualquer natureza, na ativa; VII- ocupantes de cargos ou funções que tenham competên- cia de lançamento, arrecadação ou fi scalização de tribu- tos e contribuições parafi scais; VIII- ocupantes de funções de direção e gerência em institui- ções fi nanceiras, inclusive privadas. §1º A incompatibilidade permanece mesmo que o ocupante do cargo ou função deixe de exercê-lo temporariamente. §2º Não se incluem nas hipóteses do inciso III os que não dete- nham poder de decisão relevante sobre interesses de terceiro, a juízo do conselho competente da OAB, bem como a admi- nistração acadêmica diretamente relacionada ao magistério jurídico” (BRASIL, 1994). Vale citar que há ainda a hipótese restritiva de constituir a sociedade de ad- vogados, aquele profi ssional que já integra outra sociedade, conforme se verifi ca no disposto do Artigo 15, §4º, do Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advoga- dos do Brasil: Art. 15 - Os advogados podem reunir-se em sociedade civil de prestação de serviços de advocacia, na forma disciplinada nesta Lei e no Regulamento Geral. [...] §4º - Nenhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de advogados, com sede ou fi lial na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional. [...] (BRASIL, 1994). 17 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 2.4 SÓCIO ADMINISTRADOR De acordo com o tipo da sociedade empresária, a denominação do sócio pode se diferenciar. Por exemplo, nas sociedades limitadasregra geral, no topo: não no meio ou embaixo. O objetivo do revolucionário é libertar o processo da tirania da experiência. Os guardiões desta estão no topo, como se sabe. 4- Há sempre um eleitorado para a mudança da empresa: ele está, regra geral, disperso e fragmentado. O papel do revolucionário é descobri-lo e organizá-lo no quadro da formulação estratégica. 5- A mudança não é o problema: o envolvimento é que é. A ideia corrente é que os do “meio” e os de “baixo” não querem mudan- ças. O revolucionário quer envolver todos os escalões. 6- O processo deve ser democrático: todas as sensibilidades da empresa devem ser mobilizadas para formulação estratégica. Nomeadamente as que, em regra, são esquecidas ou abafadas: os jovens, os mais afastados da sede, os mais recentes na em- presa e os que incomodam. 7- Qualquer um pode ser um ativista da estratégia: não há lugares cativos, nem é preciso um diploma especial. Muito menos é cor- reta a ideia de que os gestores intermédios são o quartel-general a abater. 113 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 8- Revolucionar uma indústria pressupõe olhá-la com outros olhos ou lentes: exige-se uma mudança de visão das coisas. 9- Estratégia de cúpula versus estratégia de base não são alter- nativas reais: a formulação estratégica é um processo diagonal à empresa. 10- Não se pode querer ver o fi m logo no princípio: a formulação estratégica é um processo de descoberta e de inventiva. Não é “vender” aos do “meio” e aos de “baixo” algo já predefi nindo pe- los de “cima” ou de “fora” (consultores externos). 2.5.1 Benchmarking Saber o que os concorrentes fazem e comparar com a própria empresa pode dar insights de novos rumos para inovar o produto, processo ou serviço. Essa abordagem é conhecida como benchmarking e ajuda a criar padrões por meio da comparação. Pode-se estabelecer processos de benchmarking entre atividades semelhantes dentro da mesma organização, entre atividades similares em dife- rentes setores de uma grande empresa, entre outras atividades similares em em- presas diferentes de um mesmo setor e entre atividades semelhantes em distintas empresas e setores. Comparação de preços de serviços e processos com os de outros escritórios de sua região de forma sistemática e frequente, se faz uma excelente estratégia. Além de fazer benchmarking pela observação de outros escritórios, pode-se optar pela colaboração direta a fi m de desenvolver novas ideias. Como gestor, deve-se criar redes externas capazes de fornecer ideias – como grupos de especialistas. Manter contato próximo com clientes ou colaboradores atentos à inovação, a fi m de desenvolver novos serviços. Uma fonte rica são os próprios erros e as falhas dos concorrentes. Quando um novo projeto fracassar ou uma equipe não der con- ta do recado, avaliar como isso aconteceu e pensar nas inovações que podem evitar a repetição do problema. Benchmarking não é uma simples cópia, pois exige criatividade para adaptar as boas práticas identifi cadas para que funcionem adequadamente e isso pode gerar, inclusive, inovações importantes na organização. O benchmarking também é usado para avaliar a competitividade da organização em relação a outras orga- nizações de referência, em indicadores importantes para o sucesso do negócio. Como uma fi losofi a e uma ferramenta reconhecida e usada pelas melhores organizações do mundo, o benchmarking é regido por quatro princípios, que for- mam a sua base metodológica; reciprocidade, analogia, medição e validade: 114 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo • Reciprocidade na disposição para compartilhar informações so- bre o objeto do estudo com as organizações de referência. • Analogia na existência de similaridade entre os objetos compara- dos, independente do setor de atuação, do porte e de ser organi- zação congênere ou não. • Medição na capacidade de avaliar a qualidade e o desempenho das práticas das organizações de referência e assegurar se são, de fato, efetivas. • Validade na pertinência, confi abilidade e comparabilidade das in- formações obtidas. A técnica do benchmarking pode ser aplicada sob, pelo menos, quatro enfo- ques diferentes. Cada um traz benefícios e defi ciências e, dependendo do caso, um pode ser mais adequado do que outro. • Benchmarking Interno – na maioria dos escritórios de Advocacia, existem funções semelhantes em diferentes unidades operacio- nais (atendimento telefônico, arquivo digital, controle de audiên- cias etc.) Esse tipo de benchmarking é um dos mais fáceis, pois os dados envolvidos estão facilmente disponíveis e não há pro- blemas de confi dencialidade. Se a área trabalhista desempenhar melhor alguma função comum à área cível e tributária, o escri- tório sairá ganhando se optar por implantar o melhor processo produtivo em todas as áreas. • Benchmarking Competitivo: os concorrentes diretos são os obje- tos óbvios dessa modalidade de benchmarking. Existem, porém, algumas considerações a serem observadas: deve-se compreen- der o porte do concorrente, porque, dependendo desse fator, ele pode adotar certos métodos que não lhe cabem; por exemplo, a apuração de resultados de um escritório de grande porte será bem mais complexa do que a do pequeno escritório. Entretanto, a obtenção de informações, muitas vezes, pode tornar-se impossí- vel, caso essas informações constituírem a base de vantagem do concorrente. A troca de informações pode acontecer, caso seja desejada por ambos os escritórios, porque o primeiro também pode possuir métodos operacionais que interessem ao segundo. • Benchmarking Funcional: nesse caso, não é necessário compa- rar-se somente com um concorrente direto (escritório trabalhista x escritório trabalhista). Há bancas que atuam em outras áreas do Direito que adotam técnicas interessantes e que podem interessar em processos como, por exemplo, atendimento a clientes, orga- nização de arquivo, treinamentos. Nesse tipo de benchmarking, a troca de informações ocorre de maneira mais acessível, pois os envolvidos não disputam o mesmo mercado. 115 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 • Benchmarking Genérico: algumas funções gerenciais e empre- sariais são as mesmas, independentemente do porte e da área de atuação do escritório. Uma ampla gama de escritórios execu- ta determinadas funções iguais ou similares visando satisfazer a seus clientes. O benchmarking genérico tem potencial para reve- lar as melhores das melhores práticas. Implantado com a metodologia certa e com ética, o benchmarking traz inú- meros benefícios, tais como: atender às exigências dos clientes (internos e exter- nos); estabelecer metas e objetivos efi cazes, forçando o foco contínuo no ambien- te externo, estabelecer a medida real de produtividade por meio do envolvimento de todos os colaboradores no atendimento dos clientes; torna-se competitivo, co- nhecendo os concorrentes; aprender as práticas alheias que são melhores que as usadas, por exemplo, no seu escritório. Há que se reforçar que uma das características essenciais do benchmarking é a exigência de continuidade. Uma vez conseguida uma posição de excelência, a situação vai evoluindo, os concorrentes também, e é necessário que o escritório aplique, de forma contínua, o benchmarking para manter a sua posição concor- rencial e atualizar seus conhecimentos. Os resultados de um exercício de benchmarking bem executado e bem suce- dido são relevantes a vários títulos: incorporação de forma criativa das melhores práticas de qualquer atividade; motivação dos profi ssionais envolvidos e criação de um espírito de abertura à novas ideias e à mudança; identifi cação de novos processos tecnológicos de outros ramos de industrias e sua incorporação no escritório; estabelecimento de contatos entre os membros das equipes de ben- chmarking quepromovam a colaboração futura etc. Um ponto muito importante a ser considerado é a ética do benchmarking. Copiar movimentos de outras empresas sempre foi considerado uma heresia, uma afronta aos parceiros éticos. De alguns anos para cá, contudo, esse conceito tem mudado: “copiar o que é bom é o auge do reconhecimento” e, por isso, foi batizado de ben- chmarking. Mas até que ponto a utilização dessa técnica respeita aqueles preceitos? O benchmarking propõe que se deve assumir um modelo líder, ou seja, co- piar as melhores práticas para melhorar o próprio desempenho. No pedido de informações é necessário o uso de ética ao questionar a or- ganização em estudo, para não haver uma interrupção dos sigilos empresariais. Já nas informações delicadas, sugere-se contratar os serviços de um consultor independente, que manterá o anonimato dos participantes ou reportará as infor- mações somente àqueles que precisem saber. 116 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Todas as informações obtidas como confi denciais devem ser tratadas com sigilo. Para citações de informações, é necessário, evidentemente, que haja per- missão da organização em autorizações por escrito. A questão da ética nada impede a prática do benchmarking, eis que acaba atuando como uma verdadeira aliada, tendo em vista os resultados que podem ser gerados nas mais diversas áreas, dentro e fora das organizações envolvidas. É o uso da lógica que, em certos momentos, deve prevalecer visando à obtenção do sucesso jurídico. O Benchmarking é mais do que uma troca positiva de experi- ências: se administrado com ética, é uma bela ferramenta de aprendizado. 2.5.2 Indicadores estratégicos Para que qualquer empreendimento se mantenha no mercado faz-se neces- sário que a administração das novas oportunidades captadas seja contínua e que exista um ambiente propício para estimular fatores que promovam a entrada e o desenvolvimento destas oportunidades, colaborando, assim, para o aumento da sua produtividade. As oportunidades são identifi cadas, selecionadas e implementadas para que re- sultem na inovação ou na melhoria radical dos processos permanentes da organiza- ção, ou na implementação de novos negócios que agreguem valor para os clientes. O que se deve questionar é porque os escritórios têm difi culdades de im- plementar e gerenciar oportunidades identifi cadas no mercado jurídico, que no primeiro instante pareciam geniais, e porque estas oportunidades não são cons- tantes, gerando um fl uxo uniforme de caixa e de inovação. A resposta está provavelmente em uma citação de Vicente Falconi: “só se ge- rencia aquilo que se mede” (CAMPOS, 1992, s. p.). Logo, para apoiar esse processo dentro desta sociedade globalizada e dinâmica é fundamental que existam processos de medição de desempenho e uma estratégia para orientar todo este processo. O mesmo Falconi aponta que para que essa estratégia traçada possa ser tra- duzida em ações concretas, gerando resultados, que são classifi cadas em objeti- vos, políticas ou ações. As ações podem ser implementadas com sucesso através das técnicas de gerenciamento de projetos. Já de acordo com Kaplan e Norton (1997), devemos ter a(s) estratégia(s) induzidas(s) através de toda organização, fazendo entender aos membros dela como seu trabalho e desempenho são importantes para o alcance das estratégias e dos objetivos gerais. 117 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 Assim, é preciso que os escritórios estejam preparados para essa mudança de cultura, analisando suas competências e pontos fracos, pois isso consiste na busca da melhor forma de gerenciar todo seu processo de captação, seleção, ge- renciamento e implantação dessas ideias. Para isso, a avaliação do desempenho empresarial baseada apenas em in- dicadores contábeis e fi nanceiros tem se mostrado insufi ciente para as organiza- ções. A ênfase excessiva em resultados fi nanceiros de curto prazo pode levar a soluções rápidas, porém superfi ciais. Nesse sentido, desempenho se refere aos resultados obtidos em relação às metas, aos padrões, aos resultados históricos e a outros processos e produtos. É importante a criação/defi nição de indicadores, sejam eles estratégicos ou ope- racionais, para verifi car se o empreendimento está tomando o caminho planejado. Para pequenos e médios empreendimentos, desenvolver um grupo de in- dicadores-chave pode ser mais simples do que para uma grande empresa, que possui diversos setores e uma quantidade muito elevada de funcionários. O que vai defi nir o sucesso dos indicadores é o bom senso e o comprometimento de to- dos para alcançar as metas implícitas, quando os escolhe e estabelece. Para novos empreendimentos, iniciar com indicadores de acompanhamento de resultados impede que decisões precipitadas sejam tomadas e auxilia o acom- panhamento de sua aceitabilidade, fortalecendo a gestão e a tomada de decisões, que são de grande importância no início de qualquer projeto. Em alguns casos, dependendo das características do empreendedor, o estabelecimento e o levan- tamento dessas métricas pode parecer um pouco burocrático demais. Talvez até o seja, mas é inegável o ganho, em termos de comunicação e gestão, que metas claras e indicadores estabelecidos trazem. 