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Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma 
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u 
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
RESUMO DA UNIDADE 
 
Esta unidade analisará os Procedimentos Trabalhistas, antes, porém, para melhor 
compreensão e aprendizado do aluno, serão abordadas questões introdutórias 
necessárias à elucidação do tema. Para tanto, especificamente, o estudo cuida de 
explanar sobre os seguintes pontos: (I) Introdução aos procedimentos trabalhistas 
compreendendo: a) Processo e procedimento, destacando-se a natureza jurídica do 
processo e o conceito de procedimento, além do pressupostos processuais; b) O 
sincretismo processual, ou seja, sua divisão em fases de conhecimento e execução 
dentro de uma mesma relação processual e processo; c) Nulidades processuais; d) 
Formação, suspensão e extinção do processo; (II) Formas de solução de conflitos e 
procedimentos comuns, onde será abordado acerca: a) Das formação de solução de 
conflito, como a arbitragem, a conciliação, a mediação, a figura da comissão de 
conciliação prévia, além da novidade trazida pela Reforma Trabalhista, disciplinando 
um procedimento de jurisdição voluntária na Justiça do Trabalho com a 
homologação do acordo extrajudicial; b) Procedimentos comuns, quais sejam, o 
sumário, o sumaríssimo e o ordinário; e (III) Os procedimentos especiais: nesse 
último capítulo o estudo está voltado para a análise: a) Do inquérito judicial para 
apuração de falta grave; b) A ação de consignação em pagamento; c) A ação 
rescisória; d) O mandado de segurança; e) A ação civil pública; f) Ação monitória na 
justiça do trabalho e g) A ação anulatória. 
 
Palavras-chave: Processo do Trabalho. Processo e Procedimento. Procedimentos 
Trabalhistas. Jurisdição Voluntária. Procedimentos Comuns. Procedimentos 
Especiais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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SUMÁRIO 
 
APRESENTAÇÃO DO MÓDULO .........................................................................................3 
CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO AOS PROCEDIMENTOS TRABALHISTAS...............5 
1.1 Processo e Procedimento ........................................................................................5 
1.1.1 Natureza Jurídica do Processo e o Conceito de Procedimento ........................5 
1.1.2 Pressupostos Processuais ......................................................................................7 
1.2 Sincretismo Processual ......................................................................................... 15 
1.3 Nulidades Processuais .......................................................................................... 16 
1.4 Formação, Suspensão e Extinção do Processo ............................................... 21 
1.4.1 Formação do Processo ......................................................................................... 21 
1.4.2 Suspensão do Processo ....................................................................................... 22 
1.4.3 Extinção do Processo ............................................................................................ 25 
CAPÍTULO 2 – FORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS E PROCEDIMENTOS 
COMUNS................................................................................................................................ 28 
2.1 Formas de Solução de Conflitos.......................................................................... 28 
2.1.1 Arbitragem ............................................................................................................... 29 
2.1.2 Formas Consensuais de Solução de Conflito e Jurisdição Voluntária .......... 33 
2.2 Procedimentos Comuns ........................................................................................ 41 
2.2.1 Procedimento Sumário .......................................................................................... 41 
2.2.2 Procedimento Sumaríssimo ................................................................................. 42 
2.2.3 Procedimento Ordinário ........................................................................................ 47 
CAPÍTULO 3 – PROCEDIMENTOS ESPECIAIS ........................................................... 48 
3.1 Inquérito Judicial para Apuração de Falta Grave.............................................. 48 
3.2 Ação de Consignação em Pagamento ............................................................... 52 
3.3 Ação Rescisória...................................................................................................... 54 
3.4 Mandado de Segurança ........................................................................................ 60 
3.5 Ação Civil Pública................................................................................................... 64 
3.6 Ação Monitória ........................................................................................................ 67 
3.7 Ação Anulatória ...................................................................................................... 68 
REFERÊNCIAS..................................................................................................................... 70 
 
3 
 
 
 
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APRESENTAÇÃO DO MÓDULO 
 
O presente módulo tem por objetivo analisar com especificidade os 
Procedimentos no Processo do Trabalho, antes, porém, para melhor compreensão e 
aprendizado do aluno, serão abordadas questões introdutórias n ecessárias à 
elucidação do tema. 
Para tanto, será estudado incialmente sobre o Processo e o Procedimento, 
conceituando-se um e outro, além de trazer a visão da doutrina acerca da natureza 
jurídica do processo, bem como a análise dos pressupostos processuais adotados 
pela doutrina majoritária, vez que existe discussão acerca da classificação de tais 
pressupostos. 
Ainda no primeiro capítulo será abordado sobre o sincretismo processual, ou 
como também conhecido: Processo sincrético, ou seja, a subdivisão do processo em 
fase de conhecimento e de execução em processo único na justiça do trabalho. 
Serão analisadas as Nulidades processuais, as Relativas, ou seja, aquelas que 
devem ser manifestadas desde logo, a partir do momento que a parte toma 
conhecimento e deve se manifestar nos autos, sob de pena de preclusão, de perder 
o direito de alegar a nulidade observada; bem como as Nulidades absolutas, aquelas 
que por serem de ordem pública não estão sujeitas a preclusão podendo ser 
alegadas e reconhecidas judicialmente, inclusive de ofício, a qualquer momento do 
processo. 
Por fim, serão tecidas algumas considerações sobre a formação, às hipóteses 
de suspensão processual, bem como a extinção do processo. Em palavras singelas, 
irá ser observado seu nascimento, paralização e morte. 
Indo para o segundo capítulo, serão observadas as formas de solução de 
conflitos, com ou sem a intervenção do poder judiciário, como a Arbitragem, a 
Conciliação, a Mediação, a figura da Comissão de Conciliação prévia, além da 
novidade trazida pela Reforma Trabalhista,o 
preenchimento dos requisitos do art. 507-A da CLT, notadamente receber salário 
superior a duas vezes o teto do RGPS, sendo neste particular considerado 
hipersuficiente. Contudo, para pactuar livremente as condições de seu contrato de 
trabalho, o empregado nos moldes do art. 444, parágrafo único, da CLT, deve 
possuir ainda diploma de nível superior: “A livre estipulação a que se refere o caput 
deste artigo aplica-se às hipóteses previstas no art. 611-A desta Consolidação, com 
a mesma eficácia legal e preponderância sobre os instrumentos coletivos, no caso 
de empregado portador de diploma de nível superior e que perceba salário mensal 
igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de 
Previdência Social”. 
 
Conforme já observado, uma cláusula compromissória desencadeia a 
existência da arbitragem. 
Nos termos do art. 13 da Lei de Arbitragem: “Pode ser árbitro qualquer pessoa 
capaz e que tenha a confiança das partes”. Por outro lado, nos termos do art. 14: 
“Estão impedidos de funcionar como árbitros as pessoas que tenham, com as partes 
ou com o litígio que lhes for submetido, algumas das relações que caracterizam os 
casos de impedimento ou suspeição de juízes, aplicando-se lhes, no que couberem, 
os mesmos deveres e responsabilidades, conforme previsto no Código de Processo 
Civil”. 
Outrossim, impende salientar que o Ministério Público do Trabalho poderá 
atuar como arbitro se eleito pelas partes, nos termos do art. 83, XI da LC nº. 
75/1993, nos dissídios de competência da Justiça do Trabalho. 
Nos termos do art. 13, §6º: “No desempenho de sua função, o árbitro deverá 
proceder com imparcialidade, independência, competência, diligência e discrição”. 
Bem por isso, conforme art. 17: “Os árbitros, quando no exercício de suas 
funções ou em razão delas, ficam equiparados aos funcionários públicos, para os 
efeitos da legislação penal”. 
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Frisa-se que: “O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não 
fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário” (art. 18). 
Conforme alude o art. 19, será considerada instituída a arbitragem quando 
aceita a nomeação pelo árbitro, se for único, ou por todos, se forem vários, sendo 
que nos moldes do parágrafo segundo: “A instituição da arbitragem interrompe a 
prescrição, retroagindo à data do requerimento de sua instauração, ainda que extinta 
a arbitragem por ausência de jurisdição”. 
A arbitragem obedecerá ao procedimento estabelecido pelas partes na 
convenção de arbitragem, que poderá reportar-se às regras de um órgão arbitral 
institucional ou entidade especializada, facultando-se, ainda, às partes delegar ao 
próprio árbitro, ou ao tribunal arbitral, regular o procedimento. Não havendo 
estipulação acerca do procedimento, caberá ao árbitro ou ao tribunal arbitral 
discipliná-lo (art. 21, §1º). 
O procedimento começa com tentativa de conciliação das partes: “Competirá 
ao árbitro ou ao tribunal arbitral, no início do procedimento, tentar a conciliação das 
partes”, aplicando-se, no que couber o art. 28 desta Lei art. 21, §4º. 
Ressalta-se que, antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer 
ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência art. 22-A. 
Com relação à possibilidade de dilação probatória: “Poderá o árbitro ou o 
tribunal arbitral tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhas e determinar a 
realização de perícias ou outras provas que julgar necessárias, mediante 
requerimento das partes ou de ofício” art. 22. 
Nos termos do art. 22-C, é possível que árbitro ou o tribunal arbitral expeça 
carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o 
cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro. 
Por fim, a sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. 
Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis 
meses, contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro art. 23. 
 
ATENÇÃO: Para aprofundar no tema, recomenda-se ao aluno a leitura integral da 
Lei de Arbitragem, disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9307.htm 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9307.htm
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Impende destacar que a arbitragem, como visto no capítulo anterior, por ser 
pressuposto processual negativo de validade, ou seja, a sua existência gera a 
extinção do processo sem resolução do mérito, não permite, em regra, que o 
judiciário intervenha nas decisões proferidas pelo árbitro. 
Contudo, é possível a declaração de nulidade da cláusula compromissória por 
meio de Reclamação Trabalhista, caso demonstrado que: a cláusula foi firmada por 
agente incapaz, o objeto versa sobre direitos indisponíveis, não foi observada a 
forma prescrita em lei ou a há vício de vontade. 
Outrossim, mesma sendo válida a cláusula compromissória a sentença arbitral 
pode ser atacada judicialmente apenas nos casos de vícios formais, não sendo 
possível, contudo, a reforma ou revogação do mérito da decisão, conforme art. 32 e 
33, (MIÉSSA, 2019, p. 187). 
Art. 32. É nula a sentença arbitral se: 
I - for nula a convenção de arbitragem; 
II - emanou de quem não podia ser árbitro; 
III - não contiver os requisitos do art. 26 desta Lei; 
IV - for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem; 
V - Revogado pela Lei nº 13.129, de 2015; 
VI - comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão ou 
corrupção passiva; 
VII - proferida fora do prazo, respeitado o disposto no art. 12, inciso III, 
desta Lei; 
VIII - forem desrespeitados os princípios de que trata o art. 21, § 2º, desta 
Lei. 
 
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário 
competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos 
previstos nesta Lei. 
 
 Ainda assim, no caso do parágrafo anterior e conforme art. 33, §1º: “A 
demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou final, 
seguirá as regras do procedimento comum, previstas na Lei no 5.869, de 11 de 
janeiro de 1973 Código de Processo Civil, e deverá ser proposta no prazo de até 90 
(noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou 
final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos”. 
 
 
 
 
 
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2.1.2 Formas Consensuais de Solução de Conflito e Jurisdição Voluntária 
 
2.1.2.1 Mediação e Conciliação 
A Resolução 174/2016 do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) 
dispõe sobre a política judiciária nacional de tratamento adequado das disputas de 
interesses no âmbito do Poder Judiciário Trabalhista e dá outras providências. 
Aludida resolução traz ainda a diferença entre mediação e conciliação da 
seguinte forma: 
Conciliação: “é o meio alternativo de resolução de disputas emque as partes 
confiam a uma terceira pessoa – magistrado ou servidor público por este sempre 
supervisionado, a função de aproximá-las, empoderá-las e orientá-las na construção 
de um acordo quando a lide já está instaurada, com a criação ou proposta de 
opções para composição do litígio” art. 1º, inciso I. 
Medição: “é o meio alternativo de resolução de disputas em que as partes 
confiam a uma terceira pessoa – magistrado ou servidor público por este sempre 
supervisionado, a função de aproximá-las, empoderá-las e orientá-las na construção 
de um acordo quando a lide já está instaurada, sem a criação ou proposta de 
opções para composição do litígio” art. 1º, inciso II. 
Outrossim, o art. 7º, §6º, esclarece que as conciliações e mediações realizadas 
no âmbito da Justiça do Trabalho somente terão validade nas hipóteses previstas na 
CLT, aí incluída a homologação pelo magistrado que supervisionou a audiência e a 
mediação pré-processual de conflitos coletivos, sendo inaplicáveis à Justiça do 
Trabalho as disposições referentes às Câmaras Privadas de Conciliação, Mediação 
e Arbitragem, e normas atinentes à conciliação e mediação extrajudicial e pré-
processual previstas no NCPC. 
Logo de rigor observar que a conciliação e a medição apenas serão permitidas 
no processo do trabalho se realizadas de forma judicial e nos termos estipulados na 
CLT, necessitando a homologação pelo juiz trabalhista. 
A mediação pré-processual, contudo, será permitida na hipótese de conflitos 
coletivos, nos moldes do art. 7º, §7º: “Podem ser submetidos ao procedimento da 
mediação pré-processual os conflitos coletivos”. 
 
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ATENÇÃO: Para aprofundar no assunto é recomendável que aluno estude a 
resolução na íntegra, disponível em: 
http://www.csjt.jus.br/c/document_library/get_file?uuid=235e3400-9476-47a0-8bbb-
bccacf94fab4&groupId=955023 
 
2.1.2.2 Comissão de Conciliação Prévia 
A finalidade da Comissão de Conciliação Prévia (CCP) é buscar a resolução de 
determinando conflito de forma extrajudicial, ou seja, sem a participação do Poder 
Judiciário, é, portanto, uma espécie de autocomposição. 
Salienta-se que a CCP apenas pode solucionar conflitos individuais e não 
coletivos, uma vez que estes últimos deverão ser resolvidos com a utilização da 
arbitragem, da mediação ou por meio de negociação coletiva acordo ou convenção 
coletiva de trabalho ou dissídio coletivo. 
Conforme art. 625-A da CLT: 
As empresas e os sindicatos podem instituir Comissões de Conciliação 
Prévia, de composição paritária, com representante dos empregados e dos 
empregadores, com a atribuição de tentar conciliar o conf lito individual do 
trabalho. Parágrafo único. As Comissões referidas no caput deste artigo 
poderão ser constituídas por grupos de empresas ou ter caráter 
intersindical. 
 
Tratando da composição da CCP o art. 625-B da CLT assim esclarece: 
Art. 625-B. A Comissão instituída no âmbito da empresa será composta de, 
no mínimo, dois e, no máximo, dez membros, e observará as seguintes 
normas: 
I - a metade de seus membros será indicada pelo empregador e outra 
metade eleita pelos empregados, em escrutínio secreto, f iscalizado pelo 
sindicato de categoria prof issional; 
II - haverá na Comissão tantos suplentes quantos forem os representantes 
titulares; 
III - o mandato dos seus membros, titulares e suplentes, é de um ano, 
permitida uma recondução. 
§ 1º É vedada a dispensa dos representantes dos empregados membros da 
Comissão de Conciliação Prévia, titulares e suplentes, até um ano após o 
f inal do mandato, salvo se cometerem falta grave, nos termos da lei. 
§ 2º O representante dos empregados desenvolverá seu trabalho normal na 
empresa afastando-se de suas atividades apenas quando convocado para 
atuar como conciliador, sendo computado como tempo de trabalho efetivo o 
despendido nessa atividade. 
 
Já no caso da comissão instituída no âmbito do sindicato, está deverá ter sua 
constituição e normas de funcionamento definidas em convenção ou acordo coletivo, 
nos termos do art. 625-C da CLT. 
http://www.csjt.jus.br/c/document_library/get_file?uuid=235e3400-9476-47a0-8bbb-bccacf94fab4&groupId=955023
http://www.csjt.jus.br/c/document_library/get_file?uuid=235e3400-9476-47a0-8bbb-bccacf94fab4&groupId=955023
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gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
Com relação à necessidade de submeter à demanda à CCP, o art. 625-D da 
CLT, disciplina que qualquer demanda de natureza trabalhista será submetida à 
Comissão de Conciliação Prévia se, na localidade da prestação de serviços, houver 
sido instituída a Comissão no âmbito da empresa ou do sindicato da categoria. 
Ocorre, contudo, que o STF, por meio da ADIN 2139-DF entendeu que a 
passagem pela CCP não é obrigatória, representando faculdade da parte. Assim, 
caso o Reclamante antes de ajuizar sua ação não passe pela CCP não haverá 
qualquer impedimento para que sua ação seja recebida e processada pela Justiça 
do Trabalho. 
Assevera-se que a conciliação firmada perante CCP acarreta dois efeitos: (I) 
possui eficácia liberatória geral, não podendo nenhuma matéria relacionada ao 
acordo ser rediscutida na Justiça do Trabalho, salvo as expressamente ressalvadas, 
conforme art. 625-E, parágrafo único da CLT; e (II) é título executivo extrajudicial, 
também com base no art. 625-E, parágrafo único da CLT, ou seja, uma vez não 
adimplido o acordo, o termo de conciliação pode ser executado diretamente na 
Justiça do Trabalho, sendo ajuizada desde logo ação de execução de título 
executivo extrajudicial. 
 
SAIBA MAIS: Informativo 29 do TST 
Comissão de Conciliação Prévia. Acordo firmado sem ressalvas. Eficácia liberatória 
geral. Parágrafo único do art. 625-E da CLT. 
Nos termos do parágrafo único do art. 625-E da CLT, o termo de conciliação, lavrado 
perante a Comissão de Conciliação Prévia regularmente constituída, possui eficácia 
liberatória geral, exceto quanto às parcelas ressalvadas expressamente. Em outras 
palavras, não há limitação dos efeitos liberatórios do acordo fi rmado sem ressalvas, 
pois o termo de conciliação constitui título executivo extrajudicial, com força de coisa 
julgada entre as partes, equivalendo a uma transação e abrangendo todas as 
parcelas oriundas do vínculo de emprego. Com esse posicionamento, a SBDI-I, em 
sua composição plena, por unanimidade, conheceu dos embargos, por divergência 
jurisprudencial, e, no mérito, pelo voto prevalente da Presidência, deu -lhes 
provimento para julgar extinto o processo sem resolução de mérito, na forma do art. 
267, IV, do CPC. Vencidos os Ministros Horácio Raymundo de Senna Pires, Rosa 
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gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
Maria Weber, Lélio Bentes Corrêa, Luiz Philippe Vieira de Melo Filho, Augusto César 
Leite de Carvalho, José Roberto Freire Pimenta e Delaíde Miranda Arantes, por 
entenderem que a quitação passada perante a Comissãode Conciliação Prévia não 
pode abranger parcela não inserida no correlato recibo. TST-E-RR-17400-
43.2006.5.01.0073, SBDI-I, rel. Min. Aloysio Corrêa da Veiga, 8.11.2012. 
 
2.1.2.3 A homologação do acordo extrajudicial processo de jurisdição 
voluntária 
Com o advento da Lei 13.467/2017 Reforma Trabalhista, a CLT passou a 
prever um processo de jurisdição voluntária, qual seja, a homologação do acordo 
extrajudicial, disciplinado nos arts. 855-B a 855-E da CLT caracteriza-se como sendo 
uma forma de autocomposição. 
 
