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Segurança do Trabalho
Fundamentos e procedimentos de
atendimento pré-hospitalar (APH)
Uma das funções que compete ao técnico em segurança do trabalho é
detectar os riscos presentes nos diferentes processos de trabalho para a
prevenção de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais. Mas existem
situações que fogem do controle preventivo, como falhas na análise de riscos,
doenças preexistentes ou até mesmo a ocorrência de desastres naturais.
Por isso, precisamos estar preparados para os eventos adversos da rotina
normal da empresa, para socorrer as vítimas com o máximo de rapidez possível e
solicitar ajuda especializada cumprindo com o que é definido como Procedimento
Operacional Padrão (POP), com a finalidade de não agravar o estado de saúde da
vítima e tentar evitar uma possível ocorrência de óbito.
Para tanto, na atenção pré-hospitalar (APH), as ações de socorro podem
ser de duas maneiras: o suporte básico de vida (SBV) e o suporte avançado de
vida (SAV). O SBV adota medidas não invasivas de atendimento e não precisa ser
um profissional da saúde para prestar esse atendimento, e sim uma pessoa com
conhecimento e destreza. E o SAV se refere ao atendimento realizado por equipes
especializadas e habilitadas, em que há risco de morte, e necessita de
procedimentos especializados e invasivos, caso em que médicos e enfermeiros
treinados estão preparados para prestar esse tipo atendimento.
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Cabe citar que, além do SBV e do SAV, existem diversos protocolos que
devem ser atendidos, conforme a especificidade do atendimento, como, por
exemplo, atendimento pré-hospitalar ao traumatizado e American Heart
Association, entre outros modelos em que se destacam as escolas norte-
americana e europeia. No protocolo americano, aplica-se o conceito de chegar à
vítima no menor tempo possível, realizar as manobras essenciais para estabilizá-la
e removê-la o mais rápido possível até um hospital de referência.
Já a escola europeia traz outra teoria, que é conhecida como protocolo
francês, cujo conceito é ofertar o atendimento médico no local do agravo até a
estabilização da vítima.
No Brasil, utiliza-se de um sistema misto, pois as unidades de suporte são
compostas por pessoas treinadas em atendimento pré-hospitalar, mas as unidades
são divididas SBV e SAV, para atender a demanda conforme a especificidade do
atendimento. Essa equipe é composta por diferentes profissionais: médico,
enfermeiro, técnicos em enfermagem e operadores de veículos.
Objetivo do APH
O principal objetivo do atendimento pré-hospitalar é imobilizar, estabilizar e
transportar a vítima de um acidente de natureza qualquer. O atendimento deve,
sobretudo, priorizar a integridade da vítima, independente das condições
circunstanciais. O objetivo é cumprido após a vítima chegar viva até o destino
(hospital ou unidade de saúde mais próxima).
Segurança do local
Antes de tomar qualquer providência para atender à vítima é necessário que
se avalie o local do sinistro, pois a segurança do local é a etapa básica na
prestação de primeiros socorros.
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Chegando ao local do acidente, ou ao encontrar uma pessoa que sofreu um
acidente e está caída em um dos setores da empresa, será necessário assumir o
controle da situação e proceder a uma rápida e segura avaliação da ocorrência,
também é importante para o andamento do atendimento tranquilizar o acidentado
e transmitir-lhe segurança e conforto.
É importante observar se existem perigos para o acidentado e para quem
estiver prestando o socorro nas proximidades da ocorrência. Por exemplo:
desabamentos; risco de explosão; fios elétricos soltos, desencapados e
energizados; tráfego de veículos; andaimes; vazamento de gás; máquinas em
funcionamento.
Se houver identificação de algum destes fatos, será primordial tomar uma
ação para deixar o local seguro antes de atender à vítima. Portanto, desligue a
corrente elétrica; evite chamas, faíscas e fagulhas; afaste as pessoas
desprotegidas da presença de gás; evacue a área em risco iminente de explosão
ou desmoronamento.
