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GESTÃO DA INFORMAÇÃO W B A 00 55 _v 2. 0 2 Marcelo Tavares de Lima Londrina Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2020 GESTÃO DA INFORMAÇÃO 1ª edição 3 2020 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR e-mail: editora.educacional@kroton.com.br Homepage: http://www.kroton.com.br/ Presidente Rodrigo Galindo Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada Paulo de Tarso Pires de Moraes Conselho Acadêmico Carlos Roberto Pagani Junior Camila Braga de Oliveira Higa Carolina Yaly Giani Vendramel de Oliveira Henrique Salustiano Silva Juliana Caramigo Gennarini Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Tayra Carolina Nascimento Aleixo Revisor Luís Otavio Toledo Perin Editorial Alessandra Cristina Fahl Beatriz Meloni Montefusco Gilvânia Honório dos Santos Mariana de Campos Barroso Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) __________________________________________________________________________________________ Lima, Marcelo Tavares de L732g Gestão da informação/ Marcelo Tavares de Lima, – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2020. 43 p. ISBN 978-65-5903-056-9 1.Gestão do conhecimento. 2. Tecnologia da informação. 3. Processo decisório. I. Título. CDD 658 ____________________________________________________________________________________________ Raquel Torres – CRB 6/2786 © 2020 por Editora e Distribuidora Educacional S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. 4 SUMÁRIO Gerência do conhecimento: elementos e contextos _________________ 05 Mapeamento e modelagem de processos de negócios _____________ 21 Tipos de processos de negócios e sua natureza _____________________ 36 Tecnologias emergentes em processos de negócios ________________ 50 GESTÃO DA INFORMAÇÃO 5 Gerência do conhecimento: elementos e contextos Autoria: Marcelo Tavares de Lima Leitura crítica: Luís Otávio Toledo Perin Objetivos • Apresentar conceitos fundamentais da gestão do conhecimento. • Descrever sobre o processo de geração de conhecimento. • Exemplificar contextos de possíveis utilizações da gestão do conhecimento. 6 1. Introdução Olá! Seja bem-vindo(a) ao mundo da gestão da informação. Esse é um mundo vasto a ser explorado, e seus conceitos e definições fundamentais estão relacionados diretamente com o mundo empresarial/corporativo e, também, com o mundo acadêmico. Portanto, eles podem ser aplicáveis em ambos contextos. Esta disciplina apresenta os conceitos fundamentais da gestão do conhecimento, outro termo muito relacionado com a gestão da informação. No decorrer deste tema, apresentaremos as principais definições e termos associados a gestão do conhecimento, assim como descreveremos o processo de geração do conhecimento, após apresentados os contextos de suas possíveis aplicações. Portanto, atente-se ao texto e observe minuciosamente a tudo que abordaremos nas próximas páginas. Bons estudos! 2. O processo de geração do conhecimento O mundo em que vivemos está em constante transformação. Da mesma forma, o mundo corporativo e empresarial também está e transformando, onde a gestão do conhecimento destaca-se cada vez mais, em razão da corrida pela busca do conhecimento. A constante transformação do mundo, o qual inclui o mundo empresarial, gera diversos paradoxos nos ambientes, os quais são oriundos de contradições, inconsistências, dilemas e polaridades diversas (TAKEUCHI; NONAKA, 2008). Nesse sentido, quanto mais complexo é o ambiente, mais paradoxos são produzidos. Por sua vez, as empresas precisam saber tirar vantagem desse cenário. Por um longo tempo, as empresas tentaram eliminar paradoxos de seus ambientes. No entanto, com o contínuo desenvolvimento de novos 7 métodos e técnicas, esse esforço mudou. Assim, elas passaram a aceitá- los, a enfrentá-los e, também, a tirar vantagem no seu uso, na intenção de sempre obter os melhores caminhos, ou seja, a melhor tomada de decisão (TAKEUCHI; NONAKA, 2008). A mudança de postura por partes das empresas, na decisão de aprenderem a conviver com paradoxos, não torna os ambientes confortáveis e, muito menos, simplificados. Handy (1994, p. 14 apud TAKEUCHI; NONAKA, 2008, p. 18) apresenta a seguinte analogia para representar a convivência com paradoxos: [...] [que] é como andar em uma floresta escura em uma noite sem lua. É uma experiência desagradável e, às vezes, assustadora. Todo o sentido de direção está perdido; as árvores e os arbustos oprimem; onde quer que se pise, encontra-se um novo obstáculo; todo ruído ou murmúrio é amplificado; há um sopro de perigo; parece mais seguro ficar imóvel do que mover-se. Vindo o amanhecer, no entanto, o caminho fica claro; os ruídos agora são o canto dos pássaros e o murmúrio na vegetação rasteira é apenas o dos coelhos disparando; as árvores definem o trajeto em vez de bloqueá-lo. A floresta é um lugar diferente. A analogia trazida de Handy (1994, p. 14 apud TAKEUCHI; NONAKA, 2008, p. 18) tem a intenção de mostrar que, quando os paradoxos são esclarecidos ou declarados, o mundo, qualquer que seja ele, parecerá menos ameaçador e se torna diferente. Essa postura tem sido cada vez mais comum entre as empresas, as quais deixam de enfrentar os paradoxos de forma passiva, e passam a abraçá-los de forma ativa, passando a cultivar as contradições. A mudança de postura em relação aos paradoxos existentes na sociedade trouxe um novo comportamento, permitindo que fosse iniciada uma nova sociedade, a sociedade do conhecimento. As contradições, as inconsistências, os dilemas, as dualidades, as polaridades, as dicotomias e as oposições não são alheios ao conhecimento, pois o conhecimento em si é formado por dois componentes dicotômicos e aparentemente opostos – isto é, o conhecimento explícito e o conhecimento tácito. (TAKEUCHI; NONAKA, 2008, p. 19) 8 Desse modo, o conhecimento explícito pode ser apresentado ou expressado de várias maneiras, entre as quais podemos citar: as palavras, números ou sons. Além disso, podemos compartilhar, via produção de dados, fórmulas matemáticas, recursos de visualização, entre outros; permitindo uma transmissão forma rápida aos indivíduos, de maneira formal e sistemática. Em contrapartida, o conhecimento tácito não é de fácil visibilidade e explicação. Contrariando o conhecimento explícito, o tácito é extremamente pessoal e de difícil formalização, sendo, portanto, de difícil comunicação e compartilhamento. Por sua vez, esse conhecimento é composto pelos palpites subjetivos e intuições diversas, sendo enraizado em ações e experiências pessoais. Takeuchi e Nonaka (2008) afirmam que é possível subclassificar o conhecimento tácito em duas dimensões: técnica e cognitiva. A dimensão técnica considera as habilidades conhecidas como know how, sendo elas informais e de difícil detecção. Essa dimensão é, também, composta pelos insights, intuições, palpites e inspirações originárias de experiências pessoais. A dimensão cognitiva, por sua vez, é composta por crenças, percepções, ideais, valores, emoções e modelos mentais estão inseridos nos indivíduos, que são considerados conhecimentos naturais. Essa última dimensão dá forma à maneira como o mundo é percebido pelos indivíduos. O conhecimento, da forma como é apresentado, é considerado inerentemente um paradoxo, pois, é tanto explícito quanto tático, composto, aparentemente, por dois tipos opostos. Diantee suas naturezas. Desse modo, foi possível ter um panorama geral sobre as principais ferramentas e sistemas de TI associados, assim como as suas principais funcionalidades e conceitos fundamentais associados. A fim de aprofundar seus estudos, sugerimos que as referências bibliográficas utilizadas para a elaboração deste material sejam consultadas. Bons estudos! Referências Bibliográficas AKKARI, A. C. S. Gestão do conhecimento e da tecnologia de informação. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional, 2018. [Disponível na Biblioteca Virtual] FUJITA, H. S.; HIRAMA, K. SOA: modelagem, análise e design. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. [Disponível na Biblioteca Virtual, no parceiro Minha Biblioteca] LOH, S. BI na era do big data para cientistas de dados: indo além de cubos e dashboards na busca pelos porquês, explicações e padrões. Porto Alegre: Stanley Loh, 2014. O’BRIEN, J. A.; MARAKAS, G. M. Administração de sistemas de informação. 15. ed. Porto Alegre: AMGH, 2012. [Disponível na Biblioteca Virtual, no parceiro Minha Biblioteca] SHARDA, R.; DELEN, D.; TURBAN, E. Business intelligence e análise de dados para gestão do negócio. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2019. [Disponível na Biblioteca Virtual, no parceiro Minha Biblioteca] 50 Tecnologias emergentes em processos de negócios Autoria: Marcelo Tavares de Lima Leitura crítica: Luís Otávio Toledo Perin Objetivos • Descrever sobre tecnologias desenvolvidas para a gestão de processos de negócios. • Descrever a relação entre inteligência de negócios e a tecnologia da informação em ambientes corporativos. • Apresentar aplicações de tecnologias emergentes em processos de negócios. 51 1. Introdução Em tempos de recursos tecnológicos avançados, a gestão da informação não pode ser realizada sem o uso desses recursos, pois, uma organização que não explora a tecnologia tende a deixar de ser competitiva e perde valor de forma rápida. Sendo assim, a busca por recursos tecnológicos em processos de negócios é uma corrida constante no ambiente corporativo. Desse modo, este texto apresenta conceitos fundamentais sobre a inteligência de negócios associada a tecnologia da informação, ambas aplicadas para a tomada de decisão empresarial. Além disso, neste tema, apresentaremos as tecnologias emergentes no ambiente corporativo, assim como a sua aplicação adequada para a obtenção de resultados favoráveis para as organizações. Boa leitura! 2. Tecnologias e inteligência de negócios Segundo De Sordi (2015), a evolução do conhecimento tem permitido que aumente cada vez mais a diversidade de recursos tecnológicos, assim como o maior acesso às organizações tem permitido o aumento da produção de dados e o seu armazenamento adequado, possibilitando torná-los informações importantes para a gestão e a tomada de decisão. Desse modo, uma grande parte dos dados gerados nas organizações é feita por meio de programas computacionais. Assim, a ciência da computação tem se tornado cada vez mais determinante na obtenção de resultados positivos na gestão de processos e na tomada de decisão. A inteligência de negócios, também conhecida como analytics, é um conceito bastante amplo e engloba o gerenciamento de processos com 52 o uso de tecnologias, inclusive tecnologia da informação (TI). Segundo Ruggiero (2017), a literatura que trata do assunto, analytics também é conhecido como Business Intelligence, Big Data, Business Analytics, entre outros termos. O analytics é um termo que corresponde ao processo de extração e criação de informações a partir de dados brutos por filtragem, processamento, categorização, condensação e contextualização dos dados (BAHGA; MADISETTI, 2019). Desse modo, o Analytics é o tratamento aplicado nos dados, cuja intenção é de transformá-lo em informação útil para ser aproveitada nos processos de tomada de decisão e para divulgação de resultados aos envolvidos em atividades em comum. Segundo Ruggiero (2017), o termo Business Intelligence (BI) surgiu na literatura no ano de 1958, por meio de Hans Peter Luhn, pesquisador da área de ciência da computação. Naquele momento, BI era considerado um sistema automático para definição de ações reais aos seus usuários. No entanto, a partir de 1986, ele passou a ser considerado um processo, em que sua entrada se daria com dados brutos e sua saída, a inteligência para a tomada de decisão. Na prática, o conceito de BI está relacionado a um processo onde há utilização de “informações operacionais e ferramentas analíticas para melhorar os processos de tomada de decisão das empresas” (NEGASH, 2004 apud RUGGIERO, 2017, p. 26). Assim, quando considerado um processo, BI é composto por métodos apropriados para o tratamento de dados, a fim de transformá-los em informações para serem utilizadas na gestão empresarial para tornar ou manter as organizações competitivas no mercado em que atuam. O produto desse tratamento será o resultado que permitirá a tomada de decisão, a ser realizada por meio da gestão de informações disponíveis. 