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1
Educação e 
tecnologia
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3
Sumário
Definição de tecnologias educacionais 
 Compreendendo o conceito de tecnologia 
 Tecnologias, informação e comunicação: conceitos e 
aproximações com a educação
	 Afinal,	o	que	são	tecnologias	educacionais?	Ampliando	e	
discutindo perspectivas 
Tecnologias educacionais e as relações no processo cognitivo
 TDIC, conectividade e ensino-aprendizagem 
 Interatividade e os caminhos possíveis para a autonomia
 Modelo de ensino a partir das competências digitais 
Racionalidade instrumental e determinismo tecnológico 
 Nativos e imigrantes digitais 
	 Modelo	geracional:	reflexões	necessárias	
Desafios relacionados às tecnologias educacionais
 Letramento computacional, informacional e em mídias: 
ponderações	necessárias	
 Alfabetização e letramento digital 
 Fluência digital 
Referências 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
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Objetivos Definição
Explicando Melhor Você Sabia?
Acesse Resumindo
Nota Importante
Saiba Mais Reflita
Atividades Testando
Para o início do 
desenvolvimento de uma 
nova competência;
Se houver necessidade 
de se apresentar um novo 
conceito;
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado;
Curiosidades indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo,	se	forma	necessárias;
Se for preciso acessar um 
ou mais sites para fazer 
download, assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
Quando for preciso se fazer 
um resumo acumulativo 
das últimas abordagens;
Quando	forem	necessárias	
observações ou 
complementações para o 
seu conhecimento;
As observações escritas 
tiveram	que	ser	priorizadas	
para você;
Textos, referências 
bibliográficas	e	links	para	
aprofundamento do seu 
conhecimento;
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre	algo	a	ser	refletido	ou	
discutido sobre;
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada;
Quando o desenvolvimento de 
uma competência for concluído 
e	questões	forem	explicadas.	
5
@faculdadelibano_
1
Definição de 
tecnologias 
educacionais
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Educação e tecnologia Capitulo 1
Definição de tecnologias 
educacionais
Compreendendo o conceito de tecnologia
Iniciaremos fazendo um questionamento para podermos definir o conceito de tecnologia. 
Vamos lá! Qual imagem mental você associa à tecnologia? Seria um notebook? Seria 
uma ferramenta de pedra talhada?
A partir das questões anteriores é que propomos “desconstruir” o conceito de 
tecnologia, avançando para além das “máquinas”. Nos exemplos anteriores, temos 
representadas tecnologias fundamentais à humanidade em determinado tempo. 
Quando falamos de tecnologia, não nos referimos apenas a computadores, celulares 
e internet, remetemo-nos, principalmente, às três palavras: evolução, progresso e 
comodidade.
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de conceituar tecnologia, 
reconhecer as particularidades das tecnologias quando relacionadas 
à informação e à comunicação (TIC) e (TDIC) e compreender a relação 
entre essas tecnologias e a educação, evidenciando o termo “tecnologias 
educacionais”. Esses conhecimentos são fundamentais para o exercício 
de sua profissão, afinal, a tecnologia permeia as relações humanas, 
portanto, é ativa nos processos de ensino-aprendizagem e, aqueles 
profissionais que não se atualizarem acerca dessa temática terão cada 
vez mais dificuldade de engajar seus alunos e, com isso, problemas 
variados na escola ou em outros espaços de aprendizagem serão 
cada vez mais acentuados. E então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Então, vamos lá. Avante!
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Educação e tecnologia Definição de tecnologias educacionais Capitulo 1
Com a necessidade humana, o homem moldou a pedra para caçar, um grande progresso 
à sua condição de vida e, consequentemente, um fator de comodidade, afinal, tem-se 
uma arma afiada para a disputa com os animais, travada com “mãos vazias” ou com 
instrumentos menos eficientes. 
Tem-se aqui uma tecnologia rudimentar que representa uma evolução para a 
humanidade.
 
A situação anterior nos permite avançar e sistematizar o conceito de tecnologia:
Na história da humanidade, vários são os exemplos de tecnologias rudimentares 
desenvolvidas para garantir a sobrevivência. Essas tecnologias rudimentares, a princípio 
em forma de instrumentos, permitiam a melhor realização das tarefas essenciais do dia 
a dia. Entretanto, conforme o homem foi evoluindo, passando da condição nômade para 
sedentário, novas demandas surgiram em decorrência da necessidade de adaptação 
ao meio.
Assim, outras ferramentas foram criadas, essas que operam no campo simbólico, tais 
como a linguagem e os números. Afinal, há a formação de organizações sociais, tais 
como povoados e cidades com suas demandas que, com suas etapas de consolidação, 
contribuíram para o desenvolvimento social e cultural dos povos.
O que é fundamental sabermos é que da pedra lascada para a caça, à linguagem, à 
máquina a vapor, ao computador, à internet, todas essas tecnologias foram decisivas 
para a evolução da humanidade em determinado período histórico, transformando o 
homem e sua cultura, influenciando diretamente em seu modo de vida das pessoas.
Definição
Para Kenski (2002), tecnologia é a totalidade das coisas resultantes da 
engenhosidade do cérebro humano. Está presente em todas as épocas, 
em diferentes formas de uso e para diferentes aplicações.
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Educação e tecnologia Definição de tecnologias educacionais Capitulo 1
Nesse momento, é possível que, a reflexão que abriu nossa conversa, se feita novamente, 
já tenha respostas e novas perspectivas, não é mesmo? Afinal, ampliamos o conceito 
de tecnologia identificando a totalidade daquilo que o homem constrói a partir dos 
diversos recursos naturais e de sua capacidade intelectual, resultando em ferramentas 
instrumentais ou simbólicas, que são essenciais para a transposição das barreiras 
naturais e a vida em sociedade. Ainda, é possível afirmar que:
 
Conhecimentos e princípios científicos que se aplicam ao planejamento, à 
construção e à utilização de um equipamento em um determinado tipo de 
atividade, chamamos de “tecnologia”. Para construir qualquer equipamento 
- uma caneta esferográfica ou um computador -, os homens precisam pesquisar, 
planejar e criar o produto, o serviço, o processo. Ao conjunto de tudo isso, chamamos 
de tecnologias. (KENSKI, 2002, p. 24)
Portanto, ao assumirmos a tecnologia sob essa perspectiva, é evidente a relação de 
dependência tecnológica e o quão fundamental ela é no processo social, atuando 
efetivamente nos processos de mediação das ações. Vygotsky, um dos teóricos de 
referência da Psicologia Histórico-Cultural e no campo da educação, afirma que a 
relação sujeito-ambiente não se dava diretamente, era sempre mediada por um elo 
intermediário que se interpunha entre ele (sujeito) e o mundo, seja um objeto, seja a 
linguagem. 
Sendo assim, aproximando das nossas reflexões, para ele sem a tecnologia não haveria a 
mediação inicial, o que torna fundamental discutir e pensar acerca não só dos processos 
de mediação, mas também, desses diante das tecnologias que surgem no mundo 
contemporâneo, com suas especificidades e que operam significativas mudanças no 
modo de vida em sociedade.
Essas são, a princípio, as Tecnologias da informação e comunicação (TIC), que, no 
contexto histórico da humanidade, relacionam-se com a informação e os processos 
de comunicação e, em tempos de internet e virtualização, avançam para outras 
denominações, como Tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC).
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Educação e tecnologia Definição de tecnologias educacionais Capitulo 1
Tecnologias, informação e comunicação: conceitos e 
aproximações com a educação
O desafio que temos aqui, ao buscar conceituar TIC e TDIC, não é em apresentarmos a 
relação de instrumentos, ferramentas ou objetos que podem ser aceitos nessa categoria, 
afinal, essa lógica é simplista e reduz o próprio objetivo dessede informática. Os estudantes 
em processo de alfabetização desenvolvem determinado conteúdo em sala e, em um 
período pré-agendado e esporádico, vão a esse espaço para utilizar os recursos e 
realizar pesquisas, sistematizar produções, entre outras ações.
 
Para Silva (2012), essas práticas podem até garantir o caráter de alfabetização, porém 
fracassam no princípio do letramento – tradicional e digital – afinal, descontextualizam 
as práticas sociais realizadas no ambiente virtual.
A formação inicial de professores ainda está distante de enfrentar o computador e a 
internet como instrumentos de aprendizagem. As porcentagens que indicam a presença 
de disciplinas sobre tecnologias nos currículos dos cursos analisados, por si só, mostram 
que esse é um esforço ainda muito pequeno. A análise dessas ementas são ainda 
mais eloquentes para dizerem que o futuro professor não está sendo capacitado para 
utilizar, em sua docência, os recursos do computador- internet. Pela nomenclatura das 
disciplinas e pelo conteúdo que abordam, percebe-se que há preocupação com as 
tecnologias em si, mas não com o letramento digital do professor em formação (FREITAS, 
2010 p.341).
Fluência digital
Dessas considerações, podemos avançar para a perspectiva da fluência digital. Essa 
condição de ser fluente diz respeito ao “algo a mais” para se comunicar diante das 
peculiaridades das TDIC.
Hoje nas redes sociais é comum nos depararmos com “memes”, que são imagens com 
textos ou outros formatos, geralmente com conteúdos engraçados. Para compreender a 
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Educação e tecnologia Desafios relacionados às tecnologias educacionais Capitulo 4
“graça” que esse recurso carrega em si, é preciso ser fluente na linguagem que o compõe, 
afinal, há um contexto que o significa e faz como que ele seja, portanto, engraçado ao 
comunicar sua mensagem.