2.5.3 Sistemas de gestão: defi nição, exemplos, normas Inseridas em uma era em que a competição toma uma dimensão sem pre- cedentes, organizações de todos os tipos e tamanhos buscam cada vez mais en- quadrar seus produtos e serviços em critérios de excelência que garantam a satis- fação de seus clientes. Entretanto, essa é uma tarefa complexa, com dimensões críticas que giram em torno de custo, prazo e desempenho técnico, que pode ser afetada de forma signifi cativa pela falta de um padrão nos procedimentos adotados, conhecimento e recursos necessários. 118 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Se a cada novo projeto ou desafi o enfrentado por uma empresa seu corpo técnico e gerencial utilizar parte de seu tempo na defi nição de como conduzi-lo, em vez de se concentrar exclusivamente nas melhores soluções, terá poucas oportunidades de aperfeiçoar seus procedimentos e, principalmente, estará ce- dendo um espaço precioso para a atuação de seu concorrente. Dessa forma, surge a aplicação dos sistemas de gestão que normatizam ati- vidades específi cas e incluem estrutura organizacional, o planejamento das ativi- dades, as responsabilidades, as práticas, os procedimentos, os processos e os recursos para desenvolver, implantar, efetuar, revisar e manter em dia as políti- cas da organização, e visam a auxiliar na identifi cação e avaliação de ameaças e oportunidades; melhoria contínua de produtos e processos; otimização de recur- sos utilizados; aumento de produtividade; aprendizado contínuo; uniformização e compartilhamento da informação; e processo decisório mais bem embasado. Para que seja bem sucedido, o desenho e a implantação de um sistema de gestão devem ser infl uenciados pelas necessidades particulares de cada empre- endimento, como tamanho e estrutura, tipo de produtos/serviços prestados e pro- cessos empregados. 2.5.4 O Pdca O método PDCA (Paln-Do-Check-Act), desenvolvido na década de 1930 pelo americano Shewart e mais tarde divulgado por Deming (Balanced Scored Institu- te), trata-se de um modelo dinâmico que tem como propósito estabelecer um ciclo de melhoria contínua em processos e sistemas de gestão. O método é composto por quatro estágios: • PLAN (Planejamento): planejamento de uma mudança ou um tes- te visando a melhoria, dando-se prioridade às áreas com maior potencial de retorno para dado esforço aplicado. Estabelecimento de visão, missão, objetivos (metas), procedimentos e processos (metodologias) necessários para obtenção dos resultados espe- rados. • DO (Execução): realização das atividades planejadas, implemen- tação do novo processo. • CHECK (Verifi cação): monitoramento eavaliação dos resultados confrontando-os com o planejamento. Consolidação de informações para levantamento do aprendizado e identifi cação de pontos falhos. • ACT: confecção de planos de ação de forma a melhorar a quali- dade, efi ciência e efi cácia, aprimorando a execução e corrigindo eventuais falhas. 119 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 Embora, a princípio, o foco do PDCA tenha sido em produção, atualmente a ferramenta é muito utilizada para gerenciamento de iniciativas estratégicas e de oportunidade identifi cadas – já que os grandes indicativos de performance das cor- porações ocorrem com maior frequência no plano de negócios. Essas iniciativas co- mumente se desenvolvem a médio e longo prazos e seu sucesso depende da soma de uma série de iniciativas de menor porte que ocorrem em diferentes atividades e unidades de negócios do empreendimento – em paralelo ou de forma sequenciada. Para facilitar o gerenciamento e atingir resultados com maior rapidez, as grandes organizações tem encontrado como solução o estabelecimento de siste- mas de gestão dedicados a cada tipo de atividade, que de forma integrada contri- buem para a realização das ideias selecionadas. O ciclo do PDCA pode ser igualmente útil no universo dos escritórios de ad- vocacia, devendo ser ajustado de acordo com as necessidades de cada tipo de atividade, segundo as suas peculiaridades. 2.5.5 Gestão do Conhecimento O objetivo empresarial das organizações modernas é atingir excelência ope- racional no uso de seus recursos estratégicos: pessoas e conhecimento. Entretanto, embora muita atenção seja dedicada ao estudo de pessoas, o co- nhecimento, como recurso empresarial, é pouco estudado, e a Gestão do Conhe- cimento, ainda, é um sonho distante em quase todas as empresas brasileiras, que continuam medindo o sucesso de seus processos operacionais em toneladas, ho- ras, metros e reais, sem identifi car explicitamente a importância do conhecimento. No caso dos escritórios de Advocacia, eles têm utilizado o trabalho de ad- vogados para levar em frente atividades que geram conhecimento, tais como a criação de documentação de precedentes jurídicos, a manutenção atualizada da base legislativa e jurisprudencial, entre outras tantas, por meio da utilização siste- mática da tecnologia. No entanto, as condições de mercado têm se mostrado mais duras, e os escritórios de advocacia podem enxergar a gestão do conhecimento como uma atividade não-essencial e entender que, caso já implantada, é passível de ser cortada e eliminada para manter a rentabilidade da banca e, caso contrário, pode nem vir a ser cogitada. De qualquer forma, entender que a Gestão do Conhecimento é uma ativida- de não-essencial não é o melhor enfoque a ser dado a esse tema. A Gestão do 120 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Conhecimento vai para o coração do escritório e produz uma gama de benefícios que pode ajudá-lo a sobreviver em tempos difíceis e prosperar em melhores. An- tes de olhar para como a gestão do Conhecimento benefi cia o escritório, é impor- tante compreender o que é um Sistema de Gestão do Conhecimento. Sendo o conhecimento o principal recurso econômico que os escritórios de advocacia têm a oferecer aos clientes, então está presente em todas as áreas da fi rma, e um Sistema de Gestão do Conhecimento pode abraçar diferentes aspec- tos desse conhecimento. Basicamente, Gestão do Conhecimento é um conjunto de processos, apoia- dos por ferramentas de tecnologia da informação, voltados a capturar, organizar, armazenar, proteger e, sobretudo, compartilhar o conhecimento das pessoas sob suas duas formas: conhecimento explícito – dados e informações, e conhecimen- to tácito – habilidades e experiência. Na prática, o importante é compartilhar todas as formas relevantes de conhe- cimento, know-how e informação que incrementam o negócio do escritório. Quan- do se pensa em implantar um Sistema de Gestão do Conhecimento, o foco é, com frequência, em tecnologia da informação, mas esse é só um canal para alojar e disseminar o conhecimento. A implantação do Sistema de Gestão do Conheci- mento necessita que seja identifi cado o tipo de conhecimento que o escritório de advocacia deveria compartilhar para benefi ciar o seu desempenho. Geralmente, há quatro fontes de conhecimento em escritórios de Advocacia: • Material publicado, como recurso bibliotecários, inclusive ma- terial on-line – a característica-chave é que esse material pode ser adquirido. • Conhecimento pessoal e experiência dos advogados e demais membros da equipe do escritório – contido nas cabeças das pes- soas e expressado pelo comportamento delas. • Conhecimento contido no produto de trabalho de um advogado, por exemplo, pareceres, acordos, petições etc. – pode ser locali- zado no sistema de processamento de texto e arquivos digitais. • Conhecimento especialmente desenvolvido como, por exemplo, precedentes criados por profi ssionais de suporte ao trabalho dos advogados. O Sistema de Gestão do Conhecimento deve focalizar a criação, captura e disseminação do conhecimento e informação provenientes das diversas fontes que apoiam os objetivos estratégicos do escritório. É bom lembrar que administrar tal conhecimento pode não signifi car necessariamente codifi cá-lo em um sistema de computador. O conhecimento tácito, ou seja, o conhecimento contido nas ca- 121 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 beças das pessoas, por exemplo, é sempre melhor transferido diretamente entre as pessoas. Nesta situação, o Sistema de Gestão do Conhecimento poderia facili- tar colocando as pessoas umas em contato com as outras. É melhor pensar em conhecimento como um fl uxo entre as fontes já citadas, em vez de um objeto estático, e isso ajudará a identifi car as ações apropriadas para gerenciá-lo. Por exemplo, um material publicado pode informar conhecimen- to e experiência pessoal, que se manifestam nos produtos de trabalho e que po- dem ser incorporados em um material especialmente criado. Também é bom lembrar que o conhecimento útil ao escritório não é restri- to ao conhecimento técnico-jurídico e que os mesmos princípios podem ser apli- cados ao conhecimento sobre o cliente, informações fi nanceiras e de marketing, para ajudar o escritório a alcançar os benefícios desejados. 2.5.6 Benefícios Uma boa parte dos escritórios já reconheceu que os benefícios do Gerencia- mento do conhecimento são o aumento da efi ciência e qualidade. Muitos escritórios lançam seus projetos de Gestão do conhecimento quan- do se tornam maiores para poupar seus advogados da redundância do trabalho, quando eles podem reutilizar o trabalho que outros advogados já desenvolveram. Essa efi ciência traz benefícios, tais como permitir que advogados sênior deleguem mais trabalho aos advogados júnior e concentrem-se em atividades de maior valor agregado. Isso aumenta a realização do trabalho e realmente pode aumentar a rentabilidade do escritório. Apesar de intrínseca, a qualidade é considerada um dos fatores mais críticos de sucesso da entrega de serviços jurídicos. A gestão do conhecimento facilita o compartilhamento do conhecimento e ajuda a prover um serviço jurídico de alta qualidade pelo escritório, evitando, por exemplo, que haja posicionamentos dife- rentes acerca da mesma questão e oriundos da mesma equipe. A gestão do conhecimento também pode ser utilizada como uma ferramenta de marketing e retenção de clientes novos e existentes ao exibir como os investi- mentos do escritório são aplicados na prática. Então, a satisfação do cliente pode ser outro subproduto importante da Gestão do Conhecimento. Não apenas o conhecimento compartilhado ajuda com uma gama de pro- cessos de tomada de decisão devido à captura da experiência passada, como também os Sistemas de Gestão do conhecimento tornam-se mais valiososem 122 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo escritórios de advocacia, e é possível que se tornem um ponto importante no recrutamento e na retenção de advogados. Quando é difícil para um advogado manter-se atualizado quanto à legislação nacional, um bom sistema de gestação do conhecimento dará esse conforto e apoio. Também é provável que seja considerada na carreira do advogado a utiliza- ção de tais sistemas como um elemento essencial para suas vidas profi ssionais. Serve como ferramenta de treinamento pela qual a bagagem de conhecimento pessoal de um advogado pode ser aumentada via conhecimento compartilhado. Também pode ser um fator motivacional em razão da remoção dos elementos mais repetitivos do trabalho jurídico, permitindo a concentração em aspectos mais interessantes e modernos da prática. A construção da Gestão do Conhecimento como uma função-chave do es- critório pode também ter um efeito em sua cultura como um todo, baseado no compartilhamento de conhecimento entre as pessoas. Pode, então, nutrir um am- biente compartilhado em que advogados trabalharão juntos em equipes e com- binarão seus conhecimentos em benefício dos serviços prestados pelo escritório aos clientes. Em suma, alguns dos benefícios no gerenciamento do conhecimento; ganhar agilidade no atendimento; assegurar a qualidade e a segurança da informação; padronizar procedimentos, normas, contratos e orientações; treinamento dos ad- vogados; preservar a cultura e a expertise do business do escritório. O conhecimento é o bem maior em um escritório de advocacia. A soma do capital intelectual de cada um dos seus membros é infi nitamente mais valiosa do que a soma de seus bens e ativos. Todavia, para sobreviver em momentos de alta competição e atingir a longevidade, é preciso fazer esse conhecimento circular. O compartilhamento do conhecimento individual dos membros do escritório agregará um valor absoluto às atividades realizadas e às soluções oferecidas aos clientes. 