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Núcleo de Educação a Distância
GRUPO PROMINAS DE EDUCAÇÃO
Diagramação: Rhanya Vitória M. R. Cupertino
PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira.
O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para 
a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado de trabalho.
O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por 
fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem.
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Prezado(a) Pós-Graduando(a),
Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional!
Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confiança 
em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se 
decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as 
suas expectativas.
A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma 
nação soberana, democrática, crítica, reflexiva, acolhedora e integra-
dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a 
ascensão social e econômica da população de um país.
Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida-
de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos. 
Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas 
pessoais e profissionais.
Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são 
outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi-
ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver 
um novo perfil profissional, objetivando o aprimoramento para sua atu-
ação no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo 
importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe-
rior e se qualificar ainda mais para o magistério nos demais níveis de 
ensino.
E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a) 
nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial. 
Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos 
conhecimentos.
Um abraço,
Grupo Prominas - Educação e Tecnologia
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Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas!
É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha 
é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo-
sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é 
você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve-
rança, disciplina e organização. 
Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como 
as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua 
preparação nessa jornada rumo ao sucesso profissional. Todo conteúdo 
foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de 
qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho.
Estude bastante e um grande abraço!
Professora: Adriana Penna
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O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao 
longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc-
nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela 
conhecimento.
Cada uma dessas tags, é focada especificadamente em partes 
importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in-
formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao 
seu sucesso profisisional.
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 CAPÍTULO 02
OS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
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A Criança e o Adolescente na Constituição Federal e no ECA _____
Nascimento Saudável __________________________________________
Perfil da Criança e Adolescente _________________________________
 CAPÍTULO 03
SAÚDE DA CRIANÇA
Necessidades e Vulnerabilidade da Criança _____________________ 25
18Violência contra Criança e Adolescente _________________________
Crescimento e Desenvolvimento _______________________________ 29
29
33
Triagem Neonatal ______________________________________________
Desnutrição e Alimentação Saudável ___________________________
Doenças da Infância ___________________________________________ 35
 CAPÍTULO 04
SAÚDE DO ADOLESCENTE
Necessidades e Vulnerabilidade do Adolescente _______________ 40
 CAPÍTULO 01
INTRODUÇÃO
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Avaliação no Atendimento ao Adolescente _______________________ 42
A Consulta de Enfermagem _____________________________________ 43
Algumas Dinâmicas de Grupo __________________________________ 47
 CAPÍTULO 05
SAÚDE DA FAMÍLIA
 CAPÍTULO 06
SAÚDE BUCAL
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Agravos Bucais ________________________________________________
Níveis de Atenção e Ação de Enfermagem _______________________
62Referências ____________________________________________________
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Linha de Cuidados (LC), de maneira geral, seria uma proposta 
de (re)organização da rede de saúde, de forma a atender as necessi-
dades a partir de um aporte das vulnerabilidades em saúde. Ou seja: 
várias ações, um cardápio delas que seria definido a partir das priori-
dades nas necessidades em saúde no âmbito individual ou coletivo, 
determinadas por pactos nas diferentes instâncias.
As LC envolvem vontade política e ao mesmo tempo saberes e 
ações. Vontade política porque ela precisa ser programada e articulada 
em nível estadual, regional e municipal e essa organização e integração 
dependem de instâncias macro. Envolve saberes e ações porque na 
prática, os atores precisam ter conhecimentos das situações de saúde-
-doença de forma racional e integrada, de modo a enfrentar as vulne-
rabilidades, os riscos, os agravos, enfim, as condições específicas do 
ciclo de vida dos diversos públicos que irá atender.
INTRODUÇÃO
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Pois bem, pensando em necessidades, vulnerabilidades e ações 
é que neste módulo que denominamos LC em Saúde Coletiva I, trataremos 
das crianças, adolescentes, família e saúde bucal. Veremos detalhes espe-
cíficos de cada um desses grupos e no tocante à saúde bucal, os agravos e 
os níveis de atenção desejáveis aos profissionais da Enfermagem.
Em se tratando das crianças, a organização da assistência tem 
em sua agenda, cinco LC definidas como prioritárias: nascimento sau-
dável; crescimento e desenvolvimento; distúrbios nutricionais; doenças 
prevalentes na infância e violência infantil; que estão ilustrada no fluxo-
grama a seguir.
Fonte: Contim (2012, p. 101).
Quanto aos adolescentes e jovens, estes estão numa faixa de 
transição onde os sentimentos parecem mais uma “teoria do caos”. As 
influências que recebem são variadas: da trajetória de vida; das famí-
lias; da classe social; do estilo de vida; do grupo; do local onde moram; 
das relações de gênero; da diversidade sexual; e estas influências pre-
cisam ser vistas com olhos atentos porque as possibilidades que virão 
dessas “miscelâneas”afecções não-vi-
rais, antitérmico e/ou outras medidas para diminuir a hipertermia, bron-
codilatadores, analgésico;
• oxigenoterapia;
• manter a alimentação, a não ser que haja contraindicação;
• estimular a hidratação;
Sobre as doenças sexualmente transmissíveis (DST) e a AIDS, 
elas acontecem via transmissão vertical do HIV e da sífilis da mãe para o 
filho. Para diagnóstico e tratamento, devem ser oferecidos exames sorológi-
cos, tratamento e profilaxia adequados no pré-natal, no parto e no puerpério.
Imediatamente após o nascimento, o recém-nascido (RN) de 
mãe soropositivo deve receber quimioprofilaxia e continuar durante as 
seis primeiras semanas de vida. Como se contraindica o aleitamento 
materno, o RN é alimentado com fórmula láctea infantil.
Não podemos esquecer dos problemas bucais, afinal de con-
tas, ao introduzir alimentos, é necessário alertar para não introduzir 
açúcar na dieta (mamadeiras, chás, sucos) e proceder a higiene bucal 
(dependendo da faixa etária com panos, gaze, escova e fio dental).
Lembremos que o aleitamento materno promove a saúde dos 
dentes e o crescimento correto dos ossos da face, prevenindo futuros 
problemas de fala e ortodôntico.
A ação dos medicamentos sobre a estrutura dentária, a crono-
logia e os incômodos que acompanham a erupção dos dentes, o uso 
excessivo de chupetas, a ação protetora do flúor contra a cárie dentária 
devem ser alvo da atenção permanente da equipe de saúde.
No acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, a 
equipe de saúde tem oportunidade de identificar as necessidades es-
peciais das crianças que merecem abordagem mais específica na área 
da saúde mental.
Para essas crianças, pode-se desenvolver um trabalho que 
objetive estreitar o vínculo família-criança, incluí-las em atividades de 
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socialização e em oficinas culturais e esportivas e realizar a psicotera-
pia individual e familiar. Para as demais, que apresentam sinais mais 
severos (indicativos de autismo, psicose, neurose), é necessário en-
caminhá-las ao recurso de referência para que possam receber uma 
assistência mais intensiva (KAWAMOTO, 2009).
Segundo a UNICEF, 10% das crianças nascem ou adquirem 
algum tipo de deficiência e cerca de 70 a 80% das sequelas podem ser 
evitadas ou minimizadas por meio de procedimentos de possível ope-
racionalização.
A criança deve receber atenção integral e multiprofissional, 
com atuação integrada da equipe de saúde com a família, comunidade 
e equipamentos sociais, de forma a promover a inclusão e a participa-
ção social da criança.
Durante o atendimento ou visita domiciliar, a equipe de saúde 
deve estar atenta a alguns sinais de alerta, tais como ausência de respos-
ta aos estímulos sonoros, apatia aos estímulos do ambiente, dificuldade 
em fixar visualmente o rosto dos pais e objetos do meio ambiente, atraso 
nas aquisições psicomotoras, comportamento estereotipado e repetitivo.
Dessa forma, além de seguir as linhas de cuidado da atenção 
à criança, a equipe de saúde deve introduzir medidas preventivas ade-
quadas que abordem de forma oportuna e precoce as alterações obser-
vadas (KAWAMOTO, 2009).
A organização do trabalho sobre as necessidades e vulne-
rabilidades da criança envolve diversas ações, que vão desde o aco-
lhimento na admissão, passando pela qualidade dos cuidados pres-
tados, até a resolutividade dos problemas da criança e sua família.
Dentre as atribuições do Enfermeiro, nas políticas de aten-
ção voltadas à criança, está o cuidado integral na promoção da 
saúde, proteção contra os agravos, diagnóstico, tratamento, reabi-
litação e manutenção da saúde destes sujeitos e de suas famílias 
em todas as etapas do desenvolvimento humano.
Dessa forma, o enfermeiro e a equipe de enfermagem têm 
um importante papel a desempenhar no cuidado à saúde integral 
da criança, acompanhando o crescimento e desenvolvimento, es-
timulando o aleitamento materno, realizando orientações alimen-
tares, quanto à vacinação e nas situações de violência contra a 
criança (CONTIM, 2012).
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Kawamoto (2009) fala com muita propriedade que os adoles-
centes necessitam de uma atenção especial, pois esta fase de transição 
será de maior ou menor risco, dependendo das garantias físicas, psi-
cológicas e sociais existentes, portanto vamos refletir um pouco sobre 
esse público que é visto por uns com bons olhos, alegres, animados, 
cheios de vida e por outros como verdadeiros “aborrecentes”.
NECESSIDADES E VULNERABILIDADE DO ADOLESCENTE
Os atuais problemas dessa população refletem a desestruturação 
familiar, sociopolítica e econômica do país; em consequência disso, temos:
- a maioria possuindo grau de escolaridade abaixo daquele de-
sejável para a sua faixa etária;
SAÚDE DO ADOLESCENTE
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- aumento de adolescentes no mercado de trabalho e tendo 
de enfrentar extensas jornadas, remuneração mais baixa, atividades 
impróprias para a sua idade (facilitando acidentes), falta de legislação 
trabalhista específica e outros;
- aumento no número de gravidez e doenças sexualmente 
transmissíveis, decorrente das falhas nos programas de saúde e de 
educação sexual;
- as causas externas (acidentes de trânsito, atropelamentos, 
homicídios e suicídios) sendo a primeira causa de morte nessa faixa 
etária; esse dado nos revela que os adolescentes são as grandes víti-
mas da violência social e da ausência de opções (KAWAMOTO, 2009).
Para diminuir e/ou prevenir esses problemas, as ações básicas 
de saúde deverão ser desenvolvidas por uma equipe multiprofissional, 
que terá por objetivo o adolescente e a sua integração com a família e 
com a comunidade.
Neste programa, serão desenvolvidas ações básicas referen-
tes ao crescimento e desenvolvimento, à anticoncepção, às doenças 
sexualmente transmissíveis, à imunização, ao atendimento psicológico 
e social (quando necessário), ao tratamento odontológico e ao pré-natal 
de baixo risco.
As ações educativas devem permear todas essas ações e se-
rem direcionadas ao adolescente e família, pois, muitas vezes, os pais 
abdicam do papel de orientadores por despreparo, por considerar que 
o adolescente já detém o conhecimento, pela dificuldade em manter o 
diálogo com os filhos.
Sugere-se o seguinte roteiro de atendimento:
• contato inicial, normalmente feito pela enfermagem, em que 
se estabelece um diálogo sobre sua vida, o que espera desse atendi-
mento, o que levou a procurá-lo e como se sente atualmente;
• consulta clínica e/ou pediátrica para realização de anamnese, 
exame físico geral e exame físico especial;
• consulta psicológica, sendo a primeira entrevista com o ado-
lescente, a segunda com os pais e as demais com o adolescente, inter-
calando-se com os pais, de acordo com a necessidade;
• consulta odontológica para tratamento e prevenção de pro-
blemas bucais;
• encaminhamento aos demais recursos ou profissionais de 
saúde, quando necessário;
• inserção nos grupos educativos que têm por objetivo esclare-
cer, orientar, discutir, integrar e trocar experiências entre adolescentes 
e/ou familiares com os profissionais de saúde;
• integração do adolescente nas atividades comunitárias 
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(KAWAMOTO, 2009).
AVALIAÇÃO NO ATENDIMENTO AO ADOLESCENTE
Segundo Martins, Albuquerque e Cubas (2012), a adolescên-
cia constitui-se como uma geração, com maneira própria de pensar e 
agir na sociedade. Dessa forma, o adolescente possui comportamentos 
próprios, que é denominado como “síndrome da adolescênciaál-
cool, tabaco e outras drogas;
- identificar “forma de andar a vida”, ou seja, qual seu projeto 
de vida, suas dúvidas e medos, e a presença de resiliência (MARTINS; 
ALBUQUERQUE; CUBAS, 2012).
Essa etapa de interação entre o profissional e o adolescente é 
permeada por observação constante das expressões verbais e não ver-
bais, tais como a forma de se comunicar, de olhar, a expressão corporal. 
Essa observação permitirá uma maior compreensão e uma coerência 
entre o expressado e os sentimentos do adolescente.
