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W BA 00 80 _V 3. 0 MARKETING DIGITAL 2 Thaís Cereda Ravasi Londrina Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2024 MARKETING DIGITAL 1ª edição 3 2024 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR Homepage: https://www.cogna.com.br/ Diretora Sr. de Pós-graduação & OPM Silvia Rodrigues Cima Bizatto Conselho Acadêmico Alessandra Cristina Fahl Ana Carolina Gulelmo Staut Camila Turchetti Bacan Gabiatti Camila Braga de Oliveira Higa Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Leonardo Ramos de Oliveira Campanini Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Coordenador Ana Carolina Gulelmo Staut Revisor Conrado Hernandes de Oliveira Editorial Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Márcia Regina Silva Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ Ravasi, Thaís Cereda Marketing Digital/ Thaís Cereda Ravasi, – Londrina: Secundário, Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A 2024. 32 p. ISBN 978-65-5903-538-0 1. Marketing digital 2. Princípios 3. Ferramentas I. Título. CDD 659.144 _____________________________________________________________________________ Raquel Torres – CRB 8/10534 R252m © 2024 por Editora e Distribuidora Educacional S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. 4 SUMÁRIO Apresentação da disciplina __________________________________ 05 Fundamentos da Comunicação Integrada de Marketing _____ 07 Princípios do Marketing Digital ______________________________ 19 Planejamento do Marketing Digital __________________________ 31 Ferramentas do Marketing Digital ___________________________ 44 MARKETING DIGITAL 5 Apresentação da disciplina Caro estudante, você já pensou como seria a vida hoje sem internet? Como as pessoas iriam saber das coisas? Como as empresas iriam sobreviver? Como iríamos nos comunicar? Pois é, essa situação hipotética já aconteceu no passado, em que vivíamos sem internet. Mas a era do digital veio para ficar e, com ela, algumas transformações na forma de nos comunicarmos e de praticarmos o marketing. Na disciplina de Marketing Digital, você vai compreender que o marketing é mais que vendas e propaganda, ele é comunicação. E essa comunicação de marketing tem várias ferramentas que podem ser usadas para a comunicação com o mercado consumidor, entre elas o marketing digital. Você também vai entender o ambiente do marketing digital e seus elementos; descobrir que rede social e mídia social são coisas diferentes; conhecer os passos necessários para realizar o planejamento do marketing digital; entender melhor como definir a persona, o que é o marketing de conteúdo e sua importância; entender como fazer uma boa narrativa e como avaliar os resultados das ações executadas. Tudo isso acontecerá por meio de leituras e referências, indicação de livros e artigos, banco de questões, estudos complementares e até podcast. Como tudo isso, você será capaz de planejar e gerenciar projetos online alinhando a visão estratégica e o conhecimento técnico na implementação de ações criativas e eficazes no ambiente digital. Também será capaz de entender que não é porque todos estão nessa 6 ou naquela rede que a sua empresa precisa estar também! Tudo precisa estar alinhado com os objetivos da marca. Com isso, você estará preparado para se destacar e avançar em sua carreira, contribuindo para o seu sucesso e crescimento profissional. Bons estudos! 7 Fundamentos da Comunicação Integrada de Marketing Autoria: Thaís Cereda Ravasi Leitura crítica: Conrado Hernandes de Oliveira Objetivos • Apresentar o conceito de comunicação integrada de marketing, suas ferramentas, características e formas de aplicação. • Capacitar os alunos a compreender as principais diferenças entre o marketing e a comunicação de marketing. • Analisar o papel do marketing digital dentro da comunicação de marketing. 8 1. Fundamentos do Marketing: necessidade, desejo e os 4Ps Nesta unidade, você vai conhecer os principais conceitos que envolvem o marketing e a comunicação de marketing e como o marketing digital se enquadra nisso. Você também irá conhecer as diferentes ferramentas de comunicação e sua aplicabilidade. Ao final desta unidade, você será capaz de diferenciar o processo comum de comunicação do processo de comunicação de marketing, identificando suas fases e ferramentas estratégicas. É comum as pessoas acharem que sabem o que é e como fazer marketing. Normalmente isso está ligado à ideia de que o marketing é a ação de vendas e de propaganda, mas ele é bem mais que isso. É um processo social e gerencial (Kotler; Keller, 2019) que envolve desde a identificação da necessidade, passando pela criação, produção e divulgação do produto ou serviço até chegar ao consumidor. Peter Drucker, conhecido como o pai da Administração Contemporânea, dizia que o marketing representa a empresa sobre o ponto de vista do cliente, de tal forma que, ao reconhecer suas necessidades e desejos satisfeitos no produto, o esforço de vendas seja praticamente uma consequência (Drucker, 1975). Para que esse processo de atender necessidades e despertar desejos aconteça, os profissionais fazem uso de algumas ferramentas, que são conhecidas como composto de marketing ou 4 Ps: produto, preço, ponto de venda e promoção. Cada uma dessas ferramentas tem uma função. O produto é aquilo que é ofertado, podendo também ser um serviço, envolve embalagem, marca e garantia. O preço é o quanto se paga para adquirir o produto e as formas de pagamento. O ponto de venda, também chamado de praça, é onde o produto pode ser encontrado. E isso vale para lojas físicas ou online. E o P de promoção pode ser mais 9 bem compreendido como comunicação, porque é o responsável pela divulgação do produto. E é nesse ponto que surge a confusão de achar que o marketing é apenas vendas ou propaganda. A promoção envolve várias ferramentas de comunicação, entre elas as mídias digitais, para a criação de uma relação com o consumidor e divulgar produtos e serviços. Essas ferramentas fazem parte do que conhecemos como comunicação integrada de marketing. Porém, antes de explicar melhor sobre a comunicação integrada de marketing, vamos compreender como acontece o processo de comunicação. 2. O Processo de Comunicação e a Comunicação de Marketing A comunicação é algo que faz parte da vida de qualquer pessoa. Quando nascemos, nós choramos. Essa é a forma que escolhemos para comunicar o nosso desconforto ao sair do útero quentinho e úmido. O choro é a comunicação que o bebê utiliza para dizer se está com fome, sede, frio, cólicas. À medida que vamos crescendo, a fala vai se desenvolvendo e começamos a pedir o que queremos por meio da linguagem oral e também dos gestos. Comunicar significa enviar e receber mensagens. Sempre que queremos comunicar algo a alguém nós utilizamos um código para isso: linguagem verbal ou oral, escrita, gestual. Mas tão importante quanto o que queremos comunicar é como vamos comunicar para sermos entendidos. Por isso, há gestos que são universais, como o sinal do polegar apontando para cima, que ficou popular com o Facebook e que indica que as pessoas gostaram do que foi postado. Outros têm significado apenas para pessoas de determinadas regiões, como 10 cidades ou países. O beijo é um sinal de afeto que pode ser manifestado em lugares públicos no Brasil, mas que não é permitido no Catar, por exemplo. Para que acomunicação ocorra de forma fluida, é necessário que alguns elementos existam: • Emissor: é quem inicia o processo e transmite a mensagem. • Receptor: é quem recebe a mensagem. • Código: é a linguagem usada para transmitir a mensagem. Por exemplo, linguagem oral. • Mensagem: é o conteúdo da comunicação e pode ser um fato, uma ideia, uma emoção. • Canal: é o meio pelo qual a mensagem é enviada do emissor ao receptor. Por exemplo, internet. • Ruído: ocorre quando algumas das partes do processo não estão alinhadas. • Resposta ou feedback: é quando o receptor diz se entendeu a mensagem ou não. A Figura 1 mostra de forma mais clara esses elementos e o processo de comunicação. 