Na relação entre alfabetização, letramento e fluência digital, podemos sistematizar seus 
conceitos e perspectivas conforme a Figura 10:
Importante
O papel do professor na contemporaneidade é ser o formador de novos 
docentes, que terão como alunos nativos digitais. Formação que deve 
ter uma ancoragem consistente na epistemologia do conhecimento, 
compreendendo-o como algo provisório e transitório, mas que tem 
regras e rigor. Ou seja, o educador é aquela pessoa que tem que estar 
sempre aberta ao novo, para investigá-lo e ver o que ele representa para 
o conhecimento e para a aprendizagem. Para formar futuros professores 
para o trabalho com nativos digitais, faz- se necessário enfrentar a 
responsabilidade de uma constante atualização, a defasagem entre o seu 
letramento digital e o do aluno, e manter o distanciamento possibilitador 
de um olhar crítico diante do que a tecnologia digital oferece. Assim, 
espera-se que, nessa era da internet, o professor possa fazer de sua 
sala de aula um espaço de construções coletivas, de aprendizagens 
compartilhadas (FREITAS, 2010 p.349).
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Educação e tecnologia Desafios relacionados às tecnologias educacionais Capitulo 4
Portanto, a partir do desenvolvimento desses conceitos, é fato que ainda é preciso 
avançarmos significativamente nas práticas desenvolvidas na relação com as TDIC 
para que o conceito de competências digitais almejado seja alcançado.
Entretanto, se ainda estivermos em alfabetização, em práticas de letramento ou já 
avançando para a fluência, o importante é sempre ter em mente que o objetivo maior 
de todo o trabalho na relação com as TDIC é a formação do sujeito competente, crítico 
e capaz de se comunicar, objetivos que variam de pessoa para pessoa, pois são várias 
as condições que permeiam essa relação tão complexa.
FIGURA 10
Relação entre o processo de alfabetização, letramento e fluência digital
FONTE
Adaptada de Silva e Behar (2019).
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Educação e tecnologia Desafios relacionados às tecnologias educacionais Capitulo 4
Ainda, mesmo no campo das competências digitais, cabe destacarmos seu caráter 
dinâmico e a necessidade constante de atualização por parte dos profissionais que se 
predispõem a esse trabalho desafiante.
Acesse
No intuito de compreender um pouco melhor a maneira como o 
letramento digital pode ser aplicado no âmbito educacional, indica-
se a leitura, na íntegra, do artigo de opinião: “Você já ouviu falar em 
letramento digital? Veja como trabalhá-lo!”. O artigo é de autoria de 
César Martins e durante a leitura será possível compreender não apenas 
a importância do letramento digital para a formação do indivíduo, mas 
especialmente, quais as consequências que podem ser alcançadas 
com o processo de letramento e, em especial, como se pode aplicar o 
letramento de maneira adequada no ambiente educacional. O artigo 
pode ser acessado através do link: https://escolasdisruptivas.com.br/
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Educação e tecnologia Desafios relacionados às tecnologias educacionais Capitulo 4
Resumindo
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você 
deve ter aprendido que a inclusão digital segue um caminho que é 
acesso, uso e emancipação na relação com as TDIC e, dessa relação, 
algumas perspectivas se evidenciam. Perspectivas e conceitos que 
sofrem mudanças com desenvolvimento tecnológico e que permitem, 
na atualidade, compor o conceito de competências digitais. Vimos 
que alfabetizar e letrar passa a agregar as mudanças tecnológicas 
considerando essenciais os conhecimentos e domínios das TDIC, por 
exemplo: as particularidades da leitura em tela e da hipertextualidade. 
Portanto, evidenciou-se que essa perspectiva avança no sentido 
de discutir o processo de alfabetização e letramento tradicional e 
digital de forma conjunta, de modo concreto, porém por separá-los, 
acabam por fracassar no princípio do letramento tradicional e digital, 
descontextualizam as práticas sociais realizadas no ambiente virtual. 
Questão que nos permitiu avançar para o conceito de fluência digital, 
entendida como o “algo a mais” necessário para se comunicar diante 
das peculiaridades das TDIC. Desses conceitos, foi possível discutir 
que ainda há um extenso caminho para se concretizar as premissas 
das competências digitais, mas que, ao profissional que se dispõe ao 
desafio de trabalhar com as TDIC, é fundamental: formação do sujeito 
competente, crítico e capaz de se comunicar, considerando a diversidade 
dos sujeitos, diante das condições que permeiam essa relação tão 
complexa.
53
Educação e tecnologia
Referências
BUZATO, M. E. K. Letramentos digitais e formação de professores. São Paulo: Portal 
Educarede, 2006. Disponível em:http://educarede.org. br/educa/img_conteu-do/
marcelobuzato.pdf . Acesso em: 8 nov. 2021.
COLL, C.; ILLERA, J. R. L. Alfabetização, novas alfabetizações e alfabetização digital. 
In: COLL, C.; MONEREO, C. Psicologia da Educação virtual: aprender e ensinar com as 
tecnologias da informação e da comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2010.
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Belo Horizonte, v.26, n.03, p.335-352, dez. 2010.
LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: 34, 1999.
MARTÍN-BARBERO, J. Tecnicidades, identidades, alteridades: mudanças e opacidades 
da comunicação no novo século. In: MORAES, D. Sociedade midiatizada. Rio de Janeiro: 
Mauad X, 2006, p. 51-79.
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Fac. Cienc. Tecnol, Bogotá, n. 37, p. 1-9,, jan./ jun., 2015.
PALFREY, J.; GASSER, U. Nascidos na Era Digital: entendendo a primeira geração de nativos 
digitais. Porto Alegre: Artmed, 2011.
PRETTO, N. Cultura digital e educação: redes já! In: PRETTO, N. L.; SILVEIRA, S. A. Além das 
redes de colaboração. Salvador: EDUFBA, 2008.
SILVA, S. P. Letramento digital e formação de professores na era da web 2.0: o que, como 
e por que ensinar? Hipertextus Revista Digital, n. 8, jun., 2012.
SOARES, M. Novas práticas de leitura e escrita: letramentona cibercultura. Educ. Soc., 
Campinas, v. 23, n. 81, p. 143-160, dez., 2002.
 
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Educação e tecnologia Referências
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públicas. CEBRAP, 2005. Disponível em: https:// www.scielo.br/j/nec/a/
vZ6fSRKr6SDKBHP6vdxbGTP/?lang=pt. Acesso em: 08 nov. 2021.
UNESCO et al. ICT competency standards for teachers. Portal Unesco, 2008. Disponível 
em: http://portal.unesco.org/ci/en/ev.php- URL_ID=25740&URL_DO=DO_TOPIC&URL_ 
SECTION=201.html. Acesso em: 13 jan. 2020.
UNESCO. Padrões de competência em TIC para professores: módulos de padrão de 
competências. Paris: Unesco, 2006.
55termo. A Professora Drª 
Luciana Massi com o excerto a seguir nos permite algumas reflexões fundamentais para 
avançarmos nosso caminho de aprendizagem:
 
O simples conceito de Tecnologias da Informação e da Comunicação, as famosas 
TIC, parece apontar para mudanças mais efetivas, já que a tecnologia passa a 
ser usada como fonte e meio de produção de informações e como nova forma 
de comunicação. Nos parece claro, então, que a tecnologia é uma nova forma 
de linguagem e sua inserção e ampliação constante tornam quase impossível 
a tarefa de elencar todos os exemplos que a ilustrariam: desde a internet, com 
sua linguagem html, redes sociais, blogs, wikis, passando por visualizações de 
abstrações existentes apenas no mundo virtual dos jogos e simulações; até novas 
formas de educação proporcionadas pelos ambientes virtuais de aprendizagem 
(AVA), para cursos de educação a distância (EAD) ou “blended learning”, que unem 
EAD e educação presencial. (MASSI, 2015, p. 1)
Seriam, então, as TIC instrumentos, ferramentas, objetos, equipamentos, as “máquinas” 
ou as possibilidades de comunicação que elas possibilitam?
O próprio termo Tecnologias da Informação e Comunicação já nos aponta a “saída” 
desse conceito: diz respeito às tecnologias que permitem socializar informações e 
possibilitam que a comunicação seja possível. Embora não possamos pensar em uma 
linearidade histórica efetiva para um fenômeno tão complexo, podemos perceber o 
desenvolvimento das TIC, a predominância das tecnologias e transformações associadas 
para Lévy (1990) a partir do desenvolvimento da oralidade, da escrita e da informática. 
Da escrita, temos o desenvolvimento das tecnologias impressas e, da informática, 
as digitais. Ampliando essa concepção, podemos perceber duas outras culturas que 
permeiam as tecnologias impressas e as digitais:
10
Educação e tecnologia Definição de tecnologias educacionais Capitulo 1
Entretanto, em tempos atuais, diante da intensa e rápida produção e disseminação 
tecnológica, há a incorporação das tecnologias digitais, essas que operam mudanças 
nessas perspectivas de organização de Lévy (1990) e culturais de Santaella (2003) e 
marcam um novo período de desenvolvimento. As TDIC repercutem significativamente 
nos diversos âmbitos das atividades humanas e com elas podemos falar de uma nova 
cultura: a cultura digital.
FIGURA 1
Cultura de massas e 
cultura das mídias
FONTE
Adaptado de Santaella 
(2003).
Importante
Mais que a tecnologia em si, essa classificação ocorre em decorrência do 
modo de produção, distribuição e consumo do conteúdo disponibilizado: 
a cultura de massa, em associação ao próprio nome, tende a ser 
mais massiva e passiva. Já a cultura das mídias, mais diversificadas e 
individualizadas.
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Educação e tecnologia Definição de tecnologias educacionais Capitulo 1
Para Santaella (2003):
A cultura digital se dá em decorrência do avanço das telecomunicações, 
principalmente com o advento da Internet e tem como característica a 
convergência das mídias escrita, audiovisual, telecomunicações e a informática 
permitindo com que seu conteúdo seja [...] traduzido, manipulado, armazenado, 
reproduzido e distribuído digitalmente. (SANTAELLA, 2003, p. 60)
Essa cultura prevê a maior capacidade, facilidade e agilidade em se obter, produzir e 
compartilhar informações, possibilitando uma forma de comunicação nominada por 
Lévy (1997) do tipo “todos-todos”.
