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APOSTILA_v2_Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde

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Acesso e acolhimento das 
populações-chave do HIV/AIDS 
nos serviços de saúde
Supervisão Geral
Ana Cristina Garcia Ferreira
Angélica Espinosa Barbosa Miranda
Camila Márcia Mendes
Gerson Fernando Mendes Pereira
Elaboração do conteúdo
Ana Luisa Nepomuceno Silva
Elton Carlos de Almeida
Fernanda Moreira Rick
Mayra Gonçalves Aragón
Márcia Rejane Colombo
Thiago Cherem Morelli
Colaboração
Alexsana Sposito Tresse
Álisson Bigolin
Ana Cristina Garcia Ferreira
Ana Francisca Kolling
Angélica Espinosa Barbosa Miranda
Aranaí Sampaio Diniz Guarabyra
Camila Márcia Mendes
Carina Bernardes
Claudia Spinola Leal Costa
Diego Agostinho Callisto
Fabrícia de Souza Tavares
Fernanda Gonçalves Ferreira Salvador
Filipe de Barros Perini
Gerson Fernando Mendes Pereira
Gilvane Casimiro da Silva
José Nilton Gomes
Mariana Villares Martins
Marihá Camelo Madeira de Moura
Nara Denilse de Araujo
Natalia de Campos Carvalho
Pâmela Cristina Gaspar
Paula Emília Adamy
Salete Saionara Santos Barbosa
Créditos
2
Sumário
Créditos ........................................................................................................................................ 1
Introdução aos aspectos de acolhimento às populações-chave ........................... 5
Apresentação ................................................................................................................................................ 5
Introdução ................................................................................................................................. 7
Quem são as populações-chave para o HIV/aids?............................................................... 7
Populações-chave para o HIV/aids: .........................................................................................8
Entenda mais sobre a prevenção combinada do HIV 
 .........................................................................................................................................................................9
O que você precisa saber para abordar o tema das sexualidades ......................... 10
História sexual e avaliação de risco: habilidades de comunicação 
para clínica......................................................................................................................................................11
Discussão em equipe a partir do estudo de casos ............................................................13
Módulo 1 - Conceito e habilidades para acolhimento de populações-chave para 
o HIV ............................................................................................................................................12
Apresentação ...............................................................................................................................................12
Entenda o contexto ...............................................................................................................13
Conheça a Maria ........................................................................................................................................13
1ª possibilidade de conduta ........................................................................................................13
2ª possibilidade de conduta ...................................................................................................... 14
3ª possibilidade de conduta ...................................................................................................... 14
Qual seria a sua abordagem a partir desse caso? ...................................................... 14
Acolhimento .............................................................................................................................15
Vale lembrar que... 
 ....................................................................................................................................................................... 16
A oferta da PrEP - Profilaxia Pré-Exposição ao HIV .......................................................... 16
Outras questões para discussão em grupo ..................................................................17
E se Maria fosse acolhida, assim que chegasse ao serviço, para uma escuta 
inicial da equipe? .............................................................................................................................. 18
Como a equipe pensaria, junto com Maria, um Plano Terapêutico 
Singular? Qual seria o papel da equipe de Atenção Primária? E do Centro de 
3
Testagem e Aconselhamento – CTA? .................................................................................. 18
Quais são as facilidades e as dificuldades enfrentadas para realizar um aco-
lhimento integral e eficiente para cada pessoa? ........................................................ 18
Módulo 2 - Acolhimento de pessoas em situação de rua e usuárias de álcool e 
outras drogas ..........................................................................................................................20
Apresentação ............................................................................................................................................. 20
Entenda o contexto ...............................................................................................................21
Conheça o João ..........................................................................................................................................21
1ª possibilidade de conduta .......................................................................................................22
2ª possibilidade de conduta ......................................................................................................22
3ª possibilidade de conduta ......................................................................................................22
E então, qual seria a abordagem mais adequada para esse caso? ................23
Mais algumas orientações importantes: ................................................................................ 24
Tuberculose .............................................................................................................................24
Uso de álcool e outras drogas ...........................................................................................25
Módulo 3 - Violência doméstica, racismo e temas transversais das 
populações-chave .................................................................................................................28
Apresentação ............................................................................................................................................. 28
Entenda o contexto ..............................................................................................................29
Conheça a Patrícia ................................................................................................................................. 29
1ª possibilidade de conduta ...................................................................................................... 29
2ª possibilidade de conduta ..................................................................................................... 30
Exemplo de abordagem: .............................................................................................................31
Racismo Institucional ............................................................................................................................31
Para encerrarmos este módulo, uma importante reflexão .................................33
Módulo 4 - Adolescentes e jovens ...................................................................................34
Apresentação ............................................................................................................................................. 34
Introdução ...............................................................................................................................35os seguintes 
dispositivos legais no que diz respeito à saúde do adolescente: 
• As Leis Orgânicas de Saúde (Lei nº 8.080, de 19/09/90, e Lei nº 8.142, de 28/12/90).
• A Lei Orgânica da Assistência Social (Lei nº 8.742, de 07/12/93).
Entenda o contexto
Conheça o Pedro 
Mãe: Oi… Olá! Bom dia! Aqui é a sala de 
atendimento? 
Funcionário: Sim, pois não? 
Mãe: Estou aguardando uma consulta para o 
meu filho, mas não ouvi chamarem ainda. 
Funcionário: Podem entrar. Aqui nós fazemos 
a triagem. Qual é o seu nome? 
Pedro: Oi, é Pedro… Eu tô… 
Mãe: Então, minha preocupação é que esse 
menino tá magro demais! Não come direito, 
dorme mal… Parece fraco o tempo todo. Precisa 
de um exame, uma consulta direito, acho que 
falta vitamina, não sei… 
Funcionário: Certo. Vamos fazer a ficha. Pedro, 
quais são as suas principais queixas? 
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 36
Pedro: É que eu…
 
A mãe o interrompe novamente
Mãe:Tem que pedir logo uns exames, sabe? De sangue, de tudo. Preciso 
entender qual o mal estar desse menino. 
Funcionário: Ok, eu explicarei quais os encaminhamentos pra você. 
Seria possível identificar questões sobre a saúde sexual de Pedro em 
uma consulta com a presença de sua mãe?
Sobre o caso em questão, enquanto profissional que está atendendo 
Pedro e a mãe, que conduta você adotaria?
1ª possibilidade de conduta
Imagine que você prescreve um polivitamínico e solicita um hemograma, glicemia e 
parasitológico de fezes, por insistência da mãe.
2ª possibilidade de conduta
Você explica que não é necessário nenhum medicamento, pois o exame físico e o IMC do 
paciente estão normais. Mas agenda consulta com nutricionista para avaliação da alimentação.
3ª possibilidade de conduta
A Você ouve a demanda da mãe e, em seguida, pede que ela aguarde um pouco do lado de 
fora para tentar entender melhor a queixa do paciente. Questiona-o, então, sobre a percepção 
sobre a queixa da mãe; Pedro diz que isso não o preocupa. Mas quando você pergunta se 
outra coisa o incomoda, Pedro revela ser gay, com experiência de sexo anal receptivo sem 
preservativo há dois meses, e com receio de ter contraído alguma IST. Ao realizar os testes 
rápidos, o resultado é positivo para o de sífilis..
Diante das opções possíveis, reflita qual seria a postura adotada por 
você e sua equipe e analise os desfechos apresentados.
• Se a sua opção é a 1ª abordagem: É importante levar em conta a demanda aparente 
como forma de oportunizar espaço para que outras questões apareçam, a exemplo da 
sexualidade. Se um acompanhante, familiar ou cuidador(a) estiver presente à consulta, 
avalie com o usuário se ele deseja realizar a consulta sozinho. Peça, então, para que 
o(a) acompanhante aguarde na sala de espera. Essa pessoa pode ser convidada 
a retornar à consulta depois. Garanta confidencialidade para aumentar o conforto 
do usuário ao revelarem informações sensíveis. A real demanda do usuário pode 
aparecer somente quando ele se sentir seguro quanto à confidencialidade da conversa. 
 
Se a sua opção é a 2ª abordagem: Algumas questões são mais difíceis de abordar, 
por pertencerem ao campo privado e íntimo. Porém, é possível aproveitar várias 
oportunidades para dialogar sobre prevenção e cuidado integral às IST, HIV/
aids e hepatites virais. Observa-se que a/o/os mãe/pai/responsáveis e a equipe de 
saúde, comumente, tendem a não abordar aspectos determinantes da saúde sexual 
dos(as) adolescentes, devido à negação do desejo sexual do(a) jovem e ao incentivo ao 
prolongamento da infância.
• Se a sua opção é a 3ª abordagem: A partir do resultado positivo para o teste rápido 
de sífilis, será necessário investigar se se trata de um diagnóstico de sífilis (infecção 
recente ou tardia) com a solicitação de teste não treponêmico para sífilis (VDRL 
ou RPR). Devido ao cenário epidemiológico atual, no caso de Pedro, indica-se o 
tratamento com penicilina benzatina. Recomenda-se tratamento imediato com 
apenas um teste reagente para sífilis caso não haja história prévia de diagnóstico 
de sífilis ou chance de perda de seguimento (paciente não retornar ao serviço). O 
resultado do teste não treponêmico é necessário para confirmar o diagnóstico de 
sífilis e monitoramento de cura. Pedro deve ser orientado a informar à sua parceria 
sobre a necessidade de buscar o serviço de saúde para avaliação. Nesse caso, seria 
oportuno verificar se Pedro conhece a PEP e a PrEP, se adere ao uso do preservativo 
e se possui esquema vacinal completo para hepatite B, bem como suas eventuais 
dificuldades em adotar essas estratégias. 
Falar sobre sexualidade e práticas sexuais pode ser difícil para profissionais 
de saúde. Porém, esse tópico é indispensável para fornecer o cuidado integral, 
identificar relações de gênero, orientação sexual, exposição sexual de risco e 
outras queixas (demandas ocultas), que muitas vezes não aparecem de forma 
clara durante a consulta. É importante considerar o espaço de diálogo aberto 
com o usuário para compartilhar informações sobre os agravos, bem como 
sobre as estratégias de Prevenção Combinada disponíveis.
Essa situação exige uma abordagem atenciosa e muito específica. COnfira algumas dias a 
seguir:
• Explique ao(a) usuário(a) que essas perguntas são feitas para todas as pessoas. 
Naturalizar a questão irá facilitar o processo para você e seus pacientes. Exemplo de 
abordagem: 
37
a retornar à consulta depois. Garanta confidencialidade para aumentar o conforto 
do usuário ao revelarem informações sensíveis. A real demanda do usuário pode 
aparecer somente quando ele se sentir seguro quanto à confidencialidade da conversa. 
 