11 Figura 1 - Processo de comunicação Fonte: adaptada de Ogden e Crescitelli (2007). Toda comunicação começa com o emissor, mas para que o conteúdo seja compreendido pelo receptor, o emissor deve escolher o código correto. Dessa forma, as chances de acontecer ruídos na comunicação são menores. Por exemplo, se você precisa conversar com um chinês e você não fala mandarim e ele não entende português, deverá escolher um código que seja compreensível para ambos, uma língua em comum, como a inglesa, ou apelar para o gestual. Vamos analisar mais uma situação. O bebê, que foi usado como exemplo no início do texto, está com fome e quer comunicar isso a sua mãe. Ele é o emissor. O conteúdo da mensagem é comunicar que está com fome. Ele escolhe o código sonoro (choro) para passar a mensagem ao receptor, que é a mãe. Ao ouvir o choro de seu bebê, a mãe pensa que ele está com cólica. Então, começa a fazer massagens na barriga, mas o choro não passa. A ação da mãe é o ruído. Ao perceber que não funcionou, ela resolve amamentar e é quando a criança para de chorar, ou seja, a mensagem foi entendida. Essa é a resposta. Esse mesmo processo ocorre na comunicação de marketing. A diferença é que o emissor recebe o nome de anunciante, o receptor é chamado de cliente, persona, público ideal ou consumidor. O canal utilizado são as mídias ou os veículos de comunicação, como TV, internet etc. 12 Não é raro empreendedores e empresários acreditarem que o marketing digital é mais simples, rápido e envolve menos custo. Na realidade, ele exige planejamento e estratégia, como as outras mídias e toda a mensagem que está no mundo online deve ressoar de forma uníssona no offline, ou seja, não é interessante uma comunicação online e outra offline. A marca deve seguir o mesmo discurso em qualquer plataforma de comunicação, ou seja, ter a mesma mensagem, porém adaptada a cada ferramenta e canal de comunicação. 3. Comunicação Integrada de Marketing Comunicação Integrada de Marketing (CIM) é o nome usado para identificar as ferramentas de comunicação capazes de levar a mensagem da marca aos consumidores por meio de diferentes canais. Ela é uma ampliação do P de promoção do composto de marketing, prevalecendo a importância de comunicar a mesma mensagem para o público por diferentes canais de comunicação (Ogden; Crescitelli, 2007). Para os autores, as organizações e os profissionais de marketing precisam garantir que as mensagens sejam claras e integradas, facilitando o entendimento do recado que a mensagem deseja passar. A comunicação de marketing é uma extensão do P de Promoção do composto de marketing, pois envolve diferentes ferramentas de comunicação: propaganda, publicidade, venda pessoal, promoção de venda, relações públicas e marketing direto. Essas ferramentas são conhecidas como mix de comunicação de marketing ou mix de promoção e cada uma delas têm particularidades que devem ser usadas de forma estratégica. 13 É importante ressaltar que uma ação isolada não é capaz de despertar o desejo de compra. É necessária a repetição e a combinação de diferentes mídias. A CIM precisa considerar os elementos do ambiente externo que impactam nos esforços de comunicação das empresas, que, embora não controláveis, interferem direta ou indiretamente nas ações de marketing. As variáveis incontroláveis envolvem os ambientes econômico, tecnológico, sociocultural, político-legal, demográfico e natural. Cabe às empresas observar, analisar e monitorar atentamente os acontecimentos e principalmente a cultura nesses ambientes, pois eles podem influenciar os resultados da CIM. Por exemplo, ao comercializar o veículo Pajero na Argentina e no Uruguai, a Mitsubishi teve o cuidado de mudar o nome para Montero, porque Pajero é uma palavra de baixo calão para esses países. Na CIM podemos considerar, além do consumidor do produto, outros públicos com as quais é importante manter uma boa comunicação, como público interno, composto pelos funcionários da empresa que acabam tendo algum contato com os clientes (por exemplo: vendas, SAC, assistência técnica); o público intermediário, formado por distribuidores, atacadistas e varejistas, que podem auxiliar na comunicação direta (no caso de vendedores) e indireta também; a comunidade, formada por organizações como imprensa, governo, sindicatos, ONGs etc.; a imprensa, que tem o poder de divulgação e formação de opinião; e o governo, que pode criar leis que limitam ou enquadram a atividade mercadológica (legislação ambiental, por exemplo). 14 4. Ferramentas da Comunicação Integrada de Marketing A CIM enxerga e cria todo o processo de marketing a partir do ponto de vista do receptor dessa comunicação, ou seja, do público-alvo ou consumidor do produto/serviço (Kotler; Keller, 2019). Para isso, utiliza ferramentas do composto promocional de marketing com o intuito de atingir os objetivos de comunicação de marketing, como o lançamento de um produto. As principais ferramentas da CIM são: propaganda, publicidade, venda pessoal, promoção de vendas, relações públicas, merchandising e marketing direto. Podemos dizer que essas são as ferramentas de comunicação tradicionais. Com o avanço do mercado digital, novas mídias foram surgindo, como o Facebook e o Instagram, que acabaram se tornando bastante conhecidas, com bom alcance e resultados. A seguir, você vai conhecer um pouco sobre cada uma das ferramentas de comunicação de marketing. Propaganda: de forma simples, envolve comprar espaços em mídias para divulgar mensagens de lembrança, informação ou persuasão. De acordo com Kotler e Keller (2019), seus principais objetivos são: 1. Criar imagem ajudando no posicionamento do produto. 2. Informar e relembrar o consumidor sobre os produtos e serviços oferecidos pela empresa. 3. Aumentar as vendas. 4. Divulgar promoções de novos produtos e atrair de novos clientes para a empresa. A propaganda também pode ser entendida como um termo associado à venda de ideologias com cunho político, como dizem Rabaça e Barbosa 15 (2014). No Brasil, essa confusão do uso do termo tem origem na tradução do inglês, uma vez que o termo propaganda é usado nos EUA apenas no contexto político. Para eles, a propaganda que vende uma marca, uma ideia, um produto é conhecida como advertising. Publicidade: está diretamente ligada à atividade de relações públicas e seu objetivo é comunicar uma ideia ou conceito com o público-alvo (Ogden; Cristeli, 2007). Isso acontece por meio de uma mídia não paga e não tem contato direto com o receptor. Ou seja, ela é gratuita e espontânea. Portanto, publicidade é toda notícia comercialmente significativa, na qual não se identifica o patrocinador, diferentemente da propaganda. As empresas fazem uso da publicidade para gerar notícia. Quando você compartilha um vídeo de uma marca, está fazendo publicidade dessa marca, está divulgando uma ideia, mas não está sendo pago para isso. Embora, o conceito, na prática, tenha se confundido porque no Instagram, por exemplo, influenciadores falam de marcas e são pagos para isso, incluindo a palavra #publi nas publicações. Essa confusão pode ser mais bem compreendida com a definição de publicidade de Kotler e Keller (2019), que a definem como um meio de expor informaçõesou promoções com o intuito de capturar a atenção do público, inclusive de forma paga. Relações públicas: ajuda na formação de uma boa imagem da marca junto a públicos com os quais a empresa tem relacionamento, como: funcionários, fornecedores e clientes. Utiliza alguns instrumentos como reuniões internas, contato pessoal, palestra, caixas de sugestões e entre outros. A TAM (hoje LATAM), Parmalat e Vale são exemplos de marcas que utilizaram essa ferramenta em decorrência dos problemas que tiveram com suas marcas. 