Em ocorrências de grandes proporções (terremotos, inundações,
desmoronamento) ou periculosidade (derramamento de produtos tóxicos,
inflamáveis), é necessária a atuação de profissionais especializados, por isso,
dentro das limitações do socorro e do tipo da ocorrência, deve-se verificar primeiro
se o local do acidente é seguro para que o socorrista da situação de emergência
também não se “torne” vítima e agrave ainda mais a situação.
Para isso, os socorristas em geral utilizam uma sequência padrão de
procedimentos ao chegar ao local do evento adverso, que são:
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Manter a calma
Ter em mente a seguinte ordem de segurança durante o atendimento:
primeiro eu (socorrista); depois minha equipe; e, por último, a vítima
Ligar para o atendimento APH ao chegar ao local do acidente
Verificar se há risco no local
Manter o bom senso
Afastar os curiosos e a aglomeração e trabalhar em equipe
Avaliação primária
A avaliação primária é uma avaliação rápida e criteriosa, que tem o objetivo
de definir as prioridades do tratamento. É a conduta que analisa rapidamente as
funções vitais e o risco de morte da vítima.
Essa avaliação é essencial para a sobrevida, bem como para minimizar as
possíveis sequelas que são estabelecidas de acordo com as lesões encontradas,
as funções vitais e o mecanismo do trauma.
O exame primário começa com uma visão simultânea dos estados
respiratório, circulatório e neurológico da vítima para identificar quaisquer
problemas externos significativos óbvios, com respeito à oxigenação, à circulação,
à hemorragia ou a deformidades.
Durante a avaliação primária devem ser identificadas as lesões que implicam
em risco de vida e as condutas devem ser simultâneas.
Com a finalidade de oferecer um atendimento correto e eficiente, são
utilizados os protocolos de APH (atendimento pré-hospitalar), sendo que a 9.ª
edição do PHTLS 2018 (sigla que, em português, significa suporte pré-hospitalar
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de vida no trauma), no capítulo 6, recebeu uma nova atualização: o “x” de
hemorragia exsanguinante, ou seja, hemorragia externa grave. O APH sofreu uma
substancial alteração, dando mais ênfase às grandes hemorragias externas do
que ao controle cervical ou da abertura das vias aéreas.
O XABCDE é o manual de boas práticas do atendimento ao trauma, que
padroniza o atendimento inicial ao paciente politraumatizado e define prioridades
na abordagem ao trauma, no sentido de padronizar o atendimento. Ou seja, é uma
forma rápida e fácil de memorizar todos os passos que devem ser seguidos com o
paciente em politrauma.
Esse manual foi pensado para identificar lesões potencialmente fatais ao
indivíduo, e é aplicável a todas as vítimas com quadro crítico, independentemente
da idade. O protocolo tem como principal objetivo reduzir índices de mortalidade e
morbidade em vítimas de qualquer tipo de trauma.
Cabe ressaltar que, antes de iniciar a abordagem XABCDE ao paciente
vítima de trauma, é necessário atentar-se a itens essenciais para salvaguardar a
vida da equipe, tais como avaliação da segurança da cena segura, uso de
equipamentos de proteção individual (EPIs), sinalização da cena (por exemplo,
dispor cones de isolamento na pista).
a imagem descreve o significado de cada uma das letras que compõem a avaliação primária
XABCDE. Na sigla, a letra X significa hemorragia grave, a letra A significa vias aéreas, a letra
B significa respiração, a letra C significa circulação, a letra D significa estado neurológico e a
letra E significa exposição da área afetada.
Figura 1 – Avaliação primária XABCDE
A – Via aérea e controle da coluna cervical
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As lesões que obstruem as vias aéreas provocam morte mais rápida se
comparadasàs outras, pois impossibilitam que o oxigênio do meio externo alcance
os alvéolos pulmonares.
A permeabilidade da via aérea deve ser assegurada em primeiro lugar, logo
deve-se verificar e identificar a presença de corpos estranhos, fraturas faciais, bem
como manobras para desobstruir a via aérea devem ser realizadas com controle
da coluna cervical (colar cervical ou imobilização manual).
