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22/09/2010 1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA DEPARTAMENTO DE BIOQUÍMCA E BIOLOGIA MOLECULAR BQI 100 – BIOQUÍMICA FUNDAMENTAL Princípios de Bioenergética Introdução Bioenergética é o estudo quantitativo das transformações de energia que ocorrem nos organismos vivos, bem como da natureza e função dos processos químicos nelas envolvidos. Introdução Propriedade fundamental dos seres vivos: controlar e aproveitar a energia de diversas fontes canalizando-as para o trabalho biológico. Como os organismos vivos fazem estas transformações? De onde vem a energia para os processos biológicos? Por que algumas reações são espontâneas e outras não? Ciclo de matéria: envolve enorme fluxo de energia Nutrientes orgânicos ricos em energia Autotróficos Fonte de energia Heterotróficos Captação da radiação solar FLUXO DE ENERGIA NOS SERES VIVOS Nutrientes que fornecem de energia Carboidratos Lipídeos Proteínas Macromoléculas Celulares Proteínas Polissacarídeos Lipídios Ácidos nucléicos Produtos finais menos energéticos CO2 H2O NH3 Precursores moleculares Aminoácidos Açúcares Ácidos graxos Bases nitrogenadas Catabolismo Anabolismo Energia Química ATP, NADH, NADPH, FADH2 ADP, NAD, NADP, FAD FLUXO DE ENERGIA NOS SERES VIVOS Leis da termodinâmica 1ª Lei (conservação de energia): em todas as transformações a energia do universo permanece constante, embora possa mudar de forma. 2ª Lei (Entropia): a entropia do universo sempre aumenta em todos os processos naturais. “ Em um sistema isolado a energia disponível para o trabalho decresce em todo processo real” As transformações biológicas de energia seguem as leis da termodinâmica 22/09/2010 2 O Sistema Reagente Sistemas -Fechado não há troca com o meio - Aberto troca energia e matéria Sistema + meio ambiente Universo O SISTEMA REAGENTE: é a coleção de matéria que está sofrendo um determinado processo físico ou químico. Pode ser uma célula, um organismo, dois compostos reagindo. É UMA DELIMITAÇÃO DO UNIVERSO Sistema Reagente Um organismoUma célula Dois compostos reagindo Parâmetros termodinâmicos quantitativos Entalpia (H): energia na forma de calor – em uma reação química reflete os tipos e números de ligações Reação endotérmica → ( + ) o sistema ganha calor Reação exotérmica → ( - ) o sistema perde calor Entropia (S): expressão quantitativa para a casualidade em um sistema ou energia que não realiza trabalho. Energia livre de Gibbs (G): expressão da quantidade de energia capaz de realizar trabalho durante uma reação. Ganho de entropia: produtos menos complexos e mais desordenados que os reagentes A oxidação da glicose C6H12O6 + 6 O2 6 CO2 + 6 H2O 7 moléculas 12 moléculas O2 (um gás) GLicose (um sólido) CO2 (um gás) H2O (um líquido) Energia livre de Gibbs (G) Sistemas Biológicos: T e P constantes ΔG = ΔH – TΔS ΔH: sinal negativo quando calor é liberado do sistema ΔS: sinal positivo quando a entropia aumenta Convenção Em um processo natural, se: ΔG 0 (sinal positivo), não será espontâneo – endergônico ΔG = 0, estará em equilíbrio T, temperatura absoluta A formação de produtos de menor energia dita a ocorrência de processos espontâneos Todas as reações químicas tendem a ocorrer para que resultem na diminuição da energia livre do sistema Exemplo mecânico: Trabalho realizado para elevação Perda de energia potencial Endergônico Exergônico Exemplo químico: Reação 1: Reação 3: Reação 2: Coordenada da reação E n e rg ia l iv re , G Glucose + Pi Glucose 6-fosfato Glucose + ATP Glucose 6-fosfato + ADP Paralelo entre energia potencial e energia livre Acoplamento entre reações: permite que outras reações desfavoráveis se procedam acopladas às favoráveis Fontes de energia livre para as células Células Heterotróficas Adquirem energia livre das moléculas nutrientes ATP e outros compostos ricos em energia Células Autotróficas Adquirem energia livre da radiação solar absorvida Trabalho biológico a temperatura constante 22/09/2010 3 Variação de energia livre da reação ΔG = Gprodutos – G reagentes Seja a reação reversível: A + B C + D A variação de energia livre é uma expressão da força que impulsiona o sistema para o equilíbrio e é dada pela equação: • ΔG = a variação de energia livre em quaisquer condições; • ΔG° = a variação de energia em condições padrões (pré-fixadas [R] e [P] = 1M, P = 1atm e T = 298K - T(K) = 273 + temperatura ºC • R = constante dos gases - 8,315 j/mol (0,0082 kj/mol) • 1cal = 4,184 J • T = temperatura absoluta (K); • [ ] = concentração molar. ΔG = ΔG° + R.T.ln [C].