Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA DO BRASIL 
MINISTÉRIO DE FORMAÇÃO 
APOSTILA 3 
MÓDULO BÁSICO 
GRUPO DE ORAÇÃO 
COMISSÃO NACION A L DE FORMAÇÃO D A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA 
ATUALIZADA 
" 3 
R C C B R A S I L 
Renovação Carismática Católica 
Copyright © Escritório Administrativo da RCCBRAS IL - 2013 
A r t e , diagramação e capa > 
Priscila L. G . F. Carvalho 
Revisão desta edição: 
Comissão Nacional de Formação da Renovação Carismática Católica 
R C C B R A S I L 
CIP. Brasi l . C a t a l o g a ç ã o na Fonte 
B IBL IOTECA NACIONAL - FUNDAÇÃO MIGUEL DE C E R V A N T E S 
ISBN: 978-85-52740-66-4 C D U : 2 
ISBN:CDU:2 
Caro leitor, pessoas cristãs, ou simplesmente honestas, não necessitam do jugo da lei para 
fazerem o que é certo. Pensando nisso, a RCCBRASIL está lhe dando cinco bons motivos para 
não copiar o material contido nesta publicação (fotocopiar, reimprimir, etc), sem permissão 
dos possuidores dos direitos autorais. Ei-los: - ' * = - • 
1. A RCC precisa do dinheiro obtido com a sua venda para manter as obras de evangelização 
que o Senhor a tem chamado a assumir em nosso País; 
2. É desonesto com a RCC que investiu grandes recursos para viabilizar esta publicação; 
3. É desonesto com relação aos autores que investiram tempo e dinheiro para colocar o 
fruto do seu trabalho à sua disposição; 
4. É um furto denominado juridicamente de plágio com punição prevista no artigo 184 do 
Código Penal Brasileiro, por constituir violação de direitos autorais (Lei 9610/98); 
5. Não copiar material literário publicado é prova de maturidade cristã e oportunidade de 
exercera santidade. 
IMPRESSO N O BRASIL 
Printed in Brazil 
SUMARIO 
Capítulo 1. O GRUPO DE ORAÇÃO 
1. INTRODUÇÃO 09 
2. O COORDENADOR DO GRUPO DE ORAÇÃO 11 
3. O NÚCLEO DE SERVIÇO 12 
3. L Critérios para composição do núcleo de serviço: ! 3 
3.2. As finalidades do núcleo são : 13 
3.3. A reunião do núcleo de serviço 14 
4. O SERVO DE JESUS NO GRUPO DE ORAÇÃO DA RCC 15 
5. MINISTÉRIOS NO GRUPO DE ORAÇÃO 16 
5.1. Cada ministério é sustentado por um carisma específico 17 
5.2. A autoridade do ministro é exercida na autoridade de .lesus 17 
5.3. O Espírito Santo é a fonte dos ministérios 17 
6. FUNDAMENTAÇÃO DOUTRINÁRIA 17 
7. CONCLUSÃO 18 
Capítulo!. A REUNIÃO DE ORAÇÃO: 
CONCEITO. FINALIDADES E CARACTERÍSTICAS 
1. INTRODUÇÃO 19 
2. CONCEITO 19 "•• 
2.1 A reunião de oração não é: 20 
3. FINALIDADES 21 
3.1. Para louvar o Senhor 21 
3.2. Para proporcionar a experiência do batismo no Espírito 21 
3.3. Para evangelizar querigmaticamente 21 
3.4. Para construir a comunidade cristã — — — — 21 
4. CARACTERÍSTICAS 22 
4.1. Centralizada na pessoa de Jesus 22 
4.2. Carismática 22 
4.3. Fraterna e alegre — - — 22 
4.4. Espontânea e expressiva 22 
4.5. Ordenada— — 22 
5. CONCLUSÃO 23 
Capítulo 3. PREPARAÇÃO E CONDUÇÃO DA REUNIÃO DE ORAÇÃO 
1. INTRODUÇÃO 25 
2. PREPARAÇÃO 25 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração 
2.1 Intercessão 25 
2.2 Rhema 26 
2.3 Oração antecedente da equipe 26 
3. CONDUÇÃO 26 
3.1 Preliminares 26 
3.2 Animação 26 
3.3 A oração; o papel do dirigente 27 
3.4. Sucedentes 28 
4. CONCLUSÃO 29 
Capítulo 4. ELEMENTOS DA REUNIÃO DE ORAÇÃO 
1. INTRODUÇÃO 31 
2. ELEMENTOS DA REUNIÃO DE ORAÇÃO 32 
2 .1 .0 louvor 32 
2.2. A oração em línguas 33 
2.3. O canto 33 
2.4. O silêncio 34 
2.5. Ato Penitencial 34 
2.6. A pregação 34 
3. CONCLUSÃO 37 
Capítulo 5. OS SERVIÇOS NA REUNIÃO DE ORAÇÃO 
1. INTRODUÇÃO 39 
2. ALGUMAS EQUIPES DE SERVIÇO DA REUNIÃO DE ORAÇÃO 39 
2.1. Equipe de arrumação 39 
2.2. Equipe de acolhimento e recepção 39 
2.3. Ministério de música 40 
2.4. Ministério para crianças — — — 40 
2.5. Ministério de intercessão 40 
2.6. Ministério de Pregação — — 41 
2.7. Ministério de oração por cura e libeilação 41 
3. CONCLUSÃO 42 
Capítulo 6. O GRUPO DE PERSEVERANÇA 
1. INTRODUÇÃO _ • — 43 
2. CONSIDERAÇÕES GERAIS 43 
3. ALGUMAS OBSERVAÇÕES IMPORTANTES ACERCA DO GRUPO DE PERSEVERANÇA 44 
4. GRUPO DE PERSEVERANÇA: COMO ORGANIZAR 44 
5. LÍDERES EM POTENCIAL 45 
6. FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA 46 
7. COMO LIDAR COM PROBLEMAS NO GRUPO DE PERSEVERANÇA 47 
8. FUNDAMENTAÇÃO DOUTRINÁRIA 48 
9. CONCLUSÃO 49 
B I B L I O G R A F I A 50 
6 
--^ Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 
APRESENTAÇÃO 
Esta formação quer aprofundar a reflexão sobre o Grupo de Oração, uma das 
mais importantes expressões da R C C , sua célula principal. 
Grupo de Oração é a caminhada de uma pequena comunidade da R C C , inserida 
numa Paróquia, Capela, etc. 
Baseados em A t 2,1-47, se estudará o G O em seus três momentos distintos: 
Equipe Núcleo de Serviço (grupo fechado). Reunião de Oração (aberto) e Grupo de 
Perseverança (fechado). 
Neste momento a manifestação da vivência da "Cultura de Pentecostes" não 
se pode recuar! É hora de buscar a vivência da identidade da R C C em todas as suas 
dimensões! 
do clima agradável que ele cria. 
Observe-se, por outro lado, para que não haja 
um excesso de músicas no início da reunião de ora-
ção.Aliás, esta é uma observação muito importante: 
não é próprio da Reunião de Oração uma sequência 
numerosa, definida ou indefinida, de apresentações 
musicais como ocorre na ministração de um show, 
por exemplo; as músicas devem favorecer e ceder à 
ministração da oração, favorecem a abertura e pre­
paração dos corações. Atente-se, pois, aos momen­
tos em que é necessário o silêncio fecundo. Não se 
pode pensar numa Reunião de Oração toda cantada, 
ou toda agitada por gestos animados, que não pro­
porcione a espontaneidade da oração de louvor in­
dividual e coletivo, a entrega e abertura espontânea 
do coração mediante a partilha da oração, o silên­
cio expectante para a escuta profética e/ou para a 
adoração a Deus no interior, a resposta individual e 
coletiva àquilo que Deus falou a seu povo reunido. 
3.3 A o r a ç ã o : o pape l do d i r igente 
O dirigente da reunião de oração é, por as­
sim dizer, o responsável por introduzir as pessoas 
na presença de Deus. Por isso, deve estar aberto às 
moções do Espírito para aquele instante, discernin­
do quais os passos a serem dados e emitindo ordens 
curtas e concretas nesse sentido. "Sua liderança as-
semelha-se à de um regente de orquestra - quais as 
partes que ele deve deixar que se destaquem e quais 
as que deve manter em silêncio até outro momento 
do encontro. O líder não pode ser apenas passivo 
pois alguém mais, de alguma outra forma não defini­
da, poderá acabar na realidade liderando o grupo"^°. 
É importante salientar que todo o restante do nú­
cleo e os demais servos do Grupo de Oração devem 
ser dóceis ao sentido que o dirigente está dando 
à reunião de oração, evitando-se atropelos, desen­
contros e quebra de unidade. De modo especial, o 
ministério de música precisa ficar atento e "submis­
so" a tal direção para que, no momento oportuno, 
ministre a canção mais apropriada. 
O dirigente, por sua vez, deve se convencer 
de que ali, na reunião de oração, não é o momento 
de uma oração pessoal. Alguns começam a rezar de 
acordo com suas próprias necessidades ou, quando 
muito, rezam o tempo todo em nome da assembleia, 
como se fosse um interlocutor entre ela e Deus, 
deixando as pessoas presentes como meros expec-
tadores. 
O dirigente deve estar atento às ações e rea-
ções da assembleia, o modo como cantam, rezam, 
aderem ou não às ordens emitidas. Quando a oração 
não estiver decorrendo satisfatoriamente, é preciso 
discernir o que está acontecendo e o que fazer para 
alterar a situação. As vezes, as pessoas estão opri­
midas por alguma coisa e, por isso, por mais que se 
diga, elas não louvam com fluência nem se sentem 
inseridas no contexto da reunião. Nesse caso, o di­
rigente proporá, de acordo com a moção de Deus, 
uma oração de libertação, um ato penitencial, uma 
canção ou outra coisa inspirada. Isso poderá devol­
ver às pessoas o interesse e a espontaneidade na 
oração. " A profundidade do círculo de oração de­
penderá, em grande parte, da fé corajosa do diri­
gente. Ele deve, é claro, ter prudência, mas nunca ter 
medo (...). Deve ter coragem para tomar decisões, 
controlar situações e, sobretudo, para manifestar o 
plano de Deus"^'. 
Em algumas reuniões podem ocorrer proble­
mas, como as atitudes exaltadas ou emotivas demais 
da parte de uma ou mais pessoas. Às vezes, alguém 
pode emitir palavras ou moções supostamente vin­
das de Deus, mas que são meros devaneios de sua 
subjetividade, acabando por atrapalhar a reunião, 
desviando a atenção dos outros do eixo central e 
proveitoso da oração. Esses casos devem ser con­
tornados pelo dirigente com discernimento, bom 
senso e, sobretudo, com caridade. Não se deve fazer 
exortações ásperas nem tomar atitudes extremas, 
como, por exemplo, mandar calar a boca. Mas tam­
bém não se pode permitir que uma ou duas pessoas 
confundam o sentido e o objetivo da reunião. O di­
rigente deve agir destramente, para não conturbar 
a oração. 
A mesma destreza é necessária quando alguém 
critica ou contesta algo diretamente no momento da 
oração ou pregação. Nesses casos, "o melhor será 
o líder dar respostas simples e diretas e, então, vol­
tar prontamente à atividade de louvar e partilhar"^^ 
Certamente, é bom lembrar aqui da promessa do 
Senhor: "Naquele momento ser-vos-á inspirado o 
que haveis de dizer" (Mt 10,19b). No contexto da 
reunião de oração, também é preciso evitar: 
" Vicent M . W A L S H , Conduzi o meu povo, p. 20. 
J .H. Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p. 50. 
" Robert D E G R A N D I S , Vem e segue-me, p. 62. 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração 
3.3.1 I n t r o d u ç õ e s longas 
Supondo que a moção seja para que a assem­
bleia louve o Senhor coletivamente e em vernáculo 
(idioma pátrio). O dirigente poderá dizer: "Vamos 
agora louvar o Senhor com nossas palavras. Dizer 
que Ele é bom, é maravilhoso, que não há Deus 
como Ele. Louvá-lo porque Ele nos salvou. Ele nos 
deu a paz, libertou-nos dos vícios, devolveu a har­
monia às nossas famílias.Vamos louvá-lo porque Ele 
é poderoso, porque realiza prodígios e milagres em 
nosso meio, porque sua sabedoria é infinita, etc, etc". 
Quando ele terminar, as pessoas já estarão sem von­
tade de louvar; ou então, não se lembrarão mais de 
nenhum motivo que já não tenha sido dito pelo di­
rigente; ou, ainda, estarão sentadas e com os olhos 
abertos. • 
Do contrário, se o dirigente fizer uma introdu­
ção breve como: "Vamos levantar os nossos braços 
e louvar ao Senhor com alegria por tudo o que Ele 
é e faz nas nossas vidas", assim, todos haverão de 
louvar e a reunião prosseguirá normalmente. As in­
troduções mais longas só cabem em circunstâncias 
peculiares, por força da moção do Espírito. 
3.3.2 O r d e n s i n c o m p r e e n s í v e i s 
É preciso que as ordens dadas sejam claras, de 
maneira que todos entendam o que devem fazer; do 
contrário, a assembleia ficará confusa e tumultuada. 
Por exemplo, se o dirigente disser:"Fique fren­
te a frente com seu irmão da direita e orem um pelo 
outro". Ora , todos virarão para a direita e ninguém 
saberá se deve voltar-se ou esperar que a pessoa da 
frente se volte. 
Como obedecer a uma ordem como essa?:"Va-
mos, irmãos, louvar o Senhor por sua bondade, pe­
dir que Ele nos abençoe nessa noite, interceder por 
aqueles que não estão aqui, para que se convertam. 
Rezemos ao Senhor". 
Há três indicações contidas numa só: louvar o 
Senhor por sua bondade, pedir bênção e interceder 
pelos que não estão na reunião. Qual das três se­
guir? A menos que a pessoa tenha facilidade em sis­
tematizar, para fazer uma coisa após outra e dar-lhes 
sentido, ficará confusa. Alguns louvarão, outros pe­
dirão, outros intercederão. Porém, muitos não farão 
nenhuma coisa nem outra, porque não entenderão 
a ordem. 
3.3.3 F r a g m e n t a ç ã o das m o ç õ e s 
O ideal é que a reunião seja relativamente 
conexa em suas partes. O dirigente que não obede­
ce a um núcleo central de moção é como um franco 
atirador que dispara em várias direções, sem deter­
minar o alvo. 
Nesse aspecto, é muito comum que, durante a 
manifestação dos carismas, sejam pronunciadas vá­
rias palavras bíblicas, mensagens proféticas, palavras 
de ciência e sabedoria.Algumas estarão fora do con­
texto da oração e refletem mais os sentimentos e 
necessidades das pessoas que as pronunciaram. O 
mesmo pode acontecer com simples orações indivi­
duais. O dirigente deve, no Espírito e com habilidade, 
examinar tudo e ficar com o que é bom e propício 
para aquele momento, dando os próximos direcio­
namentos a partir daquelas palavras e moções mais 
oportunas e autênticas. 
No caso de palavras bíblicas durante a oração, 
"a atitude dos ouvintes, em vez de procurar os tex­
tos na sua Bíblia, há de ser a de concentrar toda a 
sua atenção em escutar a Palavra, deixando-a pene­
trar como a chuva que entranha na terra, fecunda-a 
e a faz germinar"". 
Em função do caráterlivre e espontâneo da 
reunião de oração, pode haver momentos em que a 
assembleia, introduzida na presença do Senhor, sinta-
se como que autónoma para rezar Esse é o momen­
to do dirigente "recuar" e permitir que as pessoas 
sigam os impulsos do Espírito nelas mesmas. Isso 
acontece, por exemplo, num longo momento de ora­
ção em línguas, em que a assembleia insiste no lou­
vor ininterrupto. Sempre que a oração atingir esse 
nível, o dirigente interferirá menos, apenas quando 
houver necessidade de uma nova motivação. Ele co­
locará a oração de volta no caminho certo, quando 
perceber que ela está se desviando para outra cono­
tação. O dirigente deve propor a oração conforme o 
momento que o povo está vivendo. Daí a reunião de 
oração não ter um esquema rígido e fixo. 
3.3.4 A a n s i e d a d e do d i r i g e n t e 
Os momentos de silêncio na reunião de ora­
ção, especialmente após um momento de louvor, são 
propícios para a escuta do Senhor Ocorre que após 
uma ou duas mensagens proféticas, alguns dirigentes, 
por medo do silêncio, interrompem a escuta quando 
possivelmente o Senhor ainda quisesse continuar fa­
lando ao seu povo. Devemos dar amplo espaço para 
que a prática carismática flua pela assembleia. 
Outras vezes, por exemplo, o dirigente inter­
rompe momentos frutuosos de oração por cura 
quando o Senhor ainda quer tocar e curar os seus. 
Em outras ocasiões, em pleno louvor, o dirigente 
J.H. Prado F L O R E S . A s reuniões de oração, p. 33. 
28 
Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 
o interrompe e pede ao povo para se sentar, com 
medo de estar cansando os participantes.Tais atitu­
des atrapalham o desenrolar da reunião de oração e 
prejudicam a unção. 
3.4. S u c e d e n t e s 
Após um bom tempo de oração carismática, 
segue-se a pregação querigmatica e, logo após esta, 
novo momento de oração para sedimentar o conte­
údo da pregação, seguindo-se á ação de graças. Logo 
em seguida, apêndices como: avisos, testemunhos, 
outros. É bastante salutar que a reunião, no seu final, 
seja sintetizada em sua mensagem ou ação princi­
pal^''. Isso ajuda aos participantes compreenderem 
e aplicarem na vida o que Deus realizou e propôs 
naquele momento. A síntese também serve como 
recurso de memorização, o que facilita a retenção 
da mensagem. 
Outras sugestões podem ser dadas, de ele­
mentos que se sucedem à oração e pregação com 
o intuito de possibilitar ou enriquecer a vivência da 
reunião de oração: 
• Propostas de uma direção para a semana: 
palavra de meditação baseada em algum versículo 
das citações utilizadas na pregação, leitura orientada 
da Bíblia, de um livro, de um tema, etc; 
• Panfletos com os eventos da R C C , com o 
funcionamento do Grupo de Oração, da Paróquia, 
Capela, etc; 
• Convidar para a próxima reunião de oração; 
• Panfletos indicando os serviços do Grupo 
de Oração (formação, acompanhamento, juventude, 
casais, música...) como oportunidade de engajamen­
to dos participantes. 
4 . CONCLUSÃO 
A reunião de oração será mais proveitosa tanto quanto for bem preparada e 
dirigida, criando assim melhores condições para a ação do Espírito. Para dirigir bem 
uma oração é necessário, antes de tudo, ter o carisma confirmado para esse ministé-
rio.Além disso, a facilidade em dirigir reuniões dependerá do nível de intimidade do 
servo-líder com Deus a partir da própria oração. Pessoas de intensa vida de oração 
terão mais afinidade e abertura ao Espírito e conduzirão melhor as reuniões.Vicent 
Walsh fala de três qualidades necessárias a um dirigente: estabilidade emocional, vida 
profunda no Espírito e sensibilidade à ação de Deus no encontro". 
" O Espírito Santo é soberano e o que Ele pode querer fazer numa reunião de 
oração talvez seja algo nunca antes realizado, algo diferente do que já conhecemos 
e, no entanto, se é obra sua, é tão importante que não lhe devemos opor nenhum 
obstáculo"^'. 
" Cf. Ib id , p. 61-62. 
Cf. Conduzi o meu povo, p. 17-18 
" Cipr iano C H A G A S , Grupos de oração carismáticos, p. 2. 
29 
^ ^ Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 
CAPÍTULO 4 
ELEMENTOS DA REUNIÃO DE 
ORAÇÃO 
1. INTRODUÇÃO 
É importante que o Espírito Santo conduza 
tudo na vida do cristão, principalmente na Reunião 
de Oração. É assim que Jesus quer: 
"Sereis batizados no Espírito Santo daqui há 
poucos dias. Descerá sobre vós o Espírito Santo e 
vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Je­
rusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os confins 
do mundo" (At 1,5.8). 
