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Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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CUIDADOS AO PACIENTE CIRÚRGICO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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SUMÁRIO 
 
CUIDADOS NO PÓS-CIRÚRGICO E COMPLICAÇÕES ................................................................. 3 
PERCEPÇÃO DO PACIENTE E O CUIDADO NA ENFERMARIA DE CLÍNICA CIRÚRGICA ................ 5 
CUIDADOS DE ENFERMAGEM AO PACIENTE NO PÓS-OPERATÓRIO ........................................ 7 
ASPECTOS SOCIAIS E AMBIENTAIS ........................................................................................ 16 
ASPECTOS BIOLÓGICOS ........................................................................................................ 16 
ASPECTOS PSICOLÓGICOS .................................................................................................... 16 
COMPLICAÇÕES PÓS–OPERATÓRIAS .................................................................................... 16 
CHOQUE CARDIOGÊNICO ..................................................................................................... 21 
CHOQUE VASCULOGÊNICO .................................................................................................. 21 
CHOQUE HIPOVOLÊMICO ..................................................................................................... 21 
CLASSIFICAÇÃO DAS FERIDAS ............................................................................................... 25 
COMPLICAÇÕES DA FERIDA CIRÚRGICA ................................................................................ 31 
REFERÊNCIA ......................................................................................................................... 37 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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CUIDADOS NO PÓS-CIRÚRGICO E COMPLICAÇÕES 
 
Segundo GAMBOA (1997), cuidar não é um ato único ou a soma de procedimentos 
técnicos, é o resultado de um processo no qual delicada e estreitamente se conjugam 
sentimentos, valores, atitudes e princípios científicos que perpassam pela cultura, estética e 
arte. 
Conforme (MENDELSSONH; BARBOSA, 1992), a realização de uma cirurgia envolve 
uma série de distúrbios fisiopatológicos que implicam em prejuízos reais e perigos como: risco 
de vida, perda de órgãos e de partes ou funções do corpo, ameaça de invalidez, despesas 
médico-hospitalares, prejuízos econômicos pela inatividade e decisões importantes, além de 
conviver com sofrimento, dor e medo da morte. Somam-se a esses fatos o trauma cirúrgico e 
a insegurança ou ansiedade em face da expectativa quanto à capacidade técnica da equipe 
cirúrgica e a qualidade da assistência hospitalar. 
Portanto, a enfermagem tem a função de contribuir para o conforto e segurança do 
paciente cirúrgico, preparando-o psicologicamente e fisicamente para as fases do trans e pós-
operatório. 
O cuidar do paciente no pós-operatório envolve um arcabouço técnico e científico para 
o devido atendimento das necessidades do indivíduo e reconhecimento das possíveis 
complicações. A enfermagem atua no pós-operatório imediato e mediato/tardio como grande 
interlocutor do cuidado humano, procurando garantir a autonomia e independência aos seus 
clientes. 
Define-se como: 
Pós-operatório 
• depois de cirurgia 
 
Pós-operatório imediato 
 
• Período de recobro e primeiras 24h ( dependendo do tamanho da cirurgia) . 
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Pós-operatório tardio 
• A partir do momento em que o doente faz as 24h (mais ou menos, depende da 
cirurgia) de cirurgia. 
Após o processo cirúrgico o paciente é encaminhado à SRPA (SALA DE RECUPERAÇÃO 
PÓS-ANESTÉSICA), onde permanece monitorado por um período de 6 (seis) horas para que 
possa ser liberado para a Unidade de Internamento ou Unidade de Terapia Intensiva. 
Nesta perspectiva, o período pós-operatório tem início logo após o término da cirurgia 
e vai até a alta do paciente podendo se estender até a fase de atendimento ambulatorial. 
Alguns autores dividem este período em três fases: imediato (primeiras 24h da cirurgia), 
mediato (após as 24horas até a alta hospitalar) e tardio (inicia-se após a alta e dura enquanto 
o paciente necessitar de atenção especial. 
 
Como foi colocado anteriormente, a assistência de enfermagem deve atuar de forma 
sistematizada, sendo um processo interativo que promove e/ou recupera a integridade e a 
plenitude bio-psico-sócio-espiritual do paciente. Esta envolve sentimentos, emoções, 
comprometimento, ética e comunicação efetiva que promova a troca de experiências entre o 
enfermeiro e o cliente. 
Para GRITTEM (2006), a assistência de enfermagem deve ser integral e individualizada, 
estando aliada a um marco conceitual em todas as fases, com envolvimento dos familiares, 
possibilitando ainda, a identificação dos diagnósticos e a implementação de um plano de 
cuidados durante o procedimento cirúrgico em continuidade à assistência iniciada no pré-
operatório. É de fundamental importância a sistematização como forma de integração da 
equipe multidisciplinar com o paciente e a família, com diminuição de suas ansiedades; assim, 
este passará a se integrar de forma participativa em todo processo. 
Neste sentido, o enfermeiro faz o diagnóstico de enfermagem para posteriormente, 
traçar um plano assistencial. Podemos citar como exemplos de diagnósticos reais ou 
potenciais: 
- Integridade tissular prejudicada; 
- Risco para infecção; 
- Percepção sensorial perturbada; 
- Risco para aspiração; 
- Risco para função respiratória alterada; 
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- Hipotermia; 
- Risco para temperatura corporal desequilibrada; 
- Nutrição desequilibrada: mais do que as necessidades corporais; 
- Dor aguda. 
A partir do momento em que se sutura a incisão cirúrgica e se realiza o curativo, já é a 
fase do pós-operatório. É comum o paciente apresentar hipotermia no centro cirúrgico e nas 
primeiras horas de pós-operatório devido à circulação extracorpórea, à refrigeração da sala 
cirúrgica e à recuperação, devendo voltar à temperatura normal após algumas horas de pós-
operatório. 
Os principais fatores de risco para infecção pós-operatório são: a exposição ambiental, 
os procedimentos invasivos, a manipulação e antecedentes pessoais como diabetes, IRC, 
idade e outras condições clínicas associadas. 
Percebe-se que ao ser encaminhado para o centro cirúrgico ele está com a pele íntegra, 
quando retorna apresenta um rompimento da pele, no caso de uma incisão cirúrgica; o 
enfermeiro então irá orientar o paciente em relação aos cuidados que deverá ter, evitando 
assim complicações como hemorragias e infecções. 
Conhecer os diagnósticos de enfermagem dos pacientes no período pós-operatório 
possibilita aos enfermeiros que atuam nos centros de recuperação pós-anestésica, planejar 
individualmente o cuidado prestado a essa clientela. Mediante a identificação dos 
diagnósticos de enfermagem nessa clientela, os enfermeiros podem propor intervenções 
fundamentadas e específicas, proporcionando a implementação de ações eficazes e imediatas 
para a resolução dos problemas identificados. 
 