Se a sua opção é a 2ª abordagem: Algumas questões são mais difíceis de abordar, 
por pertencerem ao campo privado e íntimo. Porém, é possível aproveitar várias 
oportunidades para dialogar sobre prevenção e cuidado integral às IST, HIV/
aids e hepatites virais. Observa-se que a/o/os mãe/pai/responsáveis e a equipe de 
saúde, comumente, tendem a não abordar aspectos determinantes da saúde sexual 
dos(as) adolescentes, devido à negação do desejo sexual do(a) jovem e ao incentivo ao 
prolongamento da infância.
• Se a sua opção é a 3ª abordagem: A partir do resultado positivo para o teste rápido 
de sífilis, será necessário investigar se se trata de um diagnóstico de sífilis (infecção 
recente ou tardia) com a solicitação de teste não treponêmico para sífilis (VDRL 
ou RPR). Devido ao cenário epidemiológico atual, no caso de Pedro, indica-se o 
tratamento com penicilina benzatina. Recomenda-se tratamento imediato com 
apenas um teste reagente para sífilis caso não haja história prévia de diagnóstico 
de sífilis ou chance de perda de seguimento (paciente não retornar ao serviço). O 
resultado do teste não treponêmico é necessário para confirmar o diagnóstico de 
sífilis e monitoramento de cura. Pedro deve ser orientado a informar à sua parceria 
sobre a necessidade de buscar o serviço de saúde para avaliação. Nesse caso, seria 
oportuno verificar se Pedro conhece a PEP e a PrEP, se adere ao uso do preservativo 
e se possui esquema vacinal completo para hepatite B, bem como suas eventuais 
dificuldades em adotar essas estratégias. 
Falar sobre sexualidade e práticas sexuais pode ser difícil para profissionais 
de saúde. Porém, esse tópico é indispensável para fornecer o cuidado integral, 
identificar relações de gênero, orientação sexual, exposição sexual de risco e 
outras queixas (demandas ocultas), que muitas vezes não aparecem de forma 
clara durante a consulta. É importante considerar o espaço de diálogo aberto 
com o usuário para compartilhar informações sobre os agravos, bem como 
sobre as estratégias de Prevenção Combinada disponíveis.
Essa situação exige uma abordagem atenciosa e muito específica. COnfira algumas dias a 
seguir:
• Explique ao(a) usuário(a) que essas perguntas são feitas para todas as pessoas. 
Naturalizar a questão irá facilitar o processo para você e seus pacientes. Exemplo de 
abordagem: 
Acesso eacolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 38
“Vou fazer algumas perguntas sobre sua saúde sexual. É um tema muito importante para 
a saúde geral e eu sempre pergunto aos usuários sobre isso. Está tudo bem para você? 
Antes de começar, você tem dúvidas ou alguma preocupação em relação à sua saúde 
sexual que gostaria de discutir? Não se preocupe, não há respostas “certas” e “erradas”.”
• Evite julgamentos morais ou religiosos sobre o comportamento do usuário(a). 
Em vez disso, relacione as informações de um ponto de vista da saúde sexual, 
emocional e psicológica. Respeite a relutância do paciente em revelar os detalhes dos 
relacionamentos durante a primeira consulta.
• Respeite os limites do(a) usuário(a) (linguagem não verbal). Reformule sua pergunta 
ou explique brevemente por que você está fazendo o questionamento, caso o(a) 
usuário(a) pareça ofendido(a) ou relutante em responder. Se perceber espaço, 
aproveite a situação para orientar o(a) usuário(a) sobre o tópico.
• Use termos neutros e inclusivos (por exemplo, “parceria” ao invés de “namorado”, 
“namorada”, “marido”, “esposa”.)
• Não parta do pressuposto de que você conhece a orientação sexual, o desejo 
reprodutivo e a prática sexual dos(as) usuários(as). 
As taxas de HIV e sífilis continuam crescendo, principalmente entre os(as) adolescentes. 
Não deixe de abordar o tema sexualidade com esse grupo. Uma boa maneira de começar a 
conversa seria indagando sobre dúvidas e expectativas com relação a esse período da vida: 
• “Quais perguntas você tem sobre seu corpo e/ou sobre sexo?”
• “Você já teve relações sexuais com alguém? Por sexo, quero dizer sexo vaginal, oral ou 
anal.” 
Hepatites Virais
As hepatites virais, geralmente, são doenças assintomáticas e silenciosas, sendo os tipos B 
e C os mais recorrentes e preocupantes devido ao potencial de cronicidade. A ausência de 
diagnóstico e tratamento oportunos podem fazer com que esses vírus levem a óbito. Enfatiza-
se a necessidade de alertar sobre as formas de prevenção e de contágio, uma vez que a 
hepatite C, por exemplo, pode ser transmitida também por meio do compartilhamento de 
material perfurocortante com sangue contaminado, como alicates de unha e instrumentos 
para realização de tatuagens e colocação de piercing, entre outros. Já a hepatite B é transmitida 
principalmente pela relação sexual desprotegida, e pode ser prevenida através da vacinação 
que está disponível gratuitamente no SUS.
39
Dicas para a realização de tatuagens e piercings:
Dicas para cuidado com as unhas e depilação: 
1 O alicate de cutículas/unha deve ser de uso individual ou estar devidamente 
esterilizado.
2 Palitos de madeira, lixas e esmaltes de unha também são de uso individual.
3 A cera da depilação deve ser descartada após sua utilização, não sendo recomendado 
o seu reaproveitamento.Na consulta, deve-se verificar o esquema vacinal para 
hepatite A, B e HPV e, caso a pessoa não seja vacinada ou esteja com esquema 
vacinal incompleto, oportunizar a vacinação com as doses estabelecidas na rede SUS. 
Além disso, orientar sobre a importância do uso do preservativo e da relação sexual 
protegida e atentar para o esquema de vacinação especial em PVHA é fundamental.
Sífilis
A benzilpenicilina é o tratamento de primeira escolha para sífilis, sendo o único fármaco com 
eficácia documentada durante a gestação. A alergia à penicilina na população geral e nas 
gestantes é um evento muito raro. Diversos medicamentos normalmente prescritos (ex.: anti-
inflamatórios não esteroidais - AINE, lidocaína etc.), bem como alimentos (ex.: nozes, frutos 
do mar, corantes etc.), apresentam riscos superiores de anafilaxia. Por isso, não se justifica 
a restrição de alguns serviços em relação à aplicação do medicamento.
• Os procedimentos devem ser 
efetuados em estúdios ou locais 
autorizados pela Vigilância Sanitária.
• As agulhas e as tintas utilizadas 
para realizar a tatuagem, além de 
esterilizadas, deverão ser descartadas 
após utilização, considerando a 
permanência do vírus no meio 
ambiente.
• É necessária a utilização de 
material esterilizado ou descartável 
(individualizado).
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 40
Em geral, o diagnóstico de sífilis envolve a análise de aspectos 
epidemiológicos e clínicos, além dos resultados de testes para 
detecção do patógeno ou de anticorpos produzidos pelo organismo 
frente à infecção pelo Treponema pallidum. Em relação aos testes 
que detectam anticorpos, são necessários um teste treponêmico 
(ex: teste rápido, ELISA) e um teste não treponêmico (ex: VDRL, 
RPR) reagentes para estabelecer o diagnóstico de sífilis.
 
No entanto, devido ao cenário epidemiológico da sífilis no Brasil, indica-se tratamento 
imediato para sífilis com apenas um teste reagente, treponêmico ou não treponêmico, em 
gestantes, vítimas de violência sexual, pessoas com chance de perda de seguimento (que 
não retornarão ao serviço), pessoas com sinais/sintomas de sífilis primária ou secundária e 
pessoas sem diagnóstico prévio de sífilis. Assim, quando há risco de perda de seguimento 
(principalmente em caso de pessoas vulnerabilizadas), a recomendação é tratar apenas com 
um teste reagente, preferencialmente o teste rápido (teste treponêmico), pois esta tecnologia 
permite a realização da testagem e tratamento na mesma consulta. O fato da realização do 
tratamento apenas com teste reagente para sífilis não exclui a necessidade de realização do 
segundo teste para melhor análise diagnóstica.
Pessoas com histórico de sífilis, mesmo que devidamente tratadas, podem 
apresentar testes treponêmicos com resultado reagente devido à cicatriz 
sorológica, sem que isso signifique reinfecção ou reativação do patógeno. A 
definição de cicatriz sorológica deve ser considerada quando há tratamento 
anterior para sífilis com documentação da queda da titulação em teste 
não treponêmico (ex: VDRL, RPR) em pelo menos duas diluições (ex.: uma 
titulação de 1:16 antes do tratamento, que se torna menor ou igual a 1:4 após 
o tratamento) e sem episódios de novas exposições de risco à IST durante o 
período avaliado.
41
A partir desse caso, esperamos que você tenha compreendido as particularidades de um 
atendimento a jovens e adolescentes que estão acompanhados por um(a) responsável. 
Muito bem, você chegou ao fim do quarto 
módulo. Estamos quase no fim! 
 