Durante a coleta, algumas questões importantes relacionadas 
ao autocuidado devem ser investigadas, tais como: rotinas diárias de hi-
giene corporal e cuidado com o ambiente íntimo (quarto, material escolar, 
calçados, entre outros); assim como em relação à autoestima, como a 
opinião sobre si mesmo, as crenças e a aceitação de críticas e elogios.
É nesse momento que se levantam as possíveis vulnerabilida-
des e potencialidades, já descritas.
O exame físico complementa a coleta de dados e deve ser 
realizado com privacidade, discrição, calma e esclarecimento de todos 
os passos a serem realizados, utilizando-se de linguagem de fácil com-
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preensão e evitando a exposição desnecessária do corpo. Essa etapa 
é um ótimo momento para avaliar o estado de saúde do adolescente e 
para realizar orientações sobre as transformações físicas e emocionais.
Nem sempre é possível realizar o exame físico completo na pri-
meira consulta, vai depender da demanda trazida pelo adolescente e do 
vínculo com o profissional de saúde, sendo imprescindível a presença 
de outro profissional de saúde no momento do exame físico.
O exame físico compõe-se da avaliação:
- de sinais vitais, aferição de medidas antropométricas, avalia-
ção de alterações nutricionais;
- da consciência; orientação; marcha; equilíbrio; alterações 
posturais (desvios); tônus; força muscular; e presença de tiques;
- da cavidade bucal;
- das acuidades auditivas e visuais;
- das alterações na pele e mucosas (acne, marcas de nascen-
ça, lesões, presença de tatuagens, piercings);
- alterações do sistema cardiovascular (varizes, retenção hídri-
ca, enfartamento ganglionar);
- estadiamento puberal (critérios de Tanner);
- alterações genitais (alterações urinárias, secreções e lesões 
características das doenças sexualmente transmissíveis, presença de 
fimose, testículos, realizar o exame das mamas e ginecológico (inspe-
cionar a vulva e vagina) e a coleta de material para exame citopatológi-
co, condições de higiene;
- alterações psicoemocionais (comportamentos de agressivi-
dade, nervosismo, depressão, ansiedade, hiperatividade, apatia, mani-
festações de possíveis abusos físicos, sexuais, medos e preocupações) 
(MARTINS; ALBUQUERQUE; CUBAS, 2012).
Para o adolescente conhecer o funcionamento do próprio cor-
po e os cuidados a ele associados emerge como de grande importância. 
Alguns dos problemas mais preocupantes nessa faixa etária, e que por 
isso se configuraram como áreas prioritárias nesse atendimento, tratam 
justamente da saúde reprodutiva e da sexualidade (FERREIRA, 2006).
A partir dessa investigação e levantamento de problemas, de-
fine(m)-se o(s) diagnóstico(s) de enfermagem, o(s) qual(is) fornece(m) 
a base para as intervenções, prescrições de enfermagem e o estabele-
cimento de resultados. Cabe ressaltar que são priorizadas as interven-
ções mais emergentes, podendo-se retomar, em outra oportunidade, 
as questões identificadas, mas que são de menor risco ou que podem 
aguardar a sua resolução.
O planejamento das ações normalmente ocorre de maneira na-
tural, diluído nas etapas anteriores. Entretanto, vale ressaltar que é uma 
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etapa importantíssima para o monitoramento e avaliação dos resultados.
Ponto importante a ser destacado é o registro da consulta de 
enfermagem que deve, por necessidade legal e por compromisso ético 
com o cuidado, ser efetivado no prontuário do adolescente.
Em todo o processo de atendimento ao adolescente, devem ser 
verificadas situações de maior vulnerabilidade, dentre elas as relacionadas:
• com a alimentação, como a obesidade, a desnutrição, a buli-
mia e a anorexia;
• com os transtornos da saúde mental, como a depressão, o 
desejo do suicídio e o uso de drogas e álcool;
• com a ergonomia, como os problemas de postura e coluna 
vertebral;
• com a sexualidade, como a gravidez indesejada, o uso de 
anticoncepcionais sem acompanhamento e as doenças sexualmente 
transmissíveis;
• com a vida em família e sociedade, como as violências, den-
tre elas, a doméstica, a patrimonial, a psicológica e a social (MARTINS; 
ALBUQUERQUE; CUBAS, 2012).
ALGUMAS DINÂMICAS DE GRUPO
Como a adolescência é uma etapa em que se espera uma con-
dição de saúde equilibrada, normalmente o adolescente não procura 
serviços de saúde de forma espontânea.
Sendo assim, momentos vivenciados em espaços como a es-
cola devem ser aproveitados para desenvolver tanto a aprendizagem 
como os cuidados com a saúde.
Uma das maneiras de trabalhar com adolescentes conteúdos 
para o cuidado com o processo saúde-doença são as dinâmicas de gru-
po, que muito embora não façam parte de um atendimento individual, 
como a Consulta de Enfermagem, podem potencializar as intervenções 
propostas durante esta.
Segundo Priotto (2009), para que elas sejam efetivas, são im-
portantes alguns pontos:
• ter claro o que se pretende atingir, ou seja, os objetivos de-
vem ser bem delimitados;
• analisar se apenas um encontro é suficiente ou se são neces-
sário momentos prévios para estabelecer vínculo;
• usar criatividade com vários recursos (fotos, música, filmes 
dentre outros);
• estabelecer combinados, inclusive de horários;
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• permitir inclusão de pessoas de ambos os sexos, como parti-
cipantes e condutores.
O objetivo maior de trabalhar dinâmicas com adolescentes é 
estimular a participação, autonomia, independência e responsabilidade. 
Portanto, é fundamental que esse processo seja o mais coletivo possí-
vel, dividindo o poder de decisão sobre os temas abordados e os papéis 
a serem desenvolvidos no decorrer da dinâmica.
Outro ponto muito importante para o desenvolvimento de di-
nâmicas é a integração de uma equipe interdisciplinar, dividindo-se 
nos papéis de condutor, facilitador e observador. Entretanto, todos eles 
devem ter como característica fundamental a sociabilidade em: aceitar 
interação, não julgar, demonstrar interesse, ser expressivo na comuni-
cação, saber ouvir, respeitar opiniões, saber esclarecer, saber distinguir 
o plano terapêutico do não terapêutico, ajudar a resolver situações de 
conflito e nunca prometer o que não pode cumprir.
Muitos autores se dedicam a apresentar dinâmicas para traba-
lhar com vários temas, dentre eles Priotto (20090); Lopes et al. (2001) 
e Magalhães (2011).
Como o tema a ser abordado deve ser compartilhado entre os 
participantes, quando o enfermeiro coordenar ou participar de dinâmi-
cas, é imprescindível que ele tenha uma lista de possíveis dinâmicas 
a serem utilizadas e que avalie se a infraestrutura disponível permite o 
desenvolvimento de determinados temas.
Além disso, trabalhar com dinâmicas exigem certa habilidade; 
dessa forma, participar anteriormente ou praticar a dinâmica pode aju-
dar muito na sua condução.
Jogos e técnicas não podem ser usados sem critérios, muito 
menos aleatoriamente; portanto, é necessário ter preparo e capacitação 
prévia, evitando imprevistos que possam desestabilizar o grupo (LO-
PES et al., 2001; MAGALHÃES, 2011),
Preparar-se para usá-las exige conhecimento das técnicas e 
seus objetivos, existindo dinâmicas com foco na apresentação dos par-
ticipantes ou integração e outras paratrabalhar assuntos específicos 
como sexualidade, prevenção de DST, prevenção do uso de drogas, 
violência, entre outras.
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O Programa Saúde da Família (PSF) começa a ser estruturado 
quando o Ministério da Saúde (MS), em 1991, implanta o Programa de 
Agentes Comunitários de Saúde (PACS), com o objetivo de promover 
a redução da mortalidade materna e infantil, em especial nas regiões 
Norte e Nordeste, por meio da extensão da cobertura dos serviços de 
saúde para as áreas menos favorecidas.
Contudo, com base na experiência acumulada no estado do 
Ceará com o PACS, o MS percebe a importância do desenvolvimento 
das ações dos Agentes Comunitários da Saúde (ACS) para o fortaleci-
mento dos serviços básicos de atenção à saúde nos municípios e co-
meça a enfocar a família como unidade de ação programática de saúde. 
Com isto, o indivíduo passa a ser visto dentro de um contexto coletivo 
(ROSA; LABATE, 2005; VIANA; DAL POZ, 1998).
A despeito da grande expectativa de que o PSF possa se tornar 
SAÚDE DA FAMÍLIA
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a estratégia de reestruturação da Atenção Básica (AB) e das mudanças 
nas condições políticas e institucionais e de financiamento destinadas a 
acelerar este processo, para Pereira et al. (2006), poucas foram as ci-
dades com sistemas de saúde complexos que implantaram o Programa 
como estratégia substitutiva do modelo assistencial vigente.
Num primeiro momento foi considerado um programa de saúde 
focalizado nas populações pobres, principalmente as mais marginali-
zadas de acesso aos cuidados básicos de saúde. Entretanto, em sua 
modelagem teórica e prática, foi redirecionado como um instrumento 
capaz de reorganizar e reestruturar o Sistema Público de Saúde, ou 
seja, o enfoque do programa deverá ter uma perspectiva de estratégia 
de mudança de modelo de atenção à saúde (VIANA; DAL POZ, 1998).
Ao longo dos mais de 20 anos de sua implementação, o PSF 
passou por diferentes concepções. Inicialmente, segundo Canesqui e 
Spinelli (2008), foi concebido enquanto um programa de assistência à 
saúde, destinado às ações de prevenção, promoção e proteção do indi-
víduo/família/comunidade no contexto da Atenção Primária. Atualmen-
te, é defendido como uma estratégia de reorientação focada no modelo 
assistencial de Vigilância a Saúde, na tentativa de reorganizar o modelo 
assistencial, segundo os preceitos da Atenção Básica.
Entende-se que, ao se organizar este modelo, é preciso que 
também se organize o processo de trabalho em saúde, de modo que 
leve ao rompimento da dinâmica médica centrada do modelo hegemô-
nico de organização e com a forma de trabalho da equipe. Isto, entre-
tanto, requer mudanças nos microprocessos deste trabalho em saúde, 
os quais estão relacionados ao espaço relacional (espaço intercessor) 
do trabalhador com o usuário. Só então será possível qualificar o cui-
dado prestado como baseado na escuta e no uso de tecnologias leves 
(acolhimento, vínculo, responsabilização). Assim, é possível elevar-se o 
coeficiente de autonomia do usuário, além de desestabilizar o alto grau 
de normatização das práticas presentes no PSF, argamassa da Atenção 
Básica no país (ABRAHÃO, 2008; CAMPOS, 2005; MERHY, 2002).
Enfim, são instrumentos do PSF para alcançar seus objetivos: 
o vínculo e a criação de laços de compromisso e de corresponsabiliza-
ção entre profissionais de saúde e a população.
Por conseguinte, a possibilidade de vínculo resulta da disposição 
de acolher de uns e da decisão de buscar apoio em outros. Vínculo é, por-
tanto, “[...] a circulação de afeto entre pessoas” (CAMPOS, 2005, p. 28). O 
vínculo é um dispositivo utilizado para estimular os grupos e as organiza-
ções a participarem da resolução de seus problemas. Na verdade, o que se 
quer é ajudar o usuário a adquirir autonomia (NASCIMENTO et al., 2010).
Mas vamos para a Estratégia Saúde da Família (ESF)!
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Nessa reorganização dos serviços de saúde, a ESF vai ao en-
contro dos debates e análises referentes ao processo de mudança do 
paradigma na área da saúde – um novo modelo que valorize as ações 
de promoção e proteção da saúde, prevenção das doenças e atenção 
integral às pessoas. Estes pressupostos devem ser capazes de produzir 
um impacto positivo na orientação do SUS e na superação dos anterio-
res, que eram calcados na supervalorização das práticas de medicina 
curativa, especializada e hospitalar, no excesso de procedimentos tec-
nológicos e medicamentosos e, sobretudo, na fragmentação do cuidado.
A operacionalização da ESF acontece mediante a implanta-
ção de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. Estas 
equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número defi-
nido de famílias, localizadas em uma área geograficamente delimitada.
A Saúde da Família como estratégia estruturante dos sistemas 
municipais de saúde tem provocado um importante movimento com o 
intuito de reordenar o modelo de atenção no SUS.
Busca maior racionalidade na utilização dos demais níveis assis-
tenciais e tem produzido resultados positivos nos principais indicadores 
de saúde das populações assistidas pelas equipes de saúde da família.
São características do seu processo de trabalho:
- definir o território de atuação das Unidades Básicas de Saúde 
(UBS);
- programar e implementar atividades, priorizando a solução 
dos problemas de saúde mais frequentes;
- desenvolver ações educativas que possam interferir no pro-
cesso saúde- doença da população e ampliar o controle social na defe-
sa da qualidade de vida;
- desenvolver ações focalizadas sobre os grupos e fatores de 
risco comportamentais, alimentares e/ou ambientais, com a finalidade de 
prevenir o aparecimento ou a manutenção de doenças e danos evitáveis;
- atender de forma integral, contínua e organizada à população 
adscrita, com garantia de acesso ao apoio diagnóstico e laboratorial;
- implementar as diretrizes da Política Nacional de Humaniza-
ção, incluindo o acolhimento;
- realizar o primeiro atendimento das urgências médicas e 
odontológicas;
- avaliar as ações implementadas;
- desenvolver as ações intersetoriais, integrando projetos so-
ciais e setores afins, voltados para a promoção da saúde;
- apoiar as estratégias de fortalecimento da gestão local e do 
controle social.