53 Ao longo do desenvolvimento do BI, no meio acadêmico, como um substituto surgiu o termo inteligência analítica (IA). Além desse termo, também, surgiu o termo Big data, como um sinônimo para BI e IA. No entanto, ao longo do desenvolvimento de pesquisas, o termo Big data passou a ter conceito próprio. No período de seu desenvolvimento, o conceito de inteligência analítica, associado ao conceito de Big data, teve um termo acrescido à sua denominação. Trata-se do termo analytics, tornando o termo conhecido como Big data analytics, que passou a significar “conjuntos de dados e técnicas analíticas para aplicações muito grandes e complexas, que requerem soluções, avançadas de armazenagem, gerenciamento, análise e ferramentas de visualização” (RUGGIERO, 2017, p. 28). Ainda, é comum que os estudiosos do assunto se refiram apenas ao termo analytics para falar do Business Intelligence and Analytics. O termo analytics, segundo Ruggiero (2017, p. 29), “é um termo genérico que significa aplicar várias técnicas analíticas em dados para responder ou resolver problemas, algo que facilita a realização de objetivos de negócio”. Por sua vez, a gestão da informação no ambiente corporativo requer o uso de tecnologias ágeis e flexíveis, no sentido de atenderem de forma rápida às consultas realizadas nos sistemas de dados. Portanto, falar em tecnologias em processos de negócios é falar dos conceitos de analytics, BI, Big data, inteligência artificial, Radio-Frequency IDentification (RFID), Near Field Communication (NFC), entre outros. Por fim, segundo Ruggiero (2017), Analytics concentra-se em conhecimento e inteligência, reunindo ferramentas de visualização, exploração, explanação e predição. Assim, Analytics reúne técnicas estatísticas, econométricas, Machine learning, otimização e simulação. Então, falar de Analytics é falar de técnicas já conhecidas e, também, de 54 tecnologias emergentes, mas com o enfoque em negócios e na tomada de decisão gerencial. Com uso de técnicas diversas dentro do contexto de analytics, a gestão de informações obtidas permite que elas sejam organizadas e estruturadas para inferir conhecimento sobre os negócios, seus ambientes e operações, tornando os sistemas envolvidos mais inteligentes e eficientes. Em sua pesquisa, Ruggiero (2017) afirma que a inteligência analítica, desde 2002, passou a ser usada em áreas diversas, como o e-commerce, vendas, marketing, suplly chain, detecção de fraudes e gestão de performance corporativa. Além disso, o autor também identificou aplicações de IA em áreas como: otimização de relacionamento com clientes, monitoramento de atividades de negócio e suporte à decisão (RUGGIERO, 2017). No entanto, a escolha de técnicas de analytics para gerenciar processos dependerá diretamente dos objetivos de aplicação. Por exemplo, é preciso avaliar se uma transação bancária é ou não uma fraude; se irá chover ou não em um dia específico ou, ainda,se um tumor é ou não maligno. Além disso, pode-se utilizar técnicas de analytics para obtenção de padrões nos dados, como identificar assuntos mais visitados em uma página de internet ou, ainda, identificar produtos mais pesquisados para compra em um determinado período do ano. Outras possibilidades estão ligadas à busca de relações nos dados, como: comportamento de consumo de alimentos em relação ao período do ano anterior, entre outros. O uso de tecnologias de analytics e outras tecnologias emergentes em processos de negócios implicaram “em um aumento no volume de 55 troca e acúmulo de informações, atingindo as estratégias de gestão das informações das empresas” (NUNES; SANTANA, 2018, p. 115). Desse modo, não há um consenso quando se trata do conceito básico de Big data, mesmo depois dele ter se distanciado do conceito de analytics . Por exemplo, Taurion (2013, [s.p.]) descreve a definição apresentada pela McKinsey Global Institute como: [...] a intensa utilização de redes sociais online, de dispositivos móveis para conexão à internet, transações e conteúdos digitais e também o crescente uso de computação em nuvem tem gerado quantidades incalculáveis de dados. O termo Big Data refere-se a este conjunto de dados cujo crescimento é exponencial e cuja dimensão está além da habilidade das ferramentas típicas de capturar, gerenciar e analisar dados. O autor, ainda, apresenta a definição dada pelo Gartner, que define Big data como: [...] o termo adotado pelo mercado para descrever problemas no gerenciamento e processamento de informações extremas as quais excedem a capacidade das tecnologias de informações tradicionais ao longo de uma ou várias dimensões. (TAURION, 2013, [s.p.]) Em uma analogia feita por Taurion (2013) a respeito da Big Data quando relacionada com a medicina, o autor afirma que Big Data seria um microscópio que permitiu que se vissem coisas que já existiam, como bactérias e vírus, mas que ainda não se tinha conhecimento. A grande massa de dados invisíveis pode ser tratada como big data e receber o tratamento analítico apropriado para se tornarem informações úteis na tomada de decisão. Esse microscópio permitiu que entendêssemos que dados surgem de todos os cantos, dos milhares de web sites existentes, dos mais de cem mil tuites por minuto na rede social, dos compartilhamentos de bilhões de usuários do Facebook, 56 dos sensores e das câmeras espalhados pelas cidades e dos bilhões de celulares existentes. O espaço ocupado por esses “novos” dados, que passaram a ser vistos e enxergados como fonte de informação, é maior e, com a produção em massa, requer espaços amplos para o seu armazenamento. Por exemplo, o uso de imagens e vídeos divulgados em redes sociais, pois, um vídeo em alta-definição ocupa muito mais espaço para armazenamento em comparação a uma página de texto. Amaral (2016, [s.p.]) apresenta a seguinte definição de Big Data: “big data é o fenômeno em que dados são produzidos em vários formatos e armazenados por uma grande quantidade de dispositivos e equipamentos”. As causas do fenômeno Big data, basicamente, são associadas aos insumos feitos em tecnologia, como investimentos em unidade central de processamento (CPU), memórias e unidades de armazenamento, ou seja, investimento em tecnologia. O barateamento dos insumos, a sua miniaturização, assim como o aumento de sua capacidade de processamento tem como consequência o uso de equipamentos, dispositivos e processos com maiores capacidades de produção e armazenamento de dados. A computação em nuvem e na internet também fazem parte desse pacote de consequências. A velocidade com que o mundo tem se tornado digital cresce de forma exponencial. Na primeira década dos anos 2000, apenas metade dos dados produzidos no mundo estavam armazenados em formato digital, enquanto, no final da segunda década (2019), quase 100% dos dados estavam armazenados nesse formato. Em notação matemática, Taurion (2013, [s.p.]) apresenta o conceito de Big data como “big data = volume + variedade + velocidade + veracidade”, cuja fórmula matemática tem a intenção de mostrar o valor agregado 57 aos processos que fazem uso de tecnologias capazes de lidar com o conceito, sendo um conjunto de cinco Vs. Nesse sentido, agregar valor ao uso de tecnologias capazes de lidar com Big data, nada mais é do que o retorno esperado de todo o investimento realizado em tecnologia e mão de obra para equipar os negócios. Quando se fala de Big data, há um conceito que não podemos deixar de mencionar, a internet das coisas (IoT). Taurion (2013, [s.p.]) afirma que “a Internet das Coisas vai aglutinar o mundo digital com o mundo físico, permitindo que os objetos façam parte dos sistemas de informação”. Com os objetos componentes da estrutura física que nos rodeia gerando dados a todo instante, mais do que nunca, temos um impulsionador poderoso para o uso de tecnologias para Big data. Por exemplo, quase todos os componentes de um avião podem gerar dados sobre o seu funcionamento, permitindo que sejam utilizados para realizar previsões com respeito à manutenção, evitando que a aeronave fique parada desnecessariamente, gerando custos. Outro exemplo é a automação residencial, a qual realiza integração entre os equipamentos de uma residência, tornando-a uma casa inteligente. De acordo com Amaral (2016), com relação à crescente produção de tecnologias para gerenciar processos, é possível entender este fenômeno com um breve levantamento histórico, lembrando que há poucas décadas tínhamos a produção de dados centralizada em mainframes e em computadores pessoais. Na era Big data, os dados passam a ser produzidos por fontes variadas, como “redes sociais, comunidades virtuais, blogs, dispositivos médicos, TVs digitais, cartões inteligentes, sensores em carros, trens e aviões, leitores de código de barra, [...], celulares, sistemas informatizados, satélites, entre outros” (AMARAL, 2016, [s.p.]). Os dados produzidos por essas fontes diversas têm formatos diversos, diferentes velocidades em 58 sua produção e são de volumes variados. Algo nunca pensado ou vivido antes! Para exemplificar, podemos fazer um comparativo entre celulares e computadores da década de 1980, em que concluiu que “big data fica ainda mais compreensível quando falamos em números: um smartphone de hoje tem maior capacidade que o melhor computador de 1985” (AMARAL, 2016, [s.p.]). Tal comparativo permite compreender o avanço realizado em tecnologias de TI direcionadas para o armazenamento de dados. Amaral (2016), ainda, apresenta alguns números para dar uma ideia da dimensão do volume de dados produzidos no mundo moderno em que vivemos, como a quantidade de pessoas com aparelho celular em todo o mundo contam com mais de seis bilhões e são em torno de dois bilhões de pessoas utilizando rede social; em torno de três milhões de e-mails são enviados por segundo no mundo, quinhentos milhões de tuites por dia, entre outras informações. Além disso, depois de todo o esforço para definir Big data, é importante saber e definir o que não é Big data. Assim, se ela fica restrita unicamente em processos de geração de grande volume de dados não é Big data, pois, além disso, o seu conceito também inclui “mudança social, cultural, é uma nova fase da revolução industrial” (AMARAL, 2016, [s.p.]). Como dito anteriormente, Big data é um fenômeno e não uma tecnologia. Por ser considerado um fenômeno, Big data “envolve o uso de diversos tipos de conceitos e tecnologias, como computação nas nuvens, virtualização, internet, estatística, infraestrutura, armazenamento, processamento, governança e gestão de projetos” (AMARAL, 2016, [s.p.]). O armazenamento indiscriminado de dados oriundos de diversas fontes é uma característica muito associada ao conceito de Big data. Em tempos 59 passados, armazenamento representava um custo monetário alto a ser dispensado para tal. Por isso, armazenava-se apenas dados que eramvistos com potenciais valores imediatos. 3. Tecnologias emergentes para o negócio O avanço tecnológico vivenciado pelas organizações tem sido um fenômeno jamais vivido anteriormente na história. Desse modo, muitas tecnologias de TI para a gestão dos negócios surgem para facilitar a gestão de processos e a melhoria da tomada de decisão. As tecnologias de inteligência artificial, internet das coisas, realidade aumentada/virtual, blockchain, automação de processos, entre outras, surgiram para facilitar a gestão dos processos das organizações e estão em constante atualização desde que surgiram. A seguir, abordaremos sobre cada uma das tecnologias citadas. 3.1 Inteligência artificial Com os avanços tecnológicos crescendo de forma exponencial, em particular na área computacional, algumas correntes da ciência chegam a afirmar que uma máquina pode pensar e, portanto, possuir comportamento inteligente tal como o do ser humano. Segundo Santos e Arruda (2019), este assunto está longe de ser consensual entre os estudiosos, mas, pode ser considerado como uma provocação para o debate sobre ele. De acordo com Machado (2017), o termo inteligência artificial (IA) surgiu por volta da década de 1950, onde tinha-se como intenção o desenvolvimento de sistemas que fossem capazes de realizar tarefas, que ainda seriam melhor realizadas pelos seres humanos. 