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ENSINAR E BRINCAR
Julia Izabella Matos Soares 
1. INTRODUÇÃO 
Brincar é uma importante forma de comunicação, é por meio deste ato que a criança pode reproduzir o seu cotidiano. O ato de brincar possibilita o processo de aprendizagem da criança, pois facilita a construção da reflexão, da autonomia e da criatividade, estabelecendo, desta forma, uma relação estreita entre jogo e aprendizagem.
Para definir a brincadeira infantil, ressaltamos a importância do brincar para o desenvolvimento integral do ser humano nos aspectos físico, social, cultural, afetivo, emocional e cognitivo. Para tanto, se faz necessário conscientizar os pais, educadores e sociedade em geral sobre à ludicidade que deve estar sendo vivenciada na infância, ou seja, de que o brincar faz parte de uma aprendizagem prazerosa não sendo somente lazer, mas sim, um ato de aprendizagem. 
Neste contexto, o brincar na educação infantil proporciona a criança estabelecer regras constituídas por si e em grupo, contribuindo na integração do indivíduo na sociedade. Deste modo, à criança estará resolvendo conflitos e hipóteses de conhecimento e, ao mesmo tempo, desenvolvendo a capacidade de compreender pontos de vista diferentes, de fazer-se entender e de demonstrar sua opinião em relação aos outros.
 É importante perceber e incentivar a capacidade criadora das crianças, pois esta se constitui numa das formas de relacionamento e recriação do mundo, na perspectiva da lógica infantil. Neste sentido, o objetivo central deste estudo é analisar a importância do brincar na Educação Infantil, pois, segundo os autores pesquisados, este é um período fundamental para a criança no que diz respeito ao seu desenvolvimento e aprendizagem.
2. DESENVOLVIMENTO 
2.1. CONCEITO DE BRINCAR E LUDICO
Brincar, segundo o dicionário Aurélio (2003), é "divertir-se, recrear-se, entreter-se, distrair-se, folgar", também pode ser "entreter-se com jogos infantis", ou seja, brincar é algo muito presente nas nossas vidas, ou pelo menos deveria ser.
A etimologia da palavra lúdica origina-se de “ludus” que tem como significado jogo. Desta forma se torna possível compreensão que existe uma referência apenas ao ato jogar, ao divertimento com o caráter “não sério”, entretanto mediante estudos, o lúdico deixou de possuir apenas essa conotação de algo não construtivo e passou a ser reconhecido como algo essencial do comportamento humano que traz juntamente com o seu universo, além do divertimento, a possibilidade de aprendizagem em diversos âmbitos na criança. 
2.2. AS IMPLICAÇÕES DO ATO DE BRINCAR NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL
Diversos autores renomados como Piaget e Vygotsky, Froebel e Dewey, trouxeram o brincar como algo inseparável à natureza humana principalmente da criança quando está no processo de desenvolvimento e que também colabora para o aprendizado, de modo que a definição deixou de ser o simples jogo. Para os autores citados, o brincar e as suas implicações superam o universo do lúdico, possuindo também interferências nos âmbitos pedagógicas e sociais, além da brincadeira como um ato de simples prazer.
A proposta de Froebel para a educação infantil apresentava grande importância do brinquedo e do ato de brincar, contribuindo para a importância das brincadeiras livres trazendo o lúdico como uma essencial ferramenta de trabalho pedagógico do educador. Segundo Kishimoto (2001, p.14) “Froebel concebeu o brincar como atividade livre e espontânea da criança, e ao mesmo tempo referendou a necessidade de supervisão do professor para os jogos dirigidos apontando questões sempre no contexto atual”.
Para Piaget as crianças participam ativamente do seu desenvolvimento durante o dia a dia e enquanto estão no espaço de educação infantil na sala de aula e, é depois do desenvolvimento que surge a aprendizagem.
