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A FORMAÇÃO E 
ATUAÇÃO DO 
PROFISSIONAL PARA O 
ENSINO NA EDUCAÇÃO 
ESPECIAL 
 
PROFESSOR (A): COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA 
INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO 
A FORMAÇÃO E ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL PARA O ENSINO NA 
EDUCAÇÃO ESPECIAL 
 
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SUMÁRIO 
 
APRESENTAÇÃO ..............................................................................................3 
 
1. INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS ACERCA DA FORMAÇÃO DO 
PROFISSIONAL PARA A EDUCAÇÃO ESPECIAL: saberes, competências e 
atitudes ...............................................................................................................5 
 
2. A FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA: 
legislação, diretrizes políticas e resultado de pesquisas 
...........................................................................................................................13 
 
3. FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA: 
políticas, discursos e práticas.................................................................25 
 
4. A FORMAÇÃO DO PROFESSOR PARA O AEE COM RECURSOS 
EDUCACIONAIS ESPECIAIS............................................................................35 
 
5. A FORMAÇÃO DO PROFESSOR PARA O USO DA SALA DE RECURSOS 
MULTIFUNCIONAIS..........................................................................................52 
 
6. POLÍTICAS PARA A INCLUSÃO: estudo realizado em uma escola estadual 
de Belo Horizonte..................................................................................55 
 
7. CARACTERÍSTICAS PSICOSSOCIAIS DO CONTATO INICIAL COM 
ALUNOS COM DEFICIÊNCIA..................................................................71 
 
8. MATERIAIS DE APOIO .........................................................................88 
 
9.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................90 
 
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 APRESENTAÇÃO 
 
Caro (a) aluno(a), 
 
O Instituto INE apresenta este módulo, com o intuito contínuo de 
proporcionar-lhe um ensino de qualidade, com estratégias de acesso aos 
saberes que conduzem ao conhecimento, na área da Educação. 
Nesse sentido, todos os nossos projetos são, fortemente, 
comprometidos com o seu progresso educacional, na perspectiva do seu 
melhor desempenho, como aluno-profissional permissivo à busca do 
crescimento intelectual. 
Sendo assim, e, em busca desse conhecimento, homens e mulheres 
se comunicam, têm acesso à informação, expressam opiniões, constroem 
visões, diferenciadas, de mundo e produzem cultura, a partir e através de 
estudos e pesquisas, que essa instituição quer garantir a todos os seus alunos, 
a saber: o direito às informações necessárias para o exercício de suas variadas 
funções. 
Assim, expressamos nossa satisfação em apresentar o seu novo 
material de estudo, moderno, atual e, totalmente baseado nas mais renomadas 
autoridades da área, formulado pelo nosso setor pedagógico, que está sempre 
empenhado na facilitação de um construto melhor para os respaldos teóricos e 
práticos exigidos ao longo do curso. 
Contudo, para a obtenção do sucesso esperado por você, é necessário 
que seja dispensado um tempo específico para a leitura deste material, 
produzido com muita dedicação pelos Doutores e Mestres que compõem a 
equipe docente do Instituto INE. 
Leia com atenção os conteúdos aqui abordados, pois eles nortearão o 
princípio de suas ideias, que se iniciam com um intenso processo de reflexão, 
análise e síntese dos saberes. Este módulo está disponível apenas como base 
para estudos deste curso. 
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Não obstante, o material aqui ofertado não tem sua comercialização 
permitida, em nenhum formato, sendo, os créditos de autoria dos conteúdos 
deste material, dados aos seus respectivos autores citados nas Referências. 
Em sendo, desejamos sucesso nesta caminhada e esperamos, mais 
uma vez, alcançar o equilíbrio e contribuição profícua no processo de 
conhecimento de todos! 
 
Atenciosamente, 
Coordenação Pedagógica do Instituto INE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1. INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS ACERCA DA FORMAÇÃO DO 
PROFISSIONAL PARA A EDUCAÇÃO ESPECIAL: saberes, competências e 
atitudes 
 
 
Pensar a Educação Especial implica retomar o Plano Nacional de 
Educação (PNE). No âmbito do PNE (BRASIL, 2010, p. 86), foi considerada 
como um grande avanço a ser desenvolvido na década: a “criação de uma 
escola inclusiva” baseada na formação de recursos humanos. 
Nesse sentido, 
A formação de recursos humanos com capacidade de 
oferecer o atendimento aos educandos especiais nas 
creches, pré-escolas, centros de educação infantil, 
escolas regulares de ensino fundamental, médio e 
superior, bem como em instituições especializadas e 
outras instituições é uma prioridade para o Plano Nacional 
de Educação. Não há como ter uma escola regular eficaz 
quanto ao desenvolvimento e aprendizagem dos 
educandos especiais sem que seus professores, demais 
técnicos, pessoal administrativo e auxiliar sejam 
preparados para atendê-los adequadamente. (BRASIL, 
2010, p. 87). 
 
A preocupação com o atendimento aos “educandos especiais” nas 
escolas regulares e nas instituições especializadas revela que a proposta de 
escola inclusiva no período se aproximava de uma compreensão de inclusão 
processual, desenvolvida em diferentes espaços físicos e institucionais. Ao 
mesmo tempo, registra-se a atenção dedicada ao preparo/formação dos 
profissionais, já anunciando a importância que a formação em serviço ganhou 
ao longo da década no país. 
Assim, segundo a Política Nacional de Educação Especial na 
perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), para atuar na educação 
especial, o professor deve ter como base da sua formação, inicial e continuada, 
conhecimentos gerais para o exercício da docência e conhecimentos 
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específicos da área. Essa formação possibilita a sua atuação no atendimento 
educacional especializado e deve aprofundar o caráter interativo e 
interdisciplinar da atuação nas salas comuns do ensino regular, nas salas de 
recursos, nos centros de atendimento educacional especializado, nos núcleos 
de acessibilidade das instituições de educação superior, nas classes 
hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e 
recursos de educação especial. 
Esta formação deve contemplar também, conhecimentos de gestão de 
sistema educacional inclusivo, tendo em vista o desenvolvimento de projetos 
em parceria com outras áreas, visando à acessibilidade arquitetônica, os 
atendimentos de saúde, a promoção de ações de assistência social, trabalho e 
justiça (BRASIL, 2008). 
Percebe-se que a formação docente é um dos vieses de grande 
interesse quando se trata de política de educação especial e inclusiva. 
Nesse sentido, de acordo com o PNE (2010), 
 
Na formação inicial é preciso superar a histórica dicotomia 
entre teoria e prática e o divórcio entre a formação 
pedagógica e a formação no campo dos conhecimentos 
específicos que serão trabalhados na sala de aula. 
A formação continuada assume particular importância, em 
decorrência do avanço científico e tecnológico e de 
exigência de um nível de conhecimentos sempre mais 
amplos e profundos na sociedade moderna. Este Plano, 
portanto, deverá dar especial atenção à formação 
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conhecimentos, mas na formação de um cidadão crítico e capaz de superara 
dia após dia, as dificuldades que a paralisia ainda lhe põe como obstáculos a 
serem superados. 
Os desafios na atualidade postos para serem discutidos e debatidos 
são inúmeros, porém o trabalho discute alguns desses aspectos de forma 
incremental. Muito ainda tem que ser feito em Manaus e em cidades do Brasil 
inteiro, mas isso não será possível, enquanto as políticas públicas educacionais 
não se concretizaram no dia a dia da prática do professor, na formação 
continuada, numa remuneração decente e principalmente no investimento na 
qualidade da educação dessa geração que influenciará a outra e transmitirá 
esse ideário inclusivo, até que, quem saiba um dia, os preconceitos não 
existam mais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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4. A FORMAÇÃO DO PROFESSOR PARA O AEE COM RECURSOS 
EDUCACIONAIS ESPECIAIS 
 
São muitos os enfoques e abordagens para a educação de pessoas 
com necessidades especiais. Geralmente, cada escola desenvolve uma 
proposta de trabalho diferente, de todo modo, é preciso um projeto pedagógico 
que atenda à todas as diferenças. 
Traçar um diagnóstico da clientela, delinear qual perfil do seu aluno, 
quantos são, quais as suas necessidades, bem como os recursos materiais, 
humanos e financeiros disponíveis são passos importantes para iniciar um 
trabalho pedagógico efetivo. 
 
[...] a inclusão não prevê a utilização de práticas de ensino 
escolar específicas para esta ou aquela deficiência, mas 
sim recursos, ferramentas, tecnologias que concorrem 
para diminuir/eliminar as barreiras que se interpõem aos 
processos de ensino e de aprendizagem (MANTOAN, 
2007, p. 49). 
 
Como se observa, não há como falar de necessidades especiais sem 
adentrar no campo da inclusão. E nesse sentido, Mantoan (2004) ressalta que 
a aprendizagem é o centro das atividades escolares e o sucesso dos alunos 
são metas da escola. Acolher as diferenças não é aceitá-las com suas 
possibilidades, mas sim a receptividade diante dos diferentes níveis de 
desenvolvimento das crianças e jovens. 
Segundo Zacharias (2007), é de extrema importância que sejam 
consideradas primeiramente todas as possibilidades de utilização da escola 
comum, como um recurso integrado com outras formas de atendimento que o 
aluno tenha necessidade. 
A formação dos professores da educação especial na perspectiva 
inclusiva tem ganhado centralidade nos debates educacionais, tendo em vista 
sua relevância para a inclusão escolar dos alunos com necessidades 
educacionais especiais. Essa discussão ganha repercussão com a aprovação 
da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96 que passa a 
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considerar a educação especial como modalidade de ensino, ofertada na rede 
regular de ensino com objetivos, finalidades e serviços específicos para o 
atendimento dos estudantes com necessidades educacionais especiais: 
 
Art. 58. Entende-se por Educação Especial, para os 
efeitos desta lei, a modalidade de educação escolar, 
oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, 
para educandos portadores de necessidades especiais. 
§1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio 
especializado, na escola regular, para atender às 
peculiaridades da clientela de Educação Especial. §2º O 
atendimento educacional será feito em classes, escolas, 
ou serviços especializados, sempre que, em função das 
condições específicas dos estudantes, não for possível a 
sua integração nas classes comuns de ensino regular. 
 
 
Para atender todas as peculiaridades da educação especial, a LDB nº 
9.394/1996, preconiza no artigo 59 que os sistemas de ensino devem se 
organizar para favorecer o processo de escolarização dos alunos com 
necessidades educacionais especiais. 
 
Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos 
educandos com necessidades especiais: I – currículo, 
métodos, técnicas, recursos educativos e organização 
específica, para atender às suas necessidades. II – 
terminalidade específica para aqueles que não possam 
atingir o nível exigido para a conclusão do Ensino 
Fundamental, em virtude de suas deficiências, e 
aceleração para concluir em menos tempo o programa 
escolar para os superdotados. (BRASIL, 1996). 
 
 
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Pletsch (2009) afirma que essa legislação, destaca-se como marco 
jurídicoinstitucional, cujo objetivo foi iniciar um processo de mudanças em 
todos os níveis da educação, reorganizando a educação básica em educação 
infantil, ensino fundamental e ensino médio, assim como o ensino superior. 
Para atender aos princípios democráticos a LDB nº 9394/96 dedica então, um 
capítulo à formação de professores, assinalando os fundamentos 
metodológicos, os tipos e as modalidades de ensino, bem como as instituições 
responsáveis pelos cursos de formação inicial dos professores. Também, no 
artigo 13, essa lei estabelece aos professores as incumbências de participar da 
elaboração da proposta pedagógica, elaborar e cumprir plano de trabalho, zelar 
pela aprendizagem dos alunos; estabelecer estratégias de recuperação para os 
alunos de menor rendimento; ministrar os dias letivos e horas-aula, participar 
do planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento colaborar com as 
atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade 
independentemente da etapa escolar em que atuam. No ano de aprovação da 
LDB nº 9.394/1996, foi instituída a “Década da Educação” em seu artigo 87 das 
Disposições Transitórias, onde dispõe que neste período todos os professores 
de educação básica deveriam ser habilitado em nível superior ou formado por 
treinamento em serviço. Entretanto, essas Disposições Transitórias, conforme 
Pletsch (2009), não podem sobrepor-se às definições da lei maior, por isso, o 
artigo 62 revogou o disposto: 
 
Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação 
básica far-se-á em nível superior, em curso de 
licenciatura, de graduação plena, em universidades e 
institutos superiores de educação, admitida, como 
formação mínima para o exercício do magistério na 
educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino 
fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade 
Normal. 
 
Desse modo, continua-se admitindo professores formados em cursos 
de nível médio, na modalidade normal, para a educação infantil e as quatro 
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primeiras séries do ensino fundamental, condição que tem permitido que vários 
municípios brasileiros admitirem, através de concursos públicos, professores 
sem ensino superior. 
Mesmo com essa farta legislação as políticas educacionais de 
formação docente não têm possibilitado a superação da exclusão e o fracasso 
escolar e os professores continuam com baixas expectativas quanto ao 
aprendizado do aluno com deficiência. Podemos considerar, então, que a 
exclusão e a inclusão são “representações” dos processos sociais excludentes 
e includentes, típicos da sociedade capitalista (MICHELS, 2006). 
Com a homogeneização da escola, a exclusão é internalizada, os 
alunos permanecem na escola sem desenvolver as aprendizagens desejadas, 
fica a margem do ensinoaprendizagem e ainda é atribuída ao sujeito a 
responsabilidade pelo seu fracasso. A respeito da formação para atuação com 
alunos com necessidades educacionais especiais, aLDB9394/96, dispõe em 
se Art. 59, que “Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com 
necessidades especiais: (...) III – professores com especialização adequada, 
em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como 
professores do ensino regular capacitados para a integração desses 
educandos nas classes comuns”. (BRASIL, 1996). 
Nessa direção, é aprovada a Resolução do Conselho Nacional de 
Educação e da Câmara de Educação Básica, nº 2 de 11de setembro de 2001 
que Institui as Diretrizes Nacionais para a Educação o Básica (DNEE-EB-
2001), que ao tratar da formação de professores, define em seu Art. 18, que: 
 
Art. 18. Cabe aos sistemas de ensino estabelecer normas 
para o funcionamento de suas escolas, a fim de que 
essas tenham as suficientes condições para elaborar seu 
projeto pedagógico e possam contar com professores 
capacitados e especializados, conforme previsto no Artigo 
59 da LDBEN e com base nas Diretrizes Curriculares 
Nacionais para a Formação de Docentes da Educação 
Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, em 
nível médio, na modalidade Normal, e nas Diretrizes 
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Curriculares Nacionais para a Formação de Professores 
da Educação Básica, em nível superior, curso de 
licenciatura de graduação plena. 
§ 1º São considerados professores capacitados para 
atuar em classes comuns com alunos que apresentam 
necessidades educacionais especiais aqueles que 
comprovem que, em sua formação, de nível médio ou 
superior, foram incluídos conteúdos sobre educação 
especial adequados ao desenvolvimento de competências 
e valores para [...] 
§ 2º São considerados professores especializados em 
educação especial aqueles que desenvolveram 
competências para identificar as necessidades 
educacionais especiais [...] bem como trabalhar em 
equipe, assistindo o professor de classe comum nas 
práticas que são necessárias para promover a inclusão 
dos alunos com necessidades educacionais especiais. 
(BRASIL, 2001). 
 
A formação de professores deverá se organizar de duas formas: para 
os professores do ensino regular, aqueles que atuam nas classes comuns para 
receberem alunos com necessidades educacionais especiais, “professores 
capacitados”, e a outra forma os “professores especializados”, que deveriam se 
dedicar ao atendimento especializado com esses alunos. No primeiro caso a 
formação se dará com a inserção de conteúdos sobre educação especial na 
formação inicial e em relação ao segundo o Art. 18, define que, 
 
§ 3º Os professores especializados em educação especial 
deverão comprovar: I - formação em cursos de 
licenciatura em educação especial ou em uma de suas 
áreas, preferencialmente de modo concomitante e 
associado à licenciatura para educação infantil ou para os 
anos iniciais do ensino fundamental; II - complementação 
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de estudos ou pós-graduação em áreas específicas da 
educação especial, posterior à licenciatura nas diferentes 
áreas de conhecimento, para atuação nos anos finais do 
ensino fundamental e no ensino médio; 
§ 4º Aos professores que já estão exercendo o magistério 
devem ser oferecidas oportunidades de formação 
continuada, inclusive em nível de especialização, pelas 
instâncias educacionais da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios. (BRASIL, 2001). 
 
A definição para o professor especialista é apontada tanto na formação 
inicial, licenciatura, quanto na pós-graduação. Cabendo ao poder público essa 
formação para aqueles que já atuam. Entretanto, o que vem sendo 
problematizado é a ausência de uma política de formação inicial, pois as ações 
formativas vêm se dando no campo da formação continuada e, mas 
especificamente na modalidade à distância. 
Mediante os crescentes debates sobre o atendimento dos alunos com 
necessidades educacionais especiais o MEC, aprova a Política Nacional de 
Educação Especial em uma Perspectiva Inclusiva (PNEEI) em 2008 que tem 
como objetivo integrar o atendimento educacional especializado (AEE) à 
proposta pedagógica da escola regular através do trabalho nestas salas de 
recursos. Para tanto, o documento dispõe que para atuar nas salas de recursos 
multifuncionais o professor da educação especial na perspectiva inclusiva deve 
ter como base a formação inicial para exercício da docência e possuir 
conhecimentos específicos da área. (BRASIL, 2008). 
Nesse sentido, a Política aponta a formação de professores para 
atender as especificidade dos alunos com deficiências, sem, contudo, definir 
como se dará essa formação. Ao dispor sobre os profissionais para atuar na 
educação especial, a Resolução nº 04 de 11 de setembro de 2001, prevêem a 
oferta de serviços de apoio pedagógico especializados, em classe comum, 
mediante a colaboração entre o professor especializado em educação especial, 
o professor de apoio a inclusão os professores intérpretes, do professor 
regente e de outros profissionais itinerantes. (BRASIL, 2001). 
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Observamos então que a Resolução nº 02/2001aponta vários 
profissionais, mas nesse estudo nos interessa, mais particularmente, dois 
profissionais: o professor de apoio à inclusão, professor especialista que atua 
em colaboração com o professor da classe comum e o professor que atua nas 
salas de recursos multifuncional garantindo ao aluno o atendimento 
educacional especializado. 
Devido às dificuldades enfrentadas pela implementação da educação 
numa perspectiva da educação inclusiva, esses dois profissionais acabam por 
assumir a “responsabilidade solitária” pelo processo de escolarização dos 
alunos com necessidades educacionais especiais. Em relação a formação dos 
professores da classe comuns, Michels (2006) afirma que “A formação dos 
professores capacitados, tanto em nível médio como superior, deve ocorrer por 
meio de oferecimento de disciplinas, ou tópicos, que venham a contemplar as 
discussões sobre a educação de alunos considerados deficientes”. (2006, p. 
345). 
Espera-se com essa formação que esses profissionais desenvolvam 
competências para lidar com o diferente e trabalhar em equipe, já que terão 
trabalhar de modo colaborativo com os professores especialistas, que serão os 
responsáveis mais diretos pelo atendimento educacional especializado. 
Entretanto, pesquisas já realizadas (CHACON, 2004; QUINTANILHA, 
2012), apontam o pouco investimento dos cursos na promoção da discussão 
da educação especial. A condição da formação do professor especializado 
também é problematizada visto que é apontada duas condições uma que deve 
se dar no âmbito da formação inicial e outra, para atuar nos anos finais do 
ensino fundamental, que é através da complementação de estudos ou pós-
graduação. 
Tartuci nos esclarece: 
que em alguns estados brasileiros, antes da publicação 
das Diretrizes Curriculares Nacionais para nos cursos de 
Graduação em Pedagogia (2006), ainda conviviam dois 
modelos de formação: os licenciados para a docência e 
os especialistas. Ofereciam habilitações em Deficiência 
Mental, Auditiva, Visual e de Audiocomunicação, condição 
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que permitia à atuação dos professores especialistas em 
educação especial mais articulada a formação inicial. 
Diferentemente, em Goiás as duas maiores universidades 
não formavam especialistas nos cursos de Pedagogia. 
Na Universidade Federalde Goiás (UFG) esta habilitação 
foi eliminada no final da década de 1980 e este curso 
direcionou sua formação para o Magistério de 1º Grau – 
séries iniciais – e para as disciplinas pedagógicas do 
Magistério de 2º Grau. E, em 2003, com a reformulação, 
iniciou-se a formação de professores para os anos iniciais 
e para a educação infantil. Do mesmo modo, em 1980, a 
Universidade Católica de Goiás tinha as mesmas 
habilitações da UFG acrescida do magistério para a 
préescola e para a alfabetização. (2011, p. 5). 
 
