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QUESTÕES DE FILOSOFIA METAFISICA 11- 20

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Questões resolvidas

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QUESTÕES DE FILOSOFIA - SOBRE METAFÍSICA E TEORIA DO CONHECIMENTO - 
Questão 11
Leia o trecho a seguir.
Quando se refere aos conhecimentos dos teólogos, Galileu usa quase sempre a palavra “sublime’”. A seu ver, aquele tipo de saber tem uma característica fundamental: com base naqueles “sublimes” conhecimentos, uma vez demonstrada e conhecida como verdadeira uma tese científica, é sempre possível encontrar depois na Escritura “exposições concordantes com aquela” e interpretações com ela congruentes: “Como de antemão a estimam falsa (a verdade copernicana), parece-lhes encontrar, ao ler as Escrituras, só passagens dela discordantes, mas se tivessem formado outro conceito, encontrariam por certo outros tantos que são concordantes”.
Nas anotações pessoais, é possível captar a revolta de Galileu contra “ter que admitir que pessoas ignorantíssimas de uma ciência ou arte sejam juízes dos inteligentes, e pela autoridade que lhes é concedida possam dirigi-los a seu modo”.
Paolo Rossi. A ciência e a filosofia dos modernos. São Paulo: Unesp, 1992. p. 116-117.
No que se refere à condenação de Galileu, assinale a alternativa correta.
a) Galileu foi condenado porque era considerado mais sábio que os outros homens e corrompia a juventude.
b) A defesa de Galileu do modelo geocêntrico resultou em sua condenação por heresia.
c) Galileu reinterpretou a Bíblia, mostrando como ela é compatível com o sistema copernicano.
d) Galileu nunca abjurou as suas teses heliocêntricas e morreu na fogueira por ordem da Santa Inquisição.
e) A principal acusação feita pela Inquisição contra Galileu foi a de prática de magia e bruxaria.
RESPOPSTA: Letra C. Galileu foi condenado por heresia e quase foi levado à pena de morte, caso não tivesse abjurado suas teses. As teses que resultaram na condenação do cientista e filósofo moderno eram favoráveis ao heliocentrismo, proposto por Nicolau Copérnico, e mostravam como era necessária uma nova interpretação das Escrituras Sagradas.
Questão 12
Leia o extrato a seguir.
(...) a maneira pela qual Galileu concebe um método científico correto implica uma predominância da razão sobre a simples experiência, a substituição de uma realidade empiricamente conhecida por modelos ideais (matemáticos), a primazia da teoria sobre os fatos. Só assim é que (...) um verdadeiro método experimental pôde ser elaborado.
Um método no qual a teoria matemática determina a própria estrutura da pesquisa experimental, ou, para retomar os próprios termos de Galileu, um método que utiliza a linguagem matemática (geométrica) para formular suas indagações à natureza e para interpretar as respostas que ela dá.
Alexandre Koyré. Estudos de história do pensamento científico. Tradução de Márcia Ramalho. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1991. p. 74.
Galileu teve contribuição ímpar para a formação do método científico moderno. Sobre esse seu método, é correto afirmar que:
a) é um método no qual há o predomínio da experiência sobre a razão.
b) é um método segundo o qual a Matemática determina a estrutura da natureza.
c) é um método independente da experiência, pois dela a razão está afastada.
d) é um método experimental e que necessita de uma instância teórica que anteceda a experiência.
e) é um método segundo o qual a experiência interpreta a natureza.
RESPOSTA: Letra B. O método de Galileu propõe que há uma codificação para o Universo e a chave para decodificar a natureza está na Matemática, da qual, e por isso mesmo, a Física necessita tanto.
Questão 13
(Enem) Após ter examinado cuidadosamente todas as coisas, cumpre enfim concluir e ter por constante que esta proposição, eu sou, eu existo, é necessariamente verdadeira todas as vezes que a enuncio ou que a concebo em meu espírito.
DESCARTES, R. Meditações. Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
A proposição “eu sou, eu existo” corresponde a um dos momentos mais importantes na ruptura da Filosofia do século XVII com os padrões da reflexão medieval, por
a) estabelecer o ceticismo como opção legítima.
b) utilizar silogismos linguísticos como prova ontológica.
c) inaugurar a posição teórica conhecida como empirismo.
d) estabelecer um princípio indubitável para o conhecimento.
e) questionar a relação entre a filosofia e o tema da existência de Deus.
RESPOSTA: Letra D. A afirmação cartesiana consegue, pela primeira vez, estabelecer uma verdade inquestionável e indubitável, levando ao que Descartes chamou de conhecimento claro e distinto.
Questão 14
(Enem 2016) Pirro afirmava que nada é nobre nem vergonhoso, justo ou injusto; e que, da mesma maneira, nada existe do ponto de vista da verdade; que os homens agem apenas segundo a lei e o costume, nada sendo mais isto do que aquilo. Ele levou uma vida de acordo com esta doutrina, nada procurando evitar e não se desviando do que quer que fosse, suportando tudo, carroças, por exemplo, precipícios, cães, nada deixando ao arbítrio dos sentidos.
