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DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 1 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs), PROGRESSOS TECNOLÓGICOS, METODOLOGIAS DE LETRAMENTO, 
CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA, SOFTWARES EDUCATIVOS, APLICATIVOS DE 
LEITURA, ESCRITA E FERRAMENTAS INTERATIVAS. 
 
Simone Helen Drumond Ischkanian 
Gladys Nogueira Cabral 
Bruna Silva Felix 
Tatiana Coelho 
Eunice Soares Teixeira 
Ediana Maria Cacau Oliveira 
Giane Demo 
Wanessa Delgado da Silva Ronque 
Francisca Araújo da Silva 
Sandro Garabed Ischkanian 
A leitura envolve processos cerebrais complexos, com áreas específicas do cérebro responsáveis 
pelo reconhecimento de letras, palavras e compreensão do significado. A neurociência estuda 
como o cérebro organiza e decodifica informações para desenvolver a habilidade de ler. Crianças 
com deficiências físicas, sensoriais ou intelectuais enfrentam dificuldades específicas no 
letramento. Essas dificuldades exigem abordagens diferenciadas para garantir o acesso ao 
processo de alfabetização.Materiais precisam ser adaptados para garantir a acessibilidade, como o 
uso de braille, linguagem de sinais ou fontes ampliadas. O Método de Portfólios Educacionais 
SHDI é uma estratégia facilitadora de aprendizado para crianças com diferentes deficiências. Os 
aprendizes passam por quatro estágios: pré-silábico, silábico, silábico-alfabético e alfabético, nos 
quais desenvolvem hipóteses sobre como a escrita funciona.Magda Soares discute a importância 
de métodos que respeitam as especificidades das crianças, visando o desenvolvimento adequado 
das habilidades de leitura e escrita.A inclusão é essencial, e adaptações no espaço escolar e na 
formação de profissionais são necessárias para integrar alunos com deficiências, promovendo 
metodologias inclusivas.O ensino multissensorial, visual e auditivo, além do uso de tecnologias 
assistivas, são fundamentais para adaptar o processo de alfabetização às necessidades das crianças 
com deficiência.A consciência fonológica é crucial para a leitura e escrita. A falta de adaptação a 
necessidades específicas pode prejudicar o aprendizado, tornando o PEI e outras adaptações 
fundamentais para o sucesso da alfabetização. Avanços tecnológicos, como softwares educativos, 
têm facilitado o processo de alfabetização de crianças com deficiência. Exemplos incluem 
programas para dislexia e dificuldades auditivas. A capacitação de educadores no uso de 
tecnologias assistivas e metodologias inclusivas é essencial para promover a alfabetização de 
crianças com deficiências. Atividades como segmentação de palavras em sílabas e fonemas, 
identificação de rimas e brincadeiras fonológicas ajudam no desenvolvimento da consciência 
fonológica e na preparação para a alfabetização. Atividades que envolvem identificação, adição, 
subtração e síntese de fonemas ajudam a desenvolver a consciência fonêmica, essencial para a 
leitura e escrita.Crianças com deficiências aprendem por meio de métodos adaptados, levando em 
consideração suas necessidades específicas e utilizando recursos como tecnologia e práticas 
inclusivas. 
Palavras-chave: Neurociência. Leitura. Alfabetização. Deficiências. Adaptação de materiais. 
Psicogênese da escrita. Metodologias adaptadas. Formação de professores. Atividades 
fonológicas. 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 2 
 
DESAFÍOS Y AVANCES EN LA ALFABETIZACIÓN DE NIÑOS CON 
DISCAPACIDADES (PCDS), PROGRESOS TECNOLÓGICOS, METODOLOGÍAS DE 
LECTURA, CONCIENCIA FONOLÓGICA, SOFTWARE EDUCATIVO, 
APLICACIONES DE LECTURA, ESCRITURA Y HERRAMIENTAS INTERACTIVAS. 
 
Simone Helen Drumond Ischkanian 
Gladys Nogueira Cabral 
Bruna Silva Felix 
Tatiana Coelho 
Eunice Soares Teixeira 
Ediana Maria Cacau Oliveira 
Giane Demo 
Wanessa Delgado da Silva Ronque 
Francisca Araújo da Silva 
Sandro Garabed Ischkanian 
La lectura implica procesos cerebrales complejos, con áreas específicas del cerebro responsables 
del reconocimiento de letras, palabras y la comprensión del significado. La neurociencia estudia 
cómo el cerebro organiza y descifra la información para desarrollar la habilidad de leer. Los niños 
con discapacidades físicas, sensoriales o intelectuales enfrentan dificultades específicas en la 
alfabetización. Estas dificultades requieren enfoques diferenciados para garantizar el acceso al 
proceso de alfabetización. Es necesario adaptar los materiales didácticos para garantizar la 
accesibilidad, como el uso de braille, lenguaje de señas o fuentes ampliadas. El Método de 
Portafolios Educativos SHDI es una estrategia que facilita el aprendizaje de niños con diferentes 
discapacidades. Los estudiantes pasan por cuatro etapas: pre-silábica, silábica, silábica-alfabética y 
alfabética, en las cuales desarrollan hipótesis sobre cómo funciona la escritura. Magda Soares 
discute la importancia de métodos que respeten las especificidades de los niños, buscando el 
desarrollo adecuado de las habilidades de lectura y escritura. La inclusión escolar es fundamental, 
y las adaptaciones en el espacio escolar y la formación de profesionales son necesarias para 
integrar a los estudiantes con discapacidades, promoviendo metodologías inclusivas. La enseñanza 
multisensorial, visual y auditiva, además del uso de tecnologías asistivas, son fundamentales para 
adaptar el proceso de alfabetización a las necesidades de los niños con discapacidades. La 
conciencia fonológica es crucial para la lectura y la escritura. La falta de adaptación a las 
necesidades específicas puede perjudicar el aprendizaje, por lo que el PEI y otras adaptaciones son 
fundamentales para el éxito de la alfabetización. Los avances tecnológicos, como los software 
educativos, han facilitado el proceso de alfabetización de niños con discapacidades. Ejemplos 
incluyen programas para la dislexia y dificultades auditivas. La capacitación de los educadores en 
el uso de tecnologías asistivas y metodologías inclusivas es esencial para promover la 
alfabetización de los niños con discapacidades. Actividades como segmentación de palabras en 
sílabas y fonemas, identificación de rimas y juegos fonológicos ayudan en el desarrollo de la 
conciencia fonológica y en la preparación para la alfabetización. Actividades que involucran 
identificación, adición, sustracción y síntesis de fonemas ayudan a desarrollar la conciencia 
fonémica, esencial para la lectura y la escritura. Los niños con discapacidades aprenden mediante 
métodos adaptados, teniendo en cuenta sus necesidades específicas y utilizando recursos como la 
tecnología y prácticas inclusivas. 
Palabras clave: Neurociencia. Lectura. Alfabetización. Discapacidades. Adaptación de 
materiales. Psicogénesis de la escritura. Metodologías adaptadas. Formación de maestros. 
Actividades fonológicas. 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 3 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
A leitura é uma habilidade cognitiva complexa, que envolve a ativação de diversas áreas 
do cérebro, as quais são responsáveis por processos de reconhecimento de letras, palavras e, mais 
importante ainda, pela compreensão do significado. 
A neurociência da leitura investiga como essas áreas cerebrais interagem para decodificar 
informações visuais e auditivas e como o cérebro, ao longo do tempo, organiza esses dados para 
gerar sentido. Essa compreensão do processo de leitura é fundamental não só para entender como 
as crianças adquirem essa habilidade, mas também para identificar os desafios enfrentados por 
aqueles que possuem algum tipo de deficiência, sejaonde as 
crianças podem explorar a 
escrita de forma simbólica e 
não fonética. 
- Usar atividades como 
desenhar e rabiscos para 
associar a escrita ao seu 
significado. 
Ferreiro 
& 
Teberosky 
(1999) 
 
Drumond 
Ischkanian 
(2024) 
 
G.N.Cabral 
(2024) 
 
Silábico 
Bruna Silva Felix: "Neste 
estágio, a criança começa a 
entender que as palavras 
podem ser divididas em 
sílabas, mas ainda usa letras 
aleatórias." 
- Trabalhar com palavras 
que tenham sílabas claras, 
ajudando as crianças a 
perceberem a relação de 
cada sílaba com uma letra 
ou combinação de letras. 
Felix (2024) 
 
 
Coelho (2024) 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 25 
 
Tatiana Coelho: "As crianças 
podem escrever, por exemplo, 
'pa' para 'pato', sem uma 
compreensão clara do número 
de letras que a palavra exige." 
- Introduzir atividades como 
jogos de sílabas para 
facilitar essa compreensão. 
 
 
 
Silábico-
Alfabético 
Eunice Soares Teixeira: "As 
crianças começam a associar 
letras e sons, mas ainda erram 
ao tentar associar um fonema a 
uma letra específica." 
 
Ediana Maria Cacau 
Oliveira: "Aqui, a criança já 
consegue utilizar mais de uma 
letra para um som, mas não 
tem a certeza da 
correspondência fonema-
grafema." 
- Trabalhar com atividades 
que envolvam a 
correspondência fonema-
grafema, como jogos de 
rimas ou leitura de palavras 
simples. 
- Usar materiais como cartas 
de letras para reforçar a 
associação entre letras e 
sons. 
 
 
Teixeira (2024) 
 
 
 
Oliveira (2024) 
 
 
 
 
Alfabético 
Giane Demo: "A criança já faz 
a correspondência correta entre 
fonemas e grafemas, mas ainda 
comete erros ortográficos e 
troca letras com frequência." 
 
Wanessa Delgado da Silva 
Ronque: "Neste estágio, a 
criança já consegue escrever 
palavras de forma mais 
ortográfica, mas ainda 
apresenta variações." 
- Promover atividades de 
escrita de textos mais 
longos, incentivando os 
alunos a revisar e corrigir 
seus próprios erros. 
- Introduzir a ortografia 
correta com atividades de 
ditado e revisão. 
 
Demo (2024) 
 
 
Ronque (2024) 
 
 
 
 
 
 
Alfabético 
Francisca Araújo da Silva: 
"O estudante começa a mostrar 
um bom domínio da escrita, 
aplicando as regras 
ortográficas corretamente na 
maioria das palavras, embora 
ainda possa cometer erros mais 
complexos." 
 
Sandro Garabed Ischkanian: 
"As crianças já têm uma 
consciência clara de que as 
palavras precisam ser escritas 
de forma estruturada e com 
regras fonéticas e 
ortográficas." 
- Oferecer materiais de 
leitura com desafios 
ortográficos, como textos 
que exigem atenção à grafia. 
- Trabalhar com produções 
escritas em grupos, 
corrigindo erros ortográficos 
de forma colaborativa. 
 
 
Silva (2024) 
 
 
 
Ischkanian 
(2024) 
Fonte: ISCHKANIAN, Simone Helen Drumond; CABRAL, Gladys Nogueira; FELIX, 
Bruna Silva; COELHO, Tatiana; TEIXEIRA, Eunice Soares; OLIVEIRA, Ediana Maria 
Cacau; DEMO, Giane; RONQUE, Wanessa Delgado da Silva; SILVA, Francisca Araújo da; 
ISCHKANIAN, Sandro Garabed, (2024). 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 26 
 
No Período Pré-Silábico, o objetivo é ajudar as crianças a fazer conexões entre a escrita e 
os significados que elas querem expressar, mesmo que ainda não compreendam completamente a 
relação entre letras e sons. Nesse estágio, o incentivo ao "rabisco" e a exploração visual da escrita 
é essencial. 
No Período Silábico, as crianças começam a perceber que as palavras podem ser 
divididas em sílabas. O trabalho com sílabas pode ser feito de forma lúdica, como com jogos de 
sílabas, para facilitar essa aprendizagem. As crianças ainda têm dificuldades de associar cada letra 
a um som específico, mas começam a perceber a estrutura fonológica da língua. 
No Período Silábico-Alfabético, o foco é ampliar a consciência fonológica das crianças e 
ajudá-las a compreender que a escrita segue regras específicas, com a correspondência entre 
fonemas e grafemas. Jogos de rimas e atividades fonológicas, como a identificação de palavras 
que compartilham sons similares, são eficazes nesse estágio. 
No Período Alfabético, a ênfase está no domínio das convenções ortográficas e na 
produção de textos mais complexos. É um estágio em que as crianças já possuem uma boa 
compreensão da correspondência fonema-grafema, mas ainda cometem erros ortográficos em 
palavras mais difíceis. Nesse momento, o trabalho contínuo com a revisão ortográfica, tanto em 
grupo quanto individualmente, é importante. 
Essa tabela desenvolvida pelos autores, serve como guia para os educadores, pois oferece 
insights práticos sobre como cada fase do desenvolvimento da escrita pode ser abordada na prática 
pedagógica. Afinal, a psicogênese da escrita, ao ser compreendida e aplicada de forma adequada, 
permite aos educadores oferecer uma abordagem mais personalizada, considerando o estágio de 
desenvolvimento de cada aluno e promovendo estratégias que facilitem a aprendizagem de leitura 
e escrita, a compreensão das hipóteses da psicogênese da escrita não só ajuda a diagnosticar as 
dificuldades das crianças, mas também orienta a intervenção pedagógica, tornando o processo de 
alfabetização mais dinâmico e inclusivo. 
 
2.5 ALFABETIZAÇÃO & ALFABETIZAÇÕES: A QUESTÃO DOS MÉTODOS 
POR MAGDA SOARES, (2016) 
Magda Soares (2016) aborda com profundidade a questão da alfabetização, destacando 
que, ao longo dos anos, os métodos de ensino da leitura e escrita foram moldados por diferentes 
concepções pedagógicas. A autora afirma: "Os métodos de alfabetização não são simples técnicas 
de ensino; eles são impregnados por concepções de língua e de aprendizagem" (Soares, 2016, p. 
13). Para Soares, entender esses métodos envolve, antes de tudo, compreender como as linguagens 
são estruturadas e como os sujeitos se apropriam delas. Em outras palavras, a alfabetização é um 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 27 
 
processo que vai além da decodificação de símbolos; ela implica uma construção gradual e 
integrada da linguagem escrita. 
Para Soares, os métodos tradicionais de alfabetização, como o método fônico, falham em 
considerar a língua escrita como um sistema de significados. Ela destaca: "O método fônico, que 
enfatiza a correspondência fonema-grafema, muitas vezes ignora o fato de que a escrita é antes de 
tudo um sistema de representação da língua oral" (Soares, 2016, p. 15). Esse método, que se 
baseia em ensinar as crianças a associar sons a letras, tem uma abordagem limitada, pois 
desconsidera o contexto semântico e discursivo da língua, aspectos essenciais para uma verdadeira 
apropriação do sistema de escrita. 
Em contraposição aos métodos mais mecânicos e segmentados, Soares sugere que a 
alfabetização deve ser entendida como um processo de apropriação da língua escrita. Ela afirma: 
"Alfabetizar é mais do que ensinar a ler e escrever palavras, é ensinar a compreender o que a 
língua escrita comunica" (Soares, 2016, p. 18). Para ela, o foco deve ser na compreensão e não 
apenas na memorização de sons e letras. A alfabetização, nesse sentido, é um processo cognitivo e 
significativo, que deve ser fundamentado na compreensão do uso da língua para a construção de 
sentidos. 
Um aspecto crucial no pensamento de Soares é a noção de que a alfabetização não deve 
ser entendida como um aprendizado linear, onde o aluno avança de forma unidirecional. Ela 
afirma: "A alfabetização é uma construção social e históricaque envolve múltiplos caminhos e 
estratégias" (Soares, 2016, p. 21). Para Soares, é fundamental que o processo seja mais flexível e 
contextualizado, permitindo que os alunos avancem conforme sua própria construção de sentido, 
ao invés de seguir um roteiro rígido imposto pela pedagogia tradicional. 
A autora também destaca a importância da interação social no processo de alfabetização, 
afirmando que "a leitura e a escrita não podem ser ensinadas de maneira isolada, elas devem ser 
vistas como práticas sociais e culturais" (Soares, 2016, p. 24). O aprendizado da leitura e da escrita 
deve ser colocado em contextos reais de uso da língua, como atividades de leitura de textos 
autênticos, debates e produção de textos, para que os alunos compreendam a função da linguagem 
na sociedade. 
Soares também critica os modelos que veem a alfabetização como um processo 
puramente mecânico, baseado em repetição e exercícios formais. Ela declara: "É importante que a 
criança perceba que a escrita não é uma sequência de tarefas mecânicas, mas uma forma de se 
expressar, de comunicar-se com o outro" (Soares, 2016, p. 28). A autora acredita que a 
alfabetização deve ser vista como uma prática discursiva, onde o foco é a produção e a 
interpretação de textos, e não apenas a aprendizagem de códigos. 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 28 
 