Jesus prometeu e derramou seu Espírito, capa­
citando sua Igreja a ser sua testemunha. O Espírito 
Santo é a alma da Igreja. Foi Ele que a conduziu até 
aqui, nestes mais de vinte séculos. É o Espírito Santo 
que suscita novos movimentos, que renovam con­
tinuamente a Igreja de Jesus Cristo. Foi o Espírito 
Santo que suscitou na Igreja a Renovação Carismá­
tica Católica. Ele é a alma da renovação. Chama-se 
Renovação Carismática porque se identifica com os 
carismas, porque utiliza os cirismas do Espírito San­
to, não sem fundamentação, mas à luz do Sagrado 
Magistério da Igreja. 
Sabemos que é importante buscar os carismas; 
porém, mais do que buscar e desejar os carismas, é 
importante ter anseio e procurar continuamente es­
tar plenos de seu Doador: o próprio Espírito Santo. 
Portanto, para o carismático, todo momento, toda 
circunstância, em qualquer situação é hora de clamar 
o Espírito Santo, de deixar-se conduzir por Ele, mas, 
particularmente, ao preparar e conduzir a Reunião 
de Oração. 
Toda Reunião de Oração deve levar os parti­
cipantes à Efusão do Espírito Santo, a uma nova ex­
periência com o Paráclito. Aliás, nossos Grupos de 
Oração como um todo precisam se considerar os 
cenáculos dos dias de hoje. Assim como os discípu­
los permaneceram reunidos em oração em torno de 
Maria, aguardando o cumprimento da promessa feita 
por Jesus, nossos Grupos também precisam ser esse 
lugar da constante expectativa e, ao mesmo tempo, 
de cumprimento da promessa, isto é, de derrama­
mento do Espírito Santo, como em Pentecostes. A 
Beata Elena Guerra nos ensina: 
" O Pentecostes não terminou; de fato é sem­
pre Pentecostes em todos os tempos e em todos 
os lugares, porque o Espírito Santo deseja arden­
temente dar-se a todos os homens e, aqueles que 
o desejam, podem recebê-lo sempre; portanto não 
temos nada a invejar aos Apóstolos e aos primeiros 
cristãos; nós só temos que nos dispor, como eles, a 
recebê-lo bem e Ele virá a nós como veio a eles";"o 
mistério de Pentecostes é um mistério permanente; 
o Espírito continua a vir sobre todas as almas que 
verdadeiramente o desejam"; "não foi somente so­
bre os Apóstolos que desceu o Espírito Santo, como 
mostrou também por meio de sucessivas aparições 
nos dias que se seguiram a Pentecostes, mas vem 
para todos os fiéis, em todos os lugares, em qualquer 
idade, basta que o queiram, que O invoquem, e lhe 
dêem lugar no próprio coração." 
Importante é esclarecer que a Efusão do Espí­
rito Santo não é um momento estanque, automáti­
co. Requer interiorização, preparação dos corações 
pela Palavra, abertura interior, ministração ungida. 
Tampouco se baseia em gritos desordenados ou cla­
mores demasiadamente exaltados, mas num coração 
sedento do Espírito Santo, para que essa efusão pos­
sa gerar frutos de conversão, de santidade, de rea­
vivamento espiritual, de manifestação poderosa dos 
carismas. É preciso, pois, preparar o ambiente inte­
rior, verdadeiramente ansiar beber e mergulhar na 
Água Viva, abrir-se e dar liberdade ao Poder de Deus. 
31 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração ^ . 
2. ELEMENTOS DA REUNIÃO DE 
ORAÇÃO 
Alguns elementos da reunião de oração me­
recem destaque, pela importância que têm em seu 
conjunto. Não é imperativo que todos estejam pre­
sentes em todas as reuniões, mas normalmente es­
tão em maior ou menor grau e devem ser aprovei­
tados adequadamente. O enfoque maior será sobre 
o louvor e a pregação, por se tratarem de dois dos 
poios principais da reunião de oração.2 . 1 . 0 l o u v o r " 
" O louvor é a forma de oração que reconhe­
ce o mais imediatamente possível que Deus é Deus. 
Canta-o pelo que Ele mesmo é, dá-lhe glória, mais do 
que pelo que Ele faz, por aquilo que Ele é. Participa 
da bem-aventurança dos corações puros dos que o 
amam na fé antes de o verem na glória. Por ela, o Es­
pírito se associa ao nosso espírito para atestar que 
somos filhos de Deus, dando testemunho do Filho 
único em quem somos adotados e por quem glori­
ficamos o Pai. O louvor integra as outras formas de 
oração..." (Catecismo n. 2639). 
A reunião de oração é um momento propí­
cio para aprender a louvar a Deus. Nunca é demais 
louvar o Senhor Reconhece-se e proclama-se tudo 
aquilo que o Senhor representa para cada um. É uma 
oração libertadora. Ao louvar a Deus, as pessoas 
libertam-se para confiar plenamente no Pai que as 
ama incondicionalmente, desviando a atenção delas 
mesmas e concentrando-se em Jesus. Quando se 
louva o Senhor, naturalmente se afugenta para longe 
as vãs preocupações, o desânimo, a tristeza, a amar­
gura, porque se reconhece que há um Deus que é 
grande e Todo-Poderoso. Deus habita nos louvores 
de seu povo. O louvor que brota do coração humil­
de agrada o Senhor 
O louvor deve ser dado a Deus mesmo quando 
as situações são dolorosas, humilhantes e até desas­
trosas. Não é difícil louvar quando as circunstâncias 
são favoráveis. É normal alegrar-se no momento do 
sucesso, da prosperidade, da boa saúde e da fama. 
Mas São Paulo diz:"Rendei graças, sem cessar e por 
todas as coisas, a Deus Pai, em nome de nosso Se­
nhor Jesus Cr is to" (Ef 5,20). 
A inspiração para o louvor é reação espontâ­
nea e/ou cultivada a partir da percepção da grandeza 
e bondade de Deus. "Por ele (então) ofereçamos a 
Deus sem cessar sacrifícios de louvor, isto é, o fruto 
dos lábios que celebram o seu nome" (Hb 13,15). 
Que se pretendeu dizer com 'sacrifício de louvor'? 
No Antigo Testamento, sacrifício requeria morte. 
Um animal era morto. Mas, no 'sacrifício de louvor', 
é o ego da pessoa que precisa morrer É necessário 
sacrificar o próprio julgamento, a própria opinião, 
a própria avaliação quanto àquilo que é correto e 
bom; vence-se a preguiça, a frieza e o abatimento 
espiritual, a dureza de coração. É necessário louvar a 
Deus por todas as coisas. 
A experiência de Deus e a oração de louvor ca­
minham de mãos dadas. Quem convive com o Deus 
Vivo, conhecido por experiência, sente-se natural­
mente impelido a louvá-lo, por descobrir sempre 
mais como Ele é maravilhoso e quão grandes são 
suas obras. Quem proclama os louvores do Deus 
Vivo, manifesta sua experiência de Deus e,ao mesmo 
tempo, cresce nela. Forma-se, assim, o círculo virtuo­
so: quanto mais experiências do Deus Vivo, maior o 
louvor E, quanto mais se louva, maior a consciência 
da experiência de Deus. 
Em que consiste louvar? Louvar é elogiar al­
guém por alguma qualidade, virtude, obra ou reali­
zação que desperta admiração. Louvar é, portanto, 
fazer elogios ao Deus Vivo por algo que nele causa 
admiração ou encantamento. 
Como se percebe, o louvor é uma atitude 
muito simples. Na reunião de oração, os tipos mais 
comuns de louvor são os individuais e os coletivos. 
No louvor individual, convém que a pessoa que o 
faz por primeiro não diga palavras muito difíceis 
ou frases enfeitadas, para não inibir aqueles que só 
sabem fazer louvores bem simples. " O importante 
não é dizer frases literalmente bem elaboradas, nem 
cheias de profundo conteúdo teológico, pois não se 
trata de impressionar, nem doutrinar a comunidade; 
o importante é abrir simplesmente o coração para 
Deus"^^ Essas intervenções também não devem ser 
demasiadamente longas e cansativas. 
A confiança para participar em voz alta nasce 
da familiaridade que o ambiente proporciona, mas 
também "graças à experiência que o Espírito Santo 
" Alírio J. PEDRINI , Exper/êncío de Deus, p. I 19-121. Robert D E G R A N D I S , 
Lourai a Deus diariomeme, p. 46-47. 
" J. H. Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p. 20. 
32 
^ Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 
nos concede de nos sentirmos filhos de Deus, e da 
capacidade que nos dá de gritar: Abba, Papai"^'. Em 
qualquer caso, a oração individual ajuda a desinibir o 
participante. Aqui cabe uma observação importante: 
é possível que os louvores dos irmãos neoconverti-
dos apresentem "erros" teológi-cos e/ou doutrinais, 
os quais N Ã O devem ser corrigidos diante de toda a 
assembleia, bem como deve-se evitar olhares e ges­
tos de recriminação, julgamento ou mesmo sarcas­
mo, atitudes não cristãs. Tais atitudes podem desen­
cadear um profundo bloqueio no coração daqueles 
que estão desabrochando para o Senhor. 
2 . 2 . A o r a ç ã o e m l ínguas 
Quanto mais espontânea a oração em línguas, 
melhor será o clima do louvor Por isso, o dirigen­
te deve conduzir e não induzir ou "forçar a barra" 
com orações estridentes ao microfone. É o Espírito 
que, antes de qualquer pessoa, move cada um para 
que use o dom. No entanto, não há problemas em 
incentivar ou pedir para que as pessoas orem em 
línguas. Deve-se evitar a expressão "linguagem dos 
anjos", pois que não possui qualquer respaldo bíblico 
ou teológico. Pode-se dizer:Vamos orar no Espírito, 
ou, vamos deixar o Espírito orar em nós. 
O essencial é deixar que o próprio Espírito ore 
nas pessoas e imprima a ressonância e a tonalida­
de que quiser A tonalidade ajuda a fazer com que a 
oração em línguas não se torne gritante e sem har­
monia. "Os muitos cantos diferentes se harmonizam 
num só, cheio de paz ou de poder, em que cada um 
é instrumento incomparável dirigido pelo próprio 
Espírito"''". 
Durante o louvor ou a oração em línguas, o Se­
nhor pode revelar - através de palavra de ciência - as 
curas e libertações que está realizando. O dirigente 
deve proclamar para a assembleia e assim, suscitar 
os testemunhos. 
2 . 3 . 0 c a n t o 
A música é um elemento fundamental para a 
reunião de oração. Porém, se não for adequada, pode 
comprometer o desenrolar das expressões de lou­
vor da assembleia e até mesmo a reunião de oração 
como um todo. 
Há um evidente perigo da reunião se transfor­
mar numa espécie de festival de músicas, sobretudo 
quando se tem um ministério que supervaloriza o 
preparo técnico. O melhor ministério de música é 
aquele orante e ungido que, num só coração com 
as demais equipes de serviço da reunião, tem a pre­
ocupação de ajudar as pessoas a se colocarem na 
presença de Deus. De modo algum se quer colocar 
em segundo plano a necessidade de se ter músicos 
de excelência técnica em nosso meio, mas tal exce­
lência precisa estar submetida ao poder e unção do 
Espírito Santo. 
O ministério de música deve estar em obediên­
cia e comunhão com o dirigente principal da reunião. 
O dirigente é a autoridade naquela hora. Por isso, 
durante a oração não é bom inserir cantos sem que 
ele saiba quando e quais, a menos que um ministro 
de música julgado experiente e em unidade suficien­
te seja encarregado disso previamente. De qualquer 
modo, o ministério de música deverá ter sempre al­
guém à frente durante a reunião, que responde por 
ele junto ao dirigente principal. 
Não é preciso dizer que as letras dos cantos 
devem estar em consonância com as moções da reu­
nião. "A música mesma (...) deve ir-se adaptando ao 
ambiente, ao tom que está tomando a oração"'". Um 
canto ou mesmo um ritmo mal colocado pode des­
viar completamente o rumo da reunião de oração. 
Padre Joãozinho''^ observa que a reunião de 
oração emana do culto eucarístico e ali encontra 
seu sentido. Por isso, conclui que na reunião o can­
to "será tanto mais santo quanto mais intimamente 
estiver ligado ao momento da ação litúrgica que se 
estiver revivenciando"''^ É oportuno observar aqui, 
então, algumas formas e expressões do canto na reu­
nião de oração:''^ 
2.3.1 Canção c o m palmas: as palmas devem 
ser um complemento da oração, por isso, espontâ­
neas e alegres. As Escrituras estão cheias deste tipo 
de oração (cf SI46/47,2; SI 97/98,8). No entanto, há 
que se ter cuidado para não substituir o canto do 
povo pelas simples palmas. Da mesma forma, as pal­
mas devem expressar um extravasamento corporal 
da alegria interior e não simplesmente um gesto co­
letivo sem maior sentido. 
2.3.2 C a n ç ã o c o m as mãos levantadas: 
é expressão que manifesta nossa dependência de 
Deus e nosso clamor sincero a Ele (cf SI 62/63,5; 
133/134,2; 140/141,2). 
" lbid. ,p.40. 
Cipr iano C H A G A S , Grupos de oração carismáticos, p. 19, 
" lbid.,p. 16. 
" C f João Car los A L M E I D A , Cantar em espirito e verdade, p. 88. 
« Ibid., p.89 
« Cf. Ibid., p. 89-94. 
33 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração > ,̂ 
2.3.3 C a n ç ã o de júbilo: a experiência pro­
funda de Deus às vezes é tão intensa que é preci­
so gritar É fruto do Espírito (cf. SI 46/47,1; 80/81,2; 
99/100,1). 
2.3.4 Canção de adoração: manifesta o re­
conhecimento da grandeza de Deus e de nossa pe­
quenez. É uma maneira de proclamar que Jesus é o 
Senhor (cf. SI 94/95,6). 
2.3.5 C a n ç ã o c o m danças: É bom, santo e 
bíblico orar com danças como fazia o Rei Davi (cf. 
2Sm 6,14).Todo o ser deve se voltar para Deus: es­
pírito, alma e corpo. Nada mais natural e salutar do 
que soltar-se, de modo equilibrado e não eufórico, 
nos louvores do Senhor 
2.3.6 Canção de luta: denuncia o homem 
velho. O exemplo maior é o canto de Maria:"Derru-
bou do trono os poderosos e exaltou os humildes" 
(Lc 1,52). Esse canto anuncia a grandeza de um Deus 
que faz maravilhas pelos seus. 
2.3.7 C a n ç ã o de regozijo: era o grito atra­
vés do qual Israel louvava a Deus por seus porten­
tos. "Toda multidão dos discípulos tomada de alegria, 
começou a louvar a Deus em altas vozes, por todas 
as maravilhas que tinha visto" (Lc 19,37). 
2.3.8 Louvor instrumental : tocar diante do 
Senhor por si só já é uma oração. A música instru­
mental só será santa se brotar de um coração re­
novado. O amor e o júbilo são expressos nos sons 
dos instrumentos. Deve-se atentar, contudo, para 
a necessidade do silêncio exterior para que haja o 
interior Assim, o louvor instrumental não deve ser 
normativo para todos os momentos em que o di­
rigente e/ou a assembleia se calarem. Deve brotar 
naturalmente de acordo com a unção do momento. 
2 . 4 . 0 s i l ênc io 
O dirigente deve estar atento para proporcio­
nar momentos de silêncio durante a reunião de ora­
ção. Alguns momentos propícios para isso são: após 
a oração em línguas (para favorecer a profecia), após 
a profecia (para assimilação das palavras mais fortes) 
e ao final da pregação. 
O silêncio ajuda a "balancear" a reunião, tor-
nando-a ainda mais dinâmica. De modo algum reflete 
monotonia e cansaço. "Em toda reunião deve haver 
momentos de silêncio fecundo e cheio da presença 
do Senhor Não um silêncio vazio, tímido e tenso, 
mas o silêncio que favorece a comunicação de Deus 
conosco. Muitas vezes nos queixamos de que Deus 
não nos fala, mas talvez não tenhamos nos dado con­
ta de que somos nós que não lhe damos a oportuni­
dade de fazê-lo"''^ i . 
2.5. A t o Penitencial"' ' 
O perdão dos pecados é dado por Deus a quem 
reconhece seus erros, "Se reconhecemos os nossos 
pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar 
os pecados e para nos purificar de toda iniquidade" 
( IJo 1,9). Jesus deixou o sacramento da Penitência, 
a confissão. Os pecados graves precisam passar pela 
absolvição sacramental, dada pelo sacerdote; os pe­
cados veniais, leves, podem também, ser perdoados 
de outros modos, como numa celebração peniten­
cial apropriada, sempre que o pecador pedir sincera­
mente perdão a Deus; também por jejuns, esmolas, 
penitências e boas obras realizadas nesta intenção, 
acompanhada do desejo de verdadeira conversão. 
Servindo-se do próprio fluxo da reunião de 
oração, o dirigente terá a oportunidade de fazer a 
cura espiritual acontecer pelo perdão. Pode, tam­
bém, promover orações de cura espiritual através 
de atos penitenciais devidamente inspirados. 
Para que o perdão aconteça é necessário que 
aquele que pecou: 
• Reconheça o seu pecado; 
• Arrependa-se; 
• Peça perdão a Deus, sinceramente; 
• Proponha-se a vencer e evitar o pecado; 
• Proponha-se à reparação (ex: devolver o 
que roubou, perdoar a quem o ofendeu, pedir per­
dão a quem ofendeu, e t c ) . 
Deus está sempre esperando e pronto para 
perdoar "Se vossos pecados forem escarlates, tor-
nar-se-ão brancos como a neve! Se forem verme­
lhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã!" 
(Is I , l 8b ) . 
2.6. A p r e g a ç ã o 
A pregação é um momento dos mais importan­
tes da reunião de oração. Ela motiva o povo a rezar e 
faz aumentar a fé. A pregação visa atingir o coração, 
leva a experimentar a misericórdia de Deus que se 
manifesta em seu Filho Jesus. 
« J. H _ Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p. 31. 
« C f Al ír io J. P E D R I N I , Grupos de oroçâo,p. 41 ss. 
34 
Renovação Carismática do Brasil - RCCBRAS I L 
Nos Atos dos Apóstolos é esta a sequência: Pe­
dro, cheio do Espírito Santo, se destaca dos demais e 
com voz forte anuncia o Evangelho aos que se ajun­
tavam ali que, com os corações atingidos, perguntam 
o que devem fazer para receber, também eles, o dom 
do Espírito. Pedro faz a pregação. O povo reage e 
pergunta. Ele faz uma proposta de conversão e tudo 
vai acontecendo (cf.At 2,14-41). 
Assim deve acontecer nas reuniões de oração. 
A pregação motiva e o povo reage, pedindo, louvan­
do, cantando. A Palavra de Deus anunciada deve to­
car e levar o povo a reagir através da oração, do lou­
vor, do canto, da disposição do coração para receber 
o Espírito Santo. 
Ensina o Concílio Vaticano II: 
"Impõe-se, pois, a todos os cristãos o dever 
luminoso de colaborar para que a mensagem divi­
na da salvação seja conhecida e acolhida por todos 
os homens em toda a parte. (...) Para exercerem tal 
apostolado, o Espírito Santo - que opera a santifica­
ção do povo de Deus através do ministério e dos 
sacramentos - confere ainda dons peculiares aos fi­
éis (cf I C o r 12,7) 'distribuindo-os a todos, um por 
um, conforme quer' ( I C o r 12,1 I ) . (...) Da aceitação 
destes carismas, mesmo dos mais simples, nasce em 
favor de cada um dos fiéis o direito e o dever de 
exercê-los para o bem dos homens e a edificação da 
Igreja, dentro da Igreja e do mundo, na liberdade do 
Espírito Santo...'"*'. 
A pregação leva as pes; oas a conhecerem Jesus. 
