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Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática jusbrasil.com.br 14 de Junho de 2023 Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática Publicado por Adison Aiff dos Santos Silva há 3 anos 2.858 visualizações RESUMO - Este artigo busca apresentar as principais característi- cas da Ação Rescisória e da Ação Anulatória, apresentando-as como instrumentos do Direito Processual Civil para sanar eventuais erros de ordem material, formal e processual, que possam surgir no pro- cesso de conhecimento ou execução e não venham a ser sanados du- rante o seu desenvolvimento regular. O artigo também busca de- monstrar a aplicabilidade prática destas modalidades de ação no âmbito do processo civil brasileiro, principalmente em virtude da vi- gência do novo código de processo civil de 2015, bem como o res- peito a coisa julgada e ao princípio da segurança jurídica constituci- onalmente instituído. 1 Introdução, 2 Ação Rescisória e Ação Anula- tória: Aplicabilidade Prática, 3 Conclusão, 4 Referências. PALAVRAS-CHAVE: Ação Rescisória. Ação Anulatória. Direito Processual Civil. Aplicabilidade. Prática. ABSTRACT - This article seeks to present the main characteristics of the Termination Action and the Annulment Action, presenting them as instruments of Civil Procedural Law to remedy any mate- rial, formal and procedural errors that may arise in the process of knowledge or execution and do not come to be healed during their regular development. The article also seeks to demonstrate the prac- tical applicability of these modalities of action in the Brazilian Civil CURTIR Procedure, COMENTAR mainly due to the validity of the new Civil ProcedureCode of 2015, as well as respect for res judicata and the principle of Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática constitutionally established legal certainty. 1 Introduction, 2 Action Rescessory And Action Anulatory: Practical Applicability, 3 Conclu- sion, 4 References. KEY WORDS: Termination. Related searches. civil procedural law. Applicability. Practice. Introdução O direito processual civil é um ramo do direito público que visa con- duzir os processos civis a sua devida solução por intermédio do uso da jurisdição que é imanente a natureza soberana do Estado. Desta forma, o Direito Processual Civil Brasileiro é dotado de um conjunto de princípios e normas que objetivam a efetividade das leis materi- ais, tendo o objetivo de instrumentalizar o Direito Civil e os demais ramos do direito civilista e subsidiariamente a outros segmentos processuais, para a sua devida aplicação prática, mas com o advento do Novo Código de Processo Civil de 2015, inúmeras duvidas surgi- ram em face do novo diploma legal e a sua efetivação, dada a vivaci- dade do direito e suas ciências que crescem e se desenvolvem junta- mente com a sociedade, variadas construções jurídicas vieram se formalizando diante dos casos concretos que iam se apresentando aos julgadores, suscitando novas dúvidas e questionamentos entre os operadores do direito, bem como entre os teóricos processualis- tas do direito civil. A coisa julgada é um dos elementos mais importantes do direito, pois é parte integrante do princípio da segurança jurídica, que é in- dispensável para a manutenção de qualquer sistema jurídico, onde a imutabilidade das decisões judiciais garantem a estabilidade do sis- tema e a pacificação social garantindo o direito como meio de satis- fação racional, civilizada e democrática dos interesses tanto particu- lares quanto públicos dos indivíduos integrantes da nação.Todavia, em nosso ordenamento jurídico inexiste a figura de um di- Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática reito ou princípio absoluto, eles apenas se autobalanceiam propici- ando o equilíbrio do jurídico do sistema, conforme pontuou Robert Alexy em sua Teoria dos Direitos Fundamentais, havendo a colisão entre eles tendo mesmo valor jurídico compete ao julgador fazer a relativização e ao sopesar a situação no caso concreto decidir qual deve ser aplicado no dado momento em análise. Todavia, quando ocorrem erros nas decisões, e tais equívocos ape- nas são descobertos após o trânsito em julgado ou quando determi- nado ato processual é concluído, como solucionar tal problema, haja vista que o trânsito em julgado confere a característica de imutabili- dade e indiscutibilidade da causa conferida pelo princípio da segu- rança jurídica, neste sentido surgem as Ações Rescisórias e Anulató- rias como mecanismos processuais para sanar tais problemáticas. Agora passa-se a tratar de forma mais minuciosa a discorrer sobre o tema. 1. Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática A estrutura orgânica do direito brasileiro prima pela manutenção da justiça e todos os efeitos decorrentes de sua aplicação no mundo dos fatos, este pensamento decorre do princípio constitucional da segu- rança jurídica, que se desenha no art. 5°, inciso "XXXVI" da nossa Carta Magna, in verbis: TÍTULO II DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS CAPÍTULO I DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOSArt. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos es- trangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à proprie- dade, nos termos seguintes: [...] XXXVI - a lei não prejudicará direito adquirido, ato jurídico perfeito e a coisa julgada; (BRASIL, Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988). Todavia, mesmo com toda a estrutura disponível nem sempre a jus- tiça é feita de forma "correta", como o sistema judiciário é operado por seres humanos que são falhos por natureza há de se imaginar que ocorram durante processo de construção ou obten- ção da justiça, em "Justiça: O que é fazer a coisa certa", Michael J. Sandel, nos leva a refletir acerca da ótica Aristóteles, Kant, Jeremy Bentham, John Rawls, como deve-se proceder para se chegar a jus- tiça tomando como base o pensamento filosófico. Ao partir do pressuposto que os operadores do sistema são falhos chega-se a hipótese de que podem ocorrer erros na execução dos atos inerentes ao processo, ou seja, a justiça pode falhar e gerar um erro que eventualmente pode impactar na vida dos jurisdicionados que buscam seus átrios em busca de amparo legal para solucionar uma problemática juridicamente possível, mas quando o erro surge após os prazos regulares para recursos precluírem? Nesta hipótese o Novo Código de Processo Civil de 2015 possibilitou uso de duas ações que tem de certa forma corrigir um suposto erro na aplicação da justiça no desenvolvimento do processo e são a ação rescisória e a ação anulatória que veremos mais adiante. 2.1. Ação RescisóriaA rescisória tem sua previsão legal no artigo 966 do Código de Ação Rescisória Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática Processo Civil de 2015, esta ação tem por objetivo a desconstituição de uma sentença meritória que tenha transitado em julgado, que em virtude de algum dos vícios elencados no rol taxativo do referido ar- tigo não tenham sido percebidos e/ou sanados no desenvolvimento do processo, veja-se: Art. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: I - se verificar que foi proferida por força de prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absoluta- mente incompetente; III - resultar de dolo ou coação da parte vencedora em de- trimento da parte vencida ou, ainda, de simulação ou colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei; IV - ofender a coisa julgada; V - violar manifestamente norma jurídica; VI - for fundada em prova cuja falsidade tenha sido apu- rada em processo criminal ou venha a ser demonstrada na própria ação rescisória; VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em jul gado, prova nova cuja existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunci- amento favorável;VIII for fundada em erro de fato verificável do exame dos Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática autos. § Há erro de fato quando a decisão rescindenda admitir fato inexistente ou quando considerar inexistente fato efeti- vamente ocorrido, sendo indispensável, em ambos os casos, que o fato não represente ponto controvertido sobre qual o juiz deveria ter se pronunciado. § Nas hipóteses previstas nos incisos do caput, será res- cindível a decisão transitada em julgado que, embora não seja de mérito, impeça: I nova propositura da demanda; ou II - admissibilidade do recurso correspondente. § A ação rescisória pode ter por objeto apenas 1 (um) ca- pítulo da decisão. § 4° Os atos de disposição de direitos, praticados pelas par- tes ou por outros participantes do processo e homologados pelo juízo, bem como os atos homologatórios praticados no curso da execução, estão sujeitos à anulação, nos termos da lei. § 5° Cabe ação rescisória, com fundamento no inciso V do caput deste artigo, contra decisão baseada em enunciado de súmula ou acórdão proferido em julgamento de casos repetitivos que não tenha considerado a existência de dis- tinção entre a questão discutida no processo e padrão de- cisório que lhe deu fundamento.