Estudos recentes têm apontado que poucos professores realizaram 
curso na área de educação especial e inclusão, desse modo, investe-se na 
formação continuada como uma possibilidade de proporcionar aos educadores 
um pensar sobre as práticas educativas, o uso de metodologias diferenciadas e 
uma abertura ao ensino colaborativo entre os professores das salas regulares 
“Um educador comum e um educador especial”, segundo Mendes (2006), 
dividem a responsabilidade de planejar, instruir e avaliar a instrução a um 
grupo heterogêneo de estudantes, sendo que esse modelo emergiu como uma 
alternativa aos modelos de sala de recursos, classes especiais ou escolas 
especiais, e especificamente para responder às demandas das práticas de 
inclusão de estudantes com necessidades educacionais especiais. 
Tartuci (2011) afirma que considerando o contexto do estado de Goiás, 
a ausência de formação inicial, de curso que habilite o profissional para atuar 
na educação especial, a proposta inclusiva passa necessariamente pela 
formação continuada dos educadores e dos outros profissionais da escola e 
deve se constituir em prática cotidiana, em espaço de diálogo, de construção 
de parcerias, de planejamento coletivo e de discussão e reflexão sobre as 
práticas e saberes construídos. O espaço de formação deve se constituir em 
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espaço de construção coletiva, de compartilhar conhecimentos, estratégias e 
metodologias, de construção de saberes. O espaço de diálogo pode propiciar a 
construção de um projeto pedagógico coletivo e comprometido com a inclusão 
escolar. 
Nos estados e municípios do Brasil, com suas extremas diferenças de 
estrutura e distribuição de renda, encontramos locais com boas situações de 
atendimento a esses alunos, até aqueles locais que quase não dispõem de 
condições de atendimento adequado à faixa de sua população escolarizável, 
quanto mais a alunos portadores de alguma necessidade especial. 
Os recursos mais encontrados são: 
1. Ensino Itinerante – Prestação de serviços, por um professor 
especializado, que visita várias escolas comuns que recebem alunos 
excepcionais. Esse professor especializado atende tanto aos 
professores, para orientá-los, quanto aos próprios alunos; 
2. Sala de Recursos – É uma sala que conta com materiais e 
equipamentos especiais, na qual o professor especializado, fixo na 
escola, auxilia os alunos nos aspectos específicos em que precisam de 
ajuda para manterem-se na classe comum. Na maioria dos locais esse 
profissional também presta atendimento aos professores das classes 
comuns, aos demais profissionais da escola e à família dos alunos; 
3. Classe Especial – Instalada em escola comum, caracteriza-se pelo 
agrupamento de alunos classificados como da mesma categoria de 
excepcionalidade, que estão sob a responsabilidade de um professor 
especializado. Tem sido mais utilizada para alunos deficientes mentais 
educáveis; 
4. Escola Especial ou Educação Especial – É aquela que foi organizada 
para atender específica e exclusivamente a alunos excepcionais. 
Algumas atendem apenas a um tipo de excepcionalidade, outras já 
atendem a diferentes tipos. Tem sido bastante criticadas por reduzir o 
convívio do aluno excepcional com outras crianças não portadoras de 
desvios, bem como pelo estigma de que são objetos tanto a escola, 
como seus alunos. É importante lembrarmos que sempre existirão 
alunos que necessitam desse tipo de atendimento (BRASIL, 1995). 
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Vamos discorrer um pouco mais sobre o Atendimento Educacional 
Especializado – AEE. 
Esse atendimento existe para que os alunos possam aprender o que é 
diferente dos conteúdos curriculares do ensino comum e que é necessário para 
que possam ultrapassar as barreiras impostas pela deficiência. As barreiras da 
deficiência mental diferem das barreiras encontradas nas demais deficiências. 
Trata-se de barreiras referentes à maneira de lidar com o saber em 
geral, fato que reflete preponderantemente na construção do conhecimento 
escolar. A educação especializada tradicional, realizada nos moldes do 
treinamento e da adaptação, reforça a deficiência desse aluno. Essas formas 
de intervenção mantêm o aluno em um nível de compreensão que é muito 
primitivo e que a pessoa com deficiência mental tem dificuldade de ultrapassar 
– o nível das chamadas regulações automáticas, descritas por Piaget. 
É necessário que se estimule o aluno com deficiência mental a avançar 
na sua compreensão, criando-lhe conflitos cognitivos, ou melhor, desafiando-o 
a enfrentá-los. Deve propiciar aos alunos com deficiência mental condições de 
passar de um tipo de ação automática e mecânica diante de uma situação de 
aprendizado/experiência – regulações automáticas para um outro tipo, que lhe 
possibilite selecionar e optar pelos meios que julguem mais convenientes para 
agir intelectualmente – regulações ativas, também descritas por Piaget 
(BRASIL, 2006). 
O Atendimento Educacional Especializado para tais alunos deve, 
portanto, privilegiar o desenvolvimento e a superação de seus limites 
intelectuais, exatamente como acontece com as demais deficiências, como 
exemplo: para o cego, a possibilidade de ler pelo braile; para o surdo, a forma 
mais conveniente de se comunicar e para a pessoa com deficiência física, o 
modo mais adequado de se orientar e se locomover. 
O Atendimento Educacional Especializado para as pessoas com 
deficiência mental está centrado na dimensão subjetiva do processo de 
conhecimento. 
O conhecimento acadêmico refere-se à aprendizagem do conteúdo 
curricular; o Atendimento Educacional Especializado, por sua vez, refere-se à 
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forma pela qual o aluno trata todo e qualquer conteúdo que lhe é apresentado e 
como consegue significá-lo, ou seja, compreendê-lo. 
É importante insistir que o Atendimento Educacional Especializado não 
é ensino particular, nem reforço escolar. Ele pode ser realizado em grupos, 
porém é preciso atentar-se para as formas específicas de cada aluno se 
relacionar com o saber (BRASIL, 2007). 
Não é indicado realizá-lo em grupos formados por alunos com o 
mesmo tipo de problema (patologias) e/ou desenvolvimento. Pelo contrário, 
esses grupos devem ser constituídos de alunos da mesma faixa etária e em 
vários níveis do processo de conhecimento. 
Alunos com síndrome de Down, por exemplo, poderão compartilhar 
esse atendimento com colegas, com outras síndromes, sequelas de paralisia 
cerebral e ainda outros com ou sem uma causa orgânica esclarecida de sua 
deficiência e com diferentes possibilidades de acesso ao conhecimento 
(BRASIL, 2007). 
No caso da deficiência física, para que o educando com deficiência 
física possa acessar ao conhecimento escolar e interagir com o ambiente ao 
qual ele frequenta, faz-se necessário criar as condições adequadas à sua 
locomoção, comunicação, conforto e segurança. É o Atendimento Educacional 
Especializado, ministrado preferencialmente nas escolas do ensinoregular, que 
deverá realizar uma seleção de recursos e técnicas adequados a cada tipo de 
comprometimento para o desempenho das atividades escolares. O objetivo é 
que o aluno tenha um atendimento especializado capaz de melhorar a sua 
comunicação e a sua mobilidade. 
Por esse motivo, o Atendimento Educacional Especializado faz uso da 
Tecnologia Assistiva (TA) direcionada à vida escolar do educando com 
deficiência física, visando a inclusão escolar. 
A Tecnologia Assistiva, segundo Bersch (2006, p. 2), “deve ser 
entendida como um auxílio que promoverá a ampliação de uma habilidade 
funcional deficitária ou possibilitará a realização da função desejada e que se 
encontra impedida por circunstância de deficiência”. 
Assim, o Atendimento Educacional Especializado pode fazer uso das 
seguintes modalidades da Tecnologia Assistiva, visando à realização de tarefas 
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acadêmicas e a adequação do espaço escolar, preconizadas no decreto nº 
3298/99 (cita quais são os recursos garantidos às pessoas com deficiência). 
Equipamentos, maquinarias e utensílios de trabalho especialmente 
desenhados ou adaptados para uso por pessoa portadora de deficiência; 
elementos de mobilidade, cuidado e higiene pessoal necessários para facilitar a 
autonomia e a segurança da pessoa portadora de deficiência; elementos 
especiais para facilitar a comunicação, a informação e a sinalização para 
pessoa portadora de deficiência; equipamentos e material pedagógico especial 
para educação, capacitação e recreação da pessoa portadora de deficiência; 
adaptações ambientais e outras que garantam o acesso, a melhoria funcional e 
a autonomia pessoal. 
A TA se organiza em modalidades ou especialidades e essa forma de 
classificação varia conforme diferentes autores ou instituições que trabalham 
com a TA. A organização por modalidades contribui para o desenvolvimento de 
pesquisas, recursos, especializações profissionais e organização de serviços. 
Podemos citar como modalidades: 
• Auxílios para a vida diária e vida prática; 
• Comunicação Aumentativa e Alternativa; 
• Recursos de acessibilidade ao computador; 
• Adequação Postural (posicionamento para função); 
• Auxílios de mobilidade; 
• Sistemas de controle de ambiente; 
• Projetos arquitetônicos para acessibilidade; 
• Recursos para cegos ou para pessoas com visão subnormal; 
• Recursos para surdos ou pessoas com déficits auditivos; 
• Adaptações em veículos. 
Temos ainda a Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). 
A Comunicação Aumentativa e Alternativa – CAA – é uma das áreas da 
TA que atende pessoas sem fala ou escrita funcional ou em defasagem entre 
sua necessidade comunicativa e sua habilidade em falar e/ou escrever. Busca, 
então, através da valorização de todas as formas expressivas do sujeito e da 
construção de recursos próprios dessa metodologia, construir e ampliar sua via 
de expressão e compreensão. 
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Recursos como as pranchas de comunicação, construídas 
com simbologia gráfica (desenhos representativos de 
ideias), letras ou palavras escritas, são utilizados pelo 
usuário da CAA para expressar seus questionamentos, 
desejos, sentimentos e entendimentos. A alta tecnologia 
nos permite também a utilização de vocalizadores 
(pranchas com produção de voz) ou do computador, com 
softwares específicos, garantindo grande eficiência na 
função comunicativa. Dessa forma, o aluno com 
deficiência, passa de uma situação de passividade para 
outra, a de ator ou de sujeito do seu processo de 
desenvolvimento. (BERSCH e SCHIRMER, 2005, p. 89). 
 
Dizemos que a comunicação é aumentativa quando o sujeito utiliza um 
outro meio de comunicação para complementar ou compensar deficiências que 
a fala apresenta, mas sem substitui-la totalmente. E que comunicação é 
alternativa quando utiliza outro meio para se comunicar ao invés da fala, devido 
à impossibilidade de articular ou produzir sons adequadamente (TETZCHNER 
e MARTINSEN,1992, p. 22 apud BRASIL, 2007). 
O objetivo da CAA é tornar o sujeito com distúrbio de comunicação o 
mais independente e competente possível em suas situações comunicativas, 
podendo assim ampliar suas oportunidades de interação com os outros, na 
escola e na comunidade em geral (SCHIRMER, 2004, p. 46). 
O MEC elaborou um guia pedagógico, explicitando diferentes materiais 
e instruções para a utilização dos recursos nas salas de recursos e, quando for 
o caso, nas salas de aula regulares. Eles devem ser solicitados à Secretaria de 
Educação, conforme especificações de especialistas da área. 
Nesse sentido, podemos refletir que a articulação entre o ensino 
regular e atendimento educacional especializado precisa acontecer conforme a 
necessidade de cada caso, sem pensar que o desempenho escolar do aluno 
com deficiências venha em primeiro plano. 
 Em relação aos professores e pais que queiram criar um ambiente de 
linguagem, que realmente favoreça o desenvolvimento da comunicação 
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alternativa, terão realmente que modificar seus pensamentos e flexibilizarem 
suas atitudes. Eles deverão, acima de tudo, modificar algumas ideias 
ultrapassadas sobre o ensino de linguagem, buscando transcender a 
compreensão do papel de instrutores. 
Linguagem não é algo que se treina. A comunicação, quando em um 
ambiente favorável, variado e agradável, ocorre o tempo todo. 
Contudo, não podemos nos esquecer dos recursos humanos 
necessários para a efetivação das TAs que englobam toda uma parceria dos 
profissionais das Secretarias de Educação, gestores escolares, 
fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, arquitetos, 
engenheiros, todos em prol da aprendizagem e desenvolvimento da qualidade 
de vida do educando. 
A título de enriquecimento, abaixo apresentamos figuras que mostram 
alguns dos usos da CAA, das adequações dos materiais didático-pedagógicos, 
da acessibilidade arquitetônica, de recursos de informática e mobiliários 
adequados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1 – Uso de CAA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2 – Materiais didático-pedagógicos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3 – Recursos de informática 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Diante do exposto, verifica-se que a despeito do prescrito na legislação 
nacional no Brasil em relação à formação de professores para atuação na 
educação especial, na atuação com os alunos com necessidades educacionais 
especiais, que ao longo dos anos essa formação vem acontecendo de 
diferentes modos, tanto no que se refere a formação inicial, como em relação a 
formação continuada. 
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O que se observa é que em alguns estados a legislação que trata da 
formação dos profissionais da educação especiais reproduz as políticas de 
formação emanadas pelo governo federal,não há modificações significativas 
nos documentos, ou seja, incorporou-se a política neoliberal de formação 
preconizado pelos documentos nacionais e internacionais. Observa-se também 
que não há uma orientação para uma formação que leve em conta a prática 
pedagógica para o trabalho a ser realizado dentro do atendimento educacional 
especializado com os estudantes com necessidades educacionais especiais. 
Isso se constitui um fator problemático, uma vez que não se define em termos 
legais essa formação não é possível efetivar o processo de escolarização dos 
estudantes com necessidades educacionais especiais. Pode-se afirmar que 
em alguns estados os documentos que normatizam a formação do professor da 
educação especial definem a formação em nível superior – preferencialmente 
licenciatura em Pedagogia – e cursos de pós-graduação em educação especial 
ou cursos livres como formação específica para atuação como professor de 
educação especial, desconsiderando a possibilidade de formação em 
educação especial. 
Cabe ressaltar que é razoável não haver exigência de formação em 
educação especial, uma vez que há uma ausência quase total de licenciatura 
nessa área, registrando-se apenas três cursos: um na UFSM, um em UFSCar e 
outro no estado do Ceará. Ainda que em estudo desenvolvido recentemente foi 
constatada a existência de dezenove cursos de Licenciatura em Educação 
Especial que são ofertados pelas Instituições de Ensino Superior do Estado de 
Santa Catarina, sul do país, filiadas a Associação Catarinense das Faculdades 
Educacionais (ACAFE) (SILVA; TARTUCI, 2012. 
Portanto, a condição acima referida sugere que o “professor 
especialista” que tem atuado em diversos estados, como professor de 
atendimento educacional especializado em salas de recursos e como professor 
de apoio à inclusão, geralmente não apresenta vínculo formativo com a 
educação especial na formação inicial, seja em razão da ausência de conteúdo 
acerca da educação especial no âmbito dos cursos de licenciaturas, seja pela 
ausência de cursos de licenciatura de educação especial. Essa situação talvez 
não esteja diferente em outros estados brasileiros, pois várias pesquisas 
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(PLETSCH, 2009; MENDES, 2011) vem problematizando a ausência de diretriz 
para formação inicial de professores para atuar com alunos com necessidades 
educacionais especiais, seja para o “professor capacitado” ou o “professor 
especialista”. 
Por fim, deixamos a sugestão de alguns filmes e sites que muito 
contribuirão para entender os portadores de necessidades especiais e realizar 
um trabalho justo, rico e gratificante. 
 
 
 
Filmes: 
GÊNIO INDOMÁVEL 
MENTES QUE BRILHAM 
UMA MENTE BRILHANTE 
LANCES INOCENTES 
MEU PÉ ESQUERDO 
O MILAGRE DE ANNE SULLIVAN 
MEU NOME É RÁDIO 
Alguns sites para pesquisa: 
SAPIENS – superdotação intelectual. 
http://www.vademecum.com.br 
Grupo talento criativo. 
www.talentocriativo.com.br 
Portal do MEC-SEEP. 
http://portal.mec.gov.br/seesp 
MENSA BRASIL. www.mensa.org.br 
Portal CONSBRAD. Conselho 
Brasileiro para a Superdotação. 
www.conbrasd.com.br 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.vademecum.com.br/
http://www.talentocriativo.com.br/
http://portal.mec.gov.br/seesp
http://www.mensa.org.br/
http://www.conbrasd.com.br/
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5. A FORMAÇÃO DO PROFESSOR PARA O USO DA SALA DE RECURSOS 
MULTIFUNCIONAIS 
 
 
O professor da sala de recursos multifuncionais deverá ter curso de 
graduação, pós-graduação e ou formação continuada que o habilite para atuar 
em áreas da educação especial para o atendimento às necessidades 
educacionais especiais dos alunos. A formação docente, de acordo com sua 
área específica, deve desenvolver conhecimentos acerca de: Comunicação 
Aumentativa e Alternativa, Sistema Braille, Orientação e Mobilidade, Soroban, 
Ensino da Língua Brasileira de Sinais – Libras, Ensino de Língua Portuguesa 
para Surdos, Atividades de Vida Diária, Atividades Cognitivas, Aprofundamento 
e Enriquecimento Curricular, Estimulação Precoce, entre outros. 
O professor da sala de recursos multifuncionais tem como atribuições: 
 atuar como docente nas atividades de complementação ou 
suplementação curricular específica que constituem o atendimento 
educacional especializado dos alunos com necessidades educacionais 
especiais; 
 atuar de forma colaborativa com o professor da classe comum para a 
definição de estratégias pedagógicas que favoreçam o acesso do aluno 
com necessidades educacionais especiais ao currículo e a sua interação 
no grupo; 
 promover as condições para a inclusão dos alunos com necessidades 
educacionais especiais em todas as atividades da escola; 
 orientar as famílias para o seu envolvimento e a sua participação no 
processo educacional; 
 informar à comunidade escolar acerca da legislação e normas 
educacionais vigentes que asseguram a inclusão educacional; 
 participar do processo de identificação e tomada de decisões acerca do 
atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos; 
 preparar material específico para uso dos alunos na sala de recursos; 
 orientar a elaboração de materiais didático-pedagógicos que possam ser 
utilizados pelos alunos nas classes comuns do ensino regular; 
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 indicar e orientar o uso de equipamentos e materiais específicos e de 
outros recursos existentes na família e na comunidade; 
 articular, com gestores e professores, para que o projeto pedagógico da 
instituição de ensino se organize coletivamente numa perspectiva de 
educação inclusiva. 
 
Salienta-se que o professor da sala de recursos multifuncionais deverá 
participar das reuniões pedagógicas, do planejamento, dos conselhos de 
classe, da elaboração do projeto pedagógico, desenvolvendo ação conjunta 
com os professores das classes comuns e demais profissionais da escola para 
a promoção da inclusão escolar. 
Sobre a questão dos recursos humanos, Barreto e Goulart (2008) nos 
lembram que eles são elementos essenciais à prática da educação inclusiva e 
salientam que a necessidade de recursos humanos devidamente capacitados 
para atuarem em classes inclusivas implica não só o conhecimento a respeito 
das especificidades da deficiência com a qual se vai trabalhar, mas também 
uma reflexão crítica acerca do sentido da educação e de suas finalidades. 
Professores do ensino regular e da educação especial deveriam 
relacionar-se como aliados em busca dos mesmos objetivos e não como 
“detentores” de um saber direcionado unicamente à sua área de atuação 
(SERRA, 2006). 
Infelizmente, essa não é a realidade de muitas escolas, alguns 
professores do ensino regular, por falta de conhecimento ou “comodismo”, 
depositam toda a responsabilidade nos serviços de apoio, como se estes 
fossem os únicos responsáveis pela aprendizagem e inclusão de alunos com 
necessidades educativas especiais e/ou dificuldades escolares. 
Construir e cultivar políticas de inclusão pressupõe planejar novas 
formas de atuação, com intencionalidade e ousadia, a fim de que os aspectos 
criativos do trabalho docente possibilitem novas formas de intervenção que 
garantam a participação de todos em diferentes campos de atuação e em 
diferentes espaços. Aqui, mais uma vez, o sujeito professor entra em cena, na 
medida em que planejar é pensar e criar estratégias. O pensar é um ato 
individual, mas não é solitário. Afinal, não podemos esquecer que ninguém 
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pensa sozinho. Pensar envolve ouvir e ser ouvido pelos outros. É no pensar 
com o outro e para o outro que o professor pode encontrar as estratégias 
adequadas a cada tipo de situação e problema enfrentado. (SALGADO, 2006, 
p. 62). 
Ao analisar a formação e a ação pedagógica do professor, no processo 
de inclusão, Salgado (2006 apud BARRETO e GOULART, 2008) conclui que a 
prática depende fundamentalmente da sua constituição histórica, seus valores 
e convicções. Sugere ainda a utilização dos três AAA, de Nóvoa, aderir, agir e 
autoconscientizar-se, essenciais à transformação de verdades e conceitos em 
novos paradigmas, que garantam uma relação dialógica entre os sujeitos, e 
que a Educação possa ser “especial” para todos. 
O documento Sala de Recursos Multifuncionais: espaço para o 
atendimento educacional especializado, elaborado pelo Ministério da Educação 
e Secretaria da Educação Especial, em 2006, ao se referir ao atendimento dos 
alunos com deficiência mental nas Salas de Recursos, reafirma as áreas de 
desenvolvimento e esclarece que “[...] os professores realizam a mediação 
docente de forma a desenvolver os processos cognitivos, também chamados 
processos mentais, que oportunizam a produção do conhecimento” (ALVES, 
2006, p. 21). 
Nessa perspectiva, cabe ao professor: 
 realizar atividades que estimulem o desenvolvimento dos processos 
mentais: atenção, memória, raciocínio, imaginação, criatividade, 
linguagem, entre outros; 
 proporcionar ao aluno o conhecimento de seu corpo, levando-o a usá-lo 
como instrumento de expressão consciente na busca de sua 
independência e na satisfação de suas necessidades; 
 fortalecer a autonomia dos alunos para decidir, opinar, escolher e tomar 
iniciativas, a partir de suas necessidades e motivações; 
 propiciar a interação entre os alunos em ambientes sociais, valorizando 
as diferenças e a não-discriminação; 
 preparar materiais e atividades específicas para o desenvolvimento da 
aprendizagem dos alunos (ALVES, 2006, p. 23-24). 
 