PERCEPÇÃO DO PACIENTE E O CUIDADO NA ENFERMARIA DE CLÍNICA CIRÚRGICA 
 
O paciente tem no pós-operatório um período de fragilidade não só do ponto de vista 
biológico, mas da perspectiva espiritual, psicológica e social. Entender a vulnerabilidade do 
indivíduo que passa por um momento de tensões, ansiedades e incertezas é de grande 
importância para a enfermagem que passa a ter a empatia e a alteridade como marcas de sua 
prática profissional. 
Com base em Laplantine (2000:21), a experiência da alteridade (e a elaboração dessa 
experiência) leva-nos a ver aquilo que nem teríamosconseguido imaginar, dada a nossa 
dificuldade em fixar nossa atenção no que nos é habitual, familiar, cotidiano, e que 
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consideramos evidente. Aos poucos, notamos que o menor dos nossos comportamentos 
(gestos, mímicas, posturas, reações afetivas) não tem realmente nada de natural. 
Começamos, então, a nos surpreender com aquilo que diz respeito a nós mesmos, a nos 
espiar. O conhecimento (antropológico) da nossa cultura passa inevitavelmente pelo 
conhecimento das outras culturas; e devemos especialmente reconhecer que somos uma 
cultura possível entre tantas outras, mas não a única. 
Por empatia entende-se, segundo Hoffman (1981), como a resposta afetiva vicária a 
outras pessoas, ou seja, uma resposta afetiva apropriada à situação de outra pessoa, e não à 
própria situação. 
O indivíduo hospitalizado tem que romper com sua rotina diária, ausentar-se de sua 
função social, família e seu espaço particular; além de ter a sua privacidade em risco tem que 
se submeter a práticas profissionais que desconhece e não tem arcabouço técnico para 
discordar do procedimento médico e de enfermagem. 
Muitas vezes este paciente tem que se despir para outras pessoas, retirar objetos tão 
valiosos sentimentalmente como a aliança, terço, para poder adentrar no ambiente 
hospitalar, submeter sua rotina à rotina hospitalar, como horário de banho e refeições. 
Todas estas situações nos remetem à Humanização da Assistência de Enfermagem 
proposta através da Política Nacional de humanização que defende: 
1. Ampliar o acesso por meio da redução de filas com acolhimento/classificação 
de risco; 
2. Garantir o direito à informação por meio da responsabilização e vínculo dos 
profissionais e unidades de saúde; 
3. Assegurar o direito ao acompanhante em todos os momentos do cuidado; e 
4. Consolidar a gestão participativa aos trabalhadores e usuários e a educação 
permanente aos trabalhadores de saúde. 
Para alguns estudiosos, humanizar a assistência em saúde é algo incompreensível, 
sendo impossível humanizar o humano. Considera-se humanizar tornar as ações de 
enfermagem acolhedoras e que através do respeito e do vínculo exercem sua ação para cuidar 
da vida humana. 
Entender a importância desses princípios é tarefa simples para quem usa os serviços 
de saúde e que tem se deparado com a mecanização da ação e o desrespeito e falta de valor 
que é dado aos valores individuais de cada ser que necessita deste cuidado. 
 
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CUIDADOS DE ENFERMAGEM AO PACIENTE NO PÓS-OPERATÓRIO 
 
São muitos os cuidados efetuados pela enfermagem no período pós-operatório e estes 
perpassam não só pelo componente individual, mas também pelo componente familiar. É a 
família que faz a extensão e continuidade desse cuidado no âmbito familiar. 
A enfermagem utiliza a ferramenta da educação em saúde como elemento chave na 
condução do processo relacional profissional/família e paciente. 
 
 
O processo educacional emerge da comunicação e abrange duas tópicas necessárias 
para estabelecer as bases conceituais para as ações de educação em saúde: a Tópica Funcional 
e a Tópica Epistemológica. Na primeira, as funções de técnica, método e meio de veiculação 
conformam os instrumentos de ação. Na Tópica Epistemológica, a tríade é formada pela 
ciência (através do rigor científico), educação e comunicação, que fornecem as diretivas de 
ação. 
Considerar a educação em saúde como disciplina de ação significa dizer que o trabalho 
será dirigido para atuar sobre o conhecimento das pessoas, para que elas desenvolvam juízo 
crítico e capacidade de intervenção sobre suas vidas e sobre o ambiente com o qual interagem 
e, assim, criem condições para se apropriarem de sua própria existência. 
Estabelecer o espaço de atuação entre a esperança do indivíduo e os projetos 
governamentais significa, primordialmente, considerar a pessoa como ser vivente, com alma, 
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com idéias, com sentimentos e desejos, como gente, enfim. Representa, ainda, aproximar as 
conquistas técnicas e científicas do homem comum e a ação governamental do cidadão. 
A transmissão do conhecimento técnico-científico não pode ser considerada como 
uma benesse assistencial ou ato de favor dos detentores, tanto do poder como do 
conhecimento. As pessoas devem ter acesso fácil, oportuno e compreensível a dados e 
informações de qualidade sobre sua saúde (desde o prontuário médico ou ficha clínica) e 
sobre as condições de vida de sua comunidade, cidade, município, estado e país. 
Os dados e informações devem ser claros, sem conter ambiguidade, precisos e 
fidedignos e serem transmitidos de maneira adequada, através de sistemas visuais e auditivos 
que mobilizem a atenção e motivem sua utilização. 
Deve ficar absolutamente claro que assim como o indivíduo tem direito à informação, 
o cidadão tem o dever de se informar. As ações de educação em saúde devem contribuir, 
decisivamente, para transformar o dever do estado (em relação ao disposto na Constituição) 
em estado de dever, que é função de todos, indivíduos, instituições, coletividades e governos. 
Neste sentido, o indivíduo e a família devem ser vistos e amplamente informados pelos 
interlocutores da saúde: médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, dentre outros. A 
enfermagem tem se despontado enquanto profissão que atua na educação para informação 
dos indivíduos a fim de estabelecer processos de cura, prevenção e reabilitação. 
Nestes processos, os cuidados de enfermagem além de serem técnicos e científicos, 
são pedagógicos. É o momento de ensino, interação e compartilhamento das dificuldades e 
necessidades dos doentes. No caso de pós-operatórios, às demandas de sono, temperatura, 
higiene, eliminações, respiração, circulação, alimentação, são acrescentadas técnicas e 
procedimentos de curativos, banho no leito, punção venosa, administração de medicamentos, 
preparo pós-alta, aferição de dados vitais e oxigenoterapia. 
 
• AVALIAÇÃO FÍSICA GERAL 
 
A avaliação física do paciente deve ser realizada com base em três momentos: 
Anamnese; 
Entrevista; 
Exame físico: Ausculta, Palpação, Percussão. 
Anamnese (do grego ana, trazer de novo e mnesis, memória) é uma entrevista 
realizada por um profissional da área da saúde com um paciente, que tem a intenção de ser 
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um ponto inicial no diagnóstico de uma doença. Em outras palavras, é uma entrevista que 
busca relembrar todos os fatos que se relacionam com a doença e à pessoa doente. Uma 
anamnese, como qualquer outro tipo de entrevista, possui formas ou técnicas corretas de 
serem aplicadas. Ao seguir as técnicas pode-se aproveitar ao máximo o tempo disponível para 
o atendimento, o que produz um diagnóstico seguro e um tratamento correto. Sabe-se hoje 
que a anamnese, quando bem conduzida, é responsável por 85% do diagnóstico na clínica 
médica, liberando 10% para o exame clínico (físico) e apenas 5% para os exames laboratoriais 
ou complementares. 
Após a anamnese é realizado o exame físico, onde se procuram os sinais e sintomas da 
doença. 
 
