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O PAPEL DO ENFERMEIRO OBSTETRA NO PARTO HUMANIZADO Sulei Guedes Delgado de Abreu Baptista1 Dayanne Teresinha Granetto Cardoso Floriani2 Resumo Este estudo trás o tema do papel do enfermeiro obstetra no parto humanizado, com foco nos benefícios e desafios dessa abordagem. O problema de pesquisa consiste em investigar como o enfermeiro obstetra atua como agente facilitador no contexto do parto humanizado, bem como os principais benefícios e desafios associados a essa prática. O objetivo geral deste estudo é analisar o papel do enfermeiro obstetra como agente facilitador no parto humanizado, identificando os benefícios proporcionados pela assistência humanizada e os principais desafios enfrentados na sua implementação. Para atingir esse objetivo, a metodologia adotada envolveu uma revisão bibliográfica sistemática de estudos científicos, artigos e literatura especializada relacionada ao tema. A pesquisa foi conduzida com base em critérios de inclusão, buscando selecionar trabalhos que abordassem especificamente o papel do enfermeiro obstetra na assistência humanizada durante o parto. Os resultados da revisão bibliográfica indicam que o enfermeiro obstetra desempenha um papel fundamental como agente facilitador no parto humanizado. Em conclusão, o papel do enfermeiro obstetra como agente facilitador no parto humanizado é de extrema relevância para garantir uma assistência respeitosa e individualizada às gestantes. A implementação dessa abordagem traz benefícios significativos, tanto para as gestantes como para os recém-nascidos, mas enfrenta desafios que exigem investimento em capacitação, políticas públicas e mudança cultural. A adoção da assistência humanizada no parto é essencial para proporcionar uma experiência de parto positiva e empoderadora, promovendo o bem-estar e a segurança das gestantes e bebês. Palavras-chave: Enfermeiro Obstetra. Parto Humanizado. Assistência Obstétrica. Empoderamento da Mulher. Intervenções Criteriosas. Saúde Materno-Infantil. 1 INTRODUÇÃO A assistência obstétrica é uma área de grande importância na saúde materno-infantil, e o papel do enfermeiro obstetra nesse contexto desempenha um papel fundamental na promoção de um parto humanizado. O parto humanizado é uma abordagem que busca respeitar a autonomia da mulher, oferecendo uma assistência personalizada e centrada nas suas necessidades e desejos durante o processo de gestação, parto e pós-parto. No entanto, apesar dos inúmeros benefícios dessa abordagem, existem desafios e obstáculos que podem 1 Curso de pós-graduação Enfermagem Obstétrica. E-mail: sulei.deabreu@hotmail.com 2 Professor (a) Orientador (a). E-mail: dayanne.granetto@censupeg.com.br 2 afetar sua implementação efetiva nas instituições de saúde. Diante disso, o problema de pesquisa a ser abordado neste estudo é: Como o enfermeiro obstetra atua como agente facilitador no parto humanizado, considerando os benefícios e desafios associados a essa abordagem? O objetivo geral deste estudo buscou analisar o papel do enfermeiro obstetra como agente facilitador no parto humanizado, identificando os principais benefícios proporcionados pela assistência humanizada e os desafios enfrentados na sua implementação. Investigar a atuação do enfermeiro obstetra no contexto do parto humanizado, destacando sua função como agente facilitador na assistência à gestante. Discutir práticas e intervenções do enfermeiro obstetra no parto humanizado. Identificar os benefícios proporcionados pela abordagem humanizada durante o parto, tanto para as gestantes como para os recém-nascidos. A realização deste estudo é justificada pela relevância do papel do enfermeiro obstetra no parto humanizado e pelos benefícios potenciais dessa abordagem para a saúde materno-infantil. Compreender como o enfermeiro pode atuar como agente facilitador nesse contexto, identificando os benefícios alcançados e os desafios enfrentados, contribuirá para a melhoria da assistência obstétrica e o fortalecimento da prática da humanização no cuidado às gestantes. A metodologia adotada para alcançar os objetivos propostos consistirá em uma revisão bibliográfica sistemática de estudos científicos, artigos e literatura especializada sobre o papel do enfermeiro obstetra no parto humanizado. Serão utilizadas bases de dados eletrônicas relevantes, bem como materiais publicados por organizações de saúde nacionais e internacionais. Os critérios de inclusão para a seleção dos estudos abrangerão trabalhos que abordem especificamente a atuação do enfermeiro obstetra como agente facilitador na assistência humanizada, bem como os benefícios e desafios associados a essa prática. A análise dos dados coletados permitirá obter uma visão abrangente e fundamentada sobre o tema proposto, proporcionando subsídios para o desenvolvimento de recomendações e estratégias que contribuam para a promoção do parto humanizado e a melhoria da assistência obstétrica. