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DOENÇAS BENIGNAS DA MAMA P R O F . A L E X A N D R E M E L I T T O Estratégia MED Prof. Alexandre Melitto | Doenças Benignas da Mama 2GINECOLOGIA Olá, Estrategista! Doenças Benignas da Mama é um dos temas frequentes da ginecologia em provas de todo o Brasil e alguns tópicos são os preferidos das bancas, como os Fluxos Papilares, as mastites e a mastalgia. Esse resumo traz muitas dicas do que você realmente precisa saber sobre esse tema para se dar bem nas provas. Mas, se quiser se aprofundar, confira nosso livro digital completo. Vamos lá! PROF. ALEXANDRE MELITTO APRESENTAÇÃO @prof.alexandremelitto @estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed @estrategiamed https://www.instagram.com/prof.alexandremelitto/ https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://t.me/estrategiamed https://t.me/estrategiamed https://www.tiktok.com/@estrategiamed Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 3 SUMÁRIO 1.0 ANATOMIA E DESENVOLVIMENTO DAS MAMAS 4 1.1 ANATOMIA DAS MAMAS 4 1.2 DESENVOLVIMENTO DAS MAMAS 8 2.0 DOENÇAS BENIGNAS DA MAMA 10 2.1 NÓDULO MAMÁRIO 10 2.1.1 FIBROADENOMA 11 2.1.2 TUMOR PHYLLODES 13 2.1.3 CISTOS MAMÁRIOS 14 2.2 DOR MAMÁRIA (MASTALGIA) 16 2.2.1 CLASSIFICAÇÃO 16 2.2.2 DIAGNÓSTICO 17 2.2.3 TRATAMENTO 17 2.3 DESCARGA PAPILAR 18 2.4 PROCESSOS INFLAMATÓRIOS (MASTITES) 21 2.4.1 CLASSIFICAÇÃO 21 2.4.2 MASTITE LACTACIONAL 22 2.4.3 MASTITE PERIAREOLAR 23 2.5 OUTRAS LESÕES PROLIFERATIVAS DA MAMA 24 2.5.1 LESÕES PROLIFERATIVAS SEM ATIPIA 24 2.5.2 LESÕES PROLIFERATIVAS COM ATIPIA 24 2.6 LESÕES DIVERSAS DA MAMA 26 3.0 LISTA DE QUESTÕES 27 4.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 28 5.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 28 Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 4 CAPÍTULO 1.0 ANATOMIA E DESENVOLVIMENTO DAS MAMAS Separei para você neste bloco os pontos mais abordados nas questões sobre a anatomia e o desenvolvimento das mamas! Esta parte inicial serve como base para o entendimento de todas as patologias da mama, tanto benignas, quanto malignas. 1.1 ANATOMIA DAS MAMAS As glândulas mamárias são consideradas glândulas sudoríparas modificadas e altamente especializadas, cuja função é a produção de leite pelos lóbulos, que são as unidades funcionais mamárias. A mama é composta por 12 a 15 sistemas de ductos independentes, sendo que cada um deles drena aproximadamente 40 lóbulos. O tecido mamário estende-se até a axila e chamamos essa extensão de cauda de Spence. Figura: Anatomia da mama Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 5 Estrategista, as glândulas e ductos não estão distribuídos de maneira uniforme pela mama. Para descrever a localização das lesões, dividimos a mama em quadrantes, sendo que alguns quadrantes têm mais glândulas do que outros; e, por isso, têm uma chance maior de desenvolver câncer. Observamos que a maioria dos casos de câncer de mama ocorre nos quadrantes súpero- laterais. Em segundo lugar, nos quadrantes súpero-mediais, seguidos pelo quadrante ínfero- lateral e, por último, pelo ínfero-medial. Figura: divisão da mama em quadrantes (QSL: quadrante superior lateral; QSM: quadrante superior medial; QIL: quadrante inferior lateral; QIM: quadrante inferior medial; CAP: complexo areolopapilar Suprimento sanguíneo, inervação e drenagem linfática A mama é irrigada por três vias arteriais principais: • artéria mamária interna (torácica interna) e seus ramos perfurantes (60%); • artérias torácicas laterais, que suprem os quadrantes súpero laterais (30%); • ramos das artérias intercostais posteriores, que suprem o tecido mamário restante. A drenagem venosa das mamas segue o curso das artérias. A inervação sensitiva da mama vem dos ramos cutâneos laterais e anteriores, originados do segundo ao sexto nervo intercostal. Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 6 Figura: Suprimento sanguíneo da mama. Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 7 Figura: Escápula Alada A figura também mostra o plexo toracodorsal, responsável pela irrigação do músculo grande dorsal. Sua lesão acidental durante o esvaziamento axilar impossibilita usar esse músculo na reconstrução da mama retirada. Quando existe a indicação de esvaziar a axila e retirar todos os linfonodos contidos nela, as 3 estruturas que devem ser, obrigatoriamente, preservadas são: • Veia axilar • Nervo torácico longo (nervo de Bell) • Plexo toracodorsal A maior parte da drenagem linfática da mama é feita pelos linfonodos axilares (cerca de 70%). Existem, geralmente, de 20 a 30 linfonodos na região axilar e esses linfonodos são mais frequentemente acometidos pelo câncer do que os mamários internos ou claviculares. Como dissemos, o câncer de mama geralmente dissemina-se para os linfonodos axilares. Para “medir” o quanto ele avançou nestes linfonodos, dividimos cada um deles em níveis, de acordo com sua localização. Para obter a localização exata, utilizamos como ponto de referência o músculo peitoral menor. Os linfonodos localizados lateralmente ao músculo peitoral menor são chamados de nível I; os linfonodos que ficam atrás do peitoral menor são chamados de nível II; e os linfonodos localizados medialmente ao músculo peitoral menor são chamados de nível III. Estrategista, a figura acima mostra o nervo torácico longo (nervo de Bell), que inerva o músculo serrátil anterior. A lesão acidental do nervo de Bell durante a mastectomia ou o esvaziamento axilar provoca a flacidez do serrátil e o descolamento da escápula, formando uma saliência nas costas da paciente, como se fosse uma “asinha”, o que chamamos de escápula alada. Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 8 Figura: Drenagem linfática da mama 1.2 DESENVOLVIMENTO DAS MAMAS As mamas começam a desenvolver-se na vida embrionária. Na puberdade, ocorre o início do amadurecimento da glândula, mas a diferenciação dos lóbulos vai acontecendo durante toda a vida reprodutiva da mulher. O desenvolvimento das mamas só termina realmente após a gravidez e a amamentação, pois os lóbulos só terminam seu amadurecimento e diferenciação quando a mulher engravida e amamenta. Lembre-se de que células completamente diferenciadas têm um risco menor de sofrer mutação e desenvolver câncer. Por isso a gravidez precoce e a amamentação diminuem o risco de câncer de mama. Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 9 Anormalidades no desenvolvimento das mamas Agora que conversamos sobre os principais conceitos da anatomia e fisiologia das mamas, que servem de base para o entendimento de todas as patologias que acometem esse órgão, vamos entrar no tema do livro propriamente dito: as doenças benignas das mamas. Mas, antes disso, preciso explicar sobre algumas anormalidades que acontecem durante o desenvolvimento mamário e aparecem em questões de prova. As mamas surgem a partir de duas faixas de espessamento ectodérmico, as cristas mamárias ou “linhas do leite”, que vão das axilas até as regiões inguinais. As cristas desenvolvem-se no embrião humano por volta da quinta à sexta semana de vida fetal. Figura: Crista mamária Algumas mulheres apresentam mamas ou papilas a mais, localizadas no trajeto da linha do leite. Chamamos isso de polimastia (“muitas mamas”), com a presença de mamas acessórias ou politelia (“muitos mamilos”). As provas gostam muito de perguntar sobre essas duas anormalidades do desenvolvimento. Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 EstratégiaMED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 10 Anormalidades congênitas da mama Anormalidade Descrição Comorbidades Politelia (mais frequente) Mamilos supranumerários Possivelmente associada a outras anormalidades congênitas Polimastia Mamas acessórias (supranumerárias) - Hipoplasia Subdesenvolvimento da mama - Amastia Ausência congênita da mama - Amazia Ausência do tecido mamário com mamilo normal - Sd. Poland Hipoplasia ou ausência da mama associada à hipoplasia distal do membro superior e anomalias da mão - Tabela: Anormalidades congênitas da mama A anormalidade adquirida da mama mais comum e evitável é a amastia iatrogênica. Ela ocorre quando se realiza uma biópsia (ou exérese) desnecessária do broto mamário que aparece como um nódulo fibroelástico pouco antes da puberdade. Com isso, ocorre a lesão ou retirada do broto mamário e, consequentemente, a paciente não desenvolve a mama. CAPÍTULO 2.0 DOENÇAS BENIGNAS DA MAMA 2.1 NÓDULO MAMÁRIO A maioria dos nódulos é benigno, mas precisamos sempre lembrar que o nódulo é a principal manifestação do câncer de mama. Por isso, é muito importante saber diferenciar as características dos nódulos benignos dos malignos. O fibroadenoma é a primeira hipótese diagnóstica nos casos de nódulos em pacientes jovens. Já, nas mulheres de meia-idade, ao redor dos 40 anos, devemos pensar em fibroadenoma, cisto ou até mesmo um câncer. Por sua vez, nas mulheres menopausadas, sempre devemos pensar na possibilidade de câncer. Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 11 Figura: Epidemiologia dos nódulos mamários por faixa etária Fonte: Tratado de Ginecologia FEBRASGO 2019. Estrategista, uma das principais perguntas que deve ser feita para uma paciente com nódulo na mama é a sua idade. Nas questões, toda vez que o enunciado trouxer que a paciente se queixa de nódulo mamário, preste atenção na idade dessa paciente. Tenho certeza de que essa informação simples pode fazer você acertar a questão com facilidadeQueixa de nódulo mamário em mulher jovem: pensar em fibroadenoma! Em pacientes de meia-idade: pensar em fibroadenoma, cisto ou até mesmo câncer.Em pacientes idosas: a principal hipótese é o câncer! Agora, vamos conversar sobre cada um dos nódulos para que você acerte todas as questões sobre esse tema! 2.1.1 FIBROADENOMA Estrategista, as bancas gostam bastante desse assunto. É um “tema quente”! O nódulo mais frequente na paciente jovem ( 2cm) • Suspeita de tumor Phyllodes • Desejo da paciente Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 13 2.1.2 TUMOR PHYLLODES É uma neoplasia fibroepitelial rara, constituindo menos de 1% dos tumores da mama. Estrategista, a principal característica do tumor phyllodes é o crescimento rápido! Lembre-se disso para acertar as questões sobre esse assunto. Preste atenção nas suas características: • Crescimento rápido • Consistência fibroelástica • Nódulo grande (> 3 cm) • Nódulo móvel Figura: Tumor Phyllodes. Fonte: Acervo pessoal O tumor phyllodes costuma ser parecido com os fibroadenomas nos exames de imagem. Até mesmo nas biópsias, essa diferenciação é difícil, sendo necessária a retirada completa do tumor para ter um diagnóstico anatomopatológico definitivo. Eu costumo dizer que o phyllodes é um tumor “engraçado”, porque, apesar de ser considerado uma doença benigna da mama, apresenta as variedades histológicas benigna, borderline e maligna, podendo recidivar ou até mesmo, raramente, metastatizar. Essa classificação histopatológica é feita através da avaliação das seguintes características: • grau de atipia celular estromal • atividade mitótica • margens tumorais infiltrativas ou circunscritas • crescimento excessivo do estroma (ou seja, presença de estroma puro, sem epitélio) O tratamento do tumor phyllodes é a ressecção completa do tumor com margens livres de pelo menos 1 cm. O tipo de cirurgia vai depender do tamanho do tumor no momento do diagnóstico. Para tumores pequenos, diagnosticados no início, a tumorectomia é o tratamento de escolha. Se o tumor comprometer toda a mama, devido ao seu rápido crescimento, o tratamento escolhido é a mastectomia. O tumor phyllodes não costuma acometer os linfonodos, portanto não há necessidade de realizar a linfadenectomia. Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 14 2.1.3 CISTOS MAMÁRIOS O cisto mamário é uma formação redonda ou ovóide cheia de líquido. São decorrentes do acúmulo de líquido na unidade lobular do ducto terminal, o que ocorre devido à distensão e obstrução do ducto. CLASSIFICAÇÃO Classificamos os cistos em 3 tipos: Figura: Cisto simples visto na mamografia (esquerda) e no ultrassom (direita). Cisto complicado: Apresenta alguma imagem interna, que pode ser um septo ou uma trave, calcificações ou coágulos. Também não tem componente sólido no seu interior. Como são benignos, a conduta, em geral, também é o seu seguimento. Cisto simples: é um acúmulo de líquido circunscrito, sem nenhum componente sólido no seu interior. São os cistos mais frequentes. No exame ultrassonográfico, são anecóicos (pretos) e apresentam reforço acústico posterior (área branca abaixo do cisto). Os cistos simples são absolutamente benignos, sendo considerados categoria BI-RADS 2. A conduta, em geral, é somente o seguimento. Figura: Cisto complicado ao ultrassom, com calcificações no seu interior. Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 15 Cisto complexo: apresenta um componente sólido no seu interior, que se mostra hipoecogênico (cinza) dentro do cisto anecoico (preto). Trata-se de uma lesão suspeita de malignidade, sendo considerada categoria BIRADS 4 e estando indicada biópsia ou exérese desses cistos. Figura: Cisto complexo, com área hipoecogênica (sólida) no seu interior (seta). Estrategista, vamos resumir! Costumo dizer que: “cisto simples na mama não é nada!” A maioria dos cistos da mama são simples e, como dissemos, absolutamente benignos, só precisam ser acompanhados. Costumam regredir espontaneamente. Somente pensamos em puncioná-los para esvaziá-los quando são grandes (> 2cm), dolorosos e palpáveis. Nesses casos, realizamos a punção aspirativa por agulha fina (PAAF). Cisto da mama Cisto simples Cisto complicado (ou espesso) Cisto complexo Absolutamente benigno Benigno Suspeito Seguimento. Considerar punção esvaziadora somente se > 2cm Seguimento Biópsia ou exérese Fluxograma: manejo dos cistos mamários Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 16 2.2 DOR MAMÁRIA (MASTALGIA) 2.2.1 CLASSIFICAÇÃO Dividimos a mastalgia em cíclica e não cíclica (acíclica). 1. Mastalgia Cíclica • ALTERAÇÃO FUNCIONAL BENIGNA DAS MAMAS A alteração funcional benigna das mamas, ou doença fibrocística benigna da mama, é caracterizada por sintomas de dor ou nódulos que se manifestam no final do ciclo menstrual e melhoram após a menstruação. Sua fisiopatologia está ligada às variações do estrógeno e da progesterona do ciclo menstrual. O estrógeno e a progesterona estimulam a proliferação glandular na 2ª fase do ciclo menstrual, causando espessamento (nodular) e dor perto do período menstrual. Com a diminuição dos níveis hormonais após a menstruação, ocorre a regressão da proliferação e melhora dos sintomas. As mulheres costumam referir dor bilateral, geralmente nos quadrantes súpero laterais das mamas. Durante o exame clínico, pode haver um espessamento, que regride após a menstruação. Como dissemos, a alteração funcional benigna das mamas é benigna e até mesmo fisiológica. A primeira conduta a ser tomada é orientar e tranquilizar a paciente, afastando o medo do câncer. A maioria das pacientes costuma “melhorar” após essa orientação. 