No próximo módulo conheceremos a história da 
Vanessa
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 42
Módulo 5 - Acolhimento de pessoas 
trans (travestis e transexuais)
Apresentação
Em nosso último estudo de caso, você vai conhecer Vanessa, uma mulher trans que 
segue o seu tratamento antirretroviral com bastante cuidado e tem enfrentado algumas 
situações complicadas. Espera-se que ao final dos estudos, você seja capaz de realizar 
abordagem qualificada para o cuidado e tratamento de pessoas trans vivendo com 
HIV/aids.
Você vai estudar os seguintes tópicos:
• Adesão ao tratamento de HIV.
• Barreiras de acesso ligadas à identidade de gênero. 
• Aspectos legais importantes.
43
BBoa tarde... Sim, está tudo bem... Continuo 
com aqueles mesmos remédios, doutora. Tem sido 
tranquilo, meu marido me ajuda sempre a lembrar, 
então não tem perigo de eu deixar de tomar. Só tem 
uma coisa me chateando, sabe? Eu tô sempre pedindo 
a mesma coisa pro pessoal daqui: não quero que 
usem meu nome civil... É meu direito, já expliquei, mas 
parece que não querem entender...
Entenda o contexto
Conheça a Vanessa
Vanessa está em acompanhamento de saúde com você há um ano, desde quando fez o 
diagnóstico de HIV. É uma mulher trans, no momento com parceria fixa. Faz uso regular de 
TARV e seus últimos exames mostraram carga viral indetectável. Vanessa vem à consulta para 
renovar a receita, sem queixas clínicas. Porém, relata que a equipe da recepção insiste em 
chamá-la por seu nome civil, apesar de já ter pedido diversas vezes que utilize seu nome social.Nome social é o nome pelo qual pessoas transexuais preferem ser chamadas cotidianamente, 
e que pode ser diferente do nome de registro. O nome social das/os usuárias/os deve ser 
utilizado sempre por todos os(as) trabalhadores(as) de saúde e está amparado legalmente:
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 44
Abril de 2022: Em decisão inédita e por unanimidade, o STJ decide que a Lei 
Maria da Penha (Lei nº 11.340, de 2006), que protege vítimas de violência 
doméstica, é aplicável a mulheres transexuais no país. Cabe destacar que 
mulheres trans e travestis são as mais acometidas pela infecção do HIV no 
Brasil; a prevalência alcança até 64,5% entre essas populações. Mulheres 
transexuais apresentam probabilidade de infecção pelo HIV 49 vezes maior 
que a população geral (REDTRASEX, 2013).
Podemos afirmar que Vanessa tem sido vítima de transfobia nos serviços? 
Você sabe o que é transfobia? Você compreende a importância do uso do 
nome social como fator determinante para o acesso aos serviços de saúde? 
Qual a sua ação diante do relato sobre Vanessa?
1ª possibilidade de conduta
Você explica para Vanessa que cada profissional tem sua crença e autonomia, e que não será 
possível fazer nada com relação ao pedido do uso do nome social.
2ª possibilidade de conduta
Você acolhe a demanda de Vanessa e decide realizar, no dia de reunião geral, uma capacitação 
sobre os temas de orientação sexual e identidade de gênero, reforçando que o uso do nome 
social é um direito da população trans.
No ano de 2019, o STF equiparou a homofobia e a transfobia 
ao crime de racismo. Assim, “praticar, induzir ou incitar 
a discriminação ou preconceito” em razão da orientação 
sexual e/ou da identidade de gênero da pessoa é considerado 
crime, com pena de um a três anos, além de multa. E, se 
houver divulgação ampla de ato homofóbico em meios de 
comunicação, como publicação em rede social, a pena será 
de dois a cinco anos, além de multa.
45
Abril de 2022: Em decisão inédita e por unanimidade, o STJ decide que a Lei 
Maria da Penha (Lei nº 11.340, de 2006), que protege vítimas de violência 
doméstica, é aplicável a mulheres transexuais no país. Cabe destacar que 
mulheres trans e travestis são as mais acometidas pela infecção do HIV no 
Brasil; a prevalência alcança até 64,5% entre essas populações. Mulheres 
transexuais apresentam probabilidade de infecção pelo HIV 49 vezes maior 
que a população geral (REDTRASEX, 2013).
Podemos afirmar que Vanessa tem sido vítima de transfobia nos serviços? 
Você sabe o que é transfobia? Você compreende a importância do uso do 
nome social como fator determinante para o acesso aos serviços de saúde? 
Qual a sua ação diante do relato sobre Vanessa?
1ª possibilidade de conduta
Você explica para Vanessa que cada profissional tem sua crença e autonomia, e que não será 
possível fazer nada com relação ao pedido do uso do nome social.
2ª possibilidade de conduta
Você acolhe a demanda de Vanessa e decide realizar, no dia de reunião geral, uma capacitação 
sobre os temas de orientação sexual e identidade de gênero, reforçando que o uso do nome 
social é um direito da população trans.
3ª possibilidade de conduta
Ou ainda, você reconhece não saber lidar com essa situação e decide procurar a ajuda da 
coordenadora da Unidade de Saúde. 
Reflita brevemente sobre as possibilidades antes de estudar os possí-
veis desdobramentos.
• Se a sua opção é a 1ª abordagem: O uso do nome social nos serviços de saúde é um 
direito da população trans e deve vir antes do nome do registro civil nos instrumentos de 
saúde. Identifique quais as dificuldades da equipe em usar o nome social ou possíveis 
barreiras decorrentes de suas crenças morais ou religiosas que dificultem o cumprimento 
da normativa que preconiza o uso do nome social. 
• Se a sua opção é a 2ª abordagem: Discuta com a equipe a possibilidade de exposição 
de material educativo referente à temática, a fim de tornar o ambiente mais acolhedor 
para essas pessoas. Realize momentos de formação continuada sobre o tema para toda 
a equipe, incluindo os trabalhadores da parte administrativa da unidade. Convide uma 
pessoa trans para elaborar e executar com você essa formação. Identifique as mesmas 
barreiras citadas anteriormente.
• Se a sua opção é a 3ª abordagem: Ao início de cada abordagem, pergunte como a 
pessoa deseja ser chamada. Caso seja da vontade dela, registre seu nome social em 
todos os prontuários do serviço. Tenha uma postura empática: coloque-se no lugar 
da pessoa e cuide dela da forma como você gostaria de ser cuidado.
Para compreender melhor, leia a Carta dos Direitos dos Usuários do SUS 
E acesse a normativa que preconiza o uso do nome social e dispõe sobre os 
direitos e deveres dos usuários da saúde: Portaria nº 1.820/2009
Orientações
A identificação do(a) usuário(a) pelo nome social é um dever do(a) trabalhador(a) de saúde, 
expresso na Carta de Direitos dos Usuários do SUS (Portaria nº 1.820, de 13 de agosto 
de 2009). A Carta inclui a identificação pelo nome e sobrenome civil, devendo, porém, 
existir em todo documento do(a) usuário(a) um campo para o registro do nome social, 
independentemente do registro civil, sendo assegurado o uso do nome de preferência.
https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-nordeste/hu-ufs/acesso-a-informacao/programas-e-projetos/carta-de-direitos-dos-usuarios-do-sistema-unico-de-saude-sus
http://www.cofen.gov.br/portaria-gm-n-1820-de-13-de-agosto-de-2009_4204.html
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 46
A pessoa não pode ser chamada por número, nome ou código da doença ou outras formas 
desrespeitosas ou preconceituosas de identificação.
• Tem dúvida de qual pronome de tratamento usar? Acolha de forma neutra. Diga 
apenas: “Bom dia, como posso ajudar?”, por exemplo. 
As abordagens iniciais são dirigidas a estabelecer relações de confiança, escuta 
e acolhimento a diferentes demandas. E considerar aspectos específicos das 
populações vulnerabilizadas permite maior aproximação em relação às pessoas e 
suas realidades.
• Cuidado com a aplicação de injetáveis: Fique atento caso a pessoa utilize silicone 
industrial ou prótese. Em caso de silicone na região do glúteo e no vasto lateral da 
coxa, a indicação seria de aplicação na região ventroglútea; não é recomendada a 
aplicação no músculo deltoide. Os riscos e benefícios devem ser discutidos entre a 
equipe e a usuária, com possibilidade da oferta de medicação via oral.
• Avalie o esquema vacinal de hepatite B em PVHA: A administração da vacina em 
pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA) deve ser feita nos intervalos de 0, 1, 2, 6 a 12 
meses, com dose dobrada. Em PVHA está indicada a avaliação do Anti-HBS de 30 a 60 
dias após a última dose
• Avalie o esquema vacinal de hepatite A em PVHA: É recomendada vacinação com 
duas doses nos intervalos de 0 e 6 a 12 meses para PVHA susceptíveis (anti-HAV não 
reagente).
• Realize testes complementares em PVHA: Teste anualmente para hepatite C e 
semestralmente para sífilis todas PVHA.
• Mesmo a PVHA estando indetectável, faça o rastreamento para TB: Tuberculose 
é a doença infecciosa de maior mortalidade entre as PVHA. Essas pessoas estão 
entre os grupos de maior risco para adoecimento por TB (3 a 12 vezes superior ao da 
população geral).
• Avalie o esquema vacinal de HPV em PVHA: É recomendada vacinação com 
três doses (0, 2 e 6 meses) entre 9 a 26 anos. Obs.: Em mulheres e homens com 
imunossupressão, a faixa etária da vacina de HPV foi ampliada até 45 anos, conforme 
ofícios Nº 203/2021 e No 810/2022/CGPNI/DEIDT/SVS/MS
• No momento do diagnóstico de HIV, testar clamídia e gonococo: Pesquisa 
com biologia molecular de acordo com a prática sexual: urina (uretral), amostras 
endocervicais, secreção genital ou amostras extragenitais (anais e faríngeas).
47
Além disso, dialogue de forma particular com cada pessoa sobre as práticas 
sexuais e de prevenção que ela pode adotar.
E estimuleos diagnósticos da(s) parceria(s) sexual(is) e converse sobre as 
formas de comunicação do diagnóstico a essa(s) parceria(s).
Esse foi o último módulo do nosso curso! Trabalhamos inúmeros aspectos relacionados ao 
atendimento e as possíveis demandas que você encontrará. Esperamos que essa capacitação 
tenha te dado mais segurança para o serviço e para realizar um bom acompanhamento das 
populações-chave.
Indetectável = Intransmissível: pessoas vivendo com carga 
viral indetectável e no mínimo há 6 meses em tratamento 
não transmitem o HIV por meio de relações sexuais. Já foram 
realizados estudos sobre a transmissão sexual do HIV entre 
milhares de casais, sem que se tenha identificado um único caso 
de transmissão sexual do HIV à parceria soronegativa de uma 
pessoa vivendo com carga viral suprimida.
Parabéns, você chegou ao fim do curso de 
atendimento e acolhimento das populações-chave. 
 
Revise esse material sempre que for necessário.
48
Referências bibliográficas
NEGREIROS, Teresa Creusa de Góes Monteiro. Sexualidade e gênero no envelhecimento. 
Revista Alceu. v. 5, n. 9, p. 77-86, jul./dez. 2004.
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adolescentes e suas famílias em situação de violências: orientação para gestores e profissionais 
de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2010.
CLUTTERBUCK, D. J. et al. UK national guideline on safer sex advice. Int. J. STD. AIDS, v. 23, n. 
6, p. 381-388, 2012.
N u s b a u m M R H , H a m i l t o n C D . T h e p r o a c t i v e s e x u a l h e a l t h h i s t o r y . 
Am Fam Physician [Internet]. 2002 Nov [cited 2020 Oct 29];66(9):1705-12. 
Disponível em: https://www.aafp.org/afp/2002/1101/p1705.html 
Acesso em : 03/04/2023
CARRIÓ, F. B. Entrevista clínica: habilidades de comunicação para profissionais de saúde. 
Porto Alegre: Artmed, 2012.
ONU, Objetivos de desenvolvimento sustentável. 5.-Igualdade de gênero. 
Disponível em: https://www.ipea.gov.br/ods/ods5.html 
Acesso em : 03/04/2023
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Use and Sexual Risk Behaviour: A Cross-Cultural Study in Eight Countries, 2006. 
Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/43122/9241562897-
eng.pdf?sequence=1&isAllowed=y 
Acesso em 03/04/2023
Trabajadoras del sexo de Latinoamérica y el Caribe trabajando para crear alternativas que 
disminuyan su vulnerabilidad al VIH: una estrategia regional para un verdadero impacto. 
Disponível em: http://www.redtrasex.org/IMG/pdf/resumen_ejecutivo_del_proyecto_junio_ 
2013.pdf 
Acesso em : 03/04/2023
BASTOS, Francisco; COUTINHO, Carolina; MALTA, Monica. Estudo de Abrangência 
Nacional de Comportamentos, Atitudes, Práticas e Prevalência de HIV, Sífilis e 
Hepatites B e C entre Travestis. Relatório Final - Pesquisa DIVaS (Diversidade 
e Valorização da Saúde). Rio de Janeiro: ICICT, 2018. 2333 p. 
Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/49082 
Acesso em: 03/04/2023
49
BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico - 
Tuberculose. Número Especial. 1a edição – 2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância, 
Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites 
Virais. Agenda Estratégica para Ampliação do Acesso e Cuidado Integral das Populações-Chave 
em HIV, Hepatites Virais e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis/Ministério da Saúde. 
Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das 
Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais – Brasília: Ministério 
da Saúde, 2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância, 
Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das 
Hepatites Virais. Painel de Indicadores Epidemiológicos – Indicadores e Dados Básicos. 
Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/gestores/painel-de-indicadores-epidemiologicos. 
Acesso em: 21 fev. 2022.
BRASIL. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com 
Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
BRASIL. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pós-Exposição (PEP) de 
risco à infecção pelo HIV, IST e Hepatites Virais. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
BRASIL. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de 
Risco à Infecção pelo HIV. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
50
	Créditos
	Introdução aos aspectos de acolhimento às populações-chave
	Apresentação
	Introdução
	Quem são as populações-chave para o HIV/aids?
	Populações-chave para o HIV/aids:
	Entenda mais sobre a prevenção combinada do HIV
	O que você precisa saber para abordar o tema das sexualidades
	História sexual e avaliação de risco: habilidades de comunicação para clínica
	Discussão em equipe a partir do estudo de casos
	Módulo 1 - Conceito e habilidades para acolhimento de populações-chave para o HIV
	Apresentação
	Entenda o contexto
	Conheça a Maria
	1ª possibilidade de conduta
	2ª possibilidade de conduta
	3ª possibilidade de conduta
	Qual seria a sua abordagem a partir desse caso?
	Acolhimento
	Vale lembrar que...
	A oferta da PrEP - Profilaxia Pré-Exposição ao HIV
	Outras questões para discussão em grupo
	E se Maria fosse acolhida, assim que chegasse ao serviço, para uma escuta inicial da equipe?
	Como a equipe pensaria, junto com Maria, um Plano Terapêutico Singular? Qual seria o papel da equipe de Atenção Primária? E do Centro de Testagem e Aconselhamento – CTA?
	Quais são as facilidades e as dificuldades enfrentadas para realizar um acolhimento integral e eficiente para cada pessoa?
	Módulo 2 - Acolhimento de pessoas em situação de rua e usuárias de álcool e outras drogas
	Apresentação
	Entenda o contexto
	Conheça o João
	1ª possibilidade de conduta
	2ª possibilidade de conduta
	3ª possibilidade de conduta
	E então, qual seria a abordagem mais adequada para esse caso?
	Mais algumas orientações importantes:
	Tuberculose
	Uso de álcool e outras drogas
	Módulo 3 - Violência doméstica, racismo e temas transversais das populações-chave
	Apresentação
	Entenda o contexto
	Conheça a Patrícia
	