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6. POLÍTICAS PARA A INCLUSÃO: estudo realizado em uma escola 
estadual de Belo Horizonte 
 
 
Este trabalho12, centrado nas Políticas Públicas para a Educação 
Inclusiva, enfatiza a formação de professores para trabalharem com alunos que 
apresentam necessidades educacionais especiais. A pesquisa, realizada em 
2007/2008, em uma Escola Estadual de Belo Horizonte, objetivou investigar a 
capacitação de docentes para essa modalidade de educação e avaliar o 
processo de inclusão dos mencionados alunos, em uma escola estadual de 
BH. Metodologicamente, optou-se pela denominada pesquisa "Quali-Quanti", 
na qual se aplicou um questionário que desenhou o perfil de 25 professoras da 
escola. Em termos qualitativos, foram entrevistadas 10 docentes, a diretora da 
escola e a gerente da Diretoria de Educação Especial (DEEP). Em síntese, 
foram estes os dados coletados: todas as professoras eram favoráveis à 
Educação Inclusiva; nenhuma delas tinha capacitação para trabalhar com essa 
educação e, apenas duas conheciam um pouco da legislação sobre a 
Educação Inclusiva; todas afirmaram tanto ter dificuldade de lidar com os 
referidos alunos quanto ser significativa a evasão escolar dos mesmos. 
 
Introdução 
Este trabalho analisa as políticas de inclusão escolar para alunos com 
necessidades educacionais especiais, em uma escola estadual de Belo 
Horizonte. 
Ao se contemplar o campo das políticas, concorda-se com Ball (1997), 
no sentido de que nenhuma política é neutra, pois se insere em um campo de 
 
12
 Publicado pela revista Educar em Revista. Versão impressa. ISSN 0104-4060. Educ. rev. no.42 
Curitiba out./dez. 2011. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-40602011000500016. Disponível em: 
. Acesso em: 20 nov. 2016. 
Autoras: Maria Auxiliadora Monteiro Oliveira - Doutora em Educação pela Universidade Estadual de 
Campinas (UNICAMP). Pós-Doutora em Educação pela Universidade do Porto e pela UNICAMP. 
Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Minas 
Gerais (PUC/MG). Brasil. 
Sandra Freitas de Souza - Mestre em Educação pela Universidade Católica de Minas Gerais (PUC/MG). 
Supervisora Pedagógica da Escola Estadual Pestalozzi e Professora Universitária da Faculdade Pitágoras 
e da Universidade Presidente Antônio Carlos, Brasil. 
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representações codificadas e recodificadas, engendradas em determinado 
contexto histórico e espaço geográfico, através de conflitos, lutas e correlações 
de forças. As políticas voltadas para a inclusão de alunos com necessidades 
educacionais especiais têm gravitado em um campo contestado, muito 
disputado, à semelhança do que vem ocorrendo, por exemplo, no âmbito das 
questões referentes ao gênero e à raça. 
Para se compreender a complexidade das Políticas Educativas 
Inclusivas, inicia-se fazendo uma retrospectiva sucinta do seu desenvolvimento 
no Brasil. Em seguida, expõe-se a pesquisa realizada e, finalmente, são 
tecidas algumas considerações finais. 
 
Educação inclusiva e a formação de professores 
No Brasil, os estudos e as políticas públicas para a educação 
especial/inclusiva são bastante recentes. Assim, só a partir da segunda metade 
do século XX os documentos normativos começaram a fazer referência à 
educação em pauta. A primeira Lei de Diretrizes e Bases (LDB), Lei n. 4.024/61 
dispôs que a educação é direito de todos, recomendando a integração da 
educação especial ao Sistema Regular de Ensino. A Lei 5692/71 reafirmou a 
necessidade de se conferir um tratamento adequado aos alunos com 
necessidades educacionais especiais. 
Em 1981, foi instituído pela ONU (Organizações das Nações Unidas) o 
Ano Internacional das Pessoas com Deficiência, que defendeu a igualdade de 
oportunidades para todos. A partir de então, foram formuladas ações que 
provocaram a ruptura com a atitude de benevolência e a priorização de uma 
posição política, centrada no direito e no acesso à cidadania dos alunos com 
necessidades educacionais especiais (OLIVEIRA; AMARAL, 2004). 
A Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Criança e do 
Adolescente (Lei n. 8.069, de 13/07/90) determinam direitos para as pessoas 
especiais. A Constituição, no seu artigo 208, inciso III, explicita como dever do 
Estado o atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência, 
preferencialmente, na Rede Regular de Ensino. 
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Em 1988, a Lei 7853/89 assegurou vários direitos aos alunos com 
necessidades educacionais especiais: matrícula compulsória em escolas 
públicas e privadas de ensino; oferta obrigatória de Programas de Educação 
Especial em estabelecimentos públicos de ensino; oferta de Programas de 
Educação Especial; oferta de material escolar, merenda e bolsa de estudos. 
Em 1990, o Brasil participou da Conferência Mundial de Educação para Todos, 
na qual foi aprovada a Declaração Mundial de Educação para Todos, que 
enfatizou a importância da educação para os sujeitos excluídos social e 
educacionalmente. 
O Decreto n. 914/93 estabeleceu as Diretrizes da Política Nacional 
para a Integração da Pessoa com Deficiência, que garantiu, aos sujeitos 
especiais, direitos em todas as instâncias governamentais, ou seja,saúde, 
educação, trabalho, seguridade social, habitação, cultura, esporte, lazer, 
qualificação e inserção profissional. 
Em 1994, a Conferência de Salamanca contemplou questões relativas 
à educação especial, destacando entre elas que alunos com necessidades 
educacionais especiais deveriam ter acesso às escolas regulares, usando uma 
pedagogia que atenda as suas necessidades (BRASIL, 1994). Também, em 
1994, foi veiculada a Portaria n. 1.793/94, que recomendou a inclusão da 
disciplina "Aspectos éticos, políticos, educacionais e normalização e integração 
de alunos com necessidades educacionais especiais", nos currículos dos 
Cursos de Pedagogia, Psicologia, em todas as licenciaturas e em outros cursos 
superiores. 
Em 1996, foi promulgada a LDB (Lei nº. 9394/96), que dedica o 
capítulo V à educação especial, sendo que o artigo 58 enfatiza que essa 
modalidade de educação deve ser oferecida na Rede "Regular" de Ensino, 
para os "portadores" de necessidades especiais, estabelecendo, nos incisos de 
I a V, condições que devem ser asseguradas pelos sistemas de ensino13. 
Contudo, pesquisas realizadas e, especialmente, a aqui retratada, evidenciam 
 
13
 Assim, esses incisos apregoam ser necessário assegurar: currículos, métodos, técnicas, recursos 
educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades; terminalidade específica para os 
que não puderam atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas 
deficiências; professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento 
especializado, bem como professores do ensino "regular" capacitados para promover a integração em 
classes comuns. 
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uma grande diferença entre o que é requerido no discurso normativo e o que 
vem ocorrendo na prática concreta. 
Os Parâmetros Curriculares Nacionais Adaptações Curriculares, 
Estratégias para a Educação de Alunos com Necessidades Especiais 
explicitam a necessidade de esses alunos terem acesso aos conhecimentos 
necessários à vivência cidadã. 
Em 1999, a Conferência Internacional para a Eliminação de Todas as 
Formas de Discriminação contra as Pessoas com Deficiência, ocorrida na 
Guatemala, motivou a veiculação do Decreto n. 3956/2001, que dispôs sobre a 
eliminação de todas as formas de discriminação e a necessidade de promover 
a integração social plena dos alunos com necessidades educacionais 
especiais. As Diretrizes Nacionais para a Educação de Pessoas com 
Necessidades Educacionais na Educação Básica (Resolução/CNE/CEB n. 
2/2001) determinou que os Sistemas de Ensino matriculassem todos os alunos, 
independentemente de deficiências e diferenças, assegurando as condições 
necessárias à inclusão, recomendando também a capacitação dos professores 
para a educação inclusiva. 
O Plano Nacional de Educação, Lei n. 10.172/2001, dispôs sobre: a 
inclusão do aluno especial no sistema regular de ensino; o atendimento de 
casos específicos, em classes e escolas especializadas; o apoio das escolas 
especiais às escolas comuns; a qualificação dos docentes; e a oferta de cursos 
de formação e de especialização em universidades. 
Para se concretizar essa educação inclusiva preconizada, é preciso 
assegurar condições físicas e infraestruturais, recursos especializados e 
capacitação dos professores, tratando-se, assim, de uma tarefa difícil, pois 
requer mudança de mentalidade da grande maioria dos gestores e um grande 
investimento financeiro. A instauração dessa prática inclusiva, segundo 
Magalhães (2006, p. 359), requer a adoção, 
[...] de uma concepção de prática pedagógica diferenciada 
e inclusiva que está ancorada na tese de que a 
heterogeneidade dos alunos deve ser respeitada e, 
portanto, o aluno com deficiência tem direito e 
necessidade de participar e de ser considerado membro 
ativo, no interior da comunidade escolar. 
 
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Assim, a educação inclusiva requer modificações substantivas que 
envolvem: questões inerentes às políticas de inclusão, à flexibilização 
curricular, à preparação da escola comum14 para receber alunos especiais, à 
utilização de técnicas e recursos apropriados e à capacitação docente. 
Entretanto, constata-se que existe uma separação entre o discurso e a 
prática, pois as práticas são, geralmente, pseudoinclusivas, podendo confundir 
os professores a respeito de sua concepção/ação no campo da inclusão, 
sobretudo, porque eles, geralmente, não sendo capacitados, não têm 
condições de fazer o discernimento (MAGALHÃES, 2006). 
O referido discurso laudatório, pode ser observado no Parecer n. 
424/2003, do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais, que expõe, 
mais do que real, uma situação idealizada. 
 
Segundo constatado em estudos e pesquisas, as escolas 
inclusivas e integradoras preparam seus professores para 
trabalharem com a diversidade; reduzem o número de 
alunos por turma, se necessário; distribuem os alunos 
com necessidades educacionais especiais nas turmas, 
evitando-se a sua concentração em uma única turma; 
estimulam a cooperação e solidariedade entre alunos; 
trabalham com sistemas de monitorias de alunos; os 
prédios escolares são acessíveis, sem barreiras 
arquitetônicas e atitudes preconceituosas ou 
desrespeitosas ao aluno e possuem diversos serviços de 
apoio disponíveis aos professores e alunos. Nessas 
escolas, é intensa a articulação entre família, 
comunidade/escola e instituições especializadas, 
procurando-se sempre o cumprimento da função escolar 
com todos os alunos, independente de suas condições 
(MINAS GERAIS, 2003, p. 2). 
 
14
 Constata-se que é habitual, inclusive, em documentos normativos, ser utilizada a terminologia "escola 
regular". Entretanto, segundo informação dada em palestra, pelo professor Carlos Roberto Jamil Cury, 
deve-se utilizar a terminologia "escola comum", pois "escola regular" parte do pressuposto de que as 
outras escolas, como, por exemplo, a escola especial, seriam irregulares. 
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Mazzotta (1993) é incisivo ao afirmar que é preciso criar condições 
para que os alunos com necessidades educacionais especiais, matriculados 
em escolas comuns, usufruam de: currículo especial ou currículo comum com 
as devidas alterações, uso de material, equipamentos e aparelhos específicos 
e, sobretudo, professores competentes e capacitados para a educação 
inclusiva. O magistério, na educação inclusiva, deve partir do pressuposto de 
que ensinar a todos, não significa ensinar tudo, da mesma forma a todos, com 
os mesmos objetivos e formas de avaliação. É preciso considerar as diferenças 
e é equivocada a posição de que "a diferença/deficiência por si mesma, traria 
subsídios para ensinar os professores a lidar com a mesma" (MAGALHÃES, 
2006, p. 367). 
Pode-se afirmar que a maioria dos autores considera importante que o 
professor seja capacitado para a educação inclusiva. Para exemplificar, 
expõem-se posições de três pesquisadores da área em apreço. "A formação 
dos professores para a educação especial, tendo como foco a inclusão, indica 
a formação docente como elemento-chave para a mudança da escola" 
(MICHELS, 2006, p. 491). Para Mazzotta (1993, p. 41), a educação especial e 
a situação da excepcionalidade da educação escolar, mediadas pela educação 
comum, "dependem, fundamentalmente, da qualidade ou da competência dos 
professores comuns e especializados".Omote (2003) avalia que os professores 
do ensino comum necessitam de formação para serem bons educadores, com 
conhecimento e experiência indispensáveis à educação dos alunos com 
necessidades educacionais especiais, para saberem usar os recursos e os 
procedimentos metodológicos especializados, e para decidirem sobre os 
conhecimentos e experiências que devem ser a eles proporcionados. 
A formação de professores inclusivos deve se embasar: 
 
[...] na concepção construída ao longo de toda a história 
de atendimento ao deficiente, de que cada deficiência 
constitui uma categoria específica, distinta da de pessoas 
não deficientes e das de outras deficientes. Nessa 
concepção, cada categoria de deficientes tende a ser 
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revista como se apresentasse necessidades peculiares e 
próprias de seus integrantes, recursos humanos, 
materiais e metodológicos específicos e de uso exclusivo 
(OMOTE, 2003, p. 158). 
 
 
As autoras deste trabalho consideram relevante a capacitação dos 
professores para a educação inclusiva, tanto para assegurar aos referidos 
alunos o direito a uma educação de melhor qualidade quanto para valorizar o 
professor em sua prática cotidiana, "reconhecendo-o como um profissional que, 
consciente de seus deveres, busca maior envolvimento com seu trabalho, 
objetivando o desenvolvimento dos seus alunos" (CURY, 2005, p. 13). 
Contudo, a educadora Maria Tereza Égler Mantoan, em entrevista 
concedida à Revista Nova Escola, enfatiza que a capacitação do professor não 
se faz necessária: "Um professor, sem capacitação, pode ensinar alunos com 
deficiência, pois o papel do professor é ser regente de classe e não 
especialista em deficiência" (CAVALCANTE, 2005, p. 24). Para essa autora, as 
diferenças não precisam ser levadas em conta, pois a necessidade especial do 
aluno não é princípio relevante para a aprendizagem. 
As pesquisadoras responsáveis por este artigo discordam da posição 
de Mantoan, pois consideram que é na escola e na sala de aula que as 
diferenças, geralmente, se tornam mais evidentes, exigindo dos professores 
conhecimentos mais densos sobre as especificidades e peculiaridades dos 
alunos, fato esse que requer formação específica. Assim, elas consideram que 
a capacitação de professores para a educação inclusiva é muito importante 
para promover a compreensão e a vivência do paradigma da diversidade, para 
a construção de uma nova proposta educacional, que atenda a todos os 
alunos, em suas especificidades e diferenças. 
Essa formação deve oferecer aos alunos, futuros professores, uma 
clareza quanto aos seus objetivos e especificidades do ensino, levando em 
conta as condições socioeconômicas dos alunos, suas diferenças, as histórias 
de suas culturas e seus pertencimentos a um determinado contexto 
(SEVERINO, 2003). 
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A escola continua sendo o lócus preferencial da construção e da 
sistematização do conhecimento e, por mais que os conteúdos sejam 
flexibilizados para atender às diferenças, continua-se trabalhando com o 
conhecimento formal. E é esse conhecimento que os alunos com necessidades 
educacionais especiais devem apreender e dele se beneficiar, fazendo as 
adaptações necessárias, pois "estamos partindo do pressuposto de que o 
objetivo precípuo das atividades que se realizam na rede regular de ensino, 
com qualquer aluno, seja a escolarização formal" (OMOTE, 2003, p. 193). 
Ressalta-se que, além da capacitação no âmbito da formação inicial, é 
fundamental, conforme recomendam a Resolução CNE/CEB n. 2/2001 e o 
Plano Nacional da Educação (2001), que os docentes tenham oportunidade de 
cursar a educação continuada, pois o conhecimento sempre se renova, assim 
como as determinações normativas e as condições objetivas de trabalho com 
alunos que apresentam necessidades educacionais especiais. O Plano 
Nacional de Educação estabelece as seguintes metas: 
 
[...] Generalizar, em cinco anos, como parte dos 
programas de formação em serviço, a oferta de cursos 
sobre o atendimento básico a alunos especiais para os 
professores em exercício na educação infantil e no ensino 
fundamental, utilizando a TV Escola e outros programas 
de educação a distância [...] assegurar a inclusão, no 
projeto pedagógico das unidades escolares, do 
atendimento às necessidades educacionais especiais de 
seus alunos, definindo os recursos disponíveis e 
oferecendo formação em serviço aos professores em 
exercício. (BRASIL, 2001, p. 66-67). 
 
Além da carência ou deficiência das formações inicial e continuada de 
professores para a educação inclusiva, outras questões afetam o trabalho 
docente. Assim, muitos autores têm denunciado o processo de intensificação 
do trabalho docente, inclusive, afirmando que a atual LDB, nos incisos I e II, do 
artigo 14, atribui novas e complexas tarefas aos professores. 
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Além disso, para eles, o ingresso de alunos com necessidades 
educacionais especiais nas escolas comuns vem trazendo novas e maiores 
responsabilidades e desafios, para os quais os docentes não recebem o devido 
reconhecimento social e a melhoria de suas condições salariais e de trabalho. 
O processo de inclusão nas escolas públicas no país não se difere do 
que vem ocorrendo na Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais, como será 
relatado na pesquisa realizada pelas autoras deste trabalho. 
Tratando-se, especificamente, da pesquisa realizada, feita em uma 
escola comum da Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais, menciona-se que 
os dispositivos legais (Orientação SD 01/2005, da SEE-MG) expõem sobre o 
atendimento educacional aos alunos com necessidades educacionais especiais 
na referida rede e enfatizam que o professor, ao receber esses sujeitos, pode, 
se necessitar, requerer assessoria de um professor especializado. Contudo, 
esse dispositivo legal é pouco divulgado e, na escola investigada, esse 
profissional não se fez presente no período da pesquisa. 
Acredita-se que esse professor especializado que possui experiência 
de magistério em escolas especiais e formação para trabalhar com alunos com 
necessidades educacionais especiais poderia ter uma função ampliada e 
importante, na orientação dos professores e gestores das escolas comuns, 
sobretudo, assessorando-os nas especificidades da prática pedagógica do 
currículo e das avaliações para que se tornem mais acolhedores, flexíveis e 
promotoras tanto do sucesso escolar, quanto da formação para a cidadania. 
Metodologia 
Caracterização da pesquisa 
 
Os objetivos visados pela investigação foram: investigar, na escola 
pesquisada, se as professoras eram capacitadas para a educação inclusiva e 
averiguar como vem se processando a inclusão de alunos com necessidades 
educacionais especiais, nessa escola. 
Caracterização do local da pesquisa 
 
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A escola investigada, vinculada à Rede Estadual de Ensino de Minas 
Gerais, foi criada em 1945 e está localizada em Belo Horizonte, atendendo na 
época da pesquisa a 770 alunos dos anos iniciais do ensino fundamental. O 
corpo administrativo e pedagógico é formado pela diretora, vice-diretora, 3 
supervisores, 3 funcionários e 28 docentes. Essa escola dispõe de uma área 
construída de 1.235 m2 e está situada em um espaço territorial de 3.699 m2. 
Procedimentos de coleta dos dados 
 
Metodologicamente, foi feita uma investigação"Quali-Quanti", sendo 
aplicado um questionário a 25 docentes da escola, para desenhar o perfil 
desses sujeitos. No que tange à pesquisa qualitativa, foram entrevistadas 10 
professoras, a diretora da escola e a gerente da Diretoria de Educação 
Especial, da Secretaria Estadual de Educação (SEE-MG). A análise de 
conteúdo foi utilizada para interpretar os dados coletados pelas entrevistas. 
Caracterização das participantes 
 
No Box, a seguir, são explicitados os dados coletados pelo 
questionário, e que traçaram o perfil das professoras da escola. 
 
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Resultados e discussão 
Apresentação das oito categorias identificadas nas falas das docentes 
 
Inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais na escola 
pesquisada 
 
Como se vem constatando em muitas pesquisas, e nesta também, as 
professoras se mostraram favoráveis e sensibilizadas para trabalhar com esses 
alunos, conforme se pode perceber, nestas falas: "aqui só se faz a 
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socialização, impossível trabalhar conteúdos; não fomos capacitadas, não 
seguiram a lei que manda qualificar, fica difícil trabalhar com os especiais"; 
"difícil, nós não fomos treinados, a escola não está adaptada"; "tenho 30 alunos 
com 'n' problemas de aprendizagem e de disciplina, como dar atenção aos 
especiais?"; "falta tudo, as crianças não têm apoio, a gente não dá conta e elas 
acabam se sentindo reprimidas, excluídas". 
 
O trabalho com os alunos que apresentam necessidades educacionais 
especiais 
 
No que se refere ao trabalho com alunos com necessidades 
educacionais especiais, constatou-se que todas as docentes não tinham 
experiência e, apesar de manifestarem boa vontade, explicitaram ter 
dificuldades em "lidar" com os mesmos. Essas dificuldades eram decorrentes, 
principalmente, do fato de não terem sido capacitadas para promover a 
inclusão. 
 
Conhecimento da legislação sobre a inclusão 
 
A respeito do conhecimento da legislação sobre a inclusão, segundo 
Cury (2005), os professores e mesmo muitos gestores desconhecem os 
documentos normativos, relativos à inclusão de alunos com necessidades 
escolares especiais, nas escolas comuns. Os depoimentos coletados 
reforçaram a posição desse autor: "eu tive pouquíssimas informações na 
graduação"; "é, sei alguma coisinha que aprendi em cursos, que não foram lá 
muito bons"; "eu estudei um pouco, sozinha"; "eu nunca pensei passar tanto 
aperto, não conheço a lei, não fui treinada, não sei lidar". 
 