16 Patrocínio: auxilia na construção do posicionamento de uma marca pela ligação com a imagem de uma pessoa ou instituição já conceituada. É uma prática muito comum em eventos esportivos ou festas. Promoção de vendas: é um incentivo para estimular a compra, como amostra grátis, descontos, brindes e demonstrações. Marketing direto: é o contato direto com o consumidor, fazendo uso do telefone, correio, e-mail, internet. O que popularizou o marketing direto foram as malas diretas enviadas por correio, atualmente substituídas pelos e-mails. Venda pessoal: é a apresentação feita pela força de vendas da empresa, com o objetivo de efetuar a venda e desenvolver relacionamento com os clientes, passando informações personalizadas ao consumidor sobre o produto ou serviço. Product Placement: é chamado erroneamente de merchandising no Brasil e envolve a colocação de uma marca em programas de televisão ou filmes por meio de pagamento pelo anunciante. Essa ferramenta precisa ser utilizada com muito critério e estar bem integrada ao contexto do filme ou programa para evitar possíveis efeitos negativos de seu uso. Marketing digital: possibilita a comunicação por meios digitais interativos por meio da internet. Entre os tipos de marketing digital estão websites, e-commerce, plataformas de áudio e vídeo e aplicativos. Eventos: feiras, exposições, shows, congressos etc., que podem ter caráter técnico ou não. Merchandising: é a organização do produto no ponto de venda. Na visão de Kotler e Keller (2019), o merchandising está incluído como uma das formas de promoção de vendas. 17 Folhetos e catálogos: muito utilizado no mercado B2B (empresas que vendem para outras empresas) e podem ser uma opção complementar a outras ferramentas de comunicação, como propaganda e eventos. Para tornar a mensagem persuasiva e acessível, é necessário escolher corretamente as mídias que serão o canal dessa mensagem. Note que as ferramentas aqui expostas não são a mesma coisa que mídia. Midia é canal, ferramenta é caminho. O Instagram é uma mídia, ele funciona como um canal que leva uma mensagem. A propaganda é uma ferramenta de comunicação. É possível utilizar uma mesma ferramenta, como a propaganda, em diferentes mídias. Há propagandas para TV e Instagram. Dessa forma, TV e Instagram são apenas exemplos de mídia e não de ferramentas. A CIM tem por base o modelo genérico de comunicação, mas considera aspectos de marketing visando obter resultados eficazes e eficientes. Portanto, foi possível compreender que a CIM requer entender que o marketing promove um processo de troca entre cliente e empresa pautado na necessidade e no desejo e que, com base nisso, são escolhidas as melhores ferramentas de comunicação e as mídias para levar a mensagem ao consumidor. Referências DRUCKER, P. Administração: tarefas, responsabilidades e práticas. São Paulo: Pioneira, 1975. KOTLER P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson Universidades, 2019. MALHOTRA, N. Planos de marketing: um guia prático. São Paulo: Saraiva, 2013. OGDEN, J. R.; CRESCITELLI, E. Comunicação integrada de marketing: conceitos, técnicas e práticas. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. RABAÇA, C. A.; BARBOSA, G. G. Dicionário Essencial de Comunicação. Rio de Janeiro: Lexicon, 2014. 18 ROCHA, I. A. dos S. Comunicação de marketing em meios digitais. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018. ROCHA, M.; TREVISAN, N. Comunicação Integrada de Marketing. São Paulo: Saraiva Uni, 2018. 19 Princípios do Marketing Digital Autoria: Thaís Cereda Ravasi Leitura crítica: Conrado Hernandes de Oliveira Objetivos • Analisar as variáveis do ambiente digital e como esse meio se relaciona com as ações de marketing. • Compreender os fundamentos que regem o marketing digital. • Compreender a jornada de compra online a fim de maximizar os resultados na prática. 20 1. Fundamentos do Ambiente Digital Nesta unidade, você vai conhecer o ambiente do marketing digital e como os Ps do marketing digital interferem nisso. Também vai compreender a jornada de compra online e a vantagem da segmentação online. Ao final desta unidade, você será capaz de visualizar o processo de marketing digital e seus elementos de forma mais estratégica. Não é novidade que o mundo atualmente vive conectado. Isso já era uma realidade antes da pandemia de Covid-19 e se intensificou com ela. O trabalho remoto é uma realidade que abrange a maioria dos setores da economia. Os pequenos negócios descobriram as mídias digitais. Lives no Instagram e no YouTube se tornaram recorrentes. Pessoas comuns se tornaram influenciadores digitais. O poder de comunicação aumentou com o uso das tecnologias digitais, que encurtou distâncias, aproximando as pessoas umas das outras e também as empresas às pessoas. O marketing se fez e se faz mais presente do que nunca. É importante ressaltar que o conceito do marketing, que está centrado na necessidade e no desejo do cliente, não mudou, mesmo com o avanço tecnológico. A mudança sentida foram os diferentes canais de comunicação que surgiram, como os aplicativos e as mídias sociais, capazes de levar a mensagem de forma mais direta aos consumidores certos. Kotler, Kartajaya e Setiawan (2017) complementam dizendo que o marketing digital é mais efetivo no controle dos resultados e na divulgação e manutenção da imagem da marca. É importante que você esteja atento para a seguinte informação: o marketing digital não se resume a mídias sociais, como Instagram, Facebook, TikTok e outras. É um conjunto de estratégias que usam essas mídias apenas como canal para levar a mensagem e interagir com o cliente. A tecnologia sempre foi um assunto que fascinou o homem. É 21 só lembrarmos de filmes e desenhos animados que há muitas décadas tentaram adivinhar como seria o futuro. Nós estamos nele. O fato é que com o advento da internet no final do século XX, por volta da década de 1990, o acesso à informação aumentou e o modo como lidamos com o mundo também. Há 30 anos era difícil imaginar que assistiríamos televisão, filmes e séries por um celular e que faríamos compras sem sair de casa. No final da década de 1990, Lévy (1999), estudioso da cibercultura, já dizia que a sociedade teria o conhecimento aumentado em várias áreas por meio da internet. E isso mudaria toda uma estrutura. E, de fato, podemos perceber que isso ocorreu, mas ainda há muito que caminhar, principalmente no marketing digital. Uma coisa é interessante: mesmo a tecnologia, que comumente é mais fria e rápida, propicia o acesso a marcas e pessoas que antes eram vistas como inatingíveis. Ou seja, o relacionamento acaba por se destacar e fazer parte desse novo contexto. Você já tinha imaginado ver o seu ator ou atriz favorito acordando ou fazendo coisas do dia a dia? E o melhor, com a possibilidade de você escrever algo para ele e ser visto? Os dispositivos móveis colaboraram para que esse movimento acontecesse e se fortalecesse, principalmente com o surgimento do touchscreen, por volta do ano 2007. A We are Social ([s.d.]), em seu relatório anual sobre o mercado digital, destacou que, no ano de 2023, o tempo que as pessoas ficam conectadas diminuiu, em virtude de estarem mais focadas na qualidade do que na quantidade. O relatório ainda apontou que “a influência das redes sociais na forma como vivemos as nossas vidas continua a crescer, desde ascompras até às ligações, do entretenimento à procura de informações sobre marcas. As pessoas agora passam mais de duas 22 horas e meia nas redes sociais todos os dias – 40 minutos a mais do que assistindo a transmissões e TV a cabo”. Ainda de acordo com a We are Social ([s.d.]), existem no mundo cerca de 5,60 bilhões de assinantes de serviços móveis, equivalente a 69,4% da população mundial. O uso de celulares aumentou 2,7%, o que equivale a 145 milhões de novos usuários. Figura 1 - Pontos essenciais no digital Fonte: https://wearesocial.com/us/blog/2023/10/digital-2023-october-global-statshot- report/. O Brasil acompanha a tendência global. Segundo dados da Electronics Hub, divulgados no site Olhar Digital (Spadoni, 2023), os brasileiros gastam aproximadamente 9 horas olhando para a tela de computador e/ ou celular. De acordo com Rocha (2023), a publicidade digital no Brasil movimentou R$ 16,4 bilhões no primeiro semestre de 2023, o que representou um crescimento de 11% sobre o mesmo período de 2022. 