Magda Soares ainda reflete sobre a alfabetização crítica, que deve ser capaz de levar os 
alunos a questionar e refletir sobre a língua e seus usos. Segundo ela: "A alfabetização crítica 
envolve a capacidade de ler e escrever de forma autônoma e consciente, entendendo as relações de 
poder que estão implicadas no uso da linguagem" (Soares, 2016, p. 31). Em outras palavras, a 
alfabetização deve formar sujeitos críticos, que possam entender a língua não apenas como uma 
ferramenta de comunicação, mas como um espaço de construção de sentido e de negociação de 
poder. 
A autora também considera essencial que a alfabetização se baseie na prática reflexiva, 
onde os professores ajudam os alunos a refletirem sobre seus próprios processos de leitura e 
escrita. Ela explica: "O professor deve ser um mediador que guia a criança a pensar sobre as 
escolhas que faz na hora de ler e escrever, em vez de simplesmente corrigir seus erros" (Soares, 
2016, p. 34). Esse aspecto reflexivo permite que o aluno compreenda seus próprios processos de 
aprendizagem, aprimorando-os ao longo do tempo. 
Em relação aos métodos globais de alfabetização, Soares pondera: "O método global, ao 
contrário do método fônico, busca integrar o ensino de letras, palavras e significados desde o 
início, partindo da ideia de que a criança precisa compreender o contexto das palavras" (Soares, 
2016, p. 37). Esse método é mais integrado, focando não só no ensino da grafia das palavras, mas 
também na compreensão de seu significado, o que facilita uma aprendizagem mais significativa. 
 A concepção de alfabetização integral é outro ponto forte em Soares. Para ela, "a 
alfabetização deve ser um processo amplo, que envolva não só a leitura e a escrita, mas também o 
desenvolvimento de competências cognitivas, sociais e emocionais" (Soares, 2016, p. 40). Essa 
visão amplia o conceito de alfabetização para além da simples decodificação de símbolos, 
incorporando aspectos sociais e culturais que são fundamentais para o domínio da língua escrita. 
 A autora também reflete sobre a importância da escuta ativa no processo de 
alfabetização, mencionando que "os professores devem estar atentos às produções dos alunos, 
ouvindo-os e interpretando suas compreensões e dificuldades" (Soares, 2016, p. 42). Esse processo 
de escuta ativa é crucial para ajustar as intervenções pedagógicas e apoiar os alunos de forma 
individualizada. 
Magda Soares também aponta que a alfabetização deve ser um processo gradual, no qual 
os alunos se apropriam das convenções da escrita conforme suas próprias experiências e 
contextos. Ela diz: "A aprendizagem da escrita é um processo contínuo, que exige tempo e uma 
abordagem que respeite o ritmo de cada aluno" (Soares, 2016, p. 45). Essa visão gradual é 
importante para que o aprendizado seja significativo e não forçado. 
Soares discute ainda o papel da leitura na alfabetização, argumentando que "a leitura 
deve ser incentivada como uma prática de imersão nos textos, não como uma tarefa mecânica de 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 29 
 
decodificação" (Soares, 2016, p. 48). Ela defende que a leitura deve ser uma atividade prazerosa e 
estimulante, que envolva compreensão e interpretação, e não apenas um exercício de 
decodificação de palavras. 
A autora também destaca que a alfabetização não se restringe à sala de aula. Ela 
argumenta que "as práticas de alfabetização devem ser vivenciadas no cotidiano dos alunos, dentro 
e fora da escola" (Soares, 2016, p. 51). As crianças devem ser incentivadas a escrever em diversos 
contextos, como em casa, na rua, e em outras situações de seu cotidiano. 
A escrita deve ser ensinada não apenas como uma habilidade técnica, mas como uma 
forma de expressão pessoal. Ela afirma: "A escrita precisa ser vista como um meio para o aluno se 
expressar, refletir e comunicar suas ideias ao mundo" (Soares, 2016, p. 53). Isso implica que os 
alunos devem ter espaço para produzir textos que façam sentido para eles, no seu próprio ritmo e 
de acordo com suas experiências. 
A autora também critica a visão reducionista de que a alfabetização é simplesmente o 
aprendizado de regras fonéticas. Ela menciona: "A alfabetização precisa ser vista como uma ação 
cultural, que envolve o domínio das práticas de leitura e escrita em diversos contextos" (Soares, 
2016, p. 56). Essa visão ampliada da alfabetização ajuda a incluir práticas sociais e culturais que 
são essenciais para uma compreensão plena da língua escrita. 
Soares destaca a importância de considerar as diversidades dos alunos no processo de 
alfabetização. Ela escreve: "A alfabetização deve ser inclusiva, respeitando as diferenças de cada 
aluno e adaptando-se às suas necessidades e realidades" (Soares, 2016, p. 59). Isso significa que os 
métodos de ensino devem ser flexíveis e ajustados para atender às diversas condições de 
aprendizagem. 
A autora sugere que "os professores devem ser constantemente formados para refletir 
sobre suas práticas pedagógicas, a fim de melhorar a qualidade do ensino de leitura e escrita" 
(Soares, 2016, p. 62). A formação continuada é fundamental para que os educadores possam se 
atualizar e aprimorar suas metodologias de ensino. 
Em relação à avaliação, Soares defende que "a avaliação na alfabetização deve ser 
diagnóstica, contínua e processual, considerando os avanços individuais de cada aluno" (Soares, 
2016, p. 65). Para ela, a avaliação não deve ser vista como um teste final, mas como uma 
ferramenta para acompanhar o progresso dos alunos e identificar áreas que precisam de maior 
atenção. 
Soares conclui que a alfabetização é um processo complexo e multifacetado, que exige a 
participação ativa de todos os envolvidos na educação. Ela afirma: "A alfabetização é uma 
construção coletiva, que envolve a escola, a família e a comunidade, e que deve ser pensada de 
forma integrada" (Soares, 2016, p. 68). Essa visão destaca a importância do trabalho conjunto para 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
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garantir que todos os alunos tenham as condições necessárias para se tornarem leitores e escritores 
competentes. 
A seguir, elaboramos uma tabelarelacionando o pensamento dos autores deste artigo 
(2024) com as perspectivas de Magda Soares sobre alfabetização e inclusão, com base no livro 
Alfabetização: A Questão dos Métodos (1999). Nessa tabela, procuramos analisar como as visões 
dos autores citados se alinham ou divergem das concepções de Magda Soares sobre a 
alfabetização e o caminho para uma verdadeira inclusão. 
Tabela 6: Relação entre o pensamento dos autores (2024) e as perspectivas de 
Magda Soares sobre Alfabetização (1999) 
AUTOR(A) VISÃO SOBRE 
ALFABETIZAÇÃO 
PERSPECTIVA DE 
MAGDA SOARES 
SOBRE 
ALFABETIZAÇÃO 
CAMINHO PARA 
INCLUSÃO 
Simone 
Helen 
Drumond 
Ischkanian 
Defende que a alfabetização 
deve ser construída de 
maneira integrada, 
considerando o contexto 
social e cultural do aluno. 
Soares compartilha da 
mesma visão, acreditando 
que a alfabetização deve 
ser contextualizada e 
refletir práticas sociais e 
culturais. 
Inclusão implica em 
respeitar a diversidade 
de contextos culturais, 
adaptando os métodos 
para diferentes 
realidades. 
 
Gladys 
Nogueira 
Cabral 
Afirma que a alfabetização 
não é um processo linear e 
defende que deve ocorrer de 
forma gradual, respeitando 
o ritmo de cada aluno. 
Magda Soares concorda, 
enfatizando que a 
alfabetização deve ser um 
processo contínuo e 
gradativo, respeitando o 
ritmo de aprendizagem. 
A inclusão está 
atrelada ao 
reconhecimento das 
diferenças individuais, 
com práticas 
pedagógicas que 
respeitam o tempo de 
cada estudante. 
 
Bruna 
Silva 
Felix 
Defende que a prática de 
leitura e escrita deve ser 
permeada por práticas 
interativas e de reflexão, 
visando à formação crítica 
do aluno. 
Soares também considera 
a alfabetização como um 
processo reflexivo, onde o 
aluno é instigado a pensar 
sobre sua própria produção 
textual. 
A inclusão exige que a 
educação seja 
reflexiva, permitindo 
que os alunos possam 
questionar e 
interpretar os textos 
de forma autônoma. 
 
Tatiana 
Coelho 
Propõe que a alfabetização 
deve ser pensada a partir da 
interação entre as 
linguagens e das 
experiências cotidianas dos 
alunos. 
Soares compartilha da 
ideia de que a 
alfabetização deve 
envolver práticas 
cotidianas e que a escrita 
deve ser aprendida em 
contextos reais. 
A inclusão, nesse 
caso, envolve a 
integração das práticas 
de leitura e escrita 
com as experiências 
vividas pelo aluno. 
Eunice 
Soares 
Teixeira 
Acredita que a alfabetização 
deve ser pautada por 
práticas colaborativas entre 
alunos e professores, 
considerando as realidades 
Soares também defende 
que a alfabetização deve 
ser um processo social, e 
que o aluno aprende 
melhor quando envolve 
A inclusão se dá ao 
garantir que todos 
participem ativamente 
da construção do 
conhecimento, 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 31 
 
socioculturais. seu contexto social. reconhecendo as 
realidades culturais de 
cada aluno. 
 
Ediana 
Maria 
Cacau 
Oliveira 
Defende a alfabetização 
como um processo de 
aprendizagem integral, que 
deve envolver não apenas a 
leitura e escrita, mas 
também aspectos sociais, 
emocionais e cognitivos. 
Magda Soares compartilha 
dessa visão integral, 
considerando a 
alfabetização como um 
processo que envolve 
múltiplas dimensões do ser 
humano. 
A inclusão é 
alcançada quando a 
alfabetização vai além 
das habilidades 
cognitivas, 
incorporando aspectos 
emocionais e sociais 
do aluno. 
 
Giane 
Demo 
A visão de Giane Demo 
sobre alfabetização enfatiza 
a necessidade de considerar 
as diferentes formas de 
aprender, adaptando os 
métodos ao perfil dos 
alunos. 
Soares também vê a 
alfabetização como um 
processo que deve ser 
flexível e adaptado às 
necessidades individuais 
dos alunos. 
A inclusão é possível 
quando o ensino é 
personalizado, 
levando em conta as 
diversas formas de 
aprendizagem dos 
alunos. 
 
Wanessa 
Delgado 
da 
Silva 
Ronque 
Acredita que o processo de 
alfabetização deve ser mais 
amplo, abrangendo o 
desenvolvimento da leitura 
crítica e do domínio da 
escrita para diferentes 
práticas sociais. 
Soares também enfatiza a 
alfabetização crítica, que 
vai além da simples 
decodificação de palavras, 
levando o aluno a refletir 
sobre o uso da língua. 
Inclusão envolve 
proporcionar aos 
alunos uma 
compreensão crítica e 
profunda da língua 
escrita, para que 
possam atuar de forma 
significativa nas 
diferentes práticas 
sociais. 
Francisca 
Araújo 
da 
Silva 
Propõe que a alfabetização 
deve ser vista como um 
processo contínuo e que a 
leitura e a escrita devem ser 
aprendidas de forma 
integrada, com foco na 
construção de sentidos. 
Soares acredita que a 
alfabetização é um 
processo contínuo e 
gradual, no qual a criança 
constrói sentidos enquanto 
aprende. 
A inclusão ocorre 
quando o aluno é visto 
como protagonista de 
sua aprendizagem, 
construindo sentidos 
ao longo do processo. 
Sandro 
Garabed 
Ischkanian 
A visão de Sandro sobre 
alfabetização sugere a 
necessidade de criar 
ambientes de aprendizagem 
colaborativos, onde os 
alunos possam trocar 
experiências de leitura e 
escrita. 
Soares compartilha da 
ideia de que a 
alfabetização deve ser um 
processo colaborativo, 
com interações que 
ampliem o entendimento 
da escrita. 
A inclusão se dá ao 
criar espaços de 
interação entre alunos 
de diferentes 
realidades, onde todos 
possam aprender com 
e uns com os outros. 
Fonte: ISCHKANIAN, Simone Helen Drumond; CABRAL, Gladys Nogueira; FELIX, 
Bruna Silva; COELHO, Tatiana; TEIXEIRA, Eunice Soares; OLIVEIRA, Ediana Maria 
Cacau; DEMO, Giane; RONQUE, Wanessa Delgado da Silva; SILVA, Francisca Araújo da; 
ISCHKANIAN, Sandro Garabed, (2024). 
A inclusão, segundo as perspectivas tanto de Magda Soares quanto dos autores 
mencionados, se basea em uma alfabetização que respeite e valorize as diversidades cognitivas, 
culturais e sociais dos alunos. As abordagens críticas de Soares, como a de que a alfabetização 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 32 
 
deve envolver a construção de sentidos, práticas reflexivas e contextos reais de uso da linguagem, 
são compartilhadas por muitos dos autores citados. 
A flexibilidade nos métodos de ensino, o respeito ao ritmo de aprendizagem individual e 
a consideração das múltiplas formas de aprendizagem são vistos como pilares para a inclusão. Em 
resumo, o "caminho certo" para a inclusão envolve práticas pedagógicas personalizadas, sensíveis 
às necessidades de cada aluno, e que proporcionem experiências significativas de leitura e escrita. 
2.6 A INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS NAS ESCOLAS 
REGULARES 
A inclusão de crianças com deficiências nas escolas regulares é um tema central nas 
discussões sobre educação contemporânea. Nos últimos anos, o conceito de inclusão tem ganhado 
cada vez mais força, não apenas no contexto legal, mas também no ambiente educacional, pois 
busca garantir que todos os alunos, independentemente de suas habilidades ou deficiências, 
possam aprender e se desenvolver em um ambiente escolar comum. 
A importância da inclusão escolar vai além do simples ato de aceitar a presença de 
crianças com deficiência; trata-se de proporcionar a elas as condições necessárias para que 
participem ativamente do processo de ensino e aprendizagem. A inclusão escolar tem um impacto 
significativo no desenvolvimento social, emocional e cognitivo das crianças, pois permite a 
convivência em um ambiente diversificado, com o qual elas terão que interagir no futuro. 
A integração de alunos com deficiência nas turmasregulares não ocorre sem desafios. A 
diversidade no ambiente de sala de aula requer a adaptação de metodologias de ensino, a fim de 
garantir que todos os alunos, incluindo aqueles com necessidades específicas, tenham acesso ao 
conteúdo e possam aprender de forma efetiva. 
 O uso de metodologias inclusivas, como a educação diferenciada, o ensino colaborativo, 
a aprendizagem baseada em projetos e o uso de tecnologias assistivas, são exemplos de estratégias 
que têm sido adotadas para promover a participação ativa de crianças com deficiência nas aulas. 
Essas abordagens permitem que os alunos com deficiência possam aprender no mesmo ritmo que 
os outros, mas com o apoio adequado para superar suas limitações. 
A acessibilidade arquitetônica deve ser uma prioridade nas escolas, pois ela garante que 
todas as crianças, independentemente das suas condições físicas ou sensoriais, possam se 
locomover com facilidade e segurança, isso inclui a instalação de rampas, banheiros adaptados, 
sinalização em braile, materiais acessíveis e ambientes preparados para alunos com deficiência 
auditiva, visual ou mobilidade reduzida. É necessário que os professores e funcionários da escola 
estejam preparados para lidar com as diversas situações que podem surgir no cotidiano escolar de 
forma inclusiva e respeitosa, criando um ambiente acolhedor e seguro para todos os alunos. 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 33 
 
A formação do coletivo educacional também é crucial para o sucesso da inclusão escolar. 
Isso implica em investir na formação continuada de professores, gestores e funcionários para que 
possam compreender as diferentes necessidades dos alunos com deficiência e implementar 
estratégias pedagógicas eficazes. A sensibilização e o treinamento para o trabalho em equipe são 
aspectos importantes, pois muitos professores têm a experiência de trabalhar com turmas 
diversificadas, mas não possuem formação específica para lidar com crianças com deficiências. 
Assim, uma formação sólida permite que esses profissionais se sintam mais seguros e preparados 
para lidar com a diversidade de maneira inclusiva. É essencial que os gestores escolares 
desenvolvam políticas pedagógicas que envolvam toda a comunidade escolar, favorecendo o 
entendimento coletivo sobre a importância da inclusão. 
A construção de uma cultura inclusiva dentro da escola é outro desafio, pois exige que 
todos os membros da comunidade escolar, incluindo os colegas de classe, estejam comprometidos 
em promover o respeito à diversidade. Isso implica trabalhar a empatia e a aceitação nas crianças 
desde as primeiras séries do ensino fundamental, através de atividades que estimulem o 
entendimento sobre as deficiências e a importância de tratar os colegas com respeito e 
solidariedade. A convivência em um ambiente inclusivo é uma oportunidade única para as 
crianças com e sem deficiência desenvolverem uma maior compreensão sobre as diferenças e 
aprenderem a colaborar de forma mútua. A inclusão escolar, nesse sentido, tem o poder de 
transformar as mentalidades e eliminar estigmas sociais relacionados à deficiência. 
A legislação brasileira, como a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e a Política Nacional de 
Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, reforça o direito das crianças com 
deficiência de estudarem em escolas regulares. Essas normativas são fundamentais, pois 
asseguram que as instituições de ensino devem se adequar para promover a inclusão, oferecendo 
serviços e adaptações adequados. Contudo, mesmo com o apoio da legislação, a implementação 
prática da inclusão continua sendo um desafio. Muitas escolas ainda enfrentam dificuldades 
financeiras, logísticas e de formação de professores para garantir que a inclusão aconteça de 
maneira plena. 
A presença de profissionais especializados, como o psicopedagogo, o fonoaudiólogo, o 
fisioterapeuta e o assistente social, é de extrema importância para o processo de inclusão, esses 
profissionais auxiliam tanto no acompanhamento individualizado dos alunos com deficiência 
quanto na orientação dos professores sobre as melhores práticas pedagógicas. 
O trabalho interdisciplinar é essencial para identificar as necessidades específicas de cada 
aluno e garantir que todos recebam o apoio necessário. Quando essas equipes trabalham de forma 
integrada, o processo de inclusão se torna mais eficiente e sustentável ao longo do tempo. 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 34 
 