Relação dos alunos com os colegas que apresentam necessidades 
educacionais especiais 
 
A quarta categoria se refere ao relacionamento dos alunos com seus 
colegas com necessidades educacionais especiais. 
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Segundo Omote (2003), para se construir uma escola inclusiva, é 
preciso que a sociedade seja inclusiva. Essa é, sem dúvida, uma premissa 
verdadeira, pois o preconceito e a discriminação são gerados na sociedade e 
nas famílias. 
As professoras declararam que a sensibilização dos alunos da turma 
tem de ser constante e que esse trabalho vem obtendo resultados positivos: 
"eu acho que os colegas são carinhosos com os especiais, desde que eles não 
sejam agressivos"; "no início, eles começaram a caçoar do anão e ele chorava, 
mas trabalhei com eles e, agora, aceitam"; "a menina com Down é até 
protegida"; "aceitam, agora, se algum especial é agressivo comigo, ou com os 
colegas, eles não gostam". 
 
Perfil do professor inclusivo 
 
Nesta categoria, foram esses os depoimentos das docentes: "o 
professor tem de ter aquela habilidade, enfrentar o desafio"; "não é qualquer 
um que consegue, pior ainda, pelo fato de não ter capacitação"; "muitos 
colegas e mesmo eu, não temos aquela disposição, aquela vontade de dar o 
máximo de si"; "a gente até pode ter vontade, mas pensa, com um montão de 
alunos, sem ter capacitação, e ter de cuidar dos especiais, é muita carga, 
trabalho demais, além de tudo, a gente tem trabalho demais, como ter 
paciência e tempo para lidar com esses alunos?"; "de uns anos para cá, o 
nosso trabalho dobrou, as férias diminuíram, então, como ter o perfil para 
trabalhar com alunos que precisam de atenção redobrada?"; "eu até procuro ter 
esse perfil, apesar da sobrecarga de trabalho, salário baixo, sala cheia, é difícil, 
a escola não é adaptada, os banheiros não são adaptados. Acredita, fui 
observando que um aluno anão não ia ao banheiro, ficava sem fazer xixi o 
tempo todo, tive de pedir para fazer um banquinho para ele alcançar o vaso 
sanitário". 
Constata-se, por esses depoimentos, que ter boa vontade e 
sensibilidade não bastam, pois, além da carência de capacitação, a falta de 
adaptação da infraestrutura da escola e a intensificação do trabalho docente 
dificultavam o processo de inclusão na escola. 
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Apoio da SEE 
 
As falas de todas as professoras evidenciaram que esse apoio não tem 
sido satisfatório e reclamaram, também, da dificuldade que vêm encontrando 
para se qualificarem. Esses depoimentos estão em consonância com o que 
vêm reiterando muitos pesquisadores: o discurso apologético da inclusão não 
atinge o chão da escola. 
 
Evasão de alunos com necessidades educacionais especiais 
 
Segundo Michels (2006), nem sempre, a escola comum tem as 
condições necessárias, tanto no nível de "recursos humanos capacitados" 
quanto no da infraestrutura e dos recursos didático-pedagógicos, que poderiam 
contribuir para viabilizar a educação inclusiva. Por isso, muitos alunos se 
evadem, conforme explicitam essas falas: "a mãe achou que o menino estava 
sofrendo aqui"; "o menino saiu, terminou a escolaridade de qualquer modo, não 
adianta ficar, pois ele não tem apoio para desenvolver mais"; "o aluno voltou 
para a escola especial, a gente procura integrar, cuidar, mas não dá conta"; 
"sei que a inclusão é importante, mas fazer como, com que condição? Então, 
muitos voltam para a escola especial, que tem mais condições". 
 
Responsabilidade pela capacitação dos docentes pesquisados 
 
É interessante ressaltar que, embora muitos documentos normativos 
nacionais mencionados Constituição Federal de 1988, LDB de 1996, Plano 
Nacional da Educação de 2001 determinarem a capacitação dos professores 
para a educação inclusiva, esse preceito não vem sendo, geralmente, 
cumprido. 
As falas das entrevistadas indicaram que a Secretaria de Educação 
deveria se responsabilizar pela capacitação: "eu acho que a SEE deveria nos 
apoiar e dar curso"; "a SEE não capacita e é dela a responsabilidade de nos 
capacitar"; "eu acho que a secretaria deveria dar curso". 
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Diretora da DESP (Diretoria de Educação Especial) 
 
Quanto à "fala da Diretora da DESP", pode-se afirmar que ela se 
posicionou, via de regra, de modo contrário ao que os professores declararam, 
como evidenciam pequenos fragmentos de seu depoimento: 
Quanto à inclusão na escola comum: "para mim existe muito 
preconceito dos professores a respeito de inclusão; muitos acham que os 
deficientes deveriam ficar nas escolas especiais"; "com o Projeto Incluir e 
nossos textos e orientações, entretanto, observo que tem melhorado, mas há 
reclamações, querem mais recursos, mas eles são poucos".Quanto à formação de professores: "bem, o Projeto Incluir tá ocorrendo 
no interior, em BH, abordando a capacitação para lidar com alunos surdos e 
cegos; não conseguimos atender a todo interior, mas tá indo"; "damos 
formação para os professores, mas em Belo Horizonte o processo não tá indo 
bem; também não há interesse dos professores. É verdade que tem 
pouquíssimas vagas, mas o interesse é pequeno, também". 
Quanto ao apoio da Secretaria: "damos todo apoio, conscientizamos o 
pessoal da escola, temos uma apostila que mostra as propostas do Projeto 
Incluir. Esse projeto prevê a remoção das barreiras arquitetônicas, a 
acessibilidade tecnológica, a formação em rede de apoio, na qual em cada 
município será oferecido atendimento especializado; estamos prevendo cursos 
de 120 horas, por área de deficiência. Além disso, as Universidades vão fazer 
capacitação". 
 
Depoimento da diretora da escola 
 
A diretora da escola foi sucinta no seu depoimento; como se 
evidenciam excertos da sua fala: 
[...] eu não recebi na graduação e nem em outros cursos que fiz, 
nenhum tipo de formação para trabalhar com a inclusão; conheço algumas leis 
a respeito do ECA, do Conselho Tutelar, da Promotoria, mas leis da inclusão 
não; trabalhar com alunos especiais, aqui na escola, é difícil; até que eu 
procuro ajudar e é uma experiência inovadora, rica, mas difícil, especialmente 
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para mim, porque o trabalho na direção é estafante, muito burocrático, 
demandando inúmeras atividades. Aqui, tem casos variados de deficiência; tem 
casos de crianças com dificuldade de falar, ou que não falam e a gente fica 
tentando comunicar, mas não consegue entender. Outro dia, um menino com 
esse problema procurava se comunicar comigo, e eu nem entendia nada, mas 
um coleguinha compreendia e me ajudou. Teve um caso de um aluno, não sei 
o que ele tinha, mas babava muito e os meninos caçoavam, a gente tentou 
sensibilizar, mas as crianças continuavam chamando-o de babão. 
 
Considerações finais 
Os dados coletados evidenciaram que, na escola pesquisada, o 
processo de inclusão tem encontrado muitas dificuldades para se concretizar. 
Assim, verificou-se que as professoras e a diretora se mostraram 
conscientizadas e sensibilizadas da necessidade de incluir os alunos com 
necessidades educacionais especiais, mas as condições objetivas 
inviabilizaram ou dificultaram o desenvolvimento de uma real inclusão desses 
sujeitos. Constatou-se que muitos fatores entravaram o processo inclusivo: 
carência de rampas e de banheiros adaptados; falta de capacitação dos 
docentes; precariedade do apoio dado pela SEE; desconhecimento do 
diagnóstico das deficiências e de como lidar com elas; número elevado de 
alunos na sala de aula; inexistência do professor especializado para assessorar 
os docentes; intensificação do trabalho docente. 
As falas das professoras desconstruíram tanto os discursos dos 
gestores públicos, entre eles da SEE de Minas Gerais, quanto os discursos 
normativos e os da mídia, que vêm apregoando os inúmeros benefícios 
alcançados pela inclusão, nas escolas comuns, dos alunos com necessidades 
educacionais especiais. Dessa forma, esvai-se no ar a apologia feita pela SEE 
e, sobretudo, pelos meios televisivos, que se traduz em considerar a inclusão 
como uma panaceia, capaz tanto de livrar os alunos com necessidades 
educacionais especiais da suposta segregação das escolas especiais quanto 
de promover suas inserções socioprofissionais e o acesso à cidadania. 
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As autoras deste trabalho são favoráveis à inclusão, desde que ela não 
se constitua como uma "inclusão-excludente". O modo como vem se 
processando a inclusão em diversas escolas pode levar essas pesquisadoras a 
"engrossarem o coro" dos que consideram a racionalidade financeira como 
pressuposto básico das políticas públicas de inclusão. 
Finalmente, como este artigo dá ênfase à formação do professor para a 
educação inclusiva, considera-se que essa capacitação é importante, pois o 
docente tem um papel fundamental na promoção de uma real mudança na 
escola comum e inclusiva. 
Para Michels (2006), se o professor não for capacitado e se não forem 
disponibilizados recursos educacionais e infraestruturais, o discurso da 
inclusão e a necessária aceitação das diferenças não se consolidam, ou seja, a 
"narrativa" do respeito às diferenças pode instaurar uma "educação diferente", 
mas não adequada aos mencionados alunos, compensando, apenas, as 
diferenças sociais e reduzindo os custos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7. CARACTERÍSTICAS PSICOSSOCIAIS DO CONTATO INICIAL COM 
ALUNOS COM DEFICIÊNCIA 
 
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Este estudo15 teve por objetivo identificar as características 
psicossociais do processo de formação de professores, especificamente do 
contato inicial com práticas de ensino junto a alunos com deficiência. 
Participaram da pesquisa 70 universitários de licenciatura de Educação Física. 
Foram realizadas observações, entrevistas em grupo e análise documental. A 
partir da análise de conteúdo, os dados indicaram três características 
psicossociais desse processo: atribuição de origem social às dificuldades 
vivenciadas na relação; presença de forte mobilização subjetiva; e necessidade 
de mediação para lidar com a percepção de desequilíbrio entre o conhecimento 
prévio e a realidade de trabalho. A pesquisa revelou a necessidade de os 
universitários discutirem a questão da deficiência e deslocarem sua percepção 
para as possibilidades dos alunos com deficiência. Além disso, os resultados 
mostram que os professores, o próprio aluno com deficiência e o conhecimento 
produzido são imprescindíveis na mediação entre o universitário e a atividade 
pedagógica a ser desenvolvida. 
 
Introdução 
O cenário político da educação especial no Brasil, nos últimos 20 anos, 
passou por várias reformas com implicações práticas no cotidiano das escolas 
(Garcia & Michels, 2011). A educação especial, que era objeto, principalmente, das 
instituições especializadas (Ministério da Educação e Secretaria de Educação Especial, 1994), 
começa a ser considerada uma modalidade de ensino destinada aos alunos 
com necessidades educacionais especiais, preferencialmente, na rede regular 
de ensino (Lei n. 9.394, de 1996), sendo posteriormente enfatizado, por meio da 
 
15
 Publicado pela revista Psicologia & Sociedade. Versão Online. ISSN 1807-0310. Psicol. Soc. vol.27 
no.1 Belo Horizonte jan./abr. 2015. http://dx.doi.org/10.1590/1807-03102015v27n1p211. Disponível em: 
. Acesso em: 20 nov. 2016. 
Autoras: Maria Nivalda de Carvalho-Freitas. Professora Adjunta do Departamento e do Mestrado de 
Psicologia. Psicologia Social e do Trabalho. Andrea Carmen Guimarães. Professora Adjunta do 
Departamento de Educação Física. Educação Física Adaptada. Giselle Barreto Diniz Rocha. Licenciada 
em Educação Física. Universidade Federal de São João del-Rei. Jéssica Faria Souto. Bolsista de 
Iniciação Científica. Curso de Psicologia. Larissa Medeiros Marinho dos Santos. Professora Adjunta 
do Departamento e do Mestrado de Psicologia. Psicologia da Educação. Universidade Federal de São 
João del Rei (UFSJ), Minas Gerais-Brasil. 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B8
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B25(em serviço) dos profissionais da educação. 
(BRASIL, 2010, p. 98). 
 
Verifica-se, ainda, que a formação se encontra no documento como 
uma das prioridades da educação: 
 
Valorização dos profissionais da educação. Particular 
atenção deverá ser dada à formação inicial e continuada, 
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em especial dos professores. Faz parte dessa valorização 
a garantia das condições adequadas de trabalho, entre 
elas o tempo para estudo e preparação das aulas, salário 
digno, com piso salarial e carreira de magistério. (idem, p. 
35). 
 
Em relação à educação especial, um dos princípios a ser considerado 
na constituição dos cursos de formação foi a “inclusão das questões relativas à 
educação dos alunos com necessidades especiais [...] nos programas de 
formação” (idem, p. 99). 
Tal princípio remete para uma discussão já bastante desenvolvida no 
campo, segundo a qual a simples inserção de disciplinas e/ou conteúdos 
específicos não atribui à formação docente uma perspectiva orgânica acerca 
da educação dos sujeitos da educação especial, quer seja no curso de 
pedagogia ou nas demais licenciaturas. Essas discussões foram 
desencadeadas, em grande medida, pela portaria ministerial n. 1.793, de 27 de 
dezembro de 1994 (BRASIL, 1994a), que foi analisada, entre outros trabalhos, 
por Chacon (2001). 
A partir de 2007, o programa passou a desenvolver outra modalidade 
de curso, qual seja, Curso de Aperfeiçoamento de Professores do Atendimento 
Educacional Especializado1. Tal ação de formação está diretamente articulada 
ao Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais2. 
Estes programas mencionados constituem o esteio da atual política 
para a educação especial no Brasil e estão vinculados ao Plano de 
Desenvolvimento da Educação (PDE), o plano de metas do governo federal 
que apresenta um corpo de projetos para diferentes níveis e modalidades da 
educação nacional (GARCIA, 2013). 
 
1 Integra o programa de formação de professores de educação especial em ação conjunta com a 
Universidade Aberta do Brasil (UAB). 
2 O programa apoia os sistemas de ensino na implantação de salas de recursos multifuncionais (SRMs) 
com materiais pedagógicos e de acessibilidade para a realização do atendimento educacional 
especializado, complementar ou suplementar à escolarização. A intenção é atender alunos matriculados 
nas classes comuns do ensino regular, uma vez que o programa é destinado às escolas das redes estaduais 
e municipais de educação, nas quais os alunos com deficiências, altas habilidades e transtornos globais do 
desenvolvimento estejam registrados no censo escolar do Ministério da Educação (MEC)/Instituto 
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). 
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Rodrigues (2008) ressalta que a disseminação do modelo de Educação 
Inclusiva, nomeadamente pela inclusão de alunos com condições de 
deficiência na escola regular, origina novos desafios para a formação de 
professores. Já não se trata de formar professores para alunos que são 
educados num modelo segregado, mas, sim, professores que são capazes de 
trabalhar com eficácia com turmas assumidamente heterogêneas. Para isto, é 
necessário um novo olhar sobre os saberes, as competências e as atitudes que 
são necessárias para se trabalhar com classes inclusivas. Essas competências 
são complexas e diversificadas. 
Espera-se que o professor seja competente num largo espectro de 
domínios que vão desde o conhecimento científico do que ensina à sua 
aplicação psicopedagógica, bem como em metodologias de ensino, de 
animação de grupos, atenção à diversidade, entre outras. Isto sem considerar 
as grandes expectativas que existem sobre o que o professor deve promover 
no âmbito educacional mais geral, tal como a educação para a cidadania, 
educação cívica, sexual, comunitária, entre outras. Alguns autores têm, por 
isso, denominado a missão do professor na escola contemporânea como uma 
“missão impossível” (BEN-PERETZ, 2001 apud RODRIGUES, 2008). 
O mesmo autor acima acredita que existem três dimensões de 
formação que devem ser consideradas para capacitar os professores no apoio 
à Educação Inclusiva tanto no âmbito de especialização como nível generalista: 
os saberes, as competências e as atitudes. 
 
DIMENSÃO DOS SABERES 
A dimensão dos saberes refere-se ao conjunto de conhecimentos de 
índole mais teórica que fundamentam as opções de intervenção3. Estes 
conhecimentos vão desde aspectos mais diretamente teóricos, tais como o 
contato com o pensamento e a teorização de diferentes autores, até (e, 
sobretudo) trabalhos de investigação feitos em contextos reais que possam 
fundamentar a adoção de determinadas opções metodológicas. 
 
3
 Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=437-
revista-inclusao-n-6-1&category_slug=documentos-word&Itemid=30192 
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No que respeita à Educação Inclusiva, esta dimensão de saberes 
envolve o conhecimento das características de desenvolvimento e de 
aprendizagem de alunos com condições não habituais. Envolve certamente a 
caracterização pedagógica destas condições não habituais de 
desenvolvimento. Tradicionalmente é dada uma grande ênfase ao estudo das 
condições de deficiência nomeadamente à etiologia e à patologia em termos 
clínicos. Precisamos, pelo contrário, reforçar o olhar educacional para as 
dificuldades encaradas sob o ponto de vista educacional; isto é, conhecer como 
se avalia, como se planeja, como se desenvolve um processo educacional e de 
aprendizagem em alunos com dificuldades ou com deficiências que, se não 
forem enquadradas, poderão influenciar a plena participação no processo 
educativo. 
A dimensão dos saberes implica também conhecer formas 
diversificadas de animação de grupos, quer na esfera da decisão quer no nível 
do desenvolvimento do currículo, bases sobre o trabalho com famílias e com 
comunidades em diferentes escalas de compreensão ecológica. 
 
DIMENSÃO DAS COMPETÊNCIAS 
A dimensão das competências relaciona-se com o “saber fazer”, isto é, 
o conhecimento específico que o professor deve ter para conduzir, com 
sucesso, processos de intervenção em contextos assumidamente diversos4. 
Cabe aqui refletir sobre os objetivos do trabalho pedagógico com grupos 
assumidamente heterogêneos. 
Podemos dizer “assumidamente” porque todos os grupos são 
heterogêneos em termos de aprendizagem; a questão é se nós os tratamos 
como tal (considerando que a heterogeneidade é inerente ao grupo e, portanto, 
“natural”) ou se nos relacionamos como grupos (naturalmente) heterogêneos 
como se fossem problemáticos só pelo fato de não serem homogêneos. 
Trabalhar com grupos assumidamente heterogêneos é, pois, considerar em 
termos de avaliação, planejamento e intervenção, que a heterogeneidade é 
 
4
 4 Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=437-
revista-inclusao-n-6-1&category_slug=documentos-word&Itemid=30192 
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própria do grupo e a situação anômala seria a de encontrar um grupo de 
aprendizagem que se pudesse considerar homogêneo (RODRIGUES, 2008). 
Ainda refletindo sobre o trabalho com gruposhttp://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B19
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Resolução CNE/CEB n. 2, (2001), seu direcionamento para a rede regular de ensino e, 
apenas extraordinariamente, o atendimento de alunos com deficiência em 
escolas ou classes especiais, incorporando, assim, na política nacional, as 
premissas internacionais sobre a educação especial (Garcia & Michels, 2011)16. 
Nesse sentido, um conjunto de ações visando à efetivação da 
Educação Inclusiva na rede regular de ensino vem sendo desenvolvido pelo 
Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Especial 
(SEESP), por exemplo: Programa de Implantação de Salas de Recursos 
Multifuncionais, adequação de prédios escolares para acessibilidade, 
Formação Continuada de Professores na Educação Especial, além do 
Programa Educação Inclusiva (MEC e SEESP, 2012). Tais ações têm buscado 
garantir condições de acessibilidade física, pedagógica e tecnológica às 
diferentes necessidades educacionais especiais, para que alunos com 
deficiência tenham garantidos acesso e permanência nas escolas, com 
possibilidades reais de socialização e desenvolvimento acadêmico. 
Essas mudanças das políticas de educação especial e a 
implementação de ações de busca de consolidação da Educação Inclusiva no 
país estão se refletindo no aumento crescente de matrículas na rede regular de 
ensino que, em 1998, tinha 13% e, em 2012, 76% dos alunos com deficiência 
(SECADI/SESu, 2013). São dados que permitem identificar uma migração 
explícita dos alunos das escolas especializadas e classes especiais para as 
classes comuns das escolas regulares. No entanto, ainda que as políticas e 
ações internacionais e nacionais estejam trabalhando em prol de uma 
educação inclusiva, as pesquisas têm reiteradamente identificado dificuldades 
tanto na formação dos professores, inicial e continuada, quanto na atitude 
social dos educadores frente à inclusão. 
No Relatório Mundial sobre a Deficiência (WHO, 2011), foi observada a 
atitude dos professores como uma das principais barreiras apresentadas para o 
reconhecimento do direito das pessoas com deficiência terem acesso à 
educação regular. As explicações para as referidas atitudes foram a formação 
e/ou a ausência de suporte das escolas de muitos deles. 
 
