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LIMBO PREVIDENCIÁRIO-TRABALHISTA: ATUAÇÃO DO PERITO EM CONSONÂNCIA COM O MÉDICO DO TRABALHO Social security-labor limbo: performance of the expert in line with the work physician Revista de Direito e Medicina | vol. 6/2020 | Maio - Ago / 2020 DTR\2020\8721 Samantha Mary de Melo Barbosa Cruz Advogada e pós-graduada em Direito do Trabalho e Processo Trabalhista pelo Unichristus. samanthamelob@gmail.com Suzy Kelly de Melo Barbosa Sampaio Médica com especialização em Medicina da Família e Comunidade. suzydemelo@gmail.com Lucas Alessandro Macedo Tavares Cruz Médico com especialização em Medicina do Trabalho pela ANAMT/AMB. lucasamtc@hotmail.com Felipe Pereira de Castro Sampaio Médico com especialização em Medicina da Família e Comunidade. felipe.sampaio18@gmail.com Área do Direito: Trabalho; Previdenciário Resumo: O presente trabalho busca analisar a atuação do profissional perito médico previdenciário que, ao que parece, está claramente delimitada e normatizada em razão de documentos e diplomas legais nesse sentido. Apesar disso, ainda existem situações na qual, em consequência de sua subjetividade, necessitam de um olhar mais aprofundado e especializado do profissional. Esse é o caso do limbo previdenciário-trabalhista circunstância na qual, após a alta previdenciária, por meio do LMP emitido pelo perito médico do INSS, o médico do trabalho entende que o empregado não se encontra apto ao exercício de suas funções por meio do exame médico de retorno ao trabalho. Esses documentos conflitantes, em algumas ocasiões, podem gerar malefícios imensuráveis tanto ao trabalho do profissional médico quanto das partes envolvidas na colenda. Palavras-chave: Perícia médica previdenciária – Medicina do trabalho – Limbo previdenciário – INSS – Retorno ao trabalho Abstract: The present work seeks to analyze the professional medical social security expert's performance, which, it seems, is clearly delimited and normatized due to legal documents and diplomas in this sense. Nevertheless, there are still situations in which, as a consequence of their subjectivity, they need a more in-depth and specialized view of the professional. This is the case of the social-security limb circumstance in which, after the high social security, through the LMP issued by the medical expert of the INSS, the company's work doctor understands that the employee is not fit to perform his duties through a return to work medical examination. These conflicting documents, on some occasions, can produce immeasurable harm to both the work of the medical professional and the parties involved in the collection. Keywords: Medical social security – Occupational medicine – Social limb – INSS – Back to work Sumário: 1. Considerações Iniciais - 2. Incapacidade, invalidez e deficiência no laudo médico pericial - 3. O limbo previdenciário, o perito médico e o médico do trabalho - 4. Conclusão - Referências 1. Considerações Iniciais A atuação do perito médico previdenciário é, de fato, claramente bem delimitada quando se leva em consideração o Manual Técnico de Perícia Médica Previdenciária de 2018 disponibilizado pelo Instituto Nacional do Seguro Social. Ademais do documento supracitado, ainda existe a legislação pertinente ao tema e os documentos emitidos pelos órgãos de classe, ou seja, o Conselho Federal de Medicina. Sobrevém que, apesar de toda normatização, ainda existem situações concretas na qual existe amplo subjetivismo por parte da atuação do perito e, por isso, fomenta ainda mais as dificuldades encontradas tanto pelo profissional perito médico previdenciário quanto por outros profissionais da Limbo previdenciário-trabalhista: atuação do perito em consonância com o médico do trabalho Página 1 saúde. Uma dessas situações complexas, trata-se do limbo previdenciário-trabalhista que, atualmente, ganha novos contornos e se trata de uma situação extremamente crítica e confusa no âmbito previdenciário e trabalhista, assim como refere-se a um grande desafio apresentado ao perito médico do Seguro Social. Segundo Lise, et al1, a Previdência Social e# a maior e a mais antiga seguradora do trabalhador brasileiro, remontando meados de 1888, por meio do Decreto 9.912-A que regulava o direito à aposentadoria de funcionários dos Correios – fixou os requisitos de, no mínimo, de 30 (trinta) anos de serviço e 60 (sessenta) anos de idade. Entretanto, foi somente em 1988, por meio da Constituição Cidadã, que a Previdência Social galgou status de direito social a partir do artigo 6º que, assim expresso, informa que “são direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”2. Desse modo, pode-se afirmar que a Previdência Social, por meio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), é a maior distribuidora de renda do país, sendo essencial que haja a possibilidade de se verificar o direito pretendido do cidadão em relação aos benefícios previdenciários. Nesse caso, muitas situações necessitam da análise por meio da perícia médica, ou seja, o indivíduo que busca o amparo deve ser examinado por perito médico