Prévia do material em texto
Disciplina Planejamento Estratégico Unidade 1 Estratégia Empresarial Aula 1 Evolução do conceito de estratégia principais escolas e pensadores de estratégia Introdução Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. A de�nição de uma estratégia clara é um dos pilares da administração das empresas. É a partir do planejamento estratégico que a empresa de�ne seus objetivos e as ações que realizará no cotidiano das operações para desenvolver suas atividades. O objetivo desta aula é apresentar os principais conceitos relacionados à estratégia empresarial, as principais linhas de pensamento e autores fundamentais que abordam a estratégia. Apesar de parecer um tema complexo e voltado apenas à gestão de grandes empresas, os conceitos do planejamento estratégico podem ser usados em empresas e organizações dos mais variados portes e que atuam em diversos segmentos da economia e da sociedade. Os conhecimentos acerca do planejamento estratégico também podem ser usados em sua vida pessoal e na gestão de sua carreira. Então, convidamos você para aprendermos juntos esses importantes conceitos. Bons estudos! Apresentação da evolução do pensamento estratégico Disciplina Planejamento Estratégico O termo estratégia tem sua origem no contexto militar. Uma das primeiras referências ao conceito da estratégia é encontrada no livro A Arte da Guerra, de Sun Tzu (2019), escrito por volta de 500 a.C. Já na Idade Moderna, a estratégia é abordada por Maquiavel (2008), que mostra a relação entre a estratégia militar, a gestão pública e as relações sociais. No mesmo período, Adam Smith (2021) aborda a estratégia no contexto econômico. O conceito da “mão invisível do mercado” mostra a in�uência dos fatores externos nas decisões das empresas e dos entes econômicos. No início do século XX, a estratégia ganha importância no contexto empresarial. A divisão do trabalho e a linha de produção, propostos por Taylor (2019) e colocados em prática por Ford, e a descrição das funções da gestão por Fayol (1990), têm como foco a gestão dos processos de trabalho e recursos internos. Nas décadas de 1930 e 1940, crises econômicas seguidas pela Segunda Guerra Mundial levaram à escassez de recursos e de mão de obra na economia global. As empresas passaram a se preocupar com fatores externos e buscaram aumentar a produtividade de suas operações. Neste contexto, Schumpeter (1997) analisa o processo de inovação, e Drucker (2019) aponta a importância do planejamento estratégico para orientar os esforços empresariais. O pós-guerra é marcado pela reconstrução da economia global. A internacionalização das empresas leva ao crescimento econômico e ao excesso de procura por produtos e serviços, aumentando a complexidade dos mercados em que as empresas atuam. A partir de 1960 são de�nidos conceitos gerais aplicáveis por empresas diversos portes e áreas, como a Análise SWOT (LEARNED et al., 1969), a Matriz BCG, a curva de experiência e a matriz de Ansoff (1977) – esta classi�ca as estratégias empresariais em quatro tipos, mostradas na �gura Disciplina Planejamento Estratégico a seguir. Duas são direcionadas a mercados existentes – penetração no mercado e desenvolvimento de produto –, e duas a novos mercados – desenvolvimento de mercado e diversi�cação. Figura 1 | Matriz de Ansoff. Fonte: Wikimedia. Na década de 1970 e 1980, são desenvolvidos alguns dos principais conceitos e surgem modelos de planejamento estratégico. Mintzberg (2005) aborda as funções estratégicas da gestão. Porter (1999) desenvolve os conceitos da cadeia de valor, da vantagem competitiva e das forças competitivas. Peters (2006) destaca a importância da cultura e da aprendizagem organizacional. Importante metodologia da gestão estratégica, o Balanced scorecard foi criado por Kaplan e Norton (1997), na década de 1990. A preocupação ética, a responsabilidade social e ambiental estão presentes no trabalho de Hamel e Prahalad (2005). Porras e Collin (2020) destacam a importância da estratégia para a sobrevivência das empresas no longo prazo, enquanto Senge (2018) discute a aprendizagem e a gestão de pessoas na empresa. O desenvolvimento das tecnologias da informação nas primeiras décadas do século XXI trouxe novos desa�os, como a relação com os consumidores, a formação de alianças, a reestruturação da hierarquia e a importância da inovação. Pressões relacionadas à responsabilidade social e ambiental fazem com que as empresas precisem revisar seu posicionamento e seus planos estratégicos. Neste período, destacam-se o conceito da estratégia do oceano azul, de Kim e Maugborne (2019), e os mapas estratégicos de Kaplan e Norton (2004). Disciplina Planejamento Estratégico Discussão sobre as principais escolas de pensamento estratégico Uma empresa pode ser entendida como uma forma de organização composta por um ou mais indivíduos, que produz, comercializa ou distribui bens, produtos ou serviços, para consumidores e clientes. Para isso, utiliza recursos naturais como matérias-primas, que são transformados em bens por meio do uso de conhecimentos e experiências, os quais estão presentes em seus recursos humanos. Para adquirir os recursos naturais, remunerar os recursos humanos e investir em estruturas, equipamentos e tecnologias, a empresa utiliza seus recursos �nanceiros. Ao realizar suas atividades, a empresa gera valor econômico e obtém resultados �nanceiros que remuneram o capital dos sócios e investidores. Os três tipos de recursos são mostrados na �gura: Figura 2 | Recursos utilizados pela empresa. Fonte: elaborada pelo autor. Disciplina Planejamento Estratégico A empresa precisa utilizar de forma e�ciente e e�caz os recursos de que dispõe. Porém, a empresa não atua sozinha no mercado: ela compete com outras empresas que comercializam produtos e serviços que atendem aos mesmos consumidores, e precisa lidar com aspectos externos em constante transformação, como fatores econômicos, políticos, legais, tecnológicos e comportamentais. Nesse contexto, é fundamental que a empresa tenha um plano claro e bem delineado, que de�na sua forma de atuação no mercado, sua postura diante dos concorrentes, sua oferta de valor para os clientes e os processos e atividades que desempenha para atingir seus objetivos. O conhecimento dos conceitos da estratégia e do planejamento estratégico possibilita ao gestor entender como os fatores externos in�uenciam a capacidade da empresa de atingir seus objetivos, bem como a importância dos recursos internos, especialmente aqueles relacionados a capacidades, conhecimentos e experiências presentes nos colaboradores, fundamentais para que a empresa aproveite as oportunidades e se prepare para os desa�os que surgem. O planejamento estratégico é ainda mais importante no mundo contemporâneo, marcado pelas profundas transformações causadas tanto pelo desenvolvimento tecnológico quanto por mudanças econômicas, alterações na estrutura demográ�ca dos países – como o envelhecimento da população –, e fatores culturais e sociais, em uma sociedade cada vez mais conectada. O conceito VUCA (Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity, ou volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade) foi desenvolvido na década de 1980 para explicar esse mundo instável e em constante transformação. A volatilidade se relaciona com o rápido desenvolvimento tecnológico, que muda a forma como negócios e mercados se organizam. Um exemplo é o impacto causado pelas redes sociais na estratégia das empresas. A incerteza é um re�exo da volatilidade, pois governos, pessoas e empresas precisam tomar decisões sem que possam analisar profundamente todas as informações. O fenômeno das fake news traz ainda mais incerteza. A complexidade pode ser exempli�cada pelos impactos da humanidade sobre o meio ambiente. Não é possível analisar isoladamente o impacto de cada mudança tecnológica e atividadepois prestam o mesmo serviço ao mesmo cliente. Apesar de ser uma pequena empresa, é possível identi�car os níveis hierárquicos: o proprietário representa o nível estratégico, que traça as estratégias e busca recursos para investir na empresa, o colaborador que faz a gestão representa o nível tático, e os pro�ssionais técnicos, o nível operacional. Seguindo as etapas do processo de planejamento estratégico, o primeiro passo que você pode tomar é fazer uma análise dos ambientes interno e externo da empresa. O ambiente externo é marcado por mudanças e transformações: aspectos como a pandemia da covid-19, desenvolvimento tecnológico dos produtos, disrupção tecnológica do mercado com o lançamento de veículos elétricos, fatores econômicos como a queda da venda de veículos novos e fatores culturais, como o aumento do uso de aplicativos de transporte, podem in�uenciar negativamente a atuação da empresa. Já a diminuição da venda de veículos novos, neste contexto, pode representar uma oportunidade, pois leva os consumidores a manter seus veículos por um período maior, trocando os serviços das concessionárias pelas o�cinas especializadas. Já no ambiente interno, a empresa apresenta tantos pontos fortes, como a localização da empresa, quanto pontos fracos ou a desenvolver, como a falta de tecnologias mais modernas e a necessidade de treinamento dos colaboradores. O próximo passo que você pode tomar é desenvolver, junto com o proprietário, o posicionamento estratégico da empresa, ou seja, a missão, visão e valores. Assim, é possível de�nir os objetivos de longo prazo da empresa, no caso, para os próximos cinco anos, período de�nido pelo proprietário como o horizonte de planejamento a ser seguido. Os planos de ação devem incluir tanto aspectos estruturais, como o investimento em ovos equipamentos e tecnologias, quanto aspectos relacionados ao desenvolvimento de competências nos colaboradores. Pode também incluir aspectos relacionados ao marketing, como uma nova forma de atuação, novos canais de atendimento ou ações de relacionamento com o cliente. Na etapa �nal, você pode propor indicadores de desempenho, tanto quantitativos, como a quantidade de clientes atendidos e valor de faturamento, quanto qualitativos, como a percepção de qualidade pelos clientes e a satisfação dos funcionários. Se você se dedicar e desenvolver um plano estratégico claro, bem de�nido e coerente, quem sabe seu familiar o convida a ser o gestor da empresa? Então vamos colocar o que aprendemos em prática? Disciplina Planejamento Estratégico Resumo visual Disciplina Planejamento Estratégico Figura 1 | Evolução do pensamento estratégico. Disciplina Planejamento Estratégico Figura 2 | Recursos empresariais. Figura 3 | Mundo VUCA. Disciplina Planejamento Estratégico Figura 4 | Estrutura hierárquica. Disciplina Planejamento Estratégico Figura 5 | Ferramentas e metodologias (estratégia). Disciplina Planejamento Estratégico Figura 6 | Objetivos do planejamento estratégico. Disciplina Planejamento Estratégico Figura 7 | Ciclo do planejamento estratégico. Disciplina Planejamento Estratégico Figura 8 | Posicionamento estratégico. Disciplina Planejamento Estratégico Figura 9 | Disrupção digital e transformação digital. Disciplina Planejamento Estratégico Figura 10 | Revolução digital. Disciplina Planejamento Estratégico Figura 11 | Business model canvas Referências Disciplina Planejamento Estratégico BIANCHIN, V. 62% dos brasileiros preferem apps de mobilidade ao próprio carro. Automotive Business, 8 fev. 2022. Disponível em: https://automotivebusiness.com.br/pt/posts/mobility- now/62-dos-brasileiros-preferem-apps-de-mobilidade-ao-proprio-carro/. Acesso em: 24 out. 2022. FEDERAÇÃO NACIONAL DE DISTRIBUIÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES (FENABRAVE). Emplacamentos 2013-2022. Fenabrave, 2022. Disponível em: http://www.fenabrave.org.br/portalv2/Conteudo/Emplacamentos. Acesso em: 24 out. 2022. RIATO, G. Com vendas de carros elétricos em alta, Anfavea vai fomentar postos de recarga. Automotive Business, 8 abr. 2022. Disponível em: https://automotivebusiness.com.br/pt/posts/mobility-now/carro-eletrico-infraestrutura-recarga- postos/. Acesso em: 24 out. 2022. , Unidade 2 Análise e Diagnóstico do Ambiente e De�nição dos Objetivos Estratégicos Aula 1 Análise do ambiente geral e do setor Introdução Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Uma empresa não atua de forma isolada: ela se relaciona com seus fornecedores, clientes, parceiros e empresas concorrentes, com as quais disputam a preferência do consumidor. Em um ambiente mais amplo, interage com o governo, o sistema legal e jurídico, a comunidade, o meio ambiente, com outras instituições que atuam na sociedade. Assim, mudanças políticas, econômicas, sociais, tecnológicas, ambientais e na legislação podem afetar diretamente a capacidade da empresa de realizar suas atividades e atingir seus objetivos. Realizar a análise do ambiente externo é um dos primeiros passos do planejamento estratégico. Como pro�ssional, você precisa entender como o ambiente externo afeta a empresa para poder contribuir com seus conhecimentos no processo de planejamento estratégico. Nesta aula, vamos discutir as análises do ambiente externo. Vamos aprender juntos? https://automotivebusiness.com.br/pt/posts/mobility-now/62-dos-brasileiros-preferem-apps-de-mobilidade-ao-proprio-carro/ https://automotivebusiness.com.br/pt/posts/mobility-now/62-dos-brasileiros-preferem-apps-de-mobilidade-ao-proprio-carro/ http://www.fenabrave.org.br/portalv2/Conteudo/Emplacamentos https://automotivebusiness.com.br/pt/posts/mobility-now/carro-eletrico-infraestrutura-recarga-postos/ https://automotivebusiness.com.br/pt/posts/mobility-now/carro-eletrico-infraestrutura-recarga-postos/ Disciplina Planejamento Estratégico Conceituação do ambiente externo: aspectos demográ�cos, econômicos, político/legal, socioculturais, tecnológicos e naturais Entender o ambiente no qual está inserida é fundamental para que a empresa ajuste suas estratégias a �m de se manter competitiva. Segundo Kotler e Keller (2019), é a partir das análises de tendências tecnológicas, políticas, culturais, demográ�cas sociais ou comportamentais que a empresa pode identi�car oportunidades e se preparar para lidar com as ameaças que possam surgir. Como destacam Leite e Gasparoto (2018), fenômenos como a globalização econômica, o desenvolvimento de novas tecnologias e modelos de negócio, o desenvolvimento das tecnologias de informação e de comunicação, as mudanças demográ�cas e sociais, bem como os efeitos causados pela atividade humana sobre o meio ambiente, são eventos externos sobre os quais a empresa não tem qualquer domínio, mas que precisa conhecer pois afetam seus planos estratégicos. Wright, Kroll e Parnell (2014) a�rmam que a análise do ambiente externo é determinante para o sucesso e até para a sobrevivência da empresa, pois é a base para a tomada de decisões estratégicas. Os mercados podem ser entendidos como um sistema em que diversos elementos interagem e se relacionam. O equilíbrio entre a quantidade de produtos e serviços ofertados pelas empresas que competem entre si e a quantidade de clientes que os buscam determina o preço do bem e, Disciplina Planejamento Estratégico consequentemente, a capacidade de cada empresa competir e atingir seus objetivos. Segundo Barros (2014), a lei da oferta e da procura, desenvolvida por León Walras no século XIX, explica que quando o preço de venda de uma mercadoria sobe, mais produtores passam a produzir esse produto. Porém, menos compradores estão dispostos a comprar a mercadoria a um preço elevado. Em um determinado ponto do mercado, a quantidade de produtos demandados diminuirá, o que leva o preço dele a cair. O preço que será encontrado quando a quantidade de produtos ofertadosfor igual à quantidade de produtos demandados. Ou seja, as ações de cada um dos integrantes deste sistema provocam reações em outros, modi�cando as relações entre eles. Para Moura e Azevedo (2021), a competitividade está relacionada à capacidade da empresa de entender as necessidades e os desejos dos consumidores, e identi�car a melhor forma de usar seus recursos e melhorar sua produtividade e capacidade de competição. Chiavenato e Sapiro (2009) destacam que as forças competitivas e os eventos que podem impactar a empresa podem ser previstos se a análise estratégica do ambiente externo for realizada de forma frequente e organizada. O conceito das forças competitivas de Porter (1989) identi�ca cinco forças externas que podem impactar a capacidade de a empresa competir: Figura 1 | As cinco forças competitivas de Porter. Fonte: Porter (1989, p. 19). Fernandes (2012) aponta que as mudanças e tendências observadas no ambiente podem signi�car tanto ameaças quanto oportunidades para a empresa, a depender de suas competências e recursos internos. Uma mudança que pode signi�car uma ameaça para uma empresa pode representar uma oportunidade para outra. Os impactos diferentes dependem do quanto elas estão preparadas para aproveitar uma situação favorável ou se proteger de uma mudança desfavorável. Disciplina Planejamento Estratégico Apresentação do funcionamento dos mercados: equilíbrio entre demanda e oferta e competitividade A análise do ambiente externo ajuda a empresa a antecipar uma tendência que pode modi�car o ambiente de negócios na qual ela atua, e deve levar em consideração as competências e capacidades atuais que possui. O ambiente externo é composto por diversos tipos de atores, conhecidos como stakeholders, como clientes, fornecedores, sociedade, governo e comunidade. Já os stakeholders internos são os funcionários, sócios e empresários, como mostra a �gura: Disciplina Planejamento Estratégico Figura 2 | Stakeholders da empresa. Fonte: elaborada pelo autor. Como exemplo, uma mudança demográ�ca observada no Brasil é o envelhecimento da população. Segundo o IBGE (IBGE, 2015), essa tendência é explicada pelo aumento da expectativa de vida, que era 75 anos para homens e 77 anos para mulheres, na década de 1980, e chegou a 80 anos para homens e 84 anos para mulheres, em 2020. Outra mudança é a diminuição da quantidade de �lhos por mulher, ou taxa de fecundidade, que era de 6,9 �lhos/mulher na década de 1940 e chegou a 1,9 �lho/mulher em 2010. Para uma empresa que atua no mercado de saúde, essa mudança pode representar tanto uma ameaça como uma oportunidade. Áreas como maternidade e pediatria podem apresentar um declínio nos próximos anos. Por outro lado, serviços relacionados à saúde do idoso, como gerontologia e serviços de cuidadores, podem apresentar um crescimento consistente. Mudanças nas forças econômicas, como as crises econômicas e o aumento do comércio internacional, podem representar diferentes impactos, de acordo com as capacidades da empresa. Se ela importa os produtos que comercializa, mudanças no valor do câmbio da moeda podem diminuir a capacidade de manter um preço competitivo. O aumento de um imposto de importação ou a proibição de importação de um determinado tipo de bem podem representar uma ameaça para esta empresa, mas uma oportunidade para uma empresa que fabrica seus produtos no próprio país. Em relação às forças político-legais e mudanças em legislações, a estabilidade das instituições e a alteração dos grupos políticos no poder podem alterar a forma como o mercado se organiza e o acesso a fontes de �nanciamento. Como exemplo, con�itos armados entre a Rússia e a Disciplina Planejamento Estratégico Ucrânia, nos primeiros anos da década de 2020, causaram impactos nas estratégias das empresas que dependiam da importação de produtos destes países. Mudanças socioculturais e o comportamento dos grupos sociais apresentam um impacto direto nas estratégias das empresas. Um exemplo é a mudança da postura da sociedade em relação ao consumo de cigarros. Há algumas décadas, era socialmente aceito que as pessoas fumassem até mesmo em ambientes fechados. O hábito era incentivado com investimentos pesados das empresas em campanhas publicitárias. Com o aumento da consciência em relação aos riscos do fumo à saúde, a sociedade passou a considerar o hábito ruim e prejudicial à pessoa e aos demais. As indústrias tabagistas precisaram repensar totalmente suas estratégias. Nas últimas décadas, as mudanças tecnológicas são as que apresentam o maior impacto sobre as estratégias das empresas. O rápido e constante desenvolvimento tecnológico pode alterar completamente um mercado, levando à criação de novos modelos de negócio. Um exemplo é o mercado editorial. Com o desenvolvimento dos livros digitais, o mercado passou por uma total transformação. As editoras passaram a competir com plataformas digitais nas quais os próprios autores publicam seus materiais. As livrarias sofreram com a competição com as lojas virtuais, que oferecem uma enorme quantidade de títulos e entregam diretamente na casa dos consumidores. As grá�cas sofreram com a migração dos livros físicos para o formato digital, os e-books, que podem ser acessados por equipamentos eletrônicos a um custo bem menor. Apresentação do modelo de análise do setor (modelo das 5 forças) Quando lemos notícias, assistimos a programas jornalísticos, discutimos a situação da economia, política ou mudanças sociais e como elas podem impactar nossa vida pessoal ou trabalho, estamos realizando uma análise do ambiente externo, mesmo que de forma simpli�cada e não organizada. Disciplina Planejamento Estratégico Porém, no contexto do planejamento estratégico de uma empresa, essa análise precisa ser baseada em critérios bem de�nidos, utilizando dados e informações con�áveis. Dados demográ�cos podem ser acessados em estudos o�ciais, como os realizados pelo Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE), que servem como referência por governos, empresas públicas, privadas e organizações não governamentais nacionais e mundiais. Informações sobre séries históricas e tendências econômicas são disponibilizadas por órgãos públicos como o Ministério da Economia e o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA). Um exemplo é o documento Carta de Conjuntura, publicado trimestralmente pelo instituto, que analisa os indicadores econômicos e faz previsões para os próximos períodos. Instituições públicas e privadas de ensino e pesquisa também oferecem análises econômicas gratuitas. Já empresas e institutos de pesquisa privadas comercializam relatórios com análises gerais ou especi�camente desenvolvidas para a empresa contratante. Análises que tratam dos concorrentes podem ser realizadas com dados coletados pela própria empresa, pelas equipes e pro�ssionais que se relacionam diretamente com clientes e fornecedores, como vendedores e compradores. A empresa também pode contratar consultorias especializadas que desenvolvem estudos setoriais. O conhecimento a respeito dos hábitos e comportamentos do consumidor, mudanças sociais e culturais que podem afetar a demanda pelos produtos e serviços da empresa é uma das informações mais importantes no processo de planejamento estratégico. As redes sociais e fóruns digitais de discussão e avaliação são uma fonte rica e atualizada de informações. A empresa precisa monitorar constantemente as menções à sua marca, produtos e concorrentes, para identi�car aspectos comportamentais e mudanças culturais, e entender os hábitos de consumo, demandas, relacionamentos, crenças e valores de seus consumidores, que podem in�uenciar os padrões de consumo. Pesquisas de marketing, desenvolvidas pela própria empresa ou por consultorias contratadas, ajudam a tomar decisões alinhadas com as mudanças comportamentais, diminuindo o risco de adotar estratégias equivocadas e redirecionar as estratégias organizacionais. Novas tecnologias que podem transformar os processos de trabalho da empresa ou provocaruma disrupção tecnológica no ambiente concorrencial e no modelo de negócios do setor representam um fator externo cada vez mais importante na estratégia empresarial. Identi�car tendências tecnológicas é desa�ador. Muitas tecnologias inicialmente promissoras podem não se concretizar na prática, enquanto outras representam uma mudança profunda na forma como a empresa realiza suas atividades. A empresa deve manter relações com instituições ligadas à inovação, fóruns e eventos que discutam novas tecnologias e acompanhar os movimentos de empresas concorrentes. Pela forma acelerada com que as inovações são implementadas pelas empresas, este monitoramento não deve ser realizado apenas quando se pretende realizar um planejamento estratégico. É necessário estar constantemente atento para entender os impactos da inovação sobre os negócios da empresa. Como pro�ssional, você pode desenvolver sua capacidade de entendimento do ambiente externo. Basta criar o hábito de se manter informado a respeito do mercado no qual atua, desenvolver relacionamentos com pro�ssionais que atuam no mercado e acompanhar as fontes de informação con�áveis que tratam do mercado. Assim, no futuro, quando for atuar no planejamento estratégico de uma empresa, terá a capacidade de entender como os fatores externos in�uenciam a estratégia da organização. Disciplina Planejamento Estratégico Videoaula: Análise do ambiente geral e do setor Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Você se mantém atualizado a respeito da economia e do mercado? Se interessa pelas inovações tecnológicas? Percebe mudanças no comportamento e no consumo das pessoas? Identi�ca mudanças na sua carreira e na forma como trabalha e estuda? Neste vídeo, discutiremos a importância da análise do ambiente externo na estratégia empresarial. A capacidade de entender como fatores externos afetam as empresas é uma competência fundamental para quem busca se destacar como pro�ssional. Por isso, convidamos você a aprendermos juntos. Vamos lá? Saiba mais O vídeo “Plano de negócios: 9 ferramentas incríveis para turbinar seu plano”, do canal Blog Abri Minha Empresa, aborda algumas das principais ferramentas utilizadas para estruturar um plano de negócio, de modo a tornar o empreendimento mais consistente. O vídeo apresenta diversas https://www.youtube.com/watch?v=a-9Sx3nVzS4 Disciplina Planejamento Estratégico ferramentas, como análise SWOT, forças competitivas de Porter, cadeia de valor, metas Smart, ciclo de vida do produto e ferramentas �nanceiras. Cada uma dessas metodologias de estudos e análise do negócio tem um papel importante na gestão de um negócio. O livro administração estratégica de mercado traz uma visão prática do processo de análise do ambiente externo, de forma estruturada, incluindo uma análise detalhada do cliente, da concorrência, do mercado e do ambiente, levando à compreensão das dinâmicas do mercado. Referências BARROS, Leonel Leite. As expectativas no pensamento dos autores marginalistas: Jevons, Menger e Walras. Revista Economia Política do Desenvolvimento, v. 6, n. 19, p. 1-29, 2014. CHIAVENATO, I.; SAPIRO A. Planejamento estratégico. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. FERNANDES, D. R. Uma visão sobre a análise da Matriz SWOT como ferramenta para elaboração da estratégia. Revista de Ciências Jurídicas e Empresariais, v. 13, n. 2, 2012. Disponível em: https://revista.pgsskroton.com/index.php/juridicas/article/view/720. Acesso em: 30 out. 2022. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Projeções da população: Brasil e unidades da federação. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2018. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101597.pdf. Acesso em: 30 out. 2022. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Mudança demográ�ca no Brasil no início do século XXI: subsídios para as projeções da população. Rio de Janeiro: IBGE, 2015. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhe s&id=293322. Acesso em: 13 maio 2022. KOTLER P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson Universidades, 2019. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788540701588/ https://revista.pgsskroton.com/index.php/juridicas/article/view/720 https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101597.pdf https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhe%20s&id=293322 https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhe%20s&id=293322 Disciplina Planejamento Estratégico LEITE, M. S. R.; GASPAROTTO, A. M. S. Análise SWOT e suas funcionalidades: o autoconhecimento da empresa e sua importância. Revista Interface Tecnológica, Taquaritinga, v. 15, n. 2, p. 184-195, 2018. Disponível em: https://revista.fatectq.edu.br/index.php/interfacetecnologica/article/view/450. Acesso em: 30 out. 2022. MOURA, A. V. M.; AZEVEDO, B. C. Matriz Swot como ferramenta de apoio na competitividade de micro e pequenas empresas. Revista Cientí�ca Eletrônica de Ciências Aplicadas da FAIT, Itapeva, n. 2, 2020. Disponível em: http://fait.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_ destaque/RElt113GJ83W2eZ_2021-6-8-16-27-59.pdf. Acesso em: 30 out. 2022. PORTER, M. E.; MONTGOMERY, C. A. A estratégia: a busca da vantagem competitiva. Rio de Janeiro: Campus, 1989. WRIGHT, P.; KROLL, M. J.; PARNELL, J. Administração estratégica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2014. Aula 2 Análise do ambiente interno Introdução Uma empresa pode ser entendida como um sistema, no qual a entrada é representada por recursos como matérias-primas, que são processados e transformados pelo uso de outros tipos de recursos, como equipamentos e conhecimentos dos colaboradores da organização. Como resultado, são criados produtos e serviços que são comercializados para atender às demandas https://revista.fatectq.edu.br/index.php/interfacetecnologica/article/view/450 http://fait.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_%20destaque/RElt113GJ83W2eZ_2021-6-8-16-27-59.pdf http://fait.