23 Uma pesquisa realizada pela NerdWeb (Trauer, 2023) apontou que 75% das empresas brasileiras têm metas para suas operações de marketing digital, mas apenas 33% delas têm metas para o setor de marketing e vendas em conjunto. Ou seja, ainda falta a integração do marketing online com o offline, pois ambos fazem parte da comunicação de marketing e são essenciais para o sucesso das empresas. Gabriel (2018) aponta para o ferramental tecnológico existente na contemporaneidade como algo que vai além de computadores velozes, envolve também algoritmos de inteligência artificial avançados e realidade virtual. Portanto, com base no crescimento do mercado, no comportamento e nos números, as bases do ambiente digital estão na busca de informações e no relacionamento. 2. Os Ps do Marketing Digital Que o mercado digital é algo dinâmico, crescente e rentável, creio que já foi possível perceber. E nesse mercado em que o relacionamento se faz vigente, o consumidor passa a ser um agente ativo, que participa do processo, chega a ser mais que necessário compreender quais são as funções dos Ps no marketing digital. Então, você pode se questionar: o composto de marketing (o produto, o preço, a praça e a promoção) não vale para o digital? A resposta é sim, vale, porém com alguns ajustes. Além disso, novos os são necessários no contexto digital: pessoas, processo, posicionamento e performance. Quem explica essas diferenças é o Sebrae, conforme pode ser observado no Quadro 1. 24 Quadro 1 - 4 Ps iniciais do marketing x novos 4Ps do marketing digital 4 Ps iniciais do marketing Novos 4Ps do marketing digital Produto: o que é ofertado, características físicas, funcionalidade. Pessoas: é o atendimento do seu negócio. Por isso, treine, capacite, a internet é feita de pessoas! Preço: valor pago pelo produto ou serviço, formas de pagamento. Processo: relacionado a fluxo do trabalho, procedimentos e métodos, definição dos responsáveis por cada atividade. Praça: locais físicos ou digitais onde o produto será comercializado. Posicionamento: forma como a marca vai interagir com o cliente gerando uma imagem positiva. Está pautado nos valores da empresa. Promoção: é a divulgação do produto ou serviço. Performance: produtividade e qualidade do produto ou serviço oferecido. Define os indicadores de desempenho, como KPIs. Fonte: adaptado de Sebrae (2022). No entanto, existe ainda os 8 Ps do Marketing Digital, que foram definidos pelo especialista Conrado Adolpho Vaz (2017). A seguir, serão apresentados cada um dos 8 Ps, cuja função é coletar dados, planejar a estratégia e tornar a empresa relevante na internet. Quadro 2 - Os 8 P do Marketing Digital 8 Ps do marketing Digital Função 1. Pesquisa Responsável pelo estudo do perfil do consumidor, buscando entender as motivações e os comportamentos. Também envolve os mecanismos de busca por palavra-chave. 2. Planejamento O que você vende? O que seu consumidor quer? Qual seu segmento? Qual seu posicionamento? O que será feito? São perguntas que precisam ser respondidas para direcionar as ações. É importante definir um objetivo. 25 3. Produção Como desenvolver conteúdo voltado ao seu consumidor, ou seja, é a produção do que será necessário para que a estratégia definida no planejamento seja colocada emprática. Envolve a escolha dos canais de divulgação (mídias), como sites, blogs, aplicativos e redes sociais. 4. Publicação Momento de postar o conteúdo produzido em cada uma das mídias definidas nas outras etapas. 5. Promoção É o momento de promover a marca. Uma ótima forma para isso acontecer é por meio de links patrocinados. 6. Propagação É o momento de viralizar sua campanha. Aqui o “boca a boca” se torna viral. Usa-se todas as mídias possíveis. 7. Personalização Mesmo que o digital permita falar com milhares de pessoas ao mesmo tempo, sempre tenha um discurso personalizado, que atrai e mantém o cliente, com foco na linguagem direta. 8. Precisão É a avaliação dos resultados das ações planejadas e executadas. O que deu certo? O que não deu? Fonte: adaptado de Vaz (2017). Se você estiver se questionado sobre qual o melhor método, a resposta é simples: depende de você, de qual achar mais interessante aplicar no seu negócio ou no da empresa em que está atuando. Tanto os Ps iniciais e os novos, como os 8 Ps do marketing digital, oferecem bons resultados. 3. Jornada de Compra do Cliente Online Como já sabemos, o marketing está pautado na necessidade do cliente e, a partir da identificação dessa necessidade, produtos e serviços são criados. Portanto, mesmo no digital, tudo ainda vai partir da necessidade. Após a identificação da necessidade, surge a busca pelas informações, a análise das alternativas encontradas e a decisão de compra. Essa descrição simples está relacionada ao modelo de compra tradicional. 26 No modelo digital, as fases praticamente são as mesmas, com alguns ajustes. Tudo começa com a exposição à oferta, que pode ser um produto ou serviço em algum canal digital e a pessoa ainda não tem ideia que isso pode solucionar algum problema seu. Na fase seguinte, a descoberta, o consumidor percebe seu problema e inicia o processo em busca de soluções, reunindo o maior número de informações. Como haverá muitas informações, tem início a terceira fase, a consideração. O consumidor vai selecionar as marcas que mais têm argumentos interessantes para ele. Na fase da avaliação, são consideradas a vantagens e desvantagens de cada marca, produto ou serviço. E, por fim, temos a decisão, que é a efetivação da compra. O quadro a seguir mostra a comparação entre as fases de cada modelo de compra. Quadro 3 - Modelo tradicional de compra x modelo online Fases modelo tradicional de compra Fases do modelo online de compra Reconhecimento da necessidade Exposição/ Descoberta Busca de informações Consideração Avaliação das alternativas Avaliação Decisão de compra Decisão Pós-venda Fonte: elaborado pela autora. Para alcançar os consumidores em sua jornada online, vários são os esforços que podem sem realizados, dentre eles a classificação do entendimento e interesse do público em relação ao produto ou serviço. A ferramenta mais utilizada é conhecida como funil de vendas. O modelo básico de funil de vendas online apresenta três etapas: topo do funil, meio do funil e fundo do funil. Essas três etapas representam etapas do ciclo de compra do cliente e a transição entre elas. 27 Topo do funil: fase em que o consumidor toma consciência de um problema, mas este ainda não se tornou necessariamente uma necessidade. Meio do funil: o consumidor já iniciou sua pesquisa e precisa de uma solução para o problema identificado. São muitas as alternativas disponíveis e ele começa a ponderar sobre qual marca pode ser a solução. Fundo do funil: momento em que a decisão é tomada e a compra realizada. Neste ponto também o cliente avalia o produto ou serviço, comparandocom outros que já usou ou que chegou a cogitar como alternativa. Figura 2 - Funil de vendas online Fonte: Shutterstock.com. 28 No fundo do funil estão os clientes qualificados, e a audiência que quer comprar o produto ofertado. Quando a comunicação de marketing está realmente integrada, o alcance e a frequência da mensagem atingem o cliente em qualquer ambiente, seja no tradicional ou no digital. No entanto, entender o comportamento e identificar a fase em que o consumidor online está permite criar esforços e estratégias mais eficazes e, assim, atingir os objetivos estabelecidos. 