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Caso clinico ANA PAULA ALMEIDA ALOE Dor no peito não significa necessariamente que haja um problema cardíaco. A maioria das pessoas que procura atendimento médico de emergência por causa de dores no peito não está tendo um ataque cardíaco, mas está enfrentando problemas menos graves, como dores musculares, refluxo ou ataques de ansiedade. Porém, como a dor no peito pode significar um problema de saúde com risco de vida, o mais seguro a fazer é não arriscar e procurar avaliação médica. Muitos pacientes com doenças cardíacas demoram a procurar ajuda porque acreditam que os seus sintomas não são graves ou que a dor irá melhorar por si só. Muitas vezes, o tempo que você espera em casa é a diferença entre ter um ataque cardíaco e não ter. É melhor lembrar que as orientações a seguir são apenas diretrizes gerais e nunca devem ser usadas como base para o autodiagnóstico. Somente um médico pode diagnosticar a dor no peito por meio de história clínica, exame físico e exames adicionais, se necessário. Às vezes uso o termo “dor no peito” em vez de “dor no peito” porque é mais preciso e porque algumas condições que se apresentam com dor no peito podem envolver todo o peito, incluindo as costas. Também vale a pena dizer que eu evitaria usar a palavra “ataque cardíaco” e, em vez disso, chamá-la-ia, mais corretamente, de infarto do miocárdio ou doença cardíaca isquêmica. Quais fatores são importantes na avaliação de uma dor no peito? Existem dois fatores primordiais na avaliação clínica da dor torácica: · Características da dor. · História clínica do paciente. Características da dor Ao ter uma dor no peito, a primeira coisa que se deve tentar esclarecer é se a mesma indica uma dor anginosa, ou seja, dor de isquemia cardíaca (infarto). A angina de peito apresenta algumas características típicas que podem ser usadas para afastar ou reforçar a suspeita de uma doença cardiovascular. Características da dor no peito que sugerem isquemia cardíaca: · Ser mais um peso ou uma forte sensação de aperto no peito do que uma propriamente uma dor (é muito comum o paciente descrever a dor encostando o punho fechado em frente ao peito, para mostrar que a dor é em aperto). · Ser desencadeado por esforço físico ou estresse emocional. · Ser uma dor difusa no lado esquerdo e centro do tórax, frequentemente com irradiação para braço esquerdo, costas e/ou pescoço. · Vir acompanhada de suores, falta de ar, palidez ou hipotensão. · Vir acompanhada de palpitações. · Ser uma dor que dura vários minutos. · Ser uma dor que não cede aos analgésicos comuns. · Um sinal de extrema gravidade, e que fala a favor de doença cardíaca, é a perda de consciência após o início da dor torácica (leia também: Infarto fulminante: causas e sintomas). A dor da isquemia cardíaca não se limita à área ao redor do coração. Os locais mais típicos estão marcados em vermelho; a área rosada mostra as comuns regiões de irradiação da dor. Na maioria das vezes, o infarto se apresenta como uma dor intensa e muito incômoda. Todavia, a intensidade da dor não é um fator determinante, visto que até 1/3 dos infartos ocorrem com leves desconfortos. Pacientes diabéticos ou idosos podem ter dores leves e, às vezes, se queixam mais de cansaço e mal-estar do que propriamente de dor no peito. Temos um texto exclusivo sobre a angina de peito (a dor de isquemia do coração), como maiores explicações sobre este tipo de dor torácica: Angina estável e angina instável. Características da dor no peito que falam contra uma isquemia cardíaca: · Dor que dura poucos segundos e surge sem esforço físico ou estresse emocional. · Dor de curta duração que vai e volta sem fatores desencadeantes precisos. · Dor muito bem localizada, sendo o paciente capaz de apontar com o dedo indicador exatamente onde ela incide. · Dor que piora quando se aperta o local com o dedo ou quando se faz algum movimento com o tórax. · Dor em pontada ou que piora com a respiração profunda costuma ter origem outra que não um infarto. · Dor que vai e volta há muitos anos sem haver sinais de progressão ou piora. · Dor que melhora muito com um simples analgésico. · Dor que não irradia e não vem acompanhada de outros sintomas, como falta de ar, suores, vômitos, hipotensão, etc. Devemos salientar que as características acima são apenas orientações, de modo algum são suficientes para se descartar ou diagnosticar uma dor no peito. Algumas pessoas com crises de ansiedade podem apresentar sintomas muito parecidos com um infarto, queixando-se de palpitação, suores, falta de ar, tonturas, etc. Também é bom lembrar que a isquemia cardíaca não