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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ 
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO 
CURSO DE MESTRADO ACADÊMICO EM CUIDADOS CLÍNICOS 
ÁREA DE CONCENTRAÇÃO EM ENFERMAGEM 
 
 
 
LUCIANA ALVES DA ROCHA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CUIDADO CLÍNICO DE ENFERMAGEM A PESSOAS 
COM INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: relação entre 
diagnósticos NANDA, modos adaptativos de Roy e 
intervenções da NIC 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FORTALEZA 
2008 
 
 
 
2 
 
LUCIANA ALVES DA ROCHA 
 
 
 
 
 
 
 
 
CUIDADO CLÍNICO DE ENFERMAGEM A PESSOAS 
COM INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: relação entre 
diagnósticos NANDA, modos adaptativos de Roy e 
intervenções da NIC 
 
 
 
 
 
 
Dissertação apresentada como requisito parcial 
à obtenção do título de Mestre em Cuidados 
Clínicos em Saúde, na área de concentração 
em Enfermagem. 
 
Orientadora: Prof. Dra. Lúcia de Fátima da Silva. 
 
 
 
 
 
FORTALEZA 
2008 
 
 
3 
 
 
LUCIANA ALVES DA ROCHA 
 
 
CUIDADO CLÍNICO DE ENFERMAGEM A PESSOAS COM 
INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: relação entre diagnósticos NANDA, modos 
adaptativos de Roy e intervenções da NIC 
 
 
Dissertação apresentada como requisito parcial 
à obtenção do título de Mestre em Cuidados 
Clínicos em Saúde, na área de concentração 
em Enfermagem. 
 
 
 
Defesa em: 26/02/2008 
 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
 
____________________________________________ 
Profa. Dra. Lúcia de Fátima da Silva 
Orientadora-UECE 
 
 
 
____________________________________ 
Prof. Dr. Marcos Venícios de Oliveira Lopes 
Membro efetivo 
 
 
 
____________________________________ 
Profa. Dra. Maria Célia Freitas 
Membro efetivo 
 
 
____________________________________ 
Profa. Dra. Maria Vilani Cavalcante Guedes 
Membro suplente 
 
 
 
 
 
 
 
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Linha de Pesquisa: Concepções Teóricas e 
Filosóficas da Saúde e de Enfermagem 
 
Pesquisa financiada pela Fundação Cearense 
de Apoio ao Desenvolvimento Científico e 
Tecnológico (FUNCAP). 
 
 
 
 
 
 
 
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DEDICATÓRIA 
 
Ao meu pai Luiz e minha mãe Salete pelas 
oportunidades que me proporcionaram na vida 
e pelos incentivos que muito contribuíram para 
as minhas conquistas. 
 
À minha irmã-mãe Luiziete, a quem amo muito 
e que está sempre presente ao meu lado, me 
apoiando, incentivando e que me faz crer que 
pela dedicação e força de vontade tudo é 
possível. 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
AGRADECIMENTOS 
 
A Deus por estar sempre presente em minha vida, me guiando pelo caminhar da 
sabedoria e pela graça de tornar possível mais uma conquista. 
 
Aos meus pais Luiz e Salete, por tudo o que fizeram, fazem e farão por mim. 
 
Ao meu namorado, Roney, pela cumplicidade, carinho, atenção e pelo incentivo em 
busca dos meus ideais. 
 
À professora Lúcia de Fátima da Silva, minha orientadora, pessoa que admiro 
imensamente pela inteligência e capacidade de raciocínio. Obrigada por me orientar 
e contribuir para o meu crescimento pessoal e profissional. 
 
Aos membros da Banca, Dr. Marcos Venicios de Oliveira, Dra. Célia Freitas e Dra. 
Vilani Guedes, por terem aceitado a participar da avaliação deste estudo e por suas 
contribuições para o aprimoramento do estudo. 
 
As minhas amigas do Mestrado Rita e Larissa pela amizade e companherismo. 
 
À enfermeira Maria José de Assis que me acolheu de braços abertos em sua 
unidade, contribuindo para meu crescimento profissional e aperfeiçoamento. 
 
À Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico 
(FUNCAP), pelo apoio financeiro dispensado a equipe. 
 
À funcionária Rafaela do Mestrado Acadêmico em Cuidados Clínicos em Saúde pela 
atenção dispensada. 
 
À funcionária Toinha do ambulatório do Hospital de Messejana pela receptividade no 
serviço e pela ajuda na aproximação com os pacientes. 
 
Aos pacientes com insuficiência cardíaca, por terem aceitado participar do estudo. 
 
 
 
7 
 
RESUMO 
 
Estudo acerca da adaptação de pessoas portadoras de insuficiência cardíaca (IC) à 
sua condição de doente crônico que objetivou caracterizar portadores de IC 
acompanhados em um ambulatório de cardiologia, em Fortaleza-Ceará; associar os 
modos de adaptação de Callista Roy a diagnósticos de enfermagem da NANDA 
identificados na clientela; analisar os problemas de adaptação por ela apresentados; 
e propor intervenções de enfermagem necessárias, a partir da taxonomia NIC. Trata-
se de pesquisa descritiva e transversal, desenvolvida entre maio e agosto de 2007, 
com 28 pessoas portadoras de IC. Utilizou-se, para coletar os dados, uma entrevista 
clínica e um roteiro de exame físico. Após identificar os diagnósticos de 
enfermagem, com base em Risner, eles foram relacionados aos problemas comuns 
de adaptação de Callista Roy. Tal associação foi discutida com base na literatura 
vigente e, para os problemas de adaptação, foram propostas intervenções de 
enfermagem. Todos os preceitos legais foram rigorosamente considerados. O 
estudo revelou uma população predominantemente masculina; casada, de faixa 
etária entre 35 e 60 anos; residente na capital; com ensino fundamental incompleto e 
renda familiar de 1 a 3 salários mínimos. Quanto à etiologia da IC, a mais freqüente 
foi a miocardiopatia dilatada. Foram analisados 21 dos 27 diagnósticos de 
enfermagem. Os principais foram: Dentição prejudicada; Intolerância à atividade; 
Sentimento de impotência; Desempenho de papel ineficaz; Disfunção sexual; 
Insônia; Controle ineficaz do regime terapêutico; Comportamento de saúde propenso 
a risco; Dor aguda; Constipação; Nutrição desequilibrada: mais do que as 
necessidades corporais; Percepção sensorial perturbada – visão. Os diagnósticos de 
enfermagem identificados se caracterizavam como problemas de adaptação à 
condição de saúde. Como principais problemas de adaptação identificados 
mencionam-se: intolerância à atividade; impotência; falha de papel; disfunção 
sexual; privação de sono; dor aguda, constipação; nutrição desequilibrada mais do 
que as necessidades corporais; deficiência de um sentido primário. Diante dos 
achados, espera-se suscitar reflexões dos enfermeiros para considerarem os 
problemas de adaptação de seus pacientes portadores de IC no desempenho do 
cuidado clínico a eles dispensados, de modo que ao implementarem intervenções de 
enfermagem, os estimulem ao alcance de sua adaptação à condição de doente 
crônico. Assim, o estudo traz contribuições para a consolidação do uso de teorias no 
processo de cuidar em enfermagem. 
Palavras-chave: Insuficiência Cardíaca. Adaptação. Enfermagem. Teoria de Callista 
Roy. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
ABSTRACT 
 
Study concerning the adaptation of people carriers of cardiac insufficiency (CI) to its 
condition of chronic diseased person that objectified to characterize carriers of CI 
followed in a cardiologic ambulatory, in Fortaleza-Ceara; to associate the ways of 
adaptation by Callista Roy to the nursing diagnostic by NANDA identified in the 
clientele; to analyze the problems of adaptation presented for the clientele; and to 
consider the necessary nursing interventions, starting from the NIC taxonomy. It is a 
descriptive and transversal research, developed between May and August of 2007, 
with 28 people carrying of CI. It was used, to collect the data, a clinical interview and 
a script of physical examination. After to identify the nursing diagnostics, based on 
Risner, they had been related to the common problems of adaptation of Callista Roy. 
Such association was discussed based on the effective literature and, for the 
adaptation problems, had been proposed nursing interventions. All the legal rules 
had been rigorously considered. The study disclosed a population predominantly 
masculine; married, between 35 and 60 years; resident in the capital; with incomplete 
basic education and familiar income of 1 tose sentir responsável pela adaptação dessas 
pessoas e não apenas reprodutor de conceitos. 
 
4.1 Contribuição de estudos a partir do referencial de Callista Roy 
 
Ao fazer um levantamento de literatura nos últimos anos, confirmou-se o 
interesse de outros enfermeiros brasileiros pela aplicabilidade da referida teoria. 
Entre estes, Lopes, Araújo e Rodrigues (1999), que trabalharam na identificação de 
problemas comuns de adaptação em mulheres com angina pectoris; Castro e Lopes 
(2000), cujo estudo se baseou na identificação de diagnósticos de enfermagem em 
busca da adaptação do ostomizado; e Arruda e Garcia (2000), que estabeleceram 
um perfil de diagnósticos de enfermagem do componente oxigenação em vítimas de 
trauma, por meio do modo fisiológico de Roy. 
A estes, somaram-se outros, como o de Rodrigues, Caetano e Soares 
(2002), no qual o foco era o cuidado de enfermagem à mulher com câncer 
ginecológico, à luz do referencial de Roy; o de Ximenes, Pinheiro e Varela (2002), 
que analisaram o conceito de adaptação a partir da percepção de mães que 
experienciaram o acompanhamento dos filhos no ambiente hospitalar; o de Oliveira, 
Araújo, Melo et al. (2002), sobre a avaliação do processo adaptativo de um idoso 
portador de hipertensão arterial; o de Rodrigues, Silva e Rodrigues (2002), referente 
às repercussões da mastectomia sobre a vida de mulheres com base no modo de 
interdependência de Roy; e o de Melo, Araújo, Oliveira et al. (2002), que estudaram 
os comportamentos de mulheres mastectomizadas em tratamento quimioterápico na 
perspectiva do modelo adaptativo de Roy. 
Outros nomes podem ser mencionados: Ivo e Carvalho (2003) 
desenvolveram um estudo com foco na assistência de enfermagem a portadores de 
anemia falciforme, à luz do referencial teórico de Roy, enquanto Salvodi, Neves, 
Santos et al.(2003) pesquisaram sobre o modo de ser trabalhador saudável por meio 
da auto-avaliação, apresentando os modos de Roy na manutenção do bem-estar. 
Incluem-se, ainda, Rodrigues, Pagliuca e Silva (2004), que analisaram a 
utilização da Teoria de Roy nas respostas comportamentais de mulheres durante a 
parturiação; Caetano e Soares (2005), que trabalharam com mulheres 
mastectomizadas diante do processo de adaptação do eu físico e eu pessoal. Já 
Lira, Guedes e Lopes (2005) estudaram a adaptação psicossocial do adolescente 
 
 
40 
 
pós-transplante renal, segundo o modelo de Roy; e Guedes e Araújo (2005) 
utilizaram a classificação das intervenções de enfermagem em uma mulher com 
crise hipertensiva, no intuito de alcançar respostas adaptativas. 
Os estudos prosseguem. Mais recentemente, Pagliuca, Araújo e Aragão 
(2006) desenvolvevaram uma proposta de cuidado baseado mo modelo de Roy de 
uma pessoa com amputação no pé; Brandalize e Zagonel (2006) buscaram delinear 
um marco conceitual ao familiar da criança com cardiopatia congênita; Fortes, Lopes 
(2005) analisaram o nível de adaptação psicossocial de mães de crianças com 
síndrome de Down, com base no modelo de Roy; Fortes e Lopes (2006) analisaram 
os indicadores positivos de adaptação psicossocial de mães de crianças com 
síndrome de Down; e Rojas, Freitas e Veiga (2007) abordaram os aspectos 
psicossociais dos pacientes submetidos a cateterismo cardíaco, segundo o modelo 
de adaptação de Roy. 
Tais autores produziram e divulgaram trabalhos relacionados à Teoria de 
Roy. Como evidenciado, que a convergência dada a essa teoria reside na 
possibilidade de sistematizar o cuidado de enfermagem, permitindo um 
direcionamento das ações dos enfermeiros. 
Diante de tais estudos, como constatado, a Teoria de Roy pode ser aplicada 
em diversas situações e pessoas que necessitam de modificações no estilo de vida 
e, assim, a adaptação das pessoas à sua nova condição é possível. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
41 
 
5 METODOLOGIA 
 
5.1Tipo de estudo 
 
Para atender aos objetivos propostos no estudo, desenvolveu-se pesquisa 
descritiva do tipo transversal. Segundo Polit e Hungler (2004), a pesquisa descritiva 
tem como objetivo classificar os fenômenos, observar, descrever e explorar aspectos 
de uma situação, sendo de grande valor para a enfermagem. E o estudo transversal 
é aquele que ocorre em um único momento do tempo (HULLEY; CUMMINHS; 
BROWNER et al., 2006). 
A opção por este tipo de pesquisa deveu-se a uma postura científica voltada 
para a identificação tanto dos modos de adaptação segundo Roy, como dos 
diagnósticos de enfermagem conforme a Taxonomia II da NANDA com a perspectiva 
de propor intervenções de enfermagem de um grupo de pessoas com IC em um 
período do tempo, com vistas a alcançar adaptação. 
Justifica-se a utilização da Teoria de adaptação de Roy como marco teórico 
do estudo por ser mais apropriada aos objetivos propostos, mais abrangente e 
permitir a associação com os diagnósticos de enfermagem de acordo com a 
taxonomia da NANDA. 
 
5.2 Caracterização do local da pesquisa 
 
A pesquisa foi desenvolvida no ambulatório de um hospital pertencente a 
rede pública no município de Fortaleza, Estado do Ceará, referência para o 
tratamento de doenças cardiovasculares e pulmonares. Este hospital atende 
pacientes clínicos, cirúrgicos e ambulatoriais e está contratualizado como hospital de 
ensino pelo Ministério da Saúde, constituindo-se campo de estágio de alunos da 
graduação e pós-graduação nas diversas áreas da saúde. 
Composto de 306 leitos, estes estão distribuídos da seguinte forma: uma 
unidade semi-intensiva; seis unidades de terapia Intensiva (UTI), oito unidades 
clínico-cirúrgicas, tipo enfermaria; emergência; centro cirúrgico e central de 
esterelização e ambulatório. 
No ambulatório onde ocorreu a pesquisa há 21 salas para consultórios e 
salas com serviço de chefia de enfermagem, nutrição, serviço social, realização de 
 
 
42 
 
eletrocardiograma (ECG), farmácia, sala de marcação de consultas, ambiente para a 
espera de consultas (corredor com cadeiras), banheiros, laboratórios e lanchonete. 
Na porta de cada consultório há uma mesa e uma cadeira onde fica a secretária, e 
no corredor, há uma balança. 
Os consultórios são ocupados por profissionais médicos (especialistas e 
residentes) e enfermeiros, para atendimento diurno em dias úteis. 
Quanto ao atendimento no ambulatório às pessoas com IC, população do 
estudo ocorre às terças-feiras pela manhã e é realizado por três médicos, dos quais 
dois permanecem na mesma sala e no mesmo horário. A consulta é feita em uma 
sala pequena, onde existem duas mesas, uma cama, um armário e um 
esfignomanômetro em cada mesa. 
Por volta de 8 horas e 30 minutos chegam os profissionais, enquanto os 
pacientes chegam aproximadamente às 6 horas e 30 minutos já que o atendimento 
é por ordem de chegada ao ambulatório. 
Às vezes, porém, os profissionais não comparecem. Durante o período de 
coleta de dados, um dos médicos faltou três vezes e os outros dois faltaram duas 
vezes cada um. Quando isto acontece, alguns pacientes são remarcados e outros 
são incorporados na agenda dos outros médicos. 
O número de pacientes agendados para cada médico é em torno de dez a 
doze, mas sempre há pacientes extras, e pode-se chegar a vinte pacientes por 
médico no período da manhã, conforme a disponibilidade dos profissionais. De 
modo geral, as consultas dos pacientes são remarcadas a cada três meses. 
É importante destacar que não há uma enfermeira responsável pela 
consulta de enfermagem a pacientes com IC. 
 
5.3 População e amostra 
 
A população do estudo foi composta pelos pacientes com IC atendidos no 
ambulatório especializado do referido hospital. Para a seleção dos participantes, 
adotou-se a amostra de conveniência, totalizando 28 pacientes com IC. Para Hulley; 
Cummings; Browner et al. (2006), esse tipo de amostra é formado por pessoas que 
preenchem os critérios de inclusão preestabelecidos e são de fácil acesso ao 
pesquisador.43 
 
Como critérios de inclusão dos participantes do estudo, especificaram-se os 
seguintes: 
Diagnóstico médico de insuficiência cardíaca explicitado no prontuário 
clínico. 
Não ser transplantado, nem ser candidato a transplante cardíaco. 
Estar orientado e verbalizar. 
Estar sendo acompanhado há pelo menos seis meses no ambulatório do 
referido hospital. 
 Atenderam a esses critérios de inclusão 31 pessoas. Destas, duas se 
recusaram participar e uma não possuía condição cognitiva para tal. Portanto, o 
estudo contou com 28 pacientes. Merece ressaltar o fato: algumas pessoas que 
estavam com consultas agendadas não compareceram. Acredita-se que tal fato 
pode ser decorrente de alguns motivos, como a morte, internamentos, distância do 
hospital à residência. 
 
5.4 Instrumento de coleta de dados 
 
Na coleta de dados, o instrumento (ANEXO A) utilizado foi uma adaptação 
do utilizado por Lima (2007). Como adaptações mencionam-se a adição e retirada 
de perguntas, além da estrutura organizacional do instrumento. A organização teve 
como base os treze domínios da Taxonomia II da NANDA (2008). 
Quanto à técnica de coleta de dados usada, adotou-se o formulário 
composto de perguntas fechadas, abertas e mistas. Para Marconi e Lakatos (2005), 
o formulário é o instrumento essencial para a investigação cujo sistema de coleta de 
dados consiste na obtenção de informações diretamente dos informantes, sendo as 
informações preenchidas pelo pesquisador. 
Antes de iniciar a coleta, conforme determinada pela Resolução no 196/1996 
do Conselho Nacional de Saúde, o estudo foi submetido ao Comitê de Ética em 
Pesquisa (CEP) do referido hospital e aprovado sob o protocolo de no 416/2007. 
Em seguida, o instrumento foi testado com três clientes com IC atendidos no 
ambulatório e que preenchiam os critérios de inclusão. De acordo com Polit e 
Hungler (2004), o pré-teste realizado consiste na utilização, em forma de tentativa, 
de um instrumento recém-elaborado para identificar falha ou avaliar as exigências do 
tempo. 
 
 
44 
 
Após o pré-teste, procederam-se aos devidos ajustes. Algumas perguntas 
foram acrescentadas, outras reajustadas de forma mais direta ao assunto. Ressalta-
se que os três pacientes do pré-teste não fizeram parte da amostra. 
 
5.5 Procedimento de coleta de dados 
 
Como previsto, a coleta de dados foi mediada pela utilização das duas 
primeiras fases do processo de enfermagem: investigação e diagnóstico de 
enfermagem. 
Os dados foram obtidos no período de maio a agosto de 2007 por meio da 
entrevista e exame físico dos pacientes com IC atendidos no ambulatório. Às 
segundas-feiras, a pesquisadora consultava os prontuários e selecionava as 
pessoas que preenchiam os critérios de inclusão do estudo. 
 Além disso, na terça-feira, por volta das 6 horas e 40 minutos, antes do 
início das consultas, chegava no ambulatório e se dirigia à secretária com a qual se 
encontrava a lista das pessoas que haviam chegado. A partir dessa lista, chamava a 
pessoa selecionada. Esta, então, era convidada a participar do estudo e, nesse 
convite, a pesquisadora se apresentava e explicava o significado do estudo e os 
objetivos. Nesse momento, era entregue o termo de consentimento livre e 
esclarecido para a pessoa ler e, posteriormente, assinar. 
O termo de consentimento (APÊNDICE A) continha os objetivos, garantia o 
sigilo da identidade, o uso das informações para o estudo e retirada do 
consentimento quando a pessoa achasse necessário. 
Após esse procedimento inicial, a pessoa era convidada a se deslocar para 
umas cadeiras mais afastadas onde pudesse ser aplicado o instrumento, longe do 
barulho. E este era aplicado antes da consulta médica. Concluída a entrevista, era 
realizado o exame físico, em uma sala do ambulatório onde a enfermeira fazia as 
consultas de enfermagem. 
 No exame físico foram utilizados os métodos propedêuticos (inspeção, 
palpação, percussão e ausculta), além da verificação dos sinais vitais e medida da 
circunferência da cintura, peso e estatura (JARVIS, 2002). 
Como recomendado pela V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial 
(DBHA, 2006), a pressão arterial foi verificada duas vezes, uma no braço esquerdo e 
outra no braço direito (ANEXO B). 
 
 
45 
 
As medidas de peso e estatura também foram verificadas pela pesquisadora 
em uma balança antropométrica. E a estatura foi mensurada com régua em 
alumínio, existente na referida balança. Ao ser mensurado, o paciente era orientado 
a subir na balança descalço, com os pés juntos e voltados para a frente, ombros 
relaxados e braços ao longo do corpo. 
Para a medida da circunferência da cintura (CC) usou-se uma fita métrica 
numerada até 150 cm. O paciente ficava na posição ortostática, com o mínimo de 
roupa possível. 
 
5.6 Identificação dos diagnósticos de enfermagem 
 
Com a aplicação do instrumento e a realização do exame físico, procedeu-
se à identificação dos diagnósticos de enfermagem, segundo a Taxonomia II da 
NANDA (NANDA, 2008). O processo utilizado para a identificação dos diagnósticos 
baseou-se no proposto por Risner (1990). Deste modo, foram seguidas as etapas de 
análise e síntese para se chegar aos diagnósticos de enfermagem. 
Os passos utilizados foram: 
1. Categorização dos dados 
2. Identificação das lacunas de dados 
3. Agrupamentos dos dados relevantes em padrões 
4. Comparação dos agrupamentos com os padrões, normas e conceitos dos 
diagnósticos 
5. Identificação dos desvios ou potencialidades de saúde 
6. Proposições de relações etiológicas. 
 
5.7 Organização e análise dos dados 
 
Feita a identificação dos diagnósticos de enfermagem, esses foram 
correlacionados com os problemas comuns de adaptação do modo de Callista Roy. 
Os diagnósticos de enfermagem foram agrupados de acordo com os modos de 
adaptação ao qual se assemelhavam (fisiológico, desempenho de papel, 
autoconceito). Contudo, o modo interdependência não esteve relacionado a nenhum 
diagnóstico de enfermagem, e, portanto, foi excluído no presente estudo. 
 
 
46 
 
 A associação procedida foi discutida com base na literatura vigente para 
cada problema de adaptação encontrado e os respectivos estímulos propostos. 
Considerou-se como estímulos os fatores relacionados dos diagnósticos de 
enfermagem. 
Para a análise estatística contou-se com um professor de bioestatística da 
Universidade Estadual do Ceará (UECE). Enquanto os dados foram compilados e 
analisados nos programas computacionais Excel 2003 e SPSS 13.0, os resultados 
foram analisados de forma descritiva e interpretativa e apresentados em quadros e 
tabelas com indicação de freqüências absolutas e porcentagens. 
Algumas falas foram utilizadas nos modos de desempenho de papel e de 
autoconceito, pois, nestes modos, as falas têm importante expressão de valor. Tais 
falas foram identificadas pela inicial E, do termo entrevista, seguida de um número, 
em algarismo arábico, correspondendo à ordem de entrada do participante no 
estudo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
47 
 
6 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 
 
Os resultados e as discussões do estudo estão apresentados na seguinte 
ordem: caracterização dos pacientes com IC, segundo o sexo, a idade, a 
escolaridade, a renda familiar, o estado civil, a religião e a procedência. Na 
seqüência, encontra-se a caracterização dos pacientes de acordo com a etiologia da 
IC e as co-morbidades (HAS, DM, presença de colesterol elevado e Índice de Massa 
Corporal). A partir de então, estão categorizados os diagnósticos de enfermagem 
identificados nos clientes com IC; a associação entre os diagnósticos de 
enfermagem da NANDA e os problemas comuns de adaptação segundo Roy 
descritos por Roy e Andrews (1999), acrescidos das intervenções de enfermagem 
que contribuíram para respostas adaptativas dos portadores de IC. 
 
6.1 Caracterização dos pacientes com insuficiênciacardíaca 
TABELA 1 -Distribuição dos pacientes com insuficiência cardíaca segundo os 
indicadores de sexo, idade, escolaridade, renda familiar, estado civil, 
religião e procedência. Fortaleza-CE, 2007 
 
Indicadores Freqüência % 
Sexo 
Masculino 21 75,0 
Feminino 7 25,0 
Idade 
Até 35 anos 1 3,6 
35 a 60 anos 15 53,6 
Acima de 60 anos 12 42,9 
Escolaridade 
Até ensino fundamental incompleto 16 57,1 
Com ensino fundamental 6 21,4 
Com ensino médio 6 21,4 
Renda Familiar 
Até 1 salário mínimo 5 17,9 
1 a 3 salários mínimos 21 75,0 
Acima de 3 salários mínimos 2 7,1 
Estado Civil 
Casado/União estável 24 85,7 
Viúvo 4 14,3 
Religião 
Católica 19 67,9 
Evangélica 7 25,0 
Nenhuma 2 7,1 
Procedência 
Capital 17 60,7 
Interior 11 39,3 
n=28 
Como mostra a Tabela 1, em relação ao sexo, há um predomínio do sexo 
masculino (75%). Na literatura, também foram encontrados estudos nos quais a 
 
 
48 
 
população masculina apresenta maior freqüência. Por exemplo, no estudo 
desenvolvido por Areosa, Almeida, Carvalho et al. (2007), de 330 pessoas com IC, 
77,3% eram homens. Também, Silva, Bacal, Pires et al. (2007) relatam que de 96 
pessoas por eles avaliadas, 60 eram homens e 36 mulheres. 
Acredita-se que a maior presença de IC na população masculina possa 
estar relacionada aos fatores de risco para a referida doença, sobretudo as doenças 
coronarianas. De acordo com o estudo de Saccomman. (2006), os principais fatores 
de risco para doenças coronárias foram o processo de envelhecimento e o fato do 
paciente ser do sexo masculino. 
No referente à idade dos participantes, variou de 30 a 74 anos. Contudo, a 
faixa etária mais acometida inclui pessoas entre 36 e 60 anos (53,6%), porém a 
diferença entre essa faixa e a que está acima de 60 anos (42,9%) não foi 
significativa. Observa-se, também, que na faixa mais acometida as pessoas estavam 
no seu período produtivo. 
A incidência da IC aumenta proporcionalmente com o aumento da 
população de meia idade e idosa. No estudo de Framingham, principal fonte 
longitudinal de dados sobre a epidemiologia da IC, esta teve uma incidência de 
cerca de 1% para aqueles menores de 55 anos e atinge níveis de 30% nos maiores 
de 85 anos (HO; PINSKY; KANNEL et al., 1993; BARRETO; WAJNGARTEN, 1998; 
OCHIAI; FRANCO; GEBRARA et al., 2004). 
Segundo as expectativas para o Brasil, a tendência é de crescimento da 
população idosa. Para Tavares, Velarde, Miranda et al. (2006), em 2025, o país 
possuirá a sexta maior população de idosos do mundo e 15% da população total 
terá IC como a primeira causa de morte por doença cardiovascular. 
No estudo ora elaborado, a média de idade foi de 53,1 anos nos homens e 
59,7 nas mulheres. Esta média ficou abaixo da observada no estudo de 
Framingham: 65 anos (HO; PINSKY; KANNEL et al., 1993). Outros trabalhos como 
os de Tavares, Victer, Linhares et al. (2005) e Silva, Bacal, Pires et al. (2007) 
também apresentaram uma média abaixo de 65 anos: 61,1 e 52,4 anos, 
respectivamente. 
Quanto à escolaridade, a maioria dos participantes (57,1%) não concluiu o 
ensino fundamental. Esse achado corrobora os dados do Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE) de 2005 em relação a este indicador. Nos adultos 
funcionais, isto é, pessoas com que são aqueles que possuem mais de 25 anos, a 
 
 
49 
 
porcentagem de analfabetos é de 44,7,% no Ceará; 44,8% no Nordeste e 28,7% no 
Brasil (IBGE, 2007). 
Saber ler e escrever pode ser pré-requisito para se exercer direitos e 
deveres de cidadãos. Quanto menor a escolaridade, menores são as chances de 
inserção no mercado de trabalho. Nessa condição, as pessoas obrigam-se a aceitar 
qualquer ocupação e por qualquer remuneração. 
No estudo desenvolvido por Araújo, Tavares, Veríssimo et al. (2005), em um 
hospital universitário no Rio de Janeiro, 20% dos participantes eram analfabetos e 
62,8% possuíam apenas o primeiro grau (hoje denominado de fundamental). 
Já em outro estudo, de Tavares, Victer, Linhares et al. (2005), com pessoas 
com IC internadas em um hospital no Rio de Janeiro, a porcentagem de analfabetos 
foi de 50%. 
A escolaridade também interfere na saúde. Como afirmam Smeltzer e Bare 
(2005), o nível de escolaridade, o acesso à informação e a educação em geral 
tornam as pessoas mais preocupadas com a saúde e mais disponíveis a fazer o que 
é necessário para mantê-la. 
Segundo observado, o cuidado de enfermagem favorece maior interação 
entre enfermeiro e paciente. Para atuar devidamente, este profissional deve avaliar 
as necessidades de aprendizado dos pacientes, o grau de dificuldade ou facilidade 
de aprendizado, com vistas a fornecer informações adicionais sobre a doença e seu 
tratamento. Mas o ensino deve ser cuidadosamente planejado, alicerçado em 
informações importantes para o bem-estar do paciente no momento necessário. 
Outro indicador do estudo foi a renda familiar dos participantes, na qual 
predominou de 1 a 3 salários mínimos (75%). Esse índice, apesar de ser mais 
elevado, corresponde aos dados de 2005 do IBGE quanto à renda. De acordo com o 
IBGE (2007), o percentual de pessoas com até 2 salários mínimos no Brasil era de 
59,1%, aumentando para 67,2% no Nordeste e 68,7% no Ceará. 
Embora tal renda seja superior aos índices brasileiros, pode ser justificada 
porque 92,9% da clientela era aposentada. Em conversa informal com os 
participantes do estudo, alguns afirmaram que tiveram de se aposentar por não 
terem mais condições de exercer as atividades anteriores. No estudo de Araújo, 
Tavares, Veríssimo et al. (2005), de 70 pessoas com IC, 20 se aposentaram e isso 
representou perda de R$182.000,00 de produtividade. 
 