16
 Sempre mantemos a formatação original da publicação. 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B30
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B8
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B25
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B43
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Glat e Pletsch (2010) detectaram como principal barreira para a inclusão 
escolar o despreparo dos professores e demais agentes escolares. Por outro 
lado, os resultados de pesquisa de Nunes, Ferreira e Mendes (1999), Michels (2005) e Huang e 
Diamond (2009), apontam que, nos cursos de formação de professores para a 
educação especial, a base principal é a orientação médico-psicológica, 
assentada em aspectos biológicos e da funcionalidade da pessoa com 
deficiência, e criticam os limites desses modelos. 
Avramidis e Norwich (2002), ao exibirem uma extensa revisão da literatura 
internacional sobre atitudes dos professores frente à inclusão, também 
constataram que a natureza da deficiência e o contexto escolar são fatores que 
influenciam a atitude dos professores. Além das variáveis atribuídas às 
crianças, variáveis relacionadas ao professor, como tempo de experiência, 
formação e crenças acerca da deficiência, foram identificadas pelas pesquisas 
analisadas como fatores que influenciam a atitude dos professores, embora 
nenhum fator, sozinho, possa ser considerado um forte preditor de suas 
atitudes. Ademais, pesquisas nacionais relevam a percepção dos professores 
de falta de preparo para a inclusão de alunos com deficiência (Glat, Plestsch, & Fontes, 
2007; Glat, Plestsch, 2010; Jesus, Barreto, & Gonçalves, 2011; Santos, 2002; Vitaliano, 2002, 2007) e 
sugerem como prioritário o incentivo dos gestores públicos à formação dos 
professores, tanto na formação inicial quanto na continuada, como uma ação 
com possibilidade de impacto na atitude dos professores (Aguiar & Duarte, 2005; 
Avramidis & Norwich, 2002; Glat et al., 2007; Glat & Plestsch, 2010; Melo & Ferreira, 2009; Melo & Martins, 2007; 
Vitta, De Vitta & Monteiro, 2010; WHO, 2011). 
Se, por um lado, existe consenso quanto à importância da formação 
inicial e continuada dos professores para o trabalho com alunos com 
deficiência, por outro, uma característica identificada no trabalho com pessoas 
com deficiência é a mobilização de emoções e sentimentos. Rodrigues (2004) relatou 
a reação de embaraço de um professor frente a alunos com deficiências 
motoras em suas aulas; Glat (1995) falou do desconforto e da mobilização de 
sentimentos de fragilidade quando em contato com pessoas com deficiência. 
Anjos, Andrade e Pereira (2009) descreveram os sentimentos positivos, negativos, de 
crise e de transição experimentados pelos professores em relação ao processo 
de inclusão. Vaughn, Schumm, Jallad, Slusher e Saumell (1996) verificaram que a maioria dos 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B10
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B26
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B23
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B12
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B12
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B4
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B11
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B11
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B10
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B17
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B32
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B39
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B40
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B1
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B4
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B11
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http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B22
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B21
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B41
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B43
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B31
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B9
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B3http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B37
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professores que não participavam de programas inclusivos tinha fortes 
sentimentos negativos em relação à inclusão e achava que os proponentes de 
programas inclusivos não tinham contato com a realidade das salas de aula. 
Por outro lado, Villa, Thousand, Meyers e Nevin (1996), em pesquisa de campo, 
notaram que o comprometimento dos professores no que tange à inclusão de 
alunos com necessidades educacionais especiais aparecia no final da 
implementação das ações inclusivas depois que os professores obtinham 
expertise na condução das atividades. Além disso, pesquisas internacionais 
indicam que professores mais jovens e com menos anos de experiência têm 
atitudes mais positivas com respeito à inclusão (Avramidis & Norwich, 2002). Omote e Pereira 
Júnior (2011) também verificaram, em pesquisa realizada com professores de um 
município do Paraná, que professores mais jovens tendiam a ter atitudes mais 
favoráveis quanto à inclusão do que os mais velhos. 
A presente pesquisa foi realizada considerando a regulamentação da 
educação de pessoas com deficiência nas escolas regulares, as críticas ao 
processo de formação dos professores, a mobilização de sentimentos dos 
professores em relação à inclusão e as indicações de que professores mais 
jovens tendem a ser mais favoráveis à inclusão. Seu objetivo foi identificar as 
características psicossociais do contato inicial de professores com práticas de 
ensino junto a alunos com deficiência. 
Entende-se por características psicossociais, para efeitos desta 
pesquisa, os pensamentos, sentimentos e ações que aparecem mais 
intensamente nas relações. Acredita-se que identificar essas características 
presentes no contato inicial com pessoas com deficiência pode auxiliar na 
construção de estratégias de formação de professores, que possam vir a 
minimizar as desvantagens dos alunos com deficiência em processo de 
escolarização. 
 
 
 
Método 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B38
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B4
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B27
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B27
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Participantes 
 
Participaram da pesquisa 70 alunos de licenciatura de Educação Física 
- denominados de universitários -, sendo 35 homens e 35 mulheres. Os alunos 
concordaram em participar da pesquisa e assinaram o Termo de 
Consentimento Livre e Esclarecido. Trinta universitários participaram da turma 
do primeiro semestre e quarenta, da turma do segundo semestre. Do total de 
universitários, 67% deles estavam na faixa etária dos 21 aos 30 anos, 17% até 
20 anos, 7% estavam entre 31 e 40 anos, e 7% entre 41 e 50 anos. Noventa 
por cento dos universitários declararam-se solteiros e 5,7%, casados. 
No que concerne às informações acerca das deficiências e das 
pessoas com deficiência, a maioria (45,6%) tinha informações superficiais a 
respeito, 34,3% já estudaram sobre a inclusão social, 17,1% já estudaram 
sobre questões relacionadas à deficiência e 1,4% não tinham nenhuma 
informação. Dos universitários, 55,7% não possuíam informações sobre 
materiais adaptados que facilitam o trabalho com pessoas com deficiência, 
40% conheciam algum tipo de material e 4,3% não responderam. Dos 
participantes da pesquisa, 86,2% dos alunos de licenciatura do primeiro 
semestre e 79,3% do segundo semestre nunca haviam tido contato com 
pessoas com deficiência; e nenhum dos universitários havia atuado 
profissionalmente com alunos com deficiência em estágios ou experiências de 
trabalho anteriores. 
Os universitários eram alunos da disciplina Educação Física Adaptada. 
É uma disciplina obrigatória dentro da grade curricular do curso de licenciatura 
em Educação Física da universidade pesquisada, com uma carga horária total 
de 60 horas dividida em teoria e prática. São destinadas 20 horas/aula para as 
atividades teóricas e 40 horas para as atividades práticas. A atividade prática 
foi realizada em uma unidade da Associação de Pais e Amigos dos 
Excepcionais (APAE). Os universitários foram divididos em grupos para a 
realização das atividades práticas. 
Instrumentos e procedimentos para a coleta de dados 
 
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Foram efetuadas observações livres de todas as aulas teóricas e 
práticas, durante dois semestres letivos. Nessas observações, era anotado 
principalmente o comportamento dos alunos frente aos temas discutidos e em 
relação aos alunos da APAE. Também foram efetuadas 24 entrevistas coletivas 
com os universitários, com duração média de 30 minutos cada uma, sempre 
após a execução da última atividade prática semanal realizada junto aos alunos 
da APAE. 
As entrevistas coletivas foram feitas com grupos de dez a quinze 
universitários. Os temas discutidos em todas as entrevistas foram as emoções 
e os sentimentos dos universitários perante o contato com alunos com 
deficiência naquela semana, os pensamentos que lhes ocorriam e as ações ou 
comportamentos que adotaram diante das dificuldades que encontraram. As 
entrevistas coletivas foram registradas por dois pesquisadores. Os dados 
coletados eram confrontados para verificar a concordância entre os registros 
dos pesquisadores e apresentados aos universitários para a validação das 
suas falas. Conforme Kramer (2003), as entrevistas coletivas, além de permitirem a 
identificação do ponto de vista dos entrevistados, auxiliam no reconhecimento 
de aspectos polêmicos e na identificação de conflitos, facilitando o 
aparecimento de ideias divergentes ou posições antagônicas frente ao 
conteúdo discutido. 
Ademais, o professor da disciplina requisitava aos alunos um relato 
escrito sobre sua participação durante as intervenções na APAE, que também 
foi utilizado como dado de pesquisa. Segundo Lüdke e André (1986), a análise 
documental pode se constituir numa fonte complementar às informações 
obtidas ou trazer elementos novos para a pesquisa, sendo considerado 
documento qualquer material escrito que possa ser utilizado como fonte de 
informação. 
Procedimentos de análise 
 
As observações e as entrevistas coletivas registradas e validadas pelos 
universitários foram lidas diversas vezes pelos pesquisadores, visando a 
agrupar e a classificar os dados em categorias temáticas (Bardin, 1994) que 
refletissem as principais emoções, pensamentos e ações dos universitários 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B18
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B20
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B5
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frente ao contato inicial com alunos com deficiência. Além disso, o relato 
mensal de todos os alunos foi digitado e, por meio da utilização de software de 
análise de conteúdo, foram analisadas as coocorrências de emoções, 
pensamentos e ações entre uma mesma unidade de contexto (relato mensal). 
De acordo com Minayo (2005), esse procedimento de análise de coocorrências 
auxilia a identificação de aspectos latentesnas falas e nos textos. 
Foram detectadas três principais características psicossociais da 
relação dos universitários com alunos com deficiência, que se repetiram, como 
categorias temáticas, nas duas turmas: atribuição de origem social às 
dificuldades vivenciadas na relação; presença de forte mobilização subjetiva no 
contato inicial com a deficiência; e necessidade de mediação para lidar com a 
percepção de desequilíbrio entre o conhecimento prévio e a realidade de 
trabalho. 
 
Resultados e discussão 
Os resultados e a discussão serão apresentados, a seguir, conforme as 
características principais identificadas no decorrer do contato entre os 
universitários e os alunos com deficiência. 
 
Atribuição de origem social às dificuldades vivenciadas na relação 
 
Dos participantes da pesquisa, 86,2% dos alunos de licenciatura do 
primeiro semestre e 79,3% do segundo semestre nunca haviam tido contato 
com pessoas com deficiência, o que reafirma a baixa inserção de tais pessoas 
nas escolas regulares, fenômeno recente na realidade nacional, e a 
segregação delas dos diversos espaços sociais, dificultando a possibilidade de 
convivência com a diversidade (Sassaki, 1997), o que contrasta com o contingente 
de pessoas com deficiência no país, em torno de 23,9% da população 
brasileira (IBGE, 2010). Essa mesma realidade também foi vista em pesquisas 
anteriores (Melo & Martins, 2007; Reganhan & Braccialli, 2008). Fichten, Schipper e Cutler (2005) 
apontaram que interações limitadas entre pessoas com e sem deficiência 
podem contribuir para aumentar as atitudes negativas devido ao reforço do 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B24
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B33
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B15
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B21
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B29
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B7
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estereótipo preexistente, percepções negativas e falta de conhecimento em 
relação às pessoas com deficiência. 
Analisando as falas dos universitários, verifica-se que, quando eles 
contam que não tiveram contato anterior com pessoas com deficiência, é para 
justificar as principais dificuldades sentidas nesse processo inicial: 59% dos 
alunos de licenciatura disseram que nunca tiveram contato com pessoas com 
deficiência e que por isso não sabiam como agir, a forma de falar, nem como 
orientar as referidas pessoas; e 52% afirmavam que, também por esse motivo, 
não conheciam os limites das pessoas com deficiência, não sabiam como 
avaliar sua capacidade de aprendizagem e seu desenvolvimento. 
Também associavam sentimentos à falta de contato prévio com 
pessoas com deficiência, a predominância foi dos sentimentos de ansiedade 
(96%) e insegurança inicial (58,6%). As falas a seguir ilustram as análises: 
"Nunca tive o contado com pessoas com deficiência. Não sei o que 
fazer. A gente tenta fugir um pouco das situações por não saber o que fazer" 
(Aluna M). "Estou insegura, não sei o que fazer. É a primeira vez que tenho 
contato com pessoas com deficiência" (Aluna R). "Me senti mal, estou suando 
até agora. Foi um desafio para mim, porque eu nunca tive contato com pessoas 
deficientes. Não sei como chamá-los, não sei como lidar com pessoas 
deficientes, foi muito difícil para mim" (Aluno M). 
Nas observações dos primeiros contatos dos universitários com os 
alunos com deficiência, notou-se que, nas atividades realizadas, por exemplo: 
dar as mãos para fazer rodas, os universitários ficavam todos juntos, de um 
lado da roda, e os alunos com deficiência juntos, do outro lado da mesma roda. 
Além disso, alguns alunos de licenciatura só entravam na APAE quando a 
professora ou monitora da disciplina chegava. 
Allport (1954) já afirmava que o contato social com pessoas com deficiência 
poderia promover visões mais positivas dessas pessoas, minimizando as 
atitudes negativas, sobretudo se acompanhado de status igual, cooperação, 
sanção da comunidade perante as atitudes negativas e maior proximidade com 
elas. 
Ishige e Hayashi (2005) enfatizaram que a qualidade e a quantidade de contato 
com pessoas com deficiência têm impacto na atitude frente a tais pessoas. A 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B2
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B16
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possibilidade de contato prévio e a qualidade desse contato são fatores que as 
pesquisas identificam como tendo influência no desenvolvimento de atitudes 
mais favoráveis em relação às pessoas com deficiência. Também Omote e Pereira 
Júnior (2011) verificaram que professores que tinham alguma experiência docente 
prévia com alunos com deficiência possuiam uma atitude social 
significativamente mais favorável à inclusão que os demais professores. 
A falta de oportunidade de convivência com as referidas pessoas 
explicita o que Hughes (2012) denomina de expressão de um processo civilizatório, 
em que a sociedade tende a manter as pessoas com deficiência em espaços 
segregados ou a tentar torná-las as mais idênticas possíveis às pessoas sem 
deficiência. Tal segregação transforma o contato inicial com as pessoas com 
deficiência em um processo permeado de insegurança e ansiedade frente a 
uma realidade desconhecida, sublinhando a origem social desses processos. 
Pichón-Rivière (1988) afirma que, diante de uma realidade desconhecida, é comum a 
sensação de desestruturação, a ansiedade, a confusão e a incerteza. Segundo 
Hughes (2012), o medo, na presença da deficiência, é, em parte, medo da 
precariedade própria do ser humano e de sua vulnerabilidade perante a vida, e 
implica ameaça. Conforme o mencionado pesquisador, a sociedade é a 
responsável por esse sentimento, pois coloca a deficiência fora dos olhos e 
fora dos pensamentos das pessoas quando as segrega em espaços 
separados. 
Presença de forte mobilização subjetiva no contato inicial com a 
deficiência 
 
