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AULA 2 A TEORIA DO NOVO INCONSCIENTE Prof.ª Eliane Cristina da Silva A luno: S abrina de A lm eida K ufner C aetano E m ail: sabrinakufner96@ gm ail.com 2 INTRODUÇÃO Nesta aula, retomaremos o constructo conceitual de consciência e inconsciência, tomando como base as pesquisas das ciências cognitivas, como ela veio se delineando, quais os pressupostos teóricos e metodológicos, e impactos na compreensão do comportamento humano. Aqui, se coloca em cena, com um papel fundamental, o cérebro humano como substrato orgânico a ser visualizado e melhor compreendido para se somar às hipóteses do conceito de inconsciência. Nessa construção, são feitas algumas metáforas e alusões ao funcionamento de máquinas, especialmente computadores, a fim de ilustrar as conclusões a respeito dos mecanismos cerebrais e do processamento da consciência e da inconsciência. TEMA 1 – A MENTE INCONSCIENTE O olho que vê não é um mero órgão físico, mas uma forma de percepção condicionada pela tradição na qual seu possuidor foi criado. Ruth Benedict As ciências cognitivas entendem como “mente inconsciente” a ideia de que existe um mecanismo de processamento de informações que ocorre sem que o indivíduo tenha consciência de seu funcionamento, acessando somente seu produto final. Por consciência dos mecanismos envolvidos, entende-se o acesso direto e intencional ao que ocorre em nossa mente, como se fosse possível ter um controle sobre isso. Por exemplo, se um indivíduo for questionado neste exato momento a respeito do que está fazendo, ele poderá acessar, direta e deliberadamente, seus pensamentos relacionados à tarefa que está executando, e relatar que está “lendo um texto”. Caso ele também seja questionado sobre o conteúdo do texto, possivelmente acessará sua memória de trabalho, também chamada de working memory (WM), para discorrer sobre o que está compreendendo e armazenando. Informações relativas a tema, palavras e suas impressões e interpretações iniciais a respeito do livro provavelmente virão à tona com relativa facilidade. A luno: S abrina de A lm eida K ufner C aetano E m ail: sabrinakufner96@ gm ail.com 3 Crédito: Logvinyuk Yuliia / Shutterstock. Nesse contexto, o indivíduo acessa uma parcela das suas tarefas, a leitura e alguns conteúdos, porém há uma outra parcela de que não tem ideia, consciência, de como ocorre. Por exemplo, quais os mecanismos cerebrais envolvidos na captação, pelos sentidos da visão e audição, dos símbolos e sons, e a maneira como o conteúdo é exatamente compreendido e associado a outros já preexistentes, reinterpretado ou armazenado como algo inteiramente novo. Este é um pequeno exemplo de como a consciência se relaciona ao que os pesquisadores chamam de WM (working memory) (Callegaro, 2011) Bem, foi com base nesse pressuposto, de processamentos acessíveis e inacessíveis em nossa mente, que diversas pesquisas científicas buscaram entender como esses mecanismos acontecem, com base no substrato biológico identificado como o locus principal, nosso cérebro. TEMA 2 – ESTRUTURA CEREBRAL Quanto de informação o cérebro humano recebe em um segundo? E o quanto disso uma pessoa consegue processar conscientemente? Essa foi A resposta que Mlodinow trouxe (2013, p. 26): “o sistema sensorial do homem envia ao cérebro cerca de 11 milhões de bits de informação por segundo”. É evidente que um indivíduo não consegue ter consciência dessa enxurrada de informações, pois pesquisadores estimam que conseguimos acessar de 16 a 50 bits de informações por segundo. Ou seja, a esmagadora parte dessas informações ocorrerá no nível inconsciente; alguns estudiosos afirmam que temos consciência de somente 5% do processamento cognitivo. (Mlodinow, 2013) Para entender esses mecanismos, é necessário retomar a estrutura cerebral e suas subdivisões, conforme segue. A luno: S abrina de A lm eida K ufner C aetano E m ail: sabrinakufner96@ gm ail.com 4 Figura 1 – Regiões Cerebrais Fonte: Mlodinow, 2013. O cérebro é dividido em dois hemisférios, esquerdo e direito, que são subdivididos em 4 regiões, chamadas de lobos, conforme demonstrado na figura. De acordo com Mlodinow (2013, p. 26): os lobos são recobertos por uma camada exterior convoluta, mais ou menos da espessura de um guardanapo, chamado neocórtex. Nos seres humanos, o neocórtex forma a maior parte do cérebro. Ele consiste em seis camadas, cinco das quais contêm células nervosas e as projeções que ligam as camadas umas às outras. Há também conexões de entrada e saída entre o neocórtex e outras partes do cérebro e do sistema nervoso. [...] Diferentes partes do neocórtex desempenham diferentes funções. Com o avanço da ciência no processamento de imagens