Vale destacar que no processo de trabalho da ESF deve-se 
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fazer uma definição precisa do território de atuação e manter atualizado 
o cadastramento das famílias utilizando, de forma sistemática, os da-
dos sociais, econômicos, culturais, demográficos e epidemiológicos do 
território por meio do Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) 
(NASCIMENTO et al., 2010).
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A saúde bucal é parte integrante e inseparável da saúde geral 
e, portanto, relacionada com as condições de vida, ao acesso à informa-
ção e aos serviços de saúde.
No Brasil, que é um país de economia açucareira desde o tem-
po da colonização, o consumo de alimentos ricos em açúcar (um dos 
principais fatores da cárie dental) é elevado em razão de seu baixo cus-
to em relação aos demais nutrientes e/ou ao apelo do mercado de con-
sumo (KAWAMOTO, 2009).
Para tentar minimizar esse problema da cárie dental, alguns mu-
nicípios passaram a realizar a fluoretação das águas de abastecimento 
público e a prestar assistência centralizada nas crianças em idade esco-
lar, tratando a cárie dental erealizando bochechos com solução fluorada.
Saúde Bucal, todavia, significa, não somente, a presença de 
dentes e gengivas sadias, mas também, a ausência de dores crônicas 
SAÚDE BUCAL
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e de outras doenças/agravos bucais, o desempenho das funções fisio-
lógicas da mastigação, deglutição, fonação como já dito na introdução.
Essa compreensão mais ampla do significado de saúde bucal 
“obrigou” o poder público e os profissionais a redirecionarem as ações tan-
to no que diz respeito ao público-alvo como quanto a sua complexidade.
Veremos estas ações, mas antes vamos tomar conhecimento 
de alguns agravos bucais.
AGRAVOS BUCAIS
A boca exerce um papel importante tanto no relacionamento 
social como na alimentação. Portanto, a saúde bucal irá interferir na 
nossa aparência estética, na comunicação verbal, na forma de cortar e 
mastigar os alimentos, entre outros.
É errado o conceito de que não há necessidade de se preocu-
par com a saúde da primeira dentição, porque tais dentes serão substi-
tuídos pelos permanentes.
A saúde bucal da primeira dentição é importante porque:
- facilita o relacionamento social e a alimentação;
- a queda prematura dos dentes de leite pode provocar a mi-
gração do permanente e diminuição do espaço para os outros dentes 
nascerem;
- as cáries profundas podem desencadear abscessos (coleção 
de pus) que provocarão má-formação do dente permanente.
Os três agravos bucais mais comuns no Brasil são a cárie den-
tal, problemas periodontais e má oclusão.
a) Cárie Dental
Os dentes são estruturas rígidas em que se observam:
- coroa – parte visível do dente;
- raiz – implantada na mandíbula ou maxilar superior, fixando o 
osso nessa estrutura óssea;
- colo do dente – região estreita entre a coroa e a raiz, circun-
dado pela gengiva;
- dentina – formada por substância orgânica calcificada e sais 
minerais, constitui o corpo do dente, cujo prolongamento na raiz cons-
titui o canal;
- esmalte – reveste externamente a dentina com a finalidade 
de protegê-la;
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- cemento dentário – tecido ósseo modificado que reveste a 
raiz do dente.
A cárie é uma doença infecciosa em que as bactérias cariogê-
nicas (que produzem cárie) formam colônias que se aderem à superfície 
dentária por meio da placa bacteriana dental.
A placa bacteriana dental é uma película de difícil visualização, 
que recobre os dentes. Na presença de resíduos alimentares, principal-
mente açúcar, as bactérias produzem ácidos que irão acometer o esmalte 
do dente (provocando a cárie) e a gengiva (provocando a gengivite).
Resumidamente, pode-se dizer que a evolução da cárie é:
• no esmalte – é indolor, com o ácido destruindo inicialmente a 
superfície externa do esmalte e iniciando a sua descalcificação; se não 
for tratada, ocorre a formação de uma pequena cavidade no esmalte;
• na dentina – com o aumento da cavidade, a cárie atinge a 
dentina, provocando dor leve ou moderada;
• no nervo (polpa) – a cavidade se aprofunda e a cárie atinge o 
nervo, provocando dor intensa;
• formação do abscesso – com a destruição da polpa, as bacté-
rias podem atingir o osso, formar um abscesso (coleção de pus), provo-
car edema no local e disseminar a infecção para outras partes do corpo.
Para ocorrer a cárie são necessário, basicamente, três requisitos: 
presença de hidratos de carbono (principalmente açúcar), bactérias para 
produzir o ácido e menor resistência do dente frente ao ataque do ácido.
O flúor é, comprovadamente, o elemento que aumenta a resis-
tência do dente contra a cárie, pois age fortalecendo o esmalte dentário, 
remineralizando as lesões iniciais (pré-cariosas) e dificultando o desen-
volvimento de bactérias produtoras de ácido.
Não existem provas de que uma alimentação enriquecida de vita-
minas, minerais e proteínas seja um fator de proteção contra a cárie dental.
A diminuição da secreção salivar, provocada pela remoção das 
glândulas salivares, radiação, efeito medicamentoso, e outros, propicia 
o desenvolvimento das cáries por não desempenhar adequadamente o 
seu papel de limpar a cavidade bucal, destruir as bactérias, entre outros.
A prevenção da cárie bucal envolve medidas coletivas que de-
vem ser realizadas pelo governo, e ações individuais que são feitas pelo 
próprio indivíduo no seu dia a dia, ou na procura de um atendimento 
odontológico.
Consideram-se medidas de prevenção:
- uso de flúor – fluoretação da água de consumo público, bo-
chechos com flúor diário ou semanal, aplicação tópica de flúor; controle 
regular da fluoretação da água para garantir níveis adequados de flúor 
na água, evitando a sub ou superdosagens;
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- aplicação do selante, que é uma película de material plástico 
que protege mecanicamente o dente contra a ação da cárie dental; indi-
cado para os dentes sem cárie;
- aplicação de cariostático nas crianças pequenas que pos-
suem cárie, mas não permitem a reparação; tem por objetivo dificultar 
a evolução da cárie;
- higienização bucal para remover a placa bacteriana e resídu-
os alimentares: técnica correta de escovação, uso de fio dental e esco-
va de dente adequada à arcada dentária;
- controle da dieta cariogênica, ou seja, uso moderado de ali-
mentos ricos em hidratos de carbono, principalmente açúcar;
- consulta dentária periódica para remoção da placa bacteriana 
e restauração (tratamento da cárie).
b) Problemas Periodontais
São processos inflamatórios de caráter crônico, provocados 
pelos microrganismos existentes na placa bacteriana dental.
A placa bacteriana provoca a inflamação dos tecidos gengivais 
por causa da ação de suas enzimas e toxinas; dessa forma, a gengiva 
sangra com facilidade e a sua retração expõe o colo do dente, tornando 
o dente mais sensível. A placa bacteriana pode se calcificar e formar 
pequenos cálculos denominados tártaro, que se aderem ao dente.
A inflamação crônica do tecido gengival, o tártaro e a placa 
bacteriana agravam os processos inflamatório e infeccioso, pois provo-
cam uma maior retração da gengiva e a formação de bolsas de pus que 
irão destruir a parte óssea de sustentação do dente. Com a perda da 
sustentação, o dente fica com mobilidade que provocará dor e, muitas 
vezes, a perda do dente.
As duas principais causas são a idade e a higiene oral incorre-
ta; mas deve-se também levar em consideração as condições econô-
micas e educacionais da população, pois esses fatores interferem nas 
condições boas ou ruins da higiene bucal.
Indicam-se dois métodos para prevenir e controlar a doença 
periodontal:
- remoção individual da placa bacteriana dental por meio de 
uma escovação correta e uso de fio dental;
- remoção profissional da placa bacteriana dental, feita periodi-
camente por um profissional; mas para um melhor resultado é necessá-
ria uma correta higiene oral diária.
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c) Má Oclusão
Considera-se normal a oclusão quando existe uma correspon-
dência aceitável entre os dentes de cada maxilar e entre as arcadas 
superior e inferior.
Considera-se má oclusão quando o indivíduo apresenta:
- relação aceitável entre os maxilares, mas inadequada entre 
os dentes;
- relação incorreta entre as arcadas dentárias, provocando a 
projeção para frente de um ou de ambos os maxilares.
A má oclusão pode trazer como consequência a mastigação 
incorreta dos alimentos e problemas estéticos, de comunicação e na 
articulação têmporo-mandibular. A disfunção da articulação que permite 
a movimentação do maxilar inferior (mandíbula)provoca dor no local, 
otalgia, cefaleia e outros sintomas.
A má oclusão decorre de fatores genéticos e ambientais. As 
medidas preventivas para os problemas oclusivos são válidas para as 
causas ambientais, devendo-se orientar a população para:
- evitar hábitos incorretos, como o uso de chupeta por tempo 
prolongado, respirar pela boca, manutenção de objetos rígidos entre os 
dentes, entre outros;
- procurar tratamento médico para tratar a obstrução crônica 
das vias respiratórias, que obrigam as pessoas a respirarem pela boca;
- prevenir e controlar as cáries dentais, pois cáries extensas 
provocam rotação ou inclinação do dente (KAWAMOTO, 2009).
 
NÍVEIS DE ATENÇÃO E AÇÃO DE ENFERMAGEM
A atenção odontológica deve ser desenvolvida em três níveis 
interligados entre si, com dinamização do processo de referência e con-
trarreferência.
Nível 1 – Atenção Básica:
É realizada pela rede de Unidades Básicas de Saúde (UBS), 
com ou sem Programa de Saúde da Família (PSF).
A população da área de abrangência da UBS deve receber 
educação em saúde bucal e ter garantido o acesso ao diagnóstico, à 
prevenção e ao controle da dor e da doença/agravos, por meio de ações 
coletivas e individuais.
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A busca de ações domiciliares ou nas casas de repouso para 
pacientes acamados deve ser uma estratégia a ser adotada, assim 
como a capacitação dos cuidadores quanto à saúde bucal.
Aqui então encontramos ações coletivas e ações assistenciais 
que são:
a) Ações Coletivas:
Abrangem os procedimentos coletivos e as ações de educação 
em saúde nos grupos específicos na UBS, no domicílio ou nos espaços 
comunitários.
Nos procedimentos coletivos a equipe de saúde bucal desen-
volve atividades de educação e prevenção em saúde bucal, rastrea-
mento das doenças bucais, realização de fluorterapia na população de 
risco, bochechos com solução de flúor, escovação dentária supervisio-
nada e encaminhamento dos casos que requerem tratamento.
As ações de educação em saúde destinam-se a grupos espe-
cíficos, podendo ou não ter caráter de continuidade.
Deve-se abordar os fatores de risco comuns a outras doenças 
que não as bucais, como por exemplo, a relação entre o consumo de 
carboidratos com a cárie dentária e diabetes; a relação do tabaco com 
a doença periodontal e os diversos tipos de câncer.
b) Ações Assistenciais:
A promoção da saúde bucal deve ocorrer em todas as unida-
des, mesmo aquelas que não contam com recursos humanos e mate-
riais específicos de saúde bucal.
Já para as ações de maior complexidade se faz necessário um 
consultório/módulo odontológico com recursos humanos especializados 
e contendo equipamentos e insumos específicos.
O tratamento dos problemas bucais pode se realizar por meio 
da eliminação de focos, tratamento periodontal e restaurações.
Nível 2 - Serviços de Pronto Atendimento e Pronto Socorro
As principais atividades a serem realizadas nos serviços de 
urgência são o tratamento de odontalgias, abscessos dento-alveolares, 
hemorragias dentárias e alveolite, atendimento a politraumatizados.
Para desenvolver essas atividades, é necessário que os recur-
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sos de saúde atendam as 24 horas do dia, que se realize os procedi-
mentos odontológicos efetivos (por exemplo, drenagem de abscessos) 
e não apenas medicação e encaminhamentos (KAWAMOTO, 2009).
Nível 3 - Atenção Especializada
Aqui encontraremos os Centros de Especialidades Odontológi-
cas (CEO); os Serviços de atendimento Especializado em DST/AIDS e 
Atendimento em âmbito hospitalar.
a) Centros de Especialidades Odontológicas (CEO)
O usuário é encaminhado de uma UBS para o CEO que realiza 
o diagnóstico bucal, com ênfase no diagnóstico e detecção do câncer 
bucal, a periodontia especializada, a cirurgia oral menor dos tecidos 
moles e duros, endodontia, serviço de prótese e atendimento aos porta-
dores de necessidades especiais.
b) Serviços de Atendimento Especializado em DST/AIDS
Apesar do atendimento a pessoas portadoras de DST/AIDS 
não poder ser recusado por nenhum recurso de saúde, as unidades es-
pecializadas nesses agravos realizam os procedimentos previstos para 
atenção básica.
