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Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco Bloqueio Neuroaxiais Bloqueio neuroaxial é um nome chique que se dá para Raquianestesia e Anestesia Peridural. São as anestesias de bloqueio que a gente utiliza no esqueleto axial, por isso que é chamado de Bloqueio Neuroaxial, anestesia no neuro eixo. Em suma: É uma anestesia que se faz em torno da medula espinhal. Fisiopatologia da Dor Fisiopatologia da dor – Temos o Mecanismo de Sensibilização Primária. Então, a partir de um estímulo doloroso, um estímulo nocivo, onde temos uma lesão tecidual, há uma produção de uma “sopa inflamatória”. São liberadas várias substâncias que vão agir sobre o terminal nervoso que é o axônio (terminação nervosa livre), ele quem transmite o impulso da dor. A dor é transmitida sob a forma de um potencial de ação. Liberação de Bradicinina K+ (liberado quando a célula perde a integridade) Prostaglandina Toda vez que houver lesão da membrana → há liberação de fosfolipídios (sofrem ação da fosfolipase A2). Quem inibe a Fosfolipase A2? Os corticosteroides eles inibem a fosfolipase A2. Por isso, eles tem ação anti-inflamatória. A partir da ação da Fosfolipase A2, há liberação de Ácido Araquidônico, e o Ácido araquidônico sob ação da cicloxigenase forma as prostaglandinas, e a prostaglandina diminui o limiar excitabilidade dessas fibras nervosas aferentes, axônio de nocicepção. O AINES (anti-inflamatório) age sobre a enzima cicloxigenase, impedindo a liberação de prostaglandina. O fato é que o potencial de ação ele corre nos axônios cujo corpo está no corno dorsal da medula, e quando chega no corno dorsal da medula ele se liga ao neurônio de segunda ordem, a partir daí 3 coisas acontecem: 1. O estímulo doloroso se liga ao neurônio simpático, da fibra nervosa simpática, libera noradrenalina. Questão de prova → Questão de prova → (Questão discursiva) Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco 2. O estímulo doloroso se liga no neurônio motor. Quando coloca a mão em uma chapa quente, primeiro reflexo é motor, de retirada, antes mesmo do estímulo chegar no encéfalo. 3. Quando a fibra nervosa entra na medula ela cruza, sobe e desce, e ela passa pela linha mediana, cruza linha mediana e sobe pelo trato espinotalamico ântero-lateral e ântero- medial. A fibra A é uma fibra rápida de discriminação da dor. Entra pelo corno posterior, chega até o tálamo, no núcleo vetrobasal e vai emitir projeções para o córtex, por isso se sabe qual tipo de dor que é se é aguda, em aperto, em pontada, onde que dói, isso faz parte do trato neoespinotalamico. O Trato paleoespinotalâmico já é formado pelas fibras C que são fibras mais lentas, e elas chegam até o mesencéfalo, zona periductal, e chegam em alguns núcleos do tálamo, porém ela se difunde, emite projeções difusas. A fibra C tem mais a ver com componente afetivo, emocional da dor, com relação ao sofrimento que o estimulo nociceptivo causa. Porque estou falando isso tudo? Nessa figura mostra em Azul o SNC (encéfalo / Tronco cerebral / medula) e no Sistema Nervoso Periférico em Amarelo, são as fibras nervosas. Como é fazer uma anestesia no neuroeixo? Nada além do que colocar um AL na imediação da medula espinhal. Não vou injetar dentro da medula, vou injetar ao redor da medula espinhal, no esqueleto axial. Bloqueio o estimulo exatamente na medula, mas eu não furo a medula, coloco o AL em torno da medula espinhal, no espaço peridural ou no espaço subaracnóideo (espaço intratecal) = Bloqueio do neuro-eixo As vias aferentes: Do encéfalo podem chegar fibras das periferias, dos nervos periféricos, como pode sair do encéfalo em direção à periferia. Então, o que chega no cérebro é estímulo AFERENTE: Sensibilidade térmica Sensibilidade Dolorosa Sensibilidade Tátil Propriocepção (é a sensação de localização do corpo, do membro dentro do espaço). Quando eu faço um AL, eu bloqueio o potencial de ação exatamente na região da Medula espinhal, mais especificamente na raiz nervosa. O LOCAL DE AÇÃO DO AL NO NEUROEIXO É RAIZ ESPINHAL. Fibras EFERENTES: Somente duas coisas saem do cérebro em direção a periferia que é: Fibra Motora Fibra do Sistema nervoso autônomo o É autônomo, porque eu não tenho controle sobre isso. Quando vou fazer AL na medula estou bloqueando tanto fibras aferentes quanto fibras eferentes. Temos: Analgesia Diminuição da sensibilidade dolorosa Diminuição da sensibilidade tátil Diminuição da sensibilidade Térmica Diminuição da propriocepção Bloqueio Motor, que pode acontecer em vários níveis (só na perna, no abdome). Bloqueio do Sistema nervoso autônomo, que vai ser responsável pelas alterações fisiológicas. Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco Porque bloqueio neuroaxial? Além da extrema facilidade e simplicidade que é depositar um pouco de AL no neuroeixo, existem algumas vantagens, que no passado eram tidas como verdade, e hoje em dia são questionadas. Já devem ter estudado aquela RESPOSTA ENDÓCRINA METABÓLICA AO TRAUMA. Essa resposta depende do que o estimulo chegue até vias altas do SNC e ai ocorre uma descarga adrenérgica, liberação de glucagon, liberação de aldosterona, adrenalina. Tem catabolismo proteico, retenção de água, eletrólitos, etc. Então essa resposta endócrino metabólica ao trauma é uma resposta inflamatória generalizada no corpo e que é reduzida/abolida quando se faz anestesia peridural ou raquianestesia porque interrompe o estímulo doloroso. Essa vantagem TEORICAMENTE pode diminuir auma anestesia geral aplicada em um mesmo tipo de procedimento em comparação com raquianestesia, não tem aumento de morbimortalidade. Mas em alguns tipos de procedimento, a peridural, a raquianestesia, tem um desfecho melhor, não é em todo procedimento e não é em todo paciente. Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco Ex: Se eu pegar um paciente pneumopata grave, e deixar de intuba-lo, vai ser legal, mas se eu fizer um bloqueio e o bloqueio subir muito, ele vai ter dificuldade ventilatória, uma coisa compensa a outra. Se por um lado você deixou de intubar por outro você pode ter uma dificuldade ventilatória caso esse bloqueio fique muito alto. “Histórico - Vou passar rápido” Tudo começou com o uso da cocaína, que foi o primeiro anestésico local (éster). Hoje em dia não é usado mais, apenas para uso recreativo (droga ilícita). Raqueanestesia, primeiro que surgiu, apresenta uma complicação que vai cair na PROVA que é a cefaleia pós raqui. Peridural surgiu muito tempo depois. Paraplegia pós-raqui – Relacionado com conservante neurotóxico que existia no anestésico, e os pacientes evoluíram com paraplegia, houve então uma desaceleração na raquianestesia. HEMATOMA ESPINAIS Preocupação maior hoje em dia é em relação ao uso de anticoagulante + bloqueio de neuroeixo que pode causar HEMATOMA ESPINAIS. Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco Quando abordamos a coluna, vamos abordar dois espaços, vamos abordar a coluna vertebral do paciente, mas não vamos encostar na medula. Todas as vertebras possuem corpo, 2 lâminas e pedículo. (com exceção as 2 primeiras) O pedículo que liga o corpo as laminas, as laminas quando se encontram formam o processo espinhoso, e o pedículo + lamina = processo transverso As vertebras empilhadas vão formar o canal medular e a medula vai estar ali dentro. Existem alguns ligamentos (de fora para dentro) que vão fazer a sustentação das vertebras, apesar delas estarem articuladas, elas precisam de sustentação que é dada pelos ligamentos. São eles: Ligamento Supraespinhoso Ligamento Interespinhoso Ligamento Longitudinal posterior Ligamento Amarelo Vamos furar a meninge, fazer um tipo de bloqueio. São essas 3 meninges que estão protegendo a medula espinhal. A DURA-MÁTER é a mais externa delas, ela é formada por uma camada de elastina e de colágeno, não tem célula (n vou perguntar isso na prova – só pra saber) A ARACOIDE está colada na duramater, ela é formada por tecido conjuntivo e algumas células meningo epiteliais. A PIAMATER é uma camada fina, fenestrada, que recobre o tecido nervoso. “Quanto que é produzido de líquor durante o dia?” 150ml a cada 8h, em torno de 450-500ml/dia Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco Essa é a vascularização da medula → Então, toda vez que está fazendo anestesia no neuroeixo É POSSIVEL atingir algum vaso, porque existe vascularização em torno da medula espinhal. Basicamente, existem 3 veias anteriores e 3 veias posteriores, longitudinais, e existem duas artérias que nutrem a parte posterior da medula que é a ARTERIA ESPINHAL POSTERIOR QUE É RAMO DA CEREBELAR INFERIOR. E anterior, tem a artéria espinhal anterior. A ARTÉRIA ESPINHAL ANTERIOR É ÚNICA E ELA NUTRE OS 2/3 ANTERIORES DA MEDULA. A parte anterior da medula é MOTORA, parte posterior é SENSITIVA. PROVA - Existem vários ramos da aorta que são ramos radiculares que vão se ligar na artéria espinhal anterior, e existe uma artéria que ela nasce entre T7 ate L1 que é a ARTÉRIA RADICULAR MAGNA, OU ARTERIA DE ADAMKIEWCZ (maior artéria / mais grossa). Muitas vezes em alguns procedimentos, por exemplo: colocação de prótese de aorta, acaba obstruindo essa artéria e ocorre isquemia da parte anterior da medula. QUESTÃO DE PROVA: SÍNDROME DE ADAMKIEWCZ ou SÍNDROME DA ARTERIA ESPINHAL ANTERIOR. Obviamente o que vai acontecer? Se temos uma isquemia da parte ANTERIOR da medula, vai cursar com alteração motora com alguma preservação sensitiva. Raquianestesia A raquianestesia é também chamada de anestesia intratecal ou bloqueio subaracnoide. Vamos depositar anestésico local passando pelo Ligamento Supraespinhoso → Ligamento interespinhoso → Ligamento longitudinal posterior → Ligamento Amarelo → passa pelo espaço peridural, e ai vai furar a duramater. Quando furamos a duramater, furamos também a aracnoide e cai dentro do liquor, e é nesse