Elementos da Anamnese 
Identificação: A identificação é o início do relacionamento com o paciente. Adquire-se 
o nome, idade, sexo, cor (raça), estado civil, profissão atual, profissão anterior, local de 
trabalho, naturalidade, nacionalidade, residência atual e residência anterior. 
Queixa principal (QP): Em poucas palavras, o profissional registra a queixa 
principal, o motivo que levou o paciente a procurar ajuda do profissional. 
História da doença atual (HDA): No histórico da doença atual é registrado tudo que se 
relaciona quanto à doença atual: sintomatologia, época de início, história da evolução da 
doença, entre outros. Em caso de dor, deve-se caracterizá-lapor completo. 
História médica pregressa (HMP): Adquire-se informações sobre toda a história 
médica do paciente, mesmo das condições que não estejam relacionadas com a doença atual. 
Histórico familiar (HF): Neste histórico é perguntado ao paciente sobre sua família e 
suas condições de trabalho e vida. Procura-se alguma relação de hereditariedade das doenças. 
História pessoal e social: Procura-se a informação sobre a ocupação do 
paciente,como: onde trabalha, onde reside, se é tabagista, alcoolista ou faz uso de outras 
drogas. Se viajou recentemente, se possui animais de estimação (para se determinar a 
exposição a agentes patogênicos ambientais). Suas atividades recreativas, se faz uso de algum 
tipo de medicamentos (inclusive os da medicina alternativa), pois estas informações são muito 
valiosas para o médico levantar hipóteses de diagnóstico. 
Revisão de sistemas: Esta revisão, também conhecida como interrogatório 
sintomatológico ou anamnese especial, consiste num interrogatório de todos os sistemas do 
paciente, permitindo ao médico levantar hipóteses de diagnósticos. 
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Caracterização da dor 
As principais perguntas que se referem à dor nos dão bons indicativos para 
continuação da anamnese. São elas: 
 Onde dói? (o paciente deve mostrar o local). 
 Quando começou? 
 Como começou? (súbito ou progressivo). 
 Como evoluiu? (como estava antes e como está agora). 
 Qual o tipo da dor? (queimação, pontada, pulsátil, cólica, constritiva, contínua, cíclica, 
profunda, superficial) 
 Qual a duração da crise? (se a dor for cíclica). 
 É uma dor que se espalha ou não? 
 Qual a intensidade da dor? (forte, fraca ou usar escala de 1 a 10). 
 A dor impede a realização de alguma tarefa? 
 Em que hora do dia ela é mais forte? 
 Existe alguma coisa que o sr. faça que a dor melhore? 
 E que piora? 
 A dor é acompanhada de mais algum sintoma? 
 
Questionário 
 As perguntas a serem feitas ao pacientes dividem-se em 3 tipos: abertas, focadas e 
fechadas. 
Perguntas Abertas - As do tipo abertas devem ser feitas de tal maneira que o 
paciente se sinta livre para expressar-se, sem que haja nenhum tipo de restrição. Ex: "O 
que o sr. está sentindo?" 
Perguntas Focadas - As focadas são tipos de perguntas abertas, porém sobre um 
assunto específico, ou seja, o paciente deve sentir-se à vontade para falar, porém agora 
sob um determinado tema ou sintoma apenas. Ex: "Qual parte dói mais?". 
Perguntas Fechadas - As perguntas fechadas servem para que o entrevistador 
complemente o que o paciente ainda não falou, com questões diretas de interesse 
específico. Ex: "A perna dói quando o sr. anda ou quando o sr. está parado?". 
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Do exame físico podemos definir sendo uma atividade de grande importância, 
correspondendo o olhar o outro de maneira acurada e técnica, abrangendo sinais (o que se 
vê) e sintomas (aquilo que é referido) além de subjetividades e expressões valorozas do ponto 
de vista do diagnóstico do paciente. 
No exame físico, observa-se na sequência cefalo-caudal: estado geral, aparelho 
respiratório, temperatura corporal, coloração da pele, perfusão, hidratação, peso, dados 
vitais. SEGMENTAR: turgor e elasticidade, tronco, dorso, pescoço e face. Fâneros, pêlos 
espessos, endurecidos em face, mucosas, linfonodos; cavidade oral: língua; tórax: 
expansibilidade simétrica, tiragem, murmúrios ventriculares, aparelho cardiovascular; 
abdômen, fígado, baço, genitália, extremidades, sistema nervoso central. 
Devemos descrever tudo que o paciente estiver usando, seu funcionamento, 
quantidade de líquido drenada, descrição da ferida cirúrgica, além das condutas e cuidados 
de enfermagem. 
 
• DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM 
Em estudo recente, pode-se identificar as ocorrências do diagnóstico de enfermagem 
nos pacientes pós-cirúrgicos. ROSSI et al. (1997) trazem os principais: 
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Todas as categorias representadas neste estudo indicam caminhos para o cuidado em 
enfermagem com o paciente cirúrgico e estabelecem a prevenção e promoção da saúde como 
eixo estruturante da ação. A enfermagem, desde a SRPA até a unidade de internação, 
acompanha e monitora o paciente para detecção de possíveis complicações provenientes ou 
não da cirurgia. 
Durante a permanência do paciente na unidade de recuperação pósanestésica, cabe à 
equipe de enfermagem dispensar os seguintes cuidados: 
- Receber o operado, certificando-se do tipo de operação e de anestesia a que 
foi submetido; 
- Checar condições ventilatórias (obstrução e permeabilidade de vias aéreas) e 
circulatórias (perfusão tecidual) na sua chegada; 
- Observar estado de consciência; 
- Posicionar o paciente no leito, de acordo com a operação e anestesia; 
- Checar acesso venoso no que tange a funcionamento e calibre; 
- Comunicar e orientar familiares quanto à cirurgia, e cuidados pós-operatórios; 
- Aquecer o paciente e monitorá-lo; 
- Atentar para posicionamento do paciente, lateralizando sua cabeça para 
prevenir aspiração de secreção orotraqueal para os pulmões; 
- Conectar sondas e drenos, atentando para o seu funcionamento; 
- Abrir folha de balanço hídrico; 
- Controlar infusões venosas; 
- Controlar sinais vitais: - de 15 em 15 minutos na primeira hora; 
- De 30 em 30 minutos na segunda hora até a quarta hora; 
- De 2 em 2 horas, da quinta hora até 24 horas após a cirurgia; 
- Controlar diurese; 
- Estimular o paciente a realizar exercícios respiratórios e a tossir; 
- Administrar os medicamentos prescritos; 
- Realizar mudança de decúbito; 
Quando o paciente recebe alta da SRPA, ele é encaminhado ao seu leito de origem; 
nesse momento, é importante que seja acompanhado por um profissional de enfermagem. 
 
• PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM 
 
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A prescrição de enfermagem é um conjunto de medidas, preferentemente, decididas 
pelo enfermeiro, demais membros da equipe de enfermagem e paciente, direcionadas à 
assistência a este último, de maneira individualizada. Sua elaboração exige a reaproximação 
do enfermeiro ao paciente, uma vez que a entrevista clínica e o exame físico são necessários 
para a detecção de problemas prévios, oportunizando o estabelecimento dos objetivos da 
assistência e prioridades na solução dos problemas, contemplando o planejamento de 
cuidados e ações específicas para alcançá-los, executando ou supervisionando sua execução, 
com posterior avaliação dos resultados (COFEN, 2002). 
A característica de ser a prescrição de enfermagem uma orientação escrita dos 
cuidados a serem prestados para a resolução dos problemas prioritários de determinado 
paciente constitui um registro das ações de enfermagem e também um meio de informação 
acessível a toda equipe de saúde sobre as necessidades de saúde do paciente. 
A credibilidade da prática de enfermagem repousa, principalmente, sobre as 
atividades de enfermagem resultantes de diagnósticos. Quando um diagnóstico é feito, o 
enfermeiro tem a obrigação ética e legal de prestar um determinado tipo de tratamento ou 
cuidado. 
Com a identificação de diagnósticos surge, concomitantemente, o questionamento 
sobre a seleção e prescrições de cuidados para os mesmos. Considera-se essa prática 
importante porque o conhecimento de diagnósticos frequentes em uma determinada 
clientela pode facilitar o planejamento global da assistência (CRUZ, 1995). 
Desse modo, pode-se considerar que a prescrição de enfermagem é um método de 
comunicação de informações importantes sobre o paciente, concebida para promover 
cuidados de qualidade, atravésda facilitação do cuidado individualizado e da continuidade 
deste mesmo cuidado, constituindo-se, além disso, num mecanismo para a avaliação da 
assistência prestada (LUNARDI FILHO, 1997, p. 65). 
A prescrição de enfermagem envolve cuidados que são aprazados para serem 
implementados de modo contínuo. Ex: aferir dados vitais de 2h em 2 h, efetuar/estimular 
mudança de decúbito de 2h em 2 h. 
No entanto, estes cuidados devem ser traçados conjuntamente com o paciente e 
familiares, atentando para o respeito às individualidades do ser cuidado, sua cultura. Tal 
entendimento perpassa pelo cuidado emancipatório que enfatize a cidadania e a 
subjetividade do outro. 
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A equipe de enfermagem deve participar desta elaboração e principalmente da 
implementação dos cuidados para que não haja solução de continuidade destes processos. 
 
• CUIDADOS ESPECÍFICOS 
 
Os cuidados específicos do paciente em período pós-operatório abrangem: 
 ASPECTOS SOCIAIS E AMBIENTAIS 
 CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPTALAR. 
 ILUMINAÇÃO, HIGIENE, AERAÇÃO E VENTILAÇÃO. 
 EDUCAÇÃO EM SAÚDE. 
 PROMOÇÃO DE ATIVIDADES LÚDICAS E DE ENTRETENIMENTO. 
 
ASPECTOS BIOLÓGICOS 
 CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPTALAR. 
 ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL. 
 ELIMINAÇÕES FISIOLÓGICAS. 
 CONTROLE HIDRO-ELETROLÍTICO. 
 ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS. 
 MUDANÇA DE POSIÇÃO NO LEITO. 
 REALIZAÇÃO DE CURATIVOS. 
 MONITORIZAÇÃO CÁRDIO-VASCULAR. 
 
ASPECTOS PSICOLÓGICOS 
 
 EDUCAÇÃO EM SAÚDE. 
 PROMOÇÃO DE ATIVIDADES LÚDICAS E DE ENTRETENIMENTO. 
 APOIO EMOCIONAL. 
 PROMOÇÃO DE ATIVIDADES DE FORTALECIMENTO ESPIRITUAL. 
 COLABORAR PARA A INTEGRAÇÃO DO PACIENTE PARA FAMILIARES E AMIGOS. 
 EFETUAR A ESCUTA ATIVA. 
 
• COMPLICAÇÕES PÓS–OPERATÓRIAS 
 
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Referindo-se às complicações no período pós-operatório, Speranzini e Deutsch (2005, 
p. 659) salientam: existem poucas restrições à indicação de cirurgias alicerçadas apenas na 
idade, mas a tolerância e a demora do diagnóstico podem desencadear eventos como 
sangramento, deiscência de anastomose ou infecção intracavitária, comprometendo órgãos 
vitais e com risco de causar óbito ao doente. As principais complicações observadas no pós-
operatório (pulmonares, cardiovasculares, infecciosas) são devidas à nítida prevalência de 
afecções pulmonares e cardíacas associadas à enfermidade cirúrgica, sendo o óbito 
resultante, frequentemente, da junção destas levando à insuficiência de múltiplos órgãos. 
Embora indesejáveis as complicações do pós-operatório são bastante frequentes e 
demandam cuidados de enfermagem. No pós-operatório imediato podemos citar: 
Hipóxia: caracterizada pela oxigenação deficiente dos tecidos, tendo como causas a 
depressão respiratória provocada por anestésicos ou analgésicos em excesso como a morfina, 
obstrução de vias aéreas superiores, respiração inadequada devido à dor e ansiedade. 
Entre sinais e sintomas podemos citar: cianose, dispnéia, sensação de morte iminente, 
ansiedade e agitação. E no que tange aos cuidados de enfermagem é preconizado seguir o 
A,B,C,D,E do atendimento de emergência: 
A: desobstruir vias aéreas, retirar próteses, aspirar secreções, colocar cânula de Guedel 
para prevenir a queda de língua. 
B: permeabilizar vias aéreas, instalar oxigênio por máscara com reservatório de O2, 
cateter nasal e ou máscara de Venturi. 
C: atentar para acesso venoso, quanto ao seu funcionamento, se tem algo impedindo 
a circulação, favorecer retorno venoso, aferir dados vitais; D: exame neurológico, estabelecer 
escala de Glasgow; E: atentar para exposição do paciente. 
 
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Dor: um dos primeiros sintomas do pós-operatório, gerando ansiedade e tensão, além 
de contribuir para a disfunção respiratória, pois limita a mobilidade da caixa torácica e 
favorece o acúmulo de secreções. 
A identificação e graduação da dor; 
Administrar analgésicos quando prescritos; 
Possibilitar ambiente terapêutico; 
Registrar queixas do paciente; 
Vômito: desconforto comum pode estar relacionado ao efeito da anestesia, assim 
como à deglutição de sangue, muco e saliva, no período de inconsciência. 
Dos cuidados, incluem: 
- Lateralização da cabeça do paciente; 
- Administrar antiemético; 
- Deixar o paciente em decúbito lateral; 
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- Montar aspirador para aspirar secreções, se necessário; 
- Proceder à lavagem da sonda, caso o paciente esteja em uso, pois a mesma 
pode estar obstruída; 
- Fazer a higiene oral do paciente após cada vômito; 
- Registrar as ocorrências, medindo a quantidade de vômito eliminado. 
Obstipação: pode ocorrer pela estase e pela diminuição do peristaltismo intestinal; 
devemos estimular a deambulação, tão logo o médico libere, oferecer alimentos 
desobstipantes, encorajar o paciente frente à dejeção e orientá-lo a envolver o abdome com 
as mãos para realizar a manobra de Valsalva. 
As principais complicações empiricamente observadas no pós-operatório do idoso são 
as pulmonares, cardiovasculares e infecciosas, sendo o óbito resultante frequentemente da 
conjunção destas, levando à insuficiência de múltiplos órgãos. Às complicações citadas se 
acrescentam as comentadas por Petroianu e Pimenta (1998): a deiscência de ferida 
operatória, atelectasia e pneumonia, trombose venosa profunda, embolia pulmonar, queda 
da função renal e hipotermia. 
Para Kuster Filho et al. (2002), em estudo realizado no serviço de cirurgia geral na 
cidade de Curitiba-Paraná, foram evidenciadas seis principais complicações pós-operatórias 
no idoso: a broncopneumonia, sepse, Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA), 
pneumonia, insuficiência cardíaca congestiva e choque cardiogênico. 
Os hábitos de vida são fatores predisponentes dos riscos de complicação pós-
operatória, dentre eles: 
Sobrepeso e obesidade; 
Tabagismo; 
Hábitos alimentares; 
Alcoolismo; 
Stress; 
Acrescendo-se a estes, doenças prévias, porte da cirurgia, intercorrências do 
transoperatório, não seguimento dos cuidados pré-operatórios. Cabe à equipe de 
enfermagem rastrear estes riscos e prevenir complicações. 
 