Uma nova sociedade se desenha e, sobre ela, Kenski (2012) aponta:
O surgimento de um novo tipo de sociedade tecnológica é determinado 
principalmente pelos avanços das tecnologias digitais de comunicação e 
informação e pela microeletrônica”, afinal, é com a circulação mais eficaz da 
informação que vários campos da sociedade avançam, desde a economia, a 
medicina, à engenharia, até a educação, havendo uma infinidade de avanços 
positivos nessa evolução tecnológica possibilitada pelas TDIC. (KENSKI, 2012, p. 22).
Entretanto, novamente a complexidade vem à luz das nossas reflexões: não apenas 
de pontos positivos o avanço das TDIC se manifesta, há muito ainda que precisamos 
pensar, avançar e corrigir, principalmente quando relacionado à condição humana de 
acesso e discernimento ao uso do que está ali disponível. 
A diversidade de conteúdos e funções dos novos aparelhos eletrônicos, em sua maioria 
conectados à internet, resultam em ampla velocidade e interatividade, características, 
entre outras, marcantes dessas tecnologias, que possibilitam a quem as usam 
desenvolver competências e habilidades cognitivas para a operacionalidade técnica, 
mas, e as questões éticas? Essas questões ainda são essenciais e precisamos discuti-
las.
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Educação e tecnologia Definição de tecnologias educacionais Capitulo 1
Assim, a frase “o mundo virtual é terra de ninguém” nunca fez tanto sentido. Apesar 
dos avanços em termos de leis e punições, ainda é preciso educar para, com e a partir 
das TDIC, afinal, operamos em um campo em que as aprendizagens operacionais são 
necessárias, porém, é fundamental e imperativo que avancemos para o que de fato 
“perturba” nesse cenário tecnológico: o ser humano em desenvolvimento e a sociedade 
em construção.
Afinal, o que são tecnologias educacionais? Ampliando e 
discutindo perspectivas
Com as definições traçadas até aqui, é possível compreender e definir tecnologias 
educacionais como o uso dos recursos tecnológicos em prol do processo ensino-
aprendizagem. Assim, novamente, não é possível limitar ou restringir a computadores, 
Explicando Melhor
A Revista Galileu publicou em 24 de fevereiro de 2015, em sua versão 
on-line, a matéria intitulada “Quem são os trolls – e por que ninguém 
está livre deles”. Em seu texto, são apresentados dados resultados de 
uma pesquisa sobre o “comportamento troll” e quatro transtornos de 
personalidade obtidos pela Universidade de Manitoba, no Canadá. 
Sabendo que o troll pode ser definido como usuários on- line que se 
utilizam das redes sociais para ofender, ameaçar e perseguir pessoas 
que pareçam vulneráveis, o que esses dados, de fato, podem contribuir 
para responder à pergunta anterior? Primeiramente, esse estudo define 
esse comportamento como: “a prática de se comportar de forma 
enganosa, desordenada ou destrutiva num local social da internet por 
um único motivo: prazer próprio”. Ainda, após entrevistas, observaram 
que: “os trolls sentem um júbilo sádico com o sofrimento dos outros. 
Os sádicos só querem se divertir, e a internet é o seu playground”. Como 
segundo elemento, traz os seguintes dados: “73% dos usuários adultos 
de internet testemunharam um assédio on-line, e 40% deles viveram isso 
na pele”.
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Educação e tecnologia Definição de tecnologias educacionais Capitulo 1
tabletes, ou projetores o conceito de tecnologias educacionais. Uma caneta e o quadro-
negro são tecnologias utilizadas no processo educacional que, de longa data, ainda 
persistem nas relações desse processo.
Dessa visão, mais que discutir “o que são” importa discutir “o porquê são” educativas 
e, dessa lógica, podemos afirmar que tecnologias educacionais são aquelas utilizadas 
em prol da educação, promovendo maior e mais qualificação do processo e do 
desenvolvimento social e educativo diante da disponibilização, acesso e socialização 
das informações.
Importante
Para Niskier (1993), a tecnologia educacional é concebida da “mediação 
do encontro entre Ciência, Técnicas e Pedagogia”, entendida como 
“um exercício crítico com utilização de instrumentos a serviço de um 
projeto pedagógico” (NISKIER, 1993, p.80).
 
FIGURA 2
Tecnologias educacionais
FONTE
Freepik
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Educação e tecnologia Definição de tecnologias educacionais Capitulo 1
As tecnologias educacionais, portanto, não se limitam às TDIC e como apontado por 
Brito e Purificação (2011), sua criação também se dá mediante a necessidade do ser 
humano.
Um exemplo dessa necessidade é o ábaco. Uma tecnologia primitivaque auxiliava os 
povos primitivos na contagem e pode ser considerado como um primeiro “computador”.
A discussão do “porquê” está diretamente relacionada à inovação educacional. 
É fato que a escola já avançou muito em sua apropriação de diversas tecnologias, desde 
o uso de materiais concretos e ferramentas tidas como tradicionais e, em tempos 
de internet e TDIC voltamos ao “gancho” que encerrou nosso subtítulo anterior: o 
conhecimento operacional e o conhecimento ético necessário para a incorporação das 
tecnologias digitais, ligadas em rede, no processo educacional.
Um fato é fundamental e certo: não podemos mais excluir da escola e dos espaços 
educacionais essas tecnologias, suas linguagens e suas características. Assim, o uso do 
computadores e da internet acontece – com desafios e barreiras a serem transpostas, o 
que já é um grande passo. Para tanto, cabe pensarmos no que é preciso para que essas 
tecnologias contribuam para a mais reflexiva do ser humano e de um mundo melhor.
Não há receitas, mas já sabemos que caminhos não seguir. O trabalho com as 
tecnologias no campo educacional não pode e não deve apenas substituir o “antigo” 
pelo “novo”, mas sim, deve potencializar a tecnologia em recurso eficaz na quebra de 
paradigmas da cultura de massa, promovendo a diversidade cultural que resulte na 
desmistificação de estigmas históricos, o respeito mútuo, a solidariedade, firmando, 
de fato, a “aldeia global” que tanto é propagado quando se faz referência às relações 
em rede. Afinal, a educação é um processo que não se encerra em si, dela se espera 
intervenções, significações, contextualizações, transformações, espera-se ações e 
reflexões!
Com a incorporação das tecnologias digitais em rede na educação, é possível fazer 
o que há tempos clamamos para a escola: romper com didáticas tradicionais que 
privilegiam a transmissão de informações, o que se torna obsoleto quando se tem a 
“um toque” vários resultados em sites de busca, passando a privilegiar a construção de 
aprendizagens significativas que permitam refletir, filtrar, questionar, selecionar, organizar 
e tantas outras ações necessárias nesse fluxo extraordinário de informação acessível.
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Educação e tecnologia Definição de tecnologias educacionais Capitulo 1
Assim, definir tecnologias educacionais é mais que pensar em ferramentas, é pensar em 
uma postura perante o que essa ferramenta/ recurso permite e seu uso na educação 
deve ser sempre compreendido como um processo dinâmico, rápido e que se modifica 
diante do cenário que opera. 
Para nós, tenhamos sempre em mente a afirmação de Lévy (1990) nesse processo 
formativo e em nossas práticas profissionais, “é mais difícil, mas também mais útil 
apreender o real que está nascendo, torná-lo autoconsciente, acompanhar e guiar seu 
movimento de forma que venham à tona suas potencialidades mais positivas” (LÉVY, 
1990, p.118).
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Educação e tecnologia Definição de tecnologias educacionais Capitulo 1
Resumindo
E então? Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, 
só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de 
estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter 
aprendido que tecnologia não se restringe a computadores, celulares 
e internet, esse termo diz respeito à totalidade das coisas resultantes 
da engenhosidade do cérebro humano. Está presente em todas as 
épocas, em diferentes formas de uso e para diferentes aplicações 
e se relaciona diretamente a três palavras: evolução, progresso e 
comodidade. Ainda, que o pensamento, que organiza o conhecimento e 
o processo de construção de alguma ferramenta, também é tecnologia. 
Avançamos para o conceito de TIC e TDIC, respectivamente, Tecnologias 
da Informação e Comunicação e Tecnologias Digitais da Informação e 
Comunicação, conceituando-as, em termos gerais, como c aquelas que 
permitem socializar informações e possibilitam que a comunicação seja 
possível. Vimos que na relação com as TIC, Santaella (2003) relaciona 
duas culturas: a de massa e as mídias; e à TDIC à cultura digital. Cultura 
essa que se dá em decorrência do avanço das telecomunicações, 
principalmente com o advento da internet e tem como característica 
a convergência das mídias escrita, audiovisual, telecomunicações e a 
informática. No que se refere às tecnologias educacionais, vimos que 
elas podem ser entendidas como o encontro entre Ciência, Técnica e 
Pedagogia, de forma crítica, em prol de um projeto pedagógico. Além 
disso, não se às TDIC, mas, que são as tecnologias digitais e em rede que 
recuperam a discussão sobre a necessidade eminente de se quebrar 
paradigmas e superar práticas tradicionais, privilegiando a construção 
de aprendizagens significativas que permitam refletir, filtrar, questionar, 
selecionar, organizar e tantas outras ações necessárias nesse fluxo 
extraordinário de informação acessível. Para tanto, finalizamos reforçando 
a necessidade de se pensar além da ferramenta, sendo necessário 
pensar a postura perante ela quando na interface com a educação.
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@faculdadelibano_
2
Tecnologias 
educacionais e 
as relações no 
processo cognitivo
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Educação e tecnologia Capitulo 2
Tecnologias educacionais 
e as relações no processo 
cognitivo
TDIC, conectividade e ensino-aprendizagem
Você já parou para pensar sobre seu comportamento de leitor quando está na internet? 
Já reparou nas conexões que realiza para além do texto inicial que acessou? Já percebeu 
a relação entre as diferentes linguagens que as TDIC disponibilizam para além das 
palavras escritas? Já analisou a interferência de se ter um banner de “promoções” ao 
lado de uma reportagem, ou um vídeo com um tutorial daquela receita que está ali 
apresentada?