A manutenção inicial da via aérea, quando ela ocorre pela queda da língua,
principalmente em pacientes inconscientes, pode ser feita com manobras simples
(tração da mandíbula e elevação queixo) – abra a mandíbula da vítima colocando
uma mão sobre sua testa e a outra no seu queixo. A mão que está na testa deve
empurrá-la para trás enquanto a do queixo, com os dedos indicador e médio,
empurra o queixo para cima como mostra a imagem.
Figura 2 – Desobstrução de via área.
Fonte: .
Imagem de uma pessoa desacordada no chão e outra com uma das mãos
em sua testa projetando-a pra baixo e a outra usando os dedos indicador e médio
para projetar a mandíbula para cima.
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Se o objeto estiver visível, posicione o dedo como um gancho e faça
movimentos para empurrá-lo para fora da boca buscando o objeto sem obstruir
ainda mais as vias aéreas.
Agora que já desobstruímos as vias áreas, é preciso estabilizar a região
cervical, pois uma lesão nessa região pode levar a uma tetraplegia em
consequência de um trauma de medula. Na estabilização manual, com a vítima
deitada, mantém-se a cabeça em uma posição neutra, sendo alinhada da seguinte
forma:
Faça um “C” com o polegar e o indicador. Os polegares devem estar
posicionados na testa da vítima com as unhas em direção ao nariz, e
os indicadores devem estar posicionados na lateral dos olhos com as
unhas em direção à boca.
Faça um “E” com os outros dedos posicionando a palma da mão nas
orelhas da vítima.
Se a vítima não estiver com a cabeça em posição anatômica,
coloque-a. Não tire as mãos da sua cabeça em nenhuma hipótese
até que o colar cervical seja colocado.
Se a vítima estiver acordada, aborde-a pela frente, para evitar que
mova a cabeça para os lados durante o olhar, podendo causar lesões
medulares.
A imobilização deve ser de toda a coluna, não se limitando à coluna
cervical. Para isso, uma prancha rígida deve ser utilizada.
Posicionando-se em sua lateral, colocando uma mão sobre seu peito
e a outra sobre a sua testa, para que ela, em um impulso, não
machuque você.
Para estabilizar a região cervical, posicione-se ao lado da vítima e proceda
da seguinte maneira:
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Figura 3 – Estabilização da região cervical
Fonte: .
A imagem apresenta uma pessoa desacordada no chão e outras duas
fazendo a estabilização da cervical. A pessoa que está socorrendo está segurando
a cabeça da vítima com as duas mãos, uma em cada lateral, colocando os dedos
mínimo, anelar, médio e indicador na lateral da cabeça e o dedão na testa da
vítima, e outra está posicionando o colar.
Seguindo os protocolos descritos anteriormente, a imobilização permite um
atendimento adequado, preservando a coluna vertebral da vítima. Reconhecer
alguns sintomas que o corpo humano pode apresentar quando temos alguma
lesão na coluna vertebral reforça o cuidado nesse procedimento. Alguns desses
sintomas são:
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Perda do controle normal do intestino e da bexiga (com possibilidade
de ocorrer constipação, incontinência urinária e espasmos na bexiga)
Dormência
Alterações sensoriais
Espasticidade (aumento do tônus muscular)
Dor
Fraqueza e paralisia
B – Ventilação e oxigenação
No procedimento representado pela letra B, o socorrista deve analisar se a
respiração está adequada. A frequência respiratória, os movimentos torácicos, a
cianose, o desvio de traqueia e a musculatura acessória são parâmetros
analisados nessa fase. Para isso, é necessário expor o tórax do paciente, realizar
inspeção, palpação, ausculta e percussão, e verificar se a respiração é eficaz e se
o paciente está bem oxigenado.
Vítima sem lesão cervical
O socorrista deve manter a cabeça da vítima elevada empurrando-a
com os dedos embaixo do queixo e com a outra mão na sua testa
para que a sua boca mantenha-se aberta.