A adaptação dos materiais didáticos também é um ponto crucial para garantir a inclusão. 
O uso de recursos como livros em braile, materiais audiovisuais, softwares educativos e 
tecnologias assistivas podem ser decisivos para que alunos com deficiência visual, auditiva ou 
motora tenham acesso ao conhecimento, é importante que os professores se sintam confortáveis e 
capacitados para usar essas tecnologias e adaptar o conteúdo de forma eficaz. 
A inclusão também se reflete na forma como o currículo é estruturado, com ênfase em 
atividades práticas, colaborativas e acessíveis para todos os estudantes. Apesar dos avanços nas 
políticas públicas e das inúmeras estratégias inclusivas desenvolvidas, a realidade da inclusão 
escolar ainda enfrenta barreiras significativas, como a resistência de algumas escolas e a falta de 
recursos materiais e humanos. Para que a inclusão de crianças com deficiência nas escolas 
regulares seja uma realidade plena, é necessário um compromisso contínuo de todos os envolvidos 
no processo educacional, incluindo professores, gestores, pais e alunos. 
A colaboração entre as famílias e a escola é fundamental para identificar as necessidades 
dos alunos e garantir que as adaptações sejam feitas de maneira eficaz. 
A inclusão de crianças com deficiência nas escolas regulares não é apenas um direito 
garantido por lei, mas uma necessidade para a construção de uma sociedade mais justa, igualitária 
e respeitosa. A inclusão escolar proporciona um ambiente onde as diferenças são reconhecidas e 
celebradas, preparando todos os alunos para viverem em um mundo plural, onde o respeito à 
diversidade e à convivência harmoniosa são valores essenciais. Com o compromisso coletivo e as 
adaptações necessárias, é possível transformar a educação em um espaço de verdadeiramente 
inclusão e aprendizagem para todos. 
2.7 METODOLOGIAS DE CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA E LETRAMENTO 
PARA ALFABETIZAÇÃO 
A consciência fonológica, o letramento e a alfabetização adaptada são elementos-chave 
para o sucesso da educação inclusiva, especialmente para crianças com deficiência. O 
desenvolvimento dessas habilidades exige uma abordagem que considere as necessidades 
individuais dos alunos e, ao mesmo tempo, promova uma aprendizagem significativa e acessível. 
Entre as metodologias específicas que têm sido aplicadas no contexto da alfabetização e do 
letramento adaptados, destacam-se o ensino multissensorial, os métodos visuais e auditivos, e o 
uso de tecnologia assistiva. Essas abordagens têm sido essenciais para garantir que todos os 
alunos, incluindo aqueles com deficiências, tenham acesso ao conhecimento de forma inclusiva e 
participativa. 
O ensino multissensorial é uma das metodologias mais eficazes no desenvolvimento da 
consciência fonológica e da alfabetização, especialmente para alunos com dificuldades de 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 35 
 
aprendizagem. Essa abordagem se baseia na utilização de diversos canais sensoriais — visual, 
auditivo, táctil e cinestésico — para que oaluno possa aprender e internalizar conceitos de forma 
mais envolvente e acessível. O uso de materiais táteis como letras em relevo ou caixas sensoriais 
permite que os alunos com deficiência visual ou motora interajam diretamente com os sons e 
símbolos da língua escrita. A combinação de atividades que envolvem visão, audição e tato 
favorece o processo de memorização, ajudando o aluno a associar fonemas a grafemas de forma 
mais eficiente. 
O uso de métodos visuais e auditivos também é fundamental no desenvolvimento da 
consciência fonológica, especialmente para alunos com deficiências auditivas ou visuais. O 
método visual, por exemplo, pode incluir o uso de cartazes, imagens e símbolos gráficos para 
representar palavras ou sons. O método auditivo, por sua vez, envolve a ênfase na discriminação 
de sons e na associação de fonemas a palavras. Técnicas como alfabetos de sinais, que combinam 
os sinais com a fala, ou leitura labial, são eficazes para alunos surdos, permitindo-lhes desenvolver 
habilidades de leitura e escrita de maneira adequada. Já os alunos com deficiência visual podem 
ser auxiliados por recursos como braille e livros digitais com áudio para facilitar o processo de 
alfabetização. 
A tecnologia assistiva desempenha um papel fundamental na alfabetização adaptada, pois 
oferece recursos que podem ser personalizados para as necessidades de cada aluno. Ferramentas 
como softwares de leitura, aplicativos de escrita, leitores de tela e teclados adaptados são algumas 
das opções disponíveis para promover a inclusão no processo de alfabetização. A tecnologia 
assistiva não apenas facilita o acesso à informação, mas também motiva os alunos, tornando o 
aprendizado mais dinâmico e interativo. Por exemplo, softwares de leitura e escrita com recursos 
de síntese de voz podem ser extremamente úteis para alunos com dificuldades visuais ou de 
leitura, permitindo que eles acompanhem o texto e ouçam a pronúncia correta das palavras. 
As metodologias de alfabetização adaptadas também envolvem a criação de materiais 
didáticos específicos que atendem às necessidades de cada aluno. Livros em braille, livros com 
imagens em alto contraste, e até mesmo fontes ampliadas são exemplos de adaptações que 
permitem que crianças com deficiência visual acessem o conteúdo de forma adequada. Para alunos 
com deficiências cognitivas ou de aprendizagem, recursos como jogos de palavras, quebra-cabeças 
e cartões com imagens e letras podem ser úteis para reforçar o aprendizado da leitura e escrita. 
Outro ponto importante na alfabetização adaptada é a projeção de jogos, brinquedos e 
brincadeiras que favoreçam o desenvolvimento da leitura e escrita. O uso de jogos educativos e 
brinquedos interativos é uma excelente estratégia para envolver as crianças de maneira lúdica e 
prazerosa no processo de aprendizagem. Jogos que envolvem palavras e letras, como jogos de 
tabuleiro de palavras, jogos de memória ou aplicativos de alfabetização, ajudam a criança a 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 36 
 
reforçar a relação entre fonemas e grafemas de forma divertida e instigante. Brincadeiras que 
incentivam a leitura e a escrita, como dramatizações de histórias ou a criação de livros com 
desenhos e palavras, também podem ser eficazes para estimular a criatividade e o interesse pela 
leitura. 
Em termos de práticas de letramento, o foco é ampliar o acesso das crianças à linguagem 
escrita de forma significativa, não apenas ensinando-as a ler e escrever, mas também a 
compreender e usar a escrita de maneira contextualizada. Isso envolve a integração de atividades 
que conectem a escrita com as experiências diárias das crianças, como a produção de textos 
coletivos, a leitura de histórias e a realização de atividades que envolvem a escrita de listas, cartas 
ou bilhetes. As crianças são incentivadas a perceber a escrita como uma ferramenta de 
comunicação e expressão, o que facilita o desenvolvimento de suas habilidades de leitura e escrita. 
No contexto da educação inclusiva, a metodologia do ensino multissensorial se destaca ao 
integrar diferentes formas de interação com a linguagem. O uso de sons de letras e palavras, 
combinados com a escrita em braille, a manipulação de letras físicas e o uso de recursos visuais e 
auditivos, oferece aos alunos uma experiência rica e diversificada, favorecendo o desenvolvimento 
da leitura e da escrita em múltiplos níveis. Ao integrar o corpo e a mente na aprendizagem, essas 
abordagens promovem a internalização de conteúdos de forma profunda e significativa, atendendo 
a uma variedade de estilos de aprendizagem. 
É importante ressaltar que a alfabetização adaptada requer a colaboração entre 
educadores, pais e profissionais especializados para garantir que as metodologias sejam aplicadas 
de forma eficaz. Os professores devem estar preparados para ajustar suas práticas pedagógicas 
conforme as necessidades dos alunos, utilizando os recursos e as estratégias mais adequadas. A 
formação contínua dos educadores é essencial para que eles possam adaptar suas abordagens de 
ensino e proporcionar uma experiência de aprendizagem verdadeiramente inclusiva. 
As metodologias de alfabetização adaptadas, que envolvem o uso de práticas 
multissensoriais, métodos visuais e auditivos, e a aplicação de tecnologias assistivas, são 
ferramentas poderosas para garantir que crianças com deficiências possam desenvolver suas 
habilidades de leitura e escrita. 
A criação de jogos e brincadeiras educativas, adaptadas às necessidades de cada aluno, é 
uma maneira eficaz de tornar o processo de alfabetização mais acessível e estimulante, 
promovendo o engajamento e o prazer na aprendizagem. A educação inclusiva, quando bem 
implementada, é um processo transformador que não apenas favorece o desenvolvimento de 
habilidades cognitivas, mas também contribui para a construção de uma sociedade mais justa e 
igualitária. 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 37 
 
Lista de jogos, brinquedos e brincadeiras que podem ser utilizadas para alfabetizar 
crianças, incluindo aquelas com necessidades especiais. Esses recursos podem ser adaptados para 
diferentes contextos e ajudam no desenvolvimento da leitura e escrita de uma maneira lúdica e 
interativa. 
Tabela 7: Jogos, Brinquedos e Brincadeiras para Alfabetização 
 
CATEGORIA 
NOME DO 
JOGO 
BRINQUEDO 
BRINCADEIRA 
 
OBJETIVO 
 
COMO 
UTILIZAR 
ADAPTAÇÕE
S PARA 
INCLUSÃO 
JOGOS 
DE 
TABULEIRO 
JOGO 
 DA 
 FORCA 
Trabalhar com 
letras e palavras. 
Os jogadores 
tentam 
adivinhar 
palavras por 
meio de letras. 
Utilizar letras 
ampliadas ou 
braille para 
deficientes 
visuais. 
JOGOS 
DE 
TABULEIRO 
JOGO DE 
MEMÓRIA 
COM LETRAS 
Desenvolver a 
memória visual 
e o 
reconhecimento 
de letras. 
Cartões com 
letras ou 
palavras que 
devem ser 
combinados. 
Cartões com 
letras em relevo 
ou com 
contraste alto. 
JOGOS 
DIGITAIS 
JOGOS DE 
ALFABETIZAÇ
ÃO (APPS) 
Estimular o 
reconhecimento 
de letras, sons e 
palavras. 
Aplicativos 
educativos que 
utilizam 
tecnologia para 
ensinar 
alfabetização. 
Adaptar os jogos 
para leitores de 
tela ou incluir 
legendas para 
surdos. 
BRINQUEDOS 
TÁCTEIS 
LETRAS EM 
RELEVO 
(BRAILLE) 
Desenvolver o 
tato e a 
percepção das 
letras. 
Brincadeiras 
com letras em 
relevo para 
formar palavras. 
Usar materiais 
em braille para 
crianças com 
deficiência 
visual. 
BRINQUEDOS 
TÁCTEIS 
CAIXAS 
SENSORIAIS 
DE 
 PALAVRAS 
Trabalhar a 
associação de 
letras e sons. 
Caixas com 
objetos ou letras 
para formar 
palavras. 
Garantir que as 
crianças comdeficiência 
visual possam 
explorar as 
caixas com o 
tato. 
BRINCADEIRA 
DE 
IMITAÇÃO 
TEATRO 
DE 
FANTOCHES 
Trabalhar a 
criatividade e a 
construção de 
histórias. 
Crianças criam 
e encenam 
histórias usando 
fantoches. 
Usar fantoches 
que incluam 
linguagem de 
sinais ou 
imagens em alta 
resolução para 
deficientes 
visuais. 
JOGOS DE 
LINGUAGENS 
TEATRO 
DE SOM E 
MOVIMENTO 
Estimular o 
desenvolviment
o da linguagem 
Criar 
personagens 
com sons e 
Oferecer apoio 
para crianças 
com 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 38 
 
e a articulação 
de sons. 
movimentos que 
imitam letras e 
palavras. 
dificuldades 
auditivas, como 
legendas ou 
pictogramas. 
BRINCADEIRA 
AO 
AR LIVRE 
CAÇA AO 
TESOURO 
COM LETRAS 
Trabalhar a 
associação entre 
imagens e 
palavras. 
Crianças caçam 
pistas em forma 
de letras ou 
palavras 
escondidas. 
Usar pistas com 
imagens grandes 
ou em braille. 
BRINCADEIRA 
COM 
CARTÕES 
CARTÕES 
DE SÍLABAS 
Desenvolver a 
segmentação 
silábica. 
As crianças 
devem 
combinar 
cartões com 
sílabas para 
formar palavras. 
Usar cartões 
táteis ou 
ampliados. 
ATIVIDADES 
COM 
MÚSICA 
CANTAR 
MÚSICAS 
COM LETRAS 
Trabalhar 
fonemas e a 
articulação das 
palavras. 
Cantar músicas 
e identificar 
letras nas 
palavras. 
Usar letras 
grandes ou em 
braille para 
deficientes 
visuais. 
BRINCADEIRA 
DE 
CONSTRUÇÃO 
BLOCOS DE 
MONTAR 
COM LETRAS 
Estimular a 
associação de 
letras com sons 
e palavras. 
As crianças 
constroem 
palavras 
utilizando 
blocos com 
letras. 
Usar blocos com 
letras táteis ou 
visuais de 
contraste. 
JOGOS 
COM 
HISTÓRIAS 
CRIAÇÃO DE 
HISTÓRIAS 
COM CARTÕES 
Trabalhar o 
vocabulário e a 
construção de 
frases. 
Usar cartões 
ilustrados para 
criar histórias 
simples. 
Cartões com 
imagens de alto 
contraste ou em 
braille. 
 
JOGOS 
DE 
ASSOCIAÇÃO 
 
ASSOCIE A 
LETRA 
AO OBJETO 
Trabalhar a 
associação de 
letras com 
imagens e 
objetos. 
Crianças 
associam letras 
a imagens ou 
objetos 
correspondentes
. 
Utilizar 
materiais táteis 
ou digitais que 
permitam que 
crianças com 
deficiência 
visual ou 
auditiva 
participem. 
Fonte: ISCHKANIAN, Simone Helen Drumond; CABRAL, Gladys Nogueira; FELIX, 
Bruna Silva; COELHO, Tatiana; TEIXEIRA, Eunice Soares; OLIVEIRA, Ediana Maria 
Cacau; DEMO, Giane; RONQUE, Wanessa Delgado da Silva; SILVA, Francisca Araújo da; 
ISCHKANIAN, Sandro Garabed, (2024). 
 
Jogos de Tabuleiro: São úteis para a aprendizagem de palavras e letras. A modificação de 
regras ou a inclusão de materiais adaptados pode permitir que alunos com diferentes deficiências 
participem ativamente. 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 39 
 
Jogos Digitais: Oferecem uma maneira interativa de aprender. Muitos aplicativos de 
alfabetização permitem ajustes na velocidade, contrastes e fontes, além de permitir a adaptação 
para diferentes níveis de habilidade. 
Brinquedos Tácteis: Brinquedos como letras em relevo ou caixas sensoriais permitem que 
as crianças explorem palavras e letras com os dedos, facilitando a aprendizagem para crianças com 
deficiência visual. 
Teatro e Jogos de Imitação: O uso de fantoches e outros recursos lúdicos permite que as 
crianças usem a criatividade para aprender novas palavras e frases, desenvolvendo suas 
habilidades linguísticas. 
Brincadeiras ao Ar Livre: São uma excelente forma de incorporar a aprendizagem à 
exploração do ambiente, ao mesmo tempo em que incentivam a prática de leitura e escrita por 
meio da caça ao tesouro ou outras atividades dinâmicas. 
Esses jogos e brinquedos podem ser facilmente adaptados para o ambiente de ensino 
inclusivo, de acordo com as necessidades e habilidades dos alunos, promovendo um aprendizado 
mais acessível e prazeroso. 
 
2.8 TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E OS AVANÇOS TECNOLÓGICOS NA 
ALFABETIZAÇÃO, SOFTWARE EDUCATIVO PARA CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA 
 
A Tecnologia Assistiva tem desempenhado um papel fundamental no apoio à 
alfabetização de crianças com deficiência. Os avanços tecnológicos, como softwares educativos, 
dispositivos de leitura e escrita adaptados, e ferramentas multimodais, têm sido cruciais para 
promover a inclusão e a aprendizagem, oferecendo alternativas para crianças com dificuldades de 
leitura, escrita e comunicação. 
Tabela 8: Tecnologias para Alfabetização de Crianças com Deficiência 
TECNOLOGIA 
SOFTWARE 
TIPO DE 
DEFICIÊNCIA 
OBJETIVO DESCRIÇÃ
O COMO 
FUNCIONA 
EXEMPLOS 
DE 
APLICAÇÃO 
 
KURZWEIL 
3000 
Deficiência Visual, 
Dislexia, 
Dificuldades de 
Leitura e Escrita 
Software de 
leitura e 
escrita, 
conversor de 
texto em áudio 
Oferece 
ferramentas 
de leitura em 
voz alta, com 
suporte de 
texto em 
formato 
grande, leitura 
de PDFs e 
recursos 
texto. 
Ajudar 
crianças com 
dislexia a 
compreender 
melhor textos 
escritos, 
transformando-
os em áudio. 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 40 
 
 
 
GINGER 
SOFTWARE 
Dislexia, 
Dificuldades de 
Escrita 
Correção 
gramatical, 
ortográfica e 
sugestões de 
reescrita 
Usa 
Inteligência 
Artificial para 
fornecer 
correções 
gramaticais e 
ortográficas e 
ajudar com a 
estruturação 
das frases. 
Auxiliar na 
escrita de 
textos, 
corrigindo 
erros e 
promovendo a 
aprendizagem 
da gramática. 
 
 
 
CLAROREAD 
Deficiência Visual, 
Dislexia, 
Dificuldades de 
Leitura 
Leitura e 
conversão de 
texto em áudio 
Software que 
converte texto 
em áudio, 
facilita a 
leitura de 
textos em 
diversos 
formatos e 
pode ser 
usado em 
diferentes 
dispositivos. 
Auxiliar na 
leitura de 
livros e 
materiais 
didáticos, 
especialmente 
para alunos 
com dislexia e 
baixa visão. 
 
 
READ&WRITE 
Deficiência Visual, 
Dificuldade de 
Leitura, Deficiência 
Cognitiva 
Ferramenta de 
apoio à leitura 
e escrita 
Fornece 
ferramentas 
para 
transformar 
texto em fala, 
leitura de 
PDF e apoio 
para melhorar 
a escrita e a 
compreensão. 
Ideal para 
crianças com 
dislexia ou 
dificuldades 
cognitivas para 
ler e escrever 
de forma 
eficiente. 
 
 
WORDQ 
Dislexia, 
Dificuldade de 
Escrita 
Software de 
apoio à escrita 
Auxilia na 
escrita, 
fornecendo 
sugestões de 
palavras e 
correções 
automáticas. 
Também 
oferece leitura 
em voz alta 
do texto 
escrito. 
Usado para 
auxiliar 
crianças com 
dislexia a 
escrever de 
forma mais 
precisa, 
oferecendo 
sugestões de 
palavras. 
 
 
SNAP&READ 
Deficiência Visual, 
Dislexia, 
Dificuldades de 
Leitura e Escrita 
Leitura de 
textos e 
documentos 
em vários 
idiomas 
Permite que 
alunos leiam 
qualquer tipo 
de documento 
e texto em 
diversos 
formatos, 
oferecendo 
Ajudar alunos 
com 
deficiência 
visual a ler 
materiais 
escritos e 
compreender 
melhor 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 41 
 
também 
leitura em voz 
alta. 
conteúdos 
didáticos. 
 
 
CO:WRITER 
Dislexia, 
Dificuldades de 
Escrita, Deficiência 
Cognitiva 
Software de 
escrita 
assistida 
Oferece 
sugestões de 
palavras 
conforme o 
aluno digita, 
ajudando a 
formar frases 
com mais 
facilidade. 
Ajudar 
crianças com 
dislexia e 
dificuldades de 
escrita a 
produzir textos 
de maneira 
mais fluente.TOBII DYNAVOX 
Deficiência Motora, 
Deficiência de Fala 
Comunicação 
aumentativa e 
alternativa 
Dispositivos e 
softwares que 
utilizam a 
tecnologia de 
rastreamento 
ocular para 
ajudar 
crianças com 
deficiências 
motoras e de 
fala a escrever 
e comunicar. 
Usado por 
crianças com 
paralisia 
cerebral ou 
dificuldades 
motoras graves 
para se 
comunicarem e 
interagirem. 
 
 
LOOG GAMES 
Deficiência Visual, 
Dislexia, 
Deficiência 
Cognitiva 
Jogos 
educativos 
para 
alfabetização 
Software com 
uma série de 
jogos 
educativos 
que ajudam 
crianças a 
aprender a ler 
e escrever de 
forma lúdica e 
interativa. 
Usado por 
crianças com 
dislexia para 
melhorar o 
reconheciment
o de letras e 
palavras de 
forma 
divertida. 
 
 
JABBLA 
Deficiência Motora, 
Deficiência de Fala 
Comunicação 
aumentativa e 
alternativa, 
Escrita 
Assistida 
Dispositivos e 
aplicativos 
que permitem 
crianças com 
limitações 
motoras e de 
fala se 
comunicarem 
e aprenderem 
a ler e 
escrever. 
Usado para 
crianças com 
deficiências 
severas para se 
comunicar e 
aprender a ler e 
escrever com 
mais 
autonomia. 
 
