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RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA DO BRASIL MINISTÉRIO DE FORMAÇÃO APOSTILA 3 MÓDULO BÁSICO GRUPO DE ORAÇÃO COMISSÃO NACION A L DE FORMAÇÃO D A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA ATUALIZADA " 3 R C C B R A S I L Renovação Carismática Católica Copyright © Escritório Administrativo da RCCBRAS IL - 2013 A r t e , diagramação e capa > Priscila L. G . F. Carvalho Revisão desta edição: Comissão Nacional de Formação da Renovação Carismática Católica R C C B R A S I L CIP. Brasi l . C a t a l o g a ç ã o na Fonte B IBL IOTECA NACIONAL - FUNDAÇÃO MIGUEL DE C E R V A N T E S ISBN: 978-85-52740-66-4 C D U : 2 ISBN:CDU:2 Caro leitor, pessoas cristãs, ou simplesmente honestas, não necessitam do jugo da lei para fazerem o que é certo. Pensando nisso, a RCCBRASIL está lhe dando cinco bons motivos para não copiar o material contido nesta publicação (fotocopiar, reimprimir, etc), sem permissão dos possuidores dos direitos autorais. Ei-los: - ' * = - • 1. A RCC precisa do dinheiro obtido com a sua venda para manter as obras de evangelização que o Senhor a tem chamado a assumir em nosso País; 2. É desonesto com a RCC que investiu grandes recursos para viabilizar esta publicação; 3. É desonesto com relação aos autores que investiram tempo e dinheiro para colocar o fruto do seu trabalho à sua disposição; 4. É um furto denominado juridicamente de plágio com punição prevista no artigo 184 do Código Penal Brasileiro, por constituir violação de direitos autorais (Lei 9610/98); 5. Não copiar material literário publicado é prova de maturidade cristã e oportunidade de exercera santidade. IMPRESSO N O BRASIL Printed in Brazil SUMARIO Capítulo 1. O GRUPO DE ORAÇÃO 1. INTRODUÇÃO 09 2. O COORDENADOR DO GRUPO DE ORAÇÃO 11 3. O NÚCLEO DE SERVIÇO 12 3. L Critérios para composição do núcleo de serviço: ! 3 3.2. As finalidades do núcleo são : 13 3.3. A reunião do núcleo de serviço 14 4. O SERVO DE JESUS NO GRUPO DE ORAÇÃO DA RCC 15 5. MINISTÉRIOS NO GRUPO DE ORAÇÃO 16 5.1. Cada ministério é sustentado por um carisma específico 17 5.2. A autoridade do ministro é exercida na autoridade de .lesus 17 5.3. O Espírito Santo é a fonte dos ministérios 17 6. FUNDAMENTAÇÃO DOUTRINÁRIA 17 7. CONCLUSÃO 18 Capítulo!. A REUNIÃO DE ORAÇÃO: CONCEITO. FINALIDADES E CARACTERÍSTICAS 1. INTRODUÇÃO 19 2. CONCEITO 19 "•• 2.1 A reunião de oração não é: 20 3. FINALIDADES 21 3.1. Para louvar o Senhor 21 3.2. Para proporcionar a experiência do batismo no Espírito 21 3.3. Para evangelizar querigmaticamente 21 3.4. Para construir a comunidade cristã — — — — 21 4. CARACTERÍSTICAS 22 4.1. Centralizada na pessoa de Jesus 22 4.2. Carismática 22 4.3. Fraterna e alegre — - — 22 4.4. Espontânea e expressiva 22 4.5. Ordenada— — 22 5. CONCLUSÃO 23 Capítulo 3. PREPARAÇÃO E CONDUÇÃO DA REUNIÃO DE ORAÇÃO 1. INTRODUÇÃO 25 2. PREPARAÇÃO 25 Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração 2.1 Intercessão 25 2.2 Rhema 26 2.3 Oração antecedente da equipe 26 3. CONDUÇÃO 26 3.1 Preliminares 26 3.2 Animação 26 3.3 A oração; o papel do dirigente 27 3.4. Sucedentes 28 4. CONCLUSÃO 29 Capítulo 4. ELEMENTOS DA REUNIÃO DE ORAÇÃO 1. INTRODUÇÃO 31 2. ELEMENTOS DA REUNIÃO DE ORAÇÃO 32 2 .1 .0 louvor 32 2.2. A oração em línguas 33 2.3. O canto 33 2.4. O silêncio 34 2.5. Ato Penitencial 34 2.6. A pregação 34 3. CONCLUSÃO 37 Capítulo 5. OS SERVIÇOS NA REUNIÃO DE ORAÇÃO 1. INTRODUÇÃO 39 2. ALGUMAS EQUIPES DE SERVIÇO DA REUNIÃO DE ORAÇÃO 39 2.1. Equipe de arrumação 39 2.2. Equipe de acolhimento e recepção 39 2.3. Ministério de música 40 2.4. Ministério para crianças — — — 40 2.5. Ministério de intercessão 40 2.6. Ministério de Pregação — — 41 2.7. Ministério de oração por cura e libeilação 41 3. CONCLUSÃO 42 Capítulo 6. O GRUPO DE PERSEVERANÇA 1. INTRODUÇÃO _ • — 43 2. CONSIDERAÇÕES GERAIS 43 3. ALGUMAS OBSERVAÇÕES IMPORTANTES ACERCA DO GRUPO DE PERSEVERANÇA 44 4. GRUPO DE PERSEVERANÇA: COMO ORGANIZAR 44 5. LÍDERES EM POTENCIAL 45 6. FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA 46 7. COMO LIDAR COM PROBLEMAS NO GRUPO DE PERSEVERANÇA 47 8. FUNDAMENTAÇÃO DOUTRINÁRIA 48 9. CONCLUSÃO 49 B I B L I O G R A F I A 50 6 --^ Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L APRESENTAÇÃO Esta formação quer aprofundar a reflexão sobre o Grupo de Oração, uma das mais importantes expressões da R C C , sua célula principal. Grupo de Oração é a caminhada de uma pequena comunidade da R C C , inserida numa Paróquia, Capela, etc. Baseados em A t 2,1-47, se estudará o G O em seus três momentos distintos: Equipe Núcleo de Serviço (grupo fechado). Reunião de Oração (aberto) e Grupo de Perseverança (fechado). Neste momento a manifestação da vivência da "Cultura de Pentecostes" não se pode recuar! É hora de buscar a vivência da identidade da R C C em todas as suas dimensões! do clima agradável que ele cria. Observe-se, por outro lado, para que não haja um excesso de músicas no início da reunião de ora- ção.Aliás, esta é uma observação muito importante: não é próprio da Reunião de Oração uma sequência numerosa, definida ou indefinida, de apresentações musicais como ocorre na ministração de um show, por exemplo; as músicas devem favorecer e ceder à ministração da oração, favorecem a abertura e pre paração dos corações. Atente-se, pois, aos momen tos em que é necessário o silêncio fecundo. Não se pode pensar numa Reunião de Oração toda cantada, ou toda agitada por gestos animados, que não pro porcione a espontaneidade da oração de louvor in dividual e coletivo, a entrega e abertura espontânea do coração mediante a partilha da oração, o silên cio expectante para a escuta profética e/ou para a adoração a Deus no interior, a resposta individual e coletiva àquilo que Deus falou a seu povo reunido. 3.3 A o r a ç ã o : o pape l do d i r igente O dirigente da reunião de oração é, por as sim dizer, o responsável por introduzir as pessoas na presença de Deus. Por isso, deve estar aberto às moções do Espírito para aquele instante, discernin do quais os passos a serem dados e emitindo ordens curtas e concretas nesse sentido. "Sua liderança as- semelha-se à de um regente de orquestra - quais as partes que ele deve deixar que se destaquem e quais as que deve manter em silêncio até outro momento do encontro. O líder não pode ser apenas passivo pois alguém mais, de alguma outra forma não defini da, poderá acabar na realidade liderando o grupo"^°. É importante salientar que todo o restante do nú cleo e os demais servos do Grupo de Oração devem ser dóceis ao sentido que o dirigente está dando à reunião de oração, evitando-se atropelos, desen contros e quebra de unidade. De modo especial, o ministério de música precisa ficar atento e "submis so" a tal direção para que, no momento oportuno, ministre a canção mais apropriada. O dirigente, por sua vez, deve se convencer de que ali, na reunião de oração, não é o momento de uma oração pessoal. Alguns começam a rezar de acordo com suas próprias necessidades ou, quando muito, rezam o tempo todo em nome da assembleia, como se fosse um interlocutor entre ela e Deus, deixando as pessoas presentes como meros expec- tadores. O dirigente deve estar atento às ações e rea- ções da assembleia, o modo como cantam, rezam, aderem ou não às ordens emitidas. Quando a oração não estiver decorrendo satisfatoriamente, é preciso discernir o que está acontecendo e o que fazer para alterar a situação. As vezes, as pessoas estão opri midas por alguma coisa e, por isso, por mais que se diga, elas não louvam com fluência nem se sentem inseridas no contexto da reunião. Nesse caso, o di rigente proporá, de acordo com a moção de Deus, uma oração de libertação, um ato penitencial, uma canção ou outra coisa inspirada. Isso poderá devol ver às pessoas o interesse e a espontaneidade na oração. " A profundidade do círculo de oração de penderá, em grande parte, da fé corajosa do diri gente. Ele deve, é claro, ter prudência, mas nunca ter medo (...). Deve ter coragem para tomar decisões, controlar situações e, sobretudo, para manifestar o plano de Deus"^'. Em algumas reuniões podem ocorrer proble mas, como as atitudes exaltadas ou emotivas demais da parte de uma ou mais pessoas. Às vezes, alguém pode emitir palavras ou moções supostamente vin das de Deus, mas que são meros devaneios de sua subjetividade, acabando por atrapalhar a reunião, desviando a atenção dos outros do eixo central e proveitoso da oração. Esses casos devem ser con tornados pelo dirigente com discernimento, bom senso e, sobretudo, com caridade. Não se deve fazer exortações ásperas nem tomar atitudes extremas, como, por exemplo, mandar calar a boca. Mas tam bém não se pode permitir que uma ou duas pessoas confundam o sentido e o objetivo da reunião. O di rigente deve agir destramente, para não conturbar a oração. A mesma destreza é necessária quando alguém critica ou contesta algo diretamente no momento da oração ou pregação. Nesses casos, "o melhor será o líder dar respostas simples e diretas e, então, vol tar prontamente à atividade de louvar e partilhar"^^ Certamente, é bom lembrar aqui da promessa do Senhor: "Naquele momento ser-vos-á inspirado o que haveis de dizer" (Mt 10,19b). No contexto da reunião de oração, também é preciso evitar: " Vicent M . W A L S H , Conduzi o meu povo, p. 20. J .H. Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p. 50. " Robert D E G R A N D I S , Vem e segue-me, p. 62. Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração 3.3.1 I n t r o d u ç õ e s longas Supondo que a moção seja para que a assem bleia louve o Senhor coletivamente e em vernáculo (idioma pátrio). O dirigente poderá dizer: "Vamos agora louvar o Senhor com nossas palavras. Dizer que Ele é bom, é maravilhoso, que não há Deus como Ele. Louvá-lo porque Ele nos salvou. Ele nos deu a paz, libertou-nos dos vícios, devolveu a har monia às nossas famílias.Vamos louvá-lo porque Ele é poderoso, porque realiza prodígios e milagres em nosso meio, porque sua sabedoria é infinita, etc, etc". Quando ele terminar, as pessoas já estarão sem von tade de louvar; ou então, não se lembrarão mais de nenhum motivo que já não tenha sido dito pelo di rigente; ou, ainda, estarão sentadas e com os olhos abertos. • Do contrário, se o dirigente fizer uma introdu ção breve como: "Vamos levantar os nossos braços e louvar ao Senhor com alegria por tudo o que Ele é e faz nas nossas vidas", assim, todos haverão de louvar e a reunião prosseguirá normalmente. As in troduções mais longas só cabem em circunstâncias peculiares, por força da moção do Espírito. 3.3.2 O r d e n s i n c o m p r e e n s í v e i s É preciso que as ordens dadas sejam claras, de maneira que todos entendam o que devem fazer; do contrário, a assembleia ficará confusa e tumultuada. Por exemplo, se o dirigente disser:"Fique fren te a frente com seu irmão da direita e orem um pelo outro". Ora , todos virarão para a direita e ninguém saberá se deve voltar-se ou esperar que a pessoa da frente se volte. Como obedecer a uma ordem como essa?:"Va- mos, irmãos, louvar o Senhor por sua bondade, pe dir que Ele nos abençoe nessa noite, interceder por aqueles que não estão aqui, para que se convertam. Rezemos ao Senhor". Há três indicações contidas numa só: louvar o Senhor por sua bondade, pedir bênção e interceder pelos que não estão na reunião. Qual das três se guir? A menos que a pessoa tenha facilidade em sis tematizar, para fazer uma coisa após outra e dar-lhes sentido, ficará confusa. Alguns louvarão, outros pe dirão, outros intercederão. Porém, muitos não farão nenhuma coisa nem outra, porque não entenderão a ordem. 3.3.3 F r a g m e n t a ç ã o das m o ç õ e s O ideal é que a reunião seja relativamente conexa em suas partes. O dirigente que não obede ce a um núcleo central de moção é como um franco atirador que dispara em várias direções, sem deter minar o alvo. Nesse aspecto, é muito comum que, durante a manifestação dos carismas, sejam pronunciadas vá rias palavras bíblicas, mensagens proféticas, palavras de ciência e sabedoria.Algumas estarão fora do con texto da oração e refletem mais os sentimentos e necessidades das pessoas que as pronunciaram. O mesmo pode acontecer com simples orações indivi duais. O dirigente deve, no Espírito e com habilidade, examinar tudo e ficar com o que é bom e propício para aquele momento, dando os próximos direcio namentos a partir daquelas palavras e moções mais oportunas e autênticas. No caso de palavras bíblicas durante a oração, "a atitude dos ouvintes, em vez de procurar os tex tos na sua Bíblia, há de ser a de concentrar toda a sua atenção em escutar a Palavra, deixando-a pene trar como a chuva que entranha na terra, fecunda-a e a faz germinar"". Em função do caráterlivre e espontâneo da reunião de oração, pode haver momentos em que a assembleia, introduzida na presença do Senhor, sinta- se como que autónoma para rezar Esse é o momen to do dirigente "recuar" e permitir que as pessoas sigam os impulsos do Espírito nelas mesmas. Isso acontece, por exemplo, num longo momento de ora ção em línguas, em que a assembleia insiste no lou vor ininterrupto. Sempre que a oração atingir esse nível, o dirigente interferirá menos, apenas quando houver necessidade de uma nova motivação. Ele co locará a oração de volta no caminho certo, quando perceber que ela está se desviando para outra cono tação. O dirigente deve propor a oração conforme o momento que o povo está vivendo. Daí a reunião de oração não ter um esquema rígido e fixo. 3.3.4 A a n s i e d a d e do d i r i g e n t e Os momentos de silêncio na reunião de ora ção, especialmente após um momento de louvor, são propícios para a escuta do Senhor Ocorre que após uma ou duas mensagens proféticas, alguns dirigentes, por medo do silêncio, interrompem a escuta quando possivelmente o Senhor ainda quisesse continuar fa lando ao seu povo. Devemos dar amplo espaço para que a prática carismática flua pela assembleia. Outras vezes, por exemplo, o dirigente inter rompe momentos frutuosos de oração por cura quando o Senhor ainda quer tocar e curar os seus. Em outras ocasiões, em pleno louvor, o dirigente J.H. Prado F L O R E S . A s reuniões de oração, p. 33. 28 Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L o interrompe e pede ao povo para se sentar, com medo de estar cansando os participantes.Tais atitu des atrapalham o desenrolar da reunião de oração e prejudicam a unção. 3.4. S u c e d e n t e s Após um bom tempo de oração carismática, segue-se a pregação querigmatica e, logo após esta, novo momento de oração para sedimentar o conte údo da pregação, seguindo-se á ação de graças. Logo em seguida, apêndices como: avisos, testemunhos, outros. É bastante salutar que a reunião, no seu final, seja sintetizada em sua mensagem ou ação princi pal^''. Isso ajuda aos participantes compreenderem e aplicarem na vida o que Deus realizou e propôs naquele momento. A síntese também serve como recurso de memorização, o que facilita a retenção da mensagem. Outras sugestões podem ser dadas, de ele mentos que se sucedem à oração e pregação com o intuito de possibilitar ou enriquecer a vivência da reunião de oração: • Propostas de uma direção para a semana: palavra de meditação baseada em algum versículo das citações utilizadas na pregação, leitura orientada da Bíblia, de um livro, de um tema, etc; • Panfletos com os eventos da R C C , com o funcionamento do Grupo de Oração, da Paróquia, Capela, etc; • Convidar para a próxima reunião de oração; • Panfletos indicando os serviços do Grupo de Oração (formação, acompanhamento, juventude, casais, música...) como oportunidade de engajamen to dos participantes. 4 . CONCLUSÃO A reunião de oração será mais proveitosa tanto quanto for bem preparada e dirigida, criando assim melhores condições para a ação do Espírito. Para dirigir bem uma oração é necessário, antes de tudo, ter o carisma confirmado para esse ministé- rio.Além disso, a facilidade em dirigir reuniões dependerá do nível de intimidade do servo-líder com Deus a partir da própria oração. Pessoas de intensa vida de oração terão mais afinidade e abertura ao Espírito e conduzirão melhor as reuniões.Vicent Walsh fala de três qualidades necessárias a um dirigente: estabilidade emocional, vida profunda no Espírito e sensibilidade à ação de Deus no encontro". " O Espírito Santo é soberano e o que Ele pode querer fazer numa reunião de oração talvez seja algo nunca antes realizado, algo diferente do que já conhecemos e, no entanto, se é obra sua, é tão importante que não lhe devemos opor nenhum obstáculo"^'. " Cf. Ib id , p. 61-62. Cf. Conduzi o meu povo, p. 17-18 " Cipr iano C H A G A S , Grupos de oração carismáticos, p. 2. 