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de perceber, identificar 
e analisar as primeiras relações das TDIC no campo da educação. 
Conhecer os principais objetivos relacionados à formação e, a partir 
dessas tecnologias, é essencial incorporá-las às práticas docentes, 
seja na escola, seja em acompanhamentos individuais, seja em outros 
espaços educacionais, permitindo planejar e atuar de forma assertiva e 
coerente na relação objetivos de ensino e expectativa de aprendizagem. 
Desconhecer as especificidades dessas tecnologias compromete sua 
utilização, afinal, assim como toda ferramenta utilizada em prol de um 
objetivo educacional, a insegurança do profissional mediante o recurso, 
ou a má escolha, ou a má gestão da ferramenta é operante para o 
fracasso. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, 
vamos lá. Avante!
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Educação e tecnologia Tecnologias educacionais e as relações no processo cognitivo Capitulo 2
Quando nos propomos a discutir a interferência das TDIC no processo de aprendizagem, 
é necessário analisar sua estrutura para além do espaço da escola ou de educação a 
que se propõe. 
Afinal, estamos imersos nessa relação e as informações que estão disponíveis, apesar 
da possibilidade de alguns filtros de moderação projetados, assumem uma conexão de 
conectividade que, por vezes, nos faz perguntar “como cheguei nessa página?”, “como 
cheguei nesse conteúdo?”, se a ideia e o objetivo inicial eram divergentes do resultado 
final. 
Quem nunca acabou em um site de compra analisando o mais novo modelo de celular, 
ou um produto de destaque, ou qualquer outro serviço à venda, sem que essa tenha 
sido a ideia inicial? Ou ainda, quem ao “navegar” pela rede nunca acabou em um site 
com notícias de celebridades, seja sobre as roupas do tapete vermelho, seja sobre os 
relacionamentos de celebridades?
Essas questões nos apresentam as principais características das TDIC conectadas, por 
sua natureza são multilinguagens, conectivas e hipertextuais, sendo que o processo 
de interação, leitura e associação se configura como multitarefas, não lineares, 
autodidáticos, exploratórios e colaborativos.
É fato que na interface da educação essas características não são inéditas ou exclusivasdos ambientes conectados e virtuais, tampouco as habilidades que essas características 
demandam não são distantes dos objetivos de ensino e expectativas de aprendizagem 
que se espera nos espaços de escolarização, entretanto, com o advento das TDIC, tais 
características passam a ser encaradas como tendências contemporâneas que, para 
Lévy (1990), são ao mesmo tempo produtoras e produtos de uma ecologia cognitiva
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Educação e tecnologia Tecnologias educacionais e as relações no processo cognitivo Capitulo 2
Nesse sentido, da interação com as TDIC e suas características há a demanda de 
habilidades relacionadas à participação ativa, criativa, lúdica e engajada por parte dos 
sujeitos, resultado em um novo estilo de ensino-aprendizagem. Afinal, dessa interação 
tecnológica há o favorecimento de novos modos de comunicação, de pensar, de lidar 
com a informação e de produzir conhecimentos e de agregar e rastrear informações 
que precisam ser consideradas, acolhidas e potencializadas.
 
FIGURA 3
Conectividade
FONTE
Freepik
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Educação e tecnologia Tecnologias educacionais e as relações no processo cognitivo Capitulo 2
Trazemos como imperativo, pois, conforme aponta Morin (2004) é necessário mobilizar 
recursos cognitivos, investimentos individuais e tenacidade para que esses novos modos 
de aprender se efetivem, afinal, as competências que as TDIC demandam no processo 
ensino-aprendizagem são inatas ao sujeito, são identificadas de maneira espontânea 
apenas em pequena porção, cabendo à escola e aos profissionais a responsabilidade 
de promover possibilidades para “uma crescente autonomia dos/as estudantes, visando 
seu desenvolvimento pessoal e provendo-os com ferramentas para pensar e agir de 
modo informado e responsável num mundo cada vez mais permeado pela ciência e 
tecnologia” (CASTELI et al., s. d.).
Interatividade e os caminhos possíveis para a autonomia
Lévy (1996, p. 97) define inteligência como o “conjunto canônico das aptidões cognitivas, 
a saber, as capacidades de perceber, de lembrar, de aprender, de imaginar e de 
raciocinar”. Com as TDIC, essas aptidões passam a ser potencializadas, ao menos no 
exercício do usuário da ferramenta, quando acessa as informações. E, aqui, temos o 
elemento que inicia nossa discussão sobre os caminhos para a autonomia necessária 
para a aprendizagem nesse cenário tecnológico conectado, a interatividade.
FIGURA 4
Novos modos de aprender
FONTE
Adaptada de Venturi (2011).
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Educação e tecnologia Tecnologias educacionais e as relações no processo cognitivo Capitulo 2
Esse conceito está diretamente relacionado à participação e à intervenção ativa, ou 
seja, quando falamos em interatividade nos remetemos à possibilidade do sujeito em 
atuar, contribuir, modificar, questionar, enfim, agir a partir do conteúdo/informação a 
ser aprendido. Com as TDIC, ampliou-se a possibilidade do estudante-autor, aquele que 
constrói e produz, significa e altera, complementa e adequa o que está ali disponível para 
sua aprendizagem, possibilidades oferecidas diante do caráter tecnológico inovador 
das TDIC.
No campo das TDIC, a interatividade se configura em ideal de comunicação entre 
humanos, direta ou indiretamente mediada pela máquina. A isso, preconiza-se a ruptura 
de modelos comunicacionais, pregando-se a transição do modo de comunicação 
“massivo” para o “interativo” (LÉVY, 1999 apud ALONSO et al., 2014).
É uma nova realidade que se projeta nas ações educativas “superando as antigas 
hierarquias, estabeleceria uma relação totalmente outra, porque capaz de se dar de todos 
para todos” (LÉVY, 1999, p. 79). É a possibilidade que o estudante tem de acessar tutoriais 
em vídeos, por exemplo, buscando novos caminhos para construir sua aprendizagem. E, 
é aí que o desafio se estabelece.
 
FIGURA 5
Tecnologias e cotidiano
FONTE
Freepik
Afinal, como categorizado por Coll e Monereo (2010), com o advento da informatização 
digital, avançamos para o que se atribuiu o nome de “tecnologias ubíquas” que são 
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Educação e tecnologia Tecnologias educacionais e as relações no processo cognitivo Capitulo 2
aquelas tecnologias que, de tão integradas à vida das pessoas, passam a não ser mais 
percebidas em suas relações e interações cotidianas, o que resulta na diminuição ou 
ausência de reflexão acerca das influências que elas ocasionam.
O conceito de tecnologia ubíqua é fundamental, pois é ele que nos permite avançar 
para o conceito de autonomia, para tanto, veja a seguinte situação. Digamos que 
“navegando” por alguma rede social, você se depara com a seguinte notícia: 
“Extraterrestes invadem o México – há 4 horas ninguém consegue contato com nenhuma 
autoridade local”. Por curiosidade – ou angústia, não é mesmo? –, você clica e lê o texto 
e sobre o que ele se refere.
Por experiência, você não compartilha e divulga a informação sem antes verificar a 
veracidade da notícia. Depois do acesso e leitura crítica, você identifica que se trata de 
uma chamada para um novo filme, entretanto, durante o dia você vê em sua timeline 
diversas postagens de outros usuários da rede social sobre a notícia tendo-a como 
verdadeira, a ponto do estúdio que produz o filme ter que produzir um comunicado 
oficial para “acalmar” determinada parcela da população.
Desse exemplo, podemos estabelecer o conceito de autonomia que encaminha nossas 
discussões. Definimos autonomia como a competência de poder escolher por si mesmo, 
de poder agir a partir de sua própria vontade e, principalmente, de dispor de recursos 
que permitam pensar de maneira crítica e reflexiva sobre essas ações exercidas, ou 
seja, a premissa do exercício da consciência. Freire (2009) afirma que autonomia:
implica na apropriação crescente de sua posição no contexto. Implica na 
sua inserção, na sua integração, na representação objetiva da realidade. Daí 
Definição
Tecnologia ubíqua “se refere à progressiva interação dos meios 
informáticos nos diferentes contextos de desenvolvimento dos 
seres humanos, de maneira que não são percebidos como objetos 
diferenciados” (COLL; MONEREO, 2010, p. 46).
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Educação e tecnologia Tecnologias educacionais e as relações no processo cognitivo Capitulo 2
a conscientização ser o desenvolvimento da tomada de consciência. Não 
será, por isso mesmo, algo apenas resultante das modificações econômicas, por 
grandes e importantes que sejam. A criticidade, como entendemos, há de resultar 
de um trabalho pedagógico crítico, apoiando em condições históricas propícias 
(FREIRE, 2009, p. 61).
Nesse sentido, interação e autonomia são faces da mesma moeda: não se pode 
produzir conteúdo sem pensar sobre ele, não se pode ser autor sem conhecer as 
responsabilidades de sua ação. Enquanto profissionais, não podemos ignorar essas 
demandas e relações no processo ensino-aprendizagem.
Essas premissas se consolidam enquanto legislação, a partir da homologação da 
Base Nacional Comum Curricular – BNCC (BRASIL, 2017) que propõe dez competências, 
tanto cognitivas como socioemocionais, como objetivos de aprendizagem e 
desenvolvimento a serem alcançados ao longo do ciclo da Educação Básica, inclusive 
relacionadas às TDIC. Acesse o link para saber mais: https://www.scielo.br/j/tla/a/
hYxY9gcBqqCmHRsSg8zVfQH/?lang=pt
Para tanto, os caminhos possíveis para que essas competências sejam fomentadas 
são permeados pela educação baseada nas competências digitais, na modernização 
da educação escolar e na criação de oportunidades para que os estudantes sejam 
estimulados a desenvolver e utilizar seu senso crítico com os mais diversificados 
conhecimentos e na socialização do que aprenderam.