60 Oficialmente, a IA surgiu em 1956, em uma conferência realizada no Dartmouth College, nos Estados Unidos, onde alguns dos participantes deste evento submeteram à Fundação Rockfeller uma proposta de pesquisa para ser desenvolvida em um período de dois meses, sendo composta por dez pesquisadores, a qual continha o termo “inteligência artificial” (MACHADO, 2017). De acordo com Machado (2017, p. 17), a inteligência artificial pode ser definida como “área de pesquisa da ciência da computação que busca métodos ou dispositivos computacionais que simulam a capacidade humana de resolver problemas”. Desde o seu surgimento, pesquisadores tentam implementar, de forma computacional, sistemas que possam agir racionalmente, de forma semelhante aos seres humanos. Desde quando surgiu, a IA gera discussões polêmicas, a começar pelo seu próprio nome, o qual foi considerado um tanto presunçoso por muitos contemporâneos da época (MACHADO, 2017). Segundo Machado (2017), a justificativa dada por esta sensação/sentimento em relação ao termo tem base no desconhecimento dos conceitos associados à inteligência e, por outro lado, na relação com a capacidade prática do processamento dos computadores e, ainda complementaram, ter ocorrido promessas exageradas com o surgimento da IA. A linha de tempo do desenvolvimento da IA é um tanto ampla, mas, considerando os principais momentos de seu desenvolvimento, podemos citar os anos 1990, onde as pesquisas relacionadas ao tema extrapolaram os muros das universidades e passaram a ser também exploradas por empresas de tecnologia. Trata-se de um marco na história da IA, pois, a partir de disso, o seu desenvolvimento deu um grande salto em quantidade de produção de tecnologias. A Figura 1 apresenta uma linha de tempo do desenvolvimento da IA, desde o período conhecido como “gestação”, onde se ensaiava o surgimento, até a IA conhecida e aplicada nas tecnologias emergentes. 61 Figura 1 – Linha de tempo do desenvolvimento da Inteligência Artificial Fonte: elaborada pelo autor. Uma definição abrangente sobre IA, apresentada por Russell e Norvig (2013 apud OLIVEIRA, 2018, p. 11) declara que: [...] inteligência artificial é a capacidade de sistemas cibernéticos (formados por computadores, softwares, sensores e atuadores) de imitar funções cognitivas dos seres humanos, funções estas que podemos resumir na resolução de problemas por meio de aprendizado apoiado na percepção. De forma prática, pensar em resolução de problemas a partir de uma máquina ou agente computacional, com uso de algoritmos e regras, trata-se da obtenção do resultado para a tomada de decisão em processos de negócios, por exemplo. Em IA, o aprendizado “é a característica dos algoritmos que têm a capacidade de melhorar seu desempenho por meio da experiência” (RUSSELL; NORVIG, 2013 apud OLIVEIRA, 2018, p. 12). Logo, trata-se da reparametrização dos algoritmos a cada iteração realizado pela máquina, situação conhecida como aprendizado de máquina. O aprendizado de máquina corresponde a um campo da IA composto de uma série de métodos e procedimentos que permitem o tratamento analítico de dados para transformá-los em informações. Para 62 tanto, é necessário que os dados estejam corretamente coletados e armazenados em sistemas de TI apropriados. Com a evolução tecnológica cada vez mais veloz e atuante, é possível que a inteligência artificial se torne predominante na sociedade de forma cada vez mais intensa. Mesmo que sejam criados dispositivos tecnológicos realmente inteligentes, do ponto de vista de tendência, cada vez mais entraremos computadores, máquinas e outros dispositivos, mesmo que aparentemente, mais inteligentes (COPPIN, 2013). 3.2 Blockchain O termo blockchain se tornou popular em 2016, quando passou a ser associado às moedas digitais e as criptomoedas. Segundo Aquino (2019), em 2018, a tecnologia blockchain já estava sendo intensamente utilizada pela indústria financeira no Brasil e no mundo, atuando na exploração da tecnologia para realizar operações de pagamentos e moedas. Segundo João (2018, p. 34), blockchain “é essencialmente um banco de dados distribuído de registros, ou ledger público de todas as transações ou eventos digitais que foram executados e compartilhados entre as partes participantes”. Além disso, denomina-se Distributed Ledger Technology (DLT). A tecnologia blockchain permite que qualquer rede de usuários possa rastrear, assim como comercializar, de forma virtual, qualquer objeto de valor. De acordo com Aquino (2019), alguns termos estão associados com esta tecnologia, como: rede, criptografia e confianças aplicadas a transações. Segundo João (2018, p. 34): [...] o blockchain foi apresentado por um indivíduo (ou grupo) sob o nome de Satoshi Nakamoto (Nakamoto, 2008) que propôs uma moeda eletrônica, 63 Bitcoin, um sistema de dinheiro eletrônico peer-to-peer, baseada no design do sistema P2P descentralizado, sem passar por uma instituição financeira, e a estrutura para resolver o problema da confiança entre ambas as partes, que é uma das aplicações do blockchain. Seu código é livre. Nesse contexto, estudiosos desse tema afirmam que, ao menos, quatro elementos se destacam com o surgimento da tecnologia blockchain no meio empresarial: base de dados, criptografia, rede de computadores e confiança, sendo os três primeiros considerados de ordem técnica e, o último, de ordem humana (AQUINO, 2019). Ainda segundo Aquino (2019), blockchain é considerada uma tecnologia “disruptiva” que confronta o modelo de negócios tradicional com soluções de baixo custo, que podem ser aplicadas para verificação digital, proteção intelectual, prova de existência, serviços governamentais, entre outros. De fato, sempre é possível aplicar blockchain em processos de negócios que vão além dos citados neste texto. Afinal, o crescimento de sua popularidade é um reflexo da sua aplicabilidade nos negócios. Portanto, vale a pena explorar as fontes de informação disponíveis que tratam do assunto. 3.3 Outras tecnologias emergentes Muitas tecnologias consideradas emergentes para a gestão de processos de negócios surgiram para facilitar a gestão de atividades empresariais, industriais e de prestação de serviços. Entre elas, podemos citar a internet das coisas, a realidade aumentada/virtual, a mobile everything, a segurança cibernética e privacidade, automação robótica de processos, wearables, RFID e NFC etc. A listagem é ampla e, para explorá-las de maneira detalhada, precisamos de tempo e de espaço. Portanto, para se manter atualizado, o gestor 64 de processos precisabuscar conhecer sobre os recursos tecnológicos existentes que podem auxiliar seu trabalho de gestão para a tomada de decisão. 4. Considerações finais Como dito antes, a listagem de tecnologias emergentes para o suporte de gestão de processos é grande e precisa de tempo e de espaço para serem conhecidas com detalhes. Portanto, esse tema não se esgota neste texto, pois, ele é extenso e desafiador. Prezado aluno, eis que surge um desafio diante de você, a busca por conhecer, preferencialmente, todas as tecnologias, para que você, junto com seus pares, superiores e/ou subordinados, possam ter a capacidade de escolher os melhores recursos tecnológicos para auxiliar no desenvolvimento de suas atividades corporativas. Desejamos uma excelente trajetória nesta desafiante caminhada! Referências Bibliográficas AMARAL, F. Introdução a ciência de dados: mineração de dados e Big Data. Rio de Janeiro: Alta Books, 2016. AQUINO, M. Adoção de blockchain na gestão de cadeias de suprimentos do brasil. 2019. 86 f. Dissertação (Mestrado profissional em Gestão para a competitividade) – Escola de Administração de Empresas de São Paulo, Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, 2019. [Disponível na Biblioteca Virtual] BAHGA, A.; MADISETTI, V. Big data science & analytics: a hands-on approach. [S. l.]: VPT, 2019. COPPIN, B. Inteligência artificial. Tradução: Jorge Duarte Pires Valério. Rio de Janeiro: LTC, 2013. [Disponível na Biblioteca Virtual, no parceiro Minha Biblioteca] DE SORDI, J. O. Administração da informação: fundamentos e práticas para uma nova gestão do conhecimento. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2015. 65 JOÃO, B. N. Blockchain e o Potencial de Novos Modelos de Negócios: Um Mapeamento Sistemático. Revista de Gestão e Projetos, [S. l.], v. 9, n. 3, p. 33-48, 2018. [Disponível na Biblioteca Virtual, no parceiro Ebsco] MACHADO, V. P. Inteligência artificial. Fortaleza. Notas de aula, 2017. Disponível em: http://www.uece.br/computacaoead/index.php/downloads/doc_ download/2177-inteligencia-artificial. Acesso em: 23 set. 2020. NUNES, S. E.; SANTANA, G. A. Tecnologia da informação na gestão do conhecimento. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional, 2018. [Disponível na Biblioteca Virtual] OLIVEIRA, R. F. Inteligência artificial. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional, 2018. [Disponível na Biblioteca Virtual] RUGGIERO, P. H. G. Inteligência analítica: competências para atuação. 2017. Dissertação (Mestrado em Administração de Empresas)–Escola de Administração de Empresas de São Paulo, Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, 2017. [Disponível na Biblioteca Virtual] SANTOS, B. L.; ARRUDA, E. P. Dimensões da inteligência artificial no contexto da educação contemporânea. Educação Unisinos, [S. l.], v. 23, n. 4, p. 725-741, 2019. TAURION, C. Big data. Rio de Janeiro: Brasport, 2013. [Disponível na Biblioteca Virtual] http://www.uece.br/computacaoead/index.php/downloads/doc_download/2177-inteligencia-artificial http://www.uece.br/computacaoead/index.php/downloads/doc_download/2177-inteligencia-artificial 66 BONS ESTUDOS! Sumário Gerência do conhecimento: elementos e contextos Objetivos 1. Introdução 2. O processo de geração do conhecimento 3. Fundamentos da gestão do conhecimento Referências Bibliográficas Mapeamento e modelagem de processos de negócios Objetivos 1. Introdução 2. Tecnologia da informação e as organizações 3. Mapeamento e modelagem com uso de TI e as organizações Referências Bibliográficas Tipos de processos de negócios e sua natureza Objetivos 1. Introdução 2. Gerenciamento de processos de negócios 3. Arquitetura orientada a serviços (SOA) 4. Gestão de desempenho de negócios (BPM) 5. Considerações finais Referências Bibliográficas Tecnologias emergentes em processos de negócios Objetivos 1. Introdução 2. Tecnologias e inteligência de negócios 3. Tecnologias emergentes para o negócio 4. Considerações finais Referências Bibliográficasde um mundo turbulento e complexo, abraçar conjuntos de elementos opostos é uma postura necessária para as empresas a fim de alcançar o sucesso nos negócios. Nesse contexto, o conhecimento é construído de maneira dinâmica e sintetiza o que é aparentemente contraditório. Segundo Takeuchi e Nonaka (2008, p. 21), “é criado através de uma espiral que passa através de dois conceitos aparentemente opostos, como tácito e explícito, caos e ordem”, entre outros. 9 Logo, uma empresa produz e faz uso do conhecimento por meio da sua conversão de tácito para explícito e vice-versa. Assim, Takeuchi e Nonaka (2008) identificaram quatro modos de conversão do conhecimento: (1) socialização: tácito para tácito; (2) externalização: tácito para explícito; (3) combinação: explícito para explícito; e (4) internalização: explícito para tácito. A Figura 1 apresenta o processo de conversão do conhecimento, conhecido pela palavra composta pelas iniciais dos modos de conversão, espiral SECI ou processo SECI. Figura 1 – Processo de criação do conhecimento (SECI) Fonte: adaptada de Takeuchi e Nonaka (2008). O processo SECI apresenta uma descrição de “como os conhecimentos tácito e explícito são amplificados em termos de qualidade e quantidade, assim como do indivíduo para o grupo e, então, para o nível organizacional” (TAKEUCHI; NONAKA, 2008, p. 23). 10 Portanto, o conhecimento é criado a partir da socialização e segue pelos outros modos de conversão, formando uma espiral. Segundo Takeuchi e Nonaka (2008), a amplificação do conhecimento, passando pelos quatro modos considerados, pode ser descrita da seguinte maneira: 1. Socialização: compartilhamento e criação do conhecimento tácito por meio da experiência direta. 2. Externalização: articulação do conhecimento tácito por intermédio do diálogo e da reflexão. 