local que vamos injetar o anestésico local, dentro liquor. O paciente pode estar sentado ou de lado, pode estar acordado ou sedado. Indicações As indicações da raquianestesia serve para vários procedimentos. Cirúrgico ou por exemplo: Paciente está com muita dor, claudicando a perna, e ele precisa fazer uma arteriografia, esse paciente não consegue ficar com a esticada, faz-se então uma raqueanestesia por exemplo para fazer a arteriografia. Um procedimento diagnostico. Só que a raquianestesia é feita com mais frequência em cirurgias. Ex: Cirurgia de MMII Amputação de perna Cirurgia de joelho Cirurgia do tornozelo Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco Cirurgia no abdome inferior, pode ser utilizada na região perineal Cirurgia vascular Cesariana Histerectomia NÃO SERVE PARA CIRUGIAS DE ANDAR SUPERIOR DO ABDOME. “Do mamilo para baixo está valendo” Outra coisa que pode utilizar além do anestésico local para dar uma qualidade melhor e um efeito analgésico posterior é o uso de OPIOIDE de longa duração, lipofílico, fentanil ou sulfentanil, drogas alfa- agonistas e outras menos usadas. A anestesia subaracnoide vai colocar o paciente na posição sentada, ou de lado, o paciente pode estar acordado em caso de cesariana, ou estar dormindo, pode sedar o paciente. Nível das vértebras. A linha que passa pela espinha ilíaca posterior superior é a Linha de Tuffier, está acima de L3 – L4 que é o que interessa para a gente. A medula termina em L1 – L2, na maioria das pessoas. 30% termina acima de L1, e alguns pacientes em torno de 10% pode vir até L2. Quando a paciente esta nesta posição tem-se um desvio rostral cefálico da medula, em que ela vai subir, e o médico pode tranquilamente utilizar a raquianestesia ABAIXO de L2 L2 – L3 L3 – L4 L4 – L5 L5 – S1 Nessa região nem tem mais medula, vou utilizar raquianestesia onde acabou a medula. Quando acaba a medula tem a cauda equina, a raiz é frouxa, livre, se a agulha tocar na raiz ela se move e não há lesão do tecido nervoso. Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco PELE -> SUBCUTÂNEO -> SUBESPINHOSO -> INTERESPINHOSO -> LIGAMENTO AMARELO -> PELE DURAL (ESPAÇO VIRTUAL) -> FUROU A DURAMATER (dificilmente vou furar a dura-máter e não vou furar a aracnoide – fura as duas por estarem coladas) -> DENTRO DO ESPAÇO INTRATECAL (SUBARACNOIDE) Vídeo PROVA! Sobre a dose do anestésico: “Foi administrado no paciente 2ml de Bupvacaína à 0,5% - Quantos miligramas de anestésico local essa paciente recebeu?” Entendendo o cálculo: 0,5% de bup equivale a 0,5g de bup por 100ml de solução. Logo: 0,5g ----- 100ml Queremos saber em 2ml de solução, quantos miligramas tem de BUP. Para isso deve-se transformar 0,5 GRAMAS em 0,5 MILIGRAMAS, deve-se multiplicar 0,5 x 1000 ( g -> mg X 1000 / mg -> g / (divide) 1000) Logo: 0,5g x 1000 = 500mg Temos: 500mg de bup em 100ml de solução, quantos miligramas de bup tem 2ml de solução? REGRA DE 3 500mg ----- 100ml X ---------- 2 ml 2 x 500 = 100x (mg) 1000/100 = xmg Xmg = 10mg A PACIENTE RECEBEU 10MG de bupvacaina para anestesia local raquimedular. DOSE BAIXA DE AL que é suficiente para fazer um bloqueio extenso. Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco Vamos usar uma agulha comum. Temos AGULHAS chamadasem PONTA DE LÁPIS. Essa agulha não corta a duramater ela só divulsiona as fibras de elastina e de colágeno, ELA NÃO CORTA, esse é um benefício para não ficar com FURO na DURA MATER, esse furo é que é uma das CAUSAS de CEFALEIA PÓS RAQUI. PROVA! Agulha em ponta de lápis. USADA NA RAQUIANESTESIA POR NÃO FURAR A DURAMATER EVITANDO UMA COMPLICAÇÃO COMUM DESSA ANESTESIA QUE É A CEFALÉIA PÓS – RAQUI Existe uma sequência de instalação do bloqueio e de recuperação. As fibras possuem calibres diferentes, então quanto menor a fibra, menos calibrosa, elas são mais FÁCEIS de serem bloqueadas, quanto mais MIELINIZADAS mais fácil de ser bloqueada. Existe uma sequência: 1. Fibra B - autonômica pré-ganglionar 2. Fibra C - sensibilidade térmica 3. Fibra A delta - sensibilidade dolorosa 4. Fibra A beta - sensibilidade tátil 5. Fibra A alfa – motora Comum na cesariana, em que a paciente relata tudo que está sentindo. “Sente passar a sonda, esponja, até ficar com bloqueio motor.” Notem que a fibra motora é a ULTIMA A SER BLOQUEADA, e a recuperação é o inverso, ela é a PRIMEIRA A SE RECUPERAR. Quando a paciente termina a cirurgia e vai para a recuperação anestésica, a paciente sente a perna, então sabe-se que o bloqueio está regredindo. Como que regride? O anestésico local é captado de volta para a circulação (absorvido) e é metabolizado. Tira o anestésico do neuroeixo, do espaço subaracnoide. (o mesmo para peridural) Monitorização do nível da anestesia Como que vai monitorar se o bloqueio está bom ou não? 1. Saber se o nível da anestesia ficou adequado à cirurgia. 