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Controle 1 Podemos visualizar o processo constitucional de duas formas distintas: a chamada constitucionalização do processo (geral); e o estudo dos chamados writs constitucionais. A constitucionalização do processo civil é denominada neoprocessualismo, e este seria conhecido pela simples expressão (Neoconstitucionalismo). A primeira aula abordou a relação entre constitucionalismo no processo judicial, também conhecido como neoprocessualismo, e o fenômeno do Neoconstitucionalismo. Este sugere que o Neoconstitucionalismo aproxima o direito da moral e a lei da constituição, destacando a importância da presença da CF nas relações públicas e privadas. Embora seja importante essa aproximação entre direito e moral, também há perigos nisso, uma vez que a opinião do julgador não importa, mas sim aquilo previsto pela lei. Os verdadeiros princípios processuais estão contidos na CF, sendo necessário buscar os fundamentos de validade formal e processual da norma diretamente na CF (lei fundamental). Além disso, o Ministro Barroso ressalta que é uma falsa crença considerar o direito como politicamente neutro e cientificamente puro, destacando que o juiz, como um ser pensante, inevitavelmente trará seus valores para suas decisões, mas esses valores não podem se sobrepor ao que está previsto no sistema jurídica. Controle 2 Controle de Constitucionalidade Toda produção normativa deve estar em harmonia com a CF. Dessa forma, para garantir essa harmonia, faz-se necessário um sistema de controle de constitucionalidade das normas. Uma eventual violação ao texto constitucional é denominada “inconstitucional”, e o meio para repreender essa inconstitucionalidade ocorre por meio de uma fiscalização das normas jurídicas em sentido amplo. Barroso – um dos fundamentos do controle de constitucionalidade é a proteção dos direitos fundamentais, inclusive o direito das minorias em face das maiorias parlamentares eventuais. Seu pressuposto é a existência de valores materiais compartilhados com a sociedade, devendo ser preservado. A função primordial do controle é garantir a ordem e a coerência do sistema normativo, sendo uma forma de garantir a existência da própria CF. -- Há 3 tipos de controle de constitucionalidade: 1. Político (legislativo ou outro órgão de natureza política); 2. Jurisdicional (exclusivamente pelo Judiciário). Brasil; 3. Misto (Político + Jurisdicional). Suíça. O controle de Constitucionalidade não ocorre, por exemplo, na CCJ. O controle de fato ocorre depois que a lei é aprovada. O controle interno está dentro do processo legislativo. -- O controle jurisdicional pode possuir origens distintas: Difuso. Coletivo. Difuso – características: Incidental = Ou seja, dentro de uma ação que se debate outra coisa, você também debate a constitucionalidade. Difuso = qualquer juiz pode se manifestar sobre a constitucionalidade da lei; Efeito ex tunt; Efeito interpartes, mas pode ser ampliada pelo stare decisis (efeito erga omnes) No sistema norte americano não há arguição de constitucionalidade por meio de uma ação proposta diretamente da suprema corte (concentrado). O controle é sempre difuso, podendo ocorrer por exceção E incidentalmente por meio de uma ação. O juiz de 1ª instância vai analisar a constitucionalidade de um processo proposto por A contra B, verificando a inconstitucionalidade de uma lei. Digamos, então, que nessa primeira instância a decisão é pela constitucionalidade... a gente pode ir para o tribunal superior que, por sua vez, pode confirmar a constitucionalidade e o processo pode ir, assim, para s corte superior. Nessa passagem de uma instância para a outra, o controle de constitucionalidade passa por um filtro rigoroso. Ou seja, não é qualquer decisão que passa de uma instância para outra. Ou seja, existe um controle rigoroso do controle de constitucionalidade difuso nos EUA. Filtros dentro do sistema norte americano: a) Stare decisis – busca evitar que um mesmo “problema” seja a todo o momento levado ao Judiciário para discutir sua constitucionalidade. Dessa forma, caso já tenha uma decisão semelhante ou sobre o mesmo assunto, a ação de controle de constitucionalidade não passa pelo filtro stare decisis. O que já foi julgado, já foi julgado. No entanto, isso não significa que a parte não possa requerer um novo controle, desde que, por óbvio, apresente novos argumentos e novas provas. b) Stricty necessity – esse filtro vincula o juízo de constitucionalidade de uma norma à sua necessidade e relevância