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FISIOTERAPIA 
CARDIOVASCULAR
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Descrever os princípios e fundamentos da fisioterapia na área cardiovascular.
 > Diferenciar os recursos fisioterapêuticos utilizados na área cardiovascular.
 > Conceituar a atuação do fisioterapeuta na área cardiovascular.
Introdução
A fisioterapia tem crescido enquanto profissão, o que é resultado do maior en-
volvimento do fisioterapeuta em pesquisas e na assistência em saúde. Essa 
expansão tem fortalecido a atuação especializada em algumas áreas, como a 
área da fisioterapia cardiovascular. Os cuidados em saúde com foco na atenção ao 
sistema cardiovascular têm ganhado força tanto pela busca da prevenção quanto 
pela importância do fisioterapeuta nos processos de reabilitação cardiovascular. 
O fisioterapeuta que trabalha nessa área desenvolve conhecimentos específicos, 
que fortalecem sua atuação profissional e promovem uma atenção mais precisa.
É importante que todo fisioterapeuta compreenda a sua relação profissional 
com os distúrbios que afetam o sistema cardiovascular, ainda que não atue direta-
mente nessa área. Afinal, tais distúrbios podem afetar direta ou indiretamente seu 
plano de tratamento. Neste capítulo, você vai estudar a atuação do fisioterapeuta 
na área cardiovascular. Você vai conhecer os princípios e fundamentos do trabalho 
nessa área, bem como os seus recursos específicos.
Fundamentos 
da fisioterapia 
cardiovascular
Geanderson dos Santos Rodrigues
Bases da fisioterapia cardiovascular
O coração e os vasos sanguíneos garantem o fluxo sanguíneo em todo o 
organismo, realizando o transporte de nutrientes e oxigênio (O2) para os 
tecidos e eliminando excretas (resíduos metabólicos) e gás carbônico (CO2). 
Além disso, viabilizam o transporte de uma série de elementos (hormônios e 
anticorpos, por exemplo) entre órgãos específicos, mantendo a homeostase. 
Os distúrbios cardiovasculares estão relacionados a deficiências no organismo 
que envolvem falhas do coração ou do sistema vascular e que podem gerar 
desequilíbrios funcionais.
Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), entidade ligada 
à Organização Mundial da Saúde (OMS), são consideradas doenças cardio-
vasculares: doença coronariana, doença cerebrovascular, doença arterial 
periférica, doença cardíaca reumática, cardiopatia congênita, trombose ve-
nosa profunda e embolia pulmonar (OPAS BRASIL, 2017). É preciso considerar 
ainda que outros distúrbios (neurológicos, musculoesqueléticos, traumáticos, 
metabólicos, etc.) podem ter ação direta ou indireta sobre a função cardíaca 
e o sistema vascular. O fisioterapeuta precisa atentar aos impactos de sua 
conduta, sempre considerando a repercussão terapêutica sobre o sistema 
cardiovascular, ainda que não atue diretamente com esse sistema. A partir 
disso, ele tanto promove a melhor evolução do paciente quanto mensura os 
riscos gerados por cada ação.
No âmbito das doenças cardíacas e vasculares, o fisioterapeuta atua 
avaliando, prevenindo e tratando os indivíduos na busca pela maior inde-
pendência funcional. Ele pode se deparar com essas demandas em serviços 
de todos os níveis de atenção à saúde (primária, secundária e terciária) e 
atende a elas contribuindo para a reabilitação funcional.
O avanço tecnológico e a possibilidade de produção científica têm gerado o 
crescimento de cursos e pesquisas científicas sobre o sistema cardiovascular 
(MARQUES et al., 2017). Como resultado desse desenvolvimento, no Brasil, o 
Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito), por meio 
da Resolução nº 454, de 25 de abril de 2015, reconheceu a especialidade em 
fisioterapia cardiovascular. Esse reconhecimento reforçou a importância da 
capacitação do profissional na área cardiovascular.
