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1 PROPEDÊUTICA OBSTÉTRICA E PRÉ-NATAL DE RISCO HABITUAL E RISCO INTERMEDIÁRIO Gizelle Felinto PONTOS PRINCIPAIS Conhecer e distinguir os sinais e sintomas da gravidez Reconhecer e tratar a hiperêmese gravídica: Durante a gestação, a maioria das mulheres apresentam enjoo Quando essa êmese se acentua, tornando-se praticamente incontrolável, e, às vezes, apresentando desidratação, perda ponderal e/ou cetose, por exemplo, denomina-se de hiperêmese gravídica. Em alguns casos, é necessária a internação hospitalar da gestante Algumas causas de hiperêmese gravídica: Gestação gemelar Mola Hidatiforme... Saber quais exames laboratoriais solicitar também deve-se discutir a acurácia dos testes rápidos Quando pedir a ultrassonografia Aplicar a regra de Naegele para calcular a Data Provável do Parto (DPP) IDENTIFICAÇÃO Além dos dados presentes no cartão do pré-natal, que devem ser preenchidos corretamente e de forma completa, também é importante saber outras informações que podem influenciar na evolução da gravidez de uma mulher, como a idade, a profissão, o estado civil, a nacionalidade e o domicílio IDADE: A idade da paciente ajuda a classificar o pré-natal em risco habitual, intermediário ou de alto risco Sobre a idade de início da gestação: Mesmo que o início de uma gestação possa ocorrer já aos 10 anos de idade, uma gravidez tem as melhores condições, do ponto de vista biológico, a partir dos 18 – 20 anos de idade O melhor período de desempenho para uma gestação dura cerca de uma década, sendo ideal até os 30 anos de idade, pois a partir dos 30 anos os riscos para a mãe e para a criança começam a aumentar Ou seja, o melhor período para engravidar vai dos 18- 20 anos até os 30 anos Em > 35 anos de idade há um expressivo risco de índice de mal formação do concepto e de distocias Segundo dados do Ministério da Saúde: Gravidez na adolescência vai de 10 até os 19 anos de idade Toda gestante adolescente necessita de acompanhamento psicológico O pré-natal deve ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar (Ex: médico, enfermeiro, dentista, psicólogo, nutricionista), de acordo com as necessidades individuais de cada gestante Acompanhamento psicológico nem toda gestante necessita. Aquelas que engravidaram na adolescência ou que apresentem sinais de algum transtorno psicológico ou risco de depressão pós-parto necessitam desse acompanhamento psicológico Saber a idade da paciente também é importante para identificar características de climatério e tamanho do espéculo PROFISSÃO: É de suma importância saber qual o trabalho dessa gestante, para que se analise se há riscos para a mãe e para o bebê É importante o conhecimento da profissão da gestante, principalmente quando ela é predisposta a abortamento, para que ela seja orientada quanto a necessidade ou não de abster-se do esforço físico ou do contato com substâncias químicas manuseadas em alguns trabalhos (Ex: álcool, chumbo, fósforo, nicotina...) Exemplos: Gestante que é frentista de posto de gasolina recomenda-se o uso de máscaras especiais, para que ela não inale substâncias prejudiciais Gestante que é anestesiologista é recomendado que não faça anestesia geral Gestante que é radiologista deve ter muito cuidado com a radiação ao manusear os aparelhos ESTADO CIVIL: Mulheres grávidas que tem um companheiro são menos vulneráveis: Porém, também existem aquelas gestantes que sofrem violência doméstica. Assim, na ficha perinatal também se pergunta sobre isso à gestante caso ela afirme que sofre violência doméstica, o papel do médico é justamente orientá-la a fazer a denúncia É de suma importância também fazer o pré-natal do parceiro Tem-se uma maior morbidade e mortalidade materna e fetal entre as gestantes solteiras NACIONALIDADE E DOMICÍLIO: A procedência da paciente auxilia o médico na orientação quanto ao rastreio da possibilidade de doenças que podem