§ Quando a rescisória fundar-se na hipótese do § Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática 5° deste artigo, caberá ao autor, sob pena de inépcia, de- monstrar, fundamentadamente, tratar-se de situação par- ticularizada por hipótese fática distinta ou de questão jurí- dica não examinada, a impor outra solução jurídica. (BRA- SIL, Lei n° 13.105, de 16 de março de 2015). No caput do artigo 966, a lei diz claramente "A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida..." em outras palavras a lei está dizendo que a "decisão transitada em julgado" pode ser des- feita, anulada ou cancelada, mas de certa forma não se estaria ata- cando a segurança jurídica do sistema normativo, eis a questão? Nas palavras de João Aguirre e Renato Montans de Sá a "[...] ação resci- sória, que constitui uma ação autônoma de impugnação, de cunho cognitivo e natureza desconstitutiva, que procura desfazer o julgado, quer por motivos de invalidade, quer por motivos de injustiça" (AGUIRRE, João Ricardo Brandão, 2017, p.118). Segundo o jurista e professor Fredie Didier Jr., a ação rescisória é dotada de autonomia própria não se tratando de recurso em hipó- tese alguma: "A ação rescisória é a ação autônoma de impugnação, que tem por objetivos a desconstituição de decisão judicial transitada em julgado e, eventualmente, o rejulgamento da causa. Ela não é recurso, exatamente porque dá origem a um novo processo para impugnar a decisão judicial. A ação rescisória pressupõe a coisa julgada, contrariamente ao recurso, que impede o trânsito em julgado e mantém o estado de litispendência ou de pendência do processo". (DI- DIER JR., Fredie, 2016, p.421). Neste sentido depreende-se que a ação rescisória constitui uma ação autônoma, não se tratando de recurso, contando com prazo próprio para o devido protocolo que conforme artigo 975 do Código deProcesso Civil, veja-se: Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática Art. 975 O direito à rescisão se extingue em 2 (dois) anos contados do trânsito em julgado da última decisão profe- rida no processo. § Prorroga-se até o primeiro dia útil imediatamente sub- sequente prazo a que se refere o caput, quando expirar durante férias forenses, recesso, feriados ou em dia em que não houver expediente forense. § Se fundada a ação no inciso VII do art. 966, termo inicial do prazo será a data de descoberta da prova nova, observado prazo máximo de 5 (cinco) anos, contado do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. § 3° Nas hipóteses de simulação ou de colusão das partes, o prazo começa a contar, para terceiro prejudicado e para Ministério Público, que não interveio no processo, a tir do momento em que têm ciência da simulação ou da lusão. (BRASIL, Lei n° 13.105, de 16 de março de 2015). Sendo assim, o prazo para a propositura de ação rescisória começa a fluir após trânsito em julgado e extingue-se após dois anos do mesmo, ressalvadas as hipóteses previstas nos parágrafos 1°, e 3°, que aventam situações em que este prazo possa vir a ser estendido. Desta forma pedido presente na ação rescisória será sempre "des- constitutivo", em sendo acolhida a ação rescisória ocorrerá o desfa- zimento da coisa julgada. Sendo assim, a ação rescisória se presta como instrumento juridicamente constituído para desfazimentoda sentenca transitada em julgado por dois motivos invalidade pro- Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática cessual e injustiça conforme interpretação extraída do artigo 966 do Código de Processo Civil. Todavia quando a sentença ainda não transitou em julgado a propo- situra da Ação Rescisória finda impedida de ser devidamente pro- posta em face de seu objeto de ataque ainda não ter sido consti- tuído, ou seja, a coisa julgada, desta maneira quando se objetiva desconstituir uma decisão que ainda não transitou em julgado deve se optar por outro tipo de ação que vise reparar os possíveis efeitos que venham a surgir a partir de sua materialização fática e está é a ação anulatória. 