FIQUE POR DENTRO: Conforme esclarece o professor Élisson Miessa (2019, p. 
195), a jurisdição voluntária já foi prevista no processo do trabalho para o caso dos 
trabalhadores rurais na época em que seus créditos eram imprescritíveis, conforme 
previa o art. 233 da CF/88: 
Art. 233. Para efeito do art. 7º, XXIX, o empregador rural comprovará, de 
cinco em cinco anos, perante a Justiça do Trabalho, o cumprimento das 
suas obrigações trabalhistas para com o empregado rural, na presença 
deste e de seu representante sindical. (Revogado pela Emenda 
Constitucional nº 28, de 25/05/2000). 
§1º Uma vez comprovado o cumprimento das obrigações mencionadas 
neste artigo, f ica o empregador isento de qualquer ônus decorrente 
daquelas obrigações no período respectivo. Caso o empregado e seu 
representante não concordem com a comprovação do empregador, caberá 
à Justiça do Trabalho a solução da controvérsia. 
§ 2º Fica ressalvado ao empregado, em qualquer hipótese, o direito de 
postular, judicialmente, os créditos que entender existir, relativamente aos 
últimos cinco anos. 
§ 3º A comprovação mencionada neste artigo poderá ser feita em prazo 
inferior a cinco anos, a critério do empregador. 
Com o advento da Emenda Constitucional nº. 28/2000 o artigo acima foi 
revogado e passou a não mais ser prevista jurisdição voluntária no processo do 
trabalho, que somente voltou a ser adotado com o advento da Lei 13.467/2017 
Reforma Trabalhista com a homologação do acordo extrajudicial. 
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Conforme retro explanado o procedimento para homologação do acordo 
extrajudicial vem disciplinado nos 855-B a 855-E da CLT. 
Basicamente é necessário que haja petição conjunta, conforme art. 855-B da 
CLT: “O processo de homologação de acordo extrajudicial terá início por petição 
conjunta, sendo obrigatória a representação das partes por advogado”. 
Outrossim, o parágrafo primeiro do art. 855-B impõe que as partes não poderão 
ser representadas por advogado comum, ou seja, cada parte patrão e empregado, 
deve possuir advogados distintos para evitar possíveis fraudes na utilização do 
instituto. 
Nos termos do parágrafo segundo do art. 855-B, é facultado ao trabalhador ser 
assistido pelo advogado do sindicato de sua categoria. 
Uma vez distribuída à petição de acordo, o juiz analisará o acordo no de quinze 
dias, podendo designar audiência se entender necessário e após será proferida 
sentença art. 855-D. 
Salienta-se que o prazo de 15 dias do magistrado é um prazo impróprio, ou 
seja, caso não observado não resultará em qualquer efeito processual. 
Frisa-se que a petição de homologação de acordo extrajudicial suspende o 
prazo prescricional da ação quanto aos direitos nela especificados que somente 
voltará a fluir no dia útil seguinte ao do trânsito em julgado da decisão que negar a 
homologação do acordo art. 855-E. 
Cabe ainda esclarecer que a realização de acordo extrajudicial não prejudica o 
prazo estabelecido no art. 477, §6º da CLT, qual seja o prazo de 10 dias para 
pagamento das verbas rescisórias e, uma vez não respeitado tal prazo, será 
aplicada a multa prevista no art. 477, §8º da CLT. 
Conforme esclarece MIESSA (2019, p. 198), sendo processo de jurisdição 
voluntária e, portanto, inexistente a sucumbência de qualquer das partes, inexistirá 
honorários sucumbenciais, sendo responsabilidade de cada parte adimplir com os 
honorários contratuais de seus respectivos patronos, aplicando-se analogicamente o 
art. 88 do CPC: “Nos procedimentos de jurisdição voluntária, as despesas serão 
adiantadas pelo requerente e rateadas entre os interessados”. 
MIESSA (2019, p. 198), assevera ainda que no processo do trabalho os efeitos 
da transação, ou seja, do acordo realizado, apenas surtirá seus efeitos com decisão 
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gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
judicial, podendo antes dessa, qualquer das partes, desistirem de forma unilateral do 
acordo anteriormente realizado. 
Ao analisar o acordo o juiz poderá homologá-lo ou não, sem que sua não 
homologação desafie qualquer espécie de recurso, conforme Súmula 418 do TST: 
MANDADO DE SEGURANÇA VISANDO À HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO 
(nova redação em decorrência do CPC de 2015) - Res. 217/2017 - DEJT 
divulgado em (20, 24 e 25.04.2017). A homologação de acordo constitui 
faculdade do juiz, inexistindo direito líquido e certo tutelável pela via do 
mandado de segurança. 
 
O juiz pode não homologar um acordo notadamente quando entender que não 
fora respeitado os requisitos legais ou que há, por exemplo, prejuízo para o 
empregado, fraude na negociação, sendo nesse caso o acordo para fazer com que o 
empregado renuncie direitos trabalhistas. 
Nesse caso a decisão deverá escorreitamente fundamentada, nos termos do 
art. 489, §1º do CPC7, nesse mesmo sentido é o Enunciado 10 do TST: “O juiz pode 
recusar a homologação do acordo, nos termos propostos, em decisão 
fundamentada. 
Já na hipótese de homologação do acordo realizado entre as partes, não 
haverá a possibilidade de nenhum recurso, visto que se trata de decisão irrecorrível, 
nos termos do art. 831, parágrafo único da CLT: “No caso de conciliação, o termo 
que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, salvo para a Previdência Social 
quanto às contribuições que lhe forem devidas”. 
No mesmo sentido é a Súmula 100, inciso V, do TST: “O acordo homologado 
judicialmente tem força de decisão irrecorrível, na forma do art. 831 da CLT”. Assim 
sendo, o termo conciliatório transita em julgado na data da sua homologação judicial. 
Embora o Colendo TST por meio da Súmula 259 entenda ser possível a 
impugnação do termo de conciliação apenas por ação rescisória, o que prevalece 
 
7 § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: 
I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou 
a questão decidida; 
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; 
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; 
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada 
pelo julgador; 
V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes 
nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; 
VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a 
existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. 
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parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u 
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
até então, o professor Élisson Miessa assevera que é de se esperar que o 
entendimento seja modificado, sendo no caso mais correta a utilização de ação 
anulatória, pela aplicação do art. 966, §4º do CPC: “Os atos de disposição de 
direitos, praticados pelas partes ou por outros participantes do processo e 
homologados pelo juízo, bem como os atos homologatórios praticados no curso da 
execução, estão sujeitos à anulação, nos termos da lei”. 
É importante salientar que, com a disciplina deste procedimento de jurisdição 
voluntária, o número de acordos extrajudiciais vem aumentando exponencialmente, 
vejamos: 
 
Imagem 1: Números de acordos extrajudiciais homologados 
 
Fonte: MIGALHAS, 2019. 
 
FIQUE POR DENTRO: Apenas para finalizar, recentemente, o TST entendeu 
que não é possível o Poder Judiciário questionar as cláusulas do acordo 
extrajudicial. O entendimento foi tomado no processo RR-1000015-
96.2018.5.02.0435 que corre na 4ª Turma e possui relatoria do Ministro Ives Gandra 
Martins. Em suas palavras: “A atuação do Judiciário na tarefa de jurisdição 
voluntária [acordo extrajudicial] é binária: homologar, ou não, o acordo. Não lhe é 
dado substituir-se às partes empregado ou empresa e homologar parcialmente o 
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gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
acordo”. Salientou ainda que: “Estando presentes os requisitos gerais do negócio 
jurídico e os específicos preconizados pela lei trabalhista, não há de se questionar a 
vontade das partes envolvidas e o mérito do acordado”. 
Vale a leitura do recente arresto: 
RECURSO DE REVISTA - ACORDO EXTRAJUDICIAL HOMOLOGADO EM 
JUÍZO - PROCEDIMENTO DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA - ARTS. 855-B 
A 855-E DA CLT - QUITAÇÃO GERAL - TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA. 1. 
Problema que sempre atormentou o empregador foi o relativo à rescisão do 
contrato de trabalho e da quitação dos haveres trabalhistas, de modo a não 
permanecer com a espada de Dâmocles sobre sua cabeça. 2. A inef icácia 
prática da homologação da rescisão contratual do sindicato, em face do teo r 
da Súmula 330 do TST, dada a não quitação integral do contrato de 
trabalho, levou a SBDI-2 desta Corte a não reputar simulada a lide visando 
à homologação de acordo pela Justiça do Trabalho, pois só assim se 
conseguiria colocar f im ao conf lito laboral e dar segurança jurídica às partes 
do distrato (cf r. TST-ROAR-103900-90.2005.5.04.0000, Rel. Min. Ives 
Gandra Martins Filho, DEJT de 12/09/08). 3. Para resolver tal problema, a 
Lei 13.467/17, em vigor desde 11/11/17, instituiu o procedimento de 
jurisdição voluntária na Justiça do Trabalho atinente à homologação, em 
juízo, de acordo extrajudicial, nos termos dos arts. 855-B a 855-E da CLT, 
juntamente com o f ito de colocar termo ao contrato de trabalho. 4. Da 
simples leitura dos novos comandos de lei, notadamente do art. 855-C da 
CLT, extrai-se a vocação prioritária dos acordos extrajudiciais para regular a 
rescisão contratual e, portanto, o f im da relação contratual de trabalho. Não 
fosse a possibilidade da quitação do contrato de trabalho com a chancela do 
Judiciário e o Capítulo III-A não teria sido acrescido ao Título X da CLT, que 
trata do Processo Judiciário do Trabalho. 5. Curial, ainda, trazer à baila, que 
a ideia que indelevelmente adere ao acordo extrajudicial é a de que, retirada 
uma das cláusulas que o compõem, a parte a quem ela favoreceria não 
faria o acordo. A alternativa que caberia ao Judiciário, portanto, seria a 
homologação integral ou a rejeição da proposta, se eivada de vícios. Tal 
entendimento resta corroborado pelo STF quanto à circunstância de a 
validade do acordo depender da homologação integral ou de sua rejeição 
total, não podendo ser balanceado pelo Poder Judiciário (Voto do Min. Teo ri 
Zavascki no leading case STF-RE 590.715/SC, Rel. Min. Roberto Barroso, 
DJe de 29/05/15). 6. Nesse sentido, o art. 855-B, §§ 1º e 2º, da CLT, que 
trata da apresentação do acordo extrajudicial à Justiça, a par dos requisitos 
gerais de validade dos negócios jurídicos que se aplicam ao direito do 
trabalho, nos termos do art. 8º, § 1º, da Lei Consolidada e que perfazem o 
ato jurídico perfeito (CC, art. 104 - agente capaz, objeto lícito e forma 
prescrita ou não vedada por lei), traçou as balizas para a apresentação do 
acordo extrajudicial apto à homologação judicial: petição conjunta dos 
interessados e advogados distintos, podendo haver assistência sindical para 
o trabalhador. 7. A petição conjuntamente assinada para a apresentação do 
requerimento de homologação ao juiz de piso serve à demonstração da 
anuência mútua dos interessados em por f im ao contratado, e, os 
advogados distintos, à garantia de que as pretensões estarão sendo 
individualmente respeitadas. Assim, a atuação do Judiciário Laboral na 
tarefa de jurisdição voluntária é binária: homologar, ou não, o acordo. Não 
lhe é dado substituir-se às partes e homologar parcialmente o acordo, se 
este tinha por f inalidade quitar integralmente o contrato de trabalho extinto. 
Em quitação geral, o Empregador não proporia o acordo, nem se dispo ria a 
manter todas as vantagens nele contidas. 8. No caso concreto, o Regional, 
mantendo a sentença, assentou a ausência de discriminação das parcelas 
às quais os Acordantes conferiam quitação geral e irrestrita, restringindo a 
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quitação a direitos mencionados no acordo e registrando, todavia, o 
cumprimento dos requisitos do art. 855-B da CLT e daqueles gerais 
estatuídos pela lei civil para a celebração de negócios em geral. 9. Nesse 
sentido, a conclusão acerca da invalidade, total ou parcial, do pacto 
extrajudicial, por ausência de verif icação de concessões mútuas e 
discriminação de parcelas diz menos com a validação extrínseca do negócio 
jurídico do que com a razoabilidade intrínseca do acordo, cujo 
questionamento não cabe ao Judiciário nesse procedimento, pois lhe 
esvazia o sentido e estabelece limites e discussões não queridos pelos 
Requerentes ao ajuizar o procedimento. 10. Ora, estando presentes os 
requisitos gerais do negócio jurídico e os específ icos preconizados pela lei 
trabalhista (CLT, art. 855-B), não há de se questionar a vontade das partes 
envolvidas e do mérito do acordado, notadamente quando a lei requer a 
presença de advogado para o empregado, rechaçando, nesta situação, o 
uso do jus postulandi do art. 791 da CLT, como se depreende do art. 855-B, 
§ 1º, da CLT. 11. Assim sendo, é válido o termo de transação extrajudicial 
apresentado pelas Interessadas, com quitação geral e irrestrita do contrato 
havido, nessas condições, que deve ser homologado. Recurso de revista 
provido. (TST - RR: 10000159620185020435 Relatores: Ives Gandra 
Martins Filho Data de Julgamento: 11/09/2019, 4ª Turma, Data de 
Publicação: DEJT 20/09/2019). 
 
2.2 Procedimentos Comuns 
 
2.2.1 Procedimento Sumário 
 
O procedimento sumário ou dissídio de alçada está disciplinado no art. 2º da 
Lei 5.584/1970, que dispõe: 
Art. 2º Nos dissídios individuais, proposta a conciliação, enão havendo 
acordo, o Presidente, da Junta ou o Juiz, antes de passar à instrução da 
causa, f ixar-lhe-á o valor para a determinação da alçada, se este for 
indeterminado no pedido. 
 
§ 1º Em audiência, ao aduzir razões f inais, poderá qualquer das partes, 
impugnar o valor f ixado e, se o Juiz o mantiver, pedir revisão da decisão, no 
prazo de 48 (quarenta e oito) horas, ao Presidente do Tribunal Regional. 
 
§ 2º O pedido de revisão, que não terá efeito suspensivo deverá ser 
instruído com a petição inicial e a Ata da Audiência, em cópia autenticada 
pela Secretaria da Junta, e será julgado em 48 (quarenta e oito) horas, a 
partir do seu recebimento pelo Presidente do Tribunal Regional. 
 
§ 3º Quando o valor f ixado para a causa, na forma deste artigo, não exceder 
de 2 (duas) vezes o salário-mínimo vigente na sede do Juízo, será 
dispensável o resumo dos depoimentos, devendo constar da Ata a 
conclusão da Junta quanto à matéria de fato. 
 
§ 4º - Salvo se versar sobre matéria constitucional, nenhum recurso caberá 
das sentenças proferidas nos dissídios da alçada a que se refere o 
parágrafo anterior, considerado, para esse f im, o valor do salário mínimo à 
data do ajuizamento da ação. 
 
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Verifica-se, portanto, sua utilização nas causas que não sejam superiores a 
dois salários mínimos, estes vigentes no momento/data do protocolo da ação 
trabalhista. 
Salienta-se que no procedimento sumário é permitido que o juiz de ofício defina 
o valor da causa. 
Cabe à parte contrária, uma vez fixado valor de até dois salários mínimos, 
impugnar o valor atribuído à causa em audiência no momento das razões finais. 
O juiz poderá admitir que o processo permaneça sob o rito sumário, sendo que 
neste caso haverá a possibilidade de utilização do pedido de revisão no prazo de 48 
horas. O pedido de revisão será direcionado ao Presiden te do Tribunal Regional do 
Trabalho, sendo instruído com a petição inicial e a ata de audiência. O recurso não 
possui efeito suspensivo e deverá ser julgado dentro de 48 horas. 
O resultado do pedido de revisão poderá ensejar: (I) a alteração do rito para 
sumaríssimo, caso seja acolhido que o valor será superior a dois salários mínimos; 
ou (II) mantida a ação no rito sumário, caso o pedido de revisão seja negado. 
O procedimento sumário, por sua simplicidade, dispensa o resumo dos 
depoimentos em ata de audiência, bastando que o magistrado faça constar sua 
conclusão quanto à matéria de fato. 
O cabimento de recursos no procedimento sumário é muito limitado, cabendo, 
em regra, apenas Recurso Extraordinário ao STF no caso de violação à matéria 
esculpida na Constituição Federal. 
Outrossim, nos termos da Súmula 365 do TST, o mandado de segurança e a 
ação rescisória são incompatíveis com o rito sumário: “Não se aplica a alçada em 
ação rescisória e em mandado de segurança”. 
 
2.2.2 Procedimento Sumaríssimo 
O procedimento ou rito sumaríssimo passou a ser previsto na CLT por meio do 
advento da Lei nº. 9.957/2000 com a inclusão dos artigos 852-A a 852-I. 
O procedimento sumaríssimo é aplicável aos processos cujo valor da causa 
não exceda 40 vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da ação 
trabalhista. 
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gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
O rito processual é norma de ordem pública, razão pela qual não cabe a parte 
escolher se sua ação se processará pelo procedimento ordinário ou sumaríssimo, 
partindo da própria a fixação do rito, quer seja pelo valor da causa, quer seja por 
vontade expressa do legislador em sentido contrário, como ocorre com as causas 
contra a Fazenda Pública que se processará pelo rito ordinário, independentemente 
do valor da causa. 
Art. 852-A da CLT. Os dissídios individuais cujo valor não exceda a 
quarenta vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da 
reclamação f icam submetidos ao procedimento sumaríssimo. 
 
Parágrafo único. Estão excluídas do procedimento sumaríssimo as 
demandas em que é parte a Administração Pública direta, autárquica e 
fundacional. 
 
Conforme salienta o professor Élisson Miessa (2019, p. 958), no processo do 
trabalho o valor da causa é o único critério observado para fixação do rito, 
independentemente da complexidade da causa. 
Salienta-se que o rito sumaríssimo é aplicado apenas aos dissídios individuais, 
não tendo incidência em ações civis públicas e ações civis coletivas. 
Mesmo no caso de ações plúrimas8, será aplicável o rito sumaríssimo caso o 
valor da causa não seja superior a 40 salários mínimos. 
Conforme art. 852-B, III, da CLT: “A apreciação da reclamação deverá ocorrer 
no prazo máximo de quinze dias do seu ajuizamento, podendo constar de pauta 
especial, se necessário, de acordo com o movimento judiciário da Junta de 
Conciliação e Julgamento”. 
Salienta-se que no rito sumaríssimo a petição inicial impende a observação de 
dois pontos: (I) o pedido deverá ser certo ou determinado e indicará o valor 
correspondente; e (II) não se fará citação por edital, incumbindo ao autor a correta 
indicação do nome e endereço do reclamado. 
 