3. Combinação: sistematização e aplicação do conhecimento explícito e a informação. 4. Internalização: aprendizagem e aquisição de novo conhecimento tácito na prática. Outra forma de amplificação da espiral, que representa os modos de conversão do conhecimento, corresponde à mudança de nível ontológico (entidades), que passa do indivíduo para o grupo, assim como para a empresa ou organização. Por sai vez, cada um dos modos do processo SECI considera uma combinação diferente das entidades de criação do conhecimento que, segundo Takeuchi e Nonaka (2008), consideram da seguinte maneira: 1. Socialização: de indivíduo para indivíduo. 2. Externalização: de indivíduo para grupo. 3. Combinação: do grupo para a organização. 4. Internalização: da organização para o indivíduo. Ainda, os autores afirmam que, com exceção da externalização, os outros modos de conversão do conhecimento são bastante explorados e discutidos em literatura especializada sobre teoria organizacional (TAKEUCHI; NONAKA, 2008). Além disso, eles afirmam que, a externalização tem sido muito negligenciada no meio citado. 11 3. Fundamentos da gestão do conhecimento O estudo sobre a teoria do conhecimento é antigo e ocorre desde quando surgiu a ciência. No entanto, o termo “gestão do conhecimento” surgiu na década de 1990, com a contribuição de publicações de pesquisadores, entre eles, Davenport e Prusak (1998), Nonaka (1994), Nonaka e Takeuchi (1997); cujo significado era o de expressar a importância que o conhecimento tem para as organizações e como deveria ser gerenciado, no intuito da obtenção de vantagem competitiva em ambiente de negócios globais. A gestão do conhecimento organizacional está relacionada com a gestão de ativos de conhecimentos das empresas. O conhecimento organizacional, apesar de considerado como um ativo intangível, segundo Pereira e Macieira (2019), pode gerar vantagem competitiva para as organizações, que pode alcança-lo pela continuidade do aperfeiçoamento e, também, pela inovação. Dentro das organizações, o conhecimento precisa ser priorizado e ser gerenciado com eficácia, com o objetivo de fazer com que aprendam a aumentar o seu potencial na obtenção de melhores desempenhos e inovação, seja nos processos operacionais ou em seus produtos e serviços (PEREIRA; MACIEIRA, 2019). Desse modo, a intenção é fortalecer a identidade da organização para que possa ser competitiva. Como principal tarefa, os administradores das organizações criadoras de conhecimento precisam orientar, em meio ao caos comum dos ambientes empresariais, a criação intencional de conhecimento (TAKEUCHI; NONAKA, 2008). Para tanto, eles precisam fornecer aos seus colaboradores estrutura que permita encontrar sentido em suas próprias experiências, seja na alta administração ou fora dela. 12 Nesse contexto, a gestão do conhecimento é apresentada pelos especialistas como uma estratégia fundamental para a compreensão dos processos e definição de conhecimentos críticos para os negócios, com a intenção de implantação de práticas que objetivam a criação, armazenamento, disseminação e a utilização do conhecimento em ambientes internos e externos das organizações (PEREIRA; MACIEIRA, 2019). Desse modo, diversas propostas são apresentadas na literatura relacionadas à prática da gestão do conhecimento. Entre as divulgadas, podemos citar algumas relacionadas com etapas e outras com níveis ou dimensões (PEREIRA; MACIEIRA, 2019). Nesse sentido, Batista (2004, p. 8 apud PEREIRA; MACIEIRA, 2019, p. 99) afirma que: [...] práticas de Gestão do Conhecimento são práticas de gestão organizacional voltadas para produção, retenção, disseminação, compartilhamento e aplicação do conhecimento dentro das organizações, bem como na relação dessas com o mundo exterior. Com isso, é possível compreender que as práticas da gestão do conhecimento podem ser compreendidas como qualquer ação e processo praticado dentro das organizações para que a gestão do conhecimento possa acontecer. Uma lista de possíveis práticas de gestão do conhecimento, dividida em dimensões, é apresentada no quadro a seguir. Quadro 1 – Práticas de gestão do conhecimento Dimensão Práticas Estratégica • Estratégia declarada de gestão do conhecimento. • Políticas declaradas de gestão do conhecimento. • Gestão da inovação. • Gestão por competências. • Comunicação corporativa da gestão do conhecimento. • Benchmarking de conhecimentos. 13 Estrutura • Centros de inovação. • Call center/help desk/suporte on-line. • CKO/CKM (Chief of Knowledge Management ou Certified Knowledge Manager) – gestor de gestão do conhecimento – centro de competências. • Área interna ou departamento específico para a gestão do conhecimento. • Redes de especialistas. • Espaços e situações dedicadas à socialização de conhecimentos. Pessoas/cultura organizacional • Mapeamento de competências. • Mapeamento de conhecimentos. • Planos de carreira. • Sistema de reconhecimento e recompensa por gestão. • Coaching (tutoria no desenvolvimento de competências) para formação de líderes voltados à gestão do conhecimento. • Repositório de lições aprendidas. • Repositório de melhores práticas. • Comunidades de prática. • Educação corporativa. • Treinamentos presenciais com instrutores. • Multiplicadores de conhecimentos. • Storytelling (reprodução de histórias). Processos • Mapeamento de processos. • Sistemas de avaliação de processos de conhecimento. • Patentes. • Propriedade intelectual. Tecnologia • Banco de conhecimentos. • Gestão de conteúdos. • Aplicações específicas para busca de conhecimento. • Inteligência competitiva. • Business Intelligence – BI (inteligência de negócios). • Wikis internas (enciclopédias virtuais), blogs internos (diários virtuais), ou twitters internos (páginas de publicação de notícias). • Páginas amarelas internas. • Portal corporativo (ou de departamentos específicos). • Biblioteca corporativa/repositório de documentos (física ou eletrônica). • Reuniões e conferências virtuais. • Treinamentos virtuais com a presença de instrutores on-line. • E-learning (autoaprendizagem sem a presença de instrutores). • Universidade corporativa.• Sumarização de conhecimentos. • Inventários de conhecimentos. • Taxonomia (sistemática de classificação dos conhecimentos). Fonte: adaptado de Gaspar et al. (2011 apud PEREIRA; MACIEIRA, 2019). 14 As ferramentas de tecnologia da informação e comunicação funcionam como suporte às práticas da gestão do conhecimento desenvolvidas nas empresas, assim, constituindo um dos pilares básicos de sua sustentação (PEREIRA; MACIEIRA, 2019). Gaspar et al. (2011 apud PEREIRA; MACIEIRA, 2019) apresentam seis possíveis dimensões para as ferramentas de tecnologia da informação na gestão do conhecimento, a saber: criação de conteúdo, gestão de conteúdo, comunicação e tecnologias colaborativas, tecnologias de rede, e-learning e inteligência artificial. O uso adequado de dados no ambiente corporativo atual e moderno tem extrema importância para o bom andamento dos negócios. Eles possuem grande importância em muitas rotinas desenvolvidas nas empresas e, por isso, elas devem sempre buscar ferramentas que facilitam o acesso rápido e fácil aos dados, com a intenção de transformá-los em informações para a tomada de decisão. Nesse sentido, é impossível falar em informação sem falar em dados e conhecimento, pois essas são entidades intrinsicamente relacionadas. Portanto, eles fazem parte da fundamentação da gestão da informação e serão descritos com certo detalhamento neste capítulo. Segundo De Sordi (2015, p. 9), “dados associam-se à informação como um insumo necessário para a sua geração. Já o conhecimento apresenta-se como o principal produto obtido a partir da informação”. Então, para uma compreensão macro sobre a gestão da informação em ambientes de negócios são indispensáveis a conceituação e a diferenciação entre conhecimento e dados. Como ponto de partida, apresentaremos o conceito de “dados”, o qual é bastante intuitivo e conhecido por todos, mas, que não tem definição formal consensual entre os estudiosos do assunto. Portanto, a definição a ser utilizada neste texto será a definição apresentada por De Sordi 15 (2015, p. 9), que afirma: “dados são coleções de evidências relevantes sobre um fato observado”. Na definição de dados, o termo “coleções” confere a ideia de conjunto, ou seja, uma gama de evidências relacionadas ao mesmo fato. Dessa maneira, em ambientes onde se utiliza dados para tomada de decisão, é habitual que não se foque em dado isolado. Por isso, as técnicas e ferramentas de tratamento analítico possuem, em geral, seus nomes associados ao termo “dados”. Na língua inglesa, por sua vez, não há distinção entre a palavra no singular e plural para dados, ambos são representados pelo termo data, que tem origem latina. Por isso, diferentemente das nomenclaturas em língua portuguesa, as nomenclaturas de ferramentas analíticas para tratamento de dados em idioma inglês, geralmente, possuem o termo data em suas identificações nominais. De fato, conforme os recursos tecnológicos avançam, a produção de dados tem crescido cada vez mais. De forma análoga, o mesmo ocorre nos ambientes empresariais/organizacionais. Com isso, a estruturação adequada, assim como o correto armazenamento dos dados produzidos, também, se tornou um diferencial e uma necessidade indispensável para manter vivas as empresas em ambientes de mercado competitivo. A gestão do conhecimento nasceu a partir da necessidade da correta estruturação, armazenamento e divulgação de dados para os destinatários apropriados e corretos. Trata-se da teorização das atividades associadas descritas e desenvolvidas em ambientes de negócios. O objetivo é realizar a transformação de informações obtidas a partir de dados em conhecimento e, consequentemente, em resultados efetivos para as corporações. 16 Segundo De Sordi (2015), a manipulação de dados, com o intuito de organizá-los para a sua consolidação, a fim de dar-lhes um propósito é conhecida por “processamento de dados”, que tem como busca a geração de informação. A etapa de organização de dados segue uma série de regras que são estabelecidas antes de realizar o processamento, para que a informação possa ser gerada. Esse processamento é composto por sequências ordenadas de operações aritméticas e lógicas, as quais são conhecidas como algoritmos, podendo ou não ser implementadas em programas computacionais. A obtenção de informação é dada após o processamento dos dados e sua definição, segundo De Sordi (2015, p. 13), ela é dada como “a interpretação de um conjunto de dados segundo um propósito relevante e de consenso para o público-alvo (leitor)”. Por exemplo, considere o exemplo apresentado por De Sordi (2015), que apresenta a situação de um funcionário que inicia seu turno de trabalho e precisa registrar seu horário de início de trabalho (bater o ponto) no coletor de dados. No momento em que ele passa o crachá no coletor de ponto, gera-se um registro de “trâmite de funcionário” no sistema, que controla o acesso às dependências da empresa, onde são registrados os seguintes dados (fictícios): • Matrícula do funcionário: 98.517. • Data de registro: 5 de abril de 2006. • Horário de registro: 8 horas e 16 minutos. • Dispositivo de leitura: 16HF. O conjunto de dados registrados permitem a constatação de um único fato, o detalhamento do trâmite do funcionário de matrícula 98.517, no 17 dia 5 de abril de 2006, os quais podem evidenciar o fato por meio do dispositivo de coleta de dados. Portanto, para transformar os dados em informação, há necessidade da mediação humana, a fim de definir o propósito buscado por meio do processamento de dados, de acordo com uma unidade de análise. De volta ao exemplo do funcionário que registra o seu acesso às dependências da empresa onde trabalha, supondo que o gerente de recursos humanos deseja identificar o dia da semana e o dia do mês de maior ocorrência de atrasos de funcionários. Para obter as informações desejadas, o gerente precisa definir alguns parâmetros, assim como, também, a unidade de análise. Então, o parâmetro poderá ser o horário de início para se considerar um atraso. Assim, ele poderá utilizar como unidade de análise os dias da semana, assim como os do mês. Para o exemplo considerado, a mediação humana torna-se necessária para definir as unidades de análise e, também, para determinar os seus significados (grupos ou categorias). Essa ação torna claro para todos aqueles que terão acesso às informações contidas na execução do trabalho, retirando quaisquer dúvidas que poderiam existir. Além disso, De Sordi (2015) apresenta outro exemplo, considerando o tratamento de dados da área de vendas em que um diretor comercial tem a intenção de conhecer os totais de vendas trimestrais, de acordo com categorias de clientes consideradas relevantes para a sua análise, a saber: a) empresas nacionais; b) grandes empresas nacionais; c) empresas nacionais especiais (pequenas e médias com grande potencial de crescimento); e d) grandes contas globais. Nesse contexto, uma questão que poderá ser levantada se trata de identificar aspectos que diferenciam as categorias “empresas nacionais” e “grandes empresas nacionais” ou, ainda, quais atributos que uma empresa deve ter para se enquadrar na categoria “grandes empresas nacionais”? 