29 ^ ^ Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L CAPÍTULO 4 ELEMENTOS DA REUNIÃO DE ORAÇÃO 1. INTRODUÇÃO É importante que o Espírito Santo conduza tudo na vida do cristão, principalmente na Reunião de Oração. É assim que Jesus quer: "Sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias. Descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Je rusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os confins do mundo" (At 1,5.8). Jesus prometeu e derramou seu Espírito, capa citando sua Igreja a ser sua testemunha. O Espírito Santo é a alma da Igreja. Foi Ele que a conduziu até aqui, nestes mais de vinte séculos. É o Espírito Santo que suscita novos movimentos, que renovam con tinuamente a Igreja de Jesus Cristo. Foi o Espírito Santo que suscitou na Igreja a Renovação Carismá tica Católica. Ele é a alma da renovação. Chama-se Renovação Carismática porque se identifica com os carismas, porque utiliza os cirismas do Espírito San to, não sem fundamentação, mas à luz do Sagrado Magistério da Igreja. Sabemos que é importante buscar os carismas; porém, mais do que buscar e desejar os carismas, é importante ter anseio e procurar continuamente es tar plenos de seu Doador: o próprio Espírito Santo. Portanto, para o carismático, todo momento, toda circunstância, em qualquer situação é hora de clamar o Espírito Santo, de deixar-se conduzir por Ele, mas, particularmente, ao preparar e conduzir a Reunião de Oração. Toda Reunião de Oração deve levar os parti cipantes à Efusão do Espírito Santo, a uma nova ex periência com o Paráclito. Aliás, nossos Grupos de Oração como um todo precisam se considerar os cenáculos dos dias de hoje. Assim como os discípu los permaneceram reunidos em oração em torno de Maria, aguardando o cumprimento da promessa feita por Jesus, nossos Grupos também precisam ser esse lugar da constante expectativa e, ao mesmo tempo, de cumprimento da promessa, isto é, de derrama mento do Espírito Santo, como em Pentecostes. A Beata Elena Guerra nos ensina: " O Pentecostes não terminou; de fato é sem pre Pentecostes em todos os tempos e em todos os lugares, porque o Espírito Santo deseja arden temente dar-se a todos os homens e, aqueles que o desejam, podem recebê-lo sempre; portanto não temos nada a invejar aos Apóstolos e aos primeiros cristãos; nós só temos que nos dispor, como eles, a recebê-lo bem e Ele virá a nós como veio a eles";"o mistério de Pentecostes é um mistério permanente; o Espírito continua a vir sobre todas as almas que verdadeiramente o desejam"; "não foi somente so bre os Apóstolos que desceu o Espírito Santo, como mostrou também por meio de sucessivas aparições nos dias que se seguiram a Pentecostes, mas vem para todos os fiéis, em todos os lugares, em qualquer idade, basta que o queiram, que O invoquem, e lhe dêem lugar no próprio coração." Importante é esclarecer que a Efusão do Espí rito Santo não é um momento estanque, automáti co. Requer interiorização, preparação dos corações pela Palavra, abertura interior, ministração ungida. Tampouco se baseia em gritos desordenados ou cla mores demasiadamente exaltados, mas num coração sedento do Espírito Santo, para que essa efusão pos sa gerar frutos de conversão, de santidade, de rea vivamento espiritual, de manifestação poderosa dos carismas. É preciso, pois, preparar o ambiente inte rior, verdadeiramente ansiar beber e mergulhar na Água Viva, abrir-se e dar liberdade ao Poder de Deus. 31 Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração ^ . 2. ELEMENTOS DA REUNIÃO DE ORAÇÃO Alguns elementos da reunião de oração me recem destaque, pela importância que têm em seu conjunto. Não é imperativo que todos estejam pre sentes em todas as reuniões, mas normalmente es tão em maior ou menor grau e devem ser aprovei tados adequadamente. O enfoque maior será sobre o louvor e a pregação, por se tratarem de dois dos poios principais da reunião de oração.2 . 1 . 0 l o u v o r " " O louvor é a forma de oração que reconhe ce o mais imediatamente possível que Deus é Deus. Canta-o pelo que Ele mesmo é, dá-lhe glória, mais do que pelo que Ele faz, por aquilo que Ele é. Participa da bem-aventurança dos corações puros dos que o amam na fé antes de o verem na glória. Por ela, o Es pírito se associa ao nosso espírito para atestar que somos filhos de Deus, dando testemunho do Filho único em quem somos adotados e por quem glori ficamos o Pai. O louvor integra as outras formas de oração..." (Catecismo n. 2639). A reunião de oração é um momento propí cio para aprender a louvar a Deus. Nunca é demais louvar o Senhor Reconhece-se e proclama-se tudo aquilo que o Senhor representa para cada um. É uma oração libertadora. Ao louvar a Deus, as pessoas libertam-se para confiar plenamente no Pai que as ama incondicionalmente, desviando a atenção delas mesmas e concentrando-se em Jesus. Quando se louva o Senhor, naturalmente se afugenta para longe as vãs preocupações, o desânimo, a tristeza, a amar gura, porque se reconhece que há um Deus que é grande e Todo-Poderoso. Deus habita nos louvores de seu povo. O louvor que brota do coração humil de agrada o Senhor O louvor deve ser dado a Deus mesmo quando as situações são dolorosas, humilhantes e até desas trosas. Não é difícil louvar quando as circunstâncias são favoráveis. É normal alegrar-se no momento do sucesso, da prosperidade, da boa saúde e da fama. Mas São Paulo diz:"Rendei graças, sem cessar e por todas as coisas, a Deus Pai, em nome de nosso Se nhor Jesus Cr is to" (Ef 5,20). A inspiração para o louvor é reação espontâ nea e/ou cultivada a partir da percepção da grandeza e bondade de Deus. "Por ele (então) ofereçamos a Deus sem cessar sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que celebram o seu nome" (Hb 13,15). Que se pretendeu dizer com 'sacrifício de louvor'? No Antigo Testamento, sacrifício requeria morte. Um animal era morto. Mas, no 'sacrifício de louvor', é o ego da pessoa que precisa morrer É necessário sacrificar o próprio julgamento, a própria opinião, a própria avaliação quanto àquilo que é correto e bom; vence-se a preguiça, a frieza e o abatimento espiritual, a dureza de coração. É necessário louvar a Deus por todas as coisas. A experiência de Deus e a oração de louvor ca minham de mãos dadas. Quem convive com o Deus Vivo, conhecido por experiência, sente-se natural mente impelido a louvá-lo, por descobrir sempre mais como Ele é maravilhoso e quão grandes são suas obras. Quem proclama os louvores do Deus Vivo, manifesta sua experiência de Deus e,ao mesmo tempo, cresce nela. Forma-se, assim, o círculo virtuo so: quanto mais experiências do Deus Vivo, maior o louvor E, quanto mais se louva, maior a consciência da experiência de Deus. Em que consiste louvar? Louvar é elogiar al guém por alguma qualidade, virtude, obra ou reali zação que desperta admiração. Louvar é, portanto, fazer elogios ao Deus Vivo por algo que nele causa admiração ou encantamento. Como se percebe, o louvor é uma atitude muito simples. Na reunião de oração, os tipos mais comuns de louvor são os individuais e os coletivos. No louvor individual, convém que a pessoa que o faz por primeiro não diga palavras muito difíceis ou frases enfeitadas, para não inibir aqueles que só sabem fazer louvores bem simples. " O importante não é dizer frases literalmente bem elaboradas, nem cheias de profundo conteúdo teológico, pois não se trata de impressionar, nem doutrinar a comunidade; o importante é abrir simplesmente o coração para Deus"^^ Essas intervenções também não devem ser demasiadamente longas e cansativas. A confiança para participar em voz alta nasce da familiaridade que o ambiente proporciona, mas também "graças à experiência que o Espírito Santo " Alírio J. PEDRINI , Exper/êncío de Deus, p. I 19-121. Robert D E G R A N D I S , Lourai a Deus diariomeme, p. 46-47. " J. H. Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p. 20. 32 ^ Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L nos concede de nos sentirmos filhos de Deus, e da capacidade que nos dá de gritar: Abba, Papai"^'. Em qualquer caso, a oração individual ajuda a desinibir o participante. Aqui cabe uma observação importante: é possível que os louvores dos irmãos neoconverti- dos apresentem "erros" teológi-cos e/ou doutrinais, os quais N Ã O devem ser corrigidos diante de toda a assembleia, bem como deve-se evitar olhares e ges tos de recriminação, julgamento ou mesmo sarcas mo, atitudes não cristãs. Tais atitudes podem desen cadear um profundo bloqueio no coração daqueles que estão desabrochando para o Senhor. 2 . 2 . A o r a ç ã o e m l ínguas Quanto mais espontânea a oração em línguas, melhor será o clima do louvor Por isso, o dirigen te deve conduzir e não induzir ou "forçar a barra" com orações estridentes ao microfone. É o Espírito que, antes de qualquer pessoa, move cada um para que use o dom. No entanto, não há problemas em incentivar ou pedir para que as pessoas orem em línguas. Deve-se evitar a expressão "linguagem dos anjos", pois que não possui qualquer respaldo bíblico ou teológico. Pode-se dizer:Vamos orar no Espírito, ou, vamos deixar o Espírito orar em nós. O essencial é deixar que o próprio Espírito ore nas pessoas e imprima a ressonância e a tonalida de que quiser A tonalidade ajuda a fazer com que a oração em línguas não se torne gritante e sem har monia. "Os muitos cantos diferentes se harmonizam num só, cheio de paz ou de poder, em que cada um é instrumento incomparável dirigido pelo próprio Espírito"''". Durante o louvor ou a oração em línguas, o Se nhor pode revelar - através de palavra de ciência - as curas e libertações que está realizando. O dirigente deve proclamar para a assembleia e assim, suscitar os testemunhos. 2 . 3 . 0 c a n t o A música é um elemento fundamental para a reunião de oração. Porém, se não for adequada, pode comprometer o desenrolar das expressões de lou vor da assembleia e até mesmo a reunião de oração como um todo. Há um evidente perigo da reunião se transfor mar numa espécie de festival de músicas, sobretudo quando se tem um ministério que supervaloriza o preparo técnico. O melhor ministério de música é aquele orante e ungido que, num só coração com as demais equipes de serviço da reunião, tem a pre ocupação de ajudar as pessoas a se colocarem na presença de Deus. De modo algum se quer colocar em segundo plano a necessidade de se ter músicos de excelência técnica em nosso meio, mas tal exce lência precisa estar submetida ao poder e unção do Espírito Santo. O ministério de música deve estar em obediên cia e comunhão com o dirigente principal da reunião. O dirigente é a autoridade naquela hora. Por isso, durante a oração não é bom inserir cantos sem que ele saiba quando e quais, a menos que um ministro de música julgado experiente e em unidade suficien te seja encarregado disso previamente. De qualquer modo, o ministério de música deverá ter sempre al guém à frente durante a reunião, que responde por ele junto ao dirigente principal. Não é preciso dizer que as letras dos cantos devem estar em consonância com as moções da reu nião. "A música mesma (...) deve ir-se adaptando ao ambiente, ao tom que está tomando a oração"'". Um canto ou mesmo um ritmo mal colocado pode des viar completamente o rumo da reunião de oração. Padre Joãozinho''^ observa que a reunião de oração emana do culto eucarístico e ali encontra seu sentido. Por isso, conclui que na reunião o can to "será tanto mais santo quanto mais intimamente estiver ligado ao momento da ação litúrgica que se estiver revivenciando"''^ É oportuno observar aqui, então, algumas formas e expressões do canto na reu nião de oração:''^ 2.3.1 Canção c o m palmas: as palmas devem ser um complemento da oração, por isso, espontâ neas e alegres. As Escrituras estão cheias deste tipo de oração (cf SI46/47,2; SI 97/98,8). No entanto, há que se ter cuidado para não substituir o canto do povo pelas simples palmas. Da mesma forma, as pal mas devem expressar um extravasamento corporal da alegria interior e não simplesmente um gesto co letivo sem maior sentido. 2.3.2 C a n ç ã o c o m as mãos levantadas: é expressão que manifesta nossa dependência de Deus e nosso clamor sincero a Ele (cf SI 62/63,5; 133/134,2; 140/141,2). " lbid. ,p.40. Cipr iano C H A G A S , Grupos de oração carismáticos, p. 19, " lbid.,p. 16. " C f João Car los A L M E I D A , Cantar em espirito e verdade, p. 88. « Ibid., p.89 « Cf. Ibid., p. 89-94. 33 Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração > ,̂ 2.3.3 C a n ç ã o de júbilo: a experiência pro funda de Deus às vezes é tão intensa que é preci so gritar É fruto do Espírito (cf. SI 46/47,1; 80/81,2; 99/100,1). 2.3.4 Canção de adoração: manifesta o re conhecimento da grandeza de Deus e de nossa pe quenez. É uma maneira de proclamar que Jesus é o Senhor (cf. SI 94/95,6). 2.3.5 C a n ç ã o c o m danças: É bom, santo e bíblico orar com danças como fazia o Rei Davi (cf. 2Sm 6,14).Todo o ser deve se voltar para Deus: es pírito, alma e corpo. Nada mais natural e salutar do que soltar-se, de modo equilibrado e não eufórico, nos louvores do Senhor 2.3.6 Canção de luta: denuncia o homem velho. O exemplo maior é o canto de Maria:"Derru- bou do trono os poderosos e exaltou os humildes" (Lc 1,52). Esse canto anuncia a grandeza de um Deus que faz maravilhas pelos seus. 2.3.7 C a n ç ã o de regozijo: era o grito atra vés do qual Israel louvava a Deus por seus porten tos. "Toda multidão dos discípulos tomada de alegria, começou a louvar a Deus em altas vozes, por todas as maravilhas que tinha visto" (Lc 19,37). 2.3.8 Louvor instrumental : tocar diante do Senhor por si só já é uma oração. A música instru mental só será santa se brotar de um coração re novado. O amor e o júbilo são expressos nos sons dos instrumentos. Deve-se atentar, contudo, para a necessidade do silêncio exterior para que haja o interior Assim, o louvor instrumental não deve ser normativo para todos os momentos em que o di rigente e/ou a assembleia se calarem. Deve brotar naturalmente de acordo com a unção do momento. 2 . 4 . 0 s i l ênc io O dirigente deve estar atento para proporcio nar momentos de silêncio durante a reunião de ora ção. Alguns momentos propícios para isso são: após a oração em línguas (para favorecer a profecia), após a profecia (para assimilação das palavras mais fortes) e ao final da pregação. O silêncio ajuda a "balancear" a reunião, tor- nando-a ainda mais dinâmica. De modo algum reflete monotonia e cansaço. "Em toda reunião deve haver momentos de silêncio fecundo e cheio da presença do Senhor Não um silêncio vazio, tímido e tenso, mas o silêncio que favorece a comunicação de Deus conosco. Muitas vezes nos queixamos de que Deus não nos fala, mas talvez não tenhamos nos dado con ta de que somos nós que não lhe damos a oportuni dade de fazê-lo"''^ i . 2.5. A t o Penitencial"' ' O perdão dos pecados é dado por Deus a quem reconhece seus erros, "Se reconhecemos os nossos pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniquidade" ( IJo 1,9). Jesus deixou o sacramento da Penitência, a confissão. Os pecados graves precisam passar pela absolvição sacramental, dada pelo sacerdote; os pe cados veniais, leves, podem também, ser perdoados de outros modos, como numa celebração peniten cial apropriada, sempre que o pecador pedir sincera mente perdão a Deus; também por jejuns, esmolas, penitências e boas obras realizadas nesta intenção, acompanhada do desejo de verdadeira conversão. Servindo-se do próprio fluxo da reunião de oração, o dirigente terá a oportunidade de fazer a cura espiritual acontecer pelo perdão. Pode, tam bém, promover orações de cura espiritual através de atos penitenciais devidamente inspirados. Para que o perdão aconteça é necessário que aquele que pecou: • Reconheça o seu pecado; • Arrependa-se; • Peça perdão a Deus, sinceramente; • Proponha-se a vencer e evitar o pecado; • Proponha-se à reparação (ex: devolver o que roubou, perdoar a quem o ofendeu, pedir per dão a quem ofendeu, e t c ) . Deus está sempre esperando e pronto para perdoar "Se vossos pecados forem escarlates, tor- nar-se-ão brancos como a neve! Se forem verme lhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã!" (Is I , l 8b ) . 2.6. A p r e g a ç ã o A pregação é um momento dos mais importan tes da reunião de oração. Ela motiva o povo a rezar e faz aumentar a fé. A pregação visa atingir o coração, leva a experimentar a misericórdia de Deus que se manifesta em seu Filho Jesus. « J. H _ Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p. 31. « C f Al ír io J. P E D R I N I , Grupos de oroçâo,p. 41 ss. 34 Renovação Carismática do Brasil - RCCBRAS I L Nos Atos dos Apóstolos é esta a sequência: Pe dro, cheio do Espírito Santo, se destaca dos demais e com voz forte anuncia o Evangelho aos que se ajun tavam ali que, com os corações atingidos, perguntam o que devem fazer para receber, também eles, o dom do Espírito. Pedro faz a pregação. O povo reage e pergunta. Ele faz uma proposta de conversão e tudo vai acontecendo (cf.At 2,14-41). Assim deve acontecer nas reuniões de oração. A pregação motiva e o povo reage, pedindo, louvan do, cantando. A Palavra de Deus anunciada deve to car e levar o povo a reagir através da oração, do lou vor, do canto, da disposição do coração para receber o Espírito Santo. Ensina o Concílio Vaticano II: "Impõe-se, pois, a todos os cristãos o dever luminoso de colaborar para que a mensagem divi na da salvação seja conhecida e acolhida por todos os homens em toda a parte. (...) Para exercerem tal apostolado, o Espírito Santo - que opera a santifica ção do povo de Deus através do ministério e dos sacramentos - confere ainda dons peculiares aos fi éis (cf I C o r 12,7) 'distribuindo-os a todos, um por um, conforme quer' ( I C o r 12,1 I ) . (...) Da aceitação destes carismas, mesmo dos mais simples, nasce em favor de cada um dos fiéis o direito e o dever de exercê-los para o bem dos homens e a edificação da Igreja, dentro da Igreja e do mundo, na liberdade do Espírito Santo...'"*'. A pregação leva as pes; oas a conhecerem Jesus. "Porém, como invocarão aquele em quem não têm fé? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pre gue?" (Rm 10,14). Na reunião de oração ela deve ser querigmatica. A diferença básica das mensagens, em especial a querigmatica e a catequética, consiste no fato de que a primeira (o querigma = do grego KERISSEIN = proclamar,gritar,anunciar) é o anúncio fundamental da fé cristã, que apresenta o Deus vivo. Deus de Amor, tendo como centro Jesus morto e ressuscitado. Já a mensagem catequética visa ensinar aqueles que abraçaram a fé, doutrinando-os. O que rigma é o tocar dos sinos, enquanto que a catequese é o ressoar Ou ainda, podemos dizer que o tempo do querigma é hoje, é o momento da salvação; já o tempo da catequese é a partir de hoje, ou seja, será um ensino progressivo e gradual da fé e suas razões. 