Embora a principal origem dos sentimentos experimentados em relação 
às pessoas com deficiência possa ser atribuída à ausência de contato anterior, 
o contato inicial com essas pessoas se caracteriza pela presença de intensa 
mobilização interna do sujeito, trazendo à tona diversas emoções relacionadas 
à própria existência e à fragilidade humana. Todos os universitários 
explicitaram que sentiram a presença de emoções e sentimentos variados no 
contato com alunos com deficiência, que eram diferentes e mais intensos do 
que de outras experiências de prática docente. 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B27
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B27
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B13
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B28
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B13
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Analisando as falas dos universitários relacionadas aos sentimentos e 
às emoções experimentados em relação aos alunoscom deficiência, verificou-
se que a piedade e a compaixão apareceram entre 11% dos alunos do primeiro 
semestre e entre 17% dos alunos do segundo semestre. Esses sentimentos 
estavam associados principalmente à percepção de fragilidade atribuída às 
pessoas com deficiência: "Tive vontade de chorar, fiquei com pena dos alunos. 
A gente repensa os valores da vida" (Aluna G). "A gente fica com pena, a 
sensação que dá é que são bonecos de porcelana, que são frágeis e que 
precisamos cuidar, dar carinho e proteger" (Aluna H). 
Hughes (2012) afirma que a piedade é uma emoção que hierarquiza as 
pessoas, sendo a superioridade relacionada àqueles que sentem e a 
inferioridade, ao status projetado naqueles que são seu alvo. As pessoas com 
deficiência são vistas como infortunadas e objeto de grande sofrimento. A elas, 
são destinadas a simpatia e a caridade, fruto de uma moral religiosa. No 
entanto, no mundo real, as pessoas comparam a si mesmas com os outros e, 
nesse contexto, a busca de dominação de uns sobre os outros transforma a 
piedade de um estado de natural simpatia e compaixão em um sintoma base 
da desigualdade social. A assertiva de Hughes (2012) pode ser vista na 
concretização das ações sociais frente às pessoas com deficiência quando, 
quase nunca, elas são ouvidas sobre suas próprias necessidades. As pessoas 
sem deficiência, os profissionais, em geral, definem o que é mais adequado na 
ausência da participação delas. Perguntas simples não são feitas, por exemplo: 
como você acha mais fácil pegar no lápis para escrever? Como você faz uma 
determinada atividade no seu dia a dia? A caridade, de acordo com Hughes (2012), 
requer uma classe de pessoas definidas como necessitadas, como socialmente 
inválidas. 
Durante a pesquisa, cerca de 10% dos universitários associavam o 
trabalho com pessoas com deficiência mais a uma missão que a uma 
profissão: "Para trabalhar com essas pessoas, é preciso ter dom. Não é para 
qualquer pessoa" (Aluno D). Tal atribuição de missão à atividade de trabalho 
com pessoas com deficiência desobriga aqueles que não se sentem 
contemplados com esse "dom" a desenvolverem atividades pedagógicas que 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B13
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B13
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B13
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possam colaborar no desenvolvimento cognitivo e/ou motor dos referidos 
alunos. 
Outros sentimentos também são mobilizados nesse contato inicial, por 
exemplo, o nojo/repugnância foi destacado por 10% dos universitários: "Tenho 
dificuldade de lidar com a questão do cheiro, se tem uma pessoa com algum 
cheiro desagradável, meu estômago embrulha e não sei como fazer em certas 
situações que necessite chegar perto dessa pessoa" (Aluna J2). "Tenho 
dificuldades em lidar com baba. O que fazer quando um aluno babando quiser 
me beijar?" (Aluna S). A repugnância também é um sentimento experimentado 
pelas pessoas, principalmente se algo é percebido como perigoso por causa do 
poder imputado e percebido de contaminar, infectar ou poluir pela proximidade 
de contato ou ingestão (Hughes, 2012). Repugnância relacionada à baba e ao 
escarro é associada historicamente à doença e ao contágio. Segundo Wong, Chan, 
Cardoso, Lam e Miller (2004), novas experiências e encontros podem evocar ansiedade 
e influenciar as pessoas a desenvolver mecanismos de defesa, como a evasão 
e a racionalização, para minimizar os sentimentos, pensamentos e situações 
que eles percebem como perigoso ou desconfortável. Essas reações na 
interação de pessoas com e sem deficiência podem, conforme tais 
pesquisadores, prejudicar o processo de integração das pessoas com 
deficiência. 
Também a reflexão sobre a própria vida se faz presente no contato 
inicial, sendo que 51,7% dos universitários relataram questões como: "Tenho 
tido muita vontade de chorar. Estou me sentindo frágil. Às vezes, tenho 
vontade de não fazer essa disciplina" (Aluna A). 
"Esse trabalho com alunos com deficiência me faz pensar sobre minha 
própria vida. Eu tenho tantas possibilidades e, muitas vezes, não dou valor. A 
gente evita pensar em coisas ruins, mas aqui não tem jeito, a gente vê que nós 
estamos sujeitos a muitos problemas e dificuldades. Isso angustia muito." 
(Aluna L) 
A mobilização de emoções e sentimentos no contato com pessoas com 
deficiência foi identificada por diversos pesquisadores, dentre eles: Rodrigues (2004), 
Glat (1995) e Anjos, Andrade e Pereira (2009). Solomon, Greenberg e Pyszczynski (1991) afirmam que, 
dependendo do contexto cultural, as pessoas com deficiência podem ser vistas 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B13
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B42
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B42
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B31
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B9
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B3
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B36
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como ameaças à sua visão de mundo. Para os citados pesquisadores, as 
pessoas que não se enquadram no padrão cultural ou de valores 
compartilhados são vistas como ameaça e podem gerar ansiedade, sobretudo 
se evocam a consciência da morte e da fragilidade humana. 
Necessidade de mediação para lidar com a percepção de desequilíbrio 
entre o conhecimento prévio e a avaliação da realidade de trabalho. 
Embora a formação teórica tenha sido realizada, o contato dos 
universitários com pessoas com deficiência em uma atividade de prática de 
ensino intensificou a sensação de ausência de conhecimento que fosse capaz 
de auxiliá-los a lidar com a nova realidade que se apresentava. As ações 
requeridas exigiam que conseguissem articular o que conheciam teoricamente 
com uma realidade que desconheciam. 
O sentimento de medo, ligado em especial às dificuldades de não 
saber como agir, como colocar limites e de ter dúvidas se efetivamente 
poderiam contribuir com essas pessoas, apareceu em 62,1% dos alunos do 
primeiro semestre e em 51,7% entre os do segundo semestre. Algumas falas: 
"Resumindo, estou em pânico, não sei resumir direito o que estou sentindo. 
Tenho medo de não saber o que trabalhar e, ao invés de ajudar, atrapalhar. 
Estou sentindo pânico, medo" (Aluna C, grifo nosso). "Fico com medo de não 
saber o que fazer quando alguém tentar falar e eu não entender. Medo de não 
suprir as necessidades deles e de relacionar" (Aluna CI, grifo nosso). "A gente 
não sabe como falar, o que fazer, o que é certo ou errado. Onde posso 
trabalhar ou não. É horrível, a gente não tem controle, não tem segurança de 
como falar. Fico perdido" (Aluno D, grifo nosso). 
"No primeiro momento, é de assustar, apesar de já ter tido algum 
contato com pessoas com deficiência antes, acredito que alguns podem ser 
mais fáceis de lidar. O contato foi bom, mas estou inseguro em relação ao 
trabalho com uma das alunas. A preparação tem que ser bem feita. Estou 
preocupado e assustado, mas também feliz e animado em conhecê-los 
melhor." (Aluno G, grifo nosso) 
A ameaça frente ao novo, comum entre as pessoas (Pichón-Rivière, 1988), é 
intensificada devido à segregação social, que é históricaentre as pessoas com 
deficiência e que impede uma convivência cotidiana com elas. Embora a 
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experiência prática da disciplina tenha ocorrido em um contexto no qual os 
professores da APAE e da disciplina de Educação Física Adaptada estivessem 
presentes e acompanhando o processo, ainda assim apareceram os 
sentimentos de dificuldade e impotência. Diante desses sentimentos e da 
realidade colocada, os universitários adotaram diferentes pautas de conduta. 
Todos eles, em tempos diferentes, buscaram se aproximar dos alunos com 
deficiência, observaram a condução das aulas dos colegas, fizeram anotações 
e discutiram o que acontecia após cada aula ministrada. 
Com o decorrer das atividades práticas, foram sendo percebidos 
aspectos que facilitavam a relação e a avaliação das possibilidades das 
pessoas com deficiência. Os principais facilitadores identificados foram: contato 
gradativo com as pessoas com deficiência, ajudando a conhecer as 
dificuldades, possibilidades e expectativas delas (51,7% na primeira turma e 
44,8% na segunda turma); observação e conhecimento do trabalho do 
professor responsável pela turma e a presença do professor da universidade 
no acompanhamento das aulas ministradas pelos universitários (96,6% e 91%); 
boa receptividade e participação das pessoas com deficiência (88,6% e 
96,2%); e percepção de resultados para as pessoas com deficiência (20,7% e 
17,2%). 
Quando analisadas as falas dos alunos, foram verificados aspectos que 
facilitaram a experiência vivida. Notou-se que os universitários associavam as 
facilidades à identificação de benefícios advindos desse processo, que foram: a 
possibilidade de repensar valores relacionados à prática pedagógica e em 
relação às pessoas com deficiência (41,4% e 48,3%); a possibilidade de 
aprender com elas (37,9% e 37,9%); a realização de experiências 
fundamentais para a formação (58,6% e 55,2%); e a aprendizagem de 
prováveis maneiras de se trabalhar com pessoas com deficiência (48,3% e 
44,8%). 
Por outro lado, foi identificada a diminuição do medo e da insegurança 
com o decorrer do contato, sendo que 68,9% dos alunos do primeiro semestre 
e 71,4% dos alunos do segundo semestre, já no final do primeiro mês de 
prática de ensino, afirmavam estar mais tranquilos junto aos alunos com 
deficiência. As falas a seguir ilustram tal constatação: 
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"Quanto mais observo as aulas, fico mais tranquilo" (Aluno E). "Você 
começa a olhar com certa naturalidade com o passar dos dias. A gente 
aprende com a experiência. A gente vai saber como colocar limite. Com o 
tempo, você pega o jeito de conversar com todos" (Aluno G). 
Os componentes emocionais da relação vão diminuindo de intensidade 
mediante um processo de adaptação em relação ao diferente, em que o 
contexto e os comportamentos são observados, e começa-se a identificar 
possibilidades de ação. É importante sublinhar que a minimização da 
percepção de desequilíbrio entre o conhecimento prévio e a realidade 
encontrada só acontece com o enfrentamento dos sentimentos mobilizados por 
meio da manutenção contínua da relação com os alunos com deficiência. Esse 
contato é o principal impulsionador das reflexões e do processo de 
ressignificação da relação. Porém, as consequências de tal relação podem 
levar a diferentes destinos. 
Os principais destinos identificados foram: a adaptação passiva com 
foco apenas na convivência pacífica, priorizando a socialização das pessoas 
com deficiência; a divisão dos alunos, tendo por critério os diferentes "desvios" 
da normalidade; e a busca de um processo de adaptação ativa, em que foram 
buscadas estratégias de ensino-aprendizagem que pudessem minimizar as 
desvantagens sociais vivenciadas por esses alunos. 
Os universitários que priorizaram a socialização dos alunos com 
deficiência acreditavam que estavam cumprindo seu papel, pois os alunos 
estavam "felizes" fazendo atividades juntos. Essa ênfase apenas no processo 
de socialização desobrigava os universitários a enfrentarem os desafios do 
processo de ensino-aprendizagem com alunos que traziam necessidades 
educacionais especiais. Além disso, negava aos referidos alunos a 
possibilidade de realizar atividades básicas que poderiam contribuir mais 
efetivamente para o desenvolvimento de uma vida autônoma. A ausência de 
reflexão e da mediação do conhecimento para o desenvolvimento dos alunos 
com deficiência tem grande potencial de paralisação dos futuros profissionais e 
reprodução de preconcepções, do senso comum e da prerrogativa de que 
apenas a socialização é necessária aos alunos com deficiência. Essa 
estratégia, que pode ser considerada uma precarização da formação dos 
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alunos, principalmente com deficiência intelectual, é explicitada por Glat e Pletsch 
(2010) quando discutem o papel da universidade para o desenvolvimento de uma 
educação inclusiva. 
Outra estratégia observada durante o trabalho dos alunos de 
licenciatura foi a divisão dos alunos com deficiência por tipo de deficiência e 
grau de desenvolvimento. Os universitários consideravam que a ação de focar 
a deficiência traria melhor resultado. Essa ação tem por pressuposto a 
concepção da deficiência como um desvio da normalidade e que é necessário 
reabilitar tais pessoas para elas serem o mais parecido possível com aquelas 
consideradas "normais" (Carvalho-Freitas & Marques, 2007). Os universitários foram, 
então, estimulados pelos professores a desenvolver as atividades 
coletivamente, uma vez que em sala de aula trabalhariam com os alunos 
conjuntamente e nem sempre teriam auxiliares. Verificaram, nas aulas 
seguintes, que os próprios alunos com deficiência se ajudavam: os que tinham 
mais facilidade se ofereciam para ajudar aos demais. Além disso, passaram a 
desenvolver atividades únicas com complexidades diferentes para que todos 
pudessem participar. Em outras ocasiões, faziam atividades diferenciadas e 
encerravam a aula com uma atividade coletiva que normalmente os alunos 
apreciavam muito. 
A outra estratégia foi a busca de novos conhecimentos e de ajuda que 
pudessem auxiliar os universitários a fazer frente às demandas de seus alunos. 
A conversa do professor da universidade com os universitários logo após a 
aula com os alunos com deficiência foi avaliada como facilitadora, pois permitia 
aos universitários refletirem sobre a atuação, identificarem os aspectos 
positivos da aula e as dificuldades, e construírem coletivamente alternativas 
para lidar com elas. Uma aprendizagem que foi se consolidando consistiu no 
deslocamento da atenção das limitações para as possibilidades das pessoas 
com deficiência. Mediante uma dificuldade, discutiam em seguida sobre as 
potencialidades dessas pessoas e como utilizá-las a favor de novas atividades 
de ensino. Discutiam também aspectos relacionados ao comportamento das 
pessoas com deficiência e verificavam que era necessário colocar limites e 
desafiá-las para um maior desenvolvimento. Também, os universitários 
pesquisavam e eram estimulados a desenvolver materiais pedagógicos e fazer 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B10
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B10
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adaptações nos existentes, a fim de criar novas formas de trabalhar com os 
alunos e estimulá-los no processo de aprendizagem. 
Conforme observado na pesquisa, esse processo de adaptação ativa 
necessitou ser um processo mediado, com intervenção do conhecimento já 
produzido no campo, presença do professor e escuta das necessidades dos 
próprios alunos com deficiência. "Os próprios alunos vão nos mostrando como 
é mais fácil para eles. Eles também nos ajudam. Ajudam os que têm mais 
dificuldade" (Aluno H). "Encontramos muitas sugestões na internet. Os 
professores nos ajudam. Vamos aprendendo a ver diferente e percebemos que 
esse trabalho dá resultado" (Aluna G). 
"A gente muda. No começo, o que chama a atenção é a deficiência. 
Depois, vamos aprendendo que é preciso olhar para as potencialidades que 
podem ajudar a vencer as dificuldades. Vamos vendo que dá certo, que os 
alunos se desenvolvem. Alguns só conseguiam andar com ajuda, caiam à toa. 
Agora, estão mais firmes, andam com mais segurança." (Aluno A) 
Essa mediação foi o que possibilitou deslocar o olhar da deficiência 
para as potencialidades; e dos limites, colocados pela deficiência, para as 
desvantagens oriundas da sociedade que não contempla a diversidade própria 
do humano. A tendência das pessoas é avaliar o mundo a partir de suas 
matrizes de referência, isto é, do seu esquema conceitual, referencial e 
operativo (Pichón-Rivière, 1988). Os resultados da pesquisa indicam que é preciso 
construir outras referências de análise, para que as ações sejam modificadas. 
Nesse sentido, a formação dos futuros professores é a matéria-prima essencial 
para a promoção de uma educação inclusiva. Como as atitudes negativas são 
difíceis de serem mudadas, os pesquisadores sugerem que "um dos métodos 
mais eficazes para fazê-lo é fornecer novas informações que desafiam as 
crenças existentes" (Hunt & Hunt, 2004, p. 266). 
 
Considerações Finais 
A presente pesquisa permitiu identificar características psicossociais 
presentes no contato inicial de trabalho com alunos com deficiência que foram 
a constatação da origem social das dificuldades em se lidar com eles, fruto de 
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uma sociedade que segrega tais pessoas; a intensa mobilização subjetiva das 
pessoas quando se defrontam com a deficiência, trazendo à tona sentimentos, 
como angústia frente à fragilidade humana e a própria morte, compaixão e 
repugnância; e a necessidade de mediação diante da percepção de 
desequilíbrio entre o conhecimento prévio e a realidade de trabalho. 
A mediação realizada com o auxílio do conhecimento produzido, dos 
professores e das próprias pessoas com deficiência se revelou o mais 
importante alicerce para que os futuros professores pudessem repensar suas 
ações, deslocar sua percepção da deficiência para as possibilidades das 
pessoas com deficiência e discutir a questão da deficiência como fruto de uma 
desvantagem gerada pela atual organização social e do conhecimento. Esse 
resultado sublinha a relevância estratégica do processo de formação de 
professores para a construção de uma educação inclusiva, já indicado em 
inúmeras pesquisas (Avramidis & Norwich, 2002; Glat et al., 2007; Glat & Pletsch, 2010; Melo & Ferreira, 
2009; Vitta et al., 2010;). Todavia, a referida formação precisa considerar a articulação 
entre pensamento, emoção e ação para produzir mudanças. Os resultados 
mostraram que tal articulação só será alcançada quando a relação entre o 
universitário e sua ação pedagógica for mediada por novos conhecimentos e 
pela presença de professores que auxiliem na reflexão sobre seus sentimentos, 
dificuldades e estratégias adotadas para lidar com alunos com necessidades 
educacionais especiais. Também a mediação das próprias pessoas com 
deficiência que falam de suas necessidades, das estratégias que elas 
consideram mais fáceis e dos resultados que alcançam é imprescindível nesse 
processo. Do contrário, pode-se ter o desenvolvimento de estratégias de 
adaptação passiva com o foco apenas na socialização e na segregação dos 
alunos com deficiência nas atividades de sala de aula. Novas pesquisas 
deverão ser realizadas para verificar se essas características se repetem em 
outros contextos de formação. 
 
 
 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B4
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http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B10
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822015000100211&lng=pt&nrm=iso#B22
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8. MATERIAIS DE APOIO 
 
No sítio do Ministério da Educação, encontraremos vários materiais 
que sua leitura enriqueceria sobremaneira na reflexão e ação dos profissionais 
que se envolvem com a Educação Especial e Inclusiva. Abaixo temos alguns 
títulos e o link para acessá-los. Vale a pena conferir o que lhe chamar atenção. 
AEE - Pessoa com Surdez 
AEE - Deficiência Física 
AEE - Deficiência Mental 
AEE - Deficiência Visual 
AEE - Orientações Gerais e Educação a Distância 
Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva 
Revista Inclusão Nº 1 
Revista Inclusão Nº 2 
Revista Inclusão Nº 3 
Revista Inclusão Nº 4 
Revista Inclusão Nº 5 
Revista Inclusão Nº 6 
Revista Inclusão Nº 7 
Revista Inclusão Nº 8 
Revista Inclusão Nº 9 
Ensaios Pedagógicos - Programa Educação Inclusiva (2006) 
Ensaios Pedagógicos - Construindo Escolas Inclusivas* 
Experiências Educacionais Inclusivas - Programa Educação Inclusiva: Direito à 
Diversidade 
Série Educação Inclusiva - Referências para Construção dos Sistemas 
Educacionais Inclusivos 
Documento Subsidiário à Política de Inclusão* 
Direito à Educação - Subsídios para a Gestão dos Sistemas Educacionais* 
Educar na Diversidade: Material de Formação Docente - 2006* 
Educação Inclusiva: Atendimento Educacional Especializado para a Deficiência 
Mental 
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/aee_da.pdf
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/aee_df.pdf
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/aee_dm.pdf
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/aee_dv.pdf
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/aee_ead.pdf
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=16690&Itemid=
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12626%3Arevista-inclusao-nd1&catid=192%3Aseesp-esducacao-especial&Itemid=860
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12634%3Arevista-inclusao-nd2&catid=192%3Aseesp-esducacao-especial&Itemid=860
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12635%3Arevista-inclusao-nd3&catid=192%3Aseesp-esducacao-especial&Itemid=860
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/rev4web.pdf
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/revinclusao5.pdf
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=401&Itemid=
http://ramec.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=1837&Itemid=1
http://ramec.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=1838&Itemid=1http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=12663&Itemid=
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12642%3Aensaios-pedagogicos-programa-educacao-inclusiva-2006&catid=192%3Aseesp-esducacao-especial&Itemid=860
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12643%3Aensaios-pedagogicos-construindo-escolas-inclusivas&catid=192%3Aseesp-esducacao-especial&Itemid=860
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12645%3Aexperiencias-educacionais-inclusivas-programa-educacao-inclusiva-direito-a-diversidade&catid=192%3Aseesp-esducacao-especial&Itemid=860
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http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12646%3Aserie-educacao-inclusiva-referencias-para-construcao-dos-sistemas-educacionais-inclusivos&catid=192%3Aseesp-esducacao-especial&Itemid=860
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Brincar para Todos * 
Orientação e Mobilidade - Conhecimentos básicos para a inclusão da pessoa 
com deficiência visual * 
A construção do conceito de número e o pré-soroban 
Grafia Braille para a Língua Portuguesa 
Normas Técnicas para a produção de textos em braille * 
Grafia Braille para Informática * 
Estenografia Braille para a língua portuguesa 
Manual Internacional de Musicografia Braille * 
Ensino de Língua Portuguesa para Surdos - Caminhos para a prática 
pedagógica 
Ideias para ensinar português para alunos surdos 
O Tradutor e Intérprete de Língua Brasileira de Sinais e Língua Portuguesa 
A Construção de Práticas Educacionais para Alunos com Altas 
Habilidades/Superdotação 
Portal de Ajudas Técnicas * 
Manual de Acessibilidade 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12668%3Aa-construcao-do-conceito-de-numero-e-o-pre-soroban&catid=192%3Aseesp-esducacao-especial&Itemid=860
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12670%3Agrafia-braille-para-a-lingua-portuguesa&catid=192%3Aseesp-esducacao-especial&Itemid=860
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12671%3Anormas-tecnicas-para-a-producao-de-textos-em-braille&catid=192%3Aseesp-esducacao-especial&Itemid=860
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12672%3Agrafia-braille-para-informatica&catid=192%3Aseesp-esducacao-especial&Itemid=860
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12674%3Aestenografia-braille-para-a-lingua-portuguesa&catid=192%3Aseesp-esducacao-especial&Itemid=860
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/musicabraile.pdf
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12675%3Aensino-de-lingua-portuguesa-para-surdos-caminhos-para-a-pratica-pedagogica&catid=192%3Aseesp-esducacao-especial&Itemid=860
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http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12677%3Ao-tradutor-e-interprete-de-lingua-brasileira-de-sinais-e-lingua-portuguesa&catid=192%3Aseesp-esducacao-especial&Itemid=860
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12679%3Aa-construcao-de-praticas-educacionais-para-alunos-com-altas-habilidadessuperdotacao&catid=192%3Aseesp-esducacao-especial&Itemid=860
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NUNES SOBRINHO, F. de P. (Org.). Inclusão educacional - pesquisa e 
interfaces. Rio de Janeiro: Livre Expressão, 2003. 
BEYER, H.assumidamente 
heterogêneos, cabe perguntar o que significa considerar as diferenças dos 
alunos, porque o simples conhecimento das diferenças não conduz 
inexoravelmente à adoção de modelos inclusivos. O conhecimento das 
diferenças entre os alunos pode servir para justificar a sua não inclusão. Pode 
servir, ainda, para encontrar estratégias e metodologias que levem à anulação 
dessas diferenças. Neste caso, conhecer as diferenças seria só o primeiro 
passo para anulá-las; considerar a heterogeneidade não seria mais que a 
primeira etapa de um processo educativo, que teria como finalidade promover a 
homogeneidade dos alunos. 
 
DIMENSÃO DAS ATITUDES 
De pouco serviriam os saberes e as competências se os professores 
não tivessem atitudes positivas face à possibilidade de progresso dos alunos. É 
fundamental que os professores do ensino regular e de Educação Especial 
conheçam por experiência própria situações em que uma adequada 
modificação do currículo e das condições de aprendizagem consiga eliminar 
barreiras à aprendizagem e promover a aquisição de novos saberes e 
competências aos alunos5. 
Um professor para desenvolver atitudes positivas, não pode, como era 
tradicional, construir a sua intervenção baseado no déficit, mas, sim, naquilo 
que o aluno é capaz de fazer para além da sua dificuldade. 
Basta imaginar qual seria o futuro acadêmico de um jovem que tendo 
dificuldades, por exemplo, em Matemática, visse todo o seu currículo escolar 
ser referenciado a essa matéria. Assim, a construção curricular baseada na 
deficiência ou na dificuldade, para além de ter uma duvidosa probabilidade de 
sucesso para o aluno, evidencia uma visão do professor que mais realça as 
dificuldades do aluno do que as suas potencialidades. 
 
5
 5 Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=437-
revista-inclusao-n-6-1&category_slug=documentos-word&Itemid=30192 
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Para desenvolver expectativas positivas, é essencial que o professor 
conheça múltiplas formas de eliminar e contornar dificuldades e barreiras e que 
possa, a partir deste trabalho, acreditar e fazer acreditar que o aluno é muito 
mais do que as suas dificuldades e que existem variadas formas para se 
chegar ao sucesso. 
Conhecer casos de boas práticas, conhecer percursos pessoais para 
além da idade escolar, conhecer, enfim, depoimentos de pessoas que 
conseguiram construir vidas autônomas e úteis apesar de condições adversas, 
são certamente fatores que influenciam a formação de atitudes. Claro que 
quanto maior for a implicação e proximidade da pessoa com estes processos 
bem sucedidos, mais sedimentada e convicta será a sua atitude positiva face à 
possibilidade de sucesso de alunos com dificuldade. 
De acordo com os documentos oficiais, a educação especial, 
modalidade de educação escolar, é um processo educacional definido por uma 
proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais especiais, 
organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em 
alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a 
educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos 
educandos que apresentam necessidades educacionais especiais, em todas as 
etapas e modalidades da educação básica. 
Ela não caminha sozinha, isolada, ao contrário, hoje é entendida como 
inclusiva nos sistemas regulares de ensino, tendo como objetivo, não acabar 
com as diferenças, mas mantê-las ativas para poderem ser rentabilizadas na 
educação de todos os alunos. A anulação ou impermeabilização das diferenças 
impede que os alunos se confrontem com outros pontos de vista e realidades e 
por este motivo empobrece a qualidade da educação (RODRIGUES, 2008). 
Fazendo uma síntese retrospectiva, vimos que a educação especial se 
fundamenta em bases filosóficas, históricas, sociológicas, legislativas e 
pedagógicas. 
Há um artigo elaborado por Luiza Cortesão (pesquisadora e professora 
portuguesa), “O arco-íris e o fio da navalha – problemas em face das 
diferenças” que propõe duas metáforas em que o arco-íris simboliza uma 
situação de preocupação e intranquilidade, mas oferece também esperança; já 
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o fio da navalha, segundo a autora, poderá acentuar a vertente da dificuldade, 
do risco que comporta cada passo dado e cada iniciativa. Estas metáforas 
representam o equilíbrio e a ousadia que ora tombam para um lado, ora para 
outro. 
Pois bem, trabalhar com educação especial no contexto da educação 
inclusiva é complexo, é desafiador e igualmente motivador se nossas opções 
passarem por vias de mão dupla onde transitem autonomia e emancipação 
para todos, bem como, demanda a nossa formação continuada, específica e 
atualizada e nesse sentido, disponibilizaremos para leitura e análise, o artigo6 
“A formação de professores para a educação inclusiva: legislação, diretrizes 
políticas e resultados de pesquisas”, em que a autora objetiva levantar alguns 
aspectos relativos à formação de professores no Brasil, com ênfase para a 
inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais no ensino 
regular. Para tal, a autora tomou como base três referências: a legislação 
nacional e as diretrizes políticas específicas do Ministério da Educação (MEC); 
o resultado de pesquisas e a literatura especializada sobre o tema. 
O texto está organizado em três partes. Primeiro aborda-se a 
fundamentação da formação de professores estabelecida nos documentos 
oficiais. Em seguida, apresentam-se os resultados de diferentes pesquisas 
sobre o tema. Por fim, traçam-se alternativas para a inclusão educacional. 
 