influenciar consideravelmente na gestação, como Doença de Chagas, Esquistossomose e Malária ANTECEDENTES OBSTÉTRICOS Número de Gestações: Incluindo os abortamentos Se a gestante já teve uma gravidez ectópica, também se considera como um aborto Número de Partos: Onde foi o parto domiciliar ou hospitalar Via de parto vaginal ou cesárea Se for cesáreo, deve-se perguntar o motivo da indicação do procedimento, pois, às vezes, pode ter sido devido a alguma complicação na gestação anterior Perguntar se houve uso do fórceps Número de Abortamentos: Deve-se perguntar se foi espontâneo ou provocado Questionar sobre as causas do abortamento, como: Por Infecção Sexualmente Transmissível (IST) 2 PROPEDÊUTICA OBSTÉTRICA E PRÉ-NATAL DE RISCO HABITUAL E RISCO INTERMEDIÁRIO Gizelle Felinto Complicação de Insuficiência Istmo-Cervical (IIC) é a abertura/dilatação indolor do colo do útero, resultando no abortamento Como se coloca o número de gestações, partos e abortamentos: Exemplo: mulher grávida do 3º filho, com os dois partos tendo sido vaginais e sem abortamentos G3P2A0 (Gesta 3, Para 2 e Abortos zero) Número de Filhos vivos deve-se perguntar também se algum filho faleceu Idade da primeira gestação Intervalo entre as gestações: Se o intervalo entre uma gravidez e outra for 4 kg) deve-se questionar se a mãe apresenta alguma doença, como o diabetes Mortes neonatais são aquelas que ocorrem até 7 dias de vida do bebê TERMOS MÉDICOS GESTAÇÃO BIOQUÍMICA é uma gestação muito precoce, sendo identificada antes mesmo de haver o atraso menstrual, por meio do exame de sangue ou do teste rápido. E essa gestação pode ou não evoluir GESTAÇÃO HETEROTÓPICA é uma condição rara na qual a mulher apresenta uma gravidez gemelar, com uma gestação ectópica (fora da cavidade uterina) simultaneamente a uma gestação intrauterina É através da ultrassonografia que se sabe se a gestante apresenta esse tipo de gestação GESTAÇÃO ATUAL Data da Última Menstruação (DUM) - do 1º dia/mês/ano: Deve-se anotar a tanto a certeza quanto a dúvida da paciente quanto ao primeiro dia da sua última menstruação Não é o dia em que terminou a última menstruação que ela teve! Mas sim o 1º dia da sua últimamenstruação É importante para que se calcule a Data Provável do Parto (DPP) pela DUM, por meio da regra de Naegele Peso prévio e Altura: Exemplo se a mulher engravida e já se encontra em sobrepeso ou obesidade, ela só poderá aumentar cerca de 5 kg em toda a sua gravidez Sinais e sintomas na gestação em curso Hábitos alimentares Medicamentos utilizados na gestação: Quanto menor o número de medicações que a gestante precisar, melhor será a evolução da gestação Porém, existem medicações que são essenciais de serem prescritas durante e até mesmo antes de a mulher engravidar (como o ácido fólico): Ácido Fólico: Já pode ser prescrito 3 meses antes de a mulher engravidar, caso ela faça o planejamento da gravidez antes Sua principal função é evitar a mal formação do tubo neural do bebê o tubo neural se forma em torno da 6ª semana de gestação, por isso que é obrigatório o uso do ácido fólico no 1º trimestre da gravidez. Assim, se o ácido fólico for usado apenas após a 6ª semana, não haverá esse benefício de evitar a mal formação do tubo neural o Caso não seja utilizado, o bebê pode apresentar Mielomeningocele Existem estudos que comprovam os benefícios do uso do ácido fólico até o final da gravidez reduz riscos de prematuridade e de descolamento prematuro da placenta, por exemplo Sulfato Ferroso é prescrito já na primeira consulta da gestante Internação durante a gestação atual Hábitos: Fumo (número de cigarros por dia) Álcool Drogas ilícitas... 