2. Mastalgia Acíclica Nesses casos, a dor não está relacionada ao ciclo menstrual e pode ser constante ou intermitente. A dor geralmente é unilateral, podendo ter origem mamária ou extramamária. A mastalgia acíclica está geralmente associada ao esforço muscular. Também é comum estar relacionada a um trauma ou lesão na mama, ou na parede torácica. Causas de Mastalgia acíclica Mamária Extra mamária Hipertrofia mamária Dor muscular Macrocistos Costocondrite (Síndrome de Tietze) Tromboflebite (Sd. De Mondor) Neurite intercostal Cirurgia mamária prévia Bursite escapular Mastites Radiculopatia cervical Trauma Trauma na parede torácica / fratura de costela Gestação Herpes Zoster Medicamentos Refluxo gastroesofágico / úlcera péptica Câncer Doenças Coronarianas Tabela: Causas mamárias e extramamárias de mastalgia acíclica (Fonte: Tratado de Ginecologia da FEBRASGO, 2019) Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 17 2.2.2 DIAGNÓSTICO A primeira característica que devemos prestar atenção é se a dor está relacionada à menstruação ou não. Se a mastalgia estiver relacionada à menstruação, é cíclica. Se não estiver relacionada à menstruação, é acíclica. A segunda pergunta que deve ser respondida é se a dor é mamária ou não. O exame clínico é essencial para confirmar o diagnóstico. A mastalgia cíclica costuma ser bilateral, com dor maior nos quadrantes súpero laterais. Na mastalgia acíclica, é comum a paciente referir dor unilateral, frequentemente muscular, confirmada na palpação da borda do músculo peitoral maior. Em outros casos, podemos verificar a dor à palpação das bordas do esterno, devido a uma costocondrite (Sd. Tietze). Os exames subsidiários, como a mamografia e o ultrassom, estão indicados para os casos de dúvida diagnóstica ou para afastar a malignidade. 2.2.3 TRATAMENTO O tratamento da mastalgia é diferente para cada causa. A orientação da paciente, após afastar a possibilidade de câncer, é o principal tratamento da mastalgia! A maioria das pacientes tem medo de perguntar se está com câncer, mas está pensando nisso! Informando e tranquilizando a paciente, observamos a melhora ou resolução de até 90% dos casos. É muito importante afastar a cancerofobia! Somente 15% das mulheres com mastalgia precisam de tratamento medicamentoso. Os anti-inflamatórios não hormonais ou analgésicos (tópicos ou via oral) são os medicamentos de primeira escolha. Podem ser usados para as mastalgias cíclicas e em alguns casos de mastalgia acíclica (costocondrite e outros processos inflamatórios). Como segunda opção medicamentosa, temos o tamoxifeno, indicado para as mulheres com mastalgia cíclica que não melhoraram com o uso de analgésicos ou anti-inflamatórios. Outras opções seriam: o danazol, a gestrinona e os análogos do GnRH. Todos eles agem bloqueando o eixo e inibindo a secreção de LH e FSH. O tratamento com vitaminas (E, B1 e B6) ou óleo de prímula não é eficaz e não está indicado, pois apresenta eficácia semelhante ao placebo. O tratamento cirúrgico está indicado somente para causas específicas, como a drenagem de abscessos (mastites) ou o câncer. Agora, vou apresentar um fluxograma que resume bem tudo isso que foi explicado: Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 18 Fluxograma: Mastalgia 2.3 DESCARGA PAPILAR A secreção mamilar pode ser fisiológica ou patológica. A amamentação (lactação) ou a pequena quantidade de secreção após a estimulação excessiva do mamilo são fisiológicas. Dentre as causas patológicas, a grande maioria é benigna (90% a 95%). Existe uma pequena chance de malignidade e o mais importante é saber reconhecer qual é a descarga papilar suspeita de malignidade, para prosseguir na investigação diagnóstica. Os tipos e causas de descarga papilar são: ‒ Galactorreia / Hiperprolactinemia ‒ Ectasia ductal ‒ Descarga papilar suspeita Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 19 Galactorreia / Hiperprolactinemia Estrategista, a descarga fisiológica do mamilo ou galactorréia é a secreção não relacionada à gravidez ou à amamentação. Manifesta-se como secreção bilateral e branca (láctea) dos mamilos. Uma das principais causas da galactorreia é a hiperprolactinemia. Mas, algumas pacientes podem apresentar galactorreia sem aumento de níveis de prolactina detectáveis. A causa mais comum da hiperprolactinemia é a utilização de fármacos supressores da dopamina. Medicamentos