2.2. Ação Anulatória Quando atos decisórios que transitam em julgado no processo ve- nham a prejudicar determinada parte, esta pode socorrer-se com base na ação rescisória, prevista no art. 966, mas quando tais atos decisórios que não versam sobre mérito, as chamadas decisões in- terlocutórias geram direitos e deveres em relação as partes e até pe- rante terceiros, nestes casos lei exige uma ação própria a ação anulatória, anteriormente a ação anulatória estava prevista no art. 486 do CPC/1973, diferente da ação rescisória que visa desconstituir a coisa julgada, a ação anulatória visa invalidar ato judicial que ve- nha criar indevidamente obrigações a parte que a propõe, pois en- tende-se que referido ato judicial deva ser invalidado evitando a sua produção de efeitos, a ação anulatória permanece interligada à ação rescisória, mas agora se apresenta com nova redação e inserida no parágrafo 4° do artigo 966 do Código de Processo civil, qual transcreve-se in verbis: CAPÍTULO VII DA AÇÃO RESCISÓRIAArt. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática ser rescindida quando: [...] § 4° Os atos de disposição de direitos, praticados pelas par- tes ou por outros participantes do processo e homologados pelo juízo, bem como os atos homologatórios praticados no curso da execução, estão sujeitos à anulação, nos termos da lei. (BRASIL, Lei n° 13.105, de 16 de março de 2015). O legislador optou por manter a ação anulatória junto a ação resci- sória devido a compatibilidade temática, mas não implica dizer que se trata do mesmo instrumento processual, sendo que ambas têm momentos e objeto distintos, além disso a nova redação ao afirmar "Os atos de disposição de direitos, praticados pelas partes ou por outros participantes do processo e homologados pelo nos diz que a ação anulatória não versará sobre a decisão meritória, apenas sobre os atos praticados pelas partes ou terceiros que venham a ser integrados ou homologados pelo juízo, sendo assim em se tratando de mérito cabe apenas ação rescisória e nas questões que não versão sobre mérito é cabível a ação anulatória. Quando ocorre a arrematação e a adjudicação no desenvolvimentos do processo e juízo as homologa a parte que se sentir prejudicada poderá propor a ação anulatória, pois tais atos não são decisões me- ritórias, sendo basicamente de cunho administrativo, além do mais, as decisões meramente homologatórias estão sujeitas a ação anula- tória e não a ação rescisória haja vista que não possuem caráter me- ritório, segundo Seabra Fagundes "para a anulação das sentenças de caráter meramente homologatório é incabível a ação rescisória", neste mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, in verbis:"em se tratando de decisão homologatória de divi- Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática são, se revela incabível a ação rescisória intentada contra a mesma cuja jurisdição é de natureza meramente graciosa e, pois, sujeita simplesmente à anulação do res- pectivo ato judicial" (AR 403, Rel. Des. Edésio Fernandes, DJMG 27.09.1975). (Nesse sentido: STJ, REsp 13.012-0/SP, Rel. Min. Athos Carneiro, ac. 02.02.1993, LEX-JSTJ 47/139- 140; STJ, T., REsp 450.431/PR, Rel. Min. Luiz Fux, ac. 18.09.2003, DJU 20.10.2003). (grifo nosso). Desta forma, os defeitos processuais que ocorrem em processos não litigiosos são sanados por intermédio da ação anulatória, e os atos judiciais que não dependem de sentença também são reparados por meio da ação anulatória. Logo todos os atos decisórios de mérito propriamente dito só podem ser objeto de ação rescisória, todos os atos judiciais contenciosos em que incorra a decisão judicial de mérito, ou seja, todos os atos em que a efetiva manifestação do juízo decisório sobre o mérito. Tal qual a ação rescisória a ação anulatória tem natureza negativa ou desconstitutiva, pois visa desconstituir uma decisão que não versa sobre o mérito, mas que eventualmente causa prejuízo à parte. A ação anulatória tem efeito "ex tunc", haja vista que sendo proce- dente os atos atacados na ação terão seus efeitos apagados. Mesmo a ação anulatória não atacando a coisa julga diretamente ela poderá ser utilizada para indiretamente a desconstitui-la, pois ao ser procedente a ação anulatória dotada de efeito "ex tunc" retroage ao início. Por exemplo, um acordo entre as partes homologado pelo juízo e transitado em julgado, poderá ser alvo de ação anulatória quando eivado de