1ª possibilidade de conduta
	2ª possibilidade de conduta
	Exemplo de abordagem: 
	Racismo Institucional
	Para encerrarmos este módulo, uma importante reflexão:
	Módulo 4 - Adolescentes e jovens
	Apresentação
	Introdução
	Entenda o contexto
	Conheça o Pedro
	1ª possibilidade de conduta
	2ª possibilidade de conduta
	3ª possibilidade de conduta
	Hepatites Virais
	Dicas para a realização de tatuagens e piercings:
	Dicas para cuidado com as unhas e depilação:
	Sífilis
	Módulo 5 - Acolhimento de pessoas trans (travestis e transexuais)
	Apresentação
	Entenda o contexto
	Conheça a Vanessa
	1ª possibilidade de conduta
	2ª possibilidade de conduta
	3ª possibilidade de conduta
	Reflita brevemente sobre as possibilidades antes de estudar os possíveis desdobramentos.
	Orientações
	Referências bibliográficasEntenda o contexto ..............................................................................................................35
Conheça o Pedro ......................................................................................................................................35
1ª possibilidade de conduta ...................................................................................................... 36
4
2ª possibilidade de conduta ..................................................................................................... 36
3ª possibilidade de conduta ..................................................................................................... 36
Hepatites Virais ......................................................................................................................38
Dicas para a realização de tatuagens e piercings: .................................................... 39
Dicas para cuidado com as unhas e depilação: 
 ...................................................................................................................................................................... 39
Sífilis ...........................................................................................................................................39
Módulo 5 - Acolhimento de pessoas trans (travestis e transexuais) ...................42
Apresentação ............................................................................................................................................. 42
Entenda o contexto ............................................................................................................................... 43
Conheça a Vanessa ................................................................................................................................ 43
1ª possibilidade de conduta ......................................................................................................44
2ª possibilidade de conduta .....................................................................................................44
3ª possibilidade de conduta ..................................................................................................... 45
Reflita brevemente sobre as possibilidades antes de estudar os possíveis des-
dobramentos. ..................................................................................................................................... 45
Orientações .............................................................................................................................45
Referências bibliográficas ................................................................................................ 48
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 5
Introdução aos aspectos de acolhimento 
às populações-chave
Apresentação
Olá! Seja bem-vindo(a) ao curso Acesso e Acolhimento das Populações-Chave para o HIV/aids 
nos serviços de saúde. O objetivo desta ação educacional é capacitar você, profissional da 
saúde, para um acolhimento livre de discriminação, e que leve em conta vulnerabilidades para 
o cuidado em saúde. Além disso, queremos qualificar suas habilidades de comunicação para 
a saúde sexual. Espera-se que este curso contribua para o seu aprimoramento no cuidado 
das pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA), com vistas à melhoria dos processos de trabalho, 
de gestão e da qualidade da assistência à saúde no SUS. 
No Brasil e em outros países que possuem epidemia concentrada de HIV/Aids, o perfil 
epidemiológico dessa infecção – assim como o das hepatites virais, sífilis e outras infecções 
sexualmente transmissíveis (IST) – apresenta prevalências desproporcionais em alguns 
segmentos da população, mais vulnerabilizados, no que diz respeito ao acesso aos serviços 
de saúde e outros direitos fundamentais. 
Os dados epidemiológicos do HIV/aids referentes às pessoas trans, trabalhadoras do 
sexo cisgênero, gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas que 
usam álcool e outras drogas, pessoas privadas de liberdade, pessoas em situação de 
rua, jovens de 15 a 24 anos, população negra e população indígena indicam que esses 
grupos estão em situação de maior vulnerabilidade se comparados à população geral. Por 
isso, são considerados “chave” e/ou prioritários para uma resposta efetiva de saúde pública, 
no sentido de que requerem maior atenção sob o ponto de vista das ações preventivas, do 
diagnóstico e do cuidado integral.
Tal cenário é resultado de múltiplos fatores – comportamentais e estruturais. Os aspectos 
estruturais são cruciais nesse contexto, porque extrapolam a seara da saúde, exigindo, 
portanto, ações intersetoriais. Ilustram-se nas situações de violência, na pobreza, no 
machismo, no sexismo, no racismo, no estigma, na discriminação e na criminalização quanto 
ao HIV.
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 6
Assim, contextos de negação de direitos incidem diretamente sobre o acesso de 
algumas populações ao sistema de saúde no Brasil. Fatores como discriminação e 
estigma, por exemplo, são determinantes para as ações de prevenção e testagem, 
a vinculação aos serviços públicos de saúde que realizam o tratamento do HIV, das 
hepatites virais e de outras IST e, por fim, a adesão aos tratamentos disponíveis no SUS. 
Espera-se que ao final dos seus estudos você seja capaz de:
1 Desenvolver habilidades de comunicação em saúde sexual.
2 Reconhecer a importância do acesso ao diagnóstico, tratamento e cuidado integral 
das populações-chave e prevenção combinada.
3 Analisar as situações elaboradas com base em experiências em serviços de saúde 
e refletir sobre as possibilidades de desfechos apresentadas, considerando as 
possibilidades de contribuição para os processos de trabalho e para o acolhimento à 
situações específicas e complexas. 
Para isso, traremos ao longo dos cinco módulos alguns casos práticos para que você se 
familiarize com os possíveis pacientes e seus respectivos contextos. 
• No Módulo 1 você conhecerá a primeira personagem. Maria é uma mulher, 
trabalhadora do sexo, que há 3 meses teve relações sexuais com um cliente sem o 
uso de preservativos e agora procurou o serviço de saúde para realizar o teste de HIV. 
• No Módulo 2 você será apresentado ao caso do João, um homem em situação de 
rua que já esteve procurando atendimento na UBS, mas não conseguiu realizar os 
exames solicitados na época.
• O Módulo 3 nos mostra o caso de Patrícia, uma mulher que sempre procura a 
unidade de saúde com queixas inespecíficas, fazendo a equipe questionar quais os 
possíveis direcionamentos. 
• O Módulo 4 apresenta o jovem Pedro, que está acompanhado pela mãe e ela 
não permite que o filho responda às questões, atrapalhando a verificação das 
informações do paciente.
• O Módulo 5 é voltado para a história de Vanessa. Ela é uma mulher trans que está 
em acompanhamento com você há um ano e a sua carga viral de HIV encontra-se 
indetectável. Apesar de não ter queixas clínicas, ela relata que a equipe insiste em 
chamá-la por seu nome civil.
Todas essas situações serão acompanhadas de sugestões de procedimentos, acolhimento e 
formas de atendimento. Agora é a hora de começarmos!
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 7
Introdução
Espera-se que, ao final desta introdução, você compreenda a importância do 
atendimento adequado para a continuidade do tratamento dos usuários dos serviços 
de saúde.
Você vai estudar o seguinte tópico:
• Discussão de agenda para realização de testagem de IST e priorização de pessoas em 
situação de vulnerabilidade. Introdução
 
Para que as populações vulnerabilizadas possam ter acesso e receber cuidado integral e 
equânime quanto às IST, HIV/aids e hepatites virais, é fundamental qualificar a vigilância 
e a assistência e evitar novos casos, conhecendo as populações de cada território e, 
principalmente, as que podemestar mais suscetíveis ou que são mais atingidas por esses 
agravos. 
Observa-se que as habilidades para acolher as diferentes demandas de saúde de qualquer 
pessoa é responsabilidade de todos(as) os(as) trabalhadores(as) de saúde e gestores(as). 
Ou seja, diferentes contextos e diferentes pessoas precisam de diferentes estratégias para 
prevenir e cuidar em IST, HIV/aids e hepatites virais.
Este curso é destinado aos(às) trabalhadores(as) 
de saúde e gestores(as) e tem como principais 
objetivos: ampliar os conhecimentos sobre 
as especificidades das populações-chave e 
prioritárias, subsidiar processos de educação 
permanente e incentivar a reorganização de 
processos de trabalho com vistas à ampliação 
do acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao 
tratamento das IST, do HIV/aids e das hepatites 
virais para os segmentos mais vulnerabilizados 
em relação a esses agravos.
Quem são as populações-chave para o HIV/aids?
O conceito de populações-chave foi definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para 
indicar a necessidade de atenção especial a alguns segmentos populacionais que apresentam 
prevalência de HIV/aids desproporcionalmente superior à média nacional, em comparação 
com a população geral. Essas populações estão mais vulneráveis, em geral, muito mais 
em consequência de fatores estruturais do que por aspectos estritamente individuais ou 
comportamentais.
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 8
Populações-chave para o HIV/aids:
• Trabalhadoras do sexo cisgênero: são pessoas adultas que exercem a troca consensual 
de serviços e atividades sexuais por dinheiro, bens ou objetos que tenham valor, seja 
monetário ou não, troca esta que pode assumir as mais variadas formas (ONU, 2015). 
O que define o trabalho sexual é, sobretudo, o consentimento das partes engajadas na 
transação. As trabalhadoras do sexo apresentam prevalência de HIV 5,3 vezes maior do 
que a população geral. Estudos indicam que os principais fatores de vulnerabilidade se 
relacionam aos determinantes estruturais, como o estigma e a discriminação, que estão 
sempre postos em relação a esse grupo, além do racismo institucional e da violência de 
gênero, que constituem entraves no acesso aos serviços de saúde. 
• Gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH): os HSH são homens que 
se envolvem em atividades sexuais com outros homens, mas não necessariamente se 
identificam ou se reconhecem como gays, homossexuais ou bissexuais (UNAIDS, 2006). 
Já o perfil de identidade de gays é construído com base nas relações e manifestações de 
comportamentos, compartilhados com outros homens que possuem a mesma forma 
de se relacionar e se definir em seus respectivos grupos sociais (WHO, 2014).
• Pessoas trans: são pessoas cuja identidade e expressão de gênero não estão em 
conformidade com as normas e expectativas tradicionalmente associadas com a 
sua genitália de nascimento. O termo inclui as travestis, as mulheres transexuais e 
os homens trans. Dados mundiais específicos de pessoas trans demonstram maior 
prevalência de HIV entre as mulheres transexuais, especificamente aquelas que praticam 
sexo anal. Mulheres transexuais apresentaram probabilidade de infecção pelo HIV 49 
vezes maior que a população geral (REDTRASEX, 2013). No Brasil, a Pesquisa DIVAS 
(BASTOS, 2018), realizada em 12 capitais brasileiras, mostra que mulheres transexuais 
e travestis alcançam prevalências de HIV que vão de 16,9% (menor prevalência 
encontrada – Curitiba) a 64,5% (maior prevalência encontrada – Porto Alegre). 
 
Entretanto, não se deve olhar para essas prevalências apenas do ponto de vista da 
prática sexual de risco. Há muitos fatores que contribuem para as vulnerabilidades 
das pessoas trans e que, comprovadamente, impactam na maior propensão à 
infecção desse grupo pelo HIV, sendo os principais o estigma e a discriminação 
enfrentados todos os dias. A transfobia é um fator de extrema vulnerabilização de 
pessoas trans no Brasil e no mundo (GRINSTEJN et al., 2017). 
 
É importante ressaltar que no ano de 2019, o STF equiparou a homofobia e a transfobia 
ao crime de racismo. Assim, “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito” 
em razão da orientação sexual e/ou da identidade de gênero da pessoa é considerado 
crime, com pena de um a três anos, além de multa. E se houver divulgação ampla de ato 
homofóbico em meios de comunicação, como publicação em rede social, a pena será 
de dois a cinco anos, além de multa.
• Pessoas privadas de liberdade: são as pessoas que estão sob custódia do Estado em 
caráter provisório ou que foram sentenciadas ao cumprimento de pena privativa de 
liberdade (nos regimes fechado, semiaberto ou aberto) ou medida de segurança.
• Pessoas que usam álcool e outras drogas: são aquelas que fazem uso de 
substâncias psicoativas por qualquer via de administração (injetável, inalada, fumada 
ou ingerida) e estabelecem com essas substâncias uma relação de abuso ou de 
dependência, o que acarreta vulnerabilidades e riscos aumentados para sífilis e 
demais IST, HIV/aids e hepatites virais. Algumas pessoas pertencentes às demais 
populações-chave também usam álcool e outras drogas, o que representa uma 
sobreposição de riscos e vulnerabilidades. 
 