DRAGON 
NATURALLYSPEA
KING 
Deficiência Motora, 
Dislexia, 
Dificuldade de 
Leitura 
Software de 
reconheciment
o de fala 
Transforma a 
fala em texto 
escrito, 
permitindo 
que crianças 
com 
dificuldades 
Usado por 
crianças com 
dificuldades 
motoras ou 
dislexia para 
criar textos 
sem a 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 42 
 
motoras ou 
dislexia 
possam 
"escrever" 
usando a fala. 
necessidade de 
digitar. 
 
MORSE 
CODE 
SOFTWARE 
Deficiência 
Auditiva, 
Deficiência Motora 
Comunicação e 
Alfabetização 
via Código 
Morse 
Software que 
ensina 
crianças a 
usar o código 
Morse para se 
comunicar e 
aprender 
letras e 
palavras. 
Ideal para 
alunos com 
deficiência 
auditiva ou 
motoras graves 
para se 
comunicarem e 
aprenderem a 
ler e escrever. 
Fonte: ISCHKANIAN, Simone Helen Drumond; CABRAL, Gladys Nogueira; FELIX, 
Bruna Silva; COELHO, Tatiana; TEIXEIRA, Eunice Soares; OLIVEIRA, Ediana Maria 
Cacau; DEMO, Giane; RONQUE, Wanessa Delgado da Silva; SILVA, Francisca Araújo da; 
ISCHKANIAN, Sandro Garabed, (2024). 
 
Kurzweil 3000: Pode ser instalado em computadores ou dispositivos móveis, e seus 
recursos de leitura em voz alta podem ser usados para promover a compreensão de textos por 
crianças com dislexia ou deficiência visual. É uma excelente ferramenta para a educação inclusiva, 
proporcionando maior autonomia ao aluno. 
Ginger Software: Ideal para alunos com dificuldades de escrita. Ele pode ser usado 
diretamente no processador de texto, oferecendo correções ortográficas e gramaticais enquanto 
escreve, o que ajuda os alunos a aprenderem com seus próprios erros. 
ClaroRead: Além de converter textos em áudio, também facilita a leitura de PDFs e 
outros documentos, permitindo que crianças com deficiência visual ou dificuldades de leitura 
acessem o conteúdo de forma mais fácil e eficiente. 
Read&Write: Usado para transformar texto em fala, também pode ajudar na construção 
de frases e na compreensão de vocabulário, ideal para alunos com dificuldades cognitivas ou 
auditivas. 
Tobii Dynavox: Essencial para alunos com deficiências motoras ou de fala, utilizando 
rastreamento ocular ou dispositivos de controle alternativo para facilitar a comunicação e a 
aprendizagem da leitura e escrita. 
Autonomia: As crianças podem aprender de forma mais independente, utilizando recursos 
que atendem suas necessidades individuais. 
Engajamento: A tecnologia torna o processo de aprendizagem mais envolvente e 
interativo, ajudando as crianças a se conectarem com os conteúdos de maneira mais divertida e 
eficaz. 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 43 
 
Acessibilidade: Permite que alunos com deficiência acessem conteúdos que, de outra 
forma, poderiam ser inacessíveis. 
Esses softwares não só facilitam a aprendizagem da leitura e escrita para crianças com 
deficiência, mas também contribuem para a inclusão e o aumento da autoestima dos alunos, 
proporcionando mais oportunidades para eles se expressarem e se comunicarem. 
2.9 ATIVIDADES DE SEGMENTAÇÃO ORAL DE PALAVRAS EM SÍLABAS. 
As atividades de segmentação oral de palavras em sílabas e as relacionadas ao 
desenvolvimento da consciência fonológica são essenciais para o processo de alfabetização, pois 
ajudam as crianças a compreenderem a estrutura das palavras e as relações sonoras. Essas 
atividades visam aprimorar a habilidade de discriminação auditiva, segmentação e manipulação de 
sons dentro das palavras. 
 
CONTAGEM DE SÍLABA DE PALAVRAS 
Objetivo: Estimular as crianças a identificar quantas sílabas uma palavra possui. 
Atividade: Fale uma palavra e peça para a criança bater palmas, pular ou bater o pé a 
cada sílaba que ouvir. Por exemplo, na palavra "elefante", a criança vai bater 3 vezes, uma para 
cada sílaba (e-le-fan-te). 
Exemplo: Palavras como "janela" (3 sílabas) ou "cachorro" (3 sílabas). 
 
SEGMENTAÇÃO ORAL DOS FONEMAS DE PALAVRAS 
Objetivo: Ajudar as crianças a identificar e isolar os sons de cada letra de uma palavra. 
Atividade: Peça para a criança dizer a palavra devagar e separar os fonemas (sons) que 
formam a palavra. Por exemplo, na palavra "gato", os fonemas são /g/ /a/ /t/ /o/. 
Exemplo: "mãe" /m/ /ã/ /e/. 
 
IDENTIFICAÇÃO DA PALAVRA MAIOR 
Objetivo: Estimular as crianças a comparar e identificar a palavra maior em termos de 
número de sílabas ou fonemas. 
Atividade: Apresente duas palavras e peça para a criança identificar qual é a maior em 
número de sílabas ou fonemas. Exemplo: qual é maior, "bola" ou "carro"? 
Exemplo: "abacaxi" (4 sílabas) vs "pato" (2 sílabas). 
 
 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 44 
 
PRODUÇÃO DE PALAVRA MAIOR QUE OUTRA 
Objetivo: Incentivar as crianças a pensar em palavras que sejam maiores em número de 
sílabas ou fonemas que outra já dita. 
Atividade: Diga uma palavra e peça para a criança falar uma palavra maior. Exemplo: se 
você disser "cão", a criança poderia dizer "gato". O foco está em palavras com maior quantidade 
de sílabas ou fonemas. 
Exemplo: "sol" (1 sílaba) vs "pato" (2 sílabas). 
 
IDENTIFICAÇÃO DE PALAVRAS COM SÍLABAS INICIAIS OU FINAIS IGUAIS 
Objetivo: Desenvolver a percepção das crianças para identificar palavras com sílabas 
iniciais ou finais iguais. 
Atividade: Apresente um conjunto de palavras e peça para a criança encontrar as que têm 
a mesma sílaba inicial ou final. Exemplo: qual das palavras começa com "ca"? (carro, casa, 
cachorro). 
Exemplo: "bola" e "bicho" têm a mesma sílaba inicial (b). 
 
PRODUÇÃO DE PALAVRA COM SÍLABA INICIAL OU FINAL IGUAL 
Objetivo: Estimular a criança a criar palavras com sílabas iniciais ou finais iguais. 
Atividade: Diga uma palavra e peça para a criança formar outra que comece ou termine 
da mesma forma. Exemplo: se você disser "gato", a criança pode criar "garfo". 
Exemplo: "passarinho" - "pato", "sol" - "bola". 
 
IDENTIFICAÇÃO DE PALAVRAS COM FONEMA INICIAL IGUAL 
Objetivo: Trabalhar o reconhecimento do som inicial das palavras. 
Atividade: Apresente palavras e peça para a criança identificar aquelas que começam 
com o mesmo fonema. Por exemplo, quais dessas palavras começam com o som /b/: "bola", 
"biscoito", "cachorro"? 
Exemplo: "mãe" e "manhã" começam com o fonema /m/. 
 
PRODUÇÃO DE PALAVRA COM FONEMA INICIAL IGUAL 
Objetivo: Estimular as criançasa criar palavras que comecem com o mesmo fonema. 
Atividade: Diga uma palavra e peça para a criança criar outras que comecem com o 
mesmo fonema. Por exemplo: se você disser "peixe", a criança pode criar "pato". 
Exemplo: "gato" - "gelo", "sol" - "sapo". 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 45 
 
IDENTIFICAÇÃO DE PALAVRAS QUE RIMAM COM A MESMA SÍLABA 
Objetivo: Estimular a percepção de rimas em palavras. 
Atividade: Diga uma palavra e peça para a criança encontrar outras palavras que rimem 
com ela. Por exemplo, "gato" rima com "pato". 
Exemplo: "flor" rima com "amor", "sol" rima com "rol". 
 
PRODUÇÃO DE PALAVRAS QUE RIMAM COM A MESMA SÍLABA 
Objetivo: Estimular as crianças a criar palavras que rimem entre si. 
Atividade: Apresente uma palavra e peça para a criança criar outras palavras que rimem 
com ela. Exemplo: se você disser "bola", a criança pode criar "escola", "mola". 
Exemplo: "coração" - "pão", "gato" - "ato". 
 
IDENTIFICAÇÃO DE PALAVRAS CONTIDAS UMAS NAS OUTRAS 
Objetivo: Trabalhar a percepção das palavras e suas partes, ajudando a identificar 
palavras dentro de outras. 
Atividade: Apresente palavras compostas e peça para a criança identificar as palavras 
menores que estão contidas dentro delas. Por exemplo, "sacola" contém "cola". 
Exemplo: "amigo" contém "mi", "coração" contém "cor". 
 
IDENTIFICAÇÃO DE UMA SÍLABA EM DIFERENTES PALAVRAS 
Objetivo: Estimular a criança a identificar uma sílaba comum em diferentes palavras. 
Atividade: Diga uma sílaba e peça para a criança encontrar outras palavras que a 
contenham. Exemplo: "ma" - maçã, tomate, lima. 
Exemplo: "ca" em "cachorro", "casa", "caderno". 
 
BRINCADEIRAS COM JOGOS DE CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA 
Objetivo: Tornar o aprendizado mais lúdico e divertido. 
Atividade: Use jogos e brincadeiras para trabalhar a consciência fonológica. Isso pode 
incluir jogos de memória com palavras e sílabas, bingo de fonemas, ou até mesmo aplicativos 
educativos que ensinem segmentação fonológica de forma interativa. 
Exemplo: Jogo de tabuleiro onde as crianças precisam colocar palavras em categorias, 
como rimas ou sílabas iniciais/finais. 
Essas atividades ajudam a criança a desenvolver suas habilidades de segmentação e 
manipulação de sons nas palavras, melhorando sua compreensão sobre a estrutura das palavras e 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 46 
 
facilitando o processo de alfabetização, e são importantes para o desenvolvimento da fluência na 
leitura e escrita, essenciais para o sucesso escolar. 
 2.10 CONSCIÊNCIA FONÊMICA 
A consciência fonêmica é uma habilidade fundamental no processo de alfabetização, pois 
ela envolve a capacidade de identificar, manipular e combinar os sons das palavras (fonemas). As 
atividades de consciência fonêmica ajudam as crianças a compreender a relação entre sons e letras, 
e a melhorar suas habilidades de leitura e escrita. A seguir, estão descritas atividades específicas 
para trabalhar com a consciência fonêmica, com foco em diferentes habilidades fonológicas: 
 
ATIVIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DE PALAVRAS COM O MESMO FONEMA 
INICIAL 
Objetivo: Desenvolver a habilidade de identificar palavras que começam com o mesmo 
fonema. 
Atividade: Diga várias palavras para a criança e peça para ela identificar quais começam 
com o mesmo som (fonema inicial). Exemplo: "cachorro", "caderno", "carro" — todas começam 
com o fonema /k/. 
Exemplo: "pato", "pipa", "porta" têm o fonema inicial /p/. 
 
ATIVIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DE PALAVRAS COM O MESMO FONEMA 
FINAL 
Objetivo: Estimular a criança a identificar palavras que terminam com o mesmo fonema. 
Atividade: Diga várias palavras e peça para a criança encontrar quais têm o mesmo 
fonema final. Exemplo: "bola", "vela", "cama" — todas terminam com o fonema /a/. 
Exemplo: "pato", "sapo", "canto" terminam com o fonema /o/. 
 
ATIVIDADE DE PRODUÇÃO DE PALAVRAS QUE COMEÇAM COM O MESMO 
FONEMA 
Objetivo: Estimular a criança a criar palavras que começam com o mesmo fonema. 
Atividade: Diga um fonema (som inicial) e peça para a criança falar o maior número 
possível de palavras que comecem com esse som. Exemplo: Fonema /f/ – "foca", "festa", "foto". 
Exemplo: Fonema /t/ – "tigre", "toco", "tubo". 
 
 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 47 
 
ATIVIDADE DE ADIÇÃO DE FONEMAS EM PALAVRAS REAIS 
Objetivo: Trabalhar a habilidade de adicionar fonemas em palavras reais, criando novas 
palavras. 
Atividade: Diga uma palavra e peça para a criança adicionar um fonema em um 
determinado ponto da palavra. Exemplo: Adicionar o fonema /r/ à palavra "cama", formando 
"crama". Ou adicionar /s/ à palavra "bola", formando "sola". 
Exemplo: Adicionar /a/ em "luz", formando "luzinha". 
 
ATIVIDADE DE ADIÇÃO DE FONEMAS EM PALAVRAS INVENTADAS 
Objetivo: Trabalhar a criatividade fonêmica ao adicionar fonemas a palavras inventadas. 
Atividade: Diga uma palavra inventada e peça para a criança adicionar um fonema. 
Exemplo: "tibra", "ronfa", "molca". A criança pode adicionar fonemas para criar palavras novas, 
estimulando a percepção auditiva e a flexibilidade fonêmica. 
Exemplo: Adicionar /g/ a "loma", formando "gloma". 
 
ATIVIDADE DE PRODUÇÃO DE PALAVRAS A PARTIR DA ESCUTA DE 
FONEMAS 
Objetivo: Desenvolver a habilidade de ouvir fonemas isolados e combiná-los para formar 
palavras. 
Atividade: Diga um conjunto de fonemas para a criança e peça para ela juntar esses 
fonemas para formar uma palavra. Exemplo: "t", "a", "b", "u" – a criança forma a palavra "tabu". 
Exemplo: "m", "i", "l", "a" – a criança forma a palavra "mila". 
 
ATIVIDADE DE SUBTRAÇÃO DE FONEMAS EM PALAVRAS REAIS 
Objetivo: Estimular a habilidade de remover fonemas de palavras reais, alterando seu 
significado. 
Atividade: Diga uma palavra e peça para a criança remover um fonema. Exemplo: Se a 
palavra é "bola", a criança pode remover o fonema /b/, ficando com "ola". 
Exemplo: Se a palavra é "gato", remover o fonema /g/ e a criança fica com "ato". 
 
ATIVIDADE DE SUBTRAÇÃO DE FONEMAS EM PALAVRAS INVENTADAS 
Objetivo: Trabalhar a subtração fonêmica a partir de palavras inventadas, criando novas 
palavras. 
Atividade: Diga uma palavra inventada e peça para a criança remover um fonema. Se 
você disser "baxo", a criança pode remover o fonema /b/ e ficar com "axo". 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 48 
 
Exemplo: "glato" – remover /g/, ficando com "lato". 
 
ATIVIDADE DE SÍNTESE DE FONEMAS NAS PALAVRAS 
Objetivo: Estimular a habilidade de juntar fonemas individuais para formar palavras 
completas. 
Atividade: Diga os fonemas separadamente e peça para a criança juntar os fonemas para 
formar a palavra. Exemplo: "p", "a", "t", "o" – a criança junta os fonemas para formar a palavra 
"pato". 
Exemplo: "m", "a", "t", "o" – a criança junta os fonemas para formar a palavra "mato". 
 
As atividades de consciência fonêmica são fundamentais no processo de alfabetização, 
pois envolvem o reconhecimento e a manipulação dos fonemas das palavras, facilitando a 
aquisição da leitura e da escrita. Elas ajudam a criança a entender como os sons se combinam para 
formar palavras e como modificar essas palavras através da adição, subtração e síntese de 
fonemas. Trabalhar com essas atividades de forma lúdica e interativa facilita o aprendizado, 
tornando-o mais envolvente e eficaz. 
 
3. CONCLUSÃO 
A alfabetização de crianças com deficiências(PCDs) tem sido um campo de constante 
evolução e inovação, com avanços significativos no que diz respeito à inclusão e às metodologias 
de ensino. Embora os desafios persistam, especialmente em relação à adaptação de materiais, 
formação de educadores e acessibilidade em diversos contextos, os progressos tecnológicos e as 
metodologias pedagógicas têm mostrado um impacto profundo e positivo no processo de 
aprendizagem dessas crianças. 
O uso de tecnologias assistivas, como softwares educativos, aplicativos de leitura e 
escrita, bem como ferramentas interativas, tem proporcionado novas formas de superar barreiras, 
permitindo que crianças com diferentes tipos de deficiências (como surdez, cegueira, autismo, 
dislexia, entre outras) acessem o conteúdo de maneira mais eficiente e personalizada. Esses 
avanços não só facilitam o aprendizado, mas também promovem a autonomia, oferecendo 
recursos que se adaptam às necessidades individuais de cada aluno. 
Em paralelo, as metodologias de letramento e consciência fonológica, como o ensino 
multissensorial, têm se revelado fundamentais para estimular o desenvolvimento da linguagem 
escrita de crianças com PCDs. A combinação de abordagens auditivas, visuais e táteis permite que 
as crianças se envolvam ativamente no processo de aprendizagem, o que resulta em uma 
experiência mais rica e significativa. A segmentação de palavras em sílabas, a identificação de 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 49 
 
fonemas e a produção de palavras são atividades essenciais que ajudam a fortalecer a conexão 
entre sons e letras, promovendo uma base sólida para a alfabetização. 
As ferramentas interativas, que incluem jogos e aplicativos adaptados, têm se mostrado 
extremamente eficazes no engajamento das crianças e no desenvolvimento de suas habilidades 
cognitivas. Elas não só tornam o processo de aprendizagem mais dinâmico e divertido, mas 
também oferecem uma forma de ensino mais inclusiva, que respeita o ritmo e as necessidades de 
cada aluno. Isso facilita a construção do conhecimento de forma progressiva, ao mesmo tempo em 
que estimula a curiosidade e a motivação das crianças para aprender. 
Contudo, apesar dos avanços, ainda existem desafios que precisam ser enfrentados, como 
a falta de infraestrutura em muitas escolas, a escassez de recursos especializados e a necessidade 
de uma formação contínua dos educadores. A inclusão efetiva depende de um esforço conjunto 
entre governo, escolas, famílias e sociedade para garantir que todos os alunos, independentemente 
de suas limitações, tenham acesso ao conhecimento e à igualdade de oportunidades educacionais. 
O cenário é promissor. A crescente conscientização sobre a importância da inclusão, 
aliada à implementação de tecnologias e metodologias inovadoras, aponta para um futuro em que 
as crianças com deficiência terão cada vez mais oportunidades para desenvolver todo o seu 
potencial. A alfabetização de PCDs não é apenas uma questão de ensinar a ler e escrever, mas 
também de criar um ambiente educacional mais inclusivo, respeitoso e capaz de valorizar a 
diversidade. Com os avanços tecnológicos e as metodologias inclusivas, a alfabetização de 
crianças com deficiências caminha para um cenário de inclusão real, onde todos têm o direito de 
aprender e se desenvolver plenamente. 
REFERÊNCIAS 
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BAKER, D. L.; O'ROURKE, S. Braille Literacy and the Importance of Early Exposure. 
Journal of Visual Impairment & Blindness, v. 96, n. 4, p. 235-241, 2002. 
 