é a única causa grave de dor no peito, podendo está também ser causada por pneumonia, embolia pulmonar e aneurisma de aorta, doenças com sintomas distintos aos do infarto agudo do miocárdio. História clínica do paciente Além das características da dor, os dados clínicos do próprio paciente também são extremamente relevantes. A abordagem de uma dor no peito em um paciente de 19 anos e saudável é completamente diferente da de um paciente de 63 anos, obeso, com história de diabetes, hipertensão e tabagismo. Quanto mais fatores de risco para doença cardiovascular um paciente tiver, maiores são as chances de sua dor no peito indicar uma doença mais grave. Um paciente sem fatores de risco conhecidos pode infartar? Pode, mas é pouco comum, e isso deve ser sempre considerado. Os principais fatores de risco para doença cardiovascular que devem ser avaliados em um paciente com dor no peito são: · Idade maior que 40 anos. · História prévia de doença isquêmica cardíaca. · Sedentarismo e dieta rica em gorduras saturadas. · Forte história familiar para doença isquêmica cardíaca. · Tabagismo. · Obesidade. · Diabetes mellitus. · Hipertensão arterial. · Colesterol elevado. · Insuficiência renal crônica. · Uso de cocaína. A partir dos dados explicados acima e com o exame físico, o médico deve ser capaz de estabelecer os diagnósticos diferenciais para a sua dor no peito. Se a avaliação clínica indicar algum risco de a dor ser de origem cardíaca, o médico irá solicitar exames para tentar diagnosticar ou descartar esta causa. Em avaliações de dor torácica, muitas vezes é mais importante descartar causas graves do que estabelecer um diagnóstico definitivo para a dor. Causas de dor no peito A dor no peito sempre traz consigo o medo de um infarto, no entanto, existem dezenas de causas para dor torácica, algumas delas tão ou mais graves que a doença isquêmica cardíaca. Na verdade, a dor torácica pode ser causada por doenças em qualquer um dos órgãos dentro e fora da caixa torácica, incluindo coração, esôfago, pulmão, pleura, mediastino, grandes vasos, costelas, cartilagens, articulações, músculos do tórax, pele, etc. Abaixo segue uma lista das principais condições ou doenças que podem causar dor torácica: · Isquemia cardíaca. · Aneurisma de aorta. · Pneumotórax. · Derrame pleural. · Embolia pulmonar. · Pneumonia. · Refluxo gastroesofágico. · Pericardite (inflamação do pericárdio). · Tumores do pulmão ou mediastino · Esofagite (inflamação do esôfago). · Espasmo do esôfago. · Hipertensão pulmonar. · Costocondrite (inflamação das cartilagens que ligam as costelas ao osso esterno). · Lesões nas costelas. · Lesões musculares. · Osteoartrite. · Fibromialgia. · Artrite reumatoide. · Herpes zoster. Além dos órgãos e tecido do tórax, algumas vezes problemas em órgãos do abdômen podem também causar dor torácica, entre eles: · Colecistite. · Gastrite ou úlcera péptica. · Pancreatite. Na ilustração abaixo citamos algumas das possíveis causas de dor na região torácica conforme a sua localização. Causas de dor torácica Como pode se ver, o diagnóstico da dor torácica é bem complexo, dado que este sintoma pode indicar uma extensa gama de patologias distintas. Na dúvida, o ideal é procurar um médico. Se a sua dor difere das que você já sentiu antes, procure ajuda de um profissional, principalmente se você tiver fatores de risco para doença cardiovascular. Ansiedade e gases como causa de dor torácica Pessoas com crises de ansiedade, síndromedo pânico, burnout, depressão ou hipocondria também podem apresentar dores no peito com frequência. Pelo menos 1/3 dos pacientes que se dirigem aos serviços de urgência com dor no peito, o fazem por condições de origem psicológica/psiquiátrica. A relação entre gases e dor no peito é bem conhecida. Normalmente a dor por gases não é bem no tórax, mas sim na porção inferior das costelas, que chamamos hipocôndrio. Estas dores ocorrem por dilatação dos estômagos e esôfago, muitas vezes pinçando os nervos ao seu redor. Pessoas com hérnia de hiato, uma condição em que parte do estômago acaba subindo em direção ao tórax, podem ter dor torácica com acúmulo de gases no estômago. Outra causa comum de dor na região do hipocôndrio e costelas, mas que pode ser confundida com dor torácica, é a dor que ocorre após exercício físico extenuante. Esta dor é causada por fadiga da musculatura torácica responsável pela respiração. Ela pode assustar por aparecer durante exercícios físicos, mas é bem diferente da dor do infarto, pois ocorre tardiamente durante a atividade, não irradia, é muito localizada, não é bem no peito e parece mais uma câimbra do que a dor em aperto do infarto.