2 . 6 . L O quer igma O conteúdo do querigma não deve ser muda do - Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre. Porém, na pregação ele pode ser adaptado à realidade. O querigma tem uma divisão sistemática e didática, em bora a mensagem central seja sempre o enfoque de Jesus morto e ressuscitado - Jesus Salvador: a) Amor de Deus - mostra a face paterna/ma terna de Deus; que Ele ama incondicionalmente a to dos os homens, com amor eterno. Um bom exemplo é a parábola do filho pródigo. Para ler e meditar: Lc 15,1 1-30; Is 49,14-16; IJo 3 , l ; 4 ,7-8 ;Os I 1,1-4. b) Pecado - o homem ao afastar-se de Deus caiu no pecado. " O homem tentado pelo Diabo, deixou morrer em seu coração a confiança em seu Criador e, abusandoda sua liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Foi nisto que consistiu o primeiro pecado do homem. Todo pecado daí em diante, será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança em sua bondade" (Catecismo n.397). Para ler e meditar: Os 5,3-4; SI 52/53,2-4; SI 50/51; Rm 3,23; Rm 5 , l2 ;Ga l 5,19. c) Salvação - Jesus morto e ressuscitado remiu o mundo, dando de novo ao homem o livre acesso ao Pai. Para ler e meditar: Jo 3,16; I Jo 4,9-10; Rm 5,6-1 1.18-20; Hb 9,1 1-14.26-28. d) Fé e conversão - ao ouvir a proposta de salva ção, cabe ao homem respondê-la, aceitando-a numa adesão de fé, dispondo-se a uma mudança de valores e de vida, passando a caminhar conforme os ensina mentos cristãos. Para ler e meditar: Hb 11,1 -2; Cal 5,1 I ; Ef 3,8; 2Tm 3,14; Eclo 17,21-24; Dt 4,29-31 . e) Espírito Santo - É o Espírito Santo que toca e muda o coração do homem, que o fortalece, que revela as verdades e o leva a adorar ao Pai em ver dade. É o Espírito Santo que opera interiormente a salvação conquistada por Jesus. Daí a necessidade de pedir o batismo no Espírito Santo, para receber a ca pacidade de viver a vida nova proposta. Para ler e me ditar: Mt 28,19; Jo 15,26; I C o r 3,16-17; Rm 8,26-27. f) Comunidade - Para ser igual ao Pai, como Jesus pediu, o homem tem que viver em comunidade. Para ler e meditar: Jo 17,20-23;At 2,42; Ef 4,1 -6; I Pd 1,22. 2 . 6 . 2 . 0 pregador O pregador é aquele que tem a consciência que Deus se deixa encontrar, porque já O encontrou. Não há como falar de Deus, sem conhecê-Lo. A Igreja recomenda aos que se consagram ao ministério da palavra (podem ser incluídos aqui os pregadores do grupo de oração), que "se apeguem às Escrituras, mediante assídua leitura sacra e dili gente estudo, para que não venha a ser 'vão prega- CVW. Apostolicam Actuositatem, n.. 3. 35 Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração ^ , dor da palavra de Deus externamente, quem não escuta interiormente""'^. Também na Sagrada Tradição e no Magistério da Igreja o pregador deve buscar o conhecimento de Deus,apoiando-se na sabedoria dos santos doutores e na sã doutrina. Como ensina São Paulo: "Ficai fir mes e conservai os ensinamentos que de nós apren destes, seja por palavras, seja por carta nossa. Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus, nosso Pai, que nos amou e nos deu consolação eterna e boa esperança pela sua graça, console os vossos corações e os confirme para toda boa obra e palavra" (2Tes 2,15b-16). Deus, ainda, se revela através de locuções inte riores, palavras de sabedoria ou de ciência, visuali zações, profecias e sinais, aos quais o pregador deve estar atento, discernindo o que é bom. Para preparar a mensagem de pregação para a reunião de oração deve-se, sobretudo, orar e escutar o Senhor Após discernir a vontade de Deus, preparar-se, buscando nas fontes de conhecimento o apoio e o fundamento seguro para a pregação atingir o coração do povo. O pregador é uma pessoa guiada pelo Espírito Santo, com o objetivo único de conquistar as pes soas para Jesus. Ele é a voz que clama, é a seta que indica o caminho. Mas não é, jamais, "a Palavra", "o Caminho", que é Deus."João Batista foi a voz.Jesus é a Palavra, a Palavra de Deus. Acontece que a Palavra de Deus não cessa, não passa, não se extingue. Pelo contrário, tem de estar sempre presente entre os homens, entre os cristãos. Mas, como a voz de João Batista passou, a voz de todo pregador também pas sa. Por isto, em cada geração Jesus conta com a tua voz, com minha voz, com nossa voz"'". O pregador é um servidor da verdade, um ar tífice da unidade da Igreja. Por isso é muito impor tante que o pregador da reunião de oração seja uma pessoa madura na fé, animada pelo amor, tenha o fervor dos santos e que conheça bem Jesus, que é o Verbo do Pai, a Palavra verdadeira, o único caminho. Além disso, deve ser testemunha, ter zelo pelo Evangelho, deve viver o que prega, pois " O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou então se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas. (...) Será, pois, pelo seu comportamento, pela sua vida, que a Igreja há de, antes de mais nada, evangelizar este mundo; ou seja, pelo seu testemunho vivido com fi delidade ao Senhor Jesus"^°. São Paulo orienta que para ser capaz de ensinar. a pessoa "não pode ser um recém-convertido, para não acontecer que, ofuscado pela vaidade, venha a cair na mesma condenação que o demónio. Importa, outrossim, que goze de boa consideração por parte dos de fora, para que não se exponha ao desprezo e caia assim nas ciladas diabólicas (...) Antes de pode rem exercer o seu ministério, sejam provados para que se tenha certeza de que são irrepreensíveis" ( I T i m 3,6-7.10) 2.7. O s t e s t e m u n h o s O s testemunhos têm a função de manifestar a glória de Deus e edificar a comunidade. Por isso mesmo,"devem ser centralizados na pessoa de Jesus e não em quem fala. Se possível, as pessoas devem ser orientadas quanto ao conteúdo e ao modo de dar seu testemunho"^'. Os dirigentes devem acautelar-se de pessoas que insistem em falar em todas as reuniões, quase sempre como forma de exibir-se. Nem sempre é sau dável facultar a palavra para testemunhos, pois pode servir como espaço para desabafos e apresentações. "Por outro lado, é preciso estimular todos os que foram tocados pelo Senhor a que dêem testemunho, pois se o testemunho é para a glória de Deus, não proclamá-lo, seja por timidez ou por vergonha, será roubar de Deus a glória que só a Ele pertence"". Além disso, os tes emunhos devem ser breves e compreensíveis a todos. Robert Degrandis fala do "princípio abe"" : audível, breve e centralizado em Cristo. "Considere antes, durante e depois: qual era a situação que precisava ser resolvida? Como Cristo interveio? Quais são os resultados de seu envolvi mento? Se relatados corretamente, os testemunhos ensinam, motivam e levam as pessoas ao louvor Quando as pessoas dão testemunho, sua própria fé é fortalecida, bem como a dos ouvintes"^"*. C V ll,De/Verbum,n.25. João M O H A N A , Como ser um bom pregador, p. 24. Cf., a propósito, Ro naldo José de S O U S A , U m a voz clama no deserto. In. Pregador ungido, pp. 60-68. " P A U L O VI, Papa. Exortação Apostólica Evar\gelli Nuntiandi. n. 41. Cf., por exemplo, Patti M A N S F I E L D , Publicai os seus feitos moroW/hosos, 94 p. " J . H . Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p. 60. " Cf. Vem e segue-me, p. 68-69. " Ibid., p. 69. 36 ^ Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 2.8. O s av i sos A boa comunicação é fundamental na obra do Senhor Os avisos devem ser claros de tal forma que todos os presentes captem perfeitamente a informa ção e sejam motivados a se interessar pela proposta. Devem ser, na medida do possível, rápidos, sempre ao final da reunião. Normalmente, eles dizem respei to a algum aspecto da caminhada da Igreja local, do próprio Grupo de Oração ou eventos e projetos da R C C em suas diversas instâncias. Não há motivos para prolongar a reunião por causa de comunicados exaustivos. O grupo e a pa róquia devem utilizar outros mecanismos para isso. 4 . CONCLUSÃO As referências feitas não esgotam os temas, nem abrangem todos os aspectos da reunião de oração. Muitos grupos desenvolvem bons mecanismos não necessaria mente comuns para suas reuniões, mas que são profundamente válidos e eficientes. O essencial é compreender que, na dinâmica do Espírito, os dirigentes devem submeter suas capacidades ao Senhor e zelar, com reta intenção, por aquilo que Deus lhes confiou. 37 Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L CAPITULO 5 OS SERVIÇOS NA REUNIÃO DE ORAÇÃO 1. INTRODUÇÃO Todo Grupo de Oração deve possuir servos que se responsabilizem pela realização da reunião, que é a porta de entrada, onde a evangelização que rigmatica e o batismo no Espírito Santo se realizam. Essas pessoas devem ser organizadasem equipes de serviços específicos, receber formação adequada e ter momentos de oração em equipe.As pessoas que se sentem chamadas a estes serviços, devem fazer uma boa experiência no uso dos carismas. Lembran do mais uma vez, que é fundamental que todos os servos na R C C passem por um profícuo e sistemáti co Processo de Iniciação (SVE, Experiência de Ora ção, Aprofundamento de Dons), seguido do Módulo Básico de Formação e das Formações Específicas para cada ministério. Existem várias equipes que atuam na reunião de oração. Aqui será feita uma breve abordagem so bre aquelas mais comuns. 2. ALGUMAS EQUIPES DE SERVIÇO DA REUNIÃO DE ORAÇÃO 2.1. E q u i p e d e a r r i . m a ç ã o É a equipe encarregada de preparar o ambiente para um grande momento de louvor, que é a reu nião de oração. Cuida da arrumação e disposição das cadeiras, da caixinha de pedidos de oração, da mesa ou ambão para o pregador (se for o caso), da preparação do altar e decoração do ambiente (quan do necessário) a fim de propiciar um lugar limpo e acolhedor aos que chegam e criar um clima favorável à fraternidade. Não se trata de um serviço acessó rio, sem grande relevância; ao contrário, os membros dessa equipe devem se deixar encher pelo Espírito Santo a fim de que arrumem tudo com o amor cris tão que faz toda a diferença. Ao final do encontro, deixa a sala arrumada e limpa. 2.2. E q u i p e d e a c o l h i m e n t o e r e c e p ç ã o O acolhimento e a recepção parecem óbvios, mas nem sempre sua importância é reconhecida. Convém que os dirigentes do grupo designem pes soas para este ministério formando a equipe de re cepção. A cada reunião, os membros dessa equipe estarão às portas para acolher desde o início as pes soas que vão chegando, dando-lhes as boas-vindas. Deve-se atentar para não dar mais atenção a alguns (amigos pessoais, pessoas mais chegadas), em detri mento de outros que vão chegando. Esse contato pessoal é muito importante. Como São Paulo diz:"Entre vós imitamos a mãe que acalenta o filho ao colo. (...) Fomos falar a cada um como de um pai para o filho..." ( ITes 2,7-12). Essa atmosfera de fraternidade e de amor será mais fa cilmente criada por meio do contato pessoal e da amabilidade com que se recebem os que vão che gando, seja num grupo pequeno, seja numa grande assembleia. Os componentes dessa equipe devem ser pes soas com carisma de relacionamento com os outros, chamadas por Deus, para colocar seus dons naturais a serviço dos irmãos. 39 Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração >̂ . 2.3. M i n i s t é r i o d e m ú s i c a Como já dito, a música é muito importante na reunião de oração. Ajuda muito começar a reunião com cantos alegres e rápidos, gestos, palmas e movi mentação. Muitos chegam deprimidos e cansados e tais cantos ajudam a relaxar e afezer desaparecerem obstáculos. A música é um poderoso instrumento usado por Deus para trazer pessoas para mais perto dele. Ela pode expressar adoração e louvor diferentemen te de todos os outros meios. É muito importante que o Grupo de Oração tenha um ministério de mú sica organizado ou que pelo menos tenha um gru po de pessoas que assuma a responsabilidade pelos cantos da reunião. Em todos os casos, esse grupo de servos deve se reunir periodicamente para orar, e dentre outras coisas, ensaiar as músicas, privilegian do-se aquelas do livrinho de cânticos "Louvemos o Senhor", largamente utilizado na R C C , e que tem sido esquecido por muitos carismáticos. O principal objetivo de uma equipe de música é, obviamente, ministrar o amor e a Palavra de Deus, criando ambiente propício para o batismo no Espí rito. Com muita frequência, a música é vista como mera tarefa a ser executada. Mas essa atitude impe de que Deus a use como efetivamente deseja fazê-lo. A música é um ministério, no verdadeiro sentido da palavra. Ela pode evangelizar, ensinar, inspirar, enco rajar. É uma parte vital da reunião e deve receber atenção cuidadosa. Existem duas características necessárias aos membros do ministério de música: obediência e hu mildade. A obediência se dá no entrosamento entre o ministério de música e a coordenação.A humilda de consiste em reconhecer que sem o Senhor nada se pode fazer (cf.Jo 15,5). É Ele quem faz a obra. Não importa saber muito ou pouco, todos precisam ter humildade. Mais do que saber as músicas, o ponto importante é saber comunicar o amor de Deus às pessoas. As vozes dos ministros que lideram o louvor devem se sobressair aos instrumentos. Por mais belo que seja o som do instrumento musical, seu fim não é substituir a voz humana, e sim acompanhá-la. Por isso, deve-se evitar que um som muito forte domi ne a voz e gere irritabilidade nos participantes. Se o grupo não possuir instrumentos, pode-se encorajar o povo a cantar juntos em harmonia. É importante ensinar as músicas às pessoas para que o canto saia bonito e bem feito para o Senhor, porém, sem perfeccionismo. Um momento propício para esse ensaio é imediatamente anterior ao início da reunião de oração, em que as pessoas vão chegando e se sentando. Um músico ungido servirá mais do que lidera rá, e concentrar-se-á em auxiliar o povo a louvar e adorar o Senhor A música deve facilitar o louvor e a adoração. Um bom ministro de música cuidará de dosar convenientemente o canto e o silêncio. 2.4. Min i s té r io p a r a c r i a n ç a s O Grupo de Oração deve se preparar para ter uma equipe que ficará com as crianças no horário da reunião de oração. A equipe não somente "cuidará" das crianças para que não "atrapalhem" a condução do louvor Há que se fazer um cuidadoso planeja mento de evangelização também para as crianças com o objetivo de ensiná-las a louvar e orar, forman do um verdadeiro "grupinho de oração" levando em conta suas necessidades e de acordo com as faixas etárias. É importante ressaltar que não se trata de uma mera recreação. Esse "grupinho" deve praticar os carismas, deve contemplar uma pequena prega ção querigmatica adaptada para as crianças, deve le vá-las à experiência do batismo no Espírito Santo. Os servos encarregados de desempenhar este serviço devem possuir o carisma da alegria, da paci ência, do amor aos pequeninos, da animação e muita criatividade e domínio, pois assim conseguirão man ter a boa ordem e despertarão nas crianças o gosto pela oração e pelo louvor, de forma espontânea. 2.5. Min i s té r io d e i n t e r c e s s ã o "Acima de tudo, recomendo que se façam pre ces, orações, súplicas, ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão consti tuídos em autoridade, para que possamos viver uma vida calma e tranquila, com toda a piedade e honesti dade. Quero, pois, que os homens orem em todo lu gar, levantando as mãos puras, superando todo ódio e ressentimento" ( I T m 2,1-2.8). Frise-se que o serviço da intercessão se dá fora da reunião de oração, dando-se prioridade aos pedi dos escritos pelos participantes do Grupo de Ora ção, ao sustento espiritual do mesmo, às eventuais intenções específicas apresentadas pelo Núcleo e à Rede de Intercessão oriunda do ministério em nível nacional. Como já dito, os primeiros intercessores de um Grupo de Oração da R C C são os membros do seu núcleo de serviço, que devem interceder pelo Grupo em cada uma de suas reuniões, independen- 40 . ^ Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L temente da atuação do ministério de intercessão. No decorrer da reunião de oração, também são os membros do núcleo que devem interceder pelo bom êxito da mesma. Assim, na inexistência de equipe de intercessão, o próprio núcleo de serviço é o grande responsável pela função exercida por ela. Intercessão é a oração daquele que fala a Deus dos problemas dos homens. E a oração de quem ofe rece a generosidade do seu coração em favor dos outros. O intercessor coloca-se como canal aberto à vontade de Deus, para que nele e através dele, o EspíritoSanto possa agir. A exemplo de Moisés, que chamado e enviado para levar o povo cativo e opri mido, dedicou-se a ele como intercessor, o ministé rio de intercessão ora pelo povo sofrido e cativo do pecado. A equipe de intercessão é composta de pesso as que se sentem chamadas a exercerem tal ministé rio. E preciso evitar cair na tentação de colocar para a intercessão aquelas pessoas que, à primeira vista, "não sabem fazer outra coisa", como: tocar instru mentos, cantar, pregar, aconselhar, etc. O ministério de intercessão é tão sério quanto todos os outros; as pessoas que o desempenham devem ser prepara das para tal, prontas para exercerem o discernimen to, com eficaz vida de oração pessoal e comunitária, além de adequada formação. Os intercessores fortalecem-se através do es tudo da Palavra, da escuta de Deus, da Eucaristia, da penitência, da adoração ao Santíssimo e, principal mente, possuem um amor que se entrega e confia, ajudando a sustentar a fragilidade do outro. Fortale cem-se, ademais, participando da reunião de oração, já que, como visto, seu serviço acontece fora desta. O momento de oração do ministério de in tercessão é voltado para as necessidades de todas as pessoas do Grupo de Oração. Os ministros ofe- recem-se a si mesmos como vasos de bênçãos em favor dos outros. Esquecem-se as necessidades pes soais e ora-se pelo grupo. Os servos intecessores reunem-se pelo menos uma vez por semana, podendo ser diante do sacrário desde que aconteça em local onde ninguém possa ter acesso devido ao absoluto sigilo necessário. Nes sa reunião, ora-se pelas necessidades do Grupo de Oração e também pelos pedidos feitos durante a reunião de oração e pelos pedidos diocesanos, esta duais e nacionais. Deve haver uma pessoa responsá vel pelo ministério de intercessão, que o representa rá no núcleo de serviço. 