BROWDER, D. M.; SPOONER, F. Teaching Students with Severe Disabilities: A Life-Long 
Learning Approach. Pearson, 2006. 
DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica nossa capacidade de 
ler. Tradução de Leonor Scliar-Cabral. Porto Alegre: Penso, 2012. 
FERREIRO, E.; TEBEROSKY, A. A Psicogênese da Língua Escrita. Artmed, 1999. 
 
FERREIRO,Emília; TEBEROSKY,Ana. Psicogênese da Língua Escrita.PortoAlegre:Artes 
Médicas,1986. 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 50 
 
KAUFMAN, M. A.; et al. The Kurzweil 3000: An Assistive Technology for Literacy Support. 
Journal of Special Education Technology, v. 32, n. 2, p. 65-77, 2017. 
 
KERN, R. M.; SISSON, S. Enhancing Literacy for Deaf Children: Strategies for Teaching 
Reading and Writing. Gallaudet University Press, 2004. 
MORAIS, José. Alfabetizar para a democracia. Porto Alegre: Penso, 2014. 
PERFETTI, C. A. Reading Skills and the Brain: Insights from Neuroimaging and Cognitive 
Research. In: Handbook of Neuropsychology. Elsevier, 2007. 
 
PETERSON, R.; et al. The Importance of Sign Language in Deaf Literacy Development. 
American Annals of the Deaf, v. 160, n. 1, p. 17-29, 2015. 
 
PUGH, K. R.; et al. Neuroimaging Studies of Reading and Reading Disabilities: A Developmental 
Perspective. In: Neurobiology of Learning and Memory. Elsevier, 2000. 
SEIDENBERG, Mark S. The science of reading and its educational implications. Language 
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SHAYWITZ, S. E. Overcoming Dyslexia: A New and Complete Science-Based Program for 
Reading Problems at Any Level. Alfred A. Knopf, 2003. 
 
SNOW, C. E. Academic Literacy and the Development of Reading and Writing. Lawrence 
Erlbaum Associates, 2010. 
SOARES, Magda. Alfabetização e letramento: teorias e práticas. Conferência apresentada 
por Magda Becker Soares [s.l., s.n.], 2020. 1 vídeo (2h 26min 15s). Publicado pelo canal da 
Associação Brasileira de Linguística. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=UnkEuHpxJPs . Acesso em: 28/12/2024 
SOARES, Magda. Alfabetização: a questão dos métodos. São Paulo: Contexto, 2016. 
 
 
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=UnkEuHpxJPs
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 51 
 
 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs), PROGRESSOS TECNOLÓGICOS, METODOLOGIAS DE LETRAMENTO, 
CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA, SOFTWARES EDUCATIVOS, APLICATIVOS DE 
LEITURA, ESCRITA E FERRAMENTAS INTERATIVAS. 
 
Simone Helen Drumond Ischkanian 
Gladys Nogueira Cabral 
Bruna Silva Felix 
Tatiana Coelho 
Eunice Soares Teixeira 
Ediana Maria Cacau Oliveira 
Giane Demo 
Wanessa Delgado da Silva Ronque 
Francisca Araújo da Silva 
Sandro Garabed Ischkanian 
 
Unidade de Ensino: __________________________________________ 
Acadêmico (a): _____________________________________________ 
Curso: ____________________________________________________ 
Período: ___________________________________________________ 
Anotações: _________________________________________________ 
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________ 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 52 
 
Como as áreas cerebrais específicas do cérebro são envolvidas no processo de leitura e como 
a neurociência contribui para a compreensão desse processo, especialmente em crianças com 
deficiências? 
 
Quais são os principais desafios enfrentados por crianças com deficiências físicas, sensoriaisou intelectuais no processo de alfabetização e como as abordagens diferenciadas podem 
promover o acesso ao letramento? 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 53 
 
De que maneira a adaptação de materiais, como o uso de braille, linguagem de sinais ou 
fontes ampliadas, contribui para a acessibilidade na alfabetização de crianças com 
deficiências? 
 
Explique como o Método de Portfólios Educacionais SHDI pode ser utilizado como uma 
estratégia facilitadora de aprendizado para crianças com diferentes deficiências. Quais são 
os benefícios dessa metodologia para o desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita? 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 54 
 
Como os quatro estágios da psicogênese da escrita (pré-silábico, silábico, silábico-alfabético e 
alfabético) podem ser aplicados de maneira diferenciada em crianças com deficiências, 
levando em consideração suas necessidades e habilidades cognitivas? 
 
De que maneira a teoria de Magda Soares sobre a importância de métodos de alfabetização 
que respeitam as especificidades das crianças pode ser integrada nas práticas pedagógicas 
para promover a inclusão de alunos com deficiências? 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 55 
 
Quais são os principais desafios enfrentados por professores ao integrar crianças com 
deficiências em turmas regulares e como a formação adequada de educadores pode 
contribuir para o sucesso dessa inclusão? 
 
Em que medida o ensino multissensorial, visual e auditivo pode ser considerado fundamental 
para a adaptação do processo de alfabetização às necessidades de crianças com deficiências 
sensoriais e cognitivas? 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 56 
 
Como a utilização de tecnologias assistivas, como softwares educativos e aplicativos 
interativos, pode facilitar o processo de alfabetização de crianças com diferentes tipos de 
deficiências? Cite exemplos específicos de ferramentas que podem ser eficazes nesse 
contexto. 
 
A consciência fonológica é essencial para o desenvolvimento da leitura e escrita. Como 
atividades como segmentação de palavras em sílabas, identificação de fonemas e rimas 
podem ser adaptadas para crianças com deficiências, promovendo um aprendizado efetivo? 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 57 
 
De que forma a falta de adaptação às necessidades específicas de crianças com deficiências 
pode comprometer seu processo de alfabetização, e como as adaptações pedagógicas, como o 
PEI (Plano Educacional Individualizado), podem ser fundamentais para o sucesso dessa 
aprendizagem? 
 
Explique como as metodologias inclusivas podem ser aplicadas para garantir que crianças 
com deficiências tenham acesso igualitário ao processo de alfabetização. Quais são os 
benefícios dessa abordagem para o desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita? 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 58 
 
Qual é o papel dos educadores na implementação de tecnologias assistivas e metodologias 
inclusivas no processo de alfabetização de crianças com deficiências? Como a capacitação 
contínua desses profissionais pode impactar positivamente o aprendizado dos alunos? 
 
Como as atividades fonológicas, como a identificação de palavras com o mesmo fonema 
inicial ou final, podem ser usadas para promover a consciência fonêmica em crianças com 
deficiências, e como essas atividades podem ser adaptadas para atender às suas 
necessidades? 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 59 
 
Quais são os benefícios do uso de jogos, brinquedos e brincadeiras no desenvolvimento da 
leitura e escrita de crianças com deficiências? Como esses recursos podem ser adaptados 
para facilitar a aprendizagem? 
 
De que maneira a tecnologia assistiva, como leitores de tela e programas de reconhecimento 
de voz, pode auxiliar no processo de alfabetização de crianças com deficiências motoras ou 
cognitivas? Quais são os exemplos de sucesso? 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 60 
 
Explique como a segmentação de palavras e a identificação de sílabas podem ser trabalhadas 
de forma diferenciada em crianças com dificuldades de leitura e escrita devido a 
deficiências. Quais estratégias específicas devem ser adotadas para facilitar esse processo? 
 
Como o uso de aplicativos de leitura e escrita pode beneficiar crianças com deficiências 
auditivas, e quais funcionalidades desses aplicativos são essenciais para promover a inclusão 
educacional? 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 61 
 
Como a adaptação de ambientes escolares, tanto físicos quanto pedagógicos, contribui para a 
inclusão de crianças com deficiências e qual é a importância dessa adaptação no 
desenvolvimento da alfabetização? 
 
Qual a importância da colaboração entre educadores, especialistas em tecnologia e 
familiares no processo de alfabetização de crianças com deficiências? Como essa 
colaboração pode promover uma abordagem integrada e eficaz? 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 62 
 
De que maneira a inclusão de crianças com deficiências nas turmas regulares pode 
beneficiar o aprendizado de todos os alunos? Quais são os principais desafios e benefícios 
dessa prática inclusiva para o desenvolvimento social e educacional das crianças? 
 
Como o uso de métodos de ensino baseados em múltiplos sentidos (auditivo, visual, tátil) 
pode ser vantajoso para crianças com deficiências sensoriais e como esses métodos devem ser 
aplicados de forma prática em sala de aula? 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 63 
 
De que forma a inclusão de atividades de consciência fonológica no currículo pode 
contribuir para o desenvolvimento da leitura e escrita de crianças com deficiências 
cognitivas? Quais atividades específicas podem ser mais eficazes? 
 
Explique como a avaliação do progresso na alfabetização de crianças com deficiências deve 
ser feita de maneira adaptada, levando em consideração as diferentes necessidades e 
capacidades de cada aluno. 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 64 
 
Quais são as implicações das descobertas da neurociência sobre o processo de leitura para a 
alfabetização de crianças com deficiências? Como as descobertas podem ser aplicadas para 
criar um ambiente educacionalfísica, sensorial ou intelectual. 
Crianças com deficiências sejam elas motoras, auditivas, visuais ou cognitivas, 
apresentam desafios específicos na alfabetização. Essas dificuldades exigem intervenções 
educacionais adaptadas, que permitam o acesso ao conteúdo de forma equitativa e eficaz. 
O letramento, um processo que vai além da simples decodificação de palavras, envolve 
também o desenvolvimento da capacidade de compreender e produzir textos. Para garantir que 
crianças com deficiência participem ativamente desse processo, é necessário compreender as 
barreiras que elas enfrentam e como o sistema educacional pode se adaptar para atendê-las de 
forma inclusiva. 
A adaptação de materiais didáticos é um dos primeiros passos para garantir a 
acessibilidade no processo de alfabetização. Para crianças com deficiência visual, o uso do Braille 
é essencial. Para aqueles com deficiência auditiva, a língua de sinais torna-se fundamental, assim 
como o uso de recursos de áudio e subtítulos. Já para crianças com deficiência cognitiva, é 
necessário o uso de materiais simplificados e de fontes ampliadas. O uso de tecnologias assistivas, 
como softwares educacionais e dispositivos de leitura e escrita adaptados, tem se mostrado uma 
estratégia eficaz para facilitar o acesso ao conhecimento. Uma das abordagens inovadoras que têm 
sido utilizadas é o Método de Portfólios Educacionais SHDI, que serve como uma ferramenta 
facilitadora para diversas aprendizagens, oferecendo recursos adaptados e personalizados para as 
necessidades de cada aluno. 
O processo de alfabetização e escrita também é explicado por teorias psicogenéticas, 
como a desenvolvida por Ferreiro e Teberosky. Segundo essas teorias, as crianças passam por 
estágios distintos de desenvolvimento na compreensão da escrita. Os primeiros estágios são 
caracterizados por tentativas de associar sons e grafias de maneira intuitiva, avançando para o 
domínio da escrita alfabética. Esses estágios são fundamentais para a compreensão do processo de 
alfabetização e são ainda mais complexos para crianças com deficiências, que podem apresentar 
trajetórias diferentes dependendo de suas necessidades e habilidades individuais. 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 4 
 
Magda Soares, uma das principais pesquisadoras da área de alfabetização, destaca a 
importância de métodos que respeitem as especificidades de cada criança. Ela enfatiza que a 
alfabetização deve ser um processo inclusivo, que permita que todas as crianças, 
independentemente de suas deficiências, desenvolvam as habilidades de leitura e escrita de 
maneira adequada. É necessário adotar métodos pedagógicos que considerem a diversidade das 
crianças e que promovam a equidade no ensino, utilizando estratégias que atendam tanto às 
dificuldades quanto às potencialidades de cada uma. 
A inclusão escolar é um princípio fundamental para garantir que crianças com 
deficiências tenham acesso ao currículo regular e participem ativamente da vida escolar, no 
entanto, a inclusão não é apenas uma questão de presença na escola, mas de adaptação do 
ambiente educacional para atender às necessidades dos alunos, isso envolve a adaptação do espaço 
físico da escola, a formação contínua de educadores para lidar com a diversidade, e a 
implementação de metodologias inclusivas que garantam o aprendizado de todos os alunos. O 
apoio de uma equipe pedagógica interdisciplinar é fundamental para criar um ambiente de 
aprendizagem eficaz e acolhedor para as crianças com deficiência. 
No contexto da alfabetização de crianças com deficiência, as metodologias de ensino 
devem ser adaptadas para atender às suas necessidades específicas, o ensino multissensorial, que 
combina estímulos visuais, auditivos e táteis, é uma abordagem eficaz para crianças com 
deficiências sensoriais. 
A utilização de recursos visuais, como imagens, vídeos e gráficos, junto com atividades 
auditivas e táteis, facilita a compreensão e a aprendizagem de conceitos fundamentais de leitura e 
escrita. Além disso, o uso de tecnologias assistivas, como softwares educativos, aplicativos de 
leitura e escrita, e ferramentas interativas, pode ser uma estratégia eficaz para garantir que as 
crianças com deficiências se envolvam no processo de alfabetização de forma ativa e participativa. 
A consciência fonológica é uma habilidade fundamental para o desenvolvimento da 
leitura e escrita, e sua importância se torna ainda mais evidente quando se considera a educação de 
crianças com deficiência. A falta de adaptação das atividades de ensino à especificidade da 
deficiência pode prejudicar o desenvolvimento dessa habilidade. Para crianças com deficiência 
auditiva, é necessário um enfoque diferenciado, que leve em conta a percepção do som e a 
adaptação de atividades fonológicas. A implementação do Plano Educacional Individualizado 
(PEI) é uma das estratégias que pode garantir que as necessidades de cada criança sejam atendidas 
de maneira adequada e eficaz. 
O avanço da tecnologia tem proporcionado novos horizontes para a alfabetização de 
crianças com deficiência. Softwares educativos e aplicativos de leitura e escrita têm se mostrado 
eficazes para crianças com deficiências de diferentes origens, como dislexia, deficiência auditiva 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 5 
 
ou visual, e deficiência cognitiva. Programas de leitura que utilizam reconhecimento de voz e 
leitura em áudio, por exemplo, são extremamente úteis para crianças com deficiência auditiva ou 
com dificuldades de leitura. Esses avanços tecnológicos, além de facilitarem o aprendizado, 
também tornam o processo de alfabetização mais motivador e envolvente para as crianças, que 
podem interagir de maneira mais autônoma e divertida com os conteúdos educacionais. 
A capacitação de educadores no uso dessas tecnologias assistivas e metodologias 
inclusivas são essenciais para garantir que as crianças com deficiência possam usufruir de um 
ensino de qualidade. 
Os professores devem estar preparados para utilizar essas ferramentas de forma eficaz, 
compreendendo as necessidades dos alunos e adaptando suas práticas pedagógicas para promover 
a aprendizagem. O uso de recursos como programas de formação contínua para professores, além 
de workshops e cursos especializados, são fundamentais para garantir que os educadores estejam 
capacitados para atender à diversidade das necessidades educacionais. 
O desenvolvimento da consciência fonológica nas crianças é um processo gradual, que 
deve ser acompanhado por atividades específicas e adaptadas. Algumas atividades que podem ser 
realizadas para promover esse desenvolvimento incluem a segmentação oral de palavras em 
sílabas, a contagem de sílabas, a identificação de fonemas e a produção de palavras que rimam. 
Essas atividades, quando realizadas de maneira lúdica e adaptada, ajudam as crianças a 
compreender a relação entre os sons e as letras, uma habilidade essencial para a leitura e escrita. 
O uso de jogos e brincadeiras fonológicas pode ser uma forma divertida de incentivar o 
desenvolvimento dessa habilidade, estimulando a criança a se envolver ativamente no processo de 
aprendizagem. 
A consciência fonêmica é uma habilidade importante para a alfabetização, atividades que 
envolvem a identificação de fonemas, a adição e subtração de fonemas em palavras, e a produção 
de palavras a partir de fonemas específicos, são fundamentais para o desenvolvimento da leitura e 
escrita. Essas atividades devem ser realizadas de forma diferenciada para crianças com 
deficiências, levando em consideração suas necessidades e ritmos de aprendizagem. 
As tecnologias assistivasmais inclusivo? 
 
Como as metodologias de ensino, como a abordagem fonêmica e fonológica, podem ser 
aplicadas a crianças com dislexia, e como elas podem ser ajustadas para atender às suas 
necessidades específicas no processo de alfabetização? 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 65 
 
Em relação ao processo de alfabetização de crianças com deficiências intelectuais, quais são 
as principais adaptações pedagógicas necessárias para garantir que o aprendizado seja 
acessível e significativo? 
 
De que forma os educadores podem utilizar a diferenciação pedagógica para atender às 
necessidades individuais de crianças com deficiências no processo de alfabetização, 
respeitando seus diferentes estilos de aprendizagem? 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 66 
 
Como as adaptações de materiais e metodologias podem ser incorporadas na formação 
inicial e continuada de professores para garantir que eles estejam preparados para ensinar 
crianças com deficiências? 
 
Considerando os avanços tecnológicos no campo da alfabetização, quais são os principais 
desafios que ainda precisam ser superados para garantir que todas as crianças, 
independentemente de suas deficiências, tenham acesso a uma educação de qualidade? 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 67 
 
Simone Helen Drumond Ischkanian: "A alfabetização de crianças com deficiências deve ser um 
processo contextualizado, que leve em consideração as necessidades específicas de cada aluno." 
Questão: Como Simone Helen Drumond Ischkanian argumenta que a personalização do processo 
de alfabetização pode beneficiar crianças com deficiências? Quais métodos podem ser adotados 
para garantir a inclusão dessas crianças no ensino de leitura e escrita? 
 
Gladys Nogueira Cabral: "A prática de ensino deve ser permeada por práticas inclusivas que 
respeitem as especificidades do aluno, considerando suas limitações e potencialidades." 
Questão: Como Gladys Nogueira Cabral defende a inclusão das crianças com deficiências na 
escola regular e como essas práticas devem ser integradas ao processo de alfabetização? Explique 
as metodologias mais eficazes para esse processo. 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 68 
 
Bruna Silva Felix: "As tecnologias assistivas desempenham um papel fundamental no processo 
de alfabetização, oferecendo recursos que potencializam o aprendizado de crianças com 
deficiências." 
Questão: Quais são os avanços tecnológicos mencionados por Bruna Silva Felix que têm 
contribuído para a alfabetização de crianças com deficiências? Como essas tecnologias auxiliam 
no desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita? 
 