"Porém, como invocarão aquele em quem não têm 
fé? E como crerão naquele de quem não ouviram 
falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pre­
gue?" (Rm 10,14). Na reunião de oração ela deve 
ser querigmatica. A diferença básica das mensagens, 
em especial a querigmatica e a catequética, consiste 
no fato de que a primeira (o querigma = do grego 
KERISSEIN = proclamar,gritar,anunciar) é o anúncio 
fundamental da fé cristã, que apresenta o Deus vivo. 
Deus de Amor, tendo como centro Jesus morto e 
ressuscitado. Já a mensagem catequética visa ensinar 
aqueles que abraçaram a fé, doutrinando-os. O que­
rigma é o tocar dos sinos, enquanto que a catequese 
é o ressoar Ou ainda, podemos dizer que o tempo 
do querigma é hoje, é o momento da salvação; já o 
tempo da catequese é a partir de hoje, ou seja, será 
um ensino progressivo e gradual da fé e suas razões. 
2 . 6 . L O quer igma 
O conteúdo do querigma não deve ser muda­
do - Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre. Porém, 
na pregação ele pode ser adaptado à realidade. O 
querigma tem uma divisão sistemática e didática, em­
bora a mensagem central seja sempre o enfoque de 
Jesus morto e ressuscitado - Jesus Salvador: 
a) Amor de Deus - mostra a face paterna/ma­
terna de Deus; que Ele ama incondicionalmente a to­
dos os homens, com amor eterno. Um bom exemplo 
é a parábola do filho pródigo. Para ler e meditar: Lc 
15,1 1-30; Is 49,14-16; IJo 3 , l ; 4 ,7-8 ;Os I 1,1-4. 
b) Pecado - o homem ao afastar-se de Deus 
caiu no pecado. " O homem tentado pelo Diabo, 
deixou morrer em seu coração a confiança em seu 
Criador e, abusandoda sua liberdade, desobedeceu 
ao mandamento de Deus. Foi nisto que consistiu o 
primeiro pecado do homem. Todo pecado daí em 
diante, será uma desobediência a Deus e uma falta 
de confiança em sua bondade" (Catecismo n.397). 
Para ler e meditar: Os 5,3-4; SI 52/53,2-4; SI 50/51; 
Rm 3,23; Rm 5 , l2 ;Ga l 5,19. 
c) Salvação - Jesus morto e ressuscitado remiu 
o mundo, dando de novo ao homem o livre acesso 
ao Pai. Para ler e meditar: Jo 3,16; I Jo 4,9-10; Rm 
5,6-1 1.18-20; Hb 9,1 1-14.26-28. 
d) Fé e conversão - ao ouvir a proposta de salva­
ção, cabe ao homem respondê-la, aceitando-a numa 
adesão de fé, dispondo-se a uma mudança de valores 
e de vida, passando a caminhar conforme os ensina­
mentos cristãos. Para ler e meditar: Hb 11,1 -2; Cal 
5,1 I ; Ef 3,8; 2Tm 3,14; Eclo 17,21-24; Dt 4,29-31 . 
e) Espírito Santo - É o Espírito Santo que toca 
e muda o coração do homem, que o fortalece, que 
revela as verdades e o leva a adorar ao Pai em ver­
dade. É o Espírito Santo que opera interiormente a 
salvação conquistada por Jesus. Daí a necessidade de 
pedir o batismo no Espírito Santo, para receber a ca­
pacidade de viver a vida nova proposta. Para ler e me­
ditar: Mt 28,19; Jo 15,26; I C o r 3,16-17; Rm 8,26-27. 
f) Comunidade - Para ser igual ao Pai, como Jesus 
pediu, o homem tem que viver em comunidade. Para 
ler e meditar: Jo 17,20-23;At 2,42; Ef 4,1 -6; I Pd 1,22. 
2 . 6 . 2 . 0 pregador 
O pregador é aquele que tem a consciência que 
Deus se deixa encontrar, porque já O encontrou. 
Não há como falar de Deus, sem conhecê-Lo. 
A Igreja recomenda aos que se consagram ao 
ministério da palavra (podem ser incluídos aqui os 
pregadores do grupo de oração), que "se apeguem 
às Escrituras, mediante assídua leitura sacra e dili­
gente estudo, para que não venha a ser 'vão prega-
CVW. Apostolicam Actuositatem, n.. 3. 
35 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração ^ , 
dor da palavra de Deus externamente, quem não 
escuta interiormente""'^. 
Também na Sagrada Tradição e no Magistério 
da Igreja o pregador deve buscar o conhecimento de 
Deus,apoiando-se na sabedoria dos santos doutores 
e na sã doutrina. Como ensina São Paulo: "Ficai fir­
mes e conservai os ensinamentos que de nós apren­
destes, seja por palavras, seja por carta nossa. Nosso 
Senhor Jesus Cristo e Deus, nosso Pai, que nos amou 
e nos deu consolação eterna e boa esperança pela 
sua graça, console os vossos corações e os confirme 
para toda boa obra e palavra" (2Tes 2,15b-16). 
Deus, ainda, se revela através de locuções inte­
riores, palavras de sabedoria ou de ciência, visuali­
zações, profecias e sinais, aos quais o pregador deve 
estar atento, discernindo o que é bom. Para preparar 
a mensagem de pregação para a reunião de oração 
deve-se, sobretudo, orar e escutar o Senhor Após 
discernir a vontade de Deus, preparar-se, buscando 
nas fontes de conhecimento o apoio e o fundamento 
seguro para a pregação atingir o coração do povo. 
O pregador é uma pessoa guiada pelo Espírito 
Santo, com o objetivo único de conquistar as pes­
soas para Jesus. Ele é a voz que clama, é a seta que 
indica o caminho. Mas não é, jamais, "a Palavra", "o 
Caminho", que é Deus."João Batista foi a voz.Jesus é 
a Palavra, a Palavra de Deus. Acontece que a Palavra 
de Deus não cessa, não passa, não se extingue. Pelo 
contrário, tem de estar sempre presente entre os 
homens, entre os cristãos. Mas, como a voz de João 
Batista passou, a voz de todo pregador também pas­
sa. Por isto, em cada geração Jesus conta com a tua 
voz, com minha voz, com nossa voz"'". 
O pregador é um servidor da verdade, um ar­
tífice da unidade da Igreja. Por isso é muito impor­
tante que o pregador da reunião de oração seja uma 
pessoa madura na fé, animada pelo amor, tenha o 
fervor dos santos e que conheça bem Jesus, que é o 
Verbo do Pai, a Palavra verdadeira, o único caminho. 
Além disso, deve ser testemunha, ter zelo pelo 
Evangelho, deve viver o que prega, pois " O homem 
contemporâneo escuta com melhor boa vontade as 
testemunhas do que os mestres, ou então se escuta 
os mestres, é porque eles são testemunhas. (...) Será, 
pois, pelo seu comportamento, pela sua vida, que 
a Igreja há de, antes de mais nada, evangelizar este 
mundo; ou seja, pelo seu testemunho vivido com fi­
delidade ao Senhor Jesus"^°. 
São Paulo orienta que para ser capaz de ensinar. 
a pessoa "não pode ser um recém-convertido, para 
não acontecer que, ofuscado pela vaidade, venha a 
cair na mesma condenação que o demónio. Importa, 
outrossim, que goze de boa consideração por parte 
dos de fora, para que não se exponha ao desprezo e 
caia assim nas ciladas diabólicas (...) Antes de pode­
rem exercer o seu ministério, sejam provados para 
que se tenha certeza de que são irrepreensíveis" 
( I T i m 3,6-7.10) 
2.7. O s t e s t e m u n h o s 
O s testemunhos têm a função de manifestar 
a glória de Deus e edificar a comunidade. Por isso 
mesmo,"devem ser centralizados na pessoa de Jesus 
e não em quem fala. Se possível, as pessoas devem 
ser orientadas quanto ao conteúdo e ao modo de 
dar seu testemunho"^'. 
Os dirigentes devem acautelar-se de pessoas 
que insistem em falar em todas as reuniões, quase 
sempre como forma de exibir-se. Nem sempre é sau­
dável facultar a palavra para testemunhos, pois pode 
servir como espaço para desabafos e apresentações. 
"Por outro lado, é preciso estimular todos os que 
foram tocados pelo Senhor a que dêem testemunho, 
pois se o testemunho é para a glória de Deus, não 
proclamá-lo, seja por timidez ou por vergonha, será 
roubar de Deus a glória que só a Ele pertence"". 
Além disso, os tes emunhos devem ser breves 
e compreensíveis a todos. Robert Degrandis fala do 
"princípio abe"" : audível, breve e centralizado em 
Cristo. "Considere antes, durante e depois: qual era 
a situação que precisava ser resolvida? Como Cristo 
interveio? Quais são os resultados de seu envolvi­
mento? Se relatados corretamente, os testemunhos 
ensinam, motivam e levam as pessoas ao louvor 
Quando as pessoas dão testemunho, sua própria fé 
é fortalecida, bem como a dos ouvintes"^"*. 
C V ll,De/Verbum,n.25. 
João M O H A N A , Como ser um bom pregador, p. 24. Cf., a propósito, Ro­
naldo José de S O U S A , U m a voz clama no deserto. In. Pregador ungido, pp. 60-68. 
" P A U L O VI, Papa. Exortação Apostólica Evar\gelli Nuntiandi. n. 41. 
Cf., por exemplo, Patti M A N S F I E L D , Publicai os seus feitos moroW/hosos, 94 p. 
" J . H . Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p. 60. 
" Cf. Vem e segue-me, p. 68-69. 
" Ibid., p. 69. 
36 
^ Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 
2.8. O s av i sos 
A boa comunicação é fundamental na obra do 
Senhor Os avisos devem ser claros de tal forma que 
todos os presentes captem perfeitamente a informa­
ção e sejam motivados a se interessar pela proposta. 
Devem ser, na medida do possível, rápidos, sempre 
ao final da reunião. Normalmente, eles dizem respei­
to a algum aspecto da caminhada da Igreja local, do 
próprio Grupo de Oração ou eventos e projetos da 
R C C em suas diversas instâncias. 
Não há motivos para prolongar a reunião por 
causa de comunicados exaustivos. O grupo e a pa­
róquia devem utilizar outros mecanismos para isso. 
4 . CONCLUSÃO 
As referências feitas não esgotam os temas, nem abrangem todos os aspectos 
da reunião de oração. Muitos grupos desenvolvem bons mecanismos não necessaria­
mente comuns para suas reuniões, mas que são profundamente válidos e eficientes. 
O essencial é compreender que, na dinâmica do Espírito, os dirigentes devem 
submeter suas capacidades ao Senhor e zelar, com reta intenção, por aquilo que Deus 
lhes confiou. 
37 
Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 
CAPITULO 5 
OS SERVIÇOS NA REUNIÃO DE 
ORAÇÃO 
1. INTRODUÇÃO 
Todo Grupo de Oração deve possuir servos 
que se responsabilizem pela realização da reunião, 
que é a porta de entrada, onde a evangelização que­
rigmatica e o batismo no Espírito Santo se realizam. 
Essas pessoas devem ser organizadasem equipes de 
serviços específicos, receber formação adequada e 
ter momentos de oração em equipe.As pessoas que 
se sentem chamadas a estes serviços, devem fazer 
uma boa experiência no uso dos carismas. Lembran­
do mais uma vez, que é fundamental que todos os 
servos na R C C passem por um profícuo e sistemáti­
co Processo de Iniciação (SVE, Experiência de Ora­
ção, Aprofundamento de Dons), seguido do Módulo 
Básico de Formação e das Formações Específicas 
para cada ministério. 
Existem várias equipes que atuam na reunião 
de oração. Aqui será feita uma breve abordagem so­
bre aquelas mais comuns. 
2. ALGUMAS EQUIPES DE SERVIÇO 
DA REUNIÃO DE ORAÇÃO 
2.1. E q u i p e d e a r r i . m a ç ã o 
É a equipe encarregada de preparar o ambiente 
para um grande momento de louvor, que é a reu­
nião de oração. Cuida da arrumação e disposição 
das cadeiras, da caixinha de pedidos de oração, da 
mesa ou ambão para o pregador (se for o caso), da 
preparação do altar e decoração do ambiente (quan­
do necessário) a fim de propiciar um lugar limpo e 
acolhedor aos que chegam e criar um clima favorável 
à fraternidade. Não se trata de um serviço acessó­
rio, sem grande relevância; ao contrário, os membros 
dessa equipe devem se deixar encher pelo Espírito 
Santo a fim de que arrumem tudo com o amor cris­
tão que faz toda a diferença. 
Ao final do encontro, deixa a sala arrumada e 
limpa. 
2.2. E q u i p e d e a c o l h i m e n t o e r e c e p ç ã o 
O acolhimento e a recepção parecem óbvios, 
mas nem sempre sua importância é reconhecida. 
Convém que os dirigentes do grupo designem pes­
soas para este ministério formando a equipe de re­
cepção. A cada reunião, os membros dessa equipe 
estarão às portas para acolher desde o início as pes­
soas que vão chegando, dando-lhes as boas-vindas. 
Deve-se atentar para não dar mais atenção a alguns 
(amigos pessoais, pessoas mais chegadas), em detri­
mento de outros que vão chegando. 
Esse contato pessoal é muito importante. 
Como São Paulo diz:"Entre vós imitamos a mãe que 
acalenta o filho ao colo. (...) Fomos falar a cada um 
como de um pai para o filho..." ( ITes 2,7-12). Essa 
atmosfera de fraternidade e de amor será mais fa­
cilmente criada por meio do contato pessoal e da 
amabilidade com que se recebem os que vão che­
gando, seja num grupo pequeno, seja numa grande 
assembleia. 
Os componentes dessa equipe devem ser pes­
soas com carisma de relacionamento com os outros, 
chamadas por Deus, para colocar seus dons naturais 
a serviço dos irmãos. 
39 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração >̂ . 
2.3. M i n i s t é r i o d e m ú s i c a 
Como já dito, a música é muito importante na 
reunião de oração. Ajuda muito começar a reunião 
com cantos alegres e rápidos, gestos, palmas e movi­
mentação. Muitos chegam deprimidos e cansados e tais 
cantos ajudam a relaxar e afezer desaparecerem obstáculos. 
A música é um poderoso instrumento usado 
por Deus para trazer pessoas para mais perto dele. 
Ela pode expressar adoração e louvor diferentemen­
te de todos os outros meios. É muito importante 
que o Grupo de Oração tenha um ministério de mú­
sica organizado ou que pelo menos tenha um gru­
po de pessoas que assuma a responsabilidade pelos 
cantos da reunião. Em todos os casos, esse grupo de 
servos deve se reunir periodicamente para orar, e 
dentre outras coisas, ensaiar as músicas, privilegian­
do-se aquelas do livrinho de cânticos "Louvemos o 
Senhor", largamente utilizado na R C C , e que tem 
sido esquecido por muitos carismáticos. 
O principal objetivo de uma equipe de música 
é, obviamente, ministrar o amor e a Palavra de Deus, 
criando ambiente propício para o batismo no Espí­
rito. Com muita frequência, a música é vista como 
mera tarefa a ser executada. Mas essa atitude impe­
de que Deus a use como efetivamente deseja fazê-lo. 
A música é um ministério, no verdadeiro sentido da 
palavra. Ela pode evangelizar, ensinar, inspirar, enco­
rajar. É uma parte vital da reunião e deve receber 
atenção cuidadosa. 
Existem duas características necessárias aos 
membros do ministério de música: obediência e hu­
mildade. A obediência se dá no entrosamento entre 
o ministério de música e a coordenação.A humilda­
de consiste em reconhecer que sem o Senhor nada 
se pode fazer (cf.Jo 15,5). É Ele quem faz a obra. Não 
importa saber muito ou pouco, todos precisam ter 
humildade. Mais do que saber as músicas, o ponto 
importante é saber comunicar o amor de Deus às 
pessoas. 
As vozes dos ministros que lideram o louvor 
devem se sobressair aos instrumentos. Por mais belo 
que seja o som do instrumento musical, seu fim não 
é substituir a voz humana, e sim acompanhá-la. Por 
isso, deve-se evitar que um som muito forte domi­
ne a voz e gere irritabilidade nos participantes. Se o 
grupo não possuir instrumentos, pode-se encorajar 
o povo a cantar juntos em harmonia. 
É importante ensinar as músicas às pessoas 
para que o canto saia bonito e bem feito para o 
Senhor, porém, sem perfeccionismo. Um momento 
propício para esse ensaio é imediatamente anterior 
ao início da reunião de oração, em que as pessoas 
vão chegando e se sentando. 
Um músico ungido servirá mais do que lidera­
rá, e concentrar-se-á em auxiliar o povo a louvar e 
adorar o Senhor A música deve facilitar o louvor e 
a adoração. Um bom ministro de música cuidará de 
dosar convenientemente o canto e o silêncio. 
2.4. Min i s té r io p a r a c r i a n ç a s 
O Grupo de Oração deve se preparar para ter 
uma equipe que ficará com as crianças no horário da 
reunião de oração. A equipe não somente "cuidará" 
das crianças para que não "atrapalhem" a condução 
do louvor Há que se fazer um cuidadoso planeja­
mento de evangelização também para as crianças 
com o objetivo de ensiná-las a louvar e orar, forman­
do um verdadeiro "grupinho de oração" levando em 
conta suas necessidades e de acordo com as faixas 
etárias. É importante ressaltar que não se trata de 
uma mera recreação. Esse "grupinho" deve praticar 
os carismas, deve contemplar uma pequena prega­
ção querigmatica adaptada para as crianças, deve le­
vá-las à experiência do batismo no Espírito Santo. 
Os servos encarregados de desempenhar este 
serviço devem possuir o carisma da alegria, da paci­
ência, do amor aos pequeninos, da animação e muita 
criatividade e domínio, pois assim conseguirão man­
ter a boa ordem e despertarão nas crianças o gosto 
pela oração e pelo louvor, de forma espontânea. 
2.5. Min i s té r io d e i n t e r c e s s ã o 
"Acima de tudo, recomendo que se façam pre­
ces, orações, súplicas, ações de graças por todos os 
homens, pelos reis e por todos os que estão consti­
tuídos em autoridade, para que possamos viver uma 
vida calma e tranquila, com toda a piedade e honesti­
dade. Quero, pois, que os homens orem em todo lu­
gar, levantando as mãos puras, superando todo ódio 
e ressentimento" ( I T m 2,1-2.8). 
Frise-se que o serviço da intercessão se dá fora 
da reunião de oração, dando-se prioridade aos pedi­
dos escritos pelos participantes do Grupo de Ora­
ção, ao sustento espiritual do mesmo, às eventuais 
intenções específicas apresentadas pelo Núcleo e à 
Rede de Intercessão oriunda do ministério em nível 
nacional. 
Como já dito, os primeiros intercessores de 
um Grupo de Oração da R C C são os membros do 
seu núcleo de serviço, que devem interceder pelo 
Grupo em cada uma de suas reuniões, independen-
40 
. ^ Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 
temente da atuação do ministério de intercessão. 
No decorrer da reunião de oração, também são 
os membros do núcleo que devem interceder pelo 
bom êxito da mesma. 
Assim, na inexistência de equipe de intercessão, 
o próprio núcleo de serviço é o grande responsável 
pela função exercida por ela. 
Intercessão é a oração daquele que fala a Deus 
dos problemas dos homens. E a oração de quem ofe­
rece a generosidade do seu coração em favor dos 
outros. O intercessor coloca-se como canal aberto 
à vontade de Deus, para que nele e através dele, o 
EspíritoSanto possa agir. A exemplo de Moisés, que 
chamado e enviado para levar o povo cativo e opri­
mido, dedicou-se a ele como intercessor, o ministé­
rio de intercessão ora pelo povo sofrido e cativo do 
pecado. 