[D] [A].[B] Variação de energia livre da reação ΔG depende das concentrações de reagentes e produtos e de ΔG° Enquanto o sistema atinge o equilíbrio, ΔG = 0 e a Eq. 1, se torna: 0 = ΔG° + R.T.ln [C]eq.[D]eq [A]eq.[B]eq ΔG° = - R.T.ln [C]eq.[D]eq [A]eq.[B]eq Eq. 2 Variação de energia livre da reação A variação de energia livre padrão está diretamente relacionada com a constante de equilíbrio; A relação entre as concentrações de reagentes e produtos no equilíbrio definem a constante de equilíbrio Keq; ΔG° = - R.T.ln Keq Eq. 4 Keq = [C]eq.[D]eq [A]eq.[B]eq Eq. 3 Substituindo na Eq. 2: ΔG° é uma expressão matemática alternativa da constante de equilíbrio. Relação entre Keq e ΔG0 Quanto maior Keq mais negativo ΔG0 e mais espontâneo é a reação Reação iniciada com 20 mM de glicose-1P [Glic-1P] eq: 1 mM [Glic-6P] eq: 19 mM K´eq ΔG´° (kJ/mol) 10-6 34,2 10-5 28,5 10-4 22,8 10-3 17,1 10-2 11,4 10-1 5,7 1 0,0 101 -5,7 102 -11,4 103 -17,1 Quando a K’eq é: ΔG’º é: Iniciando os componentes 1 mol/L, a reação: > 1,0 Negativo Procede para a direita = 1,0 Zero Está no equilíbrio + PiATP + H2O ΔG’º = 13,8 kj/mol ΔG’º = -30,5 kj/mol ATP + glicose ADP + Glicose-6-P ΔG’º = -16,7 kj/mol + Relações entre K’eq, ΔG’º e a direção das reações químicas sob condições padrão Exemplo de cálculo: Reação catalisada pela fosfoglicomutase a 25 °C e pH 7,0: Glicose-6-fosfatoGlicose-1-fosfato Inicial: [S] = [P] = 20mM No equilíbrio: [Gli-1-P] = 1mM e [Gli-6-P] = 19mM Calcular K’eq e ΔG’º ΔG’° = - R.T.ln K’eq Dados: R = 8,315j/mol e T = 298K 22/09/2010 5 As bases químicas da grande variação de energia livre associada com a Hidrólise do ATP Adenina Adenina Adenina Hidrólise provoca diminuição de repulsão entre as cargas Estabilização por ressonância Ionização A participação do ATP em uma reação (a) Reação escrita em um passo (b) Reação real em dois passos Glutamil-fosfato ligado à enzima Glutamato Glutamina Energia por transferência de grupos, não por simples hidrólise O fluxo dos grupos fosfatos através do ATP Composto s de alta energia Composto s de baixa energia Fosfoenolpiruvato Fosfocreatina 1,3 Bifosfoglicerato Glicose-6- Glicerol Adenina Creatina Δ G ’° d e h id ró li s e ( k J /m o l) Reações biológicas de oxidoredução A variação de energia livre é diretamente proporcional à diferença de potencial de redução das espécies reagentes e ao número de elétrons transferidos; ΔG = - n.F.ΔE ΔG’º = - n.F.ΔE’0 para quaisquer condições para condições padrões • n = n° de elétrons transferidos • F = constante de Faraday (96,44kj/mol.V) • E = potencial de redução • Δ = Ereceptor - Edoador Relação entre E (potencial de redução) e E0 (potencial de redução padrão) (equação de Nernst) E = E’0 + R.T.ln [receptor de elétrons] nF [doador de elétrons] Reações biológicas de oxi-redução Os potenciais de redução padrão podem ser utilizados para calcular a variação de energia livre 22/09/2010 6 Principais transportadores de elétrons (reduzido) Adenina (oxidado) No NADP este grupo hidroxila esta esterificado com fosfato Oxidações biológicas freqüentemente envolvem desidrogenações Principais transportadores de elétrons Semiquinona Totalmente reduzida Flavina Adenina Dinucleotídio (FAD) e Flavina Mononucleotídio (FMN) Principais transportadores de elétrons Algumas Enzimas (flavoproteínas) que empregam coenzimas da flavina Enzima Flavina nucleotídio Acil-CoA graxo desidrogenase FAD Diidrolipoil desidrogenase FAD Succinato desidrogenase FAD Glicerol 3-fosfato desidrogenase FAD NADH desidrogenase FMN Glicolato desidrogenase FMN