 
50 
 
Apesar da baixa renda, essas pessoas sustentam filhos, esposas ou 
maridos e ainda custeiam seu tratamento de saúde, pois nem todos os 
medicamentos são distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 
Dos 28 participantes, 24 (85,7) compravam algum medicamento e conforme o relato 
deles, eram os mais de maior custo, porque de modo geral, o governo distribui 
apenas os mais baratos. Entre os medicamentos que compravam citaram 
principalmente os betabloqueadores selozok (succinato de metoprolol) e carvedilol. 
Como consta em Silva (2004), nos termos do artigo 196 da Constituição 
Federal, o Estado deve atuar para garantir o acesso da população aos tratamentos 
de saúde. Mas, o problema do acesso da população aos tratamentos de saúde 
decorre muito mais de sua baixa renda do que do próprio preço dos medicamentos. 
Portanto, a disponibilidade de condições financeiras é decisiva nesse 
tratamento, pois a falta de recursos para custeá-lo pode acarretar abandono ou 
utilização incorreta do medicamento. No estudo de Araújo, Tavares, Veríssimo et al. 
(2005), os medicamentos foram financiados exclusivamente pelos pacientes e 
familiares e a ausência de política farmacêutica do SUS nesse caso levou a 
descompensações da IC e repetidas internações hospitalares pela falta de 
continuidade do tratamento farmacológico. Havia um descompasso entre o 
incremento da renda do paciente e a elevação do preço dos medicamentos e, desse 
modo, o tratamento ficava comprometido pela impossibilidade de obter os produtos. 
Mesmo nessas condições, é preciso orientar o paciente como profissional 
de saúde, cabe ao enfermeiro atuar também neste aspecto. Particularmente no caso 
de pacientes com IC, faz-se necessária a participação do enfermeiro na orientação 
do uso de medicamentos, pois a utilização incorreta e o não uso acarretam 
problemas sérios de descompensações. Mas ante a falta de condições financeiras e 
de medicamentos para os pacientes, dificultando um tratamento correto surge o 
questionamento sobre como atuar, já que muitas vezes esse questionamento é feito 
pelo paciente. 
Em continuidade ao estudo, ao se trabalhar o estadocivil, o casado 
predominou em 24 pacientes (85,7%). Esse termo casado incluiu as uniões estáveis. 
Como observado, apenas 4 (14,3%) eram viúvos. Tais dados podem ser 
equiparados aos de Rezende (2006), no qual os casados foram a maioria, com 50%, 
seguidos de viúvos (30%). 
 
 
51 
 
No presente estudo, porém, os participantes, sejam casados ou viúvos, 
afirmaram ter um bom suporte familiar em relação à saúde. Eles relataram serem 
cuidados principalmente por esposas/maridos, filhos e pais. 
Para Bennet, Baker e Huster (2001), os pacientes casados têm um bom 
suporte emocional e este suporte diminui a ansiedade e melhora a qualidade de 
vida. De acordo com Saad (2004), a redução da mortalidade em idades avançadas 
pode implicar redução de viuvez, e, associada às demais transformações da família, 
esta pode alterar as formas de ajuda. 
Em alguns estudos, a presença do apoio vindo da família, sobretudo do 
cônjuge, tem sido salientada quanto à reabilitação do paciente cardíaco. As 
atividades referidas pelos pacientes como sendo de maior apoio foram aquelas 
relacionadas a mudanças de comportamento, tais como: preparar dietas saudáveis; 
auxiliar nas tarefas domésticas; encorajar a participar de atividades de lazer, 
aliviando o estresse (DANTAS; STUCHI; ROSSI, 2001; BOUTIN-FOSTER; 
CHARLSON, 2002). 
Sobre a religião, a grande maioria é católica: 19 (67,9%) dos participantes. 
Segundo relatos dos participantes do estudo, eles utilizam a fé para enfrentar os 
problemas e, entre estes, a doença. 
Marques (2003) afirma que a espiritualidade é vivenciada e desenvolvida 
por uma religião, e, portanto, esta deveria estimular não somente o contato com o 
divino, com a essência da vida, mas, em especial, aplicação dessas experiências na 
vida cotidiana, no enfrentamento de situações corriqueiras, nos pequenos desafios. 
Outro indicador do estudo é a procedência. No referente a esta,16 (60,7%) 
eram da capital. Contudo, não foram encontrados na literatura estudos em relação à 
procedência e à insuficiência cardíaca. Porém, o hospital onde se desenvolveu a 
pesquisa é referência em cardiologia do estado e do Nordeste e nele havia três 
pessoas procedentes de outros estados: Rio Grande do Norte, Paraíba e Tocantins. 
Diferentemente do verificado para este indicador, a caracterização dos 
participantes quanto aos dados social e econômicos corrobora a literatura, pois 
segundo Yusuf, Reddy, Ôumpuu et al. (2001), as razões econômicas ou ambientais 
social e culturais são mencionadas como uma possível explicação para as amplas 
variações geográficas de prevalência de doenças cardiovasculares. 
No estudo de Lessa, Araújo, Magalhães et al. (2004), a população de 
Salvador que tem baixa escolaridade e baixa renda possui elevado risco de doença 
 
 
52 
 
cardiovascular. Logo, uma melhoria indiscriminada no nível de escolaridade, seria 
acompanhada de uma melhoria no nível social econômico e poderia minimizar a 
influência da prevalência das doenças cardiovasculares. 
Confirma-se o papel da educação em saúde como propulsora de mudanças. 
Mas as ações educativas e informativas devem ser desenvolvidas levando em 
consideração o nível social econômico e a escolaridade, questões culturais com 
vistas à participação do paciente no seu processo de saúde-doença. 
Conforme se sabe, as características dos participantes do estudo podem 
facilitar ou dificultar o processo de adaptação à condição de portadores de IC. Em 
relação ao gênero, tanto homens quanto mulheres podem apresentar dificuldade de 
adaptação, isto é, dificuldade para enfrentar a doença, pois esta pode impossibilitá-
los de continuar exercendo o papel até então ocupado em casa e na sociedade. 
Como mencionado, a idade predominante do estudo foi de 36 a 60 anos. Isto, 
também, pode afetar negativamente a adaptação, já que nessa faixa etária as 
pessoas são produtivas e em alguns casos precisam se afastar do trabalho. 
Conseqüentemente, há sentimento de impotência. 
Ainda conforme se sabe, o baixo grau de instrução dos participantes pode 
ser um fator limitante para a educação na adaptação e seguimento do tratamento 
farmacológico e não-farmacológico da IC, assim como a baixa renda familiar limita a 
capacidade destes de autofinanciar os recursos necessários para o tratamento. 
Já a presença de um apoio seja por meio da religião ou da família é um fator 
facilitador na adaptação à doença, no tratamento e nas conseqüências que essa 
pode causar. 
A seguir, em continuidade à caracterização dos pacientes, serão 
apresentadas e discutidas as co-morbidades identificadas na população estudada e 
expostas na Tabela 2. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
53 
 
TABELA 2 – Distribuição dos pacientes com insuficiência cardíaca de acordo com as 
co-morbidades. Fortaleza-CE,2007 
 
 Freqüência % 
Etiologia da IC segundo diagnóstico médico 
Miocardiopatia dilatada 23 82,1 
Miocardiopatia chagásica 2 7,1 
Miocardiopatia peri-parto 2 7,1 
Miocardiopatia alcoólica 1 3,6 
Hipertensão Arterial Sistêmica 
Sim 17 60,7 
Não 11 39,3 
Diabetes Mellitus 
Sim 9 32,1 
Não 19 67,9 
Presença de colesterol Elevado 
Sim 7 25,0 
Não 21 75,0 
Índice de Massa Corporal 
Até 35 12 42,9 
Acima de 35 16 57,1 
n=28 
 
Conforme mostra esta Tabela, a principal causa de IC presente como 
diagnóstico médico nos prontuários dos participantes foi a miocardiopatia dilatada 
em 23 (82,1%) pessoas. Essa é uma doença primária ou secundária do miocárdio, 
caracterizada por dilatação do ventrículo esquerdo ou biventricular e perda da 
contratilidade miocárdica (BARRETO; BOCCHI, 2003). Apesar das miocardiopatias 
dilatadas terem várias etiologias, nos prontuários dos pacientes só apareceram 
especificadas a chagásica, a peri-parto e a alcoólica, em cinco prontuários. Nos 
outros apenas constava o nome miocardiopatia dilatada. 
No estudo desenvolvido por Volpato, Poletto e Ayoub (1997), as etiologias 
mais freqüentes da IC foram a doença de Chagas e HAS. Já no estudo de Rabelo, 
Aliti, Goldraich et al. (2006) a etiologia mais freqüente foi isquêmica, e no de Grell, 
De Paula e Tobias (2006) foi a HAS e miocardiopatia idiopática. 
Quanto à presença de pessoas com hipertensão arterial, neste estudo, 
observa-se que a porcentagem foi de 17 (60,7%) enquanto de DM foi de 11 (32,1%). 
Sobre a obesidade, representada pelo Índice de Massa Corporal (IMC), 
predominaram as pessoas com IMC elevado, acima de 35 (57,1%). A dislipidemia foi 
uma co-morbidade de reduzida porcentagem, apenas 25% das pessoas do estudo. 
Portanto, entre as co-morbidades associadas à IC, predominou a HAS. 
 
 
54 
 
Esses dados podem ser equiparados aos do estudo desenvolvido com 93 
pessoas com IC, no estado São Paulo, no qual foi constatado que 20,8% dessas 
pessoas apresentavam DM e 28,9% dislipidemia. 
Em outro estudo, de Saccomann (2006), com 170 idosos portadores de IC e 
em tratamento ambulatorial, segundo, constatou-se, 77,6% dessa população era 
hipertensa; 35,9% possuía dislipidemia e 34,7% DM. 
A IC é uma epidemia cardiovascular emergente cujo aumento está 
relacionado ao crescimento da população e das condições predisponentes à sua 
presença, destacando-se os componentes da síndrome metabólica (DM, HAS, 
dislipidemia e obesidade). Esta síndrome é caracterizada por um conjunto de fatores 
de risco que, quando presentes, se associam aos elevados eventos 
cardiovasculares, entre eles o risco de IC (WONG; O’MOORE –SULLIVAN; FANG 
et., al, 2005; COELHO; MOUTINHO; MIRANDA et al., 2007). 
Por ser um problema de alta prevalência e pela gravidade de suas 
complicações como a IC, a HAS destaca-se. Portanto, é considerada como um 
importante causa da IC e o fator de risco mais comum para essa doença (LlYOND-
JONES; LARSON; LEIP et al., 2002; SANTOS, 2007). 
Para Maciel (2001), a IC pode surgir em decorrência de um conjunto de 
mecanismos adaptativos desencadeados pelo aumento persistente da pós-carga 
ventricular,resultando em disfunção sistólica e diastolica. 
Evidências epidemiológicas apontam cada vez mais para a associação 
entre a síndrome metabólica e a presença de alterações cardiovasculares. No 
estudo realizado por Ingelsson, Sundström, Ärnlov et al. (2005), foi identificado maior 
risco de aparecimento de IC nas pessoas com a síndrome metabólica, 
particularmente homens de meia idade e idosos. 
Conforme Thierer (2006), a prevalência da IC e DM continua crescendo. 
Elas estão associadas e, são verdadeiras pragas da civilização ocidental, e até 
ameaçam se converterem em epidemia nos próximos anos. 
Além disso, a associação entre elas é bidirecional, ou seja, o DM é causa da 
IC e esta com o tempo pode causar o surgimento de DM. Tal associação pode ser 
motivada por vários fatores. Entre eles: fatores de risco para o desenvolvimento de 
IC são mais freqüentes nas pessoas com DM; estas pessoas têm maior incidência e 
prevalência de doença coronária; os processos fisiopatológicos são comuns entre 
essas doenças, como a disfunção endotelial e o aumento do estresse oxidativo. 
 
 
55 
 
Ademais, além do pior controle metabólico das pessoas com DM acarreta maior IC 
(IRIBARREN; KARTER; GO et al., 2001; GILES, 2003; FONAROW; ADAMS; 
ABRAHAM et al., 2005; KOSTIS; SANDERS, 2005). 
Segundo afirmam Ingelson, Sundström, Ärnlov et al. (2005), DM e 
obesidade são fatores de risco para IC e ambos são associados a resistência à 
insulina. No estudo desenvolvido por estes autores com homens adultos em 
Upssala, na Suécia, foi demonstrado que a resistência à insulina é um fator de risco 
para IC. 
Outros autores, como Pinheiro, Nakassato, Iosaki et al. (2007) afirmam que 
o desenvolvimento da IC está associado a altos valores de IMC, porém uma vez 
instalada a IC, o IMC elevado pode indicar maior sobrevida. Tal fato pode ocorrer 
porque pessoas com sobrepeso ou obesidade moderada podem representar um 
grupo com maior reserva metabólica, tolerando melhor ou por mais tempo o estresse 
metabólico proporcionado pela IC. 
Porém, no estudo realizado pelos pesquisadores ora citados, com pacientes 
com IC, os obesos grau II não tiveram nenhuma internação ou óbito no período do 
estudo e melhoraram a classe funcional enquanto os eutróficos foram aqueles que 
possuíram maiores números de internações e óbitos, embora sem diferença 
significativa. Logo, como os resultados mostraram, o IMC elevado não foi associado 
à melhora do prognóstico dessas pessoas. 
Ainda obre IC e IMC, no trabalho de Kenchaich, Evan, Levy et al. (2002), 
que analisou no estudo de Framingham a relação entre IMC e a incidência de IC, os 
resultados mostraram risco para desenvolvimento de IC e o aumento da unidade do 
valor de IMC normal. Quando comparados com os eutróficos, os indivíduos obesos 
apresentaram o dobro de risco. 
Conhecer as co-morbidades, as complicações causadas por elas e o 
tratamento farmacológico e não-farmacológico faz parte do saber clínico da 
enfermeira. Essa deve analisar as co-morbidades para definir com o cliente o 
cuidado e ajudá-lo na adaptação, já que a presença das co-morbidades citadas 
dificulta o processo de adaptação, pois o indivíduo necessita lidar com as alterações 
do cotidiano. 
Diante da associação entre essas co-morbidades e a IC, é importante que 
os enfermeiros atentem para desenvolver um trabalho junto com a população, de 
modo a despertá-la para as necessidades de hábitos de vida saudáveis, com vistas 
 
 
56 
 
a reduzir tanto a ocorrência das co-morbidades quanto das doenças 
cardiovasculares. 
 
6.2 Diagnósticos de enfermagem identificados nos pacientes com insuficiência 
cardíaca 
 
Conhecidas as características pessoais e de adoecimento dos participantes 
do estudo, conforme anunciado, identificou-se o rol de diagnósticos de enfermagem. 
 
TABELA 3 - Distribuição dos diagnósticos de enfermagem identificados nos 
pacientes com insuficiência cardíaca. Fortaleza-CE, 2007 
 
Diagnósticos de Enfermagem f % 
Dentição prejudicada 28 100,0 
Intolerância à atividade 25 89,3 
Sentimento de impotência 24 85,7 
Desempenho de papel ineficaz 24 85,7 
Disfunção sexual 24 85,7 
Insônia 24 85,7 
Controle ineficaz do regime terapêutico 21 75,0 
Comportamento de saúde propenso a risco 21 75,0 
Dor aguda 16 57,1 
Constipação 15 53,6 
Nutrição desequilibrada: mais do que as necessidades corporais 15 53,6 
Percepção sensorial perturbada - visão 15 53,6 
Fadiga 13 46,4 
Memória prejudicada 10 35,7 
Risco de desequilíbrio de volume de líquidos 10 35,7 
Nutrição desequilibrada: menos que as necessidades corporais 6 21,4 
Manutenção do lar prejudicada 5 17,9 
Volume excessivo de líquidos 4 14,3 
Disposição para bem- estar espiritual 4 14,3 
Disposição para autoconceito melhorado 4 14,3 
Risco de intolerância à atividade 3 10,7 
Perfusão tissular ineficaz - periférica 1 3,6 
Incontinência urinária de urgência 1 3,6 
Deambulação prejudicada 1 3,6 
Risco de infecção 1 3,6 
Integridade da pele prejudicada 1 3,6 
Risco de quedas 1 3,6 
 
 
57 
 
Como mostra esta Tabela, a análise das informações coletadas a partir do 
raciocínio diagnóstico, levou à identificação de 27 diagnósticos de enfermagem, com 
freqüência relativa que variou entre 3,6 e 100,0%. Destes, quatro se caracterizavam 
como de risco, quais sejam: Risco de desequilíbrio de volume de líquidos; Risco de 
Intolerância à atividade; Risco de infecção e Risco de quedas. 
Conforme NANDA (2008), os diagnósticos de enfermagem de risco são “as 
respostas humanas a condições/ processos vitais podem se desenvolver em uma 
pessoa, família ou comunidade. Sustentado por fatores de risco que aumentam a 
vulnerabilidade”. Contudo, esses diagnósticos de risco foram excluídos da presente 
discussão, pois na tipologia dos problemas de adaptação do modo de Roy não há 
risco e sim o problema propriamente dito. 
Ademais, do rol de diagnósticos de enfermagem identificados, foram 
excluídos, também, os diagnósticos Disposição para bem-estar espiritual e 
Disposição para autoconceito melhorado. Tal exclusão se justifica, pois eles se 
associam à tipologia de indicadores de adaptação positiva de Roy e, nesta 
investigação, o foco é voltado às necessidades de adaptação apresentadas pelas 
pessoas portadoras de insuficiência cardíaca. 
Portanto, trabalhou-se com 21 diagnósticos de enfermagem associados à 
tipologia de indicadores de problemas de adaptação da referida teoria. De posse 
destes, procurou-se estabelecer uma associação entre os diagnósticos de 
enfermagem identificados e o rol de indicadores de problemas de adaptação, 
considerando os modos adaptativos. 
Neste estudo, as associações estabelecidas abrangem a relação entre os 
diagnósticos de enfermagem encontrados e os modos adaptativos fisiológico, 
desempenho de papel e autoconceito de Roy. Quanto ao modo de interdependência, 
como mencionado, não foi possível relacionar nenhum diagnóstico de enfermagem 
identificado nos participantes do estudo a este modo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
58 
 
6.3 Associação entre os diagnósticos de enfermagem segundo a NANDA e a 
tipologia de problemas comuns de adaptação segundo a Teoria de Callista Roy 
 
A associação estabelecida entre os diagnósticos de enfermagem e os 
modos fisiológico, desempenho de papel e autoconceito permitiu identificar os 
problemas comuns de adaptação de Callista Roy na população estudada, assim 
como favoreceu a identificação dos estímulos a serem trabalhados como medida 
interventiva que viabilizasse a adaptação destas pessoas à condição de portador de 
IC. 
Deste modo, expôs-se, na seqüência, a relação das associações procedidas 
entre os diagnósticos de enfermagem presentes na população estudada e os 
problemas comuns de adaptação segundo a Teoria de Callista Roy (ROY; 
ANDREWS, 1999). 
 Inicialmente, estão representados os diagnósticos de enfermagem da 
NANDA (2008) relacionados ao modo fisiológico de Roy, conforme mostrao Quadro 
8. 
Ao se observar o Quadro 8, conforme se percebe, no domínio nutrição, 
encontrou-se o diagnóstico de enfermagem Nutrição desequilibrada: mais do que as 
necessidades corporais; Nutrição desequilibrada: menos do que as necessidades 
corporais e volume excessivo de líquidos. 
 A Nutrição desequilibrada mais do que as necessidades corporais foi 
identificada em 15 participantes (53,6%). De acordo com a NANDA (2008), este 
diagnóstico é definido como “ingestão de nutrientes que excede as necessidades 
metabólicas”. Para este diagnóstico, as características definidoras apresentadas 
foram as seguintes: peso 20% acima do ideal para a altura e compleição e nível de 
atividade sedentário, e como fator relacionado, a ingestão excessiva quanto às 
necessidades metabólicas. 
Segundo a NANDA (2008), a Nutrição desequilibrada menos do que as 
necessidades corporais é definida como “ingestão insuficiente de nutrientes capaz 
de satisfazer as necessidades metabólicas” e foi identificada em 6 pessoas (21,4%). 
As características definidoras apresentadas na população do estudo foram a falta de 
interesse na comida e a ingestão inadequada de alimentos menor do que a porção 
diária recomendada. E os fatores relacionados foram biológicos. 
 
 
 
59 
 
QUADRO 8 - Associação entre os diagnósticos de enfermagem da NANDA 
identificados nas pessoas portadoras de IC e os problemas comuns 
de adaptação de Roy do Modo fisiológico. Fortaleza- CE,2007 
 
Diagnósticos de enfermagem da NANDA (2008) Problemas comuns de adaptação do Modo 
fisiológico segundo Roy (ROY; 
ANDREWS, 1999). 
Domínio Rótulo diagnóstico Necessidades e 
processos 
complexos do 
modo fisiológico 
Problemas comuns 
de adaptação 
▪Nutrição desequilibrada: 
mais do que as necessidades 
corporais 
▪Nutrição desequilibrada: 
menos do que as 
necessidades corporais 
 
 
 
 
Nutrição 
▪Nutrição maior do 
que as necessidades 
corporais 
 ▪Nutrição menor do 
que as necessidades 
corporais 
 
 
 
 
Nutrição 
▪Volume excessivo de 
líquidos 
Fluídos, eletrólitos e 
balanço ácido-base 
▪Edema 
 
Eliminação/troca 
▪Constipação 
▪Incontinência urinária de 
urgência 
 
Eliminação 
▪Constipação 
▪Incontinência 
urinária 
▪Intolerância à atividade 
▪Insônia 
▪Deambulação prejudicada 
 
 
 
Atividade e repouso 
▪Intolerância à 
atividade 
▪Privação de sono 
▪Padrão inadequado 
de atividade e 
repouso 
 
 
Atividade/repouso 
 
▪Percepção sensorial 
perturbada-visão 
Sentidos ▪Deficiência de um 
sentido primário 
 
 
Percepção/cognição ▪Memória prejudicada Função neurológica ▪Déficit de memória 
▪Integridade da pele 
prejudicada 
 
▪Dentição prejudicada 
 
 
Proteção 
▪Integridade da pele 
prejudicada 
 
 
 
Segurança/proteção 
 
 ▪Perfusão tissular ineficaz 
 
Oxigenação ▪Perfusão tissular 
alterada 
Conforto ▪Dor aguda Sentidos ▪Dor aguda 
 
 
Ao se analisar conceitualmente os diagnósticos de enfermagem da NANDA 
percebeu-se que os dois primeiros diagnósticos citados mostraram estreita relação 
com os problemas de adaptação Nutrição desequilibrada maior do que as 
necessidades corporais e Nutrição desequilibrada menor do que as necessidades 
corporais, pertencentes ao componente nutrição da Teoria de Roy (1999). Este 
componente é definido como uma série de processos pelos quais a pessoa adquire 
e assimila os nutrientes e os usa para manter os tecidos corporais, promover 
crescimento e prover energia (ROY; ANDREWS, 1999). 
 
 
60 
 
Sobre o diagnóstico de enfermagem Volume excessivo de líquidos, emergiu 
em 4 participantes (14,3%) e é definido por NANDA (2008) como “retenção 
aumentada de líquidos isotônicos”. As características definidoras encontradas foram 
dispnéia e edema e os fatores relacionados foram mecanismos reguladores 
comprometidos e ingesta excessiva de líquidos. 
Para este diagnóstico, o problema de adaptação associado foi o edema, que 
faz parte do componente fluidos, eletrólitos e balanço ácido-base, um dos quatro 
processos complexos associados com o modo fisiológico. Para Roy e Andrews 
(1999), é vital manter estas substâncias na proporção correta para a integridade do 
indivíduo. 
Quanto ao domínio eliminação/troca, os diagnósticos de enfermagem 
identificados foram Constipação e Incontinência urinária de urgência. A constipação 
esteve presente em 15 participantes do estudo (53,6%) e é definida por NANDA 
(2008) como a “diminuição na freqüência normal de evacuação, acompanhada por 
passagem de fezes difícil ou incompleta e/ou passagem de fezes excessivamente 
duras e secas”. 
 Enquanto as características definidoras foram anorexia, freqüência 
diminuída e incapacidade de eliminar as fezes, os fatores relacionados foram 
atividade física diminuída; hábitos alimentares deficientes, ingestão insuficiente de 
fibras e medicação. 
O outro diagnóstico, Incontinência urinária de urgência, isto é, a “perda 
involuntária de urina que ocorre imediatamente após uma forte sensação de 
urgência para urinar” (NANDA, 2008) foi identificado em apenas 1 pessoa do estudo 
(3,6%). Esta apresentou relato de urgência como característica definidora e infecção 
do trato urinário como fator relacionado. 
Estes diagnósticos de enfermagem foram associados aos problemas de 
adaptação constipação e incontinência urinária de urgência, constituintes do 
componente eliminação, da Teoria de Roy, que é um processo básico de vida 
essencial para a adaptação, e se divide em eliminação intestinal e urinária. A 
primeira é a expulsão do corpo de substâncias não digeridas na forma de fezes e a 
segunda é a eliminação de fluidos e de excesso de íons para manter a pureza e 
constância dos fluidos internos (ROY; ANDREWS, 1999). 
Ainda no Quadro 8, segundo se observa, no domínio atividade/ repouso 
foram identificados os seguintes diagnósticos: Intolerância à atividade; Insônia; 
 
 
61 
 
Deambulação prejudicada; Mobilidade física prejudicada; Fadiga e Débito cardíaco 
diminuído. 
No presente estudo, a Intolerância à atividade esteve presente em 25 
(89,3%) dos 28 pacientes avaliados. NANDA (2008) define o diagnóstico de 
enfermagem intolerância à atividade como “energia fisiológica ou psicológica 
insuficiente para suportar ou completar as atividades diárias requeridas ou 
desejadas”. Este diagnóstico teve como características definidoras: desconforto aos 
esforços; dispnéia aos esforços e relato de fadiga relacionados ao desequilíbrio 
entre a oferta e a demanda de oxigênio. 
Ainda como observado, o diagnóstico Insônia foi identificado em 24 pessoas 
(85,7%). Em NANDA (2008) este diagnóstico é definido como “distúrbio na 
quantidade do sono que prejudica o funcionamento normal de uma pessoa” Estas 
pessoas apresentaram como características definidoras para este diagnóstico o 
relato de falta de energia, insatisfação com o sono, dificuldade para permanecer 
dormindo e como fator relacionado o desconforto físico (falta de fôlego, tosse). 
Outro diagnóstico deste estudo foi Deambulação prejudicada, apresentado 
por apenas 1 paciente (3,6%). Para NANDA (2008), a Deambulação prejudicada é a 
“limitação à movimentação independente, a pé, pelo ambiente”. A característica 
definidora foi a capacidade prejudicada de percorrer as distâncias necessárias e 
como fator relacionado o prejuízo neuromuscular. 
Já em relação a Fadiga, NANDA (2008) define como “sensação opressiva e 
sustentada de exaustão e de capacidade diminuída para realizar trabalho físico e 
mental no nível habitual. Este diagnóstico foi identificado em 13 participantes 
(46,4%). Nele as características definidoras foram cansaço, desempenho diminuído, 
verbalização de uma opressiva falta de energia e o fator relacionado foi estado de 
doença e privação de sono. 
Os diagnósticos de enfermagem do domínio atividade/repouso ora citados 
possuem estreitarelação com os seguintes problemas de adaptação: intolerância à 
atividade; privação de sono e padrão inadequado de atividade e repouso. Tais 
problemas estão contidos no componente atividade e repouso do modo de Roy. 
Segundo Roy e Andrews (1999), atividade e repouso são as chaves para 
sobrevivência humana e estão associados ao processo de mobilidade e sono. 
Quanto ao domínio percepção/cognição, emergiram os seguintes 
diagnósticos de enfermagem: Percepção sensorial perturbada e Memória 
 