2. Tem bloqueio motor ou não. Mapa de projeção na pele dos nervos vertebrais Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco Em azul: Inervação da pele correspondente as raízes cervicais Em amarelo: Inervação da pele correspondente as raízes Torácicas Em rosa: Inervação da pele correspondente as raízes Lombar Em verde: Inervação da pele correspondente as raízes Sacral Fatores que influenciam a altura do bloqueio Exemplo: Se eu vou fazer uma anestesia para hemorroida, o local que deve estar anestesiado é a raiz sacral baixa. Se eu quero fazer uma anestesia para um ligamento de joelho (L4 – L5). Se eu quero fazer anestesia para hérnia inguinal, tem que anestesiar até o umbigo (T10) Os mamilos estão na altura de T4. Rebordo costal está na altura de T6. Quando eu acabar de fazer a minha anestesia tenho que passar um gelado no paciente (sensibilidade térmica é uma das primeiras que são bloqueadas pelo AL), para saber em que nível está a anestesia que eu fiz, porque o nível é incerto, não é matemático. Posso manusear esse nível, eu não quero fazer um nível muito alto, se a cirurgia for a nível sacral, porque existem implicações decorrentes do nível. Quanto maior o bloqueio maior são as implicações fisiológicas. O que influencia se o bloqueio vai subir, se vai ficar e L3 – L4? Basicamente: A BARICIDADE DA DROGA O PESO DA DROGA E A DOSE QUE EU VOU FAZER! Se eu faço uma dose muito grande é claro que a dispersão pelo nervo vai ser maior, se eu faço uma dose menor, a dispersão vai ser menor. Baricidade é a relação entre a densidade da solução no liquor. Densidade (peso) = massa / volume (D=m/v) Se eu tenho uma solução que é: Mais pesada que o LCR → É hiperbárica Mesma densidade do LCR → É isobárica Mais leve que o LCR → É hipobárica o Não existe esse conceito de hipobárica. Só se tiver colocado água destilada na solução. Nível do bloqueio Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco HIPERBARICA Solução mais pesada que o liquor, ela é hiperbárica. A pessoa que fez a solução hiperbárica colocou um pouco de glicose misturado com o AL → Isso deixa a solução com a massa muito maior, ficando pesada. Quando eu injeto em L3 – L4, o anestésico local se dispersa em relação a gravidade nos pontos mais baixos. Chega até T4 (altura dos mamilos) que é o ponto mais baixo quando se está deitado e vai para a região sacral. Toda vez que aplicar um AL hiperbárico o nivel vai chegar em T4, que é no mamilo. Quando eu vou fazer essa anestesia? Cesariana Histerectomia Cirurgia pélvica Intra-abdominal ISOBÁRICA Solução com mesmo peso/desidade que o liquor, ela é isobárica → Só posso injetar na região lombar. Quando eu uso uma anestesia isobárica, a densidade no AL é igual a do liquor, então a dispersão também não é tão grande, vai ficar +/- no nível de onde foi injetado. Então se eu injetei a nivel de L3 – L4, vai chegar ate T10 – T11 e região sacral. Vamos atingir níveis mais baixos quando uso anestésico isobárico. Se eu fizer uma massa muito grande, a dispersão pode ser maior, mesmo sendo isobárico. Então: PROVA! Massa = quantidade de anestésico Baricidade o Hiperbárica o Isobárica SÃO AS 2 COISAS MAIS IMPORTANTES! Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco Fator do paciente Tem paciente que a anestesia sobe mais do que outras, a dispersão é maior. Quais são esses pacientes? Idade avançada Gravidez Normalmente isso está relacionado a coluna do liquor. Quem tem uma coluna de liquor menor, a mesma massa vai se dispersar mais, se o paciente tem uma coluna de liquor muito grande, mesmo uma massa maior, vai se dispersar menos. Coluna de liquor menor → AL vai dispersar MAIS Coluna de liquor maior → AL vai dispersar MENOS Essas coisas são as mais importantes que se pode ter na dispersão do AL, e vai afetar o bloqueio para mais ou para menos. Fatores da droga PESO da solução (se tem glicose ou não) e a massa da dose total Fatores do paciente Volume do liquor → idade avançada, normalmente o paciente tem menos liquor (idoso), e a dispersão do AL vai ser MAIOR. O mesmo ocorre na gravidez em que a barriga comprime a medula, então aquele aumento abdominal se transmite para a coluna de liquor, então a dispersão de AL pelo liquor vai ser MAIOR (devido a pressão intra- abdominal). TEM COMO SABER QUEM TEM COLUNA DE LIQUOR MAIOR? NÃO! Não tem relação com dado antropométrico (mais alto, baixo), peso, altura. Mas o que se sabe é que idade avançada paciente tem menos coluna de liquor, logo devemos usar MENOS MASSA, porque se não o bloqueio vai se dispersar (idade avançada → AL dispersa MAIS). Na grávida vamos usar MENOS AL, por que a dispersão pode ser muito grande também. Notem que a cesariana, histerectomia, preciso estar com AL a nivel de T4, T6 porque a inervação do útero também é torácica. Cirurgias ACIMA de L1 → Usar Solução Hiperbárica Cirurgias ABAIXO de L1 → Usar solução Isobárica Exemplos: Herniorafia – é perigoso fazer AL com solução Isobárica, porque pode ficar baixa, preciso se um nivel de até +/- T10 / T8 → Tem que ser hiperbárico Cirurgia