É fundamental lembrar que, apesar das TIDC serem qualitativamente diferentes dos 
recursos convencionais, apenas sua utilização não produz as mudanças necessárias no 
Reflita
Do que vale o estudante saber acessar a internet ou fazer o download 
de um jogo se ele não avança no processo de aprendizagens 
contextualizadas, elaboradas, significativas eessenciais, tais como: 
responsabilidade no uso da rede não se colocando em perigo, respeito 
o outro, entre outros?
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Educação e tecnologia Tecnologias educacionais e as relações no processo cognitivo Capitulo 2
processo de desenvolvimento e aprendizagem dos estudantes. Apenas o computador, 
o celular e/ou o tablet estarem no espaço educativo, não significa a apropriação efetiva 
da tecnologia sob a égide dos princípios da interatividade e autonomia. Afinal, uma aula 
expositiva, mecânica e de baixa interatividade, é possível tanto com o uso de multimídia 
como no quadro de giz, não é mesmo?
Para que as TDIC possam possibilitar a modificação, amplificação e exteriorização de 
numerosas funções cognitivas como a memória, a percepção, a imaginação, raciocínio 
é preciso a qualificação da mediação pedagógica.
Novamente lançamos mão de Lévy (2011), teórico-referência nas discussões sobre a 
cibercultura e que, sobre essa qualificação de mediação pedagógica, indica que as 
possibilidades são muitas e variadas quando na relação com as funções cognitivas, por 
exemplo:
• Memória: uso de banco de dados, mapas mentais, conectores textuais, arquivos 
digitais, entre outros.
• Imaginação: simuladores virtuais, instrumentos de criação colaborativos e de 
representação abstratos, jogos de narrativas, entre outros.
• Percepção: sensores, realidade virtual, entre outros.
• Raciocínio: principalmente por meio da inteligência artificial e pelo compartilhamento 
entre os indivíduos, que aumentam o potencial da inteligência coletiva.
Saiba Mais
Para saber um pouco mais sobre o que é cibercultura, seus conceitos 
e seus fundamentos, recomendamos a leitura do artigo Cibercultura: 
um estudo contextualizador e introdutório acessando o link: http://www.
intercom.org.br/papers/nacionais/2010/resumos/r5-2207-1.pdf
Nesse sentido, a mediação pedagógica se constitui na relação com a mediação 
tecnológica, quando, enquanto profissionais, nos apropriamos dos meios e recursos 
sustentados por essas tecnologias, privilegiando e promovendo práticas que ampliam 
as possibilidades de comunicação que rompem com o modelo unidirecional e passivo, 
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Educação e tecnologia Tecnologias educacionais e as relações no processo cognitivo Capitulo 2
anteriormente previsto ao estudante. Assim, é fundamental compreendermos o modelo 
de ensino a partir das competências digitais.
Modelo de ensino a partir das competências digitais
Ensinar na relação com as TDIC deve, a priori, preconizar a promoção de práticas que 
permitam aos sujeitos:
explorar e enfrentar as novas situações tecnológicas de uma maneira flexível, para 
analisar, selecionar e avaliar criticamente os dados e informação, para aproveitar 
o potencial tecnológico com o fim de representar e resolver problemas e construir 
conhecimento compartilhado e colaborativo, enquanto se fomenta a consciência 
de suas próprias responsabilidades pessoais e o respeito recíproco dos direitos e 
obrigações. (CALVANI et al., 2008, p. 186)
Espera-se, portanto, que do ensino proposto os sujeitos desenvolvam competências 
necessárias para que estabeleçam relações com as TDIC de forma consciente e 
reflexiva. Para tanto, três dimensões são inerentes às competências digitais: tecnológica, 
cognitiva e a ética.
FIGURA 6
Competências digitais
FONTE
Adaptada de Silva e Behar (2019).
 
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Educação e tecnologia Tecnologias educacionais e as relações no processo cognitivo Capitulo 2
Na integração dessas três competências, espera-se que o estudante compreenda 
o potencial das TDIC para a construção do conhecimento de forma colaborativa e 
cooperativa. Em um panorama geral, podemos sistematizar as competências digitais 
em conhecimentos, habilidades e atitudes.
Desses dois esquemas representados nas figuras anteriores, podemos ampliar o 
conceito de competência digital para: um conjunto de conhecimentos, habilidades e 
atitudes, estratégias e sensibilização de que se precisa quando se utilizam as TICs e os 
meios digitais para realizar tarefas, resolver problemas, se comunicar, gestar informação, 
colaborar, criar e compartilhar conteúdo, construir conhecimento de maneira efetiva, 
eficiente, adequada de maneira crítica, criativa, autônoma, flexível, ética, reflexiva para 
o trabalho, o lazer, a participação, a aprendizagem, a socialização, o consumo e o 
empoderamento. (FERRARI, 2012, p. 3-4 apud SILVA e BEHAR, 2019)
Entretanto, existem outros elementos sociais, econômicos e culturais que implicam na 
efetivação das competências digitais, que serão discutidos na sequência.
FIGURA 6
Competências digitais
FONTE
Adaptada de Silva e Behar (2019).
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Educação e tecnologia Tecnologias educacionais e as relações no processo cognitivo Capitulo 2
Resumindo
E então? Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só 
para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo 
deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que as TDIC conectadas são, por natureza, multilinguagens, conectivas e 
hipertextuais, sendo que o processo de interação, leitura e associação 
se configura como multitarefas, não lineares, autodidáticos, exploratórios 
e colaborativos. Características que não são inéditas no processo de 
ensino-aprendizagem, mas que, com o advento tecnológico, passam 
a ser encaradas como tendências contemporâneas, demandando 
habilidades relacionadas à participação ativa, criativa, lúdica e engajada 
por parte dos sujeitos. Vimos dois conceitos fundamentais relacionados 
ao ensino-aprendizagem na relação com as TDIC: a interatividade e a 
autonomia. O primeiro está diretamente relacionado ao “estudante- 
autor”, que constrói e significa as informações disponíveis em prol de 
sua aprendizagem diante das possibilidades oferecidas e do caráter 
tecnológico inovador das TDIC. O segundo diz respeito à competência 
de poder escolher por si mesmo, de poder agir a partir de sua própria 
vontade e, principalmente, de dispor de recursos que permitam pensar 
de maneira crítica e reflexiva sobre essas ações exercidas, ou seja, a 
premissa do exercício da consciência. Vimos a necessidade da mediação 
pedagógica para que as TDIC, de fato, cumpram com essas intenções 
e, para isso, a prática deve objetivar, principalmente, o desenvolvimento 
de competências digitais, essas compreendidas como um conjunto 
de conhecimentos, habilidades e atitudes, estratégias e sensibilização 
de que se precisa quando se utilizam as TIC e os meios digitais para 
realizar tarefas, resolver problemas, comunicar-se, gestar informação, 
colaborar, criar e compartilhar conteúdo, construir conhecimento 
de maneira efetiva, eficiente, adequada de maneira crítica, criativa, 
autônoma, flexível, ética, reflexiva para o trabalho, o lazer, a participação, 
a aprendizagem, a socialização, o consumo e o empoderamento.
29
@faculdadelibano_
3
Racionalidade 
instrumental e 
determinismo 
tecnológico
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Educação e tecnologia Capitulo 3
Racionalidade instrumental 
e determinismo tecnológico
Nativos e imigrantes digitais
Como vimos, as tecnologias de forma geral surgem da necessidade humana e, como 
consequência, transformam o modo de vida das pessoas. Esse processo se dá em um 
ciclo retroalimentado: necessidade – tecnologia – necessidade – tecnologia. E é assim 
também na relação com as TDIC.
Ao facilitar o acesso à informação na viabilização e expansão da cultura digital, essas 
tecnologias alteram as relações estabelecidas, seja na vida em geral, seja no contexto 
educacional, surgindo como objeto de pesquisa/estudo para alguns teóricos que 
buscam melhor compreender e definir as especificidades, características e outras 
perspectivas dessas relações na “era digital”.
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de perceber as relações 
entre as condições socioeconômicas e culturais e o desenvolvimento 
das competências digitais trabalhadas na competência anterior. 
Compreender essa relação permite, principalmente, identificar os 
elementosque permeiam a relação TDIC – ensino – aprendizagem no 
contexto brasileiro. Isto será fundamental para a qualificação das TDIC 
em suas práticas pedagógicas, descontruindo ideias pré-concebidas e 
massivas acerca do conhecimento e competência dos sujeitos diante 
desses recursos. Sem conhecer essa relação, o trabalho pedagógico 
pode fracassar sem que o profissional identifique os motivos reais. E 
então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. 
Avante!
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Educação e tecnologia Racionalidade instrumental e determinismo tecnológico Capitulo 3
Entre esses teóricos, destacam-se Palfrey e Gasser (2011) principalmente por serem 
eles os responsáveis pelos termos: nativos e imigrantes digitais. Para eles, aqueles que 
nasceram após os anos 1980,por serem contemporâneos às tecnologias, teriam maiores 
habilidades para usar as TDIC. Seriam, portanto, os nativos digitais e o aspecto etário 
que definiria a condição do usuário frente a ferramenta e seu conteúdo.
Já os imigrantes digitais são aqueles que não se enquadram nesse grupo. A eles caberia 
conviver e interagir com os nativos digitais e “se familiarizar” com a tecnologia emergente. 
Nesse cenário, ainda haveria um terceiro grupo, os colonizadores digitais, que seriam 
as pessoas que destoam do primeiro e do segundo grupo e corresponde àqueles que 
cresceram pré-mundo digital – em mundo analógico –, mas que são responsáveis ou 
vem contribuindo para a evolução tecnológica. Diferente dos imigrantes, os colonizadores 
atuam conectados e fazem o uso sofisticado das tecnologias.