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_%20destaque/RElt113GJ83W2eZ_2021-6-8-16-27-59.pdf Disciplina Planejamento Estratégico dos clientes. Entender como os diversos tipos de recursos são usados pela empresa é fundamental para criar vantagens competitivas em relação a seus concorrentes e atingir seus objetivos estratégicos. Nesta aula, vamos discutir a análise dos recursos e do ambiente interno da empresa, tendo como foco o conceito da visão baseada em recursos, etapa fundamental do processo de planejamento estratégico. Entender como a empresa usa seus recursos é fundamental para o pro�ssional que atua na gestão das empresas. Então, vamos aprender juntos? Conceituação dos tipos de recursos da empresa Para que uma empresa desenvolva suas atividades e atinja seus objetivos, de acordo com Carrera-Fernandez (2009), precisa atender às necessidades e desejos de seus consumidores, por meio da comercialização de produtos e serviços, produzidos a partir da transformação de matérias-primas em bens, com o uso de tecnologias e competências de que dispõe. Para desenvolver seu planejamento estratégico e melhorar sua competitividade, é importante que a empresa conheça os recursos de que dispõe. O modelo valor, raridade, imitabilidade e organização (VRIO) é uma ferramenta que classi�ca os recursos da empresa para de�nir as Disciplina Planejamento Estratégico vantagens estratégicas em relação aos concorrentes. O modelo é derivado do conceito da visão baseada em recursos – resources based view – desenvolvido por Barney e Hesterly (2008). Segundo Anjos e Moledo (2017), os recursos da empresa podem ser classi�cados como físicos, relacionados à infraestrutura, equipamentos e matérias-primas; humanos, que incluem os saberes, conhecimentos, experiências e competências dos colaboradores; e organizacionais, representadospelos processos, modelos de gestão, planos estratégicos e planos de ação utilizados na realização das atividades da empresa. No contexto da visão baseada em recursos, estes recursos são chamados de tangíveis, pois podem ser gerenciados e medidos de forma objetiva, por meio de indicadores quantitativos. Já os recursos intangíveis não podem ser medidos objetivamente, pois apresentam características subjetivas, como os relacionamentos da equipe comercial com clientes, a cultura e clima organizacional da empresa, o valor da marca e da percepção de qualidade por parte dos clientes, a motivação da equipe e os saberes que estão presentes na equipe, mas que não podem ser transcritos e transformados em conhecimentos da organização. Empresas concorrentes podem, até certo ponto, ter acesso aos mesmos recursos: se conta com os recursos �nanceiros necessários, pode comprar as mesmas matérias-primas, investir em equipamentos e tecnologias disponibilizadas por fornecedores dispostos a comercializar suas máquinas. Outros recursos são mais difíceis de serem imitados, como a experiência e os conhecimentos dos colaboradores. Para identi�car e utilizar uma vantagem competitiva, a empresa precisa entender que recursos tangíveis ou intangíveis não podem ser acessados ou desenvolvidos por seus concorrentes. Os processos de trabalho e relações que a empresa estabelece com parceiros, fornecedores e distribuidores também são recursos usados para desenvolver uma vantagem competitiva. Para Porter (1989), a empresa é composta por uma série de atividades inter-relacionadas, a que dá o nome de cadeia de valor, como mostra a �gura: Figura 1 | Cadeia de valor de Porter. Fonte: Porter (1989, p. 112). Fonte: Porter (1989, p. 112). Disciplina Planejamento Estratégico As atividades primárias da empresa são relacionadas ao processo de produção, comercialização e distribuição dos produtos e serviços. Já as atividades de apoio estão ligadas à infraestrutura, à gestão de pessoas, compras e aos processos de inovação e desenvolvimento de novos produtos e serviços. As vantagens competitivas identi�cadas pela empresa, ao analisar seus recursos, podem ser de curto prazo, quando os concorrentes podem ter acesso ao mesmo recurso. Por exemplo, a empresa pode adquirir um novo equipamento que permite diminuir o custo de fabricação e abaixar o preço de venda. Porém, se outra empresa adquire o mesmo equipamento, essa vantagem competitiva deixa de existir. Já as vantagens competitivas sustentáveis são aquelas baseadas em recursos que as empresas concorrentes não podem copiar, como os relacionamentos com o canal de distribuição, ou a �delidade dos clientes à marca da empresa. Apresentação do conceito de cadeia de valor O modelo VRIO classi�ca os recursos da empresa de acordo com os critérios de valor, raridade, imitabilidade e organização. Mas o que signi�cam cada uma destas classes? O valor pode ser entendido como a relação entre os recursos e os objetivos estratégicos da organização. São os recursos que possibilitam à empresa realizar suas atividades de forma e�ciente e produtiva e ajudam a aproveitar as oportunidades que surgem no mercado. Processos proprietários, tanto relacionados à produção quanto ao atendimento dos clientes, capacidade de Disciplina Planejamento Estratégico inovação e uma marca reconhecida e respeitada pelos clientes são exemplos do valor de um recurso. O recurso pode ser considerado raro se outras empresas concorrentes não têm capacidade de copiar ou se apropriar dele. Podem ser citados como exemplos uma fonte de recursos naturais a que somente a empresa tem acesso; uma tecnologia ou processo patenteado; a �delidade dos clientes à empresa. Mesmo que seja valioso ou raro, um recurso pode ser facilmente imitado ou substituído pelos concorrentes. Já um recurso inimitável é aquele que di�cilmente pode ser copiado ou mesmo substituído por algo similar pelos concorrentes. A empresa é reconhecida pelo mercado como a única que pode atender a uma determinada demanda ou desejo do consumidor. As marcas de empresas do mercado de luxo são exemplos de recursos inimitáveis. Um pro�ssional reconhecido no mercado, um executivo ou empreendedor admirado por sua capacidade e competência também são recursos inimitáveis, pois usam sua capacidade de in�uência sobre os consumidores para intensi�car o relacionamento da empresa com estes. Steve Jobs e Elon Musk são exemplos desses tipos de pro�ssionais. o último critério de classi�cação do modelo VRIO é a organização, que pode ser entendida como a capacidade que a empresa tem de aproveitar os recursos raros, valiosos ou inimitáveis de que dispõe de forma estratégica, para identi�car e, principalmente, utilizar em seu planejamento estratégico e em suas operações cotidianas, para atingir seus objetivos. Não adianta, por exemplo, a empresa contar com um recurso raro, como a �delidade de seus clientes, ou até mesmo inimitável, se não consegue utilizar esse recurso de forma prática em suas operações. Para que possa utilizar na prática o modelo VRIO, durante seu planejamento estratégico a empresa pode seguir uma série de etapas consecutivas. A primeira delas é listar todos os recursos tangíveis e intangíveis de que dispõe. Esta etapa deve ser desenvolvida com atenção, para que recursos importantes não deixem de ser relacionados. A segunda etapa é avaliar cada um dos recursos, questionando se este recurso pode ser classi�cado como valioso, raro ou inimitável. Um mesmo recurso pode ser classi�cado em mais de um critério – um recurso valioso, por exemplo, é a capacidade de produção para atender às demandas do mercado, mas não é raro nem inimitável. Por outro lado, um mesmo recurso pode ser valioso e inimitável. Uma marca reconhecida pelos clientes tanto ajuda a empresa a atingir seus objetivos (ou seja, é valioso) quanto não pode ser imitado (inimitável). Por �m, é necessário analisar se a empresa está preparada para aproveitar seus recursos e estabelecer vantagens competitivas em relação a seus concorrentes. A análise dos recursos da empresa é uma etapa fundamental da analise interna, e deve ser relacionada com as oportunidades e ameaças identi�cadas na análise do ambiente externo. Apresentação do modelo VRIO e da teoria da visão baseada em recursos Disciplina Planejamento Estratégico Vamos retomar o exemplo de nossas duas empresas, que utilizamos na Unidade 1, para colocar em prática os conceitos discutidos nesta aula. A primeira empresa é uma indústria de alimentos pré-prontos, que comercializa seus produtos em redes de supermercados. Após listar os diversos recursos de que dispõe, a empresa analisou cada um deles e concluiu que: As instalações fabris da empresa estão preparadas para atender a uma demanda 50% superior à produção atual. Como a empresa planeja crescer 20% nos próximos anos, avalia que tem capacidade produtiva para atender a este crescimento. Assim, considera suas linhas de produção um recurso valioso. Porém, este não é um recurso raro nem inimitável: qualquer empresa concorrente pode adquirir equipamentos semelhantes. A empresa conta com diversas linhas de produtos. Algumas delas apresentam qualidade semelhante à dos produtos oferecidos por outras empresas. Assim, não podem ser considerados recursos que podem ser usados como vantagem competitiva. Porém, uma Disciplina Planejamento Estratégico das linhas de produtos, que apresenta como diferencial usar matérias-primas orgânicas que são cultivadas por fornecedores exclusivos e que são preparados com uma receita da própria empresa, é considerada por ela um recurso raro, pois é difícil de ser copiado pelos concorrentes. Com o crescimento do mercado de produtos orgânicos, fator identi�cado pela empresa durante a análise do ambiente externo, considera também que este é um recurso valioso, pois pode ajudar a empresa a atingir seus objetivos estratégicos. A empresa estabeleceu um contrato de exclusividade com um conhecido chef de cozinha, que assina uma linha de produtos com foco no mercado gourmet.O nome do chef é uma marca reconhecida pelos consumidores, relacionadas à alta gastronomia. Assim, a empresa considera este um recurso valioso, raro e inimitável. Com base nestas análises, a empresa decidiu incluir em seu planejamento estratégico o desenvolvimento de novos produtos a serem incluídos tanto na linha de produtos orgânicos quanto nos produtos assinados pelo chef. Nossa segunda empresa é o pequeno restaurante que ainda está em processo de implantação. O empreendedor analisou os recursos disponível e identi�cou que os conhecimentos técnicos que detém sobre o processo de produção e de atendimento a clientes são recursos valiosos da empresa, pois possibilitam atingir seus objetivos. Porém, no estado atual de desenvolvimento do projeto, não conseguiu identi�car nenhum recurso raro ou inimitável. Os produtos que pretende comercializar podem ser desenvolvidos pelos concorrentes. O modelo de atendimento ao cliente é semelhante ao que outros restaurantes oferecem. A empresa, por ainda não ter sido inaugurada, não tem uma marca ou nome reconhecido pelos clientes. O fato de não ter nenhum recurso raro ou inimitável preocupou o empreendedor, pois a empresa não apresenta vantagem competitiva alguma em relação aos concorrentes. Por isso, se propôs a realizar uma análise do mercado para identi�car possíveis modelos de negócios que podem representar vantagens em relação aos concorrentes. No lugar dele, qual ações você tomaria? Videoaula: Análise do ambiente interno Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Desenvolver recursos raros ou inimitáveis é uma forma de garantir a sobrevivência da empresa em um mercado competitivo. Para isso, é fundamental conhecer os recursos disponíveis e compreender como podem ser usados estrategicamente. Mas como saber quais são os recursos fundamentais da empresa? Neste vídeo discutiremos os conceitos de análise interna, cadeia de valor, visão baseada em recursos e modelo VRIO, para que você esteja preparado para ajudar a organização na qual atua a atingir seus objetivos estratégicos. Vamos aprender juntos? Disciplina Planejamento Estratégico Saiba mais O uso dos recursos valiosos, raros e inimitáveis para estabelecer vantagens estratégicas sustentáveis é o foco de diversos capítulos da obra indicada a seguir. O capítulo 2 discute a importância da análise dos recursos organizacionais no processo de planejamento estratégico. Já o capítulo 3 aborda a criação de vantagens competitivas com base nos recursos da empresa. Os capítulos 4, 5 e 6 aprofundam a relação entre os recursos e as estratégias competitivas. É uma obra fundamental para quem buscam compreender em profundidade o conceito da visão baseada em recursos. Estratégia baseada em recursos: 15 artigos clássicos para sustentar vantagens competitivas. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582601525/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582601525/ Disciplina Planejamento Estratégico ANJOS, M. R.; MOLEDO, J. C. VRIO – valor, raridade, imitabilidade e organização, como ferramenta de tomada de decisão. Revista Terceiro Setor & Gestão de Anais-UNG-Ser, v. 10, n. 1, p. 56-68, 2017. BARNEY, J. B.; HESTERLY, W. S. Administração estratégica e vantagem competitiva. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. CARRERA-FERNANDEZ, J. Curso básico de microeconomia. 3. ed. Salvador: Edufba, 2009. PORTER, M. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. 15. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1989. Aula 3 Diagnóstico dos ambientes externo e interno e de�nição de cenários Introdução Disciplina Planejamento Estratégico As análises do ambiente externo e interno da empresa possibilitam entender os diversos eventos e mudanças que podem impactar o mercado, bem como a capacidade da empresa de reagir a eles. Essas informações precisam ser analisadas de forma conjunta, para poder identi�car oportunidades e ameaças, forças e fortalezas da empresa. Assim, é possível traçar possíveis cenários futuros, que vão direcionar as estratégias organizacionais. Nesta aula, vamos discutir a análise SWOT e o desenho de cenários. Para você desenvolver sua capacidade de análise estratégica a �m de que no futuro atue como um pro�ssional que formula estratégias de uma empresa, convidamos a aprendermos juntos! Vamos lá? Conceituação e funcionalidades da análise SWOT Disciplina Planejamento Estratégico Após realizar as análises do ambiente externo e interno, abordadas nas duas primeiras aulas desta unidade, a próxima etapa é relacionar as forças e fraquezas encontradas no ambiente interno da empresa, com as oportunidades e ameaças identi�cadas no ambiente externo. Para aproveitar uma oportunidade a empresa precisa contar com capacidades internas que possibilitem explorá-la. Por outro lado, uma fraqueza pode intensi�car um risco identi�cado no ambiente externo. A análise SWOT é uma ferramenta utilizada na análise estratégica que relaciona, em uma matriz, as forças (strengths) e fraquezas (weaknesses) internas, com as oportunidades (opportunities) e ameaças (threats), como mostra a �gura: Disciplina Planejamento Estratégico Figura 1 | Matriz SWOT. Fonte: adaptada de Nakagawa (2011). A análise SWOT apresenta uma série de benefícios que a tornam a mais indicada para realizar a análise conjunta dos ambientes interno e externo: é versátil, podendo ser utilizada por empresas dos mais variados tamanhos e em momentos diferentes do desenvolvimento estratégico. Pode ser aplicada sempre que a empresa identi�ca mudanças no ambiente externo que podem representar novas oportunidades ou ameaças. É fácil de ser utilizada e oferece uma visão simpli�cada da relação entre as forças e fraquezas da empresa e os fenômenos e eventos do ambiente externo. Uma das funções da análise do ambiente externo da empresa é prever, a partir dos dados, informações e tendências identi�cadas, desenhar possíveis cenários futuros que podem impactar a estratégia da empresa. Segundo Souza e Takahashi (2012), a projeção de cenários estratégicos possibilita identi�car antecipadamente tendências e sinais de mudanças no ambiente, ajuda a empresa a analisar a Disciplina Planejamento Estratégico solidez e a relevância de suas competências e seus recursos, permite que a empresa analise as diversas opções estratégicas possíveis, de acordo com os riscos e mudanças identi�cadas, e ajuda a comunicar, para todos os níveis hierárquicos, as estratégias e objetivos de longo prazo da empresa. Já Wright, Silva e Spers (2010) destacam que, ao projetar cenários estratégicos, a empresa deve levar em consideração não apenas os eventos ocorridos no passado, mas toda a complexidade e incerteza identi�cada no ambiente externo, os quais podem trazer impactos signi�cativos na forma de atuação da empresa. Tentar prever o futuro é desa�ador, pois o ambiente é volátil, incerto, complexo e ambíguo, como explica o conceito do mundo VUCA. Porém, as previsões podem ajudar a empresa a traçar possíveis cenários e desenvolver estratégias especí�cas para cada possibilidade. Souza e Takahashi (2012) sugerem três tipos de cenários que podem ser usados no processo de planejamento estratégico, mostrados na �gura: Figura 2 | Tipologia de cenários em funções de seu uso. Fonte: Souza e Takahashi (2012, p.109). Cada tipo de cenário pode ser usado em um contexto especí�co. Os cenários preditivos buscam prever as probabilidades de determinados eventos ocorrerem no ambiente externo. Já os cenários exploratórios partem de uma previsão especí�ca para identi�car os impactos desta possível situação sobre a empresa. Por �m, os cenários normativos partem dos objetivos estratégicos da empresa, e têm o objetivo de listar as ações que a empresa precisa adotar para atingir este objetivo. Podem ser tanto preservadores, ou seja, que buscam identi�car o que a empresa precisafazer para preservar a situação atual, quanto transformadores, quando se de�ne uma situação que a empresa deseja alcançar que seja diferente da atual. Apresentação do processo de análise das variáveis externas e internas Disciplina Planejamento Estratégico A análise SWOT é uma ferramenta que possibilita aos formuladores da estratégia empresarial uma visão clara da relação entre as oportunidades e ameaças presentes no ambiente externo e as forças e fraquezas da organização. Porém, para ser colocada em prática, é preciso que se tenha clareza acerca do que representam oportunidades ou ameaças. Uma mudança ocorrida no mercado externo pode signi�car tanto uma oportunidade quanto uma ameaça, a depender da capacidade de adaptação da empresa. Trevisan, Fialho e Coronel (2018, p. 46) apresentam um exemplo da análise SWOT de uma pequena empresa: Disciplina Planejamento Estratégico Figura 3 | Análise SWOT de uma pequena empresa. Fonte: adaptada de Trevisan, Fialho e Coronel (2018, p. 46). A abertura de um shopping center é vista pela empresa como uma oportunidade. Provavelmente, a empresa enxerga a possibilidade de abrir unidades neste estabelecimento. Porém, para uma empresa já estabelecida na região, a abertura de um shopping center pode ser vista como uma ameaça. Durante a análise do ambiente externo, os formuladores da estratégia devem identi�car o máximo de mudanças, eventos e cenários possíveis, sem julgar cada. Somente quando se compara os ambientes interno e externo é possível classi�car os eventos como uma oportunidade ou uma ameaça. Neste contexto, a previsão de cenários tem um papel fundamental, por levar em consideração não apenas os eventos isoladamente, mas como as mudanças políticas, econômicas, sociais, tecnológicas, ambientais e legais se in�uenciam e se integram. Os cenários preditivos são, geralmente, baseados nos dados históricos da empresa e de indicadores selecionados no ambiente externo. São usados como a base da análise do mercado, e podem ser traçadas diversas previsões, baseadas em situações hipotéticas. Ou seja, buscam identi�car o que acontecerá se uma série de eventos ocorrer. Por isso, são mais adequados para análises de curto prazo, pois no longo prazo as mudanças se tornam imprevisíveis. Como exemplo, a empresa pode buscar prever qual será a reação das empresas concorrentes ao lançamento de um novo produto ou serviço; ou como será o consumo no próximo ano, com base nas previsões de indicadores econômicos pelos órgãos o�ciais do governo. Os cenários exploratórios são desenvolvidos para o horizonte de longo prazo, com o objetivo de identi�car como as mudanças e eventos identi�cados podem modi�car o mercado no qual a empresa atua. Como exemplo, uma instituição de ensino pode desenhar um cenário para os Disciplina Planejamento Estratégico próximos cinco anos que leve em consideração o crescimento da educação a distância e o desenvolvimento de novas tecnologias educacionais. A empresa também pode desenhar cenários pouco prováveis, mas que podem ter alguma chance de ocorrer, como uma mudança na legislação ou o desenvolvimento de uma tecnologia disruptiva. Os cenários normativos levam em consideração não apenas as mudanças do ambiente externo, mas também as ações estratégicas da empresa. O que se busca compreender são as consequências de diversas linhas estratégicas que podem ser adotadas pela empresa. Como exemplo, uma empresa de varejo pode desenhar dois diferentes cenários: atuar apenas no varejo físico, com a abertura de novas lojas, ou desenvolver uma estrutura de e-commerce, investindo na venda por canais digitais. O desenvolvimento de cenários, de forma conjunta ao uso da análise SWOT, possibilita aos formuladores da estratégia uma visão mais profunda dos possíveis caminhos estratégicos que a empresa pode adotar, o que facilita o processo de de�nição dos objetivos de longo prazo. Conceituação da previsão de cenários futuros Disciplina Planejamento Estratégico Na primeira aula da Unidade 1, as duas empresas que temos acompanhado ao longo das aulas haviam realizado uma análise simpli�cada tanto do ambiente externo quanto do interno. No ambiente externo, a indústria alimentícia identi�cou diversos fatores, que foram classi�cados como oportunidades, ameaças, forças e fraquezas, como mostra a �gura: Figura 4 | Análise SWOT da indústria alimentícia. Fonte: elaborada pelo autor. Tendo como base esta análise, a empresa desenvolveu dois cenários: um preditivo, de curto prazo, e outro exploratório, de longo prazo. No cenário preditivo, no qual a empresa buscou identi�car as possíveis consequências de lançar uma linha de produtos saudáveis, com uma nova marca, com o objetivo de consolidar, na mente do consumidor, o nome da empresa como uma opção de alimentação, rápida e saudável, ela utiliza uma de suas forças – a capacidade de lançar novas linhas de produtos – com o objetivo de aproveitar duas oportunidades de mercado: a busca por uma alimentação mais saudável e o crescimento do consumo nas residências. Porém, a empresa prevê que os concorrentes, pelo seu tamanho e por contarem com marcas reconhecidas, podem reagir rapidamente, lançando produtos e linhas com a mesma estratégia. Dessa forma, o lançamento de uma nova marca busca sanar uma das fraquezas da empresa. A empresa também identi�cou, neste cenário, que o bom relacionamento dos concorrentes com os canais de distribuição pode di�cultar a entrada da nova marca no mercado. O cenário apresenta alguns riscos, mas a empresa entende que também pode representar uma forma de se consolidar no mercado. Já no cenário exploratório, a empresa entende que as mudanças comportamentais dos consumidores tendem a se solidi�car. Cada vez mais pessoas passarão a trabalhar no modelo home o�ce, e a busca por alimentos mais saudáveis também se intensi�cará. Disciplina Planejamento Estratégico Uma mudança comportamental que a empresa imagina que possa ocorrer é que, com a maior permanência na residência, os consumidores poderão mudar também seus hábitos de compra, preferindo buscar pequenos mercados de bairro, deixando de se deslocar até as grandes lojas das redes de supermercados. Prevê também um aumento nas compras realizadas no ambiente virtual. Assim, acredita que mesmo que não tenha o mesmo relacionamento que os grandes concorrentes, pode desenvolver canais alternativos de distribuição, usando pequenos mercados, além de investir no desenvolvimento de um e-commerce próprio. No caso da segunda empresa, o pequeno empreendedor desenho a seguinte análise SWOT: Figura 5 | Análise SWOT do restaurante. Fonte: elaborada pelo autor. O empreendedor considera que por ser uma empresa ainda em momento de implantação, não consegue desenvolver um cenário exploratório. Portanto, decidiu desenvolver apenas um cenário preditivo, em que busca identi�car as consequências da inauguração do restaurante e as possíveis ações que serão implantadas pelos concorrentes. Considera que há uma possibilidade muito forte de que os concorrentes rapidamente passem a oferecer alimentos mais saudáveis, com o objetivo de atender às mudanças comportamentais dos consumidores. Porém, a mudança no modelo de atendimento dos concorrentes, ou seja, passar a oferecer um atendimento self-service como forma de diminuir o tempo de atendimento, é mais complexa, pois exige alterações na estrutura e dos espaços físicos, além do treinamento das equipes das empresas. Assim, o empreendedor considera que, no curto prazo, di�cilmente os concorrentes conseguirão se adaptar ao modelo. Disciplina Planejamento Estratégico Videoaula: Diagnóstico dos ambientes externo e interno e de�nição de cenários Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. O planejamento estratégico de uma empresa não pode ser feito sem o conhecimento profundo do cenário externo e do entendimento dos recursos deque a empresa dispõe. Neste sentido, a análise SWOT apresenta um papel fundamental, pois possibilita entender como os eventos do ambiente externo e os recursos internos se relacionam e se in�uenciam. Neste vídeo, vamos discutir tanto a ferramenta SWOT quanto o desenvolvimento de cenários futuros, que vão orientar a estratégia da empresa. Vamos aprender juntos? Saiba mais O planejamento de cenários futuros no ambiente empresarial não busca adivinhar o futuro de forma mágica. Está relacionado ao uso de uma série de ferramentas e modelos de análise, que Disciplina Planejamento Estratégico ajudam a empresa a entender como as informações do ambiente e do momento atual podem ajudar a entender os possíveis movimentos do mercado no futuro. A obra indicada a seguir é um manual prático de como desenvolver cenários estratégicos, com exemplos práticos de empresas de variados ramos e tamanhos. É uma leitura fundamental para quem busca entender como usar o conceito na prática. WADE, W. Planejando cenários: um guia prático para se preparar para o futuro do seu negócio. São Paulo: Saraiva, 2013. E-book. ISBN 9788502213029. Referências NAKAGAWA, M. Ferramenta: análise SWOT (clássico). Sebrae, 2011. Disponível em: https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/ME_Analise-Swot.PDF. Acesso em: 22 out. 2022. SOUZA, I. D. S. S.; TAKAHASHI, V. P. P. A visão de futuro por meio de cenários prospectivos: uma ferramenta para a antecipação da inovação disruptiva. Future Studies Research Journal: Trends and Strategies, v. 4, n. 2, p. 102-132, 2012. Disponível em: https://www.academia.edu/download/57808975/Souza_2012- VisaoDeFuturoPorCenariosNaAntecipacaoDaInovacao.pdf. Acesso em: 22 out. 2022. TREVISAN, L. V.; FIALHO, C. B.; CORONEL, D. A. Proposta de implantação das ferramentas Canvas e análise SWOT em uma empresa de pequeno porte. Revista Inteligência Competitiva, v. 8, n. 3, p. 35-52, 2018. Disponível em: https://1library.org/document/q01v72xz-propostaimplantacao- ferramentas-canvas-analise-empresa-pequeno-porte.html. Acesso em: 22 out. 2022. WRIGHT, P.; KROLL, M. J.; PARNELL, J. Administração estratégica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2014. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788502213029/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788502213029/ https://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/ME_Analise-Swot.PDF https://www.academia.edu/download/57808975/Souza_2012-VisaoDeFuturoPorCenariosNaAntecipacaoDaInovacao.pdf https://www.academia.edu/download/57808975/Souza_2012-VisaoDeFuturoPorCenariosNaAntecipacaoDaInovacao.pdf https://1library.org/document/q01v72xz-propostaimplantacao-ferramentas-canvas-analise-empresa-pequeno-porte.html https://1library.org/document/q01v72xz-propostaimplantacao-ferramentas-canvas-analise-empresa-pequeno-porte.html Disciplina Planejamento Estratégico WRIGHT, J. T. C.; SILVA, A. T. B.; SPERS, R. G. O mercado de trabalho no futuro: uma discussão sobre pro�ssões inovadoras, empreendedorismo e tendências para 2020. Innovation and Management Review, v. 7, n. 3, art. 107, p. 174-197, 2010. Aula 4 De�nição dos objetivos organizacionais Introdução Para que o posicionamento estratégico da empresa – sua visão, missão e valores – seja colocado em prática, a empresa precisa de�nir claramente os objetivos estratégicos que pretende alcançar. Estes devem estar alinhados ao posicionamento estratégico, e serem a base sobre a qual será desenvolvido o planejamento estratégico da organização. Ao desdobrar os objetivos estratégicos em metas especí�cas e planos de ação, a empresa desenha o caminho que a levará até a posição que deseja ocupar no mercado. Mas você sabe qual é a diferença entre um objetivo e uma meta? Nesta aula, vamos aprender cada um destes conceitos, e entender como a empresa de�ne seus objetivos estratégicos. O que acha? Vamos aprender juntos? Conceituação de objetivos e metas organizacionais Disciplina Planejamento Estratégico No processo de planejamento de uma empresa, o posicionamento estratégico, ou seja, a de�nição da missão, visão e valores, tem o papel de direcionar os objetivos estratégicos, que direcionarão as ações e atividades realizadas pela empresa para colocar em prática os planos da empresa. Os objetivos podem ser de�nidos como os resultados que a empresa procura alcançar, a partir de seus esforços e pelo uso de seus recursos, no curto, médio ou longo prazos. Os objetivos estratégicos devem ser claros e bem comunicados, pois é a partir deles que serão de�nidas as metas especí�cas de cada uma das áreas e colaboradores da empresa. Como destacam Andion e Fava (2002), objetivos pouco claros ou mal formulados podem comprometer os resultados da empresa, pois o direcionamento do uso dos recursos pode ser feito de forma inadequada. Kaplan e Norton (2017) apontam que os objetivos estratégicos devem se relacionar com as diversas dimensões de�nidas no posicionamento estratégico, incluindo resultados �nanceiros como faturamento, rentabilidade, margens e retorno sobre investimento; resultados de marketing como participação de mercado, �delização de clientes e reconhecimento de marca; resultados operacionais como níveis de qualidade e produtividade; e resultados de sustentabilidade, relacionados a questões sociais e ambientais. Fischmann e Almeida (2018) de�nem os objetivos estratégicos como pontos especí�cos que a empresa pretende alcançar com a implantação de sua estratégia. Os objetivos como o destino que a empresa busca alcançar com suas atividades. Os objetivos estratégicos, segundo Quinn Disciplina Planejamento Estratégico (2006), são aqueles que direcionam todas as ações e estão relacionados à sobrevivência da empresa no longo prazo. Almeida (2010) a�rma que a estratégia é o caminho, e os objetivos são o ponto ou local que a empresa deseja alcançar. Já Hamel e Prahalad (2006) de�nem o objetivo estratégico como aquilo que move a empresa, em todos os seus níveis, no cotidiano de suas operações. Para Oliveira (2018), após a de�nição dos objetivos estratégicos, estes devem ser desdobrados nos planos de ação e transformados em metas táticas e operacionais para cada uma das áreas e níveis hierárquicos da organização. As metas podem ser entendidas como objetivos com tamanho e prazo de�nidos. Enquanto o objetivo pode ser relacionado com um sonho a ser alcançado, a meta é clara e de�nida. Drucker (2010) sugere uma série de características que as metas devem apresentar, que podem ser resumidas na palavra SMART (inteligente, em inglês). As metas devem ser: Especí�cas (speci�c): precisam esclarecer o que se deseja alcançar e o resultado a ser obtido. Mensuráveis (measurable): devem possibilitar mensuração e acompanhamento. Precisam ser facilmente medidas e acompanhadas, por meio de indicadores, elementos ou resultados que podem ser medidos ou acompanhados com frequência para veri�car se há uma tendência de se atingir a meta. Atingíveis (attainable): precisam ser desa�adoras, para motivar a empresa a se superar. Porém, devem estar de acordo com as competências e recursos da empresa. Relevantes (relevant): precisam ser diretamente relacionadas aos objetivos estratégicos. Caso contrário, pode representar desperdício de recursos da organização Tempo (time): deve ter um prazo de�nido para ser alcançada. A de�nição dos objetivos estratégicos e das metas garantem o alinhamento entre os esforços realizados pelos colaboradores, durante a execução das atividades, e os objetivos de longo prazo da empresa. De�nição de objetivos estratégicos, táticos e operacionais Disciplina Planejamento Estratégico De�nir os objetivos estratégicos mais relevantes e alinhados com as oportunidades observadas no mercado, de forma a aproveitar da forma mais e�ciente e e�caz os recursos de que a empresa dispõe, é um dos pontos centrais do processo de planejamento estratégico. Se os objetivos estratégicos de�nidos pelos formuladores da estratégia da organização não forem coerentes com a realidade do mercado e com as competências e recursosda organização, os colaboradores podem �car desmotivados e a gestão pode perder o controle sobre os indicadores e as métricas usadas para garantir que os recursos estão sendo usados adequadamente e os esforços realizados de forma alinhada. O processo de desdobramento dos objetivos estratégicos para cada uma das áreas da empresa, com a de�nição de metas táticas e planos de ação, bem como a divisão destes em metas e planos operacionais, precisa ser realizado com atenção para garantir que os esforços de cada nível hierárquico e área funcional estejam alinhados com as estratégias empresariais. Tomemos como exemplo a de�nição de um objetivo estratégico especí�co. A empresa pode de�nir como meta alcançar uma determinada participação do mercado em que atua. Para isso, ela precisa realizar uma análise do ambiente externo que possibilite identi�car as tendências de crescimento do mercado e as ações e planos das empresas concorrentes. Precisa também Disciplina Planejamento Estratégico identi�car mudanças tecnológicas que possam impactar o produto ou serviço que comercializa. Deve estar atenta a mudanças comportamentais dos consumidores, bem como a aspectos econômicos, legais e políticos que afetem o mercado em que atua. Um objetivo como este, que está relacionado ao crescimento da quantidade de produtos vendidos e à conquista de novos mercados e de novos clientes, envolve a de�nição de metas e planos de ação que envolvam diversas áreas funcionais. Não adianta a área comercial estabelecer um plano para aumentar a quantidade de clientes atendidos ou realizar ações de mercado para aumentar as vendas, se a empresa não tiver capacidade de aumentar sua produção ou não dispor de capacidade logística para aumentar seus espaços de armazenagem e de entrega de produtos aos clientes. De forma semelhante, se a área operacional de�nir como meta o crescimento da capacidade de produção, precisará contar com a contratação de novos colaboradores e com o treinamento e desenvolvimento dos colaboradores atuais para aumentar a produtividade. Todos os investimentos �nanceiros que forem necessários, sejam para a abertura de novas áreas de atendimento comercial, aumento da capacidade produtiva, compra de maior quantidade de matérias-primas ou contratação e desenvolvimento dos colaboradores, dependerão da capacidade da área �nanceira de buscar novas fontes de �nanciamento. Assim, os planos de cada uma das áreas funcionais precisam ser transformados em orçamentos que serão usados pela área �nanceira como fontes de informação para a de�nição de suas próprias metas e planos de ação. Este exemplo mostra como o desdobramento dos objetivos estratégicos em metas táticas para cada uma das áreas deve ser realizado de forma conjunta e coordenada, para que os esforços de cada área estejam alinhados com o plano estratégico da organização. Apresentação do processo de de�nição dos objetivos organizacionais Disciplina Planejamento Estratégico Vamos continuar acompanhando a jornada de planejamento estratégico de nossas duas empresas, usadas como exemplo. A indústria de produtos alimentícios, depois de realizar uma análise SWOT e traçar diversos cenários futuros, de�niu como objetivo estratégico lançar uma linha de produtos saudáveis. Tendo como base os pontos fortes e fracos identi�cados, bem como as oportunidades e ameaças do mercado, a indústria de�niu, como objetivo estratégico, para o período de cinco anos, lançar uma linha composta por dez diferentes produtos, e alcançar um volume de vendas de 60 mil unidades vendidas por ano. Ao desdobrar o objetivo pelas suas áreas funcionais, a empresa identi�cou que tem a capacidade produtiva para fabricar a quantidade de produtos necessários para atingir a meta. Porém, a área de desenvolvimento de produtos precisa desenvolver as receitas e de�nir o processo de produção de cada um dos produtos da linha. Foi de�nido que a empresa deve lançar três produtos no primeiro ano, mais três produtos no segundo ano. Nos anos seguintes, a empresa deve lançar dois novos produtos da linha por ano, totalizando os dez produtos da linha ao �nal do quarto ano, a partir do início da implantação do plano estratégico. Essas metas foram de�nidas em conjunto com a área comercial, que identi�cou que para atingir o objetivo estratégico traçado é necessário que a empresa aumente a quantidade de clientes atendidos em pelo menos 50% no período de�nido no planejamento estratégico. O gestor comercial de�niu que, como nos dois primeiros anos, é necessário estabelecer a marca na mente dos consumidores, e considerando que a linha só contará com três produtos no primeiro ano e seis ao �nal do segundo ano, a equipe terá como meta comercializar os produtos da nova linha para os clientes atuais da empresa. Portanto, não há a necessidade de aumentar a equipe de vendas. A partir do terceiro ano, a marca já estará consolidada no mercado. O gestor pretende aumentar a quantidade de clientes atendidos, aumentado também a equipe comercial. As metas traçadas pelos gestores são apresentadas na tabela: Tabela 1 | Metas de vendas. Fonte: elaborada pelo autor. No caso do restaurante que será aberto, como a empresa ainda não existe, o empreendedor não tem informações su�cientes para de�nir os objetivos estratégicos em termos quantitativos. Por isso, de acordo com o posicionamento estratégico que de�niu – sua missão, visão e valores – o empreendedor de�niu um objetivo qualitativo: ser reconhecido pelos clientes como a opção mais saudável de alimentação na região da cidade em que atua. Porém, ao usar o modelo SMART, identi�cou que apesar de esta meta ser atingível, ser relevante e ter um tempo de�nido, não é Disciplina Planejamento Estratégico su�cientemente especí�ca nem mensurável, pois não existem indicadores especí�cos para medir essa percepção. O empreendedor identi�cou que existe uma revista local que publica anualmente um ranking com os melhores restaurantes da cidade. Assim, de�niu como meta constar, no quinto ano da existência da empresa, como um dos três melhores restaurantes de alimentação saudável da cidade. Dessa forma, o objetivo passa a ser especí�co e mensurável. Videoaula: De�nição dos objetivos organizacionais Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estabelecer um posicionamento estratégico, analisar os ambientes externo e interno, de�nir os objetivos, desdobrar as metas de cada área e desenvolver os planos táticos e operacionais são passos consecutivos colocados em prática durante o processo de planejamento estratégico. Neste vídeo vamos discutir as etapas da de�nição dos objetivos e metas. Essa é uma competência que você vai usar tanto na sua carreira quanto na sua vida pessoal. Então, vamos lá. É hora de aprendermos juntos! Saiba mais Disciplina Planejamento Estratégico No livro Avalie o que importa: Como o Google, Bono Vox e a Fundação Gates sacudiram o mundo com os OKRs, você aprenderá mais a respeito do sistema de avaliação de desempenho baseado em objetivos e resultados-chave, conhecido pela sigla OKR, do nome em inglês Objectives and Key Results, que é uma das metodologias mais utilizadas por empresas inovadoras para de�nir e acompanhar o desempenho de indicadores relacionados aos objetivos estratégicos da organização. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788550807508/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788550807508/ Disciplina Planejamento Estratégico ANDION, M. C.; FAVA, R. Planejamento estratégico. Coleção gestão empresarial, v. 2, n. 3, p. 27- 38. Rio Preto: Ed. FAE, 2002. DRUCKER, P. F. The practice of management. Nova York: Harper Business, 2010. FISCHMANN, A. A.; ALMEIDA, M. I. R. de. Planejamento Estratégico na prática. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2018. HAMEL, G.; PRAHALAD, C. K. Objetivo Estratégico. In: MINTZBERG, H. et al. O processo da estratégia. 4. ed.Porto Alegre: Bookman, 2006. KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. Alinhamento: utilizando o Balanced Scorecard para criar sinergias corporativas. 15. ed. Rio de Janeiro: Alta Books, 2017. QUINN, J. Estratégias para Mudança. In: MINTZBERG, H. et al. O processo da estratégia. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. Aula 5 Revisão da unidade As análises do ambiente externo e interno no processo do planejamento estratégico Disciplina Planejamento Estratégico Entender a forma como o ambiente externo no qual atua se organiza, se modi�ca e evolui é fundamental para que a empresa possa identi�car as demandas, necessidades e desejos de seus consumidores, bem como a melhor forma de utilizar os recursos de que dispõe para realizar as suas atividades e se adaptar às alterações políticas, econômicas, sociais, tecnológicas, ambientais e legais que podem afetar suas atividades. No processo de planejamento estratégico da organização, a identi�cação das oportunidades e ameaças no ambiente externo e das forças e fraquezas que a empresa tem é uma importante etapa. Apesar de serem atividades que podem ser realizadas de forma isolada, as análises do ambiente externo e interno são potencializadas quando feitas de forma conjunta, com o objetivo de correlacionar as oportunidades externas com as fortalezas da empresa, e as ameaças exteriores com as fraquezas estratégicas identi�cadas no ambiente interno. Uma das mais utilizadas ferramentas para realizar essa correlação entre as áreas externas e internas da empresa é a análise SWOT, que permite a visualização, em uma matriz, de como as características e eventos do ambiente externo se relacionam com os recursos da empresa, apontando possíveis caminhos estratégicas que a empresa pode trilhar. Os mercados são compostos por diversas empresas que competem entre si, tanto pelos recursos disponíveis quanto pela preferência dos consumidores. O mercado é regido por leis econômicas segundo as quais se estabelecem as relações entre os diversos membros que o compõem. A lei da oferta e da procura mostra que o equilíbrio dos preços de mercado é alcançado quando a quantidade de produtos e serviços ofertado pelas empresas e a quantidade demandada pelos consumidores é igual. Quando há mais oferta que procura, os preços tendem a cair, diminuindo o resultado das empresas e fazendo com que algumas delas desistam de competir no mercado. Por outro lado, quando há escassez de produtos, os preços sobem, aumentando os resultados das empresas, mas diminuindo a demanda por parte dos consumidores. Entender como se dá este equilíbrio é fundamental para que a empresa de�na as estratégias para utilizar da forma mais e�ciente seus recursos. Esta análise deve ser feita não apenas para a Disciplina Planejamento Estratégico situação atual do mercado, mas também paras os momentos futuros. O uso de cenários futuros é fundamental para que a empresa entenda as prováveis condições do mercado no futuro, e assim trace as estratégias que a levarão até seus objetivos. Estabelecidos os objetivos estratégicos, a próxima etapa do processo de planejamento estratégico é desdobrar estes objetivos em metas especí�cas para cada uma das áreas funcionais da empresa. As metas de cada área se relacionam e se in�uenciam. Por isso, devem ser estabelecidas de forma organizada, levando em consideração os objetivos de longo prazo. As metas precisam ser especí�cas, deixando claro o que se espera atingir; mensuráveis por meio de indicadores acompanhados com frequência; atingíveis, e desa�adoras, para motivar a empresa; relevantes, e relacionadas aos objetivos estratégicos; e ter um tempo ou prazo de�nido para serem alcançadas. O planejamento estratégico mostra o caminho que a empresa deve percorrer. Os objetivos de�nem o ponto ou local que a empresa deseja alcançar. Já as metas garantem o alinhamento entre os esforços realizados pelos colaboradores durante a execução das atividades. Videoaula: Revisão da unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Nesta unidade vamos discutir, em um podcast com a participação de pro�ssionais que atuam na formulação de estratégias empresariais, a importância de desenvolver estruturas e processos constantes de análise do ambiente externo e interno que possibilitem à empresa ser �exível e ágil na identi�cação das mudanças, para que se antecipe em relação a seus concorrentes. Vamos aprender juntos? Estudo de caso Disciplina Planejamento Estratégico Você foi convidado a participar do processo de planejamento estratégico de uma empresa que atua no mercado de lâmpadas LED. Ao analisar o mercado, você identi�ca que são vendidas 25 milhões de lâmpadas deste tipo por ano. Atualmente, a empresa detém cerca de 4% do mercado, totalizando um milhão de lâmpadas vendidas. Após realizar uma análise SWOT e traçar cenários futuros, a equipe de formulação da estratégia de�niu como objetivo atingir 10% de participação de mercado em cinco anos. Dados da análise do ambiente externo mostram que o mercado apresenta um forte crescimento, com expectativa de dobrar de tamanho nos próximos cinco anos, atingindo 50 milhões de lâmpadas vendidas no Brasil. Para atingir seus objetivos, a empresa deverá comercializar 5 milhões de lâmpadas por ano, ao �nal do período de seu planejamento estratégico. Esse objetivo precisa ser desdobrado em planos táticos e operacionais. A área de produção identi�cou que as instalações fabris, atuando em um turno de trabalho de oito horas diárias, das 8h às 18h, tem capacidade de produzir 2 milhões de unidades por ano. A área de compras identi�cou que os fornecedores atuais têm capacidade de aumentar em 50% o volume de matérias-primas fornecidas atualmente. A área logística concluiu que conta com o espaço e a estrutura necessárias para operar o volume que a empresa deseja alcançar em cinco anos, desde que realize alguns ajustes e melhorias no processo. A área comercial identi�cou que a equipe de vendas atual pode atender ao dobro de clientes atualmente visitados. A empresa precisará realizar uma série de investimentos, tanto em capacidade produtiva quanto em contratação de pessoas. Assim, a área �nanceira precisa entender as necessidades de investimentos que precisam ser feitos. Já a área de recursos humanos precisa contratar os Disciplina Planejamento Estratégico pro�ssionais, tanto na área de produção quanto comercial, e providenciar os treinamentos necessários. O exemplo mostra como apenas um objetivo estratégico – atingir 10% de participação de mercado – precisa ser desdobrado em dezenas de metas táticas e operacionais, em cada uma das áreas da empresa. Tendo como base os dados apresentados, quais seriam as ações que você proporia, no planejamento estratégico, para as áreas de produção e a área comercial? Explique os motivos de cada uma de suas sugestões. Re�ita O objetivo deste estudo de caso é possibilitar que você entenda na prática a relação entre as mudanças identi�cadas no ambiente externo, os recursos da empresa e a de�nição dos objetivos estratégicos e das metas de cada área. Com os conhecimentos que adquiriu neste curso até este momento, você tem todas as condições para desenvolver um ótimo plano estratégico. Vamos lá? É hora de colocar seus conhecimentos em prática! Videoaula: Resolução do estudo de caso Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Após analisar o ambiente externo e traçar alguns cenários futuros que mostram o crescimento da demanda pelos produtos da empresa, foi de�nido que o objetivo da empresa é comercializar 5 milhões de lâmpadas por ano, atingindo uma participação de mercado de 10%, para um mercado projetado de 50 milhões de unidades ano. Vamos então desdobrar este objetivoem metas táticas e operacionais. A área comercial identi�cou que para atingir o objetivo estratégico, precisará aumentar a equipe de vendas, para alcançar uma área geográ�ca maior e atender a um maior número de clientes. O objetivo deve ser atingido em cinco anos. Portanto, você pode de�nir metas anuais a serem atingidas. Essas metas devem prever quantidade de vendedores, número de clientes atendidos e volumes a serem comercializados, como mostra a tabela a seguir, que propõe um crescimento anual de 26% em relação ao ano anterior, durante todo o período: Disciplina Planejamento Estratégico Tabela 1 | Projeção de vendas anuais. Fonte: elaborada pelo autor. A área de produção identi�cou que as instalações fabris só conseguem produzir 2 milhões de unidades por ano. A primeira ação que você pode sugerir é implantar um segundo turno de produção, com horário de funcionamento das 19h às 05h do dia seguinte. Assim, a produção dobraria para 4 milhões de unidades/ano. Analisando as metas da área comercial, esse crescimento atende às necessidades da empresa até o terceiro ano do plano. Uma segunda ação que você pode sugerir é implantar uma nova linha de produção, com capacidade de produzir 1 milhão de unidades por ano, em dois turnos de trabalho. Esta etapa pode ser implantada a partir do quarto ano do plano estratégico. Para colocar em prática tanto os planos da área comercial quanto de produção, será necessário contratar novos funcionários, que deverão ser treinados para operar os equipamentos de fabricação ou para atuar como vendedores. Você pode também desdobrar os objetivos em metas para as demais áreas da empresa. Como exemplo, a área �nanceira deve organizar o orçamento para cada um dos próximos anos e buscar fontes de �nanciamento para o crescimento da empresa. Já a área de recursos humanos precisa contratar os pro�ssionais necessários, tanto na área de produção quanto comercial, e providenciar os treinamentos necessários. O exemplo mostra como apenas um objetivo estratégico – atingir 10% de participação de mercado – é desdobrado em dezenas de metas táticas e operacionais, em cada uma das áreas da empresa. Você conseguiu pensar em outras estratégias que a empresa pode usar para atingir seus objetivos? Resumo visual Disciplina Planejamento Estratégico Disciplina Planejamento Estratégico Figura 1 | Ambiente externo. Disciplina Planejamento Estratégico Figura 2 | Forças competitivas. Disciplina Planejamento Estratégico Figura 3 | Cadeia de valor. Disciplina Planejamento Estratégico Figura 4 | Modelo VRIO Disciplina Planejamento Estratégico Figura 5 | Análise SWOT. Disciplina Planejamento Estratégico Figura 6 | Posicionamento estratégico Disciplina Planejamento Estratégico Figura 7 | Cenários futuros. Figura 8 | SMART. Referências PORTER, M. E.; MONTGOMERY, C. A. A estratégia: a busca da vantagem competitiva. Rio de Janeiro: Campus, 1998. PORTER, M. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. 15. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1989. NAKAGAWA, M. Ferramenta: análise SWOT (clássico). Sebrae, 2011. Disponível em: http://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/ME_Analise-Swot.PDF. Acesso em: http://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/ME_Analise-Swot.PDF Disciplina Planejamento Estratégico 22 out. 2022. SOUZA, I. D. S. S.; TAKAHASHI, V. P. P. A visão de futuro por meio de cenários prospectivos: uma ferramenta para a antecipação da inovação disruptiva. Future Studies Research Journal: Trends and Strategies, v. 4, n. 2, p. 102-132, 2012. Disponível em: https://www.academia.edu/download/57808975/Souza_2012- VisaoDeFuturoPorCenariosNaAntecipacaoDaInovacao.pdf. Acesso em: 22 out. 2022. , Unidade 3 Formulação da estratégia e posicionamento Aula 1 Estratégias genéricas Introdução Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Olá, estudante, Nesta aula trataremos da de�nição da estratégia ideal, que leve em consideração tanto os aspectos do ambiente externo, como as oportunidades e ameaças encontradas, quanto do ambiente interno, ou seja, as forças e fraquezas da empresa, con�gurando-se uma das etapas mais importantes do processo de planejamento estratégico. É a partir da de�nição das estratégias genéricas que são desenvolvidos os planos táticos e operacionais que serão colocados em prática para que a empresa atinja seus objetivos. Vamos discutir as estratégias genéricas de liderança em custos, diferenciação e foco, com exemplos práticos de como elas podem ser usadas pelas empresas. Dessa forma, você pode entender como os conceitos são usados e se preparar para atuar em processos de implementação do planejamento estratégico. Vamos lá? É hora de aprendermos juntos! https://www.academia.edu/download/57808975/Souza_2012-VisaoDeFuturoPorCenariosNaAntecipacaoDaInovacao.pdf https://www.academia.edu/download/57808975/Souza_2012-VisaoDeFuturoPorCenariosNaAntecipacaoDaInovacao.pdf Disciplina Planejamento Estratégico Conceituação das estratégias gerais que podem ser adotadas pelas empresas Após realizar as análises do ambiente externo e interno, traçar possíveis cenários futuros e de�nir seus objetivos estratégicos, a empresa precisa de�nir a estratégia competitiva que adotará. Porter (2004) aponta que a empresa pode adotar um entre três diferentes tipos de estratégia, como mostra a Figura 1: Disciplina Planejamento Estratégico Figura 1 | Tipos de estratégia. Fonte: adaptada de Porter (2004). De acordo com Rapôso et al. (2020), para adotar a estratégia da liderança em custos, a empresa precisa utilizar processos que garantam que ela apresente os menores custos de produção, operação e comercialização do setor em que atua. Assim, conseguirá ofertar os melhores preços e estabelecer uma vantagem competitiva em relação a seus clientes. Em geral, empresas que adotam essa estratégia produzem em larga escala produtos padronizados, com poucas opções de personalização ou de modelos. Assim, pode automatizar os processos produtivos, diminuindo os custos de produção. Já na estratégia de diferenciação, a empresa busca oferecer produtos ou serviços com características ou detalhes exclusivos, atendendo a demandas especí�cas dos clientes. Em geral, as empresas que buscam adotar esta estratégia procuram conhecer seus clientes e identi�car suas demandas, desejos e necessidades, de forma a incluir em seus produtos estas características. Assim, conseguem cobrar preços mais elevados e �delizar seus clientes. Uma das formas de se diferenciar e obter uma vantagem competitiva é construir uma marca forte, que seja lembrada e reconhecida pelos clientes. Outra tática que pode ser adotada nesta linha estratégica é investir em inovações tecnológicas ou desenvolver um design inovador, que diferencie o produto dos concorrentes. O terceiro tipo de estratégia apontada por Porter (2004) é o foco. Com esta estratégia, a empresa busca atender um segmento especí�co de mercado que pode ser delimitado por critérios geográ�cos, (como um restaurante que atende apenas um bairro), ou por alguma característica do consumidor, como idade, gênero, hábitos de consumo e estilo de vida. Como exemplo, algumas empresas que atuam no mercado de turismo são especializadas em públicos especí�cos, como idosos, crianças ou casais em lua de mel. Disciplina Planejamento Estratégico Segundo Crespo et al. (2019), o tipo de estratégia adotada pela empresa deve estar alinhado com suas capacidades e recursos internos, bem como com as oportunidades e ameaças do mercado. Como exemplo, para adotar uma estratégia de custos a empresa precisa contar com uma estrutura fabril e�ciente e com alta produtividade. É necessário que ela atue em um mercado que demande um alto volume de produtos, e que os clientes não apresentem exigências e demandas por diferenciação. Para adotar a estratégiaeconômica, como extração, industrialização, agronegócio, transporte e distribuição de produtos sobre o meio ambiente. Assim, as soluções para os problemas ambientais precisam levar em conta essa complexidade. A ambiguidade está relacionada à facilidade com que culturas, crenças e formas de pensamento se encontram e se enfrentam no ambiente virtual. Cada povo e grupo social defende sua forma de enxergar o mundo e busca ocupar seu lugar na sociedade. Para poder atuar no mundo VUCA, as empresas precisam estar em constante evolução, tanto por meio da inovação em seus produtos e serviços como na adaptação de seus processos de trabalho e atividade, a �m de que continuem sendo competitivas e alcancem seus objetivos estratégicos. Apresentação dos principais autores e pensadores de estratégia empresarial Disciplina Planejamento Estratégico Os conceitos básicos da estratégia, como a de�nição dos objetivos da empresa, as atividades e de processos de trabalho, o uso dos recursos �nanceiros, naturais e humanos e a análise do ambiente externo, concorrentes e clientes, podem ser aplicados nos mais diversos tipos de empresas, mesmo naquelas que são pequenas ou estão sendo criadas. Para exempli�car os conceitos discutidos, vamos tomar como exemplo duas empresas. A primeira é uma indústria que produz alimentos pré-prontos, vendidos em supermercados, que deseja desenvolver o planejamento estratégico para os próximos cinco anos. Já a segunda empresa ainda não existe: um empreendedor deseja criar um restaurante em um centro comercial de uma pequena cidade. Ao analisar o ambiente externo, a indústria alimentícia identi�ca que existem diversos concorrentes. Alguns são grandes empresas multinacionais, com marcas conhecidas pelos clientes e bom relacionamento com as principais redes de supermercados. Em seu planejamento, a empresa considerou este fato como uma ameaça. Uma mudança social que pode in�uenciar o mercado é o aumento do número de pessoas que trabalham no modelo de home o�ce. Isso leva a um aumento no consumo de alimentos nas residências. Outra mudança comportamental é a busca por uma alimentação mais saudável. A empresa considera que estas podem ser oportunidades a serem aproveitadas. Na análise externa, nosso pequeno empreendedor considerou que o crescimento do home o�ce é uma ameaça, pois menos pessoas buscam alimentação fora de casa. Na região em que pretende abrir o negócio, existem poucos concorrentes, e a maioria deles serve alimentos preparados a partir do pedido ao garçom, o que faz com que o tempo de preparo seja maior. Como pretende atender a um público que tem um intervalo de almoço curto, o empreendedor identi�cou como oportunidade a possibilidade de oferecer refeições no modelo de self-service. A busca por alimentos saudáveis também foi encarada como uma oportunidade de buscar se diferenciar em relação a seus concorrentes. Disciplina Planejamento Estratégico Ao analisar seu ambiente interno, a indústria identi�cou que conta com estruturas de produção disponíveis para criar linhas novas de produtos e que pode desenvolver uma nova linha de produtos mais saudáveis, o que foram considerados pontos fortes da empresa. Por outro lado, por ser uma empresa regional, identi�cou que tem di�culdades de fechar parcerias com redes nacionais de supermercados. Já o empreendedor identi�cou que tem a capacidade de atuar no modelo de self-service, e que os funcionários contratados têm experiência com este tipo de alimentação. Porém, precisará fazer uma adaptação no espaço físico do restaurante para instalar estruturas de modo que os alimentos sejam mantidos aquecidos. Assim, usando a Matriz Ansoff, a indústria alimentícia decidiu implementar uma estratégia de penetração de mercado, com o desenvolvimento de uma nova linha de produtos saudáveis. Já o pequeno empreendedor adotará uma estratégia de desenvolvimento de novos mercados, oferecendo uma opção diferenciada de alimentação em relação aos concorrentes identi�cados. Para lidar com as pressões da sociedade em relação à responsabilidade ambiental, a indústria alimentícia vai investir em embalagens recicláveis, bem como utilizará alimentos orgânicos como matéria-prima de seus produtos. O restaurante buscará adotar uma estratégia de oceano azul, como proposta por Kim e Maugborne, ao atuar em um nicho de mercado que não é explorado pelos concorrentes que já atuam no mercado. Videoaula: Evolução do conceito de estratégia principais escolas e pensadores de estratégia Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Neste vídeo, vamos apresentar a evolução do conceito de estratégia no contexto empresarial. Discutiremos os principais autores e as linhas de pensamento, de forma a entender a importância do posicionamento estratégico e do desenvolvimento de um planejamento estratégico para que a empresa utilize de forma e�ciente seus recursos e atinja seus objetivos de longo prazo. Saiba mais Disciplina Planejamento Estratégico O desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação possibilita que as empresas tenham acesso a uma grande quantidade de dados e informações a respeito de consumidores e concorrentes, e de mudanças sociais e comportamentais. Essa facilidade de acesso a informações causa profundas alterações na forma como as empresas desenvolvem seus planos estratégicos e pensam sua relação com o mercado. Na palestra realizado no Evento TED, no ano de 2014, Philip Evans, um renomado consultor do Boston Consulting Group, empresa responsável pelo desenvolvimento de conceitos fundamentais da estratégia, como a Matriz BCG e a curva de aprendizagem, discute os impactos da tecnologia sobre o planejamento estratégico, e como a estratégia empresarial passará por profundas alterações no futuro. HOW data will transform business (Como os dados vão transformar os negócios). Philip Evans. TED TALKS. San Francisco: TED TALKS, 2014. Referências https://www.ted.com/talks/philip_evans_how_data_will_transform_business/transcript?subtitle=pt-br Disciplina Planejamento Estratégico ANSOFF, H. I. Estratégia Empresarial. São Paulo: McGraw-Hill, 1977. DRUCKER, P. O Gestor E�caz. Coimbra: Actual, 2019. FAYOL, H. Administração industrial e geral: previsão, organização, comando, coordenação e controle. 10. ed. São Paulo: Atlas, 1990. HAMEL, G.; PRAHALAD, C. K. Competindo pelo futuro. São Paulo: Atlas, 2005. KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. Mapas estratégicos: convertendo ativos intangíveis em resultados tangíveis. Houston: Gulf Professional Publishing, 2004. KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. A estratégia em ação: balanced scorecard. Houston: Gulf Professional Publishing, 1997. KIM, W. C.; MAUBORGNE, R. A Estratégia do Oceano azul: como criar novos mercados e tornar a concorrência irrelevante. São Paulo: Sextante, 2019. LEARNED, E. P. et al. Business policy: text and cases. Homewood: Richard D. Irwin. Inc., 1969. MAQUIAVEL, N. A arte da guerra. Porto Alegre: L&PM, 2008. MINTZBERG, H. O Processo da Estratégia: Conceitos, Contextos e Casos Selecionados. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005. PETERS, T. In Search of Excellence: Lessons from America's Best-Run Companies. New York: Harper Business, 2006. PORRAS, J. I.; COLLINS, J. Feitas para durar: práticas bem-sucedidas de empresas visionárias. São Paulo: Alta Books, 2020. PORTER, M. E. Competição: estratégias competitivas essenciais. Houston: Gulf Professional Publishing, 1999. SCHUMPETER, J. A Teoria do Desenvolvimento Econômico. São Paulo: Nova Cultural, 1997. SENGE, P. M. A quinta disciplina: a arte e prática da organização que aprende. Rio de Janeiro: Best Seller, 2018. SMITH, A. A Riqueza das Nações. São Paulo: Edipro, 2021. TAYLOR, F. Princípios de Administração Cientí�ca. 9. ed. São Paulo: LTC, 2019. Disciplina Planejamento Estratégico TZU, S. A arte da guerra. São Paulo: Schwarcz-Companhia das Letras,de diferenciação, a empresa precisa contar com uma marca bem estabelecida no mercado, que seja reconhecida e transmita ao cliente a percepção de qualidade, ou deve ter a capacidade de investir continuamente em inovação. No ambiente externo, é preciso que existam consumidores que estejam dispostos a pagar um preço maior para terem acesso aos produtos da empresa. Já na estratégia de foco, o mercado deve apresentar características que possibilitem a segmentação, e a empresa precisa ter a capacidade de entender profundamente as demandas e desejos deste grupo de consumidores. Fiss (2011) aponta que quando a estratégia genérica escolhida é compatível com a estrutura da empresa e com as características do ambiente, a empresa atinge um alto desempenho, o que a ajuda a alcançar seus objetivos estratégicos. Apresentação da estratégia de liderança em custos Disciplina Planejamento Estratégico A de�nição do tipo de estratégia competitiva genérica a ser adotada pelas empresas depende tanto de seus recursos e capacidade internas quanto de características do mercado. A estratégia de liderança em custos tem como base a busca incessante pela diminuição dos custos operacionais da empresa, sejam eles custos de produção, manutenção, operação, comercialização ou distribuição de produtos. Apesar de ser chamada de liderança em custos, o ponto central desta estratégia é ofertar aos clientes o menor preço em relação aos produtos concorrentes, mantendo a qualidade e o nível de serviços oferecidos pelas demais empresas do mercado. Um exemplo de empresas que adotam este tipo de estratégia são as companhias de aviação conhecidas como low cost (ou baixo custo). As empresas adotam uma série de ações para baixar seus custos operacionais, como utilizar apenas aviões de um mesmo modelo para baratear os processos de manutenção, oferecer voos a partir de aeroportos regionais, que cobram taxas operacionais menores, automatizar o atendimento e a emissão de passagens, não oferecer refeições quentes a bordo e cobrar separadamente por serviços como o despacho de bagagens. Assim, conseguem oferecer passagens a um preço consideravelmente mais baixo do que as empresas tradicionais. No Brasil, a empresa aérea GOL adotou essa estratégia nos primeiros anos de sua existência Já a estratégia competitiva da diferenciação é adotada por empresas que têm algum tipo de recurso ou característica de marca ou de seus produtos que represente um diferencial competitivo di�cilmente copiável pelas empresas concorrentes. Como é vista pelos consumidores como um produto que apresenta características superiores aos produtos concorrentes, a empresa consegue cobrar um valor mais elevado por seus produtos, conseguindo realizar uma margem �nanceira maior, o que é usado para custear os investimentos necessários para manter a diferenciação. A empresa Natura, que atua no mercado de cosméticos, é um exemplo de empresa que adota a estratégia da diferenciação, baseada no desenvolvimento de produtos que usam a biodiversidade brasileira em sua formulação. Assim, ela se diferencia das empresas concorrentes, que utilizam matérias-primas sintéticas em seus produtos. Outro exemplo de empresa que adota a estratégia da diferenciação é o Cirque de Soleil, que ao reinventar o conceito de espetáculos circenses criou uma experiência única para seus clientes, e cobra um valor bem mais elevado que seus concorrentes. A estratégia de foco é usada por empresas que de�nem um segmento especí�co de mercado e direcionam suas ações e atividades para atender a este público. Um exemplo de empresa que adota esta estratégia é a rede de academias de ginástica Curves, que é direcionada apenas ao público feminino. Ao perceber que muitas mulheres se sentiam pouco à vontade para se exercitar em academias tradicionais, a empresa desenvolveu uma proposta de valor em que apenas mulheres são aceitas no espaço físico da academia. Assim, as clientes podem se sentir mais à vontade para se exercitar. Os exemplos mostram que qualquer uma das estratégias competitivas sugeridas no modelo de Porter (2004) pode ser bem-sucedida, desde que a empresa escolha a estratégia mais alinhada aos seus recursos internos e às características de seu mercado. Apresentação das estratégias de diferenciação e foco Disciplina Planejamento Estratégico Ao desenvolver os objetivos estratégicos a serem atingidos nos próximos cinco anos, a indústria de produtos alimentícios que estamos acompanhando em nossas aulas de�niu que desenvolveria uma linha de produtos saudáveis, composta por dez diferentes produtos. O processo de desenvolvimento e de fabricação dos produtos da linha saudável exige investimentos para a criação dos pratos, que devem seguir processos rigorosos para manter a qualidade e as características naturais dos alimentos. As matérias-primas precisam seguir padrões sanitários certi�cados pelos órgãos governamentais de controle. Por isso, a empresa precisa encontrar fornecedores com essas certi�cações e padrões de qualidade. Estas exigências aumentam o custo de produção dos produtos. Porém, a empresa decidiu adotar uma estratégia de diferenciação, pois identi�cou, em suas análises do ambiente externo, que existem consumidores dispostos a pagar um preço mais elevado para adquirir produtos criados a partir de processos de fabricação que não causem impacto na natureza, e que contenham matérias-primas e formulações que garantam que os produtos não sejam prejudiciais à saúde. Disciplina Planejamento Estratégico Para que uma estratégia de diferenciação bem-sucedida, a empresa decidiu desenvolver uma nova marca, especi�camente criada para a nova linha de produtos saudáveis. Como uma das ações estratégicas de�nidas no plano tático da área de desenvolvimento de produtos, foi de�nido que os produtos devem ter embalagem criadas com materiais reciclados, como forma de diminuir os impactos ambientais da comercialização dos produtos. Já o plano tático da área de marketing da empresa inclui, entre as ações a serem implantadas, a contratação de uma agência de publicidade que desenvolverá desde o nome da nova marca, que deve remeter às características de sustentabilidade ambiental e saúde, a criação das embalagens dos produtos, e uma campanha de marketing para o lançamento da nova linha. Quanto à segunda empresa que estamos acompanhando em nossas aulas, o pequeno restaurante que está em processo de desenvolvimento, o empresário, após analisar as diversas estratégicas genéricas, identi�cou que a melhor opção seria adotar a estratégia de foco. Durante as análises do ambiente externo, identi�cou que, na região onde o restaurante será aberto, não existem restaurantes que oferecem refeições saudáveis e com opções vegetarianas e veganas pelo sistema self-service. Decidiu então realizar uma pesquisa com potenciais clientes, e concluiu que há uma parcela considerável de pessoas que buscam esse tipo de alimentação, mas que acabam por se alimentar de outra forma, pela falta de opções. A pesquisa também mostrou que esses clientes estão dispostos a pagar um valor mais elevado, desde que tenham acesso a uma refeição rápida e saudável. Assim, o empresário decidiu adotar a estratégia de foco para atender a este grupo especí�co de clientes. Videoaula: Estratégias genéricas Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Quando conhecemos os conceitos das estratégias genéricas, é possível identi�car empresas que adotam os diversos tipos de estratégia, como as empresas que buscam oferecer os melhores preços em relação à concorrência, aquelas que buscam oferecer produtos e serviços que se destacam em relação aos concorrentes, e as empresas que se especializam em atender um segmento especí�co de clientes. Neste vídeo, vamos aprofundar esses conceitos, trazendo mais alguns exemplos de empresas que adotam essas estratégias. Convidamos você a conhecermais a respeito desta etapa tão importante do planejamento estratégico. Saiba mais Disciplina Planejamento Estratégico Uma das obras mais fundamentais para aqueles que buscam entender os desa�os que as empresas enfrentam no mundo contemporâneo e como a estratégia pode ajudar a empresa a competir, o livro indicado a seguir analisa as origens e novas tendências da estratégia e da importância de se construir vantagens competitivas. Produção, Estratégia e Tecnologia. Referências https://login.vitalsource.com/?redirect_uri=https%3A%2F%2Fintegrada.minhabiblioteca.com.br%2Freader%2Fbooks%2F9788577802173%2Fpages%2Frecent&brand=integrada.minhabiblioteca.com.br https://login.vitalsource.com/?redirect_uri=https%3A%2F%2Fintegrada.minhabiblioteca.com.br%2Freader%2Fbooks%2F9788577802173%2Fpages%2Frecent&brand=integrada.minhabiblioteca.com.br https://login.vitalsource.com/?redirect_uri=https%3A%2F%2Fintegrada.minhabiblioteca.com.br%2Freader%2Fbooks%2F9788577802173%2Fpages%2Frecent&brand=integrada.minhabiblioteca.com.br https://login.vitalsource.com/?redirect_uri=https%3A%2F%2Fintegrada.minhabiblioteca.com.br%2Freader%2Fbooks%2F9788577802173%2Fpages%2Frecent&brand=integrada.minhabiblioteca.com.br Disciplina Planejamento Estratégico CRESPO, N. F.; RODRIGUES, R.; SAMAGAIO, A.; SILVA, G. M. The adoption of management control systems by start-ups: Internal factors and context as determinants. Journal of Business Research, v. 101, p. 875-884, 2019. FISS, P. C. Building better causal theories: A fuzzy set approach to typologies in organization research. Academy of Management Journal, v. 54, n. 2, p. 393-420, 2011. PORTER, M. Estratégia competitiva. Elsevier Brasil, 2004. RAPÔSO, C. F. L. et al. Estratégia e Inovação. RACE – Revista de Administração do Cesmac, v. 6, p. 4-13, 2020. Aula 2 Estratégias competitivas Introdução Disciplina Planejamento Estratégico Olá, estudante, O processo de desenvolvimento do planejamento estratégico de uma empresa é composto de diversas etapas. Após de�nir o posicionamento estratégico, os objetivos e as estratégias genéricas a serem