2.6 ALIANÇAS ESTRATÉGICAS E FUSÕES DE ESCRITÓRIOS Uma das mais importantes armas competitivas está na informação estratégi- ca e na mente aberta para alianças. A visão de que um escritório pequeno possa diferenciar-se entre tantos outros já não existe mais, é preciso juntar forças para vencer. Não temos mais dúvidas sobre isso. É necessário neutralizar, imediata- mente, o preconceito protecionista e adotar uma postura bilateral para comparti- 123 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 lhar teses, experiências e conhecimentos entre as sociedades de advogados. É a sofi sticação das chamadas parcerias. Com o nível da concorrência desenvolven- do-se de maneira escalar, não resta outra opção a não ser inovar e transformar as parcerias em alianças e até em fusões. Fazer alianças é basicamente reagir com inteligência quanto ao mercado e buscar nos relacionamentos com outras bancas um diferencial competitivo. Para isso, novos modelos de alianças surgem para suprir essa carência do setor. Vantagens das alianças estratégicas: compartilhamento do conhecimento; maior número de áreas jurídicas atendidas; aumento signifi cativo do capital inteli- gente; abertura de fi liais em sistema de parcerias; divisão de custos em ações de marketing jurídico e outros acessórios de imprensa; troca de informações geren- ciais; além de permitir a criação de grupos de estudos com mescla de profi ssionais. O maior segredo de alianças de sucesso está na sabedoria em escolher o perfi l dos aliados. Para fazer parte da aliança, os escritórios devem ser semelhan- tes entre si no que diz respeito à estrutura física, pessoal, pensamento e fi losofi a. Quando uma banca maior estabelece aliança com uma banca muito menor, a ten- dência é o desenvolvimento de uma dependência da menor em relação à maior. Podemos equacionar cinco possíveis tipos de alianças para sociedades de advogado: • Alianças verticais: acordo operacional com profi ssionais de outros segmentos de atuação como engenheiro fl orestal, auditor, admi- nistrador, jornalista, engenheiro químico etc. A OAB não permi- te a multidisciplinariedade dentro do escritório de advocacia. No entanto, em uma análise mais crítica e profunda alguns ramos do Direito não sobreviverão sem o auxílio de um profi ssional de outro segmento. Por exemplo: o escritório de Propriedade Inte- lectual que lide com patentes de remédios sem um químico; o escritório de Direito Ambiental sem um engenheiro fl orestal etc. • Alianças Horizontais: alianças com escritórios semelhantes, dentro da própria cidade, mas que não tenham áreas de confl i- to como atuação no mesmo segmento. Por exemplo, uma banca trabalhista pode unir-se outra com serviços na área tributária. • Alianças Regionais: trabalhar em conjunto com outras bancas no mesmo Estado. • Alianças Nacionais: trabalhar em conjunto com outras bancas no mesmo país. • Alianças Internacionais: trabalhar em conjunto com outras bancas de outros países. 124 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Essas redes de conexão jurídica visam ao estabelecimento de es- critórios bem divididos geografi camente para desfrutar das vantagens com- petitivas dos grandes sem perder a individualidade e o acesso aos merca- dos locais dos pequenos e médios. 2.7 RELACIONAMENTO COM CLIENTES Vivenciamos um mundo capitalista, em que a globalização foi tomando diver- sas formas, e consequentemente teve uma grande interferência, principalmente com os novos processos tecnológicos e a substituição da mão de obra dos traba- lhadores, por máquinas. Dessa forma, a qualifi cação dos trabalhadores também vai se modifi cando durante o passar dos anos. Os desafi os trazem consigo a competitividade, a mão de obra, a inovação e os avanços tecnológicos que fazem com que os indivíduos garantam novos meios de sobrevivência. Consequentemente, as mudanças fazem com que a mão de obra qualifi cada esteja apta a gerir essas novas mudanças e que as empresas ou qualquer outro segmento sejam exigentes na contratação de uma vaga à procura do perfi l desejado. Dessa forma, a qualifi cação vai muito além de cursos profi ssionalizantes que venham agregar valores para os indivíduos em determinada área de atuação. O profi ssional também deve ter uma maior atenção nas escolhas que serão feitas, para que possa ser visto e o mesmo possa apresentar os resultados que o mer- cado espera. Com a grande escala competitiva, a contratação sofre pela perda de opor- tunidades devido a não possuir estudo e capacitação para exercer determi- nada área ou função, visto que, ainda existem indivíduos que trabalham com a experiência, somente uma parcela, no processo seletivo, para determinada área de atuação. As empresas devem possuir meios que motivem os seus colaboradores a buscar uma nova visão de como realmente acontece o trabalho atual, ou seja, irá trazer bons resultados tanto para vida pessoal e profi ssional desse indiví- duo, como também crescimento, inovação e visão estratégica em cada setor que ele desenvolve em seu trabalho. Os empreendedores querem profi ssionais que estão aptos a correrem riscos e que tragam resultados signifi cativos, para que tenham êxito. 125 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 Nessa entoada, o profi ssional da área jurídica deve se qualifi car com skills que dialoguem com outras áreas, por isso, entender de metodologias ágeis, ges- tão de projetos e processos etc. Cada vez mais, há uma cobrança por profi ssionais com a mente mais aberta ao empreendedorismo, com ideias, projetos e visões, pois a evolução é constante. As transformações no mundo fazem com que a vida seja cheia de desafi os, me- lhor dizendo, nunca para, visto que o mundo está sempre em constante mutação. Viver riscos, ser fl exível ao que a vida propõe faz com que as difi culdades possam servistas de outra forma. O ramo do empreendedorismo requer muito mais. Traz indivíduos que saibam garantir os resultados, como também estejam aptos a mudar e se estruturar com essa nova relação de mercado. Assim, para buscar e concretizar sonhos diariamente, há desafi os que apa- recem constantemente. Além disso, a vida propõe diversas habilidades diferentes para cada modelo de negócio, o advogado pode se destacar dentro do mercado de trabalho, além de trazer os resultados que os clientes esperam. O ramo do direito não deve estar apenas ligado em desenvolver um escritório, requer muito mais que isso, ou seja, exige pessoas que mostram melhor desempenho, capaci- dade, sejam desafi adoras e busquem sempre trazer resultados satisfatórios. Tan- to para sua vida pessoal quanto profi ssional. Os clientes também visam profi ssionais que possuem uma carreira de re- sultados e números para que, assim, se sintam seguros em contratar o trabalho apresentado. Portanto, empreender no meio jurídico é um desafi o que exige visão ampla e desafi adora. As pessoas querem sempre os melhores resultados, uma vez que são eles que defi nem seu mercado, como também sua inclusão dentro do sucesso. Assim, não se faz necessário apenas um diploma, ou uma carta da OAB, o mercado que fazemos parte deseja muito mais que isso. A seguir, seguem algumas características que mudaram na relação cliente/ advogado: • Os clientes nunca estão satisfeitos – gostemos disso ou não, é uma verdade. • As fi delidades às marcas jurídicas são progressivamente meno- res. – até um tempo atrás, para que um cliente permanecesse por anos a fi o na carteira ativa de negócios de seu advogado bastava que fosse mantida uma relação pessoal entre ambos, cultivando a amizade, a confi ança, a empatia, entre outros atributos. Hoje, não que isso tenha perdido a importância, mas a relação cliente- 126 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo -advogado transformou-se completamente. A manutenção de um cliente hoje depende bem mais do protagonismo do cliente em relação às suas decisões que apenas manter um relacionamento pessoal com ele. • O cliente sempre imagina que o advogado tirará alguma vanta- gem dele. – se é isso que o cliente imagina, tentar neutralizar essa percepção demonstrando empatia é a melhor saída para al- terar a imagem pré-formada do cliente. • Sempre que fechar um determinado preço por um serviço jurídi- co, o preço pelo serviço no longo prazo tende a cair e o trabalho tende a aumentar. Jamais feche um contrato por determinado va- lor imaginando que no futuro você poderá reajustá-lo com facili- dade com o incremento de serviços. • O cliente associa a imagem do advogado a problemas, raramen- te com prevenção ou solução. Ao contrário da Advocacia norte americana, que é a “advocacia do acordo”, a nossa é tida como a “advocacia do litígio”. Disso decorre um preconceito por parte dos clientes e da falência do sistema jurisdicional brasileiro, transfor- mando-se em um grande problema aos advogados. Mudar essa mentalidade, tanto de advogados, quanto de clientes, se tornou imperioso, seja através de eventos de alteração no enfoque aca- dêmico dado ao Direito, seja através de eventos e palestras que versem sobre o tema, seja pelo desenvolvimento de produtos ju- rídicos voltados à prevenção de problemas, seja com o advogado exercendo um papel educativo de convencimento do cliente. • Não importa o preço que o advogado cobre por seus serviços, o cliente sempre vai reclamar e tentar reduzi-lo. Caso o advoga- do não reduza, o cliente achará que está lidando com alguém in- transigente. Caso reduza drasticamente, talvez ele entenda que o profi ssional superdimensionou a proposta e estava tentando ob- ter alguma vantagem. Sabendo disso, quando elaborar sua pró- xima proposta de honorários, refl ita sobre o que é justo receber e deixe uma folga para o desconto dentro de sua margem de lucro e não ultrapasse, caso contrário trabalhará no vermelho. • O cliente não suporta e não aceita a morosidade da justiça brasi- leira. Nada que você diga neutralizará essa percepção, por isso, use a comunicação (boletins, e-mails, eventos etc.) para reduzir a sensação. Pode não resolver, mas ajuda. • Clientes com acesso à informação desafi am seus advogados. O advogado deve o tempo todo colocar-se no lugar do cliente, con- siderar os argumentos corretos, sem falsas promessas, para uma proposta irrecusável. Por sua vez, a internet é um instrumento 127 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 fundamental de pesquisa das necessidades dos clientes, coleta de informações para reuniões e, principalmente, uma poderosa maneira de manter a comunicação constante, direta e efi ciente com nossos parceiros. • O cliente buscará outro advogado a um custo menor. Por quê? Talvez porque você não tenha dado um bom motivo para que ele fi que. Nunca feche um contrato com um cliente por preço mui- to baixo porque ele poderá escolhê-lo somente pelo preço. Será uma questão de tempo para trocar você por outro. As observações anteriores indicam que com o passar do tempo as relações fi carão ainda mais complexas, e para neutralizar isso, escritórios e advogados deverão estar preparados. O objetivo do Marketing Jurídico com a Internet é utilizá-la como uma ponte entre a banca e os clientes de sua carteira, através da criação de um conjunto de serviços que se destinem a eles, dentro dos canais de comunicação do escritório. É bom lembrar que a Advocacia é um serviço cuja natureza difi culta a contratação apenas por uma visita no site de um escritório. É preciso mais, bem mais que isso. Lógico que as mídias sociais devem ser bem desenvolvidas, claro, pois tudo deve depor favoravelmente para o escritório, com bom gosto e senso estético, privilegiando a informação. A verdade é que nos dias de hoje não se pode ofertar um serviço de qualida- de sem utilizar as ferramentas que a Internet proporciona para o relacionamento com os clientes e, principalmente, o fornecimento de informações. Nada mais ir- rita um cliente do que a falta de informações na prestação de um serviço jurídico ou, o que é pior, a necessidade de sempre ter de ir atrás do advogado para saber como as coisas estão se encaminhando. Assim, fazendo o correto uso da internet e mídias socais, poupa-se tempo, reduzem-se as ligações telefônicas e aumenta- -se a satisfação do cliente. O empreendedor nato passa a ser aquele que está apto a saber ouvir, captar informações de forma precisa, ser tomador de decisões. Dessa forma, esse meio permite às pessoas buscarem capacitação, trabalho em equipe e terem paixão pelo que fazem. Ser visionário do que está sendo investido é uma das principais formas de fazer com que o negócio possa dar um passo à frente e se destacar (SCHUMPETER, 1984). O ramo do direito precisa ser entendido pelos estudantes como uma forma mais acirrada do que está apenas na teoria. A conquista pelo diploma se tornou uma das chaves para o sucesso, mesmo visto que não apresenta garantia de 128 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo nada, requerendo muito mais que isso. Portanto, o mercado exige profi ssionais que tenham olhares mais amplos dos novos modelos de adaptação. Assim, cada vez mais as profi ssões fi cam difíceis, uma vez que o retorno nem sempre é da forma que se espera. Por isso, é necessário correr os riscos e investir de forma correta no que realmente poderá prosperar. Ter visão de futuro se faz importante em uma ampla competitividade que se vivencia. Para se obter êxito dentro da advocacia, seja em seu escritório físico ou em home offi ce é necessário ter uma administração correta, que traga os resultados esperados, sendo inovador e fl exível para as coisas darem certo. Acrescentan- do-se, assim, as técnicas do empreendedorismo jurídico que são essenciais para moldar o seuescritório e trazer os clientes assertivos. Para tanto, destaca-se um modelo de gestão, o qual traga consigo técnicas modernas de gerenciamento que auxiliem os advogados a resolver problemas, como também em tomadas de decisões. Desenvolver estratégias tanto em ações presentes, quanto futuras, além de ser somente um advogado, torna-se um ad- ministrador de seu próprio escritório, podendo expandir esse conhecimento para outros advogados através de consultoria. O campo jurídico brasileiro passa e está passando por diversas transforma- ções dia após dia. Com isso, há uma insegurança daqueles que ingressaram ou estão para ingressar nessa área, pois são muitas perguntas e afi rmações que o mercado está saturado e que não é capaz de absorver todos os advogados formados em nosso país. É necessário ter coragem para se arriscar na busca de novos caminhos, ter espírito empreendedor para explorar as novas oportunidades (SILVA, 2017). Além de tudo, ser advogado também é ser um criador de negócios. A satisfação do seu cliente deve ser sempre avaliada para que os resultados possam benefi ciar tanto seu negócio como as pessoas que fazem parte dele. Líder é um profi ssional que faz com que a gestão esteja apta a enfrentar diversos obs- táculos independentemente da sua área de atuação. Busca sempre se relacionar com as pessoas certas e faz com que os resultados cheguem de forma mais rápida. O cliente leva em consideração alguns fatores primordiais antes de assinar um contrato de serviços jurídicos: referência e indicação de conhecidos; experiên- cias anteriores do profi ssional e seu histórico; fi rmeza e conhecimento da matéria; carteira já estabelecida de clientes; nível de comprometimento do profi ssional com o seu problema; proposta fi nanceira justa, de acordo com sua possibilidade (ele precisa perceber que está pagando o preço certo e justo); estrutura física e digital do escritório; tecnologia empregada para o acompanhamento processual; quali- dade perceptível; atitudes pessoais dos funcionários; empatia, discrição e elegân- cia do advogado: qualquer exagero deve ser evitado; e estratégica de marca. 