ginecológica, vai tracionar o peritônio, preciso de um nivel alto, quase em T4, exemplo a cesariana. Parto vaginal preciso um AL hiperbárico – T8 Orquiectomia → Hiperbárico, porque a invervação do testículo é torácica. o A bolsa escrotal tem inervação sacral, mas o testículo NÃO! Cirurgia perineal é a nível sacral, não preciso fazer solução hiperbárica, mas posso fazer, desde que eu mantenha o paciente na posição SENTADA. Faço a hiperbárica e deixo o paciente sentado durante alguns minutos (7 min), o AL vai escorrer todo para região sacral baixa → Procedimento chamado de RAQUI EM SELA. DE MODO GERAL : Se for fazer uma AL em um nível mais baixo: Paciente, 100 anos -> Qual anestésico usar? o ISOBARICO Paciente grávida -> Qual anestésico usar? o Apesar do nível ser em T4, tem que reduzir a massa. Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco Uma cirurgia perineal podemos usar uma solução hiperbárica em posição sentada ouisobárica. (não vai cair na prova) Quando se faz a anestesia deve também analisar o bloqueio motor, se está completo ou não. Quando fazemos a anestesia, devemos avaliar o bloqueio motor para saber se ele está completo ou não → Esse bloqueio motor vai de 0-3: ESCALA DE BROMAGE (JÁ FALAMOS SOBRE) 0: é quando o paciente está mexendo o membro normalmente → Indicativo de que o o bloqueio falhou. Anestesia Peridural A anestesia peridural é a mesma coisa da raquianestesia, no entanto vamos utilizar um outro espaço que é ANTES do espaço subaracnóidea, não vou furar a dura-máter. Espaço peridural tem gordura, plexo de batson. No espaço subaracnóidea tem bloqueio motor e sensitivo. Na anestesia peridural, vou bloquear a raiz so que ela está envolvida em um manguito. Quando a raiz sai pelo forame vertebral, está envolvido em um manguito de dura-máter, uma membrana grossa. É obvio que esse invólucro causa uma maior resistência para que aconteça o bloqueio peridural, por isso tenho que usar uma MASSA MUITO MAIOR em comparação a raquianestesia. Vamos anestesiar as raízes espinhais que é envolvida pela dura-máter, na raquianestesia eu vou bloquear depois da dura. Se eu optar por fazer a anestesia peridural tenho que lembrar que vou ter que usar uma massa muito maior. Indicações Anestesia Analgesia pós operatória Um aspecto interessante da anestesia peridural é que eu posso usar como uma ANALGESIA PÓS OPERATÓRIA. Vou identificar o espaço peridural através da técnica de perda de resistência. Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco A agulha que utiliza é uma agulha diferente que não é cortante, tem a ponta romba. Agulha Tuohy são mais comumente usadas Como que eu sei que estou no espaço peridural? A agulha vai ficar dura, porque vou passar pelo ligamento, e a agulha perde a resistência, isso chama-se: perda de resistência ou Dogliotti A medida que eu chego no espaço peridural, posso fazer 2 coisas: Injeto anestésico Passo um cateter (cateter de PVC). o Com esse cateter no espaço peridural, posso fazer a anestesia no outro dia, no pós – operatório. PELE -> SUBCUTÂNEO -> LIGAMENTO SUPRAESPINHOSO -> LIGAMENTO INTERESPINHOSO - > LIGAMENTO AMARELO -> ESPAÇO PERIDURAL Quando passo do ligamento amarelo e caio no espaço peridural, o ar entra do espaço peridural de maneira que não há nenhuma resistência. A partir daí, podemos passar um cateter, e muito próximo a região peridural está a dura-máter, tem que tomar cuidado com a dura-máter. Se furar a dura-máter, eu atinjo a medula, e isso é um risco para o paciente. Diferente da raquianestesia: furamos a dura-máter, mas estamos na região da cauda equina → Não gera grandes repercussões. Quando vamos fazer uma mamoplastia redutora, vamos entrar com a agulha em T4 – T5, vamos injetar o anestésico, cada ML vai bloquear 1 – 2 metameros para cima e para baixo. Exemplo: Injeto 10ml em T4. Vou bloquear para cima: T3 – T2 – T1 – C8 e para baixo: T6 – T7- T8 Um bloqueio segmentar. Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco Nessa anestesia o anestésico não vai se difundir pelo liquor, ele vai se espalhar pelo espaço peridural. É de acordo com o volume e massa de anestésico que vai bloquear mais ou menos raízes, e vai depender do local onde vai fazer a peridural. Porque escolher peridural? Exemplo: Mamoplastia, pode ser feito raquianestesia? Não. Pois o nivel mais alto que chego com anestésico no paciente em decúbito dorsal é T4. O anestésico para em T4. Outro exemplo: Nas gravidas, o espaço peridural é muito ingurgitado, os vasos tem um calibre grande por conta da progesterona e no espaço peridural a pressão está muito elevado. Por isso na cesariana, a chance de pegar um vaso, é muito alto. Vale lembrar que na anestesia peridural temos que usar uma quantidade de massa elevada, porque a raiz está com invólucro de dura-máter. Se eu fizer uma peridural na gravida, vou ter que fazer uma massa maior e tem risco de fazer INTOXICAÇÃO POR AL. Tanto por ABSORÇÃO MACIÇA, quanto