8 Ação ou Reclamação Plúrima é aquela onde ocorre litisconsórcio ativo, vários autores contra a mesma 
empresa. A matéria está prevista no art. 842 da CLT: “Sendo várias as reclamações e havendo identidade de 
matéria, poderão ser acumuladas num só processo, se se tratar de empregados da mesma empresa ou 
estabelecimento”. O professor Carlos Henrique Bezerra Leite (2015, p. 568) vai mais além e assim esclarece: 
“Ocorre aí, segundo nos parece, uma cumulação subjetiva e objetiva de ações. Vale dizer, no processo do 
trabalho é lícito aos empregados de uma mesma empresa ou estabelecimento formar um litisconsórcio ativo 
facultativo (CPC, art. 45), desde que haja identidade de matérias, fenômeno que ocorre com bastante frequência 
e é intitulado de “dissídio individual plúrimo” ou “reclamatória plúrima” (CLT, art. 843)”. 
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Com relação à impossibilidade de citação por edital, assevera-se que este 
impedimento somente ocorre na fase de conhecimento, vez que na fase de 
execução é possível à citação por edital, aplicando-se o art. 880, §3º da CLT: “Se o 
executado, procurado por 2 (duas) vezes no espaço de 48 (quarenta e oito) horas, 
não for encontrado, far-se-á citação por edital, publicado no jornal oficial ou, na falta 
deste, afixado na sede da Junta ou Juízo, durante 5 (cinco) dias”. 
Caso, contudo, o réu esteja em lugar incerto e não sabido, e diante da 
impossibilidade de citação por edital, parte da doutrina entende ser o caso de 
conversão do procedimento sumaríssimo para ordinário e prosseguimento do feito 
com a citação editalília9. 
Não sendo preenchidos os requisitos constantes nos incisos I e II do art. 852-B, 
a reclamação trabalhista será arquivada (extinta sem resolução do mérito), nos 
termos do art. 852-B, §1º da CLT: “O não atendimento, pelo reclamante,do disposto 
nos incisos I e II deste artigo importará no arquivamento da reclamação e 
condenação ao pagamento de custas sobre o valor da causa”. 
No rito em estudo, ocorre a chamada audiência uma, servindo tanto para a 
tentativa de conciliação, instrução e julgamento, nos termos do art. 852-C da CLT: 
“As demandas sujeitas a rito sumaríssimo serão instruídas e julgadas em audiência 
única, sob a direção de juiz presidente ou substituto, que poderá ser convocado para 
atuar simultaneamente com o titular”. 
Conforme dicção do art. 852-D da CLT resta observar que o juiz dirigirá o 
processo com liberdade para determinar as provas a serem produzidas, considerado 
o ônus probatório de cada litigante, podendo limitar ou excluir as que considerarem 
excessivas, impertinentes ou protelatórias, bem como para apreciá-las e dar 
especial valor às regras de experiência comum ou técnica. 
Aberta a sessão, o juiz esclarecerá as partes presentes sobre as vantagens da 
conciliação e usará os meios adequados de persuasão para a solução conciliatória 
do litígio, em qualquer fase da audiência art. 852-E. Observa-se que a tentativa de 
conciliação é imanente também ao rito ordinário, e pode ocorrer em qualquer fase do 
processo, inclusive na execução, conforme art. 764, §3º da CLT: “É lícito às partes 
 
9 BERNARDES, Felipe. Manual de Processo do Trabalho. Salvador: JusPodivm, 2018, p. 389. 
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celebrar acordo que ponha termo ao processo, ainda mesmo depois de encerrado o 
juízo conciliatório”. 
Na ata de audiência serão registrados resumidamente os atos essenciais, as 
afirmações fundamentais das partes e as informações úteis à solução da causa 
trazidas pela prova testemunhal art. 852-F. 
Resta esclarecer que serão decididos, de plano, todos os incidentes e 
exceções que possam interferir no prosseguimento da audiência e do processo. As 
demais questões serão decididas na sentença art. 852-G da CLT. 
A produção de provas ocorre em audiência, conforme art. 852-H da CLT: 
“Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, ainda 
que não requeridas previamente”. E sobre os documentos apresentados por uma 
das partes, a parte contrária irá se manifestar imediatamente, sem interrupção da 
audiência, salvo absoluta impossibilidade, a critério do juiz art. 852-H, §1º. 
A produção da prova testemunhal é limita a duas para cada parte e 
comparecerão à audiência de instrução e julgamento independentemente de 
intimação. 
Outrossim, apenas será deferida intimação de testemunha que, 
comprovadamente convidada, deixar de comparecer. Não comparecendo a 
testemunha intimada, o juiz poderá determinar sua imediata condução coercitiva art. 
852-H, §3º. 
No que tange à possibilidade de produção de prova pericial ou também 
chamada de prova técnica, nos termos do art. 852-H, §4º da CLT: “Somente quando 
a prova do fato o exigir, ou for legalmente imposta, será deferida prova técnica, 
incumbindo ao juiz, desde logo, fixar o prazo, o objeto da perícia e nomear perito”. 
Sendo as partes, posteriormente intimadas para se manifestar quanto ao laudo no 
prazo comum de cinco dias art. 852-H, §6º. 
Interrompida a audiência, o seu prosseguimento e a solução do processo dar-
se-ão no prazo máximo de trinta dias, salvo motivo relevante justificado nos autos 
pelo juiz da causa art. 852-H, §7º. 
Chegada ao fim a instrução, com relação à prolação de sentença, o art. 852-I 
da CLT, esclarece: 
Art. 852-I. A sentença mencionará os elementos de convicção do juízo, com 
resumo dos fatos relevantes ocorrido em audiência, dispensado o relatório. 
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§1º O juízo adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa e 
equânime, atendendo aos f ins sociais da lei e as exigências do bem 
comum. 
§ 2º Vetado. 
§ 3º As partes serão intimadas da sentença na própria audiência em que 
prolatada. 
 
No que tange ao sistema recursal no procedimento sumaríssimo, é possível 
observar as seguintes limitações: 
a) Recurso Ordinário: embora siga as regras básicas para o rito ordinário, no 
rito sumaríssimo o RO seguirá o disposto no art. 895, §1º da CLT e: (I) será 
imediatamente distribuído, uma vez recebido no Tribunal, devendo o relator liberá-lo 
no prazo máximo de dez dias, e a Secretaria do Tribunal ou Turma colocá-lo 
imediatamente em pauta para julgamento, sem revisor; (II) terá parecer oral do 
representante do Ministério Público presente à sessão de julgamento, se este 
entender necessário o parecer, com registro na certidão; (III) terá acórdão 
consistente unicamente na certidão de julgamento, com a indicação suficiente do 
processo e parte dispositiva, e das razões de decidir do voto prevalente. Se a 
sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a certidão de julgamento, 
registrando tal circunstância, servirá de acórdão. 
Outrossim, conforme esclarece o art. 895, §2º da CLT: “Os Tribunais 
Regionais, divididos em Turmas, poderão designar Turma para o julgamento dos 
recursos ordinários interpostos das sentenças prolatadas nas demandas sujeitas ao 
procedimento sumaríssimo”. 
b) Recurso de Revista: nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, 
somente será admitido recurso de revista por contrariedade à súmula de 
jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula vinculante do 
Supremo Tribunal Federal e por violação direta da Constituição Federal art. 896, §9º 
da CLT. 
Salienta-se ainda que, nos termos da Súmula 442 do TST: “Nas causas 
sujeitas ao procedimento sumaríssimo, a admissibilidade de recurso de revista está 
limitada à demonstração de violação direta a dispositivo da Constituição Federal ou 
contrariedade a Súmula do Tribunal Superior do Trabalho, não se admitindo o 
recurso por contrariedade a Orientação Jurisprudencial deste Tribunal Livro II, Título 
II, Capítulo III, do RITST, ante a ausência de previsão no art. 896, § 6º, da CLT”. 
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c) Embargos para a SDI do TST (Embargos de Divergência): em causas 
sujeitas ao procedimento sumaríssimo, em que pese à limitação imposta no art. 896, 
§ 6º, da CLT à interposição de recurso de revista, admitem-se os embargos quando 
demonstrada a divergência jurisprudencial entre Turmas do TST, fundada em 
interpretações diversas acerca da aplicação de mesmo dispositivo constitucional ou 
de matéria sumulada Súmula 458 do TST. 
 
2.2.3 Procedimento Ordinário 
Uma vez que a demanda não se encaixe nos ritos anteriores, ou seja, 
ultrapasse o valor de 40 salários mínimos, deverá ser processada pelo rito ordinário, 
não havendo nenhuma peculiaridade para este procedimento, vez que, por ser 
comum, aplicar-se-á todas as regras atinentes à petição inicial, respostas do réu, 
produção de provas, audiência, recursos e etc., sem qualquer limitação, como ocorre 
nos ritos sumário e sumaríssimo. 
 
 
 
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gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
CAPÍTULO 3 – PROCEDIMENTOS ESPECIAIS 
 
Após o estudo das nuances iniciais atinentes ao processo e ao procedimento, 
além dos procedimentos comuns ordinário, sumaríssimo e sumário, cumpre agora 
analisar os principais procedimentos especiais. 
 
3.1 Inquérito Judicial para Apuração de Falta Grave 
 
Sabe-se que empregados estáveis podem ser demitidos apenas com o 
cometimento de uma das faltas graves previstas no art. 482 da CLT, ou seja, por 
justa causa. Ocorre, contudo, que determinados empregados exigem, para sua 
demissão, uma formalidade a mais com a intervenção do Poder Judiciário, esta por 
sua vez está caracterizada pela utilização do inquérito judicial para apuração de falta 
grave. 
Logo, tem-se o inquérito judicial para apuração de falta grave como sendo a 
ação judicial que visa à extinção do contrato de trabalho do empregado possuidor de 
garantia provisória de emprego. 
Embora doutrina e jurisprudência não sejam unânimes quanto ao cabimento do 
inquérito judicial para apuração de falta grave, é possível afirmar que de forma 
ampla têm admitido que a ação seja necessária para os seguintes empregados: 
a) Dirigente sindical, nos termos do art. 543, §3º da CLT e Súmula 379 do TST; 
Art. 543, §3º: “Fica vedada a dispensa do empregado sindicalizado ou 
associado, a partir do momento do registro de sua candidatura a cargo de 
direção ou representação de entidade sindical ou de associação 
prof issional, até 1 (um) ano após o f inal do seu mandato, caso seja eleito 
inclusive como suplente, salvo se cometer falta grave devidamente apurada 
nos termos desta Consolidação”. 
 
Súmula nº 379 do TST 
DIRIGENTE SINDICAL. DESPEDIDA. FALTA GRAVE. INQUÉRITO 
JUDICIAL. NECESSIDADE (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 
114 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005. 
O dirigente sindical somente poderá ser dispensado por falta grave 
mediante a apuração em inquérito judicial, inteligência dos arts. 494 e 543, 
§3º, da CLT. (ex-OJ nº 114 da SBDI-1 - inserida em 20.11.1997). 
 
b) Estável Decenal, nos termos do art. 492 da CLT; 
Art. 492 - O empregado que contar mais de 10 (dez) anos de serviço na 
mesma empresa não poderá ser despedido senão por motivo de falta g rave 
ou circunstância de força maior, devidamente comprovadas. 
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gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
c) Diretor de Sociedade Cooperativa, tendo em vista que o art. 55 da Lei nº. 
5.764/1971 assegura as mesmas garantias que do dirigente sindical; 
Art. 55. Os empregados de empresas que sejam eleitos diretores de 
sociedades cooperativas pelos mesmos criados, gozarão das garantias 
asseguradas aos dirigentes sindicais pelo artigo 543 da Consolidação das 
Leis do Trabalho (Decreto-Lei n. 5.452, de 1° de maio de 1943). 
 
d) Membros do Conselho Nacional de Previdência Social, desde que 
representantes dos trabalhadores em atividade, titulares e suplentes, conforme art. 
3º, §7º, da Lei nº. 8.213/1991. 
Art. 3º, §7º Aos membros do CNPS, enquanto representantes dos 
trabalhadores em atividade, titulares e suplentes, é assegurada a 
estabilidade no emprego, da nomeação até um ano após o término do 
mandato de representação, somente podendo ser demitidos por motivo de 
falta grave, regularmente comprovada através de processo judicial. 
 
Conforme esclarece o professor Élisson Miessa (2019, p. 1533), há ainda 
posicionamento jurisprudencial no sentido de que é necessário a instauração de 
inquérito para os membros do conselho curador do FGTS, conforme entendimentos 
do TST, notadamente o julgamento do Recurso de Revista 258100-
37.1995.5.02.0008: 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. EMBARGOS DE 
DECLARAÇÃO CONSIDERADOS PROTELATÓRIOS PELO TRT - 
IMPOSIÇÃO DE MULTA AO RECLAMANTE. INADEQUAÇÃO DA MEDIDA. 
[...] 4. REGULAMENTO DE PESSOAL. INQUÉRITO JUDICIAL PARA 
APURAÇÃO DE FALTA GRAVE. DESNECESSIDADE DE INSTAURAÇÃO. 
DISPENSA DO RECLAMANTE. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Cinge-se a 
controvérsia dos presentes autos em def inir, a partir da interpretação de 
cláusula do regulamento de pessoal da empresa (- A pena de rescisão do 
contrato de trabalho será aplicada na ocorrência de falta grave ou de justa 
causa, instaurando-se, quando for o caso, inquérito judicial trabalhista -), a 
necessidade ou não de instauração de inquérito judicial para apuração da 
justa causa cometida pelo Reclamante, a f im de se poder efetivar sua 
despedida. Pelo teor da referida cláusula, tem-se que há obrigatoriedade 
quanto à rescisão contratual em caso de ocorrência de falta grave ou justa 
causa. Todavia, o inquérito judicial para apuração da falta cometida será 
instaurado apenas quando for o caso. Ora, desta última expressão já se 
verif ica que a instauração do inquérito não ocorrerá sempre que for 
cometida alguma falta grave/justa causa. E, como não há no regulamento a 
previsão dos casos em que o referido procedimento deve ser instaurado, é 
de se concluir que a referida norma interna refere-se às hipóteses legais 
existentes: servidores públicos celetistas não concursados que contavam 
com, pelo menos, cinco anos de serviço público contínuo na data da 
promulgação da CF/88 (art. 19 do ADCT); dirigentes sindicais (art. 8º, VIII, 
da CF); membros do Conselho Curador do FGTS representantes dos 
trabalhadores (art. 3º, § 9º, da Lei 8.036/90); diretores de Cooperativa de 
Empregados (art. 55 da Lei 5.764/71); membros do Conselho Nacional de 
Previdência Social representantes dos trabalhadores (art. 3º, § 7º, da Lei 
8.213/91); e representantes dos empregados membros de Comissões de 
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gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
Conciliação Prévia (srt. 625-B, § 1º, CLT). Sendo assim, decidiu bem a 
egrégia Corte Regional ao entender pela desnecessidade de instauração do 
inquérito na situação dos autos, já que o Reclamante não se enquadra em 
nenhuma das hipóteses acima relacionadas e o regulamento de pessoal 
não lhe garantiu a realização de tal procedimento. Recurso de revista não 
conhecido no aspecto. [...]. TST - RR: 2581003719955020008 258100-
37.1995.5.02.0008, Relator: Mauricio Godinho Delgado Data de 
Julgamento: 06/02/2013, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 15/02/2013. 
 
Salienta-se que, uma vez cometida qualquer das faltas graves previstas no art. 
482 da CLT10 é faculdade do empregador suspender o empregado de suas funções 
nos termos do art. 494 da CLT: “O empregado acusado de falta grave poderá ser 
suspenso de suas funções, mas a sua despedida só se tornará efetiva após o 
inquérito e que se verifique a procedência da acusação”. 
Frisa-se que uma vez suspenso o empregado o inquérito deverá ser ajuizado 
no prazo decadencial de 30 dias, nos termos do art. 853 da CLT: “Para a 
instauração do inquérito para apuração de falta grave contra empregado garantido 
com estabilidade, o empregador apresentará reclamação por escrito à Junta ou 
Juízo de Direito, dentro de 30 (trinta) dias, contados da data da suspensão do 
empregado”. 
A ideia de ser o prazocitado acima decadencial é esclarecida pela súmula 403 
do STF: “É de decadência o prazo de trinta dias para instauração do inquérito 
judicial, a contar da suspensão, por falta grave, de empregado estável”. 
Logo, sendo o empregado suspenso e não havendo o ajuizamento de inquérito 
no prazo retro mencionado, não poderá mais ser manejada a ação. 
Caso não haja a suspensão do empregado, vez que esta é uma faculdade do 
empregador, a doutrina diverge quanto ao prazo para ajuizamento da ação, sendo 
 
10 Art. 482 da CLT – Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo empregador: a) ato de 
improbidade; b) incontinência de conduta ou mau procedimento; c) negociação habitual por conta própria ou 
alheia sem permissão do empregador, e quando constituir ato de concorrência à empresa para a qual trabalha o 
empregado, ou for prejudicial ao serviço; d) condenação crimina l do empregado, passada em julgado, caso não 
tenha havido suspensão da execução da pena; e) desídia no desempenho das respectivas funções; f) em bria guez 
habitual ou em serviço; g) violação de segredo da empresa; h) ato de indisciplina ou de insubordinação; i) 
abandono de emprego; j) ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço contra qualquer pessoa, ou 
ofensas físicas, nas mesmas condições, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; k) ato lesivo da 
honra ou da boa fama ou ofensas f ísicas praticadas contra o empregador e superiores hierárquicos, salvo em caso 
de legítima defesa, própria ou de outrem; l) prática constante de jogos de azar. m) perda da habilitação ou dos 
requisitos estabelecidos em lei para o exercício da profissão, em decorrência de conduta dolosa do empregado. 
Parágrafo único - Constitui igualmente justa causa para dispensa de empregado a prática, devidamente 
comprovada em inquérito administrativo, de atos atentatórios à segurança nacional. 
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que para uns seria prescricional de 2 ou 5 anos e para outros decadencial de 2 
anos, há quem afirme ainda ser de 30 dias (MIESSA, 2019, p. 1534). 
Importante mencionar que com relação ao empregado que abandona o 
emprego, a Súmula 62 do TST assim esclarece: “O prazo de decadência do direito 
do empregador de ajuizar inquérito em face do empregado que incorre em abandono 
de emprego é contado a partir do momento em que o empregado pretendeu seu 
retorno ao serviço”. 
Com relação ao procedimento, o inquérito para apuração de falta grave deverá 
ser ajuizado em uma das varas do trabalho do local da prestação dos serviços, 
devendo a petição inicial ser escrita art. 853 da CLT e poderão ser ouvidas até 6 
testemunhas. 
Reconhecida a existência de falta grave caso de procedência da ação, o 
empregado será considerado dispensado por justa causa, sendo a sentença 
desconstitutiva, ou seja, o contrato de trabalho será considerado extinto na data da 
sentença, sendo o período de afastamento considerado como suspensão do 
contrato de trabalho. 
Por outro lado, em caso de improcedência da ação, nos termos do art. 495 da 
CLT: “Reconhecida à inexistência de falta grave praticada pelo empregado, fica o 
empregador obrigado a readmiti-lo no serviço e a pagar-lhe os salários a que teria 
direito no período da suspensão”. 
Outrossim, nos termos do art. 496 da CLT: “Quando a reintegração do 
empregado estável for desaconselhável, dado o grau de incompatibilidade resultante 
do dissídio, especialmente quando for o empregador pessoa física, o tribunal do 
trabalho poderá converter aquela obrigação em indenização devida nos termos do 
artigo seguinte”. 
A CLT, por fim, esclarece por meio do art. 855 que: “Se tiver havido prévio 
reconhecimento da estabilidade do empregado, o julgamento do inquérito pela Junta 
ou Juízo não prejudicará a execução para pagamento dos salários devidos ao 
empregado, até a data da instauração do mesmo inquérito”. 
 