129 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 O somatório desses itens colabora para que o cliente possa formular seu juízo de valor e consolidar uma opinião fi rme sobre o profi ssional ou escritório que pretende contratar. A compreensão do comportamento dos clientes constitui a base de sustentação dos programas de marketing jurídico bem sucedidos. A com- preensão das necessidades, dos desejos e do comportamento de compra dos clientes-alvo permite a formulação de programas de comunicação mais efi cazes. Se mostra muito mais importante para impulsionar e diferenciar a carreira de um advogado que almeja ser um profi ssional completo e próspero em seu seg- mento. Para isso, deve acompanhar o avanço da sociedade, da tecnologia e ser multidisciplinar. Contudo, não querendo abranger tudo, pois isso pode lhe causar perdas e não sair um trabalho de qualidade. Dessa forma, se deseja ter sucesso dentro da sua carreira, deve ter um perfi l empreendedor, ter uma análise do seu negócio e ir em busca de inovação dentro do seu departamento, para que os resultados aconteçam de forma satisfatória. Com isso, além de ser um empreendedor jurídico deve ser uma pessoa proativa, curiosa para que os processos possam dar certo, como também ter uma análise detalhada de todo investimento feito dentro do seu negócio. É necessário que se tenham metas a serem traçadas para o empreendimento continuar a progredir. Assim, o profi ssional do futuro é aquele que atende as demandas e necessida- des dos seus clientes, que traz os resultados de forma esperada e que consegue se adaptar às novas mudanças. Quando está apto a investir nesse meio, torna-se uma pessoa proativa, dinâmica e que consegue organizar os seus processos e serviços. Além disso, passa a entender a necessidade de estudar a gestão, adotando novas práticas de inovações para se inserir dentro do ambiente tecnológico. A ideia de ter clientes satisfeitos já está fi cando ultrapassada. É preciso traba- lhar pelo sucesso deles. Isso sim fará toda a diferença na longevidade do relacio- namento profi ssional e trará gratifi cação para ambos os lados: advogado e cliente. 2.8 OS DESAFIOS DO EMPREENDEDORISMO JURÍDICO Visar somente o lucro fi nanceiro não traz desenvolvimento de nenhuma orga- nização, é preciso saber como gerir os processos e ter um planejamento concreto do que vai ser realizado. As ideias de crescimento devem ser vistas por pessoas que estejam aptas a medir e correr atrás dos objetivos desejados. 130 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Em qualquer outra área se faz necessário ser inovador a cada segundo para que, assim, a carreira alavanque. Dessa forma, a inovação traz a relação de algo novo, a fi m de trazer um desenvolvimento para o meio que se atua, além de ir em busca de novas ideias. O processo de inovação é um processo chave associado com a renovação e a evolução do meio que está inserido. Portanto, é uma atividade essencial li- gada à sobrevivência e ao crescimento (PAVITT, 2014). A qualidade nos serviços traz uma melhor interação com os consumidores quando julgam suas percepções para melhor atender às suas necessidades (VALIERE, 2015). É importante ter planejamento, o qual se torna essencial, principalmente na área jurídica, pois quando se possui um bom planejamento as ações realizadas passam a dar certo, além de possuir melhor organização de metas para alcançar os objetivos de forma defi nida e ter melhor análise da competitividade entre os seus concorrentes. O planejamento consiste na tomada antecipada de decisões sobre o que pode ser feito, antes da ação ser necessária sob o aspecto formal. Planejar con- siste em simular o futuro desejado e estabelecer previamente os cursos de ação necessários e os meios adequados para progredir (LOPES, 2016). As estratégias bem defi nidas fazem com que os resultados possam dar cer- to, se tiver decisões assertivas para poder benefi ciar os clientes que irão fazer parte do escritório, como também, a perspectiva em assumir futuros clientes. A estratégia faz com que os resultados possam melhorar e determinem aonde quer chegar e qual caminho seguir, além de defi nir os objetivos, através das oportuni- dades previstas. Não basta somente investir nelas, é necessário que as decisões cheguem de forma rápida e que tragam os resultados precisos (OLIVEIRA, 2010). Os clientes, principalmente da área jurídica, querem esses resultados, e isso deve ser acompanhado de forma correta pelo advogado e sua equipe. É preciso ter limites e saber onde o seu cliente quer chegar, afi nal de tudo, é ele que conse- gue manter o empreendimento de pé, por isso é importante conseguir mantê-los ativos e buscar conquistar novos clientes para que as coisas possam dar certo. Quanto mais distantes de conhecer as necessidades reais de seus clientes, mais próximos do caos estarão os advogados. É urgente criar uma cultura de diferenciação caso a caso, utilizando todos os recursos disponíveis, como o relacionamento sofi sti- cado com clientes e a criação de um canal permanente de comunicação. Nessa perspectiva, é importante manter a diversidade dentro do mercado, prin- cipalmente quando se fala em empreender (LOPES, 2016). O ramo jurídico também deve estar ligado ao desenvolvimento da indústria 4.0 para se manter competitivo. 131 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 Com a chegada da Lei Geral de Proteção de Dados e com sua necessida- de, trouxe para o mercado das profi ssões jurídicas a importância de se ter um profi ssional especializado para as demandas do mercado, pois vários caminhos têm surgido para normatizações e implantações dessa referida lei em escritórios, empresas, organizações e outros. Por isso, éimportante estar sempre por dentro das mudanças no mundo, buscando atualizações, conhecimento, investimentos, isso faz parte de ser empreendedor no mundo jurídico. Empregabilidade nada mais é do que a capacidade que um indivíduo desen- volve de acumular e manter atualizadas suas competências e sua rede de relacio- namento e conhecimento, de forma a ter sempre em suas mãos o arbítrio sobre seu projeto de carreira. O mundo profi ssional não se refere a só ocupar um cargo, um emprego, e sim a buscar novas habilidades para manter-se em competitivida- de (CARDOSO, 2005). Nunca é demais dizer, mas para que, em um mercado competitivo se consiga vencer, exige-se que uma organização satisfaça a determinado conjunto de ne- cessidades do cliente com mais efi cácia do que seus concorrentes. É um princípio básico, mas ainda de pouca utilização no país. Isso ocorre em função da ideia, que agora começa a mudar, de olhar para o concorrente para aprender com ele as melhores lições. É bom saber que o seu cliente está atento a todas as movi- mentações que ocorrem no mercado jurídico. Dessa forma, com a globalização, as inovações tecnológicas mudaram a for- ma de todas as profi ssões de se manterem ativas e necessárias no mercado. Nota-se que, para isso, é muito importante sempre adquirir novos conhecimentos, que os habilita a acompanhar as mudanças no mercado de trabalho. Entende-se por empregabilidade a busca constante do desenvolvimento de habilidades e competências agregadas por meio do conhecimento específi co e pela multifuncionalidade, as quais tornam o profi ssional apto à obtenção de traba- lho dentro ou fora da empresa (MALSCHITZKY, 2015). É importante que, ao investir dentro do seu negócio, também passe a mol- dá-lo de forma correta para agregar valores dentro do mercado de trabalho. Com isso, é necessário que se tenha uma organização e se trace um plano de negó- cios bem defi nidos para melhor gerir os processos, além de trazer de forma mais detalhada o setor de atuação, quem realmente vai fazer parte dos serviços que ali serão prestados. Outro fator de grande importância para esse meio, está ligado às empresas que confi am no seu trabalho, dentro dos escritórios de advocacia, que se inse- rem dentro das demandas jurídicas. Assim, são formadoras de novos startups 132 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo que trazem para o ramo, uma melhoria no desenvolvimento dos seus processos, como também de forma enxuta, altas oportunidades por adotarem um modelo de negócio de forma escalável e rápida. Investir dentro da carreira de advocacia, a qual está cada vez mais detalha- da, exige que esses profi ssionais possuam uma visão estratégica e saibam lidar com o mercado. As transformações precisam de indivíduos que saibam manusear as ferramentas disponíveis para que os resultados possam chegar. Consequente- mente, é necessário talentos que estejam aptos a progredir (LOPES, 2016). Portanto, é importante que os profi ssionais passem a investir nessas em- presas dentro do seu escritório, para que, assim, possam ser solucionados os problemas, além de gerir melhor as tomadas de decisões. Com isso, a otimização de forma correta dos trabalhos, garante uma melhor competitividade e busca mais clientes por meio da inovação. Essas ferramentas que são desenvolvidas por es- sas startups garantem um melhor armazenamento de informações e execução dos prazos estabelecidos pelo escritório. 2.9 TECNOLOGIA A história da evolução dos escritórios de advocacia nos remete às décadas de 1970/1980, quando existiam apenas uns poucos escritórios com qualidade e formação internacional, aliado ao fato de estarmos vivendo uma reserva de mercado. Naquela época praticamente não existia concorrência, e, logo após, com a abertura do mercado brasileiro, o setor viveu um boom de crescimento e o mercado jurídico passou a viver uma situação cômoda de “sellers pricing”. Atu- almente a situação é exatamente oposta, com muita concorrência, pressão por preços e, principalmente, por efi ciência e excelência na prestação de serviços. O mercado é defi nido hoje como “buyers pricing” e a adoção de tudo o que trou- xer efi cácia e competitividade (incluindo nisso a tecnologia) não é mais opção e sim fator de sobrevivência. É impossível admitir a Advocacia moderna longe da tecnologia. Ela, por cer- to, alterou toda a forma de trabalho dos advogados, acelerando o fl uxo de infor- mações e facilitando a execução dos serviços. Assim, a área de tecnologia de um escritório de advocacia tem como missão promover o levantamento das necessidades na área de sistemas e informáticas do escritório, indicando quais são os sistemas mais modernos e mais adequados as suas necessidades imediatas e provisionadas. 133 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 Também é missão dessa área conhecer as áreas de atuação e necessidades específi cas do escritório, para efetiva coordenação da customização e adaptação de softwares disponíveis no mercado, ou vislumbrar a possibilidade de desenvol- vimento de software exclusivo, bem como desenvolver um trabalho de organiza- ção de métodos preliminares, visando a sua implantação e otimização. Todas as informações sobre clientes e contato, time sheet, faturamento, acompanhamento de processos, emissão de relatórios, despesas, contas a pagar, contas a receber, cobrança, contabilidade etc. Devem estar interligadas de ma- neira que possam ser consultadas reciprocamente pelos sócios e administração. O mercado de trabalho vem sofrendo diversas mudanças em decorrência do avanço da tecnologia e despertando o interesse dos profi ssionais mais atualiza- dos a inovarem na sua forma de atuação a fi m de se adequarem às necessidades da sociedade atual. Segundo Bruno Feigelson, Presidente da Associação Brasi- leira de Lawtechs e Legaltechs, “o advogado é, e sempre será indispensável. Po- rém, ele precisa estar inserido nesse novo mundo, do contrário, fi cará obsoleto. Estamos caminhando exponencialmente para algo novo e completamente impre- visível” (PINZON, 2017, s. p.). Assim, os softwares e as plataformas digitais devem ser utilizados como um meio a auxiliar os advogados nas suas atividades repetitivas e que demandariam seu tempo, auxiliar na gestão do escritório, na elaboração de contratos e no ar- mazenamento de informações. Atualmente, o mercado jurídico já possui algumas ferramentas para auxiliar os advogados em seus escritórios, como a (i) Jurimetria, um software jurídico que prevê probabilidade de ganho ou perda de alguma tese acordo com os tribunais, varas e juízes que nelas prescindem; (ii) a Big Data, sistema que armazena to- das as informações processuais, de arquivos internos, documentação de clien- te e todas as informações relacionadas ao escritório; (iii) a Inteligência Artifi cial, que é “uma série de algoritmos matemáticos ou estatísticos que permitem que máquinas desenvolvam raciocínios aproximados ao raciocínio humano para de- terminadas atividades” (SIQUEIRA, 2022, s. p.); (iv) o Blockchain, que, numa visão bem resumida, consiste em uma base de dados capaz de armazenar informações de transações sobre serviços e moedas digitais impedindo violação, ou seja, será a forma mais segura de fazer transações (ULRICH, 2014); e (v) os Contratos Inteligentes (smart contracts), que são contratos auto executáveis, isto é, as regras já são pré-estabelecidas dependendo do tipo de contrato, que pode ser realizado on-line facilitando a realização da transação. 