Tatiana Coelho: "A adaptação dos materiais didáticos para o uso de tecnologias assistivas e o uso 
de metodologias específicas são passos essenciais para garantir que todas as crianças tenham 
acesso ao letramento." 
Questão: Com base na perspectiva de Tatiana Coelho, como a adaptação de materiais didáticos e 
o uso de tecnologia assistiva ajudam na alfabetização de crianças com deficiências? Dê exemplos 
de como essas ferramentas são aplicadas. 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 69 
 
Eunice Soares Teixeira: "A consciência fonológica é a chave para o sucesso da alfabetização, 
especialmente em crianças com deficiências, que necessitam de uma abordagem mais intensiva e 
direcionada." 
Questão: Explique como Eunice Soares Teixeira defende a importância da consciência fonológica 
no processo de alfabetização. Quais atividades podem ser adaptadas para promover essa 
habilidade em crianças com deficiências? 
 
Ediana Maria Cacau Oliveira: "Para que crianças com deficiências cognitivas superem as 
barreiras da alfabetização, é necessário incorporar métodos de ensino multissensoriais que 
atendam às diversas formas de aprendizagem." 
Questão: De acordo com Ediana Maria Cacau Oliveira, como os métodos de ensino 
multissensoriais podem ser aplicados para auxiliar na alfabetização de crianças com deficiências 
cognitivas? Dê exemplos de atividades que utilizam diferentes sentidos no processo de ensino. 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 70 
 
Giane Demo: "O processo de alfabetização inclusiva exige uma reestruturação constante do 
ambiente escolar, com adaptações que favoreçam a acessibilidade e o desenvolvimento pleno dos 
alunos com deficiências." 
Questão: Qual é a visão de Giane Demo sobre a reestruturação do ambiente escolar para a 
inclusão de crianças com deficiências no processo de alfabetização? Quais são os principais 
desafios enfrentados pelos educadores? 
 
Wanessa Delgado da Silva Ronque: "A inclusão de tecnologias educacionais é essencial para 
promover a igualdade de oportunidades no aprendizado, especialmente para crianças com 
deficiências." 
Questão: Como Wanessa Delgado da Silva Ronque aborda o papel das tecnologias educacionais 
na alfabetização de crianças com deficiências? Como os softwares e aplicativos educativos podem 
ser adaptados para esse público? 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 71 
 
Francisca Araújo da Silva: "É fundamental que a alfabetização de crianças com deficiências seja 
conduzida por educadores capacitados que saibam utilizar metodologias diferenciadas e recursos 
pedagógicos acessíveis." 
Questão: De acordo com Francisca Araújo da Silva, qual é a importância da capacitação de 
educadores para lidar com a diversidade de necessidades no processo de alfabetização? Como isso 
impacta a aprendizagem das crianças com deficiências? 
 
Sandro Garabed Ischkanian: "As crianças com deficiências não devem ser vistas como 
aprendizes incapazes, mas como indivíduos com potencial de aprender, desde que recebam o 
suporte adequado e metodologias adaptadas." 
Questão: Explique como Sandro Garabed Ischkanian defende a capacidade de aprendizagem das 
crianças com deficiências e como as metodologias adaptadas podem garantir seu sucesso no 
processo de alfabetização. Quais práticas pedagógicas podem ser mais eficazes nesse contexto?podem ser particularmente úteis nesse processo, pois permitem 
que as crianças interajam com as palavras e os fonemas de uma forma mais visual e auditiva. 
Em relação ao letramento, as crianças com deficiências aprendem de maneiras variadas, 
dependendo das suas características e necessidades. As metodologias de ensino devem ser 
adaptadas para levar em consideração esses aspectos, utilizando recursos como a tecnologia, o 
ensino multissensorial e as práticas pedagógicas inclusivas. 
A educação deve ser um espaço de equidade, onde cada criança, independentemente das 
suas limitações, possa desenvolver as habilidades necessárias para a leitura e a escrita. As práticas 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 6 
 
pedagógicas inclusivas devem ser capazes de garantir que todos os alunos, incluindo os com 
deficiência, possam participar ativamente do processo de alfabetização. Ao longo deste artigo, 
buscamos explorar cada uma dessas questões, oferecendo uma análise detalhada dos desafios 
enfrentados pelas crianças com deficiência no processo de alfabetização, das metodologias 
adaptadas que podem ser utilizadas, e dos avanços tecnológicos que têm contribuído para 
melhorar a acessibilidade ao aprendizado. 
A proposta dos autores é apresentar um panorama coeso sobre como as diferentes 
abordagens educacionais e recursos tecnológicos podem facilitar o acesso de todas as crianças à 
alfabetização, respeitando suas necessidades e garantindo sua inclusão no ambiente escolar. 
 
2. DESENVOLVIMENTO 
A educação, em sua essência, deve ser um espaço de equidade, no qual todas as crianças, 
independentemente de suas limitações, tenham as mesmas oportunidades de desenvolver suas 
habilidades de leitura e escrita. 
A equidade educacional não se refere apenas à igualdade de recursos ou métodos, mas ao 
reconhecimento das diferenças individuais e à adaptação das práticas pedagógicas para atender a 
essas necessidades, isso implica em garantir que crianças com deficiência, seja auditiva, visual, 
motora ou cognitiva, possam participar ativamente de todas as fases do processo de alfabetização, 
sem que suas condições de aprendizagem se tornem um obstáculo para o seu desenvolvimento. 
Quando a educação é baseada na equidade, ela não apenas acolhe a diversidade, mas também 
oferece as ferramentas necessárias para que cada aluno supere suas dificuldades e alcance seu 
potencial máximo. 
Para que a educação se torne um espaço verdadeiramente equitativo, é necessário que as 
práticas pedagógicas sejam inclusivas. 
A inclusão escolar não deve ser vista apenas como a inserção física de alunos com 
deficiência em turmas regulares, mas como uma transformação profunda nas abordagens 
pedagógicas. 
As metodologias inclusivas buscam personalizar o ensino, adaptando-o para atender as 
especificidades de cada criança, com foco em garantir que todas elas, independentemente das suas 
dificuldades, possam aprender de maneira significativa. Isso exige dos educadores uma abordagem 
flexível, sensível e criativa, capaz de respeitar as diferentes formas de aprender e promover a 
participação ativa de todos os alunos nas atividades escolares. 
A leitura e a escrita são habilidades fundamentais para o desenvolvimento cognitivo, 
social e emocional das crianças. Quando essas habilidades não são adequadamente trabalhadas, 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 7 
 
seja por falta de adaptação dos métodos ou por não serem oferecidas oportunidades de 
aprendizado inclusivo, as crianças com deficiência ficam em desvantagem. 
A falta de acesso ao processo de alfabetização pode levar a uma exclusão não apenas 
acadêmica, mas também social, dificultando o desenvolvimento da autoestima, da confiança e da 
integração plena ao ambiente escolar. Por isso, garantir que as crianças com deficiência possam 
desenvolver suas habilidades de leitura e escrita é essencial para sua inclusão social e para o seu 
futuro, tanto na escola quanto na vida adulta. 
As práticas pedagógicas inclusivas vão além da simples adaptação de conteúdo ou de 
material didático; elas devem incluir uma reestruturação do ambiente escolar, de modo a tornar a 
escola um espaço acessível para todos. Isso envolve adaptações físicas, como a eliminação de 
barreiras arquitetônicas, bem como a introdução de recursos tecnológicos, como softwares de 
leitura e escrita adaptados. 
O uso de recursos pedagógicos multissensoriais, que envolvem mais de um sentido para 
facilitar o aprendizado, é uma estratégia poderosa para promover a alfabetização de crianças com 
diferentes tipos de deficiência. Crianças surdas, por exemplo, podem aprender a ler e escrever de 
forma eficaz por meio da combinação de leitura visual e sinais, enquanto crianças cegas podem 
utilizar o Braille ou tecnologias de leitura em áudio. 
A inclusão também exige uma formação contínua e especializada para os educadores, que 
precisam estar capacitados para lidar com a diversidade na sala de aula. Não basta apenas incluir 
alunos com deficiência nas turmas regulares; é necessário que os professores compreendam a 
diversidade das necessidades educacionais desses alunos e saibam como implementar 
metodologias adequadas. 
A formação de professores deve ir além das técnicas tradicionais de ensino, incorporando 
práticas de educação inclusiva, como o uso de tecnologia assistiva, o trabalho com recursos 
visuais, auditivos e táteis, e a personalização do currículo para atender a diferentes ritmos e estilos 
de aprendizagem. Quando os educadores estão bem preparados, eles se tornam agentes de 
transformação, capazes de proporcionar um ambiente de aprendizado onde todas as crianças se 
sintam valorizadas e tenham a chance de se desenvolver plenamente. 
A adaptação do currículo para garantir que crianças com deficiência possam participar do 
processo de alfabetização é uma parte fundamental da educação inclusiva. 
O currículo tradicional nem sempre é acessível a essas crianças, por isso, ele precisa ser 
modificado para incluir diferentes formas de aprendizagem. Isso pode envolver, por exemplo, a 
utilização de materiais didáticos alternativos, como livros em Braille, vídeos com legendas e 
audiobooks. Além disso, é necessário flexibilizar os métodos de avaliação, para que todos os 
alunos, independentemente das suas dificuldades, possam demonstrar seu conhecimento e 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 8 
 
habilidades de maneira justa e adequada. Ao adaptar o currículo, os educadores criam um espaço 
no qual cada criança tem a oportunidade de aprender de acordo com suas potencialidades, ao 
mesmo tempo em que recebe o apoio necessário para superar suas limitações. 
A importância da equidade no ensino também se reflete na forma como as escolas lidam 
com a diferença. Promover uma cultura escolar inclusiva significa valorizar a diversidade e 
garantir que todos os alunos se sintam acolhidos e respeitados, independentemente de suas 
habilidades ou deficiências. Isso envolve desde a interação diária entre alunos e professores até a 
promoção de atividades e projetos que incentivem a colaboração e o respeito mútuo. 
O trabalho em grupo, por exemplo, pode ser uma estratégia eficaz para integrar alunos 
com deficiência, permitindo que eles interajam com colegas e participem ativamente de projetos 
coletivos, essa interação contribui para o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais, 
além de reforçar a ideia de que todos têm algo valioso a oferecer, independentemente de suas 
limitações.As tecnologias assistivas desempenham um papel crucial no processo de inclusão escolar. 
Ferramentas como leitores de tela, softwares de adaptação para leitura e escrita, e dispositivos de 
comunicação alternativa são fundamentais para garantir que as crianças com deficiência tenham 
acesso à informação de forma independente e eficaz. Essas tecnologias permitem que as crianças 
participem de atividades de leitura e escrita de maneira mais autônoma, o que aumenta sua 
confiança e motivação para aprender. Essas ferramentas contribuem para a personalização do 
aprendizado, adaptando-se às necessidades de cada aluno e oferecendo novas possibilidades para o 
processo de alfabetização. Quando usadas de maneira adequada, as tecnologias assistivas podem 
transformar o ambiente escolar em um espaço mais inclusivo e acessível. 
Um aspecto fundamental da educação inclusiva é a promoção do empoderamento dos 
alunos com deficiência. Isso significa criar oportunidades para que essas crianças desenvolvam 
não apenas suas habilidades cognitivas, mas também suas competências sociais e emocionais. 
Quando as práticas pedagógicas são inclusivas, as crianças com deficiência não se veem como 
"diferentes" ou incapazes, mas como alunos plenos que possuem potencial para aprender e 
contribuir para o ambiente escolar. 
O empoderamento se dá através da valorização de suas conquistas, da promoção de 
atividades que estimulem a autonomia e da construção de uma autoestima positiva. Esse processo 
de fortalecimento pessoal é essencial para o sucesso acadêmico e para a integração plena dessas 
crianças na sociedade. 
Ao garantir que todos os alunos, incluindo os com deficiência, possam participar 
ativamente do processo de alfabetização, a escola não apenas promove a inclusão no ambiente 
educacional, mas também prepara as crianças para uma vida mais independente e autônoma. 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 9 
 
A alfabetização é uma das bases do desenvolvimento humano, e seu aprendizado eficaz é 
crucial para o acesso ao conhecimento, à cultura e à cidadania. Quando a educação é inclusiva, as 
crianças com deficiência têm a oportunidade de desenvolver suas habilidades de leitura e escrita, 
conquistando a autonomia e a independência necessárias para enfrentar os desafios da vida 
cotidiana e alcançar seus objetivos. Dessa forma, a educação inclusiva não só beneficia o aluno 
com deficiência, mas também enriquece o ambiente escolar como um todo, criando uma sociedade 
mais justa e equitativa. 
2.1 A NEUROCIÊNCIA DA LEITURA: COMO O CÉREBRO PROCESSA A 
HABILIDADE DE LER? 
A leitura é uma habilidade complexa que envolve diversas áreas do cérebro, cada uma 
desempenhando um papel crucial no processamento de símbolos gráficos e na compreensão do 
texto. A neurociência cognitiva tem demonstrado que o desenvolvimento da leitura depende da 
ativação e integração de várias regiões cerebrais, tais como o córtex visual, o giro angular e o 
córtex temporal (Perfetti, 2007). Para crianças com deficiências sensoriais ou cognitivas, a 
aprendizagem da leitura exige práticas pedagógicas adaptadas. Estudos sobre a neurociência da 
leitura podem informar a aplicação de métodos de ensino inclusivos, ajudando as crianças com 
deficiências a superar barreiras na alfabetização. A 
 importância de adaptar o ensino de leitura para crianças com necessidades especiais 
torna-se ainda mais evidente à medida que avançamos na compreensão de como o cérebro 
processa a habilidade de ler. 
A leitura envolve a ativação de circuitos cerebrais especializados em processar a 
linguagem escrita. O cérebro utiliza o córtex visual para identificar letras e palavras, o giro angular 
para associar símbolos a sons, e o córtex temporal para interpretar o significado das palavras 
(Pugh et al., 2000). Quando o cérebro é exposto a letras e sons em um contexto linguístico, ele 
começa a formar representações mentais e a integrá-las aos significados armazenados na memória 
de longo prazo. A eficiência dessa integração é crucial para a fluência da leitura (Shaywitz, 2003). 
Para crianças com deficiências, esses processos podem ser alterados ou mais lentos, exigindo a 
adaptação das abordagens de ensino e o uso de recursos auxiliares para promover o 
desenvolvimento das habilidades de leitura. 
A capacidade de ler depende intimamente da capacidade de processar a linguagem, tanto 
oral quanto escrita. Estudos demonstram que a exposição precoce a um vocabulário rico e variado 
aumenta a capacidade do cérebro de formar conexões entre palavras e significados (Snow, 2010). 
Para crianças com deficiência auditiva, que não têm acesso direto aos sons da fala, a dificuldade 
em associar sons às letras pode interferir significativamente no processo de leitura. Nesse caso, a 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 10 
 
integração da Língua de Sinais com o ensino da leitura escrita pode ser uma solução eficaz (Paul, 
2009). 
Crianças surdas enfrentam um desafio adicional, pois a leitura escrita está diretamente 
relacionada à capacidade de entender os sons da fala. A língua de sinais, no entanto, oferece uma 
forma eficaz de comunicação visual que deve ser integrada ao ensino da leitura escrita. Pesquisas 
indicam que o uso simultâneo da Língua de Sinais e da leitura escrita pode promover uma maior 
compreensão dos textos escritos, possibilitando o desenvolvimento simultâneo das habilidades 
linguísticas e de leitura (Kern & Sisson, 2004). Tecnologias assistivas, como aparelhos auditivos e 
implantes cocleares, também podem ser ferramentas importantes para auxiliar as crianças surdas 
no processo de aprendizagem da leitura. 
Para as crianças cegas, a leitura não pode ser feita por meio da visão, e, portanto, é 
necessário o uso do sistema Braille. O Braille é um sistema tátil de leitura e escrita baseado em 
pontos elevados que as crianças sentem com os dedos. Estudos indicam que o uso de Braille 
proporciona uma base sólida para o desenvolvimento da alfabetização em crianças cegas, 
permitindo que elas se tornem leitoras e escritoras proficientes (Baker & O'Rourke, 2002). 
Recursos como leitores de tela, audiobooks e softwares de leitura têm se mostrado eficazes para 
dar acesso à literatura de forma auditiva e facilitar a compreensão dos textos. 
O Método de Portfólios Educacionais SHDI (Silábico, Silábico-Alfabético, Alfabético e 
Diferenciado) é uma abordagem pedagógica eficaz para crianças com deficiência, permitindo que 
cada aluno se desenvolva de acordo com suas necessidades e progressos individuais. O método 
oferece uma estrutura sequencial de aprendizagem, no qual as crianças passam por diferentes 
estágios de desenvolvimento da escrita, começando com a compreensão das sílabas e evoluindo 
para a escrita alfabética completa (Ferreiro & Teberosky, 1999). Além disso, esse método pode ser 
adaptado para incluir a utilização de recursos específicos para crianças com deficiência, como 
materiais em Braille ou uso de tecnologias assistivas. 
A consciência fonológica, ou a capacidade de identificar e manipular os sons da fala, é 
um componente essencial para a leitura. A pesquisa de Adams (1990) mostra que a consciência 
fonológica ajuda as crianças a conectar sons às letras e a entender a estrutura das palavras. Para 
crianças surdas, essa habilidade pode ser estimulada por meio da associação de sinais e escrita, 
enquanto para crianças cegas, o foco pode ser na segmentação de palavras e fonemas usando o tato 
e o áudio. 
Quando se trabalha com crianças com deficiências auditivas, é importante usar materiais 
e métodos que integrem os sentidos visual, tátil e auditivo para o desenvolvimentoda consciência 
fonológica. Atividades como a segmentação de palavras, o reconhecimento de rimas e o uso de 
jogos fonológicos podem ser adaptadas para crianças surdas por meio do uso de Língua de Sinais 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 11 
 
e recursos visuais (Peterson et al., 2015). Para crianças cegas, o foco na percepção tátil das 
palavras e nos sons das letras pode ser uma forma eficaz de desenvolver essa habilidade. 
Crianças com deficiências cognitivas podem ter dificuldades em acompanhar os 
processos de leitura convencionais. É importante que os materiais sejam simplificados e adaptados 
ao nível cognitivo da criança, isso inclui a utilização de histórias curtas, com linguagem simples, 
imagens e símbolos que ajudem a contextualizar o texto. A repetição e o uso de recursos visuais 
também são fundamentais para facilitar o aprendizado dessas crianças (Browder & Spooner, 
2006). 
O uso de tecnologias assistivas tem desempenhado um papel fundamental no apoio ao 
processo de alfabetização de crianças com deficiências. Softwares de leitura, leitores de tela e 
aplicativos educativos são ferramentas essenciais para garantir que as crianças com deficiência 
visual ou auditiva possam acessar conteúdos escritos. Por exemplo, o software Kurzweil 3000 é 
amplamente utilizado para fornecer leitura de textos em áudio, o que é crucial para crianças com 
dislexia e dificuldades de leitura (Kaufman et al., 2017). 
Tabela 1: Exemplos de adaptação para leitura 
TIPO DE 
DEFICIÊNCIA 
ADAPTAÇÃO DE LEITURA EXEMPLOS PRÁTICOS 
 
Deficiência 
Auditiva 
Uso de Língua de Sinais, leitura labial, 
leitura visual 
Livros bilíngues (Língua de 
Sinais e Português), vídeos 
educativos com legendas 
Deficiência 
Visual 
Uso de Braille, leitores de tela, 
audiobooks 
Livros em Braille, aplicativos 
de leitura em áudio 
Deficiência 
Cognitiva 
Linguagem simples, recursos visuais e 
jogos 
Livros com imagens, histórias 
curtas, jogos de associação 
Deficiência 
Múltipla 
Uso de metodologias combinadas, 
recursos multissensoriais 
Atividades que envolvem tato, 
som e visão para explorar o 
conteúdo 
Fonte: ISCHKANIAN, Simone Helen Drumond; CABRAL, Gladys Nogueira; FELIX, 
Bruna Silva; COELHO, Tatiana; TEIXEIRA, Eunice Soares; OLIVEIRA, Ediana Maria 
Cacau; DEMO, Giane; RONQUE, Wanessa Delgado da Silva; SILVA, Francisca Araújo da; 
ISCHKANIAN, Sandro Garabed, (2024). 
 