 
 
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3.2 Ação de Consignação em Pagamento 
 
A ação de consignação em pagamento, embora seja utilizada no processo do 
trabalho por força do art. 769 da CLT11, não está prevista na CLT. Vem disciplinada 
pelos arts. 539 e 549 do CPC. 
A consignação em pagamento é uma forma de extinção da obrigação, 
notadamente nos casos em que o devedor queira quitar sua dívida, mas encontre 
óbices do credor, seja pela recusa no recebimento, seja por não encontrar ou 
conhecer o real devedor, seja pelo falecimento, enfim. 
No processo do trabalho, como forma de cautela, é muito comum o 
ajuizamento desta ação em caso de recusa do empregado no recebimento das 
verbas rescisórias, para que empregador não incida na multa a que alu de o art. 477, 
§8º da CLT, ou seja, pela intempestividade no pagamento. 
Salienta-se que pode a consignação ser extrajudicial, caso em que há depósito 
bancário. Contudo, não é admitida de forma majoritária na Justiça do Trabalho 
(MIESSA, 2019, p. 1657). 
Já a consignação judicial surge nas hipóteses elencadas no art. 335 do Código 
Civil: 
Art. 335. A consignação tem lugar: 
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o 
pagamento, ou dar quitação na devida forma; 
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e 
condição devidos; 
III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado 
ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou dif ícil; 
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do 
pagamento; 
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento. 
 
A competência para ajuizamento será o local da prestação dos serviços, nos 
termos do art. 651 da CLT, vez que no CPC o art. 540 mencione que a competência 
será a do lugar do pagamento. 
Possui legitimidade ativa qualquer um que possa realizar o pagamento, como é 
o caso do empregador. De outra sorte, a legitimidade passiva será do credor, via de 
regra, o empregado, ou seus sucessores em caso de falecimento. 
 
11 Art. 769 da CLT - Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual 
do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas deste Título. 
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Caso seja desconhecido seu paradeiro é possível à realização de citação por 
edital. 
Conforme art. 540 do CPC: “Requerer-se-á a consignação no lugar do 
pagamento, cessando para o devedor, à data do depósito, os juros e os riscos, salvo 
se a demanda for julgada improcedente”. 
Com relação às prestações sucessivas o art. 541 esclarece: “Tratando-se de 
prestações sucessivas, consignada uma delas, pode o devedor continuar a 
depositar, no mesmo processo e sem mais formalidades, as que se forem vencendo, 
desde que o faça em até 5 (cinco) dias contados da data do respectivo vencimento”. 
É possível a apresentação de contestação pelo réu, e nesse caso poderá 
alegar que: I - não houve recusa ou mora em receber a quantiaou a coisa devida; II 
- foi justa a recusa; III - o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar do 
pagamento; IV - o depósito não é integral. Sendo que neste último caso a alegação 
somente será admissível se o réu indicar o montante que entende devido. 
Alegada a insuficiência do depósito, é lícito ao autor completá-lo, em 10 (dez) 
dias, salvo se corresponder à prestação cujo inadimplemento acarrete a rescisão do 
contrato. Neste caso, poderá o réu levantar, desde logo, a quantia ou a coisa 
depositada, com a consequente liberação parcial do autor, prosseguindo o processo 
quanto à parcela controvertida art. 545 e §1º. 
Julgado procedente o pedido, o juiz declarará extinta a obrigação e condenará 
o réu ao pagamento de custas e honorários advocatícios. Proceder-se-á do mesmo 
modo se o credor receber e der quitação art. 546. 
Ocorre, contudo, que a sentença na ação de consignação em pagamento 
possui natureza dúplice e, ao mesmo tempo em que pode declarar extinta a 
obrigação, como citado acima, também pode reconhecer saldo a pagar ao credor, 
nos termos do §2º do art. 545: “A sentença que concluir pela insuficiência do 
depósito determinará, sempre que possível, o montante devido e valerá como título 
executivo, facultado ao credor promover-lhe o cumprimento nos mesmos autos, 
após liquidação, se necessária”. 
 
 
 
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3.3 Ação Rescisória 
 
A ação rescisória é uma ação de procedimento especial que tem por objetivo 
desconstituir decisões judiciais. Sua natureza jurídica é de ação constitutiva 
negativa. 
Possui previsão na CLT no art. 836: 
É vedado aos órgãos da Justiça do Trabalho conhecer de questões já 
decididas, excetuados os casos expressamente previstos neste Título e a 
ação rescisória, que será admitida na forma do disposto no Capítulo IV do 
Título IX da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo 
Civil, sujeita ao depósito prévio de 20% (vinte por cento) do valor da causa, 
salvo prova de miserabilidade jurídica do autor. 
 
Como observado, de forma expressa a CLT indica que o procedimento da ação 
rescisória a ser observado é aquele constante no CPC arts. 966 a 975 com a 
peculiaridade de que é exigência o depósito prévio de 20% do valor da causa, sendo 
dispensado o recolhimento quando o autor for comprovadamente miserável 
juridicamente. 
A competência para julgamento da ação rescisória é sempre de tribunal, ou 
seja, não há manejo dessa ação em vara do trabalho. Está competência é funcional, 
e por isso, de natureza absoluta. 
A competência ocorrerá da seguinte forma: 
a) Decisões proferidas por vara do trabalho = competência do Tribunal 
Regional do Trabalho (TRT) respectivo; 
b) Decisões proferidas por TRT = competência do próprio TRT; 
c) Decisões proferidas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) em dissídios 
individuais = competência da SDI-2 (Seção de Dissídios Individuais 2) do TST; 
d) Decisões proferidas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) em dissídios 
coletivos = competência da SDC (Seção de Dissídios Coletivos) do TST. 
Outrossim, tratando-se de decisões de mérito o próprio TST esclarece a 
questão por meio da Súmula 192: 
AÇÃO RESCISÓRIA. COMPETÊNCIA (atualizada em decorrência do CPC 
de 2015) - Res. 212/2016, DEJT divulgado em 20, 21 e 22.09.2016: 
I - Se não houver o conhecimento de recurso de revista ou de embargos, a 
competência para julgar ação que vise a rescindir a decisão de mérito é do 
Tribunal Regional do Trabalho, ressalvado o disposto no item II; 
II - Acórdão rescindendo do Tribunal Superior do Trabalho que não conhece 
de recurso de embargos ou de revista, analisando arguição de violação de 
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dispositivo de lei material ou decidindo em consonância com súmula de 
direito material ou com iterativa, notória e atual jurisprudência de direito 
material da Seção de Dissídios Individuais (Súmula nº 333), examina o 
mérito da causa, cabendo ação rescisória da competência do Tribunal 
Superior do Trabalho. (ex-súmula nº 192 – alterada pela Res. 121/2003, DJ 
21.11.2003); 
III – Sob a égide do art. 512 do CPC de 1973, é juridicamente impossível o 
pedido explícito de desconstituição de sentença quando substituída por 
acórdão do Tribunal Regional ou superveniente sentença homologatória de 
acordo que puser f im ao litígio; 
IV – Na vigência do CPC de 1973, é manifesta a impossibilidade jurídica do 
pedido de rescisão de julgado proferido em agravo de instrumento que, 
limitando-se a aferir o eventual desacerto do juízo negativo de 
admissibilidade do recurso de revista, não substitui o acórdão regional, na 
forma do art. 512 do CPC. (ex-OJ nº 105 da SBDI-2 - DJ 29.04.2003); 
V- A decisão proferida pela SBDI, em agravo regimental, calcada na Súmula 
nº 333, substitui acórdão de Turma do TST, porque emite juízo de mérito, 
comportando, em tese, o corte rescisório. (ex-OJ nº 133 da SBDI-2 - DJ 
04.05.2004). 
 
Com o advento do novo CPC passou a ser admitido também o ajuizamento de 
ação rescisória para atacar decisões em que não tenha sido discutido o mérito 
extinção sem resolução do mérito nos casos em que a decisão: (I) impeça a 
propositura de nova ação ou (II) com relação à admissibilidade do recurso 
correspondente, nos termos do art. 966, §2º. 
Cumpre salientar que, nos termos da Súmula 252 do STF: “Na ação rescisória, 
não estão impedidos os juízes que participaram do julgamento da decisão que se 
busca desconstituir”. 
A legitimidade vem prevista no art. 967 do CPC: 
Art. 967. Têm legitimidade para propor a ação rescisória: 
I - quem foi parte no processo ou o seu sucessor a título universal ou 
singular; 
II - o terceiro juridicamente interessado; 
III - o Ministério Público: 
a) se não foi ouvido no processo em que lhe era obrigatória a intervenção; 
b) quando a decisão rescindenda é o efeito de simulação ou de colusão das 
partes, a f im de f raudar a lei; 
c) em outros casos em que se imponha sua atuação; 
IV - aquele que não foi ouvido no processo em que lhe era obrigatório à 
intervenção. 
Parágrafo único. Nas hipóteses do art. 178, o Ministério Público será 
intimado para intervir como f iscal da ordem jurídica quando não for parte. 
 
Com relação à legitimidade do Ministério Público o TST por meio da Súmula 
407, complementa que: “A legitimidade "ad causam" do Ministério Público para 
propor ação rescisória, ainda que não tenha sido parte no processo que deu origem 
à decisão rescindenda, não está limitada às alíneas "a", "b" e “c” do inciso III do art. 
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967 do CPC de 2015 art. 487, III, “a” e “b”, do CPC de 1973, uma vez que traduzem 
hipóteses meramente exemplificativas ex-OJ nº 83 da SBDI-2 - inserida em 
13.03.2002”. 
Nos termos da Súmula 406 da TST, é importante mencionar que existindo 
litisconsórcio pluralidade de partes no polo ativo ou passivo na ação originária, na 
ação rescisória também haverá.AÇÃO RESCISÓRIA. LITISCONSÓRCIO. NECESSÁRIO NO PÓLO 
PASSIVO E FACULTATIVO NO ATIVO. INEXISTENTE QUANTO AOS 
SUBSTITUÍDOS PELO SINDICATO (conversão das Orientações 
Jurisprudenciais n.º 82 e 110 da SBDI-2) - Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 
24.08.2005: 
I - O litisconsórcio, na ação rescisória, é necessário em relação ao polo 
passivo da demanda, porque supõe uma comunidade de direitos ou de 
obrigações que não admite solução díspar para os litisconsortes, em face 
da indivisibilidade do objeto. Já em relação ao polo ativo, o litisconsórcio é 
facultativo, uma vez que a aglutinação de autores se faz por conveniência e 
não pela necessidade decorrente da natureza do litígio, pois não se pode 
condicionar o exercício do direito individual de um dos litigantes no processo 
originário à anuência dos demais para retomar a lide. (ex-OJ nº 82 da SBDI-
2 - inserida em 13.03.2002); 
II - O Sindicato, substituto processual e autor da reclamação trabalhista, em 
cujos autos foram proferidos a decisão rescindenda, possui legitimidade 
para f igurar como réu na ação rescisória, sendo descabida a exigência de 
citação de todos os empregados substituídos, porquanto inexistente 
litisconsórcio passivo necessário. (ex-OJ nº 110 da SBDI-2 - DJ 
29.04.2003). 
 
Para o ajuizamento da ação rescisória é necessário observar dois 
pressupostos: (I) a existência de trânsito em julgado; e (II) decisão de mérito ou 
decisão destituída de mérito desde que impeça a propositura de nova ação ou 
admissibilidade de recurso correspondente. 
Sobre o trânsito em julgado a Súmula 299 do TST assim assevera: 
AÇÃO RESCISÓRIA. DECISÃO RESCINDENDA. TRÂNSITO EM 
JULGADO. COMPROVAÇÃO. EFEITOS (nova redação do item II em 
decorrência do CPC de 2015) - Res. 211/2016, DEJT divulgado em 24, 25 e 
26.08.2016: 
I - É indispensável ao processamento da ação rescisória a prova do trâns ito 
em julgado da decisão rescindenda. (ex-Súmula nº 299 – Res. 8/1989, DJ 
14, 18 e 19.04.1989); 
II - Verif icando o relator que a parte interessada não juntou à inicial o 
documento comprobatório, abrirá prazo de 15 (quinze) dias para que o faça 
(art. 321 do CPC de 2015), sob pena de indeferimento.(ex-Súmula nº 299 - 
Res 8/1989, DJ 14, 18 e 19.04.1989); 
III - A comprovação do trânsito em julgado da decisão rescindenda é 
pressuposto processual indispensável ao tempo do ajuizamento da ação 
rescisória. Eventual trânsito em julgado posterior ao ajuizamento da ação 
rescisória não reabilita a ação proposta, na medida em que o ordenamento 
jurídico não contempla a ação rescisória preventiva. (ex-OJ nº 106 da SBDI-
2 - DJ 29.04.2003); 
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parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u 
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
IV - O pretenso vício de intimação, posterior à decisão que se pretende 
rescindir, se efetivamente ocorrido, não permite a formação da coisa julgada 
material. Assim, a ação rescisória deve ser julgada extinta, sem julgamento 
do mérito, por carência de ação, por inexistir decisão transitada em julgado 
a ser rescindida. (ex-OJ nº 96 da SBDI-2 - inserida em 27.09.2002). 
 
Outrossim, o mesmo deverá ser observado no caso de reexame necessário 
nas condenações contra a Fazenda Pública, vez que, nos termos da OJ 21 da SDI-2 
do TST, reputa-se como incabível ação rescisória para a desconstituição de 
sentença não transitada em julgado porque ainda não submetida ao necessário 
duplo grau de jurisdição, na forma do Decreto-lei nº 779/69. Determina-se que se 
oficie ao Presidente do TRT para que proceda à avocatória do processo principal 
para o reexame da sentença rescindenda. 
Nos termos do art. 975 do CPC, o direito à rescisão se extingue em 2 (dois) 
anos contados do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. Este 
prazo é decadencial, logo, escoado o prazo, estará extinto o próprio direito à 
rescisão de decisão tida por viciada. 
Esclarece-se, contudo, que nos termos da Súmula 100, IX do TST, prorroga-se 
até o primeiro dia útil, imediatamente subsequente, o prazo decadencial para 
ajuizamento de ação rescisória quando expira em férias forenses, feriados, finais de 
semana ou em dia em que não houver expediente forense. 
O prazo decadencial começará a correr a contar do trânsito em julgado da ação 
originária, vez que este é pressuposto a ensejar a ação rescisória. 
Salienta-se, contudo, que caso a ação rescisória seja baseada em prova nova, 
nos termos do art. 975, §2º do CPC: “O termo inicial do prazo será a data de 
descoberta da prova nova, observado o prazo máximo de 5 (cinco) anos, contado do 
trânsito em julgado da última decisão proferida no processo”. 
Aliás, o cabimento da ação rescisória fica por conta do art. 966 do CPC: 
Art. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida 
quando: 
I - se verif icar que foi proferida por força de prevaricação, concussão ou 
corrupção do juiz; 
II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente; 
III - resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento da parte 
vencida ou, ainda, de simulação ou colusão entre as partes, a f im de f raudar 
a lei; 
IV - ofender a coisa julgada; 
V - violar manifestamente norma jurídica; 
VI - for fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo 
criminal ou venha a ser demonstrada na própria ação rescisória; 
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gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja 
existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe 
assegurar pronunciamento favorável; 
VIII - for fundada em erro de fato verif icável do exame dos autos. 
§ 1º Há erro de fato quando a decisão rescindenda admitir fato inexistente 
ou quando considerar inexistente fato efetivamente ocorrido, sendo 
indispensável, em ambos os casos, que o fato não represente ponto 
controvertido sobre o qual o juiz deveria ter se pronunciado. 
§ 2º Nas hipóteses previstas nos incisos do caput, será rescindível a 
decisão transitada em julgado que, embora não seja de mérito, impeça: 
I - nova propositura da demanda; 
II - admissibilidade do recurso correspondente. 
§ 3º A ação rescisória pode ter por objeto apenas 1 (um) capítulo da 
decisão. 
§ 4º Os atos de disposição de direitos, praticados pelas partes ou por outros 
participantes do processo e homologados pelo juízo, bem como os atos 
homologatórios praticados no curso da execução, estão sujeitos à anulação , 
nos termos da lei. 
§ 5º Cabe ação rescisória, com fundamento no inciso V do caput deste 
artigo, contra decisão baseada em enunciado de súmula ou acórdão 
proferido em julgamento de casos repetitivos que não tenha considerado a 
existência de distinção entre a questão discutida no processo e o padrão 
decisório que lhe deu fundamento. (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016) 
(Vigência). 
§ 6º Quando a ação rescisória fundar-se na hipótese do § 5º deste artigo, 
caberá ao autor, sob pena de inépcia, demonstrar, fundamentadamente, 
tratar-se de situação particularizada por hipótese fática distinta ou de 
questão jurídica não examinada, a impor outra solução jurídica. (Incluído 
pela Lei nº 13.256, de 2016) (Vigência). 
 
Em caso de recurso parcial, o professor Élisson Miessa (2019, p. 1571), explica 
que no processo do trabalho o TST entende que ocorrerá o trânsito em julgado em 
momentos e tribunaisdisciplinando um Procedimento de 
jurisdição voluntária na Justiça do Trabalho com a homologação do acordo 
extrajudicial. 
Ainda neste capítulo serão estudos os procedimentos comuns trabalhistas, ou 
seja, o Sumário, o Sumaríssimo e o Ordinário, analisando-se suas nuances. Neste 
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gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
caso serão comparadas as peculiaridades do procedimento sumário e do 
sumaríssimo para com o procedimento ordinário, que é o padrão. 
Por fim, no terceiro capítulo, o estudo será calcado nos Procedimentos 
especiais, tais como Inquérito judicial para apuração de falta, utilizado no caso da 
necessidade de demissão por justa de algumas modalidades de empregados 
estáveis que exigem para sua validação a intervenção do poder judiciário. Será 
analisada Ação de consignação em pagamento, muito comum nos casos de recusa 
de recebimento por parte do empregado de seus salários ou haveres rescisórios. 
Outrossim, serão analisados os procedimentos da Ação rescisória, do Mandado de 
segurança, da Ação civil pública, da Ação monitória e da Ação anulatória. 
Esperamos que o estudo seja proveitoso. 
Em havendo dúvidas, estamos à disposição para saná-las. 
Bons estudos! 
 
 
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CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO AOS PROCEDIMENTOS TRABALHISTAS 
 
Antes de adentrarmos ao estudo dos procedimentos trabalhistas espeficamente 
os comuns e os especiais, cabe-nos analisar algumas questões inerentes à 
elucidação do tema, como a diferença entre processo e procedimento, as nuances 
processuais, tais quais a formação, suspensão e extinção do processo, além de 
tecer algumas considerações acerca das nulidades processuais. 
 