134 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Assim, são várias as formas de se empreender que estão mudando o setor econômico no Brasil, de modo que a atual forma de criar negócios está sen- do, principalmente, através de uma economia compartilhada (ou consumo colabo- rativo), geralmente através de uma plataforma digital, que seja acessível para um maior número de pessoas,tornando o mercado muito mais competitivo. A Universidade de Stanford, localizada no Vale do Silício na Califórnia, reu- niu o curso de Direito e Ciência da Computação criando um projeto denomina- do por Codex, no qual, anualmente, é organizado o evento Future Law (o futu- ro das leis), que tem como principal pauta o debate sobre direito e tecnologia (INHANDS, 2018). Para cumprir a tarefa de trazer para este estudo as principais discussões acadêmicas existentes sobre as consequências, em relação ao acesso ao direito, provocadas pelas Legaltechs, recorreu-se a uma seleção de working papers da base Social Science Research Network (SSRN), além dos artigos, entrevistas e cases apresentados. No Brasil, tem-se a Associação Brasileira de Startups (ABS startups), criada em 2011, e posteriormente teve-se a criação Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L), criada em junho de 2017 com o objetivo de ter um espaço de comunicação entre os profi ssionais do Direito, as empresas de tecnologia e os de- mais setores do mercado jurídico, além de “incentivar as boas práticas e contribuir com esse momento de grandes transformações tecnológicas: a quarta revolução industrial” (AB2L, 2018). Na primeira perspectiva a tecnologia poderá promover mudanças nos serviços jurídicos tanto possibilitando que eles sejam realizados mais rapidamente, assim como com mais efi cácia, produzindo uma transformação incremental na atividade. 3 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES O Brasil possui milhões de profi ssionais do mundo jurídico, e isso faz muita gente acreditar que a área jurídica está saturada no país. O fato é que existem, sim, muitos operadores do direito, porém muitos não possuem uma boa expe- riência e não sabem lidar com as demandas do mercado e suas exigências, e acabam não tendo o destaque de forma precisa. É importante saber lidar com as cobranças do mercado, além do conhecimento sobre direito. A advocacia em grande escala faz com que os profi ssionais busquem novas estratégias, sejam empreendedores, e invistam em marketing e outros conhecimentos relacionados a sua área. 135 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 Um dos princípios mais importantes para prosperar na advocacia é saber ad- ministrar um escritório, seja físico ou home offi ce. Dessa forma, é importante que seja proativo e não passar a esperar pelos clientes. É preciso ir em busca deles e ter uma posição ativa. É importante encarar a advocacia como um meio e nunca um fi m. Pensar dessa forma motiva a buscar mais conhecimento, resultados e soluções acima do que os clientes esperam. É importante ter pensamento e visão diferente do que já é de costume de alguns profi ssionais, para poder encarar a advocacia e trazer melhores resultados. Para isso, faz-se necessário abandonar o senso comum e se destacar diante da maioria, vislumbrando-se dentro dos limites obrigatórios da OAB. Com isso, o advogado empreendedor deve ser aquele que está apto a as- sumir riscos, ser inovador e trazer os resultados que os seus clientes esperam. Conudo, não basta apenas investir no empreendedorismo, é preciso que se tenha uma análise de mercado concreta, conquistar clientes e fi delizar os que já fazem parte do seu empreendimento. Dessa forma, é importante ter visibilidade dentro do seu negócio e investir em pessoas capacitadas para fazer parte de sua equipe. Logo, o marketing é um fator importante que deve ser investido dentro do escritório de advocacia, do seu trabalho e sua marca, os quais devem ser vistos por milhares de pessoas para que, assim, possa chegar aos resultados precisos. Destarte, observa-se que foram citados alguns dos mais importantes pontos que criam e fazem de muitos advogados grandes empreendedores, mostrando as possibilidades imensas trazidas pelo empreendedorismo na aplicação, apren- dizado e aperfeiçoamento para a transformação da advocacia. Assim, estudar e aprender técnicas do empreendedorismo jurídico se torna um grande diferencial na presente e futura carreira de advocacia, pois, ser advogado empreendedor é buscar melhorias, soluções, resultados excelentes, para assim desenvolver cada vez mais sua área profi ssional de atuação. Nota-se que a tecnologia está cada vez mais avançada levando os profi s- sionais a buscarem novas capacitações e qualifi cações para se manter dentro do mercado. As empresas estão cada vez mais seletivas e isso faz com que difi culte as contratações e preenchimento de vagas. Para se inserir dentro do mercado em grande competição, o profi ssional deve investir na sua carreira, se aperfeiçoar e buscar sempre a inovação para conseguir se sobressair em sua área de atuação. Em suma, o trabalho desenvolvido é de grande importância, principalmente para os profi ssionais da área jurídica que desejam investir dentro do escritório de advoca- cia, visto que o mercado requer muito mais que uma implementação de negócio, tor- na-se fundamental ter visão ampla do que está sendo feito, buscar sempre meios que tragam resultados para os seus clientes, ou seja, eles estão à procura de profi ssionais aptos às novas mudanças e que possam garantir qualidade nos serviços prestados. 136 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo 1 Para cada uma das afi rmações a seguir sobre Inovação, classifi que V para as sentenças verdadeiras e F falsas: a) ( ) Inovação é o processo que inclui as atividades técnicas, concepção, desenvolvimento, gestão e que resulta na co- mercialização de novos (ou melhorados) produtos, ou na primeira utilização de novos (ou melhorados) processos. b) ( ) A aceitação do mercado para um novo produto é o que gera o resultado da inovação organizacional. c) ( ) A invenção abrange a difusão e aceitação da inovação pelo público-alvo pré-defi nido. d) ( ) Os sistemas nacionais de inovação (SNIs) são compos- tos por instituições públicas e privadas que formulam em conjunto as atividades de ciência, tecnologia e inovação. e) ( ) A introdução e a difusão de uma inovação radical não re- presentam a mudança do paradigma tecnológico vigente. f) ( ) Inovações radicais são capazes de mudar a base econô- mica e tecnológica presente na sociedade. g) ( ) O processo de inovação da empresa é socialmente cons- truído por um grupo de diferentes agentes, interno se externos à empresa e é processual, ou seja, a empre- sa consegue inovar e manter-se inovativa por meio da aprendizagem e do desenvolvimento de capacidades. h) ( ) A aceitação do mercado para um novo produto é o que gera o resultado da inovação organizacional. 2 No texto a seguir, evidencia-se uma prática comumente usada pelas organizações para identifi car padrões de sucesso utilizado por outras companhias. “No fi nal da década de 1970, executivos da empresa americana Xerox estavam receosos com o avanço de concorrentes estran- geiros no mercado de copiadoras. Na época, os custos de pro- dução da Xerox eram similares ao preço fi nal dos concorrentes, como a japonesa Canon. A Xerox, então, passou a criar novos parâmetros de custos com base nos produtos das outras empresas – inclusive, desmontou copiadoras para bisbilhotar componentes.” 137 VISÃO E PENSAMENTO DO EMPREENDEDOR JURÍDICO Capítulo 3 Esse procedimento é conhecido por: a) ( ) 5 s. b) ( ) kaizen. c) ( ) seis sigma. d) ( ) benchmarking. e) ( ) alavancagem operacional. 3 Benchmarking é o processo contínuo e sistemático que permite a comparação das performances das organizações e respectivas funções ou processos face ao que é considerado o melhor nível, visando não apenas à equiparação dos níveis de performance, mas também a sua superação. Relacione as colunas de modo que cada tipo de benchmarking esteja associado com a sua defi nição. I- Benchmarking competitivo. II- Benchmarking genérico. III- Benchmarking funcional. IV- Benchmarking interno.( ) É tomar como referência as práticas e processos de outros setores dentro da própria empresa, e tentar apropriá-los ou melhorá-los para outros setores. No âmbito interno, o benchmarking favorece a própria empresa, uma vez que não precisa ter custos com pesqui- sas externas, e é um processo mais fácil de ser executado. ( ) Está relacionado com os processos e gestão de empresas con- correntes. É uma área delicada, pois empresas concorrentes defendem e escondem as práticas que as levam ao sucesso. ( ) É, muitas vezes, comparado ao genérico porque é relativo a um processo de atuação da empresa, como a distribuição. ( ) Consiste na comparação de parâmetros da funcionalidade das empresas, em aspectos como o tempo que um determinado produto demora a chegar ao cliente, desde que foi requisitado. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) IV – III – I – II. b) ( ) II – III – I – IV. c) ( ) IV – I – II – III. d) ( ) II – IV – III– I. e) ( ) IV – I – III – II. 138 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LAWTECHS E LEGALTE- CHS. Ab2l, c2018. Manifesto. Disponível em: https://ab2l.org. br/ecossistema/manifesto/. Acesso em: 26 maio 2018. BAGGIO, A.F.; BAGGIO, D.K. Empreendedorismo: Concei- tos e defi nições. Revista de Empreendedorismo, Inova- ção e Tecnologia, [s. l.], v. 1, n. 1, p. 25-38, 2015. BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. BOWER, M.; KONWERSKI, P. A Mindset for Career Curiosi- ty: Emerging Leaders Working in the digital Space. New Direc- tions for Student Leadership, [s. l.], n.153, p.89–101, 2017. DWECK, C. S. Mindset: a nova psicologia do su- cesso. São Paulo: Objetiva, 2017. CARDOSO, I. Empregabilidade: um desafi o ao seu al- cance. São Paulo: Saraiva, 2005. CAMPOS, V. F. Gerenciamento da rotina do trabalho do dia a dia. 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O sócio pode ingressar na data de constituição, ou seja, ao abrir empresa, mediante a assinatura do contrato social, estatuto ou ato constitutivo; ou posterior- mente, mediante a subscrição do capital social e/ou mediante substituição de um sócio que está se retirando. Na sociedade de pessoas, podemos dizer que o sócio é de grande importân- cia na sociedade, e cada um dos existentes é fi gura única na empresa. Já na so- ciedade de capitais, o mais importante é de fato o capital subscrito e integralizado, e aqui não é importante quem de fato são os sócios da empresa. De acordo com o Código Civil, Artigos 1.002 e 1.003, temos que “o sócio não pode ser substituído no exercício das suas funções, sem o consentimento dos demais sócios, expresso em modifi cação do contrato social” e “a cessão total ou parcial de quota, sem a correspondente modifi cação do contrato social com o consentimento dos demais sócios, não terá efi cácia quanto a estes e à sociedade” (BRASIL, 2002). O sócio administrador é defi nido no contrato social, e deve ser escolhido pelo sócio majoritário ou pelos sócios titulares de, pelo menos, ¾ do capital social da empresa. Da mesma forma, só poderá ser destituído de sua função de administrador da sociedade, quando os sócios titulares de 2/3 do capital da empresa assim defi nam. Esta destituição pode ocorrer caso o sócio administrador não cumpra com os seus deveres, ou o faça de forma incorreta ou contra os melhores interesses da sociedade. Ainda cabe, contra ele, ação indenizatória, caso fi que provado que houve dolo em suas ações. Ainda segundo o Código Civil, temos no Artigo 1.032 disposto o seguinte: “A retirada, exclusão ou morte do sócio, não o exime, ou a seus herdeiros, da res- ponsabilidade pelas obrigações sociais anteriores, até dois anos depois de aver- bada a resolução da sociedade; nem nos dois primeiros casos, pelas posteriores e em igual prazo, enquanto não se requerer a averbação” (BRASIL, 2002). Sendo assim, a responsabilidade do sócio administrador pode perdurar por até dois anos após a sua retirada da sociedade. 18 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Existem empresas limitadas de pequeno e médio porte que preferem que a função da administração seja realizada pelo sócio majoritário. Quando a empresa possui grande porte, contudo, as tarefas são repartidas geralmente entre os só- cios majoritários e profi ssionais qualifi cados, no caso de contratação de terceiros. Os sócios de uma empresa (comanditário, na sociedade de comandita sim- ples, e quotista, na Ltda) possuem responsabilidade limitada, caso o patrimônio desta se mostre insufi ciente para responder por todas as dívidas da sociedade. O limite de suas responsabilidades é o total do capital subscrito, e não o integralizado. Caso o contrato social estabeleça que o capital já está total- mente integralizado, os sócios não possuem nenhuma responsabilidade pelas obrigações sociais. É claro que, caso o sócio fraude credores por conta da limitação patrimonial, ele será responsável ilimitadamente pela obrigação da sociedade, com a descon- sideração da personalidade jurídica. Toda essa responsabilidade é aplicável ao sócio administrador. É o Artigo 1.016 do Código Civil que estabelece que os administradores so- cietários, que poderão ser sócios e/ou administrador não sócio, respondem soli- dariamente perante à sociedade e aos terceiros prejudicados, por culpa ou dolo no desempenho de suas funções. Como representam a sociedade, os administradores estão sujeitos à respon- sabilização pelos atos praticados em desrespeito ao contrato, legislação ou ao estatuto social, sejam de natureza dolosa (com a intenção de lesionar a empresa e seu patrimônio) ou culposa (sem a intenção de lesionar). Com relação aos sócios administradores, imputa-se a responsabilidade pe- rante terceiros e internamente perante os demais membros da sociedade. A res- peito do tema, o Art. 158 da Lei das S/A (Lei nº 6.404/76) é expresso ao vincular apenas os administradores como responsáveis pelos atos de gestão praticados na condução da empresa. O nexo causal é elemento essencial para a responsabilização do sócio ad- ministrador por conduta dolosa ou apenas culposa, quando se verifi que a vontade de lesar terceiros ou a própria empresa, bem como diante da confi guração de negligência ou omissão na condução dos negócios. 