4. Vantagens da segmentação online A segmentação é uma estratégia muito utilizada no marketing. Ela permite que o mercado seja separado por gostos e características distintas que ajudam a ofertar produtos e serviços de forma mais assertiva. Características como idade, estado civil, renda, gênero, localidade, cultura. O meio digital permite que isso aconteça de forma muito mais segmentada. A inteligência artificial presente nos algoritmos permite que gostos dos consumidores sejam guardados e monitorados e facilite a oferta de produtos e serviços. Não se assuste se, em uma conversa informal na hora do almoço por exemplo, você comentar com seu parceiro que vocês poderiam viajar para a Itália e depois começar a receber propaganda sobre a Itália, não será coincidência. O microfone do celular pode capturar a fala e entender que o usuário deseja isso. A grande vantagem de utilizar os meios digitais está na possibilidade de atingir vários públicos ao mesmo tempo e, assim, filtrar para chegar ao público esperado ou adequar o discurso para todos os públicos interessados. No meio digital, a segmentação é muito mais forte, pois existem diferentes possibilidades de segmentação que fazem uso dos 29 recursos tecnológicos. Se antes usávamos o termo mercado alvo, hoje se fala em persona, que é o perfil do público que se deseja atingir e com o qual a marca já se relaciona ou vai se relacionar, por exemplo. Dessa forma, o digital desobriga a utilização dos meios tradicionais de segmentação, pois permite ir além deles. É possível partir de uma segmentação base, como idade, e aperfeiçoá-la com informações sobre consumo de mídia, áreas de maior interesse etc. Estratégias de marketing elaboradas para um público selecionado, ou seja, segmentado, são mais eficazes. O mundo mudou. O digital hoje é uma realidade. Dizer que vivemos na era digital é uma realidade que já foi vista como exagero futurístico. O fato é que esse ambiente digital tem crescido no mundo todo, sendo o Brasil um dos países que mais passa tempo conectado. Para atrair a atenção desses consumidores online, é necessário conhecer seus hábitos e comportamento e o momento em que estão no funil de vendas para pensar nas estratégias de conteúdo. Dessa forma, podemos utilizar os Ps do marketing digital como ferramentas que irão auxiliar a atingir os objetivos da comunicação, entre eles efetivar as vendas. Referências GABRIEL, M. Você, eu e os robôs: pequeno manual do mundo digital. São Paulo: Atlas, 2018. KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIAWAN, I. Marketing 4.0: do tradicional ao digital. Rio de Janeiro: Sextante, 2017. LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999. ROCHA, S. Publicidade digital movimenta R$ 16,4 bi e cresce 11% no 1º semestre de 2023, aponta IAB Brasil. Portal Isto é Dinheiro, out. 2023. Disponível em: https:// istoedinheiro.com.br/publicidade-digital-movimenta-r-16-bi/. Acesso em: 23 jan. 2024. 30 SEBRAE. Confira os 8Ps do marketing digital. SEBRAE, nov. 2022. Disponível em: https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/confira-os-8ps-do-marketing-digita l,47e87ca23e9c4810VgnVCM100000d701210aRCRD. Acesso em: 23 jan. 2024. SPADONI, P. Qual o seu tempo de tela? Brasil é um dos líderes do ranking mundial. Olhar Digital, abr. 2023. Disponível em: https://olhardigital.com.br/2023/04/25/ internet-e-redes-sociais/tempo-de-tela-beira-10-horas-no-brasil/. Acesso em: 14 mar. 2024. TRAUER, F. Panorama do Marketing Digital 2023: estatísticas e dados do mercado brasileiro. Nerdweb, 2023. Disponível em: https://nerdweb.com.br/artigos/2023/10/ marketing-digital-estatisticas-dados-mercado-brasileiro.html. Acesso em: 23 jan. 2024. VAZ, C. A. Os 8 Ps do marketing digital: o guia estratégico de marketing digital. São Paulo: Novatec Editora, 2017. WE ARE SOCIAL. Relatório especial: digital 2023. We are social, [s.d.]. Disponível em: https://wearesocial.com/us/blog/2023/01/digital-2023/. Acesso em: 23 jan. 2024. 31 Planejamento do Marketing Digital Autoria: Thaís Cereda Ravasi Leitura crítica: Conrado Hernandes de Oliveira Objetivos • Identificar os estágios do processo de planejamento. • Apresentar os componentes-chave utilizados no planejamento para marketing digital. • Analisar as variáveis do ambiente digital. • Compreender o processo de criação da persona. • Aplicar a utilização das métricas e o monitoramento das ações criadas. 32 1. Estrutura do Plano (análise do ambiente) Nesta unidade, você vai conhecer a estrutura necessária para fazer o planejamento do marketing digital, passando pelas ferramentas que ajudam na definição de objetivos e metas e entendendo a construção da persona até chegar à avaliação e ao monitoramento. Ao final desta unidade, você será capaz de visualizar o processo de planejamento do marketing digital e começar a planejar. Todo planejamento envolve olhar para o hoje mirando o amanhã. Envolve traçar objetivos e definir estratégias para alcançá-los. Imagine que você deseja empreender e, para isso, escolheu ser franqueado de uma marca de cafés. Será necessário todo um planejamento para isso acontecer, desde a decisão até a abertura da empresa. No entanto, o planejamento não é estático, ele muda de acordo com as interferências do ambiente externo. Por isso, embora haja passos importantes para planejar, ele nunca será o mesmo, até para uma empresa do mesmo setor. Se eu abrir uma cafeteria no interior de São Paulo e você, no interior de Minas, certamente nosso planejamento será diferente, embora nós dois estejamos atuando no mesmo setor e com a mesma marca. Mas, afinal, o que é um plano? É um documento cuja função está em colocar em prática as estratégias definidas de forma não fixa, ou seja, pode ser alterado a qualquer momento, de acordo com o andamento das ações e do mercado (Dantas, 2014). O plano de marketing faz parte do planejamento de marketing. O planejamento é algo mais intenso e que envolve toda a leitura do ambiente. O plano é mais específico, contém as ações estratégicas. 33 O planejamento de marketing digital deve seguir a mesma sequência de um planejamento de marketing tradicional. Essa sequência envolve, basicamente: 1. Análise do ambiente. 2. Definição de objetivos e metas. 3. Estratégias e planos de ação. 4. Orçamentos e cronogramas. 5. Avaliação e controle. De acordo com Moraes (2015), um plano de marketing com foco no digital é formado por: 1. Diagnóstico: análise da situação da marca, produto e seus públicos. 2. Objetivos: determinação do que se espera. 3. Cenário: análise do ambiente digital no momento em que o plano estiver sendo desenvolvido. 4. Concorrência: identificar o histórico de vendas da concorrência e o histórico da comunicação, atuação nas mídias sociais e posicionamento. 5. Público-alvo: quem são as pessoas com as quais a marca irá se relacionar e como se comportam. 6. Posicionamento: como a marca pretende ser reconhecida (imagem) pelo seu cliente. 7. Estratégias: definição das ações que devem ser seguidas, com base no comportamento de cada público. 8. Presença digital: determinação dos canais em que a marca estará presente e quais os caminhos para isso. 9. Plano tático: como as estratégias serão executadas. Aqui cabe a utilização da ferramenta 5W2H. 10. ROI/Mensuração: projeção do ROI (Return On Investiment) com margens lucrativas e referentes aos objetivos/metas definidos.34 Para que esses valores sejam atingidos é necessário mensurar as ações, com a definição de metas intermediárias como indicadores de performance, de maneira a permitir ajustes nas estratégias caso estes não estejam de acordo com o projetado. 11. Régua do planejamento: pode-se definir a régua do planejamento como o mais simples e objetivo processo de controle das ações com base nos prazos determinados e no tempo de duração de cada ação. Já Nomura (2020) diz que o plano de marketing digital contempla três fases importantes: 1. Definição do produto: o que está sendo ofertado, as principais características e os benefícios. 2. Definir objetivos e metas: o que se espera alcançar e em quanto tempo. 3. Custos e viabilidade de implementação: o quanto cada ação irá custar e o tempo para a implementação. Observe que não há um único padrão para o planejamento do marketing digital, mas existem três coisas que não podem faltar: objetivos, metas e avaliação dos resultados. Pode ser que na prática você inclua mais fases a essas que foram apresentadas ou encontre outro modelo no qual se sinta seguro para aplicar. 