do INSS, a fim de determinar a existência ou não da condição imposta legalmente, conforme informa Lise, et al3. De acordo com o Manual Técnico de Perícia Previdenciária do INSS4, a perícia médica trata-se de ato exclusivo do médico que se encontra investido em função na qual asseguram-se as competências legais e administrativas do ato profissional, com fulcro na contribuição com autoridades administrativas, policiais ou judiciárias na formação de juízos a que estão obrigados. A carreira do perito médico previdenciário é regida por algumas legislações específicas, entretanto, é subordinada de maneira dupla, sendo conduzida tanto pela Lei n° 8.112/90 (LGL\1990\46) (Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Federais), como pela Lei n° 12.842/13 (LGL\2013\6636) (Lei do Ato Médico). Ademais, o perito ainda se subordina aos Conselhos Federal de Medicina (CFM) e aos Conselhos Regionais de Medicina (CRM), conforme informa a Lei nº 3.268/57 (LGL\1957\21)5. Assim como todo servidor público do âmbito federal, o perito médico do INSS possui regime especial, bem como será regulado pela Lei n° 8.112/90 (LGL\1990\46) que informa que são deveres do servidor: exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo; ser leal às instituições a que servir; observar as normas legais e regulamentares; atender com presteza; guardar sigilo sobre assunto da repartição; manter conduta compatível com a moralidade administrativa; ser assíduo e pontual ao serviço; tratar com urbanidade as pessoas, etc6. Ademais, é importante pontuar que toda a ética profissional do expert está diretamente relacionada com o respeito ao Código de Ética Médica. O Manual Técnico de Perícia Previdenciária informa, nitidamente, que são aplicados todos os deveres e os direitos constantes do Código de Ética Médica ao perito médico do Seguro Social, bem como as normas do CFM e dos CRM’s7. Cabe ressaltar ainda que, segundo Lise et al8, a atuação do perito médico não pode ser confundida com o seu papel quando no desempenho da medicina assistencial, uma vez que na medicina convencional a relação médico-paciente repousa-se na confiança entre as partes, contrariamente nas perícias médicas a relação está edificada justamente em seu oposto: na desconfiança. À luz do Código de Ética Médica, o perito médico do INSS deve agir com liberdade profissional sem sofrer quaisquer restrições ou imposições que possam, por ventura, prejudicar seu trabalho, bem como deve assumir total responsabilidade acerca do ato médico realizado. Nesse sentido, o Parecer do CFM de nº 46 de 16 de novembro de 2016 informa claramente que cabe ao médico previdenciário realizar o ato médico pericial regulamentar de maneira autônoma, sem apreciação ou manifestação sobre o ato administrativo9. Nessa mesma esteira, o Parecer do CFM de nº 9 de 200610, informaque o médico deve agir com Limbo previdenciário-trabalhista: atuação do perito em consonância com o médico do trabalho Página 2 autonomia e liberdade, bem como obedecer às normas técnicas e, portanto, não se encontra em momento algum subordinado a órgãos administrativos ou judiciais que, por ventura, utilizem de sua função para emitir decisões. Apesar disso, Lise et al11, acrescenta à discussão que, apesar da autonomia já amplamente conferida ao perito médico previdenciário, existem algumas limitações que dificultam a plena atuação do profissional como, por exemplo, “1) limitações quanto a confecção do laudo médico pericial; 2) limitação temporal; 3) falta de área exclusiva para a perícia; 4) relação de subordinação ao INSS e; 5) falta de aparelhamento institucional”. A avaliação realizada pelo perito médico não busca a profilaxia ou a cura de doenças, mas sim procura realizar o correto diagnóstico de uma doença, assim como “avaliar a repercussão do agravo sobre a capacidade laborativa dos requerentes”, de acordo com Lise et al12. Nesse sentido, vale ressaltar que, de acordo com o Parecer do CFM de nº 2 de 18 de maio de 2018 13, trata-se de ato privativo do médico a perícia médica para fins de concessão de auxílio previdenciário tendo por objeto a determinação de aptidão ou a capacidade laborativa, conforme disciplina a Lei nº 12.842/2013 (LGL\2013\6636). Como se pode observar, conforme o artigo 9º da mesma Lei, a investidura no cargo de perito médico previdenciário pode ocorrer de duas maneiras: 1) ou o perito já era ocupante de cargo ou 2) ou pode sê-lo mediante habilitação em concurso público, de provas ou de provas e títulos, ingressando como primeiro padrão de classe inicial14. A formação, a capacitação e o aperfeiçoamento do médico perito do Instituto Nacional do Seguro Social serão realizados por meio de cursos, aulas, processos de reciclagem e grupos de trabalho a serem fornecidos pela Coordenação de Formação e Aperfeiçoamento do INSS (CFAI), de acordo com INSS15. Compete ao perito médico da Previdência, segundo Brasil16, requerer exames complementares a serem realizados por terceiros contratados ou conveniados ao INSS, bem como o exercício das seguintes atividades: I - emissão de parecer conclusivo quanto à capacidade laboral