que podem causar galactorreia Hormônios Estrogênios, anticoncepcionais orais, hormônios tireoidianos Psicotrópicos Risperidona, clomipramina, nortriptilina, inibidores da recaptação da serotonina, fenotiazina, antidepressivos tricíclicos, opioides, codeína, heroína, cocaína, sulpirida Antieméticos Metoclopramida, domperidona Anti-hipertensivos Verapamil, metildopa, reserpina Tabela: Medicamentos que podem causar galactorreia (Fonte: Tratado de Ginecologia. FEBRASGO, 2019) Outra possível causa da hiperprolactinemia são os adenomas de hipófise. Os sintomas da hiperprolactinemia são a galactorreia, a irregularidade menstrual (ou amenorreia) e a infertilidade. O tratamento indicado é a suspensão do medicamento que está causando hiperprolactinemia ou a administração de agonistas dopaminérgicos. Para os casos de macroadenomas pode ser realizado o tratamento cirúrgico. Ectasia Ductal A ectasia dos ductos é uma causa patológica benigna comum de descarga papilar, observada em aproximadamente 25% dos casos de descarga patológica. Nesses casos, a descarga papilar geralmente é bilateral e multiductal, ocorrendo pelo acúmulo de líquido nos ductos ectasiados (dilatados). A descarga pode ser citrina, amarelada, azulada ou esverdeada e sua saída pode ocorrer de forma espontânea ou não. A conduta para esses casos é a observação e seguimento, porque costumam se resolver sem necessidade de nenhuma intervenção médica. Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 20 Descarga papilar suspeita (Papiloma ou Câncer) A maioria das questões sobre esse assunto quer que você diferencie a descarga papilar suspeita de malignidade, que pode se originar de um câncer, da não suspeita. Guarde bem! A descarga suspeita é unilateral, proveniente de um único ducto e espontânea. Pode ser serosa (água de rocha) ou sanguinolenta. Felizmente, na maioria dos casos, esse tipo de secreção não está associadaao câncer, sendo a causa mais frequente o papiloma intraductal, uma lesão benigna. Figura: Descarga papilar uniductal sanguinolenta (suspeita), com ponto de gatilho às 4h. Fonte: Acervo pessoal. Papiloma: é um tumor papilar que cresce a partir do revestimento do ducto mamário. Sua descarga pode ser clara (água de rocha) ou sanguinolenta. Câncer: O câncer é encontrado somente em cerca de 10% dos casos de secreção suspeita dos mamilos. A lesão mais frequentemente encontrada nesses casos é o carcinoma ductal in situ (CDIS). A descarga papilar suspeita é a sanguinolenta ou em “água de rocha”, unilateral, uniductal e espontânea. Nesses casos, sempre devemos investigar a possibilidade de um câncer. Está indicada a ressecção do ducto acometido para realizar a análise anatomopatológica e esclarecer se é um papiloma ou um câncer. Nos casos de descarga láctea, devemos solicitar a prolactina e tratar a hiperprolactinemia, se necessário. Nas outras descargas papilares, seja amarela, citrina, verde, azul ou qualquer outra cor, a conduta é o seguimento, pois é um quadro absolutamente benigno que tende a se resolver espontaneamente. Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 21 Fluxograma: Descarga Papilar 2.4 PROCESSOS INFLAMATÓRIOS (MASTITES) 2.4.1 CLASSIFICAÇÃO Dividimos as mastites em agudas e crônicas, ou em lactacionais e não lactacionais. Mastite aguda (lactacional) – também conhecida como puerperal, é a mastite aguda mais frequente. É decorrente da infecção da mama durante a amamentação e costuma durar menos do que 30 dias. Mastite Crônica (não lactacional): apresenta tempo de evolução maior do que 30 dias ou episódios recorrentes. Pode ser infecciosa ou não infecciosa. Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 22 2.4.2 MASTITE LACTACIONAL Estrategista, a mastite lactacional começa com o ingurgitamento mamário e o acúmulo de leite. Isso acontece devido à dificuldade de drenagem do leite, geralmente relacionada ao trauma dos mamilos, associada à pega inadequada. Ocorre inchaço e compressão de um ou mais ductos de leite. O leite materno contém bactérias. Se o ingurgitamento persistir, ocorre a proliferação bacteriana e a infecção (mastite), caracterizada por dor, vermelhidão, febre e mal-estar. As bancas gostam muito de fazer uma pegadinha para você diferenciar o ingurgitamento mamário da mastite. Preste atenção: no ingurgitamento não há febre, calafrios ou mal estar, nem queda do estado geral ou sinais flogísticos localizados em uma região da mama. A infecção pode progredir para a formação de abscesso local se não for tratada imediatamente. Figura: Mastite lactacional Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 23 O agente etiológico mais frequente da mastite lactacional é o Staphylococcus aureus. O tratamento consiste em: • AINEs e compressas frias para reduzir a dor e o inchaço. • Esvaziamento completo da mama, através da expressão, ou com a “bombinha”, a fim de evitar a estase de leite. • Continuidade da amamentação. • Antibioticoterapia (1ª escolha é a Cefalexina). Na presença de abscesso mamário, a drenagem cirúrgica (ou punção) é obrigatória. Lembre-se do aforisma: “abscesso diagnosticado é abscesso drenado!”. 2.4.3 MASTITE PERIAREOLAR A mastite periareolar, ou periductal, é caracterizada pela inflamação dos ductos subareolares e sua causa ainda é desconhecida. A grande maioria das pacientes com mastite periareolar é fumante. O tabagismo está associado a danos nos ductos subareolares, com necrose tecidual e, posteriormente, infecção. Também está associado à metaplasia escamosa, que pode levar à obstrução parcial do ducto, que acaba dilatando, inflamando e infeccionando. A causa da mastite periareolar é desconhecida, mas sabemos que está geralmente associada ao tabagismo. Por isso, nas questões sobre mastite, preste atenção se a paciente é fumante! Essa costuma ser a “dica” da questão. A história da paciente, analisada em conjunto com o exame físico, fecha o diagnóstico de mastite periareolar. Os agentes etiológicos mais frequentes são os estafilococos, os enterococos, os estreptococos anaeróbios, bacteroides e Proteus. Figura: Mastite periareolar/periductal (forma aguda). Fonte: Acervo pessoal Em alguns casos, ocorrem abscessos recorrentes e fistulizados, criando uma comunicação entre um grande ducto subareolar e a pele, sendo geralmente um problema crônico, por isso é chamada de mastite periareolar recidivante. Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 24 O tratamento da mastite periareolar na forma aguda é a antibioticoterapia com drenagem ou punção do abscesso associado. Podemos usar o metronidazol com a cefalexina, ou a amoxicilina + clavulanato. As pacientes com quadros recidivantes devem ser tratadas cirurgicamente, com exérese dos ductos comprometidos. Esses ductos estão “estragados” e são suscetíveis às infecções recorrentes. 2.5 OUTRAS LESÕES PROLIFERATIVAS DA MAMA Dividimos as lesões proliferativas da mama em lesões proliferativas sem atipia e lesões proliferativas com atipia. 2.5.1 LESÕES PROLIFERATIVAS SEM ATIPIA As lesões proliferativas sem atipia incluem a hiperplasia ductal usual, os papilomas intraductais, a adenose esclerosante, as cicatrizes radiais e os fibroadenomas. Essas lesões estão associadas a um aumento muito pequeno do risco de desenvolver câncer de mama, de apenas 1,5 a 2 vezes maior em relação à população em geral. Já falamos dos fibroadenomas e dos papilomas. As outras lesões proliferativas sem atipias são pouco cobradas nas provas de Residência Médica, mas sempre aparecem como alternativas para chegar ao diagnóstico diferencial. Por isso, é importante que você saiba do que se trata. E, o mais importante: lembre-se de que as lesões proliferativas sem atipias praticamente não aumentam o risco de desenvolver câncer de mama. 2.5.2 LESÕES PROLIFERATIVAS COM ATIPIA As lesões proliferativas com atipia estão