A equipe de intercessão é composta de pesso­
as que se sentem chamadas a exercerem tal ministé­
rio. E preciso evitar cair na tentação de colocar para 
a intercessão aquelas pessoas que, à primeira vista, 
"não sabem fazer outra coisa", como: tocar instru­
mentos, cantar, pregar, aconselhar, etc. O ministério 
de intercessão é tão sério quanto todos os outros; 
as pessoas que o desempenham devem ser prepara­
das para tal, prontas para exercerem o discernimen­
to, com eficaz vida de oração pessoal e comunitária, 
além de adequada formação. 
Os intercessores fortalecem-se através do es­
tudo da Palavra, da escuta de Deus, da Eucaristia, da 
penitência, da adoração ao Santíssimo e, principal­
mente, possuem um amor que se entrega e confia, 
ajudando a sustentar a fragilidade do outro. Fortale­
cem-se, ademais, participando da reunião de oração, 
já que, como visto, seu serviço acontece fora desta. 
O momento de oração do ministério de in­
tercessão é voltado para as necessidades de todas 
as pessoas do Grupo de Oração. Os ministros ofe-
recem-se a si mesmos como vasos de bênçãos em 
favor dos outros. Esquecem-se as necessidades pes­
soais e ora-se pelo grupo. 
Os servos intecessores reunem-se pelo menos 
uma vez por semana, podendo ser diante do sacrário 
desde que aconteça em local onde ninguém possa 
ter acesso devido ao absoluto sigilo necessário. Nes­
sa reunião, ora-se pelas necessidades do Grupo de 
Oração e também pelos pedidos feitos durante a 
reunião de oração e pelos pedidos diocesanos, esta­
duais e nacionais. Deve haver uma pessoa responsá­
vel pelo ministério de intercessão, que o representa­
rá no núcleo de serviço. 
2.6. M i n i s t é r i o d e P r e g a ç ã o 
Todo grupo de oração deve possuir uma equipe 
de pregadores que ministra o ensino, a instrução e a 
proclamação querigmatica da Palavra de Deus. Nesse 
ministério devem estar os servos que possuem o dom 
de ensinar, de falar sob a unção do Espírito. "Prega a 
Palavra, insiste oportuna e importunamente, repreen­
de, ameaça, exorta com toda a paciência e empenho 
de instruir.. Tu, porém, sê prudente em tudo, paciente 
nos sofrimentos, cumpre a missão dem pregador do 
Evangelho, consagra-se ao teu ministério" (2Tm 4,2.5). 
Nesse sentido, não necessariamente a pregação 
ficará toda semana a cargo dos membros do núcleo 
de serviço, podendo este discernir um dos servos da 
equipe de pregadores que fará a pregação de acordo 
com a palavra rhema e toda a moção discernida na 
reunião de núcleo, ser-lhe-á de antemão comunicada 
pelo coordenador da equipe de pregadores. 
E coerente que um Grupo de Oração cresça 
espiritual e quantitativamente, pois as pessoas estão 
sedentas de Deus. Isso significa dizer que os minis­
térios naquele Grupo de Oração também devem 
crescer e amadurecer para que sirvam cada vez 
melhor à comunidade. Diante disso precisamos nos 
perguntar: como iremos desenvolver nossos minis-
teriados e, aqui, de modo especial, nossos pregado­
res? A resposta é imediata: motivando-os à formação 
continuada e colocando-os para servir ao seu pró­
prio Grupo de Oração. Isso significa dizer que não é 
proibido convidarmos pregadores de outros grupos 
ou localidades para ministrarem em nosso Grupo 
de Oração, mas também precisamos desenvolver as 
nossas próprias ovelhas. Por vezes investimos no mi­
nistério dos outros - e isso não é depreciativo - mas 
relegamos a segundo plano aqueles que o Senhor 
deu prodigamente ao nosso próprio Grupo de Ora­
ção. No tocante a convidar pregadores de outras 
dioceses, é preciso informar e pedir autorização à 
coordenação diocesana da R C C , pois isto é fruto de 
Pentecostes: unidade, comunhão, consideração devi­
da a quem está investido em autoridade.. 
2.7. Ministério de oração por cura e libertação 
"Agora o Senhor enviou-se para curar-te e li-
vrar-te... Eu sou o anjo Rafael, um dos sete que assis­
timos na presença do Senhor" (Tb 12,14-15). 
Os servos da equipe de oração por cura e li­
bertação são, antes de tudo, profundos intercessores, 
ou seja, devem ser pessoas de intimidade com Deus, 
que tenham conhecimento e afinidade com Sua Pa­
lavra e tenham experiência e bom uso dos carismas, 
41 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oraçãode partilha ou grupo de perseve­
rança. Aqui foi adotado este último por ser mais 
próximo daquilo a que ele se destina. 
ou não, de acordo com as situações e circunstâncias 
em que as pessoas vivem. Refletem também o pro­
cesso de evangelização de cada uma. 
O grupo de perseverança não é apenas; 
• Um grupo que trabalha unido; 
• A realização de uma série de atividades; 
• Um ambiente em que as pessoas se sentem bem; 
• Um ambiente em que as pessoas são respei­
tadas, aceitas, queridas, ajudadas ou compreendidas; 
• Um grupo de pessoas "santas", mas gente que 
procura a santidade com sinceridade, com a ajuda de 
Jesus e a força do Espírito Santo; portanto, em uma 
atitude de constante conversão. 
" Cf. Partilha, n. 00, passim. R E N O V A Ç Ã O C A R I S M Á T I C A C A T Ó L I C A , 
G r u p o de oração, p. 51. 
43 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração t> 
3. ALGUMAS OBSERVAÇÕES IMPORTANTES 
ACERCA DO GRUPO DE PERSEVERANÇA: 
o grupo de perseverança é o terceiro momen­
to do Grupo de Oração. Já foi visto que o primeiro 
momento é o núcleo de serviço, tratado no ensino 
OI desta apostila, e o segundo é a reunião de oração, 
analisado nos demais ensinos até aqui. Acerca deste 
terceiro momento, deve-se atentar para alguns as­
pectos: 
• Tal atividade não substitui, tampouco se 
confunde com a reunião de oração.Assim, deve pos­
suir dia e/ou horário diferente, a fim de que todos os 
participantes do grupo de perseverança participem 
igualmente da reunião de oração. Isso é fundamental 
e é o que dá a razão de ser dos grupos de perseve­
rança. 
• O conteúdo a ser ensinado e refletido no 
Grupo de perseverança não deve ser o Módulo Bá­
sico de Formação da R C C e tampouco as formações 
específicas dos diversos ministérios exercidos na 
R C C , mas os subsídios oferecidos pela RCCBRAS IL 
e pelas iniciativas das instâncias de serviço locais. 
Todo o conteúdo ensinado e refletido no Gru­
po de perseverança deve encontrar fundamentação 
na Sagrada Escritura, na Sagrada Tradição e no Magis­
tério da Igreja, revisado, preferencialmente, por um 
teólogo clérigo ou leigo de notório saber teológico. 
• As reuniões do Grupo de Perseverança te­
rão duração média de 2 (duas) horas e consistirá em 
oração com prática dos carismas, ministração ungida 
do ensino proposto para aquele dia de encontro, re­
flexão pessoal ou comunitária (dinâmica) e partilha 
do grupo, sem prejuízo de outras iniciativas relevan­
tes para o crescimento do grupo. 
O certo é que "ninguém pode progredir na vida 
espiritual permanecendo sozinho, indo uma vez por 
semana apenas rezar junto com outros já abertos 
para o louvor do Senhor Os pequenos grupos fa­
cilitam a comunicação frequente e fraterna, a ajuda 
mútua, o apostolado comum. Há um crescimento no 
amor e na doação de si mesmo, bem como formação 
de lideranças e de discipulado. Entretanto, tais gru­
pos e tais resultados ficarão ameaçados se cederem 
à tentação do fechamento sobre si mesmos. O gru­
po de crescimento existe em função do grupo maior 
e não o substitui"^*. 
4. GRUPO DE PERSEVERANÇA: 
COMO ORGANIZAR 
Tendo sido evangelizadas querigmaticamen­
te através do Seminário de Vida no Espírito e da 
Experiência de Oração as pessoas são convidadas 
a perseverar no crescimento espiritual através do 
Grupo de Perseverança, em paralelo ao Aprofun­
damento de Dons e ao Módulo Básico intercalado 
com a Formação Humana, as pessoas terão inicia­
do uma caminhada de aprofundamento da fé e Ca­
tequese. Serão, portanto, convidados pelo Núcleo 
do Grupo de Oração a participarem do Grupo de 
Perseverança, cuja periodicidade pode ser semanal 
ou quinzenal, conforme a realidade local, com dia e 
hora definidos, onde serão formados. Conforme já 
acentuado, o Grupo de Perseverança deve possuir 
dia e/ou horário diferente, a fim de que todos os 
participantes do grupo de perseverança participem 
igualmente da reunião de oração. E possível, se as­
sim discernir o Núcleo, que o Grupo de Perseve­
rança se reúna 2 horas antes da reunião de oração 
ou nas 2 horas seguintes à mesma, isto é, no mesmo 
dia da reunião de oração, mas em horário distinto. 
Todos os servos e participantes do Grupo de 
Oração precisam estar em constante aprofunda­
mento, inclusive o Coordenador do grupo; assim, 
todos devem participar do grupo de perseverança. 
O coordenador do grupo de perseveran­
ça pode ser o próprio coordenador do Grupo de 
Oração, ou um servo-formador por ele indicado. O 
formador indicado para a coordenação do grupo de 
perseverança fará parte do Núcleo de Serviço e se 
responsabilizará pelo desenvolvimento do grupo de 
perseverança juntamente com outros formadores. 
" C H A G A S . D o m Cipriano. Grupos de Oroçõo Cammàúcas. Rio de Janeiro: 
Ed. Louva-a-Deus, 1978. R 31. 
44 
. ^ Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 
Num Grupo de Oração mais numeroso, é pos­
sível que os participantes do grupo de perseverança 
também o sejam. Nesta hipótese, formam-se peque­
nos grupos (no máximo 12 participantes), onde um 
deles será o líder (pastor) do pequeno grupo. Esse 
líder (pastor) será um membro da equipe de forma­
ção do Grupo de Oração ou da equipe de serviço 
em geral. Nesse caso, a formação deve ser ministra­
da para todos juntos por um formador designado 
ou pelo próprio coordenador do ministério de for­
mação do Grupo de Oração, separando-se os gru-
pinhos de 12 pessoas para a reflexão (dinâ-mica) e 
partilha, etc. 
Os pastores dos grupinhos devem reunir-se 
periodicamente com o coordenador do Grupo de 
Perseverança para partilharem as experiências e as 
dificuldades mútuas. 
Os pastores dos grupinhos devem ter anota­
dos todos os dados essenciais de cada participante: 
nome, endereço, telefone, estado civil, profissão, local 
de trabalho, data de nascimento, entre outros. Além 
disso, deve registrar bem a frequência de cada pes­
soa, para melhor acompanhá-las. Cabe a este servo: 
• Receber cada pessoa de modo acolhedor; 
• Estimular os participantes do grupo quanto à 
frequência, à vivência dos temas abordados, à oração 
pessoal e comunitária e o compromisso com a co­
munidade da qual participa; 
• Levar as pessoas a perceberem a vida de re­
lacionamento com Deus na comunidade, com os ir­
mãos, no poder do Espírito Santo; 
• Ser pessoa de vida de oração bem ordenada: 
orante; 
•Ter visão clara do que é o grupo de perseverança; 
5. LÍDERES EM POTENCIAL 
Os grupos de perseverança devem fazer emer­
gir pessoas que possam assumir lideranças; por isso 
é importante observar alguns sinais para reconhe­
cer líderes em potencial. Estas características devem 
ser trabalhadas e lapidadas. As características que 
seguem são as mais frequentes naqueles que mais 
tarde, e com formação apropriada, poderão desem­
penhar funções e serviços de liderança: 
• Cumso: está sempre partindo para âmbitos 
novos, investigando novos caminhos, sem se conten-
• Ter carisma de pastoreio. 
Exercer o ministério de formação, sendo mem­
bro da equipe de serviço do Grupo de Oração. 
Além disso, os servos (pastores) devem ser ins­
truídos sobre: 
• Como conduzir oração; 
• Como ordenar uma partilha, para não deixar 
que pessoas dominem, nem que alguém fique dema­
siadamente calado; 
• Como levar o grupinho a descobrir ou reno­
var a ação do Espírito Santo nas suas vidas; 
• O pastoreio dos participantes do grupinho; 
• Orientar os momentos de oração, explicar as 
atividades, apresentar os eventuais palestristas e fa­
zer ligação entre os temas e as dinâmicas. 
O núcleo de serviço, em comunhão com os 
servos pastores dos grupos de perseverança, deve 
fazer um planejamento progressivo e sistemático 
dos ensinos a serem ministrados neles e discerni­
rem, se for o caso, que tipo de estudo bíblico pessoal 
será aplicado para os membros. 
A participação nestes grupos de perseverança, 
como já dito, não exclui a participação nas reuniões 
de oração, onde poderão testemunhar aos demais e 
desta forma movê-los a caminhar na vida do Espírito. 
Após a evangelização querigmaticaatravés do 
SVE e da Experiência de Oração, as pessoas come­
çam a dar os primeiros passos rumo à formação 
para o engajamento no trabalho de evangelização e 
no serviço da Igreja na R C C através dos GP's, sem 
prescindirem, contudo, das demais etapas do Pro­
cesso Formativo do Movimento: Aprofundamento 
de Dons, Módulo Básico com Formação Humana, 
seguindo-se à formação específica para o exercício 
dos diversos ministérios. 
tar com o óbvio e o tradicional. 
• Mediador: ajuda a trazer harmonia entre os 
membros, em especial os que estão discordando; 
procura encontrar soluções mediadoras, aceitáveis 
por todos. 
• Sir)tetízador: é capaz de juntar os pedaços; re­
úne as partes diferentes da solução ou do plano e 
as sintetiza. 
• Prático: sempre pronto para pôr em prática a 
proposta dada e aceita comunitariamente; versado 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração 
em organizações; procura estar sempre em ativida­
de, sendo fiel no pouco que lhe for confiado. 
• Proponente: dá ideias e propõe ações; mantém 
as coisas em andamento. 
Essas características não devem ser procuradas 
de maneira absoluta. Muitas vezes, pessoas que não 
6. FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA 
atendem a um ou outro requisito destes, podem ter 
perspectiva de se tornarem líderes, desde que rece­
bam formação adequada e que amem sinceramente 
a Deus e aos irmãos. Mas é fundamental que seja 
identificado nas pessoas o carisma para esse tipo de 
serviço, pois nem todos são chamados a liderar. 
^/^v lííí ;:.MJ 'zJ^íi-ÍÍJ--^ t'i^ í- . --̂ 
r / ' ' ' • ' ' . 
"Pertseveravam eles na doutrina dos apóstolos, 
nas reuniões em comum, na fração do pão e nas ora­
ções" (At 2,42). 
Os grupos de perseverança são fundamentados 
em quatro princípios: 
• Doutrina dos Apóstolos 
• Comunhão fraterna = r ^ 
• Fração do Pão • 
• Oração 
a) £)outr\na áos kpóstoSoz 
O ensinamento dos apóstolos consistia, antes 
de tudo, nos gestos, palavras e ações de Jesus Cristo. 
Os servos precisam desenvolver nos grupos de per­
severança um relacionamento conforme o que Jesus 
ensinou: viver, orar e trabalhar juntos, e tudo dentro 
do amor que se recebe de Deus, por seu Espírito, 
para dá-lo aos irmãos. 
Nos grupos de perseverança da atualidade não 
se trata de copiar tudo o que se fazia antes, mas sim 
de ter a mesma atitude, a mesma disposição interior 
e o mesmo espírito que movia as comunidades pri­
mitivas. Na realidade, trata-se de um alinhamento ao 
espírito das comunidades primitivas, nas quais o Se­
nhor ressuscitado vivia, estava presente, era o centro 
da comunidade sempre movida pelo Espírito Santo. 
A doutrina dos apóstolos é a doutrina da Igre­
ja. Portanto os grupos de perseverança devem ser 
instruídos nos ensinos da Igreja, principalmente os 
contidos no Catecismo da Igreja Católica. Devem 
existir momentos de catequese, onde a doutrina é 
exposta e os participantes são instruídos, a modelo 
do que ocorria nas comunidades primitivas. Este en­
sino deve ser programado de tal forma que a doutri­
na seja ministrada de maneira contínua, progressiva 
e sequencial, não aleatoriamente. Existe a necessida­
de de preparar catequistas e mestres capacitados e 
competentes para este serviço. 
b) Comunhão fraterna 
Podemos traduzir a expressão "comunhão fra­
terna" por fraternidade. Os participantes dos grupos 
de perseverança têm a oportunidade de se conhece­
rem melhor e, desta maneira, exercerem a caridade 
e a solidariedade uns com os outros. 
A meta é atingir o que se dizia dos cristãos: 
"entre eles não havia necessitados" (At 4,34a). O lí­
der de cada grupo de perseverança deve promover 
ações que facilitem o relacionamento e o conheci­
mento dos seus participantes. 
A partilha é fundamental para estreitar os laços 
na comunidade. O tempo é algo muito precioso, que 
os participantes precisam saber partilhar. É muito di­
fícil amar sem conhecer. É necessário compartilhar 
da vida do outro para que cresça a responsabilidade 
e o amor por ele: 
"Avaliando nossas atitudes, nossos comporta­
mentos diante das pessoas, diante daqueles que nos 
solicitam, daqueles que querem conversar conos­
co, daqueles que nos param quando estamos com 
pressa, atarefados, ou cheios de problemas; avaliando 
nossas reações diante destas situações, poderemos 
sentir como estamos vivendo em comunhão, verda­
deiramente. Comunhão envolve perder, digo, ganhar 
tempo com o meu irmão, eu ganho, ele ganha. Parti­
lho das minhas riquezas e misérias.A partilha sempre 
enriquece quando é vivida no amor"" . 
c) Fração do Pão 
A participação na Santa Eucaristia desencadeia 
uma espiritualidade eucarística.A Eucaristia é o cen­
tro e o cume da espiritualidade cristã. O grupo de 
perseverança deve incentivar a vivência da Eucaristia 
e dos demais sacramentos da Igreja. 
" Luis Virgílio N É S P O L I et al, Subsídios para ser Igreja no novo milénio, 
p- 38. .. , _ . 
46 
. ^ Renovação Carismática do Brasil - RCCBRAS I L 
Nos grupos de perseverança, o pão da Palavra 
deve ser alimento constante, portanto a "fração do 
pão", a partilha do pão, se reveste também da parti­
lha da Palavra, sendo incentivada a leitura e a refle­
xão partilhada das Sagradas Escrituras. 
á) Oração 
O grupo de perseverança é parte do Grupo 
de Oração. Portanto, nele a oração deve ser como 
é na própria R C C , com a manifestação dos carismas 
efusos. No grupo de perseverança, por ser menor, há 
possibilidade do exercício dos dons de maneira mais 
aberta e possível para todos. 
Além das orações em comum, deve ser incenti­
vada a vida de oração pessoal. Os dirigentes do gru­
po de perseverança podem acompanhar e verificar a 
espiritualidade de seus participantes. Na R C C , cha­
ma-se de pastoreio este acompanhamento. 
7. COMO LIDAR COM PROBLEMAS NO 
GRUPO DE PERSEVERANÇA 
Todo grupo de perseverança enfrenta proble­
mas. Sabendo lidar com eles, podem se transformar 
em oportunidades de crescimento. Segue-se algumas 
"dicas" para os líderes de grupos de perseverança, 
quanto aos problemas mais frequentes. 
a) Como retornar ao assunto 
Muitas vezes aparecem questões que precisam 
ser postas à parte para dar continuidade à reunião. 
Em geral, o reconhecimento da situação ajuda. O lí­
der diria: "Essa questão é interessante, entretanto, 
saímos de nosso tópico. Talvez possamos discutir 
mais sobre ela, depois que o grupo terminar de dis­
cutir o assunto em pauta". Ou sugere-se que a ques­
tão seja adiada até que se complete a ideia que está 
sendo discutida. 