18 Para isso, o gestor precisa ter o consenso do público leitor do seu trabalho, relacionado às categorizações levantadas. Desse modo, os conceitos associados às informações devem estar em comum acordo com os envolvidos com a informação, a fim de que ocorra interpretação adequada dos dados, independentemente de quem a faça. A lição que pode ser retirada a partir dos exemplos apresentados, relacionados com a obtenção de informação, diz respeito à possibilidade de atribuição das seguintes características: definição de unidades de análise, consenso entre pessoal envolvido no processamento e o público alvo, assim como maior envolvimento intelectual humano do que o exigido para a geração de dados (DE SORTI, 2015). Segundo De Sordi(2015), a partir da década de 1980, houve um aumento na percepção empresarial da necessidade de obtenção de informações, principalmente, associada com a aquisição de novas tecnologias. No momento, as organizações perceberam que, mais importante do que gerar grandes volumes de dados, temos a interpretação gerencial a ser dada a esses dados. Com o aumento na percepção empresarial, um contraste entre esforços para a geração de dados e produção de informação passou a ser considerado em negócios empresariais, pois, na prática, coletar dados é uma atividade mais simples do que colher informações. De acordo com De Sordi (2015), a cognição é sinônimo para o ato de adquirir conhecimento. Nesse sentido, o autor afirma que tal ato se trata de uma resultante psicológica da percepção de informações e de fatos oriundos de aprendizagens prévias (DE SORDI, 2015). De uma outra forma, pode-se afirmar que a geração de conhecimento ocorre quando um indivíduo tem ciência de fatos, verdades e de informações, as quais, quando agregadas às experiências prévias 19 (aprendizados), são trabalhadas (processadas) de acordo com as capacidades de raciocínio e de introspecção. Assim, um ambiente favorável para a ocorrência do ato de cognição precisa que o indivíduo tenha em mente reflexão geradora de novo conhecimento (DE SORDI, 2015). Quando gerado, o conhecimento poderá permanecer em seu estado original de forma abstrata e tácita, de forma exclusiva na mente de quem o detém, caso contrário, ele poderá ser devidamente documentado, explicitado e compartilhado entre componentes de uma organização. De acordo com De Sordi (2015, p. 15), “o conhecimento organizacional, aquele que pode ser considerado um ativo da organização, ou seja, aquele que mais facilmente agrega valor à organização, é o explicitado (conhecimento explícito)”. Por fim, a definição de conhecimento apresentada por De Sordi (2015), originária da Economia da Informação, utilizada por ser a mais próxima e adequada ao contexto da Administração, afirma que “conhecimento é o novo saber, resultante de análises e reflexões sobre informações segundo os valores e o modelo mental daquele que o desenvolve, proporcionando-lhe melhor capacidade adaptativa às circunstâncias do mundo real” (DE SORDI, 2015, p. 15). Desse modo, muito mais se poderia apresentar sobre a gestão do conhecimento, por se tratar de um assunto amplo e que abrange conceitos e definições das diversas áreas da ciência. Por isso, você pode considerar este tema como uma introdução ao vasto mundo da gestão do conhecimento. Logo, a intenção não foi de esgotar este tema, mas de apresentar uma visão global sobre o assunto. Portanto, não deixe de consultar outras referências, principalmente, aquelas apresentadas no final deste texto. Bons estudos! 20 Referências Bibliográficas DE SORDI, J. O. Administração da informação: fundamentos e práticas para uma nova gestão do conhecimento. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2015. PEREIRA, A. D. S.; MACIEIRA, R. A. A gestão do conhecimento como mecanismo de desenvolvimento de capacidades dinâmicas nas organizações. Pensamento & Realidade, [S. l.], v. 34, n. 3, p. 92-106, 2019. Disponível em: https://revistas.pucsp. br/index.php/pensamentorealidade/article/view/46642/pdf. Acesso em: 17 nov. 2020. TAKEUCHI, H.; NONAKA, I. Gestão do conhecimento. Tradução: Ana Thorell. Porto Alegre: Bookman, 2008. https://revistas.pucsp.br/index.php/pensamentorealidade/article/view/46642/pdf https://revistas.pucsp.br/index.php/pensamentorealidade/article/view/46642/pdf 21 Mapeamento e modelagem de processos de negócios Autoria: Marcelo Tavares de Lima Leitura crítica: Luís Otávio Toledo Perin Objetivos • Compreender sobre o uso de tecnologias de gestão da informação em ambientes de negócios. • Abordar sobre mapeamento e modelagem com uso de tecnologias de gestão da informação em ambientes de negócios. • Apresentar aplicações de mapeamento e modelagem com uso de tecnologias de gestão da informação em ambientes de negócios. 22 1. Introdução A Tecnologia da Informação, a famosa TI, atua nas organizações de forma ampla e eficiente, auxiliando na gestão da informação e no apoio à tomada de decisões, tornando-se crucial para a competitividade no mercado para aquelas que conseguem extrair suas potencialidades (NUNES; SANTANA, 2018). Este tema descreve como a tecnologia da informação auxilia no mapeamento e na modelagem de negócios em ambientes de tomada de decisão. Com isso, o objetivo deste tema é apresentar meios de otimização do uso de recursos tecnológicos em benefícios dos negócios. Aproveite o tema e tenha bons estudos! 2. Tecnologia da informação e as organizações A tecnologia da informação, por meio de seus recursos, forneceu ferramentas para os ambientes de negócios que possibilitaram a solução de diversos problemas, inclusive problemas de alta complexidade. De acordo com Akkari (2018), consequentemente, ela permitiu que se tomasse decisões favoráveis para os negócios, como melhoria em estratégias de marketing e otimização do gerenciamento de recursos, entre outros benefícios. Com esse contexto, podemos entender a necessidade de conhecer bem a tecnologia da informação, assim como a capacitação dos profissionais envolvidos em tomada de decisões em negócios nos diferentes ambientes e perspectivas. De acordo com Akkari (2018, p. 18), os ambientes de negócios sob este contexto permitem aos envolvidos “compreender e conseguir fazer a associação entre estratégia organizacional e tecnologia.” 23 Por sua vez, a fim de se manterem competitivas, as organizações precisam recorrer ao uso de tecnologias da informação em seus negócios. Entre as possíveis estratégias existentes, há um conjunto delas que são consideradas como principais. No Quadro 1 apresentamos uma breve descrição sobre esse conjunto. Quadro 1 – Estratégias de uso/aplicações da tecnologia da informação Estratégia Descrição Reduzir custos Reduzir custos de processos empresariais, assim como reduzir custos para os clientes e fornecedores. Diferenciar Diferenciar produtos e serviços. Reduzir vantagens de diferenciação dos concorrentes. Direcionar produtos e serviços para nichos de mercados específicos. Inovar Criar produtos e serviços que incluam tecnologia da informação. Desenvolver novos mercados com o auxílio da TI. Mudar os processos empresariais usando a TI para reduzir os custos e melhorar a qualidade, a eficiência e o atendimento ao consumidor. Promover crescimento Gerenciar a expansão regional e global da empresa. Diversificar e integrar produtos e serviços. Desenvolver alianças Usar a TI parar criar parcerias virtuais. Desenvolver sistemas de informação utilizando a internet para interligar empresas e dar suporte a relacionamentos estratégicos com clientes, fornecedores, terceirizados e outros. Fonte: adaptado de Akkari (2018). O conjunto de estratégias apresentados no Quadro 1 é conhecido por cinco estratégias básicas de vantagem competitiva (O’BRIEN; MARAKAS, 2013 apud AKKARI, 2018). De acordo com Akkari (2018), além do conjunto apresentado, podemos listar outras estratégias, como a fidelização de clientes e de fornecedores, a criação de barreiras para a entrada de novos concorrentes e, também, os custos de substituição. Além disso, Akkari (2018) apresenta uma listagem de outras possíveis estratégias de uso de tecnologia da informação em ambientes de negócios, a qual listamos a seguir. 24 • Desenvolvimento de sistemas de informação para manter consumidores e fornecedores. • Investimento em aplicações avançadas de TI para criar barreiras à entrada de concorrentes. • Inclusão de TI em produtos e serviços para dificultar substituições. • Alavancagem de investimentos em profissional de sistemas de informação, hardware, software, banco de dados, redes etc. A lista de estratégias que podem ser utilizadas para um melhor desempenho das organizações, relacionadas com a tecnologia da informação, não seesgota no que já foi até aqui apresentado. Por exemplo, uma importante estratégia ainda não mencionada, trata-se do foco no cliente, o qual envolve o desenvolvimento de habilidades que permitem manter a fidelidade de clientes (AKKARI, 2018). Por sua vez, o foco no cliente considera o desenvolvimento dos negócios, com suporte de tecnologia da informação, sob a perspectiva do consumidor, cuja intenção é de fornecer produtos e serviços personalizados em qualquer tempo e em qualquer lugar. Segundo Akkari (2018), uma das possibilidades existentes de integração da perspectiva do consumidor aos negócios está associada ao conceito de Customer Relationship Management (CRM), o qual é desenvolvido conjuntamente com recursos de internet e extranet, a fim de permitir a comunicação interativa entre clientes, fornecedores, parceiros e públicos (interno e externo). Na prática, o CRM permite que os clientes de um negócio façam solicitações, reclamações, avaliações, compras e rastreamentos com o uso da internet. De acordo com Akkari (2018), ainda, o CRM permite aos colaboradores do negócio utilizarem ferramentas da internet e de intranet para assessorar, de forma efetiva, seus clientes e garantir o foco do negócio na valorização do cliente. Em nível global, para se manterem vivas, as organizações precisam ser ágeis em relação às mudanças do mercado, ou seja, elas precisam ser 25 flexíveis. Quando esse aspecto é garantido, a resposta dada aos clientes é rápida e eficiente. A resposta, por sua vez, pode ser entendida como o atendimento da exigência do cliente em nível satisfatório. Além disso, Akkari (2018) apresenta uma listagem de quatro estratégias associadas à atributos de uma empresa ágil, os quais apresentaremos a seguir. • Clientes devem enxergar o produto/serviço como uma solução para as suas necessidades individuais. • Associação com clientes, fornecedores e empresas, inclusive concorrentes, para ter agilidade no atendimento das necessidades dos clientes sob o menor custo possível. • Capacidade de crescimento em ambientes dinâmicos, para aproveitar oportunidades e necessidades dos clientes. • Capacidade de alavancar o conhecimento de colaboradores. Em relação à tecnologia da informação, podemos listar três formas de colaboração na melhoria da agilidade das organizações associadas ao cliente, parcerias e ao operacional dos negócios. O Quadro 2 descreve as três formas citadas. Quadro 2 – Tecnologia da informação e agilidade empresarial Forma de agilidade Descrição Tecnologia da Informação Cliente Habilidade de cativar os clientes, como fontes de ideias inovadoras, como cocriadores de inovações e como usuários para testar ideias. Uso das tecnologias na construção e melhoria das comunidades de clientes para o projeto de produto, avaliações e testes. Parceria Habilidade de alavancar recursos, conhecimentos e competências dos fornecedores, distribuidores e outros. Uso da tecnologia que facilite a colaboração entre empresas, como sistemas de cadeia de suprimentos. Operacional Habilidade de obter velocidade, exatidão e custo econômico. Uso de tecnologias para estruturar e integrar os processos empresariais. Fonte: adaptado de Akkari (2018). 