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 O Enfermeiro Obstetra como Agente Facilitador 3 O Enfermeiro Obstetra exerce um papel crucial como agente facilitador no contexto do parto humanizado. Ele atua como um profissional capacitado para oferecer assistência individualizada e respeitosa às gestantes durante todo o processo de gestação, parto e pós- parto. O foco principal do enfermeiro obstetra é garantir a autonomia da mulher e respeitar suas decisões, promovendo uma experiência de parto mais positiva e empoderadora. Para desempenhar esse papel, o enfermeiro obstetra deve estar bem preparado e atualizado em relação às melhores práticas baseadas em evidências científicas. Esse profissional possui conhecimento sobre as fases do trabalho de parto, técnicas de alívio da dor e estratégias de apoio emocional, o que lhe permite oferecer uma assistência personalizada às necessidades e preferências de cada gestante (LEAL et al., 2018). Uma das principais características do enfermeiro obstetra como agente facilitador é a capacidade de estabelecer uma relação de confiança com a mulher. Esse vínculo é fundamental para que a gestante se sinta segura para expressar suas expectativas, medos e desejos em relação ao parto. Ao criar um ambiente acolhedor e empático, o enfermeiro obstetra promove a comunicação aberta, o que contribui para uma tomada de decisão compartilhada e informada durante o trabalho de parto (CARVALHO et al., 2019). Além disso, o enfermeiro obstetra possui habilidades técnicas que permitem a realização de procedimentos e intervenções necessárias durante o parto. No entanto, ele busca utilizar essas intervenções de forma criteriosa e respeitosa, evitando práticas desnecessárias que possam interferir negativamente no processo natural do parto (OLIVEIRA et al., 2017). Outro aspecto relevante do papel do enfermeiro obstetra como agente facilitador é a promoção do parto vaginal após cesariana (PVAC). Esse profissional tem um papel importante na orientação e no apoio à mulher que deseja tentar o parto vaginal após ter passado por uma cesárea anteriormente. Através do fornecimento de informações precisas e do suporte emocional, o enfermeiro obstetra pode ajudar a aumentar as chances de sucesso do PVAC (BRASIL, 2016). No entanto, é importante ressaltar que o papel do enfermeiro obstetra como agente facilitador no parto humanizado enfrenta desafios. A medicalização excessiva do parto e a cultura de intervenções obstétricas ainda prevalecem em algumas instituições de saúde, o que pode dificultar a implementação de práticas humanizadas (DINIZ et al., 2018). Outro desafio é o enfrentamento de estereótipos e preconceitos em relação ao parto humanizado. Alguns profissionais de saúde e membros da sociedade ainda têm visões 4 negativas sobre essa abordagem, considerando-a perigosa ou inviável. Nesse sentido, o enfermeiro obstetra precisa se posicionar como um defensorda humanização do parto, fundamentado em evidências científicas e respeito aos direitos reprodutivos das mulheres (RATTNER, 2017). A capacitação contínua do enfermeiro obstetra é fundamental para que ele possa atuar como agente facilitador de forma efetiva. A participação em cursos, workshops e discussões multidisciplinares contribui para a atualização do conhecimento e a troca de experiências com outros profissionais da área (NASCIMENTO et al., 2020). A presença do enfermeiro obstetra em equipes multiprofissionais é uma estratégia relevante para a promoção do parto humanizado. O trabalho colaborativo com médicos, doulas e outros profissionais de saúde permite a troca de saberes e a construção de uma assistência integrada e centrada na mulher (CHOR et al., 2019). Além disso, a divulgação de informações sobre parto humanizado para a população em geral é uma ação importante do enfermeiro obstetra como agente facilitador. Por meio de palestras, campanhas e mídias sociais, ele pode esclarecer mitos e desmistificar conceitos equivocados sobre essa abordagem, estimulando o diálogo e a conscientização sobre os benefícios do parto humanizado (FERNANDES et al., 2018). O apoio emocional é uma das principais contribuições do enfermeiro obstetra como agente