 
 
 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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• RETENÇÃO URINÁRIA 
 
É a incapacidade de urinar, apesar da vontade, tendo como causas: espasmo do 
esfíncter externo, anestesia profunda e de longa duração, cistite aguda pelo uso de sondas, 
hipertrofia prostática, perfuração da uretra, cálculo uretral, vesical ou coágulo, paralisia dos 
nervos da bexiga por lesão medular. 
Dos cuidados de enfermagem citam-se: minimizar medos ou timidez, fazer o paciente 
ouvir o barulho da água, verter água na região suprapúbica, passar sonda vesical de foley ou 
de nelaton quando prescritas, realizar balanço hídrico e atentar para as características das 
eliminações. 
 
• HEMORRAGIA 
 
Perda anormal de sangue, cuja consequência dependerá da quantidade de sangue 
perdido, caracterizando-se em externa e interna. As causas estão associadas a erros nos 
processos cirúrgicos, defeitos na ligadura dos vasos, distúrbios de coagulação, tensão no local 
da operação, hipertensão arterial. 
Se o paciente estiver sangrando pelo penso cirúrgico não devemos retirá-lo e sim, 
acrescentar nova compressa fazendo uma leve pressão. Cabe à enfermagem puncionar dois 
acessos venosos calibrosos, gelco de nº 14, instalar ringuer lactato que é um espansor, aferir 
dados vitais, privilegiar o fornecimento de sangue para o cérebro e elevar parte do corpo 
afetada. 
Se o sangue se exteriorizar por um orifício natural deve-se fazer uma compressão com 
chumaço de gaze e ou atadura. 
Nas hemorragias externas temos várias denominações, que se dão com base no local 
do sangramento:Epistaxe: sangue eliminado pelo nariz; 
Hematêmese: sangue eliminado sob a forma de vômito; 
Hemoptise: sangue espumoso eliminado pela tosse; 
Hematúria: sangue eliminado pela urina; 
Melena: sangue preto, eliminado pelo ânus; 
 
 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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• CHOQUE 
 
O choque é a diminuição da passagem do sangue pelos tecidos, provocando 
sofrimento aos órgãos, com consequente risco de vida. 
CLASSIFICAÇÃO E CAUSAS BÁSICAS DO CHOQUE (RAISER,1995): 
 
CHOQUE CARDIOGÊNICO 
Insuficiência da bomba cardíaca, com decréscimo primário no débito cardíaco. 
1-Interferência com o fluxo cardíaco e retorno venoso (tamponamento cardíaco). 
2- Interferência com esvaziamento do ventrículo (distúrbios de condução). 
 
CHOQUE VASCULOGÊNICO 
Aumento agudo da capacitância do leito vascular sem perda do volume intravascular. 
1- Paralisia vasomotora (trauma medular, barbitúricos, fármaco hipotensor). 
2- Agentes vasoativos de anafilaxia (picadas de serpentes, transfusões de sangue). 
 
CHOQUE HIPOVOLÊMICO 
Diminuição aguda no volume sanguíneo circulante para fora do espaço vascular. 
1- Hemorragia: 
1.1 – Externa (ferimentos traumáticos, cirurgias prolongadas). 
1.2 – Interna (ruptura de víscera compacta e vasos, fraturas). 
2- Hemoconcentração: queimaduras, desidratação, gastrenterites, peritonite, 
obstrução e torção intestinal. 
Quanto aos sinais e sintomas podem-se destacar: taquipnéia, taquisfigmia, 
hipotensão, pele fria e pegajosa, extremidades cianóticas, enchimento capilar > que 2 (dois) 
segundos. 
Dentre os cuidados tem-se: detectar precocemente o aparecimento dessa 
complicação e agir mantendo o equilíbrio hidroeletolítico, implementando a reposição 
volêmica, corrigindo a causa principal do choque, conforme a prescrição médica. 
 
 
 
 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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• TROMBOSE VENOSA PROFUNDA – TVP 
 