Vítima com lesão cervical
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Abra a boca da vítima com a técnica dos dedos cruzados
Faça uma ligeira tração na região cervical
Alinhe a região cervical
Enquanto isso, o outro socorrista deve realizar as compressões
torácicas
Figura 4 – Tração mandibular para suspeita de lesão cervical
Fonte: .
A imagem representa a técnica de abertura de mandíbula em vítimas com
suspeita de lesão na coluna cervical em que o socorrista deve segurar com os
dedos indicador e médio o ângulo da mandíbula e o empurrar para cima para
manter a boca da vítima aberta.
C – Circulação e controle da hemorragia
Estudos mostram que o sangramento é o grande responsável pelos óbitos
ocorridos nas primeiras 24 horas após o trauma. O choque é definido como a
presença de perfusão orgânica e oxigenação tecidual inadequadas.
A grande maioria dos doentes traumatizados em choque encontra-se
hipovolêmico e a hemorragia é a causa mais comum de choque nas vítimas de
trauma. Os sinais mais precoces de perda sanguínea são a taquicardia e a
vasoconstrição cutânea (pele pálida, fria e sudoreica).
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Nos procedimentos representados pela letra C da sigla, a circulação e a
identificação precoce por hemorragia são os principais parâmetros de análise. A
maioria das hemorragias é estancada pela compressão direta do foco.
A diferença entre as letras X e C é que o X se refere à presença de
hemorragias externas, grandes hemorragias. Já o C refere-se à presença de
hemorragias internas, estas, por sua vez, mais difíceis de serem identificadas. As
hemorragias internas podem ser reconhecidas por perdas de volume sanguíneo
não visível, analisando os principais pontos de hemorragia interna no trauma
(pelve, abdômen e membros inferiores), avaliando sinais clínicos de hemorragia
como tempo de enchimento capilar lentificado, pele fria e pegajosa e
comprometimento do nível e da qualidade de consciência.
D – Estado neurológico
A avaliação neurológica é obtida pela determinação do nível de consciência
do paciente, empregando-se a avaliação neurológica rápida (AVDN).
A – Alerta
V – Resposta ao estímulo verbal
D – Só responde à dor
N – Não responde a qualquer estímulo
O nível de consciência é o fator mais importante na avaliação inicial do
sistema nervoso central, lembre-se de que, além do traumatismo crânio-
encefálico, o nível de consciência pode estar alterado devido à hipoxemia ou à
hipoperfusão cerebral.
E – Exposição e controle do ambiente
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Toda vítima de trauma deve ser totalmente despida, com vista à completa
avaliação, sendo prioridade iniciar as medidas de reaquecimento mediante o
aquecimento com uso de cobertores aquecidos ou dispositivos de aquecimento. O
mais importante nessa fase é garantir a temperatura corpórea do paciente,
enquanto o socorrista deve analisar sinais de trauma, sangramento, manchas na
pele etc.
Recomendações
Quando se trata de procedimentos de APH é fundamental que sigamos as
recomendações dos protocolos e escolas versadas neste tópico, porque elas
respaldam nossa atuação diante de técnicas e condutas a serem tomadas nas
situações de emergência.
Precisamos estar atentos às atualizações dos protocolos e condutas
adequadas a serem desenvolvidas quando forem prestar o atendimento de
primeiros socorros no seu ambiente de trabalho. É claro que anteriormentea isso
trabalhamos para que esses eventos não ocorram, mas, caso ocorram,
precisamos estar preparados.
Conclusão
Conhecimentos, atualizações e habilidades fazem parte da vida do
socorrista, e com esses quesitos esse profissional consegue ter a iniciativa para
dar início ao atendimento às vítimas com agilidade e segurança necessárias.
Nunca se esqueça de que a sua segurança e a de sua equipe são
primordiais para que você possa desenvolver e desempenhar todas as etapas e
procedimentos de primeiros socorros. O fato de você ter conhecimentos e técnicas
dos procedimentos da APH rementem confiabilidade, e à medida que você utilizar
as condutas aqui apresentadas poderá entender o propósito desta unidade
curricular na sua prática profissional.
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