 
62 
 
prejudicada. A Percepção sensorial perturbada é vista por NANDA (2008) como 
“mudança na quantidade ou no padrão dos estímulos que estão sendo recebidos, 
acompanhada por resposta diminuída, exagerada, distorcida ou prejudicada a tais 
estímulos”. Este diagnóstico foi identificado em 15 participantes do estudo (53,6%). 
Sua característica definidora foi distorção sensorial e o fator relacionado foi a 
recepção sensorial alterada. 
Ainda sobre diagnósticos, identificou-se o diagnóstico de enfermagem 
Memória prejudicada, presente em 10 participantes do estudo (35,7%). Memória 
prejudicada é a “incapacidade de lembrar ou recordar partes de informação ou 
habilidades comportamentais” (NANDA, 2008). As características definidoras foram 
incapacidade de aprender novas informações e experiências de esquecimento e o 
fator associado, distúrbios ambientais excessivos. 
Os diagnósticos do domínio percepção/cognição foram associados a 
componentes diferentes do modo de Roy. A Percepção sensorial perturbada 
apresentou relação com o problema de adaptação deficiência de um sentido 
primário que é componente do processo complexo sentidos. Eles são canais de 
impulsos necessários para as pessoas interagirem com as trocas ambientais (ROY; 
ANDREWS, 1999). 
A relação do diagnóstico de enfermagem Memória prejudicada esteve 
associada ao problema déficit de memória, que é constituinte da função neurológica 
da Teoria de Roy. Essa função é a chave para a adaptação da pessoa, pois os 
subsistemas regulador e cognato são baseados nos processos de função 
neurológica (ROY; ANDREWS, 1999). 
No domínio segurança/proteção foram encontrados os diagnósticos de 
enfermagem: Integridade da pele prejudicada, Integridade tissular prejudicada e 
Dentição prejudicada. 
Os diagnósticos de enfermagem Integridade da pele prejudicada e Perfusão 
tissular prejudicada estiveram presentes em apenas 1 participante (3,6%). Em 
relação à Integridade da pele prejudicada, segundo NANDA (2008), significa 
“epiderme e/ou derme alteradas”. Nestes diagnósticos, o rompimento da superfície 
da pele foi a característica definidora e a circulação prejudicada foi o fator 
relacionado. Este diagnóstico foi associado ao problema de adaptação integridade 
da pele prejudicada do componente proteção da teoria de Roy. Mencionada 
necessidade consiste de dois processos básicos de vida: processo defensivo não 
 
 
63 
 
específico e processo defensivo específico. Juntas essas duas defesas funcionais 
trabalham para proteger o corpo de substâncias estranhas, tais como bactéria, vírus 
e células do corpo anormais (ROY; ANDREWS, 1999). 
Como consta em NANDA (2008), o diagnóstico de enfermagem Perfusão 
tissular ineficaz periférica é a “diminuição na oxigenação, resultando na 
incapacidade de nutrir os tecidos no nível capilar”. As características definidoras 
foram pulsação arterial diminuída e pulsos fracos e o fator relacionado foi a 
interrupção do fluxo sangüíneo. Esse diagnóstico foi associado ao problema 
adaptativo perfusão tissular alterada, que faz parte do componente oxigenação, já 
citado anteriormente. 
Consoante evidenciado, o único diagnóstico presente em todos os 
participantes foi a Dentição prejudicada. Segundo a NANDA (2008), este diagnóstico 
de enfermagem é o “distúrbio nos padrões de desenvolvimento/erupção dentário ou 
integridade estrutural dos dentes de um indivíduo”. As características definidoras 
foram a ausência de dentes, dentes desgastados e estragados e perda de dentes. 
Como fatores relacionados identificaram-se a falta de acesso a cuidados 
profissionais, conhecimento deficiente a respeito da saúde dental, hábitos 
alimentares. 
Entretanto, o diagnóstico de enfermagem Dentição prejudicada não está 
relacionado explicitamente com os problemas de adaptação da Teoria de Callista 
Roy. Faz parte do processo desenvolvido pela enfermeira na avaliação do 
comportamento do componente nutrição e a presença desse comportamento é que 
vai influenciar no metabolismo, um dos processos da nutrição. 
Em continuidade, no domínio conforto, encontrou-se o diagnóstico de Dor 
aguda em 16 participantes (57,1%). De acordo com NANDA (2008), esse 
diagnóstico de enfermagem é definido como 
Experiência sensorial e emocional desagradável que surge de lesão 
tissular real ou potencial ou descrita em termos de tal lesão; início 
súbito ou lento, de intensidade leve a intensa, com término 
antecipado ou previsível e duração de menos de seis meses 
(NANDA, 2008). 
Nele, a característica definidora apresentada foi o relato verbal de dor 
relacionada aos agentes lesivos. 
 
 
64 
 
Esse domínio foi associado ao problema de adaptação dor aguda do 
componente sentido da Teoria de Roy, já citado. 
Após esta análise, na seqüência, será apresentada a associação entre os 
diagnósticos de enfermagem da NANDA e o modo de desempenho de papel. 
 
QUADRO 9 -Associação entre os diagnósticos de enfermagem da NANDA 
identificados nas pessoas portadoras de IC e os problemas comuns 
de adaptação de Roy do Modo de desempenho de papel. 
Fortaleza- CE, 2007 
 
Diagnósticos de Enfermagem da NANDA (2008) Problemas comuns de adaptação do 
Modo de desempenho de papel de 
Roy (Roy; Andrews, 1999). 
Domínio Rótulo Diagnóstico Problema comum de adaptação 
Autopercepção ▪ Desempenho de papel 
ineficaz 
Promoção da saúde ▪Controle ineficaz do regime 
terapêutico 
▪Manutenção do lar 
prejudicada 
Enfrentamento/Tolerância ao 
estresse 
▪ Comportamento de saúde 
propenso a risco 
 
 
 Falha no papel 
 
Quanto ao domínio autopercepção do diagnóstico de enfermagem da 
NANDA, emergiu o diagnóstico Desempenho de papel ineficaz em 24 participantes 
do estudo (85,7%), apresentando como características definidoras a insatisfação 
com o papel e a adaptação inadequada à mudança, ambas relacionadas a doença. 
NANDA (2008) define este diagnóstico como “padrões de comportamento e auto-
expressão que não combinam com o contexto, as normas e as expectativas do 
ambiente”. 
Já no domínio Promoção da saúde foram identificados os diagnósticos 
Controle ineficaz do regime terapêutico, em 21 pessoas (75%), e Manutenção do lar 
prejudicada, em 5 participantes (17,9%). 
O Controle ineficaz do regime terapêutico foi definido por NANDA (2008) 
como “padrão de regulação e integração à vida diária de um programa de tratamento 
de doenças e suas seqüelas que é insatisfatório para atingir objetivos específicos de 
saúde”. 
 
 
65 
 
Neste diagnóstico, a característica definidora foi escolha da vida diária 
ineficaz para atingir os objetivos de saúde e os fatores relacionados foram 
complexidade do regime terapêutico e dificuldades econômicas. 
Quanto à Manutenção do lar prejudicada, NANDA (2008) define como 
“incapacidade de manter de forma independente um ambiente imediato e seguro e 
que promova crescimento”. Nele, a característica definidora foi a descrição de 
membros da família de crises financeiras relacionadas à doença. 
No domínio enfrentamento/tolerância ao estresse surgiu o diagnóstico de 
enfermagem Comportamento de saúde propenso a risco em 25 (75%) pessoas. De 
acordo com NANDA (2008), esse diagnóstico é a “incapacidade de modificar estilo 
de vida/comportamentos de forma compatível com mudanças no estado de saúde”. 
Foi identificada como característica definidorao não alcance de uma completa 
sensação de bem-estar relacionada a múltiplos estressores. 
Assim, estes diagnósticos de enfermagem da NANDA apresentaram estreita 
relação com o problema adaptativo falha de papel, pertencente ao modo de 
desempenho de papel. Segundo Roy e Andrews (1999), a necessidade básica 
desse modo é a integridade social e o foco é o papel ocupado pelas pessoas na 
sociedade. 
Em continuidade à associação entre os diagnósticos de enfermagem da 
NANDA e os problemas comuns de adaptação, no Quadro 10, a seguir, será 
apresentada a associação dos diagnósticos de enfermagem da NANDA com o modo 
de autoconceito de Roy. 
QUADRO 10 -Associação entre os diagnósticos de enfermagem da NANDA 
identificados nas pessoas portadoras de IC e os problemas comuns 
de adaptação de Roy do Modo de autoconceito. 
Fortaleza- CE, 2007 
 
 
Diagnósticos de Enfermagem da NANDA (2008) 
Problemas comuns de adaptação do 
Modo de autoconceito (ROY; 
ANDREWS, 1999). 
Domínio Rótulo Diagnóstico Problemas comuns de adaptação 
Sexualidade ▪Disfunção sexual Eu físico 
▪Disfunção sexual 
Autopercepção 
▪Sentimento de 
impotência 
Eu pessoal 
▪Impotência 
 
 
 
66 
 
No domínio sexualidade da NANDA, encontrou-se o diagnóstico de 
enfermagem Disfunção sexual em 24 participantes (85,7%), cuja definição pela 
NANDA (2008) é “o estado em que um indivíduo passa por mudança na função 
sexual, durante as fases de resposta sexual de desejo, excitação e/ou orgasmo, que 
é vista como insatisfatória, não compensadora e inadequada”. A característica 
definidora foi limitação percebida imposta pela doença relacionada à estrutura 
corporal alterada-processo de doença. 
Quanto ao domínio autopercepção da NANDA, nele emergiu o diagnóstico 
de enfermagem Sentimento de impotência, presente em 24 pessoas (85,7%). Tal 
diagnóstico de enfermagem é a “percepção de que uma ação própria não afetará 
significativamente um resultado; falta de controle percebida sobre uma situação 
atual ou um acontecimento imediato” (NANDA, 2008). A característica definidora foi 
a expressão de insatisfação quanto à incapacidade de realizar tarefas/atividades 
prévias relacionadas à doença. 
Os diagnósticos de enfermagem identificados no Quadro 10 apresentaram 
relação com os problemas de adaptação constituintes do modo de autoconceito de 
Roy. Tal modo é definido por Roy e Andrews (1999) como um composto de crenças 
e sentimentos que a pessoa tem sobre si mesma em um dado momento do tempo. 
Neste modo, os problemas adaptativos podem interferir na habilidade da pessoa em 
fazer o que é necessário para manter os aspectos de saúde. 
 
6.4 Discussão dos problemas comuns de adaptação e seus estímulos segundo 
os modos fisiológico, desempenho de papel e autoconceito de Callista Roy 
 
 Estabelecida a associação entre os diagnósticos de enfermagem 
encontrados no grupo de pessoas portadoras de IC e os problemas comuns de 
adaptação de Roy, como forma de fortalecer sua existência no cotidiano destas 
pessoas, desenvolveu-se a análise de cada problema comum de adaptação e os 
diversos estímulos que afetam o comportamento. 
Como afirmam Roy e Andrews (1999), os estímulos podem ser internos ou 
externos e incluem todas as condições, circunstâncias e influências circundantes ou 
que afetam o desenvolvimento e comportamento do sistema adaptativo humano. 
 Após a análise dos estímulos que afetam a adaptação, elaborou-se um 
planejamento de intervenções de enfermagem, na tentativa da enfermeira mediante 
seu cuidado clínico, oferecer uma contribuição ao processo adaptativo do paciente, 
 
 
67 
 
permitindo-se, com isso, a substituição de respostas ineficazes por respostas 
adaptativas, visando sua melhor qualidade de vida. 
▪MODO FISIOLÓGICO 
Neste modo, no componente nutrição, teve três problemas identificados: 
nutrição desequilibrada maior do que as necessidades corporais, nutrição 
desequilibrada menor do que as necessidades corporais e dentição prejudicada. 
Contudo, no estudo ora realizado, a alteração neste componente foi mais 
afetada pelo problema nutrição desequilibrada maior do que as necessidades 
corporais e teve como estímulo a ingestão excessiva em relação às necessidades 
metabólicas. Ressalta-se que essa ingestão elevada associada ao sedentarismo e 
outros fatores acarreta o aumento de peso ou agravamento da obesidade. 
Como é um problema de saúde pública mundial, a obesidade acomete 
todos os estratos da sociedade moderna indiscriminadamente, e constitui a principal 
contribuinte para a carga global de doenças crônicas e invalidez (OMS, 2000). 
É uma doença crônica, multifatorial, reconhecida internacionalmente como 
fator de risco independente para doenças cardiovasculares. Essa doença está 
fortemente associada com outros fatores de risco para as doenças cardiovasculares, 
tais como HAS, DM e dislipidemia (KATZMARZYK; CRAIG; BOUCHARD, 2001; 
NCEP, 2002). 
De acordo com Kenchaiah, Evan, Levy et al. (2002), a obesidade é 
reconhecida como fator de risco para IC. Segundo mostraram o estudo de 
Framingham, o aumento do IMC em uma unidade aumenta o risco de apresentar IC 
em 5% nos homens e 7% nas mulheres. 
Atualmente, as elevadas prevalências das doenças cardiovasculares e 
obesidade na população brasileira estão sendo associadas à modificação dos 
hábitos alimentares. Entre essa modificação inclui-se a redução no consumo de 
hortaliças, fibras e frutas, além do consumo elevado de gorduras trans (MONTEIRO; 
MONDINI; COSTA, 2000; WONG; MONTEIRO; POPKIN, 2002). 
Os hábitos alimentares representam marcadores de risco para doenças 
cardiovasculares, sobretudo porque consumo elevado de colesterol, lipídios e ácidos 
graxos, somados ao baixo consumo de fibras, participa na etiologia das 
dislipidemias, obesidade, DM e HAS (PARADA; COZZA; PARADA, 1999; FORNÉS; 
SALAS; MIGUEL; 2000; GUEDES; GUEDES, 2001). 
 
 
68 
 
Vários estudos abordam os tipos de alimentação dos pacientes com 
alterações cardiovasculares. Destes, cita-se o de Fornés, Salas e Miguel (2002) 
desenvolvido em um município do estado de São Paulo. Naquele estudo, consoante, 
o consumo de carnes (bovina, suína, aves, vísceras e carnes processadas), leite e 
derivados de ovos correlaciona-se com o aumento do low density lipoprotein (LDL). 
E, ainda, segundo concluíram os autores, a redução nos riscos de doenças 
cardiovasculares pode ser alcançada por meio de controle da dieta. 
Pierin (2004) corrobora a importância da alimentação e afirma ser 
importante seguir uma conduta alimentar no qual se estabeleça um valor energético 
suficiente para reduzir/manter o peso no limite desejável. A dieta deve ser composta 
de até 15% de proteínas, de 50 a 60% de carboidratos e de no máximo 30% de 
gorduras. Nela, a ingestão de colesterol deve corresponder a 300mg/dia. Além 
disso, as fibras devem estar presentes na dieta e o sódio deve ser restrito, conforme 
a condição da pessoa. 
Logo Castro, Franceschini, Priore et al. (2004) também se pronunciam sobre 
o assunto. Para eles, a avaliação do estado nutricional é de grande utilidade e no 
estabelecimento de estratégias de intervenção com vistas à prevenção de doenças 
cardiovasculares. 
Portanto, para a prevenção e correção de sobrepeso e obesidade e como 
forma de reduzir os fatores de risco para doenças cardiovasculares, é preciso que o 
indivíduo faça modificações no seu estilo de vida. E, para orientar e auxiliar as 
pessoas, é indispensável a participação da enfermeira na educação alimentar dos 
pacientes com problemas cardíacos, entre eles, os pacientes com IC, alvo do 
presente estudo. A orientação alimentar é uma medida não-farmacológica essencial 
para evitar complicações de doenças cardiovasculares. 
Quanto à dieta para os pacientes com IC, recomenda-se uma alimentação 
fracionada, em pequeno volume e de fácil digestão (MUSTAFA;LEVERVE, 2001), 
além de hábitos alimentares saudáveis. 
Nos portadores de IC, deve-se observar não apenas a quantidade e a 
qualidade dos alimentos ingeridos, mas também o uso do sódio nos alimentos, pois 
o excesso do consumo de sódio contribui para à ocorrência de HAS, 
descompensações da IC e diminuição da eficácia de diuréticos. 
 
 
69 
 
Para Barreto e Bocchi (2003), a restrição de sódio é uma das bases para o 
tratamento da dieta do paciente com IC, sendo variável e dependente da classe 
funcional e da situação clínica do paciente. 
Segundo adverte o consenso atual, as pessoas com IC não devem 
adicionar sal nos alimentos já preparados e devem evitar a ingestão de produtos 
enlatados (VAN DER WALL; JAARSMA; VANVEDHUISEN, 2005). Mas Lopes, 
Barreto-Filho, e Riccio (2003) chamam atenção para o fato de que uma dieta muito 
pobre em sal pode resultar em alterações metabólicas e hormonais no paciente. No 
estudo desenvolvido por esses autores, a dieta com teor de sódio muito reduzido 
ocasiona aumento de catecolaminas plasmáticas, de colesterol de lipoproteína de 
baixa densidade (LDL- colesterol) e de triglicérides, como da resistência à insulina. 
Contudo, a restrição moderada não interfere nesses aspectos. Portanto, com poucas 
ressalvas, é consenso que a dieta com moderada restrição de sódio é ideal. 
Deve, pois, a enfermeira orientar os pacientes a evitar a adição de sal, 
produtos industrializados, salgadinhos, molhos. Ela deve, também, orientar a 
preparação dos alimentos com produtos naturais, tais como alho, cheiro verde, 
gengibre. Isto é, a enfermeira, além de orientar o paciente, deve em conjunto 
encontrar melhores alternativas para os pacientes, pois mudanças alimentares, 
assim como nos hábitos de vida, envolvem questões econômicas, culturais, 
psicológicas. 
O segundo problema de adaptação do componente nutrição foi a nutrição 
desequilibrada menos do que as necessidades corporais, tendo como estímulos os 
fatores biológicos. 
Como mostra a literatura, a IC ocasiona perda de peso que pode levar a 
caquexia cardíaca, chegando esse peso a um déficit de 20%. Tal fato está 
relacionado a alterações no organismo, as quais afetam o estado nutricional. Neste 
caso, o trato digestivo é o mais prejudicado, principalmente em nível de compressão 
gástrica, congestão hepática, edema de alça intestinal, enteropatia perdedora de 
proteína, náuseas, falte de apetite, dispnéia e fadiga. Estes sintomas contribuem 
para anorexia (MAGNONI; STEFANUTO; KOVACS, 2005). 
Assim, a orientação nutricional é igualmente importante e necessária para 
esses pacientes, porquanto uma boa alimentação fornecerá energia e nutrientes 
para evitar o esforço cardíaco. Para Barreto e Bocchi (2003), os suplementos 
 
 
70 
 
nutricionais com alta densidade calórica podem ser úteis para manter ou recuperar o 
estado nutricional dos pacientes com IC. 
No presente estudo foram identificados dois estímulos que estavam 
dificultando a adaptação na parte nutricional dos pacientes: ingesta excessiva e 
fatores biológicos. As intervenções de enfermagem propostas são baseadas nesses 
estímulos. Na seqüência serão mostradas as possíveis intervenções de enfermagem 
segundo a NIC (2008). 
• Estabelecer relação terapêutica com base na confiança e no respeito 
• Discutir as preferências e os alimentos de que o paciente não gosta 
• Facilitar a identificação dos comportamentos a serem modificados 
• Discutir as exigências nutricionais e as percepções do paciente sobre a 
dieta recomendada 
• Oferecer informações sobre a necessidade de saúde para modificação da 
dieta: perda de peso, aumento de peso, restrição de sódio, redução de 
colesterol 
• Discutir hábitos de compra e de limites orçamentários 
 
Acredita-se que a nutrição é complexa e a enfermeira, ao desenvolver o seu 
cuidado clínico, deve propor intervenções baseada na alimentação saudável com 
vistas à adaptação dos pacientes e conseqüente melhora na qualidade de vida. 
Como mencionado, no presente estudo foi identificado o diagnóstico de 
enfermagem Dentição prejudicada. Esse diagnóstico, porém, não é visto por Roy 
como um problema de adaptação, e, sim, como comportamento necessário para o 
componente nutrição. 
Segundo Roy e Andrews (1999), a avaliação da condição da cavidade oral é 
importante na determinação da saúde nutricional da pessoa e na identificação de 
deficiências. Tal avaliação deve ser feita em toda a cavidade oral, incluídos os 
dentes. Por exemplo, os adultos têm 32 dentes permanentes e eles são examinados 
para condições que diminuem a ação destes, tais como a perda dos dentes ou 
desgastes. 
De modo geral, os hábitos alimentares podem comprometer a cavidade 
bucal direta ou indiretamente. Da mesma forma, os dentes são afetados por cáries e 
doença periodontal, e essas podem ocasionar á perda dental, a qual, por sua vez, 
 
 
71 
 
pode influenciar na escolha da dieta. Ademais, a perda dos dentes ou uma dentição 
comprometida, dores bucais e perda do paladar podem forçar muitas pessoas a 
mudar seus hábitos alimentares. Logo, a escolha dos alimentos e a qualidade 
nutricional da dieta podem ser alteradas pela instalação de próteses parciais 
removíveis ou próteses totais, principalmente quando mal-adaptadas ou com dentes 
artificiais gastos (PAPAS; PALMER; ROUNDS, 1998). 
Diante destas afirmações, é inegável a importância da manutenção da 
dentição natural ou de parte dela sempre que possível, assim como a correta 
informação sobre a devida adaptação nutricional quando o paciente é portador de 
próteses. 
Conforme se sabe, porém, a manutenção da dentição natural é rara, pois a 
cárie ainda é uma doença que acomete todos os segmentos sociais. E, nos lugares 
onde uma proporção significativa da população não tem acesso regular a ações de 
promoção da saúde bucal e a serviços odontológicos, o tratamento dessa 
enfermidade, em estágio tardio, é realizado pela extração dos dentes afetados 
(HIRAMATSU; TOMITA; FRANCO, 2007). 
Portanto, o diagnóstico Dentição prejudicada, discutido no presente estudo, 
encontra eco em outros trabalhos como os desenvolvidos por Sousa, Sousa, Vale et 
al. (2007) com idosos em atendimento ambulatorial e por Guerra, Cipulo, Finger et 
al. (2005) com pessoas com indicação de transplante cardíaco, apresentam 
freqüência elevada para dentição prejudicada. 
Embora este diagnóstico não entre na relação direta com a doença 
insuficiência cardíaca, e sim com questões como hábitos alimentares e econômicos 
como barreiras econômicas que nesse estudo dificultam o acesso ao profissional 
especializado, ele interfere no tratamento da IC. 
Quanto à faixa etária mais prevalente dos participantes, ficou entre 41 e 50 
anos e 61 e 70 anos, ambos com nove pessoas, mas a perda total ou parcial dos 
dentes não ocorrem somente nos idosos. 
No presente estudo, os participantes com IC ou não possuíam todos os 
dentes e/ou usavam prótese dentária (superior e/ou inferior). Em vinte desses, a 
falta de dentes era visível e comprometia o aspecto estético. Apesar de terem sido 
detectados problemas nos hábitos alimentares dos participantes, o principal 
problema identificado quanto à dentição foi a falta da visita regular ao dentista e tal 
 
 
72 
 
fato estava relacionado à dificuldade de ir a uma consulta com esse profissional, já 
que a demanda desse serviço é grande. 
Segundo o Modelo de Atenção á Saúde Bucal, e de acordo com o relatório 
final da 2a Conferência Nacional de Saúde Bucal, deve ser garantida a "assistência 
integral em todos os níveis e faixas etárias”. Ainda de acordo com este documento, 
propõe-se 
garantir que os portadores de deficiência física, mental, motora ou 
múltiplas, ou de doenças infecto-contagiosas e crônico-
degenerativas tenham o seu atendimento básico executado em 
qualquer Unidade Básica de Saúde da rede SUS que deverá contar 
com concepção arquitetônica adequada, normas e rotinasde 
biossegurança, e recursos humanos devidamente capacitados para 
tal fim (BRASIL, 1993:16). 
Parte integrante e inseparável da saúde geral dos indivíduos, no Brasil, a 
saúde bucal tem sido relegada ao completo esquecimento, principalmente quando 
se refere à saúde bucal do idoso, já que a sociedade e os odontólogos aceitam 
como normal e natural a perda dos dentes com o avançar da idade. De modo geral, 
os serviços públicos odontológicos possuem extrema limitação no atendimento e nos 
adultos limitam-se a práticas multiladoras (PUCCA JÚNIOR, 2002). 
A perda dos dentes, portanto, deve ser configurada como resultado, ou seja 
é um quadro de seqüela ocasionada por um processo de desgaste do corpo e os 
componentes desse desgaste se sobrepuseram aos demais. Logo, quando a perda 
dos dentes está presente, é porque as medidas de atenção à saúde bucal anteriores 
fracassaram ou não existiram. Embora se deva criticar as formas de acesso aos 
serviços e os programas odontológicos, há necessidade de reestruturação do 
sistema e uma mudança de atitude diante dos problemas de saúde bucal (PUCA 
JÚNIOR, 2002). 
A necessidade de acesso aos serviços odontológicos e conseqüentemente 
à saúde bucal se faz urgente não soem virtude de aspectos estéticos, mas para a 
saúde como um todo, pois as condições bucais se relacionam a todos os aspectos 
da vida do indivíduo, sobretudo na parte da nutrição, componente importante para 
todos. 
Mesmo em face das limitações, algumas intervenções de enfermagem 
podem ser postas em prática. Entre estas, algumas apresentadas pela NIC (2008), 
que podem ser implementadas pelas enfermeiras no cuidado aos pacientes. 
 
 
73 
 
• Orientar quanto à necessidade de uma rotina diária de cuidado oral 
• Orientar a pessoa a escovar os dentes, as gengivas e a língua 
• Encorajar os usuários de dentadura a escovarem as gengivas e a língua e a 
enxaguarem a cavidade oral diariamente 
• Recomendar uma alimentação saudável 
• Monitorar a mucosa oral na consulta de enfermagem 
• Providenciar as consultas dentárias. 
Como já visto, a dentição prejudicada afeta não apenas a cavidade oral. 
Portanto, é preciso ampliar as intervenções de enfermagem a fim de atuar nos 
problemas relacionados à dentição e, assim, promover a saúde oral de forma a 
evitar complicações aos pacientes e ajudar na adaptação. 
Em relação ao componente eliminação foram identificados dois problemas 
de adaptação: constipação e incontinência urinária de urgência, sendo este último 
atribuído a um fato particular e discutido posteriormente. 
No presente estudo, os estímulos para o problema de adaptação 
Constipação foram: atividade física diminuída; hábitos alimentares deficientes; 
ingesta insuficiente de fibras e medicações. 
No estudo desenvolvido por Oliveira, Rocha, Paes et al. (2000), com 
pessoas atendidas em ambulatórios de diversas especialidades, a prevalência da 
constipação foi alta e com características epidemiológicas. Segundo afirmam estes 
autores, a maioria das pessoas experimenta períodos de constipação no transcorrer 
de suas vidas. E essa constipação pode ser causada por diferentes mecanismos e 
por vários sintomas. 
Para Santos Júnior (2005), a constipação tem causas primárias e/ou 
secundárias. Das causas primárias fazem parte hábitos alimentares, aspectos 
culturais e controle sistemático da defecação; das secundárias, efeitos de 
medicações, doenças endócrinas e neurológicas. 
É importante salientar que os estímulos atividade física diminuída e 
medicações utilizadas estão relacionados à IC. De modo geral, a ausência de 
atividade física dos participantes é decorrente da dispnéia ao realizar atividade física 
e /ou em repouso. Tal dispnéia é caracterizada como um sintoma da IC (STOCCO; 
BARRETO, 2000). Como a diminuição da atividade física provoca diminuição do 
peristaltismo, conseqüentemente, há retenção das fezes. 
 