Contudo, o líder deve ser sincero e realmente 
voltar à questão e abordá-la se os membros quiserem. 
A regra geral é: "Nunca sacrifique o progresso do 
grupo em favor da curiosidade de uma única pessoa". 
b) Como motivar todo o grupo 
O papel do líder é o de condutor, não de pro­
fessor Por isso, deve estar alerta para não dominar 
situações nem parecer ser a maior autoridade nas 
questões que surjam. É bom lembrar-se dos que 
nada têm contribuído nas discussões e dirigir-lhes 
algumas perguntas. 
O líder precisa assegurar-se de que as pergun­
tas sejam fáceis, para que os que vão respondê-las 
não fiquem embaraçados. Se necessário, o líder deve 
chamar os membros do grupo pelo nome para aju­
dá-los a participar Deve ser-lhes concedido tempo 
suficiente para responderem. 
c) Como controlar os que falam muito 
É tarefa difícil. O líder pode pedir a contri­
buição dos outros, perguntando: "Que acham os 
outros?", ou dirigir as perguntas a outras pessoas 
de maneira específica. Se isso não der certo, talvez 
tenha de conversar em particular com o "tagarela", 
explicando a necessidade de participação do grupo, 
conseguindo com que o falador ajude a "puxar pela 
língua" de todos. 
Um bom método é esperar que a pessoa pare 
para respirar e fazer uma pergunta ou um comentá­
rio rápido que movimente a discussão. 
d) Como lidar com o silêncio 
O líder não deve temer as pausas. As pessoas 
precisam de tempo para pensar.Talvez o silêncio faça 
mais bem do que a discussão. Quiçá os momentos 
de silêncio sejam desconfortáveis, masnão impro­
dutivos. 
e) Responder sem responder 
O líder nunca deve ter medo de dizer "não sei". 
Quando não sabe respostas não deve inventar uma. 
Em todo caso, não deve ter medo de deixar per­
guntas sem resposta imediata, comprometendo-se, 
contudo, a pesquisar e respondê-las noutra ocasião. 
f) Como tratar com assuntos controversos 
Quando o grupo leva a sério a busca da verda­
de, há receio de que a amizade e camaradagem pos­
sam ser prejudicadas. Sempre existe a tentação de 
contornar as questões vitais e confiar em respostas 
superficiais.A melhor maneira de lidar com assuntos 
controversos que venham à tona é apoiando-os na 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração ^,. 
doutrina da Igreja. Se o dirigente desconhece a po­
sição da Igreja, é bonn sugerir adiamento da questão 
para quando for possível opinar ou responder cor­
retamente. 
g) Como tratar um grupo apático 
Em geral, o grupo reage conforme a atitude do 
líder, que deve rezar pedindo entusiasmo. Se quiser 
que o grupo seja entusiasmado, o líder tem de de­
monstrá-lo verdadeiramente, não apenas com uma 
exaltação superficial e externa. 
8. FUNDAMENTAÇÃO DOUTRINÁRIA 
Alguns textos do Magistério da Igreja podem 
ser indicados, a título de fundamentação: 
a) "É urgente a formação doutrinal de todos os 
fiéis, seja para o natural dinamismo da fé, seja para 
iluminar com critérios evangelizadores os graves e 
complexos problemas do mundo contemporâneo" 
(Christifidelis Laici ,60). r_. 
b) "Dê-se especial importância à formação bí­
blica que ofereça sólidos princípios de interpreta­
ção. Estimule-se a prática da leitura orante da Bíblia 
(=Lectio Divina), fazendo dela fonte de inspiração 
de nosso encontro com Deus e com os irmãos" 
( C N B B , Doe. 53, n. 36 e 37). 
c) "A formação doutrinal dos fiéis leigos mos-
tra-se hoje cada vez mais urgente, não só pelo natu­
ral dinamismo de aprofundar a sua fé, mas também 
pela exigência de 'racionalizar a esperança' que está 
dentro deles, perante o mundo e os seus problemas 
graves e complexos. Torna-se, desse modo, absolu­
tamente necessária, uma sistemática ação de cate­
quese, a dar-se gradualmente, conforme a idade e 
as várias situações da vida, e uma mais decidida pro­
moção cristã da cultura, como resposta ás eternas 
interrogações que atormentam o homem e a socie­
dade hoje" (Christifideles Laici, 60). 
d) " A plena eficácia do apostolado só se pode 
alcançar com uma formação multiforme e integral. 
Exigem-na tanto o contínuo progresso espiritual e 
doutrinal do próprio leigo, como as diversas circuns­
tâncias de coisas, pessoas e encargos a que a sua 
atividade se deve acomodar" (Apostolicam Actuo­
sitatem, 28) 
e) "Os movimentos eclesiais, trazendo a con­
tribuição do seu próprio carisma (...), cuidem da for­
mação de seus membros, pondo sua organização a 
serviço da evangelização..." ( C N B B , Doe. 61,289) . 
f) "Uma tarefa das mais urgente da Igreja de 
hoje é a formação de fiéis leigos.A formação dos fiéis 
leigos tem como objetivo fundamental a descoberta 
cada vez mais clara da própria vocação e a disponibi­
lidade cada vez maior para vivê-la no cumprimento 
da própria missão. Por conseguinte, ela deve ser uma 
das vossas prioridades. No mundo secularizado de 
hoje, que propõe modelos de vida sem valores espi­
rituais, esta é uma tarefa urgente como nunca. A fé 
esmorece quando se limita ao costume, ao hábito, à 
experiência meramente emotiva. Ela deve ser culti­
vada, ajudada a crescer, tanto a nível pessoal como 
comunitário. Sei que a Renovação se prodigaliza para 
responder a esta necessidade, procurando formas e 
modalidades sempre novas e mais adequadas às exi­
gências do homem de hoje. Agradeço-vos o quanto 
fazeis, peco-vos que persevereis no vosso empenho". 
(João Paulo II, Discurso à Comissão Nacional Italiana 
da R C C , 4 abril de 1998). 
48 
. Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 
9. CONCLUSÃO 
É importante trabalhar na conscientização dos católicos para trilhar o caminho 
da busca de formação, entrosamento e perseverança. Engajando-se bem nos trabalhos 
da R C C , que é um movimento eclesial, a pessoa estará engajada na Igreja a serviço 
do Senhor O trabalho no Grupo de Oração identifica-se com a missão de todo ba­
tizado e também é chamado do Senhor "Permanecei em mim e eu permanecerei em 
vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim, 
também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim... Se 
permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo 
o que quiserdes, e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito 
fruto e vos torneis meus discípulos" (jo 15,4.7-8). A aceitação, entrega e participação 
de todos irá tornando mais claro e transparente o amor do Senhor Jesus para cada 
um; a salvação experimentada no interior do grupo de perseverança será a força que 
impulsionará os participantes a levá-la aos outros. Um grupo de perseverança poderá 
ser testemunha, um indicador de uma experiência onde cada um encontrou o amor 
misericordioso de Jesus Cristo feito realidade acessível para seguir, sendo salvação 
para todos. 
49 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração ^ . 
BIBLIOGRAFIA 
1. ALMEIDA, João Carlos, Cantor em Espírito e 
verdade, p.88. 
2. Bíblia Sagrada, Editora Ave Maria, Edição 
Claretiana - 2010 - Revisada. 
3. Catecismo da Igreja Católica, Edição Típica 
Vaticana, Edições Loyola. 
4. C H A G A S , Dom Cipriano, OSB . Grupos de 
Oração Carismáticos, I . Rio de Janeiro: Ed. Louva-a-
Deus, 1978, pp. 10. 
5. C N B B , Documento 62, n. 87 
6. C N B B . Documento final da V Conferência / 
geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, 
n. 362. 
7. C N B B , Documento, Missão e Ministério dos 
cristãos leigos e leigas, ns. 84-85. 
8. C O N C I L I O E C U M É N I C O V A T I C A N O II, 
Apostolican Actuositatem. 
9. C O N F E R Ê N C I A C A T Ó L I C A D O S EUA, 
Declaração pastoral sobre a R C C . 
10. C O N S T I T U I Ç Ã O D O G M Á T I C A Lúmen 
Gentium, do Concílio Vaticano II. 
I I . D E G R A N D I S , Robert, Vem e segue-mês. 
R63 
12. Flores, J . H. Prado, As Reuniões de oração, p. 
12-13. 
13. João Paulo II apud R C C , Liderança na RCC, p. 
54 
14. MANSFIELD, Patti, Publicai os seus feitos ma­
ravilhosos, p.94. 
15. M O H A N A , João, Como ser um bom pregador, 
p.24. C f , a propósito, Ronaldo José de SOUSA, Uma 
voz clama no deserto. In. Pregador ungido, pp.60-68. 
16. NÉSPOLI , Luis Virgílio, Subsídios para ser Igre­
ja no novo milénio, p.38. 
17. N O G U E I R A , Maria Emmir, Grupo de Oração, 
p.7. 
18. PAULO VI, Papa. Exortação Apostólica Evan­
gelli Nuntiandi, n. 41. 
19. PEDRINI , Alírio José, Grupos de oração: como 
fazer a graça acontecer, pp.25-26. 
20. R E N O V A Ç À O C A R I S M Á T I C A CATÓL I ­
C A , Grupo de Oração, p. 51. 
20. SOUSA, Ronaldo José, O impacto da Renova­
ção Carismática. O Espírito Santo na vida da Igreja, 
pp. 13-24. 
21. SUENNES , Cardeal, Orientações Teológicas e 
Pastorais da Renovação Carismática Católolica. S. Paulo: 
Ed. Loyola, 1975, pp. 19. 
22. VALSH,Vicent M., Conduzi o meu povo, p.lO. 
50a partilha e todos os outros aspectos da vivência 
do Evangelho, a partir da experiência do batismo no 
Espírito Santo.Tem na reunião de oração sua expres­
são principal de evangelização querigmatica e que, 
conforme sua especificidade e mantendo sua identi­
dade, se insere no conjunto da pastoral diocesana e/ 
ou paroquial, em espírito de comunhão, participação, 
obediência e serviço. Pessoas engajadas na R C C , lí­
deres e servos - através de encontros, orações e 
formação - buscam "fazer acontecer um processo 
poderoso de renovação espiritual, que transforma a 
vida pessoal do cristão e todos os seus relaciona­
mentos com Deus, com a família, com a Igreja e a 
comunidade"'. 
" O objetivo do grupo de oração é levar os par­
ticipantes a experimentar o pentecostes pessoal, a 
crescer e chegar à maturidade da vida cristã plena 
do Espírito, segundo os desejos deJesus:'Eu vim para 
que as ovelhas tenham vida e a tenham em abundân­
cia' (jo I O, I Ob)"^. Nesse sentido, caracteriza-se por 
três momentos distintos, porém interdependentes: 
núcleo de serviço, reunião de oração e grupo de 
perseverança. Estudaremos aqui estes três momen­
tos entrelaçados, com base em Atos 2,1 -47. Observe 
na tabela. 
' Alír io J. PEDRINI , Grupos de Oração, p. 13 
' lbid,p. 14 
9 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração 
O GRUPO DE ORAÇÃO 
A t o s 2 - Ig re ja P r i m i t i v a G r u p o d e O r a ç ã o 
P r i m e i r o 
m o m e n t o 
A t 2,1-4 
Os apóstolos e discípulos, 
reunidos com Maria, a Mãe de 
Jesus, experimentam o derra­
mamento do Espírito Santo e 
são transformados por Ele. Esta 
comunidade apostólica sai do ce­
náculo para realizar a missão e 
formar a Igreja com a multidão. 
Núcleo de serviço — os servos que 
lideram o grupo devem experimentar e 
testemunhar o batismo no Espírito San­
to. Eles são responsáveis pelo Grupo de 
Oração como um todo. Daí a necessidade 
da formação dos diversos serviços: acolhi­
mento, pregação, pastoreio, cura, interces­
são, aconselhamento, formação, música, 
ação social, juventude, casais, etc. 
S e g u n d o 
m o m e n t o 
A t 2,5-41 
A multidão se ajunta na 
porta do cenáculo, vê a transfor­
mação dos apóstolos, tem seus 
corações compungidos, deseja e 
é batizada... 
Reunião de oração - momento em que 
a multidão é evangelizada, experimenta a 
ação de Deus, testemunha os carismas e 
tem seu coração tocado. O centro des­
te momento é o louvor, a pregação com 
poder e o clamor pela efusão do Espírito 
Santo. 
T e r c e i r o 
m o m e n t o 
A t 2 ,42-47 
• 
A Igreja Primitiva persevera: 
1. Na doutrina dos apóstolos 
2. Na comunhão fraterna 
3. Na fração do pão 
4. Nas orações. 
Forma-se, assim, a comunidade 
cristã, onde não havia necessita­
dos. 
1 
Grupo de perseverança - Os que fo­
ram evangelizados devem ser conduzidos 
aos grupos de perseverança para cresce­
rem na doutrina, na fraternidade, na parti­
cipação da Eucaristia e na vida de oração. 
O início da caminhada deve ser feito atra­
vés de um Seminário de Vida no Espírito 
seguida de uma Experiência de Oração e 
Aprofundamento de Dons, onde as pes­
soas ouvem e acolhem o 1° anúncio (que-
rigma), que será alicerce para o início da 
construção espiritual. Segue-se o Módulo 
Básico e às Formações específicas dos di­
versos ministérios, processo esse deno­
minado Escola Permanente de Formação, 
de onde sairão aqueles que serão forma­
dos para assumirem serviços necessários 
ao Grupo de Oração. Essas etapas bem 
definidas (iniciação querigmatica. Módulo 
Básico de Formação e Formações espe­
cíficas para o exercício dos diversos Mi­
nistérios) formam o Processo Formativo 
proposto pela R C C B R A S I L Além disso, 
mas não sem critério de início e ingresso, 
tem-se os Grupos de Perseverança para 
todos os participantes, que será uma ca­
tequese permanente. 
10 
„ Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 
Importante é salientar que tanto o primeiro 
momento (Reunião de Núcleo) quanto o terceiro 
(Grupo de Perseverança) são serviços do Grupo 
de Oração, são momentos que convergem para 
o segundo momento que é a Reunião de Oração. 
Note-se que nem todos os Grupos de Oração da 
Renovação Carismática Católica existentes em 
nosso País possuem o terceiro momento (Gru­
po de Perseverança), mas nem por isso deixam de 
ser um Grupo de Oração da R C C . Entretanto, vi­
sando à formação contínua da parcela do Povo de 
Deus que lhe foi confiada, as coordenações devem 
se esmerar para implantá-lo em seus Grupos de 
Oração. Discorreremos, de forma prática, sobre 
cada um dos três momentos interdependentes que 
compõem o Grupo de Oração e sobre como levar 
os seus participantes à vivência do batismo no Es­
pírito Santo, para uma vida de santidade e serviço. 
Mas, antes, é preciso descrever a missão do 
"servo coordenador do Grupo de Oração". "Tudo 
o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para 
o Senhor e não para os homens, certos de que re­
cebereis, como recompensa, a herança das mãos 
do Senhor. Servi a Cristo, Senhor" (Col 3,23-24). 
2. O COORDENADOR DO GRUPO DE ORAÇÃO 
Cada grupo de oração deve ter um coor­
denador que, junto com o núcleo de serviço, 
num trabalho conjunto, é responsável por ele. 
" O papel do chefe consiste, principalmente, 
em dar exemplo de oração na própria vida. Com 
esperança fundada e solicitude cuidadosa, toca 
ao chefe assegurar que o multiforme patrimônio 
da vida de oração na Igreja seja conhecido e apli­
cado por aqueles que procuram renovação es­
piritual, meditação sobre a Palavra de Deus, uma 
vez que a ignorância da Escritura é ignorância 
de Cristo (...) Deveis estar interessados em pro­
porcionar comida sólida para a alimentação es­
piritual, partindo o pão da verdadeira doutrina"^ 
Desta afirmação pode-se extrair alguns tópicos 
importantes: É importantíssimo que o coordenador 
seja uma pessoa de intimidade com Deus, de intensa 
vida de oração e de escuta - seja um Amigo de Deus, 
para que Jesus seja o Senhor do Grupo de Oração 
e o Espírito Santo o conduza. O líder a serviço é 
aquele que orienta e conduz. Liderança não é do­
minação; a liderança espiritual é diferente da lide­
rança humana. Coordenar não é fazer tudo, não é 
autoritarismo, mas sim distribuir os trabalhos para 
que a equipe funcione harmonicamente (ministeria-
lidade orgânica), ouvindo a vontade do Senhor na 
oração, para colocar cada pessoa na atividade certa. 
Acerca disso, convém lembrar de uma sábia expres­
são utilizada pelos bispos brasileiros no Documento 
62 da C N B B , referindo-se ao ministério ordenado, 
mas que cabe ser aplicada aqui analogamente:"numa 
Igreja toda ministerial, não detém o monopólio da 
ministerialidade da Igreja. Não é, pode-se dizer, a 'sín­
tese dos ministérios' mas o 'ministério da síntese""*. 
O modelo do servo líder é Jesus. Por isso, o 
coordenador deve estar sempre a serviço (cf Mt 
20,25-28). A prioridade do serviço é o amor. O co­
ordenador, conhecendo as necessidades das pes­
soas que participam do Grupo de Oração, agindo 
com toda sabedoria e discernimento do Espíri­
to, deve buscar a unidade do grupo, "Para que to­
dos sejam um, assim como tu. Pai, estás em mim 
e eu em ti , para que também eles estejam em nós 
e o mundo creia que tu me enviaste" (Jo 17,21). 
O coordenador não deve fazer nada mecâni­
ca ou superficialmente. Nada de negligência (cf Jr 
48,1 Oa).A obra é do Senhor e, por isso, é necessário 
fazer tudo com amor e por amon Para isso, deve pe­
dir os dons do Espírito Santo, principalmente os da 
Sabedoria, Entendimento e Discernimento:"A sabe­
doria do coordenador alimenta-se permanentemen­
te de sua experiência de Deus e do relacionamento 
pessoal e profundo com Ele... Aliás, a experiência de 
Deus Pai, de Jesus vivo e do Espírito Santo é o funda­
mento da vida cristã e a graça maior do batismo no 
Espírito Santo"^. Deve-se lembrar,ainda que a missão 
precisa ser o extravasamento da graça recebida na 
oração; do contrário, se dará somente de si mesmo. 
É importante que o coordenador observe 
outros coordenadorese troque experiências, bem 
como visite outros grupos para absorver os frutos 
da oração comunitária de maneira mais livre, sem 
que esteja com a responsabilidade da coordenação 
geral do grupo do qual faz parte. Note-se que o que 
se propõe aqui não é que o coordenador deva servir 
também em outro Grupo de Oração, mas visitá-lo. 
Experiências bem sucedidas devem ser partilhadas 
e podem enriquecer outros grupos de oração. Em 
resumo, são características do bom coordenador: 
í J O Ã O P A U L O II apud R E N O V A Ç À O C A R I S M Á T I C A C A T Ó L I C A , L/de-
rança na RCC, p. 54.^ Ibid, p. 14 
C N B B , D o c u m e n t o 62, n.° 87. 
' Al ír io J. P E D R I N I , Grupos de oração, p. 25-26. 
11 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração ^ 
• Aberto, acolhedor, não se abate facilmente, 
é artífice da unidade e da paz; possui uma chama viva 
dentro de si que contagia a todos (cf. 2Tim 1,6-9); 
• Organizado, obediente, de boa intenção (cf. 
Bar 6,59-62); 
• Tem consideração com os outros (cf. I Tes 5,12-13); 
• É um "bom" pastor, acompanhando as "ove­
lhas" de perto, com todo o zelo e dedicação; 
• Caminha no Espírito (cf. Gl 5,24-26); 
• Trabalhaemequipe,nãocentralizaasatividades; 
• Tem domínio, encorajando os tímidos, con­
trolando os faladores; 
• Temzelo,ordem,compromissoepontualidade; 
• É perseverante em todos os momentos do 
Grupo de Oração; 
• Tem uma mentalidade aberta à ação do Es­
pírito Santo, que quer transformar sem cessar e se 
manifesta com criatividade; 
• É conhecedor da doutrina da Igreja; 
• Mantém vínculos estreitos de comunhão 
com as demais instâncias de coordenação da R C C , 
estando sempre a par dos acontecimentos e inseri­
do nas moções proféticas dadas ao Movimento; 
• É amplamente comunicativo, fazendo chegar 
todas as informações relativas à vida do Movimento 
ao povo a ele confiado, motivando todas as pessoas 
a sempre se inserirem no contexto. 