por INJEÇÃO INADVERTIDA DENTRO DO VASO. São as 2 coisas que causam intoxicação por AL. Absorção maciça Injeção intravascular Se eu quero fazer uma cirurgia muito cruenta, no outro dia eu preciso fazer uma analgesia em um paciente que vai acordar com muita dor, tenho que fazer uma anestesia peridural. Se eu for fazer uma cirurgia de varizes em um paciente que não tem doença nenhuma, posso usar uma raquianestesia ou peridural. Faço uma peridural lombar, vai bloquear a perna do paciente do mesmo jeito que vai bloquear com a raquianestesia. O que influencia o bloqueio anestésico? A Dose – quanto maior o volume, mais eu vou dispersar o anestésico no espaço peridural Massa Idade avançada – devido os forames intervertebrais estão calcificados. Nos pacientes jovens, quando faço peridural, parte dos anestésicos saem pelo forame, sai de dentro do espaço peridural por esse forame, e no idoso isso não acontece, o anestésico fica retido no espaço peridural. Tenho então que reduzir a massa/volume Gravidez – O espaço peridural está ingurgitado com aumento de pressão. O aumento da pressão intra-abdominal se transfere para o espaço peridural, isso também facilita a dispersão no espaço peridural Nivel da injeção – Onde vai ser a anestesia? Lembrando que a peridural pode ser feita em regiões: Torácica, lombar, caudal. o Caudal: Hiato sacral é a falha de junção das lâminas. A lâmina se junta e faz o processo espinhoso. Em S5 ou em S4 tem essa falha que é hiato sacral o Se entrar com agulha nessa falha, vai furar um rebatimento do ligamento amarelo, e vai entrar dentro do espaço peridural só na região sacral. o A ANESTESIA CAUDAL É UMA ANESTESIA PERIDURAL SACRAL o Fura a membrana sacroccocígea. o Muito usado em pacientes com dor crônica. Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco VAMOS AO QUE INTERESSA Vimos que é muito fácil colocar AL no neuroeixo, e quando fazemos isso, a primeira fibra que bloqueamos é a FIBRA B (fibra ganglionar), do sistema nervoso simpático. É uma fibra fina, ela é facilmente bloqueada. O sistema nervoso simpático (SNA simpático – Toraco- lombar / SNA parassimpático – Cranio-caudal) vai de T1 até L2. Quando eu injeto, por exemplo na cesariana eu preciso de um nível T4 sensitivo, o nivel de bloqueio simpático costuma ser a 4 niveis acima, porque é uma fibra muito fácil de ser bloqueada. Então quando eu faço uma anestesia para cesariana, eu bloqueio todo o sistema nervoso simpático (que vai de T1 – L2). O sistema nervoso simpático é adrenérgico, faz taquicardia e hipertensão, mantem o tônus vascular. Se eu bloqueio esse sistema, tenho uma vasodilatação, e a maior parte do sangue do nosso corpo encontra-se nas veias (75%) então tenho um represamento de sangue do sistema nervoso, diminuo o retorno venoso, diminuo a pré – carga, diminuo o volume sistólico, diminuo também a RVP (vasodilatação da árvore arterial). Se diminuo o volume sistólico e a RVP, a pressão arterial vai cair. SEMPRE ISSO VAI ACONTECER. Se eu faço um bloqueio muito alto também, sei que as fibras que saem de T1 – T4 elas vão manter o tônus do coração (tônus beta adrenérgico), então também temos uma diminuição da FC adicional quando os bloqueios são mais altos. HIPOTENSÃO BRADCARDIA Isso ocorre em todo mundo! Notem que no idoso eu não quero que esses bloqueios subam tanto, porque eles são mais susceptíveis a fazer hipotensão e bradicardia, mais difícil de tratar. Se o paciente tem alguma doença cardiovascular, se ele já toma algum anti-hipertensivo, ele fica mais susceptível a fazer esse tipo de manifestação no sistema cardiovascular. O idoso comhemorroida a melhor opção para anestesia é fazer raquianestesia e deixar o paciente sentado, evitando que o AL suba, atinja as fibras simpáticas (T1-L2) e faça hipotensão nesse paciente. Paciente sentado (7min) só vai bloquear sacral baixa, paciente deita, e não faz nenhuma hipotensão. Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco Como vai tratar a hipotensão do paciente? Coloca ele em Céfalo – declive (Trendelemburg) Tenho melhora do retorno venoso, mas se eu tiver uma anestesia hiperbárica o nivel de anestésico vai subir mais ainda, o anestésico vai descer em relação a gravidade. Se a anestesia for com solução isobárica pode-se fazer a posição cefalo declive, se for hiperbárica tem que ter cuidado para o nivel não aumentar mais ainda e o paciente evoluir com hipotensão. Aumento da infusão de líquidos? o (Preload: líquido antes da anestesia e coload: líquido imediatamente depois da anestesia). o Não existe nenhuma relação da melhora da PA se utilizar infusão vigorosa de líquido. Vamos utilizar DROGA VASOPRESSORA com efeito alfa e efeito beta → drogas cardio- ativas o Etilefrina, efedrina, fenilefrina, noradrenalina o Obs: fenilefrina possui apenas efeito alfa. Se o paciente estiver com uma Bradicardia Isolada. A pressão está normal, mas tem uma bradicardia isolada → Posso usar? o Atropina – é