 
74 
 
Para Smeltzer e Bare (2005), a mobilidade é responsável pela manutenção 
do tônus e resistência muscular (abdominal) enquanto a diminuição ou restrição de 
movimentos pode causar constipação. 
De acordo com Andrade, Silva, Mendonça et al. (2003) o sedentarismo e a 
falta de exercícios contribuem para o surgimento de sintomas da constipação, pois 
favorecem a eficácia dos movimentos peristálticos e o desenvolvimento da 
musculatura abdominal, que irá atuar no hábito de defecação. 
Quanto à relação entre a constipação e a medicação, conforme Andrade, 
Silva, Mendonça et al. (2003) relatam que vários medicamentos têm como efeitos 
adversos a constipação, entre eles, os antiarrítmicos e anti-hipertensivos e os 
diuréticos. Esses medicamentos são bastante utilizados pelos pacientes do estudo, 
pois fazem parte do tratamento farmacológico para IC. 
Ao discutirem os hábitos alimentares, Roy e Andrews (1999) ressaltam que 
a quantidade e o tipo de dieta são importantes para o padrão de eliminação. No 
presente estudo, consoante observou-se, alguns participantes mantinham hábitos 
alimentares insuficientes e, entre esses hábitos, a ingesta diminuída de fibras. Tal 
estímulo, no entanto, não tem relação direta com a IC, mas pode ser decorrente de 
hábitos culturais e econômicos. 
A causa mais comum de constipação é a ausência de fibras na 
alimentação. Além de atuar na prevenção de doenças intestinais, como constipação, 
hemorróidas, hérnia hiatal, doença diverticular e câncer de cólon, a fibra alimentar 
pode contribuir, também, na prevenção e no tratamento da obesidade, na redução 
do colesterol sangüíneo, na regulação da glicemia após as refeições e, ainda, 
diminuir o risco de doenças cardiovasculares e diabetes (MARLETT; MCBURNEY; 
SLAVIN, 2002). 
Como asseveram Alves, Cherulli, Mannarino et al. (2005), as fibras 
interferem na função intestinal. Esse componente da dieta atua por meio dos 
seguintes mecanismos: absorção da água pela fibra causando aumento do volume 
fecal e, conseqüentemente, estímulo da peristalse; ação bacteriana sobre as fibras, 
levando à formação de ácidos orgânicos que atuam de forma irritativa e osmótica no 
cólon, estimulando sua contração. 
Mais uma vez, como profissional, e mediante seu cuidado, a enfermeira tem 
papel fundamental na detecção clínica de constipação e das causas dessas nos 
 
 
75 
 
pacientes. Com esta finalidade, seu cuidado deve enfocar a prevenção e tratamento 
da constipação de acordo com a necessidade de cada paciente. 
É preciso enfatizar a importância de adquirir um hábito intestinal, ou seja, 
adotar horários diários para evacuação. Faro (2000) sugere que as evacuações 
sejam feitas após as refeições, aproveitando o refluxo gastrocólico. Orienta também 
sobre uma massagem feita da direita para a esquerda com a mão espalmada, a 
qual se realizada, após trinta minutos das refeições, pode contribuir para a 
estimulação da motilidade intestinal. 
Surge-se, também, o consumo de uma dieta bem equilibrada, a exemplo de 
frutas, hortaliças e fibras. Mas essa orientação alimentar deve ser em conjunto com 
os pacientes e/ou família, pois deve se atentar para as condições econômicas 
dessas pessoas. Quanto ao estímulo da prática de exercícios, é orientado levando 
em consideração as limitações provocadas pela IC. 
Alguns estímulos já citados foram identificados no estudo como 
dificultadores ou causadores de constipação. Diante disto, foram propostas 
intervenções de enfermagem segundo a NIC (2008), tais como: 
• Monitorar sinais e sintomas da constipação 
• Explicar ao paciente a etiologia do problema e a justificativa das ações 
• Orientar o paciente/família sobre a dieta com elevado teor de fibras 
• Orientar o paciente/família sobre a relação entre a dieta, o exercício e a 
ingestão de líquidos e a constipação/impactação 
• Ensinar ao paciente/família os processos digestivos normais. 
 
A implementação dessas intervenções de enfermagem associada com a 
participação dos pacientes contribuirá para o controle3 minimum wages. How about the 
etiology of CI, the most frequent one was the dilated myocardiopathy . Had been 
analyzed 21 of the 27 nursing diagnostics. The main ones had been: Harmed 
dentition; Intolerance to the activity; Feeling of impotence; inefficacious performance; 
sexual dysfunction; sleeplessness; inefficacious control of the therapeutic regimen; 
health behavior inclined to risk; acute pain; constipation; unbalanced nutrition: more 
than the corporal necessities; sensorial perception disturbed - vision. The identified 
nursing diagnostics were characterized as problems of adaptation to the health 
condition. As main identified problems of adaptation were mentioned: intolerance to 
the activity; impotence; failure of the role; sexual dysfunction; sleep privation; acute 
pain, constipation; nutrition unbalanced more than the corporal necessities; 
deficiency of a primary sense. Ahead of the findings, we expect to excite reflections 
of the nurses to consider the problems of adaptation of their patients carriers of CI in 
the execution of their clinical care, in way that when implementing interventions of 
nursing, stimulate them to the reach of its adaptation to the condition of chronic 
diseased person. Thus, the study brings contributions for the consolidation of the 
uses of theories in the process of to take care in nursing. 
Word-key: Cardiac insufficiency. Adaptation. Nursing. Theory of Callista Roy. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
 
SUMÁRIO 
 
LISTA DE ABREVIATURAS ............................................................................. 11 
LISTA DE TABELAS......................................................................................... 12 
LISTA DE QUADROS........................................................................................ 13 
 
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................... 
 
14 
 
2 OBJETIVOS.................................................................................................... 
 
19 
 
3 REVISÃO DE LITERATURA .......................................................................... 
 
20 
3.1 Adoecimento por insuficiência cardíaca.......................................... 20 
 3.2 As classificações da prática de enfermagem como subsídio 
para o cuidado clínico sistematizado................................................ 
 
24 
 3.3 Processo de raciocínio diagnóstico................................................. 31 
 
4 REFERENCIAL TEÓRICO (Teoria de Callista Roy)..................................... 
 
32 
4.1 Contribuição de estudos a partir do referencial de Callista Roy... 39 
 
5 METODOLOGIA ............................................................................................. 
 
41 
5.1 Tipo de estudo ................................................................................... 41 
5.2 Caracterização do local da pesquisa................................................ 41 
5.3 População e amostra.......................................................................... 42 
5.4 Instrumento de coleta de dados........................................................ 43 
5.5 Procedimento de coleta de dados.................................................... 44 
5.6 Identificação dos diagnósticos de enfermagem.............................. 45 
5.7 Organização e análise dos dados..................................................... 45 
 
6 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS............................................. 
 
47 
 6.1 Caracterização dos clientes com insuficiência cardíaca............ 47 
 6.2 Diagnósticos de enfermagem identificados nos clientes com 
insuficiência cardíaca...................................................................... 
 
56 
 6.3 Associação entre os diagnósticos de enfermagem segundo a 
 
 
10 
 
NANDA e a tipologia de problemas comuns de adaptação 
segundo a Teoria de Callista Roy................................................... 
 
58 
 
6.4 Discussão dos problemas comuns de adaptação e seus 
estímulos segundo os modos fisiológico, desempenho de 
papel, autoconceito de Callista Roy.............................................. 66 
 
7. CONCLUSÕES.............................................................................................. 
99 
 
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................... 
 
102 
 
9. APÊNDICE.................................................................................................... 
 
119 
 
10. ANEXOS...................................................................................................... 
 
121 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 
LISTA DE ABREVIATURAS 
 
AVC Acidente vascular cerebral 
COFEN -Conselho Federal de Enfermagem 
DM -Diabetes melitus 
HAS -Hipertensão Arterial Sistêmica 
IBGE -Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
IC - Insuficiência cardíaca 
IMC -Índice de Massa Corporal 
MCPD - Miocardiopatia dilatada 
LDL -Low Density Lipoprotein 
NANDA -North American Nursing Diagnosis Association 
NYHA - New York Heart Association 
NIC - Classificação das Intervenções de Enfermagem 
NOC -Classificação dos Resultados de Enfermagem 
OMS -Organização Mundial de Saúde 
SAE -Sistematização da Assistência de Enfermagem 
SUS -Sistema Único de Saúde 
UTI -Unidade de Terapia Intensiva 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
LISTA DE TABELAS 
 
TABELA 1: Distribuição dos pacientes com insuficiência cardíaca segundo os 
indicadores de sexo, idade, escolaridade, renda familiar, estado civil, religião e 
procedência 
 
 
47 
TABELA 2: Distribuição dos pacientes com insuficiência cardíaca de acordo 
com as co-morbidades 
 
53 
TABELA 3: Distribuição dos diagnósticos de enfermagem identificados nos 
pacientes com insuficiência cardíaca 
 
56 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
 
LISTA DE QUADROS 
 
 
QUADRO 1: Classificação da NYHA para a insuficiência cardíaca 21 
QUADRO 2: Estágios da insuficiência cardíaca 22 
QUADRO 3: Princípios do tratamento da insuficiência cardíaca 23 
QUADRO 4: Tipologia de indicadores de adaptação positiva e de problemas 
comuns de adaptação segundo o modo fisiológico de Callista Roy 
 
34 
QUADRO 5: Tipologia de indicadores de adaptação positiva e de problemas 
comuns de adaptação segundo o modo de desempenho de papel de Callista 
Roy 
 
 
36 
QUADRO 6: Tipologia de indicadores de adaptação positiva e de problemas 
comuns de adaptação segundo o modo de autoconceito de Callista Roy 
 
36 
QUADRO 7: Tipologia de indicadores de adaptação positiva e de problemas 
comuns de adaptação segundo o modo de interdependência de Callista Roy 
 
37 
QUADRO 8: Associação entre os diagnósticos de enfermagem da NANDA 
identificados nas pessoas portadoras de IC e os problemas comuns de 
adaptação de Roy do Modo fisiológico 
 
 
59 
QUADRO 9: Associação entre os diagnósticos de enfermagem da NANDA 
identificados nas pessoas portadoras de IC e os problemas comuns de 
adaptação de Roy do modo de desempenho de papel 
 
 
64 
QUADRO 10: Associação entre os diagnósticos de enfermagem da NANDA 
identificados nas pessoas portadoras de IC e os problemas comuns de 
adaptação de Roy do modo de autoconceito 
 
 
65 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
O interesse pela temática do processo de cuidar em enfermagem, de modo 
especial, pelo cuidado sistematizado, surgiu ao longo do curso de Graduação. 
Desde essa época, percebe-se que muitas vezes o cuidado de enfermagem 
focaliza-se predominantemente nos aspectos biológicos e na imposição dee/ou melhora da constipação 
referida pelos participantes. 
No componente eliminação, o problema incontinência urinária foi 
identificado em uma participante que no momento da coleta dos dados apresentava 
infecção urinária. Portanto, não estava relacionado à IC. 
Entre as mais freqüentes infecções bacterianas do ser humano, inclui-se a 
infecção do trato urinário sintomática, predominando entre os adultos do sexo 
feminino. Alguns fatores aumentam o risco na mulher como: episódios prévios de 
infecção urinária, o ato sexual, a gestação, o número de gestações, o diabetes e a 
 
 
76 
 
higiene deficiente, principalmente em mulheres obesas e com piores condições 
social econômicas (VALIQUETTE, 2001). 
Apesar de ter sido um fato particular é importante o cuidado de enfermagem 
na infecção urinária a fim de evitar maiores complicações ocasionadas pela doença 
e manter um ótimo padrão de eliminação da urina. Diante disto, algumas 
intervenções de enfermagem conforme a NIC (2008) foram propostas, tais como: 
• Monitorar a eliminação urinária, incluindo a freqüência, o odor, o volume e a 
cor 
• Orientar o paciente sobre sinais e sintomas de infecção do trato urinário 
• Encaminhar o paciente ao médico. 
No componente atividade e repouso foram identificados os seguintes 
problemas de adaptação e estímulos: intolerância à atividade cujo estímulo era o 
desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio; padrão inadequado de 
atividade e repouso devido a doença IC e privação de sono ocasionada pelo 
desconforto físico. 
Segundo se percebe, os problemas de adaptação e os estímulos 
identificados estão diretamente associados entre si e com a fisiopatologia, 
manifestações clínicas e complicações da IC. Isto é, o desequilíbrio entre a oferta e 
a demanda de oxigênio e a resistência vascular diminuída são características 
fisiopatológicas da IC e ocasionam manifestações clínicas como desconforto físico 
ao realizar atividades e outras manifestações que alteram o padrão de sono, 
provocando diminuição das atividades diárias e qualidade de vida dos portadores de 
IC. 
A IC é uma síndrome clínica e complexa que vai muito além de falha na 
“bomba cardíaca”. É um problema sistêmico, neuro-hormonal que envolve 
alterações metabólicas, na musculatura esquelética e aumento no tônus vasomotor. 
As manifestações periféricas da IC, como a disfunção endotelial, alterações 
musculares esqueléticas e distúrbios no controle ventilatório, são determinantes 
para a intolerância ao exercício e tal fato é ocasionado pelo comprometimento da 
perfusão periférica e do metabolismo muscular (FERARRI; BACHETTI; AGNOLETTI 
et al., 1998). 
Consoante relata Joyner (2004), nos últimos 25 anos houve um grande 
avanço no conhecimento da fisiopatologia do exercício na IC, permitindo demonstrar 
que alterações estruturais, funcionais e metabólicas dos sistemas músculos- 
 
 
77 
 
esqueléticos, respiratório e nervoso, junto com o sistema cardiovascular estão 
envolvidos na intolerância ao exercício. Tudo isto contribui para redução na 
capacidade funcional. 
Dal Lago, Stein, Ribeiro (2005) corroboram este relato, ao afirmar que as 
anormalidades da resposta cardiovascular, músculo-esqulética e ventilatória durante 
o exercício na IC são multifatoriais e mais complexas do que se pensava 
anteriormente. Durante o exercício, as alterações periféricas parecem ter 
participação fundamental na resposta funcional. A fadiga está associada às 
anormalidades musculares e vasculares periféricas; a dispnéia está relacionada 
com as modificações do sistema respiratório e com as anormalidades metabólicas 
dos músculos periféricos. 
Diante dessas características, segundo esses autores acreditam, em 
pacientes com IC compensada o condicionamento físico resulta na reversão de 
diversas alterações fisiopatológicas que limitam a capacidade funcional desses 
pacientes. 
Ante o interesse na ampliação da capacidade funcional dos portadores de 
IC vários trabalhos foram produzidos. Em 1999, publicou-se o primeiro estudo 
randomizado com 99 pacientes para determinar se o exercício moderado, a longo 
prazo, poderia melhorar a capacidade funcional e a qualidade de vida em pacientes 
com IC. Os resultados do estudo mostraram melhora na capacidade funcional e na 
qualidade de vida de pacientes treinados. Posteriormente, outros estudos como o de 
Piña, Apstein, Balady et al. (2003) e Thompson, Buchner, Pinã et al. (2003) 
demonstraram que a atividade física pode ser segura para pessoas com IC. 
De acordo, porém, com Barreto, Drumond Neto, Mady et al. (2002), 
dependendo da gravidade da doença, a intolerância ao exercício pode ser um dos 
fatores limitantes durante a realização de atividades da vida diária. Portanto, a 
orientação deve ser individualizada conforme o grau de IC e a idade do paciente. 
No presente estudo, a maioria dos participantes relatou não praticar 
atividade física por apresentarem dispnéia aos esforços e/ou fadiga, estando, pois, 
em um grau de IC mais avançado e também pela idade. 
Contudo, como recomendada, a orientação para atividade física deve estar 
incluída no tratamento não-farmacológico da IC e deve ser abordada nas consultas 
de enfermagem, mas de forma individualizada e em conjunto com os pacientes, a 
fim de não sobrecarregar o trabalho cardíaco. 
 
 
78 
 
O estímulo desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio e os 
sintomas causados por ele é uma característica da IC, sendo, portanto, um 
processo fisiopatológico. De modo geral, os participantes do estudo relataram 
dispnéia aos esforços e essa pode ocasionar complicações mais sérias. Neste 
momento, o enfermeiro pode implementar intervenções clínicas de enfermagem e 
deve ficar atenta à tolerabilidade de cada pessoa. Entre as possíveis intervenções 
de enfermagem incluem-se as seguintes: 
• Investigar experiências anteriores com exercícios 
• Investigar as barreiras ao exercício 
• Auxiliar o indivíduo a desenvolver um programa de exercícios apropriado, se 
indicado. 
Outro problema de adaptação foi a privação no sono, que teve como 
estímulo o desconforto físico. Este, nos participantes do estudo, foi causado pelo 
desconforto físico decorrente da IC. Os pacientes relataram falta de sono e 
interrupção do sono devido a falta de ar e a tosse. 
Segundo Smeltzer e Bare (2005), as pessoas com IC podem apresentar 
ortopnéia, isto é, a dificuldade de respirar quando deitam. Algumas dessas pessoas, 
porém, apresentam dispnéia apenas à noite: é a conhecida dispnéia paroxística 
noturna. Tal fato ocorre porque a pessoa que passou um longo período sentado 
com os pés e as pernas pendentes acumulam líquidos durante o dia e esse é 
absorvido para dentro do volume circulante. Tais sintomas comprometem a 
qualidade de sono dos pacientes que os apresentam. 
Stocco e Barreto (2002) relatam que os pacientes portadores de IC em 
virtude da disfunção do ventrículo esquerdo manifestam insônia como um dos sinais 
e sintomas, isto é, o baixo fluxo cerebral ocasiona este problema. 
Contudo, no estudo ora elaborado, segundo se acredita, a privação de sono 
dos participantes do estudo advém não só problemas físicos, mas de problemas 
psicossociais ocasionados pela IC, como aposentadorias precoces, diminuição da 
renda familiar, medo da morte, problemas familiares e efeitos colaterais de 
medicações. 
As desordens do sono são comuns e multifatoriais e o risco aumenta com a 
idade, apesar de ser comum em todos os estágios da vida. Dessas desordens, a 
mais prevalente é a insônia, considerada como um problema de saúde pública e 
definida como uma dificuldade para iniciar o sono ou para se manter dormindo. 
 
 
79 
 
Neste momento, pode haver uma diminuição total ou parcial da quantidade e/ou da 
qualidade do sono (AVIDAN, 2005; SUMMERS; CRISOSTOMO; STEPANSKI, 
2006). 
Outro estudo confirma as desordens do sono. Por exemplo, o de Sá, Mota e 
Oliveira (2007) concluiuque há uma alta prevalência de insônia crônica, sobretudo 
entre os idosos, e que a privação de sono interfere na qualidade de vida dessas 
pessoas. 
Mais uma vez o enfermeiro pode exercer sua prática e no seu cuidado 
clínico de enfermagem deve enfocar não apenas o desconforto físico que causa a 
insônia, mas também as conseqüências desta para a qualidade de vida dos 
pacientes. Conforme observado, o padrão de sono inadequado interfere na 
adaptação, pois pode provocar instabilidade de humor, afetar as atividades diárias, 
o relacionamento com as pessoas, causar ansiedade. 
Como o estímulo desconforto físico é próprio da doença apresentada pelos 
participantes, a enfermeira pode desenvolver algumas intervenções de enfermagem 
segundo a NIC (2008), quais sejam: 
• Determinar o padrão de sono/atividade 
• Orientar o paciente para monitorar os padrões de sono 
• Monitorar a participação em atividades que produzem fadiga durante o sono 
• Auxiliar a eliminar situações estressantes antes do horário de dormir 
• Orientar o paciente e as pessoas significativas sobre os fatores que 
contribuem para distúrbios no sono (fisiológicos, psicológicos, estímulos de 
vida). 
A enfermeira ao implementar essas intervenções basearão seu cuidado 
clínico nas conseqüências da privação do sono a fim de facilitar os ciclos regulares 
de dormir/acordar. 
No componente sentidos foram identificados dois problemas de adaptação: 
dor aguda e percepção sensorial perturbada- visão. Neste estudo, 16 pessoas 
(57,1%) relataram dor e esta era aguda, já que havia se manifestado até seis 
meses. As queixas dos pacientes foram de cefaléia, epigastralgia, precordialgia, 
membros inferiores e dor nos ossos. Destas, a dor mais relatada foi a epigastralgia, 
por 8 pessoas (28,6%). 
 
 
80 
 
Acredita-se que as queixas de dores no estômago estejam associadas ao 
tratamento medicamentoso da IC, isto é, a quantidade de medicamentos utilizados 
diariamente e a ausência de um medicamento de proteção gástrica. Essa dor pode 
estar relacionada, também, com os eventos adversos dos medicamentos. 
Diante da doença e da medicação, exige-se adaptação. Entre as várias 
condições necessárias para adaptação de uma pessoa, há o alívio ou ausência da 
dor, pois essa interfere na qualidade de vida e pode desencadear estresse e 
depressão. O estímulo medicação, identificado como responsável pela dor, é 
importante no tratamento dos pacientes, portanto, não pode ser eliminado. Propõe-
se, então, as seguintes intervenções de enfermagem, conforme a NIC (2008): 
• Realizar uma avaliação abrangente da dor, que inclua o local, as 
características, o início, a duração, a freqüência, a qualidade, a intensidade 
ou gravidade da dor e os fatores predisponentes 
• Investigar o conhecimento e as crenças do paciente acerca da dor 
• Determinar o impacto da experiência da dor sobre a qualidade de vida 
• Investigar com o paciente os fatores que aliviam/pioram a dor 
• Investigar o uso atual que o paciente faz de métodos farmacológicos de alívio 
da dor 
• Avaliar com o paciente e a equipe de cuidados de saúde a eficácia de 
medidas de controle da dor que têm sido utilizadas. 
A enfermeira ao desenvolver essas intervenções de enfermagem estará 
desenvolvendo um cuidado clínico de forma a promover alívio da dor ou conforto a 
um nível de adaptação aceitável para a pessoa. 
Quanto à deficiência do sentido primário - visão, o estímulo mais 
encontrado foi a catarata, em 12 pessoas. Em âmbito mundial, a catarata é a 
principal causa de cegueira e é definida como qualquer opacidade do cristalino, que 
não necessariamente afete a visão. De modo geral, as pessoas idosas têm mais 
chances de desenvolver catarata e a maioria dessas pessoas está acima de 50 
anos (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2003). 
 O estímulo catarata afeta na adaptação do indivíduo, pois a visão 
diminuída pode causar problemas no desempenho de atividades diárias, 
ocasionando problemas de depressão, retraimento negação dentre outros. 
 
 
81 
 
Portanto, durante o exame físico realizado pela enfermeira na consulta de 
enfermagem, é importante que o problema visual seja detectado com a finalidade de 
se orientar os pacientes e esclarecê-los sobre a importância de medidas de 
segurança e sobre a necessidade de consulta com médico especializado no assunto 
no intuito de corrigir o problema e, assim, evitar a cegueira. 
As intervenções de enfermagem selecionadas para as pessoas com esse 
problema segundo a NIC (2008) foram: 
• Prevenir quedas 
• Oferecer suporte emocional 
• Encaminhar o paciente com problemas visuais à instituição adequada. 
Como observado, o componente fluidos, eletrólitos e balanço ácido-base 
apresentou apenas um problema de adaptação, o edema, e teve como estímulo os 
mecanismos reguladores comprometidos. Esse problema está associado às 
alterações produzidas no sistema cardiovascular. 
Segundo Stocco e Barreto (2002), o edema é o acúmulo de líquidos no 
espaço intersticial e uma das manifestações clínicas tanto da IC esquerda quanto da 
IC direita. No estudo ora elaborado, o edema se manifestou em decorrência da IC 
direita e os pacientes apresentaram edema nos pés e tornozelos. 
De acordo com Smeltzer e Bare (2005), quando o ventrículo direito falha, o 
coração não consegue ejetar o sangue e, então, ocorre a congestão de vísceras e 
dos tecidos periféricos. Inicialmente, o edema localiza-se nos membros inferiores, 
pela ação da gravidade, começa nos maléolos. À medida que vai progredindo atinge 
pernas e coxas, mas diminui quando o paciente eleva as pernas. 
No cuidado de enfermagem ao paciente com IC, deve se orientar, entre 
várias outras atividades, sobre a restrição hídrica, porém, no estudo desenvolvido 
por Rabelo, Domingues, Aliti et al. (2003), com pacientes ambulatoriais, 56% desses 
pacientes relatam não terem sido orientados neste aspecto na consulta de 
enfermagem. 
Segundo Gibbs e Lip (2000), a restrição de líquidos continua sendo uma 
das bases do tratamento não-farmacológico da IC, porém essa restrição varia de 
acordo com a classe funcional e condição clínica do paciente. Como regra, 
contudo, recomenda-se que a ingestão de líquidos não ultrapasse 1200 a 1500 ml. 
Já Barreto e Bocchi (2003) recomendam na prática, um consumo de 500 a 1500 ml 
por dia, com o objetivo de prevenir descompensações. No entanto, diretrizes 
 
 
82 
 
nacionais e internacionais não mencionam a quantidade de líquidos a ser prescrita 
(AMERICAN HEART ASSOCIATION, 2001; BARRETO; DRUMOND NETO; MADY, 
2002). 
Estudiosos europeus realizaram um estudo randomizado, no qual o grupo 
controle foi orientado para uma restrição hídrica de 1500 ml por dia e o grupo 
intervenção para a ingesta de uma quantidade individualizada de líquido por dia (30-
35 ml/kg/dia). Os resultados desse estudo mostraram que a ingesta hídrica, 
baseada na necessidade fisiológica, melhora a sensação de boca seca e de sede e 
ainda auxilia o paciente no estresse relacionado ao seu tratamento (HOLST; 
STRÖMBERG; LINDHOLM et al., 2003). 
Acredita-se que a orientação sobre ingestão de líquido depende da 
condição clínica do paciente e da classe funcional deste. Entretanto, não deve ser 
imposta e, sim, trabalhada, pois como se observa muitas vezes na prática os 
pacientes não são orientados e apenas seguem as “recomendações” divulgadas 
nos diversos meios, sobretudo quanto à importância da ingestão de água para a 
saúde. Ademais, por usarem diuréticos, supõem que ao perderem líquido é preciso 
repô-lo. 
O estímulo responsável pelo edema foi o comprometimento dos 
mecanismos reguladores. Este não pode ser eliminado, mas monitorizado. A seguir 
serão apresentadas algumas intervenções de enfermagem segundo a NIC (2008): 
• Determinar a história da quantidade e do tipo de ingestão de líquidos e dos 
hábitos de eliminação 
• Monitorar o peso 
• Monitorar a ingestão e a eliminação 
• Monitorar apressão sangüínea, a freqüência cardíaca e o padrão respiratório 
• Monitorar veias do pescoço dilatadas, creptações nos pulmões, edema 
periférico e aumento no peso. 
A enfermeira no seu cuidado clínico, ao trabalhar com essas 
intervenções, objetiva monitorar e regular clinicamente o equilíbrio hídrico com 
vistas à percepção precoce de complicações. 
Tal como o componente fluidos, eletrólitos e balanço ácido-base, a função 
neurológica também apresentou somente um problema de adaptação, déficit de 
memória, cujo estímulo foi o distúrbio ambiental excessivo. Contudo, associado aos 
 
 
83 
 
distúrbios do ambiente, o fator idade contribuiu significantemente para a memória 
prejudicada. 
No idoso, a perda da memória é uma das principais queixas, sendo 
considerada como um problema natural que não o impede levar sua vida 
normalmente (VIEIRA, 2007). 
Para Machado e Dutra (2006), tal perda vem sendo uma das queixas 
predominantes nos atendimentos ambulatoriais. Isto preocupa pacientes e 
familiares. Estes autores desenvolveram um estudo com o objetivo de avaliar o nível 
de perda de memória dos idosos a partir de 60 anos de idade. Foram avaliados 
idosos institucionalizados e não-institucionalizados e os resultados mostraram alto 
índice de perda de memória entre os institucionalizados. 
Porém, conforme se acredita, os fatores ambientais associados ou não ao 
envelhecimento causam alteração na memória. Esses distúrbios podem ser os 
problemas familiares, de saúde, financeiros, passíveis de gerar depressão. 
Atualmente, o problema de perda de memória entre os idosos está 
aumentando. Portanto, a enfermeira, junto com outros profissionais de saúde, deve 
se manter atento para esta situação, principalmente se houver interferência na 
qualidade de vida da pessoa afetada, pois o déficit pode ser muito mais 
comprometedor. Dessa forma, as seguintes intervenções de enfermagem segundo a 
NIC (2008) podem ser implementadas: 
• Discutir com o paciente e a família todos os problemas práticos vivenciados 
ligados à memória 
• Estimular a memória mediante repetição do último pensamento que a pessoa 
expressou 
• Implementar técnicas adequadas de monitorização, tais como imagem visual, 
jogos de memória. 
É importante que as intervenções clínicas de enfermagem sejam 
implementadas pelas enfermeiras de forma a estimular a memória das pessoas. 
Após se analisar os problemas comuns de adaptação identificados nos 
participantes, faz-se aqui uma ressalva: por estarem presentes em apenas uma 
pessoa, e, desse modo podem ser vistos como uma resposta particular, e não como 
uma provável característica da IC, os seguintes problemas comuns de adaptação, 
perfusão tissular prejudicada, integridade da pele prejudicada, mobilidade, andar 
e/ou coordenação restritos foram separados e discutidos isoladamente. 
 