para fins previdenciários; II - inspeção de ambientes de trabalho para fins previdenciários; III - caracterização de invalidez para benefícios previdenciários e assistenciais; IV - execução das demais atividades definidas em regulamento; e V - supervisão da perícia médica de que trata o § 5º do art. 60 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991 (LGL\1991\41), na forma estabelecida pelo Ministério da Previdência Social. De acordo com o artigo 6º da Resolução de nº 1.488 de 6 de março de 1998 do Conselho Federal de Medicina (CFM)17, são atribuições e deveres do perito médico das instituições previdenciárias e seguradoras, além das acima elencadas: I - avaliar a capacidade de trabalho do segurado, através do exame clínico, analisando documentos, provas e laudos referentes ao caso; II - subsidiar tecnicamente a decisão para a concessão de benefícios; III - comunicar, por escrito, o resultado do exame médico-pericial ao periciando, com a devida identificação do perito-médico (CRM, nome e matrícula); IV - orientar o periciando para tratamento quando eventualmente não o estiver fazendo e encaminhá-lo para reabilitação, quando necessária. Ainda conforme INSS18, o setor de perícia médica destina-se ao desempenho da atividade médico-pericial junto à autarquia previdenciária, bem como é a própria extensão física da Agência da Previdência Social (APS). O setor de perícia médica possui por finalidade “propiciar condições adequadas ao perfeito desenvolvimento dos trabalhos médico periciais”, inclusive, primordialmente, garantindo a segurança dos servidores locais. Já a organização de trabalho é realizada, de acordo com INSS19, por meio de atividades habitualmente executadas pelos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social previstas na Tabela de Pontuação de Procedimentos em Perícia Médica. Entretanto, a organização diária é estabelecida de acordo com os atos normativos das localidades tendo por base além da demanda também a localidade em que se encontra o setor de perícia médica regionalizada. As escalas dos peritos médicos-previdenciários devem ser programadas a partir de um mínimo de Limbo previdenciário-trabalhista: atuação do perito em consonância com o médico do trabalho Página 3 50% (cinquenta por cento) da carga semanal de trabalho dos experts para o atendimento presencial do Sistema de Administração de Benefícios por Incapacidade (SABI) e no Sistema Integrado de Benefícios (SIBE)20. O SABI trata-se de programa de informática que registra dados que compõem o laudo médico pericial. De acordo com Lise et al21 o SABI trata-se de um sistema informatizado utilizados pelos peritos médico-previdenciários do INSS que avalia antecipadamente as variáveis administrativas como, por exemplo, a qualidade de segurado, os tempos de carência, etc. A finalidade do SABI é finalidade é permitir que, ao final do lançamento desses dados durante o exame médico pericial, haja uma codificação das informações e estas sejam conduzidas para computadores centrais que processam o benefício e a geração de numerários a serem pagos aos segurados22. Nesse sentido, o Parecer do CFM de nº 3223 de 28 de abril de 2003 informa que pelo fato de a perícia médica ser um ato médico, esta não pode ter seu resultado determinado por programas de computadores, visto a autonomia do médico que deve ser baseada em normas, leis, bem como no seu julgamento pessoal. Entretanto, acrescenta que o SABI “se encontra em uso em várias partes do País, com controle prévio dos médicos peritos do órgão, que, por meio eletrônico, ao codificarem a doença, automaticamente o programa determina o período de duração do benefício”. Lise et al24 acrescenta que esses sistemas acabam por limitar amplamente a atuação do médico perito do INSS, uma vez que “limita o número de caracteres que podem ser digitados em cada campo e impossibilita a anexação de documentos, restando aos peritos digitar todos os elementos relevantes apresentados pelo requerente”, portanto, acaba por deixar o laudo carente de dados e de informações. Ademais das ressalvas a serem realizadas para o Sistema de Administração de Benefícios por Incapacidade, ainda é importante atentar-se ao fato de que todo servidor do INSS que atue na área médico pericial possui um cadastro junto ao CADMED, conforme acrescenta INSS25. Dessa forma, a revisão sistemática nesse estudo ora apresentado “pode ficar sujeita a viés em função do processo de seleção dos estudos [...]