1.1 Processo e Procedimento 
 
1.1.1 Natureza Jurídica do Processo e o Conceito de Procedimento 
Antes do reconhecimento da autonomia científica do processo, era este 
comumente confundido com o procedimento, ou seja, com a simples sucessão de 
atos processuais (MIESSA, 2019, p. 355). 
Para José Roberto dos Santos Bedaque (apud LEITE, 2015, p. 454): 
[...] processo não é mero instrumento técnico, nem o direito processual 
constitui ciência neutra, indiferente às opções ideológicas do Estado. 
Somente a conscientização, pelos processualistas, do caráter ético de sua 
ciência, da necessária “identidade ideológica entre processo e direito 
substancial”, permitirá que o instrumento evolua para melhor atender a seus 
escopos. Nessa concepção axiológica de processo, como instrumento de 
garantia de direitos, a visão puramente técnica não pode mais prevalecer, 
pois a ela se sobrepõem valores éticos de liberdade e justiça. Os princípios 
gerais do direito processual sofrem nítida inf luência do “clima” institucional e 
político do país. 
 
O professor Carlos Henrique Bezerra Leite (2015, p. 454) complementa ainda 
que de forma etimológica, vindo do latim “procedere”, a palavra “processo” possui o 
significado de “marcha avante”, ou ir adiante. Logo, é possível afirmar que o 
processo é o caminho que busca a solução de um conflito submetido à jurisdição. 
Ou ainda, nas palavras do ilustre doutrinador: “O processo é o ponto de intercessão 
entre a ação e a jurisdição”. 
A teoria adotada de forma majoritária, entre várias outras, pelo sistema 
processual brasileiro é a Teoria da relação jurídica. Esta teoria prega que um 
processo é constituído por três pessoas ou sujeitos: o juiz (Estado), o autor e o réu, 
conhecida também como relação triangular. 
O professor Luiz Guilherme Marinoni ensina que: 
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O processo é um procedimento em contraditório, um procedimento 
adequado aos f ins do Estado Constitucional. Em abstrato, o procedimento é 
uma sequência concatenada de posições jurídicas subjetivas simples 
(faculdades, poderes e imperativos de conduta) e complexas (direitos, 
pretensões, deveres e ônus); em concreto, uma sequência de atos 
processuais, oriundos do exercício de posições jurídicas subjetivas. O 
procedimento visa à obtenção da tutela jurisdicional (MARINONI, 2008, p. 
266). 
 
Conforme esclarece LEITE (2015, p. 456), o Colendo Tribunal do Trabalho 
(TST) adotou a teoria da relação jurídica processual, conforme julgado abaixo 
colacionado: 
RECURSO DE REVISTA. COISA JULGADA. EFICÁCIA PRECLUSIVA. 
AÇÃO AUTÔNOMA VISANDO AO RECONHECIMENTO DA 
RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA EMPRESA TOMADORA DOS 
SERVIÇOS. INVIABILIDADE. A Subseção de Dissídios Individuais I, órgão 
uniformizador de jurisprudência interna corporis, julgando casos análogos, 
se posicionou no sentido de que, sob pena de cerceamento do direito de 
defesa, o reconhecimento da responsabilidade subsidiária está 
condicionado à presença do tomador de serviços na mesma relação juríd ica 
processual do real empregador. Recurso de revista não conhecid o, no 
particular (TST RR 8900-55.2006.5.09.0011, 8ª T., Rel. Min. Dora Maria da 
Costa, unânime, DEJT 10-6-2010). 
 
Note que no julgado acima exposto, o Colendo TST reconhecimento que não 
como se cogitar da responsabilidade de um terceiro sem que ele tenha participado 
da relação jurídica processual, ou seja, sem que para ele tenha sido observado o 
devido processo legal. 
Como visto acima a relação processual é tríplice por possuir três sujeitos ou 
demandantes. 
Antes que o Reclamado assim chamado o réu da relação processual 
trabalhista receba a notificação citatória a relação processual já existe, contudo, não 
está completa, vez que ainda falta uma das partes, não podendo assim ser 
estabelecida a relação triangular. Após o recebimento da notificação, que será 
presumidamente recebida após 48 horas no processo do trabalho1, a relação estará 
completa. 
E o procedimento, o que seria? 
 
1 SÚMULA 16 DO TST: NOTIFICAÇÃO (nova redação) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. 
Presume-se recebida a notificação 48 (quarenta e oito) horas depois de sua postagem. O seu não -recebimento ou 
a entrega após o decurso desse prazo constitui ônus de prova do destinatário. 
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Para o professor Élisson Miessa (2019, p. 357) ao citar Cândido Dinamarco2: 
Procedimento é a sucessão de atos processuais interligad os de maneira 
lógica para a obtenção de um objetivo f inal. É o aspecto visível do processo 
pela qual se instaura, se desenvolve e se f inaliza o processo. Representa 
uma noção puramente formal, enquanto o conceito de processo é marcado 
pela f inalidade de exercício de poder jurisdicional. 
 
Logo, é possível observar que o procedimento nada mais é do que o rito 
processual, podendo ser ordinário, sumário e sumaríssimo. 
 
1.1.2 Pressupostosdistintos, sendo o prazo para a propositura da ação rescisória 
contado do trânsito em julgado de cada decisão, exceto se o recurso versar sobre 
preliminar ou prejudicial que possa acarretar a insubsistência da decisão recorrida, 
caso em que o prazo será contado a partir do trânsito em julgado da decisão que 
julgar o recurso parcial, nos termos do entendimento da súmula 100, II, do TST. 
Logo, o TST previu a existência do trânsito em julgado sucessivo ou formação 
progressiva da coisa julgada. 
De forma diversa o CPC esclarece que o prazo computa-se da última decisão 
proferida no processo, conforme art. 975, §2º. 
O TST entende ainda que apenas por ação rescisória é que pode o acordo 
homologado judicialmente pode ser rescindido, nos termos da inteligência da 
Súmula 259. 
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Julgando procedente o pedido, o tribunal rescindirá a decisão, proferirá, se for 
o caso, novo julgamento e determinará a restituição do depósito art. 974. Por outro 
lado, considerando, por unanimidade, inadmissível ou improcedente o pedido, o 
tribunal determinará a reversão, em favor do réu, da importância do depósito, sem 
prejuízo do disposto no § 2º do art. 82 do CPC antecipação das despesas 
processuais. 
Conforme assevera o art. 836, parágrafo único da CLT: “A execução da 
decisão proferida em ação rescisória far-se-á nos próprios autos da ação que lhe 
deu origem, e será instruída com o acórdão da rescisória e a respectiva certidão de 
trânsito em julgado”. 
Cumpre rememorar ainda que é completamente cabível a condenação da parte 
sucumbente em honorários advocatícios, nos termos do art. 791-A da CLT: “Ao 
advogado, ainda que atue em causa própria, serão devidos honorários de 
sucumbência, fixados entre o mínimo de 5% (cinco por cento) e o máximo de 15% 
(quinze por cento) sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito 
econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da 
causa”. 
Da decisão proferida em ação rescisória, além da possibilidade de embargos 
de declaração para o órgão prolator da decisão, ainda é cabível Recurso Ordinário, 
sendo que caso a decisão seja dada por turmas do TRT o RO será direcionado para 
SDI-2 (se dissídio individual) ou SDC (se dissídio coletivo) do TST, conforme Súmula 
158 do TST. Frisa-se que a interposição de Recurso de Revista é erro grosseiro nos 
termos da OJ 152 da SDI-2 do TST, não sendo o caso de aplicação do Princípio da 
Fungibilidade. 
Partindo a decisão do próprio TST caberá, eventualmente, Recurso 
Extraordinário para o STF (MIESSA, 2019, p. 1589). 
É cabível ação rescisória do julgamento de uma ação rescisória? SIM, nos 
termos da Súmula 400 do TST: 
Em se tratando de rescisória de rescisória, o vício apontado deve nascer na 
decisão rescindenda, não se admitindo a rediscussão do acerto do 
julgamento da rescisória anterior. Assim, não procede a rescisória calcada 
no inciso V do art. 966 do CPC de 2015 (art. 485, V, do CPC de 1973) para 
discussão, por má aplicação da mesma norma jurídica, tida por violada na 
rescisória anterior, bem como para arguição de questões inerentes à ação 
rescisória primitiva. (ex-OJ nº 95 da SBDI-2 - inserida em 27.09.2002 e 
alterada DJ 16.04.2004). 
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SAIBA MAIS: Tendo em vista a extensividade do tema é recomendável ao aluno 
que leia os seguintes dispositivos: 
Súmulas do TST: 83, 99, 100, 152, 158, 192, 259, 298, 299, 397, 398, 399, 400, 
401, 402, 403, 404, 405, 406, 407, 408, 409, 410, 411, 412, 413. 
Orientações Jurisprudenciais da SDI-II do TST (OJs): 2, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 
12, 18, 19, 21, 23, 24, 25, 26, 30, 34, 35, 38, 39, 41, 69, 70, 71, 78, 80, 84, 94, 97, 
101, 103, 107, 112, 123, 124, 128, 131, 132, 134, 135, 136, 146, 150, 151, 152, 154, 
157, 158. 
 
3.4 Mandado de Segurança 
 
O mandado de segurança é classificado pela doutrina como remédio 
constitucional e, nos termos do art. 5º, LXIX da CF/88: “Conceder-se-á mandado de 
segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou 
habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for 
autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do 
Poder Público”. 
Além da previsão constitucional, o mandado de segurança encontra-se 
disciplinado na Lei 12.016/2009, que em seu art. 1º assim dispõe: 
Art. 1º - Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido 
e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, 
ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa f ísica ou jurídica 
sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, 
seja de que categoria for e sejam quais forem às funções que exerça. 
 
A legitimidade ativa, ou seja, a possibilidade de impetração do mandado de 
segurança cabe a qualquer pessoa física ou jurídica. Quando o direito violado ou 
ameaçado pertencer a várias pessoas, qualquer delas poderá requerer a proteção 
do direito. 
É possível ainda a existência de litisconsórcio ativo vários autores e mesmo a 
substituição processual, ou seja, que uma pessoa em nome próprio tutela o direito 
de um terceiro, nos termos do art. 1º, §3º: “Quando o direito ameaçado ou violado 
couber a várias pessoas, qualquer delas poderá requerer o mandado de segurança”. 
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Com relação à legitimidade passiva, ou seja, o “réu” da ação em estudo, a 
doutrina não é pacífica, conforme esclarece o professor Élisson Miessa (2019, p. 
1618). 
Bem por isso, é possível identificar três correntes, pelas quais possuem 
legitimidade passiva: (1ª): pessoa jurídica a qual pertença à autoridade coatora, pois 
será ela quem arcará com os efeitos patrimoniais. Nesse caso a autoridade coatora 
apenas é chamada a prestar esclarecimentos, nos termos de entendimentos do STJ 
e STF; (2ª): autoridade coatora, sendo necessário apenas indica a pessoa jurídica a 
qual pertence; e (3ª): corrente bastante minoritária entende que a legitimidade 
passiva ocorreria por litisconsórcio passivo entre a autoridade coatora e a pessoa 
jurídica a qual pertença. 
Nos termos do art. 6º, §3º da Lei do Mandado de Segurança: “Considera-se 
autoridade coatora aquela que tenha praticado o ato impugnado ou da qual emane a 
ordem para a sua prática”. 
Outrossim, conforme Súmula 510 do STF: “Praticado o ato por autoridade, no 
exercício de competência delegada, contra ela cabe o mandado de segurança ou a 
medida judicial”. 
A competência para impetração do mandado de segurança será da Justiça do 
Trabalho quando sujeita à matéria de sua jurisdição vide art. 114, IV, CF/88. 
É possível afirmar que a competência funcional para apreciação do mandado 
de segurança está assim distribuída: 
• Vara do Trabalho = Atos de autoridades que integrem, de alguma forma, o 
judiciário trabalhista, como os superintendentes regionais do trabalho,atos de fiscais/auditores em matéria trabalhista, etc.; 
• TRT = Atos de juízes das varas do trabalho respectivas ou do próprio TRT 
(quando praticado por seus desembargadores e servidores); 
• TST = Atos dos ministros do TST. 
A competência territorial será a sede funcional da autoridade coatora, nesse 
caso, embora seja competência territorial, sua natureza é absoluta, tendo em vista 
as peculiaridades do Mandado de Segurança (MIESSA, 2019, p. 1620). 
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parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u 
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
O mandado de segurança pode ser de duas espécies: a) repressivo – quando a 
violação a direito líquido e certo já houver ocorrido; e b) preventivo – quando se 
busca evitar que a violação de direitos ocorra. 
Com relação ao cabimento, o art. 5º da Lei do MS, esclarece que: não se 
concederá mandado de segurança quando se tratar: I - de ato do qual caiba recurso 
administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução; II - de decisão 
judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; e III - de decisão judicial 
transitada em julgado. 
Outrossim, a Súmula 266 do STF estabelece que: “Não cabe mandado de 
segurança contra lei em tese”. Nessa mesma linha a súmula 267 do STF: “Não cabe 
mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição”. E 
também a Súmula 268 da mesma corte: “Não cabe mandado de segurança contra 
decisão judicial com trânsito em julgado”. 
Note que o mandado de segurança é um remédio residual, não é recurso, mas 
ação que visa combater um ato violador de direitos e quando não haja qualquer 
recurso ou outro meio apto a repeli-lo. Logo a jurisprudência cuida de esclarecer o 
não cabimento do mandado de segurança e não o seu inverso, o que ocorre em 
raras vezes, como por meio da Súmula 414, II do TST que é esclarecido que: “No 
caso de a tutela provisória haver sido concedida ou indeferida antes da sentença, 
cabe mandado de segurança, em face da inexistência de recurso próprio”. 
Por outro lado, a mesma súmula em seu item I, estabelece que: “A tutela 
provisória concedida na sentença não comporta impugnação pela via do mandado 
de segurança, por ser impugnável mediante recurso ordinário. É admissível a 
obtenção de efeito suspensivo ao recurso ordinário mediante requerimento dirigido 
ao tribunal, ao relator ou ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, 
por aplicação subsidiária ao processo do trabalho do artigo 1.029, § 5º, do CPC de 
2015”. 
Obtempera-se que o mandado de segurança deve possuir prova pré-
constituída, vez que não haverá, como regra, dilação probatória produção de provas, 
sendo seu julgamento bastante célere. 
Nos termos da Súmula 415 do TST: “Exigindo o mandado de segurança prova 
documental pré-constituída, inaplicável o art. 321 do CPC de 2015 art. 284 do CPC 
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de 1973 quando verificada, na petição inicial do "mandamus", a ausência de 
documento indispensável ou de sua autenticação”. 
Ocorre que o art. 6º, §1º da Lei 12.016/09 traz hipótese de exceção: 
No caso em que o documento necessário à prova do alegado se ache em 
repartição ou estabelecimento público ou em poder de autoridade que se 
recuse a fornecê-lo por certidão ou de terceiro, o juiz ordenará, 
preliminarmente, por of ício, a exibição desse documento em original ou em 
cópia autêntica e marcará, para o cumprimento da ordem, o prazo de 10 
(dez) dias. O escrivão extrairá cópias do documento para juntá-las à 
segunda via da petição. 
 
O prazo para impetração do mandado de segurança é de 120 dias, conforme 
art. 3º da lei em estudo: “O titular de direito líquido e certo decorrente de direito, em 
condições idênticas, de terceiro poderá impetrar mandado de segurança a favor do 
direito originário, se o seu titular não o fizer, no prazo de 30 (trinta) dias, quando 
notificado judicialmente”. Este prazo é decadencial. 
Ainda que não haja dilação probatória, via de regra, nos casos de competência 
originária dos tribunais, caberá ao relator a instrução do processo, sendo 
assegurada a defesa oral na sessão do julgamento do mérito ou do pedido liminar 
art. 16. 
Não é possível o jus postulandi na Justiça do Trabalho com relação a 
impetração de mandado de segurança, conforme Súmula 425 do TST. 
No mandado de segurança não cabe condenação em honorários advocatícios 
de sucumbência, mas é cabível condenação em má-fé, conforme art. 25 da lei em 
comento. 
Da decisão do mandado de segurança é possível a interposição de recurso, 
por ambas as partes, vez que a autoridade coatora possui o direito de recorrer, 
conforme art. 14, §2º da Lei 12.016/09. 
Das sentenças prolatadas em vara do trabalho o Recurso Ordinário irá para o 
TRT, dos acórdãos proferidos nos TRTs o Recurso Ordinário será encaminhado ao 
TST Súmula 201 do TST. Se a ordem for denegada pelo próprio TST o Recurso 
Ordinário irá para o STF, mas quando este concede a segurança, neste caso o 
recurso cabível é Recurso Extraordinário para o STF (MIESSA, 2019, p. 1627). 
Vale lembrar que das decisões monocráticas do relator será cabível o agravo 
regimental. 
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Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma 
parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u 
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
Por fim, nos termos da Súmula 303, IV do TST: “Em mandado de segurança, 
somente cabe reexame necessário se, na relação processual, figurar pessoa jurídica 
de direito público como parte prejudicada pela concessão da ordem. Tal situação 
não ocorre na hipótese de figurar no feito como impetrante e terceiro interessado 
pessoa de direito privado, ressalvada a hipótese de matéria administrativa”. 
 
3.5 Ação Civil Pública 
 
A ação civil pública está prevista na Lei 7.347/1985 (LACP), e com o título III do 
Código de Defesa do Consumidor forma um microssistema processual coletivo 
(MIESSA, 2019, p.1536). 
O cabimento vem previsto no art. 1º da LACP: 
Art. 1º - Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação 
popular, as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais 
causados: 
l - ao meio-ambiente; 
ll - ao consumidor; 
III – a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e 
paisagístico; 
IV - a qualquer outro interesse difuso ou coletivo. 
V - por inf ração da ordem econômica; 
VI - à ordem urbanística. 
VII – à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos. 
VIII – ao patrimônio público e social. 
 
Parágrafo único. Não será cabível ação civil pública para veicular pretensão 
que envolva tributos, contribuições previdenciárias, o Fundo de Garantia do 
Tempo de Serviço - FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos 
benef iciários podem ser individualmente determinados. 
 
O art. 129, III da CF/88 assim expõe: “art. 129. São funções institucionais do 
Ministério Público: [...] III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a 
proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses 
difusos e coletivos”. 
Outrossim, o STF por meio do RE 163.231/SP incluiu comosubespécie de 
direitos coletivos os direitos individuais homogêneos. 
O professor Élisson Miessa (2019, p. 1537), esclarece que no âmbito da 
Justiça do Trabalho, conforme prevê o art. 83, III da LC/75/1993, a promoção da 
ação civil pública será promovida para a defesa de interesses coletivos, quando 
desrespeitados os direitos sociais constitucionalmente garantidos. 
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parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u 
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
Salienta-se que, embora o art. 1º, parágrafo único da LACP vede o cabimento 
da ação civil pública para veicular pretensão que envolva tributos, contribuições 
previdenciárias, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS ou outros fundos 
de natureza institucional cujos beneficiários podem ser individualmente 
determinados, a doutrina majoritária entende ser inconstitucional esse dispositivo, 
tendo em vista a princípio da inafastabilidade da jurisdição (MIESSA, 2019, p. 1537). 
O art. 81, parágrafo único do CDC cuidado de esclarecer sobre os direitos 
difusos, coletivos e individuais homogêneos. 
Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: 
I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste 
código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares 
pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; 
II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste 
código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, 
categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária po r 
uma relação jurídica base; 
III - interesses ou direitos individuais homogêneos assim entendidos os 
decorrentes de origem comum. 
 