 
84 
 
Exemplifica-se: uma participante tinha DM e desenvolveu como 
complicação a doença vascular periférica. Ela teve uma lesão nos pododáctilos 
devido a um corte no pé. Tal lesão não cicatrizou, infeccionou e levou à amputação 
de dois pododáctilos. 
O pé diabético é uma das principais complicações do DM. Caracterizado 
pela presença de lesões nos pés decorrentes de neuropatias periféricas, doença 
vascular periférica e deformidades, representa uma parcela significativa de 
internações hospitalares prolongadas, morbidade e mortalidade. Como mostra a 
literatura, as complicações, de caráter crônico, ocorrem em média dez anos após o 
aparecimento da doença e, associadas às infecções, podem evoluir para 
amputações não traumáticas de membros inferiores (MILMAN; LEME; BORELLI, 
2001;PACE; NUNES; VIGO, 2003). 
Conforme asseverado no estudo de Milman, Leme, Borelli et al. (2001), o 
pé diabético é uma patologia grave no nosso meio, levando a uma alta taxa de 
amputações, internações prolongadas e altos custo hospitalares. 
As amputações são, pois, mais prevalentes em pessoas portadores de DM, 
que apresentam um risco de 15 a 46 vezes maior de ocorrência quando 
comparadas àquelas com glicemias normais (HUNT, 2002). 
Dados de pesquisas realizadas nos Estados Unidos indicam que de 9 a 
20% de pessoas com DM precisam ser submetidas a segunda amputação e cerca 
de 28 a 41% que sobrevivem precisam fazer uma segunda intervenção na mesma 
perna. Diante de dados como estes, faz-se necessário implementar a prevenção 
mediante programas de educação e treinamento com vistas ao cuidado com pés 
(ZAVALA; BRAVER,2000; ABARCA; PADILHA, 2001). 
Para Haas e Ahroni (2001), a educação na assistência ao pé é mais que 
transmitir informações. Seu objetivo primordial é a mudança no comportamento. 
Essa educação envolve a pessoa diabética em todas as fases do processo 
educacional, pois, para assumir a responsabilidade do papel terapêutico, as 
pessoas diabéticas precisam ter conhecimentos acerca das suas necessidades e 
interesses. 
Logo, a enfermeira deve estar atenta aos portadores de DM, sobretudo por 
meio de controle glicêmico, da educação em saúde e do cuidado com os pés, com a 
finalidade de prevenir amputações e outras complicações. Nesse intuito, algumas 
intervenções de enfermagem com base na NIC (2008) foram selecionadas: 
 
 
85 
 
• Examinar a pele em busca de evidências de higiene insatisfatória 
• Examinar as unhas dos pés 
• Examinar a pele quanto a cor, temperatura, hidratação, fissuras ou lesões 
• Examinar entre os dedos em busca de fissuras ou lesões 
• Determinar o estado de mobilidade 
• Monitorar a força muscular nos tornozelos e nos pés 
• Examinar os pés quanto a evidência de pressão 
• Perguntar acerca da presença de parestesias 
• Palpar pulsos dorsais dos pés e tíbia posterior 
• Determinar reações proprioceptivas 
• Monitorar a adequação dos sapatos 
• Identificar serviços especializados de cuidados dos pés, quando necessário. 
Essas intervenções clínicas de enfermagem ao serem implementadas pelas 
enfermeiras buscam evitar lesões em extremidades inferiores, principalmente em 
pessoas com DM. 
Salienta-se a importância e a necessidade de planejar e, posteriormente 
implementar as intervenções clínicas de enfermagem no modo fisiológico com vistas 
a adaptação. Ressalta-se que algumas intervenções de enfermagem não possam 
eliminar os problemas, mas minimizá-los com vistas a evitar complicações maiores. 
 
MODO DE DESEMPENHO DE PAPEL 
 
No referente a este modo, apenas um problema de adaptação foi 
identificado: a falha no papel. Para Roy e Andrews (1999), na falha de papel, o 
indivíduo não quer assumir o papel. Isto é decisivo, pois o elemento-chave desse 
papel é o desejo individual. Esse problema teve como estímulos a doença IC, a 
complexidade terapêutica desta e as dificuldades econômicas decorrentes de 
alteração na vida provocada por essa doença. 
Logo, os estímulos estavam relacionados à IC. Isto é, a IC é um problema 
complexo que provoca sintomas físicos passíveis de alterar as atividades de 
trabalho dos pacientes. Mencionada alteração pode ocasionar diminuição da renda e 
como conseqüência, as dificuldades econômicas. Ademais, é uma doença que exige 
 
 
86 
 
modificações no estilo de vida. Para muitas pessoas, tais modificações são difíceis 
de serem realizadas. 
De acordo com Roy e Andrews (1999), o modo de desempenho de papel é 
dividido em: papéis, primários, secundários e terciários. 
O papel primário determina a maioria dos comportamentos que a pessoa 
adquire durante um período particular da vida. Isso é definido pela idade, sexo e 
estágio desenvolvimental (ROY, ANDREWS, 1999). No presente estudo, o papel 
primário foi desempenhado por 21 participantes homens e sete mulheres. Quanto à 
idade, variou de 30 a 80 anos. 
Já o papel secundário, segundo a mesma fonte, é aquele que a pessoa 
assume para completar a tarefa do estágio desenvolvimental do papel primário 
(ROY;ANDREWS, 1999). Em relação aos papéis secundários, eram 
desempenhados pelosparticipantes homens na condição de marido, pai, filhos, 
trabalhadores e provedores de sustento da família, enquanto as mulheres 
apresentavam o papel de esposa, mãe, dona de casa e trabalhadora. Tanto os 
homens quanto as mulheres desempenhavam na condição de pessoas com 
comprometimento de saúde que necessitavam de mudança no estilo de vida. 
Porém, em relação ao papel de trabalhador e provedor de sustento da 
família, dos 21 participantes homens, dezenove tinham comprometimento nesse 
papel. Segundo relataram, eles não podem e não exercem mais as atividades de 
trabalho desde o surgimento dos sintomas da doença. Sobre esse aspecto, alguns 
participantes discursam: 
“[...] eu deixei de fazer muita coisa, aliás deixei de fazer quase tudo. 
Não trabalho. Tudo o que eu quero preciso pedir ou pagar alguém e 
isso é muito triste” (E 9). 
 
“[...] hoje eu não tenho mais vida, não posso mais fazer nada, 
trabalhar[...]” (E 13). 
 
“[...] antes da doença eu tinha uma vida de muita satisfação, eu era 
feliz e não sabia, porque eu podia trabalhar, ganhar meu dinheiro e 
hoje não posso fazer mais nada” (E15). 
 
“[...] trabalhava demais [...], hoje sou parado, não posso trabalhar 
porque o cansaço não deixa” (E 17). 
 
Quanto às participantes, das sete mulheres, cinco apresentaram alteração no 
papel de trabalhadora e dona de casa e, dessas cinco, duas tinham alteração 
também no papel de mãe. De acordo com tal papel as participantes relatam: 
 
 
87 
 
“Minha vida era normal, fazia tudo, mas agora não posso fazer mais 
nada, principalmente os trabalhos de casa, porque me dá logo uma 
canseira” (E 4) 
 
“[...] antes eu trabalhava fora e em casa, fazia comida, lavava roupa, 
varria casa. Hoje eu sou quase morta” (E 8). 
 
“[...] deixei de trabalhar na roça porque os médicos proibiram, 
disseram que eu ia morrer se continuasse a trabalhar. Parei de fazer 
as coisas da minha casa porque até varrer fico botando a língua 
para fora” (E 11). 
 
“[...] nem tomar banho em pé posso, quanto mais trabalhar. Tudo o 
que eu faço canso, não posso trabalhar nas casas de família e, as 
condições lá em casa ficaram péssimas, porque só meu marido 
trabalha e só ganha um salário.Também não pude aproveitar minha 
filha como aproveitei a outra. Nunca peguei minha filha nos braços” 
(E 7). 
 
“Minha vida era de trabalho, tanto na roça quanto em casa e das 
filhas. Hoje não consigo trabalhar, não recebo dinheiro, meu marido 
tá desempregado, tá horrível” (E 12). 
 
Ao se observar os estímulos responsáveis pela falha no papel de 
trabalhador (nos homens e nas mulheres) e dona de casa, identificaram-se a IC e 
seus sintomas físico, isto é, a ocorrência da IC levou à necessidade de afastamento 
do trabalho em virtude das limitações físicas impostas pela doença. Como as 
principais manifestações da IC são a dispnéia e a fadiga, podem limitar a tolerância 
ao exercício (HUNT, 2001;ARONOW, 2003). 
Conforme mencionaram, os participantes do estudo apresentavam dispnéia 
ao realizar atividades e, portanto, não conseguiam exercer o trabalho de antes. Esta 
situação é comprometedora, pois a falha no papel de trabalhador tem como 
conseqüência a diminuição da renda e, por extensão, do sustento da família. 
Os participantes também manifestaram falha no papel de pessoas que 
necessitavam de mudanças no estilo de vida. Tal falha estava relacionada à 
complexidade do regime terapêutico e às dificuldades econômicas. Sobre esses 
aspectos, os pacientes relataram: 
“A gente tem que fazer muita mudança, principalmente na 
alimentação, e isso é muito difícil [...] deixar de comer um churrasco, 
beber uma cervejinha [...] (E 1). 
“Eu não sigo o que eles mandam não, é muita coisa e também 
porque é ruindade minha mesmo” (E2). 
“É difícil com o que a gente ganha ter que tomar os comprimidos 
caros. Tem mês que acaba e não tomo ou tenho que deixar de 
 
 
88 
 
pagar alguma coisa, mas sei que tenho é que tomar porque o 
médico disse que se eu não tomar eu vou morrer” (E4). 
“[...] de repente você tem que mudar, tem que tomar remédio todo 
dia e são muitos remédios e caros” (E 5). 
“[...] não é fácil mudar sua vida, a comida, o trabalho, ter que tomar 
remédio, às vezes dá uma tristeza” (E 28). 
Como se observa nos relatos, os participantes tinham dificuldades em 
seguir a terapêutica da IC por ser complexa e exigir mudanças no estilo de vida e 
também pelas dificuldades econômicas. Consoante mencionado, a renda familiar 
predominante nos participantes do estudo era entre 1 e 3 salários mínimos, portanto, 
insuficiente para a compra de remédios. 
 Segundo Barreto, Drumond Neto, Mady et al. (2002), não há cura para IC. 
Assim, a terapêutica baseia-se na melhora dos sintomas e da qualidade de vida, 
bem como no prolongamento dessa, enquanto o tratamento abrange as mudanças 
no estilo de vida, uso de medicamentos e procedimentos cirúrgicos. 
O regime terapêutico não-farmacológico da IC requer inúmeros ajustes no 
estilo de vida, como evitar exageros na alimentação, limitar o aporte hídrico e salino, 
a prática de atividade física, quando possível, além de abolir álcool e fumo 
(BARRETO;BOCCHI, 2003). 
Outra dificuldade no seguimento do tratamento da IC era a econômica, 
como enfatizado por algumas falas. Conforme os participantes verbalizaram, eles 
não teriam condições financeiras para comprar todos os medicamentos prescritos, já 
que a maioria não é distribuída gratuitamente, sobretudo os de maior custo 
econômico. 
Atualmente, a assistência farmacêutica é um dos grandes desafios e 
prioridades do Sistema Único de Saúde, e o acesso ao medicamento é um dos 
maiores problemas dos sistemas de saúde. Segundo o IBGE, 55% das pessoas não 
podem pagar os medicamentos, em especial os de uso contínuo, relacionados às 
doenças crônicas. Para suprir esta carência, o governo federal tem garantido o 
fornecimento de remédios para a rede pública através dos Programas de Farmácia 
Popular (SILVA, 2004). 
Apesar dos esforços, nem todos os medicamentos são distribuídos. Esta 
afirmação é corroborada por Lima, Pereira e Chianca. (2006), cujo estudo mostra 
que as pessoas pesquisadas apresentavam o controle ineficaz do regime 
terapêutico, em decorrência da terapia medicamentosa e déficit financeiro. 
 
 
89 
 
No estudo desenvolvido por Correa, Santos, Sousa et al. (2006), também se 
enfocam as dificuldades financeiras. Entre as queixas encontradas dos pacientes 
com IC, 24% dizia respeito, a gastos excessivos com a medicação; 24% à 
dificuldade financeira e 11% à quantidade exagerada de remédios. 
O controle ineficaz do regime terapêutico é comum quando as pessoas ou 
famílias acometidas por problemas de saúde agudos ou crônicos enfrentam 
programas de tratamento que exigem mudanças nos estilos de vida e nos 
comportamentos que influenciam a saúde. 
De acordo Aliti, Rabelo, Domingues et al. (2007) a complexidade do manejo 
das pessoas com IC é um desafio para a equipe de saúde envolvida. Nessa equipe, 
a atuação da enfermagem é fundamental. 
Como membro dessa equipe, a enfermeira pode trabalhar na educação e 
orientação dos pacientes quanto à terapêutica da IC, esclarecendo a etiologia da 
doença, os sintomas de descompensação, a importância da aderência ao tratamento 
medicamentoso e não-medicamentoso, a educação para repouso e exercício, a 
dieta e hábitos sociais. Inclui-se, ainda, ajuda na adaptação das mudanças no estilo 
de vida. 
Para serem eficazes, as intervenções de enfermagem devem se centrar nos 
estímulos identificados associados à IC e suas conseqüências, como a 
complexidade terapêutica e condições econômicas, visando melhorar as relações 
por meio de esclarecimento e da suplementação de comportamentos específicos. 
Entre as intervenções da NIC (2008), ressaltam-se: 
• Auxiliar o paciente a identificar os vários papéis na vida 
• Auxiliar o paciente a identificar seu papel usual na família 
• Auxiliar o paciente a identificar a ineficiência dopapel 
• Auxiliar o paciente a identificar as mudanças necessárias ao papel, devido a 
doença ou incapacitação 
• Auxiliar o paciente a identificar estratégias positivas para lidar com as 
mudanças de papel 
• Facilitar a discussão de adaptações de papel pela família, de modo a 
compensar as mudanças de papel dos membros doentes 
• Ensinar novos comportamentos necessários ao paciente de modo a satisfazer 
ao papel. 
 
 
90 
 
• Auxiliar o paciente a identificar estratégias positivas para lidar com as 
limitações e administrar mudanças necessárias no estilo de vida e no 
desempenho de papéis 
• Avaliar o atual nível de conhecimento do paciente ao processo de doença 
específico 
• Descrever o processo da doença 
• Oferecer informações sobre as medidas de diagnóstico disponíveis 
• Discutir mudanças nos estilos de vida que podem ser necessárias para 
prevenir complicações futuras e controlar o processo da doença 
• Descrever as razões que fundamentam as recomendações sobre tratamento 
Discutidos o papel primário e o secundário, passa-se agora ao papel 
terciário, o qual está relacionado primariamente ao papel secundário. É normalmente 
temporário e de livre escolha pelo indivíduo e nele podem estar incluídas atividades 
como clubes e passatempo (ROY; ANDREWS, 1999). Neste papel, percebem-se 
atividades associadas à tentativa de distração e de adaptação às limitações e 
mudanças ocasionadas pela doença. Percebe-se, também, uma espécie de fuga. 
Nos depoimentos dos participantes apenas oito relataram não ter atividades 
de lazer ou passatempo, por falta de disposição. Os outros, em suas falas, citaram: 
passeio e conversa na casa de amigos, dos filhos, brincadeira com netos, ida à 
igreja, jogo de dominó e baralho, programas de televisão, pescaria, reunião com a 
família e cuidar dos passarinhos. 
“O meu lazer é ir para o grupo de idosos da igreja. É muito bom 
conversar com outras pessoas iguais a mim” (E 4). 
“O que me distrai e me faz esquecer dos problemas é brincar com 
meus netos e cuidar dos meus passarinhos” (E 13). 
“Onde eu moro não tem muito o que fazer, por isso meu lazer é ver 
televisão, assistir novelas” ( E 12). 
Embora apenas oito participantes afirmam não terem atividades de lazer e 
passatempo, esse dado é significativo, pois como mencionam Berry e Macmurray 
(1999), a piora funcional da IC pode limitar atividades da vida diária, a interação 
social, a recreação, divertimento e satisfação com a vida geral. 
O convívio com uma doença crônica constitui uma tarefa complexa por 
exigir modificações no estilo de vida. Entre as doenças crônicas, sobressai a IC, que 
 
 
91 
 
requer mudanças e ocasiona muitas limitações físicas. Mesmo nessas condições, 
essas pessoas devem ter atividades de lazer, passatempo que as distraiam, ocupem 
seu tempo e ajudem no processo de adaptação à doença e à mudança por ela 
ocasionada na busca de uma vida com mais qualidade. 
Para promover relaxamento e intensificação das habilidades sociais, ans 
intervenções de enfermagem segundo a NIC (2008) devem enfocar as atividades de 
lazer e recreação. Com esta finalidade, devem adotar as seguintes medidas: 
• Auxiliar na identificação das atividades recreativas favoritas das pessoas 
• Monitorar as capacidades físicas e mentais para a participação de atividades 
recreativas 
• Oferecer reforço positivo para a participação nas atividades. 
Assim como nos outros modos citados, fisiológico e autoconceito, acredita-
se que para alcançar adaptação no modo de desempenho de papel, é necessária a 
implementação das intervenções clínicas de enfermagem citadas, salientando 
também a participação e vontade do paciente e da família. 
 
MODO DE AUTOCONCEITO 
 
Neste modo foram identificados os seguintes problemas de adaptação: 
disfunção sexual e sentimento de impotência. Conforme se percebe, tais problemas 
de adaptação estão relacionados diretamente com a IC e/ou com suas 
conseqüências. Quanto ao estímulo desses problemas, foi o mesmo, isto é, a 
doença IC que provocou alterações no conceito do indivíduo sobre si mesmo, 
dificultando o processo de adaptação à doença e às mudanças necessárias nos 
estilos de vida. 
O modo em discussão é dividido em eu físico e eu pessoal. O eu físico 
compõe-se de sensação corporal e imagem corporal. Já a imagem corporal é a 
visão da pessoa sobre o eu físico e a aparência pessoal. Como sensação corporal 
incluem-se sentimentos e experiências do eu em relação ao físico (ROY; 
ANDREWS, 1999). 
O eu pessoal abrange o eu consistência, o eu ideal e o eu ético, moral e 
espiritual. Enquanto o eu consistência representa a visão do eu no referente ao 
desempenho atual ou resposta à situação, como traços da personalidade, o eu ideal 
é o aspecto do eu componente da pessoa relacionado ao que esta gostaria de ser 
 
 
92 
 
ou era capaz de fazer. E o eu ético, moral e espiritual é a sensação do eu em 
relação as crenças éticas; a visão do eu em relação ao sistemas de valor, crenças 
sobre o “ certo” e o “errado” (ROY;ANDREWS, 1999). 
Sobre o eu físico, percebeu-se que houve alteração apenas na sensação 
corporal, sendo o problema de adaptação a disfunção sexual. Esta disfunção pode 
ter sido causada por um ou vários fatores associados direta ou indiretamente à IC. 
De um modo geral, a presença de disfunção erétil em pacientes com IC é 
comum, e muitas vezes é difícil determinar a etiologia do problema. Vários fatores 
contribuem para esta disfunção, tais como: limitação física decorrente da IC; 
transtornos psicológicos ocasionados pela doença; efeitos colaterais das 
medicações utilizadas (betabloqueadores e diuréticos) e disfunção orgânica 
provocada por comorbidades, como HAS e DM (AMERICAN HEART 
ASSOCIATION, 2001;BARRETO; DRUMOND NETO; MADY, 2002, BOCCHI, 2004). 
Consoante acreditam Rerkpattanapipat, Stanek e Kotler. (2001) há diversas 
explicações para o comprometimento da atividade sexual após problemas cardíacos. 
Entre estas, citam o medo da morte, reinfarto, dispnéia, ansiedade, angina do peito, 
ansiedade, impotência, alterações no desejo sexual, perda da libido e sensação de 
culpa. 
No estudo ora elaborado, dos 28 participantes, 24 mencionaram disfunção 
sexual, como mostram os seguintes relatos: 
“A parte do sexo foi uma coisa que me afetou muito, não tenho a 
mesma vontade que eu tinha antes e além do mais canso muito” (E 
1). 
“Sou uma pessoa jovem e é muito ruim não poder ser o que eu era 
antes na parte do sexo. Até gostaria de saber por que é assim” (E 
4). 
“Depois da doença, mudei muito até no sexo, porque diminui o 
número de vezes, tenho medo de morrer e muitas vezes não tenho 
nem vontade” (E 10). 
Conforme observado, à disfunção sexual dos participantes do estudo estava 
relacionada a dispnéia durante o ato, impotência, perda da libido e alterações no 
desejo sexual. Portanto, esta disfunção sexual pode ter sido motivada pelos fatores 
já citados. 
 
 
93 
 
Conforme afirma Melo (2004), a sexualidade humana é um processo 
complexo que abrange dimensões psicológicas, biológicas e sociais. Uma mudança 
na função sexual decorrente do processo de doença acarretará mudança na saúde 
sexual do indivíduo. 
Por ser a IC uma doença que ocasiona vários sintomas e, entre eles, a 
dispnéia aos esforços ou em repouso, dependendo do estágio da doença, esses 
sintomas provocam limitações de atividades, incluída a disfunção sexual. 
Durante a atividade sexual, a freqüência cardíaca e a pressão arterial 
aumentam tal como em qualquer atividade aeróbica. Logo, é importante atentar para 
o fato dos riscos dessa atividade (DEBUSK, 2000). 
Para Stein e Hohmamm (2006), a disfunção erétil tem sido uma das queixas 
mais freqüentes nos consultórios e clínicas e o uso de fármacos para o tratamento 
de doenças cardiovasculares pode produzir diversas mudanças no desempenho 
sexual. 
De acordo com o diagnóstico, os participantes do estudo utilizavam diversas 
classesde fármacos, como anti-hipertensivos, diuréticos, betabloqueadores e 
digitálicos. Segundo Rerkpattanapipat, Stanek e Kotler. (2001), praticamente todas 
as classes de fármacos usadas no tratamento de doenças cardiovasculares podem 
causar alterações nas atividades sexuais. Destes, os anti-hipertensivos e os 
diuréticos são os principais causadores de alteração sexual, como a impotência e a 
diminuição da libido. 
Sabidamente, a HAS é um fator de risco para disfunção sexual e no 
presente estudo 60,7% dos participantes apresentavam essa co-morbidade. Coelho 
e Coelho Filho. (2001) afirmam que a HAS possui expressiva relação com a 
disfunção erétil e é a co-morbidade mais comum em portadores dessa incapacidade, 
aumentando sua incidência e prevalência. 
Ainda como observado, determinados participantes do estudo (32,1%), 
apresentavam DM e, desses todos apresentavam disfunção erétil. Para Lewis 
(2001), a prevalência de disfunção erétil em pacientes com DM foi estimada entre 35 
e 75%. Contudo, a disfunção erétil ocorre em pelo menos 50% dos homens com DM 
com até dez anos do seu diagnóstico. 
Também, no presente estudo provavelmente a disfunção sexual está 
relacionada com problemas psicossociais ocasionados pela IC. Moreira, Abdo, 
Torres. (2001) corroboram esta afirmação pois, segundo eles, a disfunção erétil é 
 
 
94 
 
fonte de estresse mental, afetando interações entre os familiares e colegas, 
provocando impacto negativo na vida das pessoas acometidas. 
No estudo desenvolvido por britânicos sobre impotência, 80% dos 
participantes indicou que a disfunção erétil ocasionava problemas no relacionamento 
(JACKSON, 2002). No presente estudo, porém, essa questão não foi abordada. 
 Embora a disfunção sexual, seja um assunto delicado, o enfermeiro e toda 
a equipe multidisciplinar precisam abordá-la, informando e esclarecendo dúvidas dos 
pacientes e familiares. É preciso romper o tabu ainda existente entre os profissionais 
e pacientes com vistas a facilitar a adaptação à doença, a adesão ao tratamento e 
problemas de relacionamento e depressão. 
Bocchi (2004) recomenda uma abordagem multiprofissional enfatizando a 
importância da vida sexual saudável e plena para o bem-estar do indivíduo. 
Portanto, o tratamento deve envolver suporte psicológico e orientação de técnicas 
para reduzir o esforço físico durante o ato sexual. 
Ademais, os enfermeiros devem se capacitar para trabalhar com a 
sexualidade humana, evidenciando o problema e atuando de modo a auxiliar os 
clientes no enfrentamento e adaptação do problema. 
Conforme identificado, a doença é o estímulo responsável pela disfunção 
sexual, mas não é possível eliminá-la. Assim, a enfermeira deve implementar suas 
intervenções clínicas com foco na necessidade de fazer adaptações na prática 
sexual e trabalhar o enfrentamento do distúrbio sexual. Para isto, ela pode atuar com 
as seguintes intervenções de enfermagem da NIC (20008): 
• Estabelecer uma relação terapêutica com base na confiança e no respeito 
• Oferecer privacidade e garantir confidencialidade 
• Informar ao paciente, que a sexualidade é parte importante da vida e que 
doenças, medicamentos e estresse costumam alterar a função sexual 
• Oferecer informações sobre a função sexual 
• Discutir o efeito da doença/situação de saúde sobre a sexualidade 
• Discutir o efeito dos medicamentos sobre a sexualidade 
• Encorajar o paciente a verbalizar seus medos e fazer perguntas 
• Discutir as modificações necessárias na atividade sexual 
• Providenciar encaminhamentos/consultas com outros membros da equipe 
quando necessário. 
 
 
95 
 
No eu pessoal, integrante do modo de autoconceito, houve alteração no 
componente eu consistência, ou seja, a forma como o eu é visto na relação com o 
desempenho atual ou em resposta à situação. Manifestou-se pelo Sentimento de 
impotência, cujo estímulo foi a doença IC. 
Consoante identificado, no presente estudo, o Sentimento de impotência 
estava relacionado ao afastamento do trabalho e das atividades diárias decorrentes 
dos sintomas provocados pela IC. Diante dos acontecimentos, os participantes do 
estudo se sentiam incapazes e inválidos porque não conseguiam desenvolver as 
atividades anteriores, como apontam as seguintes falas: 
“É muito ruim você imaginar que está com uma doença e não poder 
fazer mais nada que fazia antes” (E 3). 
 
“Minha vida era normal, fazia tudo, mas agora não posso fazer mais 
nada e isso me deixa muito triste e arrasado” (E 4). 
 
“Tudo ficou diferente depois da doença, principalmente porque eu 
deixei de trabalhar, parei de fazer o que tanto gostava, que era 
trabalhar e ganhar dinheiro” (E 5) 
 
“Me vejo como uma pessoa parada, quase morta, trabalhava e hoje 
não consigo nem tomar banho em pé, nem segurar minha filha no 
colo” (E 7). 
 
“Antes desse problema no coração eu fazia tanta coisa, trabalhava 
fora de casa e quando chegava ainda fazia comida, lavava, mas 
hoje não consigo fazer nada, me dá logo uma falta de ar” (E 8). 
 
“Sou um homem incapaz de tudo, que não pode trabalhar, ganhar 
dinheiro” (E 10). 
 
“Sou um inválido, quem não trabalha porque não pode trabalhar é 
um inválido” (E 19). 
 
Esse diagnóstico também foi identificado no trabalho desenvolvido por 
Braga e Cruz (2003) sobre pessoas no pós-operatório de cirurgia cardíaca. No 
mencionado estudo, 58,7% das pessoas submetidas a cirurgia apresentaram algum 
grau de impotência. Dessas, 77,3% relatavam sentimentos de insatisfação e 
frustração pela inabilidade do desempenho de tarefas e/ou atividades pessoais. 
Como advertem essas autoras, estudos desse tipo são um desafio às enfermeiras 
na busca de um cuidar holístico. 
Geralmente as doenças, tanto as crônicas quanto as agudas, provocam 
sentimentos perturbadores. Tais sentimentos estão relacionados ao modo das 
pessoas atribuírem significados ao adoecer e ao tratamento. Portanto, elas 
 
 
96 
 
apresentam respostas ao adoecer e estas podem ser orgânicas ou psicossociais. As 
orgânicas são mais fáceis de serem visualizadas pelos profissionais, mas as 
psicossocias são mais difíceis de se caracterizarem, porquanto envolvem vários 
fatores, como culturais, sociais, experiências passadas e características da 
personalidade. 
Logo, a enfermeira deve estar atenta para as respostas psicossociais dos 
pacientes, pois muitas vezes o cuidado com as respostas orgânicas sobressai e se 
restringe ao biológico. Mas o enfermeiro não pode esquecer que o cuidado holístico 
é essencial e todas as partes precisam funcionar bem. 
Conforme mencionado, o estímulo que provocou o sentimento de 
impotência foi a doença, porém essa não pode ser eliminada. Contudo, as seguintes 
intervenções de enfermagem conforme a NIC (2008) podem ser implementadas: 
• Encorajar o paciente a reconhecer e discutir seus pensamentos e sentimentos 
• Despertar o paciente para identificar os valores que contribuem para o 
autoconceito 
• Auxiliar o paciente para identificar situações usuais sobre si mesmo 
• Auxiliar o paciente a identificar o impacto da doença no autoconceito 
• Auxiliar o paciente a aceitar a dependência dos outros 
• Auxiliar o paciente a identificar atributos positivos de si mesmo 
• Ajudar o paciente/a família a identificar razões para a melhora. 
A enfermeira ao implementar essas intervenções clínicas de enfermagem 
tem como foco o cuidado ao paciente. Desse modo, ele poderá compreender seus 
sentimentos, motivações e comportamentos e assim uma melhor qualidade de vida. 
 Nos participantes do estudo, muitas foram as repercussões provocadas 
pela IC. Entretanto, houve a manifestação de mecanismos de enfrentamento tal 
como a busca de apoio familiar e a fé em Deus. 
Como é notório, a presença de doença em um membro familiar é fonte de 
estresse para toda a família. E quando há constatação de uma doença crônica, 
principalmente quando atinge adultos que desempenham papéis sociais definitivos, 
gera desequilíbriono sistema familiar (HOJAIJ; ROMANO, 1994). 
Porém, no estudo em desenvolvimento, conforme identificou-se, os 
pacientes buscaram apoio na família para superar os transtornos causados pela 
 
 
97 
 
doença e, assim recuperar sua posição no contexto familiar e social. Com seus 
familiares se sentem bem cuidados e protegidos, como mostram as falas. 
“Minha família me ajuda demais, me dá muita força para enfrentar 
todas as mudanças que tive que ter depois da doença. Minha 
mulher é minha força. Quando estou caindo ela me ajuda” (E5) 
 
“Ah! se não fossem minhas irmãs, não sei o que seria de mim. 
Quando elas estão perto, me sinto melhor, cuidam muito bem de 
mim. Me levam para o médico, cuidam das minhas filhas” (E7). 
 