Os riscos e vulnerabilidades de pessoas que usam álcool e outras drogas variam, 
principalmente, conforme o tipo de substância, a via de uso, a intensidade de uso e o 
contexto em que a pessoa se encontra.
• Populações prioritárias: são segmentos populacionais que possuem caráter 
transversal, estando suas vulnerabilidades relacionadas às dinâmicas sociais locais e 
às suas próprias especificidades. No Brasil, são consideradas prioritárias a população 
negra, a população indígena, as pessoas em situação de rua e os jovens.
Frente a esse cenário, é necessário atuar mediante estratégias múltiplas e conjugadas, a serem 
adotadas de acordo com as necessidades de cada pessoa, o que se denomina Prevenção 
Combinada (BRASIL, 2017). 
Entenda mais sobre a prevenção combinada do HIV 
• É o uso combinado de intervenções biomédicas, comportamentais e estruturais 
aplicadas a cada indivíduo, considerando as relações, os contextos e os grupos 
sociais a que estes pertencem, com ações que atendam às suas necessidades e 
especificidades em relação à prevenção da transmissão do vírus HIV e ao cuidado 
integral.
• Cada indivíduo possui a capacidade de escolher os métodos preventivos mais 
adequados à sua realidade e às suas necessidades.
• Nenhum método de prevenção isolado é totalmente eficaz. A combinação de várias 
estratégias de prevenção, de acordo com as necessidades e estilo de vida de cada um, 
é a melhor forma de prevenção.
A Mandala da Prevenção Combinada é uma ferramenta pedagógica no enfrentamento das 
infecções sexualmente transmissíveis, aids e hepatites virais.
Saiba mais sobre a Prevenção Combinada.
https://www.gov.br/aids/pt-br/assuntos/prevencao-combinada
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 9
ou ingerida) e estabelecem com essas substâncias uma relação de abuso ou de 
dependência, o que acarreta vulnerabilidades e riscos aumentados para sífilis e 
demais IST, HIV/aids e hepatites virais. Algumas pessoas pertencentes às demais 
populações-chave também usam álcool e outras drogas, o que representa uma 
sobreposição de riscos e vulnerabilidades. 
 
Os riscos e vulnerabilidades de pessoas que usam álcool e outras drogas variam, 
principalmente, conforme o tipo de substância, a via de uso, a intensidade de uso e o 
contexto em que a pessoa se encontra.
• Populações prioritárias: são segmentos populacionais que possuem caráter 
transversal, estando suas vulnerabilidades relacionadas às dinâmicas sociais locais e 
às suas próprias especificidades. No Brasil, são consideradas prioritárias a população 
negra, a população indígena, as pessoas em situação de rua e os jovens.
Frente a esse cenário, é necessário atuar mediante estratégias múltiplas e conjugadas, a seremadotadas de acordo com as necessidades de cada pessoa, o que se denomina Prevenção 
Combinada (BRASIL, 2017). 
Entenda mais sobre a prevenção combinada do HIV 
• É o uso combinado de intervenções biomédicas, comportamentais e estruturais 
aplicadas a cada indivíduo, considerando as relações, os contextos e os grupos 
sociais a que estes pertencem, com ações que atendam às suas necessidades e 
especificidades em relação à prevenção da transmissão do vírus HIV e ao cuidado 
integral.
• Cada indivíduo possui a capacidade de escolher os métodos preventivos mais 
adequados à sua realidade e às suas necessidades.
• Nenhum método de prevenção isolado é totalmente eficaz. A combinação de várias 
estratégias de prevenção, de acordo com as necessidades e estilo de vida de cada um, 
é a melhor forma de prevenção.
A Mandala da Prevenção Combinada é uma ferramenta pedagógica no enfrentamento das 
infecções sexualmente transmissíveis, aids e hepatites virais.
Saiba mais sobre a Prevenção Combinada.
https://www.gov.br/aids/pt-br/assuntos/prevencao-combinada
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 10
O que você precisa saber para abordar o tema 
das sexualidades
Comumente, as pessoas associam sexualidade ao ato sexual e/ou aos órgãos genitais, 
considerando-os como sinônimos. Embora o sexo seja uma dimensão importante da 
sexualidade, esta é muito mais que a prática sexual e não se limita à genitalidade ou a uma 
função biológica responsável pela reprodução (NEGREIROS, 2004).
Nesse contexto, é importante não rotular e/ou estigmatizar comportamentos sexuais como 
“normais” ou “anormais”. É muito importante sempre buscar discutir os comportamentos e 
as práticas sexuais sem preconceitos, considerando que são relativos, a depender da cultura 
e do contexto histórico, social e de vida de cada pessoa (BRASIL, 2010b).
Retirada do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com 
Infecções Sexualmente Transmissíveis (PCDT-IST)
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 11
O direito de viver a sexualidade com respeito pelo próprio corpo, de escolher a parceria sexual 
sem medo, culpa, vergonha, de decidir ter uma relação sexual com ou sem fins reprodutivos, 
de expressar livremente a própria orientação sexual, de ter acesso à informação e à educação 
sexual e reprodutiva, entre outros aspectos que possibilitam a expressão livre da sexualidade, 
são direitos sexuais e humanos. Dentro dessa lógica, alguns conceitos precisam ser conhecidos 
para que a abordagem das sexualidades seja realizada de maneira integral:
 
Orientação sexual é a atração que alguém sente por outros 
indivíduos. Geralmente, envolve questões sentimentais, e não 
somente sexuais.
Identidade de gênero é a identificação autorreferenciada 
das pessoas como homens ou mulheres, ou não binários, que 
pode ou não concordar com o gênero que lhes foi atribuído 
ao nascimento.
Sexo designado ao nascimento refere-se aos aspectos 
anatômicos e morfológicos da genitália ao nascimento. 
 
Expressão de gênero é a forma como a pessoa se apresenta, 
sua aparência e seu comportamento.
 
História sexual e avaliação de risco: habilidades 
de comunicação para clínica
A saúde sexual é parte fundamental da avaliação geral de saúde de qualquer pessoa. 
Conhecer a história sexual dos usuários é fundamental para uma abordagem centrada na 
pessoa, permitindo, assim, conhecê-la como um todo. Essa investigação deve ser estruturada 
para identificar os fatores de risco relacionados à saúde sexual, reconhecendo práticas e 
comportamentos sexuais e também oportunidades para intervenções breves de mudança 
de comportamento (CLUTTERBUCK et al., 2012).
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 12
Comumente os profissionais de saúde não abordam esse tema 
durante as consultas. Há uma tendência em subestimar a 
necessidade que os(as) usuários(as) têm de externar preocupações 
relacionadas à sua saúde sexual e uma resistência em considerá-
la como um aspecto fundamental para a sua saúde integral. 
Portanto, é importante que o profissional desenvolva uma rotina 
de perguntar a todos os(as) usuários (as) do serviço, adultos e 
adolescentes, questões sobre sexualidade, ajudando a diminuir 
o preconceito ligado ao diálogo sobre sexo e práticas sexuais 
(NUSBAUM; HAMILTON, 2002).
Para a anamnese de hábitos sexuais e de risco, primeiro é preciso ganhar a confiança 
do(a) usuário(a). Um estilo de abordagem mais direto pode funcionar para alguns; porém, 
é preferível que o profissional de saúde faça uma aproximação mais gradual, com o objetivo 
de construir uma relação de confiança, normalizar as perguntas e o assunto, e avançar do 
geral para o específico (CARRIÓ, 2012).
Recomenda-se avisar ao(a) usuário(a) que as perguntas que você está fazendo são feitas para 
todos os adultos que utilizam o serviço, independentemente de idade ou de estado civil, são 
parte do procedimento protocolar. Também é importante enfatizar o caráter sigiloso da 
consulta. Igualmente necessária é a escuta respeitosa sobre as diferentes profissões de cada 
pessoa, visto que estas também podem contribuir para suas vulnerabilidades, principalmente 
se tratando do trabalho sexual.
Ao iniciar o assunto de forma gradual, podem-se utilizar metáforas, mas será necessário 
avançar para uma comunicação transparente e clara, para a abordagem dos pontos mais 
importantes para a avaliação de risco.
Orientações gerais para uma abordagem respeitosa e eficaz sobre a 
saúde sexual:
• Estabeleça uma rotina de perguntas a todos os usuários sobre sexualidade 
(diálogo sobre sexo e práticas sexuais).
• Desenvolva seu próprio estilo.
• Evite julgamentos prévios. 
Não assuma conceitos prontos (a menos que você pergunte, não há como conhecer 
a orientação sexual, os comportamentos, práticas ou a identidade de gênero de uma 
pessoa).
• Respeite os limites do paciente (linguagem não verbal).Reformule sua pergunta ou 
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 13
explique brevemente por que você está fazendo o questionamento se o paciente 
parecer ofendido ou relutante em responder.
• Observe suas áreas de desconforto. 
Monitore e contenha as suas próprias reações (linguagem não verbal).
• Avise que as mesmas perguntas são feitas a todas as pessoas (procedimento 
protocolar), independentemente de idade ou de estado civil.
• Use termos neutros e inclusivos (por exemplo, “parceria” ao invés de “namorado”, 
“namorada”, “marido”, “esposa”) e faça as perguntas de forma não julgadora.
• Quando estiver atendendo uma pessoa trans, pergunte como esta prefere ser 
chamada ou identificada. Dê suporte à identidade de gênero atual do paciente, 
mesmo que sua anatomia não corresponda a essa identidade.
 
Para orientações mais específicas sobre saúde e história sexual, consulte o 
PCDT - IST.
Discussão em equipe a partir do estudo de casos
A seguir, nos próximos módulos, serão apresentadas algumas situações criadas a partir de 
experiências em serviços de saúde, sejam especializados ou da Atenção Primária à Saúde. 
Embora se tratem de casos fictícios, a intenção é proporcionar reflexão entre as equipes 
de saúde e contribuir para a discussão sobre os processos de trabalho e as formas de 
acolhimento a situações específicas e complexas.
Para cada caso, foram colocados pontos para reflexão e algumas possibilidades de desfecho 
ou de condutas que as equipes podem adotar. Não há uma única resposta, mas espera-se 
que as equipes encontrem respostas possíveis, a depender da complexidade das situações 
e da singularidade de cada pessoa, de cada território e de cada serviço.
A partir dessa contextualização, esperamos que você já se sinta mais capacitado para lidar 
com as populações chave. 
Agora que você finalizou o módulo introdutório 
deste curso, começará a estudar alguns possíveis 
casos clínicos, a fim de aperfeiçoar a sua prática e 
aprimorar o seuatendimento. Vamos lá?
https://www.gov.br/aids/pt-br/centrais-de-conteudo/pcdts
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 12
Módulo 1 - Conceito e habilidades para 
acolhimento de populações-chave para 
o HIV
Apresentação
Espera-se que, ao final deste primeiro módulo, você possa refletir sobre como o processo 
de trabalho das unidades de saúde pode interferir no acesso ao diagnóstico e prevenção 
do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), principalmente para 
populações mais vulnerabilizadas.
Você vai estudar o seguinte tópico:
• Acolhimento livre de discriminação.
• Habilidades de comunicação para saúde sexual.
• Indicação das Profilaxias Pré e Pós Exposição (PrEP e PEP).
• Indicação dos exames de rastreamento de HIV, hepatites virais (HV) e outras IST.
 
Diante desse relato e pensando na realidade atual do serviço em que você 
atua, qual seria o desfecho mais esperado para Maria? 
Saiba que ela não compareceu à consulta que foi agendada.
1ª possibilidade de conduta
Maria seria encaminhada pelo técnico administrativo para uma escuta inicial com o agente 
comunitário da área de referência, que incluiria a usuária na planilha da equipe para avaliação 
do(a) enfermeiro(a), havendo vagas de demanda espontânea na agenda.
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 13
Entenda o contexto
Conheça a Maria
BOi, eu sou a Maria... Sou profissional do sexo e 
há 3 meses fiz um programa sem preservativo, porque 
o cliente me ofereceu o dobro do valor para não usar 
camisinha... Eu trabalho em uma boate toda noite, e 
não consegui procurar os exames antes. Na maioria 
das vezes eu preciso beber muito para acompanhar 
os meus clientes... Aí fico com dificuldade pra acordar 
cedo para pegar a ficha aqui. Hoje eu queria fazer o 
teste do HIV. Quando cheguei aqui fiquei um pouco 
constrangida pelos olhares de algumas pessoas, acho 
que é por causa das minhas roupas. O moço que 
trabalha ali me avisou que a agenda do dia seria só 
para o atendimento de pessoas com pressão alta, mas 
que marcaria minha consulta pra daqui a 15 dias para 
eu poder fazer os testes rápidos de HIV, sífilis e outras 
doenças... 
 