A competência da ação civil pública será da Vara do Trabalho, sendo esta 
competência absoluta quando versar sobre a tutela do interesse público, no que 
tange aos direitos dos trabalhadores. 
A legitimidade da ação civil pública está prevista no art. 5º da Lei 7.347/85. 
Art. 5º Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: 
I - o Ministério Público; 
II - a Defensoria Pública; 
III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; 
IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia 
mista; 
V - a associação que, concomitantemente: 
a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil; 
b) inclua, entre suas f inalidades institucionais, a proteção ao patrimônio 
público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à 
livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao 
patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. 
§1º O Ministério Público, se não intervier no processo como parte, atuará 
obrigatoriamente como f iscal da lei. 
§2º Fica facultado ao Poder Público e a outras associações legitimadas nos 
termos deste artigo habilitar-se como litisconsortes de qualquer das partes. 
§3° Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação 
legitimada, o Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade 
ativa. 
§4° O requisito da pré-constituição poderá ser dispensado pelo juiz, quando 
haja manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou característica 
do dano, ou pela relevância do bem jurídico a ser protegido. 
§5° Admitir-se-á o litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da 
União, do Distrito Federal e dos Estados na defesa dos interesses e direitos 
de que cuida esta lei. 
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§6° Os órgãos públicos legitimados poderão tomar dos interessados 
compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais, 
mediante cominações, que terá ef icácia de título executivo extrajudicial. 
 
Ressalta-se que, nos termos do art. 15 da LACP: “decorridos sessenta dias do 
trânsito em julgado da sentença condenatória, sem que a associação autora lhe 
promova a execução, deverá fazê-lo o Ministério Público, facultada igual iniciativa 
aos demais legitimados”. 
Com relação ao objeto da ação civil pública o art. 3º da LACP esclarece que: “A 
ação civil poderá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de 
obrigação de fazer ou não fazer”. 
Em havendo condenação em dinheiro este será revertido para um fundo 
próprio, nos termos do art. 13 da LACP. 
Com relação à sentença na ação civil pública, o professor Élisson Miessa 
(2019, p. 1547), ensina que: 
Quando se busca tutelar direitos difusos e coletivos, a sentença coletiva 
assemelha-se à sentença do processo individual, impondo obrigações de 
fazer, não fazer, ou de indenização pelos danos coletivos causados. 
Já na hipótese de direitos individuais homogêneas, a sistemática é muito 
diferente, vez que a sentença profere uma condenação genérica, 
oportunidade em que há def inição da: a) identidade do sujeito passivo da 
obrigação (ex: empregador); b) existência da obrigação do devedo r (ex: o 
setor x possui agentes insalubres); c) natureza da prestação devida (ex: 
pagamento de adicional de 20% sobre o salário) [...] Posteriormente na fase 
de liquidação, identif ica-se quem é o titular do direito (ex: João, Pedro, 
Paulo, etc) e qual o valor da prestação a que faz jus (ex: João, R$600,00; 
Pedro, R$950,00 e Paulo, R$1.100,00) (MIESSA, 2019, p. 1547-1548). 
 
Com relação à coisa julgada, o art. 103 do CDC assim disciplina: 
Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará 
coisa julgada: 
I - erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por 
insuf iciência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá 
intentar outra ação, com idêntico fundamento valendo-se de nova prova, na 
hipótese do inciso I do parágrafo único do art. 81; 
II - ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo 
improcedência por insuf iciência de provas, nos termos do inciso anterior, 
quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do art. 
81; 
III - erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para benef iciar 
todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III do parágrafo 
único do art. 81. 
§1° Os efeitos da coisa julgada previstos nos incisos I e II não prejudicarão 
interesses e direitos individuais dos integrantes da coletividade, do grupo, 
categoria ou classe. 
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§2° Na hipótese prevista no inciso III, em caso de improcedência do pedido , 
os interessados que não tiverem intervindo no processo como litisconsortes 
poderão propor ação de indenização a título individual. 
§3° Os efeitos da coisa julgada de que cuida o art. 16, combinado com o art. 
13 da Lei n° 7.347, de 24 de julho de 1985, não prejudicarão as ações de 
indenização por danos pessoalmente sofridos, propostas individualmente ou 
na forma prevista neste código, mas, se procedente o pedido, benef iciarão 
as vítimas e seus sucessores, que poderão proceder à liquidação e à 
execução, nos termos dos arts. 96 a 99. 
§4ºAplica-se o disposto no parágrafo anterior à sentença penal 
condenatória. 
 
Por fim, cumpre esclarecer que na ação civil pública não há o adiantamen to de 
custas, emolumentos, honorários ou qualquer despesa, conforme art. 18 da LACP: 
“Nas ações de que trata esta lei, não haverá adiantamento de custas, emolumentos, 
honorários periciais e quaisquer outras despesas, nem condenação da associação 
autora, salvo comprovada má-fé, em honorários de advogado, custas e despesas 
processuais”. 
Ocorre, contudo, que no caso de má-fé, a associação autora e os diretores 
responsáveis pela propositura da ação serão solidariamente condenados em 
honorários advocatícios e ao décuplo das custas, sem prejuízo da responsabilidade 
por perdas e danos (art. 17). 
Com relação a ação civil pública ajuizada por sindicato figurando como 
substituto processual, nos termos da Súmula 219, item III do TST são devidos 
honorários advocatícios. 
 
3.6 Ação Monitória 
 
A ação monitória visa o recebimento de um crédito representado por um título 
que, embora não mais dotado de efeito executivo, é prova bastante da existência de 
um crédito. Assim para o professor Daniel Amorim Assumpção Neves: 
Trata-se, portanto, de uma espécie de tutela diferenciada, que por meio da 
adoção de técnica de cognição sumária (para a concessão do mandado 
monitório) e do contraditório diferido (permitindo a prolação de decisão 
antes da oitiva do réu), busca facilitar em termos procedimentais a obtenção 
de um título executivo quando o credor tiver prova suf iciente para convencer 
o juiz, em cognição não exauriente, da provável existência de seu direito. 
(NEVES, 2016, p. 1687). 
 
O professor Daniel Neves (2016, p. 1687) assim sintetiza: 
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parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u 
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
(a) Havendo título executivo, será adequado o processo de execução; 
(b) Não havendo título, mas existindo uma prova literal e suficiente para 
convencer o juiz da probabilidade do direito, será adequado o processo sincrético, 
cabendo ao autor à escolha da primeira fase desse processo: fase de conhecimento 
ou monitória; 
(c) Não havendo título nem prova literal, ao credor será exigido a propositura 
do processo sincrético com início na fase de conhecimento. 
Salienta-se que a ação monitória é uma faculdade do autor e caso este prefira 
pode ajuizar o processo de conhecimento para reconhecer a existência do débito e 
posteriormente executar a sentença. 
No processo do trabalho a ação monitória é cabível desde que o documento 
escrito, sem eficácia de título executivo extrajudicial, seja oriundo da relação de 
trabalho ou relacionado com algum dos incisos do art. 114 da CF/88 (MIESSA, 2019, 
p. 1660). 
Outrossim, o procedimento é aquele mesmo do Processo Civil, constante nos 
artigos 700 a 702 do CPC. 
 
3.7 Ação Anulatória 
 
A ação anulatória objetiva a invalidação de um ato jurídico que não observou 
os requisitos de validade constantes no art. 104 do Código Civil, podendo ser 
considerado nulo, se com base no art. 166, ou anulável, se com base no art. 171 
(MIESSA, 2019, p. 1648). 
Cumpre transcrever os artigos retro mencionados: 
Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: 
I - agente capaz; 
II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável; 
III - forma prescrita ou não defesa em lei. 
 
Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: 
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz; 
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; 
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; 
IV - não revestir a forma prescrita em lei; 
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua 
validade; 
VI - tiver por objetivo f raudar lei imperativa; 
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem 
cominar sanção. 
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Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o 
negócio jurídico: 
I - por incapacidade relativa do agente; 
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou 
f raude contra credores. 
 
Conforme outrora visto, no processo do trabalho a sentença de homologação 
de acordo é irrecorrível, vide art. 831, parágrafo único da CLT e Súmula 100, V do 
TST. Nesse caso o TST entende que apenas por ação rescisória é impugnável o 
termo de conciliação previsto no parágrafo único do art. 831 da CLT, conforme 
esclarece a Súmula 259 do TST. 
Ocorre, contudo, que conforme anteriormente explanado, o professor Élisson 
Miessa (2019, p. 1649), entende que com o advento do novo CPC o mais correto 
seria anular o ato jurídico de homologação, ou seja, utilizar para tanto a ação 
anulatória. 
Isso porque, entre outras questões, o art. 966, §4º do CPC estabelece que: “Os 
atos de disposição de direitos, praticados pelas partes ou por outros participantes do 
processo e homologados pelo juízo, bem como os atos homologatórios praticados 
no curso da execução, estão sujeitos à anulação, nos termos da lei”. 
Uma vez que ação anulatória for julgada procedente, todos os atos 
subsequentes ao ato anulado serão considerados ineficazes e o processo originário 
deverá retomar a partir do momento em que ocorreu o ato anulado (MIESSA, 2019. 
p. 1650). 
A competência da ação anulatória por ser decorrência de um processo 
principal, deverá ser proposta no mesmo juízo que está nos termos do art. 61 do 
CPC/2015. Logo, pode-se afirmar que a competência para ação anulatória será do 
juízo que julgou o ato impugnado. 
A legitimidade ativa poderá ser do Ministério Público do Trabalho ou das 
entidades sindicais, podendo ocorrer litisconsórcio facu ltativo. 
A legitimidade passiva cabe às partes signatárias dos instrumentos viciados, 
como é caso dos sindicatos patronais ou profissionais. 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
 
BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 2015. 
 
CAIRO JÚNIOR, José. Curso de Direito do Trabalho. Direito Individual e Direito 
Coletivo de Trabalho. 4ª Edição. Salvador: Juspodivum, 2009. 
 
CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 11. ed. São Paulo: Metódo, 2017. 
 
CASSAR, Vólia Bomfim. Resumo de direito do trabalho. – 6. ed., rev., atual. e 
ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018. 
 
CORREIA, Henrique. Direito do Trabalho para concurso de analista do TRT e 
MPU. Coleção Tribunais e MPU. 11ª Edição. São Paulo: Juspodivm, 2018. 
 
CORREIA, Henrique; MIESSA, Elisson. Manuel da Reforma Trabalhista. 
Comentários artigo por artigo. São Paulo: Juspodivm, 2018. 
 
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 15. ed. São Paulo: 
LTr, 2016. 
 
LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de direito do trabalho. 8ª ed. São Paulo: 
Saraiva, 2017. 
 
_________. Curso de direito processual do trabalho. 16ª ed. São Paulo: LTr, 
2018. 
 
MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 32. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. 
 
_________.Direito processual do trabalho. 17ª ed. São Paulo: Atlas, 2017. 
 
MARINONI, Luiz Guilherme; MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil: 
comentado artigo por artigo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008. 
 
MIESSA, Élisson. Processo do Trabalho para concursos de analista do TRT, 
TST e do MPU. 7ª ed. Salvador: Juspodivum, 2018. 
 
_________. Processo do Trabalho. Coleção Concursos Públicos. 7ª ed. Salvador: 
Juspodivm, 2019. 
 
MIGALHAS, 2019. TST homologa acordo extrajudicial com quitação geral. 
Disponível em: https://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI310814,31047-
TST+homologa+acordo+extrajudicial+com+quitacao+geral. Acesso em 20 set. 2019. 
 
NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 34. ed. São 
Paulo: LTr, 2009. 
 
71 
 
 
 
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gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
__________. Curso de direito processual do trabalho. 29ª ed. São Paulo: 
Saraiva, 2014. 
 
NASCIMENTO, Amauri Mascaro; NASCIMENTO, Sônia Mascaro. Curso de direito 
do trabalho. História e teoria geral do direito do trabalho: relações individuais e 
coletivas do trabalho. 9. ed. – São Paulo: Saraiva, 2014. 
 
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 2 ed. Rio 
de Janeiro: Forense São Paulo: Método, 2010. 
_______. Manual de direito processual civil - Volume único. 8ª ed. Salvador: 
JusPodivm, 2016. 
 
ROMAR, Carla Tereza Martins. Direito do Trabalho. Coordenador Pedro Lenza. – 
5. ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 2018. (Coleção esquematizado). 
 
SCHIAVI, Mauro. Manual de direito processual do trabalho. 13ª ed. São Paulo: 
LTr, 2018.Processuais 
Os pressupostos processuais representam os elementos de existência e os 
requisitos de validade do processo. 
Os pressupostos processuais de existência dizem respeito à existência real e 
efetiva do processo (MIESSA, 2019, p. 358), sem estes, portanto, embora tenhamos 
os autos (peças e etc.) o processo em si não existe. 
Superada a análise dos pressupostos de existência, cabe ao magistrado 
analisar se estão presentes os pressupostos de validade do processo que irão 
permitir a admissibilidade ou não de determinada ação. 
Para o professor Carlos Henrique Bezerra Leite: 
[...] os pressupostos processuais são requisitos que dizem respeito à 
existência ou à validade da relação jurídica processual. Mais 
especif icamente, os pressupostos processuais são elementos 
imprescindíveis para que a relação processual possa existir juridicamente 
(pressupostos processuais de existência) ou se desenvolver válida e 
regularmente (pressupostos processuais de validade). 
Com exceção do compromisso arbitral, o juiz deverá conhecer de of ício, dos 
pressupostos processuais (CPC, arts. 267, IV, § 3º, e 301, § 4º). Na 
verdade, na instância ordinária, a apreciação dos pressupostos processuais, 
de of ício, deve ser feita tanto pelo juiz quanto pelos tribunais (LEITE, 2015, 
p. 458). 
 
Assevera o aludido autor que, com relação à instância extraordinária para 
decretação de ausência de pressupostos processuais é necessário à provocação 
expressa da parte por meio do recurso de natureza extraordinária 
prequestionamento. Em outras palavras, o Tribunal Superior do Trabalho ou o 
Supremo Tribunal Federal não pode ao apreciar recurso de revista ou recurso 
 
2 DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. 31. Ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2015, p. 
317. 
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extraordinário decretar, de ofício, a extinção do processo por ausência de 
pressuposto processual, ainda que se trate de incompetência absoluta. 
Esse entendimento está consignado na Orientação Jurisprudencial nº. 62 da 
SDI-1 do TST: “É necessário o prequestionamento como pressuposto de 
admissibilidade em recurso de natureza extraordinária, ainda que se trate de 
incompetência absoluta”. 
Impende salientar que classificação dos pressupostos processuais não é 
pacífica na doutrina, contudo, de forma majoritária estão assim dispostos: 
 
Tabela 1: Pressupostos Processuais 
Pressupostos 
Processuais 
SUBJETIVOS 
Existência 
• Investidura 
• Capacidade de ser parte 
Validade 
• Imparcialidade 
• Competência 
• Capacidade Processual 
• Capacidade postulatória 
OBJETIVOS 
Existência 
• Demanda 
 
Validade 
• Coisa julgada material 
• Litispendência 
• Perempção 
• Convenção de arbitragem 
• Ausência de pagamento de custas 
processuais 
• Petição inicial apta 
• Citação válida 
• Regularidade Formal 
Fonte: MIESSA, 2019, p. 359. Adaptada pelo autor. 
 
Com relação aos pressupostos processuais de existência, também chamados 
pelo CPC de pressupostos de constituição do processo, temos estes como sendo 
objetivamente a própria demanda, ou seja, um processo somente se inicia quando a 
jurisdição é provocada (Princípio da Inércia da Jurisdição), e isto é feito pela 
demanda que nada mais significada do que o próprio ato de pedir algo ao Estado-
Juiz, em outras palavras querer ver solucionada determinada questão. 
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Subjetivamente, os pressupostos de validade estão divididos em: investidura e a 
capacidade de ser parte. 
A investidura diz respeito ao fato do processo ter que ser regido por sujeito 
devidamente investido no poder jurisdicional, podendo externar a vontade a 
representação do Estado no exercício da atividade jurisdicional, logo, este 
pressuposto relaciona-se com o juiz. 
A capacidade de ser parte nada mais é do que a própria capacidade de direito 
ou de gozo, ou seja, toda pessoa possui direito de ser parte, vez que su jeito de 
direitos de obrigações. 
Cumpre observar que caso qualquer destes pressupostos não se encontrem 
presentes, o próprio processo inexistirá. 
É justamente por este motivo que Alexandre Freitas Câmara (apud MIESSA, 
2019, p. 359), esclarece que nesse caso não há que falar em extinção do processo, 
vez que este sequer existe, mas sim em um ato meramente administrativo que 
determine a cancelamento da distribuição e de todos os registos atinentes ao 
processo. 
Bem por isso, o autor Rodrigo Klipel (apud LEITE, 2015, p. 459), esclarece que: 
Acerca da verif icação de um vício de inexistência é a de que, f indo o 
processo, é o mesmo insanável, já que a sua falta resultará na inexistência 
do processo no mundo do dever/ser. Impossível falar-se em análise da 
mácula à luz da instrumentalidade das formas (nulidade = erro de forma + 
prejuízo), pois, se não há formação da relação processual, juridicamente 
não há que se cogitar de quaisquer efeitos ou consectários do processo, 
motivo pelo qual basta a declaração de tal circunstância (querela nullitatis). 
 
Já os pressupostos processuais de validade, que segundo MIESSA (2019, p. 
358) podem ser divididos também subjetivos e objetivos, estão relacionados à 
admissibilidade do processo. 
Têm-se como pressupostos objetivos os seguintes: coisa julgada material; 
litispendência; perempção; convenção de arbitragem; ausência de pagamento de 
custas processuais; petição inicial apta; citação válida e regularidade formal. 
A coisa julgada material, ou seja, aquela que ocorre quando houve julgamento 
do mérito (sentenças definitivas), obsta a propositura de nova ação que vise discutir 
questão já solucionada pelo poder judiciário. De forma diversa, a coisa julgada 
formal, ou seja, quando não ocorre julgamento de mérito (sentença terminativa) não 
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parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos , i ncl usive fo tocópias o u 
gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
representa nesse caso pressuposto processual de validade negativo como ocorre 
com o material, tendo em vista a inexistência de análise meritória. 
A litispendência diz respeito à repetição de ação idêntica, conforme art. 337, 
§3º do CPC, e por esse motivo, a segunda ação não poderá seguir seu curso, tendo 
em vista a existência da primeira com as mesmas partes e pedido e causa de pedir, 
sendo por isso também um pressuposto negativo de validade do processo. 
A perempção resta configurada no processo do trabalho nas hipóteses dos 
arts. 731 e 732 da CLT: 
Art. 731 - Aquele que, tendo apresentado ao distribuidor reclamação verbal, 
não se apresentar, no prazo estabelecido no parágrafo único do art. 786, à 
Junta ou Juízo para fazê-lo tomar por termo, incorrerá na pena de perda, 
pelo prazo de 6 (seis) meses, do direito de reclamar perante a Justiça do 
Trabalho. 
 
Art. 732 - Na mesma pena do artigo anterior incorrerá o reclamante que, por 
2 (duas) vezes seguidas, der causa ao arquivamento de que trata o art. 844. 
 