para a resolução do caso concreto. Logo, não é possível, assim, transformar qualquer discussão em uma constitucional. Logo, esse filtro busca evitar a chamada discussão paroquiana (debate local). A norma julgada inconstitucional é nula desde a sua origem. Verificado o vício, a decisão prolatada terá natureza meramente declarativa, reconhecendo uma nulidade pré- existente. Ela retroage até o momento em que a norma foi produzida. Controle Concentrado (Europa, Hans) Quem dá o fundamento de validade da norma infraconstitucional é a própria CF. Vale apontar que o sistema europeu não aceita o controle difuso. No que tange ao concentrado, temos os legitimados (restritos e previsto na CF) para propor a ação. Não é todo mundo que pode entrar com o controle concentrado. Há uma previsão constitucional. Não há arguição de constitucionalidade por meio incidental, mas por meio de ação própria. Ou seja, é uma ação direcionada para esse fim, em caráter especial. Diferente do difuso, no concentrado não há de fato partes envolvidas. Logo, entende-se que o controle concentrado é abstrato. O que interesse é apenas a análise da lei X, de forma abstrata. Ou seja, se é ou não constitucional. Concentrada porque ocorre no STF. Tem efeito erga omnes e ex tunt. Controle 3 Brasil Controle difuso – aquele que pode acontecer por qualquer magistrado do Judiciário, inclusive, de ex officio ou por iniciativa da parte. Ou seja, temos duas formas. TJSP julga apelação, mantendo a inconstitucionalidade. Cabe recurso do acordão. Nesse caso, o Recurso extraordinário ao STF. O especial seria no caso de Lei Federal ou Jurisprudência do STJ. Tem filtro? Sim. Stare decisis e stricty necessity. No brasil, por outro lado, não temos esses dois filtros, mas sim o filtro da transcendência: precisamos mostrar que o recurso não é paroquiano, evitando debates que servem apenas para A contra B. O juiz pode, de ofício, reconhecer uma possível inconstitucionalidade. No entanto, a parte alegar a inconstitucionalidade é mais comum. Controle concentrado – No Brasil, o controle concentrado tem duas aplicações no STF a) Ação formalmente ou materialmente inconstitucional. b) ADO. Omissão – O STF não pode falar, por exemplo, para o legislador legislar sob pena de multa, por conta do princípio da separação de poderes. ADC (ação declaratória de constitucionalidade) – instrumento jurídico utilizado para que se reconheça a constitucionalidade de uma normal legal ou de um ato normativo em relação à CF. A ADC concentra a discussão. Se for julgada procedente, será constitucional, sendo as outras ações paralisadas consideradas extintas. É um meio paralisando de debates em torno de uma questão jurídica fundamental para interesse coletivo. Efeitos O efeito que reconhece a inconstitucionalidade ou a constitucionalidade de uma norma é, em regra, ex tunt (retroativa). No entanto, o STF pode modular os efeitos, conferindo efeito ex nunc (prospectivo), ou estabelecendo outro momento temporal determinado. Quais são os requisitos para modular os efeitos: 1. Razões de segurança jurídica; e 2. Excepcional interesse social. -- No caso de declaração incidental (difuso), a decisão sobre o controle vale apenas para as partes integrantes da relação jurídica em análise, criandovínculo imediato. Para as pessoas que estão fora da relação em análise, o STF poderá oficiar o senado que, por meio de uma resolução, suspenderá total ou parcialmente a aplicação da norma considerada inconstitucional. Ou seja, o Senado pode conferir eficácia erga omnes de uma decisão do STF que vincula, em regra, apenas as partes da relação jurídica (Difuso). Paulo entende que o Senado suspende se quiser. Celso diz que o senado está obrigado a suspender. O STF segue o entendimento de Paulo, uma vez que é uma prerrogativa. Controle 4 Controle de constitucionalidade do Estado A autonomia política dos entes traz a o autogoverno, auto-organização e auto legislação, nos termos da CF. Quando tivermos uma Lei inconstitucional, nós estaremos falando de um controle concentrado no STF. Mas e quando ocorre uma violação à Constituição Estadual? Neste caso, a CF tem o controle constitucional junto com o Estado membro. O TJ pode fazer o controle para defender a Constituição do estado de SP. -- Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios estabelecidos nesta Constituição. § 2º Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão. -- Princípio da simetria Se pode fazer na CF, pode fazer na Constituição Estadual. Claro, no que couber. Estados, DF e M devem