anticolinérgico. Se eu tenho um bloqueio do sistema simpático e parassimpático, uso a atropina por ela corrigir a bradicardia fazendo taquicardia. Usada quando tem BRADICARDIA ISOLADA SEM HIPOTENSÃO – ATROPINA!!! PROVA Pressão está boa, mas está com 40 FC. o Tratar quando FCcerebral por causa da pressão arterial caindo — um reflexo muito antigo, como se tentasse fazer uma pressão negativa do cérebro para tentar melhorar a perfusão). O monitor desse paciente marca em 30 e esse paciente já está sob efeito de um vasopressor com efeito alfa e beta, sendo necessário fazer uma atropina posteriormente (mas poderia ser usado tudo junto) para um melhor controle. E na hora que esse paciente bocejou, ele quase morreu mesmo que o médico estivesse do lado. Em caso de hipotensão e bradicardia faz-se vasopressor com efeito alfa e beta, sendo uma droga cardioativa com efeito alfa e beta. Em caso de parada cardíaca e bloqueio de neuro-eixo, é muito incerto de dizer o que está acontecendo. Mas por vezes acontece, não sendo incomum. Na cesariana, há um adicional de efeito cardiovascular. Se for uma peridural, se for injetado dentro do vaso terá uma absorção maciça e pode-se intoxicar o paciente com parada cardíaca, inclusive. É uma complicação cardiovascular. Em uma complicação respiratóri (raro), mas pode acontecer apneia por conta de hipotensão grave. Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco A náusea e vômito provavelmente ocorrerá pelo aumento da peristalse (apesar de haver várias teorias a respeito desse tópico). Dor lombar acontece em 30% dos casos. Mas a anestesia geral em 30% dos pacientes também pode gerar dor lombar, pois o paciente fica relaxado, a cama é dura e essa região lombar se retifica, sendo muito comum em jovem terminar a cirurgia com muita dor. Essa incidência é igual (professor pediu para anotar com mais ênfase do que eu gostaria). A retenção urinária ocorre pelo bloqueio do sistema nervoso parassimpático e além disso, o uso de morfina no neuro-eixo pode causar essa retenção urinária (só que mais tardia, sendo dependente da dose). A raquianestesia total ocorre ao tentar ser feito uma peridural inadvertidamente, e a dura-máter foi furada sem que o anestesiologista percebesse, injetando toda a massa de anestésico local dentro do espaço subaracnóideo, bloqueando tudo (C3, C5, paciente perde ponte). o A evolução é essa. Paciente faz hipotensão → começa a parar de mexer com o braço → não consegue respirar direito → não consegue deglutir → coma → para de respirar. Com isso, deve-se colocar a máscara laríngea ou intubar, sendo necessário esperar o efeito do anestésico passar. Essa é a história natural da raquianestesia total. o Se for perfurada a dura-máter, mas nada for injetado, não haverá problema. O problema em relação as parestesias e paresias é divulsionar a medula (furá-la, entrando e divulsionando-a). Mesmo acima de L1, onde há medula, mesmo que só se bata nela e vier líquor, tira-se a agulha e não há problema algum o que não pode é injetar anestésico local. Por exemplo, está sendo realizado uma peridural na lombar e não foi percebido que está dentro do líquor e a anestesia foi injetada (muito normal de acontecer com cateter, médicos tendem a não testar onde esse cateter está) no espaço subaracnóideo. Logo, esse paciente começa a ter problemas para deglutir, problemas para respirar e entram em coma. Como foi feito um hipnótico nesse paciente, passa-se uma máscara laríngea ou entuba e espera o anestésico ser metabolizado. Nos primórdios, era realizado uma raquianestesia ao ser injetado uma massa muito grande de anestésico local. Era uma anestesia geral a partir do uso de anestésico local dentro do neuro-eixo. Outra complicação é a CEFALEIA PÓS- RAQUIANESTESIA, pois é um furo feito na dura-máter. Quando esse furo é feito, o líquor vaza para o espaço peridural, inundando-o de líquor (líquor esse que não deveria existir nesse espaço), esse líquor saindo do cérebro faz um desvio caudal (para baixo) e isso traciona as meninges, causando cefaleia quando o paciente está em posição ortostática ou sentado (se estiver deitado, o cérebro “volta para o lugar” e ao levantar, o cérebro é tracionado para baixo). Dor occipital, dor frontal, pode haver diplopia, zumbido no ouvido, tontura, vômitos, náuseas se for muito grave. É mais comum ao estar fazendo uma peridural e a dura-máter é furada, nisso fica um buraco enorme que vaza líquor direto, mas pode ocorrer em raquianestesia também. O tratamento definitivo para isso (porque não se pode manter o paciente deitado o tempo todo) é voltar com uma agulha de peridural, fazer um Dogliotti, identificar o espaço peridural e jogar 20ml de sangue, bloqueando o furo ao aumentar a pressão do espaço peridural e impedindo que o líquor saia. É chamado de tampão sanguíneo ou Blood Patch. Quem tem mais chance de ter cefaleia pós- raquianestesia são gestantes, mulheres jovens. Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco Fazer muitos furos, agulha muito grossa. Se estiver sendo feito uma peridural e furar a dura-máter, a chance é de quase 90% que o paciente jovem desenvolva uma cefaleia pós-raquianestesia. Em grávidas é entorno de 1-3%. Se for usado uma agulha em ponta de lápis, ela não conseguirá cortar as fibras da dura-máter, somente divulsioná-la, teoricamente, a cicatrização será mais rápida. O tratamento clínico é dar anti-inflamatório, analgésico, cafeína, manter o paciente deitado, dar sumatriptano e engabela o paciente até que ele cure (demora entorno de 1 semana). A gravida é a que menos pode tomar substâncias, se atentando ao que será passado pelo leite materno. Lembrar que deambulação precoce não tem relação com a manifestação de cefaleia pós-raquidural (não há incidência). As complicações neurológicas são anestesia, paraplegia, são extremamente raras, quando elas acontecem são mais comuns de acontecerem com peridural. Síndrome neurológica transitória normalmente está associada com o uso de lidocaína que é neuro-tóxica (dor na perna, na nádega, dificuldade de deambular) e tende a melhorar em 24 horas. Hematoma peridural está associado com o uso de anticoagulante. Hematoma espinhal, termina o efeito da anestesia após 4 horas e mesmo assim o paciente continua com bloqueio motor, dor lombar, com parestesia, sendo necessário ficar de olho nesse paciente. A mortalidade é altíssima. Abcesso peridural acontece em pacientes que são diabéticos graves, imunodepressivos, que possuem uma contaminação grave, apresentando os mesmos sintomas que o hematoma, mas são mais lentos, como uma dor lombar que não melhora, febre, pode ter algum sintoma de parestesia. Meningismo é uma irritação espinhal rara. Meningite também. Contaminação bacteriana Aracnoidite adesiva está associada ao uso de detergente nas agulhas, não se usa mais. Síndrome da cauda-equina também é uma degeneração de quadro gravíssimo. Incontinência urinária/fecal não acontece mais. Síndrome de Adamkiewicz terá no neuro-eixo de coagulação, sempre se atentar que é contraindicado/proibido fazer anestesia no neuro-eixo se o paciente tiver coagulopatia ou se estiver utilizando algum anticoagulante (oral, heparina, varfarina, rivaroxabana, edoxabana), sendo necessário suspender antes. Bloqueios Neuroaxiais – P2 – Marco AS CONTRAINDICAÇÕES DOS BLOQUEIOS SÃO ABSOLUTAS - PROVA, como as coagulopatias, hipovolemia grave (porque bloquear o sistema nervoso simpático desse paciente pode culminar em parada cardíaca), paciente que não colabora e paciente que não quer em bloqueio de neuro-eixo, paciente com aumento da pressão intracraniana (herniação) e infecção do sítio de punção (levar germe para dentro do neuro-eixo). Contraindicação relativa é quando o paciente tem doença neurológica prévia. Por exemplo, pacientes com hernia de disco (radiculite), neuropatia periférica, alguma mielopatia, esclerose múltipla, a literaturadiz que o uso de anestésico local não interfere com a evolução dessas doenças (principalmente as que possuem um cunho crônico). No entanto há o caráter médico-legal e esse paciente tem um déficit motor (um detalhe grave) ou um déficit sensorial (neuropatia periférica com dor) então por questão médico-legal deve-se evitar utilizar peridural e raquianestesia pelo paciente já ter uma doença neurológica prévia (mas pode ser necessário ser feito em alguns pacientes). Paradoxalmente, já foi realizado muitas peridurais para tratar de hernia de disco, utilizando anestésico local com corticoide peridural (hoje em dia não se faz mais). Na esclerose múltipla, o paciente vai perdendo a parte motora toda até o dia em que para de respirar deve- se ficar com prótese respiratória. Se fizer uma anestesia geral nesse paciente, pode-se ter mais complicações ventilatórias (já o intubando de antemão pela fraqueza muscular) ou fazer uma raquianestesia que não interfere no diafragma. Lesão estenótica das valvas cardíacas. Por exemplo, paciente com estenose aórtica, ao fazer uma raquianestesia, a pré-carga será diminuída. Na estenose aórtica, o débito cardíaco é fixo, não é possível melhorar o débito cardíaco desse paciente, então quando a lesão é estenótica, principalmente ao se tratar da estenose aórtica (principalmente) ou a mitral, existe uma preocupação teórica de não ser possível fazer bloqueio (pelo menos, não um bloqueio com uma extensão muito grande ou um bloqueio simpático muito intenso). Deformidade grave da coluna também é relativa. Sepsemia também é relativo. Na sepse é bom lembrar que o paciente está com uma doença infecciosa a ser investigada e uma das opções que há é fazer uma punção lombar. Por exemplo, uma criança com febre inexplicável, uma das propedêuticas é realizar a punção lombar e por isso, obviamente, a sepse é uma contraindicação relativa (ter o discernimento que em uma meningite, não se deve fazer uma punção lombar e injetar anestésico local).