 
FIGURA 8
Nativos digitais
FONTE
Freepik
Essa classificação geracional, ao ser transposta para o cenário educacional, predispõe 
relações conflitantes, afinal, grande parte dos professores em atuação poderiam ser 
categorizados como imigrantes digitais frente a turmas de nativos digitais. Mais que um 
rótulo, esses termos nos permitem pensar sobre a forma como cada um desses sujeitos 
aprende, ensina e constrói conhecimento.
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Educação e tecnologia Racionalidade instrumental e determinismo tecnológico Capitulo 3
É provável, portanto, que o professor aprenda e construa conhecimentos de forma 
diferente de seus estudantes, consequentemente, sua forma de ensinar difere da forma 
como os estudantes percebem o conhecimento e sua produção.
Importante
A perspectiva de nativos e imigrantes digitais contribui, principalmente, 
para evidenciar as possíveis barreiras e/ou dificuldades de comunicação 
que podem existir entre professores e estudantes. Se pensarmos a 
partir do proposto, considerando alunos e os professores de hoje, 
respectivamente, nativos e imigrantes digitais, é possível que nessa 
relação ambos busquem se fazer entender e ser compreendido por 
meio de “línguas diferentes”.
 
FIGURA 9
Dificuldades comunicativas
FONTE
Freepik
Assim, é possível que nessa relação os estudantes e suas demandas de aprendizagem 
coloquem em xeque as formas e métodos pelas quais os professores aprenderam e, 
consequentemente, ensinam.
É preciso destacarmos: as análises que fizemos até aqui podem resultar em perspectivas 
simplistas, pressupondo-se que existam formas prontas e acabadas sendo garantia 
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Educação e tecnologia Racionalidade instrumental e determinismo tecnológico Capitulo 3
de aprendizagem, afinal, superada a dificuldade de comunicação, não haveria motivo 
para que o que se ensina não seja aprendido, não é mesmo? Entretanto, sabemos que 
o processo educacional é complexo e não opera nessa lógica matemática, tampouco 
dessa forma linear.
Assim, quando pensamos no impacto positivo ou negativo das inovações decorrentes 
das TDIC na educação, é preciso que consideremos todo o cenário que comungam 
nesse processo dentro e fora do espaço escolar. Portanto, é fundamental destacar as 
controvérsias que emergem da perspectiva geracional apresentada.
Modelo geracional: reflexões necessárias
Ao contrário de Palfrey e Gasser (2011), Monereo e Pozo (2010) afirmam que não devemos 
considerar a idade como condição determinante na relação com as TDIC. Apontam que 
não há um “abismo geracional”, mas sim um “abismo sociocognitivo”, ou seja, a diferença 
está no modo de pensar e de se relacionar com o mundo das pessoas que não utilizam 
as tecnologias digitais ou as que utilizam de forma esporádica ou cotidianamente.
Revisitando a sua primeira categorização, Prensky (2009) também acaba considerando 
essas questões, tanto que sugere um novo conceito: sabedoria digital. Esse conceito se 
refere tanto à sabedoria decorrente do uso da tecnologia digital quanto à sabedoria 
de saber usá-la com ética. Assim, indiferente da faixa etária, todos podemos nos tornar 
sábios no mundo digital, como em qualquer aprendizagem, com maior ou menor 
habilidade em determinados campos de operação.
Para tanto, é necessário perceber em que cenário se estabelecem as relações com as 
TDIC que possibilitam a sabedoria digital. Conforme dados do censo, 41% (quarenta e 
um por cento) das pessoas que apontaram “falta de habilidade com o computador” 
são “mais velhas e menos escolarizadas” (BRASIL, 2015, p. 51), a lógica etária parece fazer 
sentido. Entretanto, dados divulgados pelo CETIC – Centro Regional de Estudos para o 
desenvolvimento da sociedade da informação, publicados em 2018, apontam que 33% 
(trinta e três por cento) das residências não tem acesso à internet, ou seja, reduz a todos, 
indiferente de sua idade, a possibilidade de avanços no sentido da sabedoria digital.
Essa condição – mazela – de exclusão digital decorrente das condições sociais e 
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Educação e tecnologia Racionalidade instrumental e determinismo tecnológico Capitulo 3
econômicas pode ser definida como uma “fratura digital”. Para Mattelart (2002), em 
uma sociedade desigual, dois papéis se desenham: os “inforricos” - aqueles com uso 
proficiente das tecnologias e, os “infopobres” - sujeitos marginalizados no cenário 
tecnológico.
No sentido de compreender a relação direta da pobreza com a exclusão digital, destaca-
se o evidenciado por Sorj e Guedes (2005):
A pobreza não é um fenômeno isolado. A maneira como ela é definida e percebida 
depende do nível de desenvolvimento cultural, tecnológico e político de cada 
sociedade. A introdução de novos produtos, que passam a ser indicativos de uma 
condição de vida “civilizada” (seja telefone, eletricidade, geladeira, rádio ou TV), 
aumenta o patamar abaixo do qual uma pessoa ou família é considerada pobre. 
Como o ciclo de acesso a novos produtos começa com os ricos e se estende aos 
pobres após um tempo mais ou menos longo (e que nem sempre se completa), 
há um aumento da desigualdade. Os ricos são os primeiros a usufruir as vantagens 
do uso e/ ou domínio dos novos produtos no mercado de trabalho, enquanto a 
falta destes aumenta as desvantagens dos grupos excluídos. Em ambos os casos, 
os novos produtos TICs aumentam, em princípio, a pobreza e a exclusão digital. 
As políticas públicas podem aproveitar as novas tecnologias para. (SORJ, GUEDES, 
2005, p.102)
Os autores destacam que a pobreza depende, essencialmente, da maneira como 
os aspectos sociais são apresentados e, por isso, na medida que surgem novos 
produtos e realidades na sociedade, as condições econômicas e sociais modificarão e, 
consequentemente, o desfavorecimento poderá surgir.
Portanto, essa condição nos alerta para compreender a condição brasileira no trabalho 
integrado às TDIC: as condições de usuário é um fenômeno que engloba aspectos de 
ordens econômica e social, nos quais os mais pobres, mais velhos e menos escolarizados, 
os primeiros e os últimos em diferentes faixas etárias, são marginalizados do cenário 
tecnológico por sua condição de existência (CASTELLS, 1998).
Portanto, é preciso considerar que muitos dos estudantes não estão/não se encontram 
inseridos na cultura digital. Embora, esses mesmos estudantes possam se engajar diante 
das TDIC em sua aprendizagem, precisamos estar atentos para perceber a condição 
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Educação etecnologia Racionalidade instrumental e determinismo tecnológico Capitulo 3
de usuário desse estudante, fundamental na relação ensino-aprendizagem, afinal, 
a inabilidade ou desinteresse, ou até mesmo o “fracasso”, nesse processo pode estar 
relacionado diretamente ao fato de não terem acesso às tecnologias cotidianamente 
em decorrência de sua condição socioeconômica.
No que se refere às condições apresentadas na sociedade acerca da inclusão digital, 
Sorj e Guedes (2005) destaca que, no Brasil, a desigualdade social também se relaciona 
com o uso das tecnologias da informação e que isso reflete, tão somente, a realidade 
global da desigualdade que acomete o país
O processo desigual de disseminação do computador entre a população 
das diferentes cidades do Brasil reflete sem dúvida o nível desigual de riqueza 
e escolaridade entre as diferentes regiões e cidades, em particular entre as 
populações pobres das regiões Norte e Nordeste e do Centro-Sul. A posse do 
computador, porém, está também associada a um componente intangível: a 
disseminação de uma cultura de valorização da informática associada em especial 
à noção de que seu domínio é condição de emprego e sucesso na educação. 
(SORJ, GUEDES, 2005, p.102)
Ainda no que se refere ao processo de exclusão digital, convém destacar que a 
desigualdade não é encontrada apenas no setor econômico, mas em questões de 
gênero, grupos etários e comunidades no geral, conforme observa Sorj e Gedes (2005)
A exclusão digital se dá também no interior dos grupos pobres, entre gêneros, raças 
e grupos etários, e entre diferentes comunidades. A menção aos bairros pobres 
pode dar uma falsa visão de homogeneidade, quando tanto no interior de cada 
um como entre eles a desigualdade em relação à posse de computador é muito 
pronunciada. (SORJ, GUEDES, 2005, p.103)
Dessa maneira, para Koutropoulos (2011) é importante questionar a existência de uma 
geração digital e as premissas – quase de mágicas – de como ensinar e trabalhar com 
os “nativos digitais”, afinal, esse termo carrega em si um estereótipo que precisa ser 
rompido e, infelizmente, em decorrência das desigualdades sociais, representa minoria 
da população.
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Educação e tecnologia Racionalidade instrumental e determinismo tecnológico Capitulo 3
Assim, precisamos considerar como fator essencial para o trabalho com as TDIC a 
inclusão digital entendida como a efetivação – mínima – de três ações (BARRETO, 2009; 
CASTELLS, 1998; MATTELART, 2002):
1º) A disponibilização da tecnologia aos usuários. 2º) A formação técnica desses para o 
uso.
3º) A formação intelectual crítica para refletir sobre seu papel de usuário.
É fato que na escola já avançamos significativamente na disponibilização das 
tecnologias. Ainda é preciso avançar e para tanto, é preciso participarmos ativamente 
das discussões sobre políticas públicas para que a infraestrutura seja qualificada. 
A segunda ação podemos encarar como decorrente, afinal, tendo a “ferramenta” 
disponível, identificaremos a demanda do estudante e, a partir dela podemos intervir 
e avançar. Já a terceira ação é o que irá, de fato, superar o abismo ocasionado pela 
“fratura digital”, pois, é o uso proficiente e autônomo das TDIC, é sobre essa ação que 
avançaremos na próxima competência.