1.1 SWOT A matriz SWOT é uma ferramenta que une as principais ameaças e oportunidades e os pontos fortes e fracos do ambiente analisado. O nome vem do inglês: Strenghts (forças), Weaknesses (fraquezas), Oportunities (oportunidades) e Threats (ameaças). Essa não é uma ferramenta exclusiva do meio digital. Ela surgiu no meio offline, mas 35 pode perfeitamente ser aplicada no planejamento digital. Ela facilita a visualização do que pode ser melhorado e do que precisa ser corrigido ou realizado. Figura 1– Matriz SWOT Fonte: adaptada de Kotler e Keller (2019). A seguir, temos um exemplo dos pontos importantes a serem considerados na matriz SWOT aplicada no ambiente digital (Moraes, 2015). 36 Figura 2 - SWOT para o digital Fonte: adaptada de Morais (2015). Estar sempre pronto para mudanças e rever constantemente a análise é fundamental para os bons resultados da empresa. Yanaze, Almeida e Yanaze (2022) orientam que, caso a marca a ser divulgada seja você mesmo, é possível aplicar a SWOT de forma pessoal, verificando o que o diferencia dos concorrentes, identificando seus pontos fortes, seus pontos fracos, ameaças e oportunidades em sua área de atuação. 37 2. Ferramenta SMART Todo planejamento envolve a definição de objetivos. Para facilitar esse processo, existe uma ferramenta conhecida como SMART: Specific; Measurable; Attainable; Relevant; Time based. Traduzindo, temos que o objetivo deve ser específico, mensurável, atingível, relevante e baseado no tempo. O conceito não é novidade e não é algo exclusivo do digital. Ele foi criado por Doran, no ano de 1981, em um artigo chamado There’s a S.M.A.R.T. way to write management’s goals and objectives. em que o autor escreve sobre formulação de metas e objetivos dentro da administração. Quadro 1 - SMART S Specific Específico M Measurable Mensurável A Attainable Atingível R Relevant Relevante T Time Based Baseado no tempo Fonte: adaptado de Dantas (2014). Com a aplicação da SMART é mais fácil visualizar os passos necessários para um bom objetivo. Por exemplo, imagine que você está realizando o plano de marketing de uma sorveteria. Após realizar a análise do ambiente foi contatado que a marca é conhecida na região onde atua, no interior de São Paulo, no entanto, há um aumento crescente da concorrência. O objetivo geral é definido como aumentar as vendas em 20%. Com isso, já temos um elemento que é essencial em qualquer objetivo, que é o fato de ser mensurável, mas com a aplicação da SMART é bem mais simples visualizar o objetivo. Dessa forma, aplicando a SMART, temos: aumentar em 20% a venda de picolés na região de Campinas, dentro de 8 meses. Esse objetivo 38 específico (venda de picolés) pode ser mensurado (20%), ser alcançado, é relevante para a empresa (região de Campinas) e tem um prazo definido (8 meses). Com isso, ganha-se agilidade na definição das estratégias, que é o próximo passo a ser feito após a definição dos objetivos. 3. Construção da Persona Provavelmente você já deve ter se deparado com o termo persona. Mas, afinal, o que é a persona? É o termo utilizado para definir o perfil do cliente ideal no meio digital. Ou seja, é aquela pessoa que vai comprar de você nos canais digitais. É também conhecido como buyer persona. E como é essa pessoa? Que idade tem? Quais seus gostos pessoais? Ela gosta de interagir muito, pouco ou quase nada? Qual o maior problema que ela tem hoje? Esses são só alguns exemplos de questões que podem ajudar na definição da persona. A buyer persona é a idealização do perfil do cliente ideal com a finalidade de criar ações estratégicas de acordo com seu comportamento (Rez, 2016). Yanaze, Almeida e Yanaze (2022) orientam que a construção de uma buyer persona pode ter as seguintes informações: • Idade. • Cargo. • Hábitos. • Frustrações. • Desafios. • Crenças. • Hobbies. • Estilo de vida. • Hábitos de compra. 39 • Quais mídias preferem. • Quem os influencia. • Quais tecnologias usam. • Onde buscam informação. • Critérios de decisão na hora da compra. • Momento da jornada de compra em que se encontram. Para os autores, “a persona é uma etapa importante no desenvolvimento de projetos de marketing digital, pois permite um entendimento do target para a elaboração de ações humanizadas e que possam promover uma interação significativa”. É importante dizer que uma campanha de marketing digital pode atingir diferentes nichos. Dessa forma, para cada nicho deve haver uma persona diferente. Alguns exemplos: cliente, prospect, colaboradores, parceiros, entidades. Outra ferramenta que pode ser utilizada para ajudar a identificar o comportamento do consumidor, para construir uma buyer persona, é o mapa de empatia. Figura 3 - Mapa de empatia Fonte: https://canvabrasil.blogspot.com/2012/04/mapa-da-empatia.html. 40 4. Métricas e monitoramento Para saber se as ações traçadas no planejamento estão atingindo os resultados esperados, ocorre o monitoramento e a utilização de métricas. As métricas permitem uma avaliação e melhor gestão das ações de forma a obter um bom desempenho. As medidas de desempenho mais utilizadas no offline são o Retorno sobre o Investimento (ROI), a participação de mercado relativa e o ticket médio. No entanto, o ROI é muito importante no marketing digital também. Yanaze, Almeida e Yanaze (2022) dão o seguinte exemplo: Imagine que uma atividade de marketing que custa R$ 10 mil tenha gerado dois mil seguidores no Instagram. Ao longo dos próximos 12 meses, um em cada dez desses seguidores adquiriu uma média de R$ 1.500 em produtos, com uma margem de lucro de 33,3%. Com esses números, chegamos a um total de investimento de R$ 10 mil e um total de receita gerada pelos novos clientes ao longo dos próximos 12 meses (considerando que não houve nenhum outro custo de marketing aplicado a esses clientes) de 2.000 × 10% × R$ 1.500 = R$ 300.000. O lucro total obtido foi de R$ 300.000 × 33,3% = R$ 100.000. Com isso, chega-se a um ROI de 900%. Para o cálculo do ROI é utilizada a seguinte fórmula: ROI = [(Faturamento – Custo Total) / Custo Total] x 100 De acordo com Yanaze, Almeida e Yanaze (2022), as principais métricas online são: • CAC: Custo de Aquisição por Cliente (CAC), que indica o quanto custou para adquirir um novo cliente. Para o cálculo são usados 41 todos os investimentos em marketing dividido pelo número de novos clientes. • Taxa de conversão: mostra o desempenho dos conteúdos, o cálculo é feito considerando o número de vendas dividido pelo total de visitas. • Taxa de rejeição: quantidade de usuários que não exerceram nenhuma ação sobre o site, apenas o visualizaram. • Ticket médio: calcula a média de quanto cada cliente gasta na sua empresa, em determinado período. Caso calcule mensalmente, poderá considerar a receita do mês dividido pelo número de clientes. •Custo por lead: leads são os visitantes que têm interesse por seu conteúdo. Essa métrica é calculada da seguinte forma: investimento total na campanha dividido pelo número de leads classificados. • Custo por mil: o gasto de um serviço/produto disponibilizado para mil pessoas, calculado considerando o custo total dividido pelo número de visualizações x 100. • Custo por clique: refere-se à cobrança de anúncios pagos realizada por meio do número de cliques efetuados. O cálculo é feito considerando o custo da campanha dividido pelo total de cliques obtidos pelo anúncio. • Custo por dia: taxa fixa por dia atribuída ao anúncio, independentemente da quantidade de cliques ou visualizações. • Alcance: mensura a quantidade de pessoas que estão recebendo o conteúdo divulgado. 