 
 
 
 
 
6
 Publicado pela revista Educar em Revista. Print version. ISSN 0104-4060. Online version. ISSN 1984-
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Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/Brasil). Mestrado e doutoramento em Educação pela 
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ/Brasil). Atua como professora de Pedagogia do 
Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. 
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2. A FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA: 
LEGISLAÇÃO, DIRETRIZES POLÍTICAS E RESULTADOS DE PESQUISAS 
 
 
Nos últimos, ocorreram avanços importantes em relação à formação de 
professores no Brasil, não apenas em termos de legislação, mas, também, em 
relação à produção do conhecimento acadêmico voltado para o tema. 
Em relação à legislação, destaca-se como marco jurídico-institucional 
fundamental a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB 9394/96), 
aprovada em 20 de dezembro de 1996. O objetivo dessa lei foi iniciar um 
processo de mudanças em todos os níveis da educação, que foram 
reorganizados em educação básica - que abarca a educação infantil, o ensino 
fundamental, o ensino médio - e ensino superior. A LDB dedica um capítulo à 
formação de professores, assinalando os fundamentos metodológicos, os tipos 
e as modalidades de ensino, bem como as instituições responsáveis pelos 
cursos de formação inicial dos professores. Também, no artigo 13, a LDB 
estabelece as incumbências dos professores, independentemente da etapa 
escolar em que atuam. 
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http://whqlibdoc.who.int/publications/2011/9789240685215_eng.pdfIX)7, a LDB instituiu a 
"Década da Educação", durante a qual todos os professores da educação 
básica deveriam ser habilitados em nível superior ou formados por treinamento 
em serviço. Vale lembrar que as Disposições Transitórias não se sobrepõem às 
definições da LDB. Por isso, o artigo 62 revogou o disposto nas Disposições 
Transitórias. Assim, continua-se admitindo professores formados em cursos de 
nível médio, na modalidade normal, para a educação infantil e as quatro 
primeiras séries do ensino fundamental. Literalmente: 
Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-
á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em 
universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação 
mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro 
primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na 
modalidade Normal. 
 
7
 Artigo 87 § 4.º - Até o fim da "Década da Educação" somente serão admitidos professores habilitados 
em nível superior ou formados por treinamento em serviço. 
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Nesse artigo, a LDB reafirma o ensino superior como nível desejável, 
apesar de admitir a formação mínima em curso normal para a atuação na 
educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. Essa deliberação 
foi confirmada por meio do parecer n.º 1 do Conselho Nacional de Educação 
(CNE), aprovado em 19 de fevereiro de 2003, segundo o qual todo professor 
concursado que atue em turmas de educação infantil ou séries iniciais do 
ensino fundamental tem assegurado o seu cargo, mesmo que não frequente 
curso em nível superior. 
Com isso, perdem os educandos, os educadores e toda a sociedade, 
pois a profissão docente precisa dar respostas adequadas e fazer as 
necessárias intervenções que envolvem situações diversas e singulares do 
desenvolvimento humano. Assim, podemos justificar a formação em nível 
superior como uma das medidas essenciais a serem tomadas para que 
ocorram mudanças educacionais efetivas. Contudo, deve-se levar em 
consideração a heterogeneidade socioeconômica do Brasil, em que acabar 
com o modelo atual de formação de professores sem planejamento adequado 
poderia provocar consequências "catastróficas" para o sistema educacional. 
Por outro lado, investimento na formação docente em nível superior por 
si só não resolverá a complexidade dos problemas educacionais brasileiros 
historicamente reproduzidos, como, por exemplo, o analfabetismo. É preciso 
compreender que mudanças na educação para atender ao paradigma vigente 
de inclusão educacional dependem de diversos fatores, como, por exemplo, o 
contexto social, econômico e cultural em que se insere a escola, as 
concepções e representações sociais relativas à deficiência e, por fim, os 
recursos materiais e os financiamentos disponíveis à escola (MENDES, 2002). 
Ou seja, a formação deve atender às necessidades e aos desafios da 
atualidade. Para tanto, sugerimos que o professor seja formado de maneira, a 
saber, mobilizar seus conhecimentos, articulando-os com suas competências 
mediante ação e reflexão teórico-prática. 
Neste aspecto merece destaque a Proposta de Diretrizes para a 
Formação de Professores da Educação Básica em Cursos de Nível Superior 
(MEC, 2000). No item referente à formação de professores, assinalam-se as 
competências que devem ser dominadas como parte de um processo 
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permanente de desenvolvimento profissional. Destacam-se aquelas referentes 
à compreensão do papel social da escola, ao domínio dos conteúdos, à 
interdisciplinaridade, ao conhecimento dos processos de investigação, ao 
gerenciamento do próprio desenvolvimento profissional e ao comprometimento 
com os valores estéticos, políticos e éticos inspiradores da sociedade 
democrática. 
O documento acima referido aponta para uma revisão urgente do 
processo de formação inicial de professores, de modo a superar problemas em 
nível institucional e no campo curricular. No que se refere ao âmbito 
institucional, o documento assinala, entre outros, dois problemas centrais: 
a) a segmentação da formação dos professores, da qual a descontinuidade 
na formação dos alunos da educação básica é uma expressão; 
b) o distanciamento entre os cursos de formação e o exercício da profissão 
de professores no ensino fundamental e médio. Ambos os aspectos 
reforçam o fato de que a formação vem se dando sem uma maior 
articulação entre teoria e prática (MEC, 2000, p. 21-24). 
 
Já no campo curricular, os principais problemas identificados na 
formação inicial de professores são: 
a) a desconsideração do repertório de conhecimentos dos professores no 
planejamento e desenvolvimento de ações pedagógicas; 
b) o uso desarticulado e o tratamento inadequado dos conteúdos das 
várias áreas do conhecimento na prática pedagógica; 
c) a falta de oportunidades para o seu desenvolvimento cultural; 
d) o tratamento restritivo da sua atuação profissional, ligado tão-somente à 
preparação para a regência de classe, deixando de lado outras 
dimensões fundamentais, como a sua participação na formulação do 
projeto político-pedagógico da escola, o seu relacionamento com alunos 
e com a comunidade; 
e) a ausência de estímulo para se desenvolver uma postura investigativa, 
capaz de relacionar teoria e prática; 
f) a ausência de conteúdos relativos às novas tecnologias da informação e 
comunicação; 
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g) a desconsideração das especificidades próprias dos níveis e/ou 
modalidades de ensino em que são atendidos os alunos da educação 
básica; 
h) a desconsideração das especificidades das áreas do conhecimento que 
compõem o quadro curricular na educação básica (MEC, 2000, p. 24-
34). 
 
Por fim, a Proposta de Diretrizes para a Formação de Professores da 
Educação Básica delineia as exigências que se colocam para o desempenho 
do papel docente frente às novas concepções de educação do mundo 
contemporâneo: 
Orientar e mediar o ensino para a aprendizagem dos alunos; 
responsabilizar-se pelo sucesso da aprendizagem dos alunos; assumir e saber 
lidar com a diversidade existente entre os alunos; incentivar atividades de 
enriquecimento curricular; elaborar e executar projetos para desenvolver 
conteúdos curriculares; utilizar novas metodologias, estratégias e material de 
apoio; desenvolver hábitos de colaboração e trabalho em equipe (MEC, 2000, 
p. 5, grifo nosso). 
Diversos estudos mais recentes têm reafirmado a necessidade da 
melhoria da formação de professores como condição essencial e premente 
para a promoção eficaz da inclusão de alunos com necessidades especiais em 
rede regular de ensino (GLAT; PLETSCH, OLIVEIRA; ANTUNES, 2006; 
PLETSCH; FONTES, 2006). Não é para menos. A realidade evidenciada por 
uma pesquisa recente em âmbito nacional mostrou que os professores, de 
maneira geral, não estão preparados para receber em sua sala de aula alunos 
especiais (GLAT; FERREIRA; OLIVEIRA; SENNA, 2003)8. 
Diagnóstico semelhante também foi traçado por Castro (2002) numa 
pesquisa realizada na rede municipal de educação de Santa Maria/RS, que 
analisou representações e sentimentos de professores da rede regular de 
ensino diante da inclusão de alunos com necessidades especiais em "suas" 
 
8
 A pesquisa foi financiada pelo Banco Mundial, envolveu professores e alunos de graduação e pós-
graduação da Universidadedo Estado do Rio de Janeiro (UERJ), da Pontifícia Universidade Católica do 
Rio de Janeiro (PUC/RJ) e da Universidade Metodista de Piracicaba São Paulo. Disponível em: 
. 
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salas de aula. Castro mostrou que os professores, de modo geral, não se 
sentem capacitados para receber um aluno com deficiência, apesar de 
acreditarem nos méritos da inclusão. É o que se pode depreender das 
seguintes falas, proferidas por diferentes professores: 
 Eles [alunos especiais incluídos] exigem uma atenção que não temos 
condição de dar. 
 [...] Não temos condição de oferecer o que eles realmente necessitam, 
pois não somos educadoras especiais, apesar de termos boa vontade. 
 [...] Não temos preparo suficiente para fazer um trabalho com muitos 
resultados positivos. 
 [...] Há muito despreparo nas classes regulares e nos cursos de 
formação do magistério. 
 [...] Eu acho ruim [a inclusão], pois os professores precisam de 
conhecimento para trabalhar com esses alunos. 
 [...] Desde que não atrase muito o ritmo do grupo em geral pode 
acontecer. 
 [...] É um direito assegurado a todos. E é possível a inclusão se o 
sistema educacional estiver preparado a aceitar e tiver conhecimento 
específico para lidar com as diferenças (p. 41-43). 
 
Outrossim, devemos destacar o estudo desenvolvido por Carneiro 
(1999), que investigou professores que atuavam em turmas de pré-escola à 4.ª 
série do ensino fundamental da rede regular de ensino de Juiz de Fora/MG. Os 
resultados evidenciaram a necessidade de uma formação continuada em 
serviço desses professores para a efetivação com qualidade da educação 
inclusiva. Já a pesquisa de Magalhães (1999), realizada na rede municipal de 
educação do Rio de Janeiro, ouviu a opinião de professores e diretores sobre a 
inclusão educacional de alunos especiais em rede regular de ensino, segundo 
a qual a formação de professores foi destacada como um aspecto relevante 
para a implementação da proposta inclusiva. Esses resultados foram 
confirmados pela pesquisa de Tonini e Costas (2005) realizada em uma escola 
pública estadual de Santa Maria/RS. 
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Diante do exposto, avaliamos que o despreparo e a falta de 
conhecimentos estão diretamente relacionados com a formação ou capacitação 
recebida. Além disso, podemos afirmar que existe um grande descrédito sobre 
a capacidade do aluno especial se desenvolver e agir de forma autônoma. 
Neste sentido, advertimos que, num primeiro momento, são comuns 
sentimentos de incapacidade e até mesmo de medo frente ao ingresso de um 
aluno com algum tipo de deficiência ou distúrbio de comportamento em sala de 
aula regular, podendo afastar o professor daquilo que não conhece e lhe 
suscitar estranheza (NAUJORKS, 2002 e 2003; BEYER, 2003). Em outras 
palavras, muitas vezes a falta de preparo e informação impede o professor de 
desenvolver uma prática pedagógica sensível às necessidades do aluno 
especial incluído. 
Portanto, o atual e grande desafio posto para os cursos de formação de 
professores é o de produzir conhecimentos que possam desencadear novas 
atitudes que permitam a compreensão de situações complexas de ensino, para 
que os professores possam desempenhar de maneira responsável e 
satisfatória seu papel de ensinar e aprender para a diversidade. Para tanto, faz-
se necessário elaborar políticas públicas educacionais voltadas para práticas 
mais inclusivas, adequar a formação de professores às novas exigências 
educacionais e definir um perfil profissional do professor, ou seja, habilidades e 
competências necessárias aos professores de acordo com a realidade 
brasileira (NUNES SOBRINHO; NAUJORKS, 2001). Essas parecem ser, hoje, 
medidas urgentes a serem adotadas para que ocorra uma mudança no status 
quo da educação inclusiva. 
No que se refere ao conjunto de habilidades e competências 
necessárias aos professores para a prática com alunos incluídos, o Council for 
Exceptional Children9 (CEC) estabelece balizas em nível internacional para a 
preparação, certificação e a prática do profissional em educação (NUNES 
SOBRINHO; NAUJORKS, 2001). Algumas delas devem ser aqui destacadas: 
a) partir da ideia de que "todos os alunos podem aprender", valorizando as 
potencialidades de aprendizagem de cada um; 
 
9
 Conselho para Crianças Excepcionais (CEC) é uma organização internacional que tem como missão 
melhorar, com base em pesquisas empíricas, as práticas educacionais com indivíduos com necessidades 
especiais. Sua sede se localiza nos Estados Unidos. 
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b) reafirmar que a aprendizagem é um processo individual, ocorrendo de 
maneira ativa em cada pessoa, de tal maneira que é o aluno que 
controla o seu processo de aprendizagem, sempre partindo do que sabe 
e influenciado por sua história pessoal e social; 
c) desenvolver a autoestima como uma das condições de aprendizagem, 
uma vez que o sentimento de pertencer a um grupo social, sentindo-se 
útil e valorizado, possibilita o agir e o crescer com o outro; 
d) estimular a autonomia dos alunos mediante a construção de sua 
aprendizagem; 
e) avaliar permanentemente as aprendizagens; 
f) avaliar o progresso de cada aluno segundo seu ritmo, do ponto de vista 
da evolução de suas competências ao resolver problemas de toda 
ordem e na participação da vida social; 
g) desenvolver a cooperação entre os alunos e certas formas de ensino 
mútuo, pois toda pedagogia diferenciada exige cooperação ativa dos 
alunos e dos seus pais, diminuindo a discriminação entre eles; 
h) envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho, 
despertando o desejo de aprender e propondo tarefas cognitivas de 
maneira lúdica e interessante, a partir das quais deveria ser 
desenvolvido no educando a capacidade de auto-avaliação; 
i) inserir-se no universo cultural dos alunos (VALLE; GUEDES, 2003, p. 
52-53). 
 
Resumindo, podemos dizer que o professor deve valorizar a 
diversidade como aspecto importante no processo de ensino-aprendizagem. 
Além disso, necessita ser capaz de construir estratégias de ensino, bem como 
adaptar atividades e conteúdos, não só em relação aos alunos considerados 
especiais, mas para a prática educativa como um todo, diminuindo, assim, a 
segregação, a evasão e o fracasso escolar. 
É relevante destacar que, de modo geral, a formação recebida pelos 
professores influencia diretamente no desenvolvimento dos alunos (LIBÂNEO, 
1998). No caso específico aqui tratado, de fato, como ressalta Braibant, "a 
aquisição de competências e habilidades pelo aluno com necessidades 
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especiais tem no professor o indispensável apoio e a orientação segura para o 
seu desenvolvimento" (1999 apud MEC/SEESP 2003, p. 37). Por outro lado, 
isto ocorre de forma mais intensa quando, a partir de sua formação, o professor 
alimenta sua própria capacidade reflexiva no trabalho em equipe. Como 
salienta Ainscow (1997), a reflexão crítica em equipe é fundamental para criar 
as condições para a implementação da educação inclusiva. 
Um fator que precisa ser levado em consideração quando se fala em 
formação de professores é a diversidade regional e socioeconômica do Brasil e 
seu rebatimento na universidade, instituição responsável pela formação de 
parte significativados professores. Esse aspecto é de grande importância e 
deve ser analisado no que tange aos investimentos necessários para o 
intercâmbio e a disseminação do conhecimento produzido pela academia 
(GATTI, 1996). Atualmente, são poucos os intercâmbios de experiências 
positivas de inclusão em âmbito nacional. Além disso, pouco se dissemina em 
termos de pesquisas empíricas envolvendo a temática. Com certeza esse 
aspecto fragiliza a implementação de políticas inclusivas (PLETSCH, 2005; 
PLETSCH; FONTES, 2006). 
No Brasil, a formação de professores e demais agentes educacionais 
ligados à educação segue ainda um modelo tradicional, inadequado para suprir 
as reivindicações em favor da educação inclusiva. Vale destacar que, dentre os 
cursos de Pedagogia e de Pedagogia com habilitação em Educação Especial, 
poucos são aqueles que oferecem disciplinas ou conteúdos voltados para a 
educação de pessoas com necessidades especiais. Essa situação de carência 
no oferecimento de disciplinas e conteúdos vem ocorrendo apesar da exigência 
de um dispositivo legal pelo § 2.º do artigo 24 do Decreto n.º 3298, de 20 de 
dezembro de 1999. Além desse Decreto, há também a Portaria n.º 1793/94, 
que recomenda a inclusão da disciplina "Aspectos ético-político-educacionais 
da normalização e integração da pessoa portadora de necessidades especiais" 
prioritariamente em todos os cursos de licenciatura. 
O fato é que, de maneira geral, as licenciaturas não estão preparadas 
para desempenhar a função de formar professores que saibam lidar com a 
heterogeneidade posta pela inclusão. Isso é preocupante, pois os alunos bem 
ou mal estão sendo incluídos e cada vez mais as salas de aula se diversificam, 
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embora, evidentemente, não no ritmo desejado (GLAT; PLETSCH, 2004; 
PLETSCH; FONTES, 2006). Em outras palavras, trata-se de uma inclusão 
precarizada. 
Por outro lado, limitar-se a oferecer uma disciplina com conteúdos 
sobre crianças com necessidades especiais, sem maior reflexão e 
aprofundamento acerca das capacidades e individualidades humanas, pode 
acabar auxiliando a manutenção de práticas segregacionistas. É o que destaca 
Bueno: 
A inserção de uma disciplina ou a preocupação com 
conteúdos sobre crianças com necessidades educativas 
especiais pode redundar em práticas exatamente 
contrárias aos princípios e fundamentos da educação 
inclusiva: a distinção abstrata entre crianças que possuam 
condições para se inserir no ensino regular e as que não 
as possuam, e a manutenção de uma escola que, através 
de suas práticas, tem ratificado os processos de exclusão 
e de marginalização de amplas parcelas da população 
escolar brasileira (1999b, p. 18). 
 
Frente a esse conjunto de problemas, vem ocorrendo todo um debate 
centrado na formulação de propostas para sua resolução. Uma parte da 
discussão tem se voltado para a questão da formação de professores. 
Trataremos aqui da proposta defendida por Bueno (1999a e 2001), segundo a 
qual o modelo inclusivo requereria a formação de dois tipos de professores: 
a) os chamados generalistas, que seriam responsáveis pelas classes 
regulares e capacitados com um mínimo de conhecimento e prática 
sobre a diversidade do alunado; 
b) os professores especialistas, capacitados em diferentes necessidades 
educacionais especiais e responsáveis para oferecer o necessário 
suporte, orientação e capacitação aos professores do ensino regular 
visando à inclusão, ou para atuar diretamente com alunos em classes 
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especiais, salas de recurso10, etc. (GLAT; PLETSCH, 2004; MENDES, 
2002 e 2004; PLETSCH, 2005). 
 