Veja as atribuições e competências do fisioterapeuta na área cardiovascular:
 � avaliação fisioterapêutica, monitoramento e acompanhamento de 
indivíduos, estabelecendo diagnóstico cinético-funcional e prognóstico 
fisioterapêutico;
Fundamentos da fisioterapia cardiovascular2
 � emissão de laudos, relatórios e pareceres, além de encaminhamento 
a outros profissionais ou serviços;
 � estabelecimento e análise da capacidade cardiovascular e respiratória 
do indivíduo;
 � interpretação de exames clínico-funcionais;
 � aplicação e interpretação de testes e escalas funcionais;
 � prescrição e execução de plano de tratamento baseado nas evidências 
analisadas (conforme classe funcional e risco cardiovascular), dentro 
de limites clínicos de segurança;
 � trabalho em equipe multidisciplinar, contribuindo com as informações 
devidas para a melhor evolução do indivíduo;
 � orientação do indivíduo e/ou de seus responsáveis sobre o quadro 
cinético-funcional e demais aspectos relevantes para a melhor evo-
lução do tratamento;
 � determinação de condições de alta fisioterapêutica conforme cada 
nível de atenção (COFFITO, 2015; MARQUES et al., 2017).
Um ponto importante das condutas do fisioterapeuta na área cardiovas-
cular são as suas responsabilidades individuais e coletivas. Individualmente, 
o fisioterapeuta tem o papel de profissional de primeiro contato, ou seja, 
tem autonomia para avalizar, prescrever e intervir em seu campo de atuação. 
Entretanto, distúrbios cardiovasculares implicam déficits e riscos para a 
saúde do indivíduo. Assim, abordar um paciente exclusivamente na fisiote-
rapia pode gerar falhas nas condutas do profissional. Ainda, as informações 
obtidas pela sua atuação geram conteúdos importantes para análises de 
outros profissionais. Coletivamente, o fisioterapeuta acaba contribuindo com 
a equipe multidisciplinar ou favorecendo que o indivíduo busque a melhor 
assistência à sua saúde por meio do encaminhamento devido.
Na atenção a indivíduos cardiopatas ou com doenças vasculares, o fi-
sioterapeuta envolvido na reabilitação cardiovascular precisa compreender 
processos e protocolos como forma de análise, interpretação e promoção de 
ações em um contexto específico. Tal contexto muitas vezes envolve equipes 
multidisciplinares ou a participação multiprofissional na atenção à saúde do 
paciente. Tudo isso reforça a importância de o fisioterapeuta conhecer suas 
responsabilidades, seus recursos e seus limites de atuação.
Diante de tanta informação, o conhecimento do fisioterapeuta na área 
cardiovascular precisa ser valorizado de forma prática e aplicável. São muitos 
os campos de atuação e muitas as estratégias passíveis de desenvolvimento. 
Um exemplo são as ações preventivas. Segundo a Opas Brasil (2017, documento 
Fundamentos da fisioterapia cardiovascular 3
on-line), “[...] as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no 
mundo: mais pessoas morrem anualmente por essas enfermidades do que 
por qualquer outra causa”. A Opas ainda reforça que a maioria das doenças 
pode ser prevenida por meio de mudanças comportamentais que reduzem 
fatores de risco (consumo de dietas inapropriadas, tabaco, sedentarismo e 
abuso de álcool, principalmente).
Seja por prevenção primária ou secundária, o fisioterapeuta dispõe de 
conhecimento suficiente para conscientizar a população sobre as melhores 
práticas (inclusive, conforme resolução do Coffito (2015), a prevenção faz 
parte do rol de atribuições do fisioterapeuta). A participação e o estímulo ao 
desenvolvimento de ações que promovem benefícios relativos aos cuidados 
cardiovasculares — seja por pesquisa científica ou projetos educativos, entre 
outros recursos — conferem ganhos diretos e indiretos ao profissional e à 
sociedade.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) criou e disponibilizou o 
“cardiômetro”. Trata-se de um medidor na internet que alerta sobre 
o número de mortes por doenças do coração. Para encontrar o cardiômetro, 
utilize o seu site de buscas favorito.
Recursos da fisioterapia cardiovascular
De forma geral, o fisioterapeuta dispõe de uma série de recursos terapêuticos 
para desenvolver tratamentos. Entre eles, estão os exercícios físicos e a bio-
mecânica, que visam a reduzir ou eliminar condiçõesfísicas limitadas causadas 
por condições agudas e/ou crônicas (MAIR et al., 2008). Algumas técnicas e 
aparelhos acabam sendo mais aplicados em áreas específicas, devido à sua 
importância e/ou à sua especificidade. Na área cardiovascular, os recursos 
fisioterapêuticos podem variar muito, conforme o comprometimento clínico 
e cinético-funcional do indivíduo. A seguir, você vai conhecer procedimentos, 
técnicas e equipamentos relevantes para essa área, distribuídos entre recursos 
avaliativos e terapêuticos.