Quando a complexidade do atendimento extrapolar o âmbito 
desse serviço, os usuários são encaminhados ao CEO.
c) Atendimento em Âmbito hospitalar
Tradicionalmente, o atendimento direciona-se aos indivíduos 
com trauma buco-maxilo-facial. Mas essa prática tende a se modificar 
ao se considerar a perspectiva do “cuidado integral” e que há uma inte-
ração entre doença bucal e doença sistêmica. Nessa perspectiva, tor-
na-se importante a atenção odontológica aos pacientes hospitalizados 
em função de doenças sistêmicas.
Quanto às ações de enfermagem, nas unidades de saúde que 
possuem atendimento odontológico, a enfermagem em conjunto com o 
dentista, pode atuar na provisão, manutenção, limpeza, desinfecção e 
esterilização dos materiais, como também, ajuda no preparo psicológico 
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do cliente.
A maior participação da enfermagem, entretanto, é na aten-
ção primária, ou seja, nos programas de educação para a saúde bucal, 
orientando a população quanto a medidas de promoção e prevenção 
dos problemas odontológicos.
Esse processo de educação pode ser realizado individualmen-
te, nos grupos de pessoas que frequentam diariamente o mesmo espa-
ço social (creches, escolas, fábricas, entre outros) e nos grupos organi-
zados da unidade básica.
O desenvolvimento das ações educativas requer uma aborda-
gem multiprofissional e interdisciplinar e, dessa forma, a enfermagem 
participa das orientações que visam controlar a placa bacteriana e a in-
gestão de alimentos cariogênicos, reforçar o esmalte dentário e diminuir 
os hábitos que desencadeiam a má oclusão:
- manter a higiene bucal escovando os dentes após as refei-
ções – usar escovas de cerdas macias, creme dental com flúor e fio 
dental após a escovação;
- fazer, no mínimo 1 vez/dia, uma higiene oral mais criterio-
sa, porque após a remoção da placa bacteriana, ela demora de 24 a 
48 horas para se formar novamente, amadurecer e tornar-se um fator 
agressivo à saúde bucal;
- solicitar orientação do dentista quanto ao bochecho com so-
lução de flúor e usar vasilhames de plástico para evitar a ação do flúor 
no vidro do copo;
- reduzir a frequência do consumo e a quantidade de açúcar 
nos alimentos, ingerindo alimentos doces quando for possível escovar 
os dentes logo a seguir (por exemplo, às refeições);
- evitar manter objetos rígidos entre os dentes – taxas por sa-
pateiros, uso incorreto do cachimbo pelos fumantes, entre outros;
- usar protetores bucais durante a prática de esportes que pro-
piciam fraturas dentais;
- esclarecer nos grupos de gestantes e de adolescentes, que 
as mudanças hormonais propiciam alterações gengivais, assim como, 
os episódios de vômitos (provocado pela bulimia ou espontâneo) provo-
cam abrasões dentárias;
- consultar o dentista anualmente e sempre que necessário;
- orientar os pais quanto à responsabilidade para com a saúde 
bucal dos filhos:
• aleitamento materno exclusivo – fator importante de proteção 
contra a cárie, oclusopatias e fluorose;
• alimentação – esclarecimento quanto ao papel cariogênico 
do leite não materno e da mamadeira noturna, evitar oferecer doces no 
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período entre as refeições;
• chupeta – o uso contínuo, ou por período prolongado, da chu-
peta, ou a sucção dos dedos ou o bico da mamadeira incorreto são 
fatores que propiciam a má oclusão dentária;
• flúor – nas cidades em que a água não for fluoretada, os pais 
deverão procurar orientação médica ou dodentista quanto ao uso do flúor;
• higiene oral – limpeza da cavidade bucal a partir do apare-
cimento dos primeiros dentes do bebê, realizar a higiene das crianças 
até os 5 anos de idade e após os 6 anos, treiná-las para executarem o 
procedimento sozinhas;
• respiração bucal – procurar orientação do dentista ou do mé-
dico (KAWAMOTO, 2009).
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Stambém são muito variadas.
A família é o terceiro grupo sobre o qual discorreremos. A Saú-
de da Família é entendida como uma estratégia de reorientação do mo-
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delo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de equipes 
multiprofissionais em unidades básicas de saúde.
Esse programa que foi iniciado em 1994, o “Programa Saúde 
da Família” ou PSF como ainda é conhecido por muito, passou a ser 
denominado Estratégia de Saúde da Família (ESF), não possui caráter 
programático, e sim características estratégicas de mudança do padrão 
de atenção à saúde da população. Com isso, as práticas da ESF visam 
ter como foco do trabalho a família e constitui uma prática que combate 
a fragmentação do saber e do indivíduo avançando para além da sim-
ples intervenção médica sob o corpo anátomo-fisiológico centrado no 
saber médico (GUIMARÃES, 2012).
Essas equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um 
número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica deli-
mitada. As equipes atuam com ações de promoção da saúde, preven-
ção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais frequentes, 
e na manutenção da saúde desta comunidade.
A abordagem integral consiste na visualização do indivíduo 
como um todo, levando em consideração seus aspectos físicos, emo-
cionais, intelectuais e sociais.
A última unidade, dedicamos à Saúde Bucal porque ela é parte 
integrante e inseparável da saúde geral, portanto, relacionada com as 
condições de vida, ao acesso à informação e aos serviços de saúde.
Lembramos que muito além da presença de dentes e gengi-
vas sadias, a ausência de dor crônica e outras doenças, a saúde bucal 
também visa ao desempenho das funções fisiológicas da mastigação, 
deglutição e fonação.
Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmi-
ca tenha como premissa ser científica, baseada em normas e padrões 
da academia, fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos 
de vocês e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e 
objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, deixamos claro 
que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, in-
cluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, 
de uma redação original e tendo em vista o caráter didático da obra, não 
serão expressas opiniões pessoais.
Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, en-
contram-se outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, 
mas que, de todo modo, podem servir para sanar lacunas que porven-
tura venham a surgir ao longo dos estudos.
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A CRIANÇA E O A ADOLESCENTE NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 
E NO ECA
Somente após a Declaração dos Direitos da Criança pela ONU, 
em 1959, que ocorreu um movimento de conscientização sobre os direi-
tos da população infanto-juvenil.
No Brasil, na tentativa de se elaborar uma política de assistência 
a essa população, foram elaboradas várias propostas, entre elas, a Política 
Nacional ao Bem-Estar do Menor, em 1964, e o Código de Menores, em 
1979. Mas essas propostas eram assistencialistas, privavam a participação 
da sociedade e atribuíam ao Judiciário um sistema de processo inquisi-
torial. Além disso, faltavam mecanismos que levassem a uma prática de 
respeito aos direitos da criança e do adolescente (KAWAMOTO, 2009).
OS DIREITOS DA CRIANÇA E DO
ADOLESCENTE
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Durante a elaboração da Constituição de 1988, tornou-se mais 
evidente a necessidade de mudar as regras no relacionamento entre a 
sociedade brasileira e a sua população infanto-juvenil e eis que essa 
constatação levou a elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescen-
te (ECA), que se transformou na Lei nº 8.069/1990.
Portanto, a criança e o adolescente brasileiro têm os seus direi-
tos assegurados pela Constituição Federal de 1988 e pelo Estatuto da 
Criança e do Adolescente.
Apesar de a criança e o adolescente usufruírem dos demais 
direitos gerais descritos na Constituição Federal de 1988, existe o artigo 
227 que trata especificamente dessa faixa etária:
É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao ado-
lescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à 
educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à 
liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de 
toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência e opressão.
Quanto ao Estatuto da Criança e do Adolescente, este dispõe 
sobre os seus direitos fundamentais e determina as ações da política de 
atendimento por parte do governo e da sociedade.
 Os pontos principais do Estatuto abordam:
a) Os direitos fundamentais:
• o direito à vida e à saúde;
• o direito à liberdade, ao respeito e à dignidade;
• o direito à convivência familiar e comunitária;
• o direito à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer;
• o direito à profissionalização e à proteção no trabalho.
b) A garantia de prioridade na efetivação dos direitos funda-
mentais acima descritos.
c) Os meios de se prevenir a ocorrência de ameaça ou violação 
dos direitos da criança e do adolescente.
d) A política de atendimento das entidades governamentais e 
não-governamentais que serão fiscalizadas pelo Judiciário, pelo Minis-
tério Público e pelos Conselhos Tutelares (o Conselho Tutelar é órgão 
autônomo existente em cada município, composto por membros eleitos 
pelos cidadãos locais e encarregado pela sociedade de zelar pelo cum-
primento dos direitos definidos no Estatuto).
e) As medidas de proteção quando os direitos forem ameaça-
dos ou violados por ação ou omissão da sociedade ou do Estado, ou por 
falta, omissão ou abuso dos pais ou responsáveis.
f) Os direitos individuais, as garantias processuais, as medidas 
socioeducativas e remissão de ato infracional (crime ou contravenção 
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penal).
g) As medidas pertinentes aos pais ou responsáveis.
h) O acesso à Justiça por intermédio da Defensoria Pública, 
Ministério Público e Poder Judiciário (KAWAMOTO, 2009).
PERFIL DA CRIANÇA E ADOLESCENTE
O desenvolvimento humano da criança e do adolescente irá 
variar de acordo com a hereditariedade, maturação neurofisiológica e 
ação do meio ambiente em que vivem. Existem crianças que se sentam, 
sem apoio, aos 9 meses e outras aos 10 meses; adolescentes que têm 
a sua primeira menstruação aos 11 anos e outras aos 13 anos. Essas 
diferenças não significam problemas no desenvolvimento, mas caracte-
rísticas individuais que devem ser respeitadas.
O desenvolvimento humano engloba quatro aspectos básicos 
que são muito estudados seja pela Psicologia, Pedagogia, Neurologia 
e outras áreas afins:
• físico-motor – é o crescimento orgânico, a maturação neurofisio-
lógica e a capacidade de manipular objetos e de exercitar o próprio corpo;
• intelectual – refere-se à capacidade de pensar e raciocinar;
• afetivo-emocional – compreende a forma como o indivíduo 
integra as suas experiências (é o sentir);
• social – é o modo como o indivíduo reage perante às situa-
ções que envolvem outros indivíduos.
Veremos brevemente as principais características físicas e pa-
drões de comportamento por faixa etária, lembrando que essa divisão 
por idade é e deve ser flexível.
De 0 a 9 anos
Logo após o nascimento, o contato da criança com o meio am-
biente é muito pequeno e superficial, sendo que ela ainda responde ao 
estado novo de desconforto e tensão por meio do choro ou de atos re-
flexos. Com o passar dotempo, os movimentos voluntários começam a 
aparecer em substituição a determinados reflexos que gradativamente 
desaparecem.
A criança começa a responder melhor ao estímulo do meio am-
biente, a desenvolver a coordenação motora, a emitir sons que futura-
mente se transformarão em palavras.
Inicialmente, senta-se com apoio, engatinha, levanta-se com 
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apoio, anda com ajuda e, finalmente, começa a caminhar sozinha. Ge-
ralmente, os primeiros dentes a nascer são os incisivos, e essa primeira 
dentição é considerada provisória.
Ao final do primeiro ano de vida, as fontanelas devem estar 
fechadas, com a posterior fechando-se antes da anterior.
Ao redor de 2-3 anos, a criança desenvolve o controle do es-
fíncter urinário e anal.
De acordo com Piaget, no período de 0 a 2 anos, a criança 
utiliza a inteligência prática (percepção e movimentos) para conquistar 
o universo que a cerca.
A partir de 2 anos, acontece o aparecimento da linguagem, que 
provocará modificações nos aspectos intelectual, afetivo e social da crian-
ça. A linguagem acelera o desenvolvimento do pensamento e a criança 
passa a procurar a razão de tudo (fase do “porque?”). Com o aumento do 
interesse pelas atividades e objetos, ela passa a elaborar seus próprios 
valores e a avaliar suas próprias ações a partir dessa escala (desenvolvi-
mento de uma escala de valores por volta de 6 a 7 anos).
A partir de 5-6 anos, o ritmo de crescimento diminui, os dentes 
provisórios são substituídos pelos permanentes, desenvolve-se a coor-
denação motora fina, o que permite uma melhor habilidade nas ativida-
des manuais.
Freud explica que a função sexual, a busca do prazer, existe 
desde o início da vida, sendo nesta fase, a infância, que o prazer é en-
contrado no próprio corpo erotizado e a criança passa a partir daí por 
diferentes fases do desenvolvimento sexual:
• fase oral – a boca é a zona de erotização;
• fase anal – o ânus é a zona de erotização;
• fase fálica – o órgão sexual é a zona de erotização;
• período de latência – é um “intervalo” na evolução da sexua-
lidade, com diminuição das atividades sexuais. O complexo de Édipo é 
um evento que ocorre nas crianças entre 2 a 5 anos e que servirá como 
base na estruturação da personalidade do indivíduo.