Diante desse relato e pensando na realidade atual do serviço em que você 
atua, qual seria o desfecho mais esperado para Maria? 
Saiba que ela não compareceu à consulta que foi agendada.
1ª possibilidade de conduta
Maria seria encaminhada pelo técnico administrativo para uma escuta inicial com o agente 
comunitário da área de referência, que incluiria a usuária na planilha da equipe para avaliação 
do(a) enfermeiro(a), havendo vagas de demanda espontânea na agenda.
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 14
2ª possibilidade de conduta
Maria seria informada sobre a impossibilidade de realização de teste rápido naquela hora da 
manhã, pois as agendas dos(das) profissionais de saúde da área estavam cheias, mas teria 
consulta marcada para a realização do teste em 15 dias.
3ª possibilidade de conduta
A Unidade de Saúde de Maria não realiza teste rápido e ela terá que realizar testagens no 
Serviço de Referência (ex.: Centro de Testagem e Aconselhamento – CTA). 
Qual seria a sua abordagem a partir desse caso?
É importante destacar que cada possibilidade de conduta exige uma postura diferente para 
garantir um bom desfecho.
• Se a sua opção é a 1ª abordagem: Após acolhimento e discussão dos riscos relacionados 
às práticas sexuais e ao trabalho de Maria, seriam realizados testes rápidos para HIV, sífilis 
e hepatites B e C, e disponibilizados preservativos. Em caso de TR com resultado não 
reagente para hepatite B, a equipe pode aproveitar a oportunidade para questionar o 
status vacinal de Maria para hepatite B e, se desconhecido/incompleto, iniciar/completar 
esquema vacinal e planejar as próximas doses. Para realizar o acolhimento, é necessário 
pensar em uma organização do acesso que não se caracterize como mais uma barreira 
para a entrada dessas populações no serviço de saúde. A lógica do cuidado precisa levar 
em conta questões clínicas, mas também incluir vulnerabilidades. Considere o fato de que 
a perda de oportunidade de intervenção para alguns pode ser determinante para a saúde. 
Além da testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C, assim como a oferta de preservativos, 
outras estratégias de prevenção devem ser ofertadas e combinadas. Dentre elas está 
o rastreio de clamídia e gonococo por biologia molecular, com coleta de material no 
serviço de saúde e envio para laboratório. Consulte o PCDT - IST e saiba mais! 
• Se a sua opção é a 2ª abordagem: Durante muito tempo, o modelo de agenda dos 
trabalhadores priorizou alguns grupos, confirmando a chamada “Lei dos Cuidados 
Inversos”: a população que mais precisa de cuidados, na prática, é a que menos tem 
acesso a esses cuidados, o que aprofundou as iniquidades dentro do sistema de saúde. 
Um modelo de agenda engessado, centrado em programas (como os de hipertensão 
ou diabetes), é de fato o melhor modelo para a população?
• Se a sua opção é a 3ª abordagem: Discuta com a equipe as dificuldades para 
implementação de testagem rápida, no âmbito da Atenção Básica. Além disso, alguns 
estados e municípios oferecem capacitações sobre a realização de testagem e 
diagnósticos de sífilis, do HIV e das hepatites B e C. O rastreamento de outras IST, como 
a clamídia e gonococo, são indicadas para populações de alta vulnerabilidade. No caso 
do HIV, além dos testes rápidos com punção digital, há os testes com amostra de fluido 
oral (TR-FO), que podem ser realizados por outros profissionais, e não somente pelos 
da saúde. Mesmo na impossibilidade de realização do teste, seria importante abordar 
com Maria as estratégias de Prevenção Combinada e verificar com o laboratório de 
referência a inclusão de outras possibilidades de testagem. É importante considerar a 
https://www.gov.br/aids/pt-br/centrais-de-conteudo/pcdts
https://www.gov.br/aids/pt-br/centrais-de-conteudo/manuais-tecnicos-para-diagnostico
https://www.gov.br/aids/pt-br/centrais-de-conteudo/manuais-tecnicos-para-diagnostico
https://telelab.aids.gov.br
https://telelab.aids.gov.br
https://www.gov.br/aids/pt-br/assuntos/prevencao-combinada
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 15
possibilidade de construir uma agenda de apoio matricial entre as equipes do Centro 
de Testagem e Aconselhamento (CTA) e da Atenção Primária.
Acolha com respeito e sem julgamentos as formas de viver, de amar, de ser e 
de se expressar de cada pessoa.
Acolhimento
• O acolhimento pressupõe escuta qualificada e empática. Para tanto, observe as 
orientações a seguir:
• Evite olhares julgadores quanto à aparência e vestimentas da pessoa.
• Não faça perguntas íntimas diante do público. Nunca parta do pressuposto de que 
você conhece a demanda da pessoa e nem faça perguntas como: “Você veio se 
testar?”, “Veio pegar preservativo?”. Inicie o contato com perguntas abertas e permita 
que o paciente exponha sua demanda livremente. Apenas pergunte: “O que trouxe 
você aqui hoje?” ou “Como posso ajudar?”.
• Abstenha-se de julgamentos morais ou religiosos sobre o comportamento do 
paciente. Em vez disso, relacione as informações de um ponto de vista da saúde 
sexual, emocional e psicológica. Respeite a relutância do paciente em revelar detalhes 
dos relacionamentos durante a primeira consulta.
• Para as populações negligenciadas, especialmente, explore experiências prévias de 
acesso aos serviços de saúde. A partir da identificação de barreiras, tente organizar o 
retorno sem que esses elementos impeçam o seguimento da pessoa.
• Realize abordagem qualificada em saúde mental. As populações negligenciadas 
apresentam taxas de depressão, ansiedade e suicídio maiores do que as da 
população geral. Se não se sentir qualificado para tanto, busque apoio de outros 
profissionais da equipe. 
• O mesmo vale para a violência. Questione a exposição à violêncianos diversos 
cenários de vida das pessoas: família, trabalho, amizades e escola. Aproveite para 
identificar as redes de apoio desses indivíduos.
• É importante identificar se a pessoa realiza trabalho sexual, pois as trabalhadoras do 
sexo estão em situação de maior vulnerabilidade para o HIV e outras IST. No entanto, 
essa identificação deve ser feita com os cuidados que já foram mencionados, para 
não impactar na relação de confiança construída com o paciente.
http://antigo.aids.gov.br/pt-br/pub/2017/diretrizes-para-organizacao-do-cta-no-ambito-da-prevencao-combinada-e-nas-redes-de-atencao
http://antigo.aids.gov.br/pt-br/pub/2017/diretrizes-para-organizacao-do-cta-no-ambito-da-prevencao-combinada-e-nas-redes-de-atencao
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 16
Vale lembrar que... 
• As pessoas que exercem trabalho sexual têm seus cotidianos afetados por estigmas 
e discriminação, o que compromete sua vinculação e atenção integral nos serviços de 
saúde e a reivindicação dos seus direitos.
• O trabalho sexual é considerado uma ocupação pelo Ministério do Trabalho e 
Emprego desde 2002 (classificação: CBO 5198-05 – Profissional do Sexo).
O serviço pode discutir outras formas de organização dos processos de trabalho que prevejam 
o acolhimento de demandas intempestivas e sem agendamento prévio, incluindo flexibilização 
de horários. Informações sobre rede de serviços de saúde, assistência e sociedade civil e 
oferta de insumos devem ser de fácil acesso na unidade.
Várias estratégias têm sido implementadas no mundo, no sentido de focalizar 
a testagem para HIV em populações sob maior risco de exposição ao HIV 
e menor acesso aos serviços de saúde. Para mais informações, acesso o 
documento sobre a estratégia de Testagem Focalizada do HIV.
A oferta da PrEP - Profilaxia Pré-Exposição ao 
HIV
A Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) consiste no uso diário de antirretrovirais (ARV) para 
reduzir o risco de adquirir a infecção pelo HIV. A eficácia e a segurança da PrEP já foram 
demonstradas em diversos estudos clínicos e subpopulações, e sua efetividade foi evidenciada 
em estudos de demonstração (BRASIL, 2018b). Algumas orientações importantes:
https://www.gov.br/aids/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/2020/guia-rapido-de-testagem-focalizada-para-o-hiv/view
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 17
Outras questões para discussão em 
grupo
Sabemos que o atendimento pode assumir inúmeros 
desdobramentos e estamos buscando explorar várias 
possibilidades para estimular a sua reflexão, de modo 
a aperfeiçoar sua prática.
Vamos discutir outras questões?
https://www.gov.br/aids/pt-br/assuntos/prevencao-combinada/prep-profila-
xia-pre-exposicao/
https://www.gov.br/aids/pt-br/assuntos/prevencao-combinada/prep-profilaxia-pre-exposicao/
https://www.gov.br/aids/pt-br/assuntos/prevencao-combinada/prep-profilaxia-pre-exposicao/
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 18
E se Maria fosse acolhida, assim que chegasse ao serviço, para uma 
escuta inicial da equipe?
Caso Maria fosse atendida por um(a) agente comunitário(a) ou um(a) enfermeiro(a), seria 
informada de que é importante realizar os testes não somente do HIV, mas também de sífilis 
e das hepatites B e C. A equipe perguntaria a ela se sabe o que são as IST, o HIV e as hepatites 
virais. Caso não fosse possível realizar a testagem na hora, quais outras questões poderiam 
ser trabalhadas com Maria? Que tipo de informação e de acolhimento ela poderia receber?
Como a equipe pensaria, junto com Maria, um Plano Terapêutico Sin-
gular? Qual seria o papel da equipe de Atenção Primária? E do Cen-
tro de Testagem e Aconselhamento – CTA?
Como se passaram 3 meses da situação em que Maria correu riscos, ela seria informada de 
que não é mais possível utilizar a PEP para o HIV, pois essa estratégia é indicada somente 
nas primeiras 72 horas após a exposição. Porém, a equipe a orientaria para o caso em que 
venha a se repetir alguma exposição sexual de risco. Ela seria informada sobre o uso do 
preservativo feminino (vaginal) como uma alternativa para situações em que os clientes 
não usam preservativo masculino (peniano). A equipe também lhe explicaria que é possível 
utilizar outra estratégia para prevenir o HIV, considerando os riscos que ela pode correr. Na 
ocasião, seria oferecido o uso de PrEP. Maria também seria orientada sobre as hepatites virais 
e receberia indicação para tomar as três doses da vacina contra hepatite B, caso não as tivesse 
tomado até então e/ou não tivesse o cartão de vacinação. A equipe também conversaria com 
Maria sobre o uso de álcool, escutando o que ela teria a dizer. A equipe a ajudaria a pensar 
quais estratégias poderiam ser adotadas, na perspectiva da redução de danos, para minimizar 
o uso abusivo de álcool. Maria seria lembrada de que tomar água e se alimentar ajudam a 
minimizar os efeitos adversos do álcool.
Quais são as facilidades e as dificuldades enfrentadas para realizar 
um acolhimento integral e eficiente para cada pessoa?
A lógica do cuidado precisa levar em conta questões clínicas, mas também deve incluir 
vulnerabilidades e contextos de vida nessa avaliação, pensando, inclusive, que todo contato 
é uma oportunidade de intervenção e que, no caso das populações-chave, nenhuma 
oportunidade pode ser desperdiçada.
A partir dessa contextualização e a apresentação do primeiro estudo de caso, esperamos que 
você já se sinta mais capacitado para lidar com um grupo das populações chave.
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 19
Parabéns, você chegou ao fim do módulo sobre 
o caso clínico da Maria e a importância do 
acolhimento livre de discriminação. 
 
No próximo módulo conheceremos a história do 
João!
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 20
Módulo 2 - Acolhimento de pessoas em 
situação de rua e usuárias de álcool e 
outras drogas
Apresentação
Dando continuidade aos estudos a partir de casos práticos, nesse segundo módulo 
você conhecerá a história de João, um homem em situação de rua que necessita de um 
atendimento qualificado e acolhedor. Espera-se que ao final dos estudos você qualifique 
suas ações de acolhimento e cuidado de pessoas em situação de rua.
Você vai estudar os seguintes tópicos:
• Importância do acesso com equidade para as populações em situações de rua. 
• Abordagem de vulnerabilidades que interferem no cuidado em saúde.
• Aspectos clínicos e sociais ligados à coinfecção Tuberculose-HIV.
 