26 Depois de identificadas as estratégias a serem aplicadas nos negócios da empresa, para aplicação delas, faz-se necessário a realização de um alinhamento adequado entre áreas de TI e de negócios, com a finalidade de fazer com sejam alcançados os objetivos dos negócios. Nesse contexto, Akkari (2018, p. 33) afirma que “o objetivo do alinhamento é melhorar a relação entre a área de tecnologia da informação e as demais áreas funcionais, reduzindo custos e colaborando para o alcance dos objetivos da organização”. Ou seja, o objetivo é fazer com que ambas as áreas falem “a mesma língua” para a organização atingir os objetivos comuns para os negócios. Ainda nesse contexto, Molinaro (2010 apud AKKARI, 2018) apresenta dois modelos para alinhamento entre TI e negócios: o primeiro deles é o Strategic Alignment Model (SAM), desenvolvido pelos pesquisadores Henderson e Venkatraman, da Universidade de Harvard; e o segundo, denominado abordagem de Luftman, resultante da relação entre SAM e inibidores/habilitadores do alinhamento entre as áreas. Segundo Akkari (2018), o modelo SAM realiza segmentação da organização em TI e negócios e os divide em quatro componentes, sendo dois para cada segmento. Para o segmento de negócios, componentes de estratégia do negócio e infraestrutura organizacional. Para o segmento de TI, componentes de estratégia para TI e infraestrutura de TI. A operacionalização do modelo SAM, segundo Molinaro (2010 apud AKKARI, 2018) se inicia a partir da estratégia do negócio, a qual deverá auxiliar no desenvolvimento da estratégia de TI. A intenção do uso deste modelo é ter uma compreensão holística da organização. O segundo modelo, a abordagem de Luftman, é composto por seis critérios, os quais analisam o alinhamento entre TI e os negócios. Os critérios são desdobrados em trinta e oito atributos classificados pela escala Likert de cinco categorias, conforme o Quadro 3. 27 Quadro 3 – Critérios e atributos de Luftman Critério Atributos Comunicação Entendimento do negócio pela TI. Entendimento da TI pelo negócio. Aprendizado organizacional. Controle e agilidade. Disseminação do conhecimento. Efetividade das comunicações entre TI e negócio. Métricas Métricas de TI. Métricas do negócio. Métricas de ligação entre TI e negócio Níveis de acordo de níveis de serviço. Uso de benchmarking. Avaliações e revisões formais dos investimentos de TI. Melhoria contínua. Governança Planejamento da estratégia do negócio. Planejamento da estratégia da TI. Estrutura organizacional. Relatórios de relacionamento. Processo de orçamentação de TI. Racionalidade de investimentos de TI. Comitês diretivos de TI. Processo de priorização de projetos. Parcerias Percepção do negócio sobre o valor da TI. Papel da TI no planejamento estratégico. Processo de compartilhamento de objetivos, riscos, recompensas e pe- nalidades. Gestão do programa de TI. Relação de confiança do relacionamento da TI com o negócio. Patrocínio do negócio/TI e dos líderes executivos dos projetos. Tecnologia Sistemas primários. Padrões. Integração arquitetural. Percepção da infraestrutura de TI. 28 Recursos humanos Ambiente de inovação e empreendedorismo. Foco na decisão. Atitude e prontidão diante de mudanças. Possibilidade de mobilidade na carreira. Treinamento transversal e rotação no trabalho. Ambiente social e de confiança interpessoal. Atração e retenção de talentos. Fonte: adaptado de Akkari (2018). Ainda, há um terceiro modelo de alinhamento entre negócios e TI, conhecido como modelo de Rummler e Brache. Esse último modelo surgiu, segundo Akkari (2018, p. 36), “com a crise nas teorias organizacionais em ambientes complexos e instáveis, com forte estrutura hierárquica, denominada visão vertical”. Segundo Molinaro e Ramos (2011, p. 15): [...] o modelo de integração organizacional de Rummler e Brache (1994) contribuiu para o refinamento do conhecimento em gerenciamento de processos de negócio, e atualmente contribui para o desenvolvimento de arquiteturas corporativas. Os pesquisadores do assunto consideram a visão vertical da organização como uma barreira que impossibilita os gestores de visualizarem o negócio, já que a compreensão de como funciona a organização ficaria amarrada a um formato de organograma, ocultando clientes e produtos, assim como serviços organizacionais (MOLINARO; RAMOS, 2011). O combate dos malefícios da visão vertical foi realizado com a elaboração de um paradigma de visão horizontal, o qual inclui na tomada de decisão, análises sobre cliente, produto e fluxo de trabalho, o que permite a verificação de como o trabalho é, de fato, realizado por processos que vão além de fronteiras funcionais. O modelo de Rummler e Brache é baseadoem três níveis de desempenho: organização, processos e trabalho/executor. 29 Em nível organização, estratégias, governança, estrutura, arquiteturas corporativas e emprego de recursos e instrumentos que permitem a compreensão da visão dos clientes, fornecedores e recursos humanos são considerados, assim como avaliados, para melhorar o modelo de negócios da organização (MOLINARO; RAMOS, 2011). Em nível de processos, os criadores do modelo definiram como sendo o local onde é possível ver o fluxo de trabalho, como é realizado e como são produzidas as saídas a partir de trabalhos ditos interfuncionais. Para que atinjam o seu objetivo, os processos necessitam de gerenciamento por um conjunto de técnicas que possam garantir o seu monitoramento e aperfeiçoamento. Nesse sentido, o modelo de Rummler e Brache tem como principal técnica o mapa de processos (Cross Functional, em inglês). Essa técnica ilustra como o trabalho deve ser realizado na organização, destacando entradas e saídas, assim como sequências (fluxo de atividades), pessoas, funções e regras de negócio. A Figura 1 apresenta um exemplo de mapa de processos. Figura 1 – Mapa de processos Fonte: adaptada de Molinaro e Ramos (2011). 30 O uso de mapa de processos, segundo Damelio (1996 apud MOLINARO; RAMOS, 2011, p. 15) “mostra as atividades que produzem valor ao negócio, descrevendo o trajeto da satisfação do cliente e detalhando como a organização usa seus processos para agregar valor”. O autor ainda declara que o mapa de processos pode responder questões como: • Quais são os requisitos para produzir uma saída particular? • Quais são as ordens utilizadas para desempenhar cada passo? • Quais funções são desempenhadas em cada cargo? • Que interfaces ocorrem entre as funções? • Que entradas são requeridas e quais saídas são produzidas em cada etapa do processo? A ferramenta de mapa do processo busca apresentar todas as funções envolvidas conforme o pedido é processado. Este leiaute permite que todos os envolvidos possam ver as interfaces críticas, a fim de que cumpram, dentro do tempo estabelecido, os diversos subprocessos e identifiquem, se existir, “fios desligados”, que são as etapas ilógicas, estranhas ou que estejam faltando no processo. Para Rummler e Brache (1994 apud MOLINARO; RAMOS, 2011, p. 16): O desempenho desejado de cada processo deve ser definido a partir da situação atual medida e das falhas identificadas. Com a identificação dessas falhas, soluções devem ser providenciadas e implementadas, além de serem observados os cargos que contribuem para que as etapas do processo apresentem erros, etapa fundamental no Nível Trabalho/ Executor. Por fim, no nível trabalho/executor são verificados: 31 Os cargos e as pessoas que servem àqueles trabalhos independentemente do nível hierárquico’, tendo como propósito ‘colocar gente capaz em um ambiente que apoie a realização dos Objetivos do Trabalho’ e ‘incluem a contratação e a promoção, as responsabilidades e os padrões do cargo, o feedback, recompensas e o treinamento’. (RUMMLER; BRACHE, 1994, p. 79 apud MOLINARO; RAMOS, 2011, p. 16) Assim, a eficácia e a eficiência da organização só serão identificadas quando todos os seus níveis estiverem voltados para a mesma direção, ou seja, quando estiverem alinhados. Para que isso ocorra, é necessário que exista uma rede de medição por meio de indicadores, estratégias e processos (MOLINARO; RAMOS, 2011). 3. Mapeamento e modelagem com uso de TI e as organizações O mapeamento é utilizado para avaliar o desempenho dos negócios e, para isso, ele utiliza recursos de TI para tornar possível a obtenção de resultados que permitam extrair informações importantes em diversos níveis organizacionais. Como visto anteriormente, o alinhamento entre TI e negócios pode ser realizado e avaliado por modelos distintos elaborados por estudiosos do tema e que permitem considerar diversos aspectos para a obtenção de resultados. Exemplificando, o alinhamento em nível empresarial considera características gerais do negócio, mas ele, também, pode possuir vieses para estratégia e governança. Considerando um viés de estratégias, a qual pode ser tanto corporativa como de negócio, onde está quando aplicada, ela permite a definição dos principais objetivos da organização, enquanto estratégias corporativas têm como principal tarefa a implementação dos objetivos estabelecidos. 32 Em se tratando de TI, Molinaro (2010 apud AKKARI, 2018) afirma que a estratégia é composta por domínios internos e externos, onde os internos envolvem a arquitetura de TI (configurações de hardware, software e comunicações), processos de TI (processos principais de trabalho e manutenção dos sistemas de apoio) e habilidades de TI (treinamento e capacitação de pessoas, gerenciamento da infraestrutura de TI). O domínio externo da estratégia de TI é composto por três decisões: (1) escopo de TI – referente a TIs específicas para o suporte estratégico; (2) sistemática de competências – para nortear os atributos estratégicos de TI, tal como o custeio de atividades e nível de flexibilização; e (3) governança de TI – para identificação e aplicação de mecanismos estratégicos com o intuito de obter requisitos de competências. Para reduzir efeitos de conflitos que possam ser gerados entre acionistas e administradores, propõe-se a criação de conselhos administrativos e métodos de incentivo e controle por governança corporativa. Segundo Akkari (2018, p. 37): “é uma forma de monitorar e gerir sociedades, transformando as estratégias em metas e objetivos alcançados com o uso da tecnologia da informação”. A aplicação da governança corporativa permite aumentar o nível de confiança de acionistas dos negócios. Desse modo, segundo Akkari (2018), a governança de TI tem como principal objetivo avaliar se a área de TI tem capacidade para manter competitividade empresarial, se os gestores reconhecem a utilidade de TI e se investimentos atendem aos objetivos estratégicos. Em nível de processos, a gestão poderá contribuir de forma eficiente e eficaz com o uso da metodologia Business Process Management (BPM), o qual tem como objetivo, segundo Akkari (2018, p. 38), “acompanhar a alocação de recursos (humanos, tecnológicos, financeiros, entre outros) nas operações para alcançar as metas da organização”. Nesse sentido, 33 Molinaro (2010 apud AKKARI, 2018) apresenta os passos a serem seguidos para a implementação do BPM: • Determinar a direção do projeto e a equipe. • Priorizar processos existentes pelo nível de maturidade, fatores de sucesso e complexidade. • Desenvolver casos de negócios, expondo o problema e as questões a serem resolvidas. • Determinar o patrocinador do projeto, o qual terá a responsabilidade de motivar os envolvidos. • Implementar e alinhar a mudança organizacional com as possíveis alterações no processo. De acordo Akkari (2018), o uso de sistemas de informação corresponde ao nível de implementação de processos. Eles são responsáveis pela coleta, processamento, armazenamento e distribuição de informações para dar suporte à tomada de