2.6. M i n i s t é r i o d e P r e g a ç ã o Todo grupo de oração deve possuir uma equipe de pregadores que ministra o ensino, a instrução e a proclamação querigmatica da Palavra de Deus. Nesse ministério devem estar os servos que possuem o dom de ensinar, de falar sob a unção do Espírito. "Prega a Palavra, insiste oportuna e importunamente, repreen de, ameaça, exorta com toda a paciência e empenho de instruir.. Tu, porém, sê prudente em tudo, paciente nos sofrimentos, cumpre a missão dem pregador do Evangelho, consagra-se ao teu ministério" (2Tm 4,2.5). Nesse sentido, não necessariamente a pregação ficará toda semana a cargo dos membros do núcleo de serviço, podendo este discernir um dos servos da equipe de pregadores que fará a pregação de acordo com a palavra rhema e toda a moção discernida na reunião de núcleo, ser-lhe-á de antemão comunicada pelo coordenador da equipe de pregadores. E coerente que um Grupo de Oração cresça espiritual e quantitativamente, pois as pessoas estão sedentas de Deus. Isso significa dizer que os minis térios naquele Grupo de Oração também devem crescer e amadurecer para que sirvam cada vez melhor à comunidade. Diante disso precisamos nos perguntar: como iremos desenvolver nossos minis- teriados e, aqui, de modo especial, nossos pregado res? A resposta é imediata: motivando-os à formação continuada e colocando-os para servir ao seu pró prio Grupo de Oração. Isso significa dizer que não é proibido convidarmos pregadores de outros grupos ou localidades para ministrarem em nosso Grupo de Oração, mas também precisamos desenvolver as nossas próprias ovelhas. Por vezes investimos no mi nistério dos outros - e isso não é depreciativo - mas relegamos a segundo plano aqueles que o Senhor deu prodigamente ao nosso próprio Grupo de Ora ção. No tocante a convidar pregadores de outras dioceses, é preciso informar e pedir autorização à coordenação diocesana da R C C , pois isto é fruto de Pentecostes: unidade, comunhão, consideração devi da a quem está investido em autoridade.. 2.7. Ministério de oração por cura e libertação "Agora o Senhor enviou-se para curar-te e li- vrar-te... Eu sou o anjo Rafael, um dos sete que assis timos na presença do Senhor" (Tb 12,14-15). Os servos da equipe de oração por cura e li bertação são, antes de tudo, profundos intercessores, ou seja, devem ser pessoas de intimidade com Deus, que tenham conhecimento e afinidade com Sua Pa lavra e tenham experiência e bom uso dos carismas, 41 Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oraçãode partilha ou grupo de perseve rança. Aqui foi adotado este último por ser mais próximo daquilo a que ele se destina. ou não, de acordo com as situações e circunstâncias em que as pessoas vivem. Refletem também o pro cesso de evangelização de cada uma. O grupo de perseverança não é apenas; • Um grupo que trabalha unido; • A realização de uma série de atividades; • Um ambiente em que as pessoas se sentem bem; • Um ambiente em que as pessoas são respei tadas, aceitas, queridas, ajudadas ou compreendidas; • Um grupo de pessoas "santas", mas gente que procura a santidade com sinceridade, com a ajuda de Jesus e a força do Espírito Santo; portanto, em uma atitude de constante conversão. " Cf. Partilha, n. 00, passim. R E N O V A Ç Ã O C A R I S M Á T I C A C A T Ó L I C A , G r u p o de oração, p. 51. 43 Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração t> 3. ALGUMAS OBSERVAÇÕES IMPORTANTES ACERCA DO GRUPO DE PERSEVERANÇA: o grupo de perseverança é o terceiro momen to do Grupo de Oração. Já foi visto que o primeiro momento é o núcleo de serviço, tratado no ensino OI desta apostila, e o segundo é a reunião de oração, analisado nos demais ensinos até aqui. Acerca deste terceiro momento, deve-se atentar para alguns as pectos: • Tal atividade não substitui, tampouco se confunde com a reunião de oração.Assim, deve pos suir dia e/ou horário diferente, a fim de que todos os participantes do grupo de perseverança participem igualmente da reunião de oração. Isso é fundamental e é o que dá a razão de ser dos grupos de perseve rança. • O conteúdo a ser ensinado e refletido no Grupo de perseverança não deve ser o Módulo Bá sico de Formação da R C C e tampouco as formações específicas dos diversos ministérios exercidos na R C C , mas os subsídios oferecidos pela RCCBRAS IL e pelas iniciativas das instâncias de serviço locais. Todo o conteúdo ensinado e refletido no Gru po de perseverança deve encontrar fundamentação na Sagrada Escritura, na Sagrada Tradição e no Magis tério da Igreja, revisado, preferencialmente, por um teólogo clérigo ou leigo de notório saber teológico. • As reuniões do Grupo de Perseverança te rão duração média de 2 (duas) horas e consistirá em oração com prática dos carismas, ministração ungida do ensino proposto para aquele dia de encontro, re flexão pessoal ou comunitária (dinâmica) e partilha do grupo, sem prejuízo de outras iniciativas relevan tes para o crescimento do grupo. O certo é que "ninguém pode progredir na vida espiritual permanecendo sozinho, indo uma vez por semana apenas rezar junto com outros já abertos para o louvor do Senhor Os pequenos grupos fa cilitam a comunicação frequente e fraterna, a ajuda mútua, o apostolado comum. Há um crescimento no amor e na doação de si mesmo, bem como formação de lideranças e de discipulado. Entretanto, tais gru pos e tais resultados ficarão ameaçados se cederem à tentação do fechamento sobre si mesmos. O gru po de crescimento existe em função do grupo maior e não o substitui"^*. 4. GRUPO DE PERSEVERANÇA: COMO ORGANIZAR Tendo sido evangelizadas querigmaticamen te através do Seminário de Vida no Espírito e da Experiência de Oração as pessoas são convidadas a perseverar no crescimento espiritual através do Grupo de Perseverança, em paralelo ao Aprofun damento de Dons e ao Módulo Básico intercalado com a Formação Humana, as pessoas terão inicia do uma caminhada de aprofundamento da fé e Ca tequese. Serão, portanto, convidados pelo Núcleo do Grupo de Oração a participarem do Grupo de Perseverança, cuja periodicidade pode ser semanal ou quinzenal, conforme a realidade local, com dia e hora definidos, onde serão formados. Conforme já acentuado, o Grupo de Perseverança deve possuir dia e/ou horário diferente, a fim de que todos os participantes do grupo de perseverança participem igualmente da reunião de oração. E possível, se as sim discernir o Núcleo, que o Grupo de Perseve rança se reúna 2 horas antes da reunião de oração ou nas 2 horas seguintes à mesma, isto é, no mesmo dia da reunião de oração, mas em horário distinto. Todos os servos e participantes do Grupo de Oração precisam estar em constante aprofunda mento, inclusive o Coordenador do grupo; assim, todos devem participar do grupo de perseverança. O coordenador do grupo de perseveran ça pode ser o próprio coordenador do Grupo de Oração, ou um servo-formador por ele indicado. O formador indicado para a coordenação do grupo de perseverança fará parte do Núcleo de Serviço e se responsabilizará pelo desenvolvimento do grupo de perseverança juntamente com outros formadores. " C H A G A S . D o m Cipriano. Grupos de Oroçõo Cammàúcas. Rio de Janeiro: Ed. Louva-a-Deus, 1978. R 31. 44 . ^ Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L Num Grupo de Oração mais numeroso, é pos sível que os participantes do grupo de perseverança também o sejam. Nesta hipótese, formam-se peque nos grupos (no máximo 12 participantes), onde um deles será o líder (pastor) do pequeno grupo. Esse líder (pastor) será um membro da equipe de forma ção do Grupo de Oração ou da equipe de serviço em geral. Nesse caso, a formação deve ser ministra da para todos juntos por um formador designado ou pelo próprio coordenador do ministério de for mação do Grupo de Oração, separando-se os gru- pinhos de 12 pessoas para a reflexão (dinâ-mica) e partilha, etc. Os pastores dos grupinhos devem reunir-se periodicamente com o coordenador do Grupo de Perseverança para partilharem as experiências e as dificuldades mútuas. Os pastores dos grupinhos devem ter anota dos todos os dados essenciais de cada participante: nome, endereço, telefone, estado civil, profissão, local de trabalho, data de nascimento, entre outros. Além disso, deve registrar bem a frequência de cada pes soa, para melhor acompanhá-las. Cabe a este servo: • Receber cada pessoa de modo acolhedor; • Estimular os participantes do grupo quanto à frequência, à vivência dos temas abordados, à oração pessoal e comunitária e o compromisso com a co munidade da qual participa; • Levar as pessoas a perceberem a vida de re lacionamento com Deus na comunidade, com os ir mãos, no poder do Espírito Santo; • Ser pessoa de vida de oração bem ordenada: orante; •Ter visão clara do que é o grupo de perseverança; 5. LÍDERES EM POTENCIAL Os grupos de perseverança devem fazer emer gir pessoas que possam assumir lideranças; por isso é importante observar alguns sinais para reconhe cer líderes em potencial. Estas características devem ser trabalhadas e lapidadas. As características que seguem são as mais frequentes naqueles que mais tarde, e com formação apropriada, poderão desem penhar funções e serviços de liderança: • Cumso: está sempre partindo para âmbitos novos, investigando novos caminhos, sem se conten- • Ter carisma de pastoreio. Exercer o ministério de formação, sendo mem bro da equipe de serviço do Grupo de Oração. Além disso, os servos (pastores) devem ser ins truídos sobre: • Como conduzir oração; • Como ordenar uma partilha, para não deixar que pessoas dominem, nem que alguém fique dema siadamente calado; • Como levar o grupinho a descobrir ou reno var a ação do Espírito Santo nas suas vidas; • O pastoreio dos participantes do grupinho; • Orientar os momentos de oração, explicar as atividades, apresentar os eventuais palestristas e fa zer ligação entre os temas e as dinâmicas. O núcleo de serviço, em comunhão com os servos pastores dos grupos de perseverança, deve fazer um planejamento progressivo e sistemático dos ensinos a serem ministrados neles e discerni rem, se for o caso, que tipo de estudo bíblico pessoal será aplicado para os membros. A participação nestes grupos de perseverança, como já dito, não exclui a participação nas reuniões de oração, onde poderão testemunhar aos demais e desta forma movê-los a caminhar na vida do Espírito. Após a evangelização querigmaticaatravés do SVE e da Experiência de Oração, as pessoas come çam a dar os primeiros passos rumo à formação para o engajamento no trabalho de evangelização e no serviço da Igreja na R C C através dos GP's, sem prescindirem, contudo, das demais etapas do Pro cesso Formativo do Movimento: Aprofundamento de Dons, Módulo Básico com Formação Humana, seguindo-se à formação específica para o exercício dos diversos ministérios. tar com o óbvio e o tradicional. • Mediador: ajuda a trazer harmonia entre os membros, em especial os que estão discordando; procura encontrar soluções mediadoras, aceitáveis por todos. • Sir)tetízador: é capaz de juntar os pedaços; re úne as partes diferentes da solução ou do plano e as sintetiza. • Prático: sempre pronto para pôr em prática a proposta dada e aceita comunitariamente; versado Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração em organizações; procura estar sempre em ativida de, sendo fiel no pouco que lhe for confiado. • Proponente: dá ideias e propõe ações; mantém as coisas em andamento. Essas características não devem ser procuradas de maneira absoluta. Muitas vezes, pessoas que não 6. FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA atendem a um ou outro requisito destes, podem ter perspectiva de se tornarem líderes, desde que rece bam formação adequada e que amem sinceramente a Deus e aos irmãos. Mas é fundamental que seja identificado nas pessoas o carisma para esse tipo de serviço, pois nem todos são chamados a liderar. ^/^v lííí ;:.MJ 'zJ^íi-ÍÍJ--^ t'i^ í- . --̂ r / ' ' ' • ' ' . "Pertseveravam eles na doutrina dos apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas ora ções" (At 2,42). Os grupos de perseverança são fundamentados em quatro princípios: • Doutrina dos Apóstolos • Comunhão fraterna = r ^ • Fração do Pão • • Oração a) £)outr\na áos kpóstoSoz O ensinamento dos apóstolos consistia, antes de tudo, nos gestos, palavras e ações de Jesus Cristo. Os servos precisam desenvolver nos grupos de per severança um relacionamento conforme o que Jesus ensinou: viver, orar e trabalhar juntos, e tudo dentro do amor que se recebe de Deus, por seu Espírito, para dá-lo aos irmãos. Nos grupos de perseverança da atualidade não se trata de copiar tudo o que se fazia antes, mas sim de ter a mesma atitude, a mesma disposição interior e o mesmo espírito que movia as comunidades pri mitivas. Na realidade, trata-se de um alinhamento ao espírito das comunidades primitivas, nas quais o Se nhor ressuscitado vivia, estava presente, era o centro da comunidade sempre movida pelo Espírito Santo. A doutrina dos apóstolos é a doutrina da Igre ja. Portanto os grupos de perseverança devem ser instruídos nos ensinos da Igreja, principalmente os contidos no Catecismo da Igreja Católica. Devem existir momentos de catequese, onde a doutrina é exposta e os participantes são instruídos, a modelo do que ocorria nas comunidades primitivas. Este en sino deve ser programado de tal forma que a doutri na seja ministrada de maneira contínua, progressiva e sequencial, não aleatoriamente. Existe a necessida de de preparar catequistas e mestres capacitados e competentes para este serviço. b) Comunhão fraterna Podemos traduzir a expressão "comunhão fra terna" por fraternidade. Os participantes dos grupos de perseverança têm a oportunidade de se conhece rem melhor e, desta maneira, exercerem a caridade e a solidariedade uns com os outros. A meta é atingir o que se dizia dos cristãos: "entre eles não havia necessitados" (At 4,34a). O lí der de cada grupo de perseverança deve promover ações que facilitem o relacionamento e o conheci mento dos seus participantes. A partilha é fundamental para estreitar os laços na comunidade. O tempo é algo muito precioso, que os participantes precisam saber partilhar. É muito di fícil amar sem conhecer. É necessário compartilhar da vida do outro para que cresça a responsabilidade e o amor por ele: "Avaliando nossas atitudes, nossos comporta mentos diante das pessoas, diante daqueles que nos solicitam, daqueles que querem conversar conos co, daqueles que nos param quando estamos com pressa, atarefados, ou cheios de problemas; avaliando nossas reações diante destas situações, poderemos sentir como estamos vivendo em comunhão, verda deiramente. Comunhão envolve perder, digo, ganhar tempo com o meu irmão, eu ganho, ele ganha. Parti lho das minhas riquezas e misérias.A partilha sempre enriquece quando é vivida no amor"" . c) Fração do Pão A participação na Santa Eucaristia desencadeia uma espiritualidade eucarística.A Eucaristia é o cen tro e o cume da espiritualidade cristã. O grupo de perseverança deve incentivar a vivência da Eucaristia e dos demais sacramentos da Igreja. " Luis Virgílio N É S P O L I et al, Subsídios para ser Igreja no novo milénio, p- 38. .. , _ . 46 . ^ Renovação Carismática do Brasil - RCCBRAS I L Nos grupos de perseverança, o pão da Palavra deve ser alimento constante, portanto a "fração do pão", a partilha do pão, se reveste também da parti lha da Palavra, sendo incentivada a leitura e a refle xão partilhada das Sagradas Escrituras. á) Oração O grupo de perseverança é parte do Grupo de Oração. Portanto, nele a oração deve ser como é na própria R C C , com a manifestação dos carismas efusos. No grupo de perseverança, por ser menor, há possibilidade do exercício dos dons de maneira mais aberta e possível para todos. Além das orações em comum, deve ser incenti vada a vida de oração pessoal. Os dirigentes do gru po de perseverança podem acompanhar e verificar a espiritualidade de seus participantes. Na R C C , cha ma-se de pastoreio este acompanhamento. 