No complexo de Édipo, o pai do menino é o seu rival, que im-
pede o acesso ao objeto do seu desejo, que é a mãe. Para tentar con-
quistá-la, o menino passa a identificar-se com o pai, imitando o seu 
comportamento; posteriormente, a criança desiste da mãe, trocando-a 
pelo mundo social e cultural. Esse evento ocorre também com as me-
ninas, Complexo de Eléctra, sendo invertidas as figuras de desejo e de 
identificação (KAWAMOTO, 2009).
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De 9 a 12 anos
A criança começa a perder o aspecto facial infantil, o cresci-
mento torna-se mais rápido, aumentam a sudorese e as atividades das 
glândulas sebáceas e aparecem algumas características sexuais se-
cundárias:
• nas meninas – aparecimento de pelos pubianos, tecido ma-
mário em desenvolvimento, hipersensibilidade mamária e aumento do 
diâmetro transverso da pelve;
• no menino – aumento do tamanho do testículo e do pênis, 
modificação da cor do escroto, e aumento temporário dos seios.
Segundo Piaget, inicia-se a formação da personalidade com 
a afirmação da vontade e a criança organizando seus próprios valores 
morais e sociais; ela se torna mais autônoma em relação ao adulto, es-
colhe seus amigos e grupos de colegas.
Aos 11-12 anos, a grupalização com o sexo oposto diminui.
De 12 a 18 anos
É discutível e variável a determinação da faixa etária e caracterís-
ticas da adolescência, mas, de acordo com o Estatuto da Criança e do Ado-
lescente, considera-se adolescente a pessoa entre 12 e 18 anos de idade.
É um período de transição entre a infância e a fase adulta, du-
rante o qual o adolescente passa por grandes transformações físicas e 
psicológicas.
As principais transformações são:
• funcionamento dos órgãos sexuais com produção de hormô-
nios sexuais que provocarão interferências na área psíquica e no cres-
cimento físico;
• crescimento físico mais intenso, com o sistema esquelético 
crescendo mais rapidamente do que o sistema muscular, mãos e pés 
crescendo em proporção mais rápida do que o resto do corpo; durante 
esse período de crescimento acelerado, ocorrem falhas na coordena-
ção motora, postura incorreta e cansaço mais fácil;
• aparecimento dos 4 dentes do siso (3ª molar), o que pode 
provocar ou acentuar alterações na arcada dentária, em razão da falta 
de espaço para os novos dentes;
• nas meninas ocorre a ovulação, menstruação, crescimento 
dos pelos pubianos e axilares, desenvolvimento das mamas, maior de-
posição de tecido adiposo localizado e acnes;
• nos meninos, ocorre o crescimento de pelos axilares, pubia-
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nos, faciais e torácicos, a voz se torna mais grossa, maior deposição de 
tecido muscular, acnes, produção de espermatozoides e aparecimento 
de ejaculações noturnas.
De acordo com Freud, a última fase do desenvolvimento psi-
cossexual (fase genital) ocorre na adolescência.
Nessa fase, o objeto de erotização ou de desejo localiza-se 
não mais no próprio corpo, mas em objeto externo ao indivíduo (uma 
outra pessoa); com isso, o indivíduo procura uma identidade sexual que 
defina o seu papel sexual e satisfaça a sua sexualidade.
Esse conjunto de transformações leva o adolescente a procu-
rar uma nova identidade e a construir um projeto de vida. Esse processo 
de busca leva o indivíduo a apresentar o que chamamos de “comporta-
mento típico dos adolescentes”:
• negação das suas transformações, apegando-se a uma autoi-
magem que foi construída ao longo dos anos;
• sentimento de ambivalência entre a necessidade de perma-
necer na fase infantil e o desejo de continuar o seu desenvolvimento;
• reformulação dos sentimentos em relação aos pais de sexo 
oposto e diminuição da ambivalência em relação aos pais do mesmo sexo;
• questionamento da autoridade dos adultos, mas aceitando 
os padrões impostos pelo grupo de adolescentes; procura de apoio nos 
grupos de amigos que vivenciam o mesmo processo, formando as “pa-
nelinhas”;
• busca de formas de realização, tanto afetivas como profissio-
nais (para o momento e para o futuro);
• tentativas de satisfazer a sua sexualidade experimentando as di-
ferentes formas de realização (afagos, beijos, masturbação, entre outras);
• inicialmente, pensamentos imaginativos e mente com ha-
bilidade para adquirir novos conhecimentos; com o passar do tempo, 
desenvolvimento de pensamento abstrato e analítico, e elaboração da 
própria filosofia de vida.
Ao final da adolescência, o indivíduo fisicamente adulto evolui na 
direção da maturidade psicológica, pois, do exercício da reflexão, ocorre 
um equilíbrio entre os seus ideais e a realidade (KAWAMOTO, 2009).
VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇA E ADOLESCENTE
Quase 20 anos atrás, a temática da violência, que aflige crian-
ças e adolescentes na realidade brasileira, começava a mobilizar todos 
os setores da sociedade, já sendo reconhecida como relevante pro-
blema de saúde pública. Os serviços de saúde constituem-se em um 
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dos setores da sociedade mais requisitados para atuarem frente a essa 
questão. O Ministério da Saúde (MS) e instituições internacionais que 
atuam no país, como a Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), 
tem buscado se posicionar frente ao tema, em conjunto com distintas 
organizações governamentais e não governamentais da área da saúde 
(BRASIL, 1997 apud CONTIM, 2012).
No Brasil, estima-se que aproximadamente 600 mil criançase 
adolescentes sejam vítimas das diversas formas de violência domés-
tica. Os casos notificados de violência contra crianças e adolescentes 
representam uma parcela insignificante diante da realidade de ocorrên-
cias, o que pouco contribui para o dimensionamento epidemiológico do 
problema (GABATZ et al., 2010). 
O MS aponta que as agressões constituem a primeira causa 
de morte de jovens entre 5 e 19 anos de idade, sendo que a maior parte 
dessas agressões provém do ambiente doméstico. Registra-se que, no 
Brasil, em 2005, as agressões constituíam a primeira causa de óbito na 
faixa etária de 0 a 19 anos de idade (39,7%), com proporção expressiva 
na faixa etária de 15 a 19 anos (55,1%) (MARTINS, 2010; OPAS, 2003).
A OMS define violência como o uso intencional de força ou 
poder físico, como ameaça ou concretamente, contra si mesmo, outra 
pessoa, um grupo ou comunidade, causando ou possibilitando lesões, 
morte, danos psicológicos ou privações.
Para alguns grupos sociais, a violência intrafamiliar contra a 
criança foi, e continua sendo, justificada, em geral, como maneira de 
educar e até de demonstrar carinho e afeto (GABATZ et al., 2010; 
OPAS, 2003; BRASIL, 2011). 
A história da infância tem mostrado que as desigualdades entre 
adultos e crianças em situações de violência existem há muito tempo. 
Mais recentemente, no final do século XIX e início do século XX, surgi-
ram as primeiras ações de proteção das crianças.
Lembremos que os direitos das crianças e adolescentes estão 
definidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, bem 
como no ECA, de 1990, estatuto que prevê a partir de uma doutrina de 
proteção integral, estratégias legais de proteção às crianças, designa-
das como medidas de proteção.
Nessa direção, o MS, em consonância com os pressupostos 
do ECA, deu sequência à implementação da Linha de Cuidados para 
a Atenção Integral à Saúde de Crianças, Adolescentes e suas Famílias 
em Situação de Violências - Orientação para gestores e profissionais de 
saúde, com o propósito de sensibilizar e orientar os gestores e profis-
sionais de saúde para uma ação contínua e permanente para a atenção 
integral à saúde de crianças, adolescentes e suas famílias em situação 
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de violência (BRASIL, 2011).
No ECA, essa linha de cuidado está contemplada no artigo 5°:
nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negli-
gência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punindo 
na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos 
fundamentais.
Porém, segundo Corazza (2000), várias crianças e adoles-
centes sofrem violência de natureza física, sexual e psicológica, assim 
como negligência e abandono. Esses tipos de violência tornam-se ame-
aças ao direito à vida e à saúde de crianças e adolescentes. Cabe aos 
serviços de saúde conhecer os tipos e natureza da violência, bem como 
as suas formas e manifestações, além das consequências da exposi-
ção, para poderem atuar no cuidado, em todas as dimensões.
A violência contra a criança e o adolescente é apresentada na 
literatura, classicamente, como: violência física, violência psicológica, 
violência sexual e negligência.
Citando vários autores, Contim (2012) resume assim essas 
violências:
a) A violência física é a mais frequente, pois a vítima, que está 
em desenvolvimento é indefesa frente ao agressor, que na maioria das 
vezes é o sujeito legalmente constituído, advindo do seio familiar. Esse 
tipo de agressão caracteriza-se por qualquer ação única ou repetida, 
danosa à integridade física da criança ou adolescente, cometida sem-
pre com caráter intencional, ou seja, não acidental. O dano pode variar 
desde lesões leves até a morte.
b) A violência psicológica caracteriza-se como toda ação ou 
omissão que pode desencadear sintomas agudos de sofrimento e, pro-
gressivamente, vir a bloquear ou impedir o curso normal do desenvol-
vimento, num processo crônico que deixará sequelas em vários níveis 
de gravidade. As consequências surgem como sinais de angústia e an-
siedade, que acabam por determinar problemas comportamentais, que 
fogem ao padrão habitual e motivam a procura dos serviços de saúde.
A violência psicológica provoca danos à autoestima, à identi-
dade, interferindo de maneira negativa no desenvolvimento da crian-
ça, causando-lhe grande sofrimento mental. É importante ressaltar que 
essa atitude pode se expressar sobre a forma de ação ou omissão. 
Ameaças de abandono e a depreciação da criança ou adolescente blo-
queiam seus esforços de autoaceitação e interferem de maneira nega-
tiva no seu desenvolvimento.
c) A violência sexual acontece no âmbito doméstico e é pratica-
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da por sujeito em condições superiores de idade, posição social ou eco-
nômica e inteligência, usando-se de autoridade sobre a criança indefe-
sa. Esse sujeito comete um dano físico ou psicológico, contrariamente 
à vontade da criança ou por consentimento obtido a partir de indução 
ou sedução enganosa. Em geral, o ato sexual com penetração acontece 
depois de algum tempo de sedução da vítima pelo adulto.
Vários casos de violência sexual infantil não são denunciados, e 
muitas crianças sofrem caladas diante desse acontecimento e crescem em 
um ambiente que as reprime e não contribui para o seu pleno crescimento 
e desenvolvimento. O atendimento desses casos na rede pública de saúde 
ou em serviços de emergência deve ser feito por uma equipe multiprofissio-
nal, a qual deve estar preparada, tanto técnica como emocionalmente, para 
cuidar dessa criança e da família/responsável que a acompanha.
d) A negligência é a omissão de cuidados, sendo mais comum 
em crianças. Em sua forma mais branda, pode ser encarada como uma 
falta de vigilância e segurança. Já em sua forma mais grave, o pacien-
te se apresenta com retardo no crescimento e desenvolvimento, como 
resultado de alimentação inadequada. Enquadram-se na negligência 
emocional todos os sinais apresentados pela criança, que apontam 
para a despreocupação dos responsáveis com o desenvolvimento, o 
bem-estar e a segurança da criança ou do adolescente.
Nesse contexto, o cuidado às crianças vítimas de violência 
representa um desafio, não só quando chegam aos serviços de saú-
de, mas também quando estão em instituições de abrigo, exigindo dos 
profissionais conhecimentos acerca das políticas públicas e normas de 
encaminhamento de vítimas e agressores. A esses profissionais, cabe 
viabilizar o tratamento das situações de violências na sua dimensão 
física, e, a necessidade de se desenvolver um cuidado integral.
O profissional da saúde, no exercício pleno de sua profissão, 
tem o dever ético e legal de denunciar casos de violência contra a criança 
e o adolescente. Porém, nem sempre é o que acontece. Muitos profissio-
nais sentem apreensão em invadir o espaço familiar, alguns temem reta-
liações por parte do agressor e outros consideram que têm conhecimento 
insuficiente para os procedimentos de notificação (CONTIM, 2012).
Em algumas situações de violência física, sexual grave e ne-
gligência, que demandam medidas urgentes do profissional de saúde, 
é necessário que se faça uma avaliação do risco, pois essas situações 
envolvem ações de caráter clínico e de proteção. As ações de proteção 
incluem o afastamento da criança ou adolescente do autor da agressão 
e o acolhimento institucional, sendo passíveis de serem solicitadas de 
forma emergencial aos órgãos de proteção legal (GABATZ et al., 2010; 
MARTINS, 2010; OPAS, 2003).