Trombo (gr. Thrómbos) significa coágulo sanguíneo. Trombose é a formação ou 
desenvolvimento de um trombo. A trombose pode ocorrer em uma veia situada na superfície 
corporal, logo abaixo da pele. Nessa localização, é chamada de tromboflebite superficial ou 
simplesmente tromboflebite ou flebite. 
 Quando o trombo se forma em veias profundas, no interior dos músculos, caracteriza 
a trombose venosa profunda ou TVP. Em qualquer localização, o trombo irá provocar uma 
inflamação na veia, podendo permanecer restrito ao local inicial de formação ou se estender 
ao longo da mesma, provocando sua obstrução parcial ou total. 
Nosso corpo é dotado de mecanismos que mantêm constante o seu equilíbrio. No 
sangue há fatores que favorecem a coagulação do sangue, chamados pró-coagulantes, e 
fatores que inibem a formação de coágulos, chamados anticoagulantes, responsáveis pela 
manutenção do sangue em estado líquido. Quando ocorre um desequilíbrio em favor dos pró-
coagulantes, desencadeia a formação do trombo. 
Os fatores que favorecem a coagulação são classificados em três grupos: 
1. Estase: é a estagnação do sangue dentro da veia. Isto ocorre durante a 
inatividade prolongada, tal como permanecer sentado por longo período de tempo (viagens 
de avião ou automóvel), pessoas acamadas, cirurgias prolongadas, dificuldade de 
deambulação, obesidade, etc. 
2. Traumatismo na veia: qualquer fator que provoque lesão na fina e lisa camada 
interna da veia, tais como: trauma, introdução de medicação venosa, cateterismo, trombose 
anterior, infecções, etc., pode desencadear a trombose. 
3. Coagulação fácil ou estado de hipercoagulabilidade: situação em que há um 
desequilíbrio em favor dos fatores pró-coagulantes. Isto pode ocorrer durante a gravidez, nas 
cinco primeiras semanas do pós-parto, pelo uso de anticoncepcionais orais, hormonioterapia, 
portadores de trombofilia (deficiência congênita dos fatores da coagulação), etc. 
O tratamento só deve ser instituído por um especialista. As informações aqui expostas 
têm como objetivo único a orientação para que se procure um médico logo que for notado 
qualquer dos sintomas acima relatados, nunca a automedicação. 
Se a trombose é superficial, recomendam-se cuidados especiais, tais como aplicação 
de calor na área afetada, elevação das pernas e uso de antiinflamatórios não esteróides por 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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um período de uma a duas semanas. Deve-se retornar ao especialista, a fim de avaliar a 
necessidade de tratamento cirúrgico. 
Na TVP pode ser necessário manter-se internado durante os primeiros dias, a fim de 
fazer uso de anticoagulantes injetáveis (Heparinas). Estes previnem o crescimento do trombo 
e diminuem o risco de embolia pulmonar. Atualmente, podese evitar a hospitalização com o 
uso de heparinas de baixo peso molecular, injetados pelo próprio paciente no espaço 
subcutâneo da barriga. Depois do tratamento com Heparina, deve-se continuar com o uso de 
anticoagulantes orais (Warfarin) por um período de três a seis meses. 
Concomitante com esta medicação, o paciente deve fazer repouso com as pernas 
elevadas e fazer uso de meia elástica adequada à sua perna. Alguns medicamentos que 
interferem na ação dos anticoagulantes são proibidos neste período. O médico deve ser 
consultado sempre que julgar necessário fazer uso de outro tipo de medicação 
 Existem procedimentos de exceção para coibir complicações, tais como: colocação de 
filtro de veia cava, remoção do coágulo (trombectomia) e angioplastia com stent (dispositivo 
aramado e recoberto com um tecido, o qual evita que a veia se feche novamente). 
A principal providência é combater a estase venosa, isto é, fazer o sangue venoso 
circular, facilitando seu retorno ao coração. 
Dentro do possível, atente para estas recomendações: 
 •Faça caminhadas regularmente. 
• Nas situações em que necessite permanecer sentado por muito tempo, procure 
movimentar os pés como se estivesse pedalando uma máquina de costura. 
• Quando estiver em pé parado, mova-se discretamente como se estivesse 
andando sem sair do lugar. 
• Antes das viagens de longa distância, fale com seu médico sobre a possibilidade 
de usar alguma medicação preventiva. 
• Quando permanecer acamado, faça movimentos com os pés e as pernas. Se 
necessário, solicite ajuda de alguém. 
• Evite qualquer uma daquelas condições que favorecem a formação do coágulo 
dentro da veia, descritas anteriormente. 
• Evite fumar e o sedentarismo. 
• Controle seu peso. 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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• Se você necessita fazer uso de hormônios ou já foi acometido de trombose ou 
tem história familiar de tendência à trombose (trombofilia), consulte regularmente seu 
médico. 
• Use meia elástica se seu tornozelo incha com frequência. 
• Nunca se automedique. 
• EMBOLIA PULMONAR 
A embolia pulmonar é a obstrução súbita de uma artéria pulmonar, geralmente devido 
a um coágulo sanguíneo que viajou de uma veia da perna até o pulmão. Um coágulo que se 
forma em uma parte do corpo e viaja pela corrente sanguínea até outra parte é chamado de 
êmbolo. 
A embolia pulmonar é uma condição grave, que pode causar: 
* Dano permanente ao pulmão devido à falta de fluxo sanguíneo no tecido 
pulmonar. 
* Baixos níveis de oxigênio no sangue. 
* Danos a outros órgãos do corpo por falta de oxigênio. 
* Se o coágulo for muito grande, ou se houver vários coágulos, embolia pulmonar 
pode causar morte. 
Causas da embolia pulmonar 
De cada dez casos de embolia pulmonar, nove começam com um coágulo nas veias 
profundas da perna, uma condição chamada de trombose venosa profunda. O coágulo é 
liberado da veia e viaja pela corrente sanguínea até os pulmões, onde pode bloquear uma 
artéria. 
Coágulos nas pernas podem se formar quando o fluxo sanguíneo é restringido e 
diminui. Isso pode acontecer se a pessoa não se mover por muito tempo, como quando: 
* Depois de algumas cirurgias.* Durante longas viagens de carro ou avião. 
* Se ficar na cama por um período longo de tempo. 
Outras formas de formação de coágulos são veias danificadas por cirurgia ou lesão. 
Sinais e sintomas da embolia pulmonar 
Os sinais e sintomas da embolia pulmonar incluem perda de fôlego sem explicação, 
dificuldade de respirar, dor no peito, tosse ou tosse com sangue. Arritmia (batimento cardíaco 
rápido e irregular) também pode indicar embolia pulmonar. 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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Tratamento da embolia pulmonar 
Os objetivos principais do tratamento da embolia pulmonar são: 
* Impedir que o coágulo sanguíneo cresça. 
* Impedir a formação de novos coágulos. 
 O tratamento pode incluir medicamentos anticoagulantes para diminuir a propensão 
de o sangue coagular. 
Em ocasiões raras, recorre-se à cirurgia ou algum outro procedimento para remover o 
coágulo. 
 
• ASPECTOS PSICOLÓGICOS 
 
O paciente em pós-operatório tem sentimentos próprios de uma nova fase de vida: 
insegurança, ansiedade e medo. Paralelo a isto, tem a necessidade de adaptação a esta fase, 
aceitação das dificuldades e até as amputações de um processo cirúrgico. 
Estas situações abalam a auto-imagem do indivíduo, mexem com seus preconceitos e 
sua auto-estima. Por isso é de suma importância o apoio emocional, encorajamento, estimulo 
à independência do paciente frente às suas necessidades. 
O entendimento do profissional frente aos dilemas da nova fase de vida para o 
paciente e a alteridade, tem em si mesmo a humanização da assistência e busca a 
integralidade como princípio norteador da prática em saúde. 
 
INCISÃO/ FERIDA CIRÚRGICA 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS FERIDAS 
Também as feridas podem ser classificadas de acordo com o GRAU DE 
CONTAMINAÇÃO. Esta classificação tem importância, pois orienta o tratamento antibiótico e 
também nos fornece o risco de desenvolvimento de infecção. 
1. Limpas - são as produzidas em ambiente cirúrgico, sendo que não foram 
abertos sistemas como o digestório, respiratório e genito-urinário. A probabilidade da 
infecção da ferida é baixa, em torno de 1 a 5%. 
2. Limpas-contaminadas – também são conhecidas como potencialmente 
contaminadas; nelas há contaminação grosseira, por exemplo, nas ocasionadas por faca de 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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cozinha, ou nas situações cirúrgicas em que houve abertura dos sistemas contaminados 
descritos anteriormente. O risco de infecção é de 3 a 11%. 
3. Contaminadas - há reação inflamatória; são as que tiveram contato com 
material como terra, fezes, etc. Também são consideradas contaminadas aquelas em que já 
se passou seis horas após o ato que resultou na ferida. O risco de infecção da ferida já atinge 
10 a 17%. 
4. Infectadas - apresentam sinais nítidos de infecção. 
 