7. COMO LIDAR COM PROBLEMAS NO GRUPO DE PERSEVERANÇA Todo grupo de perseverança enfrenta proble mas. Sabendo lidar com eles, podem se transformar em oportunidades de crescimento. Segue-se algumas "dicas" para os líderes de grupos de perseverança, quanto aos problemas mais frequentes. a) Como retornar ao assunto Muitas vezes aparecem questões que precisam ser postas à parte para dar continuidade à reunião. Em geral, o reconhecimento da situação ajuda. O lí der diria: "Essa questão é interessante, entretanto, saímos de nosso tópico. Talvez possamos discutir mais sobre ela, depois que o grupo terminar de dis cutir o assunto em pauta". Ou sugere-se que a ques tão seja adiada até que se complete a ideia que está sendo discutida. Contudo, o líder deve ser sincero e realmente voltar à questão e abordá-la se os membros quiserem. A regra geral é: "Nunca sacrifique o progresso do grupo em favor da curiosidade de uma única pessoa". b) Como motivar todo o grupo O papel do líder é o de condutor, não de pro fessor Por isso, deve estar alerta para não dominar situações nem parecer ser a maior autoridade nas questões que surjam. É bom lembrar-se dos que nada têm contribuído nas discussões e dirigir-lhes algumas perguntas. O líder precisa assegurar-se de que as pergun tas sejam fáceis, para que os que vão respondê-las não fiquem embaraçados. Se necessário, o líder deve chamar os membros do grupo pelo nome para aju dá-los a participar Deve ser-lhes concedido tempo suficiente para responderem. c) Como controlar os que falam muito É tarefa difícil. O líder pode pedir a contri buição dos outros, perguntando: "Que acham os outros?", ou dirigir as perguntas a outras pessoas de maneira específica. Se isso não der certo, talvez tenha de conversar em particular com o "tagarela", explicando a necessidade de participação do grupo, conseguindo com que o falador ajude a "puxar pela língua" de todos. Um bom método é esperar que a pessoa pare para respirar e fazer uma pergunta ou um comentá rio rápido que movimente a discussão. d) Como lidar com o silêncio O líder não deve temer as pausas. As pessoas precisam de tempo para pensar.Talvez o silêncio faça mais bem do que a discussão. Quiçá os momentos de silêncio sejam desconfortáveis, masnão impro dutivos. e) Responder sem responder O líder nunca deve ter medo de dizer "não sei". Quando não sabe respostas não deve inventar uma. Em todo caso, não deve ter medo de deixar per guntas sem resposta imediata, comprometendo-se, contudo, a pesquisar e respondê-las noutra ocasião. f) Como tratar com assuntos controversos Quando o grupo leva a sério a busca da verda de, há receio de que a amizade e camaradagem pos sam ser prejudicadas. Sempre existe a tentação de contornar as questões vitais e confiar em respostas superficiais.A melhor maneira de lidar com assuntos controversos que venham à tona é apoiando-os na Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração ^,. doutrina da Igreja. Se o dirigente desconhece a po sição da Igreja, é bonn sugerir adiamento da questão para quando for possível opinar ou responder cor retamente. g) Como tratar um grupo apático Em geral, o grupo reage conforme a atitude do líder, que deve rezar pedindo entusiasmo. Se quiser que o grupo seja entusiasmado, o líder tem de de monstrá-lo verdadeiramente, não apenas com uma exaltação superficial e externa. 8. FUNDAMENTAÇÃO DOUTRINÁRIA Alguns textos do Magistério da Igreja podem ser indicados, a título de fundamentação: a) "É urgente a formação doutrinal de todos os fiéis, seja para o natural dinamismo da fé, seja para iluminar com critérios evangelizadores os graves e complexos problemas do mundo contemporâneo" (Christifidelis Laici ,60). r_. b) "Dê-se especial importância à formação bí blica que ofereça sólidos princípios de interpreta ção. Estimule-se a prática da leitura orante da Bíblia (=Lectio Divina), fazendo dela fonte de inspiração de nosso encontro com Deus e com os irmãos" ( C N B B , Doe. 53, n. 36 e 37). c) "A formação doutrinal dos fiéis leigos mos- tra-se hoje cada vez mais urgente, não só pelo natu ral dinamismo de aprofundar a sua fé, mas também pela exigência de 'racionalizar a esperança' que está dentro deles, perante o mundo e os seus problemas graves e complexos. Torna-se, desse modo, absolu tamente necessária, uma sistemática ação de cate quese, a dar-se gradualmente, conforme a idade e as várias situações da vida, e uma mais decidida pro moção cristã da cultura, como resposta ás eternas interrogações que atormentam o homem e a socie dade hoje" (Christifideles Laici, 60). d) " A plena eficácia do apostolado só se pode alcançar com uma formação multiforme e integral. Exigem-na tanto o contínuo progresso espiritual e doutrinal do próprio leigo, como as diversas circuns tâncias de coisas, pessoas e encargos a que a sua atividade se deve acomodar" (Apostolicam Actuo sitatem, 28) e) "Os movimentos eclesiais, trazendo a con tribuição do seu próprio carisma (...), cuidem da for mação de seus membros, pondo sua organização a serviço da evangelização..." ( C N B B , Doe. 61,289) . f) "Uma tarefa das mais urgente da Igreja de hoje é a formação de fiéis leigos.A formação dos fiéis leigos tem como objetivo fundamental a descoberta cada vez mais clara da própria vocação e a disponibi lidade cada vez maior para vivê-la no cumprimento da própria missão. Por conseguinte, ela deve ser uma das vossas prioridades. No mundo secularizado de hoje, que propõe modelos de vida sem valores espi rituais, esta é uma tarefa urgente como nunca. A fé esmorece quando se limita ao costume, ao hábito, à experiência meramente emotiva. Ela deve ser culti vada, ajudada a crescer, tanto a nível pessoal como comunitário. Sei que a Renovação se prodigaliza para responder a esta necessidade, procurando formas e modalidades sempre novas e mais adequadas às exi gências do homem de hoje. Agradeço-vos o quanto fazeis, peco-vos que persevereis no vosso empenho". (João Paulo II, Discurso à Comissão Nacional Italiana da R C C , 4 abril de 1998). 48 . Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 9. CONCLUSÃO É importante trabalhar na conscientização dos católicos para trilhar o caminho da busca de formação, entrosamento e perseverança. Engajando-se bem nos trabalhos da R C C , que é um movimento eclesial, a pessoa estará engajada na Igreja a serviço do Senhor O trabalho no Grupo de Oração identifica-se com a missão de todo ba tizado e também é chamado do Senhor "Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim, também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim... Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos" (jo 15,4.7-8). A aceitação, entrega e participação de todos irá tornando mais claro e transparente o amor do Senhor Jesus para cada um; a salvação experimentada no interior do grupo de perseverança será a força que impulsionará os participantes a levá-la aos outros. Um grupo de perseverança poderá ser testemunha, um indicador de uma experiência onde cada um encontrou o amor misericordioso de Jesus Cristo feito realidade acessível para seguir, sendo salvação para todos. 49 Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração ^ . BIBLIOGRAFIA 1. ALMEIDA, João Carlos, Cantor em Espírito e verdade, p.88. 2. Bíblia Sagrada, Editora Ave Maria, Edição Claretiana - 2010 - Revisada. 3. Catecismo da Igreja Católica, Edição Típica Vaticana, Edições Loyola. 4. C H A G A S , Dom Cipriano, OSB . Grupos de Oração Carismáticos, I . Rio de Janeiro: Ed. Louva-a- Deus, 1978, pp. 10. 5. C N B B , Documento 62, n. 87 6. C N B B . Documento final da V Conferência / geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, n. 362. 7. C N B B , Documento, Missão e Ministério dos cristãos leigos e leigas, ns. 84-85. 8. C O N C I L I O E C U M É N I C O V A T I C A N O II, Apostolican Actuositatem. 9. C O N F E R Ê N C I A C A T Ó L I C A D O S EUA, Declaração pastoral sobre a R C C . 10. C O N S T I T U I Ç Ã O D O G M Á T I C A Lúmen Gentium, do Concílio Vaticano II. I I . D E G R A N D I S , Robert, Vem e segue-mês. R63 12. Flores, J . H. Prado, As Reuniões de oração, p. 12-13. 13. João Paulo II apud R C C , Liderança na RCC, p. 54 14. MANSFIELD, Patti, Publicai os seus feitos ma ravilhosos, p.94. 15. M O H A N A , João, Como ser um bom pregador, p.24. C f , a propósito, Ronaldo José de SOUSA, Uma voz clama no deserto. In. Pregador ungido, pp.60-68. 16. NÉSPOLI , Luis Virgílio, Subsídios para ser Igre ja no novo milénio, p.38. 17. N O G U E I R A , Maria Emmir, Grupo de Oração, p.7. 18. PAULO VI, Papa. Exortação Apostólica Evan gelli Nuntiandi, n. 41. 19. PEDRINI , Alírio José, Grupos de oração: como fazer a graça acontecer, pp.25-26. 20. R E N O V A Ç À O C A R I S M Á T I C A CATÓL I C A , Grupo de Oração, p. 51. 20. SOUSA, Ronaldo José, O impacto da Renova ção Carismática. O Espírito Santo na vida da Igreja, pp. 13-24. 21. SUENNES , Cardeal, Orientações Teológicas e Pastorais da Renovação Carismática Católolica. S. Paulo: Ed. Loyola, 1975, pp. 19. 22. VALSH,Vicent M., Conduzi o meu povo, p.lO. 50a partilha e todos os outros aspectos da vivência do Evangelho, a partir da experiência do batismo no Espírito Santo.Tem na reunião de oração sua expres são principal de evangelização querigmatica e que, conforme sua especificidade e mantendo sua identi dade, se insere no conjunto da pastoral diocesana e/ ou paroquial, em espírito de comunhão, participação, obediência e serviço. Pessoas engajadas na R C C , lí deres e servos - através de encontros, orações e formação - buscam "fazer acontecer um processo poderoso de renovação espiritual, que transforma a vida pessoal do cristão e todos os seus relaciona mentos com Deus, com a família, com a Igreja e a comunidade"'. " O objetivo do grupo de oração é levar os par ticipantes a experimentar o pentecostes pessoal, a crescer e chegar à maturidade da vida cristã plena do Espírito, segundo os desejos deJesus:'Eu vim para que as ovelhas tenham vida e a tenham em abundân cia' (jo I O, I Ob)"^. Nesse sentido, caracteriza-se por três momentos distintos, porém interdependentes: núcleo de serviço, reunião de oração e grupo de perseverança. Estudaremos aqui estes três momen tos entrelaçados, com base em Atos 2,1 -47. Observe na tabela. ' Alír io J. PEDRINI , Grupos de Oração, p. 13 ' lbid,p. 14 9 Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração O GRUPO DE ORAÇÃO A t o s 2 - Ig re ja P r i m i t i v a G r u p o d e O r a ç ã o P r i m e i r o m o m e n t o A t 2,1-4 Os apóstolos e discípulos, reunidos com Maria, a Mãe de Jesus, experimentam o derra mamento do Espírito Santo e são transformados por Ele. Esta comunidade apostólica sai do ce náculo para realizar a missão e formar a Igreja com a multidão. Núcleo de serviço — os servos que lideram o grupo devem experimentar e testemunhar o batismo no Espírito San to. Eles são responsáveis pelo Grupo de Oração como um todo. Daí a necessidade da formação dos diversos serviços: acolhi mento, pregação, pastoreio, cura, interces são, aconselhamento, formação, música, ação social, juventude, casais, etc. S e g u n d o m o m e n t o A t 2,5-41 A multidão se ajunta na porta do cenáculo, vê a transfor mação dos apóstolos, tem seus corações compungidos, deseja e é batizada... Reunião de oração - momento em que a multidão é evangelizada, experimenta a ação de Deus, testemunha os carismas e tem seu coração tocado. O centro des te momento é o louvor, a pregação com poder e o clamor pela efusão do Espírito Santo. T e r c e i r o m o m e n t o A t 2 ,42-47 • A Igreja Primitiva persevera: 1. Na doutrina dos apóstolos 2. Na comunhão fraterna 3. Na fração do pão 4. Nas orações. Forma-se, assim, a comunidade cristã, onde não havia necessita dos. 1 Grupo de perseverança - Os que fo ram evangelizados devem ser conduzidos aos grupos de perseverança para cresce rem na doutrina, na fraternidade, na parti cipação da Eucaristia e na vida de oração. O início da caminhada deve ser feito atra vés de um Seminário de Vida no Espírito seguida de uma Experiência de Oração e Aprofundamento de Dons, onde as pes soas ouvem e acolhem o 1° anúncio (que- rigma), que será alicerce para o início da construção espiritual. Segue-se o Módulo Básico e às Formações específicas dos di versos ministérios, processo esse deno minado Escola Permanente de Formação, de onde sairão aqueles que serão forma dos para assumirem serviços necessários ao Grupo de Oração. Essas etapas bem definidas (iniciação querigmatica. Módulo Básico de Formação e Formações espe cíficas para o exercício dos diversos Mi nistérios) formam o Processo Formativo proposto pela R C C B R A S I L Além disso, mas não sem critério de início e ingresso, tem-se os Grupos de Perseverança para todos os participantes, que será uma ca tequese permanente. 10 „ Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L Importante é salientar que tanto o primeiro momento (Reunião de Núcleo) quanto o terceiro (Grupo de Perseverança) são serviços do Grupo de Oração, são momentos que convergem para o segundo momento que é a Reunião de Oração. Note-se que nem todos os Grupos de Oração da Renovação Carismática Católica existentes em nosso País possuem o terceiro momento (Gru po de Perseverança), mas nem por isso deixam de ser um Grupo de Oração da R C C . Entretanto, vi sando à formação contínua da parcela do Povo de Deus que lhe foi confiada, as coordenações devem se esmerar para implantá-lo em seus Grupos de Oração. Discorreremos, de forma prática, sobre cada um dos três momentos interdependentes que compõem o Grupo de Oração e sobre como levar os seus participantes à vivência do batismo no Es pírito Santo, para uma vida de santidade e serviço. Mas, antes, é preciso descrever a missão do "servo coordenador do Grupo de Oração". "Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que re cebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor" (Col 3,23-24). 2. O COORDENADOR DO GRUPO DE ORAÇÃO Cada grupo de oração deve ter um coor denador que, junto com o núcleo de serviço, num trabalho conjunto, é responsável por ele. " O papel do chefe consiste, principalmente, em dar exemplo de oração na própria vida. Com esperança fundada e solicitude cuidadosa, toca ao chefe assegurar que o multiforme patrimônio da vida de oração na Igreja seja conhecido e apli cado por aqueles que procuram renovação es piritual, meditação sobre a Palavra de Deus, uma vez que a ignorância da Escritura é ignorância de Cristo (...) Deveis estar interessados em pro porcionar comida sólida para a alimentação es piritual, partindo o pão da verdadeira doutrina"^ Desta afirmação pode-se extrair alguns tópicos importantes: É importantíssimo que o coordenador seja uma pessoa de intimidade com Deus, de intensa vida de oração e de escuta - seja um Amigo de Deus, para que Jesus seja o Senhor do Grupo de Oração e o Espírito Santo o conduza. O líder a serviço é aquele que orienta e conduz. Liderança não é do minação; a liderança espiritual é diferente da lide rança humana. Coordenar não é fazer tudo, não é autoritarismo, mas sim distribuir os trabalhos para que a equipe funcione harmonicamente (ministeria- lidade orgânica), ouvindo a vontade do Senhor na oração, para colocar cada pessoa na atividade certa. Acerca disso, convém lembrar de uma sábia expres são utilizada pelos bispos brasileiros no Documento 62 da C N B B , referindo-se ao ministério ordenado, mas que cabe ser aplicada aqui analogamente:"numa Igreja toda ministerial, não detém o monopólio da ministerialidade da Igreja. Não é, pode-se dizer, a 'sín tese dos ministérios' mas o 'ministério da síntese""*. O modelo do servo líder é Jesus. Por isso, o coordenador deve estar sempre a serviço (cf Mt 20,25-28). A prioridade do serviço é o amor. O co ordenador, conhecendo as necessidades das pes soas que participam do Grupo de Oração, agindo com toda sabedoria e discernimento do Espíri to, deve buscar a unidade do grupo, "Para que to dos sejam um, assim como tu. Pai, estás em mim e eu em ti , para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste" (Jo 17,21). O coordenador não deve fazer nada mecâni ca ou superficialmente. Nada de negligência (cf Jr 48,1 Oa).A obra é do Senhor e, por isso, é necessário fazer tudo com amor e por amon Para isso, deve pe dir os dons do Espírito Santo, principalmente os da Sabedoria, Entendimento e Discernimento:"A sabe doria do coordenador alimenta-se permanentemen te de sua experiência de Deus e do relacionamento pessoal e profundo com Ele... Aliás, a experiência de Deus Pai, de Jesus vivo e do Espírito Santo é o funda mento da vida cristã e a graça maior do batismo no Espírito Santo"^. Deve-se lembrar,ainda que a missão precisa ser o extravasamento da graça recebida na oração; do contrário, se dará somente de si mesmo. É importante que o coordenador observe outros coordenadorese troque experiências, bem como visite outros grupos para absorver os frutos da oração comunitária de maneira mais livre, sem que esteja com a responsabilidade da coordenação geral do grupo do qual faz parte. Note-se que o que se propõe aqui não é que o coordenador deva servir também em outro Grupo de Oração, mas visitá-lo. Experiências bem sucedidas devem ser partilhadas e podem enriquecer outros grupos de oração. Em resumo, são características do bom coordenador: í J O Ã O P A U L O II apud R E N O V A Ç À O C A R I S M Á T I C A C A T Ó L I C A , L/de- rança na RCC, p. 54.^ Ibid, p. 14 C N B B , D o c u m e n t o 62, n.° 87. ' Al ír io J. P E D R I N I , Grupos de oração, p. 25-26. 