facilitador. Durante o trabalho de parto, ele se mostra disponível para ouvir, acolher e encorajar a mulher, promovendo a confiança e a sensação de segurança (GOMES et al., 2021). A atuação do enfermeiro obstetra como agente facilitador no parto humanizado vai além do momento do nascimento. No pós-parto, esse profissional continua desempenhando um papel relevante ao oferecer orientações sobre cuidados com o recém-nascido, amamentação e recuperação pós-parto (SOUZA et al., 2016). O enfermeiro obstetra, como agente facilitador do parto humanizado, deve buscar constantemente aprimorar seus conhecimentos e habilidades por meio de educação continuada. Além disso, a integração em equipes multiprofissionais é essencial para uma abordagem interdisciplinar do parto humanizado (RATTNER, 2017). O enfermeiro obstetra tem um papel relevante na promoção da humanização do ambiente hospitalar, buscando transformar a atmosfera fria e impessoal de alguns centros obstétricos em espaços acolhedores e familiares. O enfermeiro obstetra também pode atuar como agente facilitador em partos domiciliares planejados, desde que siga as normas e protocolos estabelecidos pelas instituições de saúde e órgãos reguladores (LEAL et al., 5 2018). O enfermeiro obstetra tem um papel importante no apoio ao aleitamento materno, fornecendo informações e orientações sobre as vantagens da amamentação exclusiva e ajudando a solucionar possíveis dificuldades. Intervenções Baseadas em Evidências: O enfermeiro obstetra como agente facilitador deve adotar práticas baseadas em evidências científicas, evitando intervenções desnecessárias e priorizando abordagens que respeitem a fisiologia natural do parto (OLIVEIRA et al., 2017). O enfermeiro obstetra desempenha um papel fundamental no acompanhamento pré- natal das gestantes, oferecendo um cuidado integral e personalizado. Durante as consultas de pré-natal, ele pode fornecer informações sobre os diferentes tipos de parto, os benefícios do parto humanizado e esclarecer dúvidas da mulher, auxiliando na construção de um plano de parto (NASCIMENTO et al., 2020). Além de cuidar da gestante, o enfermeiro obstetra como agente facilitador tem um enfoque na integração da família durante o processo de parto. Ele incentiva a participação do companheiro ou de familiares próximos no momento do parto, reconhecendo a importância do apoio emocional durante esse momento tão especial (FERNANDES et al., 2018). O enfermeiro obstetra, ao agir como agente facilitador, promove uma abordagem centrada na gestante, considerando suas crenças, valores e preferências. Esse cuidado individualizado fortalece o vínculo entre o profissional e a mulher, resultando em uma experiência de parto mais satisfatória (SOUZA et al., 2016). O enfermeiro obstetra também desempenha um papel na prevenção da violência obstétrica, adotando práticas respeitosas e humanizadas que garantam a dignidade e os direitos da gestante. Ele trabalha para evitar procedimentos invasivos desnecessários e promove um ambiente livre de julgamentos e constrangimentos (BRASIL, 2016). O enfermeiro obstetra atua como um promotor do parto respeitoso, ressaltando a importância da escolha informada da mulher em relação ao tipo de parto e garantindo que suas decisões sejam respeitadas e acolhidas durante todo o processo (CHOR et al., 2019). 2.2 Práticas e Intervenções do Enfermeiro Obstetra no Parto Humanizado O enfermeiro obstetra desempenha um papel essencial no acolhimento da gestante durante o trabalho de parto, oferecendo apoio emocional e escuta ativa para entender suas necessidades e preferências. Ao estabelecer uma relação de confiança, o enfermeiro pode criar um ambiente seguro e empático, contribuindo para uma experiência de parto mais 6 positiva (CARVALHO et al., 2019). O enfermeiro obstetra pode oferecer diversas técnicas de alívio da dor não farmacológicas, como massagens, banhos quentes, exercícios de respiração e posições de conforto. Essas intervenções ajudam a reduzir o desconforto durante o trabalho de parto e proporcionam uma abordagem mais natural e respeitosa (OLIVEIRA et al., 2017). Durante o trabalho de parto, o enfermeiro obstetra realiza um monitoramento contínuo da mãe e do bebê para garantir a segurança e o bem-estar de ambos. Esse acompanhamento permite identificar precocemente qualquer sinal de complicação e intervir de forma adequada, caso seja necessário (LEAL et al., 2018). O enfermeiro obstetra busca estimular o parto espontâneo, permitindo que o processo siga seu curso natural, sem intervenções desnecessárias. Ele incentiva