LAÉRCIO, D. Vidas e sentenças dos filósofos ilustres. Brasília: Editora UnB, 1988.
O ceticismo, conforme sugerido no texto, caracteriza-se por:
a) desprezar quaisquer convenções e obrigações da sociedade.
b) atingir o verdadeiro prazer como o princípio e o fim da vida feliz.
c) defender a indiferença e a impossibilidade de obter alguma certeza.
d) aceitar o determinismo e ocupar-se com a esperança transcendente.
e) agir de forma virtuosa e sábia a fim de enaltecer o homem bom e belo.
RESPOSTA: Letra C. Para os céticos adeptos da corrente proposta por Pirro, o ser humano não pode chegar a qualquer conhecimento verdadeiro. Ele deve, então, manter-se indiferente frente a pretensão de verdade, caso contrário, cairá na frustração.
Questão 15
(Enem) Trasímaco estava impaciente porque Sócrates e os seus amigos presumiam que a justiça era algo real e importante. Trasímaco negava isso. Em seu entender, as pessoas acreditavam no certo e no errado apenas por terem sido ensinadas a obedecer às regras da sua sociedade. No entanto, essas regras não passavam de invenções humanas.
RACHELS, J. Problemas da filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009.
O sofista Trasímaco, personagem imortalizado no diálogo A República, de Platão, sustentava que a correlação entre justiça e ética é resultado de
a) determinações biológicas impregnadas na natureza humana.
b) verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais.
c) mandamentos divinos inquestionáveis legados das tradições antigas.
d) convenções sociais resultantes de interesses humanos contingentes.
e) sentimentos experimentados diante de determinadas atitudes humanas.
RESPOSTA: Letra D. Para os sofistas, não existe verdade absoluta. Esses professores de retórica foram acusados, por Sócrates, de serem relativistas, pois eles defendiam que a verdade se relaciona à capacidade individual de falar e ao convívio social de expor suas normas, que mudam entre as diferentes sociedades.
Questão 16
(Enem) Suponha homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, cuja entrada, aberta à luz, se estende sobre todo o comprimento da fachada; eles estão lá desde a infância, as pernas e o pescoço presos por correntes, de tal sorte que não podem trocar de lugar e só podem olhar para frente, pois os grilhões os impedem de voltar a cabeça; a luz de uma fogueira acesa ao longe, numa elevada do terreno, brilha por detrás deles; entre a fogueira e os prisioneiros, há um caminho ascendente; ao longo do caminho, imagine um pequeno muro, semelhante aos tapumes que os manipuladores de marionetes armam entre eles e o público e sobre os quais exibem seus prestígios.
PLATÃO. A República. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2007.
Essa narrativa de Platão é uma importante manifestação cultural do pensamento grego antigo, cuja ideia central, do ponto de vista filosófico, evidencia o(a):
a) caráter antropológico, descrevendo as origens do homem primitivo.
b) sistema penal da época, criticando o sistema carcerário da sociedade ateniense.
c) vida cultural e artística, expressa por dramaturgos trágicos e cômicos gregos.
d) sistema político elitista, provindo do surgimento da pólise da democracia ateniense.
e) teoria do conhecimento, expondo a passagem do mundo ilusório para o mundo das ideias.
RESPOSTA: Letra E. O trecho expressa a teoria do conhecimento platônica, que se baseia na passagem que o indivíduo deve fazer do conhecimento sensorial, que é superficial e errôneo, para o conhecimento inteligível, que habita o Mundo das Ideias e é superior.
Questão 17
Analise o excerto:
Sendo então a alma imortal e tendo nascido muitas vezes, e tendo visto tanto as coisas que estão aqui quanto as que estão no Hades, enfim todas as coisas, não há quem não tenha aprendido; de modo que não é nada de admirar, tanto com respeito à virtude quanto ao demais, ser possível a ela rememorar aquelas coisas justamente que já antes conhecia. Pois, sendo a natureza toda congênere e tendo a alma aprendido todas as coisas, nada impede que, tendo alguém rememorado uma só coisa — fato esse precisamente que os homens chamam aprendizado —, essa pessoa descubra todas as outras coisas, se for corajosa e não se cansar de procurar. Pois, pelo visto, o procurar e o aprender são, no seu total, uma rememoração.
Adaptado de Platão. Mênon. Texto estabelecido e anotado por John Burnet. Tradução de Maura Iglésias. Rio de Janeiro: PUC-RJ/Loyola, 2001.