Ainda, é necessário que o coordenador: 
• Dê oportunidade a todos, sem preconceitos 
ou "rotulações". O que erra hoje, amanhã poderá se 
tornar um grande líder nas mãos do Senhor; 
• Apoie e reconheça o crescimento do irmão; 
• Forme servos-líderes melhores que ele e 
não tenha medo de "perdê-los" para outros serviços 
dentro da R C C , até porque independentemente de 
outros chamados, devem permanecer fieis ao Grupo 
de Oração, que é a célula principal da R C C ; 
• Não resista às mudanças (cf. Rm 12,2); 
• Não seja apegado ao "cargo" de coordena­
dor, mas enxergue tal função como algo sublime e de 
grande responsabilidade; um chamado para deter­
minado tempo em sua vida. Nessa perspectiva, sua 
coordenação "precisa ser a melhor coordenação da 
história em prol do Reino de Deus", não se tratan­
do aqui de uma competição com ex-coordenadores 
e entre líderes, mas cada um precisa ter essa meta 
bem definida, para o bem das almas. 
C a b e t a m b é m ao coordenador discernir 
c o m o núcleo de serviço as necessidades do 
Grupo de O r a ç ã o e , a partir daí: 
• Usar criatividade nas reuniões de oração; 
• Proporcionar seminários, retiros de experi­
ência de oração,aprofundamentos de finais de semana; 
• Encaminhar para eventos da R C C e outros; 
• Aproveitar todas as oportunidades para o 
crescimento,a perseverança e a santidade de cada um. 
O coordenador é um servo líder. O Grupo de 
Oração precisa de sua liderança fiel ao Senhor, sábia 
e santa."Não fostes vós que me escolhestes, mas eu 
vos escolhi a vós e vos constituí para que vades e 
produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim 
vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao 
Pai em meu nome, ele vos conceda" (jo 15,16). 
3. O NÚCLEO DE SERVIÇO: 
Primeiro momento do grupo de oração 
O Grupo de Oração não se resume à reunião 
de oração, embora esse seja o seu momento pecu­
liar. Há necessidade de se ter uma caminhada progra­
mada que considere as necessidades dos participan­
tes e como fazer para supri-las de forma contínua e 
com qualidade. 
Um bom planejamento para o Grupo de Ora­
ção abrange todos os serviços e ministérios, e as­
sim pode-se trabalhar de forma coordenada porque 
cada um sabe o que fazer, e todos sabem para onde 
estão indo. Inclui também mecanismos para desen­
volver o crescimento e a perseverança dos mem­
bros, introduzindo-os numa experiência comunitária 
e catequética. 
Todo grupo de oração carismático tem sua co­
esão, boa ordem, planejamento e continuidade asse­
gurados pelo núcleo de serviço, que é um pequeno 
grupo de servos que assume o grupo todo em sua 
espiritualidade e estrutura. 
12 
. Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 
3.1. C r i t é r i o s p a r a c o m p o s i ç ã o do n ú ­
c l e o d e s e r v i ç o : 
O Núcleo de Serviço deve ser composto pelo 
Coordenador do Grupo de Oração, pelo ex-co-
ordenador imediatamente anterior ao atual, pelos 
respectivos coordenadores/ representantes dos di­
versos ministérios exercidos no Grupo de Oração 
(Intercessão, Música, Crianças, Pregação, Oração por 
Cura e libertação, Formação,Arrumação,Acolhimen-
to e recepção, e t c ) , podendo-se, ainda, de acordo 
com a necessidade, convidar outras pessoas que em­
bora não coordenem qualquer ministério no Grupo 
de Oração, preencham os quesitos mínimos neces­
sários para tal função, dentre eles, uma adequada for­
mação e razoável capacidade de discernimento, além 
da confirmação da comunidade. 
Nos Grupos em que não haja ainda o exercí­
cio dos ministérios elencados acima, o núcleo será 
composto pelo Coordenador do Grupo de Ora­
ção, pelo ex-coordenador imediatamente anterior 
ao atual e por um grupo de pessoas que possuam 
discernimento, sejam emocionalmente equilibradas, 
possuam reputação moral e espiritual ilibada, sejam 
afeitas à formação permanente e sejam espiritual­
mente amadurecidas. 
Os Grupos de Oração da R C C surgem, geral­
mente, a partir de um Seminário de Vida no Espírito, 
seja por iniciativa missionária de membros de outro 
Grupo ou da coordenação diocesana/regional da 
R C C , seja a pedido da comunidade paroquial. Nesta 
hipótese de criação de um novo Grupo de Oração, o 
seu núcleo será formado por alguns dos servos que 
trabalharão no Seminário, apoiados de perto pela 
Equipe Diocesana e/ou pela equipe do Grupo que 
o originou, sendo-lhes assegurada ampla formação 
para sua missão. 
OBS. : É muito importante que todas as lideran­
ças da R C C perpassem todo o Processo Formativo 
do Movimento, que se inicia com o seu Processo 
de Iniciação que é querigmático (SVE, Experiência 
de Oração e Aprofundamento de Dons), prossegue 
com o Módulo Básico de Formação (I I encontros 
incluindo-se o Módulo de Formação Humana in­
tercalado às apostilas do Módulo Básico, conforme 
orientação do Ministério de Formação da R C C ) , 
seguido das formações específicas para o exercício 
dos diversos ministérios, conforme o discernimento 
vocacional de cada um para servir a Deus no Movi­
mento. 
3 . 2 . A s f ina l idades do n ú c l e o s ã o ' : 
a) Avaliar o que Deus fez em cada reunião de 
oração, não dizendo "foi bom" ou "deveria ter sido 
melhor", mas discernindo em oração o que Deus 
disse. Pode-se avaliar como foi a reunião de oração 
anterior respondendo, com todo o núcleo, a alguns 
questionamentos, tais como: "A Palavra pregada foi 
acolhida?","Os louvores foram cheios de amor e ale­
gria?", "Os cantos foram ungidos e levaram o povo 
a louvar?", "Como foi a acolhida?","Houve profecias 
e outras práticas carismáticas?", "Houve testemu-
nhos?","Como foi a evangelização?","Foi enriquece­
dora a manifestação da caridade, da fraternidade, da 
comunhão?", etc. 
b) Acompanhar e assistir os fieis que estão no 
grupo em suas necessidades pessoais (doenças, difi­
culdades de oração, perda de paciência, ausência das 
reuniões, etc) encaminhando-os aos serviços (inter­
cessão, oração por cura e libertação, cura interior, 
grupo de perseverança, etc). 
c) Revezor-se na condução da reunião de oração, 
sempre em um clima de fraternidade e cooperação. 
d) Interceder constantementepelo Grupo de 
Oração do qual faz parte. 
e) Preparar as reuniões do Grupo de Oração, 
distribuindo os serviços e responsabilidades, esco­
lhendo, preparando a pregação e rezando por aque­
les que desempenharão alguma função. 
Os membros do núcleo de serviço do 
Grupo de Oração devem ser bem forma­
dos e profundamente dados à oração, treina­
dos no discernimento comunitário, obedientes 
e dispostos a dar a vida no serviço do Senhor. 
Como o próprio nome diz, núcleo de serviço é 
um serviço do Grupo de Oração (cf A t 6,1 -7); é um 
grupo de pessoas a serviço dos irmãos. As pessoas 
que o integram devem assumi-lo como um chamado 
do Espírito. 
Fazer parte do núcleo não é condição de des­
taque, mas posto de serviço aos irmãos, para que 
Jesus seja o destaque em suas vidas. O objetivo do 
núcleo de serviço é louvar, orar, interceder pelo gru­
po, discernir e aplicar a orientação para o grupo. Sua 
missão é evangelizar e formar os membros do grupo 
e levá-los a uma profunda experiência com Deus, de 
vida no Espírito Santo, inserindo-os no conjunto da 
Igreja. "Que os homens nos considerem, pois, como 
simples operários de Cristo e administradores dos 
mistérios de Deus. Ora , o que se exige dos adminis­
tradores é que sejam fiéis" (I C o r 4,1 -2). 
' Cf. Emmir N O G U E I R A et al, Grupo de oração, p. 7. 
13 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração ^ 
'//////////////////////////^^^^ 
O perfil Ideal do participante do núcleo inclui: 
• Constância nas reuniões de oração; 
• Frutos de conversão; 
• Responsabilidade; 
Maturidade humana e espiritual; 
• Equilíbrio emocional; 
• Reputação moral e espiritual ilibada; 
• Carisma de liderança; 
• Senso eclesial; 
• Relativa aceitação comunitária, entre outras 
características. 
Nem sempre a pessoa que "reza mais" ou aque­
la mais "espiritual" é a mais indicada para fazer parte 
do núcleo. No geral, o coordenador deve escolher 
seus auxiliares em oração e com bastante cautela e 
discernimento. 
Geralmente as pessoas precisam de algum tem­
po de caminhada no Grupo de Oração antes de fa­
zerem parte do núcleo de serviço. Uma pessoa que 
está chegando no Grupo de Oração precisa, antes, 
ser "conquistada", "seduzida" por Jesus através de 
uma evangelização querigmatica bem sedimentada, 
seguida de uma inserção sempre mais profunda na 
X etapa da evangelização, isto é, a formação. Supri­
mir esse processo de iniciação pode gerar grandes 
prejuízos à pessoa convidada a servir no núcleo, bem 
como ao próprio Grupo de Oração. 
As pessoas menos indicadas para pertencerem 
ao núcleo de serviço são: as que têm algum desequi­
líbrio emocional/psíquico ou carências afetivas mui­
to fortes; as que se relacionam mal e perturbam a 
paz; pessoas autoritárias, imaturas no uso dos caris­
mas ou que tenham restrições à doutrina da Igreja. 
Também é preciso tomar cuidado com aquelas que 
utilizam o núcleo para tentarem solucionar proble­
mas pessoais ou para se auto-afirmarem. 
3.3. A r e u n i ã o do n ú c l e o d e s e r v i ç o 
A reunião do núcleo é o momento da experi­
ência de Pentecostes, como que a repetição do cená­
culo vivido pelos primeiros cristãos (cf.At 2,1 -4). Na 
reunião do núcleo, cada participante vai ficar motiva­
do e vai motivar o Grupo de Oração a partir de sua 
experiência. A reunião de oração deve transbordar 
a experiência que o núcleo de serviço teve, pois S. 
Pedro, em seu discurso, afirmou que o Espírito Santo 
estava sendo derramado e era possível ver e ouvir 
isto (cf .At 2,33). Daí brota a pregação, que supera 
as expectativas de todo o povo. Então, a experiência 
do núcleo é base para toda a motivação do povo. 
Nesse sentido, a reunião de núcleo envolve 
uma ampla prática carismática, privilegiando-se a es­
cuta profética do Senhor visando o direcionamento 
geral para o Grupo de Oração, bem como à prepa­
ração da próxima reunião de oração mediante a Pa­
lavra Rhema (chave, direção certa) que será pregada 
e a moção que conduzirá aquela Reunião de Oração. 
A motivação é o amor de Deus. O núcleo tem 
que rezar, rezar e rezar para que o Pentecostes se 
repita para ele e para todos aqueles que são chama­
dos de acordo com a vontade de Deus (cf.At 2,39) e 
que renove as manifestações dos carismas. 
O núcleo de serviço do Grupo de Oração 
deve reunir-se semanalmente, com dia e horário de­
finido, para melhor exercer seu apostolado; e deve 
haver sigilo absoluto do que ali for tratado. Frise-
se que esta reunião semanal da qual estamos 
tratando é restr ita ao núcleo, que é u m a das 
diversas equipes do Grupo de O r a ç ã o e é par­
te da grande equipe. Portanto, esta reunião não é 
destinada a todos os servos do Grupo de Oração, 
mas somente aos membros do núcleo de serviço. 
Nada impede - e é até recomendável - que periodi­
camente todos os servos do Grupo de Oração - in­
cluindo-se, obviamente, o Núcleo - se reúnam para 
rezar, escutar o Senhor e serem batizados no Espíri­
to Santo. Inclusive, seria saudável que cada uma das 
várias equipes dos ministérios exercidos no Grupo 
de Oração - além do Ministério de Intercessão -
pudessem se reunir semanalmente, para crescerem 
em seu ministério. No entanto, a reunião de Núcleo, 
definitivamente, não é o momento para que todos 
os servos se reúnam. 
Ainda acerca da reunião de núcleo, esta deve 
contemplar uma avaliação criteriosa da reunião de 
oração anterior, que ressalte os pontos positivos -
que devem ser sempre valorizados, bem como os 
pontos de melhoria, sejam do grupo como um todo 
ou relativo a determinadas pessoas do núcleo e de­
mais equipes. Observe-se que toda avaliação deve 
ser construtiva, isto é, movida pelo empenho de ob­
ter sempre mais aperfeiçoamento espiritual e huma­
no, tudo isso regado a muita caridade cristã. Aquele 
que recebe a avaliação deve, por sua vez, processá-la 
em seu coração com o amor e paz dos filhos de 
Deus, aproveitando a exortação para se aperfeiçoar 
sempre mais na obra do Senhor.Assim, as peculiari­
dades no exercício dos diversos ministérios devem 
ser avaliadas para o bem comum. 
Nesse sentido, não deve haver em nosso meio 
um excesso de respeito humano, isto é, não querer 
desagradar o outro com sua avaliação, o que impe-
14 
Renovação Carismática do Brasil - RCCBRAS I L 
de O verdadeiro crescimento do irmão de núcleo. 
Cuidado para não cair na tentação de dizer "tudo 
vai bem, quando na verdade, tudo vai mal (Jr 8,1 I ) , 
quando for o caso. Por outro lado, de modo al­
gum pode-se fazer de nossas reuniões de núcleo 
momentos de desgastes de relacionamento ou de 
discussões entre irmãos. Daí decorre também a ne­
cessidade de maturidade da parte dos membros do 
núcleo. 
Alguns aspectos da avaliação devem ser obser­
vados: 
1) O que aconteceu na verdade? (É impor­
tante a boa comunicação na avaliação) 
2) Possíveis causas para tal acontecimento. 
(Ir à raizdo problemaé umgrande passo paradirimi-lo) 
3) C o m o sanar as causas do que não foi 
tão bom? 
Cabe ao Núcleo, ainda, interceder confiante­
mente por todas as necessidades do Grupo de Ora­
ção e pelo bom andamento do mesmo, implorando 
ao Senhor o derramamento perene de sua graça e 
bênçãos sobre todos os seus membros e consagran­
do ao Senhor o seu povo. Os membros do Núcleo 
são os primeiros intercessores do Grupo de Oração, 
sem prejuízo da equipe do Ministério de Intercessão. 
Os assuntos administrativos referentes ao Gru­
po de Oração também serão discutidos e resolvidos 
na reunião de núcleo. 
Uma observação importante:"Os membros do 
núcleo de serviço devem fazer uma pequena reunião 
pelo menos meia hora antes do início da Reunião de 
Oração para não entrarem na mesma 'a frio'. Devem 
'aquecer-se' na presença do Senhor. Isto é de valor 
inestimável e jamais deve ser omitido, sendo incal­
culáveis as bênçãos e inspirações que se recebem 
nesse momento"^. 
4 . O SERVO DE JESUS NO GRUPO DE ORAÇÃO DA RCC 
Jo 13,1-15;F12,1-11 
O que é ser servo hoje? A sociedade tem uma 
visão totalmente contrária à palavra de Deus, o ego­
ísmo tomou conta da sociedade.Mas a Palavra de 
Deus ensina que é dando que se recebe, é servindo 
que se é servido,assim comoJesus.Sobre isso,seguem 
alguns tópicos de acordo com a Palavra de Deus. 
4.1 S e r s e r v o d e Jesus hoje é t e r dis­
p o s i ç ã o d e : ; o^l) 
a) Renunciar a própria vontade - Mt 16,24-
25 O servo não tem querer, ele sempre faz a vonta­
de do seu Senhor, ele cuida dos negócios do Senhor, 
passa a ser propriedade do Senhor 
b) Aprender e permanecer nas mãos do 
M e s t r e - P v 12,1; 15,14; 18,15 
O servo é aquele que gosta de aprender com o 
Mestre, pois a Bíblia fala que Ele tem palavras de Vida 
Eterna. Mais do que aprender deve ter disponibili­
dade de colocar em prática aquilo que o Mestre lhe 
ensina e fazer a vontade do seu Senhor Na realidade 
é obrigação ter o caráter do Mestre (cf. C l 2,6-7). 
Esta união que o texto fala significa estar tão ligado 
que não dá para separar um do outro. 
c) Depender tota lmente do Mestre - Mt 
6,24-34A dependência tem que ser somente do Se­
nhor. Voltando para o contexto da época de Jesus, 
era do senhor que vinha toda provisão, sustento; o 
senhor que supria todas as necessidades do servo, 
em troca o servo tinha fidelidade, lealdade, compro­
misso e obediência ao seu senhor. Quando se toma 
a decisão de ser servo do Senhor Jesus, tem que ter 
a certeza de que Ele vai cuidar de tudo. 
d) Fazer a vontade do Mestre - Jo 5,30 
O próprio Jesus não veio a este mundo para 
fazer a sua vontade, mas a do Pai Celestial que o 
enviou. O servo deve fazer o mesmo (ver Gl 2,20). 
Quando se fala "Cr isto vive em mim", tem que ter 
a convicção de que a própria vontade foi crucificada 
em favor de cumprir a vontade de Deus, e de que a 
Palavra de Deus diz que esta vontade é boa, perfeita 
e agradável (cf. Rm 12.2; C L 3,1 -3). 
e) Serv i r o amigo e ©"inimigo"- Mt 20,25-28 
O homem de hoje valoriza muito a posição, e 
status, mas o Mestre Jesus ensina a servir, pois aquele 
que quer ser importante e destacado, deve ser aquele 
que serve. Quando se vê no texto de C l 2,5 que tem 
que ter o mesmo modo de pensar de Jesus, ve-se que 
Ele, mesmo sendo mestre, serviu aos seus discípulos 
(cf. Jo 13,1-5). É bom lembrar que mesmo sabendo 
que Judas ia traí-lo Jesus o serviu lavando seus pés. 
C H A G A S , D o m Cipriano. Grupos de Oração Carismáticos, p. 13. 
15 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração . 
f) Serv i r c o m alegria - SI 99/100,2 
Qualquer servo que reconhece Aquele a quem 
ele serve será cheio de alegria. Como verdadeiro 
servo, deve sempre servir com alegria, não com tris­
teza e murmuração. O servir não pode ser um peso, 
mas prazer (cf. Is 65,14). 
g) Serv i r onde for chamado - Lc 17,7-10 
O servo nunca procura se destacar ou servir 
por interesse. Não escolhe o que fazer, faz o que 
pedem, e o faz com amor e alegria. 
Jesus deu o exemplo e ordenou que se fizesse 
o mesmo que Ele fez. O Papa se intitula "servo dos 
servos de Jesus Cr isto" , isto é, aquele que deve ser­
vir a todos. O mundo deixou uma mentalidade - a 
de empregado - de fazer coisas para ser recompen­
sado. Porém o Senhor Jesus deixou algo muito me­
lhor - o espírito de Servo, fazer coisas para agradar 
ao Senhor, e abençoar aos irmãos, mesmo que não 
receba nada em troca. 
O coordenador do Grupo de Oração é um dos 
servos do seu grupo, responsável por todos, para 
servir a todos. E os membros de Núcleo, verdadei­
ros pastores do rebanho do Senhor são convidados 
a dar esse testemunho eloquente de serviço. 