João retornou para consulta com enfermeira, em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), após 
a solicitação de alguns exames para investigação de IST. Havia sido feito o diagnóstico clínico 
de corrimento uretral. Durante a consulta, João relatou ter tomado as medicações prescritas 
pelo médico, da forma como este lhe explicou, tendo retirado os medicamentos na farmácia 
da UBS. Porém, não conseguiu realizar os exames solicitados. 
Ao ser questionado por que não conseguiu fazer os exames, João contou que não tinha 
dinheiro para a passagem de ônibus até o serviço indicado. Quando indagado sobre seu 
local de moradia para confirmação de endereço e telefone de contato, revelou que estava em 
situação de rua há 2 meses, após passar dois anos preso em regime fechado. No momento, 
encontrava algum ganho com a venda de materiais recicláveis, como latinhas e papelão. 
Também referiu que, desde que foi preso, não consegue mais contato com a família. João não 
falou na consulta, mas um agente comunitário que já realizou abordagens em campo com 
ele relatou em reunião de equipe que, além do que já se sabia, João também estava fazendo 
uso abusivo de crack e álcool.
Sobre o caso de João, quais elementos da realidade socioeconômica do 
usuário poderiam ter sido trabalhados de forma mais completa para 
garantir o atendimento integral? Como associar as intervenções dentro 
do serviço com as ações extramuros?Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 21
Entenda o contexto
Conheça o João
BBom dia, meu nome é João... eu vim aqui uns 
dias atrás e o médico me mandou voltar. Mas ele me 
pediu uns exames que eu não fiz... No dia que eu vim 
ele me examinou e me passou uns remédios que eu 
peguei aqui mesmo, sabe... Mas os exames depois eu 
não fiz não. Tava sem dinheiro pra passagem, tô há 2 
meses morando na rua mesmo. Antes eu tava preso e 
agora minha família não quer saber de mim. O que eu 
tô fazendo mesmo é vender latinha, papelão, qualquer 
coisa pra conseguir um trocado.
 
João retornou para consulta com enfermeira, em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), após 
a solicitação de alguns exames para investigação de IST. Havia sido feito o diagnóstico clínico 
de corrimento uretral. Durante a consulta, João relatou ter tomado as medicações prescritas 
pelo médico, da forma como este lhe explicou, tendo retirado os medicamentos na farmácia 
da UBS. Porém, não conseguiu realizar os exames solicitados. 
Ao ser questionado por que não conseguiu fazer os exames, João contou que não tinha 
dinheiro para a passagem de ônibus até o serviço indicado. Quando indagado sobre seu 
local de moradia para confirmação de endereço e telefone de contato, revelou que estava em 
situação de rua há 2 meses, após passar dois anos preso em regime fechado. No momento, 
encontrava algum ganho com a venda de materiais recicláveis, como latinhas e papelão. 
Também referiu que, desde que foi preso, não consegue mais contato com a família. João não 
falou na consulta, mas um agente comunitário que já realizou abordagens em campo com 
ele relatou em reunião de equipe que, além do que já se sabia, João também estava fazendo 
uso abusivo de crack e álcool.
Sobre o caso de João, quais elementos da realidade socioeconômica do 
usuário poderiam ter sido trabalhados de forma mais completa para 
garantir o atendimento integral? Como associar as intervenções dentro 
do serviço com as ações extramuros?
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 22
1ª possibilidade de conduta
Dentre os exames solicitados para realização em outros serviços, estavam as sorologias para 
HIV e sífilis, apesar de a própria UBS disponibilizar a testagem rápida. Para os outros exames, 
a equipe garantiu a marcação para um laboratório mais próximo, aonde ele pode ir a pé, 
além de realizar matriciamento do caso com a assistente social. Como João também referiu 
dificuldade para leitura, por não ter sido alfabetizado, a equipe registrou essa condição na 
“Lista de problemas” do usuário. O teste rápido de HIV apresentou resultado positivo e ele 
relatou, após ser questionado, estar com quadro de tosse há 2 meses.
2ª possibilidade de conduta
A equipe repreendeu o usuário por ter faltado ao exame, demonstrando os custos financeiros 
que tais perdas geram, e reagendou o exame, com a advertência de que seria a última vez 
que o procedimento seria remarcado.
3ª possibilidade de conduta
A equipe entende que não é de sua responsabilidade garantir a realização do exame por 
parte do usuário, orientando-o a buscar uma equipe do consultório na rua ou um centro de 
referência de assistência social para obter algum benefício social.
O artigo 23, da Portaria MS/GM n°940, de 28 de abril de 
2011, “dispensa aos ciganos, nômades e moradores de 
rua a exigência de apresentar o endereço do domicílio 
permanente para aquisição do Cartão SUS”. Ou seja, qualquer 
pessoa tem o direito de ser atendido nas unidades de saúde, 
independentemente de apresentação de documentação.
A Lei 13.714, de 2018, que proíbe expressamente a recusa 
de atendimento pelo SUS nesses casos, foi publicada no 
Diário Oficial da União. Portanto, está assegurado por lei o 
atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) de famílias e 
indivíduos em situação de vulnerabilidade ou risco social, 
mesmo que eles não apresentem comprovante de residência.
Fonte: Agência Senado
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 23
E então, qual seria a abordagem mais adequada para esse caso?
• Se a sua opção é a 1ª abordagem: Essa abordagem leva em conta que o usuário 
com uma IST apresenta indicação de investigação de outras condições por via de 
transmissão sexual. Nesse sentido, a primeira avaliação acertou na investigação, 
porém não garantiu a realização dos exames – não teria sido necessário o 
encaminhamento, uma vez que já havia testagem rápida disponível na própria UBS. 
Identificar dificuldades na leitura, sejam elas por deficiência visual ou por analfabetismo, 
é extremamente importante para escolher a forma como será feita a orientação de 
algum exame ou receituário, por exemplo.
• Se a sua opção é a 2ª abordagem: Reflita: às vezes, o(a) usuário(a) pode não se 
sentir confortável em pedir para realizar testagem de HIV, sífilis e hepatites virais. Não 
perca oportunidades: oferte testagem sempre que identificar na pessoa alguma outra 
vulnerabilidade/risco para algum desses agravos. Para um atendimento e acolhida 
integral, é necessário analisar o contexto e a situação de vida das pessoas.
• Se a sua opção é a 3ª abordagem: Avalie com cada pessoa as situações em que ela 
possa estar em risco e, em caso afirmativo, considere maiores ou menores riscos, visando 
identificar medidas de cuidado factíveis e seguras para cada pessoa, inclusive no que diz 
respeito ao ponto da rede em que possa ser fornecida maior garantia de cuidado. 
Evite perda de oportunidade de intervenção. Avalie com a equipe as possibilidades 
de manejo na própria UBS. Havendo outras necessidades da pessoa que não possam 
ser atendidas pela Unidade, quais dispositivos da rede podem ser acionados para um 
eventual matriciamento do caso? O CTA, a rede psicossocial?
No desfecho apresentado para a primeira abordagem, todas as 
recomendações, como exames médicos e prescrições, deverão ser adaptadas. 
Em casos de corrimento uretral e cervicite, avaliar a possibilidade de coleta 
de material para investigação de clamídia e gonococo, de acordo com a 
disponibilidade do serviço de saúde. Saiba mais acessando o PCDT-IST.
https://www.gov.br/aids/pt-br/centrais-de-conteudo/pcdts
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 24
Mais algumas orientações importantes:
1 Identifique se a pessoa sabe ler e escrever 
Use linguagem fácil e acessível. Tenha certeza de que você está sendo compreendido.
2 A comunicação adequada fortalece os vínculos. 
Além de estabelecer relações de confiança e dar autonomia e protagonismo à pessoa.
3 A reinserção social é um passo fundamental para o sucesso de qualquer tipo de 
cuidado e a respectiva adesão. 
A equipe deve trabalhar em conjunto para apoiar as ações e atividades necessárias à 
essa reinserção.
É importante que você entenda porquê é essencial descartar o diagnóstico de tuberculose 
neste caso. 
Tuberculose
A tuberculose (TB) é a doença infecciosa de maior mortalidade entre as pessoas vivendo com 
HIV/Aids (PVHA), sendo estas um dos grupos de maior risco para adoecimento por TB – 3 a 
12 vezes superior ao da população geral. A presença de TB deve ser investigada em todas as 
oportunidades de atendimento às PVHA, mediante o questionamento sobre a existência de 
um dos quatro sintomas: febre, tosse, sudorese noturna e emagrecimento. 
Também é necessário realizar oferta do teste de HIV para todas as pessoas com diagnóstico 
de TB. Importante: tuberculose, além de tratamento, tem prevenção!
O acolhimento pressupõe escuta qualificada e empática. Para tanto, 
observe as orientações a seguir:
Converse e discuta as formas de transmissão das IST, do HIV e das hepatites 
virais, as situações de maior ou menor risco, as ofertas de prevenção e o 
tratamento, dentre outras.
Caso se trate de um serviço de referência para uma Unidade Prisional, lembre-
se de oferecer condições dignas e humanitárias de cuidado, por exemplo, 
acordando com os(as) agentes de segurança a possibilidade doatendimento 
sem algemas.
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 25
O diagnóstico e o tratamento da infecção latente da tuberculose (ILTB) em PVHA são 
fundamentais para minimizar o risco de adoecimento.
Não deixe de avaliar outros agravos como as hepatites B e C, além do esquema vacinal.
Uso de álcool e outras drogas
O uso de álcool e outras drogas por populações mais vulneráveis, como as em situação de 
rua, representa a sobreposição de fatores que ampliam as vulnerabilidades, configurando 
uma sinergia de vulnerabilidades.
• O abuso de substâncias psicoativas pode estar relacionado a comportamentos ou 
situações de risco para a transmissão do HIV, das hepatites virais e de outras IST.
• O abuso de álcool e outras drogas pode ocasionar a prática de sexo sem preservativo 
e a diminuição da adesão ou descontinuidade do tratamento. Contudo, devem ser 
observados os fatores individuais e o contexto da pessoa, conforme cada substância e 
modo de uso. 
O tema “álcool e outras drogas” deve ser considerado também em relação às dimensões 
estruturais e sociais por estar associado a contextos de maior vulnerabilidade, estigma e 
criminalização. 
As novas terapias antirretrovirais (TARV) avançaram não somente na possibilidade de alcançar 
mais rapidamente a carga viral indetectável e, com isso, ampliar a qualidade de vida, mas 
também em relação à diminuição de interação medicamentosa com uso de álcool e outras 
drogas. 
Os(as) usuários(as) devem ser orientados(as) sobre as 
possíveis relações do uso de álcool e outras drogas na 
adesão ao tratamento e a potencial hepatotoxicidade 
do seu uso concomitante aos medicamentos ou 
não, para que, de posse dessas informações, esses 
indivíduos possam desenvolver, em conjunto com 
a equipe de saúde, estratégias em relação ao uso 
de drogas e antirretrovirais, trabalhando também o 
fortalecimento da autonomia e a redução de riscos 
e danos.
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 26
Alguns princípios que podem contribuir para melhorar o acesso das pessoas e as abordagens 
das equipes de saúde:Essa situação pode acontecer em qualquer UBS, por isso é importante 
estar atento aos pormenores do contato com a população, sobretudo os mais vulneráveis.
Os problemas mais comuns da adesão ao tratamento estão mais 
associados a falhas na tomada de medicamentos ou à percepção 
de que os antirretrovirais não podem ser utilizados em horários 
próximos do uso de álcool e outras drogas, e menos a possíveis 
efeitos adversos. Questões sociais como necessidade de recurso 
para deslocamento até os serviços de saúde podem atuar como 
barreiras à adesão. Por outro lado, o abandono do tratamento 
ou falhas na adesão também podem ser decorrentes da falta de 
acolhimento, inabilidade profissional, exigência de abstinência 
como condição de acesso ou discriminação nos serviços de saúde 
em relação a esse tema.
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 27
Parabéns, você chegou ao fim do segundo 
módulo do curso. 
 