a mobilidade da gestante, a adoção de posições verticais e o uso da gravidade para facilitar o progresso do trabalho de parto (GOMES et al., 2021). Incentivo ao Contato Pele a Pele e Amamentação Inicial: Após o nascimento, o enfermeiro obstetra favorece o contato pele a pele entre a mãe e o bebê, promovendo o vínculo afetivo e estimulando a amamentação inicial. Esse contato precoce contribui para a estabilização do recém-nascido e o estabelecimento da amamentação (SOUZA et al., 2016). O enfermeiro obstetra deve fornecer informações claras e objetivas sobre o progresso do trabalho de parto, as opções disponíveis para o alívio da dor, os procedimentos que podem ser realizados e os possíveis desdobramentos. Uma comunicação efetiva e empática permite que a gestante se sinta mais confiante em suas decisões e participe ativamente do processo de nascimento (CARVALHO et al., 2019). Empoderamento da Mulher: O enfermeiro obstetra atua como um facilitador para empoderar a mulher durante o parto. Ele encoraja a gestante a assumir o controle de seu próprio corpo e a tomar decisões informadas sobre seu cuidado. Ao respeitar a autonomia da mulher, o enfermeiro fortalece sua confiança e autoestima, contribuindo para uma experiência de parto mais satisfatória (LEAL et al., 2018). O enfermeiro obstetra colabora com outros profissionais de saúde, como obstetras, pediatras e doulas, para fornecer uma assistência integral e interdisciplinar. O trabalho em equipe permite que as habilidades de cada profissional se complementem, resultando em uma abordagem mais abrangente e segura durante o parto (CHOR et al., 2019). O enfermeiro obstetra deve garantir a privacidade da gestante durante o trabalho de parto, respeitando sua intimidade e garantindo que suas preferências sejam respeitadas em relação à presença de acompanhantes, por exemplo. Esse cuidado com a privacidade 7 contribui para um ambiente mais seguro e acolhedor (OLIVEIRA et al., 2017). O enfermeiro obstetra está atento àscondições psicológicas da gestante durante o trabalho de parto, oferecendo suporte emocional e identificando possíveis sinais de ansiedade, medo ou estresse. Ele pode utilizar estratégias de relaxamento e técnicas de mindfulness para auxiliar na redução do estresse (NASCIMENTO et al., 2020). O enfermeiro obstetra tem a preocupação de promover o parto natural sempre que possível, evitando intervenções desnecessárias. Ele prioriza o uso de métodos não farmacológicos para o alívio da dor e evita a indução do trabalho de parto, a menos que seja estritamente necessário por razões médicas (GOMES et al., 2021). Quanto a utilização da rebozo que é, um tipo de xale, como uma intervenção no parto humanizado. O uso do rebozo pode proporcionar conforto à gestante e auxiliar na posição do bebê durante o trabalho de parto, facilitando o parto vaginal (SOUZA et al., 2016). Durante o período expulsivo, o enfermeiro obstetra adota uma abordagem de acompanhamento mais ativa, fornecendo apoio à gestante para que ela se sinta segura e confiante durante a expulsão do bebê. Ele pode sugerir posições mais favoráveis para o parto e oferecer encorajamento para que a mulher faça força de maneira efetiva (BRASIL, 2016). O enfermeiro obstetra realiza a monitorização fetal contínua para acompanhar os batimentos cardíacos do bebê durante todo o trabalho de parto. Isso permite a identificação precoce de qualquer sinal de sofrimento fetal e possibilita intervenções imediatas, se necessário, para garantir a segurança do recém-nascido (CARVALHO et al., 2019). O enfermeiro obstetra respeita o tempo do parto, permitindo que a gestante progrida em seu próprio ritmo e respeitando as diferentes fases do trabalho de parto. Ele evita pressionar a mulher para acelerar o processo e permite que a natureza siga seu curso natural (OLIVEIRA et al., 2017). Durante o parto vaginal, o enfermeiro obstetra pode adotar medidas para prevenir traumas no períneo, como a orientação sobre técnicas de massagem perineal e a aplicação de compressas quentes. Essas intervenções ajudam a reduzir a incidência de episiotomias e lacerações perineais, proporcionando uma recuperação mais rápida e confortável para a gestante (LEAL et al., 2018). O cuidado do enfermeiro obstetra não se encerra com o nascimento do bebê. Durante o puerpério, ele continua acompanhando a mulher, fornecendo orientações sobre os cuidados com o recém-nascido, a amamentação e a recuperação pós-parto. O enfermeiro também está atento para identificar possíveis complicações pós-parto e encaminhar a gestante para avaliação médica, se necessário (NASCIMENTO et al., 2020). 