5. MINISTÉRIOS NO GRUPO DE ORAÇÃO 
O termo "ministério" é amplamente usado na 
Renovação Carismática para designar de uma manei­
ra geral os diversos serviços do Grupo de Oração. 
São estes os mais comuns: ministério de oração por 
cura, ministério de música, ministério de intercessão, 
ministério de pregação, entre outros. 
Um ministério é um serviço específico den­
tro do Grupo de Oração. É um trabalho para ser­
vir à comunidade cristã, uma maneira de exercitar 
o apostolado. Cada batizado é chamado a crescer, 
amadurecer continuamente, dar cada vez mais fruto 
na descoberta cada vez maior de sua vocação, para 
vivê-la no cumprimento da própria missão. 
" O s ministérios são diversos, mas um só é o 
Senhor" (I Co r 12,5). Fazendo esta afirmação, São 
Paulo coloca todos os ministérios -serviços - em 
submissão a Jesus Cristo e dentro de um contexto 
de comunhão eclesial (cf também Ef 4,1 1-16).Assim, 
devem funcionar harmonicamente como em uma 
orquestra onde cada um faz o seu "som", mas o todo 
é que faz a beleza. 
As equipes ou ministérios devem ser forma­
dos na medida da necessidade e da realidade de 
cada Grupo de Oração. Seus membros devem ser 
escolhidos em oração e de acordo com os vários 
dons que surgem. Para cada necessidade há pessoas 
ungidas pelo Espírito para seu atendimento: "Temos 
dons diferentes, conforme a graça que nos foi con­
ferida. Aquele que tem o dom de profecia, exerça-o 
conforme a fé. Aquele que é chamado ao ministério, 
dedique-se ao ministério. Se tem o dom de ensinar. 
que ensine; o dom de exortar, que exorte; aquele 
que distribui as esmolas, faça-o com simplicidade; 
aquele que preside, presida com zelo; aquele que 
exerce a misericórdia, que o faça com afabilidade" 
(Rm 12,6-8). 
" A cada um é dada a manifestação do Espíri­
to para proveito comum.A um é dada pelo Espírito 
uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de 
ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo 
mesmo Espírito; a outro, a graça de curar as doenças, 
no mesmo Espírito; a outro, o dom de milagres; a 
outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espí­
ritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim, 
a interpretação das línguas" ( I C o r 12,7-10). 
As pessoas que formarão as diversas equipes 
para os diversos serviços do Grupo de Oração de­
vem ser recrutadas dentre aquelas que já se identi­
ficam com a espiritualidade da R C C e que possuam 
alguma experiência dos carismas e sejam disponíveis. 
É importante observar que estas pessoas devem es­
tar inseridas no Processo Formativo da R C C . 
Deus chama cada um dos seus fiéis a exercer 
um serviço específico dentro da sua Igreja, com a 
finalidade de cada vez mais edificar o Corpo de 
Cristo. Cada batizado deve desempenhar a missão 
que Deus lhe deu e para a qual o capacitou com o 
objetivo de que todos cheguem à unidade da fé e à 
plenitude do conhecimento de Cristo e assim sejam 
novas criaturas. Quando a missão é desempenhada, 
vivida com grande amor, a caridade é evidenciada (cf 
I C o r l3,4-8a). 
16 
Renovação Carismática do Brasil - RCCBRASIL 
5.1. C a d a m i n i s t é r i o é s u s t e n t a d o p o r 
u m c a r i s m a e s p e c í f i c o 
Os ministros exercem seu serviço participan­
do do ministério de Jesus. Portanto, ministério é um 
serviço prestado à comunidade com a capacitação 
dos carismas. "Ministério é, antes de tudo, um caris­
ma, ou seja, um dom do Alto, do Pai, pelo Filho, no 
Espírito, que torna seu portador apto a desempe­
nhar determinadas atividades, serviços e ministérios 
em ordem à salvação"^. 
Todos os cristãos têm os carismas do Espíri­
to Santo na medida da necessidade da comunidade, 
mas exercem um ministério específico que depende 
mais de um carisma do que de outro. Por exem­
plo, o ministro de oração por cura necessita muito 
mais do carisma de cura; o coordenador de gru­
po de oração necessita da palavra de sabedoria e 
do discernimento e assim por diante. No entanto, 
apesar de serem estes os carismas mais específicos 
destes ministérios, nenhum carisma existe ou pode 
ser exercido isoladamente. Seja qual for o ministério 
ao qual o Senhor nos chama, necessitaremos sem­
pre do auxílio de todos os carismas para exercê-lo 
com o poder de Deus. Ao instituir seus ministros. 
Deus os capacita para exercerem sua missão, que 
sempre terá como objetivo a glorificação de Deus e 
a conversão dos seus filhos. Por isso. Ele dota seus 
ministros dos dons, dos talentos e das aptidões que 
eles vão precisar para exercer os ministérios, de talforma que possam contar sempre com a sua graça, 
a fim de não cair na tentação da auto-suficiência e 
de um exercício simplesmente humano de serviço 
à Igreja. "Mas, só pode ser considerado ministério o 
carisma que, na comunidade e em vista da missão na 
Igreja e no mundo, assume a forma de serviço bem 
determinado"'. 
5.2. A a u t o r i d a d e do m i n i s t r o é exer ­
c i d a n a a u t o r i d a d e d e Jesus 
A autoridade do ministro vem da autoridade 
de Jesus Cristo. É um dom do Espírito Santo; e isto 
é que faz a diferença entre a sua e as outras autori­
dades. Não é uma simples delegação de poder, mas 
o ministro participa da missão de Jesus. Ele exerce 
o seu ministério como o próprio Jesus exerceria (cf. 
Jo 15,16). 
Portanto, o ministro ao exercer seu serviço 
hoje, conta com o mesmo poder de Jesus Cristo (cf. 
Jo 14,12). O poder é de Jesus; então, nada de orgulho, 
nada de se achar o melhor, o mais santo. O ministro 
deve saber separar as coisas e reconhecer que toda 
a obra boa que realiza vem de Jesus e por mais que 
realize grandes e muitas coisas, é sempre servo inú­
til (cf. Lc 17,10). Um servo olha não para as obras 
de suas mãos, mas para o Autor que é Deus. Nunca 
deve atribuir a si os méritos das obras que realiza, 
mas unicamente a Ele. 
5 . 3 . 0 E s p í r i t o S a n t o é a fonte dos m i ­
n i s té r ios 
É importante a consciência de que todos os 
serviços prestados ao Reino de Deus, em nome de 
Jesus Cristo, são, em última análise, de origem divi­
na, acontecem sob a ação do Espírito Santo. É Ele 
quem dá a força para testemunhar Jesus Cristo "até 
os confins da terra" (cf.At 1,8). Os ministros devem 
realizar suas tarefas sob o influxo do Espírito Santo. 
É Ele que os cumula de carismas; sem Ele a missão 
será de baixa eficiência, fraco desempenho, ausência 
de criatividade, de zelo e de perseverança. 
O Espírito Santo comunica ao ministro sua for­
ça e o capacita para a ação de servir à comunidade. 
Foi o que aconteceu com os apóstolos e os discípu­
los de Jesus em Pentecostes (cf .At 2,1-13); com os 
diáconos, após a oração feita sobre eles (cf.At 6,1 -7); 
e com Paulo, após a imposição das mãos de Ananias 
(cf.At 9,10-30). Com a ação do Espírito Santo, todos 
se tornaram intrépidos ministros do Senhor O desin­
teressado e oblativo exercício dos ministérios, tor-
na-se fonte de santificação para quem os exerce. 
6. FUNDAMENTAÇÃO DOUTRINARIA 
A título de "fundamentação doutrinária" se­
guem em destaque alguns trechos do Magistério da 
Igreja, para consulta e aprofundamento: 
a) "Além disso, o mesmo Espírito Santo não se 
limita a santificar e a dirigir o povo de Deus por meio 
dos sacramentos e ministérios, mas também, nos fi­
éis de todas as classes distribui individualmente e a 
cada um, conforme entende, os seus dons e as gra­
ças especiais, que os tornam aptos e disponíveis para 
^ C N B B , Missão e ministérios dos cristãos leigos e leigas, n. 84. 
' Ibid., n. 85. 
17 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração >^ 
assumir os diversos cargos e ofícios úteis à renova­
ção e maior incremento da Igreja... Devem aceitar-
se estes carismas com ação de graças e consolação, 
pois todos, desde os mais extraordinários aos mais 
simples e comuns, são perfeitamente acomodados e 
úteis às necessidades da Igreja" (Lúmen Gentium 12). 
b) "Impõe-se, pois, a todos os cristãos o dever 
luminoso de colaborar para que a mensagem divina 
da salvação seja conhecida e acolhida por todos os 
homens em toda a parte. Para exercerem tal apos­
tolado, o Espírito Santo - que opera a santificação do 
povo de Deus através do ministério e dos sacramen­
tos - confere ainda dons peculiares aos fiéis (cf. I Co r 
12,7),'distribuindo-os a todos, um por um, conforme 
quer (I C o r 12,1 I ) , de maneira que 'cada qual, segun­
do a graça que recebeu, também a ponha a serviço 
de outrem' e sejam eles próprios'como bons dispen­
sadores da graça multiforme de Deus' ( IPed 4,10), 
para a edificação de todo o corpo na caridade (cf. Ef 
4,16). Da aceitação destes carismas, mesmo dos mais 
simples, nasce em favor de cada um dos fiéis o direi­
to e o dever de exercê-los para o bem dos homens 
e a edificação da Igreja, dentro da Igreja e do mundo, 
na liberdade do Espírito Santo, que'sopra onde quer' 
(jo 3,8), e ao mesmo tempo na comunhão com os 
irmãos em Cr is to" (Apostolicam Actuositatem, 3). 
c) Pareceu-nos de capital importância uma 
Exortação deste género, porque a apresentação da 
mensagem evangélica não é para a Igreja uma contri­
buição facultativa: é um dever que lhe incumbe, por 
mandato do Senhor Jesus, a fim de que os homens 
possam acreditar e ser salvos. Sim, esta mensagem é 
necessária, ela é única e não poderia ser substituída. 
Assim, ela não admite acomodação. É a salvação dos 
homens que está em causa. (...) Por isso, bem mere­
ce que o apóstolo lhe consagre todo o seu tempo, 
todas as suas energias e lhe sacrifique, se for neces­
sário, a sua própria vida (Evangelli Nuntiandi, 5) . 
d) " A formação dos fiéis leigos tem como obje­
tivo fundamental a descoberta cada vez mais clara da 
própria vocação e a disponibilidade cada vez maior 
para vivê-la no cumprimento da própria missão. 
Deus chama-me e envia-me como trabalhador para 
a sua vinha; chama-me e envia-me a trabalhar para 
o advento do seu Reino na história: esta vocação e 
missão pessoal define a dignidade e a responsabili­
dade de cada fiel leigo e constitui o ponto forte de 
toda ação formativa, em ordem ao reconhecimento 
alegre e agradecido de tal dignidade e ao cumpri­
mento fiel e generoso de tal responsabilidade. Com 
efeito. Deus, na eternidade pensou em nós e amou-
nos como pessoas únicas e irrepetíveis, chamando 
cada um de nós pelo próprio nome, como o bom 
Pastor que 'chama pelo nome as suas ovelhas' (jo 
10,3). Mas, o plano eterno de Deus só se revela a 
cada um de nós na evolução histórica da nossa vida 
e das suas situações, e, portanto, só gradualmente: 
num certo sentido, dia a dia" (Christifidelis Laici, 58). 
e) "A graça é antes de tudo e principalmente o 
dom do Espírito que nos justifica e nos santifica. Mas 
a graça compreende igualmente os dons que o Espí­
rito nos concede para nos associar à sua obra, para 
nos tornar capazes de colaborar com a salvação dos 
outros e com o crescimento do corpo de Cristo, 
a Igreja. São as graças sacramentais dons próprios 
dos diferentes sacramentos. São além disso as graças 
especiais, designadas também "carismas", segundo a 
palavra grega empregada por S. Paulo, e que signifi­
ca favor, dom gratuito, benefício. Seja qual for o seu 
caráter, às vezes extraordinários, como o dom dos 
milagres ou das línguas, os carismas se ordenam à 
graça santificante e têm como meta o bem comum 
da Igreja.Acham-se a serviço da caridade, que edifica 
a Igreja" (Catecismo n.2003). 
7. CONCLUSÃO 
Até aqui se discorreu sobre o primeiro momento do Grupo de Oração: o nú­
cleo de serviço.A graça recebida nesse momento do Grupo de Oração desaguará nos 
outros dois momentos, tal é a importância da reunião de núcleo semanal. Os ensinos 
seguintes (2, 3, 4 e 5) farão referências aos diversos aspectos da reunião de oração, 
que é o segundo momento. Já o 6° ensino abordará especificamente o terceiro mo­
mento, que é o grupo de perseverança. 
18 
, Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 
CAPITULO 2 
A REUNIÃO DE ORAÇÃO: 
CONCEITO, FINALIDADES E CARACTERÍSTICAS 
1. INTRODUÇÃO 
O segundo momento do Grupo de Oração 
é a reunião de oração. A reunião de oração é um 
meio privilegiado para comunicação do batismo 
no Espírito Santo e a consequente experiência de 
Deus. É, portanto, um dos principais momentos 
da dinâmica da Renovação Carismática Católica. 
Atende plenamente ao clamor dos bispos da 
América Latina e do Caribe, reunidos em Apareci­
da/SP durante a suaV Conferência Geral , em 2007: 
"Esperamos um novo Pentecostes que nos livre do 
cansaço, da desilusão, da acomodação ao ambien­
te; esperamos uma vinda do Espírito que renove 
nossa alegria enossa esperança. Por isso, é impe­
rioso assegurar calorosos espaços de oração co­
munitária que alimentem o fogo de um ardor in-
contido e tornem possível um atrativo testemunho 
de unidade 'para que o mundo creia'(Jo 17,21)"'°. 
A reunião de oração - esse "caloroso espaço de 
oração comunitária que alimenta o fogo de um ardor 
incontído" - é informal, marcada antes de tudo pela 
espontaneidade dos participantes e pela abertura ao 
Espírito. Por isso mesmo, não existem esquemas ou 
propostas rígidos para o seu desenrolar, como fór­
mulas de oração, listas pré definidas e quantidade de 
músicas a serem cantadas, e t c . Acontece de acordo 
com o mover do Espírito naquela assembleia reunida. 
No entanto,a reunião de oração não se desenvol­
ve de maneira indefinida e sem direção. Há um conjun­
to de orientações que imprimem a ordem e o respei­
to, proporcionando melhor ambiente para a atuação 
livre do Espírito Santo, evitando excessos e eventuais 
desvios. Portanto, o que segue não tem a finalidade 
de enquadrar ou padronizar as reuniões, mas de au­
xiliar em sua condução e melhorar seus resultados. 
2 . CONCEITO 
Reunião de oração é o momento em que os 
participantes do Grupo de Oração se encontram, 
semanalmente, para a oração, especialmente o lou­
vor. Esse momento é aberto para outras pessoas 
que poderão, a partir dele, começarem a fazer parte 
do Grupo de Oração, iniciando uma caminhada de 
conversão e crescimento perseverante na fé. Assim, 
pode-se concluir que a porta de entrada na célula 
principal da R C C é a reunião de oração, segundo 
momento da dinâmica do Grupo de Oração, que 
envolve três momentos distintos, conforme já visto. 
Por isso mesmo, é comum que os participan­
tes da reunião de oração sejam bastante diversos, a 
exemplo da multidão no dia de Pentecostes (cf A t 
2,1 -13). Além dos perseverantes membros do grupo 
(aqueles que estão na reunião todas as semanas), é 
comum se introduzirem nela: curiosos, ociosos, de­
sesperados, depressivos, revoltados, entre outros. 
Alguns vão à reunião por livre vontade, sem motivo 
aparente, ou simplesmente porque foram convida­
dos; outros, notadamente os jovens, vão por causa da 
animação; outros, ainda, estão buscando algo para si 
ou para outrem (cura física, libertação das drogas ou 
da bebida, conversão de um parente ou amigo, etc). 
A reunião de oração é, por assim dizer, um mo­
mento pentecostal: com os corações compungidos 
(c fAt 2,37), os fiéis são levados à vivência da fé, na fra­
ternidade e no comprometimento missionário. Nela, 
os carismas devem ser manifestados sem restrições, 
pois fazem parte do"ver e ouvir" que convence àque-
C N B B . D o c u m e n t o final d a V Conferênc ia Gera l do Episcopado Latino 
Amer icano e do Car ibe , n.° 362. 
19 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração 
les que estão chegando.Trata-se, ainda, do "ruído de 
Pentecostes" que precisa ser ouvido mesmo do lado 
de fora do cenáculo,causando admiração (cf A t 2,6-7). 
2.1 A r e u n i ã o d e o r a ç ã o n ã o é; — 
2.1.1 U m a a u l a 
Não se trata de um momento de ensino bíblico, 
teológico ou moral. Não se pode dizer nem mesmo 
que a reunião é um aprofundamento catequético, 
a não ser como realidade vivencial. O essencial é a 
experiência do batismo no Espírito, do louvor e da 
conversão. Portanto, apesar do seu caráter instruti­
vo e de se reservar um momento específico para a 
pregação, o mais importante da reunião de oração é 
a sua dinâmica de falar e ouvir Deus. 
2.1.2 U m g r u p o d e d i s c u s s ã o 
A reunião de oração não é para discussão po­
lítica, social ou mesmo religiosa, por mais importan­
tes que sejam tais assuntos. Existem ou devem ser 
criados espaços propícios para esse tipo de debate. 
Sobretudo em pequenos grupos, é comum que 
no momento da pregação ou fora dele, pessoas an­
siosas por dizer algo ou com nível maior de politiza­
ção, introduzam questões que podem gerar tumulto 
ou provocar o desinteresse da maioria dos presen­
tes. A liderança da reunião deve acautelar-se contra 
tais coisas e conter habilidosamente essas pessoas. 
2.1.3 U m a s e s s ã o d e t e r a p i a 
A reunião de oração não é um momento cria­
do para descarregar tensões emocionais adquiridas 
durante a semana.Algumas pessoas fazem do tempo 
de oração semanal uma espécie de sessão terapêu­
tica, para repor energias. Há pessoas que pensando 
estar louvando o Senhor, contam suas mazelas ou 
dão testemunho de algo ocorrido durante a semana. 
Veremos a seguir o que realmente significa o louvor. 
Embora possa fazer parte da reunião a retoma­
da do vigor e do ânimo ou até a cura das emoções, 
isso acontece no próprio desenrolar da oração, 
quando a pessoa louva e experimenta a presença de 
Deus e não por rezar o tempo todo na expectativa 
de receber um favor " O mais importante não deve 
ser nem mesmo a cura do Senhor, mas o Senhor que 
cura. O que se há de buscar em primeiro lugar não 
é a saúde, mas a santidade. (...) Se temos confiança 
na Palavra do Senhor, certos de que é mais fácil pas­
sarem o céu e a terra do que ela deixar de cumprir-
se, confiaremos a Ele todas as nossas preocupações, 
porque Ele se preocupa conosco (cf I Pd 5,7). Ele é 
tão bom que nos responderá antes mesmo que o 
chamemos, e solucionará até os problemas que nós 
mesmos ignoramos que existam em nossas vidas"'^. 
2.1.4 U m a r e u n i ã o soc ia l 
A reunião de oração não pode se transformar 
numa simples ocasião para encontro de amigos, para 
tratar de assuntos de interesse comum ou para to­
mar lanche e chá. A reunião tem finalidades muito 
bem definidas, centradas na pessoa de Jesus. 