vícios, observe que alvo da ação não é o mérito em si, mas a transação jurídica entre as partes em conformidade com o disposto no art. 966, § 4° do Código de Processo Civil.2.3. Aplicabilidade Prática Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática O cerne de saber as distinções entre a ação rescisória e a ação anula- tória é a forma correta de utilizar cada modalidade de ação em con- formidade com a situação jurídica apresentada, neste momento a fi- gura de um profissional devidamente habilitado e qualificado será determinante no provável sucesso ou infortúnio da empreitada jurí- dica da parte que visa ter seus direito tutelados pela propositura de algumas das ações em destaque. Ao analisar o caso concreto o profissional deverá atentar-se aos re- quisitos de cada ação para propor a ação correta para cada realidade fática, sendo assim, quando a decisão transitada em julgado for de mérito deverá propor-se a ação rescisória em face da mesma, toda- via, quando a decisão transitada em julgado não for meritória de- verá ser utilizada a ação anulatória como mecanismo processual adequado. Segundo o professor Marcus Vinicius Rios Gonçalves, a ação anula- tória cabe contra atos de disposição de direitos em que as partes praticam no processo por vontade própria, veja-se: "Um deles é a ação anulatória ou declaratória de nulidade, prevista no art. 966, § do CPC que cabe contra os atos de disposição de direitos, praticados pelas partes ou por outros participantes do processo e homologados pelo juízo, bem como os atos homologatórios praticados no curso da execução. Sempre que a sentença for apenas de homologa- ção, como ocorre quando há acordo entre os litigantes, a ação rescisória não será o mecanismo adequado para im- pugnação, mas as ações anulatórias ou declaratórias de nulidade, previstas para os atos jurídicos em geral". (GON- Marcus Vinicius Rios, 2018, p.504).O mesmo não se pode dizer a respeito da ação rescisória que tem Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática como objetivo a desconstituição de decisão meritória transitada em julgado, conforme leciona Gonçalves, trânsito em julgado é indis- pensável a ação rescisória: "O trânsito em julgado como condição indispensável para o ajuizamento da ação rescisória. Enquanto não há trânsito em julgado, a decisão deverá ser impugnada por meio do recurso adequado. Só quando não for mais possível a inter- posição do recurso, após o trânsito, surgirá o interesse de agir para a ação rescisória" Marcus Vini- cius Rios, 2018, p.508). Sendo assim, ao passo que a ação anulatória se demonstra instru- mento hábil para desconstituir a decisão transitada em julgado que não versar sobre o mérito ou quando se trata de homologação de transações entre as partes, a ação rescisória fundamenta-se na des- constituição de decisão transitada em julgado que tenha sido profe- rida sobre mérito processual, competindo ao profissional do di- reito a devida identificação dos elementos inerentes ao ato proces- sual para a sua devida qualificação frente a realidade fática apresen- tada de modo a propor a ação mais adequada a situação. É fundamental salientar que a legislação não prevê que tenham sido esgotados todos os recursos possíveis para a propositura das ações em comento, mas que tenham se exaurido os prazos, por preclusão, pondo fim as possibilidades de recursos, em outras palavras não é requisito a apresentação de todos os recursos previstos na legislação para que seja viável a propositura da Ação Rescisória ou da Ação Anulatória, basta apenas que tenha havido o trânsito em julgado da decisão a ser atacada, haja vista que sem trânsito em julgado falta interesse de agir, porque por meio dos recursos ainda é possível ob- ter a cassação da decisão.Cabe salientar que em virtude da possibilidade de o juiz fragmentar Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática a decisão meritória como nos casos do julgamento antecipado par- cial se torna possível a proposição de ação rescisória contra a deci- são interlocutória de mérito, com bem especifica Gonçalves: "Como o julgamento de mérito pode ser cindido, já que o juiz pode, em julgamento antecipado parcial, apreciar um dos pedidos e deixar para apreciar os demais na sentença, a parte poderá ajuizar ação rescisória apenas contra a de- cisão interlocutória de mérito já transitada em julgado, ainda que o processo