cerebrais, pesquisadores chegaram à conclusão de que cada lobo, e também o neocórtex, é responsável por uma série de funções, por vezes independentes e por outras interdependentes entre si. Pode-se entender, por exemplo, como são processadas as informações visuais, quais as estruturas do lobo occipital estão envolvidas, a divisão existente entre o que cada olho “enxerga”, inclusive o que cada um não “enxerga”, mas é complementado pela percepção e experiências anteriores, e como essas informações se coadunam para formar imagens e impressões do meio. O mesmo raciocínio se aplica a qualquer outro processamento, como o auditivo, o sensorial, entre outros. Isto é, de tudo o que um indivíduo recebe e processo do meio, apenas de uma pequena parte ele tem plena consciência. Até porque, se tivéssemos que deliberadamente “comandar” cada um dos processos envolvidos em nosso cotidiano, nosso cérebro correria o risco de “travamento”, tal como ocorre com computadores que são sobrecarregados de informações. Lobo frontal Lobo parietal Lobo occipital Lobo temporal A luno: S abrina de A lm eida K ufner C aetano E m ail: sabrinakufner96@ gm ail.com 5 Certamente não daríamos conta de realizar inúmeras tarefas, se ao mesmo tempo tivéssemos de decidir minuciosamente sobre cada uma delas. (Mlodinow, 2013). Dessa forma, conforme sinaliza Callegaro (p. 32, 2011) “toda a nossa percepção consciente é baseada em um processamento sensorial que opera inconscientemente”, isto é, sem nosso monitoramento deliberado. Estudiosos da ciência cognitiva afirmam que o processamento de informações ocorre de duas maneiras: o seriado, ou seja, uma operação de cada vez; e o paralelo, com várias etapas acontecendo ao mesmo tempo. Alguns pesquisadores associam o processo em série ao modo consciente e o processo paralelo ao inconsciente. (Callegaro, 2011) TEMA 3 – MEMÓRIA DE TRABALHO Como exemplo desse processamento, tem-se a memória de trabalho, ou WM (working memory), segundo Callegaro (2011). Antigamente, em 1970, essa memória era denominada “de curto prazo”, porém atualmente acredita-se que ela, além de manter informações recém-recebidas do meio, também trabalha com uma porção que foi armazenada, desempenhando uma função ativa. Há controvérsias a respeito da aproximação conceitual entre memória de trabalho e consciência, sendo que alguns pesquisadores as diferenciam, conforme sinaliza Le Doux, 1998, p. 254, citado por Callegaro, 2011, p. 35): aquilo que conhecemos sobre um momento presente é basicamente o que está em nossa memória de trabalho. A memória de trabalho permite- nos saber que o aqui e agora está aqui e está acontecendo agora. Essa percepção fundamenta a ideia, adotada por um grande número de cientistas cognitivos contemporâneos, de que a consciência é a percepção daquilo que se encontra na memória de trabalho. Apesar da íntima relação entre WM e consciência, Callegaro (2011, p. 37) alerta que seria precipitado igualar ambas, pois acredita-se que parte do processamento da WV ocorratambém em nível inconsciente. Dessa forma, o autor afirma: “torna -se possível compreender como podemos estar conscientes do resultado da computação inconsciente sem ter a mais vaga ideia da computação em si”. Exemplificando com tarefas cotidianas, é possível dirigir um carro sem pensar exatamente em todos os movimentos corporais envolvidos, nos músculos que pressionam, ou aliviam a pressão dos pedais, além dos movimentos oculares para visualizar a pista, o próprio carro, os demais veículos e pedestres, e dos A luno: S abrina de A lm eida K ufner C aetano E m ail: sabrinakufner96@ gm ail.com 6 inúmeros estímulos sonoros e visuais. Indo além, é possível aprender o comportamento de dirigir, tornando-o inconsciente, e, ao mesmo tempo que se dirige, ouvir uma música, trocar de estação de rádio, cantarolar e até dançar, conversar com o co-piloto, entre tantas outras atividades que envolvem diversos mecanismos inconscientes. Assim, fica claro que a memória de trabalho em pleno funcionamento, ao ativar aprendizagens já armazenadas, atua de modo inconsciente, com uma forma paralela de processamento, isto é, com informações distintas ocorrendo no mesmo plano. Analogamente ao funcionamento do computador, é como estar com várias pastas de trabalho abertas, e trabalhar simultaneamente e sem interferência direta do usuário da máquina. Crédito: Triff / Shutterstock. Callegaro considera em seus estudos dois modelos conceituais de memória de trabalho, os de Baddeley (1974) e Cohen et al. (1999). A despeito de suas diferenças, ambos têm o modelo de WM “bastante similares quanto à funcionalidade da memória de trabalho, que é vista como envolvendo ativa manutenção e rápida aprendizagem de material a serviço