19 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 2.5 ACORDO DE SÓCIOS Este termo, acordo de sócios, se faz comum nas sociedades empresárias, porém nas sociedades de advogados, não há na legislação a previsão acerca deste instituto, valendo assim analisar ordenamento jurídico em sentido lato, tanto para sua legitimação e verifi cação de validade quanto para utilização no âmbito desta modalidade societária. O acordo de sócios é um contrato parassocial, ou seja, é aquele contrato que fi xa regras e obrigações externas ao contrato social. Este documento exerce uma função importantíssima na estruturação de uma empresa, já que é o princi- pal instrumento que regula as relações entre os sócios. É nele que se determina os deveres e obrigações de cada participante da sociedade, objetivando, sempre prevenir e minimizar os possíveis confl itos decorrentes das relações travadas com o negócio e com os sócios. Algumas questões que podem ser tratadas no acordo de sócios e que, possi- velmente, não há razão para colocá-las no contrato social (já que este vai obriga- toriamente a registro na Junta Comercial, ou seja, torna-se público) são: defi nição das responsabilidades e obrigações de cada sócio; a forma de convocação e rea- lização das reuniões; mecanismos de ingresso e retirada de sócios (Cláusulas de Vesting e Cliff são comuns a documentos desta natureza); os quóruns de aprova- ção de atos administrativos; a política de governança decisória; a forma e condi- ções para distribuição dos lucros; as formas e condições de alienação de quotas; e dentre outras matérias de relevância interna. O acordo de sócios tem previsão e validade legal? Na realidade, a previsão legal é quanto ao acordo de acionistas (S/A), que é previsto no Artigo 118 da Lei nº 6.404/76, que regula as Sociedades Anônimas. Não há previsão legal para o acordo de sócios/quotistas de uma sociedade limitada, contudo, a sua utilização é aceita por analogia caso o contrato social – daí a importância de se fazer um bom contrato social – traga previsão de regência supletiva na Lei nº 6.404/76 (Lei das S/A). Quanto à validade legal, ele será um contrato válido caso preencha os requi- sitos para sua licitude, quais sejam: Deve seguir os requisitos para a validade de um negócio jurídico (Artigo 104 do Código Civil): agente capaz; objeto lícito, pos- sível, determinado ou determinável; forma determinada ou não proibida por lei; não pode afrontar nenhuma determinação legal; não pode desrespeitar nenhuma determinação do contrato social (é vinculado a este); e o acordo obriga as partes ao seu cumprimento. 20 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Caso o acordo de sócios contenha alguma matéria que deve, obrigatoria- mente, ser levada a conhecimento de terceiros, este deve ser registrado na OAB do seu estado. Contudo, o objetivo desse contrato é justamente não ter a neces- sidade de torná-lo público, o que pode ser prejudicial nos casos em que contenha informações estratégicas e confi denciais do escritório. Por isso, o que for impres- cindível que terceiros tenham conhecimento sobre a empresa, esta informação deve estar prevista no contrato social. 2.6 TRIBUTAÇÃO Há uma grande dúvida quanto à existência de tributação sobre a sociedade de advogados e quais os limites que deverão ser respeitados. É certo que, a tribu- tação incidente na sociedade de advogados é reduzida,comparada à tributação que incide sobre a advocacia, se praticada individualmente. Imposto de Renda de Pessoa Física ou Jurídica, ISS, INSS, CSLL, PIS e Co- fi ns. A sopa de letras dos tributos também atormenta a vida dos escritórios de advocacia pequenos, médios e grandes. Advogados autônomos e sócios de escritórios de advocacia têm tratamento diferenciado quando se fala em tributação. Os advogados autônomos estão su- jeitos a pagar três tributos: Imposto de Renda (IR), Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e Imposto Sobre Serviço (ISS). Já as sociedades somam seis tribu- tos: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), INSS, ISS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Programa de Integração Social (PIS) e, de acordo com recente decisão do Supremo Tribunal Federal, também a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofi ns). Para os advogados autônomos, é calculado 27,5% sobre os rendimentos a título de Imposto de Renda. O profi ssional tem que pagar, ainda, o INSS de autô- nomo e o ISS, que varia de município para município. Para as sociedades de advogados, o sistema de arrecadação do IRPJ pode ser por lucro presumido ou lucro real, não sendo este último muito usual para tri- butação dos escritórios de advocacia. Entram nesse seleto, sociedades que têm lucros de mais de R$ 48 milhões anuais e contabilidade muito minuciosa. O mais simples é o cálculo pelo lucro presumido. Para isso, o fi sco entende que o lucro no caso de escritórios de advocacia é de 32% da receita total da so- ciedade, calculada a cada três meses. Em cima desse valor é calculado o IRPJ. A alíquota é de 15%. Caso a média mensal da receita ultrapasse R$ 20 mil, é cobra- do 10%, além dos 15%, ou seja, 25% sobre o excedente. 21 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 Suponhamos que a receita total, ou seja, todo o valor que entrou na socieda- de, tenha somado R$ 60 mil nos três meses média mensal de R$ 20 mil. O fi sco presume que o lucro seja de 32%, ou seja, R$ 19,2 mil (pelos três meses). Neste caso, aplica-se a alíquota de 15%. O valor a pagar será de R$ 2.880. Caso a receita total seja superior a R$ 60 mil, por exemplo, de R$ 100 mil nos três meses, a média mensal fi ca acima de R$ 20 mil. Neste caso, a tributação é diferente. Sobre os R$ 60 mil, incidirá a alíquota de 15%. Entretanto, sobre o valor restante, de R$ 40 mil, deverão ser aplicados 25%. Assim, o escritório que faturou R$ 100 mil nos três meses vai pagar R$ 19 mil. Embora o lucro presumido de 32% do total da receita seja elevado, compen- sa calcular o IRPJ por meio desse sistema. Todo valor distribuído a título de lucro não fi ca sujeito à tributação, ou seja, pagar Imposto de Renda não é ruim; será um sinal de que a sociedade está lucrando. Já a CSLL, contribuição destinada para seguridade social, como saúde, será cobrada com alíquota de 9%. No exemplo em que o escritório somou receita total de R$ 60 mil, o escritório pagaria R$ 1,7 mil a título de CSLL, ou seja, 9% sobre o lucro presumido. No caso em que o escritório atingiu R$ 100 mil, a CSLL seria de R$ 2,8 mil. O ISS (imposto sobre serviço), por ser um imposto municipal, o modo como ele será cobrado mensalmente vai depender de cada prefeitura. A Lei Comple- mentar 116/03 serve de referência nacional. No município do Rio, por exemplo, a Lei 3.720/04 é quem dita as regras. Para as sociedades profi ssionais, a base de cálculo é de 2% sobre um valor fi xo, estabelecido pela lei. O valor fi xo irá variar dependendo da quantidade de profi ssionais nas so- ciedades. Uma sociedade com até cinco profi ssionais, terá de pagar 2% sobre o valor fi xo de R$ 2.287,83. Outro tributo é o INSS, pois o profi ssional autônomo terá que recolher, e que corresponde a 20% de sua remuneração. De acordo com portaria do INSS, a con- tribuição não podem passar de R$ 3 mil. Já nas sociedades, os profi ssionais recolhem 20% sobre o pró-labore, ou seja, sobre o valor defi nido pelo escritório a ser pago para cada um dos sócios de acordo com critérios pré-estabelecidos. Nesta quantia não é incluída a distribui- ção sobre o lucro. Além disso, é pago o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), que corresponde a 1% sobre o pró-labore. PIS e Cofi ns 22 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo O PIS e a Cofi ns incidem sobre o faturamento, ou seja, tudo o que a empresa recebe. A alíquota do PIS é de 0,65% e da Cofi ns, 3%. O faturamento do escritório pode ser alto, assim como as despesas. Como o que conta para o recolhimento é só o que se recebe, a cobrança de PIS e Cofi ns são os que mais pesam no bolso de qualquer empresa. A Lei Complementar 70/91 previu expressamente a isenção da Cofi ns para advogados. Entretanto, em 1996, uma lei ordinária revogou a isenção, dessa for- ma, ainda há discussão sobre o tema nos tribunais. 3 ESTRUTURA ADMINISTRATIVA / CAPITAL HUMANO O capital humano como os ativos intangíveis inerente às pessoas no exercí- cio de suas funções, o que as tornam valiosas para as empresas (DAVENPORT, 2001). “A intangibilidade atribuída ao capital intelectual deve-se ao facto de este ser também composto por capital humano que, dizendo respeito às pessoas e ao conhecimento por elas detido, incorpora elementos sobretudo tácitos e conse- quentemente intangíveis” (CABRITA, 2009, s.p.). O capital humano como as capacidades e experiências individuais dos cola- boradores, segundo Edvinsson (1998, s.p.), “o capital humano pertence aos fun- cionários e não pode ser propriedade da empresa”. “O capital humano é a fonte de inovação e renovação dentro da empresa” (STEWART, 1998, s.p.). Este autor defi ne ainda o capital humano como aquilo que os colaboradores levam para casa no fi nal do dia de trabalho. Davenport (2001) considera que o capital humano é o maior património de uma organização, salientando a importância da interação entre as organizações e os seus colaboradores, bem como as relações estabelecidas entre eles. O capital humano é uma fonte de inovação e o bem mais valioso da organiza- ção, capaz de alavancar os lucros, pois para Cabrita (2009) “[…] só os elementos humanos de uma organização são capazes de aprender, mudar, inovar, sonhar e incutir confi ança, gerando e acumulando capital humano que assegura a competi- tividade a prazo de uma organização” (CABRITA, 2009, s.p.). Esta autora salienta ainda que “o capital humano é identifi cado como o motor da atividade econômica, da competitividade e prosperidade económica” (CABRITA, 2009, s.p.). 23 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 Nesse sentido, o capital humano move a organização de modo a gerar ativos para ela, tornando-se primordial para que a empresa não perca competitividade. Caso este “motor” enfraqueça ou seja mal direcionado, a organização poderá ter perdas face à concorrência (CABRITA, 2009). De forma resumida, pode-se afi rmar que o capital humano é o resultado do conhecimento, atitudes, virtudes e qualidades dos trabalhadores. Westnes (2005, s.p.) defi ne que o “capital humano inclui a combinação de conhecimento e habili- dades dos trabalhadores”. “A inovação como elemento caraterizador dos trabalhadores integrantes do capital humano” (BONTIN, 2002, s.p.). “O capital humano inclui competências co- letivas, capacidades, habilidades e experiência dos empregados e dos gestores, bem como a sua criatividade e inovação” (MALHOTRA, 2003, s.p.). Por ser uma característica intrínseca dos trabalhadores, o capital humano não pode ser armazenado e por esta razão as empresas devem procurar maneiras in- ternas de retê-los e alavancá-los, investindo no conhecimento para que novos ta- lentos sejam formados e consequentemente o capital humano seja ampliado. A discussão sobre a gestão do capital humano tem vindo sistematicamente a ganhar mais espaço nos meios intelectuais e científi cos. De facto, este é um tema que se tem tornado cada vez mais presente nas preocupações das organizações, por agregarvalor e contribuir signifi cativamente para alcançar bons resultados Gerir o capital humano é a base para o crescimento da organização, afi nal as pessoas são responsáveis pelas operações diárias dentro da empresa. Perceber a necessidade de cada colaborador e promover um ambiente saudável são res- ponsabilidades da gestão (SÓLIDES, 2022, s. p.). Sem pessoas não há como fazer os negócios progredirem, esta concepção de que o principal capital da empresa não é o fi nanceiro, e sim o capital humano, vem sendo difundida há muito tempo. 3.1 DIRETRIZES ESTRATÉGICAS: MISSÃO, VISÃO E VALORES Muitos estudiosos da teoria da administração concordam que um dos primei- ros passos para desenvolver um planejamento estratégico é defi nir o trio missão, visão e valores da organização. Essa etapa diz respeito à defi nição da identidade organizacional, o propósito fundamental e identifi cação dos produtos e/ou servi- 24 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo ços e clientes, “defi nir a missão, a visão e os valores é uma das atividades mais importantes do planejamento estratégico e o que mais orienta a organização para o pleno exercício da liderança compartilhada” (CRUZ, 2017, s.p.). Visão: A visão é a antecipação do futuro desejado para a orga- nização. Ela refl ete o alvo a ser perseguido pelos esforços in- dividuais, pelos esforços da organização como um todo e pela alocação dos recursos nas operações diárias. Deve conter tanto a aspiração como a inspiração. A aspiração de tornar-se “algo” deve claramente estar colocada na visão, e a inspiração deve defi nir porque esse “algo” deve merecer e valer a pena ser concretizado. Todos na organização devem sentir orgulho em participar da construção dessa visão e, para que isto ocor- ra, novamente a visão deve ser algo assimilado naturalmente, como se fi zesse parte das aspirações de cada colaborador. Missão: A missão deve defi nir claramente o que a organização se propõe a fazer e para quem ela deve fazer. Deve ser uma declaração concisa do propósito e das responsabilidades da organização perante os seus clientes e a comunidade em ge- ral. A missão deve responder de forma inequívoca porque que a organização existe, o que ela faz e para quem faz. O pro- pósito da defi nição da missão é o de ser algo com muito mais signifi cado do que uma simples descrição daquilo que é feito internamente. A missão retrata a verdade de que o resultado da organização é maior do que a soma das partes do que é feito. Valores: São princípios morais ou crenças que servem de guia para o comportamento de todos os colaboradores dentro da organização. Na literatura internacional os valores são também conhecidos como way of life, modo de vida. Valores são ele- mentos que, necessariamente, devem guiar as atitudes e as decisões de toda e qualquer pessoa que, no exercício das suas responsabilidades e na busca dos objetivos da organização, esteja engajada nas operações do dia a dia. Os valores podem ser vistos como crenças ou princípios que defi nem e facilitam a participação das pessoas no desenvolvimento da missão, vi- são e, consequentemente, dos seus próprios valores; além de garantir o comprometimento dos empregados com a comuni- dade e a sociedade como um todo (CRUZ, 2017, s.p.). Tornar as asserções do trio visão-missão-valores públicas não devem ser dado como sufi cientes, faz-se necessário garantir que todos os colaboradores tra- balhem focados e alinhados numa mesma direção. “A missão, visão e valores de um escritório, em conjunto, representam a sua identidade, a razão de sua existência e os seus propósitos” (EMPRESAS E COO- PERATIVAS, 2022, s. p.). 