Ainda no que se refere ao processo de inclusão no âmbito das tecnologias da informação, 
destaca-se a necessidade de inserção de políticas públicas que sejam capazes de 
equacionar os interesses e realidades da sociedade, conforme destaca Sorj e Guedes 
(2005) que se encontra disposto da seguinte maneira:
As políticas públicas podem aproveitar as novas tecnologias para melhorar as 
condições de vida da população e dos mais pobres, mas a luta contra a exclusão 
digital visa sobretudo encontrar caminhos que diminuam seu impacto negativo 
sobre a distribuição de riqueza e oportunidades. (SORJ, GUEDES, 2005, p.106)
Ainda no que se refere ao processo de inserção das tecnologias da informação nos mais 
diversos setores da sociedade, com o objetivo de auxiliar a acessibilidade, destaca-se 
que a supressão dos obstáculos para este processo deve ocorrer só a partir da retirada 
dos elementos que podem dificultar a acessibilidade é que será possível perceber a 
inclusão digital pelos setores mais marginalizados da sociedade. 
Além do mais, destaca-se que apenas com a inclusão, em todos os aspectos, é que 
será possível identificar a massificação do uso das tecnologias da informação.
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Educação e tecnologia Racionalidade instrumental e determinismo tecnológico Capitulo 3
As políticas de universalização de acesso devem confrontar as complexidades 
associadas à apropriação efetiva das TICs pelos setores mais pobres da população. 
O valor efetivo da informação depende da capacidade dos usuários de interpretá-la. 
Informação só existe na forma de conhecimento, e conhecimento depende de um 
longo processo de socialização e de práticas que criam a capacidade analítica que 
transforma bits em conhecimento. (SORJ, GUEDES, 2005, p.116)
Por isso, torna-se evidente que para se conseguir a inclusão digital, de maneira ampla, o 
pressuposto essencial é combater a exclusão escolar, ou seja, a máxima do processo é 
trabalhar com uma educação ampla, inclusão e qualidade, pois conforme destaca Sorj 
e Guedes (2005) a inclusão digital só tem efeito quando associada com a execução de 
outras políticas públicas.
Portanto, combater a exclusão digital supõe enfrentar a exclusão escolar. As 
políticas de universalização do acesso à Internet nos países em desenvolvimento 
serão uma quimera se não estiverem associadas a outras políticas sociais, em 
particular às da formação escolar. Não haverá universalização de acesso às 
novas tecnologias da informação e da comunicação sem a universalização de 
outros bens sociais. Nos países em que as taxas de analfabetismo funcional são 
altíssimas. (SORJ, GUEDES, 2005, p.116)
A potencialização da importância no processo de inclusão educacional como 
pressuposto para a inclusão digital, não quer dizer que esta só pode ser aplicada quando 
aquela ocorrer de maneira ampla, mas tão somente destacar que são instrumentos 
importantes e que podem, de fato, ser trabalhadas de maneira conjunta. 
Inclusive, pelas formas como o processo educacional tem se apresentado, em especial 
em virtude dos aspectos surgidos com a pandemia da Covid-19, não há como dissociar 
as realidades.
Obviamente, isso não significa que se deva esperar que se chegue a erradicar o 
analfabetismo para se desenvolver políticas de inclusão digital. Não podemos 
esquecer que a luta pela inclusão digital é uma luta contra o tempo. As novas 
tecnologias da informação aumentam a desigualdade social, de forma que a 
universalização do acesso não é mais do que a luta por um novo nivelamento das 
condições de acesso ao mercado de trabalho. (SORJ, GUEDES, 2005, p.116)
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Educação e tecnologia Racionalidade instrumental e determinismo tecnológico Capitulo 3
Sobre esta relação tênue que deve existir entre inclusão escolar e inclusão digital, 
destaca-se que decorre do processo observado no próprio mercado de trabalho, visto 
que é pré-requisito, atualmente, para assumir um emprego, não apenas o conhecimento 
técnico, mas essencial o conhecimento informático.
As exigências da economia e os novos empregos obrigam a convivência de 
políticas públicas que trabalhem simultaneamente com diferentes setores sociais 
e ritmos desiguais de universalização de serviços públicos. Não se pode, porém, 
desconhecer o imbricamento das políticas sociais, e o fato de que o sucesso 
final depende de um programa integrado de universalização dos vários serviços 
públicos. (SORJ, GUEDES, 2005, p.117)
Por isso, é compreensível e aceitável o posicionamento de Sorj e Guedes (2005) ao 
considerar as escolas como instrumentos essenciais para os processos de inclusão 
digital, visto que na medida que o aperfeiçoamento acadêmico da sociedade ocorre, 
hátambém, a inserção desta nova parcela da população no cenário informático.
As escolas são instrumentos centrais para socializar as novas gerações na Internet. 
Isso não implica transformar a telemática num instrumento privilegiado do sistema 
educativo, nem realizar um investimento exagerado em computadores por escola. 
(SORJ, GUEDES, 2005, p.117)
Como consequência da materialização desta relação necessária, destaca-se que será 
possível identificar mais nativos do que migrantes no uso das tecnologias da informação, 
pois desde cedo, as pessoas terão mais acesso às novas tecnologias e, os indivíduos 
de hoje que recebem a informatização, irão para o mercado de trabalho. Por isso, a 
inclusão digital, a construção de uma sociedade basicamente incluída é mecanismo 
lento e de longo prazo, pois os resultados só serão identificados quando os alunos de 
hoje assumirem o mercado de trabalho no futuro.
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Educação e tecnologia Racionalidade instrumental e determinismo tecnológico Capitulo 3
Resumindo
E então? Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. 
Você deve ter aprendido que Palfrey e Gasser (2011) são responsáveis 
pelos termos nativos, imigrantes e colonizadores digitais. Esses autores 
relacionaram as habilidades para o uso das TDIC com a faixa etária 
populacional, assim, aqueles que nasceram após os anos 80, por serem 
contemporâneos às tecnologias, teriam maiores habilidades e seriam os 
“nativos digitais”, os imigrantes seriam os que antecedem essa geração 
e, portanto, precisariam “se familiarizar” com a tecnologia emergente e, 
os colonizadores digitais, seriam as pessoas que destoam do primeiro 
e do segundo grupo, correspondendo àquelas pessoas que nasceram 
em mundo analógico, mas são responsáveis ou vem contribuindo para 
a evolução digital. No cenário educacional, essa perspectiva contribui 
para refletirmos sobre possíveis relações conflitantes em decorrência 
das diferenças geracionais, permitindo pensar em como cada geração 
constrói conhecimento e, no caso dos professores, acaba por ensinar, o 
que resultaria em uma barreira comunicacional. Entretanto, vimos que 
essa relação é mais complexa, afinal, há fatores sociais e econômicos 
envolvidos, que interferem no acesso e proficiência na apropriação 
das TDIC pelos sujeitos. Vimos que para Monereo e Pozo (2010), não há 
um “abismo geracional”, mas sim um “abismo sociocognitivo”, ou seja, 
a diferença está no modo de pensar e de se relacionar com o mundo 
das pessoas que não utilizam as tecnologias digitais ou as utilizam de 
forma esporádica ou cotidianamente. Premissa que resulta no conceito 
de sabedoria digital, que acolhe a todos, na possibilidade de domínio 
das TDIC. Vimos também que para a sabedoria digital ser algo possível, 
é preciso considerar a “fratura digital”, compreendendo que grande 
parte da sociedade não se encontra inserida na cultura digital por não 
terem acesso, em decorrência de sua condição socioeconômica. Fato 
para questionarmos a existência de uma geração digital e as “receitas 
mágicas” para educá-los. Ainda, vimos que na relação com as TDIC é 
fundamental que a inclusão digital seja efetiva e, para tanto, três ações 
40
Educação e tecnologia Racionalidade instrumental e determinismo tecnológico Capitulo 3
são essenciais: 1º) a disponibilização da tecnologia aos usuários; 2º) a 
formação técnica desses para o uso e; 3º) a formação intelectual crítica 
para refletir sobre seu papel de usuário.
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@faculdadelibano_
4
Desafios 
relacionados 
às tecnologias 
educacionais
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Educação e tecnologia Capitulo 4
Desafios relacionados às 
tecnologias educacionais
Letramento computacional, informacional e em mídias: 
ponderações necessárias
Vimos que para que a inclusão digital se efetive, três ações essenciais são necessárias: 
a disponibilização da tecnologia aos usuários, a formação técnica desses para o uso e, 
a formação intelectual crítica para refletir sobre seu papel de usuário.
Objetivos
Ao término deste capítulo, você será capaz de identificar os desafios 
contemporâneos relacionados à apropriação tecnológica no processo 
ensino-aprendizagem. Iremos perceber como as competências digitais 
se desenvolvem da perspectiva do letramento computacional à fluência 
digital. Isto será fundamental para a promoção de práticas em prol da 
inclusão digital e, consequentemente, para a superação da “fratura 
digital” discutida anteriormente. Ainda, no campo da Neuroeducação, 
operar no sentido de possibilitar o desenvolvimento cognitivo dos 
estudantes na interface com as TDIC. E então? Motivado para desenvolver 
esta competência? Então, vamos lá. Avante!
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Educação e tecnologia Desafios relacionados às tecnologias educacionais Capitulo 4
A partir da definição apresentada acima e, tendo como pressuposto, a importância do 
conhecimento sobre o uso das tecnologias da informação, destaca-se que letramento 
digital é essencial para o processo de construção de uma estratégia para aquisição 
do conhecimento, visto que se utilizará de ferramentas digitais importantes para a 
construção de um cenário de conhecimento favorável para o desenvolvimento pessoal 
intelectual e pessoal.