. Portanto, é importante que os critérios de inclusão e exclusão sejam definidos com base no escopo da revisão, claramente explicitados e rigorosamente seguidos durante o processo de busca”, segundo Dresch A, Lacerda D P e Antunes Júnior J A V26. Dessa maneira, em primeiro lugar, para a compreensão do tema referente à atuação do perito médico previdenciário e ao limbo previdenciário-trabalhista, buscar-se-á investigá-los por meio de pesquisa bibliográfica, com o uso de referências teóricas, como livros, artigos científicos e trabalhos de conclusão de curso. Em segundo lugar, quanto à abordagem da pesquisa, está será qualitativa, pois enfatiza-se a compreensão e a interpretação do tema, atribuindo-se significado aos dados coletado. Quanto à utilização dos resultados, a pesquisa será pura, por ter como finalidade precípua de ampliação dos conhecimentos sobre a temática. A pesquisa será desenvolvida a partir de uma abordagem de cunho qualitativo, por meio do método indutivo, tendo por base os documentos e diplomas legais pertinentes. Destarte, no tocante aos fins, a pesquisa classificar-se-á como exploratória porque busca inicialmente aprimorar ideias e, mais à frente, tornar-se-á descritiva porque descreverá a situação no momento em que se ocorre a investigação, classificando e interpretando osfatos. Portanto, sob um ponto de vista epistemológico, trata-se de uma criteriosa análise baseada no método qualitativo e dialético na qual se estudaram duas vertentes acerca da compreensão acerca da perícia médica previdenciária nos ramos administrativo e judicial afluindo no limbo previdenciário-trabalhista. 2. Incapacidade, invalidez e deficiência no laudo médico pericial De acordo com INSS27, a incapacidade laborativa trata-se da impossibilidade de se realizar atividades que eram habitualmente exercidas pelo segurado em razão de alterações morfopsicofisiológicas causadas por doenças ou acidentes. Existe, nesse sentido, vários graus de Limbo previdenciário-trabalhista: atuação do perito em consonância com o médico do trabalho Página 4 incapacidade laborativa que podem variar entre o grau, a duração e a profissão. Ademais, ainda cabe ressaltar que o perito médico previdenciário deve sempre estar atento à capacidade laborativa prévia do beneficiário em relação ao evento incapacitante ou ao agravamento, ao passo em que deve observar a idade, o sexo, a data da contratação, o tempo de trabalho, etc. do segurado. Em relação ao grau, a incapacidade laborativa pode ser classificada como total ou parcial, ou seja, poderá gerar absoluta incapacidade para o trabalho ou apenas causar limitações quando da realização de algumas atividades do cargo sem, no entanto, haver risco de morte ou agravamento da patologia28. Ainda segundo INSS29, quer em relação à duração da incapacidade, esta poderá ser temporária, situação na qual ainda há possibilidades de recuperação em prazo previsível; ou poderá ser indefinida/permanente circunstância em que, apesar de todos os esforços terapêuticos possíveis a serem aplicados ao caso, não haverá recuperação dentro de prazo previsível. Por fim, a incapacidade laborativa em relação ao desempenho profissional é dividida em três: uniprofissional, multiprofissional e omniprofissional. A uniprofissional, assim como o próprio nome sugere, é aquela que alcança apenas uma atividade; a multiprofissional é a incapacidade que abrange diversas ocupações e a omniprofissional é a que implica na impossibilidade do exercício de qualquer função laboral, ainda tomando por base INSS30. Tendo em vista os conceitos acima mencionados, a invalidez, por conseguinte, trata-se de incapacidade laborativa total, permanente e omniprofissional/multiprofissional, insuscetível de recuperação ou reabilitação em razão de acidente ou doença que poderá ser concedida ao segurado empregado, segurado empregado doméstico, contribuinte individual, trabalhador avulso, segurado especial e facultativo, de acordo com Fonseca A G31 O segurado que obtiver o benefício da aposentadoria por invalidez poderá ser sujeito à revisão bienal de sua situação, contados do início do benefício; entretanto, o INSS poderá, a qualquer momento, convocar o segurado para uma nova avaliação do perito, em conformidade com o Manual Técnico de Perícia Médica Previdenciária32. Já o conceito de pessoa com deficiência é tratado no artigo 2º da Lei nº 13.14633 de 6 de julho de 2015 como “aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas”. Dessa maneira, é essencial que haja uma criteriosa avaliação da deficiência em relação aos seus impedimentos, fatores intrínsecos e extrínsecos e limitações: “Art. 2º, § 1º. A avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar e considerará: I - os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo; II - os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais; III - a limitação no desempenho de atividades; e IV - a restrição de participação”34. Por fim, o acidente trata-se de “ocorrência de um evento casual, fortuito, inesperado, não provocado, imprevisível, de origem exógena e de natureza traumática e/ou por exposição a agentes exógenos físicos, químicos ou biológicos”35. O acidente pode ocorrer por trauma; pela exposição à agentes que acarretem lesão ou perturbação funcional que causem morte, perda ou redução da capacidade laboral ou pelo exercício do trabalho do segurado. Caberá ao perito médico do INSS, durante a realização do exame médico pericial, informar no Laudo Médico Pericial (LMP) se a doença possui nexo causal com a atividade laboral desenvolvida pelo segurado, de acordo com INSS36. Nesse caso, o LMP deverá conter e deve abranger elementos essenciais que são: “I - identificação; II - forma de filiação; III - histórico