3 PROPEDÊUTICA OBSTÉTRICA E PRÉ-NATAL DE RISCO HABITUAL E RISCO INTERMEDIÁRIO Gizelle Felinto ANAMNESE GERAL Deve-se saber também as seguintes informações sobre a gestante: Se é portadora de alguma doença avaliar se a doença irá interferir negativamente no curso da gravidez, devendo- se acompanhar de perto e tratar essa gestante Quais os riscos da gravidez atual da gestante Presença de intercorrências durante a gravidez: Exemplo: paciente que teve um sangramento no 1º trimestre da gravidez Medicamentos que está em uso DUM (Data da Última Menstruação) DPP (Data Provável do Parto) IG (Idade Gestacional) SINAIS DE GRAVIDEZ SINAIS DE PROBABILIDADE DA GRAVIDEZ: SINAL DE HEGAR: É um sinal de probabilidade da gravidez Trata-se do amolecimento do istmo uterino que pode ser sentido pelo toque vaginal ou pela palpação abdomino-pélvica SINAL DE CHADWICK (ou JACQUEMIER): É o escurecimento ou mudança da cor da mucosa e da pele da região genital nas primeiras semanas da gravidez Refere-se à distensão venosa da vulva, pelo aumento do fluxo sanguíneo Ou seja, tem-se uma coloração violácea da vulva e da vagina SINAL DE OSIANDER: É a percepção da pulsação da artéria vaginal ao toque SINAL DE PISKACEK assimetria uterina observada na palpação Abaulamento da região onde houve a implantação ovular. Ou seja, o útero fica assimétrico pela nidação SINAL DE NOBILE-BUDIN: Decorre do preenchimento do fundo de saco vaginal, ocorrendo um abaulamento Abaulamento do útero gravídico ao toque do fundo de saco vaginal SINAL DE CERTEZA DA GESTAÇÃO: SINAL DE PUZOS: É um sinal de rechaço fetal intrauterino, no qual tem-se a percepção de movimentos e/ou partes fetais pelo examinados ao toque Exemplo a examinadora faz o toque vaginal e sente a cabeça do bebê EXAMES COMPLEMENTARES EXAMES QUE PODEM CONFIRMAR UMA GRAVIDEZ: Teste Rápido: É um teste que pode ser realizado no Posto de Saúde para confirmar a gravidez A confiabilidade desse teste costuma ser questionada, mas ele é confiável Assim, se o teste rápido confirmar a gestação já se pode iniciar o pré-natal É diferente dos Testes de Farmácia: Em relação aos testes de farmácia, deve-se analisar se tem o selo do Inmetro e a validade do teste Fração Beta da Gonadotrofina (Beta-HCG): Quando a paciente não confia no teste rápido ou deseja fazer o Beta-HCG ou quando não se tem o teste rápido no Posto de Saúde, pode-se solicitar o Beta-HCG Ultrassonografia: Solicitar a partir da 6ª semana de gestação Atenção NUNCA pedir antes da 6ª semana de gestação, pois antes da 6ª semana pode-se ter o saco gestacional e não haver o embrião, tendo-se a falsa impressão de ser uma gravidez anembrionária, caso ela não evolua com o desenvolvimento do feto ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DA GRAVIDEZ SISTEMA RESPIRATÓRIO: Aumento da Frequência Respiratória (FR): Exemplo: gestante que chega afirmando que está se cansando muito nesse caso, pode ser algo fisiológico da própria gravidez, mas não se pode descartar logo de cara que pode se tratar de uma anemia, por exemplo Aumento do consumo de O2 Aumento da elevação do diafragma pois o útero comprime o diafragma SISTEMA CARDIOVASCULAR: Aumento do Débito Cardíaco (DC) e da Frequência Cardíaca (FC) CURIOSIDADES #PSEUDOCIESE (“Gravidez Psicológica” ou Falsa Gravidez) - Pode ocorrer quando a mulher tem muita vontade ou muito medo de engravidar, por exemplo - Características: atraso menstrual, crescimento do volume abdominal, sensação de que tem um bebê se mexendo... - Assim, faz-se a ultrassonografia e não se vê fato algum - Nem mesmo o Beta-HCG irá positivar - Cursa com alterações psiquiátricas, havendo necessidade de essa mulher ter acompanhamento com psiquiatra #GRAVIDEZ ANEMBRIONÁRIA - É uma gestação sem o desenvolvimento do embrião - Paciente apresentava exames que confirmavam a gravidez, com o saco gestacional se desenvolvendo normalmente e o óvulo fertilizado pelo espermatozoide implantado no útero, porém o embrião não se desenvolve 4 PROPEDÊUTICA OBSTÉTRICA E PRÉ-NATAL DE RISCO HABITUAL E RISCO INTERMEDIÁRIO Gizelle Felinto Diminuição da Resistência Vascular Periférica Total (RVPT) Diminuição da expansão volumétrica SISTEMA ENDÓCRINO: Aumento dos seguintes: Peso corporal por isso que em cada consulta deve- se calcular o IMC da gestante, para saber se ela está ou não com o peso adequado Estímulos hiperglicêmicos: Nesse caso, se o primeiro exame Glicêmico da gestante vier normal, deve-se realizar novo exame na 24ª semana de gestação Os estímulos hiperglicêmicos aumentam o risco de diabetes gestacional, por isso que se deve solicitar os exames glicêmicos Consumo de lipídeos e carboidratos: Assim, o colesterol e os triglicerídeos na gestação podem estar aumentados Por isso que é essencial o acompanhamento com o nutricionista SISTEMA OSTEO-MUSCULAR: Relaxamento da pelve Aumento da lordose Deslocamento do centro da gravidade PONTOS PRINCIPAIS: O QUE SABER PARA REALIZAR UM PRÉ-NATAL Conhecer a rotina básica do pré-natal: Anamnese completa e correta Exame de confirmação da gravidez principalmente para que não se faça um pré-natal de uma pseudociese, por exemplo Saber quais exames solicitar Interpretar os resultados dos exames: Na gestação, a Leucocitose pode ser fisiológica. Assim, quando se pega um hemograma e vê-se uma leucocitose, pode ser algo normal da gravidez Conhecer as principais queixas durante a gravidez e como abordá-las Saber quais as vacinas e as principais medicações indicadas e contraindicadas durante a gestação: Vacinas: COVID-19 atualmente, faz-se as 2 doses as Pfizer (não se faz Astrazeneca) Na gravidez e em mulheres que estão no puerpério até 45 dias Anti-tetânica dTpa é a tríplice bacteriana acelular do tipo adulto, que imuniza contra difteria, tétano e coqueluche Exemplo: mulher que tomou a dTpa na gestação anterior e depois de 1 ano engravidou de novo deve tomar novamente a dTpa Hepatite Influenza se ela tomou a vacina da influenza na gravidez passada e depois de um ano, por exemplo, engravidou novamente, ela deve tomar de novo a vacina ROTEIRO DA PRIMEIRACONSULTA DO PRÉ-NATAL Confirmar o diagnóstico de gravidez Fazer o cadastro no sistema de informação Preencher o cartão do pré-natal: No local em que essa gestante for ter o bebê, o médico plantonista terá o cartão pré-natal como referência, pois ele contém todo o histórico da gravidez dessa mulher. Por isso e por outros motivos que é essencial preencher corretamente esse cartão pré-natal Colher uma boa história clínica Realizar o exame físico Solicitar exames de rotina Avaliar o cartão de vacinas Colher e registrar testes rápidos Encaminhar para o dentista Prescrever sintomáticos Prescrever Ácido Fólico e Sulfato Ferroso: Ácido Fólico 1 comprimido 1 hora antes do almoço Esclarecer dúvidas sobre a gravidez Realizar classificação de risco: Risco habitual e risco intermediário podem ser acompanhadas apenas pelo médico da UBS, caso ele se sinta seguro para conduzir, sem necessidade de encaminhar para o pré-natal de alto risco Alto risco deve ser encaminhada para o pré-natal de alto risco e continuar indo também na UBS REDE CEGONHA – PRINCÍPIOS GERAIS A Rede Cegonha preconiza que o pré-natal deve ter a seguinte padronização: Anamnese Testes rápidos Exame físico Exames laboratoriais Encaminhamentos PRÉ-NATAL PELO SUS (RISCO HABITUAL E RISCO INTERMEDIÁRIO) INTRODUÇÃO Em determinadas regiões brasileiras, cerca de 90% das gestantes tem acesso ao pré-natal. Porém, infelizmente, existem 10% que não tem acesso ao pré-natal CURIOSIDADE ANEMIA NA GESTAÇÃO x SULFATO FERROSO - O manual do Ministério da Saúde orienta a prescrição de 2 comprimidos de Sulfato Ferroso para a gestante que está com a Hemoglobina 2 anos (caso ela tenha história de gravidez anterior a atual): Exemplo: caso a paciente tenha um intervalo entre os partos menor que 1 ano deve-se encaminhá-la para outro setor Ausência de intercorrências clínicas e/ou obstétricas na gravidez anterior e/ou atual RISCO INTERMEDIÁRIO Podem ser acompanhadas pela equipe da UBS, caso o médico se sinta seguro para conduzir o pré-natal, ou pode-se encaminhar para o serviço de alto risco Características