2.1.5 U m a r e u n i ã o ec les ia l d i v e r s a d a 
p r o p o s t a 
Não raro veem-se algumas pessoas entenden­
do ser cabível e até saudável substituir, vez por outra, 
a dinâmica espontânea da reunião de oração da R C C 
(louvor, profecia, pregação querigmatica, batismo no 
Espírito Santo, testemunhos) por outras atividades 
tais como: partilha de textos bíblicos ou extra-bíbli-
cos (evidentemente pode-se conduzir uma oração 
durante a reunião baseada em algum texto bíblico 
que tenha confirmado alguma moção profética), re­
citação do Terço, novenas do Padroeiro da paróquia, 
adoração ao Santíssimo Sacramento, excesso de di­
nâmicas de integração comunitária, ou mesmo fazer 
do Grupo um Círculo Bíblico. "Não se confunde o 
grupo de oração carismático com outras reuniões 
de fieis. Ele não é um Círculo Bíblico. Querer con­
verter o grupo de oração em círculo bíblico é que­
rer desfigurá-lo e esvaziá-lo. (...) O grupo de oração 
também não é um grupo de reflexão, de intercâmbio 
de ideias"'\e que todas essas atividades são 
importantíssimas e salutares na vida de todo cristão 
católico, mas cada qual a seu tempo (cf Ecle 3,1) 
" Cf .José H .Prado F L O R E S . A s reuniões deoraçõo.p. 12-13. 
Ibid.p. 13 
" C H A G A S , D o m Cipriano, O S B . Grupos de Oração Carismáticos, I . Rio de 
Janeiro: Ed. Louva-a-Deus, I978 ,pp . 10 
20 
Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 
3. FINALIDADES 
Podem ser indicadas pelo menos quatro finali­
dades principais de uma reunião de oração: 
3.1. P a r a l o u v a r o S e n h o r ' " 
Apesar de não se prescindir de outros tipos de 
oração (petição, intercessão, cura, etc), o louvor exer­
ce certo primado na reunião. A experiência da Re­
novação Carismática Católica é uma experiência de 
resgate da oração de louvor, centralizada na pessoa 
de Jesus muito mais que nas necessidades do orante. 
Por isso, o louvor ocupa lugar privilegiado. 
Nele, o Senhor atua derramando graças. O louvor é 
como que o preparo para que o Senhor comunique 
a sua palavra de forma atual, por meio da profecia. 
" O centro da reunião de oração é Cristo, a alma é 
o Espírito Santo, e sua finalidade é adorar, louvar e 
glorificar o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que 
é também nosso Pai"'^Acerca do louvor se tratará 
mais detalhadamente em seguida. 
3.2. P a r a p r o p o r c i o n a r a e x p e r i ê n c i a 
d o b a t is m o no E s p í r i t o 
Essa finalidade não deve ser colocada em plano 
secundário. Tampouco, o batismo no Espírito Santo 
deve ser considerado ponto ulterior a uma etapa de 
formação. Portanto, a reunião deve favorecer sem­
pre o derramamento do Espírito, proporcionando 
aos participantes uma experiência de Deus. 
Essa experiência é quase sempre manifestada 
no interior das pessoas e constitui-se em ponto de 
partida para sua vida de conversão. Apesar disso, o 
batismo no Espírito não deve ser confundido com 
uma experiência meramente subjetiva, embora pos­
sa trazer consigo uma boa carga de emotividade. 
Convém lembrar do que foi visto na Apostila OI 
desse módulo, acerca do batismo no Espírito Santo 
como uma das principais características do D N A da 
Renovação Carismática Católica.A partir dessa expe­
riência impactante de Deus, se é impelido a uma bus­
ca contínua pela santidade, passa-se a ter mais amor 
pelas Escrituras, Jesus Cristo passa a ser o Senhor e 
Salvador Absoluto, cultiva-se um amor renovado por 
Maria Santíssima e pela Mãe Igreja, há uma renova­
ção nos relacionamentos e na forma de enxergar o 
mundo.Toma-se consciência de que se é templo vivo 
de Deus. Enfim, vive-se a Cultura de Pentecostes, 
a única capaz de implantar a Civilização do Amor! 
3.3. P a r a e v a n g e l i z a r q u e r i g m a t i c a ­
m e n t e 
A reunião de oração tem, por sua própria natu­
reza, a facilidade em comunicar querigmaticamente 
o Evangelho, sobretudo o amor de Deus e a salvação. 
Uma reunião conduzida na unção do Espírito pode fa­
zer com que as pessoas descubram e sintam que Deus 
as ama incondicionalmente e que foi capaz de dar o 
próprio Filho para resgatá-las do pecado."Assim,toda 
reunião de oração é uma ação salvífica de D e u s " " . 
3 . 4 . P a r a c o n s t r u i r a c o m u n i d a d e 
cr istã'^ 
A reunião de oração também tem a finalidade 
de inserir as pessoas numa realidade comunitária. Ela 
constrói laços, gerando a necessidade da partilha e 
da comunhão. Assim, a reunião de oração induz a 
uma experiência religiosa mais frequente e compro­
metida seja no próprio Grupo de Oração ou numa 
outra realidade comunitária eclesial. 
Cf.José H .Prado F L O R E S . A s reuniões deoraçõo.p. 7-8. ^ -
• Í Í ; : Ibid., p. 8 
Cf. a propósito, O ^pWíto %anlo na vida da Igreja, In. Ronaldo José de 
S O U S A , O impacto da Renovação Carismática, pp. 13-24 
" José Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p, 8 
21 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração 
4 . CARACTERÍSTICAS 
É possível destacar como principais caracterís­
ticas de uma autêntica reunião de oração: 
4.1 . C e n t r a l i z a d a n a p e s s o a d e Jesus 
Conforme foi referido, "o centro de cada reu­
nião de oração é o Senhor Jesus. Ele é o pólo de 
atração da comunidade e a fonte donde emana toda 
a sua força"'^ Uma autêntica reunião de oração é 
cristocêntrica, eliminando toda perspectiva mera­
mente individualista. 
4.2 . C a r i s m á t i c a " 
A reunião de oração deve ser essencialmen­
te carismática, tendo como princípio dinâmico o 
Espírito Santo. A Renovação Carismática Católica 
caracteriza-se pelo uso abundante dos carismas -
trata-se de outra principal característica do D N A da 
Renovação, aliás, a que mais nos distingue das demais 
expressões eclesiais devido à leitura especial que fa­
zemos dos carismas, conforme visto na Apostila 01 
deste Módulo. Portanto, será comum nas reuniões a 
oração em línguas, as profecias, as curas e também 
os outros carismas (cf. I C o r 12,4-1 I) , todos ordena­
dos à caridade, até porque " O Espírito, que é dado a 
toda a Igreja, torna-se visível nos ministérios à Igreja 
e ao mundo. Neste sentido o Espírito e seus caris­
mas são inseparáveis (...). Uma vez que o Espírito e 
seus dons são parte essencial da natureza da Igreja 
como dons gratuitos, não é possível existir a Igreja 
sem um ou sem os outros. Sem o Espírito e seus 
carismas não há lgreja"^°. 
Os dirigentes da reunião de oração não devem 
resistir aos carismas, por medo ou indefinição. Isso 
seria recusar o poder de Deus. Os carismas são ele­
mentos normais da oração; "ao contrário, a sua au­
sência é que seria de estranhar Quando não apare­
cem esses sinais do Espírito, devemos analisar qual é 
o obstáculo que impede essa demonstração.A fé nos 
deve levar a deixar manifestar todos os seus dons e 
frutos"^'. 
Reuniões de oração sem carismas transfor-
mam-se em círculos oracionais comuns, talvez bas­
tante frutuosos, porém fora do contexto pentecos­
tal próprio da R C C . " E não podemos ter um grupo 
de oração carismático se não queremos ter os dons 
do Espírito Santo, o poder do alto em ação"^^. 
4 .3 . F r a t e r n a e a l e g r e 
A reunião de oração deve ter uma atmosfera 
de fraternidade e alegria, pela qual as pessoas se sen­
tem acolhidas, amadas e felizes durante o tempo em 
que ali estiverem. Esse clima é que faz com que, mui­
tas vezes, aqueles que vêm à reunião pela primeira 
vez, sintam o desejo de voltar "A alegria, às vezes 
explosiva, às vezes serena e profunda, é uma outra 
nota distintiva das reuniões de oração"" . 
4.4 . E s p o n t â n e a e e x p r e s s i v a 
Como dito, o encontro de oração é informal. 
A reunião não é uma solenidade, embora possa ter 
momentos com esse caráter Sua marca é a espon­
taneidade dos participantes que, na liberdade do Es­
pírito, sentem-se à vontade para louvar em voz alta, 
cantar, bendizer e gesticular 
Os gestos livres tornam a reunião expressiva, 
de maneira que os bons sentimentos interiores dos 
participantes sejam "comunicados" e suscitem ou­
tras atitudes interiores."A expressividade é também 
traço característico da reunião de oração na Reno­
vação Carismática"^^ "Sempre que o homem ora, 
põe em jogo seu espírito, sua alma e seu corpo. É o 
homem inteiro que se dirige a Deus, que o escuta e 
se compromete com Ele. Por isso, levantar as mãos, 
aplaudir, mover-se e até dançar, são diversas manifes­
tações da oração do homem..."^^ 
4.5 . O r d e n a d a 
Apesar de expressiva e espontânea, a reunião 
de oração deve ser marcada pela ordem (cf. I C o r 
14,26-40). Por isso, toda reunião de oração, por me­
nor que seja, deve ter um dirigente principal. Mes­
mo a equipe que lhe auxilia não deve "passar por 
cima" dos seus direcionamentos. A função da equi­
pe auxiliar é "descobrir a vontade do Senhor para 
" lbid.,p.7 
^ C o o r d . C A R D E A L S U E N E N S , Orientações Teotógícas e Pastorais da Reno­
vação Carismática Católica. São Paulo: Ed. Loyola. 1975. pp. 19 
José Prado F L O R E S , As reuniões de oração, pp. 15-18 
" Ibid., p. 17 
Cipr iano C H A G A S , Grupos de oração carismáticos, p. 10. 
" J. H. Prado F L O R E S , As reuniões de oração, p. 19. 
" Cf. Ronaldo José de S O U S A , O Evangelho no subjetividade humana. In.: O 
Impacto da Renovação Carismática, p. 25. 
22 
_ Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 
a assembleia e, ao mesmo tempo, ser um apoio de 
oração para o dirigente principal. Esta equipe serve 
também como filtro para as profecias, testemunhos, 
visualizações e todo o tipo de manifestações caris­
máticas que surgem durante a reunião"^'. Portanto, 
a equipe auxiliar ajuda o dirigente no discernimento 
dos passos a serem dados, mas deve sempre sugerir 
e não encobrir, para não comprometer a autoridade 
do dirigente e confundir a assembleia. O dirigente, 
por sua vez, deve ouvir sempre os seus auxiliares. 
sabedor de que não domina o Espírito, mas precisa 
da ajuda dos irmãos no serviço. 
O ritmo imprimido pelo dirigente e sua equipe 
não deve impedir a ação do Espírito, mas, pelo con­
trário, facilitá-la. Os dirigentes devem tomar cuidado 
para não monopolizar a oração, inibindo a participa­
ção de todos. É também importante que se respeite 
o horário para o início e para o fim, evitando-se as­
sim problemas com outros compromissos, sobretu­
do os familiares. 
5. CONCLUSÃO 
A reunião de oração é o momento em que os participantes do Grupo de Ora­
ção, juntamente com outraspessoas, se reúnem para a oração.Tem como finalidades 
principais: louvar o Senhor, proporcionar a experiência do batismo no Espírito Santo, 
evangelizar querigmaticamente e construir a comunidade. 
Para estar no contexto pentecostal da Renovação Carismática Católica, a reu­
nião precisa ser: centralizada na pessoa de Jesus, carismática, fraterna e alegre, espon­
tânea e expressiva, mas, sobretudo, ordenada. 
J.H. Prado F L O R E S , As reuniões de oraçõo, p. 23. 
23 
Renovação Carismática do Brasil - R C C B R A S I L 
CAPITULO 3 
PREPARAÇÃO E CONDUÇÃO DA 
REUNIÃO DE ORAÇÃO 
1. INTRODUÇÃO 
Os responsáveis pela preparação e condução 
da reunião de oração são os membros do núcleo 
de serviço do Grupo de Oração. Esse processo en­
volve diversos aspectos pertinentes ao núcleo, ex­
postos e discutidos aqui mesmo nesse conjunto^^. 
Aqui cabe referir-se à reunião de oração como 
tal, o seu momento principal e decisivo, a sua am­
bientação e o desenrolar dos cantos, gestos, pala­
vras e mensagens. Evidentemente as referências 
são genéricas, evitando qualquer tipo de legalismo 
ou padronização e, ao mesmo tempo, procurando 
respeitar a liberdade do Espírito em suas moções. 
2. PREPARAÇÃO 
A preparação da reunião de oração é um dos 
itens de grande importância.Alguns líderes, sob pre­
texto de que confiam na ação do Espírito Santo, 
vão para a reunião sem nenhum tipo de elaboração, 
achando que "no fim vai dar tudo certo". A Palavra 
de Deus tem um apelo muito forte a esse respeito: 
"Não negligencies o carisma que está em ti (...) Põe 
nisto toda a diligência e empenho, de tal modo que 
se torne manifesto a todos o teu aproveitamento" 
( I T m 4,14-15). É necessário dedicar esforço e cari­
nho na preparação da reunião, dando liberdade para 
que o Espírito Santo possa mudar tudo, caso queira, 
adequando à vontade do Pai. 
Assim, a preparação do local, a arrumação das 
cadeiras, colocação de mensagens evangelizadoras 
(na forma de cartazes ou pequenos folhetos deixa­
dos nos bancos ou cadeiras), a disposição da mesa e 
dos equipamentos de som (quando houver), a limpe­
za e a higiene do local, tudo deve estar perfeito antes 
que cheguem os primeiros participantes. É comum 
se observar que as pessoas já estão sentadas e a 
equipe de música ainda está afinando instrumentos, 
escolhendo cantos ou mesmo instalando os equipa­
mentos. Seria bom evitar essa situação, pois ela pode 
quebrar o clima de espiritualidade que deve reinar 
desde o começo até o fim da reunião. 
Aquilo que estiver ao alcance para tornar tudo 
agradável e perfeito, para que as finalidades sejam 
obtidas, deve ser feito. Chegar até os corações e 
movê-los, isto é obra do Espírito Santo e Ele o fará 
tanto mais quanto se fizer bem a parte de ambien­
tação e preparo. 
Entre os aspectos preliminares à reunião de 
oração, três coisas são particularmente importantes: 
2.1 I n t e r c e s s ã o 
Normalmente, os grupos dispõem de uma 
equipe ou ministério que intercedem pela reunião 
de oração noutro dia da semana. Essa equipe é fun­
damental! Ela antecipa os pedidos pelo bom êxito da 
reunião de oração, rogando para que todos os seus 
elementos (oração, pregação, música, testemunhos, 
etc) sejam conduzidos pelo Espírito Santo. Além 
disso, pede pelos participantes da reunião, para que 
estejam abertos às graças que Deus quer derramar 
sobre eles (cf Mt 6,32b). 
A intercessão ajuda no discernimento do nú­
cleo, através de palavras e moções dadas por Deus, 
sempre que solicitada acerca de alguma intenção es­
pecífica. Porém, não deve interferir diretamente na 
preparação da reunião, tomando iniciativas ou dando 
ordens que supõe virem de Deus. Qualquer palavra. 
" Cf. Ensino 01 desta apostila. 
25 
Apostila 3 do Módulo Básico - Grupo de Oração 
moção, profecia ou ciência deve ser encaminhada ao 
coordenador do grupo. O coordenador discerne a 
aplicação ou não do que veio da intercessão. 
2.2 Rhema^8 
A reunião de oração é bastante livre e inédi­
ta. O Espírito pode conduzi-la de modo a fazer Sua 
vontade de forma imprevista pelos dirigentes. Po­
rém, frequentemente o núcleo de serviço, em sua 
reunião, recebe de Deus uma moção em forma de 
rhema, como um princípio norteador da oração.As-
sim, colocando-se dóceis às inspirações do Espírito 
Santo, o dirigente e sua equipe vão para a condução 
sabendo de antemão qual o caminho a seguir, em­
bora usualmente sem saber em detalhes que passos 
devem ser dados. 
O rhema auxilia na preparação e ambientação 
da reunião. Por exemplo, se na reunião do núcleo o 
Senhor recorda a palavra bíblica: "Respondeu Jesus: 
'Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes 
sete'" (Mt 18,22), de antemão, podem ser escolhidos 
cantos relacionados ao perdão e à fraternidade; a 
equipe de acolhimento poderá receber as pessoas 
com um "perdoai-vos" em vez de "boa noite"; car­
tazes e mensagens relacionados ao tema poderão 
ser afixados no local; os dirigentes poderão preparar 
dinâmicas que facilitem a oração de perdão; o prega­
dor daquela reunião será orientado sobre o rhema 
e preparará sua pregação de acordo com ele. Enfim, 
todo o conjunto da reunião estará em torno de um 
núcleo central. Isso facilitará em muito a compreen­
são e posterior vivência da mensagem da parte dos 
que vierem à reunião. 
2.3 O r a ç ã o a n t e c e d e n t e d a e q u i p e 
É conveniente que se encontrem uma ou meia 
hora antes do início da reunião de oração: o núcleo 
de serviço, isto é, o dirigente principal (aquele mem­
bro do núcleo escolhido para conduzir a reunião), a 
equipe auxiliar, o ministério de música, o responsável 
pela pregação daquele dia e, eventualmente, a equipe 
de acolhimento. Durante esse tempo, eles se prepa­
ram para conduzir em unidade aquela reunião. , 
"Essa é a ocasião para pedir ao Senhor que faça 
deles um só Corpo - para pedir a liberação do Espí­
rito Santo sobre eles e o encontro. Eles (...) rezam 
uns pelos outros para que todos sejam canais visíveis 
de Seu amor curador"^'. 
3. CONDUÇÃO 
3.1 P r e l i m i n a r e s 
A reunião de oração, de certo modo, já se ini­
cia quando os primeiros participantes chegam. Esse 
tempo é usado para ambientar e formar fraternida­
de através da acolhida e de outros elementos, como 
distribuição de mensagens ou diálogos informais. 
Alguns colocam o ministério de música em 
ação já desde esse momento, cantando músicas ani­
madas e introduzindo as pessoas no clima de alegria 
e louvor Uma alternativa é colocar CD's musicais 
animados como fundo para a chegada das pessoas. 
3.2 A n i m a ç ã o 
Normalmente, a reunião propriamente dita co­
meça com cantos animados, para fazer com que as 
pessoas abandonem as preocupações e tensões que 
trouxeram de casa. Em geral, as pessoas vêm aos en­
contros deprimidas, sem nem mesmo dar-se conta 
da extensão do peso que sentem. 
É preciso evitar muita agitação e buscar um am­
biente propício à oração. Em alguns casos se observa 
que a animação acaba por causar constrangimentos 
àqueles que são mais tímidos ou que estão vindo 
pela primeira vez. 
A animação inicial pode ser feita por um minis­
tro de música ou pelo próprio dirigente da reunião. 
Em qualquer dos casos, deve-se evitar interrupções 
bruscas das músicas animadas para entrar nas mú­
sicas lentas. Às vezes, a animação cansa um pouco 
as pessoas, deixando-as agitadas e com dificuldades 
de silenciar interiormente. O ideal é que se passe 
das músicas ritmadas para algumas moderadas, para 
depois virem as lentas. 
o t e rmo é comumente usado no ambiente da R C C e significa uma pa­
lavra inspirada ou recordada de forma atual, para o momento ou situação presente. 
" Robert D E G R A N D I S , Vem e segue-me, p. 63. 
26 
^ y^ Renovação Carismática do Brasil - RCCBRAS I L 
o movimento seria: 
Primeiro - músicas animadas; 
Segundo - músicas moderadas; 
Terceiro - músicas lentas. 
O ministro ou dirigente vai passando de umas 
para outras sem quebrar a sequência, de maneira 
que a assembleia nem perceba o encadeamento da 
reunião, mas desfrute

Mais conteúdos dessa disciplina