11 Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração ^ • Aberto, acolhedor, não se abate facilmente, é artífice da unidade e da paz; possui uma chama viva dentro de si que contagia a todos (cf. 2Tim 1,6-9); • Organizado, obediente, de boa intenção (cf. Bar 6,59-62); • Tem consideração com os outros (cf. I Tes 5,12-13); • É um "bom" pastor, acompanhando as "ove lhas" de perto, com todo o zelo e dedicação; • Caminha no Espírito (cf. Gl 5,24-26); • Trabalhaemequipe,nãocentralizaasatividades; • Tem domínio, encorajando os tímidos, con trolando os faladores; • Temzelo,ordem,compromissoepontualidade; • É perseverante em todos os momentos do Grupo de Oração; • Tem uma mentalidade aberta à ação do Es pírito Santo, que quer transformar sem cessar e se manifesta com criatividade; • É conhecedor da doutrina da Igreja; • Mantém vínculos estreitos de comunhão com as demais instâncias de coordenação da R C C , estando sempre a par dos acontecimentos e inseri do nas moções proféticas dadas ao Movimento; • É amplamente comunicativo, fazendo chegar todas as informações relativas à vida do Movimento ao povo a ele confiado, motivando todas as pessoas a sempre se inserirem no contexto. Ainda, é necessário que o coordenador: • Dê oportunidade a todos, sem preconceitos ou "rotulações". O que erra hoje, amanhã poderá se tornar um grande líder nas mãos do Senhor; • Apoie e reconheça o crescimento do irmão; • Forme servos-líderes melhores que ele e não tenha medo de "perdê-los" para outros serviços dentro da R C C , até porque independentemente de outros chamados, devem permanecer fieis ao Grupo de Oração, que é a célula principal da R C C ; • Não resista às mudanças (cf. Rm 12,2); • Não seja apegado ao "cargo" de coordena dor, mas enxergue tal função como algo sublime e de grande responsabilidade; um chamado para deter minado tempo em sua vida. Nessa perspectiva, sua coordenação "precisa ser a melhor coordenação da história em prol do Reino de Deus", não se tratan do aqui de uma competição com ex-coordenadores e entre líderes, mas cada um precisa ter essa meta bem definida, para o bem das almas. C a b e t a m b é m ao coordenador discernir c o m o núcleo de serviço as necessidades do Grupo de O r a ç ã o e , a partir daí: • Usar criatividade nas reuniões de oração; • Proporcionar seminários, retiros de experi ência de oração,aprofundamentos de finais de semana; • Encaminhar para eventos da R C C e outros; • Aproveitar todas as oportunidades para o crescimento,a perseverança e a santidade de cada um. O coordenador é um servo líder. O Grupo de Oração precisa de sua liderança fiel ao Senhor, sábia e santa."Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi a vós e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda" (jo 15,16). 3. O NÚCLEO DE SERVIÇO: Primeiro momento do grupo de oração O Grupo de Oração não se resume à reunião de oração, embora esse seja o seu momento pecu liar. Há necessidade de se ter uma caminhada progra mada que considere as necessidades dos participan tes e como fazer para supri-las de forma contínua e com qualidade. Um bom planejamento para o Grupo de Ora ção abrange todos os serviços e ministérios, e as sim pode-se trabalhar de forma coordenada porque cada um sabe o que fazer, e todos sabem para onde estão indo. Inclui também mecanismos para desen volver o crescimento e a perseverança dos mem bros, introduzindo-os numa experiência comunitária e catequética. Todo grupo de oração carismático tem sua co esão, boa ordem, planejamento e continuidade asse gurados pelo núcleo de serviço, que é um pequeno grupo de servos que assume o grupo todo em sua espiritualidade e estrutura. 12 . Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 3.1. C r i t é r i o s p a r a c o m p o s i ç ã o do n ú c l e o d e s e r v i ç o : O Núcleo de Serviço deve ser composto pelo Coordenador do Grupo de Oração, pelo ex-co- ordenador imediatamente anterior ao atual, pelos respectivos coordenadores/ representantes dos di versos ministérios exercidos no Grupo de Oração (Intercessão, Música, Crianças, Pregação, Oração por Cura e libertação, Formação,Arrumação,Acolhimen- to e recepção, e t c ) , podendo-se, ainda, de acordo com a necessidade, convidar outras pessoas que em bora não coordenem qualquer ministério no Grupo de Oração, preencham os quesitos mínimos neces sários para tal função, dentre eles, uma adequada for mação e razoável capacidade de discernimento, além da confirmação da comunidade. Nos Grupos em que não haja ainda o exercí cio dos ministérios elencados acima, o núcleo será composto pelo Coordenador do Grupo de Ora ção, pelo ex-coordenador imediatamente anterior ao atual e por um grupo de pessoas que possuam discernimento, sejam emocionalmente equilibradas, possuam reputação moral e espiritual ilibada, sejam afeitas à formação permanente e sejam espiritual mente amadurecidas. Os Grupos de Oração da R C C surgem, geral mente, a partir de um Seminário de Vida no Espírito, seja por iniciativa missionária de membros de outro Grupo ou da coordenação diocesana/regional da R C C , seja a pedido da comunidade paroquial. Nesta hipótese de criação de um novo Grupo de Oração, o seu núcleo será formado por alguns dos servos que trabalharão no Seminário, apoiados de perto pela Equipe Diocesana e/ou pela equipe do Grupo que o originou, sendo-lhes assegurada ampla formação para sua missão. OBS. : É muito importante que todas as lideran ças da R C C perpassem todo o Processo Formativo do Movimento, que se inicia com o seu Processo de Iniciação que é querigmático (SVE, Experiência de Oração e Aprofundamento de Dons), prossegue com o Módulo Básico de Formação (I I encontros incluindo-se o Módulo de Formação Humana in tercalado às apostilas do Módulo Básico, conforme orientação do Ministério de Formação da R C C ) , seguido das formações específicas para o exercício dos diversos ministérios, conforme o discernimento vocacional de cada um para servir a Deus no Movi mento. 3 . 2 . A s f ina l idades do n ú c l e o s ã o ' : a) Avaliar o que Deus fez em cada reunião de oração, não dizendo "foi bom" ou "deveria ter sido melhor", mas discernindo em oração o que Deus disse. Pode-se avaliar como foi a reunião de oração anterior respondendo, com todo o núcleo, a alguns questionamentos, tais como: "A Palavra pregada foi acolhida?","Os louvores foram cheios de amor e ale gria?", "Os cantos foram ungidos e levaram o povo a louvar?", "Como foi a acolhida?","Houve profecias e outras práticas carismáticas?", "Houve testemu- nhos?","Como foi a evangelização?","Foi enriquece dora a manifestação da caridade, da fraternidade, da comunhão?", etc. b) Acompanhar e assistir os fieis que estão no grupo em suas necessidades pessoais (doenças, difi culdades de oração, perda de paciência, ausência das reuniões, etc) encaminhando-os aos serviços (inter cessão, oração por cura e libertação, cura interior, grupo de perseverança, etc). c) Revezor-se na condução da reunião de oração, sempre em um clima de fraternidade e cooperação. d) Interceder constantementepelo Grupo de Oração do qual faz parte. e) Preparar as reuniões do Grupo de Oração, distribuindo os serviços e responsabilidades, esco lhendo, preparando a pregação e rezando por aque les que desempenharão alguma função. Os membros do núcleo de serviço do Grupo de Oração devem ser bem forma dos e profundamente dados à oração, treina dos no discernimento comunitário, obedientes e dispostos a dar a vida no serviço do Senhor. Como o próprio nome diz, núcleo de serviço é um serviço do Grupo de Oração (cf A t 6,1 -7); é um grupo de pessoas a serviço dos irmãos. As pessoas que o integram devem assumi-lo como um chamado do Espírito. Fazer parte do núcleo não é condição de des taque, mas posto de serviço aos irmãos, para que Jesus seja o destaque em suas vidas. O objetivo do núcleo de serviço é louvar, orar, interceder pelo gru po, discernir e aplicar a orientação para o grupo. Sua missão é evangelizar e formar os membros do grupo e levá-los a uma profunda experiência com Deus, de vida no Espírito Santo, inserindo-os no conjunto da Igreja. "Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. Ora , o que se exige dos adminis tradores é que sejam fiéis" (I C o r 4,1 -2). ' Cf. Emmir N O G U E I R A et al, Grupo de oração, p. 7. 13 Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração ^ '//////////////////////////^^^^ O perfil Ideal do participante do núcleo inclui: • Constância nas reuniões de oração; • Frutos de conversão; • Responsabilidade; Maturidade humana e espiritual; • Equilíbrio emocional; • Reputação moral e espiritual ilibada; • Carisma de liderança; • Senso eclesial; • Relativa aceitação comunitária, entre outras características. Nem sempre a pessoa que "reza mais" ou aque la mais "espiritual" é a mais indicada para fazer parte do núcleo. No geral, o coordenador deve escolher seus auxiliares em oração e com bastante cautela e discernimento. Geralmente as pessoas precisam de algum tem po de caminhada no Grupo de Oração antes de fa zerem parte do núcleo de serviço. Uma pessoa que está chegando no Grupo de Oração precisa, antes, ser "conquistada", "seduzida" por Jesus através de uma evangelização querigmatica bem sedimentada, seguida de uma inserção sempre mais profunda na X etapa da evangelização, isto é, a formação. Supri mir esse processo de iniciação pode gerar grandes prejuízos à pessoa convidada a servir no núcleo, bem como ao próprio Grupo de Oração. As pessoas menos indicadas para pertencerem ao núcleo de serviço são: as que têm algum desequi líbrio emocional/psíquico ou carências afetivas mui to fortes; as que se relacionam mal e perturbam a paz; pessoas autoritárias, imaturas no uso dos caris mas ou que tenham restrições à doutrina da Igreja. Também é preciso tomar cuidado com aquelas que utilizam o núcleo para tentarem solucionar proble mas pessoais ou para se auto-afirmarem. 3.3. A r e u n i ã o do n ú c l e o d e s e r v i ç o A reunião do núcleo é o momento da experi ência de Pentecostes, como que a repetição do cená culo vivido pelos primeiros cristãos (cf.At 2,1 -4). Na reunião do núcleo, cada participante vai ficar motiva do e vai motivar o Grupo de Oração a partir de sua experiência. A reunião de oração deve transbordar a experiência que o núcleo de serviço teve, pois S. Pedro, em seu discurso, afirmou que o Espírito Santo estava sendo derramado e era possível ver e ouvir isto (cf .At 2,33). Daí brota a pregação, que supera as expectativas de todo o povo. Então, a experiência do núcleo é base para toda a motivação do povo. Nesse sentido, a reunião de núcleo envolve uma ampla prática carismática, privilegiando-se a es cuta profética do Senhor visando o direcionamento geral para o Grupo de Oração, bem como à prepa ração da próxima reunião de oração mediante a Pa lavra Rhema (chave, direção certa) que será pregada e a moção que conduzirá aquela Reunião de Oração. A motivação é o amor de Deus. O núcleo tem que rezar, rezar e rezar para que o Pentecostes se repita para ele e para todos aqueles que são chama dos de acordo com a vontade de Deus (cf.At 2,39) e que renove as manifestações dos carismas. O núcleo de serviço do Grupo de Oração deve reunir-se semanalmente, com dia e horário de finido, para melhor exercer seu apostolado; e deve haver sigilo absoluto do que ali for tratado. Frise- se que esta reunião semanal da qual estamos tratando é restr ita ao núcleo, que é u m a das diversas equipes do Grupo de O r a ç ã o e é par te da grande equipe. Portanto, esta reunião não é destinada a todos os servos do Grupo de Oração, mas somente aos membros do núcleo de serviço. Nada impede - e é até recomendável - que periodi camente todos os servos do Grupo de Oração - in cluindo-se, obviamente, o Núcleo - se reúnam para rezar, escutar o Senhor e serem batizados no Espíri to Santo. Inclusive, seria saudável que cada uma das várias equipes dos ministérios exercidos no Grupo de Oração - além do Ministério de Intercessão - pudessem se reunir semanalmente, para crescerem em seu ministério. No entanto, a reunião de Núcleo, definitivamente, não é o momento para que todos os servos se reúnam. Ainda acerca da reunião de núcleo, esta deve contemplar uma avaliação criteriosa da reunião de oração anterior, que ressalte os pontos positivos - que devem ser sempre valorizados, bem como os pontos de melhoria, sejam do grupo como um todo ou relativo a determinadas pessoas do núcleo e de mais equipes. Observe-se que toda avaliação deve ser construtiva, isto é, movida pelo empenho de ob ter sempre mais aperfeiçoamento espiritual e huma no, tudo isso regado a muita caridade cristã. Aquele que recebe a avaliação deve, por sua vez, processá-la em seu coração com o amor e paz dos filhos de Deus, aproveitando a exortação para se aperfeiçoar sempre mais na obra do Senhor.Assim, as peculiari dades no exercício dos diversos ministérios devem ser avaliadas para o bem comum. Nesse sentido, não deve haver em nosso meio um excesso de respeito humano, isto é, não querer desagradar o outro com sua avaliação, o que impe- 14 Renovação Carismática do Brasil - RCCBRAS I L de O verdadeiro crescimento do irmão de núcleo. Cuidado para não cair na tentação de dizer "tudo vai bem, quando na verdade, tudo vai mal (Jr 8,1 I ) , quando for o caso. Por outro lado, de modo al gum pode-se fazer de nossas reuniões de núcleo momentos de desgastes de relacionamento ou de discussões entre irmãos. Daí decorre também a ne cessidade de maturidade da parte dos membros do núcleo. Alguns aspectos da avaliação devem ser obser vados: 1) O que aconteceu na verdade? (É impor tante a boa comunicação na avaliação) 2) Possíveis causas para tal acontecimento. (Ir à raizdo problemaé umgrande passo paradirimi-lo) 3) C o m o sanar as causas do que não foi tão bom? Cabe ao Núcleo, ainda, interceder confiante mente por todas as necessidades do Grupo de Ora ção e pelo bom andamento do mesmo, implorando ao Senhor o derramamento perene de sua graça e bênçãos sobre todos os seus membros e consagran do ao Senhor o seu povo. Os membros do Núcleo são os primeiros intercessores do Grupo de Oração, sem prejuízo da equipe do Ministério de Intercessão. Os assuntos administrativos referentes ao Gru po de Oração também serão discutidos e resolvidos na reunião de núcleo. Uma observação importante:"Os membros do núcleo de serviço devem fazer uma pequena reunião pelo menos meia hora antes do início da Reunião de Oração para não entrarem na mesma 'a frio'. Devem 'aquecer-se' na presença do Senhor. Isto é de valor inestimável e jamais deve ser omitido, sendo incal culáveis as bênçãos e inspirações que se recebem nesse momento"^. 4 . O SERVO DE JESUS NO GRUPO DE ORAÇÃO DA RCC Jo 13,1-15;F12,1-11 O que é ser servo hoje? A sociedade tem uma visão totalmente contrária à palavra de Deus, o ego ísmo tomou conta da sociedade.Mas a Palavra de Deus ensina que é dando que se recebe, é servindo que se é servido,assim comoJesus.Sobre isso,seguem alguns tópicos de acordo com a Palavra de Deus. 4.1 S e r s e r v o d e Jesus hoje é t e r dis p o s i ç ã o d e : ; o^l) a) Renunciar a própria vontade - Mt 16,24- 25 O servo não tem querer, ele sempre faz a vonta de do seu Senhor, ele cuida dos negócios do Senhor, passa a ser propriedade do Senhor b) Aprender e permanecer nas mãos do M e s t r e - P v 12,1; 15,14; 18,15 O servo é aquele que gosta de aprender com o Mestre, pois a Bíblia fala que Ele tem palavras de Vida Eterna. Mais do que aprender deve ter disponibili dade de colocar em prática aquilo que o Mestre lhe ensina e fazer a vontade do seu Senhor Na realidade é obrigação ter o caráter do Mestre (cf. C l 2,6-7). Esta união que o texto fala significa estar tão ligado que não dá para separar um do outro. c) Depender tota lmente do Mestre - Mt 6,24-34A dependência tem que ser somente do Se nhor. Voltando para o contexto da época de Jesus, era do senhor que vinha toda provisão, sustento; o senhor que supria todas as necessidades do servo, em troca o servo tinha fidelidade, lealdade, compro misso e obediência ao seu senhor. Quando se toma a decisão de ser servo do Senhor Jesus, tem que ter a certeza de que Ele vai cuidar de tudo. d) Fazer a vontade do Mestre - Jo 5,30 O próprio Jesus não veio a este mundo para fazer a sua vontade, mas a do Pai Celestial que o enviou. O servo deve fazer o mesmo (ver Gl 2,20). Quando se fala "Cr isto vive em mim", tem que ter a convicção de que a própria vontade foi crucificada em favor de cumprir a vontade de Deus, e de que a Palavra de Deus diz que esta vontade é boa, perfeita e agradável (cf. Rm 12.2; C L 3,1 -3). e) Serv i r o amigo e ©"inimigo"- Mt 20,25-28 O homem de hoje valoriza muito a posição, e status, mas o Mestre Jesus ensina a servir, pois aquele que quer ser importante e destacado, deve ser aquele que serve. Quando se vê no texto de C l 2,5 que tem que ter o mesmo modo de pensar de Jesus, ve-se que Ele, mesmo sendo mestre, serviu aos seus discípulos (cf. Jo 13,1-5). É bom lembrar que mesmo sabendo que Judas ia traí-lo Jesus o serviu lavando seus pés. C H A G A S , D o m Cipriano. Grupos de Oração Carismáticos, p. 13. 15 Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração . f) Serv i r c o m alegria - SI 99/100,2 Qualquer servo que reconhece Aquele a quem ele serve será cheio de alegria. Como verdadeiro servo, deve sempre servir com alegria, não com tris teza e murmuração. O servir não pode ser um peso, mas prazer (cf. Is 65,14). g) Serv i r onde for chamado - Lc 17,7-10 O servo nunca procura se destacar ou servir por interesse. Não escolhe o que fazer, faz o que pedem, e o faz com amor e alegria. Jesus deu o exemplo e ordenou que se fizesse o mesmo que Ele fez. O Papa se intitula "servo dos servos de Jesus Cr isto" , isto é, aquele que deve ser vir a todos. O mundo deixou uma mentalidade - a de empregado - de fazer coisas para ser recompen sado. Porém o Senhor Jesus deixou algo muito me lhor - o espírito de Servo, fazer coisas para agradar ao Senhor, e abençoar aos irmãos, mesmo que não receba nada em troca. O coordenador do Grupo de Oração é um dos servos do seu grupo, responsável por todos, para servir a todos. E os membros de Núcleo, verdadei ros pastores do rebanho do Senhor são convidados a dar esse testemunho eloquente de serviço. 