Individuais e condições socioeconômicas e familiares: Idade 35 anos Condições de trabalho desfavoráveis Ex: esforço físico excessivo, carga horária extensa, exposição a agente físicos, químicos e biológicos nocivos, níveis altos de estresse... Indícios ou ocorrência de violência Situação conjugal insegura Insuficiência de apoio familiar Capacidade de autocuidado insuficiente Não aceitação da gestação Baixa escolaridade (referência especializada, caso seja necessário 8. Estimular e informar sobre os benefícios do parto fisiológico, incluindo a elaboração do plano de parto 9. Toda gestante tem direito de conhecer e visitar previamente o serviço de saúde no qual irá dar à luz (vinculação) 10. As mulheres devem conhecer e exercer os direitos garantidos por lei no período gravídico-puerperal DICA PARA SABER QUANTOS DIAS OS MESES POSSUEM Deve-se saber quantos dias cada mês tem, tanto para o cálculo da Idade Gestacional (IG) quanto para o cálculo da Data Provável do Parto (DPP) Utilizando a mão em punho os nós dos dedos correspondem a 31 dias e o espaço entre eles corresponde a 30 Janeiro = 31 Fevereiro = 28 ou 29 (ano bissexto) Março = 31 Abril = 30 Maio = 31 Junho = 30 Julho = 31 Agosto = 31 Setembro = 30 Outubro = 31 Novembro = 30 Dezembro = 31 REGRA DE NAEGELE – DATA PROVÁVEL DO PARTO (DPP) A regra de Naegele é usada para calcular a Data Provável do Parto (DPP) a partir da Data da Última Menstruação (DUM) da paciente Nos dias sempre lembrar quantos dias cada mês tem, pois se a soma dos dias da DUM com os 7 da regra de Naegele passar dos dias do mês, deve-se aumentar 1 mês Para simplificar: Nos meses de Janeiro, Fevereiro e Março Adiciona-se 9 meses Nos demais meses retira-se 3 meses Obs: isso é apenas para simplificar, pois retirando-se 3 meses de janeiro, fevereiro ou março também se consegue o mês da data do parto. Exemplo: DUM = 10/02/2021 Retirando-se 3 meses ou adicionando 9 meses obtém-se que a DPP é 17/11/2021 EXEMPLOS: DUM: 09/10/2020 Nos dias 9 + 7 = 16 Nos meses 10 – 3 = 7 (Julho) No ano o mês de julho já equivale ao ano de 2021 nesse caso DPP = 16/07/2021 DUM: 02/03/2021 Nos dias 2 + 7 = 9 Nos meses 3 + 9 = 12 (Dezembro) No ano Dezembro continua em 2021 nesse caso DPP = 09/12/2021 DUM: 28/10/2020 Nos dias lembrar que Outubro tem 31 dias! 28 + 7 = 35 (31 + 4) assim, o dia é o 04 e aumenta-se 1 mês no resultado da DPP Nos meses 10 – 3 + 1 (mês a mais correspondente aos dias) = 8 (Agosto) No ano o ano já corresponde ao ano de 2021 DPP = 04/08/2021 REGRA DE NAEGELE 𝐷𝑈𝑀 = 𝑑𝑖𝑎 / 𝑚ê𝑠 / 𝑎𝑛𝑜 Adiciona-se 7 dias Adiciona-se 9 meses ou retira-se 3 meses 7 PROPEDÊUTICA OBSTÉTRICA E PRÉ-NATAL DE RISCO HABITUAL E RISCO INTERMEDIÁRIO Gizelle Felinto EXAMES LABORATORIAIS EXAMES DO PRIMEIRO TRIMESTRE DA GESTAÇÃO devem ser solicitados já na primeira consulta do pré-natal: Hemograma Completo: Repetir entre 28 e 30 semanas de gestação Grupo Sanguíneo (ABO) e fator Rh Glicemia de Jejum: Repetir entre 28 e 30 semanas, em gestantes sem fator de risco para diabetes Se o resultado for ≥ 92 mg/dL considerar diabetes gestacional já na primeira consulta Sumário de Urina Urocultura com antibiograma: Para o diagnóstico de bacteriúria assintomática Deve-se repetir entre 28 e 30 semanas Parasitológico de fezes Sorologia para Sífilis (VDRL) também chamada de Sorologia para LUES Sorologia anti-HIV: Repetir entre 28 e 30 semanas Sorologia para Hepatite B (HBsAg) Sorologia para Toxoplasmose IgM e IgG Se IgG positivo não repetir Se IgG negativo repetir no trimestralmente Exames que são realizados em relação ao exame das mamas e ao citológico: Colpocitologia oncótica Observação NÃO se solicita mais as Sorologias para Rubéola e Citomegalovírus IgG e IgM EXAMES DO SEGUNDO TRIMESTRE: Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) faz-se entre a 24ª e a 28ª semana (pegando um pouco do terceiro trimestre) EXAMES DO TERCEIRO TRIMESTRE DA GESTAÇÃO (que devem ser realizados