“Deus me ajuda a enfrentar os problemas, me guia. Eu penso que 
se Deus quis assim é porque tem que ser” (E 21). 
 
Considerada uma unidade primária de cuidado, a família constitui o espaço 
social onde seus membros interagem, trocam informações, apóiam-se mutuamente, 
buscam e medeiam esforços para amenizar ou solucionar problemas. Todos estes 
aspectos formam a cultura familiar. De acordo com Hojaij e Romano. (1994), a 
cultura familiar é determinada pelo conjunto de princípios implícitos e explícitos que 
norteiam os indivíduos na sua concepção de mundo, maneira de sentir, experienciar 
e de se comportar. 
Ao interagirem, os membros da família identificam vínculos de apoio social, 
mediante os quais são respeitados e amados. Isto gera efeitos positivos com 
sensações positivas em suas vidas. Porém, quando se deparam com efeitos 
negativos, de maneira geral, experienciam, em graus variados, perdas importantes 
de laços familiares e sociais (GONGORA, 1998). 
Por isto, para ser mais efetivo, o cuidado de enfermagem não deve ser 
restrito ao paciente. Ele deve se estender à família e ao cuidador. É inegável a 
importância do apoio e da participação na família no enfrentamento da doença, das 
conseqüências dessa, do tratamento e das várias modificações que uma doença 
crônica ocasiona. No intuito de facilitar a participação da família no cuidado 
emocional e físico do paciente, algumas intervenções de enfermagem conforme a 
NIC (2008) podem ser implementadas, tais como: 
• Estabelecer uma relação pessoal com o paciente e com os membros da 
família que se envolverão nos cuidados 
• Identificar as capacidades dos membros da família para o envolvimento no 
cuidado do paciente. 
• Identificar os recursos físicos, emocionais e educacionais do principal 
provedor de cuidados 
 
 
98 
 
• Oferecer aos membros da família informações essenciais sobre o paciente, 
de acordo com a preferência deste 
• Identificar e respeitar os mecanismos de enfrentamento usados pelos 
membros da família 
• Informar os familiares sobre os fatores que podem melhorar a condição do 
paciente. 
A enfermeira ao implementar as intervenções clínicas de enfermagem 
buscam facilitar a participação da família no cuidado emocional e físico do paciente. 
Com vistas a alcançar a adaptação no modo de autoconceito, essas 
intervenções clínicas de enfermagem poderão ser implementadas, mas ressalta-se 
que a participação do paciente no seu cuidado é imprescindível já que os problemas 
desse modo estão relacionados ao eu do paciente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
99 
 
7 CONCLUSÕES 
Os resultados identificados neste estudo permitiram concluir que: 
 Em relação a idade da amostra estudada, identificou-se que 15 (53,6%) 
participantes estavam entre a faixa de idade dos 35 aos 60 anos, 12 (42,9%) 
estavam acima de 60 anos. Considerando o sexo, o masculino representou 21 
(75%) da amostra estudada e o sexo feminino com sete (25%). 
Quanto a escolaridade, 16 (57,1%) dos participantes não concluíram o 
ensino fundamental incompleto. Em relação a renda familiar, 21 (75%) participantes 
ganhavam de 1 a 3 salários mínimos. 
O estado civil casado predominou no estudo com 24 (85,7%) participantes. 
Considerando a procedência dos participantes, 17 (60,7%) eram provenientes da 
capital e 11 (39,3%) do interior. 
O diagnóstico médico identificado na amostra foi, em sua grande maioria, a 
miocardiopatia dilatada 23 (82,1%) participantes. Quanto aos fatores de risco para 
insuficiência cardíaca, 17 (60,7%) possuíam HAS, 9 (32,1%) DM, 7 (25%) colesterol 
elevado e 16 (57,1%) IMC acima de 35 anos. 
No presente estudo foram identificados 27 Diagnósticos de enfermagem 
Porém, desses diagnósticos de enfermagem foram excluídos 6 da discussão, pois 
não se incluíam nas características do estudo. 
Ao analisar os 21 diagnósticos de enfermagem identificados e discutidos na 
população estudada, segundo a taxonomia II da NANDA (2008), observou-se que 
estavam inseridos em nove domínios, assim distribuídos: 
Nutrição: Nutrição desequilibrada: mais do que as necessidades corporais 
15 (53,6%), Nutrição desequilibrada menos do que as necessidades corporais 6 
(21,4%) e Volume excessivo de líquidos 4 (14,3%). 
Eliminação/troca: Constipação 15 (53,6%) e Incontinência urinária de 
urgência 1 (3,6%). 
Atividade/repouso: Intolerância à atividade 25 (89,3%), Insônia 24 (85,7%), 
Deambulação prejudicada 1 (3,6%) , Fadiga 13(46,4%) 
Percepção/cognição: Percepção sensorial perturbada –visão 15 (53,6%) e 
Memória prejudicada 10(35,7%). 
Segurança/proteção: Dentição prejudicada 28 (100%), Integridade da pele 
prejudicada 1 (3,6%) Integridade tissular prejudicada 1 (3,6%). 
Conforto: Dor aguda 16 (57,1%). 
 
 
100 
 
Autopercepção: Desempenho de papel ineficaz 24 (85,7%), Sentimento de 
impotência 24 (85,7%). 
Sexualidade: Disfunção sexual 24 (85,7%). 
Promoção da Saúde: Controle ineficaz do regime terapêutico 21 (75%) e 
Manutenção do lar prejudicada 5 (17,9%). 
▪ Ao fazer a associação entre os Diagnósticos de enfermagem da 
taxonomia II da NANDA (2008) e os problemas de adaptação de Callista Roy, 
encontrou-se as seguintes necessidades dos modos: fisiológico, autoconceito e 
desempenho de papéis e os problemas de adaptação: 
Modo fisiológico 
Oxigenação: Transporte de gás inadequado e perfusão tissular alterada. 
Nutrição: Nutrição maior que as necessidades corporais e Nutrição menor 
que as necessidades corporais. 
Eliminação: Constipação e Incontinência urinária 
Atividade/repouso: Intolerância à atividade; Privação de sono, 
Mobilidade/andar e/ou coordenação restritos, Padrão inadequado de atividade e 
repouso. 
Sentidos: Deficiência de um sentido primário 
Proteção: Integridade da pele prejudicada 
Fluidos, eletrólitos e balanço ácido-base: edema 
Função neurológica: Déficit de memória 
Modo de desempenho de papel 
Falha de papel 
Modo de autoconceito 
Impotência 
Disfunção sexual 
▪ Quanto à análise dos problemas de adaptação comum, em relação os 
estímulos identificados, este estudo permitiu concluir que para os problemas de 
adaptação, os estímulos foram: 
Perfusão tissular alterada: interrupção do fluxo sanguineo. 
Nutrição desequilibrada maior do que as necessidades corporais: Ingestão 
excessiva em relação às necessidades metabólicas. 
Nutrição desequilibrada menor do que as necessidades corporais: fatores 
biológicos. 
 
 
101 
 
Constipação: atividade física diminuída; hábitos alimentares deficientes, 
ingestão insuficiente de fibras e medicação. 
 Incontinência urinária: infecção do trato urinário 
 Intolerância à atividade: desequilíbrio entre a oferta e a demanda de 
oxigênio 
Privação de sono: desconforto físico. 
Padrão inadequado de atividade e repouso: doença IC 
Deficiência de um sentido primário: a catarata 
Integridade da pele prejudicada: circulação prejudicada 
Dor aguda: agentes lesivos 
Edema: mecanismos reguladores comprometidos e ingesta excessiva de 
líquidos. 
Déficit de memória: distúrbios ambientais excessivos. 
Modo de desempenho de papel 
Falha de papel: a doença IC, a complexidade terapêutica da IC e as 
dificuldades econômicas decorrentede alteração na vida provocada por essa 
doença. 
Modo de autoconceito 
Impotência: doença. 
Disfunção sexual: a estrutura corporal alterada- processo de doença. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
102 
 
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
O motivo que ensejou o presente estudo foi a inquietação que 
acompanhava o transcurso da minha trajetória profissional referente a pessoas com 
adoecimento crônico, em especial os pacientes internados por IC descompensada. 
Toda a problemática em torno destes, poderia estar relacionada a não adaptação, 
embora cientes, a doença e ao estilo de vida imposto por esta, o que levaria a 
descompensação e a sérios problemas físicos e psicossociais. Portanto, na 
oportunidade de desenvolver uma dissertação de mestrado, partiu-se em busca de 
conhecer os principais problemas de adaptação dos pacientes com insuficiência 
cardíaca, com vistas a planejar as intervenções de enfermagem capazes de 
melhorar as respostas adaptativas. 
O caminho escolhido foi a identificação dos diagnósticos de enfermagem 
segundo a NANDA e, posteriormente, a associação destes com os problemas de 
adaptação de acordo com os modos de Callista Roy, apresentados pelas pessoas 
portadoras de IC. E, posteriormente, foram planejadas intervenções de enfermagem 
segundo a NIC. 
A taxonomia da NANDA foi escolhida por ser bastante conhecida e de larga 
utilização pelos enfermeiros. A associação entre os diagnósticos de enfermagem e 
os problemas comuns de adaptação mostrou que é possível e que deveria ser mais 
difundida a utilização de um modelo teórico que desse embasamento científico ao 
cuidado clínico de enfermagem. A teoria de Callista Roy foi usada porque se 
acredita que funcione bem para atender os objetivos do estudo e a necessidade dos 
pacientes em questão. 
O estudo foi, então, produzido sob o pressuposto de que a relação entre os 
diagnósticos de enfermagem e os problemas de adaptação de Roy levariam as 
intervenções de enfermagem que poderia favorecer a adaptação de pessoas 
portadoras de IC a assumirem estilo de vida que lhes proporcione bem estar. 
Algumas dificuldades, porém, circundaram o desenvolvimento da presente 
investigação, especialmente no que diz respeito a um segundo momento com os 
pacientes, já que as consultas eram agendadas a cada três a quatro meses. Porém, 
como estavam sendo desenvolvidas apenas as etapas iniciais do processo de 
enfermagem, essa dificuldade não causou prejuízo aos resultados do estudo. 
Constatou-se que o estudo possibilitou um conhecimento das pessoas e do 
seu processo saúde-doença e que foram identificados diferentes problemas de 
 
 
103 
 
adaptação, relacionados tanto aos aspectos fisiológicos quanto psicossociais dos 
pacientes. 
Ao analisar o modo fisiológico de Roy, percebeu-se que alguns problemas 
de adaptação identificados nos participantes estavam relacionados diretamente com 
a IC e outros, eram conseqüências ou fatores de risco para referida doença. 
Portanto, é importante para esses pacientes, orientação sobre: os sinais e sintomas 
da doença, as limitações físicas ocasionadas por ela, uma alimentação equilibrada, 
a manutenção de peso adequado, benefícios da atividade física, quando possível de 
ser realizada. 
Através dos discursos dos participantes, constatou-se que os problemas de 
adaptação do modo de desempenho de papel e de autoconceito, isto é, os fatores 
psicossociais relacionavam-se diretamente com IC, ou seja, com as modificações 
que a doença ocasiona ou ocasionou na vida das pessoas. Esses problemas 
provocaram ansiedade e depressão, interferindo na qualidade de vida dos 
participantes. 
Percebeu-se, também, que, embora a IC provoque limitações físicas 
próprias, é importante e necessária a adaptação das pessoas a sua condição de ser 
portador de IC para prevenir complicações e possuir uma melhor qualidade de vida. 
Salienta-se que no local onde ocorreu a coleta de dados, não é 
desenvolvida consulta de enfermagem, e sim do profissional médico e, este ainda 
está muito centrado no biológico. Diante de tal fato e dos resultados do estudo, 
percebeu-se a importância de ser desenvolvida consulta de enfermagem, com 
levantamento dos reais problemas de adaptação, seja físico e psicossocial, 
planejamento e implementação das intervenções de enfermagem, além de 
avaliação periódica com vistas a acompanhar a evolução e progressão das 
intervenções e as respostas adaptativas. 
Considera-se pertinente a realização de novos estudos com uma maior 
amostra e com implementação e avaliação dos resultados. Através da aplicação do 
processo de enfermagem, com embasamento em um referencial teórico, é possível 
desenvolver um cuidado clínico de enfermagem mais direcionado para os 
problemas e necessidades das pessoas e com um melhor alcance dos objetivos. 
Diante dos achados, espera-se suscitar reflexões dos enfermeiros para 
considerarem os problemas de adaptação da sua clientela portadora de IC no 
desempenho do cuidado clínico a ela dispensado, a partir da implementação de 
 
 
104 
 
intervenções de enfermagem que se caracterizam como estímulo à sua adaptação. 
Assim, o estudo traz contribuições para consolidação do uso de teorias no processo 
de cuidar em enfermagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Portanto, diante da insatisfação pela forma como os pacientes com 
adoecimento crônico são cuidados e, em face da oportunidade decorrente da 
condição de bolsista de iniciação científica, quando acadêmica de enfermagem, 
desenvolveu-se uma investigação na qual se analisou a contribuição da educação 
em saúde, por meio de práticas grupais, no processo de adaptação das pessoas à 
situação de serem hipertensas. O estudo foi fundamentado na Teoria de 
Enfermagem de Callista Roy que trata o cuidado de enfermagem como um suporte 
profissional dispensado pelos enfermeiros aos seus pacientes com vistas à sua 
adaptação às diversas condições de vida (ROY; ANDREWS, 1999). Conforme os 
resultados possibilitaram perceber, efetivamente, a enfermeira deve se utilizar do 
seu papel de educadora em saúde para auxiliar na mudança comportamental dos 
clientes, com a finalidade de contribuir para que eles alcancem a melhor condição de 
saúde (ROCHA; SILVA, 2004). 
Na oportunidade de produzir uma monografia de pós-graduação, em nível 
lato sensu, também com pacientes portadores de adoecimento crônico, estudou-se a 
sistematização do cuidado de enfermagem dispensada a essas pessoas. Por meio 
do estudo, ficou evidenciada a importância de desenvolver um cuidado 
sistematizado, pois este fornece subsídios para elaboração de planos de cuidados, 
implementação das intervenções e avaliação de resultados, de acordo com as 
necessidades dos pacientes (ROCHA, 2005). 
Como a aproximação da pesquisadora com pessoas adoecidas 
cronicamente vem sendo uma constante, também na função de enfermeira 
assistencial, em um hospital de referência em doenças cardiovasculares, tem-se a 
oportunidade de observar e trabalhar no cuidado de pessoas com diversas 
patologias cardíacas. Ali, segundo se tem percebido, todo um aparato tecnológico é 
utilizado para se chegar ao diagnóstico preciso das doenças, assim como é este o 
norte para implementação de terapêutica a estas pessoas. Porém, o cuidado aos 
 
 
15 
 
pacientes deve ir além dos aspectos biológicos, e respeitar, de modo particular, a 
singularidade e subjetividade de cada pessoa. 
Na prática, por conseguinte, percebe-se a importância de adquirir e 
aprofundar conhecimentos sobre o cuidado de enfermagem a pacientes cardíacos 
que requerem domínio clínico da enfermeira de modo que ela dispense à sua 
clientela cuidado qualificado, individualizado, pautado na precisão de intervenções, 
no dinamismo das ações e baseado na competência técnico-científica, sem, no 
entanto, perder de vista o fundamento humanitário. 
A partir do contato com as pessoas portadoras de adoecimento crônico, em 
especial entre os portadores de insuficiência cardíaca (IC) no setor onde a 
pesquisadora trabalha, pôde-se compreender que muitos pacientes internados, 
quase sempre por complicações da doença, tinham ou tiveram dificuldades de 
adaptação ao novo estilo de vida imposto pelo adoecimento. Impressiona ouvi-los 
falar da dificuldade em adaptar-se a novas condições, até mesmo da impossibilidade 
de fazê-lo, apesar de demonstrarem consciência de que sua nova condição de vida 
requer mudanças. 
Mesmo a despeito de no ambiente de trabalho ter-se como base do 
processo de trabalho um modelo de sistematização de cuidar pré-estruturado, ainda 
não se conseguiu ajudá-los o quanto é possível. 
O processo sistematizado então utilizado baseia-se no Modelo de 
Diagnósticos de Enfermagem da North American Nursing Diagnosis Association- 
NANDA (NANDA, 2000), na sua versão da Taxonomia I. Mas a NANDA avançou 
para a versão da Taxonomia II, a qual lhe permite maior flexibilidade na apreensão 
de seus diagnósticos de enfermagem. 
Contudo, como na prática sente-se falta de um referencial teórico que dê 
suporte às ações de enfermagem, vislumbra-se o uso do Modelo de Adaptação de 
Callista Roy (ROY; ANDREWS, 1999) como um referencial no desenvolvimento do 
cuidado de pessoas com enfermidade crônica, entre elas, portadores de IC, em 
especial, aqueles que têm feito parte do dia-a-dia da autora como enfermeira. 
Consoante se percebe, o referencial teórico de Roy oferece elementos 
adequados ao cuidado de enfermagem por colaborar na adaptação de pacientes 
com doenças crônicas, tais como, portadores de IC, pois busca fornecer subsídios 
para a implementação de um cuidado clínico qualificado quando auxilia o paciente 
 
 
16 
 
na sua trajetória de adoecimento, contribuindo para a promoção de sua adaptação 
às novas condições de saúde e doença. 
De acordo com os pressupostos dessa teoria, a meta da enfermagem é 
promover respostas humanas, utilizando os modos adaptativos fisiológico, de 
desempenho de papel, de autoconceito, e de interdependência, em vista de serem 
estas as respostas que se relacionam positivamente com a saúde. 
Conforme este entendimento, o objetivo da enfermeira é, pois, reduzir 
respostas inefetivas e promover a saúde em todos os processos de vida, 
estimulando, nas pessoas cuidadas, respostas adaptativas. Lembre-se que a Teoria 
de Callista Roy considera uma pessoa adaptada quando ela se encontra em 
equilíbrio consigo mesma, e, ao mesmo tempo, mantém harmonioso relacionamento 
com os outros. Logo, o período de adaptação a um agravo à saúde interliga-se com 
o retorno à percepção de bem-estar físico, psíquico e social (ROY; ANDREWS, 
1999). 
Diante do exposto, pressupõe-se o que a associação entre os modos 
adaptativos de Roy e os diagnósticos de enfermagem da NANDA apresentados por 
estas pessoas portadoras de IC levará à identificação de intervenções de 
enfermagem capazes de melhorar suas respostas adaptativas. 
O cuidado clínico de enfermagem, fundamentado na Teoria de Roy, 
favorece a adaptação de pessoas portadoras de IC a assumirem estilo de vida que 
lhes proporcione bem estar. 
Nesta perspectiva, ante a oportunidade de desenvolver a dissertação no 
Curso de Pós-Graduação, na modalidade stricto sensu, como exigência à conclusão 
do referido curso, vislumbrou-se a realização da presente investigação. Para 
elaborá-la, optou-se pelo estabelecimento de uma associação entre os modos 
adaptativos, segundo Roy e Andrews (1999), apresentados pelas portadoras de IC, 
e os diagnósticos de enfermagem identificados na referida clientela de acordo com a 
Taxonomia II da NANDA. Assim, com base nesta associação, foram planejadas as 
Intervenções de Enfermagem da NIC capazes de contribuir para o processo 
adaptativo destas pessoas à sua condição de saúde. 
A escolha por esta camada de pessoas adoecidas (portadoras de IC) 
decorreu do elevado índice da IC como uma das principais causas de morte e 
incapacidade (OMS, 2003; OPAS, 2003). Entre essas, as mais relevantes para a 
saúde pública são as cardiovasculares, o câncer e o diabetes mellitus (DM). Nas 
 
 
17 
 
cardiovasculares sobressaem a doença isquêmica cardíaca, a cerebrovascular 
(AVC), a hipertensão arterial sistêmica (HAS) e a insuficiência cardíaca (IC) (OPAS, 
2003; OMS, 2003; SMELTZER; BARE, 2005). 
Consoante estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil 
deverá comprometer 3 bilhões de dólares de toda sua produção nacional devido a 
mortes prematuras por doenças do coração, AVC e diabetes mellitus (OPAS, 2005). 
Entre as doenças cardiovasculares, a IC é fonte de inquietação e de rico 
aprendizado. Ultimamente, referida doença tornou-se um dos maiores problemas de 
saúde pública, tendo a prevalência de 1 a 2% na população mundial (GRADY; 
DRACUP; KENNEDY et al., 2000). 
Como mostra a literatura, esta é a via final mais comum da maioria das 
cardiopatias, uma síndrome endêmica em todo o mundo e um importante problema 
de saúde pública, com prevalência e incidência crescentes e altos índices de 
hospitalizações associadas à alta morbimortalidade, sobretudo quando presentes 
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119 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APÊNDICE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
120 
 
APÊNDICE A 
 
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO 
 
Eu Luciana Alves da Rocha, enfermeira do Hospital de Messejana e 
Mestranda em Cuidados Clínicos em Saúde e em Enfermagem estou realizando, 
neste momento, um trabalho com o título Cuidado clínico de enfermagem à pessoas 
com insuficiência cardíaca: relação entre diagnósticos NANDA, modos adaptativos 
de Roy e intervenções da NIC. 
Neste estudo pretendemos identificar os principais problemas de adaptação 
dos pacientes com insuficiência cardíaca de acordo com a teoria de Calista Roy e a 
partir das respostas, planejar o cuidado de enfermagem pautado nas intervenções 
de enfermagem da NIC. A coleta de dados será feita quando vossa senhoria estiver 
no ambulatório. Além disso, estarei sempre disposta a dar informações sobre o 
trabalho. 
Garanto que as informações que obtiver, serão usadas apenas para a 
realização do trabalho e, também, lhe asseguro que a qualquer momento terá 
acesso às informações sobre os procedimentos e benefícios relacionados ao estudo, 
inclusive para esclarecer dúvidas que possam ocorrer. Você tem a liberdade de 
retirar seu consentimento a qualquer momento, sem que isso lhe traga qualquer 
prejuízo. Quando apresentar o trabalho, seu nome não será usado e nem será dada 
nenhuma informação que possa identificá-lo. 
Informo meu endereço, caso precise entrar em contato comigo. 
 
Luciana Alves da Rocha 
Rua Rocha Pombo, 74 
Telefone: 32820528 
e-mail: cianinharocha@bol.com.br 
 
 
 
 
 
 
Assinatura do informante 
 
 
 
 
 
121 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANEXOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
122 
 
ANEXO A 
INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS 
 
Identificação pessoal e dados sócio-demográficos 
Iniciais: 
 
1 Sexo 1 � M 2 � F 
2 Idade .......... anos 
3 Escolaridade (tempo de estudo)...................................................................... 
4 Formação profissional...................................................................................... 
5 Religião.............................................................................................................6 Naturalidade..................................................................................................... 
7 Procedência..................................................................................................... 
8 Renda familiar................................................................................................... 
9Trabalha � sim � não 
9.1 � Aposentado � Desempregado � Outros Qual?......................................... 
10 Estado civil 1 � solteiro 2 � casado/união estável 3 � divorciado 
 � viúvo 
11 Diagnóstico médico:....................................................................................... 
11.1 Quantas internações após a descoberta da doença .................................. 
 
Domínio 1: Promoção da saúde 
12 Tempo de descoberta da doença: ........................................................... 
13 Sinais e sintomas da doença 
� dispnéia ao realizar atividade física � dispnéia paroxística noturna 
� dispnéia em repouso � fadiga 
� ortopnéia � tosse seca 
� tosse produtiva � palpitações 
� edema � ganho de peso 
� anorexia � outros 
 
14Sinais e sintomas depois 
� dispnéia ao realizar atividade física � dispnéia paroxística noturna 
� dispnéia em repouso � fadiga 
� ortopnéia � tosse seca 
� tosse produtiva � palpitações 
� edema � ganho de peso 
� anorexia � outros 
 
15 Como era sua vida antes da doença? 
16 Como é agora depois do adoecimento? 
17 O que você faz para melhorar seu estado de saúde? 
� uso de medicações � vai às consultas � alimentação saudável 
 � atividade física � outros 
18 Quais as medicações em uso? 
� captopril � furosemida � aldactone � carvedilol � hidroclorotiazida 
�anlodipina � digoxina �selazok �losartan �outros 
19 Como consegue as medicações? 
� recebe no hospital � recebe no posto � compra 
27 Presença de hipertensão � sim � não 
 
 
123 
 
27.1 Tratamento medicamentoso � sim � não 
27.2Tratamento não medicamentoso � sim � não 
28 Presença de Diabetes melitus � sim � não 
28.1 Tratamento medicamentoso � sim � não 
28.2Tratamento não medicamentoso � sim � não 
29 Presença de colesterol � sim � não 
29.1 Tratamento medicamentoso � sim � não 
29.2 Tratamento não medicamentoso � sim � não 
30 Tabagismo prévio � sim � não 
30.1 Se sim qual a quantidade? 
� 1-5 cigarros/dia � 6-10 cigarros/dia �11-15 cigarros/dia 
� maior que 15 cigarros/dia � parou 
30.2 Tempo de tabagismo? 
� até 5 anos � após 5 anos � não fez uso 
30.3 Parou há ......... anos? 
� até 5 anos � após 5 anos � não fez uso 
 
31 Bebidas alcoólicas prévia � sim � não 
31.1Quantidade 
� diariamente � final de semana � raramente � parou 
31.2 Tempo de uso de bebidas alcoólicas? 
� até 5 anos � após 5 anos � não fez uso 
31.3Parou há............ anos? 
� até 5 anos � após 5 anos � não fez uso 
 
Domínio 2: Nutrição 
32Como era sua alimentação antes da doença? 
33 Como é sua alimentação atualmente? 
34 Que recomendações você recebe acerca da dieta? 
35Como era seu apetite antes da doença? 
 � conservado � diminuído � aumentado 
36 Como é seu apetite atualmente? 
� conservado � diminuído � aumentado 
37 Distúrbios alimentares 
� anorexia � disfagia � empachamento � alteração no paladar 
� dificuldade de mastigação � dificuldade de deglutição � outros � nenhum 
37.1 Dentição � completa � incompleta � uso de próteses � dor 
37.2 Vai ao dentista regularmente? � sim � não � difícil acesso � falta de 
tempo � medo 
37.3 Há quanto tempo não vai ao dentista? 
� até 2 anos � há mais de 2 anos 
38Quantidade de líquidos antes 
� menos de 1,5 l/dia � 1,6 a 2 l/dia � mais de 2,1l/dia 
38.1Quantidade ingerida atualmente 
� menos de 1,5 l/dia �1,6 a 2 l/dia �mais de 2,1l/dia 
Domínio 3: Eliminação 
39 Intestinal 
� nenhum � constipação � diarréia � dor retal �incontinência �esforço ao 
evacuar � uso de laxativos � outros 
39.1Frequência �1 vez ao dia � mais de 1 vez ao dia � dias 
 
 
124 
 
alternados � outros Quais? 
40 Urinária 
� desconforto ao urinar � retenção � uso de diurético � incontinência urinária 
� urgência de urinar � nictúria � outros � nenhum 
40.1 Frequência � 1 vez ao dia � 2 vezes ao dia � 3ou mais vezes ao dia 
� outros Quais? 
40.2 Características 
� límpida � amarela âmbar � hematúria � amarronzada � outra Qual? 
Domínio 4: Atividade/repouso 
41 Acorda disposto para as atividades diárias? � sim � não 
42Faz alguma atividade física? 
� sim � não � caminhada � hidroginástica � outra 
43 O que você sente ao realizar atividades de esforço? 
� dispnéia � palpitações � dor torácica � outros � nada 
44 Problemas de sono 
� nenhum � insônia � cansado ao acordar � initerrupto � agitado � outro Qual? 
44.1 Usa remédios para dormir? 
� sim � não Se sim, qual? 
44.2 Hora de dormir: 
 � manhã � tarde � noite 
44.3 Você tem atividade de lazer? 
� sim � não 
Qual atividade de lazer? 
� conversar com amigos � ficar com a família � pescar � encontro com idosos 
� igreja � outros 
Domínio 5: Percepção/Cognição 
45 Como é para você? 
45.1 Aprender coisas novas � fácil � difícil 
45.2 memorizar � fácil � difícil 
45.3 falar � fácil � difícil 
45.4 escrever � fácil � difícil 
45.5 ler � fácil � difícil 
45.6compreender � fácil � difícil 
 
46 O que você sabe sobre sua doença e tratamento? 
Domínio 6: Autopercepção 
47 Como você vê a si próprio? 
47.1 Gostaria de ser diferente? 
47.2 Você está satisfeito com o seu estilo de vida? 
Domínio 7: Relacionamento de papel 
48 Mora com quem? 
 � esposa/marido � filhos � irmãos � pais � outros Quem? 
48.1 Você se relaciona bem com a sua família? 
� sim � não 
48.2 Quem tomava as decisões em sua casa? 
� a própria pessoa � esposa/marido � filhos 
48.3 E atualmente? 
�a própria pessoa � esposa/marido � filhos 
48.4 Recebe cuidados da família? 
� sim � não � esposa/marido � filhos 
 
 
125 
 
48.5 Como é esse cuidado? 
� acompanhando nas consultas �preocupação com a alimentação 
� preocupação com os medicamentos 
48.6 Depois da doença houve alguma mudança no relacionamento com 
alguém? 
� sim � não. Com quem? 
48.7 Problemas ocasionados com a doença 
� trabalho � lazer �financeiro � familiar 
 Justifique: 
Domínio 8: Sexualidade 
49Vida sexual 
� sim � não Porque? 
49.1 Com a doença freqüência diminuiu? 
� sim � não � dispnéia � falta de interesse 
50Faz acompanhamento com o ginecologista? 
� sim � não não é mulher � difícil acesso 
51 Menopausa 
� sim � não 
52Faz o auto-exame das mamas? 
� sim � não 3 � não é mulher 
53Acompanhamento com o urologista ? 
� sim � não � não precisa � constrangido � não é homem 
Domínio 9: Enfrentamento/Tolerância ao Estresse 
54 Como você reage diante do estresse ? 
� prefere ficar só � chora � não se alimenta � pede ajuda � fala demais 
�outros Qual? 
55Qual o sentimento mais freqüente? 
� medo � alegria � tristeza � raiva � depressão � insegurança 
�desvalorização � outro Qual? 
56Como você enfrenta a doença? 
57 Você tem fé? 
 � sim � não 
Domínio 10: Princípios da vida 
58 A fé ajuda a você enfrentar os problemas diários? 
Domínio 11: Segurança/ Proteção 
59 Dificuldade para andar? 
� sim � não Por que? 
60 Integridade da pele prejudicada 
 � sim � não 
Domínio 12:Conforto 
61 Vocêsente alguma dor? 
� sim � não 
61.1 Local 
� não sente dor � estômagogo � cefaléia � ossos � dor abdominal � MMII 
� precordialgia 
61.2 Frequência 
� até 1 vez por semana � mais de 1 vez por semana �não sente dor 
61.3 O que faz para melhorar? 
� toma remédio � nada � procura o médico � não sente dor 
61.4 Faz muito tempo que você sente essa dor? 
 