É oportuno lembrar que a própria LDB (1996), em seu artigo 59, 
reconhece a importância de se formar professores especializados para atender 
pessoas com necessidades especiais, sob quaisquer modalidades de ensino: 
Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades 
especiais: 
III - professores com especialização adequada em nível médio ou 
superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino 
regular capacitados para a integração [leia-se, inclusão] desses educandos nas 
classes comuns (grifo nosso). 
De acordo com a proposta de Bueno acima referida, combinar-se-iam o 
trabalho do professor regular e a atuação do professor especializado, pois o 
generalista teria o mínimo de conhecimento e prática com alunos especiais, 
enquanto o especialista teria conhecimento aprofundado e prática sistemática 
no que concerne a necessidades educacionais específicas. A formação 
pedagógica do especialista deveria ser de caráter geral, com aprofundamentos 
específicos que permitiriam um atendimento especializado. Antes de tudo, 
portanto, seria um professor, encarregado de auxiliar o professor regular. 
As linhas centrais dessa proposta constam do Plano Nacional de 
Educação (MEC, 2000), que aponta a integração entre professores da 
Educação Especial e da educação regular como uma das ações necessárias 
para efetivação da educação inclusiva. E acrescenta: 
Art. 8. As escolas da rede regular de ensino devem prever e prover na 
organização de suas classes: 
I - professores das classes comuns e da educação especial, 
capacitados e especializados, respectivamente, para o atendimento às 
necessidades educacionais especiais dos alunos; 
 
10
 É uma modalidade de atendimento da Educação Especial que geralmente se dá num espaço destinado 
ao trabalho com os alunos portadores de necessidades especiais [lê-se alunos com necessidades 
educacionais especiais] incluídos em classes regulares, tendo como objetivo aprofundar conhecimentos 
que contribuam para o seu desenvolvimento e aprendizagem, com a utilização de recursos específicos que 
atendam às suas necessidades (IHA, 2001). 
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II - condições para reflexão e elaboração teórica da educação inclusiva, 
com protagonismo dos professores, articulando experiência e conhecimento 
com as necessidades ou possibilidades surgidas na relação pedagógica, 
inclusive por meio de colaboração com instituições de ensino superior e de 
pesquisa (grifo nosso). 
Partindo desse pressuposto, propõe-se, como uma das alternativas 
para a efetivação da inclusão educacional na realidade brasileira o ensino 
itinerante (PLETSCH, 2005). Essa proposta pode ser entendida como um 
desdobramento da ideia de Bueno sobre os professores generalistas e 
especialistas, a qual, como se viu, tem fundamento na legislação e em 
diretrizes de política educacional do MEC. 
O ensino itinerante, de acordo com o MEC (MEC/SEESP, 1995), 
consiste num suporte oferecido por um professor especializado ao professor 
regular que tem em sua classe alunos especiais. Além disso, o professor 
itinerante deve também dar apoio ao educando incluído, o qual pode ser 
individual ou em grupo, de acordo com as necessidades específicas de cada 
caso e, se necessário for, o professor itinerante pode ainda trabalhar com o 
aluno incluído em horário distinto do tempo de aula. 
Em recente pesquisa etnográfica realizada na Rede Pública de Ensino 
da Cidade do Rio de Janeiro, foi evidenciado que o trabalho do professor 
itinerante constitui um instrumento favorável para a viabilização da inclusão de 
pessoas com necessidades especiais. O estudo mostrou que as professoras 
itinerantes podem atuar como agentes de mediação, sensibilização e 
mobilização pró-inclusão junto ao conjunto de personagens - diretores, 
coordenadores pedagógicos, professoresregulares e demais funcionários - 
responsáveis pela dinâmica cotidiana das escolas. Seu trabalho, portanto, não 
se limita à questão pedagógica stricto sensu, mas envolve a esfera da cultura e 
dos valores constitutivos das relações intraescolares e da escola com a 
comunidade em seu entorno (PLETSCH, 2005). 
No entanto, apesar das evidências claras a respeito da viabilidade e da 
potencialidade do ensino itinerante, não adianta apenas incluir os alunos 
especiais em classes regulares. É necessário mudar concepções 
preconceituosas a respeito do que seja educação inclusiva, bem como 
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possibilitar aos professores regulares conhecimentos sobre essa proposta, já 
que a maioria não se sente preparada para receber esses alunos, como visto 
anteriormente. 
Essa situação reforça a ideia de investimentos no ensino itinerante, não 
apenas como instrumento de suporte e capacitação aos professores regulares, 
mas também como agente de "internalização" nas escolas da política de 
inclusão de pessoas com necessidades especiais. 
Por fim, para que ocorram mudanças efetivas no quadro educacional 
brasileiro em relação à inclusão de alunos com necessidades especiais, nunca 
é demais lembrar a necessidade de combater os problemas educacionais 
gerais, como, por exemplo, o fracasso e evasão escolares e a deterioração da 
qualidade do ensino público. Incluir pessoas com necessidades especiais no 
atual contexto de precarização, não rompe por si só com o circuito da exclusão. 
Por isso, a proposta de inclusão não pode ser pensada de maneira 
desarticulada da luta pela melhoria e transformação da educação brasileira 
como um todo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3. FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: 
POLÍTICAS PÚBLICAS, DISCURSOS E PRÁTICAS 
 
INTRODUÇÃO 
O movimento pela universalização do ensino e a redemocratização das 
práticas escolares encontra-se respaldado nos discursos e documentos que 
apregoam a inclusão escolar como paradigma educacional emergente. 
Fundamenta-se na concepção dos direitos humanos, contextualizando as 
circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora do ambiente 
escolar (BRASIL, 2008). 
Atualmente o Estado vem constituindo políticas públicas que visam 
assegurar educação de qualidade para todos os alunos, com necessidades 
educacionais especiais ou não, transtornos globais do desenvolvimento e altas 
habilidades/superdotação. Os Indicadores Demográficos e Educacionais do 
Estado do Amazonas apontam uma população estimada 3.478.723 habitantes, 
destas, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se 
que haja 5% de deficientes. 
Os novos desafios trazidos pela “era” da inclusão escolar evidenciam a 
necessidade de repensar a formação dos educadores que atuam com estes 
alunos, bem como o cumprimento do que diz a legislação sobre a formação 
específica na área de educação inclusiva, tendo em vista o Atendimento 
Educacional Especializado (AEE) e o apoio pedagógico de caráter 
complementar e suplementar (BRASIL, 1996; 2008; 2011; 2013). 
Diversos estudos vêm contribuindo para avaliação e implementação 
das políticas públicas no Brasil (CASTRO; SILVA, 2003; SAVIANI, 2009), 
especialmente das políticas inclusivas (ALVES, 2009; BAPTISTA; CAIADO; 
JESUS, 2010; MAGALHÃES, 2011). Na Região Amazônica, ao longo da última 
década, os estudos publicados nos Programas de Pós-Graduação em 
Educação vêm crescendo de forma surpreendente, mas ao mesmo tempo, 
apresentam pouca expressividade se comparados aos Programas de Pós-
Graduação em Educação e Educação Especial das regiões Sul e Sudeste 
(VINENTE, 2013). 
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O estudo11 reveste-se de relevância científica, social e acadêmica por 
elencar os marcos políticos-legais que subsidiam a formação docente para a 
Educação Inclusiva, analisando documentos publicados no período de 1988 a 
2013, que direcionam políticas públicas voltadas para os estudantes com 
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas 
habilidades/superdotação (BRASIL, 2008, 2011, 2013 ). 
A pesquisa objetivou conhecer na Gerência de Educação Especial 
(SEMED/AM), os marcos políticos-legais que subsidiam a formação dos 
professores atuantes com crianças que apresentam Paralisia Cerebral na Rede 
Municipal de Manaus. Partindo disto, analisou-se na Política Nacional de 
Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), a orientação 
oficial da formação docente no contexto inclusivo. Outros documentos são 
observados concatenando um enfoque sobre a formação docente. 
 
O DIREITO DE TODOS À EDUCAÇÃO: GARANTIA À DIVERSIDADE 
A educação básica, como um direito e como um conceito, ainda é 
recente em nosso país. Jamil Cury (2008, p. 294) afirma que o conceito de 
educação básica é novo, além de tratar-se de um direito e uma nova forma de 
organização da educação nacional expressa na Lei nᵒ 9.394/1996. 
O capítulo V, artigos 58, 59 e 60 desta lei asseguram a inclusão escolar 
de alunos com deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. No 
artigo 58, a educação especial é entendida como “[...] modalidade de educação 
escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para 
educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas 
habilidades/superdotação”. (BRASIL, 2013, p. 10) 
O direito à educação é assegurado em nosso ordenamento jurídico 
maior, como direito do cidadão e dever do Estado, mediante oferta qualificada 
(CURY, 2008). Para o autor, o conceito de educação ganha força, pois a 
Constituição Federal se nutre da democracia, do amplo acesso, da participação 
de todos, texto este cujo teor se transparece do universalismo de vários direitos 
 
11
 Autores: VINENTE, Samuel; SILVA, Ketlen Júlia Lima da; SILVA, Ketlis Lima da. 
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sociais, tais como educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, lazer, 
previdência social etc. (BRASIL, 1988) 
Mesmo que de forma polissêmica, o termo “inclusão” é encontrado 
nove vezes na Carta Magna de nossa República Federativa. Além disso, pode-
se observar o termo “educação” colocado na Constituição por sessenta e seis 
vezes, o que vem legitimando o dever do Estado no oferecimento de uma 
educação voltada para as mais diferentes pessoas, cada qual com suas 
especificidades. 
O acesso e permanência na escola é um direito garantido em diversos 
documentos, porém, muitas pessoas não tem acesso a este conhecimento, se 
colocando ou sendo colocado à margem da escola e da sociedade. Este é o 
caso de muitas crianças com deficiência, que por desconhecimento da 
cidadania plena ou até mesmo imposição dos pais ficam escondidos em casa, 
por terem sua deficiência vista como doença incurável e/ou transmissível. 
O movimento pela universalização do ensino e a entrada de alunos 
deficientes na Educação Básica suscitou o debate se o AEE deveria ser 
oferecido em salas regulares junto com os demais alunos sem necessidades 
especiais, ou em classes especiais juntos aos alunos com necessidades 
específicas (MATOS, 2008; MANTOAN, 2011; MAGALHÃES, 2011). Este 
processo vem se efetivando ainda, em alguns lugares a passos curtos. 
Dependendo do lócus da pesquisa, os dados coletados e apresentados nos 
eventos que os pesquisadores têm participado, vêm mostrando resultadosdiferentes, porém que trazem as mesmas reflexões. 
 
A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA: alguns apontamentos 
Um dos marcos políticos-legais de abrangência mundial que subsidia a 
formação docente de educadores para atuação na Educação Inclusiva data de 
1994, consistindo na Declaração de Salamanca, onde foram traçadas metas e 
diretrizes para a inclusão de alunos com “necessidades educacionais 
especiais” nos sistemas de ensino. Tal documento apregoava a mobilização de 
apoio de organização dos profissionais de ensino em questões relativas ao 
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aprimoramento de docentes no que se refere às necessidades especiais 
(UNESCO, 1994) 
No mesmo ano de 1994, o Ministério da Educação expede a Portaria 
de n° 1.793, de dezembro de 1994, considerando a necessidade de 
complementar os currículos de formação de docentes e de outros profissionais 
que atuam com educandos “portadores de necessidades especiais” (BRASIL, 
1994). A mesma Portaria recomenda a inclusão da disciplina “Aspectos ético-
político-educacionais da normalização e integração da pessoa portadora de 
necessidades especiais”. 
O artigo 59 de LDB assegura que os sistemas de ensino deverão 
atender aos educandos com necessidades educacionais especiais, garantindo: 
 
I – Currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e 
organização específicos, para atender às suas 
necessidades; II – Terminalidade específica para aqueles 
que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão 
do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e 
aceleração para concluir em menor tempo o programa 
escolar para superdotados; III – professores com 
especialização adequada em nível médio ou superior, 
para atendimento especializado, bem como professores 
do ensino regular capacitados para a integração desses 
educandos nas classes comuns; (BRASIL, 2010, p. 44). 
 
 
Entende-se que os docentes, atuantes com educandos deficientes, 
devem ter uma formação específica, de forma inicial e contínua (BRASIL 1996, 
2008, 2011). Os desafios para a inclusão apresentam-se nas mais variadas 
formas e contextos, em que os processos de formação são discutidos e 
rediscutidos, e as práticas pedagógicas são refletidas através da 
ressiginificação da inclusão como paradigma escolar atual. 
Segundo Mantoan (2011), a proposta revolucionária de incluir todos os 
alunos em uma única modalidade educacional, o ensino regular, tem 
encontrado outras barreiras, entre as quais se destaca a cultura 
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assistencialistas e terapêutica que foi criada e transmitida ao longo dos anos 
nos discursos e nas políticas públicas que se implementaram nas últimas 
décadas de forma ineficiente. 
Sobre o mesmo foco, Magalhães apregoa que, mais do que designar 
para a educação especial aspectos clínicos, “[...] devemos considerar a 
educação especial como prática social historicamente produzida, e não 
simplesmente como uma especialização para alguns profissionais das áreas de 
educação e saúde.” (MAGALHÃES, 2011, p. 14). 
A proposta da educação inclusiva aberta às diferenças deve atender à 
todos com qualidade, abarcando as necessidades e potencialidades de cada 
indivíduo, especialmente nesta investigação, a criança amazonense. Sendo 
assim, uma das grandes e atuais discussões no que se refere ao processo de 
inclusão se dá, na maneira como os educadores concebem a forma de 
adaptação pedagógica e a organização física do ambiente escolar, para a 
recepção de educandos com deficiência. 
As barreiras que impedem educandos com deficiência de terem todas 
as suas necessidades satisfeitas podem ser rompidas, mas esse papel não é 
somente do professor. A inclusão requer mudanças, na qual a escola precisa e 
deve criar condições de acessibilidade a estes educandos. É dever da escola, 
oferecer educação de qualidade para todos, a começar pela formação inicial e 
continuada de professores qualificados para o AEE. 
Na cidade de Manaus, pesquisas vêm mostrando que cursos de 
formação contínua sobre inclusão escolar devem ser priorizados aos 
professores. Nesse sentido, o AEE vem se implantando de forma efetiva, mas 
ainda são muitos os desafios para a implementação das políticas de formação 
dos professores para a educação inclusiva, desafios esses que perpassam a 
política de formação e adequações dos métodos e técnicas de ensino às reais 
necessidades dos educandos deficientes. 
 
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê Científico da Área de Ciências 
Sociais Aplicadas, por meio do Departamento de Apoio à Pesquisa, vinculado a 
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Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (DAP/PROPESP/UFAM). 
Pressupôs levantamento de dados, seguindo critérios detalhados na seleção 
das informações precisas e essenciais para a compreensão dos processos 
formativos na docência, bem como a implementação das políticas de inclusão. 
O estudo se deu numa abordagem qualitativa (FAZENDA, 2008), 
partindo do pressuposto de que a realidade dos fenômenos sociais está mais 
apreendida por meio de maior aproximação com a realidade. Marconi e 
Lakatos (2006) trazem método e métodos em níveis claramente distintos, 
principalmente no que se refere à inspiração filosófica, seu grau de abstração e 
sua finalidade para interpretação de parte de uma realidade estudada. O 
método dialético “[...] penetra o mundo dos fenômenos através de sua ação 
recíproca, da contradição inerente ao fenômeno e da mudança dialética que 
ocorre na natureza e na sociedade” (p. 106). 
O método foi escolhido de forma coerente com as políticas de inclusão 
por elas se tratarem muitas vezes mostrando antagonismos entre o que é dito, 
assegurado em documentos, normatizado e o que é vivenciado nas práticas 
escolares durante o cotidiano de alunos e professores. Teve como 
principal lócus a Secretaria Municipal de Educação (SEMED), por meio da 
Gerência de Educação Especial. 
Além dos documentos oficiais que subsidiam o fazer docentes dos 
professores que atuam com educandos que apresentam Paralisia Cerebral na 
rede pública municipal de ensino em Manaus, foram também consultadas as 
fontes de outros órgãos estaduais e municipais que versem sobre a temática e 
normatizem o AEE no contexto regional. 
A pesquisa bibliográfica foi realizada em fontes primárias e 
secundárias, tendo em vistas as publicações atuais dos Programas de Pós-
Graduação em Educação, Educação Especial e Psicologia e em periódicos 
especializados, tais como a Revista Brasileira de Educação Especial (UNESP), 
Revista de Educação Especial (UFSM) e Educação e Pesquisa (USP). Foi 
acessado o Portal de Periódicos da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento 
de Pessoal de Nível Superior) e a base de dados Scielo para a consulta em 
artigos publicados do ano 2000 em diante e o Portal Domínio Público. 
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Na fase de pesquisa documental, as publicações oficiais do Ministério 
da Educação foram identificadas a partir de sites de buscas. Foram incluídos 
na análise materiais que orientem a prática docente atuante com crianças que 
apresentam necessidades educacionais especiais. Seguindo recomendações 
de Diehl e Tatim (2004), propôs-se um processo de organização que pode ser 
resumido em: 
 Seleção: partiu da verificação detalhada dos dados coletados para que 
se pudesse verificar falhas ou erros, evitandoinformações distorcidas ou 
incompletas. 
 Classificação: baseou-se na ordenação dos dados de acordo com 
determinados critérios, o que orientou sua divisão em classes ou 
categorias. 
 Codificação: consistiu na atribuição de símbolos (abordagem 
quantitativa), a fim de transformar os dados em elementos quantificáveis 
para posterior tratamento estatístico. Na abordagem qualitativa, foi 
atribuído um nome conceitual às categorias, relacionando-se ao que os 
dados representam no contexto da pesquisa. 
 Representação: esta última fase proposta resumiu-se na apresentação 
dos dados de modo que haja facilitação no processo de inter-relação 
entre eles e a relação com a hipótese. 
 
RESULTADOS E DISCUSSÕES 
O processo de inclusão de alunos com deficiências na escola regular 
ainda é recente no Brasil. A escola como instituição social se caracterizou ao 
longo do tempo pela visão da educação que delimitou a escolarização como 
privilégio de poucos, legitimando nas políticas e nas práticas educacionais a 
exclusão, reproduzindo a ordem social (BRASIL, 2008; FIGUEIRA, 2011; 
MAZOTTA, 2005). 
Com a promulgação da atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional e diversos documentos que respondem aos anseios da sociedade e 
da UNESCO para a inclusão, as políticas públicas vêm implantando-se no 
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Brasil, com a supervisão do Ministério da Educação e demais órgãos 
interligados ao setor da educação. Sobre este movimento Figueira comenta: 
[...] um novo conceito ganho força: a inclusão escolar e 
social. Antes, essas pessoas eram habilitadas ou 
reabilitadas para fazerem todas as coisas que as demais, 
sendo que por meio da integração social passavam a 
conviver conosco em sociedade. Agora, na inclusão 
social, as iniciativas são nossas, Somos nós que estamos 
nos preparando, criando caminhos e permitindo que elas 
venham conviver conosco. Por esse motivo, cada vez 
mais vemos crianças e pessoas com deficiências em 
nossas escolas, nos espaços de lazer e em todos os 
lugares da vida diária. E devemos estar preparados para 
essa convivência, aceitando as diferenças e a 
individualidade de cada pessoa, uma vez que o conceito 
de inclusão mantém este lema: todas as pessoas têm o 
mesmo valor. (FIGUEIRA, 2011, p. 28-29). 
 
A Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais 
(1994), organizada pelo Governo da Espanha, em colaboração com a 
UNESCO, definiu uma política que inspira governos, organizações 
internacionais e nacionais e outros organismos para a efetivação do resultado 
desta Conferência: a Declaração de Salamanca. A Política Nacional de 
Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) traz uma 
retrospectiva sobre a publicação de documentos anteriores. Os materiais 
analisados trazem algumas considerações que podem ser elencadas abaixo: 
 Constituição da República Federativa do Brasil (1988): No capítulo II da 
CF (BRASIL, 1988) a educação é vista como um direito social. Neste 
contexto, esta redação foi dada através da Emenda Constitucional n. 
64/2010. No capítulo III, Seção I, Artigo 208, Inciso III, é assegurado o 
Atendimento Educacional Especializado aos deficientes, 
preferencialmente na rede regular de ensino, mas em nenhuma parte da 
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redação da CF é dado instruções aos docentes sobre como atuarem 
com educandos que apresentam PC. 
 Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996): nesta Lei, no artigo 59, 
incisos I, II e III, é previsto currículos, métodos e técnicas, bem como 
recursos educativos para atendimento das necessidades educacionais 
destes alunos. Especifica a necessidade de qualificação para o AEE, e 
assegura a inclusão destes alunos na preferencialmente na rede regular 
de ensino. 
 Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação 
Inclusiva: assegurado a inclusão de alunos com deficiência, transtornos 
globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, através 
do Decreto 6571/2008, revogado posteriormente através do Decreto 
7611/2011. 
 Decreto 7611/2011: garante implantação das salas de recursos 
multifuncionais, assegurando o Atendimento Educacional Especializado. 
Prevê formação de gestores, educadores e demais profissionais da 
escola para a educação na perspectiva da educação inclusiva, 
particularmente na aprendizagem, na participação e na criação de 
vínculos interpessoais. 
 
No que se diz respeito ao AEE, o quadro a seguir apresenta o 
crescimento da implantação de salas de recursos multifuncionais nos anos de 
2005 a 2011, mostrando que principalmente após a criação do Plano de ações 
Articuladas (PAR), esse número vem crescendo de forma surpreendente. 
Observa-se a necessidade de que seja garantida a formação com 
especialização adequada em nível superior aos educadores para o 
atendimento dos educandos com necessidades educacionais especiais na rede 
regular de ensino. 
Algumas publicações do Ministério da Educação relacionam diretrizes 
para que gestores, docentes e demais profissionais da educação atuem nos 
sistemas de ensino com uma formação específica consolidada. O campo de 
atuação destes profissionais é amplo, pois a cada ano aumenta a quantidade 
de salas onde é realizado o processo de AEE. 
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Os dados apresentados e os documentos analisados evidenciam a 
necessidade de se repensar a organização pedagógica e física das escolas, 
mostrando principalmente aspectos legais da formação docente para a 
qualificação deste profissional. Acredita-se que enquanto práxis pedagógica, 
teoria e prática são indissociáveis e devem fazer parte do cotidiano da escola 
inclusiva. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Ao longo do tempo, o paradigma da integração foi cedendo espaço ao 
paradigma da inclusão social. Partindo disso, inúmeros movimentos sociais 
foram realizados para a efetivação de políticas públicas voltadas para a 
inclusão de todas as pessoas na escola, no mercado de trabalho, e nos demais 
espaços da sociedade brasileira. A questão da inclusão educacional de alunos 
com necessidades educacionais especiais perpassa fatores ideológicos, 
políticos, sociais e éticos. 
Observa-se que são impostas mudanças no sentido de favorecer o 
atendimento desses alunos nas classes regulares, respeitando as diferenças 
de cada um e suas necessidades educacionais. Portanto, acreditar numa 
escola inclusiva é exercer a cidadania. Resignificar os conceitos e práticas 
desse paradigma emergente inclusivo, traz inúmeras possibilidades de 
repensar a formação inicial/continuada dos educadores, bem como os 
desafios vivenciados por estes no cotidiano escolar. 
A referente pesquisa traz questões norteadoras para a construção de 
processos estratégicos emergenciais, que sejam fortalecidas através de ações 
que permitam um “viver” e não sobreviver como quase sempre tem ocorrido, 
permitindo também um “incluir” e não excluir. A escola é o local ideal para a 
reprodução de valores culturais inclusivos, onde as crianças podem aprender 
dia após dia o respeito às diferenças e o convívio social. 
É essencial que os pressupostos teóricos e metodológicos justifiquem a 
prática docente do professor na sala de aula, no tratamento do educando com 
necessidades educacionais especiais na escola, através de atividades voltadas 
para o seu desenvolvimento e não apenas como mera transmissão de 
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