decisão nos diferentes níveis (AKKARI, 2018). O nível estratégico de tomada de decisão com o uso de sistemas de informação sugere, segundo Molinari (2010 apud AKKARI, 2018), utilizar Sistemas de Apoio Executivo (SAE), os quais prestam auxílio no planejamento estratégico de longo prazo. Em nível gerencial, o autor sugere o uso de Sistemas de Informação Gerenciais (SIG) e Sistemas de Apoio à Decisão (SAD), a fim de obtenção de relatórios periódicos (MOLINARI, 2010 apud AKKARI, 2018). Em nível de conhecimento, para a tomada de decisão, pode-se associar Sistemas de Trabalhadores do Conhecimento (STC), o qual pode auxiliar trabalhadores do conhecimento com a integração de novas tecnologias e com o controle do fluxo dos documentos. No último 34 nível, o operacional, pode-se utilizar Sistemas de Processamento de Transações (SPT), os quais podem acompanharatividades de rotina das organizações (AKKARI, 2018). Um exemplo de aplicação de sistemas de informação utilizado por empresas pode ser citado o Supply Chain Management, também conhecido como Sistema SCM. Este tipo de sistema é responsável por integrar negócio com fornecedores, distribuidor e cliente, com a intenção de diminuir custos e tempos. As empresas que atuam com esse tipo de sistema seguem um ciclo de vida da cadeia de suprimentos que, segundo Akkari (2018), correspondem ao compromisso, programação, execução e entrega. Eles possuem processos funcionais, como: pesquisas de fornecedores e requisição de compras estratégicas, planejamento e previsão de demanda, atendimento do pedido do cliente/serviço, logística de produção e gerenciamento de transporte e entrega. Como soluções, os sistemas SCM utilizam a internet para compartilhar dados de mercado e realizar atendimento colaborativo entre fornecedores, fabricantes, varejistas e clientes, o que permite o alinhamento satisfatório entre negócios e TI, a fim de alcançar objetivos organizacionais com o uso de modelos nos diferentes níveis de alinhamento. Segundo Akkari (2018, p. 44), para a implementação de sistemas SCM é necessário “listar todos os possíveis fornecedores, dando prioridade para os itens estratégicos”. Por exemplo, no caso de uma empresa de utensílios domésticos podem ser considerados os fornecedores de matérias-primas, como ligas de metais, borrachas etc. Ainda, a autora afirma ser necessária a implementação de Sistema de Processamento de Transações (SPT), com o intuito de acompanhar compras, vendas, estoque e planejamento de vendas a partir do uso 35 de técnicas de previsões, que permitirá atendimento satisfatório da demanda (AKKARI, 2018). Com o conteúdo apresentado e exemplificado são notórias a importância e a necessidade de alinhamento eficiente e eficaz entre tecnologia da informação e área de negócios em diversos níveis organizacionais, a fim de abarcar de forma abrangente toda a organização, com o objetivo de tornar únicos os objetivos dos negócios. Portanto, sabendo-se da importância do alinhamento entre TI e negócios, cabe aos gestores definirem os sistemas de TI apropriados para o desenvolvimento de suas atividades de negócios. Assim, é preciso ter cautela na escolha, pois, os sistemas precisam atender à necessidade, primeiramente global, mas, também, em níveis de processos. Este texto abordou, de forma holística, o mapeamento e a modelagem de processos em ambientes de negócios a partir do uso de tecnologias de informação em diversos níveis de tomada da decisão. Desse modo, apresentamos os métodos apropriados para a tomada de decisão em diversos níveis organizacionais, assim como os resultados a serem teoricamente alcançados com a sua implementação. Bons estudos! Referências Bibliográficas AKKARI, A. C. S. Gestão do conhecimento e da tecnologia de informação. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional, 2018. [Disponível na Biblioteca Virtual] MOLINARO, L. F. R.; RAMOS, K. H. C. Gestão de tecnologia da informação: governança de TI: arquitetura e alinhamento entre sistemas de informação e o negócio. Rio de Janeiro: LTC, 2011. [Disponível na Biblioteca Virtual, no parceiro Minha Biblioteca] NUNES, S. E.; SANTANA, G. A. Tecnologia da informação na gestão do conhecimento. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional, 2018. [Disponível na Biblioteca Virtual] 36 Tipos de processos de negócios e sua natureza Autoria: Marcelo Tavares de Lima Leitura crítica: Luís Otávio Toledo Perin Objetivos • Descrever sobre o gerenciamento e a importância de processos de negócios. • Apresentar conceitos fundamentais de arquitetura orientada a serviços. • Apresentar conceitos fundamentais de gestão de desempenho de negócios. 37 1. Introdução O avanço da tecnologia trouxe muitos benefícios para as pessoas. Além disso, ele trouxe melhorias, em diversos níveis, para ambientes corporativos, o que influenciou diretamente os processos de negócios e na gestão da informação para a tomada de decisão. Este tema apresentará pontos importantes para o gerenciamento de processos de negócios, baseados em gestão da informação com suporte da tecnologia da informação (TI). Ainda, apresentaremos, também, conceitos fundamentais de arquitetura orientada a serviços (Service Oriented Architecture – SOA) e de gestão de desempenho de negócios (Business Performance Management – BPM). Bons estudos! 2. Gerenciamento de processos de negócios Para se manter competitiva e obter bons resultados, a organização precisa ter estreita relação com a tecnologia da informação (TI) na gestão de seus processos para a tomada de decisão. Portanto, não é possível falar em gerenciamento de processos de negócios sem abordar a TI de forma conjunta e associada. A TI tem papel central no gerenciamento de processos de uma empresa. No entanto, para que essa área forneça informações importantes na tomada de decisão é necessário investimento, por parte da organização, em ferramental tecnológico, assim como no treinamento e na contratação de mão de obra apropriada para o uso desses recursos. Dentro do ambiente corporativo, segundo O’Brien e Marakas (2012 apud AKKARI, 2018, p. 159), gerenciar a TI envolve: [...] gerenciar a estratégia de negociação de TI, ou seja, utilizar a tecnologia da informação como suporte para as estratégias da organização com base na avaliação de investimento necessário para desenvolvimento de 38 aplicativos e tecnologia, responsável pelo gerenciamento de processos de desenvolvimento de sistemas de informação e de novas tecnologias para o negócio; e gerenciar a organização e a infraestrutura de TI, que engloba a responsabilidade de gerir o trabalho dos profissionais de tecnologia da informação. A Figura 1 apresenta um fluxograma que relaciona as atividades de gerenciamento de TI associadas aos processos de negócios. Figura 1 – Gerenciamento da TI Fonte: adaptada de Akkari (2018). O fluxo apresentado na Figura 1 propõe um gerenciamento de TI e permite observar mudanças no processo de planejamento dos negócios com base na estruturação proposta. Segundo Akkari (2018), isso permite que possa ser considerada uma divisão de planejamento convencional de TI e um planejamento de negócio/TI para as organizações. O processo de planejamento envolve, também, o desenvolvimento de estratégias para a produção de TI focada no valor para o cliente e para o negócio. Além disso, ele envolve o gerenciamento de recursos (hardware, software e mão de obra), assim como arquitetura de tecnologia, a fim de fornecer suporte aos negócios. 39 De forma comparativa, é possível descrever ambientes de planejamento convencional de TI e de planejamento de negócio/TI de acordo com a descrição apresentada no Quadro 1. Quadro 1 – Diferenças entre abordagens de planejamento de TI Planejamento convencional da TI Planejamento de negócio/TI Alinhamento estratégico: a estratégia da TI segue as estratégias especificadas da empresa. Improvisação estratégica: as estratégias de TI e de negócios da empresa acontecem de forma coadaptativa, com base em uma orientação clara de um foco no valor do cliente. O CEO endossa a visão da TI moldada pelo CIO. Em parceria com o CIO, o próprio CEO molda a visão da TI como parte da estratégia de negócio eletrônico. Os projetos de desenvolvimento de aplicativos da TI são funcionalmente organizados enquanto soluções tecnológicas para problemas empresariais. Os projetos de desenvolvimento de aplicativos da TI são dispostos com iniciativas de negócio eletrônico para formar centros de habilidades de negócios intensos em TI. Desenvolvimento em fases de aplicativo baseado na aprendizagem vinda de projeto piloto. Desenvolvimento contínuo do aplicativo baseado na aprendizagem contínua, originária da rápida distribuição e de protótipos com o envolvimento do usuário final. Fonte: adaptado de Akkari (2018). De acordo com O’Brien eMarakas (2012, p. 512), “uma crescente e popular abordagem para gerenciar as funções de SI e TI de uma organização é adotar uma estratégia de terceirização”. Os autores definem, em termos gerais, que, a terceirização “é a compra de produtos ou serviços que antes eram providos internamente” (O’BRIEN; MARAKAS, 2012, p. 512). A atividade de desenvolvimento de aplicativos de software é, frequentemente, uma atividade terceirizada nos ambientes corporativos. Para ser realizada, essa atividade precisa que uma empresa “terceira” possua conhecimento sobre o desenvolvimento completo ou parcial de projetos/produtos de software. 40 Nesse sentido, O’Brien e Marakas (2012) apresentam uma listagem de dez razões e de funções que, em geral, são terceirizadas pelas organizações. A listagem citada é replicada no Quadro 2 e, também, apresenta diversos aspectos relacionados com a seleção de fornecedores de sucesso e as áreas mais comumente terceirizadas. Quadro 2 – Fatores que influenciam a terceirização de TI As 10 razões para a terceirização Os 10 fatores para a seleção de fornecedores 1. Redução e controle de custos operacionais. 2. Melhoria no foco da empresa. 3. Acesso à capacidade de classe mundial. 4. Liberação de recursos internos para outros propósitos. 5. Recursos necessários não estão internamente disponíveis. 6. Benefícios na aceleração da reengenharia. 7. A função é difícil de gerenciar internamente ou está fora de controle. 8. Libera capital. 9. Compartilha os riscos. 10. Infusão de caixa. 1. Compromisso com a qualidade. 2. Preço. 3. Referências/reputação. 4. Termos de contrato flexíveis. 5. Extensão dos recursos. 6. Capacidade de adicionar valor. 7. Entrosamento cultural. 8. Relacionamento existente. 9. Localização. 10. Outros. Os 10 fatores para o sucesso da terceirização As 10 áreas que estão sendo terceirizadas 1. Entender os objetivos e as metas da empresa. 2. Uma visão e um plano estratégico. 3. Selecionar o fornecedor certo. 4. Gerenciamento contínuo dos relacionamentos. 5. Um contrato adequadamente estruturado. 6. Comunicação aberta com os indivíduos ou grupos afetados. 7. Suporte e envolvimento de um executivo sênior. 8. Atenção com os problemas de pessoal. 9. Justificativa financeira de curto prazo. 10. Uso de perícia externa. 1. Manutenção e reparo. 2. Treinamento. 3. Desenvolvimento de aplicativos. 4. Consultoria e reengenharia. 5. Centro de dados com grandes computadores. 6. Administração e serviços para cliente/servidor. 7. Administração de rede. 8. Serviços de desktop. 9. Suporte ao usuário final. 10. Terceirização total da TI. Fonte: adaptado de O’Brien e Marakas (2012). 41 O’Brien e Marakas (2012), além da listagem apresentada no Quadro 2, descrevem o que chamaram de cinco razões principais para adotar a terceirização, sendo elas: (1) economia – maior retorno sobre o investimento; (2) foco em competências essenciais; (3) conseguir níveis flexíveis de funcionários; (4) acesso a recursos globais; e (5) menor prazo para lançamento. Um conceito que, muitas vezes, é confundido com terceirização é o que se conhece por offshoring, o qual tem se tornado parte do planejamento estratégico das organizações para o gerenciamento de TI. Por sua vez, O’Brien e Marakas (2012, p. 513) definem offshoring “como uma recolocação dos processos empresariais de uma empresa (inclusive produção/fabricação) para um lugar com custo mais baixo, normalmente em um país longínquo”. 