25 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 A elaboração e implementação das diretrizes organizacionais são considera- das os passos iniciais do planejamento estratégico. O planejamento estratégico é uma ação primordial para o desenvolvimento da empresa, ou seja, é um proces- so administrativo que proporciona sustentação metodológica para se estabelecer a melhor direção a ser seguida pela empresa, visando um otimizado grau de interação com os fatores externos atuando de forma inovadora e diferenciada, que se inicia diante das diretrizes estabelecidas como missão, visão e valores da organização. O planejamento estratégico é uma técnica administrativa que proporciona à empresa identifi car a sua missão, seus pontos fracos e fortes, conhecer as opor- tunidades e as ameaças, através da análise do ambiente em que a empresa está inserida, resultando na determinação da direção que a organização deverá seguir. Os autores referenciados confi rmam a importância do estabelecimento das diretrizes organizacionais, partindo da missão; razão da existência da empresa, seguida da visão; onde a empresa pretende chegar, fortalecida pela tomada de decisão através dos valores; os seus padrões éticos. Mantendo uma visão global sobre planejamento, o planejamento estratégico corresponde ao estabelecimento de um conjunto de providências a serem toma- das pelo executivo para a situação em que o futuro tende a ser diferente do pas- sado; entretanto, a empresa tem condições e meios de agir sobre as variáveis e fatores; de modo que possa exercer alguma infl uência; o planejamento é ainda um processo contínuo e mental, um exercício mental que é executado pela em- presa, independentemente de vontade específi ca de seus executivos, sendo esta a razão de algumas empresas não terem um processo de planejamento estrutura- do, mas, mesmo assim, apresentam algumas ações planejadas. De acordo com Maximiano (2011, s.p.) planejamento estratégico é o proces- so de defi nir a estratégia da empresa, seguindo os seguinte passos: “onde esta- mos agora? > ponto de partida, qual o caminho percorrer? Quais as etapas inter- mediárias? Aonde queremos chegar? > Objetivo”. Mais detalhadamente o referido autor explica: Escolha de uma missão ou negócio, dentro de uma área de atuação ou ramo de negócios – especifi camente, a escolha de um produto ou serviço destinado a um mercado ou tipo de cliente. A missão é também chamada proposição de valor – como o nome indica, é a proposta que você faz aos clientes e mercados para que eles se motivem a oferecer dinheiro em troca. 26 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Defi nição de objetivos específi cos de desempenho dentro da estratégia como ser o líder de vendas no ramo de negócios, ser a empresa mais lembrada quando os consumidores pensam em adquirir o produto ou serviço. Os conceitos de planejamento estratégico enfatizam a elaboração das dire- trizes organizacionais. A missão, como sendo a razão de ser da empresa, a visão, concretizada como o direcionamento, e os valores considerados como os padrões para o comportamento das pessoas na organização. 3.1.1 Porque pensar em missão, visão e valores para uma organização? Missão, visão e valores são os princípios essenciais que irão nortear um em- preendimento. A defi nição desses três fatores ajuda de forma organizada a ela- borar um Planejamento Estratégico, e a direcionar as decisões e esforços dos gestores no dia a dia. Além disso, eles servirá como base para avaliação de com- portamentos e caminhos a serem seguidos. Veja a seguir, do que se trata cada um deles: • Missão Toda e qualquer organização tem uma missão a cumprir, sendo que essa missão representa a razão de existir de uma organização. A missão organizacional deve responder a três perguntas básicas: Quem so- mos nós? O que fazemos? E por que fazemos o que fazemos? “Propósito orientador”, assim poderia ser defi nida a missão, clarifi cando e co- municando os objetivos da organização, seus valores básicos e estratégia organi- zacional. A missão é defi nida em uma declaração formal, servindo como um lem- brete periódico a fi m de que os funcionários saibam para onde e como conduzir os negócios (ROCHA, 2009). [...] a missão deve ser objetiva, clara, possível e, sobretudo, impulsionadora e inspiradora.Ela deve refl etir um consenso interno de toda a organização e ser facilmente compreendida pelas pessoas de fora da organização. A missão deve tradu- zir a fi losofi a da organização, que é geralmente formulada por seus fundadores ou criadores através de seus comportamen- tos e ações. Essa fi losofi a envolve os valores e crenças cen- trais, que representam os princípios básicos da organização que balizam a sua conduta ética, responsabilidade social e suas respostas às necessidades do ambiente (CHIAVENATO, 2010, p. 63-64). 27 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 • Visão Signifi ca a imagem que organização tem de si mesma, vendo sua imagem projetada no espaço e tempo. A visão deve ser adequada aos recursos dos quais dispõe, do tipo de relacionamento que deseja manter com seus clientes e merca- dos, do que fazer para satisfazer continuamente as necessidades dos seus clien- tes, de como irá atingir objetivos organizacionais, das oportunidades e desafi os que deve enfrentar, de seus principais agentes, quais as forças que a impelem e que condições opera (CHIAVENATO, 2020). A visão geralmente está voltada para aquilo que a organização pretende ser, portanto, muitas empresas colocam a visão como um projeto que elas gostariam de ser dentro de certo prazo de tempo e qual o caminho futuro e compreensão das ações necessárias para torná-lo rapidamente um sucesso (ROCHA, 2009). • Valores Valores são princípios ou crenças que servem de guia ou critérios para com- portamentos, atitudes e decisões de todas e quaisquer pessoas que, no exercício das suas responsabilidades e na busca dos seus objetivos, estejam executando a Missão, em direção à Visão. Os Valores facilitam a participação das pessoas no desenvolvimento da Mis- são e da Visão e resultam no comportamento entre a equipe, o mercado, a comu- nidade e a sociedade. O reconhecimento dos Valores de uma organização per- mite predizer o funcionamento dela e o comportamento organizacional dos seus membros (COLLINS; PORRAS, 1998). A função dos Valores é orientar a vida da empresa, norteando o comporta- mento dos membros, uma vez que determinam sua forma de pensar e agir. Eles predizem o dia a dia da empresa e podem até serem considerados como um pro- jeto da organização, de forma a alcançar as metas empresariais. 3.1.2 Como construir a missão, visão e valores na prática? Agora que vimos do que se trata a missão, visão e valores de uma empresa e demos alguns exemplos desses fatores em grandes empresas, confi ra algumas dicas de como construir cada um dos pontos de forma bem embasada: 28 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo 4 FERRAMENTAS DE GESTÃO No mundo cada vez mais competitivo, a necessidade de desenvolvimento de uma organização torna a elaboração de projetos fundamental, já que as organiza- ções estão em constantes processos de mudança, procurando um contínuo aper- feiçoamento, o que pode implicar em uma transformação. Assim, para uma organi- zação privada o não aprimoramento de sua empresa pode representar a seu fi m. Entretanto, só a criação de projetos não é sufi ciente, um bom planejamento, o acompanhamento adequado durante sua elaboração e execução é de extrema importância para que o projeto seja realmente produtivo. Sendo a comunicação durante o projeto uma competência essencial, para melhor compartilhar suas vi- sões, estratégias, planos, programas, tanto interno como externo. A maioria das pessoas almejam ter seu próprio negócio, e mais, colocar em prática a criatividade e construir algo que dure, seja através de ferramentas de Gestão Empresarial, metodologias de Marketing ou, até mesmo, através de ideo- logias capazes de potencializar a inovação e conduzir a empresa ao sucesso. • invista algum tempo na elaboração da missão, visão e valores, já que eles irão nortear todos os passos da empresa nos próximos anos. Por isso, devem ter bastante atenção e cuidado; • inclua todos os gestores e, se possível, colaboradores, no pro- cesso de elaboração; • defi na metas realistas e acessíveis que sejam totalmente voltadas aos resultados que se pretende alcançar no presente e no futuro; • espalhe a missão, visão e valores do escritório, deixando-os es- palhados em locais bem visíveis, de forma que sócios e colabo- radores estejam cientes das direções a se tomar e seus esforços sejam sempre condizentes a eles; • realize revisões periodicamente e ajuste o que for necessário, afi - nal o mundo corporativo sofre mudanças com frequência e isso pode ser refl etir nos pilares da empresa. Defi nir a missão, visão e valores de uma empresa é essencial para a ela- boração de um Planejamento Estratégico que a leve aos bons resultados e, com isso, um maior faturamento. Mas saber controlar, administrar e estruturar o seu negócio é também fundamental para o sucesso, veja o que uma gestão empresa- rial focada nos processos pode fazer pela sua empresa. 29 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 Assim, critérios e metodologias para seguir em um processo de expansão empresarial: valores, oportunidades, idealização, conceitos, maximizar a experi- ência do varejo por meio do design, estabelecer a conexão o design à marca, manter o orçamento, merchadising: maximizar os lucros, planejamento de exe- cução, colocar o modelo econômico em funcionamento, fontes para expansão, como crescer, quem precisa de quem e quando, inovação e defi nir a missão na nova era do varejo (RUBINFELD; HEMINGWAY, 2007). Segundo o IBGE (apud MACHADO, 2022, s.p.), “de cada dez empresas, seis fecham antes de completar 5 anos”. Baseado nesta declaração, ratifi ca-se a sig- nifi cativa relevância desta, pois no mundo atual é quase impossível empreender sem desenvolver estratégias empresariais, como ferramentas de gestão, softwa- res, marketing, além dos valores que a empresa deve conquistar, que auxiliem as etapas de projetos e execução. Visto que, atualmente, muitos empresários têm investido profundamente em plataformas que buscam desenvolver o espírito empreendedor, potencializar os conhecimentos nas áreas de engenharia de produção, bem como engenharia econômica, de produtos, planejamento e gestão da qualidade, marketing e de- sign, observa-se que a concorrência global está concretamente crescendo tanto pelo âmbito nacional quanto internacional. Contudo, costuma-se verifi car a apli- cação desses conceitos apenas por grandes empresas, como Coca-Cola, Ford, Nestlé, Starbucks etc. Dessa forma, reitera-se a importância da aplicabilidade dessa pesquisa também em empresas de pequeno porte, escritório de advocacia, ONGs, prestadoras de serviços, franquias, entre outras. 4.1 MÉTODOS ÁGEIS DE GESTÃO A maioria dos projetos até o ano de 2001 eram baseados na metodologia tra- dicional de desenvolvimento de software, cujo enfoque era no planejamento que subsidia todo o desenvolvimento posterior (TOMÁS, 2009). Ainda no ano de 2001, ocorreu um grande movimento por parte de especia- listas e analistas desta área, o qual fi cou conhecido como o manifesto ágil. Este manifesto teve como principal marco, uma declaração elaborada por 17 especia- listas, dispondo de valores e princípios voltados à melhoria e agilidade do proces- so de desenvolvimento, onde se propôs uma metodologia alternativa à tradicional, conhecida como metodologia ágil (OLIVEIRA, 2018). Durante o manifesto, fi cou acordado que algumas áreas, princípios e campos deveriam ser melhor aborda- dos e/ou valorizados. São eles: 30 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo • indivíduos e interações ao invés de processos e ferramentas; • software executável ao invés de documentação; • colaboração do cliente ao invés de negociação de contratos; • respostas rápidas a mudanças ao invés de seguir planos (OLI- VEIRA, 2018, s. p.). Este conjunto de princípios concentra-se na colaboração do cliente, no valor dos indivíduos e na adaptação às mudanças, o que corrobora paracriação de pro- dutos de qualidade e que melhor atenda à realidade do cliente. As metodologias ágeis prezam, prioritariamente, por um software funcional ao invés da produção de uma documentação extensa. O ponto chave é o excessivo gasto de tempo produzindo documentação que não agrega valor nenhum ao projeto e que esse esforço deve ser direcionado para o desenvolvimento do software, ou seja, deve-se evitar qualquer documentação que não será usada (LIMA, 2007). O manifesto ágil não abandona processos, ferramentas, documentação e nem planejamento, mas mostra que eles têm uma importância secundária reforçando a ideia de que seja produzido e utilizado somente o necessário (OLIVEIRA, 2018). Nas abordagens ágeis o desenvolvimento de software acontece de forma in- cremental, ou seja, especifi cações vão sendo inseridas gradativamente, a partir de iterações de curta duração, que consiste em liberação de pequenas partes fun- cionais do sistema ao cliente, o que, consequentemente, impõe o caráter adapta- tivo (ALVES, 2012). Existem diversos métodos ágeis, entre eles: Extreme Programming (XP), Scrum, Crystal, Feature Driven Development (FDD), Dynamic Systems Develo- pment Method (DSDM), Kanban. Com relação a estes métodos, as pesquisas na literatura têm apontado para ganhos de produtividade nos mais diversos tipos de projetos, devido a forma como lidam com imprevisibilidades, e têm sido usados tanto no gerenciamento, como no desenvolvimento de software. Por exemplo, o Scrum apresenta mais ênfase no gerenciamento de projetos; já o XP é mais foca- do no desenvolvimento. Em resumo, no contexto de metodologias ágeis, ser ágil não está relacionado apenas a executar um projeto de forma rápida, mas sim em compreender que o envolvimento do cliente é necessário, o principal interessado em obter o produto; da percepção que os requisitos mudam e da necessidade de fl exibilização para acomodar essas mudanças, onde uma comunicação frequente têm um impacto positivo, no sentido de troca de conhecimento, de deixar a equipe a par do que está sendo realizado, entre outros parâmetros. 