adotar, sempre que possível, em suas respectivas constituições e leis orgânicas, os princípios fundamentais e as regras de organização existentes na CF das repúblicas, principalmente relacionadas a estrutura e governo, forma de aquisição e exercício de poder, organização de seus órgãos e limite de sua própria atuação. Artigo 11 do ADC. Para correta aplicação do princípio, deve-se observar 2 pontos básicos: 1. O princípio da simetria não e absoluto, devendo ser interpretado em conjunto com as demais disposições da CF. 2. O ponto de referência para a aplicação do princípio é a CF, não a Constituição Estadual. -- O TJ poderá, portanto, atuar na jurisdição em duas frentes: controle difuso e no controle concentrado no CE, no caso do princípio da simetria. No caso do controle difuso, a competência é concorrente, com verificação da transcendência. Concorrente porque está concorrendo com outros órgãos. No entanto, o TJ pode fazer também o controle concentrado, não sendo uma competência concorrente, mas sim uma concorrente exclusiva. No controle concentrado podemos entrar com um recurso Extraordinário em face do STF, ou um recurso especial em fade do STJ, no caso de lei infralegal. Tudo que se aplica ao controle concentrado em relação ao STF, pode se aplicar aos TJS, no que couber. Qualquer ação pode ser aplicada no controle concentrado. -- Pode ter o controle de constitucionalidade aplicado à Lei Orgânica? Não. Em regra, claro. Art. 102 da CF: compete ao STF, originariamente... se vc tem uma lei estadual inconstitucional, está poderá ser objetivo de controle constitucional (ADI e ADC) direto no STF. Agora, se for lei municipal pode? Pode ocorrer em face de Constituição Estadual. -- Como uma lei orgânica pode alcançar o STF? Através do controle difuso, por exemplo, amparando no filtro da transcendência e recorrendo ao STF, por meio de recurso extraordinário. Pela via concentrado, por ora, não chega ao STF. Mas temos uma brecha futura (ADPF). -- Legitimados para entrar com o controle concentrado direto no STF (103) (são 9) [...] -- Pode ocorrer a propositura de ADIS junto ao TJ, no que tange a constituição estadual, também junto ao STF, por decorrência de ofensa a CF. teremos uma ofensa dupla. Pode ser objeto de controle concentrado junto ao STF lei estadual que ofende à CF. Só que essa lei também pode ofender a Constituição Estadual. Logo, temos uma ofensa dupla. Nesse caso de concomitância de ações, a ADI estadual fica suspensa, até o STF julga a inconstitucionalidade. Controle 5 [não teve aula] Controle 6 Arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) Legitimados (os mesmos da ADI e ADC), mas o cabimento acaba sendo mais amplificado; Figura inovadora trazida pela CF. traz uma proteção maior e mais intensa a determinados preceitos contidos na CF como fundamentais. Não é direito fundamental, mas preceito. Preceito fundamental é um termo mais amplo. Sempre é proposta perante o STF (controle concentrado). o Direta/autônoma – não depende de outra ação judicial para ser proposta e pode ser usada de forma preventiva e repressiva. o Incidental/derivação – é proposta no contesto de uma controvérsia constitucional relevante já existente em outro processo judicial. -- Autônomo – qualquer ato do poder público? Incidental – qualquer ato normativo, ou de qualquer dos entes federais (pouco utilizado). -- Campo de atuação da ADPF por derivação/incidental: é mais restrito do que a autônoma por duas razões: o Exige relevância na questão arguida. o Se volta apenas para atos normativas, e não qualquer ato do poder público (autônoma). Efeitos: o Imediato e erga omnes. o Em regra, possui efeito retroativo (ex tunc), mas pode haver uma modulação. Modulação dos efeitos: o Segurança jurídica. o Excepcional interesse social. Retroagir pode gerar uma insegurança jurídica muito grande. Logo, o juiz pode falar que terá efeito ex nunc ou escolher um momento anterior, determinar um momento para modular os seus efeitos. -- A decisão de arguição somente será tomada se presente 2/3 dos ministros do STF e é irrecorrível, de maneira geral, cabendo apenas embargos de declaração ou reclamação, nos casos de descumprimentos da decisão proferida pela corte. O relator pode conceder liminar, mas depois leva para o plenário, podendo este referendar ou não. Diferente da ADI, ADO e ADC, podem ser objeto de ajuizamento de ação, lei ou ato normativo judicial, levando em consideração o parâmetro de constitucionalidade previsto na CF. Ou seja, a ADFC pode falar sobre leis ou atos normativos municipais.