Fundamentos da fisioterapia cardiovascular4
Recursos avaliativos
Os recursos avaliativos estão relacionados a procedimentos que visam a 
captar informações pertinentes ao funcionamento do organismo do indivíduo. 
Essas informações podem ser extraídas no momento da abordagem ou por 
algum exame prévio, permitindo inclusive comparação para compreender a 
evolução do tratamento ou da doença.
Primeiramente, é imprescindível que o profissional faça a anamnese com-
pleta do paciente e colete as informações do exame físico: avaliação de sinais 
vitais, antropometria, perimetria, auscultas cardíaca e pulmonar, inspeção e 
palpação (inclusive considerando posturas diferentes), flexibilidade, marcha, 
avaliação funcional e dados sobre qualidade de vida (PAPA et al., 2020).
Na abordagem ao paciente com doença cardiovascular, o uso dos recursos 
avaliativos pode variar bastante. Isso ocorre porque os recursos utilizados 
dependem do tipo de serviço em que o paciente está (ambulatorial, hospitalar 
ou domiciliar), do quadro clínico do indivíduo (estabilidade hemodinâmica, 
nível de consciência, agravos associados, etc.), dos recursos disponíveis no 
momento (o serviço pode não ter todos os recursos, ou os recursos existentes 
podem estar em manutenção), etc. Assim, é importante que o fisioterapeuta 
saiba acompanhar objetiva e subjetivamente o paciente, ou seja, que saiba 
avaliá-lo tanto por meio de dados objetivos dos aparelhos quanto por meio 
da resposta clínica obtida durante a abordagem. No Quadro 1, veja os recursos 
avaliativos e as suas descrições.
Quadro 1. Recursos avaliativos utilizados pelo fisioterapeuta cardiovascular
Método/recurso 
avaliativo Descrição Importância
Oxímetro Aparelho que capta 
índices de saturação 
de oxigênio na 
circulação periférica 
simultaneamente.
A redução e o aumento 
do índice de saturação 
podem representar, 
respectivamente, 
baixa e elevação 
da oxigenação no 
organismo, podendo 
indicar necessidade de 
alguma intervenção.
(Continua)
Fundamentos da fisioterapia cardiovascular 5
Método/recurso 
avaliativo Descrição Importância
Frequencímetro Aparelho que capta 
pulso arterial ou pulso 
cardíaco referindo 
como dado a frequência 
cardíaca (FC).
A redução e o aumento 
da FC, bem como 
do ritmo cardíaco, 
são acompanhados 
como parâmetros 
de segurança das 
intervenções. Conforme 
cada proposta 
terapêutica, podem 
ser referência para 
a determinação da 
progressão da terapia.
Esfigmomanômetro Aparelho que mensura 
as pressões arteriais 
(PAs) sistólicas e 
diastólicas.
Permite compreender 
como estão as pressões 
no sistema vascular, 
indicando se a ação 
terapêutica é possível 
(ou qual é o limite 
dela). Tanto a redução 
quanto o aumento das 
pressões podem exigir 
do profissional uma 
intervenção imediata.
Estetoscópio Aparelho que auxilia na 
aferição da PA e permite 
a ausculta pulmonar e 
cardíaca.
A ausculta cardíaca 
permite acompanhar 
o ritmo e os sons 
cardíacos. A ausculta 
pulmonar permite 
verificar como está a 
ventilação nos pulmões 
do indivíduo.
Balança Aparelho que mensura 
o peso.
O peso do indivíduo 
pode ser utilizado tanto 
como referência direta 
para o tratamento 
quanto para cálculos ou 
ajustes em aparelhos e 
condutas.
(Continuação)
(Continua)
Fundamentos da fisioterapia cardiovascular6
Método/recurso 
avaliativo Descrição Importância
Fita métrica Instrumento que 
permite medidas 
antropométricas.
A mensuração de 
dados antropométricos 
auxilia em cálculos e/ou 
ajustes de aparelhos, 
permitindo melhor 
conforto, segurança e 
resposta terapêutica.
Escala de Borg e escala 
visual analógica
Instrumentos que 
permitem registros das 
percepções do indivíduo 
de maneira subjetiva.
O acompanhamento 
subjetivo do esforço 
do paciente ou de suas 
sensações contribui 
como resposta clínica, 
permitindo avaliar 
a continuidade da 
abordagem.
Ventilômetro Aparelho que permite 
avaliar a mecânica 
pulmonar determinando 
volumes e capacidades 
do sistema pulmonar.
Permite determinar 
dados diante do 
contexto fisiológico 
e fisiopatológico 
do indivíduo, 
gerando dados para 
acompanhamento.
Manovacuômetro Aparelho que permite 
avaliar a mecânica 
pulmonar por meio das 
pressões respiratórias 
de inspiração e 
expiração.
Permite determinar 
dados diante do 
contexto fisiológico 
e fisiopatológico 
do indivíduo, 
gerando dados para 
acompanhamento.
Espirometria Exame que avalia 
volumes e fluxos de ar 
no sistema respiratório.
Permite determinar 
dados diante do 
contexto fisiológico 
e fisiopatológico 
do indivíduo, 
gerando dados para 
acompanhamento.
(Continua)
(Continuação)
Fundamentos da fisioterapia cardiovascular 7
Método/recurso 
avaliativo Descrição Importância
Testes de aptidão 
e avaliação 
cardiorrespiratória
Testes aplicados 
conforme protocolos 
específicos (teste de 
caminhada, teste de 
velocidade da marcha, 
entre outros).
Permitem a mensuração 
de dados para 
estabelecer cargas e 
diagnósticos cinético- 
-funcionais, bem como 
a geração de dados 
comparativos para a 
reavaliação.
Teste ergométrico Teste aplicado conforme 
protocolos específicos 
com apoio de esteiras e 
cicloergômetros.
Permite a mensuração 
de dados para 
estabelecer cargas e 
diagnósticos clínico 
e cinético-funcionais, 
bem como a geração 
de dados comparativos 
para a reavaliação.
Ergoespirometria ou 
teste cardiopulmonar 
de exercício
Teste aplicado em 
protocolos específicos 
com apoio de esteiras e 
cicloergômetros; analisa 
dados referentes aos 
gases expirados durante 
o exercício.
Permitem a mensuração 
de dados para 
estabelecer cargas e 
diagnósticos clínico 
e cinético-funcionais, 
bem como a geração 
de dados comparativos 
para a reavaliação.
Durante a internação hospitalar, é possível que o indivíduo seja monitorado 
por outras ferramentas, como eletrocardiograma e monitor de frequência 
respiratória. Ele também pode realizar exames complementares de maneira 
mais rápida e com mais frequência (por exemplo, radiografias, hemogramas 
e gasometrias). Tais exames auxiliam na avaliação e promovem melhor ajuste 
das condutas terapêuticas.
Recursos terapêuticos
Os recursos terapêuticos são os métodos e aparelhos utilizados na inter-
venção, ou seja, são os elementos que visam a promover mudanças em de-
terminado indivíduo. Tais recursos buscam respostas fisiológicas e causam 
impacto no metabolismo. Dessa forma, reforça-se a importância dos recursos 
avaliativos, pois por meio deles o fisioterapeuta tem base para avaliar/reava-
(Continuação)
Fundamentos da fisioterapia cardiovascular8
liar e conduzir o tratamento a partir de uma proposta segura e com resposta 
fisiológica suficiente para promover a evolução do indivíduo.
O recurso terapêutico tem uma finalidade específica ou pode promover 
determinado impacto. Ele precisa ser selecionado criteriosamente com base 
nas características clínicas e cinético-funcionais do indivíduo. Não se trata 
de uma escolha aleatória e exclusiva: é preciso que o fisioterapeuta analise 
se o recurso terapêutico atende de fato às necessidades e possibilidades 
do indivíduo. No Quadro 2, veja alguns recursos comuns na abordagem aos 
indivíduos com doenças cardiovasculares.
Quadro 2. Recursos terapêuticos utilizados na fisioterapia cardiovascular
Recurso terapêutico Descrição Objetivo
Esteira ergométrica Equipamento que 
permite ao indivíduo 
caminhar ou correr 
sobre ele.
Gerar um esforço, 
aumentando o trabalho 
cardíaco, acelerando 
o metabolismo e 
promovendogasto 
energético. Permite 
atingir níveis de esforço 
específicos conforme 
proposta terapêutica. 
Cicloergômetro ou 
bicicleta ergométrica
Equipamento que 
permite ao indivíduo 
sentar e manter uma 
movimentação ativa 
(cíclica) de membros 
inferiores.
Proporcionar que 
pacientes com déficits 
(ou impedimentos) 
de marcha possam 
gerar um esforço, 
aumentando o trabalho 
cardíaco, acelerando 
o metabolismo e 
promovendo gasto 
energético. Permite 
atingir níveis de esforço 
específicos conforme 
proposta terapêutica.
Cicloergômetro portátil Aparelho que permite 
movimentação ativa 
cíclica de membros 
inferiores e superiores; 
o paciente pode 
utilizá-lo deitado ou 
sentado.
Atender a condições 
clínicas limitantes; 
permitir que pacientes 
acamados realizem 
exercícios/esforços; 
permitir esforços por 
meio de exercícios com 
membros superiores.
(Continua)
Fundamentos da fisioterapia cardiovascular 9
Recurso terapêutico Descrição Objetivo
Halteres, pesos e faixas 
de resistência elástica
Instrumentos com 
pesos graduados.
Promover exercícios 
e gerar esforços 
conforme capacidade 
do indivíduo; contribuir 
para melhorar a 
adaptação do indivíduo 
a esforços variados.
Alongamentos e 
mobilizações
Técnicas aplicáveis 
com suporte do 
fisioterapeuta.
Preparar o organismo 
para a realização de 
atividades; prevenir 
lesões; promover maior 
conforto durante as 
abordagens; promover 
analgesia e outros 
efeitos.
Treinamento muscular 
respiratório
Aparelhos que 
permitem treinamento 
da musculatura 
respiratória.
Estimular o aumento 
de força e de 
resistência (endurance) 
musculoesquelética e 
melhorar a autonomia 
funcional.
Eletroestimulação Equipamentos que 
utilizam correntes 
elétricas moduladas 
para intervenção 
terapêutica.
Atuar em casos em 
que o quadro clínico 
e cinético-funcional 
impede ações ativas e 
assistidas.
Programas de exercícios Conjunto de ações 
variadas (recursos 
terapêuticos diversos) 
estabelecidas de 
maneira parametrizada.
Condensar ações 
terapêuticas de 
maneira organizada, 
criando um ciclo de 
ações sequenciais para 
gerar adaptabilidade e 
ganhos funcionais.
Além dos recursos listados no Quadro 2, conforme a estrutura e a dis-
ponibilidade no local onde o serviço é prestado, ações estratégicas podem 
compor e complementar as ações terapêuticas. Por exemplo, no atendimento 
domiciliar, o fisioterapeuta pode estabelecer como meta determinado número 
de voltas no quarteirão; ele ainda pode utilizar instrumentos lúdicos, criando 
obstáculos e estabelecendo objetivos.
(Continuação)
Fundamentos da fisioterapia cardiovascular10
Outro aspecto importante é a adaptabilidade dos recursos ao perfil do 
indivíduo. Determinados distúrbios cinético-funcionais e limitações clíni-
cas e anatômicas exigem que o fisioterapeuta promova atendimentos com 
acessibilidade, garantindo que o indivíduo tenha o suporte adequado para 
o cuidado de sua saúde.
Atuação do fisioterapeuta
A atuação do fisioterapeuta constitui uma importante abordagem ao paciente 
na reabilitação cardiovascular. O fisioterapeuta pode atuar do período de 
pré-intervenção (no caso de cirurgias programadas, por exemplo) e prevenção 
até as demais fases do tratamento (MAIR et al., 2008).
Como você viu anteriormente, o fisioterapeuta possui capacidade técnica 
suficiente para conduzir atendimentos de maneira autônoma. Entretanto, 
indivíduos com déficits funcionais provenientes de alterações cardiovascula-
res demandam maior atenção de outros profissionais, especialmente médicos 
cardiologistas e angiologistas. Assim, antes de iniciar suas atividades, o 
fisioterapeuta deve ter em mente o seu papel nas relações multiprofissionais/
multidisciplinares. Comunicar-se com a equipe, verificar o perfil fisiopatológico 
do paciente e confrontar os dados com sua avaliação cinético-funcional são 
ações importantes. Caso o indivíduo ainda ignore um potencial problema 
cardiovascular, é importante conscientizá-lo sobre os cuidados a se tomar e 
fazer o encaminhamento ao profissional adequado.
Espaços que dispõem de equipes multidisciplinares (como hospitais e 
clínicas especializadas) permitem que a relação do fisioterapeuta com os 
demais profissionais seja mais produtiva. Entretanto, independentemente 
do local onde presta o serviço, o fisioterapeuta deve considerar elementos 
relevantes na condução de casos em que há distúrbios do sistema cardio-
vascular envolvidos. Nas subseções a seguir, veja as principais característi-
cas da atuação do fisioterapeuta em serviços hospitalares, ambulatoriais e 
domiciliares, respectivamente.
Serviço hospitalar
Serviços hospitalares normalmente são distribuídos em unidades de tra-
tamento intensivo (UTI) e enfermarias, respectivamente de maior e menor 
grau de atenção à saúde. Os pacientes que estão nos serviços hospitala-
res demandam cuidados técnicos específicos, devendo ser acompanhados 
continuamente de acordo com seu grau de comprometimento. No ambiente 
Fundamentos da fisioterapia cardiovascular 11
de uma UTI, o monitor pelo qual são acompanhados sinais vitais oferece 
parâmetros para que a equipe decida sobre as condutas a serem adotadas. 
O nível de atenção pode variar muito, mesmo dentro de um mesmo setor. 
Além disso, nem sempre o nível crítico alto ou baixo pode ser suficiente para 
determinar a conduta a ser realizada com o indivíduo.
Nesse contexto, o fisioterapeuta participa ativamente. Em linhas gerais, 
o gasto metabólico, a interferência dos procedimentos sobre o paciente 
(medicações, procedimentos, cirurgias, etc.) e os sinais clínicos interferem 
diretamente nas escolhas das condutas a serem adotadas. A disponibilidade 
de recursos também é um critério que pode causar interferências. Cabe 
ao fisioterapeuta interagir com as equipes, apresentar suas propostas de 
intervenção e compartilhar informações sobre suas condutas.
Hospitais com serviços especializados de cardiologia adotam critérios e 
protocolos específicos. É comum a participação do fisioterapeuta no pós-
-operatório imediato de cirurgia cardíaca. Além disso, em serviços em que 
o processo de reabilitação adota protocolos de reabilitação cardiovascular, 
o fisioterapeuta participa desde a primeira fase, atuando na segunda e na 
terceira à medida que o paciente evolui.
Programas de reabilitação cardiovascular adotam três fases princi-
pais para classificar e acompanhar o indivíduo. Veja a seguir.
 � Fase I: compreende a fase intra-hospitalar, ou seja, processos de reabilitação 
que se iniciam na UTI e se desenvolvem na enfermaria até a alta hospitalar.
 � Fase II: período de atenção ambulatorial (após alta hospitalar), com duração 
média de três meses.
 � Fase III: com duração de três a seis meses (ou mais, algumas vezes conside-
rando subdivisão com a fase IV), envolve programas de exercícios físicos sob 
supervisão de fisioterapeutas e educadores físicos.
De acordo com a condição clínica e cinético-funcional do indivíduo, ele 
pode ser inserido diretamente em alguma fase, sem passar pela fase I (PAPA 
et al., 2020).
Serviço ambulatorial
Serviços ambulatoriais (ou clínicos) envolvem indivíduos cujo diagnóstico já 
está sendo construído, ou indivíduos que estão sendo acompanhados devido a 
alguma doença. Serviços ambulatoriais em reabilitação cardiovascular adotam 
Fundamentos da fisioterapia cardiovascular12
critérios e procedimentos específicos voltados à manutenção periódica das 
ações terapêuticas, garantindo a continuidade da evolução do tratamento.
Nesses serviços, o fisioterapeuta tem mais autonomia e demanda mais 
responsabilidades do paciente. Como o acompanhamento não ocorre 24 
horas por dia, como no serviço hospitalar, o fisioterapeuta precisa, além de 
executar o tratamento no momento do encontro, orientar as condutas do 
indivíduo em casa. Considerando que cada indivíduo tem um perfil único e 
pode apresentar necessidades diversas, entender como transmitir as infor-
mações e saber orientar são tarefas novas a cada abordagem.
No atendimento ambulatorial,o fisioterapeuta que atua na área cardiovas-
cular precisa determinar parâmetros de trabalho. Todas as respostas fluem 
de informações prévias, exames, (re)avaliação, anamnese e outros elementos 
do histórico do paciente; essas respostas precisam ser ponderadas para a 
devida aplicação terapêutica. A rotina de atendimentos ambulatoriais precisa 
ser bem preparada e direcionada para que o paciente aproveite melhor a sua 
passagem pelo serviço.
Serviço domiciliar
O serviço domiciliar, ainda que realizado por uma equipe multidisciplinar, 
reflete a necessidade de maior atenção do fisioterapeuta. O profissional pode 
encontrar o indivíduo em seu melhor estágio de recuperação, mas também 
pode encontrá-lo instável. É comum ouvir de indivíduos que: não seguiram 
devidamente o plano de tratamento, não tomaram o remédio corretamente, 
ingeriram dieta inapropriada para o seu quadro, etc. Assim, a (re)avaliação 
é primordial e garante a segurança do profissional e a saúde do paciente.
Uma característica importante do atendimento domiciliar realizado pelo 
fisioterapeuta é a capacidade de fazer com que o indivíduo explore seu 
ambiente, trazendo aprimoramento mais específico às suas demandas. Por 
exemplo: um indivíduo que tem dificuldades de realizar mudanças de decú-
bito na sua cama pode ser treinado no próprio local; um indivíduo que tem 
dificuldades de sair e caminhar pelo bairro pode ser estimulado a partir de 
sua realidade e ainda obter ganhos por meio da interação social.
Referências
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em: https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=3215. Acesso em: 21 out. 2020.
Fundamentos da fisioterapia cardiovascular 13
MAIR, V. et al. Perfil da fisioterapia na reabilitação cardiovascular no Brasil. Fisio-
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php?script=sci_arttext&pid=S1809-29502008000400003&lng=pt&nrm=iso. Acesso 
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MARQUES, B. K. L. et al. Educação para a saúde cardiovascular de estudantes do en-
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em: 21 out. 2020.
MARQUES, M. R. et al. Introdução à profissão: fisioterapia. Porto Alegre: SAGAH, 2017. 
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https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5253:d
oencas-cardiovasculares&Itemid=1096. Acesso em: 21 out. 2020.
PAPA, V. et al. Reabilitação cardiovascular baseada em exercício físico na insuficiência 
cardíaca- fase hospitalar e ambulatorial. Revista da Sociedade de Cardiologia do 
Estado de São Paulo, v. 30, n. 2, supl. 2020. Disponível em: https://www.researchgate.
net/publication/342937171_REABILITACAO_CARDIOVASCULAR_BASEADA_EM_EXER-
CICIO_FISICO_NA_INSUFICIENCIA_CARDIACA-_FASE_HOSPITALAR_E_AMBULATORIAL. 
Acesso em: 21 out. 2020.
Leituras recomendadas
COFFITO. Resolução n. 80, de 9 de maio de 1987. Baixa Atos Complementares à Resolu-
ção COFFITO-8, relativa ao exercício profissional do FISIOTERAPEUTA, e à Resolução 
COFFITO-37, relativa ao registro de empresas nos Conselhos Regionais de Fisioterapia 
e Terapia Ocupacional, e dá outras providências. Brasília: COFFITO, 1987. Disponível 
em: https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=2837. Acesso em: 21 out. 2020.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Cardiômetro. Rio de Janeiro: SBC, 2020. Dis-
ponível em: http://www.cardiometro.com.br/. Acesso em: 21 out. 2020.
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Disponível em: https://www.coracao.org.br/fatores-de-risco. Acesso em: 21 out. 2020.
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Fundamentos da fisioterapia cardiovascular14

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