Como pode ser observado acima, diferentemente do processo civil, no 
processo do trabalhoos efeitos da perempção não são definitivos, sendo temporário 
pelo prazo de seis meses, pois permitem novo ajuizamento de ação desde que 
observados os artigos retro mencionados. 
É, como a litispendência e a coisa julgada, um pressuposto de validade 
negativo, pois depende de sua não existência para que o processo prossiga seu 
curso normal. Em outras palavras, o processo só existirá validamente caso não seja 
verificado a existência de perempção, coisa julgada e litispendência. 
A existência de convenção de arbitragem que pode abranger os dissídios 
coletivos ou individuais, no caso desse último desde que observado o art. 507-A da 
CLT3, impede o prosseguimento da ação trabalhista, vez que as partes se 
obrigaram a utilizarem àquele meio de solução de conflito, sendo, portanto, também 
um pressuposto de validade negativo, devendo a ação, se proposta, ser extinta sem 
resolução do mérito, nos termos do art. 485, VII do CPC: “O juiz não resolverá o 
mérito quando: [...] VII - acolher a alegação de existência de convenção de 
arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência”. 
 
3 Art. 507-A da CLT. Nos contratos individuais de trabalho cuja remuneração seja superior a duas vezes o limite 
máximo estabelecido para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social, poderá ser pactuado cláu sula 
compromissória de arbitragem, desde que por iniciativa do empregado ou mediante a sua concordância expressa, 
nos termos previstos na Lei no 9.307, de 23 de setembro de 1996. 
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gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
Cumpre observar, porém, que esse pressuposto não pode ser reconhecido de 
ofício pelo juiz, devendo ser alegado pelas partes para então ser acolhido pelo 
magistrado. 
A ausência de pagamento de custas é um pressuposto resultante da Lei 
13.467/2017 Reforma Trabalhista, vez que fora acrescen tado art. 844, §2º na CLT, 
que assim dispõe: “Na hipótese de ausência do reclamante, este será condenado ao 
pagamento das custas calculadas na forma do art. 789 desta Consolidação, ainda 
que beneficiário da justiça gratuita, salvo se comprovar, no prazo de quinze dias, 
que a ausência ocorreu por motivo legalmente justificável”. 
O pressuposto de validade aqui discutido fica nítido ao seguirmos para o §3º do 
mesmo artigo, vejamos: “O pagamento das custas a que se refere o § 2o é condição 
para a propositura de nova demanda”. 
Assim, em que pesem as discussões sobre eventual inconstitucionalidade de 
tais parágrafos, que inclusive são objetos da Ação Direta de Inconstitucionalidade 
(ADI) nº. 5766/DF, o fato é que enquanto o tema não for solucionado pelo STF, uma 
vez que o reclamante tenha faltado injustificadamente à audiência do processo a 
que deu causa uma vez arquivado o processo, para a propositura de nova demanda, 
dependerá do pagamento prévio das custas processuais do processo anteriormente 
arquivado. Logo, sem o pagamento das custas, a segunda ação deve ser extinção 
sem resolução do mérito de plano. 
 
FIQUE POR DENTRO: A ADI 5766/DF iniciada pela Procuradoria Geral da 
República vem sendo julgada desde 25/08/2017, analisa a eventual 
inconstitucionalidade dos seguintes pontos: 1) a cobrança de honorários de 
advogado e de honorários periciais, em caso de sucumbência; 2) a utilização de 
créditos havidos em outros processos para pagamento de honorários; 3) a cobrança 
de custas judiciais aos empregados que derem causa ao arquivamento de suas 
ações por não comparecimento injustificado à audiência, ou seja, do art. 790-B, 
“caput” e § 4º(1), o § 4º do art. 791-A(2), e o § 2º do art. 844(3), da Consolidação das 
Leis do Trabalho (CLT), introduzidos pelo art. 1º da Lei 13.467/2017 Reforma 
Trabalhista. Possui como relator o Ministro Roberto Barroso e a última decisão 
constante nos autos é a que segue: 
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“Após o voto do Ministro Roberto Barroso (Relator), julgando parcialmente 
procedente a ação direta de inconstitucionalidade, para assentar interpretação 
conforme a Constituição, consubstanciada nas seguintes teses: “1. O direito à 
gratuidade de justiça pode ser regulado de forma a desincentivar a litigância 
abusiva, inclusive por meio da cobrança de custas e de honorários a seus 
beneficiários. 2. A cobrança de honorários sucumbenciais do hipossuficiente poderá 
incidir: (I) sobre verbas não alimentares, a exemplo de indenizações por danos 
morais, em sua integralidade; e (II) sobre o percentual de até 30% do valor que 
exceder ao teto do Regime Geral de Previdência Social, mesmo quando pertinente a 
verbas remuneratórias. 3. É legítima a cobrança de custas judiciais, em razão da 
ausência do reclamante à audiência, mediante prévia intimação pessoal para que 
tenha a oportunidade de justificar o não comparecimento, e após o voto do Ministro 
Edson Fachin, julgando integralmente procedente a ação, pediu vista antecipada dos 
autos o Ministro Luiz Fux. Ausentes o Ministro Dias Toffoli, neste julgamento, e o 
Ministro Celso de Mello, justificadamente. Presidência da Ministra Cármen Lúcia. 
Plenário, 10.5.2018. 
 
Acompanhe o julgamento em: 
http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5250582 
 
A petição inicial apta representa o primeiro ato processual praticado pelo 
reclamante, vez que o processo se inicia com a provocação da parte princípio da 
inércia ou da demanda. 
Bem por isso, é necessário que a petição inicial atenda algumas formalidades 
impostas pelo legislador. Caso tais formalidades não sejam observadas a petição 
inicial poderá ser considera inepta, nos moldes do art. 330, §1º do CPC: 
§ 1º Considera-se inepta a petição inicial quando: 
I - lhe faltar pedido ou causa de pedir; 
II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se 
permite o pedido genérico; 
III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; 
IV - contiver pedidos incompatíveis entre si. 
 
O art. 840, §1º da CLT também trata do tema, trazendo as formalidades 
mínimas da Reclamação Trabalhista: “Sendo escrita, a reclamação deverá conter a 
http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5250582
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designação do juízo, a qualificação das partes, a breve exposição dos fatos de que 
resulte o dissídio, o pedido, que deverá ser certo, determinado e com indicação de 
seu valor, a data e a assinatura do reclamante ou de seu representante”. 
O §3º esclarece a consequência para o descumprimento do §1º, vejamos: “Os 
pedidos que não atendam ao disposto no § 1o deste artigo serão julgados extintos 
sem resolução do mérito”. 
Assim, resta nítida ser a petição inicial apta um pressuposto de validade do 
processo, vez que não observado ensejará o arquivamento dos autos extinção sem 
resolução do mérito. 
A citação válida também é pressuposto de validade do processo e nos termos 
do art. 238 do CPC: “Citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado 
ouo interessado para integrar a relação processual”. 
Por fim, a regularidade formal diz respeito à forma como os atos processuais 
ocorrerão no caminhar processual. Contudo, impende rememorar que, conforme art. 
188 do CPC: “Os atos e os termos processuais independem de forma determinada, 
salvo quando a lei expressamente a exigir, considerando-se válidos os que, 
realizados de outro modo, lhe preencham a finalidade essencial”. Em outras 
palavras, tem-se aqui expresso o Princípio da instrumentalidade das formas. Logo, 
ainda que um ato processual não tenha sido realizado observando a forma prescrita 
em lei, mas tenha atingido seu objetivo, será considerado válido. 
Com relação aos pressupostos de validade subjetivos, têm-se estes divididos 
em: Imparcialidade; Competência; Capacidade Processual e Capacidade 
Postulatória. 
A Imparcialidade nada mais é do que a ausência de qualquer motivo de 
suspeição ou impedimento arts. 144 e 145 do CPC, vez que o magistrado deve 
proferir decisão isenta de predileções. 
Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas funções 
no processo: 
I - em que interveio como mandatário da parte, of iciou como perito 
funcionou como membro do Ministério Público ou prestou depoimento como 
testemunha; 
II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão; 
III - quando nele estiver postulando, como defensor público, advogado ou 
membro do Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer 
parente, consanguíneo ou af im, em linha reta ou colateral, até o terceiro 
grau, inclusive; 
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IV - quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou companheiro , 
ou parente, consanguíneo ou af im, em linha reta ou colateral, até o terceiro 
grau, inclusive; 
V - quando for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa 
jurídica parte no processo; 
VI - quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de qualquer 
das partes; 
VII - em que f igure como parte instituição de ensino com a qual tenha 
relação de emprego ou decorrente de contrato de prestação de serviços; 
VIII - em que f igure como parte cliente do escritório de advocacia de seu 
cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou af im, em linha reta ou 
colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por 
advogado de outro escritório; 
IX - quando promover ação contra a parte ou seu advogado. 
§ 1º Na hipótese do inciso III, o impedimento só se verif ica quando o 
defensor público, o advogado ou o membro do Ministério Público já 
integrava o processo antes do início da atividade judicante do juiz. 
§ 2º É vedada a criação de fato superveniente a f im de caracterizar 
impedimento do juiz. 
§ 3º O impedimento previsto no inciso III também se verif ica no caso de 
mandato conferido a membro de escritório de advocacia que tenha em seus 
quadros advogado que individualmente ostente a condição nele prevista, 
mesmo que não intervenha diretamente no processo. 
 
Art. 145. Há suspeição do juiz: 
I - amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados; 
II - que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa antes 
ou depois de iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes acerca 
do objeto da causa ou que subministrar meios para atender às despesas do 
litígio; 
III - quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu 
cônjuge ou companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro 
grau, inclusive; 
IV - interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das 
partes. 
§ 1º Poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem 
necessidade de declarar suas razões. 
§ 2º Será ilegítima a alegação de suspeição quando: 
I - houver sido provocada por quem a alega; 
II - a parte que a alega houver praticado ato que signif ique manifesta 
aceitação do arguido. 
 
A Competência diz respeito à delimitação do exercício legítimo da jurisdição 
(NEVES, 2010, p. 110). Em outras palavras, ainda que a jurisdição seja una, ou seja, 
uma só é necessária que seja partilhada e organizada, justamente para que sua 
finalidade seja atingida, daí nasce à noção de competência, tanto as relativas (como 
a em razão do território), como as absolutas (como a em razão da matéria). 
Destaca-se que ambas as competências, relativa e absoluta, são pressupostos 
processuais de validade. 
Por fim, tem-se a Capacidade processual e a Capacidade postulatória. A 
primeira caracteriza a capacidade para a realização dos autos processuais, ou 
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mesmo a capacidade para estar em juízo sem assistência ou representação. É a 
capacidade de fato ou exercício que possuí a pessoa apta à prática de todos os atos 
da vida civil. Logo, possuindo um sujeito capacidade civil plena, é possível afirmar 
que ele possuirá capacidade processual. 
Por outo lado, a segunda, Capacidade postulatória significa a capacidade para 
postular em juízo. Via de regra apenas advogados públicos ou provados, incluindo 
aqui os Defensores Públicos e os membros do Ministério Público possuem tal 
capacidade. Ocorre, contudo, que na Justiça do Trabalho tem-se o jus postulandi da 
parte, podendo qualquer das partes Reclamante ou Reclamada se fazer representar 
sem a presença de um advogado, conforme art. 791 da CLT: “Os empregados e os 
empregadores poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e 
acompanhar as suas reclamações até o final”. 
Rememora-se que o Colendo TST por meio da Súmula 425 esclareceu o 
alcance do jus postulandi na Justiça do Trabalho da seguinte forma: “O jus 
postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do 
Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, 
a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal 
Superior do Trabalho”. 
A capacidade postulatória por ser pressuposto de validade pode ensejar o 
arquivamento/extinção do processo para o autor, sendo que para o réu acarretará a 
revelia para o réu, e para o terceiro interessado sua exclusão da lide, não ocorrendo 
nesses dois últimos casos à extinção do processo, com o que é pressuposto de 
validade apenas dos atos que praticarem. 
Em ambos os casos, capacidade processual e postulatória, o magistrado 
deverá dar prazo para que a parte regularize a situação antes que o processo seja 
extinto. 
 
1.2 Sincretismo Processual 
 
Tradicionalmente, o processo era classificado conforme a natureza do 
provimento jurisdicional ao qual era destinado. Logo, no âmbito do processo civil, a 
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doutrina utilizava as seguintes classificações: processo de conhecimento, processo 
de execução e processo cautelar (MIESSA, 2019, p. 373). 
Contudo, a partir do advento das Leis nº. 11.232/05 e 11.382/06 passaram a 
ser adotado o processo sincrético, passando todos osatos serem realizados dentro 
da mesma relação processual, sendo desnecessária ação autônoma para as fases 
de conhecimento e de execução. 
No processo do trabalho, contudo, sempre fora observado o processo 
sincrético, ocorrendo às fases de conhecimento e execução dentro da mesma 
relação processual. 
Para Mauro Schiavi (citado por MIESSA, 2019, p. 373), a utilização do 
sincretismo processual na justiça do trabalho encontra guarida justamente nos 
princípios da simplicidade e celeridade, além da duração razoável do processo e 
efetividade do acesso à justiça. 
De qualquer modo, conforme será visto no módulo atinente à execução 
trabalhista, em caso de execução de título extrajudicial, será necessário um 
processo de execução autônomo, vez que inexistente um processo de conhecimento 
que o originou. 
 
1.3 Nulidades Processuais 
 
Em que pese o processo trabalhista seja regido pelos princípios da 
simplicidade e informalidade dos atos processuais, é necessário que um mínimo de 
formalismos seja observado, notadamente visando à segurança jurídica do 
processo. 
Caso tais formalismos não sejam respeitados poderão ocorrer os chamados 
vícios dos atos processuais, que estão divididos em: (I) atos inexistentes, (II) 
nulidades absolutas, (III) nulidades relativas e (IV) irregularidades. 
Os atos inexistentes caracterizam-se como aqueles que não possuem os 
elementos mínimos para sua formação, sendo o vício de maior gravidade. Imagine, 
por exemplo, uma sentença assinada por um estagiário, evidente que o estudante, 
embora seu empenho e zelo, não possui competência para o ato, tampouco é 
investido na função jurisdicional. Logo, essa sentença será inexistente. 
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No caso das nulidades absolutas estas se evidenciam quando há violação de 
norma de interesse público, sendo, portanto, um vício considerado insanável, em 
outras palavras é impossível consertar “o erro”. 
Tais nulidades podem ser reconhecidas de ofício ou a requerimento de 
qualquer das partes do processo e a qualquer momento, não se sujeitam, portanto, a 
preclusão perda do direito de manifestação/alegação do vício. 
Embora possam ser reconhecidas de ofício, ainda assim deve ser preservado o 
contraditório oportunizando-se a manifestação da parte contrária, conforme art. 10 
do CPC: “O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em 
fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se 
manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício”. 
Rememora-se, outrossim, que nos termos da OJ nº. 62 da SDI-1 do TST: “É 
necessário o prequestionamento como pressuposto de admissibilidade em recurso 
de natureza extraordinária, ainda que se trate de incompetência absoluta”. Logo, nos 
recursos com natureza extraordinária, como é o caso do Recurso de Revista e dos 
Embargos de Divergência à SDI, por exemplo, será necessário o 
prequestionamento, sem ele, o recurso não será analisado. 
A Nulidade Relativa decorre da violação de interesse das partes (MIESSA, 
2019, p. 628). Nesta hipótese, como não poderia deixar de ser, é indispensável o 
requerimento de uma das partes, sem o qual o juiz nada poderá conhecer pelo 
princípio da inércia da jurisdição. 
Outrossim, a nulidade relativa sujeita-se à preclusão. Logo, não sendo o vício 
alegado em sua primeira oportunidade de se manifestar nos autos, o vício não mais 
poderá ser questionado. 
Isso é característico com relação à incompetência territorial, que uma vez não 
alegada, prorroga a competência para o local onde ação foi distribuída. 
 
ATENÇÃO: Cabe aqui um alerta, com o advento da Lei 13.467/2017 Reforma 
Trabalhista, o prazo para apresentação da exceção de incompetência territorial 
passou a ser de cinco dias contados do recebimento da notificação. Assim, caso um 
empregado que sempre laborou em Curitiba/PR e passou a residir em Brasília/DF 
após sua dispensa e lá ajuizou reclamação trabalhista contra seu ex-empregador, e 
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este último não observou o prazo de cinco dias, deixando a alegação tão somente 
para o momento da contestação, restará configurado neste caso a preclusão, e 
competência territorial passará a ser da vara do trabalho de Brasília/DF onde a ação 
tenha sido distribuída. Portanto, cuidado com o prazo e jamais deixe para analisar 
uma reclamação trabalhista muito próximo da data da audiência. 
 
Com relação à irregularidade, como o próprio nome indica, esta é apenas um 
equívoco que não tem o condão de gerar qualquer efeito para o processo, como, por 
exemplo, a numeração errada das páginas de um processo físico. 
Conforme outrora esclarecido, frisa-se uma vez mais que as nulidades devem 
sempre ser observadas com cautela no âmbito do processo trabalhista. Nesse 
mesmo sentido esclarece o professor Carlos Henrique Bezerra Leite: 
Durante muito tempo, persistiu a ideia de que a falta de alguma formalidade 
dos atos processuais implicava a nulif icação de todo o processo. Era o 
chamado sistema legalista ou formalista. Na fase da instrumentalidade do 
processo, passou-se a mitigar o rigor das formalidades dos atos e termos do 
processo e, consequentemente, das nulidades processuais. No atual 
sistema processual, isto é, no paradigma do Estado Democrático de Direito , 
passou-se a observar os f ins sociais do processo, evitando -se, assim, 
declarar sua nulidade, mormente nos casos em que a ausência de alguma 
formalidade não provoque prejuízo para o direito das partes. Daí falar-se em 
sistema teleológico das nulidades (LEITE, 2015, p. 537). 
 
A passagem acima está de acordo com o Princípio da Instrumentalidade das 
Formas previsto no art. 188 do CPC: “Os atos e os termos processuais independem 
de forma determinada, salvo quando a lei expressamente a exigir, considerando-se 
válidos os que, realizados de outro modo, lhe preencham a finalidade essencial”. 
Basicamente por este princípio, caso um ato seja praticado de forma diversa a 
apontada em lei, mas alcançada sua finalidade, será ele considerado válido. 
Além deste princípio, o tema em estudo nulidades possuía ainda os seguintes 
princípios balizadores: 
a) Princípio da Transcendência: este princípio também como conhecido como 
princípio do prejuízo ou como pas de nullité sans grief (sistema francês), traz a ideia 
de que inexistindo prejuízo para as partes o ato não poderá ser declarado nulo, 
devendo ser aproveitado. 
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Parte da doutrina assevera que este princípio apenas pode ser observado no 
caso das nulidades relativas, tendo em vista que na nulidade absoluta o prejuízo é 
presumido. 
Cumpre esclarecer que o princípio da transcendência está previsto nos arts. 
794 da CLT e 282, §2º do CPC. 
Art. 794 da CLT: Nos processos sujeitos à apreciação da Justiça do 
Trabalho só haverá nulidade quando resultar dos atos inquinados manifestoprejuízo às partes litigantes. 
 