adotadas, o próximo passo é escolher o foco estratégico. A depender das capacidades internas da empresa e das características do ambiente, a empresa pode buscar aumentar sua participação no mercado, atuar em novos mercados, desenvolver novos produtos ou diversi�car sua atuação. Nesta aula, vamos discutir os diversos focos estratégicos que podem ser usados, e mostrar exemplos de cada um deles. Vamos juntos nesta etapa da nossa jornada de aprendizado? Conceituação de vantagem competitiva Disciplina Planejamento Estratégico Segundo Porter (2004), é fundamental que a empresa busque estabelecer vantagens competitivas sustentáveis e duradouras em relação a seus concorrentes. Para isso, essas vantagens competitivas precisam se di�cilmente copiáveis pelas demais empresas. Gianesi e Corrêa (2018) exempli�cam essa característica das vantagens competitivas: uma estratégia de marketing, por exemplo, uma campanha promocional, pode ser facilmente copiada pelas empresas concorrentes e até mesmo superada por elas. Por isso, mesmo que inicialmente represente uma vantagem competitiva, não é sustentável no longo prazo. Já uma estratégia que seja baseada no investimento em inovações e melhoria dos processos produtivos pode representar uma vantagem competitiva sustentável de longo prazo, pois di�cilmente a concorrência conseguirá implantar as mesmas melhorias. A busca por vantagens competitivas sustentáveis se torna ainda mais importante no mundo contemporâneo, no qual empresas de diferentes nacionalidades competem de igual para igual em um mercado global, no qual a localização das operações fabris é um fator que não interfere na capacidade da empresa de competir nos mercados locais. O rápido desenvolvimento de novas tecnologias e o intenso investimento das empresas na inovação, que englobam novas matérias-primas, novas fontes de energia, novos processos produtivos e novos modelos de negócios, fazem com que o ambiente competitivo se torne ainda mais acirrado. As forças competitivas apontadas por Porter (2004) – os concorrentes, os fornecedores, os clientes, os novos entrantes e os produtos substitutos – deixam de ser apenas locais. A empresa precisa competir com concorrentes que estão em outros países. Fornecedores podem estar localizados do outro lado do mundo. Com o acesso facilitado pelas tecnologias da informação, os clientes podem comprar produtos de empresas internacionais, que atuam sob diferentes condições legais e tributárias e que podem ser bene�ciadas pela diferença do valor de câmbio das moedas. Segundo Kotler e Armstrong (2015), as empresas podem adotar quatro diferentes focos estratégicos, a depender do ambiente externo e dos recursos de que dispõem. Disciplina Planejamento Estratégico Na estratégia de penetração, a empresa utiliza seus principais produtos ou serviços e busca aumentar sua participação no mercado em que atua. Para isso, pode utilizar ferramentas como campanhas promocionais, ações de preço e aumento do relacionamento com os canais de distribuição e com os clientes �nais. Já na estratégia de desenvolvimento de novos produtos, a empresa utiliza o relacionamento que já estabeleceu com seus clientes e seus canais de distribuição para lançar produtos novos ou versões melhoradas dos produtos que já fazem parte de seu portfólio. Esta estratégia exige que a empresa invista em pesquisa e inovação para desenvolver novas tecnologias ou melhorar as já existentes. A estratégia de desenvolvimento de mercado é baseada na atuação em mercados ainda não atendidos pela empresa. Essa ampliação pode ser tanto geográ�ca, quando a empresa passa a atender clientes de uma região em que não atuava, como um novo país, estado ou município, ou um segmento de mercado diferente, como lançar produtos que atendam aos desejos e necessidades de uma faixa etária ou grupo socioeconômico que não consumia seus produtos e serviços. A estratégia da diversi�cação é usada por empresas inovadoras que buscam atuar em mercados diferentes e desenvolver novos produtos para aproveitar oportunidades que surgem com mudanças identi�cadas no mercado. Este tipo de estratégia é mais arriscado, pois a empresa precisa lidar tanto com mercados quanto com produtos novos, o que aumenta a incerteza quanto ao sucesso das ações a serem implantadas. Discussão das estratégias defensivas, prospectivas, analíticas e reativas Disciplina Planejamento Estratégico O tipo de foco estratégico a ser utilizado pela empresa para que seus objetivos sejam atendidos depende de uma série de características dos ambientes externo e interno, identi�cadas na análise SWOT e no processo de desenho de cenários futuros. A estratégia de penetração de mercado é adotada por empresas que percebem que existem possibilidades de crescimento no mercado atual que atendem com os produtos já fabricados ou comercializados. É uma estratégia baseada no aumento da participação de mercado, ou market share. Por exemplo: uma indústria de sabão em pó que atende uma grande rede de supermercados identi�ca que a cada dez unidades do produto vendidas no mercado, apenas duas unidades são de sua marca. As outras unidades são de marcas concorrentes. A empresa pode então de�nir uma estratégia de penetração, negociando com a rede de supermercados novos espaços de exposição de produtos, ou uma ação promocional, do tipo “leve 3, pague 2”. A empresa pode de�nir como objetivo aumentar sua participação nas vendas do supermercado em 50%, ou seja, aumentar a venda de duas para três unidades a cada dez unidades do produto vendidas pelo supermercado. Na estratégia de desenvolvimento de novos produtos, a empresa utiliza sua capacidade de investimento em pesquisa e inovação para identi�car demandas dos clientes atuais que não sejam plenamente atendidas pelos produtos atualmente comercializados. Neste foco estratégico, o mercado e os clientes atendidos continuam os mesmos, e a empresa usa seu relacionamentoou a força de sua marca para posicionar o novo produto no mercado. Um exemplo de empresa brasileira que adota esta estratégia é a marca Paçoquita, produzida pela Indústria Santa Helena. O doce originalmente produzido pela empresa, conhecido como rolha de amendoim, é um produto tradicional, consumido especialmente durante as festas juninas. A partir desta marca consolidada, a empresa lançou uma grande linha de produtos, como produtos light e diet, versões cremosas e em embalagens diferenciadas. A estratégia de desenvolvimento de novos mercados é adotada por empresas que identi�cam que existem outros mercados ainda não atendidos que oferecem oportunidades para a venda de produtos da empresa. Esse novo mercado tanto pode ser uma nova região geográ�ca quanto um novo segmento de mercado. Um exemplo é o produto Guaraná Jesus, que tradicionalmente era distribuído apenas no estado do Maranhão. Após a marca ser adquirida pela Coca-Cola Company no ano de 2001, passou a ser distribuída e outros estados das regiões Nordeste e Centro-Oeste do país. Dentre os focos estratégicos que podem ser adotados pela empresa, o que representa maior risco e complexidade é a estratégia da diversi�cação, pois a empresa busca atuar em um mercado desconhecido, com novos produtos ou marcas. Como exemplo, temos empresas varejistas como Ponto Frio e Casas Bahia, que tradicionalmente comercializavam seus produtos em lojas físicas, com foco em produtos eletroeletrônicos e móveis, e que passaram a distribuir também pelo canal e-commerce e ampliaram suas linhas de produtos, incluindo roupas, calçados, livros e até alimentos. Apresentação das estratégias de penetração, desenvolvimento de novos mercados, de novos produtos e de diversi�cação Disciplina Planejamento Estratégico Vamos continuar acompanhando as duas empresas que estamos usando como exemplo em cada uma de nossas aulas. Como demonstrado na aula anterior, a indústria de produtos alimentícios de�niu como principal estratégia para atingir seus objetivos para os próximos cinco anos desenvolver uma nova linha de produtos com um posicionamento saudável e ambientalmente sustentável. Como estratégia genérica, a empresa adotou a diferenciação, pois a nova linha de produtos apresenta uma série de características que se destacam em relação aos produtos oferecidos pelas empresas concorrentes. Vamos então analisar essa estratégia, usando os conceitos dos tipos de focos estratégicos. Apesar de a empresa buscar atender aos mesmos clientes que já são atendidos atualmente, mas aumentar seu faturamento neste mercado, o foco não pode ser considerado uma estratégia de penetração, pois a empresa não vai aumentar a sua participação ou market share nos produtos que já comercializa. Também não pode ser considerada uma estratégia de desenvolvimento de mercado, pois a empresa não pretende, no período compreendido pelo planejamento estratégico, atrair novos clientes e atuar em novas áreas geográ�cas ou novos segmentos de mercado. Da mesma forma, por não envolver o desenvolvimento de novos mercados, também não pode ser considerada uma estratégia de diversi�cação. Como envolve o desenvolvimento de uma nova linha composta por dez diferentes produtos que serão comercializados nos varejistas que já são clientes da empresa, o foco é a estratégia de desenvolvimento de novos produtos. Podemos concluir que como estratégia genérica, a empresa adota a estratégia de diferenciação, e como foco estratégico, o desenvolvimento de novos produtos. Após lançar os produtos e estabelecer a marca no mercado, a empresa pode adotar novos focos estratégicos como forma de consolidar sua participação de mercado. Pode, por exemplo, adotar o foco estratégico de desenvolvimento de novos mercados. Como uma marca já conhecida pelos consumidores, a empresa poderá atender outras regiões ou segmentos de clientes. Pode Disciplina Planejamento Estratégico também adotar uma estratégia de penetração de mercado, com o objetivo de aumentar ainda mais seu market share. No caso do restaurante, como a empresa ainda não existe, de�nir o foco estratégico é mais complexo, pois conceitualmente, a empresa não está buscando aumentar sua participação no mercado (pois atualmente não tem participação alguma) nem atuar em um novo mercado com os produtos atuais, nem desenvolver novos produtos para atender ao mercado atual. O foco estratégico que mais se aproxima da realidade de uma empresa nascente, como o caso de nosso restaurante, é o foco da diversi�cação, pois a empresa está atuando em um mercado desconhecido, com produtos que estão sendo lançados. O foco em diversi�cação é o que apresenta mais riscos para a empresa, pois ela precisa lidar com alto nível de incerteza e complexidade. Este é um dos motivos pelos quais abrir uma nova empresa é tão desa�ador. Videoaula: Estratégias competitivas Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. O foco estratégico de�ne qual será a estrada que a empresa vai escolher para atingir seus objetivos. Dependendo dos recursos de que dispõe e das oportunidades e ameaças do mercado, a empresa pode adotar um ou mais caminhos ou focos estratégicos. Em outros casos, apenas um caminho estratégico pode ser adotado pela empresa. Vamos discutir esses conceitos e aprender um pouco mais a respeito de planejamento estratégico? Então, preste bastante atenção a este vídeo! Saiba mais Disciplina Planejamento Estratégico Após �car mundialmente conhecido no ano de 2004 por seu documentário Supersize Me, que mostrava os impactos dos alimentos industrializados das redes de fast food sobre a saúde dos consumidores, Morgan Spurlock criou uma lanchonete chamada Holy Chicken!, em que adota a estratégia da diferenciação em relação a seus concorrentes. A empresa usa a sinceridade e a total transparência sobre os processos e produtos da empresa, para gerar �delização e engajamento de seus consumidores. HOLY CHICKEN! Direção: Morgan Spurlock. EUA: Snoot Entertainment, 2017. 93 min. Referências Disciplina Planejamento Estratégico GIANESI, I. G. N.; CORRÊA, H. L. Administração estratégica de serviços: operações para a satisfação do cliente. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2018. KOTLER, P.; ARMSTRONG, G. Princípios de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015. PORTER, M. Estratégia competitiva. Elsevier Brasil, 2004. Aula 3 Estratégias de inovação e características estruturais da inovação Introdução Disciplina Planejamento Estratégico Olá, estudante, Em um mundo que passa por profundas e constantes transformações, causadas especialmente pelo desenvolvimento de tecnologias disruptivas que alteram tanto a forma como os produtos são criados, produzidos, comercializados e utilizados, quanto as relações entre as empresas e seus clientes, fornecedores, concorrentes e com a sociedade, a capacidade de inovar é uma das competências fundamentais para garantir que a empresa se mantenha competitiva. Nesta aula, vamos discutir a relação da inovação com as estratégias empresariais. É neste mundo em constante mudança que você vai atuar pro�ssionalmente. Por isso, é muito importante que você aprenda os conceitos de inovação no contexto estratégico. Vamos aprender juntos? Apresentação das principais estratégias de Inovação Disciplina Planejamento Estratégico Uma das estratégias utilizadas pelas empresas que buscam desenvolver diferenciais competitivos sustentáveis é investir na inovação tecnológica. O investimento das empresas em inovação não é um fenômeno recente, mas, segundo Sandmeier, Morrison e Gassmann (2010), se intensi�cou nas últimas décadas. Os autores apontam que o desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação, com destaque para a internet, possibilitaram que as empresas compartilhassem conhecimentos, tanto com outras empresas e parceiros quanto com instituições de ensino e pesquisa, e foramcriadas redes de inovação que facilitaram o desenvolvimento de novas tecnologias. De acordo com Maior et al. (2019), as empresas que adotam uma estratégia de inovação buscam criar diferenciais competitivos sustentáveis em relação a seus concorrentes ao oferecer produtos diferenciados ou serviços inéditos a seus consumidores. A inovação não se restringe ao desenvolvimento de produtos e serviços. A empresa pode inovar em seus modelos de negócios, processos de trabalho e gestão e em seus canais de distribuição. Segundo Karpinski, Guerner e Martins (2019), a inovação tecnológica é uma ferramenta de extrema importância na estratégia das empresas. Tanto as inovações incrementais, como a melhoria de características dos produtos e serviços oferecidos pela empresa, quanto as disruptivas, que representam um salto tecnológico em relação aos produtos das empresas concorrentes, ajudam a empresa a criar diferenciais competitivos sustentáveis, além de ajudar a empresa a agregar valor e obter resultados mais signi�cativos. A inovação não traz benefícios apenas para as empresas. Para Balbino et al. (2020), ela ajuda também o país a se desenvolver, tanto econômica quanto socialmente, e traz ganhos de produtividade e geração de empregos. Disciplina Planejamento Estratégico Rocha, Olave e Ordonez (2020) a�rmam que o investimento em inovação é elevado. Assim, as empresas buscam desenvolver parcerias com outras organizações, como fornecedores, clientes, governo e institutos de pesquisa. A parceria possibilita a troca de conhecimentos e de soluções que podem acelerar o processo de inovação. Além de desenvolver uma cultura voltada para a inovação, a empresa precisa se relacionar com os diversos atores do ambiente externo, adotando uma estratégia de inovação aberta (open innovation), que, segundo Bogers, Burcharth e Chesbrough (2021), pode ser entendida como uma metodologia de gestão da inovação que amplia e ultrapassa os limites da organização como forma de incentivar a criatividade, o desenvolvimento de novas ideias e a inovação. Ao participar de redes de inovação, a empresa se relaciona tanto com os parceiros que fazem parte de sua cadeia de valor, como fornecedores, distribuidores, varejistas e clientes, quanto com outras organizações que atuam no mercado e na sociedade, como universidades, órgãos governamentais e agências internacionais. A inovação aberta, além de possibilitar que a empresa tenha acesso a novos conhecimentos, amplia sua capacidade de identi�car oportunidades no mercado. Além disso, o contato com outras culturas empresariais faz com que a cultura da empresa evolua e se adapte com mais facilidade às mudanças e desa�os encontrados no mercado. Discussão sobre os processos de gestão da inovação Disciplina Planejamento Estratégico A estratégia de inovação não se resume ao desenvolvimento de novos produtos e serviços. A empresa pode inovar também em seu modelo de negócios. Um exemplo é a empresa brasileira Amaro, de moda feminina. No modelo tradicional de desenvolvimento, as marcas de varejo de moda, em geral, nascem a partir de lojas físicas e, com o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, passam também a oferecer seus produtos por canais digitais. A Amaro já nasceu como uma empresa digital e iniciou suas operações comercializando seus produtos por plataformas digitais, usando o modelo de e-commerce. Após estabelecer sua marca entre os consumidores, a empresa abriu lojas físicas, a que dá o nome de Guide Shops. As lojas não comercializam os produtos: são espaços de exposição e experimentação, nos quais os clientes podem ter acesso às coleções, experimentar os modelos e vivenciar a marca. A compra até pode ser feita no espaço físico da loja, mas o cliente recebe o produto em sua residência, após alguns dias. Com esta inovação, a empresa busca oferecer aos seus clientes uma experiência diferenciada em relação a seus concorrentes. Em geral, nas lojas que atuam no modelo e-commerce os clientes não podem experimentar os produtos. Outra vantagem do modelo é que, como as lojas físicas não precisam contar com estoques, os espaços físicos podem ser totalmente aproveitados para expor os produtos. A empresa adota o modelo de distribuição conhecido como omnichannel: utiliza diversos canais de distribuição, como lojas físicas e virtuais, sempre mantendo a mesma oferta e posicionamento de preços, o que facilita a jornada de compras do cliente. O processo de compra pode começar no site ou nas redes sociais da empresa, quando o consumidor conhece os produtos e cria desejo em adquiri- los. Continua nas guide shops, onde experimenta a roupa, e pode ser concluída tanto �sicamente, na loja, quanto virtualmente, no e-commerce da marca. A empresa também busca inovar no desenvolvimento de seus produtos. Ao perceber a grande diversidade de medidas das clientes brasileiras, a empresa criou linhas de produtos adequadas às características das consumidoras, com medidas e tamanhos especialmente criados para lidar com essa diversidade. A empresa é considerada pelas revistas e instituições especializadas uma das mais inovadoras do mercado de moda em todo o mundo. A Amaro utiliza as plataformas e redes sociais para se comunicar de forma intensa e profunda com suas clientes, criando �delidade e engajamento. O exemplo mostra como a estratégia da inovação, quando adotada pela empresa, pode possibilitar a criação de diferenciais competitivos duradouros e sustentáveis. Porém, é importante que a empresa invista constantemente em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos ou modelos de negócios para evitar que seu modelo seja copiado pelos concorrentes, diminuindo sua capacidade de competir no mercado. Conceituação dos ambientes e redes de inovação Disciplina Planejamento Estratégico As estratégias competitivas de�nidas por ambas as empresas que estamos acompanhando ao longo de nossas aulas podem ser classi�cadas como estratégias de inovação, pois tanto no caso da indústria de alimentos pré-prontos quanto no caso do pequeno restaurante que o empreendedor pretende criar há a necessidade de desenvolver novos produtos ou modelos de negócios. A indústria de alimentos pretende adotar uma estratégia genérica de diferenciação, tendo como foco estratégico o desenvolvimento de novos produtos. Para desenvolver a nova linha de produtos, com características saudáveis e ambientalmente sustentável, a empresa vai precisar desenvolver uma série de inovações, que envolvem diversos parceiros. No caso dos fornecedores das matérias-primas, a empresa precisará identi�car empresas que já contem com processos produtivos que sigam as regras, normas e parâmetros dos órgãos �scalizadores. Pode também desenvolver novos ingredientes ou matérias-primas, em parceria tanto com os fornecedores quanto com institutos de pesquisa. Os processos produtivos da empresa precisam ser repensados para garantir que todas as etapas, desde o transporte das matérias-primas até as instalações fabris, os locais de armazenamento, os equipamentos utilizados nas linhas de produção, os canais de distribuição e os locais de comercialização sigam os parâmetros de gestão ambiental e sustentabilidade de�nidos pela empresa. Uma das características de�nidas no plano tático da área operacional da empresa foi a utilização de embalagens produzidas com materiais recicláveis. Para atender a essa exigência, a empresa precisará pesquisar matérias-primas que possam ser usadas neste tipo de embalagens, bem como equipamentos e tecnologias para produzi-las. Disciplina Planejamento Estratégico Mesmo que algumas destas tecnologias e processos já existam, a empresa precisa desenvolver parcerias com outras empresas, instituições de pesquisa e órgãos governamentais ligados à inovação, e estabelecer redes de inovação nas quais esses diversos atores atuem em conjunto para investir nas inovações necessárias para o lançamento dos produtos da nova linha. Já no caso do restaurante, o processo de inovação, apesar de inicialmente parecer mais simples,também demandará investimentos por parte do empreendedor. Como pretende oferecer produtos saudáveis produzidos de forma sustentável, a empresa precisará identi�car fornecedores certi�cados de produtos orgânicos. São exemplos deste tipo de certi�cação o selo Fair Trade Brasil, que garante que os direitos dos trabalhadores foram respeitados pelas empresas; o selo FSC, que certi�ca que a produção não causou impactos ambientais em regiões de matas nativas; e o selo IBD, que garante que os produtos foram produzidos com processos sustentáveis, sem o uso de agentes químicos. Em relação aos pratos que serão oferecidos aos clientes, a empresa pode utilizar receitas já existentes, desenvolvidas por chefs ou cozinheiros, ou desenvolver suas próprias criações, usando o conhecimento dos pro�ssionais contratados ou em parceria com escolas de culinária ou consultores gastronômicos. Videoaula: Estratégias de inovação e características estruturais da inovação Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. A inovação não é uma atividade desenvolvida apenas por grandes empresas, que contam com capacidade de investimento e estruturas especialmente desenvolvidas para isso. A inovação está presente em cada melhoria que as empresas dos mais variados portes adotam em seus processos, produtos e serviços, para atender às demandas de seus clientes. Neste vídeo, vamos discutir a importância da inovação e sua relação com a estratégia. Assista a esta aula com atenção, pois a capacidade de inovação é uma das competências que as empresas mais desejam em seus colaboradores. Vamos lá? Saiba mais Disciplina Planejamento Estratégico No livro indicado a seguir, a autora apresenta uma metodologia prática para a empresa adotar estratégias inovadoras. Como as inovações tecnológicas apresentam um ciclo de vida cada vez mais curto, a capacidade de inovação se torna cada vez mais importante. Empresas que não inovam estão fadadas à obsolescência Criatividade e Inovação. Como adaptar-se às mudanças. Série Gestão Estratégica. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2263-5/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2263-5/ Disciplina Planejamento Estratégico BALBINO, C. M. et al. Inovação tecnológica: perspectiva dialógica sob a ótica do Joseph Schumpeter. Research, Society and Development, Vargem Grande Paulista, v. 9, n. 6, abr. 2020. Disponível em: https://www.rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/3593. Acesso em: 9 nov. 2022. BOGERS, M. L. A. M.; BURCHARTH, A.; CHESBROUGH, H. Inovação aberta no Brasil: explorando oportunidades e desa�os. International Journal of Professional Business Review, v. 6, n. 1, p. 1- 15, jan./dez. 2021. Disponível em: https://ci.fdc.org.br/AcervoDigital/Artigos/2021/Inova%C3%A7%C3%A3o%20aberta%20no%20Br asil_%20explorando%20oportunidades%20e%20desa�os.pdf. Acesso em: 9 nov. 2022. KARPINSKI, C.; GUERNER, A. de H. V.; MARTINS, S. A produção bibliográ�ca em gestão da informação, empreendedorismo e inovação no Depósito Legal da Biblioteca Nacional (2003- 2018). A.to.Z: novas práticas em informação e conhecimento, Curitiba, v. 8, n. 2, p. 76-82, jul./dez. 2019. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/atoz/article/view/71303. Acesso em: 9 nov. 2022. MAIOR, R. A. M. S. et al. Competências gerenciais e inovação: percepção de gestores de micro e pequenas empresas. Revista da Micro e Pequena Empresa, v. 13, n. 2, p. 60-84, 2019. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7056409. Acesso em: 9 nov. 2022. ROCHA, R. O.; OLAVE, M. E. L.; ORDONEZ, E. D. M. Estratégias de inovação: uma análise em startups de tecnologia da informação. Revista de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas, v. 9, n. 3, p. 237-271, maio/ago. 2020. Disponível em: https://webcache.googleusercontent.com/search? q=cache:o7JtGrZ88H4J:https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/7881931.pdf&cd=1&hl=pt- BR&ct=clnk&gl=br. Acesso em: 9 nov. 2022. SANDMEIER, P.; MORRISON, P. D.; GASSMANN, O. Integrating customers in product innovation: lessons from industrial development contractors and in-house contractors in rapidly changing customer markets. Creativity and Innovation Management, v. 19, n. 2, p. 89-106, jun. 2010. https://www.rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/3593 https://ci.fdc.org.br/AcervoDigital/Artigos/2021/Inova%C3%A7%C3%A3o%20aberta%20no%20Brasil_%20explorando%20oportunidades%20e%20desafios.pdf https://ci.fdc.org.br/AcervoDigital/Artigos/2021/Inova%C3%A7%C3%A3o%20aberta%20no%20Brasil_%20explorando%20oportunidades%20e%20desafios.pdf https://revistas.ufpr.br/atoz/article/view/71303 https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7056409 https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:o7JtGrZ88H4J:https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/7881931.pdf&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:o7JtGrZ88H4J:https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/7881931.pdf&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:o7JtGrZ88H4J:https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/7881931.pdf&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br Disciplina Planejamento Estratégico Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1467-8691.2010.00555.x. Acesso em: 9 nov. 2022. Aula 4 Estratégias baseadas no conhecimento e learning organization Introdução O conhecimento é um dos principais recursos de uma empresa. É a partir dos conhecimentos e competências individuais e organizacionais que a empresa de�ne seus processos de trabalho e desenvolve vantagens competitivas sustentáveis em relação às empresas concorrentes. Apesar da importância do conhecimento na estratégia das empresas, muitas organizações ainda não estabelecem processos e estruturas para detectar, captar, organizar e disseminar os conhecimentos presentes em seus colaboradores. Neste curso, você está desenvolvendo novos conhecimentos, experiências e saberes que serão fundamentais para o sucesso de sua carreira no futuro. Então, vamos discutir a importância do conhecimento na de�nição das estratégias empresariais? Boa aula! Apresentação das principais estratégias baseadas no conhecimento e learning organization https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1467-8691.2010.00555.x Disciplina Planejamento Estratégico Os colaboradores de uma empresa concentram as habilidades, competências e experiências que constituem o capital de conhecimento da organização. Estes conhecimentos são fundamentais para que a empresa estabeleça diferenciais competitivos em relação à concorrência, pois eles são construídos no cotidiano das operações, nas relações que são estabelecidas com fornecedores, parceiros, clientes, concorrentes e com a sociedade. Porém, se os colaboradores saem da empresa, seja porque se aposentam ou buscam novos desa�os pro�ssionais, parte signi�cativa deste conhecimento pode deixar de existir, causando impactos negativos na capacidade competitiva da empresa. É comum que empresas concorrentes busquem contratar pro�ssionais experientes, o que é ainda mais prejudicial para a organização, pois estes pro�ssionais levam consigo as competências, relacionamentos e experiências desenvolvidas durante o período em que atuaram na empresa. Para Maier (2007), é fundamental que as empresas desenvolvam sistemas de gestão de conhecimentos, como forma de transformar as competências individuais em competências organizacionais que podem ser usadas para aumentar a competitividade. A gestão do conhecimento ganha ainda mais importância em um mercado marcado pelo rápido desenvolvimento tecnológico. Na era do conhecimento, os saberes e competências da organização são a base sobre as quais se estabelecem as estratégias que a empresa adota para buscar diferenciais competitivos sustentáveis. O conhecimento é fundamental para que a empresa implante processosde inovação. Segundo Tapscott e Williams (2007), para se tornar uma organização que aprende, a empresa precisa desenvolver estruturas de colaboração e organização do conhecimento que permitam que colaboradores atuem de forma conjunta, em equipe, para construir novos conhecimentos e competências. A criação de uma cultura organizacional que valorize o conhecimento é um fator fundamental, que deve ser Disciplina Planejamento Estratégico complementado, segundo Rosseti e Morales (2008), por uma estrutura que oriente a geração, organização, registro e divulgação do conhecimento. Os sistemas e processos de gestão do conhecimento precisam estar preparados para lidar tanto com o conhecimento explícito, que podna os sistemas de gestão da informação, as tecnologias de informação e comunicação e os sistemas de gestão de conhecimento, como mostra a �gura: e ser registrado e transformado em textos, manuais, treinamentos e normas, quanto com o conhecimento tácito, que surge a partir das experiências. O conhecimento tácito, por estar ligado à vivência pessoal de cada colaborador, é mais difícil de ser registrado e organizado. Porém, é extremamente valioso, pois está ligado à construção de diferenciais competitivos di�cilmente copiáveis. Teixeira e Valentim (2016) propõem um modelo que relacio Figura 1 | Inteligência competitiva organizacional. Fonte: Teixeira e Valentim (2016, p. 11). Como mostra a �gura, as informações captadas tanto interna quanto externamente são usadas nas análises que servem de base para o planejamento estratégico da empresa. As tecnologias da informação e da comunicação são usadas para organizar e tratar estas informações. Ao serem analisadas pelos colaboradores da empresa, que utilizam suas experiências e vivências anteriores, as informações dão origem a novos conhecimentos que serão usados na tomada de decisão estratégica e no cotidiano das operações. Os sistemas de gestão do conhecimento têm o papel de registrar e disseminar esse conhecimento gerado por toda a organização, transformando os saberes individuais em competências organizacionais. Conceituação das estratégias voltadas para gestão do conhecimento Disciplina Planejamento Estratégico Quando se pensa na gestão do conhecimento e das competências da organização, é comum considerar que os conhecimentos que precisam ser capturados, organizados, analisados e disseminados pela empresa sejam complexos, relacionados a características técnicas dos produtos e processos, e a informações �nanceiras e econômicas da empresa. Porém, tão importante quanto estes conhecimentos explícitos são os conhecimentos tácitos que estão presentes em cada um dos colaboradores, que surgem a partir das experiências e vivências ocorridas no cotidiano das operações da empresa. Um exemplo da importância do conhecimento tácito são as relações pessoais estabelecidas pela equipe comercial ou de atendimento da empresa com seus clientes. Quanto mais o vendedor conhece seu cliente, suas necessidades, desejos, demandas, formas de negociação e processo de decisão, mais fácil se torna o atendimento. Membros da família, datas de aniversário, tipo de esporte e time para o qual o cliente torce, hábitos pessoais e valores são exemplos de informações básicas que podem ser usadas pela empresa para melhorar o relacionamento com cliente. Um vendedor experiente, além de conhecer as demandas especí�cas de seus clientes em relação aos produtos e serviços da empresa, também captura informações gerais, que podem parecer simples, mas que são de grande valor no estabelecimento de uma relação. Conhecer as Disciplina Planejamento Estratégico posturas, comportamentos, hábitos e atitudes do cliente aprofundam ainda mais esta relação. Porém, é extremamente difícil transformar esse conhecimento tácito em um conhecimento explícito. O vendedor pode saber, pelo tom de voz do cliente em uma ligação telefônica ou a postura que adota ao entrar no estabelecimento, se o cliente está em um momento bom para ouvir uma proposta, ou se está irritado com algum fato externo, o que pode prejudicar a negociação. Em equipes comerciais, é comum que vendedores e pro�ssionais de atendimento estabeleçam relacionamentos com pro�ssionais de outras empresas. Empresas concorrentes, ao identi�car um pro�ssional de destaque, podem tentar atraí-los com propostas agressivas de remuneração. Quando um pro�ssional da área comercial se desliga da empresa e passa a atuar em uma empresa concorrente, leva consigo este conhecimento tácito, causando prejuízos para a organização. É possível medir esta perda de conhecimento acompanhando os indicadores de faturamento das vendas realizadas na carteira de clientes anteriormente atendida pelo pro�ssional que se desliga da empresa. A mesma situação ocorre com pro�ssionais das mais diversas áreas da organização, pois uma parte do conhecimento a respeito de como realizar as atividades e processos do cargo, além das relações estabelecidas pelo pro�ssional com as demais áreas e pro�ssionais da empresa se perde, caso o pro�ssional se desligue. Assim, é fundamental que a empresa estabeleça processos de trabalho e uso de metodologias de gestão do conhecimento para transformar os conhecimentos, competências, experiências e saberes individuais em competências organizacionais. Apresentação dos conceitos de gestão dos sistemas de Informação e gestão do conhecimento Disciplina Planejamento Estratégico As empresas que estamos acompanhando em cada uma de nossas aulas apresentam situações diversas em relação aos conhecimentos, competências e experiências que fazem parte de seus recursos humanos. A indústria de produtos alimentícios, como apresentado nas aulas anteriores, já é uma empresa estabelecida, que atua no mercado há alguns anos. Por isso, conta com conhecimentos explícitos, já registrados e organizados nos processos de trabalho, manuais, regras e regulamentos que orientam a atuação cotidiana dos colaboradores e são usados no processo de treinamento dos novos colaboradores que são contratados pela empresa. Porém, para colocar em prática seu plano estratégico que tem como principal ação o desenvolvimento de uma nova linha de produtos, com características de formulação, processo produtivo e formas de comercialização diferentes das que a empresa já realiza, será necessário que a empresa busque detectar, captar, organizar e analisar dados, informações, saberes e experiências, que podem estar presentes em seus colaboradores atuais e no ambiente externo. A empresa pode desenvolver esses novos conhecimentos ao estabelecer parcerias com outras empresas, institutos de pesquisa e inovação, buscando fazer parte de redes de inovação. Pode também adquirir os conhecimentos necessários contratando pro�ssionais com experiências anteriores em empresas que atuam com estas linhas de produtos. A contratação externa é uma forma de trazer para a organização conhecimentos e competências já desenvolvidas pelos pro�ssionais. A empresa também pode incentivar, por meio de programas de treinamento e estruturas organizacionais internas, os colaboradores atuais a desenvolverem novas competências e conhecimentos que possam ser usados no processo de inovação pelo qual a empresa precisa passar. Disciplina Planejamento Estratégico Como já conta com estruturas organizacionais de�nidas, o processo de aquisição e organização de novos conhecimentos pode ser organizado pela área de recursos humanos da empresa, em parceria com as diversas áreas funcionais. Como exemplo, a empresa pode contratar um pro�ssional de desenvolvimento de produtos, com experiência anterior. A área de recursos humanos, além de realizar o processo de recrutamento e seleção deste pro�ssional, pode criar um programa de treinamentos para que os colaboradores atuais possam desenvolver novas competências. Já no caso do restaurante que está sendo criado pelo empreendedor, não é possível a�rmar que exista um conhecimento organizacional. As ideias, experiências, saberes e competências são ainda individuais, concentradasna �gura do empreendedor. Ele pode contratar pro�ssionais experientes, que trarão para a empresa suas próprias competências. Por isso, é fundamental que desde o início da vida da empresa o empreendedor busque estabelecer processos de gestão do conhecimento que possibilitem que estes saberes individuais se transformem em competências organizacionais. Em pequenas empresas, a perda de um colaborador que reúna as competências centrais dos processos de trabalho pode signi�car um grande impacto, que pode até levar ao fechamento da empresa. Videoaula: Estratégias baseadas no conhecimento e learning organization Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Vivemos a era do conhecimento. Para as empresas, organizar os conhecimentos dos colaboradores, que surgem a partir das experiências vivenciadas no cotidiano das operações de cada cargo da estrutura da empresa, é um fator fundamental para o sucesso das estratégias organizacionais. Neste vídeo, vamos discutir o processo de gestão do conhecimento nas empresas. Para você, que busca desenvolver novas competências e conhecimentos, é importante saber como criar uma organização que aprende. Vamos aprender juntos? Saiba mais Disciplina Planejamento Estratégico O livro Gestão estratégica do conhecimento. Integrando aprendizagem, conhecimento e competências é uma das principais obras nacionais a respeito do tema. Tendo como base pesquisas acadêmicas desenvolvidas pelos autores, o livro mostra como as competências fundamentais da empresa, que estão na base de suas vantagens competitivas, são compostas pelos conhecimentos dos colaboradores. Para os autores, o conhecimento surge a partir de um processo de aprendizagem. Por isso é fundamental que as empresas invistam no desenvolvimento de seus colaboradores. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522468300/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522468300/ Disciplina Planejamento Estratégico MAIER, R. Knowledge Management Systems: Information and Communication Technologies for Knowledge Management. Berlin: Springer, 2007. ROSSETTI, A. G.; MORALES, A. B. T. O papel da tecnologia da informação na gestão do conhecimento. Ciência da Informação, Brasília, v. 36, n. 1, p. 124- 135, jan./abr. 2007. TAPSCOTT, D.; WILLIAMS, A. D. Wikinomics: como a colaboração em massa pode mudar o seu negócio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007. TEIXEIRA, T. M. C.; VALENTIM, M. L. P. Inteligência competitiva organizacional: um estudo teórico. Perspectivas em Gestão & Conhecimento, v. 6, p. 3-15, 2016. Aula 5 Revisão da unidade Como formular a estratégica Disciplina Planejamento Estratégico Para desenvolver seu planejamento estratégica, a empresa precisa seguir uma série de etapas e passos consecutivos. Após realizar as análises do ambiente externo e interno e de�nir seus objetivos estratégicos, a próxima etapa é estratégia competitiva. Porter (2004) aponta três diferentes tipos de estratégia, como mostra a �gura: Disciplina Planejamento Estratégico Figura 1 | Tipos de estratégia competitiva. Fonte: adaptada de Porter (2004). Na estratégia de liderança em custos, a empresa busca diminuir seus custos de produção, operação e comercialização, para oferecer o menor preço de seus produtos em relação às demais empresas do setor. A estratégia de diferenciação é baseada no desenvolvimento de características ou detalhes exclusivos nos produtos e serviços, para que os consumidores percebam maior valor nos produtos da empresa, em relação aos concorrentes. A terceira estratégia é o foco. A empresa busca atender a um segmento especí�co de mercado delimitado por critérios geográ�cos, ou outra característica do consumidor, como idade, gênero, hábitos de consumo e estilo de vida. Para que os objetivos estratégicos sejam atingidos, a estratégia genérica adotada deve estar alinhada com suas capacidades e recursos, e com as oportunidades e ameaças do mercado. A etapa seguinte é a de�nição do foco estratégico que a empresa adotará para estabelecer vantagens competitivas sustentáveis e duradouras, em relação a seus concorrentes. Kotler e Armstrong (2015) apontam quatro diferentes focos estratégicos. A estratégia de penetração, pela qual a empresa busca aumentar sua participação no mercado em que já atua, também aumentando a venda de principais produtos ou serviços. A estratégia de desenvolvimento de novos produtos, com a qual a empresa lança produtos novos ou versões melhoradas dos produtos que já fazem parte de seu portifólio como forme de aumentar seu faturamento e intensi�car a relação com seus consumidores. A estratégia de desenvolvimento de mercado, baseada na atuação em mercados ainda não atendidos pela empresa. Disciplina Planejamento Estratégico A estratégia da diversi�cação, pela qual a empresa tanto usa o desenvolvimento de novos produtos quanto a atuação em novos mercados para aproveitar oportunidades que identi�ca no ambiente externo. Uma das estratégias que pode ser utilizada pela empresa para obter vantagens competitivas sustentáveis é investir na inovação tecnológica. A inovação pode envolver o desenvolvimento de novas tecnologias, produtos, serviços, modelos de negócios, processos de trabalho e novos canais de distribuição. Apesar da importância de investir em inovações e tecnologias disruptivas, que podem representar uma ruptura no mercado e na forma como a empresa realiza negócios, é necessário também investir em inovações incrementais, pequenas melhorias que podem ser implantadas nos processos de trabalho e nas atividades cotidianas da empresa, que ajudam a diminuir os custos ou aumentar a produtividade, o que ajuda a empresa a obter melhores resultados. Os conhecimentos, habilidades e competências dos colaboradores são fundamentais para que a empresa inove e para que as ações e planos operacionais, táticos e estratégicos sejam colocados em prática. São os colaboradores que, a partir dos dados, informações, experiências e vivências ocorridas no trabalho, desenvolvem novos conhecimentos, que precisam ser captados, organizados e disseminados pela equipe. Assim, é possível transformar competências individuais em competências organizacionais. Maier (2007) destaca a importância dos sistemas de gestão de conhecimentos, processo de construção de uma organização pelo qual ela aprende constantemente, fator vital para sua competitividade. Videoaula: Revisão da unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Vamos discutir as estratégias genéricas e o foco estratégico que a empresa adotará para atingir seus objetivos estratégicos, destacando as estratégias de inovação, cada vez mais importantes em um mundo em constante transformação, devido ao desenvolvimento tecnológico. Abordaremos a importância da gestão do conhecimento, para que a empresa se transforme em uma organização que aprende e evolui constantemente. Essa é uma competência fundamental também para você, que busca ser um pro�ssional diferenciado no mercado. Então, vamos lá! É hora de aprendermos juntos. Estudo de caso Disciplina Planejamento Estratégico Os processos de disrupção e de transformação digital têm modi�cado a forma como as empresas competem em diversos mercados. O mercado de turismo é um exemplo deste processo. Tradicionalmente, a cadeia de valor do turismo era organizada da seguinte forma: Os fornecedores de serviços turísticos, como hotéis, empresas aéreas, restaurantes e parques, entre outros. Os operadores turísticos, empresas, que adquiriam estadias, passagens aéreas, ingressos para parques e eventos e criavam pacotes turísticos diversos, para públicos especí�cos. As agências de turismo, que comercializavam os pacotesturísticos para os consumidores �nais. Um cliente podia comprar diretamente os serviços, como uma estadia em um hotel ou uma passagem aérea. Porém, como os operadores negociavam uma grande quantidade de serviços, o valor cobrado pelos prestadores era signi�cativamente menor. Assim, as grandes empresas de operação turística contavam um diferencial competitivo ligado a um baixo custo em comparação com a opção de compra direta pelo consumidor. Com o desenvolvimento tecnológico, especialmente da internet e do e-commerce, os consumidores �nais passaram a ter acesso direto aos prestadores de serviços. Sites de comparação de preços de diárias em hotéis, ou de compra de passagens aéreas, diminuíram o custo de aquisição para o consumidor �nal, diminuindo a vantagem competitiva dos operadores turísticos. Devido a esta mudança, duas mudanças podem ser observadas no mercado. Entre os fornecedores ocorreu um processo de concentração do mercado. Grandes grupos hoteleiros compraram hotéis já existentes, ou criaram marcas direcionadas a públicos especí�cos. Outra mudança observada foi que grandes operadores turísticos passaram a comercializar diretamente seus pacotes para os clientes, substituindo o papel das agências de turismo. É possível Disciplina Planejamento Estratégico encontrar lojas de operadores turísticos em shopping centers, vendendo pacotes em condições agressivas de preço e formas de pagamento. Você foi convidado a participar do planejamento estratégico de uma pequena agência de turismo. A empresa perdeu grande parte de seus clientes, que preferem comprar diretamente nos sites de hotéis e passagens, ou buscam grandes operadoras que oferecem pacotes promocionais. A empresa existe há três décadas e tem uma marca consolidada na cidade. Conta com boa estrutura interna, e uma equipe com muita experiência e ótimo relacionamento com os clientes e com a comunidade da cidade. Muitos clientes mais velhos �zeram suas primeiras viagens em excursões ou pacotes organizados pela empresa. Por isso, têm uma ligação emocional com a marca. Valorizam o relacionamento e não se sentem preparados para organizar todos os detalhes de uma viagem turística. Por outro lado, grande parte da população mais jovem da cidade não conhece a empresa, pois está mais habituada a fazer pesquisas e compras na internet. Tendo como base essas informações, que tipo de estratégia competitiva genérica você sugere que a empresa adote? Explique os motivos de sua escolha. Re�ita O objetivo deste estudo de caso é possibilitar que você entenda na prática como as estratégias competitivas genéricas estão relacionadas tanto com as características do ambiente externo e dos competidores quanto com os recursos internos de que a empresa dispõe. A escolha da estratégia competitiva mais adequada é fundamental para o sucesso da empresa. Por isso, você precisa tomar decisões baseadas em muitos análises e informações. Vamos lá? É hora de colocar seus conhecimentos em prática! Videoaula: Resolução do estudo de caso Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Para de�nir a melhor estratégia competitiva, vamos lembrar o modelo proposto por Porter (2004), que mostra três diferentes tipos de estratégia: Disciplina Planejamento Estratégico Figura 2 | Tipos de estratégia competitiva. Fonte: adaptada de Porter (2004). O primeiro tipo de estratégia é a liderança em custos. Para utilizar essa estratégia, a empresa precisa ter a capacidade de oferecer seus produtos e serviços ao menor preço possível, para conquistar os clientes que buscam a opção mais barata do mercado. Para isso, precisa contar com baixos custos operacionais. No caso da empresa que estamos estudando, esta não é uma opção viável, pois, como foi explicado no caso, as grandes operadoras de turismo conseguem negociar melhores condições com os fornecedores, como hotéis, empresas aéreas e parques. Também contam com uma grande quantidade de lojas, e por isso atendem a uma grande quantidade de clientes, diminuindo seus custos de comercialização. Com segundo tipo de estratégia, a empresa busca oferecer produtos ou serviços com características ou detalhes exclusivos, atendendo a demandas especí�cas dos clientes. Precisa conhecer seus clientes e identi�car suas demandas, desejos e necessidades. Esta é uma estratégia que pode ser adotada pela empresa, já que ela tem uma marca forte, um bom relacionamento e a �delidade de uma parcela de seus antigos clientes. Porém, as empresas concorrentes têm acesso aos mesmos prestadores serviços turísticos, como as redes de hotéis e empresas aéreas, restaurantes, parques e eventos. Dessa forma, apesar de ser possível desenvolver pacotes turísticos especí�cos, esta seria uma vantagem competitiva não sustentável, pois os concorrentes poderiam rapidamente copiar seus pacotes, com a possibilidade de oferecê-los a um preço mais baixo, por terem um menor custo operacional. Assim, a empresa perderia rapidamente seu diferencial competitivo. O terceiro tipo de estratégia é o foco. A empresa decide atender a um segmento especí�co de mercado, que no caso estudado pode ser delimitado pela faixa etária dos consumidores. A empresa tem uma boa relação com seus clientes mais antigos, tem uma marca estabelecida e Disciplina Planejamento Estratégico faz parte da memória afetiva dos consumidores. Como este grupo de clientes tem di�culdades de organizar a própria viagem, a empresa pode desenvolver pacotes especí�cos, agregando aos pacotes serviços como agendamento de experiências, traslado, guias turísticos e serviço de apoio aos clientes nas cidades de destino das viagens. Esta é um dos possíveis caminhos estratégicos que a empresa pode adotar. Mas você pode aprofundar mais esse plano. Faça pesquisas a respeito do mercado de turismo e proponha uma estratégia mais detalhada, de�nindo o posicionamento estratégico da empresa e seus objetivos. Com o que você aprendeu até agora, certamente vai desenvolver um plano estratégico que vai garantir o sucesso da empresa! Resumo visual Disciplina Planejamento Estratégico Figura 3 | Estratégias competitivas. Fonte: adaptada de Porter (2004). Disciplina Planejamento Estratégico Figura 4 | Focos estratégicos. Fonte: adaptada de Porter (2004). Disciplina Planejamento Estratégico Figura 5 | Tipos de Inovação. Fonte: elaborada pelo autor. Figura 6 | Inteligência competitiva organizacional. Fonte: Teixeira e Valentim (2016, p. 11). Referências Disciplina Planejamento Estratégico KOTLER, P.; ARMSTRONG, G. Princípios de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015. MAIER, R. Knowledge Management Systems: Information and Communication Technologies for Knowledge Management. Berlin: Springer, 2007. PORTER, M. Estratégia competitiva. [S. l.]: Elsevier Brasil, 2004. TEIXEIRA, T. M. C.; VALENTIM, M. L. P. Inteligência competitiva organizacional: um estudo teórico. Perspectivas em Gestão & Conhecimento, v. 6, p. 3-15, 2016. , Unidade 4 Implementação e Controle do Planejamento Estratégico Aula 1 A Estrutura e a cultura organizacional na implementação da estratégia Introdução Este conteúdo é um vídeo! Disciplina Planejamento Estratégico Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. A cultura organizacional apresenta uma ligação direta com a capacidade da empresa de desenvolver, implementar e gerenciar planos estratégicos. A estratégia não pode estar restrita aos níveis hierárquicos superiores nem é responsabilidade apenas dos diretores da empresa. Os objetivos estratégicos de longo prazo são alcançados a partir das ações e atividades realizadas pelos colaboradores, no dia a dia da empresa, em cada atendimento e cada negociação que realiza com seus clientes. Por isso,a construção de uma cultura organizacional forte, que engaje, motive e oriente os colaboradores, desempenha um papel fundamental no sucesso da empresa. Nesta aula, vamos discutir como a cultura organizacional e a estratégia estão relacionadas. Vamos aprender juntos? Boa aula! Apresentação dos impactos do planejamento estratégico sobre a estrutura organizacional Disciplina Planejamento Estratégico A cultura organizacional pode ser entendida como os valores, comportamentos e regras sociais que orientam as relações pessoais entre os membros de uma empresa, e desta com o ambiente externo, e que orientam as decisões e ações da empresa na realização de suas atividades. É a forma de agir que é aceita e incentivada pela organização. A cultura é transmitida aos novos membros da equipe e é constantemente fortalecida pelas posturas, atitudes e comportamentos dos líderes da empresa. Para Gomes et al. (2017), a cultura representa os comportamentos que são aceitos e os que são reprovados, o que está expresso nas normas, manuais de trabalho e regulamentos de conduta da organização. A cultura organizacional está intimamente relacionada à estratégia, pois tem como base o posicionamento estratégico da empresa, ou seja, sua missão, visão e valores. Essa forma de agir também deve ser aprendida pelos novos membros, para que sejam aceitos pelo grupo. Segundo Fleury e Fischer (1991), alguns aspectos e características podem ser usados para entender a cultura de uma empresa, como a história de sua fundação e crescimento; a história do fundador, que muitas vezes é considerado um líder visionário e inspirador; os incidentes críticos, que são os momentos de mudança, expansão e os marcos históricos que ajudaram a construir a empresa; os processos de socialização de novos membros; as políticas de recursos humanos, que são usadas para premiar, punir ou reconhecer os comportamentos válidos; os processos de comunicação, tanto a o�cial quanto a comunicação cotidiana entre os membros da equipe; e os processos de trabalho, organização e liderança. Em algumas empresas, a informação acerca das estratégias e objetivos de longo prazo está restrita aos níveis hierárquicos superiores, o que di�culta a criação de uma cultura organizacional que incentiva o pensamento e a ação estratégica. Segundo Del Prá Netto Machado et al. (2013), empresas mais antigas, com culturas organizacionais já estabelecidas e cristalizadas têm mais di�culdade de criar uma cultura na qual a visão estratégica seja disseminada pelos diversos níveis hierárquicos, o que pode di�cultar o surgimento de ideias e inovações. Para Bateman e Snell (2007), a estrutura hierárquica precisa ser �exível para acomodar as mudanças e inovações que são necessárias para que a empresa possa alterar suas estratégias, como resposta às alterações do ambiente externo. O conceito de inovação organizacional se refere a essa capacidade de a empresa repensar seus processos e estruturas, de forma a adequar suas estratégias e manter sua capacidade competitiva. Stock, Six e Zacharias (2013) apontam que a empresa deve investir no desenvolvimento das competências em seus colaboradores para criar uma cultura que incentive a inovação e o pensamento estratégico. A estratégia não é uma responsabilidade apenas dos líderes. Todos os colaboradores devem estar cientes da estratégia e engajados nas ações que buscam colocar o planejamento estratégico em prática. Como destacam Naranjo-Valencia, Jiménez-Jiménez e Sanz-Valle (2011), a cultura exerce forte in�uência sobre as de�nições e ações estratégicas das empresas. Conceituação da cultura organizacional e sua relação com a estratégia empresarial Disciplina Planejamento Estratégico A cultura organizacional é o modo como a empresa realiza suas atividades, como estabelece relações com seus clientes e empregados, como soluciona os problemas que surgem e como realiza as atividades. Os valores que orientam as relações e atitudes da empresa precisam ser reforçados e ensinados aos novos membros que passam a fazer parte da equipe. Empresas sólidas e que se destacam em seus mercados geralmente têm culturas organizacionais fortes e bem estabelecidas. No Brasil, empresas como Pão de Açúcar, Ambev e Magazine Luiza são exemplos de culturas organizacionais fortes, que podem ser observadas por uma série de características, como a forma de se vestir, os comportamentos e as atitudes dos colaboradores. Podemos usar o exemplo do Magazine Luiza para identi�car diversas características da cultura organização. O histórico da organização e a história de seu fundador são extremamente valorizados na empresa. A principal executiva do grupo, Luiza Trajano, personi�ca os valores da empresa, como a valorização das pessoas, que são tratadas como membros da família, e o incentivo ao trabalho e à dedicação. Um dos incidentes críticos que direcionaram o crescimento da empresa ocorreu no ano de 2008. Tradicionalmente uma rede de lojas com atuação em pequenas e médias cidades do interior, neste ano a empresa inaugurou, em um só dia, cinquenta lojas na cidade de São Paulo, maior mercado consumidor do país. As políticas de recursos humanos também são desenvolvidas para reforçar a cultura da empresa. Os processos de socialização de novos membros são extremamente organizados e valorizados. Tanto a socialização formal, realizada pelas equipes de recursos humanos, quanto a socialização informal, realizada pelos chefes e parceiros de trabalho, reforçam os valores da cultura organizacional. No ano de 2020, a empresa desenvolveu um processo de recrutamento e Disciplina Planejamento Estratégico seleção, buscando novos colaboradores, direcionado para candidatos negros. Com esta ação, a empresa buscou reforçar os aspectos de inclusão social e igualdade, que fazem parte de seus valores, por meio de uma política de recursos humanos efetiva. A comunicação usada pela empresa com seus colaboradores também reforça a cultura familiar e o bom relacionamento com os colaboradores. Um exemplo é o café da manhã que a executiva realiza regularmente com as equipes, para ouvir suas opiniões e ideias. Apesar de ser uma grande empresa, com uma complexa hierarquia, os líderes se mantêm abertos ao relacionamento com os colaboradores operacionais e constantemente estão nas lojas, vivenciando o cotidiano da empresa. Os processos de avaliação de desempenho também reforçam a cultura de pertencimento e engajamento. Desde o ano de 1993, a empresa conta com programas de boni�cação para os funcionários. A empresa constantemente é premiada em rankings das melhores empresas para se trabalhar. No ano de 2020 foi premiada como a quinta melhor empresa para os colaboradores em toda a América Latina. Discussão da importância do clima organizacional e da motivação para a implementação do planejamento estratégico Em nossas aulas, estamos acompanhando o processo de planejamento estratégico de duas diferentes empresas. Uma indústria de produtos alimentícios, que já existe há alguns anos, e um Disciplina Planejamento Estratégico restaurante em processo de criação. Por estarem em momentos diferentes de seu desenvolvimento, podemos também identi�car diferentes estágio do estabelecimento da cultura organizacional. Como a indústria já tem uma história estabelecida, já podem ser identi�cadas diversas características de sua cultura, como a história de seu desenvolvimento e a de seu criador, políticas de recursos humanos estabelecidas, processos de socialização de novos colaboradores, incidentes críticos e um processo de comunicação entre os diversos níveis hierárquicos já estabelecido. Caso a cultura organizacional não seja voltada para a estratégia e as decisões estejam centradas nos níveis hierárquicos superiores, provavelmente a empresa encontrará di�culdades para comunicar os planos estratégicos e gerar motivação e engajamento dos colaboradores. Como o planejamento estratégico que a empresa pretende implementar nos próximos anos está ligado à inovação e ao desenvolvimento de novos mercados, tendo comoestratégia genérica a diferenciação e foco estratégico, além da diversi�cação, a empresa precisa incentivar que a cultura organizacional seja mais aberta. Pode ser necessário adotar políticas e ações para que a empresa passe por um processo de mudança cultural. Mesmo que a cultura já esteja estabelecida, é possível mudar os comportamentos, hábitos e valores, tornando-a mais aberta e voltada para a estratégia. Porém, em empresas já estabelecidas, o processo de mudança cultural é complexo e demorado, pois envolve posturas e relações já estabelecidas. Qualquer mudança pode ser vista, por alguns colaboradores, como um risco à sua posição e seu status no grupo social formado pelos funcionários da empresa. A mudança cultural depende do envolvimento direto dos líderes e um trabalho intenso da área de recursos humanos. Já o empreendedor que pretende abrir um restaurante tem a oportunidade de estabelecer, desde o início da história da empresa, uma cultura inclusiva e que motive a participação dos colaboradores nos processos de planejamento estratégico. O empreendedor também pode estabelecer uma cultura organizacional que incentive o pensamento inovador, na qual as ideias, opiniões, conhecimentos e competências dos colaboradores sejam valorizadas e utilizadas para direcionar a atuação da empresa no mercado. A construção desta cultura pode iniciar com o recrutamento, seleção e contratação de colaboradores que contem com competências que podem ser usadas no desenvolvimento do planejamento estratégico da empresa. É comum que, no início da formação de uma empresa, a cultura organizacional re�ita diretamente os valores, comportamentos, posturas e formas de agir do empreendedor, pois as decisões, sejam elas estratégicas ou operacionais, estão concentradas em suas mãos. Porém, se o empreendedor adota uma postura de abertura às opiniões dos colaboradores e consegue estabelecer uma relação de con�ança e respeito, tem a chance única de construir uma cultura organizacional realmente diferenciada, que ajudará a empresa a construir, no futuro, vantagens competitivas sustentáveis. Videoaula: A Estrutura e a cultura organizacional na implementação da estratégia Disciplina Planejamento Estratégico Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. A cultura organizacional envolve valores, comportamentos e atitudes, fatores que são subjetivos e intangíveis. Por isso, os conceitos teóricos nem sempre conseguem traduzir plenamente o signi�cado da cultura de uma empresa. Porém, basta passar algumas horas em uma empresa para identi�car características de sua cultura, que está presente na forma como as pessoas se comportam, se relacionam, se vestem e falam. Neste vídeo, vamos discutir a relação da cultura organizacional com a estratégia. Vamos aprender juntos? Saiba mais Em um ambiente concorrencial cada vez mais acirrado e um mundo que passa por constantes transformações, a construção de uma cultura organizacional é um fato importante para o sucesso das empresas. Neste contexto, a liderança da organização tem o papel de criar e incentivar o fortalecimento da cultura da empresa, tema que é abordado nesta obra. Cultura Organizacional e Liderança. https://login.vitalsource.com/?redirect_uri=https%3A%2F%2Fintegrada.minhabiblioteca.com.br%2Freader%2Fbooks%2F9788597019827&brand=integrada.minhabiblioteca.com.br Disciplina Planejamento Estratégico Referências BATEMAN, T. S.; SNELL, S. A. Administração: liderança e colaboração no mundo competitivo. São Paulo: McGraw Hill, 2007. DEL PRÁ NETTO MACHADO, D. et al. Cultura de inovação: elementos da cultura que facilitam a criação de um ambiente inovador. RAI: Revista de Administração e Inovação, v. 10, n. 4, p. 164- 182, out./dez. 2013. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/973/97329365008.pdf. Acesso em: 10 nov. 2022. FLEURY, M. T. L.; FISCHER, R. M. Cultura e poder nas organizações. Rio de Janeiro: Atlas, 1991. GOMES, G. et al. Cultura organizacional e inovação: uma perspectiva a partir do modelo de Schein. Revista de Administração da Unimep, v. 15, n. 1, p. 51-72, jan./abr. 2017. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/2737/273750689003.pdf. Acesso em: 10 nov. 2022. NARANJO-VALENCIA, J. C.; JIMÉNEZ-JIMÉNEZ, D.; SANZ-VALLE, R. Innovation or imitation? The role of organizational culture. Management Decision, v. 49, n. 1, p. 55-72, 2011. Disponível em: https://www.emerald.com/insight/content/doi/10.1108/00251741111094437/full/ html. Acesso em: 10 nov. 2022. STOCK, R. M.; SIX, B.; ZACHARIAS, N. A. Linking multiple layers of innovation-oriented corporate culture, product program innovativeness, and business performance: a contingency approach. Journal of the Academy of Marketing Science, v. 41, p. 283-299, 2013. Disponível em: https://link.springer.com/content/pdf/10.1007/s11747-012-0306-5.pdf. Acesso em: 10 nov. 2022. https://www.redalyc.org/pdf/973/97329365008.pdf https://www.redalyc.org/pdf/2737/273750689003.pdf https://www.emerald.com/insight/content/doi/10.1108/00251741111094437/full/%20html https://link.springer.com/content/pdf/10.1007/s11747-012-0306-5.pdf Disciplina Planejamento Estratégico Aula 2 Plano de ação e comunicação Introdução Para que se sintam engajados e motivados a colocar os planos estratégicos, táticos e operacionais, e para que a empresa possa atingir seus objetivos, é fundamental que os colaboradores conheçam as direções, o posicionamento estratégico e a relação entre suas atividades, responsabilidades e metas individuais com os objetivos estratégicos da organização. Por isso, a comunicação entre os diversos níveis hierárquicos deve ser clara e constante. Nesta aula, vamos discutir o desdobramento dos planos estratégicos pelas áreas funcionais e a importância dos processos de comunicação. O conteúdo é de fundamental importância para você, que pretende atuar, no futuro, na formulação, implementação e gestão das estratégias empresariais. Vamos aprender juntos? Conceituação de plano de ação Disciplina Planejamento Estratégico O plano estratégico de�ne os objetivos de longo prazo e as prioridades estabelecidas pela empresa em relação ao uso de seus recursos, tendo como diretriz o posicionamento estratégico da organização. Assim, segundo Kaplan e Norton (2017), o plano orienta as decisões que são tomadas pelos gestores no cotidiano das operações da empresa, além de garantir os esforços dos colaboradores das diversas áreas funcionais e níveis hierárquicos da empresa. O plano estratégico envolve as decisões tomadas no nível de direção, ou nível corporativo. Para que seja colocado em prática, o plano estratégico deve ser desdobrado em planos de ação que de�nem as metas especí�cas de cada um dos níveis da hierarquia. No nível de negócios, ou nível tático, os planos de ação têm o papel de de�nir as atividades necessárias para colocar em prática as estratégias. Segundo Rojo (2010), incluem a de�nição dos mercados e clientes a serem atendidos, portfólio de produtos a serem comercializados e serviços prestados, bem como a construção das vantagens competitivas que a empresa pretende estabelecer diante de seus concorrentes em cada segmento ou área de negócio. No nível operacional, os planos de ação são detalhados em atividades, processos e ações que precisam ser realizadas pelos colaboradores no cotidiano de suas atividades. Apesar de terem funções diversas e serem usados nos diferentes níveis hierárquicos, os planos estratégicos, táticos e operacionais precisam ser alinhados para garantir que as estratégias sejam colocadas em prática. Os planos de ação táticos e operacionais podem ser entendidos como uma forma de organizar o uso dos recursos e os esforços da empresa, com a de�nição de responsáveis pelos processos, prazos e orçamentos, para que a empresa atinja seus resultados de forma e�ciente e e�caz. Disciplina Planejamento Estratégico Um elemento2019. Aula 2 Níveis de estratégia na organização Introdução Olá, estudante! A estrutura hierárquica de uma organização é formada por diversos níveis, que desenvolvem diferentes atividades e com responsabilidades diversas. O nível estratégico, composto pelos executivos e diretores, de�nem as estratégias de longo prazo e direcionam a empresa para seus objetivos. Já o nível tático é composto pelos gestores, e tem como responsabilidade desdobrar os objetivos e planos estratégicos em planos táticos e metas especí�cas, além de gerenciar a implantação dos planos e os resultados obtidos. O nível operacional é composto pelos colaboradores que realizam as atividades cotidianas da empresa usando os recursos disponíveis para atingir as metas de�nidas pelos gestores. Nesta aula, vamos apresentar os conceitos de níveis estratégicos e estabelecer uma relação entre a hierarquia da empresa e os diversos níveis de planejamento utilizados nas empresas. Assim, você pode entender a importância da integração de todos os colaboradores para que a empresa atinja seus objetivos estratégicos. Vamos lá? Disciplina Planejamento Estratégico Apresentação do conceito dos níveis estratégicos Ao analisar as atividades desenvolvidas por uma empresa, podemos identi�car três diferentes tipos de ações e níveis de responsabilidade. Essa divisão de atividades e responsabilidades em três níveis – estratégico, tático e operacional – é re�etido na estrutura hierárquica das empresas, como mostra a �gura a seguir: Disciplina Planejamento Estratégico Figura 1 | Relação entre os níveis hierárquicos e planejamento estratégico. Fonte: adaptada de Chiavenato e Sapiro (2020) e Oliveira (2014). A estrutura hierárquica das organizações, em geral, é organizada como uma pirâmide, como mostra a �gura, na qual os níveis superiores, conhecidos como corporativo ou estratégico, são responsáveis pelas de�nições e planejamento estratégico. Oliveira (2014) de�ne o planejamento estratégico como o direcionamento estabelecido pela cúpula da organização que norteia as ações e decisões da organização em relação ao ambiente externo no qual está inserida. Em geral, o planejamento estratégico é desenvolvido tendo como horizonte um prazo de cinco a dez anos. Neste processo são utilizadas diversas ferramentas e metodologias que serão discutidas nesta disciplina, como a análise SWOT (forças, fraquezas, oportunidades e ameaças), o posicionamento estratégico (missão, visão e valores), a Análise da Cadeia de Valor e as cinco forças competitivas de Porter, o Modelo VRIO (visão baseada em recursos) e a análise PESTEL, que leva em consideração os aspectos políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, ambientais (environmental) e legais da atuação da empresa. Segundo Chiavenato e Sapiro (2020), são também de�nidos os objetivos de longo prazo que a empresa deseja alcançar, que podem ser relacionados a um valor de faturamento, um percentual de participação de mercado ou à expansão geográ�ca da atuação da organização. Para Porter (2004), a estratégia de�ne e comunica como a empresa usa seus recursos, estruturas, conhecimentos e competências para explorar as oportunidades encontradas no ambiente, e quais as vantagens competitivas em relação à concorrência. Disciplina Planejamento Estratégico É responsabilidade deste nível hierárquico buscar os recursos �nanceiros, tecnológicos, estruturais e legais para que a empresa possa desenvolver suas atividades. Já o nível tático da organização é formado pelos gestores das áreas funcionais da empresa (Produção, Marketing, Comercial, Financeiro, RH etc.). O plano tático, que geralmente é desenvolvido para um período de seis meses a três anos, traduz o direcionamento de�nido no plano estratégico em processos, planos e programas que serão colocados em prática pelos colaboradores. Os objetivos estratégicos são desdobrados em metas especí�cas para cada uma das áreas, cargos e processos. São de�nidos os recursos necessários para cada atividade e de�nidos os orçamentos, investimentos, necessidades de contratação e treinamento de colaboradores. Por �m, no nível operacional, também conhecido como nível funcional, é desenvolvido o Planejamento Operacional, que tem como horizonte o curto prazo, cobrindo no máximo os próximos seis meses de operações. Os planos operacionais são detalhados e incluem lista de tarefas e atividades realizadas, cronogramas de realização e metas especí�cas a serem atingidas. Dentre as ferramentas usadas neste contexto, destaca-se o 5W2H, mostrado na Figura 2: Figura 2 | Ferramenta 5W2H. Fonte: Nakagawa (2012, p. 12). Segundo Nakagawa (2012), o 5W2H ajuda a colocar em prática os planos de ação, pois deixa claras as responsabilidades, recursos, prazos e razões de cada uma das atividades desenvolvidas. Como de�nem Kaplan e Norton (2019), para que a implantação da estratégia de uma empresa seja bem-sucedida, é necessário que os esforços dos colaboradores de todas as áreas e níveis estratégicos estejam alinhados e direcionados pelo direcionamento estratégico da organização. Discussão sobre a estratégia corporativa e de negócios Disciplina Planejamento Estratégico Seja qual for o tamanho de uma empresa, podemos identi�car as atividades e responsabilidades de cada um dos níveis (estratégico, tático e operacional) mesmo que, no caso das empresas de pequeno porte, muitas vezes essas atividades sejam realizadas pela mesma pessoa. As atividades cotidianas como a compra, recebimento e armazenagem de matérias-primas, a produção de bens e serviços, o atendimento de um cliente, o faturamento de notas �scais, o controle do �uxo de caixa e dos registros �scais e trabalhistas são classi�cadas como atividades operacionais, pois garantem o funcionamento da empresa. Em empresas de maior porte, podem ser realizadas por colaboradores contratados e treinados especi�camente para desempenhar cada uma destas funções. Um comprador faz o contato e negocia com fornecedores, e pro�ssionais de logística são responsáveis pelo recebimento e guarda das matérias-primas. Operários da linha de produção realizam as atividades necessárias para criar o produto. Vendedores realizam o atendimento dos clientes e negociam as vendas. Pro�ssionais da área �nanceira controlam os �uxos de recebimento e pagamento, enquanto os pro�ssionais de recursos humanos contratam, treinam e motivam os colaboradores. A realização destas atividades gera uma grande quantidade de informações que precisam ser analisadas, compreendidas e gerenciadas, para que a empresa aumente sua produtividade e a qualidade dos produtos e serviços oferecidos a seus clientes. Uma boa gestão do uso dos recursos e dos esforços realizados pelos colaboradores ajuda a empresa a obter resultados positivos que possibilitam sua sobrevivência no longo prazo. A gestão destas informações, bem como das pessoas que atuam no nível operacional, é realizada pelos gestores da empresa. Encarregados, supervisores e gerentes desempenham o papel de garantir que os recursos Disciplina Planejamento Estratégico naturais, humanos e �nanceiros da empresa sejam utilizados da forma correta, de forma atingir os objetivos da organização. Essas atividades correspondem ao nível tático da organização. O ambiente externo da empresa, composto pelos clientes, empresas concorrentes, governo e sociedade civil, passa por constantes transformações, que envolvem fatores políticos, econômicos, mudanças culturais e sociais, preocupações ambientais e o desenvolvimento de novos produtos e tecnologias. Como exemplo, uma mudança na legislação do país, uma catástrofe ambiental, uma pandemia global, como a que ocorreu a partir do ano de 2020, o desenvolvimento de uma nova tecnologia disruptiva, ou o surgimento de um novo concorrente podem alterar completamente os planos estratégicos de uma empresa. Para sobreviver neste ambiente, as empresas precisam ter um plano claro e bem de�nido, que estabeleça seus objetivos de longo prazo e sua forma de atuação no mercado. É responsabilidade dos diretores da empresafundamental para o sucesso da implementação estratégica é a correta comunicação dos objetivos, planos, responsáveis, metas e atividades a serem realizadas pelos colaboradores. Quesado e Costa (2017), após realizarem um estudo com diversas empresas que adotam a metodologia BSC como ferramenta de gestão da implementação estratégica, constataram que uma das principais razões de insucesso são falhas na comunicação entre os diversos níveis organizacionais. Segundo as autoras, a falta de sistemas de informação que garantam que todos os colaboradores entendam claramente suas atividades e a relação de suas metas individuais com os objetivos estratégicos, além da falta de atualização dos dados e informações referentes à evolução dos indicadores de desempenho, di�culta a manutenção do foco e da motivação das equipes. Mesmo que os colaboradores estejam cientes das estratégias gerais da empresa e de seus objetivos de longo prazo, Tiburcio e Santana (2014) apontam que a comunicação entre os níveis hierárquicos e entre as diversas áreas funcionais exerce um papel fundamental no alinhamento das ações que são tomadas no cotidiano da organização. Quando os indicadores de desempenho apresentam resultados desalinhados com os planos, é necessário que os gestores façam alterações nos planos de ação, para corrigir o rumo da empresa. Se estas alterações não forem devidamente comunicadas às demais áreas da organização, os planos de ação de cada área funcional podem �car desalinhados, fazendo com que recursos e esforços sejam desperdiçados, o que di�culta o sucesso das estratégias da empresa. Apresentação dos processos de gestão das ações de implementação estratégica Disciplina Planejamento Estratégico Apesar de ser o documento fundamental para a de�nição das estratégias organizacionais no longo prazo, o plano estratégico aborda apenas os objetivos gerais e o posicionamento estratégico a ser adotado pela empresa. Para que seja colocado em prática, o plano estratégico precisa ser adequadamente desdobrado em planos táticos, para cada uma das áreas funcionais da empresa, e planos operacionais, que vão orientar as atividades de cada um dos colaboradores da empresa. Vamos tomar como exemplo uma empresa que de�ne como objetivo estratégico conseguir, nos próximos cinco anos, obter a certi�cação ISO 14001, relacionada ao sistema de gestão ambiental, que garante que a empresa não apenas segue todos os regulamentos e normas de proteção do meio ambiente, como também está preparada para responder de forma sustentável às mudanças ambientais. Para que este objetivo estratégico seja alcançado, diversas áreas da empresa precisam estar envolvidas. A área de compras precisará veri�car se os fornecedores atuais cumprem as normas e requisitos ambientais na produção das matérias-primas. A área de desenvolvimento de produtos precisará avaliar cada um dos produtos e serviços da empresa, para garantir que nenhuma atividade está em desacordo com as normas. Da mesma forma, a área de produção precisa analisar os processos produtivos, os equipamentos utilizados nas linhas de produção, bem como as condições de armazenamento e movimentação de produtos. A logística precisa analisar os canais de distribuição e as atividades de transporte, com o objetivo de diminuir os impactos ambientais dos processos de entrega das mercadorias. A área de marketing precisa identi�car, nos clientes, como suas demandas, desejos e necessidades serão afetados pelas mudanças nas características dos produtos que precisarem Disciplina Planejamento Estratégico ser adaptadas para cumprir as regulamentações. A área �nanceira desenvolverá orçamentos e buscará fontes de �nanciamento para que as mudanças e melhorias necessárias sejam implantadas. A área de recursos humanos precisará realizar um levantamento dos conhecimentos e competências existentes na equipe, comparando-as com competências necessárias para adotar os processos adequados a �m de que a empresa cumpra os parâmetros de�nidos pela certi�cação. Esses planos táticos de cada uma das áreas precisam estar alinhados. Uma mudança no fornecimento de matérias-primas pode levar a uma necessidade de adaptação do processo produtivo, assim como a adoção de uma nova forma de produção pode exigir o desenvolvimento de novas matérias-primas. Para implantar novos processos de trabalho na linha de produção ou na logística, é necessário que os colaboradores recebam treinamentos e aprendam novas competências. Os planos táticos devem ser desdobrados em um plano de ação operacional para cada cargo, com as atividades, recursos, metas e indicadores de desempenho que serão usados para medir os resultados de cada colaborador, que precisa saber exatamente o que se espera de seu trabalho e que resultados deve alcançar para que os planos da empresa sejam colocados em prática. Apresentação das atividades de comunicação e acompanhamento dos planos de ação Disciplina Planejamento Estratégico A falta de processos e canais de comunicação claramente estabelecidos e organizados são um dos principais problemas encontrados nas organizações. Muitos planos e estratégias, mesmo que bem desenhados, não são implementados adequadamente por erros na comunicação entre as diversas áreas e níveis hierárquicos da organização. Mesmo empresas com culturas estabelecidas e estruturas de�nidas podem sofrer com os problemas relacionados a falhas de comunicação, pois a grande quantidade de informações e conhecimentos gerados no cotidiano da empresa pode não �uir adequadamente pelos canais de comunicação. No caso das duas empresas que estamos acompanhando em nossas aulas, o estabelecimento de canais de comunicação e�cientes representa um passo importante para o sucesso dos planos estratégicos. A indústria alimentícia, que produz refeições pré-prontas, pretende implantar uma estratégia de desenvolvimento de novos produtos que, para ser bem-sucedida, dependerá da criação de novos conhecimentos, processos de trabalho e de produção, nas mais diversas áreas da empresa. A estratégia de�nida no planejamento apresenta uma série de riscos, já que a empresa não conhece profundamente o mercado e as características das demandas, desejos e necessidades dos consumidores desta nova linha de produtos. Da mesma forma, precisará procurar novos fornecedores, buscar tecnologias e criar processos de produção. As informações coletadas pelas diversas áreas da empresa precisam ser comunicadas rápida e corretamente às demais áreas funcionais envolvidas. Por exemplo, uma demanda dos Disciplina Planejamento Estratégico consumidores, captada pela equipe comercial, precisa ser rapidamente compartilhada com a área de desenvolvimento de produtos, para que estas características sejam incorporadas ao projeto. Da mesma forma, dados e informações acerca da disponibilidade de matérias-primas e inovações que possam ser incorporadas aos produtos precisam ser repassadas para a área de marketing, que precisa avaliar se essas características serão reconhecidas e podem ser incorporadas no valor percebido pelo consumidor. Tanto os planos e objetivos estratégicos quanto os planos táticos e operacionais, metas, indicadores de desempenho, recursos, atividades e responsabilidade de cada colaborador precisam ser comunicadas com clareza, para garantir que cada um saiba seu papel no plano estratégico da empresa. À medida que os resultados dos planos e atividades forem registrados, estas informações devem ser compartilhadas com as diversas áreas e níveis hierárquicos, para garantir o engajamento e a motivação. No caso do restaurante que está em processo de desenvolvimento, não é possível a�rmar que existam processos e canais de comunicação estabelecidos, pois a empresa ainda não conta com colaboradores. Porém, o empreendedor precisa coletar, organizar e analisar uma série de informações, tanto de fornecedores, concorrentes, futuros colaboradores, instituições e organizações de apoio ao empreendedorismo quanto dos potenciais clientes da empresa. A partir dessas informações o empreendedordesenvolverá os conhecimentos e competências necessárias para desenvolver o plano estratégico da empresa. Videoaula: Plano de ação e comunicação Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. O engajamento dos colaboradores com as estratégias da empresa é fator-chave para o sucesso da organização. A comunicação aberta, constante e clara, em relação aos objetivos, tendências e resultados obtidos fortalece tanto o engajamento e a motivação quanto a cultura organizacional. Neste vídeo, vamos abordar a importância da comunicação na implantação dos planos estratégicos. Vamos aprender na prática? Saiba mais Disciplina Planejamento Estratégico A importância da comunicação na construção da cultura empresarial e sua relação com os valores e os propósitos da organização são os temas abordados nesta obra, que apresenta de forma simples e direta os conceitos. Propósito organizacional e estratégias de comunicação interna. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786589881704/ Disciplina Planejamento Estratégico KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. Alinhamento: utilizando o Balanced Scorecard para criar sinergias corporativas. 15. ed. Rio de Janeiro: Alta Books, 2017. QUESADO, P. R.; COSTA, C. S. O. O balanced scorecard e os key performance indicators: um estudo de caso numa empresa de transportes públicos. Management Control Review, v. 2, n. 1, p. 2-19, 2017. ROJO, C. A. Simulação de cenários e a estratégia nos negócios. CAP Accounting and Management-B4, v. 1, n. 1, p. 37-44, 2010. TIBURCIO, S. J.; SANTANA, L. C. A comunicação interna como estratégia organizacional. Revista de Iniciação Cientí�ca Cairu, n. 0, v. 1, 2014. Aula 3 Balanced ScoreCard Introdução Disciplina Planejamento Estratégico A implementação e a gestão dos planos estratégicos, táticos e operacionais representam um desa�o para as empresas. As metas individuais, atividades e responsabilidades de cada um dos colaboradores estão relacionadas e se in�uenciam. Assim, quando um colaborador ou área não atinge suas metas, pode haver impacto em outras áreas da organização, impossibilitando que a empresa atinja seus objetivos de longo prazo. Por isso, as metodologias de gestão estratégica são ferramentas essenciais para colocar em prática os planos estratégicos. Nesta aula, vamos abordar a mais conhecida destas metodologias, o Balanced Scorecard. Os conceitos e teorias discutidas são muito importantes para que você possa atuar na gestão em empresas que adotam a metodologia. Por isso, preste bastante atenção ao conteúdo. Bons estudos! Conceituação e funcionalidade de Balanced Score Card Disciplina Planejamento Estratégico Acompanhar a implantação dos planos de ação que são desenhados para que o planejamento estratégico seja colocado em prática, a �m de que a empresa atinja seus objetivos de longo prazo, representa um grande desa�o para os gestores de uma organização. Os planos de ação de cada uma das áreas envolvem uma série de metas, processos e atividades que precisam ser realizadas no prazo correto, usando adequadamente os recursos da organização e seguindo as diretrizes de�nidas. Estes planos estão interconectados, pois as ações realizadas em uma área funcional impactam os planos e as metas de outras áreas funcionais. Os planos de ação também precisam levar em consideração aspectos externos, como mudanças nas condições do ambiente concorrencial e na sociedade. Assim, as empresas buscam desenvolver ferramentas e metodologias que auxiliem o processo de gestão estratégica. Dentre estas metodologias, destaca-se o Balanced Scorecard (BSC), ou Indicadores Balanceados de Desempenho. Desenvolvida por Robert S. Kaplan e David Norton, o BSC tem o objetivo de gerenciar as relações de causa e efeito nas ações estratégicas da empresa a partir de quatro pilares ou perspectivas do BSC: �nanceiro, mercado, processos internos e aprendizado (KAPLAN; NORTON, 2017). O BSC mede e acompanha os indicadores-chave de performance de cada um destes pilares por meio de painéis ou dashboards, o que possibilita, segundo Junger, Ferreira e Pinto (2018) que os gestores adotem medidas corretivas quando identi�cam um desalinhamento entre o plano estratégico e as atividades e resultados obtidos. A �gura a seguir mostra um exemplo de como um objetivo estratégico é desdobrado nas diversas perspectivas. Disciplina Planejamento Estratégico Figura 1 | Balanced Scorecard. Fonte: Kaplan e Norton (2017, p. 9). Como mostra o quadro, o BSC é um sistema de gestão que acompanha e avalia os resultados, gerando feedbacks que orientam os gestores na tomada de decisão estratégica. Os objetivos são desdobrados nas quatro perspectivas. Segundo Galdino, Chaves e Oliveira (2019), na perspectiva �nanceira são medidos indicadores relacionados aos resultados obtidos em relação aos investimentos realizados. São acompanhados indicadores como receita, custos, lucro, rentabilidade, ponto de equilíbrio, evolução do faturamento, liquidez �nanceira, estoques e resultados �nanceiros. Já na perspectiva do mercado são acompanhados indicadores como novos clientes, manutenção de clientes, perda de clientes, participação da empresa no mercado. Segundo Sgarbossa e Muraro (2020), também são medidos indicadores de presença digital da marca, como a quantidade de seguidores e de interações dos clientes. Na perspectiva dos processos internos, segundo Silva (2017), são acompanhados indicadores relacionados aos produtos e aos processos internos da empresa. Por �m, na perspectiva do aprendizado, Fernandes et al. (2017) apontam que o BSC acompanha indicadores de desenvolvimento dos colaboradores e o processo de gestão do conhecimento gerado na organização. O BSC possibilita transformar estratégias abstratas, como a usada no exemplo da Figura 1, em metas especí�cas para cada uma das áreas da organização. Por isso, é um instrumento importante na gestão estratégica da organização, pois permite identi�car tanto os resultados atuais da empresa como projetar tendências, para que os gestores possam antecipar a tomada de decisão estratégica. Apresentação das perspectivas do Balanced Scorecard Disciplina Planejamento Estratégico A implementação da metodologia Balanced Scorecard, apesar de trazer signi�cativos benefícios para o sucesso da implementação da estratégia das empresas, representa um desa�o, pois todas as áreas e os colaboradores dos diversos níveis hierárquicos precisam estar preparados para usar os indicadores e dashboards de gestão, e motivados para se engajar nos planos e ações que precisam ser implantadas. Saheli (2002) aponta que, dentre algumas empresas brasileiras, a Companhia Suzano de Papéis, ainda no início da década de 2000, identi�cou uma série de desa�os à implementação da metodologia, como: a pouca experiência dos executivos em processos de planejamento estratégico; a resistência dos executivos em adotar uma metodologia baseada na divulgação das ações e resultados estratégicos da empresa para os colaboradores dos mais diversos níveis; a falta de compreensão dos gerentes em relação aos processos, recursos e metas das outras áreas da organização; a descon�ança do mercado em relação à de�nição de objetivos de longo prazo, em um ambiente concorrencial em constante transformação; a di�culdade em de�nir indicadores realmente relacionados aos objetivos de longo prazo. Apesar dessas questões, a empresa obteve resultados signi�cativos a partir da implantação do Balanced Scorecard. É importante salientar que a empresa adotou a metodologia há mais de duas décadas, quando o BSC ainda estava em processo de desenvolvimento por seus criadores. Atualmente, com o desenvolvimento de tecnologias, programas, softwares e aplicativos que acompanham em tempo real os resultados dos indicadores, apresentando-os em dashboards automatizados, o processo de gestão do Balanced Scorecard se tornoumais simples, possibilitando que cada vez mais empresas passassem a adotar a metodologia. Pinto et al. (2020) realizaram um estudo de caso com empresas brasileiras que adotam a metodologia, e apontam alguns fatores que colaboram com o sucesso da implantação do BSC, Disciplina Planejamento Estratégico como o comprometimento da alta direção da empresa, a motivação e o engajamento dos colaboradores, a clareza da comunicação de objetivos, estratégia, metas e indicadores a serem acompanhados, e a adoção de um sistema de gestão e�ciente. Por outro lado, apontam alguns riscos que podem di�cultar o processo de implantação ou a continuidade do uso da metodologia no longo prazo. Dentre esses riscos, listam a pouca �exibilidade da metodologia em relação a prazos e orçamentos que devem ser realizados; a falta de entendimento da relação entre as atividades cotidianas e metas individuais com os objetivos estratégicos de cada uma das perspectivas do Balanced Scorecard; a falta de integração entre os planos de ação e planos táticos de cada uma das áreas; e a pouca clareza na de�nição dos responsáveis pelas atividades e metas. Mesmo com esses desa�os e riscos, a metodologia Balanced Scorecard representa uma ferramenta importante para as empresas que buscam colocar em prática seus planos estratégicos, pois oferece a possibilidade de gerenciar os esforços e o uso dos recursos da empresa, e os resultados obtidos no curto, médio e longo prazos. Apresentação dos processos de gestão do Balanced scorecard A metodologia de gestão estratégica Balanced Scorecard pode ser uma ferramenta importante para que a indústria de produtos alimentícios, que estamos acompanhando em nossas aulas, aumente a chance de sucesso de sua estratégia de desenvolver uma linha de produtos saudáveis e ambientalmente sustentáveis. Disciplina Planejamento Estratégico A empresa de�niu como objetivo estratégico para o período de cinco anos lançar uma linha composta por dez diferentes produtos e alcançar um volume de vendas de 60 mil unidades vendidas por ano. A área comercial desenvolveu um planejamento estratégico com as vendas projetadas ano a ano, apresentado na Aula 8 da Unidade 2 desta disciplina. O Balanced Scorecard é composto por quatro perspectivas: clientes, processos internos, aprendizado e �nanceira. Na perspectiva dos clientes, a empresa pode estabelecer como objetivos a serem alcançados o reconhecimento da marca da nova linha de produtos como uma marca que oferece uma oferta diferenciada de produtos de qualidade, que leva a preocupação com a saúde e o meio ambiente a sério. Como forma de medir essa percepção, a empresa pode desenvolver pesquisas de satisfação a serem realizadas regularmente com os clientes. Pode também de�nir o objetivo de conquistar 20% do mercado de produtos saudáveis, usando como indicador os dados de institutos de pesquisa que meçam o market share das marcas. Na perspectiva de processos internos, a empresa pode de�nir como objetivo a introdução dos produtos, de acordo com o planejamento apresentado na tabela a seguir: Tabela 1 | Cronograma de lançamento de produtos. Fonte: elaborada pelo autor. Disciplina Planejamento Estratégico Outro objetivo que pode ser de�nido nesta perspectiva é a certi�cação dos produtos da empresa por instituições externas, que oferecem selos de qualidade con�rmando que os produtos são orgânicos e sustentáveis. Na perspectiva de aprendizado, a empresa pode de�nir como objetivo organizar o conhecimento gerado durante o processo de desenvolvimento de cada um dos produtos, tanto pelos colaboradores internos da empresa quanto pelas parcerias desenvolvidas com empresas e instituições que fazem parte das redes de inovação usadas no processo de criação dos produtos. Já na perspectiva �nanceira, a empresa pode de�nir objetivos relacionados ao crescimento do faturamento, aos custos unitários de produção dos produtos, aos custos �xos da empresa, e a metas de margem bruta e lucratividade. O Balanced Scorecard pode não ser a ferramenta de gestão estratégica mais adequada para o restaurante que será inaugurado pelo pequeno empreendedor devido à complexidade de sua utilização e ao fato de que o empreendedor precisará dedicar grande parte de seu tempo à gestão dos processos operacionais da empresa nos primeiros anos de sua existência. Porém, caso considere que tem capacidade de implantar a metodologia, o empreendedor dará um importante passo para garantir o sucesso de seu negócio. Mesmo em uma empresa nascente, as quatro perspectivas do Balanced Scorecard estão presentes, e a metodologia pode ser utilizada com sucesso. Videoaula: Balanced ScoreCard Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Apesar de parecer, em um primeiro momento, uma metodologia complexa, adequada apenas para grandes empresas, os conceitos centrais da metodologia BSC podem ser usados em empresas de portes diferentes, em momentos diversos de seu desenvolvimento estratégico. Neste vídeo vamos discutir a importância do BSC e seu uso pelas empresas. Vamos aprender juntos? Saiba mais Disciplina Planejamento Estratégico Escrito pelos criadores da metodologia Balanced Scorecard, o livro é um verdadeiro manual de implementação da metodologia, trazendo exemplos práticos de uso da ferramenta de gestão. Alinhamento – Utilizando o Balanced Scorecard para criar sinergias corporativas. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555205152/ Disciplina Planejamento Estratégico FERNANDES, A. M. et al. Aprendizagem e competências organizacionais sob a perspectiva do Balanced Scorecard. Revista Visão: Gestão Organizacional, Caçador, v. 6, n. 2, dez. 2017. Disponível em: http://periodicos.uniarp.edu.br/index.php/visao/article/view/1281. Acesso em: 10 nov. 2022. GALDINO, A. A.; CHAVES, F. S. C.; OLIVEIRA, A. S. Validando as relações de causa e efeito no Balanced Scorecard (BSC): um estudo de caso no setor hoteleiro. RAUnP, Ribeirão Preto, v. 11, n. 2, p. 86-100, dez. 2019. Disponível em: https://repositorio.unp.br/index.php/ raunp/article/view/2073. Acesso em: 1 dez. 2022. JUNGER, A. P.; FERREIRA, J. de S.; PINTO, H. A. Balanced Scorecard aplicado ao desenvolvimento gerencial. Refas-Revista Fatec Zona Sul, v. 5, n. 1, p. 13-23, out. 2018. Disponível em: http://revistarefas.com.br/index.php/RevFATECZS/article/view/215. Acesso em: 10 nov. 2022. KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. Alinhamento: utilizando o Balanced Scorecard para criar sinergias corporativas. 15. ed. Rio de Janeiro: Alta Books, 2017. PINTO, S. H. B. et al. Gestão estratégica através do balanced scorecard (BSC): implantação em empresas brasileiras. Brazilian Journal of Business, v. 2, n. 1, p. 564-580, 2020. SAHELI, S. Balanced Scorecard: o exemplo da Suzano. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CUSTOS, 9., 2002, São Paulo. Anais […]. São Paulo, 2002. Disponível em: https://anaiscbc.emnuvens.com.br/anais/article/view/2656/2656. Acesso em: 1 dez. 2022. SGARBOSSA, M.; MURARO, M. Balanced Scorecard: utilização da perspectiva do cliente na avaliação do supermercado X. Revista GESTO: Revista de Gestão Estratégica de Organizações, Santo Ângelo, v. 8, n. 2, p. 2-21, jul./dez. 2020. Disponível em: https://san.uri.br/revistas/index.php/gesto/article/view/7. Acesso em: 10 nov. 2022. SILVA, E. S. O Balanced Scorecard (BSC) e os Indicadores de Gestão. Porto: Grupo Editorial Vida Económica, 2017. http://periodicos.uniarp.edu.br/index.php/visao/article/view/1281 https://repositorio.unp.br/index.php/%20raunp/article/view/2073 https://repositorio.unp.br/index.php/%20raunp/article/view/2073 http://revistarefas.com.br/index.php/RevFATECZS/article/view/215 https://anaiscbc.emnuvens.com.br/anais/article/view/2656/2656 https://san.uri.br/revistas/index.php/gesto/article/view/7 Disciplina Planejamento Estratégico Aula 4 Mapa estratégico Introdução Os indicadores dedesempenho, utilizados para acompanhar o uso dos recursos, a realização das ações e os resultados obtidos, são ferramentas fundamentais no processo de gestão do plano estratégico. Os KPIs – ou key performance indicators – são bastante utilizados pelas empresas, pela facilidade com que podem ser medidos ou acompanhados. Porém, outras metodologias podem ser usadas, como os OKR – objectives and key results –, que apresentam uma série de benefícios em relação aos KPIs, como o incentivo ao trabalho em equipe e a construção do espírito de equipe. Vamos conhecer essas ferramentas, para você as use adequadamente quando for o responsável pela gestão estratégica de uma empresa. Boa aula! Conceituação de indicadores de desempenho nos processos de gestão estratégica Disciplina Planejamento Estratégico O mapa estratégico é uma ferramenta utilizada em conjunto com o Balanced Scorecard para descrever as relações de causa e efeito das ações estratégicas que são desdobradas nas perspectivas do BSC. É usado para deixar explícitas as medidas, ações e atividades que precisam ser realizadas para que o objetivo estratégico seja alcançado. Também de�ne os indicadores de desempenho que serão usados para acompanhar o uso dos recursos, as atividades e os resultados obtidos. Os mapas estratégicos facilitam o acompanhamento da aplicação do plano estratégico, pois oferecem uma visão grá�ca simpli�cada que, segundo Kaplan e Norton (2017), mostram a relação entre as ações realizadas e os efeitos delas sobre os resultados estratégicos. Dalfovo (2004) destaca que os mapas estratégicos mostram a relação entre a estratégia e processos de trabalho e processos gerenciais da empresa, o que traz clareza e objetividade às decisões tomadas pelos gestores. Na metodologia BSC, a de�nição dos indicadores de desempenho exerce um papel fundamental no sucesso da implementação da estratégia. Os indicadores devem ser de�nidos de forma a re�etir a estratégia, pois eles mostram como os recursos são usados, que atividades devem ser realizadas, que prazos devem ser cumpridos e quais os resultados esperados. Devido à importância dos indicadores de desempenho na implementação das estratégias, diversas metodologias de de�nição e acompanhamento podem ser usadas pelas empresas. O conceito dos OKR (objectives and key results) possibilita que os objetivos e os resultados-chave que levam até ele sejam comunicados de forma clara e simpli�cada a todos os envolvidos. Para cada objetivo são de�nidos os resultados-chave como se fossem passos ou etapas a serem Disciplina Planejamento Estratégico cumpridas. Os OKR facilitam o trabalho em equipe e incentivam que os colaboradores unam seus esforços na direção dos objetivos estratégicos. Doerr (2019) aponta quatro características da metodologia OKR. A primeira delas é o foco. Os OKR ajudam a empresa a de�nir quais devem ser seus focos, priorizando as ações a serem executadas. A clara de�nição do foco estratégico permite que os recursos organizacionais sejam usados de forma mais e�ciente. O autor sugere que a empresa deve de�nir no máximo seis objetivos estratégicos, desdobrados em cinco resultados-chave a serem atingidos para cada objetivo. A segunda característica é o alinhamento dos esforços da equipe. Todos os colaboradores envolvidos devem ter clareza de quais são os resultados-chave a serem alcançados. Assim, segundo Jaca et al. (2013), os planos de ação, as metas e as atividades podem ser realizadas de forma alinhada. A próxima característica é o monitoramento e a responsabilidade: o uso da metodologia permite que os resultados-chave sejam constantemente monitorados, e os gestores podem ter uma visão das tendências de atingimento de cada objetivo, podendo de�nir ações para correção de rumos ou replanejamento dos objetivos. A última característica é a superação, ou seja, as metas e objetivos devem ser ambiciosos e desa�adores. Porém, é importante que eles sejam atingíveis, para que os colaboradores não se sintam desmotivados. Zhou e He (2018) explicam que os indicadores-chave de desempenho – KPI – e os OKR apresentam o mesmo objetivo, que é direcionar os esforços e o uso de recursos, e medir a progressão em direção aos objetivos estratégicos. Porém, as metodologias apresentam algumas diferenças. O KPI é usado para quanti�car e acompanhar o desempenho dos colaboradores, e em geral está relacionado a prêmios, bônus ou alguma forma de reconhecimento dos resultados. Por isso, pode incentivar uma postura individualista. Normalmente, os KPI são de�nidos pelos gestores e informados aos colaboradores, o que pode levar a um sentimento de distanciamento em relação aos objetivos. Já os OKR são mais relacionados às etapas e ao caminho que se percorre para atingir a meta. Em geral, são de�nidos em conjunto pelos gestores e pelos colaboradores, o que aumenta o engajamento e a motivação. Outra característica é que, como medem os resultados-chave alcançados pela empresa, os OKR incentivam o trabalho em equipe e o espírito de colaboração. Desenho do mapa estratégico e balanceamento dos indicadores Disciplina Planejamento Estratégico Apesar de ter sido desenvolvida na década de 1970, foi a partir de sua adoção por empresas de tecnologia, como Google, Amazon, LinkedIn, Adobe e Microsoft, que a metodologia objectives and key results, ou OKR, passou a ser mais conhecida. No Brasil, tanto empresas ligadas a tecnologias da informação, como o Nubank e a Locaweb, como empresas que atuam em mercados tradicionais, como o Grupo Cogna, da área de educação, adotam os OKR como ferramenta para direcionar suas ações e alinhar os esforços dos colaboradores. Para de�nir os OKR, a empresa precisa estabelecer, em seu planejamento, quais os objetivos estratégicos a serem atingidos. As metas especí�cas de cada uma das áreas podem ser usadas para de�nir os OKRs da equipe. O objetivo diz onde se deseja chegar ou qual posição ou resultado a empresa deseja obter. Já os resultados-chave mostram as etapas que levam até o objetivo, que podem ser usadas como indicadores para veri�car se a empresa está no caminho certo. Como exemplo, o gestor fabril de uma empresa de�niu como meta aumentar a quantidade produzida de um determinado produto em 50% nos próximos seis meses. Essa meta está alinhada com o objetivo estratégico da empresa, que é aumentar sua participação de mercado em 10% por ano nos próximos cinco anos. O gestor sabe que para alcançar a meta de aumento de produção precisa aumentar a compra de matérias-primas, além de contratar mais uma equipe, composta por três pessoas, para operar um novo equipamento que deverá ser adquirido pela empresa. Com base nessas informações, o gestor pode de�nir o seguinte OKR: Disciplina Planejamento Estratégico Objetivo: aumentar a produção do produto A em 50% em seis meses. Resultados-chave: Adquirir um novo equipamento de produção. Contratar três funcionários. Treinar os funcionários para operar o equipamento. Aumentar o volume de compras de matérias-primas para criar um estoque que atenda ao aumento da produção. Já a área �nanceira recebeu da direção o objetivo estratégico de longo prazo de diminuir a dependência de capital de terceiros no �uxo de caixa da empresa. Como uma das ações táticas para alcançar esse objetivo, o gestor de�niu como meta diminuir a inadimplência dos clientes da empresa, do valor atual de 3% sobre o faturamento da empresa, para 1% do faturamento, em um ano. O gestor identi�cou que não conta com um funcionário especi�camente dedicado à gestão dos clientes inadimplentes, e que diversas vendas realizadas pela equipe comercial são realizadas sem que se faça uma análise do crédito dos clientes. O cadastro de clientes também apresenta problemas, pois muitos contatos e números de telefone dos clientes estão desatualizados. A partir dessas informações o gestor �nanceiro de�ne o seguinte OKR: Objetivo: reduzir a taxa de inadimplência de 3% sobre o faturamento para 1% do faturamento, em 12 meses. Resultados-chave: Atualizar o cadastro dos clientes,incluindo dados atualizados. Desenvolver um processo de atualização constante do cadastro de clientes. Implantar a análise de crédito dos clientes em cada venda realizada pela equipe comercial. De�nir um colaborador responsável pelo indicador de inadimplência. Treinar o colaborador em competências de negociação e gestão de con�itos. Como mostram os exemplos, a metodologia OKR é simples de ser usada e possibilita o relacionamento direto entre o uso de recursos, os esforços, atividades e resultados a serem obtidos. Apresentação do conceito de OKR - objectives and key results Disciplina Planejamento Estratégico Durante nossas aulas, acompanhamos o processo de desenvolvimento do planejamento estratégico de duas diferentes empresas: uma indústria de produtos alimentícios, que produz refeições pré-prontas, e um pequeno restaurante que ainda está em processo de implantação. Essas empresas foram criadas a intenção de mostrar que as diversas etapas do planejamento estratégico podem ser implantadas por empresas de vários portes, em momentos diversos de seu ciclo de vida, que enfrentam desa�os estratégicos totalmente diferentes. A partir dessas empresas apresentamos os processos de análise do ambiente externo e interno, as análises SWOT, o desenvolvimento de cenário futuros, a de�nição do posicionamento estratégico e dos objetivos de longo prazo. Apresentamos o processo de de�nição das estratégias genéricas a serem adotadas pelas empresas, bem como a escolha do foco estratégico mais adequado para cada uma delas. Acompanhamos o desdobramento dos planos estratégicos em planos táticos e operacionais, e a de�nição das metas e atividades de cada uma das áreas funcionais. Abordamos os conceitos de inovação e sua relação com a estratégia empresarial e a busca pela vantagem competitiva, fundamental em um mundo que passa por profundas transformações tecnológicas, ambientais, sociais, econômicas e políticas. Também discutimos a importância da cultura organizacional, dos processos de comunicação e da gestão dos conhecimentos para que a empresa implemente com sucesso seus planos estratégicos. Da mesma forma que nas etapas anteriores, a de�nição dos indicadores de desempenho que serão usados para acompanhar a implementação dos planos táticos e operacionais também pode ser exempli�cada pelas duas empresas. A indústria alimentícia, por ter uma estrutura já estabelecida, provavelmente já utiliza indicadores de desempenho – ou KPIs – para acompanhar os resultados das ações de cada colaborador. A decisão de utilizar a metodologia OKR, no contexto da mudança estratégica representada pelo Disciplina Planejamento Estratégico desenvolvimento de novas linhas de produtos, pode ser uma importante decisão, pois os OKR apresentam algumas vantagens em relação aos KPI. Por serem de�nidos com a participação dos colaboradores e levarem em consideração os resultados-chave obtidos pela equipe, os OKR levam a um maior engajamento e motivação dos colaboradores. Os OKR também deixam mais clara a relação entre as atividades, os resultados- chave e os objetivos estratégicos da organização, o que pode ajudar a empresa a direcionar mais claramente as ações que precisam ser tomadas para diminuir os riscos de uma estratégia de lançamento de novos produtos. Para o empreendedor que está desenvolvendo o primeiro plano estratégico de sua empresa, que ainda não nasceu, a adoção da metodologia OKR pode ajudar no estabelecimento de uma cultura organizacional aberta à inovação e ao pensamento estratégico. O envolvimento dos primeiros colaboradores no processo de planejamento será fundamental para o estabelecimento desta cultura empresarial, que será reforçada e consolidada à medida que a empresa cresça. Ao acompanhar os casos dessas empresas, tivemos como objetivo apresentar para você, de maneira didática e simples, a aplicação dos diversos conceitos discutidos nas aulas. Esperamos que você tenha conseguido aprender os conceitos discutidos, e que possa aplicar essas competências na sua carreira. Videoaula: Mapa estratégico Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Indicadores de desempenho são ferramentas importantes para a gestão dos planos estratégicos, táticos e operacionais. Seja KPIs ou OKRs, os indicadores são usados para acompanhar, em tempo real, os resultados obtidos pelos colaboradores e pelas áreas funcionais da empresa. Neste vídeo, vamos aprofundar nosso conhecimento a respeito destas importantes ferramentas. Saiba mais Disciplina Planejamento Estratégico O livro indicado a seguir apresenta uma centena de indicadores de desempenho que podem ser usados na gestão estratégica das empresas, com exemplos práticos de como escolher os indicadores mais adequados e implementar os processos medição e acompanhamento. 100 Indicadores da Gestão – Key Performance Indicators. Referências https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9789896940379/ Disciplina Planejamento Estratégico DALFOVO, O. Sistemas de Informação – Estudos e Casos. Blumenau: Acadêmica Publicações, 2004. DOERR, J. Avalie o Que Importa: Como Google, Bono Vox e a Fundação Gates sacudiram o mundo com os OKRs. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019. JACA, C.; VILES, E..; TANCO, M.; MATEO, R.; SANTOS, J. Teamwork effectiveness factors in healthcare and manufacturing industries. Team Performance Management, v. 19, n. 3/4, p. 222- 236, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1108/TPM-06-2012-0017. Acesso em: 10 nov. 2022. KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. Alinhamento: utilizando o Balanced Scorecard para criar sinergias corporativas. 15. ed. Rio de Janeiro: Alta Books, 2017. ZHOU, H.; HE, Y-L. Comparative Study of OKR and KPI. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON E- COMMERCE AND CONTEMPORARY ECONOMIC DEVELOPMENT (ECED 2018), DESTECH TRANSACTIONS ON ECONOMICS BUSINESS AND MANAGEMENT, 2018. Anais […]. [S. l.], 2018. Disponível em: http://u.camdemy.com/sysdata/doc/4/4a6b816a1fb5cebb/pdf.pdf. Acesso em: 1 dez. 2022. Aula 5 Revisão da unidade Implementação e Controle do Planejamento Estratégico https://doi.org/10.1108/TPM-06-2012-0017 http://u.camdemy.com/sysdata/doc/4/4a6b816a1fb5cebb/pdf.pdf Disciplina Planejamento Estratégico A cultura organizacional está intimamente relacionada à estratégia, pois tem como base o posicionamento estratégico da empresa, ou seja, sua missão, visão e valores. A cultura organizacional apresenta como aspectos centrais a história de sua fundação e crescimento; a história do fundador; os incidentes críticos; os processos de socialização e as políticas de recursos humanos; e os processos de comunicação, de trabalho, organização e liderança. Para Bateman e Snell (2007), a estrutura hierárquica e a cultura da empresa precisam ser �exíveis para que a empresa possa responder rapidamente às mudanças do mercado e manter sua capacidade de competir. O plano estratégico de�ne os objetivos de longo prazo e as prioridades estabelecidas pela empresa em relação ao uso de seus recursos, tendo como diretriz o posicionamento estratégico da organização. Orienta as decisões dos gestores e garante o alinhamento dos esforços dos colaboradores das diversas áreas funcionais e níveis hierárquicos. No nível tático, os planos de ação têm o papel de de�nir as atividades necessárias para colocar em prática as estratégias. Já no nível operacional, os planos de ação são detalhados em atividades, processos, metas e ações que precisam ser realizadas pelos colaboradores. Um elemento fundamental para o sucesso da implementação estratégica é a comunicação clara e consistente dos objetivos, planos, responsáveis, metas e atividades de cada colaborador. A falta de informação e de atualização dos dados e informações referentes à evolução dos indicadores de desempenho di�culta a manutenção do foco e da motivação das equipes. Assim, a comunicação entre os níveis hierárquicos e áreasfuncionais exerce um papel fundamental tanto na consolidação da cultura quanto no alinhamento das ações estratégicas implementadas pela empresa. Disciplina Planejamento Estratégico Os planos estratégicos, desdobrados em planos de ação com as metas, processos e atividades, precisam ser implementados de forma e�ciente. Por isso, é fundamental utilizar ferramentas e metodologias de gestão estratégica. Dentre estas, destaca-se o Balanced Scorecard (BSC) que, segundo Kaplan e Norton (2017), é formado por quatro perspectivas: �nanceira, de mercado, de processos internos e de aprendizado. O BSC mede e acompanha os indicadores-chave de performance por meio de painéis ou dashboards. Assim, os gestores podem adotar medidas para alinhar o plano estratégico às atividades e resultados obtidos. O BSC gera feedbacks que orientam os gestores na tomada de decisão estratégica, e possibilita transformar estratégias abstratas em metas especí�cas para cada uma das áreas da organização. O mapa estratégico é uma ferramenta utilizada em conjunto com o Balanced Scorecard para descrever as relações de causa e efeito das ações estratégicas que são desdobradas nas perspectivas do BSC. De�ne os indicadores de desempenho que serão usados para acompanhar o uso dos recursos, as atividades e os resultados obtidos. A de�nição dos indicadores de desempenho exerce um papel fundamental no sucesso da implementação da estratégia. O conceito dos OKR (objective and key results) possibilita que os objetivos e os resultados-chave sejam comunicados de forma clara e simpli�cada a todos os envolvidos. Doerr (2018) aponta quatro características da metodologia OKR: Foco: a empresa deve de�nir no máximo seis objetivos estratégicos, desdobrados em cinco resultados-chave para cada objetivo. Alinhamento dos esforços da equipe. Monitoramento e a responsabilidade. Superação: as metas e objetivos devem ser ambiciosos, desa�adores e atingíveis, para que os colaboradores se sintam motivados Como medem os resultados-chave alcançados pela empresa e são de�nidos em conjunto pelos gestores e pelos colaboradores, os OKR incentivam o trabalho em equipe, o espírito de colaboração, o engajamento e a motivação. Videoaula: Revisão da unidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Após desenvolver o plano estratégico, chega o momento de colocar em prática o que foi planejado. Uma cultura organizacional direcionada à estratégia, e a comunicação clara e constante a respeito das estratégias e resultados, são fundamentais para o sucesso do plano estratégico. As metodologias de gestão estratégica, como o BSC, e de indicadores como os KPIs Disciplina Planejamento Estratégico e OKRs também são fatores importantes na implantação dos planos. Neste vídeo vamos trazer exemplos práticos que ajudarão você a entender como eles são usados nas empresas. Vamos aprender juntos? Estudo de caso Empresas que nascem pequenas e crescem gradativamente, a partir de seus próprios resultados, em geral tem uma cultura organizacional baseada nos valores pessoais, nas posturas e no comportamento de seu fundador. À medida que uma empresa cresce, mais pessoas passam a fazer parte de seu quadro de colaboradores. Neste processo, a formação e o fortalecimento da cultura organizacional é um importante fator, pois é a partir dos valores que estão na base da cultura que a empresa desenvolve seu posicionamento estratégico e estabelece seus planos e objetivos. Um grande desa�o para uma empresa em fase de crescimento e de pro�ssionalização de sua gestão é a implementação do primeiro processo de planejamento estratégico. Geralmente, nos primeiros anos de sua existência a empresa não tem um plano claro e de�nido e reage às mudanças que ocorrem no ambiente externo de forma desorganizada e pontual. Implementar uma cultura voltada à estratégia é um desa�o, pois as direções estratégicas da empresa estão, muitas vezes, apenas na cabeça do empresário. A empresa em que você trabalha está buscando se pro�ssionalizar, e por isso decidiu realizar pela primeira vez um planejamento estratégico para os próximos cinco anos. Ao analisar a empresa, você identi�ca que o empresário que fundou a empresa e atua como principal gestor tem uma história de superação, pois iniciou a empresa sozinho e enfrentou diversas crises Disciplina Planejamento Estratégico econômicas nos primeiros anos da empresa. Por isso, é visto com admiração e respeito pelos colaboradores. A empresa surgiu a partir da experiência pro�ssional anterior do empresário, que usou seus conhecimentos e contatos para iniciar o empreendimento. Um fato ocorrido no terceiro ano da empresa foi decisivo para o seu crescimento: a empresa passou a fornecer seus produtos para uma grande rede varejista. A empresa não conta com uma área de recursos humanos organizada nem com políticas de desenvolvimento e valorização dos colaboradores. As decisões estratégicas estão concentradas no empresário, e a comunicação acerca dos objetivos estratégicos, planos de ação e decisões estratégicas não é feita de forma consistente e clara. Seu papel, no processo de planejamento, é organizar as informações, planejar e gerenciar as diversas etapas do plano e garantir que todos os colaboradores estejam engajados e motivados a atingir os objetivos estratégicos da empresa. Tendo como base o que aprendeu na unidade, que ações você tomaria para garantir o sucesso do planejamento estratégico da empresa? Re�ita O objetivo deste estudo de caso é discutir a importância da cultura organizacional no processo de implementação do planejamento estratégico. A partir dos dados do caso apresentado, você pode re�etir a respeito da relação da cultura com a estratégia, e colocar em prática os conhecimentos a respeito das diversas etapas de implementação do planejamento estratégico. Você também deve pensar na importância do uso de metodologias de gestão, como o BSC, e dos indicadores de desempenho e ferramentas como o OKR, para que o plano estratégico seja implementado da forma correta. É hora de você colocar aquilo que aprendeu em prática. Vamos aprender juntos? Videoaula: Resolução do estudo de caso Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Os dados apresentados no caso mostram que a empresa ainda não tem uma cultura voltada para estratégia, pois esta é clara apenas nos níveis hierárquicos superiores da organização. Algumas características da cultura organizacional podem ser identi�cadas, como a história de fundação e crescimento, a �gura carismática e inspiradora do fundador, e o incidente crítico que possibilitou o crescimento da empresa a partir do terceiro ano. Por outro lado, características importantes da cultura organizacional, como as políticas de recursos humanos e os processos de comunicação acerca da estratégia ainda não estão plenamente desenvolvidos. Disciplina Planejamento Estratégico Como responsável pelo processo, seu primeiro passo deve ser identi�car os aspectos centrais da cultura organizacional: mapear os relacionamentos, os comportamentos válidos e aceitos, as estruturas de liderança e poder. É preciso também desenvolver normas, manuais e regulamentos que sirvam de referência para a atuação dos colaboradores. Partindo deste entendimento da cultura da empresa, é possível iniciar o processo de planejamento estratégico, com a análise do ambiente externo e dos recursos de que a empresa dispõe. Para garantir o engajamento dos colaboradores, você pode sugerir que as estruturas hierárquicas sejam repensadas, para garantir a �exibilidade necessária para que a empresa se adapte às mudanças no mercado externo. A partir dos valores identi�cados na cultura da empresa, bem como as oportunidadese ameaças identi�cadas no mercado, você pode iniciar a próxima fase do processo de planejamento, que é a de�nição do posicionamento estratégico – missão, visão e valores – e dos objetivos estratégicos da empresa. A comunicação dos objetivos, planos, responsáveis, metas e atividades a serem realizadas pelos colaboradores é fundamental para o sucesso de um plano estratégico. Por isso, você precisa estabelecer canais de comunicação claros e de�nidos, para apresentar as análises realizadas, o posicionamento estratégico, os objetivos e os planos de ação desenhados pela gestão da organização. Ao compartilhar os planos estratégicos com os diversos níveis hierárquicos, você conseguirá criar um sentimento de pertencimento e engajamento, pois a estratégia deixará de ser restrita aos níveis superiores, e passará a fazer parte do cotidiano dos colaboradores. Tendo de�nidos os objetivos estratégicos a serem alcançados, você pode utilizar o BSC para criar metas e indicadores relacionados às perspectivas desta metodologia – �nanceira, de clientes, de processos internos e de aprendizagem. Ao utilizar o BSC, você possibilitará que os colaboradores entendam claramente como cada uma de suas atividades, metas, comportamentos e ações se relacionam com os objetivos da empresa. A metodologia também ajudará os gestores a acompanhar a implantação dos planos e os resultados obtidos. Estes são os passos principais que você pode tomar como responsável pela implementação dos planos estratégicos. Como já estamos na última unidade de nosso curso, você tem condições de desenvolver um plano bem mais detalhado. O que mais você faria para garantir que a empresa atinja seus objetivos? Resumo visual Disciplina Planejamento Estratégico Figura 1 | Cultura organizacional. Disciplina Planejamento Estratégico Figura 2 | Processos organizacionais. Disciplina Planejamento Estratégico Figura 3 | Tipos e níveis de planejamento. Figura 4 | Mapa estratégico. Disciplina Planejamento Estratégico Disciplina Planejamento Estratégico Referências Disciplina Planejamento Estratégico BATEMAN, T. S.; SNELL, S. A. Administração: liderança e colaboração no mundo competitivo. São Paulo: McGraw Hill, 2007 DOERR, J. Measure What Matters. 2. ed. Nova Iorque, Estados Unidos da América: Portfolio/Penguin, 2018. KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. Alinhamento: utilizando o Balanced Scorecard para criar sinergias corporativas. 15. ed. Rio de Janeiro: Alta Books, 2017.desenvolver o planejamento estratégico da organização, ou seja, de�nir a forma como a empresa se posiciona no mercado. Em uma empresa de pequeno porte, as atividades do nível estratégico e tático são, muitas vezes, realizadas pelo mesmo pro�ssional, em geral o empreendedor ou principal sócio da empresa. Independentemente do porte da organização e da quantidade de colaboradores envolvidos em cada um dos níveis hierárquicos, as atividades de planejamento estratégico, tático e operacional são fundamentais para que a empresa utilize de forma e�ciente os recursos de que dispõe e possa aproveitar as oportunidades que surgem no mercado, bem como lidar com os desa�os que se colocam à sua frente. Conceituação da estratégia funcional. Disciplina Planejamento Estratégico Vamos retomar o exemplo de duas diferentes empresas, usado na primeira parte do capítulo. Nossa primeira empresa, a indústria de alimentos pré-prontos, decide realizar o planejamento estratégico para os próximos cinco anos. Para basear as decisões dos membros do conselho de administração e dos executivos, a empresa realiza uma profunda análise do ambiente externo, usando pro�ssionais da organização, empresas especializadas e fontes de dados externas. Como exemplo, a empresa pode usar dados demográ�cos de órgãos como o IBGE e contratar consultorias especializadas em tendências tecnológicas que podem impactar o mercado. Consultorias jurídicas podem oferecer pareceres a respeito de mudanças legais, �scais e trabalhistas discutidas nas casas legislativas, que podem causar mudanças no regime tributário da organização. A empresa decide também contratar uma consultoria especializada em ESG (Environmental, Social and Governance – ambiental, social e governança) para analisar os impactos de sua atuação no ambiente e na sociedade, e repensar seus processos de negócios para seguir os parâmetros exigidos pelo mercado. Tendo como base os estudos realizados, o conselho de administração da empresa de�ne diversos objetivos a serem alcançados no período de cinco anos, que envolvem aspectos econômico-�nanceiros, como um patamar de faturamento e um valor de retorno sobre o investimento realizado; aspectos de mercado, como um percentual de participação de mercado e a entrada em novos mercados; além de aspectos sociais e ambientais, como a implantação de uma estrutura de governança que garanta que a empresa atue de forma social e ambientalmente responsável. Neste contexto, a empresa rede�niu sua missão, sua visão e seus valores, incluindo os conceitos do ESG em seu posicionamento estratégico. Disciplina Planejamento Estratégico O planejamento estratégico foi apresentado aos gestores do nível tático, que foram orientados a desenvolver planos especí�cos para cada uma das áreas. Os gestores foram orientados a desenvolver um plano tático para os próximos dois anos, que devem incluir os investimentos necessários, o orçamento a ser utilizado, a necessidade de ampliação ou desenvolvimento de colaboradores e o desdobramento dos objetivos em metas. Os colaboradores do nível operacional serão treinados para desenvolvam tanto as competências técnicas necessárias para adotar as novas tecnologias a serem utilizadas quanto as competências comportamentais relacionadas ao novo posicionamento estratégico da empresa, especialmente aquelas ligadas ao ESG. Foram de�nidos os planos de ação para os primeiros seis meses do ano, com as tarefas, atividades e metas especí�cas de cada colaborador. Já a segunda empresa, o restaurante que será inaugurado, o empreendedor desempenha as atividades relacionadas aos níveis estratégico e tático. Por ser uma empresa ainda em processo de desenvolvimento, o empreendedor decidiu desenvolver um plano estratégico de dois anos, por considerar que ainda não conta com os dados e informações necessárias para um horizonte mais longo. Para se preparar, decide participar de palestras e rodadas de negócios oferecidos por instituições de ensino e órgãos ligados ao empreendedorismo. Como principal objetivo, de�ne que os dois primeiros anos da empresa serão dedicados a consolidar o negócio e criar uma clientela �xa que garanta a sobrevivência e o crescimento orgânico do restaurante. Com ajuda dos alunos de uma empresa júnior sediada em uma instituição de ensino em sua cidade, o empreendedor de�ne a missão, visão e valores da empresa. Como a empresa ainda não existe, os planos táticos e operacional serão desenvolvidos em um momento posterior. Videoaula: Níveis de estratégia na organização Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Os conceitos de planejamento estratégico, tático e operacional podem parecer, em um primeiro momento, complexos e fora da realidade de nosso dia a dia nas empresas. Porém, uma empresa sem um plano claro e objetivos de�nidos pode desperdiçar recursos e esforços, deixar de aproveitar oportunidades ou se preparar para os desa�os que surgem no mercado. Neste vídeo, vamos discutir os conceitos de níveis estratégicos e conhecer como a estratégia está presente no nosso cotidiano. Vamos juntos nessa jornada de aprendizagem? Saiba mais Disciplina Planejamento Estratégico Autor do livro Sua Estratégia Precisa de Uma Estratégia (DVS Editora, 2015) e reitor do Instituto Global de Liderança do Fórum, Knut Haanaes atuou como líder global da prática de estratégia do BCG. Em uma inspiradora palestra realizada no evento TED-BCG London, no ano de 2016, Haanaes discorre sobre a importância de a empresa desenvolver um equilíbrio entre suas estratégias de exploração de mercados, tecnologias e produtos já estabelecidos, e suas estratégias de busca por novos mercados, o desenvolvimento de novas tecnologias e a inovação em produtos e serviços, para que sobrevivam no longo prazo. O Capítulo 1 do livro Gestão estratégica de negócios aborda os conceitos básicos do planejamento estratégico e discute o papel da estratégia como instrumento para aumentar a competitividade das organizações, apresentando alguns modelos de gestão estratégica. Referências https://www.ted.com/talks/knut_haanaes_two_reasons_companies_fail_and_how_to_avoid_them?subtitle=pt-br https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788547233143/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788547233143/ Disciplina Planejamento Estratégico CHIAVENATO, I.; SAPIRO, A. Planejamento Estratégico – da intenção aos resultados. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2020. KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. Organização orientada para a estratégia: como as empresas que adotam o balanced scorecard prosperam no novo ambiente de negócios. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019. NAKAGAWA, M. Ferramenta 5W2H: plano de ação para empreendedores. São Paulo: Globo, 2012. OLIVEIRA, D. de P. R. de. Estratégia empresarial & vantagem competitiva: como estabelecer, implementar e avaliar. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2014. PORTER, M. E. Estratégia Competitiva – Técnicas para análise. São Paulo: Elsevier Brasil, 2004. PORTER, M. E. Competição: estratégias competitivas essenciais. Houston: Gulf Professional Publishing, 1999. Aula 3 Processo do planejamento estratégico Introdução Disciplina Planejamento Estratégico Desenvolver e implantar um planejamento estratégico é fundamental para o sucesso de uma empresa, pois é a partir do posicionamento estratégico e dos objetivos de longo prazo que cada uma das áreas funcionais desenvolverão os planos de ação, os processos e as metas especí�cas que orientarão as atividades dos colaboradores dos diversos níveis hierárquicos da organização. Nesta aula, apresentaremos as diversas etapas do processo de planejamento estratégico, e as diversas atividades estratégicas a serem desenvolvidas em cada uma das etapas serão discutidas. Também discutiremos as ferramentas de análise estratégica que podem ser usadas neste processo. O objetivo é ajudar você a entender o processo de desenvolvimento,implementação e gestão do planejamento estratégico. Vamos aprender juntos? Apresentação das etapas do processo de planejamento estratégico Disciplina Planejamento Estratégico O processo de desenvolvimento do planejamento estratégico de uma empresa pode ser dividido em diversas etapas. Andrade (2016) de�ne o planejamento como um processo por meio do qual a empresa estabelece seus objetivos, relaciona os recursos de que dispõe e de�ne as atividades e processos executados pelos colaboradores, para atender às demandas dos clientes. Ruwer, Kleinowski e Souza (2021) sugerem um processo de planejamento estratégico composto por cinco etapas ou atividades estratégicas, consecutivas, que devem ser seguidas para garantir o sucesso na implementação das estratégias, como mostra a Figura 1: Figura 1 | Processo de planejamento estratégico. Fonte: adaptada de Ruwer, Kleinowski e Souza (2021). Disciplina Planejamento Estratégico A primeira e a segunda atividades sugeridas pelos autores são realizadas de forma conjunta. No ambiente externo, o objetivo é identi�car mudanças e eventos que possam representar oportunidades ou ameaças que possam representar riscos à sua atuação. Os fenômenos que ocorrem no ambiente externo não são controlados pela organização. Porém, como podem impactar seus resultados, a empresa precisa entender essas mudanças e se preparar para reagir ou se antecipar estrategicamente. Já a análise interna tem o objetivo de identi�car os recursos de que a empresa dispõe, como as competências dos colaboradores, processos de trabalho, tecnologias a que tem acesso e recursos �nanceiros para realizar investimentos. Dentre as ferramentas e metodologias utilizadas pela empresa para realizar a análise dos ambientes externo e interno, destaca-se a análise SWOT, que será abordada na segunda unidade de ensino desta disciplina. Como explicam Leite e Gasparotto (2018), a análise SWOT leva em consideração tanto aspectos internos, representadas pelas palavras strengths (forças) e weaknesses (fraquezas), quanto aspectos externos, que são opportunities (oportunidades) e threats (ameaças). A terceira atividade é a de�nição do posicionamento estratégico, composto pela missão, visão e valores da organização. Mais do que apenas um documento ou um quadro colocado nas paredes da empresa, o posicionamento estratégico deve estar presente na cultura organizacional e precisa ser colocado em prática nas atividades cotidianas realizadas pelos colaboradores. Na próxima aula desta unidade de ensino vamos aprofundar os conceitos do posicionamento estratégico. A próxima atividade estratégica do modelo é a de�nição dos objetivos estratégicos e das ações a serem implantadas para que estes sejam atingidos. É a partir desses objetivos que os gestores de�nirão os planos táticos, as metas, as atividades, processos, investimentos e a necessidades de recursos em cada área. Por isso, os objetivos estratégicos precisam ser claros e bem de�nidos, para que os colaboradores se sintam comprometidos e motivados. A implementação dos planos e o acompanhamento dos resultados obtidos é a última etapa do modelo. Como destaca Kotler (2009), ao colocar em prática os planos estratégicos, a empresa pode se deparar com uma série de situações não planejadas. Os clientes podem considerar que os produtos e serviços não atendem às suas demandas; concorrentes podem adotar estratégias que impactem negativamente os planos da empresa; alterações no ambiente externo, como uma nova tecnologia ou uma mudança social podem impactar ou até inviabilizar as estratégias planejadas. Para o autor, o processo de planejamento estratégico é um ciclo, pois os dados e informações coletados durante a implementação e a gestão são utilizados como base do planejamento do próximo período, como mostra a �gura a seguir: Disciplina Planejamento Estratégico Figura 2 | Ciclo do processo de planejamento. Fonte: adaptada de Kotler (2009). O uso de indicadores de desempenho, métricas de acompanhamento e de metodologias como o Balanced Scorecard e o OKR – objectives and key results, permite aos gestores identi�car desvios em relação ao plano estratégico e agir corretivamente quando necessário. Conceituação das atividades estratégicas usadas no planejamento Disciplina Planejamento Estratégico Quando se pensa na vida de uma empresa, um prazo de cinco ou dez anos pode parecer relativamente curto. Uma empresa de cinco anos de existência pode ainda ser considerada em fase de consolidação. Porém, com o desenvolvimento cada vez mais acelerado da tecnologia, especialmente as relacionadas à informação e à comunicação, as mudanças no ambiente concorrencial são cada vez mais rápidas e profundas. De acordo