A partir do exposto, compreendo letramento digital como o conjunto de 
competências necessárias para que um indivíduo entenda e use a informação 
de maneira crítica e estratégica, em formatos múltiplos, vinda de variadas fontes 
e apresentada por meio do computador-internet, sendo capaz de atingir seus 
objetivos, muitas vezes compartilhados social e culturalmente. (FREITAS, 2010, p.340)
Dessa forma, podemos perceber que a inclusão segue um caminho: acesso, uso e 
emancipação. Segundo Pettro (2008):
Produzir informação e conhecimento passa a ser, portanto, a condição para 
transformar a atual ordem social. Produzir de forma descentralizada e de maneira 
não- formatada ou preconcebida. Produzir e ocupar espaços, todos os espaços, 
através das redes. Nesse contexto, a apropriação da cultura digital passa a ser 
fundamental, uma vez que ela já indica intrinsecamente um processo crescente de 
reorganização das relações sociais mediadas pelas tecnologias digitais, afetando 
em maior ou menor escala todos os aspectos da ação humana. Isso inclui 
reorganizações da língua escrita e falada, as ideias, as crenças, costumes, códigos, 
instituições, ferramentas, métodos de trabalho, arte, religião, ciência, enfim, todas 
Definição
Letramentos digitais (LDs) são conjuntos de letramentos (práticas sociais) 
que se apoiam, entrelaçam e se apropriam mútua e continuamente 
por meio de dispositivos digitais para finalidades específicas, tanto em 
contextos socioculturais geograficamente e temporalmente limitados, 
quanto naqueles construídos pela interação mediada eletronicamente 
(BUZATO, 2006, p. 16).
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Educação e tecnologia Desafios relacionados às tecnologias educacionais Capitulo 4
as esferas da atividade humana. Até mesmo os aspectos mais pessoais, como os 
rituais de namoro e casamento, entre outras práticas, têm sua regulação alterada, 
dadas as novas formas de interação vivenciadas na cultura digital. (PRETTO, 2008, 
p. 78)
De acordo com o que está sendo apresentado, destaca-se que o processo do 
letramento digital depende não apenas do acesso aos instrumentos informáticos 
e seu conhecimento básico sobre o uso, mas do conhecimento sobre estratégias de 
conhecimento para a utilização das ferramentas de maneira adequada, ou seja, os 
profissionais da educação devem ter conhecimento sobre as linguagens digitais que 
serão utilizadas pelos alunos. 
E, quando o profissional apresenta esta habilidade, percebe-se que o processo de 
integração entre professor, aluno e sistema informático tende a apresentar bons 
resultados.
Tenho observado, por meio de nossas pesquisas, que escolas equipadas com 
computadores e acesso à internet e professores egressos de cursos básicosde 
informática educativa não têm sido suficientes para que se integrem os recursos 
digitais e as práticas pedagógicas. Se o desejável é que os professores integrem 
computador-internet à prática profissional, transformando-a para melhor inseri-
la no contexto de nossa sociedade marcada pelo digital, é preciso ir muito além. 
Os professores precisam conhecer os gêneros discursivos e linguagens digitais 
que são usados pelos alunos, para integrá-los, de forma criativa e construtiva, ao 
cotidiano escolar. (FREITAS, 2010, p.341)
Diante desta necessidade de incutir o letramento digital nos espaços educacionais, 
destaca-se a necessidade de compreender que as tecnologias da informação nas 
escolas é uma realidade e que, por isso, o primeiro passo para cumprimento da demanda 
no espaço educacional está sendo observado: disseminar a tecnologia. 
Por isso, de menor ou maior escala, o acesso às TDIC nas escolas são uma realidade, 
cumprindo a primeira ação, ao menos no espaço escolar, necessária para a inclusão 
digital. Portanto, no primeiro momento, da maneira como o sistema informático se 
apresenta nas escolas é possível identificar que os aspectos de inclusão estão sendo 
definidos.
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Educação e tecnologia Desafios relacionados às tecnologias educacionais Capitulo 4
Quando digo integrar é porque o que se quer não é o abandono das práticas já existentes, 
que são produtivas e necessárias, mas que a elas se acrescente o novo. Precisamos, 
portanto, de professores e alunos que sejam letrados digitais, isto é, professores e 
alunos que se apropriam crítica e criativamente da tecnologia, dando-lhe significados 
e funções, em vez de consumi-la passivamente. 
O esperado é que o letramento digital seja compreendido para além de um uso 
meramente instrumental. (FREITAS, 2010, p.341)
Assim, nosso percurso de aprendizagem segue em busca da compreensão dos caminhos 
já trilhados e a serem trilhados para a sabedoria digital com vistas às competências 
digitais, pois como evidencia Martín-Barbero (2006 p.54):
O lugar da cultura na sociedade muda quando a mediação tecnológica da 
comunicação deixa de ser meramente instrumental para espessar-se, condensar-
se e converter- se em estrutural: a tecnologia remete, hoje, não a alguns aparelhos, 
mas, sim, a novos modos de percepção e de linguagem, a novas sensibilidades e 
escritas. (MARTÍN- BARBERO, 2006, p. 54)
A partir da década de 1980, a novidade dos computadores, a principal competência 
priorizada nos processos educacionais era aquela relacionada à informática. O objetivo 
era, grosso modo, possibilitar a familiarização e a experiência com o computador. Com o 
avanço dessas tecnologias, passa-se dessas competências – da informação -, para as 
competências relacionadas à comunicação, avançando para termos como letramento 
informacional, Educação em Mídias, entre outros.
Importante
Essas perspectivas não se limitam apenas às TDIC, dizem respeito às 
discussões estabelecidas de forma geral às TIC e as suas influências no 
consumo e interferência na vida cotidiana das pessoas.
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Educação e tecnologia Desafios relacionados às tecnologias educacionais Capitulo 4
As mudanças dos conceitos estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento 
tecnológico decorrente e a forma como se possibilitam as relações com as tecnologias, 
suas funções e conexões no cotidiano.
Essa base nos permite afirmar a partir das discussões propostas na segunda competência 
do nosso material, com base em Silva e Behar (2019), que o conceito de competências 
digitais foi construído à medida que as TDIC interferiam e modificavam as relações no 
âmbito da sociedade.
Ainda, a complexidade tecnológica faz com que a cada dia uma nova necessidade 
“apareça” e uma nova tecnologia seja criada ou, uma anterior seja atualizada, o que 
não nos garante que “ter” a ferramenta digital seja sinônimo de “ser” digitalmente 
competente.
Se, a partir do conceito de emancipação apresentado na abertura dessa competência 
em convergência aos termos e suas perspectivas apontados por Silva e Behar (2019), as 
práticas que efetivamos na interface com as TDIC seriam, de fato, convergentes para 
uma educação em prol da superação das desigualdades, o que possibilita a autonomia 
e a competência dos estudantes?
Alfabetização e letramento digital
A reflexão proposta não pretende ser respondida, ela nos servirá como “guia” nas análises 
que faremos sobre os termos que aparecem na sistematização apresentada na figura 
anterior e que, por vezes, povoam as práticas pedagógicas.
O primeiro diz respeito à Alfabetização e Letramento digital. Aproximando ao conceito 
utilizado nos processos relacionado à Língua Portuguesa, entendemos alfabetização 
como o domínio do código escrito, com as habilidades de leitura e escrita, nessa 
perspectiva, o letramento, opera na compreensão do caráter comunicacional dessa 
ferramenta simbólica, em sua significação e identidade, ou seja, é o caráter de autonomia 
e emancipação na utilização da linguagem.
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Educação e tecnologia Desafios relacionados às tecnologias educacionais Capitulo 4
O letramento digital se constitui como
Uma complexa série de valores, práticas e habilidades situados social e 
culturalmente envolvidos em operar linguisticamente dentro de um contexto 
de ambientes eletrônicos, que incluem leitura, escrita e comunicação. Nessa 
definição, letramento digital refere-se aos contextos sociais e culturais para 
discurso e comunicação, bem como aos produtos e práticas linguísticas e sociais 
de comunicação, e os modos pelos quais os ambientes de comunicação têm 
se tornado partes essenciais de nosso entendimento cultural do que significa ser 
letrado. (FREITAS, 2010, p.340)
Transpondo para as TDIC, alfabetizar e letrar passa a, obrigatoriamente, agregar as 
mudanças tecnológicas, afinal, as demandas digitais e suas particularidades são 
essenciais para que a comunicação se efetive. 
Coll e Illera (2010) relacionam que ser alfabetizado e letrado, em tempos de tecnologias 
digitais, é preciso necessariamente ter conhecimentos e domínios das TDIC. Soares 
(2002) avança para as particularidades da leitura em tela, da hipertextualidade e das 
características que as TDIC agrupam ao código escrito.
O letrado digitalmente interage com as tecnologias, realizando práticas como 
saber pesquisar, selecionar, avaliar a informação, realizar trocas entre pares, 
compartilhar, ser autor, sempre utilizando os recursos da Web, e utilizando diferentes 
ferramentas para isso (SILVA, 2012, p. 74).
Nesse sentido, o processo de alfabetização e letramento – tradicional e digital – são 
desenvolvidos em conjunto, de modo concreto, mas acontecem em diferentes momentos.
Entretanto, muito embora se configure como realidade, o letramento digital no sistema 
educacional se apresenta com certas limitações, pois é bastante comum, conforme 
evidencia Freitas (2010 p.341) que a conexão do profissional com as tecnologias da 
informação se dê, tão somente, a partir do uso superficial sem, portanto, se estabelecer 
uma conexão com os próprios instrumentos de aprendi zagem, prejudicando, portanto, 
a inclusão e integração do sistema educacional.
Estuda-se sobre a informática na educação, mas não se forma o futuro professor, 
trabalhando seu letramento digital ou envolvendo-o em atividades de 
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Educação e tecnologia Desafios relacionados às tecnologias educacionais Capitulo 4
efetivo uso do computador-internet como instrumentos de aprendizagem. 
Debruçando-me sobre os dados e as análises dessa pesquisa, chego a pensar que 
essa aproximação com o letramento digital não deve ser feita, necessariamente, a 
partir de determinada disciplina, mas por meio de um trabalho contínuo, no interior 
de todas as disciplinas nas quais o professor, em sua formação inicial, possa 
experienciar o letramento digital no próprio processo pedagógico. (FREITAS, 2010, 
p.341)
Uma prática que representa essa lógica é a do laboratório

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