8 O enfermeiro obstetra também pode oferecer suporte emocional ao companheiro ou parceiro da gestante durante o trabalho de parto. Ele reconhece a importância do apoio da família nesse momento e ajuda a preparar o companheiro para oferecer um suporte efetivo e encorajador à mulher durante o parto (CARVALHO et al., 2019). O enfermeiro obstetra valoriza a diversidade cultural e respeita as crenças e tradições da gestante em relação ao parto. Ele reconhece a importância de compreender a perspectiva cultural da mulher e busca adaptar suas práticas e intervenções de acordo com suas preferências culturais (BRASIL, 2016). Além de cuidar da gestante, o enfermeiro obstetra adota uma abordagem centrada na família, considerando o contexto social e emocional em que o parto acontece. Ele pode envolver outros membros da família nos cuidados e decisões, reconhecendo a importância do apoio familiar durante o processo de nascimento (SOUZA et al., 2016). O enfermeiro obstetra incentiva o aleitamento materno exclusivo desde o início do pós-parto. Ele orienta a gestante sobre a importância da amamentação para a saúde do bebê e oferece apoio para superar possíveis dificuldades iniciais com a amamentação (GOMES et al., 2021). 2.3 Benefícios e Desafios da Abordagem Humanizada na Assistência Obstétrica A abordagem humanizada na assistência obstétrica oferece uma série de benefícios tanto para as gestantes como para os profissionais de saúde envolvidos no processo de parto e nascimento. Um dos principais benefícios é a melhoria da experiência da gestante, que se sente mais empoderada e envolvida no processo de decisão. A abordagem humanizada respeita a autonomia da mulher e suas escolhas, o que contribui para uma maior satisfação e menor ocorrência de traumas relacionados ao parto (LANSKY et al., 2014). Além disso, a abordagem humanizada na assistência obstétrica promove um ambiente mais acolhedor e respeitoso para as gestantes, com maior atenção às suas necessidades físicas e emocionais. O uso de práticas não invasivas e o estímulo ao parto espontâneo podem levar a uma redução nas intervenções médicas desnecessárias, resultando em menor taxa de cesarianas e melhor recuperação pós-parto (RATTNER, 2017). A humanização do parto também está associada a benefícios para o recém-nascido. O contato pele a pele imediato após o nascimento e o incentivo à amamentação inicial favorecem o estabelecimento de vínculo afetivo entre mãe e bebê e contribuem para a saúde e bem-estar do recém-nascido (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2018). 9 No entanto, a adoção da abordagem humanizada na assistência obstétrica também enfrenta desafios significativos. A medicalização excessiva do parto, a cultura de intervenções obstétricas e a falta de conhecimento e habilidades específicas em algumas equipes de saúde são alguns dos principais obstáculos para a implementação bem-sucedida da abordagem humanizada (DINIZ et al., 2018). A resistência de alguns profissionais de saúde e da sociedade em geral à mudança de paradigmas também representa um desafio. A abordagem humanizada pode ser vista como uma abordagem mais demorada e trabalhosa, exigindo uma maior disponibilidade de recursos e uma mudança na cultura institucional (DINIZ et al., 2018). A capacitação e a atualização constante dos profissionais de saúde são fundamentais para superar esses desafios. O treinamento em práticas baseadas em evidências e em abordagens humanizadas pode melhorar a qualidade da assistência obstétrica e proporcionar melhores resultados para as gestantes e recém-nascidos (LEAL et al., 2018). A implementação de políticas públicas que valorizem e incentivem a abordagem humanizada na assistência obstétrica também é essencial. A disseminação de informações sobre os benefícios da abordagem humanizada e o apoio de órgãos reguladores podem contribuir para a disseminação dessa prática no contexto da saúde pública (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2018). Um benefício importante da abordagem humanizada é a redução das taxas de intervenções médicas desnecessárias, como episiotomias, fórceps e uso excessivo de ocitocina sintética. Essas práticas podem estar associadas a complicações para a mãe e o bebê, e sua redução contribui para uma recuperação mais rápida e menos traumática após o parto (SOUZA et al., 2016). A humanização do parto também está relacionada a uma maior taxa de sucesso no aleitamento materno exclusivo. O suporte emocional e prático fornecido pelo enfermeiro obstetra durante o pós-parto