com Comini, Rosolen e Fischer (2019), o desenvolvimento tecnológico possibilita que dados sobre os clientes e os processos de negócios sejam coletados, analisados e transformados de forma tão rápida e em tal volume que a criação de novos conhecimentos passou a modi�car não apenas o consumo, mas o próprio modo como as empresas, a economia e até a própria sociedade se organizam. Rifkin (2021) destaca que os impactos do desenvolvimento da tecnologia da informação foram acelerados, com a popularização da internet, a partir da década de 1990. No contexto das estratégias empresariais, a revolução digital in�uencia a forma como a empresa cria seus produtos e serviços, inova, comercializa e se relaciona com seus consumidores e clientes. Os 4 Ps (produto, preço, praça e promoção) do mix de marketing, passam, segundo Kotler e Keller (2019), por uma profunda transformação. Clientes e sociedade têm amplo e fácil acesso a informações tanto a respeito de produtos e empresas locais quanto de outros países. A transformação digital, impulsionada pelas tecnologias da informação e das comunicações, transforma a vida cotidiana, as relações entre as pessoas e as empresas, e dessas com governos e os grupos sociais. O impacto social e cultural do desenvolvimento tecnológico ainda foi não totalmente compreendido e absorvido pelas pessoas, empresas e pela sociedade. Canais de distribuição baseados no conceito do e-commerce possibilitam que empresas atendam clientes em qualquer lugar do mundo. Para Kotler, Kartajaya e Setiawan (2017), as empresas precisam investir constantemente na inovação, revendo seus planos estratégicos e sua forma de atuação. Já Crossan e Apaydin (2010) apontam que planejamento, organização e processos de negócios precisam ser totalmente repensados e adaptados à medida que novas tecnologias são desenvolvidas. Para exempli�car essa realidade, tente relembrar as atividades que você realizava há cinco anos. Se você já atuava pro�ssionalmente, como era a empresa na qual você trabalhava? Quais produtos ela produzia e vendia? Como eram os canais de distribuição e as ferramentas que utilizava para realizar o relacionamento com os clientes? Se você ainda não atuava como pro�ssional, tente lembrar das empresas com as quais você se relacionava como consumidor. Consegue identi�car mudanças signi�cativas na forma de trabalho, nas tecnologias utilizadas, na forma de comercialização? Agora, tente imaginar como serão as tecnologias, os produtos e as formas de interação entre a empresa e seus consumidores daqui a cinco anos. Se é difícil pensar como será o mercado em um período tão curto de tempo, ainda mais desa�ador é desenhar um plano estratégico para preparar a empresa para esse futuro. Discussão sobre as ferramentas de análise estratégica Disciplina Planejamento Estratégico Desenvolver um bom planejamento estratégico, que leve em consideração a grande quantidade de fatores externos e internos que possam in�uenciar os resultados da empresa durante o período considerado para o plano (em geral, de cinco a dez anos), é um grande desa�o para os empresários, executivos e gestores envolvidos no processo. A empresa precisa constantemente monitorar o ambiente externo em busca de mudanças que possam impactar a sua forma de atuação, assim como precisa investir em novas tecnologiase no desenvolvimento de sua equipe. Mas ainda mais desa�ador é colocar em prática o planejamento estratégico desenhado pela direção da empresa. A empresa precisa, em muitos casos, buscar fontes de �nanciamento para ter a capacidade de investimento necessária para implantar mudanças tecnológicas ou desenvolver novas infraestruturas. Pode ser necessário criar relações novas com parceiros e fornecedores, estabelecer novos canais de distribuição ou se adaptar a mudanças tecnológicas, comportamentais e sociais. Internamente, a empresa pode ter a necessidade de contratar novos colaboradores e desenvolver novos conhecimentos, capacidades e competências em seus funcionários atuais. O clima organizacional e a motivação das equipes precisam ser constantemente monitorados, pois as mudanças necessárias podem gerar inseguranças e reações do grupo, levando à falta de engajamento e à desmotivação. O desdobramento do planejamento estratégico nos planos táticos em cada uma das áreas da empresa é outro desa�o a ser considerado pela empresa. Os gestores de áreas precisam não apenas desenvolver ações, processos e atividades que estejam alinhadas à estratégia geral e garantam que os objetivos de longo prazo estejam corretamente traduzidos em metas Disciplina Planejamento Estratégico especí�cas para cada um dos cargos e processos, como devem levar em consideração os planos táticos das demais áreas. Como exemplo, se o plano tático da área comercial inclui expandir a quantidade de clientes atendidos e áreas geográ�cas cobertas pela equipe, é necessário alinhar o plano com a área de logística da empresa, pois provavelmente a infraestrutura de armazenamento e a frota de entregas precisará ser ampliada. O desa�o continua durante a colocação em prática dos planos de ação desenhados em cada área da empresa. Os funcionários precisarão ser treinados e capacitados. Cada ação e processo precisa ser constantemente monitorado, com o uso de indicadores de desempenho e relatórios frequentes, para garantir que os recursos estejam sendo usados da forma adequada e que cada etapa do plano está sendo seguida. Pode ser necessário adequar processos, cronogramas, prazos e uso dos recursos, caso seja identi�cada algum desvio do plano. Por exemplo, a empresa pode ter de�nido que, para alcançar seus objetivos estratégicos, precisará lançar um novo produto no mercado, com uma tecnologia já existente. Porém, durante o período pode ser desenvolvida uma tecnologia disruptiva que modi�que totalmente a forma como os consumidores atendem suas demandas. Assim, o lançamento deste produto pode não ser mais viável, ou o tamanho do mercado não seja mais su�ciente para que os objetivos estratégicos sejam atendidos. O plano estratégico precisa ser �exível para que a empresa adeque suas ações e, caso seja necessário, redirecione seus esforços e atividades para se adequar às mudanças. Videoaula: Processo do planejamento estratégico Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Cada etapa do planejamento estratégico é fundamental para desenhar uma estratégia que leve a empresa a atingir seus objetivos e se diferencie em relação aos concorrentes, levando em consideração os recursos e competências de que a empresa dispõe, além de ser �exível para se adaptar às mudanças do mercado. Neste vídeo, vamos discutir as diversas etapas do planejamento estratégico, usando exemplos para ajudar você a entender os conceitos e colocá- los em prática em sua atuação pro�ssional. Vamos aprender juntos? Saiba mais Disciplina Planejamento Estratégico A pandemia causada pelo vírus da covid-19, nos anos de 2020 e 2021, representou um grande desa�o estratégico para as empresas dos mais variados portes e áreas de atuação. O artigo “Cortar ou investir? Ações estratégicas para enfrentar a crise provocada pela Covid-19” usa esse evento atípico para discutir a in�uência do ambiente externo sobre os planos estratégicos das empresas, e como as decisões da direção precisam ser tomadas em momentos de crise. Referências https://periodicos.uninove.br/riae/article/view/18391 https://periodicos.uninove.br/riae/article/view/18391 https://periodicos.uninove.br/riae/article/view/18391 Disciplina Planejamento Estratégico ANDRADE, A. R. de. Planejamento estratégico: formulação, implementação e controle. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. COMINI, G. M.; ROSOLEN, T.; FISCHER, R. M. Inovações socioambientais: uma análise de soluções e estratégias criadas por negócios de impacto no Brasil. In: BARKI, E.; COMINI, G. M.; TORRES, H. G. (org.). Negócios de impacto socioambiental no Brasil. Rio de Janeiro: FGV, 2019. p. 217-236. Disponível em: https://www.researchgate.net/pro�le/HaroldoTorres- 2/publication/337167406_Negocios_com_Impacto_Socioambiental_no_Brasil/ links/5ddd4dbda6fdcc2837ec0d97/Negocios-com-Impacto-Socioambiental-no- Brasil.pdf#page=217. Acesso em: 15 out. 2022. CROSSAN, M. M.; APAYDIN, M. A Multi-Dimensional framework of organizational innovation: a systematic review of the literature. Journal of Management Studies, v. 47, n. 6, p. 1154-1191, 2010. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1467-6486.2009.00880.x. Acesso em: 16 maio 2022. KOTLER, P. Marketing para o século XXI: como criar, conquistar e dominar mercados. São Paulo: Ediouro, 2009. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson Universidades, 2019. KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIAWAN, I. Marketing 4.0: do tradicional ao digital. São Paulo: Sextante, 2017. LEITE, M. S. R.; GASPAROTTO, A. M. S. Análise SWOT e suas funcionalidades: o autoconhecimento da empresa e sua importância. Revista Interface Tecnológica, v. 15, n. 2, p. 184-195, 2018. Disponível em: https://revista.fatectq.edu.br/index.php/ interfacetecnologica/article/view/450. Acesso em: 13 out. 2022. RIFKIN, J. A terceira revolução industrial: como o poder lateral está transformando a energia, a economia e o mundo. São Paulo: M. Books, 2021. https://www.researchgate.net/profile/HaroldoTorres-2/publication/337167406_Negocios_com_Impacto_Socioambiental_no_Brasil/%20links/5ddd4dbda6fdcc2837ec0d97/Negocios-com-Impacto-Socioambiental-no-Brasil.pdf#page=217 https://www.researchgate.net/profile/HaroldoTorres-2/publication/337167406_Negocios_com_Impacto_Socioambiental_no_Brasil/%20links/5ddd4dbda6fdcc2837ec0d97/Negocios-com-Impacto-Socioambiental-no-Brasil.pdf#page=217 https://www.researchgate.net/profile/HaroldoTorres-2/publication/337167406_Negocios_com_Impacto_Socioambiental_no_Brasil/%20links/5ddd4dbda6fdcc2837ec0d97/Negocios-com-Impacto-Socioambiental-no-Brasil.pdf#page=217 https://www.researchgate.net/profile/HaroldoTorres-2/publication/337167406_Negocios_com_Impacto_Socioambiental_no_Brasil/%20links/5ddd4dbda6fdcc2837ec0d97/Negocios-com-Impacto-Socioambiental-no-Brasil.pdf#page=217 https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1467-6486.2009.00880.x https://revista.fatectq.edu.br/index.php/%20interfacetecnologica/article/view/450 https://revista.fatectq.edu.br/index.php/%20interfacetecnologica/article/view/450 Disciplina Planejamento Estratégico RUWER, L. M. E.; KLEINOWSKI, H. L.; SOUZA, T. R. de. Estratégias empresariais para vencer a crise: um estudo em empresa do ramo imobiliário de Porto Alegre/RS. Brazilian Journal of Production Engineering-BJPE, v. 7, n. 1, p. 41-57, 2021. Disponível em: https://www.periodicos.ufes.br/ bjpe/article/download/33528/23139/105092. Acesso em: 13 out. 2022. Aula 4 Diretrizes do posicionamento estratégico Introdução Missão, visão e valores são os componentes do posicionamento estratégico da empresa, que traduz a razão de existência de uma organização, a forma como ela se vê no futuro e os padrões éticos, morais e culturais em que acredita e que pratica em suas atividades. Nesta aula, vamos discutir os conceitos de missão, visão e valores e a importância do posicionamentoestratégico no processo de planejamento estratégico. Também discutiremos o conceito de desenho do negócio e as ferramentas de de�nição do posicionamento estratégico, com destaque para a ferramenta Business Model Canvas. Ao �nal da aula, será proposto a você um desa�o: desenvolver sua missão, visão e valores, ou seja, o posicionamento estratégico de sua carreira. O que acha disso? Vamos aprender juntos? https://www.periodicos.ufes.br/%20bjpe/article/download/33528/23139/105092 Disciplina Planejamento Estratégico Conceituação de missão, visão e valores Missão, visão e valores da empresa compõem o posicionamento estratégico da organização. Segundo Kotler (2009), é base sobre a qual se desenvolve o processo de planejamento estratégico. Maximiano (2017) de�ne a missão como a descrição das demandas, desejos e necessidades declaradas ou percebidas pelos consumidores, que a empresa pretende atender por meio de suas atividades de produção ou comercialização de produtos ou serviços. Fischmann e Almeida (2007) complementam esse conceito e a�rmam que a missão mostra a razão de ser da empresa, tanto para os clientes quanto para os demais stakeholders. Já a visão pode ser entendida, de acordo com Tavares (2010), com uma determinada posição ou espaço que a empresa busca ocupar ou alcançar no mercado em que atua, ou em um novo mercado, em algum momento especí�co do futuro. Como mostra em que ponto a empresa quer chegar, a visão é um importante direcionador das estratégias que serão desenvolvidas e colocadas em prática pela empresa, em seu planejamento estratégico e em seus planos táticos. O último elemento do posicionamento estratégico são os valores organizacionais, ou seja, os princípios e bases morais e padrões éticos que direcionam a tomada de decisão e as ações cotidianas da empresa. A partir dos valores que é construída a cultura organizacional. Para Bethlem (2004), os valores e os padrões éticos são os balizadores e apontam os limites que os colaboradores devem seguir. Pfeiffer (2000) indica algumas questões que devem ser feitas pelos diretores quando se inicia um processo de planejamento estratégico, a que o autor dá o nome de triângulo interativo do Disciplina Planejamento Estratégico planejamento estratégico, como mostra a �gura a seguir: Figura 1 | Triângulo interativo do planejamento estratégico. Fonte: Adaptado de Pfeiffer, 2000, p. 12. A missão pode ser relacionada ao primeiro vértice do triângulo, pois busca responder quem é a empresa, o que ela faz e por que motivos ela existe. Já a visão se relaciona com os questionamentos acerca do que a empresa deseja ser no futuro. Por �m, a questão “Como vamos chegar lá?” está relacionada ao desenvolvimento do planejamento estratégico e dos planos de ação. O desenvolvimento tecnológico observado nas últimas décadas tem levado as empresas a enfrentarem um profundo processo de mudança. Neste contexto dois conceitos são fundamentais: a disrupção digital, segundo Homobono e Vargas (2019), explica a mudança que recon�gura o ambiente concorrencial e pode dar origem a novos setores econômicos, ao mesmo tempo que destrói empresas, tecnologias, produtos e marcas. Já a transformação digital, para Weiss (2019), diz respeito à otimização da gestão e dos processos da empresa, tornando-os mais ágeis e mais voltadas para o cliente. Neste contexto complexo e dinâmico, os modelos tradicionais de negócios podem não ser adequados para desenvolver o planejamento estratégico. Para Pinheiro et al. (2017), o mercado contemporâneo demanda estratégias diferenciadas e uma alta �exibilidade estratégica. Assim, surgiram ferramentas de modelagem de negócios mais adequadas para negócios inovadores que atuam em mercados de alto risco e incertezas. Dentre elas, destaca-se o Business Model Canvas – BMC (OSTERWALDER; PIGNEUR, 2011), mostrado na �gura: Disciplina Planejamento Estratégico Figura 2 | Exemplo de estrutura do Business Model Canvas. Fonte: adaptada de Osterwalder e Pigneur (2011). O BMC permite aos formuladores da estratégia entender os �uxos operacionais e econômicos da empresa, de forma simples e didática, pois apresenta uma explicação visual da estrutura do negócio. A versatilidade do BMC para modelagem de negócios é comprovada pela sua aplicação em diversos setores com a mesma facilidade. Apresentação do conceito de desenho do negócio e do business model canvas Disciplina Planejamento Estratégico A declaração de missão, visão e valores de uma empresa representa o seu posicionamento estratégico, ou seja, a forma como a empresa se posiciona diante de seu mercado, da sociedade, das organizações governamentais e não governamentais, de seus parceiros, colaboradores e, principalmente, de seus clientes. Assim, o que se espera é que cada empresa apresente uma declaração diferente e distinta das demais, que destaque sua identidade e seus diferenciais. Porém, como destaca Scorsolini-Comin (2012), o que se observa na prática é que muitas empresas, mesmo aquelas que atuam em diferentes segmentos econômicos e de portes diversos, apresentam missões, visões e valores parecidos, a tal ponto que podem parecer copiados de outras organizações. A missão, em geral, destaca a importância das pessoas para a organização, sejam elas os colaboradores, clientes ou a sociedade como um todo. Como destaca Dutra (2004), esse foco re�ete a centralidade das pessoas como principal recurso da organização e fator de diferenciação da empresa em relação à concorrência. Scorsolini-Comin (2012) também destaca que muitas empresas incluem a sustentabilidade ambiental e social como um elemento central de sua missão, como re�exo das pressões da sociedade em relação à atuação da empresa. A visão tem o papel de esclarecer a posição que a empresa pretende alcançar no mercado. De certa forma, pode ser relacionada aos objetivos e metas a serem atingidas pela empresa, e direcionam os esforços dos colaboradores. Por isso, é comum que a visão descrita no posicionamento das empresas envolva a busca pela liderança, seja em participação de mercado, seja em inovação ou em percepção de qualidade pelos consumidores. Os valores, na declaração de posicionamento estratégico das empresas, em geral são apresentados como uma lista de comportamentos, regras e princípios que devem nortear o comportamento dos colaboradores. Porém, raramente explica-se como essas regras serão seguidas e monitoradas no cotidiano das operações. É comum que os valores incluam itens como a satisfação dos clientes, o respeito e o incentivo ao desenvolvimento dos colaboradores, aspectos econômico-�nanceiros, como crescimento de faturamento e da rentabilidade, busca Disciplina Planejamento Estratégico pela qualidade e produtividade e respeito às leis e aos padrões éticos e morais da sociedade na qual a empresa está inserida. A semelhança entre os discursos descritos nas declarações de posicionamento estratégico de diferentes empresas indica que mais do que realmente re�etir a cultura e o pensamento estratégico da organização, missão, visão e valores de muitas empresas apenas repetem um discurso padronizado que está disseminado no ambiente de negócios e até mesmo na própria sociedade. De�nir um posicionamento estratégico que não re�ita a identidade da organização representa um risco para a empresa, pois, como destaca Kotler (2009), o planejamento estratégico é desenvolvido a partir da missão, visão e valores da empresa. Assim, ao usar um posicionamento estratégico genérico, a empresa pode acabar por desenvolver um plano e objetivos estratégicos que não re�itam suas reais pretensões. Apresentação de outras ferramentas de de�nição de posicionamento estratégico Para que possamos colocar os conceitos discutidos em prática, vamos retomar as empresas didáticas que estamos usando como exemplo nesta unidade de ensino. Para de�nir seu posicionamento estratégico, a indústria que produz alimentos pré-prontos, vendidos em supermercados, decidiu analisar as declarações de posicionamento estratégico de Disciplina PlanejamentoEstratégico outras empresas que atuam no mesmo segmento de mercado. Após analisar dezenas de missões, visões e valores de empresas concorrentes, de empresas fornecedoras e de seus principais clientes, a indústria listou uma série de palavras-chave, classi�cadas de acordo com a frequência com que essas expressões se repetiam, seja na missão, na visão ou nos valores das empresas estudadas. A partir deste levantamento, a empresa desenvolveu o seu posicionamento estratégico, no qual buscou utilizar as palavras-chave e os termos que encontrou na pesquisa. O principal executivo da empresa acredita que, ao de�nir um posicionamento estratégico alinhado com o das empresas concorrentes, a empresa terá condições de ser um importante participante do mercado de alimentos pré-prontos. Também acredita que o fato de usar um posicionamento estratégico proposto semelhante a alguns de seus principais clientes pode fortalecer a parceria com essas empresas. Porém, alguns diretores que participaram do processo de construção do planejamento estratégico discordam dessa postura, pois acreditam que, assim como indica Kotler (2009), a missão, visão e os valores da empresa devem re�etir a sua identidade e seus diferenciais competitivos. Por isso, temem que uma declaração de posicionamento estratégico genérica e parecida com a dos concorrentes represente um risco para a empresa. O pequeno empresário que está desenvolvendo o projeto de abrir um restaurante decidiu usar o conceito do triângulo interativo do planejamento estratégico, como proposto por Pfeiffer (2000), e os conceitos de missão dado por Maximiano (2017); de visão, segundo Tavares (2010); e de valores, proposto por Betlhem (2004). Para de�nir a missão da empresa, o empreendedor se fez as seguintes perguntas: Quem somos ou pretendemos ser como empresa? O que estamos fazendo ou desejamos fazer para atender às demandas dos clientes que desejamos atender? Por que decidimos, como empresa, atuar nesse mercado e atender a essas demandas especí�cas dos clientes? Já para de�nir a visão da empresa, o empreendedor buscou responder às seguintes perguntas: O que queremos ser no futuro – mais especi�camente, daqui a cinco anos? Que local ou posição de mercado pretendemos ocupar? Qual o tamanho do faturamento, que infraestrutura e que participação de mercado pretendemos ter? Por que consideramos que podemos alcançar esse posicionamento e qual a relevância de atingir esses objetivos? Para de�nir os valores da organização, o empreendedor decidiu usar seus próprios valores pessoais. Assim, listou valores como seriedade, honestidade, respeito pelas pessoas, trabalho em equipe, qualidade e senso de comunidade. Com base nas perguntas feitas, o empreendedor de�niu o posicionamento estratégico que servirá de base para o desenvolvimento do planejamento estratégico de sua empresa, que ainda está em fase de desenvolvimento. Disciplina Planejamento Estratégico Videoaula: Diretrizes do posicionamento estratégico Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Missão, visão e valores são os componentes do posicionamento estratégico da empresa fundamentais para direcionar o planejamento estratégico e para a de�nição dos objetivos da organização. O posicionamento estratégico traduz a razão de ser de uma empresa, como ela se enxerga no futuro e quais são as bases ética e morais que direcionam a tomada de decisão e os comportamentos de seus colaboradores, no cotidiano de suas atividades. Neste vídeo, vamos discutir os conceitos da missão, visão e valores e conhecer metodologias que podem ser usadas pela empresa para desenhar seu posicionamento estratégico. No �nal do vídeo propomos um desa�o: escrever a sua missão, visão e valores, para direcionar a sua carreira. Saiba mais Disciplina Planejamento Estratégico O Business Model Canvas é um dos mais conhecidos modelos de desenvolvimento de planos de negócios. O livro escrito pelo criador do modelo, Alex Osterwalder, apresenta de forma didática a metodologia e é um manual detalhado de como desenvolver o plano de um negócio. OSTERWALDER, A.; PIGNEUR, Y. Business Model Generation. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019. Referências BETHLEM, A. S. Estratégia empresarial: conceitos, processo e administração estratégica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2004. DUTRA, J. S. Competências: Conceitos e instrumentos para a gestão de pessoas na empresa moderna. São Paulo: Atlas, 2004. FISCHMANN, A. A.; ALMEIDA, M. I. R. Planejamento estratégico na prática. São Paulo: Atlas, 2007. HOMOBONO, C. E.; VARGAS, A. A. F. Disrupção digital e tendências comportamentais pro�ssionais de mercado. Revista Pesquisa & Educação A Distância, n. 17, 2019. Disponível em: http://revista.universo.edu.br/index.php? journal=2013EAD1&page=article&op=view&path%5B%5D=8293&path%5B%5D=3991. Acesso em: 16 out. 2022 KOTLER, P. Marketing para o século XXI: como criar, conquistar e dominar mercados. São Paulo: Ediouro, 2009. MAXIMIANO, A. C. A. Teoria geral da administração: da revolução urbana à revolução rural. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017 OSTERWALDER, A.; PIGNEUR, Y. Business Model Generation – inovação em modelos de negócios: um manual para visionários, inovadores e revolucionários. Rio de Janeiro: Alta Books, http://revista.universo.edu.br/index.php?journal=2013EAD1&page=article&op=view&path%5B%5D=8293&path%5B%5D=3991 http://revista.universo.edu.br/index.php?journal=2013EAD1&page=article&op=view&path%5B%5D=8293&path%5B%5D=3991 Disciplina Planejamento Estratégico 2011. PFEIFFER, P. Planejamento estratégico municipal no Brasil: uma nova abordagem. Brasília: ENAP, 2000. Disponível em: https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/683/1/Planejamento%20estrat%C3%A9gico%20muni cipal%20no%20Brasil%20-%20uma%20nova%20abordagem.pdf. Acesso em: 17 mar. 2021. PINHEIRO, C. M. et al. Modelos de negócios na área da moda: um estudo sobre setores tradicionais e inovadores. Moda Palavra e-periódico, v. 10, n. 20, p. 4-22, 2017. Disponível em: https://periodicos.udesc.br/index.php/modapalavra/article/view/6206. Acesso em: 11 out. 2021. SCORSOLINI-COMIN, F. Missão, visão e valores como marcas do discurso nas organizações de trabalho. Psico, v. 43, n. 3, 2012. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistapsico/article/view/8055. Acesso em: 11 out. 2022. TAVARES, M. C. Gestão estratégica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2010. WEISS, MARCOS CESAR. Sociedade sensoriada: a sociedade da transformação digital. EstudosAvançados [online]. 2019, v. 33, n. 95. Disponível em: https://doi.org/10.1590/s0103- 4014.2019.3395.0013 Acesso em: 10 jan. 2023. Aula 5 Conceitos centrais da estratégia empresarial Conceitos centrais da estratégia empresarial https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/683/1/Planejamento%20estrat%C3%A9gico%20municipal%20no%20Brasil%20-%20uma%20nova%20abordagem.pdf https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/683/1/Planejamento%20estrat%C3%A9gico%20municipal%20no%20Brasil%20-%20uma%20nova%20abordagem.pdf https://periodicos.udesc.br/index.php/modapalavra/article/view/6206 https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistapsico/article/view/8055 https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2019.3395.0013 https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2019.3395.0013 Disciplina Planejamento Estratégico Nesta unidade discutimos os conceitos da estratégia, desde sua origem, ligado à área militar, até seu uso no contexto empresarial. A estratégia de�ne como a empresa utiliza os recursos naturais, humanos e �nanceiros de que dispõe para atingir seus objetivos. Um plano estratégico de�ne a forma de atuação no mercado, postura diante dos concorrentes, oferta de valor para os clientes, processos e atividades realizadas para atingir seus objetivos. A estratégia surge da análise do mercado e de�ne como a empresa usa seus recursos, estruturas e competências para explorar as oportunidadese obter vantagem competitiva em relação a seus concorrentes. O plano estratégico é a base para a de�nição das estratégias de cada uma das áreas da empresa, nos três níveis funcionais: estratégico, tático e operacional. Tem como horizonte um prazo de cinco a dez anos e inclui o posicionamento estratégico (missão, visão e valores) e os Disciplina Planejamento Estratégico objetivos de longo prazo, que podem ser relacionados a um valor de faturamento, percentual de participação de mercado ou expansão geográ�ca. O plano tático é desenvolvido nas áreas funcionais (produção, marketing, comercial, �nanceiro, RH etc.), para um período de seis meses a três anos, e traduz o plano estratégico em planos e programas colocados em prática pelos colaboradores. O plano operacional cobre os próximos seis meses de operações e detalha as tarefas, cronogramas e metas especí�cas a serem atingidas. O processo de planejamento estratégico pode ser dividido em diversas etapas. Na primeira é realizada a análise do ambiente externo, para identi�car oportunidades ou ameaças à empresa. A segunda etapa é a analise interna, que identi�ca os recursos da empresa. Uma metodologia utilizada para realizar estas etapas é a análise SWOT. A próxima etapa é a de�nição do posicionamento estratégico – missão, visão e valores. A missão descreve os desejos e necessidades dos consumidores e demais stakeholders que a empresa pretende atender. A visão de�ne a posição que a empresa busca ocupar no futuro e serve como direcionador das estratégias da organização. Os valores organizacionais são os princípios morais e éticos que direcionam a tomada de decisão e a cultura organizacional. A próxima etapa é a de�nição dos objetivos estratégicos, que precisam ser claros para que os colaboradores se sintam comprometidos e motivados. A implementação dos planos e acompanhamento dos resultados é a última etapa. Situações não planejadas, como insatisfação dos clientes, ações dos concorrentes ou alterações no ambiente podem impactar as estratégias planejadas. O planejamento estratégico é um ciclo. Informações coletadas na implementação são a base do planejamento do próximo período. O plano estratégico é ainda mais importante no mundo contemporâneo, marcado pelas profundas transformações tecnológicas, econômicas, demográ�cas, culturais e sociais. O conceito VUCA (volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade) traduz esse mundo instável e em constante transformação. O mercado demanda estratégias diferenciadas e alta �exibilidade. Assim, surgiram ferramentas adequadas para negócios inovadores e mercados em transformação. O Business Model Canvas, uma dessas ferramentas, permite entender os �uxos da empresa, de forma simples e visual. Para exempli�car os conceitos discutidos, foram usadas duas empresas �ctícias: uma indústria que produz alimentos pré-prontos, e um restaurante em processo de implantação. Esperamos que você tenha compreendido a importância da estratégia para as empresas. Nas próximas unidades, vamos aprofundar esse conhecimento, para que você tenha a capacidade de atuar pro�ssionalmente na de�nição e gestão das estratégias empresariais. Videoaula: Revisão da unidade Disciplina Planejamento Estratégico Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. O planejamento estratégico é uma ferramenta fundamental para que uma empresa atinja seus objetivos, principalmente para empresas que atuem em mercados altamente competitivos ou que estejam passando por um processo de disrupção ou de transformação, causados tanto por mudanças tecnológicas como por mudanças culturais e sociais. Assim, nada melhor do que conversar com um executivo responsável tanto pelo desenvolvimento quanto pela implantação e acompanhamento do planejamento estratégico de uma grande organização. Vamos aprender juntos? Estudo de caso Um de seus familiares é dono de uma o�cina mecânica especializada na troca de lubri�cantes automotivos que atende pessoas físicas proprietárias de veículos há seis anos. Após a quarentena ocorrida durante a pandemia causada pela covid-19, nos anos de 2020 a 2022, a empresa passa por uma grave crise, tendo perdido parte signi�cativa de seu faturamento. Ao Disciplina Planejamento Estratégico saber que você está estudando planejamento estratégico, seu familiar pediu sua ajuda para desenvolver um plano para os próximos cinco anos da empresa. Após algumas pesquisas, você identi�cou as seguintes informações: Com o desenvolvimento tecnológico dos lubri�cantes, o intervalo entre as trocas aumentou. Antes os veículos precisavam fazer a troca a cada cinco mil quilômetros rodados, agora o intervalo é de dez mil quilômetros. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projetam que na década de 2030 os veículos elétricos representarão cerca de 10% a 18% da frota automóveis no Brasil (RIATO, 2022). Veículos elétricos não utilizam lubri�cantes. Pressionados pela baixa lucratividade na comercialização da gasolina e do álcool, postos de combustíveis aumentaram seus investimentos em serviços complementares, como a troca de lubri�cantes. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (FENABRAVE, 2022) mostram que a venda de carros novos caiu de uma média de trezentos e noventa e seis mil veículos por mês, em 2013, para uma média de cento e sessenta mil veículos mensais em 2022. Proprietários de veículos com menos de cinco anos de uso, em geral, realizam a troca de lubri�cantes nas concessionárias. Após este período, buscam o�cinas especializadas ou postos de combustíveis. Dados de pesquisa realizada pela agência Edelman mostra que cerca de 62% dos brasileiros preferem usar os serviços oferecidos pelos aplicativos de transporte do que possuir veículo próprio (BIANCHIN, 2022). Você também analisou a estrutura da empresa, e identi�cou que ela está situada em uma boa localização, em uma região da cidade conhecida por concentrar concessionárias, o�cinas e lojas de serviços automotivos. Os equipamentos da empresa não são velhos nem estão defasados tecnologicamente, mas para que a empresa possa prestar serviços para veículos mais modernos, lançados nos últimos três anos, precisa adquirir novas máquinas. A empresa conta com quatro colaboradores, sendo que um deles atua na gestão e no atendimento ao cliente, e os demais realizam o serviço técnico. Apesar de experientes, estes não recebem nenhum treinamento técnico desde que a empresa começou a atuar. A empresa tem uma boa gestão �nanceira e conta com um pequeno valor investido em aplicações �nanceiras. Também tem acesso a linhas de crédito oferecidas pelo banco em que tem conta corrente. Usando os conhecimentos e conceitos discutidos na unidade, quais ações e passos você realizaria para ajudar seu familiar? Re�ita O objetivo deste estudo de caso é possibilitar que você entenda na prática que os conceitos da estratégia empresarial são muito mais simples de serem compreendidos e utilizados do que se imagina. Utilizando os conhecimentos adquiridos na unidade, analise os dados do caso e explique que ações você realizaria. Videoaula: Resolução do estudo de caso Disciplina Planejamento Estratégico Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Analisando os dados apresentados, você pode identi�car os três tipos de recursos utilizados: os recursos naturais são representados pelas matérias primas dos lubri�cantes; os recursos humanos são os colaboradores da empresa, seus conhecimentos e competências; os recursos �nanceiros são a estrutura, equipamentos e capital de que a empresa dispõe. A empresa não atua sozinha no mercado. Os postos de combustíveis podem ser classi�cados como concorrentes,