 
AVALIAÇÃO DO SÍTIO CIRÚRGICO DURANTE A FASE INFLAMATÓRIA 
 
O processo de restauração da ferida inicia-se nas primeiras fases do processo de 
inflamação, resultando em reparo e substituição de células mortas e danificadas por células 
saudáveis, constituindo assim o tecido conjuntivo denominado cicatriz 4-5. 
O achado mais importante nos primeiros 4 dias pós-operatório é a identificação de 
inflamação. A incisão cirúrgica pode apresentar-se quente ao toque e com eritema e edema 
ao seu redor. Nesta fase é normal observar sinais inflamatórios ou flogísticos tais como calor, 
eritema ou descoloração, dor e edema 6-8. 
No entanto, pacientes com comprometimento do sistema imune devido à idade, à 
doença de base ou terapias, tais como, o uso de corticóides, podem não demonstrar resposta 
inflamatória efetiva, não sendo distinguíveis os sinais inflamatórios esperados nesta fase, o 
que caracteriza um sinal não desejado (8-9). 
Nesta fase, ocorre, também, o processo de reepitelização. Neste tipo de ferida, a nova 
epiderme é produzida rapidamente devido à presença de folículos pilosos, glândulas sebáceas 
e sudoríparas intactas, somando-se a isto, o fato da curta distância que as novas células 
epiteliais têm que percorrer para reepitalizar a ferida. O sítio cirúrgico é reepitelizado dentro 
de 72 horas, e a nova epiderme promove uma barreira a microrganismos e, em pequeno grau, 
o trauma externo. A força tênsil da incisão é relativamente pequena não resistindo à tração 1. 
O enfermeiro deve observar mudanças na incisão cirúrgica, em busca da presença do 
novo tecido epitelial. Desta forma, a incisão é avaliada quanto à aproximação das bordas e cor 
da linha de sutura que pode mudar de vermelho claro para rosa, demonstrando a maturação 
do tecido epitelial. As margens devem se apresentar bem-alinhadas e nenhuma tensão deve 
ser observada (8-9). 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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Outro ponto a ser avaliado pelo enfermeiro são as reações ocasionadas pelo material 
de sutura que podem criar pequenas lesões ao lado da incisão cirúrgica, prolongando desta 
forma a fase inflamatória. A presença contínua de sutura promove força tênsil adicional à 
ferida, mas pode também, causar aumento do risco de infecção. Assim, recomenda-se que a 
remoção da sutura seja feita entre o sétimo e décimo dia, levando em consideração a situação 
clínica do paciente e a localização topográfica do sítio cirúrgico 1. 
 
AVALIAÇÃO DO SÍTIO CIRÚRGICO DURANTE A FASE PROLIFERATIVA 
 
Nesta fase, através da palpação da incisão cirúrgica, percebe-se o processo de 
deposição de colágeno subjacente à incisão. Este novo tecido pode ser palpado e percebido 
como um halo rígido ao longo da incisão, estendendo-se aproximadamente a um centímetro 
de cada lado. Este halo cicatricial deve ser palpado ao longo da incisão cirúrgica entre o 5º ao 
9º dias pós-operatório e, caso não o seja, a ferida está em risco de desenvolver um processo 
de deiscência ou infecção 5-6. Outro ponto importante a ser observado é quanto ao exsudato, 
que varia em característica e quantidade, de acordo com o processo de cicatrização. O 
exsudato imediatamente após a cirurgia é sanguinolento. Dentro de 48 horas, a drenagem do 
sítio cirúrgico se torna serossanguinolenta e posteriormente serosa. Durante este curso o 
exsudato tende a diminuir gradualmente e caso aumente há indicação de retardo da 
cicatrização que pode ter uma das causas da infecção 5-6. Caso ocorra extravasamento de 
exsudato após a cicatrização do sítio cirúrgico, o enfermeiro deve suspeitar de uma provável 
deiscência iminente, infecção ou formação de fístula 1. 
Nesta fase, deve-se observar e palpar o tecido subjacente à incisão à procura de 
edema, enduração, flutuação e mudanças na cor. Recordando que a presença de edema 
retarda o processo de cicatrização, uma vez que o excesso de fluidos nos tecidos age como 
obstáculo à angiogênese e aumentando desta forma o risco de isquemia. As mudanças na cor 
da pele podem indicar trauma ou formação de hematomas causados durante a cirurgia. 
A cor da pele poderá ser vermelha escura ou roxa, lembrando que a mudança da cor 
da pele pode indicar infecção iminente, bem como sinais de eritema, calor, edema e dor 1-4. 
 
 
AVALIAÇÃO DO SÍTIO CIRÚRGICO DURANTE A FASE DE REMODELAÇÃO 
 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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É nesta fase que a cicatrização da ferida é mais bem avaliada, considerando-se a cor 
da incisão, uma vez que, o tecido cicatricial é remodelado e organizado estruturalmente, 
fazendo com que a cor da cicatriz mude. Esta fase pode levar de 1 a 2 anos. A cor da incisão 
muda, gradualmente, ao longo do primeiro ano, de vermelho claro ou rosa para uma cor 
acinzentada ou branca 5-7. 
A força tênsil do tecido aumenta gradualmente no primeiro ano, mas somente alcança 
80% da força do tecido original. O foco de atenção nesta fase é limitar forças no sítio cirúrgico 
que pode ser alcançado através de ensinamento ao paciente para evitar elevar peso, curvar-
se ou tracionaro sítio cirúrgico 5-6. 
 
TRATAMENTO DE ENFERMAGEM E SEUS EFEITOS NA CICATRIZAÇÃO DA FERIDA 
 
 
FONTE: www.forp.usp.br. 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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Fonte: www.forp.usp.br. 
 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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FONTE: www.into.saude.gov.br 
 
Atividades: 
Explicar o procedimento ao paciente, usando preparação sensorial; 
Examinar o local da incisão na busca de hiperemia, edema ou sinais de deiscência ou 
evisceração; 
Observar as características de toda drenagem; 
Monitorar o processo de cicatrização no local da incisão; 
Limpar a área em torno da incisão com solução de limpeza adequada; 
Limpar da área limpa para área menos limpa; 
Monitorar sinais e sintomas de infecção na incisão; 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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Usar aplicadores com extremidades de algodão, esterilizados, para uma limpeza 
eficiente de suturas apertadas, feridas profundas e estreitas ou com bolsas; 
Limpar a área em torno de qualquer local de drenagem ou onde houver sonda de 
drenagem; 
Manter todas as sondas de drenagem bem posicionadas; 
Aplicar tiras de aproximação de bordas, quando adequado; 
Aplicar unguento anti-séptico, conforme a necessidade; 
Remover as suturas, grampos ou clipes, conforme indicado; 
Mudar o curativo a intervalos apropriados; 
Aplicar curativo apropriado para proteger a incisão; 
Facilitar ao paciente a visão da incisão; 
Orientar o paciente sobre as formas de cuidar da incisão, durante o banho de banheira 
ou de chuveiro; 
Ensinar ao paciente como minimizar o estresse sobre o local da incisão; 
Ensinar ao paciente e/ou à família como cuidar, inclusive quanto a sinais e sintomas de 
infecção. 
 