previdenciário; IV - anamnese (histórico ocupacional, queixa principal, história da doença atual, incluindo o registro de documentação médica apresentada e tratamento realizado/proposto, história patológica pregressa, história psicossocial e Limbo previdenciário-trabalhista: atuação do perito em consonância com o médico do trabalho Página 5 familiar); V - exame físico; VI - diagnóstico (CID); VII - considerações médico periciais; VIII - fixação das datas de início da doença e da incapacidade; IX - verificação da isenção de carência; X - caracterização dos Nexos Técnicos Previdenciários; e XI - conclusão médico pericial”37. De acordo com o Manual Técnico de Perícia Médica do INSS38, a identificação do segurado pode ser realizada por quaisquer documentos admitidos de acordo com o artigo 2º da Lei nº 12.037/09 (LGL\2009\2151), enquanto que a forma de filiação e o histórico previdenciário podem ser consultadas nos Sistemas disponíveis ao profissional. A anamnese do segurado, incluindo histórico ocupacional, queixa principal, história da doença atual, história patológica pregressa e história psicossocial e familiar, trata-se de competência do perito, uma vez que é a partir da reunião dessas informações que será possível fomentar subsídios fundamentais para a avaliação do segurado e investigação cuidadosa das condições fornecidas pelo empregador no meio ambiente laboral, a evolução da patologia, doenças ou comorbidades que possam ter relações com a patologia atual e situações que possam agravar a queixa39. O exame físico, segundo INSS40, deve ser realizado no segurado, utilizando-se de critérios qualitativos e quantitativos, a fim de que se possa enfatizar os elementos que possuem relações com a doença. Em seguida, o médico ainda necessita fornecer a CID da doença, ou seja, a Classificação Internacional da Doença. Além disso, o perito médico precisa fornecer considerações que julgue essenciais ao desenlace da demanda. É necessário que estejam expressas as exposições indispensáveis acerca da conclusão da perícia médica realizada, que deve ser fundamentada de maneira clara e precisa, visto que se trata de matéria médico legal que possui repercussões tanto nas esferas administrativa do INSS, quanto recursais e judiciais41. Nessa esteira, ainda resta ao profissional fixar as datas técnicas que informem o início da doença e o início da incapacidade; assim como verificar a isenção de período de carência quando em situações de tuberculose, hanseníase, alienação parental, neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante nefropatia grave, estado avançado da doença de Paget, AIDS, contaminação por radiação e hepatopatia grave, segundo a Portaria Interministerial MPAS/MS nº 2.998, de 23 de agosto de 200142. Por fim, à luz de INSS43, a conclusão do LMP pode apontar para três caminhos distintos: contrariamente à concessão do benefício (Tipo 1), data de cessação do benefício – DCB – (Tipo 2) e data de comprovação da incapacidade– DCI – (Tipo 4). A conclusão Tipo 1 verifica que há inexistência de incapacidade para o trabalho, portanto, o segurado não terá direito a qualquer benefício previdenciário. A conclusão do Tipo 2 informa que o a incapacidade laborativa cessou, que há existência de incapacidade laborativa – nessecaso, o perito médico poderá projetar uma data de recuperação da capacidade laboral – ou que a incapacidade laborativa foi cessada em razão do retorno antecipado ao trabalho44. Ainda de acordo com o Manual de Perícia Médica Previdenciária do INSS45, posteriormente a fase da perícia médica conclusiva, com fulcro em constatar-se a incapacidade laboral, será realizada perícia médica resolutiva, na qual permitir-se-á três conclusões derradeiras na qual a primeira informa que inexiste incapacidade, a segunda cientifica que é necessário haver reabilitação profissional, a terceira aduz que será devido o auxílio-acidente e, por fim, a quarta notifica que o segurado será beneficiário de aposentadoria por invalidez. Finalmente, a conclusão do Tipo 4 será observada em casos nos quais seja necessário haver a reabilitação profissional, quando o segurado encontra-se em situação insuscetível de recuperação, mas que ainda possui capacidade laboral residual; ou a aposentadoria por invalidez quando o segurado for incapaz de reabilitação, levando-se em consideração a gravidade e a irreversibilidade da doença ou da lesão, conforme INSS46. 