42 • Engajamento: envolve a interação dos clientes com o perfil, levando em consideração a soma dos comentários, curtidas, salvamentos e compartilhamentos nas postagens, de acordo com cada rede social. • Seguidores: número de pessoas interessadas em acompanhar as publicações do perfil. • Tráfego: representado pela quantidade de visitantes no site com origem nas redes sociais. • Menções à marca: comentários feitos nas redes sociais a respeito de uma marca. Nesta unidade, você compreendeu o que é necessário para o planejamento do marketing digital e vale lembrar que as ações no digital fazem parte do plano de marketing como um todo, com estratégias e ações direcionadas também para o offline, para manter a comunicação integrada. Você também conheceu os passos para criar uma buyer persona e o que é necessário para medir as ações pensadas e executadas. Referências DANTAS, E. B. Manual realmente prático para elaboração de planos de marketing. Brasília: Editora Senac, 2014. DORAN, G. T. There’s a S.M.A.R.T. way to write management’s goals and objectives. Management Review, v. 70, n. 11, p. 35-36, 1981. KOTLER Philip.; KELLER Kevin Lane. Administração de marketing. 15 ed. São Paulo: Pearson Universidades, 2019. MORAIS, F. Planejamento estratégico digital. São Paulo: Saraiva, 2015. 43 NOMURA, M. Marketing Digital. São Paulo: Editora Senac, 2020. Disponível em: https://www.bibliotecadigitalsenac.com.br/?from=listas-de-leitura%3FcontentInfo%3 D1932&page=6§ion=0#/legacy/1932. Acesso em: 29 jan. 2024. REZ, R. Marketing de Conteúdo: a moeda do século XXI. São Paulo: DVS Editora, 2016. YANAZE, M. H.; ALMEIDA, E.; YANAZE, L. K. H. (orgs.). Marketing digital: conceitos e práticas. São Paulo: Saraiva Uni, 2022. 44 Ferramentas do Marketing Digital Autoria: Thaís Cereda Ravasi Leitura crítica: Conrado Hernandes de Oliveira Objetivos • Apresentar o conceito e os principais recursos para a gestão das mídias sociais. • Capacitar os alunos a compreender as principais diferenças entre redes e mídias sociais. • Apresentar o marketing de conteúdo e como ele pode melhorar o relacionamento com o cliente. 45 1. Mídias Sociais Nesta unidade, abordaremos algo que provavelmente faz parte da sua rotina pessoal e talvez até da sua rotina profissional, as mídias sociais e outras ferramentas do ambiente digital, como criação de conteúdo, storytelling e marketing de busca. Se você tem uma conta no Instagram, no Facebook, no Twitter, no TikTok ou no Youtube já utilizou todos esses termos de maneira consciente ou não. Se você não utiliza, certamente convive com pessoas que utiliza. De maneira geral, as pessoas usam mídias sociais e redes sociais como se fossem sinônimos, porém existe uma diferença entre os termos. Gabriel e Kiso (2020) definem uma rede social como uma estrutura social formada por indivíduos (ou empresas), chamados de nós, que são ligados (conectados) por um ou mais tipos específicos de interdependência, como amizade, parentesco, proximidade/afinidade, trocas financeiras, ódios/antipatias, relações sexuais, relacionamento de crenças, relacionamento de conhecimento, relacionamento de prestígio etc. Ou seja, a rede social existe mesmo fora da internet. A internet facilitou as conexões, mas a rede social já existia. O seu grupo de amigos é uma rede social. Note que estou falando dos amigos que você fez ao longo da vida, na escola, no futebol, no balé, na faculdade. Os amigos virtuais também são uma rede social. Tudo isso porque todas essas pessoas estão ligadas por algo em comum. Ou autores ainda complementam que, dessa forma, “fica claro que Instagram, Facebook, Twitter etc. não são redes sociais nem mídias sociais, mas sim plataformas de redes sociais e mídias sociais”. São as pessoas que utilizam essas estruturas as verdadeiras redes sociais. Sem pessoas não há interação, não há redes sociais. Por isso, existem 46 diversos tipos de redes sociais, tanto no offline como no online. A sua família é um exemplo de rede social. Ela existe no offline, mas pode existir no online também. Mas e a mídia social? Mídia é canal, é caminho, é veículo que leva a mensagem. Ou seja, é o ambiente e todas as ferramentas que permitem que a mensagem chegue até o receptor e que ocorra interação, que as pessoas compartilhem informações (Turchi, 2018). Com as redes sociais, as pessoas passam a fazer parte do processo de marketing, saindo de um lugar onde, na maioria das vezes, apenas recebiam informações e os principais canais de comunicação com as marcas eram via telefone e correio. O digital permite que elas tenham voz, opinem, elogiem, critiquem e participem efetivamente da comunicação como um processo vivo e interativo. Antes da internet já existia a possibilidade de participar, opinar, criticar etc., mas de uma forma analógica e que não era pública. Kotler, Kartajaya e Setiawan (2017) alertam para o fato de que os consumidores de hoje acabaram se tornando muito dependentes da opinião dos outros. E isso se deve ao fato de poder conferir o que estão falando sobre a empresa, sobre os produtos. Há sites específicos para reclamação, por exemplo, o Reclame Aqui (www.reclameaqui.com.br), que surgiu em 2001 e em que é possível conferir o status das empresas. De acordo com próprio site, 92% dos consumidores usam o Reclame Aqui para pesquisar a reputação de uma empresa antes de fazer uma compra. No dia 14/04/2020, o site Reclame Aqui chegou a marca de 1 milhão de consultas em um único dia (Peterson, 2020). Há pouco mais de 20 anos, isso era algo fora do planejamento das marcas. Hoje é uma realidade que tem que de ser considerada. Agora que você conhece a diferença entre rede social e mídia social, ficará mais fácil utilizar os termos no seu planejamento de marketing. 47 2. Marketing de conteúdo O marketing de conteúdo pode ser compreendido como “uma estratégia de marketing focada na criação e distribuição de conteúdo relevante (como artigos, e-books e posts nas redes sociais), sem promover explicitamente a marca” (Yanaze; Almeida; Yanaze, 2022). A produção de conteúdo é um elemento fundamental dentro do marketing digital. Muitos termos estão relacionados, como o Inbound Marketing, que é a produção de conteúdo para geração de leads (clientes qualificados, que estão no meio do funil). Como alertam Yanaze, Almeida e Yanaze (2022), se você pensou que conteúdo é uma forma de venda, pensou certo, mas se pensar que é só isso, pensou totalmente errado. Conteúdo ajuda na venda, na construção de marca, no posicionamento, no fortalecimento e no relacionamento que as empresas precisam ter com as pessoas, não é apenas venda. A venda é o coração. O sangue nas veias é o conteúdo. Sem sangue circulando, o coração para. Sem conteúdo é muito difícil vender no digital. Um conteúdo para rede social pode ter diferentes formatos: áudio, texto, imagem, vídeo, game, formulário e deve seguir um planejamento que é aconselhável estar alinhado ao funil de vendas online. Em cada etapa é necessária uma estratégia para atrair, educar, converter e gerar venda. A criação de uma estratégia de conteúdo envolve cinco passos (Yanaze; Almeida; Yanaze, 2022):48 Quadro 1 - Estratégia de conteúdo 1- Planejamento Pesquisar a concorrência, mercado, consumidores. 2- Elaboração de persona Como pensa, sente, age, vive, interage, o que a move, qual o problema a ser solucionado, qual o desejo. 3- Criação de conteúdo Depende muito do item 1 e 2 e precisa ser relevante. Sem relevância não há resultado. 4- Distribuição A escolha dos canais e a forma para distribuir a mensagem. Por vídeo, pode ser usado um webinar ou YouTube; na forma de texto, artigos, blog, assessoria de imprensa; na forma de redes sociais, vídeos, artigos, imagens, textos, animação, lives; e-mail marketing/ newsletter como texto, imagem, gif animado, links, vídeos, notícias e promoções; conteúdo extenso: revista, e-books, infográfico; SEO: Google e link building; mobile: aplicativo, mobile site, conteúdo para mobile; áudio: podcast, entrevistas, aulas, review de produto. 