COMPLICAÇÕES DA FERIDA CIRÚRGICA 
 
HEMORRAGIA 
 
Entende-se por hemorragia a perda anormal de sangue, cuja implicação depende do 
volume de sangue perdido, de questões pertinentes ao indivíduo (estado nutricional, peso, 
antecedentes patológicos) e das características do ferimento resultante. 
Classificação 
Primária: quando ocorre durante o procedimento cirúrgico. 
Secundária: quando ocorre durante o pós-operatório, podendo ser: 
Externa: se o sangramento é visível; 
Interna: se o sangue é eliminado dentro de cavidades internas. 
Como as causas já foram discutidas anteriormente, só mais uma nota importante: 
hemorragia na ferida cirúrgica traz um agravante para o processo cicatricial, retardando-o, 
além de potencializar os riscos de infecção no sitio cirúrgico. 
 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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 DEISCÊNCIA E EVISCERAÇÃO 
 
DEISCÊNCIA DE SUTURA: é caracterizada pelo rompimento da sutura e separação das 
bordas da ferida cirúrgica. 
CAUSAS: 
Infecção da ferida; 
Rejeição ao fio de sutura; 
Obesidade; 
Desnutrição; 
Doenças como diabetes e anemia; 
Para Borile et al (2003), diversos fatores estão implicados em sua etiologia, agindo de 
forma sinérgica. A falta de significância clínica dos ensaios experimentais, no entanto, 
dificultam o estudo de fatores de risco de forma independente. Dentre os fatores sistêmicos 
destacam-se anemia, hipoalbuminemia, desnutrição, obesidade, neoplasias, icterícia, uremia, 
uso de corticóides, entre outros. Entretanto, há uma tendência da literatura em destacar os 
fatores locais (mecânicos) como causadores principais. Entre eles, destacam-se: o fechamento 
inadequado da parede abdominal, o aumento da pressão intra-abdominal e a cicatrização 
deficiente 
 
PREVENÇÃO 
 Uso de faixas elásticas; 
 Antibióticos; 
 Alimentação saudável; 
 Melhorar o tônus muscular no pré-operatório; 
 Perda de peso; 
 Orientar o paciente cirúrgico frente à tosse e ao ato de defecar; 
 Compensar as patologias de base; 
 
SINAIS E SINTOMAS 
 Dor; 
 Eliminação de secreção sanguinolenta no sítio da ferida; 
 Sensação do paciente de abertura da ferida; 
 Evisceração. 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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Nela ocorre a separação das bordas da ferida abdominal com a saída das vísceras, 
constituindo-se uma emergência cirúrgica. 
Também se constitui numa situação de pânico que deve ser conduzida com a máxima 
cautela. O profissional de saúde deve ter um apport técnico-científico e humanitário para dar 
apoio ao paciente que está nesta situação. 
Entre as condutas destaca-se a colocação de compressa estéril, umidificada com soro 
fisiológico sobre as vísceras expostas. Orientar o paciente para que não se movimente, 
comunicar ao médico plantonista e encaminhar este paciente ao centro cirúrgico. 
È importante destacar que não se deve tentar colocar as vísceras para dentro da 
cavidade abdominal. 
Portanto deiscência da ferida operatória constitui-se na ruptura parcial ou total de 
seus planos constituintes, enquanto que a ruptura de todas as camadas da parede abdominal 
com extrusão ou exposição das vísceras abdominais denomina-se evisceração. 
 
FONTE: www.famema.br. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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INFECÇÃO 
 
 
FONTE: www2.uepa.br. 
 
 
Para Oliveira e Ciosak (2003), dentre as infecções hospitalares, a infecção do sitio 
cirúrgico (ISC) é a segunda mais importante entre os pacientes hospitalizados, sendo 
suplantada somente pela infecção urinária. No entanto, em diversas instituições, a ISC ainda 
ocupa o primeiro lugar, sendo a infecção mais prevalente. 
Ainda para a mesma autora, a ISC, especialmente aquela relacionada a órgãos ou 
cavidades profundas, é importante causa de morbi-letalidade e da variação do custo do 
tratamento relacionado à necessidade da terapia antimicrobiana, ocasionais reintervenções 
cirúrgicas com aumento do tempo de permanência e ainda a possibilidade de exposição à 
patógenos multirresistentes. 
A ocorrência da ISC não deve ser considerada apenas no período de hospitalização, 
segundo a vigilância do paciente cirúrgico, proposta pelo Centro de Controle de Doenças de 
Atlanta, nos Estados Unidos, (CDC) em 1992. Os pacientes cirúrgicos devem ser 
acompanhados desde a cirurgia até a alta hospitalar e seguidos após a alta hospitalar, pelo 
período de até trinta dias da data da cirurgia ou em caso de implante de prótese, até um ano. 
Pode-se afirmar que a infecção da ferida cirúrgica é um risco inerente ao ato cirúrgico, 
sendo a complicação mais frequente, que pode manifestar-se pela presença de eritema local, 
edema, calor, dor, deiscência e secreção purulenta. Porém, pela subjetividade/dificuldade na 
interpretação dos sinais de inflamação e, também pelo fato de que estes podem estar 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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atribuídos a outro evento que não especificamente a ISC, é que se aceita a definição de 
infecção da ferida cirúrgica como aquela que apresenta drenagem de secreção purulenta 
isoladamente, desde que não restrita ao ponto, com ou sem confirmação laboratorial. 
CAUSAS: 
Operações infectadas; 
Contaminação durante a cirurgia; 
Contaminação pós-cirurgia; 
 
PREVENÇÃO: 
Uso de Equipamento de Proteção Individual; 
Realização de técnica de curativo com base nos princípios científicos; 
Vigilância das práticas dos profissionais de saúde pela Comissão de Controle a Infecção 
Hospitalar; 
Orientar pacientes e familiares quanto à técnica de curativo, cuidados de higiene, 
alimentação, técnicas de curativo e cuidados com a ferida; Manter ambiente sempre limpo; 
Lavagem das mãos. 
 
SINAIS E SINTOMAS: 
GERAIS: febre, mal-estar e cefaleia; 
ESPECÍFICOS: dor, hiperemia, rubor local, edema; 
 
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM 
 
 
FONTE: www.eerp.usp.br. 
 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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Realizar troca de curativos; 
Colher secreção da ferida para cultura e antibiograma; 
Medir diâmetro da ferida com régua específica;Não utilizar antibiótico tópico; 
Limpar a ferida delicadamente para não retirar tecido de granulação; 
Realizar limpeza com soro fisiológico e nunca com PVPI tópico; 
Anotar aspecto, coloração, quantidade e odor da secreção da ferida; 
Administrar antibiótico e analgésico conforme prescrição médica; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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REFERÊNCIA 
 
 
SANTOS, E.S.; CABERLON, I.C. Visita pré e pós-operatória aos pacientes. Enfoque, v.6, n.9, 
p.41-45. 1981. 
SAWADA, N.O. A dimensão não verbal da interação enfermeiro-paciente em situação pré-
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Cuidados ao paciente cirúrgico 
 
 
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	CUIDADOS NO PÓS-CIRÚRGICO E COMPLICAÇÕES
	Pós-operatório imediato
	PERCEPÇÃO DO PACIENTE E O CUIDADO NA ENFERMARIA DE CLÍNICA CIRÚRGICA
	CUIDADOS DE ENFERMAGEM AO PACIENTE NO PÓS-OPERATÓRIO
	ASPECTOS BIOLÓGICOS
	ASPECTOS PSICOLÓGICOS
	• COMPLICAÇÕES PÓS–OPERATÓRIAS
	CHOQUE CARDIOGÊNICO
	CHOQUE VASCULOGÊNICO
	CHOQUE HIPOVOLÊMICO
	Causas da embolia pulmonar
	Sinais e sintomas da embolia pulmonar
	Tratamento da embolia pulmonar
	CLASSIFICAÇÃO DAS FERIDAS
	COMPLICAÇÕES DA FERIDA CIRÚRGICA
	REFERÊNCIA

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