Para Platão, o conhecimento provém da razão e não da experiência. Para justificar esse posicionamento, ele cria a teoria das reminiscências, forma mítica do racionalismo. De acordo com essa teoria, é correto afirmar que o conhecimento é:
a) uma forma de significação do mundo construída por meio das experiências individuais, tradições culturais e do uso da razão.
b) construído de premissas advindas das percepções sensíveis, das quais são deduzidas posteriormente novas verdades.
c) resultado da ação divina, que revela aos homens verdades eternas por intermédio de sacerdotes ou sacerdotisas.
d) reconhecido por intuição intelectual, pois as ideias aprendidas antes da encarnação são lembradas na vida presente.
e) proveniente da impressão das imagens dos objetos sensíveis na memória, com base no que são formadas as ideias simples na mente.
RESPOSTA: Letra D. O processo dialético da educação proposto por Platão visa a levar a pessoa a uma intuição intelectual que a faça lembrar daquele conhecimento que ela obteve anteriormente, enquanto era uma alma desencarnada, e do qual ela se esqueceu quando encarnou.
Questão 18
Interprete o excerto a seguir.
Em Mênon, a questão tratada é a natureza da virtude e se esta pode ser ensinada. Sócrates sustenta que a virtude não pode ser ensinada, consistindo em algo que trazemos conosco desde o nosso nascimento, que pertence a nossa natureza. Trata-se de uma defesa do inatismo, concepção segundo a qual temos em nós um conhecimento inato, que, entretanto, se encontra obscurecido ou esquecido desde o momento em que a alma se encarnou no corpo. O papel da filosofia é fazer-nos recordar esse conhecimento, o que ficou conhecido como doutrina platônica da reminiscência, ou lembrança.
Danilo Marcondes. Textos básicos de filosofia - Dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007. p. 32.
A defesa do inatismo era necessária para que Platão pudesse resolver o problema da(o):
a) origem do mal
b) divergência de opiniões
c) erro dos sentidos
d) dualismo entre corpo e alma
e) origem das ideias
RESPOSTA: Letra E. Como o conhecimento é obtido antes do nascimento da pessoa, segundo Platão, era preciso haver uma teoria que desse conta de explicar a origem das ideias. Essa teoria é a das ideias inatas, ou inatismo, que afirma que todas as ideias são originadas em uma instância metafísica, o Mundo das Ideias. Para explicar como nós as obtemos, Platão teve que se basear na hipótese de que elas são inatas, são impressas em nossas almas antes do nascimento. No nascimento nós nos esquecemos delas, e depois vamos nos lembrando aos poucos, quando as buscamos.
Questão 19
Leia a citação.
As coisas belas, por exemplo, não são o Belo, mas contribuem para despertar na alma a intuição primitiva da Beleza, a fazê-la recordar a verdade esquecida. O conhecimento, para Platão, é lembrança (anámnesis). A experiência externa é só um ensejo para fazê-la recordar a verdade que já está nela, anterior àquela.
M. F. Sciacca. História da Filosofia - Antiguidade e Idade Média. Tradução de Luis Washington Vita. São Paulo: Mestre Jou. p. 71.
De acordo com o texto e seus conhecimentos sobre Platão, pode-se afirmar que o fundamento do conhecimento está baseado:
a) no inatismo
b) na percepção sensível
c) na lógica dedutiva
d) na revelação divina
e) nos costumes
RESPOPSTA: Letra A. As ideias inatas são a fonte de todo o conhecimento verdadeiro, pois elas surgem no Mundo das Ideias.
Questão 20
Analise o que vem a seguir e marque a alternativa correta.
Antes de vir habitar num corpo, as almas “veem”, quem mais quem menos, o mundo das ideias. Assim adquirem conhecimento do Ser eterno e imutável. Enquanto vivem naquele mundo, têm plena posse das Essências, as intuem, entendem absolutamente. Com a queda no mundo visível, vestem as mortalhas às quais permanecem ligadas durante todo o curso terreno da vida. A alma, caída do mundo invisível no corpo, contaminada e perturbada pelo elemento irracional, esquece o conhecimento das Ideias, erra no juízo, atraída e dominada pelo sensível.
M. F. Sciacca. História da Filosofia - Antiguidade e Idade Média. Tradução de Luis Washington Vita. São Paulo: Mestre Jou. p. 73.
Para Platão, as almas têm acesso às verdades, mas se esquecem delas ao encarnarem no mundo sensível. Contudo, a lembrança do conhecimento esquecido ainda é possível:
a) após a morte do corpo, quando a alma volta a contemplar o Ser eterno e imutável e relembra-se de tudo.
b) por meio da atividade do logos, que é capaz de purificar a alma dos elementos irracionais, aproximando-a do Inteligível, em que reside a verdade.
c) com base na negação de tudo que venha dos sentidos, visto ser o corpo que contamina e perturba a alma pelo elemento irracional.
d) via meditação, momento em que a alma se afasta temporariamente do corpo e volta a se conectar com o Ser.
e) graças à razão, que demonstra as ideias pela via dedutiva, sendo a inferência válida o critério de verdade do conhecimento.
RESPOSTA: Letra B. Somente a razão (o logos) pode nos levar a um conhecimento puro e verdadeiro, pois ela é o caminho para o Mundo das Ideias.

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