Vamos dar continuidade conhecendo a história da 
Patrícia.
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 28
Módulo 3 - Violência doméstica, racismo 
e temas transversais das populações-
chave
Apresentação
Neste módulo, você vai conhecer a situação de Patrícia e compreender que aspectos 
externos podem influenciar na postura da paciente e na sua busca por tratamento. 
Espera-se que ao final dos estudos, você seja capaz de identificar demandas ocultas 
ligadas ao cuidado das IST.
Você vai estudar os seguintes tópicos:
• O impacto do racismo no acolhimento e na oferta de cuidado integral.
• Violência doméstica.
• Método clínico centrado na pessoa.
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 29
Entenda o contexto
Conheça a Patrícia
BBom dia! Bom dia, doutora Laís, bom dia Carine! 
Bom dia… Pois é, eu de novo… Não é fácil, né? Acho 
que não tem um mês da minha última consulta. Você 
consegue um encaixe pra mim? Sei que não estou 
marcada, mas eu tô com um incômodo muito grande 
aqui, sabe…? E aqueles exames que eu fiz não acharam 
nada, mas não é possível… Essa dor que eu tô sentindo 
vai e vem, mas atrapalha demais pra fazer qualquer 
coisa… Hoje não dá? Tá bom, quem sabe amanhã? Eu 
dou um jeitinho de voltar… 
 
Patrícia é uma mulher negra de 39 anos, conhecida na Unidade de Saúde por utilizar de forma 
frequente o serviço. Na “Lista de problemas” do prontuário de Patrícia, um dos profissionais 
incluiu a expressão “diversos atestados”, o que leva a equipe a realizar seu atendimento 
sempre de forma agressiva e refratária. Na maioria das vezes, ela procura o serviço por 
queixas vaginais inespecíficas, mas no momento do exame físico os profissionais nunca 
encontraram nenhuma alteração. Patrícia já foi submetida a diversos exames complementares, 
como ultrassonografia transvaginal e abdominal, todos normais. 
Você reconhece algum caso como o de Patrícia, de pacientes que utilizam 
bastante o serviço e que já foram rotulados? 
Suponha que você é um profissional novo na Unidade: quais informações 
você consideraria importantes para investigar melhor a situação de Patrícia? 
Você acha que este é um caso de racismo institucional?
 
1ª possibilidade de conduta
Imagine que você começa questionando o motivo da consulta. A paciente relata que está com 
dor ao ter relações sexuais, queixa que você identifica que ela já relatou outras vezes. Realiza 
o exame ginecológico, que resulta sem alterações. Explica que essa queixa não a impede de 
trabalhar, por isso não será dado o atestado, e faz uma prescrição de analgésico.
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 30
2ª possibilidade de conduta
Você explora a queixa de Patrícia, que revela dor ao ter relações sexuais. Pergunta sobre 
o tempo de início dos sintomas e expectativas, que ela relaciona com o período em que 
conheceu o atual companheiro. Aborda sua prática sexual, ao que ela revela relações vaginais 
e orais sem preservativo com o marido, confessando que muitas vezes não tem vontade de 
ter relações, mas se sente na obrigação de esposa.
Além disso, Patrícia teme ter alguma IST, pois está certa de que o marido mantém relações 
extraconjugais. Ao ser questionada se já sofreu violência física, a usuária diz que sim e começa 
a chorar. Também relata se sentir discriminada pela abordagem da equipe e acredita que isso 
seja em função de ela ser negra. Você realiza testes rápidos, com resultado positivo para HIV. 
 
3ª possibilidade de conduta
Quando Patrícia apresenta a queixa, você explica a ela que já foram realizados diversos 
exames, todos negativos, e que provavelmente a queixa da paciente é psicológica, 
indicando o grupo de saúde mental. 
Faça a sua reflexão. Lembre-se que cada possibilidade de conduta 
exige uma postura diferente para garantir um bom desfecho.
• Se você adotou a 1ª abordagem: Nesse caso, esteja atento às queixas, mas observe 
quais elementos podem ajudar a identificar outras demandas ocultas de Patrícia. 
Quando uma usuária recorre ao serviço frequentemente com queixas inespecíficas 
e sem explicação clínica para tais, é importante considerar que ela pode estar em 
situação de violência, ou não é abordada sobre essa questão ou não consegue expor 
sua situação.
• Se você adotou a 2ª abordagem: É fundamental que a sua abordagem seja baseada 
na pessoa, e não na doença. Esse modelo de cuidado apresenta uma série de 
vantagens que vão desde o aumento da satisfação de profissionais e pacientes até a 
redução de preocupações e sintomas. Em geral, uma abordagem centrada na doença 
não consegue captar os problemas ocultos, os medos, as angústias e as expectativas 
do paciente em relação ao significado daquela condição. 
É importante discutir com Patrícia o impacto do racismo em sua vida e abordar com a 
equipe a questão do racismo institucional, além de discutircom ela as possibilidades 
de sair do ciclo de violência do marido, e considerar encaminhá-la para apoio 
psicológico. Também é fundamental verificar se ela já foi acompanhada por algum 
serviço de saúde mental. Discutir o caso com matriciadores ou serviço de saúde 
mental também pode ser uma estratégia para melhor compreender e abordar o caso.
• Se você adotou a 3ª abordagem: Racismo institucional, violência sexual ou 
doméstica, maternidade sem apoio do pai, dificuldade de acesso a trabalho e renda, 
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 31
situação de rua e privação de liberdade associada a delitos do parceiro, dentre outras 
situações, deixam as mulheres mais vulneráveis e suscetíveis a piores condições de 
saúde. Isso deve ser levado em consideração no cuidado centrado na pessoa. 
A maioria das mulheres, sofrendo ou não violência, não se importa que um(a) 
profissional de saúde a questione sobre isso, contanto que as questões sejam feitas 
de maneira adequada. Caso seja identificada alguma questão de saúde mental, é 
importante compartilhar o cuidado com as equipes especializadas.
Perguntar repetidamente sobre o abuso doméstico ao longo de 
várias consultas aumenta as chances de uma mulher revelar 
o abuso. Muitas só irão informar a violência se você perguntar 
diretamente. Porém, considere que as pessoas têm tempos 
diferentes para compartilhar situações delicadas.
Exemplo de abordagem: 
“As pesquisas mostram que um número muito grande de mulheres sofre violência de suas 
parcerias em algum momento da vida. Essa é a razão pela qual questionamos todas as nossas 
usuárias sobre isso.”
Dialogar sobre racismo institucional deve ser um esforço permanente da 
equipe.
Racismo Institucional
Racismo institucional ou estrutural é compreendido como qualquer forma de racismo que 
ocorre dentro de instituições como órgãos governamentais, instituições públicas, empresas, 
corporações e universidades, pode ser entre gestor e trabalhador, trabalhador e trabalhador, 
trabalhador e usuário, usuário e trabalhador. São atitudes sociais específicas inerentes à ação 
preconceituosa racialmente, à discriminação, aos estereótipos, à omissão, ao desrespeito, 
à desconfiança, à desvalorização e à desumanização. O racismo institucional é a principal 
barreira para o acesso adequado a saúde.
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 32
Quando falamos de doenças mais frequentes na população negra, a maioria dos profissionais 
de saúde pensa na hipertensão, pré-eclampsia e anemia falciforme, mas é preciso encarar o 
racismo como determinante social em saúde, ou seja, o racismo adoece. E viver o racismo 
adoece tanto psiquicamente quando fisicamente, pois nessa lógica é negligenciado o acesso 
ao tratamento adequado.
A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) foi 
instituída em 2009 pelo Ministério da Saúde e sua ideia central é promover a 
equidade em saúde, orientado pelos princípios e diretrizes da integralidade, 
equidade, universalidade e participação social, em consonância com o Pacto 
pela Saúde e a Política Nacional de Gestão Estratégica e Participativa no SUS. 
A marca dessa política é o combate ao racismo institucional, assim, é 
necessário que essa política seja implantada em cada unidade de saúde do 
país. A edição de 2017 cita algumas doenças genéticas e hereditárias agravadas 
pela pobreza, desnutrição e acesso à saúde e educação e por todos esses 
motivos, mais comuns da população negra.
 
É preciso entender o processo social como um determinante do adoecimento, os porquês 
da população negra estar majoritariamente nas periferias do país em condições de pobreza, 
exclusão social, vivenciando o racismo no cotidiano. Não à toa taxa de mortalidade materna 
em mulheres negras é a mais alta do país. E homens negros são o grupo que morrem mais 
por causas externas.
A prevenção de adoecimento é também o combate ao racismo institucional. Por isso, a 
real implantação da PNSIPN é importante. Sua marca é: “o reconhecimento do racismo, 
das desigualdades étnico-raciais e do racismo institucional como determinantes sociais das 
condições de saúde, com vistas à promoção da equidade em saúde. Seu objetivo é promover 
a saúde integral população negra, priorizando a redução das desigualdades étnico-raciais, 
o combate ao racismo e à discriminação nas instituições e nos serviços do SUS” (trechos da 
Entrevista concedida por Joana Carvalho, Rita Helena Borret, Amanda Arlete, coordenadoras do 
GT de Saúde da População Negra da SBMFC em 14 de Setembro de 2018).
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 33
Para encerrarmos este módulo, uma importante reflexão:
Uma dor no joelho pode representar a mesma queixa e estar relacionada 
aos mesmos mecanismos fisiopatológicos para três usuárias distintas: uma 
praticante de atletismo, uma trabalhadora da limpeza e uma funcionária 
de escritório, mas terá um signif icado completamente diferente para 
a vida de cada uma delas. Isso vale também para outras condições de 
saúde. O mesmo diagnóstico de IST para diferentes pessoas pode ter 
significados completamente diferentes. Por isso, veja alguma dicas para 
um atendimento mais acolhedor:
Tente avaliar o entendimento de saúde e doença por parte da pessoa.
Uma determinada doença é o que todos com aquela doença têm em 
comum, mas as experiências da doença de cada pessoa são únicas.
Busque objetivos comuns entre você e o(a) usuário(a) como perspectiva 
para ter chances de um desfecho mais favorável. Isso é particularmente 
importante para indivíduos com menor chance de adesão aos tratamentos 
propostos.
Leve em conta o sofrimento, o medo e as angústias como forma de 
entender seu papel no surgimento de algumas doenças. Utilize perguntas 
como: “Qual a sua maior preocupação?”, “O quanto você está sentindo 
que isso afeta sua vida?” e “No que você acredita que posso ajudar?” 
Muito bem, você finalizou o terceiro módulo do 
curso. 
 
No próximo módulo estudaremos a abordagem 
qualificada em adolescentes a partir do estudo de 
caso do Pedro.
Acesso e acolhimento das populações-chave do HIV AIDS nos serviços de saúde 34
Módulo 4 - Adolescentes e jovens
Apresentação
Você já estudou algumas situações de adultos em busca de um auxílio e diagnóstico. E 
quando o paciente é um(a) adolescente que ainda depende de um acompanhante? Como 
abordar essa situação de forma direta e resolutiva? É o que esse módulo irá abordar. 
Espera-se que ao final dos estudos, você seja capaz de realizar abordagem qualificada 
e habilidades de comunicação para saúde sexual em adolescentes e pessoas jovens.
Você vai estudar os seguintes tópicos:
• Diagnóstico e tratamento de sífilis, HIV e hepatites virais.
• Saúde do(da) adolescente.
• Amparo legal – arcabouço legal para o atendimento ao adolescente.
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Introdução
As ações de saúde voltadas para adolescentes são pautadas pelos princípios éticos de 
beneficência, da não maleficência, de respeito à autonomia e pelo melhor interesse de 
adolescentes, garantidos no Estatuto da Criança e do Adolescente e nos códigos de ética das 
diferentes categorias profissionais. 
No atendimento à saúde de adolescente, alguns pontos devem ser considerados durante 
a abordagem clínica, destacando-se o estabelecimento do vínculo de confiança entre a 
Estratégia Saúde da Família, as Unidades Básicas de Saúde, os adolescentes, suas famílias e os 
estabelecimentos escolares. Uma atitude acolhedora e compreensiva também possibilitará a 
continuidade de um trabalho com objetivos específicos e resultados satisfatórios no dia a dia.
Na definição das linhas de ação para o atendimento da criança e do adolescente, o ECA destaca 
as políticas e programas de assistência social, determinando o fortalecimento e ampliação 
de benefícios assistenciais e políticas compensatórias ou inclusivas como estratégias para 
redução dos riscos e agravos de saúde dos jovens. Além do ECA, destacam-se

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