Portanto, a brincadeira é de fundamental importância para o desenvolvimento infantil na medida em que a criança pode transformar e produzir novos significados. Nas situações em que a criança é estimulada, é possível observar que rompe com a relação de subordinação ao objeto, atribuindo-lhe um novo significado, o que expressa seu caráter ativo, no curso de seu próprio desenvolvimento.
As leis vigentes valorizam a infância e qualquer tipo de manifestações infantil e ressalta que a Educação como direito de todos e do Estado tem o dever em oferecê-la. 
A Constituição Federal de 1988, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) de 1990, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) de 1996 e a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e outras foram criadas, para que a criança tivesse esse direito assegurado por elas.
2.3. ARTES VISUAIS E A ARTE DE BRINCAR
Neste contexto de averiguar sobre a importância da brincadeira no ambiente escolar pretende-se aliar a isto o desenvolvimento de um trabalho focado no ensino de Arte, baseado no referencial teórico da “Abordagem Triangular”, proposta pela pesquisadora e professora Ana Mae Barbosa (1991). 
 O conhecimento em arte deve se basear na triangulação: contextualizar, apreciar e produzir arte. Com isso pretende-se que os alunos tenham a consciência de suas capacidades em elaborar imagens artísticas, experimentando a apreciação das obras de artistas em geral, uma vez que a natureza da criança já condiz com um mundo imaginário e geralmente brincar e desenhar são desenvolvidos com o mesmo propósito lúdico. 
A criança é considerada improdutiva para o esquema social adulto porque ela está ligada às coisas não sérias e não é produtiva, considerando o contexto social principalmente capitalista. À medida que vai crescendo, percebe-se que aos poucos o lúdico é desestimulado em função de priorizar uma série de aprendizados, estes mais pertencentes ao mundo adulto. Isso acontece porque uma sociedade com todas as suas deformações e virtudes, estabelece a visão de um cidadão ideal que reflete também no contexto escolar.
A Arte, no entanto oferece uma gama de oportunidades de aproximação entre conteúdos, recursos, possibilidades, expressões, diálogos, interferências e processos de construção e crescimento conjunto. 
Através dessa cartela de viabilidades, é possível propor aos alunos que criem um percurso, onde a responsabilidade de fazer parte de uma escola que proporcione momentos com sensações de alegria, bem estar, harmonia, respeito entre os integrantes da turma, diversão, parceria e amizade dentre as crianças.
3. CONCLUSÃO 
Considerando que o ensino em Arte amplia o repertório cultural do aluno a partir do conhecimento estético e artístico é que se propôs nesta pesquisa uma estratégia de aprender arte relacionada com o ato de brincar e, com base em estudos feitos sobre as brincadeiras, argumentou-se que o ato de brincar promove diferentes possibilidades de conhecimento também no campo pedagógico, e que, que neste caso pode ser desenvolvido com ludicidade e prazer. 
Com a finalização do trabalho verificou-se a possibilidade de maiores projeções em relação á atuação com atividades artísticas na escola. Conclui-se que é possível investir também em propostas, mesmo que mais “tímidas”, no campo da Arte, no sentido de oferecer para os alunos alguma vivência artística.
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo, SP: Loyola, 2004.
AMARAL, Maria Nazaré de Camargo Pacheco. Dewey: jogo e filosofia da experiência dramática. In:______. O brincar e suas teorias. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2008.
BARBOSA, Ana Mae. Arte-educação pós colonialista no Brasil: aprendizagem triangular. Comunicação & Educação, São Paulo, Brasil, n. 2, p. 59–64, 1995. DOI: 10.11606/issn.2316-9125.v0i2p59-64. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/comueduc/article/view/36136.. Acesso em: 4 jan. 2025.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular para a Educação Infantil: Brincar. Brasília: MEC / SEF, 1998. Documento Introdutório.
DEWEY, J. Como Pensamos. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1952.
FROEBEL, Friedrich. O formador de criançaspequenas. Série Grandes pensadores. Nova Escola. São Paulo: Abril. Disponível em:

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