3. O limbo previdenciário, o perito médico e o médico do trabalho Antes de se adentrar ao que vem a ser o limbo previdenciário-trabalhista e suas implicações, é importante que primeiro haja a devida compreensão acerca do que vem a ser o auxílio-doença e Limbo previdenciário-trabalhista: atuação do perito em consonância com o médico do trabalho Página 6 como ocorre a atuação do médico do trabalho por meio do exame médico de retorno ao trabalho. O auxílio-doença trata-se do benefício concedido em razão da incapacidade do segurado para a execução de seu trabalho ou para a realização de suas atividades habituais por mais de 15 (quinze) dias consecutivos, cumprido, quando for o caso, o período de carência exigido na Lei nº 8.213 de 24 de julho de 1991 (LGL\1991\41)47. Esse benefício é devido apenas enquanto perdurar-se a incapacidade laborativa. Vale ressaltar que, segundo Mendes48, se o segurado for portador da patologia ou da lesão antes da filiação ao Regime Geral da Previdência Social (RGPS) não possui direito ao benefício, entretanto, caso haja incapacidade pré-existente e esta seja agravada, o segurado faz jus ao benefício. Ainda conforme Mendes, o auxílio-doença pode ser de duas espécies, a saber: auxílio doença acidentário (B-91) e auxílio-doença ordinário (B31). O primeiro ocorre “quando decorrente de acidente de trabalho e equiparados, doença profissional e do trabalho”, já o segundo é devido em situações decorrentes “de doença comum, ou seja, em relac#a#o aos casos de origem na#o-ocupacional”49. O pagamento dos 15 (quinze) primeiros dias fica a cargo do empregador, enquanto que, segundo o artigo 60 da Lei 8.213, de 24 de julho de 1991 (LGL\1991\41), “o auxílio-doença será devido ao segurado empregado a contar do décimo sexto dia do afastamento da atividade, e, no caso dos demais segurados, a contar da data do início da incapacidade e enquanto ele permanecer incapaz”50 , dessa maneira, o INSS é responsável pelo pagamento do benefício somente após 16 (dezesseis) dias de afastamento. De acordo com a Lei nº 13.457 de 26 de junho de 2017 (LGL\2017\5300), que atualizou a Lei nº 8.213/91 (LGL\1991\41) “sempre que possível, o ato de concessão ou de reativação de auxílio-doença, judicial ou administrativo, deverá fixar o prazo estimado para a duração do benefício” 51. Entretanto, caso não haja prazo fixado, o benefício cessa após o prazo de cento e vinte dias, contado da data de concessão ou de reativação do auxílio-doença, à exceção de o segurado requerer a prorrogação diante da autarquia da Previdência Social. O segurado deve ser encaminhado ao exame pericial médico no INSS a partir do 16º dia de afastamento, para que se possa verificar a incapacidade e estabelecer-se prazo necessário para a completa recuperação do segurado. Este período é comumente conhecido como alta programada no qual não é necessária nova perícia, de acordo com artigo 1º do Decreto nº 5.844/06 (LGL\2006\1535) 52. Em situações nas quais o trabalhador permanecer ausente por período igual ou superior a 30 (trinta) dias, deve ser realizado o exame médico de retorno ao trabalho exatamente no primeiro dia da volta ao meio ambiente laboral, de acordo com Szabó Júnior A M ao citar a NR 7, item 7.4.3.353. Vale salientar que os 30 (trinta) dias de afastamento podem ser decorrentes de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais ou não, bem como no caso das colaboradoras da empresa em razão de parto. De acordo com Mendes54, limbo previdenciário-trabalhista trata-se da situação na qual o trabalhador segurado da Previde#ncia, recebe alta do INSS – deixa de perceber, portanto, o benefício do auxílio-doença – e, ao regressar ao labor, quando submetido ao exame de retorno ao trabalho, não se encontra apto para o exercício de suas funções: “Nos casos em que o segurado e# submetido ao médico do trabalho e este concorda com diagnóstico do perito, ha# a ratificação da recuperação da capacidade para o trabalho, efetivando-se o seu retorno. Todavia, se o médico do trabalho, não concorda com o diagnóstico da alta previdenciária constatando a permanência da incapacidade laborativa, estamos no impasse de qual ação devera# ser tomada pela empresa, para que não prejudique seu empregado e nem mesmo venha a prejudicar a si mesma”55. Nessa situação, o médico do trabalho que realiza o exame médico de retorno ao trabalho pode estabelecer duas conjunturas distintas: a) concordar com a alta previdenciária e declarar claramente que o empregado está apto para retornar ao trabalho; ou b) não concordar com a alta previdenciária e declarar que o empregado está inapto para o trabalho56. Esse fato é muito comum em situações onde ocorre a alta programada, ou seja, quando perito Limbo previdenciário-trabalhista: atuação do perito em consonância com o médico do trabalho Página 7 médico do Seguro Social projeta e fixa determinado prazo de recuperação para a incapacidade do segurado. Nesse caso, ainda é possível que seja solicitada prorrogação do benefício por meio da remarcação de nova perícia via protocolo administrativo57. Ainda em conformidade com Mendes58, a situação inicial deságua no fim do período de suspensão do contrato de trabalho e o empregado retorna ao labor normalmente, enquanto que a segunda situação culmina em um grande impasse no que diz respeito a qual a atitude mais segura a ser tomada pelo patrão no tocante ao trabalhador sem que a atual condição do mesmo venha a ser agravada ainda mais. O limbo previdenciário é, portanto, uma ocasião extremamente nociva para o trabalhador, uma vez que acarreta elevados prejuízos – financeiros e morais – na qual ele encontra-se em conflito direto com a decisão de dois profissionais igualmente especializados e qualificados: o médico do trabalho da empresa e o perito médico do Instituto Nacional do