 
126 
 
� até 3 meses � de 3 a 6 meses � não sente dor 
Domínio 13- Crescimento e desenvolvimento 
62 Você tem alguma dificuldade para o seu cuidado? 
� sim � não 
 
Roteiro de exame físico 
 
Tipo morfológico Nível de orientação 
Brevilíneo � Orientado � 
Normolíneo � desorientado � 
Longilineo � Pele 
 Movimentação Corada � 
Sem alterações � Cianose � 
Claudicante � Icterícia � 
Não deambula � Hipocorada � 
Outros � Acuidade auditiva 
Acuidade visual Sem alterações � 
Sem alterações � Reduzida � 
Reduzida � Uso de prótese 
auditiva 
� 
Uso de óculos � ouvidos 
Outros � Sem alterações � 
Olhos Alterações � 
Sem alterações � Qual 
Alterações � Ausculta pulmonar 
Qual Murmúrios 
vesiculares 
� 
Tórax Creptações � 
Sem alterações � Estridor � 
Simétrico � Estertores � 
assimétrico � sibilos � 
 Abdome 
Ausculta cardíaca Plano � 
BNF � Rígido � 
Bulhas extras � Globoso � 
Sopros � Doloroso � 
Outros � Flácido � 
Turgor cutâneo RHA presentes � 
Diminuído � RHA ausentes � 
Aumentado � Outro � 
normal � 
Membros superiores 
Mamas 
Sensilibidade e 
força mantida 
� Sem alterações � 
Paresia � Nódulo � 
Parestesia � Outros � 
Edema � Membros inferiores 
outros � Sensibilidade e 
força mantida 
� 
Quebradiças � Parestesia � 
 
 
127 
 
Cianóticas � Edema � 
Sem alterações � paresia � 
 
 
 
mensuração 
Outros � 
boca 
Xerostomia � 
Cintura 
Peso 
Altura Língua saburrosa � 
 Halitose � 
Sinais vitais 
PA: BE: BD: 
FC: 
FR: 
Descamação 
Gengivite 
� 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
128 
 
ANEXO B 
TÉCNICA DA MEDIDA INDIRETA DA PRESSÃO ARTERIAL 
(Baseada no procedimento de coleta de dados e preparo do paciente para a 
medida da pressão arterial da V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial). 
 
Preparo do paciente para a medida da pressão arterial 
1. Explicar o procedimento ao paciente 
2. Repouso de pelo menos 5 minutos em ambiente claro 
3. Evitar a bexiga cheia 
4. Não praticar exercícios físicos 60 a 90 minutos antes 
5. Não ingerir bebidas alcoólicas, café ou alimentos e não fumar 30 minutos 
antes 
6. Manter pernas descruzadas, pés apoiados no chão, dorso e recostado na 
cadeira e relaxado 
7. Remover roupas do braço no qual será colocado o manguito 
8. Posicionar o braço na altura do coração, apoiado, com a palma da mão 
voltada para cima e o cotovelo ligeiramente fletido 
9. Solicitar para que não fale durante a medida. 
Procedimento de medida da pressão arterial 
1. Medir a circunferência do braço do paciente 
2. Selecionar o manguito de tamanho adequado ao braço 
3. Colocar o manguito sem deixar folga acima da fossa cubital, cerca de 2 
a 3 cm 
4. Centralizar o meio da parte compressiva do manguito sobre a artéria 
braquial 
5. Estimar o nível da pressão sistólica (palpar o pulso radial e inflar o 
manguito até seu desaparecimento, desinflar rapidamente e agurdar 1 
minuto antes da medida) 
6. Palpar a artéria braquial na fossa cubital e colocar a campânula do 
estetoscópio sem compressão excessiva 
7. Inflar rapidamente até ultrapassar 20 a 30 mmHg o nível estimado da 
pressão sistólica 
8. Proceder à deflação lentamente (velocidade de 2 a 4 mmHg por 
segundo) 
 
 
129 
 
9. Determinar a pressão sistólica na ausculta do primeiro som (fase I de 
Korotkoff), que é um som fraco seguido de batidas regulares, e, após, 
aumentar ligeiramente a velocidade de deflação 
10. Determinar a pressão diastólica no desaparecimento do som (fase V de 
Korotkoff) 
11. Auscultar cerca de 20 a 30 mmHg abaixo do último som para confirmar 
seu desaparecimento e depois proceder à deflação rápida e completa. 
12. Se os batimentos persistirem até o nível zero, determinar a pressão 
diastólica no abafamento de sons (fase IV de Korotkoff) e anotar 
valores da sistólica/diastólica/zero 
13. Esperar 1 a 2 minutos antes de novas medidas 
14. Informar os valores de pressão arterial obtidos para o paciente 
15. Anotar os valores e o membro.2002; OCHIAI; 
FRANCO; GEBRARA et al., 2004; CASTRO; VERDEJO; VUKASOVIC et al., 2006). 
É, também, a principal causa de internação nos países desenvolvidos e no 
Brasil é a terceira causa geral de internação e a primeira em cardiovascular, com 
alta mortalidade (BOCCHI; VILAS-BOAS; PERRONE et al., 2005; DBHA, 2006). 
Segundo dados do Sistema Único de Saúde, em 2002, no Brasil, cerca de 
398 mil hospitalizações e 26 mil mortes ocorreram devido à IC. No ano de 2004, 
foram realizadas cerca de 11,5 milhões de internações, sendo as doenças do 
aparelho cardiovascular responsáveis por mais de 1,2 milhão. Naquele ano foi a 
causa cardiovascular mais freqüente, determinando 339.770 hospitalizações 
(BRASIL, 2004; BRASIL, 2005). 
Quanto ao custo social e econômico da doença, é bem elevado, pois há 
grandes gastos com medicamentos, internações, perda da produtividade, 
aposentadorias precoces, cirurgias e eventualmente transplante cardíaco. Para 
Araújo, Tavares, Veríssimo et al. (2005), o custo direto está relacionado com as 
hospitalizações e gastos com medicamentos, enquanto os custos indiretos estão 
relacionados ao impacto econômico. Estes, porém, assemelham-se aos custos 
diretos. 
Determinados fatores elevam o número de hospitalizações. Como afirmam 
Bennett (1997) e Barreto e Bocchi (2003), o fator que eleva o número de 
 
 
18 
 
hospitalizações é a não-adesão ao tratamento ao passo que a adesão reduz as 
internações ocasionadas pelas descompensações da doença. 
Portanto, trata-se de uma doença crônica para a qual se exigem adaptações 
nos hábitos de vida diária das pessoas e, estas modificações geralmente são 
conflitantes, por interferirem em vários aspectos da vida dessas pessoas. 
Outra afirmativa relevante é a de Ferreira e Gallani (2005), quando referem 
que a produção científica brasileira na enfermagem sobre IC ainda é limitada. Como 
esta clientela faz parte do cuidado prestado por muitas enfermeiras, é indispensável 
o desenvolvimento de estudos sobre o cuidado de enfermagem, diagnóstico e 
intervenção dos pacientes para pessoas com IC. 
Assim, considera-se que este estudo com foco no nível de adaptação dos 
pacientes com IC e a identificação dos diagnósticos de enfermagem presentes 
contribuirá para definir o perfil dessa clientela e conhecer as características da 
população na qual se trabalha. Complementarmente, a partir de então, poderá se 
planejar as intervenções de enfermagem para resolução de problemas, evitar 
complicações com risco de vida, além de melhorar a qualidade de vida. 
Para a pesquisadora, a associação entre os diagnósticos de enfermagem da 
NANDA e o modo de Roy é importante, pois mostra ser possível utilizar a taxonomia 
da NANDA com a teoria de adaptação de Roy com vistas a alcançar adaptação. 
Ademais, a proposta de intervenção a partir da taxonomia da NIC favorece o 
direcionamento para um cuidado clínico de enfermagem mais qualificado. 
Além destes, outro aspecto deve ser considerado, qual seja, o uso da Teoria 
de Enfermagem de Callista Roy, por certo, contribui para a construção do 
conhecimento e engrandecimento da profissão como ciência, pois a utilização de 
teorias propicia embasamento científico para o desempenho do cuidado clínico de 
enfermagem. Deste modo, este estudo foi desenvolvido também nesta perspectiva. 
 
 
 
 
 
 
 
19 
 
2 OBJETIVOS 
 
• Geral 
 
Analisar os diagnósticos de enfermagem relacionados ao processo de 
adaptação de um grupo de pessoas portadoras de IC tendo como base o Modelo de 
Adaptação de Roy 
 
• Específicos 
 
Identificar as características dos pacientes com insuficiência cardíaca 
acompanhados em um ambulatório, tendo como base os indicadores sexo, idade, 
escolaridade, religião, estado civil, renda familiar e história na família de doença 
cardíaca; 
 
Levantar os diagnósticos de enfermagem da NANDA em pessoas com 
insuficiência cardíaca; 
 
Estabelecer a relação entre os modos de adaptação de Roy e os 
diagnósticos de enfermagem da NANDA identificados em um grupo de pessoas 
portadoras de IC. 
 
 Analisar os problemas de adaptação de Roy apresentados em pessoas 
com insuficiência cardíaca. 
 
Relacionar intervenções de enfermagem segundo a taxonomia da NIC aos 
problemas de adaptação identificados nos participantes do estudo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
 
3 REVISÃO DE LITERATURA 
 
Para desenvolver o estudo faz-se necessário o conhecimento e 
embasamento teórico de componentes vistos como capazes de propiciar reflexões 
sobre a prática e melhor compreensão dos conceitos e pressupostos. Portanto, 
buscaram-se informações sobre a insuficiência cardíaca, processo sistematizado de 
enfermagem e a Teoria de Enfermagem de Callista Roy. 
 
3.1 Adoecimento por insuficiência cardíaca 
 
A IC constitui um dos maiores motivos de procura às emergências, uma 
causa constante de internações em unidades de terapia intensiva e um dos quadros 
clínicos que o médico enfrenta desde a formação acadêmica (BELZITI, 2006). 
É uma síndrome clínica complexa, definida como falência do coração em 
prover o suprimento adequado de sangue capaz de suprir as necessidades 
metabólicas e tissulares, ou o fazer somente com elevadas pressões de enchimento. 
Resulta de uma desordem funcional ou estrutural que prejudica a função do 
ventrículo (HUNT; BAKER; MARSHALL et al, 2001; ARONOW, 2003; KOPEL; 
CARVALHO; LAGE, 2004). 
Ultimamente, a abordagem da IC vem sofrendo modificações, sobretudo 
relacionadas à compreensão de mecanismos fisiopatológicos, principalmente 
moleculares. Para Consolim-Colombo e Atala (2004), a definição de IC era baseada 
nas alterações hemodinâmicas decorrentes da falência do músculo cardíaco como 
bomba de sangue, com ênfase na presença de sinais e sintomas sugestivos da IC. 
Tal modelo hemodinâmico foi substituído para o neuro-humoral, resultando 
numa melhor compreensão de sinais e sintomas que compõem o quadro clínico 
desta síndrome (STOCCO; BARRETO, 2000). 
Clinicamente, a IC é definida como uma síndrome que consiste em fadiga, 
dispnéia, retenção de sal e água (edema periférico e pressão venosa jugular 
elevada). São sinais e sintomas decorrentes da resposta fisiopatológica diante da 
incapacidade de o coração liberar sangue para atender às necessidades 
metabólicas dos tecidos, a despeito de adequadas pressões de enchimento 
(BARRETO;BOCCHI, 2003). 
 
 
21 
 
Assim, em 1964, surgiu a primeira classificação funcional da IC, proposta 
pela New York Heart Association (NYHA). Esta classificação baseia-se na limitação 
da tolerância aos esforços habituais e é usada para estimar a gravidade da IC. 
Distribui-se em quatro grupos de acordo com o grau da atividade (BATLOUNI, 2000; 
SMELTZER; BARE, 2005). 
Para a New York Heart Association, a IC pode ser classificada em estágios, 
como mostra o Quadro 1. 
QUADRO 1-Classificação da NYHA para a insuficiência cardíaca 
Classificação Sintomas Prognóstico 
I Atividade física comum não provoca fadiga indevida, dispnéia, 
palpitações ou dor torácica. 
Nenhuma congestão pulmonar ou hipotensão periférica. 
O paciente é considerado assintomático. 
Usualmente sem limitações sobre as atividades da vida diária 
(AVDs). 
Bom 
II Discreta limitação sobre as AVDs. 
O paciente não relata sintomas em repouso, mas a atividade 
física aumentada provocará sintomas. 
Estertores basais e sopro em S3 podem ser detectados. 
Bom 
III Acentuada limitação nas AVDs. 
O paciente sente-se confortável em repouso, porém a 
atividade menor que a usual provocará sintomas. 
Razoável 
IV Sintomas de insuficiência cardíaca em repouso. Ruim 
Fonte: Smeltzer e Bare (2005). 
 
Segundo Hunt; Baker; Marshall et al. (2001), esta classificação clínica está 
ligada à subjetividade do cliente e do observador, pois pode mudar em um período 
curto de tempo e o tratamento usado é o mesmo. Porém, para Kopel e Lage (2000), 
é uma classificação útil para comparar diferentesgrupos ou para acompanhar um 
mesmo cliente ao longo do tempo. 
Além da classificação NYHA, há outra nomenclatura para avaliação do estágio 
da IC (sistema ABCD). É uma classificação atual e separada em estágios, conforme 
exposto no Quadro 2. 
 
 
 
 
22 
 
QUADRO 2-Estágios da insuficiência cardíaca 
 
Estágio A 
Pacientes em risco de desenvolver IC em 
virtude de condições co-mórbidas associadas 
com o desencadeamento da IC. Os pacientes 
são assintomáticos, não havendo 
anormalidades estruturais valvulares ou 
ventriculares. Ex: hipertensos, portadores de 
doença coronária, diabetes. 
 
Estágio C 
Pacientes que apresentam prévia ou atual IC 
sintomática, associada com doença estrutural 
cardíaca. 
 
Estágio B 
Pacientes que desenvolveram doença 
cardíaca estrutural, fortemente associada 
com o desenvolvimento da IC, mas não têm 
sintomas de IC. Ex: hipertrofia ventricular 
esquerda, doença valvular cardíaca 
assintomática com dilatação ventricular, IAM 
prévio. 
 
Estágio D 
Pacientes com nítidos sintomas de IC em repouso, 
a despeito da máxima terapia farmacológica, e que 
necessitam de intervenções especializadas. Ex: 
pacientes que não podem ter alta do hospital, 
recorrência de hospitalização, pacientes com 
suporte inotrópico contínuo para alívio sintomático 
ou em assistência circulatória. 
Fonte: Barreto, Drumond Neto, Mady et al. (2002); Barreto e Bocchi (2003). 
 
Ressalta-se, no entanto, que apesar de novos recursos para o diagnóstico 
da IC, a análise dos sinais e sintomas é importante, pois complementa o raciocínio 
clínico para se chegar ao diagnóstico da doença (STOCO; BARRETO, 2000). Para 
esses autores, é necessário uma boa coleta de dados e um exame físico minucioso, 
podendo utilizar-se da classificação juntamente com os sinais e sintomas a seguir: 
1. Sinais atribuíveis ao coração: taquicardia, ritmo de galope, intolerância 
aos esforços, cardiomegalia e arritmias. 
2. Sinais e sintomas de insuficiência ventricular esquerda: dispnéia de 
esforço, ortopnéia, tosse, expectoração, edema agudo de pulmão, 
cianose, fraqueza, fadiga. 
3. Sinais e sintomas de insuficiência ventricular direita: ingurgitamento 
jugular, hepatomegalia congestiva, reflexo hepatojugular, derrame 
pleural, sintomas gastrointestinais (náuseas, vômitos, anorexia). 
4. Evidências de hiperatividade adrenérgica: vasoconstricção periférica, 
cianose de extremidades, arritmias. 
Mesmo assim, no idoso, o diagnóstico de IC é dificultado pelas alterações 
da percepção e pela autolimitação da atividade física, associadas à perda de 
audição, de memória e de compreensão comuns nessa faixa etária (SACOMANN, 
2006). 
 
 
23 
 
Como afirmam Smeltzer e Bare (2005), a IC pode ser aguda ou congestiva. 
Na IC aguda o acometimento é súbito e decorre de qualquer situação que torne o 
coração incapaz de um bombeamento eficaz, como infarto agudo do miocárdio ou 
arritmia severa do coração. Exige tratamento médico emergencial e é fatal na 
maioria das vezes. Na IC congestiva o desenvolvimento é gradual, e embora possa 
durar anos, pode também ter o acometimento de forma súbita. Por ser uma condição 
crônica, gera a possibilidade de adaptações do coração e, deste modo, permite uma 
vida prolongada, com limitação, se tratada de forma correta. 
 A IC pode ser resultante de qualquer doença que comprometa o 
funcionamento cardíaco. Além disso, mais de um fator etiológico pode estar 
presente numa mesma pessoa. Contudo, a cardiopatia isquêmica é a principal 
etiologia da IC (BARRETO; BOCCHI, 2003). 
Conforme o estágio da doença, o tratamento da IC pode ser não-
farmacológico, farmacológico, e cirúrgico, baseado em determinados princípios. De 
acordo com Barreto, Drumond Neto, Mady et al. (2002), e como mostra o Quadro 3, 
os princípios do tratamento são os seguintes: 
QUADRO 3 - Princípios do tratamento da insuficiência cardíaca 
Manuseio não- farmacológico 
Identificação da etiologia e 
remoção de causas subjacentes 
Eliminação ou correção de fatores 
agravantes 
Medidas não farmacológicas e 
aconselhamentos sobre a doença 
Exercício físico 
Vacinação para o vírus da gripe 
Medidas farmacológicas 
Inibidores da enzima 
conversora 
Diuréticos 
Betabloqueadores 
Antagonistas dos receptores de 
aldosterona 
Antagonistas dos receptores de 
angiotensina II 
Digitálicos 
Agentes vasodilatadores 
Inodilatadores 
Anticoagulantes 
Antiarrítimicos 
Cirurgia e marcapasso 
Marcapasso 
Desfibriladores implantáveis 
Cirurgia de correção da 
insuficiência mitral 
Revascularização do 
miocárdio 
Ventriculectomia 
Cardiomioplastia 
Transplante cardíaco 
Fonte: Barreto, Drumond Neto, Mady et al. (2002). 
 
Entre as medidas não-farmacológicas utilizadas para minimizar os sintomas, 
retardar as complicações e melhorar a qualidade de vida das pessoas portadoras da 
IC, algumas sobressaem, como: alterações no estilo de vida, hábitos alimentares, 
 
 
24 
 
manutenção do peso, correção da obesidade, controle na ingestão de sal, líquidos e 
álcool, atividade física e laborativa. 
Contudo, modificações nos hábitos da vida diária geralmente são 
conflitantes, pois vão de encontro a vários aspectos da vida dessas pessoas. Desse 
modo, é preciso enfocar a adesão ao tratamento e à nova condição de vida 
(BARRETO; BOCCHI, 2003). 
Sobre as medidas não-farmacológicas ressalta-se o seguinte: desde 2001, 
as enfermeiras na Espanha desenvolvem programas com enfoque no tratamento 
não-farmacológico da IC. Esses programas são baseados em modelos de 
programas europeus e norte-americanos. A pessoa portadora de IC é educada 
sobre a doença, as medicações, a dieta a ser seguida e a monitorização diária do 
peso e dos sinais e sintomas da descompensação da doença. Ademais, nesses 
programas, as enfermeiras seguem o pressuposto de que a partir do conhecimento 
da doença, dos sinais e sintomas, do tratamento, os pacientes aderem melhor ao 
tratamento (HOLST; KAYE; RICHARDSON et al, 2001; STAPLES; EARLE, 2004; 
GONZÁLEZ; LUPÓN; PARAJÓN et al., 2004). 
Por ser uma enfermidade crônica e requerer alterações no estilo de vida, a 
IC exige total cooperação dos clientes. Entretanto, os profissionais de saúde 
observam a não-adesão e a dificuldade destes de se adaptar ao novo estilo de vida. 
Diante disto e com vistas a melhores resultados, as orientações de 
enfermagem devem ser iniciadas logo após o diagnóstico. Mas as orientações não 
se reduzem apenas ao repasse de informações, pois cada pessoa portadora da IC 
deve ser vista como um ser individual, considerando seus aspectos culturais, 
sociais, econômicos e educacionais. O cuidado de enfermagem deve ser 
desenvolvido em conjunto com a pessoa portadora da IC e, assim, melhores 
resultados poderão ser alcançados. 
 
3.2 As classificações da prática de enfermagem como subsídio para o cuidado 
clínico sistematizado 
 
No intuito de prestar cuidado de enfermagem qualificado e direcionado, o 
enfermeiro cada vez mais aprimora seus conhecimentos e, assim, vem 
desenvolvendo uma metodologia própria de trabalho, fundamentada em um 
processo sistematicamente planejado de cuidar. Como um método científico 
largamente utilizado para instrumentalizar a resolução de problemas dos pacientes e 
 
 
25 
 
tornar o cuidado individualizado, a Sistematização da Assistência de Enfermagem 
(SAE) embasa e fundamenta cientificamente as ações da enfermeira (SILVA, 2004). 
Segundo a Resolução 272, de 27 de agosto de 2002, do Conselho Federal de 
Enfermagem (COFEN), a enfermeira é responsável pela SAE, como consta nos seus 
artigos 1º, 2 º e 3 º. 
Artigo 1o: ao enfermeiro incumbe privativamente a implantação, planejamento, 
organização, execução e avaliação do processo de enfermagem. Para a 
implantação da assistência de enfermagem devem ser considerados os aspectos 
essenciais das seguintes etapas: Histórico de Enfermagem, exame físico, 
diagnóstico de enfermagem, prescrição de enfermagem e evolução deenfermagem; 
 
Artigo 2o: a implantação da SAE deve ocorrer em toda a instituição de saúde 
pública e privada. 
 
Artigo 3: A SAE deverá ser registrada formalmente no prontuário do 
paciente/cliente/usuário, devendo ser composta por: Histórico de enfermagem; 
Exame físico; Diagnóstico de Enfermagem; Prescrição da Assistência de 
Enfermagem; Evolução da Assistência de Enfermagem e Relatório de 
Enfermagem. 
 
Essa sistematização é um instrumento ou modelo metodológico utilizado 
pelas enfermeiras para favorecer o cuidado e organizar as condições necessárias 
para concretizá-lo. A aplicação de tal processo de modo sistemático e planejado 
permite a identificação, compreensão, descrição e explicação de como os pacientes 
respondem aos problemas de saúde; permite, também, às enfermeiros, com as 
respostas obtidas, determinar quais aspectos devem ser alvo do seu cuidado 
profissional (GARCIA; NÓBREGA; CARVALHO, 2004). 
Para Leopardi (2006), este processo é uma atividade unificadora da 
profissão. A função da enfermagem, por meio do uso da ciência e da arte, recupera 
para essa profissão o compromisso de cuidar de pessoas. 
Ao discutir o processo de enfermagem, Alfaro-Lefevre (2004), define como 
um método sistemático de prestação de cuidados humanizados, com a finalidade de 
obter resultados desejados de maneira rentável. É sistemático porque é constituído 
de cinco etapas: 
1. Investigação: consiste na coleta e análise da informação sobre a situação 
de saúde, na busca de funcionamento anormal ou de fatores de risco que 
contribuam para os problemas de saúde. 
2. Diagnóstico: análise das informações obtidas com a investigação e a 
identificação de problemas que serão a base do cuidado de enfermagem. 
 
 
26 
 
3. Planejamento: nessa etapa são determinadas as prioridades, 
estabelecidas as metas e os resultados esperados, especificadas as 
intervenções e o registro da individualização do plano de cuidados. 
4. Implementação: é a colocação do plano em ação, investigação de novos 
problemas, realização das intervenções, comunicação e registro. 
5. Avaliação: é a determinação se os resultados foram atingidos e se as 
intervenções foram efetivas. 
 
No desenvolvimento do processo, a etapa da investigação representa um 
levantamento de informações, utilizando-se entrevista e exame físico para que, ao 
interpretar estes dados, as enfermeiras identifiquem as necessidades ou fenômenos 
sobre os quais vão agir. Mediante a identificação dos focos de atuação 
caracterizados com os diagnósticos de enfermagem, eles planejam intervenções a 
serem implementadas pela equipe de enfermagem. Por fim, analisam os resultados 
obtidos com as ações empreendidas, retroalimentando o processo científico do 
cuidar. 
Para a utilização do processo de enfermagem é essencial trabalhar com um 
sistema padronizado de linguagem, tanto para diagnósticos, como para intervenções 
e resultados. Essa padronização pode ser obtida com a utilização de classificações 
conhecidas internacionalmente. 
Conforme a literatura, a linguagem padronizada de enfermagem iniciou-se 
na década de 1970, com o desenvolvimento da Classificação de Diagnósticos da 
North American Nursing Diagnosis. Tal associação foi formada em 1973, por um 
grupo de enfermeiras em St.Louis, Missouri, nos EUA. Elas organizaram a primeira 
Conferência Nacional do Grupo para a Classificação de Diagnósticos de 
Enfermagem. Até a aceitação da Taxonomia I, foram promovidas sete conferências 
(JOHNSON; BULECHEK; DOCHETERMAN et al., 2005). 
A Taxonomia I foi publicada em 1989, e até 2000 a NANDA classificava os 
diagnósticos utilizando-se dessa nomenclatura. Inclui nove Padrões de Respostas 
Humanas, que compreendem os domínios: trocar, comunicar, relacionar, valorizar, 
escolher, mover, perceber, conhecer e sentir (NANDA, 2000). 
 De acordo com a NANDA (2000), o diagnóstico de enfermagem é: 
Um julgamento clínico sobre as respostas do indivíduo, da família ou 
da comunidade aos problemas de saúde/processos vitais reais ou 
 
 
27 
 
potenciais. Um diagnóstico proporciona a base para a seleção de 
intervenções de enfermagem para garantir os resultados pelas quais 
a enfermeira é responsável. 
Após várias críticas à Taxonomia I, motivadas pela impossibilidade de 
incorporar novos diagnósticos devido sua estrutura e definição, foi desenvolvida a 
Taxonomia II, que distribui os seus diagnósticos de enfermagem em domínios e 
classes e passou a ser multiaxial. Desse modo, permite flexibilidade da nomeclatura, 
modificações e inclusão de novos diagnósticos. Cada domínio é composto por 
classes e cada classe é composta por conceitos diagnósticos. Esta Taxonomia era 
composta, inicialmente, por treze domínios, 106 classes, 155 diagnósticos e sete 
eixos (NANDA, 2002). 
Os treze domínios são: promoção da saúde; nutrição; eliminação; 
atividade/repouso; percepção/ cognição; autopercepção; relacionamento de papel; 
sexualidade; enfrentamento/tolerância ao estresse; princípios da vida; 
segurança/proteção; conforto; crescimento/desenvolvimento. Os sete eixos 
correspondem a: conceito diagnóstico; tempo; unidade de cuidado; idade; 
potencialidade; descritor; topologia. Esses eixos permitem inúmeras possibilidades 
de diagnósticos, aumentando a cobertura das situações clínicas (NANDA, 2002). 
Com a publicação da Taxonomia II surgiram mais três edições da NANDA. 
Nestas, os diagnósticos de enfermagem seguem a Taxonomia II, estrutura 
taxonômica oficial, e são apresentados a partir de seus componentes básicos, ou 
seja, definição, características definidoras, fatores relacionados e/ou fatores de risco. 
Na edição de 2003-2004, houve a inclusão de doze diagnósticos, sendo, portanto, 
167 diagnósticos e três revisados (NANDA, 2005). A edição de 2005-2006 reúne 
172 diagnósticos, dos quais cinco são novos e três revisados. 
Já na edição de 2007-20008, houve a maior revisão e acréscimo de 
diagnósticos de enfermagem à Taxonomia da NANDA Internacional. Foram 
acrescentados 15 novos diagnósticos de enfermagem e revisados 26. Nesta edição 
quase todos os diagnósticos apresentam algumas mudanças em suas 
características definidoras e em seus fatores de risco e/ou fatores relacionados 
(NANDA, 2008). 
Salienta-se que para identificar um diagnóstico de enfermagem, são 
necessários conhecimento e habilidade das enfermeiras e o emprego do 
pensamento crítico, no qual deverão proceder a interpretações precisas das 
 
 
28 
 
respostas humanas e, assim, as intervenções serão as mais apropriadas e os 
resultados mais eficazes e positivos (LUNNEY, 2004). 
O diagnóstico de enfermagem é uma etapa complexa do processo de 
enfermagem. É uma coleção de dados por meio de observação, interação, 
mensuração e interpretação de dados baseados no conhecimento e experiência da 
enfermeira (RISNER, 1990). Para Jesus (2000), a enfermeira a partir de estratégias 
e com base em suas experiências, conhecimentos e valores, avalia o significado dos 
dados sobre os pacientes, estabelece relações entre os dados e nomeia o 
fenômeno, concluindo então a etapa do diagnóstico. 
Como afirmam Galdeano, Rossi, Nobre et al. (2003), o raciocínio 
diagnóstico é um processo de observação crítica e de agrupamento dos dados 
utilizados para identificar e classificar os fenômenos encontrados em uma situação 
clínica. 
De acordo com Lunney (2004), o raciocínio diagnóstico ou aplicação do 
pensamento crítico à identificação dos problemas exige conhecimento, habilidades e 
experiência da enfermeira. Envolve processos interpessoais, técnicos e intelectuais. 
Os interpessoais estão relacionados à comunicação das enfermeiras com os 
pacientes a fim de coletar os dados. Os técnicos envolvem habilidades com a coleta 
da história de saúde, avaliação do indivíduo, da família e a realização de exame 
físico. E os intelectuais estão relacionados ao desenvolvimento da inteligência e uso 
do pensamento crítico para coletar e analisaros dados, tomando decisões 
posteriormente. 
Após a identificação dos diagnósticos de enfermagem, a enfermeira, junto 
com o paciente ou com a família, deve planejar o cuidado de enfermagem e, nesse 
planejamento, estarão contidas as intervenções de enfermagem. Para essas 
intervenções já existe um sistema padronizado de linguagem: a Classificação das 
Intervenções de Enfermagem (NIC). 
A NIC é uma taxonomia abrangente que engloba intervenções de 
enfermagem da prática generalista até as áreas de especialidade, e pode ser 
utilizada por diferentes pessoas em diversas partes do mundo. O foco de atenção 
são as ações das enfermeiras para auxiliar o paciente na obtenção do resultado 
desejado (DOCHTERMAN; BULECHEK, 2008). 
Em 1987, uma equipe da Universidade de Iowa desenvolveu a NIC. Como 
uma linguagem abrangente e padronizada das intervenções executadas pelos 
 
 
29 
 
enfermeiras, inclui todas as intervenções utilizadas por estes profissionais, 
colaborativas ou independentes, no cuidado direto ou indireto (MCCLOSKEY; 
BULECHEK, 2008). 
Como asseveram Napoleão, Chianca, Carvalho et al. (2006), a NIC é uma 
taxonomia de grande interesse para a enfermagem mundial, e especificamente para 
a enfermagem no Brasil, pois busca formas de sistematizar o cuidado de 
enfermagem nas instituições de saúde. 
Além disso, é um sistema útil para a documentação clínica, para a 
comunicação de diferentes cuidados entre unidades de tratamento, integração de 
dados em sistema de informação, eficácia das pesquisas, medida de produtividade, 
avaliação de competências e para o planejamento curricular (MCCLOSKEY; 
BULECHEK, 2008). 
De acordo com Guimarães e Barros (2003), para implementar a NIC com 
qualidade e visibilidade das ações das enfermeiras, faz-se necessário estabelecer o 
que é competência das enfermeiras ou atividades independentes e o que é 
dependente de ordens médicas ou atividades dependentes. 
Para a escolha de uma intervenção de enfermagem, alguns fatores devem 
ser considerados, tais como: os resultados esperados do paciente, as características 
dos diagnósticos de enfermagem, a base para a pesquisa de intervenção, a 
exeqüibilidade para realizar intervenções, a aceitação do paciente e a capacidade 
das enfermeiras (JOHNSON; MAAS; MOORHEAD, 2005). 
Essa classificação possui quatro edições. A primeira foi publicada em 1992 
e constava de 366 intervenções. A segunda é de 1996 e era composta de 433 
intervenções. Já a terceira é de 2000, e incluía 486 intervenções. Na quarta edição, 
publicada em 2008, há um total de 514 intervenções. 
 Todas as edições têm a mesma formatação, com título, definição e lista de 
atividades que o enfermeiro poderá executar. As necessidades podem ser 
selecionadas ou modificadas, conforme a condição do cliente, seja indivíduo ou 
comunidade (DOCHTERMAN; BULECHEK, 2008). 
Para facilitar a utilização, as intervenções de enfermagem estão agrupadas 
em trinta classes e sete domínios. Os domínios são: fisiológico básico e fisiológico 
complexo, comportamental, segurança, família, sistema de saúde e comunidade 
(DOCHTERMAN; BULECHEK, 2008). 
 
 
30 
 
A NIC é considerada importante recurso para favorecer a prática de 
enfermagem, tanto no ensino como na pesquisa e cuidado. De acordo com estudo 
de Napoleão, Chianca, Carvalho et al. (2006), a variedade de pesquisas sobre a NIC 
permite uma noção de sua magnitude para a enfermagem, além de contribuir para a 
realização de outras pesquisas voltadas a revelar novos aspectos de conhecimento 
relativo a tal taxonomia. 
Como ressaltado por Mccloskey e Bulechek (2004), houve desde cedo a 
percepção de que seria necessária uma classificação para os resultados esperados 
dos pacientes a fim de completar as exigências para a documentação de um 
encontro clínico de enfermagem. 
Assim, alguns anos depois do desenvolvimento da NIC, em 1991, 
determinados membros da equipe da Universidade de Iowa desenvolveram a 
Classificação dos Resultados (NOC) atrelados ao cuidado de enfermagem, sendo a 
primeira edição publicada em 1997, com 190 resultados (JOHNSON; MAAS; 
MOORHEAD, 2004). 
Em 2000 foi publicada a segunda edição, da qual constam 260 resultados 
divididos em 29 classes e 7 domínios: saúde funcional, saúde fisiológica, saúde 
psicossocial, conhecimento e comportamento da saúde, saúde percebida, saúde da 
família e saúde da comunidade. O resultado é composto de título, definição e lista de 
indicadores para avaliar a condição do paciente em relação aos resultados 
(JOHNSON; MAAS; MOORHEAD, 2004; JOHNSON; BULECHEK; DOCHTERMAN 
et al., 2005). 
A NOC é utilizada para avaliar os resultados nas intervenções de 
enfermagem. Tais resultados servem como critério para o julgamento do sucesso de 
uma intervenção de enfermagem e descrevem o estado, os comportamentos, as 
reações e os sentimentos do paciente em resposta ao cuidado que foi proporcionado 
(JOHNSON; BULECHEK; DOCHTERMAN et al., 2005). 
Salienta-se que um dos pontos do estudo é a identificação dos diagnósticos 
de enfermagem da NANDA (2008). Esses diagnósticos são elaborados por meio do 
raciocínio diagnóstico de Risner (1990), descrito a seguir. 
 
 
 
 
 
 
31 
 
3.3 Processo de raciocínio diagnóstico 
 
Para confirmar um diagnóstico de enfermagem identificado exige-se a 
utilização do raciocínio diagnóstico e este é descrito conforme o referencial adotado. 
Segundo Risner (1990), um diagnóstico de enfermagem deve ser expresso de forma 
clara e concisa. É o resultado de um processo e está baseado nas inferências 
elaboradas a partir dos dados obtidos. 
 De acordo com este autor, o raciocínio diagnóstico é dividido em duas 
fases: a análise e síntese dos dados coletados e o estabelecimento dos diagnósticos 
de enfermagem. 
A análise é a separação do material em partes que possuem características 
essenciais comuns e que se relacionam. Compreende a categorização dos dados e 
a identificação de lacunas e dados divergentes. Tal categorização é a análise e 
organização dos dados em grupos ou classes, de forma lógica e sistemática, em 
consonância com o referencial teórico adotado. 
Já a síntese é a combinação de partes ou elementos dentro de uma 
entidade única e compreende o seguinte: agrupamento dos dados, comparação dos 
dados, identificação de inferências e hipóteses diagnósticas. Por agrupamento dos 
dados entende-se a combinação de partes do todo que possuem relação entre si. A 
comparação dos dados é a determinação de critérios, padrões, aplicação de 
normas, teorias e modelos, isto é, a associação instantânea do quadro que o 
paciente apresenta com um padrão conhecido e aceito. E a identificação de 
inferências e hipóteses diagnósticas é a formulação de um diagnóstico de 
enfermagem a partir de um dado precoce do paciente. 
Como estabelecimento dos diagnósticos de enfermagem compreende-se o 
resultado do processo de raciocínio diagnóstico. O diagnóstico de enfermagem é o 
resultado de um processo e está alicerçado nas inferências elaboradas a partir dos 
dados obtidos. E a fase final de todo o processo compreendendo a nomeação e a 
validação das conclusões. 
Como mencionado, este estudo se fundamenta na Teoria de Enfermagem 
de Callista Roy. Por isto, a seguir será apresentado o referencial teórico nele 
utilizado. 
 
 
 
 
32 
 
4 REFERENCIAL TÉORICO (Teoria de Callista Roy) 
 
Para a enfermeira desenvolver um cuidado sistematizado, faz-se necessário 
o uso de um referencial teórico de enfermagem, e, então, esta profissional será 
capaz de aprimorar habilidades teórico-práticas, associar e correlacionar 
conhecimentos multidisciplinares e estabelecer relações de trabalho mais bem 
definidas e concretas (DALRI, 2000). 
Até a década de 1950, a prática da enfermagem, como a de outras da área 
de saúde, baseava-se exclusivamente no modelo biomédico. Entretanto, naquela 
década, a enfermagem inicia a busca de um conhecimento próprio para aprofissão, 
com vistas a um novo suporte teórico. Como conseqüência dessa busca, no final 
dos anos 1960 e por toda a década de 1970, manifestou-se a construção de um 
corpo de conhecimento de enfermagem expresso em teorias (GEORGE, 2000). 
Segundo Leopardi (2006), a teoria de enfermagem aparece no estágio mais 
recente do desenvolvimento histórico da profissão. A princípio, as tendências eram 
para questões sobre a prática (técnicas e procedimentos); posteriormente, para 
administração e gerência de cuidados. E, por fim, o estudo das teorias foi se 
consolidando. 
Por meio da compreensão do Modelo de Adaptação de Roy, via trabalhos 
como o de Roy e Andrews (1999), foi possível fundamentar o estudo e obter as 
seguintes informações. 
Callista Roy nasceu em 1939, nos Estados Unidos, e tem formação em 
enfermagem pediátrica. A primeira descrição formal do modelo de adaptação foi 
elaborada por Roy quando ainda era aluna de graduação na Universidade da 
Califórnia, Los Angeles. A base dos pressupostos científicos do seu modelo veio da 
teoria geral de sistemas de von Bertalanffy e da teoria de adaptação de Helson. E os 
pressupostos filosóficos advieram do humanismo e da veritivity. O humanismo é 
definido como parte de um movimento da psicologia e filosofia que reconhece a 
pessoa e a experiência da dimensão subjetiva dela como central para o 
conhecimento (ROY; ANDREWS, 1999). A veritivity é o fundamento do modelo e 
como tal afeta a visão da pessoa e do ambiente. Deve ser aplicada constantemente 
quando se usa o modelo. É entendida, portanto, como a finalidade comum da 
existência (ROY; ANDREWS, 1999; VILLALOBOS; ALARCÓN, 2002). 
 
 
33 
 
Na Teoria de Roy são desenvolvidos conceitos de ambiente, saúde, 
enfermagem, pessoa e adaptação, interrelacionando-os continuamente. Enquanto o 
ambiente representa todas as condições, circunstâncias e influências que afetam o 
desenvolvimento e o comportamento humano como um sistema adaptativo, com 
considerações particulares da pessoa, a saúde é um estado e processo de ser e 
tornar-se integrado como um todo. 
Já a enfermagem é a promoção de respostas adaptativas em relação aos 
modos adaptativos e a pessoa é vista como um sistema adaptativo e 
constantemente responde a estímulos do meio ambiente interno e externo. Pode 
ser um indivíduo, uma família, uma comunidade. Por adaptação entende-se uma 
resposta comportamental expressa pelas pessoas em constante interação com o 
ambiente, por mecanismos de enfrentamento refletidos a partir dos estímulos 
internos e externos (ROY; ANDREWS, 1999). 
Roy, em sua teoria, considera o homem como um sistema humano 
adaptativo holístico. A visão da pessoa como sistema adaptativo é representada 
pelo input, que são os estímulos; pelo controle, que representam os mecanismos de 
enfrentamento; pelo output, que são os comportamentos encontrados, e pelo 
feedback ou retroalimentação. 
O modelo de adaptação de Roy descreve três classes de estímulos, quais 
sejam: focais, contextuais e residuais. Os focais são os estímulos internos e 
externos mais imediatamente presentes na consciência humana e afetam 
diretamente a pessoa. 
Os contextuais são aqueles que estão presentes nas situações e 
contribuem para afetar o estímulo focal. E os residuais são os fatores capazes de 
afetar o comportamento. Estes nem sempre são conhecidos pelos pacientes (ROY; 
ANDREWS, 1999; GEORGE, 2000). Mencionadas categorias são passíveis de 
mensuração, portanto, podem ser aplicadas na prática. 
Como o surgimento de estímulos leva à necessidade de respostas por parte 
da pessoa, são acionados os mecanismos de enfrentamento, que podem ser inatos 
ou adquiridos. Tais mecanismos estão divididos em dois subsistemas: o regulador, 
que envolve os sistemas químicos, neuronais e endócrinos; e o cognato, que 
abrange os canais cognitivo-emocionais. Não se pode observar diretamente o 
funcionamento desses subsistemas, mas sim as respostas por eles produzidas. E 
essas respostas podem ser percebidas por meio dos quatro modos adaptativos: 
 
 
34 
 
fisiológico, desempenho de papel, autoconceito, e interdependência (ROY; 
ANDREWS, 1999). 
Ao considerar que no presente modelo a meta da enfermagem é promover a 
adaptação, Roy identifica a utilidade de uma tipologia de indicadores de adaptação 
positiva associada com cada modo. Ademais, descreve uma tipologia dos problemas 
de adaptação. 
Em seguida, serão apresentadas as tipologias de indicadores de adaptação 
positiva e de problemas de adaptação segundo o modelo de Roy. 
O modo fisiológico diz respeito à resposta física aos estímulos ambientais. 
Esse modo envolve cinco necessidades básicas (oxigenação; nutrição; proteção; 
eliminação; atividade e repouso) e quatro processos complexos (função neurológica; 
função endócrina; sentidos; eletrólitos, fluídos e balanço ácido-base) (ROY; 
ANDREWS, 1999). Tal modo é apresentado no Quadro 4. 
QUADRO 4 - Tipologia de indicadores de adaptação positiva e de problemas 
comuns de adaptação segundo o modo fisiológico de Callista Roy. 
MODO FISIOLÓGICO 
Tipologia de indicadores de adaptação positiva Tipologia de problemas comuns de adaptação 
Oxigenação 
Processos de ventilação estáveis 
Padrão de troca gasosa estável 
Transporte de gases adequados 
Processos de adequação compensados 
 
Oxigenação 
Hipóxia 
Choque 
Deficiência ventilatória 
Troca de gases inadequada 
Transporte de gás inadequado 
Perfusão tissular alterada 
Mau recrutamento dos processos 
compensatórios para necessidade de troca de 
oxigênio 
Nutrição 
Processos digestivos estáveis 
Padrão nutricional adequado para as exigências do 
organismo 
Necessidades nutricionais e metabólicas 
preenchidas durante os meios alterados de 
ingestão 
 
Nutrição 
Nutrição maior ou menor que as necessidades 
do organismo 
Anorexia 
Náuseas e vômitos 
Estratégias de enfrentamento ineficientes para 
a eliminação alterada 
Eliminação 
Processos intestinais homeostáticos efetivos 
Padrão estável de eliminação intestinal 
Processos de formação de urina efetivos 
Padrão de eliminação urinária estável 
Estratégias de enfrentamento efetivas para 
eliminação alterada 
 
 
 
 
Eliminação 
Diarréia 
Incontinência intestinal 
Constipação 
Incontinência urinária 
Retenção urinária 
Flatulência 
Estratégias de enfrentamento ineficientes para 
a eliminação alterada 
 
 
35 
 
Atividade e repouso 
Processos de mobilidade integrados 
Recrutamento adequado dos processos de 
movimentos compensatórios durante a inatividade 
Padrão efetivo de atividade e repouso 
Modificações ambientais efetivas para as 
condições de sono alteradas 
Atividade e repouso 
Imobilidade 
Intolerância à atividade 
Padrão inadequado de atividade e repouso 
Mobilidade, andar e /ou coordenação restritos 
Síndrome do desuso 
Potencial para distúrbio no padrão do sono 
Fadiga 
Privação do sono 
Proteção 
Pele íntegra 
Resposta de cicatrização efetiva 
Proteção secundária adequada para as 
modificações na integridade da pele e no estado 
imunológico 
Processos de imunidade efetivos 
Regulação de temperatura efetiva 
 
Proteção 
Integridade de pele prejudicada 
Escaras 
Prurido 
Cicatrização retardada 
Infecção 
Potencial para enfrentamento ineficiente da 
reação alérgica 
Enfrentamento ineficiente das modificações do 
estado imunológico 
Regulação da temperatura inefetiva 
Febre 
Hipotermia 
 Sentidos 
Processos de sensações efetivos 
Integração efetiva da entrada sensorial à 
informação 
Padrões estáveis de percepção, interpretação e 
apreciação de entrada 
Estratégias de enfrentamento efetivas para 
sensibilidade alterada 
Sentidos 
Deficiência de um sentido primário 
Potencial para lesão 
Perda de habilidade de autocuidado 
Monotonia ou distorção sensorial 
Sobrecarga ou privação sensorial 
Potencial para comunicação distorcida 
Dor aguda 
Dor crônica 
Deficiência perceptiva 
Estratégias ineficientes para a deficiência 
sensorial 
Fluidos e eletrólitos 
Processos estáveisde equilíbrio hídrico 
Estabilidade de eletrólitos nos líquidos dos 
organismos 
Equilíbrio no sistema ácido-base 
Regulagem efetiva de proteção química 
Fluidos e eletrólitos 
Desidratação 
Edema 
Retenção de líquido intracelular 
Choque 
Hiper ou hipo calcemia, calemia ou natremia 
Desequilibrio ácido-base 
Regulagem ineficiente da proteção para a 
mudança do pH 
Função neurológica 
Processos efetivos de excitação/atenção; 
sensação/percepção; codificação, formação de 
conceitos, memória, linguagem; planejamento, 
resposta motora 
Processos de pensamento e sentimentos 
integrados 
Plasticidade e eficiência funcional no 
desenvolvimento, envelhecimento e nas alterações 
do sistema nervoso 
Função neurológica 
Nível de consciência diminuído 
Processamento cognitivo deficiente 
Déficit de memória 
Instabilidade de comportamento e humor 
Compensação inefetiva para déficit cognitivo 
Potencial para dano cerebral secundário 
 
Função endócrina 
Regulação hormonal efetiva dos processos 
metabólicos e orgânicos 
Regulagem hormonal efetiva do desenvolvimento 
reprodutor 
Padrões estáveis dos sistemas hormonais; 
feedback negativo 
Função endócrina 
Regulação hormonal inefetiva 
Desenvolvimento reprodutivo ineficiente 
Instabilidade dos sistemas hormonais 
Instabilidades dos ritmos internos cíclicos 
Estresse 
 
 
 
36 
 
Padrões estáveis dos ritmos dos hormônios 
cíclicos 
Estratégias de enfrentamento efetivas para o 
estresse 
Fonte: Roy e Andrews (1999). 
 
O desempenho de papel, outro modo adaptativo, representa os aspectos 
sociais relacionados aos papéis que a pessoa ocupa na sociedade (ROY; 
ANDREWS, 1999), está exposto no Quadro 5. 
QUADRO 5 - Tipologia de indicadores de adaptação positiva e de problemas 
comuns de adaptação segundo o modo de desempenho de papel de Callista Roy. 
 
MODO DE DESEMPENHO DE PAPEL 
Tipologia de indicadores de adaptação positiva Tipologia de problemas comuns de adaptação 
Clareza de papel 
Processos efetivos de transição de papel 
Integração dos comportamentos de papéis 
primário, secundário e terciário 
Padrão efetivo de desempenho de papel 
Processos efetivos de enfrentamento das 
modificações dos papéis 
Desempenho de papel responsável 
Padrão estável de domínio de papel 
Transição de papel inefetivo 
Distância do papel prolongado 
Conflito de papel 
Falha no papel 
Ambigüidade no papel 
 
Fonte: Roy e Andrews(1999). 
 
Já o autoconceito, mais um modo adaptativo, enfoca os aspectos 
psicológicos e espirituais da pessoa. Manifesta a visão de si mesma, os valores e 
expectativas. É dividido em eu físico e eu pessoal, como mostra o Quadro 6 (ROY; 
ANDREWS, 1999). 
QUADRO 6 - Tipologia de indicadores de adaptação positiva e de problemas 
comuns de adaptação segundo o modo de autoconceito de Callista Roy. 
MODO DE AUTOCONCEITO 
Tipologia de indicadores de adaptação positiva Tipologia de problemas comuns de adaptação 
Eu físico 
Imagem corporal positiva 
Função sexual efetiva 
Integridade psíquica com crescimento físico 
Compensação adequada para as modificações 
corporais 
Estratégias de enfrentamento efetivas para a 
perda 
Eu pessoal 
Padrão estável de autocoerência 
Integração efetiva de auto-ideal 
Auto-estima funcional 
Estratégias de enfrentamento efetivas para as 
ameaças do ser 
Eu físico 
Perturbação da imagem corporal 
Disfunção sexual 
Síndrome pelo trauma do estupro 
Perda 
 
 
 
 
Eu pessoal 
Ansiedade 
Impotência 
Culpa 
Baixa auto-estima 
Fonte: Roy e Andrews(1999). 
 
 
 
37 
 
Após os três modos mencionados, passa-se ao modo de interdependência. 
Este modo abrange as relações interativas que a pessoa mantém com os outros na 
tentativa de obter satisfação de suas necessidades (ROY; ANDREWS, 1999), como 
consta no Quadro 7. 
QUADRO 7 - Tipologia de indicadores de adaptação positiva e de problemas 
comuns de adaptação segundo o modo de interdependência de Callista Roy. 
 
MODO DE INTERDEPENDÊNCIA 
Tipologia de indicadores de adaptação positiva Tipologia de problemas comuns de adaptação 
recorrentes 
Padrão estável de dar e receber energia 
Padrões efetivos de isolamento e relacionamento 
Estratégias de enfrentamento efetivas para 
separação e solidão 
Padrão inefetivo de dar e receber energia 
Padrões inefetivos de isolamento e 
relacionamento 
Ansiedade de separação 
Isolamento 
Fonte: Roy e Andrews(1999). 
 
Com vistas a promover a adaptação, a partir da observação dos dados 
obtidos, a enfermeira avalia se as respostas são adaptativas ou não em relação aos 
modos adaptativos. 
Conforme ressaltado, a Teoria de Roy pode ser usado em várias situações 
e contextos, e pode envolver a pessoa, família, comunidade, sociedade, sempre 
enfocando a participação destes nos cuidados. 
De acordo com Roy e Andrews (1999), o processo de enfermagem descrito 
por Roy relaciona-se diretamente com a visão do comportamento humano como 
sistema adaptativo e corresponde aos seguintes passos: 
1. avaliação do comportamento 
2. avaliação do estímulo 
3. diagnóstico de enfermagem 
4. estabelecimento de metas 
5. intervenção 
6. evolução. 
A etapa inicial (avaliação de comportamento) é a coleta de dados apoiada 
nos quatro modos adaptativos: fisiológico, desempenho de papel, autoconceito e 
interdependência sobre os comportamentos da pessoa. Estes modos são descritos 
com base em dados objetivos e subjetivos. Após, então, a enfermeira passa à 
segunda etapa, avaliação dos estímulos, na qual identifica as respostas adaptativas 
ou inefetivas. 
 
 
38 
 
A terceira etapa é o diagnóstico de enfermagem, quando os dados são 
interpretados. Roy descreve três maneiras de formulação de diagnóstico. Na 
primeira se utiliza uma tipologia de diagnósticos desenvolvida pela autora e 
relacionada com os quatro modos adaptativos. Na segunda, o diagnóstico é feito a 
partir da resposta observada de modo conjunto aos estímulos mais influentes. E, na 
terceira, as respostas são resumidas em um ou mais modos adaptativos 
relacionados com o mesmo estímulo. 
Conforme consta no livro de Roy e Andrews (1999), as autoras estabelecem 
no final de cada modo (fisiológico, desempenho de papel, autoconceito e 
interdependência,) uma associação com os diagnósticos de enfermagem da 
NANDA. 
A quarta etapa é o estabelecimento de metas, isto é, comportamentos finais 
a serem alcançados pela pessoa, por meio dos cuidados de enfermagem. Após 
esta, vem a quinta etapa, denominada de intervenção, com a finalidade de alterar ou 
controlar os estímulos focais ou contextuais. Por fim, a sexta etapa, a evolução, na 
qual as metas de comportamentos são comparadas com os comportamentos de 
saída da pessoa. Nesse momento, as respostas comportamentais são reavaliadas e 
podem ser ajustadas conforme a necessidade. 
Como a meta da enfermagem é promover as respostas adaptativas em 
relação aos quatro modos adaptativos, e essas respostas são as que se relacionam 
positivamente com a saúde, o objetivo do profissional desta área do saber é reduzir 
as respostas adaptativas ineficientes e promover a saúde em todos os processos de 
vida. Desta forma, considera a pessoa adaptada quando se encontra em equilíbrio 
consigo mesma e mantendo relacionamento harmonioso com os outros. Logo, o 
período de adaptação relaciona-se com a volta ao bem-estar físico, psíquico e social 
(ROY; ANDREWS, 1999). 
Para Leopardi (2006), a relação paciente-enfermeira é considerada 
importante por Roy. Mediante respostas adaptativas ou inefetivas, as enfermeiras 
agem e manipulam o que julgam indispensável para ocorrer adaptação. Mas os 
valores do paciente devem ser respeitados e considerados centrais a fim de reduzir 
as reações ineficazes e promover respostas adaptativas. 
Entretanto, a interação entre enfermeiras e pacientes com IC é um desafio, 
sobretudo por desencadear reflexões sobre o comportamento do homem. Tais 
reflexões, porém, são fundamentais em virtude de desenvolverem uma consciência 
 
 
39 
 
crítica no profissional, fazendo-o

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