O desenvolvimento da leitura e escrita para crianças com deficiência depende de um 
conjunto de adaptações pedagógicas, recursos e tecnologias assistivas que atendam às 
necessidades específicas de cada aluno. 
A neurociência da leitura oferece uma compreensão profunda sobre como o cérebro 
processa a linguagem escrita e como esse processamento pode ser otimizado para crianças com 
diferentes tipos de deficiência, ao aplicar essas descobertas, podemos garantir que todas as 
crianças, independentemente de suas limitações, tenham a oportunidade de se tornarem leitores 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 12 
 
proficientes. A inclusão escolar é um passo essencial para o fortalecimento das habilidades de 
leitura de todos os alunos, proporcionando um ambiente de aprendizado acessível e equitativo para 
todos. 
2.2 DESAFIOS NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM 
DEFICIÊNCIA 
O processo de alfabetização de crianças com deficiência envolve uma série de desafios 
que exigem compreensão, adaptação e práticas pedagógicas diferenciadas. Crianças com 
deficiências físicas, sensoriais ou intelectuais enfrentam obstáculos específicos que tornam o 
desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita um processo único e complexo. De acordo 
com Stanislas Dehaene (2012), a leitura é uma habilidade cerebral especializada, que depende da 
interação de diversas áreas cerebrais. Ele afirma que o cérebro humano é capaz de desenvolver um 
sistema de leitura, adaptando-se a diferentes modos de representação de símbolos, como letras e 
palavras. No entanto, para crianças com deficiências, as adaptações e intervenções pedagógicas se 
tornam essenciais para promover o acesso igualitário ao processo de letramento. 
No caso de crianças com deficiência auditiva, por exemplo, a habilidade de ouvir e 
identificar sons é crucial para o desenvolvimento da consciência fonológica, uma habilidade 
essencial para a leitura e escrita. 
A deficiência auditiva pode comprometer o desenvolvimento dessa habilidade, o que 
exige abordagens alternativas, como o uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras) ou o 
treinamento intensivo da consciência visual e tátil. Já crianças com deficiências visuais, como a 
cegueira, precisam de adaptações no material didático, como o uso do braille ou recursos 
tecnológicos que promovem o acesso à leitura digital. No caso das deficiências intelectuais, o 
ritmo de aprendizagem pode ser mais lento, necessitando de mais tempo e estratégias pedagógicas 
personalizadas. 
Dehaene (2012) destaca que o processo de aprendizagem da leitura depende de fatores 
como a habilidade de perceber e manipular sons da fala, reconhecer padrões visuais, e associar 
esses padrões ao significado. Para crianças com deficiências, essas habilidades podem não se 
desenvolver naturalmente e, portanto, demandam intervenções específicas. 
A motivação e o ambiente escolar devem ser adaptados para garantir a participação ativa 
das crianças no processo de alfabetização. O uso de tecnologias assistivas, jogos pedagógicos e o 
ensino multissensorial são algumas das estratégias mais eficazes para contornar os obstáculos no 
aprendizado de crianças com deficiência. 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 13 
 
O desafio maior no processo de alfabetização de crianças com deficiência não é a falta de 
capacidade de aprender, mas a ausência de métodos pedagógicos adequados que considerem as 
especificidades de cada deficiência. 
A inclusão educacional, quando bem estruturada, é a chave para garantir que todas as 
crianças, independentemente de suas limitações, possam desenvolver as habilidades necessárias 
para a alfabetização. 
O trabalho colaborativo entre profissionais da educação, familiares e especialistas é 
crucial para garantir o sucesso de cada criança nesse processo. 
Tabela 2: Como sanar os desafios na inclusão para promover a leitura 
Desafio Estratégia Exemplo de Adaptação 
Deficiência Auditiva Uso de Língua Brasileira de 
Sinais (Libras) ou linguagem 
visual. 
Ensinar as crianças surdas a associar 
sinais em Libras aos símbolos 
escritos. 
Deficiência Visual 
(Cegueira) 
Uso de Braille e livros em 
formatos acessíveis (digitais, 
falados). 
Implementar materiais didáticos em 
Braille ou livros digitais com 
audiodescrição. 
Deficiência 
Intelectual 
Adaptação do conteúdo de 
acordo com o ritmo de 
aprendizagem da criança. 
Dividir o conteúdo em partes 
menores e usar recursos visuais e 
táteis para melhor compreensão. 
Dificuldades na 
Consciência 
Fonológica 
Aplicação de métodos 
multissensoriais (visual, tátil e 
auditivo). 
Usar jogos e atividades interativas 
para o reconhecimento de sons e 
letras. 
Falta de Motivação Criar um ambiente inclusivo e 
participativo, com material 
didático lúdico. 
Utilizar jogos educativos, vídeos e 
histórias para engajar as crianças no 
processo de alfabetização. 
Ritmo de 
Aprendizagem 
Diferente 
Ensino individualizado e 
adaptado, com acompanhamento 
constante. 
Oferecer tutoria personalizada, 
adaptando o tempo de aprendizagem 
e usandoreforços positivos. 
Falta de Tecnologias 
Assistivas 
Integrar softwares educativos e 
ferramentas digitais adaptadas. 
Uso de softwares como o JAWS 
(para leitura de tela) e outras 
ferramentas de acessibilidade. 
Fonte: ISCHKANIAN, Simone Helen Drumond; CABRAL, Gladys Nogueira; FELIX, 
Bruna Silva; COELHO, Tatiana; TEIXEIRA, Eunice Soares; OLIVEIRA, Ediana Maria 
Cacau; DEMO, Giane; RONQUE, Wanessa Delgado da Silva; SILVA, Francisca Araújo da; 
ISCHKANIAN, Sandro Garabed, (2024). 
 
A tabela apresentada fornece uma visão geral das estratégias adaptativas para garantir a 
alfabetização de crianças com diferentes deficiências, abordando as necessidades específicas de 
cada tipo de deficiência e propondo formas de superá-las com o uso de materiais e tecnologias 
adequadas, além de considerar a participação dos pais no processo de ensino. 
 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 14 
 
 
2.2.1 AS CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA 
Enfrentam o desafio de perceber e processar os sons da fala, o que é fundamental para o 
desenvolvimento da consciência fonológica e da leitura. 
A Libras (Língua Brasileira de Sinais) pode ser uma ferramenta essencial para garantir a 
comunicação e a aprendizagem dessas crianças. Criar livros ilustrados com explicações em Libras, 
para que as crianças possam associar as palavras escritas com os sinais correspondentes. Produzir 
cartões com palavras e imagens, ajudando a criança a associar o conteúdo escrito ao seu 
significado visual. Ferramentas como o Hand Talk (um tradutor virtual para Libras) podem ser 
usadas para transformar texto escrito em sinais, facilitando a compreensão de conteúdos. Usar 
vídeos que mostrem professores ou intérpretes de Libras explicando os conceitos de leitura e 
escrita. Os pais podem utilizar aplicativos de Libras e criar momentos em casa para praticar os 
sinais com as crianças, criando uma rotina de leitura e escrita utilizando os sinais correspondentes. 
 
2.2.2 PARA CRIANÇAS CEGAS OU COM DEFICIÊNCIA VISUAL 
O principal desafio é o acesso ao conteúdo textual. O uso do sistema Braille, bem como 
materiais audiovisuais acessíveis, são essenciais para promover a alfabetização. Elaborar livros e 
cartilhas em Braille, que permitam que as crianças ―leiam‖ com o tato, sentindo as palavras. Criar 
materiais em áudio, como livros digitais narrados, que possam ser ouvidos enquanto a criança 
acompanha a leitura. Desenvolver materiais que combinem diferentes texturas para representar 
palavras ou conceitos (ex: usar uma textura áspera para representar "rocha" ou uma macia para 
representar "flor"). Programas como JAWS ou NVDA podem ser usados para ler textos em voz 
alta, permitindo que a criança tenha acesso ao conteúdo digital. 
O uso de dispositivos que convertem texto em Braille é fundamental para que a criança 
tenha acesso a livros, cadernos e materiais pedagógicos. 
Os pais podem utilizar livros de história em áudio ou Braille, criando sessões de leitura 
com a criança. Além disso, incentivando atividades táteis (como jogos de encaixar ou identificar 
objetos por textura), eles podem ajudar a criança a expandir sua compreensão de conceitos. 
 
2.2.3 AS CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL 
Podem ter dificuldades em compreender conceitos abstratos de leitura e escrita. O desafio 
aqui é adaptar o ritmo de aprendizagem, utilizando materiais concretos e atividades que atendam 
ao seu estágio de desenvolvimento cognitivo. Utilizar cartazes com imagens grandes e claras que 
representem palavras comuns do dia a dia, como "cachorro", "bola", "mãe", etc. Criar livros de 
histórias curtas e claras, com frases simples e acompanhadas de imagens, para ajudar a criança a 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 15 
 
fazer conexões entre palavras e objetos. Aplicativos como o Todo Math ou GCompris oferecem 
jogos interativos para crianças com dificuldades cognitivas, que ajudam no reconhecimento de 
palavras, números e formas. 
Usar vídeos curtos e educativos que envolvem a criança em histórias e situações, 
explicando de forma simples e lúdica o significado das palavras e suas estruturas. Em casa, os pais 
podem usar materiais visuais, como cartões com imagens e palavras, para praticar a leitura de 
maneira cotidiana. Jogar jogos simples de correspondência de palavras e imagens é uma forma 
eficaz de ensinar a leitura. 
2.2.4 A CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA QUE ENVOLVE A CAPACIDADE DE 
PERCEBER E MANIPULAR SONS DA FALA É UMA HABILIDADE ESSENCIAL PARA 
O DESENVOLVIMENTO DA LEITURA. 
Crianças com dificuldades nesta área podem enfrentar obstáculos para decodificar 
palavras, o que exige intervenções adequadas. Criar cartões com sílabas e fonemas, para que as 
crianças possam associar os sons às letras correspondentes. Atividades como jogos de rimas e 
quebra-cabeças com palavras ajudam a trabalhar a percepção dos sons. Programas como o Sound 
Literacy podem ajudar crianças a praticar a segmentação fonêmica e a manipulação de sons. 
Aplicativos como o LocoRoco ou Montessori Crosswords permitem que as crianças pratiquem 
sons de palavras e associem fonemas às letras de maneira divertida. 
Os pais podem trabalhar com jogos fonológicos simples em casa, como identificar sons 
iniciais de palavras e jogar jogos de rimas, incentivando a criança a ouvir e a dizer palavras com 
sons semelhantes. 
A adaptação de materiais didáticos, o uso de tecnologias assistivas e a participação ativa 
dos pais são elementos-chave no processo de alfabetização de crianças com deficiências. A 
personalização das abordagens pedagógicas, de acordo com as necessidades individuais de cada 
criança, permite a superação dos desafios enfrentados e a garantia de que todos tenham acesso ao 
aprendizado. Por meio do uso de recursos específicos e com a colaboração de professores, pais e 
especialistas, é possível promover um ambiente inclusivo que favoreça o desenvolvimento das 
habilidades de leitura e escrita em todas as crianças, independentemente das suas limitações. 
Essas estratégias buscam resolver os desafios enfrentados por crianças com deficiências 
durante o processo de alfabetização, garantindo que elas possam desenvolver as habilidades 
necessárias para a leitura e a escrita, mesmo com suas limitações. A utilização de recursos 
adaptados, além de um acompanhamento constante, facilita a inclusão de crianças com deficiência 
no processo educacional, promovendo um aprendizado mais equitativo e eficaz. 
 
 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 16 
 
2.3 A IMPORTÂNCIA DA ADAPTAÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS 
A adaptação de materiais didáticos para Pessoas com Deficiência (PCDs) é uma questão 
central na busca pela inclusão escolar. O processo de aprendizagem deve ser equitativo, 
permitindo que todos os alunos, independentemente de suas condições físicas ou cognitivas, 
tenham as mesmas oportunidades de acesso ao conhecimento. No contexto de leitura e escrita, é 
essencial adaptar materiais didáticos para garantir que esses alunos possam participar ativamente 
do processo educacional. Isso inclui alunos surdos, cegos, autistas, entre outros, que precisam de 
recursos específicos para que a leitura e a escrita se tornem acessíveis e significativas. 
A adaptação, portanto, não é apenas uma questão de modificações físicas nos materiais, 
mas também uma reestruturação do ensino para atender às necessidades individuais de cada aluno, 
proporcionando uma educação mais justa e inclusiva. 
Para alunos cegos, por exemplo, o uso do braille é umaadaptação fundamental. Os livros 
e materiais didáticos devem ser produzidos em braille, o que permite que os alunos leiam de forma 
autônoma e desenvolvam suas habilidades de letramento. 
O braille não é apenas uma forma de leitura, mas uma porta para o mundo do 
conhecimento, permitindo que os estudantes cegos tenham acesso ao conteúdo de maneira 
equivalente aos seus colegas que não possuem deficiência visual. Além disso, a utilização de 
recursos como livros em áudio ou softwares de leitura também são importantes para promover a 
inclusão desses estudantes, garantindo que possam seguir o currículo escolar de forma eficaz. 
No caso dos alunos surdos, a adaptação envolve o uso da Língua de Sinais, que é a 
primeira língua de muitas pessoas surdas. Os materiais didáticos devem ser adaptados para incluir 
traduções em Libras, seja através de vídeos, interpretações ao vivo ou até mesmo a criação de 
livros digitais com sinais incorporados. 
O uso de imagens, vídeos e legendas também pode facilitar a compreensão e garantir que 
o conteúdo seja acessível a todos os alunos surdos. A tradução e interpretação do conteúdo para 
Libras não só facilita a aprendizagem desses estudantes, mas também promove um ambiente de 
ensino mais inclusivo, onde os surdos podem se comunicar e aprender com seus colegas ouvintes. 
Para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), as adaptações também devem ser 
cuidadosamente planejadas. O ensino para essas crianças pode envolver o uso de materiais visuais, 
como gráficos, pictogramas e tabelas de rotinas, que auxiliam na compreensão e organização do 
conteúdo. Muitos alunos autistas têm dificuldades com a leitura e escrita tradicionais, e a 
utilização de estratégias visuais e multimodais pode tornar o aprendizado mais eficaz. Adaptação 
de ambientes, com a redução de estímulos sensoriais excessivos, também é uma estratégia 
importante para garantir que esses alunos se sintam confortáveis e prontos para aprender. 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 17 
 
O uso de fontes ampliadas é outra adaptação essencial para estudantes com deficiência 
visual parcial. Para garantir a legibilidade do conteúdo, os materiais devem ser disponibilizados 
com fontes de tamanho maior, contrastes adequados e, se possível, com a utilização de softwares 
de leitura que aumentem o texto na tela, isso facilita o acesso ao conteúdo, permitindo que os 
estudantes não se sintam excluídos devido a limitações visuais. 
A personalização dos materiais, de acordo com as necessidades específicas de cada aluno, 
é uma prática que deve ser adotada por todas as instituições de ensino que buscam garantir um 
processo de ensino-aprendizagem inclusivo. 
Além das adaptações materiais, é fundamental que a metodologia de ensino seja 
igualmente adaptada para facilitar o aprendizado de PCDs. 
O Método de Portfólios Educacionais SHDI (Sistema de Habilidades Didáticas 
Inclusivas, Disponivel em http://autismosimonehelendrumond.blogspot.com/) é uma estratégia 
eficaz para promover o desenvolvimento de diversas aprendizagens. Esse método permite que os 
professores acompanhem de forma contínua o progresso dos alunos e adaptem suas abordagens 
pedagógicas de acordo com as necessidades individuais de cada um. Ao utilizar o portfólio como 
ferramenta, os educadores conseguem registrar os avanços e as dificuldades de cada aluno, 
permitindo um acompanhamento personalizado e mais eficaz do processo de aprendizagem. 
O SHDI pode ser particularmente útil na educação de PCDs, pois oferece uma abordagem 
diferenciada e individualizada, com foco nas habilidades e nas necessidades específicas de cada 
aluno. Por meio de portfólios, os professores podem incluir uma variedade de atividades e 
recursos que atendam às diferentes formas de aprendizagem, como vídeos, imagens, textos em 
braille ou até mesmo recursos auditivos. Isso cria um ambiente educacional dinâmico, onde as 
barreiras de aprendizagem são superadas e os alunos conseguem se desenvolver de acordo com 
suas próprias capacidades. 
Uma das estratégias que tem se mostrado eficaz na adaptação de materiais didáticos para 
PCDs é o uso de tabelas de adaptações de leitura e escrita. Essas tabelas, desenvolvidas por 
professores, têm como objetivo facilitar o ensino não apenas na escola, mas também em casa. Elas 
oferecem orientações claras para os pais, com instruções sobre como adaptar os materiais e as 
atividades para seus filhos. Esse tipo de recurso é valioso, pois fortalece a parceria entre a escola e 
a família, promovendo um ambiente de aprendizagem mais colaborativo. As tabelas de adaptação 
podem incluir sugestões para o uso de recursos tecnológicos, como aplicativos e softwares 
educativos, que tornam o processo de aprendizagem mais acessível e interessante para os alunos. 
Essas tabelas de adaptação têm um papel importante na prática pedagógica, pois 
oferecem uma abordagem prática e simples para que os pais possam apoiar o aprendizado de seus 
filhos em casa. Elas incluem estratégias como a utilização de livros com imagens e textos curtos 
http://autismosimonehelendrumond.blogspot.com/
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 18 
 
para alunos com deficiência cognitiva, a adaptação do tempo de leitura para alunos com 
dificuldades de concentração, e a substituição de atividades escritas por atividades orais para 
aqueles com dificuldades motoras.. 
É importante destacar que a adaptação de materiais didáticos para PCDs não deve ser 
vista como um desafio isolado, mas como uma oportunidade de enriquecer o processo educacional 
de todos os alunos. Quando as escolas investem em materiais adaptados, elas promovem um 
ambiente inclusivo, onde todos os estudantes têm acesso ao conhecimento de forma igualitária. 
Além disso, essas adaptações contribuem para o desenvolvimento de habilidades sociais e 
emocionais, pois os alunos aprendem a respeitar e valorizar as diferenças, criando uma sociedade 
mais justa e empática. O objetivo da educação inclusiva é garantir que todos os alunos, 
independentemente de suas condições, possam aprender, crescer e se desenvolver, com o apoio de 
recursos pedagógicos que atendam às suas necessidades específicas. 
A adaptação de materiais didáticos, portanto, vai além do simples ajuste de recursos 
físicos ou tecnológicos. Trata-se de um processo contínuo que envolve a compreensão das 
necessidades de cada aluno e a criação de um ambiente educacional que os valorize e os acolha. 
Ao fazer isso, as escolas não apenas cumprem seu papel social de inclusão, mas também 
promovem um modelo de educação mais diversificado e enriquecedor para todos. 
 