do controle cognitivo e de processos cognitivos relativamente complexos”. (Callegaro, p. 38, 2011) Além da memória de trabalho, que é um conceito fundamental para entender parte do processamento consciente e inconsciente, tem-se também a ideia de insight inconsciente. Antes disso, porém, é necessário relembrar o significado da palavra de origem inglesa, insight, que diz respeito a um entendimento, ou ideia, que vem à tona, como que de súbito. É o famoso “ter um estalo”. Também é um termo muito utilizado em psicologia e em processos psicoterapêuticos, quando o indivíduo “se dá conta” de uma situação que ainda não havia percebido por outra perspectiva; isso pode ocorrer pela escuta de si mesmo, no processo psicoterapêutico, ou por intervenção do terapeuta, que desencadeia, ou evoca, uma rede de significados. A luno: S abrina de A lm eida K ufner C aetano E m ail: sabrinakufner96@ gm ail.com 7 Assim, tem-se as contribuições de Sternberg e Davidson (1995, citados por Callegaro, 2011, p. 40): A experiência de insight está frequentemente associada a uma percepção súbita (um sentimento descrito como “ahá”) de que chegamos a uma melhor formulação da estrutura subjacente de um problema e caminhamos para sua solução, ou que atingimos maior entendimento das relações causais envolvidas e das regras que governam o fenômeno Assim, o insight inconsciente ocorre devido ao que se entende por identificação de padrões e aprendizagem inconsciente. Isto é, à medida que se verificam determinadas regras que se repetem a cada x tempo, esse intervalo, e a percepção de causa e consequência, provocam o “estalo”, e o entendimento, ou solução subjacente, passa a operar. Porém, no caso do insight inconsciente, isso passa a operar sem que o indivíduo tenha acesso deliberado, ou seja, consciência. (Callegaro, 2011) Em outras palavras, a memória de trabalho permite entender que há uma série de operações ocorrendo ao mesmo tempo, enquanto nós, conscientemente, nos ocupamos de algo. Graças a essas operações, conscientes e inconscientes, conseguimos dar conta de uma gama de tarefas, estabelecer semelhanças, diferenças, e reconhecer padrões entre elas, usar esses dados para gerar novos, ou mesmo aprendizagens, e relacionar informações de modo a ter insight, implícito ou explícito. TEMA 4 – NÍVEIS DE REGULAÇÃO DA VIDA Diante de tantas informações que são recebidas e processadas pelo cérebro, como será que ele “sabe” o que é prioridade e o que é necessário para manter e regular a vida? Ou, indo além, o que seria regular a vida? Seguindo a analogia feita por Callegaro, vamos imaginar um exército que necessita de um comando para agir. É como se os comandados, nossas estruturas cerebrais, tivessem um comandante que orienta a respeito do que deve ser prioridade, o que deve ser mantido ou feito, como se observa abaixo pelo neuropsicólogo Antonio Damásio (1999, p. 79, citado por Callegaro, 2011, p. 42): o cérebro também tem “níveis de regulação da vida”, como afirma Damásio [...], o nível mais básico inclui os padrões de reação de regulação metabólica, reflexos, estados de prazer e dor, impulsos e motivações. Acima desse nível elementar estão as emoções como padrões de reação mais complexos, seguidos do nível de regulação dos sentimentos, que são representações em imagens das emoções, atravessando a fronteira da consciência em direção ao nível mais alto – a razão superior, responsável pela formulação de planos complexos, A luno: S abrina de A lm eida K ufner C aetano E m ail: sabrinakufner96@ gm ail.com 8 flexíveis e específicos em imagens conscientes, que podem ser executadas como comportamento. Assim, o nível elementar de regulação da vida seria considerado o que assegura que nosso organismo biológico estará em amplo funcionamento, como o funcionamento do metabolismo e dos reflexos. Importante frisar que esse “comando” também se processa no nível inconsciente, pois conforme apontamos acima, se o indivíduo tivesse consciência de todas as suas necessidades, e tivesse que deliberar sobre elas a todo o tempo, muito provável que o cérebro fosse inundado de informações e “travasse”. A percepção e o comportamento da dor e do prazer também estariam neste nível. Crédito: Pretty Vectors / Shutterstock. Num degrau acima, estaria o controle das emoções e a expressão complexa de sentimentos. As emoções, vale lembrar, são respostas do organismo biológico que foram aprendidas ao longo da história evolutiva da humanidade diante das circunstancias do meio, como mecanismos de defesa. Pesquisadores, como o próprio Damásio, dissertaram sobre as emoções básicas ou primária: raiva, alegria, tristeza, nojo e medo. TEMA 5 – HOMEOSTASE E ALOSTASE A regulação dos níveis de vida segue o que