5. MINISTÉRIOS NO GRUPO DE ORAÇÃO O termo "ministério" é amplamente usado na Renovação Carismática para designar de uma manei ra geral os diversos serviços do Grupo de Oração. São estes os mais comuns: ministério de oração por cura, ministério de música, ministério de intercessão, ministério de pregação, entre outros. Um ministério é um serviço específico den tro do Grupo de Oração. É um trabalho para ser vir à comunidade cristã, uma maneira de exercitar o apostolado. Cada batizado é chamado a crescer, amadurecer continuamente, dar cada vez mais fruto na descoberta cada vez maior de sua vocação, para vivê-la no cumprimento da própria missão. " O s ministérios são diversos, mas um só é o Senhor" (I Co r 12,5). Fazendo esta afirmação, São Paulo coloca todos os ministérios -serviços - em submissão a Jesus Cristo e dentro de um contexto de comunhão eclesial (cf também Ef 4,1 1-16).Assim, devem funcionar harmonicamente como em uma orquestra onde cada um faz o seu "som", mas o todo é que faz a beleza. As equipes ou ministérios devem ser forma dos na medida da necessidade e da realidade de cada Grupo de Oração. Seus membros devem ser escolhidos em oração e de acordo com os vários dons que surgem. Para cada necessidade há pessoas ungidas pelo Espírito para seu atendimento: "Temos dons diferentes, conforme a graça que nos foi con ferida. Aquele que tem o dom de profecia, exerça-o conforme a fé. Aquele que é chamado ao ministério, dedique-se ao ministério. Se tem o dom de ensinar. que ensine; o dom de exortar, que exorte; aquele que distribui as esmolas, faça-o com simplicidade; aquele que preside, presida com zelo; aquele que exerce a misericórdia, que o faça com afabilidade" (Rm 12,6-8). " A cada um é dada a manifestação do Espíri to para proveito comum.A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo mesmo Espírito; a outro, a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito; a outro, o dom de milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espí ritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim, a interpretação das línguas" ( I C o r 12,7-10). As pessoas que formarão as diversas equipes para os diversos serviços do Grupo de Oração de vem ser recrutadas dentre aquelas que já se identi ficam com a espiritualidade da R C C e que possuam alguma experiência dos carismas e sejam disponíveis. É importante observar que estas pessoas devem es tar inseridas no Processo Formativo da R C C . Deus chama cada um dos seus fiéis a exercer um serviço específico dentro da sua Igreja, com a finalidade de cada vez mais edificar o Corpo de Cristo. Cada batizado deve desempenhar a missão que Deus lhe deu e para a qual o capacitou com o objetivo de que todos cheguem à unidade da fé e à plenitude do conhecimento de Cristo e assim sejam novas criaturas. Quando a missão é desempenhada, vivida com grande amor, a caridade é evidenciada (cf I C o r l3,4-8a). 16 Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL 5.1. C a d a m i n i s t é r i o é s u s t e n t a d o p o r u m c a r i s m a e s p e c í f i c o Os ministros exercem seu serviço participan do do ministério de Jesus. Portanto, ministério é um serviço prestado à comunidade com a capacitação dos carismas. "Ministério é, antes de tudo, um caris ma, ou seja, um dom do Alto, do Pai, pelo Filho, no Espírito, que torna seu portador apto a desempe nhar determinadas atividades, serviços e ministérios em ordem à salvação"^. Todos os cristãos têm os carismas do Espíri to Santo na medida da necessidade da comunidade, mas exercem um ministério específico que depende mais de um carisma do que de outro. Por exem plo, o ministro de oração por cura necessita muito mais do carisma de cura; o coordenador de gru po de oração necessita da palavra de sabedoria e do discernimento e assim por diante. No entanto, apesar de serem estes os carismas mais específicos destes ministérios, nenhum carisma existe ou pode ser exercido isoladamente. Seja qual for o ministério ao qual o Senhor nos chama, necessitaremos sem pre do auxílio de todos os carismas para exercê-lo com o poder de Deus. Ao instituir seus ministros. Deus os capacita para exercerem sua missão, que sempre terá como objetivo a glorificação de Deus e a conversão dos seus filhos. Por isso. Ele dota seus ministros dos dons, dos talentos e das aptidões que eles vão precisar para exercer os ministérios, de talforma que possam contar sempre com a sua graça, a fim de não cair na tentação da auto-suficiência e de um exercício simplesmente humano de serviço à Igreja. "Mas, só pode ser considerado ministério o carisma que, na comunidade e em vista da missão na Igreja e no mundo, assume a forma de serviço bem determinado"'. 5.2. A a u t o r i d a d e do m i n i s t r o é exer c i d a n a a u t o r i d a d e d e Jesus A autoridade do ministro vem da autoridade de Jesus Cristo. É um dom do Espírito Santo; e isto é que faz a diferença entre a sua e as outras autori dades. Não é uma simples delegação de poder, mas o ministro participa da missão de Jesus. Ele exerce o seu ministério como o próprio Jesus exerceria (cf. Jo 15,16). Portanto, o ministro ao exercer seu serviço hoje, conta com o mesmo poder de Jesus Cristo (cf. Jo 14,12). O poder é de Jesus; então, nada de orgulho, nada de se achar o melhor, o mais santo. O ministro deve saber separar as coisas e reconhecer que toda a obra boa que realiza vem de Jesus e por mais que realize grandes e muitas coisas, é sempre servo inú til (cf. Lc 17,10). Um servo olha não para as obras de suas mãos, mas para o Autor que é Deus. Nunca deve atribuir a si os méritos das obras que realiza, mas unicamente a Ele. 5 . 3 . 0 E s p í r i t o S a n t o é a fonte dos m i n i s té r ios É importante a consciência de que todos os serviços prestados ao Reino de Deus, em nome de Jesus Cristo, são, em última análise, de origem divi na, acontecem sob a ação do Espírito Santo. É Ele quem dá a força para testemunhar Jesus Cristo "até os confins da terra" (cf.At 1,8). Os ministros devem realizar suas tarefas sob o influxo do Espírito Santo. É Ele que os cumula de carismas; sem Ele a missão será de baixa eficiência, fraco desempenho, ausência de criatividade, de zelo e de perseverança. O Espírito Santo comunica ao ministro sua for ça e o capacita para a ação de servir à comunidade. Foi o que aconteceu com os apóstolos e os discípu los de Jesus em Pentecostes (cf .At 2,1-13); com os diáconos, após a oração feita sobre eles (cf.At 6,1 -7); e com Paulo, após a imposição das mãos de Ananias (cf.At 9,10-30). Com a ação do Espírito Santo, todos se tornaram intrépidos ministros do Senhor O desin teressado e oblativo exercício dos ministérios, tor- na-se fonte de santificação para quem os exerce. 6. FUNDAMENTAÇÃO DOUTRINARIA A título de "fundamentação doutrinária" se guem em destaque alguns trechos do Magistério da Igreja, para consulta e aprofundamento: a) "Além disso, o mesmo Espírito Santo não se limita a santificar e a dirigir o povo de Deus por meio dos sacramentos e ministérios, mas também, nos fi éis de todas as classes distribui individualmente e a cada um, conforme entende, os seus dons e as gra ças especiais, que os tornam aptos e disponíveis para ^ C N B B , Missão e ministérios dos cristãos leigos e leigas, n. 84. ' Ibid., n. 85. 17 Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração >^ assumir os diversos cargos e ofícios úteis à renova ção e maior incremento da Igreja... Devem aceitar- se estes carismas com ação de graças e consolação, pois todos, desde os mais extraordinários aos mais simples e comuns, são perfeitamente acomodados e úteis às necessidades da Igreja" (Lúmen Gentium 12). b) "Impõe-se, pois, a todos os cristãos o dever luminoso de colaborar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e acolhida por todos os homens em toda a parte. Para exercerem tal apos tolado, o Espírito Santo - que opera a santificação do povo de Deus através do ministério e dos sacramen tos - confere ainda dons peculiares aos fiéis (cf. I Co r 12,7),'distribuindo-os a todos, um por um, conforme quer (I C o r 12,1 I ) , de maneira que 'cada qual, segun do a graça que recebeu, também a ponha a serviço de outrem' e sejam eles próprios'como bons dispen sadores da graça multiforme de Deus' ( IPed 4,10), para a edificação de todo o corpo na caridade (cf. Ef 4,16). Da aceitação destes carismas, mesmo dos mais simples, nasce em favor de cada um dos fiéis o direi to e o dever de exercê-los para o bem dos homens e a edificação da Igreja, dentro da Igreja e do mundo, na liberdade do Espírito Santo, que'sopra onde quer' (jo 3,8), e ao mesmo tempo na comunhão com os irmãos em Cr is to" (Apostolicam Actuositatem, 3). c) Pareceu-nos de capital importância uma Exortação deste género, porque a apresentação da mensagem evangélica não é para a Igreja uma contri buição facultativa: é um dever que lhe incumbe, por mandato do Senhor Jesus, a fim de que os homens possam acreditar e ser salvos. Sim, esta mensagem é necessária, ela é única e não poderia ser substituída. Assim, ela não admite acomodação. É a salvação dos homens que está em causa. (...) Por isso, bem mere ce que o apóstolo lhe consagre todo o seu tempo, todas as suas energias e lhe sacrifique, se for neces sário, a sua própria vida (Evangelli Nuntiandi, 5) . d) " A formação dos fiéis leigos tem como obje tivo fundamental a descoberta cada vez mais clara da própria vocação e a disponibilidade cada vez maior para vivê-la no cumprimento da própria missão. Deus chama-me e envia-me como trabalhador para a sua vinha; chama-me e envia-me a trabalhar para o advento do seu Reino na história: esta vocação e missão pessoal define a dignidade e a responsabili dade de cada fiel leigo e constitui o ponto forte de toda ação formativa, em ordem ao reconhecimento alegre e agradecido de tal dignidade e ao cumpri mento fiel e generoso de tal responsabilidade. Com efeito. Deus, na eternidade pensou em nós e amou- nos como pessoas únicas e irrepetíveis, chamando cada um de nós pelo próprio nome, como o bom Pastor que 'chama pelo nome as suas ovelhas' (jo 10,3). Mas, o plano eterno de Deus só se revela a cada um de nós na evolução histórica da nossa vida e das suas situações, e, portanto, só gradualmente: num certo sentido, dia a dia" (Christifidelis Laici, 58). e) "A graça é antes de tudo e principalmente o dom do Espírito que nos justifica e nos santifica. Mas a graça compreende igualmente os dons que o Espí rito nos concede para nos associar à sua obra, para nos tornar capazes de colaborar com a salvação dos outros e com o crescimento do corpo de Cristo, a Igreja. São as graças sacramentais dons próprios dos diferentes sacramentos. São além disso as graças especiais, designadas também "carismas", segundo a palavra grega empregada por S. Paulo, e que signifi ca favor, dom gratuito, benefício. Seja qual for o seu caráter, às vezes extraordinários, como o dom dos milagres ou das línguas, os carismas se ordenam à graça santificante e têm como meta o bem comum da Igreja.Acham-se a serviço da caridade, que edifica a Igreja" (Catecismo n.2003). 7. CONCLUSÃO Até aqui se discorreu sobre o primeiro momento do Grupo de Oração: o nú cleo de serviço.A graça recebida nesse momento do Grupo de Oração desaguará nos outros dois momentos, tal é a importância da reunião de núcleo semanal. Os ensinos seguintes (2, 3, 4 e 5) farão referências aos diversos aspectos da reunião de oração, que é o segundo momento. Já o 6° ensino abordará especificamente o terceiro mo mento, que é o grupo de perseverança. 18 , Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L CAPITULO 2 A REUNIÃO DE ORAÇÃO: CONCEITO, FINALIDADES E CARACTERÍSTICAS 1. INTRODUÇÃO O segundo momento do Grupo de Oração é a reunião de oração. A reunião de oração é um meio privilegiado para comunicação do batismo no Espírito Santo e a consequente experiência de Deus. É, portanto, um dos principais momentos da dinâmica da Renovação Carismática Católica. Atende plenamente ao clamor dos bispos da América Latina e do Caribe, reunidos em Apareci da/SP durante a suaV Conferência Geral , em 2007: "Esperamos um novo Pentecostes que nos livre do cansaço, da desilusão, da acomodação ao ambien te; esperamos uma vinda do Espírito que renove nossa alegria enossa esperança. Por isso, é impe rioso assegurar calorosos espaços de oração co munitária que alimentem o fogo de um ardor in- contido e tornem possível um atrativo testemunho de unidade 'para que o mundo creia'(Jo 17,21)"'°. A reunião de oração - esse "caloroso espaço de oração comunitária que alimenta o fogo de um ardor incontído" - é informal, marcada antes de tudo pela espontaneidade dos participantes e pela abertura ao Espírito. Por isso mesmo, não existem esquemas ou propostas rígidos para o seu desenrolar, como fór mulas de oração, listas pré definidas e quantidade de músicas a serem cantadas, e t c . Acontece de acordo com o mover do Espírito naquela assembleia reunida. No entanto,a reunião de oração não se desenvol ve de maneira indefinida e sem direção. Há um conjun to de orientações que imprimem a ordem e o respei to, proporcionando melhor ambiente para a atuação livre do Espírito Santo, evitando excessos e eventuais desvios. Portanto, o que segue não tem a finalidade de enquadrar ou padronizar as reuniões, mas de au xiliar em sua condução e melhorar seus resultados. 2 . CONCEITO Reunião de oração é o momento em que os participantes do Grupo de Oração se encontram, semanalmente, para a oração, especialmente o lou vor. Esse momento é aberto para outras pessoas que poderão, a partir dele, começarem a fazer parte do Grupo de Oração, iniciando uma caminhada de conversão e crescimento perseverante na fé. Assim, pode-se concluir que a porta de entrada na célula principal da R C C é a reunião de oração, segundo momento da dinâmica do Grupo de Oração, que envolve três momentos distintos, conforme já visto. Por isso mesmo, é comum que os participan tes da reunião de oração sejam bastante diversos, a exemplo da multidão no dia de Pentecostes (cf A t 2,1 -13). Além dos perseverantes membros do grupo (aqueles que estão na reunião todas as semanas), é comum se introduzirem nela: curiosos, ociosos, de sesperados, depressivos, revoltados, entre outros. Alguns vão à reunião por livre vontade, sem motivo aparente, ou simplesmente porque foram convida dos; outros, notadamente os jovens, vão por causa da animação; outros, ainda, estão buscando algo para si ou para outrem (cura física, libertação das drogas ou da bebida, conversão de um parente ou amigo, etc). A reunião de oração é, por assim dizer, um mo mento pentecostal: com os corações compungidos (c fAt 2,37), os fiéis são levados à vivência da fé, na fra ternidade e no comprometimento missionário. Nela, os carismas devem ser manifestados sem restrições, pois fazem parte do"ver e ouvir" que convence àque- C N B B . D o c u m e n t o final d a V Conferênc ia Gera l do Episcopado Latino Amer icano e do Car ibe , n.° 362. 19 Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração les que estão chegando.Trata-se, ainda, do "ruído de Pentecostes" que precisa ser ouvido mesmo do lado de fora do cenáculo,causando admiração (cf A t 2,6-7). 2.1 A r e u n i ã o d e o r a ç ã o n ã o é; — 2.1.1 U m a a u l a Não se trata de um momento de ensino bíblico, teológico ou moral. Não se pode dizer nem mesmo que a reunião é um aprofundamento catequético, a não ser como realidade vivencial. O essencial é a experiência do batismo no Espírito, do louvor e da conversão. Portanto, apesar do seu caráter instruti vo e de se reservar um momento específico para a pregação, o mais importante da reunião de oração é a sua dinâmica de falar e ouvir Deus. 2.1.2 U m g r u p o d e d i s c u s s ã o A reunião de oração não é para discussão po lítica, social ou mesmo religiosa, por mais importan tes que sejam tais assuntos. Existem ou devem ser criados espaços propícios para esse tipo de debate. Sobretudo em pequenos grupos, é comum que no momento da pregação ou fora dele, pessoas an siosas por dizer algo ou com nível maior de politiza ção, introduzam questões que podem gerar tumulto ou provocar o desinteresse da maioria dos presen tes. A liderança da reunião deve acautelar-se contra tais coisas e conter habilidosamente essas pessoas. 2.1.3 U m a s e s s ã o d e t e r a p i a A reunião de oração não é um momento cria do para descarregar tensões emocionais adquiridas durante a semana.Algumas pessoas fazem do tempo de oração semanal uma espécie de sessão terapêu tica, para repor energias. Há pessoas que pensando estar louvando o Senhor, contam suas mazelas ou dão testemunho de algo ocorrido durante a semana. Veremos a seguir o que realmente significa o louvor. Embora possa fazer parte da reunião a retoma da do vigor e do ânimo ou até a cura das emoções, isso acontece no próprio desenrolar da oração, quando a pessoa louva e experimenta a presença de Deus e não por rezar o tempo todo na expectativa de receber um favor " O mais importante não deve ser nem mesmo a cura do Senhor, mas o Senhor que cura. O que se há de buscar em primeiro lugar não é a saúde, mas a santidade. (...) Se temos confiança na Palavra do Senhor, certos de que é mais fácil pas sarem o céu e a terra do que ela deixar de cumprir- se, confiaremos a Ele todas as nossas preocupações, porque Ele se preocupa conosco (cf I Pd 5,7). Ele é tão bom que nos responderá antes mesmo que o chamemos, e solucionará até os problemas que nós mesmos ignoramos que existam em nossas vidas"'^. 2.1.4 U m a r e u n i ã o soc ia l A reunião de oração não pode se transformar numa simples ocasião para encontro de amigos, para tratar de assuntos de interesse comum ou para to mar lanche e chá. A reunião tem finalidades muito bem definidas, centradas na pessoa de Jesus. 