Seguro Social. Essa situação não é daninha apenas ao trabalhador, apesar de que este é a parte hipossuficiente da relação; entretanto, tanto o empregador quanto o próprio INSS encontram-se em uma circunstância de extrema insegurança jurídica na qual a decisão a ser tomada, no presente, poderá gerar, posteriormente, reflexos negativos que podem não possuir amparo legal e judicial quando questionados ou, ainda pior, podem gerar indenizações excessivamente onerosas para qualquer parte. Apesar de o perito médico do INSS ser servidor público federal, sujeito a tal regime jurídico como informado no primeiro capítulo, nenhum diagnóstico pode ser hierarquicamente superior ao outro, ou seja, o diagnóstico do perito do INSS não se sobrepõe à expertise do médico do trabalho da empresa. Entretanto, o Parecer do CFM de nº 54 de 13 de novembro de 2015 sugere que em relação às divergências existentes entre as conclusões dos peritos previdenciários e dos médicos do trabalho, este deve seguir o melhor para a saúde do trabalhador e o princípio do primum non nocere, ao passo que informa que não hásustentação legal para o médico do trabalho confrontar decisões oriundas do órgão previdenciário59. Isso significa dizer que compete ao médico do trabalho da empresa, nesses casos, tão somente realizar o exame de retorno ao trabalho, emitir o Atestado de Saúde Ocupacional (ASO) e, por fim, caso verificar quaisquer disfunções de órgãos ou de sistemas biológicos, encaminhar o trabalhador à Previdência Social e realizar demais atribuições competentes ao cargo. Ainda nesse mesmo sentido, o Parecer do CFM de nº 2 de 10 de janeiro de 2013 clareia à tônica que compete ao perito médico do Seguro Social avaliar se há incapacidade laboral do segurado junto ao órgão previdenciário, enquanto que cabe ao médico do trabalho “avaliar a capacidade laboral e os encaminhamentos devidos [...] bem como providenciar e acompanhar a readaptação profissional do trabalhador em nova função, junto a seu empregador”60. Por conseguinte, o Código de Ética Médica (CEM) acrescenta que o profissional não pode, em hipótese alguma ter sua autonomia restringida, ou seja, o médico do trabalho ou qualquer outro profissional médico não deve ter sua liberdade profissional cerceada, “nem permitir quaisquer restrições ou imposições que possam prejudicar a eficiência e a correção de seu trabalho”61. Em razão do impasse estabelecido, alguns posicionamentos são observados costumeiramente a fim de que o trabalhador seja o menos prejudicado. Em julgado recente, o Tribunal Superior do Trabalho da 4ª Região (TRT4) conclui que a empresa deve reincorporar o trabalhador que recebe alta do INSS e, portanto, voltar a pagar salários ou encerrar o vínculo e arcar com os custos da demissão, conforme decisão recente do ano passado em Recurso de Revista RR 26907220155120048: “RECURSO DE REVISTA. APELO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI N.º 13.015/2014 E DO NOVO (LEI N.º 13.105/2015). IMPASSE ENTRE A PERÍCIA DO INSS E A AVALIAÇÃO MÉDICA DA EMPRESA. LIMBO JURÍDICO PREVIDENCIÁRIO. EMPREGADO QUE PERMANECE POR UM PERÍODO SEM RECEBER SALÁRIOS. RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR. O caso dos autos diz respeito à situação em que se configura um impasse entre a avaliação perpetrada pelo perito do INSS, que considera o trabalhador apto ao trabalho, e o perito médico do trabalho, que entende que o empregado não tem condições de voltar a trabalhar. Trata-se de situação que é Limbo previdenciário-trabalhista: atuação do perito em consonância com o médico do trabalho Página 8 denominada pela doutrina de "limbo-jurídico-previdenciário", que se caracteriza por ser um período no qual o empregado deixa de receber o benefício previdenciário, e também não volta a receber os seus salários. A esse respeito, o entendimento predominante no âmbito desta Corte é no sentido de que a responsabilidade pelo pagamento dos salários é do empregador. Precedentes. Recurso de Revista conhecido e não provido”62. Nesse sentido, ao que parece, é indevidamente transferida ao empregador a responsabilidade de pagar os salários do trabalhador de maneira aleatória tão somente em face da existência de diagnósticos contraditórios, sem haver a possibilidade fática de prestação de serviços por parte do empregado63. Ainda em conformidade com Mendes64, o empregador ao ser compelido a decidir se segue o LPM emitido pelo INSS e ignora o exame médico de retorno ao trabalho que informa acerca da incapacidade ainda presente, assume o risco de agravamento da doença ou da lesão colocando em risco saúde do trabalhador ainda mais – sendo este um problema de ordem pública relacionada à saúde laboral. A contrario sensu, caso em que o empregador refuta o LMP, este opta por deixar de pagar o trabalhador ou demiti-lo; nesse caso, do mesmo modo, a situação apresenta danos incomensuráveis. Ademais da insegurança jurídica em razão da discordância de diagnósticos do perito previdenciário e do médico do trabalho já previamente relatada, também existem os possíveis danos reais para todas as partes da tríade