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O MS preconiza que o atendimento seja prestado por equipe 
multiprofissional, composta por médicos, psicólogos, enfermeiros e as-
sistentes sociais, cabendo aestes executarem funções-chave do setor 
da saúde no sistema de proteção à criança, tais como:
• identificação e notificação dos casos suspeitos;
• implementação de serviços para diagnóstico e tratamento;
• promoção e interação com agências de proteção, que visam 
atender às demandas judiciais;
• fornecimento de informações aos pais sobre necessidades, 
cuidados e tratamento de seus filhos;
• identificação e suporte para famílias de risco para maus-tratos;
• desenvolvimento e condução de programas de prevenção pri-
mária;
• fornecimento de capacitação e participação em equipes mul-
tidisciplinares (GABATZ et al., 2010; BRASIL, 2011; CORAZZA, 2000).
Nessa direção, a qualidade do acolhimento, o atendimento 
competente e afetivo e a amplitude das relações estabelecidas pelos 
profissionais de saúde com seus usuários facilitam o acesso às ações 
de saúde oferecidas e às linhas de cuidado definidas pelos serviços e 
suas equipes, possibilitando maior capacidade de identificação dos ca-
sos de violência, mesmo aqueles mais difíceis (CONTIM, 2012).
O acolhimento facilita a abordagem da pessoa que se encontra 
num contexto de violência. A criação de um ambiente em que a criança 
e sua família se sintam seguros e confiantes, com oportunidade de ex-
pressar o que sentem e conversar sobre a situação de violência na qual 
estão envolvidos é de grande valia. Ressalte-se que o preparo da equipe 
é primordial, sendo que essa capacitação deve acontecer de forma con-
tinuada para uma atuação mais abrangente, evitando intervir unicamente 
sob o enfoque do atendimento clínico (CORAZZA, 2000; CONTIM, 2012).
O trabalho em equipe é muito importante para a realização de ati-
vidades que favoreçam a reflexão coletiva sobre o problema da violência, 
sobre as dificuldades que crianças, adolescentes e suas famílias enfren-
tam para compartilhar esse tipo de problema, sobre os direitos assegura-
dos pelas leis brasileiras e sobre o papel do setor saúde em sua condição 
de corresponsável na garantia desses direitos (DESLANDES, 1997).
Entre os profissionais envolvidos neste cuidado à criança, estão 
o(a) enfermeiro(a) e a equipe de enfermagem. Nesse cenário, a equipe 
de enfermagem tem como enfoque o bem-estar e o conforto do cliente, 
exigindo desses profissionais esforços constantes no entendimento da 
complexidade e fragilidade do ser humano sob sua responsabilidade.
O esquema abaixo mostra os procedimentos que devem ser 
adotados no caso de violência doméstica contra crianças.
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Procedimentos no caso de violência doméstica contra criança
Fonte: CONTIM (2012, p. 131).
Para melhor atender a essa população em situação de vulne-
rabilidade, a equipe de Enfermagem deve dispor de protocolos para 
a assistência, como forma de garantir a continuidade de um trabalho 
integrado com a equipe multiprofissional, atuando na orientação e no 
acolhimento dos familiares (CORAZZA, 2000; DESLANDES, 1997).
Um dos papéis mais importantes do(a) enfermeiro(a) é o de 
educador, pois este promove a capacitação de sua equipe para a rea-
lização do cuidado dentro do contexto de trabalho em que estão inse-
ridos. Tal capacitação acontece por meio de dinâmicas de grupo, entre 
outros programas, instrumentalizando, fortalecendo e incentivando a 
equipe para atuar individual ou coletivamente, e agir sobremaneira na 
vida de crianças e adolescentes e de suas famílias (CONTIM, 2012).
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A criança é e deve ser objeto de prioridade governamental e 
da sociedade.
No entanto, ainda é necessário melhorar a atenção dispensada 
à criança brasileira, como mostram os indicadores de saúde: índice de 
mortalidade inadequado (apesar da redução na última década), recur-
sos de saúde deficientes tanto no quantitativo como na qualificação dos 
profissionais, morte precoce pela demora ao acesso aos serviços de 
saúde resolutivos e qualificados (KAWAMOTO, 2009).
Para melhorar a qualidade de vida dessas crianças, é neces-
sário implantar um conjunto de soluções para resolver os problemas 
Sociais, econômicos, educacionais e de saúde. A assistência deve con-
templar a criança desde o primeiro atendimento na unidade básica de 
saúde até atenção especializada dos casos mais graves.
SAÚDE DA CRIANÇA
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Nas unidades de saúde, as atividades mínimas com as crian-
ças ou mães são: inscrição, consulta médica, consulta de enfermagem, 
imunização, visita domiciliar, reuniões em grupo; de acordo com os re-
cursos e a necessidade, pode-se programar consultas odontológicas, 
com o psicólogo, entre outros.
Toda criança deve ter um acompanhamento de saúde mensal 
no primeiro ano de vida, aumentando-se o espaço entre as consultas 
para as crianças maiores: trimestralmente para as de 1 a 2 anos, e se-
mestralmente para as de 2 a 5 anos.
As linhas de cuidado da atenção integral da saúde da criança, 
com articulação entre os diversos níveis de atenção, devem ter como 
principais eixos o nascimento saudável e os cuidados com as crianças 
de 0 a 10 anos (KAWAMOTO, 2009).
NECESSIDADES E VULNERABILIDADE DA CRIANÇA
O conceito de vulnerabilidade vem sendo discutido no cam-
po da saúde coletiva como um potencial instrumento para a transfor-
mação das práticas de saúde em que, a partir de sua identificação de 
problemas críticos, são elaboradas ações de intervenção, articulando 
os princípios de universalidade, equidade e integralidade, preconiza-
dos pelo SUS, destacando a abordagem que incorpora a perspectiva 
da determinação social da saúde-doença. Essa concepção entende a 
saúde como um processo de subjetivação determinada por contextos 
sociais, culturais e históricos específicos, possibilitando, desta forma, a 
articulação entre indivíduo e coletivo na prática cotidiana (NICHIATA et 
al., 2008; MUÑOZ; BERTOLOZZI, 2007).
Um dos indicadores que expressam as vulnerabilidades ou 
potencialidades diferenciadas é o Índice de Desenvolvimento Humano 
(IDH), que procura aferir o avanço de uma população, não consideran-
do apenas a dimensão econômica, mas também outras características 
sociais, culturais e políticas que influenciam a qualidade da vida huma-
nas. Um dos fatores apontados mundialmente para o desenvolvimento 
humano é a atenção às crianças, adolescentes e mulheres, envolvendo 
fatores de natureza biológica quanto da autonomia relativa e ambígua 
que esses sujeitos desfrutam na família e na sociedade, levando a pro-
blemas, perigos e riscos, destacados nas literaturas médica e sociológi-
ca, assim como na mídia (CONTIM, 2012).
A situação de vulnerabilidade pressupõe duas vertentes: a pri-
meira compreende as várias dimensões da pobreza que precisam ser 
consideradas em um contexto de vulnerabilidade social, em que se en-
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globam renda, escolaridade e ciclo de vida familiar. A segunda vertente 
apresenta a segregação espacial presente nos centros urbanos, norte-
ada pela escassez de recursos financeiros, cognitivos ou de qualquer 
outra natureza, acumulados por indivíduos e famílias e de acesso ao 
mercado, bens e serviços públicos e privados influenciando as condi-
ções de vida das populações como um todo (NICHIATA et al., 2008; 
MUÑOZ; BERTOLOZZI, 2007; CONTIM, 2012).
Diante desse contexto, o conceito de vulnerabilidade apresen-
ta-se como um convite renovador das práticas de saúde entendidas 
como práticas sociais e históricas, por meio do trabalho com diferentes 
setores da sociedade e da transdisciplinaridade, permitindo repensar 
sobre essas práticas, contribuindona busca de mudanças políticas, cul-
turais, cognitivas e tecnológicas, que promovam impacto nos perfis epi-
demiológicos. Contudo, a vulnerabilidade não renega o modelo biológi-
co tradicional, muito pelo contrário, reconhece-o, mas busca superá-lo 
(SILVA; PANHOCA, 2007; BARRA et al., 2010 apud CONTIM, 2012).
Dessa forma, as linhas de cuidado enquanto política pública 
de atenção pressupõem uma visão global das dimensões da vida dos 
usuários em toda a sua amplitude, possibilitando respostas precisas 
e objetivas, resultando na interação entre esse usuário e a equipe de 
trabalho. Para que esse resultado seja positivo, torna-se necessária a 
visão integral da rede de assistência, potencializando os recursos dis-
poníveis para oferecer a resposta mais adequada, completa e resolutiva 
à necessidade do usuário (BRASIL, 2004).
A organização da assistência à saúde em linhas de cuidado co-
loca-se como uma estratégia para a superação da desarticulação dos 
diversos níveis de atenção à saúde (como o distanciamento entre a aten-
ção primária e a atenção hospitalar) e para a garantia da continuidade 
do cuidado integral, desde as ações de promoção até as de tratamento 
e reabilitação, com um fluxo ágil e oportuno em cada nível de atenção 
(primário, secundário e terciário), com um sistema de referência e con-
trarreferência comprometido, até a recuperação completa do indivíduo.
Diante da abordagem de risco e de vigilância, o planejamento da 
assistência integral à criança destaca ações que devem ser executadas de 
forma cotidiana e organizadas de maneira consistente em cada unidade 
de saúde. Dessa forma, a atenção adequada (imediata e continuada) des-
tinada a cada criança inclui o aproveitamento das oportunidades de ação 
em saúde, sem perdas, não deixando de responder de forma qualificada 
e resolutiva às situações em que pode haver graves prejuízos à saúde da 
criança ou mesmo risco de vida, como observado no estudo dos óbitos.
A vigilância à saúde é compreendida como a postura ativa de 
que o serviço deve assumir em situações de maior risco, sendo dirigida 
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em particular às crianças com maior vulnerabilidade, desencadeando 
ações estratégicas específicas para minimizar os danos, por meio do 
adequado acompanhamento de saúde. Significa intensificar o cuidado 
e não perder de vista aquelas pessoas com maior necessidade de aten-
ção (CONTIM, 2012).
Nessa perspectiva, a criança deve ser atendida por uma equipe 
multidisciplinar, que compreenda suas necessidades e direitos enquanto 
indivíduo. No contexto da atenção primária, a Sistematização da Assis-
tência de Enfermagem (SAE) deveria ser uma realidade contínua e eficaz, 
que envolvesse o cuidado integralizado, visando à promoção da saúde.
Nessa direção, na assistência à saúde prestada à criança em 
todas as fases de crescimento e desenvolvimento cabe ao Enfermei-
ro(a), enquanto componente da equipe, que deve realizar a Consulta 
de Enfermagem com o objetivo de contribuir para a resolutividade e 
integralidade das ações de saúde, propiciando a avaliação do estado 
de saúde do indivíduo durante o ciclo vital, tendo em vista o controle da 
evolução de algumas doenças de natureza transmissível e crônico-de-
generativa (COSTA; FRACOLLI, 2007 apud CONTIM, 2012).
Nas Unidades de Atenção Primária à Saúde (UAPS), sejam 
Unidades Básicas de Saúde (UBS) híbridas ou mistas, assim como Uni-
dade de Estratégia Saúde da Família (UESF), o(a) Enfermeiro(a) inte-
gra as práticas de outros trabalhadores de saúde, compondo a equipe 
multiprofissional, respondendo à produção de serviços em saúde, sen-
do esses parte de um processo coletivo de trabalho que tem como fina-
lidade produzir ações de saúde, caracterizando-se por um saber espe-
cífico, com ações contínuas e articuladas com os demais membros da 
equipe, na construção dos objetos comuns de trabalho no setor saúde.
Dessa forma, é essencial que o enfermeiro, inserido no proces-
so de trabalho da APS, tenha consciência da necessidade de mudança 
do modelo assistencial, buscando priorizar ações enfocadas na preven-
ção, promoção e na assistência à saúde da criança, incorporando-as 
como instrumento de produção em saúde. Diante disto, o enfermeiro 
que assiste a criança deve enfocar seu cuidado não somente na doen-
ça, no biológico, mas perceber que a criança é um ser social em desen-
volvimento, que necessita ser atendida conforme sua situação social, 
cultural, psicológica, econômica (CARVALHO et al., 2008; FIGUEIRE-
DO; MELO, 2003 apud CONTIM, 2012).
Em suas diferentes abordagens de cuidado, o enfermeiro exer-
ce papel fundamental na assistência à criança. Esse processo de aten-
dimento é iniciado na fase de vida intrauterina, durante as Consultas de 
Enfermagem no pré-natal e por meio do exame físico obstétrico, visan-
do identificar anormalidades e viabilizar condutas com vistas ao cresci-
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mento e desenvolvimento do recém-nascido (CARVALHO et al., 2008; 
FIGUEIREDO; MELO, 2003 apud CONTIM, 2012).
Na continuidade a esse cuidado, incluem-se atividades de enfer-
magem implementadas ao longo dos primeiros meses de vida da criança, 
tais como, as consultas de acompanhamento do crescimento e desen-
volvimento infantil, em que, de modo geral, são feitas mensurações dos 
índices antropométricos, que incluem peso, estatura, perímetros cefálico, 
torácico e abdominal, pregas cutâneas tricipital e subescapular.