 
Fonte: Método de Portfólios SHDI - http://autismosimonehelendrumond.blogspot.com/ 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 19 
 
O Método de Portfólios SHDI é uma ferramenta educacional que visa promover o 
aprendizado contínuo e o desenvolvimento de habilidades essenciais para indivíduos, 
especialmente para aqueles com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Este método, adaptado 
para contextos inclusivos, é estruturado de maneira a permitir que o estudante possa registrar, 
refletir e acompanhar seu próprio progresso ao longo do tempo, favorecendo a autoavaliação e a 
valorização de suas conquistas. 
PLANEJAMENTO PERSONALIZADO: Cada aluno tem um portfólio adaptado às suas 
necessidades. O planejamento é baseado nas suas dificuldades, interesses e metas de 
aprendizagem. 
ACOMPANHAMENTO INDIVIDUALIZADO: Os portfólios permitem um 
acompanhamento contínuodo desempenho de cada aluno, destacando progressos e áreas que 
necessitam de mais atenção. 
REFLEXÃO SOBRE O PROCESSO DE APRENDIZAGEM: Através de registros e 
observações, os alunos podem refletir sobre seu próprio processo de aprendizagem, facilitando a 
construção de autonomia. 
DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES SOCIAIS E EMOCIONAIS: Além das 
habilidades acadêmicas, o portfólio também foca no desenvolvimento de competências sociais e 
emocionais, fundamentais para a integração social. 
DIVERSIFICAÇÃO DE MATERIAIS E ATIVIDADES: O método inclui atividades 
variadas e materiais adaptados, como jogos, livros, exercícios gráficos, entre outros, para atender a 
diferentes estilos de aprendizagem. 
APRENDIZAGEM PERSONALIZADA: A abordagem do portfólio é individualizada, 
permitindo que cada aluno aprenda no seu ritmo, com atividades que se ajustam às suas 
necessidades e interesses. 
DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS COGNITIVAS: Ao trabalhar de forma 
prática e com feedback contínuo, o aluno desenvolve habilidades cognitivas em diversas áreas, 
como leitura, escrita, matemática e coordenação motora. Essas competências são fundamentais 
para a sua evolução acadêmica. 
AUTOCONHECIMENTO E AUTOCONTROLE: O método promove a autocrítica e a 
reflexão sobre o próprio aprendizado, incentivando o aluno a se tornar mais autônomo, a 
identificar suas forças e fraquezas, e a buscar melhorias contínuas. 
APOIO A DESAFIOS EMOCIONAIS: No caso de alunos com TEA, as atividades do 
portfólio são pensadas para ajudar a lidar com questões emocionais, desenvolvendo empatia, 
regulação emocional e habilidades sociais, essenciais para a vida em sociedade. 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 20 
 
TRANSCENDER LIMITAÇÕES: Com o acompanhamento constante e o 
desenvolvimento gradual, o método permite que os alunos ultrapassem suas limitações iniciais, 
estimulando a superação de desafios e alcançando níveis elevados de independência e 
autossuficiência. 
O Método de Portfólios SHDI se configura como uma ferramenta poderosa de inclusão e 
desenvolvimento, que vai além do aprendizado acadêmico, abrangendo também as questões 
sociais, emocionais e pessoais de cada indivíduo, proporcionando um ambiente de aprendizagem 
completo e adaptado às suas necessidades. 
Apresentamos uma tabela sugerida de adaptações de leitura e escrita para Pessoas com 
Deficiência (PCDs), com foco em diferentes necessidades e as estratégias para facilitar o 
aprendizado, tanto na escola quanto em casa. Essa tabela pode ser usada pelos professores para 
orientar os pais e/ou responsáveis na adaptação de materiais e atividades. 
Tabela 3: Adaptações de Leitura e Escrita para PCDs 
TIPO DE 
DEFICIÊNCIA 
ADAPTAÇÃO DE 
LEITURA 
ADAPTAÇÃO DE 
ESCRITA 
DICAS PARA USO 
EM CASA 
 
Deficiência Visual 
(Cegueira 
ou 
Baixa Visão) 
- Livros em Braille. 
- Textos com fonte 
ampliada (18-24 pt). 
- Textos com contraste 
alto (ex: fundo amarelo 
com texto preto). 
- Uso de audiobooks 
ou livros em áudio. 
- Utilização de 
softwares de 
reconhecimento de 
fala. 
- Teclados adaptados. 
- Escrita com apoio 
de livros em braille 
ou gravação de 
áudio. 
- Ajudar na organização 
do material de leitura, 
garantindo um bom 
contraste. 
- Auxiliar na escolha de 
ferramentas tecnológicas 
de leitura e escrita (ex: 
aplicativos de leitura em 
voz alta). 
 
Deficiência 
Auditiva 
(Surdez) 
- Uso de livros com 
imagens e textos 
curtos. 
- Livros com vídeos 
em Libras. 
- Transcrição e 
legendas de vídeos. 
- Utilização de material 
visual, como quadros e 
gráficos. 
- Atividades escritas 
com suporte de 
vídeos explicativos. 
- Foco no uso de 
figuras e ilustrações 
para contextualizar a 
escrita. 
- Incentivar a leitura e 
escrita usando recursos 
multimodais. 
- Auxiliar na prática de 
Libras e no 
entendimento de 
conteúdos por meio de 
vídeos e sinais. 
Transtorno do 
Espectro 
Autista 
(TEA) 
- Uso de imagens e 
pictogramas. 
- Simplificação de 
textos com linguagem 
mais direta e clara. 
- Uso de vídeos curtos 
e explicativos. 
- Escrita de 
atividades simples, 
com menos demanda 
cognitiva. 
- Uso de ferramentas 
digitais interativas 
para facilitar a 
escrita. 
- Criar uma rotina 
estruturada para a leitura 
e escrita. 
- Utilizar apoio visual 
como gráficos e 
pictogramas que 
complementem o texto. 
 
Deficiência 
- Textos curtos e 
simples, com 
- Estímulo à escrita 
de palavras simples, 
- Praticar a leitura de 
forma gradual, com 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 21 
 
Cognitiva vocabulário adequado. 
- Uso de histórias com 
imagens grandes e 
claras. 
utilizando figuras. 
- Uso de recursos 
como quadros de 
palavras e fichas. 
apoio de livros 
ilustrados. 
- Reforçar a escrita 
através de atividades 
lúdicas, como jogos 
educativos. 
 
Deficiência Motora 
(Dificuldades de 
Coordenação 
Motora) 
- Textos com 
espaçamento amplo 
para facilitar a leitura. 
- Livros digitais com 
opções de aumentar o 
tamanho da fonte ou 
mudar a cor do fundo. 
- Utilização de 
software de escrita 
por voz. 
- Adaptadores de 
teclado ou mesa 
digitalizadora. 
- Oferecer apoio para o 
uso de ferramentas de 
tecnologia assistiva. 
- Ajudar a estabelecer 
um espaço confortável 
para a leitura e escrita. 
 
Deficiência 
Intelectual Leve a 
Moderada 
- Livros com textos 
simples e diretos. 
- Uso de leituras com 
imagens explicativas. 
- Escrita de frases 
curtas e diretas, com 
atividades baseadas 
em modelos. 
- Ler juntos, explicando 
o significado das 
palavras. 
- Reforçar a leitura 
diária com materiais que 
incluam ilustrações para 
facilitar o entendimento. 
 
Deficiência Visual 
Parcial (Baixa 
Visão) 
- Uso de fontes 
ampliadas (18-24 pt) 
em livros impressos. 
- Leitura com contraste 
de cores ajustável. 
- Textos digitais 
ajustáveis com opções 
de ampliação. 
- Ferramentas de 
aumento de texto 
para escrever em 
computador. 
- Uso de tecnologia 
para aumentar a 
visibilidade do texto. 
- Garantir que o 
ambiente de leitura tenha 
boa iluminação. 
- Oferecer recursos 
tecnológicos como 
leitores de tela ou 
amplificadores de texto. 
 
 
 
Dislexia 
- Textos com fontes 
claras e de fácil leitura 
(ex: Arial ou Comic 
Sans). 
- Textos com 
espaçamento maior 
entre palavras. 
- Uso de áudio e vídeos 
como recursos 
complementares à 
leitura. 
- Uso de softwares de 
correção ortográfica 
e escrita assistida. 
- Atividades de 
escrita com suporte 
visual e leitura em 
voz alta. 
- Incentivar a leitura em 
voz alta para reforçar a 
compreensão. 
- Utilizar ferramentas 
como softwares de 
leitura de texto para 
ajudar na decodificação. 
 
 
Deficiência 
Combinada 
(Ex: 
Surdocegueira) 
- Textos em braille e 
Libras combinados. 
- Utilização de 
imagens táteis. 
- Leitura por 
audiodescrição em 
vídeos. 
- Escrita com apoio 
de recursos táteis e 
tecnológicos. 
- Uso de materiais 
adaptados que 
combinam sinais e 
braille. 
- Trabalhar com 
tecnologias que integrem 
Libras, braille e áudio, 
facilitando a 
compreensão do 
conteúdo. 
- Estabelecer uma 
aprendizagem 
multissensorial. 
Fonte: ISCHKANIAN, Simone Helen Drumond; CABRAL, Gladys Nogueira; FELIX, 
Bruna Silva; COELHO, Tatiana; TEIXEIRA, Eunice Soares; OLIVEIRA, Ediana Maria 
Cacau; DEMO, Giane; RONQUE, Wanessa Delgado da Silva; SILVA, Francisca Araújo da; 
ISCHKANIAN, Sandro Garabed, (2024). 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs).Página 22 
 
Esta tabela é uma base para a adaptação de materiais didáticos para PCDs, e pode ser 
ampliada ou modificada conforme as necessidades de cada aluno, a colaboração entre professores, 
pais e alunos é essencial para garantir que as adaptações atendam às necessidades individuais e 
proporcionem o máximo de aprendizagem. O objetivo é criar um ambiente de ensino inclusivo, 
onde todos os alunos possam aprender de maneira plena, independentemente de suas condições. 
2.4 PSICOGÊNESE DA ESCRITA, ELABORADA POR FERREIRO E 
TEBEROSKY 
A psicogênese da escrita, conforme apresentada por Ferreiro e Teberosky (1999), refere-
se ao processo cognitivo e psicológico que os indivíduos atravessam ao aprender a escrever. 
Segundo os autores, as crianças passam por quatro períodos distintos durante esse processo, nos 
quais formam hipóteses sobre como a escrita funciona. Esses períodos são: o pré-silábico, o 
silábico, o silábico-alfabético e o alfabético. A compreensão desses períodos é fundamental para a 
prática pedagógica, pois permite aos educadores identificar em que estágio de desenvolvimento de 
escrita o aluno se encontra e como melhor apoiar sua aprendizagem. 
Período Pré-Silábico: No estágio pré-silábico, as crianças ainda não compreendem o 
valor das letras na construção de palavras e muitas vezes as utilizam de maneira arbitrária. Elas 
podem começar a associar símbolos a sons, mas ainda não entendem que as letras representam 
sons específicos de uma palavra. A escrita nesse estágio não segue um padrão lógico, e as crianças 
escrevem de forma aleatória, utilizando letras isoladas ou repetidas sem a noção clara de suas 
funções na escrita. 
Período Silábico: Durante o período silábico, a criança começa a compreender que as 
palavras podem ser divididas em sílabas e tenta representar cada uma dessas sílabas por meio de 
uma letra ou combinação de letras. Nesse momento, a criança já começa a organizar a escrita de 
forma mais estruturada, embora ainda não compreenda a relação exata entre o número de letras e a 
quantidade de sons de uma palavra. Ela pode, por exemplo, escrever "mama" para se referir à 
palavra "mamãe", utilizando uma letra para representar cada sílaba. 
Período Silábico-Alfabético: O estágio silábico-alfabético é caracterizado pela tentativa 
de associar as letras a sons específicos de uma palavra, mas ainda sem uma correspondência exata 
entre cada letra e cada fonema. A criança começa a perceber que algumas letras podem representar 
mais de um som, e que as palavras possuem uma estrutura mais complexa do que apenas a divisão 
silábica. Nessa fase, as crianças estão mais conscientes do alfabeto e das correspondências entre 
letras e sons, mas ainda cometem erros na escrita. 
Período Alfabético: No estágio alfabético, a criança já compreende as correspondências 
entre as letras e os fonemas de forma mais precisa. Ela escreve palavras de maneira mais 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 23 
 
ortograficamente correta, embora ainda possam ocorrer alguns erros, como troca de letras ou uso 
incorreto de grafias. Nesse estágio, a criança já domina a escrita alfabética e pode escrever 
palavras complexas e frases completas, utilizando adequadamente as regras ortográficas. 
Tabela 4: Como a psicogênese da escrita pode ser trabalhada na prática 
HIPÓTESE 
DE 
ESCRITA 
CITAÇÃO DOS AUTORES COMO TRABALHAR 
NA PRÁTICA 
PROFISSIONAL 
REFERÊNCIA 
DOS AUTORES 
 
 
Pré-Silábico 
"A criança faz um uso 
inconsistente e inapropriado 
das letras, ainda sem um 
critério fonológico." (Ferreiro 
& Teberosky, 1999) 
- Incentivar o uso de 
desenhos e rabiscos que 
representem a escrita. 
- Trabalhar com atividades 
que envolvam o 
reconhecimento de letras e 
sons, sem pressa de formar 
palavras completas. 
 
 
Ferreiro 
& 
Teberosky (1999) 
 
 
Silábico 
"A criança começa a organizar 
a escrita por sílabas, mas 
ainda sem compreender as 
correspondências fonológicas 
exatas." (Ferreiro & 
Teberosky, 1999) 
- Propor atividades de 
escrita de palavras com 
sílabas simples. 
- Utilizar jogos que 
envolvam a construção de 
sílabas, como quebra-
cabeças e letras móveis. 
 
 
Ferreiro 
& 
Teberosky (1999) 
 
Silábico-
Alfabético 
"A criança percebe que as 
letras não são apenas sílabas, 
mas também representam 
sons." (Ferreiro & Teberosky, 
1999) 
- Trabalhar a 
correspondência fonema-
grafema com atividades que 
envolvam escrita de 
palavras e frases simples. 
- Introduzir jogos de rimas e 
trocas de letras. 
 
 
Ferreiro 
& 
Teberosky (1999) 
 
 
Alfabético 
"A criança já compreende as 
relações entre fonemas e 
grafemas, embora ainda 
cometa alguns erros 
ortográficos." (Ferreiro & 
Teberosky, 1999) 
- Estimular a escrita de 
textos mais complexos, com 
atenção à ortografia. 
- Promover a correção 
colaborativa de erros, 
ajudando a criança a 
compreender as regras 
ortográficas. 
 
 
Ferreiro 
& 
Teberosky (1999) 
 
Período Pré-Silábico na Prática Profissional: No estágio pré-silábico, as crianças estão 
explorando a escrita como um sistema simbólico, mas sem a compreensão total de como ela 
funciona. Durante essa fase, o trabalho com os educadores deve ser focado em atividades de 
exploração, como a escrita livre e a manipulação de materiais que envolvem a imitação da escrita 
(exemplo: rabiscos e desenhos). Isso ajudará as crianças a estabelecerem as primeiras conexões 
entre símbolos e ideias. 
DESAFIOS E AVANÇOS NA ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS 
(PCDs). Página 24 
 
Período Silábico na Prática Profissional: O período silábico requer que os professores 
introduzam atividades que ajudem as crianças a perceberem que a escrita pode ser dividida em 
unidades sonoras (sílabas). O uso de jogos e brincadeiras que envolvam palavras e sílabas, como o 
jogo da memória com sílabas e a construção de palavras simples, é essencial para ajudar o aluno a 
internalizar a relação entre a escrita e os sons das palavras. 
Período Silábico-Alfabético na Prática Profissional: Na fase silábico-alfabética, o foco 
está no desenvolvimento da consciência fonológica, permitindo que a criança perceba as 
correspondências fonema-grafema. Atividades como a separação de palavras em sílabas e a 
identificação de letras iniciais, médias e finais em palavras ajudam os alunos a compreender as 
relações entre as letras e os sons. O uso de vídeos educativos e recursos audiovisuais pode ser 
altamente eficaz nesse estágio. 
Período Alfabético na Prática Profissional: No período alfabético, o aluno já tem uma 
boa compreensão das regras fonológicas, mas ainda pode cometer erros ortográficos. Durante essa 
fase, é importante trabalhar com a produção de textos mais complexos, oferecendo um ambiente 
de escrita estruturado, onde os alunos possam revisar e corrigir seus próprios erros. O ensino 
explícito das regras ortográficas e a prática regular de leitura e escrita são essenciais para o 
desenvolvimento da competência ortográfica. 
Tabela 5: Interpretação dos autores (2024) da psicogênese da escrita de acordo com Ferreiro 
e Teberosky (1999) 
HIPÓTESE 
DE 
ESCRITA 
FRASES E EXEMPLOS 
DOS AUTORES 
COMO TRABALHAR NA 
PRÁTICA 
PROFISSIONAL 
REFERÊNCIA 
DOS 
AUTORES 
 
 
 
Pré-Silábico 
Simone Helen Drumond 
Ischkanian: "A escrita da 
criança neste estágio está mais 
relacionada ao desejo de 
expressar algo por meio de 
sinais, não compreendendo o 
valor fonológico das letras." 
 
Gladys Nogueira Cabral: "As 
crianças escrevem como se a 
escrita fosse uma simples 
representação de figuras, sem 
entender que as letras têm 
sons." 
- Estimular atividades de 
"escrita livre",

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