3. Arquitetura orientada a serviços (SOA) Como afirmado anteriormente, o avanço do desenvolvimento da tecnologia tem forte influência na vida das pessoas e, também, nas rotinas corporativas. Segundo Fujita e Hirama (2012, p. 1), “a TI (tecnologia da informação) é a área mais impactante na vida das pessoas e das organizações”. De fato, cada vez mais, as empresas de diversos ramos de atuação fazem uso de recursos de TI para desenvolverem suas atividades empresariais. O surgimento da internet aumentou significativamente a integração e a comunicação entre as organizações e clientes e/ou fornecedores. Desse modo, cada sistema pertencente a uma estrutura de TI possui conjuntos de dados, o que permite a produção de informações próprias. No entanto, dado que os processos de negócio envolvem áreas diversas da mesma organização, eles passam a demandar de mais de um 42 sistema de TI, em geral, o que torna necessária a realização de troca de informações entre os sistemas envolvidos. Em organizações de maior porte, os sistemas de TI, no geral, compõem ambientes complexos e heterogêneos, em que, segundo Fujita e Hirama (2012, p. 2), “aplicações geralmente fazem uso de diferentes tecnologias, linguagens e protocolos”. Os negócios têm se tornado mais dinâmicos, exigindo mais agilidade por parte das organizações e, consequentemente, de suas áreas de TI. É necessário que os sistemas sejam capazes de se adaptar rapidamente às necessidades de negócio, em constante mudança. No entanto, em um ambiente de TI heterogêneo este tipo de mudança é difícil realizar. (FUJITA; HIRAMA, 2012, p. 2) Neste contexto de ambientes corporativos dinâmicos, eis que surge um novo conceito, o de arquitetura orientada a serviços (SOA). Segundo Oasis (2006 apud FUJITA; HIRAMA, 2012, p. 2), SOA se trata de “um paradigma para organizar e utilizar competências distribuídas entre vários domínios”. Os autores, ainda, afirmam que é uma forma de estruturação das aplicações de software em elementos denominados de serviços (FUJITA; HIRAMA, 2012). Assim, a orientação a serviços “é um paradigma de construção e integração de soluções de software compostas por elementos modulares chamados serviços (FUJITA; HIRAMA, 2012, p. 7). Logo, o paradigma tem por base os princípios de orientação a serviços. Outra questão que surge no contexto de SOA é “o que é um serviço?”. Em razão disso, Fujita e Hirama (2012, p. 7) definem serviço “como uma execução de um trabalho ou realização de uma função de um prestador para um requisitante”. No contexto de arquitetura de software, o conceito de serviço tem ligação com a capacidade de um sistema poder executar uma atividade e/ou função para um outro sistema requisitante. Na prática, a respeito do SOA, o serviço consiste “em um módulo de software que tem como propósito desempenhar uma função 43 específica e que pode ser fornecido por um provedor e utilizado por um consumidor” (FUJITA; HARIMA, 2012, p. 7). Para se considerar uma unidade de software como um serviço, algumas características de design devem estar presentes e serem aderentes ao paradigma de orientação a serviços. Por exemplo, o serviço de controle de crédito disponibilizado por entidades como a SERASA e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Essas entidades podem fornecer dados sobre pessoas físicas e jurídicas para seus clientes, como os bancos. Por sua vez, os bancos podem decidir conceder ou não crédito, consultando o serviço para receber os dados. Com o uso do conceito SOA, os sistemas de uma organização poderão ser vistos de maneira mais próxima aos negócios em que fazem o gerenciamento, facilitando o modo como são desenvolvidos e implementados. Além disso, outro ganho diz respeito com a linguagem, a qual deixa de ser muito técnica e tem o termo chave “serviço” como uma ponte entre os processos de negócio e as funcionalidades dos sistemas de software. “Para se desenvolver um serviço, antes de tudo, deve-se fazer uma análise de o quê realmente se pretende automatizar no âmbito do negócio” (FUJITA; HIRAMA, 2012, p. 3). No entanto, ainda segundo os autores, não bastam ter conceitos, realizar boas práticas e uso de boas ferramentas para a utilização do SOA, mas todos devem ser orientados por metodologia que permita atender, de forma eficaz, às necessidades da organização (FUJITA; HIRAMA, 2012). Dessa forma, para a projeção de ferramentas que sigam o paradigma de orientação a serviços e que possam usufruir dos benefícios do paradigma, faz-se necessário dispensar especialatenção para identificar e especificar os serviços que irão compor os sistemas. De acordo com Fujita e Hirama (2012), um serviço é composto por várias operações relacionadas. Um processo de negócio é considerado um agregado de vários serviços, em que as suas instâncias executam diversas operações. Por sua vez, elas processam dados recebidos de 44 diversas fontes. Denomina-se de mensagem o componente do sistema responsável pela condução dos dados necessários para a execução de uma operação. O termo operação, para alguns autores do assunto, é conhecido como competência ou capacidade. A Figura 2 apresenta um esquema representativo de um processo de negócio e de sua relação com diversos serviços. Dada a sua natureza, os serviços estabelecem uma ponte entre linguagens de negócios e TI, o que facilita a comunicação e o alinhamento entre TI e usuários/clientes de negócio. O termo é considerado a unidade fundamental de análise do SOA (FUJITA; HIRAMA, 2012). Logo, considera-se que o serviço pode possibilitar melhorias para identificação de requisitos de negócio e, também, promover alinhamento entre áreas de negócio e de TI. Figura 2 – Relacionamento entre componentes de arquitetura SOA Fonte: adaptada de Fujita e Hirama (2012). Como dito anteriormente, o conceito de SOA tem por base o paradigma de orientação a serviços. Neste contexto, Fujita e Hirama (2012) afirmam que se trata de um estilo arquitetural e que a definição de estilo 45 arquitetural é dada pela combinação entre diferentes características, onde uma arquitetura é realizada e expressada. Desse modo, é comum encontrar na literatura que trata do assunto o termo “arquitetura SOA” para se referir a arquiteturas de software que seguem o paradigma arquitetural SOA (FUJITA; HIRAMA, 2012). Essa arquitetura possibilita o uso de infraestrutura para computação distribuída, onde os serviços são fornecidos e consumidos internamente nas organizações e entre elas, por meio de redes de comunicação como a internet. Segundo Fujita e Hirama (2012), uma arquitetura SOA se caracteriza pela interação entre três tipos de agentes de software: os provedores de serviços, os consumidores (clientes) de serviço e o registro de serviço. De forma esquemática, as interações entre estes agentes podem ser visualizadas na Figura 3. Figura 3 – Agentes de arquitetura SOA Fonte: adaptada de Fujita e Hirama (2012). A Figura 3 mostra que os serviços são ofertados pelos provedores de serviços, os quais são responsáveis pelo desenvolvimento de implementações, fornecimento de descrições, assim como a prestação de suporte técnico e de negócio. De forma geral, os provedores disponibilizam módulos de software (implementações dos serviços), os 46 quais podem ser acessados por uma rede que publica suas descrições em registro de serviços, sendo esse o agente que abriga informações as funções oferecidas. Ainda, descrevendo os agentes de uma arquitetura SOA, os consumidores de serviço são aqueles que necessitam solicitar a execução de um serviço que satisfaça as necessidades, e que, ao encontrá-las, ligam-se ao provedor para invocar o serviço desejado. Desse modo, uma biblioteca virtual pode ser considerada uma arquitetura SOA se considerarmos um sistema bem definido pelos três agentes apresentados. O sistema possui um catálogo de livros (provedor), os quais são catalogados em estante virtual (registro). Por sua vez, o leitor (cliente) procura por uma obra específica, fornece os dados ao registrador para procurá-la e encontrada a obra, por exemplo, ele pode receber a informação de que alguém (provedor) possui a obra de seu interesse e se conecta nele para acessar ao conteúdo. Para implementar uma arquitetura SOA, pode-se utilizar uma diversidade de plataformas tecnológicas. Uma plataforma bastante utilizada é tecnologia de Web Services, a fim de difundir e implementar serviços diversos. A tecnologia Web Services é composta por “um conjunto de padrões abertos que possibilita a comunicação entre duas aplicações através da Web” (FUJITA; HIRAMA, 2012, p. 16). Ela promove a interoperabilidade por ser baseada em padrões abertos muito aceitos e suportados por entidades internacionais como o OMG (Object Management Group) e a W3C (World Wide Web Consortium), além de permitir a interação entre aplicações desenvolvidas em diversas linguagens de programação, plataformas de middleware e sistemas operacionais. 47 4. Gestão de desempenho de negócios (BPM) O mundo corporativo, composto por seus executivos, gestores e colaboradores, considera que as tecnologias de informação associadas ao conceito de Business Intelligence (BI) são vitais para os negócios, e já as adotam de forma massiva, como mostrado até aqui. Trata-se, basicamente, de questão de sobrevivência dos negócios em tempos de grande produção de dados. Com o objetivo de manter a organização viva e competitiva em suas rotinas de tomadas de decisão, agora, baseada em dados. Para Loh (2014, [s.p.]), BI é um processo e existirem técnicas, tecnologias e programas computacionais para BI, como o SOA, mas declara que BI se trata de “um processo que envolve métodos, técnicas, tecnologias, pessoas, informações, métricas, ferramentas etc.” Segundo Sharda, Delen e Turban (2019), uma arquitetura de BI bem definida é composta pelos seguintes elementos: um Data Warehouse, a análise de negócios, a gestão de desempenho de negócios e uma interface do usuário. O Data Warehouse, para conter os dados a serem tratados, utiliza a análise de negócios composta por técnicas e métodos analíticos para tratamento dos dados, a gestão de negócios para acompanhamento e análise de desempenho e uma interface do usuário para apresentação de resultados, com o uso de uma visualização de dados. Na literatura de negócios existente, a BPM é conhecida por muitas nomenclaturas, como gestão de desempenho corporativo (CPM – Corporate Performance Management), gestão de desempenho empresarial (EPM – Enterprise Performance Management) e gestão empresarial estratégica (SEM – Strategic Enterprise Management). Segundo Sharda, Delen e Turban (2019, p. 202): 48 [...] o termo CPM foi cunhado pela empresa analista de mercado Gartner (gartner.com). EPM é um termo associado a produtos da Oracle (oracle. com) que levam esse nome. SEM é o termo que a SAP (sap.com) utiliza. Neste texto, consideramos o termo BPM, segundo Sharda, Delen e Turban (2019), o qual é o mais antigo, mas ainda utilizado e, de certa forma, é o único que não tem vinculação com um fornecedor de soluções. O termo BPM remete a processos, metodologias, parâmetros e tecnologias de negócios utilizados pelas organizações com a intenção de medir, monitorar e fazer gestão do desempenho de negócios que, segundo Colbert (2009 apud SHARDA; DELEN; TURBAN, 2019, p. 202), abrangem três componentes considerados chave: 1. Um circuito fechado de processos gerenciais e analíticos integrados (suportados por tecnologia), que lida com atividades financeiras e operacionais. 2. Ferramentas usadas por empresas para definir metas estratégicas e, então, mensurar e gerir o desempenho frente a tais metas. 3. Um conjunto básico de processos, incluindo planejamento financeiro e operacional, consolidação e geração de relatórios, modelagem, análise e monitoramento de indicadores-chave de desempenho (KPIs – key performance indicators), vinculado à estratégia organizacional. Em relação a outras ferramentas de gestão de processos de negócios, a BPM tem como principal diferencial o foco estratégico (SHARDA; DELEN; TURBAN, 2019). Ela abrange um conjunto de processos dito “em circuito fechado”, que liga a estratégia à execução, com o intuito de otimizar o desempenho dos negócios. Você pode encontrar mais detalhes sobre esse diferencial na obra Business intelligence e análise de dados para gestão do negócio, de Sharda, Delen e Turban (2019). 49 5. Considerações finais Neste texto, apresentamos os tipos de processos de negócios