imediato favorece a amamentação e ajuda a superar desafios iniciais, contribuindo para uma melhor saúde do bebê e da mãe a curto e longo prazo (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2018). Por outro lado, a falta de profissionais capacitados e preparados para oferecer a assistência humanizada é um dos desafios enfrentados. A escassez de enfermeiros obstetras treinados na abordagem humanizada e a falta de recursos nas instituições de saúde podem limitar a implementação dessa prática em certas regiões (RATTNER, 2017). A resistência cultural e a persistência de práticas tradicionais também podem ser desafios. Em algumas comunidades, as intervenções obstétricas invasivas são vistas como 10 normais e esperadas, o que pode dificultara adoção de uma abordagem humanizada e baseada em evidências (DINIZ et al., 2018). Além disso, a superação de estereótipos e preconceitos em relação ao parto humanizado é essencial para sua ampla aceitação. A disseminação de informações e a conscientização da importância da abordagem humanizada podem ajudar a combater mitos e equívocos em torno dessa prática (LEAL et al., 2018). A promoção de uma cultura de respeito e empoderamento das mulheres é fundamental para avançar na humanização da assistência obstétrica. Garantir que as gestantes sejam ouvidas, respeitadas e informadas sobre suas opções de cuidados é um passo importante para transformar a cultura obstétrica e melhorar a experiência de parto para todas as mulheres (CARVALHO et al., 2019). A abordagem humanizada na assistência obstétrica também está associada a benefícios econômicos para o sistema de saúde. A redução das intervenções médicas desnecessárias e o aumento da taxa de partos normais contribuem para a diminuição dos custos hospitalares e das complicações pós-parto. Além disso, gestantes que passam por uma experiência de parto positiva e respeitosa têm maior probabilidade de recomendar o serviço de saúde a outras mulheres, o que pode impactar positivamente a reputação da instituição (LANSKY et al., 2014). 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante dos diversos aspectos abordados sobre o papel do enfermeiro obstetra no parto humanizado, é evidente que essa abordagem traz uma série de benefícios e oportunidades para a assistência obstétrica. O enfermeiro obstetra, atuando como agente facilitador, desempenha um papel fundamental ao oferecer uma assistência individualizada, respeitosa e centrada na mulher durante todo o processo de gestação, parto e pós-parto. A abordagem humanizada na assistência obstétrica proporciona uma experiência de parto mais positiva e empoderadora para as gestantes. Ao respeitar a autonomia da mulher e promover o envolvimento ativo na tomada de decisão, o enfermeiro obstetra contribui para uma maior satisfação das gestantes e menor ocorrência de traumas relacionados ao parto. Além disso, o uso de técnicas de alívio da dor não farmacológicas e a atenção ao bem-estar emocional das gestantes favorecem uma abordagem mais natural e respeitosa durante o trabalho de parto. Os benefícios da abordagem humanizada na assistência obstétrica vão além das 11 gestantes, alcançando também os recém-nascidos. O contato pele a pele imediato após o nascimento, o incentivo à amamentação inicial e o apoio emocional no pós-parto favorecem o estabelecimento do vínculo afetivo entre mãe e bebê, contribuindo para a saúde e bem- estar do recém-nascido. Contudo, a implementação da abordagem humanizada enfrenta desafios significativos. A medicalização excessiva do parto, a resistência cultural e a falta de profissionais capacitados são alguns dos obstáculos que precisam ser superados. Para promover efetivamente a humanização do cuidado obstétrico, é essencial investir em capacitação e atualização dos profissionais de saúde, bem como em políticas públicas que valorizem e incentivem essa abordagem. Em síntese, o enfermeiro obstetra desempenha um papel crucial como agente facilitador no parto humanizado. Sua atuação baseada no respeito à autonomia da mulher, no apoio emocional, nas intervenções criteriosas e na promoção de um ambiente acolhedor contribui para uma experiência de parto mais positiva e empoderadora. Superar os desafios e investir na capacitação dos profissionais são fatores cruciais para que a abordagem humanizada seja amplamente adotada, visando sempre o bem-estar e a segurança das gestantes e bebês. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. (2016). Diretrizes nacionais de assistência ao parto normal. 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