A avaliação deve ser feita periodicamente pelo enfermeiro na 
tentativa de investigar alterações provenientes de doenças que desen-
cadeiam anormalidades morfológica e estrutural do corpo infantil. Nes-
se contexto, a consulta realizada por enfermeiros(as) na APS constitui 
uma estratégia de atendimento direcionada ao acompanhamento do 
crescimento e desenvolvimento infantil, com vistas à promoção, prote-
ção e recuperação da saúde.
Nesse processo sistematizado de trabalho, o enfermeiro iden-
tifica prováveis respostas humanas que culminam na elaboração de 
diagnósticos de enfermagem, estabelecendo precocemente condutas 
preventivas ou intervencionistas destinadas a possibilitar o processo de 
cuidar da criança. Além das informações objetivas levantadas a partir 
dos índices antropométricos, as Consultas de Enfermagem facilitam o 
diálogo e o aconselhamento da mãe ou responsáveis pelos cuidados 
da criança no que se refere às vulnerabilidades e agravos que podem 
comprometer a qualidade de vida desse sujeito, seus familiares e a co-
munidade em que está inserido (CONTIM, 2012).
NASCIMENTO SAUDÁVEL
A atenção clínico-ginecológica à mulher é importante para garantir 
o intervalo interpartal, a prevenção da gravidez indesejada ou de alto risco, 
diagnosticar e tratar doenças/problemas que podem comprometer a gesta-
ção, a saúde da mulher e do recém-nascido (KAWAMOTO, 2009).
Mais da metade das mortes maternas e neonatais ocorre du-
rante a internação para o parto. Esse dado alerta para a necessidade de 
se organizar a referência e a contrarreferência da gestante para o parto 
e, dessa forma, garantindo a assistência no pré-natal, parto e puerpério.
Resumidamente, as ações de saúde a serem ofertadas pelos 
sistemas de saúde são o pré-natal, parto institucional (ou parto domiciliar 
seguro nas regiões mais carentes de recursos), atenção ao puerpério, ur-
gências e emergências maternas e atenção imediata ao recém-nascido.
Ao recém-nascido deve ser assegurado o direito ao atendimen-
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to na sala de parto, ao alojamento conjunto, acompanhamento pós-alta 
e, quando necessário, acesso às Unidades de Tratamento Intensivo e 
de Cuidados Intermediários.
TRIAGEM NEONATAL
Segundo Kawamoto (2009), a “Primeira Semana Saúde Inte-
gral” abrange um conjuntode ações na ótica de que todo recém-nascido 
deve ser acolhido na UBS para a checagem das condições da saúde da 
mãe e da criança, desde a sua primeira semana até um mês de vida.
A equipe deve estar atenta para ouvir a mãe ou seus familia-
res, observar e avaliar a mamada, enfatizar a importância do aleitamen-
to materno exclusivo, aplicação de vacinas, agendamento da consulta 
pós-parto para a mãe e de acompanhamento para a criança.
A Portaria GM/MS nº 822/2001 instituiu o Programa Nacional 
de Triagem Neonatal, mais conhecido como o teste do pezinho que é a 
coleta de sangue em papel-filtro por punção cutânea no pé do bebê, a 
partir do 5º dia de vida, e tem como objetivo detectar e tratar precoce-
mente a fenilcetonúria, o hipotireoidismo congênito, a fibrose cística, a 
anemia falciforme e as outras hemoglobinopatias.
CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO
O acompanhamento do Crescimento e Desenvolvimento (C&D) 
infantil é considerado um dos fatores relacionados à melhoria dos indi-
cadores do nível de saúde da população, tratando-se da expressão da 
potencialidade relacionada ao estado nutricional adequado, bom estado 
de saúde, alimentação adequada e boas condições de vida. Dessa for-
ma, a avaliação do crescimento e desenvolvimento é recomendada com 
frequência para que se indique, por medidas antropométricas e sinais, 
as condições gerais de vida que prevalecem nas sociedades (BRASIL, 
2004; 2002; ROMANI; LIRA, 2004).
O crescimento humano é um processo dinâmico e contínuo 
que ocorre desde a concepção até o final da vida, sendo expresso pelo 
aumento do tamanho corporal. Constitui um dos melhores indicadores 
de saúde da criança, refletindo as suas condições de vida no passado e 
no presente. Assim, todo ser humano nasce com um potencial genético 
de crescimento, que poderá ser ou não alcançado, dependendo das 
condições de vida a que esteja exposto, desde a concepção até a idade 
adulta, considerando-se os fenômenos de substituição e regeneração 
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de tecidos e órgãos (CONTIM, 2012).
O processo de crescimento está intimamente ligado a fatores 
intrínsecos (genéticos, metabólicos e malformações, muitas vezes cor-
relacionados) e extrínsecos, dentre os quais destacam-se: o ambiente, 
a alimentação, a saúde, a ocorrência de doenças, a higiene, as con-
dições de habitação e saneamento básico, o acesso aos serviços de 
saúde e os cuidados gerais com a criança, que atuam acelerando ou 
retardando esse processo.
Sabe-se que a avaliação periódica do ganho de peso permite o 
acompanhamento do progresso individual de cada criança, identificando 
aquelas de maior risco de morbimortalidade e sinalizando o alarme preco-
ce para a desnutrição, que é causa básica da instalação ou do agravamen-
to da maior parte dos problemas de saúde infantil (ROMANI; LIRA, 2004).
O desenvolvimento infantil envolve vários aspectos, indo des-
de o crescimento físico até a maturação neurológica, comportamental, 
cognitiva, social e afetiva da criança. Tem como produto tornar a criança 
competente para responder às suas necessidades e às do seu meio, 
considerando seu contexto de vida (BRASIL, 2004, 2002).
O desenvolvimento neuropsicomotor da criança é resultado da 
interação entre características biológicas e fatores socioculturais. Den-
tre essas interações, a desnutrição crônica (redução na velocidade de 
crescimento, com peso e altura deficitários para a idade) é considerada 
o maior fator de risco para alterações no desenvolvimento infantil, jun-
tamente com a estimulação cognitiva inadequada, deficiência de iodo e 
anemia ferropriva (BRASIL, 2004; ROMANI; LIRA, 2004).
A vigilância do desenvolvimento compreende todas as ativida-
des relacionadas à promoção do desenvolvimento normal e à detec-
ção de problemas no desenvolvimento, na atenção primária à saúde 
da criança. É um processo contínuo, flexível, envolvendo informações 
dos profissionais de saúde, pais, professores e outros (BRASIL, 2004; 
SANTOS; LEMOS; LAMOUNIER, 2010 apud CONTIM, 2012).
Vários são os fatores que podem ser responsáveis pelos pro-
blemas de desenvolvimento nas crianças. Dessa forma, o desenvolvi-
mento infantil é decorrente de interações entre as características bio-
lógicas e as experiências oferecidas pelo meio ambiente. No entanto, 
alterações em alguma dessas áreas podem alterar o seu ritmo normal. 
A probabilidade de que isso ocorra é chamado de risco para o desenvol-
vimento (SANTOS; LEMOS; LAMOUNIER, 2010 apud CONTIM, 2012).
O início do controle do crescimento e desenvolvimento se inicia 
na maternidade, logo que a criança nasce, através da avaliação física 
antropométrica e das respostas aos estímulos desempenhados pelo re-
cém-nascido.
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Os problemas do desenvolvimento na criança podem se apre-
sentar de diversas maneiras, como alterações no desenvolvimento mo-
tor, na linguagem, na interação pessoal-social, e no cognitivo. Algumas 
vezes, ocorrem comprometimentos que afetam uma ou mais funções, e a 
criança apresenta alterações funcionais mistas no seu desenvolvimento. 
As questões clínicas das crianças com problemas no desenvolvimento 
variam muito, não só no tipo de atraso como também na intensidade des-
se atraso (SANTOS; LEMOS; LAMOUNIER, 2010 apud CONTIM, 2012).
Existe, ainda, um grupo de crianças que não apresentam sinto-
mas clínicos de atraso no desenvolvimento, porém não receberam estí-
mulos adequados sob o ponto de vista psicossocial, apesar de estarem 
bem nutridas e sadias, podem não alcançar seu potencial pleno. Diante 
desses fatores, é muito importante não só diagnosticar os desvios, mas 
também promover o bom desenvolvimento dessas crianças (SANTOS; 
LEMOS; LAMOUNIER, 2010 apud CONTIM, 2012).
O desenvolvimento, ao contrário do crescimento, pode ser difí-
cil de medir ou avaliar, porém é possível estabelecer padrões e áreas do 
desenvolvimento a serem avaliados. O importante é compreender que o 
desenvolvimento da criança ocorre de forma multidimensional, integral 
e contínua, interagindo com o ambiente em que vive (CONTIM, 2012).
A identificação de problemas de desenvolvimento pode ser fei-
ta pelos profissionais ou pela família da criança. As alterações encon-
tradas em condições de risco previamente definidas, por exemplo, no 
caso de crianças portadoras de síndrome de Down, são mais fáceis de 
ser diagnosticadas, por apresentarem características físicas peculiares 
à síndrome, porém as alterações de maior gravidade exigem do profis-
sional supervisão clínica e maior rapidez na identificação. Alterações 
no desenvolvimento motor são mais perceptíveis do que alterações de 
linguagem e cognitivas. As deficiências graves são reconhecidas ainda 
na infância, e os distúrbios de linguagem, hiperatividade e transtornos 
emocionais não são comumente diagnosticados antes dos três ou qua-
tro anos de idade. Da mesma forma, distúrbios de aprendizagem rara-
mente são identificados antes do ingresso da criança na escola.
A vigilância do desenvolvimento deve ser acompanhada pelos 
familiares e profissionais, para que possam ajudar na identificação das 
alterações, encaminhando, o mais precocemente possível, as crianças 
para tratamento (CONTIM, 2012).
No desenvolvimento infantil, habilidades próprias são rapida-
mente adquiridas, sendo que agravos como a ocorrência da desnutri-
ção associados a fatores sociais, ambientais e biológicos inviabilizam o 
funcionamento metabólico, acarretando consequências negativas per-
manentes, manifestadas principalmente no período escolar (BRASIL, 
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2004; 2002; SANTOS et al. apud CONTIM, 2012).
O ambiente familiar é um dos principais elementos para a ade-
quada estimulação, pois ele envolve aspectos físicos e afetivo-sociais,de-
correntes de condições estáveis de vida, tanto socioeconômicas quanto 
psicossociais. Esses processos são mecanismos constituintes dessa inte-
ração, contribuindo para que a criança desenvolva sua percepção, dirija e 
controle seu comportamento, permitindo adquirir conhecimentos e habili-
dades, estabelecendo relações e construindo seu próprio ambiente físico e 
social. Dessa forma, entende-se que a família desempenha, ainda, o papel 
de mediadora entre a criança e a sociedade, possibilitando a sua socializa-
ção, elemento essencial para o desenvolvimento cognitivo infantil.
Sendo o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento 
considerado o eixo norteador da assistência à saúde da criança, com 
ênfase na vigilância de fatores que podem interferir nesse processo, 
o acompanhamento desse grupo etário pelas unidades e serviços de 
saúde configura-se como uma das ações mais importantes para a redu-
ção do coeficiente de mortalidade infantil e seus componentes, visando 
alcançar a melhoria da qualidade de vida desse estrato populacional.
O monitoramento do crescimento e desenvolvimento é de 
fundamental importância para a promoção à saúde e prevenção de 
agravos, possibilitando a identificação de problemas nutricionais, 
alterações no desenvolvimento neuropsicomotor e situações de 
risco, e em casos de agravos, a atuação de forma precoce minimi-
za as possíveis intercorrências.
Ações simples, como pesar, medir e avaliar os marcos do de-
senvolvimento e aquisição de novas habilidades, devem estar regis-
tradas na Caderneta de Saúde da Criança. Essas medidas devem ser 
incorporadas pelas equipes de saúde em sua rotina de atendimento.
Para que esse processo ocorra de forma segura, faz-se ne-
cessária a capacitação continuada dos profissionais de saúde, o 
seguimento dos protocolos estabelecidos, bem como o trabalho 
integrado das equipes. O seguimento da criança deverá ser feito 
como medida que visa estreitar e manter o vínculo da criança e da 
família com os serviços de saúde, propiciando oportunidades de 
abordagem para a promoção da saúde, de hábitos de vida saudá-
veis, a vacinação, a prevenção de problemas e agravos, provendo 
o cuidado em tempo oportuno (CONTIM, 2012).
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DESNUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
Segundo a OMS, desnutrição proteico-calórica, mais recente-
mente denominada desnutrição energético-proteica (DEP), trata-se de 
uma síndrome composta por “uma variedade de condições patológicas 
decorrentes da falta concomitante de calorias e de proteínas, em dife-
rentes proporções, mais frequente nos lactentes e nos pré-escolares 
e geralmente associada a infecções repetidas (BRESOLIN; BRICKS, 
2010 apud CONTIM, 2012).