associadas à transformação para o câncer. Essas lesões são precursoras do câncer de mama ou marcadoras de alto risco. As principais são: a hiperplasia ductal atípica (HDA) e a neoplasia lobular. A neoplasia lobular engloba a hiperplasia lobular atípica (HLA) e o carcinoma lobular in situ (CLIS). Lesões proliferativas com atipia Hiperplasia Ductal atípica Neoplasia Lobular Hiperplasia Lobular atípica Carcinoma Lobular in situ Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 25 As lesões proliferativas com atipia estão associadas com um alto risco para o desenvolvimento do câncer de mama. Por isso, a conduta para esses casos é a exérese total da lesão ou o uso da quimioprevenção (geralmente com tamoxifeno). Lembre-se: as lesões proliferativas sem atipia não apresentam risco para o câncer de mama, já, as lesões proliferativas com atipia apresentam alto risco para o desenvolvimento do câncer de mama. Figura: Lesões proliferativas com atipia Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 26 Risco Relativo durante a vida para desenvolver o câncer de mama (RR) Lesões proliferativas sem atipia 1,5 – 2x (Baixo Risco) Hiperplasia ductal usual 1,5 – 2x Papiloma intraductal 1,5 – 2x Papilomas múltiplos 3x Adenose esclerosante 1,5 – 2x Cicatriz radial 1,5 – 2x Lesões proliferativas com atipia Alto Risco Hiperplasia ductal atípica 4 – 5x Hiperplasia lobular atípica 4 – 5x Carcinoma lobular in situ 8 – 10x Tabela: Lesões da mama e o risco relativo de desenvolver câncer de mama 2.6 LESÕES DIVERSAS DA MAMA Estrategista, neste tópico, falo de algumas outras lesões que podem aparecer como diagnóstico diferencial nas questões, mas que não costumam ser cobradasnas provas (“tema frio”). • Lipoma – agrupamento de células adiposas maduras. • Esteatonecrose – Necrose gordurosa – Mimetiza o câncer: ocorre devido ao trauma, cirurgia ou radioterapia • Mastopatia diabética – reação autoimune? – apresenta-se como massa suspeita – diagnóstico histológico • Hamartoma – pedaço de tecido mamário pseudoencapsulado (“mama dentro da mama”) • Adenoma – neoplasia epitelial pura benigna (lactacional ou tubular) – lesão circunscrita e bem delimitada – exérese somente quando cresce. Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 27 https://estr.at/UWU6 https://estr.at/UWU6 Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 28 CAPÍTULO 4.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final deste resumo! Esse é um tema extenso, mas bastante frequente nas provas de Residência. Por isso, procurei focar nos pontos mais cobrados. É importante saber diferenciar essas doenças para conseguir escapar das pegadinhas das questões. Apresentamos aqui os tópicos principais sobre esse assunto, mas você pode encontrar o tema completo em nosso livro digital. Fico à disposição para tirar suas dúvidas! Estamos juntos! Voe, coruja!!! CAPÍTULO 5.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Tratado de Ginecologia - FEBRASGO - 2019. 2. Ginecologia de WILLIAMS - 2ª Edição - 2014. 3. Berek & Novak's Gynecology - 16ª Edição - 2020. Prof. Alexandre Melitto | Resumo Estratégico | 2023 Estratégia MED Doenças Benignas da MamaGINECOLOGIA 29 https://med.estrategia.com 1.0 ANATOMIA E DESENVOLVIMENTO DAS MAMAS 1.1 ANATOMIA DAS MAMAS 1.2 DESENVOLVIMENTO DAS MAMAS 2.0 DOENÇAS BENIGNAS DA MAMA 2.1 NÓDULO MAMÁRIO 2.1.1 Fibroadenoma 2.1.2 Tumor Phyllodes 2.1.3 Cistos Mamários 2.2 DOR MAMÁRIA (MASTALGIA) 2.2.1 Classificação 2.2.2 Diagnóstico 2.2.3 Tratamento 2.3 DESCARGA PAPILAR 2.4 PROCESSOS INFLAMATÓRIOS (MASTITES) 2.4.1 Classificação 2.4.2 Mastite Lactacional 2.4.3 Mastite Periareolar 2.5 OUTRAS LESÕES PROLIFERATIVAS DA MAMA 2.5.1 Lesões Proliferativas sem atipia 2.5.2 Lesões Proliferativas com atipia 2.6 LESÕES DIVERSAS DA MAMA 3.0 LISTA DE QUESTÕES 4.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 5.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS