Prévia do material em texto
AT.04: GENÉTICA – ALTERAÇÕES CROMOSSÔMICAS Como vimos, há dois tipos de alterações cromossômicas: Estruturais e Numéricas. A primeira trata-se de alterações estruturais nos cromossomos, que são os pedacinhos dos genes que, juntos, formam o nosso DNA. Neste caso, o DNA do bebê apresenta pequenas falhas ou inversões em sua estrutura. A segunda consiste em modificações numéricas, isto é, quando faltam ou sobram cromossomos. É importante frisar, neste caso, que alterações cromossômicas são diferentes das congênitas. Se no primeiro caso, o que ocorre é uma alteração nos genes, no segundo, a doença é hereditária, ou seja, transmitida dos pais para o filho. Vejamos abaixo o quadro com mais detalhes especificados sobre as alterações cromossômicas: Nome Características - Quadro clínico Síndrome de Turner - Anomalia cromossômica cuja origem é a perda parcial ou total de um cromossomo X; - Só ocorre em mulheres; - Apresentam puberdade deficiente, malformações das gônadas, infertilidade e problemas cardíacos; - Apresentam obesidade, retardo mental moderador, pescoço alargado e muitos pelos pelo corpo; Síndrome de Down - Adição de um cromossomo no par de homólogos; - Ocorre em ambos os sexos; - Olhos amendoados; Baixa estatura, sendo as mãos e os pés pequenos e achatados, pescoço de aparência larga e achatada, e orelhas pequenas localizadas numa posição mais inferior da cabeça. - Sinais como a hipotonia muscular, isto é, diminuição do tônus e da força, predisposição ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e problemas respiratórios e lentidão no processo de aprendizagem também são sinais da síndrome; Síndrome de Klinefelter - Adição de um cromossomo no par de homólogos - Só ocorre em homens; - Apresentam baixos níveis de testosterona, o que acarreta em uma menor quantidade de pelos corporais e faciais, além do desenvolvimento incomum das mamas e quadris alargados; - Apresentam características sexuais secundárias pouco desenvolvidas. - Deficiência funcional dos testículos, que causa uma produção ínfima — às vezes quase nula — de espermatozoides; - Tendem a possuir um retardo mental leve, além de dificuldades no aprendizado. Síndrome de Edwards - Trissomia do 18 - Crânio disfórmico; Micrognatia; - Baixo peso, cabeça pequena e orelhas mais baixas que o normal; - Deformidades nos dedos das mãos; - Má oxigenação do sangue arterial, tremores, convulsões, hérnia umbilical, fenda facial, - Problemas na formação do sistema digestivo, sola arredondada dos pés, defeitos congênitos graves em órgãos fundamentais como o coração são algumas delas. Síndrome de Patau - Trissomia do 13 - Globo ocular pequeno; - Fenda do palato labial - Maior número de dedos; - Malformações graves no sistema nervoso central e no sistema urinário- reprodutivo; - Retardo mental, problemas cardíacos gravíssimos e rins policísticos são alguns dos sinais mais evidentes da síndrome. Síndrome do duplo Y - Só ocorre em homens; - Crescimento acelerado na infância; - Homens com estatura muito elevada - Hiperatividade e crises de fúria na infância e no início da adolescência; - Taxa da testosterona aumentada, o que levar o sujeito a ter posicionamentos/comportamentos antissociais e aumento da agressividade; Síndrome do triplo “Super- fêmea” - Só ocorre em mulheres; - Estatura geralmente acima da média; - Apresentam genitálias e mamas subdesenvolvidas; - Apresentam certo grau de retardamento mental; - Puberdade ocorre precocemente; - São férteis; Síndrome de Cri du Chat Deleção: perda de um segmento do cromossomo; - Deficiência intelectual; - Retardo no desenvolvimento físico; - Cabeça pequena (microcefalia); - Baixo peso ao nascer; - Tonicidade muscular fraca; Síndrome do cromossomo X frágil - Mutação no gene FRM1 - Retardo mental; Distúrbios comportamentais e comprometimento intelectual; - Atraso para falar; - Macrocefalia; - Hiperatividade; - Problemas de articulação; - Sexo Masculino: aumento do volume dos testículos, face alongada, desenvolvimento defeituoso da porção mediana do rosto, orelhas grandes e de abano, queixo proeminente e em 20% dos quadros, convulsões; - Sexo Feminino: problemas relacionados à fertilidade como menopausa precoce e insuficiência ovariana. Diante do contexto e das anomalias apresentadas é suma importância que o profissional psicólogo tenha conhecimento de tais anomalias e das possíveis causas e relações que podem ser estabelecidas geneticamente falando, visto que um possível diagnóstico é necessário muitas análises, observações, testes, exames etc. em parceria com outros profissionais da área médica. O papel do/a psicólogo/a, consiste em, inicialmente, acolher a criança ou o adulto portador de determinada síndrome ou anomalia e dar início a um processo de anamnese, análise do caso e aconselhamentos/orientações. Apresentar uma descrição biológica da anomalia genética, destacando sua gravidade, seus efeitos orgânicos (funcionais e morfológicos; uma análise e atendimento às implicações psicossociais decorrentes desta anomalia, como: transtornos mentais e comportamentais relacionados a pensamentos, sentimentos, expectativas e receios; compreensão de conflitos psicológicos (tanto afetivos, como cognitivos), dos familiares do paciente, de modo a auxilia-los no acompanhamento e cuidado da pessoa portadora da síndrome. De forma geral, o papel do profissional psicólogo diz respeito ao acolhimento tanto familiar quanto do paciente, atuando no direcionamento e orientações ao que concerne interação, convivência, cuidados, características, riscos, sintomas, de acordo com cada caso em específico. Ao que diz respeito o papel da família, é primordial que esta disponha de atenção cuidados e acompanhamento do desenvolvimento do indivíduo portador de anomalia. Além dos cuidados básicos em casa e da constante interação, é necessário o acompanhamento à médicos, psicólogos e instituições educacionais para que possa possibilitar um maior desenvolvimento de funções cognitivas e psicossociais destes indivíduos. Além disto, a família deve buscar suporte físico, profissional, formativo ou médico, caso não disponha de recursos, junto a secretaria de ação social e de saúde. Em síntese, é um trabalho em conjunto - paciente, psicólogo/a e família - em prol do bem estar - desenvolvimento físico, cognitivo e psicológico-, que visam uma melhoria nas condições de vida da pessoa que possui tais síndromes. Referências: Quais as principais síndromes cromossômicas e como são identificadas. Nutrica. Disponível em: https://www.danonenutricia.com.br/infantil/gravidez/saude/principais-sindromes- cromossomicas.html THOMPSON & THOMPSON, Willard; NUSSBAUM, Robert L., MCLNNES, Roderick R., Huntington F. Genética Médica. Tradução Ana Julia Perrotti Garcia. - 8. ed. - Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. SANTOS, Helena Maria da Silva, Interface entre a genética e a psicologia: A contribuição do psicólogo no aconselhamento genético. Revista científica eletrônica de psicologia. Ano 3, nº 14, maio, 2010.