Art. 282, § 2º do CPC: Quando puder decidir o mérito a favor da parte a 
quem aproveite a decretação da nulidade, o juiz não a pronunciará nem 
mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. 
 
b) Princípio da Preclusão: também conhecido como princípio da convalidação, 
indica que a nulidade relativa (vez que não se aplica à nulidade absoluta que deve 
ser declarada de ofício pelo magistrado4) deve ser alegada na primeira oportunidade 
de falar nos autos, sob pena de perder a faculdade da prática do ato processual 
(preclusão). 
Este princípio está previsto no art. 795 da CLT: 
Art. 795 - As nulidades não serão declaradas senão mediante provocação 
das partes, as quais deverão argui-las à primeira vez em que tiverem de 
falar em audiência ou nos autos. 
§ 1º - Deverá, entretanto, ser declarada ex officio a nulidade fundada em 
incompetência de foro. Nesse caso, serão considerados nulos os atos 
decisórios. 
§ 2º - O juiz ou Tribunal que se julgar incompetente determinará, na mesma 
ocasião, que se faça remessa do processo, com urgência, à autoridade 
competente, fundamentando sua decisão. 
 
c) Princípio da Economia Processual: vem previsto no art. 796, “a”, da CLT: 
“Art. 796 - A nulidade não será pronunciada: a) quando for possível suprir-se a falta 
ou repetir-se o ato”. Por este princípio é possível observar que determinadas 
nulidades, sempre que possível, devem ser sanadas como forma de conferir 
celeridade ao processo. 
d) Princípio do Interesse: este princípio se caracteriza como a impossibilidade 
de reconhecer uma nulidade processual causada pela própria parte que a alega, 
conforme art. 796, “b”, da CLT: “A nulidade não será pronunciada: [...] b) quando 
 
4 Art. 278 do CPC: A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunid ade em que couber à parte falar 
nos autos, sob pena de preclusão. 
Parágrafo único. Não se aplica o disposto no caput às nulidades que o juiz deva decretar de ofício, nem prevalece 
à preclusão provando a parte legítimo impedimento. 
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arguida por quem lhe tiver dado causa”. Se aplica também somente às nulidades 
relativas. 
e) Princípio da Utilidade: nesse caso é possível afirmar que a declaração de 
nulidade deve ser útil ao deslinde do processo. Bem por isso, por este princípio 
deve-se buscar aproveitar os atos praticados (princípio do aproveitamento), 
evitando-se sempre que possível à declaração de nulidade (MIESSA, 2019, p. 631). 
Este princípio encontra guarida no art. 797 da CLT: “O juiz ou Tribunal que 
pronunciar a nulidade declarará os atos a que ela se estende”. Também pode ser 
observada sua extensão ao art. 798 da CLT: “A nulidade do ato não prejudicará 
senão os posteriores que dele dependam, ou seja, consequência”. 
 
FIQUE POR DENTRO: Informativo nº. 170 do TST 
Mandado de segurança. Cópias não autenticadas. Declaração de autenticidade 
firmada na petição inicial não reconhecida pela Corte de origem. Excesso de 
formalismo. Aplicação do princípio da instrumentalidade das formas. 
 
Verifica-se excesso de formalismo quando o TRT despreza a declaração de 
autenticidade firmada pelo impetrante na petição inicial em razão de conter uma 
impropriedade ao mencionar que “as peças trasladadas são cópias fiéis do original 
dos presentes autos” ao invés de se referir às cópias juntadas com a exordial. No 
caso, aplica-se o princípio da instrumentalidade das formas, podendo-se considerar, 
portanto, que a declaração de autenticidade abrange todas as peças que instruíram 
o mandado de segurança, restando atendidas, por analogia, as exigências do art. 
830 da CLT. Sob esse fundamento, a SBDI-II, por unanimidade, conheceu do 
recurso ordinário, e, no mérito, por maioria, deu-lhe provimento para, afastando a 
extinção do feito sem resolução do mérito, determinar o retorno dos autos ao 
Tribunal Regional de origem, a fim de que julgue o mandado de segurança, como 
entender de direito. Vencido o Ministro Renato de Lacerda Paiva. TST-RO-12126-
94.2010.5.15.0000, SBDI-II, rel. Min. Delaíde Miranda Arantes, 5.12.2017. 
 
 
 
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1.4 Formação, Suspensão e Extinção do Processo 
 
1.4.1 Formação do Processo 
O processo se inicia por provação de uma parte que entende possuir um 
conflito que apenas possa ser solucionado com a intervenção do Poder Judiciário 
princípio da inércia, disposto ou da demanda, conforme art. 2º do CPC: “O processo 
começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as 
exceções previstas em lei”. 
Conforme visto acima, uma vez iniciado o processo por provocação da parte, 
ele irá de desenvolver por impulso oficial princípio inquisitivo, também de acordo 
com art. 765 da CLT: “Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na 
direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo 
determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas”. 
A ação será considerada proposta com sua distribuição, nos termos do art. 312 
do CPC: “Considera-se proposta a ação quando a petição inicial for protocolada, 
todavia, a propositura da ação só produz quanto ao réu os efeitos mencionados no 
art. 240 depois que for validamente citado”. 
O juízo onde fora distribuída a reclamação trabalhista, tornar-se-á prevento, ou 
seja, caso exista arquivamento daquela ação extinção sem resolução do mérito, um 
novo ajuizamento deverá ocorrer perante o mesmo juízo onde ela fora distribuída 
anteriormente, por prevenção. 
Conforme o professor Élisson Miessa (2019, p. 636) esclarece, embora no 
processo civil ocorra de forma diversa, no processo do trabalho, com o ajuizamento 
da ação ocorrem os seguintes efeitos: 
a) Torna prevento o juízo; 
b) Induz a litispendência; 
c) Torna litigiosa a coisa; 
d) Constitui em mora o devedor; 
e) Interrompe a prescrição. 
 
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1.4.2 Suspensão do Processo 
Via de regra, em decorrência do princípio da duração razoável do processo art. 
5º, LXXVIII da CF e art. 6º do CPC, o recomendável é que não ocorram suspensões 
no curso do processo. Ocorre, contudo, quem em determinadas a suspensão será 
indicada até mesmo para melhor aproveitamento do processo. 
A CLT prevê as seguintes situações em que ocorrerá a suspensão processual: 
a) Exceção de incompetência e suspeição – art. 799: “Nas causas da jurisdição 
da Justiça do Trabalho, somente podem ser opostas, com suspensão do feito, as 
exceções de suspeição ou incompetência”. 
b) Suspensão de julgamento por ato do juiz – art. 844, §1º: “Ocorrendo motivo 
relevante, poderá o juiz suspender o julgamento, designando nova audiência”. 
c) Prorrogação de prazos pelo juiz ou tribunal – art. 775: 
Art. 775. Os prazos estabelecidos neste Título serão contados em dias 
úteis, com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento. 
§1º Os prazos podem ser prorrogados, pelotempo estritamente necessário , 
nas seguintes hipóteses: 
I - quando o juízo entender necessário; 
II - em virtude de força maior, devidamente comprovada. 
§2º Ao juízo incumbe dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de 
produção dos meios de prova, adequando-os às necessidades do conf lito 
de modo a conferir maior efetividade à tutela do direito. 
 
d) Suspensão entre 20 de dezembro e 20 de janeiro – art. 795-A: 
Art. 775-A. Suspende-se o curso do prazo processual nos dias 
compreendidos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, inclusive. 
§1º Ressalvadas as férias individuais e os feriados instituídos por lei, os 
juízes, os membros do Ministério Público, da Defensoria Pública e da 
Advocacia Pública e os auxiliares da Justiça exercerão suas atribuições 
durante o período previsto no caput deste artigo. 
§2º Durante a suspensão do prazo, não se realizarão audiências nem 
sessões de julgamento. 
 
Outrossim, devem ainda serem aplicados os casos de suspensão previstos no 
art. 313 do CPC, esta assim disposto: 
 
 
 
 
 
 
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Tabela 2: Suspensão dos Atos Processuais 
Art. 313 do CPC: Suspende-se o processo: 
I - pela morte ou pela perda da 
capacidade processual de qualquer das 
partes, de seu representante legal ou de 
seu procurador; 
§1º Na hipótese do inciso I, o juiz 
suspenderá o processo, nos termos do 
art. 689. 
 
§2º Não ajuizada ação de habilitação, ao 
tomar conhecimento da morte, o juiz 
determinará a suspensão do processo e 
observará o seguinte: 
 
I - falecido o réu, ordenará a intimação 
do autor para que promova a citação do 
respectivo espólio, de quem for o 
sucessor ou, se for o caso, dos 
herdeiros, no prazo que designar, de no 
mínimo 2 (dois) e no máximo 6 (seis) 
meses; 
 
II - falecido o autor e sendo transmissível 
o direito em litígio, determinará a 
intimação de seu espólio, de quem for o 
sucessor ou, se for o caso, dos 
herdeiros, pelos meios de divulgação 
que reputar mais adequados, para que 
manifestem interesse na sucessão 
processual e promovam a respectiva 
habilitação no prazo designado, sob 
pena de extinção do processo sem 
resolução de mérito. 
 
§ 3º No caso de morte do procurador de 
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qualquer das partes, ainda que iniciada a 
audiência de instrução e julgamento, o 
juiz determinará que a parte constitua 
novo mandatário, no prazo de 15 
(quinze) dias, ao final do qual extinguirá 
o processo sem resolução de mérito, se 
o autor não nomear novo mandatário, ou 
ordenará o prosseguimento do processo 
à revelia do réu, se falecido o procurador 
deste. 
II - pela convenção das partes; § 4º O prazo de suspensão do processo 
nunca poderá exceder 1 (um) ano nas 
hipóteses do inciso V e 6 (seis) meses 
naquela prevista no inciso II. 
§ 5º O juiz determinará o 
prosseguimento do processo assim que 
esgotados os prazos previstos no § 4º. 
III - pela arguição de impedimento ou de 
suspeição; 
 
IV- pela admissão de incidente de 
resolução de demandas repetitivas; 
 
V - quando a sentença de mérito: 
a) depender do julgamento de outra 
causa ou da declaração de existência ou 
de inexistência de relação jurídica que 
constitua o objeto principal de outro 
processo pendente; 
b) tiver de ser proferida somente após a 
verificação de determinado fato ou a 
produção de certa prova, requisitada a 
§ 4º O prazo de suspensão do processo 
nunca poderá exceder 1 (um) ano nas 
hipóteses do inciso V e 6 (seis) meses 
naquela prevista no inciso II. 
 
§ 5º O juiz determinará o 
prosseguimento do processo assim que 
esgotados os prazos previstos no § 4º. 
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outro juízo; 
 
VI - por motivo de força maior; 
VII - quando se discutir em juízo questão 
decorrente de acidentes e fatos da 
navegação de competência do Tribunal 
Marítimo; 
 
VIII - nos demais casos que este Código 
regula. 
 
IX - pelo parto ou pela concessão de 
adoção, quando a advogada responsável 
pelo processo constituir a única patrona 
da causa; 
§ 6º No caso do inciso IX, o período de 
suspensão será de 30 (trinta) dias, 
contado a partir da data do parto ou da 
concessão da adoção, mediante 
apresentação de certidão de nascimento 
ou documento similar que comprove a 
realização do parto, ou de termo judicial 
que tenha concedido a adoção, desde 
que haja notificação ao cliente. 
X - quando o advogado responsável pelo 
processo constituir o único patrono da 
causa e tornar-se pai 
§ 7 º No caso do inciso X, o período de 
suspensão será de 8 (oito) dias, contado 
a partir da data do parto ou da 
concessão da adoção, mediante 
apresentação de certidão de nascimento 
ou documento similar que comprove a 
realização do parto, ou de termo judicial 
que tenha concedido a adoção, desde 
que haja notificação ao cliente 
Fonte: MIESSA, 2019, p. 637-638. 
 
1.4.3 Extinção do Processo 
O esperado e desejável é que um processo se encerre com a solução do 
conflito posto para o Poder Judiciário, ou seja, com a resolução do mérito solução 
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normal. Ocorre, contudo, que esta extinção poderá ser sem resolução do mérito 
solução anormal. 
Em ambos os casos um processo apenas se encerra com sentença, conforme 
art. 316 do CPC: “A extinção do processo dar-se-á por sentença”. 
A sentença pode ser terminativa sem julgamento mérito ou definitiva com 
julgamento do mérito, nos termos dos arts. 485 e 487 do CPC. 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
I - indeferir a petição inicial; 
II - o processo f icar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das 
partes; 
III - por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor 
abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias; 
IV - verif icar a ausência de pressupostos de constituição e de 
desenvolvimento válido e regular do processo; 
V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa 
julgada; 
VI - verif icar ausência de legitimidade ou de interesse processual; 
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou 
quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; 
VIII - homologar a desistência da ação; 
IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por 
disposição legal; e 
X - nos demais casos prescritos neste Código. 
§ 1º Nas hipóteses descritas nos incisos II e III, a parte será intimada 
pessoalmente para suprir a falta no prazo de 5 (cinco) dias. 
§ 2º No caso do § 1º, quanto ao inciso II, as partes pagarão 
proporcionalmenteà custa, e, quanto ao inciso III, o autor será condenado 
ao pagamento das despesas e dos honorários de advogado. 
§ 3º O juiz conhecerá de of ício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e 
IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito 
em julgado. 
§ 4º Oferecida à contestação, o autor não poderá, sem o consentimento do 
réu, desistir da ação. 
§ 5º A desistência da ação pode ser apresentada até a sentença. 
§ 6º Oferecida a contestação, a extinção do processo por abandono da 
causa pelo autor depende de requerimento do réu. 
§ 7º Interposta a apelação em qualquer dos casos de que tratam os incisos 
deste artigo, o juiz terá 5 (cinco) dias para retratar-se. 
 
Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: 
I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção; 
II - decidir, de of ício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência 
ou prescrição; 
III - homologar: 
a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na 
reconvenção; 
b) a transação; 
c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção. 
Parágrafo único. Ressalvada a hipótese do § 1º do art. 332, a prescrição e a 
decadência não serão reconhecidas sem que antes seja dada às partes 
oportunidade de manifestar-se. 
 
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Salienta-se, por fim, que no caso da extinção do processo sem resolução do 
mérito, deve antes ser oportunizada à parte, em sendo possível, para que regularize 
o vício, nos termos do art. 317 do CPC, presente nesse caso o princípio da primazia 
da decisão de mérito. 
 
 
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CAPÍTULO 2 – FORMAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS E PROCEDIMENTOS 
COMUNS 
 
2.1 Formas de Solução de Conflitos 
 
Pode-se afirmar que atualmente existem três formas de solução dos conflitos 
existentes na sociedade, sendo eles: a autotutela, a autocomposição e a 
heterocomposição. 
Basicamente a autotutela é caracterizada pela solução por meio próprio e com 
imposição da vontade de um sujeito a outro. 
Para LEITE (2015, p. 151): “A autodefesa ou autotutela, que é o método mais 
primitivo de solução dos conflitos, pressupõe um ato de defesa pessoal em que, com 
ou sem formas processuais, uma das partes do litígio impõe a outra um sacrifício 
não consentido”. 
Evidente que a autotutela de forma geral não é utilizada em nosso atual 
ordenamento jurídico, contudo é possível visualizá-la, como exceção, no direito do 
trabalho por meio do exercício de greve. 
A autocomposição que se destaca como sendo o meio mais adequado de 
solução de conflitos, caracteriza-se pela proatividade das partes em resolver 
amigavelmente um conflito, sem que haja nesse caso decisão de um terceiro. 
Para o professor Carlos Henrique Bezerra Leite (2015, p. 152): 
A autocomposição, que também é forma direta de solução do conf lito, 
consiste em uma técnica em que os litigantes, de comum acordo e sem 
emprego da força, fazem-se concessões recíprocas mediante ajuste de 
vontades. Na autocomposição, “um dos litigantes ou ambos consentem no 
sacrif ício do próprio interesse, daí ser a sua classif icação em unilateral e 
bilateral. A renúncia é um exemplo da primeira e a transação, da segunda. 
Pode dar-se à margem do processo, sendo, nesse caso, extraprocessual, 
ou no próprio processo, caso em que é intraprocessual, como a concil iação 
(CLT, art. 831, parágrafo único)5. 
 
Por fim, a heterocomposição é o meio de solução de conflito que depende de 
um terceiro sujeito que proferirá decisão e está deverá ser obrigatoriamente acatada 
pelas partes. 
 
5 Art. 831 da CLT, parágrafo único: No caso de conciliação, o termo que for lavrado valerá como decisão 
irrecorrível, salvo para a Previdência Social quanto às contribuições que lhe forem devidas. 
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Esse terceiro sujeito acima mencionado por ocorrer por vontade das partes, 
conforme Lei 9.307/1996 (que dispõe sobre a arbitragem) ou por imposição da lei, 
conforme art. 16 do CPC: “A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos tribunais 
em todo o território nacional, conforme as disposições deste Código”, ou seja, 
enquanto no primeiro caso temos a arbitragem, nesse último temos a figura do juiz, 
representando a jurisdição. 
Frisa-se ainda, que não é incomum que casos de heterocomposição terminem 
em autocomposição, como por exemplo, nos acordos judiciais realizados durante a 
audiência ou até fim do processo. 
 
2.1.1 Arbitragem 
Como visto acima, a arbitragem é o meio de solução de conflitos por meio da 
heterocomposição, ou seja, com a existência de um terceiro sujeito que proferirá 
decisão que vinculará de forma obrigatória às partes que o escolheram nos termos 
da Lei n. 9.307/1996. 
A arbitragem antes da Lei 13.467/2017 Reforma Trabalhista, apenas era 
possível nos dissídios coletivos, conforme art. 114, §1º da CF: “Frustrada a 
negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros”. 
Com o advento da Reforma Trabalhista e a inserção do art. 507-A na CLT 
passou a ser possível a utilização da arbitragem também nos dissídios individuais, 
observadas as seguintes regras: 
Art. 507-A da CLT: Nos contratos individuais de trabalho cuja remuneração 
seja superior a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benef ícios 
do Regime Geral de Previdência Social, poderá ser pactuado cláusula 
compromissória de arbitragem, desde que por iniciativa do empregado ou 
mediante a sua concordância expressa, nos termos previstos na Lei no 
9.307, de 23 de setembro de 1996. 
 
Ou seja, caso um empregado receba valor superior a duas ao teto do RGPS, 
atualmente em R$ 5.839,456, logo deverá receber valor não inferior a R$11.678,90 
(para 2019), e concorde de forma expressa ou parta de sua iniciativa poderá ser 
inserido em seu contrato de trabalho cláusula que obrigue as partes a utilizarem o 
 
6 SAIBA MAIS: Índice atualiza teto previdenciário para R$ 5.839,45 e faixas dos sa lários de contribuição para 
as alíquotas de recolhimento. Disponível em: http://www.previdencia.gov.br/2019/01/portaria -oficializa-
reajuste-de-343-para-beneficios-acima-do-minimo-em-2019/ 
http://www.previdencia.gov.br/2019/01/portaria-oficializa-reajuste-de-343-para-beneficios-acima-do-minimo-em-2019/
http://www.previdencia.gov.br/2019/01/portaria-oficializa-reajuste-de-343-para-beneficios-acima-do-minimo-em-2019/
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instituto da arbitragem ao invés de submeter eventual conflito à Justiça do Trabalho 
inicialmente. 
 
ATENÇÃO: Para o caso da instituição de cláusula de arbitragem, basta

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