prossiga para o exame dos demais pe- didos. Mas, se quiser, poderá aguardar a sentença e o exame das pretensões restantes, porque o direito à ria só se extingue depois de dois anos a contar do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo (art. 975)". Marcus Vinicius Rios, 2018, p.508). Posto isto, compete salientar que a aplicação prática da ação ade- quada irá depender da capacidade de identificação e percepção do profissional do direito, no momento da avaliação do caso concreto, onde irá definir qual instrumento será o mais adequado para a pro- positura da ação com base em uma análise técnica e jurídica que deve ser precisa e coerente, desta forma selecionar entre a Ação Rescisória e a Ação Anulatória qual será a mais pertinente ao momento. 3. Conclusão Com base em todo o exposto, conclui-se que a Ação Rescisória e a Ação Anulatória em nada ofendem o princípio da segurança jurí- dica, pois elas visam única e exclusivamente a justiça, servindo como mecanismo que auxilia no controle da qualidade jurisdicional ofertada aos cidadãos.Compete reforcar que tanto a Rescisória quanto a Ação Anula- Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática tória são ações autônomas e independentes, que visam desconstituir decisões transitadas em julgado, não se tratando em hipótese al- guma de recursos processuais. Além disso, a Ação Rescisória busca desconstituir decisão transitada em julgado que verse sobre questão de mérito, ao passo que a Ação Anulatória trata de desconstituir as decisões transitadas em julgado que não incidem no mérito do processo. Em suma Ação Rescisória tem relação direita com o mérito, já a Ação Anulatória não tem relação direta com o mérito processual, ca- bendo ao profissional do direito identificar qual instrumento jurí- dico processual se adequa a situação fática que lhe é apresentada objetivando a melhor prestação de serviços possível. REFERÊNCIAS AGUIRRE, João Ricardo Brandão. Prática civil / João Aguirre e Renato Montans de Sá. - 7. ed. - São Paulo: Saraiva, 2017. ALEXY, Robert. Constitucionalismo Discursivo. Tradutor: Luís Afonso Heck. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2007. Teoria dos Direitos Fundamentais. 1986. Tradutor: Virgílio Afonso da Silva. São Paulo: Malheiros Editores LTDA., 2006. BRASIL. Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assun- tos Jurídicos. Disponível: mpilado.htm>. Acesso: 14 mai. 19.Lei 13.105, de 16 de março de 2015. Presidência Ação Rescisória e Ação Anulatória: Aplicabilidade Prática da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Dispo- nível: 2018/2015/lei/l13105.htm>. Acesso: 14 mai. 19. BUENO, Cassio Scarpinella. Manual de direito processual ci- vil: volume único / Cassio Scarpinella Bueno. - 4. ed. - São Paulo: Saraiva Educação, 2018. DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdu- ção ao direito processual civil, parte geral e processo de conheci- mento / Fredie Didier Jr. - 19. ed. Salvador: Ed. JusPodivm, 2017. Curso de direito processual civil: o processo civil nos tribunais, recursos, ações de competência originária de tribunal e querela nullitatis, incidentes de competência originária de tribunal / Fredie Didier Jr., Leonardo Carneiro da Cunha ed. refornn. - Salvador: Ed. JusPodivm, 2016. Marcus Vinicius Rios. Direito processual civil es- quematizado / Marcus Vinicius Rios Gonçalves. - 9. ed. - São Paulo: Saraiva. Educação, 2018. Direito processual civil: esquematizado / Marcus Vinicius Rios Gonçalves. - edição. revista e atualizada São Paulo: Saraiva, 2012. NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito proces- sual civil: volume único. Ed. Revista - Ampliada - Atuali- zada. Editora JusPODIVM, 2018. TARTUCE, Fernanda. Manual de prática civil / Fernanda Tar- tuce, Luiz Dellore. - 14. ed., rev. e atual. - Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018.THEODORO Humberto. Curso de Direito Processual Ação Rescisória e Ação Anulatória: Prática Civil - vol. III / Humberto Theodoro Júnior. 51. ed. rev., atual. e ampl. - Rio de Janeiro: Forense, 2018. Curso de Direito Processual Civil - vol. II / Hum- berto Theodoro Júnior. 51. ed. rev., atual. e ampl. - Rio de Janeiro: Forense, 2018. Curso de direito processual civil - vol. I / Hum- berto Theodoro Júnior. - 51. ed. rev., atual. e ampl. - Rio de Ja- neiro: Forense, 2018. 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