A DEP atinge mais de 200 milhões de crianças menores de 5 
anos nos países em desenvolvimento e é responsável por mais de 25%, 
(quase 12 milhões), de mortes anuais nos países em desenvolvimento, 
estando geralmente associada à infecção. A maior parte dos óbitos em 
crianças de países em desenvolvimento está relacionada à dieta inade-
quada, infecção e desnutrição.
A desnutrição infantil foi descrita pela primeira vez por Wa-
terlow e Vergara, em 1956. Pesquisas apontavam para uma doença 
com aspectos dietéticos e históricos semelhantes: aleitamento materno 
prolongado; desmame inadequado com consumo de cereais, especial-
mente milho cozido, grãos e pimenta; ausência de ingestão regular de 
carne, leite, peixes e ovos; dieta pobre em calorias, mas principalmente 
em proteínas (CONTIM, 2012).
Uma estratégia do MS (1995) e preconizada pela OMS, a Aten-
ção Integrada às Doenças Prevalentes da Infância (AIDPI) foi considera-
da uma importante ferramenta para otimizar o tempo destinado à atenção 
às crianças que procuram os serviços de saúde. Tem como finalidades 
promover a redução da mortalidade na infância, reforçar o conceito de 
integralidade da atenção à saúde da criança e fortalecer a capacidade de 
planejamento e resolução na atenção primária, dispondo ao pessoal de 
saúde as ferramentas para a resolução adequada dos problemas mais 
frequentes que afetam a saúde da criança (CONTIM, 2012).
No Brasil, como na maioria dos países em desenvolvimento, 
mesmo com a melhora do estado nutricional das crianças nos últimos 
anos, a redução da prevalência da desnutrição infantil e da taxa de 
mortalidade infantil continua sendo um problema de saúde pública atin-
gindo, particularmente, as crianças com menos de três anos de idade 
(DANTAS; MUNIZ, 2009 apud CONTIM, 2012).
Baixo nível de renda familiar, inadequação dos serviços de saúde, 
habitações insalubres, inadequação de saneamento, hábitos alimentares 
inadequados, crenças sobre nutrição, baixa escolaridade dos cuidadores, 
problemas psicológicos, desestruturação familiar, vitimização infantil são 
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fatores desencadeadores da DEP. O período que vai do desmame até os 
cinco anos de idade é nutricionalmente o mais vulnerável do ser humano, 
pois coincide com situações de maior exposição a patógenos, desmame, 
crescimento rápido, perda da imunidade passiva e desenvolvimento do sis-
tema imune; sendo determinantes do aumento das necessidades nutricio-
nais. A identificação das famílias em maior situação de vulnerabilidade a 
DEP é essencial para o desenvolvimento de ações de saúde específicas a 
essa população (BRESOLIN; BRICKS, 2010 apud CONTIM, 2012).
Partindo das justificativas acima, é evidente que nos primeiros 
anos de vida, a alimentação saudável é essencial para o crescimento e 
desenvolvimento da criança. Dessa forma, a alimentação qualitativa e 
quantitativamente adequada proporciona ao organismo a energia e os 
nutrientes necessários para o bom desempenho de suas funções e para 
a manutenção de um bom estado de saúde (MONTEIRO et al., 1995; 
LEÃO; FIGUEIREDO FILHO, 2003 apud CONTIM, 2012).
O estabelecimento de hábitos alimentares saudáveis na pri-
meira infância e daí por diante, contribui sobremaneira para a garantia 
de uma vida saudável que seguirá esse curso de boas práticas de ali-
mentação saudável.
Avanços na área da nutrição e de novas tecnologias de produção, 
transporte e conservação dos alimentos estão levando a ocorrência de 
maior oferta alimentar e mudanças de hábitos dietéticos. Agrega-se a es-
ses fatores a importância da vigilância, qualidade, composição, biossegu-
rança e aos aspectos toxicológicos dos novos alimentos disponíveis para 
a alimentação da criança (MONTEIRO et al. 1995 apud CONTIM, 2012).
Nesse contexto, o leite materno é o alimento ideal para as 
crianças nos primeiros seis meses de vida porque atende as necessida-
des nutricionais da criança, permite uma fácil digestão e aproveitamento 
dos nutrientes, fornece proteção contra as infecções, promove a relação 
afetiva entre a mãe e o filho e é prático, econômico e higiênico.
Como nenhum outro alimento pode substituir com vantagens 
o leite materno, o desmame precoce e/ou substituição de leite mater-
no por fórmulas artificiais são consideradas fatores fundamentais para 
o aumento da mortalidade e de doenças infantis. Define-se desmame 
precoce como sendo a introdução de outros alimentos (principalmente 
leite de vaca) antes de a criança completar seis meses. Por outro lado, 
contraindica-se o aleitamento materno para as mães HIV positivas; as 
demais doenças e tratamento medicamentoso deverão ser avaliados 
quanto aos riscos e benefícios (KAWAMOTO, 2009).
Recomenda-se o seguinte esquema alimentar:
• no alojamento conjunto da maternidade – iniciar amamenta-
ção na primeira hora após o parto e sempre que a criança desejar;
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• até os 6 meses – leite materno exclusivo, sob livre demanda e 
com intervalo entre as mamadas não superior a 5 horas; neste período, 
nãohá necessidade de oferecer líquidos à criança;
• 6 a 7 meses – introdução da água, uma refeição de sal (almo-
ço), sucos, papas de frutas e de cereais;
• 8 a 11 meses – introdução da segunda refeição de sal (jantar).
A transição do aleitamento para a introdução de novos alimen-
tos deve ser criteriosa, com a família sendo alertada quanto à importân-
cia da dieta equilibrada como forma de prevenir as deficiências nutricio-
nais, as doenças crônicas, sobrepeso e obesidade.
É recomendável que a UBS realize avaliação nutricional anual 
de todas as crianças de 0 a 6 anos da sua área de abrangência.
Vários municípios desenvolvem ações de Vigilância Alimentar 
e Nutricional, incluindo avaliação de consumo alimentar, além da identi-
ficação e priorização do atendimento das famílias e crianças em progra-
mas de distribuição de alimentos e de transferência de renda.
Outra ação é o Banco de Leite Humano, com as mães com 
excesso de produção de leite doando-o para o Banco. Após a pasteuri-
zação, ele irá atender, prioritariamente, os recém-nascidos prematuros 
e os internados nas unidades neonatais (KAWAMOTO, 2009).
DOENÇAS DA INFÂNCIA
Transtornos alimentares, doenças diarreicas, doenças respira-
tórias, DST/AIDS e transtornos mentais são algumas das doenças que 
podem surgir na infância.
É verdade que a mortalidade infantil no continente americano 
diminuiu em decorrência de disfunções por doenças infecciosas, embo-
ra ainda apresentem algo em torno de 28% das mortes em menores de 
cinco anos de idade.
Sobre a desnutrição energético proteica (DEP) já falamos um 
pouco, mas ela junto com a anemia carencial ferropriva continuam como 
as duas principais doenças causadas por deficiências nutricionais.
A desnutrição energético proteica decorre da ingestão insufi-
ciente de energia (carboidratos e lipídios) e proteínas. Pode ocorrer em 
virtude da falta de condições econômicas para comprar o alimento, o 
desmame precoce e a introdução inadequada e incorreta de alimentos.
Existe um círculo vicioso entre desnutrição e infecção: a des-
nutrição predispõe o indivíduo para os processos infecciosos, e estes 
reduzem a ingestão, absorção ou aproveitamento dos nutrientes, agra-
vando ainda mais o estado nutricional.
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A DEP afeta principalmente as crianças que, em consequência, 
irão apresentar um atraso no crescimento e desenvolvimento.
A anemia ferropriva caracteriza-se pelo reduzido teor de hemo-
globina e ferro no sangue em razão da carência alimentar de ferro, perda 
sanguínea crônica (pelas parasitoses intestinais, hemorragias, hemorroi-
das sangrantes, entre outras), e ingestão insuficiente que atenda às ne-
cessidades aumentadas na infância, adolescência, gravidez e lactação.
Em crianças de 6 a 24 meses, ela pode ser decorrente de san-
gramento durante o parto, nascimento com reserva insuficiente de ferro 
e desmame precoce. O desmame precoce favorece este tipo de anemia 
porque o leite de vaca, além de ser pobre em ferro, é pouco absorvido 
pelo organismo.
Como tratamento, preconiza-se:
• alimentação equilibrada de nutrientes para cobrir o déficit e 
repor as perdas nutricionais;
• aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade; leite 
artificial fortificado em ferro e vitamina C, este último, por auxiliar e me-
lhorar a absorção de ferro;
• ingestão de alimentos ricos em ferro, junto com frutas ricas 
em vitamina C;
• administração de sulfato ferroso;
• tratamento das causas que provocam perda sanguínea crôni-
ca (KAWAMOTO, 2009).
Contrapondo-se à desnutrição, o sobrepeso e a obesidade são 
os agravos que acometem as crianças que são desmamadas preco-
cemente e amamentadas com leite enriquecido com carboidratos, que 
comem exageradamente carboidratos, lipídios e proteínas.
É importante (re)lembrar que bebê/criança gordinho não é si-
nônimo de saúde. O sobrepeso e a obesidade estão aumentando na 
população infantil, o que preocupa os profissionais de saúde. A correção 
é simples e complexa ao mesmo tempo: aleitamento materno e hábi-
tos alimentares saudáveis. É complexa porque demanda em mudança 
dos hábitos e da cultura alimentar, aumenta o tempo para preparar o 
alimento (os industrializados e semiprontos são mais fáceis, rápidos e 
apetitosos); e, fundamentalmente, a criança e a família devem querer 
a mudança no hábito alimentar. Por isso, na maioria das vezes, faz-se 
necessário o acompanhamento do nutricionista e do psicólogo.
A diarreia caracteriza-se pela perda de água e eletrólitos por 
causa do aumento da frequência das evacuações, diminuição da con-
sistência das fezes e aumento do conteúdo líquido fecaI. Nas diarreias 
agudas também pode ocorrer presença de muco e sangue.
A doença diarreica aguda é uma das principais causas de morbi-
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dade e mortalidade infantil nos países em desenvolvimento, por favorecer 
a instalação da desidratação e agravar o estado nutricional das crianças.
As causas que facilitam a instalação das doenças diarreicas 
são saneamento básico precário, desmame precoce, higiene inadequa-
da das mãos e alimentos, entre outros.
Como se considera a diarreia infecciosa aguda um processo au-
tolimitado, não se recomenda como tratamento a administração de antibi-
óticos, suspensão de alimentação e a administração de soro por via en-
dovenosa como medida preventiva da desidratação (KAWAMOTO, 2009).
A terapia de escolha atual é a TRO (terapia de reidratação oral), 
com o objetivo de manter o equilíbrio orgânico por meio da hidratação 
da criança por via oral com uma solução de glicose e eletrólitos.
As condutas terapêuticas preconizadas têm como objetivo 
principal evitar a desidratação, frisando-se que durante o período de 
reidratação, a criança deve ser reavaliada com frequência.
Quanto às doenças respiratórias, as mais comuns em crianças 
são a gripe, faringite, amigdalite, adenoidite, otite média, sinusite, bron-
quite e pneumonias.
Constituem, em conjunto com as doenças diarreicas, um grave 
problema de saúde pública, em virtude do alto índice de mortalidade e 
morbidade, principalmente nas crianças menores de 2 anos.
Para diminuir a morbimortalidade, é necessário implantar as 
medidas preventivas que visam combater as causas das doenças respi-
ratórias. Essas causas são:
a) Da criança: diminuição da resistência física provocada pela 
desnutrição, desmame precoce, diarreias constantes, deficiência de 
vitamina C, imunização incompleta, utilização inadequada de medica-
mentos (exemplo: antibióticos para tratar as infecções virais), reinterna-
ções por doenças respiratórias.
b) Do meio ambiente: poluição e contaminação do meio am-
biente, habitação inadequada, com excesso de moradores, casas úmi-
das e mal arejadas, moradores tabagistas.
c) Das condições sociais: baixo nível cultural e educacional da 
população quanto aos aspectos preventivos e de tratamento.
A infecção respiratória aguda caracteriza-se pela presença de 
um ou mais sinais e sintomas de tosse, dificuldade respiratória, chiado, 
coriza, otalgia e dor de garganta. Considera-se a criança com risco de 
morte quando apresenta um ou mais dos seguintes sinais ou situações:
• hipertermia ou hipotermia: dado importante em menores de 2 
meses e desnutridos graves;
• acentuada palidez cutâneo-mucosa;
• desnutrição grave;
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• edema generalizado;
• desidratação;
• impossibilidade de beber ou sugar;
• convulsão ou estado pós-convulsivo;
• alternância entre agitação e prostração acentuada;
• estridor (respiração ruidosa) em repouso;
• crises de apneia;
• cianose;
• insuficiência respiratória.
O tratamento varia de acordo com o tipo de afecção e gravida-
de, mas basicamente consiste em:
• medicamentoso – antibioticoterapia para aspreventiva. São 
Paulo: Santos Editora, 1990.
PRIOTTO, E.P. Dinâmicas de grupo para adolescentes. Petrópolis: Vo-
zes, 2009.
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