se entende por homeostase, que seria a busca do equilíbrio entre o sistema orgânico e o ambiente no qual se encontra. Nessa busca, encontra-se a regulação dos níveis de temperatura diante do meio, os níveis de oxigenação, exposição à luminosidade, entre outros mecanismos fisiológicos. (Callegaro, 2011) Há várias estruturas cerebrais envolvidas nesse processo: No tronco cerebral e no tálamo, operam, de forma inconsciente, mecanismos reguladores que coordenam o funcionamento do coração, dos pulmões, dos rins, do sistema endócrino e do sistema imunológico. Tais mecanismos foram chamados de homeostáticos, visto que A luno: S abrina de A lm eida K ufner C aetano E m ail: sabrinakufner96@ gm ail.com 9 aparentemente mantinham constantes certos parâmetros. (Callegaro, 2011, p. 44) Contudo, mais recentemente cientistas têm preferido a utilização do termo alostase, por considerarem-no mais fiel ao que se pretende expressar quando se referem ao equilíbrio dinâmico que o organismo desenvolve junto ao meio. Alos vem de uma raiz latina que significa variável, isto é, seria um equilíbrio variável em razão da variação do meio no qual o organismo se encontra. (Callegaro, 2011) Para exemplificar, imagine a atividade de alimentação diária e metabolização dos nutrientes. A cada vez que um indivíduo se alimenta, recebe essesestímulos e necessita digerir, decompor e distribuir os nutrientes necessários a cada sistema fisiológico. Deve também discriminar o que será aproveitado e o que não será aproveitado pelo organismo, isto é, o que deverá ser expulso e como isso acontecerá. Essa atividade alimentar acontece inúmeras vezes durante o dia, e varia conforme o tamanho da fome do indivíduo, bem como de acordo com os alimentos ingeridos, o horário das refeições, e outras atividades que concorrem no mesmo momento. Por exemplo, se uma pessoa estiver trabalhando em frente a um computador e se alimentando, essa atividade acontecerá concomitantemente aos processos descritos, sem que haja interferência direta do indivíduo. Dependendo de como isso vai se processar, a atividade digestiva pode sofrer influência positiva ou negativa das atividades concorrentes, havendo maior facilidade ou dificuldade para acontecer. Esses mecanismos, que ocorrem ao mesmo tempo, permitem ao indivíduo o que se convencionou chamar de multitarefas; destaca-se que o cérebro sempre funcionou assim. Essa capacidade de multitarefas é explicada pelo fenômeno conhecido como “piloto automático”, capacidade que todos apresentamos em algum nível, com alguma atividade. O chamado piloto automático nada mais é que o atalho que o organismo vai criando para desempenhar atividades sem que precisem ser o tempo todo “pensadas” e “escolhidas” deliberadamente. É comum, por exemplo, que algumas pessoas que dirigem já tenham feito um trajeto de carro diariamente sem se darem conta do que viram pelo caminho, pelo fato de que essa atividade já estava armazenada, tendo sido processada automaticamente pelo organismo. (Callegaro, 2011). A luno: S abrina de A lm eida K ufner C aetano E m ail: sabrinakufner96@ gm ail.com 10 Crédito: jesadaphorn / Shutterstock. CONCLUINDO Dentro das ciências cognitivas, reconhece-se a inconsciência como um fenômeno de processamento de informações, ou estímulos do ambiente externo, que ocorre em nível cerebral concomitantemente ao que já está “armazenado” no sujeito, bem como suas impressões. Analogamente ao funcionamento de um computador, é como se tivéssemos várias estações de trabalho atuando ao mesmo tempo, algumas inter-relacionadas entre si, outras de forma independente. Algumas delas acessamos vez ou outra; muitas outras atividades ocorrem de maneira autônoma. Esse processamento ocorre em diversos níveis e de diferentes formas, sem que nos demos conta de todo o trabalho sendo feito. Dentro disso, há o que se chama de níveis de regulação da vida, que vão desde a necessidade de sobrevivência, com nossas demandas elementares, até a percepção e a expressão de sentimentos e emoções. Esses diferentes níveis de regulação de vida nos ajudam a entender por que somos capazes de desempenhar inúmeras tarefas ao mesmo tempo. A luno: S abrina de A lm eida K ufner C aetano E m ail: sabrinakufner96@ gm ail.com 11 REFERÊNCIAS CALLEGARO, M. M. O novo inconsciente: como a terapia cognitiva e as neurociências revolucionaram o modelo do processamento mental. Porto Alegre: Artmed, 2011. HASSIN, R. R.; ULEMAN, J. S.; BARGH J. A. The New Unconscious. Oxford: Oxford University Press, 2005. MLODINOW, L. Subliminar: como o inconsciente influencia nossas vidas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2013. A luno: S abrina de A lm eida K ufner C aetano E m ail: sabrinakufner96@ gm ail.com