31 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 4.1.1 Kanban Figura 2 – Scrum Na Prática Fonte: https://webdesign.blankid.de/blog.html. Acesso em: 12 abr. 2022. Kanban é um termo em japonês que signifi ca cartão ou quadro de sinais e fi cou conhecido por ser uma metodologia de gestão visual, com cartões de infor- mações que registram as ações da indústria. Nesse método, as equipes fi xam um quadro em uma parede visível da sala de projetos, preenchendo-os com cartões que sinalizam os itens de trabalho se- lecionados para uma dada iteração, como forma de acompanhar o trabalho (SIL- VEIRA; CONCEIÇÃO, 2015). O quadro Kanban é divido em fazer (“To Do”), onde são elencadas a tarefas a realizar; Fazendo (“Doing”), onde encontram-se as ta- refas em andamento; e Feito (“Done”), constando as fi nalizadas. Assim, dispondo de uma visualização do status de cada tarefa (RIBEIRO & RIBEIRO, 2015). 4.2 SCRUM O Scrum é um modelo ágil de processo foi desenvolvido por Jeff Sutherland e por sua equipe no início da década de 1990 (TOMÁS, 2009). Nele há um padrão de processo em que ocorrem as tarefas de trabalho, sendo esta, uma abordagem iterativa e incremental, a qual reage bem às mudanças e é indicado para projetos a serem desenvolvidos em curtíssimos prazos. 32 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo 4.3 CANVAS O Modelo de Negócio Canvas tem como principal ponto forte a simplicidade. Por meio de um quadro, o empreendedor pode enxergar as nove principais variá- veis de seu negócio: Clientes, Proposta de Valor, Canais, Relacionamento, Receita, Recursos Principais, Atividades-chave, Parcerias Principais, Estrutura de Custo. Cada vez mais popular entre os profi ssionais da área empre- sarial, o Canvas é uma ferramenta desenvolvida para ajudar a desenvolver e estruturar negócios que vem dando o que falar. Oferecendo várias vantagens em relação aos métodos tradicionais, conhecer como funciona o Canvas é uma ideia no mínimo interessante para qualquer pessoa inserida no mundo dos negócios – especialmente quem está sempre atrás de so- luções para fazer a sua empresa crescer. Com um formato prático e objetivo, o Canvas pode ser utilizado para várias aplicações diferentes, promovendo versatilidade e funcionalidade tanto para a elaboração de modelos de negócios quanto para organização de empresas já estabelecidas. Assim, pode ajudar todos os tipos de projetos e empreendimentos a analisar sua situação e identifi car os melhores caminhos para o seu desenvolvimento (OPPORTUNITY MAKER, 2022). Ao colocar os nove principais fatores-chaves em um único quadro, você con- segue ter uma visão completa do seu negócio, e a partir dele enxergar possíveis gaps, oportunidades de melhoria, ou pontos fortes, que mereçam ser ampliados. O ciclo de desenvolvimento do Scrum, inicia com a visão do produto que será desenvolvido, onde o proprietário (Product Owner) em conjunto com a equi- pe (Team Member) e o Scrum Master selecionam e priorizam as funcionalidades (Product Backlog) e as atribui as Sprints (Sprint Backlog). As Sprints são conhecidas como iterações e duram aproximadamente de duas semanas a quatro semanas, e nelas, as tarefas são executadas. Durante a realização das Sprints, ocorrem reuniões diárias de aproximadamente de 15 minutos, em que o time se reúne para discutir as atividades a serem realizadas no próximo dia. No fi nal de cada Sprint é realizada uma reunião mais incisiva para avaliar como está o andamento do processo (RIBEIRO & RIBEIRO, 2015). 33 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 Figura 3 – Ferramentas Canvas FONTE: . Acesso em: 12 abr. 2022. O Business Model Canvas, conhecido popularmente como Canvas ou Mode- lo Canvas, é uma ferramenta desenvolvida por Alexander Osterwalder como o re- sultado de pesquisas e testes para elaborar um recurso voltado à estruturação de negócios novos ou existentes. Na prática, o Canvas é um mapa visual, no formato de um quadro que contém um esquema estabelecido com espaços para inserir informações acerca dos fatores-chave para o funcionamento da sua empresa. Entender como funciona o Canvas é bem fácil. A ideia é que o quadro seja impresso ou exposto em um mural para que os gestores analisem as principais áreas que permitem a atividade da empresa, preenchendo os espaços disponí- veis para visualizar o seu negócio como um todo. Ele pode ser utilizado por um empreendedor individual, por uma pequena organização ou pela equipe de uma grande empresa – o propósito é sempre o mesmo: alinhar os principais setores da empresa e gerar uma compreensão mais ampla do seu funcionamento. 34 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo Com todas as principais informações a respeito da estrutura organizacional do negócio em um só lugar, é mais fácil analisar como está acontecendo o seu de- senvolvimento no cenário atual e projetar perspectivas futuras de mudanças para promover o seu crescimento. Assim, a ideia principal de como funciona o Canvas é criar um mapa estratégico, permitindo que toda a complexidade do planejamen- to de uma empresa seja analisada através de conceitos acessíveis. 4.4 GOVERNANÇA CORPORATIVA FIGURA 4 – GOVERNANÇA CORPORATIVA FONTE: . Acesso em: 12 abr. 2022. Com a expansão e descentralização de operações nas empresas, tem se tornado vital o estabelecimento de controles que proporcionem a defi nição cla- ra de procedimentos que visem dar perpetuidade aos negócios e aperfeiçoar os processos. Adicionalmente, busca-se um sistema equilibrado de decisões, que dê sustentação à perenidade das corporações através da gestão de uma bem estru- turada governança corporativa, com o intuito de fortalecer as empresas,reforçar suas competências a fi m de suprir novos níveis de complexidade e ampliar as bases estratégicas de criação de valor e fortalecimento no mercado. 35 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 Embora existam inúmeras defi nições de Governança Corporativa, será ado- tada neste trabalho a defi nição do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) transcrita a seguir: Governança Corporativa é o sistema pelo qual as organiza- ções são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre proprietários, Conselho de Administra- ção, Diretoria e órgãos de controle. As boas práticas de Gover- nança Corporativa convertem princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a fi nalidade de preservar e otimizar o valor da organização, facilitando seu acesso a re- cursos e contribuindo para sua longevidade (BRASIL, 2020). Em função de tal conceito um tanto quanto abrangente, percebe-se a rele- vância do tema para as organizações, de modo que a governança corporativa possui mecanismos que podem determinar uma gestão efi ciente e fundamental para a proposição de soluções para três problemas principais enfrentados na cú- pula das empresas (SILVEIRA, 2010): confl itos de interesses, limitação técnica e limitações devido a vieses cognitivos. Confl itos de interesses podem ocorrer tanto em empresas com dispersão do controle acionário, nas quais os executivos tomam decisões movidas por interes- ses pessoais para promoção de carreira em detrimento aos interesses dos acio- nistas; como em empresas com alta concentração acionária, nas quais os acio- nistas controladores são impelidos a gerir o negócio de modo a maximizar seu resultado individual em detrimento dos acionistas minoritários (SILVEIRA, 2010). A limitação técnica ocorre quando se concentram as decisões na fi gura de uma única pessoa que, provavelmente não reunirá todos os conhecimentos sufi - cientes para as principais questões que defi nirão os rumos do negócio nas com- panhias (SILVEIRA, 2010). Por fi m, as limitações devido a vieses cognitivos referem-se a possíveis im- pactos provocados pelas experiências e sentimentos pessoais do executivo em relação às perspectivas de negócios, podendo tomar decisões arriscadas e sem a devida independência emocional em relação aos projetos desenvolvidos (SILVEI- RA, 2010). Embora existam diversos modelos de governança corporativa praticados ao redor do mundo, que serão considerados nos próximos subtópicos, basicamente os mecanismos chave do processo de gestão pela governança são regrados por um sistema defi nido de valores que envolvem um senso de justiça e equidade no tratamento dos acionistas, respeitando os direitos dos minoritários; transpa- rência das informações impactantes nos negócios e nos riscos envolvidos para 36 EmPrEENDEDoriSmo JurÍDiCo sua condução; prestação de contas em conformidade com as práticas contábeis e sujeita aos exames de auditoria; e cumprimento das normatizações em linha com as regulamentações legais do país, bem como dos regimentos internos das com- panhias, tais como estatuto social e políticas internas (ANDRADE, 2004). O pilar da governança corporativa é o equilíbrio dos interesses de todas as partes, preservando o valor da empresa e sua longevidade. Esse comportamento, resulta em uma maior transparência, garantindo a imagem de uma empresa está- vel, de pouco risco e de grande transparência. A governança corporativa não é algo novo, apesar de ter se destacado ainda mais nos últimos anos. Seus primeiros passos foram dados com a descentraliza- ção da propriedade. Nesse cenário, começam a aparecer papéis diferentes dentro de uma mesma empresa e, com a entrada de mais pessoas em uma organização, começam a surgir alguns confl itos de interesses. Um pouco mais adiante, na década de 1970 foi criada uma teoria chama- da de “Teoria do Agente”, desenvolvida pelos economistas Michael C. Jensen e William H. Meckling, que focaram seus estudos em empresas britânicas e norte- -americanas, analisando a relação entre propriedade e controle, e confl itos das partes interessadas. Nessa teoria, são estabelecidos papéis de um agente principal, que é o cen- tro das relações de todos os interessados e um agente contratado, aquele que executa e toma decisões, porém, até mesmo nessa divisão confl itos aparecem, pois um agente tende a levar o negócio mais para os seus interesses. Com isso, os autores sugerem que as companhias implementem medidas que alinhem os interesses de todas as partes, como monitoramento, controle e troca de informações. O objetivo é alinhar interesses focando no sucesso da em- presa, e, então, surge a governança corporativa. A governança corporativa no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, começa a surgir junto com o novo mercado e na mesma época em que os primeiros códigos de GC passam a ser elaborados. No Brasil, esse movimento se dá principalmente pela onda de privatizações e abertura de mercado, e em 1999 o IBGC lança o seu primeiro Código das Melho- res Práticas de Governança Corporativa. Ao longo do tempo, as empresas brasileiras perceberam que as boas prá- ticas de governança atraem mais investidores, e as chances de uma empresa sobreviver por mais tempo aumenta quando se tem esse processo. 37 PLANO DE NEGÓCIOS Capítulo 1 Uma governança corporativa envolve a criação de estratégias, análises, fi s- calização, adequação, planejamento e diversos outros fatores que promovam um equilíbrio entre a geração de valor da corporação e os interesses de suas partes. Para explicar o objetivo de uma governança corporativa, vamos usar como exemplo um governo. Quando um governo se elege, ele faz uma série de promes- sas e objetivos a cumprir, porém, para alcançar esses objetivos é necessária uma boa gestão. Então, quando esse governo adota boas práticas, se mantém transparente com a sua população, evita problemas de corrupção e faz uma boa gestão, a tendência é que os objetivos sejam alcançados. Que esse país cresça de forma saudável, que a população tenha seus direitos básicos garantidos, e o país se torne próspero. Trazendo para o mundo corporativo o objetivo é o mesmo, governar uma em- presa com pilares e princípios, para garantir um crescimento saudável, longevidade, um bom valor econômico e atender a todos os interesses dos seus stakeholders. Em síntese, a literatura sobre GC defi ne o Sistema de Controle Interno como um conjunto de três mecanismos distintos: a) conselho de administração; b) In- centivos gerencias; e c) estrutura de propriedade (DENIS; MCCONNELL, 2003). Conselho de Administração: trata-se de um órgão deliberativo exigido le- galmente no brasil, sendo considerado um mecanismo direto de controle sobre administradores, cujas competências se resumem em defi nir os rumos da organi- zação e contratar, fi scalizar, demitir e compensar os diretores (MOTA; CKAGNA- ZAROFF; AMARAL, 2007). O principal mecanismo interno de controle, tendo a independência dos seus membros como característica essencial que permite o cumprimento de suas res- ponsabilidades (AGUILERA, 2015). Independência essa, entendida, objetivamen- te, como o membro sendo externo à empresa, o que, teoricamente, seria garantia de uma atuação estritamente técnica, com isenção emocional e fi nanceira e sem infl uência decorrente de relações pessoais ou profi ssionais (IBGC, 2015) . Estudos acadêmicos, nesse sentido, demonstram que a correlação positiva observada na teoria entre independência do CA e desempenho da empresa não possuem sustentação empírica conclusiva (AGUILERA, 2015). Por vezes na prá- tica, os conselhos de administração possuem membros que deveriam ser alvo de monitoramento. Para uma atuação efetiva do CA, algumas características são indispensáveis. São elas: a) presidência da organização e do CA serem