5- Mensuração dos resultados Monitorar as ações e usar métricas para as avaliar. Fonte: adaptado de Yanaze, Almeida e Yanaze (2022). Há ainda a necessidade de criar uma linha editorial e tom de voz para direcionar a postura da marca em relação aos assuntos que serão abordados. Gabriel e Kiso (2020) apontam que a linha editorial é a direção que todas as categorias de conteúdo devem seguir. Por exemplo, no caso de uma academia, podemos ter como linha editorial a alimentação saudável e como categorias de conteúdo receitas, mitos e verdades. A criação de um calendário editorial pode ajudar na organização do conteúdo. Esse calendário é pode ser uma planilha ou uma tabela que contêm palavras-chave, tema público-alvo da postagem etc. Esse calendário funciona como um cronograma e garante a consistência da mensagem e frequência de publicação. O calendário editorial deve seguir os objetivos de marketing e pode conter: 49 • Prazos para produção e publicação. • Palavras-chave de acordo com o público. • Temas relacionados às palavras-chave. • Canais para o qual o conteúdo será adaptado. • Referências sobre o assunto a ser abordado. • Objetivo do conteúdo (relacionado ao funil de vendas online). 3. Storytelling O marketing é feito de histórias. E histórias encantam desde muito tempo. É só lembrar-se do papai Noel da Coca-Cola, o tigre dos sucrilhos, o urso da Diletto, que tem uma história linda de marca que não é verdade. Tudo se resume a storytelling. Figura 1 – Tony, o tigre Fonte: https://propmark.com.br/minha-historia-comecou-com-a-do-sucrilhos-nao-existe- um-sem-o-outro-diz-tony/. 50 Figura 2 – Logomarca Diletto Fonte: https://www.facebook.com/ photo/?fbid=556269363212378&set=a.556269326545715. O recurso utilizado para contar histórias e gerar relacionamento com o cliente no marketing é conhecido como storytelling. A função desse recurso é destacar a marca em meio a tantos estímulos e despertar o interesse do consumidor por meio da utilização de narrativas. A construção da narrativa deve partir de perguntas sobre o que é negócio, valores, problemas e soluções. Por exemplo, “qual o motivo da existência do produto/serviço?”, “como meu produto/serviço pode ajudar?” As narrativas fortes e alinhadas ao propósito da marca vão diferenciar um produto ou serviço da concorrência. Por isso, fazer só por fazer não é estratégico. A narrativa tem que ser bem construída e alicerçada nos valores da marca e nos objetivos de marketing. Uma boa história envolve, cativa. Mas essa história deve ser real. Mentir apenas para ganhar mercado criando narrativas falsas é uma estratégia perigosa, que pode causar efeito negativo sobre a marca. O sucesso nas redes sociais depende de oito fatores cujo grau de importância varia de acordo com a marca e a rede social, sendo o 51 “excelente conteúdo” um ponto importante nisso (Yanaze; Almeida; Yanaze, 2022). Figura 3 - Variáveis para o sucesso nas redes sociais Fonte: Yanaze, Almeida e Yanaze (2022). Os autores alertam que o desafio não é pequeno. O adjetivo excelente, por si só, traz um grau de exigência para o social media. Agora, lembre-se que muitas empresas produzem centenas de posts por ano. Como criar cem, duzentos, trezentos posts com excelência? Vale ponderar também que excelente não é sinônimo de complexo. Pelo contrário, às vezes algo simples, como repostar a postagem de um cliente, pode ser um excelente conteúdo. O que nos faz lembrar, também, que nem sempre criamos, muitas vezes compartilhamos algo que já está pronto, disponível e validado com muito engajamento (Yanaze; Almeida; Yanaze, 2022). 52 4. Marketing de busca Além do planejamento do conteúdo, o markerting digital se faz valer de ferramentas que auxiliam o encontro desses conteúdos por parte do consumidor. As Figuras 4 e 5 mostram exemplos de duas páginas de buscadores diferentes, com links patrocinados. Figura 4 - Páginas de Resultados (SERP) do Google Fonte: acervo da autora (captura de tela – Google, 2024). 53 Figura 5 - Páginas de Resultados (SERP) do Yahoo Search Fonte: acervo da autora (captura de tela – Yahoo Search, 2024). Estratégias de busca permitem que uma marca esteja entre os primeiros a serem encontrados quando o cliente pesquisa sobre o assunto. Normalmente, o filtro acontece por meio de palavras-chaves. Entre as formas mais comuns do marketing de busca, temos a técnica SEO - Search Engine Optimization ou Mecanismo de otimização de busca ou de links patrocinados, com o uso da técnica de Search Engine Marketing (SEM), na tradução livre, marketing de mecanismos de busca. Criar estratégias para o marketing de busca envolve, de forma geral, criar conteúdo para a melhor posição dentro de uma página de busca conhecida como SERP - Search Engine Results Page. 54 Quadro 2 - Diferenças entre SEO e SEM Técnica Definição Aplicação SEO - Search Engine Optimization Mecanismo de otimização de busca Posição de sites nas páginas de busca de forma orgânica SEM - Search Engine Marketing Mecanismo de busca de marketing Busca por páginas de forma patrocinada Fonte: adaptado de Nomura (2020). 4.1 Search Engine Optimization (SEO) Essa técnica já beneficiou muitos no digital, mas atualmente não é mais um diferencial e sim uma necessidade básica. O SEO é um mecanismo orgânico, ou seja, é próprio do algoritmo. E com a concorrência que só aumenta, atuar apenas no orgânico está cada vez mais difícil. Isso quer dizer que aparecer entre os primeiros resultados sem a utilização de links patrocinados está quase impossível. Qualquer página de Internet, desde sua idealização, precisa pensar no conteúdo e na estrutura para o ranqueamento nas buscas. Para isso, é aconselhável que sejam consideradas as preferências do público para qual página será direcionado, seja construindo um layout para computadores e dispositivos móveis, seja considerando as palavras- chave para criar conteúdo nas páginas. No entanto, Polo e Polo (2015) alertam que o “SEO não deve se tornar um fim em si mesmo e temos de evitar que os conteúdos terminem adquirindo uma inclinação antinatural e contrária a seu fim, que deve ser a vinculação com as pessoas”. 55 Quadro 3 - Ferramentas do SEO FERRAMENTAS DO SEO BÁSICO: Google Search Console Google Analytics Bing Yoast Dynomapper Fonte: Yanaze, Almeida e Yanaze (2022). 4.2 Search Engine Marketing (SEM) A aplicação de Search Engine Marketing (SEM) deve ocorrer quando os objetivos de curto prazo estiverem definidos. Essa estratégia está mais ligada às vendas propriamente ditas. Para isso, são usadas ferramentas de anúncios por palavras-chave em sites de busca ou por meio de links patrocinados em páginas de busca ou aplicativos. Critérios como uso de palavras-chave, tipo de público, região, idade, conexão por PC ou mobile são os mais utilizados. Nesta unidade, você descobriu a diferença entre redes sociais e mídias sociais. Compreendeu a importância do marketing de conteúdo e das narrativas criadas por meio do storytelling, está apto a criar conteúdo e gerenciar o relacionamentocom o cliente, criando e entregando conteúdo de qualidade, de acordo com os objetivos da marca e com a posição do cliente no funil de venda online. Referências GABRIEL, M.; KISO, R. Marketing na Era digital: conceitos, plataformas e estratégias. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2020. 56 KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIAWAN, I. Marketing 4.0: do tradicional ao digital. São Paulo: Sextante, 2017. NOMURA, M. Marketing Digital. São Paulo: Editora Senac, 2020. Disponível em: https:// www.bibliotecadigitalsenac.com.br/?from=listas-de-leitura%3FcontentInfo%3D1932&page= 6§ion=0#/legacy/1932. Acesso em: 29 jan. 2024. PETERSON, F. Reclame AQUI recebe 1 milhão de acessos em um dia!. Blog Reclame Aqui, 15 abr. 2020. Disponível em: https://blog.reclameaqui.com.br/reclame-aqui- recebe-1-milhao-de-acessos-em-um-dia/#:~:text=Reclame%20AQUI%20recebe%201%20 milh%C3%A3o%20de%20acessos%20em%20um%20dia!. Acesso em: 28 fev. 2024. POLO, F.; POLO, J. L. #socialholic: tudo que você precisa saber sobre marketing nas mídias sociais. Tradução Maribel Rodriguez Pacheco. São Paulo: Editora Senac, 2015. TURCHI, S. R. Estratégias de marketing digital e e-commerce. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2018. YANAZE, M. H.; ALMEIDA, E.; YANAZE, L. K. H. Marketing digital: conceitos e práticas. São Paulo: SaraivaUni, 2022. 57