2.1.5 U m a r e u n i ã o ec les ia l d i v e r s a d a p r o p o s t a Não raro veem-se algumas pessoas entenden do ser cabível e até saudável substituir, vez por outra, a dinâmica espontânea da reunião de oração da R C C (louvor, profecia, pregação querigmatica, batismo no Espírito Santo, testemunhos) por outras atividades tais como: partilha de textos bíblicos ou extra-bíbli- cos (evidentemente pode-se conduzir uma oração durante a reunião baseada em algum texto bíblico que tenha confirmado alguma moção profética), re citação do Terço, novenas do Padroeiro da paróquia, adoração ao Santíssimo Sacramento, excesso de di nâmicas de integração comunitária, ou mesmo fazer do Grupo um Círculo Bíblico. "Não se confunde o grupo de oração carismático com outras reuniões de fieis. Ele não é um Círculo Bíblico. Querer con verter o grupo de oração em círculo bíblico é que rer desfigurá-lo e esvaziá-lo. (...) O grupo de oração também não é um grupo de reflexão, de intercâmbio de ideias"'\e que todas essas atividades são importantíssimas e salutares na vida de todo cristão católico, mas cada qual a seu tempo (cf Ecle 3,1) " Cf .José H .Prado F L O R E S . A s reuniões deoraçõo.p. 12-13. Ibid.p. 13 " C H A G A S , D o m Cipriano, O S B . Grupos de Oração Carismáticos, I . Rio de Janeiro: Ed. Louva-a-Deus, I978 ,pp . 10 20 Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 3. FINALIDADES Podem ser indicadas pelo menos quatro finali dades principais de uma reunião de oração: 3.1. P a r a l o u v a r o S e n h o r ' " Apesar de não se prescindir de outros tipos de oração (petição, intercessão, cura, etc), o louvor exer ce certo primado na reunião. A experiência da Re novação Carismática Católica é uma experiência de resgate da oração de louvor, centralizada na pessoa de Jesus muito mais que nas necessidades do orante. Por isso, o louvor ocupa lugar privilegiado. Nele, o Senhor atua derramando graças. O louvor é como que o preparo para que o Senhor comunique a sua palavra de forma atual, por meio da profecia. " O centro da reunião de oração é Cristo, a alma é o Espírito Santo, e sua finalidade é adorar, louvar e glorificar o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é também nosso Pai"'^Acerca do louvor se tratará mais detalhadamente em seguida. 3.2. P a r a p r o p o r c i o n a r a e x p e r i ê n c i a d o b a t is m o no E s p í r i t o Essa finalidade não deve ser colocada em plano secundário. Tampouco, o batismo no Espírito Santo deve ser considerado ponto ulterior a uma etapa de formação. Portanto, a reunião deve favorecer sem pre o derramamento do Espírito, proporcionando aos participantes uma experiência de Deus. Essa experiência é quase sempre manifestada no interior das pessoas e constitui-se em ponto de partida para sua vida de conversão. Apesar disso, o batismo no Espírito não deve ser confundido com uma experiência meramente subjetiva, embora pos sa trazer consigo uma boa carga de emotividade. Convém lembrar do que foi visto na Apostila OI desse módulo, acerca do batismo no Espírito Santo como uma das principais características do D N A da Renovação Carismática Católica.A partir dessa expe riência impactante de Deus, se é impelido a uma bus ca contínua pela santidade, passa-se a ter mais amor pelas Escrituras, Jesus Cristo passa a ser o Senhor e Salvador Absoluto, cultiva-se um amor renovado por Maria Santíssima e pela Mãe Igreja, há uma renova ção nos relacionamentos e na forma de enxergar o mundo.Toma-se consciência de que se é templo vivo de Deus. Enfim, vive-se a Cultura de Pentecostes, a única capaz de implantar a Civilização do Amor! 3.3. P a r a e v a n g e l i z a r q u e r i g m a t i c a m e n t e A reunião de oração tem, por sua própria natu reza, a facilidade em comunicar querigmaticamente o Evangelho, sobretudo o amor de Deus e a salvação. Uma reunião conduzida na unção do Espírito pode fa zer com que as pessoas descubram e sintam que Deus as ama incondicionalmente e que foi capaz de dar o próprio Filho para resgatá-las do pecado."Assim,toda reunião de oração é uma ação salvífica de D e u s " " . 3 . 4 . P a r a c o n s t r u i r a c o m u n i d a d e cr istã'^ A reunião de oração também tem a finalidade de inserir as pessoas numa realidade comunitária. Ela constrói laços, gerando a necessidade da partilha e da comunhão. Assim, a reunião de oração induz a uma experiência religiosa mais frequente e compro metida seja no próprio Grupo de Oração ou numa outra realidade comunitária eclesial. Cf.José H .Prado F L O R E S . A s reuniões deoraçõo.p. 7-8. ^ - • Í Í ; : Ibid., p. 8 Cf. a propósito, O ^pWíto %anlo na vida da Igreja, In. Ronaldo José de S O U S A , O impacto da Renovação Carismática, pp. 13-24 " José Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p, 8 21 Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração 4 . CARACTERÍSTICAS É possível destacar como principais caracterís ticas de uma autêntica reunião de oração: 4.1 . C e n t r a l i z a d a n a p e s s o a d e Jesus Conforme foi referido, "o centro de cada reu nião de oração é o Senhor Jesus. Ele é o pólo de atração da comunidade e a fonte donde emana toda a sua força"'^ Uma autêntica reunião de oração é cristocêntrica, eliminando toda perspectiva mera mente individualista. 4.2 . C a r i s m á t i c a " A reunião de oração deve ser essencialmen te carismática, tendo como princípio dinâmico o Espírito Santo. A Renovação Carismática Católica caracteriza-se pelo uso abundante dos carismas - trata-se de outra principal característica do D N A da Renovação, aliás, a que mais nos distingue das demais expressões eclesiais devido à leitura especial que fa zemos dos carismas, conforme visto na Apostila 01 deste Módulo. Portanto, será comum nas reuniões a oração em línguas, as profecias, as curas e também os outros carismas (cf. I C o r 12,4-1 I) , todos ordena dos à caridade, até porque " O Espírito, que é dado a toda a Igreja, torna-se visível nos ministérios à Igreja e ao mundo. Neste sentido o Espírito e seus caris mas são inseparáveis (...). Uma vez que o Espírito e seus dons são parte essencial da natureza da Igreja como dons gratuitos, não é possível existir a Igreja sem um ou sem os outros. Sem o Espírito e seus carismas não há lgreja"^°. Os dirigentes da reunião de oração não devem resistir aos carismas, por medo ou indefinição. Isso seria recusar o poder de Deus. Os carismas são ele mentos normais da oração; "ao contrário, a sua au sência é que seria de estranhar Quando não apare cem esses sinais do Espírito, devemos analisar qual é o obstáculo que impede essa demonstração.A fé nos deve levar a deixar manifestar todos os seus dons e frutos"^'. Reuniões de oração sem carismas transfor- mam-se em círculos oracionais comuns, talvez bas tante frutuosos, porém fora do contexto pentecos tal próprio da R C C . " E não podemos ter um grupo de oração carismático se não queremos ter os dons do Espírito Santo, o poder do alto em ação"^^. 4 .3 . F r a t e r n a e a l e g r e A reunião de oração deve ter uma atmosfera de fraternidade e alegria, pela qual as pessoas se sen tem acolhidas, amadas e felizes durante o tempo em que ali estiverem. Esse clima é que faz com que, mui tas vezes, aqueles que vêm à reunião pela primeira vez, sintam o desejo de voltar "A alegria, às vezes explosiva, às vezes serena e profunda, é uma outra nota distintiva das reuniões de oração"" . 4.4 . E s p o n t â n e a e e x p r e s s i v a Como dito, o encontro de oração é informal. A reunião não é uma solenidade, embora possa ter momentos com esse caráter Sua marca é a espon taneidade dos participantes que, na liberdade do Es pírito, sentem-se à vontade para louvar em voz alta, cantar, bendizer e gesticular Os gestos livres tornam a reunião expressiva, de maneira que os bons sentimentos interiores dos participantes sejam "comunicados" e suscitem ou tras atitudes interiores."A expressividade é também traço característico da reunião de oração na Reno vação Carismática"^^ "Sempre que o homem ora, põe em jogo seu espírito, sua alma e seu corpo. É o homem inteiro que se dirige a Deus, que o escuta e se compromete com Ele. Por isso, levantar as mãos, aplaudir, mover-se e até dançar, são diversas manifes tações da oração do homem..."^^ 4.5 . O r d e n a d a Apesar de expressiva e espontânea, a reunião de oração deve ser marcada pela ordem (cf. I C o r 14,26-40). Por isso, toda reunião de oração, por me nor que seja, deve ter um dirigente principal. Mes mo a equipe que lhe auxilia não deve "passar por cima" dos seus direcionamentos. A função da equi pe auxiliar é "descobrir a vontade do Senhor para " lbid.,p.7 ^ C o o r d . C A R D E A L S U E N E N S , Orientações Teotógícas e Pastorais da Reno vação Carismática Católica. São Paulo: Ed. Loyola. 1975. pp. 19 José Prado F L O R E S , As reuniões de oração, pp. 15-18 " Ibid., p. 17 Cipr iano C H A G A S , Grupos de oração carismáticos, p. 10. " J. H. Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p. 19. " Cf. Ronaldo José de S O U S A , O Evangelho no subjetividade humana. In.: O Impacto da Renovação Carismática, p. 25. 22 _ Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L a assembleia e, ao mesmo tempo, ser um apoio de oração para o dirigente principal. Esta equipe serve também como filtro para as profecias, testemunhos, visualizações e todo o tipo de manifestações caris máticas que surgem durante a reunião"^'. Portanto, a equipe auxiliar ajuda o dirigente no discernimento dos passos a serem dados, mas deve sempre sugerir e não encobrir, para não comprometer a autoridade do dirigente e confundir a assembleia. O dirigente, por sua vez, deve ouvir sempre os seus auxiliares. sabedor de que não domina o Espírito, mas precisa da ajuda dos irmãos no serviço. O ritmo imprimido pelo dirigente e sua equipe não deve impedir a ação do Espírito, mas, pelo con trário, facilitá-la. Os dirigentes devem tomar cuidado para não monopolizar a oração, inibindo a participa ção de todos. É também importante que se respeite o horário para o início e para o fim, evitando-se as sim problemas com outros compromissos, sobretu do os familiares. 5. CONCLUSÃO A reunião de oração é o momento em que os participantes do Grupo de Ora ção, juntamente com outraspessoas, se reúnem para a oração.Tem como finalidades principais: louvar o Senhor, proporcionar a experiência do batismo no Espírito Santo, evangelizar querigmaticamente e construir a comunidade. Para estar no contexto pentecostal da Renovação Carismática Católica, a reu nião precisa ser: centralizada na pessoa de Jesus, carismática, fraterna e alegre, espon tânea e expressiva, mas, sobretudo, ordenada. J.H. Prado F L O R E S , As reuniões de oraçõo, p. 23. 23 Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L CAPITULO 3 PREPARAÇÃO E CONDUÇÃO DA REUNIÃO DE ORAÇÃO 1. INTRODUÇÃO Os responsáveis pela preparação e condução da reunião de oração são os membros do núcleo de serviço do Grupo de Oração. Esse processo en volve diversos aspectos pertinentes ao núcleo, ex postos e discutidos aqui mesmo nesse conjunto^^. Aqui cabe referir-se à reunião de oração como tal, o seu momento principal e decisivo, a sua am bientação e o desenrolar dos cantos, gestos, pala vras e mensagens. Evidentemente as referências são genéricas, evitando qualquer tipo de legalismo ou padronização e, ao mesmo tempo, procurando respeitar a liberdade do Espírito em suas moções. 2. PREPARAÇÃO A preparação da reunião de oração é um dos itens de grande importância.Alguns líderes, sob pre texto de que confiam na ação do Espírito Santo, vão para a reunião sem nenhum tipo de elaboração, achando que "no fim vai dar tudo certo". A Palavra de Deus tem um apelo muito forte a esse respeito: "Não negligencies o carisma que está em ti (...) Põe nisto toda a diligência e empenho, de tal modo que se torne manifesto a todos o teu aproveitamento" ( I T m 4,14-15). É necessário dedicar esforço e cari nho na preparação da reunião, dando liberdade para que o Espírito Santo possa mudar tudo, caso queira, adequando à vontade do Pai. Assim, a preparação do local, a arrumação das cadeiras, colocação de mensagens evangelizadoras (na forma de cartazes ou pequenos folhetos deixa dos nos bancos ou cadeiras), a disposição da mesa e dos equipamentos de som (quando houver), a limpe za e a higiene do local, tudo deve estar perfeito antes que cheguem os primeiros participantes. É comum se observar que as pessoas já estão sentadas e a equipe de música ainda está afinando instrumentos, escolhendo cantos ou mesmo instalando os equipa mentos. Seria bom evitar essa situação, pois ela pode quebrar o clima de espiritualidade que deve reinar desde o começo até o fim da reunião. Aquilo que estiver ao alcance para tornar tudo agradável e perfeito, para que as finalidades sejam obtidas, deve ser feito. Chegar até os corações e movê-los, isto é obra do Espírito Santo e Ele o fará tanto mais quanto se fizer bem a parte de ambien tação e preparo. Entre os aspectos preliminares à reunião de oração, três coisas são particularmente importantes: 2.1 I n t e r c e s s ã o Normalmente, os grupos dispõem de uma equipe ou ministério que intercedem pela reunião de oração noutro dia da semana. Essa equipe é fun damental! Ela antecipa os pedidos pelo bom êxito da reunião de oração, rogando para que todos os seus elementos (oração, pregação, música, testemunhos, etc) sejam conduzidos pelo Espírito Santo. Além disso, pede pelos participantes da reunião, para que estejam abertos às graças que Deus quer derramar sobre eles (cf Mt 6,32b). A intercessão ajuda no discernimento do nú cleo, através de palavras e moções dadas por Deus, sempre que solicitada acerca de alguma intenção es pecífica. Porém, não deve interferir diretamente na preparação da reunião, tomando iniciativas ou dando ordens que supõe virem de Deus. Qualquer palavra. " Cf. Ensino 01 desta apostila. 25 Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração moção, profecia ou ciência deve ser encaminhada ao coordenador do grupo. O coordenador discerne a aplicação ou não do que veio da intercessão. 2.2 Rhema^8 A reunião de oração é bastante livre e inédi ta. O Espírito pode conduzi-la de modo a fazer Sua vontade de forma imprevista pelos dirigentes. Po rém, frequentemente o núcleo de serviço, em sua reunião, recebe de Deus uma moção em forma de rhema, como um princípio norteador da oração.As- sim, colocando-se dóceis às inspirações do Espírito Santo, o dirigente e sua equipe vão para a condução sabendo de antemão qual o caminho a seguir, em bora usualmente sem saber em detalhes que passos devem ser dados. O rhema auxilia na preparação e ambientação da reunião. Por exemplo, se na reunião do núcleo o Senhor recorda a palavra bíblica: "Respondeu Jesus: 'Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete'" (Mt 18,22), de antemão, podem ser escolhidos cantos relacionados ao perdão e à fraternidade; a equipe de acolhimento poderá receber as pessoas com um "perdoai-vos" em vez de "boa noite"; car tazes e mensagens relacionados ao tema poderão ser afixados no local; os dirigentes poderão preparar dinâmicas que facilitem a oração de perdão; o prega dor daquela reunião será orientado sobre o rhema e preparará sua pregação de acordo com ele. Enfim, todo o conjunto da reunião estará em torno de um núcleo central. Isso facilitará em muito a compreen são e posterior vivência da mensagem da parte dos que vierem à reunião. 2.3 O r a ç ã o a n t e c e d e n t e d a e q u i p e É conveniente que se encontrem uma ou meia hora antes do início da reunião de oração: o núcleo de serviço, isto é, o dirigente principal (aquele mem bro do núcleo escolhido para conduzir a reunião), a equipe auxiliar, o ministério de música, o responsável pela pregação daquele dia e, eventualmente, a equipe de acolhimento. Durante esse tempo, eles se prepa ram para conduzir em unidade aquela reunião. , "Essa é a ocasião para pedir ao Senhor que faça deles um só Corpo - para pedir a liberação do Espí rito Santo sobre eles e o encontro. Eles (...) rezam uns pelos outros para que todos sejam canais visíveis de Seu amor curador"^'. 3. CONDUÇÃO 3.1 P r e l i m i n a r e s A reunião de oração, de certo modo, já se ini cia quando os primeiros participantes chegam. Esse tempo é usado para ambientar e formar fraternida de através da acolhida e de outros elementos, como distribuição de mensagens ou diálogos informais. Alguns colocam o ministério de música em ação já desde esse momento, cantando músicas ani madas e introduzindo as pessoas no clima de alegria e louvor Uma alternativa é colocar CD's musicais animados como fundo para a chegada das pessoas. 3.2 A n i m a ç ã o Normalmente, a reunião propriamente dita co meça com cantos animados, para fazer com que as pessoas abandonem as preocupações e tensões que trouxeram de casa. Em geral, as pessoas vêm aos en contros deprimidas, sem nem mesmo dar-se conta da extensão do peso que sentem. É preciso evitar muita agitação e buscar um am biente propício à oração. Em alguns casos se observa que a animação acaba por causar constrangimentos àqueles que são mais tímidos ou que estão vindo pela primeira vez. A animação inicial pode ser feita por um minis tro de música ou pelo próprio dirigente da reunião. Em qualquer dos casos, deve-se evitar interrupções bruscas das músicas animadas para entrar nas mú sicas lentas. Às vezes, a animação cansa um pouco as pessoas, deixando-as agitadas e com dificuldades de silenciar interiormente. O ideal é que se passe das músicas ritmadas para algumas moderadas, para depois virem as lentas. o t e rmo é comumente usado no ambiente da R C C e significa uma pa lavra inspirada ou recordada de forma atual, para o momento ou situação presente. " Robert D E G R A N D I S , Vem e segue-me, p. 63. 26 ^ y^ Renovação Carismática do Brasil - RCCBRAS I L o movimento seria: Primeiro - músicas animadas; Segundo - músicas moderadas; Terceiro - músicas lentas. O ministro ou dirigente vai passando de umas para outras sem quebrar a sequência, de maneira que a assembleia nem perceba o encadeamento da reunião, mas desfrute