idealmente já entre a 28ª e a 30ª semana): Hemograma Completo Glicemia de Jejum Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) é entre a 24ª e a 28ª semana Sumário de Urina Urocultura com antibiograma Parasitológico de fezes Sorologia para Sífilis (VDRL) Sorologia anti-HIV Sorologia para Hepatite B (HBsAg) Sorologia para Toxoplasmose IgM e IgG só é feito se o primeiro exame tiver como resultado IgG não reagente Exames que são realizados em relação ao citológico: Bacterioscopia da secreção vaginal Cultura específica do estreptococo do grupo B (a maioria dos serviços não dispõem e também não é consenso a sua realização) Coleta anovaginal entre 35 e 37 semanas de gestação ULTRASSONOGRAFIA: Ultrassonografia Obstétrica O Ministério da Saúde preconiza que sejam feitos 4 USG durante a gestação (esse número era de 3, mas com o surgimento da Zika aumentou-se para 4, independentemente de o risco ser habitual ou intermediário) Em pacientes de alto risco, às vezes, é necessário solicitar mais de 4 ultrassons EXAME FÍSICO MANOBRAS DE LEOPOLD: 1. Situação delimitação do fundo de útero 2. Posição determinação do dorso fetal O lado da barriga em que se sente mais rígido/duro é onde fica o dorso do feto 3. Apresentação mobilidade Para saber se a apresentação está cefálica, pélvica, variável... 4. Insinuação ESTÁ EM DESUSO! Determina o grau de penetração de apresentação Utiliza-se mais quando a gestante está em trabalho de parto, para saber se o feto está insinuado MEDIÇÃO DA ALTURA DE FUNDO UTERINO: Fita obstétrica coloca-se o 0 (zero) na sínfise púbica e com a borda cubital mede-se a altura do fundo do útero com o restante da fita Fita de costureira como ela inicia-se já de 1 cm, ao medir a altura de fundo uterino com ela deve-se aumentar 1cm no valor obtido AUSCULTA: Utiliza-se o Sonar para escutar os Batimentos Cardíacos Fetais VACINAÇÃO EM GESTANTES O Ministério da Saúde estabeleceu o dia 15 de Agosto como o dia da Gestante, chamando atenção para a atualização do calendário vacinal das gestantes Vacinas que todas as gestantes devem tomar: Hepatite B: SITUAÇÃO POSIÇÃO APRESENTAÇÃO INSINUAÇÃO 8 PROPEDÊUTICA OBSTÉTRICA E PRÉ-NATAL DE RISCO HABITUAL E RISCO INTERMEDIÁRIO Gizelle Felinto Atenção caso ela já tenha tomado as 3 doses da Hepatite B, não há necessidade de tomar novamente Dupla Adulto (DT) Difteria e Tétano Tétano se fazem mais de 5 anos que a gestante tomou, há necessidade de reforço Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa) Difteria, Tétano e Coqueluche: Independentemente de a gestante ter ou não tomado a DT, a partir da 20ª semana de gestação ela toma esse reforço que é a dTpa Influenza é ofertada durante as campanhas anuais Deve ser aplicada independentemente da idade gestacional Covid-19 PRÉ-NATAL DO PARCEIRO Nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do SUS, os homens também têm o direito de cuidar de si ao mesmo tempo em que acompanham suas parceiras e podem realizar procedimentos como: Teste de Sífilis, Hepatites B e C e HIV Medidas antropométricas (peso, altura, IMC) Exames de rotina, como hemograma, lipidograma... Atualização do cartão vacinal Aferição da pressão arterial Teste de glicemia CASO CLÍNICO Caso: Gestante chega à unidade de saúde informando que a menstruação está atrasada. Perguntas: 1. O que fazer? Ela procurou a unidade na época certa? Ela procurou o serviço na época certa e primeiramente deve-se confirmar essa a gravidez por meio do teste rápido, caso tenha na unidade, ou do Beta-HCG 2. Quem deve acolher essa gestante na primeira consulta? A enfermeira. Porém, se não for possível, o médico da unidade pode fazer esse acolhimento 3. Quais exames devem ser solicitados? O teste rápido para confirmação da gravidez e posteriormente todos aqueles da rotina do primeiro trimestre 4. Quando marcar o retorno? Como ainda se encontra no início da gestação, o retornodeve ser marcado para depois de 1 mês