empregado-empregado-INSS. Mendes65, acrescenta à discussão que cabe ao empregador o cumprimento do quanto estabelecido, após constatar a situação do trabalhador. Nessa esteira, pode-se observar claramente que a jurisprudência brasileira busca sanar um sintoma, mas não a doença. Em outras palavras, os magistrados estão buscando apontar os responsáveis, mas não observam que o problema é deveras mais profundo e sua solução dependerá de um trabalho maior, em cooperação. É essencial haver um canal de comunicação direto entre os profissionais médicos a fim de que sejam evitados maiores prejuízos financeiros e morais, bem como sejam inibidas demandas judiciais desnecessárias no entorno desse tema. Atualmente, o Direito adotou novos posicionamentos no qual deve-se buscar sanar conflitos iminentes através do diálogo e da compreensão entre as partes. Nesse sentido, corrobora com esse entendimento o próprio Parecer do CFM de nº 54/15 assevera que é prudente por parte do médico do trabalho procurar o perito médico do Seguro Social com a finalidade de alinhar e considerar contextos e argumentos, bem como “estabelecer uma discussão técnica ponderada entre médicos”66. Neves ao citar Lemieux et al67 sugere que, ao passo em que houver uma maior abertura e compartilhamento de informações entre os profissionais de saúde, os recursos humanos e os supervisores; menores serão as influências das percepções antecipadas do retorno ao trabalho do obreiro. Nesse sentido, alguns estudos realizados em programas de intervenção sobre o retorno ao trabalho de casos de trabalhadores acometidos por enfermidades mentais, por exemplo, apontaram, sobretudo, para a questão acerca da “valorização do treinamento dado ao médico do trabalho na condução do retorno ao trabalho, enfatizando a centralidade desse profissional no retorno ao trabalho em detrimento das abordagens multidisciplinares”68. Normalmente o médico do trabalho pode ser uma ligação entre o empregado e o empregador; entretanto, a falta de comunicação entre profissionais médicos – médico do trabalho, clínico e do seguro social – demonstram a precariedade e ineficácia do processo de retorno ao trabalho. Dessa maneira, ao que parece claro, o Instituto Nacional do Seguro Social deve repensar seus métodos de trabalho, bem como buscar a criação de uma ponte que possibilite ao perito médico previdenciário a possibilidade de discutir seu Laudo Médico Pericial (LMP) em face do diagnóstico e do exame de retorno ao trabalho apresentado pelo outro profissional antes mesmo de se criar situações administrativas ou judiciais desnecessárias que podem acarretem graves prejuízos. 4. Conclusão Limbo previdenciário-trabalhista: atuação do perito em consonância com o médico do trabalho Página 9 O perito médico previdenciário deve ter garantida a sua atuação com liberdade profissional e autonomia. Apesar disso, ainda é importante cercar-se de matérias acerca de seu desempenho técnico como também de suas responsabilidades. Nessa esteira, o limbo previdenciário-trabalhista ainda é um assunto que demanda bastante debate e, por isso, constitui-se tema no qual profissionais médicos devem discutir amplamente. Dessa maneira, quando houver divergências entre diagnósticos que ensejem em um limbo, um diagnóstico não deve ser sobrelevado em razão de outro por motivos de hierarquia, mas sim levando-se em consideração a competência e a expertise do profissional na situação concreta. Ademais, não se deve tratar esse impasse como uma disputa de egos, mas sim levando-se em consideração a possibilidade de debates e de fomento ao estudo da matéria por parte tanto da instituição previdenciária como para outros profissionais. Sobrevém, nesse sentido, a jurisprudência trabalhista que busca apenas uma figura que seja travestido como responsável acerca da reincorporação ou pagamento dos valores devidos ao empregado quando, na realidade, deve-se buscar solucionar a situação do limbo previdenciário-trabalhista, uma vez que, como já mencionado acima, há hierarquias funcionais, de fato, entretanto, não existe um diagnósticoque se sobrepuja ao outro. Dessa maneira, parece necessário e interessante haver o equilíbrio, ou seja, solucionar o embate por meio da criação de um canal de comunicação e compartilhamento de informações direto entre profissionais – perito médico do INSS e médico do trabalho – para que se possa evitar amargar prejuízos desnecessários e injustos no que tange a situação do limbo previdenciário-trabalhista. Referências Brasil. Constituição (1988). Constituição da Republica Federativa do Brasil. Brasília, 1988. [Acesso em: 24 de maio de 2019]. Disponível em: . ____ . Decreto 5.844, de 13 de julho de 2016. Acresce parágrafos ao art. 78 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 6 de maio de 1999 (LGL\1999\148). [Acesso em 06 de março de 2020]. Disponível em . ____ . Lei nº 3.268, de 30 de setembro de 1957 (LGL\1957\21). Dispõe sobre os Conselhos de Medicina e dá outras providências. Brasília, 1957. [Acesso em: 19 de abril de 2019]. Disponível em: . ____ . 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